A UTILIZAÇÃO DE NARRATIVA COMO POSSIBILIDADE DE INVESTIGAÇÃO NO ENSINO RELIGIOSO

DE CASTRO, Raimundo Márcio Mota– UNUIBE / EST rdo.marcio.mestrado@hotmail.com Área Temática: Diversidade e Inclusão Agência Financiadora: Bolsista CAPES Resumo Em pesquisas educacionais tem se multiplicado, nos últimos anos, as possibilidades de investigação. Inúmeras metodologias e abordagem procuram mostrar as mais diversas facetas do complexo panorama educacional. Em recente pesquisa, realizada no Programa de Mestrado em Educação da Universidade de Uberaba, tem-se utilizado de narrativas com instrumento metodológico para investigar e aferir uma possível identidade para o Ensino Religioso. O presente trabalho visa apresentar as narrativas como possibilidade de investigação na pesquisa educacional, particularmente no que se refere ao Ensino Religioso, uma vez que se entende que a escolha metodológica de uma pesquisa seja determinante para a busca de um resultado mais aproximado e satisfatório do que se pretende investigar. A utilização e entendimento das narrativas aplicadas nessa pesquisa apóiam-se na perspectiva de Benjamim (1994), que serve de instrumental para Bosi (1994), Brandão (2003) entre outros. A coleta de dados foi realizada no período de março a maio de 2009, gravado em aparelhos de MP3 e transcritas para a utilização na pesquisa mencionada. Mesmo em andamento, já se observa que as falas das narradoras são esclarecedoras, quando se tenta pensar a identidade do Ensino Religioso. Percebem-se inúmeras categorias de análise, a saber: o sagrado enquanto objeto do Ensino Religioso, formação de professores, currículo, o espaço do Ensino Religioso na escola e na vida do aluno, didática utilizada entre outras. Pensa-se que a pesquisa com narrativas na investigação educacional proporciona um olhar atento e preciso sobre o vivido na efetivação da atividade docente, na aprendizagem do aluno e na relação dialógica que compõe o complexo mundo da escola, ainda mais quando se evidencia o Ensino Religioso. Palavras-chave: Ensino Religioso. Narrativas. Metodologia.

Introdução Muitos teóricos apontam as dificuldades impostas pela ausência de uma tradição disciplinar no campo da educação, o que gera debates, possibilidades e limites quando se busca refletir seu pensamento e efetivação prática. Se em toda tradição educacional aponta-se para estas dificuldades, maior ainda se torna o problema quando se busca pensar partes do

discursos. uma vez acreditarmos que através desse método de pesquisa se pode entender o vivido. se opõem ou até. juízos e pensamentos com a expectativa que eles obedeçam a exigências de racionalidade. Este texto propõe a busca de entendimento do Ensino Religioso a partir da utilização de narrativas como instrumento de investigação da temática. que vão da escola ao professor. O primeiro pressuposto é que os professores constroem sua ação de forma reflexiva. Podemos chamar de cognitivista tal tendência. ou seja. se percebem inseridos nas classes de Ensino Religioso. do aluno ao currículo. o professor é caracterizado como um intermediário do saber científico. percebe-se nitidamente que as pesquisas sobre saberes docentes procuram ir além dos dados objetivos e das condutas explícitas dos professores. supõe-se que eles atuem racionalmente. se complementam. de quem se espera a capacidade de fornecer os motivos que . um exercício complexo. Pois se trata de uma complexidade de entrelaçamentos que se modificam ligeiramente num mundo mais sagaz. o experienciado. Ao que parecem. por ser uma área do saber que apresenta inúmeras possibilidades de debates. as disciplinas se constituem e necessitam de constante reflexão. no complexo cotidiano da escola. da necessidade deste ou daquele campo do conhecimento as correntes pedagógicas que se entrelaçam.5660 pensamento educacional e a construção epistemológica das disciplinas que compõem o arcabouço do sistema educativo do país. No caso. Não é missão fácil pensar a educação. Há. Mergulhado nesse emaranhado de idéias. Entrementes. idéias. quando o assunto é mudança. porém. Um caminho a explorar Nas inúmeras investigações realizadas no campo educacional. se pode pensar nas mais diversas matizes. pressupostos distintos em relação a essa estrutura interna. por professores e professoras que. Quando se pensa a educação. estes debates ainda são quase que exíguos diante da grandeza dos que são produzidos por outras áreas do campo educacional. A tarefa de pensar a educação torna-se desta forma. ainda. para abordar aquela estrutura ou conjunto de estruturas internas que lhes dá sentido (Zabalza. Nessa perspectiva de pesquisa. 1994). fala-se em saber docente fazendo-se referência a argumentos. o Ensino Religioso tem sido alvo de nossas reflexões constantes.

tudo é transformado em saber. entendemos que as narrativas nos auxiliam numa compreensão mais efetiva e ativa da prática e do pensamento do professor enquanto agente do processo de construção do conhecimento.5661 justifiquem suas ações. nas falas com os colegas. juízos e pensamentos que lhes orientam a conduta. procurando diminuir a insatisfação com as soluções teóricas e metodológicas aos desafios e dilemas postos nas pesquisas educacionais (VAZ et all. também empreendemos a árdua labuta de procurar uma forma de entender a prática e a experiência do professor. Procura-se entender as dinâmicas e os domínios dos diferentes saberes docentes. nos últimos anos. p. Nelas os professores são capazes de “abrir o coração” e de forma livre e espontânea narrar as suas mais diversas experiências. coisa que não conseguimos com outros instrumentos. As narrativas – caminho da pesquisa . Enfim. o professor/pesquisado não se sente inibido e aos poucos se mostra enquanto sujeito e. O pressuposto nesse caso é que a estrutura interna determinante da ação docente consiste de juízos. em seus mais diversificados relatos. se faz necessário a escuta como possibilidade de conhecer melhor o vivido pelos professores em suas experiências mais diversificadas no percurso de ensinar. não meramente como objeto. perspectivas e ações dos professores tem se diversificado e aumentado nos programas de pós-graduação em Educação espalhados pelo país. Em meio a essa efervescência de pensamentos e intervenções. Essa é uma perspectiva ainda influente na pesquisa. crenças. por talvez.escutar o outro. quanto de seus alunos. influenciada pela etnometodologia. teorias e saberes implícitos. Em nosso percurso. considera-se que os professores têm consciência e controle das decisões. a partir de um elemento constitutivo de seus conhecimentos produzidos na troca de conhecimentos. tem sido um desdobramento heróico de poucos. Apesar de conhecermos inúmeros caminhos e reconhecermos os méritos próprios de cada forma de coleta de dados. tanto seu. Há outra tendência. segundo a qual os professores têm um conhecimento que não conseguem formalizar ou mesmo comunicar. as pesquisas que apontam para a formação. Sob esse ponto de vista. 2). carregarem a carga etimológica da própria palavra entrevista. 2001. Mesmo não deixando de ser uma forma de entrevista. nota-se que. Mas em tempos que a falta de tempo para ouvir . nos relatos de suas inúmeras experiências. Sob esse ponto de vista.

“o testemunho oral das pessoas presentes em eventos. Dra. defendida pela autora. sendo ouvidas as que demonstraram disponibilidade de participar da pesquisa. As narrativas foram coletadas nos mais diversos ambientes: às vezes no lar. apesar de seus sonhos constantes. colaborando para situar a interpretação dos fenômenos estudados. suas percepções e análises podem esclarecer muitos aspectos ignorados e indicar fatos inexplorados do problema. conquistou competência especifica sobre o objeto pesquisado: neste caso o Ensino Religioso. memórias. sendo transformado em tese de livre docência. Entendo como pessoa-fonte aquela que. 2004). O trabalho contemplava a utilização de narrativas como metodologia para recolher a lembrança de velhos da cidade de São Paulo. Por observá-las mais sensíveis. Suas participações foram voluntárias. Sim.17) Diante do exposto. e depois transformado em livro. esta é uma pesquisa de abordagem qualitativa. MOREIRA. Assim. 2003. ou seja. em 1994. que desde seu mestrado tem se utilizado de narrativas nas suas mais diversas pesquisas. na pesquisa que venho realizando no Programa de Mestrado em Educação da Universidade de Uberaba. ajudar na compreensão de mundo dos sujeitos e entender os fenômenos. Sueli Terezinha de Abreu Bernardes. editada pela Companhia de Letras. mulheres! Por entendêlas mais atentas a realidade. Pois. partilhamos vida. sendo essas narradoras entendidas como pessoa-fonte. por possibilitar melhor apreensão da multiplicidade dos sentidos. p. que tem em comum sua atuação na rede estadual de ensino do Estado de Minas Gerais. (CHIZZOTTI. de Iclea Bosi. apesar da sua fortaleza. Não partilhamos apenas histórias. outras na escola nas “janelas” das aulas. ou antes. optei por coletar narrativas de mulheres-professoras.5662 Meu primeiro contato com as narrativas como metodologia de pesquisa aconteceu através de minha orientadora. pelo conhecimento adquirido no decorrer dos anos e dedicação ao tema estudado. percebo que a metodologia empreendida num trabalho científico é fator decisivo para o alcance do objetivo da pesquisa. suas narrativas tornam-se fontes orais e documentais. 1986. . Fora ela quem me apresentou a obra “Memória e Sociedade: Lembrança de velhos”. apesar da capacidade de verem além do horizonte. (LUDKE E ANDRÉ. de iniciar mais uma jornada de trabalho. na Universidade de São Paulo. Desde a sua leitura nasceu meu interesse por tal metodologia. a Prof. Por compreendê-las minuciosas. segundo as perspectivas dos participantes. Assim. que tem por objetivo a procura de uma identidade para o Ensino Religioso. Assim.

ou seja. 69). A preocupação com o processo é muito maior do que com o produto.] 3. o homem compreende por que interroga as coisas com as quais vive e convive. p. mas possibilita uma construção de resultados.. realizei levantamento bibliográfico.. Ela não está interessada em transmitir o "puro em si" da coisa narrada como uma informação ou um relatório.] (BENJAMIN. suas características básicas consistem em: 1. uma forma artesanal de comunicação. Escolhi como instrumento as narrativas de professoras. componente obrigatório de toda pesquisa. para coletar os dados gerais ou específicos a respeito de determinado tema (ALMEIDA JUNIOR. [.. Assim esta abordagem não permite conclusões.. é. Tem o ambiente natural como sua fonte direta de dados e o pesquisador como seu principal instrumento. Assim. [. Os dados coletados são predominantemente descritivos.] 5. [.5663 A opção pela abordagem qualitativa se dá por entender que aqui a pesquisa ganha um novo significado. [. Por meio delas – vozes das professoras – reflito o Ensino Religioso. 1989.. 1984... leis e princípios.. ou seja. não podendo dissociar-se dela. p.] 2. como a mão do oleiro na argila do vaso. Deste modo. 11-13). uma vez que consiste na “atividade de localização e consulta de fontes diversas de informação escrita. por assim dizer. Corroborando com esta idéia e ampliando-a Martins e Bicudo (1989) vêem o pesquisador como aquele que deve perceber a sim mesmo e perceber a realidade que o cerca em termos e possibilidades.. Ela mergulha a coisa na vida do narrador para em seguida retirá-la dele. Mas se surge a pergunta por que utilizar narrativa? Esclareço: A narrativa. [.. 1994.. mas busca olhar a qualidade. Esse homem inserido no mundo atribui significado na relação vivida com os outros. As abstrações se formam ou se consolidam basicamente a partir da inspeção dos dados num processo de baixo para cima. primeiramente. O 'significado' que as pessoas dão às coisas e à sua vida são focos de atenção especial pelo pesquisador. Os pesquisadores não se preocupam em buscar evidências que comprovem hipóteses definidas antes do início dos estudos. A análise dos dados tende a seguir um processo indutivo. os elementos significativos para o pesquisador. p.. Portanto. Assim se imprime na narrativa a marca do narrador. como técnica de pesquisa. uma vez que a preocupação não se centra nas generalizações.] 4. (LÜDKE & ANDRÉ. . ela é entendida como trajetória circular em torno do que se deseja compreender. 99). objeto da pesauisa. uma vez que as compreensões nunca são definitivas.

p. por ter sido este número de professoras que se disponibilizaram a participar. uma vez que “compartilhar a historicidade narrativa e a expressão . a narrativa possibilita a caracterização.5664 Comentando Benjamim. Para este autor a narrativa constitui-se num exercício de contar. pela exigüidade do tempo. Ao optar pelas narrativas dos professores que atuam no Ensino Religioso em Escolas Estaduais de Uberaba. do seu conhecimento sobre ele e das trocas que ele mantém. precisamente no município de Uberaba. permitindo divulgá-la de modo que a característica central da prática seja preservada e mantida. Os sujeitos participantes desta pesquisa são professoras que atuam em 03 (três) escolas da Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais. sendo que as mesmas possuem mais de dois anos na atividade. A escolha das participantes deu-se por três motivos: primeiramente por não ser esta uma pesquisa empírica. e por fim. por ter capacidade de apreendê-la. compreensão e representação da experiência humana. dessa forma. e. mas. em segundo lugar. p. Assim. o vivido o experienciado. é que o trabalho com narrativas torna-se profundamente formativo. 1994. mas antes. segundo Benjamim (1994. “o narrador vence distâncias e volta para contar suas aventuras num cantinho do mundo onde suas peripécias têm significação”. (BOSI. Bosi (1994. p. 201) “retira da experiência o que ele conta: sua própria experiência ou a relatada pelos outros”. não o presente. ela o tece até atingir uma forma boa. dizer. a narrativa não é a verdade literal dos fatos. Investe sobre o objeto e o transforma”. por conseguinte não ter necessidade de se apresentar uma amostragem. uma vez que o narrador. Mendes e Maués (2001) apontam que a narrativa surge como uma entidade privilegiada para investigar a prática docente. a entendo na perspectiva de Benjamim (1994). As narrativas mostram-se carregadas da subjetividade de quem os narra. falar. Outro aspecto a ser considerado. Ela não visa a transmitir o “em si” do acontecido. 88) afirma que “A narração é uma forma artesanal de comunicação. 84) Quando uma pessoa relata os fatos vividos por ela mesma. percebe-se que reconstrói a trajetória percorrida dando-lhe novos significados. pois se apresenta como princípio organizador da experiência humana no mundo social. ou seja. Vaz. é a representação que deles faz o sujeito e. Assim. pode ser transformadora da própria realidade.

p. 204) Ainda. (BRANDÃO. A narrativa. (CERVERÓ. mas estas.5665 biográfica dos fatos percorridos se converte em um elemento catártico de des-alienação individual e coletiva. visto que elas encontram suas origens na vida. uma vez que não acontece um enriquecimento daquele que as recebe. 19) Nesse viés. Isso por que “a informação reside exclusivamente no fato de ser nova e desconhecida. Deste modo. 1994. se compre ou se venda. as narrativas seriam de certa forma. p. (BENJAMIN. da sociedade e do mundo. a narrativa torna-se um ato coletivo. Assim. a medida que partilha a experiência vivida e é sempre evocada para atualizar o passado no presente. as suas experiências aquinhoadas na memória onde se mergulha para trazer a tona um ensinamento. da vida. 2003. 203). organismos que individualmente e . Todo conhecimento necessário e vocacionalmente partilhável. que só por ser algo com que se pensa e se dá sentido ao que se vive. quando se torna uma propriedade. por esse desvio da vocação do saber. Para Vaz. Ela vive para o momento da sua revelação. não pode ser de modo algum que se possua. não se gasta”. Mendes e Maués (2001. E. 178). entrega-se a ele e depende inteiramente dele. 1995. o autor entende o homem como produtor de histórias e afirma que ele imprime na narrativa suas próprias marcas. ou seja. p. um conselho. submete à utilidade dos negócios de compra e venda uma expressão do conhecimento humano a respeito dos mistérios da pessoa. pouco contribuem para um enriquecimento pessoal. um meio de vencer a mercadologia do conhecimento. “o emprego das narrativas de professores como objeto de investigação é fruto da insatisfação do universo educacional com o tipo de conhecimento sobre a prática e o saber docente produzido pelo paradigma processo-produto. submete-se ao mundo do interesse e à lógica do mercado. nas experiências de quem narra. s. Benjamim (1994) detecta que num mundo pragmático privilegia-se grande quantidade de informação. Apesar de toda essa gama de informação “somos pobres em histórias surpreendentes” (p. que permite situar-se desde uma nova posição no mundo. pode-se entender que: A principal razão para o uso da narrativa na investigação educativa é que os seres humanos são organismos contadores de histórias. pelo contrário.p). Pois.

. 36). fornecidas pela própria pessoa (FORGHIERI. Corroborando tem-se que. Destarte então. visível em si mesmo”. tenho clareza de que a questão geradora deste empreendimento é desvelada na busca de sentido que o Ensino Religioso apresenta na formação humana. minha subjetividade de pesquisador. por que meu interesse não se centra nos eventos. mas adquirem um sentido. 22). Essa minha idéia é corroborada por Larrosa (1994) quando afirma que: “O sentido do que somos depende das histórias que contamos e das que contamos de nós mesmo [. consiste na aprendizagem que só é possível através das histórias narradas por quem vive o e no lócus. [. para quem as experiencia. (p. (MARTINS & BICUDO. 2001.]. relações entre objetos.d) é capaz de auxiliar nas seguintes situações: por uma necessidade de maior clareza do fenômeno selecionado. MENDES & MAUÉS. um significado em sim mesmas. percebo que meu interesse circunda os fenômenos e não os fatos. o objetivo é a descrição de certo todo. portanto. percebo que ao transformar o narrado em texto. na pesquisa que temos realizado. 1995. 48).. Primeiramente por que falo de um mundo vivido.5666 socialmente.] As situações que alguém vivencia não têm. o narrador e o personagem principal”.] pois o ser humano não é transparente. para desvendar sua experiência o pesquisador precisa de informações a esse respeito. dados empíricos já disponíveis e apreensíveis pela experiência. 4). [. estabeleço um diálogo com os autores. vivem vidas relatadas. O estudo da narrativa. com os narradores sobre suas experiências no Ensino Religioso.. vai sendo construída a partir da subjetividade dos outros.. p. APUD VAZ. que se encontra relacionado à sua própria maneira de existir. o autor. Desta feita. mas sim no “aquilo onde algo pode tornar-se manifesto. apenas. que é a .. ao mesmo tempo. é o estudo da forma como os seres humanos experimentam o mundo (CONNELLY & CLANDININ. o que me possibilita entender que também.. p. a experiência vivida e compartilhada torna-se fonte de dados para o fenômeno de meu interesse. uma vez que o percurso fenomenológico. percebendo que este mundo é o lugar onde habita o homem e o reaprender a ver este lugar. ocorrências. 1989. Entendendo a subjetividade como elo principal destas narrativas.] O sentido que uma situação tem para a própria pessoa é uma experiência íntima que geralmente escapa a observação [.. as narrativas nos conduzem a uma aproximação da análise fenomenológica.. realidades objetivas. em particular das construções narrativas nas quais cada um de nós é. 1993 APUD MOREIRA. depois. p. segundo Moreira (2002) e Nogueira (s. 2002.

como parte do mundo. Se é que se pode falar em termino de pesquisa. Formação de professores – dificuldade e perspectivas dos docentes. busca-se o significado da experiência vivida. vejo-me compelido a explorar tal caminho por perceber que esta pesquisa passeia por todos esses vieses. por que se assume o Eu e suas experiências subjetivas como coisas em si. e ainda.5667 experiência de uma realidade ou mundo vivido por alguém. percebe. e a procura de entende-la em mim. como ele unifica a multiplicidade de aparições como projeta significações sobre os objetos percebidos. entendo que uma aproximação da análise fenomenológica se faz por que percebo algumas características de tal método uma vez que: levam-se em conta as vozes de quem experiencia. 3. com as intencionalidades e com aquilo que o outro quer dizer. 1989). Esses recortes se fazem necessários para um desvelamento mais oportuno sobre o tema em questão – o Ensino Religioso. as narrativas foram divididas em unidades de significado. O ethos – enquanto valores humanos. uma vez que percebemos que a cada investida sobre um determinado . 4. Classifiquei quatro unidades de significado. 2002) Ressalvada a aproximação com a análise fenomenológica. ou seja. concebe. que são recortes julgados significativos á luz da interrogação central deste trabalho. dá sentido e vive o mundo. (MOREIRA. (Moreira. Outrossim. Fazer educativo – a prática do professor de Ensino Religioso. Assim. O sagrado – enquanto objeto do Ensino Religioso. A guisa de conclusão A presente pesquisa encontra-se em fase de acabamento. Martins e Bicudo. 2. a saber: 1. 2002. As narrativas que se compõem de falas de professoras que livremente vão relatando suas experiências como professoras se mostram e se enquandram dentro destas unidades de significado e mais ainda dentro de muitas outras que quiséssemos exprimir de suas falas. preocupa-se com o que está ocorrendo. atem-se ao modo como as coisas aparecem ao homem. e por ser esta uma pesquisa que trata do contexto da descoberta e não simplesmente de verificação de fatos.

pai. muito mais que ser o professor. Das narrativas colhidas e transcritas. e chegam a apontar o que é o Ensino Religioso e a identidade que cada professora atribui à disciplina. até a forma de entender a epistemologia de tal disciplina cunhada na mente e idéia de cada professora. . família dos adolescentes e jovens que freqüentam as aulas dessa disciplina. A despeito do que muitos acham. sendo capaz de melhorar até suas posturas enquanto sujeitos do processo de formação e não como meros espectadores e receptores de conteúdo. Desta forma entendemos que como meio de coleta de dados. a não obrigatoriedade da participação do aluno nas aulas de Ensino Religioso não se mostra como empecilho a prática de professores que atam na área. tem desempenhado papel de orientador. as narrativas mostram-se instrumentos eficazes de investigação em pesquisa educacionais num campo ainda com muito a ser explorado. que vão desde o fenômeno religioso enquanto dado relacional humano. Pelo contrário. perpassa pelas angustias. Cônscio de que o Ensino Religioso se abre a muitas possibilidades de debate e que inúmeras metodologias podem ser aplicadas na descoberta de seu entendimento como área do conhecimento. o professor de Ensino Religioso. Por fim. vê-se que atuação das professoras vai para além da prática docente. nas narrativas das professoras é comum abordar o sagrado como vínculo que possibilita o diálogo entre os alunos. Percebe-se fortemente o apelo a uma profissionalização e o reconhecimento desta área do conhecimento como reivindicação legítima no que se refere a uma formação docente que prepare a professora para lidar com a diversidade com a qual se depara em sala de aula. outras possibilidades de entendê-lo se descortinam diante dos olhos do pesquisador. mãe. E isso nos foi possível observar graças as narrativas. Ao que parece.5668 objeto de estudo. incertezas e perspectivas que as professoras assinalam. elas nos possibilitam um melhor entendimento do processo docente que vai desde a forma de ensinar. as autoras narradoras nos demonstram inúmeras possibilidades de entendimento do Ensino Religioso.

São Paulo: Companhia das Letras. ANPED. 63-81 BOSI. 2003. MOREIRA. São Paulo: Pioneira Thomson Learning. D. Joel. Maués. São Paulo: Educ/Moraes.. Tecnologias do eu e educação: In SILVA. p. Antônio.U. Maria Aparecida. E. São Paulo: Cortez. Carlos Rodrigues. Adorno. 1994. p. 2003. horkheimer. Menga. Memória e Sociedade: lembranças de velhos. São Paulo: Brasiliense. MARTINS. Pesquisa em Educação: abordagens qualitativas. Habermas. In: Coleção Os Pensadores: Benjamin. 2ª ed. CHIZOTTI.P. BICUDO. Walter. A. Marli. O narrador. Tomaz Tadeu. Repensando a pesquisa participativa. 2004. O sujeito da educação. Regina. Mendes. 1989. 35-86.5669 REFERÊNCIAS BENJAMIN. 3 ed. O método Fenomenológico na pesquisa. A pesquisa qualitativa em Psicologia: fundamentos e recursos básicos. VAZ. Daniel Augusto. São Paulo: E. ANDRÉ. Ely. LÜDKE. Ecléa. Pesquisa em ciências humanas e sociais. EPISÓDIOS E NARRATIVAS DE PROFESSORES – experiências e perspectivas docentes discutidas a partir de pesquisa sobre conhecimento pedagógico de conteúdo. São Paulo: Abril cultural. 1994. Arnaldo. Jorge. BRANDÃO. LARROSA. 1994. 2001. 1986. . Petrópolis: Vozes.

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