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FACULDADE DE DIREITO DE VITÓRIA – FDV

CURSO DE APERFEIÇOAMENTO DE OFICIAIS


ESPECIALIZAÇÃO “LATO SENSU” NA ÁREA DE SEGURANÇA
PÚBLICA

CAP PM LUCÍNIO CASTELO DE ASSUMÇÃO


CAP PM ROGER DE OLIVEIRA ALMEIDA

VIDEOMONITORAMENTO:
SOLUÇÃO TECNOLÓGICA INOVADORA NO CAMPO DO
POLICIAMENTO MODERNO

VITÓRIA
2008
2

CAP PM LUCÍNIO CASTELO DE ASSUMÇÃO


CAP PM ROGER DE OLIVEIRA ALMEIDA

VIDEOMONITORAMENTO:
SOLUÇÃO TECNOLÓGICA INOVADORA NO CAMPO DO
POLICIAMENTO MODERNO

Monografia apresentada ao Centro de Pós-


Graduação da FDV, como requisito parcial
para a obtenção do certificado de conclusão
do curso de Pós-Graduação Lato Sensu em
Gestão em Segurança Pública.
Orientador: Major Nylton Rodrigues Ribeiro
Filho.

VITÓRIA
2008
3

CAP PM LUCÍNIO CASTELO DE ASSUMÇÃO


CAP PM ROGER DE OLIVEIRA ALMEIDA

VIDEOMONITORAMENTO:
SOLUÇÃO TECNOLÓGICA INOVADORA NO CAMPO DO
POLICIAMENTO MODERNO

Monografia apresentada ao Centro de Pós-Graduação da FDV, como requisito


parcial para a obtenção do certificado de conclusão do curso de Pós-Graduação
“Lato Sensu” em Gestão em Segurança Pública.

COMISSÃO EXAMINADORA

_______________________________
Nylton Rodrigues Ribeiro Filho
Major PM e Coordenador do CIODES
Orientador

_______________________________
Márcio Luiz Boni
Major PM- PMES

_______________________________
Adriano Santana Pedra
Faculdade de Direito de Vitória - FDV
4

AGRADECIMENTOS

A Deus, por ser não o "Big Brother", mas verdadeiramente o nosso "Big Father", que
paira vigilante sobre todos nós, não para nos punir, mas para nos mostrar o quanto é
importante seguir o plano Dele para que possamos fazer parte do banquete dos
justos: a vida eterna.

Às nossas famílias que nos deram um valoroso suporte durante nossas jornadas
semanais, que perduraram por quase um ano de idas e vindas longe de casa.

Aos nossos amigos do CAO que supriram a falta dos nossos familiares e mais do
que isso, souberam valorizar a importância de se ter boas amizades.

Aos nossos coordenadores de curso Major PM Reginaldo Santos Silva e Professora


Bethânia Silva Belisário, pela paciência e habilidade em nos conduzir durante todo o
trajeto do CAO.

Ao nosso orientador Major PM Nylton Rodrigues Ribeiro Filho, Coordenador do


CIODES, pela gentileza em nos ajudar a dar forma nesse tema tão inovador e
moderno.

À Secretaria de Defesa Social do Município de Serra/ES, em especial ao secretário


Ledir da Silva Porto e à Diretora do Departamento de Política de Segurança Pública
Karidene Nardi Modenesi Gomes, pela presteza em nos informar os detalhamentos
da implantação do projeto de videomonitoramento na cidade de Serra.

Ao Coronel RR da Brigada Militar do Rio Grande do Sul Luiz Antônio Brenner


Guimarães, Coordenador da área de Direitos Humanos e Segurança Pública do
Instituto Guayí, por sempre nos atender de forma mais que atenciosa tendo inclusive
contribuído com materiais de sua própria autoria para a confecção desse trabalho.
5

Ao chefe de Planejamento e Modernização da SESP, José Roberto Barbosa da


Silva, pela entrevista gentilmente concedida. Também a Sub Tenente PM Edna
Amorim

Ao gestor do contrato de videomonitoramento da Prefeitura Municipal de Vitória,


Everaldo Francisco Costa, pelo fornecimento de dados e pela entrevista gentilmente
cedida.

Especialmente a Mariana Brêda e Giovana Brêda, que não mediram esforços para
contribuir, sempre que as suas presenças se fizeram requeridas.

A todos que, de maneira direta ou indireta, contribuíram para nossa formação e


conhecimento.
6

“Construir uma sociedade livre, justa e


solidária; garantir o desenvolvimento
nacional; erradicar a pobreza e a
marginalização e reduzir as desigualdades
sociais e regionais; promover o bem de
todos, sem preconceito de origem de raça,
sexo, cor, idade e quaisquer outras formas
de discriminação”.
Artigo 3º da Constituição da República
Federativa do Brasil
7

RESUMO

Analisa a funcionalidade e aplicabilidade do Videomonitoramento no campo da


Segurança Pública no Estado do Espírito Santo, cujo objetivo da instalação das
câmeras de vigilância se verifica nos discursos produzidos em torno dos alarmantes
índices de criminalidade verificados no Estado. Porém, para um estudo um pouco
mais aprofundado acerca da utilização dessa tecnologia aplicada no combate ao
crime, foi necessário dissertar sobre o surgimento das civilizações, o seu modelo de
organização ao longo das eras, o modo de convivência entre os povos antigos até
os dias atuais, o surgimento dos Estados Soberanos e o aparecimento do
Constitucionalismo, entre outros fatores; para se chegar à raiz do problema da
insegurança e os meios tecnológicos utilizados para a sua coibição. Nesse ínterim,
partiu-se para uma contribuição teórica, fundamental para se entender a dinâmica
desses modernos mecanismos de vigilância e sua abrangência na intervenção na
paisagem social, utilizando-se de conceitos mais que preciosos do panóptico na
vigilância contemporânea. Alguns caminhos tomados, como as entrevistas
registradas com autoridades responsáveis pela implantação dessa ferramenta
tecnológica e, mais exatamente, as visitas aos locais de monitoramento
proporcionaram uma dinâmica altamente favorável ao desenvolvimento dessa
produção científica na medida em que se contrastou a análise teórica com a
atividade de monitoramento eletrônico in loco. Foram analisados dados estatísticos
de Serra e de Vitória, a partir do banco de dados da SESP, comparando-se com
períodos anteriores aos da instalação das câmeras, onde se notou uma eficácia
desse moderno meio de predição e prevenção nos espaços em que elas se
encontram. Essa pequena amostra analisada foi determinante para se averiguar que
o Videomonitoramento é uma ferramenta eficiente e encontra eficácia na medida em
que está em uníssono com as demais ferramentas empregadas pela Segurança
Pública e, principalmente, não substitui o emprego do homem enquanto profissional
de segurança pública, ocorrendo uma imbricação entre o homem e a máquina.
Comprovadamente atesta-se que o simples emprego desse avançado aparato
tecnológico não pode estar sustentado em uma visão anacrônica de aplicação de
8

políticas públicas de segurança, e sim deve ser planejado de forma a agregar outras
ações que visem a redução da violência e da criminalidade.

Palavras-chave: Policiamento, Segurança Pública, Tecnologia,


Videomonitoramento, Vigilância, Violência Urbana.
9

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01 – Sistemas de videovigilância (CCTV)......................................... 52

Figura 02 – Câmera de Videomonitoramento.............................................. 63

Figura 03 – Funcionamento das Câmeras Tagarelas nos Municípios de


70
Vitória e Serra –ES........................................................................................
Figura 04 – Centro de monitoramento do município de Serra-ES............... 73

Figura 05 – Videomonitoramento da Guarda Municipal de Vitória, no


76
CIODES...............................................................................................................................

Figura 06 – Imagem projetada pela objetiva da câmera.................................... 96

Figura 07 – Vários pontos dispersos da imagem......................................... 96

Figura 08 – Profundidade de foco de imagem e profundidade de campo


97
de imagem.....................................................................................................
10

LISTA DE TABELAS

Tabela 01 – Dados do Contrato de Videomonitoramento de Vitória-ES............ 81

Tabela 02 – Dados do Primeiro Contrato de Videomonitoramento de Serra-


ES.........................................................................................................................
82

Tabela 03 – Dados do Segundo Contrato de Videomonitoramento de Serra-


ES....................................................................................................................
83

Tabela 04 – Principais Crimes: Contra Pessoa, Contra o Patrimônio


registrados no município de Serra no verão no Balneário de Jacaraípe e
84
Manguinhos em 2007 e 2008.............................................................................

Tabela 05 – Atendimentos registrados no Verão no Balneário de Jacaraípe e


Manguinhos em 2007 e 2008............................................................................
84

Tabela 06 – Principais Crimes: Crimes contra Pessoa e Crimes contra


Patrimônio registrados no município de Serra 1º Semestre 2007/2008 - Locais
85
de Câmeras..........................................................................................................

Tabela 07 – Atendimentos registrados no município de Serra 1º Semestre


2006/2007/2008 - Locais de Câmeras...............................................................
86

Tabela 08 – Atendimentos registrados no município de Vitória 1º Semestre


2007/2008 - Locais de Câmeras.......................................................................
87

Tabela 09 – Principais Crimes: Crimes contra Pessoa e Crimes contra


Patrimônio registrados no município de Vitória 1º Semestre 2007/2008 - Locais
88
de Câmeras............................................................................................
11

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

BPM – Batalhão da Polícia Militar

CAP – Capitão

CCD – Charge Coupled Device – “Dispositivo de carga acoplada” (chip-sensor


responsável por registrar imagens de uma câmera de vídeo).

CCEAL – Código de Conduta para os Encarregados da Aplicação da Lei

CCTV – Close Circuit Television – “Circuito Fechado de Televisão”

CEL – Coronel

CIODES - Centro Integrado Operacional de Defesa Social

CNPD – Comissão Nacional de Proteção de Dados (Portugal)

CONPEDI – Conselho Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito

COPOM – Centro de Operações da Polícia Militar

ES – Espírito Santo

ETA – Euzkadi Ta Askatasuna – “Pátria Basca e Liberdade” (Grupo Armado Basco)

EUA – Estados Unidos da América

FDV – Faculdade de Direito de Vitória

IBDE – Instituto Brasileiro do Direito do Estado

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

LEAA –Law Enforcement Assistance Administration – “Administração de Auxílio ao


Policiamento”

MT – Mato Grosso

ONU – Organização das Nações Unidas

PM – Polícia Militar

PRONASCI – Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania

PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo


12

RS – Rio Grande do Sul

SC – Santa Catarina

SEDES – Secretaria de Estado de Desenvolvimento

SENASP – Secretaria Nacional de Segurança Pública

SESP – Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social

SJR/RS – Secretaria da Justiça e Segurança do Estado do Rio Grande do Sul

UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro

UFPR – Universidade Federal do Paraná


13

LISTA DE EXPRESSÕES LATINAS

Apud – Junto de; Citado por.

Et al - Expressão originária da língua latina, usada atualmente (segundo regras as


quais devem se ater trabalhos acadêmicos, entre outros), em citações.
Ao fazer isso, o autor revela que o trabalho, frase ou outro conteúdo, ao qual ele
recorreu, a fim de valorar a tese defendida, apresenta um número maior que três
autores e por isso, em texto, usa a expressão et al ("entre outros", em tradução livre)
comunicando na citação tal evento.

Ipsis verbis – Exatamente igual; com as mesmas palavras.

Pólis – Cidades-Estados.

Salus Populi – Segurança do povo.

Sic – Assim, tal. Vocábulo consignado entre parênteses, para indicar que a
referência está feita como no original, ainda que errônea ou singular.

Vacatio legis – Dispensa da lei. Espaço de tempo entre a publicação de uma lei e a
sua entrada em vigor.
14

LISTA DE ANEXOS

Anexo A PORTARIA SJS Nº 042, DE 25 DE ABRIL DE 2005................................ 108

Anexo B ENTREVISTA AO SR. LEDIR PORTO..................................................... 112

Anexo C ENTREVISTA DO SR. JOSÉ ROBERTO BARBOSA DA SILVA............. 115

Anexo D ENTREVISTA AO SR. EVERALDO FRANCISCO COSTA...................... 117


15

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ................................................................................................... 17

1 A SEGURANÇA PÚBLICA................................................................................. 20
1.1 SURGIMENTO DA SEGURANÇA PÚBLICA NAS SOCIEDADES..................... 22
1.2 CONSTITUCIONALISMO................................ 25
1.3 COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL DA SEGURANÇA PÚBLICA NO
BRASIL................................................................................................................ 28
1.3.1 A origem histórica da polícia militar................................................................ 32
1.4 SEGURANÇA PÚBLICA E TECNOLOGIA.......................................................... 33

2 VIOLÊNCIA SOCIAL........................................................................................... 40
2.1 CRESCIMENTO DA VIOLÊNCIA NOS CENTROS URBANOS
BRASILEIROS..................................................................................................... 43

3 DESENVOLVIMENTO DO POLICIAMENTO E AS TECNOLOGIAS DE


INFORMAÇÃO.................................................................................................... 47
3.1 SURGIMENTO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO.................................. 49
Tecnologias de informação e a polícia............................................................ 50
3.2 SURGIMENTO DOS SISTEMAS DE CIRCUITO FECHADO DE TELEVISÃO
E VIDEOVIGILANCIA.......................................................................................... 52

4 O PANÓPTICO E A VISÃO COMTEMPORÂNEA DA VIGILÂNCIA


ELETRÔNICA..................................................................................................... 57

5 VIDEOMONITORAMENTO................................................................................. 63
5.1 O QUE É O VIDEOMONITORAMENTO............................................................. 66
5.2 FUNCIONALIDADE E EFICÁCIA DO VIDEOMONITORAMENTO .................... 68
5.3 FUNCIONALIDADE DA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE
VIDEOMONITORAMENTO NO MUNICÍPIO DE SERRA-
ES........................................................................................................................ 73
5.4 FUNCIONALIDADE DA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE 76
VIDEOMONITORAMENTO NO MUNICÍPIO DE SERRA-ES
5.5 FUNCIONALIDADE DO SISTEMA DE VIDEOMONITORAMENTO NOS
ESTADOS FEDERATIVOS ............................................................................... 78
INVESTIMENTOS NO VIDEOMONITORAMENTO............................................
Investimentos no videomonitoramento no município de Vitória-ES............ 81
Investimentos no videomonitoramento no município de Serra-ES.............. 82
5.7 COMPARATIVOS ENTRE OS MUNICÍPIO DE SERRA E DE VITÓRIA:
ANTES E DEPOIS DA IMPLANTAÇÃO DO VIDEOMONITORAMENTO........... 84
16

6 VIGILÂNCIA ELETRÔNICA: PERSPECTIVAS DOS DIREITOS À


PRIVACIDADE E À SEGURANÇA..................................................................... 89
6.1 POSSIBILIDADES DE PONDERAÇÃO DE PONDERAÇÃO NO CONFLITO
ENTRE OS DIREITOS À PRIVACIDADE E À SEGURANÇA............................. 92
6.2 POSICIONAMENTO E DIRECIONAMENTO DA IMAGEM PRODUZIDA
PELAS CÂMERAS DE VIDEOMONITORAMENTO COMO MEDIDA
ALTERNATIVA PARA NÃO VIOLAÇÃO DOS DIREITOS À INTIMIDADE E A
PRIVACIDADE....................................................................................................

95
CONSIDERAÇÕES FINAIS................................................................................ 99

REFERÊNCIAS................................................................................................... 102

ANEXOS.............................................................................................................. 108
17

INTRODUÇÃO

A violência no Brasil encontra-se em estado alarmante. Com o crescimento das


cidades, muitas vezes desordenado, afere-se o aumento da criminalidade e da
violência, fazendo com que o respeito aos direitos alheios, como fator decisivo à
integração e à harmonia social, não sejam respeitados. Portanto, discussões sobre
formas de se controlar a criminalidade devem ser abordadas com veemência.

A segurança dos indivíduos e de suas propriedades é um tema central e se resume


numa preocupação cada vez mais acentuada em quase todo o mundo. Baseado
nessa ansiedade coletiva, a sociedade busca por respostas concretas, com o
objetivo de reduzir o medo que permeia a sociedade, buscando conquistar uma
melhor qualidade de vida.

É necessário que uma política organizacional de segurança, não só repressiva como


preventiva, seja implantada com eficácia. A intimidação do ato criminoso constitui um
recurso valioso à proteção de toda a sociedade, assim como a identificação e
punição do infrator.

Uma das soluções oferecidas é o sistema de videomonitoramento, em virtude da sua


boa aplicabilidade, principalmente quanto à sua interligação a outras tecnologias
consideradas modernas, como a Internet.

Inicialmente utilizados em estabelecimentos particulares, esses mecanismos de


vigilância agora se expandem a uma velocidade astronômica para o campo da
segurança pública, e as autoridades de segurança não se fartam em apregoar que
essa ferramenta tem sido uma excelente arma na predição e na prevenção da
violência, a despeito da interferência que esse sistema traz no que se refere aos
direitos fundamentais, liberdades e garantias do cidadão, consagradas
constitucionalmente.
18

Nesse sentido, várias cidades brasileiras estão investindo em sistemas de


videomonitoramento, onde são instaladas câmeras de filmagens – com considerável
poder de aproximação e nitidez – que contribuem na eficiência do serviço dos
órgãos de Segurança Pública.

No estado do Espírito Santo, os pioneiros na utilização dos recursos eletrônicos do


videomonitoramento voltados para a Segurança Pública, foram os municípios de
Serra, pertencente à Região Metropolitana da Grande Vitória, bem como a própria
capital Vitória.

Neste estudo serão esmiuçados os dados referentes à criminalidade na citada


região metropolitana, especificamente nas cidades de Vitória e Serra, onde já se
encontra implantado o sistema de vigilância eletrônica.

Porém, para um estudo um pouco mais aprofundado acerca da utilização dessa


tecnologia contemporânea aplicada no controle ao crime, foi necessário dissertar
sobre o surgimento da segurança pública no seio das sociedades.

Trouxemos à baila uma panorâmica acerca dos primórdios das civilizações, o seu
modelo de organização ao longo das eras, o modo de convivência entre os povos
antigos até os dias atuais, o surgimento dos Estados soberanos e o aparecimento do
constitucionalismo com seus dispositivos legais de concentração de poder nas mãos
do Estado, dentre outros fatores; para se chegar à raiz do problema da insegurança
e os meios tecnológicos utilizados para o seu controle.

Descrevemos o monopólio da violência e as garantias de segurança e de bem estar


social nas mãos do Estado, enfocando a competência constitucional da segurança
pública no Brasil, a origem histórica da Polícia Militar, creditada a Diogo Feijó, tendo
como base o modelo francês bonapartista, competindo ao major Luiz Alves de Lima
e Silva a estruturação da Polícia de Estado.

Nessa trajetória, destacamos o papel do Estado no controle ao crime e o meio por


ele eleito para garantir a segurança pública. pormenorizamos, acerca do tema, as
polícias, que têm por objetivo a proteção da ordem pública, da incolumidade das
19

pessoas e do patrimônio. Nesse enfoque, salta a salutar importância da Polícia


Militar, responsável pelo policiamento ostensivo e pela guarda da ordem pública.

Nessa trajetória das forças policiais no Brasil somou-se o crescimento de novos


conflitos sociais, concomitantemente com as novas tecnologias exercidas nas
medidas de coordenação da circulação de pessoas, aplicadas principalmente nos
grandes centros.

Contextualizamos a violência social e o crescimento da violência nos centros


urbanos brasileiros destacando os constantes ataques à segurança pública pela
criminalidade avassaladora.

Fizemos um apanhado do desenvolvimento do policiamento e as tecnologias de


informação, que vieram a fazer frente a essa delinqüência crescente, que nos levou
a reportar aos idos da chegada do príncipe D. João e a criação da Divisão Militar da
Guarda Real de Polícia.

Ressaltamos o surgimento das tecnologias de informação com o aparecimento do


rádio, da televisão e da internet. E, verificou-se uma percepção clara de que a
segurança pública, para aprimorar seus métodos de trabalho e de conduta, também
lança mão dessas tecnologias e as aproveita em seu benefício.

Não poderíamos deixar de relatar o surgimento dos sistemas de circuito fechado de


televisão e videovigilância, sua disseminação na Europa, mais precisamente na
Inglaterra; e a sua implantação no Brasil e no Espírito Santo.

Ao falarmos sobre videomonitoramento foi fundamental discorrermos sobre os


conceitos do panóptico de Benthan e Foulcault, comparando-se a vigilância
contemporânea com a vigilância moderna foulcaultiana, sintetizados através de
estudos oferecidos pelas professoras Fernanda Bruno, Marta Mourão Kanashiro,
dentre outros.
20

1 A SEGURANÇA PÚBLICA

Pois bem. Em um primeiro momento, importante salientar o que vem a ser o


conceito gramatical da palavra segurança para um melhor entendimento sobre o
estudo em tela. Não é ardilosa a definição teleológica do termo. Plácido e Silva,
citado por Azamor dos Santos Filho (2007), assim aduz acerca da questão:

Segurança: derivado de segurar exprime, gramaticalmente, a ação e efeito


de tornar seguro, ou de assegurar e garantir alguma coisa. Assim,
segurança indica o sentido de tornar a coisa livre de perigos, de incertezas.
Tem o mesmo sentido de seguridade que é a qualidade, a condição de estar
seguro, livre de perigo e riscos, de estar afastado de danos ou prejuízos
eventuais (SILVA apud. SANTOS FILHO, 2007).

Já de posse do conceito de segurança, mister o aprofundamento acerca do


conteúdo etimológico da expressão Segurança Pública. Marcus Cláudio Acquaviva
destaca o que vem a ser a terminologia Segurança Pública, ressaltando ainda o
significado de ordem pública:

Sistema de normas que têm por objetivo a preservação da ordem pública


interna. Ordem pública, como se sabe, é a própria paz social, situação de
convivência pacífica, por meio da coibição das infrações às normas jurídicas
e, nas ocorrências destas, sua composição mediante um processo legal
previamente estabelecido (ACQUAVIVA, 2000, p. 1184).

Assim sendo, a Segurança Pública nada mais é do que a busca pela preservação e
manutenção da ordem pública, permitindo que todos exerçam suas atividades sem
perturbação de outrem. Em seu contexto estão inseridas atividades de prevenção,
vigilância e coibição de condutas delituosas.

Sem a Segurança Pública não há qualquer hipótese de subsistência pacífica entre


os homens socialmente organizados. Para manter a ordem social é necessário o
controle coercitivo aplicado pelo Estado, enquanto garantidor da soberania nacional
e mantenedor dessa segurança.
21

Contudo, o pensamento moderno irrompe no sentido de que o dever de segurança


também é expandido a todos os setores sociais. Nesse diapasão, preciosa é a lição
de Azamor dos Santos Filho (2007), ao dizer:

A segurança pública como exposto abrange não somente encargos


atinentes às polícias, mas de uma ação complexa por parte do Poder
Público e, modernamente do conjunto social atendido. Especialmente pela
nova ordem constitucional, quando diz que a responsabilidade é de todos
(SANTOS FILHO, 2007).

A falta de garantia da ordem pública por parte do Estado é um dos fatores que levam
à míngua o equilíbrio social do homem moderno, especialmente aqueles que vivem
em grandes centros urbanos, os quais são, sem dúvida, os mais afetados pela
criminalidade e falta de segurança.

É primordial o estudo acerca da segurança pública, não para dar um basta aos
casos que hodiernamente são expostos pela mídia, mas para jogar luzes em fatos e
situações de interesse coletivo para uma melhor convivência e entendimento do que
vem sendo feito para coibir a criminalidade e asseverar o preceito constitucional da
segurança pública, que é, precipuamente, dever do Estado.

Maslow apud Azamor dos Santos Filho (2007) destaca a segurança como
necessidade indispensável, especialmente nos grandes centros urbanos, onde a
criminalidade é crescente:

[...] a segurança é uma necessidade primária sem a qual o homem não


sobrevive. Daí porque a colocou na base da pirâmide das necessidades.
Depreende-se disso que a insegurança provoca desequilíbrios de toda a
ordem na qualidade de vida do homem moderno, especialmente os
residentes nos grandes centros urbanos. (SANTOS FILHO, 2007).

Dentre os elementos que compõem o controle estatal da ordem pública, podemos


apontar um novo modelo de vigilância que está sendo utilizado pelas autoridades,
mundo afora, como forma de vigilância, coibição e prevenção de condutas
criminosas, qual seja, o videomonitoramento, objeto do presente estudo.

Antes, porém, de adentrarmos especificamente no tema do videomonitoramento,


será exposto, de modo sucinto, o aparecimento dos grandes centros urbanos, no
22

decorrer das eras, e da necessidade da segurança pública nas sociedades, desde


os tempos remotos até os dias atuais.

1.1 SURGIMENTO DA SEGURANÇA PÚBLICA NAS SOCIEDADES

A procura por segurança pública e proteção remonta aos primórdios da nossa


origem enquanto civilização. É de conhecimento comum que os primitivos homens
das cavernas se defendiam com instrumentos rudimentares feitos com paus e
pedras contra ataques de animais. Os ancestrais dos homens viviam em bandos e
se preocupavam rudimentarmente com a preservação da espécie.

Segundo Lewis Mumford, em sua obra “A Cidade na História: suas origens,


transformações e perspectivas“, traduzida por Neil Silva, “o aparecimento real da
cidade ocorreu como resultado final de uma união mais remota entre os
componentes paleolíticos e neolíticos” (MUMFORD, 1998, p. 28).

Ainda citando Lewis Mumford (1998), este argumenta que o caçador paleolítico e o
domesticador neolítico em sua aldeia vão se unir em torno de uma relação
praticamente simbiótica. O caçador, dominador das armas, defenderia a aldeia dos
animais predadores e, em contrapartida, teria acolhimento na aldeia.

Na esteira do raciocínio, com o passar do tempo, essa segurança torna o aldeão


retraído e complacente e o caçador muda de papel, assumindo a postura de “lobo”,
exigindo “pagamento de proteção” para a prosperidade da aldeia.

Por fim, novamente utilizando-se das lições de Lewis Mumford (1998), o foco da
segurança muda um pouco quando, além de proteger as moradias, o homem passa
a se preocupar com a defesa dos alimentos que produzia e do gado.

De acordo com o texto “Idade dos Metais” (Jornal Livre, 2007), os grandes avanços
em relação aos instrumentos de defesa ocorreram na “Idade dos Metais” – período
23

que se deu em meados do ano 5.000 a.C., com a “Idade do Bronze”, e término na
“Idade do Ferro” – que teve por termo inicial o ano de 1.200 a.C.. Nessa época,
houve um grande aperfeiçoamento dos seus instrumentos através do domínio da
técnica de fundição dos metais.

Houve então uma passagem da “cultura de aldeia” para a “cultura urbana”. Surgiram
as ‘muralhas altivas e fortes’ – onde “a própria muralha valia por um exército para
controlar os rebeldes, manter os rivais sob vigilância e bloquear a fuga dos
desesperados”. Começou-se, a partir daí, o convívio amistoso dentro da cidade, a
comunhão espiritual e um complexo sistema de cooperação. De outro lado,
introduziu-se também, na cultura urbana, a segregação de classe, o controle
autoritário e a violência extrema por intermédio da agressividade militar (MUMFORD,
1998, p. 56 e 57).

No entanto, a cidade murada gerou uma imensidão de agressões exteriores em sua


volta, seja pelos que viviam fora das fortificações, seja pelos que viviam em outras
cidades. Mesmo assim, “a cidade foi, em relação ao campo, [...] um pólo de atração
de segurança”, consoante assertiva do medievalista francês LE GOFF, em sua obra
“Por amor às Cidades”, traduzida por Reginaldo Carmello Corrêa de Moraes (1998).

A partir da mescla da questão dos conflitos internos gerados pela complexidade


urbana (MUMFORD, 1998, p. 61) e do controle dos ataques externos (LE GOFF,
1998, p. 72), muralhas e homens armados velavam pelas pólis para lhes
proporcionar segurança, “uma obsessão urbana”.

Segundo o medievalista Jacques Le Goff, se substituirmos os muros da cidade


Medieval pela periferia urbana atual, ter-se-á a cidade contemporânea repleta de
violência e medo. Tal aspecto mostra mais semelhança da idade média com a
contemporânea que com a idade moderna. Nesse contexto, atualmente, “o medo do
perigo está no interior da cidade e alguns bairros urbanos vivem sob forte vigilância”
(LE GOFF, 1998, p. 72). Aglair Bernardo referindo-se a LE GOFF, acrescenta:
24

De acordo com Le Goff, a necessidade de segurança assume formas


variadas, segundo os lugares e a categoria social e, de certo modo, é um
valor comum, do mesmo modo como se dá atualmente. Mesmo homens,
como os guerreiros, identificados com a violência, buscavam a segurança
em suas fortalezas. Existiam práticas de policiamento onde,
paradoxalmente, semelhante ao que ocorre na cidade contemporânea,
confiava-se a segurança a pessoas, em certa medida, desqualificadas
socialmente. Com exceção dos marginais, mesmo os pobres tinham
preocupações com relação à segurança, e o roubo era duramente punido,
muito mais do que em nossa época (LE GOFF apud BERNARDO, 2007, p.
48).

Com o fim da Idade Média e o nascimento da Idade Moderna – com o advento das
incursões do mercantilismo, em meados do ano de 1.500 d.C. – os Estados
passaram a deter um maior controle social, atraindo para si todas as
responsabilidades, tanto nos quesitos de proteção dos seus cidadãos, quanto em
suas políticas de desenvolvimento.

A exemplo, foi nesse período histórico que emergiram diversos pensadores, dentre
eles Tomaz Hobbes, autor da célebre obra “Leviatã”, ao qual tratava o Estado como
garantidor de todas as coisas.

Na citada obra, Hobbes, ao analisar a essência e a natureza do Estado em razão de


seu poderio e de sua força, assemelhou-o ao monstro bíblico descrito no capítulo 41
do livro de Jó. Partindo desta premissa, denominou-o de grande “Leviatã". Ao definir
o Leviatã (Estado), Hobbes afirma que a “(...) Salus Populi (a segurança do povo) é
seu objetivo”; sendo “a justiça e as leis, razão e vontade artificiais” (SANTOS, 2006).

Assim prosseguiu durante todo o período marcado pela Idade Contemporânea,


tendo por termo inicial a Revolução Francesa. Nesta época, os Estados soberanos
estavam mais robustos e interferiam de modo mais direto nos interesses dos
particulares, tanto no que se referia às garantias individuais quanto no que se referia
aos interesses coletivos – entre eles a segurança pública, tão almejada desde os
tempos remotos.

Para um melhor entendimento acerca da posição de garantidor assumida pelo


Estado moderno, situação ao qual atrai para si a condição de protetor e fornecedor
de todas as coisas relativas às garantias individuais e coletivas aos seus cidadãos e
25

demais pessoas que se encontram em seu território, mister um breve escorço


acerca do constitucionalismo, sua origem e evolução.

1.2 CONSTITUCIONALISMO

A coexistência humana só é viável diante da organização social pautada em normas


e diretrizes que devem ser seguidas por todos, sob pena de estarmos diante de um
anarquismo desmedido, de um caos completo.

Washington de Barros, apud Ana Flávia Messa, melhor expressa este raciocínio ao
dizer:

A convivência entre os seres humanos é possível, desde que exista uma


organização representada por normas jurídicas. Conforme saudoso
Washington de Barros: ‘Sem essas regras, disciplinadoras do nosso
proceder, ter-se-ia o caos. Os conflitos individuais, resultantes do choque de
interesses, seriam inevitáveis e a desordem constituiria o estado natural da
humanidade’ (2008, p. 63).

Assim, tem-se que a Constituição de um Estado Democrático de Direito possui os


pilares da formação, organização, estrutura e garantias de um Estado. O renomado
professor José Afonso da Silva, assim define o conceito de Constituição nos tempos
atuais:

A constituição do Estado, considerada como lei fundamental, seria, então, a


organização dos seus elementos essenciais: um sistema de normas
jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma do Estado, a forma de
seu governo, o modo de aquisição e o exercício do poder, o
estabelecimento de seus órgãos e os limites de sua ação. Em síntese, a
constituição é o conjunto de normas que organiza os elementos
constitutivos do Estado (SILVA, 1991, p. 39).

Nesse mesmo sentido, e em completa sintonia com o que já exposto, pertinente os


dizeres de Marcus Cláudio Acquaviva (2000):

Pois bem, as organizações sociais surgem, inicialmente, no seio da família,


do clã, da tribo, até que cheguemos ao Estado, a mais perfeita forma de
convivência social. [...] A tendência das sociedades de se estruturarem sob
a égide de uma lei fundamental surge muito cedo na história humana.
26

Inicialmente ela tem caráter religioso, místico, revelando a vontade divina


(mana) sob a forma de tabu, como acentua Viamonte (ACQUAVIVA, 2000,
p. 377).

Ligando a necessidade de uma organização jurídica e o seu conteúdo histórico, a


origem do constitucionalismo remonta a Era Grega, onde o aclamado filósofo
Aristóteles já definia o que seria o conjunto de princípios compreendidos nos
aspectos da vida jurídica, política, social, religiosa e econômica – que os gregos já
chamavam de Constituição – como “a organização das funções do Estado”, que
determinava “qual o órgão governante e qual o fim de cada comunidade” de acordo
com o entendimento de Walter Vieira do Nascimento (1998, p. 99).

Porém, foi na Inglaterra, ainda na Idade Média, que o Direito Constitucional passou a
se desenvolver melhor, com a manutenção dos costumes legais pelos monarcas da
época até o advento do primeiro texto legal constitucional escrito, no reinado do
monarca inglês João Sem Terra (1199-1216). Vejamos, novamente, a preciosa lição
de NASCIMENTO (1998):

Guilherme I, o Conquistador (1066-1087), à frente do reino então fundado,


tratou de manter as leis e os costumes anglo-saxões em vigor, ao mesmo
tempo em que baixava novas normas de organização política. [...] Mais
tarde, já no reinado de Henrique I (1100-1135), foi outorgado o primeiro
documento político escrito da Inglaterra, conhecido por Pequena Carta. [...]
Contudo, no ano de 1215 é que se assinalou um dos fatos mais relevantes
da história constitucional da Inglaterra. Foi quando, pressionado pelos
delegados da aristocracia rural, João Sem Terra (1199-1216) promulgou a
célebre Carta Magna, que limitou os poderes reais, confirmou a liberdade
individual e a inviolabilidade da propriedade privada (NASCIMENTO, 1998,
p. 100).

Em concordância com o que já foi exposto, foi também na Inglaterra, justamente na


Época Moderna, que surgiram os “primeiros rascunhos” do que viria a ser a divisão
dos poderes nos moldes de como é concebido hoje, sendo retomada e aperfeiçoada
por Montesquieu, posteriormente. Essa separação dos poderes tem por azo o
Instrument of Government, de autoria de Cromwell (1599-1658) (ACCIOLI apud
NASCIMENTO, 1998, p. 101).

Vale ressaltar, porém, que a doutrina da separação dos poderes foi idealizada em
molde embrionário por Aristóteles, em sua obra “Política”. É o fundamento de todo o
Estado Democrático. Conhecida como doutrina dos “freios e contrapesos” –
27

nomenclatura utilizada após lapidação das idéias por Montesquieu – defende a idéia
de que os poderes dentro do Estado são independentes e harmônicos entre si.
Esses poderes estão divididos em Legislativo, Executivo e Judiciário, segundo
Montesquieu (MALDONADO, [20--?], p.5-6).

Em 1787, com a Constituição rígida e escrita dos Estados Unidos da América, após
a independência das 13 colônias, e em 1791, com a elaboração da Constituição
Francesa, a partir da Revolução Francesa, é que se deu início ao constitucionalismo
formal.

Esse constitucionalismo, também experimentado pelos dias atuais, se calca na


organização do Estado e nas garantias fundamentais, plenamente discutidos nas
constituições citadas. Vejamos a lição do renomado doutrinador jurídico Alexandre
de Moraes, que assim discorre sobre o tema:

A origem formal do constitucionalismo está ligada às Constituições escritas


e rígidas dos Estados Unidos da América, em 1787, ano da independência
das 13 colônias, e da França, em 1791, a partir da Revolução Francesa,
apresentando dois traços marcantes: organização do Estado e limitação do
poder estatal, por meio da previsão dos direitos e garantias fundamentais
(MORAES, 2007, p. 1).

O constitucionalismo moderno, destarte, pode ser compreendido na somatória do


constitucionalismo histórico, medieval, inglês e, ainda, no norte americano. Neste
último, “é onde se há de buscar a origem de nossas constituições escritas (...). A
Revolução Francesa aceita a idéia americana, e da francesa ela se estende aos
demais Estados europeus” (NASCIMENTO, 1998).

Demonstra-se, assim, que a concentração da supremacia e do poder está


precipuamente nas mãos do Estado, face aos particulares, principalmente com o
advento do constitucionalismo moderno, onde o Estado, apesar de suas limitações
advindas do poder constituinte, age de forma a garantir a segurança e o bem estar
social.

Portanto, desde os primórdios, onde o homem não civilizado buscava a sua proteção
em aldeias e se defendia com instrumentos rudimentares, até os dias atuais, onde o
28

Estado – conforme adrede exposto – assume a responsabilidade da proteção dos


seus, uma das principais preocupações do ser humano diz respeito à sua
segurança, tanto individual quanto coletiva.

No Brasil não é diferente. O Estado Democrático brasileiro, em sua Carta Política,


assume a responsabilidade da Segurança Pública em conjunto com os demais
setores sociais. Esta responsabilidade decorre do modelo constitucional adotado,
como se verá em seguida.

Antes, porém, urge ressaltar que o Estado, para cumprir a sua finalidade de alcançar
o bem comum, utiliza recursos financeiros para manter toda a organização estatal,
até mesmo para garantir a sua própria existência. Atentemo-nos para lição da
Mestra Ana Flávia Messa:

O Estado, para cumprir sua finalidade de alcançar o bem comum, necessita


de recursos financeiros para custear as despesas com a sociedade. Para
tal, desenvolve atividades que podem ser divididas em dois grandes grupos:
atividades-fim e atividades-meio. Atividades-fim são as que justificam a
existência do Estado, como educação, a saúde, a segurança etc. e
atividades-meio são as que servem de instrumento para a realização das
atividades-fim, como a tributação, as atividades financeiras, etc. (MESSA,
2008, p. 31).

Assim como os caçadores mudaram de figura, assumindo o papel de “lobo”,


exigindo “pagamento de proteção” para a prosperidade da aldeia nas épocas mais
remotas – conforme anteriormente dito, o Estado também se utiliza desse artifício
não só para garantir a segurança pública, mas para garantir a sua própria
sobrevivência e existência do Estado soberano.

1.3 COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL DA SEGURANÇA PÚBLICA


NO BRASIL

Foi através da instituição da Constituição da República Federativa do Brasil,


promulgada no ano de 1988, que foi sepultado o Regime Ditatorial no país, dando
29

fim ao ciclo militarista e iniciando-se o exercício da Democracia plena, há muito não


experimentado.

Assim, saindo de um Estado Ditatorial e recebendo do Poder Constituinte uma nova


Constituição, conhecida como Constituição Cidadã, fora do contexto militarista, a
sociedade passou a uma análise mais atenta das funções e prerrogativas exercidas
pelo Estado na recente ordem constitucional. Desta maneira, assevera Luiz Ferraz
Moulin (2003, p. 34), acerca do debate iniciado após a promulgação da Carta de
Outubro de 1988:

O direito à democracia plena, com a promulgação da Constituição Cidadã


de 1988, abre as perspectivas fundamentais para a rediscussão sobre o
papel do Estado brasileiro dentro do novo contexto (MOULIN, 2003, p.
34) (grifo nosso).

Dentre as discussões preconizadas, a atual Carta Magna traz em seu bojo um


assunto de vital importância política e social, assunto este que foi e continua sendo
objeto e objetivo tão almejados pelos povos, ou seja, a Segurança Pública.

De acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, a Segurança


Pública é exercida para a preservação da incolumidade das pessoas, do patrimônio
e da ordem pública. Além disso, destaca quais são os órgãos que exercerão esse
preceito. Vejamos o que diz ipsis verbis o que trata o artigo 144 da referida Carta,
promulgada em 05 de outubro de 1988:

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade


de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da
incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
I – polícia federal;
II – polícia rodoviária federal;
III – polícia ferroviária federal;
IV – polícias civis;
V – polícias militares e corpos de bombeiros militares.
(grifo nosso).

Silena Jaime (2006), referindo-se ao artigo 144, da Constituição Federal, assim se


expressa:

A segurança pública aparece, então, como atividade exercida pelo Estado


através de seu aparato policial e que objetiva a manutenção da ordem
pública, a garantia da integridade pessoal e a preservação do patrimônio.
30

Para atingir tais objetivos vale-se, tradicionalmente, de políticas repressivas.


As instituições encarregadas da manutenção da segurança pública atuam
buscando inibir, neutralizar ou reprimir quaisquer atos considerados anti-
sociais, como meio de alcançar aqueles objetivos citados (JAIME, 2006).

A multiplicidade dos órgãos elencados no artigo 144 da Carta Constitucional tem


duas razões específicas: atender aos reclames sociais e diminuir a possibilidade de
intervenção das Forças Armadas na segurança interna (MORAES, 2007).

As razões citadas são facilmente compreendidas, pois o Estado brasileiro acabava


com um período ditatorial e ingressava em um Estado Democrático com a
Constituição de 1988, onde as Forças Armadas, constituídas pelo Exército, Marinha
e Aeronáutica, são destinadas precipuamente à defesa da pátria e dos poderes
constitucionais (Artigo 142 da Carta Política).

Como visto, o Estado atraiu para si a prerrogativa de proteção dos seus súditos. Na
Era Contemporânea, a sociedade se viu entremeada a desvios sociais, exigindo da
organização política medidas para controle da delinqüência dos seus habitantes.
Houve então a necessidade de dispositivos de segurança eficazes no controle à
criminalidade.

Segundo o entendimento de Azamor dos Santos Filho (2007), os órgãos policiais e


jurídicos foram incumbidos de impor a ordem social aos descumpridores da lei:

Órgãos policiais e jurídicos foram encetados com o objetivo de punir os


transgressores, aplicando-lhes penas rigorosas, as quais tinham o condão
de reparar o dano causado, e principalmente impor o terror aos
recalcitrantes da lei (SANTOS FILHO, 2007).

Especificamente no que concerne a Polícia Militar, a primeira parte do parágrafo 5º


do artigo 144 da Constituição Federal, reza que cabe a ela a preservação da ordem
pública, bem como a polícia ostensiva. Vejamos o que dispõe o texto constitucional
para melhores esclarecimentos acerca do assunto:

§ 5º - Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação


da ordem pública; aos corpos de bombeiros militares, além das atribuições
definidas em lei, incumbe a execução de atividades de defesa civil (grifo
nosso).
31

O professor Roberto de Oliveira et al (2006), ao discorrer sobre o artigo 144,


parágrafo 5° da Constituição Federal, destaca que a Polícia Militar é a responsável
pelo policiamento ostensivo a fim de preservar a Ordem Pública, por intermédio de
ações de conteúdo preventivo e repressivo exercidas em fases distintas. Vejamos
sua ponderação sobre o tema em apreço:

À Polícia Militar executa seu mister em duas fases distintas. A primeira delas
é quando a situação é normal, ou seja, não há nenhuma quebra da ordem
pública, neste caso deve, a Polícia Militar, promover ações de caráter
preventivo que visam a dissuadir quaisquer quebra da ordem que possam
vir a ocorrer, utilizando para isto o policiamento preventivo. A segunda fase
por sua vez dá-se quando a ordem já foi quebrada, neste caso a polícia
agirá de maneira repressiva, trata-se do policiamento repressivo (OLIVEIRA
et al, 2006, p. 4).

Não é só. Em sua obra, Luiz Ferraz Moulin (2003), destaca que as polícias militares
passaram a ser administradas pelos governadores de Estado e do Distrito Federal,
continuando como força auxiliar do Exército, abrindo-se espaços para funcionalidade
de uma nova Segurança Pública que seja discutida e exercida em prol do benefício
popular.

Nesse mesmo sentido discorre inflamado o professor Luis Ferraz Moulin (2003), ao
acentuar outra função constitucional da Polícia Militar, que não o caráter ostensivo e
de preservação do controle social:

A criação da Polícia Interativa surgiu do nosso compromisso com o povo de


dotar a cidade de uma polícia não violenta, respeitadora dos direitos
humanos, submetida à vontade civil, organizada hierarquicamente,
disciplinada e cidadã. Comunitária, na essência da palavra (MOULIN, 2003,
p. 35).

Fica claro, portanto, que aos órgãos da administração pública competem a guarda e
vigilância sobre a sociedade. É dever constitucional apregoado como fator
determinante no convívio coletivo.

Não obstante, também por dever constitucional, compete à Polícia Militar o controle
direto e imediato aos criminosos que apontam cada vez mais preparados para a
prática criminosa, conforme alusão supra mencionada.
32

Daí a cabal necessidade de melhor investimento no aparelhamento das policias, em


especial a Militar, pois a esta foi incumbida a árdua tarefa de controle piamente o
verdadeiro “estado paralelo” que se incrustou no seio da sociedade. Para alcance
dessa determinação constitucional, mister seja implantado medidas eficazes no
controle à violência.

Nesse ponto, a tecnologia de vigilância pública, objeto do presente estudo, vem ao


auxílio da polícia, que agora conta com um aparato moderno e eficaz, tanto para
coibir ações de cunho delituoso como para a identificação das ações e sujeitos das
condutas criminosas.

1.3.1 A origem histórica da Polícia Militar

Conforme visto, a Polícia Militar atua junto à sociedade com o fim de manter a ordem
pública e a incolumidade das pessoas, bem como do patrimônio, seja ele público ou
particular.

Pois bem. A origem da instituição da Polícia Militar tem registro histórico da época do
Imperialismo Nacional, em meados da década de 30 do século XIX, mais
precisamente após a revolução de 1831. Diogo Feijó – então Ministro da Justiça do
período conhecido como “Regencial”, preocupado em fortalecer as bases
institucionais do referido período, dissolveu a Guarda Real de Polícia e dispensou
dois terços do efetivo do Exército Nacional (MOULIN, 2003, p. 15).

Feijó foi buscar no modelo francês bonapartista a Polícia de Estado, que agregava
funções policiais e administrativas, de guerra e de paz, entre outras, perdurando, na
França, desde o período monárquico que sucedeu Bonaparte (1815) como também
mantida pela República Francesa.

Nesse sentido, em relação à polícia recém criada no Brasil, surgiu a Polícia de


Estado, uma força paramilitar com honras e tradições guerreiras próprias dos
33

exércitos de guerra, “uma das primeiras colunas que sustentaram a paz pública e a
tranqüilidade dos povos”, nos dizeres do próprio Feijó (MOULIN, 2003, p. 16).

A estruturação da então criada Polícia de Estado competiu tão somente ao, hoje,
patrono do Exército Brasileiro, Duque de Caxias. Vejamos, por derradeiro, a
explanação de MOULIN (2003):

Ao major Luiz Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias, que de 1831 a
1839 exerceu o comando da nova polícia – designada ‘Corpo de Guardas
Permanentes’, atual Polícia Militar –, foi confiada a missão de normatizá-la e
estruturá-la. [...] Era o braço armado do Estado no seu trabalho contínuo de
autoproteção (2003, p. 15).

Assim surgiu a Polícia Militar no Estado brasileiro, com o escopo parecido ao que foi
adotado na atual Constituição pátria, qual seja, a manutenção da ordem e da defesa
do Estado Democrático de Direito.

1.4 SEGURANÇA PÚBLICA E TECNOLOGIA

Diante dos conflitos sociais cada vez mais aterrorizantes, surgiu a necessidade de
imposição de leis mais severas e de penas elevadas a fim de reprimir a
criminalidade.

Aliás, é essa a intenção do Código Penal ao discorrer sobre a aplicação da pena ao


condenado pela Justiça. No bojo do seu artigo 59, impõe de modo expresso o
conteúdo da condenação, conforme seja necessário e suficiente para a reprovação e
prevenção da atividade criminosa:

Art. 59. O juiz, [...] estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para
a reprovação e prevenção do crime:
I - as penas aplicáveis dentre as cominadas;
II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;
III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade;
IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie
de pena, se cabível. (grifo nosso)
34

É de se notar, nesse ponto, o caráter final da pena, que é castigar o agente


(reprovação), dando exemplo à sociedade (prevenção). Haveria de constar,
inclusive, a função reeducativa da sanção penal (NUCCI, 2007, p. 376).

A repressão tratada arriba, é a prevenção aplicada após a sentença condenatória do


réu, depois de um longo e dispendioso processo criminal ao qual é submetido. A
bem da verdade, o trabalho da polícia é bem mais rápido e expressivo, pois a sua
função preventiva se dá antes da prática do delito, não deixando que ele ocorra; e
não após a aplicação da pena pelo Estado ao infrator, como acontece na função
jurisdicional.

Nessa esteira, a organização policial evoluiu continuamente face às mudanças


tecnológicas. Há um maior controle político e organizacional em todos os seus
setores, propiciando uma maior efetividade no campo da prevenção e do
cumprimento das leis.

O professor de Sociologia na Cátedra William Graham Sumner, da Universidade de


Yale, nos Estados Unidos, Arbert J. Reiss Junior (1992), destaca:

(...) os maiores progressos na organização da polícia ocorreram nas áreas


de estruturação do comando e mobilização dos patrulheiros e no acesso e
uso de sistemas de informação por todos os níveis de pessoal (REISS
JUNIOR apud TONRY; MORRIS, 2003, p. 65).

Então, de encontro aos grandes problemas da seguridade social, como é o caso da


delinqüência crescente, há a melhor preparação e aparelhamento das policias,
sendo fator determinante na redução adequado da agrura social que é a
criminalidade.

Da década de 70 do século passado até os dias atuais, os dispositivos de vigilância,


evoluíram sobremaneira. Fernanda Bruno, em seu artigo “Estética do flagrante:
controle e prazer nos dispositivos de vigilância contemporâneos”, é categórica em
afirmar que esses mecanismos de vigilância contemporâneos são “intrínsecos ao
processo de modernização e suas práticas de gestão racional das instituições, da
35

produção, do governo, da saúde, da segurança dos estados e das populações etc.”


(BRUNO, [200-?], p. 1).

A autora salienta ainda, que apesar da intencionalidade direta ou indireta e do


“caráter multifacetado” de todos os dispositivos voltados para o controle da
criminalidade, a vigilância contemporânea “não é, portanto, boa nem má por
natureza, assim como seus efeitos não se medem por suas intenções” (BRUNO,
[200-?], p. 4).

Sendo assim, o aspecto que vai nos interessar mais precisamente na segurança
pública atual será aquele exercido nas medidas de coordenação da circulação de
pessoas. É nesse contexto que há maior incidência criminosa, como é o caso dos
grandes centros urbanos.

Com um policiamento efetivo tendente a melhorar a segurança como um todo, nos


diversos conglomerados urbanos, são utilizados métodos de controle da violência
urbana e de cumprimento das leis. Esse assunto também é merecedor de destaque
e discussão pelos organismos internacionais, que ventilam sobre o tema.

Vale ressaltar a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) de n° 34/169,


de 17 de dezembro de 1979, que trata especificamente do Código de Conduta para
os Encarregados da Aplicação da Lei (CCEAL), servindo de orientação para os
governos na resolução de questões relacionadas a direitos humanos e justiça
criminal.

Organização das Nações Unidas (ONU) reconhece que a elaboração de um


Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da
Lei é apenas uma das várias medidas importantes que visa a garantia de
todos os direitos e interesses dos cidadãos, objetivando em última
instância a prevenção ao crime e luta contra a delinqüência; já que é
ao funcionário policial que recai o dever de tal gerenciamento do
sistema de segurança pública, já que a conduta de cada funcionário do
sistema tem uma incidência sobre o sistema no seu conjunto.
Dentre as recomendações expostas no Código de Conduta para os
Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei, a Onu coloca como
premissa básica que o policial trabalhe servindo a comunidade,
protegendo todas as pessoas contra atos ilegais (PEDROSO, 2004)
(grifo nosso).
36

Tal resolução serve de base de orientação para implantação de métodos eficazes de


coibição aos atos ilegais, resguardando, contudo, os direitos e interesses dos
cidadãos na preservação da ordem pública, controlando os atos de corrupção
existentes na sociedade.

Ponto importante é o entendimento de TORNAGHI apud LYRA (1989, p. 23) ao


lançar a idéia da divisão da atividade policial. Para ele a atividade policial é exercida
com segurança e de forma administrativa que compreende a polícia judiciária e a
ostensiva.

Segundo o autor acima citado, a polícia administrativa tem “por objeto as limitações
impostas a bens jurídicos e individuais”; já quanto à polícia ostensiva, “as medidas
preventivas que em sua prudência julga necessárias para evitar o dano ou perigo
para as pessoas”.

Nesse exato sentido é a lição do sapiente professor José Afonso da Silva apud
Marcus Cláudio Acquaviva quando faz a divisão da polícia em Administrativa e de
Segurança, compreendendo esta última em polícia ostensiva, bem como judiciária:

A Polícia Administrativa tem por objetivo as limitações dos bens jurídicos


individuais, relativos à liberdade e à propriedade. Quanto a polícia
Ostensiva, tem por finalidade preservar a ordem pública, tendo,
portanto, caráter preventivo, no sentido de coibir, impedir a prática
futura de crimes. Como é impossível prevenir, de forma absoluta, a prática
destes, existe a Polícia Judiciária, cuja atribuição é apurar a autoria de
delitos, mediante investigação e revelação de sua autoria, para fornecer
subsídios ao Ministério Público, que iniciará a competente ação penal
pública (SILVA apud ACQUAVIVA, 2000, p. 1035).

Extrai-se do texto acima citado, a patente impossibilidade de prevenção absoluta


dos crimes por parte do policiamento ostensivo, passando-se, então, a tarefa de
identificação dos infratores para a polícia judiciária para que esta forneça dados
suficientes a fim de que o Ministério Público inicie a persecução penal.

A impossibilidade de prevenção absoluta da atividade criminosa é certa. Contudo, o


avanço tecnológico auxilia todas as fases expostas na citação. O
Videomonitoramento, por si só, não é capaz de coibir a ação delituosa servindo de
37

apoio à polícia ostensiva, como será demonstrado oportunamente em tópico infra


dissertado.

De outro lado, caso a conduta criminosa venha a eclodir, as câmeras de vigilância


servem para identificar a pessoa do infrator no exato momento do crime, vindo ao
socorro da polícia judiciária. Além disso, provê subsídios suficientes para a Ação
Penal pertinente. Não obstante, em eventual processo criminal instaurado, as
câmeras de segurança auxiliam o magistrado para que profira uma sentença justa e
adequada ao caso em análise.

O Coronel da Reserva da Polícia Militar do Estado de São Paulo, José Vicente da


Silva Filho, ex-Secretário Nacional de Segurança Pública, redigiu um artigo,
intitulado “Ecologia do Crime e Tecnologia Policial”, exaltando a poderosa tecnologia
de informação no controle do crime, em especial nos praticados nos centros
urbanos:

Se o criminoso faz o levantamento das oportunidades do local, a polícia


deve fazer o mesmo. Com as informações detalhadas fornecidas pelo
computador, os policiais devem buscar compreender a dinâmica social da
área onde atuam, ou não entenderão adequadamente a formação dos
problemas que enfrentam para adotar estratégias adequadas para dificultar
ou impedir a ação dos predadores locais. O uso da tecnologia de
informação, portanto, depende essencialmente das unidades locais de
policiamento que detêm melhor conhecimento da área e dispõem dos
recursos para agir com mais flexibilidade e eficácia. Essa situação vai exigir
a revisão das estratégias centralizadoras, a ênfase nas estruturas e ações
do policiamento dos bairros e a focalização prioritária no crime ao invés de
enfocar o criminoso. (SILVA FILHO, 2000).

Importante ressaltar que os agentes estatais que mantêm contato direto e imediato
com a pessoa do investigado são os policiais, razão pela qual, em caráter inicial, faz-
se necessário esclarecer onde se acham inseridos esses agentes públicos e qual o
seu papel nessa atividade, voltada essencialmente para a manutenção da paz
social.

O jurista TORNAGHI apud LYRA (1989, p. 23), lembra que “aos poucos, polícia
passa a significar a atividade administrativa tendente a assegurar a ordem, a paz
interna, a harmonia e, mais tarde, o órgão do Estado que zela pela segurança dos
cidadãos”.
38

A polícia, portanto, é vista como conservadora da ordem pública, prevenindo na


medida do possível a realização de delitos e investigando as desordens que não
puderem ser impedidas.

Soma-se a isso, a importância da tecnologia no controle ao crime. Um exemplo da


parceria entre as policias e o sistema de informação encontra sustentação em
matéria veiculada pela imprensa on line, sob o título: “Microsoft e Polícia Federal
lançam sistema contra a exploração infantil”, que assim diz sobre o tema:

A Microsoft Brasil e a Polícia Federal apresentam hoje a versão local do


CETS - Child Exploitation Tracking System (pronuncia-se ‘kéts’) ou Sistema
de Rastreamento de Exploração Infantil. Trata-se de um projeto
internacional que tem como objetivo combater a exploração on line infantil.
Com a ferramenta, a polícia brasileira espera tornar ainda mais eficiente sua
luta contra este tipo de crime. (2006).

E não é só isso. Várias outras medidas vêm sendo tomadas para uma melhor
interação da tecnologia no controle ao crime. Novamente o ex-Secretário Nacional
de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho, nos esclarece acerca da
tecnologia e sua utilidade na esfera policial, no artigo intitulado “A Polícia no Novo
Século”:

Um arsenal de inovações tecnológicas já oferece produtos no mercado


policial, de armas a supervisão das viaturas policiais por satélites. A
investigação dos crimes será facilitada com técnicas periciais como bancos
de amostras de DNA e identificação eletrônica de impressões digitais ou de
fisionomias. O planejamento policial já dispõe de poderosas ferramentas
como variados bancos de dados interligados, mapeamento digital dos
crimes e de outras informações de interesse policial, além de softwares
sofisticados que indicam e acompanham criminosos atuando numa região
(SILVA FILHO, 2001).

Um outro bom exemplo da tecnologia a serviço do bem comum e servindo de apoio


a atividade estatal é o recém criado método de vigilância dos detentos, através do
rastreamento eletrônico por tornozeleira, em pessoas condenadas, que se utilizam
do benefício livramento condicional ou que cumprem pena no regime semi-aberto,
entre outras possibilidades.
39

O Projeto de Lei já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e sancionado pelo
Presidente da República, estando apenas pendente o seu período de vacatio legis
para a entrada em vigor.

Infindáveis são os exemplos onde a tecnologia auxilia a atividade policial. Mas


dentre os exemplos podemos destacar um de grande importância e que está
evoluindo dentro dos meios políticos e sociais, que é o Videomonitoramento, objeto
de grande estudo e discussão nos dias contemporâneos.

Assim como em qualquer outra atividade, seja ela de cunho particular ou público, de
caráter individual ou coletivo, não se pode deixar de levar em consideração as
vantagens advindas de uma Era baseada, quase que exclusivamente, em
informações e tecnologias.

Necessário, destarte, um pesado investimento em Segurança Pública por parte do


Estado, em virtude de norma imperativa constitucional, ao passo que ele é
garantidor da ordem pública dentro de seus territórios.

Um desses investimentos, para melhor capacitação dos profissionais que controlam


o crime, é o sistema de Videomonitoramento.
40

2 VIOLÊNCIA SOCIAL

A violência pode ser definida de várias formas. O significado exposto pelos


dicionaristas J. Fernando e Rosa Maria Cardoso (1999, p. 619) é a seguinte:
“Violência. Qualidade de violento; ato violento; ato de violentar”. Em seguida
definem o verbete violento, da seguinte forma: “Exercer violência; violar; forçar;
constranger; coagir [...]”.

Para Rita de Cássia Souza (2006), ressalta que o medo que gera insegurança,
vivenciado em decorrência da violência social e da mídia que rodeiam os
acontecimentos, acaba por ameaçar a qualidade de vida das pessoas, amputando
sua vida social, e acrescenta:

Podemos apontar, como sendo um dos meios de manifestação da violência,


a violação das normas do Estado Democrático de Direito, incitando como
exemplo, as legislações penais que vão apontar os ilícitos penais e a forma
de represália a essas condutas. No caso da criminalidade, os critérios de
seleção adotados pelas mídias contribuem para fazer com que o mundo
pareça mais assustador do que ele realmente é. Ao destinar maior espaço
para a divulgação de notícias que tratam dos chamados ‘crimes hediondos’,
com elevado grau de danos, ou para os ‘crimes aleatórios’, de difícil
previsão, as mídias acentuam e generalizam a sensação de insegurança,
posto que, pelas suas características, tanto de danos causados quanto de
imprevisibilidades, estes crimes elevam a todos, indiscriminadamente, à
condição de vítimas em potencial (LEAL, 2006, p. 91 e 92).

Assim é o caso do agente que pratica o crime de homicídio simples descrito no


artigo 121 do Código Penal. In verbis: “Art. 121 - Matar alguém: Pena – reclusão, de
06 (seis) a 20 (vinte) anos”.

Por outro lado, há a violência legalmente instituída. Ainda dentro do campo da esfera
penal temos as causas excludentes de ilicitude, que são as causas legitimadoras da
ação descrita dentro do tipo penal.

Trazendo novamente o exemplo do homicídio simples, há casos em que o verbo


matar alguém está legitimado. Em outras palavras, o Estado autoriza que o agente
mate alguém. Exemplo: homicídio simples em legítima defesa repelindo, o agente, a
injusta agressão, seja ela atual ou iminente.
41

Abrindo um pequeno parêntese, relembramos que o Videomonitoramento pode ser


um instrumento determinante para a elucidação do caso concreto. No exemplo
adrede, poder-se-ia averiguar se o agente repeliu a injusta agressão utilizando-se
dos meios moderados a fazê-la, bem como se a agressão sofrida foi realmente
injusta, o que, em princípio, caracterizaria a legítima defesa.

É bem verdade que os casos trazidos pela lei são excepcionalíssimos, mas não de
rara constatação. Entre as causas legitimadoras de condutas criminosas
encontramos no próprio diploma penal o artigo que trata da exclusão de ilicitude.
Vejamos o enunciado do artigo relacionado ao tema:

Exclusão de ilicitude
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.

Saindo da seara penal, também encontramos legitimações de violência dentro do


Direito Civil. É o caso do oficial de justiça que sem o consentimento do proprietário,
mas respaldado por determinação judicial, realiza o arresto e a penhora dos bem do
devedor na ação de execução, por exemplo.

Há vários tipos de violência que estão categoricamente autorizados por lei e são
praticados cotidianamente, inclusive para a manutenção da ordem pública. Mas a
discussão que permeia o presente capítulo não é a violência legitimada pela lei, mas
sim a violência que assombra a sociedade e merecedora de repressão. Aglair
Bernardo referindo-se a FOUCAULT, colaciona que:

Foucault, ao abordar a formação da ‘sociedade disciplinar’ e seu


aparecimento no final do século XVIII e início do século XIX, chama atenção
para o surgimento de uma nova definição do criminoso, que não terá mais
nada a ver com a falta, com a lei natural, divina, religiosa etc. O criminoso
será visto como aquele que perturba e danifica a sociedade e rompe com o
pacto social, é um inimigo interno. Segundo ele, trata-se de uma definição
nova e fundamental na história da teoria do crime e da penalidade
(FOUCAULT apud BERNARDO, 2007, p. 60).

É de salutar importância a distinção para o presente estudo, pois o


Videomonitoramento vem ao socorro da polícia a fim repelir esse tipo de violência e
42

auxiliá-la no caso específico, para melhor identificação da atividade criminosa e


identificação dos infratores, assim como melhor esclarecimento sobre fatos que lhes
são transmitidos por suas lentes às autoridades de direito.

Michel Foucault, em sua obra “A verdade e as Formas Jurídicas” (2003) ressalta


uma teoria de punição. Explica que, para que haja punição sobre uma atividade
humana, necessário se faz que essa mesma ação esteja moldada por um preceito
normativo. Só assim é que o Estado deve agir para reparar ou prevenir o dano social
advindo da lesão ao bem jurídico tutelado.

Esta teoria da punição subordina o fato de punir, a possibilidade de punir, à


existência de uma lei explícita, à constatação explícita de uma infração a esta
lei e finalmente a uma punição que teria por função reparar ou previnir, na
medida do possível, o dano causado pela infração à sociedade
(FOUCAULT, 2003) (grifo nosso).

Impende ressaltar, por oportuno, que o século XIX, compreendido como um período
histórico para se compreender a formação da sociedade e das cidades modernas,
está caracterizado por um processo vivo de individualização, o que contribuiu para o
crescimento da violência dentro dos setores sociais. Essa individualização
representa nos dizeres de Alain Corbin, um duplo movimento:

Ao mesmo tempo, o temor da violação do eu e seu segredo engendra o


fantástico desejo de decifrar a personalidade que se oculta e de intrometer-
se na intimidade dos outros; muda preocupação que embasa o esnobismo
do incógnito, atiça a tentação da carta anônima, contribui para o prestígio do
voyeurismo do fim-de-século, explica a emergência da personagem do
detetive em busca de pistas (CORBIN apud BERNARDO, 2007, p. 88 e 89).

Toda violência, quando não legitimada pelo Estado, deve ser retaliada de modo
direto e preciso tendo por azo as leis, a justiça e todos os órgãos institucionalizados,
como é o caso das policias, dentro do contexto da política de segurança pública.
43

2.1 CRESCIMENTO DA VIOLÊNCIA NOS CENTROS URBANOS


BRASILEIROS

É notório no contexto mundial que a violência, via de regra, aflora nos grandes
conglomerados populacionais. Diante disso, medidas mais urgentes devem ser
tomadas para seu melhor controle e conseqüente melhora da qualidade de vida da
sociedade.

Ao sentido de violência podem ser agregados diversos valores. A segurança no seio


social é um dos fatores que mais preocupam os moradores das grandes cidades; e a
ação policial reduz os índicies de criminalidade. Essa assertiva pode ser melhor
analisada no texto de Thiago Cid, onde é citado o pesquisador e sociólogo do
Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, Marcelo Batista Nery
(2007):

O sentido de violência, para o pesquisador, é algo muito mais amplo e tem


dimensões psicológicas. A violência é o próprio sentimento de medo com
que a população vive. ‘Depois dos atentados do PCC, pensamos que a
sociedade se mobilizaria para combater a criminalidade. Uma pesquisa que
estamos fazendo revela que segurança é uma das principais preocupações
do paulistano, mas que eles sequer pensam em como auxiliar no combate a
ela’, afirma o sociólogo. ‘As ações da polícia são de extrema importância e
determinaram, sim, a redução dos homicídios. Mas não se pode pautar a
política de segurança pública apenas na atividade policial’, diz (CID, 2007).

Ratificando esse pensamento no que tange a crescente violência e o pânico social


que ela perpetra, temos o texto de Teresa P. R. Caldeira que assim se refere sobre o
tema em análise:

O crescimento da violência como motivo para o aumento da sensação de


medo é um fenômeno pontuado por vários autores, em especial a partir da
década de 1980, e atribuído a diferentes questões, que vão de fatores como
industrialização, urbanização, migração, e pobreza, ao desempenho de
instituições como polícia, tribunais, prisão e legislação (CALDEIRA, 2000).

Conforme é noticiado diariamente na imprensa, a criminalidade nos dias atuais


cresce de forma contínua e alarmante, o que vem assustando, principalmente, os
moradores das metrópoles.
44

Para Gustavo Almeida Paolinelli de Castro (2001), o problema não é só esse.


Destaca o autor que quanto maior a riqueza que se apresenta nas cidades, mais
intensa é a ação de atos criminosos. Nesse sentido, o autor acrescenta que “As
grandes cidades cresceram de maneira totalmente desordenada [...]” (CASTRO,
2001, p. 83).

Azamor dos Santos Filho (2007), destaca a problemática das grandes cidades
encontrada no Brasil quanto à delinqüência avassaladora:

A segurança pública no Brasil têm sofrido graves ataques por parte da


delinqüência que se instalou nas suas grandes cidades, fruto de uma
sociedade desigual e injusta que não oferece as condições de evolução aos
jovens residentes em subúrbios infectos (SANTOS FILHO, 2007).

A evolução social do Brasil desde a Época Colonial até os dias atuais sempre foi
pautada na diferenciação de classes – sejam elas raciais, religiosas, de poder, entre
outras. Assim, desde a origem da formação da nação brasileira, aconteceram
disputas de poder que geraram divisões de classes, em sua grande maioria
desiguais, o que explica a razão da violência social acentuada em nosso país.

Adorno (1995) em sua obra explica e expõe uma das razões que levaram, e que
ainda produzem efeitos hodiernamente, à violência social, principalmente dentro do
Período Republicano:

Ao longo de mais de cem anos de vida republicana, a violência em suas


múltiplas formas de manifestação permaneceu enraizada como modo
costumeiro, institucionalizado e positivamente valorizado – isto é,
moralmente imperativo – de solução de conflitos decorrentes das diferenças
étnicas, de gênero, de classe, de propriedade e de riqueza, de poder, de
privilégio, de prestígio. Permaneceu atravessando todo o tecido social,
penetrando em seus espaços mais recônditos e se instalando
resolutamente nas instituições sociais e políticas em princípio destinadas a
ofertar segurança e proteção aos cidadãos. (ADORNO, 1995, p. 301).

Com o escopo de por fim ao aumento dos dados estatísticos, os governos vêm
investindo em novos métodos de controle à delinqüência. Podemos citar como
medidas de coibição ao crime, o aperfeiçoamento policial através de cursos de
formação, bem como por intermédio de melhor aparelhamento e tecnologia,
45

preparando melhor suas unidades policiais, a fim de se obter melhores resultados


para a redução do medo junto à sociedade.

De acordo com a notícia veiculada no sítio do Clube dos Oficiais do Estado do


Espírito Santo, no dia 10 de junho de 2005, sob o título “Policiais do ES serão
treinados para proteger autoridades capixabas”, ficaram demonstradas algumas
ações no sentido de melhor capacitação policial em âmbito nacional. O coordenador
geral de Ações de Integração de Segurança Pública da Secretaria Nacional de
Segurança Pública (SENASP), José Ilário Nunes Medeiros, explica quais foram as
medidas adotadas:

Aproximadamente 30 policiais capixabas serão treinados para proteger


autoridades do Espírito Santo. [...] O treinamento começou na última
segunda-feira e engloba 120 agentes de sete Estados brasileiros. Serão
capacitados policiais federais, civis e militares do Espírito Santo, São Paulo,
Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Bahia e Distrito Federal.
[...]. O coordenador explicou que inicialmente foram convocados policiais
dos Estados de São Paulo e Minas Gerais para serem treinados na primeira
etapa do programa. Na segunda etapa, serão treinados em média 20 a 30
policiais da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo. [...] Além do
curso na área de proteção de autoridades, o coordenador de ações da
Senasp informou que outras medidas serão anunciadas para o Espírito
Santo, incluindo cursos na área de inteligência e treinamentos para cães
farejadores de drogas e explosivos.(2005).

De outro lado, os particulares, por não se acharem seguros em seu convívio


coletivo, utilizam-se de aparatos tecnológicos para coibir a violência que tanto lhes
amedronta. Assim o fazem também por meio de aparelhamento tecnológico, como é
o caso de Videomonitoramento dos condomínios, shoppings, escolas, hospitais,
entre outros.

Há de se destacar que um dos objetivos dominantes da polícia, como resolução do


problema público urgente, é a prevenção de crimes e controle à violência. Maria
Sylvia Carvalho Franco destaca:

Fica evidente a sua incorporação às condutas socialmente sancionadas. O


fato de circularem desimpedidas de juízos restritivos indica também que a
violência é incorporada não apenas como comportamento regular, mas
positivamente valorado (FRANCO apud C. MORAES,1998).
46

Constitui as atribuições das organizações policiais, no tocante à Segurança Pública,


servir e proteger os cidadãos, garantindo a ordem social. O melhor aproveitamento
das instituições que velam pela Segurança Pública está pautado em um modelo
coletivo de pesquisa e desenvolvimento visando solucionar tais problemas.
47

3 DESENVOLVIMENTO DO POLICIAMENTO E AS TECNOLOGIAS DE


INFORMAÇÃO

O desenvolvimento da polícia e o seu modo de atuação junto à sociedade surgiram


de longa data. A cidade do Rio de Janeiro, convertida em Reino, foi escolhida para
ser a sede da monarquia portuguesa.

Como cediço, foi a partir da chegada do príncipe regente D. João que foi criada a
Divisão Militar da Guarda Real de Polícia que tinha como objetivo, manter a ordem e
o sossego públicos, como bem destacou o jurista Luiz Ferraz Moulin, em sua obra
“Polícia Interativa” (2003).

A partir daí, foi criada a primeira força policial ostensiva, com adaptações do modelo
francês bonapartista, com atribuições e funções repressivas a fim de normalizarem o
comportamento público, estando aí o nascedouro da Polícia Militar, conforme
anteriormente dito.

A partir desse contexto, iniciou-se um longo e árduo trabalho de aperfeiçoamento e


aparelhamento das polícias brasileiras, respeitando-se a própria evolução social.
Cada governo subseqüente, mesmo durante o Período Monarquista Nacional e após
a Proclamação da República, investiu e normatizou a polícia institucionalizada.

Em exemplo, podemos citar o governo de Getúlio Vargas e o seu particular modo de


condução do Estado, da mesma maneira no que tange à segurança pública:

Getúlio Vargas, ao assumir a chefia do governo revolucionário, desenharia um


novo modelo de Estado, centralizador, reestruturando-o e modernizando todo o
aparelho institucional, adequando-o à nova realidade nacional e mundial
(MOULIN, 2003, p. 20).

Acompanhando a evolução social, também foram objeto de aprimoramento as


políticas de segurança adotadas no país ao longo dos períodos. O modelo de
segurança do Império seguiu rumo próprio, ao passo que os modelos subseqüentes,
48

assim como o de Vargas acima citado, adotaram políticas que melhor convinham
com o momento histórico e com a tecnologia disponível.

É o que ocorre nos dias atuais. A sociedade em que vivemos, cada vez mais violenta
e delinqüente, adota políticas mais repressivas para controle da criminalidade, como
é o caso de leis penais mais severas.

Além disso, para maior eficiência nesse embate, a polícia se vale dos novos meios
tecnológicos que estão sendo criados e explorados pelo mundo atual. Nesse
diapasão, as polícias se vêem diante de novas tecnologias que lhes auxiliam de
sobremaneira ao cumprimento de sua função institucional.

De acordo com o professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Luiz


Eduardo Soares (2003):

O investimento da qualificação e reforma das polícias é fundamental,


valorizando-as, revigorando suas lideranças saudáveis, estimulando seu
comportamento com o trabalho preventivo, com os direitos humanos, apoiando
sua presença interativa e dialógica nas comunidades, e, na fase municipal,
solicitando seu apoio permanente. Para que intervenções preventivas logrem
êxito, freqüentemente, têm de ser acompanhadas por iniciativas policiais [...]
(SOARES, 2003).

Assim, ao lado do investimento, necessário na qualificação dos profissionais da


segurança pública, mister o aproveitamento dos novos sistemas de informação para
um melhor estudo acerca da criminalidade e o seu aproveitamento em medidas de
repressão ao crime.

As tecnologias de informação são ferramentas de uso comum no meio social. Não é


diferente o que acontece com o Estado no que se refere à segurança pública. As
tecnologias de um modo geral auxiliam e muito na qualidade de vida do cidadão e
estão presentes também nos planos e modelos adotados pelos governantes como
instrumentos de controle à delinqüência social.
49

3.1 SURGIMENTO DAS TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO

Com o crescimento dos grandes centros urbanos e desenvolvimento das indústrias,


surgiram novos meios de comunicação. O primeiro método de comunicação foi o
rádio criado pelo cientista italiano Guglielmo Marconi, nascido em 1874 na cidade de
Bolonha.

Através dos estudos de Herts, MARCONI entendeu que as ondas de Herts poderiam
transmitir mensagens; e no ano de 1895, realizou suas primeiras experiências, com
os aparelhos criados com materiais rudimentares. O texto “A Criação do Rádio: 70
anos de Rádio no Brasil”, assim explica:

A primeira irradiação musicada foi feita em 1920, e, em detembro (sic) de 1922,


conseguiu pela primeira vez, na Inglaterra, alcançar a Austrália, também com o
emprego de transmissão por centelha (timed spark system). Em 12 de outubro
de 1931, comprimindo um botão em Roma, Marconi transmitiu sinais de rádio
que ligaram o comutador geral da iluminação do monumento do Cristo
Redentor, erguido no Alto do Corcovado, no Rio de Janeiro. Marconi morreu em
Roma em 1937 ([19--?]).

No Brasil, os dados apontam que em 1923, vários aparelhos de recepção instalados


no Rio de Janeiro receberam os primeiros sons e vozes dos discursos de
inauguração da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, tendo como seu difusor
Roquete Pinto.

Foi na década de 30 no Brasil que os estúdios começaram a se difundir entre o


público, em face da evolução tecnológica ocorrida devido à concorrência entre as
emissoras.

O rádio, explorando a oralidade e a transmissão ao vivo, adentrou com muita


facilidade nos lares brasileiros e, logo mais, com o surgimento de modernos
aparelhos portáteis, pôde ser transmitido a qualquer parte aonde esse aparelho
fosse levado.

A fase seguinte, da difusão da comunicação foi com o surgimento da televisão,


marcada pelo fim do Século XX com a transmissão de voz e imagem, ao vivo e por
50

volta de 100 anos depois, foi marcada pela Internet. O constitucionalista da UERJ,
Luis Roberto Barroso (2004), adverte: “Hoje, mediante um computador conectado à
rede mundial (Internet) em banda larga, é possível ler um jornal, ouvir música ou
assistir a uma programação audiovisual idêntica a da televisão convencional”.

Aglair Bernardo ratifica os dizeres supra expostos ao discorrer da seguinte maneira:

O encontro gerado entre as tecnologias de produção e reprodução de imagens


com os dispositivos e estratégias de monitoração social construídos ao longo
do tempo - e isso se deu com a fotografia logo após sua invenção - resultou
não apenas em uma aproximação de ordem técnica, mas também conceitual.
Semelhante ao olhar do diretor de obra fílmica ou do documentarista que
seleciona estrategicamente um determinado ângulo, enquadramento,
personagens e o set para narrar uma história, o olhar vigilante vale-se dessas
mesmas operações para eleger o espaço, as ações criminosas que podem
nele acontecer, os sujeitos que nele circulam, o tipo de enquadramento e
ângulos para monitorar o ambiente (BERNARDO, 2007, p. 13 e 14).

De posse da tecnologia, o homem começa cada vez mais a ser dependente dela,
em razão da praticidade bem como de sua eficiência. A segurança, para aprimorar
seus métodos de trabalho e de conduta, também lança mão dessas tecnologias e as
aproveita em seu benefício.

Daí, com o advento de novas tecnologias, como as câmeras de monitoramento, as


polícias iniciam uma “Era de uso e costume tecnológico”, pra tornar-se mais eficiente
e comedida na sua atividade.

3.1.1 Tecnologias de informação e a polícia

Há muito a polícia vem desejando que a tecnologia possa facilitar os problemas que
mais a atormentam. Rita de Cássia Souza Leal (2006) sustenta que uma das
principais reivindicações políticas da sociedade quanto à insegurança e à incerteza,
é o próprio controle da segurança através de métodos de monitoração:

Nesse cenário, as novas tecnologias – que possibilitam a produção, a coleta, a


armazenagem e o cruzamento das informações em tempo ínfimo – e as mídias,
principais divulgadoras dos dados estatísticos e das opiniões dos peritos,
51

assumem importância central como disseminadoras de notícias relacionadas a


situações de risco. Estas por sua vez, incentivam discursos de prevenção e
instauram a estética do medo, gerando um clima de total insegurança que
conduz a população não somente a aceitar como também a requisitar,
participar e legitimar práticas, [...], de monitoração e de controle. Neste cenário
de insegurança e incerteza, a segurança se constitui em uma das principais
reivindicações políticas da sociedade. (LEAL, 2006, p. 63).

Das inovações em tecnologia, a que tem maior valor está relacionada aos
computadores e respectivos softwares. Está inclusa nesse rol, a câmera de
filmagens 24 (vinte e quatro) horas – cujos dados e imagens são codificados e
emitidos para um centro especializado de monitoramento.

Nos Estados Unidos da América, a polícia urbana vinha há muito esperando uma
tecnologia que pudesse melhorar seu status profissional, a fim de facilitar o
policiamento nos centros urbanos.

Para tal, a Comissão Presidencial de Policiamento e Administração da Justiça


(President’s Comission on Law Enforcement and Administration of Justice), no ano
de 1967, acreditou que com a implementação de métodos tecnológicos, os gastos
com dinheiro seriam economizados. Nesse sentido, Peter K. Manning:

(...) defendeu o aprimoramento da tecnologia policial como um meio de controle


do crime, declarando que a tecnologia reduziria o tempo de processamento,
aceleraria a chegada da polícia à cena dos crimes e aumentaria as prisões.
(MANNING, apud TONRY; MORRIS, 2003, p. 376).

De acordo com Peter K. Manning (1992), a LEAA – Administração de Auxílio ao


Policiamento (Law Enforcement Assistance Administration), considerou as
informações prestadas pela LEAA, e no começo dos anos 70, “estava financiando
sistemas computadorizados de comando e controle e estimulando a centralização
das comunicações” (MANNING apud TONRY; MORRIS, 2003, p. 376).
52

3.2 SURGIMENTO DOS SISTEMAS DE CIRCUITO FECHADO DE


TELEVISÃO E VIDEOVIGILÂNCIA

Fig. 01 - Sistemas de videovigilância (CCTV)

Nos grandes países da União Européia, o desenvolvimento da vigilância com


câmeras de vídeo é uma tendência, onde seus cidadãos são, cada dia mais,
observados.

O líder da videovigilância, na Europa, é a Grã-Bretanha. Em sua capital Londres, as


câmeras do Close Circuit Television, ou Circuito Fechado de Televisão (CCTV)
surgiram em 1961 no metrô e não param de se multiplicar. Em termos aproximados,
já representam cerca de 10% do total das instaladas no mundo inteiro (Texto
extraído da matéria “Aumenta vigilância sobre europeus”, [200--?]).

Paul Virilio e Andrés Vitalis apud Marta Mourão Kanashiro (2006) afirmaram que os
primeiros sistemas de vigilância foram instalados na realidade européia no início da
década de 1970:

O monitoramento em espaços abertos, no entanto, não é tão recente. Autores


como Paul Virilio e Andrès Vitalis (1998), dentre muitos outros, afirmam,
referindo-se à realidade européia, que os primeiros sistemas de vídeo vigilância
foram instalados no início da década de 1970 com objetivo de controlar o
tráfego, combater assaltos a bancos e a estabelecimentos comerciais de luxo.
Ao longo dos anos 1980, esses sistemas se multiplicaram nos transportes
coletivos, no comércio, em locais de trabalho e prédios públicos e, na década
de 1990, nos estádios, em vias públicas e ruas de algumas cidades
(KANASHIRO, 2006, p. 1 e 2).
53

VIRILIO e VITALIS apud KANASHIRO (2006, p. 2), sustentaram que “nessa época,
existiriam na França um milhão de sistemas de câmeras de vigilância de circuito
fechado e, aproximadamente, 150 mil instalações em lugares públicos”.

O circuito fechado de televisão é um conjunto de câmeras que gera um sistema de


televisionamento que partilha sinais provenientes de câmeras localizadas em locais
específicos e estratégicos, dentro da área de alcance da câmera, colocadas em
lugares com grande afluência de público, que captam e transmitem imagens para
um sistema de monitoração dedicado.

Túlio Lima Vianna acrescenta que “Na América Latina, os circuitos internos de TV,
até então só encontrados em centros comerciais e metrôs, começaram a ser
instalados em ruas, praças e ônibus, seguindo-se a tendência mundial” (VIANNA,
Tulio Lima, 2007, p. 3) (grifo nosso).

A tendência mundial é clara: por razões de segurança e política preventiva e


repressiva, países europeus implantaram em seus territórios diversas câmeras de
monitoramento tendentes a reduzir a delinqüência que os acomete. Vejamos a
matéria “Aumenta vigilância sobre europeus”:

Ao todo, há de 4 a 7 milhões de câmeras instaladas em todo o país, embora


o número verdadeiro continue sendo difícil de calcular. Todas elas foram
aperfeiçoadas com inovações como a imagem digital ou os sistemas para
leitura labial.Na Espanha, a videovigilância se desenvolveu para lutar contra
os atentados do grupo armado basco ETA. As câmeras são onipresentes no
metrô, estações de trem, shoppings e prédios públicos. Na Alemanha, os
aeroportos e cerca de cento e vinte estações de trem são vigiados desde
1993. [...] Já na Itália, haverá um milhão de câmeras nas ruas, de acordo
com a imprensa. Após os atentados de Londres, o país decidiu aumentar o
número e a qualidade das câmeras no metrô de Roma e Milão e nas
principais atrações turísticas, como o Coliseu ([20--?]).

No Reino Unido, a vigilância eletrônica em locais públicos “[...] sofreu um


significativo acréscimo no início deste século, desencadeado principalmente pelos
ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos da América”
(VIANNA, Túlio Lima, 2007, p. 2).
.
54

O videomonitoramento londrino, “por exemplo, é freqüentemente citado como sendo


aquele que tem mais câmeras e que serve como exemplo para a implantação desse
sistema em outras cidades do mundo” (KANASHIRO, 2006, p. 2).

Nesse aspecto, cresce também vertiginosamente a indústria tecnológica da


segurança no Brasil, que serve um cardápio cada vez mais variado de sistemas de
Circuito Fechado de Televisão.

Os sistemas de videovigilância em espaços públicos instituem um olhar, que por sua


multiplicação, tendem à onipresença, descortinando a sociedade. Todo esse
crescimento dá-se, vale notar, a despeito de evidências de que o uso de câmeras de
vigilância são eficazes na redução da criminalidade (BRUNO, [200-?], p. 4).

As câmeras de videomonitoramento possibilitam ao utilizador uma visualização do


que se passa a todo o instante, inclusive em locais com baixa luminosidade, como,
por exemplo, observando às escuras nas esquinas, de forma a controlar o que se
passa ao longe, graças à capacidade de organização de dados no computador das
imagens coletadas, minimizando assim, o número de pessoas necessárias para este
fim.

No circuito fechado de televisão, pode-se incluir uma televisão a fim de se associar


mais de uma câmara. A empresa LR Segurança, atuante no Estado de São Paulo,
fundada em 1998, no texto “Circuitos (sic) Fechado de TV”, esclarece que:

Os sistemas de Web Câmeras baseados em redes estão se popularizando dia


a dia, pois permitem a supervisão remota via Internet e aproveitam toda uma
estrutura montada para um sistema de rede LAN ou WAN. E ainda os sistemas
Digitais que hoje se tornaram os mais usados dos mercados, com placa de
Captura ou stand alone. ([1998?]).

Significa dizer que, o crescimento do mercado privado de segurança foi um dos


grandes responsáveis pelo desenvolvimento de diversas áreas de proteção como
patrimonial, pessoal, orgânica, eletrônica, do trabalho e da informação, que
contempla a proteção de dados e transações via redes de comunicação.
55

Hodiernamente é comum observamos casas, conjuntos habitacionais, escolas,


condomínios, entre outros, que se utilizam do circuito de televisão para prevenir
incidentes de qualquer natureza.

As autoridades que têm por dever a garantia da Segurança Pública, se aperceberam


da grande utilidade dos circuitos fechados de TV e as estudaram para a sua
aplicação nas ruas, com as devidas alterações que prouvessem mais vantajosas
para o fim colimado. Daí, a idéia do circuito de TV transpondo o setor privado para
ser aproveitado no setor público.

A sociedade brasileira, como exaustivamente demonstrado, por se encontrar acuada


e amedrontada pela criminalidade e delinqüência, anseia por novos métodos,
seguros e eficazes, no controle à mazela da violência.

Segundo a advogada e cientista política em Anápolis, no estado de Goiás, Silena


Jaime (2006),

A sociedade se encontra refém do medo e procura por formas de defesa:


sistemas cada vez mais complexos de segurança, cercas elétricas, cães de
guarda, vigilância informal, blindagem de veículos, são recursos de que se
valem as classes economicamente favorecidas na busca de proteção. [...] Mas
ainda que as formas de se proteger da criminalidade variem conforme as
condições sócio-econômicas, há uma constante: todas as classes sociais
reclamam uma pronta intervenção estatal objetivando o combate à
violência e o estabelecimento de uma condição de segurança social
(JAIME, 2006) (grifo nosso).

Na esteira do raciocínio, Rita de Cássia Souza Leal (2006, p. 89), acrescenta que “o
medo, racionalmente construído, se transcreve em artifícios de neutralização e
monitoramento [...]”.

Gustavo Almeida Paolinelli de Castro evidencia que “[...] tanto os direitos à


segurança ‘da pessoa’ quantos os direitos à segurança coletiva (pública) exigem
prestações do Estado [...]” (CASTRO, 2007, p. 85).

O oficial da Reserva da Brigada Militar do Rio Grande do Sul, Luiz Antônio Brenner
Guimarães (2007), salienta que foi a partir da década de 90 que os governos
começaram a investir na Segurança Pública em espaços públicos tendo em vista os
56

grandes avanços da tecnologia eletrônica, implantando as câmeras de


videomonitoramento:

Na década de 90, aproveitando os avanços tecnológicos na eletrônica e nas


comunicações, diversos governos, pressionados pelo agravamento da
insegurança pública, apresentaram como uma das alternativas para tornar as
cidades mais seguras, a vigilância eletrônica em espaços públicos
(GUIMARÃES, 2007, p. 1).

Acrescentou, ainda, GUIMARÃES (2007), que a tendência da implantação do


Videomonitoramento começou a tomar força logo nos primeiros anos desta década,
especificamente no Estado do Rio Grande do Sul, que inclusive promulgou uma
portaria para fixação de normas de utilização das câmeras de Videomonitoramento
nos espaços públicos:

[...] Em novembro de 2004, o Secretário de Estado da Justiça e da Segurança


do RS, anunciou a instalação imediata de 16 câmeras de vídeo na área central
da Capital como parte de um projeto que prevê a compra de 64 destes
aparelhos até março de 2005, com verbas próprias da SJS/RS. [...]. Em 25 de
abril de 2005, a SJS/RS editou a Portaria N°.° 042, fixando normas de
utilização de videomonitoramento em vias públicas para atividades de
segurança pública e, hoje, o Estado possui em torno de vinte cidades que estão
utilizando as câmeras em via pública, num cenário que, em médio prazo, prevê
mais de cem municípios com esse sistema (GUIMARÃES, 2007, p. 1).

Gustavo Almeida Paolinelli de Castro (2007), completando a idéia, diz:

[...] o poder público passou a desenvolver técnicas alternativas de combate à


violência, sendo que, entre as mais procuradas, a videovigilância destacou-se
no Brasil e no mundo, como exemplificam as experiências em Londres, na
Inglaterra, Nova Iorque, nos EUA, São Paulo capital, Rio de Janeiro capital,
Sobradinho/RS, Criciúma/SC, e Cuiabá/MT (CASTRO, 2007, p. 84).

A necessidade de melhor aparelhamento das polícias frente à criminalidade


crescente e à sensação constante de medo experimentado, levou as autoridades
nacionais a adotar medidas que serviriam para responder aos anseios, tanto da
polícia quanto da sociedade.

Assim, iniciou-se, em um primeiro momento de modo tímido, a utilização das


câmeras de segurança nas ruas da cidade, o que viria a se tornar um grande
investimento para as polícias e acalentador da aspiração de bem estar da
sociedade.
57

4 O PANÓPTICO E A VISÃO CONTEMPORÂNEA DA VIGILÂNCIA


ELETRÔNICA

A origem da expressão panóptico é de autoria de Jeremy Bentham (2000), referindo-


se a um gênero específico de controle visual e disciplinador, fundamentado em um
sistema penitenciário, por ele desenvolvido.

De acordo com Leila B. Ribeiro et al ([200-?]), o filósofo Michel Foucault, durante


suas abstrações sobre penalidades se deparou com um modelo apropriado de poder
que pairava sobre os detentos e atingia diretamente seus corpos, baseado numa
nova estrutura de vigilância denominada de panóptica. Referindo ainda ao fiolósofo
FOUCAULT, RIBEIRO et al, acrescentam:

Ele percebeu ainda que o panoptismo não estava presente somente nas
prisões, mas também nas escolas, fábricas, hospitais, casernas. Em A
verdade e as formas jurídicas afirmou, por um lado, que a prisão, surgida no
século XIX, era a instituição emblemática do panoptismo social e ainda
deste novo poder. Por outro, que este aspecto paradigmático permitia
justificar o aparecimento e o sucesso dela, destarte todo seu paroxismo e
controvérsias (RIBEIRO, et al, [200-?], p. 3).

FOUCAULT apud Fernando Bruno (2004, p. 162) ressalta que o filósofo observa a
figura do panóptico como um dispositivo disciplinar e de controle, um mecanismo
arquitetônico onde predomina a vigilância permanente obtendo-se informações
diuturnas de forma intermitente com o fulcro de se construir e aperfeiçoar o exercício
do poder através da exposição do cidadão à luz (visibilidade), do controle do seu
tempo e na sua posição no espaço.

A soma desses três aspectos gera um domínio sobre o ser observado e observável,
que no caso do panóptico moderno, é o pária que o Estado quer resgatar para o
convívio social.

Acrescenta ainda a autora que a sociedade disciplinar analisada por Foucault tem
seu ápice até o começo do século XX. Uma nova subjetividade ganha outros
contornos ainda mais sofisticados. Os Novos apetrechos de vigilância, suas
onipresenças e suas quase ausências de materialidade são estudados por Foucault
58

que os define como detentores de um longo poder de alcance objetivado na


neutralização e adestramento do corpo e da mente do indivíduo tornando-o social e
politicamente produtivo, não mais enfraquecido ou destruído (BRUNO, 2004, p. 201).

Estabelece-se então um vínculo crucial entre o poder e o saber entrelaçado com a


vigilância na medida em que se verifica que “[...] a subjetividade é inseparável dos
dispositivos de visibilidade” (FOUCAULT apud BRUNO, 2004, p. 111).

BRUNO afirma que as instituições disciplinares de FOUCAULT vão ao encontro do


modelo ideal do panóptico na medida em que elas enquanto instrumento de visão,
neutralizam o indivíduo produzindo nele um novo sujeito, disciplinado e moldado
para a sociedade que o Estado deseja (BRUNO, 2004, p.111).

Discorre BRUNO que a aproximação entre a disciplina norteadora do Estado que


condiciona o homem a uma individualização permanente produzindo-lhe uma
identidade nova, um novo ser, uma nova subjetividade, estará sempre imbricada ao
sistema de vigilância moderno constituído por todos os artefatos disponíveis para o
período quer seja a própria estrutura arquitetônica das salas de aulas na escola, dos
hospícios, dos presídios, passando por técnicas de coleta de dados e de informação,
capitalizando e capilarizando uma rede de informação, contribuindo para tornar o
visível ainda mais visível e voltado para o direcionamento do poder/saber, que vem a
se constituir na estrutura disciplinar foucaultiana (BRUNO, 2004, p. 114).

Denota-se por parte de FOUCAULT que há uma percepção por parte do indivíduo de
que o sistema coercitivo está ali para ser aplicado no seu ser e na contribuição
decisiva da sua subjetividade (BRUNO, 2004, p. 28).

Nesse aspecto constata-se a diferença no tipo de poder anterior ao desse contexto


disciplinador. FOUCAULT narra que anteriormente, o olhar estava sobre quem
detinha o poder, no soberano, um olhar de temor (2004, p. 42).

Agora, o monitoramento está voltado para aqueles sobre quem o poder atua. E
nesse aspecto, FOUCAULT indaga e responde ao mesmo tempo: “Será uma
59

transformação geral de atitude, uma ‘mudança que pertence ao campo do espírito e


da subconsciência?’ Talvez” (Foucault, 2004 p.66).

De acordo com BRUNO, na modernidade, a observação paira sobre todos. Sobre as


pessoas delineadas como normais e sobre as pessoas que destoam da
subjetividade traçada pela máquina disciplinar, os párias da sociedade: o doente, o
aluno rebelde, o criminoso, o trabalhador ineficaz.

Esse poder agora “individualiza pelo olhar” (BRUNO, 2004, p.111), dissecando
extremamente o ser rudimentar, transportando a esfera de poder para um anonimato
intransponível. Não se faz mais necessário expor o corpo do criminoso ao suplício
diante de toda a sociedade oferecendo esse espetáculo ao público com patrocínio
do poder real.

Afirma BRUNO (2004) que agora, o pária e o normal é que estão expostos nas
vitrines, constituídos como objeto a serem esmiuçados, cada um com seu rótulo de
identificação quer seja na fábrica, no asilo, no presídio ou na escola. Constrói-se a
partir daí uma classificação de seus comportamentos individualizantes, registrando-
se tudo, desde “bons” procedimentos e “maus” procedimentos. Os “bons” modos
serão utilizados para formatarem a individualização de cada um e os “maus”, para
serem utilizados nos seres objetivados como uma maneira de como não agir,
através da “autovigilância” (2004, p. 112).

Essa instrumentalização da vigilância nos reporta novamente ao Panóptico de


Bentham que possibilitava observar e ser observado. Da torre central, tudo se vê.
Dos compartimentos individualizados, nada se vê ou a visão é imaginada. Essa
compartimentação e esse isolamento aliados ao olho que tudo vê, produz a ordem.

FOUCAULT (2004) acreditava que mantendo em isolamento esses seres patológicos


uns dos outros, se produzia uma “coleção de individualidades separadas” (Foucault,
2004 p.166).

Há uma certeza individual de que se é constantemente vigiado mesmo não podendo


se verificar se há um vigia na torre central. Em virtude disso Foucault dirá que essa
60

não constatação da observação imediata produzirá o efeito mais importante do


panóptico: “Induzir no detento um estado consciente e permanente de visibilidade
que assegura o funcionamento automático do poder” (Foucault, 2004 p.166). Desta
feita, a percepção de se estar constantemente observado torna o ser auto-
observado.

BRUNO (2004, p. 112) descreve que na vigilância moderna há um ganho de


eficiência e eficácia. Mecanismo eficiente na medida em que o ser observado já
internalizou a vigilância na sua mente, normalizando-a. De modo mais simples, virou
um colaborador do poder.

Então o poder não se desgasta politicamente. A crueldade praticada na época do


soberano se reduz drasticamente. Mecanismo altamente eficaz uma vez que a
percepção de se estar sendo observado continuamente produz no indivíduo um
olhar ininterrupto sobre si mesmo provocando uma autovigilância constante,
comenta BRUNO (2004, p.112).

Agora, o olhar da torre central sobre o indivíduo reflete um olhar para dentro de si
mesmo. Agora, ele se monitora. E nesse ambiente disciplinar, surge o regulamento,
discriminado por FOUCAULT como “um pequeno mecanismo penal” (FOUCALT
apud, BRUNO, 2004, p. 112.) onde as atitudes regulares são catalogadas
externamente e, internamente, produzidas pelos próprios seres analisados, comenta
Bruno (2004, p.112).

Aliado a essa norma, entra a anormalidade que atua no íntimo de cada um no


sentido de se não querer ser um dejeto social, um anormal. E mesmo que não se
tenha um bom rendimento na escola, mesmo que eventualmente se cometa alguma
transgressão, o indivíduo através da autovigilância se posiciona agora entre dois
valores classificatórios implantados no se cerne: a conduta boa e a má conduta. E
nesse contexto, o ser autovigiado não quer possuir condutas anormais. A norma
passa a ser valorizada até mesmo cobiçada, registra BRUNO (2004, p.113).

Por isso mesmo, a avaliação dos procedimentos é fundamental para complementar


o pensamento internalizado no indivíduo: o de que os atos e as maneiras de se
61

comportar advêm dele, foram produzidas por ele. Esse é outro aspecto que a
vigilância moderna se diferencia da visibilidade voltada para o soberano: atinge-se
não mais o corpo, mas verdadeiramente o próprio espírito, discrimina BRUNO (2004,
p.115).

E é nessa arquitetura imperceptível que FOUCAULT (2004, p. 170) desvenda a


máquina panóptica moderna:

O esquema panóptico é um intensificador para qualquer aparelho de poder:


assegura sua economia (em material, em pessoal, em tempo); assegura
sua eficácia por seu caráter preventivo, seu funcionamento contínuo e seus
mecanismos automáticos. É uma maneira de obter poder numa quantidade
até então sem igual, um grande e novo instrumento de governo...; sua
excelência consiste na grande força que é capaz de dar a qualquer
instituição a que seja aplicado (FOUCAULT, 2004, p. 170).

BRUNO (2004) encerra a análise do mecanismo disciplinar moderno enfatizando a


exposição do indivíduo à visibilidade e a sua importância no contexto dos
dispositivos de vigilância contemporâneos:

Tal exposição ganha continuidade na passagem da modernidade para a


atualidade, se vista sob a perspectiva das tecnologias de comunicação. É
claro que esta continuidade não implica a repetição do que se passa na
modernidade. As tecnologias de comunicação constituem novos dispositivos
de visibilidade com diferentes implicações na sociedade e na subjetividade
(BRUNO, 2004, p.115).

Sintetizando a atuação dos mecanismos de vigilância moderna, comparando-a com


os mecanismos de vigilância contemporâneos, dos Videomonitoramentos, BRUNO
(2004) enfatiza:

Eis por que, como se mostrou, a vigilância moderna deve ver e agir através,
sob a superfície dos corpos e comportamentos de modo a incidir sobre a
interioridade, a alma dos indivíduos. Na atualidade, trata-se, sobretudo de
ver adiante, de prever e predizer, a partir dos cruzamentos e análises de
dados, indivíduos e seus atos potenciais, seja para contê-los (como no caso
de crimes, doenças, onde tende a predominar uma vigilância preventiva),
seja para incitá-los (como no caso do consumo, da publicidade e do
marketing) [...] (BRUNO, 2004, p. 117).

Agora, não se tem mais a preocupação por parte do Estado em se curar o indivíduo,
em disciplinar o aluno, em aperfeiçoar as atividades do trabalhador ou verificar o que
se passa na interioridade do indivíduo, salienta BRUNO (2004):
62

[...] a incidência de visibilidade sobre o indivíduo não quer curar ou reformar


o criminoso, o doente físico ou mental, mas sim impedir o crime, prevenir a
doença ou minimizar seus riscos. Ou seja, o foco de intervenção não é mais
a alma, a interioridade, o psiquismo, mas o comportamento, o campo de
ações exteriores e visíveis [...]. As câmeras que visam a manter a segurança
de lugares públicos ou privados atuam sobre o crime, impedindo a ação, e
não sobre o criminoso, como queria a vigilância panóptica (BRUNO, 2004,
p. 117).

Para BRUNO (2004), no entanto, essa nova forma de exposição não é alvo de
cobiça por parte da sociedade individualizada:

Os dispositivos eletrônicos de vigilância representam muitas vezes a face


negativa e potencialmente perversa da visibilidade, inspirando temores de
atentados à privacidade e à liberdade dos indivíduos. O olhar do outro e o
estatuto do observador assumem outras formas nestes dispositivos
(BRUNO, 2004, p. 120).

Deixando de lado o caráter expositivo da vida privada e íntima do indivíduo – agora


transformados em dados e informações digitais – o caráter preditivo e preventivo do
Videomonitoramento são aqui ressaltados por Bruno (2004, p.121):

A preocupação com o risco em nossa sociedade vai contribuir para


‘justificar’ uma vigilância que é, sobretudo preditiva e muitas vezes
preventiva, voltada para a composição de perfis que predigam e prevejam
os riscos que assombram os indivíduos. Esta vigilância é tão mais eficiente
quanto maior for a identificação dos indivíduos com os perfis projetados
(doentes potenciais, vítimas de crimes antecipados, responsáveis por
catástrofes naturais potenciais etc).

Concluindo essa parte teórica, enfatiza-se que “enquanto dispositivo de poder as


câmeras de monitoramento devem ser vistas além da aproximação com a análise
foucaultiana do panóptico de Jeremy Bentham” ( KANASHIRO, 2006, p.89).

Sugere-se então uma aproximação das câmeras a essa teoria: “A possibilidade de


começar a vislumbrar vigilante+câmera+usuário [...]”, (KANASHIRO, 2006, p.89)
onde todos os três possuem participação ativa no sistema de vigilância.
63

5 VIDEOMONITORAMENTO

Fig. 02 – Câmera de Videomonitoramento

O sistema de Videomonitoramento nos grandes centros urbanos tem sido uma


excelente arma no controle à violência, pois auxilia em muito os trabalhos das forças
públicas de segurança, e se torna cada vez mais um método eficaz para o aumento
da sensação de segurança na população, vez que permitem a identificação de
pessoas infratoras e possibilitam a pronta atuação da força policial no controle à
prática de delitos.

A promoção indivisível da necessidade de segurança já compõe um novo


modelo de cidadão, não mais aquele que enriquece a nação consumindo,
mas o que investe primeiro na segurança, que gere melhor sua proteção
[...]. A sociedade capitalista, desde a origem associou estreitamente a
política à libertação do medo, a segurança social ao consumo e ao conforto
(VIRILIO, 1996).

No mundo globalizado, onde as mudanças em tecnologia ocorrem com grande


freqüência, o envolvimento e participação da corporação policial fazem com que seja
mais bem aplicado e distribuído seu efetivo operacional e melhor emprego dos seus
recursos materiais tecnológicos para conquista da segurança social.

O coronel Luiz Antônio Brenner Guimarães (2007), sublinha que:


64

Na trajetória histórica as políticas de segurança pública foram elaboradas


em cima da compreensão de que a única saída para o crime era uma forte
ação repressiva, capaz de inibir, reprimir e/ou isolar os maus cidadãos(ãs),
criando-se um espaço seguro aos bons cidadãos. Pode-se considerar rara,
a política de segurança construída a partir de uma análise mais profunda
das causas que movem o crescimento deste fenômeno social – a
criminalidade-, agregando a intervenção repressiva qualificada, ações de
enfrentamento aos fatores geradores e motivadores das escolhas pela
prática do crime. Assim, as câmeras de vídeo, são incluídas nas medidas
atuais de enfrentamento do crime [...] (GUIMARÃES, 2007, p. 1 e 2).

As câmeras de Videomonitoramento, também chamadas de câmeras de vigilância,


são dispositivos de vídeo que capturam as imagens e as transmitem via circuito
fechado de televisão para uma central direcionada de videomonitoramento, onde as
imagens podem ser visualizadas pelo operador no momento dos acontecimentos
nas telas dos monitores.

No caso das “câmeras tagarelas”, o controlador, ao flagrar alguma irregularidade,


pode emitir um alerta sonoro ao autor do delito. Neste caso, têm finalidade
orientadora, já que podem ser utilizadas no trânsito, a fim de advertir motoristas
infratores e pedestres desatentos, coibir furtos e roubos, entre outros casos que
porventura sejam necessários.

De acordo com Fernando Ribeiro (2008) o sistema de implementação de câmeras


denominadas de tagarelas, começou na Inglaterra e chegando-se ao Brasil no ano
de 2007, tendo o estado de São Paulo aderido primeiramente à nova câmera com
alto falante:

A implantação de câmeras com alto falantes para dar bronca nos infratores
começou no Norte da Inglaterra e chegou no Brasil no ano passado [...] A
primeira cidade brasileira a receber os aparelhos foi Piracicaba, no interior
de São Paulo, onde ganhou o apelido de ‘câmera tagarela’ (RIBEIRO, F.,
2008, p. 15).

Já ao encontro de esclarecimentos sobre os tipos de câmeras de


Videomonitoramento existentes, Marta Mourão Kanashiro (2006), em sua
dissertação de mestrado “Sorria, você está sendo filmado: as câmeras de
monitoramento para segurança em São Paulo”, salienta que o sistema das câmeras
de vídeo podem ser analógico ou digitais, variando sua forma de exercício.
65

De uma forma abrangente, pode-se dizer que as câmeras analógicas são


estabelecidas de forma definitiva ou fixa em um ponto específico e estratégico pela
equipe de segurança. Já nas câmeras digitais, a comunicação das imagens,
gravações e emissão de sensores são funções componentes de um software,
monitoradas e controlados por um computador programado (KANASHIRO, 2006).

O sistema de câmeras pode ser analógico ou digital, e sua forma de


funcionamento, em ambos os casos, varia bastante. Focalizando o
monitoramento em sistemas de segurança, pode-se dizer que, de forma
geral, as câmeras analógicas são fixas em um ponto considerado
estratégico pela equipe de segurança [...]. Nesse segundo caso, a
interferência humana pode ser menor, pois a transmissão das imagens, as
gravações e o controle de sensores de alarmes são funções integradas por
um software, monitoradas e controladas por computador (KANASHIRO,
2006, p. 43).

Segundo KANASHIRO (2006), no sistema analógico as imagens capturadas são


propagadas e gravadas em fitas de vídeo sendo o material reabastecido pelos
funcionários competentes nessa função, que acionam a polícia nos casos de
cometimento de delitos. Todavia, a diferença do sistema digital, é que se pode
realizar o controle de vários locais ao mesmo tempo com ângulos diferentes entre si,
uma vez que esses tipos de câmeras de videomonitoramento são rotativos, podendo
girar até 360 graus, abrindo possibilidades desse sistema com outros, como é o
caso de pessoas procuradas pela polícia. Destacou ainda a autora que a
armazenagem de dados no sistema digital é muito superior comparada ao sistema
analógico.

KANASHIRO (2006) destaca ainda que existe diferença quanto à transmissão das
imagens do sistema analógico para o sistema digital, mas que ambas as imagens
podem ser combinadas, interagindo com os bancos de dados informatizados:

No caso do sistema analógico, as lentes das câmeras de vídeo projetam a


imagem sobre um chip sensor (CCD63), e a convertem em impulsos
elétricos gerando assim o sinal de vídeo. Quanto maior a intensidade de luz
em determinado ponto do chip, maior a voltagem produzida, ou seja, existe
uma analogia direta entre o brilho da imagem e a voltagem que se produz,
por isso o sinal é dito analógico. [...]. No sinal digital a analogia também
existe, porém não é direta. Depois de projetadas sobre o chip sensor, as
imagens são convertidas em sinais elétricos, mas o sinal gerado é dividido
em trechos com mesmo tamanho e para cada trecho é calculada a média
da intensidade da voltagem. Em seguida, o número obtido é codificado no
66

formato de número binário (sistema de numeração que só possui dois


algarismos - zero e o um). Em suma, a imagem é transformada em pura
informação composta de zeros e uns. [...] e as imagens podem ser
transmitidas via Internet (KANASHIRO, 2006, p. 43 e 44).

A par do que cada tecnologia disponibiliza ao videomonitoramento, salutar


importância ela exerce no controle eficaz de informações úteis à sociedade e
autoridades competentes, sendo importantes também aos meios televisivos, como
por exemplo, telejornais, no momento de passar ao povo imagens concretas dos
episódios que estão sendo noticiados:

De todo modo, convém observar que as imagens oriundas das câmeras de


monitoração têm se apresentado como importantes aliadas na construção
narrativa dos telejornais, compartilhando espaços discursivos em torno da
verdade das imagens, ao mesmo tempo em que são reforçados os
argumentos que justificam as suas instalações. (BERNARDO, 2007, p. 77).

Dessa forma, para melhor esclarecimento acerca da evolução social em


concomitância com o desenvolvimento tecnológico, podemos citar dois períodos
distintos de nosso país: a Ditadura e a República pós Constituição de 1988. Na
Ditadura, todos os meios de informação – primitivos se comparados aos atuais –
pertenciam ao Estado, que ao seu bel jugo manipulava, omitia ou proibia a
propagação da informação.

Em contrapartida, no período depois da Constituição Cidadã, e com a liberdade de


imprensa e desenvolvimento tecnológico, as informações são divulgadas quase que
ao mesmo tempo do evento noticiado, dando mais credibilidade e certeza ao que
está sendo transmitido, sendo que as imagens dos circuitos fechados de TV também
são utilizadas pelos comunicadores.

5.1 O QUE É O VIDEOMONITORAMENTO

As câmeras de Videomonitoramento são equipamentos de segurança com alto


poder de resolução. Algumas têm a capacidade de um giro de 360 graus sobre o
próprio eixo uma média de alcance de até quatro quilômetros de área cada uma,
67

podendo ainda ampliar as imagens em até duzentas vezes sobre o tamanho original
da imagem.

GUIMARÃES (2007) manifesta importância quanto à aproximação das imagens


concluindo que uma vez que o operador utiliza-se do subterfúgio do zoom
proveniente da câmera, a imagem transmitida se limita ao aumento perdendo a
visualização geral dos acontecimentos no local, naquele momento, sendo, portanto,
de extrema importância que os operadores estejam atentos para somente ajustar as
lentes onde precisam ser ampliadas as efígies.

A fim de uma melhor resolução e captação de imagens, são colocadas em uma


altura tornando possível abranger todo o espaço do foco, de tal maneira que sua
visão panorâmica seja comparável com uma pessoa colocada na mesma posição,
porém com um diferencial, pois as imagens produzidas pelas câmeras de vigilância
são ampliadas na medida de suas necessidades, “a semelhança de uma pessoa no
mesmo local com binóculo” (GUIMARÃES, 2007, p. 3).

GUIMARÃES (2007) destaca que as câmeras de Videomonitoramento instaladas em


ambientes públicos têm duas funções essenciais:

[...] São duas funções básicas da vigilância eletrônica em via pública: 1ª -


visualizar, registrar e guardar a imagem de um fato ocorrido, no intuito de
tirar o anonimato da autoria [considerando um fator facilitador/estimulador
do crime] e produzir provas para a investigação policial [diminuir a
impunidade – outro fator facilitador/estimulador]; e, 2ª - vigilância ostensiva
em tempo real, que possibilite identificar as condições de início de uma
ocorrência, criando a possibilidade de reação (GUIMARÃES, 2007, p. 2).

Acrescenta ainda o autor supra identificado, que quando as câmeras de vigilância


são alojadas em tais ambientes, contribuem para os serviços dos agentes policiais
que estão interligados a uma central da polícia:

[...] consiste na colocação de câmeras de vídeo em espaços públicos, a


serviços dos agentes policiais, para propiciar a observação simultânea de
vários locais, a identificação de anormalidades e a adoção das providências
para reação imediata. Este sistema funciona com câmeras ligadas a uma
central da polícia que, a princípio, deve monitorar as imagens e adotar os
procedimentos necessários para o envio de policiais para o local, ou guardar
as imagens para utilização pela investigação criminal (GUIMARÃES, 2007,
p. 2).
68

O acompanhamento das imagens, enviadas pelas câmeras em tempo real, contribui


para a rápida ação dos policiais militares em caso de flagrante delito, ou mesmo na
identificação de suspeitos de crimes, pela Polícia Civil.

Ademais, as imagens são gravadas em aparelhos específicos e podem ser utilizados


posteriormente, caso seja necessário. Mas esta não é a sua destinação principal:

O sistema, segundo a coordenação da Polícia Militar, baseia-se no conceito


desenvolvido em Londres, cidade que tem o maior número de câmeras de
vigilância instaladas em espaços públicos no mundo, apresentando
resultados similares na diminuição de índices de criminalidade naqueles
espaços onde operam esses dispositivos, cujo objetivo principal é atuar na
prevenção de crimes a partir da identificação de atitudes consideradas
suspeitas (BERNARDO, 2007, p. 198).

Logo, o intuito precípuo das câmeras de monitoração é a prevenção de delitos e


orientação dos transeuntes, conforme exposto por Aglair Bernardo, referindo-se a
Polícia Militar do Estado de Santa Catarina.

5.2 FUNCIONALIDADE E EFICÁCIA DO VIDEOMONITORAMENTO

Para se avaliar uma estratégia organizacional no setor público da polícia moderna, é


necessário considerar se a nova estratégia é bem fundamentada e se é eficiente na
moderação da criminalidade.

Segundo Lawrence W. Sherman (1992), por exemplo, na última década, tem sido
uma das áreas mais inovadoras da América, o policiamento do crime relacionado a
drogas:

À preocupação de reduzir a oferta, vigente há tempo, gradualmente vem


sendo somado o desejo de restringir a demanda. No rastro da epidemia do
crack, contudo, ambos objetivos ficaram em segundo lugar, sendo
ultrapassados pela redução da violência e desordem na vizinhança em torno
dos pontos de venda (LAWRENCE, apud TONRY; MORRIS, 2003, p. 234).
69

Visualizando a ação do infrator no exato momento do cometimento ou tentativa de


cometimento do delito, as câmeras de Videomonitoramento poderão chamar a
atenção do infrator, identificando-o, ou mesmo acionando o policiamento adequado
para tal ato delituoso.

A estratégia de Videomonitoramento tem como foco a minimização e prevenção da


violência urbana, ampliando dessa forma a abrangência do policiamento, em face da
monitoração. Têm também, poder educativo, conscientizando os infratores de seus
atos.

José Bittencourt Filho afirma que “As câmeras têm fim educativo, é uma forma de
coibir a conduta irregular. A intenção é muito boa e já é aplicada em outros países”
(BITTENCOURT FILHO, 2008).

Nesse mesmo sentido o secretário de Defesa Social da Serra, Ledir Porto,


acrescenta que: “Todo o trabalho é educativo, punição só se for necessário. Mas
quem cometer uma infração de trânsito, por exemplo, pode ser multado mesmo sem
a presença de um guarda no local” (PORTO apud RIBEIRO, F., 2008, p. 15).
70

Fig. 03 – Funcionamento das Câmeras Tagarelas nos Municípios de Vitória e Serra -ES

O professor de Política e Administração em Justiça Criminal da cátedra Daniel e


Florence V. Guggenheim, na John F. Kennedy School of Government da
universidade de Harvard, em Cambridge, Prof. Mark Harrison Moore (1992), nesse
sentido, destaca:

[...] é necessária a articulação de uma série de valores que podem servir


como um contrato básico para orientar o trabalho conjunto da polícia e da
comunidade, enquanto, juntas, elas buscam definir e resolver os problemas
do crime e do medo. Há uma questão adicional que vale a pena considerar
quando se pensa no policiamento para solução de problemas e no
policiamento comunitário como possíveis formas de estratégia de
policiamento. Tem a ver com a questão de como os problemas das drogas e
a aparente ameaça do aumento da violência generalizada vão afetar o
potencial sucesso destas estratégias. Para muitos, a urgência de tais
problemas constitui uma razão importante para ficar com o que já foi usado
e comprovado, e resistir a qualquer experimento. Minha tendência é pensar
o oposto. Se há âmbitos em que as estratégias de policiamento para
solução de problemas e policiamento comunitário são mais necessárias, é
onde existe tais problemas específicos. (MOORE, apud TONRY; MORRIS,
2003, p. 170).

Para Mark Harrison Moore (1992), um fator importante para controlar os distúrbios
urbanos é ter uma rede de relações que alcancem todas as comunidades, dando
71

ímpeto a futuros desenvolvimentos no policiamento para solução de problemas


comunitários.

Portanto, deve haver uma aproximação da responsabilidade da polícia na segurança


urbana e melhor acesso aos cidadãos na visualização de seus direitos. Nesse
aspecto, acrescentou Ledir Porto apud Fernando Ribeiro que: “O papel da câmera é
tornar a cidade cidadã e segura. Segurança é qualidade de vida [...]” (PORTO, apud
RIBEIRO, F., 2008, p. 15).

De acordo com Luiz Antônio Brenner Guimarães (2007):

O princípio ativo de emprego da vigilância eletrônica é o do controle do


comportamento das pessoas, pela inibição e modelagem, através do
vigiar e punir, na perspectiva de resolver ou controlar a criminalidade,
pela ocupação dos espaços e endurecimento das penas (GUIMARÃES,
2007, p. 1) (grifo nosso).

As câmeras de videomonitoramento foram implantadas a fim de minimizarem a


violência urbana através de seu poder de rápida atuação, vez que são capazes de
visualizar o ato criminoso dentro de seu grau de alcance, possibilitando a pronta
atuação policial e identificação dos infratores.

Uma das principais promessas dos projetos de videomonitoramento em via


pública tem sido a ampliação dos espaços de vigilância e da ação do estado
através da visão eletrônica, permitindo uma ação efetiva do policiamento na
intervenção dos fatos que estão ocorrendo ou, então, na identificação e na
descrição do ocorrido e de seus autores para as devidas
responsabilizações, o que inibiria comportamentos criminosos e/ou violentos
e preveniria os delitos (GUIMARÃES, 2007, p. 2).

É certo que as câmeras de monitoramento diminuem os espaços que estão isentos


de vigilância e proteção. Além disso, como dito em tópico anterior, algumas câmeras
de Videomonitoramento também possuem aparelho de áudio acoplado ao vídeo,
permitindo ao controlador emitir um alerta ao autor do delito no exato momento do
cometimento da conduta, funcionando dessa forma, como repressão e orientação.

É oportuna, porém, a lição do professor Carlos Ari Sundfeld, ao concluir que: “Tem
de se controlar o uso posterior dessa imagem, ver onde ela será guardada, não
deixar divulgar” (SUNDFELD apud BRITO, 2007).
72

É necessário, pois, a devida administração e armazenamento das imagens sob pena


de abuso e ilegalidade por parte da administração pública, para que não sejam
violados, dessa forma, diversos preceitos constitucionais basilares da democracia,
tendo, a título exemplificativo, a violação do direito à privacidade e da dignidade da
pessoa humana, em tese.

BRITO aporta-se a SUNDFELD e conclui que: “Na opinião de Sundfeld, o ideal é


preservar as imagens por um longo tempo porque mesmo que não haja ação
suspeita no material gravado ele pode servir para outras investigações” (BRITO,
2007). Assim, todo e qualquer tipo de gravação das imagens podem beneficiar a
identificação futura de criminosos.

José Serra apud Mariana Garbim e Manoel Schlinwein (2008) acrescenta:

[...] as câmeras têm tecnologia avançada, giram 360º e possibilitam a


visualização de objetivos a uma distância aproximada de 600 metros. As
imagens ficam armazenadas durante 15 dias nos computadores da
corporação para eventuais consultas e depois são eliminadas (GARBIN;
SCHLINDWEIN, 2008).

As informações guardadas em um banco de dados são de grande valia se


devidamente utilizadas para a guarda da ordem pública, não podendo ser utilizadas
de outro modo, sob pena de graves violações ao Estado Democrático de Direito,
conforme anteriormente aduzido.

Dessa maneira, Marcos Rolim (2004) em seu artigo denominado “Câmeras”,


acentua questões pertinentes ao favorecimento da implantação do sistema de
vigilância eletrônica, concluindo que os crimes sofrerão uma diminuição significativa:
”A depender do sistema de vigilância montado, então, muitos crimes sofrerão
redução significativa e é exatamente esse o resultado que se deve procurar”
(ROLIM, 2004).
73

5.3 FUNCIONALIDADE DA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE


VIDEOMONITORAMENTO NO MUNICÍPIO DE SERRA-ES

Fig. 04 – Centro de monitoramento do município de Serra - ES.

No final do ano de 2006, em virtude dos festivos referentes ao Santo padroeiro da


cidade e o verão do ano de 2007, foi realizado um projeto piloto no município de
Serra, onde nos meses de janeiro e fevereiro, as praias de Jacaraípe e Manguinhos,
foram monitoradas por vídeo, melhorando sensivelmente o atendimento aos turistas
e freqüentadores do balneário.

As imagens obtidas através das câmeras eram monitoradas vinte e quatro horas de
uma central por policiais militares do 6º BPM e em tempo real, sendo que as
informações contribuíram para uma rápida ação dos policiais militares do
policiamento ostensivo em caso de flagrante delito, ou mesmo na identificação de
suspeitos de furtos e roubos pela Polícia Civil.

O projeto de videomonitoramento no município de Serra-ES, implantado em caráter


experimental na orla de Jacaraípe e Manguinhos, desde o dia 27 de dezembro de
2006, foi beneficiado com seis câmeras de alta resolução, com capacidade de
alcance de 4 quilômetros de área cada uma, com funcionamento 24 horas por dia. O
serviço funcionou em conjunto com o Centro Integrado de Segurança e o 6°
74

Batalhão da Polícia Militar. Os investimentos com o Videomonitoramento no


Município de Serra-ES contaram com uma gestão participativa entre a Polícia Militar
e a Prefeitura Municipal de Serra-ES.

Atualmente o sistema foi implantado em outras regiões do município, com um total


de 12 (doze) câmeras, distribuídas da seguinte forma: 07 (sete) na região comercial
do bairro Laranjeiras, 03 (três) no bairro Feu Rosa e 02 (duas) na avenida Abdo
Saad no bairro Jacaraípe, monitorada no turno diurno por policiais aposentados, que
são contratados pela empresa executora do contrato.

A central de Videomonitoramento fica localizada na sede do grupamento ciclístico de


Laranjeiras, onde existe um local reservado e apropriado para o monitoramento das
imagens, tendo no local equipamentos de telefonia e rádio local e com Centro de
Comunicações da PMES, de forma a providenciar os recursos necessários para o
cumprimento de suas atribuições.

No município de Serra, existem 04 (quatro) câmeras que possuem o recurso de


áudio adaptado ao vídeo e popularmente são chamadas de “câmeras tagarelas”,
permitindo que o controlador possa assim chamar a atenção dos infratores no exato
momento dos fatos ou passar informações educativas ou de emergências à
populares. Fernando Ribeiro destaca:

Monitoradas por um policial, as “tagarelas” avisam quando o motorista


estaciona em local proibido ou quando um pedestre joga lixo no chão, por
exemplo. É só cometer a infração que ela está lá, pronta para dar um puxão
na orelha dos infratores (RIBEIRO, F., 2008, p. 9).

Podem, ainda, as câmeras de videomonitoramento, ser utilizadas para inibir as


ações de delinqüentes que por ventura tenham conduta suspeita e, em assim sendo,
a critério do policial em vigília, percebendo que a medida é necessária e
conveniente, aplicar a intervenção sonora.

Pode-se acionar, por paradigma, efetivos policiais, que ao serem informados de


situações e pessoas suspeitas, se dirigem ao local próximo e efetuam abordagens,
inibindo a ação delituosa que porventura viria a se concretizar. Assim, no caso do
75

Videomonitoramento, a exposição ao perigo por parte do policial é bem menor e o


seu campo de visão é em muito aumentado.

Fernando Ribeiro (2008) apresenta um exemplo do funcionamento das câmeras de


videomonitoramento:

No primeiro dia em que a câmera funcionou, ontem, alguns motoristas


foram alertados. Um dos avisos foi para o proprietário da camionete cinza
estacionada na curva da praça para que retirasse o veículo. Dois avisos
foram suficientes para que o motorista retirasse o carro (2008, p. 09).

O Município de Serra está incluído no programa Nacional do PRONASCI, sendo


contemplado com recursos financeiros para serem investidos em projetos da
Segurança Pública, desta forma existindo uma previsão de ampliação do sistema de
Videomonitoramento, onde há previsão de serem instaladas mais trinta e cinco
câmeras.

O Secretário de Defesa Social da Serra, Ledir da Silva Porto, em entrevista (ANEXO


B), ratifica a importância da participação do município no contexto da Segurança
Pública, ao “ressaltar que o Estado não consegue obter bons resultados nessa área
trabalhando sozinho, bem como, os municípios também não conseguem atender a
contento seus munícipes tomando iniciativas isoladas”.
76

5.4 FUNCIONALIDADE DA IMPLANTAÇÃO DO PROJETO DE


VIDEOMONITORAMENTO NO MUNICÍPIO DE VITÓRIA-ES

Fig. 05 – Videomonitoramento da Guarda Municipal de Vitória, no CIODES.

Em Vitória, o projeto de Videomonitoramento teve início em dezembro do ano de


2007, contando inicialmente com 05 (cinco) câmeras de vídeo e posteriormente o
número passou para 06 (seis) câmeras, distribuídas nas avenidas Jerônimo
Monteiro (Praça Costa Pereira), no Parque Moscoso, na Avenida Reta da Penha, na
Avenida Dante Micheline, na Avenida Princesa Isabel e na Avenida Marcos Azevedo
(Vila Rubim).

A Central de monitoramento é situada na sala do CIODES – Centro Integrado


Operacional de Defesa Social, em Vitória, sendo que as imagens são monitoradas
diuturnamente por Agentes da Guarda Municipal, que dentre suas atribuições,
também estão a de observação de fatos que necessitem intervenção do poder
público, no âmbito da Segurança Pública. A ação conjunta entre a Guarda Municipal
e as polícias é que garante a eficiência do serviço.
77

De acordo com o Major Nylton Rodrigues, chefe do Centro Integrado Operacional de


Defesa Social, “as câmeras serão mais uma forma de garantir a presença da
autoridade policial em vários pontos da região metropolitana” (RODRIGUES apud
RANGEL, 2007).

As câmeras de Videomonitoramento têm como objetivo gerar maior eficiência nas


intervenções preventivas e repressivas realizadas pelo policiamento ostensivo e
auxiliam no processo investigativo para identificação de infratores.

Especificamente, o município de Vitória-ES não implantou até o presente momento


nenhuma câmera “tagarela”, como é chamada no município de Serra-ES.

Conforme entrevista, o Coordenador de Pesquisa e Monitoramento da Violência


Urbana e Gestor do Contrato de Videomonitoramento da Prefeitura Municipal de
Vitória-ES, Sr. Everaldo Francisco Costa (ANEXO D, 2008), “não descarta o uso das
câmeras tagarelas, entretanto, a maior preocupação da prefeitura é dar a contra-
resposta aos delitos e crimes visualizados pelas câmeras de forma imediata”.

Ressalta, ainda, que o município de Vitória tem assumido de forma pró-ativa a


questão da segurança, atuando com um conjunto de políticas públicas na área
social, como por exemplo: Programa Vitória da Paz, Guarda Municipal e o
Videomonitoramento.

O município de Vitória já tem convênio assinado com o Ministério da Justiça, com


previsão de recursos para a instalação de 35 (trinta e cinco) câmeras, possibilitando
uma ampliação do sistema, de forma a atender outras localidades da cidade, de
acordo com as informações prestadas por Everaldo Francisco Costa.
78

5.5 FUNCIONALIDADE DO SISTEMA DE VIDEOMONITORAMENTO


NOS ESTADOS FEDERATIVOS

Nesse aspecto, mister ressaltar o funcionamento das câmeras de vigilância


eletrônica em ambientes públicos de alguns dos estados da federação,
apresentando estatísticas significativas.

O Cel. Luiz Antônio Brenner Guimarães (2007), referindo-se a capital Porto Alegre
do Estado do Rio Grande do Sul, quanto a implantação do sistema de
Videomonitoramento, apresenta:

Em dezembro de 2004, ao analisar os dois meses de implantação das


primeiras dez câmeras, no Bairro Floresta e São Geraldo na Capital do
estado, as autoridades fizeram um balanço deste período em comparação
com o mês anterior a instalação. Constataram que no 1° mês de
funcionamento houve uma redução de 55,34% das ocorrências e no
segundo mês (ainda em comparação aos 30 dias anteriores à instalação)
apresentou uma diminuição de 24,52%, sendo que os crimes que
apresentaram quedas foram furtos a pedestres e estabelecimentos
comerciais, lesão corporal leve e roubo de telefone celular. O balanço
referia-se somente aos locais onde estavam instaladas as câmeras
GUIMARÃES, 2007, p. 9 e 10).

Seguindo a linha do pensamento acima, Guimarães (2007), completa:

Em maio de 2005, a SJS apresentou outra estatística do índice de


criminalidade nas 19 ruas e avenidas de Porto Alegre vigiadas por câmeras,
referente ao período de Dez04 a Mar05, afirmando que neste período em
comparação aos quatro meses anteriores a instalação do sistema, o índice
de criminalidade caiu em 24,57% e que no topo da lista dos delitos que
reduziram estão o furto em 48%, furtos de veículos em 14,6%, roubos a
estabelecimento em 10 em 10,3% e roubos a pedestres em 5,5% [...]
(GUIMARÃES, 2007, p. 9 e 10).

GUIMARÃES (2007), ainda tratando sobre o assunto, relatou que “Em novembro de
2006, o Secretário Municipal de Transporte, Trânsito e Segurança de Novo
Hamburgo, declarou que nos locais monitorados pelas câmeras de vídeo desde abril
de 2002, houve uma redução de 90% das ocorrências [...]” (GUIMARÃES, 2007, p.
10).
79

Fazendo o comparativo no Estado, descreveu ainda GUIMARÃES (2007), que no


município de Caxias do Sul, depois da instalação das câmeras, “as ocorrências
diminuíram em 70%, em 2004 foram 345 flagrantes, em 2005, 119 e [...] 2006 até
outubro, 62 flagrantes [...]” (GUIMARÃES, 2007, p. 10).

Já em Florianópolis, Santa Catarina, com o apoio da Secretaria de Segurança


Pública e de Defesa do Cidadão de Florianópolis, a Associação de Comerciantes da
Rua Bocaiúva contratou o projeto piloto de Videomonitoramento.

De acordo com o Fórum de Segurança, Ildo Raimundo da Rosa apud Maria de


Fátima Guimarães Oliveira (2008), destaca que tal implementação já trouxe
resultados evidentes para a comunidade:

[...] Além da vigilância preventiva de segurança voltada à proteção dos


cidadãos, estamos em sintonia com outras visões de monitoramento, com a
preservação do patrimônio histórico e cultural da cidade, considerando o
local no qual as câmeras estão operando [...] (ROSA apud OLIVEIRA, M.,
2008).

Gustavo Almeida Paolinelli de Castro (2007) salienta que no Estado de Minas


Gerais, a cidade de Belo Horizonte possuía 72 câmeras distribuídas em locais de
grande comércio, e acrescenta que:

[...] Em relação à efetividade da medida, a Polícia Militar tem defendido sua


eficiência, apontando uma redução de 7,91% da criminalidade no primeiro
semestre de 2005, em comparação com o mesmo período de 2004 [...]
(CASTRO, 2007, p. 84).

De acordo com Mariana Garbin e Manoel Schlindwein (2008), no Estado de São


Paulo, os equipamentos de videovigilância são usados por um grupo de operadores
e supervisores, e em caso de visualização de ocorrência, o operador da câmera
transfere os dados ao COPOM – Centro de Operações da Polícia Militar.

As câmeras de videovigilância implantadas no estado possuem tecnologia


avançada, com visualização aproximada de 600 metros e as imagens são
armazenadas por um período de 15 dias:
80

[...] as câmeras têm tecnologia avançada, giram 360º e possibilitam a


visualização de objetivos a uma distância aproximada de 600 metros. As
imagens ficam armazenadas durante 15 dias nos computadores da
corporação para eventuais consultas e depois são eliminadas (GARBIN;
SCHLINDWEIN, 2008).

Nota-se que o sistema de videomonitoramento tem sido bem sucedido e


apresentando bons resultados com a diminuição da violência na grande maioria dos
municípios que utilizam o sistema de circuito fechado de TV.

5.6 INVESTIMENTOS NO VIDEOMONITORAMENTO

É importante considerar não apenas o aumento das despesas com a Segurança


Pública. Deve-se preponderar que o sistema de Videomonitoramento é um
investimento necessário à modernização da segurança, pois busca obter resultados
positivos em favor da sociedade.

As prefeituras de Vitória e de Serra são atendidas pela mesma empresa de


Videomonitoramento (Empresa START Tech Solução em Tecnologia Ltda), como
será visto um pouco mais adiante. Ao se analisar os contratos firmados, pode-se
constatar uma variação nos valores dos contratos, após ser analisado o custo total
do projeto nos dois referidos municípios. Na Serra o valor é superior em R$ 1.737,16
(um mil, setecentos e trinta e sete reais e dezesseis centavos) por câmera,
comparando-se com o município de Vitória.

A justificativa se dá em virtude das particularidades de equipamentos compatíveis


em cada região, bem como, à quantidade de câmeras e o custeio com pessoal. A
diferença nos valores se dá ainda posto que no município de Serra já estão inclusas
as despesas dos operadores, que são policiais aposentados.
81

5.6.1 Investimentos no Videomonitoramento no município de Vitória-ES

No município de Vitória, segundo Everaldo Costa (2008), tendo em vista que o


projeto ainda é novo e com modernos recursos tecnológicos, o custo do sistema
ainda é considerado elevado, entretanto, com novos processos licitatórios, e com a
experiência adquirida com a atual funcionalidade do sistema, é bem provável que os
valores sejam reduzidos.

Para regular os procedimentos e valores a serem custeados pela Prefeitura de


Vitória, foi firmado no dia 14 de novembro do ano de 2007, um Contrato de
Prestação de Serviços de n° 278/2007 com a Empresa Start Tech Solução em
Tecnologia Ltda.

Item Descrição Valor mensal Valor Global


( 12 meses )
01 Prestação de serviços de R$ 41.575,00 R$ 498.900,00
videomonitoramento, incluindo
instalação e manutenção dos
equipamentos.
Total R$ 498.900,00
Tab. 01 – Dados do Contrato de Videomonitoramento de Vitória-ES.

Analisando os valores acima expostos na tabela, observamos um custo anual


unitário de cada câmera no valor de R$ 83.150,00 (oitenta e três mil, centro e
cinqüenta reais), enquanto que o valor mensal por cada câmera instalada fica em
torno de R$ 6.929,16 (seis mil, novecentos e vinte e nove reais e dezesseis
centavos).

Para a instalação do sistema de Videomonitoramento em vias públicas e


conservação de uma central de monitoramento, tem-se um custo total. Quando se
acrescenta um número maior de câmeras em vias públicas a tendência é que o
impacto de custo unitário seja reduzido. (Anexo D).
82

O contrato firmado entre a Prefeitura de Vitória e uma empresa privada, tem prazo
estipulado em 12 (doze) meses, destacando que todas as despesas de instalação e
manutenção do sistema são da empresa contratada.

5.6.2 Investimentos no Videomonitoramento no município de Serra-ES

No dia 14 de dezembro do ano de 2006, o município de Serra-ES, firmou o contrato


de n°.° 609/2006 SEDES – Secretaria de Defesa Social, de caráter emergencial para
prestação de serviços. O objetivo inicial de sua implantação era de atender as festas
de fim de ano na Sede do município e atender a programação do verão de 2007 na
orla, de forma a melhorar a sensação de segurança dos freqüentadores dos
balneários de Jacaraípe e Manguinhos.

O primeiro contrato celebrado no município teve vigência do dia 24/12/2006 até


21/02/2007, ano esse que foi celebrado novo contrato, conforme será abordado
adiante.

De acordo com o contrato de prestações de serviços de Videomonitoramento


celebrado no município de Serra-ES no ano de 2006 à 2007, podemos observar os
seguintes valores referentes ao investimento no sistema de videomonitoramento:

Item Descrição Valor mensal Valor Global


( 02 meses )
01 Prestação de serviços de R$ 39.925,00 R$ 79.850,00
videomonitoramento, incluindo
instalação e manutenção dos
equipamentos.
Total R$ 79.850,00
Tab. 02 – Dados do Primeiro Contrato de Videomonitoramento de Serra-ES.

A tabela acima descrita informa os valores investidos pela Prefeitura de Serra-ES no


início do projeto de Videomonitoramento, que ocorreu no final do ano de 2006, com
05 (cinco) câmeras instaladas no balneário do município no período do verão, onde
83

foi possível observar uma despesa média mensal de R$ 7.985,00 (sete mil,
novecentos e oitenta e cinco reais) por câmera instalada.

Conforme destacado, o segundo contrato de videomonitoramento no município de


Serra-ES, o qual ainda está vigente, teve como termo de início o dia 21/12/2007.

Item Descrição Valor Mensal

01 Prestação de serviços de videomonitoramento, R$ 104.000,00


incluindo instalação e manutenção dos
equipamentos.
Total R$ 104.000,00
Tab. 03 – Dados do Segundo Contrato de Videomonitoramento de Serra-ES.

O custo mensal do sistema na Serra é de R$ 104.000,00 (cento e quatro mil reais) –


conforme pode ser observado do quadro supramencionado – sendo incluídas todas
as despesas com pessoal, sala de operações e despesas de manutenção dos
equipamentos.

Como demonstrado, o Contrato de Prestação de Serviço de Locação de


Videomonitoramento de n° 543/2007, firmado no dia 21 de dezembro do ano de
2007, com instalação de 12 (doze) câmeras, em um valor fixado em R$ 416.000,00
(quatrocentos e dezesseis mil reais), destinados para o período de dezembro de
2007 a março de 2008, dividindo o valor total pela quantidade de câmeras instaladas
(12), temos o custo mensal do sistema de R$ 104.000,00 (cento e quatro mil reais).

Considerando que a despesa mensal do sistema é de R$ 104.000,00 (cento e quatro


mil reais), onde funciona 12 (doze) câmeras instaladas, dividindo esse valor total
mensal pelo número de câmeras instaladas (12), temos o valor mensal de cada
câmera em R$ 8.666,66 (oito mil, seiscentos e sessenta e seis reais e sessenta e
seis centavos).

De acordo com a SEDES – Secretaria de Estado de Desenvolvimento (2008) no dia


01 de abril de 2008, foi realizado um Termo aditivo ao contrato, de forma a prorrogá-
lo por mais 96 (noventa e seis) dias. Da mesma maneira foi realizado um segundo
84

Termo aditivo em 06 de julho de 2008. Prorrogando o contrato, novamente, por mais


96 (noventa e seis) dias.

5.7 COMPARATIVOS ENTRE OS MUNICÍPIOS DE SERRA E DE


VITÓRIA: ANTES E DEPOIS DA IMPLANTAÇÃO DO
VIDEOMONITORAMENTO

A seguir, serão realizadas comparação e análise dos dados estatísticos acerca da


implantação do sistema de Videomonitoramento dos municípios de Vitória e Serra.

2006 2007 2008


JACARAIPE
Jan Fev Jan Fev Jan Fev
AV NOSSA SENHORA NAVEGANTES 08 11 25 13 12 13

2006 2007 2008


MANGUINHOS
Jan Fev Jan Fev Jan Fev
AV BEIRA RIO 1 0 2 1 1 3
AV MANGUINHOS 3 2 1 1 0 3
Total 4 2 3 2 1 6
Tabela 04 – Principais Crimes: Contra Pessoa, Contra o Patrimônio registrados no município de Serra
no verão no Balneário de Jacaraípe e Manguinhos em 2007 e 2008. Fonte: GEAC/SESP.

2006 2007 2008


JACARAIPE Jan Fev Jan Fev Jan Fev
AV NOSSA SENHORA NAVEGANTES 48 49 47 50 30 29

2006 2007 2008


MANGUINHOS
Jan Fev Jan Fev Jan Fev
AV BEIRA RIO 4 2 6 2 4 7
AV MANGUINHOS 6 9 9 7 4 7
Total 10 11 15 9 8 14
Tabela 05 – Atendimentos registrados no Verão no Balneário de Jacaraípe e Manguinhos em 2007 e
2008. Fonte: GEAC/SESP.

O sistema de videomonitoramento foi instalado no ano de 2007, porém, no verão de


2006, não estava ainda em prática tal sistema, dito isto, ao se avaliar os dados
85

estatísticos das tabelas 04 e 05, destaca-se uma redução de 39,17% do número de


atendimentos no comparativo entre 2006 e o mesmo período em 2008.

2006
Bairro Local Ja Fe Ma Ab Ma Ju
n v r r i n Total
DOUTOR PEDRO F
ROSA RUA DOS CRAVOS 2 5 3 10
AV ABDO SAAD 21 10 19 21 11 12 94
JACARAIPE N S DOS
NAVEGANTES 8 11 3 8 4 2 36
AV CENTRAL 1 6 8 8 7 7 37
AV PRIMEIRA
AVENIDA 1 1 2
PRQ R LARANJEIRAS
AV SEGUNDA
AVENIDA 1 1 1 3
RUA PITAGORAS
Total 30 28 34 37 28 25 182
2007
Bairro Local Ja Fe Ma Ab Ma Ju
n v r r i n Total
DOUTOR PEDRO F
ROSA RUA DOS CRAVOS 1 1 4 2 2 1 11
AV ABDO SAAD 22 20 19 12 17 14 104
JACARAIPE N S DOS
NAVEGANTES 7 3 3 1 1 3 18
AV CENTRAL 7 7 4 4 5 9 36
AV PRIMEIRA
AVENIDA 1 2 3
PRQ R LARANJEIRAS
AV SEGUNDA
AVENIDA 1 1
RUA PITAGORAS
Total 39 31 32 19 25 27 173
2008
Bairro Local Ja Fe Ma Ab Ma Ju
n v r r i n Total
DOUTOR PEDRO F
ROSA RUA DOS CRAVOS 7 2 1 10
AV ABDO SAAD 30 17 19 11 22 22 121
JACARAIPE N S DOS
NAVEGANTES 2 4 5 2 2 1 16
AV CENTRAL 4 11 10 9 3 4 41
AV PRIMEIRA
AVENIDA 1 2 1 4
PRQ R LARANJEIRAS
AV SEGUNDA
AVENIDA 1 1
RUA PITAGORAS 1 1
Total 36 1 37 22 1 23 194
Variação Absoluta 2008 - 2007 21
Variação Percentual 2008/2007 12,14
Variação Absoluta 2008 - 2006 12
Variação Percentual 2008/2006 6,59
86

Tabela 06 – Principais Crimes: Crimes contra Pessoa e Crimes contra Patrimônio registrados no
município de Serra 1º Semestre 2007/2008 - Locais de Câmeras. Fonte: GEAC/SESP.
Em relação à tabela 06, vale ressaltar que somente em meados do mês de abril de
2008, foi instalado o Videomonitoramento nas regiões de Laranjeiras e Feu Rosa,
portanto, um período curto para se ter uma melhor avaliação em termos estatísticos.
Assim sendo, para termos de análise foi disponibilizado números estatísticos no
período de janeiro a junho dos anos de 2006, 2007 e 2008. Com relação aos crimes
contra a pessoa e contra o patrimônio no período 2008, comparado ao mesmo
período do ano de 2006, houve um aumento nos registros de 6,59%. Há uma
pequena variação em termos de número no período referenciado no período de
2007/2008, registrando um aumento de ocorrências de crimes contra a pessoa e
patrimônio em 6,59%.
2006
Bairro Local Fe Ma Ab Ma
Jan v r r i Jun Total
FEU ROSA RUA CRAVOS 2 5 3 10
AV ABDO SAAD 104 84 72 83 66 60 469
JACARAIPE
AV N S NAVEGANTES 48 49 23 31 23 16 190
AV CENTRAL 1 6 8 8 7 7 37
AV PRIMEIRA
AVENIDA 1 1 2
PRQ R LARANJEIRAS
AV SEGUNDA
AVENIDA 1 1 1 3
RUA PITAGORAS 0
15 14 10 12 10
Total 3 0 7 2 2 87 711
2007
Bairro Local Fe Ma Ab Ma
Jan v r r i Jun Total
FEU ROSA RUA CRAVOS 11 4 11 8 6 6 46
AV ABDO SAAD 128 121 90 85 83 100 607
JACARAIPE
AV N S NAVEGANTES 47 50 28 17 14 18 174
AV CENTRAL 25 22 20 18 21 20 126
AV PRIMEIRA
AVENIDA 1 4 5
PRQ R LARANJEIRAS
AV SEGUNDA
AVENIDA 2 1 4 1 8
RUA PITAGORAS 1 1 2
21 19 15 12 12 14
Total 4 8 7 8 6 5 968
2008
Bairro Local Fe Ma Ab Ma
Jan v r r i Jun Total
FEU ROSA RUA CRAVOS 8 14 10 6 5 5 48
AV ABDO SAAD 133 85 100 66 87 85 556
JACARAIPE
AV N S NAVEGANTES 30 29 29 16 20 9 133
87

AV CENTRAL 19 24 24 26 15 21 129
AV PRIMEIRA
AVENIDA 1 2 1 2 4 2 12
PRQ R LARANJEIRAS
AV SEGUNDA
AVENIDA 3 1 2 2 2 1 11
RUA PITAGORAS 1 2 1 4
19 15 16 11 13 12
Total 4 6 8 8 4
893 3
Variação Absoluta 2008 - 2007 -75
Variação Percentual 2008/2007 -7,75
Variação Absoluta 2008 - 2006 182
25,6
Variação Percentual 2008/2006 0
Tabela 07 – Atendimentos registrados no município de Serra 1º Semestre 2006/2007/2008 - Locais
de Câmeras. Fonte: GEAC/SESP.

Na tabela 07, percebe-se o aumento do número de ocorrências atendidas no


período de janeiro a junho de 2006, comparado ao mesmo período de 2008, em
25,60%. No primeiro semestre dos anos de 2007 e 2008, houve uma redução em
-7,75%.

2007 2008 Total Var Var


Local
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jan Fev Mar Abr Mai Jun 2007 2008 Abs %
AV
JERONIMO
MONTEIRO 48 55 51 48 46 44 37 44 52 51 47 84 292 315 23 7,88
AV
PRINCESA
ISABEL 35 26 32 32 28 36 36 24 29 32 22 28 189 171 -18 -9,52
AV N S DOS
NAVEGANT
ES 31 25 28 29 27 31 25 28 28 20 44 44 171 189 18 10,53
AV DANTE
MICHELINE 108 81 86 64 67 55 107 80 82 62 63 47 461 441 -20 -4,34
AV N S DA -17,4
PENHA 56 25 52 47 44 51 33 30 36 40 45 43 275 227 -48 5
TOTAL 278 212 249 220 212 217 238 206 227 205 221 246 1.388 1.343 -45 -3,24
Legendas Var. abs. : variação absoluta
Var. % : variação percentual
Tabela 08 – Atendimentos registrados no município de Vitória 1º Semestre 2007/2008 - Locais de
Câmeras. Fonte: GEAC/SESP.

Em relação à tabela acima, vale ressaltar que no 1º Semestre de 2007, ainda não
havia o Videomonitoramento no município de Vitória-ES, tendo iniciado somente em
dezembro de 2007, sendo disponibilizado dados no período de janeiro à junho de
2008. No período referenciado, nota-se uma pequena diminuição dos números de
atendimentos em – 3,24%.
88

Embora as câmeras possuam recursos que permitem a aproximação da imagem e


capacidade de visualização de até 04 (quatro) Km, não é possível cobrir toda a via
onde estão instaladas, pois existem trechos com obstáculos ou curvas que
prejudicam a captação de imagens – como por exemplo, a avenida Dante Micheline
(Praia de Camburi), que possui uma vasta extensão e com curvas e contornos
próprios.

2007 2008 Total Var Var


Local
Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jan Fev Mar Abr Mai Jun 2007 2008 Abs %
AV JERONIMO
MONTEIRO 9 5 6 15 5 7 7 6 6 6 5 6 47 36 -11 -23,4
AV PRINCESA
ISABEL 10 18 13 16 10 8 10 11 7 9 6 11 75 54 -21 -28
AV N S DOS
NAVEGANTES 6 7 5 9 7 6 8 9 2 3 5 7 40 34 -6 -15
AV DANTE
MICHELINE 14 13 10 12 10 11 17 12 18 6 11 7 70 71 1 1,4
AV N S DA
PENHA 17 9 27 12 12 14 16 6 11 17 21 14 91 85 -6 6,59
13,3
TOTAL 56 52 61 64 44 46 58 44 44 41 48 45 323 280 -43 %
Legendas Var. abs. : variação absoluta
Var. % : variação percentual
Tabela 09 – Principais Crimes: Crimes contra Pessoa e Crimes contra Patrimônio registrados no
município de Vitória 1º Semestre 2007/2008 - Locais de Câmeras. Fonte: GEAC/SESP.

Com a implantação do sistema de videomonitoramento nas regiões mencionadas


nas tabelas analisadas, observa-se o efeito pró-ativo dos órgãos de segurança
pública, pois há uma maior facilidade de registro de fatos criminosos, e em muitos
casos, o próprio acionamento da polícia que vai ao encontro do cidadão, mesmo
antes deste tentar acionar a polícia pelo telefone (190).

Desta forma o estudo em relação à análise de dados estáticos é bem complexo,


sendo que nem sempre o aumento do número de registros, significa o aumento de
criminalidade.
89

Os investimentos do Estado em novas tecnologias na área de Segurança Pública


permitem aos órgãos policiais uma maior facilidade de acesso do cidadão aos
serviços de urgências como, por exemplo, o Centro Integrado Operacional de
Defesa Social (CIODES), que atende pelo número de telefone 190. Esse serviço de
atendimento à população na Grande Vitória, foi notoriamente reconhecido através do
prêmio INOVES 2007.
90

6 VIGILÂNCIA ELETRÔNICA: PERSPECTIVAS DOS DIREITOS À


PRIVACIDADE E À SEGURANÇA

Com o aumento da criminalidade, o medo e a insegurança dos cidadãos acabam por


legitimar a interferência do Estado no âmbito privado. A solução encontrada por
alguns como uma das tentativas de conter os atos ilícitos, foi a instalação de
câmeras de Videomonitoramento em locais públicos a fim de inibirem atos de
vandalismo, fazendo com que as pessoas respeitem às normas estabelecidas de um
melhor convívio social.

Marcos Rolim (2004) afirma que tal medida tem contribuído a fim de inibir a prática
de crimes. Assim destacou:

Quando as pessoas sabem que estão sendo observadas tendem a agir em


conformidade com as normas de convívio. Quando, ao contrário, têm
certeza de que não se saberá das suas ações ou que não serão
identificadas, agem mais facilmente em desrespeito às mesmas normas
(ROLIM, 2004).

Desta forma, a medida implantada de Videomonitoramento, precedente da


Administração Pública, releva questões acerca dos princípios constitucionais da
privacidade e da segurança devido à instalação de câmeras filmadoras em locais
públicos.

No Brasil, somente após o advento da Constituição da República Federativa do


Brasil de 1988 que o direito à privacidade foi positivado e considerado princípio
constitucional.

Reza o inciso X, do artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil,


promulgada em 05 de outubro de 1988 que:

Art. 5°.[...]
X – São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das
pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral
decorrente de sua violação.
91

O artigo 5.º, inciso X da Constituição Federal de 1988 oferece guarnição ao direito à


preservação da intimidade, assim como ao da vida privada. Segundo Celso Ribeiro
Bastos e Ives Gandra Martins, a intimidade consiste:

[...] na faculdade que tem cada indivíduo de obstar a intromissão de


estranhos na sua vida privada e familiar, assim como de impedir-lhes o
acesso a informações sobre a privacidade de cada um, e também impedir
que sejam divulgadas informações sobre esta área da manifestação
existencial do ser humano (BASTOS, [200-?], p. 63).

Não se pode, pois, colocar em evidência as pessoas a constrangimentos ou mesmo


interferir em sua vida particular de maneira a violá-la e expô-la.

Uma das maiores problemáticas levantadas com o uso de câmeras de


Videomonitoramento é quando essas imagens ultrapassam os seus objetivos
principais e passam a visualizar além do objetivo pelo qual foram instaladas,
adentrando em estabelecimentos particulares, flagrando atos pessoais de cada um,
por exemplo, e violando os direitos da privacidade dos cidadãos.

Marcos Rolim (2004) salienta que as pessoas devem ter conhecimento das áreas
onde existem as câmeras de Videomonitoramento. “Todos devem saber dessas
áreas até para as decisões cotidianas” a fim das pessoas poderem, por exemplo,
escolher se irão sair para um local videomonitorado ou se preferirão locais sem
vigilância eletrônica.

O professor da PUC de Minas e Doutor em Direito pela UFPR, Túlio Vianna (2007)
destaca a problemática quando o operador ultrapassa os limites permitidos violando
a privacidade, ressaltando que “não é porque se pode registrar que se pode
necessariamente divulgar”:

[...] é aqui que se encontra uma das principais dificuldades na correta


compreensão do direito à privacidade: não é porque alguém tem o direito de
monitorar outrem que se pode deduzir daí, necessariamente, que este
alguém pode também registrar as cenas e gravar os sons. De forma
semelhante, não é porque se pode registrar que se pode necessariamente
divulgar [...] (VIANNA, 2007).
92

Como cediço, o direito à privacidade está inserido entre os direitos da personalidade,


na medida em que a intimidade é elemento essencial à condição humana, sem
julgamentos morais na sociedade.

Carlos Alberto Bittar apud Priscila Madallozzo Pivatto (2005, p. 488 e 489), narra que
o direito à privacidade “consubstancia-se em mecanismos de defesa da
personalidade humana contra injunções, indiscrições ou intromissões alheias”.

A seu turno, José Serpa de Santa Maria, lembrado por Priscila Medallozzo Pivatto
(2005, p. 489) considera a privacidade como ”modo de vivência reservada, sob a
resistência moral, a qualquer intromissão, bem como na razoável exclusão do
conhecimento público de fatos, idéias e emoções pessoais do interessado”.

Desta forma, deve-se ter cautela e observância ao princípio da privacidade quando


da divulgação das imagens, não podendo ser publicadas nos meios de comunicação
em massa sem os devidos cuidados.

Túlio Vianna (2007), destaca que existem três graus de violação a serem
observados quando um indivíduo encontra-se em locais públicos videomonitorados:
no caso da monitoração, do registro e principalmente, da divulgação, ressaltando
que independentemente do indivíduo se encontrar em local público e estar sendo
tele-assistido, tais imagens não podem ser divulgadas sem as devidas cautelas.
Nesse aspecto acrescenta o Doutor:

[...] O simples fato de se encontrar em um local público não gera em


ninguém a expectativa de ter sua imagem ou suas conversas divulgadas
posteriormente para um número potencialmente infinito de pessoas. Toda e
qualquer análise do direito à privacidade deve partir do pressuposto de que
há três graus possíveis de violação desse direito fundamental: a
monitoração, o registro e a publicação. Os limites desse direito estarão
condicionados à expectativa de privacidade de cada um em cada momento
(VIANNA, 2007).

Nesse sentido, abre-se a discussão acerca da ponderação entre o conflito existente


entres os direitos à privacidade e a necessidade de novas técnicas para controle à
criminalidade, como é o caso do Videomonitoramento de maneira a não violar a
intimidade e privacidade dos indivíduos. Deve haver ponderação e cautela no que
93

concerne à necessidade de segurança de implementação de novas técnicas a fim de


rebaixar a criminalidade sem que para que isso ocorra, precise, necessariamente,
expor e levar ao conhecimento do público, os indivíduos ao ridículo.

6.1 POSSIBILIDADES DE PONDERAÇÃO NO CONFLITO ENTRE OS


DIREITOS À PRIVACIDADE E À SEGURANÇA

A partir da instalação de câmeras de filmagens é possível verificar a existência de


colisão entre os princípios constitucionais de privacidade e segurança em áreas
públicas. Ao mesmo tempo em que a utilização de câmeras é essencial para
preservação de direitos e segurança dos indivíduos, podem acabar revelando a
privacidade e a intimidade de alguns.

Através da matéria Publicada XIII Encontro Nacional do CONPEDI (Conselho


Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Direito), realizado em Florianópolis,
Priscila Meddalozzo Pivatto (2005), destaca que os usos de câmeras de filmagens
podem ultrapassar limites da esfera da privacidade na medida em que objetivam a
segurança pública:

Na hipótese concreta do monitoramento com câmeras filmadoras, é possível


considerar que a tutela do direito à segurança ultrapasse limites da esfera
da defesa da privacidade. Em certa medida, as câmeras, objetivando
garantir a segurança pública, penetram na vida privada dos indivíduos. Além
de filmar, registrar e armazenar imagens de indivíduos em atividades
corriqueiras, as pessoas têm cerceadas nuances de sua liberdade, pois
agem como se estivessem sendo constantemente observadas. (PIVATTO,
2005, p. 492-493).

Nesse sentido, João Bosco Araújo Fontes Júnior (2005) ensina que “[...] os conceitos
de intimidade e domicílio são indissociáveis, de forma que a proteção do domicílio
constitui uma manifestação diretamente vinculada à tutela da intimidade [...]”
(FONTES JUNIOR, 2005, p. 125).

Gustavo Almeida Paolinelli de Castro, em sua obra “Direitos Humanos e Segurança


Pública: a modernização do espaço público” ([200-?]), completa:
94

Em princípio, é necessário observar que uma política pública que pretenda a


instalação de câmeras como forma de exercício da ordem, deve considerar,
com apurado rigor, a existência dos direitos fundamentais, como o direito à
intimidade [...] (CASTRO, [200-?], p. 8).

O importante aqui a se destacar, é a cautela que se deve ter quando do


direcionamento das câmeras de Videomonitoramento para obtenção de imagens e a
restrição da divulgação dessas imagens, resguardando a privacidade de cada um,
sendo permitidas as divulgações de imagens de pessoas quando autorizadas por
estas, caso contrário, deve-se resguardar sua privacidade utilizando métodos de
proteção à imagem da pessoa.

Na capital de Portugal, Lisboa, todas as imagens captadas e gravadas através do


Videomonitoramento são notificadas para serem autorizadas ou não pela entidade
administrativa independente chamada de CNPD – Comissão Nacional de Proteção
de Dados, que funciona conjuntamente com a Assembléia da República daquele
país.

Tal comissão, segundo informações extraídas da comissão em Portugal (2008),


destaca que a notificação deve ser realizada pelo responsável pelo processamento
de dados. A CNPD, nesse aspecto, tem como atribuições:

Controlar e fiscalizar o cumprimento das disposições legais e


regulamentares em matéria de proteção de dados pessoais.
Emitir parecer prévio sobre quaisquer disposições legais, bem como sobre
instrumentos jurídicos comunitários ou internacionais relativos ao tratamento
de dados pessoais. Exercer poderes de investigação e inquérito, podendo
para tal aceder aos dados objeto de tratamento. Exercer poderes de
autoridade, designadamente o de ordenar o bloqueio, apagamento ou
destruição dos dados, assim como o de proibir temporária ou
definitivamente o tratamento de dados pessoais. Advertir ou censurar
publicamente o responsável do tratamento dos dados, pelo não
cumprimento das disposições legais nesta matéria. Intervir em processos
judiciais no caso de violação da lei de proteção de dados. Denunciar ao
Ministério Público as infrações penais nesta matéria, bem como praticar os
atos cautelares necessários e urgentes para assegurar os meios de provas
([20--?]).

O objetivo da CNPD ([20--?]) é emitir pareceres relativos ao tratamento de dados


pessoais fixando prazos na conservação de dados, em função da finalidade,
assegurando o acesso de retificação e atualização. Pode ainda, a pedido de
qualquer pessoa, verificar a ilicitude de um tratamento de dados no caso de acesso
95

indireto promovendo a divulgação e esclarecimento dos direitos à proteção de dados


dando publicidade periódica à sua atividade.

Aqui no Estado, existe a Lei de n° 2.903/2005, promulgada em 28 de dezembro de


2005 que tem por objetivo dispor sobre a instalação de câmeras filmadoras no
município de Serra-ES e sobre outras providências. Já no município de Vitória-ES
ainda não existe uma lei regulamentadora específica.

CASTRO (2007), referindo-se aos direitos da intimidade e privacidade tendo em


vista a segurança pública, expressa que:

Não se trata, pois, de dizer que o princípio da segurança pública é superior


ou inferior ao da intimidade. Tal postura, aliás, é totalmente rechaçável se
analisada sob uma lógica reflexiva e construtivista-discursiva de aplicação
dos direitos fundamentais [...] (CASTRO, 2007, p. 89).

Significa dizer que, deve haver ponderação quanto ao sistema tecnológico de


segurança pública e os direitos da privacidade preservados. Acrescenta ainda o
autor que:

Nesse sentido, o ponto fundamental para o equilíbrio sociojurídico está na


harmonia do programa com os princípios erigidos na Constituição, e na sua
aceitabilidade racional por parte de todos os possíveis afetados pela
medida, o que nem de longe se avistou (CASTRO, 2007, p. 89).

Desta forma, a medida implantada pelos governos como ferramenta de controle da


criminalidade não deve ser vista como violação dos direitos à intimidade e à
privacidade e sim como técnica inovadora no controle a criminalidade, destacando
que os administradores e controladores do sistema de Videomonitoramento devem
ter cautela na administração e captação das imagens e principalmente quanto à
divulgação destas.

Luísa Brito (2008), reportando-se a visão dos advogados em um modo geral


colaciona que “é preciso regulamentar o sistema para que as câmeras sejam
colocadas somente em locais onde realmente haja necessidade como pontos com
alto índice de criminalidade ou de vandalismo” (BRITO, 2008).
96

O presidente do IBDE - Instituto Brasileiro de Direito do Estado e professor da


Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Mário Cammarosano apud
BRITO, acrescenta que:

Tem que haver uma conciliação entre o princípio do direito à privacidade e o


da segurança pública. A polícia não pode usar o sistema para monitorar
uma pessoa individualmente [...] a imagem só deve ser aproximada por
meio de zoom quando houver suspeita do comportamento de alguém. O
professor defende também que seja disciplinado o uso das imagens para
que apenas pessoas determinadas tenham acesso ao que é filmado
(CAMMAROSANO, apud BRITO, 2008).

Assim, algumas empresas se destacam apresentado e concluindo estudos acerca


do posicionamento das lentes das câmeras a fim de focarem pontos estratégicos
específicos, sem que para isso precisem adentrar na intimidade e privacidade de
seus cidadãos.

6.2 POSICIONAMENTO E DIRECIONAMENTO DA IMAGEM


PRODUZIDA PELAS CÂMERAS DE VIDEOMONITORAMENTO COMO
MEDIDA ALTERNATIVA PARA NÃO VIOLAÇÃO DOS DIREITOS À
INTIMIDADE E À PRIVACIDADE

Para melhor compreensão acerca do tema, mister se fazer alguns esclarecimentos


quanto ao significado de foco de imagem e profundidade de foco ou também
chamado de profundidade de campo. Conforme informações da empresa Fazendo
Vídeo (2007), o foco é o local onde a imagem é projetada pela objetiva da câmera
dentro da profundidade do campo da área:

[...] foco é o local onde forma-se a imagem projetada pela objetiva da


câmera. Quando um feixe de raios de luz atinge a superfície de uma lente
instalada em uma câmera, a mesma desvia sua trajetória de maneira que
para determinado ponto. [...] profundidade de foco da mesma forma como a
profundidade de campo é a área na frente da lente (em frente à câmera)
para a qual todos os pontos ali localizados apresentam-se nítidos à visão
humana [...] (2008).
97

Exemplifica ainda a empresa, que quando a imagem é desviada para outro ponto
denominado ‘A’, “situado em um objeto na frente da câmera seja formada a imagem
do mesmo ponto no interior da mesma” (2008). De maneira a exemplificar tais
informações, a empresa Fazendo Vídeo apresentou uma figura exemplificativa,
conforme pode se observar abaixo.

Fig. 06 – Imagem projetada pela objetiva da câmera.

Contudo, se o anteparo sobre o qual se desenvolveu a imagem for deslocado para


trás ou para frente, a imagem não estará mais focalizada, e sim fora de foco, isto é,
se for movido o anteparo será possível obter vários pontos dispersos e não mais um
único foco em específico (2008).

Fig. 07 – Vários pontos dispersos da imagem.

A empresa conclui que “Se ao invés de se deslocar o anteparo, deslocar-se o objeto


(ponto A) o resultado será o mesmo: a imagem ficará desfocalizada”, ou seja, o
campo do foco e de imagem será aumentado, vez que possibilitará visualizar vários
pontos ao mesmo tempo(2007).
98

A imagem, quando focalizada, mostra-se nítida sobre o anteparo; pode-se deslocar


então o anteparo para frente ou para trás, por uma fração de milímetro e a imagem
continuar nítida. Esta é a profundidade de foco, como exemplifica a imagem abaixo:

Fig. 08 – Profundidade de foco de imagem e profundidade de campo de imagem.

E acrescentam que “Enquanto a profundidade de campo corresponde a uma área


medida normalmente em metros (podendo variar de alguns centímetros, [...], até
dezenas ou centenas de metros [...]), a profundidade de foco, [...], é extremamente
menor [...]” (2008).

Como salientado no tópico anterior, as câmeras podem ter os seus focos desviados
ou distorcidos na medida de suas necessidades, dessa forma, pode-se desviar o
foco imediatamente para o local onde mereça melhor observação. A empresa
Fazendo Vídeo ressalta ainda essa questão:

[...] ajustando o foco no anel da objetiva x rack focus o efeito rack focus
consiste em mudar rapidamente o foco de um elemento da cena para outro,
para chamar a atenção do público, como em uma sala com pessoas
conversando ao fundo (local onde está inicialmente o foco) e um telefone
em primeiro plano (desfocado). Quanto o telefone toca, o foco muda das
pessoas para ele (2008).

Uma questão bastante interessante levantada pela empresa é que existem maneiras
de fazer com que o fundo da imagem fique fora de foco, concentrando o foco em
primeiro plano. Esse tipo de procedimento pode-se enquadrar como um tipo de
ponderação entre o direito à privacidade sem desmerecer a segurança da
sociedade.
99

Tal procedimento pode ser usado no intuito de preservar os direitos da privacidade


do cidadão uma vez que o operador não terá a visibilidade da imagem projetada no
fundo da tela quando esta se tratar de, por exemplo, de imóvel residencial ou
ambientes particulares, possuindo o operador do sistema somente a imagem de
interesse da segurança social.

[...] existem algumas maneiras de fazer com que o fundo da imagem fique
fora de foco, concentrando o foco no primeiro plano. Uma delas é aumentar
a abertura do diafragma manualmente, quando a câmera permite este
controle direto. Neste caso, quando isto é feito, aumentará a quantidade de
luz que entra pela objetiva e o sistema de exposição automática da câmera
aumentará a velocidade do obturador para compensar esta quantidade extra
de luz. [...] Se a câmera não possuir controle manual direto sobre a abertura
do diafragma, pode ser tentado o aumento da velocidade do obturador -
controle este presente na maioria das câmeras - que produzirá o mesmo
efeito. A outra alternativa para se desfocar o fundo é simplesmente mover a
câmera para mais próximo do objeto a ser focalizado: quanto menor esta
distância, mais desfocado ficará o fundo atrás do mesmo (2008).

Desta forma, deve-se haver ponderação no armazenamento e divulgação das


imagens obtidas através do controle de videomonitoramento, bem como a realização
de novos estudos de técnicas alternativas para o uso e manutenção das câmeras
sem que para isso necessite violar a privacidade e a intimidade de cada um como
bem asseverado no presente estudo.
100

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Desnudou-se que ao longo da história, no contexto mundial, a violência aumentou


nos grandes conglomerados populacionais gerando medo e insegurança. Diante
disso, medidas mais urgentes foram adotadas a fim de propiciarem uma melhora da
segurança, e conseqüentemente, da qualidade de vida da sociedade.

Uma das novas soluções tecnológicas encontradas para o resguardo da Segurança


Pública foi a aplicação de câmeras de Videomonitoramento em locais públicos a fim
de inibirem atos criminosos, fazendo com que as pessoas respeitem às normas
estabelecidas, favorecendo um melhor convívio social.

Essa é uma tendência verificada em outras nações, notadamente na Inglaterra, onde


a aplicabilidade ganhou mais forma a partir de um ataque terrorista ao centro de
investimentos londrino em 1993, causando uma morte e dezenas de feridos. Mais
recentemente, após ocorrência de outro ataque terrorista, nas torres gêmeas em
Nova York, Estados Unidos, no ano de 2001, espalhou-se em nosso país o sistema
de Videomonitoramento em vias públicas, não como instrumento de controle aos
terroristas, mas como ferramenta auxiliadora na redução da criminalidade.

Diante dos conflitos sociais exacerbados na sociedade, os órgãos policiais adotaram


esse sistema revolucionário de controle à criminalidade e de revelação de infratores
que ferem a ordem constitucionalmente estabelecida, permitindo assim, que todos
os cidadãos exerçam suas atividades sem perturbação de outrem.

Nesse contexto, as câmeras de vídeo são instaladas em locais estratégicos,


facilitando dessa forma o trabalho da polícia local, tanto na atividade de antecipação
do fato delituoso, quanto na sua prevenção.

Os índices criminológicos verificados após a implantação do sistema, bem


destacados no presente trabalho comprovam a sua eficácia na medida em que se
101

começa a utilizar desses artifícios tecnológicos com planejamento e sem


suplantação de outras atividades de segurança.

Essas aplicabilidades se tornaram muito mais visíveis no projeto desenvolvido na


cidade de Serra, onde se notou um melhor planejamento estrutural do
Videomonitoramento, além de um corpo profissional específico para o
acompanhamento das imagens angulares das câmeras. Em Vitória, o
acompanhamento ainda é parcial e mesclado com outras atividades policiais,
diminuindo o ângulo favorecedor do fator predição. Porém o fator visibilidade, ou
seja, “ver-ser visto” conforme bem asseverou Fernanda Bruno (2004), está inibindo
muitas pré-concepções delituosas nos logradouros videomonitorados.

O que se deve destacar quanto à obtenção de imagens captadas através das lentes
das câmeras é a importância da preservação dessas imagens e resguardo quanto à
publicação das imagens, de modo a não se violar a privacidade e a intimidade de
cada um.

Um detalhamento esmiuçado nessa monografia encontra escopo na literatura de


Priscila Meddalozzo Pivatto (2005), João Bosco Araújo Fontes Júnior (2005) e outros
autores, haja vista ser imprescindível a preservação dessas garantias fundamentais,
fatores que não se sobrepõe à segurança, mas andam primordialmente de mãos
dadas.

Deve-se, portanto, haver equilíbrio entre o conflito existente através da captação e


armazenamento de imagens, e os direitos à privacidade e à intimidade dos
indivíduos, de maneira que se preserve a privacidade e a intimidade da sociedade e
ao mesmo tempo consiga se obter um excelente resultado com o uso das câmeras
na prevenção da ordem pública e a identificação de criminosos como bem
asseverado no presente estudo.

É oportuna, porém, a lição do professor Carlos Ari Sundfeld, ao concluir que: “Tem
de se controlar o uso posterior dessa imagem, ver onde ela será guardada, não
deixar divulgar” (SUNDFELD apud BRITO, 2007).
102

A devida administração e armazenamento das imagens sob pena de abuso e


ilegalidade por parte da administração pública deve ser necessário, não violando,
dessa forma, diversos preceitos constitucionais basilares da democracia, tendo a
título exemplificativo, a violação do direito à privacidade e da dignidade da pessoa
humana, em tese.

Vale ressaltar, por oportuno que o emprego do sistema de Videomonitoramento não


substitui a atuação presencial das forças policiais. Muito pelo contrário, ele auxilia o
trabalho policial, fazendo com que os operadores do sistema visualizem as infrações
no exato momento dos acontecimentos, ampliando desta forma, o “campo de visão
policial” para prevenção e controle da violência social.

Em suma, os recursos disponibilizados pela redução da demanda nos espaços de


Videomonitoramento agora poderão ser mais bem empregados em outras áreas
com taxas de criminalidade acentuadas e que ainda não foram contempladas por
esse sistema.

Algumas câmeras de Videomonitoramento também possuem aparelho de áudio


acoplado ao vídeo, permitindo ao controlador emitir um alerta ao autor do delito no
exato momento do cometimento da conduta, funcionando dessa forma, como
repressão e orientação. A “autovigilância” relatada por Foucault (apud Bruno, 20004)
ganha aqui uma nova matiz na medida em que o olho que tudo vê agora se
comunica com o indivíduo e o repreende se o caso requerer.

Portanto, esse trabalho discorreu essencialmente sobre a boa funcionalidade do


Videomonitoramento, que foi devidamente constatada através dos dados estatísticos
apresentados, apesar do pouco tempo em que o sistema está em funcionamento.
103

REFERÊNCIAS

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ampl., rev. e atual. São Paulo: Editora Jurídica Brasileira, 2000.

ADORNO, S. Discriminação racial e justiça criminal em São Paulo: novos


estudos. cebrap. São Paulo: 1995.

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<http://www.fazendovideo.com.br/vtdifoco.asp> Acesso em: 31 de jul. 2008.

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2008. 1348 p. (Coleções de leis Rideel).

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de direito Rideel. 4. ed. São Paulo: Rideel, 2008. 1348 p. (Coleções de leis Rideel).

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<http://www.diarioon.com.br/arquivo/4202/internacional/internacional-38515.htm>
Acesso em: 10 de jul. 2008.

AUTO Focus. Disponível em: <http://www.fazendovideo.com.br/vtfoco.asp> Acesso


em: 29 de jul. 2008

BARROSO, Luis Roberto. Touradas no Brasil: da necessidade da regulação da


comunicação social no Brasil para a proteção da soberania e da cultura
nacional. In: Revista Fórum, 13ª ed. Rio de Janeiro: AMAERJ, jan./out. 2004, p.23.

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Brasil. [S.L.] [200-?]

BENTHAM, Jeremy. O Panóptico. [traduções: Guacira Lopes Loutro, et. al.]. Belo
Horizonte: 2000.
104

BERNARDO, Aglair. Sujeitos Suspeitos, imagens suspeitas: cultura midiática e


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109

ANEXO A

DIÁRIO OFICIAL Porto Alegre, quarta-feira, 27 de abril de 2005, p.42


Secretaria da Justiça e da Segurança
PORTARIA SJS Nº 042, DE 25 DE ABRIL DE 2005.
Fixa normas de utilização do videomonitoramento de vias públicas para as
atividades de Segurança Pública.
O SECRETÁRIO DE ESTADO DA JUSTIÇA E DA SEGURANÇA,
no uso de suas atribuições legais e administrativas, em especial as constantes no
art. 2º da Lei n.º 10.356, de 10 de janeiro de 1995;
Considerando a necessidade de atendimento que preceitua a Constituição
da República Federativa do Brasil de 1988, no seu Artigo 5º, Inc X: “São
invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas,
assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de
sua violação”; em respeito ao cidadão, buscando a seriedade que merece e o
profissionalismo necessário ao funcionamento do Serviço de Monitoramento por
câmeras de vídeo em local público, processo útil para a Segurança Pública, no
qual estão envolvidas diversas entidades e forças vivas da comunidade;
Considerando as disposições da Lei nº 8.159, de 08 de janeiro de 1991, e
a necessidade de salvaguarda de dados, informações, documentos e materiais
sigilosos de interesse da Segurança da Sociedade e do Estado, o resguardo da
inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das
pessoas;
Considerando que todas as imagens recolhidas, armazenadas e/ou
processadas por meio do videomonitoramento são consideradas informações
sensíveis e devem ser tratadas conforme as condições indicadas nesta política de
privacidade das informações. Entende-se por informação sensível, qualquer
informação captada pelo sistema de videomonitoramento de vias públicas, pois
trata de comportamentos, hábitos, características, rotinas ou quaisquer outras
informações que, direta ou indiretamente, permita ao espectador das filmagens
inferir sobre qualquer pessoa, seja esta pessoa física ou jurídica;
Considerando que deverão ser adotados níveis de segurança da
informação conforme as melhores práticas da tecnologia da informação, para
evitar perda, mau uso, alteração, acesso não autorizado ou subtração indevida
dos dados sensíveis recolhidos;
Considerando a necessidade de garantir a preservação da privacidade,
confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações, o sistema
tecnológico e os processos administrativos sobre videomonitoramento voltados à
segurança pública;
110

Considerando que a tecnologia disponível para captação, armazenamento


e transmissão de imagens está cada vez mais disponível no mercado sendo
empregada a tecnologia para proteção do patrimônio, de edifícios, transmissão
de imagens para canais de televisão, páginas na internet,
acompanhamento de eventos, segurança privada de estabelecimentos
comerciais, e outras;
Considerando a proliferação do uso de câmeras de videomonitoramento
no Estado do Rio
Grande do Sul, com finalidades diversas daquelas que devem ser prestadas pelos
organismos de segurança pública;
Considerando a necessidade de modernização tecnológica dos órgãos de
segurança pública por meio da correta utilização destas ferramentas na melhor
prestação do serviço público;
Considerando os aspectos constitucionais que regulam a atividade
policial;
RESOLVE:
Definir as seguintes regras indispensáveis ao funcionamento de
videomonitoramento de vias públicas como ferramenta de apoio às atividades
policiais no Estado do Rio Grande do Sul:
Art. 1º - Qualquer projeto de monitoramento de vídeo de vias públicas,
antes de ser implementado, deverá possuir a aprovação técnica da Secretaria da
Justiça e da Segurança, sendo função do Departamento de Relações
Institucionais, através da Divisão de Monitoramento de Vídeo, receber o projeto,
analisar, manifestar-se quanto a aprovação, e fiscalizar a implementação e
desenvolvimento dos trabalhos de videomonitoramento, sendo vedada a
participação de funcionários da área da Justiça e da Segurança em qualquer
projeto que não tenha a aprovação prévia da pasta.
Parágrafo único – São partes indispensáveis para aprovação de qualquer
projeto, independente da origem dos recursos para sua instalação:
a) Descrição técnica do projeto;
b) Responsável técnico;
c) Local de instalação das câmeras com as justificativas técnicas e operacionais;
d) Fixação de responsabilidade de observação por videomonitoramento (qual o
órgão executará a tarefa);
e) Descrição dos objetivos do projeto (especificando que atende exclusivamente
interesses da Segurança Pública obedecendo aos preceitos legais ou
eventualmente outras finalidades);
f) Definição dos encargos e providências dos observadores, e do administrador
do sistema de videomonitoramento;
g) Tempo de armazenamento das imagens (nunca inferior a trinta dias);
h) Situações em que poderão ser extraídas imagens do sistema de
armazenamento para atendimento de solicitações.
111

Art. 2º - Os administradores e operadores das estações de monitoramento


de vídeo em qualquer projeto deverão, antes de iniciarem os seus trabalhos, ter
conhecimento da Política de Segurança das Informações da SJS e assinar termo
de confidencialidade relacionado ao assunto.
Art. 3º - O monitoramento de áreas públicas deverá observar os mesmos
preceitos que o monitoramento público convencional desenvolvido pelos
agentes de segurança pública tanto em suas atividades preventivas, quanto em
suas atividades repressivas, devendo sua observação buscar manter a sensação
coletiva de segurança das pessoas que circulam pela área monitorada. Portanto
devem ser observadas quaisquer aglomerações de pessoas, distúrbios da ordem,
situações ou movimentações suspeitas, em consonância com o disposto no artigo
240, § 2º e artigo 244, do Código de Processo Penal, o qual versa sobre o
instituto da “fundada suspeita”.
Art. 4º - O monitoramento executado pelos observadores deverá buscar
unicamente prover segurança tanto preventivamente quanto repressivamente aos
transeuntes, moradores e trabalhadores das regiões monitoradas.
Art. 5º - Durante o monitoramento deve ser mantida a tônica da vigilância
realizada pelos servidores em ação convencional, ou seja, deve-se prestar
atenção a indivíduos com ações suspeitas em detrimento a indivíduos que, a
priori, não ensejem algum tipo de suspeita.
Art. 6º - Informações pessoais são aquelas relacionadas aos indivíduos
que foram filmados ou estão sendo observados por meio do sistema de
videomonitoramento e que não estejam em situação de flagrante delito.
Art. 7º - Qualquer tipo de informação seja ela relativa a pessoa, fato,
evento, infração, encontro entre uma ou diversas pessoas, comportamento de
transeuntes, placas de carro, identificação de indivíduos – tais como roupa ou
características pessoais, horário de funcionamento de estabelecimentos
comerciais, comportamento de moradores, comportamento de lojistas ou
demais informações que puderem ser observadas, são consideradas informações
pessoais e devem ser mantidas seguras, atentando os aspectos confidencialidade,
integridade e disponibilidade.
Art. 8º - Nenhuma informação pessoal poderá ser divulgada
externamente, independentemente de quem for o requerente, sem aprovação do
Administrador do sistema ou mediante autorização judicial.
Art. 9º - Os observadores do sistema de câmeras devem se comprometer a
não coletar informações que não tenham relação com os processos de segurança
pública.
Art 10 - A visualização de informações pessoais em telas de computador,
documentos ou outras formas semelhantes deve ser realizada com o máximo
cuidado a fim de evitar invasão de privacidade, bem como a leitura ou a
visualização não autorizada por terceiros.
Art 11 - As Centrais de Monitoramento (Administração do Sistema)
deverão estar localizadas em instalações de propriedade das instituições que
112

compõem a SJS. Nas cidades em que existirem os Centros Integrados de


Operações de Segurança Pública, estes deverão abrigar as Centrais de
Monitoramento. Nos demais casos deverão estar localizadas junto aos órgãos
que desenvolvem o policiamento ostensivo preventivo, e a atividade de
observação deve ser exercida exclusivamente por agentes dos quadros da Polícia
Preventiva, cabendo a esta a coordenação operacional da execução do serviço.
Art 12 - Toda vez que o projeto tiver origem na iniciativa privada,
universidades ou outras espécies de instituições, para uso híbrido, deverá ser
firmado Protocolo de Cooperação Técnica entre estas e a Secretaria da Justiça e
da Segurança, definindo o uso individualizado da imagem de acordo com a
especificidade de cada objetivo.
Art 13 - Os projetos que já se encontrarem em funcionamento por ocasião
da edição desta Portaria terão o prazo de trinta dias para se ajustarem à presente.

José Otávio Germano


Secretário da Justiça e Segurança do Estado do RS (sic)

Disponível em: <https://www.corag.com.br/diario/index.php>


Acesso em: 28 de jul. 2008.
113

ANEXO B

ENTREVISTA DO SR. LEDIR PORTO

PERGUNTAS E RESPOSTAS:

1) Existem quantas câmeras instaladas em vias públicas em Serra?


R. Ao todo são 12 (doze), com previsão de aumentar com recursos do programa
do PRONASCI (Ministério da Justiça) em mais de 35 câmeras. As atuais
câmeras estão instaladas nas áreas de comércio intenso (laranjeiras), litoral
(Plano Verão) e em áreas de elevados índices de crime contra a vida (Bairro Feu
Rosa).

2) O número de câmeras instaladas na cidade é o ideal?


R. devido a demanda da cidade o número de câmeras instaladas é insuficiente,
como dito antes a tendência de aumentar para 35. Vale destacar o seu
incremento necessitaria de um maior investimento em aumentar o número de
pessoas que trabalham diretamente no monitoramento das filmagens.

3) Como é feito o controle do monitoramento em Serra?


R. Sua central fica no Destacamento da bike patrulha da PMES em
Laranjeiras/Serra, sendo seu monitoramento realizado 24 (vinte e quatro) horas
por dia por policiais militares aposentados em sistema de revezamento. Vale
ressaltar que o responsável pelo monitoramento das filmagens tem a sua
disposição equipamentos de telefone, rádio local (ponto a ponto) e o com o rádio
do Centro de Operações da Polícia (CIODES). É importante salientar que a
capacitação das pessoas que monitoram as filmagens tem que ter prioridade, a
fim de utilizarmos melhor os recursos que sistema disponibiliza.

4) Qual é o objetivo do sistema?


R. A construir uma cultura de paz e melhorar ou potencializar o controle das
questões de segurança, gerando com essas ações uma maior tranqüilidades
114

pública para a comunidade serrana, bem como as pessoas que circulam pela
cidade.

5)Quais os bairros de Serra que são atendidos pelo sistema?


R. são atendidos os bairros de Laranjeiras (sete câmeras), Jacaraípe (duas
câmeras) e Feu Rosa (duas câmeras).

6)Analisando custo / benefício, é viável a manutenção de investimento


neste sistema?
R. Sim. Diante do quadro de criminalidade que se encontrava o município, o que
destoava do crescimento econômico da cidade, o que poderia prejudicar os
investimentos privados nesse processo, o investimento em vídeo monitoramento
tem trazido consideráveis resultados na segurança dos cidadãos serranos.
Implementando um sistema pioneiro no Estado, inclui a segurança pública em
termos de avanço tecnológico, de forma a melhor dispor o aparato policial da
região.

7 ) Existe instrumento legal que regula o vídeo monitoramento?


R. sim. Existe uma lei municipal que regula.

8) Há previsão de que seja instalado o sistema em outras regiões do


município?
R. Sim. Devido a mobilidade das câmeras, poderão ser deslocadas câmeras para
outros bairros, com no caso de jardim limoeiro (prostituição), e com a colocação
em prática do programa do PRONASCI, outros bairros seriam atendidos pelo
serviço.

9) A participação do município no contexto da Segurança Pública é


fundamental e especificamente no vídeo monitoramento ?
R. É claro, na segurança pública, o Estado não conseguir gerir sozinho todas a
ações de cunho preventivo e repressivo, se faz necessário a participação do
município, investimentos em projetos sociais, melhorias na rede ensino público,
e logicamente investimentos na própria segurança pública e em ações de seus
órgãos fiscalizadores. Vale ressaltar que o Estado não consegue obter bons
115

resultados nessa área trabalhando sozinho, bem como, os municípios também


não conseguem atender a contento seus munícipes tomando iniciativas isoladas.

10) Qual o objetivo do uso das Câmeras tagarelas?


R.Ela opera com objetivo de levar cidadania ao cidadão, passando informações e
dicas de segurança, orientações quanto normas de trânsito de forma a evitar
acidentes e até mesmo prevenção de delitos, além de divulgar o próprio sistema.

Ledir Porto.
Secretário de Defesa Social da PMS.

Local da Entrevista: Central de monitoramento em Laranjeiras/Serra.


Dia da Entrevista: 25 de julho de 2008.
116

ANEXO C

ENTREVISTA DO SR. JOSÉ ROBERTO BARBOSA DA SILVA

PERGUNTAS E RESPOSTAS:

1) Existem quantas câmeras instaladas em vias públicas em Vitória?


R. Ao todo são 06 ( seis ), devendo passar para 12 ( doze ) brevemente, a indicação
de da localização da instalação de cada câmera é dinâmica e se dá em razão do
acompanhamento estatístico do mapa do crime que pode ser mutável.

2) O número é ideal?
R. Com certeza não, mas já projetos para ampliação do sistema.

3) Como é feito o controle do monitoramento em Vitória?


R. Sua central fica no CIODES, sendo seu controle realizado 24 ( vinte e quatro )
horas pela Guarda Municipal de Vitória. Vale ressaltar que é fundamental a
participação do 1BPM no projeto, pois a polícia está diretamente interligada ao
sistema.

4) Qual é o objetivo do sistema?


R. a prevenção de delitos e agilidade da polícia para o atendimento ao cidadão em
crime em andamento ou já ocorrido.

5) A SESPES tem utilizado as filmagens para elucidar alguns delitos?


R. A SESP disponibiliza em seu site um recurso chamado TESTEMUNHA VIRTUAL,
que permite ao cidadão o envio e o acesso a vídeos gravados em estabelecimentos
particulares vitimados nas diversas modalidades de crimes, facilitando o
reconhecimento dos agressores.

6) Analisando custo / benefício, é viável a manutenção de investimento neste


sistema?
117

R. Sim. Principalmente Vitória que é a capital do Estado, sendo detentora de maior


arrecadação de recursos, corroborada pela maior circulação de recursos financeiros
e de pessoas.

7) Existe instrumento legal que regula o vídeo monitoramento?


R. Há uma lacuna no que refere a regulamentação quanto a utilização desses
recursos tecnológicos, mas a SESP procura apenas divulgar as imagens após uma
criteriosa análise de seus técnicos, editando o material de forma a não trazer
embaraços a administração pública.

8) Há previsão de que seja instalado o sistema em outros municípios?


R. Sim. Como no caso do município de Anchieta, que já está assinado e com
previsão de entrar em funcionamento em Setembro de 2008. Do mesmo modo estão
em estudo a implementação do sistema nos municípios de Aracruz, Linhares,
Castelo e Cachoeiro.

9) A parceria entre o Estado no campo da segurança pública com o município


é fundamental?
R. É claro, é um dos elos mais importantes, o município é o gestor do projeto, sendo
responsável por metade dos recursos financeiros empregados no sistema. Ressalta-
se ainda a exigência com relação à lei seca estadual, que prevê que em eventos
com público acima de 5.000 ( cinco mil ) pessoas, deva ser o vídeomonitorado.

10) Como vai ser o Observatório da Violência da região sudeste?


R. De forma a integrar os trabalhos das Secretarias de Segurança Pública da
região, sendo para isso criado um banco de dados que contenham informações de
criminosos que agem na região e que possam ter ramificações em outros Estados
da região.

JOSÉ ROBERTO BARBOSA.DA SILVA.


Chefe do planejamento e modernização da SESP.

Local da Entrevista: SESP – Secretaria de Segurança Pública


Dia da Entrevista: 17 de julho de 2008.
118

ANEXO D

ENTREVISTA DO SR. EVERALDO FRANCISCO COSTA

PERGUNTAS E RESPOSTAS:

1) Existem quantas câmeras instaladas em vias públicas em Vitória?


R. 06 (seis) câmeras distribuídas nas principais vias de circulação de pessoas da
cidade, funcionando como um projeto piloto.

2) O número de câmeras instaladas na cidade é o ideal? Vitória tem


previsão de receber recursos do PRONASCI para a instalação de mais
câmeras de vídeo monitoramento?
R. Não é o número ideal de câmeras. O município de Vitória já tem convênio
assinado com o Ministério da Justiça, com recursos para a instalação de 35
(trinta e cinco) câmeras, possibilitando uma ampliação do sistema.

3) Como é feito o controle do monitoramento em Vitória?


R. A central de monitoramento fica no CIODES/SESP. É produzido um
informativo do monitoramento das câmeras todos os dias.

4) Qual é o objetivo do sistema?


R. Ser mais um instrumento de controle da violência e criminalidade. Inibir a
prática de delitos, contribuindo para a prevenção.

5)Quais os bairros de Vitória que são atendidos pelo sistema?


R. Neste momento (30/07/2008), temos câmeras instaladas nas seguintes
localidades: 01 (uma) em Jardim Camburi, 01 (uma) na praça do Papa, 01 (uma)
na avenida Jerônimo Monteiro (praça Costa Pereira), 01 (uma) na avenida
Marcos de Azevedo (Vila Rubim), 01 (uma) na rua Jurema Barroso (Ilha do
Príncipe) e outra na rodoviária de Vitória.
119

6)Analisando custo / benefício, é viável a manutenção de investimento


neste sistema?
R. Este é um sistema caro. No entanto, temos a possibilidade de novos
processos licitatórios baixando estes custos, como nosso sistema é novo e é
piloto estávamos trabalhando a mensuração dos resultados do impacto do vídeo
monitoramento.

7 ) Existe instrumento legal que regula o vídeo monitoramento em via


pública?
R. Em Vitória não há lei ainda para regular o sistema em vias públicas.

8) Há previsão de que seja instalado o sistema em outras regiões do


município?
R. As 35 (trinta e cinco) novas câmeras a serem instaladas, devem ser cobertas
as principais vias de entrada e saída da ilha de Vitória, pontes, principais
corredores e locais indicados pelo mapa do crime, além dos locais indicados
pelos comandantes das companhias e batalhões da Polícia Militar.

09) A participação do município no contexto da Segurança Pública é


fundamental e especificamente no vídeo monitoramento ?
R. O município de Vitória tem assumido de forma pró-ativa a questão da
segurança, atuando com um conjunto de políticas públicas na área social
(Programa Vitória da Paz); Guarda Municipal; vídeo monitoramento, dentre
outras ações.

10) O município de Vitória tem interesse de fazer uso de Câmeras


tagarelas?
R. É possível que seja usado este tipo de instrumento, entretanto, nossa maior
preocupação é ampliar o sistema, e em parceria com a PMES dar contra-
resposta aos delitos e crimes visualizados pelas câmeras, ou seja, todos os
casos suspeitos e eventos criminais captados pelas filmagens precisam de
respostas imediatas.
120

Everaldo Francisco Costa.


Coordenador de pesquisa e monitoramento da violência urbana e gestor do contrato
de vídeo monitoramento da Prefeitura Municipal de Vitória.

Local da Entrevista: Secretaria Municipal de Segurança Urbana.


Dia da Entrevista: 30 de julho de 2008.