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FACULDADE CASTRO ALVES

Ensaio sobre tecnologia e novas configurações subjetivas

Salvador ABR/2011

Salvador . apresentado pelos alunos do 3º semestre do curso de Psicologia noturno. da disciplina Estudos em Psicologia e Processos de Subjetivação. Adalene Torres Barreto Sales.Ensaio sobre tecnologia e novas configurações subjetivas Ensaio sobre tecnologia e novas configurações subjetivas. sob orientação da Profª.

Acredita-se que as relações humanas podem ser sustentadas em bases líquidas e certas. temos necessidades de aceitação. sejam elas reais ou virtuais.ABR/2011 Ensaio sobre tecnologia e novas configurações subjetivas Diante de um processo contínuo e sem retorno de modernização tecnológica que nos proporciona novas realidades. e nos permitimos enquadrar em tais papéis porque somos resultado de uma constante e inquietude capacidade de ser o que dizem que somos: seres humanos racionais. complexos na sua subjetividade e perplexos diante do fato de que somos mortais. das quais somos peças. percebe-se que as realizações não se subjugam mais ao concreto. na ausência de um toque. E como banquete principal em destaque. Vivemos em um mundo informatizado e temos uma gana desenfreada de tentar apreender todas as coisas que estão à nossa volta. sejam elas orgânicas ou afetivas se desenvolvem e se concretizam dentro desse mundo abstrato e absolutamente real. É fato. contudo ao apontar o ser humano como um sujeito . ora obsoletas. Concordamos com o autor Oliveira (2009) quando ele diz que os dispositivos tecnológicos de subjetivação são disponíveis para aplacar o medo de ser descartado. sensações e vibrações. precisamos nos comunicar. que até os feromônios que permitem o reconhecimento mútuo e sexual dos indivíduos podem ser captados à distância através de uma tela de computador. somos “liquidificados” diante de tantas sensações diferentes a serem administradas perante uma vida de brevidades e efemeridades. para não sermos descartados e nos tornamos vítimas dessa modernidade desenfreada. inter-relacionar. ora vitais. mesmo na virtualidade. prazeres tão similares ao que proporciona o mundo dito real. que paixões. na ausência do cheiro. desejos. que o mundo virtual pode oferecer possibilidades. adentramos o século 21 em ritmo acelerado no eterno processo de constante movimento do ser humano em busca do que ele chama de “felicidade”.

não é o fim em si próprio. mas mesmo sendo um personagem “fake”. mas o julgamento que assume o lugar do real. mas com a intenção e perspectiva de atrair mais e mais seguidores. simulacros do que desejam ser e ter. pois a internet não existe por si só. a pessoa continua sendo ela mesma em suas múltiplas subjetividades. dentro do conceito de “normalidade”. de reconstrução de identidades que gostariam de expressar no seu dia-a-dia que por contingências. televisivo e das nets em geral. Assim. gerando uma espécie de isolamento. diferenciando-se entres os comuns. mas o fato de se descrever de uma forma distinta da sua. por exemplo. digital. de desconstrução do seu próprio eu. A ambivalência humana e suas inquietudes colocando nossa vida à deriva entre o ser “bom” e “mau” perpassa pelo mundo virtual no sentido da utilização da ferramenta internet. somos nós que a objetivamos e isso é perceptível e ampliado quando por exemplos. como discurso de liberdade. os blogs são espaços propícios para que os indivíduos simulem o real e criem. assim. não é o verdadeiro. de ir mais além até mesmo na virtualidade. Ela é uma mediação. quando há descrições físicas. Isso diz respeito também aos discursos que são proferidos em meio às comunicações virtuais. Por trás dessa ferramenta existe uma projeção humana e suas dinâmicas. extenuantes. Oliveira (2009) cita Baudrillard (1981) e diz que o real está morto. podem geram um efeito escatológico ao qual o sujeito se sinta retraído ao ponto de tratar a sua vida de uma forma medíocre e inexpressiva no seu dia-adia. sejam elas punitivas. eletrônico. pode-se fazer partes de grupos tão distintos. só existe enquanto existem pessoas que a manipulam ao seu bel prazer. Na virtualidade. pode nos revelar alguma intencionalidade. quando colocamos um traço a mais que nos diferenciam dos outros. Oliveira usa uma visão reducionista da capacidade que o sujeito tem de se modificar.dissimulado. Hoje. coisa que no mundo real poderia ser considerado um ato insano. A internet não tem um objetivo. Pode-se até se usar de simulação em contatos virtuais entre salas de bate-papo. vive-se não o real. é seu simulacro quem sobrevive no mundo midiático. mas a sua simulação no virtual. personalizamos nossas páginas nas redes virtuais. . cibernético.

e foi alvo de uma pesquisa da Academia Americana de Pediatria. Segundo Hipócrates: “A vida é breve. em Delfos “Conhece-te a ti mesmo”. O registro de novos amigos. a arte é longa. a experiência enganosa.Como exemplo dessa ferramenta. onde a internet é vista como um grande balcão de ofertas seja de coisas ou pessoas. significa não ser pego. Tais indagações por sua vez se esbarram numa frase antiga inscrita no tempo de Apolo. limitados. pode. Na busca do conhecimento e do domínio das novas tecnologias o indivíduo trava uma luta para conhecer-se e também se dominar. o julgamento difícil. Sendo esse um reflexo de acomodação um de mundo capitalista. ser um ser subjetivo. a essência do ser humano parece permanecer a mesma. sentir-se livre. com um tempo de vida breve.” . o olhar humano através dessa lente humana se esbarra no mistério da condição humana. sem os grilhões que nos prende a essa vida mortal. na busca de uma resposta objetiva que possa defini-lo: “quem somos. a ocasião fugidia. Na condição de humanos.se originar uma nova forma de depressão em crianças e jovens. que é uma rede social criada em 2004. inclusive dessas limitações. que classifica até uma nova patologia associada às redes sociais: a "depressão Facebook". e diante da complexidade de ser e estar pleno. as atualizações de estado e as fotos felizes podem fazer com que algumas crianças e adolescentes se sintam mal por acharem que não estão à altura. existe o Facebook. onde se discutiu que através dos mecanismos disponibilizados pelo Facebook. Por mais virtualidade que possa existir ou que ainda esteja por vir. o que nós somos e para onde vamos”. Oliveira (2009) cita Foucault (2006) na teoria da genealogia do poder que e diz que: “o homem está sempre em busca de ter o domínio do saber e do poder”.

Acesso em 09 de abril de 2011.php?pid=S010132622005000100006&script=sci_arttext&tlng=pt >. p.REFERÊNCIAS MONTEIRO. 25. In Caderno Cedes. Disponível em: <http://www.pdf >. vol. . Acesso em: 09 de abril de 2011. Facebook pode causar depressão nos jovens. Primeiros contornos de uma nova configuração psíquica. “Técnicas de si” na contemporaneidade: a construção do sujeito na fluidez da web 2. NICOLACI-DA-COSTA.br/scielo. Maria Cláudia.0.scielo. OLIVEIRA. Maria Regina Momesso.br/blog/mestradoemlinguistica/upload/abralin_2009_artigo_ mreginamomessooliveira.jn.unifran. Disponível em< http://www.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior. 1-85. nº 65.aspx?content_id=1817919>. Ana Maria. 2005. Disponível em <http://www. Acesso em 09 de abril de 2011.