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Relatório de observação do colégio estadual Uyara Portugal

O SURGIMENTO O Colégio Estadual Uyara Portugal foi fundado em 1995, pelo ex-governador João Durval Carneiro que comprou a fazenda Rodam Brasil para transferir os moradores da Avenida Anchieta que viviam numa favela, ali existente. O governador juntamente com os deputados chefes de setores ligados a habitação e o diretor da Interurbis, Sérgi o Carneiro, criaram um conjunto habitacional discutindo com os moradores da favela da antiga Avenida Anchieta (atualmente é a Avenida João Durval Carneiro). Os moradores receberam suas casas, o colégio, a lavanderia, a creche e um posto policial (conquistado posteriormente). O colégio recebeu o nome de Uyara Portugal, para homenagear uma das idealizadoras do projeto que criou o conjunto habitacional Sérgio Carneiro. Alguns moradores foram indicados para serem os funcionários dos setores e dos órgãos públicos criados naquele espaço. Infelizmente não há nenhum documento deixado por gestões anteriores, dentro dos arquivos do colégio, que nos contem sobre o seu nascimento, todos os fatos foram relatados pelas funcionárias que trabalham na instituição desde a sua fundação1.

O DESCASO COM A EDUCAÇÃO O colégio conta com uma boa estrutura física tendo 21 salas todas com tv¶s pen drives que não funcionam, as salas não possuem boa ventilação e a iluminação é precária; também possui uma secretaria amontoada de coisas sem necessidade com o computadores quebrados, livros didáticos e etc. Ou seja, mal organizada; uma sala de leitura que esta entregue as baratas; possuem duas salas cheias de computadores uma exclusiva para matriculas a outra não esta disponível para os alunos, esta sempre fechada; possui uma sala de vídeo que era melhor não ter, pois so tem uma TV pen drive e um aparelho de DVD, existia um Data show, mas foi roubado e a sala não possui isolamento acústico, ao usar a sala atrapalha as aulas das salas vizinhas possui uma ; quadra de esportes que esta precisando de uma pequena reforma, tem uma sala de professores com dois banheiros, uma mesa e armários de parede nada mais, as vezes falta até água; tem uma cantina e sete banheiros que estão em situação precária os quais foram depredados pelos próprios alunos.
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http://ceup-ceup.blogspot.com/2010/09/colegio-estadual-uyara-portugal.html 15/04/2011,15h:45min.

2005 4 . O professor de história observado até que se esforça para poder dar conta do conteúdo.. http://ceup-ceup. COTRIM.Diretor Geral. mais da metade dos estudantes só chegam no segundo horário as 19h:30min.blogspot. e o senhor Sandro afirma ser inocente de todas as acusações. e as 21h:30min.Secretária Geral. O corpo docente é formado por 76 professores. sendo 90% do quadro com nível superior e pós-graduação.. passando por alguns professores.3 .Noturno e Janaína.ESTRUTURA ORGANIZACIONAL A estrutura organizacional está deixando a desejar. Porem o colégio esta em péssimas condições de funcionamento e o clima de intrigas e conchavos é constante. Abaixo da media nacional que é de 4. 13h52min. Em relação aos funcionários. sob a justificativa de que o bairro é perigoso. Rosana Almeida BritoVice-diretora. Apenas 30% são do quadro efetivo da SEC3. Muitos desses alunos desinteressados ficam nos corredores ouvindo musicas no 2 3 http://sistemasideb.2. só para se ter uma idéia geral do desempenho dos alunos as notas no IDEB de 2005.Vespertino.3. 2007 e 2009 foram consecutivamente 2. ed. porém os alunos não se interessam. o diretor esta sendo processado por improbidade administrativa. primeiro que durante o turno noturno são cinco aulas.com/2010/09/colegio-estadual-uyara-portugal..html 15/04/2011. e os que têm interesse não acompanham o conteúdo programado para o ³Tempo Formativo VI´ (1° e 2° ano do ensino médio em um único ano.2 A equipe gestora de quando comecei o estágio no Colégio Estadual Uyara Portugal era constituída por: Sandro Machado Fonseca. o que acaba refletindo no desempenho dos alunos que é péssimo. na teoria a primeira aula deveria começar às 18h:50min e a última terminaria as 22h:10mim. furto. Sandra Lessa da Costa.Matutina. utilizando o livro de Gilberto Cotrim como referência4. Gilberto: História Global ± Brasil e Geral ± volume único/8. sendo 90% com nível superior e pós-graduação.Vice-diretora. o colégio encerra o expediente. ate todos os outros funcionários e alunos. São Paulo: Saraiva. agressão verbal contra professores e alunos. Arlene França de Jesus Freitas -Vice-diretora.3 . temos um grande número de PST (Prestação de serviço temporário).gov.br/resultado/24/07/2011. A SALA DE AULA: PRIMEIRA IMPRESSÃO A hora da aula é frustrante.0. começando pelo diretor geral Sandro Machado Fonseca.inep.3.).15h:45min. a falta de compromisso e o desinteresse pela educação é evidente. Alguns professores preocupados com a situação do colégio denunciaram o diretor e a escola sofreu intervenção da Secretaria de Educação do estado.

1981. a burocratização da instituição escola. Entrevistando os alunos. se os objetivos desses estudantes divergem com o estabelecido pelas políticas educacionais vigentes no Brasil. Dermeval: Escola e Democracia: Teorias da educação.32)6. 80% dos alunos entrevistados só querem o certificado de conclusão do ensino médio. pois os burgueses colocam seus filhos em escolas particulares. Entretanto. Dermeval: Revista da Ande. Dermeval Saviani em seu livro ³Escola e Democracia´ vai responder à alguns desses questionamentos. novembro/2001 8 SAVIANI. p. 39. ano XXI.celular ou assistindo TV e conversando. são constatadas algumas contradições. o básico basta para preparar o aluno para ingressar no mercado de trabalho 5 e ocupar posições subalternas.32. entre outros fatores. 5 6 Lei nº 9. 10ª Ed. IN: ARAÚJO. as quais garantem através de leis o direito de todos os cidadãos a terem acesso a uma educação de qualidade e em igualdade de condições. 1996.): SALA DE AULA: que espaço é esse. principalmente a tecnicista e a violência simbólica8. as quais preparam seus alunos para ocuparem as posições de detentores do conhecimento. Evaldo: A Política e as Bases do Direito Educacional/Cadernos Cedes. SP: Cortez. ± campinas. poucos investimentos do Estado em cursos de aperfeiçoamento. contudo esses direitos constitucionalmente firmados não são postos em prática com igualdade de condições.394. 7 VIEIRA. SP: Papirus. de 20 de dezembro de 1996. Então dominar o que os dominantes dominam é questão de libertação´ (SAVIANI. . SAVIANI. Enquanto nas escolas públicas destinadas aos filhos dos proletariados aparentemente não há necessidade de conteúdos complexos. onze teses sobre educação e política. em frente a esses dados chego à seguinte indagação: Como fazer a maioria dos alunos se interessarem pela aula se não há motivação. p. Como o professor deve lidar com essas situações? Os cursos de licenciaturas preparam o profissional da educação para lidar com esses problemas do cotidiano escolar? Existem ainda outros fatores que desmotivam o professor como: Desvalorização da categoria. Autores associados. Regis de (org. esta cada vez mais se parece com uma empresa de capital privado7. as quais são predominantes no colégio observado. curvatura da vara. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional (LDB). 1981. quando trata das teorias crítico-reprodutivistas. 1989. essas estruturas estão tão bem enraizadas na sociedade neoliberal que o individuo não consegui enxergar que: ³o dominado não se liberta se ele não vier a dominar aquilo que os dominantes dominam. nº 55. baixos salários. José Carlos Souza: Sala de aula ou o lugar de veiculação do discurso dos oprimidos. 15% querem fazer algum curso técnico e os outros 5% almejam o vestibular. n° 1. IN: MORAIS. p.

as revoluções industriais introduziram no mercado as máquinas e com elas a necessidade de um pequeno nível de especialização técnica. sem que os proletariados percebam. recebendo em troca um salário mínimo e sendo explorado ao máximo.A violência simbólica é a articulação da classe opressora inserindo uma ideologia. a partir do século XIX. que não é necessário ter um conhecimento acadêmico para sobreviver. . em troca de algum dinheiro a mais do que a mão-de-obra não especializada recebe. basta obter o certificado de conclusão do ensino médio. Porém. ter algum conhecimento de matemática básica e saber assinar o nome que terão emprego garantido. ou seja.