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ID: 36442642 12-07-2011 Tiragem: 22000 País: Portugal Period.: Diária Âmbito: Economia, Negócios e. Pág: 10 Cores:

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12-07-2011
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País: Portugal
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Rui Oliveira, Reitor do Instituto Superior de Psicologia Aplicada – Instituto Universitário

“DOIS TERÇOS DOS NOSSOS ALUNOS ESTÃO EMPREGADOS NA ÁREA DA PSICOLOGIA”

A estratégia do ISPA-IU, a oferta da instituição para o ano lectivo 2011/12 e a empregabilidade dos cursos de Psicologia são temas em análise nesta entrevista do Reitor Rui Oliveira. Por Almerinda Romeira (Texto) e Victor Machado (Fotos)

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Nos últimos dois anos, o ISPA adop- tou uma nova matriz institucional (ISPA-IU), alargou a sua oferta forma- tiva às ciências da vida e elegeu uma nova equipa reitoral. Que reflexos têm estas alterações na estratégia da instituição?

Não são estas alterações que levam a uma mudança na estratégia de desen- volvimento da instituição, mas sim o contrário: a nossa estratégia de desen- volvimento promoveu estas altera- ções. Passo a explicar. O ISPA é a mais antiga escola de Psicologia a funcionar em Portugal, comemorando, em 2012, os seus 50 anos, sendo actual-

mente uma referência nacional e in- ternacional nesta área do conheci- mento. No entanto, desde a sua funda- ção, nunca esteve inserido em nenhu- ma Universidade, tendo sempre fun- cionado como Instituto Superior não integrado. Este facto conferiu-lhe grande autonomia e permitiu que fi- zesse um percurso único. No entanto, ao longo deste percurso, assistiu-se à transformação progressiva de uma es- cola inicialmente focada na formação técnica para o exercício da profissão de psicólogo em diferentes contextos (clínico, educacional, organizacional), para uma realidade verdadeiramente

universitária, no sentido em que, para além da transmissão de saber, se pro- duz conhecimento baseado na investi- gação, tornou-se necessário fixar um corpo docente qualificado e promover a formação avançada e a investigação científica.

Daí a nova designação?

A passagem a Instituto Universitário tornou-se, assim, o passo lógico a dar no desenvolvimento institucional do ISPA por duas razões: em primeiro lu- gar, do ponto de vista legal, apenas Ins- titutos Universitários e Universidades têm a capacidade de conferir o grau de

doutoramento. O ISPA confrontava-se, assim, com o paradoxo de deter um dos corpos docentes mais qualificados em Portugal na área da Psicologia e, por via do enquadramento legal, se ver impossibilitado de desenvolver o seu próprio programa de doutoramento; em segundo lugar, só é possível alavan- car as áreas da investigação e desen- volvimento conferindo-lhes qualidade e relevância com a existência de massa crítica diversificada e multidisciplinar. Em investigação, a diversidade é fundamental, pois possibilita a inova- ção através da troca de ideias e aborda- gens menos convencionais à resolução

dos problemas. Nesta perspectiva, identificámos duas áreas complemen- tares à Psicologia: as Ciências Sociais e as Biociências, que, no seu conjunto, se podem potenciar a este nível. As- sim, uma das dimensões da nossa es- tratégia de desenvolvimento passa pe- lo reforço destas áreas, com reflexos na actual oferta formativa ao nível de cursos de 1.º ciclo (licenciaturas) em Desenvolvimento Comunitário, Reabi- litação e Inserção Social e Biologia, para além do mestrado integrado em Psicologia (1.º + 2. º ciclo).

A licenciatura de Biologia em 2010/11 será seguida de outros cur- sos na área das ciências da vida?

Sim, existe, já desde 2007, a oferta de um mestrado em Psicobiologia focado no estudo da Biologia do Comporta- mento e nas Neurociências e outros mestrados estão em preparação na área das Biociências. Entretanto, está já submetida à Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior uma proposta para a criação de um douto- ramento em Biologia com três áreas de especialização: Biologia do Comporta- mento e Neurociências, Biologia Mari- nha e Genética, Ecologia e Evolução. Estas áreas de especialização do douto- ramento correspondem às linhas de actividade da Unidade de Investigação em Eco-Etologia que está sediada no ISPA desde 1994 e pertence à rede de unidades de I&D financiadas pelo Pro- grama Plurianual da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (para além de outras duas unidades do ISPA na área da Psicologia). Aliás, é de referir que esta unidade foi das poucas a nível na- cional e a única no seu painel a obter a classificação máxima de “Excelente” na última avaliação do painel de peri- tos internacionais da FCT. Assim, o plano, a curto prazo, é ter- mos oferta formativa na área das Bio- ciências do 1.º ao 3.º ciclo que assente na actividade de investigação desta unidade e permita aos estudantes que nos procuram fazerem todo o seu per- curso no ISPA-IU num ambiente de I&D. Aliás, é de reforçar que, no nosso novo curso de Biologia, os estudantes são envolvidos em actividades de in- vestigação desde o primeiro ano da li- cenciatura.

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Qual a oferta do ISPA-IU para

2011/12?

Iremos manter a nossa oferta, que já é bastante diversificada e que consiste em três primeiros ciclos (licenciaturas em Biologia, Reabilitação e Inserção Social e Desenvolvimento Comunitá- rio), quatro segundos ciclos (mestra- dos em Psicobiologia, Psicocriminolo- gia, Psicologia da Saúde, e Psicologia Comunitária), um mestrado integrado em Psicologia (que integra um 1.º ciclo em Ciências Psicológicas e três áreas de especialização de 2.º ciclo: Psicolo- gia Clínica, Psicologia Educacional e Psicologia Social e das Organizações), dois terceiros ciclos (programas de doutoramento em Psicologia, e Ciên- cias da Educação em colaboração com a Universidade Nova) e de um 3.º ciclo em Biologia (actualmente em fase de acreditação). Para além da formação conducente à obtenção de grau acadé- mico exposta acima, irão ainda funcio- nar várias pós-graduações e cursos de estudos avançados mais vocacionados para competências práticas ou técni- cas. Finalmente, é de referir a existên- cia de um leque muito variado de cur- sos de formação profissional oferecida pelo nosso departamento de formação permanente e que pretendem dar res- posta às necessidades de formação ao longo da vida de profissionais nas nos- sas áreas de conhecimento.

Quais as novidades face ao ano lecti- vo que agora termina?

Na vertente académica, está previsto o lançamento da 1.ª edição do novo cur- so de doutoramento em Biologia. Na formação pós-graduada não conducen- te a grau académico temos várias novi- dades que passam pela oferta de novas pós-graduações como, por exemplo, “Psicologia para Decisores”, que é um curso dirigido a quadros de empresas e outros profissionais que sintam neces- sidade de compreender e controlar melhor os mecanismos de tomada de decisão e pela criação de cursos de es- tudos avançados que consistem em formação de 3.º ciclo, mas, ao contrá- rio dos doutoramentos, dirigida ao de- senvolvimento de competências pro- fissionais. Estes programas de estudos avançados têm como destinatários de- tentores de um 2º ciclo na área de es- pecialização em causa e para além de um ano curricular integram mais um ou dois anos de prática de actividade profissional supervisionada enquadra- da, sempre que assim se justifique, por sociedades científicas sectoriais, a qual pode ser exercida no recém-inaugura-

que existem hoje necessidades efecti- vas, prementes e estruturais de servi- ços de Psicologia em diversas áreas, em particular no sector da saúde e da educação. Os números actuais e a comparação com os nossos parceiros do espaço europeu revelam que Portu- gal é claramente deficitário nestas áreas de actividade. A ideia que refere conduz-nos, portanto, a uma situação paradoxal pois, apesar do aparente ex- cesso de psicólogos, a situação actual demonstra, de forma muito evidente, a necessidade real de profissionais na área da Psicologia, talvez até mais do que no passado, considerando as ac- tuais evoluções societais.

É então uma questão de mercado?

Sim, a questão que se coloca prende- -se, em boa parte, com as distorções sentidas no funcionamento do merca- do de trabalho, as quais, em conjunto com a actual conjuntura restritiva, afectam boa parte dos recém diploma- dos em Portugal (em quase todas as áreas de formação). Cada vez mais a frequência de um curso superior não é condição sufici- ente para exercer uma profissão nessa área. Com a democratização e massifi- cação do ensino superior a que se assis- tiu nas últimas décadas, a sua função tem de ser revista e podemos olhar para outras sociedades nas quais a qualificação média dos trabalhadores é muito superior à nossa para perceber quais são as soluções. Julgo que, em parte, as reformas do modelo de Bolonha visam responder a esse problema: promover uma fre- quência mais alargada na população de cursos universitários de banda lar- ga mas com menor duração (licencia- turas de apenas 3 anos) que, mais do que fornecerem conhecimentos espe- cíficos, devem promover o desenvolvi- mento de competências de aprendiza- gem que lhes permitam uma aprendi- zagem ao longo da vida, com elevado grau de autonomia, tornando-os mais interventivos e empreendedores, me- lhorando simultaneamente a qualida- de dessas mesmas intervenções e as probabilidades de sucesso no empre- endedorismo. Esta alteração de para- digma coloca especiais desafios e res- ponsabilidades às instituições de ensi- no superior. A formação de banda lar- ga na área da Psicologia deve ser vista como muito útil e relevante, mesmo para quem não pretenda exercer a pro- fissão de Psicólogo, uma vez que é ab- solutamente estruturante para a com- preensão da actividade e comporta-

Cada vez mais, a frequência de um curso superior já não é condição suficiente para exercer uma profissão nessa área

do Centro de Atendimento do ISPA. Já no próximo ano, será implementado este modelo no campo das Psicoter-a- pias em colaboração com algumas so- ciedades desta área.

Porquê lançarem novos cursos?

Os novos cursos que estamos a lançar são sobretudo da vertente não acadé- mica e pretendem dar cobertura a uma cada vez maior procura de forma-

ção em “saber fazer”, mais do que num “saber académico”. No futuro, to- das as instituições universitárias e em todas as áreas do conhecimento terão de responder às crescentes necessida- des de formação e actualização em áreas técnicas e práticas, que tradicio- nalmente não são cobertas pelos actu- ais standards da formação académica.

Há a ideia de que Portugal está a for- mar psicólogos para caixas de super- mercado. O que há de verdade nisto?

Em primeiro lugar, importa referir

mento humano em particular e dos mecanismos societais, numa perspec- tiva mais lata. É uma enorme mais-va- lia, atrever-me-ia a dizer, em qualquer profissão que se venha a exercer.

Qual a empregabilidade dos cursos do ISPA-IU?

De acordo com o número de registos de inscrições nos Centros de Emprego do IEFP (segundo dados do MCTES), a taxa de desemprego dos diplomados do ISPA é a mais baixa entre os diplo- mados em Psicologia de todos os esta- belecimentos de ensino superior, quer do subsistema público, quer do subsis- tema particular. Quando se tem por base de análise o número de inscrições de diplomados nos centros de empre- go do IEFP, importa distinguir duas componentes: os diplomados com pe- ríodos de inscrição curtos, tipicamente inferiores a 12 meses, e aqueles que registam períodos mais longos de per- manência no sistema (superiores a 12

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meses). Se a primeira componente es- tá, regra geral, associada a um fenó- meno de desemprego funcional, com elevados índices de rotatividade ou substituição, a segunda componente releva um padrão mais estrutural, que sendo, por natureza, multidimensio- nal, é seguramente condicionado por factores relacionados com as compe- tências pessoais desses diplomados. A emergência destes factores é tanto mais vincada quanto menor a propor- ção do número de inscrições de longa duração face ao número total de ins- crições. Também neste descritor, o ISPA é o estabelecimento de ensino su- perior, de entre os referidos anterior- mente, que apresenta o melhor de- sempenho (4,1% de desemprego per- sistente ou de longa duração).

Como está a correr esse projecto pio- neiro a nível europeu que é a Júnior Empresa do ISPA-IU?

A POWER Consulting é já um projecto com três anos, mas que continua a ser único e pioneiro na Europa, visto ser o único projecto semelhante vindo de uma faculdade de Psicologia. Em ter- mos de parcerias, a mais forte é com certeza com o ISPA-IU, que promove uma forte base de expansão para o projecto. No entanto, existem também ligações à HAYS, uma consultora multinacional com quem foi assinada uma parceria/protocolo de colabora-

ção e a várias juniores-empresas nacio-

nais com quem os membros da POW- ER Consulting estabeleceram boas re- lações, principalmente no que diz res- peito à partilha de conhecimentos, ex- periências e até alguns projectos.

Há actos de empreendedorismo de jovens saídos do ISPA-IU?

Há inúmeros casos de sucesso nas mais diversas áreas: na Clínica, na Ava- liação Psicológica, em Coaching, na Se- lecção e Gestão de Recursos Humanos, na Educação. Mas gostava de salientar aqui a existência de casos de sucesso também fora destas áreas mais tradi- cionais de actuação de um psicólogo, como é o exemplo de uma nossa ex- -aluna que participou na criação de uma das primeiras empresas de venda de experiências, a qual introduziu este conceito em Portugal, tendo criado mesmo um novo nicho de mercado no qual existem, neste momento, várias outras empresas a operar.

Qual a ligação do ISPA-IU ao meio empresarial?

O ISPA tem inúmeros protocolos com várias entidades, instituições e empre- sas, quer a nível nacional, quer a nível internacional. Para ilustrar a diversi- dade de áreas de actuação do ISPA,

posso referir, a título de exemplo, a li- gação do Gabinete de Psicologia do Sport Lisboa e Benfica na área do fute- bol; na área do desenvolvimento de instrumentos de avaliação psicológica, a parceria com a CEGOC, que comer- cializa, em Portugal, a maioria dos tes- tes psicológicos; na área da Justiça, o protocolo com o Centro de Estudos Ju- diciários; e, na área do comportamen- to animal, a consultoria do Zooma- rine.

Há psicólogos a serem recrutados pelas empresas onde fazem o estágio académico?

Num inquérito que realizámos recen- temente junto dos nossos alunos fina- listas da área de Psicologia Social e das Organizações, verificámos que aproxi-

madamente um em cada quatro refe- riram ter ficado a colaborar com a em- presa na qual estagiaram a seguir ao estágio curricular, e cerca de dois ter- ços estão actualmente empregados na área da Psicologia. Entre os inquiridos, o tempo médio para início de uma ac- tividade profissional foi de 3 meses.

BI ISPA-IU

FFuunnddaaççããoo:: 1962 CCuurrssooss:: 22 (3 licenciaturas 1.º ciclo / 1 mestrado integrado / 4 mestrados 2.º ciclo / 12 pós-graduações / 2 doutoramentos) AAlluunnooss:: 2100 DDoocceenntteess:: 240 SSiittee:: www.ispa.pt

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EMPREGO Rui Oliveira “Dois terços dos nossos alunos estão empregados em Psicologia” Pág. 10
EMPREGO
Rui Oliveira
“Dois terços
dos nossos alunos
estão empregados
em Psicologia”
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