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VARIAÇÕES FLORÍSTICAS E ESTRUTURAIS DE Variações florísticas e estruturais de uma voçoroca ...

UMA VOÇOROCA EM ITUMIRIM, MINAS GERAIS 479 Ricardo Ayres Loschi1, José Aldo Alves Pereira2, Evandro Luiz Mendonça Machado3, Leandro Carlos4, Rubens Manoel dos Santos5 (recebido: 11 de dezembro de 2009; aceito: 29 de julho de 2010)
RESUMO: Objetivou-se com este trabalho conhecer e avaliar a composição florística, a estrutura e a diversidade das espécies em regeneração numa voçoroca em Itumirim, MG. A voçoroca possui uma área de 0,9 ha, e foi subdividida em três setores denominados como braços “A”; “B” e “C”. Para o levantamento estrutural da vegetação foi empregado o método de agulha, sendo amostrados 574 pontos distribuídos sistematicamente pelos três braços. Cada ponto foi estratificado no terreno em função de um gradiente topográfico. A análise de espécies indicadoras (ISA) foi usada para dar suporte estatístico aos padrões observados. Foi realizado também um levantamento florístico com o propósito de registrar todas as espécies de hábito arbustivo-arbóreo ocorrentes na voçoroca. Por meio do levantamento estrutural verificou-se que as espécies do grupo das “graminóides” e “samambaias” dominaram amplamente todos os setores. A análise de espécies indicadoras realizada para cada um dos braços indicou que Ludwigia elegans (Cambess.) H. Hara apresenta alta fidelidade, e, portanto, pode ser considerada indicadora do setor baixada úmida para o braço “A” (p = 0,002). O grupo de espécies que compõem a guilda “samambaias” foi considerado indicador do terço superior do braço “C” (p = 0,038). No levantamento florístico, referente às espécies de hábito arbustivo-arbóreo, foram registradas nos três braços 73 espécies, distribuídas em 63 gêneros e 33 famílias botânicas. As famílias com maiores riquezas de espécies foram Fabaceae, Asteraceae, Melastomataceae e Myrtaceae, representando 46,6% do total de espécies registradas. Palavras-chave: Áreas degradadas, regeneração natural, método de agulha, fitossociologia, florística.

FLORISTIC AND STRUCTURAL VARIATIONS OF A GULLY AT ITUMIRIM, MINAS GERAIS
ABSTRACT: This work aimed at knowing and evaluating the florisitc composition, the strucuture and the diversity of the regenerating species in a gully at Itumirim, MG. The gully possesses an area of 0.9 ha and was subdivided into three sectors named as arms “A”; “B” and “C”. For the structural survey of the vegetation the needle method was employed, i. e. , 574 points distributed systematically across the three arms were sampled. Each spot was stratified on the terrain as related to a topographic gradient. The indicator species analysis (ISA) was used to give statistical support to the standards found. A florisitic survey was also conducted with the purpose of recording all the species of shrub-tree life form ocorring in the gully. Through the strucutural survey, it was found that the species of the group of “grass-like” and “ferns” dominated widely all the sectors. The indicator species analysis performed for each of the arms pointed out that Ludwigia elegans (Cambess.) H. Hara presents high fidelity, and, therefore, can be regarded as an indicator of the sector slack for arm “A” (p = 0.002).the group of species which make up the guild “ferns” was considered an indicator for the upper third of arm “C” (p = 0.038). In the floristic survey concerning the species of shrub-tree life form, 73 species were recorded in the three arms arms 73, distributed into 63 genera and 33 botanic families. The families with highest diversities of species were Fabaceae, Asteraceae, Melastomataceae and Myrtaceae, standing for 46.6% of the total of recorded species. Key words: Degraded areas, natural regeneration, needle method, phytosociology, floristics.

1 INTRODUÇÃO A erosão hídrica é um dos mais ativos processos de degradação ambiental, sobretudo em regiões de clima tropical. A erosão age de formas variadas: da mais sutil, como a laminar,
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muitas vezes despercebida, até a mais evidente e desastrosa, como a que desenvolve as voçorocas (PARZANESE, 1991). Além da degradação ambiental, essas perdas de solos podem envolver riscos de perdas materiais e de vidas humanas (GIRÃO, 2007; POESEN et al., 2003; SILVA, 2008).

Engenheiro Florestal, Mestre em Engenharia Florestal – Departamento de Ciências Florestais/DCF – Universidade Federal de Lavras/ UFLA – Cx. P. 3037 – 37200-000 – Lavras, MG – riloschi@gmail.com 2 Engenheiro Florestal, Professor Dr. em Impactos Ambientais – Departamento de Ciências Florestais/DCF – Universidade Federal de Lavras/UFLA – Cx. P. 3037 – 37200-000 – Lavras, MG – j.aldo@dcf.ufla.br 3 Engenheiro Florestal, Professor Dr. em Ecologia – Departamento de Engenharia Florestal/DEF – Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri/UFVJM – Cx. P. 049 – 39100-000 – Diamantina, MG – machadoelm@gmail.com 4 Engenheiro Florestal, Doutorando em Engenharia Florestal – Departamento de Ciências Florestais/DCF – Universidade Federal de Lavras/UFLA – Cx. P. 3037 – 37200-000 – Lavras, MG – lcmaestro@gmail.com 5 Biólogo, Professor Dr. em Ecologia – Departamento de Ciências Florestais/DCF – Universidade Federal de Lavras/UFLA – Cx. P. 3037– 37200-000 – Lavras, MG – rubensmanoel@gmail.com

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480 Nos locais afetados pelo voçorocamento, a importância da vegetação, consiste na captação e transformação de energia, que manterá toda a cadeia trófica, gerando sítios ecológicos associados aos fatores ambientais (VANWALLEGHEM et al., 2005). No entanto, a presença da regeneração e o vigor da vegetação dependem da disponibilidade de nutrientes e da umidade do solo, fatores que normalmente se acham em níveis inadequados em áreas erodidas (RESENDE et al., 2007). Uma das estratégias mais recomendadas em planos de recuperação é a reprodução do padrão natural das comunidades vegetais, aumentando a probabilidade de sucesso na recuperação ambiental, além de contribuir para redução dos custos de projetos (ARAÚJO et al., 2006). Além disso, a estratégia citada contribui para a conservação da biodiversidade regional explorando, protegendo ou mesmo expandindo as fontes naturais de diversidade genética, não só das espécies vegetais em questão, mas também da fauna local a elas associada (OLIVEIRA-FILHO, 1994). O conhecimento a respeito de espécies vegetais com capacidade de se estabelecer em locais com condições adversas, associadas aos padrões de dispersão e de regeneração natural, é fundamental para o controle dos processos erosivos, ampliando as possibilidades de

LOSCHI, R. A. et al. sucesso nas intervenções direcionadas para a recuperação de áreas degradadas (SEITZ, 1994). O presente trabalho foi desenvolvido em uma voçoroca localizada no município de Itumirim, MG, a qual foi subdividida em três estágios de colonização. Os objetivos foram conhecer e avaliar a composição florística, a estrutura e a diversidade das espécies em regeneração na voçoroca. 2 MATERIAL E MÉTODOS O presente estudo foi conduzido em uma área sob efeito de erosão hídrica severa, conhecida popularmente como voçoroca, localizada no Município de Itumirim, Minas Gerais. A área encontra-se nas coordenadas de 21º16’S e 44º50’W, com altitude média de 880 m, em uma região de relevo suave. A voçoroca tem uma área de 0,9 ha, que foi subdividida em três setores (Figura 1), os quais serão denominados daqui em diante como braços “A”; “B” e “C”. A definição dos mesmos foi realizada tendo como base o nível de atividade erosiva, onde o local “A” é o mais estável, o “B” encontra-se em contínuo avanço e o “C” é intermediário quanto ao padrão de desenvolvimento da atividade erosiva.

Figura 1 – Mapa mostrando os três braços (“A”, “B” e “C”) da voçoroca estudada no município de Itumirim, MG, Brasil, enfatizando a localização dos transectos analisados, a surgência de água e o entorno da área de estudo. Figure 1 – Map showing the three arms (“A”, “B” and “C”) of the gully studied in the county of Itumirim, MG, Brasil, highlighting the location of the transects analyzed, the emergence of water and the environment of the study area.

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independentemente do seu hábito. terço médio – “TM” (porção intermediária da encosta) e terço superior – “TS” (porção mais alta da encosta). A vegetação original da região era composta por um mosaico de diferentes fitofisionomias de cerrados e matas (QUEIROZ et al. Cerne. 16. 1993. quando solta verticalmente sobre o solo em cada ponto. divididos em: baixada úmida – “BU” (onde há surgência de água). MANTOVANI. cinco em “B” e sete em “C”) (Figura 1). derivados da alteração do gnaisse-granítico com predominância dos últimos. TS = upper third. Pontos com solo desnudo também foram considerados. Lavras. as quais foram substituídas por pastagens e culturas agrícolas. 1981. TI = lower third. TI = terço inferior. sendo dois terços superiores. Cada ponto foi estratificado segundo sua localização no terreno (Figura 2)./dez. O clima é de transição entre Cwa e Cwb. as espécies pertencentes às famílias botânicas Cyperaceae. 1987. 4. dois médios.. 1986). restando apenas pequenos fragmentos da vegetação original. As distâncias foram de 10 m entre transeções e 1 m entre pontos. Foram amostrados 574 pontos (260 em “A”. n. baseado no conceito matemático de homogeneidade de uma área. 479-498. entendendo-se aqui solo desnudo como ponto sem ocorrência de toque. 1980. Onde: BU = baixada úmida. As classes de solo predominantes no local são Latossolos Vermelho-Amarelos e Cambissolos. VIEIRA & PESSOA. CARVALHO.. 2010 . a temperatura média do mês mais quente é inferior a 22°C. com inverno seco e verão chuvoso. 2001). pastagens e na descrição dos estratos inferiores em comunidades mais estratificadas (ALMEIDA & ARAÚJO. TS = terço superior. Assim. igualmente representada por um ponto. TM = terço médio. onde Cwa é caracterizado como mesotérmico. A agulha utilizada possui cerca de 5 mm de diâmetro e 2 m de altura e. Eriocaulaceae. Figure 2 – Profile diagram rpresenting the distribution of the topographic sectors of a gully. de acordo com a classificação climática de Köppen (ANTUNES. do topo passando pelo vale e terminando no topo novamente (Figura 2). e que vem sendo utilizado em investigações de formações herbáceas. dois inferiores e uma baixada úmida. cada transeção possui sete setores. terço inferior – “TI” (porção do terreno próximo a surgência de água e a mais baixa da encosta). Os pontos foram distribuídos sistematicamente pelos braços em 17 transeções (cinco em “A”. 1996. FRIZZO & PORTO. TM = medium third. SÁ. 1992). p. enquanto que no Cwb. CASTELLANI & STUBBLEBINE. com o propósito de registrar todas as espécies de hábito arbustivo-arbóreo que não foram observadas no Figura 2 – Diagrama de perfil representando a distribuição dos setores topográficos de uma voçoroca. v. 1997. dispostos de forma a transpor perpendicularmente o braço em seu 481 sentido de maior declividade. 2004. foram amostrados.Variações florísticas e estruturais de uma voçoroca . where: BU = slack.. Todos os indivíduos tocados pela agulha. Iridaceae e Poaceae foram todas agrupadas como “ervas graminóides” ou apenas “graminóides”. BUSELATO & BUENO. out. Para avaliação qualitativa e quantitativa dos elementos regenerantes da vegetação foi empregado o método de agulha. Como o foco do trabalho está relacionado principalmente com as espécies de hábito arbustivo-arbóreo em regeneração na voçoroca. no qual a temperatura média do mês mais frio é inferior a 18°C e a do mês mais quente é superior a 22°C. Foi realizado também um levantamento florístico em caminhadas de varredura por toda a voçoroca. assim como as espécies das famílias Dennstaedtiaceae e Gleicheniaceae (pteridófitas) foram agrupadas como “samambaias”. são anotadas as espécies tocadas pela mesma e o número de toques. 123 em “B” e 191 em “C”).

NTP = Nº total de pontos. nas seguintes categorias: pioneiras (P). nas categorias: anemocóricas (Ane). observaram o mesmo padrão florístico. nos três braços da área de estudo. O vigor absoluto (VAi) reflete a estratificação ou a cobertura vertical de uma espécie e depende da sua forma de vida e desenvolvimento. esse índice é uma medida de simples compreensão. foram registradas. Nota-se que a maior riqueza de espécies (Tabela 1) encontra-se no braço “A” seguido do “C” e do “B”. b = número de espécies exclusivas da amostra 2. esse parâmetro pode expressar tanto a frequência como a cobertura) (MATTEUCCI & COLMA. Gavilanes & Angieri Filho (1991). assim como Nappo et al. NPi = Nº de pontos com a espécie i. de acordo com Pijl (1982). I = valor indicativo da espécie i no setor j.482 levantamento estrutural. (1993). Análise dos dados – Para cada espécie e em cada setor dos três braços da voçoroca. pelo teste de Monte Carlo com 1000 repetições (MCCUNE & MEFFORD./dez. MG. A. definida pela proporção de espécies em comum. R. o índice de cobertura (IC) resulta da soma da frequencia absoluta com o vigor absoluto da espécie. relativa e da frequência de ocorrência de cada espécie em cada um dos setores obtém-se um valor indicativo baseado na seguinte fórmula: Iij = FOij × ARij × 100. 1982). A média de toques (MTi) foi obtida a partir da relação entre o número de vezes que a espécie tocou na agulha e o número de pontos onde a espécie ocorreu. Vigor absoluto: VAi = 100. uma espécie só foi considerada indicadora de um setor da voçoroca quando apresentou o maior índice do teste “Indicator Species Analysis” para o referido setor e a significância do teste de Monte Carlo superior a 95%. Por fim. foram obtidos os seguintes parâmetros fitossociológicos: Média de toques: MTi = NTi / NPi. 479-498. pertencentes a 22 gêneros e 13 famílias botânicas (Tabela 1). Lavras. Com isso. As espécies observadas nos braços “A”. segundo a fórmula SJ = c / (a + b + c). FO = freqüência de ocorrência da espécie i no setor j. encontraram a família Asteraceae como a de maior número de espécies nesses ambientes alterados. Para efeito de comparação. Farias et al. Pode ser usado na indicação da dominância ou notabilidade das espécies. n. as espécies foram classificadas. MG. cobertura ou densidade (MATTEUCCI & COLMA. zoocóricas (Zoo) e autocóricas (Aut). estando as exsicatas dos materiais depositadas no herbário ESAL da Univerisidade Federal de Lavras. Onde: NTi = Nº de toques da espécie i. (1994). em Poços de Caldas. Onde: c = número de espécies em comum entre as amostras. et al. seja por sua altura.NPi / NTP. o toque da agulha indica a cobertura do ponto por um ou mais indivíduos de uma ou mais espécies. AR = abundância relativa da espécie i no setor j. 1997). estudando voçorocas em Ouro Preto. 4. clímax exigente de luz (CL) e clímax tolerante à sombra (CS). 2010 LOSCHI. “B” e “C” foram registradas em função dos seguintes setores: baixada (baixada úmida e terço inferior) e encosta (terço médio e terço superior). 1952). MG. 16. com modificações sugeridas por OliveiraFilho et al. Frequência absoluta: FAi = 100. Todas as espécies foram coletadas e identificadas por meio de bibliografia especializada. baseada na composição das espécies de hábito arbustivo-arbóreo registradas na baixada (baixada úmida e terço inferior) e encosta (terço médio e terço superior) dos braços “A”. A partir do cálculo da abundância Cerne. de forma a diferenciá-los do acaso. As espécies verificadas no levantamento florístico foram classificadas segundo o seu grupo ecológico. 1982). Quanto às síndromes de dispersão. a = número de espécies exclusivas da amostra 1. 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO No levantamento estrutural. com destaque especial para as famílias Asteraceae e Melastomataceae. out. em levantamento da flora ruderal em Lavras. (2004) avaliando a dinâmica da regeneração natural em área minerada. A frequencia absoluta ou cobertura absoluta (FAi) refere-se à porcentagem de unidades amostrais com ocorrência de uma determinada espécie (como no método de pontos. j = setor analisada. Índice de cobertura: ICi = FAi + VAi. adotando-se a metodologia descrita por Swaine & Whitmore (1988). foram os mais ricos e comumente se destacam em levantamentos estruturais e . “B” e “C”. As espécies foram classificadas em famílias de acordo com o sistema do Angiosperm Phylogeny Group II (APG. onde: i = espécie analisada. com quatro e três espécies respectivamente (Tabela 1). Esse parâmetro indica o número médio de estratos da folhagem de uma espécie cobrindo o solo verticalmente (GOODALL. De acordo com Brower & Zar (1984). para o estrato arbustivo-arbóreo. município vizinho ao local de estudo. p. Os gêneros Miconia e Baccharis. 28 espécies. Guillaumon & Fontes (1992) indicam que espécies de melastomatáceas podem ser consideradas como sendo indicadoras de alto grau de deterioração do solo. Os valores obtidos na análise são testados estatisticamente. v. consulta a especialistas e material de herbário. 1997) foi usada para dar suporte estatístico aos padrões observados. A análise de espécies indicadoras (ISA) (DUFRÊNE & LEGENDRE. efetuaram-se cálculos de similaridade utilizando-se o índice de Jaccard (SJ). 2003).NTi / NTP.

00 2.) Engl.00 1.25 9. FA = frequencia absoluta.13 1.56 1. VA = absolue vigor. arranged in alphabetic order of families and accompanied of the quantitive parameters obtained in the samples: MT =mean of contacts. Asteraceae Baccharis dracunculifolia DC.33 1.07 3. Braço "A" Hábito MT AR AR AB AB SB TR AR AR AB HB AR HB HB AR AR AR HB AR 2.69 6.95 1. IC = vegetation cover index. To be continued.25 1.56 3.54 189.16 1.00 1. Baccharis tridentata Vahl. TS = upper third.65 3.74 219.00 3. SB = subarbusto.00 1.56 3. Os setores são: BU = baixada úmida.33 15.70 2.12 32.) Baker Piptocarpha macropoda Baker Vernonia sp.00 169. Lavras.48 2. Anacardiaceae Tapirira guianensis Aubl. FA = absolute frequency.32 3.70 2.26 2. TR = climber.56 6.63 1. Mikania sp. 16.56 47.94 12.42 2.13 1.00 2.38 3.25 1./dez.13 257. TM = medium third. TR = trepador.25 10.. IC = índice de cobertura.56 1. AB = shrub.89 1. v.98 274.70 5.75 31. n.32 2...00 67.56 1. TM = terço médio.89 56.56 3.35 129.33 1.69 203.16 2.88 135. Piptocarpha axillaris (Less.44 206. Baccharis trimera (Less.33 2.00 2. AB = arbusto. TI = lower third. TS = terço superior. TI = terço inferior.94 3.) Cov.15 33. 2010 . Hábitos: AR = arvore. MG.56 3.63 1.16 2. out.00 1.16 1.00 1..13 4. Família Espécie Variações florísticas e estruturais de uma voçoroca . p. Life forms: AR = tree.Tabela 1 – Lista das espécies registradas nos três braços e quatro setores de uma voçoroca em Itumirim.63 7.81 3. 483 Cerne.32 3.83 1.St.13 TS FA% VA% 1. 479-498.St.16 1.06 96. The sectors are: BU = slack.63 5. SB = sub-brush.19 3.-Hil.25 1.00 1.39 4.38 3.70 5.95 IC% 2.58 217.32 2.33 4.07 Erythroxylaceae Erythroxylum deciduum A.-Hil.00 2.41 6.00 2. VA = vigor absoluto.56 1.00 39.25 6. Annonaceae Duguetia lanceolata A.50 1.00 1.13 9.11 273. Blechnaceae Blechnum occidentale L.33 2.00 2.68 50. 4.00 1. dispostas em ordem alfabética de famílias e acompanhadas dos parâmetros quantitativos obtidos nas amostras: MT = média de toques. Lycopodiaceae Lycopodium sp.41 4..72 95.. Table 1 – List of the species recorded in the three arms and four sectors of a gully at Itumirim.71 1. Cyperaceae/Eriocaulaceae/Iridaceae/Poaceae Graminóides Dennstaedtiaceae/Gleicheniaceae Samambaias 48.69 4. Fabaceae Bowdichia virgilioides Kunth Stryphnodendron adstringens (Mart. Burseraceae Protium spruceanum (Benth. MG.69 6.) DC. HB = herbáceo.00 2.Juss.69 FA% VA% IC% MT FA% VA% IC% MT FA% VA% IC% BU TI TM MT 1. HB = herbaceous.74 Continua.84 54.65 140.67 1.50 18.16 1.13 1. Malpighiaceae Byrsonima intermedia A.

98 1.00 1.71 132. v.56 3.14 0.81 359.32 1. To be continued. p.) Cogn.00 75. ex DC.00 2. out.89 2.63 0..82 7. Rubiaceae Spermacocce sp. n.16 18.00 1.65 9.04 2.13 6.00 2.51 1..00 1. Eremanthus glomerulatus Less.08 1.00 26.47 Braço "B" HB AB AR HB HB 2.56 1.32 1. A.28 509.19 3.) DC.00 25.484 Tabela 1 – Continua… Table 1 – Continued… Braço "A" Hábito MT AB AB AB AR AB AR AR AR AR AB TR HB AR AR 6.00 3.49 2.63 19.63 2.89 539. Myrtaceae Myrcia tomentosa (Aubl.81 9.63 1.00 5.16 1.04 4.00 3.10 131. Onagraceae Ludwigia elegans (Cambess.32 1.32 1. Solanaceae Solanum lycocarpum A.32 1.26 2.53 Melastomataceae Leandra scabra DC. 16.00 1.00 1.00 34.41 18. Macairea radula (Bonpl.49 4.00 12. 2010 1.00 35.38 3.00 35.88 14.14 1.00 1.30 8.63 2.95 0. Continua.00 1.20 8.08 2.16 6.62 88.56 0.58 407./dez.63 2.63 5.00 1.67 1.00 50.08 6.13 3.67 110.00 2.78 75.69 15.32 1.50 50.32 1.08 26.00 1.25 1. .56 3. et al.13 1.-Hil.53 83..30 6.00 3.43 1. Gochnatia polymorpha (Less.32 1.49 3.81 0.98 1.32 1.81 3.92 24.56 143.46 123.40 13.) H.38 492. Miconia albicans Triana Miconia chartacea Triana Miconia paulensis Naudin Miconia tristis Spring Tibouchina candolleana (Mart.63 Família Espécie Cerne.11 183.70 108.12 4.56 0.04 2.30 2.00 1.32 IC% 2.) DC.02 366.67 3.37 26.81 0.32 FA% VA% IC% MT FA% VA% IC% MT FA% VA% IC% MT BU TI TM TS FA% VA% 1.51 18.33 5.32 2.83 48.15 2.14 0. R.00 5.25 2.32 1.33 3.) Cabrera Cyperaceae/Eriocaulaceae/Iridaceae/Poaceae Graminóides Dennstaedtiaceae/Gleicheniaceae Samambaias LOSCHI.32 2.00 3.00 1. Styracaceae Styrax camporus Pohl Ausência de toques Total Asteraceae Achyrocline satureoides (Lam.16 2.00 1.61 4.) DC.St.Hara Orchidaceae Vanilla sp. 479-498. 4.04 4.49 5.63 2.69 7.50 37. Myrsinaceae Myrsine umbellata Mart..00 1.00 3.92 32.00 1.04 2.78 291.63 1.32 2.33 1.95 1. Lavras.50 5.00 1.

67 6.00 3.16 124.91 1.69 432.19 1.St.00 3.42 80.00 0.82 87.69 5.20 3.26 10.21 515.08 19.00 57.16 1.31 578.85 3.85 7. v.13 33.81 2.62 1.00 87.67 0.00 0.16 5. p.00 1.16 70.90 1.85 111. 2010 Total .54 111.33 4.04 2.30 1.15 428.00 1.65 1.73 68.56 5.) Cogn.92 1.16 0.00 1.67 6. Lavras.08 2.00 1.92 90.40 402.00 5.69 3.54 223. Asteraceae Baccharis dracunculifolia DC. Melastomataceae Leandra scabra DC.26 1.16 1.13 10.16 23.00 4.00 2.13 0.33 6.00 1.50 4. Miconia albicans Triana Microlicia sp.21 500.00 4.33 1.33 11.29 175.56 5..18 12.85 1.33 4.67 133.61 2.18 FA% VA% IC% MT FA% VA% IC% MT FA% VA% IC% MT FA% BU TI TM TS VA% 8. 4.33 7. 479-498.16 1.33 53.67 2.16 3.67 1. Myrsinaceae Myrsine guianensis (Aubl.15 1.38 9.54 467.00 6.77 3.08 0.26 1.14 356.00 3.82 2. Lycopodiaceae Lycopodium sp.92 3.92 0.13 5.00 3.00 62.32 12.67 560.13 0. Tibouchina candolleana (Mart.00 4.50 1.69 46.-Hil.00 2.24 4.88 7. out.93 1.38 26. Solanaceae Solanum lycocarpum A.00 128..33 1.85 7.20 4.65 3.00 2.00 57.00 IC% 12.00 111.04 4.50 0.50 187.98 4.54 15.33 2. Tapirira guianensis Aubl.20 6.14 2.08 0.33 433.00 70. Baccharis tridentata Vahl.16 2.33 23.21 1.33 6.69 0.60 12.65 Table 1 – Continued… Família Espécie Lycopodiaceae Lycopodium sp.29 0.49 232.85 1. 16.38 15. Cyperaceae/Eriocaulaceae/Iridaceae/Poaceae Graminóides Dennstaedtiaceae/Gleicheniaceae Samambaias Fabaceae Stryphnodendron adstringens (Mart.38 7.60 33.79 2. ex DC.50 0.16 4.23 5.00 5.00 2.33 6.00 28.33 1.49 1.00 0.92 1.26 0.67 13.49 8.12 59.16 2.88 Braço "C" AR AR AB AB HB HB AR HB AB AB HB AR AR AB 1.00 2.Tabela 1 – Continua… Braço "B" Hábito MT HB AR AR AR 0.65 331.00 4.08 6.69 0.00 28.88 62.26 108.92 1.98 3.33 86.) Cov.18 108.00 13. Variações florísticas e estruturais de uma voçoroca .00 353.69 523.) H.16 1.00 68.) Kuntze Onagraceae Ludwigia elegans (Cambess.49 2.Hara Ausência de toques 485 Cerne.00 2.00 3.04 59.67 104. n.33 426.12 100.) Engl.00 0.33 20.00 3. Melastomataceae Miconia tristis Spring Myrsinaceae Myrsine umbellata Mart.92 5.00 1.77 1./dez. Ausência de toques Total Anacardiaceae Lithraea molleoides (Vell.00 0.00 2.00 0.98 465.00 628.21 10.

bem como as espécies arbóreas Duguetia lanceolata e Tapirira guianensis e a arbustiva Macairea radula ocorrendo em “A”. A. Segundo os mesmos autores. no terço inferior (Tabela 1). observando-se a sucessão das espécies Cerne. Tapirira guianensis. com exceção do terço médio. Para Klein (1980). Já. na baixada úmida. elegans. Mantovani (1987) estudando diferentes fisionomias de cerrado. há predominância de gramíneas como. Myrsine umbellata. onde foram suplantadas pelas “samambaias”. Myrsine guianensis. et al. já ocorreu um número maior de espécies de hábito arbustivo-arbóreo. observa-se que um expressivo número de espécies de hábito arbustivoarbóreo (Bowdichia virgilioides. mesmo com o domínio das espécies de “graminóides” e “samambaias”. houve a presença da espécie arbustiva Ludwigia elegans nos braços “A” e “C”. T. apresentou-se baixa colonização por vegetação.486 florísticos realizados em áreas degradadas e/ou perturbadas (FARIAS et al. Miconia paulensis. não se estabelecem normalmente. n. (2000). houve o predomínio das “graminóides”. NAPPO et al. foi quase que totalmente colonizado pelas espécies do grupo das “samambaias” (Tabela 1). No entanto. Segundo Farias et al. 2005). 479-498. porém ocorrem principalmente em áreas secundárias. nas áreas de baixada. exceto em “B”. 2004. em comunidade. a transição para a instalação das primeiras espécies arbóreas. sendo estas consideradas raras na amostragem. candolleana e outras espécies avaliadas apresentaram desempenho superior na colonização e estruturação. com os valores de índice de cobertura superiores em todos os setores para esse grupo./dez. Lavras... a presença de espécies arbustivas do gênero Baccharis fornece subsídios que contribuem para a afirmação de que a vegetação está em estádio inicial de sucessão. Gochnatia polymorpha. Já. Em geral. v. Macairea radula. mais uma vez. 16. O gênero Miconia é um dos maiores de Melastomataceae no Brasil (SOUZA & LORENZI. Eremanthus glomerulatus. Byrsonima intermedia. Nesse setor. Tibouchina candolleana foi a espécie de hábito arbustivo-arbóreo mais generalista do levantamento estrutural. p.. Miconia chartacea. estas espécies. Piptocarpha axillaris. Conforme se observa na Tabela 1. processando-se. Em “B”. No braço “A” as espécies de “graminóides” apresentaram os maiores valores do índice de cobertura em todos os setores. o braço “C”. em virtude do lençol freático elevado (deficiência de oxigênio). Podem ser componentes do sub-bosque de florestas primárias. Duguetia lanceolata.. porém. Segundo Rondon Neto et al. Analisando os três braços da voçoroca. De acordo com Nappo et al. Verifica-se que as diferentes espécies que fazem parte do grupo das “graminóides” e “samambaias” dominaram amplamente todos os setores dos três braços da voçoroca (Tabela 1). 2000. Protium spruceanum. Tibouchina candolleana (8). talvez possa ser explicada pelo fato de que a surgência de água na baixada úmida de “C” seja sazonal. Os maiores valores de índice de cobertura para o braço “B” foram obtidos em todos os setores pelas espécies de “graminóides”. . das mesmas condições adaptativas ambientais (teores baixos de nutrientes. 4. Erythroxylum deciduum. as gramíneas surgem primeiro e ocupam os fundos das voçorocas.) ocorreram em um único ponto. onde há deficiência de drenagem.. As espécies de hábito arbustivo-arbóreo que ocorreram em mais de um ponto são as seguintes: Ludwigia elegans (11). R. sobre a área após o fenômeno da erosão até sua culminância em voçorocas. diferente do que acontece aos outros dois braços. Piptocarpha macropoda e Baccharis dracunculifolia (5). solo arenoso e lençol freático elevado). existe uma grande dificuldade no estabelecimento de espécies de hábito arbustivo-arbóreo (FARIAS et al. out. 1993). Styrax camporus e Vernonia sp. 1993. com especial destaque para L. Tal situação. 1993). RONDON NETO et al. 1983). não foi verificada nenhuma espécie de hábito arbustivo-arbóreo. nesta fase. sendo consideradas importantes nos programas de reabilitação de áreas mineradas. Leandra scabra. podem ser consideradas como espécies pioneiras ou invasoras (ELLISON et al. bordas de floresta e clareiras naturais no interior de florestas e.. onde novamente não houve a presença de espécie de maior porte. juntamente com aquelas espécies que participam. pois estas não ocorrem nos estádios sucessionais mais avançados. médio e superior. Na baixada úmida (Tabela 1) do braço “B”. onde esta surgência ocorre o ano inteiro. após terem atingido um determinado estádio de desenvolvimento. Stryphnodendron adstringens (3). 2010 LOSCHI. Andropogon bicornis e Aristida sp. (2004). as plantas desse gênero produzem uma grande quantidade de sementes e suas plântulas podem se estabelecer rapidamente no solo de ambientes degradados (STILES & ROSSELLI. 1999). também registrou um número significativo de espécies ocorrendo em um único ponto. (1993). Solanum lycocarpum e Lithraea molleoides (2). as espécies de “graminóides” só não foram dominantes no braço “C”. por esta razão. onde as espécies de “samambaias” apresentaram um maior valor de índice de cobertura. sendo a única que apareceu em três setores: terços inferior. Myrcia tomentosa. TABARELLI & MANTOVANI. Miconia albicans e Baccharis tridentata (4).

. entre estas. Purata (1986).6% do total de espécies registradas. As espécies do grupo de “graminóides” e “samambaias” apresentaram as maiores médias de toques. e. out. ao sair de um ambiente extremamente encharcado para um com maior oxigenação. a rápida taxa de crescimento. A análise de espécies indicadoras realizada para cada um dos braços indicou que Ludwigia elegans apresenta alta fidelidade (Tabela 2). ao mesmo tempo. De acordo com Parrotta et al. peculiar a este grupo. Aegiphila (2). Para os demais setores e para o braço “B” não houve mais nenhuma espécie considerada indicadora. a competição entre espécies herbáceas e sementes e plântulas de espécies arbustivas e arbóreas. com exceção do braço “B”. observou que o favorecimento em direção à ocorrência predominante de espécies ruderais tende a retardar o processo sucessional. portanto.038). Cerne. 2004). (1993). (1997). aumentando a complexidade estrutural da vegetação e o desenvolvimento das camadas de serapilheira e húmus. estudando a florística e a estrutura de campos abandonados. Gleichenia sp. onde nessa voçoroca só existem elementos arbustivoarbóreos no terço superior. aumenta a competição por nutrientes e água do solo. a espécie Pteridium aquilinum é uma samambaia cosmopolita e extremamente comum no Brasil. representando 46. como os observados no braço “C”. Ainda.002).. O fato de terem sido encontradas poucas espécies indicadoras para cada setor. novamente interferindo no estabelecimento e crescimento de plântulas de indivíduos lenhosos. tornase quase a única espécie nos barrancos íngremes que compõem as paredes das voçorocas. Gleichenia pectinata (PERES et al./dez. essa dominância se dá pelo fato de ela ser uma espécie competente quanto ao recobrimento do solo (seus esporos são pequenos).. estas mudanças geram condições propícias à germinação e desenvolvimento das espécies. De acordo com os mesmos autores. o estabelecimento da cobertura vegetal arbórea e/ ou arbustiva produz efeito catalítico no processo de reabilitação da área. onde a colonização inicial não define de forma clara uma compartimentação do espaço. As interações das espécies com o meio e com outras espécies seriam os agentes controladores da invasão e do estabelecimento de espécies arbustivas e arbóreas (MYSTER. 1993). possuindo elevada capacidade em colonizar ambientes degradados e com alta atividade antrópica. 1998) e Gleichenia japonica (MUNESADA et al. principalmente associado a locais alagáveis. Asteraceae (9). o sistema radicular superficial. No levantamento florístico. a morfologia e a disposição foliar das gramíneas. Observa-se (Tabela 1) que.Variações florísticas e estruturais de uma voçoroca . p. Isso é o que acontece nos terços médio e superior das encostas. Psidium (3). cuja capacidade de colonizar ambientes impedindo o estabelecimento de outras espécies vegetais é relacionada ao seu efeito alelopático. reduzem a disponibilidade de luz ao nível do solo. dificultando o estabelecimento de árvores de espécies pioneiras. 4. 2005). 16.. As famílias com maiores riquezas de espécies foram: Fabaceae (10). pois promove mudanças das condições microclimáticas. 1998). é característico de locais em estágio inicial de sucessão. P.. O grupo de espécies que compõem a guilda “samambaias” foi considerado indicador do terço superior do braço “C” (p = 0. referente às espécies de hábito arbustivo-arbóreo encontradas nos três braços. Os gêneros que apresentaram maior riqueza florística nos três braços foram: Miconia (4). segundo estes autores. destacando-se. De acordo com Vieira & Pessoa (2001). Melastomataceae (8) e Myrtaceae (7). v. Baccharis (3).. as espécies de maior porte já ocorrem com mais frequencia (FARIAS et al. podendo desenvolver-se em locais com pouca disponibilidade de água e baixa fertilidade. aquilinum (SAITO & LUCHINI. o gênero Ludwigia ocorre por todo o Brasil. Segundo Farias et al. distribuídas em 63 gêneros e 33 famílias botânicas (Tabela 3). Esse mecanismo de dominância estende-se desde os trópicos até as margens de florestas boreais (PERES et al. n. 1992) contêm fitotoxinas capazes de interferir na germinação e no 487 crescimento de certas espécies vegetais. Lavras. A espécie Ludwigia elegans é um arbusto encontrado em locais úmidos e alagados. Mantovani (1987) cita a forma de vida. fazendo com que aumente a chegada de sementes na área e a atratividade dos agentes dispersores e. além de ocorrerem na maioria dos pontos. pode ser considerada indicadora do setor baixada úmida para o braço “A” (p = 0. Segundo Souza & Lorenzi (2005). além da deposição de grossa camada de folhas mortas. Myrsine (2) e Piptocarpha (2). 1993). considerada como uma das principais plantas daninhas em arroz irrigado (EMBRAPA. De acordo com Gliessman & Muller (1978). o que dificulta o estabelecimento e desenvolvimento de sementes e plântulas de elementos lenhosos. foram identificadas 73 espécies. o tamanho do indivíduo e a densidade dos agrupamentos como características que influenciam nos valores obtidos para os números de ocorrência e de toques. 2010 . 479-498.

3 10.0 10.000 10.1 12.4 20.3 11.Hara Lycopodium sp. s = desvio padrão.8 12.6 6.Juss.9 8. p.000 15.70 0. em função dos setores analisados nos braços “A”.) Cabrera "graminóides" Leandra scabra DC.59 1. 16.0 13.1 13. Miconia albicans Triana Miconia chartacea Triana Miconia paulensis Naudin Miconia tristis Spring Microlicia sp.) DC.41 0.53 0.000 (VI) Mean S. Macairea radula (Bonpl.4 10.0 9.48 6.351 1 1 22.715 3 6.St.10 2.0 11.3 1 10.Dev p Setor (VI) 8. Blechnum occidentale L.7 11.6 18.) Engl.6 3.65 1.000 0.7 7.000 1.5 3.3 3.000 1.1 8.50 7. n. out.0 11.04 6. 4.81 2.48 2. MG.0 11.Dev p Setor (VI) Mean S.145 10.000 1.44 3. VI = valor indicativo.9 7. s = standard deviation.44 3.) Kuntze LOSCHI.000 1.0 2. Duguetia lanceolata A.49 0.000 - Espécies Achyrocline satureoides (Lam.4 3.000 1.04 2.513 1.22 6. 4 = baixada úmida (BU).0 14.51 10.1 8.488 Tabela 2 – Análise de espécies indicadoras.000 0. Bowdichia virgilioides Kunth Byrsonima intermedia A.0 11.3 12.) H.30 5.6 7.68 1.47 1.000 1. Species arranged in alphabetic order. Baccharis trimera (Less.-Hil.3 3.80 0. Baccharis dracunculifolia DC.0 11.44 20.82 1.773 0.6 3.6 8.242 3 61. Erythroxylum deciduum A.1 Braço "B" Braço "C" Mean S. according to significance of Monte Carlo test.000 1.336 1.609 0.57 9. 2 = medium third (TM).352 10.000 26.0 11. Myrsine guianensis (Aubl.1 7. Mikania sp.4 3./dez.44 3. Lavras.0 11.) DC. Lithraea molleoides (Vell.0 11.0 12. Braço "A" Setor 2 1 2 2 3 2 4 3 1 1 4 3 4 1 1 3 2 1 1 3 10. R.1 12. A.000 0.8 11.5 8.000 1 3. Ludwigia elegans (Cambess.47 2. 4 = slack (BU).0 11.1 7.46 p 1. Baccharis tridentata Vahl.1 3.002 11.000 1. VI = indicative value.000 10.1 1 10.000 4 2 1 3 3 1 1 1 12.3 3.) DC.4 3. “B” e “C” de uma voçoroca em Itumirim.Dev 4. Gochnatia polymorpha (Less. 2010 Continua… To be continued… Eremanthus glomerulatus Less.5 26.8 7.0 10.9 7.0 11.0 8.68 0. Espécies dispostas em ordem alfabética. et al.46 10.000 1.1 8.6 3. Onde: 1 = terço superior (TS).0 10.0 15. v. “B” and “C” of a gully at Itumirim.St.0 11. 2 = terço médio (TM).4 10.-Hil.49 5.4 7.54 3. p = significância.000 1.3 13.7 7.847 0.504 1.) DC.44 1. .0 11. p = significance.63 0.4 3. Myrcia tomentosa (Aubl.0 11. MG.38 3.000 1. Myrsine umbellata Mart. 479-498.809 1 22. Table 2 – Indicative species analysis as related to the sectors analyzed in arms “A”.0 11. 3 = terço inferior (TI). Cerne.247 1.4 7.50 10. where: 1 = upper third (TS).6 6. conforme significância do teste de Monte Carlo.000 1 10.0 11.7 29. 3 = lower third (TI).14 0.67 1.

65 1.0 6.7 10.45 1.) Engl. Styrax camporus Pohl Tapirira guianensis Aubl. 4.0 11.248 0.-Hil.4 3.364 20.3 3.0 11.404 - Espécies Piptocarpha axillaris (Less.6 7. Tibouchina granulosa Cogn.4 3.6 10.46 1.22 5.3 3.4 10.56 1.Tabela 2 – Continua… Table 2 – Continued… Braço "A" Setor 2 2 3 3 1 3 2 1 4 3 1 2 10.58 5.55 1.0 11.000 10. Lavras.9 10.0 11.0 11. out.45 1.44 1.000 14.000 35..000 7.Dev Braço "B" Braço "C" p 0.50 1.3 11.08 0.038 1.50 1..Dev p Setor (VI) Mean S.2 7. 489 Cerne.4 12.St.7 17.) Cov.22 0.145 10. 16.9 7.25 0. Stryphnodendron adstringens (Mart. p.1 14.7 13. n. 2010 . "samambaias" Solanum lycocarpum A.2 7.53 0.000 1. v.4 3.3 3.626 1 30.) Baker Piptocarpha macropoda Baker Protium spruceanum (Benth.32 0. Variações florísticas e estruturais de uma voçoroca ./dez.000 1 10.0 11. Vernonia sp.4 3.000 0.0 11.74 2.0 11.6 8.567 10.7 26.074 1 15. Vanilla sp.5 3.0 11.6 3.88 (VI) Mean S.000 27.000 3 1 10.4 3.000 1 10.Dev p Setor (VI) Mean S. Spermacocce sp.0 11. 479-498.

) Engl. Bignoniaceae Tabebuia ochracea (Cham. Lithraea molleoides (Vell. MG.M. AB = shrub.-Hil. Em que: GE = Grupo ecológico (P = pioneira.) Standl. Baccharis tridentata Vahl. Asteraceae Baccharis dentata (Vell. E = sloping land. Araliaceae Dendropanax cuneatus (DC. In which: GE = Ecologic group (P = pioneer. n. Hábitos: AR = árvore. Lavras. & Planch. AB = arbusto. Ane = anemochoric and Aut = autochoric).) G.) Decne. E = encosta. Gochnatia polymorpha (Less. v. R. AR AR CS CL Zoo Ane X X X X AR CS Zoo X X X X AR CL Ane X AB AB AB AB AR AR AR AB AB P P P P P P P P P Ane Ane Ane Ane Ane Ane Ane Ane Ane X X X X X X X X X X X X X X AR CS Zoo X AR CS Zoo X AB AR AR CS CL CL Zoo Zoo Zoo X X X X X X X X AB P Ane X X "A" Setor E B "B" Setor E B "C" Setor E Continua… To be continued… Cerne. hill. CL = clímax exigente de luz e CS = clímax tolerante à sombra)./dez. Setores: B = baixada. p. Braço Família Espécie Hábito GE SD B Acanthaceae Aphelandra claussenii Wassh. Eremanthus glomerulatus Less. 479-498. out. Table 3 – Ratio of the shrub/tree species recorded in the interior of the gully at Itumirim.St. et al. MG. SD = Dispersal syndrome (Zoo = zoochoric.) Engl. Vernonia sp. 4. Clusiaceae Calophyllum brasiliense Cambess. Tapirira guianensis Aubl. Kielmeyera speciosa A. Annonaceae Duguetia lanceolata A.) Cabrera Piptocarpha axillaris (Less.Rob.490 LOSCHI. A. CL = light–requiring climax and CS = shade-tolerant climax).Barroso Baccharis dracunculifolia DC. Sectors: B = slack. Burseraceae Protium spruceanum (Benth. 16.St.-Hil. Anacardiaceae Anacardium humile st. 2010 . Life formss: AR = tree.) Baker Piptocarpha macropoda Baker Vernonanthura phosphorica (Vell. arranged in alphabetic order of family.) H. SD = Síndrome de Dispersão (Zoo = zoocórica. Tabela 3 – Relação das espécies arbustivo/arbóreas registradas no interior da voçoroca em Itumirim. Ane = anemocórica e Aut = autocórica). dispostas em ordem alfabética de família.

& Arn. Bowdichia virgilioides Kunth Copaifera langsdorffii Desf. 16. 479-498. & Zucc. 4.) Mez Loganiaceae Antonia ovata Pohl. Diplusodon virgatus Pohl Magnoliaceae Magnolia ovata (A. Desmodium sp. n.) Sprengel Malpighiaceae Byrsonima intermedia A. 2010 . Malvaceae Bastardiopsis densiflora (Hook./dez.St.) Hassl. Lacistemataceae Lacistema hasslerianum Chodat Lamiaceae Aegiphila sellowiana Cham. p. & Schltdl.W.) Barneby & J. Lauraceae Aniba firmula (Nees & Mart.) A.-Hil. Lythraceae Cuphea ingrata Cham. Pseudobombax longiflorum (Mart. Fabaceae Acosmium dasycarpum (Vogel) Yakovlev Andira fraxinifolia Benth. Dalbergia miscolobium Benth.St. Leucochloron incuriale (Vell. out. Tabela 3 – Continua… Table 3 – Continued… Braço Família Espécie Erythroxylaceae Erythroxylum deciduum A.Robyns AR AR P CS Ane Ane X X AR CL Zoo X X AR CS Zoo X AB AB P P Zoo Zoo X X AB P Ane X AR CS Zoo X AR AR P P Ane Ane X X AB CS Zoo X X AB AR AR AR AR AB AR AR AR AR CL CL CL CS P P CL CL CL CS Ane Zoo Ane Zoo Ane Zoo Aut Ane Ane Zoo X X X X X X X X X X X X X AR CS Zoo X Hábito GE SD B "A" Setor E B "B" Setor E B "C" 491 Setor E X X X X X X Continua… To be continued… Cerne..Juss.-Hil. Lavras.) Cov.Grimes Machaerium villosum Vogel Platypodium elegans Vogel Stryphnodendron adstringens (Mart. Aegiphila verticillata Vell..Variações florísticas e estruturais de uma voçoroca . v.

A.) Reitz Onagraceae Ludwigia elegans (Cambess.) DC. Piperaceae Piper gaudichaudianum Kunth AB CL Zoo X AR CL Zoo X X AR CL Aut X AB P Ane X X AR P Zoo X AR AR AR AR AR AR AR P P CL CL P P P Zoo Zoo Zoo Zoo Zoo Zoo Zoo X X X X X X X X AR AR CL CL Zoo Zoo X X X X X AB AB AB AR AB AR AR AB CS P P P P P P P Zoo Zoo Zoo Zoo Zoo Zoo Ane Zoo X X X X X X X X X X X X X X X X X Hábito GE SD B "A" Setor E B "B" Setor E B "C" Setor E Continua… To be continued… Cerne. 479-498. ex DC.) H. n. Pimenta pseudocaryophyllus (Gomes) Landrum Psidium giganteum Mattos Psidium guajava L. et al.Hara Phyllanthaceae Hieronyma alchorneoides Allemão Peraceae Pera glabrata (Schott) Poepp. Myrtaceae Blepharocalyx salicifolius (Kunth) O./dez.) Kuntze Myrsine umbellata Mart. v. Braço Família Espécie Melastomataceae Leandra scabra DC. Psidium myrtoides O.492 Tabela 3 – Continua… Table 3 – Continued… LOSCHI. Lavras. ex Baill.Berg Nyctaginaceae Guapira opposita (Vell. Macairea radula (Bonpl.) DC. out.Berg Calyptranthes brasiliensis Spreng. Miconia albicans Triana Miconia chartacea Triana Miconia paulensis Naudin Miconia tristis Spring Tibouchina candolleana (Mart. Trembleya parviflora (D. 16. 2010 . 4.) Cogn. Myrcia tomentosa (Aubl. p.Don) Cogn. Myrsinaceae Myrsine guianensis (Aubl. R.

. Stryphnodendron adstringens. 2006. 2006.. TABARELLI & MANTOVANI. 1993. Tapirira guianensis. Hieronyma alchorneoides. simultaneamente. A predominância das espécies pioneiras verificadas nos três braços indica que elas se encontram em estádio sucessional inicial (CORRÊA & MÉLO FILHO. 1991. Protium spruceanum e Cecropia pachystachya ocorreram. 1999. TABARELLI & MANTOVANI. na baixada e encosta dos braços “B” e “C”.) Kuntze Ferdinandusa speciosa Pohl Rudgea viburnoides (Cham. Solanum lycocarpum. bem como Myrsine guianensis ocorreu também. Gochnatia polymorpha. os três braços apresentam composição florística de plantas pioneiras (Tabela 3). porém apenas na encosta. NAPPO et al. Lippia brasiliensis (Link) T. o que é comum em ambientes degradados e/ou perturbados (FARIAS et al. Tabela 3 – Continua… Table 3 – Continued… Braço Família Espécie Rubiaceae Cordiera concolor (Cham.. 2001) também foram registradas nos três braços: Baccharis dracunculifolia. & Eichler) Pierre Siparunaceae Siparuna guianensis Aubl. Styracaceae Styrax camporus Pohl Urticaceae Cecropia pachystachya Trécul Verbenaceae Duranta vestita Cham. Tibouchina candolleana. 1990.. Algumas espécies lenhosas que se destacaram em levantamentos fitossociológicos e florísticos realizados em áreas degradadas e/ou perturbadas (ALVARENGA et al.. 2010 . Já. 1998.. De maneira geral. Platypodium elegans. PINTO et al./dez.. Considerando as síndromes de dispersão de sementes para as espécies de hábito arbustivo-arbóreo (Tabela 3). FARIAS et al. n.St. 16. Trembleya parviflora e Vernonia sp.Variações florísticas e estruturais de uma voçoroca . 479-498. Copaifera langsdorffii. simultaneamente. Byrsonima intermedia. Tapirira guianensis. na baixada e encosta dos braços “A” e “C”.. p. CORRÊA & MÉLO FILHO. VALCARCEL & ALTERIO. v. out. Psidium guajava. GAVILANES & ANGIERI FILHO. Lithraea molleoides. observa-se o predomínio da zoocoria (64%). Silva AB AB P P Zoo Zoo X X AR P Zoo X X X AR CL Zoo X X AB P Zoo X AR CS Zoo X X AR CS Zoo X AR AR AR P CL CL Zoo Zoo Zoo X X X X Hábito GE SD B "A" Setor E B "B" Setor E B "C" 493 Setor E X X X X X Miconia tristis foi a única que ocorreu nos três braços. 1999). Miconia albicans. 2007). Sapotaceae Micropholis venulosa (Mart.) Benth. 2007. São espécies consideradas como colonizadoras e evidenciam sua importância na fase inicial do processo de recuperação da vegetação.. NERI et al. 1993. ARAÚJO et al. Machaerium villosum. Lavras.-Hil. ROY. Bowdichia virgilioides. Piptocarpha macropoda. 2005. Solanaceae Solanum lycocarpum A. 2005. 4. Cerne.. VIEIRA & PESSOA. 2004.

a grande deposição de serapilheira e a atração de fauna são características desejáveis de espécies para plantios de reabilitação. 1999. v. 1993). pode-se afirmar que os valores de similaridade encontrados para as duas situações acima não são baixos. EA = sloping land of arm “A”. MG. Setores BA EA BB EB BC EC BA 18. BC = baixada do braço “C”. 1974).. EC = sloping land of arm “C”. 34. et al. onde a surgência ocorre durante todo o ano. PARROTTA et al. EA = encosta do braço “A”. validando a afirmativa de Campello (1998): a maioria das espécies tropicais é dispersa por via zoocórica ou anemocórica..7% 1 1 10. e se dá por estágios mais definidos e discretos. respectivamente. Woods (1989) considera que a regeneração de espécies florestais depende da capacidade das mesmas em vencerem a competição com as espécies herbáceas e gramíneas. contribuindo para a regeneração florestal (MEDELLÍN & GAONA. 2010 . Todas as demais comparações apresentaram valores de similaridades considerados baixos (Tabela 4). Where: BA = sloping land of arm “A”. Este é conhecido como o modelo de “substituição de espécies” de Egler (1954). Onde: BA = baixada do braço “A”. as espécies invadem lentamente a área disponível à colonização e facilitam o estabelecimento de outras espécies. BC = sloping land of arm “C”. Segundo Chada et al.2% 28.0% 19. as quais ocorrem muito lentamente.8% (Tabela 4).4% EC 8 17 1 4 11 - Cerne. o crescimento rápido. como o presente estudo possibilita observar.4% EA 12 0.. EB = encosta do braço “B”. Tal afirmação pode ser reforçada pela surgência LOSCHI. WUNDERLE JUNIOR. n. Assim. BB = sloping land of arm “B”. Table 4 – Number of species in common (right upper side) and Jackard’s florisitic similarity index (ledt lower side) among the sectors slack and sloping land of arms “A”. Essas afirmações corroboram a hipótese de Finegan (1984).0% 6. Considerando-se que 25% é o limite mínimo para duas áreas serem consideradas floristicamente semelhantes (MÜLLER-DOMBOIS & ELLENBERG. out. melhoram as condições de fertilidade do solo e fornecem habitats adequados ao recrutamento. pois agem como abrigo para vetores de dispersão. já que exerce função essencial na dispersão de sementes de remanescentes próximos. A.8% BB 1 0 20.3% 3. Os resultados observados entre os setores baixada e encosta de “C” indicam uma maior semelhança das condições ambientais nessa área.3% EB BC 7 10 1 2 34.8% 4./dez. 16. Tabela 4 – Número de espécies em comum (lado superior direito) e índices de similaridade florística de Jaccard (lado inferior esquerdo) entre os setores baixada e encosta dos braços “A”. onde os valores foram. EB = sloping land of arm “B”. de água na baixada dessa área ser sazonal. Por meio do índice de similaridade de Jaccard (SJ) para as espécies registradas no levantamento florístico. à medida que as espécies predecessoras fornecem condições mais favoráveis para a invasão e estabelecimento de espécies mais tardias.4% 17. BB = baixada do braço “B”. Lavras.494 seguido da anemocoria (33%) e autocoria (3%).5% 0.3% 18. verificou-se que há uma maior similaridade florística entre a baixada e encosta do braço “C” seguida das encostas de “A” e “C”. 4. 1997. “B” and “C” of a gully at Itumirim. “B” e “C” de uma voçoroca em Itumirim.5% 14. 1997) e deve ser considerada durante o planejamento de projetos de reabilitação das áreas. diferentemente do que acontece nos braços “A” e “B”. 479-498. MG. (2004). O modelo clássico de sucessão envolve uma substituição de grupos de espécies ao longo do tempo. para o qual um conjunto de processos está envolvido nas transformações florísticas observadas durante o processo de regeneração. p. EC = encosta do braço “C”. Em contrapartida.4% e 28. 1997). A interação entre a fauna e a vegetação é fundamental no processo de recuperação de áreas degradadas (GUEDES et al.0% 2. R. critérios como a capacidade de estabelecimento em condições limitantes. Com relação à similaridade florística entre as encostas dos braços “A” e “C” é bem possível que seja o regime de água o principal fator ambiental associado à presença das espécies de hábito arbustivo-arbóreo (FARIAS et al.

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