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Onze teses sobre Feuerbach I.

O principal defeito de todo materialismo até aqui (inclusive o de Feuerbach) é que o objeto, a realidade, a sensibilidade, só são apreendidos sob a forma de objeto ou de intuição, mas não como atividade humana sensível, como práxis, não subjetivamente. Por essa razão, o aspecto ativo foi desenvolvido, em oposição ao materialismo, pelo idealismo ─ mas só abstratamente, uma vez que o idealismo naturalmente não reconhece a atividade real, sensível, como tal. Feueurbach quer objetos sensíveis, realmente distintos dos objetos do pensamento; mas não vê a própria atividade humana como atividade objetiva. Por isso, em a Essência do Cristianismo, considera apenas a atividade teórica como autenticamente humana, enquanto a praxis só é apreendida e fixada sob a sua forma judaica e sórdida. Eis porque não compreende a importância da atividade “revolucionária”, da atividade “prático-crítica”. II. A questão de atribuir ao pensamento humano uma verdade objetiva não é uma questão teórica, mas prática. É na práxis que o homem deve demonstrar a verdade, isto é, a realidade e a força, o caráter terreno de seu pensamento. A disputa acerca da realidade ou irrealidade do pensamento (visto isoladamente da práxis) é uma questão puramente escolástica. III. A doutrina materialista que supõe que os homens são produtos das circunstâncias e da educação e, em razão disso, os homens transformados são produtos de outras circunstâncias e de uma educação modificada, esquece-se de que são justamente os homens que transformam as circunstâncias e que o próprio educador precisa ser educado. Por isso, essa doutrina chega, necessariamente, a dividir a sociedade em duas partes, uma das quais é posta acima da sociedade (por exemplo, em Robert Owen). A coincidência da mudança das circunstâcias com a atividade humana ou mudança de si próprio só pode ser vista e considerada racionalmente como práxis revolucionária. IV. Feuerbach parte do fato da auto-alienação religiosa, a qual promove a duplicação do mundo em um mundo religioso, da representação, e em um real. Seu trabalho consiste em reduzir o mundo religioso a seu fundamento terreno. Ele não vê que, depois de realizado esse trabalho, o principal ainda resta por fazer. Mas o fato de que esse fundamento se eleve de si mesmo e se fixe nas nuvens como um reino autônomo só pode ser explicado pela auto-ruptura e pela autocontradição desse fundamento terreno. Este deve ser compreendido primeiramente em sua contradição e depois ser revolucionado praticamente, pela eliminação da contradição. Dessa forma, por exemplo, uma vez descoberto que a família terrestre é o segredo da sagrada família, é a primeira que deve ser criticada na teoria e revolucionada na prática. V.

feuerbach não vê que o “sentimento religioso” é ele mesmo um produto social e que o indivíduo abstrato que ele analisa pertence. . XI. Qualquer vida social é essencialmente prática. portanto. Por essa razão. Todos os mistérios que levam ao misticismo encontram sua solução racional na práxis humana e na compreensão dessa práxis. que liga apenas de modo natural a multidão de indivíduos. é. o materialismo que não entende a sensibilidade como atividade prática. é a intuição dos indivíduos isolados na “sociedade civil”. VIII. 2. Porém. Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diferentes maneiras. Feuerbach transforma a essência religiosa em essência humana. isto é. a uma forma social determinada. na realidade. Em sua realidade. mas o que importa é transformá-lo. não fazendo a crítica desse ser. isolado. mas não vê a sensibilidade como atividade prática humana e sensível. VI. Feuerbach. O ponto de vista do novo materialismo é a sociedade humana ou a humanidade social. muda. VII. O máximo alcançado pelo materialismo intuitivo. recorre à intuição sensível. a tomar. a abstrair o curso da história e a fixar o sentimento religioso como algo que existe por si mesmo.Feuerbach. obrigado: 1. O ponto de vista do antigo materialismo é a sociedade “civil”. IX. a essência humana não é uma abstração inerente ao indivíduo isolado. assim. não satisfeito com o pensamente abstrato. é o conjunto das relações sociais. o ser humano como “gênero”. como generalidade interna. X. e a supor um indivíduo humano abstrato.

. Esta é versão publicada por Friedrich Engels (1820-1895) junto com a reedição de 1888 do seu Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã.Karl Marx (1818-1883) escreveu estas teses por volta de 1845.