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Família, velhice e violência

Família, velhice e violência

Kátia Jane Chaves Bernardo

RESUMO:

A violência está presente no dia-a-dia de cada um de nós, em todos os setores da nossa vida, atingindo, diariamente, um número crescente de vítimas, entre eles idosos. No Brasil ainda são poucos os estudos em torno do tema violência e envelhecimento, particularmente no que se refere a sua incidência nas famílias contemporâneas, nas quais o fenômeno da coabitação de gerações distintas é uma realidade cada vez mais freqüente. Neste trabalho, buscaremos discutir dimensões presentes nas relações que se estabelecem em um número significativo de famílias: gênero, geração, velhice e violência. Essas dimensões “expressam diferenças, oposições, conflitos e/ou alianças e hierarquias provisórias. Provisórias porque na dialética da vida os lugares sociais se alternam, as situações sociais se desestruturam e se reconstroem em outros moldes” (BRITTO DA MOTTA, 2003).

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Família, velhice e violência

Palavras-chave: velhice, família, violência, relações intergeracionais.

 

Esse trabalho tem por objetivo As categorias gênero e geração referem-se ao biossocial; o sexo e a idade estão inscritos no corpo e na cultura como gênero e geração. O elemento fundador de ordem biológica é, com freqüência destacado para justificar, ideologicamente, o poder e a dominação – o sexo frágil, a idade da “esclerose” – não fosse a essência da ideologia a naturalização do social. Com isso, o conhecimento das categorias gênero e geração/idade remete a uma análise de relações de poder.

A palavra velhice não representa uma realidade bem definida, mas, ao contrário, um fenômeno complexo, cujo conceito depende da interdependência de dimensões como gênero e classe, que apontam para oposições, diferenças, conflitos e/ou alianças provisórias (BRITTO DA MOTTA, 2003).

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Família, velhice e violência

Do ponto de vista sócio-antropológico, podemos afirmar que a idade é ressignificada como um princípio norteador de direitos e deveres. Geralmente, nos diversos contextos históricos, há uma atribuição de poderes para cada fase da vida.

Parafraseando Bourdieu (1983, p.112), podemos dizer que “velhice” é apenas uma palavra, isso porque, segundo o mesmo autor, “as divisões entre as idades são arbitrárias” e o que de fato existe, na divisão lógica entre velhice e juventude, é disputa pelo poder, é manipulação. Trata-se do estabelecimento de uma ordem na qual cada um deve se manter “em seu lugar”; do estabelecimento de limites que, quando não respeitados ou não bem estabelecidos, fazem surgir os conflitos entre as gerações.

Quando falamos das relações intergeracionais, vamos buscar respostas nas dimensões socioculturais da vida social, ou seja, o indivíduo deve ser compreendido como ser social inserido em determinado grupo com o qual comunga valores, modos de pensar e agir na sociedade. Trata-se, portanto, da interpretação dos símbolos e dos significados construídos pelas sociedades e expressos nas formas de pensar e agir sobre as diferentes fases da vida e das relações intergeracionais.

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Família, velhice e violência

Cada etapa da vida expressa certo estado das relações intergeracionais. As “crises” ou os períodos-chave giram em torno da questão das relações intergeracionais, sobretudo na família, no momento da saída dos filhos de casa, ou no trabalho, na passagem para a aposentadoria. Cada ruptura ocasiona uma rearrumação da percepção do tempo, na qual se modificam as coordenadas de sua própria duração no eixo do tempo definido pelo conjunto das gerações (FORACCHI, 1972).

Para Forachi(1972), o conflito de gerações pode ser entendido como a luta de uma geração com valores básicos que não sabe ou não quer preservar. “É como se uma geração ‘cobrasse’ à outra a fidelidade ao conjunto de problemas que a marcou como geração.” (FORACCHI, 1972, p.25). Porém, não é contra a contundência dessa crítica que se define a situação de conflito, mas quando a crítica não é absorvida; trata-se de um conflito de valores e não apenas de vivências de idade.

As diferenças naturais em cada momento da vida – do nascimento à morte – vão ter significados diversos, dependendo de cada cultura e das diferentes concepções sociais. Embora possamos afirmar que existe uma universalização no ato de periodizar a vida, essa periodização vai se dar de acordo com cada cultura e cada sociedade, cada

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atribuem significados diversos às etapas do curso da vida dos indivíduos. A respeito disso. Ariès afirma que “a cada época corresponderiam uma idade privilegiada e uma periodização particular da vida humana: a ‘juventude’ é a idade privilegiada do século XVII. p. 1981. do século XX” (ARIÉS.Família. em diferentes momentos históricos. por serem considerados um obstáculo ao progresso. 148). juventude. velhice. em algumas sociedades. a ‘infância’.  Nas sociedades ditas primitivas. 5 / 42 . nas quais não existia essa concepção cronológica presente no pensamento ocidental. As sociedades. De acordo com Bobbio(1997). num movimento de identificação e invenção de estágios dentro de uma ordem cronológica – infância. o que orienta a ação dos seus membros é a concepção de maturidade  dos indivíduos e não ‘datações detalhadas’. os velhos eram comidos pelos sujeitos mais jovens da comunidade. velhice e violência momento histórico e social. o que se constituía em uma forma de ‘embalsamá-los’. do século XIX. e a ‘adolescência’. ou eram colocados nas academias.

dançar. O respeito da sociedade Aranda em relação aos seus velhos está associado à memória social que o velho possui. com isso. Na tribo Suyá (Brasil). A sociedade Aranda  é um exemplo de sociedade em que os velhos – “homens de cabelos grisalhos” . as palhaçadas. velhice e violência Nas sociedades tribais. cantar em falsete. e comer alimentos proibidos para outros membros. são esperados e apreciados pela tribo. De acordo com Seeger (1980). os velhos vivem na marginalidade (perigosa ou socializada) e são vistos como feiticeiros ou como palhaços. Ao contrário. e pela transmissão oral do seu conhecimento (MERCADANTE. a exemplo dos Suyá  ou dos Guayaki . os grandes rituais de passagem são rituais da trajetória da vida e essa trajetória é marcada não por princípios biológicos. tirar a roupa ou fazer gestos obscenos. para divertir os outros membros da tribo e. não são considerados comportamentos desviantes pelo povo Suyá.são respeitados pela responsabilidade de transmissão das experiências práticas para os outros membros do grupo . gritar.Família. 6 / 42 . 1999). mas pelo lugar social que aquela sociedade considera fundamental para marcar a saída da infância ou a entrada na adolescência e na velhice. conseguir comida. precisam fazer palhaçadas. Em ambos os casos.

um elemento determinante da posição social dos indivíduos na sociedade: envelhecer é conquistar um lugar socialmente valorizado. “Respeito e submissão marcam o conjunto de atitudes e comportamentos dos mais jovens para com os mais velhos” (UCHOA. a vida social é organizada de acordo com o princípio da “senioridade”. No entanto. a velhice representa uma conquista. abandonam os velhos em uma cabana. e o envelhecimento um processo durante do qual o homem aprende. O comportamento e as atitudes dos esquimós em relação aos mais velhos revelam um paradoxo. 1990).Família. 7 / 42 . matam seus velhos durante uma cerimônia especial. enriquece e fica cada vez mais nobre. pesquisas de caráter etnológico fazem referência a sociedades como os Yakute. Nesse grupo. 2003. sendo a idade. 3). pois ao mesmo tempo em que são carinhosos e afetuosos com os parentes mais velhos. p. localizadas na Sibéria. fora da aldeia. os Ainos no Japão e os Thoinga. que matam seus velhos de fome ou de frio. portanto. enquanto os esquimós “esquecem-nos na neve ou em um iglu para que morram de frio (BEAUVOIR. localizados na África do Sul. na África. velhice e violência Para os Bambara do Mali. enquanto os Breek e Crow. na Sibéria. Os koriak e os Chukchee.

Existimos socialmente se temos uma identidade civil definida pelo Estado. com atitudes de interesse e suporte aos mais velhos na comunidade” (UCHOA. podendo co-existir.Família. Só existimos socialmente porque nos percebemos inseridos em uma sociedade e porque acreditamos que temos um mundo interior. sentir e agir que definem a nossa identidade psicológica e nossa singularidade. 2003).   É nesse contexto da cultura individualista e da institucionalização do curso da vida que as noções de crise de idade e de conflito de relações intergeracionais ganham 8 / 42 . Na sociedade moderna. uma subjetividade: maneira de ser. a vida é institucionalizada e pensada a partir da concepção individualista de pessoa. em termos de sexo e data de nascimento. sem contradição. pensar. velhice e violência os mais jovens são capazes de abandoná-los em uma estrada ou ajudá-los a cometer suicídio por afogamento ou estrangulamento. “Esta aparente crueldade enraíza-se em uma concepção particular da vida. de morte e da própria essência do ser humano.

esperadas e que devem ser superadas. então. as crises são dadas culturalmente.   A sociedade.Família.   9 / 42 . a trajetória do curso da vida é associada à idéia de crises periódicas. modelos de ação e condições de interpretação da realidade. A sociedade contemporânea considera essas crises como marcas que se apresentam ao longo do curso da vida e as considera como momentos-chave da trajetória de vida dos indivíduos. a exemplo do envelhecimento. As crises e os conflitos são internalizados como fatos individuais de ordem privada. Aí. velhice e violência sentido. ao mesmo tempo. Melhor dizendo. há um papel social que deve ser representado por aqueles que vivem uma situação já considerada socialmente como crise. constrói uma rede de significados que dá aos indivíduos.

1998a. crianças e mulheres. as mulheres. os velhos gozavam do prestígio da posse da memória e da experiência (BRITTO DA MOTTA. Entre eles temos sexo/gênero e idade/geração. velhice e violência Em diferentes sociedades e épocas. os muito jovens e os velhos socialmente invisíveis. mais recentemente. novos discursos sociais e movimentos sociais foram ouvidos/percebidos pelas ciências sociais. via de regra. tem sido diferenciado.   De acordo com Britto da Motta (2003). a partir dos anos 60/70. 1998b).   10 / 42 . nos movimentos estudantis e. no movimento de velhos (aposentados. ficando. com a crise de paradigmas científicos e a crise da reprodução do capitalismo. o tratamento social dado aos velhos. expressos no feminismo. vemos surgir novos sujeitos teóricos. assim como os comportamentos deles esperados. e os fatos históricos apontam que os privilégios tradicionalmente cabiam ao sexo masculino e à idade adulta plena. Somente em algumas culturas pré-capitalistas.Família. associações de idosos).

  A trajetória da família brasileira atual ocorreu num contexto de mudanças socioculturais e políticas. aceitação social do divórcio.) que merecem ser consideradas quando queremos compreender como se dão as relações dentro desse grupo social. lugar por excelência das emoções. E é na família. temos aqui o que Bourdieu (1983) aponta como aquilo que faz surgir os conflitos entre gerações: a disputa de poder. fazendo surgir novos modelos familiares derivados dessas mudanças sociais (baixa taxa de fecundidade. da privacidade e da intimidade. aumento da expectativa de vida. que os dramas individuais ocorrem fundamentalmente.Família. velhice e violência No momento em que os velhos se negam a obedecer ao lugar a eles reservado na divisão culturalmente atribuída de direitos e deveres por ciclos de vida. a respeitar os limites impostos pelo preconceito social. transformações nas relações de gênero etc. declínio da instituição do casamento.   11 / 42 .

realizando uma solidariedade familiar 12 / 42 . Dessa maneira. da escassez de programas sociais e da precariedade da saúde pública. a família encontra novas formas de estruturação. 2001). a família se reorganiza e encontra novas formas de relacionamento.   Como reflexo da omissão do Estado frente ao alto índice de desemprego e à má distribuição de renda.Família. só resta à família atuar de maneira mais direta e intensa na regulação das relações e nos apoios intergeracionais. da quase inexistência de políticas públicas voltadas para as questões sociais em geral e para as questões do envelhecimento populacional em particular. incorporando mudanças e novos padrões de comportamento quando em contato com uma realidade social. velhice e violência A família apresenta-se como o espaço onde se confrontam e se mesclam valores que privilegiam o indivíduo e valores que acentuam a importância do grupo social. repensando hierarquias sempre que uma situação de mudança social e individual envolva condições de vida difíceis e transições desenvolvimentais de seus membros (BASTOS. possuindo a capacidade de reorganizar-se e enfrentar os constantes desafios que encontra na sociedade. Por meio de mecanismos de reação e adaptação às circunstâncias históricas.

um dos filhos adultos vem com a família morar com eles como forma de baratear os custos habitacionais e garantindo os cuidados às crianças e a outros dependentes. 1995. 1995) afirmem que as ajudas se dão com mais intensidade das gerações ascendentes para as descendentes.Família. embora estudos (CAMARANO. produz uma transformação no campo da família e nos processos de filiação. ou mesmo dos avós para os netos. os idosos e os desempregados (PEIXOTO. com o aumento de famílias nas quais coexistem três e mesmo quatro gerações. comum nas regiões urbanas brasileiras. ATTIAS-DONFUT. 13 / 42 . com os velhos passando a viver na casa de um dos filhos ou. 2004). velhice e violência importante e diversificada na sociedade brasileira. em que os apoios se efetuam em função da situação social de seus atores. se são proprietários de uma casa. então.   A solidariedade familiar.. o que termina por favorecer uma expansão do núcleo familiar. como os adolescentes. ou seja. que são aqueles que não estão inseridos ativamente no mercado de trabalho. dos pais para os filhos. Fica claro. 2004. que a coabitação pode vir a beneficiar tanto as gerações mais novas quanto as mais velhas. BAWIN-LEGORS et all.

ao mesmo tempo.   14 / 42 . A proximidade geográfica ou mesmo a coabitação são elementos importantes no desenvolvimento da solidariedade familiar e favorecem a construção de verdadeiros laços entre pais. ajuda no cuidado dos netos etc. Por outro lado. e as denúncias de violência contra os mais velhos comprovam que o fato dos idosos viverem com os filhos não é garantia da presença de respeito e de prestígio nem da ausência de maus-tratos e violência. intervenções na vida cotidiana. 2004). uma vez que os apoios se manifestam através de reciprocidades múltiplas: apoio econômico (pagamento de aluguel e estudos dos netos). filhos e netos. a geração de 50 a 60 anos. 97). velhice e violência Na medida em que a coexistência de várias gerações é um fenômeno cada vez mais freqüente. 2000. p. (PEIXOTO.Família. 1993). passa a enfrentar o que pode ser considerado um dos maiores desafios do novo século: cuidar. dos filhos e dos netos (DELBES E GAYMU. “o princípio de igualdade absoluta entre os indivíduos nas relações intergeracionais não corresponde à realidade das práticas familiares” (PEIXOTO. dos pais idosos. chamada por Attias-Donfut de geração “pivô”.

2001). Embora não seja um fenômeno exclusivamente urbano. amigos e vizinhos  (DEBERT. A violência vem sendo considerada como endêmica na sociedade brasileira e muitas são as explicações que as ciências de uma forma geral buscam para esse fenômeno. apontando a criminalidade como uma forma 15 / 42 . velhice e violência A sociedade brasileira caracteriza-se por um alto índice de violência familiar e. 1993). a violência vem assumindo maiores proporções nas relações sociais urbanas (MINAYO. não permitindo que fiquemos alheios ao papel que sempre desempenhou nos assuntos humanos (TAVARES DOS SANTOS. uma vez que atinge também a população do campo. que acompanha e integra a nossa vida. na década de 90. na década de 1980. sobretudo os trabalhadores. recai sempre sobre as mesmas vítimas . essa forma de violência apresenta-se nas estatísticas indicando que os crimes perpetrados por desconhecidos competem com aqueles cometidos por parentes. de acordo com Saffioti (1994). Ocupando. 1999). um lugar cada vez maior na mídia impressa e eletrônica. crianças ou velhos – o que deve ser considerado a fim de que se possa compreender a sua rotinização. através de suas diversas expressões.Família.mulheres. Os estudos sobre a violência urbana surgiram no início do processo de globalização.

a violência passa a ser objeto de reflexão de várias áreas do saber. 1994. ou a relação entre a possível fragmentação social e cultural do espaço urbano como efeito social e da crise de governabilidade. por desencadear um temor generalizado entre as pessoas. mas também apontando uma relação entre a violência do Estado e a estigmatização social dessas populações. que atinge indiscriminadamente (MINAYO. fenômeno cujas facetas são objeto de apreensão no cotidiano. as manifestações urbanas da criminalidade violenta. a disseminação da violência nas relações sociais e no cotidiano da sociedade brasileira 16 / 42 . e. 1994. TAVARES DOS SANTOS. pelo papel que assume diante do número de vítimas (entre eles idosos). MINAYO. Com o aumento da violência na década de 1990. MACHADO. 1999) buscam identificar as características sociais das populações envolvidas na violência urbana. o destino dos jovens das classes populares neste contexto. 1993).   Para Tavares dos Santos (1999).Família. 1994. velhice e violência de ganhar a vida pelas populações marginais das cidades. Vários trabalhos (ZALUAR.

encaixando-se em ideologias vigentes na sociedade e atingindo grupos sociais diversos. Para compreender esse fenômeno. os diversos tipos de violência constituem uma rede intrincada e complexa. rompendo o binômio vítima/algoz. constituem-se novas formas de violência. Ao perpassar as várias fases da vida e se instaurar nas mais variadas relações humanas. de classes e intergeracionais (MINAYO. velhice e violência termina por acarretar o esgotamento do sujeito político e por dilacerar a cidadania. expressas pelo crime organizado. nas relações domésticas. a violência doméstica. em um contexto de precarização das relações de trabalho. indicando as limitações do sujeito político neste final de século (TAVARES DOS SANTOS. de gênero. Juntos. Todos são afetados pela fonte comum de uma estrutura social desigual e injusta. certas práticas dos grupos de jovens. na qual todos (cada um a seu modo) são vítimas e autores ao mesmo tempo.Família. Suas formas específicas de expressão aparecem em todas as regiões do país e nos diversos grupos sociais. os quais se expressam no interior das instituições. é preciso que se entenda os atores envolvidos nas cenas de violência. 1993). A violência difusa na sociedade contemporânea assume contornos socioculturais. que alimenta e mantém ativos os focos específicos de violência. 17 / 42 . 1999).

pelo aumento da pobreza e pela proliferação dos racismos. colocando à margem da sociedade grupos. as relações de dominação política e a disseminação da violência simbólica. p. percebidos no imaginário popular como não dignos dos benefícios que recebem. Ou melhor.. velhice e violência Podemos apontar as raízes autoritárias da nossa sociedade.] as práticas de violência como norma social particular de amplos grupos da sociedade. que não pode ser considerada apenas como uma força exterior aos indivíduos.Família. A violência está inserida. Vemos a reprodução de um modo de produção da exclusão social expresso pelas altas taxas de desemprego.18).” (TAVARES DOS SANTOS. e trazendo ônus para aqueles que se julgam os únicos cidadãos. que terminam por produzir “[. pois permanecem as relações de exploração econômica.. a freqüente violação dos direitos humanos e a exclusão moral como responsáveis pelo crescimento da violência no país. como os idosos. 18 / 42 . presentes em múltiplas dimensões da violência social e política contemporânea. No Brasil. cotidianamente. é fácil observarmos a não-abrangência dos princípios de justiça a todos os cidadãos. Tavares dos Santos (1999) afirma que a questão social do século XX não foi resolvida. além dos constantes processos de exclusão. a violência deve ser considerada dentro do contexto histórico. 1999. mas como força que a eles se impõe. nas relações sociais de tal forma. não podendo ser estudada fora do contexto da sociedade que a produziu.

para entendermos a violência na atualidade. a exclusão moral. colocando em xeque elementos básicos da vida social. CH   AVEZ.Família. é importante levarmos em conta que nas sociedades modernas predomina. nas consciências sociais. que acompanha os avanços tecnológicos. porque são mais frágeis (CIMIERI. os velhos. WOLF. são vítimas preferenciais. a violência familiar contra idosos aparece sempre em primeiro lugar quando comparada com 19 / 42 . 199). assim como as crianças e mulheres. como no caso dos idosos. a violação dos direitos humanos. Em entrevista à Folha de São Paulo. a violência “naturalizada”. e acrescentaria. 1999. como a opressão dos poderosos sobre os fracos. Gilberto Velho considera especialmente a violência contra os idosos como um sinal de avanço da violência de maneira mais ampla. o conceito de violência criminal que serve para ocultar outras formas insidiosas de violência. Na maioria dos estudos internacionais (GASTRÓN. velhice e violência Minayo (1997) afirma que. 2005). na medida em que barreiras sociais antes existentes – como o respeito aos mais velhos – são rompidas. 2002. Para o antropólogo.

como a negligência social difusa. a violência institucional ou a violência do trânsito etc. uma violência do tipo estrutural. Podemos distinguir. cujas manifestações mais fortes configuram-se na violência doméstica. cada vez mais presentes nas sinaleiras das grandes metrópoles. uma violência social. “Eu preciso levar alguma coisa pra casa porque o dinheiro da minha aposentadoria já acabou e se faltar comida meu filho me agride. velhice e violência outras formas de violência. na qual os idosos são vítimas preferenciais. acaba sendo percebida pelos atores sociais como algo “natural” (COHIN. Ele está desempregado e bebe todos os dias” . econômicas e sociais e. A violência estrutural incide sobre as condições de vida das pessoas.   20 / 42 . a partir de decisões históricas. cujas expressões mais fortes são os idosos. no Brasil. por possuir um caráter de perenidade. 2001).Família.

entre outros aspectos. a organização doméstico-familiar. a diversidade de trajetórias de vida desses sujeitos. Em termos mais qualitativos.Família. ainda são poucos os estudos que se propõem a investigar o fenômeno da violência relacionado às questões do envelhecimento..] por pressões 21 / 42 . apenas este realizado no Estado da Bahia. Podemos citar os trabalhos de Minayo (2003). observamos que. velhice e violência Entretanto.. é importante conhecermos se [. Para Camarano et al (2004. entre outros fatores. Ibias e Grossi (2001). as formas como as relações intergeracionais influenciam suas relações objetivas e subjetivas com a sociedade. no Brasil. particularmente no que se refere a sua incidência nas famílias contemporâneas. p. a possibilidade de realização de projetos pessoais... 145). seus vínculos interpessoais.] do ponto de vista dos idosos os arranjos familiares predominantes estão refletindo as suas preferências ou se são resultado de uma “solidariedade imposta” [. o que significa compreender. Menezes (1999). (1998). menos ainda se conhece acerca de como o envelhecimento tem sido vivenciado por esse segmento populacional quando se faz necessário compartilhar espaço e experiência com outras gerações. Souza et al. Figueiredo (1998) e Garrido (2004).

na medida em que preconceitos sejam quebrados. que a atualização em termos de padrões e normas sociais. No entanto.] pois este pode ser um elemento desencadeador de insatisfações e violência doméstica. seja contra mulheres. velhice e violência econômicas. 22 / 42 . também..Família. A sociedade brasileira caracteriza-se por um alto índice de violência familiar. crianças ou velhos. isto porque o desejo de viver passa. permitindo-lhe o deslocamento do lugar de passividade para o de ser participativo na sociedade. seja da parte de seus filhos [. sociais e/ou de saúde. tem papel fundamental em sua vida. assim como a revisão em relação aos novos conhecimentos seja possível. pela possibilidade de ser produtivo e de manter o processo social.. assim como a interação do idoso com aqueles com quem compartilha o seu dia-a-dia. A qualidade do ambiente familiar. seja de sua parte. parecem ser marcadas pelo conflito e pela violência. no mais das vezes. as relações intergeracionais.   A relação com membros das gerações mais jovens tem um papel fundamental no resgate da auto-estima pelo idoso.

prevalecem. crime e ausência de direitos individuais.74). em muitos casos. que tem como um dos objetivos o combate à violência e aos maus-tratos contra idosos (Plano Combate Violência a idoso.” (DEBERT. A violência contra o idoso é um fenômeno que se encontra presente em nossa sociedade há muito tempo. deixa de ser vista como o espaço de proteção e cuidado. p. amigos e vizinhos  (DEBERT. A família. dentre elas a Delegacia de Proteção de Idoso. Jornal A TARDE. porém foi com a criação das delegacias especiais de polícia. Caderno Nacional. que este fenômeno ocupou maior visibilidade social. 2001). 13-14. não se constituindo em algo recente. 28/09/04). 2001. velhice e violência ocupando. na década de 90. 23 / 42 . com as estatísticas indicando que os crimes perpetrados por desconhecidos competem com aqueles cometidos por parentes. p.Família. então. levando o governo federal a preparar o lançamento do Plano Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Pessoa Idosa. um lugar cada vez maior na mídia impressa e eletrônica. “O lar é o espaço onde as mulheres e as crianças [assim como os velhos] correm maior risco. abusos físico e emocional. para ocupar o lugar em que as relações de opressão.

Retomando Bourdieu (1983).tapas. contenção física. via de regra. que adverte para o fato de que aquilo que faz surgir os conflitos entre gerações é a disputa de poder. o (a) velho (a) é vítima. ao mesmo tempo. 24 / 42 . levando à necessidade de intervenção estatal. inspiradas nas Delegacias de Proteção à Mulher. empurrões. em 1991. esp ancamento. mas que. restando apenas uma no centro da cidade de São Paulo e outra no município de Guarulhos  (SINHORETTO. que se expandiram. verifica-se um aumento de casos de conflitos econômicos associados às relações familiares. tais como: • abusos físicos . velhice e violência Diante da impossibilidade do Estado em formular e sustentar políticas sociais. Foi nesse contexto que. surgiram as Delegacias Policiais de Proteção aos Idosos. a violência contra o velho é uma expressão de abuso de poder por membros da família e. ao contrário dessas. de vários tipos de violência. as primeiras tiveram suas atividades interrompidas. 2000).Família.

retirada do direito de participação na tomada de decisões a respeito de coisas do seu interesse. • abusos financeiros . • ideacional – violência das idéias que legitimam  a dominação.filhos que confiscam as aposentadorias dos pais. • abusos sexuais. velhice e violência • abusos psicológicos . omissão ou fracasso por parte do responsável pelo idoso em oferecer os cuidados de que ele necessita – provisão inadequada de medicamento. alimentação e cuidados médicos. 25 / 42 . infantilização do idoso (a). privação de informações.ameaças.recusa. indução do idoso a assinar documentos dando plenos poderes para compra. • negligências . humilhação constante. ou o uso inadequado do dinheiro da pensão para benefício próprio.Família. por exemplo. venda ou troca de bens e serviços. insultos.

na cozinha. que termina por provocar a ruptura do processo de identificação entre mães e filhas e por engendrar a disputa de poder no seio da família. ao se referir aos conflitos intergeracionais freqüentes no contexto familiar. Attias-Donfut (2004) particulariza os conflitos entre as gerações de mulheres e recorre ao conceito de matrofobia para qualificar os ataques das filhas contra suas mães.   Moro com minha única filha. Entre estes. enquanto eu fico sozinha. Agora. (hoje com mais de quarenta anos) mas as nossas relações são péssimas. fruto das transformações recentes dos estatutos e dos papéis das mulheres. velhice e violência não está presente permanentemente na consciência do idosos. temos duas geladeiras e dois fogões – eu não posso usar nada dela e tenho que fazer minha comida.Família.   26 / 42 . morando às minhas custas. Ela me agride de todas as formas. Ela fica na parte de cima da casa com o filho. mas encontra-se presente no pensamento do dominador. na parte de baixo .

57%. mas continuam a desenvolver atividades domésticas importantes nos contextos das famílias. sobretudo. além de idosas. são mulheres. mas. Outra explicação possível está no fato de que as mulheres envelhecem. no espaço doméstico. apesar disso. os homens que são abandonados por suas famílias. velhice e violência Um tipo de violência verificado com grande incidência nos últimos tempos pode ser qualificado como uma violência de gênero atingindo. 1994). muito mais fortes que a maioria dos homens.Família. Em artigo publicado no boletim do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais. incluindo aí desde a manutenção da casa até os cuidados com os netos. Sinhoretto (2000) informa a ocorrência de 1504 casos registrados na Delegacia de Proteção do Idoso da cidade de São Paulo. De acordo com as queixas. A primeira diz respeito ao vínculo que normalmente as mulheres estabelecem com seus filhos. 27 / 42 . no período de 1991 a 1998. para se proteger a sacralidade da família. Das 1559 vítimas. perpetuando-se a idéia de que devem temer os desconhecidos (SAFFIOTI. os episódios de violência contra mulheres idosas ocorrem. não se preparam as mulheres. para temerem seus próprios parentes. e acrescentaria os idosos e as crianças. A explicação para tal fenômeno pode se dar por duas vias.

netos ou cônjuges (40%) e outros familiares (7%).   Pesquisa semelhante. aponta que os chamados “conflitos domésticos” correspondem a quase metade das ocorrências registradas na Delegacia de Proteção ao Idoso. Outro dado revelado pela pesquisa aponta que 7 em cada 10 ocorrências encontram-se relacionadas à violência doméstica ou entre vizinhos. Dentre os motivos alegados para tais conflitos. no dia 31 de julho de 2006. principalmente. e podem ser classificadas como violência física ou psicológica. filhos. ao fato de que a mulher. Em Salvador. e ultrapassam os conflitos com vizinhos. 2001). familiares ou vizinhos das vítimas. e dificuldades econômicas das famílias em sustentá-los. foi inaugurada a primeira Delegacia de Proteção ao Idoso do norte e do nordeste. netos. já que sobrevive cerca de seis anos aos homens. envolvendo. velhice e violência Ainda de acordo com a pesquisa de Sinhoretto (2000). na maioria. tem grande possibilidade de estar viúva. entre outras (IBIAS E GROSSI. filhos.Família. Vinculada à Secretaria de Crimes Contra a Vida da 28 / 42 . os agressores são. Saffioti (1994) atribui ao reduzido número de queixas de mulheres idosas contra seus maridos. identificou-se a disputa pelos bens dos idosos. com 50 anos ou mais. homens (57%). realizada em Porto Alegre em 1999.

e. De acordo com dados estatísticos. e tiveram noções sobre como tratar os idosos. seguidas dos constrangimentos (10.4%).   29 / 42 . Durante o ano de 2006 foram registradas 1440 denúncias de maus tratos contra a pessoa idosa. em setembro de 2008. Os agentes participaram de um curso de 12 horas para conhecer o Estatuto do Idoso.  Dentre as queixas registradas. em 18 dias 136 denúncias. maus tratos (4. 639 denúncias. em apenas sete dias foram registradas 54 denúncias.Família. estelionato. Em 2007. apropriação indevida e abandono. Os dados apresentados pela Delegacia de Proteção ao Idoso de Salvador não deixam dúvidas em relação ao crescimento do número de idosos vítimas de violência.937 e. destacam-se as ameaças. com 34%. Na tabela abaixo é possível visualizar os tipos de agressões mais freqüentes a que são submetidos os idosos moradores de Salvador.3 %). a Delegacia de Proteção ao Idoso de Salvador funciona 24 horas e possui um microônibus a cada 40 minutos. furtos (5. lesões corporais (4. esse número aumentou para 2. priorizando-as. em oito dias já eram 70 denúncias. 210 queixas. à disposição dos idosos. em 28 dias. já somam 1826. velhice e violência Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia.4 %). em 22 de setembro do mesmo ano.1 %). saber como tratar as ocorrências.

velhice e violência INFRAÇÃO PENAL (OCORRÊNCIAS DELITUOSAS) FREQÜÊNCIA AMEAÇA 344 APROPRIAÇÃO INDÉBITA 08 CÁRCERE PRIVADO 02 CONSTRANGIMENTO 23 DANO 19 DIFAMAÇÃO 17 ESTATUTO DO IDOSO 329 ESTELIONATO 42 FURTO QUALIFICADO 06 FURTO SIMPLES 64 HOMICÍDIO 01 INJÚRIA 111 INVASÃO DOMICILIAR 04 LESÃO CORPORAL 128 MAUS TRATOS 33 OUTRAS OCORRÊNCIAS DELITUOSAS 98 PERTURBAÇÃO DA TRANQÜILIDADE 44 ROUBO QUALIFICADO 02 ROUBO SIMPLES 13 VIAS DE FATO 03 30 / 42 .Família.

velhice e violência O perfil dos agressores dos idosos de Salvador é muito semelhante ao apontado pela Delegacia de Proteção ao Idoso de São Paulo. corretor. esposo (a) (4.8%). ex-companheiro(a) (10. netos (10. As queixas contra estranhos representam um total de 3% (agiota.6%).8%). com 50% dos casos. seguidos pela família. e os vizinhos ocupam lugar de destaque. locador. inquilino). Saffioti (1994) alerta para o equívoco de se considerar a crise econômica e o alcoolismo como causas da violência no contexto familiar. outros (12.Família. com 47% (filhos (61. motorista. Ao se referir à violência contra a mulher.2). esses fatores funcionam. uma vez que a família. as Delegacias de proteção ao Idoso. De forma geral. registram a dificuldade que as vítimas enfrentam para romper com o silêncio. também pode oferecer momentos de carinho e 31 / 42 . assim como as Delegacias de Proteção à Mulher. Segundo a autora.6). como meros desencadeadores da violência que já se encontra contida nas relações e que se encontra respaldada pela assimetria contida na estruturação da sociedade. militar. apontando como possíveis causas o medo de institucionalização permanente que resultaria na perda de todo o contato familiar. na verdade. ao mesmo tempo em que oprime.

2001). 2001). sua punição. medo de não ser acreditado(a) e. seja para fins de arquivamento. 32 / 42 . muitas vezes o filho ou neto. que deve. 1994.] que. (. a mera apresentação da queixa em uma delegacia e uma advertência séria sofrida pelo agressor por parte da autoridade policial conseguem cessar a violência. Na maioria das vezes. velhice e violência proteção. crença de que é um estorvo social para a família ou para a sociedade. seja para instauração do processo-crime (SAFFIOTI. realizar o inquérito e remetê-lo ao judiciário..Família.. o pedido do idoso é para que a polícia dê “apenas um susto” ou “uma advertência” ao acusado (DEBERT. por obrigação legal. conseqüência da estigmatização social relacionada ao velho (IBIAS E GROSSI. rotulado(a) de demente e senil. portanto. conseqüentemente. Outro fato verificado com freqüência é o sentimento de culpa revelado pelo(a) velho(a) ao denunciar o agressor. perdendo toda a independência. levando as vítimas a não concluírem os processos contra seus agressores. Sabe-se [. advertir não constitui tarefa da polícia. p. em alguns casos. 170).) Ademais. sentimentos de vergonha e humilhação pelo ocorrido.. impedindo..

a partir de agora as vítimas. a pena de detenção que era de seis meses a um ano. não vão poder pedir mais que as investigações sejam interrompidas. as medidas que variam conforme cada caso devem ser determinadas pelo juiz em até 33 / 42 . Com a nova legislação. elas só podem renunciar à denúncia perante o juiz. As mudanças trazidas com a assinatura dessa lei são: os agressores deixam de pagar multas ou cesta básica. A Lei da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher tira dos juizados especiais criminais a competência para julgar este tipo de crime. da Lei da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher.Família. a grande maioria dos casos de violência contra a mulher. assim como contra o idoso. a partir do dia 08 de agosto de 2006 esse quadro muda radicalmente com a assinatura. além de caracterizar a violência psicológica como forma de violência. que muitas vezes sucumbiam ao pedido de perdão dos maridos – agressores. com o agressor recebendo como pena o pagamento de uma cesta básica ou a realização de um serviço voluntário. passa a ser de três meses a três anos. instituindo a criação de juizados especiais de violência doméstica e familiar contra a mulher com competência cível e criminal para abranger todas as questões. a nova lei tipifica a violência doméstica e familiar contra a mulher como uma das formas de violação dos direitos humanos. velhice e violência Se antes. pelo presidente da república Luiz Inácio Lula da Silva. era julgada em juizados especiais para atender às “causas civis de menor poder ofensivo”.

ao abordá-lo. a ignorância ou o interesse ideologicamente camuflados. é um deles. velhice e violência 48 horas e vão desde a saída do agressor do domicílio. criando-se a referida “conspiração do silêncio” (FIGUEIREDO. Alguns são os mitos que colaboram para a manutenção do fenômeno da violência contra o(a) idoso(a). transformando esse tema em “maldito”. mas que é utilizada como espaço de tortura de seres incapazes de se defender (COHIN. 34 / 42 . “resolvidas” dentro e pela família. perpetrando o desconhecimento. até o direito da mulher reaver seus bens e cancelar procurações conferidas ao agressor. que não querem invadir a privacidade do outro. Esse mito inibe a ação de profissionais.Família. 2001). O mito da casa como espaço privado. na medida em que as questões que envolvem esses eventos são. Investigar a violência doméstica não se constitui em tarefa de fácil execução. “garantindo” aos seus membros todas as ações neste contexto. parentes e vizinhos. em sua maioria. estaremos desvelando uma face que a família tem todo o interesse em manter oculta. na medida em que. secreto por excelência. 1998).

faz-se necessário que mais pesquisas se desenvolvam não apenas para denunciar a existência da violência familiar contra o (a) velho (a).   REFERÊNCIAS   ÁRIES. ou mal conhecida. mas para reconhecê-la. acaba por se configurar como mais uma forma de violência que opera no nível estrutural: a invisibilidade” (AZAMBUJA. 2005). pois. velhice e violência Apesar disso. identificar suas formas e propor formas de intervenções adequadas que protejam as vítimas de um sofrimento desnecessário. 1981. Philippe. que costuma vir acompanhada pelo descaso. História social da criança e da família. 35 / 42 .Família. ao se constituir “como uma realidade desconhecida. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos.

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