PRIMEIRAS AULAS - HERMENÊUTICA JURÍDICA 1ª parte - Apresentação plano de ensino 2ª parte – Sistema Jurídico - é o conjunto de normas jurídicas interdependentes

, reunidas segundo um princípio unificador. O brocardo "in claris cessat interpretatio" sintetiza o entendimento de que a lei não precisa ser interpretada quando ela for clara ("na clareza, cessa a interpretação"). O que acham disso? Entretanto, até mesmo as leis "claras" necessitam da atuação de um intérprete, pois nem sempre o que é evidente para um julgador é claro para outro: toda lei precisa ser interpretada, mesmo que aparentemente seja "clara". "O tempo e o contexto mudam com frequência e mesmo um princípio tido como claro num determinado momento pode perder esta clareza num futuro qualquer. Colocando que a interpretação não é meramente uma opção, mas sim uma necessidade." O termo "hermenêutica" provém do verbo grego "hermēneuein" e significa "declarar", "anunciar", "interpretar", "esclarecer" e, por último, "traduzir". Significa que alguma coisa é "tornada compreensível" ou "levada à compreensão". Alguns defendem que o termo deriva do nome do deus da mitologia grega Hermes, o mensageiro dos deuses, a quem os gregos atribuíam a origem da linguagem e da escrita e considerado o patrono da comunicação e do entendimento humano. O certo é que este termo originalmente exprimia a compreensão e a exposição de uma sentença "dos deuses", a qual precisa de uma interpretação para ser apreendida corretamente. Encontra-se desde os séculos XVII e XVIII o uso do termo no sentido de uma interpretação correta e objetiva da Bíblia. Spinoza é um dos precursores da hermenêutica bíblica. Outros dizem que o termo "hermenêutica" deriva do grego "ermēneutikē" que significa "ciência", "técnica" que tem por objeto a interpretação de textos poéticos ou religiosos, especialmente da Ilíada e da "Odisséia"; "interpretação" do sentido das palavras dos textos; "teoria", ciência voltada à interpretação dos signos e de seu valor simbólico. Hermes é tido como patrono da hermenêutica por ser considerado patrono da comunicação e do entendimento humano 3ª Parte O estado Moderno A centralização do poder político Durante a Idade Média, o poder político era controlado pelos diversos senhores a feudais, que geralmente se submeteram ao imperador do Sacro Império e do Papa. Não haviam estados nacionais centralizados. 1

que atrapalhava os negócios. • Acabar com as constantes guerras e intermináveis guerras entre os membros da antiga nobreza feudal. • O regionalismo dos feudos e das cidades. A expansão do comércio contribuiu para desorganização do sistema feudal. • Diminuir a quantidade de impostos sobre as mercadorias cobrados pelos vários senhores feudais. que espalhava seu poder ideológico e político sobre diferentes regiões européias. necessitava de um governos estáveis e de uma sociedade ordeira. • O universalismo da Igreja católica (e do sacro Império). que era a classe ligada ao comercio. que se formou em oposição a duas forças características da Idade Média. com as seguintes características: 2 . A formação do Estado Moderno O processo histórico levou ao surgimento do Estado Moderno. Eram guerras fúteis que prejudicavam muito o comércio. Vencendo os regionalismos e o universalismo medieval. o Estado moderno tinha por objetivo a formação de sociedade nacional. O comercio se expandia trazendo grandes transformações econômicas e sociais. A terra deixou de ser a única fonte de riqueza. esse universalismo gerava a idéia de uma cristandade ocidental.As crises no final do período provocaram a dissolução do sistema feudal e prepararam o caminho para a implantação do capitalismo. Para a classe da burguesia continuasse progredindo. Em algumas regiões afastadas senhores feudais ainda exploravam seus servos A conseqüência desses maltrato foi a revoltas dos camponeses. Alguns servos acumulavam recursos econômicos e libertavam-se dos senhores feudais e migravam para as cidades. O objetivo era a construção das MONARQUIAS NACIONAIS capaz de investir no desenvolvimento do comercio. na melhoria dos transportes e na segurança das comunicações. • Reduzir o grande número de moedas regionais. Importante setor da burguesia e de uma nobreza progressista passou a contribuir para o fortalecimento da autoridade dos reis.tornou-se cada vez mais rica e poderosa e consciente que a sociedade precisa de uma nova organização política. este gerava a fragmentação político-administrativo. e a burguesia .

era completamente irregular e lacunoso. tradições e costumes comuns de uma nação. estas instâncias não se constituíam numa pirâmide única e contínua. Contudo. isto é na relação e subordinação entre o suserano (senhor) e o vassalo . estabelecendo os limites territoriais de cada governo nacional. foi preciso a formação de exércitos permanentes. Como anota Foucault. o Estado absolutista. Estas. do ponto de vista procedimental. vez que atuavam pari passu as religiosas. distribuíam a justiça entre seus súditos. Como observa Luhmann. foi ineficiente no cumprimento da tarefa de organizar racional e eficazmente o aparelho judiciário estatal. Todo essa concentração de poder passou a ser denominado absolutismo monárquico. pela qual o soberano (governante) tinha o direito de fazer valer as decisões do Estado perante os súditos. Sublinhe-se que concomitantemente á fundação do Estado surge o Direito Positivo. o antigo direito do estado de natureza permanece com todos os caracteres de verdadeiro e próprio direito. de modo que o medo e a necessidade de defesa teriam impelido os homens a sair dele. Locke e Rousseau tendem a representar o estado primitivo como um estado de paz. o ordenamento jurídico. decretavam leis e arrecadavam tributos. foi surgindo a noção de soberania. Ademais. contrapondo-se ao direito positivo. controlados pelos reis (soberano). á constituição política. ainda que numerosas. sob a proteção formal do direito natural realizouse no século XVIII a transformação do pensamento no sentido total positivação da vigência do direito (1983:230) Inobstante a sua consolidação. O absolutismo Monárquico .Todo o poder para o rei Com a formação moderna. diversos reis passaram a exercer autoridade nos mais variados setores: organizavam os exércitos. Hobbes o representa como um estado de guerra de todos contra todos. fundando-a mediante um ato de consenso que recebeu o nome de contrato social. Havia uma multiplicidade de instâncias encarregadas de apreciar os litígios conseqüentemente. que ficava sobre o seu comando. Entretanto. Falado pelo mesmo povo.Idioma comum: O elemento cultural que mais influenciou o sentimento nacionalista foi o idioma. Soberania: No mundo feudal. Aos pouco no lugar do suserano. Exército permanente: Para garantir as decisões do governo soberano. Território definido: Cada estado foi definido suas fronteiras políticas. havia os conflitos de jurisdições. realizar a justiça. eram 3 . SOBERANIA E POSITIVAÇÃO DO DIREITO Como vimos nos capítulos precedentes. as dos senhores e as do rei. o idioma servia para identificar as origens. o poder estava baseado na suserania. do estado de natureza os homens teriam passado ao estado civil. inspirado nas concepções de Bodin e Hobbes. Inversamente. de tal maneira que o sistema de valores do Direito natural existe para exercer uma função de controle em relação ao Direito positivo.

unidas por um conjunto de elementos constitutivos do Estado. 24. A lei traduzia a vontade do príncipe. na gênese do Estado Moderno o monarca surge como o titular da soberania. mas no coração do Estado .03. permitindo a manutenção da conotação indivisível. posto que há uma quebra da estrutura onde se assenta o poder soberano do rei. Em diversos sentidos o direito preparou e facilitou essa transposição ( 1938:230). ocorrer sem maiores atritos quando surgiu uma maior necessidade de legislação. Tal esquema reproduz. (as dificuldades surgiram inicialmente menos no próprio direito e mais na necessária restruturação da preparação política das decisões). Esta concepção de um todo que vive uma própria e superior á das partes estava provavelmente. em consonância com a divisão dos poderes instaurada com a mencionada Revolução. como membros de um todo. Com efeito. conforme vimos nas teorias da soberania (Ferraz Jr.75). houve e há um notável esforço dos teóricos do direitos no sentido de conformar num corpo único uma multiplicidade de normas cujo fundamento é a noção de soberania. Seguido-se a problematização do poder como algo que deve ser controlado para que a vida social se realize e aperfeiçoe. A societas civilis transforma-se em sociedade burguesa. aquilo que Hobbes já propunha: O Leviatã não é senão a coagulação de um certo número de individualidades separadas.melhor: em sua cabeça . Pontifica Luhmann que a restruturação do direito no sentido da positividade foi preparada no pensamento e nas instituições da Europa antiga e pôde. inalienável e imprescritível da soberania. que Hobbes diz ser a alma do Leviatã. foi a partir da Revolução Francesa que transformações radicais ocorreram. 14. a partir da Revolução Francesa passaram a unir-se na Nação.95). em maior ou menor grau. Inescondivelmente. 4 . ela se cristaliza bruscamente (Ferraz Jr. Apesar de terem suas raízes no período anterior. essas transformações o transcendem. a positividade do direito tem como fundamento o conceito de soberania que é utilizado na sistematização das normas jurídicas numa estrutura hierarquizada. a vontade do rei é substituída pela vontade da nação. anotações de aula. Com a Revolução.mal coordenadas. com a Revolução. criando um problema desconhecido até então: a compatibilização da sociedade. com a política. de um lado. por isso. vale dizer do poder. Finalmente. Se no Estado absolutista os homens uniam-se em torno do monarca. Assim. Este conceito é mais abstrato.existe algo que o constitui como tal e este algo é a soberania. Anotações de aula. de outro (civitas econômicas/ civitas política). Junte-se a tudo isso o direito do rei ou seus representantes de tomar decisões sem qualquer procedimento regular (1993:188).03.

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