APOSTILA

INTRODUÇÃO À METODOLOGIA CIENTÍFICA

Prof. Alysson Rodrigo Fonseca

Divinópolis/MG 2006

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SUMÁRIO
CAPÍTULO 1. CIÊNCIA E CONHECIMENTO CIENTÍFICO ................................. 1. Introdução .................................................................................................................. 2. Conhecimento científico e outros tipos de conhecimentos ....................................... 2.1 Correlação entre conhecimento popular e conhecimento Cientifico ....................... 2.2 Os Quatro Tipos de Conhecimento ......................................................................... 2.2.1 Conhecimento Popular ......................................................................................... 2.2.2 Conhecimento Filosófico ...................................................................................... 2.2.3 Conhecimento Religioso ....................................................................................... 2.2.4 Conhecimento Científico ...................................................................................... 3 Ciências ....................................................................................................................... 3.1 Conceituação ............................................................................................................ 4. Referências ................................................................................................................ CAPÍTULO 2. CLASSIFICAÇÃO E DIVISÃO DA CIÊNCIA ................................. 1. Classificação da ciência ............................................................................................. 1.1 Classificação de Carnap ........................................................................................... 1.2 Classificação baseada em Bunge ............................................................................. 2. Ciências formais e ciências factuais .......................................................................... 2.1 Aspectos relacionados à divisão em ciências formais e factuais ............................. 2.2 Características das ciências factuais ........................................................................ 3 Ciências físicas e sociais ............................................................................................ 4 Ciências básicas e aplicadas ....................................................................................... CAPÍTULO 3. ESTUDO PELA LEITURA TRABALHADA .................................... 1. Importância da leitura ................................................................................................ 2. Como selecionar o que ler ......................................................................................... 3. Velocidade e eficiência da leitura .............................................................................. 4. Comodidade e higiene na leitura ............................................................................... 5. Definição de propósitos ............................................................................................. 6. Idéia mestra em sua constelação ................................................................................ 7. Sublinhar com inteligência ........................................................................................ 7.1 Normas para sublinhar ............................................................................................. 8. Vocabulário e leitura eficiente ................................................................................... 8.1 Usar melhor a vista .................................................................................................. 8.2 Ler e levantar esquemas e resumos ......................................................................... 9. Com o texto diante dos olhos ..................................................................................... CAPÍTULO 4. PESQUISA .......................................................................................... l. Caracterização ............................................................................................................ 2. Tipos de pesquisa ....................................................................................................... 2.1 Pesquisa experimental ............................................................................................. 2.2 Pesquisa descritiva .................................................................................................. 2.2.1 Pesquisa bibliográfica ........................................................................................... 5 5 7 7 8 8 8 9 9 9 9 10 12 12 12 12 13 13 14 14 16 17 17 18 18 18 19 20 20 21 22 23 23 25 28 28 29 29 29 29

3 2.2.2 Pesquisa documental ............................................................................................ 2.2.3 Pesquisa de campo ................................................................................................ 2.2.4 Pesquisa de opinião .............................................................................................. 2.2.5 Pesquisa de motivação .......................................................................................... 2.2.6 Pesquisa ou estudos exploratórios ........................................................................ 2.2.7 Estudos descritivos ............................................................................................... 2.2.8 Estudo de caso ...................................................................................................... 3. Referências ................................................................................................................ CAPÍTULO 5. O PROJETO DE PESQUISA .............................................................. 1. A concepção do Projeto de Pesquisa ......................................................................... 1.1 Elaboração do Projeto de Pesquisa .......................................................................... 1.2 Características Fundamentais do Projeto de Pesquisa ............................................. 1.3 Tema ........................................................................................................................ 1.3.1 Delimitação do tema ............................................................................................. 1.4 A Estrutura e Conteúdo do Projeto de Pesquisa ...................................................... 1.5 Referências .............................................................................................................. CAPÍTULO 6. TRABALHOS CIENTÍFICOS NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓS-GRADUAÇÃO ................................................................................................. l. Trabalhos científicos ou acadêmicos nos cursos de graduação .................................. 1.1 Trabalhos de síntese ................................................................................................. 1.1.1 Sinopse .................................................................................................................. 1.1.2 Resumo de um escrito ........................................................................................... 1.1.3 Resumo de assunto ou revisão de literatura .......................................................... 1.1.4 Esquema ................................................................................................................ 1.2 Resenha crítica ......................................................................................................... 1.3 Resumo crítico ......................................................................................................... 1.4 Fichamento .............................................................................................................. 1.5 Artigo cientifico ....................................................................................................... 1.6 Relatório .................................................................................................................. 2 Trabalhos científicos nos cursos de pós-graduação .................................................... 2.1 Trabalhos monográficos .......................................................................................... 3. Referências ................................................................................................................ CAPÍTULO 7. INTERNET COMO INSTRUMENTO DE PESQUISA ..................... 1. O que é a internet ....................................................................................................... 1.1 De onde surgiu a internet ......................................................................................... 2. Importância da internet .............................................................................................. 3. O que significa "estar conectado" à internet .............................................................. 4. Os endereços eletrônicos ........................................................................................... 5. Os botões de navegação ............................................................................................. 6. Como navegar pela web ............................................................................................. 6.1 Como pesquisar na internet ..................................................................................... 6.2 Download de arquivos na Internet ........................................................................... 30 30 30 30 30 31 31 31 32 32 32 33 33 34 35 39

40 40 41 41 41 42 42 42 42 43 43 45 46 46 48 49 49 49 49 50 50 51 53 53 55

....... 2................................. 1........2 Etapas .................................................................................................................. APRESENTAÇÃO DE REFERÊNCIAS: BIBLIOGRÁFICAS.................................4 CAPÍTULO 8.................................................................................................................... O SEMINÁRIO COMO TÉCNICA DE APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS . Não se trata de uma obra completa........................................................................................................................3 Materiais especiais .............................. Deixo meu expresso muito obrigado a todos que de um modo ou de outro contribuíram na elaboração dessa apostila................................................................... Por isso........................................ Características do seminário ...... MATERIAIS ESPECIAIS E DOCUMENTOS ELETRÔNICOS ........................ 1................................ 2...................................... ..............................3 Avaliação ...................... 1.....................4 Documentos eletrônicos ...................1 Publicações avulsas consideradas no todo ........................1 Objetivos ................. Introdução . Referências ....................... 1...................................................................... nem tampouco original........................................... 1................................. CAPÍTULO 9............................... que nem sempre é de fácil acesso àqueles que nela estão iniciando.......... Introdução .......... 1................. 57 57 57 58 58 58 59 60 60 60 62 63 64 Nota do Autor Este trabalho tem por finalidade fornecer aos estudantes de Gradução e Pósgraduação um livro texto que sirva de base às aulas de Metodologia Científica................................................................................. toda a crítica que vise melhoras será bem aceita........ 3.......................................... 2................. mas sim uma compilação do que já é conhecido daqueles mais tarimbados nas áreas da Metodologia e Pesquisa.......... 2.....................2 Partes de publicações avulsas ...........................

a maneira mais hábil. Com o objetivo precípuo da universidade é ensinar e divulgar o procedimento científico. "odos" = caminho. logo se leva em conta . Com relação a importância da disciplina Metodologia Cientifica. isto é. A Metodologia seria a aplicação do método através de técnicas. esta é baseada na apresentação e exame de diretrizes aptas a instrumentar o universitário no que tange a estudar e aprender. estudo. A Metodologia no quadro geral da ciência é uma "Metaciência". "logos" = discurso. um estudo que tem por objeto a própria Ciência e as técnicas especificas de cada Ciência. Estamos pois. mais vale o conhecimento e manejo desta instrumentação para o trabalho cientifico do que o conhecimento de uma série de problemas ou o aumento de informações acumuladas sistematicamente. A Metodologia. A Metodologia é entendida como uma disciplina que consiste em estudar e avaliar os vários métodos disponíveis. a orientação básica para se chegar a um fim e técnica é a forma de aplicação do método. Assim. Representa a maneira de atingir um propósito bem definido. Introdução A Metodologia e a Universidade Aidil Barros e Neide Lehfeld Porque não começarmos pela apresentação de um problema àquele que acaba de ingressar no curso superior: O que é Metodologia? Que relação há entre Ciência e Metodologia Cientifica? Qual a sua importância e utilidade para o universitário? Partindo da definição etimológica do termo temos que a palavra Metodologia vem do grego "meta" = ao largo. Para nós. voltados para assessorar e colaborar com o crescimento intelectual do aluno para a formação de um compromisso científico frente à realidade empírica. integrando os conhecimentos a respeito dos métodos em vigor nas diferentes disciplinas cientificas ou filosóficas. identificando as limitações de suas utilizações. examina e avalia as técnicas de pesquisa bem como a geração ou verificação de novos métodos que conduzem à captação e processamento de informações com vistas à resolução de problemas de investigação. o método estabelece de modo geral o que fazer e técnica nos dá o como fazer. mais perfeita de fazer uma atividade. formar cientistas e desenvolver o conhecimento cientifico. A Metodologia não procura soluções mas escolhe as maneiras de encontrá-las. Tem-se então o método como estratégia e as técnicas como táticas necessárias para se operacionalizar a estratégia. isto é. O método é o caminho ordenado e sistemático. num nível aplicado. Constitui o procedimento que deve seguir todo conhecimento cientifico para comprovar sua verdade e ensiná-la.5 CAPÍTULO 1 CIÊNCIA E CONHECIMENTO CIENTÍFICO 1.

Portanto devemos estar voltados para capacitar o estudante. Assim. mas sim uma disciplina que deve estar sempre em relacionamento e a serviço de uma proposta nova de Universidade e conhecimento. a criatividade e o espírito critico. através do estudo da Metodologia Cientifica vão sendo apresentadas diretrizes para a formação paulatina de hábitos de estudos científicos já que a pesquisa e a reflexão devem constituir-se em objetivos principais da vida universitária. orienta o universitário no processo de investigação para tomar decisões oportunas na busca do saber e na formação do estado de espírito critico e hábitos correspondentes necessários ao processo de investigação científica. Assim. Isto é. selecionar e organizar cientificamente os fatos da realidade. O uso de processos metodológicos permitirá ao estudante o desenvolvimento de seu raciocínio lógico e de sua criatividade. deve estar explícita a preocupação em aprender as funções advindas de sua carreia profissional. ela terá na Metodologia um valioso ajudante quanto ao desenvolvimento de capacidades e habilidades do universitário. para contribuir para que a Universidade desenvolva as funções que lhe são impostas frente às necessidades culturais e econômicas emergentes. referentes ao planejamento da investigação cientifica. A formação profissional competente está diretamente relacionada ao crédito dado ao estudo e à elaboração de um projeto de estudo. Vem portanto fornecer os pressupostos do trabalho cientifico. apresentação e comunicação dos seus resultados. o conhecimento sistemático. um curso de Metodologia Cientifica deve-se propor a desenvolver a capacidade de observar. a Metodologia Cientifica vem para auxiliar na formação profissional do estudante. Considerando-se a Universidade como centro do saber. A Metodologia Cientifica estrutura-se portanto. normas técnicas e métodos reconhecidos pelo uso entre cientistas. A Metodologia auxilia e. a pesquisar e tornando o seu espírito cientifico. Assim. Metodologia Cientifica não é um amontoado de técnicas. embora elas devam existir. o universitário estará obtendo conhecimentos novos e ao mesmo tempo construindo-se como ativo e participante da História. como uma instituição preocupada com a qualificação do ensino. Pretende-se alcançar uma formação profissional competente bem como uma formação sócio-politica que conduzirão o aluno a ler critica e analiticamente o seu cotidiano.6 o estímulo do pensamento produtivo. ou seja. à estrutura e à aplicação. a uma análise do conhecimento e do seu processo de produção. com o rigor da aprendizagem e com o progresso da ciência. analisando-a e refletindo-a à luz de concepções filosóficas e teóricas. . Através da Metodologia Cientifica deve-se criar ou estimular o desenvolvimento do espírito crítico e observador do aluno para que ele possa ver a realidade com toda sua nudez. através de reflexões. portanto. Aprendendo a pensar. práticas e reflexões sobre estas mesmas práticas.

Visa explicar "por que" e "como" os fenômenos ocorrem. a agricultura utiliza-se de sementes selecionadas. portanto.pode ser matéria de observação tanto para o cientista quanto para o homem comum. o segundo. Hoje. o modo ou o método e os instrumentos do "conhecer". o que leva um ao conhecimento científico e outro ao vulgar ou popular é a forma de observação. Dessa forma. nunca cultivando a mesma planta. geralmente típico do camponês. um mineral. no século XVIII.. deve ser irrigada pode ser um conhecimento verdadeiro e comprovável. Mesclam-se. b) Um mesmo objeto ou fenômeno . do ciclo reprodutivo dos insetos etc. na segunda metade do século XV. se não a receber de forma "natural". mas.1 Correlação entre Conhecimento Popular e Conhecimento Científico O conhecimento vulgar ou popular. no mesmo local. da cultura do nabo e do trevo. de adubos químicos. às vezes denominado senso comum não se distingue do conhecimento cientifico nem pela veracidade nem pela natureza do objeto conhecido: o que os diferencia é a forma. patenteiam-se dois aspectos: a) A ciência não é o único caminho de acesso ao conhecimento e à verdade. exaure o solo. sua composição. Já no período feudal. alternando-as de ano para ano. a necessidade da utilização de adubos. conduzido por meio de procedimentos científicos. de trigo. todos os anos. Saber que determinada planta necessita de uma quantidade "X" de água e que.7 2. enxadas e outros tipos de maquinaria. Tem também conhecimento de que o cultivo do mesmo tipo. numa única faixa. por exemplo. até. científico. mas à introdução. é transmitido por intermédio de treinamento apropriado. nem por isso. da natureza das pragas. O início da Revolução Agrícola não se prende ao aparecimento. 2. sabe o momento certo da semeadura. permitindo utilização constante. Para que isso ocorra. de melhores arados. na tentativa de evidenciar os fatos que estão correlacionados. numa visão mais globalizante do que a relacionada com um simples fato uma cultura específica. uma comunidade ou as relações entre chefes e subordinados . o controle biológico dos insetos pragas. das causas do desenvolvimento das plantas.uma planta. de defensivos contra as pragas e tenta-se. a época da colheita. transmitido de geração para geração por meio da educação informal e baseado em imitação e experiência pessoal. é necessário ir mais além: conhecer a natureza dos vegetais. o sistema de cultivo era em faixas: duas cultivadas e uma terceira "em repouso". dois anos seguidos. neste exemplo. pois seu plantio evitava o desperdício de se deixar a terra em pousio: seu cultivo "revitalizava" o solo. empírico e desprovido de conhecimento sobre a composição do solo. mesmo iletrado e/ou desprovido de outros conhecimentos. um camponês. . as providências a serem tomadas para a defesa das plantações de ervas daninhas e pragas e o tipo de solo adequado para as diferentes culturas. Conhecimento Científico e outros tipos de conhecimentos Desde a Antiguidade. cientifico. até aos nossos dias. dois tipos de conhecimento: o vulgar ou popular. sendo um conhecimento obtido de modo racional. seu ciclo de desenvolvimento e as particularidades que distinguem uma espécie de outra.

É verificável. Conhecimento Científico Real (factual) Contingente Sistemático Verificável Falível Aproximadamente exato Conhecimento Religioso (Teológico) Valorativo Inspiracional Sistemático Não verificável Infalível Exato . já que os enunciados das hipóteses filosóficas. na procura de uma formulação geral que explique os fenômenos observados. e este é possuído. em virtude de consistir num conjunto de enunciados loucamente correlacionados.2. quer na busca da realidade capaz de abranger todas as outras. é infalível e exato. de pessoa a pessoa. É racional. isto é. o conhecimento filosófico é não verificável. pois suas hipóteses e enunciados visam a uma representação coerente da realidade estudada. Tem a característica de sistemático. pelo cognoscente. seus postulados. pois se fundamenta numa seleção operada com base em estados de ânimo e emoções: como o conhecimento implica uma dualidade de realidades. este conhecimento emerge da experiência e não da experimentação". pois seu ponto de partida consiste em hipóteses.2 Conhecimento Filosófico O conhecimento filosófico é valorativo. visto que está limitado ao âmbito da vida diária e diz respeito àquilo que se pode perceber no dia-a-dia. ao contrário do que ocorre no campo da ciência. 2. e não em uma sistematização das idéias. portanto.8 2. Finalmente é falível e inexato. numa tentativa de apreendê-la em sua totalidade. por este motivo. pois se conforma com a aparência e com o que se ouviu dizer a respeito do objeto.1 Conhecimento Popular O conhecimento popular é valorativo por excelência. já que.2. Por último. mas. A característica de assistemático baseia-se na "organização" particular das experiências próprias do sujeito cognoscente. assim como suas hipóteses. quer na definição do instrumento capaz de apreender a realidade. os valores do sujeito impregnam o objeto conhecido. de outro. não pode ser reduzido a uma formulação geral. desse modo de conhecer. o objeto conhecido. aspecto que dificulta a transmissão. de um lado o sujeito cognoscente e. que não poderão ser submetidas à observação: "as hipóteses filosóficas baseiamse na experiência. de certa forma. estando limitado pela familiaridade com o objeto. É também reflexivo.2 Os Quatro Tipos de Conhecimento Conhecimento Popular Valorativo Reflexivo Assistemático Verificável Falível Inexato Conhecimento Filosófico Valorativo Racional Sistemático Não verificável Infalível Exato 2. não são submetidos ao decisivo teste da observação (experimentação). não podem ser confirmados nem refutados.

absoluto ou final e. pode ser crente praticante de determinada religião. através de investiga-ções experimentais. em virtude de não ser definitivo. Possui a característica da verificabilidade. É sistemático. as relações existentes entre determinados órgãos e sua funções. pois suas proposições ou hipóteses têm sua veracidade ou falsidade conhecida através da experiência e não apenas pela razão. já que se trata de um saber ordenado logicamente. estas formas de conhecimento podem coexistir na mesma pessoa: um cientista. a nosso ver. . em muitos aspectos de sua vida cotidiana. voltado. apoia-se em doutrinas que contêm proposições sagradas (valorativas). Constitui um conhecimento contingente. à sua imagem e semelhança. estar filiado a um sistema filosófico e. com toda "forma de existência que se manifesta de algum modo". incompletos. pode-se tirar uma série de conclusões sobre sua atuação na sociedade. baseada no senso comum ou na experiência cotidiana. tais verdades são consideradas infalíveis e indiscutíveis (exatas). assim como quanto à sua liberdade. isto é. Os conceitos mais comuns. finalmente. pode-se questioná-los quanto à origem e destino. o sujeito cognoscente pode penetrar nas diversas áreas: ao estudar o homem.3 Conhecimento Religioso O conhecimento religioso.4 Conhecimento Científico Finalmente. a tal ponto que as afirmações (hipóteses) que não podem ser comprovadas não pertencem ao âmbito da ciência. religioso e científico. são os seguintes: • "Acumulação de conhecimentos sistemáticos". por exemplo. pode-se analisá-lo como um ser biológico.9 2. • "Atividade que se propõe a demonstrar a verdade dos fatos experimentais e suas aplicações práticas". por exemplo. pode-se observá-lo como ser criado pela divindade. verificando. e meditar sobre o que dele dizem os textos sagrados.2.1 Conceituação Diversos autores tentaram definir o que se entende por Ciência. ao estudo da física. por esse motivo. no processo de apreensão da realidade do objeto. suas evidências não são verificadas: está sempre implícita uma atitude de fé perante um conhecimento revelado. significado. Constitui-se em conhecimento falível. o conhecimento científico é real (factual) porque lida com ocorrências ou fatos. isto é. Por sua vez. 3 Ciências 3. por este motivo. agir segundo conhecimentos provenientes do senso comum. é um conhecimento sistemático do mundo (origem. como ocorre no conhecimento filosófico. é aproximadamente exato: novas proposições e o desenvolvimento de técnicas podem reformular o acervo de teoria existente. por terem sido reveladas pelo sobrenatural (inspiracional) e.2. Apesar da separação "metodológica" entre os tipos de conhecimento popular. 2. formando um sistema de idéias (teoria) e não conhecimentos dispersos e desconexos. mas. teológico. filosófico. finalidade e destino) como obra de um criador divino.

experiências. • "Conjunto orgânico de conclusões certas e gerais. não se trata de conhecimento dispersos e desconexos. por conseguinte. • Verificáveis.' • Conhecimento racional isto é. que tem exigências de método e está constituído por uma série de elementos básicos. objetos pertencentes a determinada realidade. tais como sistema conceitual. falível". de afirmações comprovadas pela observação. a) Conceito de Ander-Egg "A ciência é um conjunto de conhecimentos racionais. . • "Forma sistematicamente organizada de pensamento objetivo". • Certo ou provável. e da compreensão imediata. hipóteses. mediante método científico". mas de um saber ordenado logicamente. que fazem referência a objetos de uma mesma natureza. mas mediante regras lógicas e procedimentos técnicos. verificável e. por mais elevada que seja sua probabilidade. que guardam entre si certos caracteres de homogeneidade. • Obtidos metodicamente. não fazem parte do âmbito da ciência. obtido através da investigação. • Sistematizados. Antes de tudo. sem que se busquem os fundamentos. que necessita. é grande a quantidade dos prováveis. exato. pois não se os adquire ao acaso ou na vida cotidiana. • "Conjunto de enunciados lógicos e dedutivamente justificados por outros enunciados". fatos certos e seguros. como o conhecimento poético. • Relativos a objetos de uma mesma natureza. certos ou prováveis. sistemático. que não podem ser comprovadas ou que não passam pelo exame da experiência.10 • "Caracteriza-se pelo conhecimento racional. já que não se pode atribuir à ciência a certeza indiscutível de todo saber que a compõe." • "Estudo de problemas solúveis. sistematizados e verificáveis. metodicamente demonstradas e relacionadas com objeto determinado". como é o caso do conhecimento intuitivo. Ao lado dos conhecimentos certos. pelo fato de que as afirmações. • "Conhecimento sistemático dos fenômenos da natureza e das leis que o regem. definições. diferencia-se das sensações ou imagens que se refletem em um estado de ânimo. toda lei indutiva é meramente provável. obtidos metodicamente. constituindo um sistema de idéias (teoria). pelo raciocínio e pela experimentação intensiva". • "Corpo de conhecimentos consistindo em percepções. • "Conhecimento certo do real pelas suas causas". ou seja. para incorporá-las. isto é.

A metodologia e a universidade. M. 3o Ed. e MARCONI. Rio de Janeiro: Editora Kennedy. São Paulo: Editora Atlas. 1983. que nos serve de ponto de partida. sem data.S. 1974. PATROCÍNIO. expressa em seu livro Metodologia da Ciência.M. CERVO. Filosofando: introdução à filosofia.. ARANHA. LEHFELD. BERVIAN. Manual do projeto de pesquisa e de apoio ou desenvolvimento. 443p. BARROS.F. TRUJILLO FERRARI. 2a Ed. LAKATOS.L. São Paulo. In: Fundamentos de metodologia: um guia para a iniciação cientifica.A. interpretação de textos: testes e exercícios. Metodologia Cientifica. MARTINS. um conjunto de proposições logicamente correlacionadas sobre o comportamento de certos fenômenos que se deseja estudar: "A ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais. Metodologia de Pesquisa..A. N. capaz de ser submetido à verificação". Editora Moderna. consideramos mais precisa a definição de Trujillo. Assim. dirigidas ao sistemático conhecimento com objeto limitado. A.11 b) Conceito de Trujillo Apesar de maior abrangência do conceito de Ander-Egg. 1989. S. Editora McGraw-Hill do Brasil. 432p. 4. 2001. 1986. 73p. 15) FERREIRA. M. Documentos. p. Referências AMARAL.. M. 249p. São Paulo. A.J. Redação. E.P. (EMBRAPA-DTC. São Paulo: Editora Nova Cultural.H. 231p. P. entendemos por ciência uma sistematização de conhecimentos. M. gramática.A. A.. ANTÓNIO. Metodologia científica. 1986.S. Metodologia cientifica. 318p. Brasília. São Paulo: Mc Graw-Hill. A. 1-14..L A. 1983.P. E. . EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. 56p. Viçosa: Universidade federal de Viçosa.

mas igualmente dos fatos a que se referem. aqueles cuja verdade depende não só do significado de seus termos.2 . além dos enunciados analíticos. levaram ao surgimento de diversos ramos de estudo e ciências específicas.Classificação de Carnap Quanto à classificação em relação ao conteúdo.Classificação baseada em Bunge Lógica FORMAIS Matemática Física Química Biologia e outras Antropologia Direito Economia Política Psicologia Social Sociologia História CIÊNCIAS FACTUAIS NATURAIS SOCIAIS Transcrito em parte do Capítulo II do livro Metodologia Científica de Cervo e Bervian (1983). Para este autor as ciências se dividem em: a) formais: que contêm apenas enunciados analíticos. 1. b) factuais: que.12 CAPÍTULO 2 CLASSIFICAÇÃO E DIVISÃO DA CIÊNCIA A complexidade do universo e a diversidade de fenômenos que nele se manifestam. aliadas à necessidade do homem de estudá-los para poder entendê-los e explicá-los. diferença de enunciados e metodologia empregada.1 . . cuja verdade depende unicamente do significado de seus termos ou de sua estrutura lógica. quer de acordo com seu conteúdo: objeto ou temas. contêm sobretudo os sintéticos. Classificação da ciência 1. podemos citar inicialmente a de Rudolf Carnap. quer de acordo com sua ordem de complexidade. Estas necessitam de uma classificação. isto é. 1.

tanto abstratos quanto interpretados. é uma decorrência de os seres humanos possuírem dez dedos. em sua forma. mas ninguém pode ver um simples três. os números não existem fora de nossos cérebros: podemos ver. pois ela decorre da dedução. enquanto as ciências factuais dependem do "fato" no que diz respeito a seu conteúdo ou significação e do "fato experimental". em conseqüência.13 2. não podem valer-se dos contatos com essa realidade para convalidar suas fórmulas. composição. tocar três livros. para verificar até que ponto suas hipóteses se ajustam aos fatos.1 Aspectos Relacionados à Divisão em Ciências Formais e Factuais A divisão em ciências formais e factuais leva em consideração: a) O objeto ou tema das respectivas disciplinas. as ciências factuais devem. estudo dos fatos. mesmo nela. e às ciências factuais. b) A diferença de espécie entre enunciados. recorrem à observação e à experimentação para comprovar (ou refutar) suas fórmulas (hipóteses). procurar alterar deliberadamente os objetos. Segundo Bunge. de coisas e de processos. três carros. estudo das idéias. ao contrário. na matemática. para sua convalidação. As ciências formais contentam-se com a lógica para demonstrar rigorosamente seus teoremas e as factuais necessitam da observação e/ou experimento. a nível conceitual e não fisiológico. fenômenos e processos. ao passo que as factuais tratam de objetos empíricos. a física e a sociologia. Os enunciados formais consistem em relações entre símbolos e factuais referem-se a entes extracientíficos. o conceito de número abstrato nasceu da coordenação de conjuntos de objetos materiais. Por outro lado. Por exemplo. não tendo relação com algo encontrado na realidade. d) O grau de suficiência em relação ao conteúdo e método de prova. Entre as primeiras encontram-se a lógica e a matemática que. sendo ciências factuais. Dito de outra forma. em matemática. "o conhecimento depende da coerência de enunciado dado com um sistema de idéias que foram admitidas previamente". três árvores. Em outras palavras. . A lógica e a matemática tratam de entes ideais. por exemplo. sempre que possível. formais. As ciências formais são suficientes em relação aos seus conteúdos e métodos de prova. c) O método através do qual se comprovam os enunciados. manusear. as primeiras não empregam a experimentação para a demonstração de seus teoremas. Ciências Formais e Ciências Factuais A primeira e a mais fundamental diferença que se apresenta entre as ciências diz respeito às ciências. 2. encontrar. essência. constróem seus próprios objetivos reais (naturais e sociais). existentes apenas na mente humana e. todavia. ou podemos imaginar três discos voadores. As formais preocupam-se com enunciados. o sistema decimal. fenômenos ou processos. referem-se a fatos que supostamente ocorrem no mundo e. isto é.

a racionalidade. isto é. sistemático. O questionamento que faço é: existe ciência que não seja feita pelo homem e que não seja feita para o homem ou para a humanidade visando produzir o bem ou o mal? Se a resposta for não. exige-se que os enunciados sejam verificáveis pela experiência.14 "Isto explica por que se pode conseguir verdade formal completa. enquanto a verdade factual se revela tão fugidia". no sistema aritmético empregado para contar as horas de um dia. por isso. mas não suficiente. A demonstração é completa e final. verificável. Não empregando símbolos "vazios" (variáveis lógicas). 2. em sua maioria. a experiência não pode garantir que seja o único verdadeiro: "somente nos dirá que é provavelmente adequado. por si só. objetivo. da mesma forma que a submissão a um sistema de lógica é também necessária. Por sua vez. se os axiomas podem ser escolhidos à vontade. factual. sem violar as leis do sistema de lógica que se determinou utilizar. preditivo. analítico. aberto e útil. geral.2 Características das Ciências Factuais Assim. mas apenas símbolos interpretados. somente as conclusões (teoremas) terão que ser verdadeiras. caracteriza-se por ser: racional. As ciências formais demonstram ou provam. 3. ao passo que à verificação é incompleta e. pode deixar de ser logicamente verdadeira em outra: por exemplo. sem excluir. são provisórias. mas relativa a este sistema. a probabilidade de que um estudo posterior possa dar melhores aproximações na reconstrução conceituai da parte de realidade escolhida". dependente de investigação metódica. mas não garante. transcedente aos fatos. . quer indiretamente (hipóteses gerais) quer diretamente (conseqüências singulares das hipóteses). explicativo. ou seja. temporária. de tal forma que. mesmo assim. isto é. se na matemática a verdade consiste "na coerência do enunciado dado com um sistema de idéias previamente admitido". então a divisão do ponto de vista científico não procede. o conhecimento científico. comunicável. verdadeiro e. porém do ponto de vista filosófico deve ser repensado. por este motivo. e isto só se consegue respeitando a coerência lógica. a proposição 24 + l = l é válida. no âmbito das ciências factuais. claro e preciso. acumulativo. as factuais verificam (comprovam ou refutam) hipóteses que. f) O resultado alcançado. Portanto. A divisão dessas ciências do ponto de vista didático ou pedagógico pode ser aceitável. Ciências Físicas e Sociais São também denominadas de naturais (físicas) e humanas (sociais). Para Bunge. esta verdade não é absoluta. falível. Somente depois que um enunciado (hipótese) passa pelas provas de verificação empírica é que poderá ser considerado adequado ao seu objetivo. a "coerência com um sistema de idéias previamente admitido" é necessária. a obtenção da verdade. Além da racionalidade. e) O papel da coerência para se alcançar a verdade. se uma proposição é válida em uma teoria. o que ocorre com as ciências factuais é totalmente diferente.

as ocasiões de erros e confusão. De uma maneira global as áreas das ciências naturais usam processos objetivos e as sociais usam processos subjetivos. sobre diversos assuntos das ciências humanas. as leis possuem mais rigor e exatidão do que nas ciências humanas pois. aquelas seguem o curso fatal do determinismo da natureza. quer relações de causalidade ou de sucessão (a água ferve a 100 graus. por exemplo. 3) Suas conclusões têm um caráter incontestável de certeza. nas palavras de Montesquieu. Aqui reside a origem da diversidade de opiniões. mais ou menos. Pedagogia. entende-se por método o conjunto de processos que o espírito humano deve empregar na investigação e demonstração da verdade e toda investigação nasce de algum problema observado ou sentido. As ciências humanas realizam todas as condições para se constituírem em ciência: 1) Os fenômenos que estudam são reais e distintos dos tratados nas ciências experimentais. como. Isto porque: a) Muitos fatos considerados nas ciências humanas não são atingidos diretamente. zootecnia. quer enfim relações de finalidade (o fígado tem por função regular a quantidade de açúcar no sangue). crescem as dificuldades e. fitotecnia. história etc). Nas ciências experimentais. enquanto estas estão condicionadas. por conseguinte. os fenômenos psíquicos que apenas se manifestam no comportamento. O que as diferencia na verdade são os processos de pesquisa e investigação usadas em cada uma delas. Deste fato. à liberdade humana. Assim deve-se considerar que toda ciência é naturalmente humana. o último lugar na hierarquia das ciências quanto à precisão e ao rigor de seus resultados.15 Como separação didática em áreas da ciência podemos considerar a classificação baseada em Bunge. qual seja toda área da ciência que envolve elementos da natureza pode ser classificada como natural ou física (física. entretanto.). sem dúvida. Psicologia. tendo tal densidade. As leis exprimem quer relações de existência ou de coexistência (a água é um corpo incolor. sólido e gasoso etc. inodoro. As ciências humanas ocupam. Economia. As leis científicas que o processo indutivo alcança são.). . Direito. 2) As causas e leis descobertas nesta área exprimem relações necessárias entre os fatos e entre os atos. biologia. Nas ciências. embora de ordem diferente da certeza das ciências experimentais. Com a complexidade. Sociologia. suscetível de assumir o estado líquido. b) Os fatos humanos implicam maior complexidade do que os quantitativos ou físicos. química. Isto acarreta dificuldades para a generalização. o calor dilata os metais etc. por vezes desconcertante. as relações constantes e necessárias que derivam da natureza das coisas. Política. não se pode concluir que as ciências humanas se constituem em simples opiniões mais ou menos viáveis. etc) e toda área da ciência que envolve diretamente o homem pode ser classificadas como social ou humano (Antropologia.

As fatos humanos. Suas leis são mais flexíveis e menos rigorosas. realizar as pesquisas adaptativas. Metodologia de Pesquisa. capaz de ser submetido à verificação". porém considerar a existência de ciência básica e aplicada é um equívoco. Vocês já leram em algum livro ou já viram em alguma escola o seguinte: agora vamos estudar as ciências básicas e depois vamos estudar as ciências aplicadas ou neste capítulo vamos tratar das ciências básicas e no capítulo seguinte das ciências aplicadas. Foi a partir da busca da divisão das ciências em formais e factuais que surgiu essa dicotomia entre básico e aplicado (reveja item 3. Viçosa: Universidade federal de Viçosa. pois os conhecimentos científicos gerados através de seus métodos devem servir de base para uso pela humanidade e toda ciência é aplicada. impede qualquer previsão exata tomando apenas aproximativos os cálculos nas ciências humanas. Ciências Básicas e Aplicadas A divisão das ciências. conforme visto anteriormente. A. pois servir de base para a humanidade significa poder ser aplicado em seu benefício. divisão em áreas. aos países pobres (que não devem dispor de equipamentos sofisticados) compete repetir o que já foi descoberto para adaptar as suas condições. podem ser previstos e alguns provocados para serem melhor observados. só procede por questões de compartimentação. que interfere mais ou menos nos atos humanos. . do homem em compartimentalizar a ciência. as ciências da natureza tratam de fatos e objetos materiais que se podem pesar e medir.1 desse capítulo). ao menos indiretamente. Toda ciência é básica. esta intervenção de medida comunica aos resultados um pouco de rigor matemático. d) Finalmente.S. de menor demanda de capital. expressam suficiente estabilidade e constância. a liberdade. 4. 56p. Por todos estes motivos. dirigidas ao sistemático conhecimento com objetivo limitado. Assim. Esta divisão surgiu mais em função do acúmulo de conhecimentos científicos e da necessidade. por serem regidos por leis fatais. ou seja. enquanto isso. a ponto de poderem fundamentar verdadeiras ciências. A dicotomia ciência básica e aplicada se fortaleceu no sistema capitalista também pela lógica mercantilista. pois como já vimos "a ciência é todo um conjunto de atitudes e atividades racionais. Fonte: FERREIRA.. entretanto. ou seja. por serem qualitativos. de modo que compete aos países ricos (que podem dispor de equipamentos sofisticados) fazer a pesquisa mais caro.16 c) Os fenômenos físicos. não é aplicável qualquer avaliação quantitativa. as ciências humanas são de resultados menos precisos e de mais difícil estudo. 2001. Até meados do século passado (1950) era comum considerar as ciências formais como básicas e as factuais como aplicadas isso porque nas ciências formais contenta-se com a lógica para demonstrar rigorosamente os teoremas enquanto que nas factuais é necessário observação e/ou experimento. e ao mesmo tempo dificuldade. enquanto que.

principalmente. é necessário ir às fontes. desonerando a memória. A indicação do livro de texto tem vantagens e inconvenientes cuja análise ultrapassaria os limites que este compêndio impõe. ao menos. mais especializadas sobre cada tema ou sobre cada pormenor dos programas. disciplinando a mente e alargando a consciência pelo contato com formas e ângulos diferentes sob os quais o mesmo problema pode ser considerado. não limitam: ao contrário. é preciso ler. abrindo cada vez mais os horizontes do saber. Deveríamos ser uma pequena fonte. como também estar habilitados a desenvolver. ler muito e. Aliás. apenas. finalmente. É preciso ler. diziam os antigos. Ler bem é o ponto fundamental para os que quiserem ampliar e desenvolver as orientações e aberturas das aulas. não saberá estudar.17 CAPÍTULO 3 ESTUDO PELA LEITURA TRABALHADA João Álvaro Ruiz 1. É preciso ler e. ser indicado uma. os livros básicos para cada programa? A leitura amplia e integra os conhecimentos. ler bem. elas não circunscrevem. É necessário iniciar este trabalho com determinação e perseverar nele. alguns livros são básicos. temas nunca abordados em aula. através de pesquisas. comprometeria . Para elaborar trabalhos de pesquisa. É preciso sentir atração pelo saber. aos livros. e encontrar onde buscá-lo. quase todas as cadeiras desenvolvem programas de pesquisa bibliográfica para que o aluno desenvolva temas e reconstrua ativamente o que outros já construíram. mas que o aluno não pode ater-se exclusivamente a ele. não um pequeno depósito de conhecimentos. quem não sente apetite não deve deixar de alimentar-se. aos autores. ler muito. Diremos. ao terminar um curso superior. Quem não sabe ler não saberá resumir. ler bem. o crescimento cultural tem crises como o crescimento físico. Durante as primeiras aulas de qualquer disciplina. É muito importante participar das aulas. enriquecendo o vocabulário e a facilidade de comunicação. principalmente. Se não é possível pensar em fazer um bom curso sem descobrir ou fazer aparecer espaços de tempo para o estudo extra-aula e se é necessário programar criteriosamente a utilização desse tempo. outros são mais especializados ou se concentram em algum item do programa. e pode. que o livro de texto é muito bom para a preparação da aula. para quem quer colher todo fruto das aulas. abrem horizontes para as grandes caminhadas do aluno que leva a sério seus estudos e quer atingir resultados plenos de seus cursos. entre os tratados gerais de consulta obrigatória. E. É necessário abeberar-se de outras fontes mais amplas. Quem lê constrói sua própria ciência. ou de leitura obrigatória. como livro de texto. ler bem. ou mero encanamento por onde as coisas apenas passam. "Timeo hominem unius libri". não saberá tomar apontamentos e. quem não lê memoriza elementos de um todo que não se atingiu. Devemos temer o homem de um livro só. os mestres apresentam criteriosa bibliografia. não seria igualmente impossível pensar em fazer um bom curso sem ter à mão boas fontes de leitura? É possível que se pretenda fazer um curso universitário sem freqüentar bibliotecas ou sem adquirir. Importância da leitura Não basta ir às aulas para garantir pleno êxito nos estudos. deveríamos não só estar capacitados a repetir o que foi aprendido na faculdade.

os livros são suas ferramentas de trabalho. Não se lêem com a mesma velocidade textos de gênero diferente. que se vão acumulando e associando como frutos da leitura continuada. um curso que aumentará o rendimento do esforço pessoal no estudo. instala-se um verdadeiro círculo vicioso. Estes retornos representam nova forma de perda de tempo que se soma à lentidão da leitura. Por outro lado. com enorme prejuízo. Quem lê bem e depressa encontra tempo para ler e faz seu tempo render. 3. através da leitura. em seguida as obras mais amplas e mais especializadas dentro da área profissional ou do interesse particular de cada um. seu curriculum. deve ser difusa. E preferível ler em ambiente amplo. E preferível ler sentado a ler em pé ou deitado. Também na leitura trabalhada devemos ser perseverantes.18 sua saúde. Não pretendemos apresentar um curso de leitura veloz. um romance e um manual de biologia. Como selecionar o que ler O título do livro é a primeira informação que temos sobre seu conteúdo. Comodidade e higiene na leitura O ambiente material de leitura deve reunir umas tantas condições que a favoreçam. é importante ter à mão um bom . devemos ver o nome do autor. ao final de um parágrafo. a retenção e a integração de conhecimentos contidos no manancial dos textos lidos. já tiveram tempo para esquecer seu início. Em nosso caso. Normalmente. cada um deve atingir sua velocidade ideal. como. a leitura veloz não prejudica a eficiência ou a compreensão. e seu foco deve estar à esquerda de quem lê. pois não há tempo que chegue e. a edição e ler rapidamente o prefácio. 4. Todo estudante deveria interessar-se pela formação de uma pequena biblioteca de obras selecionadas. da leitura eficiente decorrem a captação. devemos ler sua "orelha". A convergência destes vários elementos ajuda a selecionar o que ler. Não existe uma velocidadepadrão de leitura. bem como das peculiaridades do leitor. só esta perseverança garantirá aquela espécie de saltos de integração de dados. bem iluminado e silencioso: se a luz for artificial. mas não deve figurar como critério de escolha para a leitura. por exemplo. a documentação ou as citações ao pé das páginas. Quem assim procede não encontra tempo para ler. podemos consultar professores da respectiva área. mas oferecer uma seqüência de normas e de considerações que levarão normalmente a um aumento de velocidade e de eficiência na leitura cultural. O primeiro passo é adquirir os livros citados pelos professores como indispensáveis ou fundamentais. a maior ou a menor velocidade depende do gênero do próprio texto. o índice da matéria. e voltam para revê-lo. arejado. forma. a bibliografia. 2. Ademais. a data. assim como verificar a editora. Além do texto a ser lido. Velocidade e eficiência da leitura Alguns lêem tão devagar que. desta. mas é certo que sempre é possível aumentar a velocidade sem prejuízo da compreensão. isto é. Devemos examinar sumariamente o livro cujo título nos interessa à primeira vista.

cada parágrafo tem uma idéia principal. lê palavras. a retenção e a integração de conhecimentos.é essencial que o estudante se preocupe em descobrir qual é essa idéia diretriz. como cada fábula tem sua “moral”. pela procura das idéias mestras. ou para dar ares de intelectual. Por ocasião da última abordagem do presente assumo em classe. em seu Como estudar e como aprender. Definição de propósitos Alguém pode ler só para passar o tempo. Sou transferida de outra faculdade. Não se julgue impossibilitado de ler aquele que não puder fazê-lo em ambiente de condições ideais. dedicassem uma hora por dia à tarefa de descobrir. como se todas tivessem igual valor. lápis e um bloco de papel. lê idéias e as hierarquiza enquanto lê.. amigos leitores. é conquistar um dos fatores essenciais de toda aprendizagem cultural". exercitar-se-iam em uma técnica de abstração e de síntese que lhes permitiria tirar o máximo proveito de qualquer tipo de leitura ou estudo ulterior”. pois.. mas já estou no último semestre do curso de Estudos Sociais. em primeiro lugar. o leitor lento e ineficiente. bem como de mais de trinta anos de continuados estudos confirmam as palavras de Mira y López e da generalidade dos autores que versaram sobre o assunto. a estar mais atenta às aulas e a aplicar-se com maior dedicação à leitura cultural para trabalhos de pesquisa bibliográfica. o bom leitor lê unidades de pensamento. “Se vocês. mas quem não dispuser do ambiente ideal de leitura deve aprender a ler com boa velocidade e eficiência num banco de jardim. de concentração naquilo que se vai fazer. a crítica. Tudo o que resumimos acima está amplamente desenvolvido provado e justificado nos tratados de pedagogia e de didática. Percebo que fui muito prejudicada. lê palavra por palavra. Em cada parágrafo. também. ou seja. escreve Emílio Mira y López. Não duvidamos de sua importância. mas é importante conhecer estas condições e procurar criá-las eu desfrutar delas tanto quanto possível. das idéias principais. o clima de silêncio interior. uma palavra-chave. ". cada capítulo e. A finalidade básica da leitura cultural é a procura. Cada um constrói sua casa com as pedras que tem. cada série de pensamentos possui uma idéia diretriz ou conceito fundamental. e continua: "Assim. Quem lê idéias é mais veloz na leitura e capta melhor o que lê. Confesso que estava chegando ao fim do curso sem saber ler. antes tarde do que nunca!" Esse depoimento teve mais força persuasiva do que toda nossa aula. O mau leitor. Mas não é dessa finalidade ou propósito que estamos falando. onde não existe a cadeira de Metodologia. e isto se faz. a captação. também chamadas idéias diretrizes. Nossa experiência de mais de vinte anos de magistério. . de maneira a encontrar a idéia mestra ou a palavra-chave. Mas.19 dicionário. pois. quando não esta em negrito. isto é. a sua essência significativa. o leitor deve captar a idéia principal. um conceito fundamental. para não manter conversação com o cidadão estranho que se sentou a seu lado no mesmo vagão. É de suma importância. fio condutor do pensamento do mestre ou expositor". E aquela classe passou a valorizar nossa cadeira. numa sala de espera ou numa fila de ônibus... ou melhor dizendo. uma aluna tomou a palavra para prestar interessante depoimento: "Estou cursando esta cadeira de Metodologia com calouros. Descobri-lo. Mas isto é fruto de treinamento. 5. mesmo. cada seção. de exercícios. estas são maneiras de dar alguma finalidade à leitura. deve concentrar-se em sua procura. Cada texto. concretizar e formular as idéias diretrizes de alguns parágrafos de diversos textos.

7. O bom leitor produz seus resumos. após a leitura de algumas páginas. Quem alega. Se tiver dúvidas a respeito de sua seleção. Quem sublinha com inteligência está constantemente atento à leitura. teses. ou são aplicadas na solução de problemas ou na definição ou normalização da conduta. que é captar. em documentos insofismáveis. reter ou evocar idéias mestras totalmente despojadas de pormenores importantes. deve mudar de conduta e começar a ler e a estudar com inteligência e sabedoria. com a sentença-sumário. A idéia principal aparece sempre numa constelação de idéias que gravitam à sua volta. que tem facilidade para responder á perguntas essenciais. reformular as idéias mestras. por ocasião de exames ou em conversações rotineiras. leia com este propósito seu livro de textos. Nem é possível captar. com amor pelo saber. a articulação das idéias em amplos e profundos textos nos quais as idéias principais são fundamentadas em bases sólidas. Memorizar índices. que não lê ou não sabe ler. este propósito o mantém concentrado e em atitude de crítica durante todo o tempo dedicado à leitura. Idéia mestra em sua constelação Não existem capítulos. um argumento que a justifique. "integrar e evocar conhecimentos reformulados". um exemplo que a elucide. a idéia mestra e os pormenores mais importantes ou menos importantes. estas seriam encontradas nos índices. as palavraschave e os pormenores importantes. de que nem sempre pode encontrá-la numas poucas palavras dadas. e procura acompanhar a montagem. Quem procede assim não tem razão para escusar-se. enunciados. de mau estudante ou de pseudoselecionador de preciosidades. suas apostilas e toda a bibliografia consultada na elaboração de seus trabalhos de pesquisa. é verdade. em fatos de evidência comprovada. especialmente. mas não se interessa por pormenores e "coisinhas" está confessando. Além desse efeito benéfico. ou postulados não exime ninguém da pecha de mau leitor. descobre o principal em cada parágrafo e o diferencia do acessório. Sublinhar com inteligência Sublinhar é uma arte que ajuda a colocar em destaque as idéias mestras. embora não seja esta a sua intenção. reter. tenha de refraseá-la com palavras suas (uma boa prática. porém. em demonstrações de validade ponderável. releia o parágrafo. É importantíssimo discernir o principal e o secundário. o hábito de sublinhar com . uma analogia que a torne verossímil e um fato ao qual ela se aplique são elementos de sustentação da idéia principal.20 Quem não puder dedicar uma hora por dia ao trabalho de encontrar as idéias principais de alguns parágrafos não se julgue dispensado deste exercido. Crie o hábito de encontrar a idéia principal em cada parágrafo que ler. confira sua conclusão e mantenha a idéia em mente enquanto continua a ler. Lembre-se. que não estuda ou não sabe estudar. hierarquizar. Quando julgar tê-lo feito. não lê apenas resumos com o propósito insano de memorizá-los. o encadeamento. Procure. seções ou livros só com idéias mestras. O bom leitor não lê só o essencial. 6. e compare-a. criticar. desta vez olhando-o bem para se certificar de que captou a idéia correta. talvez. nos prefácios e nos sumários. leia novamente a passagem para verificar se atingiu o propósito de toda leitura cultural. afinal de contas) para captá-la com exatidão. já durante a leitura. isto é.

por isso resolveram sublinhar também. ou que tiveram colegas excelentes nos estudos. As pessoas mais experimentadas. apoiada nos pilares das palavras sublinhadas. c) Reconstituir o parágrafo a partir das palavras sublinhadas. E há passagens em que o autor atinge uma espécie de clímax. e) Sublinhar com dois traços as palavras-chave da idéia principal. quer por ocasião das revisões. a leitura das palavras sublinhadas. Não raro. Por ocasião das revisões imediatas ou posteriores. entendido. hierarquizado. e retomem para sublinhar aquelas palavras ou frases essenciais que. que poderíamos transcrever em nossas fichas de documentação pessoal. captado. bem como as revisões globalizadoras posteriores. o sublinhamento indiscriminado atrapalhará mais do que ajudará. mas recomenda-se aos principiantes que não o façam. Há leitores que ouviram falar na vantagem de sublinhar. Nada melhor que um traço vertical à margem do texto para tal identificação. embora pertencentes a frases diferentes e até distanciadas. Se essas normas não forem observadas. . à margem do texto. devem ser identificadas para futuras buscas. leiam primeiro um ou mais parágrafos. que examinam textos pertinentes à sua área de especialização. sublinham inteligentemente por ocasião da primeira leitura. d) Ler o texto sublinhado com a continuidade e plenitude de sentido de um Telegrama. desde a primeira leitora. Devemos sublinhar tanto as idéias principais como os detalhes importantes. Entretanto. quer durante a leitura.1 Normas para sublinhar Cada um pode adotar uma simbologia arbitrária e pessoal para sublinhar e fazer anotações à margem dos textos. poderíamos sugerir algumas normas colhidas em fontes credenciadas e em larga experiência pessoal: a) Sublinhar apenas as idéias principais e os detalhes importantes. b) Não sublinhar por ocasião da primeira leitura. 7. cujos livros estavam sempre sublinhados inteligentemente. as passagens mais significativas. Sublinhar é uma técnica que tem suas normas. os textos sublinhados de acordo com esta norma permitirão uma leitura rapidíssima. Não se deve sublinhar em demasia. mas é bom agir de tal maneira que as idéias principais se mantenham destacadas. É supérfluo esclarecer esta norma que traduz a natureza e a finalidade do ato de sublinhar. por outro lado. Basta que a simbologia adotada mantenha uma significação bem definida e constante. e com um único traço os pormenores importantes. basta sublinhar palavras-chave. a idéia principal retorna em diversos parágrafos e em diversos contextos. terá um sentido fluente e concatenado. Não sublinhar longos períodos. Mas esses imitadores de coisas vão sublinhando logo na primeira leitura todas as palavras que parecem mais importantes em determinado parágrafo.21 inteligência favorece o trabalho das revisões imediatas. Assinalar com linha vertical. e seguem em frente como se tudo estivesse perfeitamente localizado. essas passagens. foram identificadas como principais. e que a releitura mais rápida confirma como tais.

entretanto. a biologia. Que cada um adote a simbologia que melhor lhe pareça. em lugar de usar um ou dois traços. Que dicionários consultar? Não se entende um estudante de nível superior que não tenha um bom dicionário comum da língua materna. a leitura. durante a segunda leitura. o que se torna um círculo vicioso que deve converter-se em círculo virtuoso. Entretanto. para todo aquele que aspira atingir nível de crescimento cultural. em textos de maior desenvolvimento. as faculdades mantêm . Por certo.22 f) Assinalar com um sinal de interrogação. estaríamos prejudicando a compreensão do texto e impedindo o próprio crescimento cultural. definido pelas diversas ciências. conservam ou assumem sentido especifico. Mas o melhor recurso para aumentar o próprio vocabulário é. Por nossa parte. Outras palavras não constam nos dicionários comuns. O domínio cada vez mais amplo do vocabulário enriquece nossa possibilidade de compreensão e concorre para aumentar a velocidade na leitura. em que se sublinham as idéias principais e os pormenores importantes. a filosofia. pois. preferimos a utilização de lápis e não de canetas a tinta. interpretações tendenciosas de fontes e uma série de falhas ou de colocações que julgamos insustentáveis. e continue a ler. dignas de reparos ou passíveis de críticas. Mas como aumentar nosso vocabulário? Decorando algum dicionário? Quem o fez em seu tempo de estudante. conforme preferirmos. Podemos não concordar com as posições assumidas pelo autor. mas tão somente nos dicionários de maior porte ou em dicionários técnicos das diversas áreas. Assim. Como proceder ante uma palavra de sentido desconhecido. Vocabulário e leitura eficiente Muita gente lê mal porque não tem bom vocabulário e não tem bom vocabulário porque lê mal. sugerimos que se experimente não interromper a leitura ante um termo de sentido desconhecido. O fundamental e que não se deve perder a oportunidade de enriquecer o próprio vocabulário pela preguiça da busca de palavras novas em algum dicionário. O estudante deve adquirir um bom dicionário dentro de sua área de especialização. não raro. ou que assume sentido novo em determinado contexto? Morgan e muitos outros recomendam a imediata consulta aos dicionários: "A primeira coisa a fazer é procurá-la num dicionário". Há quem fale do uso de cores diferentes para assinalar idéias principais e pormenores importantes. acaba agradecendo aos professores exigentes de seu tempo. confessa que o trabalho era penoso. anote. embora incorporadas à linguagem vulgar. à margem. Ao final de um capítulo. a medicina. Devemos registrar o fato mediante uma interrogação à margem do texto em apreço. Para assinalar pontos mais obscuros. em eras que não voltam mais. e assim por diante. quer durante as leituras ulteriores. paralogismos. todos os termos estarão claros e incorporados a nosso vocabulário. Mas há certas palavras que. bem como do uso de uma terceira cor para assinalar pontos mais difíceis ou que não tenham ficado claros. sem dúvida. a seqüência do texto deixará bem claro o sentido da palavra desconhecida. apanhe o dicionário para esclarecer todas as palavras anotadas como desconhecidas e verifique o sentido que melhor se coaduna com o respectivo contexto. como também perceber incoerências. a palavra desconhecida em um papel avulso. como a botânica. Adote a sugestão da consulta imediata ou a sugestão de não interromper a leitura cada vez que encontrar uma palavra desconhecida. 8. os pontos de discordância. quer durante a leitura de preparação para as a aulas.

esta habilidade é fruto de exercícios e da prática da leitura. e deixa assinalado. a linha diretriz seguida pelo autor no desenvolvimento de seu escrito. esse plano delimita um tema e estabelece a trajetória básica de sua apresentação. Mas. O bom leitor não lê palavra por palavra. já preparou caminho para o levantamento do esquema seguido pelo autor. A elaboração ou levantamento do esquema obedece a algumas regras: . para a elaboração do resumo ou para transcrições em fichas de documentação pessoal. mas aos pulos. não lemos durante o movimento dos olhos. A função do esquema. a disposição de seus alunos. procurando fixar em cada grupo de palavras as sílabas iniciais. não pode evitar que o que ele diz se torne parte do seu próprio processo mental". mas nas suas rápidas paradas. nossos olhos percorrem as linhas não em movimento contínuo. Sugerimos que se façam exercícios de leitura. sua vista incide sobre grupos de palavras. muito menos sílaba por sílaba. assimilar. 8.23 bibliotecas ricas em fontes de consulta. nada melhor do que procurar reproduzir ou refrasear aquilo que lemos: "Se você resolver anotar brevemente o que o autor diz. Quanto mais amplo for este campo de parada ou de reconhecimento. como se o texto estivesse escrito com abreviaturas. sínteses mutiladas que mais atrapalharão nos estudos e confundirão nas revisões do que ajudarão. Quem lê bem. e como essas paradas incidem em palavras principais. com grande variedade de dicionários e enciclopédias. de lápis na mão. Esquema é o plano. mais veloz será a leitura. em uma palavra. 8.1 Usar melhor a vista Durante a leitura. Não e preciso que cada um compre enciclopédias caríssimas para usar uma vez ou outra. Nossos olhos podem fixar-se em uma sílaba. quem não lê com discernimento. ou quem não sublinha com inteligência. durante a leitura. para melhor captar. que podem ser observadas com aparelhos adequados. função e regras do esquema. Quem faz leitura trabalhada exercita-se na habilidade de discernir o principal e o acessório. inclusive com dicionários técnicos. a pausa de reconhecimento deste grupo de palavras é curta. para tomá-lo possível a uma visão global. selecionando fatos e argumentos. é definir o tema e hierarquizar as partes de um todo numa linha diretriz. à procura das idéias diretrizes e dos pormenores importantes. Natureza. bem como para a elaboração do resumo daquilo que leu. ou em um grupo de palavras. mais compreensível toma-se o texto. pois. discernir. nessas paradas de reconhecimento dos estímulos gráficos. com o dinheiro de uma enciclopédia de generalidades monta-se uma preciosa estante com obras da própria especialidade. fará resumos falhos. Ao contrário. Pelo esquema. e isto parece ser mais útil. tudo o que poderia fornecer elementos para o levantamento do esquema. pode-se atingir o todo numa única mirada.2 Ler e levantar esquemas e resumos Para acentuar os propósitos da leitura. gravar e facilitar a evocação futura dos conteúdos da leitura. subordinando idéias.

o resumo será útil para testar nosso entendimento de textos mais difíceis. no que diz respeito ao levantamento dos conteúdos. sua leitura dispensa a do texto original. a propósito. De resto. o relacionamento.". um texto lido. de sublinhar. Não se pode trabalhar com esquemas fixos ou preconcebidos e forçar o texto lido a entrar neles. a fixação e a integração daquilo que estamos estudando. Por outro lado. resumo é trabalho de "extração" e não de "criação". mas resumo de "texto" supõe. analisado. independente de qualquer texto. isso acontece quando estamos pesquisando obra rara em uma biblioteca pública. e) Mantenha sistema uniforme de observações. de esclarecer todo o texto. trabalhado. "Numerosas pesquisas.Quem pretende fazer resumo enquanto lê acaba sendo tão prolixo como o original e muito menos perfeito. Mas. a análise. assim como facilita sua evocação e reduz o tempo destinado à preparação de provas. mas o resumo como recurso de aprendizagem e como material adaptado ao trabalho de revisão.24 a) Seja fiel ao texto. Podem-se. o desenvolvimento e as conclusões do texto. subtítulos que guiaram a introdução. provaram que recordamos muito melhor as coisas que fazemos. Isso pode ser muito bom.. Não estamos considerando. b) Apanhe o tema do autor. Não concordamos com a sugestão de elaborar por escrito resumos de tudo o que estudamos. ou quando estamos coletando material para um trabalho de maior fôlego. d) Subordine idéias e fatos. anotar em papel avulso dados que. c) Seja simples. de maneira a apresentar límpida imagem concentrada do todo. ou mesmo necessário. no contexto da presente análise. O trabalho de resumir ajuda a captação. Natureza. Ademais. entretanto. e obedecerá quase espontaneamente às seguinte regras: a) Não pretender resumir antes de ler. possivelmente. serão depois incorporados ou mesmo salientados no resumo. É possível fazer um resumo daquilo que se sabe. O resumo torna-se aconselhável quando ouvimos uma aula ou conferência profunda e amplamente desenvolvida. não os reúna apenas. aumentando o aproveitamento geral. não concordamos com a posição daqueles que prescrevem a prática do resumo escrito de tudo o que se lê como condição necessária ao estudo eficiente. pois não temos condição ou interesse de possuí-lo. não indica tópicos apenas. . é um resumo em potencial. gráficos e símbolos para as divisões e subordinações que caracterizam a estrutura do texto. Voltemos à idéia fundamental: quem lê bem será capaz de elaborar bom resumo. Destaque títulos.. os resumos comportam apreciação crítica a partir de uma posição assumida. os resumos elaborados com o intuito de divulgação científica nas seções especializadas de jornais ou revistas. não necessariamente científico. quando o texto em apreço é muito amplo ou de acesso difícil. claro e distribuído organicamente. O resumo difere do esquema e do sumário porque é formado por parágrafos de sentido completo. sublinhado. de fazer breves anotações à margem do texto . função e regras do resumo O resumo pedagógico. mas condensa sua apresentação. consiste no trabalho de condensação de um texto capaz de reduzi-lo a seus elementos de maior importância. com anotações à margem. para nos exercitar na arte de redigir com clareza e concisão. por exemplo.

depois de uma segunda leitura com anotações. no trabalho que vai iniciar. mas é necessário iniciar e perseverar nesta prática. Concentre-se. assimilados. discutidos. Tome seu texto. certo de que não é hora de se distrair com problemas alheios ao propósito de ler . como propósito básico. fidelidade ao texto e. d) Nos casos de transcrição textual. ao término de nossas considerações sobre o estudo através da leitura trabalhada. 9. no primeiro mês de aula. enriquecendo e valorizando nosso resumo. no processo de crescimento cultural. Se é resumo. como acontece com o esquema. reduzidos a esquemas e resumos. e) Juntar. indicando a fonte. mas é importante destacar tais textos e transcrevê-los entre aspas. usar aspas e fazer referência completa à fonte . conseqüentemente. diríamos que os resumos podem e devem ser "personalizados".25 necessariamente. c) Percorrer especialmente as palavras sublinhadas e as anotações à margem do texto . Pode haver dificuldades numa primeira tentativa de leitura trabalhada. idéias integradoras. a importância desse recurso. isto é. Em breve. é necessário pôr em prática aquilo que se aceitou como importante e eficaz na vida de estudos. se isso acontecer aos nossos leitores como acontece a nossos alunos em classe. que não se estenda em demasia. como deve dispensar a leitura do texto original. E todo nosso curso e todas as nossas leituras beneficiar-se-ão dessa maneira correta de trabalhar sobre um texto. sente-se. seja ele qual for. mas como deve ser suficiente. basta seguir as anotações e sublinhas. a que devem necessariamente aspirar todos os que ultrapassaram o vestíbulo de uma faculdade. referências bibliográficas e críticas de caráter pessoal – Os resumos. sentiremos concretamente seus efeitos benéficos. o resumo não pode permanecer nas indicações sumárias de tópicos. se compreendermos que é assim que nos preparamos para os exames e para as responsabilidades profissionais de amanhã. leitura e exame prévios. embora marcados pelo caráter de objetividade e de fidelidade às fontes. Com o texto diante dos olhos Se entendermos. especialmente ao final. acomode-se à mesa. Entretanto. para devotar-se à conquista da formação superior. nem é preciso reler todo o texto. está preparado o caminho para um resumo perfeito. em qualquer leitura cultural. o próprio autor condensa admiravelmente seu pensamento em passagens lapidares. com um dicionário e um bloco para apontamentos ao lado. b) Ser breve e compreensível. à procura da idéia mestra e dos pormenores importantes que serão sublinhados. numa atividade de excelentes resultados práticos. podemos transcrever tais passagens. suavemente. analisados. se nos convencermos da necessidade de partir. depois de todos os esclarecimentos de termos e conceitos.Depois de uma primeira leitura geral e corrida.Às vezes. comporiam inclusões de crítica pessoal e cenas anotações de caráter integrador. estamos atingindo nosso objetivo.

análise. anotá-lo. Detenha-se em cada parágrafo. A segunda leitura é mais trabalhosa. o ponto a que deve chegar. promove o nosso real desenvolvimento à semelhança da digestão sempre mais lenta e mais proveitosa que a ingestão. criticá-lo. anote-os em papel avulso. Dizemos "que se queiram fazer". uma peça de teatro. está aplainado o caminho para qualquer espécie de esquematização. como diria Sócrates. procure esclarecer o sentido das palavras desconhecidas que anotou durante a leitura. Parece-nos um exagero de teóricos as prescrições insistentes em sentido contrário. Vá associando novas conquistas a seus conhecimentos anteriores. agora. A leitura cultural é um trabalho de garimpeiro.26 com aplicação e inteligência. Quem não é capaz de resumir mentalmente ou oralmente um filme a que assistiu. mas por gestação de concepções. a estrutura lógica do texto. reconstituição ou síntese. em grande parte. sublinhá-lo. é bom refraseá-lo através de resumos. assinale a lápis. questioná-lo. que se queiram fazer. Mas. aos sinais que foi fazendo à margem do texto durante a primeira leitura. à margem do texto. Não alegue que este trabalho supõe um cabedal de conhecimentos. previamente. conforme as normas acima citadas. resumo ou fichamento. Ela disciplina nossa razão. Crescimento cultural é processo vital de captação. mas oferece em troca excelentes gratificações. duas. ou mesmo elaborado sob forma de exercício. é preciso começar para ir adquirindo cabedal sempre maior de conhecimentos. critique. mas não se detenha. não perca de vista os títulos e os subtítulos. analisar. Essa sessão de estudos não deve ultrapassar vinte minutos ou meia hora. não um passatempo ocioso. desenvolve o senso crítico. porque. um romance ou um texto. só então inicie a primeira leitura geral com a atenção sempre voltada para as idéias mestras e para os pormenores importantes. a validade dos exemplos e a perfeição das divisões. isto é ou pode ser verdade. discuti-lo. Ao término dessa segunda leitura. É preciso parar para analisá-lo. continue sua leitura até ao final do capítulo ou do texto em apreço. que pode ser um subtítulo do texto. "entretanto. pois. descubra e acompanhe a trajetória percorrida pelo autor. resumos e fichamentos escritos de tudo o que lemos. é fruto da leitura trabalhada. caminhe até o fim com velocidade compatível com a compreensão do texto. o que lhe parecer digno de ulteriores considerações. o sumário. Ao chegar ao fim. ou até três vezes o mesmo texto. se houver. refraseá-lo mentalmente e. em resumos escritos. assimilação ou integração unificada e unificante das partes ou elementos em um todo maior. Numa espécie de fase inicial de aquecimento e concentração. examine a coerência. é ele que. atenda. assimilar e reter com tenacidade. enriquecendoas com algo de seu. sem precisar tê-lo feito antes por escrito? Não basta ler uma. ao mesmo tempo que se enriquece com elas. faça breves anotações à margem do texto. questione. não precisamos elaborar esquemas. é um trabalho. comece lendo o título do assunto. pois o crescimento cultural não se realiza por agregação ou superposição de camadas de conhecimentos. crescer através do desenvolvimento interno e não por agregação ou amontoamento desordenado de informações superficiais e assistemáticas. integrando-as. neste caso. pondere a natureza e a força dos argumentos. Recomece a segunda leitura procurando no texto respostas às questões que o autor se propôs analisar ou que você mesmo formulou após a primeira leitura. quando necessário. alimenta o espírito científico. como já dissemos. os subtítulos. . associar. retê-lo. programe. se encontrar termos desconhecidos. sublinhe as idéias principais e os pormenores importantes. assinale pontos obscuros para debater com colegas ou professores. compare. caminhe decididamente. é preciso captar com discernimento. quando o texto é muito longo ou difícil.

177p. J. São Paulo: Atlas. Metodologia científica: guia para a eficiência nos estudos. Nosso objetivo neste item é simples e direto: mostrar como se lê e mostrar que é fácil ler bem. E declararam também que não sabiam ler. 1996.27 Muitos alunos confessaram francamente que não pensavam ser a leitura tão importante. . passou a encontrar tempo para ler e fazê-lo mais depressa e com melhor compreensão. Quem não sabe ler jamais amará a leitura eu tirará dela o esperado benefício. Quem aprendeu a ler confessa que passou a gostar de ler e a tirar grandes vantagens do estudo através da leitura.A. Fonte: RUIZ.

o qual não é inato. a preocupação na aplicação do método científico do que propriamente a ênfase nos resultados obtidos. Consultar livros e revistas. Todo trabalho de pesquisa requer. . opõe-se ao conceito de pesquisa como tratamento de investigação cientifica que tem por objetivo comprovar uma hipótese levantada através do emprego de processos científicos (ALMEIDA JÚNIOR. A medida que o pesquisador amplia o seu amadurecimento na utilização de procedimentos científicos. Mas. As pesquisas devem contribuir para a formação de uma consciência critica ou um espírito cientifico do pesquisador. fazendo perguntas para obter respostas. com o uso do método cientifico. efetivamente tem sido mal compreendida quanto à sua natureza e finalidade por parte de alunos e professores. é procurar uma informação que não se sabe e que se precisa saber. Para os iniciantes em pesquisa o mais importante deve ser a ênfase. apoiando-se em observações. através do emprego de processos científicos. parte-se de uma dúvida ou problema que se quer resolver e.28 CAPÍTULO 4 PESQUISA Ana Florência de C. num sentido amplo. verificar documentos. conversar com pessoas. considerada como sinônimo de busca. paulatinamente. vai. persistência. Sua edificação e seu aprimoramento são conquistas que o universitário vai obtendo ao longo de seus estudos. são formas de pesquisa. de investigação e indagação. Assim. 1986). o que é pior. Assim. generalizar. No contexto acadêmico a palavra é utilizada para denotar o exame cuidadoso e metódico. Este sentido amplo de pesquisa. através de uma reflexão crítica. pesquisar. iniciativa. O objetivo dos principiantes deve ser a aprendizagem quanto à forma de percorrer as fases do método cientifico e à operacionalização de técnicas de investigação. busca uma resposta ou solução (CERVO e BERVIAN. formando o seu espírito cientifico. O estudante. análise e deduções interpretadas. o que é realmente uma pesquisa? Pode-se dizer que a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas. da realização de pesquisas e elaboração de trabalhos acadêmicos. 1988). não referenciadas devidamente. exige-se. em todos os níveis. torna-se mais hábil e capaz de realizar pesquisas (BARROS e LEHFELD. originalidade e dedicação do pesquisador. Esta. corrigir e verificar o conhecimento e teorias existentes. 1983). Martins Pinto l Caracterização Nos cursos. alguma atividade de pesquisa. Muito do que se chama de pesquisa não passa de mera compilação ou cópia de algumas informações desordenadas ou opiniões várias sobre determinado assunto e. para descobrir novas informações e relações bem como para ampliar. da parte do estudante. imaginação criadora.

enumerar todos os aspectos que a pesquisa possa abordar ou transcrever todas as classificações já apresentadas. quer para a fundamentação teórica ou ainda para justificar os limites e contribuições da própria pesquisa. estudos exploratórios. de campo. proporcionando o estudo de suas causas e efeitos. 2. 1983). . Para Cervo e Bervian (1983) qualquer tipo de pesquisa em qualquer área. 2. procurando encontrar informações publicadas em livros. revistas. supõe e exige pesquisa bibliográfica prévia.29 2 Tipos de pesquisa O planejamento de urna pesquisa depende tanto do problema a ser estudado. jornais.1 Pesquisa experimental É aquela em que o pesquisador procura refazer as condições de um fato a ser estudado.2 Pesquisa descritiva Tal pesquisa observa. da reflexão e critica pessoal e da documentação escrita. Através da criação de situações de controle procura-se evitar a interferência de variáveis intervenientes. eles afirmam que a pesquisa bibliográfica é um excelente meio de formação e como resumo de assunto ou revisão de literatura. analisa e correlaciona fatos. A seguir será caracterizado a pesquisa experimental e descritiva. teóricos e sintetizados. da sua natureza e situação espaço-temporal em que se encontra. Assim. sendo esta subdividida em vários outros tipos. de motivação. de opinião. relações com outros fatos. causas. Não cabe. registra. sua natureza. 1991). os universitário devem ser incentivados a usarem métodos e técnicas cientificas para realizá-la. características. neste texto. estudos descritivos e estudo de caso (CERVO e BERVIAM. suas peculiaridades próprias. quer para o levantamento da situação em questão.2. 1986). constitui geralmente o primeiro passo de qualquer pesquisa cientifica. Por isso. isto é. análise e interpretação das contribuições teóricas sobre determinado assunto. em documentos escritos" (BARROS e LEHFELD. Cada tipo possui. A pesquisa descritiva pode assumir diversas formas. Isso significa que pode haver vários tipos de pesquisa. enciclopédias. a partir da coleta. além do núcleo comum de procedimentos. Caracteriza-se por manipular diretamente as variáveis relacionadas com o objeto de estudo. quanto da natureza e nível de conhecimento do pesquisador. Procura descobrir a freqüência com que um fato ocorre. sem interferência do pesquisador. para observá-lo sob controle e exigindo local apropriado e instrumental especial (KELLER e BASTOS. entre as quais se destacam: bibliográfica. A pesquisa bibliográfica propicia a elaboração de trabalhos recapitulativos.1 Pesquisa bibliográfica "É a pesquisa exploratória que os alunos realizam para obter conhecimentos. isto é. sem manipulá-los. 2. documental.

gravações.2.2. com o objetivo de tomar decisões.2. obtendo percepções do mesmo e descobrindo novas idéias.2.2. descrever interesses e outros comportamentos (CERVO e BERVIAN.3 Pesquisa de campo É a pesquisa em que sr observa e coleta os dados diretamente no próprio local em que se deu o fato em estudo. o consumidor a usar um certo produto ou que determinam certos comportamentos ou atitudes. analisar e interpretar as contribuições teóricas já existentes sobre determinado fato. a pesquisa exploratória realiza descrições precisas da situação objetivando descobrir as relações existentes entre os seus elementos. 2. O uso de tal pesquisa aconselhado quando existe poucos conhecimentos sobre o problema a ser estudado para adquiri-los em função de execução de posteriores pesquisas. pinturas. Os estudos exploratórios não formulam hipóteses a serem testadas no trabalho. rádio e televisão. assunto ou idéia. Esta pesquisa visa identificar as falhas ou erros. as descritivas ou experimental.30 2. por exemplo. "O objetivo da pesquisa documental é recolher. 2.2 Pesquisa documental É a que efetua tentando resolver um problema ou adquirir conhecimentos a partir do emprego de informações retiradas de material gráfico e sonoro. 2. limitando-se a definir objetivos e buscar maiores informações sobre o tema em questão. objetos de arte. . familiarizando-se com ele. desenhos. 2. etc. pontos de vista e preferências que as pessoas têm a respeito de algum assunto. Assim. Tais informações são provenientes dos próprios órgãos que as realizaram e englobam todos os materiais escritos ou não. 1983). contribuindo assim com a aquisição de embasamento para realizá-las. que podem servir como fonte de informações. tais como.5 Pesquisa de motivação Segundo Cervo e Bervian (1983) esta pesquisa busca saber as razões inconscientes e ocultas que levam. fontes estatísticas e fontes não escritas tais como: fotografias. caracterizando-se pelo contato direto com o mesmo. folclore. sem interferência do pesquisador.4 Pesquisa de opinião Consiste em procurar saber atitudes.6 Pesquisa ou estudos exploratórios A pesquisa ou estudo exploratório consiste no passo inicial de qualquer pesquisa pela experiência e auxilio que traz na formulação de hipóteses significativas para posteriores pesquisas. canções. Podem ser encontrados em arquivos.

família grupo ou comunidade para estudar aspectos variados de sua vida.7 Estudos descritivos Segundo Cervo e Bervian (1983) trata-se do estudo e descrição das características. KOCHE. BASTOS.. rev. 2.S. BERVIAN. resulta da execução de várias tarefas. propriedades ou relações existentes na comunidade. ed. a entrevista. In: Metodologia Cientifica: para uso dos estudantes universitários.31 2.2.. deve-se salientar que a coleta e o registro de dados não constituem. N. A pesquisa cientifica. Petrópolis: Vozes. O estudo como forma de pesquisa. e amp. CERVO. Petrópolis: Vozes. 2.8 Estudo de caso É a pesquisa sobre um determinado indivíduo. 3.B. São apenas uma etapa. Maria Cecília M de (Org. Referências ALMEIDA JÚNIOR. A pesquisa. 107-129. J. .L. seja qual for o tipo. A. In: CARVALHO. São Paulo: Mc Graw-Hill do Brasil. p. Em síntese. C. Construindo o saber: técnicas de Metodologia Cientifica. Campinas: Papirus. 54-58. LEHFELD. grupo ou realidade pesquisada. São Paulo: Mc Graw-Hill do Brasil.). p. 1991.J. In: Aprendendo a aprender: introdução à Metodologia Cientifica. ed.A. em suas diversas formas. 50-67. desde a escolha e delimitação do assunto até o relatório final. trabalha sobre dados ou fatos colhidos da própria realidade. A. P. No entanto. por si só.de. 121-136: O fluxograma da pesquisa cientifica. In: Fundamentos de metodologia: um guia para a iniciação cientifica. 3. A coleta de dados é uma das atividades da pesquisa descritiva e se utiliza de diversos instrumentos tais como: a observação.A. de. 1988. In: Fundamentos de Metodologia Cientifica: teoria da ciência e prática da pesquisa. p. 1986. 1983. BARBOS. V. 87-121.2. O fluxograma da pesquisa cientifica. 14. p. A pesquisa. KELLER. a pesquisa descritiva. o questionário e o formulário. J. Pesquisa cientifica. ed. 1997. uma pesquisa.C. p.

no Projeto de Pesquisa devem aparecer três pólos intrínsecos do processo de construção do conhecimento: o epistemológico. ao contrário. não se pode separá-los. j) indicação de cronograma e orçamento. bem como o estágio atual das pesquisas. a sua relevância. organização pessoal e método. . Este momento é desafiante. Este processo não é feito às pressas. pois envolve diversas atividades. prevendo as etapas do trabalho. realiza a crítica e discute o caminho percorrido pela ciência no que tange aquilo que o/a pesquisador/a deseja aprofundar em termos de conhecimentos e que fundamenta a pesquisa para que possa avançar na explicitação do objeto de estudo e da relação deste com os sujeitos de investigação. pois se esforça por eleger um problema da realidade para estudá-lo. no projeto de pesquisa e nos resultados alcançados estes pólos se encontram. d) descrição e análise preliminar da bibliografia relacionada ao assunto que se pretende pesquisar. ou seja. O epistemológico se caracteriza pela atitude problematizadora. b) explicitação da problemática passível de ser pesquisada. dentre as quais podemos citar: a) delimitação de uma área de estudo. tanto sobre o tema escolhido quanto sobre o estágio atual dos estudos referentes a ele. f) descrição detalhada do método e da metodologia a ser empregada. e) elaboração da justificativa que caracterize a relevância do trabalho. Por isso. o que faz com que o conhecimento seja produzido e avance cada vez mais. A construção do Projeto de Pesquisa exige conhecimentos. as formas de execução e os custos materiais. Por isso é necessário ter uma previsão de como será realizada a pesquisa. ou seja. Cabe ressaltar que estes pólos estão imbricados. porque a produção acadêmica é algo que exige tempo. i) indicação de referências bibliográficas. O teórico se refere aos estudos já desenvolvidos por diferentes autores sobre aquele tema. ainda que informais. g) definição da forma de apresentação e análise dos resultados.32 CAPÍTULO 5 O PROJETO DE PESQUISA 1. curiosidade epistemológica. h) apresentação e discussão dos resultados. indicando o que pesquisar. financeiros e as exigências temporais. c) levantamento de hipóteses.1 Elaboração do Projeto de Pesquisa A elaboração do Projeto de Pesquisa é um passo importante na vida do/a pesquisador/a. o teórico e o metodológico. 1. Se o/a pesquisador/a não definir claramente onde pretende chegar. O trabalho científico exige tanto uma concepção de mundo e de ciência como um recorte da realidade concreta e particular. A concepção do Projeto de Pesquisa . Elaborar o projeto de pesquisa é planejar as idéias a serem desenvolvidas. não conseguirá ter precisão de como chegar. O metodológico se refere aos caminhos e às técnicas que o/a pesquisador/a deve percorrer para realizar sua pesquisa.

3 Tema A escolha de um tema representa uma delimitação de um campo de estudo no interior de uma grande área de conhecimento. . Assim. É necessário construir um objeto de pesquisa. social.delimitar o campo de observação. delimitar e configurar o problema de estudo. .converter os problemas em operações práticas. selecionar uma fração da realidade a partir do referencial teórico-metodológico escolhido. . para possibilitar uma análise consistente.eliminar critérios arbitrários ou viesados. sobre a qual já tenha alguma leitura específica e que. . bem como facilitar a verificação das hipóteses e/ou da problemática investigada.oferecer argumentos sólidos. 1. . na verdade.realizar uma profunda revisão bibliográfica e selecionar o material que se utilizará como referência. É uma primeira delimitação.determinar com precisão o que será estudado. onde o projeto quer chegar. ao se definir um Projeto de Pesquisa é necessário: . ou seja. com base em revisão bibliográfica. . esteja vinculada à carreira profissional que esteja planejando para um futuro próximo. contextualizando o problema a ser investigado. de alguma forma. . o tema de pesquisa é. É fundamental que o tema esteja vinculado a uma área de conhecimento com a qual a pessoa já tenha alguma intimidade intelectual.apresentar um tema bem delimitado e claramente definido. articulando a fundamentação teórica com a pesquisa empírica.apresentar elementos para justificar a relevância científica. . . para atender a essas características. neste sentido. . ou seja. sobre o qual se pretende debruçar. ainda ampla.demonstrar com clareza os objetivos a serem alcançados. isto é. Assim. considerando o estado de arte em que se encontram as pesquisas e as críticas e avaliações existentes sobre o tema proposto.apresentar um referencial teórico adequado e atualizado. epistemológica e tecnológica do projeto e a necessidade do apoio solicitado (se for o caso). devem eliminar-se todas aquelas explicações ou afirmações que não sejam conseqüências de uma argumentação objetiva e clara. .explicitar as atividades a serem desenvolvidas pelos/as pesquisadores/as.33 1. livres de viéses.ter coerência lógica interna. apresentando os argumentos com grande lucidez. associando-as a um cronograma de execução.2 Características Fundamentais do Projeto de Pesquisa . uma área de interesse a ser abordada.

assim.. que se visualize a especificidade do objeto no contexto de sua área temática. através de cooperativas de produtores de codornas. Contudo. quanto maior a extensão conceitual. Poluição dos recursos hídricos. em Divinópolis . b) Estudo sobre a opinião da população sobre a propaganda áudio-visual na cidade de Divinópolis – MG. mais preciso do assunto. 1. é importante situá-lo em sua respectiva área de conhecimento. estabelecendo os limites extencionais e conceituais do tema. é importante salientar que. na cidade de Três Pontas .MG.MG Tema 3: A publicidade e Meio Ambiente a) A publicidade e a poluição visual na cidade de Divinópolis – MG. c) A publicidade como instrumento da Educação Ambiental .. Tema 2: Construção rural a) Análise de custo de diferentes galpões de granjas avícolas b) Viabilidade de Construção de abatedouros de baixo custo.3. maior a compreensão conceitual. Para que fique clara e precisa a extensão conceitual do assunto. possibilitando. menor a compreensão conceitual e. Quando alguém diz que deseja estudar a questão da “Poluição dos recursos hídricos” ou a relação entre “Cultura e Linguagem”.34 Exemplos de Temas: Meio ambiente e Sociedade. Plantas medicinais. Segue-se alguns exemplos de possíveis “delimitações” de temas Tema 1: Meio Ambiente e Sociedade a) A educação Ambiental nos livros didáticos do ensino básico no Estado de Minas Gerais. Construção rural. quanto menor a extensão conceitual. c) Análise sócio-ambiental da população do perímetro do Parque do Gafanhoto. Cultura e Linguagem. é necessário para a realização de uma pesquisa um recorte mais “concreto”. Enquanto princípio de logicidade. inversamente. está se referindo ao assunto de seu interesse.1 Delimitação do tema Delimitar é indicar a abrangência do estudo. b) Análise técnico-científica da Agenda 21. A publicidade e Meio Ambiente etc.

Estrutura do Projeto de Pesquisa: . independentemente da forma de agregação indicada. é imprescindível contemplar os elementos essenciais de um projeto e manter a consistência lógica entre eles. usualmente. resistentes a...) ou meta (obtenção de clones de.Objetivos (Gerais e Específicos) . são solicitados para a apresentação de um projeto de pesquisa..35 1. Não deve ser confundido ou reduzido a uma atividade-meio (levantamento de. . da forma mais breve e direta possível do problema principal que o projeto abordará. assim como a importância dos impactos destes. As proposições devem ser inovadoras. viáveis e capazes de superar as limitações atuais e atender às expectativas de quem é afetado pelo problema. avaliação de. Deve dar uma idéia clara. Contudo.. mas expressar o propósito maior ou mais relevante do projeto. das práticas específicas de cada área de conhecimento..Anexos a) Título do Projeto O título é o menor resumo e deve sintetizar o seu aspecto essencial..". para as quais o/a pesquisador/a deve estar sempre atento. que é a solução buscada para o problema. É preciso deixar claro quem serão os beneficiários diretos dos resultados esperados. de seus objetivos e resultados esperados.. Ele deve atrair atenção sobre os objetivos e limites do projeto..Título .Referências Bibliográficas . em termos de respostas às questões relevantes do problema focalizado. c) Objetivos Os objetivos devem ser expressos de forma clara e realista. na qual podem incluir-se antecedentes que ajudem a compreender a magnitude do problema..Orçamento .Introdução .).Hipóteses ou Questões Problemas ..Cronograma de Atividades . Essa estrutura pode variar dependendo das normas da instituição financiadora à qual se está apresentando o projeto.4 A Estrutura e Conteúdo do Projeto de Pesquisa Segue uma apresentação dos principais tópicos que.Referencial Teórico . Evite generalidades e abstrações como "uma proposta de estudo.Materiais e Métodos . b) Introdução A introdução é uma breve apresentação do conteúdo do projeto.. uma observação fundamental é que...

passíveis de verificação por dados empíricos. a relação entre o que se pretende alcançar e o caminho a ser percorrido deve ser preciso. seja a partir dos problemas teóricos. Na justificativa. a pertinência dos objetivos e os possíveis impactos dos resultados esperados.36 Os objetivos gerais são os alvos de maior abrangência aos quais o projeto trata de fazer uma contribuição. Os objetivos específicos respondem à pergunta "O que?". Um erro freqüentemente encontrado é a redação de objetivos específicos como atividades ou como resultados esperados. Portanto. Cada objetivo específico deve ser claro. se este está inserido em uma estratégia nacional ou regional). Os objetivos específicos são alvos concretos que se buscam alcançar no âmbito do projeto. ao apontar com lucidez o que se pretende atingir para esclarecer a(s) problemática (as) levantadas (as). Neste momento. o proponente deve oferecer argumentos que demonstrem aos especialistas que examinarão o projeto. tecnológica e social. Por isso. aplicar. c) ser constáveis pela experiência. o contraditório e desconhecido na realidade social. Os objetivos gerais e específicos devem ser expressos sucintamente e não em forma de relato. destinada a ser comprovada pela pesquisa empírica. orientando-o na busca de soluções. justificando a importância do projeto mediante os critérios de enquadramento e adequar ao Edital/instituição. Assim. selecionar. a partir da utilização dos resultados do projeto. . etc. e à instituição financiadora. em que fique evidenciada a importância da pesquisa para o conhecimento científico e para a sociedade em geral. exemplificar. A problematização (questões problemas) é o momento de construção racional das questões para interrogar o objeto investigado. devem indicar as metas das etapas que levarão à realização dos objetivos gerais. apontar sua relevância científica. o pesquisador quer conhecer o obscuro. seja a partir dos problemas críticos da realidade. As hipóteses devem: a) ter consistência lógica. materiais e humanos a serem investidos para alcançar os objetivos propostos. Portanto. enumerar. Relacionam-se aos impactos possíveis. É preciso ter cuidado. No caso de projetos que atendem a editais ou normas de agências financiadoras. distinguir. d) Justificativa A justificativa deve responder aos critérios básicos pelos quais o projeto é avaliado. e) Hipóteses ou Questões Problemas A hipótese é uma tentativa de explicação mediante uma suposição possível. Respondem à pergunta "Para que?". a importância e atualidade do problema a resolver (por exemplo. cada objetivo específico deve ter uma clara correspondência com os resultados esperados. ou seja. Por exemplo: classificar. b) corresponder ao conjunto de conhecimentos existentes. deve justificar o tema. é essencial revisar os respectivos documentos. pois justificativas longas e prolixas não garantem que a importância do projeto seja bem compreendida. bem como a adequação ao tempo e aos recursos financeiros. Tudo isto deve ser mostrado com clareza e síntese.

bem como os critérios de seleção das mesmas. o marco teórico-conceitual deve basear-se em uma revisão bibliográfica pertinente ao problema a ser estudado.. às teorias básicas e metodologias relacionadas ao tema e seus antecedentes. ou seja. mas de abordar só os aspectos que estão relacionados com o problema da pesquisa e em correspondência com as questões presentes e os objetivos propostos. é necessário oferecer uma explicação breve do mesmo. É absolutamente necessário evitar enunciados vazios de conteúdo. . como se coletarão os dados. descrever objetivamente. os testes de medição e de verificação de hipóteses e. assim.37 f) Materiais e Métodos (Metodologia) Nesta seção encontram-se os elementos fundamentais que permitirão demonstrar a qualidade científica. com o apoio de literatura. O referencial teórico requer a análise dos conhecimentos existentes (estado atual) sobre o problema e destacar o(s) elemento(s) inovador(es) do projeto. Uma boa revisão ajuda a estabelecer a credibilidade do projeto. o método de análise estrutural. o caminho estará aberto para a realização da pesquisa. as vias científico-técnicas pelas quais os objetivos serão alcançados. Ao construir este marco.. à definição de conceitos e hipóteses. Nela se deve definir exatamente como se executará o projeto (método) e com quais instrumentos(materiais). ou "a metodologia consistirá na observação participativa.". Na caracterização do problema. ou seja. ou "metodologia próprias de tal disciplina.". sempre que pertinentes. Descrever os materiais que serão empregados. critérios indispensáveis na avaliação de projetos. Uma revisão incompleta ou uma abordagem inconsistente do problema podem desqualificar o projeto. g) Referencial Teórico Existe uma relação direta entre o que se considera marco teórico-conceitual e a revisão bibliográfica. sua importância e relevância no contexto da área inserida... por exemplo. não se trata de oferecer uma dissertação sobre uma teoria. A metodologia a ser seguida deve manter rigorosa coerência e consistência com a solução buscada para o problema focalizado. as variáveis de estudo. É fundamental que o proponente deixe bem explícito a forma como se pretende obter os dados e.". É importante restringir o marco teórico ao que se deseja pesquisar. em casos de métodos muito específicos de uma disciplina como. as ações de validação de tecnologia e de situação dos resultados. Na revisão bibliográfica deve-se condensar o mais importante e relevante para o projeto.. resultando em desperdício de tempo e de recursos.. o problema focalizado. A literatura consultada deve ser atual e consistente em relação ao problema. as análises estatísticas e econômicas. É necessário deixar bem claro o método e as técnicas a serem utilizadas. Deve ficar claro que o conhecimento acumulado ou as ações até então desenvolvidas não foram suficientes para o equacionamento do problema. ou seja. Por outra parte. tais como "se utilizarão técnicas qualitativas e quantitativas.

permitindo uma visão do ordenamento das atividades. Deve ser apresentado de forma clara. j). de acordo com as normas do Capítulo 9. a distribuição de responsabilidades. . demonstra às instituições e ao especialista/avaliador que se tem idéias claras sobre o que é preciso realizar. de acordo com a natureza do projeto. Segue-se exemplo de cronograma (Fonseca 2004): Etapas Jan Coleta dos adultos de Odonata Criação de peixes p/ alimentação das ninfas Montagem e identificação Coleta das ninfas Criação das ninfas Testes com Bacillus Teste de predação de alevinos Levantamento de literatura Tabulação dos dados Redação de Trabalho científico Envio para publicação X X X X Ano 2002/Meses Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X Set X Out Nov Dez X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X i) Orçamento Se todas as seções anteriores forem feitas em uma seqüência lógica e explícita: dos objetivos resultam claros os métodos e materiais a utilizar. cursos e treinamentos. O cronograma resulta da organização das atividades com relação ao tempo. Nesse sentido. Referências Bibliográficas Relacionar as obras citadas. Deve-se registrar o período (mês e ano) de início e término de execução do projeto. a identificação de necessidades de recursos humanos e materiais. com maior clareza. o projeto deve indicar as atividades necessárias à consecução dos resultados esperados. e em terceiro.38 h) Cronograma de Atividades Correspondente aos objetivos. coleta e processamento de dados. Esse deve ser calculado com todo rigor. coordenação com outros centros de pesquisa ou usuários potenciais. permite identificar e justificar. etc. ajuda a organizar a execução do projeto. o cronograma e os gastos apresentados no orçamento. os resultados esperados e as atividades a realizar em forma detalhada. em segundo. viagens. mostrando com clareza as bases de cálculo ou as estimativas e custos. estratégias de difusão. quando ainda não se tem informação precisa sobre determinados preços. É conveniente apresentar com detalhes as atividades por três motivos fundamentais: em primeiro lugar. As atividades devem refletir cada um dos passos que serão seguidos no processo do projeto: desenho da pesquisa. conduzem ao orçamento necessário.

L. Roteiro para elaboração de Projetos de Pesquisa na Unemat. 2004.39 1. L.L. 31p. Universidade do Sul de Santa Catarina Unisul: Florianópolis. ZART. O Projeto de Pesquisa.5 Referências HEERDT. 11p. 2004. Universidade do Estado de Mato Grosso: Mato Grosso. M. .

que de forma alguma se propõe ser rígida e pode ter adaptações feitas pelo Curso ou Instituição em questão. desenvolvimento e conclusão) e referências bibliográficas. 1998). Martins Pinto Trabalhos científicos ou acadêmicos consistem em escritos que resultam do desenvolvimento de pesquisas realizadas em Curso de Graduação ou Pós-graduação. têm-se diferentes níveis e conseqüentemente diferentes tipos de trabalhos científicos. organização. . o trabalho acadêmico constitui-se numa preparação metodológica para futuros trabalhos de investigação (FRANÇA. l. de alguma forma.Texto (Introdução. Manifestação de agradecimento a pessoas e instituições que. Conclusão). 1982). Epígrafe. França (1998) em seu livro "Manual para Normalização de Publicações TécnicoCientíficas". texto (Introdução.Apêndices (Anexos). Contém todos os dados de identificação da Instituição. Por este motivo a estrutura do trabalho acadêmico assemelha-se à das dissertações e teses.Sumário (Lista de trabalhos e ou figuras). Capa. rigor.Referências bibliográficas . Agradecimentos.Folha de rosto (Dedicatória. Epígrafe). sumário.40 CAPÍTULO 6 TRABALHOS CIENTÍFICOS NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO E PÓSGRADUAÇÃO Anna Florência de C. Agradecimentos. . .Resumo . folha de rosto. resumo. no capitulo dois "Trabalhos Monográficos: dissertações e teses. .Capa . Trabalhos científicos ou acadêmicos nos cursos de graduação Por ser uma primeira experiência de relato cientifico. Pode aparecer também no inicio de cada capitulo ou parte. Desenvolvimento. . observação e respeito às normas técnicas (SALVADOR. Citação de um pensamento que possibilitou o embasamento da temática da obra. colaboraram para a execução do trabalho. podendo deter-se aos elementos considerados essenciais. Deve conter autor e titulo de trabalho. Folha da rosto. tais como: capa. do aluno e do trabalho. trabalhos acadêmicos e memoriais" apresenta uma estrutura de trabalhos acadêmicos. Mas em todos eles se exigem qualidade de método. Tendo em vista o grau de originalidade e profundidade.

Resumo. 1. Referências bibliográficas. com indicações da página onde estão localizados) e abreviaturas e siglas (em ordem alfabética. A sinopse deve vir precedida da referência bibliográfica completa do texto ou obra a que se refere. dividindo-se em capítulos conforme a natureza do assunto. bem como recolher condensadamente os elementos principais desprezando os que são secundários. Listas. precedida da numeração ou letração: l. Ver texto: "Estrutura Redacional de um Trabalho Cientifico". figuras etc (na mesma ordem em que são citados no trabalho. Anexos. Sua estrutura redacional vem em destaque.2 Resumo de um escrito Consiste na apresentação condensada de uma publicação contendo a síntese de todas as idéias principais do tema de um único artigo. fórmulas. dissertações e monografias deve obedecer a uma seqüência de introdução. Materiais ilustrativos elaborados pelo próprio autor do trabalho.1 Trabalhos de síntese Os trabalhos de síntese consistem na condensação dos elementos essenciais de um texto ou obra(s). sem emissão de juízo de valor ou critica.41 Sumário.1. a organização do texto das teses. Texto. livre de todo comentário pessoal ou critico. Apêndices. seguidas das palavras a que correspondem. gráficos. . Como todo trabalho cientifico. É feita em parágrafo(s) e utilizando-se de linguagem impessoal (verbo na 3o pessoa). Materiais ilustrativos não elaborados pelo autor do trabalho. Rol de elementos ilustrativos ou explicativos tais como: tabelas. 1. A originalidade em fazer síntese está na capacidade de distinguir as idéias principais das secundárias. Ver resumo no texto "Artigo Cientifico". escritas por extenso).Introdução.1. 1. capitulo ou obra. utilizando-se de parágrafos. Indicação da estrutura do trabalho com suas divisões e subdivisões. Lista em ordem alfabética de todas as obras citadas no trabalho. 2-Desenvolvimento e 3Conclusão.1 Sinopse Consiste na apresentação condensada do texto de um artigo ou obra contendo uma síntese bem sintética da temática. desenvolvimento e conclusão. sem imitir juízo de valor a respeito delas.

O resumo de assunto propicia o aumento de conhecimentos e treinamento metodológico necessários para a execução de trabalhos que exigem maior grau de profundidade e originalidade. 2-Desenvolvimento e 3. A diferença entre resumo e resenha critica é que o resumo se restringe apenas a síntese do texto ou obra.1. O esquema caracteriza-se pelo uso de palavras-chaves ou sintetizadoras ou conforme o tipo de texto. estruturando-a em: l. 1. . 1983). Exige reflexão e elaboração nova e pessoal do assunto" (CERVO e BERVIAN.42 1.3 Resumo crítico Consiste num misto de trabalho de síntese com trabalho de critica. acompanhada de uma avaliação crítica. 3. "Não é uma cópia. dando uma informação visual e imediata das idéias principais do tema do mesmo.Introdução. roteiro letrado (misto de números e letras)e quadro sinótico em chaves e colunas.Desenvolvimento. Assim. mas a apresentação condensada do seu conteúdo.Conclusão e 4. 1. avaliando e criticando a obra. estabelecendo comparações com os enfoques.Conclusão e utilizando-se de parágrafos para a síntese das idéias.1. que apresenta a critica como quarta etapa: l. analisa e compara conhecimentos e informações já publicadas por vários autores. de frases curtas que representam a síntese das idéias que estão sendo esquematizadas. métodos de investigação e formas de exposição de outros autores. análise. pois não consiste puramente em sintetizar um artigo ou obra.2 Resenha crítica Situa-se no segundo nível do trabalho científico. comparando. É um verdadeiro trabalho recapitulativo. tem-se resumo-crítico de um escrito e resumo-crítico de assunto. dissertações e teses. interpretação. sobre o tema em questão. monografias.Introdução. em itens integrados.4 Esquema Consiste numa representação sintética de um texto. 1998). tais como: resenhas. precedidos de diferentes símbolos que originam-se nos seguintes esquemas: roteiro numerado(numeração arábica progressiva). enquanto a resenha introduz um quadro de referência mais amplo. seguindo as orientações próprias de cada um. sem discutir e julgar a temática que está sendo estudada.Critica. sob o ponto de vista pessoal do autor da resenha em relação a outros trabalhos (FRANÇA. sua compreensão. mas a reunião de informações sobre o tema. que expõe sinteticamente. comparação e aplicação a casos semelhantes. 1. utilizando-se para tal de opiniões de autoridades cientificas em relação com as defendidas pelo autor.3 Resumo de assunto ou revisão de literatura Consiste num trabalho de síntese que reúne. O que difere o resumo do resumo-critico é sua estrutura. 2.

. . podendo conter apenas os dados bibliográficos do artigo. A primeira frase deve ser significativa. Recomenda-se que os resumos de comunicação breves tenham até 100 palavras. 1997). em revistas especializadas. contendo idéias novas ou abordagens que complementam estudos já realizados. referências bibliográficas. . e acadêmica): o que faz. Deve-se usar a terceira pessoa e de preferência o verbo deve vir na voz ativa. 1997). 1996). tendo a ficha bibliográfica por autor ou por assunto.Resumo (ou abstract) "Resumo é a apresentação concisa dos pontos relevantes de um texto” visando esclarecer o leitor sobre a conveniência ou não de consultar o texto integralmente. A tradução em outra língua deve vir após a conclusão (FEITOSA. os objetivos pretendidos. O resumo deve ser auto-explicativo contendo o assunto do documento original. O outro tipo de fichamento é a ficha de conteúdo em que se registram: esquemas. explicando o tema principal do documento (SÁ et al. de: ficha esquema. capitulo ou obra. os resultados alcançados e as principais dificuldades encontradas no processo de pesquisa ou análise de uma questão (KDOCHE. a metodologia utilizada e os resultados alcançados. até 500. O resumo deve preceder o texto quando for escrito na língua original. nem com sumário que é a simples enumeração de tópicos e nem com resumo corno um dos tipos de trabalhos acadêmicos da graduação.Identificação Contém o titulo do artigo. anexos ou apêndices (quando necessário) e data. palavras-chave. tese ou livro. Não se deve confundir resumo com sinopse que é mais sucinta. o nome completo do autor do mesmo e sua qualificação (profissional. local de trabalho e sua titulação acadêmica mais elevada. a metodologia empregada. artigo (corpo).4 Fichamento Consiste na utilização do sistema de fichas para documentação de leituras. cópias ou criticas passando a denominação conforme o caso. Ao redigir um artigo cientifico deve-se observar a seguinte estrutura: identificação. resumo ou abstract. a dúvida investigada. ficha cópia. observando-se a sua apresentação em tamanho reduzido.5 Artigo cientifico O artigo científico consiste na apresentação sintética dos resultados de pesquisas. o que o limita de constituir-se em matéria para dissertação. o referencial teórico utilizado (as teorias que serviram de base para orientar a pesquisa). O objetivo principal de um artigo é o de ser uma maneira rápida e sucinta de divulgar. ficha resumo. resumos.43 1. os de monografia e artigos até 250. ficha critica e ficha resumo critico. 1. ou apresentá-los juntamente com a sinopse dos mesmos. e os de relatórios e teses. redigido em um único parágrafo composto de uma seqüência coerente de frases concisas e não de uma enumeração de tópicos.

Artigo (corpo) Contêm as três partes redacionais de um trabalho científico: Introdução. que o autor tenha um elevado conhecimento a respeito do que está escrevendo.Referências bibliográficas Lista-se as referências bibliográficas pertinentes a todas ás citações feitas. Tendo em vista que o artigo se caracteriza por ser um trabalho cientifico extremamente sucinto. a metodologia usada no estudo e que autores. No desenvolvimento (demonstração dos resultados) deve-se fazer uma exposição e discussão das teorias que foram'utilizadas para entender e esclarecer o problema. apresentando-as e relacionando-as com a dúvida investigada. O corpo do artigo pode ser dividido em quantos itens quantos forem necessários. Congresso ou Encontro.Apêndices Materiais ilustrativos elaborados pelo próprio autor do artigo.Palavras-chave Termos (palavras ou frases curtas) que indicam o conteúdo do artigo em Português e em idioma estrangeiro. de acordo com as normas da ABNT.Anexos Materiais ilustrativos não elaborados pelo autor do artigo. . obras ou teorias que serviram de base teórica para construir a análise do problema.Data do artigo Se o artigo consistir numa comunicação apresentada em algum Simpósio. . exige-se que tenha as qualidades próprias de todo trabalho cientifico: linguagem correta e precisa. A conclusão contém os comentários finais avaliando o alcance e limites do estudo desenvolvido. Deve-se também. desenvolvimento e conclusão. . em ordem alfabética. objetividade. de acordo com a natureza do trabalho elaborado. _______________________________________ Adaptação feita pela Professora Anna Florência de C. coerência na argumentação. Martins Pinto do texto: "O artigo cientifico: estrutura e apresentação" de José Carlos Kooche. . _______________________________________ . principalmente. com as respectivas demonstrações dos argumentos teóricos e/ou resultados de provas experimentais que as sustentam.44 . Para que estas qualidades se manifestem é necessário. . Na introdução apresenta e delimita o tema ou o problema em estudo. deve-se especificar o local e o nome do evento. concisão e fidelidade às fontes citadas. os objetivos. clareza na exposição das idéias. apresentar as conclusões alcançadas.

O relatório é constituído dos seguintes elementos: Apresentação: Capa e folha de rosto. Conclusão: Decorrência natural da análise e interpretação dos dados. em ordem alfabética. justificativas e hipóteses trabalhadas. pesquisa. levantamento de estudos já realizados sobre o assunto e definição de conceitos. universo (população) da pesquisa. Referências bibliográficas: relação das obras e documentos consultados. quadros. em que além dos dados coletados. Apresentação e análise da dados: Os dados coletados são apresentados. Metodologia: Inclui técnicas utilizadas. atividade. Anexo: Elementos de outra autoria que servem para esclarecer o relatório. Interpretação: A partir dos dados. gráficos ilustrativos etc. Apêndice: Tabelas. _____________________________________________ . o autor comunica resultados. _______________________________ Adaptação feita pela prof " Anna Florência Martins Pinto do texto: "Relatório" de Vicente Keller e Cleverson Bastos. de acordo com as normas ABNT. conclusões e recomendações a respeito do assunto trabalhado. amostragem. que não figuram no texto e que foram elaborados pelo próprio autor do relatório. Resumo: Ver texto "Artigo cientifico". Introdução: Inclui objetivos.45 1. Recomendações e sugestões: Indicações práticas extraídas das conclusões. evidencia-se a confirmação ou rejeição das hipóteses.6 Relatório O relatório consiste na apresentação final de estudo. Embasamento teórico: Teoria que sustenta o trabalho. obedecendo à ordem das hipóteses com as quais relaciona.

Desta forma os trabalhos científicos realizados nestes cursos caracterizam-se pelo domínio do assunto. a necessidade de prosseguir os estudos além da graduação. um problema. com o objetivo de aprimorar o conhecimento ou concluir o processo de formação educacional. elaboração e defesa de dissertação e de teses (MARCANTÔNIO. 1973). onde ele terá conhecimento de outros trabalhos já publicados na área(FRANÇA. enfim. original e pessoal para a ciência (SALOMON. pela capacidade de sistematização e de pesquisa e pelo poder criador. levando-o a exercer a atividade de pesquisa científica. 2. sobre o qual será direcionada a pesquisa. Para fazer o levantamento bibliográfico poderá utilizar as obras de referência (enciclopédias. índices de periódicos. Os cursos de pós-graduação sensu stricto realizados com a finalidade de obtenção de titulo de mestrado. atividades de pesquisa. que consistirá na leitura analítica dos textos. como também os dados bibliográficos de cada fonte consultada. redes eletrônicas de comunicação. Esta compreende os cursos de sensu lato e sensu stricto. a próxima etapa consistirá no levantamento bibliográfico. 1993). além de serem mais sofisticados e exigentes. um tema ou assunto. Após tal levantamento deverá obter o material para iniciar a próxima etapa. Estes "abordam um único tema. evitando assim que absorva passivamente os conhecimentos já feitos. Os curso de sensu lato por sua vez compreendem os de especialização e aperfeiçoamento e os sensu stricto os de mestrado e doutorado. como a dissertação de mestrado e a tese de doutorado. Tais dados serão utilizados tanto para fazer a referência bibliográfica no final do trabalho quanto para fazer as citações textuais e/ou conceptuais dos textos consultados.catálogos de bibliotecas. quer quanto à elaboração. A partir daí. uma questão. dicionários. O que se tem em vista nestes cursos é o desenvolvimento da capacidade criadora e juízo crítico do aluno. Para elaborar monografia é necessário que já se tenha definido una idéia. exigindo investigações próprias à área de especialização e métodos . no Brasil.46 2 Trabalhos científicos nos cursos de pós-graduação Atualmente. investigações. através da revisão de literatura. além da freqüência a cursos e da aprovação nas respectivas disciplinas.1 Trabalhos monográficos Os trabalhos monográficos ou monografias resultam de leituras. almanaques). base de dados nacionais e internacionais. com o objetivo de situar o pesquisador em relação ao assunto escolhido. todas as fontes disponíveis para poder acessar à informação pretendida. observações. 1998). no primeiro nível e depois doutorado. à redação e ao aparato técnico. durante a referida leitura deverá ir anotando as idéias relevantes para o trabalho. leva os graduandos a iniciarem estudos em nível de pós-graduaçao. SANTOS e LEHFELD. Dentre os trabalhos monográficos mais usados destacam-se aqueles exigidos para obtenção de graus. Monografia caracteriza-se pela abordagem de um único tema (monos = um só e graphein = escrever) resultante de investigação científica com a finalidade de apresentar uma contribuição importante. exigem. reflexões e criticas realizadas nos cursos de graduação e pós-graduação. Portanto.

o uso do termo monografia para designar todo o tipo de trabalho realizado em curso de graduação. de natureza reflexiva. SANTOS. Introdução • . 1982). Na dissertação não se exige o mesmo nível de originalidade e o mesmo alcance de contribuição ao progresso e desenvolvimento da ciência em questão. em relação à tese. Conclusão . Apesar de formalmente a dissertação ser exigência de conclusão de curso de mestrado e tese de doutorado. ou idéias que discorda. LEHFELD. seguindo rigorosamente a metodologia própria de cada ciência. A diferença entre tese e dissertação refere-se ao grau de profundidade e originalidade exigido na tese. a contribuição que se deseja é uma nova descoberta ou uma nova consideração de um tema velho: uma real contribuição para o progresso da ciência (SALVADOR. As monografias escolares são usadas na graduação. deixando ao leitor total liberdade de formar opinião ou decisão.Referências bibliográficas .Sumário • .Páginas preliminares • . com isenção de ânimo. pela originalidade das conclusões. ou mesmo de graduação.Folha de rosto . Discussão dos resultados • . Dedicatória • .Capa . A dissertação e a tese podem ser compostas das seguintes partes.Resumo . ainda que resultante de investigação cientifica. É conveniente distinguir as monografias escolares das cientificas. dando delas uma visão exata e fiel. 1993). 1998). Assim.47 específicos. usadas na pós-graduação são o resultado do estudo originai e pessoal de um tema especifico. Para a conclusão de cursos de especialização. sem tentar convencer. Agradecimentos • . Distinguem-se basicamente pela qualidade da tarefa. testemunha incorreta generalização do conceito (MARCANTONIO.Texto • . tese os trabalhos de conclusão de cursos de pós-graduaçâo independente do seu nível (mestrado e doutorado) (FRANÇA. Neste trabalho o autor expressa o que sabe ou acredita saber a respeito de determinado assunto. A dissertação resulta de um estudo teórico. Material e métodos • . Da tese. Epígrafe .Folha de aprovação . expondo idéias que concorda. Resultados • . pelo nível e profundidade da pesquisa. é interessante observar que a maioria das universidades brasileiras considera. sem as combater. de acordo com França (1998) em seu livro "Manual para Normalização de Publicações Técnico-Cientificos": . é comum a apresentação de trabalhos acadêmicos chamados simplesmente de monografias. Listas . defendida no término do curso de doutorado. que consiste na ordenação de idéias sobre determinado tema. como iniciação a pesquisa e as cientificas. bem como a exigência de defesa pública principalmente no mestrado e doutorado.

p. p. In: Metodologia Cientifica: para uso dos estudantes universitários. 1997. Crítica. Trabalhos monográficos: dissertações. 1993. MARCANTCNIO.V. 149-151. p. BASTOS. científicos e culturais. rev. 1994. A. ed. ed. Porto Alegre: Sulina. 2.M. In: Redação de textos científicos. C. 25-53.. 1983. et al. KOOCHE. M. FRANÇA. e amp. N. 59-78. A. A redação do texto. estrutura e apresentação. SANTOS. Petrópolis: Vozes. Referências CERVO.. BERVIAN.D. D. p. Petrópolis. FEITOSA. In: Manual para normalização de publicações técnico-cientificos. p. . da UFM3. In: Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica. 1973. Tipos de trabalho. 2.L. SALVADOR. 6.Anexos . LEHFELD. 66-80. Belo Horizonte: Interlivros.T. Introdução.. A. 1997.C.C. SALOMON. Apresentação de trabalhos científicos. 170-172. ed. In: Como fazer monografia.A. Belo Horizonte: Ed. trabalhos acadêmicos e memoriais. amp. Relatório de pesquisa bibliográfica. Vozes. J. 4. 1991. 25.Bibliografia . 9-40. P. ed. E. In: Elaboração e divulgação do trabalho cientifico. teses. São Paulo: Atlas.39. 10. ed. 3. ed. 1998. ed. 62-79. SÁ. Campinas: Papirus. rev. V.S. Trabalho cientifico. p. In: Manual de normalização de trabalhos técnicos. V.48 .Apêndices 3.S. 175 -195. 1982. 3. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. 14. KELLER. ed.L. In: Fundamentos de Metodologia Cientifica. In: Aprendendo a aprender: introdução à Metodologia Cientifica. J.. p. p. O artigo cientifico.A. p. Petrópolis: Vozes.

constituirá a principal motivação para utilização da Internet nos próximos anos. e nas próprias residências. E por essa razão que a Internet é muitas vezes chamada da "super rodovia da informação". que foram amplamente estimuladas a se conectar ao "backbone" da NSF. em universidades. Pela primeira vez no mundo um cidadão comum ou uma pequena empresa pode (facilmente e a um custo muito baixo) não só ter acesso a informações localizadas nos mais distantes pontos do globo como também . cooperativas.49 CAPÍTULO 7 INTERNET COMO INSTRUMENTO DE PESQUISA 1. Nos meados dos anos 80 a NSF . no âmbito mundial.National Science Foundation dos EUA (algo como o CNPq do Brasil) constitui a uma rede de fibra ótica de alta velocidade conectando centros de supercomputação localizados em pontos chave no EUA. cabos submarinos. teve um papel fundamental no desenvolvimento da Internet nos últimos 10 anos por reduzir substancialmente o custo da comunicação de dados para as redes de computadores existentes. 2. a qual é controlada primariamente por grandes empresas. que inclui desde grandes computadores até micros. Esses equipamentos são interligados através de linhas comuns de telefone. sendo passado em sua grande totalidade para o controle privado. Essa rede da NSF. gerenciar e distribuir informações em larga escala. De onde surgiu a internet A tecnologia e conceitos fundamentais utilizados pela Internet surgiram de projetos conduzidos ao longo dos anos 60 pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos. canais de satélite e diversos outros meios de telecomunicação. Ao longo dos anos 70 e meados dos anos 80 muitas universidades se conectaram a essa rede. ao lado do cultural e acadêmica. Isso com certeza afetará substancialmente toda a estrutura de disseminação de informações existente no mundo. linhas de comunicação privadas. Com a Internet uma pessoa .e é isso que torna a coisa revolucionária . O que é a internet A Internet é uma gigantesca rede mundial de computadores. a Internet funciona como uma rodovia pela qual a informação contida em textos.1. por exemplo. 1. Os computadores que compõem a Internet podem estar localizados.criar. empresas. prefeituras. Muito possivelmente o interesse comercial. o que moveu a motivação militarista do uso da rede para uma motivação mais cultural e acadêmica. Esses projetos visavam o desenvolvimento de uma rede de computadores para comunicação entre os principais centros militares de comando e controle que pudesse sobreviver a um possível ataque nuclear. chamada de "backbone da NSF". Importância da internet A Internet é considerada por muitos como um dos mais importantes e revolucionários desenvolvimentos da história da humanidade. O controle da "backbone" mantido pela NSF encerrou-se em abril de 1995. algo que somente uma grande organização poderia fazer usando os meios de comunicação convencionais. som e imagem pode trafegar em alta velocidade entre qualquer computador conectado a essa rede. Fazendo um paralelo com a estrutura de estradas de rodagem.

50 qualquer (um jornalista, por exemplo) pode, de sua própria casa, oferecer um serviço de informação baseado na Internet, a partir de um microcomputador, sem precisar da estrutura que no passado só uma empresa de grande porte poderia manter. Essa perspectiva abre um enorme mercado para profissionais e empresas interessados em oferecer serviços de informação específicos. 3. O que significa "estar conectado" à internet Estar ligado ou conectado à Internet, usualmente significa ter uma "conta" em um computador "servidor" que esteja conectado à Internet localizado em uma instituição (ou empresa) que seja provedora de serviços de acesso à Internet. Essa "conta" nesse computador ligado à Internet é usualmente acessada de um microcomputador através de um modem e de uma ligação telefônica comum. Ter essa conta implica em se ter um "endereço eletrônico" na Internet, que funciona de forma similar ao endereço postal. A título de exemplo, um possível endereço na Internet poderia ser: lopes@artnet.com.br onde "lopes" representa uma identificação da pessoa no computador em que tem uma conta e "artnet.com.br" o endereço desse computador na Internet. O ".br" no final do endereço indica que o computador é da rede brasileira. 4. Os endereços eletrônicos Nesta seção iremos aprender como são formados os endereços eletrônicos, ou seja, por que existe esse www, .com, .br, .org etc. Veja abaixo. Exemplo.: Protocol Nome da Localidade da

http://www.microsoft.com.br World Wide Comercial

No exemplo acima mostramos um endereço (URL) situado na WWW, com fins comerciais, e localizado no Brasil, cujo o nome da empresa é Microsoft. Simples não? http:// (HyperText Transfer Protocol) Protocolo de transferência de Hipertexto, é o protocolo utilizado para transferencias de páginas Web. www: Significa que esta é uma página Web ou seja, aqui é possível visualizar imagens, textos formatados, ouvir sons, músicas, participar de aplicações desenvolvidas em Java ou outro script. Resumindo é a parte gráfica da Internet

org : Indica que o Website é uma organização. edu: Indica que o Website é uma organização educacional

51 gov: Indica que o Website é uma organização governamental. com: Indica que o Website é uma organização comercial. br: Indica que o Website é uma organização localizada no Brasil, assim como na França é ".fr" e EUA ".us" 5. Os botões de navegação Abaixo as funções de cada botão de seu navegador da Microsoft.

O botão acima possibilita voltar na página em que você acabou de sair ou seja se você estava na página da Microsoft e agora foi para a da Sun Microsystems, este botão lhe possibilita voltar para a da Microsoft sem Ter que digitar o endereço (URL) novamente na barra de endereços. O botão avançar tem a função invertida ao botão voltar citado acima.

O botão parar tem como função obvia parar o download da página em execução, ou seja, se você está baixando uma página que está demorando muito utilize o botão parar para finalizar o download.

O botão atualizar tem como função rebaixar a página em execução, ou seja ver o que há de novo na mesma. Geralmente utilizado para rever a página que não foi completamente baixada, falta figuras ou textos.

O botão página inicial tem como função ir para a página que o seu navegador está configurado para abrir assim que é acionado pelo usuário, geralmente o IE 4 está configurado para ir a sua própria página na Microsoft.

Este botão é mais uma novidade da Microsoft, é altamente útil pois clicando no mesmo o IE 4 irá abrir uma seção ao lado esquerdo do navegador que irá listar os principais, sites de busca na Internet, tal como Cadê, Lycos, Altavista etc. A partir daqui será possível encontrar o que você está procurando, mas veremos isto mais a fundo nas próximas páginas.

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O botão favoritos contem os Websites mais interessantes definidos pelo usuário, porém a Microsoft já utiliza como padrão do IE 4 alguns sites que estão na lista de favoritos. Para você adicionar um site na lista de favoritos basta você clicar com o botão direito em qualquer parte da página de sua escolha e escolher adicionar a favoritos. Geralmente utilizamos este recurso para marcar nossas páginas preferidas, para servir de atalho.

O botão histórico exibe na parte esquerda do navegador quais foram os sites visitados nas últimas 4 semanas, com isso você pode manter um controle dos sites que você passou nas últimas 4 semanas. Bastante útil para usuários esquecidos.

Semelhante ao botão favoritos, o botão de canais tem como função exibir uma série de sites desenvolvidos especialmente para o Explorer, ou seja que tem um maior desempenho caso sejam visualizados através do IE.

Esse sim é um botão com muita utilidade, uma vez que a versão anterior não possuía esse recurso de visualizar a página em execução em tela cheia como o nome já diz, quer dizer, o navegador torna-se mais amplo para se navegar, sem todas as barras do navegador a não ser a barra de navegação em um formato reduzido com as mesmas funções da barra padrão.

O botão de correio tem como função auxiliar no envio e a leitura de mensagens eletrônicas. Ao clicar no mesmo aparecerá um menu com opções para “Ler correio, nova mensagem, enviar link, enviar mensagens.” Como os botões já indicam as funções, não é preciso explicar suas finalidades que são obvias.

Bem. mas para isso é bom saber como proceder em suas viagens. pois isso poderá deixar a conexão mais devagar. Como navegar pela web Navegar é preciso. • Quando iniciar a baixar uma página evite trocar o endereço no mesmo momento para outra página. • Evite conectar nos horários de pico.br/ HTU UTH HTU Excite http://www.com.excite. etc. Porém.com. procurar pelos sites de busca propriamente ditos em suas devidas páginas pode ser mais interessante. Espere pela mensagem de concluído na barra de status do navegador.cade. uma vez que a busca efetuada a partir do site da Microsoft com o auxilio do botão Pesquisar é menos eficiente que a procura feita através dos respectivos sites de busca. pois as linhas estão cheias de pessoas conectadas no momento. • Quando uma página estiver demorando para ser baixada. isso tornará o download da página mais lento. seja paciente.radaruol.com HTU UTH Surf http://www. Novas tecnologias estão sendo desenvolvidas para aumentar a velocidade.br/ HTU UTH HTU EXTERIOR Altavista http://www.br/ HTU UTH Lycos http://www.com UTH Radaruol http://www.com HTU UTH Onde ir http://www.com. pois bem a primeira barreira a ser ultrapassada é a paciência.altavista.com.1 Como pesquisar na internet Está seção é destinada à procura de assuntos na Internet. Alguns sites de pesquisa na Internet.surf. isso torna a conexão mais lenta. A partir de agora vai ser impossível você não encontrar o que você procura na rede.com UTH .yahoo. BRASIL Cadê http://www. além de você estar sujeito a perder a conexão. para a busca de palavras-chave.ondeir. abaixo estão algumas regras que irão ajudar na hora de navegar.lycos. Onde procurar? Como já foi dito antes o Explorer possui um recurso muito interessante e útil.53 6. 6. Como você irá notar que geralmente a Internet é um tanto quanto devagar comparada aos serviços telefônicos.br/ HTU UTH Yahoo http://www. não vá clicando no primeiro Link que aparece na tela do navegador.

br.br/ HTU UTH Dejanews http://www.com. utilize palavras que exprimam sentido geral do assunto a ser procurado.54 Aonde http://www. Sites de instituições de pesquisa como a EMBRAPA (www. geralmente em formato PDF.bookmark. • Caso você tenha procurado por Pragas Urbanas sem a utilização das “ ”. Entretanto.br. tendo-se a vantagem de poder contar com a idoneidade do material.ufmg.com UTH Zeek http://www.br HTU UTH HTU Infoseek http://www. • Exemplo: “The Beatles”. existem sites especializados em oferecer trabalhos publicados em revistas (periódicos). não há nada mais a fazer além de digitar a palavra e mandar procurar.embrapa. dentre outras) geralmente contém um rico acervo disponível para pesquisa via internet. www. HTU UTH HTU UTH HTU UTH HTU UTH HTU UTH HTU UTH HTU UTH HTU UTH Como procurar Para a procura na Internet.br/ HTU UTH HTU Webcrawler http://www.com UTH Na área da pesquisa científica.! .br) e ainda de Fundações e Universidades (www.tay. U U • Caso queira procurar por palavras-chaves compostas a procura se torna diferente pois faz-se necessário o uso de aspas nos extremos da palavra tal como Pragas Urbanas.com. incluindo a biologia e meio ambiente.com. como o www. www.google.infoseek.com.ufla.ufv. como é o caso do www.com HTU UTH Bookmark http://www. Pois dessa forma o search irá procurar pela palavra Pragas Urbanas e não mais que isso. • Caso queira procurar por uma palavra-chave simples como Zoologia. “Guarda-chuva” etc.com. devido a falta das aspas.webcrawler. • Para procurar na Internet é preciso saber algumas regras que são básicas para que haja sucesso em suas buscas e que sejam objetivas.unb.br.zeek.aonde. U U U U Portanto preste atenção quando for efetuar a sua procura. A palavra Pragas urbanas por ser uma palavra-chave composta deverá estar entre “ ”.dejanews. Outros sites de busca podem oferecer material importante para uso na área. o search irá procurar por Pragas e urbanas tornando assim uma procura por assuntos diferentes. www.br. o www.br.scielo. deve-se atentar para o fato que muitos sites indicados podem conter material de caráter não científico. dentre outros.br.com.br e os periódicos da CAPES.

procure pelo mais difícil. 6. Como é feito? • Clique com o botão direito em cima da figura. Caso o resultado da procura não tenha sido satisfatório.55 Exemplo1: Procura por Doenças alérgicas Procure por: Doenças alérgicas. tente procurar por alergia. ou seja. logo em seguida se o resultado não for satisfatório procure por alguma palavra relacionada tal como “John Lennon” ou. pois por ser uma palavra composta será mais difícil de encontrar e caso encontre. mais uma vez uma palavra composta. não irá complicar a sua vida pois encontrará bem poucas palavras. desta vez o resultado será maior que o anterior pois é uma palavra simples e que envolve toda a categoria desde doenças a definição do assunto desejado.2 Download de arquivos na Internet Download é nada mais que pegar para você algo que está na Internet. Salvar . Download de figuras na Internet. “Rock”. Utilize o mesmo método acima. Exemplo2: Procura por “The Beatles” Procure por “The Beatles”. • Salvar figura como • • Escolha o nome e a pasta onde o arquivo será baixado.

Apostila People Computação. ..0. • Escolha a pasta de destino e logo em seguida clique em salvar. 39p. Abrir arquivo ou Salvar arquivo em disco. Fonte: Navegando com o Internet Explorer 4. • Janela de download em execução.2 Download de arquivos na Internet Como é feito? Geralmente os arquivos na Internet são colocados para download. a partir de links. • • • Clique no respectivo link de download Aparecerá uma tela com duas opções. Escolha salvar arquivo em disco. volume 1.56 6. e o procedimento é parecido com o download de figuras.

deve-se atender ao princípio de variedade. questionar o conhecimento que está sendo discutido. para despertar o interesse dos alunos. Tal conhecimento não é transmitido pelo professor. de recursos materiais e de abordagens. Isso significa que o seminário deva ser a ocasião de semear idéias ou de favorecer sua germinação (Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda). para expor e criticar o assunto. o emprego variado de técnicas de ensino. o nome desta técnica vem da palavra latina “seminariu”. da critica e da independência intelectual. Não há aquisição de uma nova atitude em relação ao processo de ensino. como técnica de ensino. a eficiência do ensino escolar. na graduação ou no ensino médio. especialmente no caso da pós-graduação. provocar o aluno. visto que os alunos não recebem um conhecimento pronto. Embora seja possível desenvolver toda uma disciplina ou curso. estabelecer relações. que significa viveiro de plantas onde se fazem as sementeiras. Verificou-se que o emprego da técnica se limita a distribuir um tema para cada grupo. mediante a técnica de seminário. Isso implica estudar o tema do seminário com profundidade. 2. principalmente no que diz respeito aos vazios ou lacunas existentes na formação profissional de nossos jovens. Ao professor cabe aprofundar o estudo. No sentido restrito. sob a direção do professor responsável pela disciplina ou curso. Ao analisar a prática pedagógica de professores com alunos de diferentes cursos. do conhecimento a ser assimilado. Características do seminário É uma técnica que oportuniza aos alunos o desenvolvimento da investigação. de certa forma. Compete a eles elaborá-lo para apresentação em formato final. . avaliando. pode-se medir o grau de aproveitamento dos alunos nas disciplinas do planejamento regular do ensino. percebe-se que o seminário. Sementeira indica a idéia de proliferação daquilo que se semeia. reelaborado ou produzido. que é sujeito predominante de seu processo de aprender. ou seja. participar da discussão. conduzir o seminário. enfim. Através do seminário. nota-se que os alunos não estão percebendo a importância de sua participação como elementos ativos e críticos do processo ensino-aprendizagem. querer conhecer. Introdução Etimologicamente. mas estudado e investigado pelo aluno. visto como técnica de ensino é o grupo de estudos em que se discute ou se debate um ou mais temas apresentados por um ou vários alunos. levantar hipóteses. encaminhar conclusões. que devem ter responsabilidades e obrigações no desenvolvimento da técnica. Pode-se dizer que ele é uma ferramenta de aprendizado ativa. o seminário.57 CAPÍTULO 8 O SEMINÁRIO COMO TÉCNICA DE APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS 1. não vem acompanhado de uma mudança por parte do professor. nem uma tomada de consciência das contradições inerentes ao seu trabalho. Atualmente. Local onde se coloca a semente.

estabelecer relações do conteúdo com outras áreas do conhecimento. indicar bibliografia (mínima e complementar) a ser estudada pelos participantes e formular questões para serem analisadas e discutidas. buscar respostas às questões levantadas. Os temas ou assuntos de seminários exigem pesquisa específica em diversas fontes. solicitar esclarecimentos para sanar dúvidas. leituras. que tece comentários gerais. levando os alunos a refletir de forma aprofundada sobre o assunto que é explorado. utilizando resultados de pesquisa e estimular conclusões com o fim de consolidá-las. treinando a iniciativa e a criatividade. analisar criticamente fenômenos observados ou idéias do autor(es) estudado(s). exemplificar. definir posturas.2 Etapas As etapas de um seminário são cumpridas pelo professor ou organizador do seminário e pelos alunos que dele participam. com cópia para os participantes. É aconselhável que o trabalho escrito ou síntese sejam revistos a partir das discussões desencadeadas ao longo do seminário. As tarefas. por intermédio de pesquisas. Aos alunos compete obter informações. para utilizar-se esse tipo de técnica os alunos devem apresentar interesse e conhecimento nivelados em relação aos temas centrais. sintetizar as idéias principais. levantamentos.1 Objetivos Os objetivos de um seminário são o de investigar um tema buscando alcançar profundidade de compreensão. quando for o caso. argumentar e contra argumentar. providenciar materiais e recursos auxiliares de ensino necessários à realização do seminário.58 2. É necessário observar que. 2. dados. sugerindo novos estudos a respeito do tema. apresentando ou assistindo. temas e sub-temas que serão tratados devem ser planejados nas sessões iniciais do grupo de trabalho e os resultados ou conclusões são de responsabilidade de todo o grupo. formular questões críticas e discuti-las. ler a bibliografia sugerida e estudar previamente o tema escolhido com profundidade.3 Avaliação Considera-se como terceira etapa a apreciação final do trabalho realizado. Um tema ou assunto já publicado não justifica o trabalho ou a realização do seminário. Aos alunos compete apresentar o trabalho por escrito (relatório ou síntese). quanto do professor. . experimentações. idéias. Para a fase de apresentação o professor preocupar-se-á em direcionar o processo de forma exigente e não permissiva. que os capacitem a participar ativamente do seminário. escolher relatores e comentaristas. estabelecer confrontos e encaminhar conclusões. sugerir temas apropriados para sua organização. constituem-se papéis do professor ou do organizador do Seminário tomar explícitos os seus objetivos. expor o tema com objetividade. entrevistas. 2. tanto por parte dos responsáveis pelo seminário e demais participantes. Os participantes de seminários procuram a informação por seus próprios meios em um clima de colaboração recíproca. O coordenador é um membro do grupo que tem a função de organizar o trabalho e não resolve sozinho nenhum assunto. Na fase de preparação. propor alternativas para resolução de problemas identificados e ensinar como se trabalhar em grupo.

OLIVEIRA. Lavras: Editora Ufla. Monografia: preparo. S. o que. sem dúvida. Lavras: Editora Ufla. Técnicas e recursos didáticos para a sala de aula. 3. 2001. demonstra preocupação com a melhoria da qualidade do ensino.59 Diversas escolas. de nível básico e superior. ora como disciplina. S. têm inserido o seminário como atividade obrigatória em seus currículos. Referências OLIVEIRA. exposição oral e utilização de recursos audiovisuais. 2002. ora como atividade complementar.W.W. . 55p. 43p.

Introdução Referência bibliográfica é o conjunto de elementos que permite a identificação de documentos impressos ou registrados em qualquer suporte físico. no todo ou em parte. 1978. (categoria e área de concentração) – Nome da Faculdade. Número de páginas ou volumes. prevista pelos manuais de Normalização (ABNT. (Nome e número de série). L. Quando se faz uma referência bibliográfica deve-se levar em consideração a ordem convencional dos seus elementos. Local (cidade) de publicação: Editora. periódicos e material audiovisual. Monografias. 2. Metodologia científica: para uso dos estudantes universitários. ESPECIAIS E DOCUMENTOS ELETRÔNICOS 1. ed. Ano de apresentação: Número de folhas ou volumes. Exemplos: CERVO. dissertações e teses FORMATO: AUTOR. Edição. Nome da Universidade. 1. 6). esse trabalho obedece à orientação do Manual para Normalização de Publicações Técnico-científicas da UFMG . 208 p. Apesar de haver uma variedade de estilos para a apresentação das referências bibliográficas. por exemplo). Título: subtítulo. data. Título: subtítulo.2001. São Paulo: Abril Cultural. 144 p. Todas as obras citadas no trabalho devem obrigatoriamente constar nas referências bibliográficas. A lista bibliográfica apresentada ao final de um trabalho pode ser feita de forma alfabética. A. ed. 2. sistemática (por assunto) ou cronológica. 1978. Referências bibliográficas são a relação das fontes utilizadas pelo autor ao fazer um trabalho.1 Publicações avulsas consideradas no todo livros e folhetos FORMATO: AUTOR. MATERIAIS .60 CAPÍTULO 9 APRESENTAÇÃO DE REFERÊNCIAS: BIBLIOGRÁFICAS. cidade. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil. com referências numeradas consecutivamente em algarismos arábicos. A. tais como: livros. Kart. Manuscritos econômico-filosóficos e outros textos escolhidos. (Os Pensadores. MARX. ano de defesa. P. BERVIAN. Não se deve confundir referência bibliográfica com bibliografia. Bibliografia é a relação dos documentos existentes sobre determinado assunto ou de determinado autor.

E CONGRESSO INTERNACIONAL DE HEGEL. 11. Belo Horizonte: Núcleo de Assessoramento à Pesquisa. José 1: recuperação de valores estético/históricos. Lisboa: Idéia e matéria: comunicações ao congresso de Hegel. Ed. Exemplo: ENCONTRO DE PESQUISA DA ESCOLA DE VETERINÁRIA DA UFMG. Universidade Federal de Minas Gerais. 196 f. 24 p. Tese (Doutorado em Direito) . Editora. 1976. 350 p.Escola de Belas Artes. número. 1980. Lídia Jane de. 96 p. 75 f. data de publicação. Restauração de Bens Culturais Móveis) . NBR-6023: informação e documentação: referências: elaboração. Proceeding: The biology of lhe interferon system 1984. SENNE JÚNIOR. Número de páginas ou volumes. Direito internacional público e o atado moderno. Obs. Holger Kirchner and Huub Schellekens. Título e subtítulo. DINIZ. Exemplos: CONGRESSO LATINO-AMERICANO DE BIBLIOTECONOMIA DOCUMENTAÇÃO.61 Exemplos: VASCONCELOS. Monografia (Especialização em Conservação. 180 p. INO-ISIR MEETING ON THE INTERFERON SYSTEM. D. encontros e outros eventos científicos FORMATO: NOME DO CONGRESSO. 1985. conferências. Lisboa: Livros Horizonte. Normas Técnicas AUTOR. Resumos. 1976. 2002. 1982.. Belo Horizonte. menciona-se apenas os dados do evento. Instrumentação sísmica para centrais nucleares. Belo Horizonte. subtítulo da publicação. 1983. Se a publicação não incluir um título geral.Escola de Engenharia. adicionando-se em nota especial qualquer explicação que for julgada necessária. Titulo.. Número da Norma. 116 f. 1990. Congressos. Arthur José Almeida.Faculdade de Direito. 1975.. Rio de Janeiro. 1984. 10. ano de realização (cidade). 1982. l. Anais. . Local de publicação (cidade). Dissertação (Mestrado em Ciências e Tecnologias Nucleares) .. Amsterdam. 1992. Universidade Federal de Minas Gerais. Murilo. Amsterdam: Elsevier Science. Salvador. Local de publicação (cidade): Editora. Universidade Federal de Minas Gerais. data. Número da edição. Exemplo: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Belo Horizonte. Belo Horizonte. Salvador: FEBAB.. Número de páginas.

p.. Pelotas: Sociedade Brasileira de Zootecnia. The gross and microscopic occurrence and distribution of spontaneous atherosclerosis in the arteries of swine. FREUD. et al. STRAUSS. Glasgow: Blackie. 1976. In: __________ . M. Anais. Vitamin K as menadione dimethyl pyrimidonal bissulfite. its metabolism. Porto Alegre: [s. In: _________. L et al. Título da publicação. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Feminilidade. subtítulo. LEDIC.Novas conferencias introdutórias sobre psicanálise e outros trabalhos. Exemplo: GETTY. 1954.]. páginas inicial-final da parte.62 1. 11-20. 1980. 20. 139-l65. R. New York: Harper & Row.. stability and requirement in chikens. 22). Infecção pelo Plasmodium berhei em camundongos albinos previamente infectados por leishmania. Título do capítulo. Número da edição. p. (Ed. A. 7.]. R. Toxicomanias de substituição.. 1965. Comparative atherosclerosis. A.. 1983. R. 1983. Avian ecology. p.. 322-339.2 Partes de publicações avulsas Capítulos de livro FORMATO: AUTOR DO CAPÍTULO.). Páginas inicial-final do trabalho. Exemplos: CANÇADO. I. capítulo. Titulo: subtítulo do livro.. Título: subtítulo. C.. cap. In: ROBERT JR. Estimativas de parâmetros genéticos. p. Social systems. SILVA.. volume. Hamburg: [s. ano.. São Paulo: Federação das Associações de Farmacêuticos do Brasil. 259-300. 1980. Agenor Lopes. data.n. p. Hamburg. EL BOUSHY. local de publicação (cidade): Editora. Trabalhos apresentados em congresso FORMATO: AUTOR DO TRABALHO.. Rio de Janeiro: Imago. Sigmund. 2.. 1983. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE ZOOTECNIA. R. número. 1982.. São Paulo. p. 7-32. local de realização. A. In: AUTOR DO LIVRO. . In: CONGRESSO FARMACÊUTICO E BIOQUÍMICO PAN-AMERICANO. 225. Porto Alegre. 1958. p. PERRINS. Pelotas. Local de publicação (cidade): Editora.n. 29. In: NOME DO CONGRESSO. Resumos dos trabalhos apresentados. 1982. Anais... In: EUROPEAN POULTRY CONFERENCE. Proccedings. data. In: CONGRESSO DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PARASITOLOClA.

legendado. (Blackhawh Films Collection). Yeda P. E.63 CASTRO. Sua safra. THE BLUE angel. Níveis sociolingüísticos da interação de influências africanas no português. E. Título do artigo. p. 1985. fascículo. son. Folha de São Paulo. p.DVD) Exemplos: A LIBERDADE é azul. 2001. Rio de Janeiro: PUC/RJ. Pbysiol. Retrato do nordeste: ou observações de uma estagiária do jornalismo. Artigos de publicações periódicas FORMATO: AUTOR. de. videodisco e videodisco digital . MASCARENHAS. Direção: Josef von Sternberg. dia. 2 videodiscos (94 min. Local. Artigo de jornal FORMATO: AUTOR. seu dinheiro. Título do jornal.. In: ENCONTRO NACIONAL DE LINGUÍSTICA. l. D. 1930. seção ou suplemento. caderno ou parte. NUNES. Estado de Minas.Paulo. 158-200. . Título do artigo. 1978. Tradução de: Der blaue Engel. jan. Suplemento agrícola. Chatsworth: Film Preservation. Quando não houver seção. Bethesda. 1994. No ou título do caderno. Tradução de: Bleu.. número volume.. Rev. mês e ano.). Caderno 2. PU UP Exemplos: AZEVEDO. Belo Horizonte. Sterology: applications to biomedical research. 56-61. Sarney convida igrejas cristãs para diálogo sobre o pacto. p. color. l fita de vídeo (97 min. páginas inicial-final. v.. a paginação do artigo precede a data. 13. p. Belo Horizonte. Local de publicação (cidade). Exemplo: ELIAS. 1971. 14. 1986. VHS. 20 ago. na terra que o presidente não viu. O Estado de S. mês. HENNING. Direção: Kraysztof Kieslowski. Estado de Minas.3 Materiais especiais Filmes (fitas de vídeo. p. Título do periódico. São Paulo. Conferências. Um monumento brasileiro na paisagem histórica de Roma. A.. son. 22 out. 3. 1978. Dermi. São Paulo. n. H. páginas inicial-final. SCHWARTZ. 1980.). 8.. Raul. São Paulo: Look Filmes. Caderno economia. MOREIRA. 1.. p&b. p. ano. 11 mar. 51. l7 set. 14-16... Rio de Janeiro. Maria das Graças.

Material cartográfico (Atlas e mapas) Exemplos: .RJ). Os documentos eletrônicos mais comuns são: monografias. de acordo com a língua em que se apresenta a referência. widescreen... acrescentando-se os específicos que possibilitem sua localização e recuperação. Direção de fotografia: Miroslvav Ondricek. Rio de Janeiro.4 Documentos eletrônicos A referenciação do documento eletrônico deve incluir os dados comumente usados para os documentos convencionais. [S. bases de dados. 705 p. geral e regional. Disponibilidade e acesso: Endereço eletrônico entre “brackets” < >. Atlas do Brasil. l DVD (160 min.000. o endereço eletrônico. Christine Ebersole. Produção: Saul Zaentz. publicações periódicas. 1959. Estes documentos podem ser apresentados on-line ou em diversos suportes como: CDROM. usar as expressões abaixo. Charles Kay.. Belo Horizonte. Simon Callow. Data de acesso.: Para indicar a disponibilidade e acesso.l]: Warner Home Video . Produtores executivos: Michael Hausman e Bertil Ohlsson. Roteiro: Peter Shaffer. documentos da www. Local: Editora. Intérpretes: F. Neste trabalho serão incluídos apenas os elementos considerados essenciais para apresentação das referências de documentos eletrônicos. data de publicação. Escala l: 50.Mapas INSTITUTO DE GEOCIÊNCIAS APLICADAS .Atlas INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (Rio de Janeiro . ISBN Obs. Título. Edição. mensagens pessoais. legendado. Jacutinga MG. 1. Monografias. Direção: Milos Forman. . Murray Abraham. resultados de pesquisas. Elizaberthe Berridge. como. .Disponível em: . MG).).Acesso em: . por exemplo.64 AMADEUS. softwares (programas de computador). bases de dados e softwares. disquetes e fitas magnéticas. considerados no todo FORMATO: AUTOR. Mapa físico. Roy Dotrice.IGA (Belo Horizonte. Tom Hulce. 1981.Brasil l998. Jeffrey Jones.Available from www . arquivos variados etc. Música: Neville Marriner. color.

Texinfo ed. 3.L. Cited: 28 jul. Cited: 15 Mar. Blacksburg: Virginia Polytechnic Institute and State University. Dortmund.net/books/carroll/alice. Exemplo: JOURNAL OF TECHNOLOGY EDUCATION. 1995. Available from Internet: <gopher://info.5n3>. 1994.html>. 1994. l989.edu:70/1/jte>.lib. 5. Exemplos: PRICE-WILKION.vt. Nov. 5-21.1. fascículo. The Public – Acess Computer Systems Review. Local: Editora. p. Available from Internet <gopher://borg. 1994. páginas. Disponibilidade e acesso: <Endereço eletrônico> Data de acesso. 2003. 230p. Fonte: FRANÇA.germany.lib. Belo Horizonte: ed. volume. 2. Using the World Wide Web to Deliver Complex Eletronic Documents: Implications for Libraries.65 Exemplo: CARROLL. Título do artigo – Título do periódico. ISSN 1045-1064. data. ISSN. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. Publicações periódicas consideradas no todo (fascículo) FORMATO: Título do periódico. Lewis. Disponibilidade e acesso: <Endereço eletrônico> Data de acesso. c) publicações periódicas consideradas em parte (artigo) FORMATO: AUTOR DO ARTIGO.eu. Local. Germany: WindSpiel. 1995. Alice's Adventures in Wonderland.uh. UFMG. ISBN 0681006447. John. n. .edu:70/00/articlesejounals/uhlibrary/pacsreview/v5/n3/pricewil. v. data de publicação [data de citação]. Available from <http://www. J. Cited: 10 Feb.

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