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José Eduardo Vidigal Ribeiro

O DESENHO DA INFORMAÇÃO:
Estudo do projeto gráfico do jornal impresso, Hoje em Dia, nas editorias de Esporte, Cultura e Política

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2011

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José Eduardo Vidigal Ribeiro

O DESENHO DA INFORMAÇÃO:
Estudo do projeto gráfico do jornal impresso, Hoje em Dia, nas editorias de Esporte, Cultura e Política

Projeto de monografia final de curso apresentado ao curso de Jornalismo do Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) como requisito parcial para aprovação nas disciplinas Projeto Experimental em Jornalismo II. Orientadores: Doutora Ana Rosa Vidigal Dolabella

Belo Horizonte Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH) 2011

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 04 2 JORNALISMO IMPRESSO E SUAS CARACTERÍSTICAS....................................... 07 2.1 A identidade visual do jornal impresso ........................................................................... 07 2.2 A redação como centro de controle da informação ........................................................... 10 2.3 A importância da divisão das notícias entre as editorias especializadas ........................... 12 2.4 Características das editorias de Política, Esporte e Cultura............................................... 13 3 A DIAGRAMAÇÃO E O PROJETO GRÁFICO ........................................................... 19 3.1 A diagramação e o desenho da informação ....................................................................... 19 3.2 Ferramentas do diagramador e os cuidados com o projeto gráfico ................................... 21 3.3 Como surgiu a diagramação nas páginas de um impresso ................................................ 25 3.4 A importância da tecnologia no trabalho do diagramador ................................................ 29 4 POLÍTICA, CULTURA E ESPORTE DIAGRAMADAS NO HOJE EM DIA ........... 32 4.1 Análise sobre itens importantes para um periódico ........................................................... 34 4.2 A publicação dos itens pesquisados na editoria de Política............................................... 37 4.3 A publicação dos itens pesquisados na editoria de Esporte............................................... 41 4.4 A publicação dos itens pesquisados na editoria de Cultura ............................................... 43 5 CONCLUSÃO..................................................................................................................... 48 REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 50 ANEXOS ................................................................................................................................ 52

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1 INTRODUÇÃO Uma notícia tem várias formas de ser apresentada. Ao comprar um jornal impresso na banca ou recebê-lo em casa pela manhã, o leitor espera encontrar nas páginas do periódico um conteúdo maior das matérias que ele viu na TV, na noite anterior, ou que ele escutou no rádio mais cedo. O leitor busca mais informações sobre determinado assunto, ou busca mais reportagens. Às vezes, ele quer saber sobre o mundo, seu time de coração, sobre determinado filme que está em cartaz, ou quer saber algo referente à economia, à ciência, ou quer ler o horóscopo.

O que importa é que esse leitor quer um jornal que tenha conteúdo editorial com um visual que lhe agrada. O leitor quer ver uma infografia que esclareça o ocorrido. Um desenho do que aconteceu e como aconteceu. Quando esse leitor compra o jornal, ele quer ter a informação para ele da forma com a qual ele se identifica. E para que esse leitor identifique, no jornal, aquele jeito de contar a notícia, aquela forma de relatar os fatos, é preciso que o periódico tenha uma identidade visual, para o leitor reconhecer o jornal frente aos outros.

Por isso, é tão importante o planejamento gráfico de um periódico. É através desse planejamento que o jornal constrói sua identidade para o leitor. Mas o jornal mantém esse projeto gráfico em todas as editorias? Como é possível uma página ter a mesma “roupagem” que a outra, sendo que os temas são diferentes e os enfoques idem? Qual a técnica utilizada pelo diagramador para desenhar, mantendo o mesmo projeto gráfico, a capa do esporte e a terceira página de política, por exemplo? Esta pesquisa busca entender essa dinâmica.

A metodologia utilizada na pesquisa foi a de analisar categorias que, segundo autores pesquisados, são de grande importância para a apresentação do jornal junto ao público leitor. Segundo esses autores, é com essas características definidas que um periódico terá sua identidade visual.

Fotos, títulos, elementos gráficos e a identidade visual foram analisados no jornal impresso Hoje em Dia, nas editorias de Política, Esporte e Cultura, no período de 11 a 17 de outubro de 2010. Esse período foi escolhido por que não aconteceu nenhum fato relevante que merecesse qualquer modificação no desenho das páginas, além disso, estas páginas contêm material interessante para minha pesquisa.

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A fundamentação teórica da pesquisa foi dividida em duas partes. A primeira aborda o jornalismo impresso de uma forma geral. Autores pesquisados analisam o cotidiano e a rotina de um periódico no trabalho com a informação, recebendo, selecionando e encaminhando a notícia à editoria adequada. É analisada como é feita a divisão das notícias a partir do critério estabelecido pelo editor. Esse primeiro capítulo apresenta também as editorias de Política, Esporte e Cultura definidas por autores pesquisados, em suas particularidades e suas características.

Silva (1985) Rebelo (2000), Mouillaud (2002), Pereira Júnior (2009), Gradim (2000), Hoeltz (2001), Souza (2001) e Lustosa (1996) abordam a notícia, mostrando a forma como ela se apresenta e como ela é trabalhada no jornalismo impresso.

O cotidiano da redação é apresentado por Souza (2001), Erbolato (2008), Gradim (2000), Mouillaud (2002) e Lustosa (1996), que descrevem o cotidiano da redação com uma linha de produção. Pereira Júnior (2009), Lustosa (1996), Erbolato (2008), White (1999) e Hoeltz (2001) contextualizam a forma com que a notícia chega às editoria, mostrando como surgiu essa prática jornalística.

Lustosa (1996), Coelho (2008) e Barbeiro Rangel (2006) definem o que é o jornalismo esportivo, segundo suas características. O mesmo acontece com a abordagem sobre o jornalismo cultural por Guedes (2007) e Lustosa (1996). No jornalismo político, Bahia (1990), Pereira Júnior (2009), Gradim (2000) e Gomes (2007) são os autores que definem, nesta pesquisa, as características desta editoria.

O segundo capítulo teórico mostra como a notícia é trabalhada na diagramação e a importância de se fazer um projeto visual no jornalismo impresso. Abordamos a atuação do diagramador frente à notícia, as ferramentas por ele utilizadas e a responsabilidade de apresentar o periódico ao público-leitor, Esse segundo capítulo mostra, ainda, como e quando iniciou o planejamento visual no impresso e como é trabalhado hoje, com novos equipamentos e com o constante avanço da tecnologia, que auxiliam o diagramador na função de desenhar a informação.

Teorias apresentadas pelos autores Santos (2005), Silva (1985), Gruszynski (2008), Pereira Júnior (2009) e Collaro (1996) abordam a diagramação e sua importância para o jornalismo

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impresso. As teorias destes autores se juntam as teorias de Souza (2001) para abordar quais devem ser as ferramentas utilizadas pelo diagramador. Como e quando surgiu a diagramação, nas páginas de um jornal, é o que mostram os autores Souza (2001), Heller (2007), Gruszynski (2008), Santos (2000) e Collaro (1996).

Collaro (1996) aborda também o futuro do profissional designer. Ele, Souza (2001), Santos (2005), Pereira Júnior (2009) e Silva (1985) definem a importância da diagramação em se adaptar ás novas tecnologias.

No capítulo metodológico, foi feita análise das páginas do jornal Hoje em Dia, nas editorias de Política, Esporte e Cultura, abordando itens considerados importantes pelos autores pesquisados. Foram analisados itens como a identidade visual, as fotos, os títulos e elementos gráficos. Foi feito uma abordagem sobre o que os autores contextualizam sobre esses itens e como o jornal Hoje em Dia os caracteriza, nas páginas das editorias citadas.

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2 JORNALISMO IMPRESSO E SUAS CARACTERÍSTICAS

Uma notícia tem muitas formas de ser apresentada, pelos variados meios de comunicação. As mídias, com o avanço das tecnologias, criam opções de recibo e envio de informações explorando as diversas formas de comunicação. Além dos tradicionais meios de comunicação, rádio, televisão e os impressos (jornal e revista), temos, há algum tempo, as mídias eletrônicas (internet e celular), aumentado a diversidade dos meios de transmissão de notícia.

Sendo assim, jornais e revistas, em termos de velocidade de transmissão, ficam, entre os demais meios de comunicação, em último lugar neste quesito. E para compensar esse “atraso”, a mídia impressa busca repassar essas notícias com qualidade e mais conteúdo em suas informações, acrescentado dados, ilustrando a notícia e atraindo o olhar de um leitor para uma proposta visual gráfica específica de cada veículo.

Este capítulo mostra o quanto projeto gráfico é importante para atrair a atenção do leitor, para que ele possa identificar e criar um vínculo com esse jornal, através de sua identidade visual. Abordará também o cotidiano e a rotina nas redações. Busca-se a compreensão de como se faz a divisão dessas notícias para as editorias, e uma característica do que é a Política, a Cultura e o Esporte para a mídia impressa.

2.1 A identidade visual do jornal impresso

As notícias do jornal impresso, por suas características, são publicadas com imagens e signos, utilizando da informação visual para conquistar o interesse do leitor. Essa forma de transmissão se faz através dos desenhos projetados nas páginas. De acordo com Silva (1985), essa comunicação visual é possível no impresso por causa do espaço e do tempo que o jornalismo impresso apresenta.

Para se fazer um bom periódico, deve-se desenvolver dois planos: narrar notícias do dia utilizando expressão corrente no jeito de informar (contando uma história) e de como e por que transmitir a informação. Rebelo (2000) acrescenta que o jornal tem que representar o real, construindo uma história no presente. Desta forma, desperta o interesse do leitor e reforça o hábito dele de consumir as informações desse periódico.

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A relação entre os dois (jornal e leitor) só é estreita quando o receptor acha no periódico, aquilo que quer ler, da maneira e da forma que ele quer. Outra demonstração de fidelização se faz na apropriação que esse leitor tem ao folhear e colher as notícias e informações contidas nas páginas do impresso. O jornal também se apropria da atenção desse leitor, consolidando o vínculo entre as duas partes.

Geralmente, o fato que se transforma em notícia de jornal é influenciado por níveis do trabalho que passam pelo jornalista, pela empresa jornalística e pelas informações. Pereira Junior (2009) explica que esses três níveis destacam a importância do pensamento jornalístico, na definição de notícia. O compromisso do jornalista é de entregar o relato do que aconteceu diariamente ao público leitor, induzindo-o ao hábito de consumo, estabelecendo o compromisso com a atualidade.

A maneira como o jornal apresenta seu discurso, constitui, segundo Mouillaud (2002), um jeito próprio que permanece inalterado mesmo com os constantes acontecimentos da atualidade:
Penso que seja por causa da incessante permuta da informação que um instrumento periódico como o jornal tenha necessidade de estruturas estáveis que sirvam para por um pouco de ordem no caos do mundo e permita ao leitor reconhecer o mesmo jornal de um número a outro. (MOUILLAUD, 2002, p. 23)

A função do periódico é selecionar e produzir notícias, transmitindo-as de forma objetiva, argumenta Gradim (2000). Essas notícias são muito importantes, pois não se pode produzir um jornal sem elas, no entanto pode-se sobreviver (e muitos sobrevivem) por várias edições sem crônica, crítica, editorial, opinião ou reportagem. É com base no relato dos fatos que os jornais são elaborados. São ingredientes fundamentais da notícia, aquilo que é novo ou está oculto e que pode interessar a muitas pessoas.

O impresso tem essa condição de ter um espaço social, onde as idéias se reúnem, manifestando opiniões, e sugestões. Essa condição permite compreender o pensamento de um e de outro, numa troca de informações. “Um fórum onde se escuta o eco de as vozes públicas, ao mesmo tempo em que tem sua própria voz.” (MOUILLAUD, 2002, p.23). Essa forma de comunicação está na origem das estratégias que caracterizam os periódicos. Está enraizada na atividade jornalística desde o começo.

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Um jornal se torna um produto social graças a seu estilo, ao tom do perfil que cultiva, sendo uma organização reconhecida pelo leitor e que tenha uma identidade visual. Por isso, um periódico tem que ter prudência ao fazer qualquer alteração editorial ou gráfica, para não hostilizar seu público-leitor, explica Rebelo (2000).

A identidade visual do jornal impresso consiste na melhor forma de apresentar suas páginas ao leitor. Hoeltz (2001) sugere a melhor forma de mostrar seu produto:
A primeira página de um veículo impresso funciona como a „embalagem‟ do produto e, portanto precisa reunir elementos de identificação atrativos que façam com que o leitor a veja e reconheça em meio às demais „embalagens‟. Outros princípios, não necessariamente vinculados ao caráter comercial dos produtos midiáticos, contribuíram para a adoção de estruturas modulares e padrões na diagramação da página impressa. (HOELTZ, 2001, p.2)

A diagramação desenvolve um projeto

visual manipulando elementos que são

desconsideradas na leitura do impresso. A ordem dos elementos visuais no impresso esconde “discursos e técnicas” que são manipuladas por diagramadores e por pessoas que dominem a editoração eletrônica.

A notícia pode ser publicada de diversas maneiras. Por isso, a aparência do impresso é de extrema importância. A maneira de relatar o que aconteceu mostrará ao leitor às características daquele jornal. Segundo HOELTZ (2001), o espelho serve de metáfora, para a mídia impressa, porque caracteriza a representação e o objeto representado.

A maneira de informar, explicando como aconteceu, o que aconteceu e o que poderá acontecer permite ao leitor, uma reflexão e uma análise dos fatos. Lustosa (1996) define a notícia como “um alimento a se ingerido” pelo leitor.
Por circular no dia seguinte aos fatos, o jornal concorre com os veículos que já informaram o que aconteceu como o rádio, que anda com o cidadão para lado – no quarto, na sala, no carro e até no bolso -, ou como a televisão, a principal fonte de lazer e informação da população. Então, o jornal tem de oferecer uma refeição completa, já que o prato feito saiu no rádio e na televisão. (LUSTOSA, 1996, p.82)

O processo rápido e prático dos veículos de comunicação de massa eletrônicos de hoje obrigou as empresas jornalísticas a ajustar suas páginas de forma ordenada como medida de sobrevivência desses jornais. Antes dessa medida, acrescenta Silva (1985), os periódicos se apresentavam confusos e desordenados graficamente e editorialmente.

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Uma página é produzida de forma que pareça uma pessoa a relatar um acontecimento. Esses recursos, de nome debreagem, são usados para parecer que não há intervenção de ninguém na apresentação deste material e que a notícia chegue ao leitor sem alterações. ¶
Uma disposição mais desorganizada dos elementos de uma página, sob tal lógica, poderia dar sensação de descuido com a qualidade das informações. A padronização visual, assim, organiza o material de modo a que, cada página, seja a personificação do veículo inteiro. O padrão, no entanto, é personalizado, estabelece a identidade, expressa a imagem pública do veículo. A forma que assume um título, por exemplo, vai tornar a página mais dinâmica e viril, mas principalmente define a leitura que o produto faz dos assuntos que cobre. (PEREIRA JUNIOR, 2009, p. 99)

E para que a notícia chegue ao leitor, numa página produzida de acordo com a identidade visual do jornal, ela deve ser trabalhada por diversos profissionais da comunicação, que irão selecionar separar e editar essa matéria. E essa “lapidação” é feita no local onde se encontra as notícias e os profissionais de um jornal: a redação.

2.2 A redação como centro de controle da informação

A característica e a qualidade de um jornal dependem da produção, da informação precisa e do trabalho intelectual realizado na redação. É de lá que surgem as pautas, as primeiras apurações, as divisões e seleções de notícia. Para Lustosa (1996), o jornal é uma fábrica e a redação é a linha de produção.

E é neste local que as matérias-primas do jornal, o fato e a informação, entram e saem como notícia. Essa transformação estabelece o trabalho do jornalista, que é o profissional que mais se envolve na produção de matérias. Souza (2001) afirma que uma das características do jornalista é a capacidade que ele tem de contar a noticia de forma organizada, com uma cultura específica. Além disso, ele tem em seu trabalho uma “hierarquia determinada”, com formato próprio, mais ou menos rotineiro, dividindo o trabalho de acordo com a produção e estrutura.

O trabalho da redação é intenso, com notícias que chegam e são selecionadas pelo editor que fará a previsão de matérias a serem publicadas ou não. Após a informação da administração quanto ao número de páginas, o editor-geral junta-se aos demais editores em uma reunião onde definem o que “entra” no jornal. As notícias podem ser publicadas se respeitados critérios como as que se tornam mais publicáveis pela proximidade e pelo acontecido.

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A notícia, antes de ser publicada, passa por vários processos e constituem, no seu conjunto, o trabalho de uma redação. Ela passa por diversas mãos, impedindo que “razões subjetivas ou pessoais determinem o seu conteúdo” e o espaço que irão ocupar na página. Segundo Gradim (2000), a notícia quando chega à redação, é selecionada pela direção, editores, secretários de redação e durante esse processo, as informações são colocadas na pauta do dia ou simplesmente descartadas.

A edição de um jornal deve sempre começar verificando e analisando na agenda, os assuntos a cobrir. Esta agenda é construída ao longo do tempo, em função das informações que chegam à redação e que são avaliadas e filtradas pela Secretaria de Redação, pela Chefia de Redação, pelos editores e sob a coordenação da Direção do jornal, revela Souza (2001)

Os editores fazem a marcação da agenda, distribuindo os serviços para os redatores, atendendo aos recursos e meios disponíveis do dia. Nessa marcação, se estuda a abordagem, o espaço dedicado na edição, e se terá ou não reportagem fotográfica. Porém, tudo depende de fatores como a quantidade de jornalistas disponíveis e a quantidade de serviços agendados.

Isto mostra que o jornal impresso é um produto do século XIX que ainda está em constantes adaptações. Esse produto permite que se tenha uma “interpretação hegemônica dos acontecimentos” além da sua própria forma de interpretar. Mouillaud (2002) afirma que as redações, hoje, dependem das agencias de notícias, que controlam o padrão de notícias a serem vinculadas:
[...] o padrão do fato ao qual elas submetem, seja qual for à diversidade da natureza e da origem, tudo “o que ocorre” no mundo (existe ai uma forma hegemonia mais invisível e mais radical do que aquela da interpretação dos fatos, o que se poderia chamar de a colocação dos fatos). (MOUILLAUD, 2002, p. 32)

As empresas jornalísticas na luta contra o tempo, segundo Pereira Júnior (2009), tiveram de se adaptar usando procedimentos editoriais para evitar problemas temporais e eventos fora de hora. O autor observa que a forma encontrada pelas empresas jornalísticas é a cobertura de rotina e a cobertura de fatos inesperados.

Para trabalhar com a notícia, jornalistas e editores devem se preocupar em atender a certo padrão de narração, permitindo assim o entendimento desta notícia, pelos leitores. Lustosa (1996) revela qual o interesse de deputados e senadores nos veículos de comunicação.

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A informação transformou os textos noticiosos no século XIX. Tanto a escrita política, quanto à literária, que dominavam as páginas dos periódicos, exigia textos longos que “impunham” aos jornais páginas monótonos e cinzas. Atualmente, as notícias foram separadas por setor (editorias) e divididas, em sequências irregulares e curtas, a pedido do setor da diagramação, para se melhorar o aspecto da informação. Mouillaud (2002) afirma que nos grandes jornais populares, a página se tornou um espetáculo multicolorido de fatos, que se apertam uns nos outros, e entre eles o olhar do leitor.

2.3 A importância da divisão das notícias entre as editorias

O projeto de um jornal é um trabalho que se faz diariamente, da formulação de pauta à reflexão do jornal já impresso, explica Pereira Júnior (2009). A orientação para as pautas com a apuração correta e rigorosa dos fatos, trará segurança para o editor decidir o que publicar, tendo uma noção do que o público terá de informação, exercendo o controle de qualidade.

O essencial no jornal é a qualidade da notícia. Essa qualidade tem que prevalecer na característica do periódico, pois uma notícia sem qualidade em seu conteúdo e em sua forma de apresentar não despertará o interesse do leitor.

Lustosa (1996) observa que, em 1960, a informação política, que poderia ser publicada na época do Regime Militar, era escassa. A pouca informação do cenário político fez com que os jornais seguissem o modelo dos Estados Unidos colocando assuntos de economia, preenchendo o espaço vago deixado, sendo que não se podia noticiar nada sobre questões políticas, partidárias e nem sobre greves. O autor acrescenta que o trabalho jornalístico foi dividido em editorias especializadas, onde se distribuía as notícias para setores específicos. Os jornalistas foram obrigados a trabalhar com coberturas especializadas.

As editorias foram criadas para separar as matérias de acordo com determinado assunto obtido pelas fontes. Desta forma, é possível trabalhar com várias turmas de profissionais. Erbolado (2008) sugere que esses jornalistas proponham reportagens e pesquisas, com a finalidade do jornal obter várias informações e notícias de um mesmo tema. Segundo o autor, vários assuntos podem virar notícia.

As empresas jornalísticas, ao adotarem esse método, substituíram o secretário de redação, que

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tinha como função, informar sobre tudo o que acontecia, pelo editor-chefe que passou a coordenar e supervisionar a produção editorial. Com o fim da ditadura, as notícias divulgadas pela imprensa, passaram a ser narradas por especialistas de vários setores, cujo material seria distribuído por páginas de acordo com cada editoria. Desde então, encontra-se em espaços próprios os assuntos sobre economia, esporte, cultura, política, cidades e mundo, dentre outros relata Lustosa (1996).

Esse critério utilizado no processo de produção da notícia é o chamado gatekeeper, no qual se faz uma seleção, entre vários assuntos, do que será publicado. O termo gatekeeper, ou porteiro, foi utilizado pelo cientista Kurt Lewin na década de 1947, ao produzir uma pesquisa sobre canais de comunicação, no qual havia indivíduos responsáveis pela seleção de material, revela White (1999). Esse gatekeeper tem a função de filtrar as informações que são consideradas de interesse público, que obedecem a uma serie de procedimentos ocupacionais, organizativos e profissionais que sobrepõe às referências pessoais.

As editorias se responsabilizam cada uma por determinado assunto, permanente ou transitório, relata Erbolato (2008). Segundo o autor, cada editoria tem um responsável que orienta as matérias referentes a determinado assunto. Algumas são permanentes, como as editorias de Política, Esporte, Cultura, Economia, Cidades, Brasil, Informática. Erbolato afirma também que, em caráter transitório, podem surgir editorias com assuntos atuais e importantes, como Inundações, Reforma Constitucional, Meningite.

2.4 Características das Editorias de Política, Esporte e Cultura

O político tem a necessidade de compreender o modo como funciona a cobertura política do jornalismo impresso. Ao entender essa lógica, ele consegue explorar a seu favor, as rotinas adotadas pelos profissionais do jornalismo. De acordo com Gomes (2007), a esfera política aprendeu a tirar vantagem, quando precisou funcionar como fonte política para o jornalismo.

O político compreendeu a diferença entre as estruturas da TV e do impresso. Com isso, ele consegue produzir espetáculos visuais para a TV e discurso para o impresso. Entendendo a rotina empregada nas mídias, programando eventos e dando declarações que almejam serem publicadas antes do horário de fechamento.

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Lustosa (1996) afirma que o político teve de aprender a trabalhar com a imprensa para garantir sua permanência na esfera política. Esse trabalho junto à imprensa consiste em divulgar notícias favoráveis à sua gestão.
Em Brasília, por exemplo, cerca de 600 deputados e senadores estão interessados em obter espaço nos veículos de comunicação pra mostrar serviço a seus eleitores. Esses parlamentares produzem fatos quase sempre com o objetivo de responder favoravelmente às expectativas de seus eleitores, que, devem tomar conhecimento dessa produção. Em 90% dos casos, são fatos de interesse local e regional, que não dizem respeito à audiência dos veículos nacionais de comunicação de massa. (LUSTOSA, 1996, p.125)

Candidatos eleitos aprendem como lidar com os meios de comunicação no âmbito profissional. Consultores políticos constroem especializações, que podem ser aplicadas em circunstâncias diversas. Na democracia de hoje, o político deve ser focado na comunicação. Essa habilidade e especialização de interagir contribuem muito para a máquina partidária, principalmente quando se tem necessidade de persuadir grande número de eleitores indecisos.

Além de estruturar mensagens, conteúdos e materiais de propaganda, os partidos devem se preparar, para colocar esses produtos nos meios de comunicação de massa, de forma que supere seus adversários e alcance os ramos da comunicação. Segundo Gomes (2007), a imprensa que se relaciona com a política é um dos componentes do universo político.

O político precisa aparecer, e uma forma disso acontecer, é a exposição pública predominante. Um benefício para a negociação política. Em tempos de cenas políticas, para que o político exista para a memória e o coração do público, esse candidato tem que passar por essa visibilidade midiática nos meios de comunicação. Sendo de âmbito federal ou estadual, essa exposição deve ser ainda maior. Estar à frente do executivo, garante ao titular, uma presença constante, na vida e nos lares da população através das mídias.

Gomes (2007) afirma que os ministérios também têm a sua visibilidade, principalmente àqueles que têm maior orçamento e prioridade no país, bem como as secretarias ligadas à Presidência da República e à presidência de grandes empresas públicas. Estas cotas são importantes, pois ser titular de um ministério, além de ter à disposição um orçamento, um sistema de cargos e a possibilidade de implantar programas, ele tem a chance de aparecer e falar de seus ideais na comunidade. As funções parlamentares também possuem a sua cota de visibilidade. Como o grande centro de atração dos holofotes costuma ser o executivo, a visibilidade parlamentar está principalmente associada á sua relação com o governo.

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De acordo com Bahia (1990), o jornalismo moderno deixou de ser um eco dos partidos e de representantes políticos, sem se distanciar da política, que hoje, é considerada uma dentre outras categorias de informação e de cobertura. E dependendo da ocasião e das circunstâncias, a notícia política pode ser prioritária ou ficar em um segundo plano.

A cobertura de assuntos políticos é uma especialização da reportagem dos fatos da vida política, incluindo atos jornalísticos como notícias, entrevistas, colunismo, opinião, comunicados de líderes políticos, sindicais. Também fazem parte do dia-a-dia do jornalismo político os relatos das atividades dos partidos, do Congresso, Senado, Câmara, assembléias e Câmaras municipais. A cúpula do Executivo, do Legislativo e do Judiciário, e o que mais se possa enquadrar como iniciativa política, mesmo derivando de outras origens, mas que diga respeito à vida política interna.

Papel próprio do jornalismo político, pelo seu vínculo com a vida política interna nacional, pela sua familiaridade com as instituições, pela sua intimidade com os partidos, pelo seu conhecimento dos problemas administrativos e de o processo decisório que se localiza nos mecanismos do poder.

Já as notícias esportivas, segundo Lustosa (1996), usam expressões próprias de cada modalidade. A editoria se interage com o leitor. E apesar do texto esportivo não afetar a vida das pessoas, ao divulgar dados ou fatos errados ou sem à verdade dos fatos, a credibilidade do jornal será questionada e sua reputação será atingida. Uma das características do texto esportivo, segundo Lustosa, é a emoção que o jornalista tenta passar para o leitor.
Nessa perspectiva, o texto da matéria esportiva busca, desde a contextualização à apresentação de detalhes, conduzirem o leitor para o local dos acontecimentos, fazendo-o sentir-se presente e envolvido nas disputas. Na matéria esportiva é livre o trânsito de opiniões do redator, desde que elas não comprometam a informação ou imponham suas preferências pessoais. O redator fala das emoções dos jogadores, o que levou a um melhor ou pior resultado e das deficiências específicas de alguns jogadores o da equipe como um. (LUSTOSA, 1996, p.140)

A história do jornalismo esportivo no Brasil começou no início do século 20. “Futebol não pega, tenho certeza; estrangeirices não entram facilmente na terra do espinho” (COELHO, 2008, p.7). O escritor fazia referência ao esporte praticado pelos ingleses que acabava de chegar ao Brasil, introduzido por Charles Miller.

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O jornalismo esportivo não tinha espaço nos jornais e não era visto com grande importância pela a população. Só no final dos anos 1960, o experiente João Saldanha, que relatava em seu texto que poderia começar o surgimento de cadernos especializados falando sobre esportes, também fez uma previsão desanimadora. Após o lançamento da revista Placar, que era totalmente dedicada à cobertura esportiva, Saldanha disse que a publicação não sairia dos primeiros números.

Antes de 1960 houve o surgimento do jornal Fanfulla que começou a introduzir em suas edições um pouco de jornalismo esportivo. O objetivo do jornal na época era atingir os imigrantes italianos que residiam em São Paulo. Diante de algumas notícias publicadas no jornal começou o Palmeiras Futebol Clube, conhecido na época de Palestra Itália. No início o jornal trazia apenas a ficha técnica sobre os jogos do time palestino. Assim foi marcado o primeiro passo do jornalismo esportivo no Brasil. Em 1930, os donos de jornais não achavam que escrever sobre esportes traria “dinheiro e credibilidade” para eles, era uma atividade lúdica, algo longe de ser profissional e aos jovens jornalistas que chegavam às redações. Para escrever sobre esportes não era necessário ter cultura. Nessa mesma época, no Rio de Janeiro, surge o Jornal dos Sports, o primeiro dedicado exclusivamente aos esportes, criado por Mário Filho, passando a noticiar o futebol de um jeito mais “romântico”. “As crônicas de Nelson Rodrigues e Mário Filho tinham vida própria, nem podiam ser chamadas jornalismo” (COELHO, 2006, p.17).

Para os jornalistas Mário Filho e Nelson Rodrigues, eles não retratavam a violência que predominavam nos campos, e sim eles traduziam a beleza do bom futebol criada pelos torcedores ídolos. A dramaticidade servia para aumentar a idolatria em relação a esse ou àquele jogador. Seres mortais alçados da noite para o dia à condição de “semideuses” (COELHO, 2006, p.17).

No início do surgimento do jornalismo esportivo, não era fácil dirigir uma redação esportiva. Significava encarar uma dura realidade: preconceitos, pouco dinheiro, hábito de leitura. Havia um preconceito de que só os de menor poder aquisitivo poderiam tornar-se leitores desse tipo de diário.

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O jornalismo esportivo produziu grandes jornalistas como Joelmir Beting, que começou sua carreira na cobertura esportiva na década de 50. Porém, por não conseguir controlar seu impulso de torcedor apaixonado pelo Palmeiras, decidiu atuar em outra editoria. Juca Kfouri, um dos ícones do jornalismo esportivo, acredita que “um dos desafios da imprensa esportiva é tratar de um assunto altamente apaixonante. É raro – eu não conheço nenhum – encontrar um jornalista que não tenha sido levado ao jornalismo esportivo pela paixão pelo esporte”.

Escrever sobre jornalismo esportivo é uma tarefa muito difícil, lidar com a paixão do torcedor e do jornalista pode causar inimizades, quando você escreve sobre jornalismo, pode agradar alguns e desagradar outros causando inimizades. Como é uma área que existe muito dinheiro o jornalista tem que ter o direito de denunciar toda vez que é interesse para público, os bastidores têm que ser divulgados.

O esporte é uma prática social e também um business imenso que no Brasil movimenta milhões de dólares, e no mundo chega a bilhões. Por isso, é sempre bom saber em que mar se navega: os tubarões estão sempre atentos e os jornalistas que descuidam podem ser cooptados os perderem seus empregos quando peitam interesses particulares. “Em nenhum outro setor da atividade social coberta pelo jornalismo, os espaços são tão exíguos” (BARBEIRO, RANGEL, 2006, p. 119)

Para os jornalista esportivos é sempre importante saber que os assuntos que ele se propõe a divulgar, ele tem que fazer com clareza, retratando a imparcialidade e enfatizando a credibilidade da informação.

Já o jornalismo cultural, de certa forma, representa um gênero da atividade jornalística destinando-se ao gosto da arte. Sendo que são diversas manifestações culturais como: música, cinema, literatura, teatro, artes plásticas e outros. Mas Guedes (2007) esclarece que quando pensamos nessa modalidade do jornalismo, percebemos como se processa “o diálogo entre estas expressões estéticas” e os de jornais que trabalha com a cultura.

Lustosa (1996) relata que o segundo caderno, foi criado para abrigar material relacionado com lazer e cultura. O editor tem mais liberdade para a escolha das matérias e qual o grau de importância. Seu espaço é destinado à tira de quadrinhos, programação de shows, peças teatrais, cinema, horóscopo, colunas sociais, crônicas e programação de televisão.

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A partir da década de 30 o jornalismo assumiu o modelo industrial. A linguagem, formas e conteúdos adquirem conotações que atendem as leis de mercado. As empresas jornalísticas passam a configurar uma narrativa mais objetiva, captando assim a preferência do público leitor. Guedes (2007) argumenta que a evolução da imprensa, fez com que a informação tornasse um bem econômico ou um produto. Esse novo jornalismo, para “superar” a concorrência, passou a trabalhar, cada vez mais, sob pressão no horário do fechamento (dead line). Essa pressa tornou-se progressivo na prática jornalística, causando descompasso na interpretação da realidade, principalmente, quando se trata de informação cultural

Essa realidade se torna mais certa ao verificar que os cadernos e as seções de cultura de jornais e revistas dedicam-se na maioria das vezes, a observar manifestações artísticas ou a criticar filmes, shows, grandes espetáculos, livros e CDs, sem qualquer perspectiva interpretativa do cenário cultural. “O jornalismo cultural tem se transformado em um quase sinônimo de agenda cultural” (GUEDES, 2007, p.9). E para aumentar o consumo de produtos culturais, jornais criam pautas e textos “inspirados” em releases de assessorias.

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3 A DIAGRAMAÇÃO E O PROJETO GRÁFICO

Este capítulo mostra o desenvolvimento da notícia na área da diagramação, setor importante para o jornalismo impresso, por ser o intermediador entre a empresa jornalística e o leitor. Discute também um pouco da visão do profissional diagramador, que também pode ser chamado de designer.

3.1 A diagramação e o desenho da informação

Uma parte importante no jornalismo impresso é sua apresentação. Um bom periódico deve ter boas matérias, apresentando fatos importantes e atuais, prestando serviços à comunidade. Além disso, este periódico tem que saber mostrar essas notícias. Um trabalho necessário, que tem no profissional diagramador (também pode ser chamado de designer), o elo entre a empresa jornalística, a notícia e o leitor. A posição dos elementos de uma página deve atrair a atenção e o interesse do público, estimulando-o à leitura.

Essa técnica de posicionar estes elementos gráficos na página se chama diagramação, ou, pode ser chamada de paginação. Essa arte busca, através da tecnologia, a melhor forma de transmitir a produção de notícias aos leitores. O profissional diagramador deve atuar projetando em seu trabalho praticidade e estética visual. Santos (2005) esclarecem que o material utilizado para a publicação contribui para o desenho da página e isso reflete no leitor para as quais o jornal destina-se. O design tem como objetivo conquistar a atenção deste público apresentando a mensagem veiculada.

Essa paginação é muito importante para o jornal impresso, porque o leitor olha a página antes de se dedicar à leitura. Celso Kelly1, citado por Silva (1985), explica que a diagramação é o começo da arte gráfica, porque nela estabelecem-se relações do gráfico com o assunto. Fotos, caricaturas e anúncios fazem a página ficar mais atraente com ilustrações completando o texto jornalístico.

Além disso, a diagramação envolve o social, a técnica e as significações, conclui Gruszynski (2008). Esse trabalho se faz num processo de articulação de signos visuais como objeto para

1

Kelly, Arte & Comunicação (Rio de Janeiro, 1972), pp. 163-174

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se informar ou produzir uma mensagem, tendo vários procedimentos, utilizando varias ferramentas gráficas.

E é a interpretação e a percepção que são os objetivos mais importantes para a configuração visual da página. A diagramação mais profissionalizada foi influenciada por uma tradição estética e de estudos. Ao desenhar uma página, o diagramador estará “falando”, comunicando algo que será absorvido, mas que não terá do leitor, uma reação indiferente, aborda Pereira Júnior (2009).

Diagramar é configurar uma mensagem colocada em jornal, revista ou livro, e, desta forma, estruturar a informação de forma que o leitor compreenda o que está impresso. Sendo assim, a primeira decisão do designer consiste em utilizar elementos gráficos que caracterizem a importância do fato estabelecendo a ordem de apresentação. Decisões são influenciadas pelas mensagens veiculadas para o consumidor e pela importância dos fatos apresentados. Silva (1985) revela que a diagramação no passado, tinha o compromisso apenas com os aspectos tipográficos. Hoje, o diagramador atua no processo criativo realizado nos projetos gráficos de um periódico ou de uma revista.

O visual da página impressa emite informação sobre o material diagramado e o estilo do profissional que distribui o material. Diagramar é tomar posições. É a expressão do produto coletivo. A maneira como a manchete é colocada na página, a posição e a quantidade de fotos utilizadas na página, se tem matéria isolada e qual vai ser sua posição, são tarefas a serem desenvolvidas pelo diagramador.

Além disso, tem as letras, o entrelinhamento, o espaçamento, as margens, os brancos que compõe a página. Estes elementos devem ser cuidadosamente trabalhados, também pelo diagramador para proporcionar “velocidade na leitura”. Um dos principais elementos do trabalho gráfico são os espaços em branco que trazem um aspecto estético às páginas, conclui Pereira Júnior (2009). Silva (1985) justifica a importância do espaço entre blocos de composição textual. “A legibilidade seria prejudicada sem essa separação”. Esse espaço valoriza a mensagem e provocam imediato entendimento por parte do leitor e a compreensão do texto depende da forma como ele se apresenta no periódico

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O trabalho do profissional diagramador consiste, basicamente, em posicionar os elementos de uma página (texto, coluna, fotos e anúncios), utilizando as ferramentas necessárias para desenhar de forma harmônica e atraente, retendo a atenção do público leitor em toda extensão, conclui Collaro (1996).

3.2 Ferramentas do diagramador e os cuidados com o projeto gráfico

O diagramador tem a função de agradar ao público leitor, colocando as matérias de acordo com o grau de importância que ela representa, usando ferramentas necessárias para dar ênfase a fotos e títulos. Esse profissional trabalha com elementos básicos para transmitir de forma clara e entendível a mensagem da página. Silva (1985) explica que, letras agrupadas em palavras, imagens ou ilustração do fato, brancos de páginas e fios tipográficos são alguns dos recursos utilizados.

As fotos são de grande importância para o jornal e a função do diagramador é posicioná-las da melhor forma possível, identificando o melhor corte e a melhor maneira de colocá-la na página. A principal regra, segundo Collaro (1996), em termos de posicionamento de foto, é que ela deve sempre acompanhar a matéria a que está relacionada, controlando os brancos em volta da imagem que, utilizados com bom senso, dão um ar mais elegante às páginas. Já a ilustração, ao contrario das fotos não tem normas restritivas.

A fotografia vai depender do olhar jornalístico do fotógrafo, mas depende também de quem a edita na página. Pereira Júnior (2002) justifica que o fotojornalismo é necessário para o periódico, pois a imagem traz sentido às matérias. Uma boa imagem pode se tornar uma foto legenda, ou seja, um texto curto (uma legenda) acompanha a imagem, e geralmente, acontece o contrario.

Fotos e imagens devem ser utilizadas de forma eficiente pelo diagramador que tem a obrigação de colocá-las no melhor ângulo e dentro das dimensões exatas do espaço determinado da página. Silva (1985) acrescenta que o profissional diagramador deve ter o mesmo cuidado com os elementos gráficos, principalmente se tratando de fotos e imagens.

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Porém, ao construir as páginas de um impresso é necessário que o editor siga um padrão ao veículo, diferenciando-o dos outros. Determinados arranjos não se justificam apenas pela questão do gosto ou do visual. Ao empregar um tipo e tamanho de letra, de fotos, charges, espaços em branco, entre outros componentes gráficos, é construída uma identidade do impresso e isso, influenciará de maneira decisiva na transmissão das notícias, acrescenta Santos (2005). Conhecer conceitos relacionados à prática jornalística e as características do público é fundamental para a construção da página e do veículo.

Mas determinado arranjo gráfico depende da criatividade do designer. Com o auxílio do editor, o diagramador deve estabelecer, por exemplo, o número de colunas antes de tudo para depois iniciar o processo de concepção visual. Silva (1985) afirma que é difícil criar um comportamento fixo no desenhar uma página, pois o exercício é infinito podendo ele com os mesmos elementos gráficos, sem sair do padrão, dar novas formas aos textos, legendas, títulos e fotos.

Para explicar matérias consideradas de difícil entendimento para o leitor, Pereira Júnior (2009) sugere o uso de infografias, que podem despertar o interesse do leitor, atraindo a atenção dele para o apelo visual da ilustração do fato. Gráficos, tabelas, desenhos informativos e fichas, fazem parte deste recurso. Pereira Júnior aponta que tanto o jornalista quanto o editor, devem tomar cuidado ao certificar os dados dos gráficos e do texto.

Por causa destes diversos elementos existentes nas páginas de um jornal, João Rodolfo do Prado2, citado por Silva (1985), acrescenta que se devem fazer dois tipos de leitura:
O discurso gráfico é um conjunto de elementos visuais de um jornal, revista, livro ou tudo que é impresso. Como discurso, ele possui a qualidade de ser significável; para se compreender um jornal não é necessário ler. Então, há pelo menos duas leituras: gráfica e outra textual (SILVA, 1985, p.39).

O conteúdo da matéria e o desenho da página devem completar a informação, devendo ser evitado uma sobreposição de ambas as partes. A programação gráfica está vinculada ao compromisso do jornalismo de se comunicar, sendo mediadora do processo. Essa mediação é influenciada pela escolha dos diversos componentes gráficos disponíveis ao diagramador e comporão a página. A intenção do design, segundo Gruszynski (2008), é agradar o público
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João Rodolfo do Prado, “Discurso Gráfico: Constatações” – Cadernos de Jornalismo e Comunicação do Jornal do Brasil, nº 48 (Rio de Janeiro, s.d.), pp.26-28

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leitor do determinado jornal, de forma que este se acostume com o periódico. E ao buscar certas reações deste público, o designer utiliza diferentes recursos, transmitindo por diversas formas, as mensagens em seus aspectos visuais.

No final dos anos setenta, a imprensa começou a recorrer cada vez mais à cor, à infografia, aos sumários de primeira, página e a suplementos. Foi dada maior atenção ao leitor, produzindo com isso um jornal mais voltado para os serviços, com esse leitor sendo informado de viagens, de saúde e de cuidados no consumo, revela Souza (2001).

Mas hoje, apesar do diagramador ter liberdade para criar, ele é obrigado a destacar títulos, ser preciso no corte das fotos, calcularem o tamanho do texto e ter bom senso estético, relata Silva (1985). Deve-se ter o maior cuidado com a titulação do jornal. O formato, o alinhamento, a extensão, a contagem de caracteres, as letras maiúsculas ou não, são escolhas fundamentais para se fazer um jornal respeitado e de credibilidade argumenta Collaro (1996). O autor apresenta também, uma técnica que chama a atenção do leitor para a região da página onde, normalmente, ele visualiza primeiro.
Considerando o hábito de leitura e o movimento dos olhos nas regiões de interesse na folha escrita ou impressa. Edmund Arnold destaca, em Tipografia y Diagramado para Periódicos, o principio da zona visual primaria – aquela área à esquerda que retém, em primeiro lugar, a atenção do leitor. A justa posição dos elementos de página deve apresentar design tão atraente que seja capaz de incitar à leitura. A zona visual primária, devido à sua localização privilegiada, é forte para reter a atenção e interesse do leitor. (COLLARO, 1996, p.155)

Não há regras para se desenhar ou diagramar um jornal. Silva (1985) compara um profissional diagramador a um jogador de futebol que deve “aprender os princípios básicos do jogo, de modo que instintivamente saiba atuar em qualquer momento, numa situação de mudança rápida”. Desta forma, afirma Silva, a redação tende a trabalhar unida para levar a notícia ao leitor.

O não cumprimento destas regras pode comprometer o projeto gráfico. Coordenar corretamente esse material gráfico com o texto jornalístico, combinando os dois elementos com o objetivo principal de persuadir o leitor, essa é a função do design. A primeira página de um jornal é a embalagem do produto, argumenta Silva (1985). Portanto, é importante que ela contenha características e atrativos individuais para que o leitor identifique o jornal. Hoje, a maioria das empresas jornalísticas emprega uma única família de caracteres. A escolha destes caracteres deve ser feitas com atenção, pois o jornal será olhado antes de ser lido. E desta

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forma cria-se essa identificação entre o leitor e o jornal questiona Collaro (1996).

Em um produto voltado para as massas, à necessidade de se fazer um projeto gráfico, mesmo para um jornal com vários gêneros se torna mais evidente. O diagramador ou designer gráfico (ambos são a mesma coisa) ao colocar uma matéria no formato horizontal ou vertical, estimula a leitura. Porém deve-se observar e respeitar as colunas da página, utilizando a tipologia adotada na editoria daquele veículo.

Jornais utilizam como base formal os diagramas, que servem de guias, agilizando o processo de produção. Hoeltz (2001) descreve como utilizar deste recurso no impresso:
Nos diagramas são organizados conteúdos específicos dentro de um espaço representacional. Um bom diagrama permite ao designer uma ampla gama de possibilidades sem, todavia, fugir de uma estrutura determinada. Os diagramas são aplicados a uma variedade enorme de produtos impressos como soluções básicas de design. (HOELTZ, 2001, p.5)

Grandes empresas jornalísticas, ao implantar um padrão nas publicações, elaboram caracteres específicos para a titulação determinando a quantidade de espaço a ser utilizado. Silva (1985) introduz que desta forma, facilita o trabalho do diagramador que deve dispor de tempo para o uso de estética nos arranjos gráficos. O produto final impresso atinge eficientemente seu objetivo: “uma leitura rápida e confortável das mensagens impressas”.

Atualmente jornais, revistas, cartazes e outros impressos utilizam da comunicação visual, tendo textos e formas apresentando seu valor informacional e estético. Pesquisa realizada por Silva (1985) aponta que desde a tipografia de Gutemberg no século XV aos atuais sistemas de composição gráfica, o texto sempre foi dependente do fator visual.

Hoje, à medida que estas páginas vão sendo compostas e fechadas, elas são enviadas, sob suporte eletrônico para a gráfica, dando início ao processo de impressão e, posteriormente, à distribuição. Diferentemente do resto do mundo, Souza (2001) revela que os jornais portugueses não possuem gráfica e nem distribuição própria.

Em termos de organização interna, as empresa jornalística encontravam-se tradicionalmente divididos em quatro grandes áreas: Administração, Redação, Setor Comercial, e Oficinas (impressão e distribuição). Nos tempos em que as empresas jornalísticas eram auto-suficientes

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possuíam rotativas e sistemas de distribuição próprios. Hoje, segundo Gradim (2000), raramente acontece. A partir de meados da década de 80 impressão e distribuição passaram a ser entregues a firmas exteriores especializadas nessas áreas, com ganhos consideráveis para as empresas jornalísticas ao nível dos custos de produção.

3.3 Como surgiu a diagramação nas páginas de um impresso

Dos anos vinte ao final da década de quarenta os jornais experimentaram mudanças gráficas relevantes que mostravam a evolução do design de imprensa. Falou-se com seriedade e profundidade do design de imprensa nos anos trinta, década que foi exposto os princípios básicos do design: “contraste, balanço, proporção, ritmo e unidade”. Souza (2001) aponta que, essa evolução ocorreu no mundo. Na Europa, essa mudança ocorreu nas revistas ilustradas alemãs, que deram um impulso ao desenvolvimento gráfico.

Estas revistas, lançadas em 1896, adquiriram características revolucionárias. Heller (2007) argumenta que o Jugend (jovem), criou um estilo gráfico moderno e diferente e o Simplicissimus aderiu a esse modernismo social. Os dois periódicos, juntos, chamavam a atenção para uma rebelião da juventude contra a indústria e o romantismo empregado nas publicações da época.

A Jugend era um semanário de Munique que circulou entre 1896 e 1926, sendo o principal responsável pelo "estilo jovem" na arte e na literatura, publicando ilustração de capa e logotipos futuristas para a época. Esse novo estilo revolucionou a arte em geral trocando o real pelo abstrato. O desenho da página era influenciado pela complexidade da ilustração com decoração em curvas, que era diferente para os padrões da época.

Já a Simplicissimus encontrou no humor grande influência entre 1896 e 1944. Seu estilo gráfico além de incomodar autoridades locais, foi a primeira a influenciar outras publicações ilustradas pela Europa (uma delas a Jugend). A maioria das imagens era exibida em páginas inteiras, acompanhadas de manchete e legenda. Desenho feito em xilografia com pincel e tinta, influenciava os expressionistas com sutileza e sedução fazendo até mesmo "suas vítimas" admirar seu trabalho. Questões políticas, hipocrisia religiosa e estupidez militar eram alvos principais, e as virtudes da classe operária eram estilizadas em caricaturas extraordinárias, revela Heller (2007).

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Cada nação européia adotou esse estilo jovem de acordo com suas características políticas e sociais, porém com uma linguagem visual comum. Ele foi componente do curto, porém, exuberante episódio cultural pan-europeu, que começou no final do século XIX e terminou antes do início da Primeira Guerra Mundial. Esse movimento foi praticado em Paris como Art Nouveau, na Inglaterra como Arts an Crafts, na Escócia como Glashow School, na Itália como Liberty, na Áustria como Sezession, e na Tchecolosváquia como Bohemian Sezession.

Nos Estados Unidos essa alteração foi feita nos principais jornais americanos. De acordo com Nerone e Barnhurst3 (citado por Souza 2001), entre 1920 e 1949 os jornais mudaram progressivamente, “hierarquizando e ordenando a informação”. Eles afirmam que as fotografias, aos poucos, assumiram o papel de “ancora gráfico”. Formas sinuosas, “naturais e curvilíneas”, faziam parte do movimento que foi influenciado pela simplicidade do design japonês tradicional, contextualiza Heller (2007). E a soma dessa influência, que cultiva o simbolismo e o movimento inglês, sem rejeitar a indústria, apenas cobriu com nativos decorativos. Segundo o autor, foi rejeitada a tipografia e escolhido ornamentações únicas que combinavam com uma imagem. Letras desenhadas com pincel foram usadas em anúncios e pôsteres, tornando-os símbolos daquela época.

Nos Estados Unidos, um dos tradicionais periódicos de Nova York adotou a mudança no projeto gráfico e teve resultados positivos. A capa do jornal New York Herald Tribune era apresentada numa coluna com o texto alinhado à esquerda trazia um resumo único do conteúdo. Nesse espaço que se estendia até o final da página do lado esquerdo, era introduzido cerca de oito itens diferentes. O jornal explorava as fotos colocando-as maiores deixando colunas e calhas mais largas, mantendo um espaço em branco e colocando fontes mais consistentes que a de seus concorrentes, acrescenta Heller (2007).

Antes, a maioria dos diários eram montados sem a participação de um diretor de arte e sem um design. Após o fechamento da edição, o jornal era impresso com uma determinada lógica e no final do processo era distribuído. O New York Herald Tribune deixa de lado essa regra e passou a publicar um jornal com design revolucionário. Fundado em 1924, esse periódico,
3

BARNHURST, K. e NERONE, J. (1995) Visual mapping and cultura authority: Design changes in U.S. newspapers, 1920 – 1940. Journal of Communication, vol.45 no 2, 9-43.

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seguiu o mesmo design do New York Times, da mesma forma que outras publicações da época. Porém em 1963, o Herald Tribune passou por uma mudança revolucionária, modernizando suas páginas, deixando seu visual mais atraente e menos cansativos, com acontecimentos locais, nacionais e mundiais.

A transformação do New York Herald Tribune, no início, fez com que alguns leitores duvidassem de sua veracidade, pois as matérias eram "colocadas" nas páginas num desenho e visual que permitiam uma visualização tranqüila nas informações que trazia. Diferentemente das manchetes berrantes e layouts arbitrários de outros periódicos da época.

Peter Palazzo, um designer editorial e de publicidade, foi quem projetou e aprimorou o desenho das páginas do jornal New York Herald Tribune. Seu trabalho fez com que outros jornais americanos buscassem a modernidade. Segundo Heller (2007), cada elemento encontrado na página servia de guia para o leitor. Editores do New York Herald Tribune previram a quantidade elevada de informações nos dias de hoje e anunciou que o profissional designer iria desempenhar um papel muito importante nos jornais.

O Herald Tribune nesse período lançou o Bookworld e a revista New York como suplemento de domingo. Nessa época, o New York Times continha várias seções e suplementos de domingo, porém o Book World empregou estilo gráfico em suas páginas. O mesmo Peter Palazzo foi, também, o responsável pelo acabamento utilizado nos suplementos. O Book World empregava desenhos criados por ilustradores modernos, além de caricaturas que deixavam as páginas mais atraentes.

A revista New York se destacou por seguir as mesmas idéias gráficas e editoriais. Sua diagramação com informação atraente e o tratamento visual inteligentemente combinado, fizeram deste suplemento, o pioneiro no projeto visual, dando origem ao novo jornalismo e ao novo jornalismo gráfico. A tipografia discreta e atraente, somada aos generosos espaços em branco, tornaram a revista mais elegante e mais ágil. Ilustrações conceituais e fotografias granuladas também contribuíram para o sucesso do suplemento, acrescenta o autor. A capa foi percussora de nova moda, com imagens comuns com corte e tamanhos diferentes, com imagem única representando o cotidiano da cidade.

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Peter Palazzo transformou ainda as aberturas das outras seções do jornal de domingo, fazendo com que o diário tivesse o mesmo visual gráfico da revista. As fotos e ilustrações eram de acordo com a do jornalismo, porém, mais exploradas, apresentando um desenho de página distinto. O designer modificou as páginas do Harold Tribune de modo que a notícia fosse apresentada com clareza e elegância.

Em 1967, devido a uma greve nos jornais, o New York Harold Tribune foi forçado a unir-se ao Journal American e ao New York World, descreve Heller (2007). Desta união, surgiu o World Journal Tribune que manteve o mesmo design criado por Peter Palazzo, mas fracassou na conquista de leitores e não durou muito tempo. O New York Harold Tribune finalizou sua publicação, mas influenciou jornais, como o New York Times, que modificou suas páginas, assim como outros jornais.

Exemplos como o do jornal New York Harold Tribune, que fizeram uma transformação em seu projeto gráfico, deixando-o mais atraente e detalhado mostram que ao longo do tempo o design gráfico deu a sua importante contribuição aos periódicos e se tornou indispensável para a comunicação impressa. Gruszynski (2008) argumenta que:
A práxis do design gráfico – e sua metamorfose ao longo da história – agregou ao redor de si uma série de objetivos, práticas e informações que permitiram sua definição como um campo de conhecimento específico. É uma atividade que envolve o social, a técnica e significações. Consiste em um processo de articulação de signos visuais que tem como objetivo produzir uma mensagem – levando em conta seus aspectos informativos, estéticos e persuasivos – fazendo uso de uma série de procedimentos e ferramentas. (GRUSZYNSKI, 2008, p.37).

Seguidores do Jugendstil acreditavam que o design poderia mudar o mundo. Porém, mesmo causando impacto, essa meta não foi alcançada, pois antes da Primeira Guerra Mundial esses periódicos chegaram ao fim. Heller (2007) esclarece que o Jugendstil é uma lembrança estilística do movimento com os semanários Jugend e Simplicimus fazendo parte com qualidades que foram além do período que circulavam continuam a influenciar a ilustração e o design contemporâneo.

É muito importante entender e conhecer a história que envolve o processo gráfico afirma Cauduro4 (citado por Santos 2000). Ele refere-se às “relações significativas” que o leitor faz

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Cauduro, A prática semiótica do design gráfico. Verso & Reverso, n. 27, jul./dez, 1998

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entre a mensagem e os padrões culturais que acumulou ao longo da vida, pois o conhecimento adquirido influencia a compreensão dos objetos gráficos que constituem a página.

Para as matérias chamarem a atenção e serem entendidas pelos leitores é necessário, que esses recursos gráficos sejam conhecidos e que população entenda o seu objetivo. Desta forma, o designer assume, então, o papel de mediador entre a informação jornalística e o leitor. Ao pensar na organização da página, o designer deve representar o que o repórter pretende expressar ao leitor através da notícia.

A profissão do designer está vinculada a modernidade e a tecnologia. Gruszynski (2008) argumenta que mesmo no passado o contexto da profissão de designer se caracterizava moderna:
A história do design constrói uma lente através da qual eles vêem o design e nos vemos o design. Essa lente é seletiva: ela aproxima um objeto e bloqueia nossa visão periférica. O que vemos é um estreito segmento da história do design: um período, uma classe de designers dentro daquele período. O que não vemos é o contexto, ambos dentro da profissão do design e dentro da história social. (GRUSZYNSKI, 2008, p.39).

Quando as grandes empresas jornalísticas publicavam diariamente os jornais matutinos, (mais tradicionais), e os vespertinos (mais ornamentais), buscavam cada um á sua maneira, chamar a atenção dos leitores destes jornais. Apesar de terem o mesmo projeto gráfico, os matutinos eram voltados para os assinantes dos jornais.

Segundo Collaro (1996), a diagramação dos vespertinos era mais simples, porque chamavam a atenção do leitor colocando fotos maiores e dando destaque aos títulos. Por serem publicados á tarde, a empresa jornalística alterava o desenho do jornal, colocando fotos e títulos mais atraentes e até mais agressivos, despertando a curiosidade do leitor que, que àquela hora, estava no meio do expediente do trabalho.

3.4 A importância da tecnologia no trabalho do diagramador

Usando a tecnologia eletrônica, através de programas específicos, o trabalho do diagramador se caracteriza na distribuição de matérias, fotos, arte/ilustração e anúncios nas páginas de um jornal standard ou tablóide. Segundo Collaro (1996), é necessário que profissional encontre

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um ponto de referência que orientará o trabalho. O resultado final é avaliado pelo editor, repórter, fotógrafo, leitor e pelo próprio diagramador.

Essa tecnologia permitiu que a paginação eletrônica junto com a crescente disputa e os novos processos de impressão, que provocaram, no final dos anos setenta, uma nova revolução gráfica nos jornais e revistas. Esta revolução revela Souza (2001), “equilibrou a importância da forma com o conteúdo”. Em alguns jornais, o design terá, algumas vezes, mais importância que o conteúdo. Mas de acordo com Souza, essa atitude não garante crescimento de leitores.

As inovações tecnológicas fazem com que a profissão de designer esteja em alta, pois elas transformam a maneira de ser fazer e pensar o jornalismo. A programação gráfica ficou mais abundante com novos recursos criados pela informática. Desta forma, esclarece Santos (2005), a identidade visual dos jornais e das revistas é revisada constantemente.

Empresas jornalísticas se utilizam da tecnologia para facilitar o trabalho nas redações e nos parques gráficos. Assim, essas empresas jornalísticas garantem um produto de qualidade para o leitor. Pereira Júnior (2009) justifica que o avanço da tecnologia faz com que o tempo necessário para o preparo e a confecção do periódico seja menor.

Por conta disso, atualmente, valoriza-se muito o diagramador, mas nem sempre foi assim. Souza (2001) aponta que até meados dos anos 1960 o que mais interessava era o conteúdo das notícias, não a forma como estas eram apresentadas. Porem, diretores e editores das empresas jornalísticas perceberam que a atitude dos leitores seria mais receptiva se os conteúdos fossem interessantes e a paginação garantisse maior legibilidade tornando o jornal “mais bonito”.

O investimento feito por estas empresas jornalísticas as coloca quase que no mesmo nível em termos de tecnologia. Uma das alternativas que sobram para inibir a concorrência esta, justamente, no visual e na característica do jornal. Collaro (1996) defende a tese de que a diagramação exerce influência direta sobre o trabalho da redação, por isso existe essa valorização ao profissional designer. A utilização de gráficos, diagramas, mapas e formas gráficas de hierarquizar e sistematizar a informação deixa o periódico mais atraente.

O surgimento de outras mídias fez com que o jornalismo impresso alterasse a apresentação visual e editorial em suas páginas. O furo jornalístico se tornou desnecessário em relação à

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impressa e a notícia passou a ser publicada por completo, revolucionando a estrutura editorial e gráfica dos jornais. Segundo Silva (1985), a imprensa adotou três gêneros jornalísticos para se adequar a modernidade: jornalismo informativo, interpretativo e opinativo. Além da mudança editorial aplicada nos jornais modernos, houve também essa revolução na apresentação gráfica.

A revolução tecnológica e administrativa faz parte da imprensa. Com o intuito de noticiar e vender mais jornais, os periódicos do mundo inteiro investem alto principalmente em tecnologia. Collaro (1996) afirma que a concorrência com outros jornais é acirrada e por isso, as empresas jornalísticas buscam satisfazer seu público leitor, com qualidade editorial e na estética de suas páginas.

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4 POLÍTICA, CULTURA E ESPORTE DIAGRAMADAS NO HOJE EM DIA

O conteúdo editoral e o planejamento gráfico são importantes para o jornalismo impresso. É através desse planejamento gráfico que o jornal constrói sua identidade visual. O jornal Hoje em Dia apresenta, em suas páginas, o planejamento gráfico adotado por esse periódico, e mantém, nas páginas dos cadernos, a identidade visual. Editorias segmentadas, como as de Cultura e Esporte, tem o mesmo projeto gráfico que a editoria de Política. Mas se elas são distintas, se tratam de assuntos diferentes, como o jornal Hoje em Dia mantém o mesmo projeto gráfico nas editorias de Política, Esporte e Cultura?

Para responder essa pergunta foi feito uma análise, do projeto gráfico adotado nas editorias de Política, Cultura e Esporte, do jornal Hoje em Dia. Escolhi o período de 11 a 18 de outubro de 2010. Nesta época, não havia nenhuma manifestação de importante divulgação, voltadas a estas áreas. Portanto, o projeto gráfico não iria sofrer qualquer modificação em seu conteúdo, por conta de fatos esporádicos. Além disso, as páginas neste período contêm material importante para esse projeto de pesquisa. Cada página destas editorias, publicadas nestes sete dias foram analisadas buscando, entre elas, igualdades e diferenças em seu contexto visual.

Antes da análise, apresento um glossário, com alguns nomes e especificações adotadas nas redações jornalísticas e seus significados:

Glossário jornalismo

Bigode - Fio de um ponto tipográfico que serve para marcar uma separação visual entre textos e/ou ilustrações. Sua característica é não ocupar toda a medida do material que ele separa. É centralizado nela de forma a deixar margens brancas de igual extensão nos dois lados. Box – Recurso editorial que se reveste de forma gráfica própria. Um texto que aparece na página entre fios, sempre em associação íntima com outro texto, mais longo. Pode ser uma biografia, um diálogo, uma nota da redação, um comentário, um aspecto pitoresco da notícia. Cabeçalho – Informações gerais e obrigatórias sobre a publicação. Inclui número da página, título e data da publicação.

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Caderno – Conjunto impresso formado por no mínimo quatro páginas. Coluna – A coluna divide a pagina verticalmente. Ferramenta importante para o diagramador. Crédito – Assinatura usada em foto ou para marcar material produzido por agência ou outra publicação. Editoria – Seção especializada em determinado setor (esporte, cultura etc.) Fio – Linha usada para dividir textos ou matérias. Também usada para realçar fotos.

Intertítulo - Pequenos títulos colocados no meio do texto. Esse artifício é usado para tornar o texto menos denso. Há publicações que preferem destacar frases retiradas do texto para colocar nos intertítulos. Infográfico – Artifício gráfico que envolve imagem e pequenas informações de texto que se complementam. Legenda – Linha de texto colocada sob a foto. Artifício adicional para destacar o tema da matéria.

Logotipo - É o nome do jornal com as letras em corpo, forma e desenho escolhido pela empresa jornalística.

Manchete - É o título principal que indica a notícia mais importante do jornal. Existe a manchete principal do jornal (na primeira página) assim como a manchete de cada caderno, seção ou página. Onde encontrar: a manchete é sempre aquela que vier graficamente com maior destaque, ou que tiver letras mais carregadas na tinta.

Notícia - Registro dos fatos, de informações de interesse jornalístico, sem comentários. Nota – Texto curto usado em colunas. Pequeno texto referente a um assunto. Olho – Frase destacada sob o título ou no conjunto da página.

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Pé da matéria - É o final do texto. Todo repórter deve ter em mente que se o texto for reduzido, as últimas linhas serão eliminadas. Perna – Sinônimo de coluna. “Descer em duas pernas”, matéria em duas colunas

Standard - Tamanho padrão dos jornais. Mede 54 x 33,5 cm. O tamanho tablóide é a metade do standard. Projeto Gráfico – Padronização usada pela publicação para dispor uniformemente matérias, fotografias e adereços gráficos. Selo – Recurso gráfico que marca uma reportagem uma série de reportagens. É muito comum seu uso em série de reportagens. Normalmente é composto por uma pequena expressão e um desenho que se repete. Todo texto que se refira ao assunto é acompanhado desse selo. Título – Frase usada no alto da matéria para chamar a atenção do leitor (veja manchete).

4.1 Análise sobre itens citados por autores como importantes para um periódico

O foco desta busca envolve itens importantes para o desenvolvimento gráfico, que o diagramador necessita para realizar seu trabalho, procurando através destas ferramentas, algo que corresponda com a questão proposta. A escolha desses itens foi feita à partir de citações e definições dos autores aqui pesquisados, por estes apresentarem argumentos que indicam a importância desses itens para a produção de um periódico. Apresento gráficos com os elementos contidos nas páginas do jornal Hoje em Dia, em cada editoria, no período de 11 a 18 de outubro de 2010. Esses gráficos mostram como as editorias de Política, Cultura e Esporte, trabalham com fotos, títulos, textos, anúncios e elementos gráficos, segundo suas características. A porcentagem encontrada em cada editoria é o resultado da soma de cada um dos elementos publicados nas páginas, calculados por metro quadrado.

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A identidade visual é um dos itens que é abordado, interpretando e reconhecendo nos textos de Rebelo (2000), Pereira Junior (2009) e Silva (1985), as definições, por eles apresentadas, sobre a importância da utilização desta identidade visual, pela mídia impressa. Para analisar as fotos, foram utilizados os critérios dos autores Collaro (1996) e Silva (1985) verificando a posição e se foi empregada junto ao texto. Nos títulos foram verificados os critérios estabelecidos por Silva (1985), se foram empregados nas paginas escolhidas para pesquisa e os elementos gráficos (de uma forma geral), fazem parte destes itens pesquisados.

Estes itens foram analisados, em paginas escolhidas das editorias pesquisadas por este projeto, no período acima citado. A identidade visual adotada pelo Hoje em Dia nas páginas confirma uma possível alteração nos desenhos, por conta das editorias distintas. Ao analisar as fotografias publicadas nos cadernos, buscou-se uma possível alteração nos formatos ou nos tamanhos. Também se buscou uma alteração no formato e nas letras dos títulos, seguindo a mesma idéia de editorias distintas, assim como os elementos gráficos que foram observados em cada editoria.

Cada um destes itens foi analisado nas três editorias propostas por esse projeto, e também, nas outras seções do jornal, evitando uma possível, mudança, em algum destes tópicos, nas editorias não citadas. Encontramos na editoria de Política uma fonte serifada, em negrito, em todos os seus títulos de manchete, retranca e de matérias. Na editoria de Esporte uma fonte não serifada, também com a opção de negrito (que deixa a fonte mais grossa e mais vistosa), foi adotada pelo caderno. E a editoria de Cultura publica suas páginas com uma fonte não serifada, mas sem o negrito, diferenciando-se das outras editorias.

Em todas as páginas do jornal Hoje em Dia foi colocado um cabeçalho no alto da página com 29,7 x 1,3 centímetros. Nele contém o nome do jornal, Belo Horizonte, o dia da semana e a data da publicação, alinhado à esquerda, numa fonte sem serifa, arredondado com as letras maiúsculas e em negrito. Abaixo, tem uma faixa vermelha que ocupa as seis colunas, com um centímetro de altura. Dentro da faixa, tem o número e a editoria a qual a pagina pertence.

Foi observado que em todas as páginas, também consta uma faixa acinzentada no final das páginas, ocupando as seis colunas, e em 0,5 centímetros de altura. Essa faixa, de nome "barra de griss", é utilizada no setor de impressão, para regular a porcentagem de tinta. As manchetes são acompanhadas de bigode que tem a mesma fonte em todas as editorias.

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Todas as fotos contêm crédito acima e alinhada à esquerda, com a letra arredondada, num corpo pequeno. Abaixo das fotos, tem a legenda centralizada, com a mesma fonte do crédito, porém com letras maiores. A maioria das fotos são publicadas em duas ou três colunas, algumas vezes as fotos foram publicadas em quatro colunas e raramente ela fica maior.

Em algumas páginas das editorias analisadas, foram colocados box, em volta de alguma matéria. Algumas vezes nas páginas foram colocados fios separando matérias e anúncios. Em todas as infografias tem um fio no alto da arte, título e bigode abaixo deste fio e no final da arte, é colocada a fonte e o crédito da arte.

Desta forma, podemos observar que as páginas publicadas pelo Hoje em Dia seguem um padrão gráfico estabelecido, que não se diferencia, dentre as editorias. Essa característica mostra que a empresa jornalística possui um uma identidade visual.

A apresentação das páginas é muito importante para o jornalismo impresso, pois o bom periódico deve ter boas matérias, com fatos importantes, atuais e prestar serviços à comunidade. Este periódico tem que saber mostrar as noticias. Esse é o trabalho do diagramador. O elo entre a empresa jornalística, a noticia e o leitor. Essa paginação é muito importante para o jornal impresso, porque o leitor olha a página antes de se dedicar a leitura.

O começo da arte gráfica esta na diagramação e nela estabelecem as relações do gráfico com o assunto, utilizando fotos, caricaturas e anúncios junto dos textos jornalísticos. Um jornal é um produto social por causa de seu estilo, pelo perfil que cultiva, sendo reconhecido pelo cidadão e tendo identidade visual. Por causa disso um periódico tem que ter compromisso com seu texto e sua diagramação.

O padrão visual tem que acompanhar cada página do veículo. Num produto voltado para as massas, a necessidade de se fazer um projeto gráfico, mesmo para um jornal com vários gêneros se torna mais necessário. O diagramador ao colocar uma matéria em qualquer formato horizontal ou vertical tende a estimular o interesse do leitor. Porém ele tem que observar e respeitar as colunas da página, utilizando a tipologia adotada na editoria do jornal.

A interpretação e a percepção são os objetivos da configuração visual da página. Porque acredita-se que ao desenhar uma página, o diagramador estará comunicando com o leitor. E

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todo visual da página impressa emite informações sobre o material utilizado e o estilo do diagramador.

As fotos são importantes para o jornal, e devem ser posicionadas junto às matérias. Essa é a principal regra, em termos de posicionamento de foto. Além disso, essa foto deve ser utilizada de forma eficiente pelo diagramador que tem a obrigação de colocá-la no melhor ângulo e dentro das dimensões exatas do espaço determinado da página. Atualmente jornais, revistas, cartazes e outros impressos utilizam da comunicação visual, tendo textos e formas apresentando seu valor informacional e estético.

Ao analisar as paginas do jornal Hoje em Dia e ao verificar o que os autores apresentaram em suas teorias, de como devem ser apresentadas as paginas de um periódico, mantendo sua identidade visual e sua credibilidade junto ao leitor, percebo que todas as especificações foram empregadas pela empresa jornalística em todos os cadernos.

4.2 A publicação dos itens pesquisados na editoria de Política

A página 2 (primeira do caderno política) do jornal Hoje em Dia, de 17 de outubro de 2010, foi publicada colorida, com duas fotos, três matérias e uma retranca. A primeira matéria está logo abaixo do fio-data, ocupando as seis colunas e em meia página de altura. A manchete “Lula diz, em BH, que Dilma vai vencer com voto do povo”, foi colocada em duas colunas e em cinco linhas, numa fonte da família serifada, com letras grandes e grossas. Abaixo desse titulo vem o bigode acompanhando, também em duas colunas e em duas linhas. Abaixo do bigode, foi publicado o selo “Eleições 2010” e o texto ocupa seis colunas. No meio da segunda coluna de texto, foi colocado um olho (recurso gráfico). A primeira foto da página esta destacada em 4 colunas, ao lado do título e do bigode, com o texto vindo abaixo da legenda. A imagem da então candidata à Presidência da República, Dilma Rousseff, ao lado de seus companheiros de chapa, o vice-presidente José Alencar e o Presidente Lula, numa carreata que fizeram em Belo Horizonte, na campanha eleitoral tem o tamanho de 19,7 x 15,5 centímetros, contando com a legenda. Esta foto é o que mais se destaca na página.

Abaixo do meio da página, colocado em quatro colunas, está a segunda matéria, com o tamanho de 19,7 x 10,5 centímetros. O titulo está também em quatro colunas e em uma linha, com a mesma fonte da manchete, porém, num tamanho menor. Ao lado desta matéria, foi

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colocada uma retranca em duas colunas, com o titulo na mesma largura e com a mesma fonte dos títulos das matérias, mas menor que a da segunda matéria.

A terceira e ultima matéria, fui publicada na parte inferior da página, ocupando 29,7 (ou seja, as seis colunas) x 13,5 centímetros. O titulo foi colocado nas seis colunas e tem a mesma fonte dos outros títulos, porém, com o mesmo tamanho da segunda matéria. A segunda foto da pagina, foi colocada nesta matéria e está posicionada no lado esquerdo da página, em 14,7 x 11,5 centímetros. A imagem é do deputado José Fernando ao lado do Ministro Alexandre Padilha. À direita da foto esta o texto da matéria, ocupando as três colunas restantes e tendo 12 centímetros de altura. Observando mais atentamente a página 2 do jornal, pode-se

verificar que as matérias e a retranca tratam do mesmo assunto: a campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff, à Presidência da República.

A página 7 de política, do dia 17 de outubro de 2010, foi publicada, também colorida, com duas matérias e um anúncio. A primeira matéria, teve o mesmo desenho da pagina 2, com a foto posicionada em quatro colunas, o titulo e o bigode nas duas primeiras colunas, contendo ainda, o selo “Eleições 2010” antes do texto. A matéria ocupa também, o mesmo tamanho. “TSE multa Jose Serra e Roberto Jefferson em R$ 5 mil” foi publicado no titulo com a mesma fonte serifada e o mesmo tamanho da primeira matéria da pagina 2. A foto destacada no tamanho de 4 colunas por 16,5 centímetros tem a imagem do candidato do PSDB á Presidência da Republica, José Serra, com deputados e senadores ao lado, num comício realizado no Ceará.

Abaixo desta primeira matéria e na parte de baixo da metade da página, foi colocado a segunda matéria, ocupando 14,5 x 26 centímetros. O titulo “Marina Silva vai ficar neutra, dizem aliados”, ocupa três colunas e esta em duas linhas. A foto vem logo abaixo, ocupando 14,5 x 11,2 centímetros e traz a imagem da candidata que ficou em terceiro lugar no primeiro turno das eleições presidenciais, Marina Silva. Abaixo da legenda desta foto o texto foi posicionado em três colunas, ocupando a altura de 9,6 centímetros. Ao lado desta segunda matéria, foi publicado um anuncio com o mesmo tamanho da matéria, 14,5 x 26 centímetros.

Ao analisarmos as duas páginas, verificamos no contexto, que o mesmo espaço dedicado à foto e à matéria, foi escolhido por igual para os dois candidatos, que disputam o segundo turno das eleições presidenciais, Dilma (PT) e Serra (PSDB). Mas o jornal Hoje em Dia, ao

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publicar matérias sobre a campanha da candidata do PT, na página 2 do jornal e na página 7 publicar a campanha do candidato do PSDB, coloca Dilma numa posição de mais destaque priorizando e valorizando a campanha da candidata.

A pagina 3 do caderno de Política do jornal Hoje em Dia, de 12 de outubro de 2010, foi publicada em preto e branco com uma matéria, duas fotos, uma infografia e uma retranca. A manchete “Municípios perdem R$ 2,5bi neste ano” foi publicada na largura da pagina, em uma linha, com a fonte serifada e com letras grandes, tendo o bigode acompanhando logo abaixo. O texto foi colocado em cinco colunas (medida falsa), ocupando o espaço de 29,7 x 14,2 centímetros, tendo um olho, no meio da terceira coluna.

Abaixo desta matéria foram colocadas as duas fotos da pagina, uma ao lado da outra, no mesmo tamanho, 14,7 x 15,1 centímetros. Nas fotos tem a imagem do presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski e o presidente da Associação Mineira de Municípios, Jose Milton Carvalho Rocha, com as legendas e créditos posicionados, respectivamente, em baixo e acima das fotos. Mais embaixo foi publicada uma infografia do Fundo de Participação dos Municípios com o tamanho de 29,7 x 8,7 centímetros, com gráficos e a imagem de um pedaço de dinheiro nacional.

No final e também utilizando a largura da pagina, foi posicionada a retranca, no tamanho de 29,7 x 10,5 centímetros. O titulo acompanha a mesma largura e tem a mesma fonte que a manchete, porém, com a letra menor, colocada em uma linha. O texto da retranca foi colocado logo abaixo, sendo que na terceira coluna, foi publicado um olho no final da coluna.

O jornalismo moderno deixou de ser um eco dos partidos e de representantes políticos, sem se distanciar da política, que hoje, é considerada uma dentre outras categorias de informação e de cobertura. E dependendo da ocasião e das circunstâncias, a noticia política pode ser prioritária ou ficar em um segundo plano.

De acordo com Bahia (1990), a cobertura de assuntos políticos é uma especialização da reportagem dos fatos da vida política, incluindo atos jornalísticos como noticias, entrevistas, colunismo, opinião, comunicados de líderes políticos, sindicais. Também fazem parte do diaa-dia do jornalismo político os relatos das atividades dos partidos, do Congresso, Senado, Câmara, assembléias e Câmaras municipais. Toda a cúpula do Executivo, do legislativo e do

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Judiciário, e o que mais se possa enquadrar como iniciativa política, mesmo derivando de outras origens, mas que diga respeito à vida política interna.

Papel próprio do jornalismo político, pelo seu vinculo com a vida política interna nacional, pela sua familiaridade com as instituições, pela sua intimidade com os partidos, pelo seu conhecimento dos problemas administrativos e de todo o processo decisório que se localiza nos mecanismos do poder.

De acordo com Pereira Junior (2009), a maneira como a manchete é colocada na página, a posição de fotos utilizadas, matéria isolada e sua posição são tarefas desenvolvidas pelo diagramador. Os títulos são os que primeiro chamam a atenção do leitor, quando este, pega um jornal para ler. Alguns leitores passam a vista titulo a titulo, até encontrar o que prende a atenção, para assim, se deter na leitura da noticia.

O titulo é feito pelo editor e tem que estar relacionado com o assunto de que o texto fala. Ele tem que ser simples, informar diretamente do que se trata e ser compreensível. Junto com as fotos, eles são a primeira coisa que o leitor observa e, em alguns casos, é a única coisa que o prende ao jornal. Além de informar, o titulo serve também para cativar e prender a atenção do leitor. Um titulo ruim pode acabar com a melhor reportagem do jornal.

Gradim (2000) acrescenta que títulos e intertitulos, tem a função de melhorar a estética das paginas dos jornais quebrando as extensas colunas de texto e demarcando os textos a eles pertencentes, equilibrando graficamente a pagina. Também por razoes estéticas, eles devem respeitar uma certa proporção entre as linhas que compõe o titulo, buscando que sua extensão seja equilibrada evitando uma diagramação repelente, ou que não agrade aos olhos.

Na editoria de Política, a abordagem dos temas incorpora uma linguagem imparcial. A cobertura das ações praticadas pelos agentes políticos revela uma grande responsabilidade perante o leitor, já que diz respeito à resposta que o poder público está dando a ele. As paginas do caderno de política, em termos de projeto visual, não se difere das demais editorias. Em todas as paginas observadas, o projeto gráfico utilizado na Politica, se encontra em outras editorias.

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4.3 A publicação dos itens pesquisados na editoria de Esporte

A capa da Editoria de Esporte do dia 17 de outubro de 2010, foi publicada colorida com duas fotos, uma delas com arte, uma matéria e uma retranca. A matéria, junto com a primeira foto, foi colocada em mais de meia página com 29,7 x 31 centímetros de altura. A manchete: "Bons ares que vêm do Sul", foi posicionada no lado esquerdo da página em três colunas e três linhas, numa fonte sem serifa, arredondada, com as letras grandes e grossas. O bigode, também à esquerda da página, está em três colunas em uma linha, com a mesma fonte utilizada em bigodes de outras editorias. O texto foi dividido nas três colunas, ocupando o mesmo tamanho da foto com a legenda. No meio do texto, na segunda coluna, foi colocada um olho e no início da terceira coluna foi colocado um intertítulo de duas linhas.

A foto, posicionada à direita da página, tem o formato vertical e ocupa três colunas com 30,6 centímetros. Na foto, tem a imagem do Cuca, técnico do Cruzeiro, caminhando por um gramado que parece ser do Centro de Treinamento do Cruzeiro. Cuca está de camisa e bermuda com o escudo do time mineiro, tendo um detalhe na mão direita dele, que foi recortada e posicionada dentro do texto, dando a impressão de que o técnico caminha em direção da matéria. Recurso utilizado pelo diagramador. Abaixo desta primeira parte, no lado esquerdo, foi publicado em três colunas com 17,2 centímetros de altura, uma arte com o título "Carrasco sulista" com a mesma fonte utilizada na manchete porém menor e em letras maiúsculas, alinhado a esquerda. Abaixo deste título, vem o bigode da arte, com as mesmas características do bigode utilizado no jornal Hoje em Dia, porém com a fonte menor e alinhada á esquerda.

Abaixo vem a segunda foto da página em três colunas e 9,8, centímetros de altura. A foto é a imagem de um lance de jogo entre o Cruzeiro e o internacional, com alguns números acima da foto e uma tabela abaixo. No lado direito da arte, foi publicado uma retranca, ocupando as três colunas restantes da página, ocupando o mesmo espaço da arte, 17,2 centímetros de altura. o título da retranca: "Em campo os dois melhores do returno", foi posicionado em três colunas, em uma linha com a mesma fonte da manchete, porém com o tamanho menor. O texto desta retranca foi dividido nas três colunas, sendo que na terceira, foi colocada uma ficha de 4,5 x 8,9 centímetros, contendo a escalação das equipes de Grêmio e Cruzeiro, além do horário do jogo, o local, a arbitragem e qual canal de televisão irá transmitir.

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A página 8 do caderno de Esportes do jornal Hoje em Dia, de 12 de outubro de 2010, foi publicada colorida e sem anúncios. Esta página se destaca pelas imagens grandes e atraentes, sendo duas horizontais e uma vertical. A manchete de página vem abaixo do cabeçalho utilizando as seis colunas da página e em uma linha. "Onde está os mineiros?" é o título apresentado numa fonte arredondada com as letras grandes de grossas.

O bigode vem logo abaixo do título, também ocupando as seis colunas em uma linha. O texto da matéria foi publicado na primeira coluna da página, ocupando todo esse espaço até o final da página. Um pouco abaixo do meio da página entre o texto desta primeira matéria foi inserido um olho. No lado direito do texto, utilizando cinco colunas, foram publicadas duas fotos horizontais.

A primeira é uma foto da seleção masculina de vôlei em cima de um pódio, no tamanho de 24,7 x 12,8 centímetros, com credito em cima e legenda abaixo. A segunda foto, vem logo abaixo da primeira, posicionada no meio da página, também no lado direito do texto e ocupando cinco colunas. A imagem de 24,7 x 12,5 é também da seleção masculina de vôlei, desta vez posicionada em pose e carregando as medalhas de campeões. Abaixo da segunda foto foi posicionada a terceira foto da página.

Uma foto no formato vertical com a imagem do técnico da seleção masculina de vôlei, Bernardinho no tamanho de 14,7 x 19,7, que ocupam três colunas. A foto tem como detalhe uma arte gráfica no formato de uma tabela, dentro da imagem, com o ano e as conquistas do técnico frente à seleção brasileira. No lado direito desta foto/arte, foi posicionada uma retranca em duas colunas. O título da retranca "O supercampeão" está na mesma fonte utilizada na manchete, mas com o tamanho menor, posicionada em uma linha. O texto da retranca vem logo abaixo e um olho foi colocado no meio do texto.

O jornalismo esportivo hoje ocupa grande espaço nas mídias e é uma das editorias mais conceituadas nas redações jornalísticas. As coberturas com grande quantidade de modalidades esportivas envolvem crescentes tiragens de jornais e revistas, e transmissões de âmbito mundial em rádio e TV. Nenhuma outra editoria tem tanto espaço e tempo quanto a esportiva. De acordo com Bahia (1990), o jornalismo esportivo, ao noticiar sobre futebol, vôlei, corridas de automóveis, tênis e outras modalidades esportivas, busca a atenção de múltiplos leitores.

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Por conta disso, os grandes jornais mantém suas seções de esportes sem alterações e em datas especiais, encartam cadernos ou suplementos. A TV é o veículo de comunicação predominante, pela sua capacidade de emitir imagens, o que o rádio só consegue recorrendo a uma linguagem de suporte. Jornal e revista por meio de uma convenção descritiva e fotográfica.

Uma condição essencial da mensagem especializada é que ela use a linguagem certa para se entendida por todos e não só pelos técnicos. Feita de palavras e sinais, a comunicação humana é tanto mais compreensível quanto melhor interpreta o significado técnico das coisas, sem subordiná-las a uma terminologia exclusiva. Segundo Bahia (1990), as técnicas usadas nas publicações especializadas não diferem muito das que são empregadas nas publicações comuns. O que especializa é a forma de aplicação do conhecimento e, desse modo, quanto mais preciso e amplo for o tratamento dado ao assunto técnico melhor será o resultado.

Determinados arranjos não se justificam apenas pela questão do gosto ou do visual. Ao empregar um tipo e tamanho de letra, de fotos, charges, espaços em branco, entre outros componentes gráficos, é construída uma identidade do impresso e isso, influenciará de maneira decisiva na transmissão das notícias, acrescenta Santos (2005). Conhecer conceitos relacionados à prática jornalística e as características do público é fundamental para a construção da página e do veículo.

Gráficos, tabelas, desenhos informativos e fichas, fazem parte da infografia, recurso gráfico utilizado para explicar matérias consideradas de difícil entendimento para o leitor. Pereira Júnior (2009) aponta que tanto o jornalista quanto o editor, devem tomar cuidado ao certificar os dados destes gráficos. A editoria de esporte é a que mais se equilibra, entre a seriedade dedicada a editoria de política e a leveza do caderno de cultura, pois o esporte tem o compromisso de levar ao publico leitor, a mesma emoção e a mesma criatividade que a TV e o radio transmitem a seus telespectadores e ouvintes, respectivamente.

4.4 A publicação dos itens pesquisados na editoria de Cultura

A capa do caderno de Cultura de sexta-feira, dia 15 de outubro de 2010, destaca-se pelo tamanho da foto utilizada: 29,7 x 20,5 centímetros, e pelo texto colocado em colunas adaptadas, com tamanho alterado para compor a página. O tamanho da coluna de uma página

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standard é de 4,6 centímetros de largura e nesta página foi publicada em 6,1 centímetros. Esta alteração na coluna foi um destaque a mais na capa do caderno de cultura, pois, deixou os lados do bloco de texto sem nada, explorando o branco da página. Desta forma, a página fica menos carregada de texto.

A manchete é outro objeto da página que se destaca e compõe o conjunto de peças posicionadas na página. "Menina de ouro", foi publicado numa fonte da família sem serifa (curvilinia), própria do caderno de Cultura com letras grandes e grossas, que dão impacto nas palavras, ocupando 23 centímetros de largura, centralizada na página. Logo abaixo da manchete, vem o bigode, ocupando quase o mesmo comprimento do título e da matéria, colocada em coluna adaptada. Esse bloco da matéria (manchete, bigode e texto) ocupam a largura de 26 centímetros. Ou seja, se a página possui 29,7 de largura, temos tanto do lado direito, quanto do lado esquerdo do texto o equivalente a 1,6 centímetros de largura me branco, que compõe a página. Esse bloco de texto está na parte superior da página ocupando 14,5 centímetros de altura na página.

A foto vem logo abaixo do texto um pouco acima da metade da página. Na foto, a cantora Paula Fernandes, em cima de um cavalo, tendo árvores e o céu azul no fundo, se interage com o título da manchete: "Menina de Ouro". Um detalhe: a foto posicionada nas seis colunas evitam que os brancos nas laterais do texto acabem. Abaixo da foto uma publicação (anúncio) do Shopping Diamond Mall ajuda a compor a página, pois o anúncio traz a imagem de uma mulher de vestido, deitada numa piscina rasa de ladrilho azul, ocupando o tamanho de 29,7 x 7 centímetros de altura.

Na parte superior da página, acima da manchete, vem o cabeçalho do caderno com a palavra CULTURA em branco e o fundo vermelho ocupando 29,7 x 2,7 centímetros. As peças que compõe esse cabeçalho ocupa o espaço de 29,7 por 8 centímetros. Além do nome, tem uma foto do apresentador Marcos Hummel recortada, num efeito visual que dá a impressão de que está saindo do fundo vermelho. Ao lado da palavra Cultura, no canto direito, vem a logomarca do jornal Hoje em Dia em branco. No canto superior esquerdo da página, tem a vinheta TV GENTE, indicando que dentro do caderno tem a sessão que trata de assuntos referentes a TV. No canto superior á direita tem uma publicidade da rádio aleluia.

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A página 3 do caderno de Cultura do jornal Hoje em Dia, foi publicado em preto e branco no dia 12 de outubro de 2010, e não tem nenhum anúncio em sua extensão, contendo três matérias e três fotos distintas. A primeira matéria ocupa quase a metade da página com 29,7 x 23,5 centímetros. Esse espaço é dividido entre o bloco de texto (manchete, bigode e texto) e a foto. A manchete foi posicionada em três colunas e em três linhas, destacando-se na página pelo seu tamanho.

O título "Manu Gavassi estréia em CD e conquista teens" está numa fonte grande, arredondada e fina, com o bigode vindo logo abaixo, ocupando a mesma largura em uma linha. O texto também está dividido nas três colunas ocupando esta extensão até o final da matéria sem nenhum recurso gráfico. A foto, ao lado deste bloco de texto, ocupa o espaço de 14,5 x 23,5 centímetros, contando com a legenda. A imagem da cantora Manu Gavassi, está no formato vertical e está posicionada no lado direito da página.

Abaixo da primeira matéria, tem a segunda ocupando o espaço de 29,7 x 13,5 centímetros. O título desta matéria tem a mesma fonte circular e fina da manchete, porém com o tamanho menor. A frase 'Tropa tem 5ª maior "abertura" no país', está posicionada em quatro colunas escrita em uma linha com o texto logo abaixo, também em quatro colunas, tendo dois intertítulos. A foto desta matéria está posicionada no lado direito da página e tem a imagem do ator Sandro Rocha, numa cena do filme "Tropa de Elite 2",tendo o crédito e a legenda, acima e embaixo da foto, respectivamente.

A terceira e última matéria, está posicionada no fim da página, ocupando 29,7 x 12,6 centímetros. O título "Belle & Sebastian também vem, mas, aí, BH fica de fora", está publicada em seis colunas e em uma linha. Diferentemente das outras matérias publicadas nesta página, esta tem a foto abaixo do título e também utiliza o recurso do intertítulo em uma oportunidade. A foto, posicionada à esquerda, ocupa as três primeiras colunas no tamanho 14,5 x 10 centímetros e traz a banda Belle & Sebastian, com o crédito e a legenda posicionados. No lado direito da foto vem o texto na mesma altura da composição, foto e legenda, ocupando o espaço em 14,5 por 10,5 centímetros.

Foi observado que em todos os cadernos de Cultura do jornal Hoje em Dia, no período de 11 ao dia 18 de outubro de 2010, foram reservados espaços para informações culturais estabelecidas para determinada seção. A página 2 do caderno de Cultura é separada para a

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seção de curtas, com informações "rápidas" de artistas, shows e espetáculos de diversos segmentos da cultura. As páginas 4 e 5 são destinadas ao roteiro cultural, com as seções de teatro, shows e exposições, sendo apresentadas como um cardápio apresentado ao público leitor, com variada opção de entretenimento. A página 6 é dedicada a Horoscopo, Palavras Cruzadas, Tirinhas, Resumo das Novelas, a seção "Há 20 anos no Jornal Hoje em Dia" e a “Linha do Tempo (espaço reservado para o desenho do chargista Mário Vale). E a página 7 é toda voltada para a TV, com a programação diária das TVs abertas, roteiro dos filmes do dia e uma "indicação" do que vai ter na programação no determinado dia, com detalhes do que será apresentado.

O jornalismo cultural, de certa forma, representa um gênero da atividade jornalística destinando-se ao gosto da arte. São diversas manifestações culturais como: música, cinema, literatura, teatro, artes plásticas e outros. Mas, Guedes (2007) esclarece que quando pensamos nessa modalidade do jornalismo, percebemos como se processa “o diálogo entre estas expressões estéticas” e os de jornais que trabalha com a cultura.

Lustosa (1996) relata que o segundo caderno, foi criado para abrigar material relacionado com lazer e cultura. O editor tem mais liberdade para a escolha das matérias a serem publicadas e qual o grau de importância. Seu espaço é destinado à tira de quadrinhos, programação de shows, peças teatrais, cinema, horóscopo, colunas sociais, crônicas e programação de televisão. Esse novo jornalismo, para “superar” a concorrência, passou a trabalhar, cada vez mais, sob pressão no horário do fechamento (dead line). Significando “rapidez na execução de tarefas.” Essa pressa tornou-se progressivo na pratica jornalística, causando descompasso na interpretação da realidade, principalmente, quando se trata de informação cultural

Essa realidade se torna mais certa ao verificar que os cadernos e as seções de cultura de jornais e revistas dedicam-se na maioria das vezes, a observar manifestações artísticas ou a criticar filmes, shows, grandes espetáculos, livros e CDs, sem qualquer perspectiva interpretativa do cenário cultural. A maneira como a manchete é colocada na página, a posição e a quantidade de fotos utilizadas na página, são tarefas a serem desenvolvidas pelo diagramador. Segundo Pereira Junior (2009), este profissional deve se preocupar, também com o espaçamento, as margens, os brancos que compõe a página e com a estética em geral.

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Agradar o leitor, colocando as matérias de acordo com o grau de importância que ela representa, usando ferramentas necessárias para dar ênfase a fotos e títulos. O diagramador trabalha com elementos básicos para transmitir de forma clara e entendível a mensagem da página. Silva (1985) explica que, letras agrupadas em palavras, imagens ou ilustração do fato, brancos de páginas e fios tipográficos são alguns dos recursos utilizados.

O caderno de Cultura do jornal Hoje em Dia aborda como deve ser os fatos relacionados à cultura local e nacional, em diversas manifestações. Artes plásticas, música, cinema, teatro, televisão, tem nesta editoria o espaço voltado a estas especialidades. Textos escritos e imagens relacionadas a cultura podem trazer reflexões sobre os movimentos culturais de um modo geral. Essa editoria é a que tem as paginas com mais desenvoltura, mas que mantém o mesmo projeto visual. O diagramador tem “liberdade” para criar páginas mais atraentes, explorando nas fotos e utilizando dos recursos gráficos.

No domingo, o caderno é publicado com algumas alterações: ele tem o nome modificado para “Mosaico” e são acrescentadas mais quatro páginas, ficando este, com o total de 12 páginas. Dentro do caderno, foram publicados outros assuntos ligados à moda, culinária e artesanato em geral. Essas páginas não foram selecionadas para a análise, pois os desenhos das páginas publicadas se apresentam com uma composição gráfica diferente, divergindo das editorias pesquisadas. O “Mosaico”, diferentemente do caderno de cultura publicado durante a semana, não contém assuntos referentes à TV que, no domingo, é publicado no suplemento de nome “Teve”. Esse suplemento também não foi analisado, pois se apresenta no tamanho tablóide e também é publicado com uma composição distinta das outras editorias.

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5 CONCLUSÃO O objetivo desta pesquisa foi de entender como funciona o projeto gráfico utilizado nas páginas do jornal Hoje em Dia em editorias distintas como Política, Esporte e Cultura. E para responder a pergunta proposta pela pesquisa, fizemos uma análise entre o material empírico e os critérios fundamentados teoricamente nos autores indicados na pesquisa, que foram os de analisar itens importantes no jornalismo impresso como elementos gráficos, fotos, títulos e a identidade visual do periódico.

O conteúdo desta análise aborda a forma com que o jornal Hoje em Dia posicionou os itens foto, título, elementos gráficos e como foi apresentada a identidade visual nas páginas publicadas do dia 11 ao dia 17 de outubro de 2010.

A editoria de Política, na maioria das páginas analisadas, foi publicada com um volume maior de texto do que os outros cadernos. Também foi observado que as páginas têm mais espaços publicitários e menor quantidade de elementos gráficos e infografias. A Política inicia-se logo depois da capa do jornal, na página 2, sendo essa a editoria com menor número de páginas, cinco no total.

A Política, diferente das outras editorias analisadas, não contém um caderno próprio para sua publicação. Elas foram publicadas nas páginas 2, 3, 6, 7 e 8, sendo as páginas 4 e 5 reservadas para a editoria de opinião do jornal. O volume textual publicados na política contém títulos de matérias e retrancas.

O caderno de Cultura, além de fotos e imagens (ilustrações, charges e logomarcas), contém maior número de infografias, sendo a maioria referente à programação cultural.

O caderno de esporte tem, em sua publicação, maior espaço destinado às fotos, seja pela quantidade ou pelo tamanho. A composição textual é maior que a do caderno de cultura e, na maioria das páginas, há infografias com fichas de jogos e tabelas de classificação.

Ao comparar as três editorias analisadas, observa-se que, em cada uma delas, constam em suas páginas, os itens abordados pelos autores pesquisados. Essas editorias mantêm o mesmo projeto gráfico adotado pelo jornal Hoje em Dia, tendo a Política mais texto, a Cultura com

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mais infografias e mais elementos gráficos e a editoria de Esportes publicando fotos maiores em suas páginas.

Chega-se a conclusão de que, através dos itens abordados pelos autores pesquisados e pela análise feita nas páginas das editorias de Política, Cultura e Esporte, a identidade visual e o projeto gráfico do jornal Hoje em Dia predominam nas três editorias analisadas, tendo as características de cada segmento distinguindo estas editorias.

A análise do formato e da lógica destas editorias é importante para compreender o critério estabelecido por determinada empresa jornalística, para “agradar” e captar leitores para o periódico. Outras editorias, do jornal Hoje Em Dia, como o caderno Minas, a Economia, o Mundo e os suplementos, devem ser pesquisadas, para melhor compreensão da característica deste periódico. Uma pesquisa utilizando o mesmo parâmetro e os mesmos critérios, também, será de grande importância, se houver uma comparação com os cadernos de jornais concorrentes como o Estado de Minas e O Tempo.

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