Câmara Municipal de Curitiba

PROPOSIÇÃO N° 049.00005.2011

Diversos Vereadores infra-assinados, no uso de suas atribuições legais, submetem à apreciação da Câmara Municipal de Curitiba a seguinte proposição: Requerimento de Constituição de comissão de inquérito
SÚMULA

Constitui Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as denúncias nos contratos de Publicidade firmados com a Câmara Municipal de Curitiba. Requer à Mesa, na forma regimental, a criação de Comissão Parlamentar de Inquérito, com a finalidade de apurar as denúncias nos contratos de Publicidade firmados com a Câmara Municipal de Curitiba, a qual deverá ser composta de 09 (nove) membros, com prazo de duração de 120 (cento e vinte) dias.

Palácio Rio Branco, 10 de agosto de 2011

Assinaturas: Justificativa
É certo destacar que a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito está prevista nos arts. 64 e 65 do Regimento Interno desta Casa. Conforme já demonstrado, tal comissão tem por finalidade a apuração de um fato determinado, ou seja, as denúncias nos contratos de Publicidade firmados com a Câmara Municipal de Curitiba. Talvez, uma das principais contribuições do legislativo ao processo político seja o controle político dos atos praticados pelo Governo, pois permite que questionamentos sejam apontados, quanto aos atos do Executivo, possibilitando com isso o melhor funcionamento da máquina burocrática. Com toda a certeza, o poder/dever de investigar é inerente ao poder legislativo,

Com toda a certeza, o poder/dever de investigar é inerente ao poder legislativo, além, é claro, de elaborar leis. E é nesse sentido que a Comissão Parlamentar de Inquérito, mais conhecida como "CPI", caracteriza-se como um verdadeiro instrumento de investigação e apuração de fatos/denúncias. De acordo com José Afonso da Silva, em seu livro "Curso de Direito Constitucional Positivo", as comissões de inquérito são organismos que desempenham papel de grande relevância na fiscalização e controle da Administração, a ponto de receberem, pela Constituição de 1988, poderes de investigação próprios das autoridades judiciárias, além de outros previstos nos regimentos internos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Têm por finalidade máxima a qualidade de vida da coletividade, ou seja, a proteção dos interesses da sociedade. Não se pode esquecer das regras que servem de interpretação das demais normas jurídicas, as quais apontam os caminhos que devem ser seguidos pelos aplicadores da lei, ou seja, os princípios. Destacam-se pelo menos quatro deles: Princípio da Legalidade: "Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Em outras palavras, a função dos atos da Administração é a realização das disposições legais. Princípio da Moralidade: Para José Eduardo Cardozo: "Entende-se por princípio da moralidade, a nosso ver, aquele que determina que os atos da Administração Pública devam estar inteiramente conformados aos padrões éticos dominantes na sociedade para a gestão dos bens e interesses públicos, sob pena de invalidade jurídica" Princípio da Impessoalidade: Conforme o Celso Antonio Bandeira de Mello: "No princípio da impessoalidade se traduz a idéia de que a Administração tem que tratar a todos os administrados sem discriminações, benéficas ou detrimentosas. Nem favoritismo nem perseguições são toleráveis. Simpatias ou animosidades pessoais, políticas ou ideológicas não podem interferir na atuação administrativa e muito menos interesses sectários, de facções ou grupos de qualquer espécie. O princípio em causa é senão o próprio princípio da igualdade ou isonomia". Princípio da Publicidade. O poder público deve ser agir com transparência em seus atos, oferanto conhecimento a todos os seus administrados. Cardozo dispõe que: "Entende-se princípio da publicidade, assim, aquele que exige, nas formas admitidas em Direito, e dentro dos limites constitucionalmente estabelecidos, a obrigatória divulgação dos atos da Administração Pública, com o objetivo de permitir seu conhecimento e controle pelos órgãos estatais competentes e por toda a sociedade"

Todos os atos administrativos devem ser pautados por esses princípos, para que

Todos os atos administrativos devem ser pautados por esses princípos, para que assim possam realmente ter validade. A nossa Carta Magna, art. 37 reforça o acima citado: "Art. 37. A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade (...) Ao caso concreto, salienta-se que no ano de 2006 foi realizado processo licitatório para a contratação de serviços de publicidade na Câmara Municipal de Curitiba, a qual estava sob a presidência do Vereador João Cláudio Derosso. Conforme a Lei n° 8666/93, a qual " Regulamenta o art. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências", dispõe que: "Art.9oNão poderá participar, direta ou indiretamente, da licitação ou da execução de obra ou serviço e do fornecimento de bens a eles necessários: (...) III-servidor ou dirigente de órgão ou entidade contratante ou responsável pela licitação. Portanto, é correto afirmar que não poderão participar de licitações de órgãos públicos os servidores ligados ao órgão público licitante. Após essa breve consideração afirmativa, destaca-se que a empresa vencedora da licitação acima citada foi a empresa Oficina da Notícia LTDA, (11 de abril de 2006), de propriedade da Sra. Cláudia Guedes, a qual na época exercia função comissionada na Câmara Municipal de Curitiba. Tal funcionária, hoje esposa do Presidente desta Casa, somente foi exonerada na data de 01 de maio de 2006. Fica evidenciado que dispositivos da lei 8666/93 foram violados, tanto pelo Presidente desta Casa, quanto pela ex funcionária Cláudia Guedes. No tocante de João Cláudio Derosso, pode-se atribuir, a princípio, o cometimento de atos de infração político-administrativo, improbidade admistrativa e quebra de decoro parlamentar. E é nessa perspectiva que o presente requerimento é apresentado, visto que a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito propiciará a perfeita e eficaz aplicação dos dispositivos legais e princípios constitucionais.

Referências SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo.15 ed. São Paulo: Malheiros, 1998 CARDOZO, José Eduardo Martins. Princípios Constitucionais da Administração Pública (de acordo com a Emenda Constitucional n.º 19/98). IN MORAES, Alexandre. Os 10 anos da Constituição Federal. São Paulo: Atlas, 1999 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito administrativo. 7. ed. São Paulo: Malheiros

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