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Revista Super Treino

Entrevista:

Dr. Lucas Caseri Câmara
Médico, especializado em Fisiologia do Exercício (CECAFI-FMUSP/ CEFE-
UNIFESP). Mestrando pela Fisiopatologia Experimental – FMUSP. Pós graduando em
Medicina Física e Reabilitação – DMR/HCFMUSP.

O que é a creatina e qual a sua função fisiológica no organismo?

A creatina é uma amina nitrogenada, encontrada naturalmente em alimentos como carne
vermelha e salmão, formada nos rins, fígado e pâncreas a partir da junção de partes de
três aminoácidos (arginina, glicina e metionina).
Aproximadamente 95% da cretina encontram-se na musculatura esquelética e sua
principal função fisiológica é fornecer energia rápida para esforços curtos e intensos,
através da formação da fosfocretina e da ressíntese do ATP.

O que é comprovado cientificamente com relação aos benefícios e malefícios da
suplementação da cretina?

Muitos mitos foram criados em torno da suplementação de creatina ao longo destes
últimos anos. No entanto, devido ao fato da creatina ser um dos suplementos mais
estudados até então (e também um dos mais utilizados por atletas) a literatura científica
derruba estes mitos e documenta inúmeros benefícios de sua utilização (aumento de
massa, força, potência e resistência muscular, com diminuição da fadiga aos esforços
curtos e intensos), com adequada segurança de utilização (sem efeitos deletérios à
saúde, desde que respeitadas as orientações de utilização).

Então qualquer pessoa pode utilizar a creatina (suplementação)?

Cada caso deve ser avaliado individualmente e por profissional habilitado. Nesse
contexto, muitos estudos recentes têm sido realizados utilizando a suplementação de
creatina como adjuvante terapêutico em pessoas doentes. O objetivo principal destes
estudos é promover benefícios àquelas doenças que resultam em deficiência da síntese
de creatina (ex. Síndrome de Mc Ardle), deficiência de ressíntese de ATP (ex. doenças
arteriais periféricas), ou causam atrofias musculares (ex. Sarcopenia do idoso).

Por que a creatina foi proibida no Brasil ?

A ANVISA é o nosso órgão máximo responsável pela autorização ou não da circulação
de produtos relacionados à saúde, e as decisões tomadas por este órgão devem ser
respeitadas. No entanto, há extensa documentação científica no assunto, sobre
benefícios com segurança da utilização deste suplemento (até mesmo da utilização
prolongada e por pessoas doentes) descritas em posicionamentos mais atuais de
renomadas sociedades (International Society of Sports Nutrition – Sociedade
Internacional de Nutrição Esportiva). Acredito que logo os conceitos serão revisados e a
creatina em breve retornará ao mercado.
Como a creatina está proibida, o que as pessoas ativas podem utilizar como
suplemento?

Novamente, cada caso é um caso. Dependendo do objetivo, optamos por um ou outro
tipo de suplemento. Os primeiros passos são: alimentação saudável e adequada
(preferencialmente orientada por nutrólogo ou nutricionista), exercícios adequados
(preferencialmente orientado por médico que atue na área ou pelo profissional de
educação física) e descanso adequado. Temos uma enorme gama de produtos no
mercado que podem ser utilizados e que tem documentação científica de benefícios com
segurança. Para praticantes de musculação, por exemplo, se houver necessidade de
suplementação, os BCAA’s (aminoácidos de cadeia ramificada) e as proteínas e
aminoácidos (ex. Whey protein, leucina, glutamina) podem ser opções a serem
pensadas.

lccamara@usp.br