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CAPÍTULO 19

O Setor Florestal da Amazônia Brasileira: Exploração Florestal Seletiva e o Mercado Internacional de Madeira Dura Tropical1
Resumo
A exploração seletiva de madeira começa a desempenhar papel importante, tanto na alteração da paisagem, como na manutenção das atuais taxas de desmatamento na Amazônia. Até recentemente, fins dos anos 80 e início dos anos 90, a madeira era considerada como subproduto de projetos de desenvolvimento na Amazônia, principalmente agropecuários. Pouco antes e em seguida ao advento Rio-92, os incentivos fiscais para a agropecuária na região foram escasseando, chegando, inclusive, a quase extinção dos mesmos, nos dias atuais. Em função destas medidas governamentais, a expectativa era manter as taxas de desmatamento inferiores às de 1990 e 1991. Entretanto, a madeira dura amazônica começou a valorizar-se, tanto no mercado nacional como no internacional, substituindo os extintos subsídios e, por conseguinte, contribuindo não só para a manutenção das taxas de 1990 e 1991, como para o recrudescimento do desmatamento. Hoje, o dono da terra vende a madeira em pé; o madeireiro faz a exploração seletiva; o dono completa a derrubada e implanta o seu projeto agropecuário. Este trabalho faz uma abordagem sobre a questão madeireira da Amazônia, o mercado internacional de madeira dura tropical, o manejo florestal sustentável e a relação entre este uso do solo e o desmatamento. O fundo desta abordagem tem: de um lado, um mercado internacional de madeira dura tropical praticamente estável, em torno de 65 milhões de m3 equivalentes em toras, por ano; de outro, uma diminuição inexorável das reservas florestais dos principais fornecedores de madeira tropical; e, entre estes dois lados, a Amazônia brasileira, praticamente intacta e ainda sem uma participação significativa neste mercado.

Introdução
Hoje, as discussões sobre a biodiversidade, mudanças climáticas globais e sobre o abastecimento do mercado de madeira dura tropical do planeta Terra, passam, invariavelmente pela Amazônia. Esta região, considerada como a maior reserva contínua de floresta tropical úmida do mundo, cobre uma área de aproximadamente 5 milhões km 2, que
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Trabalho financiado pelo Projeto BIONTE (Convênio INPA/DFID), Em: BIONTE – Relatório Final; pp. 15-30.

a partir de 1990. O mogno (Swietenia macrophylla) é a mais importante espécie madeireira. Os principais projetos de “desenvolvimento. incluindo áreas de Cerrado (quadro 15. a madeira disponível tem sido usada no lugar dos incentivos fiscais que desapareceram.648. 17. 1992).882 km 2 (47. A castanha-do-pará (Bertholletia excelsa) e a seringueira (Hevea sp) são também importantes. o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) apresentou as seguintes estatísticas de desmatamento na região. em 1990. 65 milhões de hectares.br). em 1989. paixão. As famílias botânicas dominantes são Leguminosae.439.200 hectares) de florestas nativas tinham sido transformados em outras formas de uso do solo. respeito e um legítimo interesse em protegê-la.810 km2/ano. do ponto de vista comercial. Desmatamento na Amazônia brasileira Segundo Fearnside et al.130 . porém como produtos não madeireiros. (1990). o desmatamento acumulado era de mais de 650. 13. Durante a Rio-92. Lecythidaceae e Sapotaceae . ao contrário.860 km2/ano.e Myristicaceae nas várzeas. Neste trabalho são também apresentadas as taxas de desmatamento para cada Estado amazônico – V.corresponde a 60% do território brasileiro.800. as florestas deixaram de ser empecilhos para o desenvolvimento econômico regional.000 km2 ou 364. A área florestal da Amazônia brasileira é de 3. mineração e hidrelétricas. em torno de 12. Trata-se de uma região que desperta ainda muita curiosidade.130 km2 por ano. 478.130 km2 (1978-1988) para 11. 21. Até 2006.8 do Capítulo 15. em nome do desenvolvimento da região. Quadro 15. Já há algum tempo. o desmatamento acumulado já era de 66. foram: agropecuária. com recursos levantados junto à comunidade financeira internacional. e em 1991.inpe.888. O volume total de madeira na Amazônia é estimado em 50 bilhões de m3. Predominam-se as florestas densas de terra-firme. Em 2006. atualizadas até 1991: período de 1978 a 1988.000 de hectares (Quadro 19.130 km2/ano (INPE.500 hectares (www. apesar das florestas de várzea desempenharem um papel importante na economia de vários estados amazônicos.000 km2. cobiça.2). Houve uma queda das taxas de desmatamento. o mercado internacional de madeira dura tropical começa a mover-se do sudeste asiático para a região amazônica. As razões para a queda de 21. estabilizando-se. na Amazônia Legal. até 1989. dos quais 10% têm condições de serem aproveitados pela indústria madeireira.8 do Capítulo 15). 11.000 km2 anuais.” normalmente incentivados (subsidiados) pelo Governo Federal.na terra-firme . a partir de 1988. Além disso.

os madeireiros e o setor florestal. Considerando os trabalhos de Nepstad et al. conseguiam eximir-se da responsabilidade pelo mau uso do solo amazônico. ou seja.km2/ano (1991). até 1989. com relativa atualização.000 km2. o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mantém.” No início dos anos 90. 04/05 e 05/06. é possível observar crescimento da produção de madeira até 1991 e com tendência de queda de 1991 até 2004.br. há trabalhos individuais de pesquisadores.786 km 2/ano para o período 91/92. as áreas foram 27. a madeira passou a ser o substituto dos incentivos fiscais oficiais que desapareceram.896 km2/ano para 92/94. por meio de anuário estatístico impresso e de 1990 até o presente. que é o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis). (1999) sobre a safra de 1996-97 e de Lentini et al. a situação mudou completamente.900 km2 e 13. Ocasionalmente. este produto começou a ter uma maior liquidez.2 apresenta a evolução da produção de madeira em toras para uso industrial. que envolveram “verdade de . como os de Nepstad et al. da região amazônica. durante o período 1975-2004. Em que pesem todas as dificuldades em se obter estatísticas confiáveis deste setor. até meados dos anos 80. tanto no mercado nacional como no mercado internacional. que congrega produtores e consumidores de madeira tropical e (2) FAO (Food and Agriculture Organization) da ONU (Organização das Nações Unidas). que nunca sistematizou a coleta e análise da produção de madeira amazônica. eletronicamente no endereço www.ibge. analisar a produção de madeira na Amazônia é uma tarefa muito difícil.059 km2/ano para 94/95 e 18. (2005). respectivamente. 29. (1999) e Lentini et al. O problema é com quem abastece estas organizações. Nos 3 primeiros anos do Governo Lula. 14. (2005) sobre a safra de 2004. a dinâmica da produção de madeira. Este quadro foi montado com as melhores estatísticas disponíveis. entretanto. foram principalmente: política ambiental do Brasil e falta de recursos financeiros como forma de subsídios para projetos de “desenvolvimento” na Amazônia. segundo o INPE (1998) são as seguintes: 13. No Brasil. Produção de Madeira Dura Tropical (Tropical Hardwood) No Brasil. As estatísticas atualizadas até 1997.gov. O Quadro 19. porque a madeira era considerada como subproduto dos outros projetos de “desenvolvimento.161 km2/ano para 95/96. As estatísticas mais organizadas são fornecidas por duas organizações multilaterais: (1) ITTO (International Tropical Timber Organization). em intervalos de 4-5 anos. No entanto. 03/04.200 km 2. Além disso. 18.

campo”. América Latina/Caribe e África. a partir de então. ⇒ 2. média mundial. 40 milhões de m3 ± 1. (i) Produtores: As estatísticas apresentadas a seguir foram montadas a partir de consultas nos volumes dos anos 1990-91. 1992. São consideradas três grandes regiões tropicais: (1) África. a ITTO apresentava estas estatísticas em relatórios impressos anuais ou bianuais.5%.7 mi m3 ± 0.3 para compensado. em equivalentes em tora. o volume de madeira serrada que cada país produz é multiplicado por este fator para ter a estimativa do equivalente em toras que foi retirado da floresta. igual a 134.7%. de 1988 para 2004. as estatísticas florestais dos países signatários.35 mi (IC 95%). é razoável adotar como produção anual atual de madeira em tora como aproximadamente 25 milhões de m3. As produções anuais de serrado.82 para madeira serrada. A produção anual do mundo tropical. As duas outras regiões. apesar de uma queda de produção de 7. desde 1988. ou ainda. porém.or. ou seja. As estatísticas sobre o volume da madeira são fornecidas em metros cúbicos equivalentes em tora.26 mi (IC 95%). tem se mantido estável. 53% do volume de uma tora. é transformado em compensado.4 mi (IC 95%) em toras – incerteza de 1. usando os seguintes fatores de conversão: ⇒ 1. Até 1995. com uma participação bem inferior à da Ásia/Pacífico. é ainda a maior produtora de madeira dura tropical. de 1995 a 2004.itto. mantiveram-se estáveis. compensado e laminado foram. respectivamente. A região Ásia/Pacífico. 43% do volume de uma tora. Mercado Mundial de Madeira Dura Tropical A ITTO consolida anualmente. 1993-94 e 1995 do “Annual Review and Assessment of the World Tropical Timber Situation” da ITTO e. (2) América Latina e Caribe e (3) Ásia e Pacífico. 14. ao longo do período (1988-2004). A participação de cada grande região tropical à . usando o site da organização. 55% do volume de uma tora. ou seja. é transformado em tábuas ou outro produto serrado.75 mi (IC 95%) e 2. ou seja.4 milhões de m3 ± 2.2 milhões de m3 ± 0. média mundial. exportação e valores de mercado.jp. é transformado em laminado. ⇒ 1. as estatísticas podem ser obtidas no endereço www. média mundial. consumo. incluindo dados de produção.9 para laminados.

A importação anual média do período foi de 51.produção média (1988-2004) anual é a seguinte: Ásia/Pacífico (67%). em torno de 75% da produção de 1988. os três maiores produtores individuais têm sido: Indonésia com 66. a região Ásia/Pacífico participou com 81% de toda a exportação do mundo tropical enquanto que as regiões América Latina/Caribe e África participaram. os países tropicais faturaram com exportação de madeira o montante de US$ 12 bilhões. 25 milhões m3 por ano. toras sem nenhum beneficiamento. A Figura 19. é importante ressaltar que a produção brasileira vai além da região amazônica. Coréia do Sul (9. A contribuição da Amazônia ao mercado internacional tem sido muito modesta. Há uma clara tendência de queda (28% de queda). compensados e laminados e. o Brasil exporta aproximadamente 5% de sua produção anual.2%). com 6% e 13%.000 m3 ± 1. a UE se mantém estável.3%). na forma de serrados. O Brasil faturou apenas US$ 560 milhões (4. Taiwan (8. (ii) Exportação (e importação) de madeira tropical: Os países exportam praticamente 50% das produções. Estes países respondem com mais de 90% das importações de madeira tropical. Com base na média anual (1988-2004).2 ilustra o comportamento da importação do Japão.543.000 m3 ± 2.000 m3/ano (21%) e Brasil com 48. Malásia com 52. União Européia e China.723.5%). América Latina/Caribe (25%) e África (8%).421.59 bilhões (38%). contribuindo sozinhos com 70% do total exportado pelos países tropicais.3%).000 m3/ano (27%).770. 50 milhões m3 de madeira (equivalente em .7%) e EUA (6.5%). Os dois maiores exportadores individuais foram Malásia com 23. Com base na exportação média anual do período 1988-2004. ocasionalmente.000 (IC 95%) e Indonésia com 16.000 (IC 95%).763.1 apresenta a dinâmica de produção destes produtores durante o período 1988-2004. apesar de produzir. União Européia (21. China (17. A Figura 19.000 m3/ano (20%).883.45 (37%) e US$ 4. aonde se pode observar que a China superou o Japão em 2001.4%).000 m3 ± 1. respectivamente. Aqui. em relação ao pico de produção da Indonésia e Malásia (35%) e um aumento (em relação ao mínimo) do Brasil. Estes três países representam 68% da produção mundial de madeira dura tropical. segundo Carvalho (1995). passando a ser o maior importador individual de madeira tropical.598. Isto significa que. Os principais importadores individuais foram: Japão (33.168. Malásia e Indonésia faturaram respectivamente US$ 4.143. aproximadamente. em um mercado internacional de. Em 1993.000 (IC 95%) equivalentes em tora. aproximadamente.

Sabah e Sarawak. a exportação limitada em 90. era a seguinte: floresta remanescente = 63 milhões de hectares sob concessões florestais.” Este cenário começa a fazer algum sentido ao prestar atenção na dinâmica de produção de madeira tropical no período 19892004.tora). As razões para isto são várias. o manejo florestal tem sido não-existente. no relatório dos países tropicais. a quantidade permitida para exportação da mesma é contingenciada pelo Poder Público. Uma única espécie da Amazônia. para suprir os mercados da Europa. Estados Unidos e Japão.000 m3. De acordo com www. foi decretada moratória para a extração do mogno de florestas nativas do Brasil. Ato Florestal Nacional de 1984. a seguir. não consegue atingir os padrões de qualidade exigidos pelo mercado internacional. (iii) Tendências do Mercado Internacional de Madeira Dura Tropical: Segundo o cenário de Grainger (1987). cobrem apenas uma fração das antigas áreas de florestas tropicais úmidas.com (consultado em outubro 2005): “Durante as últimas duas décadas de exploração das florestas da Malásia. sendo. substituída pela América Latina. em 1990. Geralmente. apenas não confirmando o papel do Brasil no mercado internacional. o estado do Pará contribui com 2/3 da produção de mogno exportada para outros países. principalmente. a Amazônia contribui com pouco mais de 5%. Mais recentemente. a situação do setor de madeira dura tropical é a seguinte: “a produção do sudeste asiático alcançará o seu pico em meados dos anos 90. Japão e América do Norte. pelos maiores produtores mundiais (Figura 19. As florestas primárias da Malásia Peninsular já foram completamente dizimadas e as secundárias. comercializado no exterior (Carvalho. Nas partes da Malásia na Ilha de Borneo. 1995). O volume de madeira contingenciado vem decrescendo gradativamente. iniciando com 150. mas devem desaparecer em 5 – 8 anos”. No mesmo site.000 m3 por ano. especialmente a Amazônia. mogno (Swietenia macrophylla). e havendo em 1995. A contribuição só não é maior porque.rainforests. falhou completamente por falta de aplicação da lei. a situação da Indonésia. a baixa qualidade da madeira produzida na Amazônia. contribui sozinha com 10% do volume total de madeira. A política florestal. . em 1995. Como no Brasil é proibida a exportação de toras. predominância de poucas famílias de grande valor comercial das florestas asiáticas e. podendo ser destacadas as seguintes: melhor acesso e infra-estrutura dos países do sudeste asiático. ainda há florestas primárias.mongabay. principalmente Europa.2). a tecnologia utilizada para a transformação das mesmas. desde 1990.

(2006): Malásia => Y = 32.x = 2518 sendo: Y = volume em milhões de m3 equivalente em tora e X = ano A figura 19. durante o período 1988-2004. poucos projetos são devidamente fiscalizados. desmatamento anual = 5.x = 2227 Brasil => Y = 1418 + 151. Hoje. coordenada pela EMBRAPA-CPATU. (i) Estado do Pará: Em recente avaliação dos projetos de manejo florestal aprovados pelo IBAMA. O Brasil só conseguirá atender a demanda internacional em 2097. os projetos são mal formulados.x = 695 Mercado => Y 54578 – 331 X => r = 0. na microrregião de Paragominas (PA).exploração autorizada = 700 mil ha por ano. Os planos são aprovados pelas superintendências estaduais do IBAMA.4 milhões de ha. as estimativas de volume dos projetos não batem com as de campo e nem com os volumes realmente extraídos da área do projeto. a conclusão é muito clara: a situação nesta microrregião é simplesmente caótica. a Malásia deixa de exportar e a Indonésia em 2030. Em termos de exportação de madeira.54 e sy. Manejo Florestal na Amazônia Brasileira: avaliações Apesar da legislação ambiental brasileira ser moderna e o artigo 15 (manejo florestal na Amazônia) ter sido finalmente regulamentado em 1994.74 X => r = 0. exploração não autorizada = 500 mil por ano.91 e sy. Ajustando os dados de exportação dos três principais produtores atuais (Malásia. os seguintes modelos foram produzidos por Higuchi et al. as equipes técnicas das empresas não estão devidamente preparados para praticar silvicultura tropical.x = 2412 Indonésia => Y = 21091 – 480.75 e sy. Indonésia e Brasil) e de importação (demanda do mercado internacional).14 X => r = 0. Este cenário indica que o mercado entra em colapso antes de 2010. mas com problemas de falta de pessoal e recursos para deslocamentos de fiscais. é difícil encontrar um plano de manejo florestal em regime de rendimento sustentado sendo executado na região. é quase certo que as reservas florestais nativas da Indonésia estejam praticamente dizimadas. o Brasil supera a Malásia em 2012 e a Indonésia em 2017.75 e sy.59 X => r = 0.3 ilustra o uso dos modelos para projeções até 2036. em 2005. Em 2018.204 – 1035. nenhum projeto avaliado atende as .

que só vai comercializar madeira oriunda de planos de manejo em regime de rendimento sustentado. dificuldades naturais. equipamentos inadequados. Provavelmente. por esta razão. foi discutido com todos os setores envolvidos. b) investidores só pensam em uma colheita (cultura imediatista. em Paragominas. (ii) Estado do Amazonas: Na Figura 19. preparado por Silva et al. abrill/96. em março/96. Poder Público. são similares às de Paragominas. remuneração baixa. A causa principal é o fato que os planos de manejo florestal sustentável não são devidamente implementados. associações de classes e ONGs ambientais. a exploração é muito mais seletiva e.4 é apresentado um fluxograma do sumário da análise de problemas do setor florestal do estado do Amazonas. dos 576 aprovados pelo IBAMA. tem-se de um lado. mudam apenas a intensidade e a duração da intervenção. falta de assistência técnica). Nas várzeas do estado do Amazonas. ainda não consolidado. onde se concentram a principal fonte de abastecimento da matériaprima madeira do estado. estatísticas não confiáveis. empresários. Como conseqüência. Nas várzeas do Amazonas. para o estado do Pará. o volume extraído por unidade de área é menor do que o de Paragominas. Poucas diferenças em relação à execução dos planos de manejo florestal serão encontradas em outras microrregiões do Pará. inexistência de . (1996). baixo conhecimento tecnológico. e de outro. professores. as questões técnicas e legais envolvidas em um plano de manejo.exigências do Decreto 1282 (Manejo Florestal Sustentado para a Amazônia) e nem as da ITTO-2000 (meta da Organização Internacional de Madeira Tropical). entre 1981 a julho/1995. falta de conhecimento sobre o mercado. o tamanho da reserva florestal disponível. por exemplo. Desta reunião foi concluído que o problema central do manejo florestal no estado do Amazonas é que a produção madeireira não está sendo feita de forma sustentável. O relatório preliminar deste trabalho. com pesquisadores.3% dos projetos de manejo florestal. ou mesmo em outros estados amazônicos. produzido a partir de um “brain storm” ou “toró de palpites” promovido pelo Projeto BIONTE (INPA/ODA). a ameaça à integridade dos ecossistemas amazônicos. A microrregião Paragominas representa 40. o risco de faltar o produto madeireiro no mercado. em Manaus. As principais razões para a não implementação dos planos de manejo são: Domínio implementação: a) exploração florestal mal feita (falta de pessoal qualificado em todos os níveis.

b) legislações não cumpridas (normas mudam com muita facilidade. economia. Conclusão O velho e surrado chavão “Os recursos naturais da Amazônia são super-explorados e sub-utilizados. potencial alteração no ciclo d’água pela retirada da cobertura florestal. estatísticas não confiáveis). equipamentos. tanto pelo corte raso. e são desnudados totalmente os solos florestais para a produção de minérios. orientações e pessoal). São impostas alterações em vários hectares de florestas primárias. porém. c) fiscalização/monitoramento inexistente (faltam recursos. Há casos de imposição de indenizações e de transferências para outras áreas. perda da biodiversidade. empresários investem muito pouco em pesquisas). Domínio política setorial: a) política setorial fragmentada (falta do zoneamento ecológico-econômico. Domínio conhecimento: a) currículo das escolas de engenharia florestal é inadequado. com o mínimo de beneficiamento. falta de sistema de validação das normas estabelecidas. erosão genética. mais de 50 milhões de hectares já desmatados. são feitos cortes rasos em extensas áreas para projetos agropecuários de baixa produtividade. tecnologia da madeira. falta de incentivos para o setor). A área desmatada na Amazônia.” .” ainda é bastante atual e apropriado para esta região. comercialização & mercado. os impactos sociais e culturais são. para retirar uma única árvore para produzir madeira. pesquisadores publicam para colegas. os impactos ambientais são bem conhecidos e têm preocupado toda a sociedade. impactos ambientais. c) falta de conhecimento básico e aplicado (silvicultura tropical. são inundados vários hectares de floresta para formação de lagos para a produção de energia elétrica. conflitos entre as diferentes regras do uso do solo. aos povos autóctones. como pela exploração seletiva de madeira. falta de fiscalização). Os mais importantes impactos são: emissão de gases do efeito-estufa à atmosfera. não há programas de extensão.de universidades e de institutos de pesquisa -. não a fez mais rica e nem a ser o celeiro do mundo. igualmente importantes. impactos sociais e culturais). b) comunicação entre ensino & pesquisa e setor produtivo é ruim (linhas de pesquisas são definidas por pesquisadores . e sedimentação e poluição dos rios e igarapés. Poucas dessas formas de uso do solo seriam aprovadas em uma análise de custo/benefício. Por outro lado. ergonomia. em nome de um projeto de “desenvolvimento. principalmente pelas queimadas e pela decomposição de árvores em pé nos lagos das hidrelétricas. Menos conhecidos que os impactos ambientais.análise Custo/Benefício.

a expectativa era ter eliminado a principal causa do desmatamento na Amazônia. em 1990. o mercado internacional não gosta de negociar produtos ilegalmente produzidos. inclusive. o empreendedor precisa ter a posse da terra e isto está ficando cada dia mais difícil. com a própria infraestrutura viária e com a redução da densidade e volume da floresta primária. Além disso. Com isto. Da mesma forma. os antigos fornecedores vão ter que buscar alternativas. o madeireiro contribuía duplamente com o agropecuarista. durou muito pouco porque. Alguns países importadores vão ter que apelar para as suas próprias reservas. laminado e compensado). além de ser matéria-prima do papel. pelo menos. com a mesma atividade. sem posse. Isto é outro gargalo na Amazônia porque para ser legal. em outras regiões do Brasil. apesar do tamanho de seu território. transformando-se. a Amazônia Legal não conseguirá atender a demanda do mercado porque não tem tecnologia de manejo e nem de transformação de toras em produtos madeireiros (serrado. Em tese. o mercado internacional de madeira dura tropical entra em colapso e muita gente vai ficar sem madeira. na Amazônia há 25% de terras sob domínio privado e 75% de terras públicas. a agropecuária na região. facilitando o corte raso e preparação do solo para a implantação de pastagens. inclusive. em préinvestimentos para a agropecuária. no entanto. enquanto reduziam-se os incentivos. feitos para a sua exploração. não há plano de manejo florestal. Grosso modo. sem subsídios. o aproveitamento da madeira viabilizava-se operacional e economicamente. O freio. ela é importante quando a gente nasce (berço) e quando morre (urna funerária). mas a grande maioria. os investimentos mínimos em infra-estrutura.Tanto o intercâmbio de doenças. tornar-se-ia pouco atraente e não competitiva. Em menos de 10 anos. são devastadoras aos povos autóctones. doenças endêmicas como malária e leishimaniose causam problemas sérios aos colonizadores. Em condições normais. A madeira começou a cobrir. As terras privadas estão praticamente no fim e. . como a disseminação das mesmas são problemas sérios na região. têm também aumentado na região e repercutido no mundo inteiro. Isto vai acontecer porque os principais fornecedores não praticaram manejo florestal e foram até a exaustão de suas reservas. principalmente para os projetos agropecuários. ou seja. Problemas de terra (e sem-terra) na Amazônia. Com a drástica redução dos incentivos fiscais. É importante não perder de vista que a madeira é um artigo de primeira necessidade. Doenças comuns como gripe e sarampo.

282.2% (ano-base 2002) na composição do produto interno bruto (PIB) brasileiro (www. p = 0. com normas claras (IN 05) e penas definidas para aqueles que descumprem as leis e as normas (Lei 9605. Portanto. este cenário é “oportunidade” ou “ameaça”? Olhando as repercussões do histórico de uso do solo amazônico. Ações estratégicas são necessárias para valorizar a madeira em pé. atender a demanda do mercado internacional é mais uma ameaça do que oportunidade. Neste momento é preciso ter sabedoria para antecipar-se à eminente escassez. é melhor deixar a floresta amazônica para as futuras gerações e esquecer o mercado enquanto não dominar a tecnologia de manejo florestal sustentável.. 2.788 e 5. Apesar de já ter desmatado mais de 60 milhões de hectares e produzir. não se pode perder de vista a imperiosa necessidade de concluir o zoneamento ecológico-econômico para a região. 2003).ibge.br). Nesta região. tem-se que repensar (principalmente unificar) as políticas de outros usos do solo amazônico e de exploração dos recursos minerais. . Menos de 10% da madeira produzida vem de plano de manejo florestal (Higuchi et al. Da mesma forma. a Amazônia Legal participou com apenas 7. para determinados produtos amazônicos. baseado nestas estatísticas. Por último. a correlação é quase perfeita entre produção de madeira e desmatamento (r = 0. O manejo florestal e o uso alternativo estão regulamentados (Decretos 1. Enquanto isso. com áreas especialmente designadas para determinados fins (produção madeireira. Como vantagem. é preciso também repensar a questão de liquidez.Para o Brasil. Além disso.999) entre produção e PIB per capita. as árvores caídas poderiam entrar como oferta de madeira ou de matéria-prima para obras de arte e artesanato. ao contrário da correlação (r = 0. o Brasil tem todos os instrumentos de medida necessários para a correta utilização dos recursos florestais da Amazônia. principalmente no curto prazo e de valores agregados. anualmente.gov.99. 25 milhões de m3 de madeira.17.00001).975). p < 0. crimes ambientais). por exemplo). nem que seja pela brusca diminuição da oferta deste produto.