You are on page 1of 2

08/06/2011

Dois estômagos digerem muito mais —…

Notícias / Tecnologia

Dois estômagos digerem muito mais
Nov o modelo de equipament o desenvolvido na Inglat erra pode reduzir número de t est es com humanos

Por: Carla Almeida
Pu blica do em 2 9 /07 /2 0 09 | A tu a liza do em 06 /1 1 /2 0 09

O n u t r icion ist a Rich a r d Fa u lk s é o r espon sá v el pel a m a st ig a çã o pr év ia dos a lim en tos a ser em pr ocessa dos pelo est ôm a g o a r tificia l . A dig est ã o com eça a in da n a boca , sob a a çã o da s en zim a s da sa liv a (foto: Ma r tin W ickh a m ).

O único modelo dinâmico de estômago humano no mundo, que ingere e digere alimentos de verdade em tempo real, está prestes a ganhar um “companheiro de trabalho”. Após dois anos de uso intensivo, o equipamento desenvolvido por cientistas do Instituto de Pesquisa Alimentar, em Norwich (Reino Unido), precisava de reforço. Desde que chegou ao instituto, em 2007, o modelo vem auxiliando uma série de pesquisas em diferentes áreas. No campo da saúde alimentar, por exemplo, ele vem ajudando pesquisadores a desenvolver alimentos capazes de controlar o apetite e a entender o comportamento de microrganismos benéficos (probióticos) e maléficos (como a salmonela) ao homem durante a digestão. No setor de fármacos, o equipamento é usado em testes sobre os efeitos adversos da interação de determinados medicamentos com bebidas alcoólicas, outros remédios e diferentes tipos de alimentos. O engenheiro químico Martin Wickham, líder do grupo que opera o “estômago”, perdeu a conta de quantos estudos já foram realizados desde então. “Usamos o primeiro modelo quase todos os dias. Decidimos então encomendar um segundo para dobrarmos nossa capacidade de pesquisa”, disse à CH On-line o pesquisador, especialista na fisiologia do estômago. Desenvolver um estômago na bancada não foi fácil. Há 15 anos o grupo de Wickham estuda o sistema gástrico humano, procurando entender como o órgão responde à ingestão de diferentes materiais. Para isso, vinha contando com a ajuda de voluntários, que se submetiam a testes nada agradáveis envolvendo a introdução de tubos entre seus narizes e estômagos. Simulação adequada O estômago artificial desenvolvido pela equipe tem praticamente tudo o que seu equivalente humano possui, incluindo enzimas digestivas, ácido estomacal e bicarbonatos. Foram seis meses só para encontrar os materiais que simulassem adequadamente a bioquímica do estômago. “Foi preciso escolher materiais que não fossem digeridos pela máquina e descartar aqueles que pudessem contaminar os alimentos ingeridos, como o aço inoxidável”, explica Wickham. O desenvolvimento do primeiro estômago levou cinco anos e custou cerca de três milhões de reais. Já o segundo modelo, que chega esta semana ao instituto, foi desenvolvido em menos tempo – 25 semanas – e, de acordo com Wickham, com custo consideravelmente menor. Assim como o primeiro, o novo modelo deve simular todas as etapas da digestão humana realizadas no estômago. Porém, como a quebra dos alimentos começa antes de sua chegada a esse órgão, a primeira etapa da simulação acontece fora da máquina, com a ingestão da comida por Richard Faulks, colega de Wickham. Faulks mastiga o alimento e, em seguida, cospe-o na parte superior do dispositivo, que corresponde ao corpo principal do estômago. Nesse momento, enzimas e ácidos estomacais são adicionados, enquanto o interior do equipamento é monitorado por sensores que enviam aos computadores informações relativas à acidez, volume, quantidade de água, entre outras, do “estômago”. Digestão em tempo real Na parte inferior do modelo, assim como acontece no estômago de verdade, o alimento é quebrado em partículas menores, para depois ser descartado por um tubo localizado na parte frontal da máquina. Todo o processo acontece em tempo real. “Quando comemos uma pizza, nosso estômago demora de duas a três horas para processá-la”, compara Wickham. “O mesmo acontece aqui.” O bolo alimentar excretado pelo equipamento pode ser analisado pelos próprios pesquisadores do laboratório de Wickham ou pode ser congelado e enviado de volta às instituições contratantes do serviço. A demanda pelo uso do modelo é tão grande que Wickham e seus colegas estão em busca de um fabricante que possa produzir o equipamento em escala industrial. Eles estimam que, daqui a um ano, laboratórios interessados poderão ter seus próprios “estômagos”. Enquanto isso, para não perder tempo – e clientes –, o instituto encomendou um terceiro modelo, que deve ficar pronto em setembro e será usado exclusivamente para testar fármacos. A expectativa é que os dispositivos diminuam o número de testes com animais e seres humanos.

…uol.com.br/…/dois-estomagos-digere…

1/2

Create PDF files without this message by purchasing novaPDF printer (http://www.novapdf.com)

com) .com. …uol.novapdf. “Nunca poderemos substituir completamente os voluntários. mas podemos reduzir significativamente o número de testes in vivo e os custos das pesquisas”. Carla Almeida (*) Especial para a CH On-line 29/07/2009 (*) A repórter viajou ao Reino Unido financiada pelo British Council. A expectativa é que os dispositivos diminuam o número de testes com animais e seres humanos.08/06/2011 Dois estômagos digerem muito mais —… usado exclusivamente para testar fármacos.br/…/dois-estomagos-digere… 2/2 Create PDF files without this message by purchasing novaPDF printer (http://www. garante o pesquisador.