You are on page 1of 65

BERNARDO PIMENTEL SOUZA

INTRODUÇÃO AOS RECURSOS CÍVEIS E À AÇÃO RESCISÓRIA
7ª EDIÇÃO ATUALIZADA À LUZ DA LEI Nº 12.016, DE 2009.

2010

EDITORA SARAIVA

CAPÍTULO XXVI — AÇÃO RESCISÓRIA
1. Notícia histórica Os antecedentes históricos da ação rescisória repousam no Direito Romano e no Direito Canônico, especialmente nos institutos da querela nullitatis e da restitutio in integrum. Com efeito, a origem da ação rescisória reside nos dois institutos encontrados tanto no Direito Romano quanto no Direito Canônico. Ainda a respeito da origem da ação rescisória, o cotejo do atual Codex Iuris Canonici com o Código de Processo Civil brasileiro revela que até hoje há traços comuns comprobatórios das raízes históricas1. O cânon 1620, número 1, do Código de Direito Canônico, por exemplo, versa sobre a hipótese de rescindibilidade prevista na segunda parte do inciso II do artigo 485 do Código de Processo Civil: a incompetência absoluta enseja, no Direito Canônico, a querela nullitatis e, no Direito Processual Civil brasileiro, a ação rescisória. Já o cânon 1645, § 2º, número 1, daquele Codex dispõe sobre a restitutio in integrum fundada em prova falsa, enquanto o inciso VI do artigo 485 do Código de Processo Civil cuida da ação rescisória pelo mesmo fundamento. Ainda no cânon 1645, § 2º, o número 2 versa sobre a mesma hipótese prevista no inciso VII do artigo 485 do Código de Processo Civil pátrio. Já o número 3 dispõe sobre a restitutio in integrum fundada em dolo processual, hipótese de rescindibilidade prevista no inciso III do artigo 485 do Código de Processo Civil. O número 4 cuida de hipótese que encontra semelhança com a prevista no inciso V do artigo 485 do Código brasileiro. Por fim, o número 5 do § 2º do cânon 1645 e o inciso IV do artigo 485 versam sobre a ofensa à coisa julgada. Por tudo, a ação rescisória é uma derivação dos antigos institutos da querela nullitatis e da restitutio in integrum existentes no Direito Romano e no Direito Canônico. 2. Natureza jurídica No direito processual civil brasileiro, há dois remédios jurídicos tradicionais aptos à impugnação das decisões jurisdicionais: as ações autônomas de impugnação e os recursos2. A diferença entre os remédios jurídicos reside na instauração de novo processo, ou não. Com efeito, enquanto as ações autônomas de impugnação ocasionam a formação de um
1

Há muito o Professor BUENO VIDIGAL já tinha registrado a influência do direito canônico no brasileiro, à vista dos anteriores Código Canônico de 1917 e Código de Processo Civil de 1939, conforme se infere de sua clássica obra Da ação rescisória dos julgados, publicada em 1948, especialmente da página 21. 2 Além dos recursos propriamente ditos, há os sucedâneos recursais, classe na qual são incluídos institutos semelhantes aos recursos, mas sem todos os elementos necessários para a inclusão na classe dos verdadeiros recursos. O pedido de reconsideração, o reexame necessário, o pedido de suspensão, a correição parcial ou reclamação correicional são exemplos de sucedâneos recursais.

novo processo, diverso daquele em que foi proferido o decisum gerador da insatisfação, os recursos são interpostos no mesmo processo em que foi proferida a decisão causadora do inconformismo. Entre as ações autônomas de impugnação, merece destaque a ação rescisória. Trata-se de ação adequada para desconstituir julgado protegido pela res iudicata e que, em regra, dá ensejo à prolação de novo julgamento da causa solucionada por meio do decisum impugnado na rescisória. Com efeito, a desconstituição do julgado ocorre no juízo rescindendo ou rescindente (iudicium rescindens), e o eventual novo julgamento da causa primitiva é realizado no juízo rescisório (iudicium rescissorium). Sem dúvida, a rescisória é ação, e não recurso. Enquanto todos os recursos pátrios (até mesmo os recursos extraordinário e especial!) são interpostos antes da formação da coisa julgada, a rescisória pressupõe a existência da res iudicata. É o que se infere do disposto nos artigos 467 e 485, ambos do Código de Processo Civil. Aliás, o prazo decadencial da rescisória é contado "do trânsito em julgado da decisão", ex vi do artigo 495. Em contraposição, o prazo recursal tem como dies a quo a intimação da decisão, consoante o disposto no artigo 506. E a ausência da interposição de recurso no prazo legal conduz à formação da coisa julgada, com a posterior baixa dos autos do respectivo processo, tudo nos termos dos artigos 467 e 510. Sob outro prisma, o artigo 491 reforça a tese de que a rescisória tem natureza jurídica de ação. É que a parte contrária é citada, o que revela a instauração de nova relação jurídica processual. Ao contrário, nos recursos, há mera intimação, com o consequente prosseguimento do mesmo processo no qual foi proferida a decisão recorrida. Tanto que os artigos 527, inciso III, e 542 indicam que o recorrido "será intimado". Por fim, os artigos 489, 495, 551 e 553 classificam a rescisória como "ação", com o reforço dos artigos 488 e 490, segundo os quais a rescisória é ajuizada por meio de "petição inicial", instrumento da demanda. Aliás, a rescisória não consta do rol de recursos do artigo 496, nem do Título X (“Dos recursos”). Ao contrário, a rescisória está inserta no Título IX (“Do processo nos Tribunais”), destinado aos incidentes e às ações de competência originária dos tribunais judiciários. Em síntese, sob todos os prismas, tem-se que a rescisória é ação. Resta saber em que classe de ação pode ser incluída a rescisória. À luz do iudicium rescindens, é possível concluir que a ação é constitutiva3. Doutrina mais específica ensina que é ação constitutiva negativa4, porquanto a rescisória busca a desconstituição do julgado protegido pela res iudicata. Daí a explicação para a expressão “ação desconstitutiva”, outra terminologia que
Com igual opinião, na doutrina: CALMON DE PASSOS. Rescisória. p. 371; JOSÉ FREDERICO MARQUES. Manual. Volume III, 1975, p. 257; e SÉRGIO RIZZI. Ação rescisória. 1979, p. 7. 4 Cf. CALMON DE PASSOS. Rescisória. p. 330; e NERY JUNIOR e ROSA NERY. Código. 5ª ed., 2001, p. 933.
3

há o juízo de admissibilidade da ação. 330 e 371. Ação rescisória. quer seja positivo quer seja negativo. — Não cabe reclamação. tendo em vista a característica essencial da rescisória: desconstituição de decisão protegida pela res iudicata. como bem assentou o Supremo Tribunal Federal nos enunciados 268 e 734. o mandado de segurança e a reclamação constitucional. Sem dúvida. ou seja. "e") — não se qualifica como sucedâneo processual da ação rescisória. p. já é possível indicar o alvo da ação. Por ser a rescisória a ação impugnativa apropriada para desconstituir julgado protegido pela res iudicata. na doutrina: AGNELO AMORIM FILHO. Diário da Justiça de 5 de outubro de 2001. 7. Pleno do STF. p. 2000. não podendo ser utilizada como meio de desconstituição de decisões já transitadas em julgado. entretanto. Por oportuno.também pode ser prestigiada5. p. conforme a natureza da demanda originária7. p.975/DF — AgRg. é possível concluir que a ação é constitutiva. — A inocorrência do trânsito em julgado da decisão impugnada em sede reclamatória constitui pressuposto negativo de admissibilidade da própria reclamação. CELSO DE MELLO) — não constitui sucedâneo de ação rescisória. o qual tem natureza declaratória. Alvo da ação rescisória: julgado rescindendo Em sentido semelhante ao texto do parágrafo. 5 . Rel. 56: “RECLAMAÇÃO — ALEGADA USURPAÇÃO DA COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL — INOCORRÊNCIA — DECISÃO RECLAMADA QUE TRANSITOU EM JULGADO — OCORRÊNCIA DO FENÔMENO DA RES JUDICATA — INVIABILIDADE DA VIA RECLAMATÓRIA — RECLAMAÇÃO DE QUE NÃO SE CONHECE.438/DF. Critério científico para distinguir a prescrição da decadência. Revista dos Tribunais. na doutrina: CALMON DE PASSOS. como. são inadmissíveis as ações impugnativas de mandado de segurança8 e de reclamação constitucional9. na doutrina: SÉRGIO GILBERTO PORTO. A EXISTÊNCIA DE COISA JULGADA IMPEDE A UTILIZAÇÃO DA VIA RECLAMATÓRIA. quando a decisão por ela impugnada já transitou em julgado. 7 De acordo. diante da adequação específica da ação rescisória contra decisum sob o manto da coisa julgada. Antes de ambos os juízos. p. Precedentes”. — A ação de mandado de segurança — que se qualifica como ação autônoma de impugnação (RTJ 168/174-175. 3. I. Min. 9 No mesmo sentido: RCL n. 296. e SÉRGIO RIZZI. Comentários. Pleno do STF. respectivamente: “Não cabe mandado de segurança contra decisão judicial com trânsito em julgado”. 23. Volume VI. 1979. Estudada a natureza jurídica da rescisória. Rescisória. por exemplo. A despeito da diversidade de soluções à luz de cada um dos três juízos existentes na rescisória. 102. Quanto ao iudicium rescissorium. eis que esse meio de preservação da competência do Supremo Tribunal Federal e de reafirmação da autoridade decisória de seus pronunciamentos — embora revestido de natureza constitucional (CF. Precedentes”. 23 e 37. 1. declaratória ou constitutiva. tem-se a repetição da natureza jurídica da demanda primitiva: condenatória. 41: “A AÇÃO DE MANDADO DE SEGURANÇA NÃO CONSTITUI SUCEDÂNEO DA AÇÃO RESCISÓRIA. a natureza constitutiva da ação rescisória já revela que o respectivo prazo é decadencial6. volume 300. “Não cabe reclamação quando já houver transitado em julgado o ato judicial que se alega tenha desrespeitado decisão do Supremo Tribunal Federal”. art. p. que não pode ser utilizada contra ato judicial que se tornou irrecorrível. o julgado rescindendo. Diário da Justiça de 22 de novembro de 2002. 8 Em sentido conforme: MS n. de nada adianta ajuizar outra ação autônoma de impugnação. 6 Assim.

À vista do método de interpretação. recomendou a pertinente alteração do caput do artigo 485 do Código. 10 . fixa a competência dos tribunais regionais federais para o processamento e o julgamento das ações rescisórias “de julgados seus ou dos juízes federais da região”. Na verdade. o vocábulo “decisão” revela que não só a “sentença” pode ser desconstituída por meio de ação rescisória. 1974. inciso I. Com efeito. também os acórdãos. o texto constitucional revela que a ação rescisória pode ter em mira não apenas sentença. IVO SELL. inciso I. porquanto. Revista da Associação dos Magistrados do Paraná. O artigo 108. da Constituição da República. ao contrário do termo “sentença”. nos casos previstos na lei processual”. além das sentenças. À vista do artigo 105. DOMINGOS SÁVIO BRANDÃO LIMA. ou seja. pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau de jurisdição. o vocábulo “decisão” tem amplo alcance. bem assim pelo Presidente. JORGE DUARTE DE AZEVEDO. a Segunda Comissão. alínea “e”. A conclusão é reforçada pelo artigo 259 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. e pelo Procurador de Justiça CARLOS OCTÁVIO DA VEIGA LIMA. no Simpósio da Associação dos Magistrados ocorrido em 1974. Com efeito. p. Os “julgados” dos tribunais são igualmente passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. A exata compreensão do texto codificado é obtida pela interpretação sistemática. Outra não é a conclusão tirada à luz da interpretação teleológica. contados do trânsito em julgado da decisão”. não só a “sentença” é passível de impugnação por meio de ação rescisória. Na mesma esteira. composta pelos Desembargadores BRUNO AFFONSO ANDRÉ. cujo teor é o seguinte: “O direito de propor ação rescisória se extingue em dois (2) anos. também abrange o acórdão. Ora.Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. inciso I. pelo Juiz VIVALDE BRANDÃO COUTO. substituindo-se o vocábulo “sentença” pelo termo “decisão” (cf. alínea “b”. a correta interpretação do Código de Processo Civil também é obtida à luz da Constituição Federal. ex vi do artigo 102. HERMANN ROENICK. a exegese do caput do artigo 485 não deve ser feita à luz do método de interpretação literal. número I. 20). observa-se que o capítulo do Código de Processo Civil que versa sobre a ação rescisória termina no artigo 495. o qual conduz à inaceitável conclusão de que a ação rescisória só pode ter como alvo apenas “sentença”10. Volume I. alínea “j”. o Supremo Tribunal Federal tem competência para processar e julgar “a ação rescisória de seus julgados”. segundo o qual a ação rescisória também pode ter como alvo acórdão e até decisão monocrática. in verbis: “Caberá ação rescisória de decisão proferida pelo Plenário ou por Turma do Tribunal. o Superior Tribunal de Justiça tem competência para processar e julgar “as ações rescisórias de seus julgados”. A finalidade do instituto da ação rescisória é a eliminação do mundo jurídico de pronunciamento jurisdicional maculado por vício de extrema gravidade. a decisão monocrática e a decisão interlocutória. Não há dúvida de que. as decisões monocráticas e até mesmo as decisões interlocutórias podem estar contaminados pelos vícios previstos nos incisos do artigo 485 do Código de Tanto que.

114. A ação rescisória.. Imagine-se. Do mesmo modo.. por exemplo. tal como as sentenças. p. tem-se o acesso à ação rescisória. artigo 269. p. até mesmo as decisões interlocutórias14 são impugnáveis mediante ação rescisória. 172. Pleno do STF. 282. 1999. Ação rescisória. 945. Contra. apesar de ter versado sobre matéria de mérito11. No sentido do texto. Princípios fundamentais. 279. na jurisprudência: AR n. 27. na jurisprudência: AR n. 31. 247. na doutrina: ALCIDES MENDONÇA LIMA. BRUNO FREIRE E SILVA. 116. 41. p. 16 O que geralmente ocorre com o término dos prazos recursais! 12 11 . e 5ª ed.Processo Civil. Ação rescisória. os acórdãos também desafiam ação rescisória.. Em síntese. há lugar para ação rescisória. 8ª ed. as decisões monocráticas13 proferidas pelos magistrados dos tribunais também são passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. do Código de Processo Civil. 3ª ed. Com efeito. 97 e 98. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. A propósito. Outro exemplo de decisão interlocutória de mérito reside no artigo 475-H do Código de Processo Civil. Como o processo segue em virtude da demanda remanescente relativa ao outro litisconsorte. p. ainda que sem a interposição de nenhum recurso contra o decisum rescindendo. 4ª ed. Comentários ao Código de Processo Civil. 15 Cf. Sob outro prisma. p. e Código. a hipótese de o juiz de primeiro grau pronunciar a decadência ou a prescrição apenas em relação a um dos litisconsortes ativos. Escoado o prazo recursal. 4ª ed.Diário da Justiça de 25 de setembro de 1992.343/SC. vale conferir o preciso enunciado n. com evidente julgamento de mérito. e 9ª ed. Revista de Processo. há lugar para a prolação de decisão interlocutória de mérito no direito brasileiro. desde que versem sobre matéria de mérito15. 1996. II. e NERY JUNIOR. 656 e 657. Diário da Justiça de 7 de maio de 1993. Com efeito. 1992. a admissibilidade da ação rescisória não está condicionada ao Cf. p. De acordo. 2000. 1. p. Na verdade.. a admissibilidade da ação rescisória está sempre condicionada à impossibilidade jurídica tanto da interposição de recurso16 quanto do ajuizamento de outra ação. III. 2. 115 e 647. passível de sentença. entretanto. 1979. 633. Volume V. Sem dúvida. porquanto o juiz resolve sobre o valor devido. p. Como a atual liquidação deixou de ser processo autônomo. e SÉRGIO RIZZI. e AR n. incisos I. 514 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Admite-se ação rescisória contra sentença transitada em julgado. 13 Com a mesma opinião. p. Ação rescisória. 2005. e passou a ser mera fase processual a ser resolvida mediante decisão interlocutória. nos termos do artigo 268 do Código de Processo Civil. 14 Em sentido semelhante. 1. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. O labirinto da ação rescisória. 1999.099/SE. Diário da Justiça de 24 de setembro de 2007. 1991. 1997. NELSON NERY JUNIOR e ROSA NERY. 19ª ed. Volume I. n. Pleno do STF. 15. p.. com a consequente admissibilidade de ação rescisória12.. é inadmissível ação rescisória enquanto estiver pendente prazo recursal ou for juridicamente possível a propositura de outra ação. Curso. IV e V. 2001.. p. p. JOSÉ RIBAMAR MORAES. tem-se que o pronunciamento jurisdicional é mera decisão interlocutória. também há respeitável doutrina: SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Código de Processo Civil comentado. ainda que contra ela não se tenham esgotado todos os recursos”. 243.352/RJ — AgRg. 3ª Seção do STJ.

18 Salvo quando há o reconhecimento de error in procedendo pelo tribunal e a cassação do decisum recorrido. 1998. proferindo juízo de admissibilidade negativo. do prazo recursal. Pleno do STF. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 1991. Resolução n. Reclamação acolhida.. 249 restou superado pelo advento do verbete n. Volume V. Comentários. Ação rescisória. que deixou de existir no plano jurídico após o julgamento do tribunal. p. na verdade investem contra os efeitos do acórdão do STF que a confirmou e que. 4ª ed. 1997. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. é fora de dúvida a incompetência da Corte Estadual para as ações rescisórias que. 85 e 90. Com todo o respeito. Curso. COM ALEGADA USURPAÇÃO DE COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Volume VII. 86. Do mesmo modo. O Supremo Tribunal Federal é competente para a ação rescisória quando. e Código. Volume VI. ao julgar o recurso. e SÉRGIO RIZZI. Comentários. embora não tendo conhecido do recurso extraordinário. Os enunciados 17 . 1977. decidiu o STF questão federal nele suscitada. 21 A expressão “não tendo conhecido” deve ser interpretada como “não tendo provido”.. JÁ QUE DIRIGIDAS CONTRA ACÓRDÃOS QUE HAVIAM SIDO APRECIADOS POR ESSA CORTE. 23 A propósito. 2ª ed. 1979. não é rara na literatura pátria a afirmação de que o enunciado n. de 2008. 1986. Com a substituição da sentença. 261. estando sujeita a ataque por meio de rescisória. e RCL n. tiver apreciado a questão federal controvertida”22-23.. p. A ação rescisória. mas. 115 e 116. 512 do CPC). sem pronunciar a existência de error in procedendo para cassar o julgado recorrido. quando. Ação rescisória. é juridicamente impossível o pedido explícito de desconstituição de sentença quando substituída por acórdão de Tribunal Regional ou superveniente sentença homologatória de acordo que puser fim ao litígio”19. Competência que se afirma. p. A respeito do tema.esgotamento das vias recursais cabíveis contra o decisum proferido no processo originário17. para o fim de tornar sem efeito as decisões impugnadas e julgar extintas as rescisórias. Contudo. embora não tendo conhecido21 do recurso extraordinário. há a substituição do acórdão proferido no tribunal a quo pelo prolatado na corte superior. SERGIO BERMUDES. por impossibilidade jurídica do pedido”. a ação rescisória deve ter como alvo o acórdão do tribunal ou a decisão monocrática do relator. No sentido do texto: BARBOSA MOREIRA. 1. nota 261. 22 Em sentido idêntico: AR n. BUENO VIDIGAL. a sentença originária subsiste. sim. p. o entendimento não parece ser o melhor. 4ª ed. 636. 32: “Cumpre observar que não há necessidade de esgotamento das vias recursais para a propositura da ação rescisória”. 7ª ed. 280. À vista do artigo 512 do Código de Processo Civil. p. 377/PR. quando o tribunal não conhece do recurso. 235. 2ª ed. 515. tiver apreciado a questão controvertida (Súmula nº 249). e em seguida passa ao juízo de mérito20.. 249 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “É competente o Supremo Tribunal Federal para a ação rescisória. 19ª ed. AÇÕES RESCISÓRIAS PROCESSADAS PERANTE O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ. COQUEIJO COSTA. CONQUANTO DESTE NÃO TENHA CONHECIDO. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO.. o conhecimento de recurso pelo tribunal conduz à substituição da sentença pelo acórdão18. p. 19 Cf. Pleno do STF. quando o tribunal profere juízo de admissibilidade positivo. p. 192 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “III – Em face do disposto no art. e não o pronunciamento do juiz de primeiro grau. Evidenciado que. 1992. o respectivo acórdão substitui o proferido na corte de origem. merece ser prestigiado o item III do enunciado n.. 1976. 20 Insista-se.151/RJ. 512 do CPC. 153. a substituiu (art. conquanto houvessem impugnado apenas a decisão local. independentemente da natureza da questão federal apreciada. conseqüentemente. conhecido o recurso pelo tribunal ad quem. ou havendo negado provimento ao agravo. Diário da Justiça de 31 de agosto de 1984. Diário da Justiça de 30 de abril de 1993: “RECLAMAÇÃO. Sem dúvida. Volume I. Comentários. p. É o que revela o enunciado n.

515 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “A competência para a ação rescisória não é do Supremo Tribunal Federal. o que demonstra a subsistência da proposição n. Inconformado com a sentença de procedência. seja diversa da que foi suscitada no pedido rescisório”. ou seja. O Superior Tribunal de Justiça só tem competência para processar e julgar a ação rescisória que tratar da dívida X. Um exemplo pode facilitar a compreensão do assunto: o autor A propõe demandas cumuladas de cobrança das dívidas X e Y contra o réu R. porquanto cuidam de assuntos diferentes. O legislador optou por sintetizar tal asserção na seguinte fórmula. “denomina-se coisa julgada material a eficácia. Em seguida. transitada em julgado”. quando se repete ação que já foi decidida por sentença. Como já estudado. inserta no caput do artigo 485 do Código: “sentença de mérito. que torna imutável e indiscutível a sentença. À vista do artigo 467. mas nega provimento ao especial. razão pela qual um enunciado completa o outro. Decorrido o prazo recursal in albis. Em regra. o que ocorre raramente. tendo em vista o óbice previsto no artigo 268 do Código. que faz expressa remissão ao inciso V do artigo 267. 249. A segunda parte do § 3º do artigo 301 reforça: “há coisa julgada. Na hipótese. há compatibilidade entre a asserção e a fórmula utilizada pelo Código de Processo Civil. da corte de origem. quando o tema decidido pela corte superior não está em discussão na ação rescisória. A respeito do tema. é inadmissível ação rescisória enquanto estiver pendente prazo recursal ou for possível a propositura de outra ação. o réu R interpõe recurso especial apenas acerca da dívida X. nos precedentes indicados na nota anterior. Exemplo tradicional pode facilitar a compreensão do assunto: o juiz de primeiro grau extingue o processo sem julgamento do mérito. a ação rescisória que versar sobre a dívida Y deve ser proposta perante a corte de segundo grau. Sem dúvida. reconhecendo a existência de coisa julgada. não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário”. O Superior Tribunal de Justiça conhece do recurso. nem incompatíveis entre si. merece ser prestigiado o verbete n. o autor constata que a sentença está contaminada por vício arrolado no artigo 485. transitada em julgado”. Sem dúvida. a doutrina e a jurisprudência têm temperado cum grano salis a cláusula legal “sentença de mérito. a ação rescisória que veicula questão alheia ao recurso especial deve ser processada e julgada no tribunal a quo. são harmônicos. nos termos do artigo 268 do Código de Processo Civil. apreciada no recurso extraordinário ou no agravo de instrumento. o réu R interpõe apelação total. a admissibilidade da ação rescisória está sempre condicionada à impossibilidade jurídica da interposição de recurso e do ajuizamento de outra ação. Quando são inconciliáveis as conclusões tiradas a partir da asserção e da fórmula legal. de que não caiba recurso”. quando a questão federal. . Todavia. 515. O tribunal de segundo grau nega provimento ao apelo. 249. É importante não esquecer que os acórdãos da Corte Suprema foram proferidos após a publicação do enunciado n. o autor não pode ajuizar nova ação. Muito pelo contrário. o Supremo Tribunal Federal prestigiou expressamente o verbete n. o julgamento é da competência do tribunal a quo.Em contraposição. Aliás. A única solução é o ajuizamento de ação não são antagônicos.

Também é muito elucidativa a ementa do voto vencedor declarado pelo Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO: “Reconhecida a existência de coisa julgada. já que a propositura de outra ação e a interposição de recurso são juridicamente impossíveis24. Em suma.004: “Ação rescisória — Impugnação de sentença que extinguiu o processo. não é difícil responder à seguinte pergunta: é admissível ação rescisória contra o último julgado proferido no processo. ERNANE FIDELIS. A ação rescisória. solucionada apenas na decisão recorrida? Tudo indica que a resposta afirmativa é a melhor25. extingue o processo sob o fundamento de coisa julgada (CPC. e. muito embora a decisão não seja de mérito. 1997. por equívoco. p. 268 do CPC. 1. entendo que. 1991. Em grau de recurso. 144). embora de natureza simplesmente processual. 1998. não se pode negar à parte prejudicada o direito de propor a rescisória. p. art. levada por uma má redação do Regimento Interno. Daí ser cabível a rescisória”. Volume I. por exemplo. a mens legis deve ser 24 . V). quando a decisão última (rescindenda). De acordo. em primeiro grau. 1998. mas pode ocorrer. na doutrina: COQUEIJO COSTA. a magistrada não teve outra solução senão manejar a ação rescisória. 636. uma vez que. ainda que nele não tenha sido resolvida a matéria de mérito. tem-se como admissível a rescisória na hipótese. 636: “Por outro lado. Impedida de retornar com a mesma ação em primeiro grau. 485. A ação rescisória. Reitera o Jurisconsulto a tese em seus Comentários. p. p. 619. Pleno do STF. 268 do CPC. onde. e SÉRGIO RIZZI. outrossim. em face do disposto no art. art. Ação rescisória. 260 e 261. V). julgado em 26 de novembro de 1997. extinguiu o processo sem julgamento do mérito. 1997. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. ainda na doutrina: OTHON SIDOU.. pode acontecer a necessidade de recorrer-se à rescisória. que é muito mais ampla do que a da rescisória. por força do disposto no art. embora não sendo de mérito. Assim. 4ª ed. 5. 1976. na doutrina: SÁLVIO DE FIGUEIREDO. 1979. Quando o recurso não ultrapassa a barreira da admissibilidade. Assim. Também em sentido oposto.. Embora não se trate de sentença de mérito. é o decisum recorrido que adquire a Assim.056/GO. se houve o error in iudicando no acórdão. p.501/RJ. a ação rescisória deve prevalecer”. 1986. 267. o apelante sofreu violento cerceamento do direito de obter a revisão da sentença de mérito.. 29 e 30. nessa hipótese excepcional. É que nem sempre é possível fazer-se o enquadramento da sentença nos permissivos do art. 3ª ed. Tomo VI. Volume I. Ação rescisória.. Mas. a Câmara Civil isolada. Manual. em síntese. que anteriormente lhe haviam sido negados pela Comissão Permanente do Tribunal. PONTES DE MIRANDA também sustenta que “não só as sentenças de mérito são rescindíveis” (5ª ed. enseja a ação rescisória já que inadmissível seja novamente intentada a ação (CPC art. Ainda em sentido semelhante: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. a fundamento de existir coisa julgada.rescisória.. Diário da Justiça de 10 de abril de 1989. Dicionário jurídico. em tal hipótese. 2ª Seção do TFR. Não se pode. assim como de perempção e de litispendência. pela via normal da apelação. De acordo. tem geralmente como alvo decisum de mérito protegido pela res iudicata. a ação não poderá ser renovada. pode-se admitir a ação rescisória em se tratando de acórdão que. 25 De acordo. 19: “A expressão sentença de mérito deve ser tomada com reserva (admitindo portanto interpretação ampla). 162 e 166. Com outra opinião. 1. Tendo-se em vista a instrumentalidade do processo e considerando-se que o error in iudicando. quando menos por eqüidade. dizer que se na sentença existir motivo para a rescisória esta deveria ser requerida contra a decisão de primeiro grau e não contra o acórdão do Tribunal. 268)”. apesar de a sentença não ser de mérito. excepcionalmente. A hipótese é rara. 267. uma juíza obtivera ganho de causa sobre adicionais de tempo de serviço. Volume I. Curso.. É certo que a decisão do Tribunal não enfrentou o mérito da causa. partindo-se da premissa segundo a qual onde quer que haja um direito violado há de existir um meio judicial de debater a ofensa”. p. órgão composto de desembargadores mas com atribuições apenas administrativas. p. 30. p. mas foi por meio dela que se operou o trânsito em julgado da sentença que decidiu a lide e que deveria ser revista pelo Tribunal por força da apelação não conhecida. sob pena de aprovar-se flagrante violação da ordem jurídica. na jurisprudência: AR n. cujo conteúdo teria sido meramente terminativo. ao entendimento de haver coisa julgada (CPC. p. 19ª ed. 19ª ed. na jurisprudência: AR n. 1997. o Tribunal recusou conhecer de recurso mediante decisão interlocutória que violou disposição literal de lei. a exemplo do que se deu em Minas Gerais.. 6ª ed. pois há casos em que o processo é extinto sem julgamento do mérito. afetou diretamente uma solução de mérito. não há possibilidade de renovar-se a causa em primeiro grau. nota 3: “Em alguns casos. se. importou tornar preclusa a questão de mérito decidida no julgamento precedente. Curso. admitida pelo Tribunal para não inviabilizar a tutela jurisdicional. 4ª ed. pode ter em mira até mesmo julgado irrecorrido que não tratou de matéria de mérito. Em seu clássico Tratado da ação rescisória.

a fim de que. Volume I. 2000. 634 e 637. 1997. Manual. Hipóteses de rescindibilidade 4.413/GO. e VICENTE GRECO FILHO. AÇÃO RESCISÓRIA. reside na inteligência restritiva para todos os incisos do art. interpretada como autorizadora da ação rescisória. em se tratando de rescisória.. nem o ajuizamento de nova ação de procedimento comum. CORREÇÃO DO ERRO PELA VIA RESCISÓRIA. 39 e 43. 2000. INTERPRETAÇÃO DO ART. ex vi do artigo 268. Mais uma vez a cláusula inserta no caput do artigo 485 deve ser temperada cum grano salis. se o vício previsto no artigo 485 diz respeito à última decisão. Sem dúvida. o seu inciso IX admite rescisória fundada em erro de fato”. Direito. Não é juridicamente possível a interposição de outro recurso. todos do Código de Processo Civil.1. já que o mesmo não está contaminado por defeito que autoriza a rescisão. 301. ACÓRDÃO RESCINDENDO FUNDADO EM ERRO DE FATO (CONSIDEROU-SE INTEMPESTIVO RECURSO PROTOCOLIZADO EM COMARCA DO INTERIOR OPORTUNAMENTE). 267 e 269. p. 4. 3ª Turma do STJ. 122. razão pela qual não há lugar para interpretação extensiva28. 485 do Código” (Ação rescisória. p. Porém. a ação rescisória deve ter como alvo o julgamento derradeiro. a res iudicata do julgamento do meritum causae ocorrido na primeira decisão. 485. gera. Com efeito. Volume II. 485 do CPC. JOSÉ RIBAMAR MORAES. 1. IX DO CPC. 1979. O labirinto da ação rescisória. 50). 562. 1ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 31 de maio de 2004: “PROCESSUAL CIVIL. 19ª ed. . por via reflexa. 11ª ed. cassada a decisão ilegal do Tribunal. Generalidades A ação rescisória só é admissível nas hipóteses de rescindibilidade taxativamente previstas na legislação de regência27. Também com a mesma opinião. porque basta que a primeira decisão tenha sido de mérito para que ocorra a coisa julgada obstativa da propositura de nova ação de procedimento comum. 423. de nada adianta atacar o primeiro decisum. Daí a necessidade da propositura da ação rescisória contra o último julgado. 26 De acordo: REsp n. contaminado pelo defeito previsto em algum dos incisos do artigo 485. a qual. p. Na verdade. Daí a exigência da interpretação estrita. § 3º. 1996. se possa completar o julgamento de mérito da apelação. a despeito de não versar sobre o mérito. consoante pressupõe o caput do art. 300. p. na doutrina estrangeira: AMÂNCIO FERREIRA. cujo trancamento se deveu a flagrante negação de vigência de direito expresso”. ainda que só a primeira decisão tenha sido de mérito. Curso. Volume VI. na jurisprudência: REsp n. se o vício reside no último julgado. p. julgado em 20 de junho de 2000. Porquanto o acórdão rescidendo não tenha enfrentando o mérito. p. e 467. a ação rescisória é verdadeira exceção no sistema.. SÉRGIO GILBERTO PORTO. VIABILIDADE. Estudado o alvo da ação rescisória. após o decurso in albis do prazo recursal para a impugnação do último julgado proferido no processo. 27 De acordo: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Comentários. “a melhor hermenêutica.334/SP.auctoritas rei iudicatae. embora o vício resida na última decisão. já é possível analisar as hipóteses de rescindibilidade. 28 Como bem ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. Há de ser reformado acórdão que entendeu não ser cabível a via rescisória com intuito de desconstituir julgado que não apreciou o mérito da demanda (apenas declarou a intempestividade do agravo de instrumento interposto). contaminado por vício previsto em algum inciso do artigo 485 do Código26. em razão da combinação dos artigos 268. Assim.

Volume V. 1975. Volume I. 108 e 117. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. Comentários. SÉRGIO GILBERTO PORTO. Volume II. Curso. 7ª ed. Volume III. O delito de prevaricação está previsto no artigo 319 do Código Penal: “Retardar ou deixar de praticar. 1996. O crime de concussão está tipificado no artigo 316: “Exigir. p. Na mesma linha. 49. p. LUIZ FUX. 4ª Turma do STJ. mas em razão De acordo. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. p. Do processo nos tribunais. 870/RJ – EI. 11. 1986. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 1997. Volume VI. 319. p. para si ou para outrem. O labirinto da ação rescisória.290/AM. 1974. 636. 11. 637 e 638. SÉRGIO GILBERTO PORTO. O que importa para a admissibilidade da ação rescisória é a observância dos permissivos legais. concussão ou corrupção do magistrado que o proferiu. há também autorizada doutrina: MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. o autor pode ajuizar nova ação rescisória com esteio em outro permissivo que não foi suscitado. 1998. 19ª ed. e VICENTE GRECO FILHO. isoladamente. se comprovado. 4. 2001. 11ª ed. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. 31 Com a mesma opinião. 61. 19ª ed. Prevaricação. Comentários ao Código de Processo Civil. 4ª ed. indevidamente. 30 De acordo. ou praticá-lo contra disposição expressa de lei. acarretando verdadeira cumulação de rescisórias31. 39. 1998. que só pode ser a passiva. p. vantagem indevida”. ainda que julgada improcedente a rescisória por alguma delas. 262. o autor pode formular os pedidos rescindendo e rescisório com esteio em mais de uma causa de pedir. Manual. mas em razão dela.. 1997. 29 . 304. ainda que fora da função ou antes de assumila. COQUEIJO COSTA.. Os conceitos das mencionadas infrações são fornecidos pelo Direito Penal33. na jurisprudência: AR n. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. 33 Assim. 14. 260. 2000. p. é causa eficiente para a rescisão de sentença”. Curso. Volume VI. Em sentido contrário. Não é só. RTFR. JOSÉ FREDERICO MARQUES. p. a ação rescisória pode ser proposta tanto para sanar vício de juízo (error in iudicando) quanto vício de atividade (error in procedendo)29.Consoante revelam as hipóteses de rescindibilidade insertas no Código de Processo Civil. ainda que fora da função ou antes de assumi-la.. 267. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 153. Comentários. p. 425.. per se. sendo suficiente a procedência de apenas um deles para a desconstituição do julgado30. p. 1991. Sem dúvida. na doutrina: BARBOSA MOREIRA.. Volume I. Ação rescisória. 1ª Seção do TFR. e não o tipo de vício apontado pelo autor. para satisfazer interesse ou sentimento pessoal”.2. Comentários. direta ou indiretamente. 2ª ed. já que é possível suscitar mais de um. Volume V. 25. p. 1979. Volume II. p. O labirinto da ação rescisória. p. do Código de Processo Civil. desde que no biênio fixado no artigo 495 do Código de Processo Civil32. volume 164. 7ª ed. 9. letra “j”: “A autonomia dos casos de rescisão ocorre porque cada uma das hipóteses de cabimento. p. Lições. 942. 164. A ação rescisória. A ação rescisória. p. p. Diário da Justiça de 7 de junho de 1993. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA.. 4ª ed. consiste em “solicitar ou receber. p. Em virtude da autonomia das hipóteses de rescindibilidade. 1991. 1999. Ação rescisória. direta ou indiretamente. 2000. p. Direito. e REsp n. concussão e corrupção À vista do artigo 485. o decisum pode ser desconstituído por meio de ação rescisória quando se verificar prevaricação. Já a corrupção.. p. Código. comentários 6 e 7.. Convém ressaltar que os permissivos de rescindibilidade são autônomos entre si. NERY JUNIOR. 32 Em sentido conforme. 1999. caput e inciso I. Curso. ato de ofício. para si ou para outrem. p. e SÉRGIO RIZZI.

305. p. a ocorrência. p. 4ª ed. Comentários. 1998.dela. MÁRIO GUIMARÃES. JOSÉ FREDERICO MARQUES. entretanto. Volume V. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. 317 e 319 do diploma penal. na doutrina pátria: SÉRGIO RIZZI. ao contrário do que ocorre no direito português36. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. Volume VI. p. p. Código. p. e VICENTE GRECO FILHO. 270. em estrito cumprimento do dever ou no exercício regular do direito. É o que dispõe o artigo 317 do Código Criminal. 1999. o Código de Processo Civil brasileiro não exige a condenação penal do juiz em anterior processo criminal. 2ª ed. 1976. p. notadamente a do art. letra “a”. Manual. Ação rescisória. nada impede que a rescisória seja instruída com a respectiva sentença penal passada em julgado. do crime imputado ao magistrado que proferiu a decisão impugnada35. A despeito da ausência da necessidade de prévia condenação em processo criminal. 1996. Volume III.. SÉRGIO RIZZI. 638.” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. e 475-N. 54. p. que pode ser proposta tendo como alvo tanto decisão monocrática quanto acórdão de colegiado.. Comentários. consoante o disposto na segunda parte do artigo 935 do Código Civil de 2002. BUENO VIDIGAL. 64 e seguintes do CPP. 2000. segunda parte. Manual. 943. na literatura estrangeira: AMÂNCIO FERREIRA. não pode ser objeto de julgamento diferente – a sentença penal que reconhecer ter sido o ato praticado em estado de necessidade. 19ª ed. 1991. A prática da infração penal por membro de tribunal também dá ensejo à ação rescisória. Curso. como se vê nos arts. a apuração da responsabilidade civil pelo delito não depende do prévio julgamento da responsabilidade penal. entretanto. NERY JUNIOR. 37 De acordo. 1997. do Código Civil. 56. não só na esfera penal. AMÂNCIO FERREIRA. mais do que admissível. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 260. é admissível a rescisória amparada em sentença criminal irrecorrida condenatória do juiz prolator da decisão cível. segundo o qual faz coisa julgada no cível – isto é. p. Volume II. Em suma.. há coisa julgada. inciso II. ou não. 10ª ed. Sem dúvida. não for possível o enquadramento específico da conduta do magistrado em algum dos tipos dos artigos 316. 11ª ed. 36 Cf. a regra reside na independência do juízo civil em relação ao juízo criminal. 270: “Se o dolo do juiz não se integrar num dos tipos de crimes referidos. Não há dúvida em relação à De acordo. a rescisória não pode prosperar34. 34 . Também é irrelevante para a admissibilidade da ação rescisória a existência de processo criminal contra o juiz. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 1979. a autoria e a materialidade no juízo criminal. A ação rescisória. 355 e 356). O juiz. A admissibilidade de ação rescisória com esteio no inciso I do artigo 485 não está condicionada à prévia condenação criminal do magistrado que proferiu o decisum rescindendo. todos do Código de Processo Civil. 263. Em síntese. e no artigo 65 do Código de Processo Penal37. razão pela qual a conduta dolosa do magistrado pode ser aferida no próprio processo instaurado pela propositura da ação rescisória. 385. com as restrições ali previstas. Ação rescisória. p. ou aceitar promessa de tal vantagem”. CALMON DE PASSOS. Direito. Manual.. p. tendo em vista o disposto no artigo 935. Volume I. Na verdade. 339.. 2000. Comentários ao Código de Processo Civil. p. 51. resolvidas. Rescisória. 119. 423. p. Assim. Cabe ao órgão colegiado julgador averiguar. p. p. Volume VI. não é fundamento de revisão”. à luz das provas produzidas nos próprios autos do processo da rescisória. 265. 35 Em sentido conforme. em legítima defesa. 1975. mas também no campo cível. 1958. vantagem indevida. inciso IV. 1998. 2000. 7ª ed. comentário 11. É o que também se infere da combinação dos artigos 110. p.. 65. 1979. Se. na doutrina: “No direito brasileiro. Comentários. a rescisória deve ser julgada procedente no juízo rescindendo.

e SÉRGIO RIZZI.admissibilidade da rescisória tendo em mira decisão monocrática.. 39 Em sentido conforme. 263. em seguida. que fica irremediavelmente contaminado pela prevaricação. Do mesmo modo. 10: “A sentença deverá ser rescindida e. 1991. no juízo rescisório. caput e inciso II. a solução não é tão simples. Ainda a respeito do permissivo consubstanciado no impedimento. Manual. 1999. 1999. a fim de que a causa primitiva receba novo julgamento. Volume II. 40 Com o mesmo entendimento. se for o caso.. 38 . 306. no juízo rescisório.. 56. Ação rescisória. concussão ou corrupção do respectivo prolator. Já a mera suspeição prevista no artigo 135 não dá ensejo à rescisão do julgado. p. 260. admissível a ação rescisória ainda que o tribunal julgue improcedente exceção de impedimento40. Ação rescisória. Já a relativa não permite a rescisão do julgado. Volume VI. Basta um voto vencedor viciado para que o acórdão seja rescindido. 1975. NERY JUNIOR e ROSA NERY. Lições. ao mesmo resultado indicado no julgado rescindido39. 1979. Lições. p. A ação rescisória. 263. p. É o que estabelece o artigo 485. 61. 4ª ed. 943. pois a ausência da formulação da exceção de incompetência relativa no prazo da resposta Em sentido conforme. constatado o fato delituoso em anterior processo criminal ou na própria ação rescisória. p. e SÉRGIO RIZZI. Comentários. na doutrina: SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. JOSÉ FREDERICO MARQUES. A ação rescisória. Não há necessidade da existência de juízes infratores em número suficiente para compor a maioria. 1991. As hipóteses de impedimento estão previstas nos artigos 134 e 136 do Código de Processo Civil. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. não demais lembrar que a admissibilidade da rescisória não está condicionada prévia arguição de exceção no processo originário. entretanto. deverá o tribunal julgar novamente a causa (e. de idêntico teor ao da sentença desconstituída)”. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Se. 10. Volume III. No que tange ao julgamento colegiado. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Impedimento e incompetência absoluta A ação rescisória também pode ser ajuizada contra decisum proferido por magistrado impedido ou “absolutamente incompetente”. o infrator proferiu voto divergente que não foi prestigiado pelos pares e não teve nenhuma repercussão prática. p. do Código de Processo Civil. Diante de acórdão. a rescisória é inadmissível por carência de ação. a rescisória é admissível desde que o infrator tenha proferido voto condutor da maioria ou que simplesmente a compôs no julgamento do órgão coletivo.3. 1979. Volume II. Código. até mesmo em razão do caráter unipessoal do julgamento. tendo em vista a ausência de interesse processual. p. p. Em sentido contrário. entretanto. 2ª ed. Por fim. só a absoluta acarreta a desconstituição do decisum. comentário 11. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. o julgado rescindendo deve ser desconstituído. dar nova decisão. porquanto não é possível garantir que os demais votos vitoriosos não tenham sido contaminados pelo voto defeituoso38. 4. há também autorizada doutrina: SÉRGIO GILBERTO PORTO. nada impede que se chegue. p. p. 2ª ed. 1999. 2000. é à é a No tocante à incompetência.

Mas o ius rescissorium estará logicamente vedado à sua cognição”. FREITAS CÂMARA. 260. p. § 2º. Todavia. e VICENTE GRECO FILHO. 168: “Uma questão surge: por que diz o Código que haverá cumulação desses juízos de mérito (rescindens e rescissorium). nos termos do artigo 113. Volume III. Julgada procedente a rescisória fundada na incompetência absoluta. comentário 12. a fim de fraudar a lei”. O que ocorrerá então? Evidente que não se poderia pedir. DO No mesmo sentido do texto. SÉRGIO GILBERTO PORTO. 1999. p. Comentários. p. 19ª ed. p. 7ª ed. A ação rescisória. 1998. Suponha-se que um juiz estadual tenha julgado matéria da exclusiva jurisdição da Justiça Federal. a desconstituição daquela coisa julgada emanada de Judiciário de Estado. inciso II. por incompetência absoluta. Código. também denominado dolo processual. anulando. Há dolo rescisório. Veja-se o caso da AR fundada na incompetência absoluta do juiz que prolatou a sentença. Dolo rescisório. Assim.. 264. 11ª ed. 1999. caput e inciso III. Em síntese. processo fraudulento e processo simulado À vista do artigo 485. nem sempre há o óbice à prolação do juízo rescisório. 1996. 44 Em sentido semelhante: SÉRGIO RIZZI. 1991. ou de colusão entre as partes. ART. 943. na jurisprudência: AR n.. p. Volume II.acarreta a prorrogação da competência. Curso. 488. quando a parte vencedora age voluntariamente em desacordo com o estabelecido nos artigos 14. Diário da Justiça de 28 de março de 1980. p. é possível a realização do imediato julgamento da causa anterior44. 1975. Volume VI. ao Tribunal Federal de Recursos. p. ‘se for o caso’ (arts. Ação rescisória.. Na mesma esteira. ao contrário do que pode parecer à primeira vista. a inércia da parte vitoriosa não gera a rescisão do julgado. o decisum pode ser rescindido “quando resultar de dolo da parte vencedora em detrimento da parte vencida. 733. publicado no Diário da Justiça de 6 de novembro de 1998. do Código de 197343. Comentários. Volume II. vale conferir o didático acórdão proferido pelo Pleno do Tribunal Regional Federal da 5ª Região no julgamento da AR n. Ao revés. p. 2000. 1979. 43 A propósito. não poderá apreciar a matéria que é da exclusiva competência da Justiça da União. p. Volume I. p. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 4. 485. e 494). SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. 777/RJ. o decisum impugnado é desconstituído e os autos do processo originário devem ser encaminhados à justiça competente. O interessado deverá propor ação ante o Tribunal Estadual. Direito. p. a sentença do seu juiz. por sua vez. DOLO DA PARTE VENCEDORA EM DETRIMENTO DA VENCIDA. mas em hipóteses excepcionais é possível a existência de juízo rescisório. O que se fará então? O Tribunal Estadual formulará o ius rescindens. Do processo nos tribunais. 11. Característica importante da ação rescisória fundada em incompetência absoluta é a regra da inexistência de juízo rescisório42. Pleno do STF. 122. 424. Basta imaginar a hipótese de um tribunal regional federal reconhecer a incompetência da justiça federal e desconstituir a sentença proferida por juiz federal: não há a possibilidade da prolação do juízo rescisório. 42 Em sentido semelhante: MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA.. 4ª ed. 974/CE. 41 . 2ª ed.. Mas este. 403 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA.4. com prejuízo à atuação da parte contrária ou induz o juiz a erro. É que pode haver ocasiões em que tal cumulação seja totalmente impossível. 1997. 64. a regra em caso de rescisória fundada em incompetência absoluta é a ausência do iudicium rescissorium. 308. 1974. reforça o enunciado n. III. II. Lições. nos termos do artigo 114 do Código de Processo Civil41. ambos do Código de Processo Civil. Manual. Tendo o próprio tribunal competência para julgar a ação primitiva. NERY JUNIOR. e 17. JOSÉ FREDERICO MARQUES. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. Volume V. 639.

para conseguir que o juiz declare a nulidade. Comentários. Volume V. JOSÉ FREDERICO MARQUES. 1979. em conseqüência. a Semprônio. 95 e 97. o simples fato de a parte vencedora haver silenciado a respeito de fatos contrários a ela. Curso. Código. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. NERY JUNIOR e ROSA NERY). fazem crer um vício do matrimônio que não existe. Volume III.. e NERY JUNIOR e ROSA NERY. nos termos do artigo 485. 76. p. 48 No sentido do texto: BARBOSA MOREIRA. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. p. 7ª ed. entre eles. 1996. visaria a frustrar o pagamento dos credores ou. p. o Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO indica como exemplo a hipótese “em que se inutilizou ou extraviou prova de relevo constante dos autos” (p.. à ação de execução de Semprônio. p. 19ª ed. porque o procedimento. Ação rescisória. NERY JUNIOR e ROSA NERY. Tal como o ato doloso da parte vencedora. por si só. 47 No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. e SÉRGIO RIZZI. ERNANE FIDÉLIS. O Professor BARBOSA MOREIRA apresenta elucidativo exemplo de decisum passível de desconstituição por ocorrência de dolo rescisório: “O litigante vitorioso criou empecilho. 80 e 81. 7ª ed. 2ª ed. Resta saber se é admissível ação rescisória tendo em vista decisão proferida em processo simulado. 1998. O Professor ERNANE FIDÉLIS também formula exemplos didáticos: “Os exemplos são os mais variados: o advogado do autor. 6ª ed. falsifica-o ou altera-o. 125 e 126. credor de Tício. A ação rescisória. previsto no art. p. Ação rescisória. Manual. em detrimento do erário” (cf. provocando revelia. p. 77. 1979. 639 e 640. 1998. Considera-se fraudulento o processo quando as partes fazem uso dele em conluio para obter fim proibido por lei. o do seu advogado também dá ensejo à rescisão do julgado. inciso III. o julgado pode ser desconstituído por meio de ação rescisória. Uma das partes rasura documento. 9).. p.. 617. p. Código. 1976. Volume V. até mesmo o ato doloso do representante legal da parte autoriza a desconstituição do decisum. Volume VI. A parte suborna o advogado da outra. fazendo petição conjunta de transação com o réu. 72. Volume I. pelo menos.. 137.. 2ª ed. aquela sentença não terá qualquer eficácia” (SÉRGIO RIZZI. 554. segunda parte. Embora exista Cf. 2ª ed. p. Na mesma linha. Em todas as hipóteses. 1996. não constitui ardil do qual resulte cerceamento de defesa e. 554. querendo subtrair um bem do primeiro. nota n.. Volume I. do CPC. Aliás. 46 45 . 1976. 401). Tem-se por simulado o processo quando as partes em conluio fazem uso dele para prejudicar terceiro48. com os fatos tidos por verdadeiros (art. O processo para a cobrança do débito simulado. 83. 319).. 1975. 1998. vale a pena conferir o seguinte exemplo de processo simulado elaborado por CARNELUTTI: “Tício e Caio. simula débito a um comparsa. p. III. 7ª ed. e o prazo de contestação se escoa. Comentários. caput e inciso II. subtraiu ou inutilizou documento por este junto aos autos” (p. consoante se infere do artigo 14. I . 264 e 265. 1979. 2ª ed. à produção de prova que sabia vantajosa para o adversário. porque um e outro entendem valer-se dos efeitos da sentença” (cf. deixa de juntá-la. simulam uma reivindicação de Caio contra Tício para opor a sentença que a acolha. 1997. Havendo nexo de causalidade entre a colusão e o pronunciamento do juiz.CPC. 1998. 94 e 95). Volume V. Outro “exemplo típico que bem ilumina o assunto é o do devedor que. sempre com o entendimento que. É igualmente admissível ação rescisória tendo como alvo decisão proferida em processo marcado pela colusão das partes para fraudar a lei. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. p. mas. p. Comentários. a aviltá-lo” (HÉLIO TORNAGHI. p. A propósito. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Ação rescisória. Comentários. 125. 261. BUENO VIDIGAL. de caso pensado. Manual. iludindo o juiz no julgamento. que recebe o reforço do artigo 129 do próprio Código de Processo Civil47. nesse caso. p. em favor do qual assina promissórias. 122 e 123. para fraudar os credores. em conluio. desvie o juiz de uma sentença não-condizente com a verdade”45. a rescisão do julgado está condicionada à existência de nexo de causalidade entre o dolo e o pronunciamento do juiz46. 485. Comentários. e SÉRGIO RIZZI. 123). para que este pratique ou deixe de praticar ato que possa influenciar na decisão”. e b) “ação de alimentos de mãe contra filho.Não caracteriza dolo processual. 265. Resolução n. Volume I. 1991. com o objetivo de criar dedução ilegal do imposto de renda.. Exemplos de processos fraudulentos passíveis de ação rescisória: a) “quando marido e mulher. SÉRGIO RIZZI e BARBOSA MOREIRA).

além da marca principal do prejuízo a terceiro. 50 Em sentido semelhante. Convém salientar que a simulação pode ser demonstrada na própria rescisória.. considerando inadmissível a ação rescisória na hipótese (Comentários. O artigo 467 reforça: “Denomina-se coisa julgada material a eficácia. o que reforça a conclusão pela resposta positiva. 1979. 1998. p. consoante se infere do artigo 129 do Código de Processo Civil e dos artigos 167 e 168 do Código Civil de 2002. Ação rescisória. Volume V. “há coisa julgada. cumprindo a ação rescisória sua missão apenas com a prolação do juízo rescindendo50. do Código de Processo Civil. Ofensa à coisa julgada Decisum que ofende a coisa julgada também é passível de desconstituição por meio de ação rescisória. Em contraposição. já que a exigência consta do artigo 779. na doutrina: SÉRGIO RIZZI. p. tendo em vista a ofensa aos artigos do Código de Processo Civil e do Código Civil que tratam do instituto. quando se repete ação que já foi decidida por sentença. 4. Há mais. 553.. o terceiro prejudicado também tem legitimidade para ajuizar ação rescisória. o Professor BARBOSA MOREIRA agasalha tese diversa. 2ª ed. O processo simulado também é marcado pela fraude à lei (fraus legis). 7. 1996. p. Daí a regra proibitiva inserta no proêmio do artigo 471: “Nenhum juiz decidirá novamente as questões já 49 Os Professores ERNANE FIDÉLIS (Manual. NERY JUNIOR e ROSA NERY (Código. é possível concluir pela admissibilidade de ação rescisória que tem em mira julgado proferido em processo simulado. Então. o entendimento predominante parece ser o melhor.5. nos termos do artigo 485. comentário 2) e SÉRGIO RIZZI (Ação rescisória. p. 1998. Volume I.séria divergência entre os doutores acerca da admissibilidade de ação rescisória para desconstituir julgado proferido em processo simulado. 618 e 619). do Código lusitano. . 7ª ed. número 1. À vista do artigo 301. não mais sujeita a recurso ordinário e extraordinário”. o que já basta para a admissibilidade da rescisória com esteio no inciso III do artigo 485. Se é certo afirmar que a característica essencial do processo simulado é o prejuízo a terceiro. 1979. caput e inciso IV. na legislação pátria a petição inicial da ação não precisa ser instruída com sentença proferida em anterior processo de reconhecimento da simulação. Ainda que muito respeitável a tese contrária. 125).. Por tudo. O enquadramento da decisão proferida em processo simulado no inciso V também parece ser inevitável. a fraus legis parece ser uma característica secundária do processo simulado. de que não caiba recurso”. Por fim. a fraude à lei parece ser uma conseqüência inexorável. Consoante o inciso II do artigo 487 do Código de Processo Civil. que torna imutável e indiscutível a sentença. prevalece a orientação pela afirmativa49. segunda parte. § 3º. é possível concluir pela ausência de juízo rescisório. O mesmo não ocorre no direito português. p. 6ª ed. 96 e 97) defendem a tese da admissibilidade de rescisória para desconstituir julgado proferido em processo simulado. como o processo fraudulento e o simulado são marcados pela inexistência de litígio verdadeiro. Com efeito.

PONTES DE MIRANDA. 128 e 129. p. as leis processuais. Comentários. 641.. Comentários. Por conseqüência. na hipótese de julgamento de causa já solucionada por decisum protegido pelo manto da coisa julgada. não há iudicium rescissorium quando a ação rescisória é proposta com esteio no inciso IV do artigo 485. Curso. BUENO VIDIGAL. proferida em afronta à res iudicata da primeira. 277: “Só pode verificarse o motivo de revisão de que ora cuidamos. 2000. e SÉRGIO RIZZI. relativas à mesma lide”. Tratado da ação rescisória. 45. 45 não autorizam a rescisória. p. Volume VI. Por fim. tudo indica que a ofensa literal a tais verbetes poderá ser objeto de ação rescisória. Com efeito. de 2004. ERNANE FIDÉLIS. alcançando a Constituição. 1998. 19ª ed. Volume V. por suscitada no processo em que foi proferida”. p. caput e inciso V. 7ª ed. p. 1991. Do contrário. Ação rescisória. as resoluções e até mesmo os regimentos internos dos tribunais. 256.. ainda que rejeitada a preliminar. ou não. 5ª ed. as leis ordinárias. p. 1979. 130 e 132. os regulamentos. em razão da combinação do caráter genérico com o abstrato e o obrigatório. o vocábulo “lei” deve ser interpretado em sentido lato. 4. p. Volume I. 1998. as leis complementares. Volume I. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. os decretos. Como os enunciados da Súmula do Supremo Tribunal aprovados à luz do artigo 103-A da Constituição Federal terão verdadeiro conteúdo normativo. 1976. Em contraposição. 87. 46. 266. Manual. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. A ação rescisória.6. 619. Quanto aos enunciados das súmulas dos tribunais. Outra é a solução no direito português: AMÂNCIO FERREIRA. em virtude da adoção da acepção ampla do termo “lei”. julgado que contraria “literal disposição de lei” também pode ser desconstituído. se a decisão revidenda não se tiver pronunciado sobre a excepção de caso julgado. é admissível ação rescisória tendo como alvo a segunda decisão. Não tem nenhuma importância para a admissibilidade da ação rescisória se a preliminar de coisa julgada foi. p. p. já que o novel artigo 103-A da Constituição Federal consagrou o “efeito vinculante”. 6ª ed. do Código de Processo Civil.decididas. . 2ª ed. No que tange à ação rescisória por ofensa à coisa julgada. os enunciados dos demais tribunais pátrios e também os verbetes da Súmula do Supremo Tribunal Federal aprovados antes da Emenda n. ao julgar a ação rescisória. Violação de literal disposição de lei Por força do artigo 485. a prestação jurisdicional do tribunal se esgota no iudicium rescindens. Com efeito. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. as emendas à Constituição. as leis delegadas. Manual.. desde que aprovados após o disposto na Emenda Constitucional n.. 1997.. Daí a regra: a ofensa a enunciado de súmula de tribunal geralmente não enseja ação 51 No sentido do texto do parágrafo. as leis municipais. solucionada no decisum rescindendo. as medidas provisórias. a ofensa à coisa julgada passaria a ser perpetrada pelo próprio acórdão proferido pelo tribunal. as leis estaduais. as leis federais. 1976. é possível ressuscitar a ofensa à coisa julgada em ação rescisória51. as leis materiais. É a hipótese de rescindibilidade mais acionada na prática forense. apenas os da Corte Suprema.

ainda na jurisprudência: AR n. 641. O cânon 1645. ainda que não seja a melhor. 78. 19ª ed. não há no direito brasileiro restrição como a existente no direito canônico. quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais”. 259/SP. Em contraposição. 118 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. 1ª Seção do STJ. Também no mesmo sentido. Trata-se de orientação tradicional no direito pátrio. Também não é admissível ação rescisória fundada em contrariedade a cláusula contratual. Diário da Justiça de 7 de março de 1994. Aliás. o número 4. SENTENÇA DE MÉRITO. DESCABIMENTO. uma vez que a jurisprudência consolidada dos tribunais não corresponde ao conceito de lei”. o acórdão rescindendo elege uma dentre as interpretações cabíveis. 52 . a ação rescisória pode ser proposta para sanar error in iudicando e também error in procedendo. 83 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Não procede o pedido formulado na ação rescisória por Assim: ERE n. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. ao contrário. RTJ. a despeito da revogação do artigo 800 do Código de 1939. ao contrário.. Pode uma questão processual ser objeto de rescisão desde que consista em pressuposto de validade de uma sentença de mérito”. reforça o enunciado n. De acordo. QUESTÃO PROCESSUAL. prospere é necessário que a interpretação dada pelo decisum rescindendo seja de tal modo aberrante. V. com indicação de contrariedade a súmula. 1997. não é possível desconstituir o julgado proferido à luz de qualquer uma das interpretações plausíveis53. p. 485. Não prospera pedido de rescisão fundado no art. p. na jurisprudência: REsp n.314. como bem revela o enunciado n. Daí a possibilidade da discussão da ofensa direta a dispositivo de direito material e também a preceito de índole processual. V. INDICAÇÃO DE CONTRARIEDADE A SÚMULA OU ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL DO TST. DO CPC. 6ª Turma do STJ. EXPRESSÃO ‘LEI’ DO ART. O vocábulo “literal” inserto no inciso V do artigo 485 revela a exigência de que a afronta deve ser tamanha que contrarie a lei em sua literalidade52.086/SP. Sob outro enfoque. Volume I. A propósito. do Codex de 1983 só admite a restitutio in integrum por violação de preceito de direito material. Diário da Justiça de 5 de agosto de 1996: “Para que a ação rescisória fundada no art. a ação rescisória não merece vingar.rescisória. Curso de direito processual civil. 485. O inciso V do Código brasileiro. 412 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. inciso V. 485. volume 77. Reforça o enunciado n. sob pena de tornar-se “recurso” ordinário com prazo de “interposição” de dois anos”. do CPC. a orientação doutrinária e jurisprudencial consubstanciada no antigo preceito: “A injustiça da sentença e a má apreciação da prova ou errônea interpretação do contrato não autorizam o exercício da ação rescisória”. § 2º. A respeito da regra. pois os verbetes normalmente não têm força normativa em nosso direito. não faz nenhuma restrição em relação ao cunho do direito contrariado. 53 No sentido do texto. Subsiste. 489: “A má interpretação que justifica o judicium rescindens há de ser de tal modo aberrante do texto que eqüivalha à sua violação literal”. quando o texto legal dá ensejo a mais de uma exegese. 343 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei. do CPC. Pleno do STF. 9. Se. merece ser prestigiada a proposição n. que viole o dispositivo legal em sua literalidade.

p. 328. Súmula nº 83 do TST e Súmula 343 nº do STF. do CPC. 329. Diário da Justiça de 6 de abril de 2001. 3ª Seção do STJ. a interpretação era controvertida nos Tribunais. publicação em 2 de maio de 2008: “4. Pleno do STF. Matéria constitucional. REsp n 130. 343 da Súmula do Supremo Tribunal Federal também em relação aos preceitos constitucionais56. de tese minoritária.178/RN. 49. ao exercer o controle difuso na estreita via do recurso extraordinário. mas Cf. inciso V. na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. não tendo o ulterior pronunciamento daquela Corte. 657. há autorizada corrente em sentido contrário. Diário da Justiça de 16 de março de 1998. Inaplicáveis. a orientação consolidada nos enunciados acima transcritos não é observada pelo Supremo Tribunal Federal e pelos demais tribunais quando está em discussão o texto constitucional54. seja por parte da doutrina. Quando isso ocorre. RE n. 63. em prol da aplicação do enunciado n. proferidos pelos tribunais de apelação à luz da jurisprudência prevalecente antes do julgamento proferido pelo STF”. Não obstante. No julgamento de ação rescisória fundada no art. seção 2. O labirinto da ação rescisória. seja por parte dos tribunais. Trata-se. Com efeito. 156. 305. Ação Rescisória. 56 Contra a orientação consubstanciada na proposição n. 55 Cf. prevalece na jurisprudência o entendimento consubstanciado no verbete n. 485. 808/DF. 63. foi prestigiada a precisa tese defendida pelo Ministro ADHEMAR MACIEL: “O respeito à coisa julgada não pode ficar condicionado a futuro e incerto julgamento do STF sobre a matéria. AR n.890/RS. 1ª Turma do STJ. É o que também estabelece o verbete n. Diário da Justiça 2 de março de 1998.812/AM – EDcl. p. 3 da Súmula do antigo Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo: “Descabe o ajuizamento de ação rescisória.592/RS. Por fim. quando se tratar de matéria constitucional”. quando fundado em nova adoção de interpretação do texto legal”. No mesmo sentido do enunciado n. 63 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “Não é aplicável a Súmula 343 do Supremo Tribunal Federal nas ações rescisórias versando matéria constitucional”55. ao exercer o controle difuso em recurso extraordinário. 485. ao contrário. REsp n. 78. Diário da Justiça de 9 de abril de 2001. o condão de possibilitar a desconstituição dos julgados. de interpretação controvertida nos Tribunais”. Inaplicabilidade da Súmula 343/STF”. Diário da Justiça de 2 de março de 1998. Diário da Justiça Eletrônico n. a tese rejeitada pelo STF. 122. Na oportunidade.violação literal de lei se a decisão rescindenda estiver baseada em texto legal infraconstitucional. 54 . é o que também dispõe a proposição n. 6ª Turma do STJ. ao tempo em que foi prolatada a sentença rescindenda. V. Também em conformidade com o verbete n. 2ª Turma do STJ. as regras insertas na Constituição Federal não estão isentas de interpretação divergente. Remata o Ministro e Professor: “Como qualquer norma jurídica. há respeitável precedente jurisprudencial: AR n. é necessário que a interpretação dada pelo decisum rescindendo seja de tal modo aberrante que viole o dispositivo legal em sua literalidade.929/SC. e REsp n. Diário da Justiça de 18 de junho de 2001. entretanto. p. Se. 1ª Turma do STF. 134 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos: “Não cabe ação rescisória por violação de literal disposição de lei se. Para que a ação rescisória fundada no art. não pode ser tida como absurda a ponto de abrir a angusta via da ação rescisória aos insatisfeitos. não se aplica o óbice das Súmulas nºs 83 do TST e 343 do STF.477/DF. 63. Diário da Justiça de 9 de maio de 2000. 1. 3ª Seção do STJ. 63 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região e na orientação jurisprudencial n. na jurisprudência: AI n. Matéria constitucional. do CPC prospere. embora posteriormente se tenha fixado favoravelmente à pretensão do autor”. 29 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho. A despeito da orientação predominante consolidada no enunciado n. Reforça a orientação jurisprudencial n. 29 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “Ação rescisória.

e 105. a admissibilidade da ação rescisória não depende do prequestionamento do tema inserto no preceito tido por violado. Porém. cuja falsidade tenha sido apurada em processo criminal ou seja provada na própria rescisória”. Não há. a rescisória não prospera. pelas razões veiculadas na nota abaixo57. Em todas as hipóteses. sobre a matéria veiculada”. ou seja. 298 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “A conclusão acerca da ocorrência de violação literal de lei pressupõe pronunciamento explícito. 63 só pode ser aplicada em caso de modificação da jurisprudência até então prevalecente. sem a necessária observância das diferenças existentes entre os controles de constitucionalidade concentrado e difuso.sempre prestigiada no presente compêndio. na sentença rescindenda. se o vício que contamina a prova é de construção ou de conteúdo. do Código de Processo Civil. da Constituição Federal. com o artigo o acórdão rescindendo elege uma dentre as interpretações cabíveis. Não obstante. Prova falsa À vista do artigo 485. Porém. erga omnes e ex tunc. o julgado contaminado deve ser rescindido. Por fim. 29 tem sido aplicado indistintamente. 57 Com todo o respeito aos que sustentam a tese predominante.7. inciso III. Com efeito. A falsidade da prova tanto pode ser material quanto ideológica. 63 e na proposição n. Também não importa se a prova falsa é documental. própria dos recursos extraordinário e especial. se a prova viciada não teve nenhuma importância para o desate do processo primitivo. Em contraposição. em relação à rescisória. decisum apoiado em prova falsa é passível de desconstituição por meio de ação rescisória. onde a combinação do artigo 771. Diante da inexistência do requisito na legislação de regência da ação rescisória. há na jurisprudência entendimento contrário. os julgamentos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal em recursos ordinário e extraordinário não são dotados dos efeitos previstos no § 2º do artigo 102 da Constituição Federal e no parágrafo único do artigo 28 da Lei n. 4. pericial ou testemunhal. pelo que a garantia da coisa julgada deve prevalecer quando a questão constitucional foi resolvida apenas em controle difuso. conforme se infere do enunciado n. inciso III. caput e inciso VI. a exigência prevista nos artigos 102. ainda que não seja a melhor. a proposição n. a ação rescisória não merece vingar. é possível desconstituir julgado fundado “em prova. alínea “b”. porquanto o dispositivo do julgado impugnado subsiste independentemente da prova considerada falsa. 9. a admissibilidade da ação rescisória por violação de literal disposição de lei não está condicionada à prévia apreciação da respectiva matéria jurídica no julgado rescindendo. Sem dúvida. sob pena de tornar-se um mero ‘recurso’ com prazo de ‘interposição’ de dois anos”. é irrelevante se a falsidade reside na forma ou no fundo. O inciso VI do artigo 485 permite que a demonstração da falsidade da prova seja efetuada na própria ação rescisória — ao contrário do que ocorre no direito português. marcado pelos efeitos vinculante. quando há superveniente julgamento do Pleno da Corte Suprema em controle de constitucionalidade concentrado.868. Com efeito. não há como cobrar o prequestionamento da quaestio iuris. o entendimento consubstanciado no verbete n. .

de lhe assegurar pronunciamento favorável”. o autor obtém “documento novo. 19ª ed. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 135 e 137. 944.. Curso. A ação rescisória também pode ser proposta quando a falsidade já foi reconhecida por decisum condenatório irrecorrido exarado em processo criminal59. Volume VI. 2001. “documento novo” é aquele que já existia ao tempo da prolação do julgado rescindendo. 61 No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. bem assim da combinação dos artigos 110.. Comentários. 323. p. 1991. Volume V. A cláusula “depois da sentença” — inserta no inciso VII do artigo 485 — reforça a idéia de que o documento tenha sido obtido pelo autor da rescisória quando já não podia fazer uso dele no processo originário.. 642. Por fim. A ação rescisória. 59 58 . já existente ao tempo da decisão rescindenda. inciso II. 2000. a inteligência do artigo 4º. 1998. Comentários. 1999. p. 2000. em virtude de motivo estranho a sua vontade. Volume I. 1997. Volume VI. A ação rescisória. p. inciso IV. e SÉRGIO GILBERTO PORTO. há também autoriza doutrina: BARBOSA MOREIRA. 402 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Documento novo é o cronologicamente velho. 7ª ed. 1979. ou de que não pôde fazer uso. Manual. Manual. capaz. por si só. p. Comentários. p. Em sentido contrário. 268 e 269. Comentários. p. 6ª ed. e SÉRGIO RIZZI. p. 1998. Documento novo Consoante o disposto no inciso VII do artigo 485 do Código de Processo Civil. Comentários. 60 Com a mesma opinião: EVARISTO ARAGÃO FERREIRA DOS SANTOS. mas que não foi apresentado em juízo: a) por não ter o autor da rescisória ciência da existência do documento ao tempo do processo primitivo. Ação rescisória. De acordo: AMÂNCIO FERREIRA. 7ª ed. 2000. ERNANE FIDÉLIS. 1999. p. 4. Curso. Volume I. 1997. depois do decisum. a ação rescisória também prospera quando. 1998. A propósito. no processo”. 323.. p. à época. NERY JUNIOR e ROSA NERY.. 147 usque 153.773 revela a exigência de prévio julgado irrecorrido de reconhecimento da falsidade58. Código. ou b) por não ter sido possível ao autor da rescisória juntar o documento aos autos do processo primitivo. 265. mas ignorado pelo interessado ou de impossível utilização. merece ser prestigiado o proêmio do enunciado n. 624. inciso II. p. do Código de Processo Civil permite a conclusão de que o julgado proferido em ação declaratória autônoma igualmente vincula o juízo rescindendo da ação rescisória proposta com base em prova falsa60. Volume V. do Código de Processo Civil. p. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 4ª ed. 133 e 134.. p. Volume I. comentário 17.. 275. SÉRGIO GILBERTO PORTO. e não na existência em si do documento61. 643. cuja existência ignorava.8. a novidade reside no conhecimento do documento ou na possibilidade da utilização. Em suma. No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. 19ª ed. 8ª ed. e HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. e 475-N. A influência da decisão condenatória passada em julgado no iudicium rescindens é extraída da segunda parte do artigo 935 do Código Civil de 2002. 133 e 134. p. letra "a". 338 usque 355. Volume V.

ter alterado a formação do convencimento do juiz. dispositivo que serviu de inspiração para o preceito nacional. Manual. é possível concluir pela necessidade do perfeito enquadramento no permissivo de rescindibilidade. não é possível a rescisão. desistência ou transação. Não é só. nas hipóteses dos incisos I. inciso II. reconhecimento do pedido. caput e inciso VIII. além das duas hipóteses que ensejam a rescisória brasileira. O vocábulo “novo” diz respeito ao conhecimento e ao acesso ao documento. Com a mesma opinião: AMÂNCIO FERREIRA. AMÂNCIO FERREIRA. observe-se que o preceito alcança apenas “documento”. 4. por si só. em que se baseou a sentença”. a doutrina lusitana admite a revisão com esteio em documento cuja formação se deu após o trânsito em julgado da decisão. jamais em testemunha. p. A rescisória está condicionada ao desconhecimento da existência do documento ou à impossibilidade de acesso. 2000. o dolo do juiz. Convém salientar que o documento novo deve ser de tal modo relevante que se tivesse sido anteriormente juntado aos autos do processo primitivo. prevista nos artigos 348 e seguintes do Código de Processo Civil. o inciso VII só permite a rescisória com base em “documento”. a revisão portuguesa também pode ser amparada em documento superveniente62. do Código de Processo Civil permite a desconstituição do julgado “quando houver fundamento para invalidar confissão. Por fim. posterior ao julgamento impugnado. 276. p. Realmente. tratado no artigo 269. 2000. alcança a confissão propriamente dita. Porém. Manual. Por conseguinte. A inteligência do inciso VII do artigo 485 revela a necessidade da prévia “existência” do documento. ou seja. . Todavia. a testemunha pode revelar a falsidade da prova. bem como o reconhecimento do pedido. com o que fica afastada a possibilidade da rescisória com esteio em testemunha nova63. Confissão. a despeito da semelhança do inciso VII do artigo 485 do Código pátrio com a alínea “c” do artigo 771 do Código português. ou seja. do mesmo diploma. documento que não existia quando da prolação do decisum rescindendo não conduz à desconstituição do julgado. renúncia e transação O artigo 485. O vocábulo “confissão” deve ser interpretado em sentido amplo. Saliente-se que. Em síntese. apesar de não ensejar a rescisória à luz do inciso VII do artigo 485. tratando-se de documento cuja própria existência é nova. a ação rescisória é admissível com fulcro em prova testemunhal a ser produzida. o dolo processual do vencedor e a existência de processo fraudulento ou simulado.Em contraposição. III e VI. poderia. Documento novo irrelevante ao desate do processo originário não conduz à rescisão do julgado.9. 62 63 Cf. não prosperando quando o autor busca o mero reexame da prova ou a simples correção de injustiça. 277. À luz do inciso VII do artigo 485 do Código nacional.

Volume V. Volume III. 1979. 1974. p. FREITAS CÂMARA. apenas a prevista no artigo 348 do Código de Processo Civil enseja ação rescisória. nos termos do artigo 486 do Código65. p. a renúncia à pretensão. Volume II. Volume II. Volume II. p. mera desistência da ação conduz apenas à extinção do processo sem julgamento do mérito.. 485. Já após o trânsito em julgado. conforme o disposto no artigo 267. Ao revés. e não taxativo64. 10. Daí a explicação para a inadmissibilidade de ação rescisória que objetiva a desconstituição de julgado que extinguiu o processo com base em desistência da ação67. 1979. SÉRGIO GILBERTO PORTO. Ainda a respeito da confissão. 245 e 262. Comentários ao Código de Processo Civil. DO CPC. de forma específica. Como a confissão. da qual constituir o único fundamento”. inciso VIII. p. 141 e 142. do Código. Volume V. 1991. 2000. pode ser revogada: I – por ação anulatória. Volume I. o rol de vícios previsto no caput do artigo 352 é exemplificativo. 2ª ed. dolo ou coação. p. já que o inciso VIII do artigo 485 cuida apenas da confissão real. 1975. p. p. posteriormente ao trânsito em julgado da decisão que os homologou” (Ação rescisória. o subseqüente Capítulo XI versa sobre a ação anulatória. a confissão ficta proveniente do artigo 319 não autoriza a desconstituição do julgado. 2000. Comentários. 18. É que.. 2ª ed. “os atos homologáveis. 7ª ed. e não pela ação anulatória66. como bem revela o enunciado n.. Como bem ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. 17 e 18. 66 De acordo: BARBOSA MOREIRA. 1999. é necessário ter em mente a distinção fixada no artigo 352 do Código de Processo Civil: “A confissão. 46 e 88. BARBOSA MOREIRA. e JOSÉ FREDERICO MARQUES. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 1999. p. 485. p. Volume V. 1998. Comentários. há julgamento de mérito “quando o autor renunciar ao direito sobre que se funda a ação”. p. O termo “desistência” deve ser entendido como renúncia.. 7ª ed. 1986.. Por tal razão. A ação rescisória. refere-se à confissão real. previstos no art. 270. INADEQUAÇÃO DO ENQUADRAMENTO NO ART. 4ª ed.. nos termos do artigo 268. Comentários ao Código de Processo Civil. 1998. se pendente o processo em que foi feita. e não à confissão ficta resultante de revelia”.No tocante à confissão propriamente dita. 1998. LUCIANO LEMOS. p. Volume I. p. Ação rescisória. 19ª ed. o autor pode ajuizar outra ação. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. quando emanar de erro. inciso V. 64 . 7ª ed. ERNANE FIDÉLIS. à luz do artigo 269. Volume VI. p. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. não estão sujeitos à ação anulatória. VIII. SÉRGIO RIZZI. 626. e VICENTE GRECO FILHO. 6ª ed. 644. 141 e 142. 67 No sentido do texto do parágrafo: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 11ª ed. 213. Assim: BARBOSA MOREIRA. 65 Por oportuno. Manual. O art. depois de transitada em julgado a sentença. Lições de direito processual civil. 25. 4. do CPC. o decisum homologatório só pode ser desconstituído via ação rescisória. dolo ou coação. p. 333.. p. 426. fruto de erro. nota 3). Ação rescisória. 1996. COQUEIJO COSTA. 485. Direito. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. Primeiras linhas. 11. II – por ação rescisória.. o reconhecimento do pedido e a transação homologados por decisum ainda não passado em julgado também podem ser impugnados com êxito por meio de ação anulatória. Aspectos. CONFISSÃO FICTA. FUNDAMENTO PARA INVALIDAR CONFISSÃO. 404 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA.. ao tratar do fundamento para invalidar a confissão como hipótese de rescindibilidade da decisão judicial. Lições. 1998. 159 e 160. VIII. VIII. 73. Ao revés. Manual de direito processual civil. Curso. 1997. p.

434/SP. Comentários. Por tudo. Diário da Justiça de 25 de abril de 1994. Manual. p. A confissão. que é invalidado70. n. a desconstituição do julgado ocasiona a insubsistência do ato defeituoso. A admissibilidade da ação rescisória não está condicionada à prévia invalidação da confissão. da renúncia ou da transação em processo anterior. 4ª Turma. É o que revela a interpretação sistemática do Código.Já o vocábulo “transação” foi bem empregado pelo legislador. do reconhecimento do pedido. 142 e 144. Não obstante a literalidade do texto codificado. renúncia ou transação cuja regularidade é discutida pelo autor da ação rescisória. 2 do 6º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “A transação homologada em juízo pode ser rescindida como os atos jurídicos em geral. 70 No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. Não há incompatibilidade entre os arts. 7ª ed. Estudadas as hipóteses de rescindibilidade. Não obstante. 271. É o que se infere da conclusão n. 4ª Turma. do CPC. é possível imaginar um exemplo69 que alcança todas elas. 485. p. REsp n. estando em consonância com o disposto no inciso III do artigo 269. O mesmo não ocorre quando há prolação de sentença homologatória de transação em processo contencioso.326. 56. a ação apropriada é a rescisória. VIII. reconhecimento do pedido. segundo o qual a ação apropriada até mesmo em processo contencioso com decisão já protegida pelo manto da coisa julgada é a ação anulatória do artigo 486. inciso VIII. há séria divergência acerca da admissibilidade de ação rescisória tendo como alvo sentença que extingue processo contencioso em virtude da transação. 9.059/SP. 2. Volume V. 68 . 143. Ainda que muito respeitável a orientação consubstanciada na conclusão n. No entanto. a renúncia e a transação efetuados por advogado sem os poderes especiais do artigo 38 do Código de Processo Civil ensejam a propositura de ações rescisórias contra as respectivas sentenças definitivas que adquiriram a auctoritas rei iudicatae. Após o trânsito em julgado. 1998. Prevalece a orientação de que a ação apropriada na hipótese é a prevista no artigo 486. Por óbvio. não assim mediante ação rescisória. Cf. e REsp n. e 486. especialmente dos artigos 352. tudo indica que a ação anulatória tem serventia quando ocorre homologação de transação em jurisdição voluntária. o julgado rescindendo só é desconstituído quando fundado em confissão. a inteligência do inciso VIII do artigo 485 conduz à conclusão de que a ação rescisória é admissível quando houver fundamento para invalidar confissão. o reconhecimento do pedido.260. reconhecimento do pedido. predomina na jurisprudência outro entendimento68. em que se baseou a decisão. 486 e 485.. Diante de processo litigioso. p. 2000. a ação anulatória só poderia ser proposta antes da formação da coisa julgada. que tratam de hipóteses distintas”. 69 Inspirado em exemplo da literatura portuguesa: AMÂNCIO FERREIRA. 38. porquanto não há formação de coisa julgada material. Diário da Justiça de 3 de novembro de 1997. renúncia ou transação. p.

4ª ed. SÉRGIO RIZZI. Erro de fato O erro de fato também dá ensejo à ação rescisória. como bem ensina o Professor BUENO VIDIGAL.. 944. 79. 1976. apesar disso. Ação rescisória. 108. 2ª ed. Manual. p. p. A expressão “erro de fato” tem significado técnico-processual. é precisa a lição do Ministro SYDNEY SANCHES: “O erro de fato a que alude o texto brasileiro (art. não cabe a rescisória. 118. p. 944. p. p. volume 501. Volume VI. 4ª ed. o erro se registrou. O erro que justifica o pedido de rescisão há de evidenciar-se do exame dos elementos constantes dos autos em que proferida a decisão que se intenta rescindir”. o juiz considera existente um fato inexistente. vale dizer. Trata-se de exceção à regra de que a injustiça do julgado em virtude de erro na apreciação da quaestio facti não pode ser corrigida em ação rescisória.4. 4ª ed. COQUEIJO COSTA. 2116: “Ação rescisória — Erro de fato. Câmara Cível do TJDF. Volume III. Código.10. Exemplo típico de erro de fato é o No sentido do texto do parágrafo: BUENO VIDIGAL. 31 e 32: “É absolutamente necessário que não tenha havido entre as partes controvérsia em torno do fato sobre o qual o juiz. 19ª ed.. 248. na jurisprudência: AR n. e não o erro de fato a que a lei se refere” (FREDERICO MARQUES. Curso. 1998. a produção de novos títulos ou documentos para fornecer a prova do erro em que o juiz caiu”. inciso IX e §§ 1º e 2º. lendo os autos. Portanto. colhido do italiano. Da ação rescisória. de percepção. p. SERGIO BERMUDES. nos termos do artigo 485. na rescisória. SÉRGIO RIZZI. comentário 20. Da ação rescisória. A ação rescisória. Ação rescisória. 1991. De acordo. COQUEIJO COSTA. cuja constatação depende da produção de provas que não figuram nos próprios autos do processo primitivo71. além das limitações gerais insertas no caput do artigo 485. Ou inexistente um fato existente”. Volume I. 119 e 120. apesar disso. p. 3ª ed. decorre de inadvertência do juiz.. isto é. 1999. 19. p. pois. não o proveniente da interpretação das provas73. no caso. 1976. 263). o inciso IX indica que só o erro de fato perceptível à luz dos autos do processo anterior pode ser sanado em ação rescisória. 485. Revista dos Tribunais. Comentários. e SYDNEY SANCHES. p. se manifestou (assim. nota n. Comentários. Volume II. no § 2º do n. e. 72 De acordo: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. À vista do § 2º do artigo 485. eventualmente de reflexão. E remata o eminente Ministro: “O erro de fato. 170. 4ª ed. Assim. Revista dos Tribunais. merece ser prestigiada a conclusão do Professor SÉRGIO RIZZI: “Somente o que se contém nos autos do processo anterior. Erro dos sentidos. servirá para evidenciar o erro” (p. 1979. Tomo VI. Lições. 73 A respeito do tema. p. 1997. Diário da Justiça de 7 de março de 1983. o juiz não se estava pronunciando sobre questão suscitada pelas partes. 1979. e não das partes”. Em suma: “Se houve controvérsia. 2ª ed. “não se pode admitir. ou quando considerar inexistente um fato efetivamente ocorrido”. p. ou não vê o que está. Daí a conclusão: é inadmissível ação rescisória por erro de fato. p. que consta do § 1º do artigo 485: “Há erro. Com efeito. p. neles vê o que não está. 1999. hipótese em que descaberia a rescisória por erro de fato)”. 23 e 31. existiu erro de julgamento. mas nunca de interpretação ou valoração da prova. discussão ou debate. 1999.. especialmente a conclusão n. ao afirmar a ocorrência ou a inocorrência de um fato. comentário 20. A existência de controvérsia entre as partes acerca do fato impede a desconstituição do julgado72. JOSÉ FREDERICO MARQUES. 2ª ed. IX).. Ação rescisória. 644. 272. como aparenta). 263. 107. apenas o erro relacionado a fato que não foi alvo de discussão pode ser corrigido em ação rescisória. IX do art. Comentários. justificador da rescisão. 79.. Código. p. 108. e não dois. NERY JUNIOR e ROSA NERY. volume 501. quando a sentença admitir um fato inexistente. n. Por causa dele. p. p. 7. de raciocínio. o erro que pode ser corrigido na ação rescisória é o de percepção do julgador.. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. como tema de julgamento. 1986. Volume VI.. é do juiz. e SYDNEY SANCHES. NERY JUNIOR e ROSA NERY. 22. do Código de Processo Civil. 119). 485 do CPC brasileiro só há um requisito. “Esse erro há de consistir em ter a 71 . Realmente. 119 e 122. p.. 1975. que. A excepcionalidade da hipótese de rescindibilidade por erro de fato é revelada pelas restrições gerais e específicas previstas no artigo 485. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. 1986. BUENO VIDIGAL. Ação rescisória.

29. Revista dos Tribunais.. Tal orientação parece ser a melhor. Da ação rescisória. pois tal pronunciamento é indispensável para o reconhecimento da existência do erro como um fato do processo. Revista dos Tribunais. 57. 1979. Sem dúvida.. e vice-versa. p. Comentários... comentário 20. o pronunciamento judicial acerca do fato é até importante para a verificação da ocorrência do erro de fato. 136 da Segunda Subseção do Tribunal Superior do Trabalho: “A caracterização do erro de fato como causa de rescindibilidade de decisão judicial transitada em julgado supõe a afirmação categórica e indiscutida de um fato. “Esse erro deve decorrer de inadvertência do juiz. embora constando esse enunciado da sentença. Apud SYDNEY SANCHES. Em síntese. CARLOS ORTIZ. 25 e 31. 272. Diário da Justiça de 7 de agosto de 1995: “AÇÃO RESCISÓRIA. Comentários. Admitido sem controvérsia fato que os autos evidenciam inexistente. p. p. Ação rescisória. 25 e 31). Comentários. 4ª ed. p. p. à luz da legislação e da doutrina italianas. Lições. e SYDNEY SANCHES. Ação rescisória.. p. p. do fato. volume 501. Volume VI. 944. na decisão rescindenda. p. Revista dos Tribunais. 4ª ed. p. tanto que é prestigiada pela jurisprudência78. 108. Erro de fato irrelevante não dá ensejo à desconstituição do julgado. cabe a rescisória fundada no inciso IX. 1986. Já a equivocada interpretação da prova não configura erro de fato à luz do § 1º do artigo 485. 74 Inspirado em exemplo apontado pelo Ministro SYDNEY SANCHES: “Butera recolheu da jurisprudência italiana vários casos em que se considerou ocorrido o erro de fato: omissis. 31 e 32. ou não. que não sentença considerado ocorrido um fato inocorrido ou vice-versa”. Revista dos Tribunais. volume 501. 76 Cf. 78 Conferir: REsp n. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. é necessário que o juiz não tenha emitido juízo expresso sobre a existência. PONTES DE MIRANDA. A ação rescisória. Apenas o erro de fato relevante permite a rescisão do decisum. volume 501. ou julgado inexistente fato que evidentemente existiu. 30. Erro de fato. Tudo indica que a restrição quanto ao pronunciamento judicial diz respeito à controvérsia envolvendo o fato. 149. 1998. o erro é geralmente perceptível quando há o pronunciamento acerca da existência de fato que não ocorreu. 1986. COQUEIJO COSTA. 1999. 2ª ed. 1998. p. Ação rescisória. p. No entanto. 3ª ed. É necessária a existência de nexo de causalidade entre o erro de fato e a conclusão do juiz prolator do decisum rescindendo75. igualmente abalizada. Volume II. Autorizada doutrina defende que sim76. p. 75 Assim: BUENO VIDIGAL. 1986. 79. 3º) afirmar que uma prova foi produzida. se o juiz reconheceu explicitamente a existência ou a inexistência do fato é inadmissível ação rescisória contra o decisum. 19 e 20. p. Ação rescisória. 1991. e não como simples estado da consciência do juiz. 77 Cf. BARBOSA MOREIRA. não foi. . p. de má percepção dos fatos. 121 e 126. 80. 249. defendendo. de sua desatenção na leitura dos autos e não de má interpretação ou valoração da prova” (Da ação rescisória. 119. 1976. 29. não dando ensejo à desconstituição do julgado. Resta examinar se o “pronunciamento judicial” sobre fato incontroverso veda a desconstituição do julgado. Na verdade.. Volume V. em sentido oposto. SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. O processo civil. 79. Para tal corrente.. na verdade. p. Tomo VI. há doutrina77. volume 501.501/RS. quando. 2ª ed. 4ª ed. na verdade. Com a mesma opinião: COQUEIJO COSTA. NERY JUNIOR e ROSA NERY. 1999. O que a lei considera imprescindível é que não tenha havido pronunciamento judicial a respeito da controvérsia sobre ponto relevante para a solução da causa”. e não ao fato em si. 25 e 31). conforme revela a didática proposição n. ou afirmar que não foi produzida. e SYDNEY SANCHES. 7ª ed. COQUEIJO COSTA.ocorrido em sentença de procedência proferida tendo em conta prova pericial que não foi produzida na ação de investigação de paternidade74. 4ª ed. e SÉRGIO RIZZI. Código. volume 501. Da ação rescisória. foi” (Da ação rescisória. quando. Revista dos Tribunais.. 4ª Turma do STJ. Da ação rescisória. que o pronunciamento sobre fato incontroverso não impede a rescisão do julgado.

ao reservar a ação anulatória (art. estabeleceu apenas uma distinção. art.0129). Com efeito. Esta última hipótese é afastada pelo § 2º do art. 262 e 263). o artigo 1. coerente com sua posição de se ter o inventário e partilha como de jurisdição contenciosa. p. A partilha será amigável ou julgada por sentença. 3ª ed. há uma hipótese específica de rescindibilidade prevista no artigo 1. coação. 1.. como conclusão decorrente das premissas que especificaram as provas oferecidas. 485. Daí a conclusão: a maior finalidade do artigo 1. 1. Ação rescisória de sentença de partilha judicial Além das hipóteses gerais de rescindibilidade arroladas no artigo 485 do Código de Processo Civil.” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. não se há de cogitar de rescisória.030 do mesmo diploma: ação rescisória de sentença de partilha judicial.030. 1999. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. Comentários ao Código de Processo Civil. Em primeiro lugar. admissível contra a sentença de partilha judicial.029 do mesmo diploma e no artigo 2. nota 38. adequada para impugnar a sentença homologatória de partilha amigável80. 1. entretanto. 1974. ao exigir que não tenha havido controvérsia sobre o fato e pronunciamento judicial esmiuçando as provas”.027 versam sobre a ação anulatória79.029 do Código de Processo Civil.030 é índole didática. A ação rescisória de partilha judicial é admissível nos casos arrolados no artigo 1. na doutrina: “O Código foi claro e obedeceu a bom sistema. Bem examinadas as hipóteses legais. A ação rescisória no Superior Tribunal de Justiça. 486.029. é apenas aquele que se coloca como premissa fática indiscutida de um silogismo argumentativo. a ação anulatória de partilha amigável é da competência de juiz de primeiro grau e está sujeita a prazo decadencial de um ano.11. porquanto a ação rescisória de sentença de partilha judicial Por oportuno. Recursos no Superior Tribunal de Justiça. não aquele que se apresenta ao final desse mesmo silogismo. 4. Se amigável. também na doutrina: ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. p. art.029) para as partilhas amigáveis viciadas por dolo.030 dispõe sobre a ação rescisória. 334: “O Código de 1973. enquanto os artigos 1. poderá ser rescindida (art. 80 79 . erro essencial ou intervenção de incapaz e ao dizer que é rescindível a partilha julgada por sentença nos casos que menciona neste art. constata-se que as mesmas estão insertas nos amplos incisos V e VIII do artigo 485 do mesmo diploma. 1991. De acordo. com referência ao Código Civil de 1916).” (SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA. A importância da distinção pode ser aferida sob dois prismas: a ação rescisória de partilha judicial é da competência originária de tribunal e está sujeita a prazo decadencial de dois anos. cujo inciso I faz remissão aos três incisos do artigo 1. que pode ensejar ação rescisória calcada no inciso IX do art. Em sentido conforme. 485 do CPC. ainda na doutrina: “Destarte. se nasceu com qualquer um dos vícios taxativamente enumerados no art. Se julgada por sentença.030”. há os motivos deste art. O fato afirmado pelo julgador. p. 1. 273. a ser ajuizada no prazo de um ano (CPC.030)”. se a partilha for amigável (CC. “A sentença de partilha pode ser objeto de ação rescisória.029 e 2. 1. é preciso registrar que a hipótese inserta no artigo 1.030 do Código de Processo Civil não se confunde com a prevista no artigo 1.027 do Código Civil. No mesmo sentido. 1030. o capítulo subseqüente (Capítulo XI) versa de forma específica sobre a ação anulatória.corresponde à realidade dos autos. 485 do CPC. na conformidade do art. mas sim de ação anulatória. a fim de evitar confusão com a ação anulatória prevista no artigo 1. Volume IX. poderá ser simplesmente anulada por ação ordinária. Além desses casos. para se concluir pela existência do fato.773).

em prol da admissibilidade também da ação rescisória (cf. o herdeiro que não participou do processo de inventário tem ação própria: ação de petição de herança83. 1974. há respeitável opinião contrária. se a sentença proferida se enquadrar em um dos nove incisos do art. a ação rescisória só pode ser ajuizada por herdeiro (e também pelo legatário) que participou do inventário e foi preterido ou prejudicado no respectivo processo84. 273). na doutrina: “Em se tratando de partilha judicial julgada por sentença. p. na jurisprudência: RE n. p. 84 De acordo. o qual foi acompanhado pelo Ministro ALFREDO BUZAID.1. não é possível a desconstituição do julgado. alcançam os arrolados no artigo 1. No mesmo sentido. Em suma. Comentários ao Código de Processo Civil. tal como defendido no presente compêndio. Ação rescisória fundada em correção de injustiça quanto aos fatos. Diário da Justiça de 22 de outubro de 1982. Direito das sucessões. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Com efeito. Hipóteses que não ensejam ação rescisória Ainda que de forma perfunctória. têm legitimidade para propor ação rescisória da sentença dentro do prazo de dois anos. a fim de afastar uma hipótese não inserta no preceito: a do herdeiro terceiro ao processo de inventário. . é importante examinar o inciso III do artigo 1. para atacar a partilha. dos legatários ou o cônjuge supérstite. Estudados os permissivos de rescindibilidade. 93. se devidamente representados.pode ser acionada à vista dos vários incisos do artigo 485. contados do trânsito em julgado da decisão.030 do Código de Processo Civil. Por fim. ou seja. analisadas nos tópicos subseqüentes. 483. Na verdade. Em contraposição. com ampla fundamentação doutrinária no voto condutor do Ministro-Relator RAFAEL MAYER. VII e IX do artigo 485. ainda que em parte: apesar de reconhecer que “própria seria a ‘ação de petição de herança’”. especialmente nos incisos VI. o eminente Ministro e Professor SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA vai além. autor do projeto que deu origem ao Código de Processo Civil de 1973. 10. ainda que indiretamente81. na doutrina: “Não é a ação rescisória o remedium iuris apropriado de que dispõem os herdeiros que não participaram do inventário.740. 83 Com igual opinião. p. artigo 485. do Código de Processo Civil. Recursos no Superior Tribunal de Justiça. qualquer dos herdeiros. 263). 1991.030. p. se foram partes nos autos do inventário. 2005.824 do Código Civil). sem o grifo no original). a rescisória não é a ação adequada para a impugnação da partilha que não contemplou herdeiro alheio ao inventário82.” (ANTÔNIO JOSÉ TIBÚRCIO DE OLIVEIRA.700/GO. foram escritas algumas linhas acerca da impossibilidade da rescisória no tópico inicial dedicado às generalidades do instituto. A ação rescisória no Superior Tribunal de Justiça. como já dito. 5. já é possível retomar o estudo das hipóteses que não autorizam ação rescisória. reexame de provas e interpretação de cláusula contratual As hipóteses excepcionais de rescindibilidade em matéria probatória estão taxativamente previstas no Código de Processo Civil. 5. Tal remédio é a ação de petição de herança” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. 485 do Código de Processo Civil. Volume IX. a petição de herança ou petitio hereditatis é a ação adequada em prol de herdeiro que busca o reconhecimento do respectivo direito sucessório e a restituição da herança ou da respectiva parte contra o atual possuidor da mesma (artigo 1. incisos V e VIII. os quais. Como a mera correção de injustiça quanto aos fatos e o simples 81 82 Cf. 1ª Turma do STF. Fora delas.

099 e 10. Reforça o artigo 41 da Resolução n. 5. de 1995: “Não se admitirá ação rescisória nas causas sujeitas ao procedimento instituído por esta Lei”. Daí a justificativa para a aprovação do enunciado n. Em suma. É o que estabelece o artigo 12 da . a sentença proferida em cautelar não pode ser impugnada por meio de ação rescisória.3. 5.868.099/95 está em consonância com os princípios do sistema processual dos Juizados Especiais. as decisões monocráticas e os acórdãos proferidos nos processos da competência dos juizados especiais e das respectivas turmas recursais não são passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. INVIABILIDADE. 410 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA.259 não são passíveis de impugnação por meio de ação rescisória. Ação rescisória e processo cautelar À vista do artigo 810 do Código de Processo Civil. 9. 273. Ação rescisória e controle concentrado de constitucionalidade Por força do artigo 26 da Lei n. não haverá rescisória de seus julgados”. merece ser prestigiado o enunciado n. aplicando-se também aos Juizados Especiais Federais”. Ação rescisória e decisões proferidas nos juizados especiais As sentenças. consagrada no caput do artigo 800 do anterior Código de 1939: “A injustiça da sentença e a má apreciação da prova ou errônea interpretação do contrato não autorizam o exercício da ação rescisória”. de 12 de julho de 2001.4. Também é inadmissível ação rescisória contra julgado proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ação de argüição de descumprimento de preceito fundamental. do Presidente do Conselho da Justiça Federal: “Nas causas de que trata a Lei nº 10. tendo em vista a vedação do artigo 59 da Lei n. as decisões proferidas nos processos que seguem o rito sumaríssimo instituído pelas Leis nºs 9. 5.259.2. O artigo 59 da Lei n 9. REEXAME DE FATOS E PROVA. Trata-se. 9. é inadmissível ação rescisória contra julgado proferido em ação direta de inconstitucionalidade e em ação declaratória de constitucionalidade. de orientação tradicional em nosso direito. na verdade.reexame das provas não estão entre as hipóteses excepcionais que dão ensejo à rescisória. 44 do Fórum Nacional dos Juizados Especiais Federais: “Não cabe ação rescisória no JEF. A despeito da ausência de preceito similar no Código de Processo Civil vigente. salvo quando há a pronúncia — no próprio processo cautelar — da prescrição ou da decadência do direito do autor. A ação rescisória calcada em violação de lei não admite reexame de fatos e provas do processo que originou a decisão rescindenda”. a interpretação sistemática e a teleológica do diploma atual conduz à conclusão de que a orientação moderna é exatamente a mesma da legislação processual pretérita.099.

882. 5. eventual vício pode ser denunciado na ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil. incisos I e VI. Legitimidade da ação anulatória. 14 do 8º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “Incabível é a ação rescisória contra sentenças homologatórias de adjudicação. Também há a carência da ação anulatória que tem como alvo decisão de mérito sob o manto da res iudicata. alienação (artigo 685-C) e arrematação (artigos 693 e 694) em processo de execução também não são passíveis de impugnação mediante ação rescisória. a rescisória não pode ser proposta no lugar da anulatória.Lei n. embargos à alienação ou embargos à arrematação. bem assim os procedimentos. não prospera ação rescisória ajuizada contra decisum proferido em jurisdição voluntária. Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul. Sob todos os prismas.” (RE n. Em reforço. embargos à adjudicação. mas. a ação anulatória é da competência de juiz de primeiro grau e segue o procedimento comum.982/PI. Enquanto a ação rescisória está sujeita a prazo decadencial de dois anos (artigo 495 do Código de Processo Civil). ajuizada a respectiva ação de embargos do artigo 746 (ou seja. p. 399 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “É incabível ação rescisória para impugnar decisão homologatória de adjudicação ou arrematação”. 295 e 490. por meio da ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil. 86 Anais do VIII Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada. 229. nem a ação do artigo 486 pode ser ajuizada quando for apropriada a rescisória85. sob pena de extinção liminar dos respectivos processos. 85 . de 1999: “A decisão que julgar procedente ou improcedente o pedido em argüição de descumprimento de preceito fundamental é irrecorrível. 1ª Turma do STF. Assim. 1988. Diário da Justiça de 1º de julho de 1970. realizada com simulação e fraude. conforme o caso). todos do Código de Processo Civil. 66. Descabimento da ação rescisória. arrematação ou remição. Enquanto a rescisória é ação de procedimento especial de competência originária de tribunal. Em contraposição. sim. Ação rescisória e ação anulatória Não é admissível a ação rescisória quando a via apropriada for a ação anulatória do artigo 486 do Código de Processo Civil. cuja via impugnativa apropriada é a ação rescisória do artigo 485. por carência de ação. na jurisprudência: “Anulação de cessão de herança. A propósito. que devem ser atacadas por ação ordinária”86. As decisões homologatórias irrecorridas de adjudicação (artigos 685-A e 685-B). Com efeito. o prazo decadencial da ação anulatória é de quatro anos (artigos 352 e 486 do Código de Processo Civil combinados com o artigo 178 do Código Civil de 2002). há a instauração de processo de Assim. 9. não podendo ser objeto de ação rescisória”. Porto Alegre. consoante a combinação dos artigos 267. vale conferir o disposto no inciso I do enunciado n. prazos e os órgãos judiciários competentes para os respectivos julgamentos. são diferentes os campos de incidência das ações rescisória e anulatória. sem o grifo no original). merece ser prestigiada a conclusão n.5.

8ª ed. na forma prevista no art. 264.307. com o artigo 486 do Código de Processo Civil.956/SP.” (REsp n. podendo até mesmo ser declarada em ação autônoma.. 486 do CPC. também é inadmissível ação rescisória contra sentença inexistente. I – A arrematação é anulável por ação ordinária. a rigor. Ainda no mesmo sentido: “Processual civil. p. Revista Forense. a decisão arbitral também não enseja ação rescisória. p. 49 usque 51. p. como a proferida sem dispositivo. e SÉRGIO RIZZI. o que reforça a inadmissibilidade da ação rescisória no particular. considerados inexistentes os atos processuais praticados por juiz que já estava aposentado ou não tinha tomado posse de suas funções. ausência de citação e nulidade da citação Por fim. desnecessária admitir-se a possibilidade de rescisão dessa sentença (o que tornaria a ação rescisória inadmissível. Arrematação. por exemplo. Lições. na jurisprudência: “Processo civil. Além do mais. AJURIS. Comentários. Volume I.762). já que a inexistência jurídica da sentença pode ser suscitada no bojo de qualquer processo. Desconstituição. a sentença juridicamente inexistente não passa em julgado. 346. 35. conforme se infere da combinação do artigo 33. a atividade jurisdicional89.conhecimento. Também em sentido conforme. sentença inexistente.”(MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. volume 42. porque. 88 Com a mesma opinião do texto do parágrafo. 2ª Turma do STJ.. Ação rescisória. se. vale dizer. 108). da Lei n. p. e MONIZ DE ARAGÃO. Por fim. 22 e 25. 1979. Em tais hipóteses.“ (REsp n. pois faltaria interesse de agir. Novo curso de direito processual civil. volume 256. p. A arrematação é anulável por ação ordinária. p. Como bem ensina o Professor HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 4ª ed. ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. 90 Cf. com a conseqüente revelia do réu. 30. Anulação. é que a desconstituição exige ação rescisória . 87 . 1975. Volume II. O labirinto da ação rescisória. 29. a exarada por quem não exerce o ofício judicante. Manual de direito processual civil. nos termos do inciso I do artigo 4º do Código de Processo Civil. Tanto quanto sutil. p. será necessária ação rescisória para anular a decisão neles proferida. a prolatada sem assinatura do magistrado. na doutrina: JOSÉ FREDERICO MARQUES. p. como os atos jurídicos em geral. por inexistência da necessidade da tutela jurisdicional)”. Ação rescisória. Definitiva a sentença proferida na ação de embargos. “há consenso entre os doutores a respeito da inexistência de coisa julgada no processo de execução”. Só quando há sentença de mérito.054/SP. 11. sendo a medida um procedimento de cognição. 2ª ed. § 1º.. p. 1999. como os atos jurídicos em geral. Volume II. A despeito da existência de autorizada doutrina em prol da admissibilidade90. quando apresentados embargos à arrematação. 9. JOSÉ RIBAMAR MORAES. Além da ação de embargos. a ação rescisória é inadmissível. Arrematação. forem apresentados embargos à arrematação. acaba por gerar a coisa julgada” (Execução forçada e coisa julgada. 5. Resta saber se é admissível ação rescisória contra sentença proferida em processo de conhecimento contaminado por ausência ou nulidade de citação. Diário da Justiça de 21 de novembro de 1994. na doutrina: “Serão. razão pela qual é admissível ação rescisória após o trânsito em julgado88.6. a impugnação da decisão arbitral viciada só pode ser feita em ação anulatória de procedimento comum. tudo indica que a resposta negativa é a melhor91. “Quando há interposição de embargos do devedor. a diferença é muito relevante para a separação dos campos de incidência da ação rescisória e da ação anulatória. porém. com a possibilidade da prolação de sentença de mérito. embora reconheça que “seria. a questão é simples. 89 Em sentido semelhante.746). 3ª Turma do STJ. 31. há a formação da res iudicata87. 49). Diário da Justiça de 16 de maio de 1994. 2007.

4ª ed. 338). na jurisprudência: RE n. 826: “Desnecessidade da ação rescisória”. ainda que de hierarquia inferior à do juiz que proferiu a sentença exeqüenda. 12ª ed. Volume I. o Professor VICENTE GRECO FILHO também sustenta a tese defendida no texto: “Liebman classificou a sentença proferida sem a citação do réu ou com nulidade desta como sentença inexistente. Em embargos. “Em tôdas as circunstâncias estudadas. que torna radicalmente nulo. se mostre que faltou a sua citação ou é nula a citação feita”. p. Volume I. para que possa ser ouvido em suas defesas”. a rigor. merece ser conferida a conclusão do Professor ALFREDO BUZAID. meramente declaratório. ela pode ser desconhecida por qualquer juiz. p. portanto. em verdade. mera aparência e carece de efeitos no mundo jurídico” (p. 142). na doutrina: CALMON DE PASSOS. “E a razão é que a falta de citação infringe de tal modo os supremos princípios do processo. independe a sentença de ser rescindida. Assim. 91 De acordo. E se acaso rescisória fôr proposta.Em primeiro lugar. f) Quando. Novo curso. Novo curso de direito processual civil. 96. existem “vícios maiores. 1999. função esta reservada privativamente a uma instância superior. p.. de sentença inexistente92. 337). “a falta de citação. na doutrina: CALMON DE PASSOS. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. Rescisória. é coisa vã. vícios essenciais. 1997. pelo que o suposto réu se coloca fora da jurisdição do magistrado e liberto da sujeição da coisa julgada. Porque não se trata de reformar ou anular uma decisão defeituosa. Volume II. com a declaração de inexistência do julgado. 2004. juridicamente inexistente o processo. 337 e 338: “Igualmente sustentamos que é inexistente a sentença dada contra quem não foi citado. p. Em qualquer tempo a ela se pode opor a argüição de ser nenhuma. Comentários.” (p. p. Estudos. na oposição que se ofereça à pretensão que nela procure ter assento. 141). que indica a hipótese como ensejadora do instituto similar do direito lusitano: “A decisão transitada em julgado só pode ser objecto de revisão nos seguintes casos: omissis. A ausência de citação impede a formação da relação processual em ângulo. por falta absoluta de intervenção do réu. embora se tenha tornado formalmente definitiva. volume 104. A falta ou nulidade da citação do réu e a circunstância de que o processo tenha corrido à sua revelia impediram a própria formação da relação processual. Ainda a respeito do tema. a citação do réu. Também no mesmo sentido do texto: “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. 106). 107. e LIEBMAN. Como bem sustentou o eminente processualista italiano. 146). Já diziam as Ordenações que era nenhuma a sentença dada sem a parte ser primeiro citada. p. 259. 8ª ed. denominada querela nullitatis insanabilis. que é nenhuma e de nenhum efeito’” (p. p. 92 Com a mesma opinião.. A nulidade pode ser alegada em defesa contra quem pretende tirar da sentença um efeito qualquer. deve ela ser repelida liminarmente. e sim de reconhecer simplesmente como de nenhum efeito um ato juridicamente inexistente” (p. pois nada haverá a rescindir. inadmissível)” (Comentários. desnecessária (e. o processo adequado para a declaração de tal nulidade? Não há outra resposta que esta: todo e qualquer processo é adequado para constatar e declarar que um julgamento meramente aparente é na realidade inexistente e de nenhum efeito. “Sem esse ato essencial não há verdadeiramente processo. nada obsta a que ela possa ser oposta em outra oportunidade qualquer. Rescisória. lançada no . nunca em tempo algum passa em cousa julgada. 145). mas em todo tempo se pode opor contra ela. na hipótese. 109). Volume V. 259. Como inexistente. 8ª ed. que não tem prazo para ser aforada” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. 1ª Turma do STF. p. E se sua inexistência pode ser argüida nos embargos do executado. p. tanto que não adquire a auctoritas rei iudicatae e pode ser impugnada até mesmo após 1995. é. que sobrevivem à coisa julgada e afetam a sua própria existência. Também no mesmo sentido do texto: “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. Volume III. é ainda hoje motivo de nulidade absoluta ou de inexistência da sentença” (p. 145 e 146). 2001. que não tem prazo para ser aforada” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. RTJ. Portanto. “Qual seria. e sempre será. 1995. Sob outro prisma. 141 usque 146: “Primeiro e fundamental requisito para a existência de um processo sempre foi. trata-se. pois nada haverá a rescindir. 113). Com esteio na lição do eminente processualista italiano. E hoje ainda é nenhuma a mesma sentença.” (p. 337. MONIZ DE ARAGÃO. denominada querela nullitatis insanabilis. 2007. daí a possibilidade de o juiz da execução obstar as medidas constritivas do devedor independentemente de ação rescisória. p. nem pode valer a sentença que vai ser proferida” (p. vícios radicais.696/RJ. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. na execução. alínea “f”. ofende tão profundamente o direito reconhecido a todo cidadão de defender-se perante o juiz que vai julgá-lo. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. nota 17). assim como pode ser pleiteada em processo principal. não há em nosso direito preceito similar ao artigo 771. Neste caso a sentença. e daí ser a sentença um mero simulacro ou aparência de ato jurisdicional” (Direito Processual Civil brasileiro. É este o único caso que sobrevive nos nossos dias de sentença ‘que é per Direito nenhuma. O Professor BARBOSA MOREIRA igualmente defende que “a rescisória é. tendo corrido a acção e a execução à revelia. do Código de Processo Civil português. igualmente nula e inexistente a sentença proferida...

Alfredo Buzaid. o ato inexistente é impugnável em qualquer tempo e em qualquer processo. EXISTÊNCIA NO DIREITO PROCESSUAL BRASILEIRO. 10.. 345 e 346. Como a referida sentença juridicamente inexistente jamais adquire a auctoritas rei iudicatae. na execução. CONCEITO. inciso I. caso não o seja. subsiste no direito processual brasileiro.” (p. “E mais. podendo a nulidade ser argüida no recurso. ajuizada contra Terceiros Interessados. nada obsta a que ela possa ser oposta em outra oportunidade qualquer. conforme se infere do artigo 4º. 1999. o processo é para eles juridicamente inexistente.o biênio que geralmente enseja a formação da denominada coisa soberanamente julgada. in RT 573/289). para que seja examinado o mérito do pedido”. inexistente. AÇÃO DE DECLARAÇÃO DE NULIDADE INSANÁVEL (QUERELA NULLITATIS INSANABILIS). A CEF. 382). a omissão não impedirá o exercício da ação de nulidade. na qual não foi citada. 3. 5º. 336). na doutrina: OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. 95 Com a mesma opinião: CALMON DE PASSOS. 179. p.696/RJ. “Em tôdas as circunstâncias estudadas. Também em sentido semelhante. p. Diário da Justiça de 20 de agosto de 1986. 3ª Turma do TRF da 1ª Região. Comentários. bem como o título executivo dela resultante.00139-1/DF. É a intitulada querela nullitatis.” (Código de Processo Civil comentado. p. na oposição que se ofereça à pretensão que nela procure ter assento. Est. além da impossibilidade jurídica ex vi voto proferido no RE n. porque contra eles não há sentença nem coisa julgada” (RTJ. 1999. volume 42. 336. objeto da Ação Declaratória de Outorga de Consentimento Presumido de Doação. é possível concluir que a ação declaratória autônoma também não está sujeita a prazo. 338). não é admissível ação rescisória. E. INEXISTÊNCIA DE RES JUDICATA. nem enseja a formação da coisa soberanamente julgada. isto é. que conduziu a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal: “Se aqueles em cujo nome está transcrito o título de domínio não foram citados para a ação de usucapião. 118: “Por outro lado — é uma conseqüência necessária da natureza dessas nulidades —. 337). Então. Apelação provida.. a utilização da ação autônoma declaratória (ou desconstitutiva) da nulidade. 525: “PROCESSUAL CIVIL. A ausência de citação impede a formação da relação processual em ângulo. p. Em embargos. Lições. 96. 826). pelo que o suposto réu se coloca fora da jurisdição do magistrado e liberto da sujeição da coisa julgada. volume 333. Câmaras Cíveis Reunidas do TJSC. Volume V. merece ser prestigiado o verbete n. volume 104. 1. p. tem interesse processual em ver declarado. DECLARAÇÃO DE NÃO OPONIBILIDADE DOS EFEITOS DA SENTENÇA PARA O RÉU NÃO CITADO. por ser inválido o processo.. e também à vista da lição de LIEBMAN e do voto proferido pelo Ministro BUZAID. E se sua inexistência pode ser argüida nos embargos do executado. em tempo algum. pela Justiça Federal. p. 29. 5º. LIV e LV. apesar de ter tido origem no direito medieval. 2ª ed. APELAÇÃO PROVIDA.01. se não há o trânsito em julgado. Volume II. In Revista Forense. 4. STF. A ação declaratória de nulidade insanável — querela nullitatis insanabilis. 214 do CPC e Art. podendo ser ajuizada a qualquer tempo95. estando correto o enunciado no particular. A propósito. Em tais casos. p. 7 da Súmula do Tribunal de Justiça de Santa Catarina: “Ação declaratória é meio processual hábil para se obter a declaração de nulidade do processo que tiver corrido à revelia do réu por ausência de citação ou por citação nulamente feita”93. 106 e 107. Já diziam as Ordenações que era nenhuma a sentença dada sem a parte ser primeiro citada. da CF) não lhe é oponível. com a declaração de inexistência do julgado. Diário da Justiça de 28 de maio de 1999. como ação ordinária autônoma. Também . os Professores NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY sustentam a tese prestigiada no presente compêndio: “A ausência de citação acarreta inexistência da relação processual relativamente ao réu (existe entre autor-juiz) (Liebman. Min. LIV e LV. e BARBOSA MOREIRA. deve ela ser repelida liminarmente. 214 do CPC e Art. E hoje ainda é nenhuma a mesma sentença. seu foro natural. do Código de Processo Civil. em qualquer tempo”. 18. por ser depositária dos bens. Por todos. Em sentido contrário. que a relação jurídica decorrente da sentença proferida em processo inválido (Art.” (p. Rescisória. independe a sentença de ser rescindida. E se acaso rescisória fôr proposta. para declarar a não oponibilidade dos efeitos da sentença proferida contra réu não citado para a ação. que subsiste em nosso direito94. p. voto. não estará sujeita a nenhum prazo preclusivo. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 4ª ed. tornando inválido o processo contra ele (Art. também há abalizada doutrina: ADROALDO FABRÍCIO FURTADO. 93 Uniformização de jurisprudência n. da CF). conforme se infere do artigo 485 do Código de Processo Civil vigente. 8ª ed. 1999. “Não se lhes pode impor a propositura de ação rescisória. 2. Em qualquer tempo a ela se pode opor a argüição de ser nenhuma. não transita em julgado. A sentença proferida contra réu não citado para a ação. 337 e 338: “Igualmente sustentamos que é inexistente a sentença dada contra quem não foi citado. 94 De acordo: AC 94. a sentença pode atingi-los e a fortiori a coisa julgada”. nota 17. Sobrevivência da querela nullitatis. p. Nunca. AJURIS.” (p.

Ainda em sentido semelhante. podendo. o inciso VIII foi revogado pelo artigo 495. § 10. Pelo mesmo motivo. do atual CPC — que é a da falta ou nulidade de citação. I. o que implica dizer que a nulidade da sentença. ficam preservados os direitos adquiridos processuais dos litigantes. Prazo: dois anos Por força do artigo 495 do Código de Processo Civil de 1973. o direito à desconstituição dos julgados extingue-se “em dois (2) anos”. que. 2004. não é a cabível”. o artigo 178. Volume I. atual dispositivo de no mesmo sentido do texto: “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. no direito positivo brasileiro — a querela nullitatis. Novo curso. p. do atual CPC — que é a de falta ou nulidade de citação.1. não há necessidade da ação rescisória.do caput do artigo 485. independentemente do prazo para a propositura da ação rescisória. p. se o caso (CPC. na jurisprudência: RE n. denominada querela nulitatis insanabilis. 96 Em sentido semelhante. fixava o prazo da ação rescisória em cinco anos. a rescindibilidade é aferida à luz da legislação vigente quando da formação da coisa julgada. Em síntese. Prazo da ação rescisória 7. ou em embargos à execução. não é a cabível para essa hipótese”. Ação rescisória e direito intertemporal Tema interessante em matéria de ação rescisória é o relativo ao direito intertemporal. 778: “Para a hipótese prevista no art. diante da possibilidade de o revel propor ação declaratória autônoma de procedimento comum. havendo revelia —. 7. a qualquer tempo. pode ser declarada em ação declaratória de nulidade. nesse caso. na jurisprudência: REsp n.550/RO: “Nula a citação. em ação com esse objetivo. Pleno do STF. a rigor. 96. 7. se causada pela inexistência ou pela nulidade da citação do réu96. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. o que implica dizer que a nulidade da sentença.589/SC. persiste. a ulterior eliminação de hipótese de rescindibilidade também não alcança as decisões já passadas em julgado. Antes. O direito à rescisão é regido pela lei em vigor na data do trânsito em julgado do decisum. 741. no direito positivo brasileiro — a querela nullitatis. 6. pois nada haverá a rescindir. 2ª Turma do STF. a rescisória igualmente não cumpre outra condição da ação: interesse de agir. RTJ. Com o advento do Código de Processo Civil de 1973. havendo revelia — persiste.374/GO. p. volume 110. I. 741. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. pode ser declarada em ação declaratória de nulidade. Assim. que não tem prazo para ser aforada” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. não se constitui a relação processual e a sentença não transita em julgado. A criação de novo permissivo de rescindibilidade não atinge os julgados já protegidos pela res iudicata. 741. volume 107. 106). pois não há necessidade da utilização da via derradeira da rescisória para o réu revel obter o resultado prático desejado. em rigor. do Código Civil de 1916. Também em sentido semelhante: RE n. inciso VIII. 97. que. Com efeito. 210: “— Para a hipótese prevista no art. entretanto. art. . é inadmissível ação rescisória que tem como alvo sentença proferida em processo de conhecimento que correu à revelia. nesse caso. que podem ser desconstituídas à luz de permissivo posteriormente eliminado pela lei nova. Por tudo. ser declarada nula. RTJ. independentemente do prazo para a propositura da ação rescisória. I)”.

. 810. art. 810 por si só. há a extinção do direito à rescisão. conforme se infere da interpretação sistemática dos artigos 3º. de 06. todos do Código Civil de 2002.regência do prazo da ação rescisória. Volume II. ex vi dos artigos 207 e 210 do Código Civil de 2002. 265. Revista dos Tribunais. Prazo decadencial No que tange à natureza do prazo.1949”. p.09. Resta saber se a regra consagrada no artigo 1º da Lei n. o prazo decadencial não corre em relação aos absolutamente incapazes. 198. ou não. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça determinou a aplicação do caput do artigo 184 do Código de Processo Civil na contagem do prazo da ação rescisória. se faltar exata correspondência”. porquanto a rescisória é ação constitutiva que envolve direito potestativo97. Comentários ao Código de Processo Civil. Na mesma esteira dispõe o § 3º do artigo 132 do Código Civil de 2002: “Os prazos de meses e anos expiram no dia de igual número do de início. sem a incidência do caput do artigo 184 do Código de Processo Civil98. 106 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Proposta a ação no prazo fixado para o seu exercício. conforme se infere do artigo 1º da Lei n. p. 23 e 37. 2000. “No que se refere aos prazos fixados considerando-se a unidade de tempo ano. art. contado do dia do início ao diamês correspondente do ano seguinte’. O prazo decadencial é apreciável de ofício e não enseja interrupção nem suspensão. 810 e no § 3º do artigo 132 do Código Civil é aplicável à luz do caput do artigo 184 do Código de Processo Civil. merece ser conferido o correto verbete n. 352: “Os prazos fixados tendo em vista a unidade de tempo mês (v. Decorrido in albis o biênio previsto no artigo 495. trata-se de decadência. Não obstante. volume 300. 207 e 208. aplica-se o disposto no art. o recurso cabível poderia ter 97 De acordo: AGNELO AMORIM FILHO. inciso I. há regra tradicional no direito brasileiro. ou no imediato. Critério científico para distinguir a prescrição da decadência.g. jurista de escol defende a aplicação da Lei n. a demora na citação. a citação válida evita a consumação da decadência. Em respeitáveis comentários ao Código de Processo Civil. não justifica o acolhimento da argüição de prescrição ou decadência”. de 1949: “Considera-se ano o período de doze meses contado do dia do início ao dia e mês correspondentes do ano seguinte”.g. § 3º) ou a fração de tempo ano (v. 1º da mencionada lei. A propósito. que reza: ‘Considera-se ano o período de doze meses. ANTONIO DALL’ AGNOL. portanto. Resta saber se deve ser pronunciada a decadência quando a citação não é concretizada por morosidade do Poder Judiciário.2. Contagem do prazo e termo inicial No que tange à contagem do prazo em ano.” (sem os grifos no original). Não obstante. por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça. In casu. 495) contam-se de acordo com o preceituado pela Lei 810. 7.. 7. 98 Cf..3. À vista dos artigos 219 e 220 do Código de Processo Civil. A resposta negativa se impõe.

da última decisão de mérito. Rel.2001 p. A fortiori.1.sido interposto até o dia 7 de junho de 1993.. Por fim. vale conferir o proêmio do inciso I do enunciado n.11.4. DJ 04. isto é. Volume V. último dia do prazo recursal. O prazo para a propositura da ação rescisória. Diário da Justiça eletrônico de 4 de agosto de 2008: “5. TERCEIRA TURMA. EREsp n. Comentários ao Código de Processo Civil. (sem os grifos no original). 42475). o biênio legal destinado à ação rescisória nem sempre é contado do último julgamento proferido no processo. Por conseguinte. Na esteira da respeitável doutrina. 137. Ministro PAULO GALLOTTI. AR 377/DF. razão pela qual. 341.4. Corte Especial do STJ. decidiu o Plenário do Supremo Tribunal Federal em recente acórdão resumido na seguinte ementa: “DECADÊNCIA – AÇÃO RESCISÓRIA – BIÊNIO – TERMO INICIAL.g. Consectariamente.10. Cf. Rel.655/PR. 297. Comentários ao Código de Processo Civil. sim. cujo Plenário marchou no mesmo rumo da Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça: “I – O prazo de decadência. p.02. DJ 13. Sob esse ângulo é cediço que ‘Salvo disposição em contrário. Ajuizada a ação rescisória no dia 8 de junho de 1995. o Plenário do Supremo Tribunal Federal assentou que o juízo negativo de admissibilidade de recurso tem efeito ex tunc. 7. Tomo VIII. 263. FREITAS CÂMARA.10. Ministro ARI PARGENDLER.2003 p. O termo inicial de prazo de decadência para a propositura da ação rescisória coincide com a data do trânsito em julgado do título rescindendo. É dizer: subjaz juridicamente impossível que o prazo da ação rescisória inicie-se no mesmo dia em que a decisão transita em julgado. retroativo. 7ª ed. é de natureza processual. 101 A tese hoje predominante é sustentada por autorizada doutrina: BARBOSA MOREIRA. 2007. julgado em 22. 100 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho. excluindo o dia do começo e incluindo o do vencimento’. a qual é tida como o termo inicial do biênio para a ação rescisória101. DJ 11. QUARTA TURMA.1996. 240 a 252. Com efeito. conta-se do dia imediatamente subseqüente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa. e PONTES DE MIRANDA. TERCEIRA SEÇÃO. foi julgada admissível. Rel. computar-se-ão os prazos.2001. ao fundamento de que “o prazo decadencial da ação rescisória somente se inicia no dia seguinte ao trânsito em julgado”99. 6. é mister aguardar o trânsito em julgado da decisão de mérito para que se possa inaugurar o prazo decadencial da ação autônoma de impugnação. seja de mérito ou não”100. 1998.1996 p.05. uma decisão não pode ser considerada transitada em julgado se ainda potencialmente passível de recurso. 8. mas. 199. Resolução n. julgado em 26.2003. 225. Orientação firmada pelo Plenário da Suprema Corte Após décadas de divergência na doutrina e na jurisprudência. Termo inicial e recurso não conhecido 7. irrefutável a jurisprudência da Corte no sentido de que o prazo decadencial da ação rescisória somente se inicia no dia seguinte ao trânsito em julgado (Precedentes: AgRg no Ag 175140/GO. Recurso inadmissível não tem o efeito de empecer a preclusão – 99 . se o último julgamento proferido no processo foi de simples juízo negativo de admissibilidade do recurso. segunda-feira. julgado em 08. a Lei 810/49 citada no parecer do Ministério Público. p. considera-se que a coisa julgada teve lugar com a anterior decisão de mérito. 7. publicada no Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. p. Ação rescisória. Ministro CESAR ASFOR ROCHA. hoje predomina a orientação de que a prolação de juízo negativo de admissibilidade de recurso não tem o condão de postergar o momento do trânsito em julgado. por seu turno.. na ação rescisória. REsp 12550/SP.06. porquanto lapso destinado ao exercício do direito de ação processual et pour cause subsume-se a lex specialis que é Código de Processo Civil em relação a qualquer lei de contagem de prazos como v. Segundo o atual entendimento predominante na Corte Suprema. 100 Cf.

§ 3º.” (AR n. por motivos inerentes ao mecanismo da Justiça. portanto. Prestigia-se. o recorrente não pode ser apenado pela morosidade do Poder Judiciário102. é o da intempestividade. Noutras palavras. que a tese divergente sustentada pelo Ministro CEZAR PELUSO não foi isolada. É certo que houve a interposição de embargos de divergência. cinco anos após a interposição do inconformismo. Ele tem que esgotar todos os recursos. Pleno do STF. in fine. Assim. ele está. porquanto recurso inadmissível. o entendimento firmado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal não apresenta resultado satisfatório sob o enfoque pragmático. conforme se infere da interpretação dos artigos 301.472/DF. Nos demais casos. retroagir.4.7. na ação rescisória. em que estavam em jogo embargos de divergência que podiam ser conhecidos ou não. por causar enorme insegurança jurídica.2. se os descarta para entrar com ação rescisória. quatro. porquanto contou com o apoio do então vice-presidente da Corte: “Senhora Presidente. sem grave prejuízo para o recorrente. sendo antieconômico. a declaração da impropriedade destes afastou a possibilidade de tê-los como a projetar no tempo o trânsito em julgado. não justifica o acolhimento da arguição de decadência. a tese consagrada ao final do inciso I do enunciado n. . porque pode obter o resultado dentro daquele processo. já que ele deve ter certeza a respeito da tempestividade. e 467. uma vez que há sempre a possibilidade de serem admissíveis. a demora no julgamento.” 102 Em reforço. Editora Forense. o recorrente não pode invocar nenhuma dúvida. se a causa for intempestividade. Ora. É um problema seríssimo o da contagem do prazo. conta-se ‘Comentários ao Código de Processo Civil’. também peço vênia para acompanhar a divergência instalada a partir do voto do Ministro Cezar Peluso”. Crítica ao entendimento predominante Ainda que muito respeitável sob o prisma teórico. a parte veio a ser surpreendida. não obstaculiza o trânsito em julgado. assento a decadência. o prazo decadencial para a propositura de ação rescisória só pode começar a fluir no momento em que passa a ser inadmissível recurso para impugnar a última decisão proferida no processo. 1. sem correr os riscos da rescisória. mesmo que o decisum derradeiro não seja de mérito. porque. com inteira razão – é que o único requisito de inadmissibilidade que se pode. nesse caso. porque todos os demais são requisitos cuja discutibilidade cria situação de insegurança ao recorrente. 100 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “I – O prazo de decadência. com o reconhecimento de que seu prazo de ação rescisória já se teria consumado! Peço vênia. só há coisa julgada após a irrecorribilidade do julgado negativo de admissibilidade do último recurso interposto no processo. para conhecer do pedido”. Frise-se. A atual orientação do Pleno do Supremo Tribunal Federal seguiu a fundamentação do respeitável voto proferido pelo MinistroRelator: “– Esta ação rescisória somente veio a ser ajuizada em 15 de junho de 1999 – carimbo de protocolo de folha 2. O que a doutrina apreendeu e a jurisprudência consagrou – a meu ver. para efeito de contagem do prazo da ação rescisória. volume 5. eventualmente. mutatis mutandis: interposto o recurso no prazo fixado para o seu exercício. E. Ademais. José Carlos Barbosa Moreira. ambos do Código de Processo Civil. do seu recurso. 106 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. peço vênia para divergir. vale conferir o voto divergente proferido pelo eminente Ministro CEZAR PELUSO: “Senhora Presidente. A data em que ocorrida a preclusão fixa o termo inicial dos dois anos para o ajuizamento da rescisória. Quer dizer. Imagine-se que o recurso interposto não é conhecido pelo tribunal competente três. por oportuno. O acórdão rescindendo foi publicado em 23 de agosto de 1996. sobretudo. Daí a necessidade da aplicação analógica à hipótese do mesmo raciocínio que justificou a aprovação do enunciado n. penso que se cria dificuldade de ordem prática muito grande. que não pode desistir dos recursos. como os embargos de divergência protocolizados. como este. muito tempo depois. só admito que retroaja a inadmissibilidade de algum recurso. ou não. Todavia. Diário da Justiça de 7 de dezembro de 2007). Por conseguinte. quando há recursos sucessivos.

a melhor solução reside na conciliação dos efeitos ex nunc e ex tunc. 311. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. Sem dúvida. se. 104 103 . Em sentido semelhante. com a possibilidade do ajuizamento de posterior ação rescisória contra o último julgamento de mérito proferido no processo primitivo. e não ex tunc104.. RE n. p.882 revelam a possibilidade jurídica de provimentos jurisdicionais declaratórios com efeito apenas ex nunc. p. com intuito meramente protelatório. 12. 1ª Turma do STF. Pleno do STF. publicada no Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005.420/PR. Por fim. 2007. 87.. 11ª ed. Resolução n. 9. Manual dos recursos cíveis. 8. 32. 2ª Turma do STF. na doutrina: FREDIE DIDIER JR.4. 105 Cf. RTJ. volume 84. 11. 92. Sem dúvida. REsp n. e REsp n. e VICENTE GRECO FILHO. a interposição de recurso intempestivo ou a interposição de recurso incabível não protrai o termo inicial do prazo decadencial” 105. p. Cf. tanto o artigo 27 da Lei n. 1ª Turma do STF. Daí o acerto do Tribunal Superior do Trabalho ao encontrar uma solução intermediária para a vexata quaestio. Por tudo. Diário da Justiça de 4 de dezembro de 1981. até mesmo para evitar a litigância de má-fé. 421 e 422. Diário da Justiça de 23 de novembro de 1979. a inadmissibilidade do recurso se deu por erro escusável. na tentativa de “reabrir” o prazo decadencial da ação rescisória. a declaração de inadmissibilidade deve produzir efeito ex tunc. 11. o Tribunal Superior do Trabalho firmou orientação intermediária. em prol da “segurança jurídica”.777. p. 55 e 56. e Recurso especial para o Superior Tribunal de Justiça. 9. Diário da Justiça de 12 de agosto de 1983. Direito Processual Civil brasileiro. p. a qual foi consagrada no inciso III do enunciado n. 18.868 quanto o artigo 11 da Lei n. seja de mérito ou não”103. 1ª Turma do STJ. 100 da Súmula da Corte: “Salvo se houver dúvida razoável. 7. entretanto.764. 100 tem a vantagem de mitigar a insegurança jurídica proveniente do efeito ex tunc sic e et simpliciter. 2ª ed. não é invencível o argumento de que o provimento jurisdicional de inadmissibilidade recursal produz efeito ex tunc em razão da natureza declaratória.. Volume III. o inciso III do enunciado n. 2ª Turma do STJ. 137. ainda que dele não se tenha conhecido”. 3ª ed. na jurisprudência: AR n. 1996.do dia imediatamente subseqüente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa. 1996. a respectiva declaração deve produzir efeito ex nunc.320.568. Solução intermediária firmada pelo Tribunal Superior do Trabalho Ainda em relação ao termo inicial da ação rescisória diante de recurso não conhecido no processo originário. De acordo. 80. 94. Curso de direito processual civil. p. a qual pode ocasionar a interposição de recurso manifestamente inadmissível. 137. p. Volume II. NELSON LUIZ PINTO.816/SC. p. à vista do caso concreto: se houve erro grosseiro na interposição de recurso manifestamente inadmissível.691/RJ. Daí a justificativa para a sustentação da opinião defendida desde a primeira edição do presente compêndio: a prolação de juízo de admissibilidade negativo tem efeito ex nunc. Diário da Justiça de 10 de novembro de 1997: “O biênio para a propositura da ação rescisória corre da passagem in albis do prazo para recorrer da decisão proferida no último recurso interposto no processo. RE n. 963/CE. RE n. mas sem permitir a litigância de má-fé. 1999. p.055/RJ. Diário da Justiça de 28 de novembro de 1994.106/SC. Resolução n. publicada no Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. 684.3.

p. ARTS. in fine). do Código Civil. Termo final No que tange ao termo final do prazo decadencial da rescisória. não há que se falar em fracionamento da sentença/acórdão. contra cinco vencidos): “PROCESSUAL CIVIL – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA NO RECURSO ESPECIAL – AÇÀO RESCISÓRIA – PRAZO PARA PROPOSITURA – TERMO INICIAL – TRÂNSITO EM JULGADO DA ÚLTIMA DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS – CPC. Corte Especial do STJ. 107 De acordo. indenizações por danos material e moral. cujo inciso II versa sobre o tema: “II . 512 e 515. contando-se o prazo decadencial para a ação rescisória do trânsito em julgado de cada decisão. incide a regra do artigo 132.6. como bem assentou o Tribunal Superior do Trabalho. 100: “Prorroga-se até o primeiro dia útil. Com efeito. portanto. 163. – Sendo a ação una e indivisível. iniciando-se. 37 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. e LUIZ FUX. forma-se a coisa julgada sobre o que não fora objeto do recurso. todos do Código de Processo Civil. É a melhor solução107.5. imediatamente subseqüente.” (EREsp n. – Consoante o disposto no art. nos termos do inciso IX do enunciado n. por versar apenas sobre uma das demandas.Havendo recurso parcial no processo principal. 106 . o trânsito em julgado dá-se em momentos e em tribunais diferentes. 100. – A coisa julgada material é a qualidade conferida por lei à sentença/acórdão que resolve todas as questões suscitadas pondo fim ao processo. se o processo contém demandas cumuladas106 e o recurso interposto é parcial. 267. em prol da fluência do biênio legal somente após o julgamento final do recurso parcial. com a prorrogação do prazo quando o biênio termina em dia em que não há expediente forense normal.7. Não obstante. com a fluência do prazo decadencial da rescisória desde logo. salvo se o recurso tratar de preliminar ou prejudicial que possa tornar insubsistente a decisão recorrida. o prazo decadencial para o ajuizamento de ação rescisória Por exemplo. a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça consagrou outro entendimento. pois. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 505 e 512. p. Diário da Justiça de 11 de abril de 2005). hipótese em que flui a decadência. Ação rescisória. A vexata quaestio foi bem resolvida pelo Tribunal Superior do Trabalho.777/DF. extinguindo. tem-se o imediato trânsito em julgado da decisão em relação ao julgamento irrecorrido da outra demanda. 269 E 495. 7. o direito de propor a ação rescisória se extingue após o decurso de dois anos contados do trânsito em julgado da última decisão proferida na causa. quando há a formação da coisa julgada “total”108. como bem revela o enunciado n. com a edição do enunciado n. 2007. 108 Eis a ementa do acórdão proferido pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça. 505. Curso de direito processual civil. 2001. 727: “Se a impugnação à sentença foi parcial (arts. § 1º. a lide. – Embargos de divergência improvidos. o prazo para propositura da rescisória. a partir do trânsito em julgado da decisão que julgar o recurso parcial”. 404. à vista da combinação dos artigos 292. Termo inicial e recurso parcial Outro problema relativo ao termo inicial do biênio previsto no artigo 495 do Código de Processo Civil reside na interposição de recurso parcial. 495 do CPC. 252 a 262. 162. por escassa maioria (seis votos vencedores. quanto a esta parte”. o que afasta a possibilidade do seu trânsito em julgado parcial.

b) após as “providências preliminares” dos artigos 323 usque 328. É bom não esquecer que a interposição de apelação contra a decisão monocrática do relator configura erro grosseiro. convém estudar cada um deles em separado. art. o autor pode interpor agravo interno contra a decisão monocrática extintiva do processo da rescisória. 109 . os decadenciais. em sede de embargos declaratórios. na fase prevista no artigo 329 do Código de Processo Civil. Vale dizer que. c) na sessão de julgamento da ação rescisória. Quanto aos recursos cabíveis. Tomo II. devendo os dias. Comentários ao novo Código Civil. na qual o Professor HUMBERTO THEODORO JÚNIOR evoca precedentes do Supremo Tribunal Federal. pelo relator. para os atos que devem exercitar-se em juízo.quando expira em férias forenses. § 1º. quando o termo final cair em dia não útil ou dia sem expediente forense? Ter-se-ia de antecipar a propositura da ação ou o exercício do direito potestativo? O caso é de resolver-se pela regra geral do art. do início e do término. primeira parte.”. De forma alguma. a petição inicial da ação rescisória deve ser liminarmente indeferida pelo relator se já consumada a decadência. 2ª ed. inclusive. finais de semana ou em dia em que não houver expediente forense. nenhum prazo se vence em dia não útil. pronunciada a decadência pelo próprio relator isoladamente. o artigo 491 faz remissão ao capítulo onde está inserido o artigo 329. que se aplica a todo e qualquer prazo civil. 2ª ed. e 490. são havidos como dias não úteis todos aqueles em que não houver expediente no fórum (CPC. atribuir um caráter de fatalidade inexorável ao prazo decadencial. Sem dúvida. p. E. ou seja. § 1º).. na doutrina: FRANCISCO ANTONIO DE OLIVEIRA. inciso I. Por fim. 184. ad exemplum. Que fazer. pois. Também em sentido semelhante. Volume III. portanto. ou seja. Reza aludido dispositivo que ‘se o dia do vencimento cair em feriado. em função da própria força do termo ‘decadência’. O órgão colegiado julgador da ação rescisória também tem competência para averiguar de ofício a ocorrência da decadência. Na sua contagem é de observar-se a regra geral do art. coincidirem com dias úteis” (não há o grifo no original). e não há incompatibilidade alguma na aplicação do preceito ao processo da rescisória. Não é só. 2003. Aplicação do art. 104: “Cuida-se de prazo decadencial e que tem início ao dia seguinte ao trânsito em julgado. Momentos da pronúncia da decadência A decadência pode ser pronunciada em várias fases processuais: a) liminarmente. pelo órgão colegiado. p. do CPC. nas duas primeiras hipóteses. considerar-se-á prorrogado o prazo até o seguinte dia útil’. e d) no julgamento dos recursos cabíveis. poderia o titular do direito potestativo deixar de exercê-lo antes do respectivo vencimento. ambos do Código de Processo Civil. computando-se o prazo com a exclusão do dia do começo e inclusão do dia do vencimento. vale conferir as notas 33 e 34 da página 364. 775 da CLT”109. 184. O próprio relator também pode pronunciar a decadência e extinguir o processo por meio de decisão monocrática logo após as providências preliminares. 363 e 364: “Costuma-se. 1996. 7.7. §§ 1º e 2º. em prol da tese segundo a qual há prorrogação do prazo decadencial para o primeiro dia útil quando o termo final tem lugar em dia sem expediente forense regular.. Ação rescisória. recurso especial e Com o mesmo entendimento. inciso IV. feriados. o que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. Já o acórdão proferido pelo colegiado pode ser impugnado via embargos infringentes. 132. Consoante o disposto nos artigos 295. Apontados os momentos de pronúncia da decadência. para nosso sistema de direito civil. também pelo relator. como. ainda na doutrina: HUMBERTO THEDORO JÚNIOR.

nos quais pode ser suscitada omissão. confere ao “Plenário” competência para “processar e julgar originariamente” “a ação rescisória de julgado do Tribunal”. Legitimidade O artigo 487 do Código de Processo Civil traz o rol dos legitimados à propositura de ação rescisória. Por fim. 105. Em primeiro lugar. Em síntese. Comentários ao Código de Processo Civil. Consoante o disposto no parágrafo único do artigo 352. também são cabíveis embargos declaratórios. p. no qual o Capítulo IV da rescisória está inserto. ou não. “cabe ao confitente o direito de propor a ação. passa aos seus herdeiros”. o sucessor da parte a título universal ou singular também tem legitimidade ativa. de voto divergente e da procedência da rescisória.. Volume III. De acordo: CALMON DE PASSOS. 9ª ed. Em suma. o mesmo tribunal que tem competência para o juízo rescindendo também é o competente para proferir o iudicium rescissorium. Tal regra comporta exceção. Já ao Superior Tribunal de Justiça compete processar e julgar originariamente apenas as ações rescisórias dos julgados do próprio tribunal. o Supremo Tribunal Federal tem competência para processar e julgar originariamente tão-somente as ações rescisórias dos julgados da própria Corte Suprema. É o que estabelece o inciso I do artigo 487. 469 até 474. já que a decadência deve ser pronunciada de ofício. bem como o artigo 494 do Código de Processo Civil estabelecem que a ação rescisória será julgada por “tribunal”. da Constituição Federal. pelo que não pode ser julgada por juiz de primeiro grau. mas. o artigo 6º. Do mesmo modo. alínea “j”. A propósito. nos casos de que trata este artigo. uma vez iniciada.recurso extraordinário. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. alínea “e”. Os textos constitucional e codificado revelam que as cortes de segundo grau têm competência para processar e julgar as ações rescisórias dos julgados proferidos pelos juízes de primeiro grau. recebeu denominação didática. e 108. Do mesmo modo. inciso I. 2004. alínea “b”. dependendo da existência. Em todos os casos. trata-se de ação de competência originária de tribunal. e tirando as hipóteses excepcionais marcadas pela inexistência de juízo rescisório. alínea “c”. inciso I. o próprio Título IX. 110 . que afasta qualquer dúvida acerca da competência para o processamento e o julgamento da ação: "Do processo nos tribunais". consoante a regra do artigo 210 do Código Civil de 2002. assim como das próprias decisões. ainda que tenha sido réu revel110. inciso I. 8. a decadência também pode ser pronunciada na fase recursal. 9. Competência Os artigos 102. Aliás. quem foi parte no processo primitivo tem legitimidade para ajuizar a rescisória. inciso I.

112 A propósito.. o sócio da sociedade. na esteira dos artigos 105 e 146 do antigo Código Civil de 1916. Manual. 260. 265. 390. O sócio majoritário da empresa.O inciso II do artigo 487 confere legitimidade ativa ao terceiro juridicamente interessado. comentário 16. 7ª ed. contra o locatário. 115 No sentido do texto do parágrafo: BARBOSA MOREIRA. 1975. Volume II. não há como negar a legitimatio ad causam do terceiro prejudicado por julgado proferido em processo simulado116. o espólio. e JOSÉ FREDERICO MARQUES. mas foi prejudicado do ponto de vista jurídico pelo decisum nele proferido. i. Manual. 4ª ed. p. conforme se infere dos artigos 167 e 168 do Código Civil de 2002. quando a empresa já tiver sido extinta. p. 1975. têm legitimidade ativa na condição de terceiro prejudicado os que poderiam ter ingressado no processo primitivo como assistente — simples ou litisconsorcial — e litisconsorte113. os herdeiros. venha a ser atingido pela sentença rescindenda. Volume III. O Ministério Público também tem legitimidade para propor ação rescisória quando o julgado resulta de colusão entre as partes para fraudar a lei. já que atingido diretamente pela coisa julgada formada no processo primitivo que teve como parte o substituto processual115. o cessionário. 248. 1998. tais como: o adquirente. 42. JOSÉ RIBAMAR MORAES. NERY JUNIOR. Por força da alínea “a” do inciso III do artigo 487. Volume III. 420. 487. tal como. 111 . consoante o disposto na letra “b” do inciso III. Direito Processual Civil brasileiro. têm legitimidade processual para propor ação rescisória. ainda que indiretamente112. p. a fim de desconstituir julgado proferido em processo que não teve a participação do parquet... Então. 2000. com maior autoridade: JOSÉ FREDERICO MARQUES. Volume VI. II. RE conhecido e provido. Por fim. 299). II. na dicção do art. artigo 82 do Código) exigir a intervenção ministerial. 169. direta ou reflexamente. 369. Comentários ao Código de Processo Civil. tem legitimidade ativa ad causam para propor ação rescisória contra sentença que declarou a auto-falência da referida empresa. o adquirente e o cessionário também têm legitimidade para ajuizar ação rescisória114. Eis o Ad exemplum. apesar de a lei (verbi gratia. Resta examinar o inciso III do artigo 487 do Código de Processo Civil. vale a pena conferir a didática lição do Professor SÉRGIO GILBERTO PORTO: “Por terceiro juridicamente interessado entenda-se aquele que é titular de relação jurídica que. Não é só. p. prevalece a orientação jurisprudencial de que são apenas exemplificativas as hipóteses previstas no inciso III do artigo 487. Com efeito. e VICENTE GRECO FILHO.” (os grifos são do original). Volume V. o decisum prolatado em processo simulado também pode ser alvo de rescisória movida pelo Ministério Público117. Manual de Direito Processual Civil. § 2º. 116 Com a mesma opinião: CALMON DE PASSOS. Volume I. por exemplo. 11ª ed. Rescisória. que não foi parte no processo e o substituto processual. p. 1998. Igualmente tem legitimidade na qualidade de terceiro o substituído processualmente nos termos do artigo 6º. 1975.. O labirinto da ação rescisória. 1999. 1996. 114 Com a mesma opinião: JOSÉ RIBAMAR MORAES. sem prévia autorização da assembléia geral. do CPC”. 117 De acordo. c/c o art. o substituído. 6ª ed. Código de Processo Civil comentado. parágrafo único. p. O labirinto da ação rescisória. ERNANE FIDÉLIS.” (Comentários. À luz do § 2º do artigo 42. Volume III. Negativa de vigência aos arts. reforçado pelo § 3º. é possível que terceiros interessados. 487. III. p. p. p. II do CPC e arts. 35. que não foi parte em processo falimentar. evidentemente. p. 94 e 105 do DL 2627/40. o Ministério Público tem legitimidade para ajuizar ação rescisória. É o que se depreende do artigo 168 do Código Civil de 2002. 113 Em sentido semelhante: JOSÉ FREDERICO MARQUES. p. 87. 35: “Excluindo-se as partes. Além do julgado proferido em processo fraudulento. o sublocatário na ação de despejo promovida. merece ser prestigiado o seguinte precedente jurisprudencial: “– Ação Rescisória – Legitimidade ativa ad causam. Manual. É terceiro legitimado aquele não participou do processo originário111. 631.

11ª ed. p. além da legitimidade como parte. p. Manual. uma vez que traduzem hipóteses meramente exemplificativas”118. 8. 420.321/DF. 2). DO CPC. p. e REsp 162.952 e 9. DJ 3/5/2004. Houve. CITAÇÃO. À luz da literalidade do anterior artigo 489 do Código de Processo Civil original de 1973. Precedentes citados: AR 2. não está limitada às alíneas ‘a’ e ‘b’ do inciso III do art. e 489. todos aqueles que participaram da relação processual da ação em que se proferiu o acórdão rescindendo devem ser citados. p. consoante o disposto nos artigos 475-I. o parquet tem igual legitimidade ativa como custos legis. o que também permite a propositura da ação com fulcro no inciso III. primeira parte. 1996. 172 e 173. e VICENTE GRECO FILHO. n. primeira parte. 7ª ed. 1999. na jurisprudência: “AR.032. Volume II. não obstante. com nova redação ao artigo 273 do Código de Processo Civil.. Em sentido semelhante. 487 do CPC. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. 137. importante evolução jurisprudencial. deve ser citado como litisconsorte passivo necessário na ação rescisória daquele julgado. A legitimidade ad causam do Ministério Público para propor ação rescisória. No tocante à legitimidade passiva. Volume II.. a propositura de ação rescisória não impede a execução definitiva do julgado rescindendo. . réu na ação anulatória de venda de bem imóvel. em caso de fraude ou erro material comprovado”. Volume V. A primeira introduziu o instituto da tutela antecipada em nosso direito. a regra é a de que quem figurou como parte no processo originário também deve participar do processo da ação rescisória119. como litisconsortes necessários.069/DF. 259. DJ 24/8/1998” (REsp n. Ainda em sentido semelhante. Resolução n. Com efeito. do Código de Processo Civil vigente. ‘A’ E ‘B’. 2ª ed.enunciado n. 407 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. Comentários. Volume III. LITISCONSORTE NECESSÁRIO. por muitos anos prevaleceu na jurisprudência a orientação consubstanciada no enunciado n. 1975. 1998. de 1994 e 1995. para a ação rescisória sob pena de nulidade. A segunda acrescentou o seguinte parágrafo único ao artigo 71 da Lei n. III. 234 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos: “Não cabe medida cautelar em ação rescisória para obstar os efeitos da coisa julgada”. Assim. 4ª Turma do STJ. especialmente após o advento das Leis 8. 21. Informativo de jurisprudência STJ. Ação rescisória e execução do julgado rescindendo O ajuizamento de ação rescisória não tem o condão de retirar a eficácia do julgado rescindendo. p. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA.. 689. Direito. 266. § 1º. 10.009-PR. AS HIPÓTESES SÃO MERAMENTE EXEMPLIFICATIVAS. o que enseja o ajuizamento da ação rescisória com esteio no inciso I do artigo 487. Lições. BARBOSA MOREIRA. Em seguida. LEGITIMIDADE AD CAUSAM PREVISTA NO ART. O marido. JOSÉ FREDERICO MARQUES.212: “Será cabível a concessão de liminar nas ações rescisórias e revisional. ainda que não tenha sido parte no processo que deu origem à decisão rescindenda. Em síntese. para suspender a execução do julgado rescindendo ou revisando. MINISTÉRIO PÚBLICO. a doutrina e a jurisprudência passaram a sustentar a admissibilidade da suspensão da execução via decisão 118 119 Cf. 487. respectivamente.

Tutelas de urgência nos tribunais. p. 1. comentário 17. 113 e 115. que desencadeia um processo de conhecimento do qual o cautelar... Tomo VI. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Diário da Justiça de 27 de março de 2000. Diário da Justiça de 29 de agosto de 1994. comentário 3. 312: “Não obsta. Ação rescisória. Sob outro enfoque. há na doutrina e na jurisprudência entendimento em prol da admissibilidade de ação cautelar para obstar a execução do julgado rescindendo124. BRUNO NOURA DE MORAES RÊGO. 1994. Código. O labirinto da ação rescisória. Com efeito. p. do CPC. julgado em 12 de junho de 2001. p. 4ª Turma do STJ. 1999. julgado em 17 de setembro de 1997. 12. 4ª ed. Ano 1. 1998. Boletim da AASP. 137. Tanto que hoje é possível afirmar que a orientação consolidada no enunciado n. visando à suspensão dos efeitos práticos da sentença rescindenda”123. in Diário da Justiça de 10 de novembro de 1997. 123 Cf. p.343/ES. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 612 e 613. Resolução n. 6ª ed. e NERY JUNIOR e ROSA NERY. 1999. No mesmo sentido. número 3. 57. 2007. 10. existe corrente igualmente abalizada que sustenta a adequação da cautelar. É a orientação predominante e que restou consolidada na conclusão n. 954. na jurisprudência: Petição n. 2ª Turma do STJ. 120 e 121. p. inclusive na ação rescisória. formou-se respeitável corrente doutrinária e jurisprudencial em favor do instituto da tutela antecipada122.984-22/00 e reedições e o artigo 273. Volume VIII. 16. p. ou b) ação cautelar. 1999.766/SP. 124 Defendo a admissibilidade de cautelar para suspensão da execução.. 3ª Turma do STJ. 750. p. O Magistrado.” (MC n. Ação rescisória. 46.347/SP. também chamada de preparatória. 911/MG — AgRg. 2. 2005. LUCIANA DINIZ NEPOMUCENO. 150.027. ERNANE FIDÉLIS. 405 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “I – Em que do que dispõe a MP 1. não é compatível com a moderna leitura da dicção do ordenamento processual. o artigo 273 não proíbe a antecipação da tutela em ação rescisória. GALENO LACERDA. reputava como inadmissível a suspensão dos efeitos da coisa julgada via medida cautelar preparatória de ação rescisória. Assim. 2.jurisdicional. Comentários. 2002. na jurisprudência: REsp n. julgado em 19 de abril de 2001. Informativo STF. Volume I. Ação rescisória. 122 Conferir. Com efeito. p. especialmente a antecedente. p. e AR n. 121 Cf. visando a suspender a execução da decisão rescindenda”121. no entanto. 3ª ed. apenas para sustar a execução do julgado rescindendo. merece ser prestigiado o inciso I do recente enunciado n. A antecipação da tutela na ação rescisória. 6ª ed. Instituto dos Magistrados do Distrito Federal. outrora. p. O processo civil brasileiro. 1998. 6 do 9º Encontro dos Tribunais de Alçada: “É cabível a concessão de tutela na ação rescisória. p. 177 e 178. Pleno do STF. noticiado no Informativo Jurisprudência STJ. p. preparatório ou incidente.. REsp n. na doutrina: BRUNO FREIRE E SILVA. 351.529/PI. e p. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. já que proposta antes do ajuizamento da principal: ação rescisória. p. 29 usque 33. Assim. Comentários. 1ª Turma do STF. 234 do extinto TFR que. n. e REsp n. número 232. 35 usque 38. Diário da Justiça de 26 de agosto de 2002. Em idêntico sentido: “A Súm. 2001. À luz do novo artigo 273 do Código de Processo Civil. Suplemento. Com a mesma opinião: ELIANA CALMON.342/PB. 81. a discussão passou a residir na via processual adequada para a obtenção da paralisação da execução do julgado rescindendo: a) requerimento de antecipação de tutela na própria ação rescisória. é cabível o pleito liminar formulado na petição inicial de ação rescisória ou na fase recursal. 127. 66/CE.734. 120 . A propósito. 234 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos está ultrapassada120. 214: “Cabe medida cautelar em ação rescisória para atribuição de efeito suspensivo à sentença rescindenda”. Petição n. instituída a fim de assegurar a eficácia prática da providência jurisdicional demandada. à concessão de medida cautelar. é fâmulo”. e SERGIO BERMUDES. p. JOSÉ RIBAMAR MORAES. especialmente a parcial. p. § 7º. Manual. número 92.860).

(b) nem toda antecipação de tutela é liminar.952 e 9. não é liminar em função do seu conteúdo. com os artigos 154. A tutela cautelar tem como característica essencial a preservação do resultado útil do processo principal. 126 De acordo: “Liminar é o nome que damos a toda providência judicial determinada ou deferida initio litis. É liminar o provimento lançado in limine litis126. Comentários. 2004. O primeiro diploma instituiu a antecipação da tutela.. antes de efetivado o contraditório. quando liminarmente se defere a medida. 8. Já o segundo. 73 e 74). ou não127. 73). isto é.A solução do problema da via processual adequada depende do estudo — ainda que perfunctório — dos provimentos antecipatórios. inciso XXXV. da Constituição Federal. em 1994. Tutela. Ainda sobre as diferenças entre a tutela antecipada e a tutela cautelar. Portanto. A respeito das diferenças entre a tutela antecipada. 9. Realmente. Volume III. O instituto da tutela antecipada é marcado pelo adiantamento do provimento jurisdicional que o magistrado vislumbra como o provável ao final do processo. 244 e 805 do Código de Processo Civil reforça a conclusão de que o periculum in mora ocasionado pela execução definitiva do decisum pode ser amparado tanto por meio de tutela antecipada como via ação cautelar. Comentários. Então. 9ª ed.032 parece permitir as duas soluções. vale a pena conferir os didáticos ensinamentos do Professor HUMBERTO THEODORO JÚNIOR (O processo civil brasileiro. o termo “liminar” inserto no novo parágrafo único do artigo 71 da Lei n. 127 “Ficou visto. Mas a tutela antecipada também pode ser ulterior. Breves notas. o que pode ocorrer sem citação do réu ou com sua ciência para acompanhar a justificação exigida para apreciação da liminar“. p. 131). A tutela cautelar pode igualmente ser liminar. pois a única preocupação do legislador foi instituir um provimento “liminar nas ações rescisórias” “para suspender a execução do julgado rescindendo”. 9ª ed. pois foram as Leis ns. a antecipação da tutela in initio litis configura provimento liminar. “Pode-se falar. “as medidas cautelares têm presente a preocupação com a urgência. só seria obtida com a sentença no processo cautelar” (WILLIAM SANTOS FERREIRA. 2000. “Outrossim. numa ação cautelar. “A liminar.212 não esclarece se a suspensão da execução do julgado rescindendo deve ser objeto de requerimento de antecipação de tutela na própria ação rescisória ou de ação cautelar. Já o vocábulo “liminar” diz respeito ao momento da prestação jurisdicional. 1999. p. p. de liminar de natureza cautelar. nada impede a prolação do referido provimento liminar em virtude de requerimento de antecipação da tutela rescindenda e via ação cautelar.032 que permitiram o afastamento da orientação consubstanciada no antigo enunciado n. vale a pena conferir o excelente trabalho de autoria do Professor ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. assim. Volume III. que (a) toda liminar é antecipatória de tutela. 25). em verdade antecipa-se a providência cautelar” (CALMON DE PASSOS. permitiu a concessão de “liminar” para suspender a execução de julgado impugnado via ação rescisória. Por conseguinte. 234 da Súmula do extinto Tribunal Federal de Recursos. Com efeito. p. cautelares e liminares. sim em decorrência do momento de seu deferimento” (CALMON DE PASSOS. e (c) a antecipação de tutela pode ser ou não cautelar” (ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. 8. como liminar que se configura como verdadeira antecipação da tutela”.. a tutela cautelar e a liminar. 75 usque 109). 1999. de 1995. publicado nos justos Estudos de direito processual civil em memória de LUIZ MACHADO GUIMARÃES. portanto. p. A combinação do artigo 5º. daí normalmente verificar-se a concessão de uma liminar que nada mais é do que uma antecipação de cautela que. quando perde o caráter de liminar. cautelares e liminares125. 2004. o artigo 2º da Lei n. pois. intitulado Breves notas sobre provimentos antecipatórios. 125 . pelo seu trâmite normal.

Também em sentido semelhante. 202. Tutela de urgência na ação rescisória. então. obstar a execução do julgado rescindendo. 405 da Súmula da Corte: “AÇÃO RESCISÓRIA. porque ambas produzem rigorosamente o mesmo efeito –. esforçar-se para fugir de tecnicismos estéreis na separação dos terrenos da tutela cautelar genérica e da antecipação de tutela.Se é certo que os dois institutos não podem ser confundidos128. 129 O exemplo é de autoria do Professor ERNANE FIDÉLIS. 10. que.984-22/00 e reedições e o artigo 273. 91 usque 95: “Ao aplicador da lei processual incumbe. conceitos que não podem ser tratados como absolutamente distintos. Após sustentar a “possibilidade de medida cautelar inominada para suspensão da execução”. Mas a interessante discussão acerca do meio processual mais adequado à luz da carga predominante não deve comprometer um valor que ambos os institutos buscam proteger: o perigo da demora130. não precisará ajuizar uma ação cautelar autônoma perante o tribunal. como assentou o Tribunal Superior do Trabalho no enunciado n. p. com o advento da Lei n.” (RODRIGO DA CUNHA LIMA FREIRE. parece ser igualmente correto afirmar que o provimento jurisdicional de suspensão da execução do julgado rescindendo possui cargas antecipatória e cautelar. Em reforço. a qual acrescentou o § 7º ao artigo 273 do Código de Processo Civil. caso a parte opte pela tutela cautelar – esse é um caso em que a distinção entre a tutela cautelar e a tutela antecipada é meramente acadêmica. p. em nada contribuem para a implementação das metas instrumentais do moderno direito processual. de um processo justo”. ainda na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. sem suspensão da execução?” (Manual. I – Em que do que dispõe a MP 1. cada vez menos voltado para o dogmatismo e cada vez mais preocupado com os resultados práticos capazes de criar nesse limiar de um novo século um processo que mereça. bastando formular simples requerimento de medida cautelar ao relator da ação rescisória. ou mais precisamente. O processo civil brasileiro. por exemplo. é a existência das cargas antecipatória e cautelar no provimento jurisdicional de suspensão da execução do julgado impugnado pela rescisória que explica a divergência doutrinária e jurisprudencial que envolve a via processual. Volume I. 1998. realmente. a rescisória de sentença que determinasse a demolição de prédio. A carga antecipatória é revelada pelo parcial adiantamento de conseqüência importante da procedência da rescisória. 2006. é cabível o pleito liminar formulado na petição inicial de ação rescisória ou na fase recursal. passou a ser admissível a concessão de tutela cautelar no bojo do próprio processo de conhecimento. no entanto. qual seja. Reforma do CPC. Volume I. se podem satisfazer vaidades acadêmicas. p.740/PB.444. 215). 1999. vítima de discussões acadêmicas que acabam contaminando a prestação jurisdicional.. Aliás. de 2002. diversamente. § 7º. lança a seguinte pergunta: “De que adiantaria. visando a suspender a execução da decisão rescindenda. 6ª ed. A carga cautelar é revelada pela preservação da utilidade do processo principal da rescisória. p. na doutrina: “Vale ressaltar que. II – O pedido de antecipação de tutela. em prol da efetividade da prestação jurisdicional. Trata-se. 503). 3ª Turma do STJ. 128 . Diário da Justiça de 7 de junho de 2004. o epíteto do devido processo legal. com notório prejuízo para o jurisdicionado. 10. preceito originalmente destinado ao instituto da antecipação de tutela. a Lei n. Tal evolução legislativa parece estar relacionada com a preocupação dos excessos teóricos na separação das tutelas de urgência. “nem sempre é fácil distinguir se o que o autor pretende é tutela antecipada ou medida cautelar. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. 130 Com a mesma opinião. de duas categorias pertencentes a um só gênero. formulado nas Na prática forense. 612 e 613). LIMINAR. Imagine-se a hipótese de a ação rescisória ter como alvo sentença de procedência proferida em ação demolitória129.444 reforçou a tese da fungibilidade das tutelas de urgência. o das medidas urgentes” (REsp n. do CPC. Sem dúvida.

por não se admitir tutela antecipada em sede de ação rescisória”. houve a adoção da tese de que a execução do julgado rescindendo pode ser suspensa tanto em virtude de pedido de antecipação da tutela quanto em cautelar. 111). na primeira sessão subsequente à conclusão dos autos do processo da ação rescisória.280. deferir a medida cautelar em caráter incidental no processo ajuizado. Fumus boni iuris. especialmente a antecedente133. 131 . pelo que não nos parece haver óbice a sua aprovação. Por fim. 3ª Turma do STJ. 214). 132 Com o mesmo entendimento defendido no texto. e 489. p. Reforma infraconstitucional do processo civil. é possível concluir pela admissibilidade da suspensão da execução do decisum rescindendo por meio de requerimento de tutela antecipada na própria ação rescisória e também mediante ação cautelar132. será recebido como medida acautelatória em ação rescisória. em atendimento ao princípio da economia processual” (REsp n. Por tudo. câmaras reunidas. Na falta também do revisor.280. por fim. cabe ao revisor da ação rescisória decidir o pedido de imediata suspensão da execução do julgado rescindendo. 11. Volume VI. Volume 4. 202. tanto o pleito de antecipação de tutela quanto o pedido cautelar in limine litis podem ser decididos pelo relator da ação rescisória. presentes os respectivos pressupostos. A nova redação apresentada ao art. ‘Fungibilidade’ das medidas urgentes. a título de antecipação de tutela requer providência de natureza cautelar. – Cabe medida cautelar em ação rescisória para atribuição de efeito suspensivo à sentença rescindenda. para o juízo de retratação ou a apresentação do agravo na mesa do órgão colegiado competente indicado no regimento interno do respectivo tribunal: seção. p. Com o advento da Lei n. diploma que conferiu nova redação ao artigo 489 do Código de Processo Civil131. mediante decisão monocrática.766/SP. Ação rescisória. Violação a literal disposição de lei. Em reforço. por férias. 351. que o relator submeta o pedido ao órgão colegiado competente. Comentários. compete ao presidente do tribunal. Interpretação controvertida nos Tribunais.” (Exposição de Motivos do Ministro da Justiça. 134 Em sentido semelhante.444 e 11. Cabimento. p. Diário da Justiça de 26 de agosto de 2002. permitindo a suspensão da execução do julgado rescindendo tanto por meio de requerimento de tutela antecipada como via ação cautelar: SÉRGIO GILBERTO PORTO. – Se o autor. é importante registrar que a fungibilidade134 entre as tutelas de urgência restou consagrada nos artigos 273. Nada impede. Na ausência do relator135. conforme o caso. cujo pleito pode ser feito de forma incidental ou mediante ação cautelar antecedente à rescisória. de 2002 e 2006. ainda na jurisprudência: REsp n. § 7º. 366 usque 368. a petição inicial da ação rescisória deve ser elaborada com a observância do disposto no artigo “8. a qual pode ser impugnada por meio de agravo interno ou regimental. 2000. Diário da Justiça de 7 de junho de 2004. no prazo de cinco dias. 133 Também denominada preparatória.740/PB. pode o juiz. 11. alterado pelas Leis ns. 3ª Turma do STJ. 2005. Também em sentido conforme. na jurisprudência: “Processual Civil. 489 do CPC apenas incorpora ao ordenamento jurídico positivo o entendimento dominante na jurisprudência quanto à possibilidade de concessão de medidas de urgência concomitantes com o ajuizamento de demanda rescisória. 135 Por exemplo. de 2006.mesmas condições. por licença. p. Procedimento da ação rescisória À vista do artigo 488 do Código de Processo Civil. órgão especial ou plenário. respectivamente. 10. ou seja. Tutela antecipatória para conferir efeito suspensivo à sentença rescindenda. ambos do Código de Processo Civil. 215. Inocorrência. endereçado ao próprio relator. grupo de câmaras.

o valor da causa deve ser proporcional. mas apenas uma parte. Em sentido semelhante: JOSÉ RIBAMAR MORAES. O labirinto da ação rescisória. o autor pode requerer a tutela de urgência tanto antes (por meio de cautelar antecedente) quanto no bojo da própria inicial da ação rescisória. e 490. quando a rescisória tem como alvo apenas parte do julgado proferido no processo originário. além da rescisão do julgado impugnado (pedido rescindente). devendo o valor corresponder apenas a esta parte”. 39. cujo aresto se pretende rescindir. o valor da causa não deve ser mera atualização do inserto na primitiva petição inicial137. o valor da ação. quando a ação rescisória não alcança todas as ações solucionadas no decisum anterior. o autor deve. Com outra opinião. 4ª ed. ex vi dos novos artigos 273. entretanto. há autorizada doutrina: COQUEIJO COSTA. Diário da Justiça de 4 de fevereiro de 1983). que o autor não busque desconstituir integralmente a sentença rescindenda. cuja decisão deseja o autor desconstituir. o novo julgamento da causa primitiva (pedido rescisório). Em suma. o valor da causa é o da ação cuja sentença se quer desconstituir. 137 136 . Impugnação ao valor da causa. ambos do Código de Processo Civil. e 488. Porém. como ocorre de regra. não há necessidade de poder especial na procuração para a propositura da ação Rectius. requerer. inciso I e parágrafo único. pode ocorrer. o valor da causa na ação rescisória de um modo geral deve ser o mesmo da ação originária. o autor deve indicar o valor da causa na petição inicial da ação rescisória.” (AR n. bem como pode ajuizar prévia demanda cautelar preparatória136. com as redações conferidas pelas Leis ns. de regra. 138 A propósito da regra e também da possibilidade de exceção.. 2 – O valor da causa na ação rescisória é. Por força dos artigos 282. respectivamente. vale a pena conferir acórdão da relatoria do Ministro ALFREDO BUZAID. Agravo regimental. cautelar antecedente. cujo voto foi prestigiado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal e restou sintetizado na seguinte ementa: “1 – Ação rescisória. Ao formular o pedido. o autor também pode formular o pedido de imediato sobrestamento daquela (execução) no bojo da própria petição inicial da ação rescisória. 295. Com efeito. Com efeito. 1986. § 7º. A regra é a de que o valor da ação rescisória é o atualizado atribuído à causa primitiva. 26: “Todavia. conforme estabelece o inciso I do artigo 488. com correção monetária na data da inicial”. caso não ainda esteja em condições de ajuizar desde logo a rescisória. ao invés do valor atualizado da causa primitiva. Ação rescisória. se for o caso. 10. Todavia.444 e 11. Entretanto. 99 e 192: “Conforme se passa com a rescisória no cível. A petição inicial da ação rescisória deve ser subscrita por advogado. todos do Código de Processo Civil. Se a execução do julgado rescindendo causar lesão grave e de difícil reparação. 1. p. p.282. na prática. É o que se infere da combinação dos artigos 36. ainda que a rescisória vise apenas a um dos capítulos da decisão rescindenda. É o que revela a seguinte conclusão do 7º Encontro dos antigos Tribunais de Alçada: “O valor da causa na ação rescisória é o mesmo da ação originária. e 489. a regra do valor da causa originária como referência para a ação rescisória não é absoluta e pode ser objeto de impugnação ao valor da causa138. Na verdade. inciso V.112/SP – AgRg.”. da qual a rescisória será a ação principal. inciso VI. o autor da rescisória pode formular pedido de antecipação — parcial — da tutela para suspender a execução do julgado rescindendo liminarmente já na petição inicial da rescisória. inciso I.280.

140 Enquanto no processo civil o depósito prévio da ação rescisória corresponde a cinco por cento (cf. p. os Municípios e o Ministério Público estão livres do depósito. A petição inicial também deve ser instruída com os documentos indispensáveis à propositura da ação. conforme revela o proêmio do artigo 38. em quaisquer foros e instâncias”. a teor do parágrafo único do artigo 488. as autarquias e fundações federais igualmente estão isentas do depósito prévio e até mesmo da própria multa na ação rescisória. A propósito. 175 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Descabe o depósito prévio nas ações rescisórias propostas pelo INSS”. artigo 836 da Consolidação das Leis do Trabalho). a União. Aliás. sob pena de indeferimento da petição inicial — desde que o autor não comprove o recolhimento no decêndio para a emenda da inicial. Com a mesma opinião: EDSON PRATA. merece ser prestigiado o enunciado n. fora das hipóteses de dispensa estudadas. vale dizer. A propósito. a importância equivalente a cinco por cento sobre o valor da causa deve ser recolhida in limine litis. 173. in fine. 9. bem como do depósito prévio e multa em ação rescisória. 1987. Reforça o enunciado n. Volume I. A certidão comprobatória do trânsito em julgado do decisum rescindendo e a certidão de inteiro teor ou fotocópia do julgado impugnado são documentos que devem acompanhar a petição inicial da rescisória. inciso II. Aliás. o percentual do depósito prévio em muito superior em ação rescisória contra julgado proferido em processo trabalhista: vinte por cento (cf. da Constituição Federal. a dispensa do depósito prévio em prol da parte sob o pálio da assistência judiciária tem fundamento no artigo 5º. 108 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “A gratuidade de justiça abrange o depósito na ação rescisória”. No mais. Porém. consoante o disposto no artigo 283 do Código de Processo Civil. a União. Com efeito. artigo 488.rescisória139.028: “A União. O autor deve instruir a petição inicial com a guia do depósito da verba exigida no inciso II do artigo 488 do Código de Processo Civil: cinco por cento sobre o valor da ação rescisória140. inciso LXXIV. do Código de Processo Civil). já que não existe tal restrição no artigo 38 do Código. os Estados. com o reforço do artigo 836. suas autarquias e fundações. 139 . são isentas de custas e emolumentos e demais taxas judiciárias. merece ser prestigiada a orientação consubstanciada no inciso I do enunciado n. da Consolidação das Leis do Trabalho. Sem dúvida. Comentários ao Código de Processo Civil. conforme revela o artigo 24-A da Lei n. basta a “procuração geral para o foro”. prevalece a regra de que a petição inicial deve estar acompanhada da guia reveladora do pagamento do depósito de cinco por cento. nos termos do parágrafo único do artigo 488 do Código de Processo Civil. O particular sob o pálio da assistência judiciária também está dispensado do recolhimento da verba prevista no inciso II do artigo 488 do Código de Processo Civil. 299 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “É indispensável ao processamento da demanda rescisória a prova do trânsito em julgado da decisão rescindenda”. o Distrito Federal.

Por fim, o instrumento de mandato outorgado ao advogado subscritor da petição inicial também deve acompanhá-la, tendo em vista o disposto no artigo 37 do Código de Processo Civil. É possível, entretanto, a apresentação posterior da procuração, conforme o caput do próprio artigo 37. Além do pagamento imediato dos cinco por cento sobre o valor da causa a título de multa processual destinada ao réu em caso de julgamento unânime de inadmissibilidade da ação rescisória ou de improcedência do pedido rescindendo, o autor também deve efetuar o recolhimento e a respectiva demonstração das custas iniciais, quando exigidas, e no prazo previsto na legislação pertinente. No Supremo Tribunal Federal, caso não apresente desde logo com a petição inicial da ação rescisória, o autor deve protocolizar, dentro do decêndio posterior ao protocolo da inicial, petição avulsa acompanhada da guia comprobatória do recolhimento das custas iniciais. É o que se infere do artigo 59, inciso II, do Regimento Interno de 1980, combinado com a Tabela “B”, item III, da respectiva Resolução de Custas do Supremo Tribunal Federal. No que tange ao Superior Tribunal de Justiça, incidem a Lei n. 11.636, de 2007, e a Resolução n. 1, de 2008, segundo as quais o autor deve instruir a petição inicial com a guia comprobatória do recolhimento das custas previstas no inciso II da Tabela “B”141, no momento da distribuição da ação rescisória142. Em suma, a necessidade do pagamento de custas iniciais na ação rescisória, bem como o prazo para a demonstração do respectivo recolhimento são fixados na legislação pertinente, como as leis de custas e os regimentos internos dos tribunais. A petição inicial da ação rescisória deve ser apresentada na seção de registro, autuação e distribuição do tribunal competente. Em seguida, ocorre o registro e a autuação, consoante o disposto no artigo 547 do Código de Processo Civil. Após, a ação rescisória é distribuída. A distribuição segue o disposto no artigo 548 do Código e nos artigos 76 e 77, caput, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Por força dos artigos 126 e 548 do Código de Processo Civil e dos preceitos do Regimento Interno de 1980, os magistrados que atuaram como relator e revisor no processo primitivo devem ser excluídos da distribuição das ações rescisórias em geral, salvo disposição em contrário no respectivo regimento interno. É o que ocorre no Superior Tribunal de Justiça, cujo Regimento Interno contém preceito específico excluindo da distribuição da ação rescisória apenas o ministro que atuou como relator no processo originário. Por oportuno, vale a pena conferir o artigo 238 do Regimento do Superior Tribunal de Justiça: “À distribuição da ação rescisória não concorrerá o Ministro que houver servido como relator do acórdão rescindendo”. Em síntese, a regra parece ser a da exclusão do relator e do revisor originários da distribuição da ação rescisória, ressalvada a existência de preceito regimental específico em sentido contrário, como o artigo
141 142

Vale dizer, R$ 200,00. Cf. artigos 2º, 5º e 9º da Lei n. 11.636, de 2007

238 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça, que exclui apenas o relator primitivo. Feita a distribuição, os autos sobem à conclusão do relator, que deve verificar desde logo a regularidade da petição inicial. Havendo irregularidade sanável, o relator deve conceder ao autor dez dias para que emende a petição inicial, nos termos do artigo 284 do Código de Processo Civil. Em reforço, merece ser prestigiado o inciso II do enunciado n. 299 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “Verificando o relator que a parte interessada não juntou à inicial o documento comprobatório, abrirá prazo de 10 (dez) dias para que o faça, sob pena de indeferimento”. Diante da ausência ou da insuficiência do depósito exigido pelo inciso II do artigo 488 do Código de Processo Civil, é igualmente necessária a intimação do autor para regularizar a petição inicial no decêndio do artigo 284 do Código de Processo Civil. Não sendo sanado o vício pelo autor, a petição inicial deve ser indeferida pelo próprio relator. É o que se depreende do disposto no artigo 490 do mesmo diploma. Por força dos artigos 282, inciso IV, 284, 488, inciso I, e 490, o relator também deve determinar a emenda da petição inicial da ação rescisória sem pedido específico de novo julgamento da causa primitiva, quando indispensável o iudicium rescissorium. Decorrido in albis o decêndio, cabe ao relator proferir decisão monocrática de indeferimento da petição inicial. Já a petição inicial contaminada por vício insanável deve ser indeferida desde logo pelo relator. Consoante o artigo 39 da Lei n. 8.038, de 1990, a decisão monocrática de indeferimento da petição inicial da ação rescisória pode ser impugnada por meio de agravo interno ou regimental, em cinco dias. A interposição de apelação contra a decisão monocrática indeferitória da inicial configura erro inescusável, o que impede o aproveitamento do recurso inadequado. Resta saber se a petição inicial com irregularidade no enquadramento dos fatos narrados às hipóteses de rescindibilidade previstos nos incisos do artigo 485 é inepta e deve ser indeferida pelo relator, nos termos dos artigos 295 e 495 do Código de Processo Civil. Tudo indica que não. Se os fatos estão devidamente esclarecidos na petição inicial e permitem a incidência de algum permissivo de rescindibilidade que não foi evocado pelo autor, devem-se prestigiar os princípios da mihi factum, dabo tibi ius e iura novit curia143.
143

No mesmo sentido, na jurisprudência: “Processo civil. Ação rescisória. Causa de pedir. Enquadramento legal. Iura novit curia. Recurso desacolhido. I — Os brocardos jurídicos iura novit curia e da mihi factum dabo tibi ius são aplicáveis às ações rescisórias. II —- Ao autor cumpre precisar os fatos que autorizam a concessão da providência jurídica reclamada, incumbindo ao juiz conferir-lhes adequado enquadramento legal. III — Se o postulante, embora fazendo menção aos incisos III e VI do art. 485, CPC, deduz como causae petendi circunstâncias fáticas que encontram correspondência normativa na disciplina dos incisos V e IX, nada obsta que o julgador, atribuindo correta qualificação jurídica às razões expostas na inicial, acolha a pretensão rescisória. IV — O que não se admite é o decreto de procedência estribado em fundamentos distintos dos alinhados na peça vestibular.” (REsp n. 7.958/SP, 4ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 15 de fevereiro de 1993, p. 1687). Também em sentido conforme, na doutrina: EDUARDO RIBEIRO DE OLIVEIRA. Recurso especial — Algumas questões de admissibilidade.

Se a petição inicial estiver em ordem, o relator deve determinar a citação do réu, oportunidade na qual estabelece o prazo para a apresentação das respostas (contestação, impugnação ao valor da causa, exceções e reconvenção), de quinze a até trinta dias, consoante o proêmio do artigo 491 do Código de Processo Civil. Resta saber se o artigo 188 do Código alcança a contestação à ação rescisória. Tudo indica que não144. É que o artigo 188 não pode ser estendido aos prazos judiciais, dentre eles o previsto no artigo 491. A adoção da tese — em prol da aplicação do artigo 188 — conduz à inutilidade do artigo 491, já que, em última análise, não seria observado o prazo máximo de trinta dias nele fixado. E, segundo princípio de hermenêutica jurídica, não se presumem, na lei, palavras inúteis: verba cum effectu sunt accipienda. Pelos mesmos motivos, parece não ser possível a incidência do artigo 191 do Código de Processo Civil145. Na verdade, uma das justificativas para a possibilidade da fixação do prazo da contestação em trinta dias parece ser a existência de litisconsórcio passivo. Realmente, se o relator já tem tal competência à luz das peculiaridades do caso concreto, nada justifica a duplicação do prazo para os litisconsortes com advogados diferentes, sob pena de o prazo máximo previsto no artigo 491 poder ser ultrapassado. Ainda em matéria de resposta, é admissível reconvenção, desde que o réu tenha como alvo capítulo do julgado rescindendo favorável ao autor. Portanto, o réu só pode ajuizar verdadeira ação rescisória reconvencional. Registre-se que o relator deve efetuar em relação à petição inicial da reconvenção o mesmo controle da petição inicial da ação rescisória principal. Com efeito, o relator pode proferir decisão de indeferimento liminar da petição inicial da ação reconvencional, nos termos do artigo 490 do Código de Processo Civil. Da aludida decisão monocrática também é cabível agravo interno ou regimental, em cinco dias. Também em relação às respostas possíveis, o réu ainda pode apresentar impugnação ao valor da causa à luz do artigo 261 do Código de Processo Civil,

1991, p. 189. Em tópico destinado ao princípio iura novit curia, concluiu o eminente Ministro: “Consignese, para finalizar, que raciocínio análogo aplica-se à ação rescisória. Se o autor pretende ter havido violação da lei deve indicá-la. Não importa, entretanto, tenha invocado erradamente, ou deixado de invocar o inciso pertinente do art. 485 do Código de Processo Civil”. 144 Com a mesma opinião, na doutrina: BARBOSA MOREIRA. Comentários. Volume V, 7ª ed., 1998, pág. 190. Por oportuno, o eminente processualista defendeu a tese em acórdão do qual foi redator: AR n. 286, 4º Grupo de Câmaras do TJRJ, Revista dos Tribunais, volume 547, pág. 177. Também no mesmo sentido, na jurisprudência: AR n. 67.018-1 — AgRg, 2º Grupo de Câmaras Civis do TJSP, RJTJSP, volume 104, pág. 380; AR 78.528-2 — AgRg, 5º Grupo de Câmaras Civis do TJSP, Revista dos Tribunais, volume 603, pág. 90; e AR n. 139.739, 3º Grupo de Câmaras do 2º TACivSP, Revista dos Tribunais, volume 571, pág. 163. Contra, na doutrina: JOSÉ RIBAMAR MORAES. O labirinto da ação rescisória. pág. 45; e NERY JUNIOR. Código. 4ª ed., 1999, pág. 955, comentário 1. Também em sentido contrário, na jurisprudência: RE n. 94.960-7/RJ, 1ª Turma do STF, Diário da Justiça de 8 de outubro de 1982; e AR n. 250/MT — AgRg, 2ª Seção do STJ, Diário da Justiça de 6 de agosto de 1990. 145 Há respeitável doutrina em sentido contrário: JOSÉ RIBAMAR MORAES. O labirinto da ação rescisória. p. 45.

p. Civ. e considerando que a coisa julgada envolve questão de ordem pública. 12. na literatura estrangeira: AMÂNCIO FERREIRA. 3ª Turma do STJ. AUSÊNCIA DE DEFESA. o réu ainda pode aviar as exceções de impedimento e suspeição. já que a ação rescisória versa sobre direito indisponível. Sendo necessária a produção de outras provas além das já carreadas aos autos. Por tal razão. Por fim. Manual. na doutrina pátria: BARBOSA MOREIRA. incontestada a ação. 1998. De acordo.739. 286. 192. pois o artigo 319 e o inciso II do artigo 330 são incompatíveis com o instituto da rescisória. p. 163. e JOSÉ RIBAMAR MORAES. conforme o disposto no parágrafo único do artigo 261 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. deve ser observado o disposto nos capítulos destinados às “providências preliminares” e ao “julgamento conforme o estado do processo”. 319 do C. a ser suscitada como preliminar na contestação. findo o prazo para a apresentação das respostas do réu. volume 256. os fatos afirmados pelo autor reputar-se-ão verdadeiros. Em reforço. 398 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. Na ação rescisória. que ocasionam a incompetência absoluta. Com efeito. 146 . p. 1. tanto que enseja a apreciação oficial em qualquer grau de jurisdição. ao contrário do que ocorre na maioria das ações. INAPLICÁVEIS OS EFEITOS DA REVELIA. p. Revista Forense. 7ª ed.596/RS. 330: “A norma do art. consoante o disposto no artigo 267. o inciso II do artigo 320. Comentários. acobertado pelo manto da coisa julgada. o relator pode delegar a juiz de primeiro de grau a competência para a respectiva instrução probatória. 2000. ao revés. Também com a mesma opinião. Diário da Justiça de 5 de março de 1990. Resta saber se o relator pode determinar de ofício a produção de provas que entender necessárias. e AR n.. Assim sendo. 193/SP. 33 e 37. Não é demais lembrar que a delegação de atos instrutórios a juiz a quo configura faculdade atribuída ao relator da ação rescisória. “no que couber”. o rito ordinário só é aplicável apenas no que for compatível com o instituto da rescisória.395. AR n. 1ª Seção do STJ. A interpretação do artigo 130 conduz à resposta Assim. p. Incide. onde se afirma que. ato oficial do Estado. não se aplica no juízo rescisório”. inciso V e § 3º. No prazo fixado pelo relator à luz do artigo 492. do Código de Processo Civil. p. vale conferir o enunciado n. À luz da segunda parte do artigo 491 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 22 de abril de 1996. Já a exceção de incompetência relativa parece ser de difícil ocorrência na ação rescisória. o juiz de primeiro grau deve determinar a remessa dos autos ao tribunal. Com efeito. volume 571. a revelia não produz confissão na ação rescisória”.566. REsp n.. Revista dos Tribunais. p.com o cabimento de agravo interno ou regimental contra a respectiva decisão monocrática proferida pelo relator. É imaginável a ocorrência de vícios em razão da matéria e da hierarquia. 139. o que se ataca na ação é a sentença. O labirinto da ação rescisória. a coisa julgada é direito indisponível. Câmaras Cíveis Reunidas do TJMS. 3º Grupo de Câmaras do 2º TACivSP. 23. 167. a ausência de contestação à rescisória não gera a presunção — nem mesmo relativa — da veracidade dos fatos narrados na petição inicial146. Volume V. Pr. na jurisprudência: AR n.

Revista Forense. o relator lança o relatório nos autos. a secretaria do tribunal expedirá cópias autenticadas do relatório e as distribuirá entre os juízes que compuserem o tribunal competente para o julgamento”. o presidente do colegiado designa dia para julgamento. que. É o que revela o artigo 493 do Código de Processo Civil. Posteriormente. de 1990. da Lei n. última parte. reforçado pelo artigo 262 do Regimento Interno de 1980. À vista do caput artigo 551 do Código de Processo Civil. p. Apresentado o parecer ministerial. Por força do § 1º do artigo 551. Volume II. É o que dispõe o artigo 552 do Código de Processo Civil. Em suma. cada uma das partes tem dez dias para a apresentação de razões finais. é possível concluir que o parquet atua na ação rescisória no mínimo como custos legis. 1997. Cabe ao presidente designar a data do julgamento. reforçado pelo artigo 262. Tudo indica que o preceito alcança os demais tribunais. p. 1996. 11ª ed. artigo 551. Em seguida. a secretaria do tribunal deve remeter cópias da emenda aos outros juízes que compõem o órgão julgador. Após. conforme dispõe o artigo 553. caput e § 2º. caput e parágrafo único. Rescisória. do Código). tendo em vista o disposto no artigo 126 do Código de Processo Civil. Volume III. Realmente. Manual. a pauta é afixada na entrada da sala De acordo: CALMON DE PASSOS. cuja intervenção é obrigatória147. 429. já que também pode intervir como parte. Curso. Por fim. II . 1978. se o revisor efetuar aditamento ao relatório. os autos sobem à conclusão do revisor.confirmar. O Ministério Público. após o pedido de dia para julgamento da ação rescisória pelo revisor. p. Volume I. “será revisor o juiz que se seguir ao relator na ordem descendente de antigüidade”. e VICENTE GRECO FILHO. 651. p. do Código de Processo Civil. pede dia para julgamento (cf. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 370.. p. 19ª ed. ex vi do artigo 82. volume 246. As atribuições do revisor constam do didático artigo 25 do Regimento Interno de 1980: “Compete ao Revisor: I . determinando a inclusão da ação rescisória em pauta. 293.pedir dia para julgamento dos feitos nos quais estiver habilitado a proferir voto”. 36. assim como pelo artigo 40. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. O labirinto da ação rescisória. Porém.. JOSÉ RIBAMAR MORAES. 2ª ed.sugerir ao Relator medidas ordinatórias do processo que tenham sido omitidas. CARLOS OCTAVIO DA VEIGA LIMA. Direito. p.afirmativa. 252. completar ou retificar o relatório. IVAN DE HUGO SILVA. Após a inclusão da ação em pauta. 147 . Recursos. do Código de Processo Civil. 8. após a revisão do relatório. e 262. os autos são remetidos ao Ministério Público. cabe agravo interno ou regimental para o colegiado contra a respectiva decisão monocrática do relator. III . 1975. até mesmo — e especialmente — ao relator da ação rescisória. combinado com os artigos 52. nos termos do artigo 549. inciso I. Finda a instrução probatória.038. inciso III. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal.. Aide. “Devolvidos os autos pelo relator. p. inciso X. reforçado pela compatibilidade do artigo 25 com o § 2º do artigo 551. os autos devem ser apresentados ao presidente do órgão colegiado competente. 259 e 264. ocorre a publicação no órgão oficial de imprensa. JOSÉ FREDERICO MARQUES.

a ação rescisória dá ensejo à formação de novo processo. Em seguida. A teor do artigo 6º. Portanto. até mesmo em respeito do artigo 126 do Código de Processo Civil. o presidente concede novamente a palavra ao relator para a prolação do primeiro voto. 59. pelo presidente. caput. Depois. Julgamento da ação rescisória A ação rescisória é julgada por órgão colegiado de tribunal judiciário. por turma ou pelo Pleno da própria Corte Suprema. do Código de Processo Civil. nos termos dos artigos 560 e 561. assim como que os magistrados que proferiram decisão ou voto no processo anterior não estão impedidos. Sem dúvida. conforme o disposto no artigo 552. Realmente. caput e § 2º. o relator faz a exposição da causa. “na ação rescisória. Após. Noticiado que o julgamento ocorre em órgão coletivo. estando o artigo 554 inserto no capítulo que cuida “da ordem dos processos no tribunal”. letra “c”. as ações rescisórias são julgadas pelos órgãos coletivos indicados nos regimentos internos dos tribunais e nas leis de organização judiciária. vota o revisor.do colegiado competente. 1979. Em primeiro lugar. e a ação rescisória no título que trata “do processo nos tribunais”. com a observância dos artigos 556. Ação rescisória. O artigo 134. após as sustentações orais. do Código de Processo Civil proíbe o exercício da atividade judicante apenas no mesmo processo em que o magistrado proferiu decisão. Em seguida. compete ao Plenário processar e julgar originariamente a ação rescisória de julgado proferido por relator. À luz do enunciado n. na doutrina: SÉRGIO RIZZI. aplica-se o artigo 554 no particular. tudo indica que o preceito deve ser aplicado. não estão impedidos juízes que participaram do julgamento rescindendo”. do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. Diante do silêncio da legislação de regência. Os votos devem ser proferidos em relação a cada juízo — de admissibilidade. 560 e 561. tem-se a realização do julgamento propriamente dito. 148 Em sentido conforme. inciso I. 252 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. resta tratar da sessão de julgamento. Porém. . Sem dúvida. inciso III. diverso daquele em que prolatado o decisum rescindendo. a regra é a de que o julgamento da ação rescisória é dividido em três etapas. os vogais passam a votar. parte final e incisos. Por força do artigo 493. 12. rescindendo e rescisório —. o magistrado que proferiu a decisão impugnada ou que participou da votação no colegiado não está impedido de participar do julgamento da ação rescisória148. geralmente com a leitura do relatório que já foi distribuído aos demais componentes do órgão colegiado julgador. os advogados das partes podem sustentar oralmente as razões finais. do Código de Processo Civil. É o que revelam os artigos 553 e 554. p.

p. converter o julgamento em diligência. 19ª ed. Comentários. o órgão julgador ingressa de imediato na terceira etapa do julgamento: iudicium rescissorium. 492 e 560. p. O labirinto da ação rescisória. o julgamento da ação rescisória é geralmente realizado em três etapas consecutivas149. 42 e 45. 42 e 45. É certo que não há em nosso Código preceito idêntico ao artigo 775. extinguindo o processo sem julgamento do mérito. O labirinto da ação rescisória. 1999. Código. 167. p. 1997. quando o juízo rescindendo tem resultado positivo. conduzem à resposta afirmativa. número 1. MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA. 152 Como bem ensina o Professor SÉRGIO RIZZI. 150 Em sentido semelhante: CALMON DE PASSOS.. precedendo as diligências que forem consideradas indispensáveis”. haverá somente 149 . bem como se estão satisfeitos os pressupostos processuais e as condições da ação150. p. Do processo nos tribunais. A interpretação sistemática dos artigos 130. 652. É no iudicium rescindens que o tribunal decide se o julgado impugnado deve.” (Rescisória. Antes de passar ao estudo do iudicium rescissorium. no juízo rescindente tal verificação se dá in concreto. 1998. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. p. e tendo em vista o disposto no artigo 126 do Código nacional. que trata do julgamento do instituto lusitano similar: “o tribunal conhecerá do fundamento da revisão. 652. já agora em sua existência concreta. do vício que autoriza a rescisão. 371). parágrafo único. Volume I. é no juízo rescindendo que o colegiado julgador verifica se houve na espécie o vício apontado pelo autor. Realmente. tendo em vista a existência. do Código de Processo Civil brasileiro permite a resposta afirmativa. com a desconstituição do julgado rescindendo. tudo indica que os artigos 130. ou não. o tribunal verifica se em tese há o enquadramento em permissivo legal de rescindibilidade. ERNANE FIDÉLIS. 7ª ed. e NERY JUNIOR e ROSA NERY. o colegiado julga improcedente a rescisória. ser desconstituído. comentários 1. do diploma português. 19ª ed. Sendo positivo. Portanto. no caso concreto151. 1998. Porém. 1974. também denominado juízo rescindente. 491. é importante definir se o tribunal pode. p. Volume I. Sendo negativo o juízo rescindendo.Sem dúvida. Volume V. 957. Curso. enquanto no juízo de admissibilidade da rescisória ocorre uma análise em tese da possibilidade jurídica em sentido amplo.. 1974. quando cabível. Nela. o colegiado julga inadmissível a rescisória. 167. que é eliminado do mundo jurídico. Em regra. p. ou seja. 1997. p.. É no juízo rescisório que ocorre o novo julgamento do processo primitivo. Ao contrário do que pode parecer Assim: BARBOSA MOREIRA. Curso. 6ª ed. extinguindo o processo com julgamento de mérito. 491. determinando de ofício a produção de provas. Sendo negativo o juízo de admissibilidade da ação. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. “no juízo rescisório. há a desconstituição do julgado. 370. parágrafo único. ou não. Do processo nos tribunais. Manual. e MANUEL ALCEU AFFONSO FERREIRA.. p. ou não. Sendo positivo. segunda parte. 636. 492 e 560. 4ª ed. A primeira está consubstanciada no juízo de admissibilidade da ação rescisória. Volume I. JOSÉ RIBAMAR MORAES. Rescisória. p. JOSÉ RIBAMAR MORAES. 203 e seguintes. 2 e 3. 151 O Professor CALMON DE PASSOS resumiu com perfeição o que ocorre na segunda etapa da ação rescisória: “Examina-se. o órgão julgador passa à segunda etapa do julgamento: o juízo rescindendo. p.. que ficou pendente após a desconstituição do julgado que o extinguiu152.

p. 2ª ed. apreciando o conjunto probatório remanescente. pois. também merece ser prestigiada a correta lição do Professor SÉRGIO RIZZI: “O vício da incompetência. pois não é preciso que tenha havido qualquer requerimento da parte. A propósito. p. se tinha razão o autor. Ainda com o mesmo entendimento: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA... Há. 64). quando ocorrente. Volume V. 154 Em sentido idêntico: BARBOSA MOREIRA. a fim de que não sejam somados votos acerca de juízos diversos. ou seja. Manual. nem estão relacionadas à multa prevista no inciso II do artigo 488. favorável ou desfavorável — pouco importa — ao autor”. ou aos autores. p. e que a importância será entregue ao réu quando a ação for declarada inadmissível ou improcedente. e 494. p. sendo. Manual. ou dos réus. tem-se de decidir quanto ao depósito de cinco por cento do valor da causa. 7). cada uma será votada separadamente para se evitar dispersão de votos. com efeitos a partir dela própria”. no iudicium rescissorium. Comentários. ambos do Código de Processo Civil. independentemente do resultado do novo julgamento do processo primitivo. É o que se depreende do disposto na segunda parte do artigo 494. no juízo rescisório. Consoante o disposto no artigo 20 do Código de Processo Civil. É importante que os votos acerca dos juízos de admissibilidade. Convém lembrar que a condenação relativa às rejulgamento da demanda apreciada pela decisão rescindida” (Ação rescisória. ou a falta de razão. 1998.. merece ser prestigiado o artigo 61 do Regimento Interno do Tribunal de Justiça de Minas Gerais: “Sempre que o objeto da decisão puder ser decomposto em questão ou parcelas distintas.. rescindendo e rescisório sejam tomados em separado. julga inadmissível a ação rescisória ou improcedente o pedido rescindendo. Ou a ação rescisória é julgada procedente. 7ª ed. chegar a conclusão idêntica à do juiz de primeiro grau. 1998. no juízo rescisório154. 636. o resultado do juízo rescisório pode ser o mesmo do julgado desconstituído153. o depósito exigido naquele preceito é destinado ao réu quando o tribunal. p. 548: “Ao julgar-se a ação rescisória. 2000. 209 e 210: “Diz o art. Também em sentido conforme. perfeitamente admissível que o Tribunal. Está em causa o iudicium rescindens. na rescisória. Por ser didático. Também no mesmo sentido: PONTES DE MIRANDA. ou soma de votos sobre teses diferentes”. em votação específica. Tais verbas não podem ser confundidas. aí. que o autor fizera. Volume I. será extrínseco ao julgado.à primeira vista. No texto comentado. porém. Ainda em sentido conforme: ERNANE FIDÉLIS. na literatura portuguesa: AMÂNCIO FERREIRA. Basta imaginar a hipótese de o tribunal. 1976. 1998. 5ª ed. dever dos juízes. Por tal motivo. ou se não tinham. após desconsiderar a prova falsa reconhecida no juízo rescisório. 1999. através de decisão de igual teor àquela proferida no juízo absolutamente incompetente” (Ação rescisória. ou reverte em benefício do réu. as palavras procedente e improcedente referem-se ao pedido de rescisão.. À vista dos artigos 488. p. . pode manter a condenação. mas. absoluta. Lições. se for o caso. 287. 6ª ed. Volume I. a parte vencida deve arcar com o pagamento dos honorários advocatícios e das custas processuais. Tal coincidência é perfeitamente possível. Tratado da ação rescisória. sendo irrelevante o teor do julgamento proferido. A importância de cinco por cento também é devolvida ao autor quando o pedido de rescisão é julgado procedente. Volume II. ou se tinham razão os autores. e portanto ao resultado do iudicium rescindens. Juiz impedido profere sentença condenatória contra a parte. ou das partes. 494 que a restituição ocorrerá quando se julgar procedente a ação. inciso II. Ou a quantia é restituída ao autor. em princípio. rejulgue o mérito. 1979. o depósito é levantado pelo autor. ou se não tinha. à unanimidade de votos. a razão para a rescisão. ou improcedente. Tendo sido o julgamento de inadmissibilidade ou de improcedência proferido por maioria de votos. e não o iudicium rescissorium”. isto é. 6ª ed. 153 Com a mesma opinião: ERNANE FIDÉLIS. 1979. p. A nova decisão. 636: “O novo julgamento pode perfeitamente coincidir com o da sentença rescindida. 10. a rescisória é admissível e deve ser julgada procedente. p. Manual.

Com efeito. só é possível aferir se o relator é vencedor — quando o presidente do colegiado anuncia o resultado coram populo. Portanto. pelo que não há como afirmar se o relator é vencedor. 13. não tendo nenhuma importância se reconsiderou o seu voto. mas não dos honorários advocatícios e das custas processuais tratados no artigo 20. havendo julgamento de inadmissibilidade ou de improcedência da rescisória por maioria de votos. Geralmente. ou não. por conseqüência. tudo indica que o artigo 556 do Código de Processo Civil enseja outra solução. Lavrado o acórdão. a regra é que o redator do acórdão seja o relator da ação rescisória. Após os votos dos magistrados que compõem o órgão julgador da rescisória. sendo o revisor igualmente vencido. O presidente também designa o redator do acórdão. É irrelevante para o cabimento do recurso de declaração se o aresto foi proferido por unanimidade. com sede em Brasília: “ACÓRDÃO – REDATORIA – REFORMULAÇÃO DE VOTO – A reformulação de voto por parte do Relator ou Revisor. 1 da Primeira Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. para o . ainda que ocorra retratação pelo relator. o acórdão é redigido pelo revisor ou.verbas de sucumbência não está condicionada à unanimidade de votos no julgamento realizado pelo tribunal. o autor fica livre da multa prevista no inciso II do artigo 488. o artigo 556 parece revelar que o redator do acórdão será o relator até mesmo quando ocorre reformulação do anterior voto para acompanhar posterior divergência. Os embargos declaratórios são cabíveis quando há a veiculação – insista-se. Recorribilidade O acórdão que soluciona a ação rescisória pode ser impugnado por meio de embargos declaratórios. pelo vogal prolator do primeiro voto vitorioso. É o que dispõem os artigos 506. não retira do Juiz que apresentou a divergência a redação do acórdão”. Antes da proclamação do resultado do julgamento pelo presidente só existem votos que ainda podem ser reformulados. ou não. inciso III. Ainda que muito respeitável a orientação jurisprudencial consubstanciada no verbete. 563 e 564. Realmente. há a publicação da ementa e do dispositivo no órgão oficial de imprensa. Há orientação jurisprudencial em favor da redação do acórdão pelo próprio magistrado que suscitou a divergência. Resta saber qual o magistrado responsável pela redação do acórdão quando o relator reconsidera o seu voto anterior para acompanhar a divergência inaugurada pelo revisor ou por vogal. a exegese do artigo 556 permite a conclusão de que o relator será o redator do acórdão sempre que for vencedor. derivada de voto divergente. tudo nos termos do artigo 556. Mas quando o relator fica vencido. a regra da redação pelo relator merece ser prestigiada até mesmo quando há retratação. É o que se infere do verbete n. Em suma. o presidente do colegiado anuncia o resultado do julgamento. cabe ao relator redigir o aresto. Sem dúvida. ou não. pois o término do julgamento só ocorre — e.

212. 1977. não é possível ressuscitar defeito relativo ao processo primitivo156. p. pois. inciso III. 188: “Concebem-se. mas também os preceitos legais referentes ao processo primitivo e que foram evocados na ação rescisória157. Fundamentos do acórdão recorrido.. 156 Em sentido semelhante: BARBOSA MOREIRA. Como o mérito da rescisória pode ser separado nos dois juízos. desde que satisfeitas as exigências previstas nos artigos 102. primeira parte. A nova orientação da Com opinião conforme: BARBOSA MOREIRA. de 2001. em tese. acórdão tomado por unanimidade de votos não enseja recurso de embargos infringentes.. com o artigo 530 permite a conclusão de que os infringentes são adequados quando o dissenso reside no juízo rescindendo e no juízo rescisório155. I – 155 . 295 da Súmula da Corte Suprema reforça: “São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão unânime do Supremo Tribunal Federal em ação rescisória”. Realmente. 7ª ed. desde que por maioria. Os demais arestos proferidos por maioria ou por unanimidade de votos em rescisória podem ser impugnados desde logo por meio de recursos extraordinário e especial. 10. da Constituição Federal de 1988. embargos do réu concernentes ao iudicium rescindens. Novas vicissitudes dos embargos infringentes. conforme se infere do artigo 530 do Código de Processo Civil. Se isso acontecesse.352. conforme se infere do atual artigo 530. Em resumo. Conforme leciona Pontes de Miranda. não pode haver recurso extraordinário na relação jurídica processual em que se pede a rescisão quanto ao que se passou na relação jurídica processual em que foi proferida a sentença rescindenda. Comentários. a combinação dos artigos 488. e 105. O enunciado n.cabimento. 213 e 214. 348: “Em se tratando de recurso extraordinário contra decisão proferida em ação rescisória. Diante de divergência no julgamento de procedência da rescisória. indevidamente. e SERGIO BERMUDES. ou seja. o acórdão também é passível de ataque por meio de embargos infringentes. Recurso especial. inciso I. quando a Corte Especial reexaminou a vexata quaestio e evoluiu. não pode o Supremo Tribunal Federal apreciar a matéria julgada na decisão rescindenda. Comentários. 1998. p. 157 “Direito Processual Civil. inciso III. na relação jurídica processual extinta”. Não importa se o dissídio ocorreu no juízo rescindendo ou no juízo rescisório. A doutrina ensina que os recursos para as cortes superiores só podem versar sobre vício surgido no próprio processo da rescisória. relativos ao iudicium rescissorium e referentes a ambas essas etapas do julgamento do mérito da rescisória”. a fim de permitir o conhecimento do recurso especial para interpretar não apenas os artigos 485 a 495 do Código de Processo Civil. Volume VII. Ação rescisória. 2ª ed. entrar-seia. a procedência exigida pelo artigo 530 do Código de Processo Civil pode se dar tanto no juízo rescindente como no rescisório. desde que o dissídio tenha ocorrido no iudicium rescindens ou no iudicium rescissorium. Volume V. com a redação conferida pela Lei n. e 494. p. Ao revés. basta a alegação – de algum dos defeitos arrolados no artigo 535 do Código de Processo Civil. Assim também decidiu o Superior Tribunal de Justiça até 2004. Ao contrário. Basta a existência de um voto vencido para a interposição dos embargos infringentes. os embargos infringentes são cabíveis apenas contra acórdão de procedência proferido por maioria de votos em julgamento de ação rescisória. os embargos não são cabíveis quando ocorre inadmissibilidade e improcedência. 2002.

Contra decisão monocrática cabe agravo regimental. ficando decidido que não há óbice para o conhecimento de recurso especial interposto em ação rescisória que se fundamenta em ofensa a lei dispositivo de Lei se. naquela via. no REsp nº 476. no recurso especial). o recorrente reproduz os artigos violados pelo acórdão rescindendo. 660. no AgRg no Ag nº 580. DJ de 20. DJ de 20. SÚMULA 514/STF. e não apenas repetir as supostas ofensas cometidas pelo acórdão rescindendo (exemplificativamente. a Corte Especial do STJ. Realmente. relatado pelo i.)” (não há os grifos no original). Por fim.831/PR. AgRg no Ag nº 113. Assim decidiu. Como já estudado.” (REsp n. sob o ponto de vista técnico-processual.” (REsp n.06. 476. ou seja. o recorrente reproduz os artigos violados pelo acórdão rescindendo. Aliás.2006. com o que dará ensejo à interposição de recurso especial com base na alínea “a” do permissivo constitucional. revendo posição anterior. do Código de Processo Civil. decisão interlocutória é o pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau que não provoca a extinção do processo. tanto a decisão monocrática de indeferimento da petição inicial da rescisória como o acórdão proferido pelo colegiado no julgamento da ação não estão sujeitos a ataque por meio de apelação.. Assim.2005. alterou tal procedimento. do CPC. a decisão monocrática também pode ser impugnada por meio de embargos declaratórios. ORIENTAÇÃO DA CORTE ESPECIAL. porquanto não há como separar a interpretação dos artigos 485 a 495 do Código de Processo Civil dos preceitos legais referentes ao processo primitivo. Antônio de Pádua Ribeiro. (.Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça merece ser prestigiada. a Corte Especial. V. . No mesmo sentido. também não cabe agravo do artigo 522. a 3ª Turma já teve oportunidade de acompanhar esse entendimento.. Realmente. Min. PROCESSO CIVIL. seja retido ou de instrumento. alterando entendimento anterior.038. assim ementado: ‘AGRAVO REGIMENTAL. (. AÇÃO RESCISÓRIA.724/MA. Humberto Gomes de Barros..665/PÁDUA. mesmo assim. 8. em recurso especial interposto contra acórdão proferido em ação rescisória proposta com fundamento no art.. não é cabível apelação. o que impede a aplicação do princípio da fungibilidade recursal. decidiu que não há óbice para o conhecimento de recurso especial interposto em ação rescisória que se fundamenta em ofensa a literal disposição de Lei quando. 167 da Lei n. Corte Especial do STJ. de 1990. não acolher a pretensão deduzida na ação rescisória fundada no art. 112. Diário da Justiça de 20 de junho de 2005 p. como bem revela o disposto no inciso V do artigo 485.665/SP.04. Aldir Passarinho Junior. nos termos do artigo 39 da Lei n. MOMENTO DA FLUÊNCIA DOS JUROS MORATÓRIOS. agravo interno.) – O Recurso Especial pode vir calcado nos mesmos dispostivos que ensejaram a Ação Rescisória por violação literal a disposição de Lei. deveria o recorrente apontar objetivamente quais as violações a Lei Federal ocorridas no julgamento da própria rescisória. Min. Em recente julgamento. V. naquela via (ou seja.Se terceiro que adquire bem a respeito de cujo litígio não há o registro exigido pelo art. DJ de 03. 4ª Turma. a interposição de apelação em sede de rescisória configura erro grosseiro. Com efeito. sem os grifos no original).2000). no REsp 476. 485. É que não há decisão interlocutória no processo da rescisória. Como todas as decisões jurisdicionais. é de se verificar que a jurisprudência do STJ havia se consolidado no sentido de que. III . sentença é o pronunciamento de autoria de juiz de primeiro grau por meio do qual o processo é extinto. 485. Contudo. Min. também na jurisprudência do STJ: “A Corte Especial. Ao revés.º 6. II .03. Colhe-se do preciso voto-vencedor da Ministra-Relatora: “Inicialmente. AUSÊNCIA DE ARGUMENTO CAPAZES DE INFIRMAR OS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA. tendo em vista a inexistência de sentença em ação rescisória.596/SP. é possível a prolação de decisão monocrática no processo da rescisória. Rel. QUESTÃO DE DIREITO.015/73 pode ser alcançado pela coisa julgada. Rel. mas possui conteúdo Quando existir violação de literal disposição de lei e o julgador.Recurso conhecido e provido para se julgar procedente o pedido da ação rescisória. 3ª Turma do STJ. Diário da Justiça 4 de setembro de 2006). o acórdão estará contrariando aquele mesmo dispositivo ou a ele negando vigência. não há prolação de sentença em tribunal. DESNECESSIDADE DO ESGOTAMENTO DAS VIAS RECURSAIS. deve ser citado como litisconsorte passivo necessário.665/SP.

p. É certo que há decisão monocrática de conteúdo interlocutório. a sua impossibilidade. do Decreto n. especialmente para a fixação da recorribilidade. Volume IX. a propositura de ação rescisória impugnando decisão proferida em anterior ação rescisória. b) com ofensa à coisa julgada. Por fim. não havia em nosso direito norma proibindo a rescisão de julgado proferido em ação rescisória159. 763 de 1890. não é cabível agravo de instrumento nem agravo retido. não havia norma que versasse sobre a possibilidade de ação rescisória de julgado proferido em anterior ação rescisória. Em contraposição. outra ação rescisória quando a decisão 158 O artigo 509 do Codice di Procedura Civile de 1865 dispunha: “La domanda di rivocazione non è ammessa contro le sentenze pronunziate in giudizio di rivocazione” (Cf. 1946. Volume IV. FRANCHI. 69). 1949. 160 Em razão da matéria. p. 3. o relator pode proferir decisão monocrática de natureza definitiva. tratando-se de ação rescisória. Quanto ao agravo retido. que vedava a propositura de rivocazione contra julgado prolatado em anterior rivocazione158. quando o julgado prolatado na rescisória antecedente tivesse sido proferido: a) por juiz peitado. do Decreto n. 1976. 157 e 158. Uns defendiam a sua admissibilidade. As decisões monocráticas proferidas desafiam agravo interno ou regimental. da Consolidação Ribas de 1876. 390. 14. e Tratado da ação rescisória. Não admitia. . o Código de 1939. some-se o argumento de que não é cabível apelação em sede de ação rescisória. ao contrário do Código de Processo Civil italiano de 1865. ODILON DE ANDRADE. 85. como a lançada pelo relator ao apreciar pedido de tutela antecipada formulado na petição inicial da ação rescisória. e PONTES DE MIRANDA. outros. do Regulamento n. 1933. Daí a explicação para a formulação de teses divergentes acerca do assunto. no entanto. 737 de 1850. Comentários. impedido ou incompetente ratione materiae160. Ação rescisória de julgado proferido em ação rescisória Ao tempo das Ordenações Filipinas — aplicáveis ao Império do Brasil por força do artigo 1º da Lei de 20 de outubro de 1823 —. e dos Códigos de Processo estaduais. terminativa e interlocutória. p.084 de 1898. Comentários. p. 574. O Código de Processo Civil brasileiro de 1939 admitiu expressamente. ou c) com base em prova cuja falsidade tivesse sido apurada posteriormente em juízo criminal. Em síntese. o que torna impossível a reiteração exigida pelo § 1º do artigo 523. no artigo 799. prevaleceu a tese da admissibilidade. Volume IX. ao argumento de que. 5ª ed. decisão monocrática é o pronunciamento jurisdicional com conteúdo decisório proferido isoladamente por magistrado de tribunal. 159 No sentido do texto do parágrafo: CARVALHO SANTOS.decisório. pelo que é capaz de causar prejuízo a algum dos legitimados a recorrer. O que marca a decisão monocrática não é o conteúdo. Sem dúvida. a diferença é relevante. Na verdade. 156. Código. p. L. Cinque Codici. mas a autoria. 1947.. a interposição de agravo de instrumento e de agravo retido configura erro inescusável. Tanto quanto sutil.

4ª ed. p. Manual. 2ª ed. o Codice di Procedura Civile de 1940 estabeleceu em seu artigo 403: “Non può essere impugnada per revocazione la sentenza pronunciata nel giudizio di revocazione". 289.prolatada na rescisória antecedente tivesse sido proferida contra literal preceito de lei161. Além do mais.º 771” (AMÂNCIO FERREIRA. Sob outro prisma. 19ª ed. Volume VI. Comentários.. Volume I. Tratado da ação rescisória decisões. 85. 180. 1947. 19ª ed. prevalecia a tese da admissibilidade. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. 1976. Comentários. p. Comentários. 161 . 2ª ed. Comentários. 1976. a sentença proferida em substituição da que foi rescindida poderá igualmente ser objecto de um novo recurso de revisão... 172. é possível desconstituir julgado prolatado em ação rescisória. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 2ª ed. Volume IX. p. 164 No mesmo sentido: BUENO VIDIGAL. com base numa das anomalias das alíneas a) a g) do art. na literatura portuguesa: “Por a nossa lei nada dizer em contrário. 7ª ed. Volume IX. Aspectos. Antes do diploma de 1939. e SÉRGIO RIZZI. 1976. p. Comentários. 1945. o disposto no artigo 509 do diploma de 1865. Volume VI. como todas as decisões jurisdicionais. nas mesmas hipóteses em que é possível a desconstituição das decisões proferidas nas ações em geral. BUENO VIDIGAL. Volume II.. p. 1976. Registre-se que a própria doutrina italiana reconhece “ser difícil de justificar logicamente esta norma” (AMÂNCIO FERREIRA. 2000. p. 5ª ed. 436). nota 458). 1998. p. 289). as proferidas em ação rescisória também podem estar contaminadas pelos vícios que possibilitam a rescisão dos julgados em geral166. 1946. Assim. p. p. “com formulazione più generale” (VIRGILIO ANDRIOLI. E não havia norma limitando os casos de rescisão do decisum proferido em ação rescisória162. Volume IX. não proíbe a rescisão de decisão proferida em ação rescisória164. Direito processual civil. O Código de Processo Civil de 1973 retornou às origens do direito brasileiro. Ação rescisória. Comentários. BARBOSA MOREIRA. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. Volume VI. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. PONTES DE MIRANDA. 1974. 222. 222. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. o Código de Processo Civil brasileiro de 1973. Manual. desde que constatado algum dos vícios que autorizam a rescisão das decisões proferidas nas demais ações165. É o que se inferia da interpretação a contrario sensu do artigo 799. 1982. 1976. 103 e 104. e PONTES DE MIRANDA. Volume II. a solução do problema da sua admissibilidade passa pelo estudo do nosso direito sob o ponto de vista histórico. pois não admitia ação rescisória para afastar violação a literal disposição de lei praticada em decisão proferida em anterior rescisória. 121. 653. p. há autorizada doutrina: SÉRGIO SAHIONE FADEL. 2ª ed. 172.. 1979. 1998. Código. 1998.. p.. Volume V.. p.. p. Ao não repetir a regra inserta no artigo 799 do diploma pretérito. 5ª ed. p. 653. p. 1975. 392. Curso. Com outra opinião.. 165 Com o mesmo argumento. Já o Código de 1939 impôs restrição à desconstituição de decisão prolatada em ação rescisória. 222. Código. Assim. o Código de 1973 optou pela orientação original do direito pátrio: a admissibilidade da rescisão de julgado prolatado em ação rescisória.. 390. nec interpres distinguere. p. 1974. e à luz do princípio de hermenêutica jurídica ubi lex non distinguit. Volume I. ODILON DE ANDRADE. Com a mesma opinião: ADA PELLEGRINI GRINOVER. p. Aspectos. 172. p. ficando silente sobre a possibilidade da desconstituição de decisão proferida em ação rescisória. Tratado da ação rescisória. Commento. Aspectos. 2000. 163 Repetindo. 162 De acordo: CARVALHO SANTOS. 156 e seguintes. 2ª ed. e ODILON DE ANDRADE. p. 1974. 166 Com a mesma opinião: BUENO VIDIGAL. Curso. 111. ao contrário dos Códigos italianos de 1865 e de 1940163.

8. 1. portanto. Volume I.130/GO. 19ª ed. volume 110.. 392.. há o enunciado n.. MARCOS AFONSO BORGES. 2ª ed. 1998. 396. 7ª ed.00. Direito processual do trabalho. p. Manual. 627. 8. tampouco logrou êxito nos tribunais. A ação rescisória.. VIOLAÇÃO DE LEI. 4ª ed. Diário da Justiça de 11 de outubro de 1993. BUENO VIDIGAL. AR n. 5ª ed. Código. 9. volume 110. não se admitindo a rediscussão do acerto do julgamento da rescisória anterior. p. Diário da Justiça de 27 de novembro de 1989.019400-6.. Assim. 1986. 121 e 122. Volume IX. Pleno do STF. p. 1998. o vício apontado deve nascer na decisão rescindenda. 392. 19. Aspectos. 1991. p.. p. 1982. Comentários. até mesmo em caso de violação a literal disposição de lei perpetrada em decisão proferida em anterior rescisória168. vícios atinentes ao decisum proferido na rescisória antecedente. ERNANE FIDÉLIS. 5ª ed. 4ª ed. 8ª ed. p. p. Diário da Justiça de 19 de outubro de 1998. volume 110. 337/RJ. 7. e AR n. 168 No sentido do texto. AR n. com a eternização do conflito de interesses e a instabilidade nas relações jurídicas. Direito processual civil. 6ª ed. 627. 5ª ed. RTJ.. 104.. INDICAÇÃO DOS MESMOS DISPOSITIVOS LEGAIS APONTADOS NA RESCISÓRIA PRIMITIVA. 1998. 391. 133. 1975. COQUEIJO COSTA. 111. 393 e 394. p. Diário da Justiça de 27 de novembro de 1989. AR n. 6ª ed. Ação rescisória. p. Volume I. LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. 462. 1997. Pleno do STF. Volume II. 396. Só é possível discutir.. RTJ. Ação rescisória. 4ª ed. p. o inconformado. 1994. Curso de direito processual civil. p. p. 2ª Seção do STJ. 400 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA DE AÇÃO RESCISÓRIA. Comentários ao Código de Processo Civil. p. 1998. RTJ. na doutrina: ADA PELLEGRINI GRINOVER. 1976. 274. ODILON DE ANDRADE. Em se tratando de rescisória de rescisória. 30. 167 Cf. 1998. p. o vício alegado na primeira rescisória poderia ser ressuscitado em outras ações rescisórias. p. 1. 2ª ed. em quaisquer das hipóteses do artigo 485 do Código vigente.Não obstante os argumentos acima apresentados. 85 e 86. volume 110. p.. p.. 85. p. 19 e ss. p. 19ª ed. Comentários ao Código de Processo Civil. Volume I. e SÉRGIO SAHIONE FADEL. p.. 1975. PAULO LÚCIO NOGUEIRA. 169 No sentido do texto.168/GO. Não pode. 180. 206. e SÉRGIO RIZZI. p. Volume V. AR n. voto-vencido proferido na AR n.. 219. Curso. 31 e 32. 104. tal orientação não prevaleceu entre os doutrinadores. p. ALFREDO BUZAID. 1976. BUENO VIDIGAL. Direito. 1998. SERGIO PINTO MARTINS. RTJ. Volume VI.. 337/RJ. 2ª ed. 22 e 172. 1986. RTJ. 653.168/GO. 1979. 1.. 1976. 1976. 2ª Seção do STJ. AR n. 1. Pleno do STF. p. Diário da Justiça de 11 de outubro de 1993. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. 2ª Seção do TRF da 1ª Região. 7ª ed. ERNANE FIDÉLIS. p. Ação rescisória. 1. não se admite rescisória calcada no inciso V do art. chegou-se a afirmar que com o advento do Código de 1973 as decisões proferidas em ação rescisória se tornaram irrescindíveis167. 2ª Seção do STJ. p. Manual de direito processual civil. por má aplicação dos mesmos 1946. 510 e ss. 1974. 1998. JOSÉ RIBAMAR MORAES. 192/SP.130/GO.01. BARBOSA MOREIRA. Se assim não fosse. na jurisprudência: AR n. Tratado da ação rescisória. 216 e 217. 1946. 7. 37. No entanto. faz-se necessário fixar o limite a ser observado na propositura de ação rescisória de decisão prolatada em anterior rescisória.130/GO.. Comentários. SÁLVIO DE FIGUEIREDO. O labirinto da ação rescisória. Volume V. 653. Volume VI. Volume II. repetir em outra rescisória a mesma causa de pedir que deu ensejo à propositura da antecedente169. volume 110. PONTES DE MIRANDA. na jurisprudência: AR n.. Comentários ao Código de Processo Civil. p.. 510. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. e SERGIO PINTO MARTINS. p. 393 e 394. Comentários.. p. Vingou a tese da possibilidade da rescisão de decisum prolatado em ação rescisória. COQUEIJO COSTA. 9. 485 do CPC para discussão. 2ª Seção do STJ. e AR n. Afastada a tese da irrescindibilidade dos julgados proferidos em ação rescisória. Em reforço. De acordo. em nova rescisória. p. PONTES DE MIRANDA. Pleno do STF. . 8ª ed. 192/SP. Tratado da ação rescisória. 120. p. 134. 1998. De acordo. Volume I. 223. Curso.

permitirá que se julgue novamente a matéria objeto daquele primeiro processo” (Lições de direito processual civil. inciso VI. o que explica a inadmissibilidade da nova rescisória. bem como para argüição de questões inerentes à ação rescisória primitiva”170. O juiz de primeiro grau julgou improcedente a demanda. ainda. por exemplo. pois se trata de mera repetição da rescisória antecedente. A Seção Cível do Tribunal. sendo certo que este.dispositivos de lei. o eminente Professor ALEXANDRE FREITAS CÂMARA indica didático exemplo de ação rescisória contra julgado proferido em anterior ação rescisória: “nada impede que se proponha ação rescisória com o objetivo de rescindir o julgamento proferido em ação rescisória. o que poderia permitir alteração daquele julgado original. Posteriormente. Por tal razão. julgou improcedente a ação rescisória. que os autos não foram conclusos ao revisor. p. A reiteração da primeira rescisória é revelada pela identidade das causas de pedir: ofensa ao artigo 186 do Código Civil e ao artigo 5º. então. inciso X. à unanimidade de votos. Na hipótese. Volume II. surgida no processo originário. Apoiando-se nos artigos 485. do Código de Processo Civil. mais uma vez. negou provimento ao recurso. Basta pensar. o réu R constatou a falsidade da prova pericial. Por oportuno. Bateu-se. o autor A ajuizou nova ação rescisória com fulcro no artigo 485. A 1ª Turma Cível do Tribunal. 1999. O acórdão transitou em julgado. ao ser rescindido. propôs ação rescisória com fulcro no artigo 485. Inconformado. O juiz de primeiro grau julgou procedente a demanda. julgou improcedente a ação rescisória. inciso V. pela condenação do réu R ao pagamento de indenização por dano moral. sem a participação do seu advogado. ao fundamento de que houve ofensa ao artigo 186 do Código Civil de 2002 e ao inciso X do artigo 5º da Constituição Federal. 2º) O autor A ajuizou ação de investigação de paternidade contra o réu R. Diário da Justiça de 22 de agosto de 2005. tendo o próprio relator pedido dia para julgamento. da Constituição de 1988. nota 43). Com efeito. o autor A propôs ação rescisória para desconstituir a sentença. Apoiando-se no inciso V do artigo 485 do Código de Processo Civil. com voto vencedor. à unanimidade de votos. tidos por violados na rescisória anterior. inciso V. do Código de Processo Civil. Cf. da Constituição Federal. 551. à unanimidade de votos. Não se dando por vencido. O acórdão passou em julgado. seguem dois exemplos171: 1º) O autor A ajuizou ação sob o rito ordinário contra o réu R. a nova ação rescisória é inadmissível. O aresto transitou em julgado. inciso X. em ambas as ações rescisórias foi suscitado vício referente ao processo primitivo. Requereu a condenação do réu R ao pagamento de indenização por dano moral. o réu R verificou que o julgamento ocorreu apenas vinte e quatro horas depois da publicação da pauta. 24. A Seção Cível do Tribunal. o julgamento da ação rescisória. apoiando-se na prova pericial referente ao DNA. Constatou.. Em seguida. Rescindível será. Reiterou o argumento de que houve violação à literalidade do artigo 186 do Código Civil. 137. Resolução n. 171 170 . Na tentativa de facilitar a compreensão do limite a ser observado na propositura de ação rescisória de julgado proferido em anterior ação rescisória. O prazo recursal decorreu in albis. numa ação rescisória de cujo julgamento tenha participado juiz peitado. o réu R apelou. 2ª ed. bem como do artigo 5º.

Diário da Justiça de 28 de setembro de 1992). RTJ.218/RS. todos do Código de Processo Civil172. 552. a nova ação rescisória é admissível.” (REsp n. No mesmo sentido é a jurisprudência. o direito brasileiro admite ação rescisória de decisão proferida em anterior ação rescisória. nos casos em que exigida em lei — CPC. e não da ação originária. 870/RJ – EI. o réu R ajuizou outra ação rescisória.440/RJ. O que não é permitido é repetir em outra ação rescisória a causa de pedir que deu ensejo à antecedente. cabe ação rescisória para desconstituir o acórdão dele resultante. entre a publicação de pauta e o julgamento sem a presença das partes. Na hipótese. volume 96. 552 do Código de Processo Civil. já que os alegados vícios ocorreram no processo da anterior rescisória. do Código de Processo Civil. acarreta nulidade” (verbete n. 1ª Turma do STF. 4ª Turma do STJ.caput e § 2º. 551. Julgamento nulo por não observado o prazo previsto no § 1º do art. § 2º. decidiu que “tendo o julgamento sido proferido com infringência ao disposto no art. 85. Tanto que a 1ª Seção do TFR. § 1º. p. vez que a violação de literal disposição de lei pode ocorrer tanto de error in iudicando como de error in procedendo” (AR n. p. art. 117 da Súmula do STJ). Recurso extraordinário conhecido e provido” (RE n. e 552. 24. Em síntese. e não no da ação de investigação de paternidade. 11). 172 . à unanimidade de votos. “A inobservância do prazo de 48 horas. RTFR. conforme se depreende das ementas dos seguintes precedentes: “Ação rescisória. § 1º. “É nulo o julgamento sem revisão. A nova ação rescisória só pode versar sobre vício diretamente ligado ao processo da anterior rescisória. volume 164. 665).