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NÚCLEO DE PESQUISAS EM FLORESTAS TROPICAIS

INVENTÁRIO E MANEJO FLORESTAL
AMOSTRAGEM, CARACTERIZAÇÃO DE ESTÁDIOS SUCESSIONAIS
NA VEGETAÇÃO CATARINENSE E MANEJO DO PALMITEIRO (Euterpe
edulis) EM REGIME DE RENDIMENTO SUSTENTÁVEL
Textos elaborados por:
Adelar Mantovani
Ademir Reis
Adilson dos Anjos
Alexandre Siminski
Alfredo Celso Fantini
Ângelo Puchalski
Maike Hering de Queiroz
Mauricio Sedrez dos Reis
Rudimar Conte
FLORIANÓPOLIS
JUNHO DE 2005
Sumário
APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ ...3
1.MÓDULO INVENTÁRIO FLORESTAL......................................................................................... .........5
1.1 INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................. 5
1.2 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE AMOSTRAGEM ..................................................................................... 6
1.2.1 População ............................................................................................................................................... 6
1.2.2 Censo e amostragem ............................................................................................................................... 6
1.2.3 Amostra ................................................................................................................................................... 6
1.2.4 Unidade amostral .................................................................................................................................... 6
1.2.5 Precisão e acuracidade ........................................................................................................................... 6
1.3 MÉTODOS DE AMOSTRAGEM ................................................................................................................. 7
1.3.1 Método de Área Fixa com emprego de parcelas ..................................................................................... 8
1.3.1.1 Estimadores para o número de árvores, área basal e volume ................................................................... .......... 9
1.3.1.2 Amostragem aleatória simples ...................................................................................................................... ... 10
1.3.1.3 Exemplo de amostragem aleatória simples .............................................................................................. ........ 11
1.3.1.4 Amostragem aleatória estratificada ........................................................................................... ...................... 14
1.3.1.5 Amostragem sistemática ............................................................................................................................... ... 15
1.3.1.6 Obtenção de estimativas com emprego de parcelas ................................................................................ ......... 17
1.3.1.7 Exemplo com amostragem sistematizada ............................................................................................. ........... 18
1.3.2 Método dos Quadrantes ........................................................................................................................ 28
1.3.2.1 Obtenção de estimativas pelo método dos quadrantes .......................................................................... ........... 29
1.3.2.2 Exemplo utilizando o Método dos Quadrantes ...................................................................................... .......... 29
1.4 BIBLIOGRAFIA .......................................................................................................................................... 37
2.MÓDULO CARACTERIZAÇÃO DE ESTÁDIOS SUCESSIONAIS NA VEGETAÇÃO CATARINENSE..38
AS TIPOLOGIAS FLORESTAIS CATARINENSES.................................................................................................................38
DINÂMICA DA SUCESSÃO SECUNDÁRIA ASSOCIADA AOS SISTEMAS AGRÍCOLAS...................................................................40
CLASSIFICAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA EM ESTÁDIOS SUCESSIONAIS................................................................................42
BIBLIOGRAFIA...............................................................................................................................................45
3.MODULO MANEJO DO PALMITEIRO (EUTERPE EDULIS) EM REGIME DE RENDIMENTO
SUSTENTÁVEL.................................................................................................................. ..................49
3.1 ASPECTOS DA ECOLOGIA DE FLORESTAS TROPICAIS...................................................................49
3.1.1 Grupos ecológicos de espécies florestais..............................................................................................50
3.2 MANEJO DE RENDIMENTO SUSTENTADO: UMA PROPOSTA BASEADA NA AUTOECOLOGIA
DAS ESPÉCIES..................................................................................................................................................54
3.2.1 Introdução.............................................................................................................................................54
3.2.2 Estoque disponível................................................................................................................................55
3.2.3 Taxas de incremento..............................................................................................................................56
3.2.4 Regeneração natural.............................................................................................................................57
3.2.5 Outras considerações............................................................................................................................58
3.3 A PALMEIRA EUTERPE EDULIS MARTIUS....................................................................................................59
3.3.1 ASPECTOS ECOLÓGICOS DA ESPÉCIE...........................................................................................59
3.3.2 ASPECTOS DEMOGRÁFICOS E FITOSSOCIOLÓGICOS................................................................61
3.4 INVENTÁRIO PARA O MANEJO DO PALMITEIRO.............................................................................63
3.5 ESTIMAÇÃO DE EQUAÇÕES DE INCREMENTO CORRENTE ANUAL...........................................65
3.6 SISTEMAS DE IMPLANTAÇÃO DE EUTERPE EDULIS................................................................................66
3.7 PRODUTIVIDADE SUSTENTÁVEL DE PALMITO ATRAVÉS DO MANEJO DE EUTERPE EDULIS.......67
3.8 EXEMPLO DE PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL..................................................71
1. INFORMAÇÕES GERAIS.........................................................................................................................71
2. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS DO PMFS............................................................................................72
3. CARACTERIZAÇÃO DO MEIO NA PROPRIEDADE..............................................................................72
4. MANEJO FLORESTAL..............................................................................................................................73
v. AVALIAÇÃO E PROPOSTA DE MINIMIZAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS..................................80
vi. PROGNOSTICO DA QUALIDADE AMBIENTAL PELA IMPLANTAÇÃO DO PMFS..........................80
vii. ANÁLISE ECONÔMICA DO PROJETO.................................................................................................80
8 BIBLIOGRAFIA..........................................................................................................................................83
9 DOCUMENTOS EXIGIDOS......................................................................................................................83
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA................................................................................83
4. DIVERSIDADE GENÉTICA EM PLANTAS.................................................................................. .......88
2
4.1INTRODUÇÃO...........................................................................................................................................88
4.2 ESTUDOS SOBRE DIVERSIDADE GENÉTICA EM PLANTAS...........................................................89
4.3 DIVERSIDADE GENÉTICA EM ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA..................................................91
4.4 METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO ....................................................................................................92
4.5 BIBLIOGRAFIA CITADA.........................................................................................................................98
ANEXOS.................................................................................................................................. ...........101
DECRETO Nº 750, DE 10 DE FEVEREIRO DE 1993..................................................................................101
RESOLUÇÃO Nº 4, DE 04 DE MAIO DE 1994............................................................................................102
PORTARIA INTERINSTITUCIONAL N° 01, DE 04/06/96,...............................................................................................104
RESOLUÇÃO CONAMA Nº 294, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2001..........................................................113
INSTRUÇÃO NORMATIVA – IN 20 -FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO DE ESSÊNCIAS
ARBÓREAS......................................................................................................................................................119
INTRUÇÃO NORMATIVA – IN 23 - SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO EM AREA RURAL....................121
INSTUÇÃO NORMATIVA – IN 27 - CORTE EVENTUAL DE ÁRVORES...............................................122
MODELO DE PLANILHAS DE CAMPO.........................................................................................................................123
APRESENTAÇÃO
3
Este material bibliográfico representa um resgate e atualização de dois cursos
ministrados pelo Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais NPFT na década de 1990, o
curso de “CARACTERIZAÇÃO DE ESTÁDIOS SUCESSIONAIS NA VEGETAÇÃO
CATARINENSE” e o curso de “MANEJO DO PALMITEIRO (Euterpe edulis) EM REGIME DE
RENDIMENTO SUSTENTÁVEL”. Estes cursos são o resultado de pesquisas com espécies
nativas que vêm sendo realizadas desde 1980 dentro da Universidade Federal de Santa
Catarina. Estas pesquisas envolvem uma equipe de professores dos Departamentos de
Fitotecnia/CCA e Botânica\CCB, da UFSC.
O palmiteiro representa aqui um modelo de pesquisa, conciliando conservação e
economicidade da Floresta Tropical Atlântica, meta de pesquisa da equipe durante 20 anos.
Este modelo prima pela busca de conhecimentos capaz de manter a dinâmica e a
biodiversidade natural da comunidade, permitindo de forma contínua a produção dos
produtos florestais.
As formações secundárias recebem dentro deste modelo de pesquisa um tratamento
especial, uma vez que representam as maiores áreas disponíveis para o manejo das
espécies.
Dentro deste material, procura-se dar uma base ecológica das principais
características conhecidas da dinâmica de florestas tropicais, para depois, baseado nestes
conhecimentos, propor um sistema de manejo para rendimento sustentado. O palmiteiro
recebe o enfoque principal, sendo tratado como uma planta capaz de garantir a melhoria de
condições ecológicas de uma comunidade.
O curso deve ser entendido como um alerta para uma mudança de mentalidade
sobre nossos recursos florestais e, de maneira alguma, pretende esgotar os conhecimentos
sobre a conservação e manejo da Floresta Tropical Atlântica. Pretende sim, coletar e discutir
informações sobre a realidade e os problemas vividos por aqueles que desejam conservar e
ou manejar este ecossistema, ao mesmo tempo em que difunde as concepções do grupo de
pesquisa sobre estas questões.
Os ministrantes
4
1. MÓDULO INVENTÁRIO FLORESTAL
1.1 INTRODUÇÃO
Até poucos anos atrás, o inventário de florestas nativas no Brasil era realizado por
meio de simples levantamento do estoque de indivíduos de grande porte, susceptíveis de
serem explorados, resultando numa visão incompleta e por vezes distorcida da verdadeira
condição de desenvolvimento da floresta (REIS et al., 1994).
Com a evolução da tecnologia e a constante pressão dos órgãos ambientais, os
inventários tornaram-se muito mais complexos e informativos. Neste novo enfoque, os
inventários que na maioria dos casos eram utilizados para determinação do volume de
madeira existente na floresta, passaram a ser utilizados para determinação de outros
aspectos como volume total, volume comercial, estádio sucessional da floresta, a avaliação
da regeneração natural das espécies, e outras peculiaridades inerentes ao objetivo do
inventário florestal.
Segundo PÉLLICO NETTO & BRENA (1997), “Inventário Florestal é uma atividade
que visa obter informações qualitativas e quantitativas dos recursos florestais existentes em
uma área pré-especificada”.
Há diferentes tipos de inventário, como os inventários de reconhecimento, os
inventários regionais e os inventários a nível nacional, além de outros. Os inventários podem
atender a interesses específicos de uma empresa florestal ou de uma instituição de
pesquisa, visando a uma determinada fazenda, à parte de uma propriedade ou a um
conjunto de propriedades (VEIGA, 1984)
Os inventários contínuos para planos de manejo florestal exigem que as amostras na
área sejam permanentes para efeitos de fiscalização e, também, para determinação das
variações periódicas dos parâmetros médios da população. Para que as amostras sejam
permanentes é preciso criar uma estrutura capaz de assegurar a demarcação tanto das
unidades amostrais quanto das espécies em estudo. Esta estrutura requer tempo e
demanda custos para quem realiza o inventário florestal, o que implica na necessidade de
avaliação da economicidade do sistema de amostragem. Portanto, é muito importante que
se concilie a aplicação do melhor método de amostragem para cada tipo de situação, pois
esta etapa tem sido considerada como um ponto de estrangulamento dentro de um sistema
de manejo sustentável, conforme trabalho realizado com o manejo do palmiteiro em Santa
Catarina (CONTE, 1997).
Quando o objetivo do produtor é conduzir um sistema de manejo florestal visando o
rendimento sustentado dos seus produtos, o inventário é a ferramenta capaz de garantir o
sucesso do seu empreendimento. Para que isso ocorra, o sistema de amostragem a ser
empregado em um inventário florestal deve permitir que os dados coletados nas unidades
de amostragem possibilitem, através de cálculos estatísticos, estimativas adequadas da
população em estudo (VEIGA, 1984).
Além disso, há necessidade de estruturação de boas equipes de inventário florestal,
pois são responsáveis pela coleta sistemática dos dados das variáveis de interesse. O
acompanhamento da produtividade e qualidade do trabalho é de suma importância para
abastecer com precisão e presteza o planejamento do projeto de exploração (FRANÇA et
al., 1988).
A visão global do levantamento a ser realizado permitirá o delineamento das
estratégias a serem utilizadas para a alocação dos recursos necessários ao inventário.
5
1.2 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE AMOSTRAGEM
1. 2. 1 População
Para fins de inventário florestal, segundo PÉLLICO NETTO e BRENA, (1997), uma
população pode ser definida como um conjunto de seres da mesma natureza que ocupam
um determinado espaço em um determinado tempo.
Do ponto de vista estatístico, uma população apresenta duas características
essenciais (LOETSCH e HALLER, 1973): (i) os indivíduos da população são da mesma
natureza e (ii) os indivíduos da população diferem com respeito a uma característica típica,
ou atributo chamado variável.
A figura 1.1 representa uma população teórica, com forma quadrada, composta por
(N) unidades amostrais quadradas, da qual foi extraída uma amostra de (n) unidades.
1. 2. 2 Censo e amostragem
Censo ou enumeração completa é a abordagem exaustiva ou de 100% dos
indivíduos de uma população e a amostragem consiste na observação de uma porção da
população, a partir da qual serão obtidas estimativas representativas do todo (PÉLLICO
NETTO e BRENA, 1997).
1. 2. 3 Amostra
A amostra pode ser definida como uma parte da população, constituída de indivíduos
que apresentam características comuns que identificam a população a que pertencem. Uma
amostra selecionada deve ser representativa, ou seja, deve possuir as mesmas
características básicas da população e duas condições principais devem ser observadas na
sua seleção: (i) a seleção deve ser um processo inconsciente (independente de influências
subjetivas, desejos e preferências) e (ii) indivíduos inconvenientes não podem ser
substituídos (PÉLLICO NETTO e BRENA, 1997).
1. 2. 4 Unidade amostral
Unidade amostral é o espaço físico sobre o qual são observadas e medidas as
características quantitativas e qualitativas (variáveis) da população. Considerando um
inventário florestal, uma unidade amostral pode ser uma parcela com área fixa; ou então,
pontos amostrais ou mesmo árvores. O conjunto das unidades amostrais consistem uma
amostra da população.
1. 2. 5 Precisão e acuracidade
A precisão é indicada pelo erro padrão da estimativa, desconsiderando a magnitude
dos erros não amostrais, ou seja, refere-se ao tamanho dos desvios da amostra em relação
a média estimada ( x ), obtido pela repetição do procedimento de amostragem. Já a
acuracidade expressa o tamanho dos desvios da estimativa amostral em relação à média
paramétrica da população (μ), incluindo os erros não amostrais.
De maneira geral, em qualquer procedimento de amostragem, a maior preocupação
esta na acuracidade, a qual pode ser obtida dentro de uma precisão desejável, eliminado ou
reduzindo os erros não amostrais.
6
Figura 1.1 Organização estrutural de uma população, amostra e unidade amostral
(Adaptado de PÉLLICO NETTO e BRENA, 1997).
1.3 MÉTODOS DE AMOSTRAGEM
Método de amostragem, segundo PÉLLICO NETTO e BRENA (1997), significa a
abordagem da população referente a uma única unidade amostral. Esta abordagem da
população pode ser feita através dos métodos de: Área Fixa, de Bitterlich, de Strand, de
Prodan, de 3-P, entre outros.
Este curso não pretende explorar as peculiaridades de cada método, então se optou
pela abordagem de alguns diferentes sistemas (procedimentos) de amostragem para o
Método de Área Fixa e Método dos Quadrantes.
Nos levantamentos feitos por amostragem, as estimativas dos vários parâmetros de
uma população, são obtidas pela medição de uma fração da população inventariada. O
verdadeiro valor de uma característica é um valor que existe na natureza. Entretanto, pela
avaliação de um número adequado de unidades de amostras, pode-se estimar sua
estatística correspondente (HOSOKAWA & SOUZA, 1987).
O objetivo da amostragem é fazer inferências corretas sobre a população, as quais
são evidenciadas se à parte selecionada, que é a população amostral, constitui-se de uma
representação verdadeira da população objeto (LOETSCH & HALLER, 1973).
As populações florestais são geralmente extensas e uma abordagem exaustiva -
censo - de seus indivíduos demanda muito tempo e alto custo para sua realização. Uma
forma de contornar essa situação é extrair uma amostra que seja representativa da
população, sem onerar economicamente o processo de amostragem. Sendo assim, as
inferências obtidas para a população são fidedignas se a amostra for uma verdadeira
representação da população investigada.
Todas as estimativas feitas por amostragem estão sujeitas a erros que são
normalmente medidos pelo erro padrão da média ou erro de amostragem. Uma estimativa
será tão precisa quanto menor for o erro de amostragem a ela associado. Entretanto, não se
deve esquecer da validade e dos aspectos práticos do inventário. Deve-se sempre lembrar
que o objetivo principal de um levantamento é obter a melhor estimativa para uma
7
população e não somente uma estimativa exata do erro de amostragem (HOSOKAWA &
SOUZA, 1987).
Uma das primeiras etapas do processo de inventário florestal é o reconhecimento
prévio da área a ser amostrada. A área deve ser percorrida com o objetivo de se fazer um
reconhecimento da vegetação, suas peculiaridades e as diferenças de ambiente interno.
Esta abordagem é importante para identificar a necessidade ou não da estratificação em
sub-áreas homogêneas e assim direcionar um determinado método de amostragem.
A estratificação implica, numa primeira etapa, em separar blocos homogêneos com
diferentes padrões de vegetação, como: formações herbáceas, áreas em estádio inicial de
regeneração, áreas com formação relictual e outras. Além disso, a estratificação deve definir
áreas de preservação permanente como topos de morros, encostas com mais de 100% de
declividade e as beiras de rios, consideradas áreas intocáveis.
Numa segunda etapa de reconhecimento, as áreas podem ser novamente
estratificadas, agora no sentido do processo amostral (amostragem estratificada), separando
encostas de baixadas, diferentes fases de regeneração nas formações secundárias,
ocorrência das espécies objeto de inventário, e assim por diante.
A seguir será feita uma abordagem sobre diferentes sistemas de amostragem, que
são usados com freqüência nos levantamentos de áreas florestadas, por serem práticos e
proporcionarem boas estimativas dos parâmetros da população.
1. 3. 1 Método de Área Fixa com emprego de parcelas
Este método de amostragem consiste em selecionar aleatoriamente n unidades de
amostras extraídas de uma população de N unidades, de modo que cada uma das n
amostras tenha a mesma probabilidade de ser selecionada (HOSOKAWA & SOUZA, 1987).
Para locação das parcelas no campo, deve ser elaborado um mapa em escala
adequada da área a ser manejada, com suas delimitações conhecidas para efeitos de
amarrações. O mapa deve ser reticulado (quadriculado), sendo o tamanho de cada retículo
proporcional ao tamanho da parcela. Em seguida é sorteado um determinado número de
parcelas (no caso de amostragem aleatória), obedecendo ao critério de aleatoriedade, que
servirão para os trabalhos de pré-amostragem. A disposição das parcelas no mapa pode ser
amarrada com o Norte Magnético para facilitar a sua demarcação no campo.
Um outro método que elimina o trabalho de quadricular a área, consiste em
estabelecer um sistema de coordenadas cartesianas sobre o mapa e a partir daí, fazer o
sorteio aleatório das coordenadas da parcela. O par ordenado (x , y) define o ponto inicial ou
central da parcela no mapa e, conseqüentemente, no campo (HOSOKAWA & SOUZA,
1987).
No campo, as parcelas podem ser demarcadas com bússola, balizas e trenas, ou
somente com as duas últimas, sendo que o uso de bússola se justifica caso sejam feitas
amarrações com o N magnético, diminuindo com isso possíveis erros de locação. Os
caminhos até as parcelas devem ser demarcados com estacas (de preferência metálicas) e
fitas plásticas coloridas, sendo que na entrada dos caminhos devem ser dispostas etiquetas
indicando o número de cada parcela. Este procedimento é importante para os inventários
contínuos, tendo em vista o retorno à área para serem efetuadas as reavaliações.
A locação das unidades de amostra fixas, refere-se à área projetada num plano
horizontal, portanto, existe a necessidade da correção das áreas inclinadas para a
horizontal. Para se efetuar as devidas correções, no momento das medições, a trena pode
ser levantada no ponto mais baixo, formando uma medida horizontal, ou pode-se lançar mão
8
de clinômetros para determinar o ângulo de inclinação e com isso fazer as correções
necessárias.
Quanto ao tamanho e formato das parcelas, diversos trabalhos utilizando parcelas de
tamanhos diferentes foram realizados. No Vale do Ribeira, SP, e na FLONA de Ibirama, SC,
trabalhos com manejo do palmiteiro e plantas medicinais são realizados em parcelas de 40 x
40 metros. Também em Santa Catarina, foram realizados trabalhos com manejo do
palmiteiro em Blumenau (NODARI, 1987), utilizando parcelas de 100 x 20 metros. Na região
de São Pedro de Alcântara-SC, parcelas permanentes de 50 x 50 metros vêm sendo
utilizadas para estudos das espécies florestais da mata atlântica, o que tem proporcionado
boas inferências para a população local como um todo.
Após o planejamento no qual são definidos os objetivos, os parâmetros mais
importantes do Inventário Florestal e o tipo de amostragem a ser realizado, parte-se para a
execução que compreende a interpretação de imagens e os trabalhos de campo.
Nos trabalhos de campo, as equipes devem ser convenientemente preparadas para
a realização de tarefas como a localização das unidades amostrais, e a obtenção das
variáveis de interesse. As mais freqüentes variáveis obtidas em campo são:
a) Altura: a altura considerada é a comercial, que vai da base da árvore até a
primeira bifurcação significativa. Esta informação pode ser obtida por meio de
réguas dendrométricas ou qualquer instrumento baseado em relações
trigonométricas, como clinômetros, hipsômetro de Blume-Leis entre outros.
b) Diâmetro a altura do peito (DAP): o DAP é tomado a 1,30 m do solo, podendo ser
obtido por meio de paquímetros florestais ou no caso do CAP (circunferência a
altura do peito) por uma fita diamétrica, ou trenas dendrométricas .
1.3.1.1 Estimadores para o número de árvores, área basal e volume
Os parâmetros estimados a partir dos dados levantados a campo correspondem
somente à área das unidades amostrais. Então é necessário converter estes parâmetros
estimados para hectare, utilizando um fator de proporcionalidade dado por:
a
A
F · ,onde: A = área de 1ha e a = área da unidade amostral (ambos em m²).
Após a determinação do fator de proporcionalidade, o número de plantas por hectare
(NP) é obtido pela contagem do número de plantas na área amostral (np) multiplicando-se
por F:
F np NP × ·
A área basal por hectare (AB) é obtida pelo somatório da área basal individual (gi)
das “n” árvores ocorrentes na área amostral, multiplicando-se por F:
F g AB
n
i
i
× ·

·
) (
1
, onde
4
) (
2
DAP
g
π
·
O volume por hectare (V) é obtido pela soma dos volumes individuais (vi) das “n”
árvores ocorrentes na área amostral, multiplicando-se por F:
F v V
n
i
i
× ·

·
) (
1
Os volumes individuais (vi) podem ser obtidos por equações volumétricas ou pela
fórmula tradicional de volume de uma arvore em pé. Quando for utilizada a fórmula de
cubagem das árvores em pé, os volumes estimados podem ser corrigidos com um fator de
forma e casca buscando tornar as estimativas mais próximas do volume real.
9
A seguir são apresentados os principais sistemas de amostragens em que podem ser
utilizadas parcelas fixas ou permanentes para obtenção das estimativas da população.
1.3.1.2 Amostragem aleatória simples
A amostragem aleatória simples é o processo fundamental de seleção a partir do
qual derivam todos os demais procedimentos de amostragem, visando aumentar a precisão
das estimativas e reduzir os custos do levantamento (PÉLLICO NETTO & BRENA, 1997).
A amostragem aleatória simples se constitui no melhor método para apresentação da
teoria da amostragem, pois permite estimar o erro de amostragem. A seleção de cada
unidade amostral deve ser livre de qualquer escolha e totalmente independente da seleção
das demais unidades de amostra.
Este processo de amostragem é aplicado nos inventários de pequenas áreas
florestadas, de fácil acesso e homogêneas na característica de interesse. Apesar de sua
simplicidade, segundo HOSOKAWA & SOUZA (1987), o método apresenta algumas
desvantagens como a distribuição aleatória das unidades de amostra amplamente dispersas
sobre a área, o maior tempo de caminhamento entre as unidades e a possibilidade de
ocorrência de uma distribuição desigual das unidades de amostra sobre a população.
A seguir são definidos os símbolos para identificar as variáveis da população:
n = número de unidades pré-amostradas
xi = variável de interesse na i-ésima unidade de amostra
µ = média paramétrica (populacional)
s
2
= Variância da variável de interesse
σ
2
= Variância paramétrica
s = Desvio Padrão
σ = Desvio padrão paramétrico
x = Estimativa total da variável de interesse na área inventariada
Os principais parâmetros da população e suas estimativas, obtidas através de
amostragem aleatória simples, são as seguintes:
a) Média aritmética
b) Variância
A variância determina o grau de dispersão da variável de interesse em relação a sua média.
c) Desvio Padrão
O desvio padrão expressa a quantidade de variação dos dados na mesma unidade de
medida.
d) Erro padrão da média
Expressa, em percentagem, a precisão da média amostral na mesma unidade de medida.
sendo f = (N - n)/N, como fator de correção decorrente de população finita.
e) Coeficiente de variação
1
) (
2
2

·
∑ −
n
i
x
x
s
n
x
x
i

·
s s
2
·
f
n
s
sx
*
,
`

.
|
·
x = média estimada
x
s = Erro padrão da média
10
Expressa, em percentagem, uma medida de variabilidade dos dados em relação à média.
f) Estimativa do total da população
g) Intervalo de confiança
O intervalo de confiança determina o limite superior e inferior, na qual espera-se que os
parâmetros da população ocorram, sendo o intervalo baseado na distribuição (t) de Student.
A avaliação da suficiência amostral pode ser feita supondo que as variáveis extraídas
da população apresentam um distribuição que tende a uma normal. Neste caso, pode-se
empregar a distribuição de probabilidades t associada ao erro padrão da média. Tal
pressuposto nem sempre reflete o comportamento da variável em análise, contudo o mesmo
tem sido usualmente empregado.
Assim,
onde: t
α(GL) = valor de t, com “n-1” graus de liberdade (GL), ao nível de significância α e
µ = média populacional (paramétrica)
considerando
(m - µ) = Em = D
e a necessidade de agregar uma correção decorrente da população amostrada ser finita
onde E = erro admissível (10%, 20%)
D = diferença admissível
N = número total de amostras possíveis na área
n = número de unidades de amostras a serem levantadas
tem-se que:
isolando n sendo,
1.3.1.3 Exemplo de amostragem aleatória simples
A Tabela 1.1 apresenta o resumo da amostragem realizada na FLONA de Ibirama em
uma área de 38 hectares.
100 *

,
`

.
|
·
m
s
CV
( )
s t x GL
x IC *
) 05 ,. (
t ·
s
x
t
x
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·
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µ
α
N
n N ) ( −
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N
n N
n
D
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t GL
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2
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( )
t s
t s
D N
N
n
2 2
2
2 2
* *
* *
+
·
x área x * ·
2
) * ( E x D ·
11
Tabela 1.1 - Resumo do inventário florestal para o palmiteiro, realizado na FLONA de
Ibirama-SC, numa área de 38 ha.
Parcela Adultas/ha Matrizes/ha Regeneração natural/ha.classes
40 x 40 m I II III
1 681 213 18.397 2.308 513
2 319 88 16.026 1.154 321
3 581 175 21.603 1.282 513
4 569 156 8.333 1.410 1.026
5 738 150 6.410 962 641
6 594 50 3.846 1.410 962
7 744 181 27.692 2.382 513
8 475 150 11.282 3.205 833
9 356 13 2.051 2.692 641
10 463 106 24.423 321 192
11 569 38 23.013 2.821 256
12 569 144 21.730 3.269 321
13 888 181 18.846 1.987 577
14 706 194 16.987 833 385
15 950 113 9.872 1.218 705
16 694 150 15.449 1.474 321
17 456 131 32.692 3.910 513
18 613 144 31.282 1.154 1.410
19 581 100 29.230 2.436 449
20 469 12 128 128 256
21 825 200 14.487 1.346 769
22 456 94 36.859 2.179 557
23 488 69 11.859 1.603 449
24 725 119 32.371 2.051 705
25 706 206 17.948 1.410 577
Média/ha 609 131 18.113 1.798 577
Variância 24.445 Total regeneração = 20.488
AB (m
2
)
4,33 2,19
* Adultas - plantas com altura de estipe exposta superior a 1,30 m; Matrizes - plantas adultas
produtoras de frutos; I - plantas com até 10 cm de altura de inserção da folha mais jovem; II - plantas
entre 10 e 50 cm de altura de inserção da folha mais jovem; III - plantas maiores que 50 cm e com
estipe exposta inferior a 1,30 m
Análises estatísticas
A estimativa dos parâmetros a seguir foi baseada no número de plantas adultas de
palmiteiro:
* Notação:
n = número de unidades pré-amostradas
xi = variável de interesse na i-ésima unidade de amostra
µ = média paramétrica (populacional)
s
2
= Variância da variável de interesse
σ
2
= Variância paramétrica
x = média estimada
12
s = Desvio Padrão
σ = Desvio padrão paramétrico
x = Estimativa total da variável de interesse na área inventariada
a) Média aritmética
b) Variância
c) Desvio Padrão
d) Erro padrão da média
e) Coeficiente de variação
f) Estimativa do total da população
g) Intervalo de confiança
IC = [ 609 ± 57,33] plantas por hectare
O intervalo de confiança expressa a variação na qual espera-se que os parâmetros
da população ocorram. Neste caso, o intervalo ± 57,33 corresponde a uma variação de
9,4% no número de indivíduos em torno da média por hectare e reflete a variação esperada
no rendimento em creme de palmito.
Definição da suficiência amostral
A fórmula para o cálculo da suficiência amostral em amostragem aleatória simples é
mostrada a seguir (conforme Husch et al. 1982):
onde: n = número de parcelas a serem levantadas; N = número total de amostras possíveis
na área; t = valor de distribuição de probabilidade (t0,05, com no-1 GL); S
2
= variância do
parâmetro avaliado; E = erro admissível (10%) e
A suficiência amostral foi calculada com base no parâmetro número de indivíduos
adultos, tendo em vista o interesse do projeto para a exploração das plantas com DAP
acima de 9,0 cm. Com a pré-amostragem de 25 parcelas iniciais constatou-se que essa
seria a necessidade de parcelas a serem utilizadas na área para representar a população de
plantas adultas de palmito.
609
25
225 . 15
· ·
x
plantas
s
35 , 156 445 . 24 · ·
445 . 24
24
680 . 586 2
· ·
s
plantas
sx
83 , 27 89 , 0 *
25
35 , 156
·
,
`

.
|
·
% 67 , 25 100 *
609
35 , 156
·

,
`

.
|
· CV
( ) 83 , 27 * 06 , 2 609 t · IC
( )
t s
t s
x E N
N
n
2 2
2
2 2
* ) * ( *
* *
+
·
( )
parcelas n 25
06 , 2 * 445 . 24 ) 609 * 10 , 0 ( * 5 , 237
06 , 2 * 445 . 24 * 5 , 237
2 2
2
·
+
·
plantas x 142 . 23 609 * 609 . 38 · ·
x = média do parâmetro avaliado.
x
s = Erro padrão da média
13
1.3.1.4 Amostragem aleatória estratificada
A amostragem aleatória estratificada é assim denominada quando as unidades
amostrais são selecionadas aleatoriamente dentro de cada estrato. Se comparada à
amostragem aleatória simples, apresenta, três vantagens básicas. Primeira: possibilita o
cálculo individual das estimativas da média e da variância por estratos; segunda: reduz os
custos de amostragem; e terceira: aumenta a precisão das estimativas.
Segundo PÉLLICO NETTO & BRENA (1997), a população pode ser estratificada,
tomando como base várias características tais como: topografia do terreno, sítio natural,
tipologia florestal, altura, idade, densidade, volume, etc. Porém, sempre que possível, a
base para estratificação deve ser a variável principal que será estimada no inventário.
O método é empregado nos inventários de grandes áreas florestadas, principalmente
onde há grande variabilidade da característica analisada. Segundo HOSOKAWA & SOUZA
(1987), é o método de amostragem de maior emprego nos inventários florestais,
principalmente nos extensos reflorestamentos, onde os povoamentos puros são implantados
anualmente.
A seguir são definidos os símbolos para identificar variáveis da população
estratificada:
N = número total de unidades de amostra na população
Nj = número de unidades de amostra no j-ésimo estrato
M = número de estratos
n = número de unidades de amostras medidas
nj = número de unidades de amostra medidas no j-ésimo estrato
xij = variável de interesse medida na i-ésima unidade de amostra do j-ésimo estrato
sj
2
= variância da variável de interesse para o j-ésimo estrato
E = erro admissível, em percentagem
Pj = proporção do j-ésimo estrato (área do estrato/área total)
x = total da variável de interesse estimada para a população
As estimativas dos parâmetros por estrato são as seguintes:
a) Média aritmética
b) Variância
As estimativas dos parâmetros para a população são descritas a seguir.
a) Média estratificada
b) Variância da média
n
x
x
j
ij
j

·
1
) (
2
2

·


n
x
x
s
j
j
j ij
x P x j j
*

·

]
]
]
]

,
`

.
| −

,
`

.
|
·
n
n N
n
s P
s
j
j j
j
j j
x
*
*
2 2
2
x = média da variável de interesse para o j-ésimo estrato
x = média populacional ou média estratificada
2
x
s = variância da média estimada da população
x
s = erro padrão total
14
c) Erro padrão total
d) Intervalo de confiança
• Para a média da população
• Para o total da população
Para a estimativa da suficiência amostral, informações preliminares sobre a
variabilidade dos estratos na população são obtidas através de uma pré-amostragem. Nesta
etapa, também deve ser escolhido o erro admissível, a um dado nível de probabilidade.
A fórmula para determinação da suficiência amostral, no caso de amostragem
aleatória estratificada é mostrada a seguir:
onde:
e o número de unidades por estrato,
• proporcional ao tamanho do estrato
• proporcional à variação por estrato
sendo:
ni = número de unidades amostrais no j-ésimo estrato
Pj = proporção do j-ésimo estrato
Sj
2
= variância do j-ésimo estrato
1.3.1.5 Amostragem sistemática
Segundo PÉLLICO NETTO & BRENA (1997), a amostragem sistemática situa-se
entre os processos probabilísticos não aleatórios, e que o critério de probabilidade se
estabelece através da aleatorização da primeira unidade amostral.
As justificativas da adoção de tal método de seleção, fundamenta-se nos custos
reduzidos, na simplicidade de escolha das unidades amostrais e dos trabalhos de campo, na
alta precisão das estimativas médias, tendo em vista que as unidades são distribuídas
uniformemente sobre a área, abrangendo a maioria das peculiaridades da população. Uma
outra vantagem, talvez a maior delas, é que com a adoção do método pode-se mapear a
população sem que seja necessário coletar informações adicionais (HOSOKAWA & SOUZA,
1987).
Este sistema de amostragem pode ser aplicado em parcelas de área fixa, ou faixas e
também parcelas de área variável, no caso de amostragem por pontos. Além disso, este
sistema é aplicado em amostragem aleatória simples e estratificada, melhorando ainda mais
as estimativas dos parâmetros da população.
A amostragem sistemática pode ser feita de duas maneiras, em estágio único ou em
dois estágios. O estágio único é caracterizado pela seleção da amostra, mediante uma única
s N s x x
2 2
* ·
[ ]
s t x
x GL
IC *
) , 05 (.
t ·
[ ]
s t x
x GL
IC *
) , 05 (.
t ·
t s D N
t s N
p
p
n
2 2 2
2 2
* *
* *
+
· ( )

·
s P s j j p
2 2
*
n P n j i
* ·
( )
n
s P
s P
n
j j
j j
i

·
2
2
*
*
15
etapa ou fase de amostragem, enquanto a amostragem em dois estágios é feita em duas
etapas de amostragem (entre linhas e entre unidades na linha).
Para a amostragem sistemática em estágio único com o uso faixas amostrais, a área
é dividida em (N) faixas de igual largura, na qual sorteia-se uma e a partir daí toma-se uma
amostra de (n) faixas, com intervalos iguais (K), constituindo desta forma a pré-amostragem
(Figura 1.2). Se a amostragem for feita com parcelas ou pontos amostrais como unidade
amostral, as unidades são dispostas em duas direções obedecendo ao intervalo de
amostragem (K). Neste caso, a área é dividida em linhas e colunas, sorteando-se uma
coordenada ou escolhendo-se o canto inferior esquerdo da área para obter, do quadrado de
4 linhas e quatro colunas, uma unidade aleatoriamente. As demais unidades serão
selecionadas, a cada 4 unidades, em ambas as direções (Figura 1.3).
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Figura 1.2 - Área dividida em 10 faixas, das quais 3 foram amostradas, para amostragem em
um estágio.
Figura 1.3. - Esquema do uso de parcelas para amostragem sistemática em estágio único.
A amostragem sistemática em dois estágios tem sido a mais utilizada para florestas
nativas, onde a variabilidade de ambientes internos determina sentidos definidos de
variação. Neste caso, a área também é dividida em linhas e colunas, só que a locação das
parcelas não obedece ao critério da eqüidistância. A orientação das linhas e a distância
entre as unidades da linha é definida durante a fase de reconhecimento da área, no sentido
de otimizar a localização das parcelas com as peculiaridades de ambientes. O número de
linhas e o intervalo entre elas são determinados após a pré-amostragem, com base no
número médio de unidades amostrais que cabem numa linha.
Independente da forma de amostragem sistemática, o componente aleatório deve ser
o espaçamento entre as parcelas, dentro das linhas, e a locação da primeira parcela. As
médias devem ser estimadas de forma ponderada, por linha e a variância deve ser estimada
utilizando-se:
16
onde: k = número de linhas
O valor obtido pode ser empregado diretamente nas fórmulas para o cálculo da
suficiência amostral, seja uma amostragem sistematizada simples ou uma amostragem
sistematizada estratificada.
1.3.1.6 Obtenção de estimativas com emprego de parcelas
DAP Médio
onde: ni = número de indivíduos na parcela i
n = número total de parcelas
dapij = DAP do indivíduo j na parcela i
DAPi = DAP médio da parcela i
s
2
DAP = variância do DAP médio
sDAP = Desvio Padrão
Caso o dado obtido a campo for à circunferência a altura do peito (CAP), então o
DAP de cada indivíduo pode ser obtido:
Altura média
onde: hij = altura do indivíduo j na parcela i
Hi = altura média da parcela i
s
2
H = variância da altura média
sH = Desvio Padrão
Área Basal Média
onde: abij = área basal do indivíduo j na parcela i
ABi = área basal da parcela i
S
2
AB = variância da área basal
SAB = Desvio Padrão
n = número total de parcelas
( )
2
.. .
2
*
1

− ·
x x s i
k
x = média geral
i
x = média de cada linha
n
DAP
DAP
i
X

·
ni
dap
DAP
ij
i

·
1
) (
2
2


·

n
DAP DAP
s
x i
DAP
2
DAP DAP
s s ·
x
DAP = DAP médio
π
CAP
DAP ·
n
H
H
i
x

·
i
ij
i
n
h
H

·
1
) (
2
2


·

n
H H
s
x i
H
2
H H
s s ·
x
H = altura média
n
AB
AB
i
x

· ∑
·
ij i
ab AB
1
) (
2
2


·

n
AB AB
s
x i
AB
2
AB AB
s s ·
x
AB = área basal média
17
1.3.1.7 Exemplo com amostragem sistematizada
Inventário florestal de uma floresta plantada de Araucaria angustifolia na FLONA de
Ibirama-SC
Apresentação
A Floresta Nacional de Ibirama (FLONA de Ibirama) foi criada através do Decreto
95.818 em 11 de março de 1988 e a partir de 18 de julho de 2000, a Lei 9.985 instituiu o
Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), ao qual as FLONAs passaram a
fazer parte.
Desde a sua criação a FLONA de Ibirama não apresenta um plano de manejo, então
devido à necessidade da elaboração deste, é necessário à execução de um inventário
florestal na sua área.
Neste contexto, dentre outros traalhos, foi realizado um inventário para obter
informações quantitativas e qualitativas sobre os talhões plantados com araucária.
Descrição da Metodologia utilizada
Para execução do inventário, inicialmente foi realizada a localização dos talhões a
serem inventariados dentro da FLONA, utilizando a interpretação de fotos aéreas
(Fotointerpretação) (Figura 1.4). Após este reconhecimento prévio, foram realizados um
reconhecimento local e levantamento do perímetro destes talhões, utilizando-se trena,
clinômetro e bússola para posteriormente serem elaborados croquis destas áreas.
Após este levantamento, foram sistematizadas a implantação das parcelas de 20 x
30 metros com auxílio de trenas, balizas, estacas de arame com fitas coloridas. Utilizou-se
bússola, para que todas parcelas tivessem a mesma orientação. Foi implantado um total de
14 parcelas, em duas áreas levantadas.
A sistematização das parcelas em cada área consistiu em determinar linhas no
sentido do maior comprimento da área, nas quais foram estabelecidas distâncias para a
localização de cada parcela. A distância utilizada entre as parcelas foi de 40 metros (seja na
linha ou entre linhas), procurando dispor as parcelas ao longo de toda área.
18
Figura1.4 Foto aérea da região da FLONA de Ibirama – SC. (Em vermelho estão os limites
aproximados da FLONA de Ibirama – SC e em azul os limites das áreas
inventariadas).
Cada parcela foi subdividida em 6 subparcelas de 10 x 10 metros para facilitar as
medições (Figura 1.5). Feitas às demarcações das parcelas e subparcelas foram realizadas
as avaliações dendométricas para a Araucária. Todas as plantas foram marcadas dentro da
subparcela, recebendo uma etiqueta de alumínio com numeração e tiveram medidas as
suas alturas comerciais. Também foi medido DAP (Diâmetro a Altura do Peito) de todas as
plantas. As medições dos diâmetros foram realizadas com o auxílio de paquímetros
florestais e para medição das alturas, foram utilizados hipsômetros e réguas dendométricas.
Figura 1.5 Formato de uma parcela de 20 x 30 metros com 6 subparcelas de 10 x 10 metros.
Ainda dentro destas parcelas foram escolhidas trinta plantas ao acaso para realizar
medições buscando estimar um fator de casca e um fator de forma que represente a
situação dos talhões.
19
O cálculo do fator de forma para os talhões foi realizado medindo-se o DAP e o
diâmetro a cada intervalo de um metro, dentro de cinco metros da altura comercial destas
trinta plantas. Então, foi calculado um volume aparente (utilizando-se o DAP), e um volume
real através do somatório dos cinco volumes parciais obtidos utilizando os diâmetros
mensurados a cada metro.
Para cada planta, foi calculado um fator de forma através do quociente entre o seu
volume real e volume aparente, conforme a equação a seguir. Posteriormente foi estimado
um fator de forma médio entre estas plantas.
ff = (Vreal / Vaparente) , como: Vreal = Vp1 + Vp2 + Vp3 + Vp4 + Vp5 então:
ff = (Vp1 + Vp2 + Vp3 + Vp4 + Vp5)/ Vaparente
Para o cálculo do fator de casca, foram mensurados o DAP aparente (com casca) e a
espessura da casca destas 30 plantas. Então, foi calculado o DAP real destas plantas,
subtraindo-se duas vezes a espessura da casca, dos seus respectivos DAP aparentes.
Cada planta obteve um fator de casca através do quociente entre o seu DAP real e DAP
aparente, conforme a equação abaixo. Posteriormente foi estimado um fator de casca médio
entre estas plantas.
fc = (DAPreal / DAPaparente) , como: DAPreal = (DAPaparente – 2 x Ecasca) então:
fc = ((DAPaparente – 2 x Ecasca) / DAPaparente))
Processamento dos dados e análise dos resultados
Após a etapa de campo, os dados obtidos foram tabulados e processados para a
obtenção das estimativas de volume.
Localização das áreas e parcelas
A partir da análise de fotointerpretação da área da FLONA, foi desenhado um croqui
de localização das áreas inventariadas (Figura 1.6). No primeiro levantamento de cada
talhão, foram obtidos dados de distâncias, declividade e deflexões entre pontos (perímetro),
com os quais foram desenhados seus respectivos croquis e calculadas as suas áreas.
Também foram desenhados croquis de localização das parcelas dentro de cada talhão
(Figura 1.7).
O cálculo da área de cada talhão foi realizado através do método das quadrículas. As
coordenadas (distâncias corrigidas e deflexões) obtidas durante o levantamento do
perímetro de cada talhão, foram plotadas em escala, numa folha de papel milimetrado.
Então foi realizada uma contagem do número das quadrículas, existentes dentro de cada
área desenhada, e posteriormente, multiplicado este número pela área que cada quadrícula
representa.
Considerando a área delimitada através do levantamento do perímetro de cada
talhão, o talhão “A” (implantado em 1962) e “B” (implantado em 1963) apresentaram áreas
de 3,1 e 4,0 ha respectivamente.
Para as variáveis analisadas (DAP e Altura), foram calculados a suficiência amostral
e o erro de amostragem e também as estimativas de rendimento (Volume/ha) para cada
talhão.
20
Figura 1.6 Croqui de localização dos talhões de Araucária inventariados na FLONA de
Ibirama – SC.
Linha de transmissão
21
Figura 1.7 Croqui dos talhões “A” e “B” inventariados na FLONA de Ibirama – SC.
Erro de amostragem
Como já foi mencionada anteriormente, a precisão das estimativas geradas por um
inventário florestal depende da suficiência amostral, ou seja, o número de amostras deve ser
suficiente para representar a população inventariada de maneira que o erro de amostragem
encontrado esteja dentro de certos limites aceitos que conferem uma precisão mínima para
o inventário realizado.
O número de parcelas em uma amostra finita pode ser obtido pela equação (NETTO
e BRENA, 1997):
( )
2 2 2
2 2
S t x E N
S t N
n
∗ + ∗ ∗
∗ ∗
· , onde:
n = número de parcelas a serem levantadas,
N = número total de amostras possíveis na área,
t = valor de distribuição de probabilidade (t0,05, com n-1 GL),
S² = variância do parâmetro avaliado,
E = erro admissível,
x = média do parâmetro avaliado.
Conhecendo o número de parcelas demarcadas, é possível isolar o erro de
amostragem na expressão acima, obtendo-se a seguinte equação:
22
x
N n
n N
S t
E
×

× ×
·
Devido ao fato dos Talhões A e B estarem próximos um do outro e de apresentarem
características semelhantes, ou seja, existe uma maior diferença entre as plantas dentro de
cada talhão, do que entre os talhões, optou-se considerar estes dois talhões como um só
para efeito dos cálculos do erro de amostragem.
Desta forma, foi encontrado um erro de amostragem de 13,9% para o parâmetro
DAP médio e 15,2% para a altura comercial média.
Segundo dados da FLONA de Ibirama – SC, os talhões A e B foram plantados com
Araucária nos anos de 1962 e 1963 respectivamente. Até os dias de hoje, eles não
receberam nenhuma intervenção ou prática silvicultural de condução (replantio, desbaste,
etc).
Este histórico, aliado a diferentes condições edáficas dentro de cada talhão,
conferiram uma grande heterogeneidade às plantas, ou seja, dependendo da posição dentro
de cada talhão é possível encontrar diferentes densidades, alturas e diâmetros para estas
plantas.
O inventário foi realizado utilizando-se o processo de amostragem sistematizada,
ficando evidentes os contrastes entres as parcelas. Assim seria necessário implantar um
maior número de parcelas para diminuir o erro de amostragem e obter uma suficiência
amostral individual em cada talhão. Por outro lado, devido às condições topográficas e
dimensões dos talhões, não foi possível aumentar o número de parcelas nestes, então,
utilizando o artifício de considerar os dois talhões um único talhão foi possível encontrar
valores aceitáveis para o erro de amostragem.
De qualquer forma, para os objetivos da FLONA, ao realizar uma futura intervenção
nos talhões, as estimativas geradas através dos dados levantados no inventário realizado
são úteis para quantificar e qualificar os volumes passíveis de exploração.
Estrutura demográfica
A partir dos dados obtidos no inventário dos talhões, as plantas foram arranjadas em
classes de DAP e altura comercial, originando tabelas de distribuições de freqüências
(Tabelas 1.2 e 1.3.) e a partir destas os gráficos de distribuição de freqüências (Figura 1.8).
Nos gráficos da Figura 1.8, é possível observar que a grande maioria das plantas
amostradas encontra-se nas classes de DAP de menor diâmetro (<20 cm). Considerando
que a idade média destas plantas é de 39 anos, elas apresentam um baixo
desenvolvimento, provavelmente devido a condições desfavoráveis de competição e
principalmente em função de restrições edafo-climáticas, uma vez que a região da FLONA
não é de ocorrência natural da Araucária.
23
Tabela 1.2 Número de plantas/ha distribuídas em classes de DAP (cm) e altura comercial
(m) no Talhão A (Fevereiro/2001).
Altura comercial(m)
DAP (cm) 0-2 2-4 4-6 6-8 8-10 10-12 12-14 14-16 16-18 18-20 Total
0-5 8 4 12
5-10 6 116 92 5 2 1 1 223
10-15 14 60 39 27 8 2 1 151
15-20 2 6 18 26 23 6 3 84
20-25 2 10 20 7 11 50
25-30 4 9 3 12 5 33
30-35 4 5 5 7 21
35-40 2 3 1 6
40-45 1 1
Total 14 136 158 64 69 64 26 35 14 1 581
Tabela 1.3. Número de plantas/ha distribuídas em classes de DAP (cm) e altura comercial
(m) no Talhão B (Fevereiro/2001).
Altura comercial(m)
DAP(cm) 0-2 2-4 4-6 6-8 8-10 10-12 12-14 14-16 16-18 18-20 Total
0-5 8 5 1 1 15
5-10 84 43 5 2 134
10-15 5 61 41 9 3 119
15-20 13 31 26 10 1 81
20-25 2 12 11 14 4 1 44
25-30 4 5 5 4 2 20
30-35 4 4 2 1 11
35-40 0
40-45 0
Total 8 94 119 94 51 36 16 5 2 1 426
Figura 1.8 Número de plantas/ha distribuídas em classes de DAP (cm) nos Talhões A e B
(Fevereiro/2001).
24
Estimativas de volume
Através dos dados de DAP e altura comercial, foi estimado um valor para o volume
comercial de cada talhão. O volume foi calculado utilizando o DAP de cada planta, corrigido
com o fator de casca. O valor encontrado foi ainda corrigido com o fator de forma. A fórmula
utilizada para o cálculo do volume foi:
Volume = AB x altura comercial, sendo AB = π(DAP
2
/4)
O valor encontrado foi ainda corrigido com o fator de forma. Os valores utilizados
foram de 0,90 para o fator de casca e 0,87 para o fator de forma, sendo que as suas
planilhas de cálculo estão apresentadas a seguir.
Planilha de cálculo utilizada na obtenção do fator de casca para Araucária na FLONA de
IBIRAMA-SC (Fevereiro/2001).
Planta
Espessura
Casca*
DAP*
aparente
DAP*
real
Fator
casca
1 0,8 10,2 8,6 0,843137
2 1,6 30,8 27,6 0,896104
3 0,9 12,3 10,5 0,853659
4 2,3 39,5 34,9 0,883544
5 0,4 10,8 10 0,925926
6 0,5 11,7 10,7 0,91453
7 0,7 12,5 11,1 0,888
8 0,3 14,5 13,9 0,958621
9 0,7 26,7 25,3 0,947566
10 0,3 12,8 12,2 0,953125
11 1,8 26 22,4 0,861538
12 0,3 7,5 6,9 0,92
13 0,3 22 21,4 0,972727
14 1,2 36,1 33,7 0,933518
15 0,4 14,1 13,3 0,943262
16 0,6 19,2 18 0,9375
17 0,7 13,7 12,3 0,89781
18 0,7 24,2 22,8 0,942149
19 2 35,4 31,4 0,887006
20 0,9 17,4 15,6 0,896552
21 1,8 36,4 32,8 0,901099
22 1 27,4 25,4 0,927007
23 1,3 31,1 28,5 0,916399
24 0,5 7,2 6,2 0,861111
25 0,3 18,5 17,9 0,967568
26 0,9 18,8 17 0,904255
27 0,7 9,1 7,7 0,846154
28 0,5 12,9 11,9 0,922481
29 0,3 17,8 17,2 0,966292
30 0,3 1,6 1 0,625
Média 0,903121
(* DAP e espessura da casca em cm)
25
Planilha de cálculo utilizada na obtenção do fator de forma para Araucária na FLONA de IBIRAMA-
SC (Fevereiro/2001).
Planta DAP* Vparcial* D1 V1 D2 V2 D3 V3 D4 V4 D5 V5 Vreal* Fat.Forma
1 35,5 0,49 35,7 0,10 35,0 0,10 33,5 0,09 31,6 0,08 30,4 0,07 0,44 0,880
2 30,5 0,37 30,7 0,07 30,1 0,07 29,3 0,07 27,9 0,06 27,2 0,06 0,33 0,908
3 31,8 0,40 32,0 0,08 20,0 0,03 20,5 0,03 19,6 0,03 18,3 0,03 0,20 0,507
4 24 0,23 24,2 0,05 22,6 0,04 21,5 0,04 20,7 0,03 21,1 0,03 0,19 0,845
5 31,1 0,38 31,3 0,08 30,2 0,07 30,0 0,07 29,0 0,07 28,0 0,06 0,35 0,913
6 26,4 0,27 26,6 0,06 24,8 0,05 24,0 0,05 23,5 0,04 23,2 0,04 0,23 0,858
7 19,6 0,15 19,8 0,03 19,2 0,03 17,8 0,02 17,4 0,02 16,7 0,02 0,13 0,864
8 14,5 0,08 14,7 0,02 14,5 0,02 13,9 0,02 12,7 0,01 11,7 0,01 0,07 0,873
9 31,1 0,38 31,3 0,08 29,0 0,07 28,1 0,06 27,9 0,06 29,0 0,07 0,33 0,875
10 38,5 0,58 38,7 0,12 37,0 0,11 37,8 0,11 37,2 0,11 34,9 0,10 0,54 0,931
11 16,2 0,10 16,4 0,02 15,4 0,02 15,2 0,02 15,1 0,02 14,6 0,02 0,09 0,898
12 18 0,13 18,2 0,03 17,3 0,02 16,4 0,02 16,0 0,02 15,7 0,02 0,11 0,865
13 13,5 0,07 13,7 0,01 13,5 0,01 13,0 0,01 12,3 0,01 11,7 0,01 0,06 0,908
14 19,4 0,15 19,6 0,03 18,7 0,03 19,0 0,03 18,0 0,03 18,3 0,03 0,14 0,932
15 12,1 0,06 12,3 0,01 12,0 0,01 11,8 0,01 11,3 0,01 10,8 0,01 0,05 0,927
16 20 0,16 20,2 0,03 20,7 0,03 20,3 0,03 19,6 0,03 18,2 0,03 0,15 0,982
17 31,3 0,38 31,5 0,08 30,0 0,07 20,3 0,03 28,4 0,06 28,0 0,06 0,31 0,795
18 10,5 0,04 10,7 0,01 10,2 0,01 9,8 0,01 9,5 0,01 9,2 0,01 0,04 0,888
19 18,6 0,14 18,8 0,03 17,1 0,02 16,4 0,02 15,5 0,02 15,4 0,02 0,11 0,805
20 25,2 0,25 25,4 0,05 24,8 0,05 25,3 0,05 24,0 0,05 22,5 0,04 0,23 0,939
21 15,5 0,09 15,7 0,02 15,2 0,02 14,9 0,02 14,6 0,02 14,2 0,02 0,09 0,928
22 39,2 0,60 39,4 0,12 37,7 0,11 37,8 0,11 36,0 0,10 35,0 0,10 0,54 0,901
23 24,3 0,23 24,5 0,05 22,8 0,04 22,4 0,04 22,3 0,04 22,8 0,04 0,21 0,894
24 30,2 0,36 30,4 0,07 29,5 0,07 28,6 0,06 28,0 0,06 27,0 0,06 0,32 0,905
25 20,1 0,16 20,3 0,03 19,5 0,03 18,9 0,03 17,8 0,02 17,2 0,02 0,14 0,872
26 30,4 0,36 30,6 0,07 26,4 0,05 25,2 0,05 24,7 0,05 24,4 0,05 0,27 0,752
27 31,1 0,38 31,3 0,08 29,1 0,07 28,0 0,06 27,3 0,06 26,5 0,06 0,32 0,839
28 30,5 0,37 30,7 0,07 29,5 0,07 27,8 0,06 27,6 0,06 26,9 0,06 0,32 0,875
29 21,8 0,19 22,0 0,04 21,6 0,04 21,0 0,03 21,3 0,04 19,7 0,03 0,18 0,940
30 25,9 0,26 26,1 0,05 24,9 0,05 24,4 0,05 24,0 0,05 23,3 0,04 0,24 0,899
Fator
Médio 0,873
(* DAP e D em cm e volume em m³)
As Tabelas 1.4 e 1.5 apresentam os valores encontrados para o volume/ha
(corrigidos), distribuído em classes de DAP e altura comercial para os talhões A e B
respectivamente. Para melhor visualizar a distribuição do volume/ha nas classes de DAP,
foram construídos os gráficos de distribuição de volume (Figura 1.9).
Considerando estas estimativas de volume/ha , e a área de cada talhão apresentada
anteriormente no item 5.1, foi estimado um volume de 604,7m³ para o talhão “A” e um
volume de 457,5m³ para o talhão “B”, totalizando um volume para estes dois talhões, na
ordem dos 1062,2m³ de madeira em toras. É importante ressaltar que 47,7% e 61,8% deste
volume, nos talhões A e B respectivamente, é composto por plantas com diâmetro inferior a
25 cm (Tabelas 1.4 e 1.5).
Este volume total estimado corresponde apenas ao volume de toras com altura
comercial, restando ainda um volume não calculado para as copas e outras plantas com
tronco sem altura comercial, que podem ser utilizadas como lenha.
Tabela 1.4 Volume/ha (m³) corrigido, distribuído em classes de DAP (cm) e altura comercial
(m) no Talhão A (Fevereiro/2001).
26
Altura comercial(m)
DAP(cm) 0-2 2-4 4-6 6-8 8-10 10-12 12-14 14-16 16-18 18-20 Total
0-5 0,03 0,03 0,06
5-10 0,04 2,43 3,77 0,36 0,13 0,15 0,06 6,93
10-15 0,72 5,06 5,40 5,55 1,77 0,57 0,40 19,48
15-20 0,19 1,09 4,43 8,65 10,14 3,49 1,72 29,70
20-25 0,77 5,69 13,73 5,80 10,88 36,87
25-30 3,37 8,96 3,64 18,66 8,34 42,97
30-35 5,50 8,45 10,60 15,12 39,67
35-40 4,68 8,17 3,21 16,06
40-45 3,32 3,32
Total 0,07 3,36 9,92 10,97 23,39 40,11 26,78 53,35 23,93 3,21 195,08*
* Intervalo Confiança = t 8,00 m³
Tabela 1.5 Volume/ha (m³) corrigido, distribuído em classes de DAP (cm) e altura
comercial(m) no Talhão B (Fevereiro/2001).
Altura comercial(m)
DAP(cm) 0-2 2-4 4-6 6-8 8-10 10-12 12-14 14-16 16-18 18-20 Total
0-5 0,03 0,03 0,01 0,02 0,08
5-10 1,77 1,79 0,27 0,24 4,07
10-15 0,28 6,19 5,96 1,96 0,66 15,06
15-20 2,27 8,22 9,07 4,61 0,45 24,62
20-25 0,62 5,33 6,21 9,71 3,70 1,27 26,83
25-30 2,59 3,96 5,37 4,85 3,08 19,86
30-35 5,44 6,71 4,30 1,96 18,41
35-40 2,46 2,99 5,45
Total 0,03 2,08 10,88 22,38 21,20 25,79 15,97 9,84 3,23 2,99 114,38*
* Intervalo Confiança = t 4,40 m³
27
Figura 1.9 Volume/ha (m³) corrigido, distribuído em classes de DAP (cm) nos Talhões A e B
(Fevereiro/2001).
1. 3. 2 Método dos Quadrantes
Enquanto os métodos que empregam parcelas fundamentam-se na demarcação de
uma área física, este método fundamenta-se na caracterização da distância entre
indivíduos. Assim, em cada ponto amostral são avaliados os 4 indivíduos (um em cada
quadrante) mais próximos do ponto amostral, bem como a distância entre cada um deles e o
ponto amostral. A relação de área (p. ex. número de indivíduos por hectare, área basal por
hectare, etc.) é estabelecida a partir da distância média entre indivíduos e o ponto amostral.
Desta forma, a implementação do levantamento a campo fica bastante simplificada,
implicando em maior rapidez de execução. O número de unidades amostrais fica
substancialmente aumentado.
A implementação normalmente é feita a partir de uma linha central, onde são
sorteados (lateralmente) os pontos amostrais. Em cada ponto é estabelecido o indivíduo
mais próximo em cada quadrante (totalizando 4 indivíduos por unidade amostral.
Segundo MARTINS (1993), para estabelecer os quadrantes ao redor de cada ponto
de amostragem, pode ser usado uma cruz de madeira com o centro furado. O orifício central
permite que a cruz de madeira fique apoiada sobre o chão da mata, passando pela estaca.
Orientam-se os quadrantes, de modo que um dos braços da cruz fique perpendicular à linha
de picada.
O levantamento deve ser realizado individualmente em cada estrato pré-
estabelecido, caracterizando-se a altura e o DAP dos 4 indivíduos de cada unidade
amostral.
Para a definição da suficiência amostral, considerando que a base do método é a
distância de cada indivíduo ao ponto central da unidade amostral, a avaliação do número de
amostras necessárias para adequação do processo amostral é realizada a partir desta
variável.
Entretanto, a distribuição probabilística das distâncias não é a normal, e sim Poisson,
então há necessidade utilização de uma transformação (logarítmica) para emprego da
distribuição t, conforme utilizado para os métodos com parcelas.
28
Assim, e
onde:
SG
2
= Variância das distâncias entre cada indivíduo j e o centro da unidade amostral i
transformadas (logaritmo neperiano)
Desta forma,
1.3.2.1 Obtenção de estimativas pelo método dos quadrantes
DAP médio
onde:
DAPij = DAP de cada indivíduo j em cada unidade amostral i
n = número total de indivíduos amostrados (4 indivíduos por unidade amostral)
Altura média
onde:
Hij = altura total de cada indivíduo j em cada unidade amostral i
Área Basal Média
onde:
ABi = Área basal de cada unidade amostral i, corrigida por hectare
ABu = Área basal total em cada unidade amostral i
abij = Área basal do indivíduo j na unidade amostral i
dij = distância de cada indivíduo j ao centro da unidade amostral i
1.3.2.2 Exemplo utilizando o Método dos Quadrantes
Inventário florestal de uma área (1500m²) de floresta secundária localizada no
Município de São Pedro de Alcântara, SC
ESTRATO 1
QUADRANTE ESPÉCIE ALTURA DAP AB DISTÂNCIA
(m) (cm) (m
2
) (m)
1,1-924 Tibouchina sellowiana 4,44 2,6 0,0005309 1,00
1,2-925 Tibouchina sellowiana 3,50 2,9 0,0006605 0,53
1,2 0,0001131
1,3-926 Mollinedia sp2 5,90 4,4 0,0015205 0,65
3,1 0,0007548
1,4-927 Mollinedia sp2 5,66 4,3 0,0014522 1,00
∑ 0,005032
ij ij
d g ln ·
1
4
) (
2
2
2


·


n
n
g
g
s
ij
ij
G
2
2 2
*
D
t s
n
G
·
n
DAP
DAP
ij
x

·
n
H
H
ij
x

·
n
AB
AB
i
x

·
x
u
i
A
AB
AB
* 000 . 10
·

·
2
ij u
ab AB
2

,
`

.
|
·

n
d
A
ij
x
x
AB = Área basal média
x
A = Área média das unidades amostrais
29
QUADRANTE ESPÉCIE ALTURA DAP AB DISTÂNCIA
(m) (cm) (m
2
) (m)
2,1-928 Tibouchina sellowiana 2,20 0,7 0,0000385 0,80
0,6 0,0000283
1,2 0,0001131
2,2-929 Mollinedia sp2 5,50 4,9 0,0018857 0,50
4,5 0,0015904
2,3-930 Piptocarpha tomentosa 7,32 10,9 0,0093313 1,53
2,4-931 Mollinedia sp2 6,04 5,5 0,0023758 0,35
∑ 0,0153632
3,1-932 Bacharis sp 1,60 0,3 0,0000071 1,30
3,2-933 Jacaranda micrantha 3,42 2,5 0,0004909 0,40
3,3-934 Tibouchina sellowiana 3,45 2,4 0,0004524 0,35
3,4-935 Tibouchina sellowiana 2,00 0,6 0,0000283 2,80
∑ 0,0009786
4,1-936 Matayba guianensis 5,84 5,5 0,0023758 2,12
4,2-937 Matayba guianensis 2,64 2,4 0,0004524 0,92
4,3-938 Tibouchina sellowiana 2,04 1,5 0,0001767 0,57
4,4-939 Jacaranda micrantha 5,06 4 0,0012566 2,25
4,7 0,0017349 M linha 1,07
∑ 0,0059965
14,1-941 Tibouchina sellowiana 5,20 5,8 0,0026421 1,30
6,6 0,0034212
3 0,0007069
14,2-942 Psidium cattleyanum 1,94 1,4 0,0001539 1,20
14,3-943 Jacaranda micrantha 2,50 2 0,0003142 0,75
14,4-944 Campomanesia sp 2,00 1,2 0,0001131 1,05
1,1 0,000095
∑ 0,0074464
13,1-904 Tibouchina sellowiana 4,71 4,9 0,0018857 0,70
13,2-905 Jacaranda micrantha 4,46 5,8 0,0026421 1,00
13,3-906 Rapanea ferruginea 2,03 1 0,0000785 0,61
13,4-907 Jacaranda micrantha 5,33 4,7 0,0017349 2,40
∑ 0,0063413
12,1-945
Jacaranda micrantha
5,00 4,4 0,0015205 2,00
6,9 0,0037393
12,2-946 Jacaranda micrantha 4,00 2,7 0,0005726 0,55
12,3-947 Jacaranda micrantha 3,54 2,4 0,0004524 1,80
12,4-948 Desconhecida 6,90 6,7 0,0035257 0,40
∑ 0,0098104
11,1-900 Rapanea ferruginea 8,28 8,1 0,005153 2,68
11,2-901 Tibouchina sellowiana 5,68 6,1 0,0029225 1,93
11,3-902 Rapanea ferruginea 9,93 11,1 0,0096769 1,60
11,4-903 Jacaranda micrantha 5,34 6,6 0,0034212 1,75
∑ 0,0211735
30
QUADRANTE ESPÉCIE ALTURA DAP AB DISTÂNCIA
(m) (cm) (m
2
) (m)
10,1-949 Tibouchina sellowiana 4,92 4,5 0,0015904 1,50
10,2-950 Tibouchina sellowiana 3,39 2,1 0,0003464 0,90
10,3-951 Tibouchina sellowiana 4,06 3,9 0,0011946 1,50
10,4-952 Piptocarpha tomentosa 4,90 3,9 0,0011946 1,50
∑ 0,004326 M linha 1,36
19,1-953 Rapanea ferruginea 7,00 6,1 0,0029225 1,20
19,2-954 Miconia cabucu 1,76 1,2 0,0001131 1,60
19,3-955 Bacharis sp 3,05 1,2 0,0001131 1,85
19,4-956 Jacaranda micrantha 3,36 2,5 0,0004909 0,80
2,6 0,0005309
∑ 0,0041705
21,1-957 Jacaranda micrantha 5,06 4 0,0012566 2,30
5,7 0,0025518
5,5 0,0023758
21,2-958 Rapanea ferruginea 3,74 2,9 0,0006605 1,32
21,3-959 Rapanea ferruginea 2,38 1 0,0000785 0,95
21,4-960 Rapanea ferruginea 1,50 0,5 0,0000196 1,50
∑ 0,0069429
22,1-961 Jacaranda micrantha 3,28 2,5 0,0004909 0,60
22,2-962 Jacaranda micrantha 5,24 5 0,0019635 0,8
4,5 0,0015904
4,1 0,0013203
22,3-963 Jacaranda micrantha 2,74 1,7 0,000227 2,28
1,3 0,0001327
22,4-964 Rapanea ferruginea 1,4 0,5 0,0000196 1,25
∑ 0,0057444 M linha 1,37
32,1-965 Matayba guianensis 4,52 3,2 0,0008042 0,47
3,6 0,0010179
3,1 0,0007548
3,8 0,0011341
3 0,0007069
5,8 0,0026421
32,2-966 Tibouchina sellowiana 3,92 3,2 0,0008042 1,8
32,3-967 Myirsia rostrata gracilis 2,92 3,7 0,0010752 1,6
2 0,0003142
32,4-968 Posoqueria latifoliada 2,78 2,2 0,0003801 2,15
∑ 0,0096337
31,1-916 Psidium cattleyanum 1,7 0,5 0,0000196 2,56
31,2-917 Tibouchina sellowiana 2,8 2 0,0003142 0,74
31,3-918 Psychotria sp 3,04 2,8 0,0006158 1,02
31,4-919 Jacaranda micrantha 2,85 2 0,0003142 0,5
∑ 0,0012637
31
QUADRANTE ESPÉCIE ALTURA DAP AB DISTÂNCIA
(m) (cm) (m
2
) (m)
30,1-969 Rapanea ferruginea 1,83 1 0,0000785 2
30,2-970 Rapanea ferruginea 6,82 5,7 0,0025518 2,9
30,3-971 Rapanea ferruginea 9,7 13,8 0,0149571 0,2
30,4-972 Bacharis sp 4,11 2,5 0,0004909 0,2
2,8 0,0006158
6,7 0,0035257
∑ 0,0222197
29,1-920 Jacaranda micrantha 2 1 0,0000785 1,9
29,2-921 Rapanea ferruginea 4,45 4,1 0,0013203 0,64
29,3-922 Desconhecida 5,15 3,5 0,0009621 0,37
29,4-923 Desconhecida 3,71 3,7 0,0010752 2,22
∑ 0,0034361
28,1-973 Piptocarpha tomentosa 1,35 0,4 0,0000126 1,80
28,2-974 Piptocarpha angustifolia 8,93 13,2 0,0136848 0,30
28,3-975 Rapanea ferruginea 7,26 7,1 0,0039592 2,15
28,4-976 Rapanea ferruginea 7,16 6,4 0,003217 3,15
∑ 0,0208735 M linha 1,43
37,1-977 Tibouchina sellowiana 4,16 4,2 0,0013854 3,70
37,2-978 Piptocarpha tomentosa 1,80 1 0,0000785 1,24
37,3-979 Tibouchina sellowiana 4,90 6,1 0,0029225 2,50
37,4-980 Tibouchina sellowiana 5,09 6,8 0,0036317 0,80
7 0,0038485
∑ 0,0118666
38,1-981 Rapanea ferruginea 5,22 6 0,0028274 1,43
38,2-982 Posoqueria latifolia 4,22 3,4 0,0009079 2,50
2,8 0,0006158
38,3-983 Posoqueria latifolia 2,86 2,3 0,0004155 0,98
38,4-984 Piptocarpha tomentosa 1,60 0,6 0,0000283 1,57
∑ 0,0047949
39,1-985 Piptocarpha tomentosa 1,50 0,6 0,0000283 1,29
39,2-986 Maytenus alanternoides 3,92 3,5 0,0009621 4,17
39,3-987 Tibouchina sellowiana 5,44 7,7 0,0046566 1,20
1,4 0,0001539
3 0,0007069
39,4-988 Miconia rigidiuscula 2,08 0,9 0,0000636 0,74
1 0,0000785
0,7 0,0000385
∑ 0,0066885
32
QUADRANTE ESPÉCIE ALTURA DAP AB DISTÂNCIA
(m) (cm) (m
2
) (m)
40,1-989 Psidium cattleyanum 1,88 1,1 0,000095 1,57
1,1 0,000095
40,2-990 Myirsia rostrata var gracilis 3,26 3,5 0,0009621 3,19
1,8 0,0002545
40,3-991 Hieronyma alchorneoides 2,66 1,7 0,000227 0,67
40,4-992 Desconhecida 3,53 3,3 0,0008553 1,09
∑ 0,0024889
41,1-993 Tibouchina sellowiana 3,24 6,67 0,0034942 1,65
41,2-994 Sloanea guianensis 1,94 1,1 0,000095 0,62
1,3 0,0001327
41,3-995 Tibouchina sellowiana 5,52 6,6 0,0034212 0,91
41,4-996 Mollinedia sp2 5,19 1,6 0,0002011 0,55
3,3 0,0008553 M linha 1,62
∑ 4,07 3,568 0,0081995 Média G 1,38
VAR 0,0355
M linha = média da linha n(sist) 2,0162151
AB/ha = 10.99 m
2
Amédia = 1.91 m
2
ESTRATO 2
QUADRANTE ESPÉCIE ALTURA DAP AB DISTÂNCIA
(m) (cm) (m
2
) (m)
7,1-45 Mirtácea sp2 4,50 2 0,0003142 1,50
7,2-46 Desconhecida 1,60 0,4 0,0000126 0,81
7,3-47 Rapanea umbellata 8,50 4,2 0,0013854 0,30
7,4-48 Alchornea triplinervia 1,70 1,1 0,000095 0,24
∑ 0,0018072
8,1-41 Matayba guianensis 2,33 2 0,0003142 1,33
8,2-42 Maytenus alaternoides 1,95 0,6 0,0000283 1,57
8,3-43 Guatteria australis 2,57 1,1 0,000095 0,92
1 0,0000785
8,4-44 Piptocarpha tomentosa 1,70 0,5 0,0000196 1,59
∑ 0,0005356
9,1-37 Rapanea umbellata 7,03 4,6 0,0016619 1,36
9,2-38 Desconhecida 6,28 5 0,0019635 0,92
9,3-39 Mirtácea sp2 2,30 1,6 0,0002011 0,45
9,4-40 Desconhecida 2,78 1,3 0,0001327 1,51
0,8 0,0000503 M linha 1,04
0,7 0,0000385
∑ 0,0040479
33
QUADRANTE ESPÉCIE ALTURA DAP AB DISTÂNCIA
(m) (cm) (m
2
) (m)
18,1-29 Piptocarpha tomentosa 7,29 13,6 0,0145267 1,83
18,2-30 Piptocarpha tomentosa 9,84 15,4 0,0186265 1,55
18,3-31 Rapanea umbellata 1,40 0,6 0,0000283 0,84
18,4-32 Myirsia rostrata var gracilis 1,35 0,4 0,0000126 1,70
∑ 0,0331941
17,1-908 Desconhecida 3,59 3,3 0,0008553 1,90
17,2-909 Miconia cabucu 10,35 19,1 0,0286521 1,00
17,3-910 Hieronyma alchorneoides 7,72 6 0,0028274 2,40
17,4-911 Clusia parviflora 2,40 1 0,0000785 1,65
∑ 0,0324134
16,1-33 Mirtácea sp3 1,70 1,4 0,0001539 1,10
16,2-34 Clusia parviflora 2,64 1,5 0,0001767 0,40
16,3-35 Desconhecida 7,84 7,6 0,0045365 1,52
16,4-36 Xylopia brasiliensis 2,67 1,5 0,0001767 2,00
∑ 0,0050438 M linha 1,49
25,1-17 Prunus sellowii 4,20 2 0,0003142 0,85
25,2-18 Posoqueria latifolia 2,72 2,2 0,0003801 0,55
25,3-19 Miconia cabucu 4,27 3 0,0007069 0,30
25,4-20 Mirtácea sp1 1,70 0,9 0,0000636 0,93
∑ 0,0014648
26,1-21 Rapanea umbellata 1,90 0,8 0,0000503 2,50
26,2-22 Matayba guianensis 8,68 7,6 0,0045365 1,40
26,3-23 Guatteria australis 5,70 1,2 0,0001131 1,00
4,1 0,0013203
26,4-24 Psidium cattleyanum 4,57 1,3 0,0001327 1,30
∑ 0,0061528
27,1-25 Piptocarpha tomentosa 10,00 12,6 0,012469 1,60
2,3 0,0004155
27,2-26 Miconia rigidiuscula 2,12 0,8 0,0000503 2,57
27,3-27 Matayba guianensis 9,39 6,5 0,0033183 2,10
27,4-28 Rapanea umbellata 4,04 2 0,0003142 1,23
∑ 0,0165672 M linha 1,36
36,1-9 Piptocarpha tomentosa 13,50 12,9 0,0130698 0,78
18,7 0,0274646
36,2-10 Matayba guianensis 9,49 5,6 0,002463 4,08
36,3-11 Mirtácea sp1 4,14 2,6 0,0005309 1,96
36,4-12 Piptocarpha tomentosa 11,70 17 0,022698 1,48
∑ 0,0662263
34
QUADRANTE ESPÉCIE ALTURA DAP AB DISTÂNCIA
(m) (cm) (m
2
) (m)
35,1-912 Mirtácea sp2 1,45 0,5 0,0000196 0,98
35,2-913 Desconhecida 2,51 1,7 0,000227 0,89
35,3-914 Miconia cabucu 9,36 7 0,0038485 3,00
35,4-915 Desconhecida 10,20 15,7 0,0193593 0,17
∑ 0,0234543
34,1-13 Matayba guianensis 2,78 2,2 0,0003801 0,66
34,2-14 Psychotria sp 10,60 9,3 0,0067929 1,30
34,3-15 Psychotria sp 5,60 6,1 0,0029225 0,45
34,4-16 Rapanea umbellata 2,80 1,1 0,000095 0,20
∑ 0,0101905 M linha 1,33
43,1-997 Ficus sp 9,16 8,1 0,005153 0,75
43,2-998 Casearia silvestris 4,79 4 0,0012566 0,93
43,3-999 Prunus sellowii 4,14 1,7 0,000227 1,33
43,4-1000 Mirtácea sp2 1,92 0,6 0,0000283 1,60
0,7 0,0000385
∑ 0,0067034
44,1-1 Miconia rigidiuscula 1,69 0,5 0,0000196 1,08
0,3 0,0000071
44,2-2 Guarea macrophylla 2,00 1,3 0,0001327 1,16
44,3-3 Psidium cattleyanum 7,96 4,8 0,0018096 0,80
44,4-4 Mollinedia sp1 2,15 1,6 0,0002011 2,10
1,3 0,0001327
2 0,0003142
2,4 0,0004524
∑ 0,0030693
45,1-5 Piptocarpha tomentosa 9,36 10 0,007854 0,80
10,9 0,0093313
45,2-6 Psychotria sp 11,00 10,2 0,0081713 1,23
45,3-7 Miconia cabucu 7,72 5,2 0,0021237 2,22
45,4-8 Posoqueria latifolia 3,63 2,3 0,0004155 1,00
Média 5.18 4,36 0,0014928 M linha 1,25
∑ 0,0294 Média G 1,29
VAR 0,02212
n (sist) = 1,5218549
AB / há = 25.32 m
2
Amédia = 1.66 m
2
Exemplo de Cálculo: suficiência amostral (Método dos Quadrantes), para o segundo estrato,
com uma pré amostragem de 15 pontos.
Variância

· 701793 , 25
2
ij
g 41404 , 23 ) (
2
·
∑ ij
g
35
Cálculo da média geométrica
onde:
lnG = logaritmo natural da média geométrica
n = número de distâncias medidas
xi = valores das distâncias individuais
A média geométrica (G) é calculada como o antilogaritmo do resultado obtido da
fórmula acima.
então,
G = 1,00345032
D = 20% x 1,00345032 = 0,20069
assim,
n = número de indivíduos da amostra que seria necessário para fornecer uma média
representativa.
np = número de pontos amostrais = n/4
n = 48,77
np = 12,19 ~ 13 pontos
429 , 0
1 60
15 * 4
41404 , 23
701793 , 25
2
·


·
G
s
) ln ... ln (ln *
1
ln
2 1 n G
x x x
n
+ + + ·
00345032 , 0 ) 7975072 , 0 ... 405465 , 0 ( *
60
1
ln · + + ·
G
2
2 2
*
D
t s
n
G
·
0402765 , 0
5796 , 4 * 429 , 0
· n
36
1.4 BIBLIOGRAFIA
• CONTE, R. Manejo do palmiteiro em Santa Catarina. Relatório de Conclusão do
Curso de Agronomia, Florianópolis, novembro de 1997.
• FRANÇA, F.W.S.; PIRES, E.P.S. & TOTTI, J.A. Avaliação da produtividade efetiva
dos levantamentos dendrométricos para inventário florestal na Riocell S.A. Anais do
6º Congresso Florestal Estadual, V 2, p. 721-733, Nova Prata, RS,1988.
• HOSOKAWA, R.T. & SOUZA, A.L. Amostragem para fins de manejo. Curso de
Manejo Florestal. Brasília - DF, 1987, v. 5, 25p.
• LOETSCH, F.; ZÖHRER, F. & HALLER, K.E. Forest inventory. 2. ed., v. 2, Munich,
1973. 469 p.
• NODARI, R.O.; GUERRA, M.P.; REIS, A.; REIS, M.S. & MERIZIO, D. Análise
preliminar do inventário do palmiteiro em Floresta Ombrófila Densa Montana. Anais
do I Encontro Nacional de Pesquisadores em Palmito, p. 159-163, Curitiba, PR,
1987.
• MARTINS, F.R. Estrutura de uma Floresta Mesófila. 2.ed, Campinas, SP, 1993.
246 p.
• PÉLLICO NETTO, S. & BRENA, D.A. Inventário Florestal.V.1,Curitiba, PR, 1997.
316p.
• REIS, A.; REIS, M.S. & FANTINI, A.C. Manejo do Palmiteiro (Euterpe edulis) em
Regime de Rendimento Sustentável. Florianópolis, UFSC, 1994.
• VEIGA, R.A.A. Dendrometria e Inventário Florestal. Botucatu, SP: Fundação de
Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais, 1984. Boletim didático n. 1., 108p.
37
2. MÓDULO CARACTERIZAÇÃO DE ESTÁDIOS SUCESSIONAIS NA
VEGETAÇÃO CATARINENSE.
2.1As tipologias florestais catarinenses
As tipologias florestais catarinenses receberam três denominações: Floresta
Ombrófila Densa, que ocorre no Litoral e estende-se até a Serra Geral, do Mar e do
Espigão; Floresta Ombrófila Mista, que ocorre no Planalto e se caracteriza pela presença da
Araucaria angustifolia e Floresta Estacional Decidual, caracterizada por espécies
caducifólias, com ocorrência predominante no Oeste Catarinense (IBGE, 1990).
Este conjunto de tipologias vegetacionais tem sido enquadrado como pertencentes à
área de “Domínio da Mata Atlântica” (DECRETO LEI 750, 1993), e se caracterizam por
apresentarem diversidade bastante acentuada, mas distintas entre si. Esta diversidade
implica em variações que podem ser agrupadas sob pontos distintos: fisionomia, estrutura,
composição, dinâmica, ambientes edáficos, estratégias reprodutivas, fenologia e padrão
espacial (REIS, 1993).
A Floresta Ombrófila Densa (FOD):
Segundo o IBGE (1992), o termo Floresta Ombrófila Densa foi criado por Ellemberg
& Mueller Dombois, substituindo o antigo termo floresta pluvial, de mesmo significado, ou
seja, floresta "amiga das chuvas". Outros nomes comuns dados a este tipo de vegetação
são Mata Atlântica ou Floresta Atlântica.
A Floresta Ombrófila Densa se estende por quase toda a faixa litorânea do Brasil, do
Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Caracteriza-se pela formação de um dossel
uniforme quanto a sua coloração, forma das copas e altura, representando uma
fitofisionomia muito característica e com poucas variações durante todo o ano (REIS, 1995).
A maior parte dessa fisionomia é impressa pela presença das grandes árvores que
dificilmente se sobressaem no dossel (KLEIN, 1980).
Internamente, Klein (1979-1980) caracteriza na Floresta Ombrófila Densa uma
estruturação bastante dependente das grandes árvores que formam o estrato superior da
floresta, o das macrofanerófitas. Sob este primeiro estrato, arvores menores formam o
estrato médio, ou mesofanerófitas. Ainda um terceiro estrato arbóreo pode ser identificado,
formado pelas nanofanerófitas. De forma esparsa e irregularmente ocupando o quarto
estrato, estão ervas características do interior da floresta.
Segundo Leite & Klein (1990), a Floresta Ombrófila Densa possui características
tropicais, mesmo sendo situada em zona extratropical. Apesar da ausência de algumas
espécies tipicamente tropicais, existe alto grau de endemismos, estando diretamente
relacionado a complexidade dos ecossistemas existentes. De forma geral, as características
que determinam essa formação florestal são a ausência de um período seco, temperaturas
médias acima de 15º C e alta umidade.
A Floresta Ombrófila Mista (FOM):
Esta tipologia florestal está circunscrita a uma região de clima subtropical, ocorrendo
abaixo do Trópico de Capricórnio em altitudes que variam de 500 a 1200 metros, nos
estados, do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, ocorrendo ainda alguns relíctos
em regiões mais elevadas dos estados de São Paulo e Minas Gerais e na parte nordeste da
Argentina, na província de Missiones, divisa com Santa Catarina (HUECK, 1953; VELOSO
38
et al., 1991).
O clima de ocorrência da Floresta Ombrófila Mista em Santa Catarina é classificado,
segundo Köppen como Cfb - Clima mesotérmico subtropical úmido, com verões frescos,
sem estação seca definida e com geadas severas freqüentes, temperaturas médias dos
meses mais quentes são inferiores a 22°C (KÖPPEN, 1948). A precipitação média está
entre os 1300 e 1400 mm/ano (MACHADO, 1984).
Na Floresta Ombrófila Mista, a presença da Araucaria angustifolia imprime uma
fitofisionomia muito peculiar, ao mesmo tempo em que também imprime uma estruturação
característica para esta tipologia florestal. Formando o estrato de árvores emergentes o
pinheiro compõe o primeiro estrato ou das megafanerófitas. Seguem ainda outros três
estratos com formas arbóreas, formando respectivamente o estrato das macrofanerófitas,
mesofanerófitas e nanofanerófitas, sendo o quinto estrato formado pelas ervas (REIS,
1993).
Klein (1978) em seu trabalho subdividiu a “Mata de Araucária” (atualmente
denominada como Floresta Ombrófila Mista) dentro do estado de Santa Catarina de acordo
com as diferentes associações florestais, caracterizadas através das diferentes formas de
associação da araucária com outras espécies. Nas regiões do Planalto Norte e Meio-oeste,
a araucária ocorre associada principalmente a Ocotea porosa e Ilex paraguariensis,
enquanto que na região do Planalto Sul sua ocorrência está associada principalmente a
Ocotea pulchella e Nectandra lanceolata e no Extremo-oeste associada a Apuleia leiocarpa
e Parapiptadenia rigida. Ainda no Extremo-oeste e em regiões de transição do Planalto com
a Floresta Ombrófila Densa (FOD), a araucária ocorre associada a formações de faxinais,
termo utilizado pelo autor para se referir a áreas com algum tipo de restrição edáfica para o
desenvolvimento das espécies. A última associação da araucária mencionada refere-se à
ocorrência da espécie em formações de campo, formando os “bosques e capões de
pinheiros”.
A Floresta Estacional Decidual (FED):
Também conhecida como “Mata Branca”, estende-se ao longo do curso médio e
superior do rio Uruguai, em altitude mínima de 200 metros, e subindo seus múltiplos
afluentes, até uma altitude de 600 a 800 metros. Nestas altitudes entra em contato com a
Floresta Ombrófila Mista no Oeste do planalto ocidental catarinense, extremo norte do Rio
Grande do sul, estendendo-se para o leste até aproximadamente o entroncamento dos rios
Pelotas e Canoas (KLEIN, 1972; RAMBO, 1994).
Esta tipologia florestal é marcada fitofisionomicamente por um número relativamente
reduzido de árvores dominantes do estrato superior, que se tornam responsáveis por largas
áreas proporcionando um aspecto fitofisionômico bastante homogêneo nesta formação
vegetal. Esta homogeneidade é principalmente realçada na época da primavera e verão -
período estival, quando as copas das árvores “emergentes” encontram-se revestidas por
densa folhagem e abundantes inflorescências e por vezes muito vistosas. De maneira
especial no período hibernal - outono e inverno, o estrato “emergente” apresenta-se
desprovido da folhagem e por muitas vezes apresenta abundância de frutos secos.
Caracteriza-se principalmente por apresentar elevada percentagem de espécies exclusivas,
bem como um número relativamente pequeno de espécies arbóreas altas (maiores de 30
metros) e, sobretudo pela quase absoluta ausência de epífitas (LINDMAN, 1974; RAMBO,
1956, 1994; KLEIN, 1972).
A região da FED é tipicamente Ombrófila, sem período seco definido e com alta
intensidade e regularidade pluviométrica, ficando a precipitação média anual é de 1.878 mm.
39
Os índices térmicos da região determinam dois períodos bem distintos: um período de
quatro a cinco meses, centrados no verão, com médias compensadas iguais ou superiores a
200C e outro com duração de dois a três meses, centrados no inverno, com médias iguais
ou inferiores de 150C (Julho 13,50C). O clima, apesar de quente-úmido durante boa parte
do ano, conserva, por apreciável período, caráter frio, capaz de imprimir restrições à
proliferação e o desenvolvimento de um grande número de espécies tipicamente tropicais
(IBGE, 1990).
Conforme KLEIN (1972), a estrutura da FED pode ser distinguida com relativa
facilidade em três estratos, além dos estratos arbustivo e herbáceo: 1) Estrato das árvores
altas ou emergentes, sendo uma formação descontínua das árvores altas (maiores de 30
metros de altura) e deciduais a semideciduais (estrato também denominado
Megafanerófita). 2) Estrato das árvores com altura entre 20-25 metros, formado por um
número relativamente pequeno de árvores, dentre as quais sobressaem as Lauráceas. Este
estrato, denominado de Macrofanerófita, é caracterizado por árvores perenifoliadas que
desempenham papel preponderante. 3) Estrato das arvoretas com altura variando entre 6-
15 metros, formado por um número relativamente pequeno de espécies que por muitas
vezes formam pequenos adensamentos que dão a característica própria desse estrato. Este
estrato também denominado Mesofanerófitas é, em geral, bastante uniforme. O estrato
arbustivo é pouco representativo para a fisionomia, que inclui as densas touceiras de
taquaruçu (Bambusa trinii) e esparsamente, de taquara-lisa (Merostachys multiramea), já o
estrato herbáceo é denominado também de Nanofanerófitas onde predominam as epífitas,
terrícolas hemicriptófitas rizomatosas, gramíneas dos gêneros Pharus e Olyra.
2.2 Dinâmica da sucessão secundária associada aos sistemas agrícolas
A regeneração natural da vegetação que se instala após eventos naturais ou de
origem antrópica constitui um mecanismo dinâmico progressivo e contínuo de restauração
da vegetação, tendendo a recompor a cobertura original da área (KLEIN, 1980;
SALDARRIAGA et. al., 1988; TABARELLI & MANTOVANI, 1999; WHITMORE, 1998). Este
processo contínuo de germinação, instalação, crescimento, reprodução, substituição e morte
de vegetais é denominado de dinâmica da vegetação e pode ser observado tanto no
processo sucessional (dinâmica linear) como em formações em clímax, através das clareiras
e a substituição de indivíduos mortos (QUEIROZ, 1995).
A sucessão natural que ocorre após a abertura de uma clareira na floresta, é
caracterizada por mudanças nas características ambientais, como luz, umidade e
temperatura, constituindo-se no mecanismo pelo qual as florestas tropicais se renovam
(GOMEZ-POMPA, 1971; WHITMORE, 1998). Nos locais anteriormente ocupados por uma
comunidade florestal, e que sofreram grandes perturbações antrópicas, o processo de
sucessão é denominado sucessão secundária (KLEIN, 1980; GURIGUATA & OSTERTAG,
2001). Este processo de regeneração diferencia-se da sucessão natural por apresentar
estádios sucessionais bem definidos, compostos por um número reduzido de espécies
dominantes (KLEIN, 1980), constituindo-se em perturbações semelhantes a clareiras de
tamanho grande (KAGEYAMA et al. 1992, TOREZAN, 1995). As espécies adaptadas às
condições edáficas mais extremas como picos de morros, banhados, margens de rios e
afloramento de rochas reúnem um conjunto de características ou síndromes muito próximas
daquelas classificadas como pioneiras dentro das clareiras (REIS et al., 1995).
As características estruturais das formações secundárias, resultantes de
perturbações antrópicas, dependem de diversos fatores, principalmente da fertilidade do
solo, do clima regional, e da proximidade com matas originais (KLEIN, 1980; WHITMORE,
40
1998; GUARIGUATA & OSTERTAG, 2001). A intensidade da degradação das condições
químicas e físicas do solo, conseqüência do uso intensivo da área, pode determinar um
aumento no número de estádios sucessionais ou a estabilização do processo de
regeneração (WHITMORE, 1998).
Áreas cobertas por diferentes estádios sucessionais encontram-se mesclados na
paisagem formando mosaicos, uma vez que a atividade antrópica ocupa as encostas de
forma irregular. Isto pode ser facilmente observado em pequenas propriedades que utilizam
o sistema de pousio, ou seja, o uso temporário e abandono de pequenas áreas de terra
(QUEIROZ, 1995).
O sistema de cultivo utilizado por pequenos agricultores, chamado de roça-de-toco,
pousio ou coivara, constitui uma tradição milenar da maioria das populações indígenas, e foi
assimilada pelas populações remanescentes dos processos de colonização (ADAMS, 2000;
OLIVEIRA, 2002). Esse modelo é descrito por diversos autores e ocorre de modo
semelhante em diferentes partes do mundo, sendo particularmente comum na zona das
florestas tropicais e subtropicais (UHL, 1987; SALDARRIAGA et al., 1988; ADAMS, 2000;
COOMES et al. 2000; OLIVEIRA 2002). O sistema é baseado na derrubada e queima da
vegetação, seguindo-se um período de cultivo e, após o declínio da fertilidade do solo, um
período de abandono ou pousio para restauração da fertilidade (UHL, 1987; SALDARRIAGA
et al., 1988; ADAMS, 2000; COOMES et al. 2000; OLIVEIRA 2002).
Em “A Ferro e Fogo”, Warren Dean (1996), aponta que todos os regimes agrícolas
representam transtorno a um ecossistema natural e que na verdade, procuram controlar a
sucessão natural em seu estádio inicial, introduzindo plantas cultivadas que, em seu estado
selvagem tinham sido espécies precursoras. Segundo o autor, a lavoura do tipo itinerante é
menos invasiva, porque imita a escala natural de perturbação e, em vez de congelar
permanentemente o processo de sucessão, apenas o explora de forma temporária.
Os estádios de sucessão secundária
Os estádios sucessionais se caracterizam pela predominância de tipos biológicos
que determinam a fisionomia da vegetação. Embora o processo seja contínuo, podem ser
observadas etapas nas quais determinada espécie de planta ou conjunto de plantas atingem
seu máximo desenvolvimento, cuja forma, cor ou conjunto é muito característico, podendo
ser facilmente reconhecido (QUEIROZ, 1995).
Klein (1979-1980) caracterizou a ecologia da flora do Vale do rio Itajaí-açú
preocupando-se em descrever as comunidades e associá-las às variações temporais ou
espaciais do ambiente, e suas constatações têm sido generalizadas para a Floresta
Ombrófila Densa. Já para as outras tipologias florestais, tem sido constatado que o processo
dinâmico é composto de etapas semelhantes quanto à função e o dinamismo, mas com
espécies dominantes de cada estádio sucessional típicas da região (REIS, 1995), podendo-
se distinguir:
1) Estádio pioneiro - caracterizando-se pela presença de plantas herbáceas como
Pteridium aquilinum, Melinis minutiflora e Andropogon bicornis, principalmente quando o
solo é abandonado após longos anos de cultivo consecutivo (KLEIN, 1980). Esta vegetação
perene inicial ainda não consegue manter níveis de interação capazes de atrair animais
transportadores de propágulos, sendo o vento o principal vetor capaz de garantir a chegada
de novas plantas colonizadoras (REIS, 1993).
2) Estádio Arbustivo - verifica-se o aparecimento dos primeiros arbustos, sobretudo
de representantes da família das compostas (Asteraceae) como: Baccharis elaeagnoides, B.
calvescens, B. dracunculifolia e por Dodonaea viscosa (Sapindaceae). Este estágio,
41
também denominado Baccharisietum, surge após cinco ou mais anos de abandono dos
terrenos, podendo permanecer por até 10 anos (KLEIN, 1980). Queiroz (1994), cita, além
das associações de Baccharis dracunculifolia, as associações Noticastro-Dodonaetum
viscosae e Tibouchino-Dodonaeetum viscosae como características deste estádio.
3) Estádio de Arvoretas - este estádio é caracterizado pela substituição dos
vassourais por arvoretas, na Floresta Ombrófila Densa principalmente pela Myrcine
coriaceae (Myrsinietum), que se instala de maneira muito agressiva, ou surgem espécies do
gênero Tibouchina (KLEIN, 1980; QUEIROZ, 1994). Na Floresta Ombrófila Mista e na
Floresta Estacional Decidual destaca-se o Solanum erianthum, formando associações muito
densas e características, devido a cor esbranquiçada de suas folhas (REIS, 1993). Estas
espécies se caracterizam por serem árvores de pequeno porte e em geral de copas
esparsas, permitindo um sombreamento desuniforme do sub-bosque, destacando-se a
capacidade do gênero Myrsine em atrair pássaros (REIS, 1995).
4) Estádio Arbóreo Pioneiro - Nesta fase observa-se a dominância de
mesofanerófitos com alturas maiores do que 15 metros. As comunidades são bastante
uniformes quanto à altura das árvores dominantes (IBGE, 1992).
Segundo Klein (1980), esta fase na Floresta Ombrófila Densa é caracterizada pela
instalação da Miconia cinnamomifolia, o Miconietum. As árvores têm copas amplas e alturas
de 10 a 15 metros ocorrendo em alta densidade, o que promove o aparecimento de um
microclima muito sombreado e úmido no interior da comunidade, permitindo a instalação de
outras espécies arbustivas e arbóreas tolerantes à sombra.
Dentro da Floresta Ombrófila Mista, a espécie arbórea pioneira que mais se destaca
é a Mimosa scabrella, que também pode ocorrer em algumas regiões da Floresta Estacional
Decidual juntamente com Parapiptadenia rigida, que por vezes, cobre regiões maiores e de
forma quase homogênea (REIS, 1993).
Neste estádio, surgem as árvores pioneiras do estádio Arbóreo Avançado como a
Miconia cabucu, Didymopanax angustissimum, Hieronyma alchorneoides, com Euterpe
edulis aparecendo freqüentemente no extrato médio. A transição entre o estádio de
Miconietum e Arbóreo Avançado é constituída de diversas fases intermediárias, que de
forma geral são difíceis de serem diferenciadas (KLEIN, 1980).
5) Estádio Arbóreo Avançado - É também denominado Mata Secundária (KLEIN,
1980) ou Floresta Secundária (QUEIROZ, 1994). Neste estádio, que ocorre cerca de 30 a 50
anos após o abandono da área agrícola, tem-se um ambiente florestal, sob todos os
aspectos fisionômicos, muito semelhantes à floresta original. Segundo Roderjan & Kuniyoshi
(1988), esta fase é caracterizada por uma vegetação heterogênea, dois estratos arbóreos
bem definidos e um terceiro em formação.
As árvores dominantes atingem na média, alturas entre 10 a 20 metros, podendo
chegar até 25 metros, em função das condições edafoclimáticas. Encontra-se, ainda, um
estrato herbáceo-arbustivo bem desenvolvido e bem distribuído, com a presença acentuada
de lianas (cipós), epífitas e constritoras, além dos xaxins, caetês, e um grande número de
epífitas das famílias Bromeliaceae, Orquidaceae, Araceae (RODERJAN & KUNIYOHSI,
1988).
2.3 Classificação da Mata Atlântica em estádios sucessionais
O aparato legal brasileiro esteve constantemente atento à questão da conservação
dos recursos florestais, embora nem sempre tenham sido aplicados os dispositivos legais. A
grande destruição das florestas no início do século XX motivou a criação, em 1965, da Lei
42
4.771, conhecida como Código Florestal Brasileiro, para regulamentar a utilização dos seus
recursos. O Código Florestal restringiu a utilização de florestas primárias e criou as áreas de
reserva legal e de preservação permanente nas propriedades. Na Constituição Federal de
1988, a Mata Atlântica passou a ser considerado patrimônio nacional. Para Silveira (1998),
esta abordagem é uma tentativa de conciliar os interesses individuais e os sociais, trazendo
à tona o direito da propriedade frente a sua função social. Através desta, ficou estabelecido
que é de interesse de toda a sociedade o aproveitamento racional e adequado da
propriedade, a utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e a preservação do
meio ambiente.
A primeira iniciativa do Governo Federal no sentido de regulamentar a Constituição
Federal, definindo instrumentos legais específicos para a Mata Atlântica, foi a edição do
Decreto no 99.547 de 1990, que dispunha sobre a vedação de corte e da respectiva
exploração da vegetação nativa da Mata Atlântica. Este Decreto recebeu inúmeras críticas,
inclusive quanto a sua constitucionalidade, um processo que promoveu a apresentação de
inúmeras propostas de textos alternativos, resultando em uma lei com graves lacunas e sem
o respaldo dos órgãos responsáveis por sua aplicação. Em 1992, o Conselho Nacional do
Meio Ambiente (CONAMA) aprovou uma minuta de decreto como alternativa, cujas
diretrizes, segundo Capobianco (2002), constituíram a base para o Decreto Federal no 750,
assinado em 10 de fevereiro de 1993.
O Decreto 750 definiu os limites para o uso e conservação da Mata Atlântica,
proibindo o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária e nos estágios
avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica (Tabela 2.1), e atribuiu ao IBAMA e
órgãos estaduais a regulamentação da a exploração da vegetação secundária em estágio
inicial de regeneração (SANTA CATARINA, 2002).
Entretanto, a primeira iniciativa para a sua regulamentação ocorreu em 1993,
através da Resolução nº 010 do CONAMA. Esta Resolução estabeleceu a altura média, o
diâmetro médio medido a 1,3 metros do solo (DAP) e a área basal média da vegetação
como as variáveis a serem usadas na classificação da vegetação em estádios de sucessão
da Mata Atlântica. Para cada uma destas variáveis, os parâmetros que definem os intervalos
de classe de cada estádio da sucessão foram estabelecidos em cada Estado da Federação
pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e
pelo Órgão estadual integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e
submetidos à aprovação do Presidente do CONAMA.
Em Santa Catarina, a definição de vegetação primária e secundária nos estádios
inicial, médio e avançado de regeneração foi estabelecida através da Resolução no 04 do
CONAMA de 1994, que passou a orientar os procedimentos de licenciamento de atividades
florestais no Estado (Tabela 2.1). Em seu texto são apresentadas, também, listas das
espécies vegetais características para cada estádio.
No entanto, a aplicação prática dos ditames dessa lei para classificar a vegetação
em estádios de sucessão apresenta duas limitações importantes. Primeiramente, exige alto
grau de especialização do técnico no reconhecimento das espécies apontadas como típicas
de cada estádio. Esta limitação se agrava em situações onde a vegetação apresenta uma
grande heterogeneidade de espécies, citadas como típicas de diferentes estádios. A
segunda limitação é a falta de normatização para a amostragem da vegetação,
principalmente no que diz respeito ao limite diamétrico mínimo para inclusão de indivíduos
na amostra, o que torna ineficazes os valores-limite de diâmetro e altura médios e
impossibilita sua utilização para a diferenciação dos estádios (JASTER, 2002; SIMINSKI &
FANTINI, 2003; SIMINSKI et al. 2004) (Tabela 2.2). Assim, como aponta Jaster (2002), a
43
classificação dos estádios ocorre principalmente de forma subjetiva, fortemente baseada na
experiência do técnico.
Tabela 2.1. Definições de possibilidades de uso da Mata Atlântica pelo Decreto 750/93 e
critérios para definição dos estádios de regeneração para o Estado de Santa Catarina pela
resolução do CONAMA 04/94.
Fonte: Simnski, 2004
A correta definição do estádio sucessional de uma formação florestal tem
implicações em diferentes setores da economia e da política ambiental. Uma vez que
estádios sucessionais são mencionados nos textos das leis de proteção ambiental, torna-se
necessário definir critérios técnicos que permitam objetivamente diferenciá-los e classificá-
los.
É o caso, por exemplo, do licenciamento para a supressão da vegetação para a
implantação de lavoura, necessária no sistema de agricultura de pousio utilizada
tradicionalmente por pequenos produtores da região deste estudo. A aplicação da lei de
acordo com os seus parâmetros proíbe a derrubada da vegetação no estádio em que
tradicionalmente era realizada pelos agricultores, inviabilizando a continuidade do sistema
de produção. Estes produtores se dizem fortemente prejudicados pela Resolução, e alegam
que ela foi decretada sem base em um estudo aprofundado sobre a estrutura da vegetação
secundária para a definição dos parâmetros e que seria responsável pela intensificação do
processo de êxodo rural (SIMINSKI, 2002).

Decreto Lei 750, 1993.
Estádio Manejo Parcelamento Obras e projetos
sucessional Agricultura sustentado do solo com de interesse
fins urbanos público
Primário Não premitido Não premitido Não premitido Permitido
Secundário avançado Não premitido Permitido Permitido Permitido
Secundário médio Não premitido Permitido Permitido Permitido
Secundário inicial Permitido Permitido Permitido Permitido
Resolução 04 CONAMA (1994)
Estágio de
regeneração
DAP médio
(cm)
Altura
média (m)
Área Basal
(m
2
/ha)
inicial até 8 até 4 até 8
médio até 15 até 12 até 15
avançado até 25 até 20 até 20
Resolução 04 CONAMA (1994)
Estágio de
regeneração
DAP médio
(cm)
Altura
média (m)
Área Basal
(m
2
/ha)
inicial até 8 até 4 até 8
médio até 15 até 12 até 15
avançado até 25 até 20 até 20
44
TABELA 2.2: Valores de DAP médio (cm), altura média (m), área basal (m
2
/ha) e
número de indivíduos por hectare em quatro estádios sucessionais, considerando-se
diferentes diâmetros mínimos para a amostragem dos indivíduos. Florianópolis,
UFSC, 2004.
Baccharisietum
DAP mínimo (cm) DAP médio (cm) Altura média (m) Área Basal (m
2
/ha)
Número de
indivíduos/ha
0 2,3
a
(0,5) 3,2
a
(0,3) 5,5
a
(2,6) 9.714
a
(3.402)
3 4,7
b
(0,7) 4,1
b
(0,3) 3,7
a
(2,8) 1.686
b
(693)
5 6,6
c
(0,8) 4,5
b
(0,7) 2,5
a
(2,8) 536
b
(468)
10 11,8
d
(1,2) 5,9
c
(1,4) 0,7
b
(3,0) 43
b
(106)
C.V. (%) 18,3 16,0 103,9 63,0
Myrcinetum
DAP mínimo (cm) DAP médio (cm) Altura média (m) Área Basal (m
2
/ha)
Número de
indivíduos/ha
0 3,9
a
(0,8) 4,3
a
(0,7) 13,6
a
(6,6) 8.067
a
(5.013)
3 5,6
a
(1,0) 5,3
ab
(0,8) 12,8
a
(6,6) 3.928
b
(1.745)
5 7,5
b
(1,1) 6,1
bc
(0,9) 10,1
a
(6,2) 1.817
bc
(831)
10 12,0
c
(3,5) 6,9
c
(2,1) 4,0
b
(5,1) 250
c
(245)
C.V. (%) 50,5 76,9 16,0 3,71
Miconietum
DAP mínimo (cm) DAP médio (cm) Altura média (m) Área Basal (m
2
/ha)
Número de
indivíduos
/
ha
0 5,1
a
(1,1) 5,0
a
(1,2) 30,1
a
(8,2) 8.311
a
(3.017)
3 7,7
b
(0,8) 6,6
b
(1,2) 29,3
a
(8,1) 4.517
b
(1.361)
5 10,0
c
(1,1) 7,8
b
(1,5) 27,3
ab
(8,8) 2.767
c
(689)
10 14,5
d
(2,0) 9,7
c
(1,9) 20,2
b
(9,0) 1.011
d
(481)
C.V. (%) 14,9 20,8 31,2 59,1
Arbóreo Avançado
DAP mínimo (cm) DAP médio (cm) Altura média (m) Área Basal (m
2
/ha)
Número de
indivíduos/ha
0 6,2
a
(1,5) 5,6
a
(1,1) 41,7
a
(9,8) 6.238
a
(2.358)
3 9,5
b
(1,1) 7,7
b
(1,2) 40,9
a
(9,9) 3.300
a
(1.043)
5 12,8
c
(1,3) 9,5
c
(1,2) 39,9
a
(9,9) 2.154
ab
(846)
10 18,5
d
(2,6) 12,0
d
(1,5) 35,1
a
(9,4) 1.038
b
(473)
C.V. (%) 16,0 14,4 25,8 53,5
DAP – Diâmetro à altura do Peito. Na vertical, dentro de um mesmo estádio, valores com a
mesma letra não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade de erro pelo teste SNK.
Os valores entre parêntesis representam o desvio padrão considerando as diferentes
repetições. O valor do C.V. refere-se a variação entre as diferentes amostargens.
Fonte: Siminski, 2004.
2.4 BIBLIOGRAFIA
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• SIMINSKI, A., FANTINI, A.C.. Roça-de-toco no litoral de Santa Catarina: coevolução
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• WHITMORE, T.C. An introduction to Tropical Rain Forests. Second edition. New York.
Oxford University Press. 1998. 282 p.
48
3. MODULO MANEJO DO PALMITEIRO (Euterpe edulis) EM REGIME DE
RENDIMENTO SUSTENTÁVEL
3.1 ASPECTOS DA ECOLOGIA DE FLORESTAS TROPICAIS
A colonização do Brasil, inicialmente feita ao longo de sua costa, tinha como
atividades principais a agricultura e a pecuária. Neste sentido, as florestas além de
produzirem algumas madeiras nobres, representavam um grande obstáculo à ocupação. As
derrubadas indiscriminadas deixaram todos os sistemas florestais brasileiros seriamente
comprometidos quer sob o ponto de vista de produção madeireira quer em relação à
conservação de sua fauna e flora.
LEITÃO FILHO (1987), comenta que devido a este processo de colonização e
ocupação do território brasileiro, desenvolvido nas regiões próximas ao litoral, existem hoje
apenas manchas disjuntas de florestas nesta região, particularmente em locais de topografia
muito acidentada.
HERING (1984), alerta que a exploração florestal extrativista, nos moldes em que é
praticada, traz consigo a degradação da cobertura natural e milenar do solo. Este tipo de
exploração reduz o estoque de árvores com a retirada indiscriminada de todo o material de
valor econômico, ou seja, qualquer biomassa que obtenha no mercado um preço superior ao
custo de extração. Caracteriza-se, assim, por um imediatismo econômico, com desprezo
pelo social, não levando em consideração o capital representado pela floresta nativa.
HUBBER & FOSTER, citados por KAGEYAMA (1987), salientam que a destruição
massiva das florestas tropicais ocorre num período em que o conhecimento da organização,
dinâmica e taxonomia de muitas espécies é ainda rudimentar, enquanto que HAAG (1985),
alerta que a destruição ou perturbação dos ecossistemas tropicais interrompe os ciclos
biológicos que mantêm o equilíbrio entre as espécies e o meio.
As características mais importantes destas florestas são a grande biodiversidade e a
inequianeidade, cuja interação promove o aparecimento de comunidades bastante diversas,
ocupando, cada uma delas, pequenas áreas. Estas comunidades representam,
normalmente, fases distintas do processo de sucessão secundária e pela sua proximidade e
arranjo espacial formam o que se convencionou chamar de "colcha de retalhos" ou
"mosaico". O mosaico, portanto, é resultado da existência de manchas de espécies com
idades distintas, adaptadas às diferentes condições ambientais.
As florestas tropicais apresentam um grande número de espécies, sendo que a
maioria delas estão representadas por muito poucos indivíduos por hectare (KAGEYAMA,
1987; SCHUBART, 1982). Segundo Hubbel & Foster, citados por KAGEYAMA (1987), estas
florestas abrigam a maior diversidade biológica e genética da comunidade terrestre. Devido
a esta grande diversidade existe um alto nível de especialização e interdependência nestes
sistemas florestais, fazendo com que a perda de uma planta ou animal possa iniciar um
processo de extinção em cascata, levando à perda de numerosas espécies (Frankel &
Soulé, IN: KAGEYAMA, 1987). O relacionamento entre plantas e animais quer seja pelo
processo de polinização, dispersão ou herbivoria é muito acentuado, sendo a maioria das
espécies polinizadas e dispersadas pelos animais (SMYTHE, 1986; BROWN JR, 1987).
Segundo BROWN (1987), a manutenção do equilíbrio das florestas sob manejo pode exigir
até mesmo a proteção de seus supostos "inimigos", os competidores e os consumidores
primários, pois estes são responsáveis pela seleção e diversificação dos recursos florestais.
Dentro das comunidades florestais, as diferentes formas de vida das plantas estão
associadas a centenas de outros seres vivos, sendo todos necessários à manutenção da
produtividade e da biodiversidade local, executando alguns deles, papéis mais relevantes,
49
como os chamados "keystones", pivotal, mutualistas chaves ou elos móveis (HOWE, 1977;
GILBERT, 1980).
Estes processos biológicos, básicos para a sobrevivência das plantas e dos animais,
exige uma grande participação mútua, fazendo supor que as florestas tropicais sofreram
processos evolutivos distintos das florestas temperadas, e, conseqüentemente, necessitam
de técnicas de conservação e de manejo distintas.
Na polinização, preferentemente produzida pelos animais, as plantas oferecem uma
grande variedade floral atraindo uma grande diversidade de animais. Na Tabela 3.1, a
freqüência de diferentes classes de agentes polinizadores dentro de um ecossistema
florestal tropical denota a multiplicidade de agentes polinizadores, o que faz supor a
necessidade de técnicas de conservação para estes agentes dentro do sistema de manejo.
Tabela 3.1. Freqüência de classes de polinizadores em uma amostra de 143 espécies
arbóreas de Porto Rico (BAWA et al., 1985).
Classes de polinizadores Percentagem de espécies
arbóreas
morcegos 3,0
beija-flores 4,3
abelhas pequenas 14,0
abelhas médias e grandes 27,5
besouro 7,3
borboletas 4,9
mariposas 15,9
outros insetos 20,7
vento 2,5
O mutualismo da dispersão é muito consistente em florestas tropicais, onde cerca de
90% das espécies arbóreas e arbustivas têm suas sementes dispersadas por animais
(FRANKIE et al., 1974). As relações entre a dispersão de sementes e a demografia das
plântulas tem profundas implicações na conservação e manejo das florestas tropicais
(HOWE, 1984). O conhecimento destas relações evita causas de extinção dentro da flora e
da fauna (HOWE, 1990). TERBOGH (1990), conduz um raciocínio muito objetivo sobre o
papel dos dispersores e as técnicas de manejo em florestas tropicais: As espécies maduras
normalmente produzem grandes sementes, e estas são geralmente dispersas por grandes
pássaros e mamíferos. Estes vertebrados requerem uma diversidade de frutos e sementes
para a sua manutenção. Neste sentido, uma floresta composta por somente poucas
espécies, cria um ambiente deficiente e não permite a sobrevivência destes animais.
Somente através da conservação da biodiversidade será possível obter suprimento
alimentar contínuo mantendo o crescimento normal das suas populações. Disto se conclui
que o manejo ou a conservação não pode ser direcionado para uma ou para poucas
espécies de interesse especial, sendo necessário manter adequadamente a diversidade das
plantas e a comunidade animal, manejando várias espécies.
Segundo AUGSPURGER (1990), mesmo a atividade dos patógenos tem implicações
nas florestas tropicais, uma vez que estes são responsáveis pela manutenção do equilíbrio
populacional de muitas espécies vegetais.
3.1.1Grupos ecológicos de espécies florestais
50
A estrutura e a composição das populações vegetais naturais são oriundas de uma
série de eventos edafoclimáticos e ecológicos variáveis no tempo e no espaço. Para manter
a estrutura e composição característica de cada população, dentro das espécies, houve
evolução de características genéticas, que facilitam a sobrevivência e/ou reprodução dentro
de uma sucessão de ambientes (PIÑA-RODRIGUES et al., 1990).
No manejo de florestas tropicais é necessário o conhecimento dos padrões
sucessionais, onde os diferentes grupos ecológicos de espécies estão inseridos. A
existência de características diferenciais para as espécies que se estabelecem nos
diferentes estádios sucessionais da floresta secundária e nas florestas primárias, exigem
que o manejador possa prever o aparecimento de diferentes grupos de árvores no futuro. A
distribuição de clareiras no tempo e no espaço produz uma regeneração diferenciada, uma
vez que segundo DENSLOW (1980), as espécies apresentam adaptações direcionadas à
ocupação e colonização destas clareiras. A caracterização de distintos padrões de
adaptações das estratégias de reprodução tem levado os autores a detectar um grande
número de grupos ecológicos, admitindo-se mesmo que cada espécie tenha suas
características próprias para garantir sua sobrevivência dentro da gama de variações
internas das florestas tropicais. Apresentamos a seguir uma revisão bibliográfica onde são
caracterizadas terminologias distintas para diferentes estratégias de reprodução das
espécies (Tabelas 3.2, 3.3).
Tabela 3.2 Terminologias utilizadas para caracterizar grupos ecológicos de espécies
tropicais.
Terminologia Definição Autores
Pioneiras Intolerantes à sombra
Germinam somente em claros e
necessitam de luminosidade, pelo
menos parte do dia.
Plântulas e arboretos não
sobrevivem fora dos claros.
BUDOWSKI (1965)
SWAINE & WHITMORE (1988)
WHITMORE (1989)
VIANA (1989)
KAGEYAMA & VIANA (1989)
Pioneiras
grandes
Necessitam de claros para
germinar e sobrevivem debaixo do
dossel
SWAINE & HALL (1983)
Intolerantes à
sombra
Indivíduos jovens são incapazes de
sobreviver na sombra
HARTSHORN (1980)
BROKAW (1985)
Secundárias
precoces
Intolerantes à sombra BUDOWSKI (1965)
VÁSQUEZ-YANES & SADA
(1985)
Especialistas em
claros grandes
Germinam em claros grandes, são
intolerantes à sombra.
DENSLOW (1980)
Emergentes Rápido crescimento, procurando
ocupar os claros.
VÁSQUEZ-YANES & SADA
(1985)
Secundárias Alta capacidade de regeneração
vegetativa após distúrbio
VÁSQUEZ-YANES & SADA
(1985)
Secundárias
tardias
Tolerantes à sombra em estágios
juvenis
BUDOWSKI (1965)
51
Tabela 3.2. Continuação...
Especialistas em
claros pequenos
Germinam na sombra, mas
necessitam de claros para alcançar
o dossel.
DENSLOW (1980)
Espécies
persistentes
Tolerantes à sombra, crescendo
quando queda de árvores.
COLEY (1980)
FORSTER & BROKAW (1982)
Parcialmente
tolerantes à
sombra
Sobrevivem abaixo do dossel, mas
crescem vigorosamente quando da
retirada da cobertura.
SCHULZ (1960)
Oportunísticas Conseguem sobreviver em
condições de sombra, mas
dependem dos claros para crescer.
VIANA (1989)
KAGEYAMA & VIANA (1989)
Tolerantes à
sombra
Não necessitam de claros para
germinar e crescer
HARTSHORN (1980)
Tolerantes à
sombra
Crescem em florestas maduras WHITMORE (1982)
Espécies
primárias
Germinam e sobrevivem abaixo do
dossel, crescendo após a abertura
BROKAW (1985)
Espécies clímax Tolerantes à sombra nas estapas
juvenis
WHITMORE (1982)
Clímax Germinam na sombra e as
plântulas e indivíduos juvenis vivem
por alguns anos debaixo do dossel
SWAINE & WHITMORE (1988)
WHITMORE (1989)
Especialista em
sub-bosque
Não necessitam de claros para
germinar e crescer
DENSLOW (1980)
Reprodutoras à
sombra
Completam todo o seu ciclo de vida
em condições de sub-bosque
VIANA (1989)
Adaptado de CLARK & CLARK (1987).
Para facilitar a compreensão, apresentaremos resumidamente as síndromes ou
estratégias em três grandes grupos. Vale lembrar que os grupos são artificiais, uma vez que
cada espécie apresenta suas peculiaridades.
Tabela 3.3. Síndromes associadas aos grupos ecológicos: pioneiras, oportunistas e clímax
em suas principais fases de seu ciclo de reprodução e estabelecimento.
PIONEIRAS OPORTUNISTAS CLÍMAX
S E M E N T E S
Produção contínua de
sementes ou chuva de
sementes
Produção contínua de
sementes ou chuva de
sementes
Apresenta anos de baixa ou
nenhuma produção, é comum
a "mast-years"
Apresentam dormência Não apresentam dormência Dormência curta ou ausente
Longevidade média e longa Curta longevidade Longevidade curta, muitas
são reclcitrantes
Reservas nutricionais
pequenas
Reservas nutricionais
pequenas
reservas nutricionais grandes
Produzidas em grande
quantidade
Produzidas em grande
quantidade
Produzida em menor
quantidade
Tabela 3.3. Continuação...
52
D I S P E R S Ã O
Anemocórica ou zoocórica Anemocórica para a maioria
das espécies, e algumas
zoocóricas
Barocórica ou zoocórica
G E R M I N A Ç Ã O
Algumas espécies são
fotoblásticas e
termoblásticas
Poucos fatores como luz e
temperatura afetam a
germinação
Requer alto conteúdo de
umidade para o início da
germinação
Requer um balanço entre os
tipos de luz
vermelho/vermelho longo,
e/ou choque térmico para
germinar
Sementes germinam em
condição de luz ou de
sombra
Capaz de germinar sobre o
dossel em condições de
baixa relação
vermelho/vermelho longo
Germinação rápida após a
indução do processo
germinativo ou quebra de
dormência
Rápida germinação após a
indução do processo
germinativo
Imediata após dispersão ou
após a indução
P L Â N T U L A S
Requer luz direta para o seu
crescimento
Cresce em condições de
sombra ou baixa
luminosidade
Ciofítica, cresce em
condições de baixa
intensidade de luz
Mais independente das
reservas da semente
Rápido crescimento,
independente das reservas
da semente
Crescimento lento, depende
em grande parte das
reservas das sementes
P L A N T A J O V E M
Rápido crescimento Crescimento lento em
condições de sombra
Crescimento lento em
condição de sombra,
podendo ser interrompido
Competição intraespecífica
por luz e espaço
Planta jovem ciófita e planta
adulta heliófiota
O tamanho das clareiras
pode ser limitante para o seu
estabelecimento
Capaz de se manter à
sombra ou em condições de
pequenas ou grandes
clareiras, que não são
limitantes ao seu
estabelecimento
R E G E N E R A Ç Ã O N A T U R A L
Regeneram-se a partir de
bancos de sementes
persistentes ou não ou a
partir de banco de plântulas
efêmeros
Algumas espécies formam
bancos de plântulas
Regeneração a partir de
banco de plântulas ou da
queda de sementes em locais
com condições propícias ao
estabelecimento
53
3.2MANEJO DE RENDIMENTO SUSTENTADO: UMA PROPOSTA BASEADA NA
AUTOECOLOGIA DAS ESPÉCIES
1
3.2.1Introdução
As florestas tropicais apresentam uma excepcional capacidade de reciclagem. Este
fato é concretizado nos processos de regeneração natural das clareiras abertas no interior
das mesmas, por fenômenos naturais ou ação antrópica.
A dinâmica da floresta tropical é, pois, uma das características mais expressivas
deste ecossistema. WHITMORE (1986, 1990), refere-se a esta dinâmica ao descrever a
floresta como um mosaico de clareiras recém abertas, áreas com indivíduos de diferentes
exigências ambientais e, ainda áreas de floresta madura.
No âmbito da Floresta Tropical Atlântica - Brasil, KLEIN (1980) caracterizou esta
dinâmica especialmente em relação a períodos subseqüentes à ação antrópica sobre a
comunidade. Demonstrou que o processo de regeneração desta floresta está intimamente
associado a sua evolução, caracterizando a diversidade de espécies envolvidas em cada
etapa do processo.
Sendo o processo de regeneração das florestas tropicais uma constante em
condições naturais, pode-se admitir que seria possível, através de um sistema de manejo
adequado, extrair produtos da floresta por um período indefinido, sem levá-la à degradação.
O que se tem observado, entretanto, é um significativo descrédito a respeito desta
possibilidade, evidenciado pela opção pelo extrativismo, sem a preocupação com a
perpetuação do ecossistema. Este descrédito fundamenta-se, em parte, na diversidade das
relações existentes entre os componentes destes ecossistemas e, em parte, na aparente
escassez de conhecimento do funcionamento destas comunidades. Estes aspectos são
freqüentemente utilizados para argumentar a dificuldade do seu manejo.
Entretanto, é admissível que a expressiva biodiversidade das florestas tropicais, com
suas intrincadas inter-relações, seja, antes de um entrave, o fator que viabilize a sua
exploração racional. E pode-se ir além: a única possibilidade de explorar as florestas
tropicais por tempo indeterminado reside exatamente na viabilização da manutenção desta
biodiversidade.
Traduzida em outras palavras, esta afirmação significa que a exploração das
florestas tropicais para a obtenção somente de madeira, e nos níveis em que é hoje
praticada, é completamente insustentável por longo tempo.
GOMEZ-POMPA & BURLEY (1991), distinguem os sistemas de manejo de florestas
tropicais atualmente conhecidos para a exploração de produtos florestais em dois tipos
distintos: aqueles que visam preservar totalmente amostras representativas destas florestas
e aqueles que objetivam causar pouco distúrbio no ecossistema através da exploração de
apenas alguns de seus produtos.
Em outra perspectiva, é possível estabelecer uma dicotomia distinta da apresentada
por estes autores para os sistemas de manejo de florestas naturais. Assim, num primeiro
grupo estariam a maioria dos sistemas hoje adotados, que prevêem a redução da
complexidade do ecossistema através de práticas silviculturais que visam favorecer as
espécies de interesse comercial. De outro lado, comporiam um segundo grupo aqueles
sistemas de manejo que priorizassem a preservação da biodiversidade do ecossistema,
mesmo sob exploração dos seus produtos.
1
Este texto é uma tradução de: FANTINI,A.C., REIS,A., REIS,M.S., GUERRA,M.P. Sustained yield
management of tropical forests: a proposal based on the autecology of the species. Sellowia, n.42-44,
1992.
54
Por outro lado, admite-se que conservação e exploração não são incompatíveis.
Para que esta premissa seja verdadeira faz-se necessário explorar a floresta em todo o seu
potencial. Vale dizer, portanto, que a viabilidade de um sistema de manejo para rendimento
sustentado deve prever o uso múltiplo da floresta. Este é um pré-requisito fundamental para
atender o caráter econômico da atividade. Caberá ao manejador estudar as potencialidades
do ecossistema a explorar procurando diversificar, ao máximo possível, os produtos a serem
obtidos.
Um aspecto extremamente vantajoso desta proposta é que o manejador poderá
aumentar progressivamente o número de produtos a serem explorados, a medida em que
estes venham a ser descobertos ou que assumam valor econômico. Este aspecto é possível
neste sistema uma vez que a biodiversidade da comunidade é mantida e a exploração de
cada produto é realizada individual e independentemente.
Respeitada esta condição, o manejo para rendimento sustentado aqui proposto
deverá ser baseado em dois alicerces: 1. o caráter cíclico da exploração e, 2. o
equacionamento da exploração de cada espécie individualmente. As duas condições devem
ser respeitadas simultaneamente, sem o que se espera não haver sucesso no
empreendimento.
Para garantir a exploração de forma cíclica, no mínimo deverão ser observados os
aspectos de avaliação do estoque disponível, taxas de incremento e regeneração natural de
cada espécie a ser explorada (Figura 3.1).
Figura 3.1 Fluxograma do Manejo para Rendimento Sustentado de Florestas Tropicais.
3.2.2Estoque disponível
A avaliação do estoque disponível realizada através de inventário florestal é,
portanto, o ponto de partida para a elaboração de uma proposta para a exploração racional
FLORESTA
INVENTÁRIO
ESPÉCIE DE INTERESSE
BIOLOGIA REPRODUTIVA DEMOGRAFIA
DINÂMICA DE
REPOSIÇÃO
DINÂMICA DE
CRESCIMENTO
INTERAÇÃO
COM A FAUNA
DIVERSIDADE
GENÉTICA
ESTRUTURA GENÉTICA
DAS POPULAÇÕES
EXPLORAÇÃO/MANEJO
Reavaliação
55
da floresta tropical. Embora esta afirmação pareça óbvia, não são raros os planos de
exploração de florestas naturais que se utilizam deste parâmetro como informação exclusiva
para a elaboração da estratégia de ação, particularmente no Brasil. Assim, sobre os
números obtidos é estabelecido arbitrariamente um volume de madeira a ser retirado por
unidade de área. O resultado de uma só avaliação do estoque disponível fornece pouca
informação para a elaboração de um plano de exploração racional. Entretanto, avaliações
periódicas do estoque constituem-se em uma ferramenta imprescindível para o manejo
correto da floresta. Avaliações subseqüentes informam, além do volume de material
disponível em cada época, o incremento observado no período.
3.2.3Taxas de incremento
Este parâmetro assume importância substancial no manejo para rendimento
sustentado, na medida em que sendo ele tomado como base, permite estimar o ciclo de
exploração em cada unidade da área e o volume passível de exploração no período
considerado. Desta forma, a exploração pode ser realizada por tempo indeterminado na
mesma área, uma vez que só será admissível retirar o volume capaz de ser reposto pela
floresta no mesmo período.
Neste sentido, esta proposta de manejo se opõe àqueles planos de manejo que
realizam uma redução da área basal da floresta em determinados níveis arbitrariamente, e
observam o comportamento da comunidade durante o processo de regeneração, mesmo
quando realizados ao nível de pesquisa, como apresentados por HIGUCHI & VIEIRA (1990)
e SILVA (1990), em trabalhos realizados na Floresta Amazônica. Estas propostas de manejo
seguem uma concepção oposta àquela defendida neste trabalho, pois desconsideram o
comportamento da comunidade florestal e as implicações ecológicas decorrentes da
redução da sua área basal. A abertura demasiada de clareiras implica no desenvolvimento
de espécies mais exigentes quanto às condições de luz, mudando qualitativamente a
estrutura da comunidade (GOMEZ-POMPA & VASQUEZ-YANES, 1985), com alteração
expressiva na composição florística local.
Há que se salientar, neste ponto, que o inventário florestal deverá ser minucioso,
procurando detalhar as estruturas populacionais das espécies, através do estudo da sua
demografia.
Desta forma, pode-se avaliar o estoque e o incremento de cada espécie
individualmente. O objetivo deste procedimento é o estabelecimento de estratégias de
manejo particulares a cada espécie cuja exploração seja desejável. A concepção de manejo
por espécie aqui preconizada é entendida como fundamental para sua sustentabilidade.
Esta concepção tem pressupostos tanto ecológicos como econômicos.
Do ponto de vista ecológico, a exploração por espécie assume importância como
condição vital para a perpetuação da comunidade florestal. É, também, a forma mais
simples de se manter a biodiversidade do ecossistema. Sendo as interações entre os seus
organismos, muito complexas, notadamente aquelas que envolvem a polinização e a
dispersão de sementes, a floresta tropical não pode prescindir de parte de suas espécies.
Este fato, caracterizado pela elitização dos indivíduos arbóreos de interesse comercial em
vários sistemas de manejo hoje em desenvolvimento, levará a extinção em cascata de uma
série de espécies, como discutido por KAGEYAMA (1987), com repercussões evidentes na
comunidade remanescente.
Da mesma forma, diferentes espécies agrupadas como de "interesse comercial"
apresentam comportamento diverso com relação a vários parâmetros ecológicos. Seria
56
lógico, portanto, basear o plano de exploração de cada espécie na sua autoecologia, sob
condição de floresta natural.
Outra consideração importante a respeito da exploração florestal por espécie tem
ressonância não só biológica mas, também econômica. A determinação dos incrementos
corrente anual (ICA) e médio anual (IMA) de uma espécie permitem estimar os pontos de
máximo incremento biológico e de máximo retorno econômico da mesma (Figura 3.2). Desta
maneira, a produtividade de cada espécie é maximizada independente do comportamento
relativo às outras. Alia-se a este fato as vantagens do caráter prático da determinação do
ponto de corte de cada árvore pelo seu diâmetro mínimo.
Esta estratégia de manejo pode, ainda, ser otimizada pela determinação do intervalo
entre os ciclos de corte (IC) de cada espécie, que consiste na diferença entre os pontos de
máximo IMA e de máximo ICA. Baseado neste parâmetro, a área a ser explorada pode ser
dividida em talhões para a exploração progressiva, com vantagens evidentes.
O manejo da floresta dentro desta perspectiva permite uma previsão objetiva da
produtividade de cada produto florestal a ser obtido, independentemente de serem eles
madeireiros ou não. Esta é uma vantagem indiscutível deste sistema em relação àqueles
que baseiam em parâmetros como área basal ou volume por unidade de área. Estes
sistemas podem prever somente a massa de produto a ser obtido, mas nunca a sua
qualidade.
Figura 3.2 – Determinação do Diâmetro Limite de Corte (DLC) e do Intervalo de Corte (IC),
através do Incremento Corrente Anual (ICA) e do Incremento Médio Anual (IMA).
3.2.4Regeneração natural
O terceiro ponto a ser considerado no sistema de manejo em regime de rendimento
sustentado diz respeito à regeneração das espécies da comunidade que estejam ou não sob
exploração. A reposição do estoque deve ser permanentemente monitorada através dos
IC
DLC
DAP
IMA
ICA
INCREMENTO
57
inventários sobre parcelas permanentes. Baseado nos parâmetros assim estimados, o
manejo de árvores porta-semente otimizará a regeneração natural das espécies. A definição
do número de árvores porta-semente para a manutenção dos níveis originais do estoque
está associada à dinâmica da regeneração natural e ao processo de dispersão de
sementes, que são particulares a cada espécie. Estes aspectos assumem maior relevância
na floresta tropical onde a fauna desempenha papel fundamental no desenvolvimento
destes processos (BAWA et al., 1985 e HOWE, 1984 e 1990). Assim, a preservação da
fauna é imprescindível para a execução do manejo de rendimento sustentado. A ausência
de vetores diretos ou indiretos terá como conseqüência uma regeneração quantitativamente
deficiente, com reflexos também na sua qualidade pelo comprometimento do fluxo gênico
nas populações. A otimização da regeneração natural de cada espécie sob exploração tem
por objetivo, ainda, a redução dos custos de operação do sistema.
3.2.5Outras considerações
O acompanhamento da evolução da comunidade florestal através de inventário
permanente do estoque disponível, taxas de incremento e regeneração natural das suas
espécies, evidencia-se como fundamento básico do sistema. O seus resultados serão o
argumento claro para a manutenção ou correção do rumo da estratégia de manejo adotada
em cada momento.
A biodiversidade das florestas tropicais, variando em muito o número de espécies e
de indivíduos de cada espécie por hectare (Tabela 3.4), exigem distintas estratégias de
manejo para cada uma das espécies.
Tabela 3.4. Número de espécies, número de indivíduos e área basal por hectare de 5
comunidades da Floresta Tropical Atlântica levantadas em Brusque - SC. (Adaptado de
VELOSO & KLEIN 1957).
Comunidades Nº de espécies/ha Nº de indivíduos/ha Área basal
Ribeirão do Ouro 133 14.909 64,76
Azambuja 132 6.992 42,95
São Pedro 61 10.980 30,89
Mueller 84 5.146 45,34
Maluche 140 12.966 41,07
Este quadro acima descrito inverte-se nas áreas de formações secundárias, onde
poucas espécies compõem a comunidade. As espécies dominantes do secundário
correspondem às esparsas e raras da comunidade primária. Esta inversão representa um
alerta para a necessidade de um acompanhamento contínuo das áreas a serem manejadas,
uma vez que qualquer intervenção maior significará uma transformação qualitativa da
comunidade florestal.
O sistema de manejo florestal assim concebido tem, em princípio, a sua
produtividade sustentável. Cabe ressaltar, porém, que esta produtividade será escalonada
em longo prazo. Provavelmente, a produtividade por período de tempo considerado será
significamente menor do que aquela observada nos sistemas de exploração geralmente
utilizados. Ainda, deve ser observada a agregação do custo de operação do sistema de
manejo, fator que normalmente não é considerado no preço final da mercadoria no setor
madeireiro no Brasil. Por isso, se faz necessário admitir que as mercadorias obtidas na
atividade terão um custo adicional em relação àquele hoje praticado.
58
Vale ressaltar que os benefícios indiretos obtidos através da manutenção das
florestas são inestimáveis. O custo social da degradação dos recursos florestais tem sido
desprezado nesta atividade. Nada mais justo, portanto, do que a sua agregação ao valor
dos produtos obtidos.
Diante destas considerações, é evidente que o sistema de manejo florestal em
regime de rendimento sustentado é biológica e economicamente viável. O seu sucesso,
entretanto, depende: 1. de um minucioso processo de acompanhamento da floresta,
atividade que deve ser atribuída a profissionais com sólida formação nestas duas áreas do
conhecimento e, 2. da redefinição de uma política para o setor florestal que terá, também,
efetiva contribuição para o seu desenvolvimento, particularmente nos países
subdesenvolvidos.
3.3A PALMEIRA Euterpe edulis MARTIUS
Dentro do gênero Euterpe, cerca de 28 espécies se distribuem ao longo das Antilhas
e América do Sul, notadamente nas regiões com florestas tropicais. Muitas espécies do
gênero apresentam potencial para a produção de palmito, mas destacam-se E. edulis com
distribuição preferencial ao longo do litoral brasileiro, na Floresta Tropical Atlântica e E.
oleracea no baixo Rio Amazonas.
Euterpe edulis, é uma palmeira não estolonífera, ou seja, apresenta estipe única.
Suas folhas são pinadas com cerca de 2 a 2,5 metros de comprimento, e destacam-se com
facilidade da planta.
Inflorescências com ráquis cerca de 70 cm de comprimento, com muitas ráquilas
contendo flores em tríade (uma flor feminina e duas masculinas). As flores masculinas
amadurecem antes (protrandria) evitando a autofecundação do indivíduo.
Os frutos são globosos, cerca de um centímetro de diâmetro e um grama por
unidade. Mesocarpo carnoso-fibroso, arroxeado. Frutos uniseminados, com endosperma
não ruminado (Segundo REITZ, 1974).
Euterpe edulis tem sido escolhida para estudos como modelo de rendimento sustentado
devido a um conjunto de características especiais:
• Ampla Distribuição Geográfica
• Grande Densidade
• Ciclo Curto
• Posicionamento na Floresta
• Produto Florestal não Madeireiro
• Forte Interação com a Fauna
• Comercialização Garantida
• Conciliação: Manejo e Conservação
3.3.1ASPECTOS ECOLÓGICOS DA ESPÉCIE
Biologia vegetal, Reprodução e Interação com a Fauna
A reprodução da espécie e exclusivamente por via sexual, através de sementes
produzidas por fecundação cruzada.
A espécie apresenta, conforme descrito por REITZ (1974), inflorescências em forma
de panícula, com ráquilas que apresentam dezenas de tríades florais, compostas de duas
flores masculinas e uma flor feminina. A abertura das flores se dá com uma forte dicogamia
protândrica na inflorescência, conforme mencionam REIS et al. (1993). Somente após o
encerramento da florada masculina é que se inicia a abertura das flores femininas,
59
implicando em garantia de fecundação cruzada, exceto para os casos em que se
desenvolvem duas ou mais inflorescências por planta, evento de freqüência reduzida
dentro da Floresta (6,4% das plantas, REIS et al.,1993), e há coincidência das floradas
masculina e feminina entre as inflorescências, conforme discutem os autores.
A espécie é preferencialmente alógama, com uma taxa de cruzamento média de 0,99
(variando entre 0,94 e 1,04 nas populações estudadas por REIS, 1996). A inexistência de
equilíbrio de endogamia nas progênies indica a ocorrência de eventos adicionais envolvidos
no sistema reprodutivo. Os resultados obtidos por REIS (1996) evidenciam a ocorrência de
cruzamentos não aleatórios, associados à amplitude do período de florescimento e a
protandria acentuada existente na espécie.
A fenologia da espécie é caracterizada por um período bastante amplo de floração: 5
meses em uma população de Euterpe edulis em Floresta Semidecídua (Piracicaba, SP),
estudada por REIS et al. (1993), 5 meses na população estudada por A. REIS
(comunicação pessoal) em 1994 no município de Blumenau (SC) e 4 a 5 meses na
população estudada por MANTOVANI (1998) em São Pedro de Alcântara (SC). Entretanto, a
floração não é sincronizada entre todos os indivíduos, ocorrendo uma tendência a um
período inicial com poucas plantas floridas, um aumento gradativo até um máximo e,
finalmente, uma redução, como descrito por REIS et al. (1993) e MANTOVANI (1998). Além
disso, os resultados obtidos por REIS (1995) indicam variação entre anos em relação à
quantidade de indivíduos que se reproduzem anualmente (Tabela 3.5).
Tabela 3.5 Características reprodutivas de uma população de Euterpe edulis, no município
de Blumenau (SC) em dois anos de acompanhamento, conforme REIS, A. (1995)
Indivíduos / órgãos por hectare 1992 1993 média
Plantas Adultas 117 136 127
Plantas com Inflorescências 115 111 113
Número de Inflorescências 189 211 200
Plantas com Infrutescências 56 96 76
Número de Infrutescências 69 160 115
Número de Frutos 228.594 531.235 379.914
Tomando por referência o número de indivíduos que produziram inflorescência (113),
a tendência a uma distribuição normal na população para o período de florescimento como
um todo, distribuído em 5 meses, e considerando a acentuada protandria da espécie, com
tempo de antese e receptividade das flores femininas em uma inflorescência entre 12 e 15
dias não coincidentes (REIS et al., 1993), o número máximo de indivíduos coincidentemente
floridos seria de aproximadamente 26 por hectare; ficando entre 10 e 15 indivíduos por
hectare na maior parte do tempo; e chegando a 4 indivíduos por hectare na primeira e última
quinzenas.
Estes aspectos, aliados às características de microambiente (relevo, vegetação,
etc.), favorecem a possibilidade de ocorrência de cruzamentos não aleatórios entre os
indivíduos, pois nem todos estarão na mesma fase fenológica ou terão possibilidade de
serem visitados pelos polinizadores ao mesmo tempo.
Além disso, os resultados obtidos por REIS et al. (1988, 1994a, 1996) e REIS, (1995)
indicam ser o palmiteiro uma espécie com estratégia de formação de banco de plântulas
(Figuras 3.3), apresentando em média 12.000 plântulas (altura da inserção inferior a 10 cm.)
por hectare (REIS et al., 1996).
60
A regeneração natural da espécie é abundante, contudo o crescimento nesta fase
inicial é lento, refletindo valores reduzidos de recrutamento (menores que 1%), mas
compatíveis com a estrutura populacional da espécie, em cinco anos de acompanhamento
tanto em formações primárias como em formações secundárias (dados não publicados).
Figura 3.3. Pirâmide demográfica de Euterpe edulis (adaptada de REIS, 1995)
A abundante produção de frutos e o amplo período de fornecimento destes
apresentam especial relevância na manutenção da fauna, pois grande diversidade de
animais, como aves e mamíferos de médio e grande porte, utilizam estes frutos na sua dieta
básica (REIS, 1995). Por sua vez, a fauna é responsável pela dispersão dos frutos,
implicando numa contribuição imprescindível para a manutenção da dinâmica demográfica e
do fluxo gênico da espécie (REIS, et al. 1994b). Tal aspecto apresenta especial relevância
na retomada da dinâmica de formações secundárias, pois a atração de vetores de dispersão
de sementes (fauna) implicará na vinda de novas sementes, aumentando a diversidade
nestas áreas e dando continuidade ao processo de sucessão (REIS, et al., 1992a; REIS,
1993).
Além disso, o pólen produzido em abundância, os exsudados e as próprias partes da
inflorescência são recursos alimentares procurados por grande diversidade de insetos, que
visitam intensamente as inflorescências de Euterpe edulis durante o seu amplo período de
florescimento (REIS et al.,1993).
Desta forma a espécie apresenta, além de valor econômico e importância social, um
grande valor ecológico, se aproximando do conceito de "keystone" de TERBORGH (1986).
A adequação ao conceito de 'keystone' foi recentemente questionada por GALLETI e
ALEIXO, 1998). Os estudos destes autores indicam que uma ampla oferta de outros
recursos na floresta durante o período de frutificação do palmiteiro. No entanto a importância
da espécie como recursos alimentar e sua forte interação com a fauna são confirmados.
3.3.2ASPECTOS DEMOGRÁFICOS E FITOSSOCIOLÓGICOS
A grande abundância do palmiteiro na floresta foi inicialmente caracterizada nos
trabalhos de VELOSO e KLEIN (1957, 1959), e decorre de ser esta a espécie de maior
ocorrência no extrato médio da Floresta Ombrófila Densa. Em seus levantamentos, estes
autores observaram até 1000 indivíduos por hectare com altura superior a 1,5 m., sendo
sempre a espécie com maior freqüência e abundância no estrato médio (sub-bosque). Tais
dados têm sido confirmados em estudos mais recentes que apresentam dados relativos a
demografia da espécie (NEGREIROS, 1982; NODARI et al., 1987; REIS et al., 1991,1994a;
Produção de Frutos 377.101/ha (80,10%)
Adultos
Imaturos
Jovens 2
Jovens 1
Plântulas
Sementes Vivas no Solo
Sementes no Solo
61/ha (0,013 %)
560/ha (0,12 %)
1.447/ha (0,31 %)
2.565/ha (0,54 %)
12.565/ha (2,67 %)
23.364/ha (4,96 %)
53.100/ha (11,28 %)
61
FANTINI et al., 1993; REIS,A., 1995), mesmo em formações secundárias ou pequenos
relictos (SILVA, 1991; ALVES, 1994; REIS et al., 1996).
KLEIN (1974) caracteriza o palmiteiro como uma espécie esciófila, ou seja, de
sombra, ocorrendo, contudo dentro de diferentes associações vegetais que lhe
proporcionam sombreamento. Sua maior abundância encontra-se quando associado a
florestas que atingiram o seu clímax. Sua ocorrência natural em áreas onde já houve a
exploração da madeira ou mesmo em áreas abandonadas pela agricultura, inicia quando se
estabelecem as primeiras árvores como o jacatirão (Miconia cinnamomifolia) ou a caxeta
(Psychotria longipes) ou a quaresmeira (Tibouchina pulchra) ou mesmo as capororocas
(Rapanea ferruginea) e o araçá (Psidium cattleyanum).
Atualmente, após drástica redução das populações naturais de palmiteiro, esta espécie
volta a representar um papel de grande importância para a preservação da floresta. Isto
porque o palmiteiro representa um dos principais suportes para a transformação de áreas
até então consideradas improdutivas, em florestas altamente produtivas, uma vez que o
palmiteiro é uma das essências florestais de ciclo relativamente curto (8-10 anos) e capaz
de produzir após um manejo adequado, uma produção de cunho anual sem implicar em
muitos gastos com insumos (REIS et al., 1987; BOVI et al., 1987).
Com relação à distribuição demográfica, REIS et al. (sub.) verificaram uma maior
concentração de plantas nas classes iniciais, com exceção da classe 2-3 cm que reflete
mais a regeneração natural, diminuindo gradativamente quando se aproxima das classes
superiores. Os indivíduos reprodutivos são encontrados com baixa freqüência nas classes
entre 6 a 10 cm e sua maior concentração se dá entre as classes diamétricas de 11 a 13 cm,
participando com a maior parcela da freqüência geral de indivíduos encontrados nestas
classes (Figura 3.4). Desta forma, percebe-se que as plantas reprodutivas já ultrapassaram
o ponto de máximo crescimento da espécie, tendo em vista que elas participam
significativamente com as taxas de incremento das classes superiores.
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15
Plantas/ha
Reprod/ha
Classes diamétricas (cm)
Figura 3.4 - Distribuição de freqüência de plantas de Euterpe edulis, distribuição geral e
distribuição dos indivíduos reprodutivos, nas diferentes classes de DAP para uma área de
formação secundária na Floresta Tropical Atlântica, São Pedro de Alcântara, SC.
62
Esta estrutura demográfica tem sido encontrada em várias populações naturais
amostradas, como indicam os dados da Tabela 3.6.
Tabela 3.6. Estrutura demográfica (freqüências de classes de DAP) de populações de
palmiteiro avaliadas em diferentes locais.
Populações avaliadas / ano
Classes de DAP
(cm)
Blumenau (SC)* /
1988
Sete Barras** (SP) /
1993
Ibirama (SC)*** /
1997
2-4 85 93 60
4-6 169 130 181
6-8 144 73 87
8-10 86 72 59
10-12 53 86 62
12-14 43 51 63
14-16 41 10 58
16-18 13 01 26
19-20 04 00 08
20-22 00 00 02
Total 560 514 609
*Fazenda Faxinal - Adaptado de REIS et al. (1989)
**Parque Estadual Intervales (Saibadela) - Adaptado de RIBEIRO et al. (1994)
***Floresta Nacional de Ibirama / IBAMA - Adaptado de CONTE (1997)
3.4 INVENTÁRIO PARA O MANEJO DO PALMITEIRO
O inventário florestal tem por objetivo descrever quantitativa e qualitativamente os
recursos florestais de que se dispõe para se conduzir um programa de manejo desta
floresta.
A partir dos dados levantados no inventário é possível se fazer uma projeção do
volume de produto a ser obtido e, ao mesmo tempo, estimar os recursos necessários para
se conduzir o processo de exploração. Desta forma, o produtor poderá avaliar a
economidade da atividade e planejar o investimento de capital no manejo da floresta.
No Brasil, o inventário de florestas nativas para fins de manejo tem se restringido a
um simples levantamento do estoque de indivíduos de grande porte suscetíveis de serem
abatidos. Neste tipo de inventário são avaliadas somente as árvores adultas, resultando
numa visão incompleta e por vezes distorcida da verdadeira condição de desenvolvimento
da floresta.
Quando o objetivo do produtor é conduzir um sistema de manejo florestal visando o
rendimento sustentado dos seus produtos o inventário é a ferramenta capaz de garantir o
sucesso do seu empreendimento. Para se atingir este objetivo, o inventário deve dar ao
produtor uma visão dinâmica das espécies sob manejo. Isto significa acompanhar
periodicamente o comportamento das populações destas espécies, incluindo os indivíduos
em todas as classes de diâmetro. Deste modo, é possível avaliar o volume de material
reposto pela floresta num determinado período de tempo, condição essencial para o
rendimento sustentado da mesma.
Assim, o inventário permanente deverá avaliar os indivíduos adultos e jovens
periodicamente, através de técnicas de dendrometria e métodos de amostragem
63
adequados. Consideraremos como indivíduos adultos de palmiteiro aquelas palmeiras com
pelo menos 1,3 metros de altura de estipe.
Para o inventário dos palmiteiros adultos, além do número de indivíduos adultos
deverá ser medido, em cada planta, o DAP (diâmetro a altura do peito), que é o diâmetro do
estipe medido a uma altura de 1,3 metros acima do nível do solo. Este parâmetro, além de
ser facilmente obtido apresenta alta correlação com o rendimento de creme da palmeira (ver
FANTINI et. al., 1992). Por isso, o DAP é utilizado para a obtenção de índices técnicos para
o manejo sustentado do palmiteiro.
O DAP pode ser obtido diretamente utilizando-se paquímetros, que devem
apresentar precisão de, pelo menos, um milímetro. Esta precisão é importante
principalmente para a estimativa posterior do incremento corrente anual do palmiteiro, um
dos pontos básicos do sistema de manejo sustentado.
A avaliação da regeneração natural é fundamental para se acompanhar a reposição
do estoque de plantas e/ou determinar a intervenção para corrigir determinadas deficiências.
Sugere-se o levantamento do número de indivíduos jovens (menores que 1,3 metros de
altura de estipe) em três categorias: 1. Até 10 cm de altura de inserção da folha mais jovem;
2. de 10 cm até 50 cm de altura de inserção; 3. mais de 50 cm de altura de inserção.
AMOSTRAGEM
Medir todas as plantas de uma floresta é uma tarefa praticamente impossível e por
demais onerosa. Para contornar este problema o produtor florestal pode se valer da
amostragem que é a avaliação de apenas uma parte representativa de toda a população.
Esta representatividade, entretanto, deve ser garantida pela adoção de métodos estatísticos
de amostragem.
A primeira tarefa a ser realizada no processo de inventário é o reconhecimento da
área. A área a ser inventariada deve ser percorrida para se fazer uma avaliação expedita da
vegetação e de fatores ambientais que possam determinar subunidades homogêneas da
floresta. Esta avaliação inicial poderá, ainda, dar subsídios para a escolha do método de
amostragem a ser empregado.
Para a consecução desta tarefa um mapa planialtimétrico em escala adequada ( 1 :
10.000 por exemplo ) da área a ser manejada será imprescindível. Neste mapa serão
alocadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal, conforme legislação
vigente. O mapa deverá ser reticulado (quadriculado), sendo o tamanho de cada retículo
proporcional ao tamanho da parcela escolhido. Cada retículo representará uma unidade de
amostra (parcela) possível de ser amostrada, e que se sorteada, será alocada no campo e
avaliada.
A pré-amostragem será a próxima etapa do inventário. Algumas parcelas devem ser
sorteadas, alocadas no campo e avaliadas. Os dados obtidos da avaliação das parcelas que
compõem esta pré-amostragem serão utilizados na estimativa da intensidade de
amostragem necessária, de acordo com o método escolhido.
Os métodos básicos de amostragem são o aleatório simples e o aleatório
estratificado. O método aleatório simples é recomendado para áreas com relativa
homogeneidade em relação ao número de palmiteiros por hectare, onde a variância entre
parcelas não exija um número muito elevado de unidades de amostra. Quando a área a ser
inventariada apresentar diferenças na vegetação que possam ser facilmente detectadas,
pode-se optar pelo método de amostragem estratificado. O objetivo da estratificação é
reduzir a variância dentro dos estratos reduzindo, assim, o número de parcelas a ser
amostrado.
64
Como pode ser observado, a variância dos dados a serem levantados é um dos
parâmetros básicos para a definição da intensidade de amostragem. Os outros parâmetros a
serem considerados são: 1. o número total de unidades de amostras possíveis da área; 2. a
probabilidade estatística desejada para as estimativas; 3. o erro admissível para a média.
Considerando estes parâmetros, a intensidade de amostragem poderá ser calculada
pelas equações presentes no Módulo 1 desta apostila.
3.5 ESTIMAÇÃO DE EQUAÇÕES DE INCREMENTO CORRENTE ANUAL
Um dos pontos fundamentais do sistema de manejo em regime de rendimento
sustentado para o palmiteiro é a determinação da relação funcional entre o DAP (diâmetro à
altura do peito) e o ICA (incremento corrente anual) das plantas individualmente. Esta
relação funcional expressa matematicamente o ICA de cada planta em função do seu
diâmetro.
Uma vez obtida esta equação matemática pode-se estimar o ponto de máximo ICA,
correspondente ao máximo incremento biológico da espécie no local estudado. Este ponto
definirá, pois, o diâmetro para abate das plantas.
Os dados de DAP e ICA devem ser obtidos apartir de unidades de amostra do
inventário permanente. De posse dos dados, passa-se a ajustar equações de regressão
tendo como variável independente o DAP e como variável dependente o ICA. Ajustam-se
várias equações e posteriormente seleciona-se a que mais se ajusta aos dados.
Para realizar esta tarefa pode-se fazer uso de pacotes estatísticos comuns.
Por exemplo, seja o objetivo estimar os parâmetros da equação :
ICA = b
0
+ b
1
DAP + b
2
DAP
2
, a partir dos dados abaixo, tomados do inventário sobre
parcelas permanentes:
DAP ICA DAP ICA
4 0.32 5 0.35
4 0.30 5 0.31
5 0.35 5 0.36
6 0.40 6 0.37
7 0.45 7 0.50
8 0.47 8 0.46
9 0.50 9 0.54
9 0.53 9 0.57
10 0.58 10 0.60
10 0.60 10 0.63
11 0.60 11 0.61
12 0.52 12 0.53
13 0.48 14 0.45
14 0.43 15 0.40
15 0.42 16 0.40
16 0.38 17 0.37
17 0.36 18 0.35
Com os dados do exemplo foram ajustados os seguintes modelos :
65
Modelos Coeficientes Significância a 5%
R
2
(%)
ICA=b
0
+b
1
DAP
0.432735
0.002239
*
ns
0.89
ICA=b
1
DAP
0.038783 * 83.78
ICA=b
0
+b
1
DAP+b
2
DAP
2
-0.108421
0.120864
0.00554
*
*
*
82.64
ICA=b
1
DAP+b
2
DAP
2
0.09943
-0.00461
*
*
99.13
ICA=b
0
+b
1
DAP+b
2
DAP
2
+b
3
DAP
3
-0.344106
0.203354
-0.014047
-0.000265
*
*
*
*
84.84
ICA=b
1
DAP+b
2
DAP
2
+b
3
DAP
3
0.090509
-0.002997
-0.000066
*
*
ns
99.17
Uma vez escolhida a equação, pode-se calcular o ponto de máximo ICA achando-se
a derivada primeira da equação. Supondo-se que a equação escolhida fosse:
ICA = 0.09943DAP - 0.004607DAP
2

Então o máximo ICA seria o ponto correspondente ao diâmetro de 10.79 cm.
3.6SISTEMAS DE IMPLANTAÇÃO DE Euterpe edulis
A distribuição de frutos na superfície do solo é o sistema recomendado para a
implantação do palmiteiro em florestas secundárias ou em florestas deturpadas, em função
da sua eficiência e baixo custo (Tabela 3.7).
Em locais onde suas populações tenham sido totalmente destruídas, caracteriza-se a
necessidade da recomposição do banco de plântulas do palmiteiro. Para tanto, sugere-se
que esta ação seja implementada em várias etapas, ao longo de vários anos. Assim,
podaria-se distribuir uma determinada quantidade de frutos anualmente, o que favoreceria a
formação de populações inequiâneas, além de evitar um prejuízo total do trabalho caso
ocorra um ano com condições climáticas adversas para a germinação das sementes.
Tabela 3.7 Sobrevivência (%) de plântulas de palmiteiro em seis sistemas de implantação
sob condição de formação secundária da Floresta Tropical Atlântica, avaliada aos 9, 40 e 52
meses, no município de Biguaçu-SC. BOT/FIT/UFSC, Florianópolis/SC, 1991.
Idade de avaliação (meses)
Sistemas de implantação
9
*
40 52 64
Frutos na superfície
31,5a
**
34,2a 27,7 b 27,6ab
Frutos enterrados 30,8a 42,8 b 37,8 b 37,8 b
Sementes na superfície 27,1a 30,2a 22,9a 20,1a
Sementes enterradas 42,7 b 41,0 b 36,4 b 32,6 b
Plântulas de raiz nua 86,7 c 60,2 c 62,4 c 62,3 c
Mudas de raiz nua 83,5 c 57,4 c 57,8 c 53,1 c
Médias 50,3 44,4 40,8 38,9
* Adaptado de NODARI et al., 1987
** Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste SNK (5%), comparação
na coluna.
66
Dados levantados por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina
apontam para uma sobrevivência de 30 % para frutos jogados na superfície do solo. O
número médio de frutos por kilograma é de 1000. Se fosse o objetivo colocar na floresta
cerca de 3000 plântulas por hectare por ano, seriam necessários 10 kg de fruto por hectare
nesse período. Esta semeadura seria repetida mais duas vezes, com intervalos de dois
anos. Seria esperado que após o sexto ano do início da implantação do palmital houvesse
uma população inequiânea de palmiteiro da ordem de 9000 plântulas por hectare. Estas
quantidades poderão, eventualmente, ser redefinidas a partir da avaliação da sobrevivência
das plântulas ao longo dos anos de implantação.
Na Tabela 3.8 são apresentados os resultados da avaliação aos 52 meses, do
experimento citado acima.
Tabela 3.8 Número de folhas, altura da inserção da última folha e diâmetro do colo de
plântulas de palmiteiro (Euterpe edulis), avaliados aos 52 meses, em seis sistemas de
implantação sob condição de formação secundária da Floresta Tropical Atlântica, no
município de Biguaçú-SC.BOT/ FIT/UFSC, Florianópolis/SC, 1992.
Sistemas de implantação Nº de folhas Altura da
inserção
Diâmetro
do colo
Frutos na superfície 3,16
10,46abc
*
7,38ab
Frutos enterrados 3,13 9,53a 6,79a
Sementes na superfície 2,98 11,94 c 8,18 b
Sementes enterradas 3,00 10,14abc 7,06ab
Plântulas de raiz nua 3,29 11,64 bc 7,54ab
Mudas de raiz nua 3,09 9,91ab 6,59a
Médias 3,11 10,60 7,26
*
Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste SNK (5%), comparação
na coluna.
Outra questão que deve receber adequada atenção diz respeito à qualidade do
material genético utilizado na recomposição do palmital. Sendo o palmiteiro uma planta de
fecundação cruzada, é recomendada a não utilização de frutos obtidos a partir de plantas
isoladas. Também as plantas que se localizem fora do ambiente natural da espécie, como
aquelas plantadas em parques e jardins, devem ser descartadas para a doação de
sementes. Este fato se justifica pela alta probabilidade destas plantas apresentarem
parentesco e, conseqüentemente, elevado grau de endogamia.
3.7PRODUTIVIDADE SUSTENTÁVEL DE PALMITO ATRAVÉS DO MANEJO DE Euterpe
edulis
Tomando por base os dados do inventário piloto para a E.E. de São Pedro de
Alcântara obtidos em 1991 e 1992 (Tabela 3.9), pode-se observar que grande parte dos
indivíduos está nas classes de menor diâmetro. Na classe de DAP entre 2 e 3 cm a redução
no número de indivíduos reflete que nesta classe estão presentes grande número de
indivíduos com altura inferior a 1,3 m. (regeneração natural, não incluída na Tabela).
Os dados de incremento em DAP e incremento em área basal por classe de diâmetro
refletem a tendência de crescimento dos indivíduos na população. Como, biologicamente o
67
aumento de biomassa é proporcional à área basal, os dados relativos ao incremento desta
variável são mais adequados para descrever o crescimento dos indivíduos. Além disso, o
rendimento comercial (palmito, creme, etc.) mostra-se diretamente relacionado com a área
basal. Pode-se observar na Tabela 3.9 que até a classe de 8 a 9 cm o incremento anual de
área basal aumenta, apresentando menores taxas a partir da classe seguinte.
Tabela 3.9. Incremento Corrente em DAP e em Área Basal por classe diamétrica para
indivíduos de Euterpe edulis sob condições de Floresta Ombrófila Densa (formação
secundária) na região de São Pedro de Alcântara/SC. NPFT, 1994.
A partir destes dados pode-se estabelecer uma relação funcional entre o incremento
em área basal e as classes diamétricas, utilizando-se o método dos quadrados mínimos.
Assim, a melhor estimativa da relação mencionada é:
IC
AB
= -20,5230 + 7,6314 DAP - 0,4440 DAP
2
Esta estimativa permite construir uma curva com os incrementos por classe de DAP
(Tabela 3.10), sendo 8,6 cm o ponto de máximo incremento. Desta forma, seria possível
explorar 151 indivíduos (DAP > 8,5 cm - Tabela 3.11). Contudo, há necessidade de
manutenção de, ao menos, 50 indivíduos reprodutivos por ha (porta sementes), para
garantia de perpetuação do sistema. Considerando as matrizes conforme a Tabela 3.11, ter-
se-ia então 106 indivíduos para exploração no primeiro ciclo.
Classe
Diamétrica
2 5 0.64 (0.75) 3.53 (4.26)
3 76 0.40 (0.48) 2.59 (3.24)
4 128 0.43 (0.53) 3.43 (4.23)
5 79 0.81 (0.61) 7.75 (6.15)
6 42 0.78 (0.53) 8.57 (6.13)
7 55 1.00 (0.60) 12.76 (8.13)
8 35 1.15 (0.69) 16.54 (10.22)
9 29 0.82 (0.57) 13.07 (9.27)
10 28 0.46 (0.59) 8.06 (10.42)
11 34 0.39 (0.59) 7.45 (11.43)
12 23 0.21 (0.35) 4.11 (6.91)
13 14 0.19 (0.46) 4.13 (9.76)
14 6 0.03 (0.06) 0.60 (1.47)
N ICDAP (cm) ICAB (cm)
68
Tabela 3.10 Estimativa de Incremento Corrente Anual em Área Basal e Incremento Médio
Anual em Área Basal (simulação a partir de uma idade pré-definida) para Euterpe edulis sob
condições de Floresta Ombrófila Densa (formação secundária) na região de São Pedro de
Alcântara/SC. NPFT, 1994.
-----------------------------------------------------------------------------
DAP
91
DAP
92
IC
AB
1
ID
2
IM
AB
3
-----------------------------------------------------------------------------
4.0000 4.4508 2.9923 4 3.88967
4.4508 5.0837 4.7395 5 4.05963
5.0837 5.8834 6.8879 6 4.53101
5.8834 6.7965 9.0938 7 5.18284
6.7965 7.7521 10.9186 8 5.89981
7.7521 8.6844 12.0356 9 6.58156
8.6844 9.5465 12.3441 10 7.15781
9.5465 10.3122 11.9427 11 7.59281
10.3122 10.9722 11.0330 12 7.87949
10.9722 11.5285 9.8312 13 8.02962
11.5285 11.9897 8.5179 14 8.06450
11.9897 12.3671 7.2209 15 8.00826
12.3671 12.6732 6.0188 16 7.88392
12.6732 12.9195 4.9513 17 7.71141
12.9195 13.1167 4.0317 18 7.50699
13.1167 13.2738 3.2569 19 7.28330
13.2738 13.3986 2.6146 20 7.04986
13.3986 13.4975 2.0888 21 6.81363
13.4975 13.5757 1.6624 22 6.57948
13.5757 13.6374 1.3192 23 6.35078
13.6374 13.6861 1.0444 24 6.12968
13.6861 13.7244 0.8253 25 5.91750
13.7244 13.7546 0.6512 26 5.71496
13.7546 13.7783 0.5133 27 5.52230
13.7783 13.7970 0.4042 28 5.33952
13.7970 13.8117 0.3181 29 5.16637
13.8117 13.8232 0.2502 30 5.00250
13.8232 13.8323 0.1967 31 4.84747
13.8323 13.8394 0.1546 32 4.70082
13.8394 13.8450 0.1215 33 4.56205
-----------------------------------------------------------------------------

1
IC
AB
= Incremento em Área Basal;
2
ID= Idade Estimada;
3
IM
AB
= Incremento Médio em Área
Basal IC
AB
= - 22,6339 + 8,2405DAP - 0,4807DAP
2
Utilizando-se a estimativa de rendimento de FANTINI et al. (1992) (Rend (g) = 5,34
Área Basal), ter-se-ía um total de 51,2 kg de rendimento por ha no primeiro ciclo.
69
Classes Passíveis Disponíveis
Diamétricas de para Individual Por classe
(cm) exploração exploração
2 - 3 5
3 - 4 76
4 - 5 128
5 - 6 79
6 - 7 42 1
7 - 8 55 4
8 - 9 35 17 1 16 0.30 4.8
9 - 10 29 29 3 26 0.38 9.8
10 - 11 28 28 9 19 0.46 8.8
11 - 12 34 34 10 24 0.56 13.3
12 - 13 23 23 8 15 0.66 9.8
13 - 14 14 14 8 6 0.76 4.6
14 - 15 6 6 6 - 0.88 -
Total 151 50 106 - 51.2
Rendimento (Kg)
N Matrizes
Classes
Diamétricas
(cm) D.E. Rendimento D.E. Rendimento D.E. Rendimento
(Kg/ha) (Kg/ha) (Kg/ha)
4 - 5 152
5 - 6 101
6 - 7 67 1
7 - 8 46 4
8 - 9 35 1 17 5.2 17 5.2 17 5.2
9 - 10 32 3 29 11.0 19 11.0 29 11.0
10 - 11 32 9 21 9.7 21 9.7 21 9.7
11 - 12 31 10 15 8.3 - 21 11.7
12 - 13 29 8 - - -
13 - 14 20 8 - - -
14 - 15 1 6 - - -
Total 546 50 82 34.2 67 25.8 88 37.5
5 anos 4 anos 6 anos
Rendimento por ciclo de corte
N Matrizes
Tabela 3.11. Estimativa de rendimento em Euterpe edulis sob condição de Manejo de
Rendimento Sustentado em Floresta Ombrófila Densa (formação secundária) na região de
São Pedro de Alcântara/SC. NPFT, 1994.
1
P.E.= Passíveis de Exploração - DAP limite corte = 8,5 cm;
2
D.E. = Disponíveis para Exploração;
3
Rendimento (g) = 5,34 AB = 4,194 DAP
2
Faz-se necessária a definição do ciclo de corte para exploração. Tal definição é uma
decisão que deve utilizar não apenas critérios biológicos, mas também critérios econômicos,
pois a idéia básica é estabelecer o tempo necessário para explorar novamente a mesma
área. Assim, o pressuposto é que os indivíduos remanescentes ocuparão os espaços
deixados por aqueles explorados, restabelecendo um equilíbrio entre as classes diamétricas
(distribuição diamétrica regulada). Desta forma, conforme o tempo para retomada da
exploração (ciclo de corte), ter-se-á um número maior ou menor de indivíduos a explorar.
Tomando por referência o ciclo definido pelo IMA estimado através de simulações
que consideram diferentes idades para o DAP inicial (Tabela 3.10), o ciclo de corte seria de
5 anos. Em 5 anos o estoque restabelecido, regulado pela primeira intervenção, chegaria
até a classe 13 cm (Tabela 3.12), com um número de indivíduos por classe descrito a partir
da relação estimada entre o número de indivíduos original e as classes diamétricas (estoque
regulado). Caso fossem utilizados outros critérios (ou até como simulação para análise)
poder-se-ia definir um ciclo de corte distinto, com 4 ou 6 anos, por exemplo, obtendo-se os
resultados da Tabela 3.12.
Tabela 3.12. Estimativa de rendimento em Euterpe edulis sob condição de Manejo de
Rendimento Sustentado para segundo ciclo (estoque regulado) sob diferentes ciclos de
corte em Floresta Ombrófila Densa (formação secundária) na região de São Pedro de
Alcântara/SC. NPFT, 1994.
1
Distribui ção
diamétrica regulada N = 588,40 - 166,62 DAP + 16,56 DAP
2
- 0,55 DAP
3
(R
2
= 0.95)
70
2
D.E. = Disponíveis para Exploração Rend = 5,34 AB = 4,194 DAP
2
(kg/classe)
Desta forma, conforme a opção definida para o ciclo de corte (4, 5 ou 6 anos) seriam
obtidas diferentes expectativas de rendimento comercial para a área. Em termos práticos,
seriam estabelecidos 4, 5 ou 6 talhões e explorado um talhão anualmente até completar o
primeiro ciclo, obtendo-se os rendimentos expostos na Tabela 3.13. A partir do segundo ciclo
(com o estoque regulado) as expectativas seriam diferentes. Obviamente tais expectativas
estariam sujeitas às reavaliações previstas pelo modelo.
Tabela 3.13 Expectativa de rendimento por ano de exploração de Euterpe edulis sob
condição de Manejo de Rendimento Sustentado com diferentes ciclos de corte, na Área
Experimental de São Pedro de Alcântara/SC. NPFT, 1994.
Duração do Ciclo (anos)
4 5 6
Área total 100 100 100
Área por talhão 20 25 17
Rendimento no Primeiro Ciclo (Kg)
ano 1 1280 1024 870,4
ano 2 1280 1024 870,4
ano 3 1280 1024 870,4
ano 4 1280 1024 870,4
ano 5 - 1024 870,4
ano 6 - - 870,4
Total 5120 5120 5222
Rendimento do Segundo Ciclo em diante (Kg)
ano 1 646,1 684 637,5
ano 2 646,1 684 637,5
ano 3 646,1 684 637,5
ano 4 646,1 684 637,5
ano 5 - 684 637,5
ano 6 - - 637,5
Total 2584,4 3420 3824,9
Total Kg 2584,4 3420 3824,9
Total anos 8 10 12
3.8EXEMPLO DE PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL
2
1. INFORMAÇÕES GERAIS
Proprietário do imóvel/Requerente: IBAMA
Endereço: Floresta Nacional de Ibirama-FLONA
Ribeirão Taquaras S/N
Ibirama/SC
Responsabilidade Técnica (Elaborador/executor)
Rudimar Conte
2
Trabalho apresentado por Rudimar Conte à Universidade Federal de Santa Catarina, como requisito
para obtenção do Grau de Engenheiro Agrônomo. 1997.
71
2. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS DO PMFS
Objetivo Geral
Aplicar os critérios de manejo sustentado estabelecidos pela legislação florestal de Santa
Catarina visando a exploração do palmiteiro na FLONA de Ibirama-SC.
Objetivos específicos
- Realizar um inventário florestal numa área de 38 hectares, visando o manejo do palmiteiro.
- Estabelecer índices técnicos para exploração de palmito na área inventariada.
- Fazer uma análise econômica visando demonstrar a viabilidade do projeto.
Justificativas técnicas e econômicas
A legislação do Estado de Santa Catarina define o palmiteiro como uma espécie
passível de ser manejada desde que obedecidos os dispostos resolução do CONAMA N
o
294, de 12 de dezembro de 2001.
A literatura sobre o palmiteiro é bastante consistente, principalmente no que se refere
a critérios de manejo em condições de floresta nativa. A espécie Euterpe edulis Martius,
além de ser uma importante fonte de renda das áreas florestadas, desempenha um papel
ecológico fundamental no ecossistema, uma vez que mantém distintos níveis de interação
com a fauna.
O palmito de Euterpe edulis se constitui em um dos principais produtos da Floresta
Tropical Atlântica. O seu potencial como opção econômica dentro de sistemas de manejo
em regime de rendimento sustentado é ainda maior, na medida em que estes sistemas
prevêem a sua exploração a partir de parâmetros como o ponto de máximo incremento
biológico.
A análise econômica do projeto (Item 6) demonstra que a exploração do palmiteiro,
segundo critérios de manejo sustentado, é altamente viável, representando uma alternativa
de renda a mais para o conjunto da propriedade agrícola.
3. CARACTERIZAÇÃO DO MEIO NA PROPRIEDADE
Meio físico
Clima
O clima da região é do tipo Cfa-mesotérmico úmido com verão quente (Ide et al.
1980), com precipitação anual entre 1.600 e 1.800 mm, bem distribuídas, apresentando
entre 120 e 140 dias de chuva durante o ano e umidade relativa do ar entre 75 e 80%
(Orselli, 1986). A temperatura média anual situa-se entre 16 e 18° C, sendo 21° C a média
do mês mais quente e 13° C a temperatura média do mês mais frio.
Solos
O solo da região é um Cambissolo Álico (Moser et al. 1986), abrangendo também os
38 hectares da área de amostragem na FLONA de Ibirama-SC.
Hidrografia
A área da FLONA de Ibirama é cortada na sua parte mais baixa pelo Ribeirão do
Coxo, um afluente da bacia do Rio Itajaí-Açu (ver Folha Planialtimétrica, Anexo 1). A área de
amostragem é cortada por pequenos córregos que deságuam no Ribeirão do Coxo.
Topografia
A topografia do local pode ser classificada como ondulada a fortemente ondulada,
tendo a área de amostragem uma variação entre 300 e 350 metros de altitude.
Meio biológico
Vegetação
72
A vegetação original do local, segundo Klein et al. (1986) e Veloso et al. (1991), era
composta de Floresta Ombrófila Densa Montana. Antes da área ser reconhecida como
Floresta Nacional, houve exploração seletiva de espécies madeireiras, por volta da década
de 50. Por conta disso, a área da FLONA apresenta atualmente áreas de vegetação nativa
em estádio secundário avançado (conforme Resolução N. 04, de 4 de maio de 1994, Art.
3°), e também áreas com reflorestamento de Pinus sp., eucalipto e araucária .
A amostragem para o inventário florestal foi realizada em uma área homogênea de
vegetação em estádio secundário avançado de sucessão florestal.
Fauna
O processo de exploração de madeira verificado até a década de 80 reduziu
significativamente a cobertura florestal da região de Ibirama. As poucas áreas
remanescentes, na maioria dos casos, são encontradas na forma de relictos florestais,
principalmente nas áreas de mais difícil acesso das propriedades rurais. Essa redução da
cobertura vegetal, juntamente com a prática das caçadas a animais silvestres, comprometeu
a diversidade da fauna nessa região, em função da alteração do ambiente natural desses
animais (VILMAR D. C. SPRICIGO
3
, comunicação pessoal).
A reserva da FLONA, por outro lado, apesar de ter sofrido com o processo de
exploração florestal na década de 50, apresenta uma maior diversidade de animais em
relação às propriedades da região. Esse fato se deve ao processo de regeneração da
vegetação nativa e a vigilância por parte do Ibama, que permitiu o estabelecimento de
animais silvestres incluindo pássaros e mamíferos (bugios, porcos-do-mato, tatus e outros),
compondo uma fauna relativamente diversificada.
Meio sócio-econômico
A região de Ibirama é caracterizada pela presença de pequenas propriedades de
exploração agrícola. Até poucos anos atrás, parte da fonte de renda dessas propriedades
advinha da exploração de madeira e da extração de palmito. Atualmente, com a escassez
desses recursos, aliado à proibição da exploração florestal desordenada, os agricultores da
região partiram principalmente para o cultivo do fumo e do arroz irrigado nas várzeas e na
área animal a região se destaca na produção de leite, apicultura e piscicultura de água doce.
4. MANEJO FLORESTAL
Discriminação das áreas da propriedade
Área total da propriedade: 570,6 ha
Área da reserva legal: (ha)
Área de preservação permanente: (ha)
Área do PMFS: 38 ha
Área de floresta remanescente:
Área de reflorestamento:
Infra-estrutura: A área do Ibama possui uma sede composta por quatro casas, um galpão
com garagem, escritório e depósito de materiais. Além disso, a sede possui um veículo
Gurgel para trabalhos de vistoria da área.
Rede viária: A FLONA é cortada por estradas de terra, cascalhadas, em bom estado de
conservação. O acesso à área objeto do inventário é feito por uma estrada de terra que se
bifurca, constituindo os divisores dessa área.
Inventário florestal
Amostragem
3
Agente Administrativo da FLONA de Ibirama/SC - Entrevista informal no mês de agosto de 1997,
durante o período de realização do estágio na FLONA de Ibirama.
73
Fazendo parte do convênio IBAMA/SUPES-SC/UFSC, para o Projeto - Implantação
de uma Unidade Demonstrativa de Manejo de Palmiteiro na FLONA de Ibirama, foi
demarcada uma área de 38 hectares com floresta em estádio de secundário avançado de
sucessão florestal.
A área a ser inventariada foi percorrida com o objetivo de se fazer um
reconhecimento da vegetação, suas peculiaridades e as possíveis diferenças de ambiente
interno. Foi constatado que dentro da área não havia diferenças marcantes de ambiente que
sugerissem a subdivisão em áreas homogêneas, demonstrando que uma amostragem
aleatória simples seria adequada para inferir sobre a área total.
Trabalhos com manejo do palmiteiro na região do Vale do Ribeira - SP, têm
comprovado que a utilização de parcelas de 40 x 40 metros representam a área de forma
eficiente no caso dos indivíduos adultos do palmiteiro, e que duas faixas transversais de 2 x
40 metros que se cruzam no meio da parcela são suficientes para a amostragem da
regeneração natural (Figura 3.5).
Desta forma, para locação das parcelas no campo, foi elaborado um mapa em escala
adequada da área a ser manejada, com suas delimitações conhecidas para efeitos de
amarrações. O mapa foi reticulado (quadriculado), sendo o tamanho de cada retículo
proporcional ao tamanho da parcela (40 x 40 m). Em seguida foram sorteadas 10 parcelas,
obedecendo ao critério de aleatoriedade, que serviram para os trabalhos de pré-
amostragem. A disposição das parcelas no mapa foi amarrada com o Norte Magnético para
facilitar a sua demarcação no campo.
A demarcação das parcelas na área de amostragem foi realizada com bússola,
balizas e trenas. Os caminhos até as parcelas foram demarcados com estacas metálicas e
fitas plásticas coloridas, sendo que na entrada dos caminhos foram dispostas etiquetas
indicando o número de cada parcela. Para amostragem das plantas adultas, foram
demarcadas parcelas de 40 x 40 metros (1.600 m
2
), subdivididas em subparcelas de 10 x 10
metros, para facilitar o caminhamento na parcela. Para amostragem da regeneração, foi
delimitada uma área em forma de cruz com 156 m
2
(2 x 40 m), dividida em subparcelas de 4
m
2
, constituindo um total de 39 subparcelas (Figura 3.5).
40x40 m
10x10m 2m
Figura 3.5 - Croqui da parcela de 40 x 40 m, mostrando as subdivisões de 10 x 10 m e a
área em forma de cruz (2 x 40 m) utilizada para a avaliação da regeneração natural do
palmiteiro.
74
As plantas adultas (com estipe exposta superior a 1,30 m) foram devidamente
mapeadas e etiquetadas com número da parcela, número da subparcela e número da planta
dentro da subparcela. Para cada planta foram coletados dados de DAP, através de
Paquímetro Florestal, e o estádio fenológico nas categorias: reprodutivo e jovem.
Considerou-se como reprodutivas as plantas que apresentavam cacho ou mesmo sinais de
emissão de cachos caso essas não apresentassem infrutescências e a categoria jovem foi
utilizada para as plantas que ainda não entraram na fase reprodutiva (Figura 3.6). A
categoria macho foi utilizada para as plantas que não eram reprodutivas e apresentavam
retenção de folhas junto a estipe.
Figura 3.6 Categorias do estádio fenológico do palmiteiro (Euterpe edulis).
Para avaliação da regeneração natural, foram avaliadas todas as plantas com altura
de estipe exposta inferior a 1,30 metros, consideradas pertencentes ao banco de mudas da
espécie, as quais foram agrupadas nas seguintes classes: Classe I - plântulas com até 10
cm; Classe II - plantas de 11 a 50 cm; Classe III - plantas maiores de 50 cm de altura de
inserção da folha mais jovem e com estipe exposta inferior a 1,30 metros (Figura 3.7).
75
Figura 3.7 Classes da regeneração natural do palmiteiro (Euterpe edulis).
Definição da suficiência amostral
Conforme exemplo do Modulo 1.
Caracterização da área e Sistema de exploração
Características da população de palmito na área inventariada:
A área inventariada na FLONA de Ibirama se encontra em estádio secundário
avançado de sucessão florestal, apresentando características similares de áreas com
cobertura florestal primária. Segundo informações dos administradores da unidade, houve
exploração seletiva de madeiras por indústrias madeireiras, por volta da década de 50,
antes da área ser reconhecida como Floresta Nacional, sendo que as árvores
remanescentes do processo exploratório apresentam-se hoje com DAPs semelhantes aos
encontrados em formações primárias.
O levantamento demonstrou que a população de palmito da área inventariada
apresenta um maior número de indivíduos em relação a populações já estudadas
anteriormente. Nesta situação, foram encontradas 609 plantas adultas por hectare,
enquanto que para Blumenau-SC (REIS, 1995), Sete Barras-SP (FANTINI et al., 1993) e
São Pedro de Alcântara-SC (CONTE, 1997), foram encontradas, respectivamente, 372, 517
e 480 plantas adultas por hectare, sendo que as duas primeiras correspondem a formações
primárias e a última a uma formação secundária.
Na categoria dos indivíduos adultos foram consideradas todas as plantas com altura
de estipe exposta superior a 1,30 metros, incluindo as seguintes fases: 1) Plantas jovens
que ainda não emitiram inflorescência; 2) Plantas “machos”; e 3) Plantas reprodutivas.
Foram consideradas plantas "machos" aquelas plantas com retenção de bainhas e que
neste estado não emitem inflorescência.
A Figura 3.8 apresenta a distribuição de freqüência por classe diamétrica das plantas
de palmiteiro com altura de estipe exposta superior a 1,30 metros. Dentro desta categoria os
jovens participam com 388 plantas por hectare (63,8%) e são encontrados em maior número
entre as classes diamétricas de 2,0 a 13,0 cm, com destaque para a classe 4,0 cm. As
plantas consideradas “machos” apresentaram uma freqüência de 90 plantas por hectare
76
(14,7%), sendo encontrados, em sua maioria, entre as classes diamétricas de 2,0 a 6,0 cm.
Já os indivíduos reprodutivos apresentaram uma freqüência de 131 plantas por hectare
(21,5%), sendo que sua ocorrência se dá a partir da classe 6, porém, é a partir da classe 10
que se observa sua maior abundância, representando a maioria dos indivíduos nessas
classes superiores. Para as plantas consideradas “machos”, as observações de campo
demonstram que na medida em que as plantas atingem classes de DAP intermediárias, na
sua grande maioria perdem essa característica podendo inclusive chegar a produzir
inflorescência, porém algumas permanecem nesse estado indefinidamente.
A distribuição de freqüência geral apresenta um comportamento em forma de “J”
invertido. De acordo com FANTINI et al. (1992), no caso do palmiteiro existe uma grande
concentração de plantas nas classes iniciais, diminuindo gradativamente com a
aproximação das classes adultas, proporcionando esse tipo de comportamento. Porém, nas
amostragens de populações de palmito em Blumenau-SC, Sete Barras-SP e São Pedro de
Alcântara-SC, foram encontrados indivíduos com até 16 cm e, além disso, com baixíssima
freqüência. Já, nesse levantamento, foram encontradas plantas em maior freqüência até 21
cm de DAP e, um caso excepcional, porém fora da amostragem, encontrou-se um indivíduo
com 25 cm de DAP.
0
20
40
60
80
100
2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21
Jovens
Machos
Reprod.
Total
Classes diamétricas (cm)
N
ú
m
e
r
o

d
e

p
l
a
n
t
a
s
Jovens = 388/ha
Machos = 90/ha
Reprod. = 131/ha
Total = 609/ha
Figura 3.8 - Distribuição de freqüência das plantas de palmiteiro com estipe exposta superior
a 1,30 m, na FLONA de Ibirama-SC.
Neste sentido parece haver um desvio no comportamento normal de distribuição de
freqüência desta espécie para a população de Ibirama, em virtude da uniformidade no
número de plantas da classe 8 até a classe diamétrica 16, quando se esperaria uma
redução no número de plantas da primeira para a segunda classe em questão,
respectivamente.
Duas hipóteses foram levantadas para explicar o comportamento observado. Na
primeira hipótese, segundo informações dos agricultores da região de Ibirama, houve uma
forte geada na região num passado recente, causando grande mortalidade de palmiteiros
jovens, criando com isso uma grande lacuna entre as plantas remanescentes e as que
germinaram após o episódio. Supõe-se desta forma que as plantas que hoje se encontram
nas classes diamétricas intermediárias são os filhos daquelas plantas que sobreviveram
após a geada e ainda não atingiram o equilíbrio quanto à estrutura demográfica.
A outra hipótese diz respeito à retirada clandestina de palmito da área por cortadores
da região. Com o envelhecimento da planta, o corte da estipe é dificultado por causa da
lignificação da madeira e, portanto, as classes intermediárias são o alvo principal dos
77
cortadores pela facilidade do corte. Assim, as plantas mais velhas ou com estipe mais
desenvolvida formam um estoque semelhante àquelas das classes intermediárias.
Considerando que os indivíduos reprodutivos ocupam em maior expressão as
classes diamétricas superiores, a sua grande abundância pode ser explicada por ambas as
hipóteses, porque, conforme se observa na Figura 3.9, eles participam com 50% da área
basal de todos os indivíduos considerados adultos na área sob manejo.
De acordo com a Figura 3.9, a área basal por hectare de Euterpe edulis corresponde
a 4,33 m
2
, sendo que os reprodutivos participam com 2,19 m
2
desse total. A partir da classe
diamétrica 12, os reprodutivos passam a participar com mais de 50% da área basal,
chegando a atingir 100% nas últimas classes.
O grande número de plantas observado na regeneração natural se deve ao grande
número de plantas em fase reprodutiva naquela situação. Este fato é de fundamental
importância para o manejo sustentado da espécie, uma vez que permite a reposição do
estoque extraído da floresta. Além disso, o grande número de indivíduos reprodutivos
permite a seleção de indivíduos com alta produtividade de frutos, o que garante, mesmo
com a retirada de algumas matrizes por ocasião da exploração da área, a continuação do
processo de reposição de plantas no chamado banco de mudas da espécie.
0
0,1
0,2
0,3
0,4
0,5
0,6
0,7
2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21
Total
Reprod.
Classes diamétricas (cm)
Á
r
e
a

B
a
s
a
l
AB-total = 4,33 m
2
AB-reprod. = 2,19 m
2
Figura 3.9 - Distribuição da área basal (AB) do palmiteiro, mostrando a participação dos
indivíduos reprodutivos na FLONA de Ibirama-SC.
A Tabela 3.14 apresenta a estimativa de rendimento de palmito por hectare, na
FLONA de Ibirama, com base na equação de FANTINI et al. (1992) para Blumenau, que
utiliza como parâmetro a relação entre o DAP e o rendimento em creme da palmeira
(Rendimento
(g)
= 4,194DAP
2
).
Tabela 3.14 - Estimativa de rendimento de palmito por hectare, considerando o diâmetro
limite de corte (DLC) de 9,0 cm e a permanência de 50 indivíduos reprodutivos por hectare,
conforme estabelece a Resolução 294/01 do CONAMA.
Classes de Rendimento em creme
DAP (cm) N/ha
AB (m
2
)
P.E Reprod. D.E Ind.(g) Classe (kg)
2 1 0,001
3 59 0,061
4 113 0,175
5 68 0,155
6 50 0,163 1
7 37 0,162 0
78
8 30 0,166 0
9 29 0,199 29 2 27 379 10,233
10 33 0,284 33 3 30 462 13,860
11 32 0,323 32 5 27 555 14,985
12 35 0,418 35 5 30 655 19,650
13 28 0,394 28 7 21 764 16,044
14 32 0,521 32 8 24 882 21,168
15 26 0,488 26 9 17 1.108 18,836
16 17 0,352 17 5 12 1.142 13,704
17 9 0,207 9 2 7 1.284 8,988
18 7 0,192 7 1 6 1.435 8,610
19 1 0,045 1 0 1 1.595 1,595
20 1 0,008 1 1 0 1.763 0
21 1 0,018 1 1 0 1.939 0
Total/ha 609 4,332 251 50 202 147,673 Kg
[±13,881kg]
AB = Área Basal, P.E. = Passíveis de exploração; D.E. = Disponíveis para exploração; Rendimento
(g)
= 4,194DAP
2
(FANTINI et al., 1992)
Considerando a permanência de 50 indivíduos reprodutivos por hectare obteve-se
como disponíveis para exploração, 197 plantas por hectare. Através da estimativa de
rendimento proposta por FANTINI et al. (1992), obteve-se um rendimento de 147, 673 kg (±
13,881 kg) por hectare no primeiro ciclo de exploração da área, o que proporciona um
rendimento, em peso drenado, de 492 vidros de 300 gramas, (± 46 vidros, de acordo com o
intervalo de confiança).
O estoque de plantas reprodutivas ou porta-sementes será formado por 50 indivíduos
por hectare. Considerando um número médio de 131 reprodutivos por hectare na área
inventariada e tendo em vista a dificuldade para estabelecer o estoque dessa categoria com
distribuição homogênea, no momento da exploração, para cada três plantas reprodutivas
encontradas, uma será mantida no primeiro grupo e duas no segundo grupo,
sucessivamente. Dessa forma, as plantas do estoque serão etiquetadas para que no
próximo ciclo de corte essas não venham a serem exploradas.
Estrutura da rede de estradas e pontos de estocagem
Conforme o croqui da área, a rede de estradas permite a circulação de animais e
veículos que poderão ser utilizados para o transporte do palmito em cabeça até um pátio de
estocagem. As picadas internas serão feitas de acordo com as necessidades locais.
O palmito em cabeça será estocado no máximo por uma semana em local limpo,
protegido da radiação solar, para evitar a perda da qualidade.
Cronograma de execução das operações de exploração florestal
A área será dividida em 5 talhões de 7,6 hectares, de modo a explorar um talhão
anualmente, e o retorno à mesma área será feito após 5 anos para que possa sofrer uma
segunda exploração.
O rendimento em palmito, obtido na primeira exploração, será mais acentuado em
virtude do estoque original e se estabilizará com valores menores nos próximos ciclos de
corte em função da taxa de crescimento dos indivíduos remanescentes. Neste sentido, os
próximos ciclos estarão sujeitos a reavaliações, tendo em vista o impacto causado à floresta
pelas explorações anteriores.
Materiais e pessoal necessário para exploração florestal
Os materiais necessários para a exploração do palmito são; etiquetas para
identificação do estoque de matrizes; foice para abertura das picadas e favorecer o
79
transporte; facão para o corte das árvores e a extração das cabeças de palmito; corda para
amarração dos feixes de cabeças de palmito.
Segundo informações de empresas ligadas à exploração de palmito no Estado de
São Paulo, a mão-de-obra de uma pessoa consegue abater em torno de 70 plantas por dia,
juntamente com o transporte até o pátio de estocagem (RONALDO RIBEIRO
2
,
comunicação pessoal).
Considerando um ciclo de corte de 5 anos, a área será dividida em 5 talhões, e cada
talhão terá uma área de 7,6 hectares. De acordo com a Tabela 3.13, o número de plantas
disponíveis para exploração no primeiro ciclo é de 202 plantas por hectare, perfazendo um
total de 1.535 plantas na área do talhão. Desta forma, a mão-de-obra necessária para
exploração de um hectare será de 2,9 dH (dias Homem) e cada talhão necessitará de 22
dH.
O transporte do palmito em cabeça da mata até o pátio de estocagem poderá ser
feito através de carro de boi ou mesmo por veículo.
Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural
Será feito um acompanhamento da regeneração natural através de reavaliações
anuais. O acompanhamento permitirá avaliar se o estoque de plantas matrizes é suficiente
para manter uma regeneração natural compatível para reposição dos indivíduos adultos
extraídos da floresta. Se necessário, a área será enriquecida com sementes de palmito
oriundas de outras áreas.
Como a regeneração natural da área a ser manejada apresenta 20.488 plantas por
hectare com um número de matrizes de 131 indivíduos por hectare, aparentemente não se
faz necessário o enriquecimento da regeneração natural.
v. AVALIAÇÃO E PROPOSTA DE MINIMIZAÇÃO DOS IMPACTOS
AMBIENTAIS
Somente para áreas maiores ou iguais a 100 ha.
vi. PROGNOSTICO DA QUALIDADE AMBIENTAL PELA
IMPLANTAÇÃO DO PMFS
Somente para áreas maiores ou iguais a 100 ha.
vii. ANÁLISE ECONÔMICA DO PROJETO
A análise econômica do Plano de Manejo foi realizada por meio de instrumentos
tradicionais de análises de projetos. Os dados relativos aos custos e receitas foram
distribuídos numa tabela de fluxo de caixa, com fluxo líquido anual esperado e atualizado
para uma taxa de 6% ao ano. A relação benefício/custo foi elaborada através da operação
Receita Total/Custo Total, com valores atualizados no final de 5 anos. Um outro método
consistiu no cálculo da Taxa Interna de Retorno, considerando o projeto viável se sua TIR for
igual ou maior que um custo de oportunidade de 6% ao ano.
Custos do projeto
Os custos inerentes ao projeto de exploração de palmito foram divididos nas
seguintes etapas: 1) Elaboração do plano de manejo florestal sustentável por um
profissional da área; 2) Taxa de liberação para manejo estabelecido pelo Órgão Estadual do
Meio Ambiente (FATMA); 3) Taxa de fiscalização do manejo estabelecida pelo IBAMA; 4)
2
Engenheiro Agrônomo, empresário de exploração de palmito no Município de Registro/SP -
Entrevista informal no mês de agosto de 1997, durante o período de realização do estágio.
80
Mão-de-obra para a extração do palmito da floresta; 5) Gastos com o transporte do palmito
no interior da propriedade; 6) Gastos de transporte do palmito até a indústria: 6) Juros sobre
a terra; 7) ITR; 8) Depreciação, manutenção e gastos com materiais utilizados para o
processo exploratório.
A tabela 3.15 apresenta os custos relativos aos honorários profissionais para
elaboração do PMFS, de acordo com o sindicato dos Engenheiros Agrônomos de Santa
Catarina, e as taxas de liberação e fiscalização de áreas sob manejo estabelecidas pela
FATMA e IBAMA, respectivamente. As despesas do inventário representam o investimento
inicial necessário para avaliação do potencial existente, enquanto as taxas representam o
investimento inicial para legalização do manejo florestal.
81
Tabela 3.15 - Custos relativos aos honorários profissionais para elaboração do Plano de
Manejo Florestal e taxas de liberação e fiscalização de áreas de manejo.
Descrição dos custos Custo p/38 ha
R$
Custo/ha
R$
Área de 25 ha: 1.849,00 UFIR*, acresce 1% por hectare
sobre o valor básico para áreas maiores. 1.900,00 50,00
Taxa de liberação para exploração de palmito: 400 UFIR
364,00 9,57
Taxa de fiscalização: R$ 271,50 para áreas de até 250 ha,
acresce R$ 0,50/ha sobre o valor básico para áreas
maiores.
271,50 7,14
TOTAL (custo inicial) 2.535,50 66,71
* UFIR agosto de 1997: R$ 0,91
A Tabela 3.16 apresenta uma descrição dos custos de exploração de palmito por
hectare para o primeiro ciclo de exploração.
Tabela 3.14 - Custos para exploração de um hectare de palmito na FLONA de Ibirama.
Descrição Und Quantidade Valor
R$
Custo inicial
Honorários para elaboração de projeto UFIR 54,9 50,00
Taxa de liberação para exploração (FATMA) UFIR 10,5 9,57
Taxa de fiscalização (IBAMA) - - 7,14
Total custo inicial
- - 66,71
Custo operacional
Mão-de-obra para exploração de palmito dH 2,9 43,50
Transporte interno dia 1 15,00
Transporte externo ton 1 20,00
Manutenção de máquinas e equipamentos ha 1 15,00
Total custo operacional
ha 1 93,50
ITR (Imposto Territorial Rural) ha 1 10,00
Fonte: Dados do projeto
De acordo com a análise econômica, a exploração de palmito na área sob manejo da
FLONA é altamente viável. O retorno ao investimento, neste caso incluindo-se a
depreciação, acontece no primeiro ano, com um saldo líquido atualizado de R$ 882,35. A
remuneração da atividade exploratória durante o primeiro ciclo de corte proporciona um
renda líquida anual de R$ 3.700,44, o que corresponde a 2,57 salários mínimos mensais.
Esta remuneração é bastante significativa quando comparada com uma atividade agrícola,
tendo em vista que a renda está sendo proporcionada por apenas um dos recursos
potenciais que a floresta pode proporcionar.
A TIR do capital investido no projeto para o primeiro ciclo de exploração é de 141%, o
que viabiliza o projeto considerando um custo de oportunidade de 6%. Além disso, durante o
primeiro ciclo, para cada real investido são recuperados R$ 3,06, considerando-se um custo
de oportunidade de 6% ao ano.
A análise econômica de projetos sempre prevê a estabilização da atividade desenvolvida.
No caso da exploração de palmito, no momento da elaboração do Plano de Manejo é
possível fazer uma previsão até o período considerado como ciclo de corte, tendo em vista o
82
não conhecimento do comportamento da espécie em termos de crescimento nas condições
locais. Neste caso, a produtividade e, em conseqüência, a rentabilidade para os demais
ciclos de exploração só serão conhecidas com a caracterização do crescimento, através de
uma reavaliação pós-exploratória. Isto evidencia a necessidade do inventário contínuo da
área sob manejo, tendo em vista o impacto causado à floresta pelo processo exploratório.
Considerando a necessidade da conservação dos recursos florestais para o benefício dos
animais e do homem, esta conservação deve proporcionar um recompensa para que o
homem usufrua de maneira racional da potencialidade desses recursos. A execução de
planos de manejo florestal sustentável permite conciliar conservação com economicidade,
proporcionando uma fonte de renda para o agricultor e mantendo toda a biodiversidade do
sistema, justificando desta forma o manejo de nossas florestas.
8 BIBLIOGRAFIA
Bibliografia incluída na bibliografia do modulo 3 desta apostila.
9 DOCUMENTOS EXIGIDOS
Em anexo ao Plano de Manejo Florestal Sustentável, deve seguir uma
documentação comprobatória, conforme regulamenta a resolução 294 do CONAMA:
9.1 Documento que dá entrada ao processo de legalização da exploração florestal, ou seja,
o proprietário manifesta o interesse para manejo de determinada espécie junto ao órgão de
fiscalização florestal.
9.2 Prova de propriedade atualizada - Refere-se à matrícula mais recente do imóvel que
comprove o título de propriedade do requerente.
9.3 Averbação de Reserva Legal - ARL
9.4 Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada - TRMFM - Este
Termo declara os limites da área a ser manejada, podendo nela ser feita exploração florestal
sob forma de manejo florestal sustentado (Anexo IV da Resolução 294) .
9.5 Comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural - Refere-se ao pagamento do
ITR do ano anterior.
9.6 Croqui de acesso à propriedade, em relação ao município, onde a mesma se encontra
localizada
9.7 Planta topográfica da propriedade em escala compatível com a eqüidistância, plotando:
área total da propriedade, área de reserva legal, área de preservação permanente, área do
PMFS, área de floresta remanescente, área de pastagem, área de agricultura, área de
reflorestamento, área de banhado, infra-estrutura, hidrografia, rede-viária, localização das
parcelas, confrontantes, norte-magnético, coordenadas geográficas, edificações, rede de
energia elétrica, escala e convenções.
9.8 Cópia da caderneta de campo - São as planilhas de campo utilizadas para a coleta dos
dados de amostragem, tanto da espécie a ser manejada quanto do levantamento das
demais espécies.
9.9 Cópia do "Layout" das parcelas e subparcelas da regeneração natural.
3.9 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA
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87
4. DIVERSIDADE GENÉTICA EM PLANTAS
4.1INTRODUÇÃO
Os estudos relativos a caracterização da diversidade genética em populações
naturais de plantas tem gerado grandes avanços no conhecimento relativo aos processos
microevolutivos. Tais estudos trazem fundamentos tanto para o estabelecimento de
estratégias de conservação, como também para o estabelecimento de estratégias de
manejo (utilização racional) das populações naturais de plantas .
Mais recentemente, grande esforço tem sido realizado no sentido do entendimento da
organização genética de populações naturais de espécies tropicais. Esta ênfase esta
diretamente relacionada ao reconhecimento da importância da diversidade, riqueza de
espécies mais variabilidade genética dentro de espécies vegetais, para o futuro da
humanidade.
O termo diversidade genética foi definido origalmente por NEI (1972) e se refere a
quantidade potencial de heterozogotos em uma dada população, considerado as
frequências genotípicas em equilíbrio de panmíxia (os indivíduoas da população se
reproduzem a partir de cruzamentos ao acaso, sem nehnhuma restrição, e a população é
grande suficiente para permitir que todos os genótipos possam se manifestar na frequência
do equilíbrio).
Mais recentemente, o termo diversidade genética tem sido empregado para caracterizar
medidas objetivas (índices) que possam quantificar a variação genética em populações. Em
geral os níveis de diversidade genética tem sido caracterizados através da quntificação da
percentagem de polimórficos, do médio número alelos por loco, das heterozigosidades
(esperada e observada) e do índice de fixação (coeficinete de endogamia), a partir de
amrcadores genéticos.
Além disso tem sido também caracterizada a estrutura genética (distribuição da
variabilidade entre e dentro das populações, estimada através dos coeficientes: H
T
, H
S
e
G
ST
[NEI, 1973] ou F
IS
, F
IT
e F
ST
[WRIGHT, 1951]), a taxa de cruzamento e o fluxo
gênico, como medidas dinâmicas da organização da diversidade genética (REIS, 1996)
Tais estudos são importantes não apenas por elucidarem o sistema reprodutivo de
diversas espécies mas também pelo fato de ser o sistema reprodutivo um dos fatores mais
diretamente associados aos níveis de diversidade genética e à distribuição da variabilidade
genética entre e dentre de populações (HAMRICK et al., 1979; HAMRICK E GODT, 1990).
Além disso, a caracterização da taxa de cruzamento dá uma idéia da movimentação dos
alelos no tempo ou, especificamente, entre duas gerações, num nível espacial restrito.
Como reflexo seqüencial dos processos ao nível de população, o fluxo gênico (ou fluxo
alélico) caracteriza o movimento de alelos a um nível mais amplo espacialmente. Conforme
SLATKIN (1985), fluxo gênico é um termo coletivo que inclui todos os mecanismos que
resultam no movimento de alelos de uma população para outra.
Além disso, há que se considerar que os processos microevolutivos de cada espécie
acontecem numa determinada comunidade ou ecossistema e, portanto, diversos
organismos e componentes abióticos do ecossistema estão envolvidos de forma dialética.
Tal aspecto é especialmente relevante em ecossistemas tropicais, onde, na maioria das
espécies de plantas, os eventos relativos à movimentação dos alelos são mediados pela
fauna (BAWA et al.,1985;TERBORGH, 1986; BAWA, 1990; MORELLATO, 1991).
Neste contexto, toda e qualquer estratégia de conservação e/ou manejo deve
considerar de forma integrada os organismos do ecossistema como um todo. Isto reporta a
88
aspectos relativos a demografia, uma vez que as forças evolutivas atuarão também pela
limitação dos fatores de ambiente, ou seja, a competição intraespecífica e interespecífica
devem ser componentes importantes na maioria das situações. Segundo OYAMA (1993),
considerações sobre dados genéticos e demográficos podem auxiliar no entendimento da
biologia evolutiva de populações de plantas tropicais, para que se possa efetivamente
manejar e preservar até o momento em que a restauração das áreas naturais possa seguir
uma expação em níveis naturais.
A integração das informações relativas aos níveis de diversidade, distribuição da
variabilidade, taxa de cruzamento e fluxo gênico obtidas em diferentes populações (espaço)
e em diferentes anos (tempo) permite uma caracterização efetiva da dinâmica da
movimentação dos alelos em populações naturais. Tal caracterização mostra-se mais
adequada para o estabelecimento de estratégias de conservação e/ou manejo de
populações naturais em plantas, uma vez que permitem projeções mais realistas de eventos
no espaço e no tempo. Em ambas as situações, manejo ou conservação, por diferentes
motivos, a sustentabilidade dos recursos é imprescindível.
4.2 ESTUDOS SOBRE DIVERSIDADE GENÉTICA EM PLANTAS
HAMRICK e GODT (1990) analisam 653 estudos com alozímas, incluindo 449
espécies vegetais de 165 gêneros, visando associar os níveis de diversidade a aspectos da
história de vida e ecologia de espécies vegetais. Os autores incluem nestes trabalhos
apenas dados provenientes de levantamentos em que os locos monomórficos estavam
presentes nas estimativas da diversidade genética, pressupondo amostragem ao acaso dos
locos. Os autores concluem que, para espécies vegetais, em média, 50,5 % dos locos são
polimórficos e a heterozigosidade média é de 0,149. Dentro de populações, em média,
34,2% dos locos são polimórficos e a heterozigosidade média é de 0,113. Nesta análise, os
autores concluem que o sistema reprodutivo e a distribuição geográfica das espécies foram
os fatores que mais contribuem para a variação dos dados.
O excesso de heterozigotos tem sido descrito para muitas espécies tropicais como
Pithecellobium pedicelare (O'MALEY et al., 1987), Bertholetia excelsa (O'MALEY et al.,
1988), Ceiba pentandra (MURAWSKY e HAMRICK, 1992), Psychotria faxlucens (PEREZ-
NASSER et al, 1993), Astrocarium mexicanum (EGUIARTE et al., 1992) e Cecropia
obtusifolia (ALVAREZ-BUYLLA e GARAY, 1994). Entretanto, a maioria delas não apresenta
um padrão definido de aumento de heterozigotos nos adultos em relação às progênies;
como P. faxlucens, que não mostra uma tendência clara, e P. pedicelare, onde tanto adultos
quanto progênies apresentam um excesso de heterozigotos, mas não diferem entre si. Por
sua vez, A. mexicanum, uma palmeira do sub-bosque das florestas tropicais da América
Central, mostra excesso de heterozigotos nas progênies (F = -0,186) e nos adultos (F =
-0,411), contudo, o expressivo aumento de heterozigosidade nos adultos sugere uma
sobrevivência ou recrutamento preferencial dos heterozigotos, segundo EGUIARTE et al.
(1992). Conforme REIS et al. (2000) a existência de excesso de heterozigotos em
populações naturais também é um fenômeno importante para o palmiteiro (E. edulis)
especialmente se considerarmos aspectos demegráficos da espécie.
A alta taxa de cruzamento obtida para várias espécies tropicais, aliada a alta
heterozigosidade estimada para a maioria delas, apresenta especial relevância, pois a
geração posterior poderá apresentar novos recombinantes ou mais recombinantes,
permitindo adaptação a microambientes e a manutenção da dinâmica populacional, como
demonstrado por MARTINS e JAIN (1977) e JAIN e MARTINS (1979) para Trifolium hirtum
89
(leguminosa colonizadora), e discutido em BARRETT e KOHN (1991). Conforme OYAMA
(1993), a variação genética dentro de indivíduos é tão importante quanto a variação entre; e,
se o tamanho das populações naturais em espécies tropicais, onde os níveis de diversidade
elevados são comuns, se reduz, também ficará reduzido o potencial de ocupação de novos
microambientes ou alterações naturais destes.
A expressão fenotípica de uma característica é dependente do genótipo e do
ambiente. Quando se conhece o genótipo, a seleção se torna mais eficiente. Quanto mais o
fenótipo corresponder a um genótipo, maior será a eficiência da escolha, pois o ambiente
tem pouco efeito na característica. O conhecimento da genética de uma espécie, possibilita
a escolha de estratégias de seleção adequadas. Desta maneira, a caracterização da
natureza da herança de uma característica bem como a magnitude da variabilidade
existente na espécie é de fundamental importância no melhoramento genético.
Uma das maneiras de caracterizar a variação, produzir sementes e também de conservar
esta espécie, é a utilização dos testes de procedência e progênie. Essa estratégia permitiria a
caracterização da estrutura genética de populações, a determinação de parâmetros genéticos,
a identificação de genótipos mais adaptados a uma região (KAGEYAMA & DIAS, 1982) e aos
distintos estádios sucessionais ou condições ecológicas, no caso de enriquecimento com a
espécie.
Em populações naturais o uso de marcadores genéticos codominentes, como as
alozimas (isoenzimas) e os microsatélites, têm se mostrado especialmente interessante para
a caracterização dos níveis de diversidade genética e sua distribuição nas populações
(HAMRICK e GODT, 1989). Da mesma forma podem ser empregados para avaliação do
potencial e “qualidade” genética de populações naturais, visando conservação, manejo e/ou
coleta/ produção de sementes (REIS et al., 1998)
Diversos autores têm empregado essa abordagem para caracterização dos níveis de
diversidade genética em populações naturais de espécies tropicais, visando fundamentar
estratégias de conservação e manejo das mesmas (HAMRICK e LEVELESS, 1984;
KITAMURA e RAHMAN ,1992; EGUIARTE et al., 1992, 1993; PEREZ-NASSER et al., 1993;
HALL et al.; 1994; MURAWSKI et al., 1990; MURAWSKI e HAMRICK, 1991, 1992a,b;
ALVRES-BUYLLA e GARAY, 1994; KAGEYAMA e GANDARA, 1993).
Estes marcadores podem ser considerados como uma amostra do genoma em relação
ao grau de diversidade genética existente em cada população. Contudo, são considerados
marcadores neutros, ou quase neutros, de modo que não refletem a ação da seleção
(BROWN, 1978). Apesar disto, estes marcadores têm se mostrado eficientes para avaliar a
diversidade genética e, especialmente o grau de endogamia existente em cada população
analisada (HAMRICK e GODT, 1989). Desta forma podem ser empregados para
monitoramento do grau de comprometimento genético de populações naturais decorrente da
fragmentação e erosão genética (KAGEYAMA, 1987; HANRICK et al., 1992, SEBEN et al.,
2000; NASON e HANRICK, 1997).
Segundo OYAMA (1993), a conservação de espécies tropicais requer grandes áreas
tanto para espécies comuns como para espécies raras, seja pela baixa frequências dos
últimos seja pela interação com os vetores da movimentação dos alelos de ambas. Além
disso fatores como a dinâmica de clareiras imprimem um dinamismo ao ecossistema ao
longo do tempo, que deve ser incluído. As unidades de conservação devem ser grandes
para a a manutenção do elevado nível de variação dentro das populações , evitar a
endogamia e os efeitos de fixação por deriva genética, decorrentes da redução do tamenho
efetivo populacional.
90
Populações grandes em ambientes não muito variáveis devem permitir que a seleção
natural seja efetiva e implicam na possibilidade de uma adaptação aos microambientes
existentes. Geneticamente, o tamanho efetivo populacional tem sido uma aboadgem
empregada par estimar o número mínimo de indivíduos requerido para sustentação de uma
população, população mínima viável, como em REIS (1996) e EGUIARTE et al., (1993);
contudo, OYAMA (1993) chama atenção para as variações obtidas nas estimativas,
enfatizando a dependência desses valores à aspectos demográficos das populações.
Assim, parece razoável considerar que as variações na movimentação dos alelos no
espaço e no tempo indicam uma dinâmica em escala maior, contudo inpresecindível na
manutenção dos processos microevolutivos. Desta forma, uma 'população mínima viável'
pode ser importante numa escala mais restrita, no sentido da sustentabilidade daquela
população. Entretanto, as evidências de variação no movimento dos alelos no espaço e no
tempo sugerem uma concepção de conservação em escala mais ampla, envolvento as
metapopulações. Em espécies de ciclo curto, como anuais, os processos de colonização e
recolinização, extinsão e fundação, tem sido caraterizados e, como sugerem BARBAULT e
SASTRAPRADJA (1995), devem ser levandos em consideração para a conservação. Nas
espécies perenes, a sobreposição de gerações constitui um componente adicional e dilui
estes eventos, possivelmente as variações na movimentação dos alelos refletem esse
dinamismo.
A manutenção da fauna, no processo de conservação e manejo de espécies vegatais
tropicais mostra-se como elemento estratégico, uma vez que tais elementos são mediadores
da movimentação dos alelos e, portanto, imprescindíveis.
Neste contexto, são especialmente importantes espécies vegetais que garantam a
alimentação e atração dos animais, onde o palmiteiro apresenta importância na Floresta
Tropical Atlântica, tanto pela qualidade quanto pela quantidade de frutos produzidos, bem
como pelo amplo período de oferta, conforme menciona REIS (1995).
A realidade da Floresta Tropical Atlântica e de outras florestas tropicais, atualmente,
é a formação de fragmentos de diferentes tamanhos, em sua grande maioria cobertos com
formações secundárias em fase inicial ou intermediária de sucessão. Tal situação implica
num valor de uso extremamente reduzido para a maior parte das áreas originalmente
cobertas por essa formação florestal, principalmente nas situações de maior declividade,
onde a vocação de uso é a cobertura permanente. Assim, a reintrodução de espécies
atrativas à fauna nestas áreas implica numa perspectiva de retomada ou aceleração da
dinâmica sucessional, pela atração da fauna decorrente da produção de frutos.
4.3 DIVERSIDADE GENÉTICA EM ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA
Várias espécies da Mata Atlântica também têm sido caracterizadas geneticamente a
partir desta abordagem (Tabelas 4.1, 4.2 e 4.3), especialmente empregando marcadores
alozímicos: cedro (Cedrela fissilis - GANDARA, 1995), palmiteiro (Euterpe edulis - REIS,
1996; CONTE, 2001), pata-de-vaca (Bauhinia forficata – SANTOS, 1994), espinheira – santa
(Maytenus ilicifolia – SCHAFFER, 2001), pinheiro (Araucaria angustifolia – AULLER, 2000),
pariparoba (Piper cernuum – MARIOT, 2000), Genipapo (Genipa americana – SEBBEN,
1997), caxeta (Tabebuia cassinoides – SEBBEN et al., 2000), paineira (Chorisia speciosa –
SOUZA, 1997), aroeira (Myracrodruon urundeuva – MORAES, 1992; LACERDA, 1998),
canela amarela (Cryptocaria moscata – MORAES, 1998), peróba (Aspidosperma polyneurm-
MALTEZ, 1997), entre outras.
91
Em alguns casos os trabalhos têm sido realizados no sentido de demonstrar a
existência de vantagem de heterozigotos e suas implicações para o manejo de populações
naturais (REIS et al., 1998, 2000). Na Tabela 4.4 pode-se perceber a importância de níveis
mais elevados de diversidade para o desenvolvimento e recrutamento de plantas de
palmiteiro.
No caso da caxeta (Tabebuia cassinoides), os trabalhos forma realizados no snetido
de demonstrar que sistemas de manejo que não incorporam informações sobre a
diversidade genética e o tamanho efetivo populacional nas estratégias de exploração
(número de reprodutivos que permanecem), levam a um aumento da endogamia e
ocorrência de erosão genética nas populações manejadas (Tabela 4.5).
Outro exemplo de caracterização de aumento de endogamia e erosão genética pode
ser encontrado em AULER et al. (2002) para a Araucaria angustifolia. Os autores
demonstraram a existência de perda de diversidade genética em várias populações naturais
avaliadas em Santa Catarina (Tabela 4.6).
4.4 METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO
Desta forma, nas situações demandadas, poderá ser caracterizada geneticamente uma
amostra (tecido foliar individualizado) de indivíduos adultos e/ou de plântulas obtidas a partir
das sementes da área de coleta/ produção de semente em questão. A partir da
caracterização será avaliado o grau de diversidade genética e endogamia da população em
questão e, a partir desta avaliação, feita a recomendação de uso das sementes.
As amostras foliares deverão ser obtidas de 30 a 50 indivíduos adultos, visando a
obtenção de estimativas confiáveis para a população. Eventualmente podem ser
empregadas plântulas obtidas a partir das sementes, nestes casos estas serão submetidas
para germinação e, posteriormente será realizada a coleta de amostras foliares.
No campo devem ser coletadas as folhas mais novas, de boa qualidade, e que não
apresentem sinais de predação ou parasitadas por microorganismos. Em seguida as folhas
serão colocadas em saco plástico para evitar a desidratação e transportadas em caixa de
isopor contendo gelo protegido em saco plástico ou outro recipiente apropriado e ainda
coberto com folha de jornal ou serragem, para evitar o contado direto que pode
comprometer a integridade do material coletado. O armazenamento do material será feito
em refrigerador, podendo permanecer até um mês sem perder a qualidade para os trabalhos
de eletroforese (FERRAZ et al., 1994).
A caracterização da diversidade genética pode ser realizada empregando-se marcadores
alozímicos (ou micorssatélites, quando possível), revelados a partir de eletroforese em gel
de amido (penetrose 30), conforme as recomendações de KEPHART (1990) e ALFENAS et
al. (1998).
Poderão ser empregados os protocolos disponíveis na literatura (como mencionado
anteriormente) para as espécies onde estes já foram desenvolvidos. Para as espécies de
maior demanda, nos casos em que os protocolos não estão desenvolvidos, podem ser
estabelecidos novos protocolos com base nas recomendação de KEPHART (1990) e
ALFENAS et al. (1998) e nas rotinas que vêm sendo empregadas no Laboratório de
Genética e Fisiologia do Desenvolvimento, procurando-se obter entre 8 e 12 locos para cada
situação.
A variação genética pode ser caracterizada a partir das estimativas das freqüências
alélicas e dos índices de diversidade (heterozigosidade, percentagem de locos polimórficos,
92
número médio de alelos por loco e índices de fixação/ endogamia), para cada amostra
individualmente.
A estimativa das freqüências alélicas, juntamente com a percentagem de locos
polimórficos (P), do número médio de alelos por loco (A), das heterozigosidades médias
observada (Ho) e esperada (He) e dos índices de fixação (F), podem ser realizadas
empregando-se o programa BIOSYS-1 (SWOFFORD & SELANDER, 1989).
A percentagem de locos polimórficos (P) é estimada considerando o número de locos
que apresentam o alelo mais freqüente com ocorrência inferior a 95%, em relação ao total
de locos.
O número médio de alelos por loco (A) é obtido a partir da média aritmética do
número de alelos de cada loco, em cada amostra, para cada loco, fazendo-se a média
aritmética entre locos.
A heterozigosidade média observada (Ho) pode ser obtida pela média aritmética das
proporções do número total de heterozigotos em relação ao número total de indivíduos entre
os locos analisados. Já a heterozigosidade esperada (He) será obtida pela seguinte
equação:
He = 2n(1 - Σpi2)/(2n – 1) (NEI, 1978)
onde:
n = número de indivíduos amostrados
fazendo-se a média aritmética entre os locos estudados.
O índice de fixação / endogamia (F) será estimado como desvio da heterozigosidade
esperada,
F = (Ho – He) / Ĥe
Em relação ao Inventário Florestal visando as Espécies Ameaçadas de Exteinção em
Santa Catarina, a avaliação da diversidade genética pode ser realizada em duas etapas,
priorizando espécies e áreas, em função das restições de tempo de recursos finaceiros. A
primeira etapa poderia incluir espécies hoje incluídas na lista de espécies ameaçadas e com
histórico de exploração no Estado, como Imbuia (Ocotea porosa), Canala Sassafrás
(Ocotea odorifera) , Araucaria (Araucaria angustifolia), xaxim (Dicksonia sellowiana) e
algumas espécies de bromélias. Numa segunda etapa, já com resultados parcias das
avaliações demográficas, espécies representivas de diferentes grupos (pioneiras edáficas,
secundárias com dispersão pela fauna, secundárias com dispersão pelo vento, etc.) e
situações (originalmente rara mas atualmente comum, originalmente comum e atualmente
rara, etc.) ou em codição peculiar de interesse (endêmicas, indicada como aparentemente
ameaçada pelas resultados do invnetário, etc.) poderiam ser caracterizadas.
Em todos os casos, os resultados trariam conhecimentos adicionais sobre a situação
efetiva das espécies em questão, bem como fundamentos para definicção de estratégias de
conservação, manejo e/ou domesticação.
93
Tabela 4.1. Diversidade Genética de populações naturais de espécies do Domínio da Mata
Atlântica [adaptada de (respectivamente): MORAES (1992); SANTOS (1994); GANDARA
(1996); REIS (1996); MALTEZ (1997); SEBBEN (1997); SOUZA (1997); MORAES (1998);
AULER, 2000; SHIMIZU et al., 2000 MARIOT, 2000]
Espécie
N locos N
plantas
% P¹ A Ho² He F
Myracrdruon
urundeuva
3 1020³ 66.7 2.8 0.150 0.300 0.50
Bauhinia forficata 4 252³ 100.0 3.8 0.451 0.503 0,10
Cedrela fissilis 14
14
34
150³
76.9
61.5
2.3
2.4
0.222
0.193
0.243
0.227
0.05
0.15
Euterpe edulis
Arecaceae
7
7
200
1868³
100.0
100.0
3.4
3.9
0.476
0.403
0.452
0.436
-0.05
0.08
Aspidosperma
polyneurum
8 116 50.0 2.0 0.238 0.257 0.07
Genipa americana 8
8
42
278³
50.0
50.0
1.6
1.6
0.195
0.105
0.182
0.149
-0.07
0.30
Chorisia speciosa 9
9
53
420³
77.8
77.8
2.2
2.2
0.245
0.202
0.284
0.266
0.14
0.24
Cryptocaria moscata 20
20
214
677³
85.0
75.0
2.0
2.0
0.323
0.211
0.351
0.313
0.08
0.34
Araucaria angustifolia 10 120 80.0 2.3 0.240 0.248 0,03
Piper cernnun 10 110 60.0 1.7 0.218 0.189 -0,15
¹ % P - percentagem de locos polimórficos ³Progênies
² Ho - Heterozigosidade Observada; He - Heterozigosidade Esperada
Tabela 4.2. Estimativas da Taxa de Cruzamento* de espécies do Domínio da Mata Atlântica
Espécies
N locos
ta ts tm Stm** Referência
Myracrdruon urundeuva² 3 0.34
4
- - - MORAES
(1992)
Bauhinia forficata² 4 0.80 0.92 0.98 0.03
***
SANTOS
(1994)
Cedrela fissilis² 10 - 0.75 0.92 0.05
***
GANDARA
(1996)
Euterpe edulis² 7 0.92
5
0.94
5
0.99
5
0.03
***
REIS
(1996)
Aspidosperma polyneurum² 8 0.86
4
- - - MALTEZ
(1997)
Genipa americana² 4 1.10 0.62 0.82 0.05
***
SEBBEN
(1997)
Chorisia speciosa² 7 0.63 0.77 0.88 0.04 SOUZA
(1997)
Cryptocaria moscata³ 7 1.03 0.75 0.86 0.03
***
MORAES
(1998)
Maytenus ilicifolia
6
6 0,97 0,99 0,01 SCHEFFER
(2001)
²LARGEA - ESALQ/USP ³Laboratório Ecologia Evolutiva/ ESALQ/ USP,
6
Lab. Genética EMBRPA/
CNPF,
4
média de duas populações
5
média de sete populações, ta = (1-f)/(1+f) - taxa de
cruzamento aparente; ts and tm = média de locos simples e multilocos (Ritland and Jain, 1981)
*** frequências alélicas divergentes entre pólen e óvulo
Tabela 4.3. Estrutura genética e fluxo gênico de espécies do Domínio da Mata Atlântica
94
Espécies Np
*
Fis Fit Fst Nm** Autor
Cariniana legalis¹ 2 -0.11 -0.05 0.053 1,13 HERRIT
(1991)
Johanesia princeps¹ 2 -0.02 0.058 0.069 1.68 HERRIT
(1991)
Cordia trichotoma¹ 2 0.006 0.007 0.000
4
312.4 HERRIT
(1991)
Myracrdruon urundeuva² 2 0.495 0.520 0.049 1.21 MORAES
(1992)
Euterpe edulis² 8 -0.067 0.033 0.031 10.4 REIS
(1996)
Aspidosperma polyneurum² 2 -0.079 -0.013 0.061 0.96 MALTEZ
(1997)
Genipa americana² 2 -0.064 -0.058 0.006 41.41 SEBBEN
(1997)
Chorisia speciosa² 4 0.115 0.278 0.183 0.63 SOUZA
(1997)
Cryptocaria moscata³ 4 -0.038 0.073 0.107 1.17 MORAES
(1998)
Araucaria angustifolia
4
6 0.216 0.254 0.049 4,85 AULER
(2000)
Piper cernnun
4
4 -0.150 0.183 0.290 0.61 MARIOT
(2000)
Maytenus ilicifolia
5
4 0.053 0.114 0.065 SCHEFF
ER
(2001)
²LARGEA - ESALQ/USP ³Laboratório Ecologia Evolutiva/ ESALQ/ USP
4
Lab. de Fisiol. do Desenvolv. e Genética/ NPFT / UFSC
5
Laboratório de Genética/ EMBRAPA/ CNPF
*numero de populações ** fluxo gênico ou número de migrantes
Tabela 4.4. Índices de Diversidade para plântulas de Euterpe edulis com e sem crescimento
em populações naturais de formação secundária (adaptado de REIS et al., 1998)

Índices de Diversidade
Plantas sem
crescimento
Plantas com
Crescimento
Amostra (n) 28 18
Alelos/locos 2,8 2,8
Locos Polimórficos (%)
66,7 66,7
Heterozigosidade
observada 0,24 0,38
95
Heterozigosidade
esperada 0,32 0,40
F (Fixação) 0,25 0,05
96
Tabela 4.5. Diversidade Genética e Taxa de Cruzamento em população não manejada e
manejada de caixeta (Tabebuia cassinoides) (adaptado de SEBBEN et al., 2000)
Índices de Diversidade e Taxa de Cruzamento
População não
manejada
População manejada
Heterozigosidade Esperada (He) 0,31 0,27
Heterozigosidade Observada (Ho) 0,25 0,17
Índice de Fixação (F) 0,19 0,35
Número Médio Alelos por Loco (A) 2,5 2,3
Locos Polimórficos (% P) 84,6 76,9
Amostra (n) 98,6 92,1
Tamanho Efetivo (Ne50) 59 75
Taxa Cruz. Multilocos (tm) 0,895 0,783
Taxa Cruz. Unilocos (ts) 0,720 0,690
Tabela 4.6. Diversidade Genética de 10 populações naturais de Araucaria angustifolia
[adaptado de AULER, 2000]
População
N locos N
plantas
% P¹ A Ho² He F
FLONA Três Barras 15 29 33,3 1,5 0,061 0,102 0,402
Ranch Alegre–Lages 15 22 13,3 1,3 0,061 0,065 0,061
Reserva Caraguatá 15 34 20,0 1,7 0,061 0,077 0,208
Amola Faca – Lages 15 40 13,3 1,4 0,049 0,064 0,234
Guamirím Gateados 15 40 46,7 1,9 0,092 0,116 0,207
Parque Mun. Lages 15 27 20,0 1,4 0,058 0,071 0,183
EPAGRI Caçador 15 44 40,0 1,8 0,121 0,108 -0,120
Urupema 15 36 40,0 1,7 0,104 0,096 -0,083
ARIE Vitor Meireles 15 41 13,3 1,6 0,044 0,060 0,267
Guam. Gateados +
Caçador
15 43,3 1,8 0,106 0,112 0,05
“+ degradadad.” 15 19,9 1,4 0,053 0,059 0,10
Parque Nacional
Iguaçu * 10 120 80.0 2.3 0.240 0.248 0,03
¹ % P - percentagem de locos polimórficos *SHIMIZU et al., 2000
² Ho - Heterozigosidade Observada; He - Heterozigosidade Esperada
97
4.5 BIBLIOGRAFIA CITADA
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100
ANEXOS
DECRETO Nº 750, DE 10 DE FEVEREIRO DE 1993
Dispõe sobre o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e
médio de regeneração da Mata Atlântica, e dá outras providências.
O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 84, inciso VI, e tendo
em vista o disposto no art. 225, § 4º, da Constituição, e de acordo com o disposto no art. 14, alíneas
"a" e "b", da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, no Decreto-lei nº 289, de 28 de fevereiro de
1967, e na Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981,
DECRETA:
Art. 1º Ficam proibidos o corte, a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios
avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica.
Parágrafo único. Excepcionalmente, a supressão da vegetação primária ou em estágio avançado e
médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser autorizada, mediante decisão motivada do órgão
estadual competente, com anuência prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis-IBAMA, informando-se ao Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA,
quando necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou
interesse social, mediante aprovação de estudo e relatório de impacto ambiental.
Art. 2º A exploração seletiva de determinadas espécies nativas nas áreas cobertas por vegetação
primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser efetuada
desde que observados os seguintes requisitos:
I - não promova a supressão de espécies distintas das autorizadas através de práticas de roçadas,
bosqueamento e similares;
II - elaboração de projetos, fundamentados, entre outros aspectos, em estudos prévios
técnico-científicos de estoques e de garantia de capacidade de manutenção da espécie;
III - estabelecimento de área e de retiradas máximas anuais;
VI - prévia autorização do órgão estadual competente, de acordo com as diretrizes e critérios por ele
estabelecidos.
Parágrafo único. Os requisitos deste artigo não se aplicam à explotação eventual de espécies da
flora, utilizadas para consumo nas propriedades ou posses das populações tradicionais, mas ficará
sujeita à autorização pelo órgão estadual competente.
Art. 3º Para os efeitos deste Decreto, considera-se Mata Atlântica as formações florestais e
ecossistemas associados inseridos no domínio Mata Atlântica, com as respectivas delimitações
estabelecidas pelo Mapa de Vegetação do Brasil, IBGE 1988: Floresta Ombrófila Densa Atlântica,
Floresta Ombrófila Mista, Floresta Ombrófila Aberta, Floresta Estacional Semidecidual, Floresta
Estacional Decidual, manguezais, restingas, campos de altitude, brejos interioranos e encraves
florestais do Nordeste.
Art. 4º A supressão e a exploração da vegetação secundária, em estágio inicial de regeneração da
Mata Atlântica, serão regulamentadas por ato do IBAMA, ouvidos o órgão estadual competente e o
Conselho Estadual do Meio Ambiente respectivo, informando-se ao CONAMA.
Parágrafo único. A supressão ou exploração de que trata este artigo, nos Estados em que a
vegetação remanescente da Mata Atlântica seja inferior a cinco por cento da área original, obedecerá
o que estabelece o parágrafo único do ar. 1º deste Decreto.
Art. 5º Nos casos de vegetação secundária nos estágios médio e avançado de regeneração da Mata
Atlântica, o parcelamento do solo ou qualquer edificação para fins urbanos só serão admitidos
quando de conformidade com o plano diretor do Município e demais legislações de vegetação não
apresente qualquer das seguintes características:
I - ser abrigo de espécies da flora e fauna silvestre ameaçadas de extinção;
II - exercer função de proteção de mananciais ou de prevenção e controle de erosão;
III - ter excepcional valor paisagístico.
Art. 6º A definição de vegetação primária e secundária nos estágios avançado, médio e inicial de
regeneração da Mata Atlântica será de iniciativa do IBAMA, ouvido o órgão competente, aprovado
pelo CONAMA.
Parágrafo único. Qualquer intervenção na Mata Atlântica primária ou nos estágios avançado e médio
de regeneração só poderá ocorrer após o atendimento de disposto no caput deste artigo.
101
Art. 7º Fica proibida a exploração de vegetação que tenha a função de proteger espécies da flora e
fauna silvestres ameaçadas de extinção, formar corredores entre remanescentes de vegetação
primária ou em estágio avançado e médio de regeneração, ou ainda de proteger o entorno de
unidades de conservação, bem como a utilização das áreas de preservação permanente, de que
tratam os Arts. 2º e 3º da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965.
Art. 8 A floresta primária ou em estágio avançado e médio de regeneração não perderá esta
classificação nos casos de incêndio e/ou desmatamento não licenciados a partir da vigência deste
Decreto.
Art. 9º O CONAMA será a instância de recurso administrativo sobre as decisões decorrentes do
disposto neste Decreto, nos termos do art. 8º, inciso III, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981.
Art. 10. São nulos de pleno direito os atos praticados em desconformidade com as disposições do
presente Decreto.
§ 1º Os empreendimentos ou atividades iniciados ou sendo executados em desconformidade com o
disposto neste Decreto deverão adaptar-se às suas disposições, no prazo determinado pela
autoridade competente.
§ 2º Para os fins previstos no parágrafo anterior, os interessados darão ciência do empreendimento
ou da atividade ao órgão de fiscalização local, no prazo de cinco dias, que fará as exigências
pertinentes.
Art. 11. O IBAMA, em articulação com autoridades estaduais competentes, coordenará rigorosa
fiscalização dos projetos existentes em área da Mata Atlântica.
Parágrafo único. Incumbe os órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA, nos casos
de infrações às disposições deste Decreto:
a) aplicar as sanções administrativas cabíveis;
b) informar imediatamente ao Ministério Público, para fins de requisição de inquérito policial,
instauração de inquérito civil e propositura de ação penal e civil pública;
c) representar aos conselhos profissionais competentes em que inscrito o responsável técnico pelo
projeto, para apuração de sua responsabilidade, consoante a legislação específica.
Art. 12. O Ministério do Meio Ambiente adotará as providências visando o rigoroso e fiel cumprimento
do presente Decreto, e estimulará estudos técnicos e científicos visando a conservação e o manejo
racional da Mata Atlântica e sua biodiversidade.
Art. 13. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 14. Revoga-se o Decreto nº 99.547, de 25 de setembro de 1990.
RESOLUÇÃO Nº 4, DE 04 DE MAIO DE 1994
D.O.U. N.º 114 de 17 de junho de 1994 – Seção 1 – Página 8877
O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA, no uso das atribuições que lhe são
conferidas pela Lei no. 6.938, de 31 de agosto de 1981, alterada pela Lei no. 8.028, de 12 de abril de
1990, regulamentadas pelo Decreto no. 99.274, de 06 de junho de 1990, e Lei no. 8.746, de 09 de
dezembro de 1993, considerando o disposto na Lei no. 8.490, de 19 de novembro de 1992, e tendo
em vista o disposto em seu Regimento Interno, e:
Considerando a necessidade de se definir vegetação primária e secundária nos estágios inicial,
médio e avançado de regeneração da Mata Atlântica em cumprimento ao disposto no artigo 6o. do
Decreto 750, de 10 de fevereiro de 1993, na Resolucão/conama/no. 10, de 01 de outubro de 1993, e
a fim de orientar os procedimentos de licenciamento de atividades florestais no Estado de Santa
Catarina, resolve:
Art. 1º Vegetação primária é aquela de máxima expressão local, com grande diversidade biológica,
sendo os efeitos das ações antrópicas mínimos, a ponto de não afetar significativamente suas
características originais de estrutura e de espécies, onde são observadas área basal média superior a
20,00 metros quadrados por hectare, DAP médio superior a 25 centímetros e altura total média
superior a 20 metros.
Art. 2º Vegetação secundária ou em regeneração é aquela resultante dos processos naturais de
sucessão, após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações antrópicas ou causas
naturais, podendo ocorrer árvores remanescentes da vegetação primária.
Art. 3º Os estágios em regeneração da vegetação secundária a que se refere o artigo 6o. do Decreto
750/93, passam a ser assim definidos:
I - Estágio inicial de regeneração:
a) Nesse estágio a área basal média é de até 8 metros quadrados por hectare;
b) Fisionomia herbáceo/arbustiva de porte baixo; altura total média até 4 metros, com cobertura
vegetal variando de fechada a aberta;
102
c) Espécies lenhosas com distribuição diamétrica de pequena amplitude: DAP médio até 8
centímetros;
d) Epífitas, se existentes, são representadas principalmente por líquens, briófitas e pteridófitas, com
baixa diversidade;
e) Trepadeiras, se presentes, são geralmente herbáceas;
f) Serapilheira, quando existente, forma uma camada fina pouco decomposta, contínua ou não;
g) Diversidade biológica variável com poucas espécies arbóreas ou arborescentes, podendo
apresentar plântulas de espécies características de outros estágios;
h) Espécies pioneiras abundantes;
i) Ausência de subosque;
j) Espécies indicadoras:
j.1) Floresta Ombrófila Densa:Pteridium aquilium (Samambaia- das-Taperas), e as hemicriptófitas
Melinis minutiflora (Capim-gordura) e Andropogon bicornis (capim-andaime ou capim-rabo-de-burro)
cujas ervas são mais expressivas e invasoras na primeira fase de cobertura dos solos degradados,
bem assim as tenófitas Biden pilosa (picão-preto) e Solidago microglossa (vara-de-foguete),
Baccharis elaeagnoides (vassoura) e Baccharis dracunculifolia (Vassoura-braba),
j.2) Floresta Ombrófila Mista:Pteridium aquilium (Samambaia-das Taperas),Melines minutiflora
(Capim-gordura), Andropogon bicornis (Capim-andaime ou Capim-rabo-de-burro), Biden pilosa
(Picão-preto), Solidago microglossa (Vara-de-foguete), Baccharis elaeagnoides (Vassoura), Baccharis
dracunculifolia (Vassoura-braba), Senecio brasiliensis (Flôr-das-almas), Cortadelia sellowiana (Capim-
navalha ou macegão), Solnum erianthum (fumo-bravo).
j.3) Floresta Estacional Decidual :Pteridium aquilium (Samambaia-das-Taperas), Melinis minutiflora
(Capim-gordura), Andropogon bicornis (Capim-andaime ou Capim-rabo-de-burro), Solidago
microglossa (Vara-de-foguete), Baccharis elaeagnoides (Vassoura) , Baccharis dracunculifolia
(Vassoura-braba), Senecio brasiliensis (Flôr-das-almas), Cortadelia sellowiana (Capim-navalha ou
macegão), Solanum erianthum (Fumo-bravo).
II - Estágio médio de regeneração:
a) Nesse estágio a área basal média é de até 15,00 metros quadrados por hectare;
b) Fisionomia arbórea e arbustiva predominando sobre a herbácea podendo constituir estratos
diferenciados; altura total média de até 12 metros;
c) Cobertura arbórea variando de aberta a fechada, com ocorrência eventual de indivíduos
emergentes;
d) Distribuição diamétrica apresentando amplitude moderada, com predomínio dos pequenos
diâmetros: DAP médio de até 15 centímetros;
e) Epífitas aparecendo com maior número de indivíduos e espécies em relação ao estágio inicial,
sendo mais abundantes na floresta ombrófila;
f) Trepadeiras, quando presentes, são predominantemente lenhosas;
g) Serapilheira presente, variando de espessura, de acordo com as estações do ano e a localização;
h)Diversidadebiológicasignificativa;
i) Subosque presente;
j) Espécies indicadoras:
j.1) Floresta Ombrófila Densa:Rapanea Ferruginea (Capororoca), árvore de 7,00 a 15,00 metros de
altura, associada a Dodonea viscosa (Vassoura-vermelha).
j.2) Floresta Ombrófila Mista: Cupanea vernalis (Cambotá-vermelho), Schinus therebenthifolius
(Aroeira-vermelha), Casearia silvestris (Cafezinho-do-mato).
j.3) Floresta Estacional Decidual: Inga marginata (Inga feijão), Baunilha candicans (Pata-de-vaca).
III - Estágio avançado de regeneração:
a) Nesse estágio a área basal média é de até 20,00 metros quadrados por hectare;
b) Fisionomia arbórea dominante sobre as demais, formando um dossel fechado e relativamente
uniforme no porte, podendo apresentar árvores emergentes; altura total média de até 20 metros;
c) Espécies emergentes ocorrendo com diferentes graus de intensidade;
d) Copas superiores horizontalmente amplas;
e) Epífitas presentes em grande número de espécies e com grande abundância, principalmente na
floresta ombrófila;
f) Distribuição diamétrica de grande amplitude: DAP médio de até 25 centímetros;
g) Trepadeiras geralmente lenhosas, sendo mais abundantes e ricas em espécies na floresta
estacional;
h) Serapilheira abundante;
i) Diversidade biológica muito grande devido à complexidade estrutural;
j) Estratos herbáceo, arbustivo e um notadamente arbóreo;
k) Florestas nesse estágio podem apresentar fisionomia semelhante à vegetação primária;
103
l) Subosque normalmente menos expressivo do que no estágio médio;
m) Dependendo da formação florestal pode haver espécies dominantes;
n) Espécies indicadoras:
n.1) Floresta Ombrófila Densa:Miconia cinnamomifolia, (Jacatirão -açu), árvore de 15,00 a 20,00
metros de altura, formando agrupamentos bastante densos, com copas arredondadas e folhagem
verde oliva, sendo seu limite austral a região de Tubarão, Psychotria longipes (Caxeta), Cecropia
adenopus (Embaúba), que formarão os primeiros elementos da vegetação secundária, começando a
aparecer Euterpe edulis (palmiteiro), Schizolobium parahiba (Guapuruvu), Bathiza meridionalis
(Macuqueiro), Piptadenia gonoacantha (pau-jacaré) e Hieronyma alchorneoides (licurana), Hieronyma
alchorneoides (licurana) começa a substituir a Miconia cinnamomifolia (Jacutirão-açu), aparecendo
també Alchornea triplinervia (Tanheiro), Nectandra leucothyrsus (Canela-branca), Ocotea
catharinensis (Canela-preta), Euterpe-edulis (Palmiteiro), Talauma ovata (Baguaçu), Chrysophylum
viride (Aguai) e Aspidosperma olivaceum (peroba-vermelha), entre outras. n.2) Floresta Ombrófila
Mista: Ocotea puberula (Canela guaica), Piptocarpa angustifolia (Vassourão-branco), Vernonia
discolor (Vassourão-preto), Mimosa scabrella (Bracatinga). n.3) Floresta Estacional Decidual: Ocotea
puberula (Canela-guacá), Alchornea triplinervia (Tanheiro), Parapiptadenia rígida (Angico-vermelho),
Patagonula americana (Guajuvirá), Enterolobium contortisiliguum (Timbauva).
Art. 4º A caracterização dos estágios de regeneração da vegetação definidos no artigo 3o. e os
parâmetros de DAP médio, altura média e área basal média do artigo 1o. desta Resolucão, não são
aplicáveis para manguezais e restingas.
Parágrafo Único. As restingas serão objeto de regulamentação específica.
Art. 5º Os parâmetros de área basal média, altura média e DAP médio definidos nesta Resolução,
excetuando-se manguezais e restingas, estão válidos para todas as demais formações florestais
existentes no território do Estado de Santa Catarina, previstas no Decreto 750/93; os demais
parâmetros podem apresentar diferenciacões em função das condições de relevo, clima e solos
locais; e do histórico do uso da terra. Da mesma forma, estes fatores podem determinar a não
ocorrência de uma ou mais espécies indicadoras, citadas no artigo 3º, o que não descaracteriza,
entretanto, o seu estágio sucessional.
Art. 6º Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicacão, revogadas as disposições em
contrário.
Portaria Interinstitucional n° 01, de 04/06/96,
Do Presidente do IBAMA, do Governador do Estado de Santa Catarina, do Superintendente do
IBAMA/SC, do Secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente e do Diretor Geral
da FATMA - D.O.U. de 30/07/96.
O Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis - IBAMA, no uso das atribuições previstas no art. 24, incisos I e III, da Estrutura
Regimental anexa ao Decreto n° 78, de 05 de abril de 1991, e no art. 83, inciso XIV, do Regimento
Interno aprovado pela Portaria Ministerial GM/MINTER n° 445, de 16 de agosto de 1989, e o
Superintendente Estadual do IBAMA em Santa Catarina, no uso de suas atribuições que lhe são
conferidas pelo art. 68 do Regimento Interno aprovado pela Portaria Ministerial n° 445, de 16 de
agosto de 1989, e o Secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Santa
Catarina, no uso de suas atribuições conferidas pelos arts. 16 e 18 da Lei n° 9.831, de 17 de fevereiro
de 1995, em conjunto com o Diretor Geral da Fundação do Meio Ambiente - FATMA, na forma
estatutária, com presença do Excelentíssimo Governador do Estado de Santa Catarina,
Considerando o disposto na Lei n° 4.771, de 15 de setembro de 1965,
com as alterações introduzidas pela Lei n° 6.938, de 31 de agosto de 1981, no Decreto n° 750, de 10
de fevereiro de 1993, especialmente no seu art. 2?, nas Resoluções CONAMA n°s 001, de 23 de
janeiro de 1986, 010, de 1° de outubro de 1993 e 004, de 04 de maio de 1994; e
Considerando a necessidade de disciplinar a exploração de espécies
florestais nativas do Estado de santa Catarina nas áreas cobertas por vegetação primária ou
secundária nos estágios avançado e médio de regeneração.
RESOLVEM:
104
Art. 1° - A exploração de florestas nativas, nas áreas cobertas por vegetação primária ou secundária
nos estágios avançado e médio de regeneração no Estado de Santa Catarina, somente será
permitida sob a forma de corte seletivo mediante manejo florestal sustentável, conforme estabelecido
nesta Portaria.
Parágrafo Único - Entende-se por manejo florestal sustentável a administração da floresta
para a obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação
do ecossistema objeto do manejo.
Art. 2° - A execução do manejo florestal sustentável de que trata o artigo anterior somente será
permitida mediante a apresentação, ao IBAMA, pelo proprietário do imóvel, de Plano de Manejo
Florestal Sustentável - PMFS, obedecidos os seguintes princípios gerais e fundamentos técnicos:
I - princípios gerais:
a) conservação dos recursos naturais;
b) conservação da estrutura da floresta e das suas funções;
c) manutenção da diversidade biológica; e
d) desenvolvimento sócio-econômico da região.
II - fundamentos técnicos:
a) levantamento criterioso dos recursos disponíveis a fim de assegurar a confiabilidade
das informações pertinentes;
b) caracterização da estrutura e do sítio florestal;
c) identificação, análise e controle dos impactos ambientais, atendendo à legislação
pertinente;
d) viabilidade técnico-econômica e análise das conseqüências sociais;
e) procedimentos de exploração florestal que minimizem os danos sobre o ecossistema;
f) existência de estoque remanescente do recurso florestal que garanta a sua produção
sustentada;
g) manutenção de níveis populacionais do recurso florestal de forma a assegurar a
função protetora à flora e a fauna ameaçadas de extinção;
h) estabelecimento de áreas e de retiradas máximas anuais, observando-se o ciclo de
corte das espécies manejadas;
i) adoção de sistema silvicultural adequado; e
j) uso de técnicas apropriadas de plantio, sempre que necessário.
Parágrafo Único - É permitido ao proprietário do imóvel, detentor do PMFS, autorizar a
exploração florestal por terceiros, mediante a apresentação de requerimento ao IBAMA, ressalvadas
suas responsabilidades assumidas para execução do PMFS.
Art. 3° - Além dos princípios gerais e dos fundamentos técnicos estabelecidos no art. 2°, o PMFS,
objetivando a extração madeireira com fins industriais ou energéticos, deve obedecer aos seguintes
critérios:
I - somente podem ser exploradas as espécies que apresentem estoques compatíveis com a
garantia de conservação do ecossistema;
II - exploração de, no máximo, 4 (quatro) espécies madeireiras com limitação de 40% (quarenta
por cento), em volume do estoque dos indivíduos de cada espécie com Diâmetro a Altura do Peito
- DAP - igual ou superior a 40 cm (quarenta centímetros), com casca, exceto para as espécies
que, de acordo com os respectivos ciclos biológicos, comprovadamente não alcancem o DAP
especificado;
III - manutenção de 25% (vinte e cinco por cento), no mínimo, das árvores secas e ocas
existentes, distribuídas de forma dispersa na área de exploração, para fins de abrigo e
reprodução da fauna silvestre;
IV - no caso de floresta com baixo índice de regeneração natural da espécie explorada, é
obrigatória a apresentação e implantação de projeto de recomposição florestal, objetivando tanto o
seu enriquecimento mediante o plantio de espécies nativas da região, quanto a manutenção da
sua diversidade biológica.
Parágrafo Único - No PMFS, objetivando a exploração isolada de Bracatinga (Mimosa
scabrella), não se aplicam os critérios dos itens II, III e IV estabelecidos no caput deste artigo.
Art. 4° - Além dos princípios gerais e dos fundamentos técnicos estabelecidos no art. 2°, o PMFS,
objetivando a exploração de Xaxim (Dicksonia sellowiana), deve obedecer aos seguintes critérios:
I - exploração limitada a 30% (trinta por cento) dos indivíduos adultos, cujos diâmetros sejam
superiores a 30 cm (trinta centímetros), medidos a 80 cm (oitenta centímetros) do solo;
II - plantio das ponteiras dos exemplares explorados, em adição à obrigatória condução da
rebrota da touça remanescente;
Art. 5° - Além dos princípios gerais e dos fundamentos técnicos estabelecidos no art. 2°, o PMFS,
objetivando a exploração de Palmiteiro (Euterpe edulis), nativo ou plantado, deve obedecer aos
seguintes critérios:
105
I - exploração limitada a indivíduos com DAP igual ou superior a 9 cm (nove centímetros);
II - manutenção de banco de mudas com, no mínimo 10.000 (dez mil) indivíduos por hectare,
devendo ser efetuado, anualmente, o plantio de mudas ou de sementes, quando a regeneração
natural for deficitária;
III - manutenção de, no mínimo, 50 (cinquenta) Palmiteiros em fase de frutificação, por hectare,
identificados e distribuídos de forma dispersa na área de exploração para formar o estoque de plantas
matrizes ou porta-sementes, bem como para compor a população com função protetora da fauna
ameaçada de extinção.
Parágrafo Único - Para efeito desta Portaria, considera-se regeneração natural do Palmiteiro
todas as plantas com altura do estipe já exposto, inferior a 1,30 m (um metro e trinta centímetros).
Art. 6° - Excepcionalmente, nas propriedades com área inferior a 30 ha (trinta hectares), o manejo
florestal sustentável é permitido mediante a apresentação ao IBAMA, pelo proprietário do imóvel, de
requerimento para Corte Seletivo - RCS (Anexo I), dispensando-se a obrigatoriedade de
apresentação de PMFS, observando-se os critérios estabelecidos nos arts 2°, 3°, 4° e 5°, com seus
respectivos parágrafos, de acordo com as espécies a serem manejadas.
Art. 7° - A aprovação pelo IBAMA de PMFS e de RCS depende de Licença Ambiental Prévia - LAP a
ser emitida pelo órgão ambiental estadual competente, de acordo com a legislação pertinente.
Parágrafo Único - O deferimento da LAP não assegura a aprovação de PMFS ou do RCS,
nem gera direitos de exploração florestal antecipada.
Art. 8° - O PMFS e o RCS somente serão aprovados em propriedades que tenham a área de reserva
legal averbada em cartório, correspondente a no mínimo 20% (vinte por cento) da área de cada
propriedade com a devida cobertura vegetal, além das áreas de preservação permanente definidas
em Lei e que estejam integradas à legislação de conservação e preservação ambiental vigente.
Parágrafo Único - O proprietário do imóvel rural que não possua a área mínima de reserva
legal, além das áreas de preservação permanente, somente se habilitará a apresentar PMFS ou RCS
ao IBAMA após a recomposição das referidas áreas com espécies florestais nativas da região.
Art. 9° - Para o cumprimento do disposto nesta Portaria, o PMFS deve obedecer o Roteiro Básico
constante no Anexo II.
Art. 10 - O PMFS e o RCS devem ser elaborados e executados sob a responsabilidade técnica de
Eng° Florestal ou Eng° Agrônomo habilitado na forma da Lei e registrado no IBAMA, conforme
Portaria n° 732, de 1° de abril de 1991.
Art. 11 - O PMFS ou RCS deve ser protocolado em 1 (uma) via na Superintendência Estadual -
SUPES ou em uma de suas unidades descentralizadas.
Art. 12 - O PMFS e o RCS devem ser analisados e vistoriados por Eng° Florestal ou Eng°
Agrônomo habilitado, integrante do quadro de pessoal do IBAMA.
§ 1° - Detectada qualquer deficiência no PMFS ou no RCS, o interessado deve ser notificado
para atender às exigências técnicas e/ou jurídicas dentro do prazo estabelecido, sob pena de seus
indeferimentos.
§ 2° - Oficializado de que PMFS encontra-se apto ao deferimento, o interessado deve
apresentar à SUPES a prova de publicação da súmula do PMFS em um jornal de grande circulação
no Estado de Santa Catarina, o Termo de Responsabilidade de Averbação da reserva Legal - TRARL
(Anexo III) e o Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada - TRMFM (Anexo
IV), devidamente averbados à margem da matrícula do imóvel correspondente, no prazo máximo de
45 (quarenta e cinco) dias contados da data do recebimento da comunicação, ocasião em que será
expedida a Autorização para Exploração.
§ 3° - Fica proibida a antecipação de exploração de qualquer quantidade de matéria-prima
florestal sem a devida expedição da Autorização para Exploração.
Art. 13 - A Autorização para exploração do PMFS e do RCS constitui instrumento de controle para a
comprovação da origem da matéria-prima florestal.
§ 1° - A Autorização para Transporte de Produtos Florestais - ATPF será fornecida ao
detentor do PMFS ou do RCS, quando este for destinatário da matéria-prima florestal, ou o
comprador que estiver registrado no IBAMA, mediante a apresentação da Declaração de Venda de
Produtos Florestais - DVPF, conforme Portaria Normativa n° 125-N, de 22 de novembro de 1993, do
IBAMA.
§ 2° - A ATPF será fornecida com os campos 1 a 8 e 14 a 16 preenchidos e após a expedição
da Autorização para Exploração.
Art. 14 - Ocorrendo alteração de responsabilidade técnica pelo PMFS ou pelo RCS, o seu detentor
deve apresentar um novo Contrato de Supervisão e Orientação Técnica, acompanhado da nova ART
de execução e comprovação de baixa da ART anterior.
§ 1° - Na ocorrência de baixa da ART, o responsável técnico deve comunicar imediatamente
ao IBAMA, mediante ofício acompanhado de Relatório Técnico de Execução.
106
§ 2° - Enquanto não houver contratação de novo responsável técnico, o PMFS ou o RCS
devem ter as suas execuções interrompidas.
Art. 15 - O PMFS deve levar em consideração a capacidade de produção da floresta, devendo a
área total de exploração ser dividida em módulos, previstos no cronograma físico de execução,
dimensionado de acordo com o ciclo de corte da espécie manejada.
§ 1° - Os módulos previstos no caput deste artigo não podem ter dimensões superiores a 50
ha (cinquenta hectares).
§ 2° - A Autorização de Exploração de mais de um módulo por ano fica condicionada a
apresentação de justificativa técnica aprovada pela SUPES.
Art. 16 - É obrigatória a realização de inventário florestal pré-exploratório e contínuo, em parcelas
permanentes demarcadas por processo de amostragem sistemática, obedecendo orientação
magnética uniforme, identificando-se os seus limites e mantendo-se as picadas de acesso, para fins
de vistoria técnica, devendo ser substituídas aquelas cuja localização recaírem sobre áreas de
preservação permanente.
§ 1° - O estabelecimento das parcelas permanentes do inventário florestal contínuo do PMFS
deve observar intensidade, forma e tamanho que atendam aos seus objetivos e a metodologia
utilizada deve ser descrita e justificada.
§ 2° - As parcelas permanentes devem ser mensuradas e avaliadas antes e imediatamente
após a exploração, em prazo nunca superior a 1(hum) ano, com remediações sucessivas a cada 2
(dois) anos.
§ 3° - Nas parcelas permanentes devem ser levantados dados dendrométricos do Estrato
Arbóreo Superior - EAS de todas as espécies existentes.
§ 4° - Nas parcelas permanentes devem ser estabelecidas subparcelas para o levantamento
da regeneração natural, cuja intensidade, forma e tamanho atendam aos objetivos do PMFS e a
metodologia utilizada deve ser descrita e justificada.
§ 5° - No PMFS específico para Bracatinga, podem ser aceitas parcelas temporárias.
§ 6° - Nos levantamentos estatísticos, devem ser considerados o limite de erro de 10% (dez
por cento) e a probabilidade de 5% (cinco por cento).
§ 7° - Para as espécies contingenciadas, conforme legislação em vigor, os inventários
florestais pré-exploratório e contínuo do EAS devem ser efetuados em 100% (cem por cento) da área
a ser explorada, sendo os dados dendométricos levantados para todos os indivíduos.
Art. 17 - O detentor do PMFS deve apresentar anualmente ai IBAMA o Relatório Técnico de
Execução, devidamente assinado pelo responsável técnico, incluindo a avaliação da área manejada
contendo no mínimo as seguintes informações:
I - caracterização da área após a exploração, informando volume ou quantidades exploradas e
remanescentes por espécie e as operações silviculturais;
II - operações de exploração florestal realizadas, referentes ao corte, arraste e transporte,
incluindo estrutura da rede viária, pátio de estocagem, dimensionamento do pessoal envolvido e
equipamento utilizado;
III - anexar, ao relatório, a ART emitida a cada visita do responsável técnico à área, contendo as
orientações e observações prestadas ao detentor do PMFS;
IV - justificativa técnica referente às operações não realizadas no prazo previsto no cronograma
físico de execução do PMFS, quando for o caso.
Parágrafo Único - O Relatório Técnico de Execução mencionado no caput deste artigo deve
incluir a cada 2 (dois) anos o resultado das remediações das parcelas e das subparcelas de
regeneração natural.
Art. 18 - O prazo de validade da Autorização para Exploração é de um ano, renovável por igual
período, tantas vezes quanto necessário, observado o respectivo cronograma de execução.
§ 1° - A renovação do prazo de que trata o caput deste artigo pode ser autorizada mediante
requerimento com justificativa, acompanhado do Relatório Técnico da Execução da exploração
efetuada com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, comprovadamente de
recolhimento da respectiva taxa de vistoria técnica, planta topográfica com localização da área já
explorada e infra-estrutura construída.
§ 2° - É obrigatória a publicação da Autorização de Exploração e de suas renovações, por
parte do interessado, no prazo máximo de 15 (quinze0 dias contados da data do seu recebimento,
sob pena do cancelamento desta Autorização.
Art. 19 - Finda a execução do PMFS ou do RCS de uma determinada área, nova exploração nesta
área somente pode ser admitida após a comprovação técnica da plena recomposiácão dos estoques
iniciais, em volume, vedada esta possibilidade para aquelas espécies cujos estoques ainda estiverem
ainda estiverem em fase de recomposição.
Parágrafo Único - A comprovação técnica da plena recomposição dos estoques de que trata
o caput deste artigo deve ser feita mediante a apresentação, ao IBAMA, do resultado das
remediações das parcelas e das subparcelas de regeneração natural, a cada dois anos.
107
Art. 20 - É obrigatória a colocação e manutenção de placa indicativa no PMFS, no seu acesso
principal, nas dimensões de 1,5 m x 1,0 m (um metro e meio por um metro), contendo:
I - número de protocolo;
II - nome do proprietário;
III - denominação da propriedade;
IV - área da propriedade;
V - área do PMFS;
VI - localização (Rodovia, Gleba, Município, etc.);
VII - nome do técnico responsável; e
VIII - referência às Leis n°s 4.771/65, 6.938/81 e Decreto n° 750/93.
Art. 21 - Os PMFSs protocolados na SUPES/SC, inclusive os aprovados, devem ser reformulados,
quando for o caso, obedecendo às disposições desta Portaria, a fim de se habilitarem às respectivas
autorizações de exploração.
Art. 22 - O corte eventual de árvores, bem como o aproveitamento de árvores mortas ou caídas em
função de causas naturais, para benfeitorias nas propriedades ou posses das populações
tradicionais, limitadas a 20 (vinte) unidades e cujo volume não exceda a 15 m³ (quinze metros
cúbicos), pode ser autorizado mediante requerimento contendo o levantamento de dados de altura,
DAP e volume individual e total, por espécie, além da relação das árvores selecionadas, previamente
identificadas com plaquetas numeradas, acompanhado de justificativa, ambos dirigidos ao órgão
ambiental estadual competente.
Parágrafo Único - Considera-se população tradicional tanto as famílias que residem, isolada
ou comunitariamente, na mesma região há várias gerações e que dependem total ou parcialmente do
extrativismo par sua manutenção, quanto a família rural, descendente dos primeiros colonizadores da
região, que reside na pequena propriedade e depende da mesma para seu sustento, utilizando
basicamente mão-de-obra familiar.
Art. 23 - O aproveitamento de árvores mortas ou caídas em função em função de causas naturais,
tanto para benfeitorias nas propriedades ou posses das populações tradicionais, em quantidades
superiores às estabelecidas no artigo anterior, quanto para fins industriais, energéticos ou comerciais,
em qualquer situação, pode ser autorizado mediante requerimento do proprietário do imóvel,
contendo levantamento de dados de altura., DAP e volume individual e total, por espécie, efetuado
por profissional habilitado, além da relação das árvores selecionadas, previamente identificadas com
plaquetas numeradas, acompanhado de ART e justificativa, ambos dirigidos à SUPES/SC ou suas
unidades descentralizadas.
§ 1° - A numeração das plaquetas mencionadas no caput deste artigo deverão
obrigatoriamente constar nas notas fiscais emitidas pelo produtor.
§ 2° - A ATPF será fornecida ao detentor da autorização de aproveitamento de árvores
mortas ou caídas, quando este for o destinatário final da matéria-prima florestal, ou ao comprador que
estiver registrado no IBAMA, mediante a apresentação da DVPF.
Art. 24 - O IBAMA fiscalizará a execução do PMFS e do RCS, com vistas ao cumprimento desta
Portaria.
Parágrafo Único - Verificadas irregularidades ou ilicitudes na execução, incumbe ao IBAMA:
I - diligenciar providências e sanções cabíveis;
II - promover ação civil pública e, se for o caso, oficiar ao Ministério Público Federal visando a
instauração de inquérito civil; e
III - representar ao Conselho regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA em que
estiver registrado o responsável técnico, para a apuração de sua responsabilidade técnica.
Art. 25 - O descumprimento do disposto nesta Portaria sujeitará os infratores às seguintes
penalidades, isolada ou cumulativamente:
I - multa administrativa na forma da legislação pertinente;
II - embargo da atividade de exploração;
III - recuperação da área irregularmente explorada;
IV - reposição florestal correspondente à matéria-prima irregularmente explorada, na forma da
legislação pertinente;
V - suspensão do fornecimento do documento hábil do IBAMA, para o transporte e
armazenamento da matéria-prima florestal;
VI - cancelamento do registro dos responsáveis técnicos junto ao IBAMA.
Parágrafo Único - A aplicação das penalidades estabelecidas neste artigo não isenta o
infrator das demais cominações cíveis e penais cabíveis.
Art. 26 - Além das sanções administrativas previstas nesta Portaria, o não cumprimento de suas
disposições sujeitará o infrator às penalidades constantes do art. 14 da Lei n° 6.938, de 31 de agosto
de 1981.
108
Art. 27 - Os casos omissos serão dirimidos pelo Superintendente Estadual do IBAMA, ouvida a
Câmara Técnica, instituída pela SUPES.
Art. 28 - Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em
contrário.
Eduardo de Souza Martins
Presidente do IBAMA
Paulo Afonso Evangelista Vieira
Governador do Estado de Santa Catarina
Ademar Ubirajara Vieira
Superintendente IBAMA/SC
Ademar Frederico Duwe
Secretário de Estado do Desenvolvimento
Urbano e Meio Ambiente
Vladimir Ortiz da Silva
Diretor -Geral da FATMA
Anexo I
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis
Superintendência Estadual de Santa Catarina
Requerimento para Corte Seletivo - RCS
Ilm° Sr. Superintendente Estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA/SC,
______________________________________________________________, abaixo assinado, residente à
_____________________________________, Distrito de _________________, Município de _____________________,
Unidade da Federação de ____________________, nacionalidade ___________________________________, profissão
_________________, estado civil _______________, CPF n° _______________, RG/Órgão Emissor/UF
________________________, requer a Vossa Senhoria Autorização para Corte Seletivo, a ser efetuado em sua propriedade,
conforme especificações abaixo discriminadas:
1 - Nome da propriedade;
2 - Localização;
3 - Área da propriedade (ha);
4 - Área de corte seletivo (ha);
5 - Área para reserva lega (ha);
6 - Estoque existente por hectare e total, em número de indivíduos e volume correspondente, para
cada espécie explorada;
7 - Estoque existente no banco de mudas, compondo a regeneração natural, para cada espécie explorada;
8 - Estoque requerido para corte seletivo, em número de indivíduos e volumes correspondentes,
quando for o caso, para cada espécie explorada;
9 - Estoque de plantas matrizes e com função protetora da flora e fauna ameaçadas de extinção;
10 - Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural;
11 - Elaborador/responsável técnico (nome, endereço, completo, CGC ou CPF, profissão, número de registro no
IBAMA, número de registro no CREA e número do visto/região, se for o caso);
12 - Executor/responsável técnico (nome, endereço completo, CGC ou CPF, profissão, número de registro no
IBAMA, número de registro no CREA e número do visto/região, se for caso).
Para completar as informações, juntam-se os seguintes documentos:
a) prova e propriedade atualizada;
b) Termo de responsabilidade de Averbação de reserva legal - TRL;
c) comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural - ITR do ano anterior;
d) croqui esquemático da propriedade;
e) croqui de acesso à propriedade em relação ao município onde a mesma está localizada;
f) comprovação de recolhimento da taxa de vistoria (Tabela de preços do IBAMA);
g) Anotação de Responsabilidade Técnica - ART de elaboração e execução;
h) Licença Ambiental Prévia - LAP, emitida pelo órgão ambiental competente;
i) layout DAs parcelas e subparcelas da regeneração natural.
Nestes Termos, Pede Deferimento
____________________, _____ de _______________ de 19 ____
____________________________________
Proprietário
109
Anexo II
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis
Superintendência Estadual de Santa Catarina
Roteiro Básico para Elaboração de Plano de Manejo
Florestal Sustentável - PMFS
1 - Informações Gerais
1.1 - Proprietário do imóvel (requerente)/elaborador/executor)
1.1.1 - Proprietário do imóvel (requerente): nome, endereço completo, CGC ou CPF, número do registro
no IBAMA/categoria (consumidor e produtor industrial, se for o caso).
1.1.2 - Elaborador/responsável técnico: nome, endereço completo, CGC ou CPF, profissão, número
do registro no IBAMA, número do registro no CREA e número do visto/região, se for o caso.
1.1.3 - Executor/responsável técnico: nome, endereço completo, CGC ou CPF, profissão, número do
registro no IBAMA, número do registro no CREA e número do visto/região, se for o caso.
1.2 - Identificação da propriedade
1.2.1 - Denominação.
1.2.2 - Número da matrícula ou registro/cartório/livro/folha.
1.2.3 - Localidade.
1.2.4 - Município/Estado.
1.2.5 - Número da inscrição de cadastro no INCRA.
2 - Objetivos e Justificativas do PMFS
2.1 - Objetivos
2.2 - Justificativas técnicas e econômicas
3 - Caracterização do Meio
3.1 - Meio Físico
3.1.1 - Clima
3.1.2 - Solos
3.1.3 - Hidrografia
3.1.4 - Topografia
3.2 - Meio Biológico
3.2.1 - Vegetação
3.2.2 - Fauna
3.3 - Meio Sócio-Econômico
4 - Manejo Florestal
4.1 - Discriminação das áreas da propriedade
4.1.1 - Área total da propriedade (ha);
4.1.2.- Área de reserva legal (ha);
4.1.3 - Área de preservação permanente (ha)
4.1.4 - Área do PMFS (ha);
4.1.5 - Área de floresta remanenescente (ha);
4.1.6 - Área de pastegens (ha);
4.1.7 - Área de agricultura (ha);
4.1.8 - Área de reflorestamento;
4.1.9 - Área de banhado (ha);
4.1.10 - Infra-estrutura;
4.1.11 - Hidrografia;
4.1.12 - Rede viária.
4.2 - Inventário Florestal
O planejamento do inventário deve atender aos objetivos do PMFS, de acordo com aqueles definidos no item 2.
4.2.1 - Levantamento de dados dendométricos de todas as espécies florestais, correspondentes aos
indivíduos com Diâmetro à Altura do Peito - DAP igual ou superior ao abaixo estabelecido para a espécie a ser explorada,
distribuídos em classes diamétricas que caracterizem o estoque a ser utilizado e o estoque remanescente, exceto para o Xaxim
(Dicksonia sellowiana), cujo diâmetro deve ser medido a 80 cm (oitenta centímetros) do solo: espécies madeireiras e Xaxim:
15 cm (quinze centímetros) Bracatinga (Mimosa scabrella) e Palmiteiro (Euterpe edullis): 5 cm (cinco centímetros)
4.2.2 - Levantamento da regeneração natural, correspondente aos indivíduos com DAPs inferiores
àqueles especificados no item 4.2.1, exceto para Bracatinga.
4.2.3 - Anotação em caderneta de campo dos nomes comuns e científicos das espécies florestais,
diâmetros, alturas total e comercial, qualidade do fuste e datas de medições, estabelecendo critérios e justificativas. Para a
regenenração natural, é suficiente a indicação dos nomes comuns e científicos das espécies florestais ocorrentes e da altura
total do fuste, acompanhado da respectiva data de medição.
4.2.4 - Locação em lay-out das parcelas do inventário florestal total e das subparcelas de regeneração
natural, com projeção das copas das espécies florestais em papel milimetrado e em escala individualizada, numerando aquelas
mensuradas e convencionando as que serão exploradas.
4.2.5 - Caracterização da área objeto do inventário florestal (população amostrada).
4.2.6 - Definição das variáveis de interesse do manejo florestal e justificadas.
4.2.7 - Relação dendométrica utilizada.
4.2.8 - Definição da metodologia adotada no processo de amostragem sistemática utilizada.
4.2.9 - Definição da intensidade de amostragem.
4.2.10 - Definição do tamanho e forma das parcelas.
4.2.11 - Análise estrutural da floresta.
4.2.12 - Análises estatísticas.
4.2.13 - Relatório final contendo as tabelas de saída para atender aos objetivos do manejo florestal.
4.2.13.1 - Listagem das espécies florestais (nome regional e científico)
110
4.2.13.2 - Número de árvores por classe de diâmetro, no hectare, no módulo e na área total, para cada
espécie florestal .
4.2.13.3 - Área basal por classe de diâmetro, no hectare, no módulo e na área total, para cada espécie
florestal.
4.2.13.4 - Volume por classe de diâmetro, no hectare, no módulo e na área total, para cada espécie
florestal.
4.2.13.5 - Para o Palmiteiro, a amostragem da regeneração natural deve apresentar o levantamento da
população amostrada em 3 (três) classes distintas de altura da inserção da última folha: 0 - 10 cm (zero a dez centímetros),
10,1 - 50 cm (dez centímetros e um milímetro a cinqüenta centímetros) e maior que 50 cm (cinqüenta centímetros).
4.2.13.6 - Para o Palmiteiro e para o Xaxim, apresentar a relação entre as áreas basais dos indivíduos
adultos e da população das demais espécies arbóreas.
4.3 - Sistema de Exploração
4.3.1 - Caracterização da área.
4.3.1.1 - Número de indivíduos e volume a serem explorados por espécie.
4.3.1.2 -Para o Palmiteiro, apressentar o levantamento com plaqueteamento dos exemplares que formarão
o estoque de plantas matrizes ou porta-sementes, bem como comporão a população com função protetora à fauna ameaçada
de extinção.
4.3.1.3 - Levantamento expedido com marcação das árvores selecionadas para corte.
4.3.2 - Estrutura da rede de estradas, pátios para estocagem da matéria-prima explorada
(quantidade, localização, área) e picadas de arraste, minimizando a área de infra-estrutura a ser construída, dimensionando-a
e calculando o número de árvores a serem suprimidas, com área basal e o volume por espécie e total.
4.3.3 - Dimensionamento do pessoal envolvido na exploração florestal.
4.3.4 - Dimensionamento dos equipamentos.
4.3.5 - Apresentação da metodologia das operações de exploração florestal.
4.3.6 - Cronograma de execução das operações de exploração.
4.3.7 - Avaliação dos custos e rendimento das operações de exploração florestal.
4.4 - Sistema Silvicultural
4.4.1 - corte de cipós e lianas, antes e após a exploração florestal, se necessário.
4.4.2 - Para o Xaxim, efetuar o plantio das ponteiras dos exemplares já explorados, em espaçamento
aproximado de 3 m x 3 m (três metros por três metros).
4.4.3 - Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural.
5 - Avaliação e Proposta de Minimização dos Impactos Ambientais pela Implantação do PMFS com Área de Manejo
Igual ou Superior a 100 ha (cem hectares).
5.1 - Avaliação dos impactos ambientais.
5.1.1 - Meio físico.
5.1.2 - Meio biológico.
5.1.3 - Meio sócio-econômico
5.2 - Proposta de minimização dos impactos
5.2.1 - Meio físico.
5.2.2 - Meio biológico.
5.2.3 - Meio sócio-econômico
5.3 - Matriz ambiental
5.3.1 - Metodologia de avaliação
5.3.1.1 -Qualificação
5.3.1.1.1 -Atividades x componentes
5.3.1.1.2 -Medidas e programas x componentes
5.3.1.2 -Valorização da matriz ambiental
6 - Prognóstico da Qualidade Ambiental pela Implantação do PMFS com Área de manejo Igual ou Superior a 100 ha
(cem hectares).
7 - Cronograma Físico-financeiro
7.1 - Do inventário
7.2 - Da exploração
7.2.1 - Para as espécies madeireiras, observar o ciclo de corte, conforme espécie selecionada para
manejo.
7.2.2 - Para a Bracatinga, observar o ciclo de corte de 10 (dez) anos.
7.2.3 - Para o Palmiteiro, observar o ciclo de corte de 6 (seis) anos.
7.2.4 - Do Trato silvicultural
8 - Bibliografia
9 - Documentos Exigidos.
9.1 - Requerimento do proprietário do imóvel ao Superintendente Estadual do IBAMA.
9.2 - Prova de propriedade atualizada.
9.3 - Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal - TRAL
9.4 - Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada - TRMFM
9.5 - Comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural - ITR do ano anterior.
9.6 - Croqui de acesso à propriedade, em relação ao município onde a mesma se encontra localizada.
9.7 - Planta topográfica da propriedade em escala compatível com a eqüidistância, plotando: área total da
propriedade, área de reserva legal, área de preservação permanente, área do PMFS, área de floresta remanescente, área de
pastagem, área de agricultura, área de reflorestamento área de banhado, infra-estrutura, hidrografia, rede viária, localização
das parcelas, confrontantes, norte magnético, coordenadas geográficas ou Unidades Transversal Mercator - UTM, edificações,
rede de energia elétrica, escala e convenções.
9.8 - Comprovante de recolhimento da taxa de vistoria técnica (Tabela de Preços do IBAMA).
9.9 - Licença Ambiental Prévia - LAP, emitida pelo órgão ambiental estadual competente.
9.10 - Anotação de Responsabilidade Técnica - ART de elaboração e execução.
9.11 - Contrato de elaboração, supervisão e orientação técnica entre o proprietário do imóvel e o engenheiro
responsável.
9.12 - Cópia da caderneta de campo.
9.13 - Cópia do layout DAs parcelas e subparcelas da regeneração natural.
111
Anexo III
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis
Superintendência Estadual de Santa Catarina
Termo de Responsabilidade de Averbação de
Reserva Legal - TRARL
Aos _____ dias do mês de _______________ do ano de _______, o Senhor __________________, filho de
_________________________ e de _______________________, residente à _________________, Distrito de
_______________, Município de ______________, Unidade da Federação de ______________, estado civil ____________,
nacionalidade ______________, profissão _____________________________, CPF ________, legítimo proprietário do imóvel
denominado ____________, Município de _____________, neste Estado, registrado sob o n° ___________, fls.
____________, do livro _______________ do _____________ Cartório de Registro de Imóveis, assume a responsabilidade de
efetuar a averbação do presente Termo, acompanhado de planta topográfica delimitando a área de reserva legal à margem da
inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente, conforme disposto no § 2° do art. 16 da lei n°
4.771/65, onde a floresta ou forma de vegetação existente, com área de ______ hectares, não inferior a 20% do total da
propriedade compreendida nos limites abaixo indicados, fica gravada como de utilização limitada, não podendo nela ser feito
qualquer tipo de exploração sem autorização do IBAMA. O atual proprietário compromete-se por si, seus herdeiros ou
sucessores a fazer o presente gravame sempre bom, firme e valioso.
Características e Confrontação do Imóvel (descrever de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte
integrante do presente Termo).
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
Limites da Área de reserva Legal (descrever de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte integrante do
presente Termo)
_____________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________
Firma o presente Termo em 3 (três) vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA, que também assina,
e das testemunhas abaixo qualificadas, que finalmente rubricam 3 (três) vias da planta topográfica.
____________________________ _______________________________________
Superintendente do IBAMA Proprietário
Testemunhas:
Nome: ______________________________________________
RG/N° ______________________________________________
________________________
Assinatura
Nome: _______________________________________________
RG/N° _______________________________________________
________________________
Assinatura
Anexo IV
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos
Recursos Naturais Renováveis
Superintendência Estadual de Santa Catarina
Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada - TRMFM
Aos _____ dias do mês de _______________ do ano de _______, o Senhor __________________, filho de
_________________________ e de _______________________, residente à _________________, Distrito de
_______________, Município de ______________, Unidade da Federação de ______________, estado civil ____________,
nacionalidade ______________, profissão ____________________, CPF ________, RG/Órgão Emissor/UF
_______________________ legítimo proprietário do imóvel denominado ____________, Município de _____________, neste
Estado, registrado sob o n° ___________, fls. ____________, do livro _______________ do _____________ Cartório de
Registro de Imóveis, com área total de _________ hectares, declara perante a autoridade competente, tendo em vista o que
dispõe as legislações florestal e ambiental vigentes, que a floresta existente na área de _____________ ha, correspondente a
______________ por cento da área da propriedade, fica gravada como de utilização limitada, podendo nela ser feita
exploração florestal sob forma de manejo florestal sustentado, desde que autorizado pelo IBAMA. O atual proprietário
compromete-se por si, seus herdeiros ou sucessores a fazer o presente gravame sempre bom, firme e valioso.
Características e Confrontação do Imóvel (descrever de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte
integrante do presente Termo).
____________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________
Limites da Área de Floresta a ser Manejada (de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte integrante
do presente Termo).
_____________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________
112
O proprietário compromete-se também a efetuar
Firma o presente Termo em 3 (três) vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA, que também assina,
e das testemunhas abaixo qualificadas, que finalmente rubricam 3 (três) vias da planta topográfica.
___________________________________ _______________________________________
Superintendente do IBAMA Proprietário
Testemunhas:
Nome: ______________________________________________
RG/N° ______________________________________________
________________________
Assinatura
Nome: _______________________________________________
RG/N° _______________________________________________
________________________
Assinatura
RESOLUÇÃO CONAMA Nº 294, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2001.

Dispõe sobre o Plano de Manejo do Palmiteiro Euterpe edulis no
Estado de Santa Catarina.

O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE - CONAMA, tendo em vista as competências
que lhe foram conferidas pela Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, regulamentada pelo Decreto nº
99.274, de 6 de julho de 1990, e tendo em vista o disposto na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de
1965, no Decreto nº 750, de 10 de fevereiro de 1993, e nas Resoluções CONAMA nº 1, de 23 de
janeiro de 1986, nº 10, de 1º de outubro de 1993, nº 4, de 4 de maio de 1994 e nº 237, de 19 de
dezembro de 1997 e em seu Regimento Interno, e
Considerando a necessidade de disciplinar a exploração de espécies florestais nativas do
Estado de Santa Catarina nas áreas cobertas por vegetação primária ou secundária nos estágios
avançado e médio de regeneração, resolve:
Art. 1º - A exploração do palmiteiro Euterpe edulis em florestas nativas, no Estado de Santa
Catarina, somente será autorizada sob a forma de corte seletivo mediante manejo florestal
sustentável, conforme estabelecido nesta Resolução.
Parágrafo único. Entende-se por manejo florestal sustentável a administração da floresta para a
obtenção de benefícios econômicos e sociais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do
ecossistema objeto do manejo.
Art. 2º - A execução do manejo florestal sustentável de que trata o artigo anterior será
autorizada mediante a apresentação, ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis-IBAMA, pelo proprietário do imóvel, de Plano de Manejo Florestal Sustentável -
PMFS, obedecidos os seguintes princípios gerais e fundamentos técnicos:
I- princípios gerais:
a) conservação dos recursos naturais;
b) conservação da estrutura da floresta e das suas funções;
c) manutenção da diversidade biológica; e
d) desenvolvimento sócio-econômico da região.
II- fundamentos técnicos:
a) levantamento criterioso dos recursos disponíveis a fim de assegurar a confiabilidade
das informações pertinentes;
b) caracterização da estrutura e do sítio florestal;
c) identificação, análise e controle dos impactos ambientais, atendendo à legislação
pertinente;
d) viabilidade técnico-econômica e análise das conseqüências sociais;
e) procedimentos de exploração florestal que minimizem os danos sobre o ecossistema;
f) existência de estoque remanescente do recurso florestal que garanta a sua produção
sustentada;
g) manutenção de níveis populacionais do recurso florestal de forma a assegurar a
função protetora da flora e da fauna ameaçadas de extinção;
h) estabelecimento de áreas e de retiradas máximas anuais, observando-se o ciclo de
corte das espécies manejadas;
113
i) adoção de sistema silvicultural adequado; e
j) uso de técnicas apropriadas de plantio, sempre que necessário.
Art. 3º - Além dos princípios gerais e dos fundamentos técnicos estabelecidos no art. 2º, desta
Resolução, o PMFS, objetivando a exploração de Palmiteiro Euterpe edulis, deve obedecer aos
seguintes critérios:
I - exploração limitada a indivíduos com DAP igual ou superior a nove centímetros;
II - manutenção de banco de mudas com, no mínimo, dez mil indivíduos por hectare, devendo
ser efetuado, anualmente, o plantio de mudas ou de sementes, quando a regeneração natural for
deficitária;
III - manutenção de, no mínimo, cinqüenta palmiteiros em fase de frutificação, por hectare,
identificados e distribuídos de forma dispersa na área de exploração para formar o estoque de plantas
matrizes ou porta-sementes, bem como para compor a população com função protetora da fauna
ameaçada de extinção.
Parágrafo único. Para efeito desta Resolução, considera-se regeneração natural do palmiteiro
todas as plantas com altura do estipe já exposto, inferior a um metro e trinta centímetros.
Art. 4º - Nas propriedades com área inferior a trinta hectares de florestas, o manejo florestal
sustentável será autorizado mediante a apresentação ao IBAMA, pelo proprietário do imóvel, de
Requerimento para Corte Seletivo - RCS (Anexo I), dispensando-se a obrigatoriedade de
apresentação de PMFS, observando-se os critérios estabelecidos no art 3º, desta Resolução, com
seus respectivos parágrafos.
Art. 5º - Nos casos em que a solicitação não exceder duas mil cabeças anuais em área de até
quinze hectares de florestas, por propriedade, a autorização poderá ser feita a partir de Solicitação
Simples-SS, fundamentada em vistoria e autorização do órgão licenciador competente, encaminhada
ao IBAMA, mantidos os critérios dos incisos I, II e III do art. 3º, desta Resolução.
Parágrafo único. A autorização a que se refere este artigo terá prazo máximo de exploração de
sessenta dias, prorrogável por mais trinta dias.
Art. 6º - Nos casos de plantio de palmito, devidamente comprovado através do registro no
IBAMA e posterior fiscalização, a autorização de corte será realizada a partir de uma comunicação
direta ao IBAMA, seguindo o roteiro do Anexo IV.
Parágrafo único. A autorização relativa a este artigo é específica para o palmito, sendo vedada
a realização de corte de outras espécies, raleamento ou bosqueamento na área em questão.
Art. 7º - O PMFS, o RCS e a SS somente serão autorizados em propriedades que cumpram a
legislação ambiental vigente, em especial a manutenção das áreas de preservação permanente - APP
e averbação e recuperação da reserva legal.
§ 1º - O descumprimento das condições e obrigações previstas nesta Resolução, bem como
nos termos da autorização, implica, obrigatoriamente, a suspensão de todas as autorizações
expedidas para a mesma propriedade ou proprietário.
§ 2º - O solicitante poderá firmar, com o órgão ambiental competente, Termo de Ajustamento de
Conduta visando o cumprimento das obrigações da legislação ambiental, em especial a manutenção
das APP e averbação e recuperação da reserva legal, hipótese em que as autorizações ficarão
vinculadas à execução destas condições.
§ 3º - A autorização do PMFS ficará condicionada à apresentação, pelo interessado, de
documento emitido pelo órgão competente que ateste a proteção e preservação das APP na
propriedade.
Art. 8º - Para o cumprimento do disposto nesta Resolução, o PMFS deve obedecer o Roteiro
Básico constante no Anexo II.
Art. 9º - O PMFS, o RCS e o laudo para a SS, devem ser elaborados e executados sob a
responsabilidade técnica de profissional habilitado na forma da lei e registrado no IBAMA, conforme
regulamentação pertinente.
Art. 10. A autorização para execução do PMFS e do RCS, bem como o deferimento da SS
constituem instrumentos de controle para a comprovação da origem da matéria-prima florestal.
§ 1º - A Autorização para Transporte de Produtos Florestais-ATPF será fornecida ao detentor do
PMFS, do RCS ou da SS, quando este for destinatário da matéria-prima florestal, ou ao comprador
devidamente registrado junto ao IBAMA, mediante a apresentação da Declaração de Venda de
Produtos Florestais- DVPF, conforme Portaria Normativa do IBAMA nº 125-N, de 22 de novembro de
1993.
§ 2º - A ATPF será fornecida após a expedição da Autorização para Exploração, desde que
devidamente preenchidos os campos 1 a 8 e 14 a 16 da Declaração referida no caput deste artigo.
Art. 11. Tanto o RCS, quanto a SS ou a comunicação de plantio poderão ser autorizados pelos
órgãos estaduais ou municipais competentes, desde que estes mantenham estrutura técnica
adequada para análise da matéria e Conselhos Municipais de Meio Ambiente com poder de
deliberação e integrantes do SISNAMA, conforme regulamentação pertinente.
114
Parágrafo único. Os órgãos estaduais ou municipais deverão comunicar ao IBAMA a
autorização a que se refere o caput deste artigo, e requerer a emissão das ATPF, conforme
regulamentação pertinente.
Art. 12. O PMFS deve levar em consideração a capacidade de produção da floresta.
§1º - Quando a área total de exploração totalizar acima de cinqüenta hectares, a mesma
deverá ser dividida em módulos dimensionados de acordo com o ciclo de corte da espécie manejada,
os quais deverão estar previstos no cronograma físico de execução.
§ 2º - As autorizações serão concedidas módulo a módulo.
Art. 13. É obrigatória a realização de inventário florestal pré-exploratório e contínuo, em
parcelas permanentes demarcadas por processo de amostragem sistemática, obedecendo orientação
magnética uniforme, identificando-se os seus limites e mantendo-se as picadas de acesso, para fins
de vistoria técnica, devendo ser substituídas aquelas cuja localização recaírem sobre APP, tanto no
PMFS como no RCS.
§ 1º - O estabelecimento das parcelas permanentes do inventário florestal contínuo do PMFS
ou do levantamento para o RCS, deve observar intensidade, forma e tamanho que atendam aos seus
objetivos e a metodologia utilizada deve ser descrita e justificada.
§ 2º - As parcelas permanentes devem ser mensuradas e avaliadas antes e imediatamente
após a exploração, em prazo nunca superior a um ano, com remedições sucessivas anuais.
§ 3º - Nas parcelas permanentes devem ser estabelecidas subparcelas para o levantamento da
regeneração natural, cuja intensidade, forma e tamanho atendam aos objetivos do PMFS e a
metodologia utilizada deve ser descrita e justificada.
§ 4º - Nos levantamentos estatísticos, devem ser considerados o limite de erro de vinte por
cento e a probabilidade de cinco por cento.
Art. 14. Os prazos de validade das autorizações a que se refere esta Resolução serão definidos
de acordo com o volume a ser explorado, renováveis por igual período, tantas vezes quanto
necessário.
Parágrafo único. A renovação do prazo de que trata o caput deste artigo pode ser autorizada
mediante requerimento devidamente justificado e acompanhado do Relatório Técnico da Execução da
exploração efetuada.
Art. 15. Finalizada uma etapa de exploração do PMFS ou do RCS de uma determinada área,
nova exploração nesta área somente poderá ser admitida após a comprovação técnica da plena
recomposição dos estoques iniciais, vedada esta possibilidade para as espécies cujos estoques ainda
estejam em fase de recomposição.
Parágrafo único. A comprovação técnica da plena recomposição dos estoques de que trata o
caput deste artigo deve ser feita mediante a apresentação, ao IBAMA, do resultado do
acompanhamento e avaliação das parcelas e das subparcelas de regeneração natural, ao longo da
realização do PMFS ou do RCS.
Art. 16. O IBAMA fiscalizará a execução do PMFS e do RCS, com vistas ao cumprimento desta
Resolução.
Parágrafo único. Verificadas irregularidades ou ilicitudes na execução, incumbe ao IBAMA:
I - diligenciar providências e aplicar sanções cabíveis;
II - promover ação civil pública e, se for o caso, oficiar ao Ministério Público Federal visando a
instauração de inquérito civil e penal; e
III - representar ao órgão de fiscalização profissional competente, em que estiver registrado o
responsável técnico, para a apuração de sua responsabilidade técnica.
Art. 17. As funções atribuídas ao IBAMA nos arts. 15, 16 e 18, desta Resolução, poderão ser
assumidas pelos órgãos a que se refere o art. 11, desde que sejam integrantes do SISNAMA e
apresentem estrutura técnica adequada, conforme regulamentação pertinente.
Art. 18. O não cumprimento das disposições previstas nesta Resolução sujeitará o infrator às
sanções cabíveis na legislação, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.
Art. 19. Os casos omissos serão dirimidos pelo IBAMA, ouvida a Câmara Técnica responsável
pela matéria.
Art. 20. As questões operacionais referentes a esta Resolução devem ser complementadas por
meio de regulamentações interinstitucionais envolvendo o IBAMA e os órgãos estaduais e municipais
competentes.
Art. 21. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação, aplicando-se inclusive aos
pedidos protocolados e aos já aprovados pelo IBAMA nesta data, sendo obrigatória a reformulação
destes, quando necessária, no prazo estipulado pela autoridade competente, a fim de adaptá-los ao
disposto nesta Resolução.
JOSÉ CARLOS CARVALHO
Presidente do Conselho Interino
115
ANEXO I
Requerimento para Corte Seletivo-RCS

Ilmo. Sr. Superintendente Estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA/SC,
________________________________________________________________________, abaixo assinado, residente à
____________________________________________________________________, Distrito de
________________________________, Município de ___________________________________________________,
Unidade da Federação de _______, nacionalidade _____________________________________, profissão
_________________________, estado civil ___________________, CPF nº _________________________________,
RG/Órgão Emissor/UF ______________________________, requer a Vossa Senhoria Autorização para Corte Seletivo, a ser
efetuado em sua propriedade, conforme especificações abaixo discriminadas:
1 - Nome da propriedade;
2 - Localização;
3 - Área da propriedade (ha);
4 - Área de corte seletivo (ha);
5 - Área para reserva legal (ha);
6 - Estoque no banco de mudas de dez mil indivíduos por hectare, compondo a regeneração natural;
7 - Estoque requerido para corte seletivo, em número de indivíduos por classe diamétrica correspondente;
8 - Manutenção de, no mínimo, cinqüenta palmiteiros em fase de frutificação, por hectare, identificados e distribuídos
de forma dispersa na área de exploração para formar o estoque de plantas matrizes ou porta-sementes, bem como para
compor a população com função protetora da fauna ameaçada de extinção;
9 - Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural;
10 - Elaborador/responsável técnico (nome, endereço, completo, CGC ou CPF, profissão, número de registro no
IBAMA, número de registro no conselho profissional competente e número do visto/região, se for o caso);
11 - Executor/responsável técnico (nome, endereço completo, CGC ou CPF, profissão, número de registro no IBAMA,
número de registro no conselho profissional competente e número do visto/região, se for caso).
Para completar as informações, juntam-se os seguintes documentos:
a) prova de propriedade atualizada;
b) comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural-ITR do ano anterior;
c) croqui esquemático da propriedade;
d) croqui de acesso à propriedade em relação ao Município onde a mesma está localizada;
e) Layout das parcelas e subparcelas da regeneração natural.

Nestes Termos, pede deferimento.

____________________, _____ de _______________ de 20___

____________________________________
Proprietário


ANEXO II
Roteiro Básico para Elaboração de Plano de Manejo Florestal Sustentável - PMFS

1 Informações Gerais
1.1 Proprietário do imóvel (requerente / elaborador / executor)
1.1.1 Proprietário do imóvel (requerente): nome, endereço completo, CGC ou CPF, número do registro no
IBAMA/categoria (consumidor e produtor industrial, se for o caso).
1.1.2 Elaborador/responsável técnico: nome, endereço completo, CGC ou CPF, profissão, número do registro no
IBAMA, número do registro no conselho profissional competente e número do visto/região, se for o caso.
1.1.3 Executor/responsável técnico: nome, endereço completo, CGC ou CPF, profissão, número do registro no IBAMA,
número do registro no conselho profissional competente e número do visto/região, se for o caso.
1.2 Identificação da propriedade
1.2.1 Denominação.
1.2.2 Número da matrícula ou registro/cartório/livro/folha.
1.2.3 Localidade.
1.2.4 Município/Estado.
1.2.5 Número da inscrição de cadastro no INCRA.
2 Objetivos e Justificativas do PMFS
2.1 Objetivos
2.2 Justificativas técnicas e econômicas
3 Caracterização do Meio na propriedade
3.1 Meio Físico
3.1.1 Hidrografia
3.1.2 Topografia
3.2 Meio Biológico
3.2.1 Vegetação
3.2.2 Fauna
3.3 Meio Sócio-Econômico
4 Manejo Florestal
4.1 Discriminação das áreas da propriedade
4.1.1 Área total da propriedade (ha);
4.1.2 Área de reserva legal (ha);
4.1.3 Área de preservação permanente (ha)
116
4.1.4 Área do PMFS (ha);
4.1.5 Área de floresta remanescente (ha);
4.1.6 Área de pastagens (ha);
4.1.7 Área de agricultura (ha);
4.1.8 Área de reflorestamento;
4.1.9 Área de banhado (ha);
4.1.10 Infra-estrutura;
4.1.11 Hidrografia;
4.1.12 Rede viária.
4.2 Inventário Florestal
O planejamento do inventário deve atender aos objetivos do PMFS, de acordo com aqueles definidos no item 2.
4.2.1 Levantamento de dados dendrométricos correspondentes aos indivíduos com Diâmetro à Altura do Peito medido
na estipe a 1,3 metros - DAP - igual ou superior a quatro centímetros, distribuídos em classes diamétricas que caracterizem o
estoque a ser utilizado e o estoque remanescente.
4.2.2 Levantamento da regeneração natural correspondente aos indivíduos com DAP inferior àqueles especificados no
item 4.2.1, bem como aqueles com altura da estipe inferior a 1,3 metros.
4.2.3 Anotação em caderneta de campo dos dados de diâmetros, estádio fenológico e datas de medições,
estabelecendo critérios e justificativas.
4.2.4 Locação em lay-out das parcelas do inventário florestal total e das subparcelas de regeneração natural,
numerando as plantas mensuradas e convencionando as que serão exploradas.
4.2.5 Caracterização da área objeto do inventário florestal (população amostrada).
4.2.6 Definição das variáveis de interesse do manejo florestal e justificativas.
4.2.8 Definição da metodologia adotada no processo de amostragem sistemática utilizada.
4.2.9 Definição da intensidade de amostragem.
4.2.10 Definição do tamanho e forma das parcelas.
4.2.12 Análises estatísticas.
4.2.13 Síntese dos resultados contendo as tabelas de distribuição diamétrica com estimativas de rendimento por
classe explorada e número de indivíduos porta-sementes por classe diamétrica que permanecerão, visando atender ao sistema
de manejo previsto nesta Resolução.
4.2.13.2 Número de árvores por classe de diâmetro no hectare, no módulo e na área total.
4.2.13.3 Amostragem da regeneração natural deve apresentar o levantamento da população amostrada em três
classes distintas de altura da inserção da última folha: zero a dez centímetros, dez centímetros e um milímetro a cinqüenta
centímetros e maior que cinqüenta centímetros.
4.2.13.4 Apresentar a relação entre as áreas basais dos indivíduos de palmiteiro e da população das demais espécies
arbóreas.
4.3 Sistema de exploração
4.3.1 Caracterização da área.
4.3.1.1 Número de indivíduos a serem explorados.
4.3.1.2 Apresentar o levantamento com plaqueteamento dos exemplares que formarão o estoque de plantas matrizes
ou porta-sementes, bem como comporão a população com função protetora à fauna ameaçada de extinção.
4.3.1.3 Levantamento expedido com marcação das árvores selecionadas para corte.
4.3.2 Estrutura da rede de estradas, pátios para estocagem da matéria-prima explorada (quantidade, localização, área)
e picadas de transporte, minimizando a área de infra-estrutura a ser construída, dimensionando-a e calculando o número de
árvores a serem suprimidas, com área basal e o volume por espécie e total.
4.3.5 Apresentação da metodologia das operações de exploração florestal.
4.3.6 Cronograma de execução das operações de exploração.
4.3.7 Avaliação dos custos e rendimento das operações de exploração florestal.
4.4 Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural, quando necessário.
5 Avaliação e Proposta de Minimização dos Impactos Ambientais pela Implantação do PMFS com Área de
Manejo Igual ou Superior a cem hectares.
5.1 Avaliação dos impactos ambientais.
5.1.1 Meio físico.
5.1.2 Meio biológico.
5.1.3 Meio sócio-econômico.
5.2 Proposta de minimização dos impactos.
5.2.1 Meio físico.
5.2.2 Meio biológico.
5.2.3 Meio sócio-econômico.
5.3 Matriz ambiental.
5.3.1 Metodologia de avaliação.
5.3.1.1 Qualificação.
5.3.1.1.1 Atividades versus componentes.
5.3.1.1.2 Medidas e programas versus componentes.
5.3.1.2 Valorização da matriz ambiental.
6 Prognóstico da qualidade ambiental pela implantação do PMFS com área de manejo igual ou superior a cem
hectares.
7 Cronograma físico-financeiro.
7.1 Do inventário.
7.2 Da exploração.
7.2.1 Observar o ciclo de corte de seis anos.
7.2.2 Do trato silvicultural.
8 Bibliografia.
9 Documentos Exigidos.
9.1 Requerimento do proprietário do imóvel ao Superintendente Estadual do IBAMA.
9.2 Prova de propriedade atualizada.
9.3 Averbação de Reserva Legal-ARL.
9.4 Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada-TRMFM.
9.5 Comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural-ITR do ano anterior.
9.6 Croqui de acesso à propriedade, em relação ao município onde a mesma se encontra localizada.
117
9.7 Planta topográfica da propriedade em escala compatível com a eqüidistância, plotando: área total da propriedade,
área de reserva legal, área de preservação permanente, área do PMFS, área de floresta remanescente, área de pastagem,
área de agricultura, área de reflorestamento área de banhado, infra-estrutura, hidrografia, rede viária, localização das parcelas,
confrontantes, norte magnético, coordenadas geográficas ou Unidades Transversais Mercator-UTM, edificações, rede de
energia elétrica, escala e convenções.
9.8 Cópia da caderneta de campo.
9.9 Cópia do lay-out das parcelas e subparcelas da regeneração natural.


ANEXO III

Solicitação Simples para Exploração do Palmiteiro (Euterpe edulis)
Ilmo. Sr. Superintendente Estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA/SC,
________________________________________________________________________, abaixo assinado, residente à
_______________________________________________________________, Distrito de _________________________,
Município de ___________________________________________________________, Unidade da Federação de _________,
nacionalidade ___________________________________, profissão ____________________, estado civil
__________________________, CPF nº _________________________________, RG/Órgão Emissor/UF
_____________________________, requer a Vossa Senhoria Autorização para Exploração do Palmiteiro (Euterpe edulis), a
ser efetuado em sua propriedade, conforme prevê a Resolução XXX, art. 5º, parágrafo único, de acordo com as especificações
discriminadas a seguir:
1 Localização da propriedade;
2 Área da propriedade (ha);
3 Área com cobertura florestal natural (ha);
4 Área de corte seletivo (ha);
5 Área para reserva legal (ha);
6 Volume (número de cabeças) de palmito a ser explorado;
7 Identificação do Responsável técnico (nome, endereço, completo, CGC ou CPF, profissão, número de registro no
IBAMA, número de registro no conselho profissional competente e número do visto/região, se for o caso); e
8 Vistoria e autorização do órgão licenciador competente, incluindo avaliação dos critérios especificados nos arts. 3º e
5º desta Resolução.
Para completar as informações, juntam-se os seguintes documentos:
a) prova de propriedade atualizada;
b) comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural-ITR do ano anterior;
c) croqui esquemático da propriedade;
d) croqui de acesso à propriedade em relação ao município onde a mesma está localizada;
Limites da área de reserva legal:
_________________________________________________________________________________
Firma o presente Termo em três vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA, que também assina, e das
testemunhas abaixo qualificadas, que finalmente rubricam três vias da planta topográfica.


__________________________ ___________________________________
Superintendente do IBAMA Proprietário

Testemunha:
Nome: ______________________________________________
RG/Nº ______________________________________________

_________________________________
Assinatura

ANEXO IV
Comunicação para Exploração do Palmiteiro (Euterpe edulis) Plantado
Ilmo. Sr. Superintendente Estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA/SC,
________________________________________________________________________, abaixo assinado, residente à
________________________________________________________________, Distrito de ______________________,
Município de ______________________________________________________________, Unidade da Federação de
_________, nacionalidade _________________________________________, profissão ___________________, estado civil
_____________________, CPF nº ____________________________________, RG/Órgão Emissor/UF
________________________, comunica a Vossa Senhoria a Exploração do Palmiteiro (Euterpe edulis) plantado, a ser
efetuado em sua propriedade, conforme prevê a Resolução XXX, art. 6º, de acordo com as especificações discriminadas a
seguir:
1 Localização da propriedade;
2 Área da propriedade (ha);
3 Área de corte (ha);
4 Área para reserva legal (ha);
5 Volume (número de cabeças) de palmito a ser explorado;
6 Identificação do Responsável técnico (nome, endereço, completo, CGC ou CPF, profissão, número de registro no
IBAMA, número de registro no conselho profissional competente e número do visto/região, se for o caso);
7 Laudo do responsável técnico, incluindo avaliação da forma de plantio e condução do povoamento, bem como
registro do povoamento no IBAMA, conforme especificado no artigo 6º da Portaria XX.
Para completar as informações, juntam-se os seguintes documentos:
a) prova de propriedade atualizada;
b) comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural-ITR do ano anterior;
c) croqui esquemático da propriedade;
d) croqui de acesso à propriedade em relação ao município onde a mesma está localizada;
118
e) comprovação de averbação de Reserva Legal; e
f) documento que ateste a proteção e preservação das APP.

Limites da área de reserva legal
_________________________________________________________
Firma o presente Termo em três vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA, que também assina, e
das testemunhas abaixo qualificadas, que finalmente rubricam três vias da planta topográfica.

___________________________________ ___________________________________
Superintendente do IBAMA Proprietário

Testemunha:
Nome: ______________________________________________
RG/Nº ______________________________________________


_______________________________
Assinatura


ANEXO V
Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada-TRMFM
Aos _____ dias do mês de __________________________ do ano de ______, o Senhor __________________________, filho
de _________________________________________________ e de
_______________________________________________, residente à
___________________________________________________, Distrito de ____________________________________,
Município de __________________________________, Unidade da Federação de _______, estado civil
__________________, nacionalidade _________________________, profissão ________________________, CPF nº
____________________, RG/Órgão Emissor/UF ____________________________________, legítimo proprietário do imóvel
denominado ___________________, Município de ___________________________________, neste Estado, registrado sob o
nº ________________, fls. ______________, do livro _______________________ do _____________ Cartório de Registro de
Imóveis, com área total de ______________ hectares, declara perante a autoridade competente, tendo em vista o que dispõe
as legislações florestal e ambiental vigentes, que a floresta existente na área de _________________ ha, correspondente a
___________________ por cento da área da propriedade, fica gravada como de utilização limitada, podendo nela ser feita
exploração florestal sob forma de manejo florestal sustentado, desde que autorizado pelo IBAMA. O atual proprietário
compromete-se por si, seus herdeiros ou sucessores a fazer o presente gravame sempre bom, firme e valioso.

Características e Confrontação do Imóvel (descrever de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte
integrante do presente Termo).
________________________________________________________________________________________________
________________________________________________________________________________________________

Limites da Área de Floresta a ser Manejada (de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte integrante do
presente Termo).
________________________________________________________________________________________________

O proprietário compromete-se também a efetuar
Firma o presente Termo em três vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA, que também assina, e
das testemunhas abaixo qualificadas, que finalmente rubricam três vias da planta topográfica.

__________________________ ___________________________________
Superintendente do IBAMA Proprietário
Testemunha:
Nome: ______________________________________________
RG/Nº ______________________________________________

_______________________________
Assinatura
Testemunha:
Nome: ______________________________________________
RG/Nº ______________________________________________

_______________________________
Assinatura

INSTRUÇÃO NORMATIVA – IN 20 -FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO
DE ESSÊNCIAS ARBÓREAS
INSTRUÇÕES GERAIS:
• Requerimento com endereço completo, contendo justificativa do pedido (para áreas acima de
50 hectares);
• Certidão atualizada do Registro de Imóveis (180 (cento e oitenta) dias);
119
• Planta planialtimétrica do imóvel, com locação do empreendimento e da Reserva Legal em
UTM;
• Projeto Florestal do empreendimento com cronograma de implantação, contendo as medidas
de prevenção a incêndios e de controle da erosão das estradas, taludes e aterros, bem como na
construção de pontes;
• Documento expedido pela Prefeitura Municipal declarando que a atividade está de acordo
com as diretrizes de uso do solo do município (Consulta de Viabilidade de Uso do Solo, certidão
atualizada, máximo 90 (noventa) dias) e se está a montante ou a jusante do ponto de captação de
água para o abastecimento público;
• Apresentar projeto de recomposição ambiental com vegetação nativa da região do
empreendimento, nas áreas de preservação permanente;
• Anotação de Responsabilidade Técnica – ART do responsável pela elaboração e execução
dos projetos do empreendimento;
• Recolhimento dos valores de análise, conforme tabela da FATMA;
• Manter controle do entorno do empreendimento, como medida preventiva na disseminação da
espécie reflorestada;
• Nas áreas a serem reflorestadas que apresentem ocorrência de espécies ameaçadas de
extinção, deverá:
• Identificar as espécies existentes na área do empreendimento;
• Ser mantida preservada a circunferência da projeção de sua copa da espécie adulta;
• Haver reposição da espécie de ocorrência na proporção de dez por uma, preferencialmente
nas áreas de Reserva Legal.
• Deverão ser publicados em periódico regional todos os extratos das autorizações e/ou
licenças, e somente após a entrega na FATMA do comprovante da publicação, será concedida a
autorização e/ou licença;
• O profissional habilitado responsável pela execução dos serviços da atividade autorizada ou
licenciada, deverá encaminhar a FATMA, Relatório Final de execução, conforme apresentado no
projeto aprovado, no prazo máximo de 30 (trinta) dias a contar do vencimento da autorização ou
licença, incluindo registro fotográfico;
• Toda e qualquer emissão de autorização e licenciamento ambiental no meio rural, só será
emitida após a averbação da Reserva Legal, de no mínimo 20% da área total da propriedade rural,
previsto no art. 16 da nº Lei 4.771/65 e Medida Provisória nº 2166-67/01
• É vedado o florestamento e reflorestamento nas faixas de domínio dos serviços de utilidade
pública.
Modelo de Requerimento*
................................... ............................................................... requer a análise das informações em anexo
(razão social)
com vistas a ......... ................................................. ............................ da Licença
(obtenção/renovação**) (LAP, LAI ou LAO) (nº processo)
para a atividade de .................... ............ .................... ............ .................... ............ .................... ............
(tipo de atividade)
com instalações (previstas ) à .................... .......... .................... ............ .................... ............ ....................
(rua/av., nº, bairro)
no município de .................... .......... .................... ............ .................... ............ .................... ............
(nome)
Termos em que pede deferimento,
.............................. de .................... .......... ........................... de .................... .
(local)
Nome: .................... .......... .................... ............ .................... ........... .................... .......... .................... ............ .
Assinatura: .................... .......... .................... ............ ....................
* Preencher novamente este requerimento para cada Licença solicitada.
** Apenas a LAO é renovável.
120
Modelo de Procuração*
Pelo presente instrumento particular o Sr. ......................................... ...................................... ..........................................
....................................
(outorgante)
.................................... ................................................................................. da empresa
..........................................................................................................................
(cargo)
residente à .................... ............ .................... ............ .................... ............ ................. ............ .................... .................................
.................... ............ ....................
(rua/av., nº, bairro)
no município de .................... ............ .................... ............ .................... ......... .................... .............. ....................
................................. .................... ............ .....

nomeia e constitui seu procurador o Sr. ................... ....... .................... ............ .................... ............ .................... .............................
....................
(outorgado)
residente à, ................... .......... .................... ............ ............... ................ .......... .................... ............ ........................... .................
......................... .........................
(rua/av,. e nº)
no município de ................... .......... .................... ........ ............... ................... .......... .................... ............ ....................
.......................... ............ .........................
para representá-lo junto à Fundação do Meio Ambiente – FATMA na obtenção do Licenciamento
Ambiental do ............... ..........
.................................................................................................................................................................................................................
(atividade a ser licenciada)
com instalações (previstas) à ................. .......... ............................ ............ .................... ........... .................... ..........
.............................................. ............
(rua/av., nº e bairro)
no município de ................... .......... ......................... ............ .................................................................................................................
........... .................... ............
.................... .......... .................... ............ ................... .... , .................... de .................... .......... ........................... de .................... .
(local)
Assinatura: .................... ....................................... .................... ............ .................... ...................................................................
(outorgante)
*Representante do empreendedor.
INTRUÇÃO NORMATIVA – IN 23 - SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO EM AREA
RURAL
INSTRUÇÕES GERAIS:
Os pedidos de Autorização para Supressão de Vegetação Nativa em áreas rurais, quando em
estágio inicial de regeneração, atendendo a legislação vigente, serão instruídos com os seguintes
documentos:
Requerimento do empreendedor, com endereço completo para correspondência e justificativa do
pedido;
Fotocópia da Carteira de Identidade e do CPF, para pessoa física e do Contrato Social, se
pessoa jurídica;
Recolhimento dos valores de análise, conforme Tabela da FATMA;
Declaração da Prefeitura Municipal, dizendo se o empreendimento está de acordo com as
normas legais e administrativas da municipalidade;
121
Certidão atualizada do Cartório de Registro de Imóveis - CRI (máximo 90 dias), com a
competente averbação da Reserva Legal;
Inventário Florestal, elaborado por profissional habilitado, contendo, o levantamento detalhado
da vegetação, indicando o volume de madeira a ser extraído, por espécie, com Diâmetro Altura
do Peito - DAP médio, altura média e área basal média, com a definição do estágio sucessional
de regeneração, conforme legislação vigente e normas administrativas reguladoras;
Anotação de Responsabilidade Técnica - ART do responsável técnico pelo projeto, elaboração e
execução;
Inventário Faunístico, a critério do Órgão Ambiental competente, elaborado por profissional
habilitado;
Planta topográfica do imóvel em UTM ou Coordenada Geográfica, informando o DATUM de
origem, assinalando o uso atual do solo, os remanescentes florestais, hidrografia e o local
pretendido para supressão;
Deverão ser publicados em periódico regional, todos os extratos das autorizações e/ou licenças,
e somente após a entrega na FATMA do comprovante da publicação, será concedida a
autorização e/ou licença;
O profissional habilitado responsável pela execução dos serviços da atividade autorizada ou
licenciada, deverá encaminhar a FATMA Relatório Final de execução, conforme apresentado no
projeto aprovado, no prazo máximo de 30 (trinta) dias a contar do vencimento da autorização ou
licença, incluindo registro fotográfico;
Toda e qualquer emissão de autorização e licenciamento ambiental no meio rural, só será
emitida após a averbação da Reserva Legal, de no mínimo 20% da área total da propriedade
rural, previsto no art. 16 da Lei nº 4.771/65 e Medida Provisória nº 2.166-67/01.
INSTUÇÃO NORMATIVA – IN 27 - CORTE EVENTUAL DE ÁRVORES
INSTRUÇÕES GERAIS:
Os pedidos de Autorização para corte eventual de árvores nativas, quando em propriedades com
até 30 (trinta) hectares, limitado a 20 (vinte) unidades e no máximo 15 m
3
e 6 (seis) estéreos de
lenha resultante das galhadas das árvores, atendendo a legislação vigente, serão instruídos com os
seguintes documentos:
Requerimento do empreendedor, com endereço completo para correspondência e justificativa do
pedido;
Fotocópia da Carteira de Identidade e do CPF, para pessoa física e do Contrato Social, se pessoa
jurídica;
Recolhimento dos valores de análise, conforme Tabela da FATMA;
Declaração da Prefeitura Municipal, dizendo se o empreendimento está de acordo com as
normas legais e administrativas da municipalidade;
Certidão atualizada do Cartório de Registro de Imóveis - CRI (máximo 90 dias), com a
competente averbação da Reserva Legal;
Levantamento de dados de altura, Diâmetro Altura do Peito – DAP volume individual e total, por
espécie, além da relação das árvores selecionadas, previamente identificadas com plaquetas
numeradas, acompanhado por justificativa;
Anotação de Responsabilidade Técnica - ART do responsável técnico pelo projeto, elaboração e
execução;
Planta topográfica do imóvel em UTM ou Coordenada Geográfica, informando o DATUM de
origem, assinalando o uso atual do solo, os remanescentes florestais, hidrografia e o local
pretendido para supressão;
Deverão ser publicados em periódico regional todos os extratos das autorizações e/ou licenças, e
somente após a entrega na FATMA do comprovante da publicação, será concedida a autorização
e/ou licença.
Prioridade para árvores mortas;
A retirada não pode ser superior a 20% do estoque total dos indivíduos adultos da propriedade.
O profissional habilitado responsável pela execução dos serviços da atividade autorizada ou
licenciada, deverá encaminhar a FATMA Relatório Final de execução, conforme apresentado no
projeto aprovado, no prazo máximo de 30 (trinta) dias a contar do vencimento da autorização ou
licença, incluindo registro fotográfico;
122
Toda e qualquer emissão de autorização e licenciamento ambiental no meio rural, só será emitida
após a averbação da Reserva Legal, de no mínimo 20% da área total da propriedade rural,
previsto no art. 16 da Lei 4.771/65 e Medida Provisória 2166-67/01
Modelo de planilhas de campo
Inventário do palmiteiro (Euterpe edulis)
Nome da área Local
Parcela:.................................................. Subp.:..............Data:...../....../.......
Equipe:................................
Num. DAP (cm) Fenologia OBS Num. DAP (cm) Fenologia OBS
123
Fenologia: Jovem = J; Matriz = M; Matriz com cacho = MC
Regeneração natural do palmiteiro (Euterpe edulis)
Nome da área Local
Parcela:...................................Data:...../....../.........
Equipe:...........................................
Classes Número de Plantas Total
Classe I
Classe II
Classe III
Obs: Classe I - até 10 cm; Classe II – 11 a 50 cm; Classe III - acima de 51 cm
124

2

Sumário
APRESENTAÇÃO................................................................................................................................ ...3 1.MÓDULO INVENTÁRIO FLORESTAL......................................................................................... .........5 1.1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................................................5 1.2 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE AMOSTRAGEM.....................................................................................6 1.2.1 População...............................................................................................................................................6 1.2.2 Censo e amostragem...............................................................................................................................6 1.2.3 Amostra...................................................................................................................................................6 1.2.4 Unidade amostral....................................................................................................................................6 1.2.5 Precisão e acuracidade...........................................................................................................................6 1.3 MÉTODOS DE AMOSTRAGEM.................................................................................................................7 1.3.1 Método de Área Fixa com emprego de parcelas.....................................................................................8
1.3.1.1 Estimadores para o número de árvores, área basal e volume................................................................... ..........9 1.3.1.2 Amostragem aleatória simples...................................................................................................................... ...10 1.3.1.3 Exemplo de amostragem aleatória simples.............................................................................................. ........11 1.3.1.4 Amostragem aleatória estratificada........................................................................................... ......................14 1.3.1.5 Amostragem sistemática............................................................................................................................... ...15 1.3.1.6 Obtenção de estimativas com emprego de parcelas................................................................................ .........17 1.3.1.7 Exemplo com amostragem sistematizada............................................................................................. ...........18

1.3.2 Método dos Quadrantes........................................................................................................................28
1.3.2.1 Obtenção de estimativas pelo método dos quadrantes.......................................................................... ...........29 1.3.2.2 Exemplo utilizando o Método dos Quadrantes...................................................................................... ..........29

1.4 BIBLIOGRAFIA..........................................................................................................................................37 2.MÓDULO CARACTERIZAÇÃO DE ESTÁDIOS SUCESSIONAIS NA VEGETAÇÃO CATARINENSE..38 AS TIPOLOGIAS FLORESTAIS CATARINENSES.................................................................................................................38 DINÂMICA DA SUCESSÃO SECUNDÁRIA ASSOCIADA AOS SISTEMAS AGRÍCOLAS...................................................................40 CLASSIFICAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA EM ESTÁDIOS SUCESSIONAIS................................................................................42 BIBLIOGRAFIA...............................................................................................................................................45 3.MODULO MANEJO DO PALMITEIRO (EUTERPE EDULIS) EM REGIME DE RENDIMENTO SUSTENTÁVEL.................................................................................................................. ..................49 3.1 ASPECTOS DA ECOLOGIA DE FLORESTAS TROPICAIS...................................................................49 3.1.1 Grupos ecológicos de espécies florestais..............................................................................................50 3.2 MANEJO DE RENDIMENTO SUSTENTADO: UMA PROPOSTA BASEADA NA AUTOECOLOGIA DAS ESPÉCIES..................................................................................................................................................54 3.2.1 Introdução.............................................................................................................................................54 3.2.2 Estoque disponível................................................................................................................................55 3.2.3 Taxas de incremento..............................................................................................................................56 3.2.4 Regeneração natural.............................................................................................................................57 3.2.5 Outras considerações............................................................................................................................58 3.3 A PALMEIRA EUTERPE EDULIS MARTIUS....................................................................................................59 3.3.1 ASPECTOS ECOLÓGICOS DA ESPÉCIE...........................................................................................59 3.3.2 ASPECTOS DEMOGRÁFICOS E FITOSSOCIOLÓGICOS................................................................61 3.4 INVENTÁRIO PARA O MANEJO DO PALMITEIRO.............................................................................63 3.5 ESTIMAÇÃO DE EQUAÇÕES DE INCREMENTO CORRENTE ANUAL...........................................65 3.6 SISTEMAS DE IMPLANTAÇÃO DE EUTERPE EDULIS................................................................................66 3.7 PRODUTIVIDADE SUSTENTÁVEL DE PALMITO ATRAVÉS DO MANEJO DE EUTERPE EDULIS.......67 3.8 EXEMPLO DE PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL..................................................71 1. INFORMAÇÕES GERAIS.........................................................................................................................71 2. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS DO PMFS............................................................................................72 3. CARACTERIZAÇÃO DO MEIO NA PROPRIEDADE..............................................................................72 4. MANEJO FLORESTAL..............................................................................................................................73 v. AVALIAÇÃO E PROPOSTA DE MINIMIZAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS..................................80 vi. PROGNOSTICO DA QUALIDADE AMBIENTAL PELA IMPLANTAÇÃO DO PMFS..........................80 vii. ANÁLISE ECONÔMICA DO PROJETO.................................................................................................80 8 BIBLIOGRAFIA..........................................................................................................................................83 9 DOCUMENTOS EXIGIDOS......................................................................................................................83 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA................................................................................83 4. DIVERSIDADE GENÉTICA EM PLANTAS.................................................................................. .......88

3 4.1INTRODUÇÃO...........................................................................................................................................88 4.2 ESTUDOS SOBRE DIVERSIDADE GENÉTICA EM PLANTAS...........................................................89 4.3 DIVERSIDADE GENÉTICA EM ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA..................................................91 4.4 METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO ....................................................................................................92 4.5 BIBLIOGRAFIA CITADA.........................................................................................................................98 ANEXOS.................................................................................................................................. ...........101 DECRETO Nº 750, DE 10 DE FEVEREIRO DE 1993..................................................................................101 RESOLUÇÃO Nº 4, DE 04 DE MAIO DE 1994............................................................................................102 PORTARIA INTERINSTITUCIONAL N° 01, DE 04/06/96,...............................................................................................104 RESOLUÇÃO CONAMA Nº 294, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2001..........................................................113 INSTRUÇÃO NORMATIVA – IN 20 -FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO DE ESSÊNCIAS ARBÓREAS......................................................................................................................................................119 INTRUÇÃO NORMATIVA – IN 23 - SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO EM AREA RURAL....................121 INSTUÇÃO NORMATIVA – IN 27 - CORTE EVENTUAL DE ÁRVORES...............................................122 MODELO DE PLANILHAS DE CAMPO.........................................................................................................................123

APRESENTAÇÃO

O palmiteiro representa aqui um modelo de pesquisa. para depois. As formações secundárias recebem dentro deste modelo de pesquisa um tratamento especial. Pretende sim. coletar e discutir informações sobre a realidade e os problemas vividos por aqueles que desejam conservar e ou manejar este ecossistema. O palmiteiro recebe o enfoque principal. uma vez que representam as maiores áreas disponíveis para o manejo das espécies. Os ministrantes . pretende esgotar os conhecimentos sobre a conservação e manejo da Floresta Tropical Atlântica. meta de pesquisa da equipe durante 20 anos. propor um sistema de manejo para rendimento sustentado. da UFSC. Este modelo prima pela busca de conhecimentos capaz de manter a dinâmica e a biodiversidade natural da comunidade. permitindo de forma contínua a produção dos produtos florestais. O curso deve ser entendido como um alerta para uma mudança de mentalidade sobre nossos recursos florestais e.4 Este material bibliográfico representa um resgate e atualização de dois cursos ministrados pelo Núcleo de Pesquisas em Florestas Tropicais NPFT na década de 1990. Estes cursos são o resultado de pesquisas com espécies nativas que vêm sendo realizadas desde 1980 dentro da Universidade Federal de Santa Catarina. Dentro deste material. de maneira alguma. procura-se dar uma base ecológica das principais características conhecidas da dinâmica de florestas tropicais. sendo tratado como uma planta capaz de garantir a melhoria de condições ecológicas de uma comunidade. ao mesmo tempo em que difunde as concepções do grupo de pesquisa sobre estas questões. conciliando conservação e economicidade da Floresta Tropical Atlântica. baseado nestes conhecimentos. Estas pesquisas envolvem uma equipe de professores dos Departamentos de Fitotecnia/CCA e Botânica\CCB. o curso de “CARACTERIZAÇÃO DE ESTÁDIOS SUCESSIONAIS NA VEGETAÇÃO CATARINENSE” e o curso de “MANEJO DO PALMITEIRO (Euterpe edulis) EM REGIME DE RENDIMENTO SUSTENTÁVEL”.

pois esta etapa tem sido considerada como um ponto de estrangulamento dentro de um sistema de manejo sustentável. estádio sucessional da floresta. Portanto. há necessidade de estruturação de boas equipes de inventário florestal. o inventário de florestas nativas no Brasil era realizado por meio de simples levantamento do estoque de indivíduos de grande porte. e outras peculiaridades inerentes ao objetivo do inventário florestal. Há diferentes tipos de inventário. estimativas adequadas da população em estudo (VEIGA. Quando o objetivo do produtor é conduzir um sistema de manejo florestal visando o rendimento sustentado dos seus produtos. é muito importante que se concilie a aplicação do melhor método de amostragem para cada tipo de situação. passaram a ser utilizados para determinação de outros aspectos como volume total. também. pois são responsáveis pela coleta sistemática dos dados das variáveis de interesse. “Inventário Florestal é uma atividade que visa obter informações qualitativas e quantitativas dos recursos florestais existentes em uma área pré-especificada”.. 1988).5 1. para determinação das variações periódicas dos parâmetros médios da população. 1984) Os inventários contínuos para planos de manejo florestal exigem que as amostras na área sejam permanentes para efeitos de fiscalização e. Os inventários podem atender a interesses específicos de uma empresa florestal ou de uma instituição de pesquisa. os inventários que na maioria dos casos eram utilizados para determinação do volume de madeira existente na floresta. 1984). Neste novo enfoque. volume comercial. os inventários tornaram-se muito mais complexos e informativos. resultando numa visão incompleta e por vezes distorcida da verdadeira condição de desenvolvimento da floresta (REIS et al. Com a evolução da tecnologia e a constante pressão dos órgãos ambientais. além de outros. Além disso. 1997).1 INTRODUÇÃO Até poucos anos atrás. o que implica na necessidade de avaliação da economicidade do sistema de amostragem. O acompanhamento da produtividade e qualidade do trabalho é de suma importância para abastecer com precisão e presteza o planejamento do projeto de exploração (FRANÇA et al. à parte de uma propriedade ou a um conjunto de propriedades (VEIGA. Segundo PÉLLICO NETTO & BRENA (1997). a avaliação da regeneração natural das espécies. o sistema de amostragem a ser empregado em um inventário florestal deve permitir que os dados coletados nas unidades de amostragem possibilitem. 1994). como os inventários de reconhecimento. . visando a uma determinada fazenda. conforme trabalho realizado com o manejo do palmiteiro em Santa Catarina (CONTE. o inventário é a ferramenta capaz de garantir o sucesso do seu empreendimento. os inventários regionais e os inventários a nível nacional. através de cálculos estatísticos. A visão global do levantamento a ser realizado permitirá o delineamento das estratégias a serem utilizadas para a alocação dos recursos necessários ao inventário.. MÓDULO INVENTÁRIO FLORESTAL 1. Para que isso ocorra. Esta estrutura requer tempo e demanda custos para quem realiza o inventário florestal. Para que as amostras sejam permanentes é preciso criar uma estrutura capaz de assegurar a demarcação tanto das unidades amostrais quanto das espécies em estudo. susceptíveis de serem explorados.

composta por (N) unidades amostrais quadradas. Considerando um inventário florestal. refere-se ao tamanho dos desvios da amostra em relação a média estimada ( x ). segundo PÉLLICO NETTO e BRENA. eliminado ou reduzindo os erros não amostrais.2.6 1. Já a acuracidade expressa o tamanho dos desvios da estimativa amostral em relação à média paramétrica da população (μ). (1997). A figura 1. De maneira geral.4 Unidade amostral Unidade amostral é o espaço físico sobre o qual são observadas e medidas as características quantitativas e qualitativas (variáveis) da população. desejos e preferências) e (ii) indivíduos inconvenientes não podem ser substituídos (PÉLLICO NETTO e BRENA.3 Amostra A amostra pode ser definida como uma parte da população.2. uma população apresenta duas características essenciais (LOETSCH e HALLER. pontos amostrais ou mesmo árvores.1 representa uma população teórica. a maior preocupação esta na acuracidade.5 Precisão e acuracidade A precisão é indicada pelo erro padrão da estimativa. 1. incluindo os erros não amostrais.2 Censo e amostragem Censo ou enumeração completa é a abordagem exaustiva ou de 100% dos indivíduos de uma população e a amostragem consiste na observação de uma porção da população. Uma amostra selecionada deve ser representativa. 1997). O conjunto das unidades amostrais consistem uma amostra da população. obtido pela repetição do procedimento de amostragem. em qualquer procedimento de amostragem. da qual foi extraída uma amostra de (n) unidades. 1997). uma unidade amostral pode ser uma parcela com área fixa.1 População Para fins de inventário florestal. 1. 1. desconsiderando a magnitude dos erros não amostrais. 1973): (i) os indivíduos da população são da mesma natureza e (ii) os indivíduos da população diferem com respeito a uma característica típica. a qual pode ser obtida dentro de uma precisão desejável.2 CONCEITOS BÁSICOS SOBRE AMOSTRAGEM 1. ou seja.2.2. uma população pode ser definida como um conjunto de seres da mesma natureza que ocupam um determinado espaço em um determinado tempo. 1. Do ponto de vista estatístico. ou seja. deve possuir as mesmas características básicas da população e duas condições principais devem ser observadas na sua seleção: (i) a seleção deve ser um processo inconsciente (independente de influências subjetivas. com forma quadrada. ou então. constituída de indivíduos que apresentam características comuns que identificam a população a que pertencem. ou atributo chamado variável.2. a partir da qual serão obtidas estimativas representativas do todo (PÉLLICO NETTO e BRENA. .

pode-se estimar sua estatística correspondente (HOSOKAWA & SOUZA. O verdadeiro valor de uma característica é um valor que existe na natureza. Uma forma de contornar essa situação é extrair uma amostra que seja representativa da população. de Strand. Nos levantamentos feitos por amostragem. constitui-se de uma representação verdadeira da população objeto (LOETSCH & HALLER. as estimativas dos vários parâmetros de uma população. que é a população amostral. As populações florestais são geralmente extensas e uma abordagem exaustiva censo . 1987). entre outros. pela avaliação de um número adequado de unidades de amostras.7 Figura 1. 1973). as inferências obtidas para a população são fidedignas se a amostra for uma verdadeira representação da população investigada. O objetivo da amostragem é fazer inferências corretas sobre a população. de Bitterlich. as quais são evidenciadas se à parte selecionada. Entretanto. Sendo assim. Uma estimativa será tão precisa quanto menor for o erro de amostragem a ela associado. Deve-se sempre lembrar que o objetivo principal de um levantamento é obter a melhor estimativa para uma . de 3-P.de seus indivíduos demanda muito tempo e alto custo para sua realização. segundo PÉLLICO NETTO e BRENA (1997). Todas as estimativas feitas por amostragem estão sujeitas a erros que são normalmente medidos pelo erro padrão da média ou erro de amostragem. Esta abordagem da população pode ser feita através dos métodos de: Área Fixa. Este curso não pretende explorar as peculiaridades de cada método. 1. 1997). não se deve esquecer da validade e dos aspectos práticos do inventário. são obtidas pela medição de uma fração da população inventariada. significa a abordagem da população referente a uma única unidade amostral. amostra e unidade amostral (Adaptado de PÉLLICO NETTO e BRENA.1 Organização estrutural de uma população.3 MÉTODOS DE AMOSTRAGEM Método de amostragem. de Prodan. então se optou pela abordagem de alguns diferentes sistemas (procedimentos) de amostragem para o Método de Área Fixa e Método dos Quadrantes. sem onerar economicamente o processo de amostragem. Entretanto.

Para se efetuar as devidas correções. em separar blocos homogêneos com diferentes padrões de vegetação.1 Método de Área Fixa com emprego de parcelas Este método de amostragem consiste em selecionar aleatoriamente n unidades de amostras extraídas de uma população de N unidades. no campo (HOSOKAWA & SOUZA. como: formações herbáceas. deve ser elaborado um mapa em escala adequada da área a ser manejada. 1987). No campo. Um outro método que elimina o trabalho de quadricular a área. separando encostas de baixadas. numa primeira etapa.3. A disposição das parcelas no mapa pode ser amarrada com o Norte Magnético para facilitar a sua demarcação no campo. Uma das primeiras etapas do processo de inventário florestal é o reconhecimento prévio da área a ser amostrada. diferentes fases de regeneração nas formações secundárias. 1987). A seguir será feita uma abordagem sobre diferentes sistemas de amostragem. consideradas áreas intocáveis. tendo em vista o retorno à área para serem efetuadas as reavaliações. áreas com formação relictual e outras. portanto. consiste em estabelecer um sistema de coordenadas cartesianas sobre o mapa e a partir daí. Esta abordagem é importante para identificar a necessidade ou não da estratificação em sub-áreas homogêneas e assim direcionar um determinado método de amostragem. e assim por diante. a trena pode ser levantada no ponto mais baixo. existe a necessidade da correção das áreas inclinadas para a horizontal. O mapa deve ser reticulado (quadriculado). a estratificação deve definir áreas de preservação permanente como topos de morros. as parcelas podem ser demarcadas com bússola. A área deve ser percorrida com o objetivo de se fazer um reconhecimento da vegetação. A estratificação implica. Os caminhos até as parcelas devem ser demarcados com estacas (de preferência metálicas) e fitas plásticas coloridas. sendo que o uso de bússola se justifica caso sejam feitas amarrações com o N magnético.8 população e não somente uma estimativa exata do erro de amostragem (HOSOKAWA & SOUZA. ocorrência das espécies objeto de inventário. O par ordenado (x . ou pode-se lançar mão . formando uma medida horizontal. sendo o tamanho de cada retículo proporcional ao tamanho da parcela. 1987). suas peculiaridades e as diferenças de ambiente interno. diminuindo com isso possíveis erros de locação. no momento das medições. áreas em estádio inicial de regeneração. por serem práticos e proporcionarem boas estimativas dos parâmetros da população. Além disso. refere-se à área projetada num plano horizontal. conseqüentemente. com suas delimitações conhecidas para efeitos de amarrações. as áreas podem ser novamente estratificadas. que servirão para os trabalhos de pré-amostragem. Numa segunda etapa de reconhecimento. 1. ou somente com as duas últimas. de modo que cada uma das n amostras tenha a mesma probabilidade de ser selecionada (HOSOKAWA & SOUZA. encostas com mais de 100% de declividade e as beiras de rios. A locação das unidades de amostra fixas. Este procedimento é importante para os inventários contínuos. fazer o sorteio aleatório das coordenadas da parcela. que são usados com freqüência nos levantamentos de áreas florestadas. y) define o ponto inicial ou central da parcela no mapa e. agora no sentido do processo amostral (amostragem estratificada). balizas e trenas. sendo que na entrada dos caminhos devem ser dispostas etiquetas indicando o número de cada parcela. Para locação das parcelas no campo. Em seguida é sorteado um determinado número de parcelas (no caso de amostragem aleatória). obedecendo ao critério de aleatoriedade.

onde: A = área de 1ha e a = área da unidade amostral (ambos em m²). 1987). Nos trabalhos de campo. os parâmetros mais importantes do Inventário Florestal e o tipo de amostragem a ser realizado. onde g = i =1 n π ( DAP 2 ) 4 O volume por hectare (V) é obtido pela soma dos volumes individuais (vi) das “n” árvores ocorrentes na área amostral. parte-se para a execução que compreende a interpretação de imagens e os trabalhos de campo. as equipes devem ser convenientemente preparadas para a realização de tarefas como a localização das unidades amostrais. multiplicando-se por F: AB = (∑ g i ) × F . hipsômetro de Blume-Leis entre outros. parcelas permanentes de 50 x 50 metros vêm sendo utilizadas para estudos das espécies florestais da mata atlântica. Então é necessário converter estes parâmetros estimados para hectare.1. a Após a determinação do fator de proporcionalidade. Esta informação pode ser obtida por meio de réguas dendrométricas ou qualquer instrumento baseado em relações trigonométricas. SC. e na FLONA de Ibirama. o número de plantas por hectare (NP) é obtido pela contagem do número de plantas na área amostral (np) multiplicando-se por F: NP = np × F A área basal por hectare (AB) é obtida pelo somatório da área basal individual (gi) das “n” árvores ocorrentes na área amostral. As mais freqüentes variáveis obtidas em campo são: a) Altura: a altura considerada é a comercial. área basal e volume Os parâmetros estimados a partir dos dados levantados a campo correspondem somente à área das unidades amostrais. diversos trabalhos utilizando parcelas de tamanhos diferentes foram realizados.3. Também em Santa Catarina. Na região de São Pedro de Alcântara-SC. . que vai da base da árvore até a primeira bifurcação significativa. utilizando um fator de proporcionalidade dado por: F= A .30 m do solo.1 Estimadores para o número de árvores. multiplicando-se por F: V = (∑ vi ) × F i =1 n Os volumes individuais (vi) podem ser obtidos por equações volumétricas ou pela fórmula tradicional de volume de uma arvore em pé. os volumes estimados podem ser corrigidos com um fator de forma e casca buscando tornar as estimativas mais próximas do volume real. Quanto ao tamanho e formato das parcelas. podendo ser obtido por meio de paquímetros florestais ou no caso do CAP (circunferência a altura do peito) por uma fita diamétrica. Quando for utilizada a fórmula de cubagem das árvores em pé. trabalhos com manejo do palmiteiro e plantas medicinais são realizados em parcelas de 40 x 40 metros. SP. ou trenas dendrométricas .9 de clinômetros para determinar o ângulo de inclinação e com isso fazer as correções necessárias. e a obtenção das variáveis de interesse. utilizando parcelas de 100 x 20 metros. o que tem proporcionado boas inferências para a população local como um todo. Após o planejamento no qual são definidos os objetivos. como clinômetros. foram realizados trabalhos com manejo do palmiteiro em Blumenau (NODARI. b) Diâmetro a altura do peito (DAP): o DAP é tomado a 1. No Vale do Ribeira. 1.

segundo HOSOKAWA & SOUZA (1987).3. sendo f = (N . 2 x= = ∑x n i s s 2 ∑ ( xi − x ) n −1 c) Desvio Padrão O desvio padrão expressa a quantidade de variação dos dados na mesma unidade de medida. de fácil acesso e homogêneas na característica de interesse. são as seguintes: a) Média aritmética b) Variância A variância determina o grau de dispersão da variável de interesse em relação a sua média. A seguir são definidos os símbolos para identificar as variáveis da população: n = número de unidades pré-amostradas xi = variável de interesse na i-ésima unidade de amostra x = média estimada µ = média paramétrica (populacional) s2 = Variância da variável de interesse σ2 = Variância paramétrica s = Desvio Padrão σ = Desvio padrão paramétrico s x = Erro padrão da média x = Estimativa total da variável de interesse na área inventariada Os principais parâmetros da população e suas estimativas. a precisão da média amostral na mesma unidade de medida. em percentagem. Apesar de sua simplicidade.10 A seguir são apresentados os principais sistemas de amostragens em que podem ser utilizadas parcelas fixas ou permanentes para obtenção das estimativas da população. 1997). pois permite estimar o erro de amostragem. s x  s  = * f  n e) Coeficiente de variação . o maior tempo de caminhamento entre as unidades e a possibilidade de ocorrência de uma distribuição desigual das unidades de amostra sobre a população. 1. como fator de correção decorrente de população finita.n)/N. 2 = s d) Erro padrão da média Expressa. Este processo de amostragem é aplicado nos inventários de pequenas áreas florestadas.1. A amostragem aleatória simples se constitui no melhor método para apresentação da teoria da amostragem. visando aumentar a precisão das estimativas e reduzir os custos do levantamento (PÉLLICO NETTO & BRENA.2 Amostragem aleatória simples A amostragem aleatória simples é o processo fundamental de seleção a partir do qual derivam todos os demais procedimentos de amostragem. A seleção de cada unidade amostral deve ser livre de qualquer escolha e totalmente independente da seleção das demais unidades de amostra. obtidas através de amostragem aleatória simples. o método apresenta algumas desvantagens como a distribuição aleatória das unidades de amostra amplamente dispersas sobre a área.

. IC = x ±t ( GL . .11 Expressa.1. em percentagem. s CV =   *100  m f) Estimativa do total da população x = área * x g) Intervalo de confiança O intervalo de confiança determina o limite superior e inferior. 20%) D = diferença admissível N = número total de amostras possíveis na área n = número de unidades de amostras a serem levantadas tem-se que: tα ( GL ) = D  2   ( N − n )   s  *    n   N     isolando n n= (N * D N * s *t 2 2 2 2 2 + s *t ) sendo. sendo o intervalo baseado na distribuição (t) de Student.3 Exemplo de amostragem aleatória simples A Tabela 1. com “n-1” graus de liberdade (GL). Assim. contudo o mesmo tem sido usualmente empregado. ao nível de significância α e µ = média populacional (paramétrica) considerando (m .05 ) * s x ( ) A avaliação da suficiência amostral pode ser feita supondo que as variáveis extraídas da população apresentam um distribuição que tende a uma normal. na qual espera-se que os parâmetros da população ocorram.µ) = Em = D e a necessidade de agregar uma correção decorrente da população amostrada ser finita ( N − n) N onde E = erro admissível (10%. Tal pressuposto nem sempre reflete o comportamento da variável em análise. uma medida de variabilidade dos dados em relação à média.3. tα (GL ) = (x −µ) s − x onde: tα(GL) = valor de t.1 apresenta o resumo da amostragem realizada na FLONA de Ibirama em uma área de 38 hectares. D = ( x * E ) 2 1. pode-se empregar a distribuição de probabilidades t associada ao erro padrão da média. Neste caso.

730 3.218 705 16 694 150 15.859 2.230 2.Resumo do inventário florestal para o palmiteiro.026 5 738 150 6.154 321 3 581 175 21.051 2.872 1.798 577 Variância 24.12 Tabela 1.269 321 13 888 181 18.987 833 385 15 950 113 9.488 2 4.436 449 20 469 12 128 128 256 21 825 200 14.346 769 22 456 94 36.308 513 2 319 88 16.333 1.205 833 9 356 13 2.plantas com até 10 cm de altura de inserção da folha mais jovem.33 2.026 1.423 321 192 11 569 38 23.013 2. numa área de 38 ha.19 AB (m ) * Adultas .821 256 12 569 144 21.692 2.1 .282 513 4 569 156 8.692 641 10 463 106 24.plantas entre 10 e 50 cm de altura de inserção da folha mais jovem.051 705 25 706 206 17.603 1. realizado na FLONA de Ibirama-SC.classes 40 x 40 m I II III 1 681 213 18.445 Total regeneração = 20.282 3. Matrizes .397 2.179 557 23 488 69 11.410 962 641 6 594 50 3.449 1.846 1.plantas adultas produtoras de frutos.410 577 Média/ha 609 131 18.410 962 7 744 181 27.plantas com altura de estipe exposta superior a 1.859 1. II .846 1. III .154 1.30 m Análises estatísticas A estimativa dos parâmetros a seguir foi baseada no número de plantas adultas de palmiteiro: * Notação: n = número de unidades pré-amostradas xi = variável de interesse na i-ésima unidade de amostra µ = média paramétrica (populacional) s2 = Variância da variável de interesse σ2 = Variância paramétrica x = média estimada .371 2. I . Parcela Adultas/ha Matrizes/ha Regeneração natural/ha.948 1.987 577 14 706 194 16.410 1.30 m.410 19 581 100 29.474 321 17 456 131 32.382 513 8 475 150 11.487 1.282 1.910 513 18 613 144 31.692 3.plantas maiores que 50 cm e com estipe exposta inferior a 1.113 1.603 449 24 725 119 32.

67%  609  x = 38. S = variância do x = média do parâmetro avaliado.33 corresponde a uma variação de 9.35  CV =   *100 = 25.33] plantas por hectare O intervalo de confiança expressa a variação na qual espera-se que os parâmetros da população ocorram. tendo em vista o interesse do projeto para a exploração das plantas com DAP acima de 9.10 * 609) 2 + 24.5 * (0.89 = 27.445 * 2. o intervalo ± 57. com no-1 GL). Neste caso.05.06 2 n= ( 237.13 s = Desvio Padrão σ = Desvio padrão paramétrico s x = Erro padrão da média x = Estimativa total da variável de interesse na área inventariada a) Média aritmética b) Variância 15.06 * 27. parâmetro avaliado. N = número total de amostras possíveis na área. E = erro admissível (10%) e A suficiência amostral foi calculada com base no parâmetro número de indivíduos adultos. Com a pré-amostragem de 25 parcelas iniciais constatou-se que essa seria a necessidade de parcelas a serem utilizadas na área para representar a população de plantas adultas de palmito.06 2 ) = 25 parcelas .5 * 24. 2 + s *t ) 237.142 plantas IC = [ 609 ± 57.609 * 609 = 23. t = valor de distribuição de probabilidade (t0.4% no número de indivíduos em torno da média por hectare e reflete a variação esperada no rendimento em creme de palmito.35 plantas d) Erro padrão da média s x e) Coeficiente de variação  156. 1982): IC = ( 609 ± 2.225 = 609 25 586.83 plantas  25  f) Estimativa do total da população g) Intervalo de confiança  156.83) n= ( N * (E * x) N * s *t 2 2 2 2 2 onde: n = número de parcelas a serem levantadas.0 cm.35  =  * 0.445 * 2. Definição da suficiência amostral A fórmula para o cálculo da suficiência amostral em amostragem aleatória simples é mostrada a seguir (conforme Husch et al.680 2 s = 24 = 24.445 = 156.445 x= c) Desvio Padrão s = 24.

Porém. Segundo HOSOKAWA & SOUZA (1987). A seguir são definidos os símbolos para identificar variáveis da população estratificada: N = número total de unidades de amostra na população Nj = número de unidades de amostra no j-ésimo estrato M = número de estratos n = número de unidades de amostras medidas nj = número de unidades de amostra medidas no j-ésimo estrato xij = variável de interesse medida na i-ésima unidade de amostra do j-ésimo estrato sj2 = variância da variável de interesse para o j-ésimo estrato E = erro admissível. a população pode ser estratificada. Primeira: possibilita o cálculo individual das estimativas da média e da variância por estratos. apresenta. e terceira: aumenta a precisão das estimativas. tomando como base várias características tais como: topografia do terreno. volume. idade. principalmente nos extensos reflorestamentos.3. principalmente onde há grande variabilidade da característica analisada. Se comparada à amostragem aleatória simples. é o método de amostragem de maior emprego nos inventários florestais. a base para estratificação deve ser a variável principal que será estimada no inventário. onde os povoamentos puros são implantados anualmente. três vantagens básicas. tipologia florestal. Segundo PÉLLICO NETTO & BRENA (1997). segunda: reduz os custos de amostragem. sítio natural. a) Média estratificada x = ∑P *x j j b) Variância da média s 2 x  2 * 2   −   P j s j  *  N j n j  =∑   n j   n j       . etc. sempre que possível. O método é empregado nos inventários de grandes áreas florestadas.1. altura. densidade. em percentagem Pj = proporção do j-ésimo estrato (área do estrato/área total) x = total da variável de interesse estimada para a população As estimativas dos parâmetros por estrato são as seguintes: a) Média aritmética ij b) Variância s x = erro padrão total sj = 2 ∑ ( x ij − x j ) n −1 j 2 xj = ∑x n j As estimativas dos parâmetros para a população são descritas a seguir.4 Amostragem aleatória estratificada A amostragem aleatória estratificada é assim denominada quando as unidades amostrais são selecionadas aleatoriamente dentro de cada estrato.14 x = média da variável de interesse para o j-ésimo estrato x = média populacional ou média estratificada 2 s x = variância da média estimada da população 1.

05.5 Amostragem sistemática Segundo PÉLLICO NETTO & BRENA (1997). ou faixas e também parcelas de área variável.GL ) * sx ] Para a estimativa da suficiência amostral.GL ) * sx ] IC = [x ± t Para o total da população (. As justificativas da adoção de tal método de seleção.1. Este sistema de amostragem pode ser aplicado em parcelas de área fixa. tendo em vista que as unidades são distribuídas uniformemente sobre a área. abrangendo a maioria das peculiaridades da população. e que o critério de probabilidade se estabelece através da aleatorização da primeira unidade amostral.15 c) Erro padrão total s x = N *s 2 2 x d) Intervalo de confiança • Para a média da população IC = • [x ± t (. em estágio único ou em dois estágios. este sistema é aplicado em amostragem aleatória simples e estratificada. também deve ser escolhido o erro admissível. Nesta etapa. melhorando ainda mais as estimativas dos parâmetros da população. talvez a maior delas. no caso de amostragem aleatória estratificada é mostrada a seguir: N * s *t n= N * D + s *t p 2 2 p 2 2 2 onde: s = ∑ (P * s ) 2 2 j p j e o número de unidades por estrato. na simplicidade de escolha das unidades amostrais e dos trabalhos de campo. A amostragem sistemática pode ser feita de duas maneiras. mediante uma única .3. 1987). no caso de amostragem por pontos. na alta precisão das estimativas médias. a um dado nível de probabilidade. fundamenta-se nos custos reduzidos. a amostragem sistemática situa-se entre os processos probabilísticos não aleatórios. O estágio único é caracterizado pela seleção da amostra. Uma outra vantagem. A fórmula para determinação da suficiência amostral. é que com a adoção do método pode-se mapear a população sem que seja necessário coletar informações adicionais (HOSOKAWA & SOUZA. informações preliminares sobre a variabilidade dos estratos na população são obtidas através de uma pré-amostragem.05 . Além disso. • proporcional ao tamanho do estrato n = P *n i j • sendo: proporcional à variação por estrato P *s ∑ (P * s ) = n n j j 2 j j i 2 ni = número de unidades amostrais no j-ésimo estrato Pj = proporção do j-ésimo estrato Sj2 = variância do j-ésimo estrato 1.

Neste caso.3. a área é dividida em (N) faixas de igual largura. as unidades são dispostas em duas direções obedecendo ao intervalo de amostragem (K). para amostragem em um estágio. a cada 4 unidades. uma unidade aleatoriamente. no sentido de otimizar a localização das parcelas com as peculiaridades de ambientes. na qual sorteia-se uma e a partir daí toma-se uma amostra de (n) faixas. dentro das linhas. A amostragem sistemática em dois estágios tem sido a mais utilizada para florestas nativas.3). .Área dividida em 10 faixas. Figura 1. onde a variabilidade de ambientes internos determina sentidos definidos de variação. O número de linhas e o intervalo entre elas são determinados após a pré-amostragem.16 etapa ou fase de amostragem.Esquema do uso de parcelas para amostragem sistemática em estágio único. enquanto a amostragem em dois estágios é feita em duas etapas de amostragem (entre linhas e entre unidades na linha). 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 Figura 1. só que a locação das parcelas não obedece ao critério da eqüidistância. com base no número médio de unidades amostrais que cabem numa linha. As demais unidades serão selecionadas.2 . sorteando-se uma coordenada ou escolhendo-se o canto inferior esquerdo da área para obter. Para a amostragem sistemática em estágio único com o uso faixas amostrais. As médias devem ser estimadas de forma ponderada.2). A orientação das linhas e a distância entre as unidades da linha é definida durante a fase de reconhecimento da área. Independente da forma de amostragem sistemática. Neste caso. constituindo desta forma a pré-amostragem (Figura 1. e a locação da primeira parcela. em ambas as direções (Figura 1. a área também é dividida em linhas e colunas. o componente aleatório deve ser o espaçamento entre as parcelas. das quais 3 foram amostradas. a área é dividida em linhas e colunas. com intervalos iguais (K). do quadrado de 4 linhas e quatro colunas. Se a amostragem for feita com parcelas ou pontos amostrais como unidade amostral. por linha e a variância deve ser estimada utilizando-se: .

seja uma amostragem sistematizada simples ou uma amostragem sistematizada estratificada.s 2 onde: k = número de linhas 1 2 = * ∑ ( x i.) k 17 O valor obtido pode ser empregado diretamente nas fórmulas para o cálculo da suficiência amostral.3.6 Obtenção de estimativas com emprego de parcelas DAP Médio xi = média de cada linha x = média geral DAPX = ∑ DAP n i DAPi = ∑ dap ni ij 2 s DAP = s DAP 2 s DAP = ∑ ( DAP − DAP ) i x 2 onde: ni = número de indivíduos na parcela i n = número total de parcelas dapij = DAP do indivíduo j na parcela i DAPi = DAP médio da parcela i DAPx = DAP médio s2DAP = variância do DAP médio sDAP = Desvio Padrão Caso o dado obtido a campo for à circunferência a altura do peito (CAP). 1.1.. − x . então o DAP de cada indivíduo pode ser obtido: CAP n −1 DAP = Altura média π − H x )2 2 sH = sH Hx = ∑H n i Hi = ∑h ni ij 2 sH = ∑ (H i n −1 onde: hij = altura do indivíduo j na parcela i Hi = altura média da parcela i H x = altura média s2H = variância da altura média sH = Desvio Padrão Área Basal Média AB x = ∑ ABi n ABi = ∑ abij s 2 AB ∑ ( AB = i − AB x ) 2 n −1 2 s AB = s AB onde: abij = área basal do indivíduo j na parcela i ABi = área basal da parcela i ABx = área basal média S2AB = variância da área basal SAB = Desvio Padrão n = número total de parcelas .

A sistematização das parcelas em cada área consistiu em determinar linhas no sentido do maior comprimento da área. então devido à necessidade da elaboração deste. inicialmente foi realizada a localização dos talhões a serem inventariados dentro da FLONA. .985 instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). para que todas parcelas tivessem a mesma orientação. estacas de arame com fitas coloridas.4). Após este levantamento. procurando dispor as parcelas ao longo de toda área. ao qual as FLONAs passaram a fazer parte. balizas. A distância utilizada entre as parcelas foi de 40 metros (seja na linha ou entre linhas). a Lei 9.1. Foi implantado um total de 14 parcelas. Utilizou-se bússola. é necessário à execução de um inventário florestal na sua área.3. dentre outros traalhos.7 Exemplo com amostragem sistematizada Inventário florestal de uma floresta plantada de Araucaria angustifolia na FLONA de Ibirama-SC Apresentação A Floresta Nacional de Ibirama (FLONA de Ibirama) foi criada através do Decreto 95.818 em 11 de março de 1988 e a partir de 18 de julho de 2000. em duas áreas levantadas. Neste contexto. foi realizado um inventário para obter informações quantitativas e qualitativas sobre os talhões plantados com araucária. foram sistematizadas a implantação das parcelas de 20 x 30 metros com auxílio de trenas. Após este reconhecimento prévio.18 1. nas quais foram estabelecidas distâncias para a localização de cada parcela. utilizando a interpretação de fotos aéreas (Fotointerpretação) (Figura 1. clinômetro e bússola para posteriormente serem elaborados croquis destas áreas. foram realizados um reconhecimento local e levantamento do perímetro destes talhões. Desde a sua criação a FLONA de Ibirama não apresenta um plano de manejo. utilizando-se trena. Descrição da Metodologia utilizada Para execução do inventário.

foram utilizados hipsômetros e réguas dendométricas. Ainda dentro destas parcelas foram escolhidas trinta plantas ao acaso para realizar medições buscando estimar um fator de casca e um fator de forma que represente a situação dos talhões. . recebendo uma etiqueta de alumínio com numeração e tiveram medidas as suas alturas comerciais. As medições dos diâmetros foram realizadas com o auxílio de paquímetros florestais e para medição das alturas.19 Figura1. (Em vermelho estão os limites aproximados da FLONA de Ibirama – SC e em azul os limites das áreas inventariadas).5 Formato de uma parcela de 20 x 30 metros com 6 subparcelas de 10 x 10 metros. Feitas às demarcações das parcelas e subparcelas foram realizadas as avaliações dendométricas para a Araucária. Cada parcela foi subdividida em 6 subparcelas de 10 x 10 metros para facilitar as medições (Figura 1.4 Foto aérea da região da FLONA de Ibirama – SC.5). Todas as plantas foram marcadas dentro da subparcela. Figura 1. Também foi medido DAP (Diâmetro a Altura do Peito) de todas as plantas.

Posteriormente foi estimado um fator de casca médio entre estas plantas. Para cada planta. foi calculado o DAP real destas plantas. multiplicado este número pela área que cada quadrícula representa.6). foi desenhado um croqui de localização das áreas inventariadas (Figura 1. Considerando a área delimitada através do levantamento do perímetro de cada talhão. numa folha de papel milimetrado. Cada planta obteve um fator de casca através do quociente entre o seu DAP real e DAP aparente. Então. As coordenadas (distâncias corrigidas e deflexões) obtidas durante o levantamento do perímetro de cada talhão. dos seus respectivos DAP aparentes.1 e 4. foi calculado um volume aparente (utilizando-se o DAP). foi calculado um fator de forma através do quociente entre o seu volume real e volume aparente. ff = (Vreal / Vaparente) . dentro de cinco metros da altura comercial destas trinta plantas. Então foi realizada uma contagem do número das quadrículas. foram calculados a suficiência amostral e o erro de amostragem e também as estimativas de rendimento (Volume/ha) para cada talhão. subtraindo-se duas vezes a espessura da casca.20 O cálculo do fator de forma para os talhões foi realizado medindo-se o DAP e o diâmetro a cada intervalo de um metro. os dados obtidos foram tabulados e processados para a obtenção das estimativas de volume. declividade e deflexões entre pontos (perímetro). Também foram desenhados croquis de localização das parcelas dentro de cada talhão (Figura 1. existentes dentro de cada área desenhada. Localização das áreas e parcelas A partir da análise de fotointerpretação da área da FLONA. como: DAPreal = (DAPaparente – 2 x Ecasca) então: fc = ((DAPaparente – 2 x Ecasca) / DAPaparente)) Processamento dos dados e análise dos resultados Após a etapa de campo. o talhão “A” (implantado em 1962) e “B” (implantado em 1963) apresentaram áreas de 3. Então. foram plotadas em escala.7). e um volume real através do somatório dos cinco volumes parciais obtidos utilizando os diâmetros mensurados a cada metro. fc = (DAPreal / DAPaparente) . No primeiro levantamento de cada talhão. conforme a equação a seguir. O cálculo da área de cada talhão foi realizado através do método das quadrículas. Para as variáveis analisadas (DAP e Altura). conforme a equação abaixo.0 ha respectivamente. foram obtidos dados de distâncias. como: Vreal = Vp1 + Vp2 + Vp3 + Vp4 + Vp5 então: ff = (Vp1 + Vp2 + Vp3 + Vp4 + Vp5)/ Vaparente Para o cálculo do fator de casca. . e posteriormente. Posteriormente foi estimado um fator de forma médio entre estas plantas. foram mensurados o DAP aparente (com casca) e a espessura da casca destas 30 plantas. com os quais foram desenhados seus respectivos croquis e calculadas as suas áreas.

21

Linha de transmissão

Figura 1.6 Croqui de localização dos talhões de Araucária inventariados na FLONA de Ibirama – SC.

22

Figura 1.7 Croqui dos talhões “A” e “B” inventariados na FLONA de Ibirama – SC. Erro de amostragem Como já foi mencionada anteriormente, a precisão das estimativas geradas por um inventário florestal depende da suficiência amostral, ou seja, o número de amostras deve ser suficiente para representar a população inventariada de maneira que o erro de amostragem encontrado esteja dentro de certos limites aceitos que conferem uma precisão mínima para o inventário realizado. O número de parcelas em uma amostra finita pode ser obtido pela equação (NETTO e BRENA, 1997):

n=

N ∗( E ∗ x) + t 2 ∗ S 2
2

N ∗t2 ∗ S2

, onde:

n = número de parcelas a serem levantadas, N = número total de amostras possíveis na área, t = valor de distribuição de probabilidade (t0,05, com n-1 GL), S² = variância do parâmetro avaliado, E = erro admissível,

x = média do parâmetro avaliado.
Conhecendo o número de parcelas demarcadas, é possível isolar o erro de amostragem na expressão acima, obtendo-se a seguinte equação:

23

E=

t×S× x

N −n n× N

Devido ao fato dos Talhões A e B estarem próximos um do outro e de apresentarem características semelhantes, ou seja, existe uma maior diferença entre as plantas dentro de cada talhão, do que entre os talhões, optou-se considerar estes dois talhões como um só para efeito dos cálculos do erro de amostragem. Desta forma, foi encontrado um erro de amostragem de 13,9% para o parâmetro DAP médio e 15,2% para a altura comercial média. Segundo dados da FLONA de Ibirama – SC, os talhões A e B foram plantados com Araucária nos anos de 1962 e 1963 respectivamente. Até os dias de hoje, eles não receberam nenhuma intervenção ou prática silvicultural de condução (replantio, desbaste, etc). Este histórico, aliado a diferentes condições edáficas dentro de cada talhão, conferiram uma grande heterogeneidade às plantas, ou seja, dependendo da posição dentro de cada talhão é possível encontrar diferentes densidades, alturas e diâmetros para estas plantas. O inventário foi realizado utilizando-se o processo de amostragem sistematizada, ficando evidentes os contrastes entres as parcelas. Assim seria necessário implantar um maior número de parcelas para diminuir o erro de amostragem e obter uma suficiência amostral individual em cada talhão. Por outro lado, devido às condições topográficas e dimensões dos talhões, não foi possível aumentar o número de parcelas nestes, então, utilizando o artifício de considerar os dois talhões um único talhão foi possível encontrar valores aceitáveis para o erro de amostragem. De qualquer forma, para os objetivos da FLONA, ao realizar uma futura intervenção nos talhões, as estimativas geradas através dos dados levantados no inventário realizado são úteis para quantificar e qualificar os volumes passíveis de exploração. Estrutura demográfica A partir dos dados obtidos no inventário dos talhões, as plantas foram arranjadas em classes de DAP e altura comercial, originando tabelas de distribuições de freqüências (Tabelas 1.2 e 1.3.) e a partir destas os gráficos de distribuição de freqüências (Figura 1.8). Nos gráficos da Figura 1.8, é possível observar que a grande maioria das plantas amostradas encontra-se nas classes de DAP de menor diâmetro (<20 cm). Considerando que a idade média destas plantas é de 39 anos, elas apresentam um baixo desenvolvimento, provavelmente devido a condições desfavoráveis de competição e principalmente em função de restrições edafo-climáticas, uma vez que a região da FLONA não é de ocorrência natural da Araucária.

.2 Número de plantas/ha distribuídas em classes de DAP (cm) e altura comercial (m) no Talhão A (Fevereiro/2001).8 Número de plantas/ha distribuídas em classes de DAP (cm) nos Talhões A e B (Fevereiro/2001). Altura comercial(m) DAP(cm) 0-2 2-4 4-6 6-8 8-10 10-12 12-14 14-16 16-18 18-20 Total 0-5 8 5 1 1 15 5-10 84 43 5 2 134 10-15 5 61 41 9 3 119 15-20 13 31 26 10 1 81 20-25 2 12 11 14 4 1 44 25-30 4 5 5 4 2 20 30-35 4 4 2 1 11 35-40 0 40-45 0 Total 8 94 119 94 51 36 16 5 2 1 426 Figura 1.3. Altura comercial(m) DAP (cm) 0-2 2-4 4-6 6-8 8-10 10-12 12-14 14-16 16-18 18-20 Total 0-5 8 4 12 5-10 6 116 92 5 2 1 1 223 10-15 14 60 39 27 8 2 1 151 15-20 2 6 18 26 23 6 3 84 20-25 2 10 20 7 11 50 25-30 4 9 3 12 5 33 30-35 4 5 5 7 21 35-40 2 3 1 6 40-45 1 1 Total 14 136 158 64 69 64 26 35 14 1 581 Tabela 1.24 Tabela 1. Número de plantas/ha distribuídas em classes de DAP (cm) e altura comercial (m) no Talhão B (Fevereiro/2001).

903121 (* DAP e espessura da casca em cm) .4 0.2 0.8 17.7 13.3 10.3 22 21.8 10.2 6.942149 19 2 35.927007 23 1.958621 9 0.953125 11 1.8 0.5 11.9 0.4 0.9 0.2 18 0.87 para o fator de forma.5 0.6 0.896104 3 0.5 12.1 28.3 17.8 17 0.3 0.3 18.1 33. sendo AB = π(DAP2/4) O valor encontrado foi ainda corrigido com o fator de forma.1 0.5 34.861538 12 0.91453 7 0.896552 21 1.7 0.6 0.933518 15 0.4 14. Planilha de cálculo utilizada na obtenção do fator de casca para Araucária na FLONA de IBIRAMA-SC (Fevereiro/2001).3 0.883544 5 0.8 27.925926 6 0.5 6. foi estimado um valor para o volume comercial de cada talhão.2 0.7 24.9 12.6 0.3 1.2 36.943262 16 0.3 0.861111 25 0.5 0.7 25.8 26 22.3 31. corrigido com o fator de casca.7 0.8 0.90 para o fator de casca e 0.9 17.9 0.4 0.843137 2 1.7 26.7 0.5 11.625 Média 0.947566 10 0.901099 22 1 27.887006 20 0.888 8 0.3 39.89781 18 0.922481 29 0.6 30.8 10 0.4 32.2 22.972727 14 1.2 8.1 13.9 0.9 11.7 12.6 19.967568 26 0.3 14. O valor encontrado foi ainda corrigido com o fator de forma. Os valores utilizados foram de 0.904255 27 0.4 0.853659 4 2.4 31.916399 24 0.9375 17 0.8 12.2 0.7 12.4 25.7 10.1 7. O volume foi calculado utilizando o DAP de cada planta.4 10.966292 30 0.5 13. A fórmula utilizada para o cálculo do volume foi: Volume = AB x altura comercial.9 18.5 17.25 Estimativas de volume Através dos dados de DAP e altura comercial.3 7. Espessura DAP* DAP* Fator Planta Casca* aparente real casca 1 0.7 9. sendo que as suas planilhas de cálculo estão apresentadas a seguir.6 1 0.92 13 0.3 12.846154 28 0.8 36.4 15.9 0.5 7.

01 13.01 11.8 0.5 0.03 17.09 31.9 0.11 37.9 0.4 0.06 28.0 0.27 26.05 24.24 0. distribuído em classes de DAP (cm) e altura comercial (m) no Talhão A (Fevereiro/2001).5 0.04 21.04 22.10 16.0 0.31 0.3 0.8 0.5 0.2 0.06 26.6 0.0 0.1 0.5 0.03 0.26 26.7 0.03 0.8 0.32 0.10 35.0 0.6 0.939 21 15.875 10 38.38 31.02 14.38 31.8 0.4 0.38 31.982 17 31.2 0.2 0.8 0.5 0.54 0.03 20.16 20.3 0.8% deste volume.9 0.2 0.06 27.05 23.03 18.2 0.7 0.27 0.8 0.02 16.3 0.927 16 20 0.0 0.18 0.07 28.05 0.7 0.4 0.4 0.5 0.873 (* DAP e D em cm e volume em m³) As Tabelas 1.4 0.14 0.888 19 18.5 0.06 27.04 0.5 0.38 31.Forma 1 35.02 17.0 0.09 0.7 0.0 0.06 27.898 12 18 0.5 0.7 0.2 0.4 0.54 0.6 0.03 18.7m³ para o talhão “A” e um volume de 457.07 29.02 0.03 0.7 0.03 21.9 0.1 0.35 0.5 0.4 0.7 0.1 0.6 0. .6 0.875 29 21.3 0. é composto por plantas com diâmetro inferior a 25 cm (Tabelas 1.07 30.01 0.0 0.4 e 1.908 3 31. restando ainda um volume não calculado para as copas e outras plantas com tronco sem altura comercial.8 0.02 0.0 0.02 14.9 0.3 0.04 0.7 0.5 0.2 0.4 0.05 22.01 9. Tabela 1.8 0.5 apresentam os valores encontrados para o volume/ha (corrigidos).10 35.0 0.4 0. Planta DAP* Vparcial* D1 V1 D2 V2 D3 V3 D4 V4 D5 V5 Vreal* Fat.08 14.8 0.03 17.4 0.01 0.932 15 12. que podem ser utilizadas como lenha. distribuído em classes de DAP e altura comercial para os talhões A e B respectivamente.1 0.5 0.03 19.0 0.03 19.2 0.0 0.0 0.6 0.5 0.01 11.7 0. totalizando um volume para estes dois talhões.08 29.9).07 20.05 22.03 0.13 18.07 27.03 0.8 0.805 20 25.4 0.3 0.05 24.02 14.3 0.4 0.04 0.01 11.04 20.865 13 13.40 32.1 0.3 0.3 0.14 0.2 0.839 28 30.8 0.4 0.4 0.44 0.03 21.23 24.5 0.3 0.07 30.06 26.7 0.11 34.4 0.15 19.940 30 25.03 17.05 24.03 19.01 9.01 0.11 0.04 19. foi estimado um volume de 604.03 20.32 0.7 0.07 29.2 0.7 0.3 0.02 16.6 0.06 0.09 15.3 0.2 0.02 15.15 0.6 0.0 0.01 13.7 0.5 0.1 0.01 12.05 24.6 0.0 0.5 0.11 37.01 12.1 0.10 33.06 0.9 0.13 0.08 30.5 0.05 25.02 15.07 0.07 28.3 0.03 19. Para melhor visualizar a distribuição do volume/ha nas classes de DAP.9 0.3 0.19 22.2 0.0 0.08 30.507 4 24 0.04 10.08 29.0 0.23 24.04 21.7 0.03 17.4 e 1.4 0.08 30.02 0.01 10.5 0.33 0.58 38.928 22 39.19 0. na ordem dos 1062.20 0.8 0.3 0.2 0.6 0.21 0.880 2 30.0 0.3 0.02 15.02 15.07 28.905 25 20.05 24.23 0.3 0.06 27.02 0.11 0.9 0.06 0.49 35.7 0.7 0.872 26 30.12 37.03 18.913 6 26.9 0.37 30.02 0.752 27 31.05 25.23 0.11 36.08 20.03 20.02 16.3 0.04 0.1 0.3 0.37 30.4 Volume/ha (m³) corrigido.06 24.01 0.7 0.07 29.15 19.03 18.02 0.858 7 19.0 0.25 25.12 37. foram construídos os gráficos de distribuição de volume (Figura 1.6 0.05 0.7 0.03 19.2 0.02 13. e a área de cada talhão apresentada anteriormente no item 5.01 10.14 18.04 22.6 0.5 0.06 29.931 11 16.1.07 13.11 37.01 11.0 0.02 12.5 0.5 0. Considerando estas estimativas de volume/ha .5 0.6 0.8 0.02 15.07 0.05 24.795 18 10.26 Planilha de cálculo utilizada na obtenção do fator de forma para Araucária na FLONA de IBIRAMASC (Fevereiro/2001).06 0.07 28.07 29.09 0.10 0.5 0. É importante ressaltar que 47.2m³ de madeira em toras.05 24.6 0.8 0.02 15.03 18.845 5 31.1 0.60 39.0 0.2 0.1 0.908 14 19.01 9.2 0.07 0.16 20.2 0.901 23 24.36 30.04 21.02 16.4 0.7 0.0 0.06 28.06 12.0 0.06 0.7% e 61.3 0.05 24.02 15.04 22.899 Fator Médio 0.04 0.07 27.2 0.06 27.1 0.36 30.4 0.32 0.02 14.2 0. Este volume total estimado corresponde apenas ao volume de toras com altura comercial.0 0.05 22.873 9 31.05 23.0 0. nos talhões A e B respectivamente.02 14.0 0.894 24 30.33 0.5).03 18.1 0.10 0.864 8 14.03 28.8 0.06 0.2 0.06 0.02 17.07 26.5m³ para o talhão “B”.04 23.8 0.

50 0.08 19.57 0.70 36.40 m³ .40 15-20 0.20 25.21 9.28 6.97 * Intervalo Confiança = ± 8.93 19.36 10-15 0.88 22.99 114.27 26.66 8.61 0.08 5-10 1.45 10.67 16.30 1.03 0.96 1.27 8.77 10.71 4.34 8.77 1.39 40.93 3.14 13.17 3.15 0.06 15-20 2.03 0.03 5-10 0.08* Tabela 1.49 1.37 Total 0.32 23.5 Volume/ha (m³) corrigido. Altura comercial(m) DAP(cm) 0-2 2-4 4-6 6-8 8-10 10-12 12-14 14-16 16-18 18-20 Total 0-5 0.96 5.62 20-25 0.66 15.27 DAP(cm) 0-2 2-4 4-6 6-8 0-5 0.69 3.01 0.03 2.45 24.32 195.08 10.45 Total 0.96 5.96 0.09 4.21 1.06 6.38* * Intervalo Confiança = ± 4.37 4.24 4.71 3.43 20-25 0.92 10.78 53.84 3.00 m³ Altura comercial(m) 8-10 10-12 12-14 14-16 16-18 18-20 0.11 26.73 8.85 3.12 4.62 5.07 10-15 0.13 5.43 3.55 8.27 0.68 8.41 35-40 2.22 9.97 9.36 9.02 0.06 5.79 0.77 25-30 30-35 35-40 40-45 Total 0.99 5.72 5.06 0.83 25-30 2.04 2.72 5.70 1. distribuído em classes de DAP (cm) e altura comercial(m) no Talhão B (Fevereiro/2001).06 3.64 18.23 2.33 6.96 18.60 15.44 6.87 42.97 39.86 30-35 5.46 2.19 5.80 10.65 5.07 4.07 3.48 29.21 3.88 3.03 0.40 3.19 1.38 21.35 23.59 3.77 0.79 15.

então há necessidade utilização de uma transformação (logarítmica) para emprego da distribuição t. caracterizando-se a altura e o DAP dos 4 indivíduos de cada unidade amostral.28 Figura 1. a avaliação do número de amostras necessárias para adequação do processo amostral é realizada a partir desta variável. e sim Poisson. Para a definição da suficiência amostral. O levantamento deve ser realizado individualmente em cada estrato préestabelecido. em cada ponto amostral são avaliados os 4 indivíduos (um em cada quadrante) mais próximos do ponto amostral. área basal por hectare. onde são sorteados (lateralmente) os pontos amostrais.2 Método dos Quadrantes Enquanto os métodos que empregam parcelas fundamentam-se na demarcação de uma área física. conforme utilizado para os métodos com parcelas. Entretanto. de modo que um dos braços da cruz fique perpendicular à linha de picada. a distribuição probabilística das distâncias não é a normal. este método fundamenta-se na caracterização da distância entre indivíduos.9 Volume/ha (m³) corrigido. considerando que a base do método é a distância de cada indivíduo ao ponto central da unidade amostral. a implementação do levantamento a campo fica bastante simplificada. etc. O orifício central permite que a cruz de madeira fique apoiada sobre o chão da mata. implicando em maior rapidez de execução. distribuído em classes de DAP (cm) nos Talhões A e B (Fevereiro/2001).) é estabelecida a partir da distância média entre indivíduos e o ponto amostral. bem como a distância entre cada um deles e o ponto amostral. Orientam-se os quadrantes. Segundo MARTINS (1993). ex. Em cada ponto é estabelecido o indivíduo mais próximo em cada quadrante (totalizando 4 indivíduos por unidade amostral. A relação de área (p. pode ser usado uma cruz de madeira com o centro furado. passando pela estaca. . A implementação normalmente é feita a partir de uma linha central. Assim. O número de unidades amostrais fica substancialmente aumentado. para estabelecer os quadrantes ao redor de cada ponto de amostragem. 1. número de indivíduos por hectare. Desta forma.3.

onde: n −1 SG2 = Variância das distâncias entre cada indivíduo j e o centro da unidade amostral i transformadas (logaritmo neperiano) Desta forma.1 4.1 Obtenção de estimativas pelo método dos quadrantes DAP médio DAPx = onde: ∑ DAP n ij DAPij = DAP de cada indivíduo j em cada unidade amostral i n = número total de indivíduos amostrados (4 indivíduos por unidade amostral) Altura média Hx = onde: ∑H n ij Hij = altura total de cada indivíduo j em cada unidade amostral i Área Basal Média AB x = onde: ∑ ABi n 10.53 .4-927 ESPÉCIE Tibouchina sellowiana Tibouchina sellowiana Mollinedia sp2 Mollinedia sp2 ALTURA (m) 4.0001131 0.3 ∑ AB (m ) 0.0006605 0.2 Exemplo utilizando o Método dos Quadrantes Inventário florestal de uma área (1500m²) de floresta secundária localizada no Município de São Pedro de Alcântara.9 1.3.Assim.0014522 0.2-925 1.4 3.44 3.6 2.3.3-926 1.005032 1. s2 *t 2 g ij = ln d ij e s = 2 G ∑g 2 ij − (∑ g ij ) 2 4n 29 n= G D2 1.00 0.00 0.0015205 0.000 * ABu ABi = Ax 2 ABu = ∑ abij  ∑ d ij Ax =   n      2 ABx = Área basal média ABi = Área basal de cada unidade amostral i.66 DAP (cm) 2.2.90 5. SC ESTRATO 1 QUADRANTE 1.0007548 0.50 5.2 4. corrigida por hectare ABu = Área basal total em cada unidade amostral i abij = Área basal do indivíduo j na unidade amostral i Ax = Área média das unidades amostrais dij = distância de cada indivíduo j ao centro da unidade amostral i 1.1-924 1.65 2 DISTÂNCIA (m) 1.2.0005309 0.

40 0.04 1.2-937 4.9 4.0034212 0.4-931 3.3-938 4.7 ∑ 4.0023758 0.80 1.40 1.45 2.93 1.000095 0.4-948 11.9 Jacaranda micrantha Jacaranda micrantha Desconhecida Rapanea ferruginea Tibouchina sellowiana Rapanea ferruginea Jacaranda micrantha 2.0029225 0.0012566 0.1 ∑ 13.0017349 0.4-939 Mollinedia sp2 Piptocarpha tomentosa Mollinedia sp2 Bacharis sp Jacaranda micrantha Tibouchina sellowiana Tibouchina sellowiana Matayba guianensis Matayba guianensis Tibouchina sellowiana Jacaranda micrantha 5.2-946 12.0153632 0.60 1.8 6.1 6.4 1.05 1.50 2.57 2.3-902 11.0000385 0.46 2.0001131 0.2-933 3.4 2 1.0035257 0.4-907 12.4-903 Tibouchina sellowiana Jacaranda micrantha Rapanea ferruginea Jacaranda micrantha 4.0015904 0.0063413 0.71 4.68 9.3-947 12.00 4.42 3.0017349 M linha 0.5 2.0018857 0.54 6.7 0.6 ∑ 5.0093313 0.64 2.20 5.28 5.25 1.0000785 0.0007069 0.0000071 0.7 ∑ 14.8 1 4.0005726 0.84 2.92 0.00 1.0001539 0.1-936 4.75 0.0004524 0.90 8.94 2.80 Jacaranda micrantha .0037393 0.34 4.55 1.0004524 0.0023758 0.32 6.9 5.1-904 13.1 11.80 0.0000283 0.3-943 14.68 1.3-906 13.0004524 0.20 DAP (cm) 0.4-935 4.0059965 0.0009786 0.06 4.0018857 0.2 2.07 1.2 1.1-928 ESPÉCIE Tibouchina sellowiana ALTURA (m) 2.4 6.40 2.75 1.5 4 4.70 1.00 0.03 5.0003142 0.33 5.0001131 0.61 2.4-944 Psidium cattleyanum Jacaranda micrantha Campomanesia sp 1.00 3.3-930 2.35 2.2-901 11.2-942 14.0004909 0.04 5.4 0.30 0.30 2.9 5.2-905 13.0098104 0.53 0.0211735 2.35 0.93 5.00 0.60 3.0001767 0.3-934 3.6 ∑ AB (m ) 0.7 ∑ 8.20 0.0096769 0.005153 0.0015205 0.0000283 0.7 2.0026421 0.12 0.1-941 Tibouchina sellowiana 5.4 6.5 10.50 2 DISTÂNCIA (m) 0.1 6.1-945 12.1-900 11.5 ∑ 0.3 2.6 3 14.50 7.30 QUADRANTE 2.00 5.0026421 0.0034212 0.6 1.0074464 0.2-929 2.1-932 3.5 2.

3-959 21.2-966 32.2 3.74 2.0011946 0.78 1.0015904 0.36 1.50 1.0011341 0.1-961 22.92 3.38 1.3-918 31.5 2.76 3.85 0.5 4.05 3.95 1.3-955 19.24 2.4-964 32.2-950 10.0026421 0.4-919 Tibouchina sellowiana Myirsia rostrata gracilis Posoqueria latifoliada Psidium cattleyanum Tibouchina sellowiana Psychotria sp Jacaranda micrantha 3.0000196 0.0011946 0.0004909 0.5 5 4.0003464 0.90 1.0025518 0.5 ∑ 2.5 2.1-953 19.1-916 31.0000785 0.2-917 31.8 3.7 2.47 2.4-956 ESPÉCIE Tibouchina sellowiana Tibouchina sellowiana Tibouchina sellowiana Piptocarpha tomentosa Rapanea ferruginea Miconia cabucu Bacharis sp Jacaranda micrantha ALTURA (m) 4.4-952 19.3 0.0003142 0.4 4.1 22.02 0.06 4 5.1 3.92 2.1-957 Jacaranda micrantha 5.0003142 0.37 0.85 3.1-949 10.0096337 0.60 1.00 1.04 2.4-968 31.0057444 M linha 0.50 0.28 5.0004909 0.1 1.8 2 ∑ AB (m ) 0.4-960 22.8 3 5.0003801 0.0000196 0.0013203 0.9 1 0.31 QUADRANTE 10.0006158 0.2-954 19.0010752 0.5 ∑ 3.3-963 22.6 ∑ 21.0029225 0.0001131 0.3-967 32.9 3.0000196 0.1-965 Jacaranda micrantha Rapanea ferruginea Matayba guianensis 2.5 2 2.0023758 0.0012637 2.2 3.30 2 DISTÂNCIA (m) 1.8 1.0006605 0.0010179 0.2 1.80 .9 ∑ 6.36 DAP (cm) 4.0019635 0.0015904 0.0069429 0.32 0.1 3.74 1.0007069 0.06 4.50 3.2 2.60 0.0008042 0.2 ∑ 0.56 0.8 1.7 1.52 1.6 1.7 2 2.0003142 0.000227 0.7 5.50 1.39 4.74 1.5 2.25 1.0008042 0.2-958 21.2-962 Rapanea ferruginea Rapanea ferruginea Rapanea ferruginea Jacaranda micrantha Jacaranda micrantha 3.8 32.0012566 0.6 3.0005309 0.0001131 0.0001327 0.3-951 10.0007548 0.90 7.5 21.50 2.28 0.0041705 0.20 1.92 2.004326 M linha 0.15 1.

32 QUADRANTE 30,1-969 30,2-970 30,3-971 30,4-972 ESPÉCIE Rapanea ferruginea Rapanea ferruginea Rapanea ferruginea Bacharis sp ALTURA (m) 1,83 6,82 9,7 4,11 DAP (cm) 1 5,7 13,8 2,5 2,8 6,7 ∑ 29,1-920 29,2-921 29,3-922 29,4-923 28,1-973 28,2-974 28,3-975 28,4-976 37,1-977 37,2-978 37,3-979 37,4-980 Jacaranda micrantha Rapanea ferruginea Desconhecida Desconhecida Piptocarpha tomentosa Piptocarpha angustifolia Rapanea ferruginea Rapanea ferruginea Tibouchina sellowiana Piptocarpha tomentosa Tibouchina sellowiana Tibouchina sellowiana 2 4,45 5,15 3,71 1,35 8,93 7,26 7,16 4,16 1,80 4,90 5,09 1 4,1 3,5 3,7 ∑ 0,4 13,2 7,1 6,4 ∑ 4,2 1 6,1 6,8 7 ∑ 38,1-981 38,2-982 38,3-983 38,4-984 39,1-985 39,2-986 39,3-987 Rapanea ferruginea Posoqueria latifolia Posoqueria latifolia Piptocarpha tomentosa Piptocarpha tomentosa Maytenus alanternoides Tibouchina sellowiana 5,22 4,22 2,86 1,60 1,50 3,92 5,44 6 3,4 2,8 2,3 0,6 ∑ 0,6 3,5 7,7 1,4 3 39,4-988 Miconia rigidiuscula 2,08 0,9 1 0,7 ∑ AB (m ) 0,0000785 0,0025518 0,0149571 0,0004909 0,0006158 0,0035257 0,0222197 0,0000785 0,0013203 0,0009621 0,0010752 0,0034361 0,0000126 0,0136848 0,0039592 0,003217 0,0208735 M linha 0,0013854 0,0000785 0,0029225 0,0036317 0,0038485 0,0118666 0,0028274 0,0009079 0,0006158 0,0004155 0,0000283 0,0047949 0,0000283 0,0009621 0,0046566 0,0001539 0,0007069 0,0000636 0,0000785 0,0000385 0,0066885 0,74 1,29 4,17 1,20 0,98 1,57 1,43 2,50 1,80 0,30 2,15 3,15 1,43 3,70 1,24 2,50 0,80 1,9 0,64 0,37 2,22
2

DISTÂNCIA (m) 2 2,9 0,2 0,2

33 QUADRANTE 40,1-989 40,2-990 40,3-991 40,4-992 41,1-993 41,2-994 41,3-995 41,4-996 ESPÉCIE Psidium cattleyanum Myirsia rostrata var gracilis Hieronyma alchorneoides Desconhecida Tibouchina sellowiana Sloanea guianensis Tibouchina sellowiana Mollinedia sp2 ∑ M linha = média da linha ALTURA (m) 1,88 3,26 2,66 3,53 3,24 1,94 5,52 5,19 4,07 DAP (cm) 1,1 1,1 3,5 1,8 1,7 3,3 ∑ 6,67 1,1 1,3 6,6 1,6 3,3 3,568 AB (m ) 0,000095 0,000095 0,0009621 0,0002545 0,000227 0,0008553 0,0024889 0,0034942 0,000095 0,0001327 0,0034212 0,0002011 0,0008553 M linha 0,0081995 Média G VAR n(sist) AB/ha = 10.99 m2 Amédia = 1.91 m2 ESTRATO 2 QUADRANTE 7,1-45 7,2-46 7,3-47 7,4-48 8,1-41 8,2-42 8,3-43 8,4-44 9,1-37 9,2-38 9,3-39 9,4-40 ESPÉCIE Mirtácea sp2 Desconhecida Rapanea umbellata Alchornea triplinervia Matayba guianensis Maytenus alaternoides Guatteria australis Piptocarpha tomentosa Rapanea umbellata Desconhecida Mirtácea sp2 Desconhecida ALTURA (m) 4,50 1,60 8,50 1,70 2,33 1,95 2,57 1,70 7,03 6,28 2,30 2,78 DAP (cm) 2 0,4 4,2 1,1 ∑ 2 0,6 1,1 1 0,5 ∑ 4,6 5 1,6 1,3 0,8 0,7 ∑ AB (m ) 0,0003142 0,0000126 0,0013854 0,000095 0,0018072 0,0003142 0,0000283 0,000095 0,0000785 0,0000196 0,0005356 0,0016619 0,0019635 0,0002011 0,0001327 0,0000503 M linha 0,0000385 0,0040479 1,36 0,92 0,45 1,51 1,04 1,59 1,33 1,57 0,92
2 2

DISTÂNCIA (m) 1,57 3,19 0,67 1,09 1,65 0,62 0,91 0,55 1,62 1,38 0,0355 2,0162151

DISTÂNCIA (m) 1,50 0,81 0,30 0,24

34 QUADRANTE 18,1-29 18,2-30 18,3-31 18,4-32 17,1-908 17,2-909 17,3-910 17,4-911 16,1-33 16,2-34 16,3-35 16,4-36 25,1-17 25,2-18 25,3-19 25,4-20 26,1-21 26,2-22 26,3-23 26,4-24 27,1-25 27,2-26 27,3-27 27,4-28 36,1-9 36,2-10 36,3-11 36,4-12 ESPÉCIE Piptocarpha tomentosa Piptocarpha tomentosa Rapanea umbellata Myirsia rostrata var gracilis Desconhecida Miconia cabucu Hieronyma alchorneoides Clusia parviflora Mirtácea sp3 Clusia parviflora Desconhecida Xylopia brasiliensis Prunus sellowii Posoqueria latifolia Miconia cabucu Mirtácea sp1 Rapanea umbellata Matayba guianensis Guatteria australis Psidium cattleyanum Piptocarpha tomentosa Miconia rigidiuscula Matayba guianensis Rapanea umbellata Piptocarpha tomentosa Matayba guianensis Mirtácea sp1 Piptocarpha tomentosa ALTURA (m) 7,29 9,84 1,40 1,35 3,59 10,35 7,72 2,40 1,70 2,64 7,84 2,67 4,20 2,72 4,27 1,70 1,90 8,68 5,70 4,57 10,00 2,12 9,39 4,04 13,50 9,49 4,14 11,70 DAP (cm) 13,6 15,4 0,6 0,4 ∑ 3,3 19,1 6 1 ∑ 1,4 1,5 7,6 1,5 ∑ 2 2,2 3 0,9 ∑ 0,8 7,6 1,2 4,1 1,3 ∑ 12,6 2,3 0,8 6,5 2 ∑ 12,9 18,7 5,6 2,6 17 ∑ AB (m ) 0,0145267 0,0186265 0,0000283 0,0000126 0,0331941 0,0008553 0,0286521 0,0028274 0,0000785 0,0324134 0,0001539 0,0001767 0,0045365 0,0001767 0,0050438 M linha 0,0003142 0,0003801 0,0007069 0,0000636 0,0014648 0,0000503 0,0045365 0,0001131 0,0013203 0,0001327 0,0061528 0,012469 0,0004155 0,0000503 0,0033183 0,0003142 0,0165672 M linha 0,0130698 0,0274646 0,002463 0,0005309 0,022698 0,0662263 4,08 1,96 1,48 2,57 2,10 1,23 1,36 0,78 1,60 1,30 2,50 1,40 1,00 1,10 0,40 1,52 2,00 1,49 0,85 0,55 0,30 0,93 1,90 1,00 2,40 1,65
2

DISTÂNCIA (m) 1,83 1,55 0,84 1,70

5 0.2 5.1-13 34.4 ∑ 45.9 10.20 2.60 5.0038485 0.3-914 35.3-999 43.75 0.005153 0.2-2 44.007854 0.1-1 44.80 2.36 11.80 1.18 10 10.63 5.0000196 0.2-6 45.0067034 0.0000283 0.45 2.0021237 0.0001327 0.96 2.1-997 43.4-915 34.30 0.5 1.2-913 35.8 1.45 0.33 1.14 1.69 2.93 1.79 4.7 0.3 4.0101905 M linha 0.6 0.17 Exemplo de Cálculo: suficiência amostral (Método dos Quadrantes).0004155 0.32 m2 Amédia = 1.0067929 0.1 4 1.02212 0.2 9.0081713 0.1-912 35.4-1000 ESPÉCIE Mirtácea sp2 Desconhecida Miconia cabucu Desconhecida Matayba guianensis Psychotria sp Psychotria sp Rapanea umbellata Ficus sp Casearia silvestris Prunus sellowii Mirtácea sp2 ALTURA (m) 1.0004524 0.33 0.0012566 0.4-16 43.0001327 0.22 1.0294 Média G VAR n (sist) = 1.2 2.3 4.0193593 0.89 3.92 DAP (cm) 0.60 2. Variância ∑g 2 ij = 25.0093313 0.1 1.23 2.60 2 DISTÂNCIA (m) 0.0029225 0.000227 0.16 0.66 1.0014928 M linha 0.00 1.4-4 Miconia rigidiuscula Guarea macrophylla Psidium cattleyanum Mollinedia sp1 1.78 10.25 1.80 9.2-998 43.20 1.98 0.3-15 34.00 7.16 4.3-3 44.7 ∑ 44.51 9. para o segundo estrato. com uma pré amostragem de 15 pontos.00 7.36 10.10 1.3 6.35 QUADRANTE 35.000227 0.3 2 2.5218549 AB / há = 25.41404 .7 7 15.7 ∑ 2.0000071 0.0018096 0.3 1.0000385 0.66 m2 1.701793 (∑ g ij ) 2 = 23.6 1.0000196 0.0030693 0.3-7 45.0003142 0.2-14 34.72 3.4-8 Piptocarpha tomentosa Psychotria sp Miconia cabucu Posoqueria latifolia Média 9.000095 0.1-5 45.15 0.29 0.0002011 0.36 ∑ AB (m ) 0.0234543 0.08 0.00 0.0003801 0.1 ∑ 8.

ln G = 1 * (0.00345032 60 G = 1.00345032 D = 20% x 1.. + 0. então.19 ~ 13 pontos .7975072) = 0.0402765 n = 48.429 * 4.41404 4 * 15 = 0. + ln x n ) n onde: lnG = logaritmo natural da média geométrica n = número de distâncias medidas xi = valores das distâncias individuais A média geométrica (G) é calculada como o antilogaritmo do resultado obtido da fórmula acima.701793 − Cálculo da média geométrica 23.5796 0. np = número de pontos amostrais = n/4 n= 0. n= 2 sG * t 2 D2 n = número de indivíduos da amostra que seria necessário para fornecer uma média representativa.20069 assim..429 60 − 1 ln G = 1 * (ln x1 + ln x 2 + ..77 np = 12.36 2 sG = 25.00345032 = 0..405465 + .

.P. 25p.S. FRANÇA. REIS. MARTINS. novembro de 1997. Campinas. Manejo do Palmiteiro (Euterpe edulis) em Regime de Rendimento Sustentável. HOSOKAWA.W. RS. 1997. Relatório de Conclusão do Curso de Agronomia. 2. Análise preliminar do inventário do palmiteiro em Floresta Ombrófila Densa Montana. Nova Prata. D. 316p..S. PR. R. Botucatu.. & HALLER. 721-733. 5. 1987. PÉLLICO NETTO. 2. Boletim didático n. Curitiba. SP: Fundação de Estudos e Pesquisas Agrícolas e Florestais. 159-163. A.ed.37 1. Florianópolis. 246 p. Inventário Florestal. A. F.L.Curitiba.DF.C. 469 p. M.4 BIBLIOGRAFIA • • • • • • • • • CONTE. 1987. Brasília . Avaliação da produtividade efetiva dos levantamentos dendrométricos para inventário florestal na Riocell S. J. REIS.A.E. ed. 1994.. R. & BRENA. V 2.1. v.R. S. REIS. & SOUZA. Anais do 6º Congresso Florestal Estadual. p.A. Estrutura de uma Floresta Mesófila. Anais do I Encontro Nacional de Pesquisadores em Palmito. SP. UFSC. 1.. Dendrometria e Inventário Florestal. ZÖHRER.O. F. 108p. Munich. VEIGA. . D. & MERIZIO. 1973.1988. Amostragem para fins de manejo. & TOTTI. 1984. M. K.S. Manejo do palmiteiro em Santa Catarina. PIRES.A. NODARI.V. Forest inventory. R. & FANTINI. Curso de Manejo Florestal.. LOETSCH. A. PR. 1993. 2.S. Florianópolis. F. F.P. R.A.. v. GUERRA. M. E.T.. p. A.A. REIS.

Floresta Ombrófila Mista. Apesar da ausência de algumas espécies tipicamente tropicais. as características que determinam essa formação florestal são a ausência de um período seco. VELOSO . A Floresta Ombrófila Mista (FOM): Esta tipologia florestal está circunscrita a uma região de clima subtropical. forma das copas e altura. mesmo sendo situada em zona extratropical. Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Internamente. composição. 1993). De forma geral. ou mesofanerófitas. A Floresta Ombrófila Densa (FOD): Segundo o IBGE (1992). do Paraná. 2. estão ervas características do interior da floresta. temperaturas médias acima de 15º C e alta umidade. estratégias reprodutivas. substituindo o antigo termo floresta pluvial. a Floresta Ombrófila Densa possui características tropicais. 1995). estrutura. estando diretamente relacionado a complexidade dos ecossistemas existentes. Ainda um terceiro estrato arbóreo pode ser identificado. que ocorre no Litoral e estende-se até a Serra Geral. dinâmica. existe alto grau de endemismos. Klein (1979-1980) caracteriza na Floresta Ombrófila Densa uma estruturação bastante dependente das grandes árvores que formam o estrato superior da floresta. arvores menores formam o estrato médio. caracterizada por espécies caducifólias. Outros nomes comuns dados a este tipo de vegetação são Mata Atlântica ou Floresta Atlântica. com ocorrência predominante no Oeste Catarinense (IBGE. do Mar e do Espigão. de mesmo significado.1 As tipologias florestais catarinenses As tipologias florestais catarinenses receberam três denominações: Floresta Ombrófila Densa. fenologia e padrão espacial (REIS. MÓDULO CARACTERIZAÇÃO DE ESTÁDIOS SUCESSIONAIS NA VEGETAÇÃO CATARINENSE. A maior parte dessa fisionomia é impressa pela presença das grandes árvores que dificilmente se sobressaem no dossel (KLEIN. 1990). ou seja. o termo Floresta Ombrófila Densa foi criado por Ellemberg & Mueller Dombois. ocorrendo ainda alguns relíctos em regiões mais elevadas dos estados de São Paulo e Minas Gerais e na parte nordeste da Argentina. Esta diversidade implica em variações que podem ser agrupadas sob pontos distintos: fisionomia. Segundo Leite & Klein (1990). e se caracterizam por apresentarem diversidade bastante acentuada. o das macrofanerófitas. A Floresta Ombrófila Densa se estende por quase toda a faixa litorânea do Brasil. formado pelas nanofanerófitas. que ocorre no Planalto e se caracteriza pela presença da Araucaria angustifolia e Floresta Estacional Decidual. divisa com Santa Catarina (HUECK. ocorrendo abaixo do Trópico de Capricórnio em altitudes que variam de 500 a 1200 metros. mas distintas entre si. do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul. Caracteriza-se pela formação de um dossel uniforme quanto a sua coloração.38 2. nos estados. De forma esparsa e irregularmente ocupando o quarto estrato. floresta "amiga das chuvas". na província de Missiones. 1953. 1993). Este conjunto de tipologias vegetacionais tem sido enquadrado como pertencentes à área de “Domínio da Mata Atlântica” (DECRETO LEI 750. Sob este primeiro estrato. representando uma fitofisionomia muito característica e com poucas variações durante todo o ano (REIS. 1980). ambientes edáficos.

1972). 1972. 1993). RAMBO. ficando a precipitação média anual é de 1. 1991). Na Floresta Ombrófila Mista. KLEIN. a presença da Araucaria angustifolia imprime uma fitofisionomia muito peculiar. caracterizadas através das diferentes formas de associação da araucária com outras espécies. Caracteriza-se principalmente por apresentar elevada percentagem de espécies exclusivas. 1956. com verões frescos. segundo Köppen como Cfb . Nas regiões do Planalto Norte e Meio-oeste. Ainda no Extremo-oeste e em regiões de transição do Planalto com a Floresta Ombrófila Densa (FOD). A Floresta Estacional Decidual (FED): Também conhecida como “Mata Branca”. sem estação seca definida e com geadas severas freqüentes. em altitude mínima de 200 metros. A região da FED é tipicamente Ombrófila. 1994. . e subindo seus múltiplos afluentes.878 mm. Formando o estrato de árvores emergentes o pinheiro compõe o primeiro estrato ou das megafanerófitas. sem período seco definido e com alta intensidade e regularidade pluviométrica. RAMBO.Clima mesotérmico subtropical úmido. O clima de ocorrência da Floresta Ombrófila Mista em Santa Catarina é classificado. ao mesmo tempo em que também imprime uma estruturação característica para esta tipologia florestal. quando as copas das árvores “emergentes” encontram-se revestidas por densa folhagem e abundantes inflorescências e por vezes muito vistosas.outono e inverno. temperaturas médias dos meses mais quentes são inferiores a 22°C (KÖPPEN. formando respectivamente o estrato das macrofanerófitas. Esta homogeneidade é principalmente realçada na época da primavera e verão período estival. Esta tipologia florestal é marcada fitofisionomicamente por um número relativamente reduzido de árvores dominantes do estrato superior. 1984). a araucária ocorre associada principalmente a Ocotea porosa e Ilex paraguariensis. De maneira especial no período hibernal . Klein (1978) em seu trabalho subdividiu a “Mata de Araucária” (atualmente denominada como Floresta Ombrófila Mista) dentro do estado de Santa Catarina de acordo com as diferentes associações florestais. extremo norte do Rio Grande do sul. estende-se ao longo do curso médio e superior do rio Uruguai. a araucária ocorre associada a formações de faxinais. bem como um número relativamente pequeno de espécies arbóreas altas (maiores de 30 metros) e. A precipitação média está entre os 1300 e 1400 mm/ano (MACHADO.. termo utilizado pelo autor para se referir a áreas com algum tipo de restrição edáfica para o desenvolvimento das espécies. estendendo-se para o leste até aproximadamente o entroncamento dos rios Pelotas e Canoas (KLEIN. 1994). A última associação da araucária mencionada refere-se à ocorrência da espécie em formações de campo. Nestas altitudes entra em contato com a Floresta Ombrófila Mista no Oeste do planalto ocidental catarinense. mesofanerófitas e nanofanerófitas. 1974. 1948). o estrato “emergente” apresenta-se desprovido da folhagem e por muitas vezes apresenta abundância de frutos secos. Seguem ainda outros três estratos com formas arbóreas. que se tornam responsáveis por largas áreas proporcionando um aspecto fitofisionômico bastante homogêneo nesta formação vegetal. sendo o quinto estrato formado pelas ervas (REIS. até uma altitude de 600 a 800 metros. formando os “bosques e capões de pinheiros”.39 et al. sobretudo pela quase absoluta ausência de epífitas (LINDMAN. enquanto que na região do Planalto Sul sua ocorrência está associada principalmente a Ocotea pulchella e Nectandra lanceolata e no Extremo-oeste associada a Apuleia leiocarpa e Parapiptadenia rigida.

1980. o processo de sucessão é denominado sucessão secundária (KLEIN. 1980. Este processo de regeneração diferencia-se da sucessão natural por apresentar estádios sucessionais bem definidos.40 Os índices térmicos da região determinam dois períodos bem distintos: um período de quatro a cinco meses. compostos por um número reduzido de espécies dominantes (KLEIN. Este processo contínuo de germinação. centrados no inverno. através das clareiras e a substituição de indivíduos mortos (QUEIROZ. Este estrato. WHITMORE. do clima regional. As espécies adaptadas às condições edáficas mais extremas como picos de morros. terrícolas hemicriptófitas rizomatosas. SALDARRIAGA et. bastante uniforme. WHITMORE. 1988. instalação. . As características estruturais das formações secundárias. já o estrato herbáceo é denominado também de Nanofanerófitas onde predominam as epífitas.2 Dinâmica da sucessão secundária associada aos sistemas agrícolas A regeneração natural da vegetação que se instala após eventos naturais ou de origem antrópica constitui um mecanismo dinâmico progressivo e contínuo de restauração da vegetação. apesar de quente-úmido durante boa parte do ano. resultantes de perturbações antrópicas. além dos estratos arbustivo e herbáceo: 1) Estrato das árvores altas ou emergentes.. constituindo-se no mecanismo pelo qual as florestas tropicais se renovam (GOMEZ-POMPA. capaz de imprimir restrições à proliferação e o desenvolvimento de um grande número de espécies tipicamente tropicais (IBGE. substituição e morte de vegetais é denominado de dinâmica da vegetação e pode ser observado tanto no processo sucessional (dinâmica linear) como em formações em clímax. 2) Estrato das árvores com altura entre 20-25 metros. de taquara-lisa (Merostachys multiramea). tendendo a recompor a cobertura original da área (KLEIN. 1995). Este estrato também denominado Mesofanerófitas é. que inclui as densas touceiras de taquaruçu (Bambusa trinii) e esparsamente. A sucessão natural que ocorre após a abertura de uma clareira na floresta. TOREZAN. 1995).50C). constituindo-se em perturbações semelhantes a clareiras de tamanho grande (KAGEYAMA et al. principalmente da fertilidade do solo. denominado de Macrofanerófita. é caracterizado por árvores perenifoliadas que desempenham papel preponderante. Nos locais anteriormente ocupados por uma comunidade florestal. conserva. margens de rios e afloramento de rochas reúnem um conjunto de características ou síndromes muito próximas daquelas classificadas como pioneiras dentro das clareiras (REIS et al. 1999. 1990). umidade e temperatura. GURIGUATA & OSTERTAG. dependem de diversos fatores.. 1998). gramíneas dos gêneros Pharus e Olyra. por apreciável período. 1980. 2001). centrados no verão. TABARELLI & MANTOVANI. em geral. Conforme KLEIN (1972). como luz. formado por um número relativamente pequeno de árvores. com médias compensadas iguais ou superiores a 200C e outro com duração de dois a três meses. 1995). reprodução. e da proximidade com matas originais (KLEIN. caráter frio. formado por um número relativamente pequeno de espécies que por muitas vezes formam pequenos adensamentos que dão a característica própria desse estrato. dentre as quais sobressaem as Lauráceas. crescimento. com médias iguais ou inferiores de 150C (Julho 13. WHITMORE. al. banhados. O estrato arbustivo é pouco representativo para a fisionomia. 1992. sendo uma formação descontínua das árvores altas (maiores de 30 metros de altura) e deciduais a semideciduais (estrato também denominado Megafanerófita). 1980). é caracterizada por mudanças nas características ambientais. 2. 3) Estrato das arvoretas com altura variando entre 615 metros. a estrutura da FED pode ser distinguida com relativa facilidade em três estratos. 1971. O clima. e que sofreram grandes perturbações antrópicas. 1998).

um período de abandono ou pousio para restauração da fertilidade (UHL. B. o uso temporário e abandono de pequenas áreas de terra (QUEIROZ. tem sido constatado que o processo dinâmico é composto de etapas semelhantes quanto à função e o dinamismo. OLIVEIRA 2002). 2000. Isto pode ser facilmente observado em pequenas propriedades que utilizam o sistema de pousio. Este estágio. cuja forma. 2001). ou seja. uma vez que a atividade antrópica ocupa as encostas de forma irregular. Embora o processo seja contínuo. e suas constatações têm sido generalizadas para a Floresta Ombrófila Densa. aponta que todos os regimes agrícolas representam transtorno a um ecossistema natural e que na verdade. após o declínio da fertilidade do solo. introduzindo plantas cultivadas que. OLIVEIRA 2002). porque imita a escala natural de perturbação e. pode determinar um aumento no número de estádios sucessionais ou a estabilização do processo de regeneração (WHITMORE. O sistema de cultivo utilizado por pequenos agricultores. seguindo-se um período de cultivo e. e foi assimilada pelas populações remanescentes dos processos de colonização (ADAMS. sendo o vento o principal vetor capaz de garantir a chegada de novas plantas colonizadoras (REIS. 1995). COOMES et al. sobretudo de representantes da família das compostas (Asteraceae) como: Baccharis elaeagnoides.caracterizando-se pela presença de plantas herbáceas como Pteridium aquilinum. ADAMS. 2000. mas com espécies dominantes de cada estádio sucessional típicas da região (REIS. dracunculifolia e por Dodonaea viscosa (Sapindaceae). pousio ou coivara. 1998). Áreas cobertas por diferentes estádios sucessionais encontram-se mesclados na paisagem formando mosaicos. COOMES et al. ADAMS. O sistema é baseado na derrubada e queima da vegetação. podendo ser facilmente reconhecido (QUEIROZ. 2002).41 1998. podendose distinguir: 1) Estádio pioneiro . 2000. constitui uma tradição milenar da maioria das populações indígenas. Segundo o autor. 1993). 1987. Em “A Ferro e Fogo”. podem ser observadas etapas nas quais determinada espécie de planta ou conjunto de plantas atingem seu máximo desenvolvimento. B. 2000. 2) Estádio Arbustivo . em seu estado selvagem tinham sido espécies precursoras. em vez de congelar permanentemente o processo de sucessão. a lavoura do tipo itinerante é menos invasiva. . 1988. Melinis minutiflora e Andropogon bicornis.. Klein (1979-1980) caracterizou a ecologia da flora do Vale do rio Itajaí-açú preocupando-se em descrever as comunidades e associá-las às variações temporais ou espaciais do ambiente. SALDARRIAGA et al. 2000. calvescens. OLIVEIRA. conseqüência do uso intensivo da área. A intensidade da degradação das condições químicas e físicas do solo. 1987. chamado de roça-de-toco. SALDARRIAGA et al. procuram controlar a sucessão natural em seu estádio inicial. cor ou conjunto é muito característico. principalmente quando o solo é abandonado após longos anos de cultivo consecutivo (KLEIN. Warren Dean (1996). Esse modelo é descrito por diversos autores e ocorre de modo semelhante em diferentes partes do mundo. 1995). 1995). Os estádios de sucessão secundária Os estádios sucessionais se caracterizam pela predominância de tipos biológicos que determinam a fisionomia da vegetação.verifica-se o aparecimento dos primeiros arbustos. 1980). GUARIGUATA & OSTERTAG. sendo particularmente comum na zona das florestas tropicais e subtropicais (UHL. Esta vegetação perene inicial ainda não consegue manter níveis de interação capazes de atrair animais transportadores de propágulos. Já para as outras tipologias florestais. apenas o explora de forma temporária. 1988..

alturas entre 10 a 20 metros. dois estratos arbóreos bem definidos e um terceiro em formação. Orquidaceae. 2. 4) Estádio Arbóreo Pioneiro . sob todos os aspectos fisionômicos. podendo permanecer por até 10 anos (KLEIN. formando associações muito densas e características. podendo chegar até 25 metros. 5) Estádio Arbóreo Avançado . ou surgem espécies do gênero Tibouchina (KLEIN. em 1965. 1980) ou Floresta Secundária (QUEIROZ. Neste estádio. que também pode ocorrer em algumas regiões da Floresta Estacional Decidual juntamente com Parapiptadenia rigida. embora nem sempre tenham sido aplicados os dispositivos legais. Encontra-se.3 Classificação da Mata Atlântica em estádios sucessionais O aparato legal brasileiro esteve constantemente atento à questão da conservação dos recursos florestais. que se instala de maneira muito agressiva. além das associações de Baccharis dracunculifolia. A grande destruição das florestas no início do século XX motivou a criação. surgem as árvores pioneiras do estádio Arbóreo Avançado como a Miconia cabucu. tem-se um ambiente florestal. surge após cinco ou mais anos de abandono dos terrenos. Neste estádio. 1994). com Euterpe edulis aparecendo freqüentemente no extrato médio. cobre regiões maiores e de forma quase homogênea (REIS. na Floresta Ombrófila Densa principalmente pela Myrcine coriaceae (Myrsinietum). o Miconietum.este estádio é caracterizado pela substituição dos vassourais por arvoretas. cita. ainda. Segundo Klein (1980). em função das condições edafoclimáticas. muito semelhantes à floresta original. Araceae (RODERJAN & KUNIYOHSI. 1995). As comunidades são bastante uniformes quanto à altura das árvores dominantes (IBGE. um estrato herbáceo-arbustivo bem desenvolvido e bem distribuído. permitindo a instalação de outras espécies arbustivas e arbóreas tolerantes à sombra. Na Floresta Ombrófila Mista e na Floresta Estacional Decidual destaca-se o Solanum erianthum. Segundo Roderjan & Kuniyoshi (1988). com a presença acentuada de lianas (cipós). epífitas e constritoras. que ocorre cerca de 30 a 50 anos após o abandono da área agrícola. da Lei . as associações Noticastro-Dodonaetum viscosae e Tibouchino-Dodonaeetum viscosae como características deste estádio. 1993). Didymopanax angustissimum. que de forma geral são difíceis de serem diferenciadas (KLEIN. Dentro da Floresta Ombrófila Mista. 1980). além dos xaxins. destacando-se a capacidade do gênero Myrsine em atrair pássaros (REIS.Nesta fase observa-se a dominância de mesofanerófitos com alturas maiores do que 15 metros. 1994). que por vezes. 1992). 1988). caetês. Estas espécies se caracterizam por serem árvores de pequeno porte e em geral de copas esparsas. Queiroz (1994). As árvores dominantes atingem na média.42 também denominado Baccharisietum. QUEIROZ. a espécie arbórea pioneira que mais se destaca é a Mimosa scabrella. e um grande número de epífitas das famílias Bromeliaceae. 1980). 1993). devido a cor esbranquiçada de suas folhas (REIS. 1980. o que promove o aparecimento de um microclima muito sombreado e úmido no interior da comunidade. permitindo um sombreamento desuniforme do sub-bosque. esta fase na Floresta Ombrófila Densa é caracterizada pela instalação da Miconia cinnamomifolia. Hieronyma alchorneoides. As árvores têm copas amplas e alturas de 10 a 15 metros ocorrendo em alta densidade.É também denominado Mata Secundária (KLEIN. A transição entre o estádio de Miconietum e Arbóreo Avançado é constituída de diversas fases intermediárias. esta fase é caracterizada por uma vegetação heterogênea. 3) Estádio de Arvoretas .

Em seu texto são apresentadas. Entretanto. SIMINSKI & FANTINI. através da Resolução nº 010 do CONAMA. 2002). como aponta Jaster (2002). O Decreto 750 definiu os limites para o uso e conservação da Mata Atlântica. Assim. também. Em Santa Catarina. um processo que promoveu a apresentação de inúmeras propostas de textos alternativos. A primeira iniciativa do Governo Federal no sentido de regulamentar a Constituição Federal. o que torna ineficazes os valores-limite de diâmetro e altura médios e impossibilita sua utilização para a diferenciação dos estádios (JASTER.1). assinado em 10 de fevereiro de 1993. 2003. os parâmetros que definem os intervalos de classe de cada estádio da sucessão foram estabelecidos em cada Estado da Federação pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e pelo Órgão estadual integrante do Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) e submetidos à aprovação do Presidente do CONAMA.2). a primeira iniciativa para a sua regulamentação ocorreu em 1993. 2004) (Tabela 2. principalmente no que diz respeito ao limite diamétrico mínimo para inclusão de indivíduos na amostra. Na Constituição Federal de 1988. ficou estabelecido que é de interesse de toda a sociedade o aproveitamento racional e adequado da propriedade. Através desta. o diâmetro médio medido a 1. Em 1992. conhecida como Código Florestal Brasileiro. que dispunha sobre a vedação de corte e da respectiva exploração da vegetação nativa da Mata Atlântica. a Mata Atlântica passou a ser considerado patrimônio nacional. esta abordagem é uma tentativa de conciliar os interesses individuais e os sociais.3 metros do solo (DAP) e a área basal média da vegetação como as variáveis a serem usadas na classificação da vegetação em estádios de sucessão da Mata Atlântica. inclusive quanto a sua constitucionalidade. resultando em uma lei com graves lacunas e sem o respaldo dos órgãos responsáveis por sua aplicação. a .1). A segunda limitação é a falta de normatização para a amostragem da vegetação. cujas diretrizes. médio e avançado de regeneração foi estabelecida através da Resolução no 04 do CONAMA de 1994. proibindo o corte. exige alto grau de especialização do técnico no reconhecimento das espécies apontadas como típicas de cada estádio. Esta Resolução estabeleceu a altura média. que passou a orientar os procedimentos de licenciamento de atividades florestais no Estado (Tabela 2. a utilização adequada dos recursos naturais disponíveis e a preservação do meio ambiente. a aplicação prática dos ditames dessa lei para classificar a vegetação em estádios de sucessão apresenta duas limitações importantes. Para cada uma destas variáveis. citadas como típicas de diferentes estádios. a exploração e a supressão de vegetação primária e nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica (Tabela 2.43 4. definindo instrumentos legais específicos para a Mata Atlântica. trazendo à tona o direito da propriedade frente a sua função social. O Código Florestal restringiu a utilização de florestas primárias e criou as áreas de reserva legal e de preservação permanente nas propriedades. para regulamentar a utilização dos seus recursos. Primeiramente. SIMINSKI et al. segundo Capobianco (2002). listas das espécies vegetais características para cada estádio. o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA) aprovou uma minuta de decreto como alternativa. e atribuiu ao IBAMA e órgãos estaduais a regulamentação da a exploração da vegetação secundária em estágio inicial de regeneração (SANTA CATARINA. No entanto.771. 2002. constituíram a base para o Decreto Federal no 750. Este Decreto recebeu inúmeras críticas. Esta limitação se agrava em situações onde a vegetação apresenta uma grande heterogeneidade de espécies. a definição de vegetação primária e secundária nos estádios inicial. Para Silveira (1998). foi a edição do Decreto no 99.547 de 1990.

necessária no sistema de agricultura de pousio utilizada tradicionalmente por pequenos produtores da região deste estudo. A aplicação da lei de acordo com os seus parâmetros proíbe a derrubada da vegetação no estádio em que tradicionalmente era realizada pelos agricultores. 2002). por exemplo. Estes produtores se dizem fortemente prejudicados pela Resolução. Tabela 2. É o caso. e alegam que ela foi decretada sem base em um estudo aprofundado sobre a estrutura da vegetação secundária para a definição dos parâmetros e que seria responsável pela intensificação do processo de êxodo rural (SIMINSKI. 2004 A correta definição do estádio sucessional de uma formação florestal tem implicações em diferentes setores da economia e da política ambiental. inviabilizando a continuidade do sistema de produção. Uma vez que estádios sucessionais são mencionados nos textos das leis de proteção ambiental. fortemente baseada na experiência do técnico. 1993. do licenciamento para a supressão da vegetação para a implantação de lavoura. Decreto Lei 750. Definições de possibilidades de uso da Mata Atlântica pelo Decreto 750/93 e critérios para definição dos estádios de regeneração para o Estado de Santa Catarina pela resolução do CONAMA 04/94.44 classificação dos estádios ocorre principalmente de forma subjetiva. Estádio sucessional Primário Secundário médio Secundário inicial Agricultura Não premitido Não premitido Permitido Manejo sustentado Não premitido Permitido Permitido Permitido Parcelamento do solo com fins urbanos Não premitido Permitido Permitido Permitido Obras e projetos de interesse público Permitido Permitido Permitido Permitido Secundário avançado Não premitido Resolução 04 CONAMA (1994) Estágio de regeneração inicial médio avançado Fonte: Simnski. torna-se necessário definir critérios técnicos que permitam objetivamente diferenciá-los e classificálos. DAP médio Altura (cm) média (m) até 8 até 15 até 25 até 4 até 12 até 20 Área Basal (m2/ha) até 8 até 15 até 20 .1.

817bc (831) 250c (245) 3. J.5b (0. (org.1a (9.1 Número de indivíduos/ha 6.9) 35.7a (2.9a (9.517b (1.1) 7.7b (0.2 Área Basal (m2/ha) 41.0) 103. M. 2004.1) 27.2b (9.0c (3.8) 40.686b (693) 536b (468) 43b (106) 63.2) 4.6) 12.714a (3.8b (1.3a (0.3) 4.0) 14.9) 20.6a (1. considerando-se diferentes diâmetros mínimos para a amostragem dos indivíduos.45 TABELA 2. A Mata Atlântica e você: como preservar.7c (1.5) 4.7) 5.3ab (8.0 Número de indivíduos/ha 8.9) 39.067a (5.0c (1.V.6) 10. O valor do C.1) 14. (%) DAP mínimo (cm) 0 3 5 10 C. refere-se a variação entre as diferentes amostargens. 2004.7b (1.9 Área Basal (m2/ha) 13.3a (8. CAPOBIANCO.8) 6.0a (1. Baccharisietum DAP mínimo (cm) 0 3 5 10 C.1a (1.5 Myrcinetum Altura média (m) 4. São Paulo: Amablume/FAPESP.0) 31.1) 12.8 Arbóreo Avançado Altura média (m) 5.B.V.71 Número de indivíduos/ha 8. área basal (m2/ha) e número de indivíduos por hectare em quatro estádios sucessionais.5) 14.8d (1.V. Brasília: APREMAVI. 337p.7) 6.043) 2.358) 3.6c (0.767c (689) 1.2) 6. (%) DAP mínimo (cm) 0 3 5 10 C. (%) DAP médio (cm) 2.5) 50.2a (1.3) 4.9 Miconietum Altura média (m) 5.0d (1.6b (1.8) 5.8) 0.).8) 2.5a (2.0 Área Basal (m2/ha) 5.6a (6.1) 7.0) 7.154ab (846) 1.3ab (0.9c (2.013) 3.9a (0.8) 11.2) 7.P.4) 25. recuperar e se beneficiar da mais ameaçada floresta brasileira.5c (1.7a (9.0 Altura média (m) 3. (%) DAP mínimo (cm) 0 3 5 10 C.V. C.4 BIBLIOGRAFIA • • ADAMS. Na vertical.7) 5.4 DAP – Diâmetro à altura do Peito.5) 9.3 DAP médio (cm) 3.238a (2.6) 3. Caiçaras na Mata Atlântica: pesquisa científica versus planejamento e gestão ambiental.R.1) 16.5d (2. 2000.2) 29. Fonte: Siminski.5) 9.011d (481) 59.8) 20.300a (1.9c (1.6a (1.2: Valores de DAP médio (cm). 2.2) 12.2a (0.5d (2.0b (5. altura média (m).9 DAP médio (cm) 6.5b (1. valores com a mesma letra não diferem entre si ao nível de 5% de probabilidade de erro pelo teste SNK.928b (1.8c (1.8 Número de indivíduos/ha 9.1bc (0.5b (1.1a (8.5 DAP médio (cm) 5.9) 6. W.9a (9.017) 4. In: SCHÄFFER. Florianópolis. .0 Área Basal (m2/ha) 30. & PROCHNOW.7b (0.402) 1.3a (0.4) 16.1b (0. Mata Atlântica: conceito abrangência e área original.5a (2.6) 16.2) 18.1a (6.745) 1. dentro de um mesmo estádio. Os valores entre parêntesis representam o desvio padrão considerando as diferentes repetições.7b (3.8a (6.038b (473) 53.1) 12.361) 2.311a (3.V.3) 18.1) 76.2) 9.8) 10. UFSC.

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existem hoje apenas manchas disjuntas de florestas nesta região. 1986. alerta que a destruição ou perturbação dos ecossistemas tropicais interrompe os ciclos biológicos que mantêm o equilíbrio entre as espécies e o meio. O mosaico. Caracteriza-se. sendo que a maioria delas estão representadas por muito poucos indivíduos por hectare (KAGEYAMA. estas florestas abrigam a maior diversidade biológica e genética da comunidade terrestre. O relacionamento entre plantas e animais quer seja pelo processo de polinização. Neste sentido. enquanto que HAAG (1985). pequenas áreas. as diferentes formas de vida das plantas estão associadas a centenas de outros seres vivos. Segundo Hubbel & Foster. dinâmica e taxonomia de muitas espécies é ainda rudimentar. traz consigo a degradação da cobertura natural e milenar do solo. BROWN JR. levando à perda de numerosas espécies (Frankel & Soulé. as florestas além de produzirem algumas madeiras nobres. desenvolvido nas regiões próximas ao litoral. nos moldes em que é praticada. As florestas tropicais apresentam um grande número de espécies. Dentro das comunidades florestais. cada uma delas. Segundo BROWN (1987). HERING (1984). com desprezo pelo social. adaptadas às diferentes condições ambientais. As derrubadas indiscriminadas deixaram todos os sistemas florestais brasileiros seriamente comprometidos quer sob o ponto de vista de produção madeireira quer em relação à conservação de sua fauna e flora. 1987). alerta que a exploração florestal extrativista. . tinha como atividades principais a agricultura e a pecuária. HUBBER & FOSTER. As características mais importantes destas florestas são a grande biodiversidade e a inequianeidade. é resultado da existência de manchas de espécies com idades distintas. representavam um grande obstáculo à ocupação. IN: KAGEYAMA. SCHUBART. pois estes são responsáveis pela seleção e diversificação dos recursos florestais. citados por KAGEYAMA (1987).49 3. portanto. fases distintas do processo de sucessão secundária e pela sua proximidade e arranjo espacial formam o que se convencionou chamar de "colcha de retalhos" ou "mosaico". normalmente. salientam que a destruição massiva das florestas tropicais ocorre num período em que o conhecimento da organização. cuja interação promove o aparecimento de comunidades bastante diversas. qualquer biomassa que obtenha no mercado um preço superior ao custo de extração. ocupando. sendo a maioria das espécies polinizadas e dispersadas pelos animais (SMYTHE. 1982). comenta que devido a este processo de colonização e ocupação do território brasileiro. MODULO MANEJO DO PALMITEIRO (Euterpe edulis) EM REGIME DE RENDIMENTO SUSTENTÁVEL 3. dispersão ou herbivoria é muito acentuado. Estas comunidades representam. papéis mais relevantes. 1987. por um imediatismo econômico. ou seja. particularmente em locais de topografia muito acidentada. a manutenção do equilíbrio das florestas sob manejo pode exigir até mesmo a proteção de seus supostos "inimigos". fazendo com que a perda de uma planta ou animal possa iniciar um processo de extinção em cascata. assim.1 ASPECTOS DA ECOLOGIA DE FLORESTAS TROPICAIS A colonização do Brasil. 1987). citados por KAGEYAMA (1987). inicialmente feita ao longo de sua costa. sendo todos necessários à manutenção da produtividade e da biodiversidade local. os competidores e os consumidores primários. Este tipo de exploração reduz o estoque de árvores com a retirada indiscriminada de todo o material de valor econômico. executando alguns deles. Devido a esta grande diversidade existe um alto nível de especialização e interdependência nestes sistemas florestais. LEITÃO FILHO (1987). não levando em consideração o capital representado pela floresta nativa.

As relações entre a dispersão de sementes e a demografia das plântulas tem profundas implicações na conservação e manejo das florestas tropicais (HOWE. onde cerca de 90% das espécies arbóreas e arbustivas têm suas sementes dispersadas por animais (FRANKIE et al. Na Tabela 3. uma vez que estes são responsáveis pela manutenção do equilíbrio populacional de muitas espécies vegetais.1.5 besouro 7. conduz um raciocínio muito objetivo sobre o papel dos dispersores e as técnicas de manejo em florestas tropicais: As espécies maduras normalmente produzem grandes sementes.50 como os chamados "keystones".9 outros insetos 20. e. exige uma grande participação mútua. preferentemente produzida pelos animais. Estes vertebrados requerem uma diversidade de frutos e sementes para a sua manutenção. conseqüentemente.0 beija-flores 4. manejando várias espécies.. 1990). Classes de polinizadores Percentagem de espécies arbóreas morcegos 3. a freqüência de diferentes classes de agentes polinizadores dentro de um ecossistema florestal tropical denota a multiplicidade de agentes polinizadores. Na polinização.1. 1977.7 vento 2. o que faz supor a necessidade de técnicas de conservação para estes agentes dentro do sistema de manejo. 1985). pivotal. Segundo AUGSPURGER (1990). 1974).0 abelhas médias e grandes 27. 3. GILBERT. O conhecimento destas relações evita causas de extinção dentro da flora e da fauna (HOWE. Estes processos biológicos.3 abelhas pequenas 14. Disto se conclui que o manejo ou a conservação não pode ser direcionado para uma ou para poucas espécies de interesse especial.3 borboletas 4. Neste sentido. as plantas oferecem uma grande variedade floral atraindo uma grande diversidade de animais. Freqüência de classes de polinizadores em uma amostra de 143 espécies arbóreas de Porto Rico (BAWA et al.. fazendo supor que as florestas tropicais sofreram processos evolutivos distintos das florestas temperadas. e estas são geralmente dispersas por grandes pássaros e mamíferos. Tabela 3. básicos para a sobrevivência das plantas e dos animais. mutualistas chaves ou elos móveis (HOWE. mesmo a atividade dos patógenos tem implicações nas florestas tropicais.9 mariposas 15. 1984). cria um ambiente deficiente e não permite a sobrevivência destes animais. TERBOGH (1990).1Grupos ecológicos de espécies florestais .5 O mutualismo da dispersão é muito consistente em florestas tropicais. necessitam de técnicas de conservação e de manejo distintas. uma floresta composta por somente poucas espécies. 1980). sendo necessário manter adequadamente a diversidade das plantas e a comunidade animal. Somente através da conservação da biodiversidade será possível obter suprimento alimentar contínuo mantendo o crescimento normal das suas populações.1.

pelo menos parte do dia. Para manter a estrutura e composição característica de cada população.. Necessitam de claros para germinar e sobrevivem debaixo do dossel Indivíduos jovens são incapazes de sobreviver na sombra Intolerantes à sombra SWAINE & WHITMORE (1988) WHITMORE (1989) VIANA (1989) KAGEYAMA & VIANA (1989) SWAINE & HALL (1983) Pioneiras grandes Intolerantes à sombra Secundárias precoces Especialistas em claros grandes Emergentes Secundárias Secundárias tardias Germinam em claros grandes. onde os diferentes grupos ecológicos de espécies estão inseridos. as espécies apresentam adaptações direcionadas à ocupação e colonização destas clareiras. exigem que o manejador possa prever o aparecimento de diferentes grupos de árvores no futuro. Plântulas e arboretos não sobrevivem fora dos claros. uma vez que segundo DENSLOW (1980). No manejo de florestas tropicais é necessário o conhecimento dos padrões sucessionais. 3. Terminologia Definição Autores Pioneiras Intolerantes à sombra BUDOWSKI (1965) Germinam somente em claros e necessitam de luminosidade. que facilitam a sobrevivência e/ou reprodução dentro de uma sucessão de ambientes (PIÑA-RODRIGUES et al. Apresentamos a seguir uma revisão bibliográfica onde são caracterizadas terminologias distintas para diferentes estratégias de reprodução das espécies (Tabelas 3. Rápido crescimento. Alta capacidade de regeneração vegetativa após distúrbio Tolerantes à sombra em estágios juvenis HARTSHORN (1980) BROKAW (1985) BUDOWSKI (1965) VÁSQUEZ-YANES & SADA (1985) DENSLOW (1980) VÁSQUEZ-YANES & SADA (1985) VÁSQUEZ-YANES & SADA (1985) BUDOWSKI (1965) . admitindo-se mesmo que cada espécie tenha suas características próprias para garantir sua sobrevivência dentro da gama de variações internas das florestas tropicais. 1990). A caracterização de distintos padrões de adaptações das estratégias de reprodução tem levado os autores a detectar um grande número de grupos ecológicos. dentro das espécies. houve evolução de características genéticas. procurando ocupar os claros. A existência de características diferenciais para as espécies que se estabelecem nos diferentes estádios sucessionais da floresta secundária e nas florestas primárias. são intolerantes à sombra. A distribuição de clareiras no tempo e no espaço produz uma regeneração diferenciada. Tabela 3.2.2 Terminologias utilizadas para caracterizar grupos ecológicos de espécies tropicais.51 A estrutura e a composição das populações vegetais naturais são oriundas de uma série de eventos edafoclimáticos e ecológicos variáveis no tempo e no espaço.3).

Espécies Tolerantes à sombra.. Vale lembrar que os grupos são artificiais. Especialistas em Germinam na sombra. Tolerantes à Não necessitam de claros para sombra germinar e crescer Tolerantes à Crescem em florestas maduras sombra Espécies Germinam e sobrevivem abaixo do primárias dossel. Oportunísticas Conseguem sobreviver em condições de sombra. PIONEIRAS OPORTUNISTAS CLÍMAX SEMENTES Produção contínua de Produção contínua de Apresenta anos de baixa ou sementes ou chuva de sementes ou chuva de nenhuma produção.52 Tabela 3. crescendo persistentes quando queda de árvores. Parcialmente Sobrevivem abaixo do dossel. crescendo após a abertura Espécies clímax Tolerantes à sombra nas estapas juvenis Clímax Germinam na sombra e as plântulas e indivíduos juvenis vivem por alguns anos debaixo do dossel Especialista em Não necessitam de claros para sub-bosque germinar e crescer Reprodutoras à Completam todo o seu ciclo de vida sombra em condições de sub-bosque Adaptado de CLARK & CLARK (1987). mas tolerantes à crescem vigorosamente quando da sombra retirada da cobertura. mas claros pequenos necessitam de claros para alcançar o dossel. DENSLOW (1980) COLEY (1980) FORSTER & BROKAW (1982) SCHULZ (1960) VIANA (1989) KAGEYAMA & VIANA (1989) HARTSHORN (1980) WHITMORE (1982) BROKAW (1985) WHITMORE (1982) SWAINE & WHITMORE (1988) WHITMORE (1989) DENSLOW (1980) VIANA (1989) Para facilitar a compreensão. uma vez que cada espécie apresenta suas peculiaridades.. . oportunistas e clímax em suas principais fases de seu ciclo de reprodução e estabelecimento.2. mas dependem dos claros para crescer. Síndromes associadas aos grupos ecológicos: pioneiras. muitas são reclcitrantes Reservas nutricionais Reservas nutricionais reservas nutricionais grandes pequenas pequenas Produzidas em grande Produzidas em grande Produzida em menor quantidade quantidade quantidade Tabela 3.3. apresentaremos resumidamente as síndromes ou estratégias em três grandes grupos... Continuação. Tabela 3. é comum sementes sementes a "mast-years" Apresentam dormência Não apresentam dormência Dormência curta ou ausente Longevidade média e longa Curta longevidade Longevidade curta. Continuação.3.

podendo ser interrompido Planta jovem ciófita e planta adulta heliófiota Rápido crescimento Competição intraespecífica por luz e espaço O tamanho das clareiras pode ser limitante para o seu estabelecimento Capaz de se manter à sombra ou em condições de pequenas ou grandes clareiras.53 Anemocórica ou zoocórica Algumas espécies são fotoblásticas e termoblásticas Requer um balanço entre os tipos de luz vermelho/vermelho longo. independente das reservas da semente PLANTA JOVEM Crescimento lento em condições de sombra Ciofítica. depende em grande parte das reservas das sementes Crescimento lento em condição de sombra. e/ou choque térmico para germinar Germinação rápida após a indução do processo germinativo ou quebra de dormência Requer luz direta para o seu crescimento Mais independente das reservas da semente DISPERSÃO Anemocórica para a maioria das espécies. e algumas zoocóricas GERMINAÇÃO Poucos fatores como luz e temperatura afetam a germinação Sementes germinam em condição de luz ou de sombra Barocórica ou zoocórica Requer alto conteúdo de umidade para o início da germinação Capaz de germinar sobre o dossel em condições de baixa relação vermelho/vermelho longo Imediata após dispersão ou após a indução Rápida germinação após a indução do processo germinativo PLÂNTULAS Cresce em condições de sombra ou baixa luminosidade Rápido crescimento. que não são limitantes ao seu estabelecimento REGENERAÇÃO NATURAL Regeneram-se a partir de Algumas espécies formam Regeneração a partir de bancos de sementes bancos de plântulas banco de plântulas ou da persistentes ou não ou a queda de sementes em locais partir de banco de plântulas com condições propícias ao efêmeros estabelecimento . cresce em condições de baixa intensidade de luz Crescimento lento.

em parte. na diversidade das relações existentes entre os componentes destes ecossistemas e. Este fato é concretizado nos processos de regeneração natural das clareiras abertas no interior das mesmas. seja...2 MANEJO DE RENDIMENTO SUSTENTADO: UMA PROPOSTA BASEADA NA AUTOECOLOGIA DAS ESPÉCIES1 3. Traduzida em outras palavras. é um significativo descrédito a respeito desta possibilidade. Sellowia. entretanto. 1992. Assim. KLEIN (1980) caracterizou esta dinâmica especialmente em relação a períodos subseqüentes à ação antrópica sobre a comunidade. WHITMORE (1986.A. REIS. 1 Este texto é uma tradução de: FANTINI. através de um sistema de manejo adequado. que prevêem a redução da complexidade do ecossistema através de práticas silviculturais que visam favorecer as espécies de interesse comercial. sem a preocupação com a perpetuação do ecossistema. caracterizando a diversidade de espécies envolvidas em cada etapa do processo. evidenciado pela opção pelo extrativismo. pois. refere-se a esta dinâmica ao descrever a floresta como um mosaico de clareiras recém abertas. No âmbito da Floresta Tropical Atlântica . em parte. n.M. O que se tem observado. por fenômenos naturais ou ação antrópica. com suas intrincadas inter-relações.A. Em outra perspectiva. é completamente insustentável por longo tempo. A dinâmica da floresta tropical é. Entretanto.S. uma das características mais expressivas deste ecossistema. é admissível que a expressiva biodiversidade das florestas tropicais. o fator que viabilize a sua exploração racional. 1990). GOMEZ-POMPA & BURLEY (1991). ainda áreas de floresta madura.M. De outro lado.. comporiam um segundo grupo aqueles sistemas de manejo que priorizassem a preservação da biodiversidade do ecossistema. REIS. E pode-se ir além: a única possibilidade de explorar as florestas tropicais por tempo indeterminado reside exatamente na viabilização da manutenção desta biodiversidade.P.C. Este descrédito fundamenta-se. num primeiro grupo estariam a maioria dos sistemas hoje adotados.Brasil. é possível estabelecer uma dicotomia distinta da apresentada por estes autores para os sistemas de manejo de florestas naturais.2.42-44. esta afirmação significa que a exploração das florestas tropicais para a obtenção somente de madeira. Sustained yield management of tropical forests: a proposal based on the autecology of the species. Sendo o processo de regeneração das florestas tropicais uma constante em condições naturais. pode-se admitir que seria possível. sem levá-la à degradação.1Introdução As florestas tropicais apresentam uma excepcional capacidade de reciclagem. . Demonstrou que o processo de regeneração desta floresta está intimamente associado a sua evolução. extrair produtos da floresta por um período indefinido. Estes aspectos são freqüentemente utilizados para argumentar a dificuldade do seu manejo. antes de um entrave.54 3. áreas com indivíduos de diferentes exigências ambientais e. distinguem os sistemas de manejo de florestas tropicais atualmente conhecidos para a exploração de produtos florestais em dois tipos distintos: aqueles que visam preservar totalmente amostras representativas destas florestas e aqueles que objetivam causar pouco distúrbio no ecossistema através da exploração de apenas alguns de seus produtos. e nos níveis em que é hoje praticada. mesmo sob exploração dos seus produtos. na aparente escassez de conhecimento do funcionamento destas comunidades. GUERRA.

1 Fluxograma do Manejo para Rendimento Sustentado de Florestas Tropicais. 3.2.55 Por outro lado. Respeitada esta condição. As duas condições devem ser respeitadas simultaneamente. o ponto de partida para a elaboração de uma proposta para a exploração racional . o caráter cíclico da exploração e. a medida em que estes venham a ser descobertos ou que assumam valor econômico. FLORESTA INVENTÁRIO ESPÉCIE DE INTERESSE DEMOGRAFIA DINÂMICA DE CRESCIMENTO DINÂMICA DE REPOSIÇÃO BIOLOGIA REPRODUTIVA DIVERSIDADE GENÉTICA INTERAÇÃO COM A FAUNA ESTRUTURA GENÉTICA DAS POPULAÇÕES EXPLORAÇÃO/MANEJO Reavaliação Figura 3. 2. no mínimo deverão ser observados os aspectos de avaliação do estoque disponível. os produtos a serem obtidos. Um aspecto extremamente vantajoso desta proposta é que o manejador poderá aumentar progressivamente o número de produtos a serem explorados. portanto. Para garantir a exploração de forma cíclica.2Estoque disponível A avaliação do estoque disponível realizada através de inventário florestal é. admite-se que conservação e exploração não são incompatíveis. Este aspecto é possível neste sistema uma vez que a biodiversidade da comunidade é mantida e a exploração de cada produto é realizada individual e independentemente. ao máximo possível. o equacionamento da exploração de cada espécie individualmente. Este é um pré-requisito fundamental para atender o caráter econômico da atividade.1). Caberá ao manejador estudar as potencialidades do ecossistema a explorar procurando diversificar. portanto. Vale dizer. o manejo para rendimento sustentado aqui proposto deverá ser baseado em dois alicerces: 1. taxas de incremento e regeneração natural de cada espécie a ser explorada (Figura 3. Para que esta premissa seja verdadeira faz-se necessário explorar a floresta em todo o seu potencial. sem o que se espera não haver sucesso no empreendimento. que a viabilidade de um sistema de manejo para rendimento sustentado deve prever o uso múltiplo da floresta.

mesmo quando realizados ao nível de pesquisa. na medida em que sendo ele tomado como base. diferentes espécies agrupadas como de "interesse comercial" apresentam comportamento diverso com relação a vários parâmetros ecológicos. neste ponto. levará a extinção em cascata de uma série de espécies. 3. Há que se salientar.3Taxas de incremento Este parâmetro assume importância substancial no manejo para rendimento sustentado. mudando qualitativamente a estrutura da comunidade (GOMEZ-POMPA & VASQUEZ-YANES. avaliações periódicas do estoque constituem-se em uma ferramenta imprescindível para o manejo correto da floresta. Seria . Da mesma forma. Estas propostas de manejo seguem uma concepção oposta àquela defendida neste trabalho. Avaliações subseqüentes informam. O objetivo deste procedimento é o estabelecimento de estratégias de manejo particulares a cada espécie cuja exploração seja desejável.2. também. com repercussões evidentes na comunidade remanescente. notadamente aquelas que envolvem a polinização e a dispersão de sementes. Embora esta afirmação pareça óbvia. Do ponto de vista ecológico. A abertura demasiada de clareiras implica no desenvolvimento de espécies mais exigentes quanto às condições de luz. em trabalhos realizados na Floresta Amazônica. Neste sentido. caracterizado pela elitização dos indivíduos arbóreos de interesse comercial em vários sistemas de manejo hoje em desenvolvimento. não são raros os planos de exploração de florestas naturais que se utilizam deste parâmetro como informação exclusiva para a elaboração da estratégia de ação. O resultado de uma só avaliação do estoque disponível fornece pouca informação para a elaboração de um plano de exploração racional. a exploração por espécie assume importância como condição vital para a perpetuação da comunidade florestal.56 da floresta tropical. É. pode-se avaliar o estoque e o incremento de cada espécie individualmente. que o inventário florestal deverá ser minucioso. a floresta tropical não pode prescindir de parte de suas espécies. como discutido por KAGEYAMA (1987). Assim. 1985). Entretanto. e observam o comportamento da comunidade durante o processo de regeneração. Desta forma. através do estudo da sua demografia. sobre os números obtidos é estabelecido arbitrariamente um volume de madeira a ser retirado por unidade de área. a exploração pode ser realizada por tempo indeterminado na mesma área. Desta forma. uma vez que só será admissível retirar o volume capaz de ser reposto pela floresta no mesmo período. com alteração expressiva na composição florística local. particularmente no Brasil. Esta concepção tem pressupostos tanto ecológicos como econômicos. além do volume de material disponível em cada época. como apresentados por HIGUCHI & VIEIRA (1990) e SILVA (1990). esta proposta de manejo se opõe àqueles planos de manejo que realizam uma redução da área basal da floresta em determinados níveis arbitrariamente. Este fato. permite estimar o ciclo de exploração em cada unidade da área e o volume passível de exploração no período considerado. A concepção de manejo por espécie aqui preconizada é entendida como fundamental para sua sustentabilidade. a forma mais simples de se manter a biodiversidade do ecossistema. Sendo as interações entre os seus organismos. o incremento observado no período. pois desconsideram o comportamento da comunidade florestal e as implicações ecológicas decorrentes da redução da sua área basal. procurando detalhar as estruturas populacionais das espécies. muito complexas.

que consiste na diferença entre os pontos de máximo IMA e de máximo ICA. a área a ser explorada pode ser dividida em talhões para a exploração progressiva. ser otimizada pela determinação do intervalo entre os ciclos de corte (IC) de cada espécie. independentemente de serem eles madeireiros ou não. sob condição de floresta natural. Baseado neste parâmetro. Outra consideração importante a respeito da exploração florestal por espécie tem ressonância não só biológica mas. INCREMENTO ICA IMA DLC IC DAP Figura 3.2. com vantagens evidentes. através do Incremento Corrente Anual (ICA) e do Incremento Médio Anual (IMA). portanto. A determinação dos incrementos corrente anual (ICA) e médio anual (IMA) de uma espécie permitem estimar os pontos de máximo incremento biológico e de máximo retorno econômico da mesma (Figura 3. 3.2). Esta é uma vantagem indiscutível deste sistema em relação àqueles que baseiam em parâmetros como área basal ou volume por unidade de área. também econômica. O manejo da floresta dentro desta perspectiva permite uma previsão objetiva da produtividade de cada produto florestal a ser obtido. A reposição do estoque deve ser permanentemente monitorada através dos .4Regeneração natural O terceiro ponto a ser considerado no sistema de manejo em regime de rendimento sustentado diz respeito à regeneração das espécies da comunidade que estejam ou não sob exploração. basear o plano de exploração de cada espécie na sua autoecologia. ainda. a produtividade de cada espécie é maximizada independente do comportamento relativo às outras. Desta maneira. Esta estratégia de manejo pode. Alia-se a este fato as vantagens do caráter prático da determinação do ponto de corte de cada árvore pelo seu diâmetro mínimo. mas nunca a sua qualidade.2 – Determinação do Diâmetro Limite de Corte (DLC) e do Intervalo de Corte (IC).57 lógico. Estes sistemas podem prever somente a massa de produto a ser obtido.

uma vez que qualquer intervenção maior significará uma transformação qualitativa da comunidade florestal. Número de espécies.89 Mueller 84 5. Esta inversão representa um alerta para a necessidade de um acompanhamento contínuo das áreas a serem manejadas.4. se faz necessário admitir que as mercadorias obtidas na atividade terão um custo adicional em relação àquele hoje praticado. o manejo de árvores porta-semente otimizará a regeneração natural das espécies.992 42. 1984 e 1990). As espécies dominantes do secundário correspondem às esparsas e raras da comunidade primária. (Adaptado de VELOSO & KLEIN 1957).34 Maluche 140 12.909 64. A ausência de vetores diretos ou indiretos terá como conseqüência uma regeneração quantitativamente deficiente.. Cabe ressaltar. evidencia-se como fundamento básico do sistema. ainda. .95 São Pedro 61 10. O seus resultados serão o argumento claro para a manutenção ou correção do rumo da estratégia de manejo adotada em cada momento. porém.4). O sistema de manejo florestal assim concebido tem. Assim.966 41. Por isso.980 30. 3.2.5Outras considerações O acompanhamento da evolução da comunidade florestal através de inventário permanente do estoque disponível. A biodiversidade das florestas tropicais.58 inventários sobre parcelas permanentes. Tabela 3. fator que normalmente não é considerado no preço final da mercadoria no setor madeireiro no Brasil. a produtividade por período de tempo considerado será significamente menor do que aquela observada nos sistemas de exploração geralmente utilizados. em princípio. Estes aspectos assumem maior relevância na floresta tropical onde a fauna desempenha papel fundamental no desenvolvimento destes processos (BAWA et al. A definição do número de árvores porta-semente para a manutenção dos níveis originais do estoque está associada à dinâmica da regeneração natural e ao processo de dispersão de sementes. Comunidades Nº de espécies/ha Nº de indivíduos/ha Área basal Ribeirão do Ouro 133 14. Ainda. com reflexos também na sua qualidade pelo comprometimento do fluxo gênico nas populações. Baseado nos parâmetros assim estimados.07 Este quadro acima descrito inverte-se nas áreas de formações secundárias. deve ser observada a agregação do custo de operação do sistema de manejo. a preservação da fauna é imprescindível para a execução do manejo de rendimento sustentado. onde poucas espécies compõem a comunidade. taxas de incremento e regeneração natural das suas espécies. 1985 e HOWE.SC. número de indivíduos e área basal por hectare de 5 comunidades da Floresta Tropical Atlântica levantadas em Brusque . exigem distintas estratégias de manejo para cada uma das espécies. que esta produtividade será escalonada em longo prazo. Provavelmente. variando em muito o número de espécies e de indivíduos de cada espécie por hectare (Tabela 3. a sua produtividade sustentável.146 45.76 Azambuja 132 6. A otimização da regeneração natural de cada espécie sob exploração tem por objetivo. que são particulares a cada espécie. a redução dos custos de operação do sistema.

inflorescências em forma de panícula.3. cerca de 28 espécies se distribuem ao longo das Antilhas e América do Sul. compostas de duas flores masculinas e uma flor feminina.5 metros de comprimento. Nada mais justo. Euterpe edulis. notadamente nas regiões com florestas tropicais. Inflorescências com ráquis cerca de 70 cm de comprimento. Mesocarpo carnoso-fibroso. Diante destas considerações. na Floresta Tropical Atlântica e E. é uma palmeira não estolonífera.3 A PALMEIRA Euterpe edulis MARTIUS Dentro do gênero Euterpe. e destacam-se com facilidade da planta. apresenta estipe única. de um minucioso processo de acompanhamento da floresta. através de sementes produzidas por fecundação cruzada. Frutos uniseminados. mas destacam-se E. edulis com distribuição preferencial ao longo do litoral brasileiro. conforme descrito por REITZ (1974). atividade que deve ser atribuída a profissionais com sólida formação nestas duas áreas do conhecimento e. particularmente nos países subdesenvolvidos. Reprodução e Interação com a Fauna A reprodução da espécie e exclusivamente por via sexual. efetiva contribuição para o seu desenvolvimento. O seu sucesso. Os frutos são globosos. Somente após o encerramento da florada masculina é que se inicia a abertura das flores femininas. conforme mencionam REIS et al. 3. da redefinição de uma política para o setor florestal que terá. (1993). A abertura das flores se dá com uma forte dicogamia protândrica na inflorescência. entretanto. portanto. O custo social da degradação dos recursos florestais tem sido desprezado nesta atividade. 1974). A espécie apresenta. depende: 1. arroxeado. As flores masculinas amadurecem antes (protrandria) evitando a autofecundação do indivíduo. oleracea no baixo Rio Amazonas.1ASPECTOS ECOLÓGICOS DA ESPÉCIE Biologia vegetal. .59 Vale ressaltar que os benefícios indiretos obtidos através da manutenção das florestas são inestimáveis. cerca de um centímetro de diâmetro e um grama por unidade. Suas folhas são pinadas com cerca de 2 a 2. com ráquilas que apresentam dezenas de tríades florais. Euterpe edulis tem sido escolhida para estudos como modelo de rendimento sustentado devido a um conjunto de características especiais: • Ampla Distribuição Geográfica • Grande Densidade • Ciclo Curto • Posicionamento na Floresta • Produto Florestal não Madeireiro • Forte Interação com a Fauna • Comercialização Garantida • Conciliação: Manejo e Conservação 3. com muitas ráquilas contendo flores em tríade (uma flor feminina e duas masculinas). é evidente que o sistema de manejo florestal em regime de rendimento sustentado é biológica e economicamente viável. com endosperma não ruminado (Segundo REITZ. do que a sua agregação ao valor dos produtos obtidos. também. ou seja. 2. Muitas espécies do gênero apresentam potencial para a produção de palmito.

3). distribuído em 5 meses. Além disso. como descrito por REIS et al. Os resultados obtidos por REIS (1996) evidenciam a ocorrência de cruzamentos não aleatórios. A. conforme REIS. 1996) e REIS. aliados às características de microambiente (relevo. etc. 1996).04 nas populações estudadas por REIS. Estes aspectos. uma redução. Entretanto.. a floração não é sincronizada entre todos os indivíduos. A fenologia da espécie é caracterizada por um período bastante amplo de floração: 5 meses em uma população de Euterpe edulis em Floresta Semidecídua (Piracicaba. Além disso. SP). (1993).594 531. com uma taxa de cruzamento média de 0..5). (1995) indicam ser o palmiteiro uma espécie com estratégia de formação de banco de plântulas (Figuras 3. e chegando a 4 indivíduos por hectare na primeira e última quinzenas. pois nem todos estarão na mesma fase fenológica ou terão possibilidade de serem visitados pelos polinizadores ao mesmo tempo.) por hectare (REIS et al.4% das plantas. vegetação. estudada por REIS et al. e considerando a acentuada protandria da espécie. A inexistência de equilíbrio de endogamia nas progênies indica a ocorrência de eventos adicionais envolvidos no sistema reprodutivo. apresentando em média 12. evento de freqüência reduzida dentro da Floresta (6. (1993) e MANTOVANI (1998). conforme discutem os autores. REIS et al. associados à amplitude do período de florescimento e a protandria acentuada existente na espécie. 1994a. a tendência a uma distribuição normal na população para o período de florescimento como um todo. A espécie é preferencialmente alógama. e há coincidência das floradas masculina e feminina entre as inflorescências. o número máximo de indivíduos coincidentemente floridos seria de aproximadamente 26 por hectare.60 implicando em garantia de fecundação cruzada.). REIS (comunicação pessoal) em 1994 no município de Blumenau (SC) e 4 a 5 meses na população estudada por MANTOVANI (1998) em São Pedro de Alcântara (SC).. 1996). . 1993). ocorrendo uma tendência a um período inicial com poucas plantas floridas. os resultados obtidos por REIS et al.235 379. Tabela 3.1993). exceto para os casos em que se desenvolvem duas ou mais inflorescências por planta. 5 meses na população estudada por A. um aumento gradativo até um máximo e. com tempo de antese e receptividade das flores femininas em uma inflorescência entre 12 e 15 dias não coincidentes (REIS et al. (1995) Indivíduos / órgãos por hectare 1992 1993 média Plantas Adultas 117 136 127 Plantas com Inflorescências 115 111 113 Número de Inflorescências 189 211 200 Plantas com Infrutescências 56 96 76 Número de Infrutescências 69 160 115 Número de Frutos 228. no município de Blumenau (SC) em dois anos de acompanhamento. finalmente. (1988.000 plântulas (altura da inserção inferior a 10 cm. favorecem a possibilidade de ocorrência de cruzamentos não aleatórios entre os indivíduos.914 Tomando por referência o número de indivíduos que produziram inflorescência (113).94 e 1. os resultados obtidos por REIS (1995) indicam variação entre anos em relação à quantidade de indivíduos que se reproduzem anualmente (Tabela 3. ficando entre 10 e 15 indivíduos por hectare na maior parte do tempo.5 Características reprodutivas de uma população de Euterpe edulis.99 (variando entre 0.

1993). 1993). Tal aspecto apresenta especial relevância na retomada da dinâmica de formações secundárias. 1959). refletindo valores reduzidos de recrutamento (menores que 1%).3.54 %) 12. Pirâmide demográfica de Euterpe edulis (adaptada de REIS.. que visitam intensamente as inflorescências de Euterpe edulis durante o seu amplo período de florescimento (REIS et al.447/ha (0. 1998). como aves e mamíferos de médio e grande porte.28 %) Produção de Frutos 377.100/ha (11. 1987. Os estudos destes autores indicam que uma ampla oferta de outros recursos na floresta durante o período de frutificação do palmiteiro. No entanto a importância da espécie como recursos alimentar e sua forte interação com a fauna são confirmados.. 1982. et al. mas compatíveis com a estrutura populacional da espécie.67 %) 23. Adultos Imaturos Jovens 2 Jovens 1 Plântulas Sementes Vivas no Solo Sementes no Solo 61/ha (0. os exsudados e as próprias partes da inflorescência são recursos alimentares procurados por grande diversidade de insetos. Por sua vez. 1995) A abundante produção de frutos e o amplo período de fornecimento destes apresentam especial relevância na manutenção da fauna. estes autores observaram até 1000 indivíduos por hectare com altura superior a 1. a fauna é responsável pela dispersão dos frutos. implicando numa contribuição imprescindível para a manutenção da dinâmica demográfica e do fluxo gênico da espécie (REIS. um grande valor ecológico.364/ha (4. Tais dados têm sido confirmados em estudos mais recentes que apresentam dados relativos a demografia da espécie (NEGREIROS.101/ha (80. 1992a. sendo sempre a espécie com maior freqüência e abundância no estrato médio (sub-bosque).10%) Figura 3.31 %) 2. et al. REIS et al. aumentando a diversidade nestas áreas e dando continuidade ao processo de sucessão (REIS. pois grande diversidade de animais. Em seus levantamentos.. contudo o crescimento nesta fase inicial é lento. NODARI et al. além de valor econômico e importância social.12 %) 1. 3. utilizam estes frutos na sua dieta básica (REIS. A adequação ao conceito de 'keystone' foi recentemente questionada por GALLETI e ALEIXO. pois a atração de vetores de dispersão de sementes (fauna) implicará na vinda de novas sementes.565/ha (2.3. se aproximando do conceito de "keystone" de TERBORGH (1986). . REIS.5 m.96 %) 53. e decorre de ser esta a espécie de maior ocorrência no extrato médio da Floresta Ombrófila Densa.. Desta forma a espécie apresenta. 1995). 1991.1994a. 1994b)..61 A regeneração natural da espécie é abundante. Além disso.013 %) 560/ha (0. em cinco anos de acompanhamento tanto em formações primárias como em formações secundárias (dados não publicados). o pólen produzido em abundância.565/ha (0.2ASPECTOS DEMOGRÁFICOS E FITOSSOCIOLÓGICOS A grande abundância do palmiteiro na floresta foi inicialmente caracterizada nos trabalhos de VELOSO e KLEIN (1957.

1987. 1994.. com exceção da classe 2-3 cm que reflete mais a regeneração natural. KLEIN (1974) caracteriza o palmiteiro como uma espécie esciófila. Isto porque o palmiteiro representa um dos principais suportes para a transformação de áreas até então consideradas improdutivas. ou seja. após drástica redução das populações naturais de palmiteiro. esta espécie volta a representar um papel de grande importância para a preservação da floresta. ALVES. em florestas altamente produtivas. nas diferentes classes de DAP para uma área de formação secundária na Floresta Tropical Atlântica. 1995). . REIS et al. diminuindo gradativamente quando se aproxima das classes superiores.. uma produção de cunho anual sem implicar em muitos gastos com insumos (REIS et al. Desta forma. São Pedro de Alcântara.. Sua maior abundância encontra-se quando associado a florestas que atingiram o seu clímax.) verificaram uma maior concentração de plantas nas classes iniciais. participando com a maior parcela da freqüência geral de indivíduos encontrados nestas classes (Figura 3. REIS et al. (sub. 1996). 1993. Os indivíduos reprodutivos são encontrados com baixa freqüência nas classes entre 6 a 10 cm e sua maior concentração se dá entre as classes diamétricas de 11 a 13 cm. Atualmente.. uma vez que o palmiteiro é uma das essências florestais de ciclo relativamente curto (8-10 anos) e capaz de produzir após um manejo adequado. 1987). de sombra. SC. Com relação à distribuição demográfica. tendo em vista que elas participam significativamente com as taxas de incremento das classes superiores. Sua ocorrência natural em áreas onde já houve a exploração da madeira ou mesmo em áreas abandonadas pela agricultura. distribuição geral e distribuição dos indivíduos reprodutivos. REIS. inicia quando se estabelecem as primeiras árvores como o jacatirão (Miconia cinnamomifolia) ou a caxeta (Psychotria longipes) ou a quaresmeira (Tibouchina pulchra) ou mesmo as capororocas (Rapanea ferruginea) e o araçá (Psidium cattleyanum).4 .. 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 Plantas/ha Reprod/ha Classes diamétricas (cm) Figura 3.Distribuição de freqüência de plantas de Euterpe edulis. contudo dentro de diferentes associações vegetais que lhe proporcionam sombreamento. BOVI et al.A. percebe-se que as plantas reprodutivas já ultrapassaram o ponto de máximo crescimento da espécie. mesmo em formações secundárias ou pequenos relictos (SILVA.4). ocorrendo.62 FANTINI et al. 1991.

o inventário permanente deverá avaliar os indivíduos adultos e jovens periodicamente.Adaptado de CONTE (1997) 3. Estrutura demográfica (freqüências de classes de DAP) de populações de palmiteiro avaliadas em diferentes locais. o produtor poderá avaliar a economidade da atividade e planejar o investimento de capital no manejo da floresta.Adaptado de REIS et al. incluindo os indivíduos em todas as classes de diâmetro. (1994) ***Floresta Nacional de Ibirama / IBAMA . Populações avaliadas / ano Classes de DAP Blumenau (SC)* / Sete Barras** (SP) / Ibirama (SC)*** / (cm) 1988 1993 1997 2-4 85 93 60 4-6 169 130 181 6-8 144 73 87 8-10 86 72 59 10-12 53 86 62 12-14 43 51 63 14-16 41 10 58 16-18 13 01 26 19-20 04 00 08 20-22 00 00 02 Total 560 514 609 *Fazenda Faxinal .Adaptado de RIBEIRO et al. condição essencial para o rendimento sustentado da mesma. ao mesmo tempo. Para se atingir este objetivo. o inventário de florestas nativas para fins de manejo tem se restringido a um simples levantamento do estoque de indivíduos de grande porte suscetíveis de serem abatidos. Quando o objetivo do produtor é conduzir um sistema de manejo florestal visando o rendimento sustentado dos seus produtos o inventário é a ferramenta capaz de garantir o sucesso do seu empreendimento.63 Esta estrutura demográfica tem sido encontrada em várias populações naturais amostradas. Isto significa acompanhar periodicamente o comportamento das populações destas espécies.4 INVENTÁRIO PARA O MANEJO DO PALMITEIRO O inventário florestal tem por objetivo descrever quantitativa e qualitativamente os recursos florestais de que se dispõe para se conduzir um programa de manejo desta floresta. como indicam os dados da Tabela 3. o inventário deve dar ao produtor uma visão dinâmica das espécies sob manejo. Tabela 3. No Brasil.6. (1989) **Parque Estadual Intervales (Saibadela) . estimar os recursos necessários para se conduzir o processo de exploração. Assim. é possível avaliar o volume de material reposto pela floresta num determinado período de tempo. A partir dos dados levantados no inventário é possível se fazer uma projeção do volume de produto a ser obtido e. Desta forma. resultando numa visão incompleta e por vezes distorcida da verdadeira condição de desenvolvimento da floresta. Neste tipo de inventário são avaliadas somente as árvores adultas.6. Deste modo. através de técnicas de dendrometria e métodos de amostragem .

que devem apresentar precisão de. A área a ser inventariada deve ser percorrida para se fazer uma avaliação expedita da vegetação e de fatores ambientais que possam determinar subunidades homogêneas da floresta. de 10 cm até 50 cm de altura de inserção. pelo menos. Para a consecução desta tarefa um mapa planialtimétrico em escala adequada ( 1 : 10. Algumas parcelas devem ser sorteadas. Neste mapa serão alocadas as áreas de preservação permanente e de reserva legal. entretanto. será alocada no campo e avaliada.64 adequados. A avaliação da regeneração natural é fundamental para se acompanhar a reposição do estoque de plantas e/ou determinar a intervenção para corrigir determinadas deficiências. mais de 50 cm de altura de inserção. o DAP (diâmetro a altura do peito). A pré-amostragem será a próxima etapa do inventário. Este parâmetro. Por isso. além de ser facilmente obtido apresenta alta correlação com o rendimento de creme da palmeira (ver FANTINI et.3 metros de altura de estipe. que é o diâmetro do estipe medido a uma altura de 1. pode-se optar pelo método de amostragem estratificado.. um milímetro. Cada retículo representará uma unidade de amostra (parcela) possível de ser amostrada. o número de parcelas a ser amostrado. Sugere-se o levantamento do número de indivíduos jovens (menores que 1. O objetivo da estratificação é reduzir a variância dentro dos estratos reduzindo. Para o inventário dos palmiteiros adultos. 3. O mapa deverá ser reticulado (quadriculado). um dos pontos básicos do sistema de manejo sustentado. em cada planta. onde a variância entre parcelas não exija um número muito elevado de unidades de amostra.000 por exemplo ) da área a ser manejada será imprescindível. dar subsídios para a escolha do método de amostragem a ser empregado. deve ser garantida pela adoção de métodos estatísticos de amostragem. Esta precisão é importante principalmente para a estimativa posterior do incremento corrente anual do palmiteiro.3 metros de altura de estipe) em três categorias: 1. além do número de indivíduos adultos deverá ser medido. de acordo com o método escolhido. al. AMOSTRAGEM Medir todas as plantas de uma floresta é uma tarefa praticamente impossível e por demais onerosa. Esta representatividade. 1992). Os dados obtidos da avaliação das parcelas que compõem esta pré-amostragem serão utilizados na estimativa da intensidade de amostragem necessária. sendo o tamanho de cada retículo proporcional ao tamanho da parcela escolhido. Para contornar este problema o produtor florestal pode se valer da amostragem que é a avaliação de apenas uma parte representativa de toda a população. . 2. alocadas no campo e avaliadas. conforme legislação vigente.3 metros acima do nível do solo. Esta avaliação inicial poderá. ainda. assim. e que se sorteada. o DAP é utilizado para a obtenção de índices técnicos para o manejo sustentado do palmiteiro. Até 10 cm de altura de inserção da folha mais jovem. Consideraremos como indivíduos adultos de palmiteiro aquelas palmeiras com pelo menos 1. Os métodos básicos de amostragem são o aleatório simples e o aleatório estratificado. Quando a área a ser inventariada apresentar diferenças na vegetação que possam ser facilmente detectadas. A primeira tarefa a ser realizada no processo de inventário é o reconhecimento da área. O método aleatório simples é recomendado para áreas com relativa homogeneidade em relação ao número de palmiteiros por hectare. O DAP pode ser obtido diretamente utilizando-se paquímetros.

53 14 0.61 12 0. correspondente ao máximo incremento biológico da espécie no local estudado. seja o objetivo estimar os parâmetros da equação : ICA = b0 + b1 DAP + b2 DAP . passa-se a ajustar equações de regressão tendo como variável independente o DAP e como variável dependente o ICA. a intensidade de amostragem poderá ser calculada pelas equações presentes no Módulo 1 desta apostila.65 Como pode ser observado. Por exemplo.35 0. Ajustam-se várias equações e posteriormente seleciona-se a que mais se ajusta aos dados.36 6 0.48 0. a partir dos dados abaixo.50 8 0.31 5 0.37 7 0. o erro admissível para a média.60 0.54 9 0.35 5 0.47 0.53 0.37 18 0. o diâmetro para abate das plantas. Este ponto definirá.40 16 0. Os dados de DAP e ICA devem ser obtidos apartir de unidades de amostra do inventário permanente. Uma vez obtida esta equação matemática pode-se estimar o ponto de máximo ICA.40 0.45 0. De posse dos dados.63 11 0.5 ESTIMAÇÃO DE EQUAÇÕES DE INCREMENTO CORRENTE ANUAL Um dos pontos fundamentais do sistema de manejo em regime de rendimento sustentado para o palmiteiro é a determinação da relação funcional entre o DAP (diâmetro à altura do peito) e o ICA (incremento corrente anual) das plantas individualmente. 2.60 0. Considerando estes parâmetros.57 10 0.42 0.52 0.40 17 0.60 10 0. Esta relação funcional expressa matematicamente o ICA de cada planta em função do seu diâmetro. a probabilidade estatística desejada para as estimativas. 3.36 DAP ICA 5 0. Os outros parâmetros a serem considerados são: 1.45 15 0. tomados do inventário sobre parcelas permanentes: DAP 4 4 5 6 7 8 9 9 10 10 11 12 13 14 15 16 17 ICA 0.32 0. o número total de unidades de amostras possíveis da área. a variância dos dados a serem levantados é um dos parâmetros básicos para a definição da intensidade de amostragem.46 9 0.35 2 Com os dados do exemplo foram ajustados os seguintes modelos : . pois.43 0. Para realizar esta tarefa pode-se fazer uso de pacotes estatísticos comuns.38 0.50 0.58 0.30 0. 3.

1987 ** Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste SNK (5%). Supondo-se que a equação escolhida fosse: ICA = 0.7 b 86.000265 * 2 3 0.00461 * 2 3 -0.2 c 62.8 b 37. 1991. Para tanto.8 b Sementes na superfície 30.004607DAP Então o máximo ICA seria o ponto correspondente ao diâmetro de 10.7 c 83.4 c 62.64 ICA=b0+b1DAP+b2DAP 0. 2 Modelos ICA=b0+b1DAP Coeficientes Significância a 5% R (%) 0. no município de Biguaçu-SC.09943DAP .1a 42.84 ICA=b0+b1DAP+b2DAP +b3DAP 0.108421 * 82.090509 * 99.8 c 53.3 c Mudas de raiz nua 57.5a 30. podaria-se distribuir uma determinada quantidade de frutos anualmente.4 b 32.79 cm.7).7 b 27.014047 * -0. Assim. BOT/FIT/UFSC.0. 40 e 52 meses.4 c 57.203354 * -0. em função da sua eficiência e baixo custo (Tabela 3.78 2 -0.3 34.17 ICA=b1DAP+b2DAP +b3DAP -0.8 b 37.038783 * 83.00554 * 2 0. Idade de avaliação (meses) * Sistemas de implantação 40 52 64 9 Frutos na superfície Frutos enterrados 42.4 40.0 b 36.09943 * 99.120864 * 0.66 0.9a 20.1a Sementes enterradas 41.2a 27.432735 * 0.6 b Plântulas de raiz nua 60. ao longo de vários anos. além de evitar um prejuízo total do trabalho caso ocorra um ano com condições climáticas adversas para a germinação das sementes.344106 * 84. o que favoreceria a formação de populações inequiâneas. pode-se calcular o ponto de máximo ICA achando-se a derivada primeira da equação.8a 27. ** 31.6ab .002239 ns ICA=b1DAP 0.2a 22. caracteriza-se a necessidade da recomposição do banco de plântulas do palmiteiro.8 38. Em locais onde suas populações tenham sido totalmente destruídas.9 * Adaptado de NODARI et al.1 c Médias 44.89 2 3.7 Sobrevivência (%) de plântulas de palmiteiro em seis sistemas de implantação sob condição de formação secundária da Floresta Tropical Atlântica. sugere-se que esta ação seja implementada em várias etapas. comparação na coluna.. avaliada aos 9. Tabela 3.002997 * -0.000066 ns Uma vez escolhida a equação.5 c 50.6 SISTEMAS DE IMPLANTAÇÃO DE Euterpe edulis A distribuição de frutos na superfície do solo é o sistema recomendado para a implantação do palmiteiro em florestas secundárias ou em florestas deturpadas. Florianópolis/SC.13 ICA=b1DAP+b2DAP -0.

Esta semeadura seria repetida mais duas vezes.53a 11. biologicamente o . Na Tabela 3. elevado grau de endogamia.16 3.9). Como.09 3.98 3.64 bc 9.13 2. Este fato se justifica pela alta probabilidade destas plantas apresentarem parentesco e. (regeneração natural. do experimento citado acima. seriam necessários 10 kg de fruto por hectare nesse período. comparação na coluna. eventualmente.8 Número de folhas. em seis sistemas de implantação sob condição de formação secundária da Floresta Tropical Atlântica.59a 7.BOT/ FIT/UFSC. Na classe de DAP entre 2 e 3 cm a redução no número de indivíduos reflete que nesta classe estão presentes grande número de indivíduos com altura inferior a 1. conseqüentemente. como aquelas plantadas em parques e jardins. não incluída na Tabela). com intervalos de dois anos. 3. Também as plantas que se localizem fora do ambiente natural da espécie. 1992.26 Médias seguidas da mesma letra não diferem entre si pelo teste SNK (5%). é recomendada a não utilização de frutos obtidos a partir de plantas isoladas. Sendo o palmiteiro uma planta de fecundação cruzada.94 c 10.14abc 11.46abc 9.60 Diâmetro do colo 7. Seria esperado que após o sexto ano do início da implantação do palmital houvesse uma população inequiânea de palmiteiro da ordem de 9000 plântulas por hectare.06ab 7.E.54ab 6.29 3. ser redefinidas a partir da avaliação da sobrevivência das plântulas ao longo dos anos de implantação. Estas quantidades poderão. Os dados de incremento em DAP e incremento em área basal por classe de diâmetro refletem a tendência de crescimento dos indivíduos na população.8 são apresentados os resultados da avaliação aos 52 meses. no município de Biguaçú-SC.7 PRODUTIVIDADE SUSTENTÁVEL DE PALMITO ATRAVÉS DO MANEJO DE Euterpe edulis Tomando por base os dados do inventário piloto para a E.18 b 7. de São Pedro de Alcântara obtidos em 1991 e 1992 (Tabela 3. devem ser descartadas para a doação de sementes.79a 8.3 m. Sistemas de implantação Frutos na superfície Frutos enterrados Sementes na superfície Sementes enterradas Plântulas de raiz nua Mudas de raiz nua Médias * Nº de folhas 3. O número médio de frutos por kilograma é de 1000. Outra questão que deve receber adequada atenção diz respeito à qualidade do material genético utilizado na recomposição do palmital.11 Altura da inserção * 10.67 Dados levantados por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina apontam para uma sobrevivência de 30 % para frutos jogados na superfície do solo. Se fosse o objetivo colocar na floresta cerca de 3000 plântulas por hectare por ano. avaliados aos 52 meses.38ab 6. altura da inserção da última folha e diâmetro do colo de plântulas de palmiteiro (Euterpe edulis).00 3. pode-se observar que grande parte dos indivíduos está nas classes de menor diâmetro. Tabela 3. Florianópolis/SC.91ab 10.

53) (0. ao menos. os dados relativos ao incremento desta variável são mais adequados para descrever o crescimento dos indivíduos. Pode-se observar na Tabela 3.24) 3. Assim. seria possível explorar 151 indivíduos (DAP > 8.9 que até a classe de 8 a 9 cm o incremento anual de área basal aumenta.46) (0.26) 2.68 aumento de biomassa é proporcional à área basal. Tabela 3. Classe Diamétrica 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 N 5 76 128 79 42 55 35 29 28 34 23 14 6 ICDAP (cm) 0.39 0. Considerando as matrizes conforme a Tabela 3. a melhor estimativa da relação mencionada é: ICAB = -20. para garantia de perpetuação do sistema. Além disso.43 0.46 0.54 (10. Contudo.59 (3.81 0.76 (8.4440 DAP2 Esta estimativa permite construir uma curva com os incrementos por classe de DAP (Tabela 3.91) 4. sendo 8.22) 13.11). Desta forma.43) 4.Tabela 3.64 0.10).11.27) 8.82 0.53 (4.13) 12.06) ICAB (cm) 3.53) (0.60) (0.15) 8.42) 7. terse-ia então 106 indivíduos para exploração no primeiro ciclo.61) (0. apresentando menores taxas a partir da classe seguinte.03 (0.75) (0.) mostra-se diretamente relacionado com a área basal.69) (0.48) (0.59) (0.43 (4. etc. .5230 + 7.47) A partir destes dados pode-se estabelecer uma relação funcional entre o incremento em área basal e as classes diamétricas.11 (6.59) (0.19 0.5 cm . NPFT. Incremento Corrente em DAP e em Área Basal por classe diamétrica para indivíduos de Euterpe edulis sob condições de Floresta Ombrófila Densa (formação secundária) na região de São Pedro de Alcântara/SC.40 0.9.45 (11.13 (9.21 0. creme.07 (9. há necessidade de manutenção de.13) 16.00 1.06 (10.15 0.57) (0.60 (1.35) (0. utilizando-se o método dos quadrados mínimos.6 cm o ponto de máximo incremento. 50 indivíduos reprodutivos por ha (porta sementes).23) 7.0.76) 0.6314 DAP . 1994.57 (6.78 1.75 (6. o rendimento comercial (palmito.

7965 7.5179 14 8.7244 13. 1994.7970 0.4042 28 5.5133 27 5.7521 10.1167 4.9186 8 5.0.8232 13.6732 12.6374 1.2738 3.7783 0.6624 22 6.8394 13.9897 8.8450 0.4975 13.91750 13.1215 33 4.10 Estimativa de Incremento Corrente Anual em Área Basal e Incremento Médio Anual em Área Basal (simulação a partir de uma idade pré-definida) para Euterpe edulis sob condições de Floresta Ombrófila Densa (formação secundária) na região de São Pedro de Alcântara/SC.3122 10. ter-se-ía um total de 51.34 Área Basal). 2 Basal ICAB= .9195 13.0188 16 7. .2502 30 5.8253 25 5.5285 11. (1992) (Rend (g) = 5.8323 0.3671 7.5465 10.35078 13.5757 13.7244 0.6861 1.0330 12 7.8117 0.0888 21 6.5757 1.9513 17 7.4975 2.0444 24 6.6732 6.57948 13.9195 4.8232 0.88392 12.6374 13.9722 11.6844 12.52230 13.5465 12.00250 13.3986 2.2569 19 7.9427 11 7.0938 7 5.4807DAP 1 ICAB = Incremento em Área Basal.7546 13.58156 8.59281 10.2738 13.02962 11.18284 6.1546 32 4.7783 13.6146 20 7.8323 13.8879 6 4.8834 6.9897 12.6339 + 8.9923 4 3.3181 29 5.2209 15 8.3192 23 6.6844 9.50699 13.16637 13.1167 13.69 Tabela 3.00826 12.89981 7.0837 4.7965 9.4508 5.8117 13.0000 4.88967 4.81363 13.9722 11.71496 13. 2 3 IMAB = Incremento Médio em Área Utilizando-se a estimativa de rendimento de FANTINI et al.7970 13.22.56205 ----------------------------------------------------------------------------ID= Idade Estimada.15781 9. ----------------------------------------------------------------------------1 2 3 DAP91 DAP92 ICAB ID IMAB ----------------------------------------------------------------------------4.2 kg de rendimento por ha no primeiro ciclo.0356 9 6.6861 13.7395 5 4.70082 13.3441 10 7.2405DAP .8394 0.3671 12.12968 13.0837 5.0317 18 7. NPFT.06450 11.5285 9.3986 13.84747 13.28330 13.4508 2.71141 12.6512 26 5.33952 13.8312 13 8.1967 31 4.05963 5.53101 5.7546 0.3122 11.04986 13.8834 6.87949 10.7521 8.

15 Total 1 3 N 5 76 128 79 42 55 35 29 28 34 23 14 6 Passíveis Disponíveis Matrizes de para exploração exploração Rendimento (Kg) Individual Por classe 17 29 28 34 23 14 6 151 2 1 4 1 3 9 10 8 8 6 50 2 16 26 19 24 15 6 106 0.0 9.7 11.3 34.95) .62 DAP + 16.11 11 .14 14 .2 2 17 19 21 67 3 2 5.E. Assim.56 DAP . chegaria até a classe 13 cm (Tabela 3. o ciclo de corte seria de 5 anos. NPFT. com um número de indivíduos por classe descrito a partir da relação estimada entre o número de indivíduos original e as classes diamétricas (estoque regulado).E. Tabela 3.10 10 .= Passíveis de Exploração . Desta forma.8 8.10 10 .E.12 12 .14 14 . Rendimento (g) = 5. obtendo-se os resultados da Tabela 3.6 51. Estimativa de rendimento em Euterpe edulis sob condição de Manejo de Rendimento Sustentado em Floresta Ombrófila Densa (formação secundária) na região de São Pedro de Alcântara/SC.56 0.7 8.66 0.11 11 .8 9.34 AB = 4. Tal definição é uma decisão que deve utilizar não apenas critérios biológicos. ter-se-á um número maior ou menor de indivíduos a explorar. 1994. por exemplo. Tomando por referência o ciclo definido pelo IMA estimado através de simulações que consideram diferentes idades para o DAP inicial (Tabela 3. 1994. D.13 13 . com 4 ou 6 anos.0 9.7 37. conforme o tempo para retomada da exploração (ciclo de corte).2 11.DAP limite corte = 8. restabelecendo um equilíbrio entre as classes diamétricas (distribuição diamétrica regulada).15 Total 152 101 67 46 35 32 32 31 29 20 1 546 1 4 1 3 9 10 8 8 6 50 17 29 21 15 82 5.194 DAP Faz-se necessária a definição do ciclo de corte para exploração. pois a idéia básica é estabelecer o tempo necessário para explorar novamente a mesma área.2 11.0.38 0.30 0. Em 5 anos o estoque restabelecido.55 DAP (R = 0. = Disponíveis para Exploração.40 .12). Rendimento (Kg/ha) (Kg/ha) (Kg/ha) 1 4-5 5-6 6-7 7-8 8-9 9 .166.5 cm.70 Tabela 3.8 13.E. Classes Diamétricas (cm) 2-3 3-4 4-5 5-6 6-7 7-8 8-9 9 .7 25.E.12 12 . regulado pela primeira intervenção. Rendimento D.0 9. NPFT.12.3 9.5 Distribui ção diamétrica regulada N = 588.8 17 29 21 21 88 5.76 0.2 P. Rendimento D.8 4. Estimativa de rendimento em Euterpe edulis sob condição de Manejo de Rendimento Sustentado para segundo ciclo (estoque regulado) sob diferentes ciclos de corte em Floresta Ombrófila Densa (formação secundária) na região de São Pedro de Alcântara/SC.2 11.88 - 4. Classes Diamétricas (cm) N Matrizes Rendimento por ciclo de corte 5 anos 4 anos 6 anos D. mas também critérios econômicos. Caso fossem utilizados outros critérios (ou até como simulação para análise) poder-se-ia definir um ciclo de corte distinto.13 13 .12.46 0.10).11. o pressuposto é que os indivíduos remanescentes ocuparão os espaços deixados por aqueles explorados.

= Disponíveis para Exploração Rend = 5. como requisito para obtenção do Grau de Engenheiro Agrônomo.1 684 637. conforme a opção definida para o ciclo de corte (4. Duração do Ciclo (anos) 4 5 6 Área total 100 100 100 Área por talhão 20 25 17 Rendimento no Primeiro Ciclo (Kg) ano 1 1280 1024 870. seriam estabelecidos 4.1 684 637.194 DAP (kg/classe) 2 Desta forma.1 684 637.13 Expectativa de rendimento por ano de exploração de Euterpe edulis sob condição de Manejo de Rendimento Sustentado com diferentes ciclos de corte. 5 ou 6 anos) seriam obtidas diferentes expectativas de rendimento comercial para a área.8 EXEMPLO DE PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTÁVEL2 1. 1994.13. Em termos práticos.4 Total 5120 5120 5222 Rendimento do Segundo Ciclo em diante (Kg) ano 1 646.4 ano 4 1280 1024 870. Tabela 3.5 ano 3 646.4 3420 3824.5 ano 4 646. na Área Experimental de São Pedro de Alcântara/SC.4 ano 5 1024 870. Obviamente tais expectativas estariam sujeitas às reavaliações previstas pelo modelo.9 Total anos 8 10 12 3.E.1 684 637.5 ano 2 646. NPFT.4 ano 6 870. obtendo-se os rendimentos expostos na Tabela 3. A partir do segundo ciclo (com o estoque regulado) as expectativas seriam diferentes. . INFORMAÇÕES GERAIS Proprietário do imóvel/Requerente: IBAMA Endereço: Floresta Nacional de Ibirama-FLONA Ribeirão Taquaras S/N Ibirama/SC Responsabilidade Técnica (Elaborador/executor) Rudimar Conte 2 Trabalho apresentado por Rudimar Conte à Universidade Federal de Santa Catarina.4 ano 2 1280 1024 870.5 Total 2584. 1997.4 ano 3 1280 1024 870.5 ano 6 637.9 Total Kg 2584.4 3420 3824.71 2 D.34 AB = 4. 5 ou 6 talhões e explorado um talhão anualmente até completar o primeiro ciclo.5 ano 5 684 637.

800 mm. 1986). sendo 21° C a média do mês mais quente e 13° C a temperatura média do mês mais frio. desempenha um papel ecológico fundamental no ecossistema. A literatura sobre o palmiteiro é bastante consistente. de 12 de dezembro de 2001. Topografia A topografia do local pode ser classificada como ondulada a fortemente ondulada. A espécie Euterpe edulis Martius. na medida em que estes sistemas prevêem a sua exploração a partir de parâmetros como o ponto de máximo incremento biológico. Objetivos específicos .Fazer uma análise econômica visando demonstrar a viabilidade do projeto. Anexo 1). segundo critérios de manejo sustentado. O palmito de Euterpe edulis se constitui em um dos principais produtos da Floresta Tropical Atlântica. Solos O solo da região é um Cambissolo Álico (Moser et al. A área de amostragem é cortada por pequenos córregos que deságuam no Ribeirão do Coxo. é altamente viável. bem distribuídas. CARACTERIZAÇÃO DO MEIO NA PROPRIEDADE Meio físico Clima O clima da região é do tipo Cfa-mesotérmico úmido com verão quente (Ide et al. 3. A análise econômica do projeto (Item 6) demonstra que a exploração do palmiteiro. A temperatura média anual situa-se entre 16 e 18° C.72 2. com precipitação anual entre 1. uma vez que mantém distintos níveis de interação com a fauna. Justificativas técnicas e econômicas A legislação do Estado de Santa Catarina define o palmiteiro como uma espécie passível de ser manejada desde que obedecidos os dispostos resolução do CONAMA No 294. 1980). apresentando entre 120 e 140 dias de chuva durante o ano e umidade relativa do ar entre 75 e 80% (Orselli. . . representando uma alternativa de renda a mais para o conjunto da propriedade agrícola.600 e 1. além de ser uma importante fonte de renda das áreas florestadas. O seu potencial como opção econômica dentro de sistemas de manejo em regime de rendimento sustentado é ainda maior. um afluente da bacia do Rio Itajaí-Açu (ver Folha Planialtimétrica.Estabelecer índices técnicos para exploração de palmito na área inventariada. OBJETIVOS E JUSTIFICATIVAS DO PMFS Objetivo Geral Aplicar os critérios de manejo sustentado estabelecidos pela legislação florestal de Santa Catarina visando a exploração do palmiteiro na FLONA de Ibirama-SC.Realizar um inventário florestal numa área de 38 hectares. principalmente no que se refere a critérios de manejo em condições de floresta nativa. abrangendo também os 38 hectares da área de amostragem na FLONA de Ibirama-SC. visando o manejo do palmiteiro. 1986). Meio biológico Vegetação . tendo a área de amostragem uma variação entre 300 e 350 metros de altitude. Hidrografia A área da FLONA de Ibirama é cortada na sua parte mais baixa pelo Ribeirão do Coxo.

eucalipto e araucária . em função da alteração do ambiente natural desses animais (VILMAR D. principalmente nas áreas de mais difícil acesso das propriedades rurais. com a escassez desses recursos. Inventário florestal Amostragem 3 Agente Administrativo da FLONA de Ibirama/SC . em bom estado de conservação.73 A vegetação original do local. e também áreas com reflorestamento de Pinus sp. a sede possui um veículo Gurgel para trabalhos de vistoria da área. Fauna O processo de exploração de madeira verificado até a década de 80 reduziu significativamente a cobertura florestal da região de Ibirama. comprometeu a diversidade da fauna nessa região. Rede viária: A FLONA é cortada por estradas de terra. juntamente com a prática das caçadas a animais silvestres. Além disso. são encontradas na forma de relictos florestais. Essa redução da cobertura vegetal. era composta de Floresta Ombrófila Densa Montana. de 4 de maio de 1994. SPRICIGO3. segundo Klein et al. Até poucos anos atrás. que permitiu o estabelecimento de animais silvestres incluindo pássaros e mamíferos (bugios. Meio sócio-econômico A região de Ibirama é caracterizada pela presença de pequenas propriedades de exploração agrícola. 4. Art. por volta da década de 50. houve exploração seletiva de espécies madeireiras. A amostragem para o inventário florestal foi realizada em uma área homogênea de vegetação em estádio secundário avançado de sucessão florestal.6 ha Área da reserva legal: (ha) Área de preservação permanente: (ha) Área do PMFS: 38 ha Área de floresta remanescente: Área de reflorestamento: Infra-estrutura: A área do Ibama possui uma sede composta por quatro casas. apesar de ter sofrido com o processo de exploração florestal na década de 50. a área da FLONA apresenta atualmente áreas de vegetação nativa em estádio secundário avançado (conforme Resolução N. Esse fato se deve ao processo de regeneração da vegetação nativa e a vigilância por parte do Ibama. Antes da área ser reconhecida como Floresta Nacional. parte da fonte de renda dessas propriedades advinha da exploração de madeira e da extração de palmito. aliado à proibição da exploração florestal desordenada. porcos-do-mato. O acesso à área objeto do inventário é feito por uma estrada de terra que se bifurca. compondo uma fauna relativamente diversificada. um galpão com garagem. MANEJO FLORESTAL Discriminação das áreas da propriedade Área total da propriedade: 570. . tatus e outros). 04. Por conta disso. Atualmente. escritório e depósito de materiais. comunicação pessoal). apresenta uma maior diversidade de animais em relação às propriedades da região. na maioria dos casos. (1986) e Veloso et al. (1991). C. constituindo os divisores dessa área. As poucas áreas remanescentes. 3°). apicultura e piscicultura de água doce.. os agricultores da região partiram principalmente para o cultivo do fumo e do arroz irrigado nas várzeas e na área animal a região se destaca na produção de leite. durante o período de realização do estágio na FLONA de Ibirama. cascalhadas. por outro lado. A reserva da FLONA.Entrevista informal no mês de agosto de 1997.

Os caminhos até as parcelas foram demarcados com estacas metálicas e fitas plásticas coloridas.Croqui da parcela de 40 x 40 m. A disposição das parcelas no mapa foi amarrada com o Norte Magnético para facilitar a sua demarcação no campo. sendo que na entrada dos caminhos foram dispostas etiquetas indicando o número de cada parcela.Implantação de uma Unidade Demonstrativa de Manejo de Palmiteiro na FLONA de Ibirama. suas peculiaridades e as possíveis diferenças de ambiente interno. Foi constatado que dentro da área não havia diferenças marcantes de ambiente que sugerissem a subdivisão em áreas homogêneas. foi demarcada uma área de 38 hectares com floresta em estádio de secundário avançado de sucessão florestal. mostrando as subdivisões de 10 x 10 m e a área em forma de cruz (2 x 40 m) utilizada para a avaliação da regeneração natural do palmiteiro. para o Projeto . que serviram para os trabalhos de préamostragem.5).74 Fazendo parte do convênio IBAMA/SUPES-SC/UFSC.5 . O mapa foi reticulado (quadriculado). . Para amostragem da regeneração. para locação das parcelas no campo. Em seguida foram sorteadas 10 parcelas. dividida em subparcelas de 4 m . A área a ser inventariada foi percorrida com o objetivo de se fazer um reconhecimento da vegetação. foram demarcadas parcelas de 40 x 40 metros (1. demonstrando que uma amostragem aleatória simples seria adequada para inferir sobre a área total. foi elaborado um mapa em escala adequada da área a ser manejada.600 m ). para facilitar o caminhamento na parcela. A demarcação das parcelas na área de amostragem foi realizada com bússola. 40x40 m 10x10m 2m 2 2 2 Figura 3.5). Trabalhos com manejo do palmiteiro na região do Vale do Ribeira . sendo o tamanho de cada retículo proporcional ao tamanho da parcela (40 x 40 m). subdivididas em subparcelas de 10 x 10 metros. com suas delimitações conhecidas para efeitos de amarrações. foi delimitada uma área em forma de cruz com 156 m (2 x 40 m). têm comprovado que a utilização de parcelas de 40 x 40 metros representam a área de forma eficiente no caso dos indivíduos adultos do palmiteiro. obedecendo ao critério de aleatoriedade. balizas e trenas. Para amostragem das plantas adultas.SP. constituindo um total de 39 subparcelas (Figura 3. Desta forma. e que duas faixas transversais de 2 x 40 metros que se cruzam no meio da parcela são suficientes para a amostragem da regeneração natural (Figura 3.

30 m) foram devidamente mapeadas e etiquetadas com número da parcela. Classe III .plântulas com até 10 cm. .7).plantas de 11 a 50 cm. e o estádio fenológico nas categorias: reprodutivo e jovem. consideradas pertencentes ao banco de mudas da espécie.30 metros (Figura 3. Para cada planta foram coletados dados de DAP. através de Paquímetro Florestal.6 Categorias do estádio fenológico do palmiteiro (Euterpe edulis). Para avaliação da regeneração natural.30 metros. Figura 3. foram avaliadas todas as plantas com altura de estipe exposta inferior a 1.75 As plantas adultas (com estipe exposta superior a 1. Classe II . Considerou-se como reprodutivas as plantas que apresentavam cacho ou mesmo sinais de emissão de cachos caso essas não apresentassem infrutescências e a categoria jovem foi utilizada para as plantas que ainda não entraram na fase reprodutiva (Figura 3.plantas maiores de 50 cm de altura de inserção da folha mais jovem e com estipe exposta inferior a 1. as quais foram agrupadas nas seguintes classes: Classe I .6). número da subparcela e número da planta dentro da subparcela. A categoria macho foi utilizada para as plantas que não eram reprodutivas e apresentavam retenção de folhas junto a estipe.

com destaque para a classe 4. e 3) Plantas reprodutivas. 2) Plantas “machos”.8%) e são encontrados em maior número entre as classes diamétricas de 2.0 cm. foram encontradas. 517 e 480 plantas adultas por hectare.0 cm. Definição da suficiência amostral Conforme exemplo do Modulo 1.76 Figura 3..8 apresenta a distribuição de freqüência por classe diamétrica das plantas de palmiteiro com altura de estipe exposta superior a 1. Foram consideradas plantas "machos" aquelas plantas com retenção de bainhas e que neste estado não emitem inflorescência. Sete Barras-SP (FANTINI et al.30 metros. incluindo as seguintes fases: 1) Plantas jovens que ainda não emitiram inflorescência. Dentro desta categoria os jovens participam com 388 plantas por hectare (63. Caracterização da área e Sistema de exploração Características da população de palmito na área inventariada: A área inventariada na FLONA de Ibirama se encontra em estádio secundário avançado de sucessão florestal.30 metros. enquanto que para Blumenau-SC (REIS. houve exploração seletiva de madeiras por indústrias madeireiras. foram encontradas 609 plantas adultas por hectare. respectivamente. sendo que as duas primeiras correspondem a formações primárias e a última a uma formação secundária. 1997). Segundo informações dos administradores da unidade.7 Classes da regeneração natural do palmiteiro (Euterpe edulis). antes da área ser reconhecida como Floresta Nacional. sendo que as árvores remanescentes do processo exploratório apresentam-se hoje com DAPs semelhantes aos encontrados em formações primárias. As plantas consideradas “machos” apresentaram uma freqüência de 90 plantas por hectare . 372.0 a 13. O levantamento demonstrou que a população de palmito da área inventariada apresenta um maior número de indivíduos em relação a populações já estudadas anteriormente. A Figura 3. Na categoria dos indivíduos adultos foram consideradas todas as plantas com altura de estipe exposta superior a 1. apresentando características similares de áreas com cobertura florestal primária. por volta da década de 50. 1993) e São Pedro de Alcântara-SC (CONTE. Nesta situação. 1995).

em sua maioria. na FLONA de Ibirama-SC. Com o envelhecimento da planta. sendo encontrados. nesse levantamento. A distribuição de freqüência geral apresenta um comportamento em forma de “J” invertido. com baixíssima freqüência.0 cm.0 a 6. 100 Número de plantas 80 60 40 20 0 2 3 4 5 6 7 8 Jovens = 388/ha Machos = 90/ha Reprod. Total 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Classes diamétricas (cm) Figura 3. portanto. A outra hipótese diz respeito à retirada clandestina de palmito da área por cortadores da região. Porém. nas amostragens de populações de palmito em Blumenau-SC. porém. em virtude da uniformidade no número de plantas da classe 8 até a classe diamétrica 16. Na primeira hipótese. quando se esperaria uma redução no número de plantas da primeira para a segunda classe em questão. sendo que sua ocorrência se dá a partir da classe 6.7%). o corte da estipe é dificultado por causa da lignificação da madeira e. Já. Neste sentido parece haver um desvio no comportamento normal de distribuição de freqüência desta espécie para a população de Ibirama. as observações de campo demonstram que na medida em que as plantas atingem classes de DAP intermediárias. além disso. Duas hipóteses foram levantadas para explicar o comportamento observado. Sete Barras-SP e São Pedro de Alcântara-SC. Já os indivíduos reprodutivos apresentaram uma freqüência de 131 plantas por hectare (21.30 m. é a partir da classe 10 que se observa sua maior abundância. respectivamente. encontrou-se um indivíduo com 25 cm de DAP. De acordo com FANTINI et al. diminuindo gradativamente com a aproximação das classes adultas. houve uma forte geada na região num passado recente. porém algumas permanecem nesse estado indefinidamente. as classes intermediárias são o alvo principal dos . representando a maioria dos indivíduos nessas classes superiores. = 131/ha Total = 609/ha Jovens Machos Reprod.77 (14. entre as classes diamétricas de 2. um caso excepcional.5%). porém fora da amostragem. criando com isso uma grande lacuna entre as plantas remanescentes e as que germinaram após o episódio. proporcionando esse tipo de comportamento. foram encontrados indivíduos com até 16 cm e. Para as plantas consideradas “machos”. segundo informações dos agricultores da região de Ibirama. Supõe-se desta forma que as plantas que hoje se encontram nas classes diamétricas intermediárias são os filhos daquelas plantas que sobreviveram após a geada e ainda não atingiram o equilíbrio quanto à estrutura demográfica. na sua grande maioria perdem essa característica podendo inclusive chegar a produzir inflorescência. causando grande mortalidade de palmiteiros jovens.8 . no caso do palmiteiro existe uma grande concentração de plantas nas classes iniciais. (1992).Distribuição de freqüência das plantas de palmiteiro com estipe exposta superior a 1. foram encontradas plantas em maior freqüência até 21 cm de DAP e.

conforme estabelece a Resolução 294/01 do CONAMA.7 0. a continuação do processo de reposição de plantas no chamado banco de mudas da espécie.061 0.78 cortadores pela facilidade do corte.9.9 . Classes de DAP (cm) 2 3 4 5 6 7 N/ha 1 59 113 68 50 37 AB (m ) 0.14 .(g) Classe (kg) 1 0 . o que garante.6 0.194DAP2).33 m 2 AB-reprod. Considerando que os indivíduos reprodutivos ocupam em maior expressão as classes diamétricas superiores. sendo que os reprodutivos participam com 2. a área basal por hectare de Euterpe edulis corresponde a 4. mostrando a participação dos indivíduos reprodutivos na FLONA de Ibirama-SC.19 m 2 Total Reprod.001 0.E Rendimento em creme Ind. Assim. A partir da classe diamétrica 12. D.155 0.E Reprod.2 0.3 0.9.Distribuição da área basal (AB) do palmiteiro.19 m2 desse total. considerando o diâmetro limite de corte (DLC) de 9. A Tabela 3.175 0.Estimativa de rendimento de palmito por hectare. Área Basal 0.1 0 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Classes diamétricas (cm) Figura 3. o grande número de indivíduos reprodutivos permite a seleção de indivíduos com alta produtividade de frutos.4 0. que utiliza como parâmetro a relação entre o DAP e o rendimento em creme da palmeira (Rendimento(g) = 4. Este fato é de fundamental importância para o manejo sustentado da espécie. as plantas mais velhas ou com estipe mais desenvolvida formam um estoque semelhante àquelas das classes intermediárias. Tabela 3. com base na equação de FANTINI et al. conforme se observa na Figura 3.163 0. O grande número de plantas observado na regeneração natural se deve ao grande número de plantas em fase reprodutiva naquela situação. 0. na FLONA de Ibirama.0 cm e a permanência de 50 indivíduos reprodutivos por hectare.33 m2. porque. Além disso. uma vez que permite a reposição do estoque extraído da floresta.5 AB-total = 4.14 apresenta a estimativa de rendimento de palmito por hectare. a sua grande abundância pode ser explicada por ambas as hipóteses.162 2 P. (1992) para Blumenau. os reprodutivos passam a participar com mais de 50% da área basal. mesmo com a retirada de algumas matrizes por ocasião da exploração da área. De acordo com a Figura 3. eles participam com 50% da área basal de todos os indivíduos considerados adultos na área sob manejo. chegando a atingir 100% nas últimas classes. = 2.

Neste sentido. O palmito em cabeça será estocado no máximo por uma semana em local limpo. sucessivamente. as plantas do estoque serão etiquetadas para que no próximo ciclo de corte essas não venham a serem exploradas.233 13.323 0. Cronograma de execução das operações de exploração florestal A área será dividida em 5 talhões de 7.939 10.610 1. para evitar a perda da qualidade. no momento da exploração.881 kg) por hectare no primeiro ciclo de exploração da área.763 1. protegido da radiação solar. os próximos ciclos estarão sujeitos a reavaliações. e o retorno à mesma área será feito após 5 anos para que possa sofrer uma segunda exploração. 673 kg (± 13.166 0. uma será mantida no primeiro grupo e duas no segundo grupo.045 0.704 8. a rede de estradas permite a circulação de animais e veículos que poderão ser utilizados para o transporte do palmito em cabeça até um pátio de estocagem. de 492 vidros de 300 gramas.352 0. em peso drenado.044 21. As picadas internas serão feitas de acordo com as necessidades locais. (1992). obtido na primeira exploração.E.488 0.650 16.E.860 14. de modo a explorar um talhão anualmente. O rendimento em palmito.394 0. etiquetas para identificação do estoque de matrizes.881kg] AB = Área Basal.673 Kg [±13.6 hectares.988 8.595 0 0 147. = Disponíveis para exploração. = Passíveis de exploração. Dessa forma.142 1. obteve-se um rendimento de 147. foice para abertura das picadas e favorecer o .194DAP2 (FANTINI et al.018 4. D.985 19.199 0. tendo em vista o impacto causado à floresta pelas explorações anteriores. 197 plantas por hectare. de acordo com o intervalo de confiança).332 0 2 3 5 5 7 8 9 5 2 1 0 1 1 50 29 33 32 35 28 32 26 17 9 7 1 1 1 251 27 30 27 30 21 24 17 12 7 6 1 0 0 202 379 462 555 655 764 882 1. (± 46 vidros.418 0. P.435 1. 1992) Considerando a permanência de 50 indivíduos reprodutivos por hectare obteve-se como disponíveis para exploração. para cada três plantas reprodutivas encontradas. Materiais e pessoal necessário para exploração florestal Os materiais necessários para a exploração do palmito são. Através da estimativa de rendimento proposta por FANTINI et al. Estrutura da rede de estradas e pontos de estocagem Conforme o croqui da área. o que proporciona um rendimento.207 0. O estoque de plantas reprodutivas ou porta-sementes será formado por 50 indivíduos por hectare.192 0.284 1.521 0.108 1.. Rendimento (g) = 4.168 18.836 13. será mais acentuado em virtude do estoque original e se estabilizará com valores menores nos próximos ciclos de corte em função da taxa de crescimento dos indivíduos remanescentes.008 0.284 0.595 1.79 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 Total/ha 30 29 33 32 35 28 32 26 17 9 7 1 1 1 609 0. Considerando um número médio de 131 reprodutivos por hectare na área inventariada e tendo em vista a dificuldade para estabelecer o estoque dessa categoria com distribuição homogênea.

considerando o projeto viável se sua TIR for igual ou maior que um custo de oportunidade de 6% ao ano. vii. a área será dividida em 5 talhões. Um outro método consistiu no cálculo da Taxa Interna de Retorno. e cada talhão terá uma área de 7. De acordo com a Tabela 3. com valores atualizados no final de 5 anos. 4) 2 vi. Desta forma.9 dH (dias Homem) e cada talhão necessitará de 22 dH. AVALIAÇÃO E PROPOSTA DE MINIMIZAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS Somente para áreas maiores ou iguais a 100 ha. A relação benefício/custo foi elaborada através da operação Receita Total/Custo Total. Custos do projeto Os custos inerentes ao projeto de exploração de palmito foram divididos nas seguintes etapas: 1) Elaboração do plano de manejo florestal sustentável por um profissional da área. Os dados relativos aos custos e receitas foram distribuídos numa tabela de fluxo de caixa. v. a mão-de-obra de uma pessoa consegue abater em torno de 70 plantas por dia. O transporte do palmito em cabeça da mata até o pátio de estocagem poderá ser feito através de carro de boi ou mesmo por veículo. ANÁLISE ECONÔMICA DO PROJETO A análise econômica do Plano de Manejo foi realizada por meio de instrumentos tradicionais de análises de projetos. a área será enriquecida com sementes de palmito oriundas de outras áreas. PROGNOSTICO DA QUALIDADE AMBIENTAL PELA IMPLANTAÇÃO DO PMFS Somente para áreas maiores ou iguais a 100 ha. 2) Taxa de liberação para manejo estabelecido pelo Órgão Estadual do Meio Ambiente (FATMA).80 transporte. aparentemente não se faz necessário o enriquecimento da regeneração natural. a mão-de-obra necessária para exploração de um hectare será de 2. Segundo informações de empresas ligadas à exploração de palmito no Estado de São Paulo.535 plantas na área do talhão. durante o período de realização do estágio. Como a regeneração natural da área a ser manejada apresenta 20. com fluxo líquido anual esperado e atualizado para uma taxa de 6% ao ano.488 plantas por hectare com um número de matrizes de 131 indivíduos por hectare. Considerando um ciclo de corte de 5 anos. O acompanhamento permitirá avaliar se o estoque de plantas matrizes é suficiente para manter uma regeneração natural compatível para reposição dos indivíduos adultos extraídos da floresta.6 hectares. 3) Taxa de fiscalização do manejo estabelecida pelo IBAMA. o número de plantas disponíveis para exploração no primeiro ciclo é de 202 plantas por hectare.13. Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural Será feito um acompanhamento da regeneração natural através de reavaliações anuais. perfazendo um total de 1. juntamente com o transporte até o pátio de estocagem (RONALDO RIBEIRO2 . Engenheiro Agrônomo. facão para o corte das árvores e a extração das cabeças de palmito. empresário de exploração de palmito no Município de Registro/SP Entrevista informal no mês de agosto de 1997. Se necessário. comunicação pessoal). corda para amarração dos feixes de cabeças de palmito. .

de acordo com o sindicato dos Engenheiros Agrônomos de Santa Catarina. 6) Gastos de transporte do palmito até a indústria: 6) Juros sobre a terra. enquanto as taxas representam o investimento inicial para legalização do manejo florestal. 7) ITR. respectivamente. As despesas do inventário representam o investimento inicial necessário para avaliação do potencial existente. 8) Depreciação. 5) Gastos com o transporte do palmito no interior da propriedade. .81 Mão-de-obra para a extração do palmito da floresta.15 apresenta os custos relativos aos honorários profissionais para elaboração do PMFS. e as taxas de liberação e fiscalização de áreas sob manejo estabelecidas pela FATMA e IBAMA. A tabela 3. manutenção e gastos com materiais utilizados para o processo exploratório.

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Tabela 3.15 - Custos relativos aos honorários profissionais para elaboração do Plano de Manejo Florestal e taxas de liberação e fiscalização de áreas de manejo. Descrição dos custos Custo p/38 ha Custo/ha R$ R$ Área de 25 ha: 1.849,00 UFIR*, acresce 1% por hectare sobre o valor básico para áreas maiores. 1.900,00 50,00 Taxa de liberação para exploração de palmito: 400 UFIR 364,00 9,57 Taxa de fiscalização: R$ 271,50 para áreas de até 250 ha, acresce R$ 0,50/ha sobre o valor básico para áreas 271,50 7,14 maiores. TOTAL (custo inicial) 2.535,50 66,71 * UFIR agosto de 1997: R$ 0,91 A Tabela 3.16 apresenta uma descrição dos custos de exploração de palmito por hectare para o primeiro ciclo de exploração. Tabela 3.14 - Custos para exploração de um hectare de palmito na FLONA de Ibirama. Descrição Und Quantidade Valor R$ Custo inicial Honorários para elaboração de projeto Taxa de liberação para exploração (FATMA) Taxa de fiscalização (IBAMA) Total custo inicial Custo operacional Mão-de-obra para exploração de palmito Transporte interno Transporte externo Manutenção de máquinas e equipamentos Total custo operacional ITR (Imposto Territorial Rural) Fonte: Dados do projeto UFIR UFIR dH dia ton ha ha ha 54,9 10,5 2,9 1 1 1 1 1 50,00 9,57 7,14 66,71 43,50 15,00 20,00 15,00 93,50 10,00

De acordo com a análise econômica, a exploração de palmito na área sob manejo da FLONA é altamente viável. O retorno ao investimento, neste caso incluindo-se a depreciação, acontece no primeiro ano, com um saldo líquido atualizado de R$ 882,35. A remuneração da atividade exploratória durante o primeiro ciclo de corte proporciona um renda líquida anual de R$ 3.700,44, o que corresponde a 2,57 salários mínimos mensais. Esta remuneração é bastante significativa quando comparada com uma atividade agrícola, tendo em vista que a renda está sendo proporcionada por apenas um dos recursos potenciais que a floresta pode proporcionar. A TIR do capital investido no projeto para o primeiro ciclo de exploração é de 141%, o que viabiliza o projeto considerando um custo de oportunidade de 6%. Além disso, durante o primeiro ciclo, para cada real investido são recuperados R$ 3,06, considerando-se um custo de oportunidade de 6% ao ano. A análise econômica de projetos sempre prevê a estabilização da atividade desenvolvida. No caso da exploração de palmito, no momento da elaboração do Plano de Manejo é possível fazer uma previsão até o período considerado como ciclo de corte, tendo em vista o

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não conhecimento do comportamento da espécie em termos de crescimento nas condições locais. Neste caso, a produtividade e, em conseqüência, a rentabilidade para os demais ciclos de exploração só serão conhecidas com a caracterização do crescimento, através de uma reavaliação pós-exploratória. Isto evidencia a necessidade do inventário contínuo da área sob manejo, tendo em vista o impacto causado à floresta pelo processo exploratório. Considerando a necessidade da conservação dos recursos florestais para o benefício dos animais e do homem, esta conservação deve proporcionar um recompensa para que o homem usufrua de maneira racional da potencialidade desses recursos. A execução de planos de manejo florestal sustentável permite conciliar conservação com economicidade, proporcionando uma fonte de renda para o agricultor e mantendo toda a biodiversidade do sistema, justificando desta forma o manejo de nossas florestas. 8 BIBLIOGRAFIA Bibliografia incluída na bibliografia do modulo 3 desta apostila. 9 DOCUMENTOS EXIGIDOS Em anexo ao Plano de Manejo Florestal Sustentável, deve seguir uma documentação comprobatória, conforme regulamenta a resolução 294 do CONAMA: 9.1 Documento que dá entrada ao processo de legalização da exploração florestal, ou seja, o proprietário manifesta o interesse para manejo de determinada espécie junto ao órgão de fiscalização florestal. 9.2 Prova de propriedade atualizada - Refere-se à matrícula mais recente do imóvel que comprove o título de propriedade do requerente. 9.3 Averbação de Reserva Legal - ARL 9.4 Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada - TRMFM - Este Termo declara os limites da área a ser manejada, podendo nela ser feita exploração florestal sob forma de manejo florestal sustentado (Anexo IV da Resolução 294) . 9.5 Comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural - Refere-se ao pagamento do ITR do ano anterior. 9.6 Croqui de acesso à propriedade, em relação ao município, onde a mesma se encontra localizada 9.7 Planta topográfica da propriedade em escala compatível com a eqüidistância, plotando: área total da propriedade, área de reserva legal, área de preservação permanente, área do PMFS, área de floresta remanescente, área de pastagem, área de agricultura, área de reflorestamento, área de banhado, infra-estrutura, hidrografia, rede-viária, localização das parcelas, confrontantes, norte-magnético, coordenadas geográficas, edificações, rede de energia elétrica, escala e convenções. 9.8 Cópia da caderneta de campo - São as planilhas de campo utilizadas para a coleta dos dados de amostragem, tanto da espécie a ser manejada quanto do levantamento das demais espécies. 9.9 Cópia do "Layout" das parcelas e subparcelas da regeneração natural. 3.9 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA E RECOMENDADA
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Isto reporta a . para o futuro da humanidade. na maioria das espécies de plantas. MORELLATO. toda e qualquer estratégia de conservação e/ou manejo deve considerar de forma integrada os organismos do ecossistema como um todo. como medidas dinâmicas da organização da diversidade genética (REIS. Mais recentemente. a partir de amrcadores genéticos. os eventos relativos à movimentação dos alelos são mediados pela fauna (BAWA et al. 1991). o termo diversidade genética tem sido empregado para caracterizar medidas objetivas (índices) que possam quantificar a variação genética em populações. Como reflexo seqüencial dos processos ao nível de população. do médio número alelos por loco. Tal aspecto é especialmente relevante em ecossistemas tropicais. 1996) Tais estudos são importantes não apenas por elucidarem o sistema reprodutivo de diversas espécies mas também pelo fato de ser o sistema reprodutivo um dos fatores mais diretamente associados aos níveis de diversidade genética e à distribuição da variabilidade genética entre e dentre de populações (HAMRICK et al. Em geral os níveis de diversidade genética tem sido caracterizados através da quntificação da percentagem de polimórficos. Mais recentemente. onde. Além disso. num nível espacial restrito. 1951]). O termo diversidade genética foi definido origalmente por NEI (1972) e se refere a quantidade potencial de heterozogotos em uma dada população. DIVERSIDADE GENÉTICA EM PLANTAS 4. o fluxo gênico (ou fluxo alélico) caracteriza o movimento de alelos a um nível mais amplo espacialmente. fluxo gênico é um termo coletivo que inclui todos os mecanismos que resultam no movimento de alelos de uma população para outra. FIT e FST [WRIGHT. 1979. HAMRICK E GODT.88 4. 1990). portanto. riqueza de espécies mais variabilidade genética dentro de espécies vegetais. 1990. Além disso. 1986. diversos organismos e componentes abióticos do ecossistema estão envolvidos de forma dialética. considerado as frequências genotípicas em equilíbrio de panmíxia (os indivíduoas da população se reproduzem a partir de cruzamentos ao acaso. 1973] ou FIS. especificamente. há que se considerar que os processos microevolutivos de cada espécie acontecem numa determinada comunidade ou ecossistema e. sem nehnhuma restrição.TERBORGH. Além disso tem sido também caracterizada a estrutura genética (distribuição da variabilidade entre e dentro das populações. estimada através dos coeficientes: HT.1985. Tais estudos trazem fundamentos tanto para o estabelecimento de estratégias de conservação. das heterozigosidades (esperada e observada) e do índice de fixação (coeficinete de endogamia). BAWA. entre duas gerações. Neste contexto. a taxa de cruzamento e o fluxo gênico. HS e GST [NEI. Conforme SLATKIN (1985). grande esforço tem sido realizado no sentido do entendimento da organização genética de populações naturais de espécies tropicais. a caracterização da taxa de cruzamento dá uma idéia da movimentação dos alelos no tempo ou.. como também para o estabelecimento de estratégias de manejo (utilização racional) das populações naturais de plantas .1INTRODUÇÃO Os estudos relativos a caracterização da diversidade genética em populações naturais de plantas tem gerado grandes avanços no conhecimento relativo aos processos microevolutivos.. Esta ênfase esta diretamente relacionada ao reconhecimento da importância da diversidade. e a população é grande suficiente para permitir que todos os genótipos possam se manifestar na frequência do equilíbrio).

(1992).186) e nos adultos (F = -0.113. Tal caracterização mostra-se mais adequada para o estabelecimento de estratégias de conservação e/ou manejo de populações naturais em plantas. O excesso de heterozigotos tem sido descrito para muitas espécies tropicais como Pithecellobium pedicelare (O'MALEY et al. o expressivo aumento de heterozigosidade nos adultos sugere uma sobrevivência ou recrutamento preferencial dos heterozigotos. uma vez que as forças evolutivas atuarão também pela limitação dos fatores de ambiente. distribuição da variabilidade. Por sua vez.2% dos locos são polimórficos e a heterozigosidade média é de 0. que não mostra uma tendência clara. 1992). Ceiba pentandra (MURAWSKY e HAMRICK.411). a competição intraespecífica e interespecífica devem ser componentes importantes na maioria das situações. como P. 4. apresenta especial relevância. 1993). Astrocarium mexicanum (EGUIARTE et al. pois a geração posterior poderá apresentar novos recombinantes ou mais recombinantes. Dentro de populações. Em ambas as situações. segundo EGUIARTE et al. 1987). edulis) especialmente se considerarmos aspectos demegráficos da espécie. A alta taxa de cruzamento obtida para várias espécies tropicais. para que se possa efetivamente manejar e preservar até o momento em que a restauração das áreas naturais possa seguir uma expação em níveis naturais. Entretanto. Psychotria faxlucens (PEREZNASSER et al. mexicanum. ou seja. em média. uma vez que permitem projeções mais realistas de eventos no espaço e no tempo. para espécies vegetais.. uma palmeira do sub-bosque das florestas tropicais da América Central. 1994). e P. taxa de cruzamento e fluxo gênico obtidas em diferentes populações (espaço) e em diferentes anos (tempo) permite uma caracterização efetiva da dinâmica da movimentação dos alelos em populações naturais. Os autores concluem que. em média. (2000) a existência de excesso de heterozigotos em populações naturais também é um fenômeno importante para o palmiteiro (E. A. os autores concluem que o sistema reprodutivo e a distribuição geográfica das espécies foram os fatores que mais contribuem para a variação dos dados..149. por diferentes motivos. como demonstrado por MARTINS e JAIN (1977) e JAIN e MARTINS (1979) para Trifolium hirtum . 50. Segundo OYAMA (1993). A integração das informações relativas aos níveis de diversidade. a sustentabilidade dos recursos é imprescindível. 34. Os autores incluem nestes trabalhos apenas dados provenientes de levantamentos em que os locos monomórficos estavam presentes nas estimativas da diversidade genética. Bertholetia excelsa (O'MALEY et al. Conforme REIS et al. permitindo adaptação a microambientes e a manutenção da dinâmica populacional. aliada a alta heterozigosidade estimada para a maioria delas. incluindo 449 espécies vegetais de 165 gêneros. a maioria delas não apresenta um padrão definido de aumento de heterozigotos nos adultos em relação às progênies. considerações sobre dados genéticos e demográficos podem auxiliar no entendimento da biologia evolutiva de populações de plantas tropicais. onde tanto adultos quanto progênies apresentam um excesso de heterozigotos. Nesta análise.2 ESTUDOS SOBRE DIVERSIDADE GENÉTICA EM PLANTAS HAMRICK e GODT (1990) analisam 653 estudos com alozímas. visando associar os níveis de diversidade a aspectos da história de vida e ecologia de espécies vegetais.89 aspectos relativos a demografia. mostra excesso de heterozigotos nas progênies (F = -0.. faxlucens.5 % dos locos são polimórficos e a heterozigosidade média é de 0. pressupondo amostragem ao acaso dos locos. mas não diferem entre si. 1988). 1992) e Cecropia obtusifolia (ALVAREZ-BUYLLA e GARAY. contudo. manejo ou conservação. pedicelare.

90 (leguminosa colonizadora). MURAWSKI et al.. a seleção se torna mais eficiente. HALL et al. Desta forma podem ser empregados para monitoramento do grau de comprometimento genético de populações naturais decorrente da fragmentação e erosão genética (KAGEYAMA. 1982) e aos distintos estádios sucessionais ou condições ecológicas. Desta maneira. Conforme OYAMA (1993). têm se mostrado especialmente interessante para a caracterização dos níveis de diversidade genética e sua distribuição nas populações (HAMRICK e GODT. que deve ser incluído. 1994. a identificação de genótipos mais adaptados a uma região (KAGEYAMA & DIAS. decorrentes da redução do tamenho efetivo populacional. a determinação de parâmetros genéticos. Apesar disto. visando fundamentar estratégias de conservação e manejo das mesmas (HAMRICK e LEVELESS. seja pela baixa frequências dos últimos seja pela interação com os vetores da movimentação dos alelos de ambas. no caso de enriquecimento com a espécie. 1991. SEBEN et al. KAGEYAMA e GANDARA. Uma das maneiras de caracterizar a variação. estes marcadores têm se mostrado eficientes para avaliar a diversidade genética e. se reduz.. KITAMURA e RAHMAN . HANRICK et al. ALVRES-BUYLLA e GARAY. especialmente o grau de endogamia existente em cada população analisada (HAMRICK e GODT. 1978). e discutido em BARRETT e KOHN (1991). se o tamanho das populações naturais em espécies tropicais. Essa estratégia permitiria a caracterização da estrutura genética de populações. Quanto mais o fenótipo corresponder a um genótipo. . é a utilização dos testes de procedência e progênie. 1992. a variação genética dentro de indivíduos é tão importante quanto a variação entre. Quando se conhece o genótipo. NASON e HANRICK. onde os níveis de diversidade elevados são comuns. maior será a eficiência da escolha. 1992a. Segundo OYAMA (1993).. MURAWSKI e HAMRICK. pois o ambiente tem pouco efeito na característica. evitar a endogamia e os efeitos de fixação por deriva genética. visando conservação. 1990. ou quase neutros. a conservação de espécies tropicais requer grandes áreas tanto para espécies comuns como para espécies raras.1992. 1989). A expressão fenotípica de uma característica é dependente do genótipo e do ambiente. possibilita a escolha de estratégias de seleção adequadas. a caracterização da natureza da herança de uma característica bem como a magnitude da variabilidade existente na espécie é de fundamental importância no melhoramento genético. são considerados marcadores neutros. 1993.. 1992. 1997). Em populações naturais o uso de marcadores genéticos codominentes.. Além disso fatores como a dinâmica de clareiras imprimem um dinamismo ao ecossistema ao longo do tempo. produzir sementes e também de conservar esta espécie. 1989). EGUIARTE et al. 2000. 1998) Diversos autores têm empregado essa abordagem para caracterização dos níveis de diversidade genética em populações naturais de espécies tropicais. As unidades de conservação devem ser grandes para a a manutenção do elevado nível de variação dentro das populações . 1994. PEREZ-NASSER et al. como as alozimas (isoenzimas) e os microsatélites. e. O conhecimento da genética de uma espécie. 1987. Estes marcadores podem ser considerados como uma amostra do genoma em relação ao grau de diversidade genética existente em cada população. 1993.b. Contudo.. também ficará reduzido o potencial de ocupação de novos microambientes ou alterações naturais destes. manejo e/ou coleta/ produção de sementes (REIS et al.. Da mesma forma podem ser empregados para avaliação do potencial e “qualidade” genética de populações naturais. 1993). 1984. de modo que não refletem a ação da seleção (BROWN.

Genipapo (Genipa americana – SEBBEN. 2000). canela amarela (Cryptocaria moscata – MORAES. Desta forma. palmiteiro (Euterpe edulis . uma vez que tais elementos são mediadores da movimentação dos alelos e. devem ser levandos em consideração para a conservação. uma 'população mínima viável' pode ser importante numa escala mais restrita. bem como pelo amplo período de oferta. Entretanto. 2000).REIS. 1998).1. pinheiro (Araucaria angustifolia – AULLER. no processo de conservação e manejo de espécies vegatais tropicais mostra-se como elemento estratégico. em sua grande maioria cobertos com formações secundárias em fase inicial ou intermediária de sucessão. imprescindíveis. pata-de-vaca (Bauhinia forficata – SANTOS. pariparoba (Piper cernuum – MARIOT. Tal situação implica num valor de uso extremamente reduzido para a maior parte das áreas originalmente cobertas por essa formação florestal.91 Populações grandes em ambientes não muito variáveis devem permitir que a seleção natural seja efetiva e implicam na possibilidade de uma adaptação aos microambientes existentes. 1994). LACERDA. aroeira (Myracrodruon urundeuva – MORAES.3 DIVERSIDADE GENÉTICA EM ESPÉCIES DA MATA ATLÂNTICA Várias espécies da Mata Atlântica também têm sido caracterizadas geneticamente a partir desta abordagem (Tabelas 4. envolvento as metapopulações. paineira (Chorisia speciosa – SOUZA. tanto pela qualidade quanto pela quantidade de frutos produzidos. possivelmente as variações na movimentação dos alelos refletem esse dinamismo. extinsão e fundação. especialmente empregando marcadores alozímicos: cedro (Cedrela fissilis . conforme menciona REIS (1995). 2001). . 2000). as evidências de variação no movimento dos alelos no espaço e no tempo sugerem uma concepção de conservação em escala mais ampla. Assim. portanto. 1997). espinheira – santa (Maytenus ilicifolia – SCHAFFER. Nas espécies perenes.. parece razoável considerar que as variações na movimentação dos alelos no espaço e no tempo indicam uma dinâmica em escala maior. onde o palmiteiro apresenta importância na Floresta Tropical Atlântica. onde a vocação de uso é a cobertura permanente. (1993). OYAMA (1993) chama atenção para as variações obtidas nas estimativas. contudo inpresecindível na manutenção dos processos microevolutivos. tem sido caraterizados e.3). 4. Neste contexto. o tamanho efetivo populacional tem sido uma aboadgem empregada par estimar o número mínimo de indivíduos requerido para sustentação de uma população. 1998). principalmente nas situações de maior declividade. 1992. são especialmente importantes espécies vegetais que garantam a alimentação e atração dos animais. população mínima viável. A manutenção da fauna. 1997). a reintrodução de espécies atrativas à fauna nestas áreas implica numa perspectiva de retomada ou aceleração da dinâmica sucessional.GANDARA. a sobreposição de gerações constitui um componente adicional e dilui estes eventos. no sentido da sustentabilidade daquela população.. CONTE. contudo. é a formação de fragmentos de diferentes tamanhos. Assim. 4. A realidade da Floresta Tropical Atlântica e de outras florestas tropicais. como anuais. como sugerem BARBAULT e SASTRAPRADJA (1995). Geneticamente. atualmente. 1995). enfatizando a dependência desses valores à aspectos demográficos das populações. entre outras. pela atração da fauna decorrente da produção de frutos. caxeta (Tabebuia cassinoides – SEBBEN et al. como em REIS (1996) e EGUIARTE et al. 2001). 1997). Em espécies de ciclo curto. 1996. os processos de colonização e recolinização. peróba (Aspidosperma polyneurmMALTEZ.2 e 4.

para evitar o contado direto que pode comprometer a integridade do material coletado. e que não apresentem sinais de predação ou parasitadas por microorganismos. No caso da caxeta (Tabebuia cassinoides). No campo devem ser coletadas as folhas mais novas. A partir da caracterização será avaliado o grau de diversidade genética e endogamia da população em questão e. (1998).5). conforme as recomendações de KEPHART (1990) e ALFENAS et al.6). 4. feita a recomendação de uso das sementes. Poderão ser empregados os protocolos disponíveis na literatura (como mencionado anteriormente) para as espécies onde estes já foram desenvolvidos. (2002) para a Araucaria angustifolia. Outro exemplo de caracterização de aumento de endogamia e erosão genética pode ser encontrado em AULER et al. 1998. 2000). podendo permanecer até um mês sem perder a qualidade para os trabalhos de eletroforese (FERRAZ et al.92 Em alguns casos os trabalhos têm sido realizados no sentido de demonstrar a existência de vantagem de heterozigotos e suas implicações para o manejo de populações naturais (REIS et al. O armazenamento do material será feito em refrigerador. Na Tabela 4. (1998) e nas rotinas que vêm sendo empregadas no Laboratório de Genética e Fisiologia do Desenvolvimento. A caracterização da diversidade genética pode ser realizada empregando-se marcadores alozímicos (ou micorssatélites. os trabalhos forma realizados no snetido de demonstrar que sistemas de manejo que não incorporam informações sobre a diversidade genética e o tamanho efetivo populacional nas estratégias de exploração (número de reprodutivos que permanecem). A variação genética pode ser caracterizada a partir das estimativas das freqüências alélicas e dos índices de diversidade (heterozigosidade. poderá ser caracterizada geneticamente uma amostra (tecido foliar individualizado) de indivíduos adultos e/ou de plântulas obtidas a partir das sementes da área de coleta/ produção de semente em questão.4 METODOLOGIA PARA AVALIAÇÃO Desta forma. procurando-se obter entre 8 e 12 locos para cada situação. de boa qualidade... 1994). As amostras foliares deverão ser obtidas de 30 a 50 indivíduos adultos.4 pode-se perceber a importância de níveis mais elevados de diversidade para o desenvolvimento e recrutamento de plantas de palmiteiro. . Em seguida as folhas serão colocadas em saco plástico para evitar a desidratação e transportadas em caixa de isopor contendo gelo protegido em saco plástico ou outro recipiente apropriado e ainda coberto com folha de jornal ou serragem. nestes casos estas serão submetidas para germinação e. Os autores demonstraram a existência de perda de diversidade genética em várias populações naturais avaliadas em Santa Catarina (Tabela 4. visando a obtenção de estimativas confiáveis para a população. levam a um aumento da endogamia e ocorrência de erosão genética nas populações manejadas (Tabela 4. nos casos em que os protocolos não estão desenvolvidos. quando possível). Para as espécies de maior demanda. Eventualmente podem ser empregadas plântulas obtidas a partir das sementes. a partir desta avaliação. podem ser estabelecidos novos protocolos com base nas recomendação de KEPHART (1990) e ALFENAS et al. posteriormente será realizada a coleta de amostras foliares. percentagem de locos polimórficos. revelados a partir de eletroforese em gel de amido (penetrose 30). nas situações demandadas.

A estimativa das freqüências alélicas. secundárias com dispersão pelo vento. como Imbuia (Ocotea porosa). Numa segunda etapa. juntamente com a percentagem de locos polimórficos (P). Araucaria (Araucaria angustifolia). do número médio de alelos por loco (A). a avaliação da diversidade genética pode ser realizada em duas etapas. O número médio de alelos por loco (A) é obtido a partir da média aritmética do número de alelos de cada loco.) ou em codição peculiar de interesse (endêmicas. podem ser realizadas empregando-se o programa BIOSYS-1 (SWOFFORD & SELANDER. A primeira etapa poderia incluir espécies hoje incluídas na lista de espécies ameaçadas e com histórico de exploração no Estado. Canala Sassafrás (Ocotea odorifera) . 1989). O índice de fixação / endogamia (F) será estimado como desvio da heterozigosidade esperada. indicada como aparentemente ameaçada pelas resultados do invnetário. fazendo-se a média aritmética entre locos. espécies representivas de diferentes grupos (pioneiras edáficas. originalmente comum e atualmente rara. xaxim (Dicksonia sellowiana) e algumas espécies de bromélias. A percentagem de locos polimórficos (P) é estimada considerando o número de locos que apresentam o alelo mais freqüente com ocorrência inferior a 95%. em cada amostra. etc. manejo e/ou domesticação. para cada amostra individualmente.Σpi2)/(2n – 1) (NEI. bem como fundamentos para definicção de estratégias de conservação.) poderiam ser caracterizadas. F = (Ho – He) / Ĥe Em relação ao Inventário Florestal visando as Espécies Ameaçadas de Exteinção em Santa Catarina. . das heterozigosidades médias observada (Ho) e esperada (He) e dos índices de fixação (F). priorizando espécies e áreas. os resultados trariam conhecimentos adicionais sobre a situação efetiva das espécies em questão. Em todos os casos. secundárias com dispersão pela fauna. A heterozigosidade média observada (Ho) pode ser obtida pela média aritmética das proporções do número total de heterozigotos em relação ao número total de indivíduos entre os locos analisados. em relação ao total de locos. em função das restições de tempo de recursos finaceiros. já com resultados parcias das avaliações demográficas.93 número médio de alelos por loco e índices de fixação/ endogamia). Já a heterozigosidade esperada (He) será obtida pela seguinte equação: He = 2n(1 . etc. etc. para cada loco. 1978) onde: n = número de indivíduos amostrados fazendo-se a média aritmética entre os locos estudados.) e situações (originalmente rara mas atualmente comum.

0 50.243 0.202 0.5 100.62 0.193 0.10 0.Heterozigosidade Observada. 2000.75 0.0 50.05 0.3 2. Genética EMBRPA/ 5 CNPF. Diversidade Genética de populações naturais de espécies do Domínio da Mata Atlântica [adaptada de (respectivamente): MORAES (1992).10 0.3 1.Heterozigosidade Esperada Tabela 4.0 50. 1981) *** frequências alélicas divergentes entre pólen e óvulo Tabela 4.864 1.0 1.97 tm 0. SHIMIZU et al.1.0 60.8 85.6 1.07 0.9 2.0 80.8 77.08 0.218 He 0.3.476 0.88 0.92 0.4 3.2.50 0. GANDARA (1996). MALTEZ (1997).195 0.182 0.2 2.07 -0.451 0.03 *** 0.351 0.03 ts 0.24 0.99 Stm** 0.80 0.222 0.995 0.257 0.2 2.266 0.08 0.0 75.0 2.945 0.0 77..6 2. ta = (1-f)/(1+f) . REIS (1996).14 0.94 Tabela 4.03 *** 0.98 0.92 0.86 0.503 0.925 0. 6Lab.01 Referência MORAES (1992) SANTOS (1994) GANDARA (1996) REIS (1996) MALTEZ (1997) SEBBEN (1997) SOUZA (1997) MORAES (1998) SCHEFFER (2001) ²LARGEA . 2000] N locos Espécie Myracrdruon urundeuva Bauhinia forficata Cedrela fissilis Euterpe edulis Arecaceae Aspidosperma polyneurum Genipa americana Chorisia speciosa Cryptocaria moscata Araucaria angustifolia Piper cernnun 3 4 14 14 7 7 8 8 8 9 9 20 20 10 10 N plantas 1020³ 252³ 34 150³ 200 1868³ 116 42 278³ 53 420³ 214 677³ 120 110 % P¹ 66.05 0. 2000 MARIOT.189 F 0.15 -0. He .15 ¹ % P .313 0.8 3.149 0. Estimativas da Taxa de Cruzamento* de espécies do Domínio da Mata Atlântica N locos Espécies Myracrdruon urundeuva² Bauhinia forficata² Cedrela fissilis² Euterpe edulis² Aspidosperma polyneurum² Genipa americana² Chorisia speciosa² Cryptocaria moscata³ Maytenus ilicifolia6 3 4 10 7 8 4 7 7 6 ta 0. MORAES (1998).0 2.211 0.150 0. Estrutura genética e fluxo gênico de espécies do Domínio da Mata Atlântica .238 0.8 2. 4 média de duas populações média de sete populações.63 1.227 0.05 *** 0.ESALQ/USP ³Laboratório Ecologia Evolutiva/ ESALQ/ USP.75 0.0 76.240 0.03 -0. AULER.34 0.248 0.344 0. SEBBEN (1997).04 0.82 0.30 0.7 Ho² 0.05 *** 0.300 0.0 100. ts and tm = média de locos simples e multilocos (Ritland and Jain.105 0.taxa de cruzamento aparente.452 0.0 A 2.284 0.245 0.percentagem de locos polimórficos ³Progênies ² Ho .77 0.323 0.4 3. SANTOS (1994).9 61.403 0. SOUZA (1997).7 100.436 0.03 *** 0.

150 0.41 0.013 -0. do Desenvolv. e Genética/ NPFT / UFSC 5 Laboratório de Genética/ EMBRAPA/ CNPF *numero de populações ** fluxo gênico ou número de migrantes Tabela 4.68 312.17 4.290 0.4.63 1.031 0.8 Locos Polimórficos (%) 66.038 0. 1998) Plantas sem Plantas com Índices de Diversidade crescimento Crescimento Amostra (n) 28 18 Alelos/locos 2.61 Autor HERRIT (1991) HERRIT (1991) HERRIT (1991) MORAES (1992) REIS (1996) MALTEZ (1997) SEBBEN (1997) SOUZA (1997) MORAES (1998) AULER (2000) MARIOT (2000) SCHEFF ER (2001) ²LARGEA .8 2.073 0.049 0.7 66.067 -0. de Fisiol.4 1.38 .4 0.02 0.058 0.033 -0.006 0.95 Espécies Cariniana legalis¹ Johanesia princeps¹ Cordia trichotoma¹ Myracrdruon urundeuva² Euterpe edulis² Aspidosperma polyneurum² Genipa americana² Chorisia speciosa² Cryptocaria moscata³ Araucaria angustifolia4 Piper cernnun4 Maytenus ilicifolia5 Np * 2 2 2 2 8 2 2 4 4 6 4 4 Fis -0.7 Heterozigosidade observada 0.05 0.064 0.11 -0.053 0.183 0.053 Fit -0.058 0.216 -0.007 0.ESALQ/USP ³Laboratório Ecologia Evolutiva/ ESALQ/ USP 4 Lab.061 0..079 -0.24 0.114 Fst 0.115 -0.000 4 0.21 10.006 0.065 Nm** 1.107 0.85 0.183 0.13 1.278 0.254 0. Índices de Diversidade para plântulas de Euterpe edulis com e sem crescimento em populações naturais de formação secundária (adaptado de REIS et al.520 0.069 0.495 -0.049 0.96 41.

96 Heterozigosidade esperada 0.25 0.32 0.05 .40 F (Fixação) 0.

120 -0..7 20.7 1.19 2.9 1. 2000) Índices de Diversidade e Taxa de Cruzamento Heterozigosidade Esperada (He) Heterozigosidade Observada (Ho) Índice de Fixação (F) Número Médio Alelos por Loco (A) Locos Polimórficos (% P) Amostra (n) Tamanho Efetivo (Ne50) Taxa Cruz.3 20. Diversidade Genética e Taxa de Cruzamento em população não manejada e manejada de caixeta (Tabebuia cassinoides) (adaptado de SEBBEN et al.783 0.3 Ho² 0. 2000 ² Ho . He .10 0.3 13.5.083 0.9 120 80.267 0.0 13.6 59 0.121 0. 2000] N locos População FLONA Três Barras Ranch Alegre–Lages Reserva Caraguatá Amola Faca – Lages Guamirím Gateados Parque Mun.092 0.061 0.0 13. Diversidade Genética de 10 populações naturais de Araucaria angustifolia [adaptado de AULER.0 40.044 0.03 Guam.31 0.Heterozigosidade Esperada .4 1.049 0.064 0.402 0.112 0.6 98.8 1.096 0.3 1. Multilocos (tm) Taxa Cruz. Lages EPAGRI Caçador Urupema ARIE Vitor Meireles 15 15 15 15 15 15 15 15 15 N plantas 29 22 34 40 40 27 44 36 41 % P¹ 33. Unilocos (ts) População manejada 0.053 0. Gateados + 15 Caçador “+ degradadad.3 76.7 1.9 92.104 0.106 0..061 0.8 1.17 0.207 0.077 0.234 0.4 1.3 19.3 46.720 não População manejada 0.071 0.059 0.1 75 0.97 Tabela 4.4 2.percentagem de locos polimórficos *SHIMIZU et al.6.058 0.116 0.Heterozigosidade Observada.0 40.3 43.35 2.5 84.895 0.05 0.690 Tabela 4.” 15 Parque Nacional Iguaçu * 10 ¹ % P .6 1.061 0.065 0.060 0.5 1.183 -0.25 0.102 0.27 0.108 0.208 0.240 He 0.248 F 0.061 0.0 A 1.

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médio e inicial de regeneração da Mata Atlântica será de iniciativa do IBAMA. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA. nos Estados em que a vegetação remanescente da Mata Atlântica seja inferior a cinco por cento da área original. aprovado pelo CONAMA. planos. no Decreto-lei nº 289. em estágio inicial de regeneração da Mata Atlântica. a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica. 5º Nos casos de vegetação secundária nos estágios médio e avançado de regeneração da Mata Atlântica.estabelecimento de área e de retiradas máximas anuais. informando-se ao CONAMA. 6º A definição de vegetação primária e secundária nos estágios avançado. informando-se ao Conselho Nacional do Meio Ambiente-CONAMA. A supressão ou exploração de que trata este artigo. da Lei nº 4. fundamentados.exercer função de proteção de mananciais ou de prevenção e controle de erosão. 14. mediante aprovação de estudo e relatório de impacto ambiental.elaboração de projetos. mas ficará sujeita à autorização pelo órgão estadual competente. de 15 de setembro de 1965. considera-se Mata Atlântica as formações florestais e ecossistemas associados inseridos no domínio Mata Atlântica. 3º Para os efeitos deste Decreto. e tendo em vista o disposto no art. Floresta Ombrófila Mista. utilizadas para consumo nas propriedades ou posses das populações tradicionais. Art. Floresta Ombrófila Aberta. entre outros aspectos. campos de altitude. inciso VI. ouvidos o órgão estadual competente e o Conselho Estadual do Meio Ambiente respectivo. 1º Ficam proibidos o corte. DE 10 DE FEVEREIRO DE 1993 Dispõe sobre o corte.prévia autorização do órgão estadual competente. de 31 de agosto de 1981. Parágrafo único. o parcelamento do solo ou qualquer edificação para fins urbanos só serão admitidos quando de conformidade com o plano diretor do Município e demais legislações de vegetação não apresente qualquer das seguintes características: I . e de acordo com o disposto no art. II . a supressão da vegetação primária ou em estágio avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser autorizada. Os requisitos deste artigo não se aplicam à explotação eventual de espécies da flora.938. Art. Parágrafo único. obedecerá o que estabelece o parágrafo único do ar.101 ANEXOS DECRETO Nº 750. com as respectivas delimitações estabelecidas pelo Mapa de Vegetação do Brasil. III . DECRETA: Art.ter excepcional valor paisagístico. III . § 4º. ouvido o órgão competente. em estudos prévios técnico-científicos de estoques e de garantia de capacidade de manutenção da espécie. no uso da atribuição que lhe confere o art. Art. restingas. Parágrafo único. e na Lei nº 6. VI . de 28 de fevereiro de 1967. atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. II . Floresta Estacional Semidecidual. Excepcionalmente.ser abrigo de espécies da flora e fauna silvestre ameaçadas de extinção. mediante decisão motivada do órgão estadual competente. da Constituição.não promova a supressão de espécies distintas das autorizadas através de práticas de roçadas. 2º A exploração seletiva de determinadas espécies nativas nas áreas cobertas por vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica poderá ser efetuada desde que observados os seguintes requisitos: I . quando necessária à execução de obras. Qualquer intervenção na Mata Atlântica primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração só poderá ocorrer após o atendimento de disposto no caput deste artigo. . 84. Art. Parágrafo único. Art. com anuência prévia do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA. e dá outras providências. serão regulamentadas por ato do IBAMA. 4º A supressão e a exploração da vegetação secundária. de acordo com as diretrizes e critérios por ele estabelecidos. 225. IBGE 1988: Floresta Ombrófila Densa Atlântica. brejos interioranos e encraves florestais do Nordeste. manguezais. a exploração e a supressão de vegetação primária ou nos estágios avançado e médio de regeneração da Mata Atlântica. bosqueamento e similares. Floresta Estacional Decidual. alíneas "a" e "b". 1º deste Decreto.771.

RESOLUÇÃO Nº 4. 6. de 10 de fevereiro de 1993. O IBAMA.CONAMA.938. com cobertura vegetal variando de fechada a aberta. c) representar aos conselhos profissionais competentes em que inscrito o responsável técnico pelo projeto. N. Incumbe os órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente-SISNAMA. coordenará rigorosa fiscalização dos projetos existentes em área da Mata Atlântica.028. de 31 de agosto de 1981. b) Fisionomia herbáceo/arbustiva de porte baixo. para apuração de sua responsabilidade. e Lei no. Art. que fará as exigências pertinentes. 11. de que tratam os Arts. de 09 de dezembro de 1993. de 01 de outubro de 1993. consoante a legislação específica. regulamentadas pelo Decreto no. Art. Art. 8º. Art. da Lei nº 6. os interessados darão ciência do empreendimento ou da atividade ao órgão de fiscalização local. Art. 3º Os estágios em regeneração da vegetação secundária a que se refere o artigo 6o. em articulação com autoridades estaduais competentes. 8. Art. considerando o disposto na Lei no. no prazo de cinco dias. e estimulará estudos técnicos e científicos visando a conservação e o manejo racional da Mata Atlântica e sua biodiversidade.º 114 de 17 de junho de 1994 – Seção 1 – Página 8877 O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE . no prazo determinado pela autoridade competente. DAP médio superior a 25 centímetros e altura total média superior a 20 metros.00 metros quadrados por hectare. DE 04 DE MAIO DE 1994 D.771. Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação. bem como a utilização das áreas de preservação permanente. Art. e tendo em vista o disposto em seu Regimento Interno. e: Considerando a necessidade de se definir vegetação primária e secundária nos estágios inicial. passam a ser assim definidos: I . 99. de 19 de novembro de 1992. do Decreto 750/93. 8. do Decreto 750. § 2º Para os fins previstos no parágrafo anterior. alterada pela Lei no. inciso III. e a fim de orientar os procedimentos de licenciamento de atividades florestais no Estado de Santa Catarina. de 15 de setembro de 1965. 8 A floresta primária ou em estágio avançado e médio de regeneração não perderá esta classificação nos casos de incêndio e/ou desmatamento não licenciados a partir da vigência deste Decreto. Revoga-se o Decreto nº 99.746. Parágrafo único. instauração de inquérito civil e propositura de ação penal e civil pública. § 1º Os empreendimentos ou atividades iniciados ou sendo executados em desconformidade com o disposto neste Decreto deverão adaptar-se às suas disposições. São nulos de pleno direito os atos praticados em desconformidade com as disposições do presente Decreto. formar corredores entre remanescentes de vegetação primária ou em estágio avançado e médio de regeneração. 1º Vegetação primária é aquela de máxima expressão local. 10. nos termos do art. de 31 de agosto de 1981.547. para fins de requisição de inquérito policial. 2º e 3º da Lei nº 4.102 Art. 12. nos casos de infrações às disposições deste Decreto: a) aplicar as sanções administrativas cabíveis. de 12 de abril de 1990.938. na Resolucão/conama/no. a ponto de não afetar significativamente suas características originais de estrutura e de espécies. 13. de 25 de setembro de 1990. 9º O CONAMA será a instância de recurso administrativo sobre as decisões decorrentes do disposto neste Decreto. ou ainda de proteger o entorno de unidades de conservação. sendo os efeitos das ações antrópicas mínimos.O. Art. 2º Vegetação secundária ou em regeneração é aquela resultante dos processos naturais de sucessão. onde são observadas área basal média superior a 20. de 06 de junho de 1990.490. 7º Fica proibida a exploração de vegetação que tenha a função de proteger espécies da flora e fauna silvestres ameaçadas de extinção. 10. O Ministério do Meio Ambiente adotará as providências visando o rigoroso e fiel cumprimento do presente Decreto. Art.Estágio inicial de regeneração: a) Nesse estágio a área basal média é de até 8 metros quadrados por hectare. resolve: Art. 8. . altura total média até 4 metros. médio e avançado de regeneração da Mata Atlântica em cumprimento ao disposto no artigo 6o. após supressão total ou parcial da vegetação primária por ações antrópicas ou causas naturais. 14.274. b) informar imediatamente ao Ministério Público. com grande diversidade biológica. podendo ocorrer árvores remanescentes da vegetação primária. no uso das atribuições que lhe são conferidas pela Lei no.U.

f) Distribuição diamétrica de grande amplitude: DAP médio de até 25 centímetros. j) Espécies indicadoras: j. com baixa diversidade. altura total média de até 20 metros.Estágio avançado de regeneração: a) Nesse estágio a área basal média é de até 20. se presentes. b) Fisionomia arbórea dominante sobre as demais.3) Floresta Estacional Decidual: Inga marginata (Inga feijão). Cortadelia sellowiana (Capimnavalha ou macegão). h) Serapilheira abundante. c) Espécies emergentes ocorrendo com diferentes graus de intensidade. Cortadelia sellowiana (Capim-navalha ou macegão). Biden pilosa (Picão-preto).00 metros de altura. Melinis minutiflora (Capim-gordura). podendo apresentar árvores emergentes.1) Floresta Ombrófila Densa:Rapanea Ferruginea (Capororoca). e) Epífitas presentes em grande número de espécies e com grande abundância. i) Ausência de subosque. Baccharis elaeagnoides (Vassoura). sendo mais abundantes na floresta ombrófila. b) Fisionomia arbórea e arbustiva predominando sobre a herbácea podendo constituir estratos diferenciados. Schinus therebenthifolius (Aroeira-vermelha). Baccharis dracunculifolia (Vassoura-braba). i) Diversidade biológica muito grande devido à complexidade estrutural.3) Floresta Estacional Decidual :Pteridium aquilium (Samambaia-das-Taperas). d) Copas superiores horizontalmente amplas. arbustivo e um notadamente arbóreo. quando existente.Melines minutiflora (Capim-gordura). j.1) Floresta Ombrófila Densa:Pteridium aquilium (Samambaia. Casearia silvestris (Cafezinho-do-mato). quando presentes. j.103 c) Espécies lenhosas com distribuição diamétrica de pequena amplitude: DAP médio até 8 centímetros. forma uma camada fina pouco decomposta.2) Floresta Ombrófila Mista: Cupanea vernalis (Cambotá-vermelho). f) Serapilheira. contínua ou não. associada a Dodonea viscosa (Vassoura-vermelha). árvore de 7.das-Taperas). f) Trepadeiras. Solidago microglossa (Vara-de-foguete). Baccharis elaeagnoides (Vassoura) . altura total média de até 12 metros. sendo mais abundantes e ricas em espécies na floresta estacional. principalmente na floresta ombrófila.2) Floresta Ombrófila Mista:Pteridium aquilium (Samambaia-das Taperas). Solidago microglossa (Vara-de-foguete). j. Solanum erianthum (Fumo-bravo). g) Diversidade biológica variável com poucas espécies arbóreas ou arborescentes. se existentes. h) Espécies pioneiras abundantes.Estágio médio de regeneração: a) Nesse estágio a área basal média é de até 15. . j) Estratos herbáceo. d) Distribuição diamétrica apresentando amplitude moderada. Andropogon bicornis (Capim-andaime ou Capim-rabo-de-burro). k) Florestas nesse estágio podem apresentar fisionomia semelhante à vegetação primária. são predominantemente lenhosas. são geralmente herbáceas. Solnum erianthum (fumo-bravo). e) Trepadeiras. Baunilha candicans (Pata-de-vaca). j) Espécies indicadoras: j. Senecio brasiliensis (Flôr-das-almas). c) Cobertura arbórea variando de aberta a fechada. Senecio brasiliensis (Flôr-das-almas).00 metros quadrados por hectare. briófitas e pteridófitas. com predomínio dos pequenos diâmetros: DAP médio de até 15 centímetros. j. Andropogon bicornis (Capim-andaime ou Capim-rabo-de-burro). Baccharis dracunculifolia (Vassoura-braba).00 a 15.00 metros quadrados por hectare. e) Epífitas aparecendo com maior número de indivíduos e espécies em relação ao estágio inicial. formando um dossel fechado e relativamente uniforme no porte. com ocorrência eventual de indivíduos emergentes. II . g) Serapilheira presente. são representadas principalmente por líquens. e as hemicriptófitas Melinis minutiflora (Capim-gordura) e Andropogon bicornis (capim-andaime ou capim-rabo-de-burro) cujas ervas são mais expressivas e invasoras na primeira fase de cobertura dos solos degradados. III . d) Epífitas. Baccharis elaeagnoides (vassoura) e Baccharis dracunculifolia (Vassoura-braba). podendo apresentar plântulas de espécies características de outros estágios. variando de espessura. g) Trepadeiras geralmente lenhosas. i) Subosque presente. h)Diversidadebiológicasignificativa. bem assim as tenófitas Biden pilosa (picão-preto) e Solidago microglossa (vara-de-foguete). de acordo com as estações do ano e a localização.

Parapiptadenia rígida (Angico-vermelho). Talauma ovata (Baguaçu). n. árvore de 15. de 31 de agosto de 1981. m) Dependendo da formação florestal pode haver espécies dominantes. Parágrafo Único. os demais parâmetros podem apresentar diferenciacões em função das condições de relevo. altura média e área basal média do artigo 1o. sendo seu limite austral a região de Tubarão.D. no uso de suas atribuições que lhe são conferidas pelo art. Psychotria longipes (Caxeta). previstas no Decreto 750/93. excetuando-se manguezais e restingas. Vernonia discolor (Vassourão-preto). na forma estatutária. Cecropia adenopus (Embaúba). do Superintendente do IBAMA/SC.2) Floresta Ombrófila Mista: Ocotea puberula (Canela guaica). no Decreto n° 750. de 1° de outubro de 1993 e 004. revogadas as disposições em contrário. Considerando o disposto na Lei n° 4. Da mesma forma.00 metros de altura. aparecendo també Alchornea triplinervia (Tanheiro). Schizolobium parahiba (Guapuruvu). Art. O Presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis . (Jacatirão -açu). Nectandra leucothyrsus (Canela-branca). especialmente no seu art. formando agrupamentos bastante densos. entretanto. começando a aparecer Euterpe edulis (palmiteiro). Portaria Interinstitucional n° 01. Alchornea triplinervia (Tanheiro). estão válidos para todas as demais formações florestais existentes no território do Estado de Santa Catarina. citadas no artigo 3º. Enterolobium contortisiliguum (Timbauva). n. de 16 de agosto de 1989. 16 e 18 da Lei n° 9. de 16 de agosto de 1989. que formarão os primeiros elementos da vegetação secundária. e no art. As restingas serão objeto de regulamentação específica.104 l) Subosque normalmente menos expressivo do que no estágio médio. no uso das atribuições previstas no art. nas Resoluções CONAMA n°s 001. de 04/06/96. 24. Euterpe-edulis (Palmiteiro). o seu estágio sucessional. com presença do Excelentíssimo Governador do Estado de Santa Catarina. clima e solos locais. com copas arredondadas e folhagem verde oliva. e os parâmetros de DAP médio. 6º Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicacão. da Estrutura Regimental anexa ao Decreto n° 78. Ocotea catharinensis (Canela-preta). do Regimento Interno aprovado pela Portaria Ministerial GM/MINTER n° 445. entre outras. inciso XIV.IBAMA. de 15 de setembro de 1965.00 a 20. Do Presidente do IBAMA. não são aplicáveis para manguezais e restingas. no uso de suas atribuições conferidas pelos arts. 68 do Regimento Interno aprovado pela Portaria Ministerial n° 445. de 17 de fevereiro de 1995. o que não descaracteriza. de 04 de maio de 1994. Piptadenia gonoacantha (pau-jacaré) e Hieronyma alchorneoides (licurana).O. e o Superintendente Estadual do IBAMA em Santa Catarina. Patagonula americana (Guajuvirá).3) Floresta Estacional Decidual: Ocotea puberula (Canela-guacá). de 23 de janeiro de 1986. Hieronyma alchorneoides (licurana) começa a substituir a Miconia cinnamomifolia (Jacutirão-açu). estes fatores podem determinar a não ocorrência de uma ou mais espécies indicadoras.U.1) Floresta Ombrófila Densa:Miconia cinnamomifolia. com as alterações introduzidas pela Lei n° 6. do Governador do Estado de Santa Catarina. de 30/07/96. 2?. Mimosa scabrella (Bracatinga). altura média e DAP médio definidos nesta Resolução.FATMA. de 05 de abril de 1991. 010. 5º Os parâmetros de área basal média.771. Chrysophylum viride (Aguai) e Aspidosperma olivaceum (peroba-vermelha). incisos I e III. em conjunto com o Diretor Geral da Fundação do Meio Ambiente . e do histórico do uso da terra. de 10 de fevereiro de 1993. desta Resolucão. do Secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente e do Diretor Geral da FATMA . Bathiza meridionalis (Macuqueiro).831. e Considerando a necessidade de disciplinar a exploração de espécies florestais nativas do Estado de santa Catarina nas áreas cobertas por vegetação primária ou secundária nos estágios avançado e médio de regeneração. RESOLVEM: . Art. Piptocarpa angustifolia (Vassourão-branco). n) Espécies indicadoras: n. 83. 4º A caracterização dos estágios de regeneração da vegetação definidos no artigo 3o.938. e o Secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente de Santa Catarina. Art.

2°. observando-se o ciclo de corte das espécies manejadas. 5° . 1° . de Plano de Manejo Florestal Sustentável . f) existência de estoque remanescente do recurso florestal que garanta a sua produção sustentada. objetivando tanto o seu enriquecimento mediante o plantio de espécies nativas da região. é obrigatória a apresentação e implantação de projeto de recomposição florestal.No PMFS. não se aplicam os critérios dos itens II. em volume do estoque dos indivíduos de cada espécie com Diâmetro a Altura do Peito DAP . no mínimo. 2°. g) manutenção de níveis populacionais do recurso florestal de forma a assegurar a função protetora à flora e a fauna ameaçadas de extinção. análise e controle dos impactos ambientais.É permitido ao proprietário do imóvel. b) caracterização da estrutura e do sítio florestal. 2°. e) procedimentos de exploração florestal que minimizem os danos sobre o ecossistema.Entende-se por manejo florestal sustentável a administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos e sociais. Art. III manutenção de 25% (vinte e cinco por cento). e d) desenvolvimento sócio-econômico da região.A execução do manejo florestal sustentável de que trata o artigo anterior somente será permitida mediante a apresentação. somente será permitida sob a forma de corte seletivo mediante manejo florestal sustentável. nativo ou plantado. ressalvadas suas responsabilidades assumidas para execução do PMFS. distribuídas de forma dispersa na área de exploração.Além dos princípios gerais e dos fundamentos técnicos estabelecidos no art. em adição à obrigatória condução da rebrota da touça remanescente.Além dos princípios gerais e dos fundamentos técnicos estabelecidos no art. respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo. quanto a manutenção da sua diversidade biológica. autorizar a exploração florestal por terceiros. II plantio das ponteiras dos exemplares explorados. 2° . das árvores secas e ocas existentes. objetivando a exploração de Xaxim (Dicksonia sellowiana). cujos diâmetros sejam superiores a 30 cm (trinta centímetros).PMFS. o PMFS. Parágrafo Único . com casca. pelo proprietário do imóvel. deve obedecer aos seguintes critérios: . Art. detentor do PMFS. para fins de abrigo e reprodução da fauna silvestre. o PMFS. c) identificação. III e IV estabelecidos no caput deste artigo. deve obedecer aos seguintes critérios: Iexploração limitada a 30% (trinta por cento) dos indivíduos adultos. 4 (quatro) espécies madeireiras com limitação de 40% (quarenta por cento). exceto para as espécies que. Art. objetivando a extração madeireira com fins industriais ou energéticos.105 Art. atendendo à legislação pertinente. conforme estabelecido nesta Portaria. Parágrafo Único .igual ou superior a 40 cm (quarenta centímetros). i) adoção de sistema silvicultural adequado. nas áreas cobertas por vegetação primária ou secundária nos estágios avançado e médio de regeneração no Estado de Santa Catarina. comprovadamente não alcancem o DAP especificado. d) viabilidade técnico-econômica e análise das conseqüências sociais. Parágrafo Único . o PMFS. IV no caso de floresta com baixo índice de regeneração natural da espécie explorada. de acordo com os respectivos ciclos biológicos. II exploração de. objetivando a exploração de Palmiteiro (Euterpe edulis). 4° . c) manutenção da diversidade biológica. ao IBAMA. II fundamentos técnicos: a) levantamento criterioso dos recursos disponíveis a fim de assegurar a confiabilidade das informações pertinentes. b) conservação da estrutura da floresta e das suas funções. mediante a apresentação de requerimento ao IBAMA. sempre que necessário. Art. medidos a 80 cm (oitenta centímetros) do solo. e j) uso de técnicas apropriadas de plantio. obedecidos os seguintes princípios gerais e fundamentos técnicos: Iprincípios gerais: a) conservação dos recursos naturais. objetivando a exploração isolada de Bracatinga (Mimosa scabrella). deve obedecer aos seguintes critérios: Isomente podem ser exploradas as espécies que apresentem estoques compatíveis com a garantia de conservação do ecossistema. 3° .A exploração de florestas nativas. h) estabelecimento de áreas e de retiradas máximas anuais.Além dos princípios gerais e dos fundamentos técnicos estabelecidos no art. no máximo.

quando este for destinatário da matéria-prima florestal. 6° . por hectare. além das áreas de preservação permanente definidas em Lei e que estejam integradas à legislação de conservação e preservação ambiental vigente. conforme Portaria n° 732. no mínimo 10. de 1° de abril de 1991. Art.O PMFS e o RCS somente serão aprovados em propriedades que tenham a área de reserva legal averbada em cartório. § 1° .RCS (Anexo I). dispensando-se a obrigatoriedade de apresentação de PMFS. 12 . correspondente a no mínimo 20% (vinte por cento) da área de cada propriedade com a devida cobertura vegetal. Art. 14 . observando-se os critérios estabelecidos nos arts 2°.Detectada qualquer deficiência no PMFS ou no RCS.O PMFS ou RCS deve ser protocolado em 1 (uma) via na Superintendência Estadual SUPES ou em uma de suas unidades descentralizadas. Art. § 2° .000 (dez mil) indivíduos por hectare. nas propriedades com área inferior a 30 ha (trinta hectares).Para o cumprimento do disposto nesta Portaria. no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) dias contados da data do recebimento da comunicação. nem gera direitos de exploração florestal antecipada. de 22 de novembro de 1993.ATPF será fornecida ao detentor do PMFS ou do RCS.TRMFM (Anexo IV).O PMFS e o RCS devem ser elaborados e executados sob a responsabilidade técnica de Eng° Florestal ou Eng° Agrônomo habilitado na forma da Lei e registrado no IBAMA. § 1° .O proprietário do imóvel rural que não possua a área mínima de reserva legal. § 2° .O deferimento da LAP não assegura a aprovação de PMFS ou do RCS. do IBAMA. acompanhado da nova ART de execução e comprovação de baixa da ART anterior. conforme Portaria Normativa n° 125-N. Art. identificados e distribuídos de forma dispersa na área de exploração para formar o estoque de plantas matrizes ou porta-sementes. 4° e 5°. 50 (cinquenta) Palmiteiros em fase de frutificação. 13 . somente se habilitará a apresentar PMFS ou RCS ao IBAMA após a recomposição das referidas áreas com espécies florestais nativas da região.106 Iexploração limitada a indivíduos com DAP igual ou superior a 9 cm (nove centímetros). de acordo com as espécies a serem manejadas. o manejo florestal sustentável é permitido mediante a apresentação ao IBAMA. 3°.30 m (um metro e trinta centímetros). mediante a apresentação da Declaração de Venda de Produtos Florestais . quando a regeneração natural for deficitária.Ocorrendo alteração de responsabilidade técnica pelo PMFS ou pelo RCS.TRARL (Anexo III) e o Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada . considera-se regeneração natural do Palmiteiro todas as plantas com altura do estipe já exposto. 8° . Art. integrante do quadro de pessoal do IBAMA.A ATPF será fornecida com os campos 1 a 8 e 14 a 16 preenchidos e após a expedição da Autorização para Exploração. Art.Oficializado de que PMFS encontra-se apto ao deferimento.O PMFS e o RCS devem ser analisados e vistoriados por Eng° Florestal ou Eng° Agrônomo habilitado.A aprovação pelo IBAMA de PMFS e de RCS depende de Licença Ambiental Prévia . ou o comprador que estiver registrado no IBAMA. o interessado deve apresentar à SUPES a prova de publicação da súmula do PMFS em um jornal de grande circulação no Estado de Santa Catarina. III manutenção de. o responsável técnico deve comunicar imediatamente ao IBAMA.DVPF.Para efeito desta Portaria. Parágrafo Único . 10 .A Autorização para Transporte de Produtos Florestais . pelo proprietário do imóvel. além das áreas de preservação permanente. 11 .A Autorização para exploração do PMFS e do RCS constitui instrumento de controle para a comprovação da origem da matéria-prima florestal.Excepcionalmente. o interessado deve ser notificado para atender às exigências técnicas e/ou jurídicas dentro do prazo estabelecido.Fica proibida a antecipação de exploração de qualquer quantidade de matéria-prima florestal sem a devida expedição da Autorização para Exploração. Art. devidamente averbados à margem da matrícula do imóvel correspondente. devendo ser efetuado. o plantio de mudas ou de sementes.LAP a ser emitida pelo órgão ambiental estadual competente. Parágrafo Único . o Termo de Responsabilidade de Averbação da reserva Legal . II manutenção de banco de mudas com. Art. bem como para compor a população com função protetora da fauna ameaçada de extinção. com seus respectivos parágrafos. o seu detentor deve apresentar um novo Contrato de Supervisão e Orientação Técnica. § 3° . no mínimo. § 1° . anualmente. 7° . 9° . mediante ofício acompanhado de Relatório Técnico de Execução. o PMFS deve obedecer o Roteiro Básico constante no Anexo II. . ocasião em que será expedida a Autorização para Exploração. de requerimento para Corte Seletivo . Parágrafo Único . inferior a 1. sob pena de seus indeferimentos. Art. de acordo com a legislação pertinente.Na ocorrência de baixa da ART.

18 . renovável por igual período. cuja intensidade. ao relatório.A comprovação técnica da plena recomposição dos estoques de que trata o caput deste artigo deve ser feita mediante a apresentação. § 1° . por parte do interessado. Parágrafo Único .O estabelecimento das parcelas permanentes do inventário florestal contínuo do PMFS deve observar intensidade. II operações de exploração florestal realizadas. conforme legislação em vigor. identificando-se os seus limites e mantendo-se as picadas de acesso. o PMFS ou o RCS devem ter as suas execuções interrompidas. incluindo a avaliação da área manejada contendo no mínimo as seguintes informações: Icaracterização da área após a exploração. § 5° .No PMFS específico para Bracatinga. Art. comprovadamente de recolhimento da respectiva taxa de vistoria técnica.O detentor do PMFS deve apresentar anualmente ai IBAMA o Relatório Técnico de Execução. a cada dois anos. em parcelas permanentes demarcadas por processo de amostragem sistemática.Nos levantamentos estatísticos. Art. arraste e transporte.Finda a execução do PMFS ou do RCS de uma determinada área. § 7° . os inventários florestais pré-exploratório e contínuo do EAS devem ser efetuados em 100% (cem por cento) da área a ser explorada. § 2° . do resultado das remediações das parcelas e das subparcelas de regeneração natural. III anexar. em prazo nunca superior a 1(hum) ano.É obrigatória a realização de inventário florestal pré-exploratório e contínuo. com remediações sucessivas a cada 2 (dois) anos. previstos no cronograma físico de execução. § 2° .O prazo de validade da Autorização para Exploração é de um ano.EAS de todas as espécies existentes. quando for o caso. forma e tamanho atendam aos objetivos do PMFS e a metodologia utilizada deve ser descrita e justificada. para fins de vistoria técnica. § 2° . . referentes ao corte. devem ser considerados o limite de erro de 10% (dez por cento) e a probabilidade de 5% (cinco por cento). 17 . ao IBAMA. Art. § 6° .As parcelas permanentes devem ser mensuradas e avaliadas antes e imediatamente após a exploração. forma e tamanho que atendam aos seus objetivos e a metodologia utilizada deve ser descrita e justificada. § 1° . 15 .É obrigatória a publicação da Autorização de Exploração e de suas renovações.107 § 2° . pátio de estocagem. podem ser aceitas parcelas temporárias. § 1° .Os módulos previstos no caput deste artigo não podem ter dimensões superiores a 50 ha (cinquenta hectares). Art. nova exploração nesta área somente pode ser admitida após a comprovação técnica da plena recomposiácão dos estoques iniciais. sendo os dados dendométricos levantados para todos os indivíduos. informando volume ou quantidades exploradas e remanescentes por espécie e as operações silviculturais. 16 .Nas parcelas permanentes devem ser levantados dados dendrométricos do Estrato Arbóreo Superior .O Relatório Técnico de Execução mencionado no caput deste artigo deve incluir a cada 2 (dois) anos o resultado das remediações das parcelas e das subparcelas de regeneração natural. IV justificativa técnica referente às operações não realizadas no prazo previsto no cronograma físico de execução do PMFS. incluindo estrutura da rede viária. dimensionado de acordo com o ciclo de corte da espécie manejada.Enquanto não houver contratação de novo responsável técnico.A Autorização de Exploração de mais de um módulo por ano fica condicionada a apresentação de justificativa técnica aprovada pela SUPES. § 3° . no prazo máximo de 15 (quinze0 dias contados da data do seu recebimento. devendo a área total de exploração ser dividida em módulos. acompanhado do Relatório Técnico da Execução da exploração efetuada com a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica . obedecendo orientação magnética uniforme.ART. observado o respectivo cronograma de execução. § 4° . dimensionamento do pessoal envolvido e equipamento utilizado. 19 . em volume. devendo ser substituídas aquelas cuja localização recaírem sobre áreas de preservação permanente.O PMFS deve levar em consideração a capacidade de produção da floresta. tantas vezes quanto necessário. Parágrafo Único . a ART emitida a cada visita do responsável técnico à área.A renovação do prazo de que trata o caput deste artigo pode ser autorizada mediante requerimento com justificativa. planta topográfica com localização da área já explorada e infra-estrutura construída.Nas parcelas permanentes devem ser estabelecidas subparcelas para o levantamento da regeneração natural.Para as espécies contingenciadas. sob pena do cancelamento desta Autorização. Art. contendo as orientações e observações prestadas ao detentor do PMFS. vedada esta possibilidade para aquelas espécies cujos estoques ainda estiverem ainda estiverem em fase de recomposição. devidamente assinado pelo responsável técnico.

938. previamente identificadas com plaquetas numeradas. tanto para benfeitorias nas propriedades ou posses das populações tradicionais. com vistas ao cumprimento desta Portaria. além da relação das árvores selecionadas. Art. além da relação das árvores selecionadas. IV área da propriedade.. acompanhado de ART e justificativa.108 Art. II promover ação civil pública e. 22 . Art. contendo levantamento de dados de altura. devem ser reformulados. VI localização (Rodovia. utilizando basicamente mão-de-obra familiar. 23 . em qualquer situação. DAP e volume individual e total. 25 . § 1° . ou ao comprador que estiver registrado no IBAMA. isolada ou cumulativamente: Imulta administrativa na forma da legislação pertinente. oficiar ao Ministério Público Federal visando a instauração de inquérito civil. contendo: Inúmero de protocolo. energéticos ou comerciais. quando este for o destinatário final da matéria-prima florestal. IV reposição florestal correspondente à matéria-prima irregularmente explorada. para benfeitorias nas propriedades ou posses das populações tradicionais. na mesma região há várias gerações e que dependem total ou parcialmente do extrativismo par sua manutenção. DAP e volume individual e total. o não cumprimento de suas disposições sujeitará o infrator às penalidades constantes do art.Além das sanções administrativas previstas nesta Portaria. pode ser autorizado mediante requerimento contendo o levantamento de dados de altura.). por espécie. de 31 de agosto de 1981. isolada ou comunitariamente. ambos dirigidos ao órgão ambiental estadual competente. inclusive os aprovados. que reside na pequena propriedade e depende da mesma para seu sustento. em quantidades superiores às estabelecidas no artigo anterior.Os PMFSs protocolados na SUPES/SC.Considera-se população tradicional tanto as famílias que residem. etc.938/81 e Decreto n° 750/93. 6. 20 . Parágrafo Único . Parágrafo Único . mediante a apresentação da DVPF. incumbe ao IBAMA: Idiligenciar providências e sanções cabíveis. Art. ambos dirigidos à SUPES/SC ou suas unidades descentralizadas. se for o caso. pode ser autorizado mediante requerimento do proprietário do imóvel. quanto a família rural. no seu acesso principal. Art. Município. por espécie.O IBAMA fiscalizará a execução do PMFS e do RCS.A aplicação das penalidades estabelecidas neste artigo não isenta o infrator das demais cominações cíveis e penais cabíveis.É obrigatória a colocação e manutenção de placa indicativa no PMFS. Gleba. 26 . . quanto para fins industriais. Vsuspensão do fornecimento do documento hábil do IBAMA.O corte eventual de árvores. e VIII . § 2° . limitadas a 20 (vinte) unidades e cujo volume não exceda a 15 m³ (quinze metros cúbicos).referência às Leis n°s 4. e III representar ao Conselho regional de Engenharia. obedecendo às disposições desta Portaria. a fim de se habilitarem às respectivas autorizações de exploração. na forma da legislação pertinente.A ATPF será fornecida ao detentor da autorização de aproveitamento de árvores mortas ou caídas. para o transporte e armazenamento da matéria-prima florestal.771/65. 24 . III recuperação da área irregularmente explorada. nas dimensões de 1. Arquitetura e Agronomia . Art.O aproveitamento de árvores mortas ou caídas em função em função de causas naturais. II embargo da atividade de exploração.0 m (um metro e meio por um metro). efetuado por profissional habilitado.O descumprimento do disposto nesta Portaria sujeitará os infratores às seguintes penalidades. 14 da Lei n° 6. VI cancelamento do registro dos responsáveis técnicos junto ao IBAMA. Art.A numeração das plaquetas mencionadas no caput deste artigo deverão obrigatoriamente constar nas notas fiscais emitidas pelo produtor. quando for o caso. bem como o aproveitamento de árvores mortas ou caídas em função de causas naturais. II nome do proprietário. 21 . VII nome do técnico responsável. acompanhado de justificativa. Parágrafo Único .5 m x 1. Várea do PMFS. III denominação da propriedade. descendente dos primeiros colonizadores da região. previamente identificadas com plaquetas numeradas.CREA em que estiver registrado o responsável técnico.Verificadas irregularidades ou ilicitudes na execução. para a apuração de sua responsabilidade técnica.

ouvida a Câmara Técnica. h) Licença Ambiental Prévia .ART de elaboração e execução. endereço. residente à _____________________________________. 28 . nacionalidade ___________________________________. juntam-se os seguintes documentos: a) prova e propriedade atualizada. em número de indivíduos e volume correspondente. 3Área da propriedade (ha). CGC ou CPF. para cada espécie explorada.109 Art. Para completar as informações.RCS Ilm° Sr. em número de indivíduos e volumes correspondentes. revogadas as disposições em contrário. Unidade da Federação de ____________________. se for o caso).LAP. 4Área de corte seletivo (ha). 2Localização. a ser efetuado em sua propriedade. compondo a regeneração natural. Nestes Termos. g) Anotação de Responsabilidade Técnica .Os casos omissos serão dirimidos pelo Superintendente Estadual do IBAMA. i) layout DAs parcelas e subparcelas da regeneração natural. Eduardo de Souza Martins Presidente do IBAMA Paulo Afonso Evangelista Vieira Governador do Estado de Santa Catarina Ademar Ubirajara Vieira Superintendente IBAMA/SC Ademar Frederico Duwe Secretário de Estado do Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente Vladimir Ortiz da Silva Diretor -Geral da FATMA Anexo I Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Superintendência Estadual de Santa Catarina Requerimento para Corte Seletivo .Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. número de registro no CREA e número do visto/região. profissão.TRL. CGC ou CPF. 8Estoque requerido para corte seletivo. profissão. 10 Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural. _____ de _______________ de 19 ____ ____________________________________ Proprietário . d) croqui esquemático da propriedade. emitida pelo órgão ambiental competente. se for caso). instituída pela SUPES. ______________________________________________________________. 5Área para reserva lega (ha). estado civil _______________. c) comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural . endereço completo. Distrito de _________________. quando for o caso. para cada espécie explorada. número de registro no CREA e número do visto/região. 27 . abaixo assinado. Pede Deferimento ____________________. e) croqui de acesso à propriedade em relação ao município onde a mesma está localizada. para cada espécie explorada.IBAMA/SC. número de registro no IBAMA. 9Estoque de plantas matrizes e com função protetora da flora e fauna ameaçadas de extinção. 12 Executor/responsável técnico (nome. f) comprovação de recolhimento da taxa de vistoria (Tabela de preços do IBAMA). b) Termo de responsabilidade de Averbação de reserva legal . 11 Elaborador/responsável técnico (nome. profissão _________________. 7Estoque existente no banco de mudas. conforme especificações abaixo discriminadas: 1Nome da propriedade. Município de _____________________. Superintendente Estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis . RG/Órgão Emissor/UF ________________________. requer a Vossa Senhoria Autorização para Corte Seletivo. CPF n° _______________.ITR do ano anterior. completo. Art. número de registro no IBAMA. 6Estoque existente por hectare e total.

1.2.1 Proprietário do imóvel (requerente)/elaborador/executor) 1. 4.1.2. é suficiente a indicação dos nomes comuns e científicos das espécies florestais ocorrentes e da altura total do fuste.1. 4. 4. 4.2.6 Área de pastegens (ha).DAP igual ou superior ao abaixo estabelecido para a espécie a ser explorada. alturas total e comercial. 4.Relatório final contendo as tabelas de saída para atender aos objetivos do manejo florestal.2 Elaborador/responsável técnico: nome.PMFS 1Informações Gerais 1. profissão. 1. 4.3 Anotação em caderneta de campo dos nomes comuns e científicos das espécies florestais.10 .3 Hidrografia 3.2. número do registro no IBAMA/categoria (consumidor e produtor industrial.1.1.2. endereço completo. 1.2. 4.1.12 .1 Denominação.10 .1 Clima 3. se for o caso.2 Número da matrícula ou registro/cartório/livro/folha.2.4 Locação em lay-out das parcelas do inventário florestal total e das subparcelas de regeneração natural. 1. 4.1.2. 1. 4. CGC ou CPF.Rede viária.2 Fauna 3.11 .9 Definição da intensidade de amostragem. 4. Para a regenenração natural.1. cujo diâmetro deve ser medido a 80 cm (oitenta centímetros) do solo: espécies madeireiras e Xaxim: 15 cm (quinze centímetros) Bracatinga (Mimosa scabrella) e Palmiteiro (Euterpe edullis): 5 cm (cinco centímetros) 4.5 Número da inscrição de cadastro no INCRA. endereço completo.1 Proprietário do imóvel (requerente): nome.9 Área de banhado (ha). 4.2 Solos 3.1. 4.2. com projeção das copas das espécies florestais em papel milimetrado e em escala individualizada.1 Vegetação 3. 4.3 Executor/responsável técnico: nome.1 Levantamento de dados dendométricos de todas as espécies florestais.1.1.Definição do tamanho e forma das parcelas. profissão. 4.1.2. qualidade do fuste e datas de medições. 4.110 Anexo II Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Superintendência Estadual de Santa Catarina Roteiro Básico para Elaboração de Plano de Manejo Florestal Sustentável . 4. numerando aquelas mensuradas e convencionando as que serão exploradas.1.7 Relação dendométrica utilizada. 4.7 Área de agricultura (ha).8 Área de reflorestamento.12 . diâmetros.2. 4. se for o caso. acompanhado da respectiva data de medição.1 Meio Físico 3.1 Área total da propriedade (ha).2. número do registro no CREA e número do visto/região. correspondentes aos indivíduos com Diâmetro à Altura do Peito .1.4 Topografia 3.2.2.11 . 4.2.3 Localidade.5 Área de floresta remanenescente (ha).2 Justificativas técnicas e econômicas 3Caracterização do Meio 3.2 Inventário Florestal O planejamento do inventário deve atender aos objetivos do PMFS. CGC ou CPF.1.2.2.1 Discriminação das áreas da propriedade 4. 4. 4.Listagem das espécies florestais (nome regional e científico) .2.Infra-estrutura. 1. 4. se for o caso).1.2 Meio Biológico 3.Hidrografia. 4.1. 2Objetivos e Justificativas do PMFS 2.2 Identificação da propriedade 1. 1.Área de reserva legal (ha). distribuídos em classes diamétricas que caracterizem o estoque a ser utilizado e o estoque remanescente. 1. número do registro no IBAMA.2. de acordo com aqueles definidos no item 2.6 Definição das variáveis de interesse do manejo florestal e justificadas.3 Área de preservação permanente (ha) 4.2.2. número do registro no CREA e número do visto/região.Análises estatísticas.2 Levantamento da regeneração natural. endereço completo.Análise estrutural da floresta.1.2. número do registro no IBAMA. 4. correspondente aos indivíduos com DAPs inferiores àqueles especificados no item 4. exceto para Bracatinga.1 .4 Município/Estado.3 Meio Sócio-Econômico 4Manejo Florestal 4.4 Área do PMFS (ha).5 Caracterização da área objeto do inventário florestal (população amostrada). CGC ou CPF.1. estabelecendo critérios e justificativas.13.8 Definição da metodologia adotada no processo de amostragem sistemática utilizada.1.2.13 .1 Objetivos 2. exceto para o Xaxim (Dicksonia sellowiana).

5.3. 5Avaliação e Proposta de Minimização dos Impactos Ambientais pela Implantação do PMFS com Área de Manejo Igual ou Superior a 100 ha (cem hectares). a amostragem da regeneração natural deve apresentar o levantamento da população amostrada em 3 (três) classes distintas de altura da inserção da última folha: 0 .2 -Valorização da matriz ambiental 6Prognóstico da Qualidade Ambiental pela Implantação do PMFS com Área de manejo Igual ou Superior a 100 ha (cem hectares). emitida pelo órgão ambiental estadual competente.1.3.5 Comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural .2 Para a Bracatinga.2 Prova de propriedade atualizada.2. para cada espécie florestal. 9. 4. dimensionando-a e calculando o número de árvores a serem suprimidas. área de pastagem. 5.1.3 Meio sócio-econômico 5.2 -Para o Palmiteiro.4 Do Trato silvicultural 8Bibliografia 9Documentos Exigidos.3.4. no módulo e na área total.5 .1 Do inventário 7. para cada espécie florestal. no módulo e na área total. efetuar o plantio das ponteiras dos exemplares já explorados.4 Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada . 9. localização.2 Para o Xaxim. no hectare.2 Meio biológico.3.4. 4.1 Para as espécies madeireiras.5 Apresentação da metodologia das operações de exploração florestal.13.1.LAP.2.1 Avaliação dos impactos ambientais.2.2 Estrutura da rede de estradas. antes e após a exploração florestal. 4. em relação ao município onde a mesma se encontra localizada.3. 4.1.3.2.3 .2.11 Contrato de elaboração. infra-estrutura.8 Comprovante de recolhimento da taxa de vistoria técnica (Tabela de Preços do IBAMA). 9.2 -Medidas e programas x componentes 5. 7.2. rede viária. no hectare.2.Área basal por classe de diâmetro.1.ITR do ano anterior. 7Cronograma Físico-financeiro 7.3. observar o ciclo de corte de 6 (seis) anos.4 Sistema Silvicultural 4. rede de energia elétrica.1.3 Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal .3. 7.3 Dimensionamento do pessoal envolvido na exploração florestal. pátios para estocagem da matéria-prima explorada (quantidade.50 cm (dez centímetros e um milímetro a cinqüenta centímetros) e maior que 50 cm (cinqüenta centímetros).1.13.7 Planta topográfica da propriedade em escala compatível com a eqüidistância.UTM. 5.1 .3. 4.1 -Atividades x componentes 5.Volume por classe de diâmetro. para cada espécie florestal . 4. área de floresta remanescente.1 -Qualificação 5.1 corte de cipós e lianas. edificações. 4. 5.Número de árvores por classe de diâmetro. 4. coordenadas geográficas ou Unidades Transversal Mercator . supervisão e orientação técnica entre o proprietário do imóvel e o engenheiro responsável.9 Licença Ambiental Prévia .2.3 Sistema de Exploração 4.2.4 . 4.1 Metodologia de avaliação 5. conforme espécie selecionada para manejo.6 .3 Matriz ambiental 5. 9.2 Meio biológico. minimizando a área de infra-estrutura a ser construída. 5. norte magnético.2.2 Da exploração 7. em espaçamento aproximado de 3 m x 3 m (três metros por três metros). 4.6 Croqui de acesso à propriedade. 9. área) e picadas de arraste. 4.3 Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural.1.1 .3. 9. área de agricultura.1.ART de elaboração e execução. 4.1. hidrografia. 9.3 . área de reserva legal. observar o ciclo de corte de 10 (dez) anos.4 Dimensionamento dos equipamentos.3 Para o Palmiteiro. área de preservação permanente.13.2. confrontantes. apresentar a relação entre as áreas basais dos indivíduos adultos e da população das demais espécies arbóreas. 4.12 Cópia da caderneta de campo. no módulo e na área total. 9. escala e convenções.3.13.TRMFM 9.3.10 Anotação de Responsabilidade Técnica .TRAL 9.1 Meio físico.13 Cópia do layout DAs parcelas e subparcelas da regeneração natural. se necessário.2 .Levantamento expedido com marcação das árvores selecionadas para corte.Número de indivíduos e volume a serem explorados por espécie.2 Proposta de minimização dos impactos 5.1 Requerimento do proprietário do imóvel ao Superintendente Estadual do IBAMA.Para o Palmiteiro e para o Xaxim. no hectare. área de reflorestamento área de banhado. plotando: área total da propriedade. 9. observar o ciclo de corte. bem como comporão a população com função protetora à fauna ameaçada de extinção. área do PMFS.4. .3 Meio sócio-econômico 5. com área basal e o volume por espécie e total.3. localização das parcelas.3.Para o Palmiteiro.7 Avaliação dos custos e rendimento das operações de exploração florestal.13. 4. 9.3.6 Cronograma de execução das operações de exploração. apressentar o levantamento com plaqueteamento dos exemplares que formarão o estoque de plantas matrizes ou porta-sementes. 4. 4.10 cm (zero a dez centímetros). 7.1.1 Meio físico.111 4. 9. 5.2. 10.1.1 Caracterização da área. 4.

com área total de _________ hectares. estado civil ____________. assume a responsabilidade de efetuar a averbação do presente Termo. o Senhor __________________. seus herdeiros ou sucessores a fazer o presente gravame sempre bom. Município de _____________. O atual proprietário compromete-se por si.771/65. fica gravada como de utilização limitada. O atual proprietário compromete-se por si. desde que autorizado pelo IBAMA. tendo em vista o que dispõe as legislações florestal e ambiental vigentes.112 Anexo III Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Superintendência Estadual de Santa Catarina Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal . Município de _____________. do livro _______________ do _____________ Cartório de Registro de Imóveis. Distrito de _______________. acompanhado de planta topográfica delimitando a área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente. estado civil ____________. neste Estado. CPF ________. registrado sob o n° ___________. onde a floresta ou forma de vegetação existente. legítimo proprietário do imóvel denominado ____________. CPF ________. que também assina. registrado sob o n° ___________. 16 da lei n° 4. o Senhor __________________. que finalmente rubricam 3 (três) vias da planta topográfica. Distrito de _______________. firme e valioso. do livro _______________ do _____________ Cartório de Registro de Imóveis. fls.TRMFM Aos _____ dias do mês de _______________ do ano de _______. fls. podendo nela ser feita exploração florestal sob forma de manejo florestal sustentado. filho de _________________________ e de _______________________. conforme disposto no § 2° do art. firme e valioso. Unidade da Federação de ______________. Unidade da Federação de ______________. não inferior a 20% do total da propriedade compreendida nos limites abaixo indicados. profissão _____________________________. ____________. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ Limites da Área de reserva Legal (descrever de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte integrante do presente Termo) _____________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ Firma o presente Termo em 3 (três) vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA. ____________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________ Limites da Área de Floresta a ser Manejada (de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte integrante do presente Termo). filho de _________________________ e de _______________________. _____________________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ . com área de ______ hectares. nacionalidade ______________. declara perante a autoridade competente. neste Estado. ____________________________ _______________________________________ Superintendente do IBAMA Proprietário Testemunhas: Nome: ______________________________________________ RG/N° ______________________________________________ ________________________ Assinatura Nome: _______________________________________________ RG/N° _______________________________________________ ________________________ Assinatura Anexo IV Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis Superintendência Estadual de Santa Catarina Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada . residente à _________________. nacionalidade ______________. Características e Confrontação do Imóvel (descrever de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte integrante do presente Termo). Características e Confrontação do Imóvel (descrever de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte integrante do presente Termo).TRARL Aos _____ dias do mês de _______________ do ano de _______. RG/Órgão Emissor/UF _______________________ legítimo proprietário do imóvel denominado ____________. residente à _________________. seus herdeiros ou sucessores a fazer o presente gravame sempre bom. ____________. e das testemunhas abaixo qualificadas. Município de ______________. correspondente a ______________ por cento da área da propriedade. não podendo nela ser feito qualquer tipo de exploração sem autorização do IBAMA. fica gravada como de utilização limitada. profissão ____________________. Município de ______________. que a floresta existente na área de _____________ ha.

análise e controle dos impactos ambientais. de 15 de setembro de 1965. O CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE . b) caracterização da estrutura e do sítio florestal. de 31 de agosto de 1981. c) identificação. nº 4.princípios gerais: a) conservação dos recursos naturais. observando-se o ciclo de corte das espécies manejadas. resolve: Art. de 23 de janeiro de 1986. nº 10. somente será autorizada sob a forma de corte seletivo mediante manejo florestal sustentável. d) viabilidade técnico-econômica e análise das conseqüências sociais. g) manutenção de níveis populacionais do recurso florestal de forma a assegurar a função protetora da flora e da fauna ameaçadas de extinção.113 O proprietário compromete-se também a efetuar Firma o presente Termo em 3 (três) vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA. que finalmente rubricam 3 (três) vias da planta topográfica.771. e d) desenvolvimento sócio-econômico da região. ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA. e) procedimentos de exploração florestal que minimizem os danos sobre o ecossistema. conforme estabelecido nesta Resolução. . f) existência de estoque remanescente do recurso florestal que garanta a sua produção sustentada. Art. no Decreto nº 750. de 6 de julho de 1990. obedecidos os seguintes princípios gerais e fundamentos técnicos: I. Entende-se por manejo florestal sustentável a administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos e sociais.A exploração do palmiteiro Euterpe edulis em florestas nativas. pelo proprietário do imóvel. h) estabelecimento de áreas e de retiradas máximas anuais. e Considerando a necessidade de disciplinar a exploração de espécies florestais nativas do Estado de Santa Catarina nas áreas cobertas por vegetação primária ou secundária nos estágios avançado e médio de regeneração. e tendo em vista o disposto na Lei nº 4. ___________________________________ Superintendente do IBAMA Testemunhas: Nome: ______________________________________________ RG/N° ______________________________________________ ________________________ Assinatura Nome: _______________________________________________ RG/N° _______________________________________________ ________________________ Assinatura _______________________________________ Proprietário RESOLUÇÃO CONAMA Nº 294.fundamentos técnicos: a) levantamento criterioso dos recursos disponíveis a fim de assegurar a confiabilidade das informações pertinentes.CONAMA. regulamentada pelo Decreto nº 99. de 19 de dezembro de 1997 e em seu Regimento Interno. atendendo à legislação pertinente. II. 1º . de 1º de outubro de 1993. que também assina. Parágrafo único. c) manutenção da diversidade biológica. b) conservação da estrutura da floresta e das suas funções. Dispõe sobre o Plano de Manejo do Palmiteiro Euterpe edulis no Estado de Santa Catarina. DE 12 DE DEZEMBRO DE 2001.A execução do manejo florestal sustentável de que trata o artigo anterior será autorizada mediante a apresentação. de 10 de fevereiro de 1993. de 4 de maio de 1994 e nº 237.938.274. e nas Resoluções CONAMA nº 1. no Estado de Santa Catarina. e das testemunhas abaixo qualificadas. de Plano de Manejo Florestal Sustentável PMFS. 2º . respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema objeto do manejo. tendo em vista as competências que lhe foram conferidas pela Lei nº 6.

com o órgão ambiental competente. inferior a um metro e trinta centímetros. o manejo florestal sustentável será autorizado mediante a apresentação ao IBAMA. bem como nos termos da autorização. Art. anualmente. Art. Art. do RCS ou da SS. considera-se regeneração natural do palmiteiro todas as plantas com altura do estipe já exposto. por hectare. devendo ser efetuado.A Autorização para Transporte de Produtos Florestais-ATPF será fornecida ao detentor do PMFS. dez mil indivíduos por hectare. ou ao comprador devidamente registrado junto ao IBAMA. § 1º . no mínimo.RCS (Anexo I).APP e averbação e recuperação da reserva legal.O PMFS. no mínimo. desta Resolução. implica.O descumprimento das condições e obrigações previstas nesta Resolução.Para o cumprimento do disposto nesta Resolução. a autorização poderá ser feita a partir de Solicitação Simples-SS.Além dos princípios gerais e dos fundamentos técnicos estabelecidos no art. A autorização para execução do PMFS e do RCS.manutenção de banco de mudas com. prorrogável por mais trinta dias. Art. cinqüenta palmiteiros em fase de frutificação. bem como o deferimento da SS constituem instrumentos de controle para a comprovação da origem da matéria-prima florestal.DVPF. objetivando a exploração de Palmiteiro Euterpe edulis. § 2º . Parágrafo único. obrigatoriamente. devem ser elaborados e executados sob a responsabilidade técnica de profissional habilitado na forma da lei e registrado no IBAMA. Para efeito desta Resolução. a autorização de corte será realizada a partir de uma comunicação direta ao IBAMA. 8º .exploração limitada a indivíduos com DAP igual ou superior a nove centímetros. sendo vedada a realização de corte de outras espécies. 5º . § 3º . devidamente comprovado através do registro no IBAMA e posterior fiscalização. § 2º . § 1º . Termo de Ajustamento de Conduta visando o cumprimento das obrigações da legislação ambiental. Art. desta Resolução. 6º . 2º. A autorização a que se refere este artigo terá prazo máximo de exploração de sessenta dias. II . quando a regeneração natural for deficitária. de 22 de novembro de 1993. com seus respectivos parágrafos. 4º . 9º .114 i) adoção de sistema silvicultural adequado. encaminhada ao IBAMA. mantidos os critérios dos incisos I. dispensando-se a obrigatoriedade de apresentação de PMFS. bem como para compor a população com função protetora da fauna ameaçada de extinção. pelo interessado.A ATPF será fornecida após a expedição da Autorização para Exploração. em especial a manutenção das áreas de preservação permanente . mediante a apresentação da Declaração de Venda de Produtos Florestais. a suspensão de todas as autorizações expedidas para a mesma propriedade ou proprietário. de Requerimento para Corte Seletivo . Parágrafo único. o plantio de mudas ou de sementes. Art. 7º . e j) uso de técnicas apropriadas de plantio. Art.A autorização do PMFS ficará condicionada à apresentação. hipótese em que as autorizações ficarão vinculadas à execução destas condições.O PMFS. raleamento ou bosqueamento na área em questão. A autorização relativa a este artigo é específica para o palmito. desta Resolução. sempre que necessário. o PMFS. desde que estes mantenham estrutura técnica adequada para análise da matéria e Conselhos Municipais de Meio Ambiente com poder de deliberação e integrantes do SISNAMA. Art. conforme regulamentação pertinente.Nas propriedades com área inferior a trinta hectares de florestas. o RCS e o laudo para a SS. 3º. pelo proprietário do imóvel. 10. em especial a manutenção das APP e averbação e recuperação da reserva legal. 3º . conforme Portaria Normativa do IBAMA nº 125-N.Nos casos de plantio de palmito. observando-se os critérios estabelecidos no art 3º. de documento emitido pelo órgão competente que ateste a proteção e preservação das APP na propriedade. II e III do art. Art. por propriedade.O solicitante poderá firmar. fundamentada em vistoria e autorização do órgão licenciador competente. conforme regulamentação pertinente.manutenção de. desde que devidamente preenchidos os campos 1 a 8 e 14 a 16 da Declaração referida no caput deste artigo. .Nos casos em que a solicitação não exceder duas mil cabeças anuais em área de até quinze hectares de florestas. deve obedecer aos seguintes critérios: I . quando este for destinatário da matéria-prima florestal. Parágrafo único. identificados e distribuídos de forma dispersa na área de exploração para formar o estoque de plantas matrizes ou porta-sementes. Tanto o RCS. o PMFS deve obedecer o Roteiro Básico constante no Anexo II. quanto a SS ou a comunicação de plantio poderão ser autorizados pelos órgãos estaduais ou municipais competentes. seguindo o roteiro do Anexo IV. o RCS e a SS somente serão autorizados em propriedades que cumpram a legislação ambiental vigente. 11. III .

incumbe ao IBAMA: I . 15. identificando-se os seus limites e mantendo-se as picadas de acesso.O estabelecimento das parcelas permanentes do inventário florestal contínuo do PMFS ou do levantamento para o RCS. devem ser considerados o limite de erro de vinte por cento e a probabilidade de cinco por cento. 21. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. § 2º . ao IBAMA. § 1º . devendo ser substituídas aquelas cuja localização recaírem sobre APP. para fins de vistoria técnica. Art. deve observar intensidade. Os casos omissos serão dirimidos pelo IBAMA. 15. JOSÉ CARLOS CARVALHO Presidente do Conselho Interino . 16. em parcelas permanentes demarcadas por processo de amostragem sistemática. tantas vezes quanto necessário. Art. 19. nova exploração nesta área somente poderá ser admitida após a comprovação técnica da plena recomposição dos estoques iniciais. quando necessária. a mesma deverá ser dividida em módulos dimensionados de acordo com o ciclo de corte da espécie manejada. O IBAMA fiscalizará a execução do PMFS e do RCS. Art.As parcelas permanentes devem ser mensuradas e avaliadas antes e imediatamente após a exploração. desta Resolução. § 3º . Os órgãos estaduais ou municipais deverão comunicar ao IBAMA a autorização a que se refere o caput deste artigo. Parágrafo único. e requerer a emissão das ATPF. com vistas ao cumprimento desta Resolução. 11. renováveis por igual período. Verificadas irregularidades ou ilicitudes na execução. aplicando-se inclusive aos pedidos protocolados e aos já aprovados pelo IBAMA nesta data. a fim de adaptá-los ao disposto nesta Resolução. em prazo nunca superior a um ano. se for o caso. Parágrafo único. Art. desde que sejam integrantes do SISNAMA e apresentem estrutura técnica adequada. ouvida a Câmara Técnica responsável pela matéria. no prazo estipulado pela autoridade competente. As funções atribuídas ao IBAMA nos arts.Nas parcelas permanentes devem ser estabelecidas subparcelas para o levantamento da regeneração natural. independentemente da obrigação de reparar os danos causados. 13. oficiar ao Ministério Público Federal visando a instauração de inquérito civil e penal.Quando a área total de exploração totalizar acima de cinqüenta hectares. § 2º . Art. ao longo da realização do PMFS ou do RCS. Art. Art.promover ação civil pública e. conforme regulamentação pertinente.As autorizações serão concedidas módulo a módulo. Art. Art. conforme regulamentação pertinente. Art. O não cumprimento das disposições previstas nesta Resolução sujeitará o infrator às sanções cabíveis na legislação. cuja intensidade. do resultado do acompanhamento e avaliação das parcelas e das subparcelas de regeneração natural. os quais deverão estar previstos no cronograma físico de execução. 20. Finalizada uma etapa de exploração do PMFS ou do RCS de uma determinada área. com remedições sucessivas anuais. A renovação do prazo de que trata o caput deste artigo pode ser autorizada mediante requerimento devidamente justificado e acompanhado do Relatório Técnico da Execução da exploração efetuada. tanto no PMFS como no RCS.diligenciar providências e aplicar sanções cabíveis. § 4º . 14.115 Parágrafo único. vedada esta possibilidade para as espécies cujos estoques ainda estejam em fase de recomposição. 16 e 18. em que estiver registrado o responsável técnico. Os prazos de validade das autorizações a que se refere esta Resolução serão definidos de acordo com o volume a ser explorado. §1º . O PMFS deve levar em consideração a capacidade de produção da floresta. 18. sendo obrigatória a reformulação destes. As questões operacionais referentes a esta Resolução devem ser complementadas por meio de regulamentações interinstitucionais envolvendo o IBAMA e os órgãos estaduais e municipais competentes. II . e III . forma e tamanho que atendam aos seus objetivos e a metodologia utilizada deve ser descrita e justificada. obedecendo orientação magnética uniforme. para a apuração de sua responsabilidade técnica. É obrigatória a realização de inventário florestal pré-exploratório e contínuo. 12. Parágrafo único. forma e tamanho atendam aos objetivos do PMFS e a metodologia utilizada deve ser descrita e justificada. A comprovação técnica da plena recomposição dos estoques de que trata o caput deste artigo deve ser feita mediante a apresentação. 17.representar ao órgão de fiscalização profissional competente.Nos levantamentos estatísticos. poderão ser assumidas pelos órgãos a que se refere o art.

3 Área de preservação permanente (ha) . requer a Vossa Senhoria Autorização para Corte Seletivo.2 Topografia 3. 1. c) croqui esquemático da propriedade. número de registro no conselho profissional competente e número do visto/região.2.1 Hidrografia 3.Área de corte seletivo (ha). profissão. CGC ou CPF.Área para reserva legal (ha). abaixo assinado. ____________________.1. em número de indivíduos por classe diamétrica correspondente. 1.1 Proprietário do imóvel (requerente / elaborador / executor) 1.1.PMFS 1 Informações Gerais 1.1 Vegetação 3. Unidade da Federação de _______.5 Número da inscrição de cadastro no INCRA.1 Proprietário do imóvel (requerente): nome.1. e) Layout das parcelas e subparcelas da regeneração natural. 11 . 1. 1. endereço completo. profissão.Nome da propriedade.Estoque requerido para corte seletivo. se for o caso. se for caso). CGC ou CPF.1.Área da propriedade (ha). 5 . identificados e distribuídos de forma dispersa na área de exploração para formar o estoque de plantas matrizes ou porta-sementes. residente à ____________________________________________________________________.Manutenção de. CGC ou CPF. b) comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural-ITR do ano anterior. 1. RG/Órgão Emissor/UF ______________________________. se for o caso. Sr. compondo a regeneração natural. endereço completo. 7 . CGC ou CPF. endereço.1 Discriminação das áreas da propriedade 4. 1. profissão.2. número de registro no IBAMA. por hectare.2. cinqüenta palmiteiros em fase de frutificação. Para completar as informações. 8 . endereço completo.2. CGC ou CPF. no mínimo. estado civil ___________________. CPF nº _________________________________. Município de ___________________________________________________.2 Justificativas técnicas e econômicas 3 Caracterização do Meio na propriedade 3.2.1 Meio Físico 3. _____ de _______________ de 20___ ____________________________________ Proprietário ANEXO II Roteiro Básico para Elaboração de Plano de Manejo Florestal Sustentável . 6 . 3 .2 Identificação da propriedade 1. Distrito de ________________________________. número do registro no IBAMA/categoria (consumidor e produtor industrial.2. 4.1.Executor/responsável técnico (nome.1 Área total da propriedade (ha).1 Denominação. profissão _________________________.1.1. juntam-se os seguintes documentos: a) prova de propriedade atualizada. ________________________________________________________________________.4 Município/Estado. Nestes Termos.2 Área de reserva legal (ha).Estoque no banco de mudas de dez mil indivíduos por hectare.2 Fauna 3.2 Meio Biológico 3. profissão.Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural. 4 . número do registro no conselho profissional competente e número do visto/região. número do registro no conselho profissional competente e número do visto/região. 1.1.Localização. nacionalidade _____________________________________. d) croqui de acesso à propriedade em relação ao Município onde a mesma está localizada.116 ANEXO I Requerimento para Corte Seletivo-RCS Ilmo.3 Localidade. Superintendente Estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA/SC.2 Elaborador/responsável técnico: nome. número de registro no IBAMA. número do registro no IBAMA. 2 Objetivos e Justificativas do PMFS 2.3 Executor/responsável técnico: nome. completo. se for o caso). a ser efetuado em sua propriedade.2. 9 . se for o caso).2 Número da matrícula ou registro/cartório/livro/folha.3 Meio Sócio-Econômico 4 Manejo Florestal 4. número do registro no IBAMA. 4.1 Objetivos 2. endereço completo. número de registro no conselho profissional competente e número do visto/região.Elaborador/responsável técnico (nome. pede deferimento. 2 . bem como para compor a população com função protetora da fauna ameaçada de extinção. 10 . conforme especificações abaixo discriminadas: 1 .

5. 4.3.3 Levantamento expedido com marcação das árvores selecionadas para corte. 4. dez centímetros e um milímetro a cinqüenta centímetros e maior que cinqüenta centímetros. 4.5 Caracterização da área objeto do inventário florestal (população amostrada). bem como comporão a população com função protetora à fauna ameaçada de extinção.3.4 Área do PMFS (ha). 4.2 Meio biológico.1 Meio físico.2. 9.1.3. 4. pátios para estocagem da matéria-prima explorada (quantidade. 7.1 Observar o ciclo de corte de seis anos.1 Meio físico. 4. distribuídos em classes diamétricas que caracterizem o estoque a ser utilizado e o estoque remanescente.1.1. bem como aqueles com altura da estipe inferior a 1.2. de acordo com aqueles definidos no item 2.2.8 Área de reflorestamento.3 Anotação em caderneta de campo dos dados de diâmetros. 4.2.2.2.2 Valorização da matriz ambiental. 7.3 Meio sócio-econômico.4 Locação em lay-out das parcelas do inventário florestal total e das subparcelas de regeneração natural. 4.1.2 Do trato silvicultural. 4.3.3 metros.10 Definição do tamanho e forma das parcelas.1.3. 6 Prognóstico da qualidade ambiental pela implantação do PMFS com área de manejo igual ou superior a cem hectares. com área basal e o volume por espécie e total. 4.3 Meio sócio-econômico.1 Do inventário. 4.3. estabelecendo critérios e justificativas.2. 4.1.1.1.1. quando necessário. 4.2.7 Avaliação dos custos e rendimento das operações de exploração florestal. 4. 5.1.2 Da exploração. 4. numerando as plantas mensuradas e convencionando as que serão exploradas.3.3.3.2 Apresentar o levantamento com plaqueteamento dos exemplares que formarão o estoque de plantas matrizes ou porta-sementes. 4.2. 4.1 Levantamento de dados dendrométricos correspondentes aos indivíduos com Diâmetro à Altura do Peito medido na estipe a 1. 9. 5.10 Infra-estrutura.3 Averbação de Reserva Legal-ARL.1 Caracterização da área.4 Apresentar a relação entre as áreas basais dos indivíduos de palmiteiro e da população das demais espécies arbóreas.13.3 Sistema de exploração 4.2 Prova de propriedade atualizada.1 Número de indivíduos a serem explorados. área) e picadas de transporte.1 Avaliação dos impactos ambientais.DAP . 5.1 Qualificação.117 4. 4.1.9 Área de banhado (ha).1. 4. 5.8 Definição da metodologia adotada no processo de amostragem sistemática utilizada. 4.3.2.1 Metodologia de avaliação.2. 5. 8 Bibliografia. 4.3.2 Estrutura da rede de estradas.1 Atividades versus componentes.5 Comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural-ITR do ano anterior. 9 Documentos Exigidos.1. no módulo e na área total.11 Hidrografia.4 Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada-TRMFM.2 Inventário Florestal O planejamento do inventário deve atender aos objetivos do PMFS.3 Matriz ambiental. 4. dimensionando-a e calculando o número de árvores a serem suprimidas.2.3.2 Número de árvores por classe de diâmetro no hectare.2.igual ou superior a quatro centímetros. minimizando a área de infra-estrutura a ser construída.3 metros .1.1.2 Medidas e programas versus componentes. localização.5 Apresentação da metodologia das operações de exploração florestal.2 Levantamento da regeneração natural correspondente aos indivíduos com DAP inferior àqueles especificados no item 4. visando atender ao sistema de manejo previsto nesta Resolução. 5.2.2. 4. 7.2. 4. 9. 5.1.9 Definição da intensidade de amostragem. 9. 5.6 Definição das variáveis de interesse do manejo florestal e justificativas. 4. 4. 7. 4.5 Área de floresta remanescente (ha).1.13 Síntese dos resultados contendo as tabelas de distribuição diamétrica com estimativas de rendimento por classe explorada e número de indivíduos porta-sementes por classe diamétrica que permanecerão.1.6 Croqui de acesso à propriedade.1. 4. 9.2. 5 Avaliação e Proposta de Minimização dos Impactos Ambientais pela Implantação do PMFS com Área de Manejo Igual ou Superior a cem hectares. 5.1 Requerimento do proprietário do imóvel ao Superintendente Estadual do IBAMA. 5.7 Área de agricultura (ha). . 4.4 Método de condução e/ou enriquecimento da regeneração natural. 4.2.2. estádio fenológico e datas de medições. 5.3.12 Análises estatísticas.12 Rede viária.3 Amostragem da regeneração natural deve apresentar o levantamento da população amostrada em três classes distintas de altura da inserção da última folha: zero a dez centímetros.13.6 Cronograma de execução das operações de exploração. 4. 4.2 Proposta de minimização dos impactos.2.1.1. 7 Cronograma físico-financeiro.6 Área de pastagens (ha).1. em relação ao município onde a mesma se encontra localizada.13.2 Meio biológico. 9. 5. 5.

norte magnético. 2 Área da propriedade (ha). número de registro no IBAMA. área do PMFS. se for o caso). completo. Superintendente Estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA/SC. Sr. rede viária. 4 Área de corte seletivo (ha). RG/Órgão Emissor/UF _____________________________. 5 Volume (número de cabeças) de palmito a ser explorado. CPF nº ____________________________________. conforme especificado no artigo 6º da Portaria XX. área de pastagem. profissão. 5 Área para reserva legal (ha). b) comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural-ITR do ano anterior.7 Planta topográfica da propriedade em escala compatível com a eqüidistância. a ser efetuado em sua propriedade. juntam-se os seguintes documentos: a) prova de propriedade atualizada. estado civil _____________________. 6 Identificação do Responsável técnico (nome. a ser efetuado em sua propriedade. profissão ___________________. Limites da área de reserva legal: _________________________________________________________________________________ Firma o presente Termo em três vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA. requer a Vossa Senhoria Autorização para Exploração do Palmiteiro (Euterpe edulis). área de reserva legal. 7 Laudo do responsável técnico. CPF nº _________________________________. se for o caso). endereço. abaixo assinado. __________________________ Superintendente do IBAMA ___________________________________ Proprietário Testemunha: Nome: ______________________________________________ RG/Nº ______________________________________________ _________________________________ Assinatura ANEXO IV Comunicação para Exploração do Palmiteiro (Euterpe edulis) Plantado Ilmo. 4 Área para reserva legal (ha). e das testemunhas abaixo qualificadas. Superintendente Estadual do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis-IBAMA/SC. que também assina. profissão ____________________. escala e convenções. residente à _______________________________________________________________. Para completar as informações. c) croqui esquemático da propriedade. 6º.9 Cópia do lay-out das parcelas e subparcelas da regeneração natural. e 8 Vistoria e autorização do órgão licenciador competente. CGC ou CPF. art. parágrafo único. número de registro no IBAMA. 6 Volume (número de cabeças) de palmito a ser explorado.118 9. Unidade da Federação de _________. Sr. Distrito de ______________________. área de reflorestamento área de banhado. nacionalidade ___________________________________. conforme prevê a Resolução XXX. de acordo com as especificações discriminadas a seguir: 1 Localização da propriedade. 9. incluindo avaliação da forma de plantio e condução do povoamento. 3º e 5º desta Resolução. conforme prevê a Resolução XXX. 3 Área com cobertura florestal natural (ha). rede de energia elétrica. confrontantes. RG/Órgão Emissor/UF ________________________. b) comprovante de pagamento do Imposto Territorial Rural-ITR do ano anterior. juntam-se os seguintes documentos: a) prova de propriedade atualizada. d) croqui de acesso à propriedade em relação ao município onde a mesma está localizada. comunica a Vossa Senhoria a Exploração do Palmiteiro (Euterpe edulis) plantado. localização das parcelas. Para completar as informações. completo. estado civil __________________________. profissão. plotando: área total da propriedade. d) croqui de acesso à propriedade em relação ao município onde a mesma está localizada. CGC ou CPF. Município de ___________________________________________________________. incluindo avaliação dos critérios especificados nos arts. 2 Área da propriedade (ha). ________________________________________________________________________. ________________________________________________________________________. de acordo com as especificações discriminadas a seguir: 1 Localização da propriedade. ANEXO III Solicitação Simples para Exploração do Palmiteiro (Euterpe edulis) Ilmo. bem como registro do povoamento no IBAMA. número de registro no conselho profissional competente e número do visto/região. abaixo assinado. área de agricultura. área de preservação permanente. endereço. Município de ______________________________________________________________. Unidade da Federação de _________. coordenadas geográficas ou Unidades Transversais Mercator-UTM. área de floresta remanescente. Distrito de _________________________.8 Cópia da caderneta de campo. número de registro no conselho profissional competente e número do visto/região. que finalmente rubricam três vias da planta topográfica. c) croqui esquemático da propriedade. hidrografia. art. infra-estrutura. 5º. . 7 Identificação do Responsável técnico (nome. 3 Área de corte (ha). nacionalidade _________________________________________. 9. residente à ________________________________________________________________. edificações.

residente à ___________________________________________________. que também assina. profissão ________________________. CPF nº ____________________. ___________________________________ Superintendente do IBAMA Testemunha: Nome: ______________________________________________ RG/Nº ______________________________________________ _______________________________ Assinatura ANEXO V Termo de Responsabilidade de Manutenção de Floresta Manejada-TRMFM Aos _____ dias do mês de __________________________ do ano de ______. ________________________________________________________________________________________________ ________________________________________________________________________________________________ Limites da Área de Floresta a ser Manejada (de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte integrante do presente Termo). que a floresta existente na área de _________________ ha. __________________________ Superintendente do IBAMA Testemunha: Nome: ______________________________________________ RG/Nº ______________________________________________ ___________________________________ Proprietário ___________________________________ Proprietário _______________________________ Assinatura Testemunha: Nome: ______________________________________________ RG/Nº ______________________________________________ _______________________________ Assinatura INSTRUÇÃO NORMATIVA – IN 20 -FLORESTAMENTO E REFLORESTAMENTO DE ESSÊNCIAS ARBÓREAS INSTRUÇÕES GERAIS: • Requerimento com endereço completo. • Certidão atualizada do Registro de Imóveis (180 (cento e oitenta) dias). ________________________________________________________________________________________________ O proprietário compromete-se também a efetuar Firma o presente Termo em três vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA. e das testemunhas abaixo qualificadas. Limites da área de reserva legal _________________________________________________________ Firma o presente Termo em três vias de igual teor e forma na presença do Superintendente do IBAMA. seus herdeiros ou sucessores a fazer o presente gravame sempre bom. nacionalidade _________________________. firme e valioso. O atual proprietário compromete-se por si. o Senhor __________________________. legítimo proprietário do imóvel denominado ___________________. do livro _______________________ do _____________ Cartório de Registro de Imóveis. podendo nela ser feita exploração florestal sob forma de manejo florestal sustentado. desde que autorizado pelo IBAMA. Características e Confrontação do Imóvel (descrever de acordo com a área delimitada na planta topográfica que faz parte integrante do presente Termo). filho de _________________________________________________ e de _______________________________________________. que finalmente rubricam três vias da planta topográfica. estado civil __________________. Unidade da Federação de _______. RG/Órgão Emissor/UF ____________________________________. Distrito de ____________________________________. declara perante a autoridade competente. e das testemunhas abaixo qualificadas. correspondente a ___________________ por cento da área da propriedade. tendo em vista o que dispõe as legislações florestal e ambiental vigentes. que também assina. fica gravada como de utilização limitada. com área total de ______________ hectares. Município de __________________________________. fls. neste Estado. e documento que ateste a proteção e preservação das APP. . registrado sob o nº ________________. contendo justificativa do pedido (para áreas acima de 50 hectares). que finalmente rubricam três vias da planta topográfica.119 e) f) comprovação de averbação de Reserva Legal. Município de ___________________________________. ______________.

.............. ................. ....... no prazo máximo de 30 (trinta) dias a contar do vencimento da autorização ou licença............. ........... • Toda e qualquer emissão de autorização e licenciamento ambiental no meio rural... ........ .. .... ......... ..... .... taludes e aterros................. (rua/av... LAI ou LAO) (nº processo) para a atividade de .. * Preencher novamente este requerimento para cada Licença solicitada............... ........... contendo as medidas de prevenção a incêndios e de controle da erosão das estradas........ certidão atualizada.. conforme tabela da FATMA... Relatório Final de execução.................. de no mínimo 20% da área total da propriedade rural...... (tipo de atividade) com instalações (previstas ) à ... ....................... nas áreas de preservação permanente........................... .. • Manter controle do entorno do empreendimento....... ... ** Apenas a LAO é renovável...... ........... da Licença (obtenção/renovação**) (LAP................................................. ....................... conforme apresentado no projeto aprovado. .... ................................ ............. .... ... só será emitida após a averbação da Reserva Legal........ ........ ................................................ incluindo registro fotográfico...........120 • Planta planialtimétrica do imóvel. deverá encaminhar a FATMA.. como medida preventiva na disseminação da espécie reflorestada.................. e somente após a entrega na FATMA do comprovante da publicação.. ............ bairro) no município de .. ............ • Recolhimento dos valores de análise... máximo 90 (noventa) dias) e se está a montante ou a jusante do ponto de captação de água para o abastecimento público...................... .. .... • Apresentar projeto de recomposição ambiental com vegetação nativa da região do empreendimento......... • Deverão ser publicados em periódico regional todos os extratos das autorizações e/ou licenças........ (nome) Termos em que pede deferimento. • Documento expedido pela Prefeitura Municipal declarando que a atividade está de acordo com as diretrizes de uso do solo do município (Consulta de Viabilidade de Uso do Solo. • Haver reposição da espécie de ocorrência na proporção de dez por uma.... .......... previsto no art. 16 da nº Lei 4.............................. • Projeto Florestal do empreendimento com cronograma de implantação.. de ... ........ de .............. • Nas áreas a serem reflorestadas que apresentem ocorrência de espécies ameaçadas de extinção............................ .......................... .. Modelo de Requerimento* ......................... nº..... . .... .. será concedida a autorização e/ou licença................. • Anotação de Responsabilidade Técnica – ART do responsável pela elaboração e execução dos projetos do empreendimento...... ... com locação do empreendimento e da Reserva Legal em UTM. .... bem como na construção de pontes.... Assinatura: .... . .............. deverá: • Identificar as espécies existentes na área do empreendimento................................................ ........... ........ ...... requer a análise das informações em anexo (razão social) com vistas a ...... • Ser mantida preservada a circunferência da projeção de sua copa da espécie adulta.. (local) Nome: ..... ................................................ ..... • O profissional habilitado responsável pela execução dos serviços da atividade autorizada ou licenciada..771/65 e Medida Provisória nº 2166-67/01 • É vedado o florestamento e reflorestamento nas faixas de domínio dos serviços de utilidade pública............. preferencialmente nas áreas de Reserva Legal..

...... .............. ... ................................ ........ .......... .. Fotocópia da Carteira de Identidade e do CPF...................................................... se pessoa jurídica............. (outorgante) *Representante do empreendedor................ (outorgado) residente à........... .............. ................................... .......... ....................................... ............ ............................................. nº e bairro) no município de ............................ . ............. .......... ................ . ................121 Modelo de Procuração* Pelo presente instrumento particular o Sr............................ ... serão instruídos com os seguintes documentos: Requerimento do empreendedor................................................. ........... ................. nº.. (rua/av........ .............................. ..................... ..... ........................ .......... ..................... ..... ........... . quando em estágio inicial de regeneração.......... .................................. .................... ....... ...... .............................. INTRUÇÃO NORMATIVA – IN 23 . .......... ............. .. ........ . conforme Tabela da FATMA......... ............... . ............... nomeia e constitui seu procurador o Sr.............. ........................................... para representá-lo junto à Fundação do Meio Ambiente – FATMA na obtenção do Licenciamento Ambiental do ................................. .... ..... ..... com endereço completo para correspondência e justificativa do pedido........................... ... atendendo a legislação vigente.... ...... ................................ ................................................................. ............................... ....................................................................................... ............ ........... ................... ............ .............................. .... (atividade a ser licenciada) com instalações (previstas) à .......................... de ........... ................. ................................................................. ........................................... ...................................................... ...... . ............. ............ ............... .............................. ........................................ .................... .................. ....... ...................... Declaração da Prefeitura Municipal........................ .............. . para pessoa física e do Contrato Social.................. .. ..................... ...... ................ ....... de .... ......... (local) Assinatura: .. ......................................................................... ....... ................................................................................ dizendo se o empreendimento está de acordo com as normas legais e administrativas da municipalidade...... bairro) no município de ................. ............................................................................................. .............................. ............... (rua/av........... (cargo) residente à ................................ ............... ... ...................... ..... ................................................. (rua/av.............SUPRESSÃO DE VEGETAÇÃO EM AREA RURAL INSTRUÇÕES GERAIS: Os pedidos de Autorização para Supressão de Vegetação Nativa em áreas rurais................ e nº) no município de ................ (outorgante) ... .................................... ....... .. Recolhimento dos valores de análise............................................................. da empresa ................. ..... .................................

será concedida a autorização e/ou licença. Inventário Faunístico. com a competente averbação da Reserva Legal.DAP médio. será concedida a autorização e/ou licença. Anotação de Responsabilidade Técnica . contendo. . Recolhimento dos valores de análise. A retirada não pode ser superior a 20% do estoque total dos indivíduos adultos da propriedade. Fotocópia da Carteira de Identidade e do CPF. assinalando o uso atual do solo.166-67/01. serão instruídos com os seguintes documentos: Requerimento do empreendedor. elaborado por profissional habilitado. e somente após a entrega na FATMA do comprovante da publicação. assinalando o uso atual do solo. os remanescentes florestais. hidrografia e o local pretendido para supressão. informando o DATUM de origem. previamente identificadas com plaquetas numeradas. por espécie. elaboração e execução. incluindo registro fotográfico. para pessoa física e do Contrato Social.ART do responsável técnico pelo projeto. no prazo máximo de 30 (trinta) dias a contar do vencimento da autorização ou licença. os remanescentes florestais. no prazo máximo de 30 (trinta) dias a contar do vencimento da autorização ou licença.122 Certidão atualizada do Cartório de Registro de Imóveis . por espécie. conforme apresentado no projeto aprovado. atendendo a legislação vigente. elaboração e execução. Prioridade para árvores mortas.CRI (máximo 90 dias). informando o DATUM de origem.771/65 e Medida Provisória nº 2. dizendo se o empreendimento está de acordo com as normas legais e administrativas da municipalidade. o levantamento detalhado da vegetação. Deverão ser publicados em periódico regional. O profissional habilitado responsável pela execução dos serviços da atividade autorizada ou licenciada. Planta topográfica do imóvel em UTM ou Coordenada Geográfica. hidrografia e o local pretendido para supressão. só será emitida após a averbação da Reserva Legal. Declaração da Prefeitura Municipal. O profissional habilitado responsável pela execução dos serviços da atividade autorizada ou licenciada. com a definição do estágio sucessional de regeneração. conforme Tabela da FATMA. indicando o volume de madeira a ser extraído. limitado a 20 (vinte) unidades e no máximo 15 m3 e 6 (seis) estéreos de lenha resultante das galhadas das árvores.CORTE EVENTUAL DE ÁRVORES INSTRUÇÕES GERAIS: Os pedidos de Autorização para corte eventual de árvores nativas. altura média e área basal média. deverá encaminhar a FATMA Relatório Final de execução. Planta topográfica do imóvel em UTM ou Coordenada Geográfica. Anotação de Responsabilidade Técnica . com Diâmetro Altura do Peito . se pessoa jurídica. 16 da Lei nº 4. deverá encaminhar a FATMA Relatório Final de execução. e somente após a entrega na FATMA do comprovante da publicação. além da relação das árvores selecionadas. Inventário Florestal. conforme apresentado no projeto aprovado. Toda e qualquer emissão de autorização e licenciamento ambiental no meio rural. todos os extratos das autorizações e/ou licenças.ART do responsável técnico pelo projeto. com endereço completo para correspondência e justificativa do pedido. Levantamento de dados de altura. Certidão atualizada do Cartório de Registro de Imóveis . previsto no art.CRI (máximo 90 dias). Deverão ser publicados em periódico regional todos os extratos das autorizações e/ou licenças. a critério do Órgão Ambiental competente. com a competente averbação da Reserva Legal. acompanhado por justificativa. INSTUÇÃO NORMATIVA – IN 27 . Diâmetro Altura do Peito – DAP volume individual e total. de no mínimo 20% da área total da propriedade rural. incluindo registro fotográfico. quando em propriedades com até 30 (trinta) hectares. conforme legislação vigente e normas administrativas reguladoras. elaborado por profissional habilitado.

..........:.. previsto no art. só será emitida após a averbação da Reserva Legal...............771/65 e Medida Provisória 2166-67/01 Modelo de planilhas de campo Inventário do palmiteiro (Euterpe edulis) Nome da área Local Parcela:. Num........123 Toda e qualquer emissão de autorização e licenciamento ambiental no meio rural....... Equipe:./...........Data:......................... de no mínimo 20% da área total da propriedade rural............/..... Subp..... DAP (cm) Fenologia OBS Num. DAP (cm) Fenologia OBS ..... 16 da Lei 4..............

..124 Fenologia: Jovem = J........... Equipe:..... Classe III ........................... Classe II – 11 a 50 cm.... Matriz = M. Matriz com cacho = MC Regeneração natural do palmiteiro (Euterpe edulis) Nome da área Local Parcela:.................... Classes Número de Plantas Total Classe I Classe II Classe III Obs: Classe I .................até 10 cm..../..acima de 51 cm .....Data:../.....