O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990 é um tratado internacional assinado em 1990, que pretende instituir uma ortografia unificada

para o português a ser usada por todos os países de língua oficial portuguesa, com o objectivo de pôr fim à existência de duas normas ortográficas oficiais divergentes, uma no Brasil e outra nos restantes países de língua oficial portuguesa, contribuindo assim para aumentar o prestígio internacional do português. Foi assinado por representantes oficiais de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e são Tomé e Príncipe em Lisboa a 16 de Dezembro de 1990. Em 2004, após recuperar a sua independência, Timor-Leste também aderiu ao Acordo. Este processo negocial que resultou no Acordo contou com a presença de uma delegação da Galiza. O castelhano é dado como exemplo motivador pelos proponentes do Acordo, uma vez que a língua apresenta diferenças quer na língua quer no vocabulário entre a Espanha e a América Hispânica, mas está sujeita a uma só forma de escrita, regulada pela Associação de Academias da Língua Espanhola. No entanto o que se vai passar com este acordo ortográfico é que Portugal e os restantes países de língua oficial portuguesa irão alterar cerca de 1,6% das palavras, ao passo que apenas 0,5% das palavras serão alteradas no Brasil. Pergunto-me onde está a unificação? Sem o acordo ortográfico os portugueses escrevem “uma acção ténue”, enquanto que no Brasil se escreve “uma ação tênue”. Com o Acordo que nos querem impingir nós passaremos a escrever “uma ação ténue” e no Brasil continuam a escrever “uma ação tênue”. Onde está a unificação? Não continua a haver duas palavras escritas de maneira diferente? Para quê o Acordo Ortográfico? Pediram os portugueses para escrever “ação” em vez de “acção”? Existe ou existiu algum movimento, entre os escritores, jornalistas, ou entre os professores de português, para que seja alterado a nossa maneira de escrever? Não! Terá a crise económica porque estamos a passar base na forma como escrevemos a nossa língua? Será que é por isso que os agentes económicos portugueses estão a perder mercados ou negócios? Não! Então, para quê impor por via legal uma grafia para as palavras baseada na comparação com a grafia utilizada pelos falantes de português de outros países, mas onde a língua, muito naturalmente, seguiu e segue outros rumos e teve e continua a ter outras influências – diferentes, evidentemente, do português falado e escrito em Portugal? Não concordo com o Acordo Ortográfico, em primeiro lugar porque acho uma “violência” estar a legislar a nossa língua. A língua devia ser deixada entregue a si mesma, como acontece em países com sólidas tradições democráticas, e seguir o seu rumo. O inglês é, em termos práticos, a língua académica, científica e comercial internacional – e ninguém legisla sobre esta língua. As ortografias do Reino Unido e dos Estados Unidos são diferentes, para não falar dos restantes países de expressão inglesa, e a língua inglesa é Universal. Em segundo lugar porque não tem qualquer lógica, senão vejamos algumas das diferenças do Português para o Brasileiro: Com o Acordo Ortográfico Portugal irá eliminar as consoantes mudas (exemplo: olfacto passará a escrever-se olfacto), mas… em Portugal vamos passar a escrever conceção e no Brasil concepção, eu sei que os brasileiros lêem mesmo “concepção”, mas se nós já a escrevíamos assim, embora não lêssemos o “p” onde está a unificação da língua? Outros exemplos onde isto acontece é em palavras

como “contracepção”, “contraceptivo”, “decepção”, “decepcionar”, “intercepção”, “interceptar”, “percepcionar”, “peremptório”, “recepção”, etc…

A minha esperança é que como temos até 2015 para nos adaptar a esta nova grafia, e esta já não é a primeira tentativa de unificação da língua portuguesa lusa e brasileira, apareça até lá uma “alma iluminada”, que reconheça que esta não é a melhor forma de fortalecer a nossa língua, ou estaremos num futuro próximo a avaliar o “cardápio do café da manhã” servido num hotel em vez da “ementa de pequeno-almoço”.

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