Chefe do Governo Provisório, com a Revolução de 30, Getúlio convocou à Constituinte que, ao fim de seus trabalhos, em julho de 1934, o elegeu

Presidente, por 4 anos. Mas o golpe e a Constituição outorgada de 11 de novembro de 1937 prorrogavam seu mandato

CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS

1934

Mesa Diretora
Biênio 2003/2004
Senador José Sarney Presidente Senador Paulo Paim 1º Vice-Presidente Senador Romeu Tuma 1º Secretário Senador Heráclito Fortes 3º Secretário Senador Eduardo Siqueira Campos 2º Vice-Presidente Senador Alberto Silva 2º Secretário Senador Sérgio Zambiasi 4º Secretário

Suplentes de Secretário Senador João Alberto Souza Senador Geraldo Mesquita Júnior Senadora Serys Slhessarenko Senador Marcelo Crivella

Conselho Editorial
Senador José Sarney Presidente Conselheiros Carlos Henrique Cardim João Almino Carlyle Coutinho Madruga Raimundo Pontes Cunha Neto Joaquim Campelo Marques Vice-Presidente

O Conselho Editorial do Senado Federal, criado pela Mesa Diretora em 31 de janeiro de 1997, buscará editar, sempre, obras de valor histórico e cultural e de importância relevante para a compreensão da história política, econômica e social do Brasil e reflexão sobre os destinos do País.

ESAF/MF .CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS VOLUME III 1934 RONALDO POLETTI SENADO FEDERAL CENTRO DE ESTUDOS ESTRATÉGICOS - CEE/MCT ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA.

ESAF/MF PROFESSORA MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO CENTRO DE ESTUDOS ESTRATÉGICOS . Ccntro de Estudos Estratégicos.CEE/MCT PROFESSOR CARLOS HENRIQUE CARDIM Coordenação Geral de Ensino a Distância e Documentação . Constituição .Brasil.br Baleeiro. 121 p. II.Comentários. Bloco A 70610-200-Brasília-DF Fax: (Oxx6l) 411-5198/5199 Http://www.br e-mail: cee@mct. Brasil História. 2) 1..CEE/MCT Professora Elaine Rose Maia Endereço para correspondência: CENTRO DE ESTUDOS ESTRATÉGICOS . . 23 cm.gov.CEE/MCT SPO.2481 CDD 342. : il. Ministério da Ciência e Tecnologia. Coleção Constituições Brasileiras.SENADO FEDERAL SENADOR JADER BARBALHO MINISTÉRIO DA FAZENDA MINISTRO PEDRO SAMPAIO MALAN MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA MINISTRO RONALDO MOTA SARDENBERG COLEÇÃO CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS PROFESSOR WALTER COSTA PORTO (organizador) ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO FAZENDÁRIA . I. .4(81) CDU 2a edição . Constituição Brasileira . I. v. Constituições Brasileiras : 1891 / Aliomar Baleeiro. Título.(Coleção. 2001. 2. Centro de Estudos Estratégicos. II. Aliomar. 341.Brasília : Senado Federal e Ministério da Ciência e Tecnologia.rnct. Área 5. Quadra 3. 3. Constituições Brasileiras.gov. Coleção.

nesses dois séculos. parte de um programa que. e somente na escolha dos constituintes de 1946 é que. A primeira eleição presidencial verdadeiramente disputada entre nós. tornando possível a mais vasta divulgação e a discussão mais ampla dos eventos ligados à preparação do texto constitucional. por acompanhamento. os eleitores representaram mais de 10% do contingente populacional.000 eleitores. há que se destacar o papel dos meios de comunicação . de modo extraordinário. nossas instituições políticas. depois do voto. 3% da população. eram somente 200. então. pelo Senado Federal e pela Escola de Administração Fazendária/MF faz. foi. Em segundo lugar. indispensável para que o cidadão exerça seu novo direito.000 os eleitores. O primeiro recenseamento no Brasil. O conhecimento de nossa trajetória constitucional. Em primeiro lugar. que estabelecia uma dualidade entre eleitor e eleito. a que se travou entre as candidaturas de Hermes da Fonseca e Rui Barbosa. do rádio e dos jornais -.da televisão. de como se moldaram. e uma efetiva fiscalização por parte do corpo eleitoral. alargado o corpo eleitoral no país: 69 milhões de votantes se habilitaram ao pleito de novembro de 1986. o de alargar. em 1889. mas. é. surgiu uma terceira perspectiva que incidiu sobre o relacionamento entre eleitores e eleitos da maíor participação popular e do dilatado conhecimento da elaboração legislativa resultou que a feitura de nossa atual Constituição foi algo verdadeiramente partilhado. visa a um melhor respaldo à cidadania e à maior qualificação de nosso diálogo político. contou com apenas 700. Walter Costa Porto A elaboração da Constituição Brasileira de 1988 se deu sob condições fundamentalmente diferentes daquelas que envolveram a preparação das Cartas anteriores. e que o "mandato representativo". em 1910. à distância. pela primeira vez. seu poder de caucionar e orientar o mandato outorgado a seus representantes. A reedição deste curso sobre as Constituições Brasileiras pelo Centro de Estudos Estratégicos/MCT." A COLEÇÃO CONSTITUIÇÕES BRASILEIRAS" Desses dois fatores. portanto. indicava uma população de quase dez milhões de habitantes. . com relação às ideias e aos programas dos partidos. teve sua necessária correção. em 1872.

O ANTEPROJETO pág.16 Semelhanças e diferenças pág. 21 III . 26 O Poder Judiciário pág. 18 II . 27 . 24 A Federação pág.A COMISSÃO DO ITAMARATY pág.A OPORTUNIDADE DO TEMA Grandes transformações pág.SUMÁRIO A CONSTITUIÇÃO DE 1934 Ronaldo Poletti I.

30 O Social pág. 46 A questão eleitoral pág. 51 . 44 O Executivo pág.O Poder Legislativo pág. 34 IV . 40 V . 44 A reação clerical pág.A CONSTITUINTE pág. 49 O controle da constitucionalidade das leis pág. 47 A segurança nacional pág. 45 A matéria não constitucíonal pág. 50 A representação classista pág. 48 O Senado pág.A CONSTITUIÇÃO DE 1934 pág.

115 DECRETO LEGISLATIVO Nº 6. 191 BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR pág. 187 CRÉDITO DAS ILUSTRAÇÕES pág. 193 . DE 16 DE JULHO DE 1934 pág. 54 Avaliação final pág. 189 BIBLIOGRAFIA pág. 59 QUESTÕES ORIENTATIVAS PARA AUTO-AVALIAÇÃO pág. 65 CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL. DE 18 DE DEZEMBRO DE 1935 pág. 54 IDÉIAS-CHAVE pág. 63 ANTEPROJETO DA CONSTITUIÇÃO DE 1934 pág. 52 Revisão e emenda da Constituição pág.O Judiciário pág. 61 LEITURA RECOMENDADA pág.

sobre a Revolução de 30 e seus reflexos constitucionais. imbuído de ideais pela Constituição. 27 e segs. Waldemar Ferreira. fruto de nossa terceira Constituinte. que nas ruas carregavam entusiasmadas as suas bandeiras. com a dos nossos dias. é suficiente para demonstrar a oportunidade de seu estudo. como agora. a justificar a atenção da Ciência do Direito Constitucional. fornecidas pelas futuras análises históricas. na causa eficiente de uma ditadura bajuladora do fascismo europeu. o cotejo da sua situação histórica. o povo paulista ergueu-se em armas e ofereceu o sangue de sua mocidae 1 . p. Freitas Bastos. a de 30 e a de 320). Na verdade. Antes. 1935. também Araújo Castro. A semelhança repousa em vários pontos. mas. ou motivos políticos sediados no regionalismo (a política do café-com-leite) desalojado do poder pela revolução vitoriosa. onde e se faz menção. embora os acontecimentos posteriores a transformassem num projeto socíaldemocrático e. Assim foi no início dos anos 30. A Constituinte e a nova Carta nasceram de duas revoluções. 1954.A CONSTITUIÇÃO DE 1934 RONALDO POLETTI I .A Oportunidade do Tema Não bastasse a importância histórica da Constituição de 1934. inobstante isso. ef. em seguida. situadas na cidade e na indústria).. História é Direito Constitucional Brasileiro. se fala em Constituinte. o movimento de São Paulo foi cunhado de revolução constitucionalista e as multidões. A Nova Constituição Brasileira. preparatórios da Constituinte. Já o heroísmo paulista de 1932 pode ter tido causas econômicas não identificadas na época (reação política dos fazendeiros de café contra a ameaça de sua hegemonia pulas novas forças da economia. . ainda. A primeira tinha um ideário liberal em política.Cf. Max Limonad. aos documentos do Governo Provisório. desaguadouro natural dos anseios gerais e necessidade impostergável. não sabiam das discutíveis conclusões.

já em 1930. sofrer o insulto daqueles que lhe faziam guerra. José Olympio. que a parte esclarecida de nossa população cultua com acendrado vigor. Debalde foi o esforço da propaganda governamental em acoimar o movimento da terra de Piratininga como separatista (2). . Improcedente o argumento de que a revolução paulista atrasou a constitucionalizaçao. A Revolução de 30. Eduardo Espíndola faz análise objetiva do episódio: "Se há uma idéia. que. reserva e forças irregulares. 1962. o regime dos poderes discricionários(4). além do estritamente indispensável. Rio. principalmente do comandante-em-chefe das forças ditatoriais. onde à página 467 está escrito: "Não cabe fazer-se a história desse glorioso movimento . Estado da Guanabara. se há um sentimento. o sangue generoso de sua mocidade. assegurada por uma Constituição democrática. Rio. mar e ar. Para vencê-lo leve a ditadura que rnobilizar todos os seus elementos armados de terra. inclusive tropas d. Rio de Janeiro. Ed. Um ilustre alagoano. foi colocada a questão da necessidade quase imediata da convocação de uma Constituinte. Professor da Faculdade de Direito de São Paulo. dizia tratar-se o movimento constitucionalista de São Paulo de uma revolução separatista. Foram eles que forçaram o Governo a criar a Comissão e a anunciar as eleições. que tão importante papel iria desempenhar na luta de 32. 1930. Sampaio Dóría. p. 1963.mas. é o da liberdade do indivíduo cm face do Estado. Sampaio Dória.o que um dia certamente será feito . São Paulo. pior. não sendo razoável prolongai-se. Afonso Arinos de Melo Franco. porém. 2279. tudo num gesto inédito na nossa vida! Estava. quando os sucessos de São Paulo já ocorriam há meses. Nova Aguilar. resistindo a um cerco de ferro e fogo. Não fosse o colapso e a apostasia do comando da força pública do Estado que negociou armistício em separado com o inimigo . História das Instituições Políticas do Brasil.a guerra teria continuado por muito tempo ainda. Durante quase três meses o povo de São Paulo e as suas forças militares lutaram brava e heroicamente pela conquista do ideal de reconstitucionalização. 1976. a conversão e improvisação de sua indústria de guerra. assinalara. 4 Cf. apud PedroCalmon. apenas dizer que São Paulo deu tudo quanto tinha e podia pelo bem do Brasil: o ouro do seu povo. Cf.14 • RonaldoPoletti em holocausto à Pátria. O decreto do Governo Provisório foi de maio de 1932. escrito que teria de lutar só e. a Constituinte haveria de ser convocada como solenemente prometido. Um Estadista da República (Afrânio de Mello Franco e seu Tempo). Tudo. A rigor desde a vitória em 1930. preleção. o esforço heróico de suas mulheres. General Pedro Aurélio de Góis Monteiro que num esforço ridículo de propaganda." 3 Cf. porque posterior ao ato do Governo que fixava a data para a realização das eleições à Assembléia Constituinte e criava a Comissão para elaborar anteprojeto da futura Constituição. realizada a tarefa preparatória de estabelecer as condições da nova legalidade. Hamilton Leal.

e a desconfiança de uma dilatação indeterminada dos poderes discricionários do Governo Provisório. É verdade que o Código Eleitoral da República fora já decrctado (a 24 de fevereiro de 1932) e que um decreto de maio de 1932 fixara o dia 3 de maio de 1933 para as eleições à Assembléia Constituinte. conquistando e apaixonando profundamente a grande massa popular. II. determinando a grande revolução de 9 para 10 de julho. considera a relatividade dessa assertiva. Assim sendo. A Nova Constituição do Brasil. pois mais de um ano decorrera. 69 a 70. tornaram irrefreável a reação que empolgara todas as camadas sociais do Estado. Julgando-se retardada a promessa de se estabelecer no País regime constitucional. as idéias mestras. O movimento revolucionário de São Paulo em 1932 é uma bem significativa demonstração dessa convicção dsmocrática. de um lado. Formação Constitucional do Brasil. são repelidos e condenados intransigentemente pela opinão nacional. Afonso Arinos de Melo Franco. sem qualquer empreendimento para tal fim. mas cuja força espiritual iria marcar de forma indelével a política nacional. para admitir a possibilidade de a rebelião paulista haver "contribuído dramaticamente para apressar o movimento legalista. Eduardo Espíndola. vol. cobrada por uma revolução derrotada pelas armas. 176. Mas a impaciência dos que reclamavam a imediata restauração do regime constitucional do País. . que governaram os espíritos dos homens com influência nos trabalhos constituintes. 1946.A Constituição de 1934 • 1 5 O despotismo e a ditadura. o binômio da propaganda da Revolução de 30: justiça e representação. defensor da idéia de que São Paulo retardou o processo de integração do País no regime constitucional. em que não faltaram inequívocas demonstrações de sinceridade cívica e heróicos sacrifícios"(5). Direito Político e Constitucional Brasileiro. eram. Curso de Direito Constitucional Brasileiro. O próprio Afonso Arinos. a constitucionalização do País. para contra o mesmo movimento resistir"(6). tirando força moral ao Governo vitorioso. ____________ 5 6 Cf . Cf. apoiada por elementos políticos. Rio. os regimes totalitários. com extensa repercussão em outros Estados. pp. Freitas Bastos. 1960. Rio. agitou-se a classe culta do grande Estado. p. a despeito dos desvios de imitadores irrefletidos e da propaganda deletéria de elementos estranhos. de outro.

Para contrabalançar os ideais de uma democracia voltada para os aspectos sociais. A Constituição de Weimar institucionalizara a socialdemocracia. O Direito não há de apenas garantir a liberdade. Grandes Transformações O mundo vinha de grandes transformações. para as sociedades capitalistas mais prósperas. através de um partido disciplinado e coeso na sua doutrina ideológica. o forte e o fraco. Para que a República Nova se efetivasse. capaz de ser a síntese das aspirações nacionais. mas estenderia a sua atuação de maneira que se transformasse num Estado não meramente de direito. "Entre o rico e o pobre. mas também um Estado político e administrativo. o qual. A República Velha. não tardou que a Primeira Grande Guerra. também. Colocados de lado os valores da Cultura e da Filosofia. os defeitos que apontava no mesmo Estado. por sua vez. O mundo do Estado liberal começara a ruir. impusera a presença organizada da massa de trabalhadores no poder. Este era o . quando em poder da burguesia e dócil às determinações da estrutura capitalista de produção. o patrão e o operário. O século XX nascera ero meio ao otimismo da técnica e da ciência. seria fiel aos desígnios de planejamento total em matéria de economia e aos de vivenciar. é a liberdade que escraviza e é o Direito que liberta" (Lacordaire).16 • Ronaldo Poletti Falava-se. no entanto. o mundo tomara consciência de situações dramáticas que iriam pôr em risco a felicidade imaginada por abstrações liberais. a seu favor. em República Velha e República Nova. procurando conciliar a liberdade individual com a necessidade de um Estado. O Estado precisa intervir. as ideias do fascismo progrediam e iriam precipitar o maior de todos os conflitos. Eram todos civilistas e comercialistas. cuja função não ficaria restrita à produção das normas jurídicas. tomando posse cia máquina estatal. e suas terríveis consequências. A fome representa um fantasma. deitassem por terra as esperanças do cientificismo. era dominada pelo bacharelismo do Direito Privado. porque esta gera quase sempre a escravidão em face das desigualdades naturais. era preciso uma Constituição fiel aos novos tempos. De repente. A revolução soviética. Impõe-se ao homem a direção da História. na época. Não! O mundo não vai por si só! Não é possível deixar fazer e assistir á passagem da vida.

pela semelhança de suas dificuldades. A questão social adquiriu uma dimensão incomensurável. parece fora de dúvida que também estamos diante de grandes transformações mundiais. enfim.A Constituição de 1934 • 17 Direito que importava. . Afonso Arinos. A automação altera sobremaneira as relações de produção e indica uma revolução mais aguda do que a decorrente da invenção da máquina a vapor e do corolário na industrialização. O Estado parece. Um Estadista. Rui estaria. o clima. O comunismo soviético matou o nato do Estado evanescenre. tanto desvirtuamento das instituições. O Direito Público nas mãos da oligarquia era mais um instrumento para a utilização do poder. É o grande paradoxo: um Estado forte e eficiente. que levou ao ciclo revolucionário. Ou prosseguiu e. o qual. com o gigantismo de sua palavra e de sua vida política. mas ele era também desiludido com a República e apontava os desvios da política em relação ao ideário dos republicanos históricos. em uma República dominada pelos bacharéis. O problema dos conflitos entre países. vern passando a ser equacionado não mais em função das posições ideológicas e políticas.. Nada de Direito Público. A idéia de plane jamento total esboroou na catástrofe da diminuição da produtividade. cit. mas ern razão ou da posição estratégica e geopolíica ou. Havia Rui Barbosa. havia tanta fraude nus eleições. cujo epílogo está em 1930. do que a condição necessária para o seu exercício(7). A cibernética e a informática subvertem todos os planos do conhecimento. como decorrência do grau de desenvolvimento que une as nações. Essa é a explicação do fato de como. ainda prossiga. talvez. na oposição à República Velha. tudo açambarcar.. mais ama vez. Embora não tenhamos qualquer perspectiva histórica para urna avaliação de nossa contemporaneidade. agora se espera um Estado de justiça que sirva ao homem. cf. As idéias socialistas se fortaleceram dentro de um esquema democrático e postergaram o regime __________ 7 Sobre uma influência do Direito Privado e o menosprezo do Direito Público. mas que intervenha pouco. incluindo a proteção da sua liberdade e de mínima intervenção estatal.. ou entre grupos deles. não tendo o pres tígio das academias jurídicas. como não o era o Estado de direito. Já não é suficiente o Estado político-administrativo. O fantasma da guerra atómica atemoriza o mundo inteiro e a Segunda Guerra Mundial fez aflorar a desgraça dos preconceitos e o vazio de um Direito meramente formal. também. também não merecia o respeito devido pelos governantes.

Nível não somente intelectual e cultural. tal coroo os homens da primeira República. porém. Reclama-se da falta de justiça. é que se pode afirmar. sobretudo quanto à forma escorreita c ética na sua aplicação. tanto quanto as circunstâncias lhes possibilitaram. A grande diferença. ainda uma vez. referindo-se aos trabalhos da Comissão. o Direito Público não era forte na formação dos governantes. Naquele momento. fazendo tudo depender do fato económico que se desejava controlar com categorias econômicas. pede-se por participação e questiona-se a legitimidade da representação. sem qualquer consideração com as de caráter jurídico e mesmo cultural. a nossa contemporaneidade tem um sabor comum ao do clima da Constituição de 1934. Afonso Arinos. Os temas abordados indicavam fórmulas novas e colocações não ortodoxas. tido como ausente nos últimos anos. cm 1930. no entanto. a oportunidade do estudo da Constituição de 1934. reside que. E. considerando que elas ainda estão em pauta. Se na primeira República. Em relação a essas novidades da Lei Maior. que nossos constitucionalistas estão abraçados com cadáveres de idéias mortas. não apenas a social. como também patriótico.18 • Ronaldo Poletti de igualdade fundado na ausência de liberdade. como nos últimos anos. Querem o planejamento e a liberdade. não se poderia dizer. como apanágio de um Estado de direito democrático. originária da nossa terceira Constituinte. deseja-se a Constituição. Semelhanças e Diferenças É lógico que as situações pré-constitucionais são sempre semelhantes. chega a afirmar que "muito do bom e muito do mau da orga- . os anos recentes representaram notável concessão ao materialismo econômico. estávamos prontos pata o debate. enquanto agora a discussão sobre a Constituinte sobrepujou em muito a temática da própria Constituição. Tanto a Comissão que elaborou o anteprojeto como a Constituinte prornulgadora do novo texto constitucional refletem o alto nível das ideias em jogo. mas mudando o que deve ser mudado. também os responsáveis pelos governos revolucionários pós-64 julgam haver feito o melhor c não ter se distanciado dos vaiores jurídicos e políticos democráticos.

pois revela o clima da época e. transcrição. mas no qual dele existe somente um pequeno prefácio.A passagem merece. No Brasil tudo é moda. Era um livro bomt medíocre. inspiraram-se os estadistas de então na Constituição de Weimar. entretanto. desde então até a lei vigente. a vantagem de dar um tom um pouco mais prático ao excesso de romantismo dominante no momento. Forense. parai a direita e para a esquerda. tem a sua origem nos debates daquela Comissão(8).1045. B. as Constituições. Afonso Arinos. em geral bem fcito. desde os lugares em que se faz footing na cidade. tem uma grande facilidade para línguas. tradução de Cândido Motta Filho e apresentação de Vicente Ráo. enfim. Rio. de Léon Domat. 10 Cf. os livros dele em todas 8 Idem. de 1931. um livro de título impressionante. As Novas Tendências do Direito Constitucional. se reveste de atualidade: "Há um escritor que. Editora Nacional. e mais nada. 1975. está em voga. Do ponto de vista formal. foi membro da Comissão claboradora do anteprojeto. São Paulo. mas produzia sempre. até as idéias e livros que se procuram e : preferem. dominava as ruas e o recinto das Assembléias. . Agora. LA Politique Experimentale. A então nova Constituição espanhola vem traduzida no volume(10). lhe deu grande renda. o qual. e na Constituição Republicana espanhola. p. Traduziu obras notáveis de Hans Kelsen c outros. que apenas vulgarizava idéias que não eram de seu autor. pois. Algumas Instituições Políticas no Brasil e nos Estados Unidos. A Lei de 1934 foi elaborada de acordo com o pensamento jurídico da época. Tal era a tônica de um livre muito divulgado no Brasil. naturalmente. p. Sobre essa obra. de autoria de Mirkine Guetsévitch. 9 Cf. há trecho de discurso de Carlos Maximiliano que. Esse senhor. nos hotéis. além de constituinte. maneja vários idiomas. buscava a racionalização do poder(9). 1933. hoje. Cia. vejo nos bondes. até mesmo celebridade científica. Ora exatamente como ele publicou os textos das Constituições do mundo. Traduziu ele.A Constituição de 1934 • 19 nização política brasileira. Mirkine-Guetsévitch. ibidem. nos ônibus. porém. é Mirkine_Guetsévitch. como todos os indivíduos de sua raça. de então: As Novas Tendências do Direito Constitucional. Aqui a moda domina. nascido depois da Primeira Grande Guerra. ainda. um vulgarizador inteligente. realizou trabalho que. de 1919. 58 e segs. Quando se reuniu a Comissão de 91. E.

Toda a nossa biblioteca caberia numa mala inglesa de viagem. ainda recebi dois. porque os códigos. farmacêuticos e advogados. escritos por militares. que me chegaram ç estão chegando às mãos todos os dias. etc. ao contrário. porque scire legis non est verba e arum teneres sed vim ac potestatem. Todos os dias me chegam ãs mãos. em que os homens cultos ainda sustentam a velha e erradíssima parêmia inclaris cessat interpretatio. Será necessário procurar os comentadores das constituições hodiernas. A Constituinte. 11 In Hélio Silva. de uma gula útil. serve. quando se começou a ver o valor extraordinário do Direito Comparado. Vejo que são exatamente tantas vítimas de Mirkine Guetsévitch" (11) . pára alguns. Há alguns anos. A inovação não tinha fundamentos nem na própria ciência jurídica tradicional. o que é mais penoso. o seu alcance. uma língua de que quase ninguém gosta e pela qual tive a ingenuidade de me apaixonar muito cedo. porque as mais novas nem comentários têm. Ontem. faz tomar o caminho errado. depois de um texto. engenheiros. o Brasil é talvez o único país do mundo. Vai-se. 1969. resulta um mal formidável. como se devia ir. de momento para outro. estudiosos dessa ciência. verificando que isso era um erro: o auxiliar não é a legislação. e que sei. declarar qual o número correspondente do Código Francês. correndo entre todas as mãos. a sua história. Senhor Presidente. Rio. não com a legislação comparada. Espanhol. são impressos em pequenos volumes de papel da China.20 • Ronaldo Polleti as mãos e as Constituições alemã e austríaca. o seu poder. todo mundo fala sobre Direito. médicos. 62 a 64. . de maneira que se traria a legislação dos povos cultos em pequeno espaço. Não bastava conhecer os tortos: o principal eca conhecer s sua forca. nas academias. um saber fácil de impressionar e baratíssimo de adquirir. Uma economia enorme de dinheiro e tempo. que já tenho apurado nos numerosos projetos de constituições integrais ou parciais. Dessas consultas apressadas. no Brasil se criou. um capítulo. reboam nos ouvidos da gente de manhã até a noite. Se saber Direito fosse simplesmente colecionar textos. como auxiliar paca interpretação construtora das leis. Essas aulas felizmente desapareceram. como meio. Por isso mesmo. acompanhando com o Direito Comparado. aulas de Legislação Comparada cm que se cansava a memória dos rapazes com a obrigação de. um texto desta natureza. 1934. pp. st. O Brasil é o país em que todo mundo sabe Direito. Não são traduzidas do alemão. simplesmente aos textos. à proporção que se expõe uma doutrina. a sua aplicabilidade. Caíram logo em si. porém o Direito Comparado. Mirkine Guetsévitch nos servirá muito pouco. nesse terreno. felizes de nós. todo mundo discute Direito. O erro vem de longe. Eu recebi projetos integrais de constituições. em geral. Civilização Brasileira.

Oswaldo Aranha. Seus consideranda referiam-se. o Ministro da Justiça. de 14 de maio de 1932. editou o Governo o Decreto nº 22. que regulava os trabalhos da Comissão.040.A Comissão do Itamaraty O Decreto nº 21. José Fernandes Leite de Castro. Francisco Campos. todas as funções e direitos do efetivo" e a de "nomear. p. Afrânio de Mello Franco. Protógenes P. 1933. sob a presidência do Ministro da Justiça. quando em exercício. Joaquim Pedro Salgado Filho. a juízo do Chefe do Governo"(12). Belo Horizonte. . A Comissão. Guimarães.402. Em 1º de novembro de 1932. do Governo Provisório. à utilidade de abrir-se em debate nacional em torno das questões fundamentais da organização políticado País. Fernando Augusto D'Almeida Brandão (encarregado do expediente.257. fixou o dia 3 de maio de 1933 para a realização das eleições à Assembléia Constituinte e criou a Comissão para elaborar o anteprojeto da futura Constituição. estabelecia as atribuições do seu Presidente. decreto in José AffonsO Mendonça de Azevedo. O diploma fixava o quorum de 1 /3 de seus membros para a instalação de suas reuniões e de maioria absoluta psra as deliberações. seria composta de tantos membros quantos fossem necessários à elaboração do texto e de maneira tal que estivessem nela "representadas as correntes organizadas de opinião e de classe. confessando a necessidade de apressar o seu funcionamento. Mário Barbosa Carneiro (como encarregado do expediente do Ministério da Agricultura. Elaborando a Constituição Nacional. dentre cias a de "designar um segundo Presidente. ao início da fase de alistamento dos cidadãos para a escolha de seus representantes à Assembléia Constituinte. à conveniência em prefixar-se Getúlio Vargas prazo para que se habilitem os cidadãos ao direito de voto. para _______________ 12 Verificar conteúdo do cit.A Constituição de 1934 • 21 II . que terá. na ausência do Ministro). na ausência co Ministro da Viação e Obras Públicas). O ato foi assinado por Getúlio Vargas. em face da constituição dos Tribunais Eleitorais.

Cf. ibidem. composta de ura terço dos membros da Comissão. Nomeada a subcomissão deveria receber ela. Assis Brasil. onde constam também outros documentos interessantes(15) . sindicatos. de fato. Um Estadista da República. um volume. associações científicas. Dela se retiraram antes do término. sugestões dos membros. Oswaldo Aranha. disciplinava ainda o trâmite dos trabalhos até o envio de sua conclusão ao Chefe do Governo Provisório(13).22 • Ronaldo Poletti formar um projeto de Constituição. de José Affonso Mendonça de Azevedo. no dia 11 de novembro de 1932. Agenor de Rourc. pela primeira vez. prestaram a sua colaboração: Castro Nunes e Solano Cunha. "bem como de quaisquer instituições culturais. outros. Antunes Maciei. Cf. cm tela. João Mangabeira. Arthur Ribeiro. 263 e Afonso Arinos. Reuniu-se a subcomissão cinquenta e uma vezes. idem. cit. encerrando-se seu trabalho a 5 de maio do ano seguinte. pp. Ministro das Relações Exteriores. ob. Goés Monteiro e Themístocles Cavalcanti (secretário da comissão geral). o Ministro da Justiça. no prazo de quinze dias. p. academias. José Américo. Antônio Carlos Prudente de Moraes Filho. A subcomissão reuniu-se. O decreto. José Américo e Oliveira Vianna. o encargo(14). na prática. posteriormente a seu início. uma subcomissão. ibidem. . cit. Arthur Ribeiro. transferiu-lhe. Carlos Maximiliano. As atas das sessões foram coligidas por José Affonso Mendonça de Azevedo em. Integraram a subcomissão: Mello Franco (presidente). tribunais judiciários e órgãos representativos de correntes de opinião". que sirva de base às deliberações do plenário. que foi Afrânio de Mello Franco. Assis Brasil ___________ 13 14 15 Cf. 258 e 259. ata da 1ª Sessão. na Afrânio de Mello Franco residência do presidente. Oliveira Vianna. dos trabalhos. Idem. compreendidos obrigatoriamente neste número os Ministros de Estado a ela presentes".

A Constituição de 1934 • 23

A primeira questão colocada foi sobre qual seria o documento que serviria de base para os trabalhos. Embora reconhecidos alguns pontos altamente benéficos da Constituição de 1891, foi ela afastada. Carlos Maximiliano, eleito Relator-Geral, teria como primeira tarefa a de apresentar um esquema com as linhas gerais da futura Carta a discutir-se, Foi o que ele apresentou, na forma de um índice e dos primeiros vinte e dois artigos, na segunda sessão, no dia 15 de novembro. Nessa reunião, foi feita uma distribuição de temas: Conselho Nacional — Mello Franco, José Américo e Prudente de Moraes; Família, Educação, Ordem Económica e Social -José Américo, João Mangabeira e Oliveira Vianna; Defesa Nacional, Organização das Forças Armadas e Policiais dos Estados - Góes Monteiro; Poder Judiciário - Arthur Ribeiro e Antônio Carlos; Política Econômica e Financeira — Antônio Carlos, Agenor de Roure e Oswaldo Aranha; Direitos e Deveres Fundamentais e Cidadania -Mello Franco e Themístocles Cavalcanti. A Comissão reuniu-se, no início de seus trabalhos, na residência, em Copacabana, do seu presidente Mello Franco. Mais tarde, deslocou-se pana o Palácio do Itamaraty, donde o nome que lhe foi consagrado: Comissão do Itamaraty. Uma primeira intervenção de João Mangabeira, na segunda sessão, logo após a apresentação do documento elaborado por Carlos Maximiliano, marca bem o tom dos debates e preocupação, até aquele momento, inédita na condução histórica dos nossos assuntos de governo. Está registrado na ata:
"O Sr. João Mangabeira salienta que todas as Constituições modernas têm como orientação acabar com as desigualdades sociais. Se a Constituição brasileira não marchar na mesma direção, deixará de ser revolucionária paca se tornar reacionária"(16).

Não será difícil, a partir dos nomes da Comissão, desenhar o conteúdo ideológico dos debates, que poderiam ir desde uma inclinação fascista, presente nos espíritos revolucionários mais jovens, até uma postura fortemente esquerdista, roas de feição democrática, na presença de João Mangabeira, jurista, orador brilhante c cultor de Rui Barbosa. Góes Monteiro exprimia um nacionalismo militarista, desconfiado das tradições liberais e da técnica da democracia clássica. Oliveira Vianna, discípulo de ___________
16 Idem, ibidem, p. 274.

24 • Ronaldo Poletti

Alberto Torres, vinha impregnado de concepções sociológicas de cunho aristocrático e autoritário e revelava uma grande crítica à República, cuja Constituição lhe parecera distante da realidade nacional(17); como Alberto Torres, era também um desiludido com a formia adotada pela República. José Américo e Oswaldo Aranha tinham aspirações a uma justiça social fundada num estudo forte, à moda européia. António Carlos indicava o equilíbrio, que de forma candente iria manifestar-se na presidência tia Constituinte. Themístocles Cavalcanti estava no inicio de sua brilhante carreira, como cultor do Direito Público. Arthur Ribeiro era magistrado, membro do Supremo Tribunal Federal. Carlos Maximiliano, nome que dispensa qualquer comentário, já havia sido Consultor-Geral da República e era urna grande expressão da ciência do Direito no Brasil. Mais tarde, à Comissão vieram integrar-se Castro Nunes, Agenor de Roure e Oto Prazeres.

III - O Anteprojeto
O anteprojeto, elaborado pela Comissão do Itamaraty, conteve linhas revolucionárias, muitas não-aproveitadas na futura Constituição que, apesar de rotulada de progressista, acabou por prender-se aos princípios republicanos tradicionais(18. É verdade que a Constituição introduziu matérias seguindo o modelo de Weimar, até então consideradas estranhas ao Direito Constitucional, mas as grandes inovações vieram do anteprojeto, além daquelas que, presentes nesse, não integrariam aquela. O anteprojeto adotava o unicameralismo, a eleição indireta do Presidente da República, um Conselho Supremo, a unidade no processo judiciário e, em parte, da Magistratura; estabelecia amplas garantas sociais e preconizava a socialização de empresas; possibilitava a adjudicação aos posseiros da terra produtiva que, por cinco anos, ocupassem; tornava impenhorável a propriedade domiciliar; restringia o direito de herança à linha direta ou entre cônjuges; tratava da liberdade sindical e da expropriação do latifúndio, da assistência aos pobres e do salário mínirr.o; criava o mandado de segurança. Além disso, obrigava os Estados a usarem o símbolos
17 18 Cf. Oliveira Vianna, 0 idealismo na Constituição, in coletânea de Vicente Licínio Cardozo, À Margem da História da República, Ed. Universidade de Brasília, 1981. Cf. Pedro Calmon, ob. c i t . , p. 2294 e segs..

A Constituição de 1934 • 25

nacionais e proibia-lhes de tê-los; integrava na legislação brasileira as normas de Direito Internacional universalmente aceitas; criava uma Comissão Permanente para representar a Assembléia Nacional nos intervalos de suas sessões; instituía uma justiça Eleitoral; traçava normas sobre o orçamento e a administração financeira; cuidava da defesa nacional e criava territórios nacionais nas regiões fronteiriças, quando não possuíssem elas determinada densidade demográfica;- fixava a capacidade eleitoral em 18 anos para ambos os sexos, tornando obrigatório o voto pára os homens; permitia o serviço religioso nas expedições militares, hospitais, penitenciárias ou "outros estabelecimentos públicos", punha a família sob a proteção do Estado e declarava a indissolubilidade do vínculo matrimonial; prescrevia normas para o ensino e cultura e tratava com ênfase da ordem económica e social(19). A defesa do anteprojeto que, sem dúvida, eta bastante inovador, foi feita por João Mangabeira, através de artigos publicados na imprensa e que, posteriormente, se transformaram era livro muito interessante e valioso repositório de ideias novas pata a época e ainda hoje suscetíveis de apreciação(20). Mangabeira começa por refutar a crítica de que o anteprojeto, pelas diferentes tendências que o influenciaram e pelos interesses nele confluentes, não guardava a unidade necessária para uma Carta política. Para ele, as Constituições espelham invariavelmente um ecletismo decorrente das transigências e da conciliação, feitas pelas pessoas que a elaboraram. Foi assim na Constituição americana, como na de Weimar, onde o autor do seu projeto, Preuss, fez muitas concessões, como o fizeram os socialdemocratas. Constituição sem ecletismo somente ocorre através de fortes revoluções sociais, como acontecera na Revolução Comunista de 1917. No movimento de 1930, no Brasil, havia uma variação grande de tendências, "em cujo leito desaguavam correntes partidas de pontos opostos, em cujo bojo se abrigava.m os interesses mais antagónicos, em cujas fileiras se atropelavam ideias mais adversas numa escala cromática, que se distendia do vermelho das reivindicações marxistas ao negro da reação clerical"(21).

19 Sobre as novidades do anteprojeto, cf. Pedro Calmon, ibidem e Hamilton Leal, ob. cit., p. 478. 20 Cf. J o ã o Mangabeira, Em Torno da Constituição, Cia Editora Nacional, São Paulo, 1941. 21 ldem, ibidem, p. 13.

13). estabelecia. O anteprojeto aumentava consideravelmente os casos de intervenção federal (art. a substância que deveria ter a nossa Federação. o grau. as transformações económicas e sociais do mundo. a República padecia do mal de um federalismo que não se ajustava à realidade nacional. § 3º). tínhamos uma espécie de falta de solidariedade constitucional para uma ajuda aos estados pobres e padecíamos de uma política dos governadores. fiscalizando ou avocando o serviço a que o auxílio se destinasse ou suspendendo a autonomia do Estado (art. Até nos Estados Unidos da América ocorriam essas transformações. 81). a saúde pública e a viação férrea.26 • RonaldoPoletti A Federação Um dos pontos cruciais da discussão constitucional. A Reforma Constitucional de 1926 não resolvera o problema. 13. a expensas próprias. se fizera a Revolução. a União interviria na administração estadual. discutia-se. se por insuficiência de renda não provesse. No Brasil. com implicações nas funções do Estado. Desde o inicio da era republicana. Em tal caso. procurou-se evitar o ultrafederalismo. Desde os primórdios da República. que viria a refletir no anteprojeto e na futura Constituição. no entanto. no País. que a jurisprudência da Suprema Corte refletia e provocava. era o da Federação. e. incluindo entre eles a hipótese de a intervenção visar a garantir o respeito a determinados princípios constitucionais. conferindo ao Supremo Tribunal e ao Superior Tribunal Eleitoral a competência de requisitarem a intervenção para cumprimento das decisões e ordens da Justiça (art. acarretavam o distanciamento do federalismo dualista para o menor rigor de um cooperativismo federal. como a instrução primária. O anteprojeto considerava nacionais certos interesses locais. Proclamava incumbir a cada Estado prover. a possibilidade de o Estado receber da União suprimento financeiro. O tema era antigo. também. que os Estados deveriam observar na soa organização (art. Procurou. Como consequência. enfim. o anteprojeto dar força às sentenças. Na verdade. bem como a . 12). necessidades de seu governo e administração. de maneira efetiva. aquelas necessidades. contra a qual. Muito do anteprojeto se explica por essa preocupação em alterar a Federação. a forma. quando os seus propagandistas a tornaram inseparável dos ideais federalistas.

p. O anteprojeto terminava com o sistema dualista da Constituição de 1891. assuntos logo regulados por convenções internacionais(27). o anteprojeto procurava coibir os excessos do ultrafederalismo e buscava fortalecer a União. código "tão amado por todos os inimigos. descobertos ou mascarados. submetendo-lhe às polícias militares.A Constituição de 1934 • 27 radiotelegrafia. 18 e 19. ibidem. e o seu órgão supremo terá por missão principal manter. que reagia contra a Carta de 91. ainda. 17). Golpeava de morte. que se constituíam em famosos exércitos policiais. nas capitais dos Estados. ibidem. Enfim. Enfim. vedando-lhes ter símbolos ou hinos próprios (art. estabelecendo que "o Poder judiciário será exercido por tribunais e juizes distribuídos pelo Pais. ________ 22 Idem. 6º). o dispositivo projetado que determinava obrigatório nos Estados o uso da bandeira. com sede na Capital da União. a navegação aérea. . 23 24 Idem. Sintomático. dos Territórios e do Distrito Federal. do hino e das armas nacionais. que sobre elas nenhuma autoridade exercia(23). das reivindicações do trabalho e dos direitos da pobreza"(24). ainda. de inspiração individualista e. Proclamava como órgãos do Poder Judiciário. os impostos interestaduais e os intermunicipais. o Tribunal de Reclamações. Mangabeira e Themístocles Cavalcanti defenderam a idéia da unidade. 17. a circulação de automóveis. organizados peios Estados à revelia do Poder Centra). e interpretar conclusivamente a Constituição em todo o território brasileiro" (art. ibidem. a unidade do direito. 20. pela jurisprudência. pp. vedando-os (art. 47). e os Tribunais de Relação. O Poder Judiciário Outro ponto notável do anteprojeto residia na proposta de unidade da Magistratura. CF. além do Supremo. o anteprojeto era fruto do ideário da Revolução. na expressão de Mangabeira. por isso. p. idem. Na Comissão.

que cairia na Constituinte. Caberia a Mangabeíra. federal. como o de Campos Salles.28 • Ronaldo Poletti A justiça reger-se-ia por uma lei orgânica. Clóvis Bevilacqua e João Monteiro. Esta era a novidade. Além de Rui. mas deveriam os Estados observar as prescrições ditadas pela Lei Maior. outros grandes nomes do Direito Rui Barbosa brasileiro defendiam a unidade. de fato. indicar que a unidade da Magistratura decorre da unidade do Direito. com exceção dos tribunais estaduais dos Estados fortes. Logo. aliás. fazer a defesa do projeto. mas mitigada pela subordinação dos Estados a preceitos constitucionais. na Comissão. São Paulo. a tese da unidade. A unidade não implicava ferir a Federação. apenas a dualidade do direito material. A resistência à ideia da unificação parecia vir' das oligarquias estaduais. dentre eles. Não era uma unidade radical. Rui a defendera na campanha civilista e no programa do Partido liberal. defensor da soberania dos Estados-Membros. votada pela Assembléia Nacional (art. traduzia uma unidade: "Toda jurisdição emana da Federação. elaborada pelo gênio de Kelsen. como nos Estados Unidos da América. Mas a Revolução era em parte contra os exageros do ultrafederalismo. Rio Grande do Sul e Minas Gerais. mais uma vez. não era impossível a unidade de Magistratura em um Estado Federal. A própria Constituição austríaca. A lógica parece. Prevalecera. cabendo-lhes nomear os juizes que neles tiverem jurisdição. era sentido contrário. que buscavam no federalismo absoluto a justificativa doutrinária para a dualidade. que sustentava a unidade de jurisdição. Tese sofisticada na defesa da dualidade era a de João Mendes. a legislação federal fixará a organização e a competência dos tribunais". além da criação da Justiça Eleitoral. pelas suas instituições. justificaria a existência de uma Magistratura em cada Estado-Membro. se manifestava pela unidade. 49) e os Estados fariam sua divisão judiciária. na dualidade da Justiça. Sustenta que todo o mundo jurídico do País. .

e criando o mandado de segurança.A Constituição de 1934 • 29 O anteprojeto. que a inconstitucionalidade somente poderia ser decretada por votos de dois terços dos Ministros do Supremo. § 3º). A lei estabelecerá processo sumaríssimo que permita ao juiz. também objeto de proposta de criação do anteprojeto. Dizia o art. conhecimento do ato ilegal. se o requerente tiver. Aliás. o anteprojeto. 57. ou se a questão for sobre impostos. proibindo-a de praticar o ato. pouco comum no pensamento constitucional brasileiro. caberá ao lesado recorrer aos meios normais. que não podiam contraditar o interesse coletivo (art. Assim proclamava que a declaração definitiva de decisão de qualquer tribunal ou juiz que não aplicasse uma lei federal ou anulasse um ato do Presidente da República (art. as pessoas que estivessem nas condições do litigante vitorioso estariam amparadas pelo mandado de segurança (art. há mais de 30 dias. a autoridade coatora. taxas ou multas fiscais. em última instância. e atinente aos direitos individuais. Não será concedido o mandado. o problema da aplicação e da interpretação da lei. § 2º). até que. se o expedir. negando o mandado ou. A grande inovação do anteprojeto com reflexo no Judiciário. além de dispensar . em relação ao Judiciário. Deixava claro competir ao Supremo "interpretar conclusivamente a Constituição. ouvida neste prazo. por 72 horas. O anteprojeto estabelecia. como se ensaiaram no Brasil e existira nos Estados Unidos da América. resolvei o caso. Julgados inconstitucionais qualquer lei ou ato do Poder Executivo. consolidava o que já era uma evolução jurisprudencial. com o que se evitaria qualquer resistência nesse sentido. em todo o território brasileiro". dentro de cinco dias. também.trazia ainda novidades expressivas quanto ao controle da constitucionalidade das leis. trazia algumas interessantes inovações sobre o tema da ínconstitucionalidade. Nestes casos. valorizando a presunção em favor do Legislativo e dos atos das autoridades. 58)." Prosseguindo na demonstração de criatividade. se pronuncie o Poder Judiciário. 102. Paralelamente à questão da constitucionalidade. §21: "Quem tiver um direito certo e incontestável ameaçado ou violado por aro manifestamente ilegal do Poder Executivo poderá requerer ao juiz competente um mandato de segurança. ou ordenando-lhe restabelecer integralmente a situação anterior. extremando a garantia do habeas corpus para somente o direito de ir e vir. 57.

30 • RonaldoPoletti os tribunais regionais, criava, como já foi referido, o Tribunal das Reclamações, visando diminuir o trabalho do Supremo Tribunal Federal. São temas e objetivos, passado meio século, ainda atuais. Estabelecia o júri, com a organização e as atribuições que a lei ordinária lhe desse, atribuindo-lhe, porém, desde logo, o julgamento dos crimes de imprensa e os políticos, exceto os eleitorais (art. 62). Esse tema, também, é muito atual. Antes dos crimes dolosos contra a vida, os de imprensa e os crimes políticos, com maior razão, merecem ser julgados pelos cidadãos. O júri popular é que pode dar a medida da antijuridicidade dos fatos, quando se trata de violação perpetrada através da imprensa; ou em condições de avaliar a real motivação política de atos delituosos. Por outro lado, atribuindo a organização do júri à lei ordinária, permitia o júri técnico. No tocante ao Ministério Público, o anteprojeto regia contra a República Velha, onde o chefe do parquet era designado pelo Presidente da República, dentre os membros do Supremo Tribunal Federal. Ainda é atual a projeção do anteprojeto.
"O Procurador-Geral será nomeado pela mesma forma e com os mesmos requisitos dos Ministros do Supremo Tribunal e terá os mesmos vencimentos; só perderá o cafgo por sentença, ou mediante decreto fundamentado do Presidente da República, aprovado por dois terços da Assembléia Nacional..." (art. 63, § 3°).

Por último, sempre voltado pata a questão social, o anteprojeto assegurava aos pobres a gratuidade da Justiça (art. 64).

O Poder Legislativo
A Comissão elaboradora do anteprojeto optou pelo sistema unicameral: "O Poder Legislativo será exercido pela Assembléia Nacional com a sanção do Presidente ca República" (art. 20). Era a tese vitoriosa de Mangabeira. Contra ela, apenas se manifestou a voz de Arthur Ribeiro, que, aliás, também se opusera à unificação da Magistratura e que se retirara da Comissão em face da aprovação da emenda instituidora da federaliza-

A Constituição de 1934 • 31 ção da organização judiciátia(25). O Senado seria suprimido. Em seu lugar criado o Conselho Supremo:
"O Conselho Supremo será órgão técnico consultivo e deliberativo, com funções políticas e administrativas, manterá a continuidade administrativa nacional; auxiliará, com o seu saber e experiência, os órgãos do Governo e os Poderes Públicos, por meio de pareceres, mediante consulta; deliberará e resolverá sobre os assuntos de sua competência fixada nesta Constituição" (art. 68).

O Conselho Supremo já havia sido objeto de proposta de Arnolfo Azevedo em 1912. Com a supressão do Senado, a ideia adquiria extraordinário relevo. Suas funções, como se vê, seriam amplas, diversificadas e complexas. Reminiscência tardia, talvez, do Conselho do Império, o grande órgão constitucional do antigo regime, suprimido em 1834 pelo Ato Adicional e restaurado em 1843, cujas atas são repositório de saber e de espírito público. Seria o Conselho Supremo composto de 35 conselheiros mais os ex-Presidentes da República, que houvessem exercido o cargo durante pelo menos três anos. Deveriam eles ser brasileiros natos, maiores de 35 anos, estar no exercício dos direitos políticos, com reconhecida idoneidade moral, reputação de notável saber ou ter exercido cargos superiores de administração ou da Magistratura ou se salientado no Poder Legislativo nacional, ou, de outro modo, por sua capacidade técnica ou científica (art. 67, § lº). Os conselheiros gozariam das imunidades asseguradas aos deputados à Assembléia Nacional (art. 67, § 5º) e exerceriam o múnus por sete anos, podendo ser reeleitos ou nomeados para ura novo setênio (§ 4º). Seriam escolhidos por critérios variados e algo sofisticados, embora de evidente sentido representativo:
"a) vinte e um, sendo um por Estado e um pelo Distrito Federal, mediante eleição pela Assembléia Legislativa local; b) três, por eleição de segundo grau, pelos delegados das universidades da República, oficiais ou reconhecidas pela União; c) cinco representantes dos interesses sociais de ordem administrativa, moral e econômica, por eleição em segundo grau, designando a lei as entidades a que incumbe tal representação e o modo de escolha; d) seis nomeados pelo Presidente da República em lista de 20 nomes, organizada por uma comissão composta de sete deputados, eleitos pela Assembléia Nacional, por voto secreto, e sete Ministros do Supremo Tribunal, eleitos por este, pela mesma forma" (§ 3º).

Verifica-se, por aí, embora mitigada, a questão da representação corporativa. O anteprojeto fazia a Assembléia Nacional composta __________
25 Cf. Afonso Arinos, Um Estadista da República, cit.

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por deputados eleitos mediante sistema proporcional e sufrágio direto, igual e secreto, dos maiores de 18 anos, alistados na forma da lei (art. 22). Mas abria, embora de forma tênue, a perspectiva da representação corporativa no Conselho Supremo, com os representantes de interesses sociais de ordem econômica, moral e administrativa. Interessante anotar, ainda, que o Conselho se reuniria em sessão plena, sob convocação do Presidente da República, em graves emergências da vida nacional, tomando assento na reunião, e votando, os membros do Conselho Superior da Defesa Nacional, o Presidente da Assembleia Nacional, o do Supremo Tribunal e o Procurador-Geral da República (art. 68, § 2º). Poderia, também, o Presidente da República convocar o Conselho Supremo para ouvi-lo diretamente acerca de assuntos relevantes de natureza política ou administrativa (art. 68, § 3a). As consultas, pot sua vez, poderiam ser formuladas pelo Presidente da República; pela Mesa da Assembléia ou pela Comissão Permanente (outra inovação do anteprojeto); pelos presidentes dos Estados; pelas Mesas das Assembléias dos Estados ou dos Conselhos municipais (art. 68, § 3º). Algumas das atribuições do Conselho Supremo são, de fato, notáveis: autorizar a intervenção nos Estados, quando esta for da competência exclusiva do Presidente da República; aprovar, ou não, a nomeação dos Ministros de Estado e do Prefeito do Distrito Federal; elaborar qüinqüenalmente, projeto de lei
"destinado a conciliar os respectivos interesses econômicos e tributários, impedindo a dupla tributação; propor à Assembléia Nacional modificar a uniformidade dos impostos federais; resolver sobre a conveniência de rnanter-se detenção política por mais de 30 dias, ordenada na vigência do estado de sítio; decidir dos recursos interpostos nos casos de censura; propor à Assembléia projetos de lei; convocar extraordinariamente a Assembleia Nacional; representar perante a Assembléia contra o Presidente da República e os Ministros de Estado, no sentido de lhes ser instaurado o processo de responsabilidade, reunindo para esse fim os elementos úteis à acusação" (art. 69).

Assim, do ponto de vista do Legislativo, o anteprojeto suscitava duas novidades básicas: o unicameralismo e a revivência de um Conselho Supremo.

um resquício da aristocracia do patriciado. mais uma vez. Quanto aos direitos dos Estados. Editora Nacional e Ed. 28 Idem. Nos países bicamerais. O sistema bicameral não é peculiar à Federação. Na última parte. a Áustria. desta vez salutar. a República alemã. a tendência sempre foi paia o predomínio de uma das Câmaras. As bancadas votavam de acordo com a opinião política ou econômica das regiões. profissionais e culturais. projetada por Alberto Torres(29). ________ 26 Cf. 27 Idem. A época da votação por Estados passou. mas têm eles a iniciativa da lei. Na parte do Legislativo.AConstituição de 1934 • 33 Mangabeira faz a defesa. o qual. do anteprojeto(26). A Organização Nacional. como os da União. e a impossibilidade de modificação desta por lei ordinária da Assembléia Nacional"(27). ibidem. Alberto Torres. Há. "quem os assegura contra possíveis usurpações é o Supremo Tribunal. a influência corporativista. 63. com vantagens. no entanto. ob. pelo Conselho Supremo. Cia. "O que caracteriza o Estado Federal é sua coexistência com Estados constitucionalmente autônomos. antes um mal. interessam à Nação. sendo que a Câmara Alta indicava. p. o Senado é desnecessário. Em inúmeros países do Estado Federal. 1982. Estados unitários com duas Câmaras. ibidem. 34). Universidade de Brasília. cit. mais uma vez. as unidades federativas se representam desigualmente: o Império alemão. Os representantes das corporações. 61. Nos Estados Unidos da América. O anteprojeto seguia o modelo de inúmeras Constituições do após-guerra. Aos que argumentam com a Federação. p. em contrapartida. As leis. Isto era o que ocorria entre nós. João Mangabeira. como guarda e intérprete máximo da Constituição"(28). 52 e segs. qual a razão de uma segunda Câmara? Revisora? Qual o fundamento disto? Na verdade. não integram uma Câmara. de forma invariável. que pertenceria: a) à Assembléia Nacional. c) ao Conselho Supremo.processo legislativo. Afinal. dentro das raias que a Constituição Federal lhes traça.. o Canadá. inovava o anteprojeto quanto à iniciativa das leis. Mais ainda: é prejudicial.. 29 Cf. até o predomínio do Senado não parece representar um bem. O Senado seria substituído. por qualquer de seus mernbros ou de Comissões. de certa maneira. sintoma de uma oligarquia. verifica-se. Mangabeira opõe que o precedente americano tem mais autoridade do que razão. b) ao Presidente da República. repercutia a idéia de poder coordenador. . p. d) às associações culturais e às profissionais devidamente reconhecidas (art. Não há razão para o Senado interferir no .

curiosamente. o sufrágio popular. com as críticas de sempre. dos governadores. do Tribunal de Contas e do Tribunal Militar. Deve decorrer daí a tendência nacional de inserir na Carta Política dispositivos materialmente não-compreendidos pelo Direito Constitucional. e. matérias até então consideradas não-constitucionais (p. 30 Cf. a ideia de Mangabeira. dos membros do Supremo Tribunal. não qualificava como indireta. o texto projetado era mais extenso que o normal (135 artigos mais as disposições transitórias). a qual Mangabeira. o anteprojeto anunciava marcantes novidades era na parte social. portanto. dos diretores das faculdades de ensino superior130'. Nesse ponto. ordem econômica e social). como se vê. família. Os substitutos eventuais seriam o Presidente da Assembléia e do Supremo Tribunal. ex. dos presidentes das Assembleias e dos Tribunais de Apelação dos Estados. Por isso. cit. representando as Forças Armadas. embora não chegasse a ser uma enciclopédia. ob. Afinal. . dos generais e almirantes efetivos. O Social Onde. do prefeito e dos presidentes do Conselho e do Tribunal de Apelação do Distrito Federal. cultura e ensino. presente a maioria absoluta de seus membros. religião. funcionários públicos. composto da Assembléia e do Conselho Supremo. agravadas até cinquenta anos pelas nossas deficiências em comunicação. no outro lado. 37). critico das duas primeiras. o daquela feita por um colégio eleitoral. todavia. No meio dessas posições.. p 130. Havendo vaga. o da indireta e. apresenta questões à nossa contemporaneidade! O interessante está em que a temática da eleição direta foi colocada perante a Comissão.João Mangabeira.' um colégio eleitoral. perderia para as nossas futuras Cartas (a atual tem 217 artigos). Em um extremo. também o anteprojeto. como já foi referido. Far-se-ia ela por escrutínio secreto e maioria de votos da Assembléia Nacional.34 • Ronaldo Poletti Ura dos pontos polêmicos do anteprojcto consistia na eleição presidencial. Veri£cou-se. proceder-se-ia sempre a nova eleição (art. além de moderno. a eleição pela Assembleia. Não haveria vice-presidente. o tema da eleição direta. Trazia.

Acenava com bolsas de estudo para os estudantes pobres. mas proibia ao professor ferir os sentimentos dos que pensassem de forma diversa (§ 6º). § 31 . "É gratuito o ensino nas escolas públicas primárias. A Constituição de 1934 • 35 Alguns mandamentos do anteprojeto merecem destaque: "A União poderá expulsar do território nacional os estrangeiros perigosos à ordem pública ou nocivos aos interesses do País. f) proteger a juventude contra toda a exploração. bem como contra o abandono físico. que merecia a proteçâo especial do Estado. § 5º)." O anteprojeto cuidava da família. além de outras que ela prescrever. § 2º). e) socorrer as famílias de prole numerosa. Nelas será fornecido gratuitamente aos pobres o material escolar" (idem § 3º). O matrimônio seria indissolúvel (arts. sob pena de perda dos direitos políticos. 110). ser ministrado no lar doméstico e em escolas oficiais ou particulares" (art. 103). sanidade e melhoramento da família. nos termos da lei: "a) velar pela pureza. de todos os níveis. levaria em conta somente o merecimento.a novidade estava na restrição humanitária ao instituto da expulsão). Garantia a liberdade de cátedra.. § 2º Todo indivíduo tem o dever de prestar os serviços que. a lei determinar. repousando sobre o casamento e a igualdade jurídica dos sexos. Torna- . moral e intelectual" (art. Incumbiria ao Estado. No título Da Cultura e do Ensino. Faculta-se ao filho ilegítimo a investigação da paternidade ou da maternidade (art. nada influindo a condição dos pais (idem. o anteprojeto era pródigo em normas programáticas de grande alcance social: "O ensino pnmário é obrigatório. expresses nos seguintes termos: § lº Todo indivíduo tem o dever de defender esta Constituição e de se opor às ordens evidentemente ilegais (art. 102. d) amparar a maternidade e a infância. Proclamava-se que a admissão de estudantes nas escolas públicas. b) facilitar aos pais o cumprimento de seus deveres de educação e instrução dos filhos. 107 e 108). em benefício da coletividade. A proteção das leis quanto ao desenvolvimento físico e espiritual dos filhos ilegítimos não poderia ser diferente da instituída para os legítimos. "A União exige de brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil o cumprimento de deveres. c) fiscalizar o modo pelo qual os pais cumprem seus deveres para com a prole e cumpri-los subsidiariamente. podendo. salvo se forem casados há mais de três anos com brasileiras ou tiverem filhos menores brasileiros" (art. 109). 111.

. Tais qualidades afloravam nas projeções da ordem econômica c social. "A lei. § 1º). O direito de propriedade tem o limite de lei e a propriedade tem uma função social. secundárias. adquire por isto mesmo a plena propriedade do solo. a propriedade rural. caput). profissionais ou normais. sem reconhecimento de domínio alheio. "A ordem econômica deve ser organizada conforme os princípios da justiça e as necessidades da vida nacional. ou por outra forma estabelecida em lei especial aprovada por maioria absoluta dos membros da Assembléia. a educação e o trabalho manual. 115). profissionais ou normais. Vê-se que não eta absoluta a vitória da reação clerical. não se podendo reduzir à miséria o devedor. 114. Humaniza as execuções e as falências. se ele não tiver outros haveres" (§ lº). desde que não-fraudulentas. Admite a prescrição aquisitiva de terras públicas devolutas: "Ficarão proprietários gratuitos das terras devolutas. de modo que assegure a todos uma existência digna do homem. o ensino cívico. Proíbe a usura e a define (art. 113). Em iguais termos. ou na sua falta o juiz. "mediante prévia e justa indenização paga em dinheiro. 118. seus atuais posseiros. "Será impenhorável a casa de pequena valia que servir de morada ao devedor e sua família. Prevê-se a desapropriação por utilidade pública ou interesse social. por cinco anos ininterruptos. primárias. Nacionalismo: as concessões para a exploração de minas e quedas d'água seriam possíveis. Assim. providenciará a tal respeito" (art. Fazia da religião uma matéria facultativa de ensino nas escolas públicas. Usucapião pro labore: "Aquele que. se forem nacionais" (art. § 1º). Dentro desses limites é garantida a liberdade econômica" (art. podendo requerer ao juiz que assim o declarou por sentença" (att. mas somente a brasileiros ou empresas organizadas no Brasil e com capital nele integralizado (art. 116. 117).36 • Ronaldo Poletti va obrigatórios nas escolas primárias. onde têm benfeitorias. 116). secundárias. destinada a prover a subsistência do devedor e sua família (§ 2º). o anteprojeto era revolucionário e notável. (§ 7º). possui um trecho de terra que tornou produtivo pelo trabalho. subordinada à confissão religiosa dos alunos (§ 8º). sem oposição. sobretudo no cotejo com a primeira Carta Republicana de 1891. não podendo ser exercida contra o interesse coletivo (art.

Garante a liberdade de associação para a defesa das condições do trabalho e da vida econômica. e nas indústrias insalubres. Faculta à União e aos Estados. facultando ao poder público expropriar os latifúndios. mediante condições que estipula (art. a doença. se por qualquer motivo a empresa desaparecer. bem como prestar-lhes-ia assistência gratuita. salvo o pagamento de horas extras. os riscos e acidentes do trabalho e em favor da maternidade. "a legislação agrária favorecerá a pequena propriedade. se houver conveniência de os parcelat em benefício do cultivador. de seis horas. o ordenado ou salário de um ano. Reconhece a herança exclusivamente na linha reta ou entre cônjuges. . obrigação de aquelas empresas providenciarem a assistência médica.A Constituição de 1934 • 37 Permite a socialização de empresas econômicas. às necessidades normais da vida de um trabalhador chefe de família". quando assim o exigir o interesse público (§ lº). ainda: "A lei estabelecerá as condições do trabalho na cidade e nos campos. tendo em vista s proteção social do trabalhador e os interesses econômicos do País" (art. 124). inclusive para coordená-las. Prescrevia o anteprojeto que o Ministério Público velaria pela aplicação das normas protetoras do trabalhador urbano ou rural. "a lei assegurará nas cidades e nos campos um salário mínimo capaz de satisfazer. sem distinção de idade ou sexo". 125). Estabelece os princípios a serem observados na legislação sobre o trabalho: "a trabalho igual corresponderá igual salário. ou de os explorar sob forma cooperativa". através de lei federal. a jornada de trabalho será de oito horas. uma escola primária para o ensino gratuito de seus empregados. O imposto de transmissão seria progressivo (art. Assegurava a assistência aos pobres (art. e intervirá nas relações entre o capital e o trabalho para os colocar no mesmo pé de igualdade. podendo a lei instituir o seguro obrigatório contra a velhice. garantia ao trabalhador da necessária assistência em caso de enfermidade. obrigação de as empresas industriais ou agrícolas. com mais de cinquenta empregados. ou empregados. pelo menos. 120). intervir na administração das empresas econômicas. 122). criação pelas empresas de um fundo de reserva do trabalho capaz de assegurar aos operários. conforme as condições de cada região. bem como à gestante operária. o desemprego. trabalhadores e seus filhos (origem do salário educação). Proclama. manterem.

no ano seguinte à proposta dos Estados. pertencerá. na Comissão do Itamaraty. no fundo. se aceita mediante três discussões. dos membros da Assembléia Nacional. Góes Monteiro. 135. pelo menos. sob a nova forma. A Constituição. Parágrafo único. a Carta de 34. Finalmente. pelo menos em metade. sobretudo na alta criatividade nela resultante. a reforma considerar-se-á aprovada. sem que o proprietário do imóvel para isso tenha concorrido. 128).38 • Ronaldo Poletti Criava uma espécie de contribuição de melhoria e de forma drástica: "A valorização resultante dos serviços públicos ou do progresso social. Um dos problemas da Constituição de 1934 foi. Condicionando tudo ao Legislativo. de que eram partidários. A reforma aprovada incorporar-se-á no texto da Constituição. Programava a política agrária "no sentido da fixação do homem nos campos. por dois terços de votos dos membros presentes da Assembléia e do Conselho Supremo. Para isto. 127). o fato de os constituintes nào haverem absorvido bem a proposta. no decurso de um ano. a lei federai estabelecera um plano geral de colonização e aproveitamento das terras públicas. João Mangabeira. representado cada um deles pela maioria de sua Assembléia. preparou o golpe de Estado de 37. por motivos transversos. parece ser suficiente para demonstrar a sua importância na história do Direito Constitucional brasileiro. à Fazenda Pública" (art. Na colonização dessas terras serão preferidos os trabalhadores nacionais" (art. em dois anos consecutivos. Exemplo disso foi a questão da representação classista. publicada com a assinatura dos membros da Mesa da Assembléia. um dispositivo interessante sobre a reforma constitucional: "Art. sem prejuízo das iniciativas locais. se aceita. No primeiro caso. Houve na relação do anteprojeto de Constituição idas e vindas.'' Esse breve repassar pelo anteprojeto. a bem do desenvolvimento das forças econômicas do País. . por dois terços de votos dos membros presentes da Assembléia. bastante revolucionária. pautou-se por uma desconfiança diante do Executivo. No segundo caso. ao contrário do anteprojeto. que será. mediante três discussões. que daria a última palavra. coordenadas com as diretrizes da União. sem dúvida. ou de dois terços dos Estados.. A Constituição poderá ser reformada mediante proposta de uma quarta parte.

. Carlos Maximiliano. em todos os tons. tratasse do problema. o ano inteiro. escolhidos por um eleitorado formado segundo o critério demográfico. mas de indivíduos e corporações. sendo sua grande função a política. em entrevista â imprensa. A representação classista caiu na Comissão do Itamataty. respeito á produção. Porque o grande papel da Assembléia política é o de fiscalização e de propaganda. As Assembléias muito numerosas dificilmente se organizam e resistem. Mas. Dizia-se o diabo do antigo Congresso. Mangabeira era partidário da representação profissional. responde: "As assembléias não se podem compor exclusivamente de representantes do povo. Araújo Costa. Porque. nem rruito pequena para nào se corromper. consideradas as circunstâncias tio avanço dos trabalhadores e suas corporações. Afonso Arinos. os vitoriosos no debate: Prudente de Moraes. comentava-se. presente para controlar o Executivo. é o de pulmões . O ponto delicado é ver como se representa. ou fulminar um atentado. Não porque o Estado não se compõe somente de indivíduos. Seria mais económico para o Tesouro e mais útil e eficiente para o País. E contra. Na minha opinião.A Constituiçãode 1934 39 Oswaldo Aranha. Estas devem ter voz. sobre os prós e contras à representação profissional. todos os presidentes. mas rodos. só desejavam vê-lo pelas costas e todos os grandes golpes de arbítrio se guardavam para o intervalo das sessões. não muito grande para não enfraquecer. José Américo. sobretudo. Themistocles Cavalcanri. Um Essadista. As Assembleias políticas devem exercer sobretudo a função política. Estávamos no auge da discussão da representação política. para evitar um abuso. e era natural que a legislação. impedir uma violência.por onde respiram os partidos políticos A voz de um deputado de oposição basta. no plano doutrinário. Oliveira Vianna. Acho que nos bastaria uma Assembleia de mais ou menos a metade àa Câmara dos Deputados dissolvida. p. .cit. as muito reduzidas facilmente se corrompem c cedem. deveríamos ter apenas uma Câmara. a sua subserviência. até hoje o nó górdio de qualquer teoria constitucional democrática. ob. cit.. salvo deliberação própria. Jndagaâo sobre ela.. cf. mas foi reintroduzida pela Constituinte ³. Mas a lei exige uma técni- 31 Cf. Antônio Carlos e Mello Franco. muita José Américo de Almeida vez. deveria sempre estar. 155 e segs. nas questões que lhes interessam e dizem. uma Assembléia que funcionasse.

Eram esses. 187. Hélio Silva.. por exemplo.A CONSTITUINTE A Constituinte reuniu-se em assembléia no dia 15 de novembro de 1933. cue qualquer homem decidirá de acordo com as suas convicções. ensejava a exclamação de Pedro Calmon: "Representação (quando houvesse!)"(35). Mas uma lei de divórcio exige uma técnica. Pedro Calmon. seus sentimentos ou sua religião. político. Tais eram as condicionantes dos trabalhos: a revolução e sua legislação.076. geralmente não podem ser peritos. também. Na verdade. . Competiria à Assembléia política votar. cit.. o seu limite ou suas limitações. porque não se trataria aí de um problema técnico-jurídico.40 • RonaldoPoletti ca para a qual uma assembléia não tem. se o quiserem. Em resumo. II. Editado pelo Governo Provisório. OB. Curso. e o espírito de desconfiança contra o Governo Provisório. João Mangabeira. 34 Cf. na qual um engenheiro. a representação proporcional. Cf. Criava ele o voto secreto. no Palácio Tiradentes.. nem pode ter o preparo especializado e indispensável. não somente o ideário de 30 estava imprecado do tema eleitoral. p. como a Constituinte seria marcada pela presença emocionante da bancada paulista(33). ob. A função da Câmara deveria ser discutir e aceitar ou rejeitar as leis que as comissões técnicas fizessem. cit. uma Assembléia política delibera e vota questões políticas ou sociais. um militar ou um padre. O Código Eleitoral havia sido baixado pelo Decreto nº 21. cit. O antepenúltimo artigo do diploma decretal estabelecia: 32 33 35 Cf. é mister remontar não apenas às Revoluções de 30 e 32. como ao ordenamento jurídico eleitoral que a precedeu. Para entendê-la. Cf. pró ou contra o divórcio. vol. Afonso Arinos. IV . mas social. o sufrágio feminino e buscava a verdade da representação. religioso. de 24 de fevereiro de 1932. acertadamete. ob. mas não resolve. cit. problemas de especialização ou de técnica"(32). Afonso Arinos o qualifica de notável(34). a Justiça Eleitoral.

Determinava o Decreto até os pormenores da instalação e a leitura do projeto de Constituição remetido pelo Governo Provisório (art 15).653. De fato. Do prisma jurídico. os revolucionários paulistas não puderam participar da Constituinte. E este era. bem como o modo e as condições de representação das associações profissionais. de 7 de abril de 1933. embora ela.22. portanto. bem antes do início dos trabalhos da Comissão do anteprojeto. 17). o Governo determinará o número de representantes nacionais que a cada Estado caiba eleger. o Distrito Federal e o Território do Acre constituirá uma região eleitoral. que fixou o número e estabeleceu o modo de escolha dos representantes de associações profissionais que participariam da Assembléia Constituinte.A Constituição de 1934 • 41 "Art. tratava das emendas (art. Mas.621. o Governo avançava no condicionamento da futura Constituinte. o Decteto n. . não necessariamente na representação política determinada pela futura Constituição. qualquer Poder Legislativo. uma limitação à Constituinte. No decreto em que convocar os eleitores para a eleição de representantes à Constituinte. mitigada. Veio o Decreto nº 22. a par de ser uma intromissão injustificada nos trabalhos da Assembléia. à eleição do Presidente da República e à aprovação dos atos do Governo Provisório. as limitações impostas pelo Governo Provisório à Assembléia Constituinte não ficaram por ali. 53). O Presidente da Assembleia podia recusar o recebimento de emendas ao projeto constitucional (art. O Chefe do Governo Provisório compareceu à sessão inaugural. Do ponto de vista político. dela fatiam parte 40 deputados classistas. é lógico. 33). Somados o Código Eleitoral e o Decreto Eleitoral da participação classista. já se decidira a representação profissional para a Constituinte. Parágrafo único. Os Ministros de Estado poderiam ser convocados. de abril de 1933. 19). ao lado de 214 representantes eleitos. Cada Estado. A competência da Assembléia Constituinte se restringia à Constituição. 142. dispunha sobre a Comissão Constitucional incumbida de dar parecer sobre o projeto (art. editou o Regimento Interno da Assembléia Nacional Constituinte." Assim. Não detinha. prevalecesse também na futura Carta. As categorias profissionais deveriam estar presentes na Assembléia Constituinte. sempre que o entendessem necessário ou quando fossem destacados pelo Chefe do Governo (art. de fato. mas tinham o direito de comparecer e de participar dos debates.

Antônio Carlos Ribeiro de Andrada foi o Presidente da Assembléia, nela desempenhando ura grande papel. O líder do Governo na Constituinte foi Oswaldo Aranha, que era ministro e por isso tinha assento nos trabalhos. Era mais uma intromissão, porque não era deputado, mas homem do Governo revolucionário. Renunciou, todavia, logo à função c foi substituído por Medeiros Neto. Na Comissão Constitucional, os estadistas tinham representação e seu Presidente foi Carlos Maximiliano, o Vice, Levy Carneiro, e o Reiator-Geral, Raul Fernandes. Havia na Constituinte grandes nomes da política e do constitucionalismo, alOswaldoAranha guns deles se destacariam muito no desdobramento dos acontecimentos nacionais(36).

Uma novidade era a presença dos socialistas, uns na qualidade de representantes classistas, outros eleitos pelo Partido Socialista de São Paulo. Outro aspecto relevante foi a existência, até então inédita, de certo pluripartidarismo, refletindo correntes nacionais de opinião, independentemente das bancadas dos Estados. Afonso Arinos anota oue o parecer do Relator-Geral, Raul Fernandes, veio a indicar as principais diferenças entre o substitutivo e o projeto do Itamaraty.
"Em primeiro lugar, o substituto atenua, consideravelmentc, ao capítulo da Organização Federal, a centralização considerada excessiva que marcava o projeto e restaura, em setores irnpor-

Afonso Arinos

36

Cf. Afonso Arinos, Curso... cit., p. 189.

A Constituição de 1934 • 43 tantes, a tradição do nosso federalismo. Recusa a limitação do número de Deputados para os grandes Estados. Restabelece o Senado, suprimindo o Conselho Supremo, embora dando àquele uma posição fora do legislativo. Aceita a participação de congressistas no Ministério. Concorda com a eleição indireta do Presidente da República, porém com um eleitorado especial, não apenas limitado ao Legislativo, Aliás, neste ponto, o parecei reconhece que se trata de simples providência temporária, pois o Plenário ainda não se tinha firmado quanto ao importante assunto. Aceita, também, as chamadas emendas religiosas, do casamento indissolúvel e do casamento e ensino religioso. O capítulo refente à ordem econômica e social foi aceito com a inclusão das suas relevantes inovações, que procuravam nacionalizar e democratizar a economia, bem como proteger o trabalhador. Foram igualmente mantidos os capítulos dedicados às novas matérias constitucionais, como a educação, a família, o funcionalismo, a segurança nacional, a Justiça Eleitoral e outras, com algumas modificações secundárias"(37).

Documento importante sobre os trabalhos da Constituinte, incluindo um quadro comparativo entre o projeto do Itamaraty, o Substitutivo da Comissão Constitucional, a redação final e a Constituição promulgada, está no livro de Levy Carneiro, Pela Nova Constituição.(38)

Processados os trâmites legislativos, o texto da nova Constituição foi votado entre 7 de maio a 9 de junho. A promulgação se deu em 16 julho de 1934. Houve grande entusiasmo. Em cumprimento ao art. 1º das Disposições Transitórias, a Assembléia Nacional Constituinte elegeu, no dia imediato à promulgação, o Presidente da República para o primeiro quadriênio constitucional. O eleito tomou posse em sessão solene no dia 20 de julho, lendo juramento: "Prometo manter e cumprir com lealdade a Constituição Federal, promover o bem geral do Brasil, observar as suas leis, sustentar-lhe a união, a integridade e a independência". Em 1937, foi perjuro. A Assembléia transformou-se em Câmara dos Deputados e acumulou as funções do Senado, até a organização de ambos os casos, em eleições, noventa dias depois de promulgada a Constituição.

37 Idem, ibidem, p. 191. 38 Cf. Levy Carneiro, Pela Nova Constituição. Ed. Coelho Branco, Rio, 1936; o livro de Antônio Marques dos Reis, Constituição Federal Brasileira de 1934, Ed. Coelho Branco, Rio, 1934, contém também um quadro comparativo da Carta de 1891 e do anteprojeto de 33.

44 • RonaldoPoletti

As Assembléias Constituintes dos Estados elegeriam os governadores e os respectivos representantes no Senado. A representação profissional na Câmara deveria ocorrer em janeiro de 1935.

V - A Constituição de 1934
O fruto da Constituinte, a Carta de 1934, deixou de absorver muitas das linhas do anteprojeto que lhe fora submetido, Es:e era, na verdade, revolucionário. Como já foi dito, "as influênciss da República Velha, as repercussões do movimento revolucionário paulista e a desconfiança pelos constituintes do Executivo, fizeram-se valer.

O Executivo
A ideia era conter o Executivo. Isto, como a história demonstrou, não evitou em 1937. Competia ao Presidente decretar o estado de sítio (ait. 56, nº 13). Mas quem lhe autorizava a medida era o Poder Legislativo (art. 175, caput). Se não estivessem reunidos a Câmara e o Senado, o Presidente da República deveria obter aquiescência prévia da sessão permanente do Senado e, nessa hipótese, as Casas se reuniriam dentro de trinta dias, independentemente de convocação (art, 175, § 7º). Reunido o Poder Legislativo deliberaria a propósito, podendo revogar o sítio (art. 175, § 8º). Havia, também, várias restrições à execução da medida e o Presidente da República c demais autoridades seriam responsabilizados, civil e criminalmente, pelos abusos que cometessem. De igual maneira, competia ao Presidente da República intervir nos Estados ou neles executar a intervenção (art. 56, nº 12). No entanto, a intervenção para garantir a observância dos princípios constitucionais seria decretada "por lei federal, que lhe fixará a amplitude e a duração, prorrogável por nova lei" (art. 12, §1º). Sempre o Legislativo dava a última palavra39 Apesar de certa polêmica, a eleição do Presidente da República seria por sufrágio universal, direto, secreto e maioria de votos (art.

subvencionar ou embaraçar o exercício de cultos religiosos" e "ter relação de aliança ou dependência com qualquer culto. çf. Euclides de Mesquita. ob. porérr. ietnbra-nos Araújo Castro veio a atender aos sentimentos religiosos da quase totalidade do povo brasileiro. 17. a Assembléia Constituinte elegeu. A Reação Clerical Contra o laicismo da Constituição de 1891.A Constituição de1934 • 45 52. Araújo Castro. 42 Cf. aconteceu o golpe de 37. quando se aplicaria a regra da substituição. ob. 27 e segs. o Presidente da República para o primeiro quadriénio constitucional. "A invocação do nome de Deus. mais ou menos na forma tradicional. 39 Cf. A Carta de 1891 não tratava do a s s u n t o .. p. Essa eleição nunca houve. promulgada a Constituição. nos termos do art. 40 A propósito da discussão sobre a fornia de eleição do Presidente da Republica. Era mantida. Vedava-se. no entanto.. Araújo Castro. çit. e de forma expressa a representação diplomática junto à Santa Sé (art. a referência à divindade volta ao preâmbulo: "Nós. . Não havia vice-presidente. p. Se o Chefe da Nação não assumisse ou ocorresse vaga. 176). 211 e segs. pondo a nossa confiança em Deus. o fururo ditador. A Constituição de 34 dispôs pela primeira vez sobre os Ministros de Estado. Mas. 41 Idem. sem prejuízo da colaboração recíproca em prol do interesse coletivo" (art. "estabelecer. 1965. estabelecendo requisitos para a sua nomeação c definindo suas atnbuiçõcs. pelo Presidente da Câmara.. Serviço de Documentação. os representantes do povo brasileiro.. haveria sempre nova eleição salvo se a vacância ocorresse no último semestre do quadriênio. sucessivamente.II e III).das Disposições Transitórias. p. 1º. O eleito foi o Chefe do Governo Provisório. ou igreja. às pessoas jurídicas de direito público interno. pelo do Senado e pelo da Corte Suprema (o novo nome do Supremo Tribunal). 0 Estado e as Constituições Replubicanas no Brasil Ministério da Justiça e Negócios Interiores. Quando ia ocorrer. ibidem. p 56. § 1º). 233 e segí. cit-..

dos listados Unidos do Méxicoo e da República Oriental do Uruguai. e o fez. mas o religioso produziria efeitos jurídicos. Sempre que solicitada. nº 4 e 111. Mas havia. A lei civil determinaria os casos de desquite e de anulação de casamento. tendo em atenção as condições regionais do Pais" (art. contendo a tradução dass Constituições americanas dos Estados Unidos do Brasil. intitulado 0 Momento Constitucional. da Espanha. seria permitida a assistência religiosa nas expedições militares. em consonância com o espírito da época e com o exemplo de Weimar e de outros códigos políticos em v o g a . estava sob a proteção do Estado. 113. 145). nº 7). 113. Garantia-se a liberdade de culto. por certo. de cunho social. b). da Alemanha. editado em 1932. dos Estados Unidos da América. A família. uma preocupação higiênica e étnica. como reiteradamente temos afirmado. motivada quem sabe pelos fantasmas da sífilis: "A lei regulará a apresentação pelos nubentes de prova de sanidade física e mental. sendo-lhes proibida a recusa de sepultura onde não houvesse cemitério secular (art. pela Pigner ec Cia. As associações religiosas adquiririam personalidade jurídica nos termos da lei civil (art. 146). salvo "pela isenção de ónus ou serviço que a lei imponha aos brasileiros" (art. Livres neles os cultos religiosos. constituída pelo casamento indissolúvel. A Matéria Não-Constitucional A Constituição manteve a linha do anteprojeto no tocante a constitucionalizar matéria não-constitucional.. n. A motivação dessa infiltração foi.5). Os cemitérios teriam caráter secular. As associações religiosas poderiam manter cemitérios particulares sujeitos. O casamento seria civil. à fiscalização das autoridades competentes. com efeito suspensivo (art 144). 113. nº 6). porém. Rua Frei Cantio. também.46 • Ronaldo Poletti Ninguém poderia ser privado de seus direitos por motivo de convicção filosófica. 43. havendo sempre recurso ex officio. política ou religiosa. mas de lá a esta data as pressões têm logrado inserir no texto da Lei Maior 43 É sintomática existência de um pequeno livro. Editores. nas penitenciárias e em outros estabelecimentos oficiais (art. 113. nos hospitais. desde que presentes certas condições estabelecidas constitucíonalmente (art. .

§1º). ainda. 115. como já referido. Aliás. na atinente à educação. económica. já referidas. tenha sido pela própria Assembléia Constituinte. . E. além de universal c direto. O sufrágio feminino vinha assegurado: "São eleitores os brasileiros de um e de outro sexo. ficou um tanto prejudicada. a eleição para . trabalho e previdência (arts. Primeiro. na perspectiva política. sexo. Fruto. houve também o Titulo VII (arts. A Questão Eleitoral Manteve a Constituição a idéia do sufrágio universal. vedava quaisquer privilégios. cultura. porque. impedidas de aprimorarem-se através da legislação ordinária. terminam por transformar a Carta Magna não em um instrumento do Governo para proporcionar o desenvolvimento nacional. dentro dos limites da justiça e as necessidades da vida nacional. embora para o primeiro mandato. ao estabelecei a igualdade perante a lei. "Os Poderes Públicos verificarão. classe social. o padrão de vida nas várias regiões do País" (art. natureza constitucional. não raro privilegiadas. periodicamente. raça. nos termos da Constituição. havia normas sobre a ordem econômica. profissões próprias ou dos pais. salvo quanto aos eleitos pelas organizações profissionais na forma que a lei viesse a indicar. matéria típica da administração. 121/123. igual e direto (art. "de modo que possibilite a todos existência digna". 115). seria também secreto (art. a Declaração dos Direitos e Garantias Individuais. 168/173) sobre os funcionários públicos. Seguia. Na eleição presidencial. crenças religiosas ou idéias políticas (art. notadamente na sua perspectiva jurídica. além da matéria de Direito Civil (familia e casamentos) e de Direito Administrativo (cemitérios). cue se alistarem na forma da lei" (art. na parte da ordem social.A Constituição de1934 • 47 mandamentos de pouca. ou nenhuma. maiores de 18 anos. distinções. aí. 148/158). 108). nº1 A questão do sufrágio. em geral. riqueza. por motivo de nascimento. garantida a sua liberdade. 23) para os representantes na Câmara dos Deputados. da questão social. 52. as pegadas do anteprojeto. Destinadas a garantir situações. Assim. o sufrágio.

assim. dentro da lei. de igual maneira. pelas Assembléias Constituintes dos Estados (att. a definição clássica das Forças Armadas. e com reflexos na Federação. a Constituição de 34 fala. foram eleitos. Surgia. segundo. em segurança nacional (Título VI. A direção política da guerra ficaria com o Presidente. salvo a indireta pela Assembléia Constituinte. A Segurança Nacional Enquanto o anteprojeto havia tratado da defesa nacional. 3º. § 3º). mas avançava para declarar que "o serviço militar dos eclesiásticos seria prestado sob forma de assistência espiritual e hospitalar às Forças Armadas" (art. O título de Segurança Nacional é extenso e importante. Anote-se. bem como pelos chefes do Estado-Maior do Exército e da Armada (art. a ordem e a lei" (art. "instituições nacionais permanentes.48 • Ronaldo Poletti presidente não houve. art. quando mobilizadas ou a serviço da União". por último. presidido pelo Presidente da República e pelos Ministros de Estado. 163. pela primeira vez. o Conselho de Segurança Nacional. Exaltava-se o serviço militar (art 163) e obrigava a todo brasileiro o juramento à Bandeira nacional (idem). . nele tudo. 159 e segs). também. 167: "As polícias militares são consideradas reservas do Exército e gozarão das mesmas vantagens a este atribuídas. 160). Os dispositivos refletiam também nessa parte. de forma indireta. Havia. Destinam-se a defender a Pátria e garantir os poderes constitucionais. 162). ou quase tudo. da primeira e única leva. mas as operações militares a cargo do Comandante-em-Chefe do Exército das Forças Navais (art. essencialmente obedientes aos seus superiores hierárquicos. arts. porque os membros do Senado e os governadores. As questões a ela ligadas seriam estudadas e coordenadas pelo Conselho Superior de Segurança Nacional. acabou por se transformar em permanente em nossas Constituições. das Disposições Transitórias). e. 159). a preocupação dos revolucionários de 30 e de seus antecedentes militares.

organnização judiciária federal. deveria exercer o Poder Legislativo (ver art. a suspensão de 44 Sobre a idéia do Senado. e em geral das que interessem determinadamente a um ou mais Estados. VII). A ele incumbiria promover a coordenação dos poderes federais entre si. o domínio da União. 22). p. celebração de paz e passagem de forças estrangeiras pelo território nacional.. ef. 302 e segs. declaração de guerra. socorro aos Estados (art. ob. regime de portos. a autorização para empréstimos esternos dos Estados. A competência legislativa do Senado vinha mitigada. . sistema eleitoral e de representação. a autorização para a intervenção federal nos Estados. velar pela Constituição e colaborar na feitura das leis (art. Mas o Senado guardou a função do Poder Coordenador. tal como conhecido no anteprojeto. iniciativa das leis sobre intervenção federal. atribuída. mobilização. como órgão colaborador da Câmara. sistema monetário e de medidas. manter a continuidade administrativa. no caso de aquela visar pôr termo i guerra civil. Na competência legislativa. vias de comunicação interestadual. Araújo Castro. O texto da Lei Maior enumerava os casos em que o Senado colaboraria com a Câmara na elaboração legislativa: estado de sítio. ao Conselho Supremo projetado. cil. Não vingou o unicameralismo. do Distrito Federal e dos Municípios. navegação de cabotagem e. Mas. 8 8 ) . antes. Como se vê. 91). banco de emissão. esta sim. Eram atribuições privativas do Senado: a aprovação prévia das nomeações de determinados magistrados e dos chefes de missões diplomáticas no exterior. 91. a qual. que devessem ser aprovados em globo pela Câmara (art. A solução foi um pouco híbrida. comércio internacional e interestadual. tributos e tarifas..A Constituição de 1934 • 49 O Senado O problema do Conselho Supremo. como órgão coordenador dos poderes e a contradição disto com o principio da hamonia e igualdade entre aqueles. avultava em sua competência legislativa a matéria concernente à Federação ou com implicações na política federativa. nos rios e lagos. uma importante: a de rever os projetos de código e de consolidação de leis. do Conselho projetado se fez o Senado. tratados e convenções com as nações estrangeiras. teve desdobramento curioso no texto constitucional aprovado.

50 • RonaldoPoletti concentração de força federal nos Estados. De fato. II). com a colaboração dos Conselhos Técnicos. Reminiscência. reminiscência talvez da idéia do Poder Coordenador ou Moderador consistia em fiscalizar a legalidade dos regulamentos expedidos pelo Poder Executivo. os planos de solução dos problemas nacionais (att.. p 91. o rneu Controle da Constitucionalidade das leis Forense. quando 45 Sobre os Conselhos Técnicos cf. A sua justificativa. estabeleceu o recurso extraordinário das decisões das causas decididas pelas justiças locais em única ou última instância. nas pegadas do anteprojeto. III). 91.. O Controle da Constitucionalidade das Leis Aliás. mas também jurisdicional. em matéria da sua competência exclusiva. trouxe nnuitas contribuições a esse tema do controle da constitucionalidade). Rio. a função era política. Podiam agrupar-se em Conselhos Gerais. contra o parecer unânime do respectivo Conselho (art. consistente em suspender a execução. p. 46 Cf".. ou dos Conselhos Gerais em que eles se agruparem. era a competência de organizar. ob. perante a Assembléia Constituite. a revogação de ato das autoridades administrativas. V). quando declarados inconstitucionais pelo Poder Judiciário. 241 e segs. cit. cit. 323. . 91. 90). Passou o Senado a ter uma notável competência. A composição. no tocante ao controle da constitucionalidade das leis. Competência curiosa do Senado. no todo ou em parte. Os Conselhos Técnicos foram criados para prestar assistência aos ministérios. a Constituição de 34. Aí. e na Consumição de 34. o funcionamento e a competência dos Conselhos seriam regulados pela lei ordinária. 1 0 3 ) . de Araújo Castro. mas a Constituição determinava que metade de seus membros seriam pessoas especializadas. p. ainda. da ideia do Conselho Supremo. 1935. suspendendo a execução dos dispositivos ilegais (art. quando praticados contra a lei ou eivados de abuso de poder (art. de qualquer lei ou ato. mediante reclamação fundamentada nos interessados. estranhas aos quadros do funcionalismo do respectivo ministério e vedada aos Ministros tomarem deliberação. quando as necessidades de ordem pública não a justiãquem (art. ob. Araújo Castro. Política e de cunho fiscalizador era a de propor ao Executivo. foi feita pelo major Juarez Távora. projeção originária do anteprojeto. 91. deliberação ou regulamento. órgãos consultivos da Câmara e do Senado.

possibilitando que os atos das autoridades fossem impugnados. a mais importante inovação estava na citada competência do Senado. Era a maneira de solucionar um dos mais graves problemas do controle da constitucionalidade. A solução da Constituição permitia dar efeitos erga omnes a uma decisão num caso concreto. atenuava-se o problema da quebra de harmonia e equilíbrio entre os poderes. A ausência da regra do stare decisis implica que os juizes não estão obrigados a deixar de aplicar a lei. Mas. e de representantes eleitos pelas organizações profissionais (art. Dispunha. A Representação Classista Prevaleceu na Constituição a idéia da representação classista. 23. ainda. indústria. ainda. Esta dependeria de o Procurador-Geral da República provocar o exame do Supremo sobre a constitucionalidade da lei violadora do pressuposto. ainda. reunidas nos seguintes grupos: lavoura e pecuária.A Constituição de 1934 • 51 se questionasse sobre a vigência ou validade de lei federa] em face da Constituição (art. eleitos mediante sistema proporcional e sufrágio universal. sob pena de intervenção federal. Outra importante inovação foi a obrigatoriedade de os Estados-Membros se constitucionalizarem com a observância de determinados princípios. desde que fundados em lei inconstitucional. para o controle da constitucionalidade. § 3º. 76. a Lei Maior que os deputados das profissões seriam eleitos na forma da lei ordinária por um sufrágio indireto das associações profissionais. ao arrolar. declarada inconstitucional peto Supremo. 23). dentre os direitos individuais. assim. Além disso. comércio e transportes. poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato do Poder Público (art. A Câmara dos Depurados compor-se-ia de representantes do povo. . III). igual e direto. a ação direta de inconstitucionalidade. Criava-se. Determinava. que só por maioria absoluta de votos da totalidade dos seus juizes. A Constituição de 34 contribuiu. profissões liberais e funcionários públicos (art. o mandado de segurança. 179). pois remetia a um órgão do Poder Legislativo a atribuição de suspender a execução da lei declarada inconstitucional.

Arthur Ribeiro. cit. das associações de empregados (art. que idealizara lei orgânica a reger a Justiça como um todo. ob. e). e ricos da Federação(47). 23. O número de círculos da quarta categoria corresponderia ao dos seus deputados (art.52 • Ronaldo Poletti O total dos deputados das três primeiras categorias seria no mínimo de seis sétimos da representação profissional. defensor da ideia. a lei deveria assegurar a representação das atividades econômicas e culturais do País. Com excecção da quarta categoria. 23. Seriam os grupos constituídos de delegados das associações. § 5º). não tanto como no anteprojeto. Na discriminação dos círculos. O Judiciário As novidades mais importantes sobre o Poder Judiciário ficaram por conta da criação da Justiça Eleitoral e da Justiça Militar. pp. § 4º). que haveriam de respeitar os princípios relativos às "garantias do Poder Judiciário e do Ministério Público" (art. sobretudo porque sustentada pelos representantes originários dos Estados mais fortes. Ninguém poderia votar em mais de uma associação profissional. ef. Prevaleceu a tese da dualidade. da Comissão. haveria em cada círculo profissional dois grupos eleitorais distintos: um. a fim de garantir a representação igual de empregados e empregadores. vencida a proposta unitária. em sua plataforma de 1910 . das associações de empregadores.. Arsújo Castro. dividido por dois. igual ou indireto por graus sucessivos. §§ 6º a 9º). A Constituição cuidou dos tribunais e juizes federais. 47 Ainda sobre a unidade da magistratura. 23. Os dispositivos da Constituição Federal influenciavam a constitucionalização dos Estados. 7º. 248 e 249°. distribuídos igualmente entre elas. dividindo-se cada uma em círculos correspondentes ao número de deputados que lhe caiba. I. O dualismo vinha temperado. Os estrangeiros não votariam (art. Ministro do Supremo Tribunal e que saíra da Comissão por não concordar com o unitarismo. outro. viu a sua opinião vitoriosa na Constituinte. onde se transcreve famoso lesto de Rui. eleitos mediante sufrágio secreto. que federalizava toda a Justiça.

§ 7o). Evitava-se. prevaleceu a ideia de que os ministros da Corte Suprema (nome dado ao Supremo Tribunal Federal. em lista quíntupla. um tribunal (seria o nosso Tribunal Federal de Recursos). ainda. c). 65). três dessa última Corte. "ficam. na trilha do anteprojeto. 79). Criava. salvo o magistério (att. Mantinha-se. O juiz. dentre os indicados por escrutínio secreto pela Suprema Corte (art. todavia. com competência para julgar os crimes de responsabilidade do Presidente da República. sujeitos aos impostos gerais" (art. a atividade político-partidária (art. 58. numa determinada idade. "conhecer as questões exclusivamente políticas". 72). o texto pretendeu(!?) resolver o problema do Imposto de Renda incidente sobre os vencimentos dos magistrados. dentre brasileiros natos de notável saber jurídico e reputação ilibada. todavia. mesmo em disponibilidade. "porém". dos Ministros da Suprema Corte. dos Ministros de Estado. interessante dispositivo atinente á nomeação de juizes federais. com aprovação do Senado. Depois de alguma discussão (houve substitutivo que propôs lista quíntupla de múltiplas origens). parágrafo único). portanto. 74). sob pena de perda do cargo não poderia exercer qualquer outra função pública. porém. 67). com iguais requisitos dos da Suprema Corte (art. de maneira sintomática.A Constituição de 1934 • 53 Quanto às garantias da irredutibilidade. Uma criação interessante da Constituição de 34 era o Tribunal Especial. a instituição do júri com a organização e as atribuições que a lei lhe desse (art. A Constituição delegava à lei a criação de tribunais federais quando assim o exigirem os interesses da Justiça (art. menos de 35. Havia. e ao Judiciário. não devendo ter. . de hoje) seriam nomeados. Sábio o limite máximo! Impedia a nomeação por pouco tempo de juizes para a mais alta Corte do Pais. já que a aposentadoria compulsória as colhia como agora. três senadores e três deputados. São eles vencimentos irredutíveis. 80. Vedava-se-lhe. 64. assimfque a sua contribuição fosse por um prazo mínimo. presidido pelo Presidente da Suprema Corte e composto de nove juizes. composto de juizes nomeados pelo Presidente da República. 78). a perspectiva de um maior sentimento democrático para o júri. estabelecia restrições aos magistrados e ao Poder Judiciário. escolhidos pelo Presidente da República. nem mais de 65 anos de idade (art. O texto. salvo os magistrados. cuja denominação e a organização a lei estabelecia. quando em conexão com os do Presidente da República (art. Abria-se.

das Constituições americanas"48'. Ed. como "a mais completa. na revista. Rio 1934. do Brasil. . Avaliação Final A Constituição de 34. o procedimento mais simples. depois dela. De certa forma. embora durasse pouco. No caso de modificação da estrutura política do Estado. mas rasgada pelo golpe de 37. recriando uma ideia da Constituição do Império que restringia o que devesse ser considerado constitucional. no momento. A ideia era pertinente porque compatibilizava a extensão do texto constitucional. seria emenda. ou elimina. Para a emenda. da organização ou competência dos poderes da soberania. seria revisão. não foi revista. apesar de. ressurgiu em 46. Seu pequeno tempo de vigência não afasta. incluindo a iniciativa. na aparência. e ainda o faz. No entanto. consoante a natureza intrínseca dos dispositivos. projetou. 178 estabeleceu a distinção entre emenda e revisão. cuja origem está na correlação entre o anteprojeto da Comissão do Itamaraty e o texto aprovado pela Constituinte mas em sua experiência. estarem superadas. Pouco importa seu diminuto tempo de vigência e eficácia. Fora essas hipóteses. a um ideário formal. E não será difícil correlacionar muitas de suas disposições com as inseridas na Lei Maior. mas o texto da Carta foi magistral. o seu significado não se refere. invasor de matérias impróprias. haveria maior rigidez. de 67 até os dias de hoje. a sua importância histórica. Algumas de suas inclinações têm aparecido no debate nacional.54 • Ronaldo Poletti Revisão e Emenda da Constituição Já o anteprojeto trazia novidade valiosa para o processo de reforma constitucional. nem emendada. Pomes de Miranda. sobre____________ 48 Cf. U. segundo dispositivos que menciona. Soubemos. sua influência sobre o tempo do futuro. Guanabara. da insuficiência das Cartas constitucionais. qualificada por Pontes de Miranda. Comentários á Constituição da República dos E. O art. tão-somente. com a possibilidade de maior ou menor rigidez. Ela.

a Constituição de 34 vale pelas idéias revolucionárias que absorveu e até pelas que rejeitou. Foram sonhos irrealizados. de conciliar tendências as mais variadas no ambiente político nacional. apesar de permanecerem historicamente nos textos constitucionais. também. Fomos capazes. Assim sendo. Em face disso.A Constituição de 1934 • 55 tudo para a realização do regime democrático. pudemos realizar a convivência dos fatores políticos (a Revolução) com a inteligência constitucional brasileira (a Comissão do Itamaraty e os ilustres da Constituinte) para a elaboração da Carta. sem perda do conteúdo e da eficiência técnico-jurídica. a socialização ou a socialdemocracia. A Constituição de 34 representou um progresso na direção do realismo constitucional. Não obstante tenha se perdido em normas programáticas. em 34. resultaram em ineficácia. Sua experiência não foi a de um triênio. Elas não bastam a isto. Encerram em si apenas alguns dos elementos necessários à democracia. De qualquer forma. embora de valor ideológico. mas justamente a de. para sempre como um repositório valioso de temas constitucionais e como um marco relevante de nosso constitucionalismo republicano. continuam na dependência da realização econômica da sociedade e do desenvolvimento cultural do povo. todavia. Ficará ela. apesar de seus engenhosos dispositivos. não ter impedido a derrocada de 37. . no cotejo com o idealismo de 1891. as quais.

Introdução ao Direito (Ed. 2ª ed. 3ª ed. Professor da Faculdade de. 1994). Integrante do Ministério Público de seu Estado. de Da Constituição à Constituinte (Ed.. dessa faculdade. 1996) e Elementos de Direito Romano.O Autor RONALDO REBELLO DE BRITO POLETTI nasceu em Bauru. no Estado de São Paulo. Controle da Constitucionalidade das Leis (Ed. Diretor-Geral da Secretaria do Supremo Tribunal Federal. . entre outras obras.. Saraiva. Forense. Formou-se em Direito pela Faculdade de Direito da USP. É autor. Consultor Jurídico do Ministério da Aeronáutica e Consultor-Geral da República. dirige o Centro de Estados de Direito Romano e Sistemas Jurídicos e a revista Notícia do Direito Brasileiro. foi Consultor Jurídico do Ministério da Justiça.Direito da Universidade de Brasília. Púbico e Privado (Ed. Forense. 1986). Brasília Jurídica. 1997).

a política nacional. em parte. cobrada por uma revolução. procurava coibir. da idéia do Poder Moderador.justiça e representação. as necessidades de seu governo e administração' golpeava de morte os impostos interestaduais e intermunicipais. Competência curiosa. um Conselho Supremo. que sobre elas nenhuma autoridade exercia. a expensas próprias. o unicameralismo previsto no anteprojeto mas se deu ao Senado a função de Poder Coordenador. de um lado. suspendendo a execução dos dispositivos ilegais. e na Constituição repulicana espanhola de 1931. • O anteprojeto de 1933 adotava o unicameralismo. submetendo-lhe as policias militares. a eleição ndireta do Presidente da República. na Constituição. instituía uma Justiça Eleitoral. proclamava incumbir a cada Estado prover. consistia em fiscalizar a legalidade dos regulamentos expedidos pelo Poder Executivo. talvez. era o da Federação. • Do ponto de vista formal. a de 1932. em suma. de o u . • Um dos pontos cruciais da discussão constitucional que viria a se refletir no anteprojeto c na futura Constituição. a unidade do processo judiciário e. de 1919. os excessos do ultrãfederalismo e buscava fortalecer a União. . • Não vingou. o binômio da propaganda da Revolução de 1930 . da assistência aos pobres e do salário mínimo. organizanas pelos Estados à revelia do Poder Central. Ao Senado incumbiria promover a coordenação dos poderes federais entre simanter a continuidade administrativa. tratava da liberdade sindical e da expropriação do latifúndio.IDÉIAS CHAVES • As idéias mestras que governaram os espíritos dos homens com influência nos trabalhos constituintes de 1933 eram. mas cuja força espiritua ria marcar. velar pela Constituição e colaborar na feitura das leis. ambém jurisdicional. inspiraram-se os estadistas de então na Constituição de Weimar. de forma indelével. fundação politica mas. atribuída antes ao Conselho Supremo projetado. do Senado. O projeto aumentava consideravelmente os casos de intervenção federal. a constitucionalização do Pais. re-j rniniscência. da Magistratura. derrotada.

Por que. Como o autor rebate o argumento de que a revolução paulista de 1932 retardou a constitucionalização do País? 3. apesar de sua tão curta vigência. Quais as inovações do anteprojeto de 1933 com reflexo no Judiciário e no Legislativo? 5.QUESTÕES ORIENTATIVAS PARA AUTO-AVALIAÇÃO 1. pelo Governo Provisório à Assembleia Constituinte de 1933? 2. segundo o autor. Quais as limitações e condicionamentos impostos. segundo c autor. manteve a Constituição de 1934 sua importância? 7. Quais os principais itens do anteprojeto. Como a Constituição alemã da Weimar e a Constituição espanhola de 1931 prepararam o advento de nossa Constituição de 1934? 6. Qual a distinção feita pela Constituição de 1934 entre emenda e revisão? . elaborado pela Comissão do Itamaraty. não aproveitados na Constituição de 1934? 4.

teve a oportunidade de fazer a defesa do texto nas páginas do Diário Carioca: O livro reúne os artigos que condensam suas ideias sobre a Federação. a inconstitucionalidade das leis. a intervenção nos Estados. Editora Nacional. de João Mangabeira. parlam entar eleito para aquela Assembléia. correntes e interesses. editada naquele ano pela Cia. após uma revolução social triunfante. Constituição sem cletismo. seu prestígio e sua vontade. uma Constituição. fora o Relator-Geral do anteprojeto governamental apresentado à Assembleia Nacional Constituinte de 1933 e. expressão total e absoluta de um sistema. seria sempre uma fórmula de equilíbrio e transação entre idéias. a dualidade da Magistratura. ' Para Mangabeira. que atuam num meio social determinado. um dos maiores vultos do Direito brasileiro. somente seria possível. para ele. . uma grande personalidade impusesse ao seu partido vitorioso o predomínio indiscutível de sua inteligência. o sistema unicamerai. exceto na hipótese da vitória de uma revolução social.LEITURA RECOMENDADA Obra indispensável ao conhecimento da Constituição de 1934 é Em Torno da Constituição. quando. Mangabeira.

convenções internacionais e laudos de arbitramento. ora vigentes entre os Estados. Art. todas as questões a tal respeito. os limites de direito. a descrição e a demarcação desses limites. 3º As unidades federativas atuais são os Estados. sob o regime representativo. decretamos e promulgamos a seguinte Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil: TÍTULO I DA ORGANIZAÇÃO FEDERAL DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. salvos os direitos que tenha ou possa vir a ter sobre qualquer outro. Art. ou de fato. que continuarão a existir com os mesmos nomes. leis. proclamada a 15 de novembro de 1889. 2º O território nacional. a República Federativa. 4º São declarados legais. O Poder Executivo decretará as providências necessárias para o reconhecimento. irredutível em seus limites. tratados. desde logo. é o que atualmente lhe pertence e resulta de posse histórica. assegurar a justiça.ANTEPROJETO DA CONSTITUIÇÃO DE 1934 ELABORADO PELA COMISSÃO NOMEADA PELO CHEFE DO GOVERNO PROVISÓRIO "Nós. Art. extintas. reunidos em Assembléia Nacional Constituinte. 5º Os Estados podem incorporar-se entre si. destinado a garantir a liberdade. e constituída pela união perpétua e indissolúvel dos Estados. os representantes do povo brasileiro. 1º A Nação brasileira mantém como forma de governo. Parágrafo único. do Distrito Federal e dos Territórios. para todos os efeitos. subdividir-se ou desmembrar-se para se anexarem a outros ou formarem novos Esta- . Art. para o fim de estabelecer um regime democrático. engrandecer a Nação e preservar a paz.

f) para reorganizar as finanças do Estado. 13. Art. Executivo e Judiciário são limitados. respeitada a existência das autoridades do Estado. títulos oficiais. harmônicos e independentes. e para. por lei. podendo aos funcionários estaduais ser todavia. b) para manter a integridade nacional. e. ou suspendendo a autonomia do Estado. uniformes para os órgãos e funcionários federais. Consideram-se integradas na legislação brasileira as normas de Direito Internacional universalmente aceitas. a expensas próprias. 8º A União poderá estabelecer. fiscalizando ou avocando o serviço a que o auxílio se destinar. por insuficiência de renda. por mais de dois anos. Em tal caso poderá ela intervir na administração estadual. 11. 12. h) para dar cumprimento às leis federais. tais necessidades. 81. o hino. Art. Art. 9º As leis da União. Art. os atos e as decisões das suas autoridades serão executados. poderá. às necessidades de seu governo e administração. Os Poderes Legislativo. alfândegas. moeda e bancos de emissão. em todo o País. para este fim. Parágrafo único. receber da União suprimento financeiro. i) para assegurar a exe- . 10. entre si. pôr termo à guerra civil. de maneira efetiva. 6º A bandeira. sendo-lhes vedado ter símbolos ou hinos próprios. estaduais e municipais. telégrafos. cuja incapacidade para a vida autónoma se demonstre pela cessação de pagamentos de sua dívida fundada. independente disso. e) para tornar efetiva a aplicação mínima de 10% dos impostos estaduais e municipais no serviço de instrução primária e 10% no da saúde pública. O Estado que. Art. por solicitação dos seus legítimos representantes. c) para fazer respeitar os princípios constitucionais enumerados no art. Art. d) pata garantir o livre exercício de qualquer dos poderes públicos estaduais. mediante aquiescência das respectivas Assembléias Legislativas. confiada a execução. por funcionários federais. A União só intervirá em negócios peculiares aos Estados nos seguintes casos: a) para repelir invasão estrangeira. Art. ou de um Estado em outro. em casos especiais. Art.66 • Anteprojeto dos. g) para impedir a violação dos preceitos estatuídos no art 17. o escudo e as armas nacionais são de uso obrigatório nos Estados. Incumbe a cada Estado prover. não prover. era duas sessões ordinárias sucessivas e aprovação da Assembléia Nacional. 7º Somente a União poderá ter correios.

quando a iniciativa da intervenção lhe competir. sendo livre o comércio de cabotagem às mercadorias nacionais. Art. correio e selo. É da competência exclusiva dos Estados decretar: lº) impostos de transmissão de propriedade inter vivos e causa mortis de indústria e profissões. Mediante acordo com os Estados. 2º) taxa de selo. saída e estadia de navios e aeronaves. e às estrangeiras quites com a alfândega. salvo a restrição do art. É da competência exclusiva da União decretar: lº) impostos de consumo. § 4º É vedado ao Presidente da República. independentemente de provocação. § 1ºa Os impostos de importação e exportação apenas poderão incidir sobre mercadoria vinda de país estrangeiro ou a ele destinada. 14. § 2º Os impostos federais serão uniformes para todos os Estados. § 1º Compete privativamente à Assembléia Nacional. 15. nos outros casos deste artigo. e. § 2º Compete ao Presidente da República: a) executar a intervenção decretada pela Assembléia ou requisitada pelo Supremo Tribunal ou pelo Superior Tribunal Eleitoral. em atraso por mais de três meses de um exercício financeiro. nº 2. poderá a arrecadação de todos ou de qualquer dos seus tributos ser feita pela União. efetuá-la sem prévia aquiescência do Conselho Supremo. . bem como o global de renda.A Constituição de 1934 • 67 cução das decisões e ordens da Justiça e o pagamento dos vencimentos de qualquer juiz. 15. A mesma competência cabe ao Tribunal Superior para fazer cumprir as decisões da Justiça Eleitoral. de importação. nos casos da letra i. de exportação. b) intervir quando qualquer dos poderes públicos estaduais o solicitar. quanto aos atos emanados dos seus governos e negócios da sua economia. decretar a intervenção. bem como o cedular de renda e o territorial. nº 20. § 3º Compete privativamente ao Supremo Tribunal. salvo o caso previsto no art. Parágrafo único. requisitar a intervenção do Presidente da República. nos casos das letras c e f. 2º) taxas de telégrafo. e o de entrada. O imposto de exportação não poderá exceder de 5% ad valorem. nos termos que a lei federal determinar. 33. Art.

elaborará. 19. É vedado aos Estados tributar bens e tendas federais. b) as margens dos rios e lagos navegáveis. depois de ouvidos o Ministro da Fazenda e os presidentes dos Estados. Além das fontes de receita aqui discriminadas. para ser apresentado à Assembléia Nacional. a dupla tributação. SEÇÃO I Disposições Gerais CAPÍTULO I DO PODER LEGISLATIVO Art. coordenando-os e evitando de qualquer modo. se estas ou aquelas ainda inexploradas. d) as riquezas do subsolo e as quedas d'água. e as terras devolutas. 18. não contravindo o disposto nos artigos anteriores. seja qual for a época de sua emissão. como aos Estados. Art. no território dos Estados e no dos Municípios. Pertencem ao domínio exclusivo dos Estados: a) os bens da sua propriedade pela legislação atual. São vedados os impostos interestaduais e os intermunicípais. ou na passagem de um para outro. criar outras quaisquer. O Poder Legislativo será exercido pela Assembléia Nacional. e reciprocamente. § lº O Conselho Supremo. quando conveniente aos interesses nacionais. e) as águas dos rios e lagos navegáveis. b) as terras devolutas nos territórios.68 • Anteprojeto Art. 16. barreira tributária ou qualquer obstáculo que. ou estrangeiros. mesmo sob denominações diversas. com a sanção do Presidente da República. embarace a livre circulação dos produtos nacionais. Art. § 1º O Imposto de Renda poderá incidir sobre os juros de qualquer título de dívida pública. com as restrições deste artigo. ou serviços a cargo da União. bem como dos veículos que os transportarem. Art. um projeto de lei que harmonize os interesses econômicos e tributários federais e estaduais. quites com a alfândega. ressalvado à União o direito de legislar sobre elas. . É proibido criar imposto de trânsito. 17. c) as ilhas do oceano e as fluviais das zonas fronteiriças. Pertencem ao domínio exclusivo da União: a) os bens de sua propriedade pela legislação atual. é lícito à União. 20. exceto as margens dos rios e lagos navegáveis. de cinco em cinco anos.

d) contratos de tarifas. da União. ou dele receber comissão ou emprego remunerado. pela maioria dos deputados. decretada pela Assembléia. da União. mediante sistema proporcional e sufrágio direto. Parágrafo único. O quociente será calculado dividindo-se por 20 o número de habitantes do Estado mais populoso. A lei providenciará. ou pelo Presidente da República. do Distrito Federal. tendo em vista o aumento da população. quando oportuno. dos maiores de 18 anos. me- . A infração de qualquer das proibições acima enumeradas importará na perda do cargo. e funcionará durante seis meses. b) privilégios de qualquer natureza. § lº O número de deputados será proporcional à população de cada Estado.A Constituição de 1934 • 69 Art. 27. a 3 de maio de cada ano. pela Comissão Permanente. salvo as exceções do nº 1 deste artigo e do § 4º do art. ou concessões de terras. dos Territórios ou dosMunicípios. 23. salvo missão diplomática de caráter transitório e mediante prévia licença da Assembléia. É incompatível com o cargo de deputado: lº) ter contratos com o Poder Executivo. ou não se exonerar de cargo demissível ad nutum. ter mais de 25 anos. estar no exercício dos direitos políticos. Independente de convocação. dos Territórios ou dos Municípios: a) garantia de juros ou quaisquer subvenções. do Distrito Federal. sobre os outros Territórios. dos Estados. 2º) ser diretor de sociedade ou empresa que goze dos seguintes favores. não podendo todavia nenhum eleger mais de 20 e menos de quatro representantes. 21. igual e secreto. § 2º A Assembléia poderá decenalmente alterar o número de representantes de cada Estado. § 3º O Território do Acre elegerá dois representantes. mas obedecendo às prescrições do parágrafo anterior. eleitos por quatro anos. salvo se a lei designar outro dia. 3º) exercer qualquer função pública durante a legislatura. Art. § 4º São condições para eleição de deputado: ser brasileiro nato. alistados na forma da lei. c) isenção ou redução de impostos ou taxas. pelo Conselho Supremo. podendo ser extraordinariamente convocada pelo seu presidente. dos Estados. 22. A Assembléia Nacional compor-se-á de deputados do povo brasileiro. Art. a Assembleia Nacional reunir-se-á na Capital da União.

descontadas as faltas que excederem de cinco. ou provocado por qualquer deputado ou cidadão. do cargo que ocupava. 24. Art. passando seis anos fora do seu exercício. outro vencimento além do subsídio. Art. que tomar posse do lugar de deputado. encerrada a formação da culpa. os deputados não poderão ser presos nem processados criminalmente sem prévia licença da Assembléia. o candidato não eleito e a ele imediato em votos na mesma chapa eleitoral. salvo flagrância em crime inafiançável. Desde que tiverem recebido diploma. Neste caso. nem contará tempo. será aposentado ou reformado. Se o presidente não se pronunciar. para a qual não poderá ser reeleito. promoção. porém. § 2º A inviolabilidade estender-se-á. 27.70 • O Anteprojeto diante parecer do seu presidente. dentro do prazo. cabendo a esta resolver definitiva- . 25. com as vantagens que teria por lei. e o Presidente da Assembléia declarará incontinenti aberta a vaga e providenciará sobre o seu preenchimento. desde que se não relacionem ao exercício do cargo. sem perda de tempo. ou outro qualquer proveito. No exercício do cargo. Parágrafo único. os deputados serão invioláveis por suas opiniões. Art. Neste caso. § 1º A inviolabilidade não se estenderá às palavras que o deputado proferir. A ausência do deputado às sessões por mais de seis meses consecutivos importa em renúncia do cargo. perderá a presidência. Em caso de vaga. não perceberá dos cofres públicos. e. o parecer será dado dentro de oito dias após a reclamação. o processo será. ou no exercício do cargo. ainda mesmo em sessão da Assembléia. ou do seu órgão oficial mas a serviço da mesma. que o deverá dar ex officio. durante a legislatura. nem for o último ano da legislatura. O funcionário civil ou militar. sucederá ao deputado que lhe deu origem. Art. Se não houver suplente. palavras e votos. nem terá acesso. remetido ao Presidente da Assembléia. Os deputados perceberão uma ajuda de custo anual e um subsídio mensal fixados na legislatura anterior. Parágrafo único. 26. e a Assembléia deliberará independente de parecer. a tudo quanto o deputado disser ou publicar fora da Assembléia. mandar-se-á proceder a nova eleição. quando se investiu na função legislativa.

As deliberações. proposta pelo presidente e aprovada por três quartos dos membros presentes. porém. cujo procedimento se tornar incompatível com a ordem ou o decoro da Assembléia. 28. e fá-lo-á sempre que o requerer um quarto dos seus membros. protegerá o deputado contra qualquer prisão. de prisão mais antiga. ou de ser interrogado. 30. bem como os deputados civis que lhes incorporarem. § 3º A imunidade. que a representará no intervalo das sessões e terá as atribuições que a lei e o regimento lhe conferirem. . salvo os casos especificados nesta Cons- . Em caso nenhum a opinião doutrinária do deputado poderá determinar a imposição de qualquer dessas penas. § 3º Todas as Comissões das Assembléias serão eleitas por voto secreto e sistema proporcional. sem prejuízo de outros acusados. Art. e não funcionará quando a presença não atingir este número. O presidente desta Comissão será o da Assembléia. os deputados pertencentes às Forças Armadas. § 1º A Assembléia poderá criar comissões de inquérito. Art.A Constituição de 1934 • 71 mente sobre o merecimento das provas e a procedência da acusação. § 1º O deputado. a Comissão Permanente exercerá as funções conferidas neste artigo à Assembléia. A Assembléia poderá funcionar desde que estejam presentes 10 deputados. A Assembléia elegerá uma Comissão Permanente de 15 membros. salvo flagrância em crime inafiançável. sobre assunto de qualquer modo concernente ao exercício do seu cargo. Art. O deputado. § 4º Em tempo de guerra. ficarão sujeitos às leis e obrigações militares. As autoridades judiciais e administrativas procederão às diligências que essas comissões solicitarem e lhes fornecerão os documentos oficiais que reclamarem. preso em flagrante. ficará sujeito à suspensão ou perda do cargo. § 2º Aplicar-se-ão a esses inquéritos a regras do processo penal. ' § 2º No intervalo das sessões. estender-se-á a quaisquer infrações anteriores às eleições. independente de audiência da Assembléia. 29. civil ou militar. poderá optar pelo julgamento. e o exonerará de depor como testemunha. bem como se ao interesse nacional convém a libertação temporária do deputado para o exercício do seu cargo.

a fim de solicitar providências legislativas necessárias ao seu ministério. a fim de lhe dar. o) aprovar ou rejeitar as deliberações das Assembléias . A Assembléia. nos casos das letras c e f do art. metade e mais um dos membros da Assembléia. ou uma de suas Comissões. b) adiar e prorrogar as sessões. § 22 Qualquer Ministro poderá pedir à Assembleia. c) fixar ajuda de custo e o subsídio de seus membros. Art. d) regular o serviço de polícia interna. convidará o Ministro mencionado no requerimento a comparecer perante ela. licenciar e demitir os empregados de sua secretaria. e) nomear. a declarar guerra. a permitir a passagem de forças estrangeiras pelo território nacional. ou às suas Comissões. se não couber ou se malograr o arbitramento. n) conceder anistia.72 • Anteprojeto tituição. i) autorizar o Presidente da República a decretar a mobilização e a desmobilização. É da competência exclusiva da Assembléia Nacional: a) organizar seu Regimento Interno e eleger sua Mesa e suas Comissões. k) aprovar ou rejeitar as nomeações que dependam do seu voto. ou dar esclarecimentos sobre assuntos a ele referentes. h) resolver definitivamente sobre os tratados e convenções com as nações estrangeiras. importa em crime de responsabilidade. CAPÍTULO II DAS ATRIBUIÇÕES DA ASSEMBLÉIA NACIONAL Art . em sua ausência. sem a devida escusa. respeitados os princípios estabelecidos nesta Constituição. e a fazer a paz ad referendum da Assembléia. pelo Presidente da República. desde que o requeira um quarto de seus membros. g) tomar as contas de receita e despesa de cada exercício financeiro. 32. serão tomadas por maioria de votos presentes e. § 1º A feita de comparência do Ministro. designação de dia e hora. em dia e hora designados no convite. l) declarar em estado de sítio um ou mais pontos de território nacional e aprovar ou suspender o sítio decretado. m) dar ou negar assentimento aos empréstimos externos dos Estados ou Municípios. pelo menos. f) decretar a intervenção nos Estados. as explicações nele pedidas. bem como o do Presidente da República. j) comutar e perdoar as penas impostas por crime de responsabilidade. 13. 31. sobre assuntos ministeriais.

8º) o sistema eleitoral. 7º) o sistema monetário e regime de bancos. compete privativamente à Assembléia legislar sobre: lº) a receita e a despesa. penitenciário e organização judiciária. viação férrea. o capital e a produção. circulação de automóveis. bolsas e peso e medidas. aérea e respectivas organizaçõesde terra.A Constituição de 1934 • 73 Legislativas. aposentadorias e reformas. 5º) o comércio exterior e interior. telegráficas. 3º) a dívida pública e os meios de seu pagamento. 10º) naturalização. o vindouro não estiver sancionado. 4º) a arrecadação e a distribuição das rendas federais. anualmente. podendo estabelecer ou autorizar as restrições que o bem público exigir. processual. telefônicas. radiotelegráficas ou radiotelefônicas ou outras quaisquer. as organizações e os efetivos do tempo de paz e os contin- . concernentes a incorporação. 13º) as medidas necessárias a facilitar entre os Estados a repressão do crime. não as podendo conceder nem alterar por leis especiais. 12º) licenças. fixando periodicamente. 2º) operações de crédito a serem feitas pelo Poder Executivo. podendo estabelecer ou autorizar as limitações exigidas pelo bem público. em leis especiais. rodoviária. 33. prorrogando o orçamento vigente quando. até 31 de dezembro. portos. subdivisão ou desmembramento de Estados. 14º) as medidas necessárias ao exercício dos poderes da União e à execução completa desta Constituição. 6º) navegação de cabotagem e dos rios e lagos do País. a criação ou supressão de entrepostos. o alfandegamento de portos. criminal. 35. imigração. 9º) direito civil. Art. orçando a primeira e fixando a segunda. Observadas as prescrições do art. comunicações postais. comercial. 15º) todos os assuntos concernentes à defesa nacional e à segurança interna da Nação e de suas instituições. passaportes e expulsão de estrangeiros. podendo permitir a liberdade da primeira se assim o exigir o interesse público. 11º) o trabalho.

subsídios aos Estados. supressão e vencimentos dos cargos das secretarias da Assembléia Nacional. CAPÍTULO III DAS LEIS Art. ou das relativas ao comércio exterior e à defesa nacional. a iniciativa das leis de orçamentos. 12: elevação de Território a Estado. d) às Assembléias Legislativas dos Estados. por qualquer de seus membros ou de suas Comissões. o sancionará. a criação de institutos federais de educação. Art. inclusive a ocupação ou utilização transitória ou permanente dos mesmos. À Assembléia ou ao Presidente da República cabe. e criação. aquiescendo. mediante proposta do Conselho Supremo. c) ao Conselho Supremo. empréstimos. 18º) empregos públicos federais. cabendo aos Estados a legislação complementar. e para atender às condições peculiares de certos Estados. 16º) o regime especial a que devam ser submetidos os trechos do território brasileiro necessários à defesa nacional. de qualquer natureza. em todo o País. b) ao Presidente da República. A iniciativa das leis pertence: a) à Assembléia Nacional. . indústria e comércio de material de guerra de qualquer natureza e sua aplicação. no caso do art. privativamente.74 • Anteprojeto gentes a serem fornecidos pelas unidades da Federação. bem como do Tribunal de Contas e do Tribunal Militar. impostos. dos Tribunais Judiciários e dos Eleitorais. 20º) modificações à uniformidade dos impostos federais. 19º) pesca nas águas da União e floresta. do Conselho Supremo. quando o exigirem os interesses gerais de suas populações. 17º) o plano e as normas essenciais ao regime sanitário e ao da educação. que. Parágrafo único. 35. bem como os meios de inspecionamento de tais serviços. 21º) organização municipal do Distrito Federal e serviços nele reservados à União. requisições militares. 34. O projeto de lei aprovado pela Assembléia Nacional será enviado ao Presidente da República. e) às associações culturais e às profissionais devidamente reconhecidas.

. considerando-se aprovado se obtiver o voto da maioria absoluta dos deputados." § 5º No caso do § 2º. a promulgará. e.. o julgar. O silêncio presidencial. ou seu vice-presidente em exercício. § 3º Prevalecerá definitivamente o veto não-rejeitado pela Assembléia no semestre seguinte da sessão ordinária. inconstitucional ou contrário aos interesses nacionais. § 2º Devolvido o projeto à Assembléia. o da Assembléia. Art 37. devolvendo-o. § 6º Os projetos vetados não poderão ser renovados na mesma sessão legislativa.. Neste caso. O Presidente será eleito por um quadriênio e não poderá ser reeleito senão seis anos depois de terminado o seu período presidencial. § 4º A sanção e a promulgação efetuam-se por estas fórmulas: 1º) "A Assembléia Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei. à Assembléia. no caso de ser esta negada na ausência da Assembléia. total ou parcialmente dentro de 20 dias úteis. porém.. 36. importa na sanção. para a formalidade da promulgação. a contar daquele em que o recebeu. vetá-lo-á. nesse prazo. mediante a fórmula seguinte: "F" . se. durante o vintídio. faço saber aos que a presente virem que esta Assembléia decreta e promulga a seguinte lei".A Constituição de 1934 • 75 § lº Se. com os motivos do veto. o Presidente da República não promulgar a lei. o Presidente dará publicidade às razões do veto. dentro de 48 horas. será remetido como lei ao Presidente da República.. presidente (ou vice-presidente) da Assembléia Nacional. O Poder Executivo será exercido pelo Presidente da República." 2º) "A Assembléia Nacional decreta e eu promulgo a seguinte lei. no todo ou em parte. aí se sujeitará a uma discussão e a votação nominal. SEÇÃOII Do Poder Executivo CAPÍTULO I DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA Art.

§ 2º São condições para eleição de Presidente da República: ser brasileiro nato. até o fim do quadriénio. a Presidência será exercida. não poderá sair do território nacional sem permissão da Assembléia. de acordo com o parágrafo seguinte. ou desse estado seja filho. ou qualquer outra. presente a maioria absoluta de seus membros. se ela não estiver reunida. proceder-se-á a nova eleição. § 6º Em caso de vaga. § 5º Decorridos 60 dias. se aquela não estiver funcionando. 30 dias antes de terminado o quadriênio. ou da Comissão Permanente. sustentar-lhe a união. por qualquer motivo. ante o Supremo Tribunal. Art. promover o bem geral da República. § 4º Em caso de empate. Art. observar as suas leis. ter mais de 35 anos. Art 40. § 3º Não poderá ser eleito Presidente da República o cidadão que exercer a sua atividade política. Ao empossar-se no cargo. 38. . Neste caso. o Presidente pronunciará. § 7º No impedimento ou na falta do Presidente. assumir o cargo. será considerado eleito o mais velho. O Presidente. salvo se ela ocorrer no último ano da legislatura. ainda quando se exonerarem dos cargos que ocupavam. O Presidente perceberá o subsídio fixado pela Assembléia. § 8º Os substitutos eventuais do Presidente não poderão ser eleitos para o preenchimento da vaga. a integridade e a independência". o sucessor será eleito para completar o quadriênio. estar no exercício dos direitos políticos. ou ali resida ou tenha domicílio legal. para a qual será inelegível. no mesmo Estado em que exercia o Presidente que estiver no poder. sob pena de perder o cargo.76 • Anteprojeto § 1º A eleição presidencial far-se-á por escrutínio secreto e maioria de votos da Assembléia Nacional. serão chamados sucessivamente a exercer a Presidência o Presidente da Assembléia Nacional e do Supremo Tribunal. ou 30 dias depois de aberta a vaga. esta afirmação: "Prometo manter e cumprir com perfeita lealdade a Constituição Federal. se o Presidente não puder. 39. em sessão da Assembléia Nacional e. no período presidencial antecedente.

as providências e reformas que lhe parecerem necessárias.A Constituição de 1934 •77 CAPÍTULO II DAS ATRIBUIÇÕES DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA Art. 13. 3º) nomear. 2º) expedir decretos. bem como as dos chefes efetivos das Missões Diplomáticas. salvos os de responsabilidade. todavia. 13º) decretar o estado de sítio. na conformidade desta Constituição. dependente de aprovação do Conselho Supremo. 7º) celebrar convenções e tratados internacionais. 9º) declarar guerra. . mediante autorização da Assembléia Nacional. as nomeações dos Ministros do Supremo Tribunal e dos Tribunais de Reclamações e de Contas. nos termos do § 2º do art. 4º) perdoar e comutar as penas impostas por quaisquer crimes. decretar imediatamente o estado de guerra. 11º) permitir. depois de autorizado pela Assembleia Nacional. da aprovação da Assembléia Nacional. instruções e regulamentos para a fiel execução das leis. dependendo. ouvido previamente o Conselho Supremo. 8º) decretar. 12º) intervir nos Estados e neles executar a intervenção. 131. 14º) prover os cargos federais. se esta não estiver funcionando. a mobilização e a desmobilização. 6º) manter as relações com os Estados estrangeiros. em caso de invasão estrangeira. indicando-lhe. e aprovar os que os Estados celebrarem. ou. na ausência da Assembléia. e demiti-los livremente. 5º) dar conta anualmente da situação do País à Assembléia Nacional. 10º) fazer a paz. 41. depois de autorizado pela Assembléia Nacional. de acordo com o § 1º do art. Compete privativamente ao Presidente da República: 1º) Sancionar. no dia da sua abertura. salvo as restrições expressas nesta Constituição. ad referendum da Assembléia Nacional. os Ministros de Estado e o Prefeito do Distrito Federal. sempre ad referendum da Assembléia Nacional. promulgar e fazer publicar as leis da Assembleia Nacional. a passagem de forças estrangeiras pelo território brasileiro.

quanto aos atos que tiverem a sua assinatura e aos praticados por ordem sua. f) a probidade da administração. ter mais de 25 anos. b) a Constituição ou a forma de Governo Federal. Art. três serão eleitos pelo Supremo Tribunal. Deles. São condições para nomeação de Ministro: ser brasileiro nato. até o máximo de cinco anos. sempre. Parágrafo único. Depois que a Assembléia Nacional declarar procedente a acusação. estar no exercício dos direitos políticos. pelo Supremo Tribunal. 43. o Presidente da República ficará suspenso das funções e será processado e julgado. São crimes de responsabilidade os atos do Presidente da República que atentarem contra. O Presidente da República será auxiliado pelos Ministros de Estado. todavia. aos Ministros de Estado. e nos de responsabilidade pelo Tribunal Especial. 42. d)o gozo ou o exercício legal dos direitos políticos. h) as leis orçamentárias do País. CAPÍTULO IV DOS MINISTROS DE ESTADO Art. 45. referendar os atos do Presidente da República. dentre os seus membros. g) a guarda ou emprego dos dinheiros públicos. dada por escrito. Art. A lei fixará as atribuições dos Ministros. presidindo cada qual um dos ministérios em que se dividir a administração federal. nomear os funcionários subalternos e os contratados dos respectivos ministérios. Parágrafo único. um mês antes de se iniciar o quadriênio presidencial. 44. nos crimes comuns. e) a segurança interna do País. nas mesmas condições. composto dê nove juizes. e. a) a existência da União. sociais ou individuais. O Tribunal Especial só poderá aplicar penas de perda do cargo e inabilitação. para exercer qualquer função pública sem prejuízo da ação criminal e civil contra o condenado. presididos pelo Presidente do Supremo Tribunal.78 • Anteprojeto CAPÍTULO III DA RESPONSABILIDADE DO PRESIDENTE Art. Caber-lhes-á. i) contra a liberdade de imprensa devidamente regulada em lei. c) o livre exercício dos poderes políticos. três pelo Conselho Supremo e três pela Assembléia Nacional. .

e o da Fazenda. d) os juizes de Direito. Art 46. votada pela Assembléia Nacional. São órgãos do Poder Judiciário: a) o Supremo Tribunal. 47. nas respectivas sedes. capitais dos Estados e nas dos Territórios e no Distrito Federal. 49. enviada em lista tríplice. Parágrafo único. e) os juizes de Termo. b) acesso. nas sedes de comarcas e no Distrito Federal. na proporção de dois terços por antiguidade e um terço por merecimento. A lei definirá os crimes de responsabilidade quanto aos outros atos de competência dos Ministros e lhes regulará o processo e julgamento pelo Tribunal Especial. procedendo. e o seu órgão supremo terá por missão principal manter. O Poder Judiciário será exercido por tribunais e juizes distribuídos pelo País. exclusivamente a pedido.A Constituição de 1934 • 79 apresentar ao Presidente da República relatórios anuais. aos Estados fazei sua divisão judiciária e nomear os juizes que neles tiverem exclusivamente jurisdição. Ao Ministro da Fazenda competirá organizar a proposta do orçamento. lista tríplice enviada pelo Tribunal da Relação ao presidente do Estado. além disto. 48. ou por determinação do Tribunal da Relação. . pela arrecadação da receita. observadas as seguintes prescrições: a) concurso para a investidura nos primeiros graus. a unidade do direito. c) remoção. na Capital da União. salvo se os candidatos aprovados forem menos de três. í) os juizes e tribunais que a lei ordinária criar. pela jurisprudência. São crimes de responsabilidade os atos ministeriais atentatórios das disposições orçamentárias. respondendo cada Ministro pelas despesas de sua pasta. neste caso. contas da execução orçamentária. neste caso. porém. assim exigir o serviço público. b) o Tribunal de Reclamações. e interpretar conclusivamente a Constituição em todo o território brasileiro. § 1º Caberá. na Capital da União. A Justiça reger-se-á por uma lei orgânica. c) os Tribunais da Relação. sendo a nomeação feita pelo presidente do Estado. SEÇÃO III Do Poder Judiciário Art. distribuídos por todos os membros da Assembléia. Art. ou por acesso. anualmente. quando. mediante proposta do Tribunal da Relação. Art. nas. e a ela prestar.

ou aos 70 anos para os Ministros do Supremo Tribunal e do Tribunal de Reclamações. por lei federal.80 • Anteprojeto se o juiz o aceitar. verificado mediante proposta do Tribunal da Relação. e) composição do Tribunal da Relação. d) inalterabilidade da divisão judiciária antes de cinco anos contados da última lei. É da competência exclusiva dos tribunais organizar seus regimentos internos e suas secretarias. respeitados. do vencimento mínimo que. salvo o caso da letra c do artigo anterior. indicará o imediato cm antiguidade c aquele será aposentado. í) fixação. salvo motivo imperioso. § lº Competirá aos presidentes dos tribunais nomear. . A violação deste preceito importa para o magistrado na perda do cargo judicial. quanto à nomeação. licença e exoneração. § 3º A organização judiciária só poderá ser modificada por lei especial da Assembléia. Os juizes togados de todos os graus gozarão das seguintes garantias: a) vitaliciedade. ou compulsória no caso do § 2º do artigo anterior. aos 65 para os demais juizes. os princípios estabelecidos nesta Constituição. na proporção de dois terços dos desembargadores escolhidos entre os juizes de Direito. enviada em cada caso pelo tribunal ao presidente do estado. e o terço restante composto de juristas de notório saber e reputação ilibada. todavia. resolver que o juiz mais antigo não deva ser promovido. mediante lista tríplice. 51. c) irredutibilidade de vencimentos sujeitos. aos impostos gerais. Art. aprovada por dois terços dos deputados presentes. aposentadoria voluntária. por três quartos pelo menos de seus membros. exoneração a pedido. Art. perceberão os desembargadores e juizes. licenciar e demitir os funcionários de suas secretarias. podendo ser nela também incluído um juiz. A função judiciária é absolutamente incompatível com outra qualquer de caráter público. b) inamovibilidade. 52. aos 68 para os desembargadores e membros dos outros tribunais. aprovada por dois terços da Assembléia Legislativa. Art. sendo um terço por antiguidade e outro por merecimento. 50. enviada em cada caso pelo tribunal ao presidente do Estado. não perdendo o cargo senão em virtude de sentença. § 2º Quando o Tribunal da Relação. mediante lista tríplice. em cada estado e de acordo com as suas condições peculiares. propondo à Assembléia Nacional ou às Legislativas a criação ou supressão de emprego.

Só depois de aprovada pela Assembléia Nacional. em seus impedimentos. privativamente. inclusive o Eleitoral. d) as questões entre a União e os Estados ou destes entre si. 54. por proposta do Supremo Tribunal. os Ministros de Estado. § 2º Os Ministros do Supremo Tribunal serão substituídos. e) os conflitos entre os tribunais. aprovada em lei ordinária. b) as questões de direito marítimo ê navegação. ou em tratados ou convenções internacionais. nomeados pelo Presidente da República. e poderão ser divididos em câmaras. § 3º Nos crimes de responsabilidade. b) os membros de todos os outros tribunais superiores do País. maiores de 35 anos e no exercido dos direitos políticos. Art. A lei de organização judiciária proverá às outras substituições. 2º) julgar em grau de recurso: a) as questões em que alguma das partes fundar a ação ou a defesa em dispositivo da Constituição Federal. g) as ações rescisórias de seus acórdãos. os Ministros de Estado ou qualquer tribunal. de notável saber jurídico e reputação ilibada. ou princípio de direito internacional. f) os habeas corpus ou mandados de segurança quando os coatores forem o Presidente da República. depois que a Assembléia declarar procedente a acusação. h) a extradição de criminosos e a homologação de sentenças estrangeiras. bem como os embaixadores e ministros 'diplomáticos. nos crimes comuns. porém. vedada. Compete. Art. os do Supremo Tribunal e o Procurador-Geral. todavia não será mais reduzido. a nomeação ficará definitiva. em sessão e votos secretos. os Ministros do Supremo Tribunal. dentre os brasileiros natos. ou entre juizes com jurisdição em Estados diversos. O Supremo Tribunal compor-se-á de 11 Ministros. ao Supremo Tribunal: lº) processar e julgar originariamente: a) o Presidente da República. c) as questões entre outras nações e a União ou os Estados. § 1º O número de Ministros poderá ser aumentado até 15. a reeleição. os Conselheiros. serão processados e julgados pelo Tribunal Especial e pelo mesmo processo estabelecido para o Presidente da República. c) as questões . 53. pelos do Tribunal de Reclamações. do mesmo modo. o de Contas e o Militar. nos crimes comuns e nos de responsabilidade.A Constituição de 1934 • 81 § 2º Os tribunais elegerão seus presidentes e vice-presidentes pelo prazo de dois anos. e estes. pelos desembargadores do Distrito Federal. na ordem de antiguidade.

82 • Anteprojeto relativas a minas. firmando a unidade do direito. Art. 55. quando a decisão judicial de última instância lhes for contrária. competindo ao Ministério Público fazê-lo sempre que for o caso. pelas partes ou pelo Ministério Público. força hidráulica. b) decidir. quando divergirem na interpretação da mesma lei federal dois ou mais tribunais. . em cuja administração intervir. d) as questões movidas por estrangeiros fundadas em contrato com a União. f) as questões que versarem sobre a aplicabilidade de tratados ou leis federais. b) os crimes contra a administração federal ou a Fazenda da União. poderá ser requerida pelo sentenciado ou por qualquer pessoa. Competirá ao Tribunal de Reclamações julgar em grau de recurso: a) as questões em que for parte a União. ou qualquer deles e o Supremo Tribunal. ou de espólio de estrangeiros. se a espécie não estiver prevista de modo diverso em convenção ou tratado. Parágrafo único. Compete. terras devolutas ou polícia de estrangeiros. 56. 54. O Tribunal de Reclamações compor-se-á de nove Ministros. A competência dos outros tribunais e dos juizes será fixada na lei de organização judiciária. sociedade ou instituição. salvo as do n2 2 do art. que se estende aos processos da Justiça Militar. nos termos que a lei determinar. h) as questões sobre validade de leis ou atos dos governos locais em face da Constituição e das leis federais. ou entre nação estrangeira e brasileira. quando a decisão judicial de última instância lhes negar aplicação. g) as questões sobre vigência ou validade de leis federais em face da Constituição. Parágrafo único. ou qualquer entidade de direito público. A revisão. Este recurso poderá ser interposto por qualquer tribunal. nomeados com os mesmos requisitos e pelo mesmo processo dos membros do Supremo Tribunal. O recurso. ainda privativamente. nos casos e pela forma que a lei determina. poderá também ser diretamente interposto de decisões administrativas. ao Supremo Tribunal: a) rever a favor dos condenados os processos findos em matéria criminal. que poderá estabelecer alçadas. e) as questões entre um Estado e habitantes de outro. nos casos de letra a. ou empresa. c) julgar os recursos interpostos das decisões de última instância referentes a habeas corpus ou mandados de segurança. Art. quando a decisão judicial de última instância julgar válidos as leis ou atos impugnados.

A Constituição de 1934 • 83 § 1º Caberá. 60. § 3º Julgados inconstitucionais qualquer lei ou ato do Poder Executivo. 57. declarar definitivamente a inconstitucionalidade de uma lei federal ou de um ato do Presidente da República. A lei não poderá ser interpretada ou aplicada contra o interesse coletivo. § 2º Os Estados poderão manter ou criar a Justiça de Paz eletiva. 59. Se assim ocorrer. eleição presidencial. Nenhum recurso judiciário é permitido contra a intervenção nos Estados. Sempre que qualquer tribunal ou juiz não aplicar uma lei federal. recorrerá ex officio. senão quando nesse sentido votarem pelo menos dois terços de seus Ministros. § 1º O Supremo Tribunal não poderá declarar a inconstitucionalidade de uma lei federal. Art. o remédio judiciário instituído para garantia de todo direito certo e incontestável. resolvendo como se legislador fosse. Art. excluídos os aspectos de oportunidade ou conveniência das medidas. e com efeito suspensivo. 58. . Art. § 2° Só o Supremo Tribunal poderá. verificação de poderes. Os juizes e tribunais apreciarão os atos dos outros poderes somente quanto à legalidade. privativamente aos Tribunais da Relação o processo e julgamento dos juizes inferior. que se acharem nas mesmas condições do litigante vitorioso. ou anular um ato do Presidente da Republica. por inconstitucionais. Nenhum juiz poderá deixar de garantir ò direito de alguém sob fundamento de não haver remédio processual para o caso. aplicará as regras de analogia ou equidade. reconhecimento. nos crimes comuns e nos de responsabilidade. declaração de estado de sítio. cabendo à lei de organização judiciária fixar-lhe a competência. posse. caberá a todas as pessoas. reservados por esta Constituição ao arbítrio de outro poder. e perda de cargos públicos eletivos. para Supremo Tribunal. tomada de contas pela Assembléia e outros atos essencial e exclusivamente políticos. Não se poderá argüir de inconstitucional uma lei federal aplicada sem reclamação por mais de cinco anos. Parágrafo único. todavia. Art.

ou evocar o conhecimento de qualquer caso. § 4º Os membros do Ministério Público Federal só perderão os cargos por sentença ou decreto fundamentado do Presidente. na União. Art. precedendo proposta do Procurador-Geral e processo administrativo em que serão ouvidos. o parente natural. Até o segundo grau. É assegurada aos pobres a gratuidade da Justiça. só perderá o cargo por sentença. Parágrafo único. O Ministério Público será organizado. idêntico a outros de que seja proprietário. poderá funcionar em processo no qual seja diretamente interessado. porém. ou mediante decreto fundamentado do Presidente da República. Sob responsabilidade criminal e nulidade absoluta do ato. O júri terá a organização e as atribuições que a lei ordinária lhe der. quando conveniente. Será. porém. Art. terão. 64. asseguradas pelo Estado. de sua competência o julgamento dos crimes de imprensa e dos políticos. por uma lei da Assembleia Nacional e. garantias análogas às que constam dos parágrafos anteriores. ou que diga respeito à sociedade de que seja acionista. nenhum juiz. 63. § 1º O Ministério Público é o órgão da lei e da defesa social. o Ministério da Justiça dar-lhe instruções e defender pessoalmente a União perante o Supremo Tribunal. § 5º Os membros do Ministério Público estadual. § 3º O Procurador-Geral será nomeado pela mesma forma e com os mesmos requisitos dos Ministros do Supremo Tribunal e terá os mesmos vencimentos. Igualmente não poderá funcionar quando credor ou devedor de algumas das partes. exceto os eleitorais. nos Estados. pelas respectivas Assembleias Legislativas. § 2º O chefe do Ministério Público Federal é o Procurador-Geral da República. aprovado por dois terços da Assembléia Nacional. ou se refira a imposto que recaia sobre título ou bem de qualquer natureza. 62. Art. por motivo algum. desde que sejam formados em Direito.84 • Anteprojeto Art. . da República. civil ou afim do juiz não poderá advogar perante ele ou tribunal de que faça parte. O impedimento estende-se aos advogados sócios do impedido. e nos crimes de responsabilidade será processado e julgado pelo Tribunal Especial. 61. podendo.

A decisão do Tribunal Superior é definitiva. porém. b) outro terço sorteado dentre os desembargadores do Distrito Federal.A Constituição de 1934 • 85 SEÇÃO IV Da justiça Eleitoral Art. domiciliados no Distrito Federal. um Tribunal Regional. Caberá. d) conceder habeas corpus em matéria eleitoral. c) processar e julgar os delitos eleitorais. além do seu presidente. e) tomar e propor as providências necessárias para que as eleições se realizem no tempo e na forma determinados em lei. dentre os cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada. sendo o Superior presidido pelo vice-presidente do Supremo Tribunal e os Regionais. Os magistrados vitalícios terão as funções de juizes eleitorais. favores ou privilégios. na Capital da União. e que nào forem funcionários públicos demissíveis ad nutum. § lº Aos magistrados eleitorais serão asseguradas as garantias da Magistratura togada. compor-se-á de juizes efetivos e substitutos. pelos vice-presidentes dos Tribunais da Relação. 65. c) o terço restante nomeado pelo Presidente da República. ou mandado de segurança. salvo quando se tratar de inconstirucionalidade. § 1º O Tribunal Superior. nas dos Territórios que a lei designar e no Distrito Federal. nem administradores de sociedade ou empresa que tenha contrato com os poderes públicos ou isenção. à Justiça Eleitoral: a) fazer o alistamento. A lei fixará o número dos juizes desses tribunais. escolhidos do modo seguinte: a) um terço sorteado dentre os Ministros do Supremo Tribunal. b) resolver sobre inelegibilidade e proceder à apuração dos sufrágios e à proclamação dos eleitos. tendo por órgãos: o Tribunal Superior. inelegibilidade. 66. apuração ou proclamação de eleitos. . § 2° Haverá recurso para o Tribunal Superior de qualquer decisão final em matéria de alistamento. segundo a lei determinar. Art. § 2º Os Tribunais Regionais compor-se-ão por processo idêntico. Fica instituída a Justiça Eleitoral. habeas corpus. outro dentre os juizes de Direito da mesma c o restante nomeado pelo Presidente da República. juizes eleitorais nas comarcas e nos termos judidiários. casos em que haverá recurso para o Supremo Tribunal. sendo um terço dentre os desembargadores da respectiva sede. na capital de cada Estado.

designando a lei as entidades a quem incumbe tal representação e o modo da escolha. pela mesma forma. os . organizada por uma comissão composta de sete deputados. com funções políticas e administrativas. com o seu saber e experiência.86 • Anteprojeto SEÇÃO V Do Conselho Supremo Art. § 5º Os Conselheiros gozarão das imunidades asseguradas aos deputados à Assembleia Nacional. ou. auxiliará. estar no exercício dos direitos políticos. por eleição de segundo grau. sendo um por Estado e um pelo Distrito Federal. de outro modo. por eleição em segundo grau. b) três. O Conselho Supremo será órgão técnico consultivo e deliberativo. podendo ser reeleitos ou renomeados. § 6º Os crimes de responsabilidade dos Conselheiros serão definidos em lei. oficiais ou reconhecidas pela União. manterá a continuidade administrativa nacional. que lhes regulará o processo e o julgamento pelo Tribunal Especial. o Conselho Supremo. composto de 35 Conselheiros efetivos. por voto secreto. ou se salientado no Poder Legislativo nacional. § 4º Os Conselheiros servirão por sete anos. mediante eleição pela Assembléia Legislativa local. d) seis nomeados pelo Presidente da República em lista de 20 nomes. depois de haverem exercido por mais de três anos a Presidência da República. Art. c) cinco representantes dos interesses sociais de ordem administrativa. ter reconhecida idoneidade moral e reputação de notável saber ou exercido cargos superiores da administração ou da Magistratura. § 2° Os Conselheiros terão residência obrigatória na Capital da União e um subsídio igual ao dos deputados. na Capital da União. e mais tantos extraordinários quantos forem os cidadãos sobreviventes. pelos delegados das universidades da República. o sucessor será eleito ou nomeado para um novo setênio. Fica instituído. eleitos pela Assembléia Nacional. § 1º São condições para escolha ou nomeação de Conselheiro: ser brasileiro nato e maior de 35 anos. moral e econômica. Em caso de vaga. por sua capacidade técnica ou científica. 67. 68. e sete Ministros do Supremo Tribunal eleitos por este. § 3º Os Conselheiros efetivos serão escolhidos: a) vinte e um.

nessas reuniões. um proje- . d) pelas Mesas das Assembleias dos Estados ou dos Conselhos municipais. § 2º Em graves emergências da vida nacional. b) pela Mesa da Assembléia Nacional ou pela Comissão Permanente. § 4º As consultas poderão ser enviadas ao Conselho: a) pelo Presidente da República. c) pelos presidentes dos Estados. 4º) aprovar ou não a nomeação dos Ministros de Estado. pelo modo que o regimento interno prescrever. mediante consulta. sob convocação do Presidente da República. propondo à Assembleia Nacional a criação ou a supressão de empregos. 69. licença e exoneração os princípios estabelecidos nesta Constituição. deliberará e resolverá sobre os assuntos de sua competência. respeitados quanto à nomeação. c dividir-se-á em seções. Art. o do Supremo Tribunal e o Procurador-Geral da República. tomando assento na reunião. mas as resoluções só poderão ser tomadas em sessão do Conselho e por maioria de votos. § 3º Poderá também o Presidente da República convocar o Conselho. 5º) eleger três membros do Tribunal Especial. quando oportuno. os membros do Conselho Superior da Defesa Nacional o Presidente da Assembléia Nacional. as instruções e os regulamentos que o Presidente ou seus Ministros houverem de expedir para a execução das leis.A Constituição de 1934 • 87 órgãos do Governo e os poderes públicos. e depois de ouvidos o Ministro da Fazenda e os presidentes dos Estados. 2º) autorizar ou não a intervenção nos Estados. presente a maioria absoluta dos Conselheiros. 6º) elaborar. e votando. sempre que lhe parecer conveniente ouvi-lo diretamente acerca de assuntos relevantes de natureza política ou administrativa. também àquele a presidência. poderá o Conselheiro reunir-se em sessão plena. por meio de pareceres. Compete privativamente ao Conselho Supremo: 1º) organizar o seu regimento interno e a sua secretaria. quando ela competir exclusivamente ao Presidente da República. § 1º O Conselho Supremo funcionará permanentemente. fixada nesta Constituição. e do prefeito do Distrito Federal. 3º) opinar previamente sobre os decretos. e sob sua presidência. cabendo. § 5º As consultas serão respondidas pelas respectivas seções. de cinco em cinco anos.

não podendo aquela ser alterada senão em virtude de lei anterior. dentro do primeiro mês da sessão anual. 9º) decidir sobre os recursos interpostos nos casos de censura imerecida. reunindo para esse fim os elementos úteis à acusação. por mais de 30 dias. uma fixa e outra variável. 2º) convocar extraordinariamente a Assembléia Nacional. 33. bem como os saldos de depósitos e fundos especiais. ordenada na vigência do estado de sítio. proibido o estorno de verba. destinado a conciliar os respectivos interesses econômicos e tributários. A parte variável obedecerá a rigorosa especialização. deliberações e resoluções adotados no período anual anterior. se incluirá no orçamento qualquer tributo novo ou agravação do existente. 7º) propor à Assembléia Nacional modificar a uniformidade dos impostos federais. no caso do nº 20 do art. Parágrafo único. § 2º O orçamento da despesa dividir-se-á em duas partes. No orçamento é obrigatório incluir na receita. . o produto de operações de crédito de qualquer natureza. a proposta do orçamento. a aplicação a se dar aos dinheiros públicos de qualquer procedência. e na despesa. 10º) fazer e publicar anualmente o relatório dos seus trabalhos. impedindo a dupla tributação. Compete ainda ao Conselho Supremo: lº) propor à Assembléia os projetos de lei que julgar oportunos. além dos impostos e taxas. que será acompanhado dos pareceres. § 3º O Presidente da República enviará à Assembléia. SEÇÃO VI Do Orçamento e da Administração Financeira Art. a detenção política. § 4º A lei do orçamento não conterá dispositivo estranho à receita prevista e à despesa fixada para os serviços anteriormente criados. 8º) resolver sobre a conveniência de manter-se ou não. 70. § lº Só depois de votado em lei especial. no sentido de lhes ser instaurado o processo de responsabilidade. 3º) representar a Assembléia Nacional contra o Presidente da República e os Ministros de Estado.88 • Anteprojeto to de lei.

comunicado o fato à Assembléia Nacional. Art. § 4º Quando o Tribunal de Contas for contrário ao ato do Executivo e o Presidente da República insistir em praticá-lo. § 2º Salvo disposição expressa em contrário. para despesas urgentes e imprevistas. A recusa do registro suspende a execução dó contrato. O Tribunal de Contas terá.A Constituição de 1934 • 89 Não se inclui nesta proibição: a) a autorização para a abertura de créditos suplementares e para operações de crédito como antecipação da receita. da receita arrecadada sobre a orçada. o registro far-se-á sob protesto. sem o prévio registro do Tribunal de Contas. até o pronunciamento da Assembléia. se abrirá sem expressa autorização legislativa. digam respeito à receita ou à despesa. As contas do Presidente da República. porém. Art. Art. b) o modo de empregai o saldo do exercício. as mesmas atribuições dos Tribunais Judiciários. comporta esse crédito. É vedado à Assembléia conceder créditos ilimitados. ou suplementar. compreenderão exclusivamente os atos por ele assinados e os resultantes de suas ordens escritas aos Ministros. sem que a Assembléia tenha autorizado a abertura do crédito ou consignado a respectiva verba no orçamento. nenhum crédito decorrente de autorização orçamentária se abrirá senão no segundo semestre do exercício. e mediante demonstração de que o aumento no primeiro semestre. por qualquer forma. ou à sua conta por estabelecimento bancário. em caso de calamidade pública. 71. Parágrafo único. não serão definitivos. § 3º Será sujeito ao registro prévio do Tribunal de Contas qualquer ato da administração pública que importe pagamento a ser feito pelo Tesouro Nacional. . § 5º Os contratos que. poderão ser abertos em qualquer mês do exercício. 72. 73. § 6º Não se criará nenhum encargo novo para o Tesouro. de acordo com a legislação ordinária. quanto à organização de seu regimento interno e de sua secretaria. ou de cobrir o déficit. § 1º Nenhum crédito especial. Os Ministros do Tribunal de Contas serão nomeados pelo Presidente da República com aprovação da Assembléia Nacional. rebelião ou guerra. Os créditos extraordinários. em matéria orçamentaria. e terão as mesmas garantias dos Ministros do Supremo Tribunal.

dia a dia. sendo as operações militares da compe- . diretamente ou por intermédio de suas delegações. § 2º O Tribunal de Contas acompanhará. § 3º Caberá igualmente ao tribunal. o funcionamento e a competência do Conselho Superior serão regulados em lei. que a enviará. § 2º O Conselho será presidido pelo Presidente da República e dele farão parte os Ministros de Estado. § 3º A organização. fará este a devida comunicação à Assembléia. depois de organizados os respectivos processos. direta ou indiretamente.90 • Anteprojeto § lº A prestação anual de contas do Presidente e dos Ministros de Estado será apresentada ao tribunal. a execução orçamentária. Art. As dívidas provenientes de sentença judiciária serão pagas na ordem rigorosa da antiguidade dos precatórios. dentro dos créditos orçamentários abertos para esse fim. por si ou aliado a outras potências.Incumbirá ao Presidente da República e à Assembléia Nacional a direção política da guerra. Se até um mês depois da abertura da sessão legislativa anual a prestação de contas do exercício anterior não houver sido remetida ao tribunal. O Presidente da República é o chefe supremo de todas as forças militares da União e as administrará por intermédio dos órgãos do alto comando. § 1. para que tome as providências necessárias. 76. SEÇÃO VII Da Defesa Nacional Art. Art. 75. 74. o chefe do Estado-Maior do Exército e o chefe do Estado-Maior da Armada. § 1º Todas as questões relativas à defesa nacional serão estudadas e coordenadas pelo Conselho Superior da Defesa Nacional e pelos órgãos especiais criados para atender às necessidades da mobilização nacional. com o seu parecer. de modo que nenhuma despesa se realize sem o prévio registro do ato de empenho e da ordem de pagamento. à Assembléia Nacional. O Brasil não se empenhará em guerra de conquista. o julgamento das tomadas de contas dos responsáveis por dinheiros e bens públicos.

em caso de guerra ou de mobilização. em serviço ativo das Forças Armadas. § 4º O militar em serviço ativo das Forças Armadas. e a discriminação do seu material bélico. será. e não-privativo da qualidade militar. em caso de mobilização. Compete privativamente à União estabelecer em lei especial as condições gerais da organização das forças não-federais. As Forças Armadas sào instituições nacionais permanentes. que aceitar cargo público temporário. ouvido o Conselho Superior da Defesa Nacional. sem provar que se não recusou às obrigações estaduais em lei para com a defesa nacional. inclusive tempo de serviço. § 2º A declaração do Estado de guerra implicará suspensão das garantias constitucionais que possam prejudicar direta ou indiretamente a segurança nacional. Art. e sua utilização. dentro dos limites da lei. exceto para refor- . ao serviço militar e a outros encargos necessários à defesa da Pátria e das instituições. 77. com as vantagens deste. destinadas a garantir a segurança externa da Nação e a defesa interna das instituições constitucionais e das leis. § 1º As Forças Armadas são essencialmente obedientes. quer nas Forças Armadas. quer nas organizações do interior. será considerado agregado ao respectivo quadro. 78.A Constituição de 1934 • 91 tência e responsabilidade do comandante-em-chefe do Exército em campanha e das forças navais. nem fazer parte de agremiações políticas. de nomeação ou eleição. § 2º O militar em serviço ativo das Forças Armadas não poderá exercer qualquer profissão a elas estranha. que aceitar cargo público permanente a elas estranho. Todo brasileiro é obrigado. § 1º Nenhum brasileiro poderá exercer direitos políticos ou função pública. pode-se lhe dar o destino que melhor convenha às suas aptidões. e. a natureza da instrução a lhes ser dada. bem como os limites de seu efetivo. na forna da lei. Art. § 2º Nenhuma Força Armada será organizada no território brasileiro sem consentimento do Presidente da República. mesmo simulados. § 3º O militar. sem contar quaisquer vantagens. transferido para a reserva. aos seus superiores hierárquicos. Considera-se Força Armada qualquer agrupamento de indivíduos subordinados a uma organização e hierarquia c dispondo de meios de combate.

79. Os que lhes são subordinados ficarão isentos de responsabilidade. são responsáveis pelas ações. às circunstâncias do delito e aos serviços do oficia]. nos casos especificados em lei. § 1º Os oficiais das Forças Armadas só perderão suas patentes e seus postos por condenações superiores a dois anos. A lei determinará a organização e a competência desse tribuaal. Os militares e assemelhados terão foro especial nos delitos militares definidos cm lei. na forma da lei. porém. ou quando. da reserva ou reformados. de conformidade com as prerrogativas inerentes ao posto. omissões. § 3º Os títulos e postos militares são privativos do militar em atividade ou na reserva. 80. fixando-se o valor mínimo a realizar para o exercício das funções relativas a cada grau ou posto e as preferências de caráter profissional para a promoção. § 1º Este foro compor-se-á de um Tribunal Militar de Apelação. cabendo-lhe. § 2º A legislação especial para o tempo de guerra fixará a competência dos tribunais militares com aplicação de sua jurisdição aos civis e à aplicação da pena de morte nos crimes contra a segurança nacional. . será transferido para a reserva. com as vantagens que lhe couberem por lei. decidir que seja reformado com as vantagens da sua patente. por ordem expressa de seus superiores hierárquicos. No primeiro caso. Aquele que permanecer em tal situação por mais de seis anos. contínuos ou não. e dos conselhos e juízos necessários para o processo e julgamento dos crimes.92 • Anteprojeto ma. As patentes são garantidas em toda a plenitude aos oficiais da ativa. § 2º O acesso na hierarquia militar obedecerá a condições estabelecidas em lei. abusos e erros que cometerem ou tolerarem no exercício de suas funções. e de caráter permanente. passadas em julgado. A simples consideração de serviços prestados e a antiguidade são requisitos para a promoção. poderá o Tribunal Militar competente. forem. § 4º Os militares. Art. atendendo à natureza. quanto a regimento interno e secretaria as mesmas atribuições dos outros tribunais. pelos atos que praticarem. porém não a tornam obrigatória. por tribunais militares competentes. declarados indignos do oficíalato ou com ele incompatíveis. cujos membros serão na maioria militares profissionais. Art.

celebrar entre si ajustes e convenções. sem caráter público. A Capital da União é a residência das autoridades nacionais e o território do seu distrito será sempre federalizado. ou mediante proposta ou prévia audiência do Tribunal Militar de Apelação. TÍTULO II DOS ESTADOS Art. Os Estados organizar-se-ão de acordo com a Constituição e as leis que adotarem. e) autonomia dos municípios. nele. h) não-reeleição dos presidentes dos Estados e dos prefeitos municipais. estabelecidos nesta Constituição. § 2º É facultado aos Estados. respeitados os seguintes princípios constitucionais: a) forma republicana representativa. f) garantias do Poder Judiciário. e restrições nela impostas aos poderes dos Estados. j) normas financeiras e prescrições relativas aos funcionários púbbcos. assegurados nesta Constituição. § 4º Os auditores só poderão ser removidos a pedido. a jurisdição daquelas. exercendo-se em toda a sua plenitude. individuais e sociais. d) Poder Legislativo unicameral. não podendo o seu período exceder o dos cargos federais análogos. § lº A especificação dos princípios acima enumerados não exclui a observância de qualquer preceito explícito ou implícito nesta Constituição. c) temporariedade das funções eletivas. § 5º Nas transgressões disciplinares não terá cabida o habeas corpus. TÍTULO III DO DISTRITO FEDERAL Art 82. i) possibilidade de reforma constitucional e competência da Assembleia para decretá-la.A Constituição de 1934 • 93 § 3º Os membros do Tribunal Militar de Apelação só perderão os seus cargos por sentença. mediante aprovação do Presidente da República. sem prejuízo da competên- . 81. g) direitos políticos. b) independência e harmonia dos poderes. § 4º Os Estados e os municípios não poderão contrair empréstimo externo sem a prévia aquiescência da Assembleia Nácional. de qualquer natureza da União ou de outro Estado. § 3º Os Estados não poderão recusar fé aos documentos públicos. quando assim o exigir o serviço militar.

cujos limites serão fixados na lei que os organizar. moral. § 2º As executivas serão exercidas por um prefeito de livre escolha do Presidente da República e cuja nomeação será submetida à aprovação do Conselho Supremo. erigidos em Estado. 85. mediante sistema proporcional. incorporados a Estados limítrofes. mediante plebiscito. Art. por sufrágio igual. § 4º Caberá ao Conselho Municipal resolver sobre os vetos do prefeito. 83. Art. logo que tiverem população suficiente e meios de vida próprios bastantes. por lei especial. cujo número de membros se poderá elevar até 30. serão. 84. As fontes de receita do Distrito Federal serão os tributos. § 3º As deliberantes serão exercidas por um Conselho Municipal. até 12. eleitos pelos sindicatos e associações de classe e pelas corporações representativas dos interesses sociais. ou desabitadas. sob a . votada pela Assembléia Nacional e somente reformável de três em três anos. direto e secreto. até 12. eleitos. insuficientemente cultivadas e de população inferior a um habitante por quilómetro quadrado. § 2º A União dará aos Estados que auferirem rendas líquidas dos territórios deles desmembrados a compensação que a lei fixar. constituirão Territórios. cuja decretação é da competência exclusiva dos Estados ou dos Municípios. § lº Os Territórios. As regiões fronteiriças com países estrangeiros. que só poderão ser rejeitados por dois terços dos Conselhos. § 1º As funções dos poderes locais do Distrito Federal serão executivas e deliberantcs. ou.94 • Anteprojeto cia dos poderes locais para os assuntos de interesse exclusivamente distrital. dos quais até seis serão os maiores contribuintes brasileiros dos impostos de indústria e profissão predial. discriminará os serviços a cargo do mesmo e os custeados pela União. A Lei Orgânica do Distrito Federal. em todos os seus aspectos de ordem administrativa. cultural e econômica. TÍTULO IV DOS TERRITÓRIOS Art. § 5º O Poder Judiciário será o da União.

necessárias à segurança dás zonas por ela servida. comercial. podendo então ser supressos. Os Estados organizarão seus Municípios. e de acordo com o desenvolvimento econômico-social dos mesmos. e os que forem capitais de Estado. § 1º Os Municípios de mais de dois mil contos de renda e cujas sedes tiverem mais de cinquenta mil habitantes. Art. 86. as que a lei considerar necessárias à defesa nacional. § 4º Os Municípios só perderão a autonomia.A Constituição de 1934 • 95 forma de encampação de dívidas públicas. § 1º Nenhuma via de comunicação. cujos juros correspondam ao valor daquelas. ou de comunicação. ou de indenização equivalente à receita por aqueles ali arrecadada. O prefeito da região será eleito pelos Conselheiros dos Municípios regionais e o Conselho Regional compor-se-á dos prefeitos destes Municípios. saúde pública e conservação de estradas e ruas. assegurando-lhes por lei. § 2º Os Estados poderão constituir em região. as rendas e as funções que a lei lhe atribuirá um grupo de Municípios contíguos. estabelecidos peias Assembléias Legislativas. § 2º Até 100 quilômetros para dentro da linha fronteiriça. um regime de autonomia em tudo quanto lhes disser respeito ao privativo interesse. fontes de energia e usinas será feita sem audiência do Conselho Superior da Defesa Nacional e do Conselho Supremo. Até 100 quilômetros para dentro da linha fronteiriça nenhuma concessão de terra. assegurado o predomínio de capitais e trabalhadores nacionais. unidos pelos mesmos interesses econômicos. § 3º Nenhum Município poderá ser constituído ou mantido sem renda suficiente para o custeio de um serviço regular de instrução primária. com a autonomia. 87. de acordo com as regras estabelecidas pela . transportes. terão carta municipal própria. as autonomias estadual e municipal sofrerão. ou exploração industrial. além das restrições deste artigo. penetrante ou de orientação sensivelmente normal à fronteira. TÍTULO V DOS MUNICÍPIOS Art. se abrirá sem que fiquem asseguradas ligações interiores. e submetida ao seu referendum. nos seguintes casos: a) incapacidade para prover às necessidades normais de sua vida. agrícola. de acordo com os princípios gerais.

salvo as exceções desta Constituição. precedendo informação dos chefes de serviço. ou processo administrativo.96 • Anteprojeto Constituição de cada Estado. será exercido por um prefeito. § 2º A primeira nomeação será interna. mediante concurso. regulado por lei. c) as promoções serão feitas metade por antiguidade e metade por merecimento. obedecendo às seguintes bases. seja qual for a forma do seu pagamento. Art. um estrangeiro poderá ser contratado para desempenho de função técnica. 88. TÍTULO VI DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS Art. e no qual será ouvido. § 3º Independem de concurso os cargos de confiança. A Assembléia Nacional votará o Estatuto do Funcionário Público. durante três anos consecutivos. 91. E da exclusiva competência dos municípios decretar impostos prediais e de licenças. eleito por sufrágio igual. tornando-se efetiva seis meses depois de exercício ininterrupto e verificada pelo Ministro respectivo. observadas as condições que a lei estatuir. Art. dependerá do referendum popular dos Municípios interessados. desde já em vigor: a) o quadro dos funcionários compreenderá todos quantos exerçam cargo público permanente. além de outros que as leis estaduais lhes atribuírem. os de caráter transitório e os inferiores. c) falta de pagamento de sua dívida fundada por mais de dois anos consecutivos. direto e secreto. d) a idade máxima para a aposentadoria ou a reforma compulsórias será de 68 anos. bem como taxas de serviços municipais. Os cargos públicos são acessíveis a todos os brasileiros. b) déficit orçamentário de um terço ou mais de sua receita. 89. apurado pelo órgão que a lei criar. f) a inatividade nunca poderá ser mais remunerada do que a atividade. Os Conselhos municipais poderão ser constituídos mediante representação de classe. 90. a idoneidade moral do nomeado e seu devotamento ao desempenho do cargo. § 1º Ninguém será nomeado para função pública administrativa sem prévia demonstração de capacidade intelectual. Art. § 5º A fusão. que a lei excetuar. g) sal- . O Poder Executivo. porém. ou o desmembramentos municipal por lei do Estado. Excepcionalmente. e) a invalidez para o exercício do cargo determinará a aposentadoria ou a reforma. b) o funcionário efetivo só perderá o cargo por condenação judicial.

salvo se. civil ou militar. h)o funcionário é responsável pelos abusos ou omissões em que incorrer no exercício do seu cargo. o Distrito Federal. estipulado ou alterado. 93. nos Estados e nos Municípios. os Territórios e os Municípios por lesão praticada por funcionário. garantida a liberdade de associação e opinião política. e os de ensino. em processo administrativo ou judiciário. ou resultarem de cargas cuja acumulação é permitida. ou exercer pressão partidária sobre os seus subordinados. gozará de todas as garantias asseguradas neste título. Art. será promovida execução regressiva. Nas causas propostas contra a União. porém. Parágrafo único. A execução poderá ser promovida contra ele. será punido com a perda do cargo. reunidas. caso condenado. senão por lei ordinária especial. § 3º Não se considera acumulatório o exercício de comissão temporária ou de confiança. este será sempre citado e sua responsabilidade apurada no curso da ação. e o funcionário policial. O serviço de polícia civil é considerado carreira administrativa. sendo-lhe. que não envolvam função ou autoridade administrativa. nem vencimento algum. que agiu por essa forma. estaduais e municipais. . Art. § 2º As pensões também não poderão ser acumuladas.A Constituição de 1934 • 97 vo as exceções da lei militar. Art. 94. i) o funcionário tem o dever de servir à coletividade e não a nenhum partido. ou contra a entidade de que era funcionário. todo funcionário terá direito a um recurso contra a decisão disciplinar e a possibilidade de revisão perante o órgão que a lei criar e nos termos que ela prescrever. j) o funcionário que usar de sua autoridade em favor de um partido. Art. decorrentes do próprio cargo ou da mesma natureza deste. § 1º Excetuam-se os de natureza técnica e científica. judicial ou política. Nenhum emprego poderá ser criado. É vedada a acumulação de cargos remunerados na União. Nesta hipótese. os Estados. quer de uns e outros simultaneamente. 95. quer se trate de cargos exclusivamente federais. 92. se provado. não excederem o limite máximo fixado por lei. formado em Direito.

se estipendiado exclusivamente enquanto das durarem. São cidadãos os brasileiros alistáveis como eleitores. c) por cancelamento da naturalização. 97. provando-se que o naturalizado dela se tomou indigno. sem licença do Presidente da República. § lº São eleitores os brasileiros de qualquer sexo. Perde-se a nacionalidade: a) por naturalização em país estrangeiro. c) os que estiverem com a cidadania suspensa. sob as sanções que a lei determinar. 98. 99. Parágrafo único. quando for do país. b) os filhos de brasileiros. alistados na forma da lei. achando-se no Brasil a 15 de novembro de 1889. salvo os alunos das escolas militares de ensino superior. São brasileiros: a) os nascidos no Brasil. se nele estabelecerem domicílio. embora neste não venham domiciliar-se. nascidos fora do Brasil. ou brasileira. ou em viagens no território nacional. ou durante as sessões. se o subsídio daquele for anual. Quando se tratar de cargo eletivo. 96. O alistamento eleitoral e o voto são obrigatórios para os homens. não declararam. SEÇÃO II Dos Cidadãos Art. noutro país a serviço do Brasil. TÍTULO VII DA NACIONALIDADE E DA CIDADANIA SEÇÃO I Dos Brasileiros Art. maiores de 18 anos. emprego ou comissão de país estrangeiro. . A lei providenciará para que o eleitor possa votar. de pensão. b) por aceitação. d) os estrangeiros que. § 2º Não podem ser alistados: a) os analfabetos. o animo de conservar a nacionalidade de origem.98 • Anteprojeto § 4º A aceitação de cargo remunerado importa na perda dos vencimentos da inatividade. ficará suspensa integralmente a percepção dos vencimentos da inatividade. c) os filhos de brasileiro. Art. Art. seis meses depois de ter entrado em vigor a Constituição de 1891. ou a tiverem perdido. b) as praças de pré. e) os estrangeiros por outro modo naturalizados. ou que desempenhem ou tenham desempenhado legalmente função pública. ou brasileiras.

§ 2º Perde-se: a) pela perda da nacionalidade. civis ou afins. do Presidente da República. 100. Art. civis ou afins. em 1º e 2º graus. relativamente às Assembleias Legislativas ou à Nacional. salvo para a Assembléia Nacional. SEÇÃO III Dos Inelegíveis. feita com o fim de se isentar de ônus que a lei imponha aos brasileiros. c) os funcionários do fisco. civis ou afins. do prefeito do Distrito Federal e dos governadores dos Territórios. dos presidentes e interventores dos Estados. em época anterior à eleição do mesmo. no Distrito Federal e nos Territórios: a) os secretários de Estado e os chefes de Policia. até seis meses depois de cessadas definitivamente as respectivas funções b) os membros do Poder Judiciário. b) por condenação criminal. até seis meses depois de haver este deixado definitivamente as suas furnções. dos Tribunais de Apelação Militar e de Contas e os chefes e subchefes do Estado-Maior do Exército e da Armada. d) os parentes naturais.moral. ou o forem quando ela se realizar. § 3º A lei estabelecerá as condições de requisição da cidadania. dos prefeitos. b) por alegação de qualquer motivo. até seis meses depois de cessadas definitivamente as respectivas funções. 2º) nos Estados. 3º) nos municípios: a) os prefeitos. São inelegíveis: lº) em todo o território da União: a) o Presidênte da República. e) os inalistáveis como eleitor. enquanto durarem seus efeitos. b) os comandantes de forças do Exercito. da Justiça Eleitoral. tiverem sido deputados.A Constituição de 1934 • 99 Art. o prefeito do Distrito Federal. salvo. §1º Suspende-se: a) por incapacidade física ou. passada em julgado. em 1º e 2º graus. c) os parentes naturais. os presidentes e interventores dos Estados. até seis meses depois de cessadas definitivamente as . 101. c) por aceitação de título nobiliário. até seis meses depois de cessadas definitivamente as respectivas funções. c) os parentes naturais. A cidadania suspende-se ou perde-se unicamente nos casos aqui particularizados. em 1º e 2º graus. do Ministério Público. se. os governadores dos Territórios e os Ministros de Estado. b) as autoridades policiais. à exceção da letra c do nº1. da Armada ou da Polícia ali existente.

A fiança não poderá ser em dinheiro ou bens. fixará bienalmente. ninguém poderá ser preso. apresentada ao juiz competente. senão nos casos determinados em lei. Para apresentação dos detidos ou presos nos distritos rurais. transformará a detenção em prisão ou manterá esta. salvo. sem privilégio de nascimento. A União assegura a brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil a inviolabilidade dos direitos concernentes à liberdade. à segurança individual e à propriedade. no máximo. § 6º Ninguém poderá ser conservado em prisão se prestar fiança idônea. porá o paciente em liberdade. que. classe social. . nem ter maior pena que a prescrita por lei na época do crime. riqueza. por ato geral. § 5º Toda pessoa detida ou presa será. nos casos que a lei determinar.100• Anteprojeto respectivas funções. §7º Aos réus será assegurado na lei a mas ampla defesa. e mediante ordem escrita da autoridade competente. TÍTULO VIII DA DECLARAÇÃO DE DIREITOS E DEVERES Art. crenças religiosas e idéias políticas. desde que se não oponham às da Pátria. Este parágrafo não se aplica às prisões de caráter militar. se for o caso. senão em virtude de lei. dentro de 24 horas. dando incontinênti ao preso uma nota judicial com o motivo da coaçào e o nome das testemunhas. em 72 horas. § 3º Ninguém poderá ser obrigado a fazer ou não fazer alguma coisa. § 8º Ninguém será sentenciado senão pela autoridade competente por lei anterior ao crime e na forma por ela declarada. § 4º A exceção de flagrante delito. nos seguintes termos: § 1º Todos são iguais perante a lei. 102. o prazo relativo a cada uma dessas circunscrições. sexo. § 2º A República não reconhece foros de nobreza nem criará títulos nobiliários. o |uiz competente. com todos os meios e recursos que lhe são essenciais. rendo em conta as distâncias e as dificuldades do transporte. relativamente aos Conselhos municipais e às Assembléias Legislativas ou à Nacional. § 9º Ninguém poderá ser punido por fato não-criminoso quando praticado. à exceção da letra c do nº 1.

por 72 horas. o periódico nem a profissão de escritor ou jornalista. limitando-se a lei exclusivamente a tomar medidas quanto à publicação. A lei estabelecerá processo sumaríssimo que permita ao juiz. O aparecimento de livro ou periódico independe de licença de qualquer autoridade. ou se achar em iminente perigo de sofrer. se o requerimento tiver. até que. proibindo-a de praticar o ato. se pronuncie o Poder Judiciário. conhecimento do ato ile- . § 13. § 20. § 16. § 14. quanto a esta. § 12. ou nelas ter ingerência. senão por mandato judicial. § 15. dentro de cinco dias ouvida neste prazo. multas ou custas. resolver o caso. negando o mandado ou. § 19. ou de morte. Não será concedido o mandado. diretotes ou editores dos mesmos. Dar-se-á o habeas corpus sempre que alguém sofrer. em sua liberdade. nos casos e pela forma que a lei prescrever. § 17. ou ordenando-lhe restabelecer integralmente a situação anterior. a incomunicabilidade do preso. em tempo de guerra. violência ou coação por ilegalidade ou abuso de poder. Não é permitido o anonimato. Somente os brasileiros poderão exercer a imprensa política ou noticiosa. Nenhum imposto gravará diretamente o livro. se o expedir. É vedada aplicação de pena perpétua. cm última instância.A Constituição de 1934 • 101 § 10. as disposições da legislação militar. espetáculos ou representações imorais. § 11. Não se inclui nesta proibição o Imposto de Renda. Não haverá prisão por dívidas. Quem tiver um direito certo e incontestável ameaçado ou violado por ato manifestamente ilegal do Poder Executivo poderá requerer ao juiz competente um mandado de segurança. e por prazo não maior de três dias. Em todos os assuntos é livre a manifestação do pensamento pela imprensa ou outra qualquer maneira sem dependência de censura respondendo cada um pelos abusos que praticar. Em caso nenhum serão apreendidos livros ou periódicos. de banimento. É assegurado o direito de resposta. Nenhuma pena passará da pessoa do delinquente. A lei penal retroagirá em beneficio do delinquente. há mais de 30 dias. ouvidos previamente os autores. Somente a autoridade judiciária poderá ordenar. ressalvadas. a autoridade coatora. § 18. § 21.

Todo indivíduo. § 27. contanto que isto não importe em impossibilitá-la ou frustrá-la. Nestes casos. . além de outras que ela prescrever. mediante petição. § 25. de noite. Nenhum tributo se cobrará senão em virtude de lei. por motivo de interesse público. não podendo a Polícia intervir senão para manter a ordem perturbada ou garantir o trânsito público. sem consentimento do morador. senão para acudir as vítimas de crimes ou desastres. Com este fim poderá designar o local onde a reunião deve realizar-se. aos poderes públicos e denunciar abusos das autoridades. A União exige de brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil o cumprimento de deveres. salvo a exigência de passaporte concedido por autoridade federal. Art. É garantido a quem quer que seja o livre exercício de qualquer profissão. pertençam a juízos especiais. salvo se forem casados há mais de três anos com brasileiros ou tiverem filhos menores brasileiros. § 30. nem tribunais de exceção. por sua natureza. tem o dever de trabalhar. 103. expressos nos seguintesj termos: § 1º. § 29. § 26. taxas. em benefício da coletividade. ou se a questão for sobre impostos. qualquer indivíduo poderá entrar no território nacional.102 • Anteprojeto gal. § 23. a lei determinar. não haverá foro privilegiado. A casa é o asilo inviolável do indivíduo. caberá ao lesado recorrer aos meios normais. § 28. É permitido a quem quer que seja representar. salvo a censura. Salvo as causas que. É inviolável o sigilo da correspondência. A todos os brasileiros é lícito reunirem-se livremente. ou multas fiscais. § 24. em caso de guerra ou Estado de sítio. A União poderá expulsar do território os estrangeiros perigosos à ordem pública ou nocivos aos interesses do País. e sem armas. Nem mesmo em Estado de guerra. sob pena de perda dos direitos políticos. § 31. Em tempo de paz. ou dele sair. nem de dia. ninguém podendo aí penetrar. com as limitações que a lei impuser. § 22. senão nos casos e pela forma prescritos em lei. salvo impossibilidade Ssica. § 2º. o brasileiro poderá ser deportado ou expulso do território nacional. Todo indivíduo tem o dever de prestar os serviços que.

po- . a lei civil. A especificação dos direitos e deveres expressos nesta Constituição não exclui outros. § 5º Sempre que a necessidade do serviço religioso se fizer sentir nas expedições militares. é garantido o livre exercício dos cultos. § 6º Os cemitérios terão caráter secular e serão administrados pela autoridade municipal. sem prejuízo dos serviços militares. e sem ónus para os cofres públicos.A Constituição de 1934 • 103 § 3º Todo indivíduo tem o dever de defender esta Constituição e de se opor às ordens evidentemente ilegais. qualquer constrangimento. Art. A família está sob a protçção especial do Estado e repousa sobre o casamento e a igualdade jurídica dos sexos. afastados. A representação diplomática do Brasil junto à Santa Sé não implica violação deste princípio. ou coação. Art. 107. do regime político-social que estabelece e dos princípios que consigna. 106. TÍTULO X DA FAMÍLIA Art. TÍTULO IX DA RELIGIÃO Art. § 4] Não se poderá recusar. porém. § 2º É garantida a liberdade de associação religiosa.. nem terá relação de dependência ou aliança com os poderes públicos. Nenhum culto ou igreja gozará de subvenção oficial. ficando livre a todos os cultos religiosos a prática dos respectivos ritos em relação aos seus crentes. será permitida a celebração de atos cultuais. sociais e políticos. 105. Parágrafo único. § lº Independe da crença e do culto religioso o exercício dos direitos individuais. § 3º As associações religiosas adquirem a capacidade jurídica nos termos da lei civil. resultantes da forma de governo que ela adota. Nos termos compatíveis com a ordem pública e os bons costumes. o tempo necessário à satisfação de seus deveres religiosos. É inviolável a liberdade de consciência e de crença. 104. aos quê pertençam às classes armadas. nos hospitais. nas penitenciárias ou outros estabelecimentos públicos.

e o seu ensino. cujo processo e celebração serão gratuitos. § 2º Gozam de amparo e solicitude dos poderes públicos os monumentos artísticos. A proteção das leis quanto ao desenvolvimento físico e espiritual dos filhos ilegítimos não podeíá ser diferente da instituída para os legítimos. 109. § 2º Haverá sempre apelação ex officio. A lei civil determinará os casos de desquite e de anulação do casamento. nos termos da lei federal: a) velar pela pureza. § 3º Cabe à União impedir a emigração do patrimônio artístico nacional. 111. O casamento legal será o civil. f) proteger a juventude contra toda exploração. 108. Parágrafo único. São livres a arte. § 3º A posse do estado de casado não poderá ser contestada por terceiro. Art. d) amparar a maternidade e a infância. 110. É facultada aos filhos ilegítimos a investigação da paternidade ou da maternidade. Incumbe à União como aos Estados e aos Municípios. e regulará os direitos e deveres dos cônjuges. os seus filhos. e com efeito suspensivo. a ciência. moral e intelectual. das sentenças anulatórias de casamento. bem como os históricos e os naturais. senão mediante certidão extraída do registro civil. b) facilitar aos pais o cumprimento de seus deveres de educação e instrução dos filhos: c) fiscalizar o modo por que os pais cumprem os seus deveres para com a prole e cumpri-los subsidiariamente. . Art. contra as pessoas que nela se encontrem. TÍTULO XI DA CULTURA E DO ENSINO Art. § 1º O casamento é indissolúvel. bem como contra o abandono físico. sanidade e melhoramento da família. aos Estados e aos Municípios dar-lhes proteção e favorecer-lhes o desenvolvimento. Art. pela qual se prove que alguma delas é ou era legalmente casada com outra. e) socorrer as famílias de prole numerosa.104 • Anteprojeto rém. § 1º Incumbe á União. estabelecerá as obrigações da chefia da sociedade conjugal e do pátrio poder.

nada influindo a condição dos pais. com o conteúdo e os limites que a lei determinar. TÍTULO XII DA ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL Art. O regime do ensino. levar-se-á em conta somente o merecimento. ferir os sentimentos dos que pensam de modo diverso. 114. O auxílio será dado até o fim do curso. cabendo àquele. profissionais ou normais. § 3º É gratuito o ensino nas escolas públicas primárias. porém. podendo ser ministrado no lar doméstico e em escolas oficiais ou particulares. Art. porém. § 7º O ensino civico.A Constituição de 1934 • 105 Art 112. não podendo. § 8º A religião é matéria facultativa de ensino nas escolas públicas. a sua execução. § 2º O ensino primário é obrigatório. § lº Para o efeito de concederem diplomas. obedecerá a um plano geral traçado pela União. subordinadas à confissão religiosa dos alunos. secundárias. § 4º Para lhes permitir o acesso ás escolas secundárias e superiores. . ao ministrar o ensino. concorrentemente à União. Dentro desses limites é garantida a liberdade econômica. secundária ou superior. que estabelecerá os princípios normativos da organização escolar e fiscalizará. por funcionários técnicos privativos. A ordem económica deve ser organizada conforme os princípios da justiça e as necessidades da vida nacional. profissionais ou normais. de modo que assegure à todos uma existência digna do homem. aos Estados e aos Municípios. a Uniáo. poderá a União oficializar ou equiparar às suas as escolas particulares. 113. os Estados e os Municípios estabelecerão cm seus orçamentos verbas destinadas aos alunos aptos para tais estudos e sem recursos para neles se manterem. a educação física e o trabalho manual são matérias obrigatórias nas escolas primárias. § 6º Fica reconhecida e garantida a liberdade de cátedra. secundárias. primárias. profissional. cujo programa e professorado forem equivalente aos dos estabelecimentos oficiais congêneres. É garantido o direito de propriedade. § 5º Para admissão de um candidato em escola pública. sempre que o educando demonstrar aproveitamento. O ensino será público ou particular. o professor. Nelas será fornecido gratuitamente aos pobres o material escolar.

mediante prévia e justa indenização paga em dinheiro. possui um trecho de terra e a tornou produtiva pelo trabalho. serão legalmente considerados o principal. ainda quando estipulem o contrário. A União poderá fazer concessões para exploração de minas e quedas d'água. Art. Art 117. sem oposição. por utilidade pública ou interesse social. Parágrafo único. Considera-se usura a cobrança de juros. seus atuais posseiros. resgatar o aforamento pelo preço de trinta anuidades pagas de uma vez. se ele não tiver outros haveres. uma função social e não poderá ser exercida contra o interesse coletívo. o foreiro poderá. se forem nacionais. A lei. ou por outra forma estabelecida em lei especial aprovada por maioria absoluta dos membros da Assembleia. antes de tudo. cabendo ao proprietário do terreno a justa indenização do seu valor. 118. § lº Será impenhorável a casa da pequena valia que servir de morada ao devedor e sua família. podendo requerer ao juiz que assim o declare por sentença. adquire por isto mesmo a plena propriedade do solo. A lei regulará o regime das concessões. ficarão sob o regime da lei ordinária. Nos contratos anteriormente celebrados entre particulares. o edifício e todo produto do trabalho incorporado ao solo. não se poderá reduzir à miséria o devedor. § 3º A plantação. 115. Art.106 • Anteprojeto § 1º A propriedade tem. inclusive comissões. providenciará a tal respeito. A lei estabelecerá as penas deste crime. onde têm benfeitorias. Nos contratos vigentes. Aquele que. se umas e outras inexploradas. fixando prazos e estipulando cláusulas de reversão. o devedor não será obrigado a pagar juro além do dobro da taxa legal. a qualquer tempo. Art 116. que ultrapassem o dobro da taxa legal. por cinco anos ininterruptos. . mas somente a brasileiros ou empresas organizadas no Brasil e com capital nele integralizado. se valerem pelo menos metade deste. É proibida a usura. Na execução. ou na sua falta o juiz. ou na falência não-fraudulenta. § 2º Somente as pessoas jurídicas de direito público interno poderão dar aforamento. nem reconhecimento de domínio alheio. a ser votada pela Assembléia Nacional. § 2º A propriedade poderá ser expropriada. As riquezas do subsolo e as quedas d'água. § lº Ficarão proprietários gratuitos das terras devolutas.

por lei federal. será também impenhorável a propriedade rural. quando a lei não fixar menor prazo.nos termos da lei. quando. Art. levada a efeito sobre o conjunto de uma indústria ou de um ramo de comércio é resolvido por lei federal. Os legados pagarão imposto progressivo. serão reconhecidas . Art. 119. pela sua especialização e atribuições. quando assim exija o interesse público. pertencendo o excesso. As heranças até dez contos de réis serão livres de qualquer imposto. e intervirá nas relações entre o capital e o trabalho para os colocar no mesmo pé de igualdade. Todas as dívidas. Art. em dois terços. § 2º Nenhuma associação poderá ser dissolvida senão por sentença judicial. 124. 114. É permitida a socialização de empresas económicas. . inclusive para coordená-las. Pata esse fim. à União. bem como as convenções que celebrarem. 120. interesse direto na medida. É garantida a cada indivíduo e a todas as profissões a liberdade de união. A lei federal determinará o modo e os meios pelos quais o Governo intervirá em todas as empresas ou sociedades que desempenhem serviços públicos. Att. Art. para a defesa das condições do trabalho e da vida económica. § 2º Nenhuma lei de socialização será votada sem audiência prévia do Conselho Supremo e dos conselhos técnicos nacionais ou estaduais. no sentido de limitar-lhes o lucro ã justa retribuição do capital. legalmente reconhecidos. tendo em vista a proteção social do trabalhador e os interesses econômicos do País. 123. poderão ser transferidas ao domínio público. 122. aos Estados. intervir na administração das empresas econômicas. destinada a prover à subsistência do devedor e sua família. que daí por diante será progressivo. Será reconhecida a herança exclusivamente na linha direta ou entre cônjuges. 121. ou aos Municipios. A lei estabelecerá as condições do trabalho na cidade e nos campos. que tenham. mediante indenização e pagamento nos termos do § 2º do art.A Constituição de 1934 • 107 § 2º Nos mesmos termos. inclusive as fiscais. Art. § lº A União e os Estados poderão. § lº As organizações patronais e operárias. prescreverão em cinco anos.

facultado ao poder público expropriar os latifúndios. paralelamente com o fundo de reserva do capital.108 • Anteprojeto § 1º Na legislação sobre o trabalho serão observados os seguintes preceitos. 121. e desde que este lance uma remuneração justa. a doença. será obrigada a manter. além de outras medidas úteis àquele duplo objetivo: 1º) a trabalho igual corresponderá igual salário. ou rural. 6º) toda empresa industrial ou agrícola. bem como prestar-lhes assistência gratuita. vencendo o trabalhador em cada hora o duplo do salário normal. poderá ser prorrogado até por três horas. às necessidades normais da vida de um trabalhador chefe de família. trabalhadores e seus filhos. . sem prejuízo das atribuições pertencentes aos órgãos especiais que a lei criar paia tal fim. pelo menos. e não será permitida nas indústrias insalubres. sem distinção de idade ou de sexo. o desemprego. se por qualquer motivo a empresa desaparecer. uma escola primária para o ensino gratuito de seus empregados. de seis. A prorrogação não poderá ser feita consecutivamente por mais de três dias. podendo a lei instituir o seguro obrigatório contra a velhice. ou de os explorar sob forma cooperativa. nem aos que tiverem menos de 18 anos. conforme as condições de cada região. capaz de assegurar aos operários ou empregados o ordenado ou salário de um ano. 3º) o dia de trabalho não excederá de oito horas e nas indústrias insalubres. e onde trabalharem mais de cinquenta pessoas. desde ]á em vigor. nos termos do art. os riscos e acidentes do trabalho e em favor da maternidade. bem como à gestante operária. 2º) a lei assegurará nas cidades e nos campos um salário mínimo capaz de satisfazer. § 2º Caberá ao Ministério Público da União e dos Estados velar pela estrita aplicação dás normas protetoras do trabalhador urbano. Providenciará igualmente sobre a assistência médica. se houver conveniência de os parcelar em benefício do cultivador. 7º) legislação agrária favorecerá a pequena propriedade. um fundo de reserva de trabalho. fora dos centros escolares. 5º) toda empresa comercial ou industrial consumirá. Em casos extraordinários. 4º) será garantida ao trabalhador a necessária assistência em caso de enfermidade.

à Fazenda Pública. sem que o proprietário do imóvel para isso tenha concorrido. o saldo será aplicado também nestes serviços. tendo em vista os interesses nacionais. pertencerá. noticiosa ou política não poderá revestir a forma de sociedade anônima de ações ao portador.A Constituição de 1934 • 109 Art. 129. sem prejuízo das iniciativas locais. reservada aos Estados a legislação complementar. 125. § 1º O produto desta valorização. pelo menos em metade. Art. Na colonização dessas terras serão preferidos os trabalhadores nacionais. além de outras medidas. Art. podendo a União proibir. serão aplicados exclusivamente nos serviços de instrução primária e assistência social. limitar ou favorecer a imigração e a emigração. como o do imposto de transmissão causa mortis e dos bens que passarem ao Estado por falta de herdeiros. § 3º Os serviços de vigilância sanitária vegetal e animal serão federais. A lei orientará a política rural no sentido da fixação do homem nós campos. a bem do desenvolvimento das forças económicas do País. . na qual. A Assembléia Nacional votará numa lei de organização da imprensa. A empresa jornalística. Para isto. TÍTULO XIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. condicionar bu limitar a entrada das espécies prejudiciais. § 2º Nos municípios em que as necessidades dos serviços sanitários não esgotarem ã quota de 10% do artigo 13. É vedado a qualquer dos três Poderes delegar as suas atribuições. 127. Art. coordenadas com as diretrizes da União. garantirá a situação de seu operariado e de seus redatores. 126. § 1º A defesa contra a seca será permanente e os respectivos serviços custeados pela União. a lei federal estabelecerá um plano geral de colonização e aproveitamento das terras públicas. nem dela poderá ser proprietária ou acionista nenhuma pessoa jurídica. 128. § 2º A lei federal poderá proibir. A valorização resultante de serviços públicos ou do progresso social. A assistência aos pobres é assegurada pela União e pelos Estados na forma que a lei determinar.

Art 131. 3º) nenhum detido do sítio será. diretores ou editores os submetam à censura. Dentro de 30 dias após a detenção. podendo ser prorrogado. por mandado judicial. O Presidente do Conselho fará publicar no jornal oficial a nota recebida. o regime dos bens e as relações jurídicas de todas as pessoas domiciliadas ou residentes no Brasil. em caso de agressão estrangeira. jornais ou de quaisquer publiçidades não será de modo nenhum embaraçada. e o Conselho decidirá. sob motivo algum. ou distantes mais de mil quilômetros do ponto onde a detenção se efetuar. do Tribunal Superior. dentro de oito dias. em ter mais de um cargo eletivo. senão por necessidade dá defesa nacional. tudo no prazo máximo de 72 horas. a Assembléia Nacional poderá declarar em estado de sítio qualquer ponto do território nacional. além da censura à correspondência de qualquer natureza. tribuna e imprensa. detido ou conservado em custódia. do . Art. nem este transformado em degredo.110 • Anteprojeto Parágrafo único. recolhido a edifício ou local destinado a réu de crime comum. 5º) ninguém será. o Ministro da Justiça enviará ao Presidente do Conselho Supremo uma nota comprobatória das razões de ordem pública que determinam manter em custódia o detido. nem desterrado para trechos desertos ou insalubres do território nacional. em virtude do sítio. 2º) o sítio. reunião. sobre a conveniência de manter a detenção. desde que seus autores. mediante as seguintes prescrições: lº) o sítio não será primitivamente decretado por mais de 60 dias. Mas a circulação dos livros. do Conselho Supremo. ou fundados motivos de nela vir a participar. Ninguém poderá ser investido em função de mais de um dos três Poderes. uma ou mais vezes. 130. 4º) a prisão não será acumulada com o desterro. por igual prazo. ou por autoria ou cumplicidade na insurreição. limitar-se-á a restringir a liberdade de locomoção. A lei brasileira determina a capacidade. Na emergência de agressão estrangeira ou verificada inssurreição armada do povo ou da tropa. ou relaxá-la. 6º) o sítio não se estenderá aos membros da Assembleia Nacional. do Supremo Tribunal. a pedido do Ministério Público e ouvido o diretor daquele. A suspensão de um período por inobservância da censura efetuar-se-á.

que. cometidos. sujeita ao exame judicial a declaração do sitio pela Assembleia ou a decretação do mesmo pelo Presidente da República se neste caso anteceder a aquiescência da Comissão Permanente. poderá o sítio ser decretado pelo Presidente da República. Não será censurada a publicação de atos oficiais de qualquer dos Poderes da República. antecedendo aquiescência da Comissão Permanente.A Constituição de 1934 •111 Tribunal de Contas e do Tribunal Militar de Apelação. o voto da Comissão Permanente importa na convocação automática da Assembleia para se reunir extraordinariamente 30 dias depois. relatará. cessam ipso facto os seus efeitos. § 3º As autoridades que tenham ordenado tais medidas. ou suspenderá o sítio decretado. Neste caso. 132. Sempre que esta Constituição ou a lei prescreverem o voto secreto. e remeterá os inquéritos e todos os documentos que a elas se refiram. serão civil e criminalmente responsáveis pelos abusos. ' § 5° A inobservância das prescrições deste artigo tornará ilegal a coação. Art. dentro das respectivas circunscrições. então. bem como aos presidentes dos Estados e membros das respectivas Assembléias Legislativas. § 6º Uma lei especial. § 4º Durante o sítio. . o Presidente da República determinará. o objeto e os limites da censura. e permitirá aos pacientes recorrerem ao Poder Judiciário. todavia. § 1º Na ausência da Assembleia e obedecidas as prescrições deste artigo. considerada adicional a esta Consdtuição. 7º) cessado o estado de sírio. regulará o estado de sírio em caso de guerra. por decreto. salvo as medidas de natureza militar. que não se exercerá senão nos termos estritos desse ato. Não será. ouvida a autoridade coatora. decidirá sobre a publicação do editorial censurado. motivando-as. caberá! recurso do prejudicado para o Conselho Supremo. as medidas de exceção que houverem sido tomadas. o Presidente da República. Da censura imerecida. dentro de três dias. A Assembléia aprovará. § 2º Reunida a Assembléia. em mensagem especial. a votação se fará por processo que o tome absolutamente índevassável. dentro de setenta e duas horas.

porém. nomeará uma comissão que. que escolherá o local e tomará. por dois terços de votos dos membros presentes da Assembléia. No primeiro caso. c) as funções. ou de dois terços dos Estados. no ano seguinte à proposta dos Estados. logo que esta Constituição entrar em vigor. No segundo caso. se aceita. Art. serão apresentados à Assembléia Nacional. as cores atuais. mantidas. Art. Concluídos tais estudos. o atual Distrito Federal passará a constituir o Estado da Guanabara. sem perda de tempo. procederá a estudos de várias localidades adequadas à instalação da Capital. Fica transferida a Capital da União para um ponto central do Brasil. a reforma considerar-se-á aprovada. A Constituição podetá ser reformada mediante proposta de uma quarta parte. A reforma aprovada íncorporar-se-á no texto da Constituição. dos membros da Assembléia Nacional. as providências necessárias à mudança. os deveres e a responsabilidade dos interventores. pelo menos.112 • Anteprojeto Art. II. publicada com a assinatura dos membros da Mesa da Assembléia. por lei especial. . Parágrafo único. 136. A Assembléia Nacional votará em sua primeira sessão ordinária as leis que regulem: a) o processo e julgamento perante o Tribunal Especial. mediante três discussões. poderá estabelecer os casos de destituição dos cargos detivos. b) as atribuições dos Ministros de Estado. t) a organização e a liberdade da imprensa. sob as instruções do Governo. A Assembléia Nacional. A Assembléia poderá criar a bandeira comercial diferente da de guerra e modificar esta. Efetuada esta. no decurso de um ano representado cada um deles pela maioria de sua Assembléia. DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS I. Art. votada por dois terços dos deputados e somente reformável por este número.O Presidente da República. se aceita. que será. Continuam em vigor as leis que explícita ou implicitamente não contrariarem as disposições desta Constituição. e) a organização judiciária. 133. por dois terços de votos dos membros presentes da Assembléia e do Conselho Supremo. sob a nova forma. 134. em dois anos consecutivos. d) o Estatuto dos funcionários públicos. 135. mediante três discussões.

a Assembléia Constituinte dissolver-se-á inontinenti. c contando tempo de serviço até que sejam aproveitados em postos de iguais vencimentos e categoria. válidos os casamentos religiosos. Os juizes. baixarão aos tribunais a que esta Constituição deu atribuição para julgá-los. com os ordenados atuais. a contar da promulgação da presente Constituição. 108. Os vinte e um membros do primeiro Conselho Supremo da República. Praticados os atos para que foi convocada. serão eleitos no mesmo dia e pela mesma forma por que o forem os deputados à primeira Assembléia Nacional ordinária. e a eleição da primeira Assembleia Nacional ordinária realizar-se-á noventa aias depois. V. em virtude desta Constituição. a menos que estejam em grau de embargos. Os recursos existentes no Supremo Tribunal. salvo o caso do art. ou aposentados de acordo com a lei. desde que seja efetuado o registro civil perante o oficial competente. serventuários de justiça e demais funcionados cujos cargos. sobre questões que não forem de sua competência. no prazo de três anos. Serão. representantes dos Estados e do Distrito Federai. . VI. para todos os efeitos. forem supressos. ficarão em disponibilidade. § 3º. VII. IV. Esta Constituição será promulgada pela Mesa da Assembléia e assinada pelos deputados presentes.A Constituição de 1934 • 113 III. VIII.

mantém como forma de governo. Executivo e Judiciário. constituída pela união perpétua e indisssolúvel dos Estados. dentro dos limites constitucionais.São órgãos da sobetania nacional. 2.Todos os poderes emanam. os representantes do povo brasileiro. (1) Diário Oficial União de 16-7-1934. Art. os Poderes Legislativo.CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA DOS ESTADOS UNIDOS DO BRASIL. pondo a nossa confiança em Deus. o texto integral desta Constituição foi republicado em 19-12-1935. e em nome dele são exercidos. 3. Art. a República Federativa proclamada em 15 de novembro de 1889. do Distrito Federalje dos Territórios em Estados Unidos do Brasil. . a justiça e o bem-estar social c económico. do povo. sob o tegime tepresentativo. decretamos e promulgamos a seguinte Constituição: TÍTULO I DA ORGANIZAÇÃO FEDERAL CAPITULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. aprovadas pelo Decreto Legislativo nº 6. de 18 de dezembro de 1935. Em consequência das Emendas de nº' 1. 2 e 3. 1° A Nação brasileira.(1) DE 16 DE JULHO DE 1934 Nós. a liberdade. independentes e coordenados entre si. reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para organizar um regime democrático que assegure à Nação a unidade. § lº É vedado aos poderes constitucionais delegar as suas atribuições.

XIV . VIII . IV . inclusive as instalações de pouso. VI — autorizar a produção e fiscalizar o comércio de material de guerra de qualquer natureza.conceder ou negar passagem a forças estrangeiras pelo território nacional. instituir banco de emissão. seguros e caixas económicas particulares. e não se empenhará jamais em guerra de conquista. VII — manter o serviço de correios.criar e manter alfândegas e entrepostos. direta ou indiretamente. bem como as vias férreas que liguem diretamente portos marítimos a fronteiras nacionais.explorar ou dar em concessão os serviços de telégrafos. IX .organizar a defesa externa. sem prejuízo dos serviços policiais dos Estados.estabelecer o plano nacional de viação férrea e o de estradas de rodagem e regulamentar o tráfego rodoviário interestadual. XI . por si ou em aliança com outra nação.fiscalizar as operações de bancos. nomear os membros do corpo diplomático e consular e celebrar tratados e convenções internacionais.traçar as diretrizes da educação nacional. XIII .declarar a guerra e fazer a paz. Art.116 • A Constituição de 1934 § 2º O cidadão investido na função de um deles não poderá exercer a de outro. XII . .organizar defesa permanente contra os efeitos da seca nos Estados do Norte. a polícia e segurança das fronteiras e as Forças Armadas. V . XV . II . Art.fixar o sistema monetário. III . ou transponham os limites de um Estado.prover aos serviços da polícia marítima e portuária. radiocomunicação e navegação aérea. 5º Compete privativamente à União: I — manter relações com os Estados estrangeiros.resolver definitivamente sobre os limites do território nacional. cunhar e emitir moeda. 4º O Brasil só declarará guerra se não couber ou malo grar-se o recurso do arbitramento. X .

X I X . comercial. energia hidroelétrica. do Distrito Federal e dos Territórios e organização dos juízos e tribunais respectivos. em tempo de guerra. da arbitragem comercial. . c) normas fundamentais do direito rural. /) organização. civil. extradição. e) regime de portos e navegação de cabotagem. k) condições de capacidade pata o exercício de profissões liberais e técnico-científicas. aos navios nacionais.A Constituição de 1934 • 117 XVI . j) bens do domínio federal. que deverá ser regulada e orientada. m) incorporação dos silvícolas à comunhão nacional. normas gerais sobre o trabalho. florestas. emigração e imigração. b) divisão judiciária da União. proclamação dos eleitos e expedição de diplomas. instituições de crédito. a produção e o consumo. da assistência social. do regime penitenciário. metalurgia. podendo ser proibida. dos Estados e dos Municípios. processo das eleições. . assegurada a exclusividade desta. e condições gerais da sua utilização em caso de mobilização _ ou de guerra. mineração. i) comércio exterior e interestadual. XVII .organizar a administração dos Territórios e do Distrito Federal e os serviços neles reservados à União. águas. recursos. câmbio e transferência de valores para fora do País. g) naturalização. aéreo e processual.fazer o recenseamento geral da população. entiada e expulsão de estrangeiros.conceder anistia. assim como do jornalismo. da assistência judiciária e das estatísticas de interesse coletivo. inclusive alistamento. riquezas do subsolo. J) matéria eleitoral da União. instrução. ou em razão da procedência. registros públicos e juntas comerciais. justiça e garantias das forças policiais dos estados. . d) desapropriações. h) sistema de medidas. podendo estabelecer limitações exigidas pelo bem público. totalmente.legislar sobre: a) direito penal. caça e pesca e a sua exploração. quanto a mercadorias. XVIII . apuração. requisições civis e militares.

à União: I . § 3º A competência federal para legislar sobre as matérias dos n°s XIV e XIX. saída c estadia de navios e aeronaves. c) de renda e proventos de qualquer natureza. de entrada. poderão. juntas comerciais e respectivos processos. suprir as lacunas ou deficiências da legislação federal. nos seus territórios.118 • A Constituição de 1934 § 1º Os atos.Os Estados terão preferência para a concessão federal. caça e pesca e a sua exploração. excetuada a renda cédula r de imóveis. de serviços portuários. mediante acordo com os respectivos governos. negócios da sua economia e instrumentos de contratos ou atos regulados por lei federal. Para atender às suas necessidades administrativas.cobrar taxas telegráficas. águas. mineração. de telégrafos e de outros de utilidade pública. J) nos Territórios. atendendo às peculiaridades locais. b) de consumo de quaisquer mercadorias. como subsidiárias da rede telegráfica da União. sendo livre o comércio de . As leis estaduais. nestes casos. emigração. e bem assim para a aquisição dos bens alienáveis da União. ou. os que a Constituição atribui aos Estados. não exclui a legislação estadual supletiva ou complementar sobre as mesmas matérias. sujeitas. às condições estabelecidas em lei ordinária. postais e de outros serviços federais. sem dispensar as exigências desta. energia hidroelétrica. de vias férreas. exceto os combustíveis de motor à explosão. metalurgia. II . arbitragem comercial. em casos especiais. pelos dos Estados. Art. t) sobre atos emanados do seu governo. desapropriações. letras cei. imigração e caixas económicas. riquezas do subsolo. floresta. § 2º. requisições civis e militares. ainda. de navegação aérea. d) de transferência de fundos para o exterior.decretar impostos: a) sobre a importação de mercadorias de procedência estrangeira. os Estados poderão manter serviços de radiocomunicação. § 4º As linhas telegráficas das estradas de ferro. nessa utilização. privativamente. decisões e serviços federais serão executados em todo o País por funcionários da União. 6º! Compete também. e sobre registros públicos. destinadas ao serviço do seu tráfego. continuarão a ser utilizadas no serviço público em geral. radiocomunicação. in fine.

II — prover. III — elaborar leis supletivas ou complementares da legislação federal. ej garantias do Poder Judiciário e do Ministério Público locais. b) transmissão de propriedade causa mortis. a expensas próprias. 5º. IV . . e às estrangeiras que já tenham pago imposto de importação. exceto a urbana. c) transmissão de propriedade imobiliária.exercer. os solicitar. a União prestar socorro ao Estado que. 8º Também compete privativamente aos Estados: I — decretar impostos sobre: a) propriedade territorial. g) possibilidade de reforma constitucional e competência do Poder Legislativo para decretá-la. porém. inter vivos. em geral. d) autonomia dos Municípios.A Constituição de 1934 • 119 cabotagem às mercadorias nacionais. inclusive a sua incorporação ao capital de sociedade. h) representação das profissões. devendo. c) tetnporariedade das funções eletivas. e proibida a reeleição de governadores e prefeitos para o período imediato. às necessidades da sua administração. todo é qualquer poder ou direito que lhes não for negado explícita ou implicitamente por cláusula expressa desta Constituição. 7º Compete privativamente aos Estados: I — decretar a Constituição e as leis por que se devam reger. 1 mediante acordo com o Governo da União. J) prestação de contas da administração. Art. d) consumo de combustíveis de motor à explosão. limitada aos mesmos prazos dos cargos federais correspondentes. § 3°. nos termos do art. b) independência e coordenação de poderes. em caso de calamidade pública. Art. respeitados os seguintes princípios: a) forma republicana representativa. incumbir funcionários federais de executar leis e serviços estaduais e atos ou decisões das suas autoridades. Podem os Estados. Parágrafo único.

Compete concorrentemente à União e aos Estados: I — velar na guarda da Constituição e das leis. o aumento do imposto de exportação. sem distinção de procedência. 9º É facultado à União e aos Estados celebrar acordos para a melhor coordenação e desenvolvimento dos respectivos serviços e. ou regulados por lei estadual. II — cuidar da saúde e assistência públicas. e o de transmissão causa moras de bens incorpóreos. § 2° O imposto de indústrias e profissões será lançado pelo Estado e arrecadado por este e pelo Município em partes iguais. IV — promover a colonização. podendo impedir a evasão de obras de arte. ou transferidos aos herdeiros. como tal definido na lei estadual. por tempo determinado. prevenção e repressão da criminalidade e permuta de informações.difundir a instrução pública em todos os seus graus. inclusive de títulos e créditos.120 •A Constituição de 1934 e) vendas e consignações efetuadas por comerciantes e produtores. arrecadação de impostos. j) exportação das mercadorias de sua produção até o máximo de dez por cento ad valorem vedados quaisquer adicionais. para a uniformização de leis. § 3º Em casos excepcionais. regras ou práticas. h) atos emanados do seu governo e negócio da sua economia. II — cobrar taxas de serviços estaduais. inclusive os industriais. § 1º O imposto de vendas será uniforme. III — proteger as belezas naturais e os monumentos de valor histórico ou artístico. Quando esta se haja aberta no exterior.criar outros impostos. será devido o imposto ao Estado em cujo território os valores da herança forem liquidados. V . Art. g) indústrias e profissões. 10º. ficando isenta a primeira operação do pequeno produtor.fiscalizar a aplicação das leis sociais. . Art. além dos que lhes são atribuídos privativamente. VII . destino ou espécie dos produtos. § 4º O imposto sobre transmissão de bens corpóreos cabe ao stado em cujo território se achem situados. ao Estado onde se tiver aberto a sucessão. além do limite fixado na letra/ de número I. o Senado Federal poderá autorizar. VI . especialmente.

mediante provocação do Procurador-Gera! da República. salvo: I . que lhe fixará a amplitude e a duração. . VIl . a intervenção será decretada por lei federal. prevalecendo o imposto decretado pela União quando a competência for concorrente. que atribuirá. E vedada a bítributação.para garantir o livre exercício de qualquer dos poderes públicos estaduais. 7º. A União não intervirá em negócios peculiares aos Estados. trinta por cento à União e vinte por cento aos Municípios de onde tenham provindo. Sem prejuízo do recurso judicial que couber.para por termo . ou de um Estado era outro. suspender. exofficio ou mediante provocação de qualquer contribuinte.para assegurar a observância dos princípios constitucionais especificados nas letras a e h do art. prorrogável por nova lei. declarar a existência da bitributação e determinar a qual dos dois tributos cabe a prevalência. V . o serviço da sua dívida fundada.para a execução de ordens e decisões dós juizes e tribunais federais § lº Na hipótese do n. Art.para reorganizar as finanças do Estado que. o lançamento e a arrecadação passarão a ser feitos pelo Governo Federal. § 2º Ocorrendo o primeiro caso do nº V. nesse caso. Se o Estadoj faltar ao pagamento das quotas devidas à União ou aos Municípios. A arrecadação dos impostos a que se refere o nºVII será feita pelos Estados. 7º. por mais de dois an'os consecutivos. incumbe ao Senado Federal. 11. sem motivo de força maior.para repelir invasão estrangeira. que entregarão. IV . ou autorizar o Presidente da República a nomeá-lo.VI.A Constituição de 1934 • 121 Parágrafo único. assim corno para assegurar a observância dos princípios constitucionais (art. Art. VI . dentro do primeiro trimestre do exercício seguinte. tomar conhecimento da lei que á tenha decretado a lhe declarar a constitucionalidade. trinta por cento ao Estado e vinte por cento aos municípios. 12. nº 1. à intervenção só se efetuará depois que a Corte Suprema. III .para manter a integridade nacional. e a execução das leis federais. nº I). II .à guerra civil. A Câmara dos Deputados poderá eleger o Interventor.

§ 8º No caso do nº IV. podendo aquele ser eleito por esta. se for necessário. ouvindo este. b) a falta injustificada do pagamento. facultando ao Interventor designado todos os meios de ação que se façam necessários. por solicitação dos Poderes Legislativo ou Executivo locais. b) decretar a intervenção: para assegurar a execução das leis federais. § 7º Quando o Presidente da República decretar a intervenção. no do nº III. para o que logo o convocará. os representantes dos poderes estaduais eletivos podem solicitar intervenção somente quando o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral lhes atestar a legitimidade. Os Municípios serão organizados de forma que lhes fique assegurada a autonomia em tudo quanto respeite ao seu peculiar interesse. dos vencimentos de qualquer membro do Poder Judiciário. podendo o requisitante comissionar o juiz que torne efetiva ou fiscalize a execução da ordem ou decisão.VII. e só temporariamente interrompe o exercício das autoridades que lhe deram causa e cuja responsabilidade será promovida.Entie as modalidades de impedimento do livre exercício dos poderes públicos estaduais (n2 IV). conforme o caso. § 6º Compete ao Presidente da República: a) executar a intervenção decretada por lei federal ou requisitada pelo Poder Judiciário. por mais de três meses. 13.IV. quando for o caso.122 • A Constituição de 1934 § 3º. . ou pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral. e nomeará o Interventor. e especialmente: I . § 4º A intervenção não suspende senão a lei estadual que a tenha motivado. submetendo em todas as hipóteses o seu ato à aprovação imediata do Poder Legislativo. nos casos dos nº I e II. a intervenção será requisitada ao Presidente da República pela Corte Suprema. no mesmo exercício financeiro. o tribunal inferior que houver julgado definitivamente as eleições. se incluem: a) o obstáculo à execução de leis e decretos do Poder Legislativo e às decisões e ordens dos juizes e tribunais. Art. e também para garantir o livre exercício do Poder Judiciário local. no do n. no mesmo ato lhe fixará o prazo e o obieto.a eletividade do prefeito e dos vereadores da Câmara Municipal. estabelecerá os termos em que deve ser executada. com prévia autorização do Senado Federal. § 5º Na espécie do a.

cabendo-lhe todas as despesas de caráter locai. § 2-. c a arrecadação e aplicação das suas rendas.! Ari. III . . para se anexar a outros ou formar novos Estados. por qualquer título legítimo. Lvwdos artigos 82. as normas do art. V — as taxas sobre serviços municipais. Legislativas em duas legislaturas sucessivas e aprovação por lei federal. IV . e dos que lhes forem transferidos pelo Estado. de nomeação do Presidente da República com a aprovação do Senado Federal. ou falta de pagamento da sua dívida fundada por dois anos consecutivos. 15. Art. As fontes de receita dó Distrito Federal são as mesmas que competem aos Estados e Municípios. § 4º Também lhe é permitido intervir tios Municípios. mediante aquiescência das respectivas Assembleias. o Território poderá ser.É facultado ao Estado a criação de um órgão de assistência técnica à administração municipal e fiscalização das suas finanças. subdividir-se ou desmembrar-se.000 habitantes e recursos suficientes para manutenção dos serviços públicos. § lº Logo que tiver 300. Art. II — os impostos predial e territorial urbanos. 14 Os Estados podem incorporar-se entre si. naquilo em que forem aolícáveis. parágrafo único. § lº O prefeito poderá ser de nomeação do Governo do Estado no Município da capital e nas estâncias hídrominerais. O Distrito Federal será administrado poi um prefeito.a organização dos serviços de sua competência. c 10. erigido em Estado.o imposto de licenças. a fim de lhes regularizar as finanças. cobrado o primeiro sob a forma de décima ou de cédula de renda. cabendo as funções deliberativas a uma Câmara Municipal eletiva. 16. § 3º. constituirão Territórios nacionais outros que venham a pertencer à União. por lei especial. quando se verificar impontualtdade nos serviços de empréstimos garantidos pelo Estado. § 2º-Além daqueles de que participam. e demissível ad nutum.A Constituição de 1934 • 123 II . III — o imposto sobre diversões públicas. pertencem aos Municípios: I . Além do Acre. 12.a decretação dos seus impostos e taxas.o imposto cedular sobre a renda de imóveis rurais. observadas.

impostos interestaduais. sem lei especial que o autor12 e. IV . A proibição constante do n. II .negar a cooperação dos respectivos funcionários. VI . ao Distrito Federal e aos Municípios: I . V — recusar fé aos documentos públicos.estabelecer. intermunicipais.alienar ou adquirir imóveis. Parágrafo único. gravem ou perturbem a livre circulação de bens ou pessoas e dos veículos que os transportarem. sendo prévia e equitativamente distribuídas as verbas destinadas às administrações locais e geral. IX — cobrar. rendas e serviços uns dos outros. ou conceder privilégio.X não impede a cobrança de taxas remunetatórias devidas pelos concessionários de serviços públicos. mantida. Art. VII — cobrar quaisquer tributos sem lei especial que os autorize ou fazê-los incidir sobre efeitos já produzidos por atos jurídicos perfeitos.tributar bens. de viação ou de transporte. por intermédio de um delegado da União. porém. III . ou quaisquer tributos que. estendendo-se a mesma proibição as concessões de serviços públicos.ter relação de aliança ou dependência com qualquer culto ou igreja. § 3º O Território do Acre será organizado sob o regime de prelas autónomas. VIII — tributar os combustíveis produzidos no País para motores à explosão. sem prejuízo da colaboração recíproca em prol do interesse coletivo. 17. aos Estados. a unidade administrativa territorial. .criar distinções entre brasileiros natos ou preferências em favor de uns contra outros Estados. no interesse dos serviços correlativos. subvencionar ou embaraçar o exercício de cul tos religiosos.124 • A Constituição de 1934 § 2º A lei assegurará a autonomia dos Municípios em que se dividir o território. quanto aos próprios serviços concedidos e ao respectivo aparelhamento instalado e utilizado exclusivamente para o objeto de concessão. X . É vedado à União. no território nacional. sob qualquer denominação.

adotar.AConstituição de1934 • 125 Art. municipal ou particular.-18.os lagos e quaisquer correntes em' terrenos do seu domínio.rejeitar a moeda legal em circulação. 19. IV . V . nos termos das leis atualmente em vigor. O Poder Legislativo é exercido pe'a Câmara dos Deputados. Art. 20. pelas justiças de outros Estados. São do domínio dos Estados: I — os bens da propriedade destes pela legislação atualmente cm vigor. para funções públicas idênticas. Art. É defeso aos Estados. sirvam de limites com outros países ou se estendam a território estrangeiro. II .os bens que a esta pertencem. 22. se por algum titulo não forem do domínio federal. entre bens de qualquer natureza. . ' Art.estabelecer diferença tributária. com a colaboração do Senado Federal. II . denominação diferente da estabelecida nesta Constituição. . ou que importem distinção em favor dos portos de uns contra os de outros Estados. São do domínio da União: I . com as restrições do artigo antecedente. II . 21. III .as margens dos rios e lagos navegáveis destinadas ao uso público.as ilhas fluviais e lacustres nas zonas fronteiriças. do Distrito Federal ou dos Territórios. reclamada de acordo com as leis da União. ou que banhem mais de um Estado.contrair empréstimo externo semiprévia autorização do Senado Federal. CAPÍTULO 11 DO PODER LEGISLATIVO SEÇÃO I Disposições Preliminares: Art. em razão da procedência. É vedado à União decretar (impostos que não sejam uniformes em todo o território nacional. III — denegar a extradição de criminosos. ao Distrito Federal e aos Municípios: I .

Os Territórios elegerão dois Deputados. compreendidas para esse efeito. 23.126 • A Constituição de 1934 Parágrafo único. por sufrágio indireto das associações profissionais. § 6º. até o máximo de vinte. eleitos mediante sistema proporcional e sufrágio universal. comércio e transporte. profissões liberais e funcionários públicos. proporcionalmente à população de cada Estado e do Distrito Federal.Na discriminação dos círculos. de seis sétimos da representação profissional. indústria. outro. por graus sucessivos.Os Deputados das profissões serão eleitos na forma da lei ordinária. os das profissões. no mínimo. dividido por dois a fim de garantir a representação igual de empregados e de empregadores. e de representantes eleitos pelas organizações profissionais. Cada legislatura durará quatro anos. a lei deverá assegurar a representação das aúvidades económicas e culturais do País. o número de Deputados do povo que devem ser eleitos em cada um dos Estados e no Distrito Federal. igual e direto. § 3º. de um por 250 mil habitantes. deste limite para cima. os do povo. igual e indireto. nas quatro divisões seguintes: lavoura e pecuária. eleitos mediante sufrágio secreto. na forma que a lei indicar.Ninguém poderá exercer o direito de voto em mais de uma associação profissional. § 1º. das associações de empregadores. dividindo-se cada uma em círculos correspondentes ao número de Deputados que lhe caiba. distribuídos igualmente entre elas. não podendo exceder de um por 150 mil habitantes. § 5º. O número de círculos da quarta categoria corresponderá ao dos seus Deputados. e. § 2° O Tribunal Superior de Justiça Eleitoral determinará. Art. haverá em cada círculo profissional dois grupos eleitorais distintos: um.O número de Deputados será fixado por lei. § 7º.Os grupos serão constituídos de delegados das associações.Excetuada a quarta categoria. com os grupos afins respectivos. das associações de empregados. e de acordo com os últimos cômputos oficiais da população. em total equivalente a um quinto da representação popular. . § 4º O total dos Deputados das três primeiras categorias será. com a necessária antecedência. A Câmara dos Deputados compõe-se de representantes do povo. § 8º.

regular a sua própria polícia. 25. passará ao exame e julgamento das contas do Presidente da República. 29. com a colaboração do Senado Federal. A Câmara dos Deputados reúne-se anualmente. Nenhuma alteração (regimental será aprovada sem proposta escrita. Ari. relativas ao exercício anterior. Somente à Câmara dos Deputados incumbe eleger a sua Mesa. alistados eleitores e maiores de 25 anos. sem dependência de convocação. para elaborar o Regimento Comum. presente a metade 'e mais um dos seus membros. Parágrafo único. 52. na Capital da República. Art. podendo ser convocada extraordinariamente por iniciativa de um terço dos seus membros. quanto possível. salvo se resolver o contrário. e o seu Regimento Interno. 24. Durante o prazo das suas sessões a Câmara dos Deputados funcionará todos os dias úteis. pela Seção Permanente do Senado Federal ou pelo Presidente da República. Art. serão tomadas por maioria de votos. com observância do art. Parágrafo único. e. A Câmara dos Deputados reunir-se-á 'em sessão conjunta com o Senado Federal. Art. para a inauguração solene da sessão legislativa. com a presença de um décimo pelo menos dos seus membros. Compete-lhe também resolver sobre o adiamento ou a prorrogação da sessão legislativa. organizar a sua Secretaria. a não ser nos casos expressos nesta Constituição. 39. receber o compromisso do Presidente da República e eleger o Presidente substituto. a representação proporcional das correntes de opinião nela definidas. n. Art. As deliberações. não votarão os estrangeiros. ainda. Art. distribuída em avulsos é discutida pelo menos em dois dias de sessão. 28. impressa. no caso do art. e funciona durante seis meses.ACanstituição de 1934 • 127 § 9° Nas eleições realizadas em tais associações. Inaugurada a Câmara dos Deputados. 26. pertencer a uma associação compreendida na classe e grupo que os elegerem. os representantes das profissões deverão. § 3º.6. . 27. em todas as Comissões. no qual se assegurará. sempre que estiver reunido. sob a direção dà Mesa deste. em sessões públicas. São elegíveis para a Câmara dos Deputados os brasileiros natos. no dia 3 de maio.

§ lº A prisão em flagrante de crime inafiançável será logo comunicada ao Presidente ca Câmara dos Deputados. a Câmara dos Deputados elegerá uma Comissão para organizá-las. 31. nem presos. Art. 32. Art. nenhum Deputado poderá: 1) ser diretor. desde a expedição do diploma.128 • A Constituição de 1934 Parágrafo único. Os Deputados. os Estados ou Municípios. incorporados às Foiças Armadas por licença da Cámaia dos Deputados. Se o Presidente da República não as prestar. 62. civis e militares. . 30. palavras e votos no exercício das funções do mandato. § lº Desde que seja empossado. ?. 3) acumular um mandato com outro de carater legislativo. determinará as providências para a punição dos que forem achados em culpa. 4) patrocinar causas contra a União. ficarão sujeitos às leis e obrigações militares. salvo as exceções previstas neste artigo e no art. conforme o resultado.Em tempo de guerra. Nenhum Deputado. não poderão ser processados criminalmente. sem licença da Câmara. Os Deputados são invioláveis por suas opiniões. em virtude de contrato com a adminis tração pública. 33. comissão ou emprego público re munerados. poderá: 1) celebrar contrato com a administração pública federal. Ari. § 2º. fixados uma e outro no último ano de cada legislatura para a seguinte. estadual ou municipal. desde que tiverem recebido diploma até a expedição dos diplomas para a legislatura subsequente. isenção ou favor. Esta imunidade é extensiva ao suplente imediato do Deputado em exercício. estadual ou municipal. com a remessa do auto e dos depoimentos tomados. federal. Art. e autorize. salvo caso de flagrância em crime inafiançável. 2) aceitar ou exercer cargo. proprietário ou sócio de empresa beneficiada com privilégio. formação da culpa. e. ou não. de que seja demissivel adnutum. Os Deputados receberão uma ajuda de custo por sessão legislativa e durante a mesma perceberão um subsídio pecuniário mensal. os Deputados. para que ela resolva sobre a sua legitimidade e conveniência. 2) ocupar cargo público.

garantindo-se plena defesa ao interessado. 34. Importa renúncia do mandato a ausência cio Deputado às sessões durante seis meses consecutivos. por duas legislaturas. Art. contará. cabe às suas Comissões. parágrafo único. o disposto no art. renúncia ou morte do Deputado. 37. Se o caso fot de vaga e não houver suplente. mediante provocação do Presidente da Câmara dos Deputados. A falta de comparência do Ministro. tempo para promoção. Art. Art. atinentes a assuntos do respectivo Ministério. no máximo.Igual faculdade. § 2º. § 4º No intervalo das sessões. sem justificação. cabendo-lhe então as vantagens correspondentes à sua condição. indicadas no Regimento Interno. § 3º Durante as sessões da Câmara. observando-se. não prevalecendo neste caso o disposto no art. aposentadoria ou reforma. Parágrafo único. o Deputado poderá reassumir as suas funções civis. salvo se faltarem menos de três meses para se encetrar a última sessão da legislatura. ptoceder-se-á à eleição. importa crime de responsabilidade. A Câmara dos Deputados pode convocar qualquer Ministro de Estado para perante ela prestar informações sobre questões prévia e expressamente determinadas. 164. sem outro qualquer provento do posto ou cargo que ocupe. . § 5º. salvo os casos do art. § 2º-. e no de vaga por perda do mandato. A Câmara dos Deputados criará comissões de inquérito sobre fatos determinados. e só receberá dos cofres públicos ajuda de custo e subsídio. na vigência do mandato. podendo. 34. mediante licença prévia da Câmara.A Constituição de1934 • 129 § 2º . funcionário civil ou militar. quanto ao militar. Nos casos dos arts.A infração deste artigo e seu parágrafo 1º importa a perda do mandato. ser promovido unicamente por antiguidade. Art. pelo menos. 36. será convocado o suplente na forma da lei eleitoral. decretada pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral. desempenhar missão diplomática. 35. Aplicam-se a tais inquéritos as normas do processo penal. de Deputado ou de eleitor. dos seus membros. o Deputado. § 1º. sempre que o requerer a terça parte.É permitido ao Deputado. 32. 33. e nos mesmos termos. e 62.

5) resolver sobre a execução de obras e manutenção de serviços da competência da União. autorizar emissões de papel-moeda de curso forçado. O voto será secreto nas eleições e nas deliberações sobre vetos e contas do Presidente da República. b) as medidas necessárias para facilitar. 7) transferir temporariamente a sede do Governo. entre os Estados. no início de cada legislatura. quando o exigir a segurança nacional. a prevenção e repressão da criminalidade e assegurar a prisão e extradição dos acusados e condenados. designarão dia e hora para ouvir os Ministros de Estado. t) a organização do Distrito Federal. 38. 3) dispor sobre a dívida pública da União e sobre os meios de pagá-la. 8) legislar sobre: a) o exercício dos poderes federais. regular a arrecadação e a distribuição das suas rendas. 4) aprovar as resoluções dos órgãos legislativos estaduais sobre incorporação. não podendo por disposições especiais concedê-las. com a sanção do Presidente da República: 1) decretar leis orgânicas para a completa execução da Constituição. Art. 39. fixar-lhes e altem l h e s os vencimentos. e. nesse período.130 • A Constituição de 1934 § 2º A Câmara dos Deputados. a qual. dos Territórios e dos serviços neles reservados à União. . aposentadorias e reformas. nem alterar as concedidas. abertura e operações de crédito. somente poderá ser modificada por iniciativa do Presidente da República. d) licenças. 6) criar e extinguir empregos públicos federais. e qualquer acordo entre estes. sempre por lei especial. Compete privativamente ao Poder Legislativo. subdivisão ou desmembramento de Estado. 2) votar anualmente o orçamento da receita e da despesa. que lhes queiram solicitar providências legislativas ou prestar esclarecimentos. SEÇÀO II Das Atribuições do Poder Legislativo Ari. a lei de fixação das Forças Armadas da União. ou as suas Comissões.

ou dependentes de lei federal. constantes do art. nos casos em que o Senado colabora com a Câmata. de todas as leis sobre matéria fiscal e financeira. decretados no intervalo das suas sessões. k) fixar a ajuda de custo e o subsídio dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal e o subsídio do Presidente da República. Art. b) autorizar o Presidente da República a declarar a guerra. d) aprovar ou suspender o estado de sítio. e a intervenção nos Estados. e) conceder anistia. § lº Compete exclusivamente à Câmara dos Deputados e ao Presidente da República a iniciativa das leis de fixação das Forças Armadas. cabe a qualquer membro ou Comissão da Câmara dos Deputados. nos termos do art. § lº. e a negociar a paz. . jf prorrogar as suas sessões. g) mudar temporariamente a sua sede. j) autorizar a decretação e a prorrogação do estado de sítio.A Constituição ás 1934 • 13 1 e) todas as matérias de competência da União. inclusive os relativos à paz. A iniciativa dos projetos de lei. celebrados pelo Presidente da República. E da competência exclusiva do Poder Legislativo: a) resolver definitivamente sobre tratados c convenções com as nações estrangeiras. ao Plenário do Senado Federal e ao Presidente da República. na hipótese do art. 4º. se não couber ou malograr-se o recurso do arbitramento. guardado o disposto nos parágrafos deste artigo. 12. SEÇÃOIII Das Leis Art. As leis. i) decretar a intervenção nos Estados. por força da Constituição. decretos c resoluções da competência exclusiva do Podet Legislativo setão promulgados c mandados publicar peio Presidente da Câmara dos Deputados. também a qualquer dos seus membros ou Comissões. c) julgar as contas do Presidente da República. Parágrafo único. 40. e. 5º. em geral. h) autorizar o Presidente da República a auseritar-se para país estrangeiro. suspendê-las e adiá-las. 41.

Compete exclusivamente ao Senado Federal a iniciativa das leis sobre a intervenção federal. Não tendo sido o projeto iniciado no Senado Federal. das que interressem determinadamente a um ou mais Estados. dentro de dez dias úteis. remetendo-se. volverá ao órgão revisor. para os fins da sanção e promulgação. será enviado ao Presidente da República. O projeto de lei da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. Art. ou a parte vetada.Ressalvada a competência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. ao Presidente da República. no seu texto definitivamente aprovado. 42. depois de por ele aprovado. ou o que não dependa da colaboração deste. criem empregos em serviços já organizados ou modifiquem. no todo ou em parte. a contar daquele em que o receber. independentemente de parecer. Transcorridos sessenta dias do recebimento de um projeto de lei pela Câmara. Art. ser-lhe-á submetido. para ser discutido e votado. 44. que só as poderá manter por dois terços dos votos dos membros presentes. e. devolvcndo-o ao iniciador. aceitando as emendas. ao Presidente da República. 4º. Quando o Presidente da República julgar um projeto de lei. quando este tenha de colaborar. Art. devolvendo nesse prazo. Art. . § 3º. a requerimento de qualquer Deputado. se emendado pelo órgào revisor. Aprovado peia Câmara dos Deputados. nessa conformidade. o projeto de lei iniciado no Senado Federal. se o Senado Federal. se for a Câmara dos Deputados. quanto aos respectivos serviços administrativos. total ou parcialmente. § 1º No caso contrário. à Câmara dos Deputados. será submetido à sanção. sem modificações. a lei de fixação das Forças Armadas. Este só as poderá rejeitar definitivamente por igual maioria. mandá-lo-á incluir na ordem do dia. que. durante o prazo da sua vigência. o vetará. Parágrafo único. volverá ao iniciador. e com os motivos do veto. o qual. § 2º O projeto. mas dependendo da sua colaboração. aquiescendo. enviá-lo-á modificado. o Presidente desta. inconstitucional ou contrário aos interesses nacionais. pertence exclusivamente ao Presidente da República a iniciativa dos projetos de lei que aumentem vencimentos de funcionários. o projeto. o sancionará e promulgará. em geral. ou por dois terços dos seus membros.132 • A Constituição de 1934 § 2º. 45.

Art. sempre que assim considerar necessário aos interesses nacionais.e 2º. Ari. Os projetos rejeitados não poderão ser renovados na mesma sessão legislativa.A Constituição de 1934 • 133 § 1º.O silêncio do Presidente da República. sendo aprovado pelos mesmos trâmites e por igual maioria. SEÇÃO IV Da Elaboração do Orçamento Art. e. usando da seguinte fórmula: "O Presidente da Câmara dos Deputados faz saber que o Poder Legislativo decreta e promulga a seguinte lei". 49. incorporando-se obrigatoriamente à receita todos os tributos. Art. § 4º A sanção e a promulgação efetuam-se por estas fórmulas: 1) "O Poder Legislativo decreta e eu sanciono à seguinte lei". será submetido. Não sendo a lei promulgada dentro de 48 horas pelo Presidente da República. nos casos dos §§ 1º. e in- . e esta o publicará. dentro de trinta dias do seu recebimento.Devolvido o projeto à Câmara dos Deputados. depois de revistos pelo Senado Federal e por uma comissão especial da Câmara dos Deputados. § 2º. O orçamento será uno. se este houver nele colaborado. Podem ser aprovados em globo os projétos de código e de consolidação de dispositivos legais. quando esta assim resolver por dois terços dos membros presentes. será enviado. importa à sanção. o veto será comunicado à Seção Permanente do Senado Federal. o Presidente da Câmara dos Deputados a promulgará. 47.do artigo 45. convocando extraordinariamente a Câmara dos Deputados para sobre ele deliberar. Os projetos de lei serão apresentados com a respectiva emenda. para a formalidade da promulgação. à discussão única. ao Presidente da República. de forma sucinta. Art. no decêndio. o projeto será remetido ao Senado Federal. o seu objetivo. como lei. considerando-se aprovado se obtiver o voto da maioria absoluta dos seus membros. 50. rendas e suprimentos dos fundos. enunciando. Neste caso. 48. ou da reabertura dos trabalhos. e não poderão conter matéria estranha ao seu enunciado.seguinte lei". com parecer ou sem ele. 46. 2) "O Poder Legislativo decreta e eu promulgo a. § 3º No intervalo das sessões legislativas.

§ lº A eleição presidencial far-se-á em todo o território da República. § lº O Presidente da República enviará à Câmara dos Deputados. § 3º. § 5° Será prorrogado o orçamento vigente se até 3 de novembro o vindouro não houver sido enviado ao Presidente da República para a sanção. b) a aplicação de saldo.134 •AConstituição de1934 cluindo-se discnminadamente na despesa todas as dotações necessárias ao custeio dos serviços públicos. a proposta de orçamento. § 2º.O orçamento da despesa dividir-se-á em duas partes. qualquer que tenha sido a duração desta.A lei de orçamento não conterá dispositivo estranho à receita prevista e à despesa fixada para os serviços anteriormente criados. 51. se esta ocorrer dentro dos dois primeiros anos. ou sessenta dias depois de aberta a vaga. direto. cento e vinte dias antes do término do quadriénio. Art. secreto e maioria de votos. uma fixa e outra variável. por sufrágio universal. ou o modo de cobrir o déficit. não podendo a primeira ser alterada senão em virtude de lei anterior. não podendo o Presidente da República ser reeleito senão quatro anos depois de cessada a sua função. A parte variável obedecerá a rigorosa especialização. § 4º É vedado ao Poder Legislativo conceder créditos ilimitados. dentro do primeiro mês da sessão legislativa ordinária. . CAPÍTULO III DO PODER EXECUTIVO SEÇÃO I Do Presidente da Ripública Art. Não se incluem nesta proibição: a) a autorização para a abertura de créditos suplementares e operações de créditos por antecipação de receita. O Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República. O período presidencial durará um quadriênio. 52.

inclusive os afins. exercerá o cargo pelo tempo que restava ao substituído. eleito na forma do parágrafo anterior e da última parte do § lº. trinta dias após.anos de idade. com a presença da maioria dos seus membros. c) os substitutos eventuais do Presidente da República que tenham exercido o cargo por qualquer tempo. assim como nos de impedimento ou falta do Presidente da República. se o Presidente da República. ou. Art. a apuração realizar-se-á. Se no primeiro escrutínio nenhum candidato obtiver essa maioria. e ainda que licenciadas um ano antes Ida eleição. Em caso de empate. o Presidente da República pronunciará. se não estiverem reunidos. 112. dentro de sessenta dias.. Ao empossar-se.São inelegíveis para o cargo de Presidente da República: a) os parentes até o 3. perante a Corte Suprema.São condições essenciais para ser eleito Presidente da República: ser brasileiro nato.A Constituição de 1934 • 135 § 2º. a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. o do Senado Federal e o da Corte Suprema. § 6º. 53.grau. cabeado ao seu Tribunal Superior proclamar o nome do eleito. e providenciará logo para que se efetue nova eleição. b) as autoridades enumeradas no art. pela Justiça Eleitoral. § 3º Se a vaga ocorrer nos dois últimos anos do período. durante o prazo nele previsto.Decorridos sessenta dias da data fixada para a posse. e as enumeradas na letta b do mesmo artigo. § 8º Em caso de vaga no último semestre do quadriênio. em sessão conjunta. este compromis- . o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral declarará a vacância deste. § 4º O Presidente da República. dentro dos seis meses imediatamente anteriores à eleição. § 5. em sessão conjunta da Câmara dos Deputados com o Senado Federal. do Presidente que esteja em exercido. § 7. a eleição se fará por maioria relativa. serão chamados sucessivamente a exercer o cargo o Presidente ida Câmara dos Deputados. mediante escrutínio secreto e por maioria absoluta de votos. considerar-se-á eleito o mais velho. nº 1. por qualquer motivo. letra a. elegerão o Presidente substituto. ou não o haja deixado pelo menos um ano antes da eleição. estar alistado eleitor e ter mais de 35. não houver assumido o cargo.Em um e outro caso.

após autorização do Poder Legislativo. o disposto no art. e expedir decretos e regulamentos para a sua fiel execução. promover o bem geral do Brasil. 15. quanto a este.136 • A Constituição ds 1934 so: "Prometo manter e cumprir com lealdade a Constituição Federal. administrando-as por intertnédio dos órgãos do alto comando. e. as providências e reformas que julgue necessárias. Art. a integridade e a independência". 7) exercer a chefia suprema das forças militares da União. mediante autorização da Seção Permanente do Senado Federal. promulgar e fazer publicar as leis. 11) permitir. no último ano da legislatura anterior à sua eleição. penas criminais. sob pena de petda do cargo. da Seção Permanente do Senado Federal. 10) fazer a paz. observando. ad referendum do Poder Legislativo. . não poderá ausentar-se para país estrangeiro sem permissão da Câmara dos Deputados. sustentar-lhes a união. observar as suas leis. depois de autorizado pelo Poder Legislativo. 1) sancionar. 56. 3) perdoar e comutar. Art. indicando-lhe. O Presidente da República. na ausência da Câmara dos Deputados. ou. mediante proposta dos órgãos competentes. 55. Compete privativamente ao Presidente da República. 5) manter relações com os Estados estrangeiros. 2) nomear e demitir os Ministros de Estado e o Prefeito do Distrito Federal. quando por este autorizado. SEÇÃO II Das Atribuições do Pnesidente da República Art. 9) declarar a guerra. não estando esta reunida. a passagem de forças estrangeiras pelo território nacional. por ocasião da abertura da sessão legislativa. ad referendum do Poder Legislativo. O Presidente da República terá o subsídio fixado pela Câmara dos Deputados. 4) dar conta anualmente da situação do País à Câmara dos Deputados. 6) celebrar convenções e tratados internacionais. 54. em caso de invasão ou agressão estrangeira. 8) decretar a mobilização das Forças Armadas.

14) prover os cargos federais. nos termos do art. O Presidente da República será processado e julgado. nos termos do § 4º. de acordo com o artigo 175. i) o cumprimento das decisões judiciárias. que atentarem contra: a) a existência da União.A Constituição de 1934 • 137 12) intervir nos Estados ou neles executar a intervenção. b) as leis orçamentarias. 16) autorizar brasileiros a aceitarem pensão. sendo três Ministros da Corte-Suprema. § 7°. 13) decretar o estado de sítio. Art. O Presidente terá apenas voto de qualidade. sociais ou individuais. de um membro do Senado Federale de um repre- . emprego ou comissão remunerados de governo estrangeiro. SEÇÃO III Da responsabilidade do Presidente da República Art. depois de decretada a acusação. e) a segurança interna do País. definidos cm lei. g) a guarda ou emprego legal dos dinheiros públicos. por um Tribunal Especial. ou no caso do § 5º deste artigo. composta de um Ministro da referida Corte. d) o gozo ou o exercício legal dos direitos políticos. os projetos de lei aprovados pelo Poder Legislativo. 57. São crimes de responsabilidade os atos : do Presidente da República. nos crimes comuns. 15) vetar. dentro de cinco dias úteis. § 2º A denúncia será oferecida ao Presidente da Corte Suprema. b) a Constituição e a forma de governo federal c) o livre exercício dos poderes políticos. e. que convocará logo a Junta Especial de Investigação. e três membros da Câmara dos Deputados. nos de responsabilidade. pela Corte Suprema. 45. 58. que terá como Presidente o da referida Corte e se comporá de nove juizes. nos termos constitucionais. § lº Far-se-á a escolha dos juizes do Tribunal Especial por sorteio. três membros do Senado Federal. salvo as exccções previstas na Constituição e nas leis. f) a probidade da administração.

e. eleitos anualmente pelas respectivas corporações. b) expedir instruções para a boa execução das leis e regulamentos. . e este decrete. SEÇÃO IV Dos Mimstros de Estado Art. o Presidente da República ficará. processe e julgue a denúncia. no caso afirmativo.O Tribunal Especial poderá aplicar somente a pena de perda do cargo. pode ser Ministro. no caso afirmativo. a seu critério. ou não. e) apresentar ao Presidente da República o relatório dos serviços do seu Ministério no ano anterior. a acusação. a acusação. ouvido o Presidente.138 • A Constituição de 1934 sentante da Câmara dos Deputados. e. maior de 25 anos. Art. para que promova a formação do Tribunal Especial. § 7º. afastado do exercício do cargo. esta. desde logo. para o devido processo e julgamento. Só o brasileiro nato. competirá aos Ministros: a) subscrever os atos do Presidente da República. § 5º Não se pronunciando a Câmara dos Deputados sobre a acusação no prazo fixado no § 4º. depois de emitido parecer pela comissão competente. § 6) Decretada a acusação. § 4º Submetido o relatório da Junta Especial. Além das atribuições que a lei ordinária fixar. à Câmara dos Deputados. 60. enviará à Câmara dos Deputados um relatório com os documentos respectivos. decretará. 59. ou não. O Presidente da República será auxiliado pelos Ministros de Estado. com os documentos. à investigação dos fatos arguidos e. Parágrafo único. o Presidente da Junta de Investigação remeterá cópia do relatório e documentos ao Presidente da Corte Suprema. com inabilitação até o máximo de cinco anos para o exercício de qualquer função pública. alistado eleitor. ordenará a remessa de todas as peças ao Presidente do Tribunal Especial. dentro de trinta dias. § 3º A Junta procederá. sem prejuízo das ações civis e criminais cabíveis na espécie.

e o da Fazenda. ao Presidente da República para ser enviado à Câmara dos Deputados. pela arrecadação da receita. Parágrafo único. o balanço definitivo da receita e despesa do último exercício. nomeados Ministros de Estado. 62. 63. com o parecer do Tribunal de Contas. infim. Ao Ministro da Fazenda compete mais: 1) organizar a proposta geral do orçamento da receita e despesa. pelo Tribunal Especial. 2) apresentar. não perdem o mandato. Art. § 1º. que os Ministros praticarem ou ordenarem. pelos suplentes respectivos. Os membros da Câmara dos Deputados. 64. com os elementos de que dispuser e os fornecidos pelos outros ministérios. 37. sendo substituídos. c) os juizes e tribunais militares.Nos crimes comuns e nos de responsabilidade. b) os juizes e tribunais federais. ou praticarem por ordem deste. São crimes de responsabilidade. além do previsto no art.A Constituição de 1934 • 139 d) comparecer à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal nos casos e para os fins especificados na Constituição: e) preparar as propostas dos orçamentos respectivos. nos termos do art. § 2º Os Ministros são responsáveis pelos atos que subscreverem. Art. Ari. os Ministros serão processados e julgados pela Corte Suprema. d) os juizes e tribunais eleitorais. Salvo as restrições expressas na Constituição. ainda que conjuntamente com o Presidente da República. os juizes gozarão das garantias seguintes: . e nos crimes conexos com os do Presidente da República. além disso. entendendo-se que. 57. CAPÍTULO IV DO PODER JUDICIÁRIO SEÇÃO I Disposições Preliminares Art. São órgãos do Poder Judiciário: a) a Corte Suprema. enquanto exerçam o cargo. 61. cada Ministro responderá pelas despesas do seu ministério. no tocante às leis orçamentarias. os atos definidos em lei. anualmente.

A Justiça da União e a dos Estados não podem reciprocamente intervir em questões submetidas aos tribunais e juizes respectivos. salvo os casos expressos na Constituição. c) irredutibilidade de vencimentos. É vedada ao juiz atividade político-partidána. todavia. Nenhuma percentagem será concedida a magistrado em virtude de cobrança de dívida. organizar as suas secretarias. nem lhes anular. aos seus membros. alterar ou suspender as decisões. Parágrafo único. sujeitos aos impostos gerais. por promoção aceita.140 • A Constituição de 1934 a) vitalidadade. 66. aos juizes e serventuários que lhes são imediatamente subordinados. observados os preceitos legais. Art. b) inamovibilidade. 65. c) nomear. Art. Compete aos tribunais: a) elaborar os seus regimentos internos. Art. Os juizes. salvo remoção a pedido. 70. ou pelo voto de dois terços dos juizes efetivos do tribunal superior competente. os quais ficam. 67. e propor ao Poder Legislativo a criação ou supressão de empregos e a fixação dos vencimentos respectivos. Art.. a qual será compulsória aos 75 anos de idade. ou ordens. ou por motivo de invalidez comprovada. ainda que em disponibilidade. salvo o magistério e os casos previstos na Constituição. Art. Art. exoneração a pedido. não podem exercer qualquer outra função pública. os seus cartórios e mais serviços auxiliares. 69. ou aposentadoria. com funções limitadas ao preparo dos processos e à substituição de juizes julgadores. É vedado ao Poder Judiciário conhecer de questões exclusivamente políticas. dos seus cartórios e serviços auxiliares. e definidos em lei. e facultativa em razão de serviços públicos prestados por mais de trinta anos. b) conceder licença. em virtude de interesse público. substituir e demitir os funcionários das suas secretarias. 68. A vitaliciedade não se estenderá aos juizes criados por lei federal. . nos termos da lei. A violação deste preceito importa a perda do cargo judiciário e de todas as vantagens correspondentes. não podendo perder o cargo senão cm virtude de sentença judiciária.

ou por oficiais judiciários privativos. com aprovação do Senado Federal. sob proposta da Corte Suprema. 58. não devendo ter.A Constituição de 1934 • 141 § lº Os juizes e tribunais fedetais poderão. nem mais de 65 anos de idade. a força pública estadual ou federal prestará o auxílio requisitado na forma da lei.Também. A Corte Suprema. alistados eleitores. compõe-se de onze Ministros. a que se refere o art. serão os autos remetidos ao juízo competente. dcprecat às Justiças locais competentes as diligências que se houverem de efetuar fora da sede do juízo deprecante. não determinará a nulidade dos atos processuais probatórios e ordinatóríos. Nos crimes de responsabilidade. 179. Art. A Corte Suprema compete: 1) processar e julgar originariamente: . 71. 74. Em todos os casos. e. em qualquer caso. Art. pode o número de Ministros ser elevado por lei até dezesseis. Art. § 2º As decisões da Justiça Federal serão executadas pela autoridade judiciária que ela designar. menos de 35. é irreduzível. salvo os magistrados. 75. 72. para conhecer do feito. A incompetência da ]ustiça Federal. É mantida a instituição do júri. os Ministros da Corte Suprema serão processados e julgados pelo Tribunal Especial. 73. oalocal. § 1º Sob proposta da Corte Suprema. poderá a lei dividi-la em câmaras ou turmas. 76. e distribuir entre estas ou aquelas os julgamentos dos feitos. SEÇÃO II Da Corte Suprema Art. onde prosseguirá o processo. § 2º. Os Ministros da Corte Suprema serão nomeados pelo Presidente da República. desde que a parte não a tenha arguido. com sede na Capital da República e jurisdição em todo o território nacional. respeitado o que dispõe o art. Art. com a organização e as atribuições que lhe der a lei. Art. dentre brasileiros natos de notável saber jurídico e reputação ilibada. com recurso ou não para o tribunal pleno. Reconhecida a incompetência. todavia.

h) o habeas corpus. requisitada por outras nações.142 • A Constituição de 1934 a) o Presidente da República e os Ministros da Corte Suprema. quanto aos Ministros de Estado. § lº. c) os juizes federais e os seus substitutos. e. no caso do art. ou coator. nos crimes comuns e nos de responsabilidade. . incluídos. quando for paciente. d) as causas e os conflitos entre a União e os Estados.78 e 79. b) as questões resolvidas pelo Tribunal Superior de Justiça Eleitoral. b) os Ministros de Estado. j) a execução das sentenças. funcionário ou autoridade. nos crimes de responsabilidade. ou quando se tratar de crime sujeito a essa mesma jurisdição em única instância. e entre juizes ou tribunais de Estados diferentes. se houver perigo de se consumar a violência antes que outro juiz ou tribunal possa conhecer o pedido. os Ministros do Tribunal de Contas e os Embaixadores e Ministros Diplomáticos. cujos atos estejam sujeitos imediatamente à jurisdição da Corte. o disposto no final do § lº do art. entre estes e os dos Estados. II — em recurso ordinário: a) as causas. os juizes dos tribunais federais e bem assim os das Cortes de Apelação dos Estados. e a homologação de sentenças estrangeiras. o Procurador-Geral da República. do Distrito Federal e dos Territórios. g) a extradição de criminosos. com a faculdade de delegar atos do processo a juiz inferior. 61. ainda. 2) julgar: I — as ações rescisórias dos seus acórdãos. denegatórias de habeas corpus. ou entre estes. i) o mandado de segurança contra atos do Presidente da República ou de Ministro de Estado. nas duas últimas hipóteses. tribunal. decididas por juizes e tribunais federais. os do Distrito Federal e os dos Territórios. nas causas da sua competência originária. 83. inclusive mandados de segurança. salvo. nos crimes comuns. c) as decisões de última ou única instância das Justiças locais e as de juizes e tribunais federais. f) os conflitos de jurisdição entre juizes ou tribunais federais. sem prejuízo do disposto nos arts. e) os litígios entre nações estrangeiras e a União ou os Estados.

c a decisão do tribunal locai negai aplicação à lei impugnada. h.g. nos casos e pela forma que a lei determinar. letra d. Nos casos do nº 2. a requerimento do réu. Caberá recurso para a Corte Suprema. podendo atribuir-lhes o julgamento final das revisões criminais. sempre que tenha sido controvertida matéria constitucional e. quando assim o exigirem os interesses da Justiça. III. inclusive os militares e eleitorais. 77. Compete ao Presidente da Corte Suprema conceder exequtar às cartas rogatórias das Justiças estrangeiras. c) quando se contestar a validade de lei ou ato dos governos locais em face da Constituição. Parágrafo único. ou de lei federal. Parágrafo único. SEÇÃO III Dos juizes e Tribunais Federais Art. os processos findos em matéria criminal. A lei criará tribunais federais. ou entre um destes tribunais e a Corte Suprema. letras d. i e k assim como os conflitos de jurisdição entre juizes federais de circunscrição cm que esses tribunais tenham competência. b) quando se questionar sobre a vigência ou a validade de lei federal em face da Constituição.A Constituição de 1934 • 143 III — em recurso extraordinário. nos casos de denegação de habeas corpus. 3) rever. excetuadas as sentenças do Supremo Tribunal Militar. inclusive do Distrito Federal ou dos Territórios. em benefícios dos condenados. Art. 81. . sobre cuja aplicação se haja questionado. o recurso poderá também set interposto pelo presidente de qualquer dos tribunais ou pelo Ministério Público. as causas decididas pelas Justiças locais em única ou última instância: a) quando a decisão for contra literal disposição de tratado ou lei federal. e das causas referidas no art. 78. ou outro tribunal federal. e a decisão dó tribunal local julgar válido o ato ou a lei impugnados. d) quando ocorter diversidade de interpretação definitiva de lei federal entre Cortes de Apelação de Estados diferentes. do Ministério Público ou de qualquer pessoa. ainda.

derivados de contratos públicos. A nomeação será feita pelo Presidente da República dentre cinco cidadãos. É criado um tribunal. 80. Art. na forma da lei. ou a defesa. Aos juizes federais compete processar e julgar. c) as causas fundadas em concessão federal ou cm contrato celebrado com a União. diteta e exclusivamente em dispositivo da Constituição. cuja denominação e organização a lei estabelecerá. e das sentenças dos juizes federais nos litígios em que a União for parte. alistados eleitores. no todo ou em parte. ou se tejam. e por escrutínio secreto. Competirá a esse tribunal. salvo recurso voluntário para a Corte Suprema nas espécies que envolveram matéria constitucional: 1) os recursos de atos e decisões definitivas do Poder Executivo. e que não tenham menos de 30. com os requisitos acima exigidos. e) as causas entre Estado estrangeiro e pessoa domiciliada no Brasil. ou domiciliados em país estrangeiro ou contra autoridade administrativa federal. 74. Os juizes federais serão nomeados dentre brasileiros natos de reconhecido saber jurídico e reputação ilibada. nomeados pelo Presidente da República.144 • A Constituição de 1934 Art. julgar privativa e definitivamente. pelo direito administrativo. pela Corte Suprema. na forma e com os requisitos determinados no art. dispensado este limite aos que fotem magistrados. 2) os litígios entre a União e os seus credores. 79. Art. d) as questões entre um Estado e habitantes de outro. quando fundadas em lesão de direito individual. . por ato ou decisão da mesma autoridade. Parágrafo único. 81. nem mais de 60 anos de idade. contanto que uns e outros digam respeito ao funcionamento de serviços públicos. em primeira instância: a) as causas em que a União for interessada como autora ou ré. e indicados. composto de juizes. Parágrafo único. b) os pleitos em que alguma das partes fundar a ação. assistente ou opoente. nos termos que a lei estabelecer.

inclusive o de regresso ao Brasil de estrangeiro expulso. na Capital da República. A Justiça Eleitoral terá por órgãos: o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral. embora interessada. 82. § lº O Tribunal Superior será presidido pelo Vice-Presidente da Corte Suprema. Parágrafo único. assistente ou opoente. além das juntas especiais admitidas no art. l) os crimes praticados contra a ordem social. SEÇÃO IV Da Justiça Eleitoral Art. b) outro terço. k) os mandados de segurança contra atos de autoridades federais. quando se tratar de crime de competência da Justiça Federal. excetuado o caso do art. I . letra i. j) os habeos corpus. O disposto no presente artigo. não exclui a competência da Justiça local nos processos de falência e outros em que a Fazenda Nacional. ou quando a coação provier de autoridades federais. sorteado dentre os Ministros da Corte Suprema. cabendo o encargo ao . e de navegação aérea.A Constituição. i) os crimes políticos. um Tribunal Regional na capital de cada Estado. g) as questões de direito marítimo e navegação no oceano ou nos rios e lagos do País. escolhidos do modo seguinte: a) um terço. letra a. 83. ressalvada a competência da Justiça Eleitoral ou Militar. sorteado dentre os desembargadores do Distrito Fedcral .Vice-Presidente nos tribunais onde houver mais de um. h) essas questões de direito internacional privado ou penal. na do Território do Acre e no Distrito Federal. 76. § 2º O Tribunal Superior compor-se-á do Presidente e de juizes efetivos e substitutos. § 3-. e os Regionais pelos Vice-Presidentes das Cortes de Apelação. ré. não subordinadas imediatamente à Corte Suprema. e os praticados em prejuízo de serviços ou interesses da União. e juizes singulares nas sedes e com as atribuições que a lei designar. não intervenha como autora.de 1934 • 145 f) as causas movidas com fundamento em contrato ou tratado do Brasil com outras nações.

sob proposta da Corte de Apelação. o segundo terço será completado com desembargadores da Corte de Apelação. caberá: a) organizar a divisão eleitoral da União. do juiz federal que a lei designar e de juizes de direito com exercício na mesma sede. indicados pela Corte Suprema. § 6º Durante o tempo em que servirem. nomeado peio Presidente da República. a qual só poderá alterar quiinquenalmente. porém. que terá competência privativa para o processo das eleições federais.146 • A Constituição de 1934 c) o terço restante. N ã o havendo na sede juizes de direito em número suficiente. e os demais serão nomeados pelo Presidente da República. nos três últimos ou nos três primeiros meses dos períodos governamentais. com jurisdição plena. . Art. por mais de dois biénios consecutivos. de maneira que se eferuem. 52. a lei organizará a rotatividade dos que pertencerem aos tribunais comuns. § 3º. em regra. d) Exar a data das eleições. e excetuada a de que trata o art. quando não determinada nesta Constituição ou nas dos Estados. inclusive as dos representantes das profissões. e que não sejam incompatíveis por lei. dentre os desembargadores da respectiva sede. c) adotar ou propor providências para que as eleições se realizem no tempo e na forma determinados em lei. nessa qualidade. não terão outras incotnpatibilidades senão as que forem declaradas nas leis orgânicas da mesma Justiça. dentre seis cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada. nos termos da lei. Para esse fim. b) fazer o alistamento. nunca. do Distrito Federal e dos Territórios. § 4º Se o número de membros dos tribunais eleitorais não for exatamente divisível por ttês. 64. À Justiça Eleitoral. 83. dos Estados. salvo cm caso de modificação na divisão judiciária ou administrativa do Estado ou Território e em consequência desta. § 3º Os tribunais regionais compor-se-ão de modo análogo: um terço. e. o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral determinará a distribuição entre as categorias acima discriminadas. as funções de juizes eleitorais. estaduais e municipais. de sorte que caiba ao Presidente da República a nomeação da minoria. outro. § 7º Cabem a juizes locais vitalícios. os órgãos da Justiça Eleitoral gozarão das garantias das letras b e c do art. § 5º Os membros dos tribunais eleitorais servirão obrigatoriamente por dois anos.

A lei regulará também a jurisdição dos juizes militares e a aplicação das penas da legislação militar. § 6º Ao Tribunal Superior compete regular a forma e o processo dos recursos de que lhe caiba conhecer. dar-se-á recurso da decisão do Tribunal Regional para o Tribunal Superior. pelo menos. ou na zona de operações durante grave comoção intestina. quando não observada a jurisprudência deste. ou contra as instituições militares. para a apuração das eleições municipais. § 2º Os tribunais regionais decidirão. sobre eleições municipais. 85. § 5º Em todos os casos. Nestes casos haverá recurso para a Corte Suprema. inclusive a de Governador. em última instância. e as que negarem habeàs corpus. em tempo de guerra. § 42 Nas eleições federais e estaduais. 84. em que cabe recurso diretamente para a Corte Suprema. § 3º A lei poderá organizar juntas especiais de três membros. e no do § 5º. exceto nos casos do §1º. serão magistrados. de ato ou de lei em face da Constituição Federal. salvo as que pronunciarem a nulidade. § lº As decisões do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral são irrecorriveis. SEÇAOV Da justiça Militar Art. Este foro poderá ser estendido aos civis. J) conceder habias corpus e mandado de segurança em casos pertinentes a matéria eleitoral. g) proceder à apuração dos sufrágios e proclamar os eleitos. h) processar e julgar os delitos eleitorais e os comuns que lhes forem conexos. nos casos estabelecidos nesta Constituição e nas dos Estados. caberá recurso para o Tribunal Superior de Justiça Eleitoral da decisão que proclamar os eleitos. para a repressão de crimes contra a segurança externa do País. . ou invalidade. Art. nos casos expressos em lei. dos quais dois.A Constituição de 1934 • 147 e) resolver sobre as arguições de inelegibilidade e incompatibilidade. Os militares e as pessoas que lhes são assemelhadas terão foro especial nos delitos militares. i) decretar perda do mandato legislativo.

as dos Ministros do Tribunal de Contas. São órgãos da Justiça Militar o Supremo Tribunal Militar e os tribunais e juizes inferiores. O Senado Federal compor-se-á de dois representantes de cada Estado e do Distrito Federal eleitos mediante sufrágio universal. as nomeações de magistrados. velar pela Constituição. § 1. renovar-se-á pela metade. São atribuições privativas do Senado Federal: a) aprovar. por oito anos. nos termos dos arts. Art. Ao Senado Federal. dentre brasileiros natos. 87. incumbe promover a coordenação dos poderes federais entre si.A representação de cada Estado e do Distrito Federal.91 e 92. 90. igual e direto. manter a continuidade administrativa. § 2. de conformidade com o art.148 • A Constituição de 1934 Art. A inamovibilidade assegurada aos juizes militares não exclui a obrigação de acompanharem as forças junto às quais tenham de servir. colaborar na feitura de leis e praticar os demais atos da sua competência. no Senado. 86. criados por lei. . bem como as designações dos chefes de missões diplomáticas no exterior. nos casos previstos na Constituição. SEÇÃO II Das Atribuições do Senado Federal Art. 90.Os Senadores têm imunidades. Parágrafo único. conjuntamente com a eleição da Câmara dos Deputados. 88. alistados eleitores e maiores de 35 anos. 64. Cabe ao Supremo Tribunal Militar determinar a remoção de juizes militares. letra b. 89. CAPÍTULO V DA COORDENAÇÃO DOS PODERES SEÇÃO I Disposições preliminares Art. subsídios e ajuda de custo idênticos aos dos Deputados e estão sujeitos aos mesmos impedimentos e incompatibilidades. a do Procurador-Geral da República. Art. mediante voto secreto.

banco de emissão. j) sistema monetário e de medidas. l) matérias em que os Estados têm competência legislativa subsidiária ou complementar. quando hajar. b) sistema eleitoral e de representação. a que se refere o art. exceto nos casos de intervenção decretada. declaração de guerra. c) iniciar os projetos de lei. a concentração de força federal nos Estados. f) tratados e convenções com as nações estrangeiras. k) socorros aos Estados. c) organização judiciária federal. IV . 5º. III — propor ao Poder Executivo. a revogação de atos das. navegação de cabotagem nos rios e lagos do domínio da União. sido declarados inconstitucionais pelo Poder Judiciário. e os empréstimos externos dos Estados.A Constituição de 1934 • 149 b) autorizar a intervenção federal nos Estados. os regulamentos expedidos pelo Poder Executivo. § 3º. 41. de qualquer lei ou ato. deliberação ou regulamento. quando praticados contra a lei ou elevados de abuso de poder. d) tributos e tarifas. § 3º. h) regime de portos. n. d) suspendei. Compete ao Senado Federal: I — colaborar com a Câmara dos Deputados na elaboração de leis sobre: a) estado de sítio.autoridades administrativas. em confronto com as respectivas leis. Art. g) comércio internacional e interestadual. e) mobilização. no todo ou em parte. nos termos do att. e suspender a execução dos dispositivos ilegais. celebração de paz e passagem de forças estrangeiras pelo território nacional. do Distrito Federal e dos Municípios.III. .suspender a execução. i) vias de comunicação interestadual. mediante reclamação fundamentada dos interessados. quando as necessidades de ordem pública não a justifiquem. II — examinar. 91. no caso do art 12.

autorizar este último a se ausentar para país estrangeiro. sobre o processo e a prisão de Deputados e sobre a decretação do estado de sítio pelo Presidente da República. organizar o seu Regimento Interno e a sua Secretaria. Sempre que a segunda for convocada para resolver sobre matéria em que o primeiro deva colaborar.150 • A Constituição de 1934 V — organizar. .rever 03 projetos de código e de consolidação de leis. ad referendum da Câmara dos Deputados. IV . na forma do art. funcionará como Seção Permanente. com a colaboração dos Conselhos Técnicos. constituída na forma que o Regimento Interno indicar com representação igual dos Estados e do Distrito Federal. VIII . com as seguintes atribuições: I . 36. observando o parágrafo único do art.velar na observância da Constituição. 92. nos casos de competência do Senado Federal. propondo ao Poder Legislativo a criação ou supressão de cargos e os vencimentos respectivos. que devam ser aprovados em globo pela Câmara dos Deputados.exercer as atribuições constantes dos arts. compete à Seção Permanente deliberar sobre prisão e processo de Senadores. VI . para a qual não se faça mister a convocação do Senado Federal. § 3º. ou pelo Presidente da República. O Senado Federal pleno funcionará durante o mesmo período que a Câmara dos Deputados. III . § lº No intervalo das sessões legislativas. e exercer as atribuições do nº V do parágrafo anterior. 11 e 130. regular a sua própria policia. § 2º Achando-se reunida a Câmara dos Deputados em sessão extraordinária. 45.deliberar. VII . ou dos Conselhos Gerais em que eles se agruparem os planos de solução dos problemas nacionais. § 3º. será este convocado extraordinariamente pelo seu Presidente.eleger a sua Mesa. VI — criar comissões de inquérito. no que respeita às prerrogativas do Poder Legislativo. sobre fatos determinados.convocar extraordinariamente a Câmara dos Deputados. VII. a metade do Senado Federal. II — providenciar sobre os vetos presidenciais. 8º. Art. V — deliberar sobre a nomeação de magistrados e funcionários.

o Procurador-Geral da . as informações por este solicitada. 94. alistados eleitores e maiores de 30 anos. Art. 93.Na abertura da sessão legislativa a Seção Permanente apresentará à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal o relatório dos trabalhos realizados no intervalo. pessoalmente ou por escrito. § 4º Quando no exercício das suas funções na Seção Permanente. nos Estados. com aprovação do Senado Federal. Quando a Corte Suprema declarar inconstitucional qualquer dispositivo de lei ou ato governamental. Art. de nomeação do Presidente da República. terão os membros desta o mesmo subsídio que lhes compete durante as sessões do Senado Federal. 95. ou processo administrativo. Os Ministros de Estado prestarão. poderá propor à consideração da Câmara dos Deputados projetos de lei sobre matérias nas quais não tenha de colaborar. CAPÍTULO VI DOS ÓRGÃOS DE COOPERAÇÃO NAS ATIVIDADES GOVERNAMENTAIS SEÇÃO I Do Ministério Público Art. dentre cidadãos com os requisitos estabelecidos para os Ministros da Corte Suprema. e. porém. pelas leis locais. com os vencimentos dos desembargadotes. 96. sendo. no Distrito Federal e nos Tetritórios por lei federal. § 3º Os membros do Ministério Público criados por lei federal e que sirvam nos juízo comuns setão nomeados mediante concurso e só perderão os cargos. nos termos da lei. O Ministério Público será organizado na União. O Senado Federal. § lº O Chefe do Ministério Público Federal nos juízos comuns é o Procurador-Geral da República. no qual lhes será assegurada ampla defesa. demissível ad nutum.A Constituição de 1934 • 151 § í. ao Senado Federal. por deliberação do seu Plenário. Terá os mesmos vencimentos desses Ministros. por sentença judiciária. § 2º Os chefes do Ministério Público no Distrito Federal e nos Territórios serão de livre nomeação do Presidente da República dentre juristas de notável saber e reputação ilibada. Art.

§ 2º Em todos os casos. Art. Art. salvo o magistério e os casos previstos na Constituição. a recusa do registro. por falta de saldo no crédito ou por imputação a crédito impróprio. . quanto à organização do seu Regimento Interno e da sua Secretaria. que. nas Justiças Militar e Eleitoral. A recusa do registro suspende a execução do contrato até o pronunciamento do Poder Legislativo. nº IV. e só terá. na segunda. de que resulte obrigação de pagamento pelo Tesouro Nacional. por qualquer modo. 98. será organizado por leis especiais. e terão as mesmas garantias dos Ministros da Corte Suprema. as incompatibilidades que estas prescreverem. O Ministério Público. A violação deste preceito importa a peida do cargo. de que tenha emanado a lei ou o ato. 99. a despesa poderá efetuar-se após despacho do Presidente da República. quando a recusa tiver outro fundamento. 101. tem caráter proibitivo. 91. 97. An. e bem assim à autoridade legislativa ou executiva.152 • A Constituição de 1934 República comunicará a decisão ao Senado Federal. § lº Será sujeito ao registro prévio do Tribunal de Contas qualquer ato de administração pública. só se reputarão perfeitos e acabados quando registrados pelo Tribunal de Contas. Os Ministros do Tribunal de Contas serão nomeados pelo Presidente da República. ou por conta deste. Os chefes do Ministério Público na União e nos Estados não podem exercer qualquer outra função pública. acompanhará a execução orçamentaria e julgará as contas dos responsáveis por dinheiros ou bens públicos. SEÇÃO II Do Tribunal de Contas Art. O Tribunal de Contas terá. É mantido o Tribunal de Contas. interessarem imediatamente à receita ou á despesa. as mesmas atribuições dos tribunais judiciários. Art. ou por delegações organizadas de acordo com a lei. Parágrafo único. Os contratos que. 100. pata os fins do art. registro sob reserva do Tribunal de Contas e recurso exo offiicio para a Câmara dos Deputados. com aprovação do Senado Federal. diretamente.

104. apresentando-lhe. Cada Ministério será assistido por um ou mais Conselhos Técnicos. Compete aos Estados legislar sobre a sua divisão e organização judiciárias e prover os respectivos cargos. § 1º A lei ordinária regulará a composição. e ainda os princípios seguintes: . porém. o funcionamento c a competência dos Conselhos Técnicos e dos Conselhos Gerais.A Constituição de 1934 • 153 § 3º A fiscalização financeira dos serviços autônomos será feita pela forma prevista nas leis que os estabelecerem. segundo a natureza dos seus 'trabalhos. para os fins de direito. minucioso relatório do exercício financeiro terminado. § 3º Os membros dos Conselhos Técnicos não perceberão vencimentos pelo desempenho do cargo. § 2º Metade. em Conselhos Gerais. num ou noutro caso. DO DISTRITO FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS Art. como órgãos consultivos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. de cada Conselho será composta de pessoas especializadas. 64 a 72 da Constituição. coordenados. contra o parecer unânime do respectivo Conselho. Art. em matéria da sua competência exclusiva. podendo. 102. menos quanto à requisição de força federal. Se estas não lhe forem enviadas em tempo útil. observados os preceitos dos arts. pelo menos. vencer uma diária pelas sessões a que comparecerem. O Tribunal de Contas dará parecer prévio. TÍTULO II DA JUSTIÇA DOS ESTADOS. § 4º É vedado a qualquer Ministro tomar deliberação. comunicará o fato à Câmara dos Deputados. 103. no prazo de trinta dias. SEÇÃO III Dos Conselhos Técnicos Art. estranhas aos quadros do funcionalismo do respectivo Ministério. sobre as contas que o Presidente da República deve anualmente prestar à Câmara dos Deputados.

sempre que possível. § 4º Os Estados poderão manter a Justiça de Paz Eletiva. e assitn por diante. se deve ser proposto o juiz mais antigo. ou membros do Ministério Público. organizado pela Corte de Apelação. salvo proposta motivada da Corte de Apelação. em quantia não inferior à que percebam os secretários de Estado. f) competência privativa da Corte de Apelação para processo e julgamento dos juizes inferiores. d) inalterabilidade do número de juizes da Corte de Apelação. decidirá preliminarmente a Corte de Apelação. ou pedir disponibilidade com vencimentos integrais. é facultado ao juiz remover-se com ela. proceder-se-á à votação relativamente ao imediato em antiguidade. em escrutínio secreto. correspondentes a um quinto do número total.154 • A Constituição de 1934 a) investidura. e. nos crimes comuns e nos de responsabilidade. e) fixação dos vencimentos dos desembargadores das Cortes de Apelação. ressalvado o disposto no §6º c) inalterabilidade da divisão e organização judiciárias. para que sejam preenchidos por advogados. e até 25 anos para a primeira nomeação. fazendo-se a classificação. o tribunal organizará lista tríplice por votação em escrutínio secreto. dentro de cinco anos da data da lei que a estabelecer. nos primeiros graus. pagando-se aos da categoria mais retribuída não menos de dois terços dos vencimentos dos desembargadores. e os dos demais juizes. com ressalva de recurso das suas decisões para a Justiça Comum. e por merecimento. § 3º Para promoção por merecimento. § 5º O limite de idade poderá ser reduzido até 60 anos para a aposentadoria compulsória dos juizes. § 2º Nos casos de promoção por antiguidade. mediante concurso. em lista tríplice. com diferença não excedente a trinta por cento de uma para outra categoria. até se fixar a indicação. § lº Em caso de mudança da sede do juízo. a não ser por proposta da mesma Corte. nos graus superiores. mediante acesso por antiguidade de classe. fixando-lhe a competência. scrào reservados lugares. de noto- . se três quartos dos votos dos juizes efetivos forem pela negativa. b) investidura. § 6º Na composição dos tribunais superiores.

c) os que já adquiriram a nacionalidade brasileira. 106. § 7º. fora deste caso. maiores de 18 anos.Os Estados poderão criar juizes com investidura limitada a certo tempo e competência para julgamento das causas de pequeno valor. sem licença do Presidente da República. Art. e o disposto no parágrafo único do art. 105. ainda que de pai estrangeiro. c) que tiver cancelada a sua naturalização. observados os preceitos do artigo precedente. N ã o se podem alistar eleitore a) os que não saibam ler e escrever. estando os seus pais a serviço público e. Parágrafo único. não residindo este a serviço do governo do seu país. ou brasileira. 69. que se alistarem na forma da lei. por exercer atividade social ou política nociva ao interesse nacional. d) os estrangeiros por outro modo naturalizados. organizada na forma do § 3º. em virtude do art. 64. nº 4 e 5. Perde a nacionalidade o brasileiro. b) os filhos de brasileiro. 108. São brasileiros: a) os nascidos r. emprego ou comissão remunerados de governo estrangeiro. da Constituição de 24 de fevereiro de 1891. por naturalização voluntária. Art. a) que. An. TÍTULO III DA DECLARAÇÃO DE DIREITOS CAPÍTULO I DOS DIREITOS POLÍTICOS Art.A Constituição de 1934 • 155 rio merecimento e reputação ilibada. A Justiça do Distrito Federal e a dos Territórios serão organizadas por lei federal. provado o fato por via judiciaria. ao atingirem a maioridade. São eleitores os brasileiros de um ou de outro sexo. 107. nascidos jem país estrangeiro. b) que aceitar pensão. com todas as garantias de defesa. se. optarem pela nacionalidade brasileira. .o Brasil. no que lhes forem aplicáveis. preparo das excedentes da sua alçada e substituição dos juizes vitalícios. escolhido de lista tríplice. adquirir outra nacionalidade.

107. a do cargo por ele ocupado. a) nos casos do art. enquanto durarem os seus efeitos. 110. temporária ou definitivamente. até o 3º grau. quando esras exerçam função pública remunerada. b) pela isenção de ônus ou serviços que a lei imponha aos brasileiros. d) os que estiverem. salvo. os Interventores nomeados nos casos do art. § 1º A perda dos direitos políticos acarreta simultaneamente. os membros do Poder Judiciário. c) os parentes.ens. Art. 109. até um ano depois de cessadas definitivamente as respectivas funções. os Governadores dos Territórios e os Ministros de Estado. filosófica ou política. para a Câmara dos Deputados e o Senado lederal. Art. c) pela aceitação de título nobiliárquico. ou condecoração estrangeira. 112. Perdem-se os direitos políticos. bem como os alunos das escolas militares de ensino supetior e os aspirantes a oficial. § 2º A lei estabelecerá as condições de reaquisição dos direitos políticos. 111. se já tiverem. o Prefeito do Distrito Federal. b) os chefes do Ministério Público. . até um ano depois de haver este definitivamente deixado o cargo. Art. os Governadores. inclusive os das Justiças Eleitoral e Militar. privados dos direitos políticosAri. sob as sanções e salvo as exceções que a lei determinar. e para as mulheres. c) os mendigos. O alistamento e o voto são obrigatórios para os horr. São inelegíveis: 1) em todo o território da União: a) o Presidente da República. inclusive os afins. os Ministros do Tribunal de Contas. Suspendem-se os direitos políticos: a) por incapacidade civil absoluta. 12. do Presidente da República.156 • A Constituição á 1934 b) as praças de pré. quando esta importe restrição de direitos ou deveres para com a República. quando obtida por motivo de convicção religiosa. b) pela condenação criminal. e os chefes e subchefes do Estado-Maior do Exército e da Armada. para o indivíduo. salvo os sargentos do Exército e da Armada e das forças auxiliares do Exército.

. 2) Ninguém será obrigado a fazer. 113. ninguém será privado de qualquer dos seus direitos. Não haverá privilégios. à segurança individual e à propriedade. inclusive os afins. salvo quanto à Câmara dos Deputados. sexo. d) os que não estiverem alistados eleitores. d) os parentes. 4) Por motivo de convicções filosóficas. inclusive os afins. ou deixar de fazer alguma coisa. nos termos seguintes: 1) Todos são iguais perante a lei. CAPÍTULO II DOS DIREITOS E DAS GARANTIAS INDIVIDUAIS Art. políticas ou religiosas.A Constituição de l934 • 157 exercido o mandato anteriormente ou forem eleitos simultaneamente com o Presidente. ao Senado Federal e às Assembléias Legislativas. no Distrito Federal e nos Territórios: a) os Secretários de Estado e os Chefes de Polícia. 3) nos Municípios: a) os Prefeitos. até um ano após a cessação definitiva das respectivas funções. nem distinções. até um ano após definitiva cessação das respectivas funções. salvo. classe social. por motivo de nascimento. raça. Os dispositivos deste artigo se aplicam por igual aos titulares efetivos e interinos dos cargos designados. até um ano após definitiva cessação das respectivas funções. letra b. 3) A lei não prejudicará o direito adquirido. à exceção da letra c do nº 1. b) os comandantes de forças do Exército. senão em virtude de lei. Parágrafo único. até o 3º grau. salvo o caso do art. dos Prefeitos. profissões próprias ou dos pais. relativamente às Câmaras Municipais. o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. à subsistência. b) as autoridades policiais. do Prefeito do Distrito Federal e dos Governadores dos Territórios. A Constituição assegura a brasileiros e a Estrangeiros residentes no País a invioiabilidade dos direitos concernentes à liberdade. c) os tuncionários do Fisco. às Assembléias Legislativas e à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. 2) nos Estados. da Armada ou das Polícias ali existentes. crenças religiosas ou ideias políticas. 111. à exceção da letra c do nº 1. c) os parentes. até o 3º grau. cos Governadores e Interventores dos Estados. riqueza.

e garantido o livre exercício dos cultos religiosos. 13) E livre o exercício de qualquer profissão. denunciar abusos das autoridades e protr. desde que não contravenham à ordem pública e aos bons costumes.158 • A Constituição de 1934 5) É inviolável a liberdade de consciência e de crença. As associações religiosas adquirem personalidade jurídica nos termos da lei civil. nem constrangimento ou coação dos assistidos. poderá designai o local onde a reunião se deva realizar. Nenhuma associação será compulsoriamente dissolvida senão por sentença judiciária. 12) É garantida a liberdade de associação para fins lícitos. tolerada propaganda de guerra ou de processos violentos para subverter a ordem política ou social. Não é permitido o anonimato. . salvo quanto a espetáculos e diversões públicas. sem dependência de censura.over-lhes a responsabilidade. respondendo cada um pelos abusos que cometer. sendo livre a todos os cultos religiosos a prática dos respectivos ritos em relação aos seus crentes. sem ônus para os cofres públicos. nos hospitais. contanto que isso não a impossibilite ou frustre. nas penitenciárias e em outros estabelecimentos oficiais. 11) A todos é lícito se reunirem sem armas. aos poderes públicos. Não será. observadas as condições de capacidade técnica e outras que a iei estabelecer. 7) Os cemitérios terão caráter secular e serão administrados pela autoridade municipal. A publicação de livros e periódicos independe de licença do Poder Público. sujeitos. porém. 10) É permitido a quem quer que seja representar. não podendo intervir a autoridade senão para assegurar ou restabelecer a ordem pública. Com este fim. É assegurado o direito de resposta. á fiscalização das autoridades competentes. nos casos e pela forma que a lei determinar. 6) Sempre que solicitada. ditadas pelo interesse público. mediante petição. Nas expedições militares a assistência religiosa só poderá ser exercida por sacerdotes brasileiros natos. 9) Em qualquer assunto é livre a manifestação do pensamento. As associações religiosas poderão manter cemitérios particulares. será permitida a assistência religiosa nas expedições militares. porém. É-lhes proibida a recusa de sepultura onde não houver cemitério secular. 8) É inviolável o sigilo da correspondência.

Em caso de perigo iminente. nos casos expressos em lei. sem consentimento do morador. 21) Ninguém será preso senão em flagrante delito. e promoverá. 22) Ninguém ficará preso. 18) Os inventos industriais pertencerão aos seus autores. 19) É assegurada a propriedade das marcas de indústria e comércio e a exclusividade do uso do nome comercial. ressalvado o direito a indenização ulterior. na forma que a lei determinar. Esse direito transmitir-se-á aos seus herdeiros pelo tempo que a lei determinar. Nela ninguém poderá penetrar. nos casos por lei estatuídos. como guerra ou comoção intestina. nele fixar residência ou dele sair. nem de dia. poderão as autoridades competentes usat da propriedade partícular até onde o bem público o exija. por ilegalidade ou abuso de poder. A desapropriação por necessidade ou utilidade pública far-se-á nos termos da lei. ou concederá justo prémio. se não for legal. 23) Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer. quando a sua vulgarização convenha à coletividade. se prestar fiança idônea. Nas transgressões disciplinares não cabe o habeas corpus. ou por ordem escrita da autoridade competente. 20) Aos autores de obras literárias. que a relaxará. senão para acudir a vítimas de crimes ou desastres. 17) É garantido o direito de propriedade. salvo as exigências de passaporte quanto à entrada de estrangeiros. que não poderá ser exercido contra o interesse social ou coletivo. . ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade. A prisão ou detenção de qualquer pessoa será imediatamente comunicada ao juiz competente. mediante prévia e justa indenização. de noite.A Constituição deá 1934 • 159 14) Em tempo de paz.: 16) A casa é o asilo inviolável do indivíduo. e às restrições da lei. artísticas e científicas é assegurado o direito exclusivo de reproduzi-las. aos quais a lei garantirá privilégio temporário. 15) A União poderá expulsar do território nacional os estrangeiros perigosos à ordem pública ou nocivos aos interesses do País. a responsabilidade da autoridade coatora. sempre que de direito. qualquer pessoa pode entrar no território nacional. senão nos casos e pela fotma prescritos na lei.

ca forma da lei. O processo será o mesmo do habeas corpus. 26) Ninguém será processado. ressalvados. as disposições da legislação militar. 31) Não será concedida a Estado estrangeiro extradição por crime político ou de opinião. 25) Não haverá foro privilegiado nem tribunais de exceção. em caso algum. nem sentenciado. e assegurando a isenção de emolumentos. nem. 27) A lei penal só retroagirá quando beneficiar o réu. 29) Não haverá pena de banimento. juízos especiais em razão da natureza das causas. quanto à pena de morte. porém. admitem-se. ressalvadas.. em tempo de guerra com país estrangeiro. a expedição das certidões requeridas para a defesa de direitos individuais. senão pela autoridade competente. custas. com os meios e recursos essenciais a esta. ameaçado ou violado por ato manifestamente inconstitucional ou ilegal de qualquer autoridade. taxas e selos. a comunicação aos interessados dos despachos proferidos.160 • A Constituição de 1934 24) A lei assegurará aos acusados ampla defesa. 32) A União e os Estados concederão aos necessitados assistência judiciária. os que estejam em indigência. ou para o esclarecimento dos cidadãos acerca dos negócios públicos. certo e incontestável. 34) A todos cabe o direito de prover a própria subsistência e a da sua família. de brasileiro. em virtude de lei anterior ao fato. mediante trabalho honesto. 33) Dar-se-á mandado de segurança para a defesa de direito. 28) Nenhuma pena passará da pessoa do delinquente. O Poder Público deve amparar. ou reserva. 30) Não haverá prisão por dívidas. .O mandado não prejudica as ações petitótias competentes. quanto às últimas. jornalista ou professor. os casos em que o interesse público imponha segredo. devendo ser sempre ouvida a pessoa de direito público interessada. e na forma por ela prescrita. criando para este efeito órgãos especiais. assim como das informações a que estes se refirair. 35) A lei assegurará o rápido andamento dos processos nas repartições públicas. morte. multas ou custas. confisco ou de canáter perpétuo. 36) Nenhum imposto gravará diretamente a profissão de escritor.

a União poderá monopolizar determinada indústria ou atividade econômica. é garantida a liberdade econômica. periodicamente. resultantes do regime e dos princípios que ela adota. dos Estados ou dos Municípios. conforme o art 112. 114.A Constituição de1934 • 161 37) Nenhum juiz deixará de sentenciar por motivo de omissão na lei. o padrão de vida nas várias regiões do País. Art. Em tal caso. TÍTULO IV DA ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL Art 115. que será punida na forma da lei. bem como das águas e da energia. Os poderes públicos verificarão. bem como as quedas d'água. A ordem econômica deve ser organizada conforme os princípios da justiça e as necessidades da vida nacional. Igualmente providenciará sobre a nacionalização das empresas de seguro em todas as suas modalidades. O aproveitamento industrial das minas e das jazidas minerais. 118. o desenvolvimento do crédito e a nacionalização progressiva dos bancos de depósito. É proibida a usura. 117. A especificação dos direitos e garantais expressos nesta Constituição não exclui outros. asseguradas as indenizaçõcs devidas. Art. ainda que de pro- . 119. deverá decidir por analogia. constituem propriedade distinta da do solo para o efeito de exploração ou aproveitamento industrial. Por motivo de interesse público e autorizada em lei especial. Parágrafo único. hidráulica. de modo que possibilite a todos existência digna. Art. Parágrafo único. 38) Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear a declaração de nulidade ou anulação dos atos lesivos do património da União. Dentro desses limites. 116. Art. Art. c ressalvados os serviços municipalizados ou de competência dos poderes locais. devendo constituir-se em sociedade brasileira as estrangeiras que atualmente operam no País. A lei promoverá o fomento da economia popular. nº 17. As minas e demais riquezas do subsolo. pelos princípios gerais de direito ou pot equidade.

jazidas minerais e quedas d'água ou outras fontes de energia hidráulica. Os sindicatos e as associações profissionais serão reconhecidos de conformidade com a lei. conforme as condições de cada região. b) salário mínimo. A lei promoverá o amparo da produção e estabelecerá as condições do trabalho. as necessidades normais do trabalhador. ainda que transitoriamente suspensa. auxiliará os Estados no estudo e aparelhamento das estâncias minero-medicinais ou termo-medicinais. § 2º O aproveitamento de energia hidráulica.162 • A Constituição de 1934 priedade privada. ressalvada ao proprietário preferencia na exploração ou co-participação nos lucros. sexo. os Estados passarão a exercer. § 1º A legislação do trabalho observará os seguintes preceitos. nacionalidade ou estado civil. na cidade e nos campos. depende de autorização ou concessão federal. § 6º Não dependem de concessão ou autorização o aproveitamento das quedas d'água já utilizadas industrialmente na data desta Constituição. a atribuição constante deste artigo. de potência reduzida e para uso exclusivo do proprietário. por motivo de idade. além de outros que colimem melhorar as condições do trabalhador: a) proibição de diferença de salário para um mesmo trabalho. Art. a exploração das minas em lavra. nos casos prescritos em lei tendo em vista o interesse da coletividade. 121. tendo em vista a proteção social do trabalhador e os interesses econômicos do País. capaz de satisfazer. § 5º A União. dentro dos respectivos Territórios. e. na fortna da lei. sob esta mesma ressalva. Art. A lei assegurará a pluralidade sindical e a completa autonomia dos sindicatos. § 1º As autorizações ou concessões serão conferidas exclusivamente a brasileiros ou a empresas organizadas no Brasil). entre as quais a de possuírem os necessários serviços técnicos e administrativos. Parágrafo único. 120. independe de autorização ou concessão. § 4º A lei regulará a nacionalização progressiva das minas. julgadas básicas ou essenciais à defesa econômica ou militar do País. . § 3º Satisfeitas as condições estabelecidas em lei.

§ 6º A entrada de imigrantes no território nacional sofrerá as restrições necessárias à garantia da integração étnica e capacidade física e civil do imigrante. os referentes ao lar e ao trabalho feminino. da maternidade e nos casos de acidentes do trabalho ou de morte. em que se atenderá. serão incumbidos de preferência a mulheres habilitadas. § 2º Para o efeito deste artigo. . em cooperação corri os Estados. cuidar da sua educação rural d assegurar ao trabalhador nacional a preferência na colonização e aproveitamento das terras públicas. Procurar-se-á fixar o homem no campo. da invalidez. o limite de dois por cento sobre o número total dos respectivos nacionais fixados no Brasil durante os últimos cinquenta anos. assegurado a esta descanso. i) regulamentação do exercício de todas as profissões. anualmente. e) repouso hebdomadário. para onde serão encaminhados os habitantes da zonas empobrecidas. h) assistência médica e sanitária ao trabalhador e à gestante. de preferência aos domingos. a favor da velhice. j) reconhecimento das convenções coletivas de trabalho. mas só prorrogáveis nos casos previstos ctn lei. f) férias anuais remuneradas. não há distinção entre o trabalho manual e o trabalho intelectual ou técnico. §5º A União promoverá. e em indústrias insalubres. § 3º Os serviços de amparo à maternidade e à infância.A Constituição de 1934 • 163 c) trabalho diário não excedente de oito horas. a corrente imigratona de cada país exceder. d) proibição de trabalho a menores de 14 anos. a menores de 18 anos e a mulheres. e os sem trabalho. ao disposto neste artigo. que o desejarem. porém. assim como a fiscalização e a orientação respectivas. mediante contribuição igual da União. sem prejuízo do salário e do emprego. de trabalho noturno a menores de 16. nem entre os profissionais respectivos. a organização de colônias agrícolas. do empregador e do empregado. antes e depois do parto. reduzíveis. g) indenização ao trabalhador dispensado sem justa causa. § 4º O trabalho agrícola será objeto de regulamentação especial. e instituição de previdência. quanto possível. não podendo.

à qual não se aplica o disposto no Capítulo IV. de área não superior a cinquenta hectares e de valor até dez contos de réis. Parágrafo único. mediante sentença declaratória devidamente transcrita. Será regulado por lei ordinária o direito de preferência que assiste ao locatário para a renovação dos arrendamentos de imóveis ocupados por estabelecimento comercial ou industrial. 128. Art. da qual não se admitirá recurso ex officio. 125. . poderá cobrar os beneficiados contribuição de melhoria. § 8º Nos acidentes do trabalho em obras públicas da União. 127. adquirirá o domínio do solo. 126. ocupar por dez anos contínuos. São equiparados aos trabalhadores. Art. Todo o brasileiro que. um trecho de terra até dez hectares. Art. para todos os efeitos das garantias e dos benefícios da legislação social. Ficam sujeitas a imposto progressivo as transmissões de bens por herança ou legado. os que exercem profissões liberais. Provada a valorização do imóvel por motivo de obras públicas. a indenização será feita pela folha de pagamento. Art. tornando-o produtivo por seu trabalho e tendo nele a sua morada. do Título I. Art. localização e assimilação do alienígena. 122. A constituição dos Tribunais do Trabalho e das Comissões de Conciliação obedecerá sempre ao princípio da eleição de seus membros. a administração. 124. não sendo proprietário rural ou urbano. fica instituída a Justiça do Trabalho. dentro de quinze dias depois da sentença. e metade pelas dos empregadores. regidas pela legislação social. Serão reduzidos de cinqüenta por cento os impostos que recaiam sobre imóvel rural. devendo a lei regular a seleção. Para dirimir questões entre empregadores e empregados. dos Estados e dos Municípios. Art. sendo o presidente de livre nomeação do Governo. escolhido dentre pessoas de experiência e notória capacidade moral e intelectual. metade pelas associações representativas dos empregados. sem oposição nem reconhecimento de domínio alheio. 123. Art. que as tiver efetuado. instituídos em bem de família.164 • A Constituição de 1934 § 7º É vedada a concentração de imigrantes em qualquer ponto do território da União.

pelo menos. Estes e as pessoas jurídicas não podem ser acionistas das sociedades anônimas proprietárias de tais empresas. É vedada a propriedade de empresas jornalísticas políticas ou noticiosas a sociedades anônimas por ações ao portador e estrangeiros. Art. 129. 132. armadores e comandantes de navios nacionais. rios e lagos. Os proprietários. A lei orgânica de imprensa estabelecerá regras relativas ao trabalho dos redatores. a revalidação de diplomas profissionais expedidos por institutos estrangeiros de ensino. e nos estabelecimentos de determinados ramos de comércio e indústria. sempre que não lhes seja mais favorável o estatuto do de cujus. exceto aos brasileiros natos. 135. A lei determinará a percentagem de empregados brasileiros que devam ser mantidos obrigatoriamente nos serviços públicos dados em concessão. no entanto. Art. sob qualquer título. Art. 133. estaduais ou municipais. 131. 136. Art. reservando-se também a estes a praticagem das barras. férias e aposentadoria. Será respeitada a posse de terras de silvícolas que nelas se achem permanentemente localizados. Art. sendo-lhes. vedado aliená-las. A vocação para suceder em bens de estrangeiros existentes no Brasil será regulada pela lei nacional em benefício do cônjuge brasileiro e dos seus filhos. de serviços públicos federais. somente poderão exercê-las os brasileiros natos e os naturalizados que tenham prestado serviço militar ao Brasil. e os casos de reciprocidade internacional admitidos em lei. para cada caso. Nenhuma concessão de terras de superfície superior a dez mil hectares poderá ser feita sem que. Art. não sendo permitida. A responsabilidade principal e de orientação inteiectual ou administrativa da imprensa política ou noticiosa só por brasileiros natos pode ser exercida. portos. deverão: .A Constituição de 1934 • 165 Art. operários e demais empregados. 134. preceda autorização do Senado Federal. 130. Excetuados quantos exerçam legitimamente profissões liberais na data da Constituição. devem ser brasileiros natos. Art. assegurando-lhes estabilidade. As empresas concessionárias ou os contratantes. bem como os tripulantes na proporção de dois terços.

c) amparar a maternidade e a infância. Art. b) estimular a educação eugênica. A lei federal regulará a fiscalização e a revisão das tarifas dos serviços explorados por concessão. no interesse coletivo. ou delegação. É obrigatório. d) socorrer as famílias de prole numerosa. moral e intelectual. os lucros dos concessionários. 139. A União organizará o serviço nacional de combate às grandes endemias do País. dez analfabetos. ou delegados.166 • A Constituição de1934 a) constituir as suas administrações com maioria de diretores brasileiros. fora dos centros escolares. e) proteger a juventude contra toda exploração. Art. Art. cuja orientação procurarão coordenar. residentes no Brasil. g) cuidar da higiene mental e incentivar a luta contra os venenos sociais. criando serviços especializados e animando os serviços sociais. não excedam a justa retribuição do capital. Toda empresa industrial ou agrícola. poderes de representação a brasileiros em maioria. que impeçam a propagação das doenças transmissíveis. ou delegar poderes de gerência exclusivamente a brasileiros. os Estados c os Municípios destinarão um por cento das respectivas rendas tributárias. Incumbe à União. pelo menos. bem como contra o abandono físico. aos Estados e aos Municípios. e de higiene social. Art. 141. com faculdade de subestabelecimento exclusivamente a nacionais. em todo o território nacional. b) conferir. 137. cabendo-lhe o custeio. 140. Art. o amparo à maternidade e à infância. para o que a União. que lhes permita atender normalmente às necessidades públicas de expansão e melhoramento desses serviços. quando estrangeiras. f) adotar medidas legislativas e administrativas tendentes a restringir a mortalidade e a morbidade infantis. e onde trabalharem mais de cinquenta pessoas. perfazendo estas e os seus filhos. para que. será obrigada a lhes proporcionar ensino primário gratuito. nos termos das leis respectivas: a) assegurar amparo aos desvalidos. 138. . a direção técnica e administrativa nas zonas onde a execução do mesmo exceder as possibilidades dos governos locais.

Parágrafo único. A lei civil determinará os casos de desquite e de anulação do casamento. os mesmos efeitos que o casamento civil. 145. O casamento perante ministro de qualquer confissão religiosa.AConstituição 1934 • 167 Art. Parágrafo único. cujo rito não contrarie a ordem pública ou os bons costumes. Art. TITULO V DA FAMÍLIA. na verificação dos impedimentos e no processo da oposição. O registro será gratuito e obrigatório. constituída pelo casamento indissolúvel. excetuadas as que interessem diretamente à defesa nacional. . desde que. na habilitação dos nubentes. 144. 147. 146. Será também gratuita a habilitação para o casamento. DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA CAPÍTULO I DA FAMÍLIA Art. A lei providenciará para concentrai. A família. e a herança. tendo em atenção as condições regionais do País. 143. inclusive os documentos necessários. quando o requisitarem os juizes criminais ou de menores nos casos de sua competência. que lhes caiba. está sob a proteção especial do Estado. O casamento será civil e gratuita a sua celebração. A lei regulará a apresentação pelos nubentes de prova de sanidade física e mental. em favor de pessoas necessitadas. todavia. ficará sujeita a impostos iguais aos que recaiam sobre a dos filhos legítimos. A lei estabelecerá penalidades para a transgressão dos preceitos legais atinentes à celebração do casamento. perante a autoridade civil. os Estados e os Municípios não poderão dar garantia de juros a empresas concessionárias de serviços públicos. sejam observadas as disposições da lei civil e seja ele inscrito no Registro Civil. havendo sempre recurso ex officio. o projeto e a execução das obras públicas. O reconhecimento dos filhos naturais será isento de quaisquer selos ou emolumentos. Art. sempre que possível. em um só ministério. Art. 142. A União. produzirá. com efeito suspensivo. Art.

5º. nos termos dos arts. proteger os objetos de interesse histórico e o patrimônio artístico do País. e) exercer ação supletiva. A educação c direito de todos e deve ser ministrada pela família e pelos poderes públicos. nº 8. extensivo aos adultos.168 • A Constituição de 1934 CAPÍTULO II DA EDUCAÇÃO E DA CULTURA Art. Parágrafo único. 149. inquéritos. ministrado no idioma pátrio. e obedecerá às seguintes normas: a) ensino primário integral gratuito e de frequência obrigatória. Art. cumprindo a estes proporcioná-la a brasileiros e a estrangeiros domiciliados no País. O Plano Nacional de Educação constante de lei federal. d) manter no Distrito Federal ensino secundário e complementar deste. nos estabelecimentos particulares. das letras e da cultura em geral. exercendo sobre eles a necessária fiscalização. sistemas educativos apropriados aos mesmos. Cabe á União. e desenvolva num espírito brasileiro a consciência da solidariedade humana. . observadas as prescrições da legislação federal e da estadual. 148. demonstrações c subvenções. c) organizar e manter. comuns e especializados. c) liberdade de ensino em todos os graus e ramos. b) tendência a gratuidade do ensino educativo ulterior ao primário a fim de o tornar mais acessível. onde se faça necessária por deficiência de iniciativa ou de recursos. salvo o de línguas estrangeiras. aos Estados e aos Municípios favorecer e animar o desenvolvimento das ciências. letras a e e. d) ensino. nos Territórios. Compete à União: a) fixar o plano nacional de educação. e 39. e estimular a obra educativa em todo o País. e coordenar e fiscalizar a sua execução. superior e universitário. bem como prestar assistência ao trabalhador intelectual. só se poderá renovar em prazos determinados. Art. nº XIV. por meio de estudos. das artes. em todo o território do País. de modo que possibilite eficientes fatores da vida moral e econômica da Nação. compreensivo do ensino de todos os graus e ramos. 130. b) determinar as condições de reconhecimento oficial dos estabelecimentos de ensino secundário e complementar deste e dos institutos de ensino superior.

Art. secundárias. 157. os Estados e o Distrito Federal reservarão uma parte dos seus patrimônios territoriais para a formação dos respectivos fundos de educação. O ensino religioso será de freqüência facultativa e ministrado de acordo com os princípios da confissão religiosa do aluno. bem como a distribuição adequada dos fundos especiais. profissionais e normais. Parágrafo único. vinte por cento das quotas destinadas à educação no respectivo orçamento anual. Art. Os Estados e o Distrito Federal na forma das leis respectivas. estabelecerão Conselhos de Educação com funções similares às do Conselho Nacional de Educação c departamentos autônomos de administração do ensino. 155. a União reservará. f) reconhecimento dos estabelecimentos particulares de ensino somente quando assegurem aos seus professores a estabilidade. Art. Compete aos Estados e ao Distrito Federal organizar e manter sistemas educativos nos Territórios respectivos. organizado na forma da lei. Art. serão isentos de qualquer tributo. e os Estados e o Distrito Federal nunca menos de vinte por cento. oficialmente considerados idôneos. e constituirá matéria dos horários nas escolas públicas primárias. 151. na manutenção e no desenvolvimento dos sistemas educativos. e para o exercício da sua competência na matéria. elaborar o Plano Nacional de Educação para ser aprovado pelo Poder Legislativo e sugerir ao Governo as medidas que julgar necessárias para a melhor solução dos problemas educativos. . Art. Compete precipuamente ao Conselho: Nacional de Educação. Para a realização do ensino nas zonas rurais. Parágrafo único. A União e os Municípios aplicarão nunca menos de dez por cento. 154. Art. respeitadas as diretrizes estabelecidas pela União. 156. A União. ou por processos objetivos apropriados à finalidade do curso. Os estabelecimentos particulares de educação gratuita primária ou profissional. no mínimo. É garantida a liberdade de cátedra. 153. manifestada pelos pais ou responsáveis.A Constituição de 1934 • 169 e) limitação da matrícula à capacidade didática do estabelecimento e seleção por meio de provas de inteligência e aproveitamento. e uma remuneração condigna. da renda resultante dos impostos. enquanto bem servirem. 152. Art.

158. . Art. por tempo certo. ser contratados. Em caso de extinção da cadeira. § 1º Podem. percentagens sobre o produto de vendas de terras públicas. na União. todavia. bolsas de estudo. que serão aplicados exclusivamente em obras educativas determinadas em lei. Art. § 2º Parte dos mesmos fundos se aplicará em auxílios a alunos necessitados. mediante fornecimento gratuito de material escolar. 159. nacionais ou estrangeiros. e para vilegiaturas. Incumbirá ao Presidente da República a direção política da guerra. o funcionamento e a competência do Conselho Superior serão regulados em lei. § 2º A organização. É vedada a dispensa do concurso de títulos e provas no provimento dos cargos do magistério oficial. nos Estados e nos Municípios. § 2º Aos professores nomeados por concurso para os institutos oficiais cabem as garantias de vitaliciedade e de inamovibilidade nos cargos. a de provas escolares de habilitação. o Chefe do Estado-Maior do Exército e o Chefe do Estado-Maior da Armada. assistência alimentar. em qualquer curso. 160.170 • A Constituição de 1934 § lº As sobras das dotações orçamentárias. professores de nomeada. sendo as operações militares da competência e responsabilidade do Comandante-em-Chefe do Exército ou dos Exércitos em campanha e do das Forças Navais. Todas as questões relativas à segurança nacional serão estudadas e coordenadas pelo Conselho Superior de Segurança Nacional e pelos órgãos especiais criados para atender às necessidades da mobilização. sem prejuízo do disposto no Título VII. constituirão. § lº O Conselho Superior de Segurança Nacional será presidido pelo Presidente da República e dele farão parte os Ministros de Estado. dentária e médica. acrescidas das doações. determinadas em lei ou regulamento. será o professor aproveitado na regência de outra em que se mostre habilitado. esses fundos especiais. bem como. taxas especiais e outros recursos financeiros. TÍTULO VI DA SEGURANÇA NACIONAL Art.

Todos os brasileiros são obrigados. se conservar afastado da atividade militar. Ressalvada tal hipótese. Será transferido para a reserva todo militar que. Enquanto perceber vencimentos ou subsídio pelo desempenho das funções do outro cargo. porém. § 3º. aceitar qualquer cargo público permanente. uma vez provado que não está quite com as obrigações estatuídas em lei para com a segurança nacional. § lº O oficial das Forças Armadas só perderá o seu posto e patente por condenação. nos termos do art. quer nas Forças Armadas. a pena restritiva de liberdade . Art. a ordem e a lei. Art. da reserva e aos reformados do Exército e da Armada. será agregado ao respectivo quadro. 33. e. Art. Parágrafo único.O serviço militar dos eclesiásticos será prestado sob a forma de assistência espiritual e hospitalar às Forças Armadas. sendo transferido para a reserva aquele que. contará. não privativo da qualidade de militar. os poderes constitucionais. o oficial em serviço ativo das Forças Armadas. em serviço ativo das Forças Armadas. passada em julgado. As Forças Armadas são instituições nacionais permanentes. essencialmente obedientes aos seus superiores hierárquicos. Art. em caso de mobilização. o oficial agregado não terá direito aos vencimentos militares. Destinam-se a defender a Pátria e a garantir. salvo a exceção constante do art. e só por antiguidade poderá ser promovido enquanto permanecer em tal situação. na forma e sob as penas da lei.Nenhum brasileiro poderá exercer função pública. tempo de serviço e antiguidade de posto. de nomeação ou eleição. 161. na forma que a lei estabelecer.A Constituição de 1934 • 171 Art. por mais de oito anos contínuos ou doze não-contínuos. § 1º Todo brasileiro é obrigado ao juramento à bandeira nacional. serão aproveitados conforme as suas aptidões. e. 163. As mulheres ficam excetuadas do serviço militar. § 2º. ao serviço militar e a outros encargos necessários à defesa da Pátria. 172. dentro da lei. § 1º—. 162. estranho à sua carreira. quer nas organizações do interior. O estado de guerra implicará a suspensão das garantias constitucionais que possam prejudicar direta ou indiretamente a segurança nacional. As patentes e os postos são garantidos em toda a plenitude aos oficiais da ativa. § 3º. 165. 164. que aceitar cargo público temporário.

que deverá ser por ele comunicada aos governos locais interessados. ou quando. aduaneira e da defesa nacional. § 3º Os títulos.172 • A Constituição de 1934 por tempo superior a dois anos. decidir que seja ele reformado com as vantagens do seu posto. em região de fronteira. quando mobilizadas ou a serviço da União. § 2º O acesso na hierarquia militar obedecerá a condições estabelecidas em lei. No primeiro caso. estabelecendo este o predomínio de capitães e trabalhadores nacionais e determinando as ligações interiores necessárias à defesa das zonas servidas pelas estradas de penetração. nº 7. ressalvadas as concessões honoríficas efetuadas em ato anterior às exceções da lei militar. for. . postos e uniformes militares são privativos do militar em atividade da reserva ou reformado. 167. podendo. Art. que revistam esse caráter. § 4º Aplica-se aos militares reformados o preceito do art. nessa faixa. pela União e pelos Estados. rever e modificar a mesma relação. § 3º O Poder Executivo. poderá o tribunal. de indústrias. regulamentará a utilização das terras públicas. 170. em todo o tempo. tendo em vista as necessidades de ordem sanitária. As polícias militares são consideradas reservas do Exército e gozarão das mesmas vantagens a este atribuídas. 166. que interessem à segurança nacional. nos casos especificados por lei. Art. atendendo à natureza e às circunstâncias do delito e a fé de ofício do acusado. por tribunal militar competente e de caráter permanente. ficando subordinada à aprovação do Poder Legislativo a sua alienação. Dentro de uma faixa de cem quilômetros ao longo das fronteiras. fixando-se o valor mínimo a realizar para o exercício das funções relativas a cada grau ou posto e as preferências de caráter profissional para promoção. nenhuma concessão de terras ou de vias de comunicação e abertura destas se efetuarão sem audiência do Conselho Superior da Segurança Nacional. § 2º O Conselho Superior da Segurança Nacional organizará a relação das indústrias acima referidas. inclusive de transportes. declarado indigno do oficialato ou com ele incompatível. § 1º Proceder-se-á do mesmo modo em relação ao estabelecimento.

desde já em vigor: 1) o quadro dos funcionários públicos compreenderá todos os que exerçam cargos públicos. quando nomeados em virtude de concurso de provas. e. . observadas as condições que a lei estatuir. qualquer que seja o seu tempo de serviço. poderá ser excepcionalmente reduzido nos casos que a lei determinar. 3) salvo os casos previstos na Constituição. efetuar-se-á depois de exame de sanidade e concurso de provas ou títulos. 6) o funcionário que se invalidar em consequência de acidente ocorrido no serviço. que. e nos demais que a lei determinar. 5) o prazo para a concessão da aposentadoria com vencimentos integrais. depois de dois anos. O Poder Legislativo votará o Estatuto dos Funcionários Públicos. serão aposentados compulsoriamente os funcionários que atingirem 68 anos de idade. Os cargos públicos são acessíveis a todos os brasileiros. nos termos da lei. se contar o funcionário mais de trinta anos de serviço público efetivo. regulado por lei. Parágrafo único. será concedida com os vencimentos integrais.A Constituição de1934 • 173 TÍTULO VII DOS FUNCIONÁRIOS PÚBLICOS Art. 7) os proventos da aposentadoria ou jubilação não poderão exceder os vencimentos da atividade. serão também aposentados os atacados de doença contagiosa ou incurável. seja qual for a forma do pagamento. sem distinção de sexo ou estado civil. 4) a invalidez para o exercício do cargo ou posto determinará a aposentadoria ou reforma. nesse caso. senão por justa causa ou motivo de interesse público. será aposentado com vencimentos integrais. depois de dez anos de efetivo exercício. em geral. só poderão ser destituídos em virtude de sentença judiciária ou mediante processo administrativo. Os funcionários que contarem menos de dez anos de serviço efetivo não poderão ser destituídos dos seus cargos. 168. 169. Art. e no qual lhes será assegurada plena defesa. 170. 2) a primeira investidura nos postos de carreira das repartições administrativas. Os funcionários públicos. obedecendo às seguintes normas. Art. por invalidez. que os inabilite pára o exercício do cargo.

Art. e o que houver sido nomeado em seu lugar ficará destituído de plano. 173. § 1º Excetuam-se os cargos do magistério e técnico-científicos. quando provado o abuso em processo judiciário. será este reintegrado em suas funções. cessarão aqueles proventos apenas durante os meses em que for vencido. em se tratando de cargo eletivo remunerado com subsídio anual. nos casos determinados. ainda que por funcionário administrativo. este será sempre citado como litisconsorte. e a funcionária gestante. e fundada em lesão praticada por funcionário. por lei. salvo as exceções da lei militar. por quaisquer prejuízos decorrentes de negligência. se. Estadual ou Municipal. 10) os funcionários terão direito a férias anuais. e. . ou se resultarem de cargos legalmente acumuláveis. decorrente do próprio cargo. Art. desde que haja compatibilidade dos horários de serviço. É vedada a acumulação de cargos públicos remunerados da União. A suspensão será completa. Invalidado por sentença o afastamento de qualquer funcionário. ou exercer pressão partidária sobre seus subordinados. § 2º Executada a sentença contra a Fazenda. a três meses de licença com vencimentos integrais. Art. § 1º Na ação proposta contra a Fazenda Pública. 9) o funcionário que se valer da sua autoridade em favor de partido político. a revisão de processo em que lhe imponha penalidade. sem desconto. reunidas. que poderão ser exercidos cumulativamente. § 2º As pensões de montepio e as vantagens da inatividade só poderão ser acumuladas se. dos Estados e dos Municípios. 171. Os funcionários públicos são responsáveis solidariamente com a Fazenda Nacional. sempre sem direito a qualquer indenização. 172. § 3º É facultado o exercício cumulativo e remunerado de comissão temporária ou de confiança. § 4º A aceitação de cargo remunerado importa a suspensão de proventos da inativídade. omissão ou abuso no exercício dos seus cargos. ou será reconduzido ao cargo anterior. não excederem o máximo fixado. esta promoverá execução contra o funcionário culpado. será punido com a perda do cargo. porém.174 • A Constituição de 1934 8) todo funcionário público terá o direito a recurso contra a decisão disciplinar. o subsídio for mensal.

observando-se o seguinte: 1) o estado de sítio não será decretado por mais de noventa dias. § 4º As medidas restritivas da liberdade de locomoção não atingem os membros da Câmara dos Deputados. que as ouvirá. o hino. em virtude do estado de sítio. por igual prazo de cada vez. e das publicações em geral. distante mais de mil quilômetros daquele em que se achava ao ser atingida pela determinação. 175. conservado em custódia. § 3º Em todos os casos. 174. ou na emergência de insurreição armada. d) suspensão da liberdade de reunião e de tribuna. § 2º Ninguém será. 2) na vigência do estado de sítio. A bandeira. Art. O Poder Legislativo. na iminência de agressão estrangeira. no máximo. ou por autoria ou cumplicidade de insurreição. tomando-lhes. nem desterro para tal lugar. e) busca e apreensão em domicílio. ao juiz comissionado para esse fim. apresentadas. por escrito. em caso de agressão estrangeira. ou determinação de permanência em certa localidade. do SenadoFederal. e vir a participar nela. só se admitem estas medidas de exceção: a) desterro para outros pontos do território nacional.A Constituição de 1934 • 175 TÍTULO VIII DISPOSIÇÕES GERAIS Art. ou fundados motivos. com a declaração sumária dos seus motivos. ou para qualquer outro. dentro de cinco dias. poderá autorizar o Presidente da República a declarar em estado de sítio qualquer parte do território nacional. podendo ser prorrogado. senão por necessidade da defesa nacional. b) detenção em edifício ou local não destinado a réus de crimes comuns. o escudo e as armas nacionais devem ser usados em todo o território do País nos termos que a lei determinar. § 1ºA nenhuma pessoa se imporá permanência em lugar deserto ou insalubre do território nacional. pelas autoridades que decretaram as medidas. da Corte . as declarações. as pessoas atingidas pelas medidas restritivas da liberdade de locomoção devem ser. c) censura da correspondência de qualquer natureza.

Nesse caso se reunirão aqueles trinta dias depois. em mensagem especial. salvo os que respeitem a medidas de caráter militar. o Presidente da República relatará. do Tribunal de Contas. em seguida. podendo também apreciar. quando se haja de prorrogar o estado de sítio. logo que ele termine. assim como as autoridades que tenham de exercer as medidas de exceção. e mais documentos necessários. revogando-o. desde logo. independentemente de convocação. todos os seus efeitos. diretores ou editores os submetam a censura. e estabelecerá as normas necessárias para a regularidade destas. e autorizar a prorrogação do estado de sítio nos termos do nº 1 deste artigo. do Tribunal Superior de Justiça Eleitoral. § 10. § 13. os Governadores e Secretários de Estado. por ato publicado oficialmente.176 • A Constituição de 1934 Suprema. § 6º Não será censurada a publicação dos atos de qualquer dos poderes federais. O Poder Legislativo passará. § 8º Aberta a sessão legislativa. § 9º Proceder-se-á na conformidade dos parágrafos precedentes. e. com aquiescência prévia da Seção Permanente do Senado Federal. § 12. apresentando as declarações exigidas pelo § 3º. a deliberar sobre o decreto expedido. desde logo. ou não. nos Territórios das respectivas circunscrições. § 11. poderá o estado de sítio ser decretado pelo Presidente da República. jornais ou de quaisquer publicações. Expirado o estado de sítio. os motivos determinantes do estado de sítio. serão relatadas pelo Presidente da República. Decretado este. o Presidente da República designará. § 5º Não será obstada a circulação de livros. as providencias trazidas ao seu conhecimento. com as declarações prestadas pelas pessoas detidas e mais documentos necessários pata que ela as aprecie. O Presidente da República e demais autoridades serão responsabilizados. . desde que os seus autores. § 7° Se não estiverem reunidos a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. e justificará as medidas que tenha adotado. do Supremo Tribunal Militar. cessam. peios abusos que cometerem. um ou mais magistrados para os fins do § 3º. As medidas aplicadas na vigência do estado de sítio. os membros das Assembleias Legislativas e os dos tribunais superiores. em mensagem à Câmara dos Deputados. civil e criminalmente.

e o restante será depositado em caixa especial. Art. 178. no decurso de dois anos.A Contituição de 1934 • 177 § 14. as populações atingidas pela calamidade. o Título III. quando as alterações propostas não modificarem a estrutura política do Estado (arts. b) de mais da metade dos Estados. Art. lº a 14. 17 a 21). com as obras e os serviços de assistência. § 3° Os Estados e Municípios compreendidos na área assolada pelas secas empregarão quatro por cento da sua receita tributária. ou de emergência de guerra. § 2º O Poder Executivo mandará ao Poder Legislativo. § 1º Dessa percentagem. § 15. 177 e 181. e permitirá aos pacientes recorrerem ao Poder Judiciário. dos membros da Câmara dos Deputados ou do Senado Federal. pelo menos. e os arts. Art. no caso contrário. 7º. e das necessárias para a continuação das obras. e este mesmo art. no primeiro semestre de cada ano. do Título I. nº II. o Título II. 176. § 1º Na primeira hipótese. será por lei ordinária revista a percentagem acima estipulada. a proposta deverá ser formulada de modo preciso. ficando a cargo da União. e revista. § 4º Decorridos dez anos. das quantias despendidas com material e pessoal no exercício anterior. do Título I. a relação pormenorizada dos trabalhos terminados e em andamento. . Uma lei especial regulará o estado de sítio em caso de guerra. 178). 175. 177. a fim de serem socorridas. três quartas partes serão gastas em obras normais do plano estabelecido. a organização ou a competência dos poderes da soberania (Capítulos II. É mantida a representação diplomática junto à Santa Sé. sem aplicação especial. na assistência econômica à população respectiva. A defesa contra os efeitos das secas nos Estados do Norte obedecerá a um plano sistemático e será permanente. III e IV. manifestando-se cada uma das unidades federativas pela maioria da Assembléia respectiva. A inobservância de qualquer das prescrições deste artigo tornará ilegal a coação. com indicação dos dispositivos a emendar. que despenderá. nos termos do art. o Capítulo V. e será de iniciativa: a) de uma quarta parte. A Constituição poderá ser emendada. quantia nunca inferior a quatro por cento da sua receita tributária sem aplicação especial.

Se a emenda obtiver o voto de dois terços dos membros componentes de um desses órgãos. na primeira sessão legislativa. em caso contrário. com o respectivo número de ordem. se lograr a mesma maioria. que. em dois anos consecutivos. § 4º Não se procederá à reforma da Constituição na vigência do estado de sítio. As eleições para a composição da Câmara dos Deputados. a instituição de suplentes. A primeira será incorporada e a segunda anexada. pela forma que determinarem. numa e noutra Casa. por dois quintos dos seus membros ou submetida a qualquer desses órgãos por dois terços das Assembleias Legislativas. das Assembléias Legislativas Estaduais e das Câmaras Municipais obedecerão ao sistema da representação proporcional e voto secreto. . ou. a proposta de revisão será apresentada na Câmara dos Deputados ou no Senado Federal. deverá ser publicado com as assinaturas dos membros das duas Mesas. Art. como objeto de deliberação. aceitarem a revisão. nos termos da lá. § 2º Na segunda hipótese. deverá ser imediatamente submetida ao voto do outro. ao texto constitucional. em duas discussões. à elaboração do anteprojeto. a três discussões e votações em duas sessões legislativas. mantendo-se. por maioria de votos. 180. nesta conformidade. § 5º Não serão admitidos. § 3º A revisão ou emenda será promulgada pelas Mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. Art. Nenhum Estado terá na Câmara dos Deputados representação inferior à que houver tido na Assembléia Nacional Constituinte. na legislatura seguinte. poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou de ato do Poder Público. proceder-se-á. em virtude de deliberação da maioria absoluta de cada uma destas. absolutamente indevassável. Este será submetido. 179. entendendo-se aprovada.178 • A Constituição de 1934 Dar-se-á por aprovada a emenda que for aceita. Art. 181. se estiver reunido. e apoiada. pela maioria absoluta da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. pelo menos. Se ambos. projetos tendentes a abolir a forma republicana federativa. Só por maioria absoluta de votos da totalidade dos seus juizes.

no todo ou em parte. sendo vedada a designação de caso ou pessoas nas verbas legais. 187. Art. e. para despesas urgentes e imprevistas em caso de calamidade pública. O produto de impostos. depende de expressa autorização da Câmara dos Deputados. 183. apenas alcançado o fim pretendido. dentro das forças do depósito. depois de ouvido o Procurador-Geral da República. a de créditos extraordinários poderá ocorrer. nenhum crédito não decorrente de autorização orçamentária se abrirá. aos funcionários que a impuserem ou confirmarem. ficando extinta a tributação. enquanto não revogadas. O produto das multas não poderá ser atribuído. Nenhum imposto poderá ser elevado além de vinte por cento do seu valor ao tempo do aumento. de acordo com a lei ordinária. Parágrafo único. Art. em virtude de sentença judiciária. Esses créditos serão consignados pelo Poder Executivo ao Poder Judiciário. as leis que. Os saldos que apresentarem anualmente serão. Art. far-se-ão na ordem de apresentação dos precatórios e à conta dos créditos respectivos. Parágrafo único. taxas ou quaisquer tributos criados para fins determinados não poderá ter aplicação diferente. recolhendo-se as importâncias ao cofre dos depósitos públicos.A Constituição de 1934 •179 Art. . Os pagamentos devidos pela Fazenda Federal. Nenhum encargo se criará ao Tesouro sem atribuição de recursos suficientes para lhe custear a despesa. no ano seguinte. Continuam em vigor. 182. Art. rebelião ou guerra. 186. incorporados à respectiva receita. 185. Art. explícita ou implicitamente. § 2º Salvo disposição expressa em contrário. não contrariarem as disposições desta Constituição. ou suplementar. § 3° É proibido o extorno de verbas. autorizar o sequestro da quantia necessária para o satisfazer. a não ser no segundo semestre do exercício. § 1º A abertura de crédito especial. As multas de mora por falta de pagamento de impostos ou taxas lançados não poderão exceder de dez por cento sobre a importância em débito. 184. a requerimento do credor aue alegar preterição da sua precedência. Cabe ao Presidente da Corte Suprema expedir as ordens de pagamento.

§ 2º Para essa eleição não haverá incompatibilidades. dentro de quinze dias da eleição. por maioria absoluta de votos. estas últimas passarão a eleger os Governadores e os representantes dos Estados. 1º Promulgada esta Constituição. em primeira votação. desde logo. até que ambos se organizem nos termos do art. o Presidente da República para o primeiro quadriênio constitucional. de 10 de abril de 1934. igual ao dos antigos Deputados Estaduais. no Senado Federal. eleitos por sufrágio universal. § 4º Findará na mesma data a primeira legislatura.180 • A Constituição de 1934 Disposições Transitórias Art. se nenhum dos votados a obtiver. por maioria relativa. em Assembléias ordinárias. igual e direto. § lº Essa eleição far-se-á por escrutínio secreto e será. as respectivas Constituições. § 3º O Presidente eleito prestará compromisso perante a Assembleia. no prazo máximo de quatro meses. na primeira legislatura. a Assembléia Nacional Constituinte elegerá. Art. será de um por 150 mil habitantes. Nesse intervalo elaborará as eis mencionadas na mensagem do Chefe do Governo Provisório. a seguir. . e. o dos Vereadores da primeira Câmara Municipal do atual Distrito Federal. no segundo turno. 3º. e exercera o mandato até 3 de maio de 1938. transformando-se. 3º Noventa dias depois de promulgada esta Constituição. § 1º. para que seja atendida a representação das profissões. o mesmo dos antigos Intendentes. até o máximo de vinte. deste limite para cima. o de membros das Assembléias Constituintes dos Estados. no dia imediato. a empossar aqueles e a elaborar. observado o disposto no artigo 180. Uma vez inauguradas. realizar-se-ão as eleições dos membros da Câmara dos Deputados e das Assembléias Constituintes dos Estados. 2º Empossado o Presidente da República. a Assembléia Nacional Constituinte se transformará em Câmara dos Deputados e exercerá cumulativamente as funções do Senado Federal. e outras porventura reclamadas pelo interesse público. e. Art. providenciando. de um por 250 mil habitantes. pelo sistema proporcional. § lº O número de representantes do povo na Câmara dos Deputados.

Efetuada esta. cabendo as funções legislativas a uma Câmara Municipal. o atual Distrito Federal passará a constituir um Estado. nos termos do art. exceto as qualidades de brasileiro nato e gozo dos direitos políticos. por convocação deste. § 4º O Tribunal Superior de Justiça Eleitoral convocará os eleitores para as eleições de que trata este artigo. não prevalecerão inelegibilidades. O Presidente da República. Art. ambos eleitos por sufrágio direto. sob instruções do Governo. até que a reforme pelo processo nela determinado. sob a presidência do Presidente do Tribunal Regional Eleitoral. § 6º O Estado que. com os suplementos que o mesmo tribunal julgar necessários. não houver decretado a sua Constituição. sem perda de tempo. para a primeira eleição de Prefeito. letra a. será submetido. e nº 2. § 5º Diplomados os Deputados às Assembléias Constituintes Estaduais.A Constituição de 1934 • 181 § 2º A eleição da representação ptofissional na Câmara dos Deputados se realizará em janeiro de 1935. sem prejuízo da representação profissional na . Concluídos tais estudos. as providências necessárias à mudança. findo o prazo deste artigo. por deliberação do Senado Federal. observados os preceitos desta Constituição. o titular do cargo. nomeará uma comissão que. 4º Será transferida a Capital da União para um ponto central do Brasil. que promoverá a eleição da Mesa. e realizando-se todas pela forma prescrita na legislação em vigor. procederá a estudos de várias localidades adequadas à instalação da Capital. § 7º Para as primeiras eleições dos órgãos de qualquer poder. que elegerá o Prefeito e os representantes do Senado Federal. que escolherá o local e tomará. § 3º No mesmo prazo deste artigo serão realizadas as eleições para a Câmara Municipal do Distrito Federal. logo que esta Constituição entrar em vigor. O atual DistritoFederal será administrado por um Prefeito. reunir-se-ão. nº 1 . 112. § 8º A qualidade de Interventor no Distrito Federal não torna inelegível. serão presentes à Câmara dos Deputados. Parágrafo único. efetuando-se simultaneamente a da Câmara dos Deputados e a das Assembléias Constituintes dos Estados. à de um dos outros que parecer roais conveniente. dentro de trinta dias. nem se exigirão requisitos especiais.

Em caso de votação igual. e que lhes não sejam atribuídos por esta Constituição. Art. cobrado atualmente pelos Estados. elaborará um anteprojeto de emenda constitucional dos dispositivos concernentes à divisão das rendas. instituídas para a defesa de produtos agrícolas. as associações profissionais e os contribuintes em geral. que terão em conta os benefícios oriundos do convênio e as indenizações pagas à Bolívia. Estendem-se-lhe. aquele cujo mandato terminará com a primeira legislatura. continuarão a ser arrecadadas. 8º O Senado Federal. com a colaboração dos ministérios. logo que se solvam os débitos em moeda nacional. só entrará em vigor a lº de janeiro de 1936. Art. § 2º. e serão reduzidas. ter outra aplicação. § 2º À mesma redução ficam sujeitos os impostos que os Estados e os Municípios cobrem cumulativamente. as disposições do art. 5º A União indenizará os Estados do Amazonas e Mato Grosso dos prejuízos que lhes tenham advindo da incorporação do Acre ao território nacional. constantes dos seus orçamentos para 1933. A primeira eleição pata Prefeito será feita pela Câmara Municipal em escrutínio secreto. 7º O mandato do representante menos votado do Distrito Federal e de cada Estado no Senado Federal terminará com a primeira legislatura. o órgão eleitor escolherá. será aplicado. § 3º As taxas sobre exportação. em proveito daqueles Estados. 6º A discriminação de rendas estabelecida nos artigos 6º. até que se liquidem os encargos a que elas sirvam de garantia.8º e 13. por sorteio. até atingir aquele limite. dentro cm seis meses. sob a orientação do Governo Federal. o qual será publicado para a respeito representarem. 12. e à razão de dez por cento ao ano. Art. a partir de 1º de janeiro de 1936. § 1º O excesso do imposto de exportação. respeitados os compromissos decorrentes de convénios entre os Estados interessados. os poderes estaduais. O valor fixado por árbitros.182 • A Constituição de 1934 forma que for estabelecida pelo Poder Legislativo Federal na Lei Orgânica. sem que a importância da arrecadação possa. Art. . no todo ou em parte. no que lhe forem aplicáveis. será reduzido automaticamente. a tanto quanto baste para o serviço de juros e amortização dos empréstimos contraídos cm moeda estrangeira. especialmente o da Fazenda.

ouvidas as Congregações das Faculdades de Direito. cessará a competência dos outros juizes e tribunais federais para julgar os recursos de que trata o § 1º do mesmo artigo. Dentro de cinco anos. 79. mesmo na sua falta. contados da vigência desta Constituição. Os recursos pendentes. nomeará uma comissão de três juristas. § lº O Poder Legislativo deverá. servirá de base para a emenda dos referidos dispositivos. organizar. num e noutro caso. O Governo. e outra para elaborar um projeto de Código do Processo Penal. o processo do ait. Art. Logo que funcione o tribunal de que trata o art. para este efeito. Parágrafo único. § 1º Findo o prazo e não resolvidas as questões. 178. mediante acordo direto ou arbitramento. Art. sendo dois Ministros da Corte Suprema e um advogado. a menos que se acham em grau de embargos. Art. § 2º Enquanto não forem decretados esses códigos. uma vez apresentados esses projetos. passará a constituir a Corte Suprema. procedendo-se. para. as Cortes de Apelação dos Estados e os Institutos de Advogados. à revisão dos contratos existentes. 9º O Supremo Tribunal Federal. . Art. ficarão sujeitos às normas de regulamentação que forem consagradas na lei federal. deverão os Estados resolver as suas questões de limites. 10. observando-se. com os seus atuais Ministros. os dos Estados. § lº. e. o Presidente da República convidará os Estados interessados a indicarem árbitros. definitivamente elaborado no prazo de dois anos. se estes não chegarem a acordo na escolha do desempatador. 12. Os particulares ou empresas que ao tempo da promulgação desta Constituição explorarem a industria. continuarão em vigor. e. de energia hidroelétrica ou de mineração. excepcionalmente. discuti-los e votá-los imediatamente. O anteprojeto. cada Estado indicará Ministros da Corte Suprema em número cortespondente à maioria absoluta dessa Corte. poderá a emenda ser feita.A Constituição de 1934 • 183 Parágrafo único. baixarão aos tribunais competentes. nos respectivos Territórios. fazendo-se sorteio dentre os indicados. Art. cuja decisão não mais couber à Corte Suprema em virtude da criação dos novos tribunais previstos na Constituição. um projeto de Código do Processo Cvil e Comercial. 11. dentro em três meses. 13. uma vez promulgada esta Constituição.

Art.184 • A Constituição de 1934 § 2º Recusado o arbitramento. . o Presidente da República nomeará uma comissão especial para o estudo e a decisão de cada uma das questões. terão garantidas a inamovibilidade. fazendo-se a demarcação pelo Serviço Geográfico do Exército. Ficam aprovados os atos do Governo Provisória. 20. apreciando. Art. Art. sobre os limites controvertidos. 18. Parágrafo único. Será imediatamente elaborado um plano de reconstrução econômica nacional. que assegurem aos interessados a produção de provas e alegações. § 3º As Comissões decidirão afinal. destituídos dos seus cargos desde outubro de 1930. Art.000$000. uma ou várias comissões presididas por magistrados federais vitalícios que. 21. Art. Art. 19. fixando normas de processo. na data desta Constituição. 15. ou em outros correspondentes. dos interventores federais nos Estados e mais delegados do mesmo Governo. excluído sempre o pagamento de vencimentos atrasados ou de quaisquer indenizações. de plano. oportunamente. Fica o Governo autorizado a abrir o crédito de 300. estiverem exercendo as profissões a que ele se refere. Salvo cancelamento nos casos da lei. 16. para a ereção de um monumento ao Marechal Deodoto da Fonseca. 132 não se aplica aos brasileiros naturalizados que. Os professores dos institutos oficiais de ensino superior. Art. Art. É concedida anistia ampla a todos quantos tenham cometido crimes políticos até a presente data. O preceito do art. ou seus Delegados. a vitaliciedade e a irredutibilidade dos vencimentos. emitirão parecer sobre a conveniência do aproveitamento destes nos cargos ou funções públicas que exerciam e de que tenham sido afastados peio Governo Provisório. e excluída qualquer apreciação judiciária dos mesmos atos e dos seus efeitos. 14. sem mais recurso. proclamador da República. o alistamento para a eleição da Assembléia Nacional Constituinte prevalecerá para as eleições subseqüentes. O Presidente da República organizará. 17. logo que possível. as reclamações dos interessados. Na organização da Secretaria do Senado Federal serão obrigatoriamente aproveitados os funcionários da sua antiga Secretaria.

136 aplicam-se aos atuais contratantes e concessionários. dentro de noventa dias após a promulgação da Constituição. — Thomaz d e Oliveira Lobo. Art. 23. e 19. Esta Constituição. — Manoel do Nascimento Fernandes Távora. 4º Secretário. em dezesseis de julho de mil novecentos e tinta e quatro. 6°). Sala das Sessões da Assembléia Nacional Constituinte. 2º). 1º Secretário. ficando impedidas de funcionar no Brasil as empresas ou companhias nacionais ou estrangeiras que. 3º Secretário. 24. Presidente. O Governo Federal fará publicar em avulso esta Constituição para larga distribuição gratuita em todo o País. será promulgada pela Mesa da Assembléia. . a todas as autoridades a quem o conhecimento desta Constituição pertencerem. As disposições do art. Antônio Carlos Ribeiro de Andrada. especialmente aos alunos das escolas de ensino superior e secundário. portanto. depois de assinada pelos Deputados presentes. — Clementina de Almeida Lisboa. de 12 do mesmo mês e ano (art. por tempo de serviço. com restrições quanto ao preâmbulo. de que estavam em gozo os funcionários públicos. na cidade do Rio de Janeiro. 25. em projeto de resolução. não cumprirem ás obrigações nela prescritas. Art.582. e promoverá cursos e conferências para lhe divulgar o conhecimento. 26. desde as datas dos decretos do Governo Provisório nºs 19. — Waldemar de Araújo Motta. O subsídio do primeiro Presidente da Republica será fixado pela Assembléia Nacional Constituinte. Publique-se e cumpra-se em todo o território da Nação. São mantidas as gratificações adicionais.565. e entrará em vigor na data de sua publicação. 22. de 6 de janeiro de 1931 (art.A Constituiçãode 1934 • 185 Art. 2º Secretário. Art. Art. escrita na mesma ortografia da de 1891 e que fica adotada no País. que a executem e façam executar e observar fiel e inteiramente como nela se contém. Mandamos.

" EMENDA Nº 3 "O funcionário civil. em qualquer parte do território nacional. que praticar ato ou participar de movimento subversivo das instituições políticas e sociais. observando-se o disposto no art.DECRETO LEGISLATIVO Nº 6 DE 18 DE DEZEMBRO DE 1935 Emendas à Constituição Federal Nós. que praticar ato ou participar de movimento subversivo das instituições políticas e sociais. 12 e 13." EMENDA Nº 2 "Perderá patente e posto. com finalidades subversivas das instituições políticas e sociais. 175. e devendo o decreto de declaração da equiparação indicar as garantias constitucionais que não ficarão suspensas. na forma do § 3° do art. ativo ou inativo. por decreto do Poder Executivo. equiparada ao estado de guerra. poderá autorizar o Presidente da República a declarar a comoção intestina grave. 178 da Constituição da República dos Estados Unidos do Brasil. as Emendas nºs 1. 2 e 3 a essa Constituição. Presidentes e Secretários da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. EMENDA N° 1 "A Câmara dos Deputados. nº 1 §§ 7º. sem prejuízo de outras penalidades e ressalvados os efeitos da decisão judicial que no caso couber. será . promulgamos e mandamos publicar. com a colaboração do Senado Federal. da reserva ou reformado. o oficial da ativa.

188 • Emendas demitido, por decreto do Poder Executivo, sem prejuízo de outras penalidades e ressalvados os efeitos da decisão judicial que no caso couber." Rio de Janeiro, 18 de dezembro de 1935. — Antônio Carlos Ribeiro deAndrada, Presidente da Câmara — José Pereira Uma, lº Secretário da Câmara — Manoel Caldeira Alvarenga, 4º Secretário da Câmara, servindo de 2º Secretário — Edmar da Silva Carvalho, servindo de 3º Secretário da Câmara — Claro Augusto Godoy, servindo de 4º Secretário— Antônio Garcia de Medeiros Netto, Presidente do Senado Federal — Leopoldo Tavares da Cunha Mello, 1º Secretário do Senado — José Pires Rebelo, 2º Secretário do Senado.

CRÉDITO DAS ILUSTRAÇÕES

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nas oficinas da SEEP (Secretaria Especial de Editoração e Publicações). e impresso em papel ofsete 75g/m². Acabou-se de imprimir em agosto de 2001. corpo 12. foi composto em Garamond. 2ª edição. de acordo com o programa editorial e projeto gráfico do Conselho Editorial do Senado Federal. em Brasília. . do Senado Federal.O Volume III da Coleção Constituição Brasileiras (1934).

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