Apoio matricial e equipe de referência: uma metodologia para gestão do trabalho interdisciplinar em saúde

• “Apoio Matricial: formação de grupos com diferentes especialistas que estudam determinada situação e demandam pelo apóio de outros grupos que já passaram por aquela situação, transmitindo experiência” • Centro de referência tem tudo a ver com apoio matricial • Questão para procurar: O que o CRST tem a ver com a RENAST? • Ocorre apoio matricial de um CRST para outro • Apoio matricial é pontual, tendo tempo estipulado • Equipe de referência é aquela que presta apoio matricial – pode ser fixa ou não. • Apoio matricial é a oferta de retaguarda assistencial e suporte técnico pedagógico • A equipe de referência conduz um caso individual • Ampliação do vínculo entre profissional e usuário • Atenção longitudinal – ao longo do tempo • São arranjos organizacionais e uma metodologia para a gestão do trabalho • Objetiva ampliação e integração • Pressupõe certo grau de reforma ou de transformação • Existência de dificuldades e obstáculos nessa reestruturação • Visa reforçar o poder de gestão da equipe inter-disciplinar, deslocando o poder das “especialidades” • Diferentes especialistas intervindo num mesmo problema para atingir objetivos comuns • Máximo de poder às equipes, e o resto aos gestores e usuários que coordenam, integram e avaliam as equipes • A equipe de referência continua responsável mesmo quando apoio especializado é acionado • Funcionamento dialógico e integrado • Apoio matricial agrega conhecimento e aumenta a capacidade de resolução de problemas • Comunicação ativa e compartilhamento de conhecimento • Personaliza o sistema • Quando não há o contato entre referência e apoio, entra em cena o regulador que só agiria na emergência • Estabelecimento de contato se dá através de encontros ou acionamento • Articulação entre equipe de referência e apoiadores se desenvolve através de: atendimento e intervenções conjuntas; atendimento e intervenções especializados do apoiador com seguimento das equipes de referência; ou troca de conhecimento apenas • Arranjos organizacionais que buscam diminuir a fragmentação imposta ao processo de trabalho decorrente da especialização crescente em quase todas as áreas de conhecimento • Alguém deve se responsabilizar pelo seguimento longitudinal e pela construção de uma lógica que procure integrar a contribuição dos vários serviços, departamentos e profissionais. Em geral, esse papel cabe a integrantes da equipe de referência. • Os sistemas de referência e contra-referência e os centros de regulação servem como conectores • Com o tempo, a equipe de referência vai incorporando alguns conhecimentos dos apoiadores matriciais, o q facilita nos próximos trabalhos realizados • Importante grau de compartilhamento do poder entre distintos profissionais componentes de uma equipe e desses com outros especialistas • Há uma reinterpretação da influência das autoridades externas (chefes, leis e regras) • O método do apoio matricial depende da existência de espaços coletivos, ou seja, do estabelecimento de algum grau de co-gestão ou de democracia institucional

novamente o apoio matricial é um dispositivo importante para ampliação da clínica. a desarticulação da atuação do conjunto de ações de saúde. permanecendo à margem das estruturas e políticas do SUS. em que. que não alcançavam um número expressivo de trabalhadores. • O desemprego estrutural. conformando os “guetos da saúde do trabalhador”. pressupõe-se algum grau de adesão a um paradigma que pense o processo saúde. para se trabalhar em uma perspectiva interdisciplinar. são acordados procedimentos a cargo de diversos membros da equipe • Complica-se o tema da privacidade e do segredo sobre a história do paciente. Pois bem. com a colaboração de técnicos das universidades. retomada do processo de discussão técnico-político. articulado a determinadas forças sociais • O trabalho dos CRST. Essas informações são consideradas essenciais para subsidiar o controle social e orientar as ações de saúde e as mudanças nos ambientes e condições de trabalho • Entre as inovações propostas estão: a ampliação do número de CRST e de uma nova estrutura para a RENAST. a baixa cobertura das ações. em suas concepções. cuja gestão passa a ser tanto municipal .• Trata-se de uma discussão prospectiva de caso. ou clínica do sujeito. além de uma fraca articulação intersetorial • O SUS ainda não incorporou. na rede de serviços de saúde. paradigmas e ações o papel do “trabalho” na determinação do processo saúde/doença dos trabalhadores diretamente envolvidos nas atividades produtivas. ao mesmo tempo. sugere maneiras para integrar essas perspectivas em um método de trabalho que reconheça a complexidade e variabilidade dos fatores e dos recursos envolvidos em cada caso específico. mudanças no processo de habilitação dos CRST.Duvida: como que é encarada essa situação? Quais são os métodos utilizados? O desafio de implementar as ações de saúde do trabalhador no SUS: a estratégia da RENAST • O “modelo” tem uma dimensão assistencial e tecnológica e se expressa como projeto político. de forma efetiva. com perda de direitos trabalhistas e previdenciários historicamente conquistados pelos trabalhadores. depois de uma avaliação de risco e de vulnerabilidade compartilhada. ampliação e consolidação da articulação intra-setorial. doença e intervenção de modo mais complexo e dinâmico. e o perfil epidemiológico do adoecimento dos trabalhadores também reflete as mudanças no movimento da saúde do trabalhador • Observa-se um descompasso entre as “novas” necessidades e demandas dos trabalhadores e as práticas de saúde construídas anteriormente • Para a implementação foi organizado um suporte técnico regionalizado. ou já há uma estrutura? • Obstáculo ético . dos CRST e da rede sentinela. que passa a ser organizada a partir da Coordenação Estadual de Saúde do trabalhador. seja ele um problema individual ou coletivo. da população em geral e nos impactos ambientais que essas atividades produzem. o crescimento do setor informal. dos CRST e instâncias do controle social. • Dúvida: como ficaria a estruturação na prática dentro do SUS (física)? • Dúvida: como se dá o trabalho dessa equipe? • Dúvida: os profissionais são escolhidos de acordo com os casos. a precarização do trabalho. e implementação de um amplo processo de capacitação • Ocorre articulação intra-setorial • Estão sendo preparados protocolos técnicos para cada um dos 11 grupos de agravos. da família ou de grupos comunitários • O enfoque de clínica ampliada. contribuiu para a construção de uma atenção diferenciada à saúde dos trabalhadores no SUS • O pequeno número e a distribuição desigual dos CRST nos estados e municípios.

ainda.quanto estadual. deve contemplar a diversidade e especificidades regionais. a produção de conhecimento e as atividades educativas. no SUS. análise e divulgação das informações de saúde . integralidade e humanização dos serviços. intra e intersetorialmente. interdisciplinar e em equipe multi-profissional e a experiência acumulada pelos Estados e municípios • Promover o uso inovador. permite o encaminhamento dos expostos e doentes à assistência adequada. no SUS. III) informações em Saúde do Trabalhador. oferecendo serviços de prevenção. de vigilância e de promoção da saúde. originada nas ações de vigilância. • Somente a partir do estabelecimento da relação entre o agravo ou doença com o trabalho e do registro no sistema de informação é possível coletivizar o fenômeno e desencadear procedimentos de vigilância que levem à mudança nas condições e ambientes de trabalho geradoras de doença. • As ações de saúde do trabalhador compreendem a vigilância sanitária. • È importante que as tarefas sejam redefinidas e redimensionadas. resultando em um Sistema Nacional de Informação em Saúde articulado. Por outro lado. criativo e transformador da tecnologia da informação. vigilância e de intervenção e mudanças. a geração de conhecimentos e o controle social. incorporar os princípios do trabalho cooperativo. no seu território de abrangência • Entre as tarefas a serem cumpridas pelos CRST estão: prover suporte técnico adequado às ações de assistência e vigilância da saúde do trabalhador.e intersetoriais. na perspectiva da Saúde do Trabalhador • A RENAST integra e articula as linhas de cuidado da atenção básica. as ações de Saúde do Trabalhador são desencadeadas a partir da identificação de um agravo à saúde ou de uma situação de risco. todas elas desenvolvidas sob o controle da sociedade organizada. facilitar os processos de capacitação e duração permanente para os profissionais e técnicos da rede do SUS e o controle social • O “serviço sentinela” é responsável pela notificação e informações que irão gerar as ações de prevenção. V) capacitação permanente em Saúde do Trabalhador e VI) participação da comunidade na gestão das ações em Saúde do Trabalhador • A capacitação dos profissionais. nos três níveis de gestão: nacional. estadual e municipal. II) articulação intra. equidade. organizada com o propósito de implementar ações assistenciais. são o lócus privilegiado de articulação e pactuação das ações de saúde. outra prioridade para a implementação da RENAST. a prática profissional. que produza informações para a gestão. sistematização. visando maximizar a saúde e o bem-estar das pessoas. cura e reabilitação. A partir das ações assistenciais são identificados os “casos” ou situações de adoecimento . Além disso. A indissociabilidade das ações assistenciais e de vigilância da saúde constitui uma pedra angular da Saúde do Trabalhador. em Saúde do Trabalhador • Os princípios e diretrizes que norteiam a R E NAST são coincidentes com os da Política Nacional de Saúde do Trabalhador e podem ser resumidos em : I ) a tenção integral à Saúde dos Trabalhadores. a identificação de situações ou de fatores de risco para a saúde nas situações de trabalho. as equipes capacitadas e garantidos os procedimentos de referência e contra-referência. dos critérios de habilitação e acompanhamento dos CRST e do sistema de informação do SIA/SUS • A RENAST é uma rede nacional de informação e práticas de saúde. a produção. para melhorar os processos de trabalho em saúde. epidemiológica e ambiental. definição mais clara dos mecanismos de controle social. relacionados ao trabalho. pré-hospitalar e hospitalar. priorizando os problemas mais comuns em uma dada comunidade. garantindo ganhos de eficiência e qualidade mensuráveis através da ampliação de acesso. tendo como eixo os CRSTs • Os CRST deixam de ser porta de entrada do Sistema e assumem o papel de suporte técnico e científico e de núcleos irradiadores da cultura da centralidade do trabalho e da produção social das doenças. sistematizar e difundir informações de modo a viabilizar as ações de vigilância. da média e alta complexidade ambulatorial. coleta. IV) apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas. sob o controle social. Assim. recolher. • A atenção básica é a principal referência para o re-ordenamento da atenção à saúde na atualidade • É organizada a partir de uma base territorial e critérios epidemiológicos . Estão incluídas.

ainda se observa o precedência da assistência em detrimento das ações de vigilância. prejudicando a integralidade das ações.relacionado ao trabalho. b) frágil articulação intra-setorial uma vez que a Saúde do Trabalhador ainda não foi efetiva mente incorporada na Agenda de Saúde do SUS. Meio Ambiente e setores de governo responsáveis pelas políticas de desenvolvimento econômico e social. que são notificados ao Sistema de Informação. nos níveis federal. não corresponde à organização do SUS centrada na municipalização. procedimentos de Promoção da Saúde definidos e implementados no âmbito do sistema de saúde e fora dele. pois tem possibilitado dar visibilidade às questões de Saúde do Trabalhador nos serviços de saúde. relacionados com o trabalho e definir os encaminhamentos médicos e administrativos adequados. em decorrência das mudanças na organização sindical e do grande número de trabalhadores no mercado de trabalho formal. que ainda não se organizaram para participar dos fóruns sociais. d ) falta de orientação clara quanto aos processos de pactu ação dos procedimentos de assistência. que incluem ainda. e) o despreparo dos profissionais de saúde que atuam na rede de serviços para lidar com os riscos e agravos à saúde. i) as ações intersetoriais ainda são tímidas e localizadas. . A partir dessa informação são desencadeados os procedimentos de vigilância da saúde. uma vez que. c) confusão dos papéis das coordenações estaduais e municipais de Saúde do Trabalhador e dos Centros de Referência. • a RENAST também é uma política transformadora e de inclusão. Na outra ponta. com freqüência. dessa forma . Fecha-s e . as áreas de atuação dos CRSTs não coincidem com as Regionais de Saúde. h) apesar dos avanços regionais. estadual e municipal. Previdência Social. financiadas por recursos extra-teto. centrada na atuação regionalizada dos CRSTs. de vigilância epidemiológica de agravos e da vigilância ambiental também geram informação e identificam “casos de doentes ou de suspeitos” que são encaminhados à rede de serviços de assistência. facilitado o diálogo com os gestores e o planejamento de ações. • a) a lógica do modelo da RENAST. pelo setor Trabalho. f ) o controle social está fragilizado. o ciclo de atenção integral à saúde dos trabalhadores. g) desvio dos recursos destinados à implantação da RENAST para cobrir outras necessidades no âmbito do sistema de saúde. vigilância e informação em saúde. as ações de vigilância dos ambientes e condições de trabalho.

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