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PARTE I

INTRODUÇÃO

vir a saber ou. se poderia consul- tar um dicionário. deriva do radical indo-europeu. inhibit (inibir) e ability (habilidade). Suponhamos que uma pessoa não estivesse familiarizada com a palavra fenômeno e se deparasse com ela. ainda poderia ser difícil para essa pessoa empregar a palavra. está relacionada com a palavra latina habere (manter ou ter). Do mesmo radical veio o verbo last (durar). em latim). do mesmo modo que habit costumava ser mais comumente o que era vestido do que o que era habitualmente feito. um segundo registro poderia definir a palavra fenômeno como uma pessoa ou coisa surpreendente ou pouco comum. Comportamento. enfrentamos problemas quando tentamos formular uma definição. Em diferentes períodos da evolução da língua inglesa. Um livro-texto pode definir aprendizagem. Antecedentes. O prefixo be foi agregado em palavras como behabban. Como uma palavra que designava a forma com que alguém se conduz a si mesmo. talvez mesmo. Mesmo assim. Mas o que dizer da definição do objeto de estudo deste livro? O que é este fenômeno que denominamos aprendizagem? A palavra não nos causa problema na conversa cotidiana. pp. com base no contexto. como habit (hábito). 1961. A Linguagem da Aprendizagem e do Comportamento Linguagem Comportamental e Linguagem Cognitiva O Mundo e o Laboratório B. mas uma definição de dicionário que afirme que ela significa vir a saber alguma coisa ou adquirir conhecimento e habilidade não é muito útil. leornian. Mesmo assim. Mas o que significa comportamento.1-13). Kimble. Ela poderia decidir. leis-. O dicionário mostraria que a palavra é um substantivo comum e que seu plural é fenômenos (phenomenon e phenomena. Neste ponto. ela estava mais próxima do sentido de conduta ou comportamento do que do sentido mais contemporâneo de atividade. sofreu muitas transformações: laestan. como uma mudança relativamente permanente no comportamento. entrar nos trilhos. provavelmente. por exemplo. que a palavra significa alguma coisa que acontece ou um evento notável. A palavra behavior (comportamento). ela pode ter sido entendida como seguir uma pista. experiência. lernen. resultante da experiência (cf. que significava pista ou pegada. Conseqüências Estímulos e Respostas Hierarquias Comportamentais A palavra inglesa learning (aprendizagem). Normalmente podemos dizer se aprendemos alguma coisa e somos capazes de concordar a respeito daquilo que conta como aprendizagem. muito mais difícil de definir. Mesmo depois de ler a definição. continuar.Aprendizagem e Comportamento 1 A. do inglês antigo. A palavra aprendizagem é bem mais familiar que fenômeno e. em algumas sentenças. ela teria aprendido alguma coisa sobre a palavra e isso poderia ser útil à próxima vez que se deparasse com ela. que talvez a defina como um evento que pode ser observado. Antes de atingir sua forma atual. e quanto o relativamente permanente é permanente? Encarar um eclipse solar é uma experiência e certamente irá alterar o comportamento futuro . contudo.

Mas alguma vez olhamos para o cérebro de um organismo para decidir se ele aprendeu alguma coisa? Todos aprendemos a dizer quando aprendemos ou quando outros aprenderam alguma coisa. mais tarde.do observador. em diferentes momentos. como mostra o sumário. passa a evitar gambás e porcos-espinho. Um autor que encontra uma palavra pouco familiar. por outro lado. crianças e adultos. sob comando. Por exemplo. de início.. vamos examinar dois tipos de questão: (1) qual a natureza dos eventos a que nos referimos como aprendizagem e (2) qual a melhor forma de falar deles? Consideremos as palavras aprendizagem e conhecimento. as maneiras pelas quais diferentes instâncias de aprendizagem podem ser combinadas. geralmente não notamos. então. Fazemos isso sempre que observamos como os organismos vêm a se comportar de maneiras novas. aprendizagem significa coisas diferentes. provavelmente discordaríamos. mais tarde vem a empregá-la em um pequeno conto. A distinção é tão fundamental que. Um consumidor vê um anúncio de uma liquidação que ainda não começou e. Um cachorro é ensinado a sentar ou a deitar. CHARLES CATANIA . o que pode gerar confusão. Em nosso estudo da aprendizagem. Elas parecem obviamente importantes. volta à loja e aproveita os preços baixos. mas quantos de nós já viram um cérebro fazendo alguma coisa? Isso não significa dizer que a aprendizagem não tenha qualquer base fisiológica. Um filhote de gato. Mas. e a outra é dedicada à aprendizagem que envolve palavras. discutiríamos as condições sob as quais a aprendizagem ocorre. Um pombo descobre alimento ao longo de sua jornada e retorna àquele lugar. outras vezes falamos em aprender como fazer algo. Mas. Um estudante. mas devemos. ex. alguns dias depois. Ryle. se alguém afirmasse que essa alteração é um caso de aprendizagem. Consideremos alguns exemplos. Naturalmen- 22 A. não teríamos qualquer problema. Os psicolingüistas. até então. se resultar em dano permanente dos olhos. estabelecem a distinção. Uma está voltada para a aprendizagem que não envolve palavras. 1949). encarar o fato de que não seremos capazes de definir aprendizagem. quando está novamente faminto. para diferentes pessoas. Ainda assim. Devemos tratar esses dois tipos de aprendizagem em conjunto ou em separado? Os filósofos estão preocupados com esse tipo de distinção quando debatem sobre as diferenças entre “saber como” e “saber que “ (p. depois de ler um capítulo de um livro de matemática. Alguns tipos de aprendizagem envolvem ações e outros envolvem palavras. e assim por diante. algumas vezes falamos em aprender sobre algo. Se a aprendizagem pudesse ser definida em uma ou duas frases. Não há definições satisfatórias. quando funcionam de diferentes maneiras em diferentes contextos. e provavelmente concordaríamos que todos são instâncias de aprendizagem. parecia insolúvel. alguém que tenha aprendido a dirigir um carro pode não ser capaz de dizer como ele funciona. Uma criança se torna capaz de ler uma história ou de soletrar algumas palavras simples. as limitações da aprendizagem. Mas. após suas primeiras expedições de caçada. O que esses exemplos têm em comum? Eles envolvem cachorros e gatos. Alguém que tenha aprendido como um automóvel funciona pode não saber como dirigir um. Mas é razoável agrupar um pombo que aprende uma rota para a fonte de alimento com um estudante que descobre a solução para um problema matemático? Alguém poderia sugerir que nossos problemas de definição seriam resolvidos se acrescentássemos que a aprendizagem tem que ocorrer por meio de alguma mudança no cérebro. os tipos de coisas que são aprendidas. podemos estudar a aprendizagem. contrastando conhecimento ou memória de procedimento e conhecimento ou memória declarativa. Definiríamos a palavra e. este livro está dividido em duas partes principais. Um paciente que certa vez teve uma experiência ruim no consultório de um dentista sente-se desconfortável na sala de espera. encontra a solução de um problema que. Seção A A Linguagem da Aprendizagem e do Comportamento Este é um livro sobre a aprendizagem. às vezes.

Esse não é o caso da Psicologia. coisas diferentes do que significam para a maioria das pessoas em sua conversação rotineira. As linguagens mudam. mas o vocabulário cotidiano não nos equipa bem para discuti-la. Tais propriedades determinam que tipo de coisas o neurocientista interessado em aprendizagem deve procurar no sistema nervoso. no momento presente. O último recurso pode criar dificuldades. para os físicos. atlético. significam para os físicos. estivemos mais preocupados sobre como falar a respeito deles. Essa é a razão pela qual nossa principal preocupação será com as propriedades comportamentais da aprendizagem. Falamos sobre como as pessoas crescem e mudam. Se desejarmos criar novas formas de falar sobre esses eventos. estivemos pouco preocupados com os fatos da aprendizagem. além da Psicologia. muitos fenômenos que eles estudam atualmente estão tão distantes de nossa experiência comum. intelectual ou musical especifica suas atividades pre- feridas. não podemos ter uma adequada neurociência da aprendizagem. Mas teríamos problemas em decidir o que procurar no sistema nervoso. poderiam preocupar-se com uma criança que briga. Todos estamos. por exemplo. e deve ser por isso que descrevemos as pessoas pela maneira como elas tendem a se comportar. Temos passado a maior parte de nossas vidas falando de maneiras específicas sobre o que fazemos. Contudo. se uma criança aprende a evitar problemas dizendo mentiras. necessariamente. Mas. Mas. É importante saber o que esperar dos outros. se a criança começa a brincar cooperativamente. Algumas seções deste livro serão dedicadas ao estabelecimento de uma linguagem comportamental. na linguagem técnica. no início de cada capítulo). Um pai ou uma professora. a menos que compreendamos suas propriedades comportamentais. suas terminologias refletem o que é importante. esse tipo de vocabulário não é apropriado para discutir como interesses ou traços particulares se desenvolveram em um indivíduo. Descrever pessoas com palavras como artístico. Referimo-nos uns aos outros como expansivos ou reservados. freqüentemente. temos que cuidar para que a nova linguagem não venha a se confundir com a antiga. Há uma diferença importante entre mentir e dizer a verdade. por exemplo. se não soubéssemos o bastante sobre a aprendizagem. o pai pode não se importar se isso ocorreu devido às recompensas naturais da cooperação. Normalmente. Problemas desse tipo também ocorrem em outros campos. mais do que com suas bases fisiológicas. a mais apropriada para uma linguagem da aprendizagem (essa é uma das razões para a inclusão da seção etimológica.te que tem e seria fascinante saber que mudanças neurológicas acompanham a aprendizagem. Felizmente. Contudo. De fato. confiáveis ou imprevisíveis. relaxados ou compulsivos. envolvidos com o comportamento. Até aqui. A linguagem que geralmente empregamos para descrever o que as pessoas fazem é útil. social. para os que falam uma dada linguagem. e esses modos familiares de falar podem interferir com quaisquer novas formas que tentemos estabelecer. o comportamento de cada criança foi modelado por suas conseqüências. se a cooperação foi explicitamente ensinada ou se brigar ou outras alternativas para o brincar foram punidas. os físicos não consideram adequado o vocabulário do cotidiano. Palavras como trabalho. e essa linguagem não será simplesmente uma paráfraAPRENDIZAGEM 23 . Um problema é que a linguagem que evoluiu em nossa interação cotidiana com os outros não é. Essa modelagem do comportamento deveria ser de nosso interesse. cada criança se comporta de modo a evitar problemas. Consideremos um outro exemplo. estamos mais interessados no que as outras pessoas sabem e no que tendem a fazer do que em como elas vieram a se tornar o que são. Eles cunham novos termos ou apoderam-se de outros já existentes. força e energia. com outras crianças e que nunca brinca cooperativamente. e outra aprende a evitálos dizendo a verdade não deveríamos nos surpreender se a primeira criança vier a se tornar menos confiável do que a segunda. inexoravelmente. especulamos sobre as razões que elas têm para fazer certas coisas e nós próprios aprendemos novos fatos e adquirimos novas habilidades. que não confundimos sua linguagem técnica com o discurso leigo. ou história das palavras. Quando observam eventos no mundo.

Quando lidamos com o mundo. Os comportamentalistas tendem a lidar com questões relativas à função. a disputa entre comportamentalistas e cognitivistas pode ter origem tanto nas diferentes maneiras de se falar sobre o comportamento quanto em diferenças nas descobertas de pesquisa. senão o comportamento. dizemos. poderíamos cogitar sobre o que teríamos que fazer para envolver a criança na leitura. uma pessoa pode descrever pensamentos ou sentimentos. O comportamentalista afirma que se o comportamento é tudo o que está disponível para ser medido. às vezes. Para explicar o que fazemos. Por outro lado. Suponhamos que estejamos interessados em ensinar uma criança a ler. devemos estender a busca a essas experiências passadas ou. LINGUAGEM COMPORTAMENTAL E LINGUAGEM COGNITIVA Algumas vezes. isso certamente seria relevante para o estudo da aprendizagem. e pode ser que nem mesmo sejamos capazes de relatá-las. no presente momento eles não se comportam de forma diferente. Poder-se-ia dizer simplesmente que um dos estudantes sabe mais que o outro. daquilo que os organismos fazem. Por exemplo. Embora eles possam ser distinguidos com base no desempenho passado. Algumas dificuldades surgem porque esses dois tipos de psicólogos geralmente estão interessados em tipos diferentes de questões.se dos usos cotidianos. devem ocorrer processos que não são observáveis em nosso comportamento. e por isso desencoraja a continuidade da pesquisa. Quando tentamos lembrar de uma palavra que está na “ponta da língua” ou tentamos resolver um problema “dormindo sobre ele”. é tentador dizer que estudamos a mente. enquanto o outro não. Se pudéssemos descobrir algo acerca de tais processos. ao comportamento passado. Não há outra coisa a ser estudada. nossas terminologias e teorias devem ser. que uma idéia. falamos sobre o que as pessoas fazem. a linguagem de eventos mentais pode ser enganadora. Contudo. As idéias. Pensaríamos no que poderia manter a criança alerta. ela irá exigir algumas novas formas de lidar com fenômenos ou eventos familiares. de nossos sentimentos e de intuições. Independentemente de quais sejam os fenômenos que estudamos em Psicologia. Por um lado. teremos também algo útil a dizer acerca das origens de nossas idéias. Por um lado. em outras palavras. devem ter sua origem em nossas experiências com o mundo. É fácil demais contentar-se com uma explicação assim. portanto. sentimentos e intuições. A diferença está naquilo que cada um é virtualmente capaz de fazer. Dois alunos podem permanecer quietos durante uma aula. um organismo é mais do que aquilo que pode ser visto em seu comportamento. de um sentimento ou de uma intuição. O comportamentalista não questiona a existência de idéias. mas critica sua invocação como causa do comportamento. de um debate sobre os modos apropriados de se falar de eventos psicológicos. Se tivermos êxito. o que alguém faz é a única coisa que está acessível a nós. mas tais descrições ainda são comportamentos (o comportamento verbal pode ser especial. no que a ajudaria a prestar atenção às palavras apresentadas e no que poderia ajudá-la a lembrar quais são as várias palavras. casualmente. acontecem algumas coisas que não transparecem em nosso comportamento. O debate entre psicólogos que se denominam comportamentalistas e os que se intitulam mentalistas ou cognitivistas tem sido consideravelmente duradouro. os sentimentos e os palpites dizem respeito ao mundo e. e os cognitivistas tendem a lidar com questões de estrutura. por exemplo. O cognitivista sustenta que essa visão é desnecessariamente estreita. outras sobre o que elas sabem. especialmente quando uma afirmação mentalista é aceita como explicação. em última instância. derivadas de um comportamento. Seríamos melhor sucedidos se recompensássemos seus acertos ou se penalizás- 24 A. um sentimento ou um palpite levou alguém a fazer algo. mas ainda assim é um comportamento). CHARLES CATANIA . até certo ponto. Em um experimento de aprendizagem. para um comportamentalista não basta dizer que alguém fez algo por causa de uma idéia. Trata-se. e ainda assim pode ficar claro para o professor que um deles é capaz de responder a certas questões e resolver certos problemas. Quando estudamos esse conhecimento.

criar um sistema de instrução por computador.) Mas não temos que nos desviar de nosso propósito por causa dessa controvérsia. Qualquer tentativa de melhorar a forma como as crianças aprendem a ler será deficiente se for ignorado qualquer um deles. Por melhor que seja a instrução informatizada para manejar as rela- ções entre palavras e figuras e as respostas da criança. porque os psicólogos interessados em problemas funcionais tendiam a falar uma linguagem comportamental. ou as circunstâncias que estabelecem a ocasião para o comportamento. essas propriedades são convenientemente expressas na linguagem cognitiva de conhecimento e mente. Mas outro de nossos problemas seria estrutural. É fácil ver como tal correlação pode ter surgido. Suponhamos que descobrimos que as crianças que aprendem a ler a partir de textos acompanhados por figuras apresentem maior probabilidade de atentar para as figuras do que para as palavras. a separação entre anatomia e fisiologia. até mesmo. Vamos considerar tanto os problemas funcionais quanto os estruturais em aprendizagem e. Se a preocupação do experimentador é com a estrutura. Como a leitura é estruturada? Qual é a melhor forma de seqüenciar os materiais? Deveríamos ensinar a criança a ler. estamos interessados nas relações estruturais efetivas dentro do material a ser ensinado. que tem que julgar se a criança de fato leu a palavra ou se apenas adivinhou a palavra a partir da figura. portanto. as relações funcionais entre o comportamento e suas conseqüências. Considere um outro exemplo. em que a criança somente pudesse ver a figura como conseqüência da leitura correta da palavra. Os dois tipos de problemas são importantes. ocorreu na história da Biologia. começando por letras individuais. mais precisamente. Se o experimentador está preocupado com a função. Um programa de leitura para ensinar uma língua alfabética. estamos determinando as funções dessas várias respostas ou. Historicamente. Em ambos os casos. por mais preocupados que estejamos com os efeitos da recompensa e da punição no domínio da leitura pela criança. Por outro lado. sua efetividade poderia ser prejudicada se tentássemos ensinar as palavras difíceis antes das palavras fáceis ou as palavras com grafia irregular antes das palavras com grafia regular. provavelmente seria bem diferente de um programa para ensinar uma língua ideográfica. essas relações podem ser convenientemente expressas na linguagem comportamental de estímulos e respostas. ele estuda as conseqüências de relações particulares entre os eventos ambientais específicos e as ações específicas. do mesmo modo que os cognitivistas poderiam ter estudado os problemas funcionais. o comportamento que ocorre nessas circunstâncias e as conseqüências do comportamento (esses três APRENDIZAGEM 25 . como o chinês. (Uma distinção paralela entre estrutura e função. enquanto os interessados em problemas estruturais tendiam a falar uma linguagem cognitiva ou mental. como o inglês. ele estuda as propriedades de capacidades ou as habilidades particulares.semos os erros? Quando planejamos conseqüências diferentes para as diferentes respostas que a criança pode apresentar. porque ainda seria importante saber quais figuras deveriam acompanhar quais palavras e a ordem em que os diferentes materiais de leitura deveriam ser apresentados. os problemas nos quais os comportamentalistas e os cognitivistas estavam interessados tendiam a ser correlacionados com a linguagem que eles empregavam. por sílabas ou por palavras inteiras? Quando programamos diferentes ordens de apresentação dos materiais a serem aprendidos. ver Capítulo 21. como letras ou sílabas? Problemas de estrutura dizem respeito a como o comportamento e o ambiente estão organizados. As palavras seriam melhor ensinadas como estruturas unitárias ou como estruturas complexas construídas a partir de unidades mais simples. Isso também poderia ajudar o professor. Embora os comportamentalistas pudessem ter estudado os problemas estruturais. será útil descrever as situações em termos de antecedentes. isso não nos dirá qual o modo mais eficiente de lhe apresentar materiais de leitura. Cada programa teria que levar em consideração a estrutura falada e escrita da língua a ser ensinada. Um de nossos problemas seria funcional e poderia nos levar a perguntar se poderíamos melhorar o ensino de leitura colocando as palavras em uma página e a figura relevante na página seguinte. examinaremos os dois tipos de pesquisa. certas controvérsias surgiram na Psicologia. Poderíamos.

não apropriado ao estabelecimento de generalizações sobre a aprendizagem fora do laboratório. porque vivemos em um mundo complexo. vamos nos ater menos à teoria psicológi- 26 A. medos ou apegos particulares. conseguiremos excluir algumas das distrações que poderiam.termos são abreviados. porque provavelmente serão mais simples do que os comportamentos que envolvem a linguagem. CHARLES CATANIA . O que eles nos dizem sobre o comportamento sem a linguagem poderá nos ajudar. as relações entre os termos (p. tanto os conceitos comportamentais como os conceitos cognitivos. embora complexo. como a estrutura. em ambientes simplificados. Essa situação difere apenas em grau daquela em outras ciências. Mas o psicólogo geralmente tem tão pouca informação disponível. O MUNDO E O LABORATÓRIO Então. Os eventos que influenciam nosso comportamento não ocorrem isoladamente. No que se segue. que pode oferecer apenas uma interpretação plausível. ex. assim. portanto. de outro modo. Para isso. No estudo da aprendizagem. se formos cuidadosos. é ordenado e não casual. Assim como os princípios da aerodinâmica não são invalidados se não conseguimos explicar cada volta e guinada no trajeto da queda de uma folha em particular. O ambiente controlado do laboratório facilita o exame de uma coisa por vez. dados certos antecedentes. Essas duas orientações psicológicas diferem em suas linguagens e nos problemas de pesquisa que enfatizam. A orientação que este livro segue lida tanto com a estrutura quanto com a função. a desenvolver um vocabulário apropriado ao nosso objeto de estudo. voltamo-nos para o laboratório. antes que possamos estudar suas propriedades. Há limites para o que podemos saber. Podemos programar as circunstâncias. Analisar uma coisa é simplesmente dividi-la em suas partes-componentes. como fazer descobertas sobre o comportamento? Os problemas de linguagem tornam-se ainda mais difíceis. que conseqüências são produzidas pelo comportamento?). Começamos com o estudo de organismos mais simples do que nós próprios. Mesmo depois de termos estudado o comportamento no laboratório. podemos nos defender melhor contra os maus usos de técnicas de controle do comportamento humano se entendermos como elas funcionam. Assim. não podemos esperar que sejamos capazes de interpretar qualquer ocorrência de comportamento fora do laboratório. como ABC). os princípios de comportamento não são invalidados se não pudermos explicar cada detalhe do desempenho de um organismo em uma ocasião particular.. para entendermos uma situação. veremos que o caminho mais promissor é o que permanece próximo dos dados. de fato. ex. simplesmente. quais são as propriedades críticas daqueles antecedentes?). a ancoragem de conceitos em observações experimentais e a premissa de que nosso objeto de estudo. a apreciar o que é especial no comportamento com a linguagem. de modo a saber o que entra na situação experimental. Logicamente. e engloba. mais tarde. é importante reconhecer o que permanece fora de nosso alcance. obscurecer os processos que desejamos estudar. devemos nos desvencilhar dos detalhes não-essenciais e analisá-la. Mas começar com even- tos simples nos ajudará a desenvolver técnicas e terminologias que possam ser aplicadas aos eventos complexos. não estudá-lo. Temos que ser capazes de identificar os eventos.. É tentador pedir a um psicólogo que explique por que alguém se comportou de um modo particular. o que levou a um certo incidente ou como alguém veio a adquirir interesses. Nosso interesse reside naquilo que determina o comportamento. por conveniência. Um dos pontos de partida será estudar os comportamentos que não envolvem a linguagem. portanto. Podemos considerar tanto a função. Se estivermos preocupados com os possíveis maus usos do conhecimento sobre o comportamento. devemos reconhecer que não podemos eliminar um determinante do comportamento humano escolhendo. as propriedades de termos particulares (p. A simplicidade de nosso ambiente de laboratório também pode nos ajudar a ver os variados aspectos da aprendizagem e. devemos encarar a objeção de que um experimento de laboratório é artificial e. mas ambas têm em comum a confiança no método experimental.

mas também o contexto em que eles ocorrem. para nós a mesma coisa que significam para quem ensinou a criança. mas nem o estímulo nem a resposta têm interesses por si só. Agora suponhamos que o disco esteja iluminado. Imagine um pombo em uma câmara experimental. Sabemos que o bebê é ativo. no Capítulo 14. como ele pode ser investigado e que vocabulário pode descrevê-lo melhor. Conseqüências Voltemos agora ao comportamento como objeto de estudo. Essas propriedades são chamadas de estímulos e respostas. mas que só é apresentada depois de um certo tempo (com atraso). então devemos considerar primeiro o que é comportamento. observando um bebê humano. Nessa situação. Podemos dizer. às vezes. teríamos que nos preocupar sobre como a criança aprendeu as palavras apropriadas e se elas significam. Esse tipo de situação será discutida mais detalhadamente no Capítulo 11. uma pequena quantidade de alimento. superficialmente. imediatamente. não diríamos que alguém “bate o coração”. Por ora. que pudesse nos contar o que sente. rejeitando a pequena quantidade de alimento imediato pela quantidade maior que recebe mais tarde. Geralmente será mais útil descrever o que um organismo aprendeu ou lembrou do que tentar explicar sua aprendizagem ou sua memória. As pessoas sangram quando se cortam.ca e mais à descrição apropriada das descobertas. Poderíamos começar perguntando o que o bebê sente. Esperaríamos que o pombo bicasse no disco no primeiro caso. fazem coisas. que comportamento é qualquer coisa que um organismo faça. mas essa definição seria muito abrangente. Em cada caso. Seção B Antecedentes. Mas os contextos são muito diferentes. mas não falamos de seu sangramento como comportamento. Ela deve considerar também contextos mais amplos. Quando tratarmos da linguagem. O pombo está sendo treinado para bicar o disco (e obter alimento) sempre que estiver iluminado. uma resposta. Podemos lidar com exemplos específicos sem grandes riscos de malentendidos. mas isso traria muitas complicações. como bicar o disco. o ponto importante é que devemos considerar não apenas os detalhes dos eventos momento a momento. compartilhem nomes em comum. mas não no segundo? Se o pombo não bica. aprendendo do ambiente e interagindo com ele. Embora possamos dizer que alguém respira. Uma análise experimental determina que existem alguns tipos de relações entre os estímulos e as respostas e como surgem essas relações. O comportamento não é mais fácil de definir do que a aprendizagem. podemos ficar tentados a dizer que ele demonstra autocontrole. Vamos tentar resolver esse problema. Nosso objetivo é examinar algumas propriedades do comportamento. Quando observamos um organismo. vamos examinar o papel que ela desempenha em moldar nosso conhecimento e o dos outros. falam. de modo que pode ser melhor considerar alguns exemplos do que tentar elaborar definições. Acima da abertura do comedouro. se a alternativa de não bicar nunca for seguida por comida. Mesmo que fosse uma criança mais velha. por um alimento. Em uma das paredes há uma abertura para um comedouro. no qual pode-se colocar o alimento. Estudar a aprendizagem é estudar como o comportamento pode ser modificado. eles são variados. mas isso não vai nos ajudar. O bebê ainda não fala e não poderia nos dizer. ao longo de extensos períodos de tempo. Mas também fazemos distinção entre ações ativas e passivas. Deveríamos incluir a respiração ou o metabolismo juntamente com os movimentos musculares e as secreções glandulares? Os comportamentos são descritos com verbos: as pessoas andam. pensam. Mas como descobrirmos o que está acontecendo? Podemos coAPRENDIZAGEM 27 . que o pombo esteja sem comer por algum tempo e que sua bicada no disco produza. é seguida por um estímulo. será muito diferente se a mesma alternativa for seguida por uma quantidade de comida muito maior. Comportamento. há um disco transparente embutido na parede que pode ser iluminado por trás. Examinemos melhor a relação entre comportamento e ambiente. vemos propriedades de seu ambiente e propriedades de seu comportamento. Embora os fenômenos do comportamento. as situações nas quais essas relações entre os estímulos e as respostas estão inseridas.

fazer sons ou colocar uma chupeta em sua boca. Seria de esperar que o bebê respondesse a cada evento de um modo característico. Um antecedente é simplesmente algo que vem antes e uma conseqüência é simplesmente o que é causado por algum evento ou o que acontece como resultado dele. geralmente. podemos ver os olhos se movendo. Essa relação de três termos. podemos dizer pouco mais do que isso: que certos movimentos ocorrem mais ou menos freqüentemente e mais ou menos em certa ordem. produz outros estímulos. O vocabulário para esses eventos já é familiar: chamamos o toque na palma de estímulo e o agarrar. por exemplo. Denominamos essa relação. Se o choro cessa sem nossa intervenção. não os estímulos. Poderíamos começar a catalogar as várias coisas que o bebê faz e descobrir que certos movimentos particulares. Os movimentos oculares não podem ter essas conseqüências no escuro. Se observarmos de perto. o piscar disparado por um lampejo de luz. o bebê comece a chorar. Chorar. o bebê pode dormir ou deitar quietinho com os olhos abertos. Assim. estamos interessados na relação mútua de um com o outro. poderíamos catalogar outros exemplos de reflexos: o choro causado por um ruído intenso. de resposta. coisas novas são vistas. Assim. nem uma explicacão e é apenas uma entre as muitas relações possíveis entre o comportamento e o ambiente. Se os olhos da criança se movem enquanto a luz está acesa. O ambiente age sobre o bebê quando os estímulos produzem respostas. mas elas também podem impedir que algo aconteça ou mudar as conseqüências de outras respostas. Essa relação envolve estímulos e respostas. As respostas podem ter muitos tipos de conseqüências. Por um lado. o uso coloquial corresponde razoavelmente bem ao sentido técnico do termo em análise do comportamento. Chorar. a criança pode vir a olhar em volta quando há luz. aqui o comportamento tem conseqüências. Os movimentos dos olhos não podem ter tais efeitos quando não há luz. de reflexo. As relações podem se tornar ainda mais complicadas. Nesse caso. Esses não são. O alimento produzido por uma resposta. dada esta resposta em presença do estímulo. Mas se apenas observamos. os únicos tipos de relações possíveis. 1931). porém. A relação envolve três termos: um estímulo antecedente. os movimentos dos olhos mudam o que ela vê. ocorrem em certas seqüências. mover os olhos tem conseqüências. é uma resposta que pode produzir uma conseqüência: a presença da mãe. a luz.meçar simplesmente pela observação. de outra forma. mas não podemos denominá-la reflexo. a luz. é chamada de contingência de três termos e é importante porque o comportamento de um organismo depende tanto dos antecedentes quanto das conseqüências. por outro. e uma conseqüência. na presença deste estímulo. dos braços ou das pernas. embora seja difícil julgar exatamente o que o bebê está olhando. O importante aqui é que o termo reflexo é simplesmente um nome para uma relação comportamental: uma correlação observada entre um estímulo específico e uma resposta específica (Skinner. estímulo-resposta-conseqüência. não estamos interessados apenas no estímulo ou apenas na resposta. estariam ausentes. ele provavelmente fecharia a mão. ou mesmo se ele está olhando para alguma coisa. uma resposta. Talvez em algum momento. O reflexo não é nem uma teoria. É importante notar que as conseqüências não deveriam ser identificadas com os estímulos. por exem- 28 A. então. por exemplo. Às vezes elas produzem certos estímulos que. ESTÍMULOS E RESPOSTAS Não temos que nos restringir a observar. agarrando o objeto que a tocou. Se o toque fosse na palma da mão. O reflexo será abordado no Capítulo 4. freqüentemente chama a atenção da mãe. aqui as respostas ocorrem primeiro. a produção fidedigna de uma resposta específica por um estímulo específico. mover objetos diante de seus olhos ou escondê-los. Além da produção do agarrar pelo toque na palma. Podemos tocar ou balançar o bebê. mas não quando está escuro. o sugar produzido por uma chupeta na boca. o que é visto de diferente. CHARLES CATANIA . mas o bebê também pode agir sobre o ambiente. Na presença de um estímulo. Observamos por um tempo e notamos os movimentos das mãos. o movimento ocular.

APRENDIZAGEM 29 . Se ela está chorando. A despeito de nossa ignorância em relação a essas questões. o ruído pode ser ouvido por mais de uma pessoa. como estímulos. é tanto um estímulo como uma conseqüência. e a dor é privada. seria suficiente notar que quando a mãe se aproxima da criança. em outras palavras. sons ou toques. o choro pára. independentemente do comportamento. estamos lidando com a estrutura deste estímulo complexo. que tipo de estímulo é a mãe? Não sabemos que aspectos de sua aparência. Se. ex. O que dizer. No que diz respeito a estímulo e resposta. o termo não funcionará dessa forma aqui.. sons. Mais adiante. Porém. Quanto ao termo resposta. às vezes os casos especiais complicam nossas definições. mas o alimento apresentado. alimento na boca. Um estímulo é um evento ambiental. ex. dos estímulos que se originam no organismo? Consideremos a diferença entre um ruído intenso e o incômodo de uma dor de dente (a dor de dente pode ser vista como uma ocasião para ir ao dentista). e os problemas funcionais. como ao analisar as propriedades dos estímulos. Freqüentemente tais características ambientais serão tratadas como estímulos. as propriedades funcionais (p. porque uma explicação do que causa as respostas inclui. O ambiente do bebê certamente é diferente.plo. mas se existissem receptores apropriados. apesar das mudanças em seu vestuário ou penteado. outros fatores (p. por exemplo. nos primórdios de sua vida. ex. Isso seria um problema se insistíssemos em que todos os estímulos tivessem que estar fora do organismo. Ainda assim. comestível. o choque evitado por uma resposta é um estímulo. Esse exemplo ilustra. mas tais eventos têm graus variados de complexidade. Eles diferem no sentido de que o ruído é público.. estaremos preocupados com o significado funcional da mãe no ambiente da criança. pode não ser relevante se ela reconhece a mãe por sua face. Quando tentamos analisar que características visuais. No exemplo em que o choro do bebê produzia a atenção da mãe. O termo estímulo é freqüentemente restrito aos eventos físicos específicos. por exemplo. suas conseqüências passadas. acima de). Contudo. Mas. A linha entre os estímulos e as respostas é raramente ambígua. à medida que entra e sai do mundo do bebê. é somente um estímulo. mas não poderíamos estar certos. não temos dúvida de que a mãe é uma parte importante do ambiente do bebê e podemos ainda considerar útil falar dos efeitos que a mãe tem. Os estímulos são eventos no mundo e as respostas são instâncias do comportamento. ao analisar as interações entre os estímulos e as respostas. mesmo com os estímulos mais simples. o que não é um estímulo. novamente. consideramos a mãe como um estímulo. ex. nos concentrarmos em como a mãe interage com as respostas do bebê. mas a conseqüência da resposta é a ausência do choque. o uso coloquial freqüentemente implica que a resposta seja uma “resposta a algo” (tipicamente um estímulo). confortável) e assim por diante (cf. Podemos especular que o bebê não reagiria à mãe da maneira usual se ela se aproximasse dele usando uma máscara cirúrgica. Mas os organismos podem responder a características variadas do ambiente. teremos que distinguir entre os problemas estruturais. à esquerda de. por outro lado. expressões faciais. tais como luzes. Levando em conta tais reservas. enquanto a dor de dentes pode ser sentida apenas pela pessoa que tem o dente afetado. incluindo as relações (p.. falaremos em estímulos ainda mais simples: luzes. características do organismo) além dos estímulos em cuja pre- sença elas ocorrem. não teríamos razão para excluir.. contanto que sua presença faça alguma diferença. de sua voz ou de seu toque são importantes para a criança. o comportamento complexo (p. Gibson. os diferentes problemas de estrutura e de função. a mãe. auditivas e táteis da mãe são importantes para o bebê. quando sua mãe está presente e quando ela está ausente. pelos cabelos ou pela voz. Poderíamos nos perguntar como o bebê aprende a responder a um indivíduo particular como a mãe. em sua expressão facial ou em sua postura. tipicamente. mesmo que não sejamos capazes de especificar as dimensões físicas que as caracterizam. 1979). partes importantes do mundo que estariam dentro da pele do organismo. consideremos agora algumas outras propriedades dos estímulos e das respostas. tons de voz). a menos que fizéssemos o experimento. a relação entre os usos técnico e coloquial não é tão simples.

Fazemos muitas coisas que não envolvem qualquer movimento óbvio. ele tipicamente tem conseqüências. pode ser mais importante falar de segurar um objeto. Devemos falar não de respostas individuais. Uma análise do comportamento deve fazer uma distinção entre os movimentos. Assim. A característica crítica do agarrar da criança e do ficar de pé do adulto é. outras vezes. podemos concluir. ou na posição exata dos dedos. normalmente um bebê agarra os dedos de um adulto tão fortemente que pode ser levantado no ar. Uma vez levantado. ir a lugares ou manipular objetos. são adequadamente descritas em termos de movimentos. CHARLES CATANIA . e nem todas as instâncias do comportamento precisam ser movimentos. por exemplo. A importância do biscoito é baseada no comportamento de comer da criança. por exemplo. às vezes. A diferença pode ser pequena. nenhum dos dois cai. Em termos dos músculos que se movem. sem levar em conta os detalhes de como essas ações são executadas. a descrição deve incluir o ambiente em que as respostas ocorrem. as instâncias em que o bebê sustenta um objeto com a mão fechada.E quanto às respostas? Como devemos lidar com elas? Ao descrevê-las. Quando ouvimos música. às vezes. se houver qualquer diferença que seja. podemos mudar nossa atenção de um instrumento para outro. A segunda dificuldade é que as respostas. Se uma criança recebe um biscoito. elas são variedades de comportamento. segurar ou agarrar um objeto com a mão direita tem mais em comum do que segurar um objeto com a mão direita e com a mão esquerda. seu comportamento com relação àquele estímulo. por exemplo. como as coisas que fazemos. nosso julgamento de que ele está se comportando provém. A mudança de atenção é comportamento. o bebê pode não se mover enquanto segura pelo dedo e ainda assim. por exemplo. mas. respostas definidas por suas relações com o ambiente. não podemos caracterizar os estímulos independentemente do comportamento do organismo. brincar 30 A. vamos verificar que ações são mais importantes. não precisamos observá-los para concluir que a pessoa está se comportando. parcialmente. de fato. na força do agarrar. Como teremos reiteradas oportunidades de ver. e uma das conseqüências mais relevantes do comportamento é que ele cria oportunidades para outros comportamentos. Se a criança agarra um objeto em duas ocasiões diferentes. Consideremos com que freqüência falamos em fazer coisas. A primeira é que o comportamento não se repete exatamente da mesma forma de uma ocorrência para outra. Mas. HIERARQUIAS COMPORTAMENTAIS Uma maneira de se classificar o comportamento de um organismo é ordenar as respostas de acordo com as freqüências relativas com que o organismo as realiza. apresentando movimentos pequenos. Quer o comportamento envolva ou não os movimentos. mesmo que ocorram ligeiros ajustes posturais da pessoa que está de pé. e as ações. o simples fato de que ele não cai leva-nos a concluir que a resposta de agarrar continua. que ocorreu um comportamento. respostas definidas por sua forma ou pela musculatura empregada. às vezes. nem todos os movimentos precisam ser instâncias do comportamento. mas. encontramos pelo menos duas dificuldades. o biscoito lhe dá a oportunidade de comer. Por exemplo. Muitos aspectos do pensar e do imaginar não envolvem qualquer movimento. de nosso conhecimento de que ele cairia se estivesse inconsciente ou morto. mesmo que não seja medida como um movimento. não importa com que mão. devemos nos perguntar se deveríamos considerar as duas ocorrências do agarrar como duas instâncias da mesma resposta ou como duas respostas diferentes. Do mesmo modo. Mesmo na ausência de movimento. mas. simplesmente. o agarrar não será o mesmo a cada vez. Para nossos propósitos. Contudo. do que falar do movimento de uma mão em particular. Por exemplo. nem podemos caracterizar as respostas independentemente do ambiente do organismo. se damos a uma criança a oportunidade de comer. que essas respostas têm um efeito. Suponhamos que desejemos comparar. imperceptíveis. Poderíamos argumentar que o adulto em pé está. mas de classes de respostas com propriedades em comum. se vemos um adulto pa- rado em pé.

agora. come de vez em quando. enquanto os eventos que não são nem apetitivos nem aversivos seriam categorizados como neutros. e dificilmente toma a iniciativa para tomar banho. os estímulos em geral não podem ser agrupados tão facilmente. Infelizmente. Assim podemos concluir que. Pode ser que a criança tenha tido uma má experiência ali. Para qualquer tipo de comportamento.ou tomar banho. chamados apetitivos. Se esperássemos até o momento da refeição e déssemos a escolha entre comer e brincar. Talvez descobríssemos que esta criança quase sempre prefere os brinquedos. Uma maneira equivalente de se descrever essa ordenação é a linguagem da preferência: poderíamos dizer que a criança prefere jogar a comer e que prefere qualquer destes dois a tomar banho. neutros e aversivos. a hierarquia de famílias de hábitos de Hull. Os contextos fazem muita diferença. podemos dizer que a criança está aprendendo alguma coisa sobre brinquedos e banheiras. como a comida pode mudar de apetitiva para aversiva durante um jantar de feriado excessivamente longo. surgem mudanças na importância dos estímulos. então. é conveniente falar de estímulos. Não podemos simplesmente dividir o ambiente em três classes de eventos. dando à criança a escolha entre os brinquedos e a banheira. Podemos mesmo verificar que a criança sempre deixa a área de banho. que o comer deslocou-se para o alto da hierarquia em relação ao brincar. 1943). APRENDIZAGEM 31 . De qualquer modo. para a criança do exemplo podemos descrever a comida como um estímulo ou evento apetitivo e tomar banho como um evento aversivo. mesmo que sejamos capazes de empregar esses termos em situações específicas. poderíamos descobrir que o comer tornou-se mais provável do que o brincar ou. Brincar. algumas das propriedades gerais dos estímulos e das respostas à medida que eles entram nas relações entre os antecendentes. por exemplo. seguida pelo comer e. As hierarquias de comportamento são mutáveis. por exemplo. recentemente. Enquanto está comendo. mesmo quando não há muito mais o que fazer. Na banheira. se os pais manejarem a situação com cuidado. Pelo contrário. Essa ordenação tem sido chamada de hierarquia de comportamento (cf. até aqui. em vez de oportunidades para responder. Com mudanças na hierarquia de comportamentos. podemos verificar que a criança brinca bastante. vem primeiro na ordem. mas poderíamos verificar as posições relativas dessas duas respostas. Em geral. devemos considerar quando ele começa e quando termina. a criança não está brincando nem tomando banho. devemos avaliar cada estímulo em relação a outras variáveis. brincar com os brinquedos está acima do tomar banho na hierarquia de comportamentos desta criança. em outras palavras. Revimos. Com esses preliminares como base. em outro lugar. como o comportamento mais provável. à medida que o comportamento da criança muda. vir a preferir os brinquedos na banheira do que os brinquedos em outros lugares. estamos prontos para avançar para alguns experimentos e descobertas clássicas na Psicologia da Aprendizagem. Assim. a criança pode começar a tolerar os banhos e. o comportamento e as conseqüências. Consideremos. pelo tomar banho. eventualmente.