1. Direitos Humanos: noção, significado, finalidades e história. 2. A dignidade da pessoa humana e os valores da liberdade,da igualdade e da solidariedade. 3.

Cidadania: noção, significado e história. 4. Direitos e deveres da cidadania. 5. Democracia: noção, significado e valores. 6. Estado Democrático de Direito: noção e significado. 7. Estado Democrático de Direito brasileiro: fundamentos e objetivos. 8. Os Direitos Humanos fundamentais na vigente Constituição da República: direitos à vida e à preservação da integridade física e moral (honra, imagem, nome, intimidade e vida privada), à liberdade em todas as suas formas, à igualdade, à propriedade e à segurança, os direitos sociais, a nacionalidade e os direitos políticos. 9. A Polícia Civil e a defesa das instituições democráticas. A polícia judiciária e a promoção dos direitos fundamentais. 10. O direito de receber serviços públicos adequados. 1. Os sistemas global e americano de proteção dos direitos humanos fundamentais: a Declaração Universal dos Direitos do Homem e a Convenção Americana de Direitos Humanos (³Pacto de San José da Costa Rica´). 12. Código de Conduta da Organização das Nações Unidas para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. Direitos HumanosDireitos Humanos Direitos Humanos For Evaluation Only. Copyright (c) by Foxit Software Company, 2004 - 2007 Edited by Foxit PDF Editor Direitos Humanos são os direitos fundamentais da pessoa humana. No regime democrático, toda pessoa deve ter a sua dignidade respeitada e a sua integridade protegida, independentemente da origem, raça, etnia, gênero, idade, condição econômica e social, orientação ou identidade sexual, credo religioso ou convicção política. Toda pessoa deve ter garantidos seus direitos civis (como o direito à vida, segurança, justiça, liberdade e igualdade), políticos (como o direito à participação nas decisões políticas), econômicos (como o direito ao trabalho), sociais (como o direito à educação, saúde e bem-estar), culturais (como o direito à participação na vida cultural) e ambientais (como o direito a um meio ambiente saudável). Apesar da falta de historicidade inerente a esses direitos, é com a história e seus grandes pensadores que se observa a "evolução" da humanidade, no sentido de ampliar o conhecimento da essência humana, a fim de assegurar a cada pessoa seus direitos fundamentais. Podemos destacar que a noção de direitos humanos foi cunhada ao longo dos últimos três milênios da civilização. O Prof. Fábio Konder Comparato, fazendo uma análise histórica dessa evolução, aponta que foi no período axial que os grandes princípios, os enunciados e as diretrizes fundamentais da vida, até hoje considerados em vigor, foram estabelecidos. Informa que nesse período, especialmente entre 600 e 480 a.C., coexistiram, sem se comunicarem entre si, alguns dos maiores doutrinadores de todos os tempos (entre eles, Buda, na Índia; Confúcio, na China; Pitágoras, na Grécia e o profeta Isaías, em Israel) e, a partir daí, o curso da História passou a constituir o desdobramento das idéias e princípios estabelecidos nesse período. Inclusive, foi nesse período que surgiu a filosofia, tanto na Ásia como na Grécia, quando então substituiu-se, "pela primeira vez na História, o saber mitológico da tradição pelo saber lógico da razão" . Em resumo, assinala que foi nesse período que nasceu a idéia de igualdade entre os seres humanos: "é a partir do período axial que o ser humano passa a ser considerado, pela primeira vez na História, em

sua igualdade essencial, como ser dotado de liberdade e razão, não obstante as múltiplas diferenças de sexo, raça, religião ou costumes sociais. Lançavam-se, assim, os fundamentos intelectuais para a compreensão da pessoa humana e para a afirmação de direitos universais, porque a ela inerentes". Na seqüência, podemos destacar o Cristianismo, que em muito contribuiu para o estabelecimento da igualdade entre os homens. O Cristianismo, sem dúvida, no plano divino, pregava a igualdade de todos os seres humanos, considerando-os filhos de Deus, apesar de, na prática, admitir desigualdades em contradição com a mensagem evangélica (admitiu a legitimidade da escravidão, a inferioridade da mulher em relação ao homem). sujeitar-se, devem ser elaboradas pelos membros da associação". Sua visão, complementando, é de que o ser humano não existe como meio para uma finalidade, mas existe como um fim em si mesmo, ou seja, todo homem tem como fim natural a realização de sua própria felicidade, daí resultando que todo homem tem dignidade. Isso implica, na sua concepção, que não basta ao homem o dever negativo de não prejudicar alguém, mas, também, e essencialmente, o dever positivo de trabalhar para a felicidade alheia. Essa concepção foi fundamental para o reconhecimento dos direitos necessários à formulação de políticas públicas de conteúdo econômico e social. Pode-se falar em três ápices da evolução dos direitos humanos: o Iluminismo, a Revolução Francesa e o término da Segunda Guerra Mundial. Com o primeiro foi ressaltada a razão, o espírito crítico e a fé na ciência. Esse movimento procurou chegar às origens da humanidade, compreender a essência das coisas e das pessoas, observar o homem natural. A Revolução Francesa deu origem aos ideais representativos dos direitos humanos, a liberdade, a igualdade e a fraternidade. Estes inspiraram os teóricos e transformaram todo o modo de pensar ocidental. Os homens tinham plena liberdade (apesar de empecilhos de ordem econômica, destacados, posteriormente, pelo Socialismo), eram iguais, ao menos em relação à lei, e deveriam ser fraternos, auxiliando uns aos outros. Por fim, com a barbárie da Segunda Grande Guerra, os homens se conscientizaram da necessidade de não se permitir que aquelas monstruosidades ocorressem novamente, de se prevenir os arbítrios dos Estados. Isto culminou na criação da Organização das Nações Unidas e na declaração de inúmeros Tratados Internacionais de Direitos Humanos, como "A Declaração Universal dos Direitos do Homem", como ideal comum de todos os povos. Os documentos de proteção aos direitos humanos foram surgindo progressivamente. O antecedente mais remoto pode ser a Magna Carta, que submetia o governante a um corpo escrito de normas, que ressaltava a inexistência de arbitrariedades na cobrança de impostos. A execução de uma multa ou um aprisionamento ficavam submetidos à imperiosa necessidade de um julgamento justo. A Petition of Rights tentou incorporar novamente os direitos estabelecidos pela Magna Carta, por meio da necessidade de consentimento do Parlamento para a realização de inúmeros atos. O Habeas Corpus Act instituiu um dos mais importantes instrumentos de garantia de direitos criados. Bastante utilizado até os nossos dias, destaca o direito à liberdade de locomoção a todos os indivíduos. A Bill of Rights veio para assegurar a supremacia do Parlamento sobre a vontade do rei.

A Declaração de Direitos do estado da Virgínia declara que "todos os homens são por natureza igualmente livres e independentes e têm certos direitos inatos de que, quando entram no estado de sociedade, não podem, por nenhuma forma, privar ou despojar de sua posteridade, nomeadamente o gozo da vida e da liberdade, com os meios de adquirir e possuir propriedade e procurar e obter felicidade e segurança". Assegura, também, todo poder ao povo e o devido processo legal (julgamento justo para todos). A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, assim como a Constituição Federal de 1787, consolidam barreiras contra o Estado, como tripartição do poder e a alegação que todo poder vem do povo; asseguram, ainda, alguns direitos fundamentais, como a igualdade entre os homens, a vida, a liberdade, a propriedade. As dez Emendas Constitucionais americanas permanecem em vigor até hoje, demonstrando o caráter atemporal desses direitos fundamentais. Essas Emendas têm caráter apenas exemplificativo, já que, constantemente, novos direitos fundamentais podem ser declarados e incorporados à Lei Fundamental Americana. Com a Revolução Francesa, foi aprovada a "Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão", que garante os direitos referentes à liberdade, propriedade, segurança e resistência à opressão. Destaca os princípios da legalidade e da igualdade de todos perante a lei, e da soberania popular. Aqui, o pressuposto é o valor absoluto da dignidade humana, a elaboração do conceito de pessoa abarcou a descoberta do mundo dos valores, sob o prisma de que a pessoa dá preferência, em sua vida, a valores que elege, que passam a ser fundamentais, daí porque os direitos humanos hão de ser identificados como os valores mais importantes eleitos pelos homens. A partir do século X, a regulação dos direitos econômicos e sociais passaram a incorporar as Constituições Nacionais. A primeira Carta Magna, a revolucionar a positivação de tais direitos, foi a Constituição Mexicana de 1917, que versava, inclusive, sobre a função social da propriedade. A Constituição de Weimar de 1919, pelo seu capítulo sobre os direitos econômicos e sociais, foi o grande modelo seguido pelas novas Constituições Ocidentais. A partir da segunda metade do século X, iniciou-se a real positivação dos direitos humanos, que cresceram em importância e em número, devido, principalmente, aos inúmeros acordos internacionais. O pensamento formulado nesse período acentua o caráter único e singular da personalidade de cada indivíduo, derivando daí que todo homem tem dignidade individual e, com isto, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu art. 6.°, afirma: "Todo homem tem direito de ser, em todos os lugares, reconhecido como pessoa perante a lei". Atualmente não se pode discutir a existência desses direitos, já que, além de amplamente consagrados pela doutrina, estão presentes também na lei fundamental brasileira: A Constituição Federal. Mesmo os mais pessimistas, que alegam a falta de eficácia dos direitos fundamentais, não podem negar a rápida evolução, tanto no sentido normativo, como no sentido executivo, desses direitos, que já adquiriram um papel essencial na doutrina jurídica, apesar de apenas serem realmente reconhecidos por meio da Declaração Universal dos Direitos do Homem de 1948. Pode-se constatar, por estes apontamentos, que a evolução dos direitos humanos foi gradual; todavia, o pensamento moderno "é a convicção generalizada de que o verdadeiro fundamento da validade ± do Direito em geral e dos direitos humanos em particular ± já não deve ser procurado na esfera sobrenatural da revelação religiosa, nem tampouco numa abstração metafísica ± a natureza como essência imutável de todos os entes do mundo. Se o direito é uma criação humana, o seu valor deriva,

Os direitos ali inscritos constituem hoje um dos mais importantes instrumentos de nossa civilização visando assegurar um convívio social digno. ratificar a adesão aos Pactos Internacionais de Direitos Civis e Políticos e de Direitos Econômicos. pelo princípio da "prevalência dos direitos humanos"(artigo 4°. como a Corte Interamericana e a Corte Européia de Direitos Humanos ou quasejudiciais como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos ou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas. São normas jurídicas claras e precisas. passando a ser matéria de interesse de toda a comunidade internacional. Sociais e Culturais e às Convenções contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis. no início dos anos noventa. São normas que obrigam os Estados nacionais no plano interno e externo. em suas relações internacionais. os direitos contidos na Declaração Universal estabelecem obrigações jurídicas concretas aos estados nacionais. A Declaração Universal dos Direitos Humanos não é apenas um conjunto de preceitos morais que devem informar a organização da sociedade e a criação do direito. o Brasil presidiu o comitê de redação e desempenhou papel decisivo na elaboração e aprovação da Declaração e do programa da Conferência Mundial dos Direitos Humanos de Viena. sociais e culturais.". políticos. da Declaração Universal de Direitos Humanos. econômicos. senão o próprio homem. O que significa que esse fundamento não é outro. A Declaração Universal de Direitos Humanos contém um conjunto indissociável e interdependente de direitos individuais e coletivos. civis. O governo brasileiro considera as normas constitucionais e a adesão a tratados internacionais passos essenciais para a promoção dos direitos humanos. o governo federal tem se empenhado na proteção de promoção dos direitos humanos no país. Em 1993. que recomendou aos Estados Nacionais a elaboração de planos nacionais para a proteção e promoção dos direitos humanos. voltadas para a proteção e promoção dos interesses mais fundamentais da pessoa humana. A Constituição impôs ao Estado brasileiro a obrigação de reger-se. os direitos humanos deixaram de ser uma questão exclusiva dos Estados nacionais. considerado em sua dignidade substancial de pessoa. A criação de mecanismos judiciais internacionais de proteção dos direitos humanos. em 1948. sem os quais a dignidade da pessoa humana não se realiza por completo. políticos. mas está consciente de que a proteção efetiva destes direitos depende da atuação constante do Estado e da sociedade. que resultou em um elenco de propostas e projetos de lei contra a violência. econômicos. sociais e culturais.. justo e pacífico. Resultado desta nova diretriz constitucional foi o Brasil. constitui o principal marco no desenvolvimento do direito internacional dos direitos humanos. daquele que o criou. Com este objetivo. Inscritos em diversos tra tados internacionais e constituições. No Brasil. Com a criação da Organização das Nações Unidas em 1945 e a adoção de declarações. Mas a obrigação primária de assegurar os Direitos Humanos continua a ser responsabilidade interna dos Estados Nacional. que se encontram entre os mais relevantes instrumentos internacionais de proteção aos direitos humanos. convenções e tratados internacionais para a proteção da pessoa humana. além de um conjunto preciso de garantias constitucionais. a Constituição Federal de 1988 estabeleceu a mais precisa e detalhada carta de direitos de nossa história. . A adoção. Esta Declaração tornou-se uma fonte de inspiração para a elaboração de cartas constitucionais e tratados internacionais voltados à proteção dos direitos humanos e um autêntico paradigma ético a partir do qual se pode medir e contestar ou afirmar a legitimidade de regimes e governos. pela Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. Desumanos ou Degradantes e Americana de Direitos Humanos.. que inclui uma vasta identificação de direitos civis. inciso I).justamente. deixam clara esta mudança na antiga formulação do conceito de soberania. a começar pela elaboração da Agenda de Direitos Humanos.

a consolidação da democracia exige a garantia dos direitos humanos de todas pessoas. da saúde e do meio ambiente sejam objeto de políticas e programas governamentais. raça. a atender a recomendação da Conferência Mundial de Direitos Humanos de Viena de preparar um plano de ação para proteção e promoção dos direitos humanos. governos municipais e sociedade civil. . Princípios Básicos: x Primeiro. econômicos e culturais. econômica. entre o governo federal e o governo estadual. o Presidente Fernando Henrique Cardoso lançou oficialmente o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH). sexo. Num estado federal como é o Brasil. condição econômica e social. idade. Reconhecendo a indissociabilidade dos direitos civis. tornando o Brasil o terceiro país. da educação. para que a população possa assumir que os direitos humanos são direitos de todos e as entidades da sociedade civil possam lutar por esses direitos e atuar em parceria com os Estados. x Quinto. Com a colaboração da Universidade de São Paulo. O PNDH é uma declaração inequívoca do compromisso do Brasil com a proteção e promoção dos direitos humanos de todas as pessoas que residem no. os Estados da Federação têm um papel fundamental na implementação do programa Nacional de Direitos Humanos e na luta contra a violência. O PNDH propõe ações governamentais que devem ser implementadas nos Estados da Federação. discriminação impunidade e pela efetiva proteção dos direitos humanos no país. orientação ou identidade sexual. deve-se reconhecer que não é possível resolver imediatamente problemas que foram gerados ao longo de décadas de desrespeito aos mais elementares direitos da pessoa humana. é fundamental que seus direitos civis e políticos sejam garantidos. Mas. políticos. independentemente de origem. pelos governos estaduais ou através de parcerias entre o governo federal. social. de ordem internacional. x Quarto. credo religioso e convicção política. políticos. o estudo e pesquisa da natureza e das causas das violações de direitos humanos são indispensáveis para formulação e implementação de políticas e programas de combate á violência e discriminação e de proteção e promoção dos direitos humanos.No dia 13 de maio de 1996. Princípios e Prioridades da Política Nacional de Direitos Humanos Na elaboração de uma política e um programa de direitos humanos exeqüível. com os governos municipais e a sociedade civil. sociais e culturais são indissociáveis. econômicos. com grave desigualdade de renda. é impossível promover os direitos humanos sem que os problemas estruturais do desemprego. tanto na fase de formulação quanto na fase de implementação. procura-se definir propostas para proteção de todos os direitos humanos. Numa sociedade injusta como é a brasileira. depois da Austrália e das Filipinas. e transitam pelo. os direitos civis. governos estaduais. através do Núcleo de Estudos da Violência. a proteção dos direitos humanos e a consolidação da democracia depende da cooperação de todos. x Segundo. sociais. política. monitoramento e avaliação das políticas e programas de direitos humanos. do acesso à terra. x Terceiro. as violações dos direitos humanos têm muitas causas. cultural e psicológica. etnia. individuais e coletivos. o PNDH tornou-se documento de referência obrigatória para o governo e a sociedade na luta pela consolidação da democracia e do estado de direito e pela construção de uma sociedade mais justa. território brasileiro.

x Promover concursos entre as escolas por meio de cartazes. policiais civis e militares. movimentos sociais e sindicais. x Desenvolver campanha publicitária dirigida â escola sobre o valor da diferença em uma sociedade democrática. x Criar comissão para elaborar e sugerir material didático e metodologia educacional e de comunicação para a implementação dos itens imediatamente anteriores (n. Participação Política x Desenvolver programas estaduais e apoiar programas municipais. orientados pela concepção dos direitos humanos segundo a qual o respeito à igualdade supõe também o reconhecimento e valorização das diferenças entre indivíduos e coletividades. habitação. partidos políticos. x Promover e apoiar a promoção. igrejas. x Conceder anualmente prêmios a entidades e pessoas que se destacaram na defesa dos direitos humanos. seminários e fóruns sobre políticas e programas de direitos humanos. de debates.Promoção dos Direitos Humanos x Introduzir noções de direitos humanos no currículo escolar. escolas e outras associações comprometidas com a promoção e proteção dos direitos humanos. redações e manifestações artísticas sobre o tema da diferença. no ensino de primeiro. Direitos Econômicos. economia. segurança e justiça. x Apoiar campanhas que incentivem a participação política dos vários grupos sociais. x Promover campanhas de divulgação das normas internacionais de proteção dos direitos humanos para operadores do direito. x Promover cursos de capacitação de professores para ministrar disciplinas ou desenvolver programas interdisciplinares na área de direitos humanos. pela abordagem de temas transversais. organizações não governamentais.2. encontros. econômicas. Culturais e Ambientais Direitos ao Desenvolvimento humano x Formular e implementar políticas e programas de governo para redução das desigualdades regionais.3).1. segundo e terceiro graus. x Desenvolver programas de informação e formação para profissionais do direito. educação. sociais e culturais. trabalho. x Desenvolver campanhas estaduais permanentes que ampliem a compreensão da sociedade brasileira sobre o valor da vida humana e a importância do respeito aos direitos humanos. x Fomentar ações de divulgação e conscientização da importância da legislação nacional pertinente às políticas de proteção e promoção dos direitos humanos. x Criar banco de dados sobre entidades. nos municípios e nos estados. . segurança social. x Apoiar iniciativas de premiação de programas e reportagens que ampliem a compreensão da sociedade sobre a importância do respeito aos direitos humanos. empresas. Sociais. para assegurar a todos os grupos sociais o direito de participar na formulação e implementação de políticas públicas nas áreas de saúde. em parceria com entidades governamentais. cultura. agentes penitenciários e lideranças comunitárias. sindicatos. nos municípios e regiões dos estados. definindo recursos em cada secretaria estadual para o alcance dessa meta. meio ambiente.

x Incentivar as empresas a publicar em seus balanços informações sobre realizações na área de promoção e defesa dos direitos econômicos. governos estadual e federal e sociedade civil.x Promover. sociais. econômicas. x Apoiar programas de regularização e legalização das atividades da economia informal. x Incentivar nos municípios a criação de programas de renda complementar. x Incentivar a criação de centros de aprendizagem em que grupos carentes e pessoas desempregadas possam desenvolver projetos de sobrevivência. a integração das ações direcionadas às comunidades e grupos mais carentes. higiene e segurança no trabalho. com instituição de tributos condizentes com sua atividade. x Ampliar o atendimento ao trabalhador. orientação jurídica e acompanhamento das condições de saúde. sociais e culturais. x Incentivar a criação de micro e pequenas empresas e cooperativas capazes de gerar emprego e/ou renda. multiplicando os postos para obtenção de carteira de trabalho. tributárias e crediticias. além de incentivar atividades econômicas compatíveis com a defesa do meio ambiente e a criação de canais de escoamento da produção. por meio de projetos de prestação de serviços à comunidade. com medidas e/ou propostas para simplificação. associados à formação e reciclagem profissional. Legislativo e Judiciário e da sociedade civil. Política agrária e fundiária x Apoiar formas negociadas e não violentas de resolução de conflitos fundiários. x Apoiar os assentamentos rurais existentes. formação profissional. eliminação ou redução de suas obrigações administrativas. Emprego e Geração de Renda x Criar fórum. em escala municipal e regional. dotando-os de infra-estrutura e promovendo treinamento adequado à produção agrícola. . para a realização de estudos visando a redução da jornada de trabalho e o fim das horas extras. pelas prefeituras municipais. x Propor lei estadual definindo a legitimação da posse de terras devolutas com até 500 hectares aos ocupantes que atendam aos princípios da legislação agrária. nas áreas urbanas e rurais. culturais e ambientais. x Estabelecer políticas e programas estaduais de desenvolvimento e apoiar políticas e programas municipais. x Criar programas de financiamento para micro e pequenas empresas e cooperativas. x Criar um banco de dados que possibilite o direcionamento das políticas e programas de governo e a realização de parcerias entre os Estados e a sociedade para a redução de desigualdades regionais. com participação de representantes do Executivo. redirecionando a política orçamentária para a realização destes objetivos. x Incentivar a criação e o funcionamento de comissões municipais de emprego. x Incentivar a criação de organizações sem fins lucrativos capazes de gerar emprego e/ou renda. nas áreas urbana e rural. visando reduzir a pobreza em áreas urbanas e rurais por meio da provisão de infraestrutura e serviços básicos e da geração de empregos e/ou renda para as populações carentes.

da sociedade e dos meios de comunicação social. com a participação de representantes do Estado. a recuperação paralela e outras medidas. a permanência e o sucesso de todas as crianças e adolescentes nos ensinos fundamental e médio. elevação dos níveis salariais e melhoria das condições de trabalho. identificando os que contenham incitação ao crime ou sua apologia. da habitação. Cultura e Ciência x Promover a punição dos responsáveis pela transmissão de programas de rádio e televisão que contenham incitação ao crime ou sua apologia. o reingresso. com biblioteca especializada. x Apoiar a identificação de áreas rurais improdutivas ou que não atendam à função social da propriedade. com a aplicação das sanções cabíveis às concessionárias. bem-estar social e desenvolvimento econômico. estimulando intercâmbio entre grupos das Capitais e do interior dos estados. x Criar uma comissão de educação e mídia. para fins de reforma agrária. x Valorizar as associações de pais e mestres. por meio de ações como a implementação de classes de aceleração. apoiando a criação e o funcionamento de cooperativas para aproximar os produtores rurais dos consumidores urbanos. do meio ambiente. os grêmio estudantis e outras entidades comunitárias. da saúde. por meio de programas de educação continuada dos professores. . x Apoiar programas de monitoramento e eliminação da evasão escolar. Comunicação x Estabelecer programas de integração intersecretarias e organizações não governamentais. do transporte e da cultura como direitos da cidadania e fatores essenciais à melhoria da qualidade de vida das pessoas. x Incentivar a participação de pais. as associações de pais e mestres. para apoiar o desenvolvimento de uma perspectiva positiva no tratamento das questões de direitos humanos na mídia e monitorar os programas radiofônicos e televisivos. na forma da lei. entre as quais a concessão de incentivo às famílias carentes que mantiverem os filhos na escola. x Promover cursos de alfabetização de adultos. x Criar centro de referência de cidadania e direitos humanos. para desenvolvimento de estudos e projetos sobre os temas da cidadania e direitos humanos. visando prevenir e reduzir a incidência do uso indevido de drogas e de doenças transmissíveis. x Apoiar programas de revalorização e criação de bibliotecas públicas.x Dar continuidade à políticas de reivindicação e utilização de terras devolutas para assentamento de trabalhadores sem terra. x Promover ações de divulgação sobre o valor da educação. incentivando sua participação no gerenciamento dos recursos públicos destinados à escola. professores e estudantes e fortalecer os conselhos de escola. Educação x Promover a melhoria do ensino público. x Desenvolver ações para proteger o direito à preservação da imagem dos cidadão. x Expandir o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). x Garantir o acesso. x Promover políticas e programas de abastecimento. casas de cultura e oficinas culturais.

por meio de Conselhos Estaduais de Saúde. acidentes de trânsito e acidentes de trabalho. x Promover ações que contribuam para aumentar a integração entre as áreas saúde.x Elaborar indicadores de desenvolvimento humano nos Estados. morbidade e mortalidade causadas por HIV/Aids. x Desenvolver campanhas de informação e prevenção sobre doenças sexualmente transmissíveis e HIV/Aids. vitimização e direitos humanos. como o uso de armas de fogo. discriminação. x Apoiar a implantação de um cadastro técnico de receptores de órgãos. x Apoiar programas de medicina preventiva. x Promover a realização de estudos e pesquisas sobre violência. justiça e defesa da cidadania e agricultura. Habilitação e Transporte x Implantar os Conselhos e Fundos Municipais da Assistência Social e elaborar planos municipais de assistência social com programas destinados às crianças. com o objetivo de limitar a incidência e o impacto da violência contra a pessoa. custos da violência. que vise assegurar o princípio da igualdade nas ações de saúde e ordem cronológica de atendimento de pacientes que necessitem de transplante. dando prioridade ao atendimento em áreas periféricas. x Formular políticas e desenvolver campanhas públicas para incentivar a doação de sangue. x Desenvolver programas com o objetivo de melhorar a qualidade do ambiente de trabalho e aumentar a segurança e a saúde do trabalhador urbano e rural. da educação e da segurança pública. uso indevido de drogas. x Desenvolver e divulgar programas. x Fortalecer a atuação das comissões de ética e fiscalização das atividades dos profissionais da saúde. x Apoiar programas de prevenção. x Adotar programas que contribuam para a melhoria do atendimento às pessoas portadoras de patologias crônicas. Saúde x Incentivar. a cargo das Secretarias de Saúde dos estados. a participação da comunidade na formulação e implementação de políticas públicas de saúde. x Criar banco de dados sobre as violações dos direitos humanos e o perfil dos autores e das vítimas da violação a esses direitos. assistência e tratamento para os portadores de anemia falciforme. Bem-Estar. dos Conselhos Municipais de Saúde e de outras formas de organização da população como os Conselhos de Bairros e as Comunidades de Saúde. identificando e minimizando os fatores de risco aos quais a população está exposta. integrando ações das áreas de saúde. . x Promover campanhas para divulgar informações sobre os fatores que afetam a saúde pública. com ampla divulgação nos meios de comunicação de massa. x Apoiar estudos. tendo em vista este objetivo. x Apoiar campanhas de conscientização contra os riscos do uso do fumo e do álcool. emprego e relações de trabalho. com equipes multidisciplinares. particularmente os que aumentam o risco de morte violenta. pesquisas e programas para reduzir a incidência. assistência e tratamento à dependência de drogas.

inclusive estabelecendo convênio entre a Fundação Procon e a Procuradoria Geral do Estado para a propositura de ações individuais. orientação sócio-educativa. para capacitá-Ias a resolver seus conflitos de forma não violenta e a cumprir sua responsabilidade de proteger e educar as crianças. por assistentes sociais. a inclusão de orientação preventiva de maustratos na infância. incluindo abrigo. destinando os recursos para programas de construção e melhoria de moradias populares. x Incentivar em parceria com a entidade civil programas municipais de orientação e apoio à família. idosos. destinando os recursos para programas de assistência social. como o objetivo de sua reinserção social. x Implantar políticas de complementação de renda familiar. x Apoiar o Poder Judiciário na instalação de juizados especiais para questões de direito do consumidor. de saúde. Consumo e Meio Ambiente x Ampliar o programa de municipalização da defesa do consumidor por meio da criação e fortalecimento de Procons municipais. coletivas e ações civis públicas. x Implementar ações de educação para o consumo por meio de parcerias entre a escola e órgãos de defesa do consumidor. Família e Bem Estar Social com o objetivo de oferecer atendimento nas delegacias de polícia. x Aperfeiçoar a defesa de direitos dos consumidores. x Implantar programa de controle de poluição do sistema integrado de transportes no Estado. família. com o objetivo de democratizar a discussão de políticas e programas de desenvolvimento urbano. maternidade. x Promover a melhoria e expansão dos serviços de transporte coletivo.adolescentes. x Reativar convênio entre a Secretaria da Segurança Pública e Secretaria da Criança. inclusive com programas de capacitação técnica. x Criar programa estadual e apoiar a criação de programas municipais de educação para a segurança no trânsito e de prevenção de acidentes de trânsito. integradas com políticas educacionais. . manter e apoiar programas de proteção à população em situação de rua. de inserção no mercado de trabalho e de geração de renda. x Incentivar. qualificação e requalificação profissional. x Apoiar medidas no âmbito estadual e municipal que visem a remuneração da cessão de próprios públicos para clubes e entidades sem fins lucrativos. portadores de deficiência. x Apoiar medidas no âmbito municipal que visem o aumento de impostos sobre imóveis desocupados. nos programas de atendimento pré-natal. organizacional e jurídica dos integrantes dos movimentos de moradias. inserção no mercado de trabalho e geração de renda. incentivando a formação de parcerias entre organizações governamentais e da sociedade civil e redes municipais. regionais e estaduais. x Implantar Conselhos e Fundos Municipais de Desenvolvimento Urbano. x Incentivar projetos de construção e melhoria das condições das moradias populares. particularmente por meio do sistema de mutirão. x Criar. de habitação.

centros de integração da cidadania. x Estimular a solução pacífica de conflitos. x Desenvolver e implementar programas permanentes de qualidade no serviço público. pelo Poder Judiciário e pelo Poder Legislativo. com representantes do Estado. com a participação do Poder Judiciário. Direitos Civis e Políticos Acesso à Justiça e Luta Contra a Impunidade x Criar centros de lazer. bem como estimular sua criação pelo Ministério Público. respeitados o devido processo legal e a ampla defesa. outros órgãos governamentais de atendimento social. Ministério Público. por meio de programas de coleta e reciclagem de lixo. x Desenvolver ações integradas entre os Governo Federal. recuperação e melhoria do meio ambiente. x Promover a melhoria e garantir a qualidade do meio ambiente.x Propor lei de defesa do usuário do serviço público. x Criar programa estadual de proteção a vítimas e testemunhas. . em parceria com a sociedade civil. prefeituras e sociedade civil. saúde e educação. x Fortalecer a ampliar a atuação das corregedorias administrativas do Poder Executivo. implementação e monitoramento de políticas e programas de proteção ambiental. x Promover cursos de capacitação na defesa dos direitos humanos e cidadania. na rede escolar. leitura e aprendizado ambiental em unidades de proteção ambiental. x Criar ouvidorias nas Secretarias dos Estados. x Apoiar projetos de preservação. de geração de renda. x Implantar conselhos das unidades de proteção ambiental. de acordo com o artigo 127. de prevenção de doenças e com ampla participação da sociedade civil. orientação e sugestões. para lideranças populares. em associação com projetos de geração de emprego e renda. criando e fortalecendo. x Consolidar e fortalecer o controle externo da atividade policial pelo Ministério Público. Polícia Militar. do Ministério Público e do Poder Judiciário. notadamente da Polícia Civil e Polícia Militar. VII. x Garantir indenização às vítimas de violência praticada por agentes públicos. os estaduais. empresários e organizações da sociedade civil para projetos de educação ambiental e de turismo ecológico. x Instalar e divulgar canais especiais de comunicação para denúncias. x Agilizar a apuração e a responsabilização administrativa e judicial de agentes públicos acusados de atos de violência e corrupção. Polícia Civil. ameaçados em razão de envolvimento em inquérito policial e/ou processo judicial. da Constituição Federal. garantindo o anonimato dos usuários. Procuradoria de Assistência Judiciária. em especial nas áreas da Educação e Saúde e na Procuradoria Geral do Estado. especialmente nas áreas de segurança. justiça. x Criar programa de assistência aos herdeiros e dependentes carentes de pessoas vitimadas por crimes dolosos. para formulação. os municipais. na periferia das grandes cidades. nos termos do artigo 245 da Constituição Federal. bem como a seus familiares. Procon. garantindo aos ouvidores mandato com prazo certo.

x Realizar gestões junto aos Poderes Legislativo e Judiciário para aprovação de lei estadual regulamentando os juizados especiais cíveis e criminais. x Criar cursos regulares para capacitação em gerenciamento de crise e negociação em conflitos coletivos. Segurança do Cidadão e Medidas Contra a Violência x Apoiar programas e campanhas de prevenção à violência contra pessoas e grupos em situação de alto risco. Procuradoria de Assistência Judiciária e Delegacias de Polícia. a fim de que sejam efetivamente implantados no Estado. com a participação de advogados. x Apoiar o projeto de lei que tipifica crime contra os direitos humanos. x Estimular o debate sobre a reorganização do Poder Judiciário e do Ministério Público. pelo Brasil. com a participação de organizações da sociedade civil e do Governo. mulheres. na parte de assistência a famílias. x Criar programa específico para prevenção e repressão à violência doméstica e implementação do Estatuto da Criança e do Adolescente. trabalhadores sem-terra. da população em situação de rua. dedicados a profissionais ligados às áreas de segurança e justiça. indígenas. negros.x Estimular a criação de núcleos municipais de defesa da cidadania. x Estimular a criação e o funcionamento de mecanismos para agilizar o julgamento de casos de graves violações de direitos humanos. trabalhadores sem-teto. da competência da Corte Interamericana de Direitos Humanos. Ministério Público. homossexuais. de promotorias especializadas na defesa da cidadania e dos direitos humanos. x Integrar os sistemas de informação e comunicação das polícias civil e militar. incluindo a prestação de serviços gratuitos de assistência jurídica. particularmente das delegacias de defesa da mulher. em integração com órgão públicos. incluindo policiais e seus familiares ameaçados em razão da natureza da sua atividade. para melhor atender às demandas da população. particularmente crianças e adolescentes. x Apoiar iniciativa de extinção da Justiça Militar dos Estados. migrantes. crianças e adolescentes em situação de risco. x Expandir. mediação de conflitos coletivos e requisição de documentos básicos para a população carente. x Coordenar e integrar as ações das polícias civil e militar. professores e estudantes. . modernizar e informatizar os serviços de distribuição de justiça para melhorar o sistema de proteção e promoção dos direitos humanos. idosos. ampliando e fortalecendo serviços de atendimento e investigação de casos de violência doméstica. x Estimular a criação e o funcionamento. no Ministério Público. x Expandir e melhorar o atendimento às pessoas necessitadas de assistência judiciária. x Pugnar em favor do reconhecimento. transexuais. com atribuição à Justiça comum da competência para julgamento de todos os crimes cometidos por policiais militares. nos termos do artigo 62 da Declaração Americana de Direitos Humanos. x Apoiar o estabelecimento e funcionamento de plantões permanentes do Poder Judiciário.

x Valorizar os conselhos comunitários de segurança. x Incentivar a criação de fundo da polícia. a defesa dos direitos dos cidadãos e da dignidade humana no exercício da atividade policial. o uso limitado da força. de áreas especializadas na prevenção e repressão ao trabalho forçado. x Aperfeiçoar critérios para seleção e promoção de policiais. da Criança. x Regulamentar e aumentar o controle sobre o uso de armas e munições por policiais em serviço e nos horários de folga. x Apoiar a realização de cursos de direitos humanos para policiais em todos os níveis da hierarquia policial. x Desenvolver e apoiar programas e campanhas de desarmamento. orientando-as principalmente para as áreas de maior risco de violência. compatibilizandoos à ordem constitucional vigente. de forma a valorizar e incentivar o respeito à lei. exigindo a elaboração de relatório sobre cada ocorrência de disparo de arma de fogo. com apreensão de armas ilegais. x Apoiar projeto de lei federal. nas secretarias de Emprego e Relações do Trabalho. notadamente o da Polícia Militar. dotando-os de maior autonomia e representatividade. x Incentivar experiências de polícia comunitária. a fim de implementar no Estado a lei federal que criminaliza a posse e o porte ilegal de armas. adolescentes e migrantes. agravando as penas para crimes dolosos. praticados por policiais ou contra policiais. x Dar continuidade ao programa de seguro de vida especial para policiais. definindo não apenas a manutenção da ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimõnio mas também e principalmente a defesa dos direitos da cidadania e da dignidade da pessoa humana como missões prioritárias das polícias civil e militar. . x Rever os regulamentos disciplinares das polícias. particularmente por meio da criação. sobretudo de crianças. x Apoiar o aperfeiçoamento da legislação que regulamenta os serviços privados de segurança. x Elaborar indicadores básicos para o monitoramento e a avaliação de políticas de segurança pública e do funcionamento do Poder Judiciário e do Ministério Público. defesa dos direitos dos cidadãos e da dignidade humana. por meio do aumento e redistribuição do efetivo policial.x Desenvolver programas e campanhas para impedir o trabalho forçado. para obtenção de recursos e realização de investimentos na área de segurança pública. para que eles possam servir efetivamente como centros de acompanhamento e monitoramento das atividades das polícias civil e militar pela comunidade e como mecanismos para melhorar a sua integração e cooperação. no exercício de suas funções. x Apoiar programas de aperfeiçoamento profissional de policiais militares e civis por meio da concessão de bolsas de estudo e intercãmbio com polícias de outros países para fortalecer estratégias de policiamento condizentes com o respeito à lei. Família e Bem Estar Social e da Segurança Pública. x Organizar seminário estadual para policiais sobre educação em direitos humanos. uso limitado da força. x Ampliar a atuação das polícias.

x Agilizar o exame de corpo de delito nos casos de denúncia de violação à integridade física do preso.684/96. destinado a propor ações urgentes para melhorar o funcionamento da Vara de Execuções Criminais. nas cadeias públicas e nos distritos policiais. incentivando o cumprimento de penas nesse sistema e no regime aberto. x Incentivar a aplicação de penas alternativas pelo Poder Judiciário. x Aperfeiçoar a formação e reciclagem dos diretores e agentes do sistema penitenciário. x Garantir a separação dos presos por tipo de delito e entre os presos condenados e provisórios. x Desenvolver programas de informatização do sistema penitenciário e integração com o Ministério Público e o Poder Judiciário. x Criar grupo de trabalho. x Garantir acesso aos mapas da população de presos no sistema penitenciário. em parceria com entidades não governamentais. x Instituir a Ouvidorias nos Sistemas Penitenciários. x Construir novas unidades para o regime semi-aberto. para agilizar a execução penal. nos termos da Lei de Execução Penal e exigir visitas mensais de juízes e promotores para verificar as condições do sistema penitenciário. x Desenvolver programas de identificação de postos de trabalho para cumprimento de pena de prestação de serviços à comunidade. contribuindo para a melhor reintegração dos condenados à sociedade. x Expandir e fortalecer a assistência judiciária ao preso. que trata das penas alternativas. x Criar as condições necessárias ao cumprimento da Lei de Execução Penal. x Criar Escolas Estaduais Penitenciárias. de acordo com as normas para seleção e formação de pessoal penitenciário da ONU e OEA. em tramitação no Congresso Nacional. no que toca à classificação de presos para individualização da execução da pena. x Aperfeiçoar o tratamento prisional da mulher. .Sistema prisional e ressocialização x Desenvolver parcerias entre os estados e entidades da sociedade civil para o aperfeiçoamento do sistema penitenciário e para a proteção dos direitos de cidadania e da dignidade do preso. a fim de permitir o monitoramento da relação entre número de vagas e número de presos no sistema. x Incentivar a criação dos conselhos comunitários para supervisionar o funcionamento das prisões. x Apoiar o Projeto de Lei 2. por meio de parcerias entre órgãos públicos e sociedade civil. Secretarias de Administração Penitenciária e da Segurança Pública. OAB e organizações da sociedade civil. garantindo progressivamente a alocação de agentes femininas para vistoria e guarda dos pavilhões e a realização de visitas íntimas e familiares. com a contratação e a capacitaçã o de profissionais para elaborar e acompanhar programas de ressocialização e reeducação de presos. com a participação de representantes do Poder Judiciário. Procuradoria Geral do Estado. Ministério Público. nos termos da Lei de Execução Penal. x Prever mecanismos de defesa técnica para presos acusados em processos disciplinares.

Telecurso 2000. ao esporte e à cultura. . incluindo a sua integração à Previdência Social. possibilitando sua reinserção profissional nas áreas urbanas e rurais. x Criar condições para a absorção pelo sistema penitenciário dos presos condenados e recolhidos nos distritos policiais e cadeias públicas. com o objetivo de dotar gratuitamente a população carente dos documentos básicos de cidadania. para reforçar e consolidar a proibição de práticas discriminatórias previstas na Constituição Federal. com base em origem. privilegiando parcerias com organizações não governamentais e universidades. trabalho e meios de comunicação social. carteira de identidade. convicção política. em particular na educação. programas e campanhas para eliminação da discriminação. sexo. carteira de trabalho. x Apoiar propostas legislativas para estender ao trabalhador preso os direitos do trabalhador livre. x Apoiar o trabalho do grupo de negociadores que tem por objetivo a resolução pacífica de incidentes prisionais e elaborar manual com regras mínimas para tratamento de rebeliões no sistema penitenciário. Educação pela Informática. x Desenvolver programas permanentes de treinamento do servidor público. privilegiando parcerias com organizações não governamentais. x Lançar campanhas estaduais. x Criar canais de acesso direto e regular da população a informações e documentos governamentais. x Formular e implementar políticas. x Promover programas de capacitação técnico-profissionalizante para os presos. etnia. envolvendo todos os municípios. tais como certidão de nascimento. título de eleitor e certificado de alistamento militar (ou certificado de reservista ou de dispensa da incorporação). inclusive estabelecendo convénios entre Governos Estaduais e governos municipais para garantir assistência médica e hospitalar aos presos. para habilitá-lo a tratar adequadamente a diversidade social e a identificar e combater práticas discriminatórias. raça. x Aperfeiçoar o atendimento da saúde no sistema penitenciário. deficiência física ou mental e doenças e revogar normas discriminatórias na legislação infraconstitucional.x Implementar os procedimentos de Manuais de Segurança Física das Unidades Prisionais em todo o sistema prisional. privilegiando parcerias com organizações não governamentais e universidades. saúde. x Facilitar o acesso dos presos à educação. fortalecendo projetos como Educação Básica. idade. x Desenvolver programas visando a absorção pelo mercado de trabalho de egressos do sistema penitenciário e de presos em regime aberto e semi-aberto. orientação ou identidade sexual. credo religioso. ressalvadas apenas as restrições inerentes à sua condição. x Realizar o monitoramento epidemiológico da população carcerária. Teatro nas Prisões e Oficinas Culturais. Promoção da Cidadania e Medidas contra a Discriminação x Apoiar propostas legislativas coibindo todo tipo de discriminação.

adotando normas que incentivem o cumprimento dos termos do artigo 7°. da Constituição Federal. . x Desenvolver programa de combate à exploração sexual infanto-juvenil. x Incentivar programas de integração da criança e do adolescente à família e à comunidade e de guarda. x Ampliar programas de prevenção à gravidez precoce e de atendimento a adolescentes grávidas. particularmente aqueles internados em unidades de ressocialização. promotorias e delegacias especializadas em infrações penais envolvendo crianças e adolescentes. órfãos ou abandonados. para elaboração de diagnósticos e formulação de políticas. x Manter e incrementar infra-estrutura para o adequado funcionamento dos Conselhos Estaduais dos Direitos da Criança e do Adolescente e incentivar a criação e funcionamento do Conselhos s Municipais de Direitos. x Desenvolver programa de capacitação técnico-profissional dirigido a adolescentes e jovens de 14 a 21 anos. priorizando os temas da violência. Conselhos Tutelares e Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente. prostituição infanto-juvenil. por meio de parcerias entre organizações governamentais e da sociedade civil. com participação da comunidade. violência doméstica e uso indevido de drogas. inciso XI. Crianças e Adolescentes x Implementar campanhas de proteção e promoção dos direitos da criança e do adolescente. x Manter programas de capacitação de profissionais encarregados da execução da política de promoção e defesa de direitos da criança e do adolescente. uma Câmara Permanente de Promoção da Igualdade. de acordo com as regras previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente. com base em diretrizes estaduais e nacionais. x Reorganizar e regionalizar os estabelecimentos destinados à internação de adolescentes autores de ato infracional. x Incentivar a captação de recursos provados para os Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente. de acordo com os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente. x Divulgar amplamente o Estatuto da Criança e do Adolescente nas escolas estaduais. erradicação do trabalho infantil. proteção do adolescente trabalhador. x Elaborar plano estadual e incentivar a elaboração de planos municipais de proteção dos direitos da criança e do adolescente. abuso e assédio sexual. x Criar programas de orientação jurídica e assistência judiciária para famílias de adolescentes autores de ato infracional. x Apoiar a criação e funcionamento de varas. x Garantir orientação jurídica e assistência judiciária para famílias de adolescentes autores de ato infracional. prioritariamente para aqueles em situação de risco social.x Instalar. programas e campanhas de promoção da igualdade no trabalho. x Desenvolver oficinas culturais e cursos de música. teatro e artes plásticas. dirigidos para crianças e adolescentes. no âmbito das Secretarias de Emprego e Relações do Trabalho. tutela e adoção de crianças e adolescentes. x Erradicar o trabalho infantil nos Estados e proteger os direitos do adolescente trabalhador.

como creches. oferecendo condições de socialização. para formular a monitorar políticas e programas de governo para a defesa dos direitos da mulher. os governos municipais e organizações da sociedade civil.x Desenvolver ação integrada do Poder Executivo com o Poder Judiciário e Ministério Público. por meio de parcerias entre os Governos Estaduais. em apoio à família e à escola. x Incentivar a participação das mulheres na política e na administração pública em todos os níveis. centros de juventude. x Apoiar a regulamentação do artigo 7°. manter e apoiar programas de combate à violência contra a mulher. reintegração à família. que protege as mulheres contra a discriminação em razão de gravidez. x Criar e manter programas de nutrição e prevenção à mortalidade de crianças e adolescentes. em particular as do Código Civil brasileiro. adolescentes e familiares desaparecidos. com atenção particular para a identificação e localização de crianças. x Criar. aperfeiçoando o sistema de aplicação de medidas sócio-educativas aos adolescentes autores de ato infracional. nas áreas urbana e rural. x Apoiar a revogação de normas discriminatórias ainda existentes na legislação infraconstitucional. profissionalização e trabalho e resgate integral da cidadania. x Aprimorar o funcionamento e a expansão da rede de delegacias da mulher.029/95. combate à violência contra a criança e o adolescente e atendimento aos autores de ato infracional. . Prevenir e Combater a Violência Contra a Mulher. x Manter programas de atendimento a crianças e adolescentes em situação de rua. Mulheres x Apoiar os Conselhos Estaduais da Condição Feminina e incentivar a criação de conselhos municipais de defesa dos direitos da mulher. x Assegurar a implementação da Lei 9. x Priorizar programas que privilegiem a aplicação de medidas sócio-educativas não privativas de liberdade para adolescentes autores de ato infracional. priorizando as casasabrigo e os centros integrados de atendimento às mulheres vítimas ou sob risco de violência. x Apoiar o aperfeiçoamento de normas de prevenção da violência e discriminação contra a mulher. em observância à Convenção Interamericana para Erradicar. da Constituição Federal. educação. lazer. cultura. inciso X. x Divulgar na esfera estadual os documentos internacionais de proteção dos direitos das mulheres ratificados pelo Brasil. x Manter programas sócio-educativos de atendimento à criança e ao adolescente em meio aberto. x Incrementar parcerias com organizações da sociedade civil. por meio da formulação e implementação de leis e programas estaduais para proteção da mulher no mercado de trabalho. com a participação dos conselhos estadual e municipais. x Estabelecer um sistema de monitoramento da situação da criança e do adolescente. incluindo a questão do assédio sexual.

x Promover a divulgação de informações sobre os indígenas e seus direitos. particularmente na rede pública e privada de ensino. principalmente nos meios de comunicação e escolas. x Desenvolver ações afirmativas para ampliar o acesso e a permanência da população negra na rede pública e particular de ensino. por meio da adoção de ações afirmativas e programas para profissionalização. x Apoiar políticas de proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas que. x Incluir o quesito "cor" em todos os sistemas de informação e registro sobre a população e banco de dados públicos. social e politicamente. População Negra x Promover o acesso da população negra ao mercado de trabalho e ao serviço público. no que se refere ao fomento à produção cultural e à preservação da memória da comunidade negra no Brasil. x Garantir aos povos indígenas educação escolar diferenciada. x Desenvolver programas que assegurem a igualdade de oportunidade e tratamento nas políticas culturais dos Estados. x Mapear e promover os atos necessários ao tombamento de sítios e documentos de importância histórica para a comunidade negra. x Desenvolver campanhas de combate à discriminação racial e valorização da pluralidade étnica no Brasil. respeitando seu universo sóciocultural. x Apoiar políticas que promovam a comunidade negra econômica. os dispositivos da Constituição Federal e a legislação infraconstitucional que tratam da discriminação racial. . ao mesmo tempo. notadamente em cursos profissionalizantes e universidades. nos termos do artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. x Implementar a Convenção sobre a Eliminação da Discriminação Racial no Ensino. x Divulgar as convenções internacionais. x Incluir no currículo de 1° e 2° graus a história e a cultura da comunidade negra no Brasil. com atenção à especificidade de cada povo. como medida de combate à discriminação e à violência contra os povos indígenas e suas culturas. x Revogar normas discriminatórias ainda existentes na legislação infraconstitucional e aperfeiçoar normas de combate à discriminação racial. x Desenvolver pesquisas e divulgar informações sobre violência e discriminação contra a população negra e sobre formas de proteção e promoção de seus direitos. respeitem os princípios da Convenção sobre Diversidade Biológica. x Garantir aos povos indígenas assistência de saúde por meio de programas diferenciados. bem como apoiar programas que propiciem o desenvolvimento econômico e social das comunidades. x Promover a titulação definitiva das terras das comunidades remanescentes de quilombos.x Desenvolver pesquisas e divulgar informações sobre a violência e a discriminação contra a mulher e sobre as formas de proteção e promoção de seus direitos. treinamento e reciclagem dirigidos à população negra.

x Facilitar o acesso das pessoas idosas a cinemas. x Apoiar programas de orientação de servidores públicos civis e militares no atendimento aos idosos. para garantir aos cidadãos com mais de 60 anos as condições necessárias para o pleno exercício dos direitos de cidadania. saúde e moradia. x Garantir atendimento prioritário às pessoas idosas em todas as repartições públicas. educação. x Apoiar a demarcação de terras das comunidades indígenas do Estado. de eliminação da discriminação nos locais de trabalho e de inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. x Formular Políticas Estaduais do Idoso. Migrantes Brasileiros e Estrangeiros x Apoiar o aperfeiçoamento da Lei de Estrangeiros. x Apoiar os serviços de orientação jurídica e assistência judiciária aos povos indígenas. . em colaboração com o Governo Federal. x Conceder passe livre e precedência de acesso aos idosos em todos os sistemas de transporte público urbano e interurbano. teatros. x Colaborar com o Governo Federal na assistência emergencial às comunidades indígenas mais vulneráveis nos Estados. x Apoiar os serviços gratuitos de orientação jurídica e assistência judiciária aos refugiados e migrantes. x Apoiar estudos. x Aprofundar o debate sobre os direitos dos migrantes no Mercosul e apoiar acordos bilaterais para proteção e promoção dos direitos dos migrantes. ambiental e cultural. incluindo os direitos de trabalho. e a outros espaços de lazer público. x Apoiar programas de capacitação de profissionais que trabalham com os idosos. x Apoiar programas de preparo das pessoas idosas para a aposentadoria. Refugiados. em conformidade com a Política Nacional.x Apoiar as comunidades indígenas no desenvolvimento de projetos auto-sustentáveis do ponto de vista econômico. x Criar e incentivar projetos de assistência e de qualificação profissional e fixação territorial da população migrante. x Apoiar a formulação e implementação da Política Nacional do Idoso. dando-lhes plenas condições de exercício dos seus direitos. x Apoiar a criação e o fortalecimento de conselhos municipais e associações de defesa dos direitos do idoso. de forma a garantir os direitos dos estrangeiros que vivem no Brasil. x Apoiar propostas para anistiar e/ou regularizar a situação dos estrangeiros clandestinos e irregulares. x Apoiar a ratificação da Convenção Internacional sobre a Proteção dos Direitos dos Trabalhadores Migrantes e suas Famílias. x Organizar levantamento da situação atual da saúde dos povos indígenas nos Estados e desenvolver ações emergenciais nesta área. pesquisas e discussão dos problemas dos trabalhadores migrantes e suas famílias. x Desenvolver e apoiar programas de escolarização e atividades laborativas para pessoas idosas.

x Apoiar a "Universidade para a Terceira Idade". x Promover campanha educativa para a integração da pessoa portadora de deficiência à sociedade. x Facilitar o acesso de pessoas portadora de deficiência aos serviços de informação. inclusive promovendo visitas regulares dos Conselho Estaduais do Idoso às residências para idosos. Pessoas Portadoras de Deficiência x Apoiar os Conselhos Estaduais para Assuntos da Pessoa Portadora de Deficiência e incentivar a criação de conselhos municipais de defesa dos direitos das pessoas portadoras de deficiência. x Apoiar a criação e o funcionamento de centros de convivência para pessoas idosas. com atividades físicas. bem como incentivar programas de educação e treinamento profissional que contribuam para a eliminação da discriminação. para verificar as condições de funcionamento. x Criar e incentivar a criação de núcleos de atendimento-dia à terceira idade. x Assegurar aos portadores de deficiência oportunidades de educação em ambientes inclusivos. x Implementar políticas e programas de proteção dos direitos das pessoas portadoras de deficiência e sua integração plena à vida familiar e comunitária. x Criar programas especiais de aluguel social para idosos de baixa renda.x Incentivar a modificação dos degraus dos ônibus para facilitar o acesso das pessoas idosas. x Estudar formas de garantir moradia aos idosos desabrigados. x Pugnar pela humanização dos asilos. a eliminação de todas as formas de discriminação. x Formular e/ou apoiar normas relativas ao acesso do portador de deficiência ao mercado de trabalho e ao serviço público. laborativas. x Garantir assistência preferencial médica e odontológica e fornecimento de remédios aos idosos carentes e internados em residências para idosos. trabalho e serviço social e facilitar o acesso a serviços especializados e programas de complementação de renda. x Apoiar programas de assistência aos idosos visando sua integração à família e à sociedade e incentivando o atendimento no seu próprio ambiente. documentação e comunicação social. x Apoiar programas de estudo e pesquisa sobre a situação dos idosos com vistas ao mapeamento da situação dos idosos nos Estados. educação. recreativas e associativas. x Incentivar a criação de cooperativas. priorizar o atendimento à pessoa portadora de deficiência em sua residência e em serviços comuns de saúde. x Garantir o atendimento preferencial ao idoso no sistema público de saúde. ou que moram de forma precária e não têm condições de pagar aluguel. divulgação da legislação sobre os seus direitos. x Criar e incentivar programas de lazer e turismo para a população idosa. x Criar incentivos para a aquisição e adaptação de equipamentos que permitam o trabalho dos portadores de deficiência física. . microempresas e outras formas de geração de rendas para o idoso.

x Adotar medidas para coibir a discriminação com base em orientação e identidade sexual dentro do serviço público. x Apoiar programas de estudo e pesquisa sobre a situação das pessoas portadoras de deficiência para mapeamento da sua situação nos Estados. x Apoiar programas de coleta e divulgação de informações junto a organizações governamentais e da sociedade civil sobre a questão da homossexualidade e transexualidade e da violência e discriminação contra gays. x Implementar políticas que contribuam para a melhoria do atendimento aos portadores de deficiência mental. x Apoiar programas de lazer. travestis e profissionais do sexo. x Garantir atendimento prioritário ao portador de deficiência em todos os serviços públicos. artísticos e culturais. estímulo ao trabalho em meio aberto e construção de moradias devidamente equipadas e com pessoal capacitado. esporte e turismo. x Assegurar a ampla divulgação e distribuição dos Programas Estaduais de Direitos Humanos nos Estados. para formação e capacitação de agentes da cidadania. Homossexuais e Transexuais x Apoiar campanha pela inserção na Constituição Federal e na Constituição Estadual de dispositivo proibindo expressamente a discriminação por orientação e identidade sexual. . voltados à pessoa portadora de deficiência.x Desenvolver programas de remoção de barreiras físicas que impeçam ou dificultem a locomoção das pessoas portadoras de deficiências.050/94) por todos os órgãos públicos responsáveis pela elaboração e aprovação de projetos de obras. lésbicas. x Estabelecer acordos entre os Governos Estaduais. por todos os meios de difusão. x Apoiar a criação e funcionamento de casas abrigo para adolescentes expulsos da família por sua orientação ou identidade sexual. garantindo a observância das normas técnicas de acessibilidade (ABNT 9. x Apoiar a criação e o funcionamento de conselhos municipais de defesa dos direitos humanos e de defesa da cidadania. para atuar na formulação. Implementação e Monitoramento de Políticas de Direitos Humanos x Acompanhar e apoiar as prefeituras municipais no cumprimento das obrigações mínimas de proteção e promoção dos direitos humanos. governos municipais e organizações da sociedade civil. implementação e monitoramento de políticas de direitos humanos e em particular do PEDH. x Apoiar o funcionamento dos Conselhos Estaduais de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana e dos Conselhos Estaduais de Defesa da Cidadania. por meio da regularização do trabalho abrigado. x Publicar guia de serviços públicos estaduais voltados à pessoa portadora de deficiência. x Pugnar pelo julgamento e punição dos autores de crimes motivados por discriminação centrada na orientação ou identidade sexual.

‡ Incentivar a elaboração de programas municipais de direitos humanos. x Apoiar o funcionamento da Comissão de Direitos Humanos das Assembléias Legislativas. x Apoiar a criação e o funcionamento de comissões de direitos humanos nas câmaras municipais. x Incentivar a formação de parcerias entre os Estados e a sociedade na formulação, implementação, monitoramento e avaliação de políticas e programas de direitos humanos. x Elaborar indicadores básicos para monitoramento e avaliação de políticas de direitos humanos e da qualidade de programas/projetos relativos aos direitos humanos. x Elaborar indicadores básicos para monitoramento e avaliação de políticas de segurança pública e de funcionamento do Poder Judiciário e do Ministério Público. x Divulgar anualmente as iniciativas dos Governos do Estados no cumprimento dos Programa Estaduais de Direitos Humanos. A dignidade humana, na linguagem filosófica, "é o princípio moral de que o ser humano deve ser tratado como um fim e nunca como um meio". É, portanto, um direito essencial. É longa a caminhada empreendida pela humanidade para o reconhecimento e estabelecimento da dignidade da pessoa humana. De acordo com o Prof. Fábio Konder Comparato, "todos os seres humanos, apesar das inúmeras diferenças biológicas e culturais que os distinguem entre si, merecem igual respeito, como únicos entes no mundo capazes de amar, descobrir a verdade e criar a beleza". Em razão desse reconhecimento universal, conclui: "ninguém ± nenhum indivíduo, género, etnia, classe social, grupo religioso ou nação ± pode afirmar-se superior aos demais". Atualmente, não se discute, há o reconhecimento de que toda pessoa tem direitos fundamentais, decorrendo daí a imprescindibilidade da sua proteção para preservação da dignidade humana. O conceito de Direitos Humanos é muito amplo. Para o Prof. Fernando Sorondo, ele pode ser considerado sob dois aspectos: x "constituindo um ideal comum para todos os povos e para todas as nações, seria então um sistema de valores"; e x "este sistema de valores, enquanto produto de ação da coletividade humana, acompanha e reflete sua constante evolução e acolhe o clamor de justiça dos povos. Por conseguinte, os Direitos Humanos possuem uma dimensão histórica". A Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em resolução da Ill Seção Ordinária da Assembléia Geral das Nações Unidas proclama: "A presente Declaração Universal dos Direitos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforcem, através do ensino e da educação, em promover o respeito a esses direitos e liberdades e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, em assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-membros quanto entre os povos dos territórios sob a sua jurisdição. Esta Declaração avalia vários aspectos dos relacionamentos humanos. O tema dos direitos humanos é de crescente relevância na caracterização da mentalidade jurídica do século XXI. Possui, ao mesmo tempo, um toque de passado e uma projeção de futuro. Mas o que são esses direitos? Quais seus fundamentos? Como surgiram? Para onde se dirigem? Perguntas como estas não são facilmente respondidas, necessitam de uma ampla análise históricofilosófica, além de um

profundo conhecimento jurídico. A doutrina apresenta distintos posicionamentos e ideologias que devem ser observados, visando ao mais completo entendimento da matéria. Inicialmente, pergunta-se qual o fundamento desses direitos e qual a sua fonte justificativa? Os teóricos se dividem em duas posições antagônicas, já muito trabalhadas pela Teoria Geral do Direito: o Positivismo e o Jusnaturalismo. A primeira, apresentada por Norberto Bobbio, afirma a inexistência de um direito absoluto para esses "direitos", já que a dogmática jurídica se caracteriza pela historicidade, sendo o Direito passível de constantes modificações, advindas da sociedade, cultura, moral, economia, que se alteram dia após dia. Não se pode dar, assim, um fundamento eterno para algo que necessariamente sofrerá modificações. Um preceito só pode ser considerado jurídico quando nele estiver presente o caráter repressivo, que lhe concede eficácia, como bem ressaltava Hans Kelsen. Se a Ordem Jurídica nada pode fazer para assegurar o cumprimento desses preceitos, eles não podem ser denominados "direito", pois são meras expectativas de conduta, meras expressões de boas intenções que orientam a ação para um futuro indeterminado, incerto. Atualmente, porém, há uma tendência a "positivação" dos direitos humanos, de forma a inserilos nas Constituições Estatais, através da criação de novos mecanismos para garanti-los, além da difusão de sua regulação por meio de mecanismos internacionais, como os Tratados e Convenções Internacionais de Direitos Humanos. Com isso, já se pode falar num conceito positivo de "direitos humanos, que seriam os "direitos fundamentais", assegurados ao indivíduo através da regulamentação e aplicação desses direitos, tanto no campo estatal como no campo supra-estatal. O Jusnaturalismo, amparado por doutrinadores como Dalmo de Abreu Dallari e Fábio Konder Comparato, ressalta a Pessoa Humana como o fundamento absoluto, atemporal e global desses direitos. A pessoa é a mesma em todos os lugares e, considerando as diversidades culturais, deve ser tratada igualmente, de forma justa e solidária. Ressalta-se a dignidade inerente a todo e qualquer ser humano como a razão máxima do Direito e da Sociedade, devendo ser resguardada e cultivada por estes. Os direitos humanos seriam, assim, o conjunto de condições, garantias e comportamentos, capazes de assegurar a característica essencial do homem, a sua dignidade, de forma a conceder a todos, sempre, o cumprimento das necessidades inseridas em sua condição de pessoa humana. Dessa forma, esses direitos não são criados pelos homens ou pelos Estados, eles são preexistentes ao Direito, restando a este apenas "declará-lo", nunca constituí-los. O direito não existe sem o homem e é nele que se fundamenta todo e qualquer direito, é na pessoa humana que o Direito encontra o seu valor. Há, pois, uma união dessas duas teorias na caracterização moderna dos direitos humanos. Ressalta-se o artigo 1.0, inciso Ill, CF/8, que afirma ser fundamento da República Federativa do Brasil a "dignidade humana". Diz, em seu artigo 1.0, a Declaração Universal dos Direitos do Homem: "Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade".

"A Declaração afirma que todos os homens nascem livres e iguais em dignidade (art. 1.°) e garante a todos eles os mesmos direitos, sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, nascimento ou qualquer outra condição (art. 2.°, I)". A boa doutrina ressalta algumas características próprias desses direitos, sendo: xUniversalidade: todo e qualquer ser humano é sujeito ativo desses direitos, independente de credo, raça, sexo, cor, nacionalidade, convicções; xInviolabilidade: esses direitos não podem ser descumpridos por nenhuma pessoa ou autoridade; xIndisponibilidade: esses direitos não podem ser renunciados. Não cabe ao particular dispor dos direitos conforme a própria vontade, devem ser sempre seguidos; Imprescribilidade: eles não sofrem alterações com o decurso do tempo, pois têm caráter eterno; xComplementaridade: os direitos humanos devem ser interpretados em conjunto, não havendo hierarquia entre eles. Diz o Prof. Sorondo: "Os Direitos Humanos julgam a ordem vigente, são um formador de opinião pública nos mais diversos confins do planeta, e põem a descoberto os condicionamentos econômicos, sociais e políticos que impedem sua completa realização". Direitos e deveres da cidadania. Direito de Cidadania = Prerrogativa que tem o indivíduo de participar da tomada de decisão política do Estado (exemplos: direito de votar, de participar de plebiscito, de ingressar com uma ação popular etc.). No sentido etimológico da palavra, cidadão deriva da palavra civita, que em latim significa cidade, e que tem seu correlato grego na palavra politikos ± aquele que habita na cidade. No sentido ateniense do termo, cidadania é o direito da pessoa em participar das decisões nos destinos da Cidade através da Ekklesia (reunião dos chamados de dentro para fora) na Ágora(praça pública, onde se agonizava para deliberar sobre decisões de comum acordo). Dentro desta concepção surge a democracia grega, onde somente 10% da população determinava os destinos de toda a Cidade (eram excluídos os escravos, mulheres e artesãos). A palavra cidadania foi usada na Roma antiga para indicar a situação política de uma pessoa e os direitos que essa pessoa tinha ou podia exercer. A idéia de cidadania surgiu na Idade Antiga, após a Roma conquistar a Grécia (séc. V d.C.), se expandindo para o resto da Europa. Apenas homens (de maior) e proprietários de terras (desde que não fossem estrangeiros), eram cidadãos. Diminuindo assim a idéia de cidadania, já que mulheres, crianças, estrangeiros e escravos não eram considerados cidadãos. Na Idade Média (2a era - séc. V até XV d.C.), surgiram na Europa, os feudos (ou fortalezas particulares). A idéia de cidadania se acaba, pois os proprietários dos feudos passaram a mandar em tudo, e os servos que habitavam os feudos não podiam participar de nada. Após a Idade Média, terminaram-se as invasões Bárbaras, terminando-se também os feudos, entrando assim, em uma grande crise. Os feudos se decompõem, formando cidades e depois países (Os Estados Nacionais). Entra a 3a era (Idade Moderna - séc XV ao XVIII d.C). Os países formados após o desaparecimento dos feudos foram em conseqüência da união de dois grupos: o Rei e a Burguesia.

x Iluminismo (Revolução Filosófica). as primeiras constituições (Estado feito a serviço da Burguesia). ninguém mais ia trabalhar. acostumados a apanhar calados. A Burguesia ficava cada vez mais rica e independente. Acontece a grande contradição: cidadania X capitalismo. surge o processo de exploração e dominação do capital. XVIII até os dias de hoje). visão reducionista da cidadania (votar. Com todo esse dinheiro nas mãos. o homem passa para a função de consumidor. Ainda predomina uma coisas que nos são impostas) e encontramos muitas barreiras culturais e históricas para a vivência da cidadania. Somos filhos e filhas de uma nação nascida sob o signo da cruz e da espada. pagar os impostos ou seja. Mas a sociedade capitalista se alimenta da pobreza. Com o tempo. Para mudar essas idéias. percebendo assim. Começaram a ocorrer greves (pressão) contra os capitalistas por parte dos trabalhadores. Todas essas cinco revoluções tinham o mesmo objetivo: tirar o Rei do poder. além de dar apoio político à Burguesia. afinal. vendo o Rei como um perigo e um obstáculo ao seu progresso. Damos passos importantes com o processo de redemocratização e a Constituição de 1988. uma grande mudança no conceito de cidadania. a dizer sempre "sim senhor. foram realizadas cinco grandes revoluções burguesas: x Revolução Industrial. a «engolir sapos". pois não existiriam mais operários (por exemplo). a grande maioria não pode ter muito dinheiro. A burguesia precisava do povo e o convencia de que todos estavam contra o Rei e lutando pela igualdade. a pensar que Deus é brasileiro e se as coisas estão como estão é por vontade Dele. as pessoas devem criar seus próprios conceitos e a escola aparece como um fator fundamental. fazer No Brasil. graças aos impostos que recebia. x Revolução Francesa (A maior de todas). A principal característica do Estado de Direito é: "Todos tem direitos iguais perante a constituição". a Burguesia ficava cada vez mais rica e era ela quem dava apoio econômico aos Reis (através dos impostos). Da função de político. Cidadania é a participação de todos em busca de benefícios sociais e igualdade. pois ele usava o poder para "sacaneála". o Estado de Direito. ser capitalista é ser um grande empresário (por exemplo). porém. Com o fim do Absolutismo.O Rei mandava em tudo e tinha um grande poder. e de forma obrigatória. que é uma grande característica do modelo atual. x Independência dos Estados Unidos. surgindo um novo tipo de Estado. trata-se do mais avançado processo que a humanidade já conheceu. a não levar a sério a coisa pública. por outro lado. o Rei começou a atrapalhar a Burguesia. Em conseqüência dessa união. estamos gestando a nossa cidadania. a pensar que direitos são privilégios e exigi-los é ser boçal e metido. o que é alimentado de forma acentuada pela mídia. O homem que consome satisfaz as necessidades que outros impõem como necessárias para sua sobrevivência. a termos um "jeitinho' para tudo. Para acabar com o Absolutismo (poder total do Rei). muito temos que andar. Por um lado. que visavam uma vida melhor e sem exploração no trabalho. Se todos fossem capitalistas. x Revolução Inglesa. a achar "normal" as injustiças. o capitalismo acabaria. No capitalismo. . Isso se mantém até os dias de hoje (idéia de consumo). entra a Idade Contemporânea (séc. surgindo assim. Mas. o rei construía exércitos cada vez mais fortes.

a sociologia ou a Psicologia? Quem estuda o comportamento da pessoa ? Seria a Filosofia. A cidadania não é como um dever de casa. A cidadania não surge do nada como um toque de mágica. os direitos humanos. criando e tomando consciência mais ampla dos direitos. a cidadania não nos é dada. ou a sociologia? Quem estuda o comportamento do individuo ? Seria a Filosofia. Construir cidadania é também construir novas relações e consciências.Os direitos que temos não nos foram conferidos. sempre estaremos buscando. esses serão letra morta. A pessoa torna-se cidadão quando intervém na realidade em que vive. A cidadania é algo que não se aprende com os livros. acabou. demandando novas conquistas e. O Ser Humano O Ser Indivíduo O Ser Pessoa O Ser Cidadão A Dimensão do convívio social. na vida social e pública. do outro e do mundo. nem tão pouco a simples conquista legal de alguns direitos significa a realização destes direitos. onde faço a minha parte. O Ser Humano tornar-se indivíduo quando descobre seu papel e função social. E necessário que o cidadão participe. descobrindo. E no convívio do dia-adia que exercitamos a nossa cidadania. ela é construída e conquistada a partir da nossa capacidade de organização. mais cidadania. através das relações que estabelecemos com os outros. O homem tornar-se Ser Humano nas relações de convívio social. mas com a convivência. participação e intervenção social. a democracia. A Dimensão de encontrar. Quem garante os Direitos do Consumidor? O Código do Consumidor. automaticamente deixarão de existir os desrespeitos aos direitos do consumidor ou então estes direitos se tornarão efetivos? Não! Se o cidadão não se apropriar desses direitos fazendo-os valer. Nunca poderemos chegar e entregar a tarefa pronta. Simplesmente porque existe o Código do Consumidor. . com a coisa pública e o próprio meio ambiente. ficarão só no papel. apresento e pronto. a Filosofia ou As ciências políticas? Quem garante os direitos do Ser Humano? A Declaração Universal do Direitos Humanos. Quem estuda o comportamento do Ser Humano? Seria a antropologia. Muitas vezes compreendemos os direitos como uma concessão. Contudo. seja ativo. O Indivíduo torna-se pessoa quanto toma consciência de si mesmo. a sociologia ou a Psicologia? Quem estuda o comportamento do cidadão? Seria a Sociologia. portanto. faça valer os seus direitos. Vejamos neste quadro sintético como se processa a "evolução" do Ser Humano até o Ser Cidadão. a ética. mas conquistados. A dimensão do mercado de trabalho e Consumo. pois novos desafios na vida social surgirão. A cidadania é tarefa que não termina. Enquanto seres inacabados que somos. A cidadania deve ser perpassada por temáticas como a solidariedade. a ecologia.se no mundo. um favor de quem está em cima para os que estão em baixo. A dimensão de intervir na realidade. a história.

A cidadania deve ser divulgada através de instituições de ensino e meios de comunicação para o bem estar e desenvolvimento da nação. telefones públicos. Existe realmente uma natureza humana? Teologicamente. a redução das desigualdades sociais e regionais. consumidores. A cada direito violado corresponde uma ação que possa e se deve empreender para obrigar o estado a fazer justiça. . o direito das crianças carentes e outros grandes problemas que enfrentamos em nosso país.Lutar contra toda sorte de violência e manifestação de preconceito contra os direitos culturais e de identidade étnica do povo." 1 . usuários de serviços e contribuintes. desculpe.P. "A revolta é o último dos direitos a que deve um povo livre para garantir os interesses coletivos: mas é também o mais imperioso dos deveres impostos aos cidadãos. Sobretudo da parte de elites colonizadas que pregam e incentivam. Sercidadão é respeitar e participar das decisões da sociedade para melhorar suas vidas e a de outras pessoas. Ser cidadão é nunca se esquecer das pessoas que mais necessitam. Seguindoacorrente existencialista (J. 3 . Quem garante os Direitos do cidadão? (A Constituição e suasleis regulamentares). votando e fiscalizando candidatos e partidos comprometidos com o interesse público. não pichar os muros. de proteção às pessoas. hámodificação de comportamento. por favor e bom dia quando necessário até saber A cidadania consiste desde o gesto de não jogar papel na rua. modificando as estruturas corruptas e injustas?Quando os direitos do cidadãolhe são oferecidos.Combater a violência da injustiça.Quem garante os Direitos da pessoa? A própria pessoa(amor próprio ou auto -estima). não destruir lidar com o abandono e a exclusão das pessoas necessitadas. a ética na política. favorecendo a impunidade que estimula o mau exemplo da prática generalizada de delitos. 2 .Resolver problemas pessoais e os da comunidade formando e participando de associações civis de moradores. afirmamos que existe a uma natureza humana. respeitar os sinais e placas. e o mesmopassa a exercêlo. sempre visando travar uma luta coletiva como forma mais eficaz de exigir dos governantes o cumprimento de seus deveres para com a coletividade. o sentimento de inferioridade e a baixa auto-estima de povo. 4 . respeitar os mais velhos (assim como todas às outras pessoas). Que diferença existe entre o direito do consumidor e o direito do cidadão? Ao Consumidor deve ser dado o direito de propriedade enquanto aocidadão deve ser dado odireito de acesso O que significa tornar-se pessoa no nível psicológico e social? A pessoa é oindivíduo que tomaconsciência de si mesmo ("Tornar-se Pessoa" de KarlRoger) Como podemos intervir na realidade. a eliminação do clientelismo e corporativismo. que é a omissão dos governantes em assegurar condições legais para o efetivo cumprimento das leis. saber dizer obrigado.Participar da vida política da comunidade e do país. sobre qualquer forma que seja. fazendo valer os direitos constitucionais e denunciando a pior violência. Sartre) negamos tal natureza. minorias e deficientes. bem como de associações de eleitores. a reforma do sistema eleitoral e partidário para tornar o voto um direito de cidadania e compatibilizar a democracia representativa tradicional com os modernos mecanismos de democracia direta e participativa. de preservação do meio ambiente e de amigos do patrimônio cultural.

apoiando entidades não governamentais que lutam pelos direitos de cidadania dos discriminados. à segurança e à propriedade.5 .Não basta não jogar lixo nas ruas. através de uma reforma tributária que permita exigir sempre a nota fiscal de todos os produtos e serviços. bem como apoiando e participando de iniciativas que lutam pela transparência na elaboração e aplicação do orçamento público.Não basta exigir notas fiscais. estadual e municipal.Lutar pela concretização de uma ordem econômica democrática e justa.Não basta conduzir seu veículo dentro das regras do trânsito. homossexuais. Tem de denunciar aos órgãos de combate aos crimes financeiros do Ministério da Justiça.Combater toda forma de discriminação de origem. à liberdade individual e de expressão. da livre concorrência contra monopólios e cartéis. Tem de colaborar com o combate a pirataria e ao contrabando denunciando lotes de mercadorias suspeitas à polícia federal. apoiando aqueles que procuram meios eficientes de assegurar a segurança pública sem desrespeitar os direitos humanos fundamentais. discriminação. 8 . da defesa do consumidor por meio do cumprimento do Código de Defesa do Consumidor. e fortalecendo as associações de contribuintes e de defesa de consumidores. raça.Buscar soluções coletivas para combater toda forma de violência. como a garantia à vida. 3 . exigindo a aplicação dos princípios universais da liberdade de iniciativa. 5 . 4 . crueldade e opressão.Não basta não negociar ou fazer vista grossa a enriquecidos ilícitos e repentinos. negros. 2 . cobrando a cooperação de todos. 8 . e da proteção ao meio ambiente. denunciando aos órgãos públicos competentes e entidades não governamentais toda forma de negligência. Tem de constranger quem joga e propor a implantação de coletas seletivas e de reciclagem em seu condomínio. 9 . 7 .Pautar a liberdade pela justiça. Tem de denunciar os pontos e os agentes do tráfico que aliciam menores para o consumo. exploração. violência. Os 10 Compromissos do Cidadão Atuante 1 . da propriedade. Tem de colaborar com os agentes de trânsito e constranger os que assim não o fazem. 6 . cor.Fiscalizar as execuções orçamentárias e combater a sonegação de impostos. do adolescente e do idoso. 6 . deficientes físicos e pobres. sexo.Não basta ao cidadão atuante se recusar a subornar um agente da lei. Tem de controlar a boa aplicação dos orçamentos públicos da educação e da assistência social dos governos federal. à dignidade.Respeitar os direitos da criança. cumprindo e fazendo cumprir os códigos civis coletivos e servindo de exemplo de conduta pacífica. 7 . idade. do respeito aos contratos. especialmente os preconceitos contra mulheres.Não basta não consumir drogas. . pesquisando preços para não pagar mais caro. à igualdade. Tem de denunciar na corregedoria policial para que este mal não se prolifere. 10 .Não basta se recusar a comprar ingressos de cambistas. Tem de denunciar a conivência de bilheteiros com cambistas para os administradores culturais. acionando o Ministério Público toda vez que tais princípios forem violados.Não basta não dar esmolas.

é a institucionalização da liberdade. é o povo quem detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo. protegem escrupulosamente os direitos fundamentais dos indivíduos e das minorias. têm o dever de participar no sistema político que. . Nas palavras de Mahatma Gandhi. embora respeitem a vontade da maioria. As democracias conduzem regularmente eleições livres e justas. Democracia é o governo no qual o poder e a responsabilidade cívica são exercidos por todos os cidadãos. Nas democracias. A democracia sujeita os governos ao Estado de Direito e assegura que todos os cidadãos recebam a mesma proteção legal e que os seus direitos sejam protegidos pelo sistema judiciário. abertas a todos os cidadãos. 10 ± Não basta não votar e divulgar os nomes dos políticos que traíram a sua confiança. As democracias são diversificadas. As democracias reconhecem que chegar a um consenso requer compromisso e que isto nem sempre é realizável. Os cidadãos numa democracia não têm apenas direitos. por seu lado. protege os seus direitos e as suas liberdades. Tem de denunciar ao Ministério Público e à mídia que é a única maneira de se livrer em definitivo da chantagem dos mesmos. As sociedades democráticas estão empenhadas nos valores da tolerância. Democracia é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana. entendendo que o governo local deve ser tão acessível e receptivo às pessoas quanto possível. e a oportunidade de organizar e participar plenamente na vida política. "a intolerância é em si uma forma de violência e um obstáculo ao desenvolvimento do verdadeiro espírito democrático". As democracias protegem de governos centrais muito poderosos e fazem a descentralização do governo a nível regional e local. As eleições numa democracia não podem ser fachadas atrás das quais se escondem ditadores ou um partido único. contudo. o direito a proteção legal igual. econômica e cultural da sociedade. Embora existam pequenas diferenças nas várias democracias. certos princípios e práticas distinguem o governo democrático de outras formas de governo. mas ajudar todos aqueles que foram enganados a exercer maior controle sobre os mandatos e o desempenho de todos os políticos. Na realidade. Todas as democracias. Democracia vem da palavra grega "demos" que significa povo.9 . social e cultural de cada país. refletindo a vida política. As democracias baseiam-se em princípios fundamentais e não em práticas uniformes. As democracias entendem que uma das suas principais funções é proteger direitos humanos fundamentais como a liberdade de expressão e de religião. mas verdadeiras competições pelo apoio do povo.Não basta não corromper fiscais. os princípios da maioria e a proteção dos direitos individuais e das minorias podem parecer contraditórios. estes princípios são pilares gêmeos que sustêm a mesma base daquilo que designamos por governo democrático. A democracia baseia-se nos princípios do governo da maioria associados aos direitos individuais e das minorias. diretamente ou através dos seus representantes livremente eleitos. Superficialmente. da cooperação e do compromisso.

julgamento justo e igual proteção legal. ser profissionais. Para cumprirem o papel necessário no sistema legal e no político.Governo da maioria é um meio para organizar o governo e decidir sobre assuntos públicos. Pode não haver uma resposta única a como são resolvidas as diferenças das minorias em termos de opiniões e valores ² apenas a certeza de que só através do processo democrático de tolerância. estatutos e regulamentos. Por esta razão. líderes religiosos ou partidos políticos auto-nomeados. e liberdade de organizar. As democracias entendem que proteger os direitos das minorias para apoiar a identidade cultural. Estado Democrático de Direito significa que nenhum indivíduo. práticas sociais. está acima da lei. um sistema de tribunais fortes e independentes deve ter o poder e a autoridade. militares. a lei deve preservar certas cláusulas para proteger os direitos e liberdades dos cidadãos: . A justiça é melhor alcançada quando as leis são criadas pelas próprias pessoas que devem obedecê-las. os juizes devem ter uma formação sólida. esses grupos podem participar e contribuir para as instituições democráticas do seu país. Mas as democracias reconhecem que a diversidade pode ser uma vantagem enorme. eleita ou não. convicção religiosa. Independentemente da origem. mesmo numa democracia. Tratam estas diferenças na identidade. localização geográfica. os juizes devem estar empenhados nos princípios da democracia. não os caprichos de reis. As minorias devem acreditar que o governo vai proteger os seus direitos e a sua identidade própria. porque estas são as suas próprias regras e regulamentos. As leis da democracia podem ter muitas origens: constituições escritas. os recursos e o prestígio para responsabilizar membros do governo e altos funcionários perante as leis e os regulamentos da nação. ditadores. independentes e imparciais. ensinamentos religiosos e étnicos e tradições e práticas culturais. então. As leis devem expressar a vontade do povo. consciências individuais e atividades religiosas é uma de suas tarefas principais. nível de renda ou simplesmente por ter perdido as eleições ou o debate político ² desfrutam de direitos humanos fundamentais garantidos que nenhum governo e nenhuma maioria. podem tirar. também nenhuma maioria. pode ser um dos maiores desafios que um governo democrático tem que enfrentar. não é uma outra via para a opressão. na cultura e nos valores como um desafio que pode reforçar e enriquecê-los e não como uma ameaça. No Estado Democrático de Direito. presidente ou cidadão comum. Entre os direitos humanos fundamentais que qualquer governo democrático deve proteger estão a liberdade de expressão. deve tirar os direitos e as liberdades fundamentais de um grupo minoritário ou de um indivíduo. debate e disposição para negociar é que as sociedades livres podem chegar a acordos que abranjam os pilares gêmeos do governo da maioria e dos direitos das minorias. que parecem estranhos e mesmo esquisitos para a maioria. discordar e participar plenamente na vida pública da sua sociedade. A aceitação de grupos étnicos e culturais. Assim como um grupo auto-nomeado não tem o direito de oprimir os outros. Os governos democráticos exercem a autoridade por meio da lei e estão eles próprios sujeitos aos constrangimentos impostos pela lei. Estado Democrático de Direito: noção e significado. Feito isto. As minorias ² seja devido à sua origem étnica. denunciar. a liberdade de religião e de crença. Os cidadãos nas democracias estão dispostos a obedecer às leis da sua sociedade.

emanada da vontade popular. também. como dissemos. Analisando os princípios. g)princípio da legalidade (art.no art. mas abre-se ela. vincule todos os poderes e os atos deles provenientes. 193.170. submissos à lei e obedientes aos princípios democráticos fundamentais". d)princípio da justiça social. A separação dos poderes é uma garantia extraordinária que foi alçada à dimensão constitucional. x Os cidadãos acusados de crime têm direito a um julgamento rápido e público.caput. 50. do Legislativo. Estado Democrático de Direito brasileiro: fundamentos e objetivos. 95). coletivos. nos termos da Constituição. o Presidencialismo. conjugando princípios por vezes aparentemente contrapostos. Se forem condenados. caput. e que seja a garantia geral da vigência e eficácia dos direitos fundamentais (art. Essa denominação do princípio da legalidade em sentido genérico e um dos objetivos fundamentais de nossa Constituição. não podem ser sujeitos a castigo cruel ou excepcional. que. com as garantias de atuação livre da jurisdição constitucional. x Os cidadãos devem estar protegidos da prisão arbitrária. Nela se afirma que o Brasil é um Estado democrático tendo. sem entrar em pormenores. a Constituição não prometeu a transição para o socialismo mediante a realização da democracia econômica. no primeiro artigo de nossa Carta política.e inciso 1). Os Princípios do Estado Democrático de Direito brasileiro. b)princípio democrático que. São os seguintes: a)princípio da constitucionalidade. embora não avance significativamente rumo à democracia econômica. Limitar-nos-emos a indicar esses princípios. em primeiro lugar. que exprime. do Executivo e do Judiciário. A Carta Magna da República Federativa do Brasil de 05/10/1988 é denominada "Constituição Cidadã". 20) e da independência do juiz (art. referido no art. e)princípio da igualdade (art. bem como à oportunidade de confrontar e questionar seus acusadores. 50. há de constituir uma democracia representativa e participativa. XXXV a LXXII). que o Estado Democrático de Direito se funda na legitimidade de uma Constituição rígida. foi evidenciar "que se pretende um país governado e administrado por poderes legitimados. sociais e culturais (Títs. I.x No âmbito do requisito de proteção igual pela lei. da busca sem razão em suas casas ou da apreensão de seus bens pessoais. para a realização da democracia social e cultural. com escopo de salvaguardar o exercício dos direitos individuais e . regras e valores ora destacados na Carta Constitucional brasileira de 1988 temos que o poder está estruturado na independência e harmonia entre si. ao cunhar a expressão "Estado Democrático de Direito". f)princípio da divisão de poderes (art. dotada de supremacia. 50. c) sistema de direitos fundamentais individuais. social e cultural e o aprofundamento da democracia participativa.10). h)princípio da segurança jurídica (art. a lei não pode ser aplicável unicamente a um indivíduo ou grupo. I). A intenção do legislador constituinte (mens legislatoris). do abuso ou da tortura e reduz enormemente a tentação da polícia de empregar tais medidas. como regime de governo. VI e VII). x Os cidadãos não podem ser forçados a testemunhar contra si mesmos. como princípio da ordem econômica e da ordem social. pluralista. como o faz a Constituição portuguesa. fruto do desejo e intenção constituinte de estabelecer funções diferenciadas. Este princípio protege os cidadãos da coerção.

Então como verificar se a todos os brasileiros está sendo dispensado o mesmo tratamento? Como saber se o bem comum atinge a todos os níveis sociais indistintamente? O povo exerce o seu direito ao voto como uma obrigação. Há. Apesar dessa classificação. parágrafo único de nossa Constituição. caput. Executivo e Judiciário) deve observar sua função frente a um propósito social. no qual cada um dos integrantes dos três poderes (Legislativo. § 3° da Constituição Federal. da CF. Mas a vontade popular nem sempre é acatada pelos representantes eleitos. o sufrágio universal. Mas a verdade é que. entre os seus princípios. O sufrágio é o direito concedido aos cidadãos para a escolha dos seus representantes e está assegurado pelo artigo 1o. sendo garantido a todos os cidadãos o direito de participar. Como sanar essas carências sociais. no artigo 14. aprendeu que o voto é uma obrigação do cidadão. incisos I a I: o voto direto e secreto. Podemos dizer que a intenção do legislador. 14. 5o. em relação à formação política. de acordo com o disposto no art. se o povo não consegue externar as suas necessidades? O povo brasileiro. referendo e iniciativa popular . ao elaborar a Constituição Federal. para atingir o bem comum. Esses representantes têm seu mandato por determinado tempo. incisos 1 a 1. quando deveria ser uma afirmação de sua vontade. Suas características estão descritas no art. através da representatividade". conforme disposto no art. plebiscito. a eleição de um representante para realizar os ideais pretendidos pelos cidadãos. sendo evidente colocar o problema de estabelecimento dos meios para que o povo externe a sua vontade. sem imaginar os seus poderes de legitimador e participante ativo do poder público. não se sabendo se o que está sendo decidido atende realmente a vontade popular. uma lacuna na classificação de Estado Democrático de Direito. . a separação dos poderes é o fundamento do Estado Constitucional Democrático de Direito. verificamos a presença dos mecanismos de participação popular nas decisões políticas: pela democracia semi-direta. foi a de procurar estender os direitos a todos os cidadãos brasileiros sem nenhuma distinção. 14.eleição dos seus representantes na Assembléia Nacional Constituinte ± ou pela democracia representativa ± mandato político. a igualdade de todos. "O Estado Democrático é aquele em que o próprio povo governa. não é fácil de se alcançar o nível de entendimento pelo povo brasileiro do processo de legitimação de poder. Assim. de nossa Constituição Federal. miséria etc. Segundo Dalmo Dallari. A separação dos poderes tornou-se um princípio essencial de legitimação do Estado brasileiro. No Brasil. ou seja. a nossa Carta Magna é casuística. que estão garantidos na Constituição. com igual valor para todos. Não sendo o poder social exercido a favor do povo por desconhecimento dos instrumentos de participação popular garantidos em lei. haverá sérias conseqüências sociais tais como fome. não estaria configurado o processo democrático que prevê. na prática.coletivos. Seus princípios. como o direito ao sufrágio. Têm-se todos os dispositivos necessários (mecanismos de participação popular) para realizá-la. 14 da Constituição Federal. conforme as condições de elegibilidade estabelecidas no art. pois. Sem esse direito político. porque não há uma ação política participativa do povo brasileiro na formação da sociedade. são quiçá conhecidos por poucos.

que foi objeto de antecipação pela Emenda Constitucional n° 2. com data para o dia 07. Finalidade Social Quando se afirma que há uma finalidade a atingir. caput. já que os representantes escolhidos pelo povo fizeram o desgaste econômico. . art. conforme art. Por isso.93. tendo-se realizado em 21. nesse período. indistintamente. afirmando que o seu poder social é peça fundamental para a estruturação de melhorias das condições de qualidade de vida. inciso I. o voto ainda não era estendido a todas as classes sociais. A evolução do processo democrático brasileiro foi influenciada por vários fatores históricos da nossa República. 18. a participação do povo no processo democrático é importante. Em 1964. voto e eleição. sem distinção de cor. um objeto conscientemente estabelecido. configurando. a eleição é o processo dessa escolha.8. cultura etc. O sufrágio é o direito da escolha. essa afirmação pressupõe um ato de escolha. Até chegarmos à Constituição de 1988. de 25. Tinham como justificativa a necessidade de preservar a segurança nacional. No início do período republicano. § 4°). No art. a iniciativa popular. inciso XV. § 20. raça. Cumpre ressaltar que. está escrito que compete somente ao Congresso Nacional a convocação para plebiscitos. § 3°) e de novos Municípios (art. esse direito foi negado à população. O ideal para a garantia do processo democrático seria a conscientização política do povo. 2°. com o golpe militar. 18. com idade superior a 21 anos que tivessem certo nível de renda. cabendo a um pequeno grupo formado por representantes da Assembléia Nacional Constituinte exercê-lo pelo povo. concedendo-lhes. pois objetiva a diminuição das diferenças sociais e a garantia dos direitos fundamentais a todos. além do exercício do voto. com a finalidade de garantir e estender as condições de igualdade a todo povo brasileiro. como já dito anteriormente. assim. A Constituição prevê expressamente a exigência de plebiscito para criação de novos Estados (art.09. 14. em que se previu "a realização de plebiscito para definir a forma e o sistema de governo.92. desde a sua proclamação em 15 de novembro de 1889. o voto é o ato que assegura o sufrágio. estão confirmadas as intenções dos legisladores em estabelecer um Estado Democrático de Direito. 49. Em nossa Carta Magna estão estabelecidas as formas de participação do povo na tomada de decisões no governo. 61. político e social do país. o direito de apresentar projeto de lei à Câmara dos Deputados. do Ato das Disposições Transitórias de nossa Constituição de 1988. foram necessárias várias manifestações populares para firmarse o direito de escolha dos representantes no parlamento brasileiro. No preâmbulo da Constituição Federal. A Democracia participativa brasileira Um exemplo concreto da democracia participativa brasileira está no art.Faz-se necessária a diferenciação entre sufrágio.04. familiarizando-o com os dispositivos estabelecidos em lei. o voto só poderia ser exercido por homens.93".

haja uma articulação entre o governo e o povo. assim com está definido em nosso art. Dessa forma. principalmente o direito à educação. realmente. Mas. porque determinar o fim social não é apenas traçá-lo num pedaço de papel. 5° em seu caput. Cabe salientar que poucas pessoas exercitam conscientemente esse direito como identificar a autenticidade do processo eleitoral. os direitos sejam respeitados e. A democracia só existe se houver garantias da participação de todos. haveria análise aprofundada das questões que mais afetam a sociedade e. os representantes eleitos pelo povo poderão atingir o objetivo democrático. no caso de o empregado não apresentar o comprovante de votação ao setor de recursos humanos de sua empresa. Ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional (órgãos meramente consultivos). . Para que o processo democrático e o sistema eleitoral sejam eficazes na estruturação desse Estado. o Presidente da República pode decretar o estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer. ou vota-se ou perde-se o salário do mês. os instrumentos legais do processo de legitimação do poder. neste momento. por exemplo. Se a população tivesse conhecimento sobre política. Pode parecer utópico. social e econômica do país. com o trabalho conjunto de povo e governo. que o ato de escolha do cidadão pode não resultar na escolha de um representante que atenda a seus ideais. A verdade é que se tem a idéia de que votar é uma obrigação. capaz de firmar todos os seus anseios.Confirmar a decisão da maioria é a garantia do processo democrático e. a representação democrática é semi-direta. os projetos sejam efetuados. a participação popular é fundamental para a constituição de seus princípios. a sua funcionalidade prática e seu controle para as devidas correções. sentindo-se o povo responsável em fazer parte desse processo de mudança no país. conforme está estabelecido em nossa Constituição Federal. 14 da Constituição dispõe sobre esses mecanismos. o povo elege o seu representante no governo. Conclusão O Estado Moderno necessário é aquele em que a democracia prevaleça. para se efetivar a vontade do povo. as propostas políticas apresentadas pelos representantes poderão ser convertidas em melhorias nas áreas política. surgem.Assim. podendo avaliar-se os seus reflexos. cabendo ao cidadão o poder de iniciativa política. com a finalidade de fazer prevalecer a vontade popular. Defesa do Estado e das Instituições Democráticas: Segurança Pública. seria mais fácil e justa a tomada de decisões. que é a garantia do bem comum. O voto não significa que os representantes eleitos legislarão de forma a estabelecer as diretrizes e decisões que sejam justas e estendidas a todos. Vai além de qualquer definição escrita. sem distinção. a sociedade pretende a prática do exercício de suas vontades. principalmente. Organização da Segurança Pública. A definição de Estado Democrático de Direito está correlacionada àexpressão de "governo do povo". No Brasil. Isso implica. mas se a maior parte dos objetivos estabelecidos em nossa Carta Magna fossem cumpridos. ou seja. O art. a sua importância e sua finalidade. teríamos cidadãos mais participativos no governo. se esta for cumprida. tendo como contrapartida a perda de algum direito.

que no prazo de 10 dias deverá aprová-lo (art. A previsão deixa claro que nas hipóteses de estado de defesa é constitucional a prisão. 136 da Constituição Federal serão adotadas. que não depende de prévia autorização do Congresso Nacional. inc. É vedada a incomunicabilidade do preso. a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades de grandes proporções na natureza. já que nesse período convive-se dentro de um critério de legalidade extraordinária estabelecido pela própria Constituição. a legalidade normal é substituída por uma legalidade extraordinária. efetuada sem ordem judicial. prévio pedido de autorização). qualquer das medidas de exceção é golpe de estado. 136. será acompanhada de declaração. LIV e LXI do art. . Qualquer prisão por crime contra o Estado deverá ser imediatamente comunicada pelo executor da medida ao juiz competente (controle jurisdicional concomitante). cessa de imediato o estado de defesa. É uma exceção ao disposto nos incs. tal sistema é o conjunto ordenado de normas constitucionais que. e qualquer pessoa pode impetrar habeas corpus. Nesses casos. em locais restritos e determinados. ainda quenão em flagrante. deve constar o tempo de duração da medida (não superior a 30 dias. decretar estado de defesa para preservar ou prontamente restabelecer. que a relaxará se for ilegal. Em 24 horas. A comunicação da prisão. não poderá exceder a 10 dias. Se estiver em recesso. ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional.em locais restritos e determinados. Sem que se verifique a temporariedade.° da Constituição Federal. Sem que se verifique a necessidade real. que. qualquer das medidas de exceção é ditadura. permanecendo em funcionamento durante todo o período do estado de defesa. a ordem pública ou a paz social ameaçadas por grave e iminente instabilidade institucional ou atingidas por calamidades da natureza de grandes proporções. IV. do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação. quais das medidas restritivas previstas nos inc. É facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial. Segundo o texto Constitucional ESTADO DE DEFESA E DO ESTADO DE SÍTIO Comentário: Sistema constitucional de crises: sob este Título V. I e I do § 1. Do decreto presidencial.O Presidente da República pode. Rejeitado o decreto. § 4°). da Constituição Federal) ou rejeitá-lo (art. portanto. nos limites da lei. feita pela autoridade competente.136 . salvo hipótese de autorização do Poder Judiciário. Segundo Moacyr Amaral dos Santos. a área que a medida atinge e. Art. 90 e 91. prorrogável uma vez por igual período). Comentário: Conselhos: a intervenção dos Conselhos da República e de Defesa Nacional é opinativa. o Congresso será convocado para se reunir em cinco dias. sempre por maioria absoluta (voto da maioria dos membros). 5. informadas pelos princípios da necessidade e da temporariedade têm por objeto as situações de crises e por finalidade a mantença ou o restabelecimento da normalidade constitucional. 49. o decreto deve ser encaminhado com a respectiva justificativa ao Congresso Nacional (não há.° do art. na forma dos arts. está o chamado sistema constitucional de crises.

podendo ser prorrogado uma vez. na forma do art. pela autoridade. poderá ser decretado estado de sítio. b) sigilo de correspondência. se não for legal. nos termos e limites da lei. I . será por este comunicada imediatamente ao juiz competente. Comentário: Dever de indenizar: a responsabilidade da União é condicionada à efetiva existência de dano a reparar. que a relaxará. Comentário: . I . salvo quando autorizada pelo Poder Judiciário. ainda que exercida no seio das associações. por mais trinta dias. na hipótese de calamidade pública. I. respondendo a União pelos danos e custos decorrentes. §3º . o ato deverá ser aprovado pelo Congresso Nacional. por igual período.é vedada a incomunicabilidade do preso. Sujeição ao Congresso: após a declaração do estado de defesa. na forma do art.a prisão por crime contra o Estado. na forma do art. §1º . as medidas coercitivas a vigorarem.a prisão ou detenção de qualquer pessoa não poderá ser superior a dez dias. IV.ocupação e uso temporário de bens e serviços públicos. Comentário: Tempo de duração: o estado de defesa não poderar durar mais de trinta dias na primeira decretação. determinada pelo executor da medida. facultado ao preso requerer exame de corpo de delito à autoridade policial.O decreto que instituir o estado de defesa determinará o tempo de sua duração. §2º . do estado físico e mental do detido no momento de sua autuação. IV . I .O tempo de duração do estado de defesa não será superior a trinta dias. I . sem o que perderá imediatamente a validade.Caráter preventivo: a aptidão da decretação do estado de defesa para preservar a ordem pública ou a paz social atribui a esse instituto característica preventiva. especificará as áreas a serem abrangidas e indicará. Regionalização: a aptidão do estado de defesa é nitidamente regional. se persistirem as razões que justificaram a sua decretação.restrições aos direitos de: a) reunião. dentre as seguintes: Comentário: Decreto: é de competência privativa do Presidente da República. c) sigilo de comunicação telegráfica e telefônica. IX. admitida apenas uma única prorrogação. 84. 137. 49.Na vigência do estado de defesa: I . Insuficiência da medida: caso não se atinja os objetivos da medida.a comunicação será acompanhada de declaração.

o Presidente da República. extraordinariamente. excepcionalmente. Comentário: Convocação extraordinária: na forma do art. em face do que consta no § 7º.Rejeitado o decreto. §7º . que para isso comporá comissão especial mista temporária. maioria absoluta. na forma do art. é atribuição do Presidente do Congresso Nacional. decidindo o Congresso por maioria absoluta.O Congresso Nacional apreciará o decreto dentro de dez dias contados de seu recebimento. § 6º.Decretado o estado de defesa ou sua prorrogação. Instrumento: o Congresso Nacional. na forma do art. .Acompanhamento legislativo: a execução de todas as medidas relativas ao estado de defesa é encargo do Congresso Nacional. dentro de vinte e quatro horas. que decidirá por maioria absoluta. na forma do art.Se o Congresso Nacional estiver em recesso. prorrogável cada vez por igual período). O pedido de autorização ou de prorrogação do estado de sítio deve ser acompanhado da respectiva exposição dos motivos. §6º . no prazo de cinco dias. 140. 2) Declaração de estado de guerra ou resposta à agressão armada estrangeira (pode perdurar por todo o tempo da guerra ou da agressão armada estrangeira). devendo continuar funcionando enquanto vigorar o estado de defesa. IV. será convocado. LUIZ ALBERTO DAVID ARAÚJO e VIDAL SERRANO NUNES JUNIOR denominam essa hipótese de estado de sítio repressivo. Comentário: Ato: o ato é o decreto executivo de execução da medida.49. para cuja aprovaçãoé necessária. cessa imediatamente o estado de defesa. submeterá o ato com a respectiva justificação ao Congresso Nacional. decidirá pro decreto legislativo. I. Ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional (órgãos meramente consultivos). E o denominado estado de sítio defensivo. Comentário: Persistência da medida: a não-cessação efetiva e imediata da medida expõe o Presidente da República a processo de impeachment. 85. 57. pode o Presidente da República solicitar (há um controle político prévio) ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de: 1) Comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia da medida tomada durante o estado de defesa (prazo de 30 dias. §5º . Comentário: Não apreciação no prazo: será entendida como aprovação da medida. §4º .

O controle jurisdicional concomitante se faz. 141 da Constituição Federal.comoção grave de repercussão nacional ou ocorrência de fatos que comprovem a ineficácia de medida tomada durante o estado de defesa. sobretudo. admite a suspensão de qualquer direito ou garantia constitucional. desde que prevista na autorização do Congresso Nacional. Depois de publicado o decreto. Oestado de defesa e o estado de sítio estão sujeitos a um controle político concomitante ± uma comissão composta por cinco parlamentares (designados pela mesa do Congresso Nacional após ser dada oportunidade de manifestação aos líderes partidários) acompanhará e fiscalizará a execução das medidas. O estado de sítio decretado com base no inc. O controle jurisdicional posterior é o mesmo previsto para o estado de defesa e para o estado de sítio . Não cabe ao Poder Judiciário analisar a conveniência ou a oportunidade da medida. ouvidos o Conselho da República e o Conselho de Defesa Nacional.137 . 49. 137. 139 da própria Constituição Federal. 140 da Constituição Federal ± e a um controle político posterior ± na apreciação do relatório que será encaminhado pelo Presidente da República ao Congresso Nacional logo que cesse a medida. pode suspender o estado de defesa ou o estado de sítio (art. que serão analisados à luz das restrições autorizadas pela própria Constituição Federal (à luz da legalidade extraordinária). que permanece em funcionamento enquanto perdurar a medida de exceção. IV. nos termos do art. da Constituição Federal). em tese. nos termos do art.O Presidente da República pode.O decreto de estado de sítio indicará a sua duração. as normas necessárias à sua execução e as garantias e direitos constitucionais que ficarão suspensos. 90 e 91. Instrumento: o veículo da decretação do estado de sítio é o decreto executivo. Segundo o texto Constitucional Art. I do art. pois os executores e os agentes das medidas excepcionais poderão ser responsabilizados pelos ilícitos (principalmente excessos) eventualmente cometidos. o Presidente da República indicará o executor das medidas específicas e as áreas abrangidas. A qualquer tempo. por intermédio do habeas corpus e do mandado de segurança. I do art. na forma dos arts. que é essencialmente política. 137 da Constituição Federal só autoriza a imposição das medidas específicas no art. o Congresso Nacional. I . O estado de sítio decretado com base no inc. . inc. solicitar ao Congresso Nacional autorização para decretar o estado de sítio nos casos de: Comentário: Conselhos: a intervenção dos conselhos da República e de Defesa Nacional é opinativa. Comentário: Repercussão nacional: a locução revela a aptidão nacional da medida de sítio.

nem prorrogado. não de comissão representativa nem da comissão de que trata o art. § 6º. de cada vez. Parágrafo único . Art. 138. o Presidente da República designará o executor das medidas específicas e as áreas abrangidas. ao solicitar autorização para decretar o estado de sítio ou sua prorrogação. exceto no caso de guerra ou agressão armada estrangeira. §2º . a medida. IV.O estado de sítio. por prazo superior. as normas necessárias a sua execução e as garantias constitucionais que ficarão suspensas. que deverá autorizar ou não a medida. Comentário: Ação congressual: a deliberação do Congresso Nacional é prévia à decretação. poderá ser decretado por todo o tempo que perdurar a guerra ou a agressão armada estrangeira.O decreto do estado de sítio indicará sua duração. devendo o Congresso Nacional decidir por maioria absoluta. no do incisoII. 49.I. Veículo: o Congresso Nacional veiculará a autorização por decreto legislativo. Comentário: Funcionamento: a prescrição exige o funcionamento do Congresso Nacional. §3º . de imediato. relatará os motivos determinantes do pedido. o Presidente do Senado Federal. que o formaliza com o pedido de autorização para a decretação. . terá a duração do estado de guerra ou agressão estrangeira. depois de publicado.57.Solicitada autorização para decretar o estado de sítio durante o recesso parlamentar. a fim de apreciar o ato. não poderá ser decretado por mais de trinta dias.O Presidente da República. caso em que terá a duração desse evento. Após. é competência do Congresso Nacional. Comentário: Prazos: o prazo do estado de sítio é de trinta dias. aprovado por maioria absoluta. é atribuição do Presidente do Congresso Nacional. Se autorizada. em sessão conjunta. Comentário: Duração: nos termos do mesmo art. o Presidente a decretará. I. na forma do art. no caso do art. I . prorrogáveis tantas vezes quantas se façam necessárias.Gravidade: o primeiro juízo sobre a gravidade da comoção é do Presidente da República. por este fundamento. Comentário: Decreto: é decreto executivo de execução. convocará extraordinariamente o Congresso Nacional para se reunir dentro de cinco dias.138 . e. §1º .O Congresso Nacional permanecerá em funcionamento até o término das medidas coercitivas.. 137. 140. § 1°.declaração de estado de guerra ou resposta a agressão armada estrangeira. Comentário: Convocação extraordinária: na forma do art.

à prestação de informações e à liberdade de imprensa. IX. VII . por exemplo. 5o. XVI. principalmente. Comentário: Requisição administrativa: a requisição administrativa está prevista no art. palavras ou votos. I . regulado pelo inciso XI do mesmo artigo. 5o.requisição de bens.Na vigência do estado de sítio decretado com fundamento no art. Comentário: Extensão: a locução constitucional permite a intervenção mesmo em empresas concessionárias. Comentário: Direito fundamental: este direito está garantido pelo art. desde que liberada pela respectiva Mesa. radiodifusão e televisão.suspensão da liberdade de reunião.Art. XII e XIV. Comentário: Edifícios: tais edifícios seriam.busca e apreensão em domicílio. imagem. os quartéis. Os Direitos Humanos fundamentais na vigente Constituição da República: direitos à vida e à preservação da integridade física e moral (honra. ao sigilo das comunicações. XXV.obrigação de permanência em localidade determinada. Parágrafo único . 5º. Comentário: Locomoção: é essa medida fortemente restritiva do direito de locomoção. à . intimidade e vida privada). não cabendo habeas corpus. Comentário: Inviolabilidade: esta prescrição está em consonância com a inviolabilidade parlamentar por opiniões. mas é de se observar a possibilidade de ação censória da Mesa da Casa respectiva. 137. V .intervenção nas empresas de serviços públicos. VI . Comentário: Domicílio: a restrição configura restrição ao direito à intimidade e à vida privada. assegurada pelo inciso X do art. Comentário: Direitos fundamentais: estas garantias estão asseguradas no art.I. 5o.detenção em edifício não destinado a acusados ou condenados por crimes comuns. I . só poderão ser tomadas contra as pessoas as seguintes medidas: I . IV .restrições relativas à inviolabilidade da correspondência. bem como ao ingresso em residência.Não se inclui nas restrições do incisoIII a difusão de pronunciamentos de parlamentares efetuados em suas Casas Legislativas. permissionárias e autorizatárias de serviços públicos. nome. na forma da lei.139 .

funcionam como normas de competência negativa para os Poderes Públicos. de 1215. Comentário: A primeira abordagem técnica. Não significa ele que todas as pessoas terão tratamento absolutamente igual pelas leis brasileiras. implicam o poder de exercer positivamente os direitos fundamentais (liberdade positiva). à qualidade de vida saudável. de 1776. a Declaração de Direitos do Bom Povo da Virgínia.Todos são iguais perante a lei. à autodeterminação dos povos e a defesa do consumidor. sociais e culturais.liberdade em todas as suas formas. vida. o bem da vida guardado pela Constituição. Direitos de segunda geração: são os direitos econômicos. um caráter histórico. propriedade. Os direitos fundamentais têm. e as garantias. à igualdade. à propriedade e à segurança. e a Declaração Universal dos Direitos do Homem. à clonagem. exercem a função de defesa do cidadão sob dupla perspectiva: a) no plano jurídico-político. a Declaração de Direitos do Homem e do Cidadão. em outras palavras: o direito é o que se protege. os direitos fundamentais. aos softwares. o que leva à conclusão. 5° é o Princípio da Igualdade Formal. de 1789. da infância e da juventude. com Celso Bastos. à paz. segundo nota Luiz Alberto David Araújo. Direitos de quarta geração: são os direitos que surgem e se consolidam ao final do milênio. aos alimentos transgênicos. b) no plano jurídicosubjetivo. os direitos sociais. às biociências. São os que exigem uma prestação do Estado em relação ao indivíduo. Os direitos fundamentais classificam-se em: Direitos de primeira geração: são os direitos civis e políticos. disposições assecuratórias. os direitos seriam disposições declaratórias. São direitos do indivíduo perante o Estado. segundo o qual "todos são iguais perante a lei". à eutanásia. a explorar a diferença entre direito e garantia foi realizada por Rui Barbosa. como ao meio ambiente. de 1948. garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida. Art. proibindo-os de atentarem contra a esfera individual da pessoa. sem distinção de qualquer natureza. no direito brasileiro. Na lição de Canotilho. dentre outros. e compreendem as liberdades clássicas (liberdade. como a Magna Carta Libertatum. de que o verdadeiro conteúdo do princípio é o direito da pessoa de não ser desigualada pela lei. mas que terão tratamento diferenciado na medida das suas diferenças. Ou. O que a Constituição exige é que as . Para ele. à segurança e à propriedade.5º . e de exigir omissões dos poderes públicos. como os direitos sociais das minorias e os relativos à informática. A garantia é o mecanismo criado pela Constituição para defender o direito. Direitos de terceira geração: são direitos coletivos. e importantes documentos são encontráveis na análise da sua evolução. nos termos seguintes: Comentário: A principal disposição do caput deste art. à liberdade. segurança). à igualdade. ou Princípio da Isonomia. a nacionalidade e os direitos políticos. à sucessão de filhos gerados por inseminação artificial.

19. quando. Processualmente.homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. 125. nas relações do trabalho (CF. e 40. I). por exemplo). vale a pena notar que uma interpretação literal do artigo conduziria ao entendimento de que o estrangeiro não-residente no Brasil (um turista ou um empresário. O art. V). Lei. X. contudo. portarias. o que é absurdo. nos termos desta Constituição. XI. Assim. I). então. ou seja. Ainda. como por exemplo nos arts. efetivamente. o que implica dizer que a Constituição. não absoluta. no Brasil. diferençar homem e mulher num concurso público será. O princípio da legalidade impõe a submissão à lei e admite duas leituras: a . Decretos. Comentário: Este inciso impõe uma igualação entre homens e mulheres. Na verdade. tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais. proibição ou permissão. integralmente recepcionado. art. mas é uma igualdade relativa. nessa linha. segundo o qual apenas uma lei. art. I . obrigando. Qualquer lei que contenha diferenciação de ordem sexual e que seja posterior à Constituição será inconstitucional. neles. na administração pública (CF. inconstitucional. art. por exemplo. a proibição de inscrição a indivíduos do sexo masculino se justifica. regularmente votada pelo Poder Legislativo e sancionada pelo Poder Executivo. Em síntese. a qual será revogada por não-recepção. não expressamente repetida na própria Constituição. 5° garante o respeito. Além disso. como em relações internacionais (CF. na organização política (CF. poderá impor tratamento diferençado entre os dois sexos. 37. 4°. é todo comando genérico e abstrato aprovado pelo Legislativo que inova o ordenamento jurídico. Ainda. por isso. resoluções. porque a parte final informa que ela será nos termos da Constituição. do Código de Processo Civil foi. As únicas diferenças entre os dois sexos são as expressamente ditas no texto constitucional. 2° deste art. é capaz de criar a alguma pessoa obrigação de fazer ou não fazer alguma coisa. I. nada disso pode criar uma obrigação a alguém se não estiver fundamentada numa lei onde tal obrigação seja prevista. e somente ela. a de impedir a vigência de qualquer lei anterior à Constituição. E. faz isso. XII e XIV).ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. de direitos oriundos de "tratados internacionais" e. É de se ressaltar a existência de uma nítida diferença entre o princípio da legalidade e o princípio da reserva legal. A importância deste inciso é. diz o artigo). a locução "estrangeiros residentes" deve ser interpretada no sentido de abranger todo e qualquer estrangeiro. Este é o sentido do dispositivo. a distinção de ordem sexual é aceita pela Constituição quando a finalidade pretendida for reduzir desigualdade. o princípio da isonomia deve merecer atenção tanto do elaborador da lei (Legislativo ou Executivo) quanto do julgador e do intérprete. que estabeleça uma diferença entre homens e mulheres. O constituinte consagra da isonomia em diversas passagens. poderia ser morto ou assaltado à vontade. art. aplicar o princípio da igualdade significa que o juiz deverá dar tratamento idêntico às partes. o par. Comentário: Neste inciso está o importantíssimo Princípio da Legalidade. está o dever de preservar a integridade de pessoa de outras nacionalidades que estejam no Brasil. I . em geral. I. X. 7°. porque o Princípio da Isonomia garante isso. como no caso de uma prova de esforço físico entre candidatos homens e mulheres. instruções.diferenciações impostas sejam justificáveis pelos objetivos que se pretende atingir pela lei. 7°. expressamente ("sem distinção de qualquer natureza". a não ser que o cargo seja de atendente ou carcereira de uma penitenciária de mulheres.

V . Apenas a sua manifestação o é. Comentário: Se no inciso anterior falava-se do direito daquela pessoa que quer manifestar seu pensamento sobre qualquer coisa. constituindo-se. brasileiro ou estrangeiro. 19 da Declaração Universal dos Direitos do Homem. mais estrito. o V. mediante o emprego de violência ou grave ameaça. este inciso visa. dentre outras coisas. no local em que quiser. sendo vedado o anonimato. aplicado. por qualquer meio. entendem que. Na Constituição aparece sob as formas "nos termos da lei" ou "na forma da lei". A primeira. e nada mais. em garantia da pessoa contra os excessos do Poder Público. Já o princípio da reserva legal. no que se constitui num dever da pessoa. a qual saberá contra quem agir graças à proibição de anonimato. para impedir que ele seja fonte de leviandade ou que seja usado de maneira irresponsável. Com essa lei de 1997 passou a ter definição legal.455. A palavra "ninguém" abrange qualquer pessoa.é assegurado o direito de resposta. aqui. e o valor exigência. o que pensa a respeito de qualquer coisa. A única exigência da Constituição é de que a pessoa que exerce esse direito se identifique. no plano lógico. Comentário: Como já visto. cuida-se de proteger a pessoa eventualmente atingida por aquela manifestação. como Paulo José da Costa Junior. Os direitos do atingido são dados em duas linhas. é o direito de resposta proporcional à ofensa. A Lei n° 9. no determinado dispositivo constitucional. de 7/4/97. Esse direito vem do art. Sempre haverá. assim. Finalmente. os crimes de tortura. para defenderse. a livre manifestação de idéias deverá ser delimitada pela veracidade e. revela na submissão de determinada matéria ao regulamento por lei. tanto que o STF concedeu habeas corpus a um policial militar paulista que estava preso sob a alegação de ter "torturado" um preso. é o direito de uma pessoa dizer o que quer. diminui a condição de pessoa humana e sua dignidade. também pelo interesse público. e a melhor doutrina entende que não há qualquer limitação de ordem formal à livre manifestação do pensamento. a identificação precisa da matéria que. da maneira como quiser. além da indenização por dano material. neste inciso. Sabendo quem é o autor do pensamento manifestado. até então não existentes no Direito brasileiro.ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante. finalmente.de que somente a lei pode obrigar. está sendo submetida à lei. que impõe o respeito à opinião. ocasião em que o Supremo reconheceu a inexistência do crime de tortura. proporcional ao agravo. moral ou à imagem. causando-lhe sofrimento físico ou mental. no plano da imprensa. Tortura é sofrimento psíquico ou físico imposto a uma pessoa. por qualquer forma e meio.é livre a manifestação do pensamento. nesse caso. Alguns. proteger a dignidade da pessoa contra atos que poderiam atentar contra ela. Em outras palavras. Tratamento desumano é aquele que se tem por contrário à condição de pessoa humana. o seu cumprimento é obrigatório. em si. qual seja o constrangimento a alguém. IV . O sentido da liberdade de opinião é duplo: o valor da indiferença impõe que a opinião não deve ser tomada em consideração. Tratamento degradante é aquele que. I . Essa . física ou psíquica. e a segunda é a de que uma vez que exista a lei. o eventual prejudicado poderá usar o próximo inciso. não é tutelado nem pela Constituição nem pelo Direito. de quem quiser. ressalte-se que o pensamento. veio definir. Comentário: A liberdade de manifestação do pensamento é o direito que a pessoa tem de exprimir.

. sob qualquer argumento. como proximidades de hospitais. desde que respeitem os direitos de outras pessoas e as leis. Estes também estão protegidos pela Constituição. moral (à intimidade da pessoa. à maneira como ela aparece e é vista por outras pessoas). escrita ou transmitida pela televisão. Consciência e crença são diferentes. amparo material ou financeiro do Estado para isso. terão direito de receber a assistência religiosa onde estiverem. porém uma absurdidade que não pode existir na legislação de nenhum povo civilizado". Por estarem em locais de onde o acesso a seus templos e sacerdotes não é livre. porque. para quem "de resto. O livre exercício dos cultos não é amplo. e. não uma utopia. se a pessoa foi atingida verbalmente. sendo o Poder Público obrigado a permitir que isso aconteça. nos termos da lei. já que não podem ir até os locais onde está a sua religião. ou seja. Estados. isto é. A segunda linha de defesa do ofendido ocorre através do pedido de indenização em juízo. independentemente de ter a ofensa sido conhecida por qualquer outra pessoa. e. sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida. dispor sobre a maneira como se fará essa proteção. o que significa dizer que podem ser pedidas na mesma ação e somadas para o pagamento final. como o pacifismo e o naturismo (nudismo). mal ou bem. Comentário: Este inciso trata de três direitos: o de ter liberdade de consciência e de crença (que não são a mesma coisa). na forma da lei. 19.proporcionalidade deve ser observada no meio e no modo. por escrito deverá ser a resposta. se a ofensa foi por escrito. porque trata-se de um direito individual. uma consciência livre pode optar por não ter crença nenhuma. sem expor-se a uma repressão ou a uma responsabilidade qualquer. devendo ser observadas as leis sobre repouso noturno e horários de silêncio. VI . proíbe que a União. Além disso. As indenizações pedidas pelas três linhas são acumuláveis. a resposta deverá ser verbal e pessoal. presídios e asilos) e militares (como os quartéis) podem querer praticar seus cultos ou crenças para engrandecimento espiritual. não. também é de crença que se trata. comentando a Constituição dos Estados Unidos. É importante reproduzir a análise de Chassan.é assegurada. através de agressão física. Não poderá haver. poderão exercer os seus ritos sob proteção constitucional. a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva.é inviolável a liberdade de consciência e de crença. contudo. e não. Assim. como no caso dos ateus e agnósticos. a liberdade ilimitada da palavra e da imprensa. bem como áreas de restrição a barulhos. e somente ela própria ouviu a ofensa. Incumbirá ao Poder Público (polícia). o de ter livre o exercício do culto religioso pelo qual tenha optado. por exemplo. porque a primeira é uma orientação filosófica. Os danos indenizáveis são o material (representado pelos danos causados e pelos lucros não obtidos por causa da ofensa). além do que. Comentário: Pessoas que estiverem nessas entidades de internação coletiva civis (como hospitais. a autorização de tudo dizer e de tudo publicar. por exemplo. é. A proteção aos locais de cultos impede que os adeptos de determinada religião ou crença hostilizem os de outra. pela ação cível própria. na forma da lei. a proteção aos locais de culto e a suas liturgias. I. bastando que se sinta ofendido) e à imagem (dano produzido contra a pessoa em suas relações externas. e o de ter os locais onde esses cultos são realizados protegidos contra agressões de quem quer que seja. porque o art. Os adeptos de ritos satânicos também estão protegidos pelo dispositivo. por exemplo. VII .

e ele é pacifista (convicção filosófica). qualquer pessoa tem. até porque no inciso V. o voto e a participação em tribunal do júri IX . acima. pintura. por exemplo. alternativa ao serviço militar. textos em jornais e dos próprios jornais. e não poderia haver punição de qualquer tipo para a pessoa que exerce um direito constitucional. salvo exceções especiais. XVI). seus gostos. e esta não é uma delas. que a Constituição dá direito à liberdade de consciência e de crença. pois a vida é divina (convicção religiosa). ou que a Marinha é um instrumento de guerra. ou que a Aeronáutica é uma força militar de um país capitalista. já defendidas pelo inciso IV deste artigo. músicas. Se se recusar a essa prestação alternativa. Mas será obrigado a prestar uma outra obrigação. científica e de comunicação. podendo abranger outras obrigações. fixada em lei. As proibições que se têm visto sobre músicas e livros. artes plásticas. Expressamente se diz que não poderá haver censura ou licença. 21. mas ela terá por objeto informar aos pais ou responsável. com as suas concepções pessoais. recusar-se a cumprir obrigação legal a todos imposta e. Vida privada é uma forma de externar essa intimidade. o jovem não poderá ser obrigado a alistar-se.Distrito Federal e Municípios tenham qualquer envolvimento com religiões ou seus representantes. livros. livros e revistas. VIII . a honra e a imagem das pessoas. salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa. O direito à escusa de consciência não está limitado simplesmente ao serviço militar. poderá recusar-se a alistar-se alegando que o Exército usa armas e que armas são instrumentos para tirar a vida de pessoas. Cuida-se. música. fixada em lei. Por exemplo e para ficar mais claro: todo jovem na idade de 18 anos é obrigado a prestar serviço militar (obrigação legal a todos imposta). Todavia. pois ela significa a esfera mais íntima. também. O máximo que a Constituição permite é a classificação para efeito indicativo (art. X . aconselhando sobre isso. Comentário: Não pode mais o Poder Público controlar a produção de filmes.são invioláveis a intimidade. independentemente de censura ou licença. de formas de manifestação do pensamento. há possibilidade de ocorrer a privação de direitos se a pessoa. seus problemas. todavia. aqui. será punido com a privação de direitos.é livre a expressão da atividade intelectual. dentre outros. e também não poderá ser punido por isso. seus desvios. baseada em uma das liberdades citadas. fica garantida a inviolabilidade de consciência. mais subjetiva e mais profunda do ser humano. a vida privada. Por qualquer desses argumentos. e ele é marxista convicto (convicção política). o que a sua religião não permite. como o alistamento eleitoral. acima. são claras manifestações inconstitucionais de censura prévia. aí sim. artística. quando a expressão do pensamento assume forma de teatro.ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. a que público e idade é adequado tal filme. recusar-se a cumprir uma obrigação fixada como alternativa ao não querer cumprir aquela. Comentário: Intimidade. suas taras. Comentário: A regra geral é de que não poderá ocorrer a privação de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política. que . e não proibindo. por exemplo. em qualquer lugar onde se encontre. até porque acabamos de ver. poesia. pois a regra constitucional é a da liberdade de expressão. Essa assistência religiosa será prestada à conta da própria religião ou do interessado. peças de teatro.

qualquer pessoa pode entrar nessa casa. Para Hubmann. Também não se cogita dessa proteção quando da divulgação da foto de um criminoso. por estarem em lugar público. e. perceba que a proteção é dada ao morador. e na lição de Adriano De Cupis. talvez. uma voz famosa. como políticos. logo depois. numa praia. Em todos os casos. com . a imagem). não ao proprietário. os referentes à segunda. terremoto) e em flagrante delito (em todos os quatro casos que o Código Penal prevê: quando o crime está sendo cometido. honra é a dignidade pessoal refletida na consideração alheia e no sentimento da própria pessoa. por exemplo. quando acabou de ser cometido. bom nome e boa fama. logo após o crime. neste inciso. ou para prestar socorro. pela publicação de um livro sobre a vida de alguém (violaria intimidade e vida privada. que veremos agora. desenho. Honra é um atributo pessoal da pessoa. a não ser em alguns casos. Os direitos referentes à primeira servem de proteção da personalidade dentro da vida pública. a que título a pessoa está morando no local. Em outras palavras. Na expressão "direito à intimidade" são tutelados dois interesses. a consciência da própria dignidade pessoal. que se somam: o interesse de que a intimidade não venha a sofrer agressões e o de que não venha a ser divulgada. naquele momento. dentro do qual existe um menor. XI . ou. não só pessoal mas também por pintura. de barraca de camping e barracos até mansões e. A proteção é dada a quem habita a casa (que abrange qualquer tipo de moradia. para ilustrar um lançamento imobiliário. filmagem). O direito à imagem possui duas variações. em alguns casos. por charge ou por reprodução de partes do corpo da pessoa pelas quais se possa identificála. para esses fins. por fotografia. ou por fotos da pessoa num campo de nudismo. o da intimidade. nem contra ele. ainda mais restrito e impenetrável. e em cujo interior existe um outro círculo. mas não sem consentimento. os atingidos teriam direito à indenização. os locais de trabalho). Antes disso. como estádios de futebol ou ruas. Outro é o conjunto de atributos cultivados pelo indivíduo e reconhecido pelo grupo social. porque não importa. Comentário: A casa é o lugar onde a pessoa que nela mora tem total proteção à sua intimidade e vida privada. Todas essas esferas estão constitucionalmente protegidas pela Constituição. não podem pedir indenização. estão renunciando. com seu consentimento. Ambos estão protegidos pela Constituição. ou pela filmagem de uma pessoa muito bonita. Luiz Alberto David Araújo ilustra o tema como sendo a vida social um grande círculo. por determinação judicial. mas como parte do todo. queda de árvore sobre a casa. a transmissão de um jogo de futebol pela televisão levaria alguns milhares de pessoas aos tribunais em busca de indenização contra a emissora. Poderiam ser violadas. porque. O dano estético é indenizável por se referir à proteção da integridade da imagem.acontece em lugares onde a pessoa esteja ou se sinta protegida da interferência de estranhos. E quando o criminoso for encontrado. Por isso. quando procurado. se filmadas ou fotografadas não individualmente. em caso de desastre (incêndio. durante o dia. inundação. como a casa onde mora. ou em lugares públicos. por caricatura. uma parte do corpo facilmente identificável e atribuível a determinada pessoa. Imagem é a figura física e material da pessoa. Pessoas com imagem pública. psicopata ou louco. além do sentimento íntimo. Uma casa pode ser penetrada a qualquer momento. salvo em caso de flagrante delito ou desastre. o homem vive com personalidade em duas esferas: uma esfera individual e uma esfera privada. protegem a inviolabilidade da personalidade dentro de seu retiro. à preservação de sua imagem. é uma característica que reveste a imagem da pessoa dando-lhe respeitabilidade. Uma se refere à produção gráfica da pessoa (retrato. o da privacidade. quando houver perseguição ao criminoso.a casa é asilo inviolável do indivíduo. por televisão. ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador. por ser variável do direito à imagem. excessivamente destacada. para prestação de socorro (como no caso de um acidente envolvendo o morador). como também está. durante o dia ou à noite. Não fosse assim.

no último caso. às 19h59 e lá permanecer até a conclusão da diligência ou até às 22h. como forma de proteção da pessoa física. Segundo lição de Dinorá Adelaide Musetti Grotti. crime previsto no art.objetos ou instrumento que façam presumir ser aquela pessoa o autor do crime). quando comeca o horírio tido como de repouso noturno. em caráter definitivo ou habitual. Por fim. Ressalte-se. de dados e das comunicações telefônicas. mas em hipóteses muito específicas: é necessário. pelo que um oficial de justiça pode entrar. e estende-se. Como não há uma definição de "dia" para efeitos penais. O grampo telefônico poderá ser determinado de ofício pelo juiz do processo ou a requerimento da autoridade policial ou de membro do Ministério Público. ou também para sua família. aqui. é adotada a definição do Direito Civil. XII . à pessoa jurídica. de maneira exclusiva. A única forma de sigilo que poderá ser quebrado. no dizer deste inciso. A Lei n° 9. veio regulamentar a possibilidade constitucional de interceptação das comunicações telefônicas. e a sua disciplina se aplica também ao sigilo das comunicações em sistemas de informática. distinto da conceituação do Direito Privado ou de outros ramos do Direito Público. no ponto. Por determinação judicial só é possível entrar em uma casa durante o "dia". é o de comunicação telefônica. 150 do Código Penal. que essa violação esteja sendo feita para uma de duas únicas finalidades: ou investigação criminal (que só pode ser feita por autoridade policial) ou instrução processual penal (por autoridades judiciárias). V onde se lê a possibilidade de busca e apreensão em domicílio no caso de estado de sítio. não policial ou administrativa. os estabelecimentos de trabalho. isso depois de o Supremo Tribunal Federal ter decidido que a atual Constituição não recepcionou. A vedação constitucional é dirigida tanto ao Poder Público quanto ao particular. numa casa. Comentário: Trata-se.é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas. "casa". o antigo Código Nacional de Telecomunicações. constituindo. primeiro. desde que não abertos ao público em geral. de que o indivíduo servese para si. vale informar que esse período de "dia" é para o ingresso na casa. de 24/7/96. depois. a autorização para a quebra do sigilo telefônico deverá ser dada por autoridade judicial. A autorização judicial vai depender da demonstração. também. das razões e indícios claros de autoria de crime contra quem há de sofrer a degravação. Em seu significado constitucional. a qualquer título.296. nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal. Assim. que são inconstitucionais para esses fins. brasileiros ou estrangeiros. também. da proteção constitucional a quatro sigilos. São titulares de tal direito quaisquer pessoas. Por essa lei. geralmente pela autoridade judicial. as oficinas e os escritórios também são resguardados por essa proteção constitucional. . por ordem judicial. A permissão de penetração em domicílio por determinação judicial é chamada de reserva jurisdicional. no Direito Constitucional. tem sentido próprio e abrangente. a violação dessa garantia. a Constituição comporta uma hipótese de quebra dessa inviolabilidade. Vale lembrar que qualquer pessoa pode prender quem quer que se encontre numa das quatro situações de flagrante delito. 139. alcança qualquer lugar fechado. Finalmente. onde dia é o período que vai das 6h às 20h (até dezembro de 1994 era das 6h às 18h). sob segredo de justiça. salvo. que a Constituição quer uma autorização judicial. não para permanência nela. com mandado. todos relacionados com comunicação. que haja uma ordem judicial prévia ao grampo. Está ela prevista no art.

Comentário: A regra é simples. sua divulgação seja essencial ao entendimento da notícia e não se faça uso de forma insidiosa ou abusiva. ofício ou profissão (casos do advogado. veja também o que consta no art. A liberdade de informação. atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. demarcando um campo impenetrável da vida individual e dando à pessoa. permanecer ou dele sair com seus bens. I (no caso de estado de sítio). prevalece.para o logro de sua felicidade ou bem-estar. XIV . A carta pertence ao remetente até o momento em que chega às mãos do destinatário. Se não houver lei dispondo sobre determinada profissão. do médico. o direito de informar. . ofício ou profissão.é livre o exercício de qualquer trabalho. aqui prevista e preservada. a qualquer tempo. A liberdade de trabalho é definida por Ignacio Burgoa como a faculdade que tem o indivíduo de eleger a ocupação que mais lhe convém para verificar seus fins vitais. detetive particular. desde que a informação seja verídica. se houver lei estabelecendo uma qualificação profissional necessária. e assim o seu direito pleno à informação seja amplamente atendido. Quanto à informação. do engenheiro. trabalho ou ofício. Quanto à correspondência. nos termos da lei. segundo Eduardo Gabriel Saad. como regra. carnavalesco. de se informar e de ser informado. podendo qualquer pessoa. De outro lado. Finalmente. quando necessário ao exercício profissional. S 1°. 1 36. o poder de escolher a sua profissão. trabalho ou ofício. fixa uma limitação à atividade do Estado. pode exercê-la (por exemplo. Ou seja: de passar a informação. Para que também essas informações cheguem ao brasileiro.é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte. artesão. I.sine qua non .É importante notar que. de buscar a informação e de receber a informação. 139. pela relevância da questão. Hoje. Ao contrário. foi assegurado ao profissional de imprensa o poder de manter a origem da informação divulgada sob sigilo. sob o manto das corporações de ofício. Questão importante refere-se à propriedade da correspondência. 1°. diz ele que toda e qualquer pessoa tem o direito constitucional de ser informada sobre tudo o que não estiver protegido pelo sigilo oficial. 220. XIII . ator de teatro). Esta norma constitucional. do piloto de avião). pela sensibilidade dos interesses envolvidos. XV . quando houver um conflito entre o direito à honra e o direito de informar. político e empresarial. especialmente no setor público. quando então passa a ser propriedade deste. Comentário: Este dispositivo trata das duas pontas da relação de informação. marceneiro. qualquer pessoa. e de qualquer forma. é o caminho indispensável . somente aquele que atender ao que exige a lei pode exercer esse trabalho. nele entrar. então. É o que se vê na leitura do art. constitucionalmente. par. do número e da qualidade e tipo da correspondência de determinada pessoa. abrange o direito de informar. Primeiramente. todos os quatro sigilos previstos neste inciso podem ser quebrados. alíneas b e c (no caso de estado de defesa) e art. A expressão maior da restrição ao trabalho é dada pela História.é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz. sabia o constituinte que as informações mais importantes geralmente comprometem a sua fonte. ao falar da pessoa a quem se dirige a informação. segundo o Tribunal de Alçada Criminal de São Paulo. a Constituição também proíbe o conhecimento da origem. A proteção buscada aqui pela Constituição foi a do direito à privacidade e à intimidade. existem no País mais de setenta profissões regulamentadas em lei.

o direito coletivo. Esse caráter é expressado geralmente pelo uso de uniformes. em torno dos quais se associam pessoas que os buscam. 5°).todos podem reunir-se pacificamente. e qualquer ato contra ele é atacável por habeas corpus (inciso LXVIII deste art. se houver permanência. ou treinamento marcial. desde que os fins da associação sejam lícitos (e são lícitos os fins expressamente permitidos pela lei ou não expressamente proibidos pela lei). é uma coligação voluntária de duas ou mais pessoas com vistas à realização de um objetivo comum. assegurar aos comunicantes um direito de preferência sobre outras reuniões posteriormente marcadas para o mesmo local. em locais abertos ao público. Em caso de guerra ou mesmo em caso de estado de sítio (art. a reunião em local aberto ao público depende de uma única providência. vedada a de caráter paramilitar. recreativa). é uma mera comunicação. por exemplo) não poderá invocar esse direito de liberdade de locomoção. lei esta que não poderá impor obstáculos intransponíveis a essa locomoção. Ou seja. Comentário: Associação é diferente de reunião por ter um caráter de permanência e objetivos definidos. e não tenha ela caráter paramilitar. Essa associação pode ter inúmeras características (empresarial. XVI . sindical. política. Esse prévio aviso tem duas finalidades: a primeira. não poderá a autoridade impedir a sua realização em local próprio. independentemente de autorização. e a segunda. A parte final diz que qualquer pessoa (inclusive estrangeiro) poderá entrar. Comentário: Trata-se aqui do direito de reunião (cuja principal característica é ser eventual e temporária) e que se define como um direito de ação coletiva que envolve a adesão consciente de duas ou mais pessoas com a finalidade de realização de um objetivo comum. sendo apenas exigido prévio aviso à autoridade competente. um requerimento ou pedido. porque entre esse e o direito da população de não ser contaminada pela doença prevalece este. mas apenas dispor sobre passaporte. no direito de ir. Essa liberdade é plena. Segundo Canotilho.Comentário: Direito fundamental da pessoa. tratar-se-á de associação. O caráter temporário é. nos termos da lei. se entender necessário. na lição de José Afonso da Silva. dar à autoridade condições de providenciar segurança e policiamento no local. I) poderá haver restrição ao direito de locomoção. pois. também. essencial. XVII . Uma pessoa submetida a quarentena médica (por doença contagiosa. tributos e coisas do gênero. cultural. sob direção única. Esse prévio aviso não é. implica o direito de circulação por via pública ou afetada ao uso público (como uma servidão). ou sistema interno de hierarquia e uso de palavras de ordem. o direito de ir. desde que não frustrem outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local. Em tempo de paz significa tempo de normalidade democrática e institucional. filantrópica. esportiva. ou uso de armas. dia e hora (note que uma reunião não poderá frustrar outra "anteriormente convocada" para o mesmo local). Desde que pacífica (sem propósito hostil) e sem armas. ficar ou sair do Brasil. vir e ficar se compreende o direito de fixar residência. para haver reunião não basta que algumas pessoas se encontrem juntas. já que se exige desde logo a consciência e a vontade de reunião.é plena a liberdade de associação para fins lícitos. Ainda. Se a reunião preencher as condições do inciso. O direito de locomoção. A ocorrência de uns . 139. vir e ficar está assegurado nos termos deste inciso. ressalte-se. sem armas. que é o prévio aviso à autoridade competente. Qualquer bem móvel está compreendido na proteção do dispositivo. registro.

a de cooperativas independem de autorização. Além disso. por exemplo. plena. a dissolução exige decisão judicial com trânsito em julgado. XIX . A sua criação também não depende de autorização de ninguém. decisão definitiva. isto é. Não querendo. viu-se. Uma torcida organizada de futebol. A liberdade de associação foi erguida a plano constitucional a partir da segunda metade do século passado. . e o Estado não pode interferir. Mas a aquisição dessa personalidade é opção dos associados. poderão fazer funcionar a entidade independentemente de qualquer providência. como podem ser. no primeiro caso. seria um contra-senso. X . nem a permanecer em uma. isso porque essa decisão é mais drástica e de mais difícil reversão. da qual não cabe mais recurso. Comentário: A dissolução voluntária de associação depende do que os associados decidirem a respeito. a obrigatoriedade de existência de Conselho Fiscal. nada mais lógico do que o direito de criá-las ser independente de autorização de quem quer que seja.ou alguns desses requisitos pode indicar a existência de uma associação de caráter paramilitar. serviu de barreira à proteção ao direito de associação. isto é. XVIII . Comentário: Se é plena a liberdade de associação. o trânsito em julgado.as associações só poderão ser compulsoriamente dissolvidas ou ter suas atividades suspensas por decisão judicial. O que se pretende é segurança. exige a Constituição uma decisão judicial. poderá vir a ser encaixada nessa proibição. de não remunerar os cargos de comando e de reaplicar os excedentes financeiros nos objetivos da cooperativa. por nenhum de seus órgãos. Segundo Eduardo Saad. até então o pensamento de Jean Jacques Rousseau. na forma da lei.a criação de associações e. e nenhum órgão estatal poderá interferir na sua gestão. além das associações. permitir a sua reestruturação. a Constituição determina que se obedeça a uma lei que vai dispor sobre a criação dessas entidades especiais. deverá ser registrada na forma da lei. Esse dispositivo se aplica. no funcionamento da entidade. Quanto à cooperativa a disciplina é um pouco diferente. exigindo-se. imodificável. hostil à formação de órgãos intermediários entre o homem e o Estado. sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento. já que a liberdade de organizar-se em associação é. se a associação quiser adquirir personalidade jurídica.ninguém poderá ser compelido a associar-se ou a permanecer associado. O que a Constituição trata é como se fará a dissolução compulsória de associação. pela reforma da decisão. o que importa dizer que ordens administrativas ou policiais sobre o assunto são inconstitucionais. se houver um. Comentário: O direito individual de associar-se é exatamente isso: um direito. Quem determina como vai ser a associação são os seus membros. pelo que tolerar que uma decisão provisória dissolvesse associação e. Ainda. por exemplo. depois. Ninguém pode ser obrigado à associação. é de se ver que. lei esta que imporá certos procedimentos e providências obrigatórias para que a entidade seja chamada de cooperativa. ou da disciplina do assunto dada pelo regimento interno. às entidades sindicais. como aquela da qual se recorreu. enquanto uma associação pode ter as suas atividades suspensas por decisão judicial ainda modificável. Tanto para a suspensão das atividades quanto para dissolução compulsória. No entanto. quando ela tiver que ser dissolvida contra a vontade dos sócios.

aqui. Segundo o Supremo Tribunal Federal. 8°. implicitamente autorizando a entidade a representá-la. e sempre em virtude de lei.é garantido o direito de propriedade. quando expressamente autorizadas. a associação é ilegítima para essa representação. bastando a estatutária. a propriedade. Quando alguém se filia a um sindicato é lícito admitir que fez isso procurando reforçar-se para defender os seus direitos. no Brasil. Ou seja. Em face dessa imprecisão. também habilitadas a defender os interesses dos seus sindicalizados judicial e extrajudicialmente. Significa dizer que a propriedade não é um direito que se exerce apenas pelo dono de alguma coisa.XXI . o direito de ser proprietário de algo. . genericamente. Quanto à propriedade urbana. é a representação processual. em contraponto com exclusividade da propriedade estatal de outros regimes. I). a liberdade de constituir uma associação é plena e não é imposta nenhuma condicionante a isso. por exemplo. judicial ou extrajudicialmente. mas de um. quando o sindicato postula sobre direitos individuais de seus filiados é imprescindível a outorga de poderes a ele. isto é. aqui. que fica constitucionalmente obrigada a retribuir. função social é aquela estabelecida no art. ao grupo social. § 2°. Sem essa prova. Eduardo Saad concorda em que não se trata. em relação às organizações sindicais (art. 186. Como visto acima. além de direito da pessoa. mas sem precisar provar que estão autorizados a isso.as entidades associativas. alguns ou todos os seus associados. de alguma forma. em nome de terceiros. Comentário: O assunto. não apenas individual. Comentário: Este dispositivo assegura toda e qualquer propriedade. segundo lição de Luiz Alberto David Araújo. um direito que não é seu. de substituição processual. porque tal autorização se presume das próprias finalidades do sindicato. É feita a ressalva. É um dispositivo pelo qual se reconhece à pessoa. A Constituição define o conceito de função social da propriedade em relação a dois dos seus tipos. de que. têm legitimidade para representar seus filiados judicial ou extrajudicialmente. o direito de uma entidade defender em juízo ou fora dele. O mesmo não ocorre. não há necessidade de autorização específica para a associação atuar em nome de seus associados. para regularizar a representação processual. amparado por mandato. não se pode deduzir que uma pessoa que se ligue a uma associação de qualquer tipo esteja. é também um encargo contra essa. Comentário: Função social da propriedade é um conceito que dá a esta um atributo coletivo. mas também que esse dono exerce em relação a terceiros. conforme estatui o art. 6° do Código Civil. quando alguém age em juízo em nome próprio para a defesa de interesse alheio. Como isso não pode ser presumido. O direito de propriedade. o conceito está no art. Quanto à propriedade rural. pode ser definido como um direito subjetivo que assegura à pessoa o monopólio da exploração de um bem e de fazer valer esse poder contra todos que eventualmente queiram a ele se opor. a Constituição exige que uma associação. um benefício pela manutenção e uso da propriedade. quando atuar em defesa de interesse de associados.a propriedade atenderá a sua função social. antes de mais nada prove por escrito que está autorizada expressamente por esse ou esses associados a falar em nome deles. ao filiar-se. 182. desde a imobiliária até a intelectual e de marcas. XI . XI . contudo.

assegurada ao proprietário indenização ulterior. As indenizações devem ser pagas em dinheiro. sobre terras onde exista cultivo de plantas psicotrópicas (cannabis sativa. quando é indispensável que determinado bem particular seja usado para uma finalidade pública.por necessidade pública. Comentário: Desapropriação é uma forma de aquisição de bens pelo Poder Público. será mais bem aproveitada se transferida ao patrimônio público do que se mantida sob o poder do particular. há que ser prévia. XXV . este já deve ter sido indenizado. na forma do art. que é um argumento vasto. ou seja. Esses títulos são devidos pela desapropriação de imóvel rural (títulos da dívida pública).XXIV . sem indenização do proprietário particular. portanto. como uma enchente. A segunda exceção é uma desapropriação com efeito de confisco. Em outras palavras.no caso de iminente perigo público. o que implica dizer que o preço a ser recebido pelo particular desapropriado deverá corresponder o mais possível ao que ele receberia se vendesse a propriedade pela sua vontade. ou. pelo qual o proprietário particular do bem não perde a propriedade. . mas é conveniente que determinado bem seja usado no desempenho de atividade pública. o Estado desocupará ou devolverá o bem do particular e ficará obrigado a indenizar este. A indenização há de ser justa. epadu. Comentário: O inciso fala do instituto da requisição administrativa. caput. mas em títulos. indenizando o ex-proprietário. sob o mesmo argumento.por interesse social. mas dentro do qual cabem argumentos que sustentem que a propriedade. ressalvados os casos previstos nesta Constituição. I. antes de o Estado passar para o seu patrimônio a propriedade do particular. 243. por qualquer motivo.a lei estabelecerá o procedimento para desapropriação por necessidade ou utilidade pública. 184. nos termos do art. Além de justa. mediante justa e prévia indenização em dinheiro. ou por interesse social. 182. feita. A primeira é que algumas desapropriações são feitas mediante indenização justa e prévia. ou de guerra. § 4°.por utilidade pública. mas terá que tolerar a ocupação ou o uso dela durante um certo período de tempo. pela desapropriação de imóveis rurais (títulos da dívida agrária). é um instrumento de que se vale o Estado para retirar a propriedade de um particular e incorporar ao patrimônio público. se houver dano. se da ocupação ou uso resultou algum dano material ao bem. para que o Poder Público enfrente uma situação de iminente perigo público. Há duas exceções a essa regra geral. papoula). não em dinheiro. geralmente. eritroxilon coca. quando não é indispensável. conforme previsto no art. . . quando não cumpre a sua função social. A Constituição estabelece três tipos de desapropriação: . a autoridade competente poderá usar de propriedade particular. Finda a ocupação.

cuja presença em um ou em outro canal significa um aumento de qualidade e de arrecadação pelas emissoras. XXIX . a contar de primeiro de janeiro do ano seguinte à morte do autor. dispondo a lei sobre os meios de financiar o seu desenvolvimento. E extensão desse direito à reprodução da imagem e voz humanas reconhece a importância dos trabalhos de certas pessoas na mídia. b) deve ser produtiva. tais herdeiros forem distantes. caso em que serão desfrutados também de forma vitalícia. uma atividade desportiva coletiva. como os narradores e locutores esportivos. As pessoas que participam da realização dessas obras têm direito constitucional de receber remuneração por essa participação. c) deve produzir a partir do trabalho familiar. que a lei informa ser. uma novela. desde que trabalhada pela família. A Segunda alínea estabelece o direito de tais participantes de fiscalizar o resultado econômico das obras de que participarem. transmissível aos herdeiros pelo tempo que a lei fixar. não será objeto de penhora para pagamento de débitos decorrentes de sua atividade produtiva. hoje. O resultado material da exploração da obra do autor é auferido por ele vitaliciamente. bem como proteção às criações industriais. XXVIII . a origem da dívida deve ter sido financiamento da atividade produtiva da propriedade. um filme.a lei assegurará aos autores de inventos industriais privilégio temporário para sua utilização. Com a sua morte. dificilmente um pequeno colono obteria crédito agrícola em bancos. quatro requisitos: a) a propriedade deve ser classificada como pequena nos termos da lei. manda o inciso que a lei disponha sobre a forma como será viabilizado o financiamento da produção nessas propriedades. à propriedade das marcas. Comentário: Obras coletivas quer dizer uma peça de teatro. assim definida em lei. na medida dela. Como o pequeno proprietário subsiste do que colhe e produz em sua terra. de forma a não haver burla no cálculo do direito autoral a que fazem jus. nessas condições. exclusivamente. Comentário: O direito autoral é uma das formas de propriedade garantidas pela Constituição. . para isso.aos autores pertence o direito exclusivo de utilização. publicação ou reprodução de suas obras.XXVI . Como. aos nomes de empresas e a outros signos distintivos. nos termos da lei: a) a proteção às participações individuais em obras coletivas e à reprodução da imagem e voz humanas. esses direitos passam aos herdeiros (cônjuge. Comentário: Este inciso abre uma exceção à regra da penhorabilidade dos bens dados em garantia de financiamentos.a pequena propriedade rural. d) finalmente. tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. a sucessão nesses direitos se dará por prazo determinado. aos intérpretes e às respectivas representações sindicais e associativas. XXVII . tolerar a penhora desta para o pagamento de dívidas seria o mesmo que condenar o pequeno colono à fome ou à marginalização das favelas nas cidades. b) o direito de fiscalização do aproveitamento econômico das obras que criarem ou de que participarem aos criadores. Para isso. de 60 anos. Se. contudo. pedindo. inclusive nas atividades desportivas. o constituinte fixou que a pequena propriedade rural não é penhorável.são assegurados. pais ou filhos).

decorrendo da lei. sempre que não lhes seja mais favorável a lei pessoal do de cujus. desde que brasileiros. Apenas importa. é chamada sucessão testamentária. escolhendo a que lhes seja mais favorável. o que nos tornou o quarto país do mundo a tratar do assunto. para os objetivos dessa obra. pelo que não vamos tratar aqui desses conceitos. Como o progresso tecnológico e sua importância para a humanidade dependem. aos herdeiros legítimos e testamentários do morto. obter-se inventos melhores. podendo aplicar aqui qualquer das duas. partindo deles. as marcas. os nomes de empresas e seus símbolos. segundo lição precisa de Sílvio Rodrigues. o invento cai no domínio comum. X . Foi introduzida entre nós pelo Alvará do Príncipe Regente de 28 de janeiro de 1809. o termo sucessão indica o fato de uma pessoa inserir-se na titularidade de uma relação jurídica que lhe advém de uma outra pessoa.é garantido o direito de herança. Depois desse prazo. para que o inventor. fazer-se titular de direitos e obrigações que não eram seus. É razoável a disciplina. é dita sucessão legítima. o direito de escolher entre a lei brasileira e a lei do País de origem do cônjuge falecido para regular a sucessão. contudo. no momento exato do falecimento. de outra forma. Com a morte do titular. situado no Brasil. Isso se justifica. o constituinte resolveu impor uma proteção apenas temporária. esse conjunto se transfere. situado no Brasil. de se conhecer determinados inventos e. o conjunto de seus direitos e deveres. já que o maior ou menor valor da marca ou do nome de uma empresa tem relação direta com a qualidade de seus produtos. chamado por alguns de de cujus e por outros de autor da herança. ou. quanto ao interesse social e ao desenvolvimento tecnológico e econômico do País é perigosa e pode levar à negativa do reconhecimento de patentes e progressos tecnológicos estrangeiros utilizados no Brasil. para acesso de qualquer pessoa. Comentário: Herança é o patrimônio do falecido. . Um bem de estrangeiro. A ressalva final.Comentário: A definição do que seja invento industrial ou criação industrial é matéria do Código Nacional de Propriedade Industrial. seja remunerado pelo seu talento e atividade intelectual empregados na invenção. abre ao cônjuge sobrevivente e aos seus fïlhos. terá sempre a sua sucessão regulada pela lei brasileira. através do recebimento de royalties. XXXI . o que justifica o interesse da empresa em aprimorá-los e o interesse do Estado em proteger essa propriedade.a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros. O mesmo não acontece com as criações industriais. em fase final de tramitação no Congresso Nacional. em grande medida. A proteção ao invento vem de longa data no Brasil. fixar que o que for invento industrial terá uma proteção temporária. Essa sucessão pode dar-se de duas maneiras: decorrendo de disposições de última vontade (testamento). Segundo Maria Helena Diniz. Comentário: Um bem (como um imóvel) de brasileiros. contudo. que são propriedade perene dos seus detentores. não vitalícia.

à sociedade. que voltou-se à pessoa na condição de consumidor. Cabe anotar. mas somente nos casos em que a informação perseguida diga respeito à própria pessoa do requerente. Essas informações serão pedidas por requerimento ao órgão público competente para prestálas. para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. à segurança nacional. Nos demais casos (informações de interesse coletivo ou geral. às reservas energéticas e à matéria radioativa.todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular. para assegurar a ela um grupo de direitos que a tirem da posição de inferioridade em que estão em relação ao produtor ou ao vendedor de determinado produto ou serviço. Somente é admitida a não prestação das informações pelos órgãos públicos quando essa for de natureza sigilosa. a ação adequa é o mandado de segurança. sob pena de responsabilidade. ou obter certidão em repartição pública para defesa de direitos ou esclarecimento de situação pessoal. ficou preenchido o sentido desse dispositivo. Comentário: Toda e qualquer pessoa. ou informações de interesse pessoal que não sejam a respeito da própria pessoa). Essas informações serão prestadas pelo órgão competente. Dentre as pessoas que podem usar o direito de petição estão o cidadão. XXXIV . e o servidor. posto que interessam à coletividade. para exercer o direito de obter informação.XI . impedindo uma administração sigilosa ou secreta. como as relativas às Forças Armadas. O cidadão. a defesa do consumidor. Comentário: Com a promulgação do Código de Defesa do Consumidor. que a não-observância desse direito subjetivo a informações nem sempre será corrigida pelo haheas data. na forma da lei. também identifica um instrumento de participação individual na vida do Estado. pode requerer informações em que tenha interesse particular. por importante.são a todos assegurados. A locução ³em defesa de direitos´ permite que o direito de petição seja usado para defender tanto direitos individuais quanto coletivos ou gerais. e a Constituição proíbe que seja cobrada taxa (entendida como espécie do gênero tributo) sobre tais prestações. inclusive estrangeiros. Comentário: O que a Constituição quer garantir aqui é a publicidade dos atos de governo. b) a obtenção de certidões em repartições públicas. ressalvadas aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado. O servidor a quem a lei incumbe o dever de prestar tais informações será punido pela prática de crime de responsabilidade se não fizer isso no prazo que a lei lhe estabelece. independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direito ou contra ilegalidade ou abuso de poder. mas também pode fazê-lo em relação àquelas em que tenha interesse remoto. para pedir a reapreciação de punição .o Estado promoverá. do qual tratamos no inciso anterior. pois possibilita o exercício das prerrogativas de cidadania. XI . pode requerer informações para defender seus direitos. ou de interesse coletivo ou geral. que este inciso consagra. que se quer cada vez mais participativo da vida do Estado. que serão prestadas no prazo da lei. O direito de petição.

que pode ser exercido por qualquer um. Pode vir exteriorizado como petição. porque somente os direitos disponíveis podem ser objeto desse compromisso. ou somente poderão sê-lo depois da tomada de outra atitude. Como se viu na análise do inciso I deste artigo. XXXV . Mesas do Legislativo. que poderá usá-la ou não. final e impositiva. e as partes. de onde se produzem de imediato dois importantes efeitos: é consagrado ao Judiciário o monopólio da jurisdição. XXXVI . chamada de instância administrativa de curso forçado. A garantia de acesso à justiça não significa que o processo deva ser gratuito. o fato de as partes constituírem compromisso arbitral não significa ofensa ao princípio do direito de ação. queixa ou reclamação. livro ou documento que se encontre nas repartições públicas.a lei não prejudicará o direito adquirido. Certidões administrativas. Dentre as certidões contidas na alínea b estão a certidão de tempo de serviço para fins de averbação. sendo que não é possível a rediscussão do assunto no próprio Judiciário ou em qualquer dos outros Poderes da República. e do domínio dessa pessoa não pode ser retirado. ou do Acesso ao Judiciário. na lição de Hely Lopes Meirelles. pela qual toda pessoa. Hoje. é um direito exercitável . órgãos do Poder Judiciário. ou do Direito de Ação. e só depois de resolvida por ele é que teria acesso ao Judiciário. Comentário: Direito adquirido é aquele que já se incorporou ao patrimônio da pessoa. O direito de certidão. único competente para resolver definitivamente qualquer assunto que envolva direito. estão abrindo mão do uso da jurisdição estatal. representação. são cópias ou fotocópias fiéis e autenticadas de ato ou fato constante de processo. é inconstitucional qualquer obstáculo entre a pessoa cujo direito esteja lesado ou ameaçado de lesão e o Poder Judiciário. especialmente servidor público. e deverá ser observada pelas partes. mas a cobrança de taxas excessivas. caracterizando-se pela informalidade. quando o celebram. que fosse lesada por ato administrativo teria que expor suas razões primeiro ao próprio órgão. é estruturado para ser exercido contra as repartições públicas. segundo Luiz Alberto David Araújo. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. e é garantido à pessoa o direto de ter acesso a esse Poder. Muito importante notar que não existe mais constitucionalidade numa figura adotada na esfera administrativa em tempos passados.administrativa que tenha sofrido. previsto na alínea b. em forma rígida de procedimento para fazer-se valer. Para Nelson Nery Junior. o ingresso na via administrativa é opção do administrado. E essa lei nunca poderá prever que eventuais danos que cause ou possa causar na sua aplicação não poderão ser apreciados pelo Judiciário. o Princípio da Legalidade afirma que somente a lei pode obrigar a fazer ou não fazer alguma coisa. pessoa física ou jurídica.a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Comentário: O inciso cuida do importante Princípio da Inafastabilidade da Jurisdição. bastando a identificação do peticionário e o conteúdo sumário do que pretende. tem sido dada por inconstitucional. secretarias do Ministério Público. pelo aperfeiçoamento de algum ato que o confere. Ou. optando pela jurisdição arbitral. O direito de petição é um direito político. compreendidas aí delegacias de polícia. Segundo o princípio. A decisão proferida pelo Judiciário é. assim. que criem obstáculo ao uso da jurisdição. folhas corridas e histórico funcional.

XXXVII . para julgar determinado caso. se o processo era para saber quem é o proprietário de determinado imóvel. As regras referentes a este inciso são complementadas pelas do inciso LIII. em regra. esse juiz não mais poderá prosseguir no . objeto lícito (o que se está fazendo deve ser expressamente permitido por lei ou não expressamente proibido por ela) e forma prescrita ou não defesa em lei (o revestimento externo do ato deve ser aquele que a lei obriga ou. garantias ou prerrogativas. ao seu fim. com a organização que lhe der a lei. por isso. A lei penal pode retroagir. não mais podendo ser rediscutida. o servidor adquire o direito à estabilidade no serviço público. O Poder Judiciário não admite novidade na sua estrutura. aos 21 anos). Por exemplo. que ocorre quando a lei favorece alguém em razão de uma condição pessoal. Na definição de Nelson Nery Junior. Comentário: Juízo ou tribunal de exceção é juízo ou tribunal não previsto na Constituição. essa nova lei será dada por inconstitucional. com violação do devido processo legal. equivale a transformar qualquer juízo em juízo de exceção. onde se cuida do princípio do juiz natural. se se tentar eliminar o direito por outra lei. As leis. Também não se pode confundir tribunal de exceção com privilégio de foro. para impor novo julgamento de coisa julgada. b) o sigilo das votações. as quais são atribuições e divisão da atividade jurisdicional do Estado entre vários órgãos do Poder Judiciário.não haverá juízo ou tribunal de exceção. Crimes geralmente são julgados por juízes chamados singulares porque sentenciam sozinhos.é reconhecida a instituição do júri. com o trânsito em julgado. assegurados: a) a plenitude de defesa. não obrigando. O Supremo Tribunal Federal. contra o réu. c) a soberania dos veredictos. tribunal de exceção é aquele designado ou criado por deliberação legislativa. será dado como de exceção e. já afirmou que a supressão. com o fim do processo. produzem efeitos para o futuro ou para os atos em andamento. ou não. em determinadas condições. para desfazer um ato jurídico perfeito. XXXVIII . ou seja. e a coisa (quem era o dono do imóvel) fica julgada. a Justiça vai dizer quem é o proprietário. para beneficiar o réu. torna-se imodificável.pela pessoa no momento em que se tenta tirá-lo dela. Assim. A proibição da existência de tribunais de exceção não abrange as justiças especializadas. não podendo retroagir. O que o inciso protege são essas três instituições jurídicas de lei posterior que pretenda retroagir para eliminar um direito adquirido. o qual. Comentário: O tribunal do júri é uma especialização da justiça criminal de primeira instância. no interesse público. Ato jurídico perfeito é aquele que reúne sujeito capaz (com capacidade civil plena. qualquer tribunal especial. irrelevante a já existência do tribunal. Se se tentar exonerá-la de ofício. declarado inconstitucional pelos meios próprios. esse servidor vai exercer o direito da estabilidade contra o ato. tenha ele já ocorrido ou não. Qualquer juízo não previsto. de quaisquer direitos processuais. um que a lei não proíba). Todavia. d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida. Coisa julgada é o objeto sobre o qual versava determinada demanda judicial. em acórdão vencedor de autoria do Ministro Celso de Mello. após dois anos de efetivo exercício. se se tratar de crime doloso contra a vida (definiremos logo abaixo).

que é insuficiente apenas a lei anterior à conduta. Um tribunal de júri em que o Juiz-Presidente não permita ao acusado produzir determinada prova lícita que lhe era necessária é nulo. em geral não conhecedoras de Direito. A competência do júri é firmada pela existência. Formalmente. chamado Juiz-Presidente. por exemplo. onde o julgamento será feito por sete pessoas comuns do povo. nem pena sem prévia cominação legal. tanto consumados (quando o resultado criminoso é produzido) quanto tentados (quando. Finalmente. Essa lei anterior também precisa fixar a pena. antes da data em que o fato aconteceu é preciso que haja uma lei estabelecendo que aquela conduta é punível e como é punível. crime é a descrição de uma conduta acompanhada de sanção. mas pelo juiz singular. agiu sabendo da possibilidade de cometê-lo e assumiu. Como o crime nada mais é do que uma conduta humana punível. Repita-se: quando tais crimes forem cometidos por culpa (nos casos em que isso for possível) o julgamento não será feito pelo tribunal do júri. ao fixar a sentença do acusado. a definição da conduta punível deve ser precisa. no processo. o risco de produzir tal resultado (dolo indireto eventual) ou agiu querendo produzir um ou outro resultado criminoso. devendo remetê-lo para um órgão chamado Tribunal do Júri. Impõe-se descrição específica. estendendo a descrição da norma penal. terão que fazê-las sozinhos. mas. quando dolosos: o homicídio. É de notar. a realiza. matar ou ferir (dolo indireto alternativo). ao contrário. e é dessa precisão que resulta a proibição de interpretações extensivas ou analógicas. o juiz não poderá reconhecê-la na sentença. individualizadora do comportamento delituoso. frise-se que vão a júri quaisquer dos crimes acima. dessa forma. pelo que o delinqüente não viola a lei penal. Plenitude da defesa é a garantia que o acusado tem de usar todos os meios legais para tentar provar a sua inocência. Não poderão se comunicar com ninguém enquanto fazem isso. Esse tribunal é presidido por um juiz de carreira. São crimes que vão a julgamento pelo tribunal do júri. Diz-se direto quando o agente quis o resultado criminoso. o infanticídio e o induzimento. a quem incumbe transformar a decisão dos jurados em sentença. para produzi-lo.não há crime sem lei anterior que o defina. que levem o julgador a. Comentário: Trata-se aqui do Princípio da Anterioridade da Lei Penal. este não se produziu). ao decidirem sobre os quesitos (perguntas feitas pelo JuizPresidente).processo. Logo. para que se garanta o direito de liberdade da pessoa. com base no que entenderam de tudo o que foi dito pela acusação. O dolo pode ser direto ou indireto. instigação e auxílio a suicídio. nenhuma conduta humana será considerada crime sem uma lei anterior ao fato (e não ao julgamento) que o preveja como crime. que em muitos livros e tribunais é também chamado de Princípio da Legalidade ou Princípio da Reserva Legal. ou seja. incorrendo por isso na sanção a ela imposta. o júri negar a tese da legítima defesa. nem quebrar o sigilo de sua decisão. como o faz o Ministro Luiz Vicente Cernicchiaro. Se. pela defesa e pelas testemunhas. desde que a prova lhe aproveite. Seu conteúdo é simples. então. sem o que não se poderá falar em crime. o aborto. apesar de não querer expressamente produzir o crime. Soberania dos veredictos implica dizer que o Juiz-Presidente. por exemplo. XXXIX . apesar de o agente ter feito tudo para produzir o resultado. abranger e reger outras condutas não . de crime doloso contra a vida. Diz indireto quando. O sigilo das votações impõe que os jurados. agiu para isso. desde que dolosos. deverá respeitar tudo o quanto decidido pelos jurados.

Por imperativo constitucional. sujeito à pena de reclusão. a partir da respectiva vigência. contudo. visto acima. determinada e delimitada em qualidade e quantidade. Em razão do princípio da reserva legal. além do estabelecimento de novas condições de punibilidade. Luiz Vicente Cernicchiaro ensina que. Por fim. quer pelo Estado. a lei penal não retroage. a relação jurídica no campo penal é definida pela lei vigente à época do fato. contudo. a lei não regula o fato. para amparar o processo e julgamento de réu que tenha cometido ilícito sob sua égide. a lei penal mais benéfica aplica-se incondicionalmente e alcança a relação jurídica como está no momento em que a lei mais benéfica se faz vigente e. nos termos da lei. também há de vir especificada. Comentário: Este singelo enunciado esconde três princípios: Princípio da Retroatividade da Lei mais Benigna. a lei que rege o ato poderá ser outra e não mais aquela da época da conduta. seria necessário produzir efeitos antes e depois de sua vigência. mas a relação jurídica que o tem como causa. até a diminuição da pena e a criação de penas alternativas. sendo a lei mais favorável.a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais. ela afasta a incidência da lei anterior ou impede que a posterior a afaste. XL . a lei anterior. quer cometida por particular. porque mais benéfica. Essa modificação legal inicia-se com a nova lei. O dispositivo é. desde a extinção do tipo penal (chamada abolitio criminis). . um reforço da garantia de igualdade perante a lei. em verdade. nem alcance ultrativo. cede lugar à mais benigna. portanto. I). XLI . e não para qualquer lei. 2. A conduta precisamente descrita pela lei como punível é chamada de tipo penal. Finalmente. se acontecesse. XLII .expressamente previstas. por seu turno. desde que uma lei posterior ou anterior seja mais favorável ao réu. é de se frisar que o benefício ao réu poderá ser de qualquer ordem. Essa é a regra. faria com que ela operasse para o passado. Respectivamente. salvo para beneficiar o réu. É conveniente frisar que esses três princípios valem para a lei penal. o que. fazendo com que os direitos e deveres contrapostos sejam modificados. sendo esse o conteúdo do brocardo latino tempus regit actum. segundo o qual a lei penal retroage para beneficiar o réu. Em importante lição. que estabelece que a lei mais benéfica ao réu age mesmo após a sua revogação. na verdade. Para que isso acontecesse. A pena. a competência para legislar sobre Direito Penal foi mantida como privativa da União (art. Enquanto não desconstituída a relação jurídica penal. segundo o qual a lei mais prejudicial ao réu não retroage. Comentário: O que se pretende neste inciso é que a lei venha a estabelecer punições para toda e qualquer conduta com fundamento discriminatório. e o Princípio da Ultraatividade da Lei mais Benigna. a partir de então. o Princípio da Irretroatividade da Lei mais Gravosa. Vale dizer: a lei não tem efeito retroativo.a lei penal não retroagirá.a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível. e não é isso que acontece. A rigor. apesar de o fato que originou a relação processual ser anterior.

XLIII . sabendo do crime ou o presenciando. A pena de reclusão. que nada há sobre imprescritibilidade. Crime imprescritível. A graça considera as condições pessoais do preso. o que implica dizer que todos esses crimes são prescritíveis. podendo evitá-los. poderiam evitá-lo se agissem. e que hoje é qualquer discriminação com base em raça (como chamar alguém de macaco. Por lei. tanto quanto a de detenção. os crimes hediondos são. e todas aquelas pessoas que. os crimes de homicídio qualificado. se a pessoa for presa em flagrante por tal crime. é privativa de liberdade. pois é a única que pode levar o preso ao regime fechado de cumprimento de pena. o estupro em todas as suas formas). punir e executar a pena do criminoso. o terrorismo e os definidos como crimes hediondos. A de reclusão. a extorsão com morte. processar. impõe que. proibir um oriental de entrar no seu táxi ou um branco de entrar no seu clube). Crime inafiançável é crime que não admite fiança. Na parte final temos que responderão por esses crimes a pessoa que os comete (executor). por eles respondendo os mandantes. é mais severa.Comentário: Este inciso tem vários pontos técnicos. Comentário: . como bom comportamento. Os crimes e o grupo de crimes previstos neste inciso não admitem nenhum dos dois benefícios. se omitirem. também. e fiança é um pagamento que a pessoa faz ao Poder Judiciário para poder responder ao processo em liberdade provisória. se quem o praticou estiver preso. o latrocínio. assim. São eles o tráfico de drogas. é crime em relação ao qual a Justiça jamais perde o poder de punir o seu autor. Note. Graça e anistia são dois tipos de benefícios que podem ser dados à pessoa presa ou condenada a prisão. inafiançáveis. deverá ficar presa até o final do processo. como um determinado limite de pena (poderiam ser anistiados todos os condenados a penas inferiores a 6 meses de reclusão. e a anistia parte de um pressuposto objetivo. XLIV . Um crime considerado inafiançável é um crime que não admite fiança. em penitenciária. o terrorismo. os executores e os que. A condição de inafiançável do crime de racismo. que à época da promulgação da Constituição ainda não existia. dentre outros. quem mandou cometer o crime (mandante). Crime imprescritível é crime que não sofre prescrição. e prescrição é um prazo dentro do qual o Estado tem poder para encontrar. o que significa dizer que. hoje. Findo esse prazo. mas se omitiram. o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins. contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.a lei considerará crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura. Comentário: Fiança é um pagamento feito pela pessoa presa para responder ao processo penal em liberdade. civis ou militares. preso vai ficar até o final do processo. pois. de branquela). por exemplo). Primeiro. o próprio crime de racismo. a tortura e os crimes hediondos (são hediondos. e também as condutas adotadas com base em preconceito de raça (como não permitir que um negro entre no seu restaurante. nada mais a Justiça pode fazer contra o criminoso. de amarelo. também.constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados. contudo.

essa vítima poderá processar os eventuais sucessores do criminoso para tirar deles os valores que tenham recebido como herança (não como sucessão). multas. A execução penal. a segunda parte do inciso fala dos efeitos civis da sentença penal condenatória. mas sim apenas ilustrativa. por exemplo. b) perda de bens. e desde que não sejam as do próximo inciso. como o roubo. segundo o qual a única pessoa que pode sofrer a condenação criminal é o próprio criminoso. Anos ou décadas depois. para reparar aos cofres públicos uma quantia que deles tenha sido retirada. há transferência do patrimônio e. que a relação não é definitiva. um parente. entre outras. XLVI . como peculato. seja de que pena aplicada for. estendidas aos sucessores e contra eles executadas. diz o inciso.a lei regulará a individualização da pena e adotará. Sinal de que é assim é a locução "entre outras". o perdimento de bens é a perda destes em favor do Estado. não podendo ser tocado o patrimônio pessoal de nenhum deles. Por fim. já que a Constituição tolera expressamente outras penas além das previstas. as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade. Na raiz dessa sanção civil está a identificação do patrimônio do condenado como garantia da reparação do dano. o furto ou a apropriação indébita. Por ação de grupos armados civis ou militares contra a ordem constitucional e o Estado democrático entende-se o golpe de estado. Comentário: Este inciso trata das penas constitucionais. o ser a pena privativa de liberdade (reclusão ou detenção). das penas possíveis no Direito brasileiro e firma o princípio da individualização da pena. sem direito a fiança. como no enriquecimento ilícito ou outros crimes funcionais. . Comentário: Trata-se aqui do princípio da personalização da pena ou da responsabilidade pessoal. d) prestação social alternativa. Por outro lado. Perceba. quais sejam a imposição de uma obrigação de reparar o dano causado pelo criminoso. o agente do crime. restringir-se-á ao condenado. se o governo recuperar sua legitimidade. pois essa obrigação é do espólio. o cônjuge ou um vizinho ou amigo. portanto. não podendo ser punido.Sobre crime inafiançável e imprescritível. os golpistas poderão ser presos. Notese que os herdeiros do condenado falecido não têm obrigação de pagar o dano por aquele causado. nos termos da lei. Note que o fato de ser imprescritível torna o golpe de estado punível mesmo que tenha êxito e derrube o governo. Se o valor transferido não bastar para indenizar a vítima. o caso resolve-se em perdas e danos contra a vítima. antes de mais nada. penas restritivas de direito e quaisquer outras penas alternativas. XLV . c) multa. Não afasta esse princípio da personalização. É muito importante notar que a vítima não poderá retirar dos sucessores do criminoso nenhum centavo a mais do que o valor recebido por eles na sucessão. podendo a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens ser.nenhuma pena passará da pessoa do condenado. razão pela qual. veja o quese disse no comentário ao inciso XLII. e) suspensão ou interdição de direitos. geralmente nos crimes contra o patrimônio. havendo obrigações do falecido. portanto. processados e condenados. não pessoal deles. cumpre ao espólio honrá-las. já que a obrigação de repará-lo é inafastável do causador daquele. Condenado o criminoso por um desses crimes e falecendo antes de devolver à vítima o valor que dela tirou. as dívidas serão executadas "até o limite do valor do patrimônio transferido". Com a morte. até o limite do valor do patrimônio transferido.

para reparar à vítima ou a si próprio. Multa é a imposição de uma penalidade pecuniária. autônomas e substitutivas das penas privativas de liberdade. art. uma diminuição dela. com ela. ministrar aulas gratuitas e outros. Corresponde às penas restritivas de direitos. auxiliar no atendimento em creche ou orfanatos. como forma de reparar todo ou parte de seu crime. de um valor a ser pago pelo preso. sendo que dirigia embriagado. pela reclusão ou pela detenção. poderá alcançar a retirada temporária ou definitiva da carteira de habilitação e. como pintar as paredes de uma associação comunitária. do direito de dirigir. e ocorre no sursis. indicadas no Código Penal. Suspensão de direito é a supressão temporária dele. Perda de bens significa tê-los retirados pelo Estado. nos regimes aberto e semi-aberto de prisão e no livramento condicional. 4. como no caso do motorista que atropela e mata um pedestre. A restrição de liberdade é apenas um cerceamento. por exemplo. além das referentes ao crime.A privação é a perda total da liberdade. A pena. Prestação social alternativa é a condenação do condenado a fazer alguma coisa em benefício da sociedade. .

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