TERRA LIVRE ERRA

BOLETIM Nº1 OUTUBRO DE 2008
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PARA A CRIAÇÃO DE UM COLECTIVO AÇORIANO DE ECOLOGIA SOCIAL

QUE ECOLOGISMO?
Embora plural no que diz respeito à forma de pensar e viver o ecologismo, consideramos que não se pode separar os ecossistemas naturais da vida do homem na sociedade, não esquecendo que a crise ecológica global não atinge de igual modo as pessoas no mundo. É o modelo actual de produção e consumo o responsável pela violação dos direitos humanos e ambientais da maior parte da humanidade, sendo também responsável pelo sofrimento infligido aos animais. Defendemos uma nova relação do homem com o ambiente, assegurando que todos os recursos estejam equitativamente repartidos entre todas as pessoas, tanto as do Norte como as do Sul, não esquecendo as gerações vindouras.

PROPOSTA DE ESTATUTOS (EXTRACTOS)
1- O CAES- Colectivo Açoriano de Ecologia Social é uma associação informal, sediada nos Açores, que tem por fim defender a natureza, o ambiente e a paz, contribuir para a construção de um mundo mais limpo, mais justo e pacífico, privilegiando para isso métodos de trabalho e de intervenção não violentos, através das mais diversas actividades culturais, recreativas, sociais ou outras afins, todas elas suportadas pelo voluntariado dos seus membros. 2- Podem ser associados do CAES todas as pessoas

Pensamos que um mundo mais justo, pacífico e ecológico só será possível através do contributo singulares desde que aceitem os princípios da associação de todas as pessoas e não apenas das opiniões dos técnicos ou especialistas.
constantes do texto “Que Ecologismo?”, e que cumpram coerentemente os estatutos e o regulamento interno.

Assim, consideramos importante que sejam respeitados os seguintes pontos:

1. O capitalismo, seja ele liberal ou de estado é o responsável pela crise global que afecta 3- O CAES não aceita quaisquer receitas provenientes todos os habitantes do Planeta. A política e a economia deverão sofrer alterações profundas, contemplando o desenvolvimento humano e a satisfação equitativa das do estado ou de empresas públicas ou privadas. necessidades, ultrapassando a sua obsessão pelo crescimento ilimitado.
(cont. pag.2) 4- As quotas serão fixadas em Assembleia-Geral quando a actividade da associação assim o justificar. Até lá todas as despesas deverão ser cobertas por donativos dos associados.

5- Todos os mandatos são transitórios e revogáveis, a
qualquer momento, pela Assembleia Geral. 6- O facto de um membro ser mandatado para determinada tarefa ou eleito para determinado órgão não lhe confere qualquer vantagem ou privilégio em relação aos restantes membros.

Contacto: terralivreacores@gmail.com

QUAIS AS PRI CIPAIS QUESTÕES DA

ECOLOGIA SOCIAL?
Extracto de um texto de Leonardp Boff

1. O ser humano sempre interage intensamente com o ambiente. Nem o ser humano nem o ambiente podem ser estudados separadamente. Há aspectos que somente se compreendem a partir desta interacção mútua, particularmente as florestas secundárias, toda a gama de sementes (milho, trigo, arroz etc.) e de frutas que são resultado de milhares de anos de trabalho sobre sua genética. 2. Esta interacção é dinâmica e se realiza no tempo. A história dos seres humanos é inseparável da história de seu ambiente e de como eles interagem. 3. Cada sistema humano cria seu adequado ambiente. É diferente e possui simbolizações singulares, por exemplo, o ambiente próprio habitado pelos yanomamis, pelos seringueiros ou pelos latifundistas, pelos europeus ou pelos indianos. 4. A ecologia social se interessa por tais questões como: Através de que instrumentos os seres humanos agem sobre a natureza: com tecnologia intensiva, como por exemplo com agrotóxicos ou com adubos orgânicos? De que forma os seres humanos se apropriam dos recursos naturais, de forma solidária, participativa ou elitista, com tecnologias não socializadas? Como são eles distribuídos, de forma equitativa, consoante o trabalho de cada um, atendendo as necessidades básicas de todos ou de forma elitista e excludente? Uma distribuição desigual afecta de que maneira os grupos humanos? Que tipo de discurso usa o poder para justificar a concentração em poucas mãos, por isso, sua relação de desigualdade que tende à dominação? Como reagem os movimentos sociais no confronto com o estado e com o capital e para melhorar a qualidade de vida no trabalho, na cidade e no campo? Pertence à discussão da ecologia social, a miséria e a pobreza das populações periféricas, a concentração de terras no campo e na cidade, as técnicas agrícolas e agropecuárias, o crescimento populacional e o processo de inchamento das cidades, o comércio internacional de alimentos e o controlo de patentes, a produção do buraco de ozono, o efeito estufa, a dizimação das florestas tropicais e a ameaça à floresta boreal, o envenenamento das águas, dos solos, da atmosfera etc.

2. Consideramos que é fundamental o respeito do homem para com os restantes animais domésticos e selvagens, assim é imprescindível promover uma educação, cultura e legislação que garantam os direitos dos animais. A sociedade que defendemos, não pode aceitar espectáculos onde se torturem animais, como as touradas, etc.

3. Hoje, a nível mundial, assiste-se à crescente extinção de espécies da fauna e flora, o que se
traduz numa perda incalculável de património genético e à delapidação de recursos geológicos do planeta. Consideramos imprescindível a tomada de medidas com vista à conservação da biodiversidade e da geodiversidade. 4. Defendemos uma agricultura sustentável, orientada para a protecção da biodiversidade e do direito dos povos à soberania sobre o seu património genético comum. Assim, consideramos que a aposta deverá ser na soberania alimentar e na agricultura biológica. Opomo-nos ao cultivo e uso na alimentação de Organismos Geneticamente Modificados. 5. A única energia limpa é a que não é consumida. Assim, defendemos um modelo energético alternativo ao actual, com produção descentralizada e baseado na poupança e eficiência energética e nas energias renováveis. Opomo-nos à utilização da energia nuclear, tanto para a produção de electricidade como para a construção de armas, não só pelos riscos envolvidos, mas também por fomentar um modelo de sociedade militarizada e monopolista. 6. A terra é de todos os seus habitantes, daí que sejamos solidários com todos os povos do mundo, defendendo o seu direito à autodeterminação, o respeito às suas culturas autóctones e seus modos de vida. Rejeitamos os impedimentos à livre circulação das pessoas e defendemos que nenhum ser humano possa ser considerado ilegal. 7. Defendemos um modelo de democracia real, onde a participação cidadã e o acesso o mais amplo possível e livre à informação seja a coluna vertebral de todas as deliberações. Não aceitamos os totalitarismos políticos e a acumulação de poder, defendemos a máxima descentralização e pugnamos por um associativismo livre e independente. 8. Somos pacifistas, consequentemente defendemos a solução não-violência dos conflitos e opomo-nos à militarização das sociedades e ao uso da ciência e da tecnologia para fins militares. Advogamos o fim dos exércitos e denunciamos o impacto social e ambiental da indústria militar e do comércio de armas. 9. Defendemos para todas as pessoas trabalhos, dignos e livres de exploração, que contribuam para a satisfação das aspirações individuais e colectivas. 10. Reclamamos uma educação integral e multidisciplinar que torne responsável e consciente o indivíduo da sua posição na natureza e que não reproduza a actual sociedade, discriminatória e competitiva.

A contestação do crescimento económico é um fundamento da ecologia política. ão é possível um crescimento infinito num planeta finito. Muito incómoda, pois entra em ruptura radical com o nosso desenvolvimento actual, esta crítica foi rapidamente abandonada por conceitos mais suaves, como o “desenvolvimento sustentável “. o entanto, racionalmente, não existem outra vias pelas quais os países ricos (20%) da população planetária e 80% do consumo dos recursos naturais) que de reduzir a sua produção e o seu consumo de forma a “decrescer”. Bruno Clémentin e Vincent Cheynet

"Animal está no mundo para ser nosso companheiro, não nosso escravo e vítima" Agostinho da Silva