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Implantação de um Módulo de Produção de carne Ovina em Pastagem

José Antonio Alves Cutrim Junior¹ Ana Clara Rodrigues Cavalcante²

O manejo correto das pastagens é fundamental para qualquer sistema de criação de bovinos a pasto. Em pastagens bem manejadas, as forrageiras normalmente apresentam crescimento mais vigoroso, protegem melhor o solo e conseguem competir de forma mais vantajosa com as plantas invasoras, resultando em menor gasto com limpeza e manutenção das pastagens. O pastejo rotacionado tem sido uma das principais técnicas adotadas no processo de intensificação dos sistemas pastoris. O pastejo rotacionado consiste na utilização de pelo menos dois piquetes submetidos a sucessivos períodos de descanso e de ocupação. Como vantagens do uso do sistema rotacionado podemos citar: • Melhor aproveitamento da forragem produzida, devido à maior uniformidade de pastejo: o Permite o uso de maior taxa de lotação. o Aumenta a produção de carne e leite por hectare. • Favorece a rebrotação da forrageira sem a interferência do animal (períodos de descanso) • Maior longevidade da pastagem devido à constante renovação (elevado perfilhamento) • Auxilia no controle de verminoses e carrapatos • Favorece a ciclagem de nutriente mais eficiente • Reduz a abertura de novas áreas para pastagem, aumentando áreas de reserva legal devido a utilizando pequenas áreas com elevada produtividade Algumas premissas básicas devem ser observadas pelos produtores na implantação de um sistema de produção de ovinos com pastejo rotacionado nas pastagens:

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¹Doutorando do Programa de Doutorado Integrado UFC/UFPB/UFRPE. Email: cutrimjunior@gmail.com ²Pesquisadora da Embrapa Caprinos e Ovinos – Doutoranda USP-ESALQ. E-mail: anaclara@cnpc.embrapa.br

área plana ou levemente ondulada. onde gramíneas como o Tifton-85 e Coast cross são recomendadas para áreas de maior declividade (devido ao hábito de crescimento estolonífero. com solos fisicamente bons e com boa fertilidade.) . 2. Também devemos levar em consideração a declividade do terreno para tal escolha. casa do morador e mercados consumidores. Escolha da área É importante observar alguns parâmetros para escolha do local para implantação de um sistema de pastejo rotacionado. Classificação de plantas forrageiras por tolerância a seca Alta (300-450mm) Capim-andropogon (Andropogon gayanus) Capim-buffel (Cenchrus ciliaris) Capim-corrente (Urochloa mocambicensis) Capim-gramão (Cynodon dactilon) Fonte: Cavalcante e Reis (2010) Média (500-700mm) Capim-rhodes (Chloris gayana) Capim-massai (P. “enramar”) e Tanzânia. maximum x P. energia elétrica e água.infestum) Capim-gramão (Cynodon dactilon) Alta Capim-elefante (Pennisetum purpureum) Capim-aruaua (Panicum maximum cv Aruana) Capim-tanzânia (Panicum maximum cv Tanzânia) Capim-Tifton 85 (Cynodon spp.1. Tabela 1. Dar preferência a terrenos regulares de preferência já desmatados.infestum) Capim-tanzânia (Panicum maximum cv Tanzânia) Capim-mombaça (Panicum maximum cv Mombaça) Baixa (acima de 700mm) Capim-marandu (Brachiaria brizantha cv Marandu) Capim-piatã (Brachiaria brizantha cv Piatã) Capim-xaraés (Brachiaria brizantha cv Xaraés) Capim-aruaua (Panicum maximum cv Aruana) Tabela 2. Escolha da forrageira Fatores como clima e solo são fundamentais para a escolha da forrageira. acesso fácil a máquinas. próximo ao centro de manejo. maximum x P. Segue abaixo a tolerância a seca (Tabela 1) exigência a fertilidade (Tabela 2) e atributos físicos (Quadro 1) de algumas gramíneas. Massai. Classificação de plantas forrageiras por exigência em fertilidade do solo Baixa Capim-andropogon (Andropogon gayanus) Capim-buffel (Cenchrus ciliaris) Capim-corrente (Urochloa mocambicensis) Capim-marandu (Brachiaria brizantha cv Marandu) Capim-piatã (Brachiaria brizantha cv Piatã) Capim-xaraés (Brachiaria brizantha cv Xaraés) Fonte: Cavalcante e Reis (2010) Média Capim-rhodes (Chloris gayana) Capim-massai (P. e Aruana para área de menor declividade.

2007): • Levantamento de dados básicos: vazão disponível e fonte de água. velocidade de infiltração de água e armazenamento de água no solo e evapotranspiração máxima da(s) cultura(s) a ser(em) plantadas. Os principais dados básicos para a elaboração de projetos de irrigação são listados a seguir (Mendonça.Quadro 1 – Grau de tolerância de plantas forrageiras para atributos físicos do solo Planta Forrageira Capim-andropogon Capim-buffel Capim-corrente Capim-tanzânia Capim-mombaça Capim-massai Capim-elefante Capim-tifton Textura Argilosa Média Arenosa X X X X X X X X Profundidade Encharcamento Raso Médio Profun Boa Média Baixa X X X X X X X X X X X X X X X X Fonte: adaptado de Evangelista e Lima (2002) 3. Uso da Irrigação O uso da irrigação tem como objetivo primário de solucionar o problema de estacionalidade de produção das pastagens. et al. Em áreas de pastagem. Portanto. provocado pelo déficit hídrico associado a outros fatores climáticos. é necessário irrigar toda a área. • Dimensionamento hidráulico para atender a demanda e a periodicidade estimadas na primeira parte. uniformemente e com equipamento que não dificulte o manejo e o deslocamento dos animais. • Estimativa da demanda e da periodicidade de aplicação de água (lâmina d água e turno de rega). et al. . • Déficit hídrico (mensal. Para implantação do sistema de irrigação é necessário realizar (Mendonça. diário). semanal. • Evapotranspiração de referência da região (ETo). 2007): • Vazão mínima disponível. os sistemas de irrigação por aspersão são os mais adequados a essa função. tais como a temperatura e a luminosidade.

Ana Clara Cavalcante. A irrigação noturna seria o mais adequado. abaixo direita – Leandro Oliveira) A irrigação de pastagens. declividade do terreno. Escolher materiais de boa qualidade e dimensionar o sistema de forma que facilite o manejo da irrigação (setorização da área irrigada). é importante observar a distância da área ao ponto de captação de água.Rodrigo Gregório. inclusive trazendo o benefício de redução nos custos de produção. pois a tarifa de . proporciona a obtenção de alimentos de menor custo. em que a velocidade do vento causa muito efeito de “deriva”. quando eficientemente aplicada. pois em terrenos com elevada declividade os custos com bombeamento da água serão maiores. Além disso. • Área do projeto.• Área máxima irrigável (dependente da vazão mínima). Montagem de um sistema de irrigação em um sistema de pastejo rotacionado (Foto: acima . Figura 1. • Forrageira a ser irrigada. abaixo esquerda. deve-se evitar fazê-lo nas horas mais quentes do dia. Para elevar a eficiência de aplicação da água de irrigação. • Tipo de solo (textura e armazenamento de água).

Avaliações periódicas da eficiência de irrigação também podem ser efetuadas por técnicos especializados. saco plástico ou caixa de papelão para envio da amostra de solo ao laboratório (MAPA. pá ou qualquer outro material que possa ser utilizado para coletar o solo. Esta coleta é feita inicialmente identificando machas de diferentes tipos de solo existentes na área. Formação da pastagem Para que os pastos a serem estabelecidos permaneçam sustentáveis é preciso que os solos sejam corrigidos por meio de aplicações de fertilizantes e corretivos. Sequência de operações na coleta de amostra de solo. 4. de calagem e adubação para as mais diversas culturas. Foto: MAPA (2009) A interpretação dos resultados das análises dos solos realizada em laboratórios assim como os cálculos de doses de calcário e adubos deve ser feitos sob a orientação de um engenheiro agrônomo. Os materiais necessários para tal operação são: enxadão para abrir o perfil do solo. quando houver. das informações que . balde de 20L para colocar as amostras simples e efetuar a homogeneização. trado. Para que essas aplicações sejam efetivas e tenham resultado positivo em termos ambientais e econômicos. utilizando-se enxadão e pá reta (pá de corte). 2009). coletando-se em cada ponto até uma profundidade de 20 cm dez amostras simples/ha e depois misturando-as para formar uma amostra composta em torno de 500g que será identificada com informações relevantes da área atual e seu histórico e levada ao laboratório de solos mais próximo. dividindo assim a área em glebas e as coletas feitas em zig zag em cada gleba. tubo para amostragem. pois estes auxiliam na germinação e crescimento inicial da planta até seu pronto estabelecimento e uso pelos animais. com base nas recomendações oficiais por Estado. a coleta e análise de solo é fundamental. Figura 2. Esse profissional.energia noturna é inferior à diurna.

Gradagem (esquerda. o adubo pode ser colocado tanto em um sulco paralelo ou no fundo da cova. Deve-se realizar o preparo da terra antes do plantio com aração e gradagem e em casos de solos muito compactados o uso de um subsolador. A aplicação é feita em toda área e incorporada na camada 0-20 cm do solo. Em plantios mecanizados isso ocorre facilmente. Foto: Núcleo de Ensino e Estudos em Forragicultura) A adubação de formação dever ocorrer concomitantemente com a semeadura. mantendo a semente em contato com o solo a uma profundidade adequada para melhores índices de germinação. pois há compartimentos tanto para semente quanto para o adubo. Em plantio manual após a abertura do sulco ou da cova. a calagem deve ser feita pelo menos 60 dias antes do plantio para que possa ocorrer às reações necessárias com o solo. avaliada através da análise de solo. coberto com uma camada de terra e por cima. Tais práticas facilitam no processo de plantio. . a semente. Foto: Ana Clara Cavalcante) e sulcagem da área para o plantio (direita. Seque abaixo (Tabela 3) um exemplo de recomendação de adubação levando em consideração o nível tecnológico empregado e a disponibilidade de nutrientes.constam do questionário sobre o ambiente geral da gleba ou talhão e do histórico de manejo irá ajudá-lo na tomada de decisão que seja técnica e economicamente mais adequada. Caso seja necessário. Figura 3.

0 Alto 297.3 Média 243.1 687. . Tabela 4. 2005 Ideal 240/VC 240/VC 240/VC 180/VC 200/VC Condição de cultivo Média 320/VC 320/VC 320/VC 240/VC 220/VC Adversa 480/VC 480/VC 480/VC 340/VC 300/VC Profundidade de plantio (cm) 01 02 01 01 01 Quanto ao método de semeadura é possível utilizar-se tanto a lanço como em sulcos ou em covas. onde quanto maior for menor será a quantidade de semente.0 30. quantidade de sementes a ser usada/ha.5 218.6 437. Após o plantio. O rolo no sistema de pequena produção pode ser um tambor com água. é necessário passar um rolo compactador para uma leve incorporação das sementes. 1999) No tocante a taxa de semeadura.8 625.0 Adubo Super triplo Nutrientes Fósforo Disponibilidade Baixa Média Alta Baixa Média Alta Baixa Média Alta s/r s/r s/r Super simples Fósforo Cloreto Potássio Potássio Uréia Sulfato Amônia FTE BR 12 Nitrogênio Micronutrientes Fonte: Adaptado de Recomendação para uso de corretivos e fertilizantes de Minas Gerais (5ª/Aproximação.5 250. para não haver falhas de emergência na área.2 562. A preocupação neste sistema é fazer com que ele seja homogêneo.0 100. Segue abaixo a taxa de semeadura dos principais gêneros de gramíneas cultivadas.2 189.7 33.1 250. estima-se para uma boa formação da área o uso de 800 kg de mudas/ha.8 33.0 66.Tabela 3.2 108.2 94. Taxa de semeadura (kg/ha) para os principais gêneros cultivados de gramíneas Gênero Andropogon Brachiaria Cenchrus Panicum Urochloa Fonte: Neiva.7 277.0 50. Em capins propagados por muda. Recomendação de adubação (kg/ha) de plantio conforme disponibilidade do nutriente e nível tecnológico Nível Tecnológico Baixo 189.5 562.3 111.3 243. O método a lanço é mais utilizados quando não se dispõe de maquinário adequado para plantio. é importante verificar o valor cultural (VC) da semente a ser utilizada.5 437. fazendo com que elas tenham maior contato com o solo e maior absorção de umidade.5 66.

Figura 4. após o plantio. é necessário soldar uma chapa horizontal distante 2 cm da “boca” para evitar o aprofundamento excessivo das . as sementes não forem devidamente incorporadas ao solo (ficando expostas). ao optar por plantio com matraca. O espaçamento deve ser de 50 cm entre linhas e profundidade de. no máximo. 2 cm para as Brachiarias e 1 cm para Panicum. Este tipo de semeadura é feito com espaçamento de aproximadamente 50 cm entre linhas e 20 cm entre covas. como a semeadeira. A operação de semeadura é feita por uma pessoa e a distribuição das sementes é feita de “cova em cova”. Plantio manual em covas (esquerda) e irrigação logo após o plantio (Foto: Rodrigo Gregório) Se. O plantio em covas também pode ser feito utilizando-se uma matraca ou manualmente. pois a regulagem do equipamento permite maior precisão na distribuição da semente. a “plantadeira” de cereais. utilize grade niveladora fechada (onde os discos fiquem em posição paralela) somente para efetuar uma leve cobertura ou faça uma compactação com rolo compactador. É um sistema muito utilizado em áreas com alto declive e de difícil acesso com máquinas. Figura 5. Este método é bastante utilizado. entre outras. Sementes de capim-tanzânia com 85% de pureza (Foto: Ana Clara Cavalcante) Já o sistema em sulcos é possível utilizar várias máquinas para fazer o plantio. É necessário lembrar que.

ex: Tanzânia. Para essas espécies é necessário um maior período de descanso para retornar com os animais. resulta em períodos de descanso maiores. Massai Panicum maximum cv. Um manejo cotidiano do pasto com adubação nitrogenada na ordem de 300 kg de N/ha x ano.) Brachiaria humidicola Brachiaria decumbens Fonte: Adaptado de Martha Júnior. Dimensionamento e manejo do sistema O dimensionamento de um módulo para uso sob lotação rotativa depende de várias situações existentes na propriedade. Já uma adubação de manejo de 600 kg de N/ha x ano promove redução no . É preciso tomar cuidado com o espaçamento para que a densidade de plantas não fique baixa. Coast cross). Para essas espécies um período de descanso de 25 a 30 dias é suficiente para que os animais possam retornar aos piquetes (NEIVA E CÂNDIDO. Já as gramíneas estoloníferas (Tifton-85. 2003 Manejo da pastagem Período de Altura de entrada dos Altura de saída dos descanso (dias) animais (cm) animais (cm) 24 a 30 75 a 85 25 a 35 21 a 28 55 a 65 20 a 25 21 a 28 40 a 50 20 a 25 25 a 30 20 a 28 20 a 30 24 a 36 20 a 25 25 a 30 30 a 40 20 a 30 7 a 15 10 a 15 15 a 25 Tais condições descritas na Tabela 4 dependem principalmente no nível de adubação de manejo empregado no sistema. se recuperando mais rapidamente após a saída dos animais. Período de descanso e manejo da pastagem (condições de entrada e saída dos animais) em algumas espécies forrageira Espécie Forrageira Panicum maximum cv. Normalmente o período de descanso está em torno de 30 a 40 dias (NEIVA E CÂNDIDO. et al.sementes. Aruana Capim Andropógon (Andropogon gayanus) Tifton-85 (Cynodon spp. Aruana e Massai) normalmente expõe os pontos de crescimento e sofrem mais com o pastejo feito pelos animais. O primeiro ponto a ser discutido é relacionado à gramínea existente ou a ser implantada. as quais se enraízam a partir do contato do caule com o solo. Grama estrela. Gramíneas cespitosas (touceiras. 5. menor produção de forragem e possivelmente redução na qualidade da mesma. 2003). Tabela 5. 2003). expõem menos os pontos de crescimento e sofrem menos com o pastejo. Tanzânia Panicum maximum cv.

seguindo o exemplo acima temos 5. onde os animais mais exigentes entram primeiro e os demais em segundo caso. nº de ciclos/ano. devemos ter na área 8 piquetes. Como exemplo em uma pastagem de capim tifton-85 utilizando-se uma dose padrão de 600 kg de N/ha x ano. Normalmente usa-se um período de pastejo de 3 a 5 dias para ovinos. Para o cálculo da adubação nitrogenada deve-se levar em consideração a dose padrão a ser utilizado (nas condições de Nordeste utiliza-se dose de 600 kg de N/ha x ano) o ciclo de pastejo (dias).48 kg de Uréia/aplicação. uma vez o produtor tendo duas categorias de animal (um de maior outro de menor exigência).9 kg.período de descanso. tamanho do piquete. uma altura residual de 10 cm. percentual de N no adubo a ser usado. sendo a primeira parte aplicada após a saída dos animais e a segunda parte no meio do período de descanso. período de pastejo de 4 dias. a nova quantidade de piquetes será: NP = 28/4 + 2 => NP = 9 . geralmente usa-se a Uréia. e optando por separá-las. um período de descanso de 20 dias. perfilhamento e melhora a qualidade da forragem consumida pelos animais.2 ciclos/ano e um piquete de 1250 m² a dose total/ciclo de Uréia é de 10. Uma vez definido o período de descanso e o período de pastejo é possível calcular o número de piquetes no pastejo rotacionado através da seguinte fórmula: Número de piquetes = Período de Descanso + Nº de grupos no sistema Período de Pastejo Se formos trabalhar com um capim Tanzânia com um período de descanso de 28 dias e um período de pastejo de 4 dias com apenas um grupo animal. Outro ponto importante a ser determinado é o período que o grupo de animais irá permanecer em cada piquete. isso caracterizara na modalidade de pastejo “primeiro-último” do método de pastejo sob lotação rotativa. Nesse caso. com 15. favorece maior produção de folhas. Como fonte de nitrogênio. Quanto maior o período de ocupação menor o número de piquetes necessários. mas sendo possível o uso de outras fontes (Sulfato de Amônia e Nitrato de Amônia). Nesse mesmo caso. Para alcance maior eficiência de uso do nitrogênio recomenda-se o fracionamento em duas partes da quantidade aplicada por ciclo.

6. Como exemplo. Figura 6. Atualmente recomenda-se o uso cercas elétricas ou de tela campestre. em uma área de 1. porém há necessidade de limpeza periódica para se evitar que partes das plantas entrem em contato com a cerca e provoquem perdas de corrente.0 ha (10000 m²) e com 8 piquetes o tamanho de cada um será de: TP = 10000/8 = 1250 m². . o custo de implantação é baixo. não se concebe mais o uso de cercas com arame farpado. Em propriedades onde não há energia elétrica o uso de placas de energia solar tem sido feito com sucesso (NEIVA e CÂNDIDO. A tela campestre embora apresente custos de implantação mais elevados tem a vantagem de não necessitar de manutenção constante. causado pelo excesso de animais presentes na área advindos de épocas de grande oferta de forragem para épocas de escassez. causa à pele dos animais. torna o uso dessa modalidade de cerca inviável. o produtor deve entender que pelo caráter intensivo desse sistema de exploração das pastagens. maior o gasto com cercas divisórias. 2003).O tamanho do piquete (TP) pode ser calculado dividindo o tamanho da área pelo nº de piquetes no sistema. A escolha entre as duas depende de particularidades de cada propriedade. Layout de distribuição dos piquetes de uma área de pastagem cultivada. Cálculo da taxa de lotação Uma das principais causas de degradação das pastagens é o superpastejo. os estragos que esse tipo de cerca. Já no caso da cerca elétrica. adubada e irrigada. No item cercas. Além do alto custo. manejada sob lotação rotativa Vale lembrar ainda que quanto maior o número de piquetes.

EFIC. a MSF-pre se refere a massa no dia 1 e a MSF-pós à massa no dia 08. PLF=prod. LEGENDA: MSFT-PRE=matéria seca de forragem total no pré-pastejo. ou seja. PLF=produção líquida de forragem. A fórmula para obter a EUA é: EUA= 450. PVm= peso vivo médio. o intervalo de descanso deveria ser tão longo que comprometeria completamente a qualidade da forragem ofertada e consequentemente do desempenho animal. Especulou-se que o manejo no esquema rotacionado poderia reduzir a incidência de verminose.18 UA. No entanto. * No exemplo. . 7. É importante que a unidade animal seja calculada com base no peso metabólico.75 /4500. P. P FORR. uma pressão de pastejo 80% superior ao máximo que suporta a pastagem (CÂNDIDO.7 TAXA DE LOTAÇÃO (TL) SIST. O quadro 1 traz algumas simulações de como proceder este ajuste. 2005). no contínuo toda a forragem que cresce diariamente tem que desaparecer para que seja mantida sempre a mesma condição do pasto.70 ⇒ EUA= 0.5 0. Liquida de forragem. com baixa eficiência.CICLO MSFT-PRE MSFT-RES MSF-ACUM. PVi=peso vivo inicial.7 70 Fonte: Adaptado de Cândido (2005).= produção de forragem.75 0.O uso da equivalência de unidade animal (EUA) para ajustar a pressão de pastejo numa determinada área é uma das ferramentas mais utilizadas no manejo de pastagens.20 ROTATIVA 3000 1200 1800 24 75 65 48. mas apenas 5.37/97.75 1. Portanto.7 49 48.FORR.4 35 CORDEIRO 34.4 24 `48. Controle de verminose O principal problema que afeta a produtividade de ovinos mantidos em condição de pasto tropical é a alta incidência de verminose. Várias tentativas de manejo vêm sendo testadas. Exemplos de ajustes na capacidade de suporte para um hectare de pasto cultivado manejado sob lotação rotativa.8 UA.6 ovelhas. MSFT-RES=matéria seca de forragem total no resíduo póspastejo.2 1. não irá suporta 10 ovelhas de 45. PVf=peso vivo final. PASTEJO LOTAÇÃO CONTÍNUA LOTAÇÃO ROTATIVA TIPO ANIMAL PLF (kg/dia) CMS (kg/dia) TL (cab/ha) PLF (kg/dia) CMS (kg/dia) TL (cab/ha) OVELHA 34.75 NECESSIDADE DE CONSUMO DE MATÉRIA SECA (CMS) TIPO ANIMAL PVi(KG) PVf (KG) PVm (KG) CMS (%PV) CMS (kg/dia) OVELHA 40 40 40 3.75 ⇒ EUA= 17. Quadro 2. A capacidade de consumo animal é outra forma disponível para ajustar a pressão de pastejo.4 CORDEIRO 15 25 20 3. uma área de pastagem que suporta uma vaca de 450 kg. PRODUÇÃO DO PASTO (MSFT) DUR. USO Método de pastejo PASTEJO PLF (kg/dia) (kg) (kg) (kg) (kg/dia) (%) (dias) CONTINUO* 2700 2300 400 07 57 60 34. com base em uma medida que reflete melhor a necessidade nutricional do animal. ou seja. ao contrário do que se possa imaginar grosseiramente. no entanto. Colocar 10 ovelhas de 45 kg nessa área significa colocar 1.5 1.2 0.

Por esse último método é possível identificar animais mais susceptíveis e assim. Esta foi a estratégia utilizada na Nova Zelândia. Observação da mucosa ocular para determinação da necessidade de vermifugação indicando a necessidade de vermifugação do animal à direita.000. vermifugou rebanho ovino quando a média do número de OPGs foi superior a 10. Vieira et al. Figura 7. com freqüência mensal e coleta de fezes de 20% do rebanho e o método Famacha (freqüência quinzenal em todo o rebanho) têm sido utilizados com o intuito de tanto diagnosticar como tratar as verminoses. Os níveis 4 e 5 a vermifugação é indispensável. São cinco níveis avaliados pela mucosa do animal onde os níveis 1 e 2 não é necessário vermifugar. desse modo. pois nesse momento as larvas infestantes migram para as partes mais baixas do relvado procurando melhores condições ambientais e os animais sofreriam menores infestações. caso o animal apresente tal nível sucessivamente. realizou uma vermifugação a cada três meses. (Fotos: Ana Clara Cavalcante) Há quem sugira a entrada dos animais nos piquetes apenas após a secagem do orvalho.000. Fernandes et al. com ajuda de um cartão com fotos. Essa prática precisa ser melhor avaliada na região nordeste pois em função da alta radiação solar e temperatura predominantes pode haver comprometimento do consumo de forragem pelos animais em função do desconforto ambiental nas horas mais quentes do dia.Métodos de controle. (2004) têm utilizado como critério para vermifugação pelo método o OPG o número médio de 3. cuja base da produção de ovinos são as pastagens. (2009) tem testado o método Famacha. que consiste em vermifugar apenas animais que apresentem sinal de anemia (Figura 7) pela observação da mucosa ocular. . fazer uma seleção no rebanho para esta característica. O nível 3 a vermifugação dar-se alternada. Neiva (2002) utilizando o método do OPG. como a contagem de ovos por grama de fezes (OPG).

principalmente pelos produtores. Considerações Finais O uso de um sistema de pastejo sob lotação rotativa pode trazer muitos benefícios econômicos e ambientais. levando em consideração as inter-relações existentes entre solo-plantaanimal. gerando o equilíbrio do sistema e índices produtivos satisfatórios. a eficiência do uso da técnica de manejo intensivo de pastagem na produção de ovinos poderá ser questionada. pois caso contrário. . É importante um auxilio de um técnico experiente para que as tomadas de decisões sejam feitas corretamente. desde que este seja bem planejado e racionalmente executado.8.

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