HISTÓRIA DA MAÇONARIA BRASILEIRA

O pensamento político em favor da reação contra a permanência do poder administrativo francês na realeza associada ao alto clero, que aumentavam impostos conforme a necessidade dos gastos da Corte, repercutiu no Brasil, através do intercâmbio cultural realizado pelos interessados brasileiros nos cursos superiores disponíveis na França. A cidade de Montpellier, localizada no sul da França, foi muito procurada por estudantes estrangeiros, já que a sua Universidade sempre foi importante centro de estudos. Nessa, a Faculdade de Medicina destacouse na preferência dos brasileiros, conforme relato do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Quinze brasileiros estudaram em Montpellier, entre 1767 e 1793. Entre esses, Arruda Câmara, fundador do Areópago do Itambé, José Joaquim Maia e Barbalho, José Alvares Maciel e Domingos Vidal Barbosa. O primeiro, foi o precursor da Conjuração Mineira, o segundo, o incentivador, e o terceiro, um ativista secundário.

AS ACADEMIAS POLÍTICAS No ano de 1802, o capitão-mor de Olinda, Francisco de Paula Cavalcante de Albuquerque, fundou na cidade do Cabo (província de Pernambuco), no Engenho de Suassuna, de sua propriedade, a Academia de Suassuna. E no Recife, foi instalada pelo padre João Ribeiro Pessoa, a Academia do Paraíso, tendo como secretário, o monsenhor Muniz Tavares. Ambas as entidades, eram associações políticas secretas, formadas por maçons idealistas, onde se ensinavam as novas doutrinas republicanas na França.

AS PRIMEIRAS LOJAS MAÇÔNICAS Os registros consultados por escritores maçônicos revelam que a primeira Loja fundada no Brasil, formalizou-se em 1800, na cidade do Rio de Janeiro, sob o nome de Loja União. No ano seguinte o nome foi trocado para Loja Reunião, porque se transformara em núcleo de encontro e convivência dos maçons dispersos pelo país. Em seguida foram fundadas: a Loja Virtude e Razão, na Bahia, em 1802, a Loja Constância e a Loja Filantropia, ambas no Rio de Janeiro, em 1804. Essas foram as primeiras Lojas regularmente organizadas no Brasil. Outras foram surgindo nas Províncias da Bahia e de Pernambuco. Todas as Lojas inicialmente constituídas foram vinculadas a federações maçônicas estrangeiras, denominadas Grande Oriente Lusitano e Grande Oriente da França. Em 1806, o novo Vice Rei do Brasil, D. Marcos de Noronha e Brito, 8º Conde dos Arcos, homem violento e contrário à maçonaria, deliberou proibir os trabalhos dos maçons. Com esse ato, as duas Lojas ainda existentes no Rio de Janeiro, a Constância e a Filantropia, tiveram que encerrar sua atividade. Em Pernambuco e na Bahia, onde a prepotência do Conde dos Arcos menos se fazia sentir, a maçonaria continuou em atividade, inclusive criando novas Lojas. Essas foram as primeiras Lojas oficiais e consideradas regulares no Brasil. O Areópago, embora citado como marco inicial das organizações maçônicas no Brasil, nunca caracterizou-se como Loja Maçônica, pois, não formava novos maçons. Com a chegada ao Brasil de D. João, em janeiro de 1808, depois de uma fuga precipitada de Portugal ante a invasão napoleônica, automaticamente o governo passou às suas mãos. Em seu séquito havia inúmeros maçons portugueses, que colaboraram para a diminuição das restrições à maçonaria, promovendo o revigoramento da atividade no Brasil.

onde em 1816 já existia até uma Grande Loja Provincial. sendo proclamado Grão-Mestre. na residência de João José Vahia. tomou uma feição política mais acentuada. já estava formada uma junta governativa e proclamado o novo regime. tirou-lhe toda a prataria e o mandou sumariamente para Portugal. Conforme o relato de Monsenhor Muniz Tavares na obra . da tradicional Loja Comércio e Artes. que sem ele não podia viver. Mas. que a revolução foi debelada em apenas 74 dias. filiada ao Grande Oriente Lusitano. deu ordens para que fosse fechada. proibindo todas e quaisquer sociedades secretas em Portugal e em todos os seus domínios. Em 1815.História da República de Pernambuco de 1817 – o movimento eclodiu no dia 6 de março de 1817 e no dia 13. que tinha por objetivo a proclamação da Confederação do Equador. a Loja Liberdade. Ao Marquês de Angeja dedicou uma punição especial. na cidade de Elvas. para viabilizar legalmente a criação da primeira federação maçônica no Brasil. Existiam. liderada pelo Conde dos Arcos. Majestade. estimularam os defensores dos ideais republicanos a trabalharem sob os títulos das Lojas maçônicas. o rei D. Quanto ao Conde de Paraty. uma república federativa. a Loja Beneficência e a São João de Bragança. João de Bragança. mais duas Lojas no Rio de Janeiro. Francisco. João VI resolveu extinguir a maçonaria de uma vez por todas. Enquanto isso. na mesma ocasião. instalou-se em Portugal. Quando D. foram sigilosamente feitos os preparativos para uma Revolução Republicana. nesse ano. Uma das consequências negativas da medida de D. que a maçonaria brasileira. Novas Oficinas foram sendo criadas para ocupar o espaço das que tinham sido fechadas. foi tão radical e cruel a reação do governo português. que nem o alvará de 1818 e nem as medidas repressivas foram suficientes para arrefecer o ânimo dos maçons. Antonio Carlos Ribeiro de Andrada. os maçons ativos nas duas Lojas existentes na Bahia resolveram fundar uma terceira. incluindo dos filhos ou descendentes. A MAÇONARIA BRASILEIRA E A POLÍTICA Mostrou-nos a síntese histórica produzida até aqui. inclusive a de lesa-majestade. João VI.O PRIMEIRO GRANDE ORIENTE Em 1813. o Grande Oriente Brasileiro. vestido com o hábito e o cordão da Ordem de S. No desenvolvimento dos trabalhos das Lojas a ela filiadas. durante sete dias dentro do Paço. que era uma espécie de secretário-escravo de S. baixando o Alvará de 30 de março de 1818. pois as características funcionais da Ordem e os compromissos de sigilo com os assuntos tratados em seus templos fechados. o desejo de liberdade dos povos era tão forte. foi o fechamento. João VI soube da existência da Loja S. Ainda no mesmo ano de 1818. No mesmo ano. instalaram em Salvador. Faziam parte dessa última. nos primórdios do século 19. o Marquês de Angeja e o Conde de Paraty. . foi fundada no Rio de Janeiro. depois de um grande derramamento de sangue. obrigou-o a andar. Para consolidar a vitória nas armas e prevenir futuras reorganizações dos grupos políticos. Entretanto. a Loja Comércio e Artes. sob as mais severas penas. Essa punição representava a pena de morte e o confisco dos bens para a Coroa. o movimento político cresceu na Província de Pernambuco. que rapidamente adquiriu prestígio e pujança no meio da maçonaria brasileira.

Com a partida de D. pois as disponíveis estavam sob suspeita de filiadas aos “conspiradores”. Aproveitando o momento político propício. construído por José Rufino de Souza Lobato.cumpra-se . Em 1821. para formarem três Lojas metropolitanas: a Comércio e Artes. Essas três Lojas serviram de base para a fundação da primeira Obediência (federação de Lojas) brasileira. Fez amizade com o Duque de Sussex. onde foi . Gonçalves Ledo. Nas atas dessa primeira fase. Pedro. seu principal campo de atividade profissional e política. No dia 30 de abril de 1822. o Grande Oriente Brasiliano ou Grande Oriente do Brasil. seu dedicado e sincero amigo. Novamente em liberdade. os Obreiros foram divididos por sorteio. principalmente pelo Clube Recreativo e Cultural da Velha Guarda. depois de serem requisitadas tropas fieis do Reino de Portugal. a 15 de agosto de 1774. funcionou o Liceu de Artes e Ofícios até 1957. A CONTRIBUIÇÃO DE HIPÓLITO JOSÉ DA COSTA Nascido na antiga Província do Sacramento. José Bonifácio de Andrada e Silva. Formou-se bacharel em Direito na Universidade de Coimbra. ingressando na maçonaria nesse período. rei da Inglaterra. o Príncipe D. FUNDAÇÃO DO GRANDE ORIENTE BRASILIANO Em 1822. em 17 de junho de 1822. que tinha sido formado por Gonçalves Ledo e funcionou num sobrado na rua Bethencourt da Silva. o Revérbero Constitucional publica um artigo de Gonçalves Ledo. guarda-jóias da Casa Real. filho de Jorge III. no qual sugere ao Príncipe Regente a necessidade de proclamar desde logo a Independência do Brasil. um periódico quinzenal dedicado a difundir os pensamentos republicanos. abrandou um pouco a vigilância contra os trabalhos da maçonaria e dos clubes políticos. desta vez com o nome de Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro. por aclamação.Ainda no Rio de Janeiro. o Clube foi fechado e seus líderes presos. Nesse endereço. em 24 de abril de 1821. o primeiro número do “Revérbero Constitucional Fluminense”. Hipólito José Pereira da Costa Furtado de Mendonça teve papel decisivo na divulgação dos ideais republicanos e na destacada representação da maçonaria brasileira na Inglaterra. depois de passagens por Portugal. 1º Escriturário da Contadoria do Arsenal de Guerra era considerado o principal idealizador do movimento de Independência. João VI para Portugal. Pedro mostrou-se sensível às manifestações e em 4 de maio deu a importante ordem do “Cumpra-se”. sem que até hoje se saiba como obteve. Aproveitaram-se os antigos integrantes da Loja Comércio e Artes para reerguê-la. O Príncipe D. deixando a regência do Brasil entregue ao seu filho mais velho. constam sinônimos Grande Oriente Brasiliano. Nessa mesma sessão inaugural. sendo Ledo e Januário Barbosa aclamados nas ruas por onde passavam. juntamente com o Cônego Januário da Cunha Barbosa. mais tarde. era grande o número de filiados na Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro. Grande Oriente Brasílico e Grande Loja do Brasil. coordenados. o Sr. foi nomeado Grão-Mestre. a qual determinava que nenhuma lei vinda de Portugal fosse executada sem o . Grande Oriente Brasileiro. Gonçalves Ledo. Em 1798 foi enviado aos Estados Unidos como Encarregado de Negócios de Portugal. Em 1801 voltou a Portugal. lançou em 15 de setembro de 1821. a União e Tranquilidade e a Esperança de Niterói. Esse artigo produziu entusiasmo popular no Rio de Janeiro. grupos de resistência conservaram-se atuantes.do Príncipe Regente.

Ao voltar para terras lusitanas em julho de 1822. que foram inúmeras. lemos. junto com outros Grão-Mestres ingleses. encontra-se. para o cargo de Grão-Mestre. o profano D. Pedro de Alcântara. por isso. foi encarregado. na qualidade de seu Grão-Mestre. Entretanto. nesse cargo. admitem como verdadeiro o episódio da nomeação. Ledo deve ter pretendido enfraquecer as ações políticas de José Bonifácio contra a maçonaria. não se deve escamotear a atuação negativa e hostil com a Ordem. Pedro dirigia os trabalhos do Grande Oriente do Brasil. que conhecia a influência de José Bonifácio sobre o Príncipe Regente. provável iniciativa de Gonçalves Ledo. contudo. Mas. A proposta foi aprovada por aplauso e na mesma data D. “mandando cercar por força armada os ajuntamentos da Maçonaria.. a qual nunca prestigiou. foi proclamado Membro Honorário do Supremo Conselho de França. foi preso e mantido nas masmorras da Inquisição do Santo Ofício durante longos três anos. Além disso. mandando aumentar o número de espiões e secretas. alguns historiadores. Em sessão do dia 2 de agosto de 1822. voltando para Londres. Na sessão seguinte. José Bonifácio transmite ao Desembargador João Ignácio da Cunha denúncias contra a maçonaria. Em 2 de dezembro de 1819. para ser Iniciado na Loja Comércio e Artes. quando assinou Ordem ao Intendente de Polícia. merece o reconhecimento daqueles que escrevem a história do Brasil.. JOSÉ BONIFÁCIO E A MAÇONARIA José Bonifácio de Andrada e Silva teve participação importante na emancipação política do povo brasileiro e. Hipólito José da Costa foi maçom tão ativo enquanto esteve na Inglaterra. autor da obra “Documentos para a História da Independência”. prender todas as pessoas encontradas e fazer a apreensão de todos os papeis. da fundação do Supremo Conselho para a Inglaterra. para o cargo de Grão-Mestre do Grande Oriente Brasiliano. de Assis Cintra. foi proposto por Gonçalves Ledo. na opinião do Cônego Geraldo Leite Bastos. depois de elevado ao Grau 33. Irlanda e Domínios e do qual foi seu primeiro Secretário. nem mesmo. José Bonifácio? Alguns fatos falam por si. Sobre esse procedimento. “mesmo em 2 de outubro de 1822. Pouco depois foi a Londres tratar de negócios particulares e onde continuou desenvolvendo atividades maçônicas. citado por Mello Mattos.. o jornal que prestou relevantes serviços ao Brasil. especialmente em situações políticas complexas e delicadas. onde fundou o célebre Correio Brasiliense. Seu destaque foi de tal ordem na maçonaria inglesa que teve repercussão em Portugal. textualmente.nomeado Deputado Literário da Junta da Impressão Régia. ordenando a lei marcial”.”. o trecho a seguir reproduzido: “organizada como estava a Maçonaria no Rio de Janeiro foi nomeado para Grão Mestre da Ordem José Bonifácio. sem o ser . que se improvisou maçom. na Assembléia Geral da Loja Comércio e Artes e. que. na Inglaterra e. a nomeação não é suficiente para provar a condição de filiado anterior à maçonaria. não estando presente. Em um manuscrito. em 5 de . por Patente de 13 de outubro de 1819. como a sua nomeação por aclamação. é justo esclarecer que muitas vezes a maçonaria européia aclamou homens “não maçons”. na luta pela Independência. chegou a ser Grão-Mestre Provincial do Condado de Rutland. fazendo parte do quadro da Loja. por esses precedentes. Conseguiu fugir para Gibraltar. do Supremo Conselho de França. até 1822. como em 10 de abril de 1822. adotando o nome simbólico Guatimosim.. do ponto de vista da maçonaria. Em “O Homem da Independência”. apesar de brasileiro. quando o próprio Príncipe D.”. E. Pedro passou a integrar a maçonaria brasileira. Teria sido maçom.

Na oportunidade. SUSPENSÃO DOS TRABALHOS NO GRANDE ORIENTE DO BRASIL A 21 de Outubro de 1822. Pedro envia o seguinte bilhete a Gonçalves Lêdo: . nova sessão do Grande Oriente. No dia 12. tomou o malhete e assumiu a direção dos trabalhos. Entre os dias 29 de setembro e 3 de outubro de 1822. 05 de outubro.”. embora sempre tivesse trabalhado para uma monarquia constitucional.. com essas palavras:. sem. por geral aclamação. Peço-lhe vir ao Paço. Senhor Lêdo. dezoito dias depois de ter sido empossado no cargo de Grão-Mestre. que reivindicavam mudanças no ministério do governo. Conseguiu ser eleito Deputado pelo Rio de Janeiro. Para concretizar a vontade da maioria. dirigida por Gonçalves Ledo. Pedro. Em sessão regular realizada no dia seguinte.. em plena reunião do Povo Maçônico. é um prêmio aos seus serviços. uma afronta e pediu-lhe que se retirasse do Paço. segunda feira. no jornal e na maçonaria. José Bonifácio . pois é preciso sua presença”. eleito Grão Mestre da Maçonaria Brasileira. saudou com inflamado discurso o novo Grão-Mestre. sendo o mais importante deles. Pedro prestou juramento. Gonçalves Ledo convocou uma sessão especial da Loja Comércio e Artes para o dia 4 de outubro de 1822. sendo a última em sua primeira fase de funcionamento e derradeiro trabalho presidido por D. numa previsão do que viria acontecer 15 dias depois..“Sr. quando D. dirigida pelo próprio D. D. três manifestos. A 7 de setembro de 1822. A essa altura. em favor da Independência”. com palavras ásperas e gesto descortês. enviou bilhete a Gonçalves Lêdo para comunicar sua preocupação com as notícias a respeito de eventuais protestos dos maçons. contudo. candidatar o Irmão Guatimosim ao cargo de Grão-Mestre. contentando-me com a nobreza do coração”. Guatimosim. Suspeitando que o convite fora idealizado por José Bonifácio e o reputando ofensivo à sua dignidade e aos seus sentimentos republicanos. Pedro bradou o “Grito do Ipiranga”. Pedro mandou suspender os trabalhos da maçonaria.·. mais uma vez.”Ora. Lêdo.agosto de 1822. D. exaltou o Aprendiz Pedro de Alcântara ao grau de Mestre Maçom. GONÇALVES LÊDO REJEITA TÍTULO HONORIFICO No dia 14 de outubro. os maçons reuniram-se e decidiram extraoficialmente. pediu que lhe fosse permitido recusar um título nobiliárquico. o Imperador ofereceu o título de Marquês da Praia Grande a Gonçalves Lêdo. ter tomado posse. Responde Lêdo: “Não posso aceitar e o melhor título para mim seria o de brasileiro patriota e homem de bem. fez alusão aos “embusteiros que. Pedro I. realizou-se a sua aclamação no cargo. No mesmo pronunciamento. O Imperador entendeu a recusa de Gonçalves Lêdo e suas palavras. para seus sinistros fins particulares buscam minar o edifício constitucional”. Guerra à Fidalguia. por que se exilou no exterior. proclamando.. em São Paulo. D. ausente. a Loja Comércio e Artes. o Imperador D. Ledo esclareceu que a convocação fora para “receber o Juramento do nosso muito amável e muito amado Ir. Nessa ocasião. no cargo que antes fora de José Bonifácio. No dia 11 de outubro. Pedro. Gonçalves Lêdo publicou a seguir. o Conselheiro José Bonifácio interveio na entrevista. o Brigadeiro Domingos Alves Branco Muniz Barreto. como diz textualmente a ata. como era seu costume nos momentos de ira. a Independência do Brasil.

no mesmo dia 30. apareceu nas ruas uma Proclamação.mandara o Intendente de a Polícia intensificar a vigilância. convencendo-o de que somos republicanos e queremos sua morte e expulsão. na sexta feira seguinte à data do primeiro bilhete. sim. mandando libertar o jornalista João Soares Lisboa e revogando a suspensão dos trabalhos do Grande Oriente. Lêdo procurou a casa do amigo Tenente Coronel Monte para se ocultar. Aí recebeu. Acompanhou. por motivos funcionais. – Tendo sido outro dia suspendidos nossos augustos trabalhos pelos motivos que vos participei. e não legais. restante reiterar os meus protestos como Irmão. através do Decreto de 30 de outubro de 1822. Gonçalves Lêdo procurou o Imperador e Grão-Mestre para buscar o entendimento. O Grande Oriente não retomou suas atividades na data da revogação da suspensão.” Imediatamente. na contingência de ser preso pelos agentes dos Andradas. Sei pelo Clemente que a ordem de nossa prisão já está lavrada.” .” “P. que foi. Pedro não chegou a fechar o Grande Oriente do Brasil e. e que somente a aceitou quando a viu feita.S. que não fez a Independência. No dia 29. José Bonifácio pediu demissão do cargo de ministro no dia 25 de outubro. assimilou-as. Lembre-se do que ele disse na Igreja de São Francisco. nesses termos: “Meu Irmão. indeciso. suspendeu os trabalhos pelo período de uma semana. Pedro Guatimosim G. É o que por ora tenho a participar-vos para que passando as ordens necessárias assim o executeis. agora procura devorar aqueles que tudo fizeram pela Independência da Pátria.M.” Esse segundo bilhete mostra que D. exigindo a volta dos Andradas e o Imperador. seu irmão Martim Francisco. em sua maioria maçons partidários de Gonçalves Lêdo. mandou entregar a Gonçalves Lêdo. do Correio do Rio de Janeiro. mando primo como Imperador e segundo como Grão-Mestre que os trabalhos maçônicos se suspendam até segunda ordem Minha. D. estava escrito: “Meu Lêdo. É das escrituras. entre os dias 21 e 28 de outubro de 1822. Não se exponha. o bilhete do Cônego Januário da Cunha Barbosa. – São Cristóvão. e achando-se hoje concluídas as averiguações vos faço saber que segunda feira que vem os nossos trabalhos devem recobrar o seu antigo vigor começando a abertura pela Grande Loja em Assembléia Geral. que a impediu até o último instante. achou por bem recolocar os Andradas no poder. no dia 30 ainda. – Hoje mesmo deve ter execução e espero que dure pouco tempo a suspensão porque em breve conseguiremos o fim que deve resultar das averiguações. o principal obreiro. Sabedor das ordens repressivas. o verdadeiro construtor de nossa Independência. Pedro. Esse homem que se tem revelado um tigre. documento encontrado no arquivo do Castelo D’Eu. Sentindo-se desprestigiado. nesses termos: “Lêdo – Escrevo precipitadamente. depois de ouvir as ponderações de Lêdo. Convindo fazer certas averiguações tanto públicas como particulares na Maçonaria. A 25 de outubro de 1822. José Bonifácio nos intrigou com o Imperador. muito ligado a Gonçalves Lêdo e à maçonaria. que a conseguiram com os maiores sacrifícios. No bilhete. A primeira ordem de José Bonifácio. foi mandar prender os ativistas políticos. É o que tenho a participar-vos agora. 21 de outubro de 1822. que culminou com a prisão do jornalista João Soares Lisbôa. pois o grande ódio dele recai sobre você. não apareça na Corte. Queira o Supremo Arquiteto do Universo dar-vos fortunas imensas como vos deseja o vosso Irmão Pedro Maçom Rosacruz. novo comunicado. como dirigente da Maçonaria.na demissão. O Drummond disse que o déspota faz questão de prender você para enforcá-lo. Cônego Januario – 30 de outubro de 1822.

Numa pequena embarcação. 4 de novembro de 1822. que assinou como Procurador Geral da Província do Rio de Janeiro. se for escravo”. aí. por Vicente Ferreira dos Guimarães Peixoto. saía Lêdo daquela casa. mandou entregar as chaves do prédio da rua do Conde ao seu proprietário e as importâncias em caixa ao Intendente de Polícia. No dia seguinte ao da Representação. também ela teve de encerrar suas reuniões em setembro de 1824. um bote. Lêdo retornou a 21 de novembro de 1823. que tinha por objetivo a instalação da Confederação do Equador. REINÍCIO DAS ATIVIDADES MAÇÔNICAS Em 1829. foram deportados para o Havre. disfarçado em negra velha. com a criação da Loja Educação e Moral. através da charrua Lucônia: os três Andradas. fundada no Recife em princípios de 1821. No dia seguinte. Graças a ajuda do seu amigo Lourenço Westine. Antonio Carlos e Martim Francisco. Francisco Gê de Acaiaba Montezuma. ou a carta de alforria. E. por ordem do Imperador. visando reagrupá-los em uma Loja maçônica. fugiu para a fazenda em Araruama. com o novo Código Criminal. apoiada pela maçonaria pernambucana. foi decretado o confisco de todos os bens de Joaquim Gonçalves Lêdo. E foi o que aconteceu no mesmo ano. pagando-se um conto de réis. Destaque para o que estabelecia o art. sendo que gratificará quem o descobrir. José Bonifácio. somente se julgará criminosa quando for para o fim de que se exija segredo dos associados e quando neste último caso não se comunica em forma legal ao Juiz de Paz do distrito em que se fizer a reunião”. E Vossa Majestade fará o possível. o Imperador. do seu amigo Belarmino Ricardo de Siqueira. depois de estarem em suas mãos os livros que tinham sido usados pelas três Lojas Metropolitanas. a seguir reproduzido: “É de todo necessário que se ponha em segurança o sobredito reu Joaquim Gonçalves Lêdo. José Joaquim da Rocha e seus dois filhos e Luis e Antonio de Menezes Vasconcellos Drummond. No dia anterior. mandou remover todos os pertences da instituição à sua Quinta do Caju e. Barão de São Gonçalo. de onde voltaria um ano mais tarde. José Bonifácio mandou “aviso reservado” ao Intendente Geral de Polícia. a Carta de Lei de 15 de dezembro de 1830. cônsul da Suécia. protetores de republicanos e carbonários.“A reunião de mais de 10 pessoas em uma casa em certos e determinados dias. curvada pelo peso de um grande balaio que transportava à cabeça. em face da forte proteção por parte de maçons americanos. não conseguira se reorganizar. que já o esperava no Cais dos Mineiros. se for homem livre. a Loja Seis de Março de 1817. 202: . mais tarde. Segundo pesquisas de Mário Mello. que o seguiam dispersos. se for preciso. Disso dará conhecimento aos seus auxiliares. ao ser abortadas a revolução republicana. mesmo que para isso se use violências ou gastos extraordinários ou se contrate representantes estrangeiros. Mas. foi a única Loja maçônica do Brasil a permanecer ativa depois de 1822. que haviam sido demitidos do Ministério em 17 de julho de 1823. para arrematar a ordem. Gonçalves Lêdo voltou a mobilizar os maçons dispersos pela Província do Rio de Janeiro. Finalmente. Gonçalves Lêdo partira a caminho de Buenos Aires. aliviou a pressão sobre a maçonaria. escreveu a famosa Representação ao Imperador. Cônego Belchior Pinheiro de Oliveira.Na noite desse mesmo dia. na qualidade de Grão-Mestre. acompanhado por alguns amigos. para o apanhar de qualquer forma. Vendo que a maçonaria. “Penas: Prisão de 5 . depois da fuga de Lêdo e da deportação ou prisão da maioria dos seus obreiros.

br . em princípio de 1830. bastando fazê-lo em distrito onde o Juiz de Paz não fosse contrário à maçonaria. constituído por três Lojas metropolitanas. a Loja Amor da Ordem. morador ou administrador da casa e pelo dobro em caso de reincidência”. dono. Finalmente.org. Fonte: www.a 15 dias ao chefe. Em 1830. a Loja Comércio e Artes. foi fundada informalmente uma outra Potência Maçônica Nacional. o ambiente ficou menos instável e perigoso para a criação de Lojas maçônicas. Pedro. a Vigilância da Pátria. um ano antes da abdicação de D. Como se constata.glojars. sob o nome de Grande Oriente Brasileiro ou Grande Oriente do Passeio. que começou a funcionar oficialmente em 24 de junho de 1831. foi reerguida pelo Cônego Januário da Cunha Barbosa. a União e a 7 de abril. No fim do ano de 1829 foi fundada por Antonio Joaquim de Souza.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful