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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA “LUIZ DE QUEIROZ”

Projetando Agricultura Compromissada em Sustentabilidade PACES

O papel do Potássio nos vegetais
Daniele Tavoni Longhim Lucas Ryuichi Muraoka Vitor Alencar de Matos

Piracicaba – SP Junho 2011

O transporte pela raiz é realizado pelo apoplasto e simplasto e esta transferência de potássio é realizada pela passagem do nutriente pelas células adjacentes até o vaso do xilema pelo meio da corrente transpiratória e via apoplástica. que são de dois tipos . deste modo ocorrendo extrusão de H+ e absorção de K. diminui a absorção por inibição competitiva. Este é carregado através do plasmalema e do tonoplasto por transportadores e canais hidrofílicos. mobilidade. deficiência e toxidade. também temos a presença dos fatores externos como a concentração de K+ (Cinética de saturação). no qual é absorvido da solução do solo contra o gradiente de concentração. podendo ser recompensado com o aumento da concentração do cátion no solo. o cálcio. dada sua importância enquanto macronutriente visto que o cátion tem participação em muitos processos biológicos da planta. trocável e solúvel e é incorporado pelos vegetais por meio de difusão na forma solúvel. Foram abordados os principais tópicos como absorção. em YAMADA e ROBERTS (2005) o ATP é utilizado diretamente pelo carregador do potássio. alguns deles de importância vital. transportado a longas distâncias como. em (1936 Hoagland e Broyer apud YAMADA e ROBERTS 2005) utilizaram raízes de plantas. até a folha. LAUCHLI. Absorção e mobilidade e do potássio na planta O potássio(K). fazendo a extrusão do H+ para o meio externo e absorvendo o potássio para o meio celular. A absorção de K sofre influência de fatores internos como concentração na raiz. (ciclo-1) No entanto. cultivar. que conforme o aumento do nível. cuja redução causa uma diminuição na absorção de K. de forma que o complexo protéico da transmembrana (constituinte de um canal aquoso) como um portão que se abre e fecha. A concentração na raiz. . funções bioquímicas e fisiológicas. já o segundo possui pouca afinidade. Nesse processo. 1985. a tensão do O2 necessita do ar para absorção de K e de outros íons (Hoagland e Broyer. híbrido: A eficiência da utilização é definida pela expressão: E= (colheita-1). cultivadas em baixos níveis salinos e em baixas tensões de O2 verificando-se que o aumento de concentração de K no tecido leva a uma diminuição do fluxo de H+ e consequentemente da absorção do cátion K+ pela raiz (LEONARD. Temos também a influência da umidade. Para a absorção do K existem varias teorias. utiliza-se o ATP como forma de energia para realizar o processo de absorção. por exemplo. 1936) em sua contribuição para a produção de ATP.Introdução O presente trabalho trata do potássio na planta. sugere Leonard (1985 apud YAMADA e ROBERTS 2005) que o transportador seja uma proteína específica. que se dá transporte eletrônico terminal da respiração na parte de variedade. possui vários estados como o mineral. auxiliando nas dificuldades da camada dupla lipídica do plasmalema. o K é o cátion dominante. Além disso. o sódio. quando fornecido em concentrações altas. é um dos cátions mais abundantes em todas as culturas. neste caso. carboidratos e variedade do cultivar. diminui a concentração de K+( funcionamento de mecanismo duplo). Já no floema. o próprio carregador pode ser a bomba de H+ eletrogênica. o primeiro possui concentração baixa e alta afinidade. Os carboidratos na raiz. são fonte de energia através da fosforilação oxidativa.( nutriente absorvido-1). 1989).

aumenta a resistência dos tecidos (evita o acamamento das culturas). 1997). existem dois principais grupos de sistema de transporte. translocação de açúcares (influência no mecanismo de transporte do floema). ocasionando um acréscimo na velocidade de difusão. com maior seletividade (FOX e GUERINOT. Como já citados. Em uma escala visível o potássio influencia processos como a produção de frutos e grãos (síntese e transporte de amido e açúcares). malato e potássio são responsáveis por cerca de 50% do potencial osmótico das células.al. Existem canais direcionados para dentro e para fora das células nos quais o K+ segue o potencial elétrico (POTTOSINE ANDJUS. No caso do café. Papéis bioquímicos. em grau mais específico.1963) relata sobre a absorção foliar e seu efeito no crescimento das culturas. que é realizada pelos canais específicos localizados na membrana plasmática e no tonoplasto. por meio da travessia do plasmalema. O citros quando aplicado K. aumentam a a porcentagem de frutos cereja. posteriormente passando pelo apoplasto e depois ocorre absorção. Os canais do K são os mais simples. por exemplo. 16% do potássio da planta está nas raízes. o K+ na folha acontece no primeiro contato com a epiderme. uma porcentagem relativamente alta e necessária. responsável pela ativação de mais de 50 enzimas.Por fim. as aplicações de KNO3 a 1%. temos a influência da temperatura. visto que é o local onde ocorre a absorção de água. à sensibilidade ao toque em espécies de plantas como. por exemplo. nas superfamílias de canais catiônicos. que tende a se mover sempre para a região de menor potencial. Quanto à absorção foliar. uma vez que a fixação de gás carbônico na presença de luz está associada à concentração de potássio na folha e na regulação do potencial osmótico das células. são caracterizados por uma curta seção na região dos poros que é responsável pela seletividade do nutriente Hille (1996 apud YAMADA e ROBERTS 2005). consequentemente também a difusão. fisiológicos e metabólicos do potássio na planta O Potássio está associado a ações biofísicas na planta. possui influência no processo de fotossíntese. porém no século XIX Bohn(1877 citado por WITTWER et. fator importante para outros processos como por exemplo absorção e transporte de água pela planta (MALAVOLTA.. cujo aumento estimula a atividade respiratória. como a abertura e fechamento de estômatos e. em algumas culturas como o algodão por exemplo. absorve mais se realiza-se uma atividade superficial como o Triton B1956 Calvert ( 1969 apud YAMADA e ROBERTS 2005). A quantidade de potássio vacuolar nessa região é 1/10 a 1/5 da concentração do citoplasma. ao passo que nas folhas o potássio vacuolar . este corresponde a altas concentrações(MATHUIS e SANDERS . Em caso de adubação com potássio. 2006). O potássio é de rápida translocação. ocorrendo barreira à penetração devido a presença da cutícula cerosa. na defesa contra patógenos (YAMADA et al. Possui também importante participação em processos bioquímicos da planta como. A regulação do potencial osmótico das células tem grande participação do potássio. existem poucos trabalhos relacionados. 1998) e o com menor. 2006 ). 2006). confere uma melhor recuperação do tecido lesado após a infecção e maior resistência a secas e geadas (Korndörfer. dormideiras (Mimosa pudica) e plantas carnívoras (dioneae muscipula). 1994).

A planta pode bombear íons de potássio para favorecer ou não a abertura e fechamento dos ostíolos (Castro. os sintomas são sutis. as injúrias causadas a uma planta pela falta do nutriente estão intimamente relacionadas com o aumento da relação N/K. reduz o teor de açúcar e amido em órgãos de reserva além do acúmulo de putrescina. ocorre menor produção e crescimento. A putrescina é responsável pela clorose e posterior necrose nas margens e pontas das folhas mais velhas. Em relação à translocação de açúcares o potássio possui influencia no processo de carregamento do floema. Experimentos realizados em cana-de-açúcar mostram que plantas deficientes em K tiveram menor movimentação de açúcares da folha (fonte) para o colmo (dreno). a qual aumenta a exposição dos sítios ativos para a ligação com o substrato. temos a redução no crescimento e produtividade da planta. O potássio ainda contribui para uma melhor estruturação da parede celular da célula vegetal. 2006) No caso da ativação de enzimas o potássio muda a conformação da molécula. 2006). evitando perdas de água. O potássio em níveis altamente excessivos provoca a deficiência induzida de magnésio. Normalmente esses sinais só são percebidos quando comparamos a planta com pouca deficiência ou excesso com uma sadia. Em decorrência desse descompasso. clorose internerval e às vezes necrose como ocorre no café. concentrações pouco mais altas que o normal de potássio produzem sintomas sutis iguais a deficiência não acentuada. possibilitando o mecanismo chavefechadura das enzimas. A falta de potássio. leva em algumas culturas a diminuição dos frutos (como a laranja) e deficiência de ferro induzida devido o acúmulo nos nós inferiores. levando à clorose. Quando a deficiência de potássio é acentuada. Em plantas anuais a deficiência leva a internódios mais curtos. É importante lembrar que algumas vezes pragas como a helmintosporiose em cereais causam danos semelhantes (MALAVOLTA. Malavolta. com um potencial maior que o meio extracelular. 2008. de modo que quando as células-guarda estão túrgidas os ostíolos se abrem e analogamente. (Wallinford apud Malavolta. um processo que exige energia de ATP cuja produção depende do potássio. Quanto a doses excessivas de potássio.é ½ da concentração de K no citoplasma núcleo e cloroplastos. ou seja. Korndörfer. os ostíolos se fecham. de modo que a cultura se torne menos suscetível ao acamamento e às geadas. a planta produz a putrescina (poliamina) devido ao acumulo de aminoácidos. O potencial osmótico também é o mecanismo utilizado para controlar a abertura e fechamento dos estômatos. A carência de potássio eleva o teor de ácidos orgânicos. Outro sintoma de caráter anatômico é a diferenciação prejudicada dos tecidos condutores e a perda da atividade cambial. quando essas células estão crenadas. O potássio atua na síntese protéica. toxidade e relação com a qualidade dos produtos Segundo Silveira e Crocomo (1988). 2006) Deficiências. 2006. sua deficiência acarreta na diminuição da produção de fitomassa e acúmulo de compostos nitrogenados. Quando a deficiência não é tão acentuada. Segundo Korndorfer .

Uberlândia: Universidade Federal de Uberlândia. São Paulo: Editora Agronômica Ceres. causando redução da lamela média. E. Segundo Diais e Prates (1976). Manual de fisiologia vegetal: fisiologia de cultivos.R. Apostila Potássio. Por ser importante na produção de polissacarídeos. Referências Bibliográficas: MALAVOLTA. Potássio na agricultura brasileira. Kluge R. o produtor deve estar sempre atento aos sintomas de deficiência de potássio. Conclusão Podemos concluir que o potássio é um nutriente de extrema importância para a manutenção e desenvolvimento dos vegetais. uma vez que é muito exigido pela maioria das culturas e a sua falta pode acarretar em perdas de produtividade e consequentemente financeiras. o potássio é o nutriente mais requerido na batata. as folhas adquirem um tom verde azulado e as mais velhas ficam amareladas seguindo a necrose e o escurecimento nas margens e pontas. Korndörfer G.M. 2007. 2005 Troeh F. Quando ocorre deficiência de potássio na batata. São Paulo: Andrei. O cloreto de potássio deve aplicado com cautela. que armazena o amido em grandes quantidades nos tubérculos. Nutrição Mineral de plantas. Castro P. pois o acúmulo de cloreto promove a diminuição do teor de fécula. 2008. e Thompsom L. Solos e Fertilidade do solo.(2006) a concentração de cálcio na planta também é afetada. São Paulo: Editora Agronômica Ceres. A adubação potássica deve ser feita preferencialmente com sulfato de potássio apesar de apresentar um custo mais alto que o cloreto de potássio..R. Portanto. a batata absorve 112 kg por hectare dos quais 70 kg ficam nos tubérculos sendo esses essenciais a produção da fécula. importante para as qualidades culinárias e de conservação. Piracicaba: Associação brasileira para pesquisa da potassa e do fosfato.A. H. uma vez que participa em diversos processos bioquímicos e fisiológicos na planta. comprometimento das funções da membrana plasmática e vazamento de solutos .C. 2006 . Sestari I. 2006 YAMADA e ROBERTS.