DIREITO REAIS 2º.

ANO

Aula nº.

01 – Data: 02.10.2007 02 – Data: 09.10.2007

Sumário: Apresentação.

Aula nº.

Sumário: …

Direito subjectivo É o poder conferido pela ordem jurídica a um sujeito para a tutela de um seu interesse Poder jurídico Uma disponibilidade de meios jurídicos atribuídos a pessoa determinada para a realização de interesses jurídico-privados, mediante a afectação jurídica de certo bem.

Direito real
É um direito subjectivo, no sentido de poder jurídico absoluto, atribuído a uma pessoa determinada para a realização de interesses jurídico-privados, mediante o aproveitamento imediato de utilidades de uma coisa corpórea. Direitos reais Características: • Normas de direito privado • Carácter absoluto • Carácter patrimonial • Objecto dos direitos reais são coisas corpóreas Normas dos direitos reais têm a ver com a apropriação privada de bens e forma de as utilizar Existem três concepções sobre os direitos reais: 1. Clássica/realista – dizia que os direitos reais tratavam da relação entre o sujeito e uma coisa, objecto do seu direito. Veio a ser criticada porque seria pouco natural falar de relações entre pessoas jurídicas e coisas. 2. Personalista – concebe os direitos reais como uma relação entre uma pessoa e uma pluralidade de sujeitos dando origem à obrigação passiva universal. Também esta teoria foi criticada porque se preocupava mais com o conteúdo do direito real. 3. Concepção eclética – 2 Lados que existem nos direitos reais: interno e externo. Interno – Poder directo e imediato que um titular de um direito real tem sobre a coisa que é objecto do seu direito. Externo – Tem a ver com a sua oponibilidade contra todos “erga omnes”, opõe-se perante todos Distinção entre os direitos reais e direitos de crédito: Direitos reais – direito imediato sobre o objecto do direito. Opõem-se a todos. Direitos de crédito – Não há mediatização, tem de existir sempre a intervenção de outrem para que o meu interesse seja satisfeito. Eficácia inter partes. Objecto dos direitos reais: Art.1302º - tendencialmente são coisas corpóreas
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Art.666º - Penhor Art.1439º - Usufruto (já não é uma coisa corpórea) Art.202º - Coisas corpóreas dentro do comércio (móveis ou imóveis) e que possam ser objecto de relações jurídicas.
ARTIGO 1302º (Objecto do direito de propriedade) Só as coisas corpóreas, móveis ou imóveis, podem ser objecto do direito de propriedade regulado neste código. ARTIGO 666º (Noção) 1. O penhor confere ao credor o direito à satisfação do seu crédito, bem como dos juros, se os houver, com preferência sobre os demais credores, pelo valor de certa coisa móvel, ou pelo valor de créditos ou outros direitos não susceptíveis de hipoteca, pertencentes ao devedor ou a terceiro. 2. É havido como penhor o depósito a que se refere o nº 1 do artigo 623º. 3. A obrigação garantida pelo penhor pode ser futura ou condicional. ARTIGO 1439º (Noção) Usufruto é o direito de gozar temporária e plenamente uma coisa ou direito alheio, sem alterar a sua forma ou substância. ARTIGO 202º (Noção) 1. Diz-se coisa tudo aquilo que pode ser objecto de relações jurídicas. 2. Consideram-se, porém, fora do comércio todas as coisas que não podem ser objecto de direitos privados, tais como as que se encontram no domínio público e as que são, por sua natureza, insusceptíveis de apropriação individual.

Modalidades dos direitos reais: Direitos reais de gozo: • Servidões prediais • Direito de superfície • Direito de propriedade • Direito de usufruto • Posse • Uso e habitação • Habitação periódica Direitos reais de garantia: • Hipoteca • Penhor • Privilégios creditórios • Direito de retenção • Penhora e arresto • Consignação de rendimentos Direitos reais de aquisição: • Direito de preferência com eficácia real • Direito do beneficiário de uma promessa de alienação ao qual tenha sido atribuída eficácia real Direitos reais de gozo – um direito real adquirido em primeiro lugar vai prevalecer sobre outro direito real do mesmo bem, desde que posteriormente constituído.

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Direitos reais de garantia – a garantia constituída em primeiro lugar, prevalece sobre todas as outras posteriores. A dimensão é diferente caso se trate de direito real de gozo ou de garantia. Nas de gozo um direito exclui todos os outros constituídos sobre o mesmo bem. Excepções:
• • Bens imóveis – o registo é que é constitutivo do direito e o registo efectuado em primeiro lugar prevalece sobre todos os outros posteriores. Direitos de garantia – o direito real de garantia prevalece sobre outras garantias, nos termos do art. 751.º
ARTIGO 751º (Privilégio imobiliário e direitos de terceiro) Os privilégios imobiliários são oponíveis a terceiros que adquiram o prédio ou um direito real sobre ele, e preferem à consignação de rendimentos, à hipoteca ou ao direito de retenção, ainda que estas garantias sejam anteriores.

Características/princípios dos direitos reais:
1. Oponibilidade Erga Omnes – eficácia perante todos, a ela corresponde a obrigação passiva universal 2. Tipicidade/taxatividade (art.1306º) – apenas aqueles reais que estão previstos na lei existem. Só são reais os direitos que a lei qualifica como tal, tendo os direitos reais um conteúdo definido por lei 3. Elasticidade dos direitos reais – o seu conteúdo é mais ou menos abrangente consoante a existência de um direito menor. Ex. Usufruto. Esta elasticidade é mais notória no direito de propriedade. Verifica-se sempre que dois ou mais direitos reais tenham por objecto a mesma coisa. A mesma coisa pode ser objecto de diferentes direitos reais. a. Exemplo: Quando um proprietário, oferece a propriedade em usufruto a outrem; neste caso o direito do proprietário como que “encolhe” e só retoma plenamente a sua dimensão quando cessa esse direito de usufruto. 4. Especialidade/individualização – não pode existir um direito real sobre coisas genéricas. O objecto do direito tem que ser específico.

a. Os direitos reais têm por objecto coisas certas e determinadas . b. Coisas certas e determinadas, mas não necessariamente individualizadas (ex: as coisa futuras) c. Coisas certas e determinadas, o que não impede que o objecto dos direitos reais possam ser coisas compostas (ex: uma biblioteca, um rebanho, etc.)

5. Imediação e actualidade – O sujeito tem direito imediato ao objecto sobre o qual incide o direito e assim tem que ser actual. 6. Compatibilidade ou exclusão – só pode existir um direito real sobre uma determinada coisa quando for compatível com outros direitos reais sobre a mesma coisa. 7. Sequela – O titular do direito real pode seguir o objecto sobre o que o seu direito incida independentemente do local onde ele se encontre ou outro tipo de vicissitudes de ordem material (atr.1311º e ss.). As múltiplas manifestações da sequela constituem importantes meios de tutela e defesa dos direitos reais.
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. 407°) a.Por exemplo. tem em vista o registo da coisa e a sua cognoscibilidade relativamente a terceiros. Independentemente da modalidade do direito real .a primeira e imediata manifestação da sequela é a acção de reivindicação (arts. 8. alienada por quem está vinculado a dar preferência. quando praticados por pessoa sem legitimidade. para através do produto da sua venda realizar o seu direito. (art. 1306°) d. .Apenas se transmite inter-vivos.2007 Sumário: Estudo do direito de propriedade: aspectos gerais (características. A prevalência não faz sentido enquanto não houver incompatibilidade de direitos sobre a mesma coisa (Pinto Coelho) c. O registo constitui um requisito de eficácia do direito real iii. Usufruto . A publicidade dos direitos reais. Existem algumas excepções – Uso e habitação e usufruto. pedindo a sua entrega onde quer que esta se encontre. pois a servidão legal é constituída em função do prédio e não do seu titular iv. 1484) iii. devido à sua condição de inquilino Aula nº. c. 03 – Data: 16. esteja ela no património do devedor ou de terceiro. Nos direitos reais de gozo. o que importa ao preferente é a possibilidade de adquirir a coisa. Não se pode determinar convencionalmente a transmissibilidade dos direitos reais. em geral. O registo não tem eficácia constitutiva de direitos reais ii. Um direito real vai prevalecer sobre todos os direitos reais constituídos posteriormente mas vai ceder perante direitos anteriores e incompatíveis(ex: art. Transmissibilidade – os direitos reais são transmissíveis inter vivos ou mortis causa. d.DIREITO REAIS 2º.o titular do direito real é protegido contra os efeitos de actos jurídicos. comproriedade (noção. Nos direitos reais de aquisição. a manifestação da sequela impõe a sua ineficácia ou inoponibilidade em relação ao verdadeiro titular do direito. 687) 10. mas com limitações e certas condições (art. relações de vizinhança e respectivas problemáticas) 4 .10. Natureza jurídica do registo i. b. Publicidade – conferida pelo registo ou pela posse.Como por exemplo o direito de preferência. Prevalência/preferência – Um direito real há-de preferir sobre um qualquer direito de crédito. O registo serve para organizar o poder público. com violação do seu direito. Preferências legais . A prevalência é um corolário da natureza absoluta e da inerência dos direitos reais (Mota Pinto) b. pela qual se assegura a possibilidade de o titular do direito obter o reconhecimento deste e vindicar a coisa. 1311° a 1315°). aspectos específicos da propriedade sobre prédios (ius aedificandi. modos de aquisição e de extinção). Excepcionalmente na hipoteca o registo tem eficácia constitutiva de direitos reais( art. O direito real prevalece sobre o direito de crédito 9. Uso e habitação – não é transmissível. A transmissão pode ser inter-vivos ou mortis-causa c. Na generalidade dos direitos reais de garantia .o interesse do credor fica.ANO a. por atentar ao princípio da tipicidade (art. características). natureza jurídica. a. relativos à coisa que constitui o seu objecto. a. O registo não é obrigatório. Servidões legais – a transmissibilidade dos direitos de servidões só se verificam com a transmissibilidade dos respectivos prédios. nem inter-vivos nem mortiscausa. Limitações ao princípio da transmissibilidade i. 1444°) ii. Funciona como regra de verificação tendencial b. assegurado mediante a possibilidade de fazer vender a coisa. Matéria do Registo Predial em particular e do Registo em geral. o direito de preferência de compra de imóvel.

ou chegado o termo do prazo por que o direito foi conferido. definitiva ou temporariamente. na falta de disposição em contrário. enfiteuse. 2. dentro dos limites da lei e com observância das restrições por ela impostas. bem como onerá-lo. 5 . mas podem extinguir-se pelo não uso nos casos especialmente previstos na lei.Resulta do art. não podendo ser transmitido mortis causa – art. mediante o qual é assegurada a certa pessoa. ARTIGO 1444º (Trespasse a terceiro) 1. c) Pelo seu não exercício durante vinte anos. caducidade e não uso do direito) … 3.1305º ARTIGO 1305º (Conteúdo do direito de propriedade) O proprietário goza de modo pleno e exclusivo dos direitos de uso. salvas as restrições impostas pelo título constitutivo ou pela lei. • Transmissibilidade . superfície e servidão não prescrevem. a propriedade expande-se e retoma o seu conteúdo pleno Perpetuidade – é tendencialmente perpétuo. sendo aplicáveis nesses casos.298ºnº3 • ARTIGO 298º (Prescrição.o objecto pode ser transmitido por negócio inter vivos ou por mortis causa (factos sucessórios). O usufruto extingue-se: a) Por morte do usufrutuário. Os direitos de propriedade. a generalidade dos poderes de aproveitamento global das utilidades de certa coisa. b) Pela reunião do usufruto e da propriedade na mesma pessoa. a propriedade não cessa pelo decurso do tempo – art. usufruto. Extinto o direito limitativo ou onerador (ex: usufruto). dentro dos limites da lei e com observância das restrições por ela impostas. ARTIGO 1476º (Causas de extinção) 1.º e 1476º. Características do direito de propriedade: • Plenitude .ANO Aspectos gerais da propriedade ARTIGO 1305º (Conteúdo do direito de propriedade) O proprietário goza de modo pleno e exclusivo dos direitos de uso. qualquer que seja o motivo. quando não seja vitalício. • Elasticidade – é na propriedade que esta característica melhor se revela. e) Pela renúncia. O usufrutuário pode trespassar a outrem o seu direito. as regras da caducidade.DIREITO REAIS 2º. excepto o direito de usufruto que se tem como limite de duração a vida do usufrutuário. d) Pela perda total da coisa usufruída. 2. fruição e disposição das coisas que lhe pertencem. com exclusividade. A renúncia não requer aceitação do proprietário. uso e habitação. Este artigo dá-nos um ponto de partida para uma noção do direito de propriedade Direito de propriedade . 1444. O usufrutuário responde pelos danos que as coisas padecerem por culpa da pessoa que o substituir. fruição e disposição das coisas que lhe pertencem.O direito real máximo.

salvas as restrições dos artigos seguintes. unir ou confundir objecto seu com objecto alheio. dá-se a acessão industrial. ARTIGO 1325º (Noção) Dá-se a acessão.forma de aquisição originária de propriedade que decorre de duas condições: decurso de um certo lapso de tempo e Posse (posse ≠ detenção) Ocupação – 1318º e seguintes – só podem ser adquiridos por ocupação: bens móveis. animais…que nunca tiveram dono ou foram abandonados. quando com a coisa que é propriedade de alguém se une e incorpora outra coisa que lhe não pertencia. de modo que a separação deles não seja possível ou. por facto do homem. A acessão diz-se natural. quando resulta exclusivamente das forças da natureza. ocupação.ANO Modos de constituição/aquisição de uma propriedade: ARTIGO 1316º (Modos de aquisição) O direito de propriedade adquire-se por contrato. em coisa de que é titular certa pessoa. • • • Contrato e sucessão por morte – formas gerais da aquisição de direitos Usucapião . Industrial – decorre da intervenção humana ARTIGO 1333º (União ou confusão de boa fé) 1. confundindo o resultado desse trabalho com propriedade alheia. acessão e demais modos previstos na lei. se confundem objectos pertencentes a diversos donos. ou foram abandonados.DIREITO REAIS 2º. sucessão por morte. Espécies de acessão: Natural – decorre da força da natureza ARTIGO 1327º (Princípio geral) Pertence ao dono da coisa tudo o que a esta acrescer por efeito da natureza. perdidos ou escondidos pelos seus proprietários. de boa fé. quando. sendo-o. usucapião. A acessão industrial é mobiliária ou imobiliária. de outra coisa pertença de pessoa diferente. conforme a natureza das coisas. ARTIGO 1318º (Coisas susceptíveis de ocupação) Podem ser adquiridos por ocupação os animais e outras coisas móveis que nunca tiveram dono. perdidos ou escondidos pelos seus proprietários. dela resulte prejuízo para alguma das partes. Consiste na união ou incorporação. Se alguém. faz seu o objecto 6 . as coisas são de proprietários diferentes. 2. O artigo 1325º dá-nos a noção de acessão: incorporação de uma coisa noutra. • Acessão – 1325º e seguintes. ARTIGO 1326º (Espécies) 1. ou quando alguém aplica o trabalho próprio a matéria pertencente a outrem.

adjudicando-se o objecto licitado àquele que maior valor oferecer por ele. bens móveis Imobiliária – bens imóveis Modos de extinção da propriedade: • Perecimento físico da coisa sobre que incide o direito de propriedade • Abandono – equivale a uma renúncia tácita do objecto do direito (art. verificada a soma que no valor oferecido deve pertencer ao outro. se. A constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato.1403º ARTIGO 1403º 7 . 1472º nº3 – é uma acção unilateral Renúncia abdicativa – renúncia pura e simples Renúncia liberativa . sem prejuízo do disposto em matéria de obrigações genéricas e do contrato de empreitada. o do início da posse.º e 1476. se o dono dela preferir a respectiva indemnização. 4. Em qualquer dos casos previstos nos números anteriores. é o adjudicatário obrigado a pagar-lha. no usufruto – art. b) No caso de sucessão por morte. c) No caso de usucapião. Transmissibilidade da propriedade A respeito da transmissibilidade da propriedade existiriam três sistemas: 1. Modo – implica a entrega da coisa 3. Sistema misto Entre nós verifica-se o sistema de títulos – art.DIREITO REAIS 2º. Titulo – direito real transmite-se por mero efeito do contrato (principio da consensualidade) . salvas as excepções previstas na lei.408º e 1317ºc) ARTIGO 408º (Contratos com eficácia real) 1.1411º. o da verificação dos factos respectivos. Se ambas as coisas forem de igual valor e os donos não acordarem sobre qual haja de ficar com ela. Aspectos específicos da propriedade Compropriedade – art. porém. o direito transfere-se quando a coisa for adquirida pelo alienante ou determinada com conhecimento de ambas as partes.º e 1317. ARTIGO 1317º (Momento da aquisição) O momento da aquisição do direito de propriedade é: a) No caso de contrato. 3.ANO adjunto o dono daquele que for de maior valor.é uma forma de o titular de certo direito se eximir/libertar do cumprimento de uma obrigação Ex. respeitar a frutos naturais ou a partes componentes ou integrantes. al. será vendida a coisa e cada um deles haverá no produto da venda a parte que deva tocar-lhe. ainda que seja de maior valor. d) Nos casos de ocupação e acessão. A) 2. o designado nos artigos 408º e 409º. o autor da confusão é obrigado a ficar com a coisa adjunta. o da abertura da sucessão.1318º e 1397º – fazem-lhe referencia) • Renuncia expressa – art. Se a transferência respeitar a coisa futura ou indeterminada. contanto que indemnize o dono do outro ou lhe entregue coisa equivalente. abrir-se-á entre eles licitação. a transferência só se verifica no momento da colheita ou separação. Se os interessados não quiserem licitar. 2. Mobiliária – consoante a natureza. 2.º. 1472.artºs 408.

salvo se tiver havido inversão do título. ARTIGO 1406º (Uso da coisa comum) 1. tantos quantos os comproprietários. ARTIGO 1411º (Benfeitorias necessárias) 1. contanto que a não empregue para fim diferente daquele a que a coisa se destina e não prive os outros consortes do uso a que igualmente têm direito. os direitos de compropriedade são sempre iguais Quanto à natureza jurídica existem três tipos: 1. 2. quando a despesa tenha sido anteriormente aprovada pelo interessado. ARTIGO 1407º (Administração da coisa) 8 . todavia. pode exigir o fim do regime de compropriedade em coisa que seja divisível – art.1409º. 2. porém. quantitativamente iguais na falta de indicação em contrário do título constitutivo. Considera-se que quanto à compropriedade existe um único direito com vários proprietários 2. quando duas ou mais pessoas são simultaneamente titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa. São vários titulares de um direito de propriedade sobre um só objecto de direito. Quantitativamente. na proporção das respectivas quotas. Aspectos do regime da compropriedade: • Uso da coisa comum – em princípio prevalecerá. A renúncia. Na falta de acordo sobre o uso da coisa comum. Numa o direito incide sobre a quota ideal e noutra. as quotas presume-se. A versão aceite é aquele que concebe a compropriedade como a existência de vários direitos sobre quotas ideais.1411º • Administração da coisa comum – art. para as despesas necessárias à conservação ou fruição da coisa comum. não é válida sem o consentimento dos restantes consortes.DIREITO REAIS 2º. a qualquer dos comproprietários é lícito servir-se dela. ou compropriedade. sem prejuízo da faculdade de se eximirem do encargo renunciando ao seu direito. o direito de compropriedade presume-se que os direitos são iguais Qualitativamente. embora possam ser quantitativamente diferentes. A renúncia do comproprietário está sujeita à forma prescrita para a doação e aproveita a todos os consortes. Os comproprietários devem contribuir. 3.ANO (Noção) 1. e é revogável sempre que as despesas previstas não venham a realizar-se. Se não houver acordo a lei terá que definir como deverá ser usada a coisa por cada um dos comproprietários – art. Existe propriedade em comum. Os direitos dos consortes ou comproprietários sobre a coisa comum são qualitativamente iguais. 2.1407º que remete para o 985º • Divisão da coisa comum – nenhum dos comproprietários é obrigado a estar no regime da compropriedade. O uso da coisa comum por um dos comproprietários não constitui posse exclusiva ou posse de quota superior à dele.1406º • Obrigação de participar nas benfeitorias necessárias e despesas – art. quanto ao uso da coisa aquilo que as partes acordarem. esses vários direitos incidem sobre o seu todo (do bem como um todo) 3.1412º e 1413º • Direito da preferência – art. Não é um direito que existe mas vários. no caso de um comproprietário querer alienar parte da compropriedade os demais comproprietários têm preferência na aquisição dessa quota-parte. em proporção das respectivas quotas.

ARTIGO 1409º (Direito de preferência) 1. a maioria dos consortes exigida por lei. fazer obras e outras. a qualquer dos consortes é lícito recorrer ao tribunal. desde logo. na proporção das suas quotas. Pertencendo a administração a todos os sócios ou apenas a alguns deles. onde começa e acaba determinado prédio e onde começa e acaba o prédio do vizinho. é necessário que eles representem. ou da maioria deles. mas deve ser registada para tal efeito. No entanto. para que haja. A divisão é feita amigavelmente ou nos termos da lei do processo. A divisão amigável está sujeita à forma exigida para a alienação onerosa da coisa. Se o contrato confiar a administração a todos ou a vários sócios em conjunto. com as adaptações convenientes. 3. 3. este direito não será tão absoluto como poderia parecer. uma ou mais vezes. 2. Na falta de convenção em contrário. outros. todos os sócios têm igual poder para administrar. o disposto no artigo 985º. A cláusula de indivisão vale em relação a terceiros. ARTIGO 1412º (Direito de exigir a divisão) 1. desde logo a obediência a certos limites que a lei imprime – PDM. compreende uma série de limitações administrativas. O prazo fixado para a indivisão da coisa não excederá cinco anos. se a compropriedade respeitar a coisas imóveis ou a coisas móveis sujeitas a registo. Salvo estipulação noutro sentido. 2. Por outro lado. É aplicável à preferência do comproprietário. que as deliberações podem ser tomadas por maioria. Aspectos específicos da propriedade sobre prédios – art. ARTIGO 1413º (Processo da divisão) 1. o disposto nos artigos 416º a 418º. pelo menos. entende-se. a utilização do imóvel deve respeitar determinadas regras/restrições e assim. a qualquer dos administradores é lícito praticar os actos urgentes da administração destinados a evitar à sociedade um dano iminente. 4. qualquer dos administradores tem o direito de se opor ao acto que outro pretenda realizar. considera-se tomada por maioria a deliberação que reúna os sufrágios de mais de metade dos administradores. 3. O direito de naquela propriedade construir. salvo quando se houver convencionado que a coisa se conserve indivisa. Os actos realizados pelo comproprietário contra a oposição da maioria legal dos consortes são anuláveis e tornam o autor responsável pelo prejuízo a que der causa. 2. seja exigido o assentimento de todos os administradores. metade do valor total das quotas. 9 . É aplicável aos comproprietários. ou dação em cumprimento. 2. ou para determinada categoria de actos. 2.DIREITO REAIS 2º. a quota alienada é adjudicada a todos. O comproprietário goza do direito de preferência e tem o primeiro lugar entre os preferentes legais no caso de venda. a estranhos da quota de qualquer dos seus consortes. em caso de dúvida. cabendo à maioria decidir sobre o mérito da oposição. por nova convenção. Quando não seja possível formar a maioria legal. Ainda que para a administração em geral. 5. porém. ARTIGO 985º (Administração) 1. Estas limitações dependem do imóvel que esteja em causa Relação de vizinhança – A noção de vizinhança é. Nenhum dos comproprietários é obrigado a permanecer na indivisão. licença camarária. mais abrangente do que a confinação. Sendo dois ou mais os preferentes. 3. mas é lícito renovar este prazo. que decidirá segundo juízos de equidade.ANO 1. com as necessárias adaptações. Um não poderá fazer o uso do seu prédio que esbarre com a vizinhança.1344º e seguintes: Ius aedificandi – direito de construir ou edificar. Uma outra limitação prende-se com o facto da demarcação.

varandas e obras semelhantes – art. 04 – Data: 23.2007 Sumário: Continuação do estudo do direito de propriedade.1365º .ANO A lei regulamenta uma série de aspectos para resolver as questões de vizinhança: • Direito de demarcação – art.1356º e 1357º.1346º .1353º e 1354º.Estalicídio – Obrigação imposta ao proprietário de evitar que a cobertura goteje para o vizinho.1366º o Frutos caídos noutros prédios – art.Acessão natural – os casos mais importantes são os previstos nos art. vedar – ajudam a resolver o problema da demarcação.1325º e seguintes .1369º (só podem ser cortadas ou arrancadas se for de comum acordo) • Emissão – art.Acessão industrial imobiliária – o artigo mais importante é o 1340º Parte-se de2 Pressupostos importantes: Boa fé e não conhecimento de que o terreno não era seu Problemática do art. portas.a regra é que o proprietário se pode opor à emissão – é aqui que começam os problemas no que toca às questões de delimitação das relações de vizinhança. • Instalações – a lei diferencia dois regimes – art. Pode. só se não houver entendimento se deve recorrer a meios judiciais.1347º o . Aula nº.Instalações que têm as respectivas licenças (basta o perigo para serem fechadas) o . • Direito de tapagem – art.1360º a 1364º.1328º e 1329º .1363º . Tapar.Não basta o perigo. rasgões ou plataformas em edifícios em função de proximidade de outros prédios – art. Se nascer espontaneamente – art. o prejuízo tem que ser efectivo • Escavações – art. Para que se exerça este direito. Elaboração de casos práticos Ainda sobre as restrições sobre o direito de propriedade: Acessão de dívidas – art.DIREITO REAIS 2º. • Direito de plantação: o Raízes e troncos invasores – art.1367º o Arvores e arbustos nas linhas divisórias: Não se podem plantar (regra de proibição).1348º • Passagem forçada momentânea – 1349º • Recepção de água – 1351º e 1352º • Abertura.10.1340ºnº1 – só se pode dar acessão se: • Não houver uma relação jurídica anterior • Distinção entre obras novas ou benfeitorias – só em caso de obras novas se pode dar a acessão 10 .1360º Deve resguardar-se um intervalo de metro e meio em relação ao prédio do vizinho • Aquisição por usucapião de servidão de vistas – 1362º • Art. Art. no entanto constituir-se uma servidão de estalicídio. terá que se usar obrigatoriamente os meios extrajudiciais e.não há necessidade de se resguardar a distância de lei • Abertura de janelas.

1414º. podem pertencer a proprietários diversos em regime de propriedade horizontal. 11 . com as necessárias adaptações.Outro âmbito de aplicação do regime de propriedade horizontal . O autor das obras …pode ficar com ele pelo valor fixado segundo as regras do enriquecimento sem causa. 1414º e seguintes DL.limita a aplicabilidade do regime da propriedade horizontal.1438º-A .2007 Sumário: Estudo do regime da propriedade horizontal. 05 – Data: 30. Propriedade Horizontal – art.1415º .ANO Estes dois pressupostos evitam efeitos não desejados De qualquer forma. enunciando mais condições para que ser constituída a propriedade horizontal.DIREITO REAIS 2º. permite definir o âmbito de aplicação do regime da propriedade horizontal . levantam-se dois problemas na Propriedade Horizontal: A relação entre o conjunto dos condóminos sobre as partes comuns.Que existam vários edifícios ligados entre si. Aula nº. não de boa fé mas de má fé (sabia que o terreno não era seu ou não foi autorizado para lá fazer…) Aqui o regime a aplicar já será outro: O proprietário pode exigir que o terreno seja restituído.1341º . 269/94 de 25 de Outubro ARTIGO 1414º (Princípio geral) As fracções de que um edifício se compõe.10. 268/94 de 25 de Outubro DL. Os poderes que cada um dos condóminos tem relativamente à sua fracção autónoma Organização propriamente dita dos condóminos (esta resulta directamente da Lei) Regime da propriedade horizontal: Art.Pressupõe que haja várias fracções do mesmo edifício e que constituam unidades independentes (habitacionais) Art. a conjuntos de edifícios contíguos funcionalmente ligados entre si pela existência de partes comuns afectadas ao uso de todas ou algumas unidades ou fracções que os compõem. ARTIGO 1438º-A (Propriedade horizontal de conjuntos de edifícios) O regime previsto neste capítulo pode ser aplicado. O art.parte de um premissa diferente. Em abstracto. levanta-se aqui uma questão: para efeitos de acessão deve considerar-se apenas a parte do terreno onde a obra foi feita ou todo o terreno? Segundo a doutrina deverá apenas considerar-se o terreno onde a obra foi feita (pág89 no livro). (Aditado pelo Dec. Resolução de casos práticos…. em condições de constituírem unidades independentes. de 25-10) Art.-Lei 267/94.

vestíbulos. ar condicionado. Art. e) Em geral. colunas. A propriedade horizontal pressupõe a existência de duas zonas: • Fracções autónomas • Zonas comuns ARTIGO 1421º (Partes comuns do prédio) 1. electricidade. e) Em geral. paredes mestras e todas as partes restantes que constituem a estrutura do prédio. “a) Os pátios e jardins anexos ao edifício. terraços. d) As garagens e outros lugares de estacionamento. … Este nº1 levanta algumas questões. poderá ser feito por qualquer outro meio de prova? O que tem sido dito é que essa prova pode ser feita por feita por um qualquer outro meio de prova. escadas e corredores de uso ou passagem comum a dois ou mais condóminos. Institui o regime da propriedade de propriedade horizontal 12 . por se tornar difícil a definição de onde é que acaba e começa a noção de instalações gerais. ainda que destinados ao uso de qualquer fracção. d) As instalações gerais de água. de 25-10) O que é uma zona autónoma e uma zona comum? Art. O título constitutivo pode afectar ao uso exclusivo de um dos condóminos certas zonas das partes comuns.Titulo constitutivo. bem como os alicerces.-Lei 267/94. c) As dependências destinadas ao uso e habitação do porteiro. nº2 – Estabelece uma presunção: Presumem-se comuns. Presumem-se ainda comuns: a) Os pátios e jardins anexos ao edifício. c) As dependências destinadas ao uso e habitação do porteiro. b) Os ascensores. sejam distintas e isoladas entre si.1421º nº1 – São zonas obrigatoriamente comuns: • Zonas estruturantes do edifício • Telhados. as coisas que não sejam afectadas ao uso exclusivo de um dos condóminos.1418º .DIREITO REAIS 2º. d) As garagens e outros lugares de estacionamento. nomeadamente no que toca à alínea d9. b) O telhado ou os terraços de cobertura. São comuns as seguintes partes do edifício: a) O solo. todas as partes descritas neste nº2. gás. 3. aquecimento. pilares. electricidade. as coisas que não sejam afectadas ao uso exclusivo de um dos condóminos. 2. com saída própria para uma parte comum do prédio ou para a via pública. … • Entradas corredores usados por mais de um condómino • Instalações gerais de água.” Quanto a esta presunção. levanta-se uma questão: Se a prova em contrário é apenas feita através da constituição da propriedade horizontal ou. além de constituírem unidades independentes. comunicações e semelhantes. b) Os ascensores. (Redacção do Dec. c) As entradas.ANO ARTIGO 1415º (Objecto) Só podem ser objecto de propriedade horizontal as fracções autónomas que.

A falta da especificação exigida pelo nº 1 e a não coincidência entre o fim referido na alínea a) do nº 2 e o que foi fixado no projecto aprovado pela entidade pública competente determinam a nulidade do título constitutivo. (Redacção do Dec. 3.-Lei 267/94. b) Regulamento do condomínio. é um aspecto menos feliz) O art. No título constitutivo serão especificadas as partes do edifício correspondentes às várias fracções. se não constar da propriedade horizontal. ainda que não exista essa obrigatoriedade. de qualquer forma um instrumento que em lado algum na lei refere que tem de ser publicitado. usucapião ou decisão judicial. É. ele é oponível a terceiros (o facto de não se exigir a sua publicitação. fruição e conservação. No entanto. quer das fracções autónomas. fruição e conservação das partes comuns e autónomas do prédio e vincular os diferentes condóminos. A constituição da propriedade horizontal por decisão judicial pode ter lugar a requerimento de qualquer consorte. este fim só poderá ser alterado por unanimidade. disciplinando o uso. e será fixado o valor relativo de cada fracção.1417º .ANO ARTIGO 1418º (Conteúdo do título constitutivo) 1.DIREITO REAIS 2º. 2. o título constitutivo pode ainda conter.1429º-A estabelece a obrigatoriedade da existência do regulamento sempre que existam mais de 4 condóminos. por forma que estas fiquem devidamente individualizadas. a sua alteração poderá ser feita por maioria simples (art.negócio jurídico (obrigatoriamente sujeito a forma – escritura pública – artº80 Código do Notariado). 13 . desde que no caso se verifiquem os requisitos exigidos pelo artigo 1415º. usucapião. do valor total do prédio. designadamente: a) Menção do fim a que se destina cada fracção ou parte comum. Neste caso. proferida em acção de divisão de coisa comum ou em processo de inventário.1432º) • Regulamento do condomínio – vais disciplinar as regras que vêm regular o uso. quer das partes comuns. expresso em percentagem ou permilagem. de 25-10) Como é que se constitui a propriedade horizontal? Art. 2. ARTIGO 1417º (Princípio geral) 1. Conteúdo obrigatório do título constitutivo (requisitos): O art.1418º dispõe elementos obrigatórios e facultativos Obrigatórios: • Deve especificar as partes do edifício que correspondem às várias fracções e fixar o valor relativo a cada uma delas expresso em percentagem ou permilagem Facultativos: • Fim a que se destina o edifício – se o fim a que se destina o edifício constar da propriedade horizontal. Além das especificações constantes do número anterior. c) Previsão do compromisso arbitral para a resolução dos litígios emergentes da relação de condomínio. o regulamento deve disciplinar apenas as partes comuns. A propriedade horizontal pode ser constituída por negócio jurídico. decisão administrativa ou decisão judicial.

no entanto o art.º-A. já não há necessidade de unanimidade mas apenas maioria (art. Cada condómino é proprietário exclusivo da fracção que lhe pertence e comproprietário das partes comuns do edifício. O conjunto dos dois direitos é incindível.-Lei 267/94. ou ao administrador do condomínio quando aquela não o elabore (n. deve ser elaborado um regulamento do condomínio disciplinando o uso.DIREITO REAIS 2º. a fruição e a conservação das partes comuns. 14 . torna obrigatório este regulamento quando haja mais do que 4 condóminos. 2. n. 1429. 2 . estabelecem-se algumas diferenças: Compropriedade em geral Todo o comproprietário pode exigir a divisão da coisa Direito de preferência O direito incide sobre a quota ideal da compropriedade Neste regime não existem órgãos Regime do condomínio. só por unanimidade dos condóminos (art. em particular Nenhum comproprietário pode exigir a divisão da coisa (zonas comuns) Não goza desse direito O direito incide sobre a zona autónoma especificada Existe organicidade Direitos e obrigações dos condóminos: Direitos dos condóminos: • Direito sobre a fracção autónoma – art.Havendo mais de quatro condóminos e caso não faça parte do título constitutivo.ANO ARTIGO 1429º-A (Regulamento do condomínio) 1 . cuja competência de elaboração pertence à assembleia de condóminos.º 2) Outras questões no âmbito do regulamento do condomínio: Saber qual a maioria necessária para o alterar: • Se fizer parte do titulo constitutivo da propriedade horizontal.º 1. se aquela o não houver elaborado. nenhum deles pode ser alienado separadamente. (Aditado pelo Dec.1432º) Natureza jurídica do direito de condomínio: • Direito de propriedade – fracção autónoma • Direito de compropriedade – zonas comuns Entre regime da compropriedade em geral e o regime do condomínio em particular. nem é lícito renunciar à parte comum como meio de o condómino se desonerar das despesas necessárias à sua conservação ou fruição. de 25-10) Não será à partida obrigatória a existência de um regulamento de condomínio.1419º) • Se não fizer parte do título constitutivo da propriedade horizontal e tiver sido feito posteriormente. a feitura do regulamento compete à assembleia de condóminos ou ao administrador.1414º e 1420ºnº1 ARTIGO 1420º (Direitos dos condóminos) 1.Sem prejuízo do disposto na alínea b) do nº 2 do artigo 1418º.

a linha arquitectónica ou o arranjo estético do edifício” Por oposição: 15 .1428º . segundo o valor entre eles acordado ou fixado judicialmente. • Obrigação de participar em despesas correntes e despesas com ascensores ou escadas mas aqui o critério que a lei fixa não é o mesmo (só participam os condóminos que deles de sirvam).1422ºnº2 d) • Obrigação de não prejudicar. Os condóminos que não queiram participar nas despesas da reconstrução podem ser obrigados a alienar os seus direitos a outros condóminos. a segurança. pelo menos. 2. através da assembleia de condóminos – art. • Art.DIREITO REAIS 2º. sempre que fique destruído na totalidade ou em parte que represente pelo menos ¾ dos eu valor. em valor proporcional às suas fracções. mais específicos: • Direito de efectuar reparações indispensáveis. • Obrigação dos condóminos que não residam no edifício de darem a conhecer a sua morada de residência ou a mora da de quem os representa • Obrigação de participar em despesas com inovação.direito de proceder à venda do prédio e participar no produto dessa venda.1422ºnº2 a) “Prejudicar.4º do DL 268/94 • Obrigação de respeitar o título constitutivo – art.1422ºnº2 c) • Obrigação de contribuir para as despesas necessárias à conservação e fruição das partes comuns. qualquer dos condóminos tem o direito de exigir a venda do terreno e dos materiais. necessárias e urgentes nas partes comuns do edifício. Obrigações dos condóminos: • Obrigação de afectar a sua fracção apenas ao fim a que foi destinada – art. decorre do art. É permitido ao alienante escolher o condómino ou condóminos a quem a transmissão deve ser feita. ARTIGO 1428º (Destruição do edifício) 1. pela forma que a assembleia vier a designar. quer por falta de reparação. Se a destruição atingir uma parte menor. três quartos do seu valor. a reconstrução deste.ANO • Direito de compropriedade (zonas comuns) – art. 4. No caso de destruição do edifício ou de uma parte que represente.1420ºnº1 • Perante terceiros há a possibilidade de um proprietário agir sem a intervenção dos outros condóminos • Direito de participar na administração do condomínio.1430º e seguintes Direitos dos condóminos. 3. pode a assembleia deliberar. pela maioria do número dos condóminos e do capital investido no edifício.1422ºnº2 a) Obras inovadoras: Art. segundo o critério de participação em despesas correntes – art.1429º • Obrigação de contribuir para um fundo de reserva do condomínio (normalmente equivale a 10% das despesas). O nº2 do mesmo artigo constitui uma excepção para não participar em tais despesas • Obrigação de seguro contra incêndio quer nas partes comuns quer nas partes autónomas – art. quer com obras novas.1426ºnº1. por acção ou omissão a segurança e linha arquitectónica dos edifício – art.

As obras que constituam inovações dependem da aprovação da maioria dos condóminos. Nota: o nº3 do art.1425º também trata esta questão das obras inovadoras. 2. Sem prejuízo do disposto no nº 3 do artigo 1422º-A. a sensibilidade de cada um é única.ANO Art. podem fazer-se desde que…. O art. havendo acordo de todos os condóminos.1425ºnº1 se refere a fracções autónomas e o art. Duas soluções: Ou consideráramos que o art. Nas partes comuns do edifício não são permitidas inovações capazes de prejudicar a utilização. Teoricamente a solução parece ser simples mas na prática.1422ºnº3 “As obras que modifiquem a linha arquitectónica ou o arranjo estético do edifício podem ser realizadas se para tal se obtiver prévia autorização da assembleia de condóminos. a maioria de 2/3 já não se coloca quando esteja em causa a segurança. aprovada por maioria representativa de dois terços do valor total do prédio” Como conciliar estes dois regimes? .1422º não fala em segurança. 16 . O nº1 repete a ideia do art1422ºnº3 O nº2 em si não merece grande problema e é apenas este: Apenas se refere às partes comuns do edifício o que nos leva a questionar se o nº1 do mesmo artigo (1425º) se refere também apenas às partes comuns ou também às partes autónomas.Se prejudicarem então estão vedadas. tanto das coisas próprias como das comuns. o título constitutivo da propriedade horizontal pode ser modificado por escritura pública. por parte de algum dos condóminos. Ou devemos interpretar que o legislador disse a mesma coisa duas vezes.1422º-A ARTIGO 1419º (Modificação do título) 1. Segundo Antunes Varela e Pires de Lima sustentam que só as obras inovadoras nas partes comuns dependem de autorização dos condóminos enquanto que Rui Vieira Miller sustenta o contrário.DIREITO REAIS 2º.1422ºnº3 às partes comuns.1419º Excepção – fusão e divisão de fracções autónomas – art. O problema não acaba aqui. isto é. . devendo essa maioria representar dois terços do valor total do prédio.Se as obras modificarem mas não prejudicarem. não sendo claro se apenas trata as obras nas partes comuns ou também as obras nas fracções autónomas ARTIGO 1425º (Inovações) 1. Alteração do título constitutivo: Regra – Só pode ser alterado com o acordo de todos os condóminos – art.

4.art. por acto unilateral constante de escritura pública. A inobservância do disposto no artigo 1415º importa a nulidade do acordo.1437º • Os actos do administrador são passíveis de recurso para a assembleia de condóminos – art. Nos casos previstos nos números anteriores. pode outorgar a escritura pública a que se refere o número anterior.1435ºnº1 e 2 • Qualquer um dos condóminos como um terceiro pode ser administrador do condomínio e o período é de funções é de 1 ano. Não é permitida a divisão de fracções em novas fracções autónomas. quando se mostre que praticou irregularidades ou agiu com negligência no exercício das suas funções. qualquer condómino pode requerer ao Tribunal que nomeie um administrador – art. salvo se outro condómino houver manifestado vontade de exercer o cargo e houver comunicado tal propósito aos demais condóminos. salvo disposição em contrário. será este nomeado pelo tribunal a requerimento de qualquer dos condóminos. O cargo de administrador é remunerável e tanto pode ser desempenhado por um dos condóminos como por terceiro. a requerimento de qualquer condómino. O administrador é eleito e exonerado pela assembleia. de 25-10) ARTIGO 1435º-A (Administrador provisório) 1. O administrador pode ser exonerado pelo tribunal. salvo autorização do título constitutivo ou da assembleia de condóminos. 3. 3. aprovada sem qualquer oposição. Se a assembleia de condóminos não eleger administrador e este não houver sido nomeado judicialmente.-Lei 267/94. (Aditado pelo Dec.-Lei 267/94. 4. O administrador mantém-se em funções até que seja eleito ou nomeado o seu sucessor. de duas ou mais fracções do mesmo edifício.ANO 2. (Redacção do Dec. Para efeitos do disposto no número anterior. • A administração do condomínio pode ser oneroso ou não – art1435º • O administrador tem legitimidade para agir em juízo…. • Vai ser eleito e exonerado pela assembleia.DIREITO REAIS 2º. 5. 5.1430º e seguintes Pressupõe a existência de órgãos: Administrador do condomínio • Cabe-lhe representar todos os condóminos nos interesses que lhes sejam comuns. pelo condómino cuja fracção ou fracções representem a maior percentagem do capital investido. Se a assembleia não eleger administrador. introduzir a correspondente alteração no título constitutivo. esta nulidade pode ser declarada a requerimento das pessoas e entidades designadas no nº 2 do artigo 1416º. 17 . (Redacção do Dec. a título provisório. em representação do condomínio. renovável.1438º ARTIGO 1435º (Administrador) 1. O administrador. desde que estas sejam contíguas. de 25-10) ARTIGO 1422º-A (Junção e divisão de fracções autónomas) 1. 3. Não carece de autorização dos restantes condóminos a junção. 2. o período de funções é. 2. de um ano. Se a assembleia não eleger administrador. numa só.-Lei 267/94. cabe aos condóminos que juntaram ou cindiram as fracções o poder de. desde que o acordo conste de acta assinada por todos os condóminos. a contiguidade das fracções é dispensada quando se trate de fracções correspondentes a arrecadações e garagens. A escritura pública a que se refere o número anterior deve ser comunicada ao administrador no prazo de 30 dias. as correspondentes funções são obrigatoriamente desempenhadas. de 25-10) Administração do condomínio: Art.

ou por condóminos que representem. quer contra terceiro. (Aditado pelo Dec. 3. Quando. as funções recaem sobre aquele a que corresponda a primeira letra na ordem alfabética utilizada na descrição das fracções constante do registo predial.1431º e 1432º) A regra decorre do DL268/94 ARTIGO 1431º (Assembleia dos condóminos) 1. Os condóminos podem fazer-se representar por procurador. O administrador tem legitimidade para agir em juízo. f) Realizar os actos conservatórios dos direitos relativos aos bens comuns. além de outras que lhe sejam atribuídas pela assembleia: a) Convocar a assembleia dos condóminos. i) Representar o conjunto dos condóminos perante as autoridades administrativas. As deliberações da assembleia de condomínio são vinculativas para os condóminos e para terceiros titulares de algum direito desde que seja consignada em acta. propondo à assembleia o montante do capital seguro.1432º • Reúne obrigatoriamente uma vez por ano. j) Prestar contas à assembleia. a qual pode neste caso ser convocada pelo condómino recorrente. Logo que seja eleito ou judicialmente nomeado um administrador.ANO 2.DIREITO REAIS 2º. 18 .-Lei 267/94. 3. na execução das funções que lhe pertencem ou quando autorizado pela assembleia. de 25-10) ARTIGO 1437º (Legitimidade do administrador) 1. l) Assegurar a execução do regulamento e das disposições legais e administrativas relativas ao condomínio. g) Regular o uso das coisas comuns e a prestação dos serviços de interesse comum. O administrador pode também ser demandado nas acções respeitantes às partes comuns do edifício. d) Cobrar as receitas e efectuar as despesas comuns. ARTIGO 1438º (Recurso dos actos do administrador) Dos actos do administrador cabe recurso para a assembleia. salvo se a assembleia atribuir para o efeito poderes especiais ao administrador. Forma de funcionamento: art. o condómino que nos termos do presente artigo se encontre provido na administração cessa funções. quer contra qualquer dos condóminos. e) Exigir dos condóminos a sua quota-parte nas despesas aprovadas. Exceptuam-se as acções relativas a questões de propriedade ou posse dos bens comuns. houver mais de um condómino em igualdade de circunstâncias. nos termos do número anterior. de 25-10) ARTIGO 1436º (Funções do administrador) São funções do administrador. c) Verificar a existência do seguro contra o risco de incêndio. 2. na 1ª quinzena de Janeiro para apresentar o relatório de contas do ano anterior e aprovação do orçamento do próximo ano. para discussão e aprovação das contas respeitantes ao último ano e aprovação do orçamento das despesas a efectuar durante o ano. A assembleia também reunirá quando for convocada pelo administrador. A assembleia reúne-se na primeira quinzena de Janeiro. (Redacção do Dec. m) Guardar e manter todos os documentos que digam respeito ao condomínio. h) Executar as deliberações da assembleia. 3.-Lei 267/94. b) Elaborar o orçamento das receitas e despesas relativas a cada ano. mediante convocação do administrador. 2. pelo menos. devendo entregar àquele todos os documentos respeitantes ao condomínio que estejam confiados à sua guarda. vinte e cinco por cento do capital investido. Assembleia de condóminos (art.

na mesma hora e local. As deliberações que careçam de ser aprovadas por unanimidade dos votos podem ser aprovadas por unanimidade dos condóminos presentes desde que estes representem. convocada pelo administrador ou pelos condóminos que representem …. organização com base nos prédios 19 .1º do Código registo predial  . é um órgão estatal • Assenta numa base real. Entre nós. • Os condóminos podem fazer-se representar por procurador ARTIGO 1432º (Convocação e funcionamento da assembleia) 1. ao administrador o seu domicílio ou o do seu representante. por carta registada com aviso de recepção. hora. 8. Os condóminos têm 90 dias após a recepção da carta referida no número anterior para comunicar. 7. de 25-10) Aula nº. (Redacção do Dec. 3. à assembleia de condóminos o seu assentimento ou a sua discordância. Os condóminos não residentes devem comunicar. Pode ser o único acto ou fazer parte de um conjunto de actos para a constituição ou transmissão de um direito. local e ordem de trabalhos da reunião e informar sobre os assuntos cujas deliberações só podem ser aprovadas por unanimidade dos votos. 5.Enunciar um direito  . pelo menos. considera-se convocada nova reunião para uma semana depois. 9. por escrito.ANO • Reunirá extraordinariamente. o Registo predial pode desempenhar outros objectivos: • Fim constitutivo transmissivo – o próprio registo é uma condição de constituição ou transmissão de direitos. por escrito.Dar publicidade  . desde que estes representem. 06 – Data: 06. 4. pelo menos. 2. Se não comparecer o número de condóminos suficiente para se obter vencimento e na convocatória não tiver sido desde logo fixada outra data. é a constituição de hipoteca – art. sob condição de aprovação da deliberação pelos condóminos ausentes. salvo disposição especial. Qual o objectivo/fim do registo predial? Art. por maioria dos votos representativos do capital investido. desde que haja recibo de recepção assinado pelos condóminos. A assembleia é convocada por meio de carta registada. nos termos dos números seguintes. enviada com 10 dias de antecedência.-Lei 267/94. 6. As deliberações têm de ser comunicadas a todos os condóminos ausentes. As deliberações são tomadas.11.686ºCC O registo predial é condição de eficácia perante terceiros – art.Criar segurança jurídica de terceiros Para além deste fim. podendo neste caso a assembleia deliberar por maioria de votos dos condóminos presentes. um quarto do valor total do prédio. Elaboração de casos práticos. no prazo de 30 dias. O silêncio dos condóminos deve ser considerado como aprovação da deliberação comunicada nos termos do nº 6. um caso em que o registo predial é condição para a constituição de um direito. dois terços do capital investido.2007 Sumário: Estudo das principais características do registo predial português. ou mediante aviso convocatório feito com a mesma antecedência.DIREITO REAIS 2º. A convocatória deve indicar o dia.5º CrP Características que o sistema jurídico português do Registo predial apresenta: • Tem carácter Estatal.

189-A do Código do Notariado estabelece uma possibilidade diferente que se assemelha ao registo oficioso. Nesse caso. há sempre uma ou mais conservatórias do Registo Predial Alguns princípios fundamentais de funcionamento do R. Se não se consegue provar essa cadeia de registos para que se possa transmitir esse direito. à contrari. Incompatibilidade de algumas regras do CrP com algumas regras com CC: O art.116º CrP – situação de justificação notarial. prevalecerá o registo que tenha sido feito em primeiro lugar. é mais que uma mera faculdade mas menos que uma obrigação. Esta presunção pode ser elidida . Esse prédio terá que estar registado a favor de quem o vai transmitir. O art.2º e 3º CrP.P. • Princípio da instância – para que o registo predial seja elaborado é necessário que os interessados o requeiram.se se demonstrar que o registo está viciado – art.5º do CrP 20 . São excepções.DIREITO REAIS 2º. • Regra da prioridade – art. • Sistema de controlo da legalidade – é o conservador que tem de verificar a legalidade formal substancial do registo • Princípio do trato sucessivo – para que possa constituir um direito ou um encargo sobre esse prédio. aquelas que são ditadas por normas de valor substantivo.5ºnº2: aquisições fundadas em usucapião e servidões aparentes.119º CrP – quando não é em favor da pessoa que está a ser executada que o registo está inscrito (caso de arresto ou penhor).34 CrP. dependendo do concelho. Excepções: Art.408º CC é incompatível com o art. faz-se uma justificação notarial Art. • Efeito de legitimação – preocupa-se a transmitir ou a constituir um certo direito sobre um certo prédio. Quando existem vários direitos registados sobre o mesmo bem. Exemplo: terceiros de boa fé Outros efeitos relacionados com o registo predial português: • Efeito Presuntivo – art. entre nós: • Assume a natureza de ónus jurídico.3º do CrP dedica-se às acções judiciais que devem ser registadas. CrP. O nº4º dá-nos uma noção de terceiros. Da sua não verificação não advém qualquer sanção mas se o não fizer. A inscrição no registo predial faz presumir que aquela pessoa é proprietária daquele bem.14 e SS. • Apenas os factos típicos do registo predial é que vão estar sujeitos a registo – art. Depende da iniciativa dos interessados. tem que haver uma sequência/cadeia de registos prediais – art. direitos que entre si não são compatíveis. O art. Essa natureza de ónus jurídico retira-se de algumas regras do CrP – art. Neste caso.6 CrP.9º e 5º. Se o facto que serviu de base para aquele registo é inválido ou insuficiente para lhe servir de base. Assim.7º CrP. verificar quais são os factos que não estão sujeitos a registo – art. daí podem resultar certo tipo de desvantagens. embora não o sendo.ANO • É descentralizado. já permite a constituição de ónus sobre um bem que não está registado a favor de certa pessoa. Interessa.

ANO Art. fruição e administração da coisa ou do direito) O usufrutuário pode usar.É o gozo pleno que se traduz na faculdade de uso.Deixa de estar protegido.5º CrP vem dizer quem são os terceiros para efeitos de registo (noção restrita de terceiros). no prazo de 3 anos pode ser proposta uma acção de nulidade . A chamada “nua propriedade” ou “propriedade raiz”. Não pode alterar subsistência da coisa.Oneroso . só neste caso o nº1 do art. Esse direito de propriedade tem de ser alheio (1476º nº 1 b) Conteúdo do direito do usufruto (pag.Boa fé . fruir e administrar a coisa ou o direito como faria um bom pai de família.2007 Sumário: Estudo do direito de usufruto e do direito de uso e de habitação. salvo o poder de disposição do objecto sobre que incide 21 .Registada a aquisição antes do registo da acção de nulidade c/v c/v A B C NULA nº2 .DIREITO REAIS 2º.5º nº1 CrP – até pode ser mas. Norma 291º CC nº1 .5º tem relevância. gozar ou administrar a coisa. Usufruto – É o direito de gozar temporariamente e plenamente uma coisa ou direito. respeitando o seu destino económico.Valem as regras do direito substantivo – Código civil Aula nº.  O usufruto tem os poderes que cabem no direito de propriedade. sem alterar a sua forma ou subsistência (1439º) ARTIGO 1439º (Noção) Usufruto é o direito de gozar temporária e plenamente uma coisa ou direito alheio.11. sem alterar a sua forma ou substância. 167) . É um gozo temporário.408º nº1CC – a transferência de propriedade dá-se por mero efeito de contrato Art. 07 – Data: 20. fruição e administração sobre a coisa que incide o direito (1446º) ARTIGO 1446º (Uso. Elaboração de casos práticos. Características – confere o gozo pleno que se manifesta por usar.Protegido . para efeitos de terceiros é necessário o registo O nº4 do art. É um direito que coexiste com o direito de propriedade.

ANO  Esse gozo não pode alterar a forma ou a substancia de objecto do usufruto (salvo no caso de usufruto de coisas consumíveis – 1451º)  O objecto do usufruto pode ser transformado.  As fontes de imitação temporal do usufruto são várias o No que respeita ao usufruto constituído a favor de pessoas singulares. o mesmo não se pode exceder a duração da vida do usufrutuário (primitivo) art. o usufruto transmitente extingue-se. o usufruto que B transmitiu ao C volta para B ou para os herdeiros de C. 1. não tem que ser necessariamente uma coisa corpórea. O usufruto constituído a favor de mais do que uma pessoa tanto pode ser simultâneo como sucessivo. A usufruto B transmitente C À morte de B.º Trespasse a terceiro 22 . excepto se “tiver sido concedido só em atenção á existência de tal pessoa – 1447º.º 1. No caso de ser C a morrer. n. o No caso do usufruto constituído a favor de duas ou mais pessoas singulares. 1444. o artigo 1449º diz que o usufruto abrange as coisas acrescidas à coisa usufruída. Carácter próprio do usufruto:  O usufruto é um direito temporário  A limitação temporal do usufruto visa impedir a perpetuação da divisão dos poderes sobre a coisa do seu objecto e as consequências potenciais no que toca á conservação e ao seu desenvolvimento. no entanto em caso de usufruto sucessivo só pode ser beneficiário do usufruto quem já seja vivo ao tempo em que o direito do primeiro beneficiário se torne efectivo (limitada à duração máxima do direito – 1441º) o A Lei permite que o usufruto seja constituído ate que uma terceira pessoa perfaça certa idade.º. Extingue-se sempre quando morre B. Objectos possíveis do usufruto – podem ser um direito. o mesmo não pode exceder o termo da vida do que mais viver.DIREITO REAIS 2º. 1443º. no caso de esse terceiro falecer antes da idade designada o usufruto manter-se-á pelo tempo previsto. Transmissibilidade limitada: – “intervivos” – art.ª parte Artigo 1444.

DIREITO REAIS 2º.ANO

1. O usufrutuário pode trespassar a outrem o seu direito, definitiva ou temporariamente, bem como onerá-lo, salvas as restrições impostas pelo título constitutivo ou pela lei.

- “mortis causa” – à partida essa situação não será possível, legalmente - art. 1476.º, n.º 1, al. a), 1.ª parte…
Artigo 1476.º Causas de extinção 1. O usufruto extingue-se: a) Por morte do usufrutuário, ou chegado o termo do prazo por que o direito foi conferido, quando não seja vitalício; …

Modos de constituição do usufruto – art. 1440.º
Artigo 1440.º Constituição O usufruto pode ser constituído por contrato, testamento, usucapião ou disposição da lei.

(quanto à “disposição da lei” – é um vazio, não há norma) Possíveis objectos de usufruto:
• • • • • • • • • • • • • • • Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo 1451.º 1452.º 1453.º 1454.º 1455.º 1456.º 1457.º 1458.º 1459.º 1462.º 1463.º 1464.º 1465.º 1466.º 1467.º - Usufruto de coisas consumíveis - Usufruto de coisas deterioráveis - Perecimento natural de árvores e arbustos - Perecimento acidental de árvores e arbustos - Usufruto de matas e árvores de corte - Usufruto de plantas de viveiro - Exploração de minas - Exploração de pedreiras - Exploração de águas - Usufruto sobre universalidades de animais - Usufruto de rendas vitalícias - Usufruto de capitais postos a juro - Usufruto constituído sobre dinheiro e usufruto de capitais levantados - Prémios e outras utilidades aleatórias - Usufruto de títulos de participação

Direitos do usufrutuário 1. Gozar plenamente a coisa ou o direito – artºs 1349.º a 1446.º
ARTIGO 1349º (Passagem forçada momentânea) 1. Se, para reparar algum edifício ou construção, for indispensável levantar andaime, colocar objectos sobre prédio alheio, fazer passar por ele os materiais para a obra ou praticar outros actos análogos, é o dono do prédio obrigado a consentir nesses actos. 2. É igualmente permitido o acesso a prédio alheio a quem pretenda apoderar-se de coisas suas que acidentalmente nele se encontrem; o proprietário pode impedir o acesso, entregando a coisa ao seu dono. 3. Em qualquer dos casos previstos neste artigo, o proprietário tem direito a ser indemnizado do prejuízo sofrido.

ARTIGO 1446º (Uso, fruição e administração da coisa ou do direito) O usufrutuário pode usar, fruir e administrar a coisa ou o direito como faria um bom pai de família, respeitando o seu destino económico.
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DIREITO REAIS 2º.ANO

2. Incluir no objecto do usufruto certos acréscimos ao mesmo – art. 1449.º, 1471.º e 1473.º, n.º 2
ARTIGO 1449º (Âmbito do usufruto) O usufruto abrange as coisas acrescidas e todos os direitos inerentes à coisa usufruída. ARTIGO 1471º (Obras e melhoramentos) 1. O usufrutuário é obrigado a consentir ao proprietário quaisquer obras ou melhoramentos de que seja susceptível a coisa usufruída, e também quaisquer novas plantações, se o usufruto recair em prédios rústicos, contanto que dos actos do proprietário não resulte diminuição do valor do usufruto. 3. Das obras ou melhoramentos realizados tem o usufrutuário direito ao usufruto, sem ser obrigado a pagar juros das somas desembolsadas pelo proprietário ou qualquer outra indemnização; no caso, porém, de as obras ou melhoramentos aumentarem o rendimento líquido da coisa usufruída, o aumento pertence ao proprietário. ARTIGO 1473º (Reparações extraordinárias) … 2. Se o proprietário, depois de avisado, não fizer as reparações extraordinárias, e estas forem de utilidade real, pode o usufrutuário fazê-las a expensas suas e exigir a importância despendida, ou o pagamento do valor que tiverem no fim do usufruto, se este valor for inferior ao custo. …

4. Transferir os seus poderes para a indemnização devida em caso de deterioração ou perda – art. 1480.º
ARTIGO 1480º (Indemnizações) 1. Se a coisa ou direito usufruído se perder, deteriorar ou diminuir de valor, e o proprietário tiver direito a ser indemnizado, o usufruto passa a incidir sobre a indemnização. 2. O disposto no número antecedente é aplicável à indemnização resultante de expropriação ou requisição da coisa ou direito, à indemnização devida por extinção do direito de superfície, ao preço da remição do foro e a outros casos análogos.

5. Ser indemnizado no montante da cessação por despesas da produção em curso – art. 1447.º
ARTIGO 1447º (Indemnização do usufrutuário) O usufrutuário, ao começar o usufruto, não é obrigado a abonar ao proprietário despesa alguma feita; mas, findo o usufruto, o proprietário é obrigado a indemnizar aquele das despesas de cultura, sementes ou matérias-primas e, de um modo geral, de todas as despesas de produção feitas pelo usufrutuário, até ao valor dos frutos que vierem a ser colhidos.

6. Ser indemnizado pelo valor de reparações extraordinárias a que proceda licitamente – art. 1473.º
ARTIGO 1473º (Reparações extraordinárias) 1. Quanto às reparações extraordinárias, só incumbe ao usufrutuário avisar em tempo o proprietário, para que este querendo, as mande fazer; se, porém, elas se tiverem tornado necessárias por má administração do usufrutuário, é aplicável o disposto no artigo anterior. 2. Se o proprietário, depois de avisado, não fizer as reparações extraordinárias, e estas forem de utilidade real, pode o usufrutuário fazê-las a expensas suas e exigir a importância despendida, ou o pagamento do valor que tiverem no fim do usufruto, se este valor for inferior ao custo. 3. Se o proprietário fizer as reparações, observar-se-á o disposto no nº 2 do artigo 1471º.

Obrigações do usufrutuário
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DIREITO REAIS 2º.ANO

Antes de tomar conta dos bens - - relacioná-los – art. 1468.º, al.a)
Artigo 1468.º Relação de bens e caução Antes de tomar conta dos bens, o usufrutuário deve: a) Relacioná-los, com citação ou assistência do proprietário, declarando o estado deles, bem como o valor dos moveis, se os houver; …

Prestar caução – art. 1468.º, al. b) e 1469.º
Artigo 1468.º Relação de bens e caução Antes de tomar conta dos bens, o usufrutuário deve: … b) Prestar caução, se esta lhe for exigida, tanto para a restituição dos bens ou do respectivo valor, sendo bens consumíveis, como para a reparação das deteriorações que venham a padecer por sua culpa, ou para o pagamento de qualquer outra indemnização que seja devida. Artigo 1469.º Dispensa de caução A caução não é exigível do alienante com reserva de usufruto e pode ser dispensada no título constitutivo do usufruto.

Após tomar conta dos bens - fazer bom uso da coisa – art. 1446.º
Artigo 1446.º Uso, fruição e administração da coisa ou do direito O usufrutuário pode usar, fruir e administrar a coisa ou o direito como faria um bom pai de família, respeitando o seu destino económico.

Não o fazendo – art. 1482.º (1473.º, nº 1, 2.ª parte)
Artigo 1482.º Mau uso por parte do usufrutuário O usufruto não se extingue, ainda que o usufrutuário faça mau uso da coisa usufruída; mas, se o abuso se tornar consideravelmente prejudicial ao proprietário, pode este exigir que a coisa lhe seja entregue, ou que se tomem as providências previstas no artigo 1470.º, obrigando-se, no primeiro caso, a pagar anualmente ao usufrutuário o produto líquido dela, depois de deduzidas as despesas e o prémio que pela sua administração lhe for arbitrado. Artigo 1473.º Reparações extraordinárias 1. Quanto às reparações extraordinárias, só incumbe ao usufrutuário avisar em tempo o proprietário, para que este, querendo, as mande fazer; se, porém, elas se tiverem tornado necessárias por má administração do usufrutuário, é aplicável o disposto no artigo anterior. …

- Obrigação de restituir - Medidas conforme o art. 1470.º
Artigo 1470.º Falta de caução 1. Se o usufrutuário não prestar a caução devida, tem o proprietário a faculdade de exigir que os imóveis se arrendem ou ponham em administração, que os móveis se vendam ou lhe sejam entregues, que os capitais, bem como a importância dos preços das vendas, se dêem a juros ou se empreguem em títulos de crédito nominativos, que os títulos ao portador se convertam em nominativos ou se depositem nas mãos de terceiro, ou que se adoptem outras medidas adequadas. 2. Não havendo acordo do usufrutuário quanto ao destino dos bens, decidirá o tribunal.

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Restituir a coisa findo o usufruto – art. melhorias e plantações – art.º 1 Artigo 1472. responde pelos danos que este venha a sofrer. querendo. depois de avisado. Artigo 1475.º Artigo 1471. 2.ANO Suportar as despesas de administração – art. as mande fazer.º Actos lesivos da parte de terceiros O usufrutuário é obrigado a avisar o proprietário de qualquer facto de terceiro. não fizer as reparações extraordinárias.DIREITO REAIS 2º. n.º. 1473. 1483. Suportar impostos e outros encargos anuais sobre rendimentos – art.º Obras e melhoramentos 1. elas se tiverem tornado necessárias por má administração do usufrutuário. pode o usufrutuário fazê-las a expensas suas e exigir a importância despendida. se o usufruto recair em prédios rústicos. e estas forem de utilidade real.º Reparações ordinárias 1. se o não fizer. Se o proprietário fizer as reparações.º Reparações ordinárias 1.º 2 do artigo 1471.º 26 . nºs 1 e 3 Artigo 1472. o aumento pertence ao proprietário. porém.º. 1472. ou o pagamento do valor que tiverem no fim do usufruto. no caso. Quanto às reparações extraordinárias. 1471. se este valor for inferior ao custo. … Fazer reparações ordinárias – art. 3. da necessidade de reparações extraordinárias e quaisquer factos lesivos por terceiros – art.º Reparações extraordinárias 1.º e 1475. 1472.º Artigo 1474.º Impostos e outros encargos anuais O pagamento dos impostos e quaisquer outros encargos anuais que incidam sobre o rendimento dos bens usufruídos incumbe a quem for titular do usufruto no momento do vencimento. Informar o proprietário da raiz.º Artigo 1473. contanto que dos actos do proprietário não resulte diminuição do valor do usufruto.º. sem ser obrigado a pagar juros das somas desembolsadas pelo proprietário ou qualquer outra indemnização. porém. O usufrutuário pode eximir-se das reparações ou despesas a que é obrigado. de as obras ou melhoramentos aumentarem o rendimento líquido da coisa usufruída. se. Estão a cargo do usufrutuário tanto as reparações ordinárias indispensáveis para a conservação da coisa como as despesas de administração. é aplicável o disposto no artigo anterior. Se o proprietário. 2. … 3. 1474. O usufrutuário é obrigado a consentir ao proprietário quaisquer obras ou melhoramentos de que seja susceptível a coisa usufruída. Consentir na realização pelo proprietário de obras. renunciando ao usufruto. para que este. Estão a cargo do usufrutuário tanto as reparações ordinárias indispensáveis para a conservação da coisa como as despesas de administração. e também quaisquer novas plantações. observar-se-á o disposto no n. Das obras ou melhoramentos realizados tem o usufrutuário direito ao usufruto. só incumbe ao usufrutuário avisar em tempo o proprietário. de que tenha notícia. sempre que ele possa lesar os direitos do proprietário.

º e 1051. é mais semelhante ao direito real de aquisição. presume-se que possuiu igualmente no tempo intermédio.1524º:  . Modos de extinção do usufruto – art. salvo quando seja titulada.º Causas de extinção 1. 2.2007      Sumário: Estudo do direito de superfície. O contrato de locação caduca: a) Findo o prazo estipulado ou estabelecido por lei. qualquer que seja o motivo.º Casos de caducidade 1. Pelo não exercício.O primeiro caso é quando está em causa a faculdade de fazer ou construir. O direito de superfície pode ser temporário ou perpétuo – art. n. O usufruto extingue-se: a) Por morte do usufrutuário. Casos Práticos. . Estudo do Direito Real de Habitação Periódica. A renúncia não requer aceitação do proprietário. a) Artigo 1476.1538º).Faculdade de fazer ou construir  . Estes dois aspectos resultam de uma natureza jurídica diferente: . quando não seja vitalício. ou chegado o termo do prazo por que o direito foi conferido. Reunião do usufruto e propriedade na mesma pessoa. o conteúdo do direito de superfície assemelha-se ao conteúdo do direito de propriedade (art. c) Pelo seu não exercício durante vinte anos. Pela renúncia. Pela perda total da coisa. 2. b) Pela reunião do usufruto e da propriedade na mesma pessoa. deve o usufrutuário restituir a coisa ao proprietário. sem prejuízo do disposto para as coisas consumíveis e salvo o direito de retenção nos casos em que possa ser invocado. 1476.ANO Artigo 1483.º 1.O segundo caso é quando está em causa a faculdade de manter a construção.º Restituição da coisa Findo o usufruto. Morte do usufrutuário. o conteúdo do direito de superfície. neste caso. 08 – Data: 27.1524º ARTIGO 1524º (Noção) 27 . e) Pela renúncia. Direito de superfície Inicialmente encontrava-se estabelecida no direito público.11.º. Se o possuidor actual possuiu em tempo mais remoto. Aula nº. A sua noção resulta do art. Artigo 1051. al. d) Pela perda total da coisa usufruída. presume-se que há posse desde a data do título.Faculdade de manter uma obra ou plantação ARTIGO 1254º (Presunções de posse) 1.DIREITO REAIS 2º. A posse actual não faz presumir a posse anterior.

(Redacção do Dec. O direito de superfície pode ter por objecto a construção ou a manutenção de obra sob solo alheio. à data da constituição do direito de superfície. 1525º2 – Construção ou manutenção da obra em solo alheio O direito de superfície coexiste sempre com o direito de propriedade (característica de quase todos os direitos reais menores) Art. Direitos do superficiário (titular do direito de superfície):  .  . extingue-se esse direito.Direito de manter essa obra ou plantação realizada Obrigações: 28 .Transmissibilidade – são direitos livremente transmissíveis. ou de nele fazer ou manter plantações. perpétua ou temporariamente.Realização ou manutenção de plantações O art.1525º1 – diz-nos que o direito se superfície poderá abranger não só a parte do solo necessário para a construção mas também a parte que seja necessária para o uso da obra ARTIGO 1525º (Objecto) 1. no caso. Tendo por objecto a construção de uma obra. de 18-7) 1528º . 2.Direito de construir ou realizar plantação que é simultaneamente um dever porque.Modos de constituição do direito de superfície (principio geral): . serão fixados. testamento. 2. já era encravado o prédio sobre que este direito recaía. e pode resultar da alienação de obra ou árvores já existentes. uma obra em terreno alheio. A constituição coerciva da servidão de passagem sobre prédio de terceiro só é possível se. no prazo de 10 anos não o fizer. separadamente da propriedade do solo.Contrato. ARTIGO 1534º (Transmissibilidade dos direitos) O direito de superfície e o direito de propriedade do solo são transmissíveis por acto entre vivos ou por morte. se no título não forem designados o local e as demais condições de exercício das servidões.ANO O direito de superfície consiste na faculdade de construir ou manter. quer por acto mortis causa. Art.Constituição do direito de superfície – princípio geral ARTIGO 1528º (Princípio geral) O direito de superfície pode ser constituído por contrato. pelo tribunal.1534º . A constituição do direito de superfície importa a constituição das servidões necessárias ao uso e fruição da obra ou das árvores. se.1528º . testamento ou usucapião. na falta de acordo.Constituição de servidões ARTIGO 1529º (Servidões) 1.Realização ou manutenção de obras  . Objecto do direito de superfície:  . o direito de superfície pode abranger uma parte do solo não necessária à sua implantação.-Lei 257/91. usucapião. desde que ela tenha utilidade para o uso da obra.DIREITO REAIS 2º. quer por acto entre vivos. 1529º .

Obrigação de pagar o preço. sob pena de se extinguir o direito de superfície – art. dentro dos mesmos prazos a contar da destruição. nos casos previstos nas alíneas a) e b) do nº 1. gozo esse temporário e cíclico. À extinção do direito de superfície. O direito de superfície extingue-se: a) Se o superficiário não concluir a obra ou não fizer a plantação dentro do prazo fixado ou.ANO  . ARTIGO 1536º (Casos de extinção) 1.Obrigação de dar preferência em caso de venda. Modo de constituição: .  . destruída a obra ou as árvores. altura em que é emitido o certificado predial. no mesma prazo. não pode ser constituído com um prazo inferior a 15 anos.1536º1 a) e b)  . sendo constituído por certo tempo.1536º1 – Modos de extinção. e) Pelo desaparecimento ou inutilização do solo. Art.1532º e do subsolo – art. c) Pelo decurso do prazo. dentro do prazo de dez anos.Através de negócio jurídico sob a forma de escritura pública publicada e posteriormente levada a registo predial.Obrigação de construir ou fazer a plantação no prazo fixado. Se temporário. No título constitutivo pode também estipular-se a extinção do direito de superfície em consequência da destruição da obra ou das árvores. destinado a fins turísticos. o superficiário não reconstruir a obra ou não renovar a plantação. são aplicáveis as regras da prescrição.Carácter temporário e cíclico de gozo daquele imóvel . d) Pela reunião na mesma pessoa do direito de superfície e do direito de propriedade. Direito real de habitação periódica – DL 275/93 de 5 de Agosto . que será pago de uma só vez ou em prestações anuais – art.Duração – Direito perpétuo ou temporário. 2. • Direito de habitar. com o objectivo de proteger o adquirente.Obrigação de refazer a obra ou plantação. . supletivamente aplica-se o prazo de 10 anos. f) Pela expropriação por utilidade pública. 3.Obrigação de consentir no uso e fruição do proprietário do solo ou enquanto não se inicia a obra ou plantação – art.1533º  . se não o fizer em tal prazo.Constituído por certificados emitidos pelo registo predial. Direitos e obrigações dos titulares: Direitos: • Alguns que são desde logo fixados no titulo constitutivo. imóvel alheio e cujo conteúdo permite o gozo desse imóvel para fins habitacionais.Direito real de gozo mais recente Noção: Direito de gozar sobre um imóvel. se a obra sofreu destruição. Este é um negócio jurídico sujeito a apertadas regras.Coexiste com o direito de propriedade . b) Se. na falta de fixação.DIREITO REAIS 2º.1530º e 1531º  . Características:     . 29 . fixado no título de constituição do direito de superfície. ou da verificação de qualquer condição resolutiva.

ainda que futuras ou eventuais. tem cada consorte o direito de usar da servidão sem alteração nem mudança. Salvas as excepções previstas na lei. A afectação das utilidades próprias da servidão a outros prédios importa sempre a constituição de uma servidão nova e a extinção da antiga. • Respeitar o título constitutivo e outras regras de funcionamento do empreendimento. 09 – Data: 04. cada porção fica sujeita à parte da servidão que lhe cabia.2007 Sumário: Apresentação de trabalho . ARTIGO 1546º (Indivisibilidade das servidões) As servidões são indivisíveis: se o prédio serviente for dividido entre vários donos. mediante certos requisitos. • Resolução do contrato em que se deu a aquisição daquele direito. Aula nº. • Renuncia. • Direito de transmitir o seu direito. gratuitamente.1543º ARTIGO 1543º (Noção) Servidão predial é o encargo imposto num prédio em proveito exclusivo de outro prédio pertencente a dono diferente.servidões prediais Resolução de casos práticos Servidão predial Noção – art. • Pagar anualmente a prestação periódica estipulada. Características – art.1544º ARTIGO 1544º (Conteúdo) Podem ser objecto da servidão quaisquer utilidades.1550º) – exige que os prédios sejam rústicos.1545º e 1546º ARTIGO 1545º (Inseparabilidade das servidões) 1. susceptíveis de ser gozadas por intermédio do prédio dominante. activa ou passivamente. diz-se serviente o prédio sujeito à servidão e dominante o que dela beneficia. 30 . • Ceder. Conteúdo – art. vai extinguir-se com o decurso do prazo. se for dividido o prédio dominante.DIREITO REAIS 2º. Nota: A servidão legal de passagem (art. Obrigações: • Exercer os seus direitos com critérios de razoabilidade. Modos de extinção: • Sendo um direito temporário. mesmo que não aumentem o seu valor.12.ANO • Direito de participar na assembleia-geral dos titulares de direitos reais de habitação periódica: • Direitos de receber informações pela entidade responsável pela administração do empreendimento. • São beneficiários da caução prestada a propósito da boa administração. as servidões não podem ser separadas dos prédios a que pertencem. a faculdade de habitar aquela unidade de alojamento. 2.

a remição ser exigida antes de decorridos dez anos sobre a constituição da servidão. excepto as que forem incompatíveis. bem como dos juros. servidão legal de aqueduto e servidão legal de escoamento.DIREITO REAIS 2º. e 685 Penhor de Direitos (679º e SS) mesmas regras que o penhor das coisas. no todo ou em parte.1365 • Para aproveitamento de água – art. é aplicável o disposto anteriormente. se os houver. As servidões referidas nos artigos 1557º e 1558º também podem ser remidas judicialmente.1596º1 CC ARTIGO 1569º (Casos de extinção) 1.666º CC.1561º e 1562º Aula nº. por usucapião. nº. d) Pela renúncia. conforme as circunstâncias. todavia. da liberdade do prédio. Extinção das servidões – art.1362º • De presa – art.2007 Sumário: Estudo dos direitos reais de garantia: enquadramento. A obrigação garantida pelo penhor pode ser futura ou condicional. 3. As servidões extinguem-se: a) Pela reunião dos dois prédios.1550º • De estalicídio – art. ARTIGO 666º (Noção) 1. A renúncia a que se refere a alínea d) do nº 1 não requer aceitação do proprietário do prédio serviente. 4. É havido como penhor o depósito a que se refere o nº 1 do artigo 623º. com preferência sobre os demais credores.1563º • De passagem – art. pertencentes ao devedor ou a terceiro. n.º1. 31 . O penhor Noção de Penhor: O penhor é o direito real de garantia de origem negocial que tem por objecto coisa corpóreas móveis. no que respeita à restituição da indemnização. e 669 e SS • Participações sociais • Créditos arts.666º. ou pelo valor de créditos ou outros direitos não susceptíveis de hipoteca. b) Pelo não uso durante vinte anos. As servidões constituídas por usucapião serão judicialmente declaradas extintas. 2. c) Pela aquisição. 3. no domínio da mesma pessoa. se tiverem sido constituídas temporariamente. desde que se mostrem desnecessárias ao prédio dominante.12. não podendo. será esta restituída.1557º e 1558º • De passagem de conduta • De vistas – art. dominante e serviente.1. créditos ou outros direitos não susceptíveis e hipoteca. 5. Art. e) Pelo decurso do prazo. qualquer que tenha ido o título da sua constituição: tendo havido indemnização. Tipos de servidões prediais no direito português: • De escoamento – art. 2. pelo valor de certa coisa móvel. testamento e usucapião Servidões legais – servidão de prédio encravado. a requerimento do proprietário do prédio serviente. O penhor confere ao credor o direito à satisfação do seu crédito.1559º e 1560º • De aqueduto – art. mostrando o proprietário do prédio serviente que pretende fazer da água um aproveitamento justificado. qualquer que seja o motivo.ANO Constituição de servidões: Servidões voluntárias – contratos. O disposto no número anterior é aplicável às servidões legais. 10 – Data: 11.666º. Objectos possíveis do Penhor: • Coisas corpóreas arts.

pois neste caso produz os seus efeitos a partir do registo. ARTIGO 683º (Conservação do direito empenhado) O credor pignoratício é obrigado a praticar os actos indispensáveis à conservação do direito empenhado e a cobrar os juros e mais prestações acessórias compreendidas na garantia. ARTIGO 679º (Disposições aplicáveis) São extensivas ao penhor de direitos.DIREITO REAIS 2º. 2. salvo tratando-se de penhor sujeito a registo. ARTIGO 684º (Relações entre o obrigado e o credor pignoratício) Dando em penhor um direito por virtude do qual se possa exigir uma prestação. o mais antigo (685º nº 3). A ineficácia do penhor por falta de notificação ou registo não impede a aplicação. estas regras podem ser desviadas se tiver sido proveito de terceiro ou mesmo o devedor já tenha conhecimento do penhor. passando o penhor a incidir sobre a coisa prestada em satisfação desse crédito. as relações entre o obrigado e o credor pignoratício estão sujeitas às disposições aplicáveis. com as necessárias adaptações. 681 nº 3. quando necessário. ARTIGO 680º (Objecto) Só é admitido o penhor de direitos quando estes tenham por objecto coisas móveis e sejam susceptíveis de transmissão. as disposições da subsecção anterior.ANO • • • • • Objecto – coisa móvel passível de transmissão (680º) Regimes específicos que delimitam o campo de aplicação nomeadamente o penhor comercial. Deveres do credor pignoratício (683º e 685º)~ • Pratica dos actos indispensáveis à conservação do direito empenhado. 32 . O credor pignoratício deve cobrar o crédito empenhado logo que este se torne exigível. em tudo o que não seja contrariado pela natureza especial desse penhor ou pelo preceituado nos artigos subsequentes. tiver por objecto um crédito. A constituição do penhor de direitos está sujeita à forma e publicidade exigidas para a transmissão dos direitos empenhados. Forma (681º) exigido para a transmissão do direito empenhado Publicidade (681º) registo. na cessão de créditos. • Se o direito se vencer o credor deve exigir o seu crédito (685º nº 1) • Se houver vários penhores quem tem legitimidade para cobrar o crédito é o primeiro que constituiu este penhor de forma válida. ARTIGO 681º (Forma e publicidade) 1. às relações entre o devedor e o cessionário. porém. 3. do disposto no nº 2 do artigo 583º. isto é. com as necessárias correcções. • Cobre os juros e mais prestações compreendidos na garantia. ou desde que este o aceite. Se. o penhor só produz os seus efeitos desde que seja notificado ao respectivo devedor. ARTIGO 685º (Cobrança de créditos empenhados) 1. a regra é que não é necessária a notificação ao devedor. independentemente de registo e notificação.

Só tem legitimidade para constituir a consignação quem puder dispor dos rendimentos consignados. É aplicável à consignação constituída por terceiro o disposto no artigo 717º. Registo) 1.DIREITO REAIS 2º. extinguindo-se neste caso o penhor. A consignação está sujeita a registo. ARTIGO 656º (Noção) 1. o crédito tiver por objecto a prestação de dinheiro ou de outra coisa fungível. Consignação de rendimentos (656º e SS) 238º • Incide sobre o rendimento que certo objecto tem e não sobre o próprio objecto. só o credor cujo direito prefira aos demais tem legitimidade para cobrar o crédito empenhado. Esta pode garantir só o capital. • Obrigação condicional ou futura. 2. • Forma (660º) o Escritura pública ou testamento (imóveis) o Escrito particular (moveis) ARTIGO 660º (Forma. quer por meio de testamento. a consignação de rendimentos pode funcionar independentemente do seu cumprimento. pode ser garantido mediante a consignação dos rendimentos de certos bens imóveis. tem o obrigado a faculdade de usar da consignação em depósito. na falta de acordo entre os interessados. ARTIGO 658º (Espécies) 1. 2. Se. mas os outros têm a faculdade de compelir o devedor a satisfazer a prestação ao credor preferente. 4. não desempenha exclusivamente o seu direito de garantia. O cumprimento da obrigação. O acto constitutivo da consignação voluntária deve constar de escritura pública ou testamento. A consignação de rendimentos pode garantir o cumprimento da obrigação e o pagamento dos juros. A consignação é voluntária ou judicial. É voluntária a consignação constituída pelo devedor ou por terceiro. isto é. só as obrigações. objecto este móvel sujeito a registo ou não. Se o mesmo crédito for objecto de vários penhores. ou de certos bens móveis sujeitos a registo. Consignação constituída por terceiro) 1. O titular do crédito empenhado só pode receber a respectiva prestação com o consentimento do credor pignoratício. se respeitar a coisas imóveis. ou apenas o cumprimento da obrigação ou só o pagamento dos juros. • Constituição (quem dispõe do rendimento 657º) o Voluntária (658º) o Judicial (658º) ARTIGO 657º (Legitimidade. 33 . 2. quer mediante negócio entre vivos. devendo neste caso ser mencionada nos títulos e averbada. 2. salvo se tiver por objecto os rendimentos de títulos de crédito nominativos. ainda que condicional ou futura.ANO 2. porém. o devedor não pode fazê-la senão aos dois credores conjuntamente. Ao contrário do penhor ou da hipoteca. quando recaia sobre móveis. e judicial a que resulta de decisão do tribunal. e de escrito particular. 3. nos termos da respectiva legislação. ou as duas.

º) 3. mas sim garantir créditos. a Penhora. 2. nessa medida torna-se inerente ao bem sobre o qual incide. Introdução A Hipoteca é um dos ramos dos Direitos Reais de Garantia.DIREITO REAIS 2º. O conteúdo desse direito consiste no facto de. isto para o caso de haver registos posteriores (por exemplo: penhoras. Aula nº. 34 . o titular da hipoteca será o primeiro a obter satisfação pelo produto da venda judicial desse bem. todas estas figuram compõem então os chamados Direitos Reais de Garantia. ARTIGO 686º (Noção) 1. Posse) ARTIGO 664º (Extinção) A consignação extingue-se pelo decurso do prazo estipulado. 2. Esta noção está consagrada no nosso Código Civil (CC) no artigo 686º.2007 Sumário: Apresentação de trabalho sobre a hipoteca. Os únicos direitos reais de garantias que. Este direito real de garantia encontra-se regulado nos artigos 686º a 732º do código Civil. mesmo tendo sido constituídos posteriormente à hipoteca.º. retirarem delas utilidades. prevalecem sobre ela são: 1. Noção e objecto A hipoteca é assim um direito de um credor ser pago. portanto. este tem preferência sobre todos os outros credores normais e de igual modo terá a prioridade na reclamação de créditos face às datas de registo das hipotecas. Direito de retenção (art. Privilégios imobiliários especiais (art. e ainda pelas mesmas causas por que cessa o direito de hipoteca. O Direito de Retenção. A hipoteca confere ao credor o direito de ser pago pelo valor de certas coisas imóveis.ANO Extinção – decurso do tempos e pelas causas do direito da hipoteca (excepto o artºs 730º b)) 664º (matéria mais importante dos direitos reais de gozo. v. A propósito de privilégios especiais. Como direito real que é. que ao contrario dos Direitos Reais de Gozo não têm uma função de conferir aos titulares das coisas.12. o Penhor. oponível a qualquer um. os Privilégios Creditórios. o Arresto e a Consignação de Rendimentos. 759. 2. a hipoteca prevalece sobre todas as garantias reais. 751.). é um direito absoluto e. 11 – Data: 18. A obrigação garantida pela hipoteca pode ser futura ou condicional. com excepção da indicada na alínea b) do artigo 730º. se for interposta uma acção executiva que incida sobre esse bem. pertencentes ao devedor ou a terceiro com preferência sobre os demais credores que não gozem de privilégio especial ou de prioridade de registo. tal como o são. objecto dos direitos. Também o Fisco tem privilégios especiais no âmbito do IMT e do IMI. Resolução de casos práticos. portanto. A hipoteca é um direito real de garantia e. nomeadamente outras hipotecas que venham a ser constituídas sobre o mesmo bem. arrestos). ou equiparadas.

000€. que se refere o artigo 689º do CC ARTIGO 689º (Bens comuns) 1. que conseguimos efectuar uma distinção. ARTIGO 687º (Registo) A hipoteca deve ser registada. o que também se encontra descrito no CC no artigo 687º. Coisas Imóveis Na hipoteca Artigo 688º do CC Coisas móveis1 sujeitas a registo ARTIGO 688º (Objecto) 1. 35 . para este efeito. Se por um lado já se definiu o que é a Hipoteca. Pode ainda ser hipotecado bens comuns.º 1 do CC Créditos ou outros direitos não susceptíveis de hipoteca 1 Automóveis. É também susceptível de hipoteca a quota de coisa ou direito comum. • A pede ao banco um empréstimo de 10. sejam por lei equiparadas às imóveis.ANO Outro aspecto importante da figura da hipoteca é a indispensabilidade do registo. Só podem ser hipotecados: a) Os prédios rústicos e urbanos. 2. As partes de um prédio susceptíveis de propriedade autónoma sem perda da sua natureza imobiliária podem ser hipotecadas separadamente. Para garantir o pagamento do valor. mesmo em relação às partes. navios e aeronaves. C. A divisão da coisa ou direito comum.DIREITO REAIS 2º. interessa agora ver qual o seu objecto. mesmo em relação às partes. A constitui a hipoteca sobre um edifício que tem. Exemplos: • A contrai empréstimo face a B no montante de 10. Tanto a figura do Penhor como da Hipoteca garantem uma garantia real sobre um crédito. f) As coisas móveis que. Coisas corpóreas móveis No penhor art. b) O domínio directo e o domínio útil dos bens enfitêuticos. 666 n. sob pena de não produzir efeitos.000€. todavia é na análise do objecto sobre que coisas podem incidir. o pai de A constitui uma hipoteca sobre um prédio rústico que tem. Para garantir o crédito do bem C. feita com o consentimento do credor. para adquirir um automóvel. observadas as disposições legais relativas à transmissão dos direitos concedidos. O bem sobre o qual recai a hipoteca pode pertencer ao devedor ou a terceiro. d) O direito resultante de concessões em bens do domínio público. limita a hipoteca à parte que for atribuída ao devedor. c) O direito de superfície. sob pena de não produzir efeitos. e) O usufruto das coisas e direitos constantes das alíneas anteriores. 2.

710 CC Provêem dos contratos ou dos negócios unilaterais. Esta espécie de hipoteca encontra no art. sem da vontade das partes. Art. com preferência sobre os demais credores. pertencentes ao devedor ou a terceiro. ou seja na hipoteca esta não confere posse ao credor.…” art. No entanto aos enumerados neste artigo á a acrescentar outros referenciados em diplomas diversos. todavia também podemos considerar em paralelo outra distinção. que de outra forma não a teriam. conforme se pode notar da sua leitura. 712 CC As hipotecas Legais e. sem dependência da vontade das partes. 704 CC Por iniciativa do credor. Ainda dentro do âmbito da noção e objecto da hipoteca. e podem constituir-se desde que exista a obrigação a que servem de segurança. Legais dependência Espécies de Hipoteca Judiciais Voluntárias “…resultam imediatamente da lei. 705 quais os credores com hipoteca legal. Esta prende-se com a posse dos bens. … Como vimos é pela natureza do objecto que no nosso actual sistema jurídico se faz a distinção entre estes dois institutos. mediante o facto de ser proferida uma sentença que condene alguém numa prestação. na medida em que sendo o campo de aplicação principal da hipoteca o crédito imobiliário. este permitiu abrir a possibilidade a um conjunto alargado de pessoas acederem á compra de habitação própria. pelo valor de certa coisa móvel. A nossa lei prevê contudo hipóteses de haver penhor sem entrega de coisa. 704 “… resultam imediatamente da lei. Espécies de Hipoteca ARTIGO 703º (Espécies de hipoteca) As hipotecas são legais. e às instituições financeiras que concedem crédito mediante a prestação da hipoteca uma nova e lucrativa frente de negócio. e destina-se essencialmente a facilitar o recurso ao crédito). ou pelo valor de créditos ou outros direitos não susceptíveis de hipoteca. por outro lado o penhor (e o que recai sobre coisas) essa posse passa efectivamente para o credor. O penhor confere ao credor o direito à satisfação do seu crédito. art. No entanto de referir que tal como todas as demais espécies de hipotecas estas carecem de registo para se constituírem. Em relação aos bens 36 . de referir o carácter relevante deste instituto na vida social. antes uma garantia real. como a lei refere no art. se os houver.DIREITO REAIS 2º. É a própria lei que define de forma clara e inequívoca quais as espécies de hipoteca possíveis na nossa ordem jurídica.ANO ARTIGO 666º (Noção) 1. por esse facto as hipotecas não podem assim resultar imediatamente da lei. Possibilitou ainda aos construtores e promotores imobiliários expandirem os seus negócios. mas mesmo nesses casos é o credor que passa a ser o detentor da posse da coisa (é o caso do penhor a favor de instituições financeiras. bem como dos juros. judiciais ou voluntárias.

DIREITO REAIS 2º. n. Exemplo disso é a forma escrita a que recorrem as instituições financeiras ligadas ao crédito automóvel. para garantia do pagamento desta contribuição.  Pode ser constituída pelo devedor da obrigação ou por terceiro (art.ANO passíveis de hipoteca. onde é admitido uma forma menos solene. São a maioria das hipotecas realizadas. As hipotecas Judiciais e. sobre os bens cujos rendimentos estão sujeitos à constituição predial. 708. a lei faculta a possibilidade de documento particular. é o caso das hipotecas destinadas a garantir mútuo bancário para financiamento de compra de prédio urbano para habitação. quando na sequência de um financiamento automóvel 37 . As hipotecas Voluntárias. o interdito e o inabilitado. mesmo que não haja transitado em julgado. na sua falta. f) O legatário de dinheiro ou outra coisa fungível. e como já anteriormente referimos esta espécie de hipoteca tem uma relevância social e económica muito importante na sociedade. ARTIGO 705º (Credores com hipoteca legal) Os credores que têm hipoteca legal são: a) O Estado e as autarquias locais. todos os do devedor com excepção do que resulte da lei. ARTIGO 710º (Constituição) 1. e) O co-herdeiro. exigem no entanto todos os recursos á forma escrita. Se a prestação for ilíquida. diz-nos a art. 712 CC “Hipoteca voluntária é a que nasce de contrato ou declaração unilateral”. existe no entanto uma excepção. c) O menor. 710 CC) que munido de uma sentença (mesmo que não transitada em julgado) condene outro numa prestação. tal como a anterior também resulta da lei. sobre os bens adjudicados ao devedor de tornas. 714 CC)  No que respeita à hipoteca de bens móveis. A sentença que condenar o devedor à realização de uma prestação em dinheiro ou outra coisa fungível é título bastante para o registo de hipoteca sobre quaisquer bens do obrigado. 140. só pode ser registada a hipoteca havendo conversão da prestação numa indemnização pecuniária. Assim deve-se de atentar às características mais importantes desta espécie de hipoteca. 3. curador e administrador legal. sobre os bens sujeitos ao encargo do legado ou. 2. pode a hipoteca ser registada pelo quantitativo provável do crédito. existe no entanto uma limitação na lei que se relaciona com o valor das hipotecas e que é regulado pelo art. para garantir o pagamento destas. (art. eles são e segundo o descrito no art. existem diversos diplomas reguladores. Se o devedor for condenado a entregar uma coisa ou a prestar um facto. sobre os bens que os herdeiros responsáveis houverem do testador. para garantia do cumprimento das obrigações por que se tornem responsáveis. todavia parece ser prática corrente das instituições financeiras optarem pela escritura. sobre os bens dos encarregados da gestão de fundos públicos. para assegurar a responsabilidade que nestas qualidades vierem a assumir. é pela iniciativa do credor (art.º3 do código da Insolvência e da Recuperação de Empresas. Também aqui e como na anterior espécie todos os bens são penhoráveis. b) O Estado e as demais pessoas colectivas públicas. d) O credor por alimentos. sobre os bens do tutor. 717 CC)  A constituição e a modificação da hipoteca voluntária sobre imóveis deve de constar de escritura ou eventualmente de testamento se for o caso.

Âmbito físico das Hipotecas Qual o objecto das hipotecas? Em face da constante mudança dos prédios seja por forças naturais ou humanas gera uma enorme fonte de dúvidas relativamente ao âmbito físico dos objectos das hipotecas. 2. 3. . salvo o direito de terceiros.º1 do artigo 204º CC (Coisas Imóveis). Legais e Judiciais. móveis e utensílios destinados à exploração de fábricas. as benfeitorias. (Redacção do Dec.Pacto Comissário – “É nula. para além do crédito em si? Esta pergunta encontra resposta no art.” De acordo com o art. no nosso sistema jurídico a execução das hipotecas é maioritariamente feito por via judicial. mesmo que seja anterior ou posterior à constituição da hipoteca. A hipoteca abrange: a) As coisas imóveis referidas nas alíneas c) a e) do nº 1 do artigo 204º. .  O que decorre do art. consideram-se abrangidos pela garantia os maquinismos e demais móveis inventariados no título constitutivo. embora seja lícito convencionar que o crédito hipotecário se vencerá logo que esses bens sejam alienados ou onerados. b) As acessões naturais. ARTIGO 691º (Extensão) 1. Esta é a leitura do n. os acessórios do crédito que constem do registo fazem parte das obrigações cobertas.DIREITO REAIS 2º. 687º CC). todavia o seu n.ANO necessitam de recorrer à figura da hipoteca. No que respeita às partes integrantes das coisas imóveis o restante do artigo 691º. Na hipoteca de fábricas. não os podem alienar ou retirar sem consentimento escrito do credor e incorrem na responsabilidade própria dos fiéis depositários. Registo constitutivo Como já anteriormente referimos. 695 CC (Cláusula de inalienabilidade dos bens hipotecados). Obrigações Cobertas O que assegura a hipoteca. 694 CC . c) As benfeitorias. Necessidade de recurso a tribunal para a execução das hipotecas Embora não resulte de nenhum preceito legal.º1 deste artigo. de 6-7) .-Lei 225/84.º2 estabelece um limite de três anos no que respeita a juros. a hipoteca deve ser registada para produzir efeitos (art. para além disso esta realidade deve ser aplicada a todas as espécies: Voluntárias. a convenção pela qual o credor fará sua a coisa onerada no caso de o devedor não cumprir”  Sendo “…igualmente nula a convenção que proíba o respectivo dono de alienar ou onerar os bens hipotecados. Os acessórios são os juros que o crédito principal origine e as despesas implicadas pela cobrança. mesmo que não sejam parte integrante dos respectivos imóveis. para tal emitem um documento particular escrito que o cliente assina. ARTIGO 693º (Acessórios do crédito) 38 . Regras comuns às diferentes espécies de Hipoteca . Os donos e possuidores de maquinismos. as acessões naturais. também o clarifica. ou seja com isto quer o legislador principalmente obter do credor uma célere acção face a um incumprimento. ou seja para além do crédito. 693º CC. O artigo 691º CC clarifica o que é abrangido: as coisas imóveis alíneas c) a e) do n. abrangidos no registo de hipoteca dos respectivos imóveis.

extinta uma das hipotecas. O disposto no número anterior não impede o registo de nova hipoteca em relação a juros em dívida. 696º CC. ARTIGO 692º (Indemnizações devidas) 1. embora seja lícito convencionar que o crédito hipotecário se vencerá logo que esses bens sejam alienados ou onerados. ARTIGO 696º (Indivisibilidade) Salvo convenção em contrário. Alias como refere o art. caso se efectue parte da dívida. é o caso do financiamento por parte dos bancos a um promotor da construção de um prédio constituído em propriedade horizontal. ainda que a coisa ou o crédito seja dividido ou este se encontre parcialmente satisfeito. 2. 713º a liberdade que o dono dos bens tem de efectuar novas hipotecas sobre os mesmos bens2. Transferência do direito de hipoteca para os créditos indemnizatórios Esta regra refere que no caso em que o bem hipotecado se perder. por estes factos der lugar a indemnização a hipoteca passa a incidir sobre essa indemnização. fica ao critério do credor hipotecário efectuar a renuncia sobre cada fracção. neste caso. a hipoteca nunca abrange. ao preço da remição do foro e aos casos análogos.DIREITO REAIS 2º. as restantes dívidas hipotecárias. nesse caso cada fracção autónoma responde por toda a divida em causa. e o dono tiver direito a ser indemnizado. Indivisibilidade da hipoteca A hipoteca é indivisível. ficam os bens a garantir. Como decorre do disposto no art. 3. Tratando-se de juros. subsistindo por inteiro sobre cada uma das coisas oneradas e sobre cada uma das partes que as constituam. 695º CC. o devedor da indemnização não se libera pelo cumprimento da sua obrigação com prejuízo dos direitos conferidos no número anterior. ser suficiente para satisfazer diversas dívidas. salvo convencionado em contrário. Depois de notificado da existência da hipoteca. Se a coisa ou direito hipotecado se perder. 2 O recurso à constituição de diversas hipotecas sobre o mesmo imóvel explica-se pelo valor de edifício. Para dar um exemplo recorrente na nossa sociedade da indivisibilidade da hipoteca. deteriorar ou diminuir de valor. na sua totalidade. bem como por extinção do direito de superfície. A lei também refere no seu art. não obstante convenção em contrário. O disposto nos números precedentes é aplicável às indemnizações devidas por expropriação ou requisição. a hipoteca é indivisível.ANO 1. os titulares da garantia conservam. no entanto refere que é lícito desde logo convencionar que o crédito hipotecário se vença nesse momento. for expropriado ou requisitado ou eventualmente se deteriorar e. 39 . ARTIGO 713º (Segunda hipoteca) A hipoteca não impede o dono dos bens de os hipotecar de novo. A hipoteca assegura os acessórios do crédito que constem do registo. mais do que os relativos a três anos. 2. Transmissibilidade e nova oneração dos bens hipotecados A lei permite aos donos e bens hipotecados disporem dos mesmos para alienação. conforme o estipulado no art. ao ser elevado. sobre o crédito respectivo ou as quantias pagas a título de indemnização. ARTIGO 695º (Cláusula de inalienabilidade dos bens hipotecados) É igualmente nula a convenção que proíba o respectivo dono de alienar ou onerar os bens hipotecados. 692º CC as preferências hipotecárias passam a incidir sobre o direito à indemnização. as preferências que lhes competiam em relação à coisa onerada. 3.

na medida em que isto pode causar desvalorização dos imóveis. 2. Cedibilidade da hipoteca A transmissibilidade da hipoteca é por princípio possível. fica salvaguardo da venda judicial. pode aquele exigir o imediato cumprimento da obrigação ou. tratando-se de obrigação futura. está mais tutelado. porque tudo se passa como se ele tivesse sido constituído na data de constituição da hipoteca. porém. porém. ele beneficia logo da hipoteca e de uma hipoteca com data de constituição anterior. em nome da segurança da divida. este tipo de cessão deve observar as regras de cessão de crédito. Se esta exigência não for cumprida pelo devedor pode o credor exigir o imediato cumprimento da obrigação. com observância das regras próprias da cessão de créditos. Quando o crédito se constituir. Registada a cessão. ARTIGO 701º (Substituição ou reforço da hipoteca) 1. defende que o direito do arrendatário. que arrenda antes da penhora. 2. é necessário o consentimento deste. 701º CC. 3 Nos créditos futuros. se a coisa hipotecada for de terceiro este tem de consentir. para garantia de crédito pertencente a outro credor do mesmo devedor. a hipoteca é enquanto garantia. mesmo neste caso. uma mais-valia com valor económico. por causa não imputável ao credor. e segundo uma grande maioria da doutrina Portuguesa. a coisa ou direito hipotecado pertencer a terceiro. se a diminuição da garantia for devida a culpa do terceiro. o credor tem o direito de exigir deste a substituição ou o reforço. e no caso de a coisa hipotecada perecer ou ficar insuficiente para garantir a totalidade do credito garantido. não o fazendo este nos termos declarados na lei de processo. a extinção do crédito originário não afecta a subsistência da hipoteca. registar hipoteca sobre outros bens do devedor. a coisa hipotecada perecer ou a hipoteca se tornar insuficiente para segurança da obrigação. Por este facto pode ser em múltiplos casos interessante ceder uma hipoteca a outro crédito garantido. ARTIGO 728º (Valor da hipoteca cedida) 1. conforme disposto no art. O credor com hipoteca sobre mais de uma coisa ou direito só pode cedê-la à mesma pessoa e na sua totalidade. pela figura da penhora. Esta solução parece ser bastante razoável todavia o mesmo não se põe no caso de o arrendamento ser posterior à hipoteca. O seu crédito garantido.ANO Execução da hipoteca – Destino dos arrendamentos de imóveis com hipoteca Em caso de execução da hipoteca. ficando o mesmo sujeito à cominação do número anterior em lugar do devedor. ARTIGO 727º (Cessão da hipoteca) 1. A hipoteca cedida garante o novo crédito nos limites do crédito originariamente garantido. 40 . Todavia esta cedibilidade obedece a alguns critérios precisos: a transmissão da coisa hipotecada apenas se pode processar para garantir de crédito pertencente a outro credor do mesmo devedor. Não obsta ao direito do credor o facto de a hipoteca ter sido constituída por terceiro. contudo se tratar de obrigação futura3. A hipoteca que não for inseparável da pessoa do devedor pode ser cedida sem o crédito assegurado. e. Substituição ou reforço da hipoteca Esta regra permite ao credor. exigir a substituição ou reforço da hipoteca. Todos estes preceitos encontram-se regulados nos artigos 727º e 728º CC. 2. tem o credor o direito de exigir que o devedor a substitua ou reforce. se. Quando. ou seja nada muda na sua esfera. salvo se o devedor for estranho à sua constituição. De referir que tanto pode ser exigido o reforço ou substituição quer se trate de bens do devedor ou de bens de terceiro. existe uma vantagem de constituir a hipoteca antes de constituir o crédito que ela venha a garantir.DIREITO REAIS 2º. embora constituído mais tarde que outro crédito. o credor pode registar hipoteca sobre outros bens do devedor. e a hipoteca que incida sobre mais de uma coisa só pode ser cedida na sua totalidade.

fica o requerimento sem efeito e não pode ser renovado. registou o título de aquisição e não é pessoalmente responsável pelo cumprimento das obrigações garantidas tem o direito de expurgar a hipoteca por qualquer dos modos seguintes: a) Pagando integralmente aos credores hipotecários as dívidas a que os bens estão hipotecados. ARTIGO 722º (Expurgação no caso de revogação de doação) O direito de expurgação é extensivo ao doador ou aos seus herdeiros.ANO Expurgação da hipoteca O devedor tem sempre a possibilidade de se libertar da hipoteca. O credor que. esta é sem dúvida mais vulgar. Extinção das hipotecas Neste último ponto iremos analisar o modo como se extinguem as hipotecas. pois depende da aplicação cumulativa de dois períodos. Extinção da obrigação garantida – Por aquilo que anteriormente já se referiu neste trabalho. seja qual for a sentença proferida em relação aos outros credores. leva à extinção da hipoteca. Prescrição – Figura de aplicação rara. em caso de um novo credito garantido que tenha a mesma hipoteca. todavia e. permite aos devedores mediante pagamento aos credores do valor em divida. para pagamento dos seus créditos. Renuncia pelo credor . Perecimento da coisa – Determina também extinção da hipoteca a perda do objecto da hipoteca. a 41 .DIREITO REAIS 2º. 2. ou aquela em que os estima. quando a aquisição tenha sido feita por título gratuito ou não tenha havido fixação de preço. da obrigação garantida. 3. pois quando se dá o pagamento. nos termos da lei de processo. e que apenas se aplica ao adquirente de prédio hipotecado. Se o requerente da expurgação não depositar a importância devida.) 3. (Redacção do Dec. b) Declarando que está pronto a entregar aos credores. libertar desse modo a garantia hipotecária.-Lei 497/77. nesse sentido a extinção de um credito garantido. ou da sua redução por inoficiosidade. nomeadamente na noção de hipoteca. 2. relativamente aos bens hipotecados pelo donatário que venham ao poder daqueles em consequência da revogação da liberalidade por ingratidão do donatário. não for citado nem comparecer espontaneamente em juízo não perde os seus direitos de credor hipotecário. 692º cc. 4. contudo sem prejuízo para o credor. sendo então quatro os modos de extinção 1. A sentença que declarar os bens livres de hipotecas em consequência de expurgação não será proferida sem se mostrar que foram citados todos os credores hipotecários. a extinção do primeiro não pressupõe a extinção da hipoteca. até à quantia pela qual obteve os bens. de 25-11) ARTIGO 723º (Direitos dos credores quanto à expurgação) 1. Esta facilidade de expurgação regulada nos artigos 721º a 723º CC bem como nos artigos 998 e SS do CPC. o novo credito só na altura da sua extinção levará à extinção da hipoteca. ela é acessória de um credito. sem prejuízo da responsabilidade do requerente pelos danos causados aos credores.Se a anterior causa de extinção é rara. sem prejuízo do direito atrás referido sobre a transferência do direito de hipoteca para os créditos indemnizatórios. tendo a hipoteca registada. ARTIGO 721º (Expurgação da hipoteca) Aquele que adquiriu bens hipotecados. um de vinte anos desde o registo de aquisição por parte desse adquirente e de cinco sobre o vencimento da obrigação garantida. regulado no art.

isto é. não carecendo de aceitação do devedor ou do autor da hipoteca para produzir os seus efeitos. ARTIGO 731º (Renúncia à hipoteca) 1. pois no caso da posse formal. de 13-7) ARTIGO 732º (Renascimento da hipoteca) Se a causa extintiva da obrigação ou a renúncia do credor à garantia for declarada nula ou anulada. Os administradores de patrimónios alheios não podem renunciar às hipotecas constituídas em benefício das pessoas cujos patrimónios administram. se a inscrição tiver sido cancelada. é um direito real em termos precários. não tem muita relevância pratica o Formal – a posse à qual não corresponde a titularidade do direito real respectivo ou seja. NOTA – a posse é um direito real com características próprias. d) Pela renúncia do credor. sem prejuízo do disposto nos artigos 692º e 701º. A renúncia à hipoteca deve ser expressa e exarada em documento autenticado. É a detenção (posse) de um objecto. Aula nº. decorridos vinte anos sobre o registo da aquisição e cinco sobre o vencimento da obrigação. (Redacção do Dec. o Conteúdo – manifesta-se num poder de exercer as faculdades próprias do dto real que é o de propriedade ou de outro direito real Existem dois tipos de posse: o Casual – quando à posse corresponde o direito real respectivo. no entanto isso não corresponde à realidade. a hipoteca.DIREITO REAIS 2º.-Lei 163/95. Concepções doutrinárias: existem essencialmente duas: 42 . “eu sou possuidor. são susceptíveis de ser possuídos. ou seja.01. todos os direitos reais (mais concretamente de gozo) tem por objecto a posse.2008 Sumário: Estudo da posse Posse (1251º e ss) 277º ARTIGO 1251º (Noção) Posse é o poder que se manifesta quando alguém actua por forma correspondente ao exercício do direito de propriedade ou de outro direito real. em formas análogas existem aqueles que gozam do direito de propriedade. 12 – Data: 08. ela é até não haver ninguém que afirme e prove que não é do “proprietário” em questão. As pessoas têm uma perspectiva em como a posse não tem uma perspectiva jurídica. 2. ou ficar por outro motivo sem efeito. mas não sou o proprietário”. renasce apenas desde a data da nova inscrição. a favor de terceiro adquirente do prédio hipotecado. b) Por prescrição. c) Pelo perecimento da coisa hipotecada. ARTIGO 730º (Causas de extinção) A hipoteca extingue-se: a) Pela extinção da obrigação a que serve de garantia.ANO forma mais célere de obter o cancelamento do registo da hipoteca é obter do credor uma declaração de renúncia do credor. isto é sui generis.

Estas duas concepções permitem a distinção entre a detenção e a posse. pois é um direito patrimonial passível por isso de posse. o direito funda-se num direito anterior. pois falta o objecto volitivo (intenção).ANO o Concepções subjectivistas – (Savingny) para alguém afirmar que é possuidor. se a nova posse houver durado por mais de um ano. No entanto o 1251º e o 1253º contradizem e afirmam que é uma concepção subjectivista.DIREITO REAIS 2º. 2. sendo adquirida por violência. O possuidor perde a posse: a) Pelo abandono. b) Pela perda ou destruição material da coisa ou por esta ser posta fora do comércio. o Concepção objectivista – (Ihering) menos exigente que a anterior. no caso de um ser proprietário e possuidor de um apartamento e vende-lo. 43 . 284) A concepção adoptada pelo legislador. doação. se foi tomada publicamente. sendo que a subjectivista. se foi tomada ocultamente. ex: contrato de compra e venda. Extinção (1267º) ARTIGO 1267º (Perda da posse) 1. sendo que o novo proprietário tem uma posse não efectiva pois não tem detenção coisa). mas continuando a morar lá. só se conta a partir da cessação desta. efectuada pelo anterior possuidor. pois para alguém ser possuidor basta a potencialidade de praticar actos materiais sobre a coisa. ou desde que é conhecida do esbulhado. mesmo contra a vontade do antigo possuidor. constitutivo possessório (ex: quando passo de proprietário e possuidor a mero detentor. isto é. tradição material. isto é. A nova posse de outrem conta-se desde o seu início. segundo os artºs 1267º e 1289º nº 2 é a objectivista. b) Pela tradição material ou simbólica da coisa. passo a ser mero detentor. logo podemos afirmar que a doutrina está dividida sendo que a maioria dos juristas entendem que é mais aceitável a subjectiva com base no 1253º Formas de aquisição (1263º + sucessão mortis causa) o Aquisição originária da posse – é quando o direito surge de novo naquele titular (1263º a) e d)) acaba por ser uma espécie de ocupação – apoderamento e inversão do título de posse (não sou proprietário. Para esta distinção existem vários problemas a ser resolvidos (ver pág. com publicidade. ou simbólica (ex: no caso de doação de um apartamento entrego a chave). d) Por inversão do título da posse. mortis causa. dos actos materiais correspondentes ao exercício do direito. c) Por constituto possessório. mais concretamente o facto de existir intencionalidade de agir de acordo com o direito real em questão é que pode distinguir se existe posse ou detenção. d) Pela posse de outrem. é necessário a materialidade e a intenção/vontade de agir. mas ou penso que o sou ou compro a um terceiro que não é proprietário e a partir daí comporto-me como possuidor de tal (usucapião) o Aquisição derivada da posse e de um direito – funda-se na transmissão. ARTIGO 1263º (Aquisição da posse) A posse adquire-se: a) Pela prática reiterada. c) Pela cedência. por exemplo como proprietários.

o uso e fruição. são elas: o Titulada (1259º) – quando tem na sua origem um modo legítimo de aquisição do direito que estiver em causa. o Boa fé ou má fé (1260º) é de má fé quando sei que a coisa não é minha e que teria prejudicado alguém o Pacífica ou violenta (1261º) o Pública ou oculta (1262º) Defesas (1276º e SS) – são essencialmente três as acções: o Prevenção – visa proteger o possuidor de uma futura possível perturbação na posse (1276º) ou seja. portanto ele pretende reaver. má fé – 15 anos 44 . O que está aqui em causa é uma questão pragmática.ANO Poderes conferidos ao respectivo titular (pag. Modalidades ou caracteres tem a ver com o facto de poder ser adquirida por usucapião ou não. sucessão na posse. 292 Havendo mais que uma posse. isto é importante para efeitos de prazo. Posse por usucapião: pag. no caso de a posse ser idêntica no direito de propriedade. o Acção directa – defesa da posse por meio próprio e não de recurso ao tribunal (1267º) o Legitimidade para intentar (1281º) o Prazo de um ano (1282º) Efeito: Regra – usucapião (1287 e SS) – a posse por certo lapso de tempo incorre depois em aquisição do direito real correspondente e que é possuidor presumivelmente proprietário (1268º) Excepção: 1293 b). é não titulada. Imóveis:  1294º . o que está a adquirir de novo pode aproveitar a posse do anterior para efeitos de usucapião. quando ainda não foi perturbada mas existe o justo receio. risco (1269º). por isso a lei acabou por proibir a usucapião por uso e habitação. ou seja. A posse é um direito possível de registo.Imóveis com registo e título de aquisição: boa fé – 10 anos. caso contrário. até incapazes) O prazo depende do tipo de bem e da espécie e modalidade da posse.DIREITO REAIS 2º. uso e habitação tem um cariz pessoal que o ajuda a distinguir do usufruto. o Restituição – já foi perturbada a posse (1278º) e. 1290º O prazo só é contado a partir da inversão do título da posse 1289º Capacidade (todos. benfeitorias (1273º e 1275). 287) confere. readquirir a posse daquele terreno o Manutenção – pode verificar-se havendo ou não já a perturbação da posse. prática. isto se for da mesma espécie (1256º). Numa situação de posse de um ou de outro direito seria difícil qualificar o direito que foi adquirido por usucapião.

Tendo alguma das partes alienado gratuitamente coisa que devesse restituir. b) – Em Dezembro de 1998. o negócio diz-se simulado.01. um prédio rústico. houver divergência entre a declaração negocial e a vontade real do declarante. Apesar de respeitar a forma e o registo.2008 Sumário: Continuação do estudo da posse.º 2.º.º Nulidade A nulidade é invocável a todo o tempo por qualquer interessado e pode ser declarada oficiosamente pelo tribunal Artigo 289. directamente ou por analogia. mas o negócio é no nos termos do art.ANO  1295º Registo de mera posse: boa fé – 5 anos a partir da data do registo. o disposto nos artigos 1269. por escritura pública. c) A obrigação de pagar o preço.º Simulação 1. Casos Práticos Caso prático I a) Em Dezembro de 1998. mas só na medida do seu enriquecimento. n.DIREITO REAIS 2º. e no intuito de enganar terceiros. e não podendo tornar-se efectiva contra o alienante a restituição do valor dela.º Nulidade da venda 45 .º e 289. sendo por isso nula. Se. apenas quando esta se torna pública é que começa a contar Móveis • 1298º Sujeitos a registo • 1299º Não sujeitos a registo • 1300º Posse oculta ou violenta Aula nº. se a restituição em espécie não for possível. não podia vender o imóvel nos termos do art. Apresentação de trabalho. b) A obrigação de entregar a coisa. António vendeu a Belmiro. 286. 879. Logo.º Artigo 240. 2. Respeitou a forma. devendo ser restituído tudo o que tiver sido prestado ou.º Efeitos essenciais A compra e venda tem como efeitos essenciais: a) A transmissão da propriedade da coisa ou da titularidade do direito. 892. Resolução de casos práticos. fica o adquirente obrigado em lugar daquele. 240. É aplicável em qualquer dos casos previstos nos números anteriores. 3. 13 – Data: 15. O negócio simulado é nulo. má fé – 20 anos  1297º Havendo violência na aquisição da posse.º para a compra e venda Artigo 879. Tanto a declaração de nulidade como a anulação do negócio têm efeito retroactivo. o valor correspondente. com simulação absoluta. má fé 10 anos  1296º Sem registo: boa fé – 15 anos. Artigo 892.º Efeitos da declaração de nulidade e da anulação 1. 2. Artigo 286. A venda foi realizada segundo a forma prescrita e registada.º e seguintes. por acordo entre declarante e declaratário. Belmiro vendeu o imóvel a Carlos que desconhecia com culpa o acto anterior.º. não se produzem os efeitos previstos no art.

ao valor dos encargos. A declaração de nulidade ou a anulação do negócio jurídico que respeite a bens imóveis. 4.º. É nula a doação de bens alheios. a titularidade de direitos reais sobre o prédio? Será Fernando quem pode invocar a titularidade dos direitos reais do prédio. Os direitos de terceiro não são. mas não os benefícios que ele deixou de obter em consequência da nulidade. 46 . ou a móveis sujeitos a registo. Carlos vendeu. Daniel está de boa-fé. todavia. Esta venda é válida. como não pode opô-la ao vendedor de boa fé o comprador doloso. Daniel vendeu o prédio a Fernando por escritura pública. Artigo 291. sem culpa. 956. não prejudica os direitos adquiridos sobre os mesmos bens. por terceiro de boa fé. b) Ter o doador agido com dolo. Respeita a forma.ANO É nula a venda de bens alheios sempre que o vendedor careça de legitimidade para a realizar. mas trata-se ainda de venda de bens alheios. d) Ser a doação onerosa ou modal. se. ficando a responsabilidade do doador limitada. e) – Em Dezembro de 2001. atendendo aos princípios da consensualidade – art. salvas as excepções previstas na lei. mas o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé. Quem pode invocar.º… Artigo 408. nos termos do art. n. logo é oponível. não tendo este registado a acção. se o registo da aquisição for anterior ao registo da acção de nulidade ou anulação ou ao registo do acordo entre as partes acerca da invalidade do negócio. É considerado de boa fé o terceiro adquirente que no momento da aquisição desconhecia. actualmente. não tendo este registado a aquisição.º d) – Em Junho de 2001.º 1 Artigo 956.º Contratos com eficácia real 1. O doador só responde pelo prejuízo causado ao donatário quando este esteja de boa fé e se verifique algum dos seguintes factos: a) Ter o doador assumido expressamente a obrigação de indemnizar o prejuízo. o donatário fica sub-rogado nos direitos que possam competir ao doador relativamente à coisa ou direito doado. c) – Em Dezembro de 2000. Daniel doou o prédio a Eduardo. registou o acto. por escritura pública. se a acção for proposta e registada dentro dos três anos posteriores à conclusão do negócio.º.º Doação de bens alheios 1. c) Ter a doação carácter remuneratório. com registo. reconhecidos. Não havendo lugar a indemnização. 408. Porém. 291. 3. o referido imóvel a Daniel que. nos termos do art. o vício do negócio nulo ou anulável. Daniel doou bem que ainda não era seu. 3. Se a transferência respeitar a coisa futura ou indeterminada.º Inoponibilidade da nulidade e da anulação 1. Daniel não está de boa fé. mas o doador não pode opor a nulidade ao donatário de boa fé. 2. o direito transfere-se quando a coisa for adquirida pelo alienante ou determinada com conhecimento de ambas as partes. nos termos do art. É imputável no prejuízo do donatário o valor da coisa ou do direito doado. pois respeita a forma e já decorreu o prazo de três anos previstos par a inoponibilidade.DIREITO REAIS 2º. neste caso. a título oneroso. 2. 2. 291. A constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato. desconhecendo sem culpa o que acontecera antes. sem prejuízo do disposto em matéria de obrigações genéricas e do contrato de empreitada. por escritura pública.

º 2. permanecendo a mesma no telhado. 204. logo é também considerada coisa imóvel. Assim sendo a doação não teria carácter real.º 2 (reproduzido supra) e 880. Se a transferência respeitar a coisa futura ou indeterminada. Assim. n. frutos pendentes e partes componentes ou integrantes 1. 204.Em 1996.DIREITO REAIS 2º. sendo a antena parabólica considerada coisa móvel ligada materialmente ao prédio.ANO porém.s 408. al. Portanto a doação não se poderia verificar por esse facto. sem que a mesma fosse retirada do local.º. … 47 . com a diferença de que em vez da doação estaríamos perante a venda.º 1 Artigo 942. o vendedor fica obrigado a exercer as diligências necessárias para que o comprador adquira os bens vendidos. n. Artigo 408. vendeu a referida antena a Carlos. de frutos pendentes ou de partes componentes ou integrantes de uma coisa. Na venda de bens futuros. É parte integrante toda a coisa móvel ligada materialmente ao prédio com carácter de permanência. atente-se ao facto de a lei considerar a antena como coisa imóvel. sendo neste caso aplicável os art. … Analise-se porém o art. b) .º.º Objecto da doação 1.º 1 Artigo 880.º Bens futuros. pelas expectativas que eventualmente foram criadas á contraparte. por documento particular. porém. nomeadamente o seu n. mas que só ocorre no momento da separação. atendendo à indivisibilidade. o direito transfere-se quando a coisa for adquirida pelo alienante ou determinada com conhecimento de ambas as partes. 408. 942. sem prejuízo do disposto em matéria de obrigações genéricas e do contrato de empreitada. n. se. Caso prático II a) .Em 1995. nos termos do art. … 3.º). segundo o que for estipulado ou resultar das circunstâncias do contrato.º. Solução diversa poderia ser encontrada caso se viesse a separar fisicamente a antena do prédio à posteriori.º.º. a par com outros tipos de construções (janelas. a transferência só se verifica no momento da colheita ou separação. n. doou a Berta a antena parabólica instalada no telhado de sua casa.º 3. Amílcar por documento particular. mas ainda assim a lei proíbe a doação de bens futuros.º Coisas imóveis 1. respeitar a frutos naturais ou a partes componentes ou integrantes. nos termos do art. Solução semelhante à anterior. a transferência só se verifica no momento da colheita ou separação.º Contratos com eficácia real … 2. A doação não pode abranger bens futuros. apenas tão-somente obrigacional. que permite a transferência de direitos reais respeitante a parte componente ou integrante (vide art. “in fine”. respeitar a frutos naturais ou a partes componentes ou integrantes. e) e n. São coisas imóveis: … e) As partes integrantes dos prédios rústicos e urbanos. … da publicidade e do princípio da tipicidade. Amílcar. portas. etc…) Artigo 204. Em primeiro lugar.º 1.

Ora Amílcar não pode onerar um bem que não é dele. como não pode opô-la ao vendedor de boa fé o comprador doloso.º. Certamente que será Duarte pelos motivos já mencionados na resposta da alínea c). e) . actualmente. não tendo esta registado a sua aquisição.º Entrega da coisa 1. em 1960. art. d) . e houve a correspondente entrega da antena. tendo pois respeitado a forma e efectuado o registo posteriormente Artigo 875.º 1 Artigo 408. que registou a sua aquisição.º Contratos com eficácia real 1..º Artigo 892. A transferência do direito real sobre a mesma dá-se então pelo mero efeito do contrato. nos termos do art. n. Há transferência dos direitos reais.Em 1997. A coisa deve ser entregue no estado em que se encontrava ao tempo da venda. Atente-se aos princípios da prevalência e ao da elasticidade. sendo a mesma retirada do local. um terreno.Em 2000.º Nulidade da venda É nula a venda de bens alheios sempre que o vendedor careça de legitimidade para a realizar.º 2 e 880. E vendeu muito bem. nos termos dos art. A casa foi vendida de acordo com o estipulado legalmente. . Amílcar constitui por escritura pública um usufruto sobre o prédio a favor de Guilherme. 408.ANO c) .º Artigo 882. salvas as excepções previstas na lei. Caso Prático III a) Paula vendeu a Estêvão. 892.DIREITO REAIS 2º.º. Nos termos do art. f) . da consensualidade e da tipicidade. analisando os co-implicados princípios constituintes de direitos reais. n.º. 882. a referida casa a Duarte. por escritura pública.º 1 (já reproduzidos). Contudo. a compra não foi registada. … São observados três princípios: o da publicidade.Em 1998. 875..Em 1999.º Forma O contrato de compra e venda de bens imóveis só é válido se for celebrado por escritura pública. mas o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé. n. a titularidade de direitos reais sobre o prédio? Justifique a resposta. Quem pode invocar. A constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato. Amílcar vendeu a casa a Fernanda.º. 48 . Estamos perante a venda de bens alheios. por escritura pública. nos termos do art. 875. Duarte vendeu verbalmente a referida antena a Eugénio. Amílcar vendeu por escritura pública.º Artigo 875. nos termos do art. Amílcar não tem legitimidade para vender a casa.º Forma O contrato de compra e venda de bens imóveis só é válido se for celebrado por escritura pública.s 408.

4. construir obra em terreno alheio. o vício do negócio nulo ou anulável.º Obras. referir que não é considerado para efeitos de registo os herdeiros por mortis causa. c) Por sua vez. desde então. A declaração de nulidade ou a anulação do negócio jurídico que respeite a bens imóveis. os sucessores de Paula são herdeiros. No entanto só hoje terá ido conhecimento de que um dos filhos de Paula terá construído um imóvel de 5 pisos no terreno. pela forma estabelecida no n. se o registo da aquisição for anterior ao registo da acção de nulidade ou anulação ou ao registo do acordo entre as partes acerca da invalidade do negócio. ou se foi autorizada a incorporação pelo dono do terreno. … 3. visto este art. de boa fé. tendo sido seu filho. a pouco menos de 30 cm da estrema do seu prédio. 1340.º. a sucessão mortis causa em seu favor. Se alguém. Fernando adquire o terreno por efeito sucessório. tendo beneficiado. 1360. sementeiras ou plantações feitas de boa fé em terreno alheio 1. à vista de todos e sem qualquer oposição. com obrigação de indemnizar o autor delas do valor que tinham ao tempo da incorporação. É considerado de boa fé o terceiro adquirente que no momento da aquisição desconhecia. … A venda é válida e o registo para este efeito não é relevante. se o autor da obra sementeira ou plantação desconhecia que o terreno era alheio. por terceiro de boa fé.º porque a sucessão não tem título oneroso. Não é aplicável o art. o que lhe dá o direito de o usar. o que confere o direito a Fernando. Caso Prático IV a) Carlos.º. n. 408. sementeiras ou plantações. Se o valor acrescentado for igual. sementeiras ou plantações tiverem trazido à totalidade do prédio for maior do que o valor que este tinha antes. sobre o referido terreno. registaram. ou a móveis sujeitos a registo.º a aplicar Artigo 1340. proprietário de um prédio sito em Felgueiras. que continuou a utilizar o dito terreno para fins agrícolas. Nos termos do art. pagando o valor que o prédio tinha antes das obras. aquando do falecimento de Paula. uma vivenda composta de 4 pisos. sementeiras ou plantações pertencem ao dono do terreno. os herdeiros de Paula. A constituição ou transferência de direitos reais sobre coisa determinada dá-se por mero efeito do contrato. das vistas magnificas que as janelas do seu primeiro-andar e rés-do-chão proporcionavam.ANO A propriedade é transmitida nos temos do art. haverá licitação entre o antigo dono e o autor da incorporação.º Contratos com eficácia real 1. Não poderia construir nos termos do art.º do Código do Registo Predial. b) Estêvão faleceu. Se o valor acrescentado for menor. 4. 291. construiu. alegando não ter tido conhecimento da venda efectuada a Estêvão. as obras.º… 49 . Artigo 291. d) Desde 1994 que Fernando tem o terreno abandonado.DIREITO REAIS 2º. salvas as excepções previstas na lei.º 2 do artigo 1333. o autor da incorporação adquire a propriedade dele. E necessário saber qual o valor do terreno e qual o valor do imóvel construído para depois saber qual o n. não prejudica os direitos adquiridos sobre os mesmos bens. a título oneroso. sem culpa.º 1 Artigo 408. Fernando. em Novembro de 1970.º do art.º Inoponibilidade da nulidade e da anulação 1. e o valor que as obras. Entende-se que houve boa fé. Presume-se que á boa fé porque não sabiam da venda. 3. ou nele fizer sementeira ou plantação. 2.

Quid iuris? Artigo 1547.º Artigo 1362. em contravenção do disposto na lei.º 1. mas. Caso Prático n. Consideram-se não aparentes as servidões que não se revelam por sinais visíveis e permanentes. eirados ou obras semelhantes. varandas. 3. podem ser constituídas por sentença judicial ou por decisão administrativa. intentaram uma acção ordinária contra carolina.º Falta de registo Não havendo registo do título nem da mera posse. A existência de janelas. por usucapião ou outro título. se a obliquidade for além de quarenta e cinco graus. 2. e de vinte anos. pode importar. uma zona comum do prédio. a constituição da servidão de vistas por usucapião. aborrecido com a situação e sentindo-se fortemente prejudicado. conforme os casos.º Abertura de janelas. terraços. Em Maio de 2005. proprietária de um prédio contíguo ao de Carlos. recém chegada de Paris. 1362.º Artigo 1296. ao proprietário vizinho só é permitido levantar edifício ou outra construção no seu prédio desde que deixe entre o novo edifício ou construção e as obras mencionadas no n.º V Maria e Bernardo. não tem aplicação a restrição imposta ao proprietário. 50 . 2. condóminos de um prédio. pedindo que esta fosse condenada a pagar-lhes a quantia de 20. eirados ou obras semelhantes. n. cada condómino é proprietário exclusivo da sua fracção e comproprietário das partes comuns do edifício. a usucapião só pode dar-se no termo de quinze anos. 1296. se for de má fé. alegando que os trabalhadores que realizavam obras numa fracção imobiliária de propriedade da segunda vinham danificando. correspondente à extensão destas obras. As servidões não aparentes não podem ser constituídas por usucapião. onde esteve emigrada desde 1968. O prazo do usucapião é o previsto no art. As servidões legais. testamento. se a posse for de boa fé. fora da área de obras. As servidões prediais podem ser constituídas por contrato. fazendo erguer um muro. usucapião ou destinação do pai de família. varandas e obras semelhantes 1. acrescida de juros legais desde a citação.DIREITO REAIS 2º.00.º 1 o espaço mínimo de metro e meio. portas.ANO Artigo 1360. 1420. a distância de metro e meio conta-se perpendicularmente do prédio para onde deitam as vistas até à construção ou edifício novamente levantado.º Servidão de vistas 1. Se os dois prédios forem oblíquos entre si. … mas uma vez que o construído aplica-se o art. nos termos gerais. iniciou obras no seu prédio. Artigo 1548. Carlos. 2. pretendendo que lhe seja reconhecida uma servidão de vistas por usucapião e que Camila seja obrigada a demolir o muro. recorreu ao Tribunal.º Constituição por usucapião 1. Camila. na falta de constituição voluntária. que tapou parte das vistas das referidas janelas. quando sejam servidos de parapeitos de altura inferior a metro e meio em toda a sua extensão ou parte dela. portas. Nos termos do art.º.000. Constituída a servidão de vistas. Igual restrição é aplicável às varandas. terraços. O proprietário que no seu prédio levantar edifício ou outra construção não pode abrir nela janelas ou portas que deitem directamente sobre o prédio vizinho sem deixar entre este e cada uma das obras o intervalo de metro e meio. 2.º Princípios gerais 1.

desde que não a empregue para fim diferente e não prive os outros consortes do mesmo uso. na execução das funções que lhe pertencem ou quando autorizado pela assembleia. No entanto. quer contra terceiro. tem que haver em primeira ordem reintegração dos danos.º. Prevê o art. todavia.º Noção 1.º. O uso da coisa comum por um dos comproprietários não constitui posse exclusiva ou posse de quota superior à dele. embora possam ser quantitativamente diferentes. isto é. ou compropriedade. quando duas ou mais pessoas são simultaneamente titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa. 1437.º Uso da coisa comum 1. nos termos do art. Artigo 1406. Maria e Bernardo não têm legitimidade. Terminado o seu mandato.º Princípio geral Quem estiver obrigado a reparar um dano deve reconstituir a situação que existiria. 2. embora facultadas a alguns moradores. salvo se tiver havido inversão do título. fora por estes.a” alegando que esta exerceu as funções de administradora de condomínio do referido imóvel até 20/04/1998. para além de que as referentes a 1997 e 1996. tem que haver reparação por parte de quem os constituiu. sem recorrência a reunião geral de condóminos. 562. quer contra qualquer dos condóminos. Na falta de acordo sobre o uso da coisa comum. Existe propriedade em comum. data em que foi notificada da exoneração do cargo. existe compropriedade quando duas ou mais partes são titulares do direito de propriedade sobre a mesma coisa. Os direitos dos consortes ou comproprietários sobre a coisa comum são qualitativamente iguais. a qualquer dos comproprietários é lícito servir-se dela. nem quaisquer outros documentos alusivos ao seu exercício de administradora de condomínio. quantitativamente iguais na falta de indicação em contrário do título constitutivo.º Direitos dos condóminos 1. Cada condómino é proprietário exclusivo da fracção que lhe pertence e comproprietário das partes comuns do edifício. 1403. contra a empresa “Gesimóvel. conforme decorre do art. sendo que essa é atribuída a quem exerce o cargo de administrador.º 1 Artigo 1437. Artigo 562. … De acordo com o previsto no art. havendo danos na coisa comum. … Caso Prático nº VI O condomínio do prédio sito na rua do Padeiro. quanto ao uso da coisa comum. na baixa de Coimbra. Daqui resulta que Carolina tem efectivamente que reparar os danos na parte comum. para demandar carolina. contanto que a não empregue para fim diferente daquele a que a coisa se destina e não prive os outros consortes do uso a que igualmente tem direito. a referida empresa não apresentou contas relativamente ao ano de 1998. que a qualquer dos comproprietários é lícito fazer uso dela.º1. Ld. 2.ANO Artigo 1420.º Legitimidade do administrador 1. O administrador tem legitimidade para agir em juízo. desaprovadas.DIREITO REAIS 2º. 1406. as quotas presumem-se. Ora. Acresce que a referida empresa não terá apresentado nem os livros.º. se não se tivesse verificado o evento que obriga à reparação. sem recorrer a deliberação em assembleia de condóminos.º. 51 . uma acção especial de prestação de contas. intentou. sendo que os seus direitos são qualitativamente iguais e presumem-se quantitativamente iguais Artigo 1403. n. n.

º 1. al. conforme resulta da conjugação dos art. sendo certo que o facto de não terem sido aprovadas não invalidaria a sua efectiva prestação. mas tinha obrigação de manter e guardar os documentos e entregá-los a quem passasse a exercer aquelas funções. representando-o. 52 . al. que o administrador representa os condóminos perante as autoridades administrativas. na execução das funções que lhe pertencem ou quando autorizado pela assembleia. … Ora.º Funções do administrador São funções do administrador.º.e não o condomínio . A assembleia reúne-se na primeira quinzena de Janeiro. conforme prevê o art.º Funções do administrador São funções do administrador. esta seria desnecessária.º 3 Artigo 1436. Artigo 1435. para agir em juízo contra terceiros na execução das funções que lhe pertençam. ainda não foram declaradas visto que o novo condomínio ainda não teria definido data para tal.s 1436. quer contra terceiro. n. i).º Funções do administrador São funções do administrador. compete ao administrador do condomínio assegurar a execução do regulamento e das disposições legais e administrativas relativas relativas ao condomínio… Artigo 1436. … No que se refere à deliberação da assembleia de condóminos. devendo entregar àquele todos os documentos respeitantes ao condomínio que estejam confiados à sua guarda. 1431º. Nos termos do art. além de outras que lhe sejam atribuídas pela assembleia: … m) Guardar e manter todos os documentos que digam respeito ao condomínio. Tal dispõe o art. n. Quanto às de 1998.º 1 Artigo 1431. l). nos termos do art. além de outras que lhe sejam atribuídas pela assembleia: … i) Representar o conjunto dos condóminos perante as autoridades administrativas.º. Logo que seja eleito ou judicialmente nomeado um administrador. O administrador tem legitimidade para agir em juízo. é o administrador .que pode intentar a acção. Artigo 1436. al. para discussão e aprovação das contas respeitantes ao último ano e aprovação do orçamento das despesas a efectuar durante o ano. 1436.º Legitimidade do administrador 1. já que aquela reúne apenas para discussão e apreciação das contas e orçamento. o condómino que nos termos do presente artigo se encontre provido na administração cessa funções. além de outras que lhe sejam atribuídas pela assembleia: … l) Assegurar a execução do regulamento e das disposições legais e administrativas relativas ao condomínio. … Relativamente ao ano de 1998 aquela empresa não exerceu funções. L.DIREITO REAIS 2º.º-A. Artigo 1437.ANO Uma vez citada. 1436. … … bem como. quer contra qualquer dos condóminos.º.ºA Administrador provisório … 3. m) e 1435. a “Gesimóvel.º Assembleia dos condóminos 1.da” alegou que prestou contas relativas ao ano de 1996 e 1997. n. mediante convocação do administrador. 1437.

já que conforme atrás referimos.º 1. há causa de pedir. n.º. a)… Artigo 1421. 2. É especialmente vedado aos condóminos: a) Prejudicar.º. … … cuja administração compete à assembleia de condóminos. colunas. 1425. al. Conjugados os art. sem autorização dos restantes condóminos.s 1422. 1421. a linha arquitectónica ou o arranjo estético do edifício. furando a parede exterior. al. Caso prático VII Diga se o titular de uma fracção autónoma de um edifício em propriedade horizontal pode fazer cada uma das seguintes obras sem aprovação pelos outros condóminos: a) numa fracção do R/C destinada a comércio.º 2. bem como. … … devendo essa maioria representar 2/3 do valor total do prédio.º Inovações 1. devendo essa maioria representar dois terços do valor total do prédio. a) e o 1425. a segurança.º 2. tanto das coisas próprias como das comuns.º Inovações 1. a)… Artigo 1422. 53 . não poderia um condómino.º Limitações ao exercício dos direitos … 2.ANO Pelo que só após a nomeação do novo administrador é que podem requerer a prestação de contas. devendo essa maioria representar dois terços do valor total do prédio. n. 1422. bem como os alicerces.DIREITO REAIS 2º. Deste modo.º. sem a autorização dos restantes. quer com obras novas. por parte de algum dos condóminos. São comuns as seguintes partes do edifício: a) O solo. As obras que constituam inovações dependem da aprovação da maioria dos condóminos. quer com obras novas. furando a parede exterior.º… Artigo 1422. aumentar a dimensão da montra. b) instalar equipamento de ar condicionado.º Partes comuns do prédio 1. paredes mestras e todas as partes restantes que constituem a estrutura do prédio. No que se refere aos anos de 1996 e 1997. quer por falta de reparação. … Artigo 1425. As obras que constituam inovações dependem da aprovação da maioria dos condóminos. Nas partes comuns do edifício não são permitidas inovações capazes de prejudicar a utilização. as obras que constituam inovação dependem da aprovação da maioria dos condóminos… Artigo 1425.º. pilares.º 1. … é proibido aos condóminos prejudicar o arranjo estético do edifício. De acordo com o previsto no art. As paredes exteriores são partes comuns. quer por falta de reparação. É especialmente vedado aos condóminos: a) Prejudicar. de acordo com o art. n. as contas têm que ser aprovadas em assembleia de condóminos. al. n. aumentar a dimensão da montra. a linha arquitectónica ou o arranjo estético do edifício. a segurança. nos termos do art.º Limitações ao exercício dos direitos … 2. …não poderia um condómino instalar o aparelho de ar condicionado.

o autor da 54 . B construiu uma casa de habitação num prédio rústico de seu pai. Se alguém. conforme decorre do art.ANO c) instalar equipamento de ar condicionado sem furar a parede exterior. O art. c) veda aos condóminos a prática de actividades proibidas pelo título constitutivo. bem visível. a casa que edificou bem como todo o prédio em que a mesma está implantada são sua propriedade. então poderia ser utilizado para tal fim.º 2. pelo que não poderia ser feito.º Artigo 1340. por força do art. Artigo 1422. d) fechar uma varanda com materiais amovíveis. posteriormente.º-A.º 3 do artigo 1422. A instalação de ar condicionado sem furar a parede mas com o compressor encostado a ela. f) alterar as paredes divisórias (interiores) da fracção em causa. n. sustentando B que. e) colocar uma placa numa parede exterior. Não é permitida a divisão de fracções em novas fracções autónomas. Caso prático VIII Com autorização paterna. n.. excepto se obtivesse autorização dos co-condóminos. até que fosse alterado o título constitutivo. publicitando que na fracção em causa está instalado um consultório médico. se à referida fracção se destinasse ao uso de consultório médico.º Limitações ao exercício dos direitos … 2. C e D. Ora. Por morte deste último. 1422. independentemente de ser feito com materiais amovíveis ou não. sementeiras ou plantações tiverem trazido à totalidade do prédio for maior do que o valor que este tinha antes. 1419.. Tal como já foi explicado. novamente sem autorização dos restantes condóminos. incluindo a casa. o fecho de uma varanda. salvo autorização do título constitutivo ou da assembleia de condóminos. pelo que nos mesmos termos supra explicados. os seus outros filhos. e o valor que as obras. seja integralmente considerado como fazendo parte da herança. modifica a linha arquitectónica do edifício. caso contrário não poderia ser utilizado para fim diferente. não poderia ser colocado. mas colocando o compressor encostado a tal parede.º Obras. … … o qual pode ser modificado por escritura pública. aprovada sem qualquer oposição. A.º 1. al. havendo acordo de todos os condóminos. pretendem que o prédio. 1340. sementeiras ou plantações feitas de boa fé em terreno alheio 1.º-A Junção e divisão de fracções autónomas … 3. o título constitutivo da propriedade horizontal pode ser modificado por escritura pública. … Artigo 1422. põe em causa a estética.DIREITO REAIS 2º.º. Sem prejuízo do disposto no n. construir obra em terreno alheio. ou nele fizer sementeira ou plantação. por deliberação da assembleia de condóminos aprovada sem oposição. Artigo 1419. É especialmente vedado aos condóminos: … d) Praticar quaisquer actos ou actividades que tenham sido proibidos no título constitutivo ou. desde que todos os condóminos concordem. pelo contrário. de boa fé. … O título constitutivo deve conter a menção do fim a que se destina cada fracção.º Modificação do título 1.

º 1. B juntou uma habitação a um prédio rústico.DIREITO REAIS 2º. sementeiras ou plantações. 2. A aquisição do terreno por parte de B depende de declaração. as obras. Sabendo que o valor da edificação é maior do que todo o prédio tinha antes da obra. 4. ou se foi autorizada a incorporação pelo dono do terreno. Artigo 1340. poderão B e C opor ao adquirente os direitos que compraram a A? O registo não é constitutivo de direitos. não sendo por isso automática. … Nos termos do n. sementeiras ou plantações. sementeiras ou plantações tiverem trazido à totalidade do prédio for maior do que o valor que este tinha antes. aquele que de boa fé construí obras em terreno alheio e se o valor daquela for maior que o do terreno. Entende-se que houve boa fé. e a C o usufruto sobre o mesmo prédio. já que B tem que pagar o preço do terreno e isso implica a declaração de aceitação. se o autor da obra sementeira ou plantação desconhecia que o terreno era alheio. sementeiras ou plantações feitas de boa fé em terreno alheio … 4. construir obra em terreno alheio. isto é. 1339. Antes de estar registada a favor de B a sua propriedade. n. Neste caso o objecto de aquisição por B é só o terreno onde a casa foi construída. Indique ainda (ainda que conclua pela negativa) se. Caso prático IX A vendeu a B a sua propriedade do prédio X.º do CodRegPredial.º 4 do mesmo artigo é boa-fé se a obra foi autorizada pelo dono do terreno. haverá licitação entre o antigo dono e o autor da incorporação. a junção de um bem imobiliário a outro que não é do mesmo proprietário.ANO incorporação adquire a propriedade dele. o autor da incorporação adquire a propriedade dele. ou nele fizer sementeira ou plantação. 55 . Nesta situação configura-se a acessão imobiliária. No entanto torna o registo eficaz contra terceiros e como tal oponível a eles. De acordo com o art. pela forma estabelecida no n. Se o valor acrescentado for igual. Se o prédio vier a ser vendido em tal processo judicial. o autor da incorporação adquire a propriedade pelo valor que tinha antes das obras.º Obras. pagando o valor que o prédio tinha antes das obras. O regime da acessão imobiliária está previsto no art. ou se foi autorizada a incorporação pelo dono do terreno.º 2 do artigo 1333. diga se se aplica o invocado artigo.º.º e 6. se o autor da obra sementeira ou plantação desconhecia que o terreno era alheio. com obrigação de indemnizar o autor delas do valor que tinham ao tempo da incorporação.º e ss. Artigo 1340. D fez registar sobre o prédio em causa uma penhora feita no âmbito de uma execução que move contra A. conforme resulta da conjugação dos art.s 5. Se o valor acrescentado for menor. em caso afirmativo: a) o objecto de aquisição por B é todo o prédio ou só o terreno na qual a casa foi edificada. Se alguém. 1340.º. e o valor que as obras. Entende-se que houve boa fé. mas depois de estar registada a favor de C o usufruto. 3. sementeiras ou plantações feitas de boa fé em terreno alheio 1. pagando o valor que o prédio tinha antes das obras. sementeiras ou plantações pertencem ao dono do terreno. b) a aquisição por B é automática ou depende de declaração sua. de boa fé.º Obras.

diga se o banco pode fazer reverter o cancelamento da hipoteca e fazer valer esta contra C. não tendo tornado a sua aquisição eficaz. não carecendo de aceitação do devedor ou do autor da hipoteca para produzir os seus efeitos.. o seu direito de usufruto é inoponível porque foi registado.º Registo A hipoteca deve ser registada. decorre do art. al. do referido Código. Caso prático X O banco B. não ficou o direito consolidado. … sendo que nos termos do art.º. Sabendo que C registou a aquisição. nos termos do art. a hipoteca do caso em concreto foi registada conforme o exigido e extinguiu-se por renúncia do Banco.º. A única coisa que B pode fazer se o prédio for vendido em acção judicial. Diga se A está obrigado a pagar algumas das dívidas contraídas por B e se a fracção autónoma responde por algumas delas Caso prático XII 56 .A.ANO B não cumpriu a obrigação de registar o imóvel em seu nome. 17. 731. A renúncia do credor à hipoteca deve ser expressa e exarada em documento autenticado conforme prevê o art. No que se refere a C. No entanto. B nada pode fazer quanto à penhora porque ela ocorreu antes do registo. do CódRegPredial que o registo é nulo quando for falso ou tiver sido lavrado com base em títulos falsos. n. n. De acordo com o art. mesmo em relação às partes. o condomínio relativo aos dois anos anteriores. A renúncia à hipoteca deve ser expressa e exarada em documento autenticado.º.º Renúncia à hipoteca 1. é ser ressarcido ou reembolsado por A. A hipoteca transmitia-se a C porque o registo da sua extinção era nulo. sob pena de não produzir efeitos. 16. 687.º… Artigo 687. al. A nulidade do registo só pode ser invocada depois de declarada por decisão judicial. No entanto C teria depois que alegar a inoponibilidade da nulidade do registo aos seus direitos. … Ora. a). 730. a)… Artigo 730. B não pagou a contribuição autárquica relativa aos 4 anos imediatamente anteriores à venda..º Causas de extinção A hipoteca extingue-se: … d) Pela renúncia do credor. Apesar do negócio ter produzido efeitos interpartes. Caso prático XI A comprou a B uma fracção autónoma num edifício em propriedade horizontal. a qual não prejudica os direitos adquiridos a título oneroso por terceiros de boa fé. bem como o preço de um serviço de reparações efectuado. S. A vendeu o mesmo prédio a C (que ignorava a falsificação). transitada em julgado.º 1 Artigo 731. tinha registada a seu favor uma hipoteca sobre um certo prédio de que B era proprietário.DIREITO REAIS 2º.º. Após ter obtido o cancelamento do registo da hipoteca com base num documento falso pelo qual o banco renunciava à hipoteca. apesar do documento ser falso. pelo que poderá opor o seu direito ao novo adquirente.º 1.

º Usufruto até certa idade de terceira pessoa O usufruto concedido a alguém até certa idade de terceira pessoa durará pelos anos prefixos. excepto se o usufruto tiver sido concedido só em atenção à existência de tal pessoa. Em 2000. apesar de ter falecido antes. contanto que dos actos do proprietário não resulte diminuição do valor do usufruto.º… Artigo 1477.º. Das obras ou melhoramentos realizados tem o usufrutuário direito ao usufruto. definitiva ou temporariamente. quando não seja vitalício. sendo constituído a favor de uma pessoa colectiva. a) … Artigo 1443. Em 1998 emprestou o dito prédio a Bernardo. todos os direitos sobre o imóvel voltam à esfera jurídica do proprietário. bem como onerá-lo. al. Artigo 1476. n.º Causas de extinção 1. … … sendo deste modo trespasse a terceiro o negócio celebrado entre António e Catarina. o usufruto não pode exceder a vida do usufrutuário. Quid iuris? O usufrutuário é obrigado a consentir ao proprietário quaisquer obras ou melhoramentos. excepto se o usufruto foi concedido a este. e também quaisquer novas plantações.º. salvas as restrições impostas pelo título constitutivo ou pela lei. sem ser obrigado a pagar juros das somas desembolsadas pelo proprietário ou qualquer outra indemnização.º Trespasse a terceiro 1. construindo uma garagem onde pretende guardar um carro antigo de que é proprietário. que direitos incidem hoje sobre o referido prédio urbano? Decorre do art. b) Imagine agora que o usufruto constituído a favor de António o foi até Daniel. O usufrutuário pode trespassar a outrem o seu direito. passando este a ter propriedade plena do prédio.DIREITO REAIS 2º. Ora. porém.ANO António era usufrutuário de um prédio urbano. o usufruto constituído a favor de António. se o usufruto recair em prédios rústicos. Quid iuris? De acordo com o art. ou chegado o termo do prazo por que o direito foi conferido.º e 1476. a sua duração máxima é de trinta anos. conforme resulta do art. conforme resulta da conjugação dos art. o aumento pertence ao proprietário. Entretanto Daniel. de as obras ou melhoramentos aumentarem o rendimento líquido da coisa usufruída. morre vítima de acidente de viação.º 1… Artigo 1471. 2. alienou o seu direito a Catarina. filho deste.º que… Artigo 1444.º Duração Sem prejuízo do disposto nos artigos anteriores. O usufruto extingue-se com a morte do usufrutuário e não pode exceder a vida do usufrutuário. gozo e fruição. uso. perfazer 25 anos de idade. 1477. ainda que o terceiro faleça antes da idade referida. durará até ao tempo em que Daniel faria 25 anos. … Tendo falecido o primeiro usufrutuário. no caso. 1471. a) Tendo por base que Catarina faleceu em 2002 e António em 2003. com 19 anos. 1444. 57 . O usufruto extingue-se: a) Por morte do usufrutuário. de direito público ou privado. c) Entretanto o proprietário de raiz resolveu fazer obras de ampliação naquele prédio. O usufrutuário é obrigado a consentir ao proprietário quaisquer obras ou melhoramentos de que seja susceptível a coisa usufruída.s 1443. bem como o segundo.º Obras e melhoramentos 1.

2. ou do valor destas na conjuntura em que findar o usufruto. d) Depois de um ano de chuvas fortes e granizo. sendo necessário proceder à sua reparação urgente. é aplicável o disposto no artigo anterior. Se o proprietário. conforme resulta do n.º 2. não tendo que as devolver a Anacleto. Anacleto dirigiu-se a Bernardino e pediu-lhe a restituição daquelas maçãs. n.º. O usufruto abrange assim as coisas acrescidas e todos os direitos inerentes à coisa. depois de avisado. se o não foram. de acordo com o art.DIREITO REAIS 2º. elas se tiverem tornado necessárias por má administração do usufrutuário. qualidade ou quantidade. Este deu essas maçãs a troco de 200.ª parte.º. n. fez uso das maçãs para as arremessar aos restantes presentes naquela festa. pode o usufrutuário servir-se delas ou aliená-las. Quanto às reparações extraordinárias. ou o pagamento do valor que tiverem no fim do usufruto. no entanto teria que restituir o valor da alienação. o proprietário poderia construir a garagem no dito prédio dado a usufruto.º Âmbito do usufruto O usufruto abrange as coisas acrescidas e todos os direitos inerentes à coisa usufruída.º 2 do mesmo artigo. porém. conforme resulta do art.º 1. não fizer as reparações extraordinárias. Que meios tem Anacleto ao seu dispor? 58 . e estas forem de utilidade real. 1. resulta que se depois de avisado não as efectuar. o usufrutuário pode fazê-la a expensas próprias e exigir a importância dispendida do proprietário Artigo 1473. mas é obrigado a restituir o seu valor.º Artigo 1449. só incumbe ao usufrutuário avisar em tempo o proprietário. cabendo esse direito a António. … Caso prático XIII Anacleto deu o usufruto da colheita de maçãs do seu pomar a Bernardino por 6 meses. as mande fazer. numa ida a Pamplona na tradicional festa daquela cidade.º Usufruto de coisas consumíveis 1. 1449. 1473. o telhado do prédio deteriorou-se gravemente. Quid iuris? De acordo com o previsto no art. não lhe tendo sido disponibilizados os tradicionais tomates. Bernardino. alegando que não beneficiaria delas.ANO O usufrutuário tem direito ao usufruto dessas obras ou melhoramentos realizados. O proprietário de raiz recusou-se a fazer essas obras. querendo. se este valor for inferior ao custo. Quid iuris? As reparações extraordinárias competem ao proprietário da raiz. … Quando o usufruto tenha por objecto coisas consumíveis. que posteriormente gastou na reparação do seu automóvel. b) Imagine agora que em vez de as ter vendido.º Reparações extraordinárias 1. Bernardino poderia alienar as maçãs. 1451. findo o usufruto. no entanto não poderia usufruir do mesmo. tendo no entanto que restituir o valor. Do n. a restituição será feita pela entrega de outras do mesmo género. para que este. a) Decorridos 6 meses. pode o usufrutuário servirse delas ou aliená-las. se. pode o usufrutuário fazê-las a expensas suas e exigir a importância despendida.º 1… Artigo 1451. Quando o usufruto tiver por objecto coisas consumíveis. no caso de as coisas terem sido estimadas. Assim.00 €.

concedido-lhe onerosamente o direito de superfície nesse prédio pelo prazo de 40 anos. o usufruto não se extinguiu. não obstante a atitude de Bernardino. 1536. O usufruto não se extingue. ainda que o usufrutuário faça mau uso da coisa.º 1… Artigo 1525. fruir e administrar a coisa ou o direito como faria um bom pai de família.DIREITO REAIS 2º.º Artigo 1482. autorizou Daniel a construir nesse prédio uma vivenda. Quid iuris? b) Imagine agora que Belarmino opta por alienar o seu direito. a)… 59 . Deste modo. Tendo por objecto a construção de uma obra.º Uso. a pagar anualmente ao usufrutuário o produto líquido dela. fruição e administração da coisa ou do direito O usufrutuário pode usar. Quid iuris? De acordo com o art. b) Decorridos 15 anos sobre a constituição do direito de superfície.º… Artigo 1446. 1446. Os alicerces são imprescindíveis para a construção da obra. 1524. O negócio celebrado teve por base o direito de superfície que. Caso prático XIV Amílcar cedeu a Belarmino o seu andar no Porto para que este pudesse lá habitar com a sua família. o direito de superfície pode abranger uma parte do solo não necessária à sua implantação.000.º Noção O direito de superfície consiste na faculdade de construir ou manter.º1.º Artigo1524. justificando esse facto com a necessidade dos alicerces da vivenda carecerem desse espaço. 1482. pode este exigir que a coisa lhe seja entregue. Quid iuris? De acordo com o previsto no art. ou de nele fazer ou manter plantações. a vivenda. de acordo com o art.ANO O usufrutuário deve usar a coisa ou o direito como o faria um bom pai de família. desde que ela tenha utilidade para o uso da obra. depois de deduzidas as despesas e o prémio que pela sua administração lhe for arbitrado. ou que se tomem as providências previstas no artigo 1470. conforme regulado pelo disposto no art. Amílcar pediu-lhe a restituição do andar. uma obra em terreno alheio. al. nos termos do art. a) Entretanto o filho de Belarmino jogou no Euromilhões e foi sorteado com um prémio de 500. tendo. n. perpétua ou temporariamente.º. O direito de superfície pode ter por objecto a construção ou a manutenção de obra sob solo alheio.º Objecto 1. o que é recusado por Belarmino que o queria utilizar para lá hospedar o motorista que entretanto havia contratado. a) Ao construir a vivenda.º. obrigando-se.º. mas. se o abuso se tornar consideravelmente prejudicial ao proprietário.000. ainda que o usufrutuário faça mau uso da coisa usufruída. 2. uma vez que este tinha sido recentemente despedido. 1525.º Mau uso por parte do usufrutuário O usufruto não se extingue. Daniel ocupou uma área de terreno superior à área de implantação da vivenda. Quid iuris? Caso prático XV Carlos. para tanto.00 €. Daniel ainda não tinha iniciado a construção da vivenda. proprietário de um prédio sito em Felgueiras. respeitando o seu destino económico. no primeiro caso. n.

O direito de superfície extingue-se: a) Se o superficiário não concluir a obra ou não fizer a plantação dentro do prazo fixado ou. o superficiário responde pelas deteriorações da obra ou das plantações. para poder sair-se dele. o superficiário tem. 60 . 3. direito a uma indemnização. motivo que poderia ser utilizado então por Carlos para contestar a alienação d) Que direitos assistem a Daniel ou aos seus sucessores no decurso do prazo de 40 anos. À extinção do direito de superfície.º e 1410. … tendo o proprietário direito de preferência sobre essa alienação. Que terá Carlos alegado? O direito de superfície é transmissível. 2. findo o prazo estipulado. O prédio da primeira mantém do segundo uma distância de 40 cm. a construção da vivenda.º Artigo 1535.º Assim. tendo nesse caso o superficiário direito a uma indemnização. porém. fixado para o direito de superfície? Decorre do art.º 1. Daniel poderia transmitir o seu direito a Eduardo desde que Carlos tivesse renunciado ao seu direito de preferência. calculada segundo as regras do enriquecimento sem causa. enfitêutico o prédio incorporado no solo. Não havendo lugar à indemnização. c) Entretanto Daniel resolve alienar aquele direito a Eduardo. nem para qualquer outra. nos termos do art. sitos em Cascais. Assim. logo que expire o prazo. em último lugar.º Transmissibilidade dos direitos O direito de superfície e o direito de propriedade do solo são transmissíveis por acto entre vivos ou por morte. Entretanto. quando haja culpa da sua parte. conforme decorre do art. na falta de fixação. pelo que. dentro do prazo de dez anos. ao de Branca.ANO Artigo 1536. Não tendo Daniel concluído. … 3.º Direito de preferência 1.º a 418. Daniel procedeu à venda a Carmo de outro imóvel contíguo ao dela e. ou sequer iniciado. É aplicável ao direito de preferência o disposto nos artigos 416. sendo. consequentemente. Carlos. sendo que ambos têm comunicação com a via de comunicação principal que serve aquela cidade. o seu direito de superfície extinguiu-se. Daniel teria direito a receber uma indemnização nesses termos.º Casos de extinção 1. que não tinha nem abertura para a referida estrada. Salvo estipulação em contrário. ter-se-ia que utilizar o prédio de Branca. 1534. 1535. prevalece o direito de preferência do proprietário. calculada segundo as regras do enriquecimento sem causa. Sendo o direito de superfície constituído por certo tempo. Caso Prático XVI Carmo e Branca são proprietárias de imóveis contíguos. 2. … que logo que o prazo expire. contesta essa alienação. O proprietário do solo goza do direito de preferência. indignado.DIREITO REAIS 2º. 1538. na venda ou dação em cumprimento do direito de superfície. são aplicáveis as regras da prescrição.º… Artigo 1538. adquire a propriedade da obra ou das árvores. o proprietário do solo. nesse caso. nos casos previstos nas alíneas a) e b) do n. o proprietário adquire a propriedade da obra.º Extinção pelo decurso do prazo 1.º… Artigo 1534.

º Servidão em benefício de prédio encravado 1. n. nem condições que permitam estabelece-la sem excessivo incómodo ou dispêndio. que nos termos do art. 1365. … Branca não cumpriu os 50 cm de distância. … Esta servidão é positiva porque permite ao seu titular praticar algo q é aparente porque tem sinais externos. anterior proprietário do prédio (que hoje pertence a Branca).º Noção Servidão predial é o encargo imposto num prédio em proveito exclusivo de outro prédio pertencente a dono diferente. al. Os proprietários de prédios que não tenham comunicação com a via pública. 1543. continuará a beneficiar da servidão que foi constituída a favor do terreno adquirido a Daniel.º… Artigo 1365. No termos do art.º. uma vivenda composta por 4 pisos. n. Carmo deverá tomar as providências adequadas para o escoamento das águas se fazer sobre o seu prédio. tem a faculdade de exigir a constituição de servidões de passagem sobre os prédios rústicos vizinhos. 5. a pouco menos de 30 cm da estrema do seu prédio. n. activa ou passivamente. não é causa de extinção. c) Que providências poderá tomar Carmo se o telhado do seu novo imóvel passar a verter sobre o de Branca a água resultante das chuvas) Nos termos do art.ANO a) Tendo por base que o referido direito de passagem foi conferido a Daniel por Eduardo. Caso prático XVII Carlos. Camila.º. onde esteve imigrada desde 1968. 1550.º… Artigo 1543. proprietária do prédio contíguo ao de Carlos e recém chegada de paris.º 2. iniciou obras no 61 .DIREITO REAIS 2º. pelo que o novo titular do terreno.º 1… Artigo 1545. as servidões não podem ser separadas dos prédios a que pertencem. à vista de todos e sem qualquer oposição. A servidão deste caso em concreto é a da servidão legal de passagem.º. construiu em Novembro de 1970. 1545. Se eventualmente tiver servidão de estilicídio.º 1 é a faculdade de … Artigo 1550.º Estilicídio 1. b) A servidão de passagem de Daniel continuará a beneficiar Carmo após o primeiro lhe ter vendido o terreno? De acordo com o previsto no art.º Inseparabilidade das servidões 1. Ora a venda. diz-se serviente o prédio sujeito à servidão e dominante o que dela beneficia. … … e só se extinguem nos casos previstos na lei. as servidões aparentes não dependem de registo para produzirem efeitos contra terceiros. b) do CódRegPredial. deixando um intervalo mínimo de cinco decímetros entre o prédio e a beira. qual o seu valor e que efeitos implica? De acordo com o art. Em Maio de 2005. das magníficas vistas que as janelas do seu primeiro andar e rés do chão proporcionavam. se de outro modo não puder evitá-lo. Salvas as excepções previstas na lei. tendo beneficiado desde então. O proprietário deve edificar de modo que a beira do telhado ou outra cobertura não goteje sobre o prédio vizinho. proprietário de um prédio sito em Felgueiras.

5 m de distância ao prédio de Carlos. terraços. eirados ou obras semelhantes.5 m. placas e betão armado relativos à obra e que. vindo depois a ligar à original. de modo a restabelecer a servidão de passagem. Tudo depende do local onde Camilo construiu o muro. A existência de janelas. todos os pilares. A. S. 1362. A servidão em causa é a de conteúdo negativo porque impede a construção em determinadas circunstâncias. dificultando a utilização deste último da respectiva servidão de passagem que dava acesso às suas garagens e que era beneficiada por ele. demolindo. pretendendo que lhe seja reconhecida uma servidão de vistas por usucapião e que Camila seja obrigada a demolir o muro. a constituição da servidão de vistas por usucapião. em contravenção do disposto na lei. actualmente.DIREITO REAIS 2º.º Servidão de vistas 1. n.º. A. n. deixando apenas disponíveis 9. aborrecido com a situação e sentindo-se fortemente prejudicado. nos termos gerais. tendentes a reabilitar uma fracção num prédio de sua propriedade e adjacente ao prédio de Bernardo. Decorreram 35 anos desde que Carlos tem aquelas vistas. Caso prático XVIII Bernardo intentou contra a CivilPrédios. que passou de 10 m para 9. seja obrigada a: a) remover. portas. 1360. De facto. uma acção invocando as recentes obras efectuadas pela segunda.º 1 que… Artigo 1360. pode importar. bernardo pretende que a CivilPrédio. Na respectiva acção. Carlos. Decorre do art.º 1… Artigo 1362.5 m de largura b) construir nova ponte em betão pré-esforçado de 10 m em toda a sua largura e com resistência necessária para suportar cargas de veículos pesados.º Abertura de janelas. varandas. Deste modo Camilo só pode construir se deixar 1. sendo que este se constitui pelo decurso de 10 ou 15 anos. pelo que estará constituída a servidão. fazendo erguer um muro que tapou parte das vistas das referidas janelas. desde o contrato realizado com o anterior proprietário. … Carlos não cumpriu esta regra já que a distancia deixada foi apenas de 30 cm. limitam a entrada na ponte. a ser feita por uma área diferente. recorreu a tribunal. a servidão de passagem consubstanciada numa rampa e ponte de acesso ao prédio de Bernardo passou. embora neste processo se houvessem perdido alguns centímetros de largura de estrada. S. datado de 1976 e que havia sido registada em 1998. portas. c) pagar a Bernardo os prejuízos que o mesmo sofra durante todo o tempo em que a servidão de passagem de 10 m de comprimento não esteja restabelecida. Alega ainda que: 62 . varandas e obras semelhantes 1. consoante o caso. em função das obras. O proprietário que no seu prédio levantar edifício ou outra construção não pode abrir nela janelas ou portas que deitem directamente sobre o prédio vizinho sem deixar entre este e cada uma das obras o intervalo de metro e meio.ANO seu prédio. … a violação daquelas normas pode constituir a servidão de vistas por usucapião. No entanto e nos termos do art.

delimitada. pelo lado sul. testamento. no terreno.desconhecia o que iria ser construído e que sempre informou a ré da existência da servidão e das suas características. a CivilPrédios.ANO . 1547.º 1 do mesmo código. de 10 m. ao longo da parte sul do prédio serviente. S.5 m de comprimento. 63 . n. Decorre do art. diz-se serviente o prédio sujeito à servidão e dominante o que dela beneficia. outorgada por contrato a favor de Bernardo. sobretudo porque já nem usa a garagem do dito prédio. S. por uma parede. alegou que: . respeitando todos os planos directores. n. al. sendo que a área de passagem foi calcetada pelo próprio com pedras de mármore da Tailândia há já largos anos e estava delimitada no terreno. As servidões prediais podem ser constituídas por contrato. que ficavam estacionados nas suas garagens. Na contestação. No entanto a alínea b).. já que o contrato foi celebrado entre Bernardo e o anterior proprietário. sendo que nos termos do art. usucapião ou destinação do pai de família.º.se encontra constituída uma servidão de passagem a favor do seu imóvel sobre o do CivilPrédios.º. refere que isso não se aplica às servidões aparentes.DIREITO REAIS 2º. . … e nos termos do art.Que Bernardo age de má-fé e com abuso de direito. é um terceiro para este efeito. . .º 1… Artigo 1547. registada em 1998 e objecto de contrato em 1976 com um anterior proprietário. em estilo arcaico-romano.A aquisição do seu imóvel deu-se em 1997 e é assim anterior ao registo da servidão de passagem (1998) e as obras em causa foram objecto de aprovação pelos poderes administrativos locais. circunstância que vem acarretando enormes prejuízos. o que ela não terá respeitado. Quid iuris? De acordo com o art.a ré apenas deixou livre uma placa em betão com 9.º Noção Servidão predial é o encargo imposto num prédio em proveito exclusivo de outro prédio pertencente a dono diferente. 2. . há uma servidão voluntária. localizada ao longo da vertente sul do prédio da empresa. A CivilPrédio. diminuindo o gozo da servidão acima referida. em toda a largura dos 10 m. É também uma servidão positiva que lhe permite a prática de determinado facto positivo – a passagem – e também aparente porque tem vestígios externos. designadamente no que toca à circulação de veículos com grande tonelagem de peso.º.º 1. A. na medida em que o próprio não poderia dispor do seu prédio como o fazia antes. .º Princípios gerais 1.º… Artigo 1543. 1543. 5.Apenas tiha conhecimento da existência de uma servidão de passagem qu pemitia o acesso a veículos ligeiros e pessoas ao prédio de Bernanrdo. n. . e constantes de acordo entre si e o anterior proprietário. A..no contrato constava que a servidão havia sido criada com 10 m de largura. os factos sujeitos a registo só produzem efeitos contra terceiros depois da data do registo ocorrer. vincadamente. n.º 2 do mesmo art. … No caso em apreço. produzindo deste modo efeitos contra terceiro.Bernardo terá acompanhado a evolução de toda a obra e jamais terá havido qualquer manifestação da sua parte de desacordo com o que ia sendo construído. a) do CódRegPredial que a servidão é um facto sujeito a registo.

a todo o tempo. à Câmara Municipal de Bragança que. por sua vez. carolina vem arrogar-se como legítima proprietária do prédio. alegando que os primeiros sempre ocuparam o terreno como sendo seu.s a) e b) que define que… Artigo 1253. O proprietário do prédio serviente não pode estorvar o uso da servidão.º. … Se for entendimento que a mudança da servidão não prejudica Bernardo.º… Artigo 1251. Após a venda.º Simples detenção 64 .º 1 que… Artigo 1568. As servidões extinguem-se: … b) Pelo não uso durante vinte anos. com o consentimento de terceiro pode a servidão ser mudada para o prédio deste.. em partes indivisas. contanto que a faça à sua custa. Caso prático XIX Anabela e Bernardo.º. qualquer que seja o motivo. … Se o for por prazo inferior a 20 anos. pais de carolina. A. 1253. relativamente ao facto de Bernardo estar a exercer o seu direito excedendo os limites da boa-fé. efectuou o loteamento à empresa Rochacivil. então ela poderá fazer-se. Apesar destas questões.º. ou para outro prédio. n. Bernardo não tem razão já que a servidão vai manter-se e. Refira-se ainda que todos os actos foram contemplados com as exigências legais e registrais necessárias. exigir a mudança dela para sítio diferente do primitivamente assinado. S. No que se refere ao facto de Bernardo não usar a servidão. Diferente é a simples detenção. extingue-se a servidão conforme decorre do art. é claro que a servidão deve ser utilizada para o fim que foi destinada. apesar dos 50 cm em que foi diminuída a servidão. S. 1251. procederam à venda do mesmo. 1569. prevista no art.º Mudança de servidão 1. mas não parece que pelo facto de pretender a servidão tal qual foi constituída. parece exagerado. b)… Artigo 1569. n. mas pode. não irá impedir que continuem a passar os camiões conforme necessita. se a mudança lhe for conveniente e não prejudicar os interesses do proprietário do prédio dominante. Com o falecimento dos pais. proprietários de um prédio sito em Vimioso. seja abuso de direito. al.º Noção Posse é o poder que se manifesta quando alguém actua por forma correspondente ao exercício do direito de propriedade ou de outro direito real.DIREITO REAIS 2º.º Casos de extinção 1.º 1. a servidão mantém-se.ANO Decorre do art. Anabela e Bernardo continuaram a ocupar o prédio mas como meros detentores e não possuidores. A. Quid iuris? De acordo com o art. não tendo havido inversão do título de posse. al. se for um prazo de 20 anos. Não parece no entanto razoável que 50 cm possam fazer a diferença na passagem de camiões e tendo em conta que a ponte está a ser feita em betão. 1568. caso contrário não. tudo depende do prazo do não-uso. Quanto ao argumento da CivilPrédio. será resistente o suficiente para a passagem daqueles veículos.

que a constituição do usufruto depende da realização da escritura. pelo que o contrato é nulo por inobservância de forma. quando outra não seja a sanção especialmente prevista na lei.º Aquisição da posse A posse adquire-se: a) Pela prática reiterada. tendo efectuado benfeitorias no valor de 10. b) Os que simplesmente se aproveitam da tolerância do titular do direito.º… Artigo 1255. 1440.º.º… No entanto.º… Artigo 220. 1263.º.º Sucessão na posse Por morte do possuidor. Caso prático XX A 1 de Novembro de 1990. … o qual. impedindo Margarida de o explorar. d) Por inversão do título da posse. a posse continua nos seus sucessores desde o momento da morte. Margarida aproveitou tal situação para começar de imediato a explorar o prédio em causa. Simão constitui o usufruto a favor de Margarida através de documento particular.º Constituição O usufruto pode ser constituído por contrato. não assistiria qualquer direito a Margarida. na qualidade de usufrutuária. … Anabela e Bernardo eram simples detentores pois não adquiriram a posse por nenhum dos meios previstos no art. Simão ocupou o referido prédio. Em Setembro de 2005. sem alterar a sua forma ou substância. nº 1 do CodNotariado.00. Questionado acerca das razões que o levaram a tomar tal atitude. 65 . c) Por constituto possessório. nos termos do art. através de documento particular. nos termos do art.ANO São havidos como detentores ou possuidores precários: a) Os que exercem o poder de facto sem intenção de agir como beneficiários do direito. independentemente da apreensão material da coisa. Carolina não passou a ter na sua esfera jurídica por herança dos pais a posse pois esta não existia na esfera jurídica daqueles. Simão constituiu em benefício de Margarida. dos actos materiais correspondentes ao exercício do direito. testamento. 80. com publicidade.000. esta transmite-se aos herdeiros do possuidor.º Inobservância da forma legal A declaração negocial que careça da forma legalmente prescrita é nula. um direito de usufruto vitalício sobre um prédio rústico. em que… Artigo 1263. usucapião ou disposição da lei. a) Terá Simão qualquer legitimidade na sua actuação. 220. nos termos do art.º que o… Artigo 1439. efectuada pelo anterior possuidor. resulta do art. 1255. ou poderá Margarida reagir. designadamente por via judicial contra tal atitude? b) E se Simão tivesse intentado uma acção de reivindicação? Decorre do art.º Noção Usufruto é o direito de gozar temporária e plenamente uma coisa ou direito alheio. 1439. Artigo 1440. b) Pela tradição material ou simbólica da coisa. Simão alegou que o direito de usufruto não havia sido constituído por escritura pública e por isso.DIREITO REAIS 2º. Ora. Havendo posse.

Tanto a declaração de nulidade como a anulação do negócio têm efeito retroactivo. de acordo com o art.º Posse pacífica 1.º Aquisição da posse A posse adquire-se: a) Pela prática reiterada.º Margarida só adquiriria o usufruto por usucapião em… Artigo 1296. e pública. É lícito o recurso à força com o fim de realizar ou assegurar o próprio direito. Ora.DIREITO REAIS 2º.º Artigo 1262. se a restituição em espécie não for possível. A posse. 1262.º 1… Artigo 1261. pela impossibilidade de recorrer em tempo útil aos meios coercivos 66 . dos actos materiais correspondentes ao exercício do direito.º Posse de boa fé … 2. Simão apenas poderia ocupar o prédio por forma de acção directa se. o valor correspondente. O título não se presume. 1261. Posse pacífica é a que foi adquirida sem violência. adquirida sem violência. conforme dispõe o art. … Verifiquemos então se Margarida adquiriu o usufruto por usucapião. 1263. al. n.. No caso em concreto. n. devendo a sua existência ser provada por aquele que o invoca. nos termos do art.º Efeitos da declaração de nulidade e da anulação 1. Resulta do art. 336. com publicidade.ANO … devendo ser restituído tudo aquilo o que houver sido prestado. se a posse for de boa fé. nos termos do art.º 2 Artigo 1259.º Posse titulada … 2. a usucapião só pode dar-se no termo de quinze anos.º.º..º Artigo 289. pelo que é uma posse não titulada a de Margarida.º… Artigo 336. quando a acção directa for indispensável. n. não há título nem registo da posso do usufruto e é de má fé.º. 1296. de má fé. Artigo 1263. … a posse. … Uma forma de aquisição do usufruto á a usucapião. nos termos do art. esse prazo ainda não decorreu. que depende da determinação do tipo de posse de Margarida sobre o prédio. … Margarida agia como usufrutuária do prédio. devendo ser restituído tudo o que tiver sido prestado ou. 1259.. … . se for de má fé.º Posse pública Posse pública é a que se exerce de modo a poder ser conhecida pelos interessados. pelo que nos termos do art. ele é formalmente inválido. A posse titulada presume-se de boa fé. Apesar de haver um título constituidor do usufruto. de acordo com o art. A posse era pacífica. e de vinte anos.º 1 que… Artigo 1260.º Acção directa 1. pois era exercida de forma a ser conhecida por interessados.º Falta de registo Não havendo registo do título nem da mera posse. 1260. e a não titulada. a). 289.

Quando.º Benfeitorias necessárias e úteis 1. poderia intentar uma acção de restituição da posse. estamos. E nunca pagou o preço da sua compra aD Este ano (2007) a ESTGF comprou a E essa mesma obra pelo preço de 2.º Noção Comodato é o contrato gratuito pelo qual uma das partes entrega à outra certa coisa. E.º… Artigo 1273. B emprestou ao seu colega e amigo C a obra em causa. na eliminação da resistência irregularmente oposta ao exercício do direito.º… Artigo 1311. datado de meados do séc. Simão poderia intentar uma acção de reivindicação. para evitar o detrimento da coisa. contanto que o agente não exceda o que for necessário para evitar o prejuízo. Tendo C morrido há 2 anos (em 2005). diga se os interesses desta são de alguma forma protegidos por lei. 67 . alguns do livros integrados naquela Biblioteca. 1129. o qual nunca a devolveu. para que se sirva dela. através da compra e venda.500. não haja lugar ao levantamento das benfeitorias. ou noutro acto análogo. quando sacrifique interesses superiores aos que o agente visa realizar ou assegurar. B comprou ao Alfarrabista A os 8 volumes da 1. ou outro direito.ª edição de um importante Tratado de Direito. os seus herdeiros venderam a totalidade dos livros que encontraram na sua biblioteca – incluindo a obra emprestada por B – ao alfarrabista D.DIREITO REAIS 2º. Caso prático XXI Há 23 anos. Este por seu turno.º Acção de reivindicação 1. nos termos do art. face a esta ocupação. desde que o possam fazer sem detrimento dela. para evitar a inutilização prática desse direito. e bem assim a levantar as benfeitorias úteis realizadas na coisa. móvel ou imóvel. satisfará o titular do direito ao possuidor o valor delas. restituir Margarida das benfeitorias feitas no prédio. XIX. 2. Diga quem é o proprietário da obra em causa. conforme resulta do art. mediante um preço.ANO normais. Há 5 anos. O negócio celebrado entre B e A permitiu a transmissão de propriedade. nos termos do art.º Noção Compra e venda é o contrato pelo qual se transmite a propriedade de uma coisa. Quanto ao negócio que preside o empréstimo da obra por B ao seu colega e amigo C. … … e sendo esta procedente. 2.º. Tanto o possuidor de boa fé como o de má fé têm direito a ser indemnizados das benfeitorias necessárias que hajam feito. 1311. A acção directa pode consistir na apropriação. Por seu turno. 1273. A acção directa não é lícita. calculado segundo as regras do enriquecimento sem causa. bem como poderia fazê-la prover de um procedimento cautelar comum. com a obrigação de a restituir. nos termos do art.º Artigo 874. vendeu a outro comerciante do mesmo ramo. Se concluir que o proprietário não é a ESTGF. 3. 874. perante um contrato de comodato… Artigo 1129. incluindo a obra em causa.00. destruição ou deterioração de uma coisa. Margarida. O proprietário pode exigir judicialmente de qualquer possuidor ou detentor da coisa o reconhecimento do seu direito de propriedade e a consequente restituição do que lhe pertence.

1251. o contrato caducou. Se não foi convencionado prazo para a restituição nem determinado o uso da coisa.º Artigo 1251. C seria de imediato obrigado a fazê-la.º Restituição … 2.º Simples detenção São havidos como detentores ou possuidores precários: a) Os que exercem o poder de facto sem intenção de agir como beneficiários do direito. nos termos do art. … .º 2… Artigo 1137. obrigação de C em restituir a obra quando finde o contrato. … … se B tivesse solicitado a restituição. nos termos do art. 1260. atendendo ao disposto no art.º.º Noção Posse é o poder que se manifesta quando alguém actua por forma correspondente ao exercício do direito de propriedade ou de outro direito real. logo.º Posse de boa fé 1. al. 892. A venda que efectuaram é nula.ANO … havendo.de má-fé – art. 1261.º Posse pública Posse pública é a que se exerce de modo a poder ser conhecida pelos interessados. nos termos do art.º Artigo 1261.º Caducidade O contrato caduca pela morte do comodatário.pacífica – art. n. … .º Artigo 1141. 1141. Paralelamente. ao adquiri-la. 1262. A posse diz-se de boa fé. Atendendo a que venderam a obra. durante o decurso do prazo que vigora aquele contrato.º Posse pacífica 1. C é simples detentor. Assim.pública – art. quando o possuidor ignorava.º. como refere a última parte da norma. 1137. Posse pacífica é a que foi adquirida sem violência. Posse esta que se pode caracterizar como: . Artigo 1135. que lesava o direito de outrem. a partir desse momento passam os herdeiros de C a deter a posse da obra. nos termos do art. não decorreu tempo suficiente para que tivessem adquirido. a mesma. por usucapião.º Artigo 1262.º Nulidade da venda 68 . … Aquando da morte de C. o comodatário é obrigado a restitui-la logo que lhe seja exigida. agindo como possuidores.º Obrigações do comodatário São obrigações do comodatário: … h) Restituir a coisa findo o contrato.º. pois careciam de legitimidade para o fazer… Artigo 892. a contrario Artigo 1260. a) Artigo 1253.º. 1253.DIREITO REAIS 2º. Com se depreende do enunciado não terá sido estabelecido prazo para a restituição.

º Posse pacífica 1. ou de coacção moral nos termos do artigo 255.º. n. quer do direito do transmitente. B. 2. porque não é nenhum dos casos em que há protecção de terceiros pela nulidade do negócio Caso prático XXII Em 1980. .com a posse titulada nos termos do art. C. quando o possuidor ignorava. por sua vez.e pública – art. 1253. Artigo 1259. vendeu o prédio por documento particular a C. 1251. age como possuidor nos termos do art. devendo ser-lhe restituída a mesma Artigo 289. 3. al. 1259.º 69 . Tanto a declaração de nulidade como a anulação do negócio têm efeito retroactivo. como não pode opô-la ao vendedor de boa fé o comprador doloso.DIREITO REAIS 2º.º Artigo 1262.º 1 Artigo 1260. A posse diz-se de boa fé. 1260. o valor correspondente.º. A arrendou a B o imóvel X. Qual a posição possessória dos diferentes intervenientes em relação ao imóvel X? 1980 – A arrenda prédio X a B B é mero detentor.pacífica – art.Simples detenção São havidos como detentores ou possuidores precários: a) Os que exercem o poder de facto sem intenção de agir como beneficiários do direito. a) Artigo 1253. e a não titulada. devendo ser restituído tudo o que tiver sido prestado ou.º Posse de boa fé 1.º… Artigo 1251. emprestou-o a D em 1986. que lesava o direito de outrem. Diz-se titulada a posse fundada em qualquer modo legítimo de adquirir. o possuidor usou de coacção física.º.º Artigo 1261. .º. o prédio X a C B. quer da validade substancial do negócio jurídico. … Não há qualquer protecção à ESTGF.º Efeitos da declaração de nulidade e da anulação 1. A posse adquirida por violência é sempre considerada de má fé. . Considera-se violenta a posse quando.ANO É nula a venda de bens alheios sempre que o vendedor careça de legitimidade para a realizar. Posse pacífica é a que foi adquirida sem violência. … 1982 – B vende por documento particular. 1262. para obtê-la. Já D também age como possuidor: .de boa-fé – art.º . mesmo quando seja titulada.º Posse titulada 1. 2. de má fé. independentemente. Em 1987 D vendeu-o a E por escritura pública. se a restituição em espécie não for possível. devendo a sua existência ser provada por aquele que o invoca. mas o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé. ao vender. O título não se presume. ao adquiri-la. A posse titulada presume-se de boa fé.º Posse pública Posse pública é a que se exerce de modo a poder ser conhecida pelos interessados. 2. em 1982. 1261. O proprietário da obra em questão é assim B. nos termos do art.

s 220. como não pode opô-la ao vendedor de boa fé o comprador doloso.º Inversão do título da posse A inversão do título da posse pode dar-se por oposição do detentor do direito contra aquele em cujo nome possuía ou por acto de terceiro capaz de transferir a posse.º 2. legitimidade.º… Artigo 1129. 1260. … Artigo 1265. B não tem. n.º… Artigo 220. quando o possuidor ignorava.º Posse pública Posse pública é a que se exerce de modo a poder ser conhecida pelos interessados. contudo. … e também nulo quando careça da forma legal – art. a) e 1265.º. para que se sirva dela. … mas mais uma vez não há legitimidade por parte de C em celebrar tal contrato.º Forma O contrato de compra e venda de bens imóveis só é válido se for celebrado por escritura pública. 1986 – C emprestou prédio X a D Estamos aqui perante um contrato de comodato.º Artigo 1263. móvel ou imóvel. visto tratar-se de venda de bens alheios – art. pelo que o negócio é nulo.º… Artigo 892.º Artigo 875.º Artigo 1260.s 1263.º 70 . … Artigo 1262. dos actos materiais correspondentes ao exercício do direito.º 1 e pública – art. nos termos do art. A posse é de má-fé.º Inobservância da forma legal A declaração negocial que careça da forma legalmente prescrita é nula. 1129. a E Posse titulada – art. … o que no caso dos bens imóveis é aplicável. al. … Artigo 1261.º Posse de boa fé 1. 1987 – D vendeu prédio X. através de escritura pública. ao adquiri-la. 892. n. se o contrato de compra e venda não observar a escritura pública – art. 875. Posse pacífica é a que foi adquirida sem violência. quando outra não seja a sanção especialmente prevista na lei. 1259.º.DIREITO REAIS 2º.º Noção Comodato é o contrato gratuito pelo qual uma das partes entrega à outra certa coisa.º Aquisição da posse A posse adquire-se: a) Pela prática reiterada. A posse diz-se de boa fé. o art.º. 1261.º Nulidade da venda É nula a venda de bens alheios sempre que o vendedor careça de legitimidade para a realizar. … e adquiriu a posse nos termos dos art. que lesava o direito de outrem. pacífica – art.ANO Noção Posse é o poder que se manifesta quando alguém actua por forma correspondente ao exercício do direito de propriedade ou de outro direito real. com a obrigação de a restituir. cf. 1262.º Posse pacífica 1. mas o vendedor não pode opor a nulidade ao comprador de boa fé. com publicidade.

º. houver durado quinze anos. reconhecidos. se o registo da aquisição for anterior ao registo da acção de nulidade ou anulação ou ao registo do acordo entre as partes acerca da invalidade do negócio. se for de má fé. b) Quando a posse. nascida a 31/10/1981. e a não titulada. contados da mesma data. sendo de boa fé.º Posse titulada 1.º 2 Artigo 1260. pelo que nos termos do art. De boa fé – 1260. ainda que de má fé. o vício do negócio nulo ou anulável.ANO Artigo 1259. sem culpa. o prazo é de 15 anos (para a posse de boa-fé)… Artigo 1296.º Posse pública Posse pública é a que se exerce de modo a poder ser conhecida pelos interessados. contados desde a data do registo. Em Janeiro de 1977. pretendendo ambos ocultar um comodato. devendo a sua existência ser provada por aquele que o invoca. todavia. caracterizando as sucessivas 71 . há que atender em primeiro lugar a que a mesma se funda apenas no título de aquisição. por terceiro de boa fé. 2. diga. está protegido quanto à sua aquisição.º. quer da validade substancial do negócio jurídico. …. ou a móveis sujeitos a registo. O título não se presume. nos termos do art.º Posse pacífica 1. quando o possuidor ignorava. a usucapião tem lugar: a) Quando a posse. quer do direito do transmitente.º Posse de boa fé 1. Diz-se titulada a posse fundada em qualquer modo legítimo de adquirir. seria de 10 anos a contar desde a data de registo (quando estivéssemos em face da posse de boa-fé).º Inoponibilidade da nulidade e da anulação 1. se a acção for proposta e registada dentro dos três anos posteriores à conclusão do negócio. com representante legal. … Pública – 1262. e de vinte anos.º Justo título e registo Havendo título de aquisição e registo deste. ao adquiri-la. Os direitos de terceiro não são. se a posse for de boa fé. 2.º.º Falta de registo Não havendo registo do título nem da mera posse. a usucapião só pode dar-se no termo de quinze anos. Pacífica – 1261. Posse pacífica é a que foi adquirida sem violência.DIREITO REAIS 2º. E. tiver durado por dez anos. não prejudica os direitos adquiridos sobre os mesmos bens. A posse diz-se de boa fé. que lesava o direito de outrem. tudo conforme o art.º. independentemente.º Artigo 1294. a título oneroso. 1296. … situação que em caso de haver título e paralelamente registo do mesmo. 2. 1294. ou de 15 anos no caso de posse de má-fé. n. Quanto à aquisição por usucapião. de má fé. Sabendo que Gustavo faleceu em 1991 e que lhe sucedeu Luísa. A declaração de nulidade ou a anulação do negócio jurídico que respeite a bens imóveis.º Artigo 1262. Hugo doou o prédio a Ivone por escritura pública. visto ter preenchido todos os requisitos Artigo 291.º 1 Artigo 1261. Hugo arendou aquele prédio a Ivone. Caso prático XXIII Em Janeiro de 1975 Gustavo vendeu a Hugo um prédio rústico por documento particular. Em Janeiro d 1979. 3. 291. É considerado de boa fé o terceiro adquirente que no momento da aquisição desconhecia. A posse titulada presume-se de boa fé. n.

diga. Porém.ANO posições possessórias. quem e quando poderá adquirir por usucapião direitos reais sobre o móvel. tal venda teve apenas por objectivo afastar o referido relógio do alcance dos credores de Fernando. sob coacção moral. direitos sobre o relógio. Heitor aproveitou um momento de distracção de Guilherme e furtou-lhe o referido relógio. Em Dezembro de 1995. caracterizando as sucessivas posições possessórias. vendeu-o a Guilherme. a quem o entregou de imediato. Caso prático XXIV Em 12/1998. proprietário e possuidor de um relógio de ouro. Em Dezembro de 1993. doou o referido relógio a Isaías. não tendo ambos qualquer outra intenção ao celebrar o negócio. Heitor. quem e quando poderá adquirir por usucapião.DIREITO REAIS 2º. Fernando. Isaías vendeu verbalmente o relógio a Júlio. Sabendo que a situação de coacção moral se mantém até hoje. 72 . Em Dezembro de 1994. a quem o entregou de imediato.