1 “Não devemos pedir a Deus fardos mais leves, mas ombros mais fortes” (Santo Agostinho).

PERSONALIDADE JURÍDICA Conceito: Lembra-nos Clóvis Beviláqua que a personalidade para o direito não é apenas um processo de atividade psíquica, mas sim uma criação social moldada pela ordem jurídica. Para o direito, a personalidade é a aptidão genérica para se titularizar direitos e contrair obrigações na ordem jurídica, ou seja, é a qualidade para ser sujeito de direito. Em que momento a pessoa física adquire personalidade jurídica? Em uma interpretação literal, à luz do art. 2º do CC (1ª parte), a personalidade civil é adquirida a partir do nascimento com vida (resposta ideal para uma prova objetiva). Art. 2o A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. OBS: Nascer com vida significa o funcionamento do aparelho cardiorrespiratório do recém-nascido (ver resolução nº 1/88, do CNS). OBS: Diferentemente do art. 30 do CC da Espanha, o direito brasileiro, à luz do princípio da dignidade humana, não exige do recém-nascido forma humana nem tempo mínimo de sobrevida. Teorias explicativas do nascituro: teorias explicativas do nascituro. Em princípio, são três

1. Teoria natalista (majoritária – a exemplo de Vicente Ráo, Sílvio Rodrigues e Eduardo Espínola): Para esta primeira teoria o nascituro é apenas um ente concebido ainda não nascido, desprovido de personalidade. Vale dizer, o nascituro não é pessoa, gozando apenas mera expectativa de direitos. 2. Teoria da personalidade condicional (Serpa Lopes): Para esta segunda teoria, o nascituro, ao ser concebido, teria uma simples personalidade formal, permitindo-lhe gozar de direitos personalíssimos. No entanto, só viria a adquirir direitos patrimoniais sob a condição de nascer com vida. 3. Teoria concepcionista (Pablo Stolze, Teixeira de Freitas, Clóvis Beviláqua, Silmara Chinelato): Essa terceira teoria é a mais defendida pela corrente moderna. O nascituro seria considerado pessoa para efeitos patrimoniais ou extra-patrimoniais desde a concepção.

2 OBS: Com base na teoria concepcionista, inúmeros direitos podem ser reconhecidos ao nascituro, inclusive o direito aos alimentos (de caráter patrimonial), além do sagrado direito à vida (personalíssimo). Lamentavelmente, a maioria da jurisprudência brasileira ainda não adota esta teoria, não reconhecendo ao nascituro direito aos alimentos, dentre outros. Mas, já há algumas decisões judiciais que homenageiam a teoria concepcionista. Também com base na teoria concepcionista, vale lembrar que o STJ já admitiu inclusive, no RESP 399028/SP, dano moral ao nascituro. OBS: Não podemos confundir nascituro, embrião e natimorto. Nascituro é o ente concebido no ventre materno. O nascituro é um embrião com vida intra-uterina, ou seja, o embrião produzido em laboratório não é nascituro, mas mero embrião. Já o natimorto é o nascido morto. O enunciado nº 1 da 1ª jornada de Direito Civil afirma que o natimorto goza de tutela jurídica no que tange ao nome, à imagem e à sepultura. Qual das três teorias é adotada pelo CCB? Aparentemente, seguindo a linha de Clóvis Beviláqua, o codificador, ao afirmar que a personalidade da pessoa começa do nascimento com vida, pretendeu abraçar a teoria natalista, mas em inúmeros pontos do próprio código sofre inequívoca influência da teoria concepcionista. CAPACIDADE CIVIL Conceito: Fundamentalmente, no direito, a capacidade se desdobra em capacidade de direito e capacidade de fato. A capacidade de direito, segundo Orlando Gomes, confunde-se com o próprio conceito de personalidade, ou seja, é a capacidade jurídica genericamente reconhecida a qualquer pessoa. Ao lado dela, temos a capacidade de fato, que é a capacidade de, pessoalmente, exercer os atos da vida civil (é a chamada capacidade de exercício). A soma da capacidade de direito com a capacidade de fato gera a chamada capacidade civil plena (que em geral é adquirida aos 18 anos). OBS: Não podemos confundir capacidade com legitimidade. A falta de legitimidade significa que, mesmo sendo capaz, a pessoa está impedida por lei de praticar determinado ato (exemplo: os irmãos não podem se casar, mesmo que capazes). Todo mundo tem capacidade de direito. A falta da capacidade de fato gera a incapacidade civil, que pode ser absoluta ou relativa. Art. 3o São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os

3 atos da vida civil: I - os menores de dezesseis anos (menores impúberes); II - os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III - os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. Art. 4o São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer: I - os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos (menores púberes); II - os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido; III - os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; IV - os pródigos. Parágrafo único. A capacidade legislação especial. dos índios será regulada por

Considerações importantes acerca das incapacidades (absoluta e relativa): O absolutamente incapaz deverá ser interditado judicial) e dever-se-á nomear-lhe um curador. (procedimento

OBS: O ato praticado por uma pessoa portadora de enfermidade ou deficiência mental e desprovida de discernimento ainda não interditada pode ser invalidado? Com base na doutrina italiana, Orlando Gomes afirma que o ato praticado pelo incapaz ainda não interditado pode ser invalidado, desde que concorram três requisitos: 1. A incapacidade de discernimento; 2. O prejuízo ao incapaz; 3. A má-fé da outra parte (que circunstâncias do negócio). pode ser presumida das

O art. 503 do código da França, na mesma linha, admite que os atos anteriores à interdição possam ser invalidados se a incapacidade já existia.

não deve se manifestar sobre a questão meramente afetiva. 3º. 1782). podendo reduzir-se à miséria.4 OBS: É bom lembrar que. desenvolvida pelo professor Luiz Edson Fachin. mas ele pode estar subsumido implicitamente na previsão do inciso III do art. entre o índio não comunidade indígena do órgão tutelar Parágrafo único. O sistema jurídico brasileiro permite a interdição do pródigo. Não se aplica a regra deste artigo no caso em que o índio revele consciência e conhecimento do ato praticado. em uma perspectiva civil-constitucional. além do interesse público. Justifica a interdição do pródigo. a teoria do estatuto jurídico do patrimônio mínimo. a Alemanha e a Suíça. pois há efeitos patrimoniais. e em respeito ao princípio da dignidade humana. OBS: Lembra-nos Alvino Lima que a teoria da actio libera in causa. o interditado não poderá praticar atos jurídicos sem o seu curador. OBS: Onde está o surdo-mudo que não tenha habilidade para manifestar sua vontade? O NCC não trouxe inciso específico para o surdo-mudo incapaz de manifestar vontade. OBS: O pródigo. Mas.001/73 (Estatuto do Índio). de maneira que seu curador irá assisti-lo em atos de natureza / repercussão patrimonial (art. ao passo que os relativamente incapazes são assistidos. Art. as normas em vigor devem resguardar um mínimo de patrimônio para que cada pessoa tenha vida digna. O NCC não regula a capacidade do índio. e da extensão dos seus efeitos. Esta é regulada pela Lei 6. também pode ser aplicada ao Direito Civil. Pródiga é a pessoa que desordenadamente dilapida seu patrimônio. uma vez declarada a incapacidade por sentença. precisa da manifestação do seu curador? O curador do pródigo deve se manifestar quanto ao regime de bens adotado. OBS: A senilidade (idade avançada) não é causa de incapacidade absoluta no direito brasileiro! OBS: Os absolutamente incapazes são representados. mesmo em momentos de lucidez. desde que não lhe seja prejudicial. de maneira que a pessoa que voluntariamente se intoxica não está isenta de responsabilidade civil sob a alegação de incapacidade. Para essa doutrina. . 8º São nulos os atos praticados integrado e qualquer pessoa estranha à quando não tenha havido assistência competente. adotada em países como a Bélgica. para casar. OBS: A prodigalidade é um conceito técnico.

quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. em função deles. pode-se invocar o art. I. para os menores. mediante escritura . É anulável o negócio concluído pelo representante em conflito de interesses com o representado.pelo estabelecimento civil ou comercial.pelo exercício de emprego público efetivo. É de cento e oitenta dias. Parágrafo único. o prazo de decadência para pleitear-se a anulação prevista neste artigo. se o menor tiver dezesseis anos completos. mediante instrumento público. V . desde que. IV . 119 do CCB. na falta do outro). o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria. 119. Mas. 1) Voluntária (art. ou seja. 5°. a contar da conclusão do negócio ou da cessação da incapacidade. três tipos de emancipação: voluntária. judicial ou Art.pelo casamento. segundo Clóvis Beviláqua. O emancipado também não pode tirar carteira de habilitação. ou por sentença do juiz. 5o A menoridade cessa aos dezoito anos completos. ou de um deles na falta do outro. do benefício reconhecido ao incapaz para permitir que ele possa anular qualquer ato que lhe seja prejudicial. caso exista conflito de interesses entre o representante e o incapaz. a incapacidade: I .pela colação de grau em curso de ensino superior. III . Terá repercussões civis. se tal fato era ou devia ser do conhecimento de quem com aquele tratou. é aplicável o benefício de restituição (restitutio in integrum)? Trata-se.pela concessão dos pais. ou pela existência de relação de emprego. não pode responder penalmente e administrativamente. independentemente de homologação judicial. Art. Esse benefício continua proibido em respeito à boa-fé e à segurança dos negócios. ouvido o tutor. II .5 OBS: No campo da proteção do incapaz. 1ª parte. CC) – ato concedido pelos pais (ou um deles. Permite a antecipação da capacidade plena. Existem legal. Parágrafo único. EMANCIPAÇÃO É a cessação da incapacidade do menor antes do momento oportuno. Cessará.

CC) – É a concedida por sentença em procedimento de jurisdição voluntária. será permitido o casamento de quem ainda não alcançou a idade núbil (art. É irrevogável e independe de homologação do juiz. por terem efeitos para o futuro. A doutrina brasileira é no sentido de que.6 pública. a emancipação é mantida? É forte a doutrina no Brasil (a exemplo de Pontes de Miranda) no sentido de que a sentença que invalidada o casamento tem eficácia retroativa. OBS: o art. ou de seus representantes legais. é lógico concluir que a emancipação . ouvindo-se o tutor. exigindo-se autorização de ambos os pais. Veja que a lei não diz “união estável”. em respeito à vítima. Excepcionalmente. E os pais ausentes? Tem que ter pelo menos 16 anos completos. 1520 admite o casamento abaixo dos 16 anos. II a V. O juiz ouve a opinião do tutor e concede a emancipação – em geral. 2ª parte. 3) • OBS: Invalidado o casamento. desde que o menor tenha 16 anos completos. Art. 1517). Por questão de segurança jurídica pode entrar com ação declaratória. A responsabilidade é solidária. I. O menor adquire capacidade plena. CC) – Hipóteses mais cobradas em prova! Não é necessário sentença. 16 anos completos. O juiz analisa o caso concreto para saber se tem condições de ser emancipado. inclusive pedindo tutela antecipada. Hipóteses: Casamento – pode aos 16 anos de idade. pelo menos. Assim. Só é possível se o menor tiver. enquanto não atingida a maioridade civil. com o condão de cancelar o registro matrimonial. 5°. 1.517. para evitar imposição ou cumprimento de pena criminal ou em caso de gravidez. a emancipação realizada pelos pais não os isenta de uma futura responsabilidade civil por ato ilícito causado pelo filho emancipado – os pais permanecem responsáveis pelos atos que o menor emancipado praticar até os 18 anos de idade. 2) Judicial (art. a emancipação decorre da lei. O homem e a mulher com dezesseis anos podem casar. Art. é concedida a órfãos ou cujos pais estejam destituídos do poder familiar. A separação e o divórcio. Caio Mário diz que a vontade não pode sobrepor-se à lei. 5°. Legal (art. 1.520. não prejudicam a emancipação decorrente do casamento.

quitanda) ou existência de relação de emprego (Novidade. Não vale cargo em comissão. podendo se apontar como exemplo a assunção de função pública em carreira militar – há carreiras militares que começam aos 17 anos de idade. em função deles. artística. Não importa a idade. o menor tenha economia própria – desde que ele tiver 16 anos completos e economia própria (conceito aberto/indeterminado que será analisado pelo juiz – ver Box abaixo – princípio da operabilidade). ele não deve retornar à situação de incapacidade. o menor for de uma família “rica”. Ex. não poderá se sustentar com o salário que ganha então não será emancipado. Vale acrescentar que. caso um menor emancipado seja demitido. dar aulas de violão.: boa-fé objetiva. Colação de grau em curso de ensino superior – Cuidado! Aprovação no vestibular não emancipa. É provado com base na CTPS) DESQUE QUE. Ex. que trabalha numa loja no shopping. • • OBS: PRINCÍPIOS DO CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO: 1) Princípio da eticidade – o código valores éticos.7 perderá a putativo. 3) Princípio da operabilidade – o CC consagrou um sistema aberto de normas com conceitos indeterminados e cláusulas gerais a serem construídos ou complementados pelo juiz no caso concreto. . incidindo nessa hipótese. por exercício de emprego ou cargo público efetivo é de difícil ocorrência. Preenchido no caso concreto – não há conceito estabelecido. A hipótese de emancipação legal. está emancipado por força de lei. Estabelecimento civil (realiza uma atividade técnica. civil se preocupa com 2) Princípio da socialidade – o CC se preocupa com a função social. prestar serviço) ou estabelecimento comercial (empresarial. entretanto o estatuto do servidor diz que a idade é de 18 anos. eficácia. à luz do princípio da segurança jurídica. intelectual. Agora. se o mesmo caso. “pobre”.: compra e revenda de gado. Ex: Se o menor de 17 anos. Ex. ressalvada a hipótese do casamento • Exercício de emprego público efetivo (emprego público ou cargo público) – Não tem idade mínima para o CC. artesão.

o enunciado 03 da 1ª Jornada de D. 16. Art. OBS: o STJ tem reafirmado o entendimento de que o Ministério Público não tem legitimidade para interpor recurso da decisão que exonerou o devedor de alimentos por conta da maioridade do credor (RESP 982410 DF – 2007). Explicitou-se que completar a maioridade de 18 anos não significa que o filho não irá depender do pai. não tem direito ao benefício previdenciário.8 OBS: para concurso de Procurador Federal – no RGPS há um detalhe estranho – O emancipado. à luz do princípio de individualização da pena. Prosseguindo o julgamento. No direito de família. ECA (não foi revogado pelo CC). nos termos do art. entendendo que. a pensão alimentícia não pode cessar automaticamente. A pensão alimentícia deve continuar a ser paga até o término da faculdade – em regra aos 24 anos. por maioria. No campo previdenciário. A justiça brasileira prevê que vai até o fim da faculdade). I da L. 8213/91. § 5°. que só advém aos 18 anos. . No âmbito do direito da infância e da juventude prevalece a orientação de que. e não do Código Civil. o STJ já pacificou (ver informativo 232 – STJ e acórdãos constantes do material de apoio no sentido de que a redução da maioridade civil não implica cancelamento automático da pensão alimentícia. O pai terá de fazer o procedimento judicial para exonerar-se ou não da obrigação de dar pensão ao filho. a Seção. com a redução da maioridade. Civil e nota 42/03 da Casa Civil do governo federal. com a maioridade do filho. Então será até os 21 anos de idade. Não podemos olvidar que a emancipação não antecipa a imputabilidade penal. Os atos processuais praticados por pessoa maior de 18 anos não exigem mais assistência. 121. em havendo conflito com o CC prepondera o ECA (STJ). determinam que os benefícios previdenciários devem acompanhar o limite etário da lei previdenciária. proveu o recurso. Prova: MAS O MENOR EMANCIPADO PODERÁ SER PRESO CIVILMENTE! OBS: Repercussão jurídica da redução da maioridade civil: A doutrina penalista (Marcus Viveiros Dias e Luiz Flávio Gomes) sustenta que os benefícios penais em favor do réu entre 18 e 21 anos continuam em vigor.

ou se os seus poderes forem insuficientes. se não houver deixado representante ou procurador a quem caiba administrar-lhe os bens. a declaração de óbito possa ser feita por duas testemunhas. Art. Extinção da pessoa física ou natural / morte presumida / morte simultânea (ou comoriência) Morte: Morte: Tradicionalmente. e se nomeará curador. 6o A existência da pessoa natural termina com a morte. quando o ausente deixar mandatário que não queira ou não possa exercer ou continuar o mandato. presume-se esta. Resolução 1480/97 – Conselho Federal de Medicina. fixar-lhe-á os poderes e . OBS. 7º. que nomear o curador. 24. OBS. No entanto. o professor falou que não vale a pena estudar pela doutrina. Também se declarará a ausência. nos termos da lei 6015/73 (L. a extinção da pessoa física opera-se em virtude da parada total do aparelho cardiorrespiratório. inclusive. CC.2: A morte deve ser declarada por profissional da medicina. Trata-se de entendimento pacificado). admitindo-se.9 OBS: eu me tornei maior de 18 anos no primeiro instante do dia do aniversário (segundo Washington de Barros Monteiro. Art. 23. Isso porque a morte encefálica é irreversível. assim como o Conselho Federal de Medicina tem afirmado que o marco mais seguro para se aferir a extinção da pessoa física é a morte encefálica. Art. de registros públicos). CAPÍTULO III DA AUSÊNCIA Seção I Da Curadoria dos Bens do Ausente Art. e nomear-lhe-á curador. ela poderá ser feita por duas testemunhas. Em relação ao instituto da ausência. o juiz. declarará a ausência. Desaparecendo uma pessoa do seu domicílio sem dela haver notícia. quanto aos ausentes. não havendo declaração médica. quem estuda a morte é a tanatologia. a requerimento de qualquer interessado ou do Ministério Público. excepcionalmente. para efeito de transplante. nos casos em que a lei autoriza a abertura de sucessão definitiva. O juiz. a comunidade científica mundial. 22. Então.: Em medicina legal. pois está tudo na lei. na ausência deste. Morte presumida: pode se dar em duas situações: ausência ou nas hipóteses do art.

somente se consideram interessados: I . em se passando três anos. A sentença que determinar a abertura da sucessão provisória só produzirá efeito cento e oitenta dias depois de publicada pela imprensa. 26. logo que passe em julgado.os que tiverem dependente de sua morte. se ele deixou representante ou procurador. § 2o Não comparecendo herdeiro ou interessado para requerer o inventário até trinta dias depois de passar em julgado a sentença que mandar abrir a sucessão provisória. III . e não havendo interessados na sucessão provisória. § 3o Na falta das pessoas mencionadas. observando. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente. § 1o Findo o prazo a que se refere o art. O cônjuge do ausente. 25. conforme as circunstâncias. proceder-se-á à abertura do testamento. o disposto a respeito dos tutores e curadores. mas. § 2o Entre os descendentes. se houver. será o seu legítimo curador. Art. os mais próximos precedem os mais remotos. legítimos ou testamentários. no que for aplicável. § 1o Em falta do cônjuge. 26. ou de fato por mais de dois anos antes da declaração da ausência. poderão os interessados requerer que se declare a ausência e se abra provisoriamente a sucessão. não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo. 27. sobre os bens do ausente direito IV . e ao inventário e partilha dos bens. a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos descendentes. Art. proceder-se-á à arrecadação dos bens do ausente pela forma estabelecida nos . Seção II Da Sucessão Provisória Art.os herdeiros presumidos. como se o ausente fosse falecido.os credores de obrigações vencidas e não pagas.10 obrigações.o cônjuge não separado judicialmente. cumpre ao Ministério Público requerê-la ao juízo competente. Para o efeito previsto no artigo anterior. sempre que não esteja separado judicialmente. nesta ordem. II . compete ao juiz a escolha do curador. 28. ou. Art.

Art. Empossados nos bens. 29. 34. da posse provisória poderá. Art. Se o ausente aparecer. O excluído. fará seus todos os frutos e rendimentos dos bens que a este couberem. § 1o Aquele que tiver direito à posse provisória.11 arts. Se o ausente aparecer. Os imóveis do ausente só se poderão alienar. 1.819 a 1.823. e ficar provado que a ausência foi voluntária e injustificada. ou se lhe provar a existência. os descendentes provada a sua qualidade de independentemente de garantia. 29. não sendo por desapropriação. requerer lhe seja entregue metade dos rendimentos do quinhão que lhe tocaria. e que preste essa garantia. porém. entrar ausente. Se durante a posse provisória se provar a época exata do falecimento do ausente. de acordo com o representante do Ministério Público. ascendente ou cônjuge que for sucessor provisório do ausente. na posse dos bens do Art. Art. considerar-se-á. quando julgar conveniente. para se imitirem na posse dos bens do ausente. ou hipotecar. e o cônjuge. 35. será excluído. mantendo-se os bens que lhe deviam caber sob a administração do curador. aberta a sucessão em favor dos herdeiros. depois de estabelecida a posse provisória. § 2o Os ascendentes. Os herdeiros. 30. quando o ordene o juiz. ou de outro herdeiro designado pelo juiz. 31. Art. mediante penhores ou hipotecas equivalentes aos quinhões respectivos. deverão capitalizar metade desses frutos e rendimentos. Art. o juiz. 32. e prestar anualmente contas ao juiz competente. Antes da partilha. poderão. Art. segundo o art. os outros sucessores. sujeitos a deterioração ou a extravio. 36. em favor do sucessor. cessarão para logo . ordenará a conversão dos bens móveis. 33. de modo que contra eles correrão as ações pendentes e as que de futuro àquele forem movidas. mas não puder prestar a garantia exigida neste artigo. em imóveis ou em títulos garantidos pela União. 30. segundo o disposto no art. Parágrafo único. O descendente. uma vez herdeiros. sua parte nos frutos e rendimentos. para lhes evitar a ruína. nessa data. justificando falta de meios. que o eram àquele tempo. darão garantias da restituição deles. Art. perderá ele. os sucessores provisórios ficarão representando ativa e passivamente o ausente.

a partir do momento em que é aberta a sucessão definitiva dos bens do ausente (ver apostila no material de apoio). É registrada em livro próprio (e não no registro de óbito). Parágrafo único. sem decretação de ausência: I . somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações. quando situados em território federal. também.12 as vantagens dos sucessores nela imitidos. poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e o levantamento das cauções prestadas. e nenhum interessado promover a sucessão definitiva. incorporando-se ao domínio da União. sem deixar procurador. Art. A declaração da morte presumida. II . Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a abertura da sucessão provisória. O sujeito desaparece do domicílio sem deixar paradeiro. 39. Seção III Da Sucessão Definitiva Art. 38. se localizados nas respectivas circunscrições. Art. Se. o ausente não regressar. ficando. todavia. obrigados a tomar as medidas assecuratórias precisas. devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. não for encontrado até dois anos após o término da guerra. 37. Foi tratada pelo legislador como situação de morte presumida. os sub-rogados em seu lugar.se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. Regressando o ausente nos dez anos seguintes à abertura da sucessão definitiva. Parágrafo único. Pode-se requerer a sucessão definitiva. ou o preço que os herdeiros e demais interessados houverem recebido pelos bens alienados depois daquele tempo. e que de cinco datam as últimas notícias dele. ou algum de seus descendentes ou ascendentes.se alguém. até a entrega dos bens a seu dono. aquele ou estes haverão só os bens existentes no estado em que se acharem. Ausência: é um procedimento. Art. os bens arrecadados passarão ao domínio do Município ou do Distrito Federal. provando-se que o ausente conta oitenta anos de idade. nesses casos. nos dez anos a que se refere este artigo. desaparecido em campanha ou feito prisioneiro. A ausência tem duas fases: . 7o Pode ser declarada a morte presumida.

ele é considerado presumidamente morto. . aberta a sucessão definitiva e considerado morto o ausente. Comoriência: Art. o juiz começa o procedimento de justificação. O juiz competente deve ser Estadual. II . OBS: Mesmo a ausência sendo uma morte presumida. 6º. 1. O juiz declara o óbito e fixa a data do falecimento. não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros. devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. 8o Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião. desaparecido em campanha ou feito prisioneiro. 2) Permanente – abre-se a sucessão definitiva dos bens do ausente. 7o PODE SER DECLARADA A MORTE PRESUMIDA. Parágrafo único. CC.se alguém. somente poderá ser requerida depois de esgotadas as buscas e averiguações. é de declaração de óbito. resulta rompido o vínculo matrimonial (viúva presumida ou viúvo presumido). nesses casos.571. CC) no momento em que se abre a sucessão definitiva do ausente. Art.se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida. Esse procedimento ocorre nas hipóteses do art. SEM DECRETAÇÃO DE AUSÊNCIA: I . CC. não no de óbito. 7º. não for encontrado até 2 anos após o término da guerra. pois não é ausência. Pela lei brasileira (art. PROVA: ESSA SENTENÇA É REGISTRADA NO LIVRO DE ÓBITO. 7º. o registro da ausência é feito no livro de ausentes. Existem hipóteses de morte presumida que não se confundem com a ausência e estão prevista no art. Depois de cessada as buscas. pois se refere ao status da pessoa. Esta sentença não é de ausência. art. OBS: Na forma do § 1º. A declaração da morte presumida.13 1) Provisória – é provisoriamente transmitida ao herdeiro. PRESUMIR-SE-ÃO SIMULTANEAMENTE MORTOS.

Classificação quanto à atuação: a) Pessoas jurídicas de direito público: • Externo (Organizações internacionais. Nesse caso. – documento escrito (contrato social. aplica-se o art. c) Registro: sociedade de advogados – OAB. Conceito: ente que recebeu da lei personalidade para fazer o que é compatível com a função de pessoa jurídica. Países) . consagra a regra segundo a qual não se podendo averiguar a ordem cronológica das mortes. não se podendo dizer quem morreu primeiro.. fundação e associação – cartório de registro de pessoa jurídica. na mesma linha dos códigos do Chile e da Argentina. 8º. abrindo-se cadeias sucessórias autônomas e distintas. pois nasceu como decorrência do fato associativo.14 É uma situação de morte simultânea. Art. não para o cônjuge. PESSOA JURÍDICA É chamada de ente de existência ideal por alguns. Requisitos para constituição de pessoa jurídica: a) Vontade. sociedade simples. CC. Traduz a situação em que duas ou mais pessoas falecem na mesma ocasião. de maneira que um comoriente não herda do outro. d) Objeto lícito: requisito de validade.). b) Ato constitutivo estatuto. OBS: em tese. A Pessoa jurídica é um sujeito de direito (Kelsen – pessoa jurídica é centro de imputação). 8º. os comorientes presumem-se mortos ao mesmo tempo. os comorientes podem estar em locais distintos.. O art. Caso: João é casado com Maria sob o regime de comunhão parcial de bens e sofreram acidente de carro em que ambos os corpos foram carbonizados. CC. 8º. Grupo humano personificado pelo direito. visando atingir finalidades comuns. A sua parte vai para seus herdeiros. um não herda do outro. Na prática significa dizer que se os comorientes morreram ao mesmo tempo,abrem-se cadeias sucessórias distintas. sociedade empresária – junta comercial. sem que se possa indicar a ordem cronológica das mortes. Nasce para o direito sob a influência da sociologia. Mas é de difícil ocorrência.

15

Interno (Entes políticos, Autarquias, fundações públicas, Agências reguladoras, Associações públicas – associações formadas por entes políticos para a gestão associada de serviços públicos. Ela faz a gestão de serviço e não a execução dele).

b) Pessoas jurídicas de direito privado: • Sociedades – pessoas jurídicas com objetivo de lucro. Entram as sociedades criadas pelo Estado (sociedade de economia mista e empresas públicas) e as não criadas pelo Estado. Associações – constituídas de pessoas que se reúnem para realização de fins não econômicos. Fundações Partidos políticos Organizações religiosas – autônomas. A lei não diz como será regida a situação delas. Consórcios públicos de direito privado – são pessoas jurídicas formadas pela reunião de entes políticos para a gestão de serviços que possa ser realizada por pessoas de direito privado.

• • • • •

Teorias explicativas da pessoa jurídica (Prova dissertativa):

1)

Teoria negativista – negava a pessoa jurídica como sujeito de direito, negava a sua existência. Ihering, Brinz, Bekker, Planiol, Duguit, etc. Primeiro argumento: A pessoa jurídica é apenas um patrimônio afetado a uma finalidade. Segundo argumento: a pessoa jurídica é apenas um patrimônio coletivo, um condomínio. Último argumento e mais utilizado: pessoa jurídica é um grupo de pessoas físicas reunidas. Teoria que não vingou; Teoria afirmativista – reconhece a existência da pessoa jurídica. Possui três correntes (o que têm de comum é aceitar a pessoa jurídica): Teoria da ficção – Savigny. A pessoa jurídica não teria existência social, de maneira que seria um produto da técnica jurídica – a pessoa jurídica seria uma abstração, sem realidade social. Essa teoria tem proximidade com a teoria institucionalista (D. Constitucional). A pessoa jurídica tem existência meramente ideal (abstrata). Ela existe, mas é uma criação do direito. Não tem atuação na

2)

16 realidade – Esse argumento é considerado pelos defensores das próximas teorias como sendo a falha do pensamento de Savigny.

Teoria da realidade objetiva ou organicista – Augusto comte, Clóvis Beviláqua, Cunha Gonçalves, etc. Influenciado pelo organicismo sociológico, contrariamente, afirmavam a PJ teria existência social consistindo em um organismo vivo na sociedade. A pessoa jurídica teria uma atuação social real, ou seja, defendia-se que a pessoa jurídica seria uma célula ou um organismo social vivo na sociedade. Teoria da realidade técnica – Ferrara; Sabilles etc. Equilibra as duas teorias anteriores. Observa o que cada uma das anteriores tem de melhor. Afirma que a pessoa jurídica, embora personificada pelo direito, tem atuação social. Reconhece a atuação social da pessoa jurídica, admitindo ainda que a sua personalidade é fruto da técnica jurídica. É a que melhor explica a pessoa jurídica e o CC brasileiro, no art. 45, adotou essa técnica.

Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição do ato constitutivo no respectivo registro, precedida, quando necessário, de autorização ou aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o ato constitutivo. Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição no registro. Aquisição da personalidade jurídica da pessoa jurídica: Art. 45, CC – começa com o registro. O registro da pessoa jurídica é ato constitutivo (não declaratório) da personalidade jurídica. Já o registro da pessoa física é declaratório. Caio Mário: É por isso que as sociedades sem registro não têm personalidade jurídica. Para algumas pessoas jurídicas, além do registro, exige-se autorização especial do poder executivo para existirem (ex: bancos). A falta dessa autorização gera a inexistência da pessoa jurídica. OBS: A falta do registro público do ato constitutivo caracteriza o ente como sociedade despersonificada/irregular/de fato. Considerando-se que o registro da pessoa jurídica é constitutivo

17 da sua personalidade, as entidades desprovidas de registro são consideradas irregulares, tratando-as o CC, a partir do art. 986, como sociedade “despersonificada” (eram chamadas no código antigo de sociedade de fato ou irregulares). Nos termos do art. 990 do CC, estas sociedades despersonificadas permitem que seus sócios ou administradores possam ser pessoalmente responsáveis pelos débitos sociais – RESPONDEM OS SÓCIOS ILIMITADAMENTE – eis os perigos da sociedade despersonificada. Vale lembrar, nos termos do art. 12 do CPC, que também não são pessoas jurídicas, mas apenas entes despersonificados, com capacidade processual, o condomínio, o espólio, a massa falida e a herança jacente. Ex: Uma anos. A registro seja, ex sociedade, desprovida de registro, funcionou por oito partir daí, os sócios registraram-na. Os efeitos do de uma pessoa jurídica são sempre para o futuro, ou nunc. Não se pode retroagir, legitimar o passado.

Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: I - a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, por seus procuradores; II - o Município, por seu Prefeito ou procurador; III - a massa falida, pelo síndico; IV - a herança jacente ou vacante, por seu curador; V - o espólio, pelo inventariante; VI - as pessoas jurídicas, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não os designando, por seus diretores; VII - as sociedades sem personalidade jurídica, pela pessoa a quem couber a administração dos seus bens; VIII a pessoa jurídica estrangeira, pelo gerente, representante ou administrador de sua filial, agência ou sucursal aberta ou instalada no Brasil (art. 88, parágrafo único); IX - o condomínio, pelo administrador ou pelo síndico. Ato constitutivo de uma pessoa jurídica pode ser ou contrato social ou estatuto. O registro do ato constitutivo da pessoa jurídica, em geral, é realizado (feito) na junta comercial ou no cartório de registro de pessoa jurídica (CRPJ). Em algumas situações a pessoa jurídica tem que ser autorizada pelo poder executivo. Ex: Banco.

Ex: Sociedade irregular. 12. 52 do CC. 44. Se as três primeiras não se adaptarem conseqüências serão as seguintes: ao novo código as a) São proibidas de participarem de licitações. b) São proibidas de obterem linha de crédito. Todavia. é pacífico. 44. Tem honra objetiva – imagem. no código antigo não estavam especificados. Foram acrescentados no art. para excluir essas entidades da obrigação de se adaptarem ao NCC. Não são pessoas jurídicas. CC. Quais são as espécies de pessoa jurídica de direito privado? As contidas no art. Os dois últimos são espécies de associações. Ex: Centro Espírita. E dano moral = lesão a direito da personalidade. Não tem honra subjetiva. 2) As sociedades. igreja 5) Os partidos políticos. admite a possibilidade de a pessoa jurídica sofrer dano moral. A corrente minoritária (Arruda Alvim) baseada no Enunciado 286 da 4ª Jornada de direito Civil não aceita a responsabilidade por dano moral. religiosas. OBS: Questão de prova  Pessoa jurídica pode sofrer dano moral? Sim. 4) As organizações evangélica etc. 52. NCC. mas têm capacidade processual. A pessoa jurídica tem honra objetiva. pode sofrer dano moral. 3) As fundações. baseada na Súmula 227 – STJ e no art. condomínio. 2031. pois visava a permitir em seguida a alteração do art. CPC. por isso. o examinador queria saber os argumentos contrários a essa tese. Portanto. Vejamos as correntes: 1) Pessoa jurídica pode sofrer dano moral (majoritária): súmula 227 do STJ e art. massa falida. só se prejudicará financeiramente (aspecto patrimonial). espólio. CC (rol não exaustivo): 1) As associações. do NCC. O argumento utilizado é que se a pessoa jurídica for denegrida perante a sociedade. por exemplo. a corrente predominante.18 OBS: O que são os grupos despersonificados ou grupos de personificação anômala? Art. 2) Arruda Alvim e Enunciado 286 da quarta jornada de direito civil. logo. . etc.

OBS: Sindicado tem natureza de associação. entre os associados. o estatuto das associações I . IV .19 c) Tornam-se jurídica. pessoal). Art. O ato constitutivo de uma associação é o seu estatuto. mas essa receita é revestida nela mesma (a finalidade da associação é ideal. Parte da doutrina (Pablo Stolze) defende que não cabe mandado de segurança contra ato de dirigente de sindicato. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. demissão e exclusão dos associados. II . OBS: Uma associação pode gerar receita. VII – a forma de gestão respectivas contas. Parágrafo único.os requisitos para a admissão. V – o modo de deliberativos. 54.a denominação. conterá: Sob pena de nulidade. direitos e sociedades Os sócios irregulares (sem personalidade passam a ter responsabilidade Ex: um clube recreativo (iate clube).as fontes de recursos para sua manutenção. III .as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. constituição e de funcionamento dos órgãos VI . os fins e a sede da associação. Não obrigações recíprocos. administrativa e de aprovação das O órgão máximo de uma associação não é o diretor-presidente.os direitos e deveres dos associados. Art. A competência / as atribuições da Assembléia Geral de associados encontra-se no art. 53. há. e não lucrativa). Associações Conceito: As associações são pessoas jurídicas de direito privado formadas pela união de indivíduos com o propósito de realizarem fins não econômicos. 59 do CC: . É a Assembléia Geral.

no Estado. 55. podem estes. será atribuído a instituição municipal. 57 CC: Art. no Distrito Federal ou no Território. Art. assim reconhecida em procedimento que . Dissolvida a associação. omisso este. § 1o Por cláusula do estatuto ou. 61. do Distrito Federal ou da União. por deliberação dos associados. se for o caso. mas estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. por deliberação dos associados. as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. ou. Art.20 Art. bem como os critérios de eleição dos administradores. em que a associação tiver sede. atualizado o respectivo valor. ou. antes da destinação do remanescente referida neste artigo. de fins idênticos ou semelhantes. estadual ou federal de fins iguais ou semelhantes. 55 CC). instituição nas condições indicadas neste artigo. O NCC admite a exclusão / a expulsão do associado. depois de deduzidas. o OBS: Qual é o destino do patrimônio de uma associação extinta? Nos termos do art. à instituição municipal. no seu silêncio. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa (conceito aberto). Parágrafo único. dissolvida a associação do seu patrimônio. omisso este. 56. Compete privativamente à assembléia geral: I – destituir os administradores. Os associados devem ter iguais direitos. OBS: Vale lembrar que é possível a existência de categorias diferenciadas de associados. nos termos do art. § 2o Não existindo no Município. mas dentro de cada categoria os associados não podem ser discriminados entre si (art. as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. II – alterar o estatuto. receber em restituição. 57. será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto. o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado. estadual ou federal. cujo quorum será o estabelecido no estatuto. regra geral. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido deliberação da assembléia especialmente convocada para esse fim. 61 CC. será atribuído a entidades de fins não econômicos designadas no estatuto. 59. o remanescente do seu patrimônio líquido.

especificando o fim a que se destina. e declarando. OBS: Uma fundação. por terceiro. OBS: Não se aplica o art. por escritura pública ou testamento. Art. Conceito de fundação: A fundação. em seguida. formularão logo. As fundações. e não lucrativa). diferentemente da associação. morais. submetendo-o. fiduciariamente. O ato constitutivo organizacional da fundação é o seu estatuto. à aprovação da autoridade competente. . não é grupo de pessoas. o seu instituidor fará. 62. dotação especial de bens livres. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio. a maneira de administrá-la. Pessoas Jurídicas também podem constituir fundação (ex: fundação Roberto Marinho. assim como uma associação. se quiser. têm finalidade ideal ou não lucrativa (art. o estatuto da fundação projetada. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos. nos termos do art. Para criar uma fundação. em tendo ciência do encargo. 3) A elaboração do estatuto da fundação (pelo próprio instituidor ou. Art. nos termos previstos no estatuto (devido processo legal privado – eficácia horizontal dos direitos fundamentais). 65 CC). de acordo com as suas bases (art. 2) Escritura pública (tabelionato de notas) ou testamento. mas sim um patrimônio que se personifica visando a perseguir finalidade ideal. com recurso ao juiz. pode gerar receita.21 assegure direito de defesa e de recurso. 57 a condômino! Fundações (de direito privado): As ONGs (chamado terceiro setor) organizam-se no Brasil ou como associação ou como fundação. 62 CC). mas essa receita é revestida nela mesma (a finalidade da associação é ideal. fundação Xuxa Meneguel)! Requisitos para a instituição de uma fundação: 1) A afetação de bens livres do instituidor. Parágrafo único. culturais ou de assistência. assim como as associações. 62). 65.

seja aprovada pelo órgão do Ministério Público. 68 do CC. ao respectivo Ministério Público. a incumbência caberá ao Ministério Público. . Se não houver unanimidade da alteração do estatuto. (Vide ADIN nº 2. 66 foi declarado inconstitucional pelo STF – ADI 2. no código anterior. não havendo prazo.22 Parágrafo único. § 1o Se funcionarem no Distrito Federal. poderá elaborar o estatuto. de acordo com o art. 4) O estatuto elaborado deverá ainda ser aprovado pelo MP e em seguida registrado no cartório de registro de PJ. OBS: O MP. ou.não contrarie ou desvirtue o fim desta.794-8 – em razão da usurpação da atribuição constitucional constante no referido dispositivo). caberá o encargo ao MPDFT (o p. poderá o juiz supri-la. ou em Território (não existe). em cento e oitenta dias. III . O art.794-8) § 2o Se estenderem a atividade por mais de um Estado. caberá o encargo.seja deliberada por dois terços dos competentes para gerir e representar a fundação. a requerimento do interessado. caso o terceiro não o faça. caso este a denegue. II . ou em Território. 66. 66 CC). É o MP que tem atribuição legal de fiscalização das fundações no Brasil (art. Art. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. em cada um deles. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor. 67 do CC alterou o quórum de deliberação para alteração do estatuto da fundação que. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I . e. caberá o encargo ao Ministério Público Federal. era de maioria absoluta. Art. 1º do art. poderá haver impugnação pela minoria vencida (prazo decadencial de 10 dias). 67. supletivamente. OBS: Se a fundação funcionar no DF.

Celebram contrato de sociedade as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir. como ato constitutivo o estatuto. instituída por meio de contrato social. o dispositivo está em pleno vigor. 977. Classificação das sociedades: Tradicionalmente. Parágrafo único. A atividade pode restringir-se à realização de um ou mais negócios determinados. entre si. com bens ou serviços. é flagrantemente inconstitucional. se quiser. O Departamento Nacional de Registro de Comércio (DNRC). 977. Faculta-se aos cônjuges contratar sociedade. O elemento teleológico / finalístico de uma sociedade (finalidade lucrativa) é a principal característica da sociedade que a diferencia de uma associação ou de uma fundação. para o exercício de atividade econômica e a partilha. 68.23 Art. dos resultados. não atinge sociedade entre cônjuges anterior ao NCC. na opinião de Pablo Stolze. as sociedades eram classificadas da seguinte maneira: a) Sociedades civis. Sociedade não tem contrato social. Sociedades: Conceito: A sociedade. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime. desde que não tenham casado no regime da comunhão universal de bens. ou no da separação obrigatória. b) Sociedades mercantis (comerciais). . requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la. espécie de PJ de direito privado. OBS: É possível sociedade entre cônjuges? Art. firmou o entendimento (correto) de que o art. em dez dias. ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público. por meio do parecer jurídico 125/2003. a despeito dessa opinião do citado doutrinador. em respeito ao ato jurídico perfeito. é dotada de personalidade jurídica própria e visa a perseguir fins econômicos ou lucrativos. no Brasil. mas o Art. entre si ou com terceiros. os administradores da fundação. 981. Essa presunção de fraude. Mas.

ainda com colaboradores. uma atividade empresarial. e. por determinação da lei. Não se fala mais em sociedades civis e mercantis NCC não adotou a teoria dos atos de comércio). 982. a cooperativa. de artística. A doutrina italiana revolucionou essa matéria (a noção comércio era pouco precisa e foi substituída pela teoria empresa). 966. simples. ou seja. e. Parágrafo único. 966. que não praticavam atos de comércio. A chave da diferença entre sociedades simples e empresárias está no art.24 O ponto comum entre sociedades civis e mercantis era que ambas buscavam finalidade econômica. 982 do CC. Art. O NCC divide sociedades em: a) Sociedades simples. diferentemente das sociedades civis. na Junta Comercial (Registro . simples. as demais. considera-se empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. b) Sociedades empresárias. considera-se empresária a sociedade por ações. Uma sociedade é empresária quando se observam dois requisitos: 1) Requisito material: toda sociedade empresária realiza uma atividade econômica organizada. Parágrafo único. As sociedades mercantis praticavam atos de comércio (à luz da doutrina francesa). OBS: Vale observar que a sociedade anônima é sempre empresária e a cooperativa é sempre sociedade simples. literária ou o concurso de auxiliares ou exercício da profissão constituir 2) Requisito formal: Registro Público de Empresa). Não se profissão intelectual. Salvo as exceções expressas. salvo se o elemento de empresa. nos termos do art. Independentemente de seu objeto. 967). exerce para a de da (o as considera empresário quem exerce natureza científica. Considera-se empresário quem profissionalmente atividade econômica organizada produção ou a circulação de bens ou de serviços. Art.

por força de lei. uma vez que o NCC é muito claro em relação ao tema). os seus sócios atuam precipuamente como meros articuladores de fatores de produção (capital. o seu registro. são tratadas como sociedades simples. predominando o entendimento doutrinário (Julieta Lenz. tecnologia e matéria prima). deve ser feito no CRPJ. OBS: Magistrado administrar. a depender do sob o aspecto material.934/94 é lei especial – esse entendimento não deve prevalecer. ela simples. especialmente as obrigações tributárias. à luz do NCC. o seu passivo deve ser satisfeito. são sociedades prestadoras de serviços. A sociedade empresária é aquela que conjuga os requisitos do art. com a característica da impessoalidade. 982. pode ser sócio de empresa. Existem três formas básicas de dissolução da PJ: a) Convencional: aplica-se às sociedades e se opera por ato de vontade dos próprios sócios. para só então se poder cancelar o registro. uma sociedade continua sendo CRPJ e na OAB Quanto às cooperativas. Paulo Rego) no sentido de que. pois o registro continua sendo feito no (e não na J. que firmam distrato. uma vez que prestam e supervisionam direta e pessoalmente a atividade desenvolvida. Mas. Mas há diferenças. e não na Junta Comercial (há entendimento doutrinário minoritário em sentido contrário. trabalho. b) Administrativa: autorização de é aquela que funcionamento. O seu registro é feito na Junta Comercial e sujeitam-se à legislação falimentar.934/94. a despeito da Lei 8. O conceito de sociedade empresária é mais abrangente do que o conceito (antigo) de sociedade mercantil (conjugação dos dois requisitos). Comercial). podem até constituir empresária (característica de empresa). só não pode Extinção da Pessoa Jurídica: Para ser liquidada a PJ. e além disso. Em geral. caso concreto. a exemplo da sociedade de advogados ou de médicos. decorre da cassação da específica para algumas . a exemplo de um banco ou de uma revendedora de veículos. no sentido de que a Lei 8. OBS: Uma grande banca de advocacia.25 Há uma grande semelhança entre os conceitos de sociedade empresária e o antigo conceito de sociedade mercantil. em geral. Já as sociedades simples têm por principal característica a pessoalidade: os seus sócios não são meros articuladores de fatores de produção. no Cartório de Registro de Pessoas Jurídicas (CRPJ). O seu registro é feito.

tende a permitir a mantença posterior de suas atividades. Rubens Requião (grande comercialista) foi quem introduziu essa teoria no Brasil. 1.218. Esta teoria visa a proteger a PJ. a despersonificação aniquila a PJ.608. Conceito: A doutrina da desconsideração pretende temporário da personalidade jurídica da entidade. Salomon Co. Diferentemente. de 18 de setembro de 1939. e regulada no art. o procedimento a ser seguido é o do CPC de 1939. OBS: O enunciado nº 7 da 1ª Jornada de Direito Civil lembra-nos de que a desconsideração.015 do CC. por ser medida de força. 1.26 entidades (ex: banco – demanda uma autorização específica do BC). O caso paradigmático foi o famoso Salomon vs. em regra). em regra) ou de liquidação (sociedades simples. esta teoria sustenta ser nulo o ato praticado pelo sócio que extrapolou os poderes a si concedidos pelo Contrato Social. 655 a 674). Continuam em vigor até serem incorporados nas leis especiais os procedimentos regulados pelo Decreto-lei no 1. Art. que os credores prejudicados possam satisfazer os no patrimônio pessoal do sócio ou administrador ato abusivo. .à dissolução e liquidação das sociedades (arts. concernentes: Vll . c) Judicial: se dá por sentença em procedimento falimentar (sociedades empresárias. A desconsideração. 1. à luz do princípio da continuidade da empresa. OBS: Qual a diferença entre a Desconsideração da PJ e a Teoria da Ultra Vires Societatis? De origem anglo-saxônica. OBS: Qual é a regra que disciplina a dissolução de uma sociedade não sujeita à lei de falência? À luz do art. cancelando o seu registro. o afastamento para permitir seus direitos que cometeu o OBS: É importante lembrar que a desconsideração não se confunde com a despersonificação da PJ. deve atingir apenas o sócio ou administrador que cometeu o ato abusivo (ou se beneficiou dele). Desconsideração da Pessoa Jurídica (“disregard doctrine”): A expressão é inglesa porque a origem da teoria é inglesa (GrãBretanha).218 VII CPC.

em seu art. mais recentemente. a Legislação Ambiental.tratando-se de negócios da sociedade. e. a oneração ou a venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir.provando-se que era conhecida do terceiro. Mas. OBS: Lembra-nos Edmar Andrade que. operação evidentemente estranha aos Desconsideração da Personalidade Jurídica e Direito Positivo: O CC/1916 jurídica. 1. regra geral. 50: Art. OBS: Um exemplo típico de abuso por confusão patrimonial operase quando uma PJ (controladora) constitui uma nova PJ . observa Gustavo Tepedino (em artigo publicado na RTDC) que EXCEPCIONALMENTE poderá haver desconsideração administrativa da PJ (RESP 15166/BA). Requisitos para a desconsideração da PJ no CC: 1) Que tenha havido o descumprimento da obrigação (ou até mesmo – o que é mais grave – a insolvência da PJ). ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo. depois veio a Lei Anti-Truste. a requerimento da parte. não constituindo objeto social. Parágrafo único. que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. caracterizado pelo desvio de finalidade. No silêncio do contrato.015.27 Art. 28). ou pela confusão patrimonial.se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio da sociedade. os administradores podem praticar todos os atos pertinentes à gestão da sociedade. II . O excesso por parte dos administradores somente pode ser oposto a terceiros se ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: I . Em caso de abuso da personalidade jurídica. a desconsideração é matéria sob reserva de jurisdição. não previa a desconsideração da personalidade O primeiro diploma legal a tratar do assunto foi o CDC (art. 2) Abuso caracterizado ou pelo desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. 50. também regulou a desconsideração da personalidade jurídica o CC/2002. III . pode o juiz decidir.

Fabio Konder Comparato. já a teoria menor. inclusive). 50 do CC concebeu a teoria da desconsideração com caráter objetivo. visando a alcançar o sócio ou administrador causador do desvio de recursos do seu patrimônio pessoal. por exemplo. É evidente que o Juiz precisa abrir o contraditório. O enunciado nº 283 da Jornada de Direito Civil consagrou esta teoria. dispensando a prova do dolo específico do sócio ou administrador (elemento subjetivo). exigindo uma gama maior de requisitos. uma vez que demanda a prova do abuso do sócio ou administrador. . Adotar outro raciocínio significaria aniquilar por completo a essência da teoria da desconsideração da personalidade jurídica! OBS: Qual é a diferença entre a teoria maior e a teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica? Teoria maior é a adotada pelo CC. especialmente aplicada no direito de família. mas passa todos os finais de semana em uma casa de praia (residência) próxima à cidade. no STJ). adotada pelo CDC e pela Legislação Ambiental. respeitando o Devido Processo Constitucional. segundo Rolf Madaleno. OBS: O que é desconsideração inversa? Este tipo de desconsideração. pretende. OBS: Seguindo a doutrina do prof. A noção de domicílio veio para o direito moderno e sua importância reside no aspecto de SEGURANÇA JURÍDICA – ex: o foro do domicílio do réu fixa a competência territorial do processo. pois não exige a demonstração do abuso (basta que haja o descumprimento da obrigação). é de aplicação mais facilitada. A morada não desloca o seu domicílio! b) Residência: é o lugar em que a pessoa física é encontrada com habitualidade (a pessoa pode ter mais de uma residência. podemos concluir que o art. Ex: uma pessoa que tem domicílio e residência em Salvador. DOMICÍLIO A raiz dessa palavra vem do latim domus (que significa casa). OBS: É pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a desconsideração da PJ é cabível no curso da execução (RESP 920602/DF). inversamente. É esse o entendimento da doutrina e da jurisprudência (aplicação farta. atingir o patrimônio da PJ.28 (controlada) para praticar atos por meio desta (essa nova PJ assume todo o passivo da PJ controladora). Precisamos diferenciar domicílio de residência e morada: a) Morada: é o lugar em que a pessoa se fixa temporariamente (no direito italiano a morada é uma espécie de estadia).

cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem. além da habitualidade. 71. a pessoa natural residências. 71 do CC: Art. é preciso que haja a intenção de permanência (alguns autores chamam de animus manendi). o lugar onde esta é exercida. O CC cuida ainda da mudança de domicílio. seguindo o direito alemão. que deixa. da própria mudança. 72. onde. OBS: Pode haver pluralidade de domicílios? Sim. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos. admite pluralidade de domicílios. transferindo a residência. nos termos do art. com a intenção manifesta de o mudar. o art. 72 do CC considera. domicílio é o lugar onde a pessoa física fixa residência com ânimo definitivo. e para onde vai. Muda-se o domicílio. 74. ou. porque no domicílio também há o aspecto da habitualidade. É também domicílio da pessoa natural. transformando-o em centro de sua vida jurídica (conceito). se tais declarações não fizer. essa norma é desprovida de importância prática). O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo (conceito legal de domicílio). com as circunstâncias que a acompanharem (para o campo da pessoa física. alternadamente. quanto às relações concernentes à profissão. APENAS PARA EFEITOS PROFISSIONAIS. Então. como domicílio o lugar onde a atividade é desenvolvida. 83 do Código de Portugal.29 c) Domicílio: para ser domicílio é preciso algo mais: o domicílio abrange a noção de residência. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos lugares. no art. Vejamos o art. 70 do CC: Art. porém. Se. o sistema brasileiro. Art. Mas. Parágrafo único. 74 (trata-se de uma norma imperfeita: desprovida de sanção): Art. domicílio seu qualquer delas. viva. 70. tiver diversas considerar-se-á OBS: O que é domicílio profissional? Seguindo a linha do art. . transformando aquele local em centro da vida jurídica daquela pessoa. Parágrafo único. para ser domicílio.

§ 2o Se a administração. fixado por simples ato de vontade. tiver a sede no estrangeiro. 75. 78 do CC). cada um deles será considerado domicílio para os atos nele praticados. II . sito no Brasil. haver-se-á por domicílio da pessoa jurídica.do Município. 2) Domicílio especial (ou de eleição): é o estipulado por cláusula especial de contrato (art. § 1o Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes.dos Estados e Territórios. é considerado o seu domicílio o lugar em que for encontrada (ex: ciganos). no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências. No CC.30 O Código traz ainda a noção de domicilio aparente ou ocasional (trata-se de uma aplicação da teoria da aparência): para pessoas que não têm domicílio certo. cuja natureza jurídica é de ato jurídico em sentido estrito (também chamado de ato não negocial). 73. ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. a cláusula de foro de eleição prejudicial ao consumidor ou . OBS: Nos contratos de adesão. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural. poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes. o lugar onde for encontrada. municipal. o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações. as respectivas capitais. Art. que tenha residência habitual. Quanto às pessoas jurídicas. o lugar onde funcione a administração não IV . por ficção legal. a que ela corresponder. 78. o lugar do estabelecimento. o domicílio é: I . Art. III .da União.das demais pessoas jurídicas. especialmente de consumo. Nos contratos escritos. o Distrito Federal. o artigo que cuida do domicílio da PJ é o seguinte: Art. ou diretoria. Classificação do domicílio: O domicílio poderá ser: 1) Domicílio voluntário: é o geral / o comum.

que declinará de competência para o juízo de domicílio do réu (Incluído pela Lei nº 11. A nulidade da cláusula de eleição de foro. 112 do CPC: Art. mediante . O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente. o servidor público. quando verificar o ao consumidor (RESP 201195/SP). o do militar. a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado. o lugar em que cumprir a sentença (CUIDADO: a lei não disse prisão provisória ou cautelar). onde o navio estiver matriculado. 77. alegar extraterritorialidade sem designar onde tem. o do marítimo (marinheiro particular). o lugar em que exercer permanentemente suas funções. Art. pode ser declarada de ofício pelo juiz. o seu domicílio. No direito brasileiro. ou de terceiro. e o do preso. Inclusive. Têm domicílio necessário o incapaz. em contrato de adesão. Parágrafo único. que. por meio de exceção. o do servidor público. 76 e 77). OBS: Servidor público de função temporária ou comissionada não tem domicílio legal! BEM DE FAMÍLIA A fonte histórica mais significativa do bem de família é o “Homestead Act” do Direito Texano. a incompetência relativa. Art. poderá ser demandado no Distrito Federal ou no último ponto do território brasileiro onde o teve. no país. Isso está no art. do ano de 1839. o juiz pode de ofício de sua competência (mesmo sem haver de incompetência relativa). de 2006).280. 3) Domicílio legal: decorre do próprio ordenamento jurídico (arts. o marítimo e o preso. 112. 76. 1. onde servir. o militar. sendo da Marinha ou da Aeronáutica. e. O “Homestead Act” conferia proteção especial ao bem de família.31 aderente declinar exceção prejuízo expresso é NULA DE PLENO DIREITO. citado no estrangeiro. Argúi-se.711 do CC): Conceito: o bem de família voluntário é o instituído por ato de vontade do casal. Parágrafo único. temos duas espécies de bens de família: 1) Bem de família voluntário (regulado a partir do art. O agente diplomático do Brasil.

igualmente. cabendo ao MP intervir quando houver participação de incapaz – art. OBS: O NCC também inovou ao admitir. também.722 (cuida da extinção do bem de família voluntário). foi editada a Lei .32 formalização no registro efeitos fundamentais: • de imóveis. a seu tutor. a administração passará ao filho mais velho. que a renda proveniente de imóvel locado seja considerada impenhorável.711 do CC limitou o valor do bem de família voluntário ao teto de 1/3 (um terço) do patrimônio líquido dos seus instituidores. Inalienabilidade relativa (uma vez instituído bem de família voluntário. do contrário. 1. Salvo disposição em contrário do ato de instituição. a administração do bem de família compete a ambos os cônjuges. no art. inclusive para o bem de família legal. só pode voluntário quem for solvente! OBS: Para evitar fraudes. se for maior. e.717 do CC). desde que não sujeitos a curatela. 1. OBS: O STJ tem admitido.720 (cuida da administração do bem de família voluntário). Art. Parágrafo único. deflagrando dois Impenhorabilidade limitada (significa que o imóvel torna-se isento de dívidas futuras. a possibilidade de afetar rendas ao bem de família voluntário. o art. Por isso. Vejamos alguns artigos complementares (importantes): Art. 1. 1. Extingue-se. 1. resolvendo o juiz em caso de divergência. visando à proteção legal (desde que se comprove que essa renda se destinará à mantença do imóvel  crítica de Pablo Stolze: isso dá muita margem a fraudes).715 do CC).712. Com o falecimento de ambos os cônjuges. à luz das normas do bem de família. salvo obrigações tributárias referentes ao bem e despesas condominiais – art. ele só poderá ser alienado com a autorização dos interessados. 1. em situação diversa. o bem de família com a morte de ambos os cônjuges e a maioridade dos filhos. OBS: A verdade é que as regras do bem de família voluntário “não pegaram” (na prática). instituir bem de família • OBS: Obviamente.

Aliás. 3º da Lei 8. OBS: Não há limite de valor para o bem de família legal! Art.009/90.009/90): o efeito dessa lei é consagrar a impenhorabilidade legal do bem de família. independentemente de inscrição voluntária em cartório. observado o disposto neste artigo. ou da entidade familiar. desde que quitados (ex (jurisprudência do STJ): máquina de lavar. previdenciária. 1º O imóvel residencial próprio do casal. máquina de passar. trabalhista ou de outra natureza.009/90. 2º Excluem-se da impenhorabilidade os veículos transporte. ar condicionado. previdenciária ou de outra natureza. as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos. Parágrafo único. A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção. salvo se movido: . as plantações. 1º da Lei 8. 2º da Lei 8. Exceções à proteção do bem de família legal (art.009/90): Art. o STJ tem admitido o desmembramento para efeito de penhora (a exemplo do RESP 510643/DF). antena parabólica. é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil. a impenhorabilidade aplica-se aos bens móveis quitados que guarneçam a residência e que sejam de propriedade do locatário. No caso de imóvel locado.009/90): Art. inclusive os de uso profissional. televisão. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo de execução civil. Estão excluídos da proteção do bem de família (art. que cuida do bem de família legal.). OBS: A despeito do que dispõe o parágrafo único do art. comercial.33 8. contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam. obras de arte e adornos suntuosos. a Súmula 205 do STJ (para desespero dos bancos) admite a aplicação retroativa dessa lei a penhoras anteriores à sua vigência! 2) Bem de família legal (Lei 8. salvo nas hipóteses previstas nesta lei. fiscal. não revogou as regras do bem de família voluntário (não impede a existência jurídica do bem de família voluntário). aliás. de Parágrafo único. instrumento musical etc. Essa lei. fiscal. ou móveis que guarnecem a casa.

que despesas condominiais também vencem a proteção legal do bem de família – RE 439003/SP). de maneira que a penhora de seu imóvel residencial é considerada constitucional – RE 352940-4/SP  Pablo Stolze critica muito este dispositivo. VII . necessita da autorização do outro para prestar fiança – essa pode ser a salvação do fiador!).para cobrança de impostos. Luiz Fux – STJ). OBS: Pablo Stolze entende que essas exceções aplicam-se.pelo titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel. aos bens de família voluntários (pois a maioria das hipóteses é de ordem pública).647 do CC. A base de proteção do bem de família não é a família. segundo o STJ. predial ou territorial. taxas e contribuições devidas em função do imóvel familiar (o STF já entendeu. 1. mas a proteção constitucional da dignidade humana. IV .por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação (o STF já pacificou o entendimento de que o fiador em contrato de locação não goza da proteção do bem de família. VI . III . interpretando este inciso.por ter sido adquirido com produto de crime ou para execução de sentença penal condenatória a ressarcimento.pelo credor de pensão alimentícia. não impede a futura alegação de bem de família – AgRg no Resp 813543/DF). que o cônjuge casado em regime que não seja de separação de bens. alegando que ele inverte a lógica: como pode o devedor principal gozar de proteção do bem de família e o fiador não gozar? OBS: vale lembrar. OBS: O devedor solteiro goza da proteção do bem de família? Sim. . que se traduz no direito à moradia (o STJ já firmou esse entendimento).34 I .em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições previdenciárias (a melhor hermenêutica deste inciso é no sentido de que empregados meramente eventuais não se subsumem à exceção prevista em lei – Min.para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia real pelo casal ou pela entidade familiar (a mera indicação do bem a penhora. V . também. indenização ou perdimento de bens. nos termos do art. no limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato. II .

Consideram-se imóveis para os efeitos legais: I . OBS: Por conta da natureza imobiliária do direito à herança. OBS: O que se entende por patrimônio jurídico? Para os clássicos. Bem seria um gênero que se subdivide em bens imateriais e bens materiais (= coisa).35 BENS JURÍDICOS Conceito: bem jurídico é toda utilidade física ou ideal que seja objeto de um direito subjetivo. contrariamente. em respeito ao princípio da dignidade. no caso de cessão do direito hereditário exige-se escritura pública. Qual é a diferença entre bem e coisa? Orlando Gomes afirma que bem é gênero e coisa é espécie. Pablo Stolze entende que razão assiste a Orlando Gomes. bem como. 80. renomados autores (Carlos Bittar. Sob o influxo da dignidade da pessoa humana.os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram. limitando-se aos objetos corpóreos ou materiais. Wilson Melo da Silva. E Washington de Barros Monteiro. na doutrina brasileira o entendimento predominante (desde Clóvis Bevilaqua) é no sentido de que cada pessoa possui apenas UM patrimônio. 80 do CC estabelece que: Art. em determinado trecho de sua obra “curso de direito civil” afirma poder haver uma sinonímia. afirmam que a noção de coisa é mais ampla. patrimônio era a representação econômica da pessoa. Principais classificações de bens jurídicos: 1) Imóveis por força de Lei: o art. que patrimônio é uma universalidade de direitos e obrigações. Rodolfo Pamplona Filho) têm admitido o denominado o patrimônio moral (que seria o conjunto de direitos da personalidade). seguindo o Direito Alemão. Atualmente. II . que cada pessoa deve ter resguardado pela lei civil um mínimo de patrimônio. quando afirma que a noção de coisa é mais restrita. Vale lembrar que a teoria do estatuto jurídico do patrimônio mínimo (Luiz Edson Fachin) sustenta. afirma-se quanto à sua natureza jurídica. forte corrente doutrinária . Maria Helena Diniz e Silvio Venosa.o direito à sucessão aberta. Inclusive.

é uma utilidade que não se renova. 83 do CC estabelece que: Art. Art. 93. II . rádio do carro. As benfeitorias são reformas em uma estrutura que já existe! O que são bens imóveis por acessão intelectual? São os bens que o proprietário intencionalmente destina para exploração • • . aluguéis – frutos civis). OBS: benfeitoria não se confunde com acessão (construção).os direitos respectivas ações. espécies de bens acessórios.647. Pertenças: é a coisa que serve o bem principal. • Benfeitorias: a benfeitoria é toda obra realizada pelo homem na estrutura de uma coisa com propósito de conservá-la (benfeitoria necessária). São pertenças os bens que. 83. OBS: O sêmen (inciso I). 93 do CC). melhorá-la (benfeitoria útil) ou proporcionar prazer (benfeitoria voluptuária). são utilidades renováveis. Produtos: diferentemente do fruto. amendoim – frutos naturais – tecido de indústria – frutos industriais – juros. 1. esgotando a coisa principal (ex: ouro). sem integrá-lo (art. III . não constituindo partes integrantes. nos termos do art. Ex: aparelho de ar condicionado. ao uso. do pessoais de caráter patrimonial e boi é considerado energia biológica 3) Bens acessórios: Dividiremos: • Frutos: os frutos. ao serviço ou ao aformoseamento de outro.as energias que tenham valor econômico. de autorização 2) Móveis por força de lei: o art. de modo duradouro. Consideram-se móveis para os efeitos legais: I .os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes. se destinam. cuja percepção não exaure a coisa principal (ex: laranja.36 (Francisco Cahali) afirma a necessidade conjugal.

O enunciado nº 11 da 1ª Jornada de Direito Civil afirmou que esta classificação não existe mais.o direito à sucessão aberta. III do CC/1916). Consideram-se imóveis para os efeitos legais: I . 80. forem removidas para outro local. sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.as energias que tenham valor econômico. 79. e tudo quanto se lhe Art. II os direitos reais sobre objetos móveis e as ações . mas conservando a sua unidade. Art. São bens imóveis o solo incorporar natural ou artificialmente. 82. II . ou de remoção por força alheia.as edificações que. separadas do solo. classificá-lo como pertença. 43. seguindo a linha do Código Novo. Seção II Dos Bens Móveis Art. Ex: um fazendeiro compra um grande maquinário agrícola para a exploração do imóvel. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio. 81.os direitos asseguram. Vejamos os dispositivos do CC que tratam dos bens (a leitura destes artigos é essencial. 83. aformoseamento ou comodidade (art. esse maquinário agrícola.37 industrial. Mas. para nele se reempregarem. pois em concursos públicos sempre cai mais a literalidade da lei): LIVRO II DOS BENS TÍTULO ÚNICO Das Diferentes Classes de Bens CAPÍTULO I Dos Bens Considerados em Si Mesmos Seção I Dos Bens Imóveis Art. é o que? Pode-se. Não perdem o caráter de imóveis: I . reais sobre imóveis e as ações que os II .os materiais provisoriamente separados de um prédio. Consideram-se móveis para os efeitos legais: I . Art. então.

91. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei ou por vontade das partes. 86. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie. Seção III Dos Bens Fungíveis e Consumíveis Art. 85. pertinentes à mesma pessoa.38 correspondentes.os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. abstrata ou concretamente. Seção IV Dos Bens Divisíveis Art. 92. 87. acessório. de uma pessoa. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância. . III . readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio. qualidade e quantidade. Principal é o bem que existe sobre si. diminuição considerável de valor. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância. conservam sua qualidade de móveis. aquele cuja existência supõe a do principal. 89. dotadas de valor econômico. Seção V Dos Bens Singulares e Coletivos Art. enquanto não forem empregados. 88. tenham destinação unitária. Parágrafo único. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que. 90. embora reunidos. 84. independentemente dos demais. Os materiais destinados a alguma construção. CAPÍTULO II Dos Bens Reciprocamente Considerados Art. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas. sendo também considerados tais os destinados à alienação. ou prejuízo do uso a que se destinam. Art. Art. Art. São singulares os bens que. Art. consideram de per si. se Art.

salvo se o contrário resultar da lei. III . Art. os frutos e produtos podem ser objeto de negócio jurídico. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças. não constituindo partes integrantes. Art. CAPÍTULO III Dos Bens Públicos Art. Art. Não dispondo a lei em contrário.39 Art. Art. § 2o São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem. São pertenças os bens que. ao serviço ou ao aformoseamento de outro. todos os outros são particulares. de cada uma dessas entidades. As necessárias. consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito . 96. úteis ou § 1o São voluptuárias as de mero deleite ou recreio. benfeitorias podem ser voluptuárias. 94. 98. 97. possuidor ou detentor. Art. que não aumentam o uso habitual do bem. inclusive os de suas autarquias. territorial ou municipal. da manifestação de vontade. de modo duradouro. 93. estradas. Apesar de ainda não separados do bem principal. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário. § 3o São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. tais como rios. como objeto de direito pessoal. mares. 95. que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público. ruas e praças. II . tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento da administração federal. 99.os de uso especial. Parágrafo único. ao uso.os dominicais. São bens públicos: I . estadual. se destinam. ou real.os de uso comum do povo. ou das circunstâncias do caso. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno. ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. seja qual for a pessoa a que pertencerem.

40 público a que se tenha dado estrutura de direito privado. 101. Art. comum / Extraordinário: é aquele que não se espera imprevisibilidade (ex: uma nevasca em Salvador). TEORIA DO FATO JURÍDICO Conceito: fato jurídico é todo acontecimento natural ou humano que deflagra efeitos jurídicos (que tem relevância para o Direito). chuva). Art. enquanto conservarem a sua qualificação. Art. 102. Ilícitas: atos ilícitos (abuso de direito). Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião. em sentido amplo. conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem. 100. morte. na forma que a lei determinar. 103. Classificação: Fato jurídico em SENTIDO LATO se divide em: 1) Fato jurídico natural. Os bens públicos dominicais observadas as exigências da lei. Art. as ações humanas lícitas são o que se chama. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis.  Os fatos jurídicos em sentido estrito não podem ser estudados sob o prisma da validade (não se fala em nulidade ou anulabilidade). O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído. (teoria desenvolvida por Pontes de • OBS: os atos ilícitos tanto são uma categoria própria – distinta do ato jurídico – que são regulados no CC em . • • em sentido estrito: é o acontecimento Ordinário: quando for um acontecimento previsível (ex: nascimento. 3) Ações humanas: • Lícitas: seguindo a linha de Orlando Gomes e de Clóvis Bevilaqua. de atos jurídicos. podem ser alienados. 2) Ato-fato jurídico Miranda).

existe autonomia privada? Georges Ripert. diferentemente do CC/1916. 185. existe autonomia. em sua obra “a regra moral nas obrigações civis”. O professor Jorge Cesa Ferreira afirma que a venda de um doce a uma criança enquadra-se melhor na noção de ato-fato (essa linha é seguida pelo prof.41 título próprio (a partir defenda que não é assim. Essa autonomia. Pablo Stolze). ainda que em menor grau. OBS: Qual é a natureza jurídica da venda de um doce a uma criança de cinco anos de idade? Pode ser entendido como um negócio nulo socialmente aceito (Silvio Venosa). cujos efeitos estão predeterminados na lei (ex: o ato de fixação do domicílio. atos de comunicação processual – como a notificação).mitigada). previsto no art. mais importante (foi Conceito: é uma declaração de vontade emitida com base na autonomia privada e por meio da qual o agente auto-disciplina os efeitos jurídicos que pretende atingir (idéia de liberdade negocial). Já no negócio jurídico há uma carga (em maior ou menor grau) de liberdade (autonomia privada). voluntário e consciente. percepção dos frutos de uma árvore. Porém. é essencial para a caracterização de um negócio jurídico. pensando se tratar de comida. O que é um ato-fato jurídico? Desenvolvido por Pontes de Miranda. é desprovido de vontade consciente em direção ao resultado que se pretende atingir (ex: alienado mental que pega argila. Ex: casamento. . o ato-fato jurídico consiste em um comportamento que. analisa que os contratos de adesão são mais fruto da “autoridade privada” do que da “autonomia privada”. Negócio Jurídico: é a categoria desenvolvida no Direito Alemão). E no contrato de adesão. criança que encontra tesouro na rua). ainda que apenas de assinar ou não o contrato (seria uma espécie de autonomia mínima . traduz um simples comportamento humano. do art. o NCC. que era unitarista. embora derive da atuação humana. também chamado de ato não negocial. 186)  mas há quem Seguindo a doutrina dualista. subdivide os atos jurídicos (em sentido amplo) em atos jurídicos em sentido estrito e negócios jurídicos (a mais importante das categorias). E qual seria a diferença entre atos jurídicos em sentido estrito e negócio jurídico? O ato jurídico em sentido estrito. e produz uma belíssima obra de arte.

OBS: No que tange à manifestação de vontade. Teorias explicativas do negócio jurídico: 1) Teoria da vontade interna (ou voluntarista): é a teoria mais tradicional. O que é teoria da pressuposição? Teoria desenvolvida por Windscheid. se harmonizam  O negócio jurídico é fruto da soma da vontade interna com a vontade que se declara. encontrase hoje condicionada a parâmetros constitucionais de ordem superior. Podemos subdividir o negócio jurídico em três planos de análise (Pontes de Miranda): a) Plano de existência: aqui. Afirma que a base do negócio jurídico é a intenção (vontade interna). 112. a doutrina se digladiou para descobrir com que teoria estava a razão. E a resposta é que as duas teorias. Foi a teoria que mais influenciou o CC/2002. sem os quais o negócio jurídico é inexistente (a inexistência pode ser reconhecida de ofício pelo juiz – não há prazo para a declaração da inexistência). segundo a qual o negócio jurídico somente seria considerado válido e eficaz se a certeza subjetiva do declarante. Durante anos. que o silêncio é ausência de manifestação de . o silêncio pode como tal ser compreendido? A questão quer saber se “quem cala consente”. na verdade. lembra-nos Caio Mário. Os requisitos de existência do negócio jurídico são: • Manifestação de vontade (ex: a violência física gera a inexistência do negócio jurídico).42 OBS: A autonomia privada. mas é colocado pela doutrina. a exemplo dos princípios da função social e da boa-fé objetiva. No âmbito do direito civil. em linha de princípio. não é aplicada como em outrora. hoje. ao realizar o ato. vamos estudar os requisitos de existência do negócio jurídico. Vejamos: Art. Essa teoria. núcleo do negócio jurídico. Este plano não está previsto no CC. não se modificasse. Nas declarações de vontade se atenderá mais à intenção nelas consubstanciada do que ao sentido literal da linguagem. 2) Teoria da vontade externa (ou da declaração): afirma que o negócio jurídico se traduz na vontade externa ou declarada.

quando as circunstâncias ou os usos o autorizarem.forma prescrita ou não defesa em lei. 104 do CC – muito criticado pela doutrina. Não estuda a estrutura do negócio (que está no plano de existência). OBS: veremos que o silêncio pode também significar quebra de boa-fé objetiva por dolo negativo (art. 539. 111). Forma (o professor Vicente Ráo trata muito bem deste assunto. nos termos do art. • • • Manifestação de vontade livre e de boa-fé. Neste segundo plano vamos estudar os pressupostos de validade (art. III . e não for necessária a declaração de vontade expressa. possível e determinado (ou ao menos determinável). Art. licitude significa legalidade e adequação ao padrão médio de . possível. pois disse menos do que deveria): Art. Agente capaz e legitimado. b) Plano de validade: é o plano qualificativo do negócio. dentro dele. II . O silêncio importa anuência. Art. se a doação não for sujeita a encargo (exemplo de aplicação do art.43 vontade. na doutrina civilista. Objeto. 104.objeto lícito. o silêncio pode traduzir vontade. 111. a declaração. não faça. Desde que o donatário. 147 do CC). determinado ou determinável. ou seja. 111. Forma significa o meio pelo qual a vontade se exterioriza.agente capaz. • • • Agente (emissor da vontade). No entanto. o revestimento exterior da vontade. Objeto lícito. ciente do prazo. A validade do negócio jurídico requer: I . excepcionalmente. para declarar se aceita ou não a liberalidade. OBS: em geral. Pode ser oral / escrita / mímica). O doador pode fixar prazo ao donatário. entender-se-á que aceitou.

ao passo que a ignorância é um estado de espírito negativo. 108. OBS: Ausente algum requisito de validade  o negócio é inválido. a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição. c) Plano de eficácia: estuda os elementos que interferem nos efeitos jurídicos do negócio: • • • Condição. Qualquer que seja o valor do negócio jurídico. Ignorância: é uma falsa representação positiva da realidade. • de prestação de serviços Forma livre ou prescrita em lei (no direito brasileiro. modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. Termo. Art. OBS: Os vícios do negócio atacam a validade do negócio – a qualificação da vontade (geram nulidade ou anulabilidade). a prova testemunhal é admissível como subsidiária ou complementar da prova por escrito. ainda. Salvo os casos expressos. a regra é a liberdade da forma nos negócios jurídicos – art. Modo ou encargo. 107 do CC – mas há situações em que a lei exige a forma escrita para efeito de prova do negócio – ex: art. . DEFEITOS DO NEGÓCIO JURÍDICO ERRO: Erro vs. Parágrafo único. 227. o art. 108 do CC: Art. Não dispondo a lei em contrário. transferência. 227 do CC). Vejamos. traduzindo desconhecimento.44 moralidade (ex: contrato sexuais é inválido). O erro é causa de anulação do negócio jurídico. a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados.

razão pela qual o CC/16 não era explícito a respeito. aquele que. 1. para que o erro possa anular o negócio jurídico. Mas o CCB previu o chamado “erro de direito”? Clóvis Bevilaqua não gostava da teoria do erro de direito. 139.557 do CC. o novo direito civil (art. precisa ser SUBSTANCIAL e ESCUSÁVEL (perdoável). 3) Erro sobre a pessoa: um exemplo é a celebração de um negócio com o irmão gêmeo univitelino de quem eu gostaria de celebrar. Estas espécies de erro estão previstas no art. mas tratava-se de um empréstimo). sem traduzir intencional recusa à aplicação da lei. O primeiro requisito é pacífico. À luz do princípio da boa-fé. OBS: Veremos no Direito de Família a grande aplicação do erro sobre a pessoa. Carvalho Santos e Caio Mário defendiam essa possibilidade.sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei. Art.concerne à identidade ou à qualidade essencial da pessoa a quem se refira a declaração de vontade. diz a doutrina clássica que o direito não tutela “os que dormem” / os negligentes / os “patos” (pautava-se a doutrina clássica na idéia do “homem médio”). 139 III do CC) passou a admitir explicitamente o erro de direito. porém. 2) Erro sobre o objeto: incide nas características do objeto (é a hipótese mais comum).45 Para a doutrina clássica. desde que tenha influído nesta de modo relevante. ao objeto principal da declaração. Eduardo Espínola. III . Todos os casos que vimos até agora se referem ao erro de fato. for o motivo único ou principal do negócio jurídico. que cuidam “da anulação do casamento por erro sobre pessoa”. 139 do CCB.interessa à natureza do negócio. incide no . quando estudarmos os arts. Segundo a doutrina de Roberto de Ruggiero. II . ou a alguma das qualidades a ele essenciais. Quanto ao segundo requisito. O erro é substancial quando: I . A doutrina moderna. podemos identificar basicamente três espécies de erro: 1) Erro sobre o negócio: incide sobre o próprio negócio em si (ex: pensei que era uma doação.556 e 1. à luz do princípio da confiança e considerando a dificuldade na análise da escusabilidade do erro. tem dispensado este segundo requisito (enunciado 12 da 1ª Jornada de Direito Civil).

A doutrina distingue duas espécies de dolo: dolo principal e dolo acidental. dolo é o erro provocado. 146. embora por outro modo. exterior ao agente. Resumindo. Vejamos o art. traduz quebra de boa-fé objetiva por omissão dolosa da vontade. OBS: a mensagem subliminar. situações juridicamente reprováveis. portanto. mas não invalida o negócio. induzindo-o a determinado comportamento. Nos negócios jurídicos bilaterais. Art. constitui omissão dolosa. A doutrina clássica costuma dividir o dolo em: 1) Dolus bonus: não anula o negócio jurídico. Além disso. sendo. o dolo meramente acidental não anula o negócio jurídico. o silêncio intencional de uma das partes a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado. 146 do CC: Art. aquela que atua inconscientemente em face do consumidor. previsto no art. 147 do CC. já o vício redibitório é defeito da própria coisa. DOLO: Conceito: o dolo é o artifício malicioso empregado por uma das partes ou por terceiro com o propósito de enganar a outra parte do negócio. O dolo gera a anulação do negócio jurídico (art. Questão especial de concurso: Qual é a diferença entre erro e vício redibitório? O erro atua no psiquismo do agente. 147. O dolo que anula o negócio jurídico é o dolo principal (aquele que ataca a sua causa / a sua substância). O que é dolo negativo? O dolo negativo. o negócio seria realizado. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos. provando-se que sem ela o negócio não se teria celebrado.46 âmbito de atuação permissiva da norma (em outras palavras. e é acidental quando. 145 do CC). pode traduzir comportamento doloso e prática comercial abusiva. causando-lhe prejuízo. invalidando o negócio jurídico (o erro está dentro de você). a seu despeito. o vício redibitório gera responsabilidade civil. É muito utilizado como técnica de publicidade (o realce das características do produto está no campo da licitude). é um erro de interpretação quanto à ilicitude do ato). . apenas gera a obrigação de pagar perdas e danos. 2) Dolus malus: anula o negócio jurídico.

se. não podendo nenhuma das partes alegar a sua torpeza em juízo. COAÇÃO: Estamos tratando da coação moral! Conceito: lembra-nos Francisco Amaral que coação é sinônimo de violência. Se ambas as partes procederem com dolo. Pode também ser anulado o negócio jurídico por dolo de terceiro. 151. Art. nenhuma pode alegá-lo para anular o negócio. 152. há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa.47 Façamos a leitura atenta dos dispositivos acerca do dolo (muito importantes): seguintes do CC. OBS: No caso do dolo de terceiro. regulado no art. ter-se-ão em conta o sexo. ainda que subsista o negócio jurídico. ou reclamar indenização. Art. o terceiro responderá por todas as perdas e danos da parte a quem ludibriou. A coação gera a anulação do negócio jurídico! O CC trata da matéria a partir do art. “deixa-se como está”. o representado responderá solidariamente com ele por perdas e danos. a . não posso esquecer que a anulação só ocorrerá se o beneficiário soubesse ou tivesse como saber do engodo. 148. porém. 151 (que é uma “norma explicativa”): Art. Art. No apreciar a coação. 150. decidirá se houve coação. 148. O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve. para viciar a declaração da vontade. à sua família. com base nas circunstâncias. o juiz. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente. ou seja. 150. em caso contrário. A coação. o negócio é mantido e apenas o terceiro responde pelas perdas e danos. 149. se a parte a quem aproveite dele tivesse ou devesse ter conhecimento. em caso contrário. é a violência psicológica apta a influenciar a vítima a realizar negócio jurídico que a sua vontade interna não deseja celebrar. Parágrafo único. ou aos seus bens. nos termos do art. OBS: Havendo dolo bilateral. Art. o dolo for do representante convencional.

e esta responderá solidariamente com aquele por perdas e danos. se a coação decorrer de terceiro. mas o autor da coação responderá por todas as perdas e danos que houver causado ao coacto. nem o simples temor reverencial. Art. que tipificava o crime de usura (âmbito do direito penal). O panorama mudou quando entrou em vigor o CDC.521/51 (Lei de Economia Popular). desde que o beneficiário saiba ou tenha como saber do vício. Vicia o negócio jurídico a coação exercida por terceiro. Conceito: a lesão. 155. em face do abuso da necessidade ou inexperiência de uma das partes. a condição. que foi a primeira grande lei de direito privado que .48 idade. respondendo apenas o terceiro pelas perdas e danos. 153. caso não saiba ou não tenha como saber. A primeira lei do Brasil que se preocupou com a lesão foi a 1. LESÃO: A lesão foi uma inovação do CC/2002 (não estava presente no CC/16). respondendo SOLIDARIAMENTE pelas perdas e danos. a saúde. A coação é apreciada em concreto (art. se dela tivesse ou devesse ter conhecimento a parte a que aproveite. 154. Coação de terceiro: Havendo coação de terceiro. Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito. o negócio é mantido. consiste na desproporção existente entre as prestações do negócio jurídico. o negócio é anulado. 152)! Não tem essa de “homem médio”! Não se deve confundir coação com temor reverencial e ameaça de um exercício regular de um direito (isso está no art. havia entendimento do STJ (RESP 434687/RJ) no sentido de que negócio com lesão seria nulo por ilicitude do objeto. Art. Subsistirá o negócio jurídico. ausente uma norma de direito privado que cuidasse da lesão. o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela. Art. Antes do CDC e do CC/2002. 153 do CC e tem vasta aplicação jurisprudencial). OBS: no dolo é diferente  cada um responde na medida de sua culpa. causa de invalidade do negócio jurídico. sem que a parte a que aproveite dela tivesse ou devesse ter conhecimento.

ou se a parte favorecida concordar com a redução do proveito. se for oferecido suplemento suficiente. o desequilíbrio prestacional). . Configura-se o estado de perigo quando alguém. 39 V e art. 156. Ocorre a lesão quando uma pessoa. 156 do CC: Art. À luz do princípio da conservação. 51 IV). a teoria da imprevisão pressupõe contrato válido que se desequilibra depois. o parágrafo 2º do art. 157 admite que as partes possam reequilibrar o negócio evitando a sua anulação. Configura-se quando o agente. Qual é a diferença entre lesão e a teoria da imprevisão? A lesão é marcada pelo desequilíbrio que nasce com o contrato. a lesão é causa de anulação do negócio jurídico (art. 157). A doutrina costuma apontar que a lesão possui dois requisitos fundamentais: a) Requisito objetivo: desproporção entre as prestações pactuadas (ou seja. na imprevisão o desequilíbrio é superveniente. Já no CCB. Alguns autores clássicos colocam ainda como requisito subjetivo da lesão o “dolo de aproveitamento” (intenção de explorar). § 2o Não se decretará a anulação do negócio. Mas o NCC não exigiu como requisito da lesão a prova do “dolo de aproveitamento”! Art.49 combateu a lesão (art. se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. diante de situação de perigo de dano conhecido pela outra parte. para negócios civis em geral. diferentemente. Vale dizer. assume prestação excessivamente onerosa. tornandoo passível de invalidação. 157. ou por inexperiência. A lesão é causa de nulidade absoluta do negócio de consumo (no CDC). § 1o Aprecia-se a desproporção das prestações segundo os valores vigentes ao tempo em que foi celebrado o negócio jurídico. ESTADO DE PERIGO: Conceito: trata-se de uma aplicação do Estado de Necessidade para o Direito Civil. sob premente necessidade. Vejamos o art. b) Requisito subjetivo: desdobra-se no abuso da necessidade ou da inexperiência de uma das partes.

então. o circunstâncias.000. ou a pessoa de sua família.50 premido da necessidade de salvar-se. cobra de você R$ 100. A exigência de cheque caução para tratamento hospitalar (emergência) é um exemplo de lesão (o negócio jurídico pode ser anulado). Conceito: na simulação celebra-se um negócio jurídico que tem aparência normal. Parágrafo único. no CC/16. Você.00 (Caio Mário). A ANS. pede auxílio a outra embarcação. quedar-se-ia à mercê do hospital e compelido a emitir cheque. por meio da res. A existência do Estado de Perigo e da Lesão no direito civil brasileiro significa o respeito ao princípio da função social como forma de coibir abuso de poder econômico. também chamada “dissimulação”. proíbe a exigência desse tipo de caução estabelecendo que as denúncias deverão ser remetidas ao MPF. as partes celebram um negócio destinado a encobrir um outro negócio cujos efeitos são proibidos por lei. mas que. Tratando-se família do declarante. Exemplo: um navio está afundando. 2) Simulação relativa: na simulação relativa. pedindo para ser levado ao porto. no valor arbitrado pelo credor”. . não pretende atingir o efeito que juridicamente devia produzir. em verdade. Mas no CC/2002 (art. nos seus termos. pois acarretaria desequilíbrio entre as partes. O sujeito. 167) é causa de nulidade absoluta do negócio jurídico! OBS: O NCC não se aplica retroativamente aos negócios celebrados na vigência do código anterior. de pessoa não pertencente à juiz decidirá segundo as O Estado de Perigo é causa de anulação do negócio jurídico. Exemplo (STJ RESP 796. 44/03. SIMULAÇÃO: A simulação. O paciente em casos de necessidade. para salvar-se.739/MT): “Não é razoável em cheque dado como caução para tratamento hospitalar ignorar sua causa. de grave dano conhecido pela outra parte. gerava anulação do negócio jurídico. assume obrigação excessivamente onerosa. Existem duas espécies de simulação (em qualquer dos casos o negócio é nulo): 1) Simulação absoluta: é aquela em que se celebra um negócio jurídico destinado a não gerar efeito algum.

Com isso. o negócio se torna inexistente. 110. A reserva mental se configura quando o agente emite declaração de vontade resguardando o íntimo propósito de não cumprir o efeito jurídico pretendido. mas subsistirá o que se dissimulou. à luz do princípio da conservação. A primeira corrente doutrinária. Para ela. um empréstimo a juros extorsivos. e adotada no CCB. quando do pagamento. O contrato de parceria pecuária é o contrato simulado. 167. O que é reserva mental? Relaciona-se com a cogitatio. sendo de raiz psicológica. Art. defendida pelo Min. por ausência de manifestação de vontade. O STJ já pronunciou que o contrato de vaca-papel é SIMULADO (e. . o negócio torna-se inválido por dolo ou simulação. portanto. O que é contrato de vaca-papel? Trata-se de um contrato agrário (parceria pecuária). E qual é a conseqüência jurídica que decorre da manifestação da reserva. que. A segunda corrente (Carlos Alberto Gonçalves) afirma que. Há a simulação de empréstimo de vaca (que na verdade é o dinheiro. então. aproveitará o negócio dissimulado (art. que possibilita. e dela tomando conhecimento a outra parte. a manifestação de vontade deixa de existir (por não subsistir). salvo se dela o destinatário tinha conhecimento. ao argumento de que se trataria do resultado do investimento agropecuário. Como a simulação gera nulidade. art. considerando-se que o negócio nulo pode ser inclusive reconhecido de ofício de ofício pelo juiz. em verdade. 167 do CC). qualquer dos simuladores poderá impugnar o negócio em juízo (enunciado 294 da 4ª Jornada de Direito Civil). 441. 110. se válido for na substância e na forma. subsiste a manifestação de vontade. se o juiz puder. que doará à amante). Art. sustenta que tomando a outra parte ciência da reserva. Moreira Alves.51 Ex: um cidadão casado não pode doar bens à concubina. mascara (dissimula). NULO DE PLENO DIREITO) – Resp. ou seja. Enquanto a reserva mental não for exteriorizada.903/SP. A manifestação de vontade subsiste ainda que o seu autor haja feito a reserva mental de não querer o que manifestou. manifestada a reserva mental. já que não há vaca alguma). Simula. uma compra e venda (ou doa a um amigo. haveria a inexistência do negócio. um valor superior ao dos juros autorizados. É nulo o negócio jurídico simulado. o que se dá quando a outra parte toma conhecimento da reserva? Há duas correntes doutrinárias. No caso da simulação relativa.

A fraude contra credores pressupõe que a insolvência do devedor seja ATUAL ou IMINENTE. Trata-se de uma ação pessoal. É a ação pauliana. prejudicando credor preexistente. OBS: para se provar fraude no negócio oneroso. e o prazo decadencial é de 4 (quatro) anos. não pode ser alegada em Embargos de Terceiro. a sua vítima é específica (o credor preexistente). no Brasil. tanto o dano – que sempre tem de ser provado – como a máfé precisam ser provados)  é a hipótese da venda de um imóvel por um preço bastante inferior ao de mercado. contratos onerosos do devedor insolvente (aqui. dá também para ter fraude contra credores pela antecipação de pagamento a credor quirografário (sem garantia). Observações fundamentais: 1) A fraude contra credores. deve ficar provado também (CCB. Tradicionalmente. 159) ou que a insolvência do devedor era notória ou que havia motivo para ser conhecida do outro contratante. também chamada de ação revocatória. Ação pauliana: • Legitimidade ativa: credor preexistente. Isso porque existe uma ação específica contra fraude contra credores. por isso não há exigência de outorga uxória. além do consilium fraudis e do eventus damni. também haverá fraude pela outorga de garantia (ex: hipoteca) em prejuízo dos outros. não há um necessário disfarce e. remissão de dívida fraudulenta. Instrumentos comumente utilizados para fraude: doação. OBS: Existem duas diferenças básicas entre a fraude contra credores e a simulação: na fraude. é o credor sem garantia (quirografário) que tem . a fraude contra credores pressupõe dois requisitos: a) Consilium fraudis (má-fé) b) Eventus damni (prejuízo ao credor). como afirma a STJ. Maria Helena Diniz) costuma afirmar que alguns atos fraudulentos são tão graves que o requisito da má-fé é presumido. OBS: A doutrina (Marcos Bernardes de Mello. Exemplo mais comum de fraude contra credores é a doação para familiar de imóveis. Em geral.52 FRAUDE CONTRA CREDORES: Conceito: a fraude contra credores traduz a prática de um ato negocial que diminui o patrimônio do devedor. além disso.

• Natureza Jurídica da sentença na ação pauliana:  1ª corrente: a doutrina. fica claro que também o credor com garantia pode manejar a pauliana. Teori Zavascki): ela discorda da teoria anulatória e sustenta que.53 interesse e legitimidade na pauliana. Estando de boa-fé. apenas o afirma ineficaz em relação ao credor. do CCB. é o devedor insolvente. recentemente. ele não deverá integrar o pólo passivo.312-MS). Frederico Pinheiro. no primeiro momento. Sucede que. o credor deverá buscar outros bens do devedor. firmou a competência da Justiça Comum para analisar fraude contra credores mesmo que o crédito seja trabalhista – Conflito de Competência (CC) 74. 506. em relação a este. ainda. ficando as coisas como estão. este terceiro integrará o pólo passivo da lide se houve agido de má-fé. do CCB. em julgado de 14 de maio de 2008. Nelson Nery. ele é eficaz. Basta imaginar a hipótese em que o devedor consegue pagar o crédito por outro meio qualquer. • Legitimidade passiva: o réu. é contra legem.  2ª corrente (Yussef Said Cahali. na forma o artigo 165. a sentença pauliana é simplesmente declaratória da ineficácia relativa do negócio fraudulento (Resp. que a sentença na pauliana é desconstitutiva anulatória. como em geral a fraude se dá por meio de contrato. . que já tenha havido negócio com terceiro (alguém fora da relação jurídica base). 2) O STJ. Nessa hipótese. sustenta. Contudo. Em face de toda a coletividade. Esse Resp. Como é possível. É que a sentença não invalida o ato. Clovis Bevilacqua. há a possibilidade de litisconsórcio com o contratante. É a opção do legislador. O terceiro só deverá integrar a lide no pólo passivo se houver atuado de má-fé. se a garantia se tornou insuficiente. tradicionalmente (Moreira Alves. e diversos outros). nos termos do § 1º do artigo 158.528/SP. inclusive. em verdade.

A causa é a finalidade ou. O CCB/16 não tratava disso porque Clóvis Bevilacqua não gostava do causalismo. for OBS: Novidade do CCB/02.tiver por objetivo fraudar lei imperativa. . comum a ambas as partes. Art. II .for ilícito. Há uma diferença entre motivo [psicológico] e causa. Cariota Ferrara) é a função do negócio jurídico (não confundir com o motivo psicológico). locação de imóvel para criar uma casa de prostituição. impossível ou indeterminável o seu objeto. Já na fraude contra credores. podendo o juiz pronunciar a sua nulidade absoluta de ofício. A finalidade – se houver. A base da nulidade encontra-se no CCB. OBS: este inciso considera nulo o negócio jurídico quando a sua causa for ilícita. 166.não revestir a forma prescrita em lei (ex: alienação de imóvel acima de 30 salários mínimos – forma pública). IV . Nulidade absoluta: Artigos que disciplinam o negócio nulo na parte geral: CCB. A fraude à execução é mais grave. A nulidade absoluta é mais grave! b) Nulidade relativa (anulabilidade)  negócio anulável.o ilícito. 166. é preciso ler o dispositivo como se a causa do negócio for ilícita. V . Assim. 166 e 167. por exemplo. VI . ainda não existe demanda instaurada contra o devedor (Resp 685. A venda: finalidade – obter dinheiro. INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO a) Nulidade absoluta  negócio nulo.celebrado por pessoa absolutamente incapaz.54 3) Não se deve confundir a fraude contra credores com a fraude à execução. resguardado o direito de defesa e se configura quando já existe contra o devedor demanda capaz de reconhecer ou reduzi-lo à insolvência. A fraude à execução é instituto processual. 925/RS). É nulo o negócio jurídico quando: I . III . motivo determinante. Ambas pressupõem previsão legal e prejuízo. A causa é a razão típica do ato (Caio Mário).for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade (ex: casamento/testamento). como dizem os italianos (Ascarelli.

OBS: A lei não estipula legitimados específicos para impugnar o negócio nulo. 2ª parte). sempre que possível. pelo decurso do tempo. sem cominar sanção. deverá conservar ou manter um negócio impugnado por invalidade. apenas os efeitos da declaração. muito bem desenvolvido por autores como Marcos Bernardes de Mello. utilizando a expressão “QUALQUER interessado”. não prescreve. 3) O negócio nulo é imprescritível. É nulo o negócio jurídico simulado. Características do negócio nulo: 1) O negócio nulo pode ser pronunciado de ofício pelo juiz ou por provocação de qualquer interessado. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I .a lei taxativamente o declarar nulo. 182. ou pósdatados. § 2o Ressalvam-se os direitos de terceiros de boa-fé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. mantendo o restante da avença. ou transmitem. OBS: “Princípio da conservação”: o princípio da conservação. 169. Contudo. aplicável também à espécie.aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem. se válido for na substância e na forma. III . inclusive o Ministério Público (art. CCB). 169. É o exemplo da chamada “redução negócio jurídico”. mas subsistirá o que se dissimulou. II . prescrevem (CCB. sustenta que o juiz. confissão. condição ou cláusula não verdadeira.os instrumentos particulares forem antedatados. 167. em que o juiz afasta a cláusula inválida. Art. 1ª parte). conclui-se que a sentença que declara nulidade absoluta opera efeitos ex tunc.contiverem declaração.55 VII . ou seja. 168. 2) O negócio jurídico não admite confirmação (CCB. ou proibir-lhe a prática. não convalesce os efeitos patrimoniais A declaração da nulidade patrimoniais decorrentes 4) Nos termos do CCB. Nulidade relativa: .

o negócio anulável tem uma eficácia potencialmente temporária (interinística: enquanto não for alvo de exame judicial. 3) A despeito da polêmica (Maria Helena Diniz).no caso de coação. atos de incapazes. por exemplo. é anulável o negócio jurídico: I . II . estado de perigo ou lesão. estado de perigo. dolo. III . exigindo ação anulatória a ser proposta pelo legítimo interessado (CCB. Portanto.no de incapacidade.por incapacidade relativa do agente.56 A base do negócio anulável é o CCB. É de quatro anos o prazo de decadência para pleitearse a anulação do negócio jurídico. salvo se os outros descendentes e o cônjuge do alienante expressamente houverem consentido”. do CCB 496: “é anulável a venda de ascendente a descendente. perfilhamos o entendimento de Humberto Theodoro Jr. Ex. 171: Art. OBS: Hipótese de outra previsão. 171. 178 e 179). OBS: Para Pontes de Miranda. no sentido de que a sentença anulatória tem eficácia ex tunc. dolo. submetendose aos prazos decadenciais de lei (CCB. é hipótese assinalada de anulabilidade. 2) A ação anulatória é atingível pela decadência. II . do dia em que se realizou o negócio jurídico. a venda de ascendente a descendente (CCB 496).no de erro. Características do negócio anulável: 1) O negócio anulável não pode ser pronunciado de ofício pelo juiz. 178. coação. do dia em que cessar a Art. é aplicável o prazo de dois anos (está prejudicada a Súmula 494 do STF). irradia seus efeitos). 179.por vício resultante de erro. Art. Além dos casos expressamente declarados na lei. mas sem a indicação do prazo de decadência. 177). será este de dois anos. contado: I . É bom lembrar . lesão ou fraude contra credores. fraude contra credores. do dia em que ela cessar. sem estabelecer prazo para pleitear-se a anulação. Quando a lei dispuser que determinado ato é anulável. a contar da data da conclusão do ato [e não da ciência].

por exemplo. 182. O que é conversão do negócio jurídico inválido? A conversão está ligada ao princípio da conservação. CCB. 170. e. serão indenizadas com o equivalente (é efeito da sentença anulatória a restituição do status quo ante. Conceito: trata-se de uma medida sanatória do negócio inválido. salvo direito de terceiro. Art. assim. por ser ela uma forma de aproveitamento do negócio inválido. subsistirá este quando o fim a que visavam . Existe nulidade superveniente? Há autores. de que contra ele dispusesse o devedor. Art. Se. É o caso. a conversão tanto pode ser aplicável para o negócio nulo como para o anulável. A indenização é prevista apenas na hipótese da inviabilidade da restituição). ao disciplinar a conversão. Art. 174. como Martinho Garcez Neto. Anulado o negócio jurídico. ao argumento de que se pode para o mais poderia para o menos. restituir-se-ão as partes ao estado em que antes dele se achavam.57 que há autores de peso afirmando a eficácia ex nunc da sentença. convertendo-o em outra categoria de negócio válido. Art. 172 a 174). 175. O ato de confirmação deve conter a substância do negócio celebrado e a vontade expressa de mantê-lo. o negócio jurídico nulo contiver os requisitos de outro. João Alberto Del Nero elaborou tese de doutorado sobre isso. para o negócio anulável. acaba não havendo muita utilidade. 173. A confirmação expressa. Contudo. nos termos dos arts. dada a possibilidade de sua confirmação. 4) O negócio anulável admite confirmação (CCB. por meio da qual se aproveitam os elementos materiais do negócio jurídico. de um contrato sucessivo apanhado durante a execução por lei que passa a reputar seu objeto como ilícito. Art. ciente do vício que o inquinava. A nulidade ocorrerá a partir da superveniência da lei. que indicam esta possibilidade. 170. O CCB. Rachel Campani afirma que a conversão é uma forma de aproveitamento por meio de uma recategorização do negócio inválido. 172 a 174. optou por aplicá-la exclusivamente ao negócio nulo. não sendo possível restituí-las. Art. ou exceções. ou a execução voluntária de negócio anulável. O negócio anulável pode ser confirmado pelas partes. É escusada a confirmação expressa. quando o negócio já foi cumprido em parte pelo devedor. porém. Segundo a doutrina. sendo valido antes dela. importa a extinção de todas as ações. 172.

derivando exclusivamente da vontade das partes. por promessa de compra e venda. Converte-se a nulidade da venda por vício de forma. subordina o efeito do negócio jurídico a evento futuro e incerto. OBS: Fato passado não caracteriza condição. que não exige a forma pública. Classificação da condição: Quanto ao modo de atuação: a) Condição suspensiva . Ex. pois a morte é certa. 121. ou seja. Vício de forma. se cumpridas suas formas. a) Subjetivo: intenção das partes. A cláusula que estipula a condição deve derivar da vontade das partes (nunca da lei). b) incerteza. Também a doação post mortem que se converte em testamento. Considera-se condição a cláusula que.58 as partes permitir supor que o teriam querido. a morte pode transformar-se em condição quando a sua ocorrência é limitada no tempo. PLANO DE EFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO Aqui. b) Objetivo: é o aproveitamento material ou fático do negócio inválido. termo e encargo. Toda condição deriva da vontade das partes. teriam celebrado o negócio convertido. Vejamos o art. CONDIÇÃO: Conceito: é o acontecimento futuro e incerto que subordina o início ou o fim da eficácia jurídica do negócio. 121 do CC: Art. se houvessem previsto a nulidade. Modalidades  condição. se houvessem previsto a nulidade. Requisitos da conversão: a conversão exige dois requisitos. um objetivo e outro subjetivo. não. A morte é uma condição? Em regra. estudamos os elementos acidentais do negócio jurídico. Todavia. Toda tem duas características: a) futuridade. contrato de compra e venda de um imóvel de R$ 500 mil (acima de 30 salários) por escritura particular. Tem que ficar provado isso.

a sua realização. em havendo pagamento. 128. enquanto não implementada a condição suspensiva. Sobrevindo a condição resolutiva. 122 do CC são lícitas. A condição puramente potestativa é arbitrária. é possível o pedido de devolução. Se for resolutiva a condição. em geral. à luz da regra do art. é importante frisar que. derivando do capricho ou da vontade exclusiva de uma das partes (ex: . não implementada a condição suspensiva. 127 e 128. desde que compatíveis com a natureza da condição pendente e conforme aos ditames de boa-fé. uma vez que ainda não há direitos e obrigações recíprocos. 125. como também é ilícita a condição puramente potestativa. ao passo que a condição resolutiva é aquela que resolve os efeitos jurídicos até então produzidos pelo negócio. a ordem pública ou os bons costumes (ex: é ilícita a condição que viola o meu direito de ir e vir). o negócio jurídico ainda não terá produzido direitos e obrigações recíprocos. extingue-se. O direito brasileiro considera ilícita também a condição perplexa (que é aquela contraditória em seus próprios termos. Art. salvo disposição em contrário. podendo exercerse desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido. não tem eficácia quanto aos atos já praticados. vigorará o negócio jurídico. para todos os efeitos. que. toda condição que não contrariar a lei. Art.59 b) Condição resolutiva Condição suspensiva é aquela que subordina o início da eficácia jurídica do negócio (direitos e obrigações). 127. A condição resolutiva está prevista nos arts. Nos termos do art. A condição puramente potestativa (ilícita) não se confunde com a condição simplesmente potestativa (lícita). enquanto esta se não realizar. o direito a que ela se opõe. OBS: Lembra-nos Caio Mário. 125. se aposta a um negócio de execução continuada ou periódica. Quanto à licitude: a) Condições lícitas b) Condições ilícitas Nos termos do art. que priva o negócio jurídico de efeitos – ex: eu celebro com você um contrato de locação residencial sob a condição de você não morar). mas.

concluímos que a condição ilícita ou de fazer coisa ilícita invalida todo o negócio. OBS: Nos termos do art. caso ele consiga ser o artilheiro do campeonato). 123 c/c art. Quanto à origem: a) Condições casuais: a condição é acontecimento é um evento da natureza. Na condição simplesmente potestativa. sob a condição de você formar sociedade com o meu irmão – depende da vontade do cara e do meu irmão).60 “efetuarei o pagamento se. mas o próprio sistema jurídico admite (ex: art. eu quiser”). subordina o Características: futuridade e certeza (quanto à ocorrência do fato). . 49 do CDC – prazo de reflexão – “prazo de 7 dias para ver se gosta ou não do produto”). Termo certo: você sabe que o fato vai ocorrer e sabe a data que vai ocorrer. o jogador quebra a perna – o negócio fica impossibilitado). caso ele consiga ser o artilheiro do campeonato. VII. casual quando o b) Condições mistas: a condição é a que deriva da vontade da parte e de um terceiro (ex: eu vou lhe dar o capital de que você precisa. Termo incerto: você sabe que o fato vai ocorrer. mas não sabe quando. OBS: Existem situações no direito brasileiro em que aparentemente há condição puramente potestativa (ilícita). c) Condições potestativas: pode ser puramente potestativa ou simplesmente potestativa (já vimos). aliando-se a outros fatores circunstanciais (ex: um clube de futebol promete um prêmio ao seu atacante. TERMO: Conceito: é o acontecimento futuro e certo que início ou o fim dos efeitos jurídicos do negócio. no decorrer do campeonato. 166. não há o arbítrio. Questão especial de concurso: O que é condição promíscua? Trata-se da condição que nasce simplesmente potestativa e se impossibilita depois (ex: um clube de futebol promete um prêmio ao seu atacante. na época do vencimento. uma vez que a condição referida não deriva da vontade exclusiva da parte.

A doação é um exemplo típico de aplicação do modo ou encargo. Atenção aos arts. processual e abstrato de pedir ao Estado um provimento jurisdicional) não prescreve nunca! E o que prescreve? É a denominada pretensão. 137. celebrado o negócio. Classificação: a) Termo convencional: deriva da vontade das partes. 136 e 137 (muito cobrados em provas objetivas de concursos públicos): Art. 131 do CC: Art. Vale dizer. fixado pelo magistrado na decisão ou na sentença. O termo inicial aquisição do direito. SALVO quando expressamente imposto no negócio jurídico. Qual é a natureza jurídica do tempo? O tempo é um fato jurídico em sentido estrito. O direito de ação (que é um direito público. Considera-se não escrito o encargo ilícito impossível. Pretensão é . 136. O encargo não suspende a aquisição nem o exercício do direito. Vejamos o art. Art. Este é um dos maiores equívocos da história do direito civil. b) Termo legal: deriva da própria lei (no campo tributário é muito comum). mas não a OBS: Se o encargo for ilícito e se constituir na própria finalidade do negócio. ou da suspende o exercício. as partes já têm desde já direitos e obrigações recíprocos. MODO OU ENCARGO: Conceito: é um ônus que se atrela a uma liberalidade (Pablo Stolze). c) Termo de graça: é o termo judicial.61 OBS: Diferentemente da condição suspensiva. posto ainda não exigíveis. todo este será invalidado (NULO). SALVO se constituir o motivo determinante liberalidade. como condição suspensiva. mas não a aquisição do direito. Há um dogma do direito clássico que precisa ser desmistificado: “a ação está prescrita” ou a “prescrição ataca a ação”. pelo disponente. caso em que se invalida o negócio jurídico. 131. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA O decurso do tempo é o fundamento da prescrição e da decadência. o termo inicial suspende o exercício.

no art. II . O NCC regula os prazos prescricionais em apenas dois artigos: 205 (prazo extintivo máximo de 10 anos) e 206 (prazos especiais).a pretensão contra os peritos. Prescreve: § 1o Em um ano: I . contado da publicação da ata da assembléia que aprovar o laudo. pela avaliação dos bens que entraram para a formação do capital de sociedade anônima. 206. Todos os outros prazos do Código são decadenciais! Art. § 2o Em dois anos.a pretensão do segurado contra o segurador. no caso de seguro de responsabilidade civil. pela percepção de emolumentos. árbitros e peritos. Art. da data em que é citado para responder à ação de indenização proposta pelo terceiro prejudicado. 205 e 206. quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. para o pagamento da hospedagem ou dos alimentos.a pretensão dos hospedeiros ou fornecedores de víveres destinados a consumo no próprio estabelecimento. nasce para o titular a pretensão.a pretensão dos credores não pagos contra os sócios ou acionistas e os liquidantes. b) quanto aos demais seguros. contado o prazo: a) para o segurado. O CC. Violado o direito. Este poder jurídico nasce quando seu direito à prestação é violado e morre no último dia do prazo prescricional. V . 189.62 o poder jurídico conferido ao credor de coercitivamente exigir o cumprimento da prestação. com a anuência do segurador. a pretensão para haver alimentares. a qual se extingue. IV . prestações . auxiliares da justiça. ou a deste contra aquele. III . serventuários judiciais. prescrição: 189 faz importantes considerações acerca da Art. pela prescrição. ou da data que a este indeniza. custas e honorários. 205. A prescrição ocorre em dez anos. a partir da data em que se vencerem. nos prazos a que aludem os arts. contado o prazo da publicação da ata de encerramento da liquidação da sociedade. da ciência do fato gerador da pretensão.a pretensão dos tabeliães.

ou da reunião ou assembléia geral que dela deva tomar conhecimento.a pretensão para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias. dividendos ou quaisquer prestações acessórias. c) para os liquidantes. contado o prazo da conclusão dos serviços. § 5o Em cinco anos: I . correndo o prazo deliberada a distribuição. a pretensão relativa à tutela. III . no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório. em períodos não maiores de um ano. da primeira assembléia semestral VIII . do balanço referente ao exercício em que a violação tenha sido praticada. pagáveis. ou fiscais. a contar da data da aprovação das contas.a pretensão rústicos. a contar do vencimento. relativa a aluguéis de prédios urbanos ou II .a pretensão para haver o pagamento de título de crédito.63 § 3o Em três anos: I .a pretensão dos profissionais liberais em geral. curadores e professores pelos seus honorários. IX . V . da publicação dos atos constitutivos da sociedade anônima. com capitalização ou sem ela.a pretensão de reparação civil. b) para os administradores. aos sócios. contado o prazo: a) para os fundadores. posterior à violação. procuradores judiciais. II .a pretensão do beneficiário contra o segurador. da .a pretensão contra as pessoas em seguida indicadas por violação da lei ou do estatuto. § 4o Em quatro anos.a pretensão de restituição dos recebidos de má-fé.a pretensão de ressarcimento de enriquecimento sem causa. lucros ou dividendos da data em que foi VII . e a do terceiro prejudicado.a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular. da apresentação. ressalvadas as disposições de lei especial.a pretensão para haver juros. VI . IV .

Quando o direito potestativo tiver prazo. direito potestativo é um direito de sujeição. na constância da sociedade conjugal. Existem prazos decadenciais legais e prazos decadenciais convencionais! Ex: prazo para exercer o direito de anular o negócio jurídico por vício (como erro ou dolo)  prazo decadencial legal de 4 anos. que também é conhecida como caducidade. são exclusivamente legais! Os prazos prescricionais submetem-se a causas impeditivas. e durante seus o poder ou III .64 cessação dos respectivos contratos ou mandato.contra os incapazes de que trata o art. 3o. 202: Art. prazo de arrependimento e desistência do contrato (ex: 30 dias) fixado em uma cláusula contratual  prazo decadencial convencional. esse prazo sempre será DECADENCIAL! Ou seja. OBS: Os prazos prescricionais. As causas que (prazo que prescricional interrompem o impedem (o prazo não começa a correr) e suspendem estava correndo e fica paralisado) o prazo estão nos arts. 26 do CDC). Direito potestativo. suspensivas ou interruptivas. Art.entre familiar. Os decadenciais. Em outras palavras. durante a tutela ou curatela. com base na doutrina do professor Francisco Amaral. A decadência. Já as causas que prazo prescricional estão previstas no art. diferentemente dos decadenciais. Também não corre a prescrição: tutores I . III . apenas por exceção (art. não tem nada a ver com pretensão. II . não tem nada a ver com direito a prestação violado. . 197.entre os cônjuges. prazos decadenciais são prazos para exercício de direito potestativo. ascendentes e descendentes. 197 a 199 do CC.entre tutelados ou curatelados curadores. ou seja. A decadência tem conexão com os direitos potestativos. Não corre a prescrição: I . 198.a pretensão do vencedor para haver do vencido o que despendeu em juízo. é apenas um direito que traduz poder de interferência na esfera jurídica alheia sem prestação correspondente.

202. II .por protesto cambial. dar-se-á: prescrição. A interrupção da ocorrer uma vez. interpelação). se o interessado a promover no prazo e na forma da lei processual. dos Estados ou dos Municípios. II . Características fundamentais da prescrição e decadência: .por protesto.não estando vencido o prazo. OBS: Este inciso prejudicou a Súmula 153 do STF.pela apresentação do título de inventário ou em concurso de credores. Não corre igualmente a prescrição: I . Consumado o prazo prescricional. Causas que interrompem o prazo prescricional: Art. III .contra os ausentes do País em serviço público da União. III .por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor (ex: notificação. nas condições do inciso antecedente. 199.contra os que se acharem servindo nas Forças Armadas. A prescrição interrompida recomeça a correr da data do ato que a interrompeu.por qualquer ato inequívoco. que ordenar a citação. que somente poderá I .por despacho do juiz. Art. ele recomeça a A prescrição é. ainda que extrajudicial. em essência. ou do último ato do processo para a interromper. III . já era pro credor. uma matéria de interesse e de defesa do devedor. que importe reconhecimento do direito pelo devedor.65 II . Parágrafo único.pendendo ação de evicção. VI .pendendo condição suspensiva. que dizia exatamente o contrário! IV . Quando o prazo prescricional contar do zero! é interrompido. crédito em juízo de V . em tempo de guerra. mesmo incompetente.

192). na data de sua entrada em vigor. . 219 p. O art. e só valerá. por serem legais. 2. sem prejuízo de terceiro. Detalhe: no CC/16 eram longos 20 anos! OBS: Art. não podem ser alterados pela vontade das partes (art. depois que a prescrição se consumar. Mas como conciliar esta regra com o art. Caso o devedor permaneça silente.028 do CC: Art. 219 p.028. quando reduzidos por este Código. tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado. o juiz. que não foi revogado (Enunciado 295 da 4ª Jornada de Direito Civil)? A prescrição nunca deixou de ser matéria de defesa (ele pode renunciar à prescrição). renunciar à prescrição). este é o prazo prescricional para as ações de responsabilidade civil em geral). 2. OBS: PRAZO DE PRESCIÇÃO DA AÇÃO DE DANOS MORAIS  3 ANOS (inclusive. de Os 3) A prescrição pode ser reconhecida de ofício pelo juiz? Sim. e se. Serão os da lei anterior os prazos. já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na lei revogada. 191 do CC (“a renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita. prazos decadenciais também. 5º do CPC. considerando que a prescrição é matéria de defesa. OBS: O entrada – RESP incidir prazo menor superveniente deve ser contado a partir da em vigor da lei nova (o STJ já pacificou o entendimento 896. incompatíveis com a prescrição”). Já os prazos decadenciais convencionais poderão ser modificados. 5º do CPC (“o juiz pronunciará de ofício a prescrição”) não deixa margem para dúvidas. Seguindo a doutrina de Pablo Stolze. à luz do princípio da cooperatividade. conciliando o art. abra prazo ao credor e ao devedor para suas manifestações (podendo o devedor. inclusive. sendo feita.66 1) Os prazos prescricionais. o juiz poderá pronunciá-la de ofício.  exclui-se o dia de Contagem dos prazos no direito civil início e inclui-se o dia do fim.635/MT – no sentido de que o prazo diminuído deve a partir da entrada em vigor do NCC). 193). 2) A prescrição pode ser alegada em qualquer grau jurisdição pela parte a que aproveita (art. é recomendável que. Pela mesma razão. os prazos decadenciais legais também não. 191 do CC com o art. O objetivo deste dispositivo é tornar mais dinâmico o processo.

STJ – AgRg no Ag 618. OBS: Existe um tipo de obrigação de natureza híbrida. IPTU. E no âmbito do processo civil? Cabe ao juiz reconhecer a prescrição intercorrente? No processo civil brasileiro. especialmente porque a paralisação do feito é imputável ao próprio Poder Judiciário (Súmula 106 do STJ. trata-se de uma relação jurídica com característica pessoal e real (trata-se de exceção à regra de que as obrigações têm natureza estritamente pessoal)  estamos falando na chamada obrigação “propter rem” ou “ob rem” (conceitualmente. Vejamos agora duas situações especiais / excepcionais de prescrição intercorrente no processo civil: 1) Segundo o prof. ou seja. OBS: A Súmula 150 do STF sustenta que o prazo de prescrição da pretensão executória é o mesmo da pretensão de conhecimento. na fase cognitiva. 4º). 40 p. a prescrição da pretensão executória. fundada em título executivo judicial (obrigação por quantia certa) começará a correr a partir do dia em que ficar evidenciada a violação do direito do credor. após a pretensão ser formulada em juízo.051/04. 2) Súmula 264 do STF (“verifica-se a prescrição intercorrente pela paralisação da ação rescisória por mais de cinco anos”). a prescrição intercorrente passou a ser expressamente admitida (art. ou seja. não se admite prescrição intercorrente. DIREITO DAS OBRIGAÇÕES OBS: Nessa matéria é muito importante ler o CC. regra geral. pois caem os dispositivos em sua literalidade nas provas de concursos. após a edição da lei 11. Salomão Viana.67 O que é prescrição intercorrente? A prescrição intercorrente é a que se dá dentro do processo. Conceito: O direito das obrigações é o conjunto de normas que disciplina a relação jurídica patrimonial entre credor e devedor. fazer ou não fazer. . certificada na sentença.909/PE). Ex: taxa de condomínio. trata-se de uma obrigação que se une a uma coisa. que alterou a Lei de Execução Fiscal (LEF). acompanhando-a). IPVA. impondo a este último uma prestação de dar. OBS: no direito tributário. Ex: o processo em que você formulou uma pretensão de cobrança ficou parado por 5 anos.

Mas. A obrigação de eficácia real traduz uma prestação com oponibilidade erga omnes (ex: locação registrada no cartório de imóveis – art. Estrutura da relação obrigacional: 1) Elemento ideal (também chamado por alguns autores de elemento espiritual)  é o vínculo abstrato que une o credor ao devedor.  obrigação significa dever Sentido amplo  obrigação traduz a própria relação jurídica obrigacional que vincula credor e devedor. 2) Um ato não negocial (ex: vizinhos). quase-contrato. Clóvis Bevilaqua. Para a doutrina moderna. satisfativa do direito do credor (prestação de dar. Considerações terminológicas: 1) A palavra “obrigação” pode assumir duas acepções: • • Sentido estrito jurídico. Para a obrigação ser perfeita. fazer e não fazer). Antunes Varela) costumam dizer que sim. a prestação tem que ser lícita. 3) Um ato ilícito. possível. 3) Elemento objetivo  prestação (é o núcleo/o coração da relação obrigacional). OBS: A indeterminabilidade dos sujeitos da relação obrigacional é sempre relativa / temporária. delito (ilícito doloso). obrigação “propter rem”. 8º da Lei 8. A prestação é a atividade do devedor. há situações que escapam a essa regra (concepção . Ex: título ao portador. ao menos. OBS: A classificação (de fontes das obrigações) clássica de Gaio. ao menos.245/91). quase-delito (ilícito culposo). Questão especial de concurso: A patrimonialidade é característica essencial da prestação? Os autores clássicos (Orlando Gomes.68 OBS: Não posso confundir obrigação “propter rem” com obrigação de eficácia real. Shuld = débito (ou dever). 2) Elemento subjetivo  sujeitos da relação obrigacional (devem ser determinados ou. a fonte da obrigação pode ser: 1) Um ato negocial. determinável. determinada ou. a despeito de não mais ser utilizada. determináveis). 2) Haftung = responsabilidade. não pode ser esquecida  contrato.

em vez de pegar o extintor de incêndio e apagar o fogo. Ex: colisão de veículos  ato ilícito  surge a obrigação  Pablo sai para buscar ajuda  Fred percebe que sai fumaça do capô de seu carro e. Interferência do princípio da eticidade (boa-fé objetiva) na relação obrigacional: 1) Duty to mitigate  dever de mitigar. impõe-se ao credor o dever de mitigar o dano sob pena de perda da indenização correspondente. Pontes de Miranda dá o exemplo de uma obrigação assumida em testamento de cremar o corpo do de cujus.69 moderna e majoritária). 2) Droit de suite  direito de seqüência. CLASSIFICAÇÃO DAS OBRIGAÇÕES: Classificação básica: a) Obrigação positiva • • • De dar coisa certa De dar coisa incerta De fazer b) Obrigação negativa • De não fazer Classificação especial: a) Obrigação solidária b) Obrigação alternativa c) Obrigação divisível/indivisível d) Obrigação facultativa e) Obrigação de meio/de resultado . Sob o influxo do princípio da boa-fé na relação obrigacional. O direito de seqüência reconhece ao artista plástico e seus sucessores um crédito (participação) no aumento do preço nas sucessivas revendas da obra de arte. pensa: “para mim é melhor que o carro exploda para eu ganhar um novo”  OFENSA AO DUTY DO MITIGATE.

se perder antes da tradição. Conceito: obrigação de dar coisa certa significa obrigação de dar coisa determinada / especializada / qualificada. fica resolvida a obrigação para ambas as a perda resultar de culpa do devedor. 235. ou aceitar a coisa no estado em que se acha. antes da tradição. cabendo ao credor os pendentes. salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso. sem culpa do devedor. pelos quais poderá exigir aumento no preço. Art. e esta. a condição partes. responderá este pelo equivalente. Art. bem como “restituir a posse e a propriedade”. abatido de seu preço o valor que perdeu. 237.70 Vamos à análise de cada uma das classificações. 238. não sendo o devedor culpado. Se a coisa restituível se deteriorar sem culpa do devedor. observar-se-á o disposto . ressalvados os seus direitos até o dia da perda. Até a tradição pertence ao devedor a coisa. se este pelo Art. obrigação de “dar” significa “prestação de coisas”. poderá o credor exigir o equivalente. OBRIGAÇÃO DE DAR COISA CERTA: Em direito das obrigações. Art. Mas. recebê-la-á o credor. ou pendente suspensiva. em qualquer desses sentidos. Art. Se a coisa se perder por culpa do devedor. mais perdas e danos. Art. com direito a reclamar. Se. Parágrafo único. com os seus melhoramentos e acrescidos. Deteriorada a coisa. ou aceitar a coisa. responderá equivalente e mais perdas e danos. tal qual se ache. 239. 234. Vejamos os dispositivos do CC: Art. e a obrigação se resolverá. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados. se o credor não anuir. 236. a coisa sem culpa do devedor. como também pode significar “entregar a posse”. Sendo culpado o devedor. Os frutos percebidos são do devedor. Art. 240. sofrerá o credor a perda. “dar” pode significar “transferir propriedade”. indenização das perdas e danos. se perder. poderá o devedor resolver a obrigação. em um ou em outro caso. poderá o credor resolver a obrigação. 233. sem direito a indenização. Se a obrigação for de restituir coisa certa. no caso do artigo antecedente. se por culpa do devedor.

ainda que mais valiosa. 241. lucrará o credor. desobrigado de indenização. o disposto neste Código. Se. a coisa perece para o dono (res perit domino). sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa. dizendo que é muito aberta. Art. 234. se o contrário não resultar do título da . indicada apenas pela espécie e quantidade. conseqüentemente haverá a obrigação de pagar perdas e danos. Quanto aos frutos percebidos. regra geral. 243. Nas coisas determinadas pelo gênero (a doutrina critica essa expressão “gênero”. 242. Na forma da primeira parte do art. havendo culpa. pois a regra é o pagamento por inteiro). no entanto. dispõe que.71 no art. Parágrafo único. OBS: Em caso de perda ou deterioração da coisa por caso fortuito ou força maior. o caso se regulará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de má-fé. OBRIGAÇÃO DE DAR COISA INCERTA Segundo o prof. ao menos. a escolha pertence ao devedor. ele responderá pelo preço + perdas e danos. havendo culpa do devedor. no que tange à responsabilidade pela coisa nas obrigações de dar é no sentido de que. 238. acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé. em sua parte final. NINGUÉM TEM DIREITO AO PARCELAMENTO (o credor pode não aceitar isso. Álvaro Villaça de Azevedo. o credor não está receber prestação diversa. OBS: Nos termos do art. melhor seria ter dito “espécie”) e pela quantidade. O princípio fundamental do direito obrigacional. 314). 244. obrigado a OBS: Ainda que a prestação seja divisível. a regra geral é no sentido de que o credor não deve receber por partes (art. no caso do art. o artigo. Art. faltando a qualidade da coisa. do mesmo modo. 313. operada a perda da coisa por caso fortuito ou força maior. pelo gênero e pela quantidade. a obrigação é simplesmente resolvida. Se para o melhoramento. sem despesa ou trabalho do devedor. Art. ou aumento. observar-se-á. 239. A coisa incerta será indicada. empregou o devedor trabalho ou dispêndio. Art. a obrigação de dar coisa incerta é uma obrigação genérica.

Em caso de urgência. executar ou mandar executar o fato. o art. 245. pode o credor. Ainda (também chamada de média. Vale lembrar. 249. 246 impede que o devedor descumpra a obrigação por caso fortuito ou força maior. OBS: No direito obrigacional. mas não poderá dar a coisa pior. sendo depois ressarcido. Antes da escolha. ainda que por força maior ou caso fortuito. nem será obrigado a prestar a melhor. sob o argumento de que o gênero é imperecível. Art. 247. sem prejuízo da indenização cabível (obrigação de fazer não personalíssima). OBRIGAÇÃO DE NÃO FAZER Conceito: a obrigação de não fazer tem por objeto uma prestação negativa. que o legislador firmou o princípio de que o gênero não perece! Antes da escolha. Isso está segundo este mesmo artigo. OBRIGAÇÃO DE FAZER Na obrigação de fazer interessa ao credor a própria atividade do devedor. Ex: obrigação de não construir acima de determinada altura (se esta obrigação for levada a registro público. 246. pode-se caracterizar uma servidão). o devedor (parte mais fraca). ou seja. Art. vigorará o disposto na Seção antecedente (obrigação de dar coisa certa). será livre ao credor mandá-lo executar à custa do devedor. ou só por ele exeqüível (obrigação de fazer personalíssima). . não poderá o devedor alegar perda ou deterioração da coisa. Essas obrigações de não fazer podem decorrer do princípio da boa-fé objetiva. Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor. 244. resolver-se-á a obrigação. 246. Cientificado da escolha o credor. regra geral. Art. Incorre na obrigação de indenizar perdas e danos o devedor que recusar a prestação a ele só imposta. Art. havendo recusa ou mora deste. se por culpa dele. responderá por perdas e danos (essa é uma regra clássica). a abstenção de um fato. Parágrafo único. independentemente de autorização judicial.72 obrigação. Se o fato puder ser executado por terceiro. nos termos do art. Pode ser personalíssima ou não personalíssima. a escolha concentração do débito) deve ser feita pela quem faz a escolha é no art. Art. 248.

na mesma obrigação concorre uma pluralidade de credores ou devedores. portanto. Alguns autores. é devedor de Paulo. A solidariedade não se presume. diferenciam obrigação solidária de obrigação in solidum. o devedor pode pagar toda a dívida a um credor só). e condicional. a cuja abstenção se obrigara. Extingue-se a obrigação de não fazer. Ex: João causou um incêndio na casa de Paulo. sem culpa do devedor. A obrigação in solidum é aquela em que os devedores encontram-se vinculados pelo mesmo fato. Há solidariedade.73 Guilherme Nogueira da Gama lembra que a obrigação de não fazer pode ser temporária. não havendo necessária solidariedade entre eles. para o outro. ex: a administração pública me obrigou a construir um muro que eu havia me comprometido com meu vizinho a não construir – fato do príncipe). Mas. 264. 265. o credor pode exigir dele que o desfaça. independentemente de autorização judicial. desde que. se lhe torne impossível abster-se do ato. cada um com direito. Segundo Roberto de Ruggiero. poderá o credor desfazer ou mandar desfazer. Art. Parágrafo único. Praticado pelo devedor o ato. Art. resulta da lei ou da vontade das partes. 266. ou obrigado. ou a prazo. não há perdas e danos. a exemplo de Silvio Venosa e do argentino Guillermo Borda. 251. quando na mesma obrigação concorre mais de um credor. que se obrigou a não praticar (não há culpa – portanto. OBS: Quando o examinador do concurso não disser nada. havia um contrato de . Art. à dívida toda. Art. cada um com direito ou obrigado à dívida toda. ou pagável em lugar diferente. Em caso de urgência. ressarcindo o culpado perdas e danos. Art. a obrigação de pagar R$ é fracionária (pois a solidariedade não se presume). OBRIGAÇÕES SOLIDÁRIAS Conceito: existe solidariedade quando. A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos co-credores ou co-devedores. sob pena de se desfazer à sua custa. 250. sem prejuízo do ressarcimento devido (autotutela). ou mais de um devedor. na solidariedade é como se houvesse uma unidade da obrigação (o credor pode cobrar toda a dívida de um devedor só.

Art. Convertendo-se a prestação em perdas subsiste. 273. a qualquer daqueles poderá este pagar. cada um destes só terá direito a exigir e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário.se que são solidários se o contrário não se estipulou. 268. a menos que se funde em exceção pessoal ao credor que o obteve.245/91 Havendo mais de um locador ou mais de um locatário. a solidariedade. SOLIDARIEDADE PASSIVA A solidariedade passiva solidariedade ativa. Art. A um dos credores solidários não pode o devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros. 272. Exemplo de solidariedade ativa estabelece entre os correntistas (RESP 708. Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros. Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da prestação por inteiro. 274. Art. Enquanto alguns dos credores solidários não demandarem o devedor comum. O pagamento feito a um dos credores extingue a dívida até o montante do que foi pago. O julgamento contrário a um dos credores solidários não atinge os demais. 271. o julgamento favorável aproveita-lhes. 2º da Lei 8. para todos os efeitos. Art.612/RO). Art.74 seguro entre Paulo e uma seguradora. solidários Art. 270. convencional é a que se em conta corrente conjunta Exemplo de solidariedade ativa por força de lei  art. SOLIDARIEDADE ATIVA Art. 269. entende . é muito mais abrangente do que a . Art. 2º da Lei do Inquilinato: Art. O credor que tiver remitido a dívida ou recebido o pagamento responderá aos outros pela parte que lhes caiba (qualquer dos credores solidários pode receber tudo ou PERDOAR toda a dívida). salvo se a obrigação for indivisível. 267. e danos. Não existe solidariedade entre a seguradora e João.

Art. condição ou obrigação adicional. 275. de alguns ou de todos os devedores (renúncia). Parágrafo único. Parágrafo único. sendo pessoais. Todos os devedores respondem pelos juros da mora. Art. Art. Art. . salvo se a indivisível. se o pagamento tiver sido parcial. nenhum que corresponder obrigação for considerados como devedores. estipulada entre um dos devedores solidários e o credor. senão até à concorrência da quantia paga ou relevada (remissão). O credor pode renunciar à solidariedade em favor de um. a dívida comum. 281. 282. 276. 279. Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários. 280. 277. OBS: No que tange à responsabilidade dos devedores solidários. não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento destes. se o houver. todos os demais devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto. 283. Qualquer cláusula. mas pelas perdas e danos só responde o culpado. O devedor demandado pode opor ao credor as exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos. dividindo-se igualmente por todos a do insolvente. O pagamento parcial feito por um dos devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores. 278. Se um herdeiros. mas o culpado responde aos outros pela obrigação acrescida. subsistirá a dos demais. respondendo o culpado pelas perdas e danos. não podem ser aproveitadas pelo outro devedor. Art. ainda que a ação tenha sido proposta somente contra um. Se o credor exonerar da solidariedade um ou mais devedores. O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos co-devedores a sua quota. Art. subsiste para todos o encargo de pagar o equivalente. o art. Art. parcial ou totalmente. 279 do CC estabelece a mantença da solidariedade pelo valor devido. não lhe aproveitando as exceções pessoais a outro co-devedor. Não importará renúncia da solidariedade a propositura de ação pelo credor contra um ou alguns dos devedores. O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores.75 Art. OBS: Quanto às defesas do devedor. dos devedores solidários falecer deixando destes será obrigado a pagar senão a quota ao seu quinhão hereditário. mas todos reunidos serão um devedor solidário em relação aos demais Art.

abatendo-se a quota do devedor beneficiado. Questões especiais envolvendo solidariedade passiva: 1) A obrigação de pagar alimentos é. Min. 284. pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente. DEVEDOR. decidirá o juiz. Art. não havendo acordo unânime entre eles. a escolha cabe ao § 1o Não pode o devedor obrigar o credor a receber parte em uma prestação e parte em outra. 252.565/SP – rel. se outra coisa não se estipulou. Ou seja. tem por objeto duas ou mais prestações. em geral. 285. Se a dívida solidária interessar exclusivamente a um dos devedores.902/DF) no sentido de que a solidariedade entre o proprietário e o condutor do veículo pelo fato da coisa. 2) Existe entendimento no STJ (RESP 577. ou seja. § 4o Se o título deferir a opção a terceiro. faculdade de opção poderá ser exercida em cada período. findo o prazo por este assinado para a deliberação. Art. havendo renúncia da solidariedade. mas existe previsão de solidariedade passiva no estatuto do idoso (STJ – RESP 775. as devedores. conjunta. partes de todos os co- Art. 3) Não posso confundir remissão com renúncia à solidariedade (art. 277 e 282 do CC). responderá este por toda ela para com aquele que pagar. . a § 3o No caso de pluralidade de optantes. § 2o Quando a obrigação for de prestações periódicas. Nancy Andrighi). OBRIGAÇÃO ALTERNATIVA Conceito: é aquela que tem objeto múltiplo.76 presumindo-se iguais. o idoso pode escolher o parente que lhe pagará alimentos. os outros devedores continuam vinculados solidariamente. contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo credor. e este não quiser. No caso de rateio entre os co-devedores. Nas obrigações alternativas. sendo que o devedor se exonera cumprindo apenas uma delas (uma ou outra). no débito. OBS: O enunciado 349 da jornada de direito civil deixa claro que.

facultando-se. Se. quantos os credores ou devedores. Art. diferencia obrigação alternativa de obrigação facultativa. Se. Exemplo de uma obrigação natureza: dar dinheiro. cada um será obrigado pela dívida toda. . 259. não se puder cumprir nenhuma das prestações. o credor não tem poder para forçar o devedor a cumprir a obrigação facultativa. 256. com perdas e danos. A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis de divisão.77 ou não puder exercê-la. por culpa do devedor. Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em obrigação divisível. por culpa do devedor. por sua natureza. poderá o credor reclamar o valor de qualquer das duas. 258. caberá ao juiz a escolha se não houver acordo entre as partes. Se uma das duas prestações não puder ser objeto de obrigação ou se tornada inexeqüível. se. Nesta última. havendo dois ou mais devedores. além da indenização por perdas e danos. ou dada a razão determinante do negócio jurídico. divisível por excelência / por Art. 253. iguais e distintas. não competindo ao credor a escolha. ao devedor a substituição do objeto do pagamento. por motivo de ordem econômica. OBRIGAÇÕES DIVÍSIVEIS E INDIVISÍVEIS As obrigações divisíveis são aquelas que admitem cumprimento fracionado. esta presume-se dividida em tantas obrigações. Quando a escolha couber ao credor e uma das prestações tornar-se impossível por culpa do devedor. ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou. Caso o objeto da obrigação pereça. extinguir-se-á a obrigação. mais as perdas e danos que o caso determinar. todavia. 254. 255. Art. ambas as prestações se tornarem inexeqüíveis. 257. Art. a despeito da omissão do CC. Art. OBS: A doutrina. 257 e 258 do CC). Art. ao passo que as divisíveis só podem ser cumpridas por inteiro (arts. a prestação não for divisível. há uma obrigação simples. subsistirá o débito quanto à outra. o credor terá direito de exigir a prestação subsistente ou o valor da outra. Se todas as prestações se tornarem impossíveis sem culpa do devedor. Art.

262. poderá cada um destes exigir a dívida inteira. no caso de Art. O devedor. § 1o Se. Exemplos clássicos da dívidas de jogo (art. mas existe um efeito conferido pelo sistema jurídico à obrigação natural  irrepetibilidade do pagamento (“soluti retentio”). que voluntariamente se pagou. dando este caução de ratificação dos outros Art. 260.78 Parágrafo único. responderão todos por partes iguais. 814 do CC: Art. ou seja. a cada um dos outros assistirá o direito de exigir dele em dinheiro a parte que lhe caiba no total. Parágrafo único. 814 do CC). para efeito do disposto neste artigo. § 2o Se for de um só a culpa. respondendo só esse pelas perdas e danos. compensação ou confusão. ficarão exonerados os outros. As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento. mas não se pode recobrar a quantia. sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. OBRIGAÇÃO NATURAL Conceito: é aquela desprovida de coercibilidade. Vejamos o art. Se a PLURALIDADE for dos CREDORES. houver culpa de todos os devedores. doutrina: Você não pode cobrar (você é desprovido de pretensão). OBRIGAÇÃO DE MEIO E DE RESULTADO . credores. Art. dívida prescrita. juridicamente inexigível. 814. a obrigação não ficará extinta para com os outros. Se um só dos credores receber a prestação por inteiro. O mesmo critério se observará transação. ou se o perdente é menor ou interdito. Se um dos credores remitir a dívida. descontada a quota do credor remitente. novação. 263. que paga a dívida. pagando: I – a todos conjuntamente. Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos. II – a um. salvo se foi ganha por dolo. mas estes só a poderão exigir. 261. mas o devedor ou devedores se desobrigarão. Art.

a prova do pagamento. a depender do caso concreto. médico (em regra). ao passo que o estético assume obrigação de resultado (AgRg no Resp 256. Hoje. 2) Condições objetivas: aqui estudamos o objeto do pagamento. Natureza jurídica do pagamento: o pagamento é um fato jurídico e respeitável parcela da doutrina (a exemplo de Caio Mário e Roberto de Ruggiero) afirma que o pagamento é um fato jurídico de natureza negocial (você pode aplicar ao pagamento os mesmos efeitos do negócio jurídico).79 Conceito: a obrigação de meio é aquela em que o devedor se obriga a realizar uma atividade sem garantir o resultado esperado. Ex: advogado. paga duas vezes”. A cirurgia de miopia a lazer traduz obrigação de meio ou de resultado? A obrigação é de meio! Outro exemplo de obrigação de resultado: contrato de empreitada (o empreiteiro pode assumir uma obrigação de resultado). Conceito de pagamento: o pagamento traduz um adimplemento voluntário da obrigação (de dar. TEORIA DO PAGAMENTO “Quem paga mal. OBS: O cirurgião plástico reparador assume obrigação de meio. . O sujeito ativo do pagamento é o devedor. embora não tenha atingido plenamente o fim proposto. o sujeito passivo é o credor. CUIDADO! Nem sempre cirurgia para colocar silicone constitui obrigação de resultado. a despeito de haver doutrinadores e magistrados que pensem de forma diferente. aproxima-se consideravelmente do seu resultado final. fazer ou não fazer). esta doutrina sustenta que NÃO se deve considerar resolvida a obrigação quando a atividade do devedor.174/DF – STJ e doutrina dominante). O que é a doutrina do adimplemento substancial? Derivada do direito inglês. A mais importante aplicação da teoria opera-se nos contratos de seguro. CONDIÇÕES OU REQUISITOS DO PAGAMENTO: 1) Condições subjetivas: aqui estudamos quem deve pagar e a quem se deve pagar. já a obrigação de resultado é aquela que só se torna perfeita quando a meta-proposta é alcançada. já é forte este entendimento. pode se tratar de obrigação de meio.

o que razoavelmente deixou de lucrar. além do que ele efetivamente perdeu. e honorários de advogado. com a conseqüente imposição ao causador do dano o dever de indenizar. O Prof. como fato da natureza. cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. em sua obra Da Responsabilidade Civil. Maria Helena Diniz afirma que força maior é o evento inevitável.25. Não cumprida a obrigação. II – Inadimplemento culposo A idéia geral do CC é que. mais juros e atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos. em havendo inadimplemento culposo. Álvaro Villaça Azevedo afirma que caso fortuito é o evento da natureza. lembra que pode haver sinonímia. Havendo inadimplemento fortuito a regra geral é no sentido de que a obrigação e resolvida sem perdas e danos. É firme o entendimento de que a . e o caso fortuito é o imprevisível. o lugar do pagamento. Teoria do inadimplemento i. de purgação) Pode decorrer de caso fortuito ou de força maior. A responsabilidade civil deriva da transgressão de uma norma jurídica pré-existente. Parágrafo único. Sílvio Rodrigues. * os lucros cessantes podem ser declaração do IR. b. como fatos da natureza. as perdas e danos devidas ao credor abrangem.ex. e o caso fortuito é o imprevisível (seqüestro relâmpago. O caso fortuito ou de força maior verifica-se no fato necessário. se expressamente não se houver por eles responsabilizado. responde o devedor por perdas e danos. Responsabilidade Civil demonstrados com cópia da Segundo José de Aguiar Dias.10 a.) O CC não traz a distinção entre caso fortuito e força maior. Salvo as exceções expressamente previstas em lei. “toda manifestação humana traz em si o problema da responsabilidade”. Trata-os de forma homogênea como fatos necessários: CC Art. AULA. 389. por sua vez. Art. Já a Profª. I – Inadimplemento absoluto (total – insuscetível de reparação. finalmente. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior. haverá responsabilidade civil por perdas e danos (CC 389 e 402). 393. CC Art. Há diferença entre caso fortuito e força maior? Não há consenso na doutrina brasileira. sem prejuízo de eventual tutela específica. enquanto a força maior é um fato ligado ao homem. Pablo Stolze diz que força maior é o evento inevitável.80 3) o tempo do pagamento e. 402. p. ii.

negligência ou imprudência. mas nos efeitos. 186 é complementada pela ilicitude objetiva dos art. por isso medida de exceção que se submete à tipicidade legal. Obs. civil extracontratual (ou . não configura abuso de direito a constituição de direito ou prerrogativa via surrectio. No art. CC 927 Parágrafo único. ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar. ainda que exclusivamente moral. ao exercê-lo. A definição de ilicitude do art. 187 (abuso de direito). Responsabilidade aquiliana) CC – ato ilícito . Ex. A surrectio é uma forma lícita de exercício de direito. 927 do Código Civil. na resposta do ordenamento jurídico à violação. por ação ou omissão voluntária.81 responsabilidade civil pressupõe a existência de uma norma jurídica anterior cuja transgressão justifica a indenização. constituindo-se. 186. 186 a regra geral da ilicitude é baseada no dolo (ação ou omissão voluntária) e na culpa (negligência ou imprudência). comete ato ilícito (neminen laedere). Quando determinado direito deixa de ser exercido por período mais ou menos longo. excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social. i. A depender da natureza jurídica da norma pré-existente violada a responsabilidade civil pode ser contratual ou extracontratual (ou aquiliana). por sua natureza. Art. 187 para a configuração do abuso de direito foi um elemento objetivo ou finalístico (teleológico). no campo da responsabilidade civil contratual? Esta expressão traduz o descumprimento de deveres anexos (Nebenpflichten ou deveres de proteção). Aquele que. violar direito e causar dano a outrem. nos casos especificados em lei. o seu titular pode perdê-lo via supressio. independentemente de culpa.art. ii. Haverá obrigação de reparar o dano. por conseqüência. A resposta penal é mais grave. em favor da outra parte. Qual é a diferença entre ilícito penal e ilícito civil? Segundo Miguel Fenech (Espanha) a diferença não está na estrutura ontológica. Também comete ato ilícito o titular de um direito que. direito correspondente (exemplo do uso de área comum de condomínio como vaga extra de garagem). pela boa-fé ou pelos bons costumes. A resposta civil reflete no campo patrimonial. descumprimento de cláusula de contrato serviço  responsabilidade civil contratual. 187 e parágrafo único do art. de prestação de O que se entende por violação positiva do contrato. risco para os direitos de outrem. O elemento utilizado pelo art. a exemplo do dever de informação. por surrectio.

Segundo o pensamento filosófico de Von Buri. mas. excepcionalmente poderá haver responsabilidade civil decorrente de ato lícito. ii. O dano. iii.Conduta humana É o comportamento positivo ou negativo. de ato ilícito. ao decidir que a suspensão de medicamento determinou direta e imediatamente a perda de um rin do paciente. no REsp. III . vínculo jurídico que une o agente ao dano ou a) Teoria da equivalência de condições (conditio sine qua non). ou seja. na passagem forçada (direito do imóvel encravado). A perda de uma chance pode ser indenizável por afastar uma expectativa ou probabilidade favorável ao lesado (exemplo do candidato que perdeu prova do concurso porque o táxi que o conduzia errou o caminho do local da prova). I . nem tudo que concorre para o resultado é causa.Dano ou prejuízo É a lesão ao interesse jurídico tutelado. . b) a certeza do dano e. Também não se indeniza dano incerto. defendida por autores como Carvalhiere. A despeito do requisito da certeza. O STJ. o que falar da perda de uma chance. todo e qualquer antecedente fático é causa do resultado.Nexo de causalidade Trata-se do prejuízo. Gustavo Tepedino e também adotada pelo Código Civil. tudo que concorra para o resultado é causa deste. A conduta humana pode ser comissiva ou omissiva. material ou moral. como se tem. quando ocorre. Elementos da responsabilidade civil i. marcado pela nota da voluntariedade. A certeza do dano é condição essencial para a indenização. para ser indenizado deve apresentar três características: a) a violação ao interesse jurídico. A responsabilidade decorre. teria adotado essa teoria (ver também o RE 130764 do STF). Se a conduta não é voluntária não há responsabilidade (Giusepe Bettiol). O dano que já foi recomposto não é passível de indenização. por exemplo. II . no ato de desapropriação. c) Teoria da causalidade direta e imediata (teoria da necessariedade do dano). A indenização decorrente de perda de uma chance. em regra. 686308. c) a subsistência do dano. Para essa teoria.82 c. Causa é apenas o antecedente abstratamente idôneo à deflagração do resultado. b) Teoria da causalidade adequada (Baseada na filosofia de Von Kries). sustenta que causa é apenas o antecedente fático que determina o resultado danoso como conseqüência sua direta e imediata (CC 403). é sempre mitigada em face da incerteza do evento. Essa teoria.

por via oblíqua. No reflexo há pai morre e deixa filho dele dependente). sob argumento de que as inscrições anteriores presumem-se devidas. O STJ já firmou entendido de que devedor com vários registros no cadastro de proteção ao crédito não tem direito a indenização por dano moral (REsp. de título em nome do consumidor com a conseqüente inscrição do seu nome em listagens de inadimplentes implica-lhe prejuízos. Dano in re ipsa É o dano presumido. in re ipsa. sem causa justificadora – sem existência de dívida-. se o órgão não comunicou previamente a inscrição. Não dano reflexo com dano indireto. dano indireto a prejuízos. segundo a majoritária jurisprudência. ou seja. Também gera dano in re ipsa a ausência de notificação para efeito de inscrição no sistema de proteção ao crédito. No mesma vítima pode sofrer uma cadeia de AULA: 28/10 RESPONSABILIDADE CIVIL 1) RESPONSABILIDADE OBJETIVA 2) RESPONSABILIDADE SUBJETIVA  CAUSAS EXCLUDENTES DA RESPONSABILIDADE CIVIL . sendo estes. insuscetíveis de gerar indenização. ainda que devida. que dispensa prova em juízo. mas qualquer inscrição indevida enseja responsabilidade indenizável. gera dever de indenizar. Ex. doutrina francesa. por isso prescindem de prova. portanto. na hipótese. presumíveis.83 iv. Dano in re ipsa. inscrição indevida de nome nos órgãos de proteção ao crédito. O Professor Pablo Stolze discorda desse entendimento. Dano reflexo ou em ricochete Desenvolvido pela quando o prejuízo se pode confundir duas vítimas (ex. indenizáveis na forma de reparação de danos morais. O protesto. o dano reflexo se configura atinge. ou seja. 1002985). pessoa próxima.

no estado de necessidade. não excedendo os limites do indispensável para a remoção do perigo. Não constituem atos ilícitos: . exerce a faculdade de protestar título. O STJ negou a tese no REsp 164391/RJ – o empregador não pode exercer o direito de cercear a liberdade da empregada doméstica. ============================================================ . alarmes na porta dos estabelecimentos. No caso do inciso II. a fim de remover perigo iminente. Vale lembrar que a legitima defesa. terá ação regressiva em face do verdadeiro culpado.a deterioração ou destruição da coisa alheia. o jurista Frederico Marques observa que este instituto está compreendido no próprio exercício regular de direito (art. Art. I do artigo 188. visando a remover perigo iminente não causado pelo agente .. que indenizando-o. I.84 a) Do estado de necessidade e legitima defesa • Estado de necessidade = Previsto no art. II do CC. fiscalização no aeroporto. 188. 188. segunda parte do CC). ou a lesão a pessoa. Ex: guarda-volumes de supermercado. 188. 188. este poderá demandar o agente. Não constituem atos ilícitos: . o ato será legítimo somente quando as circunstâncias o tornarem absolutamente necessário. Art. na forma da lei. ============================================================ • Estrito cumprimento do dever legal e exercício regular de direito = Embora o CC não regule explicitamente o Estrito cumprimento do dever legal.. CASO SEJA ATINGIDO TERCEIRO INOCENTE. assim como na legitima defesa. II . ============================================================ OBSERVAÇÃO Na forma dos artigos 929 e 930. ocorre quando o agente reage proporcionalmente a uma situação de agressão injusta. atual ou iminente. traduz uma situação de agressão de interesse jurídico alheio. Parágrafo único.os praticados em legítima defesa ou no exercício regular de um direito reconhecido ============================================================ OBSERVAÇAO O STJ já decidiu no Ag Rg no Ag 792824/SP que atua no exercício regular de direito o credor que. prevista na inc.

85 • Caso fortuito e força maior = art. 393, CC.

Art. 393. O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressamente não se houver por eles responsabilizado. Parágrafo único. O caso fortuito ou de força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir. Ver Resp 726371 = assalto a ônibus é evento fortuito, a empresa vária não tem responsabilidade, pois também será vítima da falta de segurança publica– caso de caso fortuito externo.. ============================================================ OBSERVAÇAO Existe, todavia, uma corrente minoritária em Tribunais Inferiores (ver material de apoio), no sentido de que se o assalto é freqüente, sucessivo, na mesma linha, passa a ser previsível não traduzindo mais caso fortuito ou força maior. ============================================================ • Culpa Exclusiva da vítima = por ruptura do nexo jurídico de responsabilidade, exclui a responsabilidade civil, portanto. Ex: vitima que se arremessa na frente do seu carro para cometer suicídio. O CDC prevê esta hipótese.

Não cabe presunção de culpa exclusiva da vitima, ela deve estar suficientemente provada. CULPA EXCLUSIVA DA VITIMA X CULPA CONCORRENTE (art. 945, CC) = Este último prevê uma diminuição da culpa da vítima, minimizando o quantum indenizatório, mas não a culpa do agente. Art. 945. Se a vítima tiver concorrido culposamente para o evento danoso, a sua indenização será fixada tendo-se em conta a gravidade de sua culpa em confronto com a do autor do dano. No âmbito do Direito do consumidor, o que se entende por fortuito externo e interno? R O último é o que incide no processo de elaboração do produto ou execução do serviço, não excluindo a responsabilidade do fornecedor. Já o fortuito externo poderá eximir o fornecedor de responsabilidade, uma vez que coincide após a consumação do processo de elaboração do produto ou é alheio à execução do serviço. • Fato de terceiro = também tem o condão de excluir a responsabilidade civil por ruptura do nexo de causalidade. A sumula 187 do STF firma entendimento de que no caso de transporte de passageiros o fato de terceiro não pode ser invocado.

86 O que é teoria do corpo neutro? R aplicação do fato de terceiro, eximi a responsabilidade do condutor de veículo que, atingido por outrem é arremessado violando direito de pessoa inocente. Existem 2 correntes doutrinárias tratando dos efeitos jurídicos desta teoria. A primeira argumenta que a vítima inocente poderá demandar o condutor do veiculo arremessado que terá ação regressiva em face do verdadeiro culpado. RT 646/89 e RT 437/127. Já a segunda corrente sustenta que o condutor do veiculo arremessado também é vítima, de uma maneira que o único legitimado a responder em sede de responsabilidade civil é o verdadeiro culpado, não cabendo interpretação extensiva dos artigos 929 e 930 do CC (Resp 54444/SP) O que é cláusula de não - indenizar? R trata-se de uma convenção pela qual as partes, segundo a autonomia privada, excluem a responsabilidade civil. É claro que devemos considerar a igualdade entre as partes, ou seja , estão no mesmo patamar econômico, inclusive jurídico. Ver art. 25 do CDC – cláusula de não –indenizar é abusiva na relação contratual de consumo. Assim como a súmula 161 do STF proíbe cláusula de não- indenizar em contrato de transporte. O enriquecimento ilícito (ver material de apoio), embora não traduza causa excludente de responsabilidade civil, pode interferir na fixação do quantum.

RESPONSABILIDADE CIVIL INDIRETA

a) Responsabilidade de fato da coisa ou do animal O fundamento teórico da responsabilidade pelo fato da coisa e do animal, originou-se na França, à luz de Planiol, Rupert e Boulanger (ver tb Teixeira de Freitas – art. 3960, do seu esboço de 1865). Segunda a teoria do Guardião, ou teoria da guarda, a responsabilidade pelo fato da coisa e do animal é da pessoa que detém poder de comando sobre ele (guardião). O proprietário é o guardião presuntivo. x.i  responsabilidade pelo fato do animal = Para o CC/1916, o art. 1527 versava que a responsabilidade civil era subjetiva, ou seja, o guardião do animal poderia eximir-se de responsabilidade alegando que não teve culpa, por ter guardado e vigiado com cuidado preciso. Ou seja, o código velho abria espaço para a verificação de culpa. Já no NCC, em seu artigo 936, consagra a responsabilidade objetiva pelo fato do

87 animal. Em outras palavras, não há verificação da culpa. Se houve a lesão, haverá a responsabilidade civil. Art. 936. O dono, ou detentor, do animal ressarcirá o dano por este causado, se não provar culpa da vítima ou força maior. x.ii  responsabilidade pelo fato da coisa = Se desdobra em: i- responsabilidade pela ruína de edifício ou construção e ii- na responsabilidade por objetos lançados ou caídos. i- responsabilidade pela ruína de edifício ou construção – pode ser de ruína total ou parcial. Aqui a responsabilidade é objetiva, nos termos do at. 937 do dono da construção ou do edifício. Pois entende que o reparo não foi efetuado, ou seja, falta de manutenção do edifício. A raiz histórica está no art. 1386 do Código Francês. Art. 937. O dono de edifício ou construção responde pelos danos que resultarem de sua ruína, se esta provier de falta de reparos, cuja necessidade fosse manifesta. ii- na responsabilidade previsão: art. 938 do CC. por objetos lançados ou caídos –

Art. 938. Aquele que habitar prédio, ou parte dele, responde pelo dano proveniente das coisas que dele caírem ou forem lançadas em lugar indevido. De fato, a presunção é que a responsabilidade é do dono, no entanto, deverá ser do possuidor, daquele que habitar no prédio. A responsabilidade também é objetiva, e daquele que habita. O rol é ampliativo. A ação judicial que a vitima próprio contra habitante do local que arremessa objetos é chamada de ACTIO DE EFFUSIS ET DEJECTIS, nesse caso o prazo prescricional é de 3 anos. ATENÇAO Não se sabendo de onde se saiu o projétil, a responsabilidade é de todo o condomínio, com base na teoria da causalidade alternativa, segundo a qual todos os agentes possíveis do dano poderão ser responsabilizados para que a vítima não fique irressarcida. A jurisprudência (RT 530230, REsp 64682/RJ) exclui a responsabilidade das unidades habitacionais de onde seria impossível o arremesso. De quem é a responsabilidade pelo acidente com veículo locado? R O STF responsabiliza solidariamente a locadora de veículo pelo acidente causado, e a base deste entendimento pode ser encontrada na própria teoria do risco. Súmula 492 do Supremo.

art. atribuindo responsabilidade ou pai ou mãe que tem o filho em sua companhia. 933. responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos. ainda que não haja culpa de sua parte.  O fato de o art. Art. 934. se a ofensa tiver mais de um autor. Resp 540. haver consagrado um sistema de responsabilidade objetiva. CC. Já a segunda corrente atribui responsabilidade a ambos (independentemente de quem tenha a guarda).  Pergunta-se: se o patrão pagar pelo empregado.459/RS. do art. a) inciso I . todos responderão solidariamente pela reparação.os pais. 933. 942.CC. uma vez que o dever de educar cabe ao pai e a mãe (ver parágrafo 3. ao exemplo de um acidente de trânsito. Aquele que ressarcir o dano causado por outrem pode reaver o que houver pago daquele por quem pagou. 932. Art. que Uma primeira corrente interpreta o inc. 934. CC. alterado pela lei 11698/08). os AULA: 04. salvo se o causador do dano for descendente seu. absoluta ou relativamente incapaz. 932. I do referido artigo de forma literal.CC. Sim.  Hipóteses de responsabilidade por ato de terceiro . Os bens do responsável pela ofensa ou violação do direito de outrem ficam sujeitos à reparação do dano causado. São solidariamente responsáveis com autores os co-autores e as pessoas designadas no art.88 Também há previsão no CC em seu art. 933. . cabe ação de regresso contra este? R art. senão vejamos: Art. 1583. 942. não significa que em toda situação o representante fique impedido de alegar em defesa que o representado não atuou com culpa. Não há mais espaço para a culpa.11 b) Responsabilidade por ato de terceiro. e. CC. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente. pelos filhos menores estiverem sob sua autoridade e em sua companhia. Parágrafo único. salvo se o causador do dano for descendente seu absoluta ou relativamente incapaz. Art. A responsabilidade aqui será sempre OBJETIVA.

nos • e) os que gratuitamente houverem participado produtos do crime. b) inciso II . eu transfiro. temporariamente. serviçais e prepostos. 928. até a concorrente quantia. hospedarias. 928. Art. motel e afins – justifica-se pelo fato de tratar-se de um dever de segurança reforçado pelas regras do CDC. O incapaz responde pelos prejuízos que causar. mas como forma de proteger o incapaz ele responderá depois do seu representante. por seus empregados. Ao deixar Lalá na escolinha. se as pessoas por ele responsáveis não tiverem obrigação de fazê-lo ou não dispuserem de meios suficientes. pelos seus hóspedes. da posse de fato de minha filha. à luz do art. é um tipo de responsabilidade subsidiária). e c) inciso III . mesmo para fins de educação. Donos de hotel. Ex: aplicação da medida sócio-educativa de reparação de danos nos termos do ECA. casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro.89 § 3o A guarda unilateral obriga o pai ou a mãe que não a detenha a supervisionar os interesses dos filhos OBSERVAÇAO Nas hipóteses dos incisos I e II do art. pelos pupilos curatelados. DANO MORAL .tutor e o curador. que se acharem nas mesmas condições.o empregador ou comitente. ou em razão dele. . no exercício do trabalho que lhes competir. d) os donos de hotéis.À luz do principio que impede o enriquecimento sem causa. moradores e educandos. • Donos de escola – responde objetivamente pelo ALUNO MENOR. 932. podemos concluir haver uma solidariedade especial ou subsidiariedade quanto a responsabilidade civil do incapaz (o incapaz responde atrás porque tanto ele qto seu representante pode ser compelido a pagar integralmente a divida.

Somente com a CF/88. 884. OBSERVAÇAO O CC/16 ao disciplinar o ato ilícito no art. 159. 186.Histórico No primeiro momento o Dano Moral não era passível de reparação jurídica. A restituição é devida. é Art. mas também se esta deixou de existir. CC. será obrigado a restituir o indevidamente auferido. OBSERVAÇÃO O enriquecimento ilícito. se a coisa não mais subsistir. violar direito e causar dano a outrem. feita a atualização dos valores monetários. . Não caberá a restituição por enriquecimento. V e X. explicitamente faz referencia ao dano moral. 186. Aquele que. que o dano moral passou a ser reconhecido e reparado de forma autônoma. ainda que exclusivamente moral. e. especialmente pela dificuldade de se mensurar o preço da dor. 2. Art. por ação ou omissão voluntária. a restituição se fará pelo valor do bem na época em que foi exigido. negligência ou imprudência. Terceiro momento . O CC/2002 no art. Art. Art. comete ato ilícito. lembranos Yussef Cahali. se enriquecer à custa de outrem. Se o enriquecimento tiver por objeto coisa determinada. art. 885.Conceito Dano moral é lesão a direito da personalidade. não só quando não tenha havido causa que justifique o enriquecimento. não proibiu o reconhecimento do dano moral. se a lei conferir ao lesado outros meios para se ressarcir do prejuízo sofrido. freqüente regulado a partir do artigo 884. Parágrafo único. fundamento de defesa. Aquele que. quem a recebeu é obrigado a restituí-la. 886. 5. Num segundo momento o Dano Moral passou a ser reparado desde que fosse um reflexo do dano patrimonial reflexo sofrido.90 1. sem justa causa.

CC). é a vitima que reage contra o ofensor. sustenta que a indenização por dano moral. b) tarifado ou tarifamento legal – 4.876. 3. 4. 876. O Resp moral. da função social. 519. Ou seja. TEORIA DO DESESTIMULO Desenvolvida os EUA (punitire damage). Art. Arbitramento. Todo aquele que recebeu o que lhe não era devido fica obrigado a restituir. É possível cumular pedido de reparação por dano moral e por dano estético? R Sim. O STJ na sumula 281 negou a possibilidade de existir tarifamento de dano moral (derrubou o ponto descrito na lei de imprensa). obrigação que incumbe àquele que recebe dívida condicional antes de cumprida a condição. deve compensar a vítima e desestimular o lesante. ACTIO DE IN REM VERSO – o enriquecimento ilícito pode também fundamentar pretensão indenizatória.258/RJ. CPC. A súmula 362 do STJ reforça o sistema do arbitramento ao dizer: “a correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde a data do arbitramento dano. Art. Resp. Prazo para a propositura da pretensão indenizatória pra essa ação é de 3 anos.Quantificação do dano moral Existem dois sistemas: a) livre ou aberto – Adotado no Brasil. afastou a incidência de IR na indenização por dano . 126.91 Exemplo muito comum sobre este assunto é o pagamento indevido (art. LICC. Dano boomerang  Segundo o prof. em respeito ao P. Salomão.Dano moral e teoria do desestímulo Função da indenização  Em respeito a função social da responsabilidade civil a indemnizaçao deverá ter uma função pedagógica. dano boomerang é o prejuízo causado pelo sujeito passivo contra o próprio agente violadr do seu direito. Existem PL (ex:114/2008)que visam estabelecer critérios de arbitramento dano moral. abraçada pelo Enunciado 379 da 4 jornada de Direito civil e já presente em alguns julgados (Resp 860705/DF). art.

STJ – Firma um entendimento que o CDC é aplicável às instituições finaNceiras. a atividade especifica de intermediação de dinheiro. pode ingressar contra o OBSERVAÇAO BYSTANDER – terceiro equiparado. excluindo-se. SUMULA 28.. a responsabilidade é do Banco. Súmula 287. em síntese. Responsabilidade Civil por assalto em terminal eletrônico? R no julgamento do Resp 488310/RJ o STJ firmou entendimento de que se o assalto ocorre no interior da agencia bancaria.11  RESPONSABILIDADE CIVIL DO TRANSPORTADOR . da hipótese do uso indevido de documento para abrir conta. RESP 494377/SP – VER. com relação: a) aos empregados  em face de acidente de trabalho.Responsabilidade Civil dos Bancos Pode ser analisada numa tríplice perspectiva. a ADI 2591 pretendeu revogar essa regra. O banco pode ser responsabilizado por isso? R SIM. sem prejuízo do controle pelo poder judiciário. c) Terceiros  a ex. Pagamento de cheque em falso. ainda que fora do horário de expediente. no sentido de que o CDC é aplicável aos bancos. todavia. e lembra-nos Rui Stocco. STJ. declarando. Ver Resp 494370/RS. que a relação aí é um ct de deposito. especialmente fixação de juros.11. pode ingressar com ação de responsabilidade civil pleiteando danos morais. neste particular o CDC. b) clientes  ADI 2591 (ver). banco e responsabiliza-lo. com base na teoria de risco. O STF firmou entendimento. 6- AULA. mas se o assalto ocorre em via pública: é do ESTADO.92 5. decorrente de relação de consumo. Assalto o cofre do banco – responsabilidade objetiva.

ATENÇAO • • O STJ tem admitido a aplicação do CDC para fixar a indenização acima da estabelecida na convenção de Varsóvia. que desenvolveu a teoria clássica do ct. que o direito é semelhantemente aplicado. TEORIA GERAL DO CONTRATO 1) Histórico Não se pode estabelecer uma data especifica para o surgimento do ct. Ver Resp 211. Responsabilidade Civil no transporte aeronáutico – no que tange ao extravio de bagagem aérea. lembra-nos Eduardo Sens. A teoria do contrato foi reconstruída com o objetivo de.93 • Súmula 145. o transp.669/SP-2006). A sua função pacificadora nasceu com o próprio ct. STJ – No transporte desinteressado.533/SPE Resp 268. segundo Orlando Gomes. Ela se transformou numa autonomia solidária. sem aniquilar a autonomia da vontade. condicioná-la a parâmetros . A convenção de Varsóvia estabelece um valor máximo por perda de bagagem. Só será responsabilizado se ficar configurado o dolo ou a culpa grave. de simples cortesia. Romano. pois este visa a conciliar interesses contrapostos. calcada em dois dogmas: i-autonomia da vontade A autonomia privada não desapareceu. a Roma clássica consagrou o tratamento jurídico do ct (contractus).604/SC • Como fica a responsabilidade Civil do Condomínio por furto em Resp. do dever de 2007 e o área comum? R O STJ tem entendido que a Condomínio pressupõe da assunção do vigilância em áreas comuns (Resp 618. Também ocorre nas viagens domesticas. Foi o capitalismo. Embora o ct seja anterior ao próprio D. O overbooking traduz ato ilícito passível de indenização.

fazer e. 227. ii. casamento com normas que você não pode mudar) b. funçao social e da boa-fé objetiva. Quanto a forma do contrato. CC. 3) .contratualista – é forte no Brasil esta corrente. há 2 subcorrentes: b. Ad probationem – art. Helena Diniz). em respeito aos princípios da função social e da boa-fé objetiva. ou que é um negocio complexo com participação do juiz. nos termos do art. é aquele que quando você realiza você é colocado numa situação impessoal. CC.2. bem assim. a ex.1. fazer e não . convergem as suas vontades criando um dever jurídico principal de dar. Há situação em que a norma exige a forma como requisito de validade – ad solenitatem. deveres acessórios. Já Deguit diz que é um ato condição (ou seja.a não-contratualista – o casamento não é um contrato (M. é uma instituição. fruto da moderna sociedade de massa nos dá a exata medida da importância das novas bases da teoria do contrato que busca elementos de contensão da autonomia privada. uns dizem que não é contrato. consagrado em 1901 por Raymond Saleilles.94 constitucionais de ordem superior. dos P. 107. É um contrato porque o elemento fundamental é o consentimento. 2) Conceito Trata-se de um negócio jurídico por meio do qual as partes. da Liberdade da forma nos negócios em geral. desde Clóvis Bevilaqua. vale lembrar. Eles dizem que o casamento é um ct especial de direito de família.igualdade das partes contratantes. segundo a autonomia privada. sendo um ato administrativo. da O ct de adesão. vigora o P. Silvio Rodrigues até Orlando Gomes. O casamento é um contrato? R Existem 2 correntes básicas: a) a de direito público – esta afirma que o casamento não é um instituto privado.. b) a de direito privado – Aqui nesta corrente.

A autonomia privada é. Principiologia contratual 1. Obs.95 aula: 18. “A” contratou seguro de vida com a seguradora e estipulou como beneficiário. 1. isto é. Ex. como os princípios da função social e da boa-fé objetiva. e o contrato com pessoa a declarar. o qual assumirá os direitos e obrigações do negócio caso aceite a indicação realizada. Ex.11 1. segundo a Professora Judith Martins-Costa o princípio da relatividade dos efeitos dos contratos não é um dogma absoluto. ou seja.1 I – Princípio da autonomia privada A primeira leitura da autonomia privada foi feita pela escola jusnaturalista com base no direito natural do homem de dispor livremente das suas ações. em caso de sua morte. aplicando-se a outras situações existenciais do homem. Excepcionam a relatividade dos efeitos do contrato algumas figuras contratuais especiais. existe uma eficácia ética transubjetiva . o contrato de adesão retira do contratante aderente a liberdade contratual. o filho “B”. A e B celebram promessa de compra e venda e indicam “C” para assumir os direitos e obrigações decorrentes da promessa. seguro de vida). A autonomia privada. para evitar abuso do poder econômico. Na perspectiva contratual a autonomia reflete-se à luz da livre iniciativa. uma vez que se deve reconhecer.2 II – Princípio da relatividade dos efeitos dos contratos Esse princípio traduz a regra geral segundo a qual o contrato só produz efeitos obrigacionais entre as próprias partes contratantes. Pietro Perlingieri lembra-nos de que a autonomia privada não se limita ao campo contratual. sofre a interferência de elementos constitucionais de contenção. invocando Junqueira de Azevedo (USP). a exemplo da estipulação em favor de terceiro (ex. na liberdade de contratar (escolha da pessoa com quem se contrata) e na liberdade contratual (liberdade de conteúdo). no direito atual. Georges Ripert afirma que o contrato de adesão é mais autoridade privada do que autonomia privada. relativizada em face de elementos constitucionais de contenção. Contrato com pessoa a declarar (CC 467): consiste numa promessa de prestação de fato de terceiro. que todo contrato experimenta uma tutela externa do crédito.

Qual é a diferença entre lesão e a teoria da imprevisão? . Após a 2ª grande guerra esse princípio passou a ser bastante relativizado pela teoria da imprevisão. 3. essa extrema vantagem não é um elemento absoluto. A teoria da imprevisão veio mitigar os efeitos da força obrigatória dos contratos. impondo a uma das partes obrigação excessivamente onerosa. justifica a resolução ou a revisão do contrato. traduz exatamente isso.Elementos da teoria da imprevisão Sao 3 os elementos: a) superveniência de um acontecimento imprevisível. No enunciado 635 da 4 jornada. é um mero elemento acidental. corporificando a máxima segundo a qual “o contrato faz lei entre as partes”. 2. Para se configurar a teoria é necessário que à onerosidade excessiva corresponda a extrema vantagem da outra parte? R Acompanhando Otávio Rodrigues e Rui Rosado.Fonte histórica Cláusula canônica do Rebus sic stantibus – mitigava a força obrigatória do contrato. A primeira lei do mundo que disciplinou este tema foi a lei francesa ‘Lei falliot’ de 1918. mitigando (relativizando) o princípio da força obrigatória. interferência de terceiros (tort of 1. c) onerosidade excessiva.Conceito A teoria da imprevisão. caso acontecimento superveniente e imprevisível desequilibre a sua base econômica. obrigatório para configurar a teoria da imprevisão.96 visando a protegê-lo da induction).3 III – Princípio do pacta sunt servanda Esse princípio traduz a natural cogência que deve emanar de todo contrato. TEORIA DA IMPREVISÃO 1. b) alteração (desequilíbrio) da base econômica do contrato.

A resolução poderá ser evitada. se a prestação de uma das partes se tornar excessivamente onerosa. 6. 4. art. 317 do CC). Seção IV Da Resolução por Onerosidade Excessiva Art. justificando que seja revisado ou resolvido. 480. inclusive. 478. é feita uma leitura facilitadora da teoria em favor do consumidor dispensando-se.  À luz do principio da função social e nos termos do enunciado 176 da 3 jornada (na qual estabelece a revisão do contrato como regra. 2 parte. Pressupõe um contrato válido desequilibrando-o. em virtude de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis. é defensável a tese segundo a qual o juiz pode revisar o contrato não estando adstrito à vontade do réu (reforça este pensamento o art. poderá o devedor pedir a resolução do contrato. e é causa de que se desequilibra no curso da sua invalidade. No CDC. Se no contrato as obrigações couberem a apenas uma das partes. oferecendo-se o réu a modificar eqüitativamente as condições do contrato. a fim de evitar a onerosidade excessiva. Art. 478 a 480. razão porque a teoria é comumente denominada “teoria da onerosidade excessiva”. PRINCÍPIO DA EQUIVALENCIA MATERIAL  O contrato deve sempre partes pactuadas. 479. execução. poderá ela pleitear que a sua prestação seja reduzida. ou alterado o modo de executá-la. Os efeitos da sentença que a decretar retroagirão à data da citação Art. o requisito da imprevisibilidade. CC. com extrema vantagem para a outra. Nos contratos de execução continuada ou diferida.arts.97 Lesão Teoria da Imprevisão Nasce com o próprio contrato. V.Base legal . preservar o equilíbrio real das PRINCIPIO DA FUNÇÁO SOCIAL .

a ser preenchido caso concreto. Ex: A celebra um contrato com B para veiculação de uma propaganda. da função social. A liberdade de contratar será exercida em razão e nos limites da função social do contrato. o valor da defesa do consumidor. extrínseco  é compreendido na interface: contrato x sociedade. Ex: conceito de conceito de risco. uma determinação. amparada pelo art. da Função Social se projetaria em 2 níveis: 1. Ex: clausula geral da boa – fé objetiva.035. verifica-se ser o mesmo abusiva. de ou no da Cláusula geral Traduz numa disposição normativa impositiva ao juiz de modo a conferir-lhe um mandato. 2. que tem função ou finalidade limitativa da autonomia privada. em respeito a valores constitucionalmente consagrados Art. Segundo o Prof. Ex: respeitar o meio ambiente. o P.. Paulo Nalin. Contratos que violam o P. a sua estatização. Configurando. 421 do C. Conceito aberto x Cláusula geral Conceito aberto Consiste no conceito conteúdo indeterminado fluídico.98 A socialização do contrato não significa. atender à função social não significa suprir o interesse do Estado.Conceito É uma cláusula geral de natureza principiológica. . a exemplo expressão justa causa. o valor da eticidade.. lembra-nos Giselda Hionaka. CC. Depois de veiculada. – Art. em sua aplicação ao caso concreto.. família. 421. 2. ou seja. intrínseco  entre os próprios contratantes para impor eticidade e equilíbrio contratual.C.. transcende o que é visto)... da Função Social são contratos com cláusulas nulas de pleno direito (nulidade virtual – independe de prejuízo. . O atendimento da função social significa respeito aos valores objetivamente consagrados como fundamentais pela sociedade brasileira. assim. um confronto com os valores sociais (Flávio Tartuce).

o 422 do C.Consiste em uma cláusula um estado psicológico de geral de natureza inocência ou desconhecimento. Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública. .Tempo a Internação Hospitalar É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a internação hospitalar do segurado.C Alemão consagrou o P. obedece ao disposto nas leis anteriores.Resp 476649/SP. 2. 422. os princípios de probidade e boa-fé.De cunho individual. . o credor de exigibilidade jurídica. da boa-fé em seu parágrafo 242 – expressão: “TREU UND GLAUBEN” (= lealdade e confiança).Ex: o possuidor de boa-fé.045. * O C.Súmula 302. mas os seus efeitos. STJ  Cláusula Abusiva . Os contratantes são obrigados a guardar. A validade dos negócios e demais atos jurídicos. referidas no art. principiológica (regra objetiva de consuta). Parágrafo único. anterior ou posterior à celebração da promessa de compra e venda. assim na conclusão do contrato. como em sua execução. aos preceitos dele se subordinam.99 Art. PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OBJETIVA 1. .C. STJ  Hipoteca entre Construtora e Agente Financeiro .  O STJ e o P. boa-fé.Eficácia Perante os Adquirentes do Imóvel A hipoteca firmada entre a construtora e o agente financeiro. não tem eficácia perante os adquirentes do imóvel. produzidos após a vigência deste Código. Art.. tais como os estabelecidos por este Código para assegurar a função social da propriedade e dos contratos. . constituídos antes da entrada em vigor deste Código. 2. do conteúdo ético e terceiro de boa-fé. regulada no art. traduz .Súmula 308.Boa – fé subjetiva x Boa-fé objetiva Boa – fé subjetiva Boa-fé objetiva .Histórico * Tem origem no Direito Romano. 2.035.. salvo se houver sido prevista pelas partes determinada forma de execução.Plano de Saúde . da Função Social .

O que são as “figuras parcelares”. dever de informação . a conseqüência é a responsabilidade objetiva do devedor. – ou e de b)Constitutiva dos deveres anexos – Ou deveres de proteção desenvolveu a tese de Nebenpflichten = deveres anexos laterais.100 OBSERVAÇAO Interpretando o art. Cláusula de Stoppel. Antonio Junqueira da USP. não poderá utilizar de dados sigilosos da antiga empresa numa eventual contratação da empresa concorrente). a exemplo do Prof. “funções reativas” ou “desdobramentos da boa-fé objetiva”? R Há quem diga que são sub-principios da boa-fé objetiva. Ex: dever prestar assistência técnica. o enunciado 24 da 1 jornada de direito civil firmou a idéia de que. Tu quoque. Rayson Mendes Lino . ou seja. observa que a boa-fé deve ser observada também nas fases pré (ex: noivado) e pós contratual (ex: mesmo que o sócio já tenha se retirado da sociedade. não se analisa culpa quando o assunto é a violação desses deveres. Ex: Venire contra factum proprium.. a doutrina.  Existem deveres implícitos de conteúdo ético exigibilidade jurídica decorrente desse princípio. Qual é a conseqüência jurídica do descumprimento dos deveres de proteção decorrentes da boa-fé objetiva? R Em face do conteúdo ético envolvido. 3) Funções da boa-fé objetiva a)Interpretativa – ela orienta inclusive preenchendo lacunas. 422. a interpretação do contrato.. em havendo o descumprimento de deveres de proteção (violação positiva do contrato).

com .101 raysontst@hotmail.

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