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Daniel de Aguiar Ottoni

PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM TV REGIONAL: Análise do trabalho do produtor do programa esportivo Jogada de Classe, da TV Horizonte

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2011

Daniel de Aguiar Ottoni

PRODUÇÃO JORNALÍSTICA EM TV REGIONAL: Análise do trabalho do produtor do programa esportivo Jogada de Classe, da TV Horizonte

Monografia apresentado ao final do curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Jornalismo. Orientador: Luciano Andrade Ribeiro

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2011

SUMÁRIO Introdução ................................................................................................................................ 04 1 Comunicação: origem e importância na sociedade atual..................................................... 07 1.1 Princípio da comunicação.................................................................................................. 07 1.2 O fazer jornalístico ............................................................................................................ 11 1.3 Jornalismo contemporâneo ................................................................................................ 15 2 A TV como ferramenta transformadora e instrumento de trabalho...................................... 18 2.1 Influência e democratização da TV ................................................................................... 18 2.2 TV Regional: tendência e características........................................................................... 21 2.3 Um novo profissional, o multifuncional ............................................................................ 24 2.4 Produção jornalística dentro da TV ................................................................................... 26 3 O programa Jogada de Classe: análise e contexto dentro da TV......................................... 29 3.1 Histórico da TV HORIZONTE ......................................................................................... 29 3.2 Histórico do JOGADA DE CLASSE .................................................................................. 29 3.3 Metodologia de pesquisa ................................................................................................... 31 3.3.1 Linguagem pré-produzida............................................................................................... 33 3.3.2 Linguagem espontânea ................................................................................................... 34 3.3.3 Construção das pautas .................................................................................................... 41 3.3.4 Critérios de noticiabilidade............................................................................................. 42 3.3.5 Obstáculos ...................................................................................................................... 44 3.3.6 Equipe ............................................................................................................................. 46 3.3.7 Características técnicas ................................................................................................... 47 3.3.8 Patrocinadores e interação com telespectador ................................................................ 49 3.3.9 O produtor multifunção .................................................................................................. 49 4 Conclusão ............................................................................................................................. 52 REFERÊNCIAS ...................................................................................................................... 54

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INTRODUÇÃO

O objeto de estudo desta monografia é o trabalho de produção do programa esportivo e diário Jogada de Classe, veiculado há 10 anos, atualmente pela TV Horizonte. O jornalista Orlando Augusto é quem apresenta a atração, sempre acompanhado de outros jornalistas esportivos de relevância, além de convidados, como técnicos, dirigentes e jogadores.

O tradicional formato de bancada privilegia a discussão e o debate entre os componentes da mesa. O programa também conta com matérias e vídeos mostrando sonoras de integrantes dos principais clubes de futebol de Minas Gerais, assim como compactos dos jogos, entrevistas e gols de campeonatos estaduais e nacionais. O maior foco do programa é o trio de times de futebol de Belo Horizonte, Atlético, Cruzeiro e América

O trabalho de produção de um programa esportivo envolve diversos fatores, mesmo quando comentários dos integrantes da mesa determinam o maior tempo de veiculação. Confirmação da presença de convidados, pesquisa de conteúdos a serem discutidos no dia, produção e edição de matérias são algumas das funções deste produtor e repórter, que acumula funções para que o programa seja exibido sem imprevistos. Estas atividades realizadas por um único profissional foram os principais pontos de observação que geraram um projeto monográfico que visa fazer um estudo de caso para entender melhor a realidade e o que influencia na formação desse novo e requisitado profissional do mercado de comunicação.

Hipoteticamente, este trabalho partiu de pressupostos questionáveis, como o fato de o programa podem passar a ideia de que a função do produtor não aglomera muitas tarefas, uma vez que a discussão entre os comentaristas é o que mais acontece durante sua exibição; ou, ainda, que as poucas matérias veiculadas e o formato do programa podem levar a crer que, para a tarefa diária do repórter e produtor, pouco tempo é necessário para o cumprimento de suas funções; há, também, o fato de o Jogada de Classe ser veiculado por uma emissora regional, o que pode dar a impressão de que as tarefas são raras e que quase nada se passa nos bastidores, horas antes da atração ir ao ar.

Alguns autores tiveram grande importância para a elaboração do projeto. Charaudeau (2006) foi um dos que mais contribuíram . Por se tratar de um programa de discussões e comentários,

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predominantemente, o discurso adotado pelos integrantes da mesa é uma das formas mais claras da linha editorial proposta, com opiniões, análises e comentários.

A construção do discurso e o valor da informação são abordados por Charaudeau (2006) como importante meio de afirmação social. O trocar conhecimento e o saber agregam valor moral para o indivíduo, desde que compreensíveis pelos participantes da comunicação. Enquanto um passa a informação, outro a interpreta e absorve.

A linguagem é uma das marcas mais fortes do programa, que tem proposta informal, com espaço para diferentes opiniões. A influência de valores e formação é clara na forma como os integrantes externam sua visão dos acontecimentos do futebol mineiro.

Charaudeau (2006) dá alto grau de importância ao informante, que possui função social por formar opinião, possuir representatividade e ter o papel de ser o “portador da verdade”.

Três capítulos constituem o projeto como um todo. O primeiro capítulo reforça o valor da comunicação e da linguagem como importante ferramenta para interação, compreensão e interpretação de mensagens. Charaudeau (2006) é o principal autor deste capítulo, que demonstra a construção do discurso como uma das principais tarefas dos meios de comunicação. A função do jornalista também é mostrada, por meio de Pena (2007), que esclarece quesitos importantes para as atividades deste profissional. Bonner (2009) detalha os critérios que o jornalista deve adotar para selecionar as notícias que serão divulgadas.

O segundo capítulo apresenta a TV como importante ferramenta de evolução social e também dos indivíduos. Comparato (2000) destaca a importância da televisão na vida política, social e econômica das pessoas. Acosta-Orjuela (1999) também a caracteriza como o veículo que mais consegue penetrar no cotidiano das pessoas. A TV regional é uma nova realidade com que as emissoras se deparam, e a utilizam como possibilidade para atingir mais pessoas. Bazi (2001) mostra a regionalização como novo caminho para as empresas, principalmente no que se refere à criação de identidades locais. Neste contexto, aparece o jornalista multifuncional, com diversas atividades, que vão além do que era proposto anos atrás.

O terceiro capítulo apresenta o histórico da TV Horizonte, do programa Jogada de Classe e mostra a relação contratual entre o veículo e a atração. A estrutura da emissora interfere 5

diretamente no trabalho do produtor e na linha editorial do programa, que tem como maior foco o debate entre os integrantes da bancada. Vários itens do programa são analisados neste capítulo, como sua linguagem, obstáculos, equipe e características.

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1. COMUNICAÇÃO: ORIGEM E IMPORTÂNCIA NA SOCIEDADE ATUAL

Este capítulo trata do valor da comunicação e da troca de experiências existentes há milhares de anos. A tarefa diária de narrativa do jornalista nesse processo é de extrema importância para a construção e manutenção de realidades imprescindíveis para a vida do indivíduo. Para isso, a cultura elaborada ao longo dos anos mostra a força da linguagem para o saber popular. Conhecer sobre o discurso e atuar sobre ele de forma inteligente fazem das técnicas jornalísticas – entre elas, os critérios de noticiabilidade – luzes, que iluminam o caminho da plena comunicação.

1.1 Princípio da comunicação

Comunicar sempre foi uma necessidade do homem. Sempre existiu e sempre vai existir. Depois de muito tempo, surgiu a necessidade por se informar, aliando aí estes dois fenômenos sociais, isto é, o ato da comunicação e o da construção da informação, como cita Charaudeau (2006).

A informação é questão de linguagem, que apresenta suas próprias características e especificações. Cada linguagem gera uma visão que constrói um sentido bastante particular do mundo que nos cerca.

Informação nada mais é do que a transmissão do saber que possui uma linguagem como suporte para o acesso a este conhecimento. O ato de transmissão, segundo Charaudeau (2006), faz com que o indivíduo passe de um estado de ignorância a um estado de saber, que o tira do desconhecido para mergulhá-lo no conhecido.

Comunicação se origina do latim communis, que quer dizer comum a todos. Daí a palavra comunidade. Melo (1971) reforça a ideia de participação, ser um entre vários. O autor também dá importância à troca de informações no processo comunicativo. O instrumento da comunicação deve ser inteligível e seu conteúdo deve resultar em compreensão mútua entre os participantes, detalha Charaudeau (2006).

A comunicação desempenha vários papéis, dependendo da área onde ela atua e da forma como acontece. Ao analisar o fenômeno comunicativo, Melo (1971) esclarece que cada 7

ciência ou corrente filosófica utiliza a sua própria perspectiva, sua própria terminologia e conceitos específicos.

Na comunicação, está constituído o processo social entre os indivíduos além da estrutura de suas relações. Melo (1971) afirma que uma atenção maior foi dada à comunicação, nos últimos anos, especialmente pelo valor que os meios de comunicação de massa ganharam nesse período. A mudança na dinâmica das relações entre indivíduos resulta na redução da distância, acompanhada pela multiplicação dos contatos, ultrapassando limites antes inalcançáveis.

No caso dos seres humanos, a linguagem é a forma encontrada para a comunicação, uma atividade sensorial e nervosa impulsionada pelo sistema nervoso humano. Nesse ato, vários processos acontecem, como armazenamento e processamento de informações e preparo de ordens e mensagens, detalha Charaudeau (2006). A existência e o desenvolvimento da sociedade têm na comunicação seu fator primordial, principalmente pelo conhecimento dos seres humanos sobre o que possuem em comum. Essa transmissão de informações, considerada uma necessidade social, resulta no processo de inserção e integração do indivíduo na organização social, relata o autor. No entanto, diferentes tipos de comunicação existem, como aquela entre indivíduos ou entre organizações.

As linguagens utilizadas vão bem além do sistema de signos internos a uma língua. Ela incorpora valores que comandam o uso destes signos para situações de comunicações bastante particulares. A linguagem se apresenta como um ato de discurso, organizando a circulação da fala em uma determinada comunidade, com o intuito de produzir sentido, apresenta Charaudeau (2006).

No entanto, para a materialização do verbo tal qual se conhece hoje, precisou haver a linguagem não-verbal, que foi essencial para o desenvolvimento de uma nova forma de comunicação e contato, esclarece Pena (2007). Apesar de sua importância, outros elementos estão ligados à comunicação, que vão para muito além da voz.

Quando o homem fala, há um componente sinestésico tanto na emissão quanto na recepção. Ao ouvir alguém em uma praça pública, por exemplo, não utilizamos apenas a audição. Vemos os gestos, empregamos o tato para nos apoiar em algum banco ou ficar de pé, sentimos o cheiro no ar e o paladar de nossa última refeição ou da fome que se aproxima (PENA, 2007, p. 24)

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Os relatos orais antecederam o que entendemos hoje como jornalismo. Um bom exemplo são os relatos que os donos de bares solicitavam aos viajantes que passavam por seu estabelecimento, no intuito de saber novidades e informações de outros locais. A passagem da cultura oral para a escrita, por meio dos tipos impressos, possibilitou o advento do jornalismo moderno. Mesmo assim, a comunicação oral continuou tendo grande valor, sobretudo no processo jornalístico de hoje.

A comunicação escrita é bastante antiga, datada de cinco mil anos a.C. Ela altera a forma de pensar, assim como a transmissão do pensamento. No sentido evolutivo, a imprensa aparece, após surgimento do papiro e do papel, acompanhados pela propagação da cultura escrita. A verdadeira revolução na história do jornalismo se deve à impressão, afirma Pena (2007).

Uma visão ingênua, presente nas primeiras teorias da informação e citada por Charaudeau (2006), refere-se à forma como a informação é transmitida. A fonte de informação não tem sua natureza questionada nem sua quantidade medida. Ela é enviada ao receptor através de uma instância de transmissão, transparente e segura. Ao chegar ao receptor, o efeito desta mensagem não é questionado. O receptor é capaz de registrar e decodificar a informação, mas a questão da interpretação não é abordada.

Trata-se de um modelo que define a comunicação como um circuito fechado entre emissão e recepção, instaurando uma relação simétrica entre a atividade do emissor, cuja única função seria ‘codificar’ a mensagem, e a do receptor, cuja função seria ‘decodificar’ essa mesma mensagem (CHARAUDEAU, 2006, p. 35)

O ato de interagir com o outro é favorável à educação, pelas experiências passadas entre pessoas da mesma ou de gerações diferentes, que criam um patrimônio coletivo. A disposição mental pode ser alterada quando culmina em transformações nos indivíduos, tanto os que fornecem a informação, como aqueles que a recebem. O indivíduo evolui, forma opinião, se organiza, toma medidas e explora sua capacidade.

Charaudeau (2006) analisa este tipo de interação dando valor ao sentido gerado pela comunicação e descreve o discurso em uma correlação entre dois pólos. Enquanto o sujeito que envia a mensagem deve realizar um ato de significação psicossocial, atribuindo-lhe um

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objetivo, o outro recebe, interpreta e altera, até mesmo, o seu estado de conhecimento anterior. Toda comunicação gera experiência e, por isso, o indivíduo deixa de ser o mesmo.

Comunicar é estar em relação com o mundo, mas barreiras podem surgir quando se tem rede de contatos intergrupais, confrontando classes, instituições e costumes. Para uma interpretação da mensagem, o receptor deve possuir parâmetros que nada têm a ver com o sujeito informador. O tratamento dado e imposto ali vai dar o devido grau à informação (CHARAUDEAU, 2006)

Em algumas oportunidades, a informação é solicitada por um ser que pretende nortear sua conduta, obter conhecimento ou formar uma opinião. Busca-se algo que o transforme. O responsável pela resposta tem, por quem pergunta, os valores do saber e competência atribuídos. Para fácil compreensão, os contratos de comunicação da sociedade devem ser conhecidos, assim como os códigos de boa educação.

No caso da iniciativa partir de quem já possui a informação, esta transmissão pode acontecer por conta própria ou obrigatoriamente.

Charaudeau (2006) destaca a importância do informante, que possui função social por sua representatividade, além da notoriedade necessária e pelo grau de engajamento que se espera no que se refere às informações. Bastante solicitado, faz papel de ‘portador da verdade’, passando uma informação retirada de várias fontes, que geram uma pluralidade de informações e ideias. Este material é analisado antes da transmissão da verdade consensual, dando espaço para os lados envolvidos.

Talvez devido a essa importância, áreas específicas foram e são dedicadas ao estudo permanente da arte e da função de informar. Os fatos detalhados utilizados pelos meios discursivos devem ser autênticos, transparentes, passando a impressão de algo concreto e justo. A verossimilhança também é importante, uma vez que o acontecimento é passado, sendo necessária uma reconstituição. A estratégia principal é que a realidade do fato – até mesmo o tempo de decurso de um acontecimento – seja reconstruída para um receptor hipotético.

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Para Pena (2007, p. 11), “na sociedade pós-industrial, não há bem mais valioso que a informação”. Os veículos de informação buscam reconstruir os acontecimentos que acontecem todos os dias. A informação adquiriu tamanha importância na atualidade que a função dos mediadores – geralmente atribuída ao jornalista – é estratégica e relevante.

1.2 O fazer jornalístico

O jornalismo é conceituado por Pena (2007) como relatos e reportagens de informações para outros membros de uma comunidade, que buscam a segurança e a estabilidade do conhecimento. Ou seja, o jornalismo está intrinsecamente ligado à informação. Porém, a linguagem utilizada é fator preponderante de sucesso ou não dessa transmissão da mensagem. Basta, para isso, lembrar o referencial raciocínio de Rossi (1980, p. 7), quando classifica o jornalismo como uma “conquista das mentes e corações de seus alvos: leitores, telespectadores ou ouvintes”. Isto é, uma junção da razão e da emoção para que o leitor se entregue ao processo informativo.

Para cumprir tal função, Rossi (1980) destaca a objetividade. No entanto, esse tipo de relato pleno de isenção daquele de quem fala é um mito, sendo difícil colocar-se em uma posição neutra, deixando para o receptor tirar suas próprias conclusões. O jornalista, responsável por mediar fato e versão, possui formação cultural, experiências e opiniões bastante próprias, que são levadas consigo em ambiente profissional e pessoal. Sendo assim, tal conteúdo e material sempre será levado em conta, influenciando seus atos, decisões e posicionamentos.

Pena (2007) acredita que existe uma confusão entre o método e o profissional quando o assunto é a objetividade. O jornalista jamais deixará de ser subjetivo, uma vez que seus preconceitos, ideologias e carências não podem ser esquecidos em nenhum momento. Sendo assim, o ideal seria amenizar a influência de tais características no relato dos acontecimentos.

Entretanto, o problema do conceito não está no tempo, mas na interpretação. A objetividade é definida em oposição à subjetividade, o que é um grande erro, pois ela surge não para negá-la, mas, sim, por reconhecer a sua inevitabilidade. Seu verdadeiro significado está ligado à ideia de que os fatos são construídos de forma tão completa que não se pode cultuá-los como a expressão absoluta da realidade (PENA, 2007, p. 50).

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Apesar do mito, a objetividade é um dos maiores parâmetros que as linhas editoriais de veículos devem seguir para o bom e justo cumprimento de sua função. Ser direto e dar aos dois lados a oportunidade de mostrar suas impressões são atitudes fundamentais. Apesar de a televisão ser considerada pelo público leigo um veículo objetivo, já que “as imagens não mentem” ou que “uma imagem vale mais do que mil palavras” – como estabeleceu o senso comum - é de se registrar que o olhar da câmera recorta a realidade tal qual propõe uma edição ou linha editorial e, dessa forma, permite distorções e preferências selecionadas.

Pena (2007) acredita que a função do jornalista deve se basear em diferentes pontos de vista. Visões estereotipadas não devem ter espaço, assim como conceitos pré-formados. “Ver com as lentes do outro é fundamental nessa profissão” (PENA, 2007, p. 150). Relativizar pode ser um termo pontual e preciso para designar as atividades de todo e qualquer jornalista.

Os acontecimentos de nosso cotidiano fazem parte da informação e têm, na sua forma de construção, os meios de comunicação bastante envolvidos e presentes. Pena (2007) comenta que a fidelidade dos fatos destes meios é hoje bastante discutida e posta em dúvida. Em alguns momentos, o jornalismo se mostra perdido diante das mudanças paradigmáticas das diversas disciplinas da atualidade. Coerência e estabilidade na construção de histórias e identidades não são tão mais fáceis de serem encontradas.

Diante de diversos acontecimentos, alguns valores e critérios são atribuídos a estes relatos, como seleção do que será divulgado. Tais práticas, apontadas por Pena (2007), constituem o newsmaking, que leva em consideração aspectos como noticiabilidade, valores-notícias, construção da audiência e rotinas de produção. As notícias possuem referência em nossa realidade. Tal realidade é construída a partir de uma lógica interna, critérios estabelecidos.

A cultura profissional dos jornalistas e a organização dos processos produtivos são dois importantes aspectos do newsmaking, segundo Wolf (1985). Ele analisa a noticiabilidade como a capacidade que os fatos têm ou não para virar notícia. Os requisitos exigidos dos acontecimentos o farão ser noticiados ou não. Para esta análise, a estrutura de trabalho e o ponto de visto do profissional têm relevante influência. Os interesses e necessidades do jornalista e da empresa possuem importante poder de decisão. Trata-se de uma repetitividade dos procedimentos, uma prática produtiva e estável, com critérios flexíveis, que servem como

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um guia. Wolf (1985) sugere que a tomada de decisão não tenha demasiada reflexão, mas simplicidade no raciocínio.

Os valores-notícia apontados por Wolf (1985) estão presentes nas interações cotidianas dos jornalistas e são referências para a elaboração dos noticiários. Tal critério está enraizado em todo o processo informativo, devido à escassez de tempo e meios.

O mercado de comunicação jornalística tem utilizado, ao longo da história, critérios noticiosos baseados nos conceitos de valor-notícia aplicados, entre outros autores, por Wolf (1985). Porém, autores mais atuantes na área técnica jornalística, como Bonner (2009), reconfiguraram alguns termos para melhor adaptá-los à rotina editorial de seus veículos.

Dentre vários acontecimentos, critérios facilitam a seleção do que vai ser veiculado. A abrangência é o primeiro dos critérios primários apontados por Bonner (2009). Ela se refere ao número de pessoas que serão atingidas ou que sofrerão algum tipo de influência por meio de determinado fato. “Quanto maior o número de pessoas atingidas por um fato, maior a probabilidade de ser publicado” (BONNER, 2009, p. 95).

A gravidade das implicações dos acontecimentos é o segundo critério citado por Bonner (2009). Notícias ruins nem sempre são bem-vindas, mas é dever do jornalista mostrar o que está ruim, para ser melhorado, além de expor dificuldades para que estas sejam minimizadas ou solucionadas, fazendo valer a utilidade social do jornalismo, informando os cidadãos para que estes tenham acesso à seus direitos. “Quanto maior for a gravidade de um fato, maior a possibilidade de ser noticiado” (BONNER, 2009, p. 96)

O caráter histórico do que acontece é outro critério a ser analisado pelos jornalistas, segundo Bonner (2009). Alguns acontecimentos se destacam de imediato pela sua importância e imposição, quase que automática. Além desses fatos terem presença certa no noticiário, seu tempo de exibição e cobertura será maior do que o das outras notícias, em função de sua relevância absoluta. “Porque a relevância absoluta deles esmaga notícias que, até então, tinham peso suficiente para garantir presença no espelho” (BONNER, 2009, p. 99)

Notícias menos importantes também podem compor bem o espelho de um telejornal. No entanto, sua importância será analisada de acordo com o contexto das outras notícias, que 13

estão para ser veiculadas naquela data. Um acontecimento que possa, teoricamente, receber alta relevância, pode ter sua importância diminuída, caso, naquela data, tenham acontecido fatos estrondosos, que mereçam maior cobertura. Esta é uma prática corriqueira, segundo Bonner (2009, p. 102). “...Quero mostrar como uma notícia, mesmo de alta relevância, precisa ser comparada às demais, do mesmo dia, para que a hierarquia determine que dimensões terá a cobertura. Ou mesmo, se o assunto será publicado ou não” (BONNER, 2009, p. 102)

A sequência de notícias é outro critério indicado por Bonner (2009) como relevante para a função do jornalista. O contexto e a sequência lógica, que facilitam a compreensão pelo maior número de pessoas, devem ser observados e colocados em prática. Apesar de notícias factuais, com relevância absoluta serem prioridade, outras notícias não necessariamente factuais, podem ter lugar em uma edição jornalística, caso sejam úteis na compreensão do telespectador de determinado acontecimento. “As reportagens não factuais apóiam as factuais para dar ao público a oportunidade de refletir mais detidamente sobre problemas importantes...” (BONNER, 2009, p. 105). Notícias que equilibrem o telejornal, objeto maior de trabalho do autor em questão são bem-vindas, o que minimiza o impacto que pode ocorrer com um maior número de notícias mais densas ou complexas. “Contemplados com tempo todos os assuntos mais relevantes do dia, é hora de selecionar os temas que acompanharão o noticiário, que darão ritmo agradável, ou um clima equilibrado...” (BONNER, 2009, p. 105) Charaudeau (2007) esclarece que, para que um acontecimento receba importância e seja depreendido e válido, momentos como a modificação, percepção e significação devem estar presentes. A alteração do estado inicial ou até mesmo uma ruptura da ordem estabelecida que provoque desequilíbrio do sistema é um critério apontado.

Ao mesmo tempo, o autor indica a percepção com importante valor para um acontecimento ser noticiado. Chamar a atenção, causar impacto, fazer a diferença são algumas das referências para a percepção.
Esse efeito de saliência remete a uma operação perceptivo-cognitiva que faz com que seja o sujeito que impõe seu olhar ao mundo, fazendo-o passar, segundo um jogo de acaso e de necessidade, de um estado de determinismo absoluto a um estado de movimento aleatório, de um estado de não acontecimento ao de acontecimento (CHARAUDEAU, 2007, p. 100)

Outro critério notável para um acontecimento é a significação que ele carrega. Ela deve ser digna de interesse e notável socialmente. Uma cadeia de causalidades poderá lhe conferir a 14

razão de ser. Neste contexto, um dos lados deve ser o de um sistema de reconhecimento que pode fazer essa distinção entre um mundo com regras e leis do lado da intervenção do sujeito. Rossi (1980) mostra também que, antes do material jornalístico ser publicado, ele passa por filtros importantes nesse cenário. O primeiro se refere ao editor, que decide o enfoque a ser seguido. Depois disso, o tamanho que a notícia irá ocupar, tendo ou não destaque, além de título, posição, e, ainda, a cúpula, diretores que estão acima do editor e influem decisivamente em todo o processo de elaboração e divulgação.

Jornalismo é a profissão que não permite acomodação ou a remota certeza de ‘saber tudo’ sobre um ramo ou sobre o próprio país. Rossi (1980) reforça o valor da luta pela permanente atualização e da busca obsessiva pela complementação de conhecimentos. “A fórmula correta para a boa informação jornalística deveria ser a especialização dos jornalistas e não apenas especialistas praticando jornalismo” (ROSSI, 1980, p. 73). Este profissional deve trabalhar em prol da sociedade, sempre.

Rossi (1980) afirma, ainda, que, apesar de todas as dificuldades, o jornalista deve sempre buscar os porquês, fundamentais para uma boa reportagem. “É preciso fundamentar, ao máximo, cada uma das respostas dadas”. (ROSSI, 1980, p. 41)

1.3 Jornalismo contemporâneo

No mundo moderno, onde a maioria das pessoas encontra pouco tempo para determinadas tarefas, pode ser perigoso e discutível afirmar que ninguém encontra tempo para leituras de jornais, sugere Rossi (1980). Não se pode supor que os leitores têm idêntica falta de tempo para todos os assuntos. Tal fato pode ter contribuído para um esquematismo exagerado por parte dos jornalistas, que acabam deixando de fora importantes funções, como o domínio do idioma, mostrar seu estilo pessoal e buscar captar, ao máximo, o interesse do leitor.

Para Rossi (1980), em se tratando de Brasil, existe uma importante sequela cultural no que se refere ao fazer jornalismo, que se trata da preferência de declarações às informações. Consequência de uma época de censura e arbítrio imposto. Pena (2007) também se posiciona, afirmando que existe maior preocupação com os comentários sobre os acontecimentos do que sobre os próprios acontecimentos. 15

A coleta do maior número possível de informações é fundamental para o trabalho do jornalista. Além de pesquisa, o contato com as fontes é uma das etapas que vai colaborar para o confronto das informações obtidas. Pensando nisso, preservar fontes é um “exercício indispensável ao jornalista” (ROSSI, 1980, p. 51). Checar, rechecar e conferir o material coletado ajuda muito na verificação de informações corretas. “Questionar continuamente é uma característica central do trabalho de campo do repórter” (ROSSI, 1980, p. 56).

No período em que vivemos, outra realidade ainda assombra o jornalismo, como destacou Rossi (1980) há 31 anos. Há maior presença da liberdade de empresa do que da liberdade de imprensa. Os donos dos meios de comunicação veiculam aquilo que lhes é mais conveniente e benéfico. A independência, tão necessária e rara, é favorável ao leitor principalmente, mas também para estes grandes veículos de massa. O conformismo e a aceitação passiva não devem ser termos do vocabulário do jornalista. Pena (2007) afirma que o desenvolvimento dos canais de informação está sempre atrelado a interesses econômicos ou políticos.

As grandes agências de notícias possuem grande força fazendo parte deste mecanismo difusor e apresenta vínculos e direitos com os governos de seus respectivos países, detalha Rossi (1980). Raramente, os interesses destas cadeias de comunicação coincidem com as das nações onde estão instaladas. O autor ainda afirma que a maioria das publicações brasileiras se preocupa mais com informações de locais distantes, ao invés de focar em acontecimentos regionais e nacionais.

Esse é um território em que se viola uma das primeiras lições que se aprende no primeiro ano de qualquer faculdade razoável de jornalismo, qual seja a de que o que acontece perto de minha casa é mais importante do que o que acontece a quilômetros e quilômetros de distância (ROSSI, 1980, p. 85)

Melo (1985) contextualiza tal realidade ao momento de urbanização, tão presente atualmente. Apesar de uma classe dominante, uma outra classe, a de trabalhadores, mostra sua presença, através de entidades, sindicatos e publicações avulsas, defendendo interesses de classes subalternas.

O lucro é um objetivo iminente, onde os recursos provenientes de publicidade são benéficos, mas não mais do que os subsídios estatais. Melo (1985) enfatiza o fato de o jornalismo 16

assumir estrutura operacional típica das empresas capitalistas, caracterizando-se por maior longevidade. A estrutura capitalista proporcionou modernização do parque gráfico brasileiro, importação de equipamentos, rápida e eficiente produção de jornais, livros e revistas, acompanhadas pela constante industrialização do país. O jornal vislumbra a possibilidade de ser um empreendimento rentável. O bom relacionamento com o Estado permite a entrada de verbas rentáveis e de favores de grande interesse.

A relação com o Estado é constante, uma vez que por ele são tomadas importantes decisões, como concessão de canal e liberação de quotas. A interferência do Estado supera o controle aparente entre privado e estatal, afirmando-se onipresente, esclarece Melo (1985). Por sua vez, Pena (2007) contextualiza a questão, informando que o governo foi o principal agente do desenvolvimento da imprensa, desde o período colonial.

Em direção contrária, firma-se a necessidade de um projeto de comunicação democrático, fruto da mobilização dos cidadãos, intervindo na gestão da sociedade, com os meios de comunicação sendo um espaço de informação plural e opinião livre. As decisões impostas pelas metas capitalistas dificultam a presença de cidadãos com direito e consciência de participação e contribuição política e social.

Nesse sentido é que o sistema de comunicação de massa desempenha o papel de educador coletivo, permitindo o acesso a um certo tipo de conhecimento que vincula os indivíduos à sua contemporaneidade, mas ao mesmo tempo orienta a sua percepção para apreender significados compatíveis com a ideologia dominante (MELO, 1985, p. 10).

Pena (2007) se refere às notícias que vemos atualmente como produtos expostos e à venda na vitrine do capitalismo industrial. As informações, em todos os seus aspectos, são transformadas em mercadoria e o consumidor vira um objeto comercial. “A mídia produz celebridades para poder realimentar-se delas a cada instante em um movimento cíclico e ininterrupto” (PENA, 2007, p. 88).

Estes e outros aspectos estão diretamente relacionados ao fazer jornalístico, que envolve várias atividades, como reportagem, produção e edição. Na realidade dos meios de comunicação, as redações estão menores e as funções acabam por se acumular. Os profissionais adquirem novos conhecimentos e estão cada vez mais especializados para suprir as necessidades das empresas. 17

2. A TV COMO FERRAMENTA TRANSFORMADORA E INSTRUMENTO DE TRABALHO

Neste capítulo, a televisão é apresentada como uma das mídias, ou seja, um dos meios pelos quais os jornalistas mostram seu trabalho. Ao mesmo tempo em que este veículo apresenta evoluções, a sociedade também o acompanha. O produtor de TV é emoldurado aqui neste trabalho como uma peça chave neste processo de construção televisiva. Cabe a ele organizar e planejar o que vai ser transmitido. Ele trabalha nos bastidores para que tudo - do texto à imagem - aconteça dentro do previsto.

2.1 Influência e democratização da TV

Estudar e compreender as ciências da comunicação são tarefas prazerosas. Afinal, a comunicação se transformou, sobretudo na sociedade contemporânea, no ponto de grande interseção da vida política, social e econômica das pessoas. Dentro desse contexto, a televisão se apresenta como um dos veículos de comunicação que mais detêm “notável intensidade das mensagens que transmite” (COMPARATO, 1991, p. 301).

A televisão dá a possibilidade para pessoas, em lugares distantes, terem acesso às informações e acontecimentos. Seu custo é baixo e seu poder é formidável e único, tornando-se o principal na comunicação brasileira. Apesar do alto custo técnico de produção e emissão do sinal, a recepção é barata e depende, apenas, do aparelho que, hoje em dia, é mais acessível a todas as classes econômicas da população. Essa conta é fechada quando se tem o poder formidável e único das imagens e dos textos que o veículo transmite e que o torna um dos principais na comunicação e na cultura brasileiras.

A televisão é o veículo que melhor consegue penetrar no cotidiano das pessoas, independentemente de idade, sexo, raça ou classe, comenta Acosta-Orjuela (1999). Para muitas pessoas, a TV é a única fonte de informação. Muito mais que isso, ela interfere no que a grande massa da população sente, pensa e faz. O autor mostra preocupação pela falta de qualidade em muitos programas, que não são vigiados pelo governo e pelo conteúdo pouco formativo e orientador.

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O vínculo chega a ser tão estreito que entre os 2 e os 15 anos, a única coisa que crianças fazem mais do que ver TV é dormir. Justamente numa fase crítica, em que os modelos que observam são de extrema importância para a formação de seus valores e padrões de comportamento (ACOSTA-ORJUELA, 1999, p. 14)

Comparato (1991) afirma que a TV tende a ser uma referência para valores sociais, superando instituições que, teoricamente, são responsáveis por desempenhar este papel, como escola, Estado e Igreja. O simples fato de ser transmitido pela televisão já faz com que o acontecimento tenha real possibilidade para ser adotado e transformado em costume.

Para Melo (1985), a função dos meios de comunicação é a de um educador coletivo, permitindo constante construção do conhecimento. O bem-comum deve ser a meta precípua e isso só pode se dar por meio de uma imagem de instâncias neutras e objetivas.

O aprendizado que acontece, por meio da televisão, pode variar, dependendo do programa. Acosta-Orjuela (1999) garante que ensinamentos com a televisão podem surgir por meio de programas de drama e entretenimento. Nesse contexto, valores construtivos também podem aparecer, fazendo da TV um meio de solução de problemas sociais e suporte para o desenvolvimento de países mais pobres, analisa o autor. Grande parte do poder que a TV tem deve-se à representação dos eventos de forma mais viva e concreta.

No Brasil, a aceitação da TV costuma ser favorável pela maior parte da população, segundo Acosta-Orjuela (1999). Enquanto alguns são indiferentes, outros são fiéis telespectadores, ao mesmo tempo em que questionam a qualidade da programação. “O público não possui uma atitude crítica perante a TV porque ela está fortemente associada a uma atividade de entretenimento e lazer ‘inofensivos’. Aliás, para uma grande massa de brasileiros, a TV representa a única fonte de lazer ‘gratuita’ e de fácil acesso” (ACOSTA-ORJUELA, 1999, p. 16).

Hoineff (1996) esclarece que o termo programação vai além do desenho sequencial de programas. Ele carrega aspectos essenciais da televisão, como o padrão estético, que possui a capacidade de influenciar e envolver quem assiste. “A programação é a chave para o conhecimento e a discussão da função a que se destina esse veículo que absorve e transforma a televisão” (HOINEFF, 1996, p. 23), destaca. Compreende-se, desta forma, a importância de uma programação de qualidade, que interfira positivamente na vida dos indivíduos. Para o 19

autor, a cultura televisiva brasileira é carente de opções de consumo, causando uma alienação da sociedade.

Suas grades de programação são praticamente indistinguíveis entre si. Na forma, no conteúdo e sobretudo na arquitetura, quase todos os programas guardam uma gritante semelhança, que não reflete a ambição de seguir o que está dando certo em conjunto, mas o temor de experimentar o que possa dar errado isoladamente (HOINEFF, 1996, p. 153)

A forte presença do Estado nos meios de comunicação é contraditória ao discurso de função social da televisão. Os interesses da máquina política e dominadora falam mais alto e contribuem para um quadro de persuasão ideológica junto aos telespectadores. “Vê-se, portanto, que o Estado possui diferentes faces, interagindo de modo a preservar o controle político sobre os meios de comunicação, mesmo que sejam geridos pela iniciativa privada” (MELO, 1985, p. 8). Além do Estado, grandes empresas também possuem poder político suficiente para controlar e lucrar com o que será veiculado.

Apesar destas forças ideológicas, que controlam o pensamento e os costumes de uma massa consumidora, um outro processo reverso aparece e dá oportunidade para canais com assuntos e público definidos e selecionados. A desmassificação é um elemento presente, que abre espaço para veículos segmentos e organizados, afirma Hoineff (1996). O maior número de opções de canais televisivos deixa o controle de emissoras distante e reforça a potencialidade da televisão de ser um instrumento de conhecimento e entretenimento da sociedade.

Neste cenário, tem-se a bem-vinda chegada dos canais fechados que, em concorrência com os abertos, promoveu (e ainda promove) uma concorrência sadia, sobretudo no âmbito local. Tem-se, assim, a discussão necessária da democratização como alternativa para uma nova forma de mentalidades e costumes, fato para qual a internet tem contribuído sistematicamente. A democracia implica em mudanças nas relações de força, com mais presença da igualdade e de setores subalternos, critica Silva (1989). A autora mostra a importância de uma constituição de sujeitos coletivos conscientes, reinvindicando direitos de cidadão. “A única possibilidade viável de democratização passa pela elaboração de formas alternativas de comunicação” (SILVA, 1989, p. 27) A democratização da informação, seja pelos meios tradicionais e, até mesmo, pelas mídias convergentes, é essencial para uma sociedade justa e organizada. Para Comparato (2000), um 20

novo sistema institucional teria que ser construído, coibindo, assim, o foco financista e uma luta desenfreada por audiência dos veículos de comunicação.

Apesar da ressalva de que o raciocínio de Comparato (2000) seja utópico, acredita-se que estímulos educacionais e preparação crítica diante da recepção das mensagens televisivas possam construir novos cidadãos e, consequentemente, novos telespectadores.

Graças à internet, por exemplo, é cada vez mais comum a intervenção do telespectador junto à programação televisiva. Claro que, ainda, não é o cenário ideal da opinião livre como exercício de uma tarefa social, de responsabilidade coletiva, tal qual lembrou Melo (1985). Espera-se de profissionais de algumas áreas, sobretudo aquelas ligadas à mídia, maiores intervenções. Para Comparato (2000), para democratizar os meios de comunicação, a tarefa vai além da reestruturação dos órgãos de imprensa. Um regime de cidadania poderá possibilitar o livre acesso às vias de comunicação exploradas pelos veículos. Priolli (2000) acredita que ainda há muito a fazer em busca desta democratização. Um projeto de reforma seria uma das opções para corrigir o desequilíbrio entre redes de cobertura nacional muito fortes e estações de alcance regional muito fracas.

São necessários mecanismos legais de regulação, impondo às emissoras percentuais obrigatórios de produção local e regional, e também de aquisição de programação independente, como foi obedecido nos Estados Unidos, por exemplo, por mais de 40 anos (PRIOLLI, 2000, p. 22)

2.2 TV Regional: tendência e características

A força dos veículos de comunicação brasileiros, em especial os que atuam no meio televisivo, tem grande importância na produção e transmissão de informações aos telespectadores. Com o advento da TV paga no país, o futuro da televisão aberta se tornou uma preocupação para empresários, comunicadores e executivos deste meio, que mostram, dentro deste contexto, o interesse em criar uma identidade regional com as comunidades, esclarece Bazi (2001). A regionalização da televisão é o principal fator de sobrevivência das emissoras do país.

A regionalização mostra ser um novo caminho para as empresas de comunicação. O desafio fica por conta de conciliar uma programação regional de qualidade com o alto custo 21

necessário. Uma das estratégias das emissoras regionais é afiliar-se a uma TV de maior porte e de penetração nacional e utilizar alguns espaços para realizar sua programação.Volpatto (2008) esclarece que TV regional é um grupo local e regionalizado enquanto emissoras regionalizadas reproduzem os modelos das redes afiliadas.

A TV regional aparece em um momento onde a globalização mostra sua força Nos dias de hoje, o homem local pode se tornar um cidadão global, com ajuda da informática e tecnologia. O desenvolvimento dos meios de comunicação e fluxo globalizado da informação aproximou localidades distantes e intensificou relações sociais, comenta Bazi (2001).

A importância da regionalização se compara à da globalização, por ser uma tendência e pela autonomia da mídia local e regional, o que influencia as atitudes desse público receptor, esclarece Campos (2005). É importante que fique claro, como diz Peruzzo (2003), que a globalização não mata a regionalização. Na verdade, ela serve para “revalorizar” uma identidade local, onde as grandes mídias aumentam os espaços destinados às comunidades e contribuem para a interiorização da TV no país.

Apesar de ser um fenômeno recente, estudiosos já consideravam a regionalização como um fator primordial na década de 1990. A própria Constituição Federal de 1988, nº 221, inciso III, previa a regionalização da produção cultural, artística e jornalística das emissoras de televisão, apesar da falta de leis ordinárias que regulamentem sua implantação.

O processo de regionalização da mídia televisiva é pouco conhecido, segundo Bazi, que a conceitua como “[...] aquela que retransmite seu sinal a uma determinada região e que tenha sua programação voltada para ela mesma” (BAZI, 2001, p. 16). A emissora regional visa divulgar tanto assuntos locais como outros que acontecem em outros lugares do país e do mundo.

Um dos benefícios da regionalização, segundo Bazi (2001), é a maior força e identidade das características culturais de cada comunidade. Esse papel vai de encontro à homogeneização dos formatos televisivos proposta pelas grandes redes de comunicação.

O efeito economicamente rentável da regionalização das emissoras de televisão mostra que, mesmo o mundo caminhando a passos largos em direção à globalização, as pessoas desejam primeiro se sentir informadas daquilo que acontece na sua

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cidade, na sua região, para depois se informar sobre o que ocorre no resto do mundo. A comunicação está cada vez mais dirigida e pessoal, e é neste vácuo que o regional cresce (BAZI, 2001, p. 89)

Apesar do tempo e da informação, na atualidade, serem globais, as pessoas continuam vivendo em um espaço local, ligadas às raízes familiares e comunitárias. Volpatto (2008) detalha que vários fatores compõem cada região, tornando-o única, distinta e complexa. Os aspectos geográficos, culturais, sociais, políticos e econômicos de cada local são diferentes e particulares.

Nesse contexto, o jornalismo regional pode funcionar como afirmador de identidades, pontua Campos (2005, p.3): “dessa forma, tais meios escapam às formas tradicionais de controle e podem, de fato, transformarem-se em um espaço público, fortalecendo expressões da identidade coletiva local e regional” (CAMPOS, 2005, p.3). A autora informa, ainda, que esse avanço das expressões de identidades coletivas “[...] desafiam a globalização e o cosmopolitismo, em função da singularidade cultural [...]”. (CAMPOS, 2005, p. 4).

Fica fácil compreender, desta forma, que é responsabilidade da TV regional fazer o telespectador pensar o seu local dentro do global, ou seja, do particular para o genérico. Esse raciocínio é capaz de levá-lo para além de sua comunidade e o integrará a sistemas mais amplos. As necessidades específicas das comunidades a serem atingidas também devem ser levadas em consideração. A linguagem da emissora regional varia de acordo com seu perfil. A diretriz editorial varia de acordo com questões comunitárias, indica Campos (2005). A ação regional é construída em uma relação próxima com os públicos daquela localidade. A emissora deve ter o compromisso de dar uma intensa visibilidade à peculiaridade da região.

Ao conquistar o telespectador regional, aumenta-se a possibilidade de gerar receita publicitária com pequenos anunciantes. Hoje, pode-se ver grandes redes fazendo investimentos em localidades que antes não recebiam qualquer cobertura jornalística, mostra Campos (2005).

Bazi (2001) ressalta que a qualidade dos programas e a credibilidade junto ao público também são importantes, em emissoras regionais, para a conquista da audiência e formação da viabilidade do veículo, que pode ser medida por meio da força do mercado local e do seu

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poder de consumo. Para Volpatto (2008), a TV regional utiliza a proximidade e um discurso comunitário para construir a representação econômica do local.

A captação de recursos publicitários e o desenvolvimento deste mercado ficaram mais fáceis com a abertura de emissoras regionais, garante Bazi (2001), o que garantiu espaço para pequenas e médias empresas. O custo de produção e divulgação de um comercial regional é muito mais barato do que no âmbito estadual ou nacional.

2.3 Um novo profissional, o multifuncional

A ciência e a tecnologia têm produzido diversas transformações nas relações humanas. Isso tem sido sensível tanto no contato com outras pessoas como nas atividades profissionais do dia-a-dia. O desenvolvimento de ferramentas e equipamentos trouxe novas características para a comunicação, acompanhada por convergência e um grande processo de digitalização. Novas linguagens são criadas e é importante que os profissionais de cada área estejam atentos para a transformação que aparece cotidianamente. No entanto, muitos destes profissionais não mostram muito interesse pela nova realidade. “O mais preocupante é verificar a inércia de muitos profissionais de televisão, sobretudo jornalistas, que ignoram por completo muitas das mudanças significativas em sua práxis” (ANGELUCCI e CASTRO, 2009, p. 3)

A virtualidade, segundo os autores, é a grande responsável pela possibilidade de presentificação em vários lugares ao mesmo tempo. Os valores de tempo e espaço sofreram mudanças e hoje possuem um valor maior do que o de tempos atrás. A forma de transmissão da informação está cada vez mais imediata e o papel do jornalista sofreu alterações dentro deste contexto, impulsionada pelos avanços tecnológicos. No entanto, várias emissoras não acompanharam tal evolução.

O novo modelo de produção e transmissão de conteúdo requer uma perspectiva mais participativa, dinâmica e segmentada. Essa desatualização provoca a atual incoerência de manutenção dos mesmos suportes, gêneros e formatos, sem a devida atenção às zonas multimídias (ANGELUCCI e CASTRO, 2009, p. 8)

Para os autores, um novo perfil de profissional será exigido dentro desta realidade. Mudanças estéticas e sociais serão presenciadas e terão o poder de alterar os níveis discursivos da informação. O jornalista terá que estar preparado para uma nova forma de produzir conteúdo, 24

tanto no que se refere ao domínio tecnológico como nas várias mídias de comunicação e interação que terão mais importância nas suas atividades.

Tavares (2010) afirma que as empresas creditam à modernidade a necessidade de profissionais flexíveis. Apesar de exercer várias funções, ele é remunerado por uma só.

Até décadas atrás, o papel do jornalista limitava-se à informação e interpretação dos fatos. Hoje, esta tarefa já abrange a mediação de múltiplas informações para a construção de notícias. Os meios pelos quais as informações chegam vão desde o campo da produção até a própria audiência.

“O diferencial do hipertelejornalista está em criar uma nova organização da informação, novos fluxos de acesso para respaldar a qualidade das informações – superando o status de simples narrador de fatos” (ANGELUCCI e CASTRO, 2009, p. 9). A informação é organizada por meio de uma unidade chave (link) em conjunto com fatos e circunstâncias presentes neste ciberespaço. As plataformas são diversas e cada vez mais convergentes entre si.

Pastor (2010) acredita que essas novas características são desafios para o jornalista contemporâneo no que se refere à qualidade do seu trabalho. O autor mostra a importância de um hábito para este profissional, uma rotina de trabalho. “O hiperjornalsita possui várias funções e tal fato pode ser questionado dentro do campo profissional”

Colocar nas mãos do jornalista o trabalho de apuração, produção de texto, captação de vídeo e imagens, edição e publicação gera um profissional multimídia. No entanto, pode-se questionar se a transformação do jornalista em um “faz-tudo” é positivo para a autonomia do campo jornalístico ou não (PASTOR, 2010, p. 7)

Gradim (2003) acredita que as novas tecnologias são responsáveis pela presença desse repórter multimídia, um novo profissional que se oferece para o público. As necessidades que a convergência apresenta podem deixar menos tempo para a investigação e verificação dos fatos, itens importantes para a função jornalística, comenta.

A multiplicidade de linguagens a ser dominada pelo hipertelejornalista pode causar a queda do controle editorial e do padrão de qualidade, aborda Gradim (2003). Essa deficiência é 25

inadmissível para a função social de um veículo tão significativo quanto é a televisão, sobretudo no meio regional. “Ora, todos esses fatores somados implicarão uma renovação profunda nas formas jornalísticas do futuro, e maneiras diversas de apresentar a informação” (GRADIM, 2003, p. 125)

Com a presença da convergência, estas novidades do campo jornalístico irão influenciar outros meios de comunicação. O futuro é imprevisível para Gradim (2003), uma vez que as práticas e linguagens se mostram generalizadas, devido ao seu momento de experimentalismo. De qualquer forma, as instituições formadoras devem privilegiar a formação por meio de um bom texto, claro e criativo, fator mais importante do que a manipulação tecnológica de várias ferramentas.

2.4 Produção jornalística dentro da TV

Dentro do meio televisivo, uma das funções de maior relevância é a do produtor. Este profissional é responsável por diversas atividades que permeiam todo um programa de TV, em frente e por detrás das câmeras. Segundo Barbeiro e Lima (2002), ele funciona como um elo entre jornalistas e a parte técnica, acompanhando o programa em diversas fases, desde o início. Para Bonasio (2002), a função de produtor se assemelha a de um maestro, pelo papel constante de supervisão. Carmo (2011)1 aponta que as tarefas do produtor variam e passam pelo levantamento da pauta, apuração aprofundada dos fatos e viabilização dos recursos materiais e humanos.

O produtor pode trabalhar com notícias factuais ou com outras, atuais e relevantes. No primeiro caso, segundo Bonner (2009), ele auxilia a reportagem e a edição na apuração de informações complementares. Com notícias atuais, o produtor sugere ao editor-chefe pautas sobre assuntos diversos. “Assim, é natural que os produtores entrem na reunião com a preocupação de obter a aprovação do edtor-chefe para a maioria daquelas propostas previamente selecionadas” (BONNER, 2009, p. 118). O produtor deve obedecer ao conceito original do programa e estar atento às mais diversas atividades e informações do seu cotidiano. Criatividade e mente aberta são fatores importantes para o trabalho deste profissional, analisa Bonasio (2002).

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CARMO, Denise Fernandes. Entrevista concedida ao autor. Belo Horizonte, 13 de abril de 2011

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O produtor deve ser um inspirador, sabendo comunicar-se e dar exemplos. Buscar soluções inteligentes é um foco permanente, mesmo com a possibilidade de recursos limitados. Filho (2001) afirma que é dele que partem as ideias a serem implantadas, além da obtenção de recursos financeiros para transformar essa ideia em algo real. Organização, grande imaginação e iniciativa de alto gabarito são aspectos apontados por Stasheff (1978).

A ideia concebida do programa deve ser avaliada pelo produtor a todo momento. Um tema muito amplo pode ser disperso ao mesmo tempo em que um acontecimento estreito demais limita a atenção da audiência. Bistane e Bacelar (2006) acreditam que a análise dos dados obtidos ajuda a definir o enfoque, dando a devida relevância para a notícia. Bonasio (2002) aconselha que o propósito do programa nunca seja deixado de lado, assim como o bom senso e pesquisa.

Um fato comum na imprensa é a veiculação de notícias bastante parecidas por diferentes veículos. Neste assunto, um produtor deve fazer a diferença. Jornais são influenciados por telejornais, que influenciam uma emissora de rádio etc. “É preciso reconhecer que também corremos atrás de assuntos pura e simplesmente porque tiveram destaque em algum outro veículo” (BISTANE e BACELLAR, 2006, p. 45). A relevância, neste caso, acaba sendo ignorada, empobrecendo o exercício do jornalismo e a limitação dos assuntos em pauta, esclarecerem as autoras.

Buscar um ponto diferencial e que saia do lugar comum pode ser um atrativo a mais para o telespectador ser atraído pelo conteúdo do programa. Carmo (2011) indica a pesquisa como instrumento na obtenção de informações que podem trazer conteúdo relevante para o programa.

Bonasio (2002) também indica a pesquisa como elemento fundamental para a estrutura de um programa de televisão. A experiência do profissional e uma pesquisa extensiva protegem de sentidos prejudiciais na mensagem. Dentro da pesquisa, a internet se tornou uma ferramenta de grande importância. Antes da sua presença, conseguir uma informação era difícil e os produtores eram forçados a aprender, por si próprios, os caminhos mais viáveis. Bistane e Bacellar (2006) afirmam que a internet algemou a produção. Apesar de sua utilidade, ela pode

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ser perigosa, uma vez que nem tudo que se encontra ali é verdadeiro. A checagem, neste momento, é primordial.

Outras referências para o produtor de TV são a ética como limite, a boa informação e o respeito ao público e seus interesses. O bom texto é outro aspecto relevante para jornalistas e produtores. Seja em qualquer meio de comunicação, ele é a forma pela qual o público terá o conhecimento da informação. Portanto, sua presença deve ser sempre notada, com clareza e objetividade, sem atritos no caminho da comunicação.

Bistane e Bacelar (2006) enaltecem o trabalho da produção brasileira, respeitada e reconhecida mundialmente. A conquista da credibilidade é uma das maiores satisfações para este profissional, ao lado do desafio de trabalhar em equipe e produzir notícias que chegam a milhares de pessoas todos os dias.

A composição da audiência pode ajudar a desenvolver um programa, onde este saberia das necessidades dos telespectadores. Filho (2001) acredita que as pesquisas de audiência podem ajudar bastante o produtor a visualizar o público, além de ajudar na percepção e sensibilidade. “A pesquisa costuma confirmar ou apoiar o que já se sabe, além de apontar aspectos que passam despercebidos, já que tudo muda rapidamente” (FILHO, 2001, p. 341). O produtor não pode ter como prioridade seus desejos e vontades, mas aspirações do público. “Independente do gosto, da escolha pessoal a respeito do consumo midiático do produtor, ele deve sempre ter em mente que ele não está produzindo para seu consumo” (NASCIMENTO, 2011)2.

É de bom grado que todos sejam informados sobre os passos do trabalho do produtor, que deve também saber o suficiente sobre o trabalho de cada membro da equipe. Isso o auxiliará na tomada de decisões inteligentes. A clareza e facilidade na comunicação ajudam no trabalho deste profissional, que deve motivar, guiar e ser um inspirador. O objetivo comum deve ser tarefa de todos. Nascimento (2011) esclarece que o produtor deve ser claro na definição das funções, uma vez que o acúmulo de atividade é recorrente. Ainda para ela, o trabalho da produção é a base de qualquer programa e quanto menos o trabalho deste profissional é percebido, durante o programa, melhor.

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NASCIMENTO, Maria Viviane Rodrigues. Entrevista concedida ao autor. Belo Horizonte, 13 de abril de 2011

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3. O PROGRAMA JOGADA DE CLASSE: ANÁLISE E CONTEXTO DENTRO DA TV HORIZONTE

Este capítulo dedica-se a apresentar a emissora que transmite o programa Jogada de Classe, a TV Horizonte. O histórico e características peculiares deste veículo influenciam a atração, que é analisada por diferentes ângulos. A metodologia de pesquisa indica os autores que serviram de referência para a construção da pesquisa, seguida pela análise mais aprofundada do programa como um todo, dividido em categorias. A estrutura da emissora, a linha editorial do programa e sua linguagem e exemplos de situações que mostram a essência do programa são alguns dos itens de maior relevância nesta análise.

3.1 Histórico da TV Horizonte

A TV Horizonte faz parte da Rede Catedral de Comunicação Católica, que está ligada à Arquidiocese de Belo Horizonte. Fundada em 13 de agosto de 1998, a emissora produz a maior parte de sua programação, que costuma se voltar para a cultura e evangelização. Valores cristãos estão incorporados à proposta da TV Horizonte e aos programas transmitidos pela rede. Cidadania, educação, informação e entretenimento são outros fatores incorporados ao jornalismo praticado pela TV Horizonte. Sua missão é “Trabalhar a comunicação de modo a contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, humana e fraterna” A TV Horizonte é transmitida pelo canal aberto 19 (UHF) e por operadoras de canal a cabo em Belo Horizonte (22 - NET e 24 - OiTV). Seu sinal abrange várias cidades do interior de Minas e também do Brasil, por meio de satélite. 3.2 Histórico do Jogada de Classe

O programa Jogada de Classe existe desde 2000 e sempre teve como apresentador o experiente jornalista Orlando Augusto, profissional com mais de 40 anos de atuação na área esportiva. É veiculado pela TV Horizonte (canal 19 em e canais 22 da NET e 24 da Oi TV), diariamente, das 12h30 às 13h30, com reprise à 0h. O programa possui formato jornalístico e também de entretenimento. Os telespectadores podem participar do programa através de email 29

e twitter. O programa esportivo ocupa lugar em uma rede de comunicação católica por meio da compra de espaço.

Apesar de ser veiculado e produzido pela TV Horizonte, o programa é uma co-produção de Orlando Augusto com a emissora, uma vez que a iniciativa do programa foi do jornalista e não da TV. Desta forma, o profissional paga pelo espaço disponibilizado e conta com a ajuda da emissora para ter a estrutrura necessário para sua veiculação e produção.

O formato do programa sempre foi o mesmo: uma bancada, formada pelo apresentador e convidados de renome no jornalismo esportivo de Minas Gerais, que têm a função de comentar as principais notícias envolvendo os clubes do estado e também do Brasil. Convidados também são uma constante no programa. Treinadores, dirigentes e jogadores são as presenças mais regulares.

Pela bancada do programa, já passaram nomes de destaque do jornalismo mineiro, como Alberto Rodrigues e Willy Gonser, narradores da Rádio Itatiaia, Fernando Sasso, ex-narrador da TV Globo, Paulo Roberto Prestes, ex-jogador do Atlético, Son Salvador e Roberto Amaral, jornalistas, Renê Santana, filho do falecido técnico Telê Santana e o ex-jogador Tostão.

Atualmente, os membros fixos da bancada são Orlando Augusto, como apresentador e os comentaristas Paulo Azeredo (Rádio Inconfidência), Flávio Anselmo, Osvaldo Reis (Rádios Globo-CBN), Hércules Santos (Rádios Globo-CBN), Cláudio Rezende (Rádios Globo-CBN) e Léo Gomide (Rádio Estadão-ESPN). Em cada dia do programa, veiculado de segunda a sexta, a bancada é composta por diferentes integrantes.

Nos anos de 2000 e 2001, o programa era veiculado pela Rede Minas. Em 2002, aconteceu a estreia pela TV Horizonte, onde até hoje permanece no ar. Seu formato sempre foi de bancada, com espaço para matérias com as últimas novidades dos clubes de Minas Gerais.

Nos comentários, buscam-se a isenção e o bom senso, deixando de lado a passionalidade. As opiniões dos comentaristas muitas vezes são divergentes, porém sempre respeitadas.

Além dos comentários, o programa conta com matérias (média de dois minutos de duração) feitas pelo produtor em jogos e centros de treinamento, abordando o que de mais recente e 30

importante aconteceu nas principais agremiações de futebol de Minas Gerais. Nas matérias, entrevistas com jogadores, técnicos, dirigentes e torcedores, além de lances das partidas dos clubes e gols das rodadas, assim como classificação dos campeonatos. Dos quatro blocos, dois costumam ser específicos para Atlético e Cruzeiro, separadamente.

Além das matérias, são anunciados, durante o programa, de forma aleatória, produtos e empresas, que servem como importante apoio financeiro para a manutenção do programa.

A produção já passou pelas mãos de Henrique André (ex Rádio Inconfidência), Marcelo Bechler (Rádios Globo e CBN), Pedro Henrique Vieira (Rádios Globo e CBN), Henrique Comini (Prefeitura de Belo Horizonte) e Cássio Arreguy (Assessoria de Comunicação do Clube Atlético Mineiro).

3.3 Metodologia de pesquisa

Para dar embasamento à pesquisa, a revisão bibliográfica é o primeiro tópico a ser analisado, pela importância essencial e complementar. Autores de áreas diversas, mas com relação direta com o trabalho, foram consultados e tiveram contribuição para o desenvolvimento acadêmico. A revisão se refere às conclusões mais importantes das bibliografias mais pertinentes, aponta Marconi (1982).

Uma das principais referências foi Patrick Charaudeau (2006), que discorre sobre a importância da informação. A troca entre informador e informante é essencial para o desenvolvimento da comunicação e também dos indivíduos.

Outros autores também foram buscados, como Melo e Pena (2006), para complementar o valor da informação e comunicação na sociedade. O trabalho do jornalista também foi pesquisado, já que sua função vai além de comunicar e informar, atendendo a sociedade e dando a ela um instrumento de evolução por meio da objetividade.

A televisão tem importante função na sociedade atual, pela sua abrangência e influência que exerce. Autores apontam este meio de comunicação como elo entre diferentes setores da sociedade, pelo fácil acesso a informações de diferentes localidades.

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A TV regional é um caminho que se apresenta na atualidade e é destacado por Bazi (2001). O autor vê a regionalização de emissoras como fator de sobrevivência e maior ligação com as comunidades onde estão inseridas. Porém, esse cenário indica mudanças no formato da produção telejornalística e faz surgir o profissional multitarefa, tópicos de grande relevância neste trabalho.

Para a pesquisa, é necessário analisar o programa selecionado, assim como seu conteúdo, função e características. Para isso, será feita análise do estudo de caso de alguns programas, escolhidos dentro de dois critérios: a) final do Campeonato Brasileiro de Futebol, realizado no segundo semestre de 2010; b) coleta de quatro programas, sendo um por semana, para que uma visão geral do mês de exibição do programa, objeto de estudo desta monografia, fosse compreendida dentro dos assuntos e acontecimentos noticiados. O estudo de caso visa organizar os dados, preservando o caráter do objeto (MARCONI e LAKATOS, 1982). Essa metodologia de trabalho é uma importante ferramenta quando se quer responder perguntas como ‘por quê?’ e ‘de que forma?’ e quando o pesquisador tem pouco controle dos eventos.

A observação participante permitirá conhecer de perto o cotidiano do produtor de TV. Acompanhar sua rotina diária, suas dificuldades e o que envolve o processo de produção serão atitudes precípuas desta análise. “Consiste na participação real do pesquisador com a comunidade ou grupo” (MARCONI e LAKATOS, 2001, p. 194). Por meio da observação participante, o pesquisador poderá se colocar do lado de dentro da análise e assumir o papel do outro, fazendo parte daquele ambiente.

Entrevistas com ex-produtores do programa e, também, com o editor-chefe ajudarão a elucidar dúvidas e questionamentos. As perguntas serão respondidas pessoalmente ou por email e se referem ao processo de produção do programa, assim como a seu histórico, evoluções, parcerias, dificuldades, vantagens e desvantagens.

A metodologia de pesquisa deve, também, abranger as categorias de análise, pela presença destas no dia a dia do produtor. Elas organizam as informações obtidas e, para cada uma delas, o pesquisador irá fazer determinadas perguntas para sua análise e descrição, sugere Duarte e Barros (2006)

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São elas: a) a linguagem pré-produzida e a linguagem informal, que interferem na forma de discurso para com o telespectador; b) o critério de noticiabilidade, importante recurso usado pelo produtor para a seleção do que vai ao ar; c) a pauta: por ter a função de orientar o trabalho de produção; d) a equipe, com tarefas distribuídas, aliada aos equipamentos disponíveis; e) as características técnicas, como número e tempo das matérias, seu foco, número de passagens e fontes, quantidade de notas secas e cobertas.

3.3.1 Linguagem pré-produzida

O primeiro item a ser analisado do programa Jogada de Classe é a linguagem utilizada pelos condutores da atração e pelos seus convidados. Essa forma de comunicação varia dentro do contexto editorial a cada edição, podendo ser produzida e, ainda, informal e espontânea, características preponderantes.

As linguagens pré-produzidas do programa aparecem por meio das “cabeças” das matérias, que são preparadas com antecedência, presentes no roteiro, com o intuito de convidar o telespectador a assistir ao material produzido.

Estas chamadas são formais e, ao mesmo tempo, diretas e curtas. Estes textos de apresentação das matérias devem ser atrativos, com o intuito de gerar interesse no telespectador, para que este continue acompanhando a atração e possa se informar ainda mais sobre os clubes de futebol de Minas Gerais.

No programa do dia 10 de novembro de 2010, Orlando chama matéria do Atlético, que jogaria, naquela data, importante partida contra o Palmeiras, com a seguinte ‘cabeça’: “O meio campo Fabiano e o atacante Ricardo Bueno jogam hoje e estão confiantes em um resultado positivo. Confira esta matéria”3. Em outra oportunidade, no dia 2 de novembro de 2010, a cabeça se refere à tentativa de recuperação do Atlético depois de mais uma derrota. “Após perder para o Botafogo no domingo e voltar para a zona de rebaixamento, os jogadores do Atlético pensam no Guarani. Vamos ver esta matéria”4

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Programa Jogada de Classe de 10 de novembro de 2010 Programa Jogada de Classe 2 de novembro de 2010

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Na segunda parte do programa do dia 25 de outubro de 2010, uma frase de abertura dá início ao bloco. A frase selecionada foi do jogador Obina, do Atlético, figura de destaque na partida do dia anterior: “é difícil dizer há quanto tempo nosso torcedor estava esperando por esta vitória”.

Esta e outras frases são apresentadas no início de cada bloco e todas elas possuem um tom chamativo, de repercussão. A linha editorial do programa, composta por bancada e debates, tem relação direta com esta frase, que pode dar origem a comentários e discussões sobre a expressão selecionada. Ela também, muitas vezes, indica o clube que será mais destacado no bloco.

O programa do dia 2 de novembro é iniciado com principais as manchetes do dia, com destaque para a ausência do zagueiro do Cruzeiro, Cláudio Caçapa, para o restante do ano, devido a uma contusão, e para a baixa média de público do Campeonato Brasileiro. “Cruzeiro perde zagueiro para o resto do Campeonato. Brasileiro deste ano tem menor média de público desde 2006”, afirmou Orlando Augusto.

No quarto bloco, Orlando apresenta a matéria do América, que teria um importante compromisso no dia posterior. Esta reportagem traz informações sobre retornos e desfalques e, ainda, atualizam o torcedor sobre a equipe que entraria em campo.

3.3.2 Linguagem espontânea

A linguagem espontânea é uma constante no programa Jogada de Classe. O formato de bancada e debate da atração facilita a interação entre os participantes, que se comunicam de forma solta, mas responsável.

Em todos os programas, o apresentador Orlando Augusto utiliza bordões, geralmente diários e iguais para saudar os telespectadores, apresentar o programa e conceituá-lo como ‘o mais sério da TV mineira’. Além disso, o telespectador tem acesso às ferramentas de interatividade, sobretudo o email e o twitter 5 com a atração.

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jogadadeclasse@tvhorizonte.com.br / www.twitter.com/_jogadadeclasse.

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No primeiro bloco do programa do dia 25 de outubro de 2010, Orlando Augusto deseja aos telespectadores uma semana de “muita paz, muito amor, muito dinheiro, mas também muito juízo”, reforçando a ideia de um contato próximo com quem assiste ao programa.

O programa do dia 25 de outubro de 2010 inicia-se com a presença da linguagem produzida, com a leitura dos destaques da atração, técnica televisiva conhecida como ‘escalada’6. Nela, o apresentador Orlando Augusto expõe as principais manchetes que envolvem o futebol mineiro e nacional, como os sete jogos restantes para terminar o Campeonato Nacional e a situação dos times locais dentro desta competição.

Um abraço amigos ligados na TV Horizonte, espalhados por este Brasil afora. Lógico que minha rouquidão não é pela gritaria do futebol, evidentemente. Vamos, então, aos destaques desta segunda-feira. Antes, porém, desejando a todos vocês muita saúde, muita paz, muito amor, muito dinheiro e acima de tudo, muito juízo em mais uma semana para você. É o desejo de todos do programa Jogada de Classe. E os destaques: Campeonato Brasileiro, agora só faltam sete rodadas. Está apertando. Tudo que o Kalil, tudo que a torcida do Atlético sonhava e pedia a Deus, tudo que eles queriam, aconteceu: uma vitória diante do maior rival, na casa do rival, diante de uma torcida só, o Atlético vence, sai da zona de rebaixamento e ainda tira o Cruzeiro da liderança. Era tudo que a torcida do Atlético sonhou neste ano. Cuca reconhece derrota, mas cobra do argentino: é assim que se cobra pênalti na Argentina? Aqui no Cruzeiro, não. Corinthians vence depois de sete resultados negativos na estreia de Tite. Santos perde de virada em casa. Ipatinga vence, mas América já precisa comprar gordura, pois já acabou com aquela que tinha para queimar. Está no ar o programa Jogada de Classe7

Pode-se dizer que Orlando Augusto aproveita da grande aceitação que a TV tem em relação ao público de maneira geral para fazer afirmações e tentar conquistar ainda mais seu fiel público e mais telespectadores. O uso de linguagem informal tenta se aproximar ao máximo do telespectador, com o intuito de gerar empatia e fazê-lo assistir ao programa durante o maior tempo possível, buscando transmitir informações de seu interesse, além de uma sensação de bem-estar e conforto. Acosta-Orjuela (1999) já pontuava que poucas pessoas costumam criticar a TV devido ao seu formato de entretenimento, ligado ao lazer.

Ainda no bloco inicial do programa do dia 25 de outubro de 2010, o apresentador provoca o comentarista Ramon Salgado, publicamente conhecido como cruzeirense, dando de presente a ele um pequeno galo, símbolo do rival Atlético Mineiro, vencedor da partida. Gestos como

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Escalada: manchetes obrigatórias na abertura de todo telejornal http://jornal.metodista.br/tele/manual/manual.htm 7 Programa Jogada de Classe, 25 de outubro de 2010.

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este são recorrentes na atração. Vê-se, aqui, uma informalidade legitimada pela linha editorial do programa.

No quarto e último bloco, tem-se também a chamada do apresentador para os gols da rodada. “Vamos ver os gols da rodada, põe na tela”, disse Orlando Augusto, pedindo a exibição ao controle-mestre da emissora do que de melhor aconteceu na recém-finalizada rodada do Campeonato Brasileiro.

A segunda parte do programa do dia 10 de novembro de 2010 é iniciada com uma frase de abertura do técnico do América, que havia jogado importante partida dois dias antes. Uma vez que a frase de abertura é de um profissional deste clube, o apresentador aproveita para chamar uma matéria com os melhores lances da última partida da equipe mineira, que saiu derrotada. A chamada do apresentador foi a seguinte: “Mas vamos ver o Coelhão que jogou ontem. Perdeu em casa, mais de cinco mil torcedores de Atlético e Cruzeiro também prestigiando e o América, ê América...”.

Por meio dela, pode-se notar uma torcida e boa vontade do âncora com o terceiro time da capital, que conta com um pequeno número de apoiadores e muitas vezes depende de torcedores de outros clubes para aumentar o número de presentes quando joga em casa.

Uma vez que o programa tem como principais assuntos os times de futebol de Minas Gerais, é sempre importante ressaltar a investida da atração para com estas equipes, divulgando suas tradições, influências, atividades e notícias. Campos (2005) esclarece que o fortalecimento de expressões coletivas locais e regionais escapam das formas de controle que predominam em outros meios. Um exemplo desta expressão regional acontece no programa do dia 2 de novembro de 2010, quando Orlando, após ler email de um telespectador, indignado com a preferência da mídia por noticiar fatos dos times de Rio de Janeiro e São Paulo, afirma: “Estou de acordo com você. Em São Paulo, eles não dão muita ‘colher de chá’ para nós mesmo, não”.8

Orlando Augusto não tem a mínima preocupação em ser imparcial e analisa os jogos do final de semana de maneira informal. Esse recurso, como lembrou Charaudeau (2006), no primeiro

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Programa Jogada de Classe do dia 2 de novembro de 2010

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capítulo deste trabalho, reforça o contrato de comunicação entre os interlocutores, no caso o Jogada de Classe com a sua audiência fiel.

Uma rodada eletrizante, de muitos gols, de muita emoção e com lances polêmicos. Aqui em Minas Gerais existia uma euforia exagerada por parte do Cruzeiro, com motivos, pelo time e pela posição na tabela. Contra as expectativas, o Atlético venceu, saiu da zona do rebaixamento e ainda tirou o Cruzeiro da zona de classificação. A torcida do Atlético não podia querer mais 9

No segundo bloco, as linguagens informais também se resumem aos comentários pessoais dos participantes do programa. Apesar de cada um ter seu clube do coração, os comentários tentam mostrar imparcialidade, compromisso com a verdade e responsabilidade.

O jornalista Ramon Salgado faz a pergunta “Não foi pênalti?”, logo após Paulo Azeredo afirmar que não existiu falta no lance marcado pelo juiz. Apesar da clareza da jogada, que não mostrou infração, Ramon Salgado afirma que a penalidade não existiu e pede ainda que o lance seja analisado com calma, insistindo em sua opinião equivocada.

Análises e comentários têm como referência uma opinião e visão pessoal do participante do programa. No entanto, as análises são mais completas e fundamentadas, com causas e conseqüências dando força à sua presença. Já os comentários são mais breves, diretos, podendo também gerar algum tipo de repercussão.

Durante a exibição dos melhores momentos da partida entre América e Bahia, no programa do dia 10 de novembro de 2010, os participantes do programa externam suas impressões e opiniões acerca do que se passou. “O lançamento foi lá de trás e o goleiro poderia ter saído antes”, disse o comentarista Paulo Afonso sobre o momento da expulsão do jogador do América. A boa campanha da equipe mineira dentro de casa, apesar da derrota, também foi exaltada pelo colega de bancada Paulo Azeredo: “O América, até esta partida, tinha a segunda melhor campanha do campeonato jogando dentro de casa, ficando atrás do Coritiba, somente”.

No dia 25 de outubro do mesmo ano, o componente da bancada, Paulo Azeredo, analisa a opção do treinador do Atlético, que fez uma modificação equivocada, em sua opinião. “O Dorival mexeu mal. Ele colocou o Daniel Carvalho no lugar do Diego Tardelli e o time ficou
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Programa Jogada de Classe do dia 25 de outubro de 2010

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pesado, sem saída. O Neto Berola seria a melhor opção pela sua velocidade. Depois, Dorival tentou consertar o erro mas não foi possível”, afirmou Azeredo. Note, aqui, que expressões comuns no futubel brasileiro, como “time pesado” ou “time sem saída” foram usadas visando, exclusivamente, ao público segmentado que assiste ao programa.

Os comentários, por sua vez, são mais carregados de intenção opinativa. É muito comum de se ouvir expressões específicas do futebol. Paulo Afonso faz um comentário sobre o gol de Gilberto do Cruzeiro. “Foi um golaço, gol de quem realmente sabe jogar bola”, afirmou o comentarista. “Ele entrou muito bem na partida”, completou Paulo Azeredo. Paulo Afonso ainda brinca com o fato de o jogador Obina ter feito três gols na partida. “O Estádio Parque do Sabiá, onde aconteceu o jogo, pode mudar seu nome para Parque do Obina”, afirmou o comentarista, lembrando que Obina também havia marcado três gols neste mesmo estádio em partida do Campeonato Mineiro de 2010.

O jornalista e comentarista Ramon Salgado analisa um dos gols do Atlético, por meio do posicionamento errado dos zagueiros do Cruzeiro. “Neste lance, o Edcarlos está lá na frente, e olhem bem onde estava o Caçapa, que chegou atrasado e estava distante do atacante. O Caçapa é bom jogador, mas não fez uma boa partida”, afirmou o comentarista, apresentando falhas que culminaram com o gol atleticano.

Ainda na terceira parte do programa do dia 25 de outubro, o apresentador Orlando Augusto manda um abraço, ao vivo, para um amigo pessoal, exemplo clássico da informalidade aqui tratada e prova de como o Jogada de Classe foge do que a TV concencionou padronizar como linguagem adequada. “Queria agora mandar um abraço para um dos amigos mais inteligentes que eu tenho, chamado Léo Berg, cruzeirense doente, que também está todo triste. Léo Berg não é fácil, não” (Orlando Augusto, apresentador)10

Os comentários são feitos em forma de diálogo, quase desconsiderando a existência de um terceiro elemento na conversa, o telespectador. Mas esse detalhe, completamente informal, é o diferencial da linha editorial proposta. As opiniões contrárias mostram a democracia presente no programa e o espaço para diferentes visões.

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Programa Jogada de Classe do dia 25 de outubro de 2010

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Ramon Salgado: “O Montillo costumar bater os pênaltis rasteiros e ele resolveu mudar na última hora. O duro foi errar o alvo. Mas ele tem crédito com a torcida e está sendo apontado pela imprensa nacional como um dos melhores jogadores do país. Orlando Augusto: “Mas isso pode custar o título” Paulo Afonso: “O momento era de seriedade porque seu time estava perdendo a partida por dois gols de diferença”. 11

No quarto e último bloco, os gols e resultados foram motivos de elogios e críticas por parte dos integrantes da bancada. E a linguagem coloquial é preponderante de tal forma que existir um telespectador do outro lado é quase um detalhe para quem está dentro do estúdio tamanha a informalidade do diálogo.

Orlando Augusto: - O Atlético Goianiense está mostrando que realmente teve uma arrancada fantástica. Paulo Afonso: - Espetacular a campanha deste time... Orlando Augusto: - venceu o Guarani lá em Campinas por um a zero. Corinthians um, Palmeiras zero. Goiás venceu o Avaí, que cai para a segunda divisão... Paulo Afonso: - Está querendo... Paulo Azeredo: - Um detalhe do jogo entre Corinthians e Palmeiras: Pô, Felipão. Eu apostei tanto em você, gostava tanto de você, deu uma resposta ao repórter ontem que pelo amor de Deus Ramon Salgado: - Normal dele Paulo Afonso: - Ceará está na zona da Sul Americana Orlando Augusto: - O Fluminense empatou na última hora, com um gol de pênalti. Caiu do céu este empate do Fluminense. Vasco e Flamengo um a um, resultado normal em se tratando de clássico. Grêmio e Internacional dois a dois, também um resultado normal, um belíssimo jogo. O Botafogo venceu o Vitória no sábado por um a zero... Paulo Afonso: - Este time do Joel tem que tomar cuidado Orlando Augusto: É isso aí...

O programa do dia 10 de novembro de 2010 também conta com várias linguagens espontâneas. No primeiro bloco, vários comentários são feitos pelos integrantes da bancada, todos referindo-se ao momento de Cruzeiro e Corinthians, duas equipes que disputavam, no período, as primeiras colocações da tabela e que iriam se enfrentar em poucos dias.

Thiago Ribeiro: Como eu falei, espero unir este bom momento com o título, não teria um casamento mais ideal do que esse Ramon Salgado: - Esse é um jogo que todos estão aguardando, com uma expectativa muito grande e eu gostaria de ouvir sua opinião, porque só estão falando do Corinthians, estão esquecendo do Cruzeiro. O Corinthians tem um timaço, mas estão esquecendo que o Cruzeiro também tem um grande time. Você não tem observado esta situação, Thiago? Thiago Ribeiro: - Observo sim. Sempre que eu vejo os programas esportivos, o pessoal da mídia em geral, de Rio e São Paulo, praticamente ninguém coloca o Cruzeiro na disputa do título. É só o Fluminense e o Corinthians. Mas a gente tem que pagar o preço, sabemos que os times do eixo Rio-São Paulo têm um destaque
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Programa Jogada de Classe de 25 de outubro de 2010

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maior pela mídia nacional e sábado é pedreira, é um clássico do futebol nacional. Por si só já é um grande jogo, ainda mais na situação que vai ser, o segundo contra o terceiro colocado, os dois empatados em número de pontos, a um ponto do líder, então pode-se dizer que é uma final antecipada.

O convidado Thiago Ribeiro (atacante do Cruzeiro) responde às perguntas dos participantes. Em um dado momento do primeiro bloco, Ramon Salgado brinca com o amigo de Thiago Ribeiro, que não estava na bancada, mas o acompanhava dentro do estúdio. Este contato mostrou proximidade entre os dois pela forma como Ramon se dirige ao conhecido. Orlando Augusto também elogia o conhecimento que o convidado Thiago Ribeiro tem do futebol e ainda brinca que ele pode se tornar técnico após sua aposentadoria. “Muito bem, prosa boa, Thiago Ribeiro, dá uma aula de futebol aqui hoje, estou gostando de ver. Você vai ser técnico? Fala bem e tal...ou também comentarista” (Orlando Augusto, apresentador)12

No segundo bloco, vários comentários se referem ao jogo do América ocorrido na noite anterior. Nesta partida, o clube mineiro perdeu dentro de casa e os participantes apontaram os erros cometidos pela equipe, além do que faltou para que um melhor resultado fosse conquistado. O membro da bancada Paulo Afonso afirma que “quando se cria uma expectativa grande de acesso, como está acontecendo com o América, que faz uma campanha surpreendente, a gente cobra mais”. Este é mais um exemplo que, de analítico, o discurso passa para opinativo, sempre de um jeito informal, pessoal, para atrair mais a atenção do interlocutor, no caso o telespectador do programa.

Em um momento de descontração, o membro da bancada, Ramon Salgado, também brinca com o atleta convidado e o chama de “prosa muito boa” e que ele pode se tornar comentarista esportivo quando não estiver mais jogando. Expressões coloquiais, gírias e chavões compõem o cardápio do discurso de todos que freqüentam a bancada do Jogada de Classe.

Outra presença da informalidade deste programa surge quando Orlando Augusto abre espaço para mandar um abraço para um familiar que fazia aniversário naquela data. “Você é meu primo, mas o considero como um irmão. Você merece tudo de bom e mora dentro do meu coração. Estou emocionado”, destacou Orlando.

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Programa Jogada de Classe de 10 de novembro de 2010

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No terceiro bloco, Ramon Salgado pede a licença para o apresentador para a participação do amigo de Thiago Ribeiro, que destaca o futebol do jogador e sua passagem por diversos países, dizendo que “ele é o cara”. Neste momento, passa-se a impressão de que os dois se conhecem há muito tempo e passaram por diversas situações juntos.

Ramon Salgado pergunta ao amigo, que está no estúdio, como o jogador é no dia-a-dia, se ele também é simpático no cotidiano, como demonstra ser na sua participação no programa. De pronto, a resposta vem aproximar ainda mais o telespectador por meio da coloquialidade. “Ele é sempre assim. Fala bem, já jogou fora, na França, no Catar, tem um currículo bom, é campeão do mundo. Então, é aquilo que eu sempre falei: Thiago Ribeiro é o cara”, respondeu o amigo do jogador.

Um fato curioso – e coloquial – pôde ser visto no programa do dia 2 de novembro de 2011. Logo no início da atração, Orlando disse que “está se sentindo velho”, pela presença de vários garotos ao seu lado na bancada. Isso é fato, já que a média de idade dos colegas é de 27 enquanto Orlando fez, neste 2011, 63 anos.

3.3.3 Construção das pautas

A deficiência da equipe do Jogada de Classe faz com que algumas pautas se transformem, fazendo valer a máxima do cientista francês Antoine Lavoisier (1743-1794) de que, “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Foi assim, no programa do dia 25 de outubro de 2010, que se dedicado ao clássico entre Atlético e Cruzeiro.

Impossibilitado de sair da TV Horizonte, emissora que transmite o Jogada de Classe, o repórter/produtor precisou recorrer ao que as outras coberturas de jornalismo esportivo tinham feito. Dessa forma, com informações e imagens de veículos concorrentes – sempre com a preocupação de indicar a fonte de origem -, o conteúdo editorial deste dia foi todo reaproveitado.

Ressalta-se, aqui, que não há pauta formal, impressa, dentro da estrutura editorial do Jogada de Classe. Quando o repórter/produtor dispõe de um veículo e de um cinegrafista, o deslocamento é, quase sempre, para os centros de treinamento dos principais times mineiros:

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Atlético, Cruzeiro e América. Ao chegar ao local, espera-se do profissional uma perspicácia para a observação, e não o simples olhar.

Um bom exemplo foi a matéria exibida no dia 2 de novembro de 2010, terça-feira. No dia anterior, os times mineiros não realizaram treinamento, uma vez que haviam disputado partidas no domingo prévio. Sem opção de entrevistar jogadores, dirigentes ou técnico em seu ambiente de trabalho, a opção do produtor foi realizar, nas ruas de Belo Horizonte, um ‘povofala’13, que teve como tema o bom momento vivido por Renan Ribeiro, goleiro do Atlético. Esta situação mostra como uma pauta pode cair e outra surgir na mesma data, exigindo do produtor e repórter habilidade e criatividade instantâneas.

Logo, tudo que existe é criado no dia e hora do treinamento, tendo como base os jogadores selecionados para as entrevistas coletivas. A partir desta escolha e da realidade deste profissional, como o rendimento do atleta naquele momento do campeonato ou a idade dele no time, cria-se a pauta. O conhecimento do profissional sobre a realidade do clube, e também do futebol brasileiro, pode ser útil na concepção desta pauta. Desta forma, é primordial que o repórter/produtor acompanhe, diariamente, as notícias do futebol brasileiro e internacional, que podem, inclusive, servir de parâmetro para comparações e contextos da matéria. Os assessores de imprensa dos clubes também são boas formas de se obter informações complementares, que podem agregar valor à pauta e à matéria.

3.3.4 Critérios de noticiabilidade

No programa Jogada de Classe, a abrangência é um critério constante para a seleção das matérias. O número de pessoas interessadas interfere diretamente no que será publicado. O grande número de pessoas interessadas em notícias de Atlético e Cruzeiro faz com que os dois times tenham, diariamente, matérias sobre sua realidade, exibindo entrevistas, imagens de treino e debates sobre a situação atual, passada e futura. O número de torcedores destes dois times é bem expressivo, principalmente no estado de Minas Gerais, o que impõe ao programa a necessidade de veicular matérias sobre estas instituições esportivas.

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Também chamado de fala-povo, é a entrevista feita com várias pessoas – uma de cada vez –, que repercutem determinado assunto http://jornal.metodista.br/tele/manual/manual.htm

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As matérias sobre o meia do Cruzeiro Montillo e do goleiro do Atlético, Renan Ribeiro, exibidas no dia 2 de novembro de 2010 tiveram a abrangência como critério para sua exibição. O mesmo serve para o compacto do jogo do América, exibido no dia 10 de novembro de 2010.

Uma vez que Atlético, Cruzeiro e América são os times mais importantes do Estado, é de praxe que seu peso no programa seja representativo, pelo número de torcedores que possuem e pela audiência que conquistam. A lógica interna do programa pede que imagens dos jogos dos times mineiros sempre sejam exibidas no dia posterior às partidas. Toda e qualquer matéria do programa tem este critério como referência para sua veiculação. Apesar de menor, a torcida do América também abrange os torcedores de futebol de Belo Horizonte e sua existência é considerada no momento de produção e veiculação das matérias.

Um dia após o clássico entre Atlético e Cruzeiro, a maior parte do programa do dia 25 de outubro foi ocupada por imagens do jogo e pelas discussões, análises e comentários dos integrantes da atração. O peso do contexto e a gravidade das implicações foram critérios adotados para que este jogo recebesse bom espaço no programa. O resultado fez com que o Atlético saísse da zona de rebaixamento e tirasse o Cruzeiro da liderança do campeonato. Uma vez que envolvia os dois maiores times de Minas Gerais, seu peso era bem superior a qualquer outra notícia do programa, que tem como foco principal o futebol estadual.

Sua forte significação fez com que o jogo fosse bastante aguardado durante todo o ano, gerando ansiedade e expectativa por parte de quem acompanha o futebol diariamente, tanto torcedores como imprensa. Profissionais de outras cidades se deslocam para a cidade do jogo para realizar matérias in loco, tamanha sua representatividade.

O placar inesperado a favor do Atlético, quando o Cruzeiro era o favorito, fez o critério do caráter histórico ser aproveitado. Um jogo entre as duas maiores equipes do estado, com um placar de sete gols, não é comum. Em clássicos, é bastante costumeiro que a partida seja apertada e tenha poucas chances de gols. Mas o que se viu foi exatamente o contrário: uma partida bastante movimentada, que, definitivamente, entrou para a história dos confrontos entre Atlético e Cruzeiro.

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Placares da rodada e classificação de momento do campeonato também são exibidos em datas próximas dos jogos. Sua exibição ajuda a equilibrar a atenção que o programa dá para os times de futebol, uma vez que informa número de pontos e posição na tabela de todos os times que disputam o Campeonato Brasileiro da série A. Estas informações ajudam o telespectador a ter uma amplitude maior do contexto onde os times de Minas Gerais estão inseridos, mostrando sua posição na tabela comparada aos times restantes que disputam esta competição.

3.3.5 Obstáculos

Alguns obstáculos existem no programa Jogada de Classe e muitas vezes, são facilmente percebidos pelos telespectadores. Os motivos para isso variam desde a estrutura da emissora até erros dos próprios participantes da bancada.

No programa do dia 25 de outubro de 2010, o apresentador Orlando Augusto anuncia as manchetes do programa sem um fundo musical, que normalmente acompanha o jornalista neste momento inaugural. Tal falha foi sentida pelo âncora, que, mesmo assim, deu continuidade às manchetes, mostrando agilidade em um momento de dúvida, que poderia comprometer a qualidade do programa. Este detalhe técnico foi somado a outro fato curioso: a voz rouca do apresentador, que a admitiu e a justificou no início do programa.

No programa do dia 2 de novembro, durante manchete sobre a grande possibilidade de o Ipatinga ser rebaixado, Orlando Augusto fica em dúvida sobre o uso da palavra “praticamente”. Depois de proferi-la, ele pergunta aos outros integrantes da bancada se sua utilização é adequada e resolve usar o termo “quase praticamente”, podendo gerar confusão para os telespectadores. Este erro teve influência da não preparação adequada e antecipada da manchete por parte da produção do programa. Tal fato, decididamente, evitaria a falha que apareceu ainda no início da atração.

No último bloco do programa da mesma data, Orlando afirma que o goleiro do Paraná, Juninho, era um bom goleiro. O apresentador admite usar o termo no passado por não conhecer o atual momento do jogador, que há pouco tempo jogou em Minas Gerais e ainda atuava por um grande clube brasileiro. Neste caso, nota-se a deficiência editorial do

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programa, por meio da não apuração prévia dos fatos narrados, comprometendo a atualização e a credibilidade das reportagens exibidas.

A matéria do América, também veiculada no dia 2, não possui sonora, que mostra somente imagens de arquivo utilizadas para sua produção. Esse recurso é a comprovação de que nem sempre é possível ter imagens atualizadas. E o arquivo é a solução. Como obstáculo editorial, esse fato precisa ser registrado, já que comprova outra deficiência do trabalho ali desenvolvido, sobretudo, pelo produtor.

Este obstáculo há pouco narrado indica um detalhe que, aqui, precisa ficar explícito. O Jogada de Classe é um programa realizado em co-produção, ou seja, a equipe representa uma pessoa jurídica que, em parceria com a TV Horizonte, viabiliza editorial e tecnicamente a veiculação da atração. Por isso, o produtor/repórter do Jogada de Classe depende da estrutura da emissora para realizar seu trabalho. Porém, o contrato de parceria indica, apenas, duas captações externas, isto é, duas dinâmicas de captação de imagem, entrevistas ou realização de passagens fora dos estúdios da emissora, por semana. Essa ação, realizada tradicionalmente nas segundas e quartas à tarde, limita a presença do Jogada de Classe em jogos e treinamentos das equipes mineiras que aconteçam em outras datas e horários. Caso algum acontecimento de relevância surja na parte da manhã, em uma terça feira, por exemplo, não será possível a presença in loco do profissional para registro do acontecimento, assim como sua apuração.

As saídas para a produção de matérias acontecem por meio de um único veículo, disponibilizado pela emissora. Tal fato pode interferir no trabalho do produtor, no caso de acontecer alguma falha mecânica no automóvel, por exemplo. Outra restrição existente é a equipe que acompanha o produtor/repórter: apenas um cinegrafista e motorista saem para a externa com o jornalista. No caso de algum destes ter algum imprevisto, é possível que o produtor não consiga cumprir sua pauta. Estes dois profissionais disponibilizados também trabalham para outros programas da emissora. A fadiga de trabalho deles é passível de acontecer, uma vez que realizam diversas funções em uma mesma data, muitas vezes em um curto espaço de horas. O produtor/repórter, pelo acúmulo de funções, também pode se sentir cansado em determinada data, o que pode interferir na qualidade do seu trabalho. Em dias de externa, o jornalista chega a passar 12 horas ininterruptas por conta do programa.

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3.3.6 Equipe

Por se tratar de uma emissora de pequeno porte, a TV Horizonte conta com equipe limitada de profissionais. Apesar de várias atividades serem exercidas para a veiculação do Jogada de Classe, os profissionais são os mesmos todos os dias. Suas funções são a de câmera, assistente de estúdio, diretor de TV, operador de caracteres, operador de áudio e controle-mestre. Estas atividades trabalham diretamente no programa, enquanto outros membros, que também fazem parte da equipe, são responsáveis por outras funções de direção, coordenação e acompanhamento. Os nomes de todos os envolvidos são exibidos nos créditos, ao final do programa.

A bancada do Jogada de Classe sofre variações de acordo com a data do programa. Somente Orlando e Paulo Azeredo estão presentes na atração todos os dias, enquanto os outros comentaristas se revezam durante a semana. Jogadores, técnicos e dirigentes são constantemente convidados para participar da bancada. Nestas oportunidades, estes visitantes acabam desempenhando um papel similar à dos outros componentes, por terem a oportunidade de comentar e externar suas opiniões sobre os principais acontecimentos do dia/semana.

A equipe do programa do dia 25 de outubro de 2010 é composta pelos integrantes da bancada (Orlando Augusto, Ramon Salgado, Paulo Azeredo e Paulo Afonso).

No dia 2 de novembro de 2010, os integrantes da mesa eram Bruno Marum, Cláudio Rezende, Orlando Augusto e Paulo Afonso.

No dia 10 de novembro de 2010, a bancada era composta por Orlando Augusto, Ramon Salgado, Paulo Azeredo, Paulo Afonso e pelo convidado Thiago Ribeiro, atacante do Cruzeiro.

A preferência dos integrantes da bancada pelos dois maiores times de Belo Horizonte é equilibrada. Orlando Augusto e Ramon Salgado são assumidamente cruzeirenses e outros integrantes, como Paulo Afonso e Paulo Azeredo, são atleticanos, apesar de não externarem isso em muitos momentos. O América não possui representantes, com exceção das datas em que algum jogador ou técnico desta equipe é convidado e participa ativamente do programa. 46

Apesar da preferência, todos conseguem manter isenção em suas opiniões e colocações. A única exceção, pode-se dizer, refere-se a Ramon Salgado, que em muitos momentos se exalta e parece mais um torcedor de arquibancada fazendo parte do programa.

Isso acaba se distanciando um pouco proposta do programa. Cada um tem suas próprias características para externar suas opiniões. Enquanto Paulo Azeredo e Ramon Salgado possuem um bom conhecimento de bastidores, Paulo Afonso sempre dá opiniões reforçadas por números e estatísticas, agregando valor aos comentários e opiniões.

3.3.7 Características técnicas

A linha editorial do Jogada de Classe privilegia a discussão, os comentários e o debate dos membros da bancada. Matérias factuais, que mostram a realidade dos clubes, com informações atualizadas, são veiculadas diariamente, mas seu tempo costuma ser curto e sua objetividade, nítida. O programa diário possui uma hora de duração, com quatro blocos de 12’, divididos por intervalos de 3’.

A média de matérias, por programa, é de três a quatro. Como cada bloco (a partir do segundo, uma vez que o primeiro é para apresentações e informações gerais) refere-se a uma equipe, um ou dois materiais são preparados para cada uma delas, como sonoras, entrevistas, matérias ou imagens de jogos.

O número de matérias de cada time depende, também, da disponibilidade do material a que o produtor teve acesso. Normalmente, existe equilíbrio das notícias, principalmente de Atlético e Cruzeiro. O América, em algumas oportunidades, é apenas comentado durante o programa, como aconteceu no dia 25 de outubro de 2010.

No programa do dia 2 de novembro, Orlando chama uma matéria do Atlético, que mostra imagens do último jogo da equipe acompanhadas por breves depoimentos de dois jogadores. A partida ainda repercutia entre a mídia esportiva e serviu como “gancho” para debates da mesa. As notas cobertas, ou seja, imagens organizadas sob produção textual do repórter, também conhecida como “off”, têm, em média, a duração de dois minutos. Como trazem um aspecto visual mais marcante, sendo acompanhadas por sonoras, sua duração é maior. 47

Notas secas, cuja essência é apenas textual sem a utilização de imagens, também aparecem constantemente no programa, apesar de não fazerem parte do roteiro. Elas não são produzidas previamente e são curtas, possuindo a intenção de provocar e estender debates sobre o tema proposto. A duração desse tipo de texto televisivo não passa dos 10’’ e sua presença varia, não de clube para clube, mas das informações que os integrantes da bancada possuem e do seu interesse em externá-las.

Ainda no programa do dia 2 de novembro, notas secas são divulgadas, referindo-se à situação dos clubes mineiros na série B, como o mau momento do Ipatinga e o bom momento de Alessandro, jogador de ataque desta equipe. Orlando Augusto também comunica que, no dia posterior, será realizado o jogo de outra equipe mineira, o América, finalizando com a divulgação dos resultados da série A, novamente.

No primeiro bloco do programa do dia 25 de outubro de 2010, o apresentador apresenta uma nota seca com os resultados da rodada. Para reforçar, ainda é exibida uma nota coberta com todos os resultados e a classificação de momento do Campeonato Brasileiro. Durante a locução, uma arte mostra as informações divulgadas.

No terceiro bloco do programa do dia 25 de outubro, é exibida uma sonora do treinador do Atlético, Dorival Júnior, comentando sobre a atuação de sua equipe diante do maior rival. A sonora mostra, resumidamente, as impressões do treinador sobre o jogo e sua equipe.

No programa da mesma data, a presença de uma nota coberta se mostra por meio do compacto do jogo entre Atlético e Cruzeiro. Este vídeo, acompanhado pelos comentários dos principais lances, possui um tempo maior aos das matérias normalmente exibidas. Como vários lances de relevância aconteceram durante a partida, considerada o maior clássico do estado, era essencial para o programa mostrá-los (inclusive com repetições), o tempo desta matéria se estende.

No programa do dia 10 de novembro de 2011, o compacto do jogo do América é a primeira nota coberta presente. Enquanto as imagens do jogo são exibidas, os integrantes da bancada comentam sobre a atuação das equipes e sobre os momentos que influenciaram no resultado da partida. 48

3.3.8 Patrocinadores e interação com telespectador

O programa Jogada de Classe valoriza bastante a participação do público. Para isso, esta interação é solicitada diversas vezes durante o programa. Os telespectadores podem enviar mensagens por meio de email ou do twitter. O apresentador sempre deixa aberto o espaço para a opinião da audiência, “que sempre é respeitada, mesmo quando não se concorde com sua visão”.

Os patrocinadores do programa aparecem em diversos momentos. A divulgação da marca de empresas é essencial para a manutenção do programa, que conta com essa verba publicitária para ir ao ar diariamente. Melo (1985) já se posicionava em relação a isso, afirmando que o jornalismo tem assumido estrutura típica das empresas capitalistas.

O apresentador aproveita alguns trechos para divulgar produtos e empresas. Um bom exemplo acontece no momento do intervalo, quando Orlando Augusto chama os comerciais, “enquanto tomamos aqui um pouco dessa preciosa água mineral...”

No período analisado, um dos patrocinadores realizava uma promoção, que contava com a participação do público, por email, respondendo a uma simples pergunta: “qual o supermercado que tem sempre um pertinho de você?” A resposta era o nome do anunciante (Supermercados BH). Assim, a empresa tinha seu nome anunciado constantemente, em todas as situações em que o endereço eletrônico (jogadadeclasse@tvhorizonte.com.br) era divulgado.

No programa do dia 2 de novembro, Orlando Augusto divulga os preços do anunciante e a pergunta da promoção. Ele ainda pede que Ramon Salgado, ao vivo, dê a resposta para os telespectadores, facilitando e motivando uma grande participação na promoção criada.

3.3.9 O produtor multifunção

O produtor e repórter do programa Jogada de Classe possui várias tarefas diárias. Ao mesmo tempo em que deve ir aos jogos e centros de treinamento para cobrir as últimas notícias e acompanhar os bastidores dos times, ele também deve pensar nas pautas e entrevistas que irão 49

ao ar. Definitivamente, não é uma tarefa fácil. O acúmulo de funções pode prejudicar a qualidade do programa, que poderia ter matérias especiais e diferenciadas com um foco diferente do que a atração costuma veicular. Devido à sobrecarga, as matérias costumam apenas dar as últimas informações dos times, sem sair muito do lugar-comum.

O papel do produtor também envolve passagens, locução e narração dos textos das matérias, assim como sua edição. Escolher as imagens que irão ao ar, criar textos chamativos, selecionar as melhores partes de entrevistas e definir o tempo de cada matéria, para que estas não fiquem cansativas, são algumas das tarefas deste profissional, que deve adotar critérios de noticiabilidade como referência para produção de seu material. As notícias de maior destaque dos clubes não podem ser esquecidas e sempre têm lugar garantido durante a atração. A sonora de Dorival Júnior, no programa do dia 25 de outubro de 2010, foi veiculada devido à importância do jogo contra o maior rival e deste profissional para o resultado final da partida.

Frases com as últimas informações do mundo esportivo, que passam em formato de rodapé, durante os blocos, é também tarefa do produtor, que é um verdadeiro faz-tudo do programa. O número médio de matérias por programa é de três a quatro. Para isso, o profissional deve chegar com bastante antecedência à emissora para preparação e produção do material que irá ao ar.

O produtor ainda fica encarregado por convidar e confirmar os participantes diários da mesa, assim como escolher as frases de abertura de cada bloco.

Na bancada, todos os integrantes recebem um material com as principais informações dos clubes mineiros e também de outros grandes clubes do Brasil. Este material é lido pelo apresentador em alguns momentos do programa, para transmitir informações de interesse do telespectador, como número de pontos de alguns clubes, assim como sua posição na tabela.

Neste arquivo, ainda constam tabela de classificação, últimos e próximos jogos, depoimentos relevantes que podem servir de base para discussões, entre outras informações que possam ser exploradas. Todo este conteúdo é extraído pelo produtor diariamente da internet, ferramenta fundamental para este profissional.

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A produção do roteiro também é de responsabilidade do produtor, que deve dar igual espaço para os times de Minas Gerais. Este equilíbrio é importante para a impressão do telespectador de um programa isento e imparcial, que dê notícias relevantes sobre as equipes mineiras. Atlético e Cruzeiro sempre têm suas principais notícias divulgadas por meio de matérias, compactos ou sonoras. O América sempre é citado, mas em alguns programas, nem ao menos uma matéria deste clube é veiculada, como ocorreu no programa do dia 25 de outubro de 2010, que deu mais destaque ao clássico entre Atlético e Cruzeiro.

Em uma das poucas funções que o produtor não exerce influência, estão os comentários da bancada, de responsabilidade de seus autores, única e exclusivamente.

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CONCLUSÃO

As hipóteses iniciais, imaginadas antes da elaboração deste trabalho monográfico, foram refutadas, definitivamente. Outras, no entanto, foram reforçadas. É, por exemplo, o caso do pouco número de matérias do programa Jogada de Classe, onde cada uma delas envolve todo um processo de obtenção de imagens e edição para sua veiculação.

Enquanto algumas reportagens são feitas no local de jogo ou treinamento das equipes, outras imagens devem ser obtidas por diversas formas, como internet ou por meio de outras emissoras.

O trabalho para noticiar as principais informações dos times de futebol de Minas Gerais ultrapassa o fato de haver um profissional envolvido na captação e edição final de uma matéria jornalística. Há, dessa forma, uma dependência da contribuição de outros veículos que ajudam na composição do conteúdo.

O jornalista do programa Jogada de Classe tem somente a ele próprio para discutir uma pauta, avaliar o seu trabalho, receber e concatenar os comentários e críticas dos telespetadores. Esse ponto, considerado o mais relevante desta monografia, indica a alta capacidade de trabalho deste profissional e, ao mesmo tempo, a deterioração do valor desse trabalho aplicado. De certo modo, vê-se a grande responsabilidade deste repórter/produtor em arcar com o ônus e os bônus de uma linha editorial linear em certos aspectos e não linear em outros.

Compreende-se, também, que a estrutura da TV Horizonte é deficitária, o que limita o trabalho e indica, para o telespectador, uma significativa diferença de cobertura jornalística entre programas similares da grande TV aberta atual. No entanto, reconhece-se que o Jogada de Classe cumpre bem seu papel de informar, comunicar com propriedade e responsabilidade e atende à necessidade de uma audiência fiel.

A percepção do programa e do fazer jornalístico, após a finalização desta pesquisa, ficou bem mais ampla e realista. Infelizmente, ditames do mercado indicam, cada vez mais, a otimização do trabalho do profissional. Porém, isso é contraditório quando se espera padrões mínimos de qualidade editorial. Um programa diário, mesmo que veiculado por um emissora regional, 52

necessita da riqueza profissional de uma equipe multidisciplinar. O material que vai ao ar é apenas uma pequena parte do que é realizado dentro da intensa dinâmica televisiva.

Trabalhar em televisão requer dinamismo e habilidade para passar informação precisa. Não cabe trabalhar os chavões de que uma imagem vale por mil palavras quando, na verdade, pode ser que a pauta exija justamente o contrário, ou seja, um texto que nem mil palavras podem verbalizá-lo. Qualquer pequeno erro é facilmente detectado e pode influenciar na percepção e impressão do telespectador.

A percepção da ferramenta televisão, enquanto meio de comunicação, evoluiu, se comparada à ideia inicial que gerou esta monografia. O trabalho do produtor pôde ser amplamente decifrado, sobretudo quando comprova a literatura de que a produção de um programa diário de TV envolve diversos profissionais que não aparecem na frente das câmeras. Os comentaristas e o apresentador são apenas pequenas partes do que é necessário para a exibição de uma atração televisiva.

Faz-se necessário ressaltar que, graças ao percurso acadêmico alcançado neste curso de Jornalismo, sobretudo com as disciplinas do 7º e 8º períodos, respectivamente, Produção e Edição em Televisão e Legislação e Ética Jornalística, a função do produtor ganhou status até então não perceptível. Esta monografia só foi possível graças às discussões ali construídas.

Uma vez que o trabalho se refere ao trabalho multifuncional do produtor, ele pode ser objeto de estudo e pesquisa de especializações acadêmicas. Esta é uma realidade para diversos

profissionais que chegam ao mercado. O acúmulo de funções ganha, gradativamente, o status de qualidade observada por um editor cada vez mais carente de recursos de trabalho e ávido por resultados expressivos para o seu telespectador.

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REFERÊNCIAS

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