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BERNARDO PIMENTEL SOUZA

INTRODUÇÃO AO DIREITO PROCESSUAL CIVIL

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TOMO I TEORIA GERAL DO PROCESSO

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ESCORÇO HISTÓRICO DO DIREITO PROCESSUAL

1. AUTOTUTELA, AUTOCOMPOSIÇÃO, JURISDIÇÃO E ARBITRAGEM A vida em sociedade exige regras de conduta para boa convivência humana. À vista dos valores morais, religiosos, ideológicos, sociais e econômicos predominantes em cada tempo e lugar, exsurgem as regras de convivência humana que formam o direito regulador das pessoas, a ser aplicado para resolver os conflitos de interesses provenientes da vida em sociedade. Daí a conclusão: ubi societas ibi ius. Antes da regulação do direito pelo Estado, os conflitos entre as pessoas eram resolvidos pelos próprios litigantes, quer pela autotutela ou autodefesa, com a prevalência da força, quer pela autocomposição, com a resolução pacífica entre os próprios litigantes, na busca de um denominador comum que em parte satisfaça as pessoas em litígio. Com o gradativo fortalecimento do Estado ao longo dos séculos, surge a jurisdição, com a resolução dos conflitos interindividuais por juízes estatais. Além dos conflitos entre particulares, também os conflitos dos particulares com o próprio Estado passam a ser resolvidos por juízes estatais, com a aplicação imperativa das regras gerais e abstratas aos conflitos de interesse. A jurisdição estatal passa a ser a principal forma de resolução dos conflitos em geral, por meio do processo. Daí a conclusão: o processo é meio pelo qual o Estado, por intermédio dos respectivos juízes, realiza a prestação jurisdicional, com a aplicação imperativa das regras gerais e abstratas aos casos concretos, com a resolução dos conflitos de interesse. Por conseguinte, a autotutela passa a ser exceção, somente para hipóteses específicas previstas em lei, como nos casos dos artigos 578, 644, 1.210, § 1º, 1.219, 1.283, 1.433, inciso II, e 1.434, todos do Código Civil. A regra, sem dúvida, é a vedação da autotutela, a qual chega a ser tipificada como crime, nos termos dos artigos 345 e 350 do Código Penal brasileiro. Já a autocomposição subsiste e é até incentivada pelo Estado, como forma alternativa de resolução de conflitos interindividuais de cunho patrimonial pelos próprios litigantes, como bem revelam os artigos 125, inciso IV, 269, inciso III, 331, 342, 447 e 448, todos do Código de Processo Civil. Além da autocomposição, o Estado também reconhece e incentiva a arbitragem, como moderna forma de resolução de conflitos interindividuais de cunho patrimonial, por um ou mais árbitros escolhidos pelas próprias pessoas em litígio, como bem revela o artigo 1º da Lei n. 9.307, de 1996, in verbis: “Art. 1º As

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pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais disponíveis”. A jurisdição estatal, portanto, é a principal forma de resolução de conflitos, mas não é a única possível, até mesmo em razão do incentivo que o próprio Estado confere à autocomposição e à arbitragem, como formas alternativas de solução de conflitos. 2. EVOLUÇÃO DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL A história do direito processual pode ser dividida em três etapas ou fases1: imanentista ou sincrética; científica ou autonomista; e instrumentalista ou contemporânea. A primeira fase da evolução do direito processual é denominada “imanentista” ou “sincrética”, e tem como característica principal a falta de autonomia científica do direito processual, o qual ainda está vinculado ao direito material, considerado direito substantivo, enquanto o direito processual é mero complemento. Daí a justificativa para a denominação de “direito adjetivo” para o primitivo direito processual. A primeira etapa também é marcada pela limitação do estudo do procedimento, pelos denominados “praxistas”. A segunda fase da evolução do direito processual é denominada “científica” ou “autonomista”, porquanto marca a desvinculação do direito processual do direito material, com a consequente autonomia do direito processual, o qual passa ser considerado ramo autônomo do direito público. Vislumbra-se a existência da relação jurídica, consubstanciada nos direitos e deveres dos sujeitos daquela: autor, Estado-juiz e réu. As bases científicas dos principais institutos jurídicos do direito processual (quais sejam, a jurisdição, o processo e a ação) são firmadas durante a segunda etapa, a qual tem como ponto de partida o ano de 1868, com a publicação da obra “A teoria das exceções processuais e os pressupostos processuais”, de Oskar Von Bülow. Fixadas as bases científicas do direito processual, há um novo marco na linha evolutiva do direito processual, a partir das últimas décadas do Século XX, em virtude da valorização do binômio celeridade-efetividade, principal característica da fase instrumentalista ou contemporânea. Em virtude do atual estágio do direito processual, houve até mesmo a inserção de um novo inciso no artigo 5º da Constituição brasileira, para garantir aos jurisdicionados em geral “a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação”. Sem dúvida, o inciso LXXVIII é fruto da evolução do direito processual

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Cf. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Lições de direito processual civil. Volume I, 15ª ed., 2006, p. 8; CÁSSIO SCARPINELA BUENO. Curso sistematizado de direito processual civil. Volume I, 2ª ed., 2008, p. 41.

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e revela a moderna preocupação com a celeridade e com a efetividade da prestação jurisdicional. 3. EVOLUÇÃO DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL BRASILEIRO Durante o período denominado “Brasil Colônia”, vale dizer, do descobrimento, em 1500, até o advento da independência, em 1822, incidiam as Ordenações Afonsinas, de 1456, Manuelinas, de 1521, e Filipinas, de 1603, cujas regras processuais tinham forte influência do direito romano e do direito canônico, fontes remotas do direito português e, por consequência, do direito brasileiro2. Com o advento da independência, em 1822, não houve a imediata recusa da aplicabilidade da legislação portuguesa no Brasil. Aliás, o artigo 1º do Decreto de 20 de outubro de 1823 consagrou a subsistência da aplicabilidade das Ordenações Filipinas, até a superveniência dos códigos e das leis brasileiras. Após o Código Criminal de 1830, foi elaborado o Código de Processo Criminal de 1832, o qual também continha disposições transitórias de natureza processual civil3. Com a superveniência do Código Comercial de 1850, regulamentado pelo denominado “Regulamento 737”, de 25 de novembro de 1850, surge o diploma que é considerado o primeiro código de cunho processual civil do Brasil, a despeito da inicial destinação ao “processo comercial”. Em 1876, o Professor Antônio Joaquim Ribas elabora a denominada “Consolidação Ribas”, verdadeira consolidação das leis processuais civis, com força de lei, por resolução imperial. Com o advento da República, em 1889, houve a extensão do Regulamento 737 às causas cíveis, por força do Decreto 763, de 16 de setembro de 1890. Logo em seguida, a Constituição Republicana de 1891 conferiu competência aos Estados-membros para legislarem sobre direito processual. Em 21 de agosto de 1915, há o advento do Código de Processo Civil da Bahia, considerado pela doutrina4 um dos mais técnicos e evoluídos da época, ao lado do
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De acordo, na doutrina: “– As Ordenações tratavam do Direito Civil, Penal, Processual e das leis relativas à Jurisdição da Igreja. As Ordenações Afonsinas (1446 a 1521), criadas por Dom Afonso V, constituíram-se no primeiro código de leis que teve Portugal, sendo compilações dos direitos romano, germânico e canônico. As Manuelinas, promulgadas por Dom Manuel I, vigoraram de 1521 a 1603. Compreendiam a matéria consolidada anteriormente – com algumas alterações provenientes de leis especiais – buscando sua desvinculação do direito romano. As Filipinas, outorgadas por Filipe II, foram publicadas em 1603 e vigoraram em Portugal até 1868. No Brasil sua vigência foi prorrogada até 31.12.1916, já que em 1º.01.1917 iniciou-se a era do nosso Código Civil.” (FLAVIO PANCARO DA SILVA. Prólogo da 2ª edição. GALENO LACERDA. Despacho Saneador. 1985, VII, nota 1, sem o grifo no original). 3 Cf. OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. Teoria geral do processo civil. 3ª ed., 2002, p. 29, n. 14. 4 Cf. ANTONIO CARLOS DE ARAÚJO CINTRA, ADA PELLEGRINI GRINOVER e CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. Teoria geral do processo. 25ª ed., 2009, p. 114: “Merecem realce especial, por refletirem o espírito renovador e o pensamento científico que animara a doutrina do processo na Alemanha e na Itália, os Códigos de Processo Civil da Bahia e de São Paulo”.

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Código de Processo Civil de São Paulo. Já em 7 de setembro de 1922, surge o Código de Processo Civil de Minas Gerais, de autoria do eminente Ministro Arthur Ribeiro de Oliveira, do Supremo Tribunal Federal. Também merece registro o Código de Processo Civil do Distrito Federal, de 1924. Foram muitos, portanto, os códigos locais, até o advento da Constituição de 1934, por força da qual houve a unificação da competência legislativa em prol da União5. Na mesma esteira, a Carta de 1937 preservou a competência privativa da União para legislar sobre direito processual6. À vista da Constituição de 1934 e da posterior Carta de 1937, o Advogado Pedro Batista Martins redigiu o anteprojeto que deu origem ao Código de Processo Civil unitário de 1939, cujo artigo 1º consagrava a incidência do diploma tanto em relação às causas cíveis quanto às causas comerciais: “Art. 1º O processo civil e comercial, em todo o território brasileiro, reger-se-á por este Código, salvo o dos feitos por ele não regulados, que constituam objeto de lei especial”. Em 1964, o Professor Alfredo Buzaid elabora o anteprojeto de Código de Processo Civil. Anos mais tarde, na qualidade de Ministro da Justiça, o Professor Buzaid apresenta o projeto de Código de Processo Civil, o qual é sancionado em 1973, e entra em vigor no dia 1º de janeiro de 1974. É o Código de Processo Civil vigente, com muitas e significativas alterações por leis posteriores, as quais, pela quantidade e pela profundidade das modificações, prejudicaram tanto a unidade quanto a sistematização do denominado “Código Buzaid”. Por fim, em 2009, o Presidente do Senado constituiu uma Comissão de Juristas, para a elaboração de um novo Código de Processo Civil, sob a presidência do Ministro Luiz Fux, do Superior Tribunal de Justiça.

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“Art 5º - Compete privativamente à União: omissis; XIX - legislar sobre: a) direito penal, comercial, civil, aéreo e processual, registros públicos e juntas comerciais;” (sem o grifo no original). 6 “Art 16 - Compete privativamente à União o poder de legislar sobre as seguintes matérias: omissis; XVI - o direito civil, o direito comercial, o direito aéreo, o direito operário, o direito penal e o direito processual;” (sem o grifo no original).

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DIREITO PROCESSUAL CIVIL E RAMOS DO DIREITO 1. CONCEITO O direito processual é o ramo autônomo do direito público que versa sobre a prestação da jurisdição pelo Poder Judiciário, por meio do processo. Trata-se de ramo do direito público, porquanto o processo é o instrumento da jurisdição, função típica de um dos Poderes do Estado: Poder Judiciário. Já o direito processual civil é o sub-ramo do direito processual que versa sobre a relação processual proveniente de conflitos de interesses cíveis, assim entendidos todos os litígios oriundos das relações jurídicas de direito civil, direito comercial7 (ou, na linguagem mais moderna, direito empresarial8), direito administrativo, direito tributário, direito agrário, direito ambiental, direito previdenciário, direito do consumidor, enfim, de todos os ramos de direito material não submetidos a algum dos sub-ramos específicos9 do direito processual10. 2. ESCOPO O escopo do direito processual é a resolução de conflitos de interesses entre particulares e entre os mesmos e o Estado, à vista do direito material de regência, com a consequente prolação de decisão judicial que contenha a norma concreta aplicável à espécie sob julgamento do Poder Judiciário11. 3. OBJETO
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E respectivos sub-ramos: direito societário, direito cambiário e direito falimentar. É certo que o inciso I do artigo 22 da vigente Constituição de 1988 consagra a tradicional denominação “Direito Comercial”. Não obstante, a designação “Direito Empresarial” ganhou força com o advento do Código de 2002, em razão da inclusão de um livro específico acerca “DO DIREITO DE EMPRESA” no novo Código Civil pátrio. Daí a preferência pela nova expressão “Direito Empresarial”, a qual é mais ampla do que a expressão constitucional “Direito Comercial”, porquanto o empresário não é só o comerciante, mas também o fabricante-industrial e o prestador de serviços. Assim, na doutrina: “Com a adoção da Teoria da Empresa pelo ordenamento jurídico nacional, a nosso juízo, é induvidoso que doravante o Direito Comercial, definitivamente, deverá ser denominado de Direito Empresarial, porquanto, na atualidade, o Direito Comercial não mais estará voltado ao então comerciante, do Código da França, de 1807, que praticava atos de comércio, mas sim ao empresário individual ou coletivo, com a constituição da sociedade empresária, na visão contemporânea do Código italiano, de 1942.” (LUIZ ANTONIO GUERRA. Teoria geral dos títulos de crédito e institutos conexos. 2007, p. 28). 9 São sub-ramos específicos do direito processual: o direito processual penal, o direito processual do trabalho, o direito processual eleitoral e o direito processual militar. 10 A propósito, vale conferir a autorizada lição do saudoso Professor CELSO AGRÍCOLA BARBI: “O art. 1º ora comentado não reproduz essa menção expressa ao processo comercial. Mas deve-se entender que o Código se aplica também às causas comerciais, isto dada a tradição do nosso direito desde 1890, ao fato de não ter sido editado um Código para o processo comercial, e a falta de disposição que mantivesse o Código de 1939 apenas para as causas comerciais. Aplica-se ele, portanto, às causas comerciais e às causas cíveis, entendidas estas como abrangendo às de direito civil, administrativo, agrário etc., para as quais as leis não tenham previsto processo diferente.” (Comentários ao Código de Processo Civil. Volume I, 10ª ed., 1996, p. 10, n. 2). 11 Vale dizer, pelo Estado-juiz.

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O objeto do direito processual reside nos princípios e nas normas jurídicas de regência do processo enquanto meio de resolução de conflitos de interesses pelo Poder Judiciário. 4. CONTEÚDO No que tange ao conteúdo, o direito processual versa, a um só tempo12, sobre normas de organização judiciária13, de competência14, de procedimento15, e de direitos, deveres, ônus e faculdades provenientes da relação jurídica processual. 5. UNIDADE E DIVISÕES DO DIREITO PROCESSUAL À vista do inciso I do artigo 22 da Constituição Federal, constata-se que o direito processual é, a um só tempo, autônomo em relação aos demais ramos do direito, mas é uno em si mesmo. Com efeito, não há no preceito constitucional a divisão do direito processual em civil, penal, eleitoral e do trabalho, tal como se dá com o direito material16. Não obstante, para fins acadêmicos e curriculares, o direito processual é dividido em sub-ramos, tendo em vista os diferentes campos de incidência em relação ao direito material e a existência de diplomas de regência específicos: Código de Processo Civil, Código de Processo Penal, Código Eleitoral e Consolidação das Leis do Trabalho. Daí a justificativa para a moderna divisão do direito processual em direito processual civil, direito processual penal, direito processual eleitoral e direito processual do trabalho, respectivamente. Trata-se, entretanto, de classificação com finalidades apenas acadêmicas e curriculares, porquanto, tal como previsto no inciso I do artigo 22 da Constituição Federal, o direito processual é uno, até mesmo por ser o instrumento da jurisdição, a qual também é una, como função estatal de aplicação do direito material aos conflitos de interesses. Tanto que os artigos 3º, 126 e 769 dos Códigos de Processo Penal e Civil, e da Consolidação das Leis do Trabalho, respectivamente,

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Assim, na doutrina: JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. Teoria geral do processo. 10ª ed., 2009, p. 25 e 26. 13 Com destaque para as normas previstas na Constituição Federal. 14 Distribuídas na Constituição Federal e nos Códigos de Processo Civil e Penal, no Código Eleitoral e na Consolidação das Leis do Trabalho. 15 Vale dizer, rito. 16 Com outra opinião, todavia, há autorizada doutrina: FÁBIO GOMES. Teoria geral do processo civil. 3ª ed., 2002, p. 38 e 40: “Não convencem, entretanto, as razões alinhadas em prol da construção de um conceito unitário, bem como da elaboração de uma teoria geral adequada tanto ao processo civil como ao processo penal.” (p. 38). “O direito processual civil, como o direito processual penal, juntamente com todos os demais ramos da ciência jurídica, constituem uma vasta unidade, um conjunto harmônico de normas coordenadas, cuja independência, entretanto, deve ser respeitada.” (p. 40).

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autorizam a incidência subsidiária dos preceitos específicos, em homenagem à unidade do processo17. 6. RELAÇÕES COM OS DEMAIS RAMOS DO DIREITO A despeito da autonomia científica, o direito processual mantém fortes laços com outros tantos ramos do direito. Em primeiro lugar, o direito processual relaciona-se com o direito constitucional. Os órgãos judiciários que realizam a prestação jurisdicional por meio do processo residem nos artigos 92 a 126 da Constituição Federal. É também na Constituição Federal que são encontrados os princípios norteadores do Direito Processual Civil, especialmente no artigo 5º, caput e incisos I, XXXV, XXXVI, LIV, LV, LXXIV e LXXVIII. A Constituição Federal também arrola as competências dos juízos e tribunais judiciários para o processamento e julgamento das ações e dos recursos processuais. Com efeito, a Constituição consagra as denominadas “ações constitucionais”18 quanto os “recursos constitucionais”19, com destacada importância em relação aos demais. Em segundo lugar, o direito processual relaciona-se com o direito civil, porquanto as causas cíveis são processadas e julgadas com a observância das normas processuais, com a aplicação das normas de direito civil para a resolução dos conflitos de interesses. Ademais, o direito processual recorre ao direito civil para fixar a capacidade de ser parte20, a capacidade processual21 e até a capacidade postulatória22. Outro exemplo da interdependência do direito processual com o direito civil reside na combinação do artigo 70, inciso I, do Código de Processo Civil, com o artigo 456 do Código Civil, porquanto a evicção é tradicional hipótese de admissibilidade de denunciação da lide. Ainda em relação ao direito privado, também há forte vínculo entre o direito processual e o direito comercial23. Sem dúvida, o direito processual civil e o direito

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De acordo, na doutrina: “Há uma divisão mais geral do direito processual em processual civil e processual penal, mas ninguém duvida da existência de uma unidade processual, tanto que hoje muitos códigos processuais englobam matéria penal e civil, como acontece com o Código Canônico, o Sueco, o do Panamá e o Honduras. Essa divisão em processual civil ou penal apenas visa a facilidade de trabalhos, sem se perder o caráter unitário do processo.” (ANTONIO RAPHAEL SILVA SALVADOR. Teoria geral do processo civil. 2005, p. 21 e 22). 18 Cf. artigo 5º, LXVIII, LXIX, LXX, LXXI, LXXII, e LXXIII, da Constituição Federal. 19 Cf. artigos 102, incisos I, II e III, 105, inciso I, II e III, e 108, todos da Constituição Federal. 20 Cf. artigos 1º, 2º e 6º, todos do Código Civil. 21 Cf. artigos 7º, 8º e 12, todos do Código de Processo Civil, combinados com os artigos 3º, 4º e 5º, todos do Código Civil. 22 Cf. artigo 692 do Código Civil. 23 Daí a precisa conclusão do Professor VICENTE GRECO FILHO: “O campo de atuação do direito processual civil, por conseguinte, não se limita a regular a aplicação jurisdicional do direito civil, mas de inúmeros outros ramos do direito, como o direito comercial, omissis” (Direito processual civil brasileiro. Volume I, 18ª ed., 2005, p. 67).

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de 18 de setembro de 1939. contendo um Código que. segundo o seu art. de 1850.empresarial estão interligados por vários pontos de interseção24. 763. 34. é explícito em prol da aplicação do Código de Processo Civil aos processos de recuperação empresarial e de falência. que constituam objeto de lei especial”. Outro exemplo da aplicação do Código de Processo Civil no direito comercial reside no 24 À vista da interdependência do Direito Comercial com o Direito Processual Civil. 9 e 10). o legislador argentino preferiu a didática denominação “Código Procesal Civil y Comercial de la Nación”. agrário etc. que versa sobre o protesto cambiário e a suscitação da respectiva dúvida em juízo. pelo Decreto nº 763. 737. no artigo 585. o Governo Federal publicou o Dec. por exemplo. sendo este o famoso Regulamento 737. em seu art. de 1890. in verbis: “Art. os dois ramos do direito também percorreram juntos o século XX. 1º. às causas comerciais e às causas cíveis.” (Comentários ao Código de Processo Civil. no artigo 884. 737 também passou a ser aplicado ao direito processual civil. regerse-á por este Código. 1º – do Código de Processo Civil de 1973 – ora comentado não reproduz essa menção expressa ao processo comercial. combinado com o art. Mas deve-se entender que o Código se aplica também às causas comerciais. 65. 11. e no artigo 885. A interdependência já existia ao tempo do Regulamento n. Destinado originalmente ao direito comercial. A propósito. merece destaque o denominado Código unitário de 1939. 1º O processo civil e comercial. mantendo a unidade entre o processo civil e o processo comercial.-Lei nº 1. A Constituição de 1934 pôs termo a essa descentralização legislativa e atribuiu à União a competência para legislar sobre o processo civil e comercial.101. A maioria dos Estados elaborou seus Códigos sob a inspiração do Regulamento 737. regeria o processo civil e comercial. em virtude de preceitos legais e enunciados sumulares reveladores da simbiose entre o direito processual civil e o direito comercial. p. porquanto o artigo 1º era explícito acerca da aplicação do Código de Processo Civil também em relação ao direito comercial. Volume I. as causas cíveis continuaram a ser regidas pelas velhas Ordenações. 1 e 2. 25 De acordo. por força do Decreto n. sobre cujo valor muito se tem discutido. Na verdade. inciso I. Na mesma esteira.. à vista do Código de Processo Civil. portanto. Aplica-se ele. atribuiu aos Estados a competência para legislar sobre direito processual. Usando dessa atribuição. A Constituição de 1891. 1998. portanto. mandou aplicar o Regulamento 737 às causas cíveis. mantida a unidade entre esses dois processos. Com isto. nº 2. isto dada a tradição do nosso direito desde 1890. em todo o território brasileiro.608. O artigo 189 da Lei n. de 19 de setembro de 1890. n. Após a proclamação da República. 10 . 10ª ed. a antiga unidade processual. o Governo Imperial publicou o Código Comercial e também o Código de Processo Comercial. salvo o dos feitos por ele não regulados. ao fato de não ter sido editado um Código para o processo comercial. para as quais as leis não tenham previsto processo diferente. que dispõe sobre a demanda para apreensão de títulos de crédito. por exemplo. as novas leis e enunciados sumulares do início do presente século XXI reforçam a verdadeira simbiose entre o direito processual civil e o direito empresarial. desse modo. enquanto as causas comerciais passaram a ter um Código próprio e novo.. o Governo Provisório. Da mesma forma. o Regulamento n. o Código de Processo Civil de 1973 consagrou a aplicação do direito processual civil em relação do direito comercial25 em muitos preceitos. Foi. que dispõe sobre o processo de execução aparelhado em títulos de créditos. entendidas estas como abrangentes às de direito civil. e a falta de disposição que mantivesse o Código de 1939 apenas para as causas comerciais. vale conferir a autorizada lição do saudoso Professor CELSO AGRÍCOLA BARBI: “Em 1850. administrativo. de 2005. nº 23. O art. Restabeleceu-se. O artigo 93 da mesma lei autoriza a propositura de embargos de terceiro.

101. o estudo conjugado dos dois ramos foi retomado em seminários jurídicos26 e cursos de especialização27. Aliás. de 2005. de 1985. Sob outro prisma. há notória relação entre o direito penal e o direito processual penal. como. 32 Patrocínio infiel. e 129.artigo 137 da Lei n. Sem dúvida. tendo em vista os processos de mandado de segurança.101. todos da Lei n. 34230. por exemplo. provenientes de atos administrativos e de improbidades administrativas. à vista dos artigos 5º. há um capítulo inteiro do Código Penal no qual há a tipificação de crimes diretamente relacionados ao direito processual. assim intitulado: “Estratégias Processuais na Advocacia Empresarial”. LXXIII. de ação popular e de ação de improbidade administrativa. de 1968. em virtude da frequente necessidade da combinação e da interpretação sistemática das leis especiais28. o direito empresarial não prescinde do estudo do sequestro e do arresto. 11. No que tange ao direito penal. Por fim. como bem revela o artigo 485. com o reforço do artigo 110. o direito ambiental. da irredutibilidade de subsídios e da aposentadoria dos juízes em geral têm notória pertinência com o Direito Administrativo. 7. Sob outro prisma. 28 Por exemplo. caput. 35833 e 35934 do diploma de 1940. como bem revelam os artigos 338 a 359 do Código Penal. Por fim. nos dias 18 e 19 de junho de 2007. segundo o qual é admissível o sequestro cautelar. Lei n. em razão da importância dos institutos para a compreensão dos artigos 103.101. Lei Uniforme de Genebra. de 2005. à vista do Código de Processo Civil. 11. 137 e 154. 35532. Basta lembrar que a tutela jurisdicional do “meio ambiente” se faz mediante a ação popular e a ação civil pública. em Porto Alegre. e Lei n. 33 Violência ou fraude em arrematação judicial. § 5º. diante de tantos pontos comuns entre o direito empresarial e o direito processual civil. basta lembrar que um sub-ramo do direito processual tem como escopo o processamento e o julgamento dos delitos. de 2005. é importante lembrar que o direito processual também preserva fortes laços com os novos ramos do direito.474. da inamovibilidade. com destaque para os artigos 33929. Lei n. Com efeito. Também merece destaque o vínculo existente entre o direito processual e o direito administrativo. “na forma da lei processual civil”. inciso III. até mesmo o direito processual civil recorre aos tipos penais em mais de uma hipótese. respectivamente. ambos do Código de Processo Civil. 5. da 26 É oportuno registrar a realização do “1º Seminário Brasileiro de Direito Processual & Empresarial”. 27 Por exemplo. 34 Desobediência a decisão judicial. a Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas – FGV oferece curso de especialização em Direito Processual Empresarial. 34731. com a participação de eminentes processualistas e comercialistas. 30 Falso testemunho ou falsa perícia. 29 Denunciação caluniosa. 31 Fraude processual. o regramento da vitaliciedade. incisos I e VI.357. 11 . 11.

MARCELO ABELHA RODRIGUES e ROSA MARIA ANDRADE NERY. CELSO ANTONIO PACHECO FIORILLO. 3ª ed. 2009. Hoje já até mesmo obras especializadas destinadas ao estudo do denominado “Direito Processual Ambiental”35. que dispõem sobre a ação popular e a ação civil pública. respectivamente.347. e das Leis nºs 4. de 1965.. CELSO ANTONIO PACHECO FIORILLO. 35 Cf. Direito processual ambiental brasileiro. de 1985.Constituição Federal. 12 . e 7. Princípios do direito processual ambiental.717. 1996.

1996. contraditório e ampla defesa. no que lhe confere a tônica e lhe dá sentido harmônico” (CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO. 11ª ed. os quais norteiam a elaboração das leis e a interpretação das mesmas. princípio jurídico é o “mandamento nuclear de um sistema. p. CONCEITO DE PRINCÍPIO JURÍDICO Os princípios jurídicos são os alicerces principais e originais do ordenamento jurídico. 545 e 546). com forte influência no direito brasileiro. PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE DA PRESTAÇÃO JURISDICIONAL O princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional por meio do processo está consagrado no inciso XXXV do artigo 5º da Constituição Federal: nenhuma 36 Com efeito. do direito romano e do direito canônico. como os princípios gerais provenientes do direito natural. 2. 112). p. las seguientes funciones: 1º) Sirven de bases previas al legislador para estructurar las instituciones del proceso en uno u otro sentido. 37 A propósito da importância da Constituição Federal 1988 na consagração de princípios processuais. porquanto influenciam e direcionam tanto o legislador. durante a elaboração das leis. 3º) Constituyen instrumentos interpretativos de inestimable valor” (LINO ENRIQUE PALACIO. 2º) Facilitan el estudio comparativo de los diversos ordenamientos procesuales actualmente vigentes. 38 De acordo. p. Como já anotado no capítulo anterior. Além dos princípios processuais consagrados na Constituição. o estudo dos princípios processuais consagrados na Constituição tem merecido destaque até mesmo pelo advento de disciplina específica inserta em grades curriculares de muitas faculdades e universidades: Direito Processual Constitucional38. 1964. portanto. 13ª ed. 2002.” (Direito processual constitucional.. os princípios processais mais importantes estão consagrados na Constituição Federal37. Manual de derecho procesal civil.” (MANUEL GALDINO DA PAIXÃO JÚNIOR. disposição fundamental que se irradia sobre diferentes normas compondo-lhes o espírito e servindo de critério para sua exata compreensão e inteligência exatamente por definir a lógica e a racionalidade do sistema normativo. p.. é possível concluir: “Los principios procesuales cumplen. no momento da aplicação e da interpretação das mesmas nos processos sob julgamento no Poder Judiciário36.PRINCÍPIOS NORTEADORES DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL 1. verdadeiro alicerce dele. Do exposto. fundamentalmente. Curso de direito administrativo. Por fim. motivação). como garantias individuais fundamentais. 8ª ed. quanto o julgador. 3ª ed. 1999. 13 . “São os princípios. 1995. a despeito de não estarem expressos em preceito algum. Aliás. p.. há até mesmo os princípios processuais implícitos. orientações normativas integrantes da lei ou de seu espírito e que ajudam a expansão lógica do direito” (HERMES LIMA. 63). Teoria geral do processo. outros tantos estão insertos em inúmeros preceitos do Código de Processo Civil.. na doutrina: “Está-se entendendo por Direito Processual Constitucional o conjunto de normas e princípios de natureza processual inscritos num determinado texto da Lei Magna. 186). así como el de los que rigieron en otras épocas. Introdução à ciência do direito. 26). merece ser prestigiada a lição do Professor ROBERTO ROSAS: “A Constituição de 1988 é a mais fértil na apresentação de princípios inerentes ao processo (exemplo: devido processo legal.

4ª Turma do STJ. 40 De acordo. 9.Depois da Lei nº 8. 29). XXXV). art. especialmente acerca da compatibilidade. PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL O princípio do devido processual legal está consagrado no inciso LIV do artigo 5º da Constituição de 1988: ninguém pode ser privado da liberdade e do patrimônio sem prévio processo. da CF. Não obstante. por maioria de votos. 9. p. na jurisprudência: “3. p.672/93 (Lei Zico). com o pagamento da justa indenização. que a manifestação de vontade da parte na cláusula compromissória. Justiça desportiva. Daí a perfeita constitucionalidade da Lei n. Lei nº 8.lesão ou ameaça de lesão pode ficar alheia ao controle jurisdicional. 4. pessoal ou profissional com as partes. Lei de Arbitragem (L.” (REsp n. considerando o Tribunal. para a existência do processo de desapropriação. Não há obrigação alguma da assinatura da cláusula compromissória e do compromisso arbitral por parte dos litigantes. 9. Constitucionalidade declarada pelo plenário. desapareceu da hierarquia da justiça desportiva o Tribunal Superior de Justiça Desportiva.307. em tese. entre a execução judicial específica para a solução de futuros conflitos da cláusula compromissória e a garantia constitucional da universalidade da jurisdição do Poder Judiciário (CF. A abdicação da prestação jurisdicional estatal consubstanciado no processo judicial parte dos próprios litigantes. XXXV. pessoas capazes para contratar. Nesse caso. 14 . e a permissão legal dada ao juiz para que substitua a vontade da parte recalcitrante em firmar o compromisso não ofendem o artigo 5º. há restrições impostas pelo próprio constituinte originário. quando da celebração do contrato. Diário da Justiça de 20 de março de 2000. Daí a explicação. PRINCÍPIO DO JUIZ NATURAL O princípio do juiz natural está consubstanciado na exigência de que o processo judicial seja conduzido e julgado por juiz ou tribunal com jurisdição e competência prévias.892/RJ. A resposta é negativa. Os artigos 18 e 31 da Lei n. 5º.672/93. Tribunal Superior de Justiça Desportiva. após prévio processo judicial.307 são constitucionais. Resta saber se os artigos 18 e 31 da Lei n. Pleno do STF. porquanto a opção pela arbitragem é proveniente da livre escolha de pessoas capazes. 5. 77).307 padecem de inconstitucionalidade à vista do inciso XXXV do artigo 5º da Constituição. a falta de recurso a tal instância não impede o acesso ao Judiciário. 39 Assim. . na jurisprudência: “ESPORTE. de 199640. 210. Recurso conhecido e provido.307/96): constitucionalidade. segundo o qual o acesso ao Poder Judiciário pressupõe o esgotamento da instância administrativa da denominada “Justiça Desportiva”39. e sem que o julgador tenha algum anterior vínculo familiar.206/EP – AgRg. 3.” (SE n. 9. porquanto o constituinte de 1988 consagrou o amplo acesso ao Poder Judiciário. como a limitação inserta no artigo 217 da Constituição Federal. por exemplo. Esgotamento da instância administrativa. ou não. do juízo arbitral. Extinção. Diário da Justiça de 30 de abril de 2004. por meio do qual a pessoa jurídica de direito público interno passa a ser a nova proprietária do imóvel particular. discussão incidental da constitucionalidade de vários dos tópicos da nova lei.

o postulado fundamental do juiz natural. Na mesma esteira. 6. ao proclamar as liberdades públicas . para o julgamento de determinada causa. 74. Por fim. 2ª Turma do STF. 15 . LIII.” (HC n. O art. de modo explícito. Daí a justificativa para a impossibilidade do processamento e do julgamento por magistrado com anterior vínculo familiar. proêmio. da Carta Política prescreve que ‘ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente’. publicado em 25 de abril de 2008). consagrou. em nosso sistema de direito constitucional positivo . o artigo 1. independentemente da iniciativa dos jurisdicionados. ambos do Código de Processo Civil. o artigo 989 do Código de Processo Civil dispõe sobre a iniciativa oficial para a instauração do processo de inventário. entretanto. que ninguém poderá ser privado de sua liberdade senão mediante julgamento pela autoridade judiciária competente. 5º. Nenhuma pessoa.003/RS. a fim de que a causa seja processada e julgada com a isenção necessária para a correta aplicação do direito material à espécie. em conseqüência. PRINCÍPIO DA DEMANDA. PRINCÍPIO DA IGUALDADE OU PRINCÍPIO DA ISONOMIA 41 Assim. com bem revelam os artigos 134 e 135 do Código de Processo Civil. São vedados. segundo o qual a instauração do processo depende de iniciativa da parte. há várias exceções. 83. ne procedat iudex ex officio. o princípio da demanda não é absoluto no direito brasileiro. Não bastam. É indispensável que os juízes e os tribunais também sejam independentes e imparciais. constituídos após o fato gerador do conflito de interesses. Na verdade. 5.considerado o princípio do juiz natural -. pessoal ou profissional com alguma das partes.129 autoriza a iniciativa do juiz em relação ao processo de abertura de testamento. Diário da Justiça eletrônico n. O artigo 1.160 dispõe sobre a iniciativa oficial para o processo de arrecadação de bens de ausente. PRINCÍPIO DA AÇÃO. Por exemplo. a jurisdição e a competência prévias.142 também confere ao juiz a iniciativa para o processo de herança jacente.É irrecusável. Não obstante. os juízos e tribunais de exceção. consagram o princípio da demanda. o juiz ou tribunal deve ter tanto a jurisdição quanto a competência estabelecidas antes do fato gerador que serve como causa de pedir da demanda: “ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”41.que representam limitações expressivas aos poderes do Estado -. PRINCÍPIO DA INÉRCIA OU PRINCÍPIO DA INICIATIVA DAS PARTES Os artigos 2º e 262. isto é. poderá ser subtraída ao seu juiz natural. o artigo 1.À vista dos incisos XXXVII e LIII do artigo 5º da Constituição de 1988. porquanto o juiz não age de ofício: nemo iudex sine actore. por consequência. em razão da existência de muitos preceitos legais que autorizam o juiz a instaurar o processo de ofício. na jurisprudência: “. A nova Constituição do Brasil.

Pleno do STF. que autoriza a inversão do ônus da prova em prol do hipossuficiente. substancial ou material. por exemplo. 35848 e 35949 do Código Penal.” (ADI n. consagrado no artigo 5º. a má-fé processual pode ser até mesmo tipificada como crime. O direito deve distinguir pessoas e situações distintas entre si. 43 Por exemplo: “3. 44 Denunciação caluniosa.060 consagram o instituto da assistência judiciária. publicado em 24 de agosto de 2008). na exata medida da desigualdade42. Daí a explicação para o artigo 125. 42 De acordo. 17. como bem revelam os artigos 33944. Não basta. inciso I. 3. 87. 154. tanto na veiculação dos respectivos pleitos em juízo quanto na produção das provas. p.Princípio isonômico: a sua realização está no tratar iguais com igualdade e desiguais com desigualdade. 7. para garantir a paridade de armas no processo movido pelo consumidor contra a sociedade empresária fornecedora do produto ou do serviço. 3. do artigo 6º. 22). 34746. “II.”. entretanto. 8. inciso LXXIV. competindo-lhe: I – assegurar às partes igualdade de tratamento.305/DF. Diário da Justiça de 20 de fevereiro de 1998. O inciso LXXIII do mesmo artigo 5º é outro preceito constitucional norteado pelo princípio da boa-fé e da lealdade processual. 46 Fraude processual. 49 Desobediência a decisão judicial. da Lei n. do Código de Processo Civil: “O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código. 16 . 48 Violência ou fraude em arrematação judicial. Na busca da igualdade real. o inciso LXXIV do artigo 5º da Constituição e a Lei n. de 1990.027/ SP. É a hipótese. Por fim. como os artigos 14. 45 Falso testemunho ou falsa perícia. 35547.078. . 18 e 600. Pleno do STF. na jurisprudência: “A concreção do princípio da igualdade reclama a prévia determinação de quais sejam os iguais e quais os desiguais. 2ª Turma do STF. a fim de conferir tratamentos normativos diversos a pessoas e a situações que não sejam iguais. mas os desiguais devem ser tratados desigualmente. proveniente da máxima aristotélica segundo a qual os iguais devem ser tratados igualmente. O custeio do exame pericial da justiça gratuita viabiliza o efetivo exercício do direto à assistência judiciária. 1. a ser prestada pelo Estado em prol dos jurisdicionados sem condições financeiras para a contratação de advogados autônomos43.” (RE n. 47 Patrocínio infiel.O caput e o inciso I do artigo 5º da Constituição Federal asseguram a isonomia entre homens e mulheres. No Código de Processo Civil também há muitos preceitos norteados pelo princípio da boa-fé e da lealdade processual. inciso VIII. 60). PRINCÍPIO DA BOA-FÉ OU DA LEALDADE PROCESSUAL O princípio da boa-fé ou da lealdade processual consiste na exigência de que as partes atuem à luz da ética e da moral.” (ADI n. Diário da Justiça eletrônico n. conforme o caso.394/AM. p. da CB/88. por exemplo. a igualdade formal. Daí a impossibilidade de utilização no processo de provas obtidas por meios ilícitos. Diário da Justiça de 24 de novembro de 2006. como bem revela o inciso LVI do artigo 5º da Constituição Federal. deve-se ter em vista a igualdade real. 34245.

429: “A citação postal. Daí a justificativa para o juiz indeferir “as diligências inúteis ou meramente protelatórias”. PRINCÍPIO DA RAZOÁVEL DURAÇÃO DO PROCESSO OU PRINCÍPIO DA TEMPESTIVIDADE Preservados o contraditório e a ampla defesa. PRINCÍPIO DA AMPLA DEFESA E PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO O inciso LV do artigo 5º da Constituição também garante a ampla defesa aos litigantes nos processos em geral. a isonomia. PRINCÍPIOS DA ECONOMIA E DA INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS O processo não é um fim em si mesmo. os jurisdicionados têm direito à razoável duração do processo em tramitação no Poder Judiciário. o juiz ouvirá. mas apenas o meio pelo qual há a prestação jurisdicional. O princípio do contraditório está consagrado. a seu respeito.8. o réu deve ser citado para se defender no prazo previsto no artigo 297 do Código de Processo Civil. Por conseguinte. Sem dúvida. É indispensável que o aviso de recebimento tenha sido assinado pelo réu. com a aplicação do direito material à espécie. de próprio punho. para a defesa dos respectivos direitos subjetivos. à luz dos princípios da ampla defesa e do contraditório. in fine. no prazo de 5 (cinco) dias”. à vista do inciso LXXVIII do artigo 5º. com igual possibilidade de manifestação contrária em relação aos mesmos. Além da ampla defesa. com a prestação da tutela jurisdicional de forma tempestiva. o Superior Tribunal de Justiça aprovou o enunciado n. a fim de resolver o conflito de interesses. a um só tempo. por exemplo. Na mesma esteira. as formalidades processuais têm como objetivo garantir. a outra. o derrotado pode recorrer no prazo previsto no artigo 508 do mesmo diploma. 9. com a possibilidade da utilização de todas as vias processuais e recursos disponíveis no ordenamento jurídico. o inciso LV do artigo 5º da Constituição Federal também garante o contraditório. à vista do qual os litigantes devem ter real oportunidade de ciência de todos os atos e termos do processo. Por conseguinte. a 17 . sob pena de séria ofensa às garantias da ampla defesa e do contraditório. exige o aviso de recebimento”. do Código de Processo Civil. 10. com fundamento no artigo 130. e o recorrido tem igual prazo para se defender mediante contrarrazões. o devido processo legal. quando autorizada por lei. o processo deve ser célere tanto quanto possível e não pode durar mais do que o tempo razoável para a regular resolução do conflito de interesses. Por fim. PRINCÍPIO DA CELERIDADE PROCESSUAL. no artigo 398 do Código de Processo Civil: “Sempre que uma das partes requerer a juntada de documentos aos autos.

desde a contestação50. a prolação de decisões e até mesmo a interposição de recursos51. a despeito da eventual irregularidade formal. os atos processuais devem ser aproveitados quando. caput. todos do Código de Processo Civil. Trata-se. e artigo 49 da Lei n. à vista da espécie sob julgamento. portanto. 11. artigo 523. Daí a justificativa para a reunião de demandas conexas. deve ser aproveitado o ato processual formalmente irregular que alcança a respectiva finalidade processual. Na verdade. uma razão de ser. porquanto garante que o processo não sofra retrocesso desnecessário. consagrado nos artigos 154. na própria audiência. PRINCÍPIO DA ORALIDADE Na esteira dos princípios da celeridade e da economia processuais. As formalidades processuais têm. 244 e 250. Outro importante exemplo da incidência do princípio da instrumentalidade das formas reside no artigo 920 do Código de Processo Civil: “A propositura de uma ação possessória em vez de outra não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente àquela. segundo o qual o ato processual deve buscar o máximo resultado com o menor custo possível para o processo.ampla defesa e o contraditório. o princípio da instrumentalidade das formas autoriza o aproveitamento dos atos processuais com irregularidades formais que alcançam as respectivas finalidades. Com efeito. 76. todos do Código de Processo Civil. nos termos dos artigos 61. Cf. como bem autorizam os artigos 281 e 456 do Código de Processo Civil. são muitos os atos processuais que podem ser praticados de forma oral. cujos requisitos estejam provados”. segundo o qual o juiz deve tomar conhecimento de eventual cautelar acionada como pedido de antecipação de tutela. a fim de que o conflito de interesses seja resolvido de forma regular. até mesmo para garantir que o juiz aplique o direito material com correção. Na verdade. à evidência.099. para o processamento e o julgamento conjunto. 50 51 Cf. 105 e 318. até mesmo a prolação da sentença. do Código de Processo Civil. 9. artigo 278 do Código de Processo Civil. 18 . o princípio da oralidade consiste na prática de atos processuais de forma oral. de princípio correlato ao princípio da celeridade processual. § 3º. cumprirem a finalidade essencial. Não obstante. o princípio da instrumentalidade das formas é uma derivação do princípio maior da economia processual. Importante exemplo de incidência do princípio da instrumentalidade das formas reside no § 7º do artigo 273 do Código de Processo Civil. Em outros termos. à vista do princípio da instrumentalidade das formas. de 1995.

o fez no artigo 401 do Código de Processo Civil e no artigo 55. o princípio do livre convencimento e da persuasão racional não é absoluto. da Constituição Federal. consagrado expressamente no artigo 98. O princípio da motivação está consagrado no artigo 93. com a exigência de prova documental para o reconhecimento da ocorrência de determinados fatos pelo juiz. desde que fundamente a formação do respectivo convencimento à vista das provas existentes nos autos do processo. inciso IX. Sem dúvida.099. 9. com a exposição dos motivos pelos quais o juiz formou o respectivo convencimento. e nos artigos 165. ainda que de forma concisa. 12. de 1995. o direito processual civil brasileiro é norteado pelo princípio da oralidade. até mesmo as sentenças terminativas e as decisões interlocutórias devem ser fundamentadas. o juiz deve observar o disposto no verbete sumular da Corte Suprema. na eventualidade da existência de enunciado vinculante do Supremo Tribunal Federal acerca da interpretação a ser atribuída a determinado preceito constitucional ou legal aplicável ao caso concreto sob julgamento. Não obstante. e no artigo 2º da Lei n. 13. da Lei 8. PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE DOS JULGAMENTOS 19 .Em suma. de 1991. por força do artigo 103-A da Constituição Federal. da Constituição Federal. para a resolução do conflito de interesses. por exemplo. Com efeito. quanto em relação ao direito aplicável à espécie. tanto em relação aos fatos controvertidos. o juiz tem liberdade para interpretar tanto o conjunto fático-probatório quanto os preceitos constitucionais e legais que devem ser aplicados ao caso concreto. § 3º. inciso I. 458 e 459.213. todos do Código de Processo Civil. PRINCÍPIO RACIONAL DO LIVRE CONVENCIMENTO E DA PERSUASÃO O princípio do livre convencimento e da persuasão racional consagra a liberdade da formação do convencimento do juiz à luz das provas produzidas nos autos e dos preceitos constitucionais e legais que devem a ser aplicados à espécie sob julgamento. como. Pode o legislador mitigar o livre convencimento do juiz. Por fim. PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO OU DA FUNDAMENTAÇÃO Todas as decisões judiciais devem ser fundamentadas. 14.

consequentemente. p. e 93. Poderia entrever-se o duplo grau de jurisdição na Constituição. em muitos casos. com as portas abertas ao público em geral. 6. Primeiras linhas de direito processual civil. Não obstante. Diário da Justiça de 14 de setembro de 2001. na jurisprudência: “No ordenamento jurídicobrasileiro não existe a garantia do duplo grau de jurisdição” (RHC n. 3ª ed. inciso LX. como regra. 2ª Turma do STF. nas quais a lei pode impedir a presença de terceiros alheios ao julgamento. pois. 2ª Turma do STF. não consubstancia garantia constitucional”. 80. 64. 53 De acordo. 1993. apenas deduz-se da estrutura constitucional da duplicidade de pronunciamentos que o mesmo pertence à estrutura do Poder Judiciário. já que a Constituição Federal é omissa no particular53. é possível afirmar que o princípio do duplo grau de jurisdição não é constitucional54.. com o segundo de grau hierárquico superior ao primeiro52. letras “a” a “r”. No mesmo sentido.257/SP — AgRg. PRINCÍPIO DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO O princípio do duplo grau de jurisdição está consubstanciado na exigência de que uma mesma causa seja submetida à apreciação de dois órgãos jurisdicionais distintos. inciso IX. não há obediência a esse princípio. Direito processual constitucional. o segundo de grau hierárquico superior ao primeiro”. p. a fim de preservar a intimidade da vida privada. de nossa tradição infraconstitucional. nos casos de que trata o art. no caso do artigo 155 do Código de Processo Civil. na doutrina: MANOEL ANTÔNIO TEIXEIRA FILHO. é ilação e não afirmação. 54 De acordo. as inúmeras ações cíveis e criminas de competência originária55 do Supremo Tribunal Federal revelam que o princípio do duplo grau de jurisdição não 52 De acordo. Diário da Justiça de 11 de dezembro de 1998. 7: “JURISDIÇÃO – DUPLO GRAU – INEXIGIBILIDADE CONSTITUCIONAL. No entanto. ambos da Constituição Federal. O princípio do duplo grau de jurisdição. 55 Cf. 1999.919/SP. Diante da omissão da Constituição vigente. por exemplo. referente ao recurso de embargos infringentes de alçada da competência de juiz de primeiro grau. pois não foi introduzido no elenco dos direitos e garantias constitucionais dos indivíduos e da sociedade. os julgamentos do Poder Judiciário devem ser públicos. 15. p. tanto a regra quanto a exceção estão previstas no artigo 444 do Código de Processo Civil: “A audiência será pública. O duplo grau de jurisdição continua a fazer parte. o duplo grau de jurisdição. inciso I. mandado de segurança contra ato do Presidente da República)”. 83 e 84: “O princípio do duplo grau de jurisdição. 20 . ambos os preceitos ressalvam hipóteses excepcionais. Aliás. da Constituição Federal. consiste em admitir-se. 60 e 61: “O duplo grau de jurisdição. 216. não tem explícita previsão constitucional. artigo 102. no que revela cabível o extraordinário contra decisão de última ou única instância. no capítulo referente aos órgãos do Judiciário (tribunais e juízes) em forma hierárquica. entretanto. todavia. Cadernos de processo civil. na doutrina: MOACYR AMARAL SANTOS. 155. Diante do disposto no inciso III do artigo 102 da Carta Política da República. 21: “O princípio do duplo grau de jurisdição não está inscrito em nenhuma regra constitucional. a exceção prevista no artigo 34 da Lei n. como.” (não há o grifo no original). Ainda em sentido conforme: RE n. de 1980. na doutrina: ROBERTO ROSAS. como se chegou a imaginar. p. realizar-se-á de portas fechadas”. como nos feitos originários (verbi gratia. não constitui garantia constitucional. no âmbito da recorribilidade ordinária. 3ª ed. Omissis. p. razão pela qual são legítimas as restrições existentes na legislação processual. como.. por exemplo. o conhecimento e decisão das causas por dois órgãos jurisdicionais sucessivamente. consagrado pela Revolução Francesa.830.À vista dos artigos 5º. Ademais.

a combinação do § 2º do artigo 5º da Constituição Federal com a alínea “h” do número 2 do artigo 8º da Convenção Americana de Direitos Humanos garante a existência do duplo grau de jurisdição apenas no plano infraconstitucional e. toda pessoa tem direito. em prol da aquisição de força de emenda constitucional. 21 . somente em relação ao direito processual penal. Os tratados são leis”. Sob outro enfoque. 3ª Turma do STJ). à evidência. em dois turnos. em plena igualdade. Eis o que dispõe o preceito do Pacto de São José da Costa Rica. além das várias outras ações arroladas no inciso I do artigo 102 da Constituição Federal.” (REsp n. Ainda em relação ao § 2º do artigo 5º da Constituição Federal. Na precisa lição do eminente Ministro e Professor. 56 De acordo. ratificado pelo Brasil em 1992: “Garantias judicias: omissis 2.. Tanto que a letra “a” do inciso III do artigo 105 da Constituição Federal equipara o tratado à lei federal para o cabimento do recurso especial. É certo que o § 3º do artigo 5º da Constituição Federal permite a conversão dos tratados e acordos internacionais relativos a direitos humanos. na Constituição Federal vigente. “os tratados e as leis se equiparam. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua inocência. desde que submetidos às duas Casas do Congresso. Hierarquia. a ação rescisória.pode ser considerado absoluto. Daí a conclusão: não há previsão constitucional do duplo grau de jurisdição nem mesmo em relação ao processo penal. enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. O tratado internacional situa-se formalmente no mesmo nível hierárquico da lei. também não há quanto ao processo civil. Trata-se. Com efeito. na doutrina: MOACYR AMARAL SANTOS. a ela se equiparando. mesmo assim. a alínea “h” do número 2 do artigo 8º do Pacto de São José da Costa Rica versa sobre o processo penal. 45 dispõe que os tratados e acordos internacionais podem passar a ter natureza de norma constitucional derivada. a regra reside na incorporação dos tratados internacionais pelo ordenamento jurídico nacional com a estatura de lei federal56. Embora seja possível a conversão dos tratados e dos acordos internacionais sobre direitos humanos.376/RJ. previsão de recurso algum para outro tribunal que configurasse grau superior para o reexame dos julgamentos proferidos pelo Supremo Tribunal Federal nas ações de competência originária. merece ser prestigiado acórdão da relatoria do eminente Ministro e Professor EDUARDO RIBEIRO: “Tratado Internacional. 15ª ed. à evidência. Lei ordinária. de preceito destinado apenas ao direito processual penal. a Emenda Constitucional n. a fim de que os mesmos passem a ter força de emenda constitucional. Ainda a respeito do tema. às seguintes garantias mínimas: omissis h) direito de recorrer da sentença a juiz ou tribunal superior”. Aliás. 1995. Volume III. como. com maior razão. por exemplo. o mandado de segurança. a ação direta de inconstitucionalidade. 73. p. Primeiras linhas de direito processual civil. 159. e desde que alcançada a maioria qualificada de três quintos em todas as votações. Durante o processo. a ação declaratória de constitucionalidade. Não há.

antes de prosseguir no julgamento da apelação. porquanto nem existe o óbice do Pacto de São José da Costa Rica em relação ao processo civil. mas que. entre outros. da Constituição. até mesmo na eventualidade da superveniência de nova lei sobre a matéria objeto do julgado60. Trata-se de princípio consagrado no artigo 5º. 647. ao acrescentar § 3º do art. quando haja nos autos elementos suficientes para tanto. Volume I. as hipóteses excepcionais de ação rescisória e de revisão criminal. não poderá atingir sentença que fez coisa julgada. Diário da Justiça de 8 de junho de 2007. julgados pelo mesmo órgão que proferiu a sentença. § 3º. na doutrina: “O princípio da coisa julgada está na Constituição dirigindo-se ao legislador. trata-se de garantia prevista na Convenção Interamericana de Direitos Humanos. 1ª Turma do STF. que permite ao tribunal apreciar o mérito. Aliás. PRINCÍPIO DA COISA JULGADA OU DA NÃO-RETROATIVIDADE Proferida a sentença e decorrido in albis o prazo recursal para a impugnação da mesma. Podem-se citar. p. VI – A incorporação posterior ao ordenamento brasileiro de regra prevista em tratado internacional tem o condão de modificar a legislação ordinária que lhe é anterior. 515. como não há exigência expressa na Constituição de que sempre se obedeça ao duplo grau. de 26-12-2001. 11ª ed. os casos de competência originária do Supremo Tribunal Federal e os embargos infringentes da Lei de Execução Fiscal.” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. Volume I. respectivamente. sem o grifo no original). 10. em razão das várias exceções na própria Constituição Federal. as quais estão arroladas nos artigos 485 e 495 do Código de Processo Civil e nos artigos 621 e 622 do Código de Processo Penal. no nosso ordenamento. porquanto da Convenção Americana de Direitos Humanos ainda não passou pela aprovação qualificada prevista no § 3º do artigo 5º da Constituição vigente57.” (ROBERTO 22 . isto é.” (HC n. há a formação da coisa julgada.mesmo em relação ao processo penal o princípio do duplo grau de jurisdição não pode ser considerado de estatura constitucional. Novo curso de direito processual civil. sem os grifos no original). Não há dúvida de que a inovação é exceção ao princípio do duplo grau de jurisdição e opera quando a questão for exclusivamente de direito e estiver a causa em condições de julgamento. “A Lei n. na jurisprudência: “V . Por tudo. nem é absoluto.352.420/PR. 2006. entretanto. 36. 267). porquanto impede a rediscussão da mesma demanda por outro juízo ou tribunal. Nem no art. todavia. e nos §§ 3º58 e 4º do artigo 515 do Código de Processo Civil vigente59. p. nem por isso.Ainda que não se empreste dignidade constitucional ao duplo grau de jurisdição. Também não há inconstitucionalidade na atual redação do CPC.. podem ser qualificadas de inconstitucionais. 16. art. o tribunal pode julgar desde logo a lide. data posterior à promulgação Código de Processo Penal. em que ele não ocorre. a legitimidade das exceções relacionadas ao direito processual civil é ainda maior. 58 Preceito que consagra a teoria da causa madura. Manual de direito processual civil. existem diversas hipóteses. 61 De acordo. 515. 6. que permite ao tribunal determinar a realização ou renovação de ato processual que contenha nulidade sanável. tomou a seguinte posição: ‘Nos casos de extinção do processo sem julgamento de mérito (art. A lei não prejudicará a coisa julgada.. 4ª ed. 59 De acordo. não há o grifo no original). XXXVI. 515. o princípio do duplo grau de jurisdição não tem previsão constitucional. cuja ratificação pelo Brasil deu-se em 1992. na doutrina: “Todavia. com a relação processual formada e esgotada a fase de defesa. 60 Ressalvadas.830. no artigo 6º da Lei de Introdução ao Código Civil e nos artigos 467 e 472 do Código de Processo Civil61. 88. § 4º. in fine. Daí a legitimidade das exceções consagradas no artigo 34 da Lei n.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. 57 De acordo. ainda que a primeira instância não o tenha feito. 2007. de 1980. se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento’. a qual confere certeza e segurança jurídicas às partes e ao próprio Estado-juiz.

inciso I. porquanto são normas gerais. como as leis em geral. 23 .FONTES. a analogia. a impessoalidade e a obrigatoriedade. 1999. os regimentos internos dos tribunais são leis processuais no sentido material. la costumbre. Os enunciados vinculantes estão consagrados no artigo 103-A da Constituição Federal e são de observância obrigatória pelos juízes e tribunais em ROSAS. da Constituição Federal. CONCEITO DE FONTES DO DIREITO As fontes do direito são as diferentes formas pelas quais as normas jurídicas são instituídas. bem assim as ações constitucionais e os recursos constitucionais. Além das fontes previstas no artigo 4º da Lei de Introdução e do artigo 126 do Código de Processo Civil. é lícito afirmar que a lei. la doctrina y la jurisprudencia. de 1973. impessoais e obrigatórias. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. da Constituição Federal. 1. como é o caso do Código de Processo Civil: Lei n. de las normas jurídicas.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. abstratas. la fuente formal predominante es la legislación. p. 54).” “De acuerdo con ese orden. tendo em vista a generalidade. nos casos e limites do artigo 96. 2009.. INTERPRETAÇÃO E INTEGRAÇÃO DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL 1. alínea “a”. como os princípios norteadores do direito processual. 62 “Las fuentes formales son los distintos modos de manifestación. a partir da Constituição. conectados a modos de creación. 10ª ed. se distinguen la legislación. Direito processual constitucional. Ainda que não sejam leis no sentido formal. Teoria geral do processo.. inciso I. la jurisprudencia y la doctrina. a jurisprudência e a doutrina também são consideradas fontes do direito. FONTES DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL 1. 67 e 68. À vista do artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil e do artigo 126 do Código de Processo Civil.” (BARRIOS DE ÁNGELIS. a abstração. p. sem os grifos no original). funcionando como fuentes secundarias la costumbre. 40 e 41). En este sentido. “O princípio da não-retroatividade visa tutelar a certeza e a segurança das situações jurídicas passadas. também é na Constituição que reside a regra63 segundo a qual o direito processual é regido por lei ordinária federal.2. 1983. os órgãos do Poder Judiciário e as respectivas competências. artigo 22. 5. 63 Cf. os costumes e os princípios gerais do direito são as fontes do direito. na qual residem importantes normas processuais.869. a denominada “súmula vinculante” do Supremo Tribunal Federal também é fonte de direito processual civil. p. Introducción al estudio del proceso. até mesmo do direito processual civil62. FONTE PRINCIPAL DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL: A LEI A lei é a principal fonte do direito processual civil.1. Sob outro prisma. 3ª ed.

“As súmulas vinculantes terão autêntica força lei. já que dizem em qual sentido as leis devem ser entendidas. ADA PELLEGRINI GRINOVER e CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. Curso de direito constitucional. 45/2004. inciso I. e 103-A. os artigos 579 e 593. ex vi do artigo 126 do Código de Processo Civil. 10ª ed. em qualquer de suas modalidades. de função muito mais legislativa do que jurisdicional. 2005. 1.. a fim de preservar a autoridade da súmula. na doutrina: “As súmulas vinculantes do Supremo Tribunal Federal. A analogia consiste na aplicação de outra norma jurídica cujo campo de incidência tem semelhança com a hipótese sobre a qual não há dispositivo específico na lei processual civil. “Na verdade. por analogia.3.” (MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO. do Código de Processo Penal são aplicáveis aos processos cíveis. os costumes. à evidência. 43). instituídas pelo art. Com efeito. juízes e tribunais do país. federal. JURISPRUDÊNCIA E DOUTRINA Na eventualidade de omissão da fonte principal do direito processual civil. de caráter abertamente normativo. estadual e municipal. a distribuição de memoriais pelos advogados 64 De acordo. as súmulas. o costume são as práticas forenses reiteradas pelos advogados. “Uma nova competência tem o Supremo Tribunal Federal agora. em razão da generalidade. 10 versa sobre o artigo 481 do Código de Processo Civil. incidem as fontes subsidiárias: a analogia. distritais e municipais. em decorrência da Emenda n. Por fim. correspondendo a atribuição ao Supremo Tribunal Federal a uma função paralegislativa. 31ª ed. No que tange ao direito processual civil. da abstração. 189). o artigo 103-A conferiu ao Supremo Tribunal Federal a competência para aprovar enunciado vinculante. vale notar que o enunciado vinculante n. bem assim aos órgãos administrativos. os princípios gerais. Como as súmulas vinculantes do STF expressam sua interpretação da lei.. COSTUMES.. Tanto é de observância obrigatória. Por exemplo. 266). alínea “l”. da impessoalidade e da obrigatoriedade64. todos por força do artigo 126 do Código de Processo Civil. Teoria geral do processo. p. porquanto predomina a natureza normativa do enunciado vinculante.” (ANTONIO CARLOS DE ARAÚJO CINTRA. à vista dos artigos 102. assumem a força de verdadeiras leis de interpretação. O costume é outra fonte subsidiária do direito processual civil. são obrigatórias para todos os órgãos do Poder Judiciário brasileiro e para todas as administrações públicas. Trata-se.geral. que o desrespeito ao enunciado vinculante permite a propositura da ação de reclamação. 24 . p.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. § 4º. preceito que regulamenta o artigo 97 da Constituição Federal. são costumes do direito processual civil brasileiro: o juiz “chama o feito à ordem” quando constata grave irregularidade ou subversão da ordem procedimental. têm uma hierarquia mais alta do que a lei. 21ª ed. estaduais. no que tange ao direito processual civil. FONTES SUBSIDIÁRIAS: ANALOGIA. com generalidade e abstração para se imporem em todos os casos nos quais ocorram as situações de fato nelas descritas. promotores. Por exemplo. § 3º. ambos da Constituição Federal. Teoria geral do processo. que é a competência para editar súmulas vinculantes”. 2005. p. 103-A da Constituição Federal. de observância obrigatória pelos demais órgãos do Poder Judiciário e pela administração pública direta e indireta federais. PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO.

” “De acuerdo con ese orden.. 16 del C. também tem sido considerada fonte subsidiária do direito processual civil67..” “O ministro Celso de Mello. por sua vez. 25 . de las normas jurídicas. que o Supremo edita comumente.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. porquanto esclarecem os preceitos legais e sanam as omissões legislativas à vista do artigo 126 do Código de Processo Civil66. à vista do artigo 103-A da Constituição. Não obstante. o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou hoje (30) as três primeiras súmulas vinculantes da Corte. porquanto servem como simples orientação jurisprudencial. desde que tenham conteúdo processual. y del art. Os princípios gerais do direito também são fontes subsidiárias do direito processual civil. 67 “Las fuentes formales son los distintos modos de manifestación. tendo em vista a forte influência que exerce o momento da 65 A respeito do tema. p. 44). Resta examinar o valor da jurisprudência como fonte do direito processual civil. segundo o ordenamento jurídico brasileiro. de 2004. 1983. En este sentido. a dispensa da sustentação pelo advogado diante da antecipação de voto favorável pelo relator nos tribunais. Teoria geral do processo. Como já anotado. 2009. por intermedio del art. Ou seja. la jurisprudencia y la doctrina. são fontes formais do direito processual. conjunto de las concepciones y opiniones de los estudiosos del derecho procesual. o Supremo Tribunal Federal passou a ter competência originária para editar enunciados vinculantes. a despeito do disposto no artigo 554 do Código de Processo Civil. o relator determina a “juntada por linha” de memoriais distribuídos nos tribunais. no dia 30 de maio de 2007: “Com dez ministros no Plenário. a primeira é uma ‘mera’ síntese de decisões da Corte sobre normas. a doutrina. C. la fuente formal predominante es la legislación. 10ª ed. e as súmulas vinculantes.C. se distinguen la legislación. sem os grifos no original). elas têm poder normativo”. elas passarão a orientar as decisões das demais instâncias do Judiciário e dos órgãos da administração pública. Não obstante. Por fim. Segundo ele. 332 de la Constitución de 1967 (Uruguay). Por exemplo. sem observância obrigatória pelos juízes de primeiro grau e tribunais. A partir da publicação de seus textos no Diário da Justiça. já que. mas são apenas persuasivos.” “La doctrina. comparece. do direito romano e do direito canônico. p. prestigia-se o raciocínio segundo o qual a doutrina é fonte subsidiária. as súmulas dos tribunais. há no atual direito brasileiro enunciados vinculantes e enunciados comuns65.P. vale conferir a seguinte notícia veiculada na página do STF. Civil. na doutrina: “Por conseguinte. la costumbre. ponderou sobre a diferença entre a ‘súmula comum’.militantes nos tribunais. Os enunciados comuns são os aprovados à luz dos artigos 476 a 479 do Código de Processo Civil. 66 De acordo. tanto como por el art. consolidação das opiniões provenientes das lições publicadas pelos professores reconhecidos como autoridades em direito processual civil. a presunção da boafé das partes é um princípio geral de direito aplicável ao direito processual civil. la doctrina y la jurisprudencia.” (BARRIOS DE ÁNGELIS. os enunciados comuns aprovados pelo Supremo Tribunal Federal. são uma das fontes de expressão do direito. 284. Introducción al estudio del proceso. Por conseguinte. 67 e 68. mas sem a unanimidade verificada em relação às demais fontes subsidiárias. conectados a modos de creación. Os princípios gerais do direito são proposições oriundas do direito natural. com a superveniência da Emenda Constitucional n. funcionando como fuentes secundarias la costumbre. Já as súmulas vinculantes são ‘uma norma de decisão’. 45. pelo Superior Tribunal de Justiça e pelos tribunais em geral também podem ser considerados fontes subsidiárias do direito processual civil.

como mera parte de um sistema. sin pecurialidad alguna. não se deve supor que o direito processual exige um método particular de interpretação. Além dos métodos gramatical e histórico. É um importante critério na busca do verdadeiro significado. em suma. Desse modo. com maior destaque para o último (teleológico). a interpretação deve ser extraída à luz do significado literal de cada palavra. Embora o método literal ou gramatical seja o primeiro considerado pelo hermeneuta. a la norma procesal.elaboração das leis processuais e no momento da interpretação das leis pelos tribunais. porquanto a norma é analisada além do texto isolado. porquanto aquela integra um sistema à luz do qual é possível extrair o real sentido da mesma. Por 68 De acordo. São. A interpretação gramatical é o ponto de partida da hermenêutica jurídica. Outro método muito importante é o teleológico. por meio do qual a interpretação é extraída à luz da finalidade da norma jurídica. 2. sob todos os prismas. operação intelectual marcada pela consideração dos vários critérios ou métodos existentes para identificar o real sentido das normas: gramatical. mas não o mais importante. Busca-se conferir à norma jurídica a interpretação que está em consonância com a finalidade da mesma. até mais importantes do que os primeiros: sistemático e teleológico. “Se a interpretação do direito é uma espécie desse gênero de atividade mental que chamamos hermenêutica. os métodos de interpretação das normas jurídicas em geral. los métodos generales de interpretación y de integración son aplicales. com a maior valorização do escopo em relação à letra. há outros dois. Introducción al estudio del proceso.” (BARRIOS DE ÁNGELIS. mas com a consideração do contexto ao qual pertence. É o primeiro método a ser utilizado pelo hermeneuta. 1983. os critérios sistemático e teleológico são os mais importantes. os quais são. no quadro da interpretação jurídica. quando se dá a construção da jurisprudência. 76. Outro método a ser utilizado na busca do significado das normas jurídicas é a interpretação histórica. O método sistemático consiste na verificação da norma dentro do ordenamento jurídico. aplicáveis ao direito processual civil68. na doutrina: “En principio. segue-se que a interpretação do direito processual não apresenta particularidades dignas de nota. teleológico. Segundo o critério gramatical. histórico. que fuja aos padrões da 26 . sem os grifos no original). p. realizada à luz da evolução histórico-legislativa e dos trabalhos parlamentares que conduziram à elaboração das leis. INTERPRETAÇÃO DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL Toda norma jurídica é formada por palavras e expressões que precisam ser desvendadas. sistemático. A busca do verdadeiro significado de cada norma jurídica ocorre mediante investigação metódica denominada “interpretação” ou “hermenêutica”.

. Pelo contrário. pois. 2009. Além da integração da lei processual civil à luz das fontes formais de direito previstas no artigo 126 do Código de Processo Civil. o artigo 126 do Código de Processo Civil dispõe sobre a igual integração da lei processual civil. 10ª ed. pelos costumes e pelos princípios gerais do direito69. as eventuais omissões das leis devem ser sanadas pela analogia. também há a excepcional possibilidade da integração à vista da equidade. à vista dos métodos sistemático e teleológico. 1983. 69 Assim.109 do Código de Processo Civil e os artigos 6º e 25 da Lei n. qualquer método de hermenêutica pode ser utilizado na interpretação do direito processual. los métodos generales de interpretación y de integración son aplicales. como bem revelam os artigos 127 e 1. em sentido amplo. histórica. sin pecurialidad alguna. 76. tudo nos termos do artigo 4º da Lei de Introdução ao Código Civil.exemplo. 9. restritiva. na doutrina: “En principio.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. Na mesma esteira. a interpretação gramatical. 3. o qual é considerado uno e completo. a la norma procesal. INTEGRAÇÃO DO DIREITO PROCESSUAL CIVIL À vista da plenitude do ordenamento jurídico. cuja omissão também é suprida pela analogia. 27 . de 1995. estudados no primeiro tópico do presente capítulo. sem os grifos no original).” (BARRIOS DE ÁNGELIS. interpretação jurídica em geral. 46). o termo “sentença” inserto no artigo 485 do Código de Processo Civil deve ser interpretado como “decisão”. p. p.099. Introducción al estudio del proceso. extensiva etc. tal como consta do artigo 495 do mesmo diploma. Admite. Teoria geral do processo. sistemática. lógica. pelos costumes e pelos princípios gerais do direito.

1996. ambientais. administrativo. de outro lado. rigen a partir de un momento determinado. Regulam. 72 De acordo. 1º ora comentado não reproduz essa menção expressa ao processo comercial. entendidas estas como abrangendo às de direito civil. e leis processuais (ou instrumentais). as leis processuais são classificadas em cíveis. às causas comerciais e às causas cíveis. empresariais. nas diferentes órbitas: civil.. Os conflitos oriundos das leis trabalhistas são processados e julgados à vista das leis processuais do trabalho. As leis materiais ou substanciais são as que estabelecem direitos e deveres das pessoas em geral. JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. Volume I.. penais. à vista do campo de incidência em relação ao direito material. como todas las jurídicas. A LEI PROCESSUAL CIVIL As leis são classificadas em leis materiais (ou substanciais). Introducción al estudio del proceso. Os conflitos provenientes das leis penais são processados e julgados à luz das leis processuais penais. os direitos e deveres das pessoas que convivem entre si em uma determinada sociedade. os relativos às leis civis. Mas deve-se entender que o Código se aplica também às causas comerciais. 10ª ed. Já os conflitos referentes às leis eleitorais são processados e julgados à luz das leis processuais eleitorais. penal. Teoria geral do processo. empresarial.A LEI PROCESSUAL CIVIL NO TEMPO E NO ESPAÇO 1. agrárias. 83). Estão as leis processuais civis. as normas procedimentais e as normas de organização judiciária também são consideradas “processuais”: cf. agrário etc. 2. que normalmente coincide con la fecha probable o efectiva de su conocimiento por parte de los sujetos a ella y hasta que otra norma superior o de la misma jerarquía las derogue o se den las circuntancias constitutivas del desuso. na doutrina: “Las normas procesuales. portanto. eleitoral. p. e a falta de disposição que mantivesse o Código de 1939 apenas para as causas comerciais. vale conferir a autorizada lição do saudoso Professor CELSO AGRÍCOLA BARBI: “O art. n. tributárias. Por fim. 10ª ed. as leis processuais civis sofrem limitações temporais. submetidas às regras gerais de direito 70 Como já anotado no tópico destinado ao estudo do conteúdo do Direito Processual Civil. quais sejam. 1983. de um lado. trabalhista. portanto. administrativas. p. as leis processuais propriamente ditas versam sobre os direitos e deveres que dizem respeito à relação jurídica proveniente da instauração do processo destinado à resolução do conflito de interesses70. portanto. 25 e 26. isto dada a tradição do nosso direito desde 1890. trabalhistas e eleitorais. Aplica-se ele.” (Comentários ao Código de Processo Civil. Por fim.” (BARRIOS DE ÁNGELIS. Já as leis processuais ou instrumentais são as que estabelecem os direitos e os deveres dos sujeitos da relação jurídica processual: autor. Com efeito. em razão do advento de outras leis que versem sobre a mesma matéria72. A LEI PROCESSUAL CIVIL NO TEMPO Como todas as leis. 71 A propósito. previdenciárias etc são processados e julgados à vista das leis processuais civis71. 28 . 10. p. Estado-juiz e réu. ao fato de não ter sido editado um Código para o processo comercial. para as quais as leis não tenham previsto processo diferente. 2). tributária.. todos os demais conflitos de interesses. 2009.

“– Embora o processo seja reconhecido como um instrumento complexo. 1. todavia. es posible afirmar que la norma procesal tiene cierte peculiaridad. portanto. a los procesos en trámite. in verbis: “Art. Teoria geral do processo. no qual os atos que se sucedem se interrelacionam. com a finalidade de aplicação da lei no tempo. 84). 1. A combinação do artigo 6º da Lei de Introdução com o artigo 1. as leis processuais civis começam a vigorar quarenta e cinco dias depois da publicação oficial. porque só alcança os atos futuros. Só o Estado soberano tem autonomia para instituir normas de regência e jurisdição para aplicar as normas instituídas. por principio.035. ou seja. ou seja. Por conseguinte. 1. a aplicação da lei nova não configura a retroatividade. o proêmio do artigo 1. no caso dos processos pendentes. en cuanto sería ‘de aplicación inmediata’. sem prejuízo da validade dos atos realizados sob a vigência da lei anterior”. 3. 10ª ed. é lícito concluir que a lei processual civil nova é aplicável desde logo. Por fim. o ato processual já consumado.” (BARRIOS DE ÁNGELIS. conforme positivado no art. está expressamente previsto no art.540/SP.” “Por conseguinte. como. entretanto. à vista da regra consagrada no artigo 1º da Lei de Introdução – ressalvada.211 do Código de Processo Civil revela. Introducción al estudio del proceso.118. 2º e 6º da Lei de Introdução ao Código Civil. nem seus efeitos futuros. deixando válidos os atos realizados segundo a lei revogada. Daí a possibilidade da aplicação da nova lei processual até mesmo aos processos pendentes. Daí a conclusão: as leis processuais civis são aplicáveis apenas aos 73 Assim. respeitados. a coisa julgada proveniente de sentença irrecorrida e o direito adquirido processual74. respeita a eficácia dos atos processuais já realizados e disciplina o processo a partir da sua vigência.211 do CPC. mas não deve retroagir. disposição excepcional que afaste a regra. es decir.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. até mesmo em relação aos processos em curso73. 3ª Turma do STJ. os atos processuais já concretizados. 75 De acordo. Diário da Justiça eletrônico de 13 de maio de 2009). À vista da combinação do artigo 6º da Lei de Introdução com o artigo 1. na doutrina: “No obstante. pela qual a lei nova. na jurisprudência: “1.” (REsp n. No nosso sistema processual.intertemporal consagradas nos artigos 1º. entretanto. tal conceito não exclui a aplicação da teoria do isolamento dos atos processuais. encontrando um processo em desenvolvimento. a regra geral é que a lei processual deve ter aplicação imediata. 29 . 54 e 55). Diário da Justiça eletrônico de 25 de novembro de 2009). 2ª Turma do STJ. a adoção da teoria do isolamento dos atos processuais pelo direito brasileiro75. vige a doutrina do isolamento dos atos processuais. 2009. 2º A lei processual penal aplicar-se-á desde logo. por exemplo.. vale notar o artigo 2º do Código de Processo Penal consagra a mesma teoria. 74 De acordo. preservados. para a resolução dos conflitos de interesses ocorridos no respectivo território.220 revela que o Código de Processo Civil promulgado em janeiro de 1973 só entrou em vigor no dia 1º de janeiro de 1974. p. 1983.211 do Código de Processo Civil. 1. Esse sistema. os atos posteriores à vigência. inclusive. na doutrina: “Portanto. p. A LEI PROCESSUAL CIVIL NO ESPAÇO A jurisdição é fruto da soberania do Estado. não deve alcançar os atos praticados na vigência da lei velha.” (REsp n.249/ES.211 do CPC.

Bem examinada. porquanto determinam a excepcional aplicação da mesma também a alguns litígios surgidos no estrangeiro.” (OTHON SIDOU. as sentenças proferidas em processos estrangeiros não têm eficácia alguma no território brasileiro. O território nacional também abrange o “mar territorial”. as águas interiores e o mar territorial são usualmente considerados como partes integrantes do território estatal. da Constituição Federal.852 m. 2002. tal como indicada nas cartas náuticas de grande escala. 356). na doutrina: “Outro elemento material é o território. bem ensina o Professor FRANCISCO FERNANDES: “milha marítima: medida itinerária equivalente a 1852 m.. ou seja. o território nacional também compreende o espaço aéreo. e correspondente à distância média entre dois pontos da superfície da Terra que têm a mesma longitude e cujas latitudes diferem no ângulo de 1 minuto. Curso de direito constitucional. Com efeito. O mar territorial equivale a 12 milhas marítimas78 contadas da linha da baixa-mar. em processo de homologação de sentença estrangeira81.. medidas a partir da linha da baixa-mar do litoral continental e insular brasileiro. 77 Assim. 80 “ESPAÇO AÉREO. e artigo 475-N. estudar o conceito de “território nacional”. o território nacional é composto por todas as terras delimitadas geograficamente pelas fronteiras. por força do artigo 20. artigo 105. 76 É a regra também consagrada no proêmio do artigo 1º do Código de Processo Penal: “O processo penal reger-se-á em todo o território brasileiro.” (AUGUSTO ZIMMERMANN. e que é jurisdicionado do Estado subjacente. da Constituição de 1988. ressalvados:”. reconhecidas oficialmente no Brasil”. alínea “i”. 81 Cf. salvo se previamente homologadas pelo Superior Tribunal de Justiça. mas com repercussão – ainda que indireta – no Brasil. os artigos 88 e 89 do Código de Processo Civil ampliam o campo de incidência da legislação brasileira. inciso I. 78 “Unidade de medida internacional (denominada às vezes milha marítima) para as distâncias em navegação aérea ou marítima. 1. Resta. em todo o território nacional. Por fim. Além disso. 2004. que significa a base física e o limite de atuação jurisdicional do Estado. contenciosa e voluntária. 79 “O mar territorial brasileiro compreende uma faixa de doze milhas marítimas de largura. Enciclopédia e dicionário. conforme as disposições que este Código estabelece”76. Aer. inciso VI. Espaço que cobre o território e o mar territorial. podendo ser contínuo ou incluir áreas destacáveis. 2001). aquático e aéreo no qual o Brasil exerce a sua soberania77. O território é a área na qual o Estado é soberano. 9ª ed. 1998. p. é exercida pelos juízes. 55ª ed. o artigo 1º do Código de Processo Civil é explícito acerca da adoção da teoria da territorialidade: “Art. Aliás. p. incluídos os lagos e os rios interiores. de 199379. por este Código. inciso VI.litígios ocorridos dentro do território nacional. Ainda a respeito do alcance da lei processual civil.. A respeito do assunto. Sob outro prisma. (Seu valor é fixado por convenção em 1. 1º A jurisdição civil. tem poder de coerção e exerce a jurisdição.078). 2ª ed. tais como as ilhas e aquelas situadas em outro continente. a área que está acima do solo delimitado pelas fronteiras terrestres e do mar territorial80. ex vi do caput do artigo 1º da Lei n. a expressão “território nacional” deve ser entendida como todo espaço terrestre. do Código de Processo Civil. 30 .)” (ABRAHÃO KOOGAN e ANTÔNIO HOUAISS.” (Dicionário brasileiro. 8. o espaço aéreo. Dicionário jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas. Dir. 34). para a completa interpretação do artigo 1º do Código de Processo Civil.617.

se constituiu o ‘Poder Judiciário’. 1994. 51.. Omissis. 21ª ed. Teoria geral do processo. bem como os Ministros de Estado e os Comandantes da Marinha. ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. 52. ao Senado Federal. EC n. 9ª ed. os Ministros do Supremo Tribunal Federal. denominado “processo de impeachment”83. da Constituição Federal.DA JURISDIÇÃO 1.307. por infringência das proibições estabelecidas no art. “há funções jurisdicionais exercidas por outros órgãos (cfr. Tít.. art. 2005. 2002.” (ALCIDES MENDONÇA LIMA. ADA PELLEGRINI GRINOVER e CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. Também de acordo. I) – É uma das funções próprias e exclusivas do Estado. Tanto que a sentença 82 “JURISDIÇÃO (Liv. precipuamente. CONCEITO DE JURISDIÇÃO O termo provém da expressão latina “iuris dictio”. “JURISDIÇÃO. Em suma. 55. 45. e há funções absolutamente não-jurisdicionais. do exercício da jurisdição. Em regra. A solução dos conflitos de interesses passou a caber a terceiros até que. I). inc. 486). (O mesmo se dá com a função legislativa que não é toda entregue ao Legislativo como com a função executiva que não fica inteira em mãos do Executivo). Nas hipóteses.. Curso de direito constitucional. Judic. de 1996. os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público. art. a jurisdição não é exclusiva do Poder Judiciário. o Advogado-Geral da União.” (MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO.. 12ª ed. (Lat. Atividade precípua do Poder Judiciário. e parágrafo único. o Procurador-Geral da República e o Advogado-Geral da União nos crimes de responsabilidade’ (art. ‘dizer o direito’. por crime de responsabilidade. § 2º)”. 96). Aliás. (1) S.” (ANTONIO CARLOS DE ARAÚJO CINTRA. Const.. como bem revela o artigo 18 da Lei n. o Procurador-Geral da República. a jurisdição é o poder de dizer qual é o direito objetivo aplicável ao conflito de interesses. que os órgãos judiciários exercem (Const. 2004. I. por meio do processo. isto é. de 8. inc. I. respectivamente). 14. Jurisdição e competência. 2005. 83 Cf. inc. “JURISDIÇÃO. Há verdadeira prestação jurisdicional pelo Poder Legislativo nas hipóteses do artigo 52. p. p. Cap. Dir. 54 da Constituição. eventualmente. a qual revela a essência da jurisdição: dizer o direito82. Também há verdadeira prestação jurisdicional no processo de arbitragem.. incumbido. a jurisdição é a função típica do Poder Judiciário. Dicionário do Código de Processo Civil. p. 368). por exemplo. pelos meios previstos em lei. iuris-dictio)”. no aperfeiçoamento das instituições. o Legislativo também a exerce: ele julga no impeachment. 31ª ed.. para ‘processar e julgar o Presidente e o Vice-Presidente da República nos crimes de responsabilidade. na solução dos conflitos de interesses. 166. I).04). p. do Exército e da Aeronáutica em crimes da mesma natureza conexos com aqueles’ (art. red. a jurisdição é prestada pelo Poder Judiciário. como o é na Constituição brasileira. com a finalidade de ‘dizer o direito’. 245). 167 e 145. II. “A Constituição brasileira atribui expressamente a função jurisdicional: a) à Câmara dos Deputados. inciso I e II. f. há a prestação jurisdicional pelo Senado por meio de um verdadeiro processo. com a resolução do mesmo. c) também ao Senado Federal. Assim. 2ª ed. Não obstante. Dicionário jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas. o Vice-Presidente. inc. f. para ‘processar e julgar os Ministros do Supremo Tribunal Federal.12. quando o Senado processa e julga o Presidente da República. p. 51. d) à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal. Com efeito. 9. ainda na melhor doutrina: “Note-se que a função jurisdicional pode ser atribuída. ou por procedimento incompatível com o decoro parlamentar ou atentatório das instituições vigentes (art. a par da legislativa e da executiva. 31 . (2) S. quanto à declaração da procedência de acusação contra o Presidente e o Vice-Presidente da República e os Ministros de Estado (art. 52.” (OTHON SIDOU. quanto à declaração da perda do mandato de seus membros. a outro Poder que não o Judiciário. os Conselheiros do Conselho Nacional de Justiça. gradativamente. I). A própria finalidade decorre do sentido etimológico: juris dictio.

2009. a teoria da substitutividade é alvo de séria crítica da doutrina: cf.. a teoria da definitividade. Merecem destaque a teoria da substitutividade85. 2009. fundada na resolução do conflito de interesses dos litigantes à luz do direito objetivo adequado à espécie. Sem dúvida. 84). já que a jurisdição deve ser prestada se e quando o Estado-juiz for acionado. e da segunda. e o poder de aplicar o mesmo (direito objetivo) aos casos concretos. p.2. Teoria geral do processo. já que há algumas situações em que a jurisdição é exercida pelo Poder Legislativo e por árbitros privados. JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. XXXV e XXXVII). Há. p. fundada na coisa julgada. TEORIAS RELATIVAS À JURISDIÇÃO À vista das características e dos escopos da jurisdição. inciso XXXV. a um só tempo. na doutrina: “É que. a jurisdição é o poder de aplicar o direito objetivo para resolver o conflito de interesses. o julgamento dos conflitos civis tendo por objeto direitos patrimoniais disponíveis.arbitral é título executivo judicial. no entanto. 2. e a teoria da composição da lide. que são julgados pelo Senado da República. 10ª ed. no caso concreto. em regra pelo Poder Judiciário. 10ª ed. servindo a Câmara dos Deputados de órgão acusatório. TEORIA DA DEFINITIVIDADE: TEORIA DE ALLORIO 84 De acordo. para a resolução dos conflitos de interesses entre os particulares e o próprio Estado. TEORIA SUBSTITUTIVIDADE: TEORIA DE CHIOVENDA O Estado moderno tem. 32 . trata-se de verdadeiro poder-dever. o poder de elaborar as normas jurídicas que compõem o respectivo ordenamento e formam o direito objetivo. art. Além de ser poder. embora o Judiciário seja a organização destinada precipuamente ao exercício da função jurisdicional do Estado (CF. em razão da regra da proibição da autotutela.. da Constituição Federal. portanto. do Código de Processo Civil84. Sirva de exemplo da primeira o julgamento dos crimes de responsabilidade do Presidente da República. por meio do processo judicial.1. incisos I e IV. foram construídas teorias que explicam e justificam o poder consubstanciado na prestação jurisdicional. diante da regra proibitiva da autotutela. Teoria geral do processo. abstrata e impessoal proveniente do direito objetivo de cada Estado. 2. Por tudo. Daí a incidência. 69 e 70. a substituição da vontade individual e pessoal dos litigantes pelo disposto no direito objetivo elaborado e aplicado pelo Estado. no que tange ao Estado. o Estado passou a ter o poder-dever de resolver os litígios em geral. da vontade geral. tal como a sentença proveniente do Poder Judiciário. também é dever do Estado. 5º. 85 Não obstante. 2. o exercício desta função não é exclusiva do Judiciário. Com efeito. fundada na substituição da vontade individual das partes pelo disposto no direito objetivo. por força do artigo 5º. ex vi do artigo 475-N.

para a resolução do conflito de interesses. CONJUGAÇÃO DAS TEORIAS Examinadas as três teorias que versam sobre a jurisdição. Curso de direito constitucional.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. constata-se que todas têm enorme importância. vale dizer. é necessária a aplicação do direito objetivo adequado à espécie. Lide.3. as principais características da jurisdição. 2. já que a jurisdição é considerada a resolução do litígio. definitividade. 31ª ed. portanto. de modo que. a prévia existência da lide é o pressuposto para a prestação jurisdicional. p. inércia. Sem dúvida. 3. E para a justa composição da lide.. em razão de uma ou mais pretensões resistidas por outrem87. A jurisdição pressupõe a existência de lide. de conflito de interesses entre duas ou mais pessoas. Como é perceptível primo ictu oculi. sob diferentes prismas. inciso XXXV. TEORIA DA COMPOSIÇÃO DO CONFLITO DE INTERESSES: TEORIA DE CARNELUTTI Diante da lide. na sua forma típica. Daí a conclusão da teoria: a definitividade proveniente da coisa julgada é fruto da jurisdição86. é típica do Judiciário. 2009. 2. 87 De acordo. já é possível arrolar as principais respectivas características: lide..A teoria da definitividade é marcada pela consagração da coisa julgada como valor maior da jurisdição. entra em cena a jurisdição. já que podem ser revistas pelo próprio Estado-executivo e também podem ser desconstituídas pelo Estado-juiz. substitutividade. pacificação. na doutrina: “A função jurisdicional. as decisões administrativas não têm força definitiva. CARACTERÍSTICAS E ESCOPOS DA JURISDIÇÃO Estudadas as teorias que explicam e justificam a jurisdição. é o conflito de interesses proveniente da pretensão de uma pessoa que encontra resistência por parte de outra. Teoria geral do processo. ao invés da adoção de uma. porquanto revelam. 2005. 67). Esta – a jurisdição judicial – é que decide com força definitiva. todas merecem ser prestigiadas. fazendo coisa julgada” (MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO. já que revelam as diferentes características que marcam a jurisdição. por força do artigo 5º. 33 . p. em prejuízo das demais.4. da Constituição. Em contraposição. porém. 10ª ed. pode ser chamada de função judiciária. 86 Assim. 246). o pressuposto da inobservância dos direitos (conflito de interesses) é uma das características da jurisdição derivada diretamente de sua finalidade. na doutrina: “Portanto. proveniente de uma pretensão de uma pessoa que encontra resistência por parte de outra. com a imutabilidade e a indiscutibilidade da sentença proveniente da resolução do conflito de interesses.

antes da respectiva posse. é indispensável a resolução do mesmo. tem o poderdever de resolver o conflito de interesses. segundo o qual a jurisdição só pode ser exercida por quem dela se ache legitimamente investido. no crime capitulado no art. ambos do Código de Processo Civil.. pelo menos em regra. já que o mesmo proibiu a autotutela de forma quase absoluta. 324 do Código Penal. promovidos.princípio da indeclinabilidade. não podem ser praticados atos processuais por juízes aposentados. licenciados. tanto o exercício prolongado quanto o antecipado da judicatura ensejam a incidência do artigo 324 do Código Penal88. caput. 25ª ed. em virtude da formação da coisa julgada que torna a decisão imutável e indiscutível. portanto. . portanto. Por conseguinte. Daí a explicação para a tradicional expressão “justa composição da lide”. incorrendo o seu autor. O Estado-juiz. p. removidos. em substituição à vontade individual de cada um dos litigantes. PRINCÍPIOS NORTEADORES DA JURISDIÇÃO A prestação da jurisdição é norteada pelos seguintes princípios: . princípio da aderência. seus órgãos – os juízes – deverão ser nela investidos por ato oficial e legítimo. convocados ou em disponibilidade.princípio da indelegabilidade. in fine. a prestação jurisdicional substitui a vontade das partes em litígio. Sob outro prisma. na doutrina: “Três princípios dominam a jurisdição e regem o seu exercício. a prestação jurisdicional se dá com a resolução do conflito de forma definitiva. resolver o conflito de interesses e aplicar o direito objetivo adequado ao caso concreto. tendo em vista a regra consagrada nos artigos 2º e 262. Aliás. O princípio da investidura consiste na exigência de que o magistrado tenha sido empossado e esteja no pleno exercício da judicatura. Primeiras linhas de direito processual civil. poder e dever do Estado. Volume I. não ser podem praticados atos processuais por bacharel aprovado em concurso público para o cargo de juiz substituto.princípio da inafastabilidade. e a um só tempo. ademais. . Por fim. O primeiro é o princípio da investidura. Os atos processuais praticados por quem não é investido legitimamente são nulos de pleno direito. A jurisdição visa. . 88 Assim.Conforme já anotado. do Código de Processo Civil. 2007. Pelo mesmo motivo. 72). a prestação jurisdicional depende da iniciativa da parte que deseja a aplicação do direito objetivo ao caso concreto no qual reside o conflito de interesses.” (MOACYR AMARAL SANTOS. Em regra.princípio do juiz natural. à vista do direito objetivo adequado à espécie. portanto. pois. com a aplicação do direito objetivo. . 4.princípio da investidura. A jurisdição é função do Estado e. a jurisdição é. a um só tempo. primeira parte. 34 . o princípio da inércia norteia o direito processual civil brasileiro.princípio da inércia ou princípio da demanda. como bem revela o artigo 132. Diante do litígio que quebra a paz social. Diante da impossibilidade do uso da própria força para a resolução do conflito. .

a jurisdição não pode ser exercida fora do território do respectivo juízo ou tribunal. o juiz ou tribunal deve ter tanto a jurisdição quanto a competência estabelecidas antes do fato gerador que serve como causa de pedir da demanda: “ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente”91.. Os juízes exercem jurisdição nos limites da circunscrição territorial que lhes é traçada pelas leis de organização judiciária. para o julgamento de determinada causa.É irrecusável. À vista dos incisos XXXVII e LIII do artigo 5º da Constituição de 1988. porquanto são autorizados pelo § 4º do artigo 162 do Código de Processo Civil. a jurisdição e a competência prévias. Nenhuma pessoa. se divide em circunscrições – comarcas. seção judiciária ou circunscrição judiciária. distritos -.” (MOACYR AMARAL SANTOS. Diário da Justiça eletrônico n.considerado o princípio do juiz natural -. 2007. 72). pessoal ou profissional com as partes. o princípio da aderência consiste na vinculação e na limitação da prestação jurisdicional ao respectivo território do juízo: comarca. poderá ser subtraída ao seu juiz natural. mas deverá exercê-la pessoalmente. A jurisdição pressupõe um território em que é exercida. o princípio do juiz natural está consubstanciado na exigência de que o processo judicial seja presidido e julgado por juiz ou tribunal com jurisdição e competência prévias. conforme o caso90. 25ª ed.” “O território de cada Estado. 2007. Volume I. São vedados. conforme a Justiça seja estadual. publicado em 25 de abril de 2008). o postulado fundamental do juiz natural. da Carta Política prescreve que ‘ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente’. ao proclamar as liberdades públicas . perito. razão pela qual delegar a prestação jurisdicional aos auxiliares do juízo: escrivão. Em outros termos. administrador. por sua vez. como a juntada de petições e a vista obrigatória por força de lei. entretanto. em nosso sistema de direito constitucional positivo . até mesmo quando não há lei específica para o caso concreto. na doutrina: “Outro princípio é o da indelegabilidade da jurisdição. Já à luz do princípio da indeclinabilidade. em conseqüência. p. p. na doutrina: “O terceiro princípio é o da aderência da jurisdição ao território. é este: a jurisdição não pode ser exercida fora do território fixado ao juiz. à vista do qual o juiz não pode deixar de decidir a lide. por consequência. Como já estudado no capítulo destinado aos princípios processuais em geral. federal ou distrital. que ninguém poderá ser privado de sua liberdade senão mediante julgamento pela autoridade judiciária competente. O art. 25ª ed. O juiz exerce a função jurisdicional por delegação do Estado e não poderá delegá-la a outrem. LIII. a jurisdição não é passível de delegação por parte do juiz. Nada impede. 2ª Turma do STF. que os auxiliares do juízo pratiquem atos meramente ordinatórios. consagrou. desde que legitimamente investidos. os juízos e tribunais de exceção. 72). O princípio. depositário ou outro serventuário da justiça89. entretanto.que representam limitações expressivas aos poderes do Estado -. e sem que o julgador tenha nenhum anterior vínculo familiar.. 35 . Sob outro prisma. 90 Assim. de modo explícito. 89 De acordo.À vista do princípio da indelegabilidade. 74. 83. então. Com efeito. 91 Assim. Primeiras linhas de direito processual civil.” (HC n. na jurisprudência: “.003/RS. Não bastam. os artigos 126 e 128 do Código de Processo Civil consagram o princípio da indeclinabilidade da jurisdição.” (MOACYR AMARAL SANTOS. em cada uma delas exercendo jurisdição os respectivos juízes. oficial. sem prejuízo algum ao princípio da indelegabilidade. Primeiras linhas de direito processual civil. o juiz não pode se eximir de julgar a lide. A nova Constituição do Brasil. Volume I. 5º. constituídos após o fato gerador do conflito de interesses. ou juiz.

o artigo 1. Não obstante. para a decisão de litígios de alguma forma vinculados ao seu território. há o princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional. LIMITES DA JURISDIÇÃO No que tange aos limites da jurisdição no espaço. Nesse caso. isto é. 36 . 44). pessoal ou profissional com alguma das partes. Daí a justificativa para a impossibilidade do processamento e do julgamento por magistrado com anterior vínculo familiar. Diário da Justiça de 20 de março de 2000. a fim de que a causa seja processada e julgada com a isenção necessária para a correta aplicação do direito material à espécie. segundo o qual o acesso ao Poder Judiciário pressupõe o esgotamento da instância administrativa da denominada “Justiça Desportiva”92. Esgotamento da instância administrativa. O artigo 1.É indispensável que os juízes e os tribunais também sejam independentes e imparciais. em razão da existência de muitos preceitos legais que autorizam o juiz a atuar de ofício. porquanto o constituinte de 1988 consagrou o amplo acesso ao Poder Judiciário. 2002. em relação ao qual é soberano para impor o próprio direito objetivo e para fazer cumprir as decisões estatais. Já o artigo 1. até mesmo com o emprego da 92 Assim.142 também confere ao juiz a iniciativa diante de herança jacente. cada Estado a exerce no respectivo território93. 12ª ed. com bem revelam os artigos 134 e 135 do Código de Processo Civil. ne procedat iudex ex officio. ambos do Código de Processo Civil. há várias exceções. segundo o qual a prestação jurisdicional depende de iniciativa da parte. vale dizer. desapareceu da hierarquia da justiça desportiva o Tribunal Superior de Justiça Desportiva. . Extinção.892/RJ. há restrições impostas pelo próprio constituinte originário.” (ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. 4ª Turma do STJ.” (REsp n. na jurisprudência: “ESPORTE. Justiça desportiva. Tribunal Superior de Justiça Desportiva. Lei nº 8.. Os artigos 2º e 262.160 dispõe sobre a iniciativa oficial para a arrecadação de bens de ausente. porquanto o juiz não age de ofício: nemo iudex sine actore. Não obstante. Por fim.129 autoriza a iniciativa do juiz em relação à abertura de testamento. 210. consagram o princípio da inércia. independentemente da iniciativa de jurisdicionado algum. a jurisdição é exercida nos limites territoriais do respectivo país. na doutrina: “Constituindo uma das características da soberania estatal. 5. Na verdade. p. proêmio. 93 De acordo.672/93. 77). consagrado no inciso XXXV do artigo 5º da Constituição Federal: nenhuma lesão ou ameaça de lesão pode ficar alheia ao controle jurisdicional. Por exemplo.Depois da Lei nº 8. o princípio da inércia não é absoluto no direito brasileiro. Jurisdição e competência. a falta de recurso a tal instância não impede o acesso ao Judiciário.672/93 (Lei Zico). como a limitação inserta no artigo 217 da Constituição Federal. princípio da demanda. Recurso conhecido e provido. princípio da ação. o artigo 989 do Código de Processo Civil dispõe sobre a iniciativa oficial para a instauração do inventário. p. Na mesma esteira.

p. porquanto não alcança os litígios de natureza privada. o legítimo direito 37 . — O novo quadro normativo que se delineou no plano do direito internacional. do Código de Processo Civil. tudo nos termos dos artigos 88 e 89 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 28 de novembro de 2005. Afasta-se a imunidade jurisdicional do Estado estrangeiro quando a questão subjacente é de natureza civil. passou a sustentar a imunidade relativa. a prerrogativa institucional da imunidade de jurisdição.. 103). Em suma. na jurisprudência: “A imunidade absoluta de jurisdição do Estado Estrangeiro só foi admitida até o século passado. artigos 662 e 825. ou. atuando em matéria de ordem estritamente privada. 6/RJ. Modernamente se tem reconhecido a imunidade ao Estado Estrangeiro nos atos de império. tendo em vista a recente relativização da imunidade jurisdicional estrangeira. mesmo nos casos arrolados nos artigos 88 e 89 do Código de Processo Civil. mas apenas em relação aos atos iure imperii. tendo-se presente. os respectivos chefes de Estado e de Governo e os diplomatas estrangeiros em geral não estão sujeitos à jurisdição brasileira. os Estados estrangeiros.” (RO n. Não obstante. cujas obrigações devam ser cumpridas no Brasil.que se construísse a teoria da imunidade jurisdicional relativa dos Estados soberanos. direito empresarial e direito trabalhista. p. 2ª Turma do STJ. intervier em domínio estranho àquele em que se praticam os atos jure imperii. 240).” (RO n. comercial ou trabalhista. 1ª Turma do STJ. permitiu .” (ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. que versem sobre fatos ocorridos no território nacional. a imunidade jurisdicional estrangeira não atinge os litígios que versem sobre direito civil. Jurisdição e competência. Sem dúvida. e também no âmbito do direito comparado.força94.ante a realidade do sistema de direito positivo dele emergente . sujeita-se a imunidade aos acordos internacionais firmados pelos Estados soberanos. ainda que excepcionalmente. Diário da Justiça de 10 de maio de 1999. O Egrégio Supremo Tribunal Federal. De acordo. Precedente do STF. os atos jurídicos estritamente públicos. a natureza do ato motivador da instauração da causa em juízo. 94 95 Cf. razão pela qual os Estados estrangeiros podem ser acionados e respondem perante o Estado-juiz brasileiro96. Legislação comparada. submetendo-se à jurisdição estrangeira quando pratica atos de gestão. O Estado pratica ato jure gestiones quando adquire bens imóveis ou móveis. Doutrina. hoje a imunidade jurisdicional do Estado estrangeiro e dos respectivos diplomatas não é mais absoluta. estão submetidos à jurisdição brasileira todos os litígios cujos réus tenham domicílio no país. de tal modo que deixa de prevalecer. 45/RJ. para esse específico efeito. “ATUAÇÃO DO ESTADO ESTRANGEIRO EM MATÉRIA ORDEM PRIVADA. A teoria da imunidade limitada ou restrita objetiva institucionalizar solução jurídica que concilie o postulado básico de imunidade jurisdicional do Estado estrangeiro com a necessidade de fazer prevalecer. 45). p. Por conseguinte. 12ª ed. ainda que praticados por Estados ou por diplomatas estrangeiros. Tratando-se de questão tributária ou de direito público. a jurisdição brasileira alcança tanto os nacionais quanto os estrangeiros com algum direito ou obrigação no território do país95. 96 De acordo. Com efeito. sempre que o Estado estrangeiro. Sob o prisma subjetivo. por decisão do Tribunal do foro. vale dizer. que tenham por objeto imóveis situados no Brasil ou que versem sobre sucessão causa mortis com bens situados no país. INCIDÊNCIA DA TEORIA DA IMUNIDADE JURISDICIONAL RELATIVA OU LIMITADA. Em contraposição. há exceções à jurisdição brasileira. “1. mudando de entendimento. na doutrina: “Subjetivamente. brasileiros ou estrangeiros. parágrafo único. 2002. a jurisdição brasileira impõe-se a todas as pessoas que se encontram em território nacional. os atos jurídicos de natureza privada estão sujeitos à jurisdição brasileira. de qualquer forma se enquadre no âmbito do direito privado.

Aliás.6. a jurisdição é una e indivisível. DIVISÕES OU CLASSIFICAÇÕES Como já anotado. o artigo 1. como bem revelam o artigo 127 do Código de Processo Civil. prestada por árbitros e pelos denominados “tribunais arbitrais”. Quando. “divisões da jurisdição” ou “classificações da jurisdição”. como nos casos dos incisos I e II do artigo 52 da Constituição Federal. os artigos 6º e 25 da Lei n. prestada por órgãos do Poder Judiciário. 9. Em contraposição à jurisdição estatal.307. de 1995. Quando o juiz só pode resolver o conflito de interesses à vista das normas jurídicas de direito material. e os artigos 2º e 11 da Lei n. empresariais ou civis. Daí a construção teórica das “espécies de jurisdição”. 9. com os grifos no original). por ser fruto da soberania do Estado. mercantis. JURISDIÇÃO: ESPÉCIES. do particular ao ressarcimento dos prejuízos que venha a sofrer em decorrência de comportamento imputável a agentes diplomáticos. entretanto.307. o juiz pode resolver o conflito de interesses mediante a prolação da sentença que for mais justa.tenha decorrido da estrita atuação more privatorum do Estado estrangeiro. quando autorizada por força de lei. quando o Senado exerce verdadeira prestação jurisdicional.109 do mesmo Código. Com efeito. ou a pessoas com domicílio no território nacional. desde que o fato gerador da controvérsia judicial . também há jurisdição estatal quando órgão do Legislativo julga processos de impeachment. porquanto o próprio Estado pode autorizar a prestação jurisdicional por “árbitros”. em torno de questões meramente laborais. a regra no direito brasileiro é a jurisdição de direito. de 1996. 1ª Turma do STF. Não se revela viável impor aos súditos brasileiros. há a jurisdição privada. a jurisdição por equidade só pode ser prestada quando há autorização legal.099. além da prestação jurisdicional estatal judiciária. 9. 9. perante tribunais alienígenas. A regra. de 1996. Não há dúvida de a jurisdição pode ser estatal ou privada. o ônus de litigarem. em contraposição à ideia da unidade e da indivisibilidade da jurisdição. À vista do artigo 127 do Código de Processo Civil. Tanto a jurisdição estatal quanto a jurisdição privada podem ser classificadas em “jurisdição de direito” e em “jurisdição de equidade”.307. equânime. conveniente ou oportuna para o caso concreto. a jurisdição tem sido estudada pela doutrina sob diferentes prismas. de 1996. é a jurisdição estatal. por ser exceção no direito brasileiro. tenham atuado more privatorum em nome do País que representam perante o Estado acreditado (o Brasil. independentemente do disposto nas normas de direito material ou substancial.671/DF – AgRg. Diário da Justiça de 29 de março de 1996. à luz da Lei n. todavia. tendo em vista as fontes de direito à luz das quais o juiz pode decidir a lide. A despeito da unidade e da indivisibilidade. a jurisdição é de direito. agindo ilicitamente. no caso). por ser a jurisdição a função precípua do Judiciário. como ocorreu no Brasil com o advento da Lei n. 38 . que. 139.” (AI n.necessariamente estranho ao específico domínio dos acta jure imperii . A equidade só pode ser evocada excepcionalmente.

Diante da unidade e da indivisibilidade da jurisdição. mas. conforme esteja solucionando conflitos de interesses ou apenas exercendo uma atividade administrativa de interesses particulares relevantes. constata-se que. o juiz apenas administra interesses particulares considerados relevantes pelo Estado98. 31 e 32. dentre outros. nem só civil ou penal. sim. enquanto a jurisdição penal é a que é prestada à vista do direito penal. 2005. o pedido de restituição de um imposto indevidamente exigido. p..” (ANTONIO RAPHAEL SILVA SALVADOR. a existência do conflito é pressuposto necessário da jurisdição contenciosa. não diz respeito à jurisdição. enquanto a jurisdição voluntária é marcada pela inexistência de lide. Bem examinada a classificação. a jurisdição prestada pelo Estado-juiz pode ser contenciosa ou voluntária: a jurisdição contenciosa é a marcada pela existência de lide. 158 e 159. Não há na jurisdição voluntária uma lide a ser solucionada. mas também eleitoral. Já na voluntária temos a separação judicial consensual. 99 Cf. mas.” “Por conseguinte. o que pode ser civil ou penal é a competência. pela submissão de interesses particulares à chancela do Estado97. etc. sim. como veremos no momento oportuno. Essa diversa natureza do objeto da jurisdição dá origem à sua distinção em jurisdição contenciosa e voluntária. em razão da prática de algum delito. ao argumento de que. como já anotado. na doutrina: “A jurisdição pode exercer-se em face de um conflito ou não. trabalhista e até militar. Como exemplo da contenciosa podemos lembrar a cobrança de uma dívida pelo credor. à competência. ou jurisdição propriamente dita. obtida por exclusão: é civil a jurisdição não-penal. Em razão da ausência de lide. Aliás. conflito de interesses entre particulares ou entre particular e o próprio Estado. porquanto. A rigor. 2005. e a distribuição dos processos à vista dos órgãos judiciários e das respectivas matérias recebe a denominação de “competência”. Teoria geral do processo. a jurisdição voluntária é denominada “jurisdição graciosa”. na verdade. nem partes discutindo. com o juiz administrando interesses privados relevantes. a jurisdição civil é a prestada por exclusão: é denominada “civil” toda jurisdição que não esteja vinculada a delito. Teoria geral do processo civil. não há provocação pelo exercício do direito de ação e nem há processo. tudo indica que a classificação é da competência em civil e penal. 98 De acordo. a jurisdição é una.À vista do artigo 1º do Código de Processo Civil. a ação de despejo do locatário por infração contratual. Teoria geral do processo. portanto. p. p. 39 . Aliás. a qual pode ser civil. mas 97 De acordo. 21ª ed. A jurisdição civil é ampla. com o grifo no original). 10ª ed. tal como a soberania do Estado. ao invés de julgar conflitos de interesses. Com efeito. pedido de venda de bens de menores e nomeação de tutor ou curador. trabalhista e até militar. eleitoral.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. 80). 2009. não há jurisdição civil em contraposição à jurisdição penal. ANTONIO CARLOS DE ARAÚJO CINTRA. mas teremos simples procedimento. ao invés da tradicional classificação da jurisdição em civil e penal.. penal. Em suma. O que pode ocorrer é a distribuição dos processos em razão da organização judiciária do Estado. ADA PELLEGRINI GRINOVER e CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. Autorizada doutrina99 também classifica a jurisdição em civil e penal. a jurisdição voluntária também é denominada “jurisdição administrativa”. na doutrina: “Admite-se hoje a divisão ainda da jurisdição em contenciosa e voluntária.

quando prestam a jurisdição pela vez primeira. tendo em vista a existência de lide. e não à jurisdição. 2009. 79 e 80. o artigo 1º do Código de Processo Civil revela que a jurisdição prestada pelo Estado-juiz pode ser contenciosa ou voluntária. Não obstante. 10ª ed. que as impróprias qualificações de inferior e superior dadas aos órgãos do primeiro e segundo graus da jurisdição não deveriam ter conotação hierárquica. 77). p. por ser incompatível com o exercício da função jurisdicional. Já a jurisdição prestada pela Justiça do Trabalho. Primeiras linhas de direito processual civil. 25ª ed.. sem especialização em razão da matéria. mais uma vez. Volume I. a doutrina classifica a jurisdição em comum e especial. do Distrito Federal e até mesmo pela União.também em eleitoral.” “Advirta-se. de primeiro grau e de segundo grau de jurisdição. de forma residual. quando há o julgamento em segunda instância. sobre a qual diremos mais adiante. 100 Como já estudado no capítulo destinado aos princípios norteadores do direito processual civil. cabe aqui a mesma crítica feita à classificação anterior: trata-se de classificação relacionada à competência. 267 e 269)”100. os tribunais também têm competência originária. 40 . o duplo grau de jurisdição não tem estatura constitucional nem é absoluto no direito brasileiro. segundo o critério discretivo. Os órgãos do 2º grau. À evidência. a jurisdição também é classificada em inferior e superior. tendo em vista o órgão judiciário no qual há a prestação jurisdicional. 7. pela Justiça Eleitoral e pela Justiça Militar – federal e estadual – é denominada “jurisdição especial”. Daí a classificação da jurisdição em inferior ou superior.. o que constitui a chamada competência funcional vertical. A denominada “jurisdição inferior” é a prestada pelos juízes de primeiro grau ou de primeira instância. Deveriam significar. ou não102. 2007. que estão no plano superior. a voluntária versa sobre interesses não em conflito. sem o grifo no original). vale dizer. na doutrina: “Enquanto a jurisdição contenciosa visa à composição de conflitos de interesses. a jurisdição pode ser comum ou especial. o critério discretivo parte da organização judiciária e da competência dos respectivos órgãos do Poder Judiciário101. p. tão-só. justamente porque estão no plano inferior. em virtude da consagração do princípio do duplo grau de jurisdição no artigo 513 do Código de Processo Civil: “Da sentença cabe apelação (arts. vale dizer.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. no capítulo da competência. Teoria geral do processo. Ademais. trabalhista e militar. tendo em vista suas funções específicas. formam a impropriamente chamada jurisdição superior. na doutrina: “Os órgãos do 1º grau constituem a impropriamente chamada jurisdição inferior. 102 De acordo. Por fim. a distribuição do trabalho entre os órgãos. Já a “jurisdição superior” é a prestada pelos tribunais em grau de recurso. 101 Com igual reserva ao critério discretivo. Também à vista da organização judiciária brasileira. Com efeito.” (MOACYR AMARAL SANTOS. tendo em vista a organização judiciária brasileira e as respectivas matérias de especialização. JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA Como já exposto. Comum é a jurisdição prestada na Justiça dos Estados-membros.

não pode alienar (ou onerar) imóvel do filho sem prévia autorização judicial (CC. 78 e 79). tutelar interesses não em conflito. Volume I.103 também reconhece a existência da “jurisdição voluntária”. os artigos 1. Por fim. abertura de testamentos etc. não há interesses contrapostos ou em litígio. Outro exemplo: ao Estado também importa saber sobre a eventual alienação. 41)..105 e 1. Sem dúvida. Quer dizer que esses órgãos os conhecem não para compor conflitos. 1. Como vemos. Jurisdição e competência. protegendo os respectivos interessados. Primeiras linhas de direito processual civil. suprimento de consentimento para casamento. na doutrina: “Denomina-se jurisdição voluntária a um complexo de atividades confiadas ao Juiz nas quais. não há litígio entre os interessados. a abertura de testamento prevista no artigo 1.129 do Código de Processo Civil. pode-se conceituar jurisdição voluntária como administração de interesses privados pelos órgãos jurisdicionais. arrendamento ou oneração de bens de menores.112 do Código de Processo Civil e o artigo 1.121. o Estado-legislador exige a participação do Estado-juiz para a constituição de certos atos jurídicos cujos interesses privados merecem a ratificação estatal.631 do Código Civil também são exemplos de procedimentos de jurisdição voluntária105. mas para tutelá-los. na doutrina: “Vejamos um exemplo de jurisdição voluntária: o pai.517. Com efeito. a autorização para venda de bens de menores. o artigo 1. Por exemplo. portanto. 105 “Entre os numerosos interesses cuja administração se faz pelos órgãos jurisdicionais se acham. Com efeito. representante legal e administrador dos bens de filho menor. ainda que a mesma seja consensual. órfãos e de interditos. p. com partes contrapostas. ao contrário do que acontece com a jurisdição contenciosa. É. a despeito da inexistência de lide a ser resolvida. Teoria geral do processo civil. por exemplo. não há lide. 3ª ed. Diante da inexistência de lide a ser resolvida.. 2002. 41 .” (OVÍDIO A. também denominada “jurisdição graciosa” ou “jurisdição administrativa”. p. 1. O Estado. 2007. o artigo 1.Além do artigo 1º do Código de Processo Civil. incisos II e III. sim. p. 25ª ed. 75). Em todos esses casos. e não um verdadeiro processo.120 e 1.107 do Código de Processo Civil revelam que não há verdadeiras partes.691 do Código Civil104. ao Estado importa saber o destino dos filhos menores após a separação dos pais. mas. irá verificar se a alienação consulta ao interesse do menor.160 do Código de Processo Civil e o suprimento judicial de autorização para casamento previsto nos artigos 1. a arrecadação de bens de ausente inserta no artigo 1. 104 De acordo. 2002. mas 103 Assim.519 e 1. na pessoa do juiz.104. os seguintes: a nomeação e remoção de tutores. 1. 12ª ed. os interesses sujeitos à administração dos órgãos judiciários não estão em conflito com interesses de outrem. a jurisdição voluntária é a “espécie de jurisdição” consubstanciada na administração e na fiscalização judicial de interesses privados tutelados pelo Estado103.” (ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. de um ato jurídico a ser constituído mediante a fiscalização e a posterior ratificação pelo juiz. Por outras palavras. a arrecadação de herança jacente objeto do artigo 1.104 do Código de Processo Civil estabelece que há um simples “procedimento”. ambos do Código de Processo Civil.” (MOACYR AMARAL SANTOS. tendo em vista a ausência de uma lide a ser composta pelo Estado-juiz.142 do Código de Processo Civil. como bem revelam o inciso III do artigo 1. BAPTISTA DA SILVA.691). art. a jurisdição voluntária tem como escopo a constituição de atos jurídicos cujos interesses particulares também têm relevância para o Estado.. como bem revela os artigos 1.

Por conseguinte. Teoria geral do processo civil.012/RJ. se supervenientemente se instaurou o contraditório e houve produção de provas documentais e testemunhais. na qualidade de fiscal da lei. 79). 109 da Lei de Registros Públicos (nº 6. De volta ao procedimento de jurisdição voluntária. 41 e 42. 12ª ed. mas apenas interesses. na eventualidade do surgimento de algum conflito de interesses. Todavia. 110 De acordo. Primeiras linhas de direito processual civil. com a presença do conflito de interesses.111 do CPC). Primeiras linhas de direito processual civil. Assim. 2002. 105. na doutrina: “Ao contrário do que acontece na verdadeira jurisdição. 238. 42 . 2007. 109 De acordo. a saber: na voluntária não há ação. 153. na doutrina: “Como na jurisdição voluntária não se resolvem conflitos.573/SE. Também de acordo. n. Não obstante. 25ª ed.” (MOACYR AMARAL SANTOS. a justificar um novo acordo entre todos os interessados. o artigo 1. 108 A propósito das características da jurisdição voluntária. p. mas apenas procedimento. ainda na doutrina: ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. procurando ajustar aquele ato judicial à nova realidade. 4ª Turma do STJ.. p. a determinar a produção de todas as provas que julgar necessárias 106 De acordo.simples “interessados”106. 153). Diário da Justiça de 7 de abril de 1997. vale conferir a ementa de acórdão da relatoria do Ministro SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA: “II . não há partes. mas simplesmente em interessados na solução do que é pedido. 79). não há partes. Teoria geral do processo civil. na doutrina: “Na jurisdição voluntária a atuação do juiz é mais protetora. inclui-se nos procedimentos de jurisdição voluntária. no lugar de simples administrador dos interesses privados que merecem proteção estatal109.015/73). titulares de interesses. na doutrina: “Em certos casos. o juiz também exerce o papel de fiscal110. em que uma das partes pede contra ou em relação à outra. não há processo. 25ª ed. Na verdade. porquanto o artigo 485 do Código de Processo Civil condiciona a admissibilidade da ação rescisória ao trânsito em julgado de sentença que verse sobre o mérito da lide.126). p. p. 238. p. Volume I. 2005. prevista no art. Volume I. as principais características da jurisdição voluntária108.A retificação de registro de óbito. 1.109 do Código de Processo Civil autorizam o juiz a investigar os fatos expostos pelos interessados. na jurisprudência: “JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA. Diário da Justiça de 9 de outubro de 2000. São. no sentido em que esta palavra é tomada na jurisdição contenciosa. Assim. razão pela qual também não há lugar para ação rescisória. o Ministério Público deve ser citado para intervir. 4ª Turma do STJ. não se pode falar em partes.573/SE. p. a jurisdição deixa de ser voluntária e passa a ser contenciosa. fiscalizadora do direito de quem pede e pode pedir a jurisdição. não só o Ministério Público atua como fiscal da lei no procedimento de jurisdição voluntária.107 e 1.. Modificação. Na jurisdição voluntária há apenas interessados.” (REsp n. o fato de surgir contraditório transforma a jurisdição voluntária em contenciosa.. Diário da Justiça de 9 de outubro de 2000. p. 40).” (REsp n. na jurisprudência: “I .” (REsp n. Sentença.” (ANTONIO RAPHAEL SILVA SALVADOR. sem os grifos no original). a rigor. isto é. mas interessados.105 do mesmo diploma. 2007. e não de verdadeiro julgador. 2005. o procedimento tomou o caráter contencioso. se ocorrerem circunstâncias supervenientes (art.111 revela que não há formação de coisa julgada107. que é a contenciosa. 107 De acordo. p. mas pedido.A ‘jurisdição voluntária’ distingue-se da contenciosa por algumas características. nas hipóteses arroladas no artigo 82 do Código de Processo Civil.” “Nela não se fala em autor e réu. Jurisdição e competência. não produz coisa julgada. em suma.” (MOACYR AMARAL SANTOS. quando o juiz assume o papel de verdadeiro julgador. 42). A sentença que homologa a separação consensual e a partilha proposta pelos cônjuges pode ser modificada. 37. 11. 4ª Turma do STJ. nem há lide.” (ANTONIO RAPHAEL SILVA SALVADOR. Tanto que os artigos 1. combinado com o artigo 1. nem lide e nem processo na jurisdição voluntária.

superada a ideia do monopólio da jurisdição estatal. 28. é um processo alternativo de solução de conflitos particulares sobre direitos disponíveis. da sentença proferida no procedimento de jurisdição voluntária cabe recurso de apelação112. através de árbitros privados. de 1996.110 do Código de Processo Civil. 18 e 31 da Lei n. reconhece-se à arbitragem a natureza jurídica de modalidade alternativa de jurisdição114. Por fim. 8. na doutrina: “Como bom administrador de negócios alheios. tudo nos termos dos artigos 9º e 13 da Lei n. os árbitros e os tribunais 111 Assim. cuja sentença arbitral é irrecorrível nem não depende de homologação pelo Poder Judiciário. p. 2009. 1. 19. ARBITRAGEM A arbitragem é o processo extrajudicial que pode ser utilizado por pessoas naturais capazes e por pessoas jurídicas. 2009.126). 3ª Turma do STJ.para o esclarecimento dos fatos. sobre direitos patrimoniais disponíveis. 149). 1. Teoria geral do processo civil. 10ª ed. de Pr. por intermédio de árbitro particular ou de tribunal arbitral escolhido pelos contratantes. 88). § 7º. a jurisdição arbitral é prestada por qualquer pessoa capaz115 ou por pessoa jurídica de direito privado116 escolhida pelos contratantes. 114 De acordo. Por conseguinte. merece ser prestigiada a lição da melhor doutrina: “Da correta interpretação da lei de arbitragem em seu conjunto.109). 9. chamado para o procedimento. atuais ou futuros. tudo nos termos dos artigos1º. ao juiz é lícito investigar livremente os fatos (Cód. cujas decisões produzem os mesmos efeitos jurídicos produzidos pelas sentenças proferidas pelos órgãos do Poder Judiciário. o denominado “tribunal arbitral”117 e os árbitros não integram o Poder Judiciário. 2. 117 Cf. de 1996.307. podemos definir a arbitragem como sendo o meio de resolver litígios civis. 116 São os denominadas “tribunais arbitrais”.861/RJ. 113 A propósito da definição da arbitragem. Civil. de 1996. 2005. p. e 29. ao contrário da jurisdição tradicional. escolhidos pelas partes. Sem dúvida. Embora exerçam atividade jurisdicional. 112 Cf. É lícita a exigência de certidões negativas. artigo 475-N. No procedimento de jurisdição voluntária. 40). do Código de Processo Civil e artigo 852 do Código Civil113. Com efeito. art. parágrafo único. 26. A arbitragem. 115 São os denominados “árbitros”. na busca da solução mais justa e conveniente para os interesses tutelados111. 95. na jurisprudência: “1. Civil.. todos da Lei n. Sem dúvida.307.” (ANTONIO RAPHAEL SILVA SALVADOR. antes ou depois do surgimento do conflito de interesses. parágrafo único. 43 . na doutrina: “a arbitragem é forma de exercício da função jurisdicional do Estado por árbitros privados. Diário da Justiça de 21 de junho de 1999. mas tem a mesma eficácia de título executivo judicial. inciso IV. 10ª ed. Teoria geral do processo. p.307. em especial pelos órgãos do Poder Judiciário.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. para a resolução de litígios atuais ou futuros de natureza patrimonial. 9. de Pr. artigo 1. 9. não compareça e seja considerado revel. a arbitragem é o processo extrajudicial que enseja a denominada “jurisdição privada”. 88).” (REsp n. Teoria geral do processo. e a proferir a sentença à luz da equidade.. portanto. artigos 13. o juiz deve decidir como lhe parecer melhor. p. art. porque só se cumpre o testamento.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. De acordo. não podendo ficar preso a uma eventual confissão de qualquer interessado ou mesmo pretender que alguém. prestada pelo Estado. ‘se lhe não achar vício externo que o torne suspeito de nulidade ou falsidade’ (Cód.

inciso XXXV. que autorizada doutrina sustenta a inconstitucionalidade da Lei n. segundo seu livre e racional convencimento. em parte . embora não integrem o Poder Judiciário118. por vontade própria e apenas em relação a direito estritamente patrimoniais. 6º.” (sem os grifos no original). da CF. porquanto permite aos jurisdicionados que abram mão da morosa jurisdição estatal em prol da célere jurisdição arbitral.307. os quais são julgados – insista-se – por árbitros ou tribunais de arbitragem privados escolhidos pelos contratantes.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. da Constituição Federal. 2009. Ainda que muito respeitável a tese da inconstitucionalidade. Por tudo. Constitucionalidade declarada pelo plenário. de 1996. que a manifestação de vontade da parte na cláusula compromissória. podendo julgar até contra a lei. parág. entre a execução judicial específica para a solução de futuros conflitos da cláusula compromissória e a garantia constitucional da universalidade da jurisdição do Poder Judiciário (CF. com a mesma força 118 Cf. Pr. Constitucionalidade . podem proferir a decisão que. 5º.. É preciso reconhecer. conseqüentemente. no lugar da jurisdição estatal. 18. Lei de Arbitragem (L. único.307. 120 De acordo. VII e art. dos dispositivos da Lei de Arbitragem que prescrevem a irrecorribilidade (art. 301. inciso XXXV. artigo 18 da Lei n. e os artigos 851 e 852 do Código Civil.307/96 (art.que entendiam inconstitucionais a cláusula compromissória . XXXV). 9º e 13 da Lei n.incluído o do relator . mas que atuam como verdadeiros juízes. 9. no art. SE n.206/ES – AgRg. 9. 44 . 29: “3. 267. Teoria geral do processo. 5. 9. o advento da Lei n.307. XXXV. por maioria de votos. 119 Cf. artigos 2º e 11. só pode ser feita por pessoas com plena capacidade civil para contratar. O árbitro é juiz de fato e de direito. do juízo arbitral. havendo resistência quanto à instituição da arbitragem. das novas redações atribuídas ao art. isto é. 7º e seus parágrafos e. por violação da garantia da universalidade da jurisdição do Poder Judiciário.307.aí por decisão unânime. especialmente acerca da compatibilidade. Por conseguinte. 91). a jurisdição arbitral enseja a prolação de sentença à vista da equidade. na qual há a regra de prolação de sentença no prazo de seis meses. 41. e. p. 31).dada a indeterminação de seu objeto . em tese. p. Tal como a jurisdição voluntária. Civil. 42). conforme a escolha dos contratantes feita no compromisso arbitral119. 9. Pleno do STF. e a permissão legal dada ao juiz para que substitua a vontade da parte recalcitrante em firmar o compromisso não ofendem o artigo 5º. porquanto a escolha da arbitragem. quando da celebração do contrato. 9. o árbitro pode estar livre da observância da legalidade estrita ao proferir a sentença arbitral120. recorrer ao Poder Judiciário para compelir a parte recalcitrante a firmar o compromisso. 121 Cf. da Lei n. mas exercem a atividade jurisdicional. inciso IX do C. o Plenário do Supremo Tribunal Federal já assentou que a Lei n. 9. como bem revelam os artigos 1º. 9307 é constitucional121. e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário”. discussão incidental da constitucionalidade de vários dos tópicos da nova lei.e a possibilidade de a outra parte. art. 18) e os efeitos de decisão judiciária da sentença arbitral (art. Diário da Justiça de 30 de abril de 2004. considerem mais justa para o caso. 10ª ed. na doutrina: “Os árbitros podem decidir por equidade. de 1996. entretanto. e art. da Constituição Federal.307 significou um grande avanço no direito processual civil brasileiro. declaravam a inconstitucionalidade de dispositivos da Lei 9.307/96): constitucionalidade. não se vislumbra incompatibilidade à luz do artigo 5º. Votos vencidos. de 1996: “Art. nos conflitos de interesses relativos a direitos patrimoniais disponíveis. ou não. Em contraposição. considerando o Tribunal. ao argumento de que há incompatibilidade com o artigo 5º.de arbitragem não são juízes nem tribunais do Poder Judiciário. de 1996. inciso II.

independentemente de homologação judicial e sem possibilidade de recurso aos juízos e tribunais judiciários122.executiva das sentenças judiciais. 45 . de 1996. 9. 122 Cf.307. artigos 18 e 31 da Lei n.

A resolução dos litígios pelo Judiciário ocorre por meio do processo. Remata o eminente Professor. por intermédio do qual há a aplicação da legislação125 para resolver o litígio. 2.. artigos 93. que é a típica do Poder Judiciário123. p. “c”. “os órgãos do Poder Judiciário têm por função compor conflitos de interesses em cada caso concreto. (O mesmo se dá com a função legislativa que não é toda entregue ao Legislativo como com a função executiva que não fica inteira em mãos do Executivo). 3. a outro Poder que não o Judiciário. alíneas “b”. Poder Executivo e Poder Judiciário. que se realiza por meio de um processo judicial. 1993. Curso de direito constitucional. 2006. realiza os seus fins através de três funções em que se reparte a sua atividade: legislação. 31ª ed. e 96. p. nota 1). as de cunho administrativo127 e as de índole legislativa. que são as ordens legais” (Curso de direito constitucional. normativa. entretanto. 13-15)” (Apud ATHOS CARNEIRO. É de notar. 5ª ed. quais sejam. pelos órgãos do Poder Judiciário com fundamento em ordens gerais e abstratas. por isso mesmo. como a elaboração do 123 Assim. A função do Estado destinada à resolução dos conflitos de interesses recebe a denominação de jurisdição (iuris dictio). administração e jurisdição. já que ambas as ações são admissíveis contra a decisão protegida pela coisa julgada. bem assim os ocorridos entre particulares e o próprio Estado. como o é na Constituição brasileira. na doutrina: “Na lição de Seabra Fagundes. ed. pode ser chamada de função judiciária. qual seja..DO PODER JUDICIÁRIO 1. da Lei de Introdução ao Código Civil124. porém. eventualmente. a excepcional possibilidade de rediscussão e de mudança da decisão em sede de ação rescisória (artigo 485 do Código de Processo Civil) e de revisão criminal (artigo 621 do Código de Processo Penal). solucionado à luz da lei de regência existente para o caso concreto126.. Curso de direito constitucional. com a posterior formação da coisa julgada. “Note-se que a função jurisdicional pode ser atribuída. é típica do Judiciário. a jurisdicional. Com efeito. 2005. Além da função precípua. da Constituição Federal. Assim. 26ª ed. Jurisdição. quando a respectiva decisão passa a ser imutável e indiscutível à vista do artigo 5º. 245 e 246). ‘o Estado. o Legislativo também a exerce: ele julga no impeachment. 2006. na sua forma típica. a função que nominalmente lhe corresponde. do artigo 467 do Código de Processo Civil e do artigo 6º. porém.. Esta – a jurisdição judicial – é que decide com força definitiva. 553 e 554).. 127 Cf. de modo exclusivo. inclusive por meio de um procedimento contencioso: são os contenciosos administrativos (embora em nosso direito não possam jamais decidir em última instância. a solução dos conflitos de interesses ocorre mediante o processo. p. sistema de composição de conflitos de interesses ou sistema de composição de lides. e sim tem nela a sua competência principal ou predominante’ (O controle dos atos administrativos pelo Poder Judiciário. dito. 126 Como bem ensina o Professor JOSÉ AFONSO DA SILVA. “e” e “f”. 124 Há. o Poder Judiciário também exerce outras funções. Os conflitos de interesses são compostos. inciso I. que cada um desses órgãos não exerce.” (JOSÉ AFONSO DA SILVA. Isso é que se chama função jurisdicional ou simplesmente jurisdição. p. “ato jurisdicional é o que emana dos órgãos jurisdicionais no exercício de sua competência constitucional respeitante à solução de conflito de interesses. inciso X. 26ª ed. uma vez constituído.. 555). de modo que. da Constituição Federal. “d”. O exercício dessas funções é distribuído pelos órgãos denominados Poder Legislativo. A função jurisdicional.. e o Executivo pode criar tribunais administrativos que aplicam a lei a particulares. CONCEITO E FUNÇÕES DO PODER JUDICIÁRIO O Judiciário é o Poder do Estado responsável pela resolução dos conflitos de interesses existentes entre particulares. denominadas “atípicas”. solucionados. inciso XXXVI. 46 . § 3º. 125 Proveniente do Poder Legislativo. ficando sempre sujeitos ao crivo do Judiciário). fazendo coisa julgada” (MANOEL GONÇALVES FERREIRA FILHO.

A função jurisdicional consiste na aplicação das normas gerais e abstratas para a solução definitiva dos conflitos de interesses entre particulares e também quando os litígios envolvem pessoas jurídicas de direito público e privado. artigos 106 a 109 da Constituição Federal. — Superior Tribunal Militar. com o reforço do artigo 1º da Lei n. 8. Em suma. III – os Conselhos de Justiça. artigo 98. à vista dos quais são órgãos da Justiça Militar da União: “I – o Superior Tribunal Militar. — Superior Tribunal de Justiça132 e o Conselho da Justiça Federal133.regimento interno do tribunal128 e a aprovação de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal129. Tribunais Regionais Eleitorais e Juízes Eleitorais137. 135 Cf. — Tribunais de Justiça. — Tribunais Regionais Federais e Juízes Federais134. artigos 101 e 102 da Constituição Federal. 133 Cf. inciso I. ÓRGÃOS DO PODER JUDICIÁRIO Os órgãos do Poder Judiciário brasileiro estão arrolados no artigo 92 da Constituição Federal: — Supremo Tribunal Federal130. da Constituição Federal. já que a expressão “Juízes Militares” alcança os juízes militares em geral. Quanto ao Judiciário. a designação dos Poderes do Estado é extraída da função predominante de cada um deles. 132 Cf. inciso I. a função típica é a jurisdicional. artigo 103-B da Constituição Federal. Tribunais Regionais do Trabalho e Juízes do Trabalho136.457. as quais também são exercidas.547 como um órgão autônomo da Justiça Militar. artigos 104 e 105 da Constituição Federal. — Tribunal Superior Eleitoral. 138 Cf. da Constituição Federal. Conselhos de Justiça Militar e Juízes Militares138. 130 Cf. 134 Cf. Cf. da Constituição Federal. inciso II. Embora a Auditoria de Correição conste da Lei n. letra “a”. Júris. 8. II – a Auditoria de Correição. parágrafo único. IV – os Juízes-Auditores e os Juízes-Auditores Substitutos”. — Tribunal Superior do Trabalho. artigos 118 a 121 da Constituição Federal. ainda que de forma secundária. 137 Cf. artigos 122. na verdade. Juízes de Direito e de Paz dos Estados e do Distrito Federal. artigo 103-A da Constituição Federal. de 1992. o que explica a ausência da referência específica no texto principal do presente compêndio. 47 . Juizados Especiais dos Estados e do Distrito Federal. artigo 105. é exercida por um Juiz Militar (“Juiz-Auditor Corregedor”). 131 Cf. e os 128 129 Cf. 123 e 124 da Constituição Federal. 2. até mesmo o juiz-auditor corregedor que oficia perante a Auditoria de Correição. — Conselho Nacional de Justiça131. sem prejuízo das funções administrativa e legislativa. 136 Cf. artigos 111 a 116 da Constituição Federal. bem assim os Juizados Especiais Federais135. artigo 96.

mas exercem a atividade jurisdicional. como bem revela o artigo 98. O Tribunal Marítimo também não integra o Poder Judiciário. Natureza administrativa de suas decisões. Embora exerçam verdadeira jurisdição. 2ª Turma do STF. Não conhecimento do recurso. o Júri também integra o Poder Judiciário brasileiro. insertos em capítulo destinado ao Poder Legislativo143. e a sentença que proferir não fica sujeita a recurso ou a homologação pelo Poder Judiciário”. o Poder Executivo. artigo 18 da Lei n. Quanto ao Júri. nos conflitos de interesses relativos a direitos patrimoniais disponíveis. 9. inciso XXXVIII. da mesma Constituição. todos da Lei n. artigo 125. No que tange aos Tribunais de Contas da União.307. sim. embora não integrem o Poder Judiciário142. Com efeito. Sob ambos os prismas. 73. os quais atuam como verdadeiros juízes. artigos 13. de 1996: “Art. os Conselhos de Justiça Militar e os Juízes Militares dos Estados e do Distrito Federal139. e não jurisdicional144. 143 Cf. 67. § 7º.Tribunais de Justiça Militar. 48 . 144 “Aposentadoria. da Constituição Federal. distritais e federais integram o Poder Judiciário. e 29. inciso I. do Distrito Federal e dos Municípios. 9. por ser órgão vinculado ao antigo Ministério da Marinha. conforme a competência seja da Justiça estadual. 72. os Tribunais de Contas não integram o Poder Judiciário.307. porquanto solucionam os litígios que lhes são submetidos. nas hipóteses previstas na Lei n.” (RE n. Ademais. 74 e 75. não há o grifo no original). dos Estados-membros. de 1996. os árbitros e os tribunais de arbitragem não são juízes nem tribunais do Poder Judiciário. porquanto integram o Poder Legislativo. parágrafo único. o denominado “tribunal arbitral”141 e os respectivos árbitros não integram o Poder Judiciário. 18. artigo 433 do Código de Processo Penal. os atos provenientes dos Tribunais de Contas têm natureza administrativa. à vista do artigo 5º. Sem dúvida. Tanto os Juizados Especiais quanto o Júri exercem atribuições jurisdicionais.307. 142 Cf. as atribuições jurisdicionais são limitadas aos processos penais por crimes dolosos contra a vida. Legalidade da aposentadoria. atual 139 140 Cf. distrital ou federal140. de 1996. Capítulo I do Título IV da Constituição Federal. 9. O árbitro é juiz de fato e de direito. § 3º. os litigantes podem escolher árbitros ou tribunais de arbitragem privados. Cf. Diário da Justiça de 9 de junho de 1969. A despeito da omissão do artigo 92 da Constituição Federal. 19. 141 Cf. não são órgãos do Poder Judiciário. Competência do Tribunal de Contas. mas. os Juizados Especiais estaduais. Aliás. tanto que é presidido por um Juiz de Direito ou por um Juiz Federal. Já os Juizados Especiais podem ser cíveis e criminais. 26. 28. entretanto. parágrafo único. tanto que constam dos artigos 71.127/RN.

o Tribunal Marítimo é órgão simplesmente administrativo. só há os Juízes Federais e os Juízes dos Estadosmembros e do Distrito Federal147. Quanto aos juízes de primeiro grau. artigo 109. incisos III e VII. até mesmo do novel Conselho Nacional de Justiça149. Hoje. Diário da Justiça de 21 de setembro de 1999).1. com caráter administrativo. 2. nas hipóteses excepcionais previstas na Constituição Federal148. p. As decisões que profere têm eficácia no âmbito administrativo. 3. Diário da Justiça de 27 de dezembro de 1968. bem assim dos denominados tribunais superiores150. na jurisprudência: CAt n. bem assim na Lei n. 66. resta analisar isoladamente cada órgão do Poder Judiciário que consta do artigo 92 da Constituição Federal. 53/SP. não há os grifos nos originais). com competência administrativa prevista no artigo 1º da Lei n. 148 Cf. entretanto. de 1966145. Estudados os aspectos gerais da organização do Poder Judiciário brasileiro. p. Não integra o Poder Judiciário e não exerce função jurisdicional. “as decisões do Tribunal Marítimo têm nítido caráter administrativo. número 1. Diário da Justiça de 3 de agosto de 1998. até os processos que envolvem os municípios são julgados pelos Juízes de Direito dos Estados-membros. como bem registra o artigo 2°. de 1954. apenas o Tribunal Superior Eleitoral. A) Natureza jurídica dos seus integrantes: membros de um órgão independente. artigos 92.346/GB. acrescentados pela Emenda Constitucional n. 2ª Seção do STJ. Por fim. Com efeito. inciso II. “o Tribunal Marítimo não se inclui entre os órgãos do Poder Judiciário” (RMS n. 2ª Turma do STF. Na mesma esteira é a jurisprudência da Corte Suprema: “Tribunal Marítimo. Da mesma forma.805/DF. na organização judiciária brasileira. porquanto está acima de todos os órgãos que integram o Judiciário pátrio. os órgãos da denominada “Justiça Desportiva” também não pertencem ao Poder Judiciário. 150 Quais sejam: o Superior Tribunal de Justiça. Pleno do STF. 5. e 102. De acordo. artigo 92.527.056.” (REsp n. o Tribunal Superior do Trabalho e o Superior Tribunal Militar. não há “juízes municipais” no direito brasileiro vigente. 3ª Seção do STJ. da Constituição Federal. 146 Em sentido conforme. o Tribunal Superior Eleitoral. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 3. de 2004. do Código Comercial de 1850: “juízes municipais”.Ministério da Defesa. na jurisprudência: “– A locução constitucional ‘Tribunais Superiores’ abrange. não contencioso. 149 Cf. inciso I. o Superior Tribunal de 49 . em regra. como bem revela o § 1º do artigo 217 da Constituição Federal146. autônomo.479/RJ. e não judicial” (AG n.180. A propósito.” (MS n. 147 Cf. 5. julgado em 11 de fevereiro de 2004). não integrante do Poder Judiciário. 5. letra “r”. 38. ou por Juízes Federais. tanto que das respectivas decisões cabe 145 “O Tribunal Marítimo é órgão da Administração” (MS n. mas de nenhum modo podem condicionar as que venham a ser proferidas pelo Judiciário. Diário da Justiça de 24 de maio de 1968). 247.369/GB. 17. CONCEITO O Supremo Tribunal Federal é o órgão de cúpula do Poder Judiciário brasileiro. inciso I-A. 17. 45. Por tudo. merece ser prestigiado voto proferido pelo Ministro EDUARDO RIBEIRO: “Como de pacífico entendimento.082/PR). É certo que no passado existiu a figura do juiz municipal.

Para ser miembro de la Suprema Corte de Justicia se requiere: 1º) Cuarenta años cumplidos de edad. da Constituição Federal. razão pela qual há a necessidade de quarenta e um votos favoráveis dos oitenta e um senadores.2. 156 Cf. da Constituição Federal. § 3º. 2007. 152 Isto é. os quais são nomeados pelo Presidente da República dentre brasileiros natos151. e artigo 101.838/RS – EDCL.. artigo 52. há respeitável doutrina: “O Supremo Tribunal Federal. 153 Cf. inciso II. o legal con diez años de ejercicio y veinticinco años de residencia en el país. sin ser abogado de la Nación con ocho años de ejercicio.” (HC n. com mais de trinta e cinco anos e menos de sessenta e cinco anos. portanto. inciso IV.3. JURISDIÇÃO E COMPETÊNCIA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL Justiça.recurso para o Supremo Tribunal Federal. 50 . 85. ou não. tal como o artigo 236 da Constituição do Uruguai: “Artículo 236 . Diário da Justiça de 23 de setembro de 2005). e inciso III. caput. 155 Aliás.”. À vista do precedente de 1894. Na esteira das Constituições anteriores.Ninguno podrá ser miembro de la Corte Suprema de Justicia. 151 Cf. 518 e 519). melhor seria se a Constituição brasileira fixasse critérios objetivos. No particular. e 101. parágrafo único. 21ª ed. artigo 12. alínea “a”. melhor seria exigir a maioria qualificada de dois terços. o Tribunal Superior do Trabalho e o Superior Tribunal Militar.. 3º) Ser abogado con diez años de antiguidad o haber ejercido con esa calidad la Judicatura o el Ministerio Público o Fiscal por espacio de ocho años. parágrafo único. doutor em ciências médicas e professor catedrático de Medicina. quando o Senado não aprovou a nomeação do Ministro Barata Ribeiro. ambos da Constituição Federal. da Constituição Federal. Quanto ao alcance da expressão constitucional “notável saber jurídico”. respectivamente: “Artículo 111. inciso III. Direito constitucional. 2º) Ciudadanía natural en ejercicio. discute-se em doutrina se é exigível a graduação em ciências jurídicas. tudo nos termos dos artigos 84. em pleno gozo dos direitos políticos. no exercício da cidadania152. é lícito concluir que ao menos o bacharelado em Direito é necessário154. COMPOSIÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O Supremo Tribunal Federal é composto por onze Ministros. “Artículo 235 . à vista do artigo 102. 3. como estabelecem as Constituições da Argentina e do Uruguai. de notável saber jurídico e com reputação ilibada153. todavia. 154 Contra a opinião defendida no presente compêndio. a nomeação dos Ministros do Supremo Tribunal Federal depende da prévia aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal156. 3. 2ª Turma do STF.”. Só após a aprovação senatorial há a nomeação pelo Presidente da República. p. porquanto há que se ter algum critério objetivo elementar na interpretação da cláusula constitucional “notável saber jurídico”155.”. y tener las calidades requeridas para ser Senador. inciso XIV. da Constituição de 1988.Los miembros de la Suprema Corte de Justicia serán designados por la Asamblea General por dos tercios de votos del total de sus componentes. “A ausência de exigência de formação jurídica para os Ministros do STF é uma tradição constitucional brasileira” (ALEXANDRE DE MORAES. não exige para seus membros a obrigatoriedade do bacharelado em Ciências Jurídicas”. alínea “a”. artigo 101.

em Brasília159.119. o Supremo Tribunal Federal profere julgamentos por intermédio dos respectivos Ministros e dos órgãos colegiados da Corte: Turmas e Plenário. artigo 92. 51 . § 1º. 279 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário”. Por fim. consagrados pela nossa Constituição. da Constituição Federal. Comentários à Constituição brasileira. quando o Supremo Tribunal Federal atua como corte de superposição e faz a revisão de direito162 dos julgamentos proferidos em causas já decididas em um ou mais graus de jurisdição. muito menos para modificar ou eliminar alguma competência prevista no texto constitucional. a declaração da inconstitucionalidade de lei ou de ato normativo depende da maioria absoluta dos membros do tribunal. que se acha associado ao ‘princípio da tipicidade de competências’. artigo 18. como bem concluiu o Ministro ADHEMAR MACIEL no julgamento do REsp n. 1993.. quando o Supremo Tribunal Federal julga em única instância161. mera lei não tem o condão de ampliar a competência estabelecida na Constituição. “pelo ‘princípio da indisponibilidade de competências’. o princípio da indisponibilidade de competências e o princípio da tipicidade de competências revelam que a competência constitucional dos tribunais é exaustiva160. grau de jurisdição. Com efeito. O inciso I cuida da competência originária. entre eles os dos tribunais. § 2º. Volume VI. 2ª ed. mas a aprovação depende do quorum qualificado de oito votos. da Constituição Federal. p. como revela cada um dos incisos do artigo 102 da Constituição. § 1º. 160 De acordo. na doutrina: CRETELLA JÚNIOR. 28. 3. à vista do artigo 479 do Código de Processo Civil. razão pela qual o primeiro e único julgamento cabe à Corte Suprema. já os enunciados comuns podem ser aprovados pela maioria absoluta. A propósito da competência do Supremo Tribunal Federal. a competência dos órgãos constitucionais. porquanto o artigo 103-A da Constituição exige que dois terços dos ministros votem em prol do verbete sumular. não pode ser ampliada ou transferida” (Diário da Justiça de 2 de agosto de 1993). À vista do artigo 97. Compete ao Plenário processar e julgar as ações diretas de inconstitucionalidade e de constitucionalidade previstas no inciso I do artigo 102 da Constituição. da Constituição Federal. 157 158 Cf. Já o inciso II trata da competência recursal ordinária. Também compete ao Plenário aprovar os enunciados vinculantes da Corte Suprema. As competências do Supremo Tribunal Federal podem ser divididas em três classes. 159 Cf. dentre outras causas. de seis votos no mesmo sentido. porquanto julga causas já decididas em anterior primeiro julgamento. Cf. 161 Isto é.848/SP. há a competência recursal extraordinária.O Supremo Tribunal Federal tem jurisdição em todo o território nacional157 e sede na Capital Federal158. vale dizer. 162 Daí o acerto do enunciado n. Por ser taxativa a competência constitucional. quando o Supremo Tribunal Federal atua como verdadeira corte de segundo grau. Por fim. ou seja. artigo 92.

Na tentativa de solucionar o problema da pletora de recursos. os atos normativos e as decisões administrativas e disciplinares provenientes do Conselho Nacional de Justiça são passíveis de impugnação por meio de ação direta de inconstitucionalidade. a qual acrescentou o inciso I-A ao artigo 92 e o artigo 103-B à Constituição Federal. 5. § 4º. ANTECEDENTES HISTÓRICOS Ao longo das décadas em que o recurso extraordinário teve como escopo a preservação da inteireza e da uniformidade da interpretação da Constituição e da lei federal. foram criados mecanismos de restrição ao acesso à Suprema Corte. artigo 103-B. À vista do inciso I-A do artigo 92. de mandado de segurança e outras ações de competência originária do Supremo Tribunal Federal166. portanto. e § 5º. sim. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA O Conselho Nacional de Justiça foi instituído por meio da Emenda Constitucional n. artigo 102. advogados e cidadãos. À vista de ambos os preceitos constitucionais. Sob outro prisma. mas. da Constituição Federal. normativas164. 52 . alínea “r”. não 163 164 Cf. o que reforça a conclusão de que o Conselho é órgão interno do Poder Judiciário. membros do Ministério Público. os atos e as decisões do Conselho Nacional de Justiça estão sujeitos a controle perante o Supremo Tribunal Federal. o qual também profere voto em caso de empate. 166 Cf. § 4º. artigo 103-B. entretanto. § 4º. inciso I. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA 5. o Conselho Nacional de Justiça não pode ser considerado um órgão externo do Poder Judiciário.1. Cf. 165 Cf. 45. inciso I.4. ainda que com a prevalência de magistrados: nove dos quinzes conselheiros são magistrados. o Conselho Nacional de Justiça não tem função jurisdicional. não há dúvida de que o Conselho Nacional de Justiça é órgão do Poder Judiciário brasileiro. Com efeito. o Conselho Nacional de Justiça é presidido pelo ministro-presidente do Supremo Tribunal Federal. artigo 103-B. incisos III e V. incisos I e II. da Constituição Federal. da Constituição Federal. os quais. Não obstante. Sem dúvida. da Constituição Federal. o artigo 103-B revela que o Conselho Nacional de Justiça tem composição híbrida. atribuições administrativas163. Por fim. o Supremo Tribunal Federal sofreu notório aumento do número de recursos. embora seja composto por magistrados. como a arguição de relevância e os óbices regimentais e jurisprudenciais. até que a pletora culminou na denominada “crise do Supremo”. disciplinares ou correcionais165.

conforme o território e sede fixados pelo antigo Tribunal Federal de Recursos. 168 De acordo. agora é exercida pelos Tribunais Regionais Federais que. da Carta de 1967. alíneas “a”. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 1963. “d” e “g”. “Tal órgão. inciso I. no capítulo do Poder Judiciário. “c” e “e”. e o inciso II. do Direito Fiscal federal e questões de interêsse da União e do Direito penal militar”. da Constituição vigente. inciso II.” (OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. indubitàvelmente. 456 e 458). de 1969. alíneas “a” e “c”. Por conseguinte. “c” e “d”. e “e”. o constituinte transferiu à Corte boa parte da competência antes conferida ao Supremo Tribunal Federal. da Constituição Federal de 1988. É o que revela a comparação do artigo 105. Para que a finalidade da criação do Superior Tribunal de Justiça fosse atingida. com o artigo 122. de 1969. § 6º.S. alínea “a”. abaixo apenas do Supremo Tribunal Federal. e ao T. “Reforma simples e de grande profundidade. da Constituição vigente. os quais raramente tinham os recursos extraordinários endereçados ao Pretório Excelso decididos com julgamento de mérito. com o artigo 122. baixado com a Constituição Federal. com a redação dada pela Emenda n. inciso I. Solucionará. 167 “Entretanto. alíneas “a” e “c”. inciso I.. com a principal competência de julgar os recursos envolvendo questões de direito federal infraconstitucional comum167. desempenhava como segunda instância ordinária. de criação de um “Tribunal Superior de Justiça”.E. criando outro Tribunal Federal”. p. 455. “b” e “c”. que se reforme a Constituição Federal. em razão de inúmeros óbices regimentais e jurisprudenciais. que denominaríamos de Tribunal Superior de Justiça por uma questão de uniformidade terminológica relativamente aos já existentes”. Teoria geral do processo civil. com a redação dada pela Emenda n. alíneas “a”. “d”. 2002. em virtude do excesso de recursos dirigidos ao Tribunal. alíneas “b”. É o que se depreende do cotejo do artigo 105. inciso II. 1. “b”. alíneas “b”. “Propormos.foram capazes de dar cabo à mencionada crise. como dispôs o art. exercem sua jurisdição sobre a respectiva região em que se encontram. 84). e inciso III. 3ª ed. 53 . Instalado no dia 7 de abril de 1989. instalados em algumas capitais dos Estados. falta um Tribunal Superior correspondente ao T. É a conclusão que se tira do cotejo do artigo 108. “O Tribunal Superior de Justiça teria aquela competência e finalidade que já delineamos páginas atrás” (JOSÉ AFONSO DA SILVA. Diante de tal quadro. inciso I. da Carta de 1967. Já do extinto Tribunal Federal de Recursos. “c”. alíneas “a”. pois.S. o Superior Tribunal de Justiça não substituiu o Tribunal Federal de Recursos. inciso I. Do recurso extraordinário no direito processual brasileiro. o Superior Tribunal de Justiça passou a ocupar posição de destaque na pirâmide do Poder Judiciário brasileiro. alíneas “a”. a extinta Corte Federal de Recursos deu lugar aos atuais Tribunais Regionais Federais168. “c” e “d”. p. Sensível à crise pela qual passava a Corte Suprema. na doutrina: “A competência que o Tribunal Federal de Recursos. com o artigo 119. a crise do Supremo”. 1. a comunidade jurídica nacional passou a prestigiar sugestão formulada pelo Professor José Afonso da Silva. extinto pela Constituição de 1988. para compor as estruturas judiciárias do Direito comum.T. 27. o Superior Tribunal de Justiça herdou pequena parte da competência. Na verdade. o constituinte de 1988 instituiu o Superior Tribunal de Justiça. e diante dos justos reclamos dos advogados. “e” e “f”. e inciso III.

174 Cf. Além da competência para julgar recurso especial169. quanto o artigo 1º do Regimento Interno dispõem que o Superior Tribunal de Justiça é composto de trinta e três Ministros. 7. da Constituição Federal. inciso I. 1. foi instituído o recurso especial. tanto o artigo 1º. a composição da Corte jamais ultrapassou o número mínimo fixado pela Constituição de 1988.inciso I. respectivamente. com a redação dada pela Emenda n. 54 . caput. dos Desembargadores dos Tribunais de Justiça. uma delas é preenchida alternada e sucessivamente pelos representantes de cada uma das duas classes jurídicas174. inciso II. em partes iguais. artigo 105. o Superior Tribunal de Justiça também tem competências originária170 e recursal ordinária171. artigo 105. Outro terço. da Lei n. consoante o disposto nos incisos I e II do artigo 104 da Constituição Federal.746. 7. no mínimo. 172 Rectius. 171 Cf. da Carta de 1967.746. à apreciação do Tribunal Superior. da Constituição Federal. O terço final é destinado aos Advogados e aos membros do Ministério Público. “c”.2. Cf. e inciso III. Juízes dos Tribunais Regionais Federais. nas quais a Corte exerce o primeiro grau de jurisdição e o segundo grau de jurisdição. onze. inciso III. de 1969. Os Ministros do Superior Tribunal de Justiça são escolhidos entre profissionais de diferentes classes da carreira jurídica. 173 Vale dizer. Com efeito. artigo 105. parágrafo único. COMPOSIÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Apesar de o artigo 104 da Constituição Federal estabelecer que “o Superior Tribunal de Justiça compõe-se de. Por ser ímpar173 o número de vagas destinadas aos Advogados e aos Membros do Parquet. alíneas “b”. 7. “d” e “e”. 169 170 Cf. o constituinte de 1988 transferiu para o Superior Tribunal de Justiça a missão de zelar pela integridade e pela uniformização da interpretação do direito federal infraconstitucional comum. Um terço dos Ministros provém dos Desembargadores172 dos Tribunais Regionais Federais. 5. trinta e três Ministros”. Para a Corte poder cumprir tal encargo. assim como nos incisos I e II do artigo 1º da Lei n. artigo 1º. assim como os dissídios jurisprudenciais acerca da interpretação do direito federal infraconstitucional.746. de 1989. Como já exposto. que passou a ser a via processual adequada para submeter. da Lei n. de 1989. as ofensas à legislação federal perpetradas pelos tribunais de segundo grau. de 1989. da Constituição Federal.

far-se-á em lista tríplice. Ocorrendo vaga destinada a Advogado ou a membro do Ministério Público. parquet ou advocacia). O Plenário é constituído pela totalidade dos Ministros do Tribunal. artigo 2º. § 1º. de 2004. § 4º. nos cinco dias seguintes. caput. inciso III. Corte Especial. indicados em lista tríplice elaborada pelo Plenário do Superior Tribunal de Justiça. só se dá após a aprovação pela maioria absoluta do Senado Federal: quarenta e um senadores177. art. solicitará ao órgão de representação da classe que providencie a lista sêxtupla dos candidatos. a serem nomeados pelo Presidente da República. Com efeito. seções e turmas especializadas. para ser submetida ao Presidente da República. independentemente da classe de origem dos Ministros (magistratura federal.3. parágrafo único. Brasília. Em qualquer caso. Reforça o artigo 26 do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça: “Art.746. Desembargadores. parágrafo único.A escolha final dos Ministros é feita pelo Presidente da República dentre brasileiros natos ou naturalizados175 de notório saber jurídico e reputação ilibada. 45. do Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça. 104. à luz da combinação dos artigos 94. ORGANIZAÇÃO E COMPETÊNCIA À vista dos §§ 1º e 2º do artigo 92 da Constituição Federal. pelo Superior Tribunal de Justiça. artigos 52. 55 . o Presidente do Tribunal. conforme o disposto no artigo 2º do Regimento Interno. de Juízes. magistratura local. 26. também da competência do Presidente da República. o Superior Tribunal de Justiça tem sede na Capital Federal178 e jurisdição em todo o território nacional. de 1989. Advogados e membros do Ministério Público. com o artigo 10. 7. 84. Já a Corte Especial é composta pelos quinze ministros mais antigos do Tribunal. 176 Insista-se. do Regimento Interno de 1989. inciso VI. o Superior Tribunal de Justiça funciona em Plenário. até mesmo após a elaboração das listas sêxtuplas pelos órgãos de representação da Advocacia e do Ministério Público. com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos. ambos da Constituição Federal. a nomeação dos ministros. e 104. 178 Vale dizer. in fine. A indicação. todos da Constituição Federal. parágrafo único). 179 Cf. 177 Cf. a necessidade da prévia aprovação pela maioria absoluta do Senado é extraída do parágrafo único do artigo 104 da Constituição vigente. Ainda em relação à organização do Superior Tribunal de Justiça.” (não há os grifos no original). inciso II. JURISDIÇÃO. há um Ministro do Superior Tribunal de Justiça que é brasileiro naturalizado: o eminente Ministro FELIX FISCHER nasceu em Hamburgo. parágrafo único. a Primeira Seção é integrada pela Primeira e Segunda Turmas. No tocante à organização. para comporem o Tribunal. A Segunda Seção é 175 Aliás. Cada uma das três seções especializadas é integrada por dez ministros. 5. o Superior Tribunal de Justiça sempre forma lista tríplice176. Por oportuno. e do artigo 1º. na Alemanha. da Lei n. com a redação conferida pela Emenda Constitucional n. inciso XIV. As seis turmas especializadas são compostas por cinco ministros cada179. observados os requisitos constitucionais (Constituição. e 104. alínea “a”.

CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL A despeito de não constar do rol do artigo 92. parágrafo único. Com efeito. 56 .472. direito civil. da Constituição Federal. 183 Reforça o artigo 3º da Lei n. da Constituição Federal. artigo 105. e pelos Presidentes dos cinco Tribunais Regionais Federais. direito tributário. que serão substituídos nas suas faltas e impedimentos pelos respectivos vice-presidentes”. disciplinares. o Conselho da Justiça Federal não é órgão jurisdicional. o artigo 9º do Regimento Interno revela que as duas primeiras turmas e a Primeira Seção do tribunal têm como competência precípua julgar os processos e recursos que versam sobre direito público em geral180. No que tange às atribuições. está previsto no inciso III do artigo 105 da Constituição Federal. inciso II. No tocante à competência. correicionais184 e orçamentárias da Justiça Federal de primeiro e de segundo graus. inciso II. 184 Vale dizer. como são. porquanto os presidentes dos Tribunais Regionais Federais também participam do Conselho183. Com efeito. quando a Corte atua em primeiro grau de jurisdição. Vice-Presidente e três Ministros do Superior Tribunal de Justiça. o inciso I do artigo 105 da Constituição versa sobre a competência originária do Superior Tribunal de Justiça. 3° O Conselho da Justiça Federal será integrado pelo Presidente. o Conselho da Justiça Federal também é órgão autônomo do Poder Judiciário. o Superior Tribunal de Justiça também tem competências originária e recursal. porquanto julga em grau de recurso ordinário e de recurso especial. 182 Cf. principal competência do Superior Tribunal de Justiça. Já o recurso especial. Já a Quinta e Sexta Turmas e a Terceira Seção têm como competência julgar os processos e recursos relativos a direito penal e a direito previdenciário. direito administrativo. À vista do inciso II do artigo 105 da Constituição. quando atua como verdadeira Corte de segundo grau de jurisdição. quando o Tribunal atua como Corte de revisão ou superposição em relação ao direito federal infraconstitucional. 180 181 Por exemplo. por exemplo. A Terceira e Quarta Turmas e a Segunda Seção têm como competência principal julgar os processos e recursos que tratam de direito privado em geral181. o Conselho da Justiça Federal não é um órgão interno do Superior Tribunal de Justiça. de 1992: “Art. o Superior Tribunal de Justiça também julga recurso ordinário. direito do consumidor. Aliás. seções e a Corte Especial. as respectivas turmas. o Conselho da Justiça Federal não é composto apenas por ministros do Superior Tribunal de Justiça. 6. direito empresarial. eleitos por dois anos. Já a Terceira Seção é constituída pela Quinta e Sexta Turmas. porquanto tem atribuições apenas administrativas.composta pela Terceira e Quarta Turmas. Por fim. embora funcione junto ao Superior Tribunal de Justiça182. parágrafo único. ex vi do artigo 105. Vale dizer. 8.

Enquanto os juízes federais exercem o primeiro grau de jurisdição na Justiça Federal comum. são órgãos da Justiça Federal comum: os juízes federais e os tribunais regionais federais. 7. estão arroladas nos artigos 107 e 108 da Constituição. rés. 187 Há. 185 186 Vale dizer.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. tendo em conta a qualidade dos titulares dos interesses em conflito. previstos no inciso I do artigo 98 da Constituição Federal.1. Além dos órgãos da Justiça Federal comum “ordinária”. segundo o qual compete aos juízes federais processar e julgar as causas em geral nas quais a União. há os juizados especiais federais e as respectivas turmas recursais. estudados nos tópicos anteriores. o Poder Judiciário da União também é constituído por outros tantos órgãos. arrolados no artigo 106 da Constituição. entretanto. há as Justiças comum e especial locais185. do Superior Tribunal de Justiça. o segundo grau de jurisdição é exercido pelos tribunais regionais federais. PODER JUDICIÁRIO DA UNIÃO Além do Supremo Tribunal Federal. A propósito da composição e da competência dos tribunais regionais federais. com destaque para o inciso I. A verdade. a Justiça Eleitoral. Com outra opinião. os quais também integram a Justiça Federal comum187. Sem dúvida. quais sejam. os órgãos da Justiça Federal comum “ordinária” (juízes federais e tribunais regionais federais) e os da Justiça Federal comum “especial” (juizados federais e turmas recursais). portanto. a Justiça do Trabalho e a Justiça Militar – além da Justiça Federal comum186. Já a competência dos juízes federais de primeiro grau consta do artigo 109 da Constituição. há no Poder Judiciário brasileiro duas Justiças comuns. correicionais e orçamentárias da Justiça Federal de primeiro e segundo graus. Teoria geral do processo.. da Justiça do Trabalho e da Justiça Eleitoral. 78). porém. autarquia federal e empresa pública federal forem autoras. A Justiça Federal comum está prevista nos artigos 106 a 110 da Constituição Federal. p. há respeitável doutrina: “Quanto à Justiça Federal. 10ª ed. é que a Justiça Federal é uma justiça especializada. ÓRGÃOS DA JUSTIÇA FEDERAL COMUM Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. como os da Justiça Federal comum. assistentes ou opoentes. dos Estados-membros e do Distrito Federal. com atribuições administrativas. da Justiça Militar. 2009. do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho da Justiça Federal. composto por ministros do Superior Tribunal de Justiça e pelos presidentes dos Tribunais Regionais Federais. tendo em vista a dicotomia existente na Constituição Federal. À vista do artigo 106. mas também há as Justiças comum e especiais federais. alguns autores a consideram como da jurisdição comum. 7. respectivamente. o Conselho da Justiça Federal é o órgão autônomo do Poder Judiciário. 57 .Em suma.

dos quais apenas sete participam da votação em processos penais por crimes dolosos contra a vida. os tribunais militares e o Superior Tribunal Militar. 2. 2004. 190 Assim. colegiados formados por cinco juízes militares. os quais processam e julgam apenas crimes praticados por militares das forças armadas: Exército. Elementos de direito processual penal militar. há o júri federal. II.” (CLÁUDIO AMIN MIGUEL e NELSON COLDIBELLI. dos quais dez são militares oficiais-generais e os outros cinco são civis. inciso XXXVIII.Por fim. mas.. Marinha e Aeronáutica. do latim castrum. 7. Com efeito. e 109. a Justiça Militar também é denominada “Justiça Castrense”. a Corte que exerce o duplo grau de jurisdição da Justiça Militar federal. na doutrina: “Os Conselhos de Justiça são formados em linhas gerais.04. 2ª ed. 1998. vale dizer. p. praticado no exercício de sua função pública. o Superior Tribunal Militar não é uma Corte de superposição. sem o grifo no original). Diário da Justiça de 29 de julho de 1998. fortificação. tendo em vista a combinação do artigo 5º. com o artigo 447 do Código de Processo Penal188. por falta de previsão legal. excepcional órgão coletivo de primeiro grau de jurisdição. presidente do colegiado. na doutrina: “É de se observar que o Superior Tribunal Militar funciona como órgão de 2ª instância apreciando os recursos interpostos contra decisões dos Conselhos de Justiça e de Juízes Auditores (artigo 6º. ÓRGÃOS DA JUSTIÇA MILITAR Os órgãos da Justiça Militar federal estão previstos no artigo 122 da Constituição Federal: os juízes militares. sim. 58 .017059-8. 2ª Turma do TRF da 4ª Região. 440). 2004. As questões incidentais surgidas durante o processamento são decididas pelo juiz-auditor.. Por fim.2. tribunais militares regionais.” (CLÁUDIO AMIN MIGUEL e NELSON COLDIBELLI.01. Elementos de direito processual penal militar. p. Por conseguinte. ÓRGÃOS DA JUSTIÇA DO TRABALHO 188 Assim. O Superior Tribunal Militar é composto por quinze ministros. Já a Justiça Militar federal de primeiro grau é exercida pelos juízes militares. composto por um juiz federal. a despeito da denominação. dos quais um é juiz togado (o juiz-auditor) e os demais são juízes militares propriamente ditos190. Não há. 189 De acordo. escolhidos à vista do artigo 123 da Constituição Federal.” (HC n. por um Juiz-Auditor e quatro militares. mas os julgamentos finais são proferidos pelos Conselhos de Justiça. o Superior Tribunal Militar atua como verdadeira Corte de segundo grau de jurisdição189. 2ª ed. da Constituição Federal. c). e vinte e cinco jurados. entretanto. 7. p.3. na jurisprudência: “Compete ao júri popular federal o julgamento de servidor público federal acusado de crime doloso contra a vida. 9).

Juízes Eleitorais e Juntas Eleitorais191. em relação ao quinto constitucional da Advocacia e do Ministério Público. de verdadeira justiça especial federal. No que tange à composição. há os Tribunais Regionais do Trabalho. Com efeito. com a extinção das antigas “Juntas do Trabalho”.A Justiça do Trabalho é uma das justiças especiais da Justiça Federal. Por fim. Trata-se. com a igual observância do artigo 94. como bem revela o artigo 114 da Constituição Federal. com a observância do disposto no artigo 94. com a prolação de julgamento por juiz singular. o Tribunal Superior do Trabalho é composto por vinte e sete ministros. na Capital 59 . após o advento da Emenda n. Como órgãos de segundo grau de jurisdição da Justiça do Trabalho.O Tribunal Superior Eleitoral. compostos por pelo menos sete desembargadores (rectius. 24. sim. Os órgãos da Justiça do Trabalho estão arrolados no artigo 111 da Constituição Federal: Tribunal Superior do Trabalho. por força do atual artigo 116 da Constituição Federal. de 1999. a competência da Justiça do Trabalho alcança os conflitos de interesses individuais e coletivos oriundos das relações de trabalho em geral. No que tange ao primeiro grau de jurisdição da Justiça do Trabalho. com competências originária e recursal. e passou a ser monocrático. tendo em vista o disposto no inciso III do artigo 111 da Constituição Federal. é exercido pelos “Juízes do Trabalho”. Tribunais Regionais do Trabalho e Juízes do Trabalho. II . juízes).4. O Tribunal Superior do Trabalho é o órgão de superposição da Justiça do Trabalho. ÓRGÃOS DA JUSTIÇA ELEITORAL Tal como a Justiça do Trabalho. o primeiro grau de jurisdição da Justiça do Trabalho deixou de ser colegiado. porquanto integra o Poder Judiciário da União. 7.um Tribunal Regional. Com efeito. 191 Reforça o artigo 12 do Código Eleitoral: “Art. com sede na Capital da República e jurisdição em todo o País. 24. os quais são escolhidos à vista do artigo 111-A da Constituição Federal. São órgãos da Justiça Eleitoral: I . 12. Os membros dos Tribunais Regionais do Trabalho são escolhidos à vista do artigo 115 da Constituição Federal. em relação ao quinto constitucional da Advocacia e do Ministério Público. federal. a última para a revisão dos julgamentos proferidos pelos Tribunais Regionais do Trabalho. com a redação conferida pela Emenda Constitucional n. mas. a Justiça Eleitoral também integra o Poder Judiciário da União. a Justiça do Trabalho não é estadual. portanto. composta pelos órgãos arrolados no artigo 118 da Constituição Federal: Tribunal Superior Eleitoral. Tribunais Regionais Eleitorais.

II . as eleições realizadas nas zonas eleitorais sob a sua jurisdição. Por fim. na Capital de Território.Há uma peculiaridade que diferencia a Justiça Eleitoral de todas as demais: a Justiça Eleitoral não tem quadros próprios. com competências originária e recursal. O Tribunal Superior Eleitoral é composto por sete ministros. 192 “Art.juízes eleitorais”. IV expedir diploma aos eleitos para cargos municipais”. como presidente do órgão.expedir os boletins de apuração mencionados no Art. consoante o disposto no artigo 32 do Código Eleitoral: “Art. Os Tribunais Regionais Eleitorais são os órgãos de segundo grau de jurisdição da Justiça Eleitoral. 32. na falta deste. a última para a revisão dos julgamentos proferidos pelos Tribunais Regionais Eleitorais. igualmente compostos por sete desembargadores. ao seu substituto legal que goze das prerrogativas do art. Já os juízes eleitorais exercem o primeiro grau de jurisdição da Justiça Eleitoral. as juntas eleitorais são compostas por um juiz de direito. O Tribunal Superior Eleitoral é o órgão de superposição da Justiça Eleitoral.resolver as impugnações e demais incidentes verificados durante os trabalhos da contagem e da apuração. IV . dois ministros do Superior Tribunal de Justiça e dois advogados indicados pelo Supremo Tribunal Federal. com o processamento e julgamento dos conflitos de interesses relativos às eleições para os mandatos eletivos tanto do Poder Executivo quanto do Poder Legislativo. III . escolhidos à vista do artigo 120 da Constituição: dois desembargadores do Tribunal de Justiça. um em cada Estado-membro e no Distrito Federal. 60 . 178.apurar. escolhidos à vista do artigo 119 da Constituição Federal: três ministros do Supremo Tribunal Federal. no Distrito Federal e. Como a Justiça Eleitoral não tem quadros próprios. Compete à Junta Eleitoral: I . razão pela qual a Justiça Eleitoral depende dos juízes – e também dos desembargadores e ministros – de outros órgãos judiciários. III juntas eleitorais. bem como das ações penais oriundas de crimes eleitorais. Cabe a jurisdição de cada uma das zonas eleitorais a um juiz de direito em efetivo exercício e. um desembargador do Tribunal Regional Federal ou um juiz federal escolhido pelo Tribunal Regional Federal. e dois advogados indicados pelo Tribunal de Justiça do respectivo Estado ou do Distrito Federal. vale dizer. verdadeiros órgãos colegiados da Justiça Eleitoral cujas atribuições estão arroladas no artigo 40 do Código Eleitoral192. de cada Estado. e dois ou quatro cidadãos de notória idoneidade. 95 da Constituição”. 40. a Justiça Eleitoral não tem magistrados específicos. dois juízes de direito escolhidos pelo Tribunal de Justiça do respectivo Estado ou do Distrito Federal. os juízes eleitorais são escolhidos dentre os juízes de direito da Justiça comum local. À vista do artigo 36 do Código Eleitoral. no prazo de 10 (dez) dias. há as juntas eleitorais. porquanto não há concursos públicos para o provimento dos cargos de juízes eleitorais. mediante proposta do Tribunal Superior.

o segundo grau de jurisdição é exercido pelos Tribunais de Justiça. com as respectivas turmas recursais. compete à Justiça comum local processar e julgar todas as causas que não estão submetidas às 193 194 Quais sejam: Minas Gerais. artigo 98. Além dos órgãos da Justiça comum “ordinária” insertos no artigo 92. p. a Justiça comum local é constituída pelos juízes de direito e pelos tribunais de justiça dos Estados-membros e do Distrito Federal. tendo em vista o caráter residual da mesma. ambos da Constituição Federal. trata-se de órgão colegiado de primeiro grau de jurisdição. mas apenas atribuições administrativas relativas ao procedimento de habilitação para casamento196. porquanto julgavam recursos de apelação das sentenças proferidas pelos juízes de primeiro grau. de 2004. composto por um juiz de direito.099. inciso II. inciso I. e 125. Isso significa que os juizados não constituem uma Justiça autônoma. Com o advento da Emenda n. Com efeito. Com efeito. Ainda em relação aos órgãos da Justiça comum local. 45. há os juizados especiais estaduais e distritais. verdadeira exceção na organização judiciária brasileira. a competência da Justiça comum local é a mais ampla de todas. da Constituição Federal. Distrito Federal e Territórios. ÓRGÃOS DA JUSTIÇA COMUM À vista dos artigos 92. da Constituição195. os respectivos “juízes de paz” não exercem atividade jurisdicional. e vinte e cinco jurados. PODER JUDICIÁRIO DOS ESTADOS E DO DISTRITO FEDERAL 8. 61 . na doutrina: “A Lei nº 9. Paraná. A propósito. presidente do órgão. da Constituição Federal. 196 Cf. inciso VII. há o júri. À vista do artigo 447 do Código de Processo Penal. 10ª ed. Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. ex vi do artigo 98. Enquanto os juízes de direito exercem o primeiro grau de jurisdição da Justiça comum local.8. há os órgãos da Justiça comum “ordinária” (juízes de direito e tribunais de justiça) e os da Justiça comum “especial” (juizados e turmas recursais).1. de 2004.. os quais também integram a Justiça comum dos Estados e do Distrito Federal194. 120). criou os juizados especiais cíveis e criminais nos Estados. entretanto. Teoria geral do processo. dos quais apenas sete participam da votação nos processos penais oriundos de crimes dolosos contra a vida. como órgãos de suas Justiças ordinárias.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. inciso VII. de 26-9-1995. conforme o caso. 2009. os Tribunais de Alçada foram todos extintos com a superveniência da Emenda Constitucional n. os Tribunais de Alçada integravam o Poder Judiciário de alguns Estados-membros193 e eram verdadeiros tribunais de segundo grau. houve a unificação da competência para o julgamento em segundo grau de jurisdição no âmbito dos Estados-membros em prol dos respectivos Tribunais de Justiça. Apesar de a denominada “Justiça de Paz” também integrar o Poder Judiciário. especificamente a Justiça comum local. 45. Por fim. De acordo. Distrito Federal e Territórios. 195 Em suma. São Paulo. mas integram as estruturas organizacionais das Justiças comuns dos Estados.

62 . 197 198 Há Tribunais de Justiça Militar em Minas Gerais.Justiças comum. o segundo grau de jurisdição é exercido pelo próprio Tribunal de Justiça do Estado ou do Distrito Federal. da Constituição Federal. cujas competências estão previstas no § 5º do artigo 125 da Constituição. preceito incide em relação a todos os Tribunais de Justiça. além da Justiça comum nos Estados e no Distrito Federal. Se. mas. §§ 3º. 199 Cf. sim. também há a Justiça Militar ou Castrense. por exemplo. quando atuam como “juízes federais”. 111-A. inciso II. os juízes de direito da Justiça comum local também exercem competência delegada. Ademais. por delegação constitucional. 104. como as previstas nos artigos 109 e 113 da Constituição Federal. inciso II. tendo em vista o disposto no artigo 105. artigo 93. da Constituição Federal. nos artigos 94. o Superior Tribunal Militar não é o tribunal de superposição dos Tribunais de Justiça Militar e dos Tribunais de Justiça em geral. de verdadeira “justiça especial”. ÓRGÃOS DA JUSTIÇA MILITAR À vista do artigo 125. pelos Conselhos de Justiça e até mesmo do Tribunal de Justiça Militar. o Superior Tribunal Militar atua como verdadeiro órgão de segundo grau de jurisdição da Justiça Militar do Poder Judiciário da União. trabalhista. constituída pelos juízes militares.2. da Constituição Federal. entretanto. 9. o Superior Tribunal de Justiça. Os juízes e os Conselhos de Justiça são órgãos de primeiro grau de jurisdição da Justiça Militar dos Estados e do Distrito Federal. o efetivo militar for inferior a vinte mil policiais militares e bombeiros. Por fim. 4º e 5º. à evidência. nem à Justiça comum militar. 101. 8. eleitoral e militar federais. quando o efetivo militar supera vinte mil policiais militares e bombeiros. Trata-se. é preciso anotar que não há vinculação alguma entre os Tribunais de Justiça Militar e os Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal com o Superior Tribunal Militar. conforme o caso. até mesmo os Tribunais de Justiça Militar existentes em alguns Estados. Como já anotado. inciso I. 115. As exceções estão previstas. DO INGRESSO E DA ASCENSÃO NO PODER JUDICIÁRIO Em regra198. por exemplo. parágrafo único. para o cargo inicial de “juiz substituto”199. da Constituição Federal. no Rio Grande do Sul e em São Paulo. em relação à Justiça comum dos Estados-membros e do Distrito Federal. Sem dúvida. inciso III. inciso II. Já o Tribunal de Justiça Militar é o órgão de segundo grau da Justiça Militar local197. o ingresso no Poder Judiciário brasileiro se dá mediante aprovação em concurso público de provas e títulos.

preceito de regência da promoção dos juízes de primeiro grau. Vara da Fazenda Pública etc. vale dizer. tudo depende da divisão estabelecida na lei de organização judiciária de cada Estado. da Constituição.Com efeito. comarcas. circunscrições e seções judiciárias. “b” e “c”. o foro é denominado “circunscrição judiciária”. que é a divisão políticoadministrativa dos Estados. incisos II. Estudadas a forma de ingresso e a organização judiciária de primeiro grau de jurisdição. Cada foro pode ter um ou mais juízos ou varas. 200 201 Melhor dito. A despeito da origem comum. entrância intermediária. Vara de Falências. Sob outro prisma. Por conseguinte. o juiz substituto toma posse e passa a exercer a jurisdição em foro de primeira entrância ou entrância inicial. À vista do inciso II do artigo 93 da Constituição. circunscrições judiciárias e seções judiciárias. Já a entrância é a classificação administrativo-judiciária dos foros. inciso I. os termos “entrância” e “instância” não são sinônimos. do Distrito Federal ou da União. já na Justiça comum distrital. o foro é a divisão administrativo-judiciária de cada Justiça. com diferentes competências: Vara Cível. que o foro seja equivalente a mais de um município. entrância inicial. conforme a Justiça. Vale dizer. Vara de Registros Públicos. Instância equivale a grau de jurisdição. do Distrito Federal e da União. 202 Isto é. Com efeito. das comarcas. e III. alínea “a”. vale dizer. Por conseguinte. os juízes de primeira instância200 podem exercem a jurisdição em foros201 de primeira entrância202. Nada impede. Vara de Sucessões. de terceira entrância e de última entrância204. da circunscrição judiciária ou da seção judiciária. e III. entrância especial ou entrância final. incisos II. Foro é o território no qual o juiz exerce a jurisdição. da Constituição Federal. de primeiro grau de jurisdição. os foros das capitais dos Estados têm vários juízos ou varas. os juízes de primeiro grau são promovidos de entrância para entrância por antiguidade e por merecimento. Por conseguinte. Vara Criminal. conforme a Justiça. Vara de Família. tendo em vista a organização judiciária e na terminologia empregada na lei de organização judiciária de cada Estado. portanto. e 105. Daí as expressões “juízo de primeira instância” e “tribunal de segunda instância”. conforme a terminologia adotada em cada Justiça. Por exemplo. já é possível voltar os olhos para o inciso II do artigo 93 da Constituição Federal. conforme o disposto na lei de organização judiciária de cada Estado. tendo em vista a terminologia empregada nos artigos 102. foro não se confunde com município. já que ambos são provenientes do latim forum. o foro é denominado “seção judiciária”. os termos “foro” e “fórum” têm significados distintos na linguagem jurídica moderna: fórum é o edifício que corporifica a sede do foro. 203 Vale dizer. circunscrição judiciária ou seção judiciária de primeira entrância ou entrância inicial. o foro é denominado “comarca”. aprovado no concurso público e empossado. com igual competência ou competências distintas. na Justiça comum estadual. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. de segunda entrância203. da comarca. 63 . 204 Isto é. do Distrito Federal e da União. e na Justiça comum federal. alínea “a”. o juiz substituto passa a exercer a jurisdição em comarca. à vista do artigo 93.

trinta anos. a produtividade e a presteza no exercício da jurisdição. in fine. alínea “b”. No Superior Tribunal de Justiça. em obediência à regra do quinto constitucional. especialização. mestrado. entretanto. nos Tribunais Regionais do Trabalho. a ser enviada ao Chefe do Poder Executivo. conforme a origem da vaga disponível no tribunal. há. tendo em vista a garantia da inamovibilidade. quando há a elaboração de lista sêxtupla pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Conselho Superior do Ministério Público. para integrarem a lista tríplice. ambos da Constituição Federal. Os mesmos critérios da antiguidade e do merecimento norteiam o acesso aos tribunais de segundo grau. alínea “c”. por força dos artigos 94 e 115. um terço das vagas para ministros provenientes da Advocacia e do 205 206 A qual também é exigida. ressalvadas as hipóteses dos artigos 40. bem como a aprovação em cursos oficiais de aperfeiçoamento206. por força do artigo 93. inciso II. inciso II. consagrado no artigo 94 da Constituição Federal. como o desempenho. tudo nos termos do artigo 93. A mesma regra prevista no artigo 94 para os tribunais de segundo grau também é aplicável ao Tribunal Superior do Trabalho. da Constituição Federal. o respectivo tribunal indica três dos seis nomes. O critério da antiguidade leva em consideração apenas o tempo de magistratura do juiz de primeiro grau na respectiva entrância. Promove-se. § 1º. Recebida a lista sêxtupla. que o juiz exerça a jurisdição no mesmo foro e até na mesma vara por dez. ao invés um quinto. os desembargadores provenientes da Advocacia e do Ministério Público são eleitos pelas respectivas classes. todos da Constituição. da Constituição. notório saber jurídico. se assim desejar. nos Tribunais Regionais Federais. na verdade. inciso II. da Constituição Federal. 93. consagrada no artigo 95. 64 . Também há o ingresso na magistratura e já nos tribunais de segundo grau pelo denominado “quinto constitucional”.com a alternância dos dois critérios de promoção. Já a promoção por merecimento tem em vista outros aspectos além da própria antiguidade205. também há o ingresso direto no Tribunal Superior do Trabalho de advogados e membros do Ministério Público. doutorado. inciso II. por consequência. Por exemplo. inciso I. À vista do artigo 94 da Constituição. porquanto nenhum juiz pode ser promovido contra a própria vontade. inciso II. para nomeação de um dos advogados ou dos membros do Ministério Público. da Constituição. O denominado “quinto constitucional” consiste no ingresso de advogados e de membros do Ministério Público. Com efeito. Nada impede. com mais de dez anos de carreira profissional. por força do artigo 111-A. inciso I. dentre os inscritos que desejarem a promoção. e 95. vinte. portanto. tendo em vista a antiguidade e o merecimento dos juízes na última entrância da primeira instância. diretamente nos Tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal. também de forma alternada. pós-doutorado. incisos VI e VIII. o juiz mais antigo na entrância.

nem a exceção do terço. inciso II. DAS GARANTIAS E DAS VEDAÇÕES AOS MEMBROS DO PODER JUDICIÁRIO Ao consagrar o princípio do juiz natural e imparcial nos incisos XXXVII e LIII do artigo 5º da Constituição de 1988. a qual impede a aposentadoria contra a vontade dos mesmos. consubstanciada na elaboração de propostas orçamentárias.Ministério Público. 65 . tendo em vista o disposto no artigo 104. consagrada no artigo 94. Ainda para proteger os magistrados de eventuais pressões políticas. mas sempre com a observância do disposto no artigo 93. a irredutibilidade dos subsídios dos magistrados é garantia prevista no inciso III do artigo 95 da Constituição. parágrafo único. à vista do artigo 99 da Constituição. o que põe os mesmos a salvo de eventuais pressões das partes com maior poder econômico. no que tange ao Supremo Tribunal Federal. 10. inciso II. da Constituição Federal. observados os requisitos insertos no artigo 101. Sem dúvida. afastados ou promovidos das respectivas varas e tribunais sem a concordância dos mesmos. ressalvadas. há a garantia da vitaliciedade. parágrafo único. É a garantia prevista no proêmio do inciso I do artigo 95 da Constituição Federal. da Constituição Federal. Para garantir a necessária independência dos juízes e tribunais. cuja regra só sofre exceção proveniente de motivo de interesse público. ressalvada a aposentadoria compulsória por implemento de idade. Por fim. prevista no artigo 104. até mesmo para garantir a irredutibilidade dos subsídios dos membros do Poder Judiciário. sempre há indicação de advogados e membros do Ministério Público para a Corte Suprema. à vista da qual os magistrados não podem ser removidos. da mesma Constituição. Já para proteger os magistrados de pressões políticas. Trata-se de garantia indispensável para a preservação da imparcialidade dos juízes e tribunais. inciso II. inciso VIII. É a garantia prevista no artigo 95. não incide a regra do “quinto constitucional”. Com efeito. as exceções insertas na parte final do preceito constitucional. referente ao Superior Tribunal de Justiça. o Presidente da República tem ampla liberdade na indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal. entretanto. em virtude da concessão de subsistência digna dos magistrados e das respectivas famílias. há a garantia da inamovibilidade. o constituinte conferiu autonomia administrativa e financeira ao Poder Judiciário. por tradição. embora. o constituinte revelou a preocupação com a prestação jurisdicional por meio de juízes e tribunais independentes.

públicas ou privadas. honorários e qualquer participação em processos. nos três anos subsequentes à aposentadoria ou à exoneração. Por fim. Com efeito. tudo nos termos do artigo 95. parágrafo único. exceto o magistério. auxílios e contribuições de pessoas físicas e jurídicas. da mesma Constituição. conforme o caso. em apenas uma instituição de ensino. mas. para evitar que os magistrados sofram pressões políticas e econômicas.Na mesma esteira. há as vedações destinadas à preservação da imparcialidade dos juízes e tribunais. Ainda para preservar a imparcialidade dos juízes e tribunais. 66 . da Constituição Federal. a qualquer título ou pretexto. III e IV. em perfeita harmonia com o artigo 5º. É a vedação arrolada no inciso I do parágrafo único do artigo 95 da Constituição Federal. mesmo assim. os magistrados aposentados e exonerados não podem exercer a advocacia no juízo ou no tribunal do qual se afastou. inciso LXXXVIII. o qual consagra o princípio da celeridade processual. custas. os mesmos estão impedidos de exercer atividade político-partidária. a fim de que não ocorra protelação no processamento e na prolação das decisões e sentenças. incisos II. de receber. os magistrados não podem exercer outro cargo ou função. tendo em vista a vedação prevista no inciso V do parágrafo único do artigo 95 da Constituição Federal.

A ‘competência’. São. 207 Ressalvados apenas os órgãos judiciários com atribuições administrativas. p. ainda. ao órgão judiciário. Ainda à vista do artigo 92 da Constituição Federal – e também do anotado no capítulo anterior do presente compêndio –. 2. 208 De acordo. DESTINATÁRIO DA COMPETÊNCIA Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Do exposto. nos Códigos e Leis de Organização Judiciária e nos regimentos internos dos tribunais. tanto o constituinte quanto o legislador distribuíram as causas sujeitas à jurisdição brasileira entre os muitos juízos e tribunais que formam a complexa organização judiciária pátria. mas a exercem numa certa medida. sim. a competência não é atribuída aos desembargadores e aos ministros. legais e regimentais. à vista de critérios previstos em preceitos constitucionais. 67 . direito do trabalho. a competência não é conferida ao juiz. dentro de certos limites. pois. direito eleitoral. direito penal militar. no Código de Processo Civil. a competência é específica.” (ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. após a provocação ou contra certas pessoas. 209 Por exemplo. em relação a alguma matéria209. já é possível conceituar o instituto sub examine: competência é a parcela da jurisdição que é conferida aos juízos e tribunais. a competência é a limitação da jurisdição a alguns conflitos de interesses ocorridos em determinado território. aos tribunais e às respectivas câmaras e turmas julgadoras. tudo à vista da repartição dos trabalhos judiciais prevista nas Constituições. ‘é a medida da jurisdição’. a delimitação da jurisdição. ou seja. legais e regimentais. assim. é a jurisdição na medida em que pode e deve ser exercida pelo juiz. direito falimentar. na doutrina: “Todos os juízes exercem jurisdição. mas. Jurisdição e competência. com o processamento e o julgamento do conflito de interesses que ocasionou a instauração do processo sub iudice208. para o processamento e o julgamento de conflitos de interesses que são distribuídos à vista de critérios de repartição previstos em preceitos constitucionais. O mesmo não ocorre. enquanto a jurisdição é geral. como o Conselho Nacional de Justiça. a qual é atribuída a um órgão judiciário específico. ou. conforme o caso. enquanto pessoa. ‘competentes’ somente para processar e julgar determinadas causas.. Com efeito. a jurisdição é conferida aos órgãos do Poder Judiciário em geral207. Como é perceptível. mas ao juízo. Na mesma esteira. 12ª ed. 59). 2002. com a competência. CONCEITO DE COMPETÊNCIA Em virtude da multiplicidade de órgãos judiciários arrolados no artigo 92 da Constituição Federal – e estudados no capítulo anterior –. o Conselho da Justiça Federal e a Justiça de Paz. É a competência.DA COMPETÊNCIA 1. entretanto. portanto. a fim de que apenas um órgão judiciário possa exercer a jurisdição. os quais não exercem jurisdição.

24). Regem a competência dos tribunais as normas da Constituição da República e de organização judiciária. promovido ou aposentado após o término da instrução não fica vinculado ao processo para o julgamento da lide. 212 Não obstante. p. pessoalmente. Além da competência arrolada no Código de Processo Civil. entretanto. de forma detalhada. referente ao juízo competente para a execução 210 Em contraposição. casos em que passará os autos ao seu sucessor”212. os quais dispõem sobre a competência dos juízos e dos tribunais.Em hipóteses excepcionais. in verbis: “Art. é preciso observar a competência dos juízos e dos tribunais arrolada na Constituição Federal213. 125. No mais das vezes. a competência é do juízo. 3. A competência funcional dos juízes de primeiro grau é disciplinada neste Código”. e não do juiz. independentemente de ser o titular ou o substituto. um juiz titular e um juiz substituto. o artigo 17 da Lei n. se o juiz que não colheu prova alguma em audiência. tendo em vista a regra inserta no proêmio do artigo 132 do Código de Processo Civil. salvo se estiver convocado. 213 Cf. também é preciso ter em vista o disposto nas leis federais especiais. não fica vinculado ao processo. in verbis: “Art. afastado por qualquer motivo. O juiz. 211 Com efeito. Compete ao juiz que colheu a prova em audiência proferir a sentença. legais e até regimentais. 93. o juiz que realizou a colheita das provas na audiência de instrução é o competente para proferir a sentença210. a um só tempo. como no caso do proêmio do artigo 132 do Código de Processo Civil. Só é possível falar em competência do juiz nas hipóteses excepcionais nas quais a lei vincula a causa à pessoa do juiz. licenciado. é possível e até comum que em um mesmo juízo haja. sendo a lei de organização judiciária de iniciativa do Tribunal de Justiça”. ainda que no juízo haja mais de um juiz211. por força do artigo 125 da Constituição Federal. como. 262: “Não se vincula ao processo o juiz que não colheu prova em audiência”. § 1º . Por exemplo. por exemplo. portanto. 68 . a competência dos juízos e dos tribunais está prevista em inúmeros preceitos constitucionais.474. deve-se observar a competência prevista no Código de Processo Civil. a competência não subsiste nas hipóteses previstas na parte final do artigo 132 do Código de Processo Civil. volume 252. também é preciso ter em vista o disposto nas Constituições dos respectivos Estados-membros.A competência dos tribunais será definida na Constituição do Estado. observados os princípios estabelecidos nesta Constituição. Em primeiro lugar. de 1968. que concluir a audiência julgará a lide. artigo 93 do Código de Processo Civil: “Art. a competência alcança o magistrado.” (Revista de Processo. Em seguida. Os Estados organizarão sua Justiça. titular ou substituto. como bem revela a conclusão IV do Simpósio de Direito Processual Civil de 1975: “O juiz transferido. Aliás. promovido ou aposentado. como bem assentou o Tribunal Federal de Recursos ao aprovar o enunciado n. como já anotado no primeiro tópico do presente capítulo. PRECEITOS DE REGÊNCIA DA COMPETÊNCIA No que tange às fontes. especialmente nos artigos 86 a 123. 5. 132.

p. Aliás.” (ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. Por fim. nos Códigos de Organização Judiciária estaduais e nos Regimentos Internos dos Tribunais. Compete privativamente: I . dispõe o artigo 93 do mesmo Código: “Art. obrigatória – das competências constitucionais e legais. em leis federais não codificadas. relator.” (ANTONIO CARLOS DE ARAUJO CINTRA. os regimentos internos dos tribunais também versam sobre as competências dos diversos órgãos colegiados215 e monocráticos216. 25ª ed.030/SC. É preciso reconhecer. as regras sobre competência de juízo (varas especializadas etc. dos Códigos e Leis de Organização Judiciária federais e estaduais. principalmente as regras sobre o foro competente (comarcas). 93. 69 . na jurisprudência: “2. 1ª Turma do STJ. a competência da Justiça da Infância e da Juventude (juízo cível). 633.). expressamente. infração esta de natureza administrativa (art. revisor. de 2005. Regem a competência dos tribunais as normas da Constituição da República e de organização judiciária.). especialmente a determinação da competência de cada uma das Justiças e dos Tribunais Superiores da União. é preciso considerar o disposto nos Códigos e Leis de Organização Judiciária.de duplicata.”.069/90. A competência funcional dos juízes de primeiro grau é disciplinada neste Código”. 214 De acordo. ADA PELLEGRINI GRINOVER e CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. com a observância – frise-se. 96. Em se tratando de apelação decorrente de procedimento especial da Lei nº 8. grupos. 60). 2009. dispondo sobre a competência e o funcionamento dos respectivos órgãos jurisdicionais e administrativos. p. Em complemento. ex vi do artigo 96. 91. por força do princípio da especialidade214. da Constituição Federal. a competência originária dos tribunais locais.. decano. e não do juízo criminal. 12ª ed. Regem a competência em razão do valor e da matéria as normas de organização judiciária. tanto federais quanto estaduais. do Código de Processo Civil e das leis federais especiais. O ECA prevê.” (REsp n. para enfrentar questões relativas à infração contra norma de proteção aos infantes. 258 do ECA). referente ao juízo competente para o processamento e o julgamento das recuperações empresariais e das falências. c) nas Constituições estaduais. 138). a distribuição da competência é feita em diversos níveis jurídicopositivos.aos tribunais: a) eleger seus órgãos diretivos e elaborar seus regimentos internos.101. nos termos do artigo 152 do Estatuto e do princípio da especialidade. na doutrina: “As normas de determinação de competência encontram-se na Constituição Federal. 216 Por exemplo: presidente. alínea “a”. Teoria geral do processo. o disposto em preceito de lei federal especial prevalece em relação aos dispositivos gerais do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 28 de setembro de 2006. p. A propósito.. vice-presidente. Após. e dos regimentos internos dos tribunais217. in verbis: “Art. 249. com observância das normas de processo e das garantias processuais das partes. inciso I. Em suma. entretanto. 215 Por exemplo: pleno. 11. no Código de Processo Civil (bem como no Código de Processo Penal). que autorizada doutrina apresenta outra classificação para as fontes das normas sobre competência: “No Brasil. vale conferir o disposto no artigo 91 do Código de Processo Civil: “Art. a aplicação das leis processuais gerais deve ser feita de forma subsidiária. 192). 217 De acordo. n. e o artigo 3º da Lei n. Jurisdição e competência. d) nas leis de organização judiciária. b) na lei federal (Código de Processo Civil. 2002. ressalvados os casos expressos neste Código”. Código de Processo Penal etc. órgão especial. turmas. câmaras. a competência dos juízos e tribunais judiciários deve ser aferida à luz das Constituições. assim considerados: a) na Constituição Federal. em Constituições estaduais.

145). 5. 1993. o acréscimo. é preciso saber se o Estado brasileiro tem jurisdição. com os destaques em itálico no original). serão inconstitucionais ou inócuos. 220 De acordo.119. emenda à própria Constituição). 60. 2006. que se acha associado ao ‘princípio da tipicidade de competências’. “Prevista na Constituição da República. a competência dos juízos e tribunais é taxativa. p.4. IDENTIFICAÇÃO DO JUÍZO OU DO TRIBUNAL COMPETENTE As Constituições. v. razão pela qual enseja ampliação nem redução. Assim. na doutrina: JOSÉ CRETELLA JÚNIOR. sim. alteração ou subtração de regras de competência.” (ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. Por consequência. o local do domicílio do réu é o ‘dado’ mais comum para a determinação da competência: mas também o valor atribuído à demanda. 2ª ed. não comportando ampliação por norma infraconstitucional. à vista dos artigos 88 e 89 do Código de Processo Civil. Jurisdição e competência. à luz do artigo 88 do Código de Processo 218 De acordo. não pode ser ampliada ou transferida” (REsp n. na doutrina: “A competência fixada na Constituição apresenta-se exaustiva e taxativa: dispositivo algum de lei. segundo o qual a competência conferida a um juízo ou tribunal é taxativa. Não obstante. Com efeito. 61). razão pela qual não pode ser ampliada nem pode sofrer restrição por preceito inferior ao dispositivo que contempla a competência218. os Códigos e Leis de Organização Judiciária e os regimentos internos dos tribunais revelam a coexistência de muitos critérios para a identificação do juízo ou do tribunal competente. p. o Código de Processo Civil. 3. Assim. “pelo ‘princípio da indisponibilidade de competências’. poderá reduzir ou ampliar tal competência. dispor que uma determinada causa deva ser conhecida e julgada pelo juiz A. isolada ou cumulativamente. evidentemente. Comentários à Constituição brasileira. a matéria sobre que versa a demanda. ou a vinculação de uma demanda com outra que já se encontra em andamento e muitos outros dados são aproveitados pela lei para. Sem dúvida. primeiro é necessário verificar se a jurisdição é brasileira ou estrangeira. 219 De acordo. o território no qual se deu o fato gerador do litígio. consagrados pela nossa Constituição. determinadas por norma hierarquicamente inferior. o lugar em que se encontra o imóvel objeto da causa. mas. relacionados principalmente com a própria lide ou com as pessoas dos litigantes. na doutrina: “A lei processual civil atribui competência aos juízes valendo-se de diferentes ‘dados’..848/SP Diário da Justiça de 2 de agosto de 1993). meras leis complementares e ordinárias não podem ampliar nem reduzir (a competência fixada no texto constitucional)219. 6ª ed.” (FREDIE DIDIER JR. é taxativa.. Curso de direito processual civil. entre eles os dos tribunais. antes da apuração do juízo ou do tribunal competente. a incidência na exata medida da atribuição da competência. 2002.” (ATHOS GUSMÃO CARNEIRO.. na qualidade de Ministro do Superior Tribunal de Justiça. isto é. 12ª ed. 70 . Como bem fundamentou o Professor ADHEMAR MACIEL. inserta a competência na Constituição Federal. arrolada em numerus clausus..g. p. p. 2002. 28. A qualidade das partes. ordinária ou complementar (salvante. 12ª ed. e não pelo juiz B ou por qualquer outro juiz. PRINCÍPIO DA TIPICIDADE DE COMPETÊNCIAS A repartição de competências entre os juízos e tribunais é norteada pelo princípio da tipicidade. a competência dos órgãos constitucionais.. à luz do princípio da tipicidade. pelo legislador e pelos tribunais para a repartição das competências entre os órgãos judiciários220. Volume VI. a matéria objeto do conflito de interesses e o valor da causa são os principais critérios utilizados pelo constituinte. Volume I. Jurisdição e competência.

227 De acordo. 114. a segunda questão que se coloca é a de saber qual o órgão competente dessa Justiça. o segundo passo é identificar qual é a organização judiciária competente para processar e julgar a causa: Justiça Eleitoral. portanto. na “competência hierárquica”227. instituída por interesse público. V e V-A. 111) – É modalidade da funcional. os órgãos de 2º e 3º graus têm competência para julgar originariamente certas ações. na doutrina: “COMPETÊNCIA EM RAZÃO DA HIERARQUIA (art. Para o fim do disposto no n I. ou não.. II . mencionada no art.. p. O terceiro passo para a identificação do juízo ou tribunal competente está consubstanciado na “competência funcional”226. é função primária específica dos órgãos de 1º grau julgar as ações. 226 Assim. Jurisdição e competência. § 4º.no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação. Vale aqui assinalar que a expressão ‘competência de jurisdição’ é. Reconhecida a jurisdição brasileira.o réu. É competente a autoridade judiciária brasileira quando: I . sob a epígrafe ‘de competência funcional’. Em última análise.a ação se o originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil. 2002. na doutrina: “Encontrada a justiça competente. 88. conforme o caso. porquanto a competência é. é a que cabe aos tribunais. É a denominada – também impropriamente – “competência de jurisdição”223. Justiça Federal ou Justiça local. vez que todas elas estão compostas de órgãos de 1º. perquirindo-se qual a ‘Justiça’ competente. A identificação da competência da organização judiciária – ou seja. Compete à autoridade judiciária brasileira. sendo um superior e outro inferior: juiz e tribunal. 2ª ed. mas sem a exclusão da jurisdição estrangeira221. 71 . e 125.proceder a inventário e partilha de bens. Questiona-se se a competência foi atribuída a algum tribunal por força da 221 “Art. 224 Por exemplo: artigos 109. 1994. 10ª ed. 93. 12ª ed. II. Justiça do Trabalho. escalonado. todos da Constituição Federal. ainda que o autor da herança seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional”. enquanto é função primária específica dos órgãos de 2º e 3º graus julgar os recursos. Teoria geral do processo. incorreta. se há a denominada – impropriamente. Denomina-se funcional justamente porque leva em conta a função primária específica do órgão no âmbito de uma dada justiça. 138). Dicionário do Código de Processo Civil brasileiro. III. à vista da classificação da jurisdição em inferior e superior. e do artigo 89 do mesmo Código. IV. II .. 76). 89.” (ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. estiver domiciliado no Brasil. porém. p. 2º. na doutrina: “Verificada a competência da Justiça brasileira. cada qual dotado de função específica.conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil. 124 e 125. e até 3º graus. 2009. como disse Enrico Liebman.” (JOSÉ DE ALBUQUERQUE ROCHA. 222 “Art. mais especificamente. com exclusão da jurisdição alienígena222. Hierarquia pressupõe mais de um órgão. Justiça Militar. Excepcionalmente. 165). passamos a uma segunda etapa na busca do juiz competente. filial ou sucursal”. a rigor. da “Justiça competente” – ocorre à luz de dois principais critérios: matéria224 subjacente ao conflito de interesse e qualidade das pessoas225 envolvidas no litígio. com exclusão de qualquer outra: I . diga-se de passagem – “competência internacional”. sendo absoluta. no qual foram arroladas as hipóteses nas quais a jurisdição brasileira também incide. incisos III. da Constituição Federal. É preciso verificar. no qual residem os casos nos quais incide apenas a jurisdição brasileira. reputase domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que aqui tiver agência. incisos I. p. III . 225 Por exemplo: artigos 109. qualquer que seja a sua nacionalidade. 223 Com igual opinião. Assim.Civil. § 5º. a ‘medida da jurisdição’. com o reconhecimento da jurisdição brasileira. Parágrafo único.“ (ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. e em primeiro lugar. situados no Brasil. A determinação do órgão competente no âmbito de uma mesma justiça é feita através do chamado critério funcional. incisos I e II. o ocorre por força de alguns fatores que são considerados pelo legislador como capazes de justificar uma mudança nas regras da competência funcional. VI e IX.

DETERMINAÇÃO DA COMPETÊNCIA 72 . em regra. in verbis: “Art. Após a identificação do juízo competente. É preciso apurar. À vista do exposto. Identificado o foro competente – de alguma comarca. 6ª) Competência interna. 2ª) “Competência de jurisdição”. tendo em vista a necessidade da identificação da vara competente. para saber qual a “Justiça” (rectius. 94. a competência será de algum juízo monocrático de primeira instância. para saber qual é a vara competente. a comarca. para saber qual é o foro competente. O principal critério de identificação do foro competente é o domicílio do demandado. identificado qual é a vara competente. Daí a justificativa para a denominação da quinta etapa: “competência de juízo”. 3ª) “Competência hierárquica”. a organização judiciária brasileira) competente. se o conflito de interesses integra a competência originária de algum tribunal. É preciso saber. Investiga-se. no foro do domicílio do réu”. tendo em vista a regra consagrada no caput do artigo 94 do Código de Processo Civil.Constituição Federal ou da Constituição do respectivo Estado-membro. 4ª) Competência territorial. Com efeito. já que em um mesmo foro pode haver mais de uma vara. ou não. convém arrolar as etapas para a identificação do juízo ou do tribunal competente: 1ª) “Competência internacional”. 6. circunscrição ou seção judiciária –. qual é o foro – mais especificamente. um juiz titular e um juiz substituto. porquanto um mesmo juízo pode conter dois juízes. Se a resposta for negativa. para saber se a causa integra a competência de algum tribunal. a circunscrição judiciária ou a seção judiciária – em que reside a competência para processar e julgar a causa. Daí a explicação para a denominação da sexta e última etapa: “competência interna”. portanto. quando é preciso passar para a quarta etapa: “competência de foro” ou “competência territorial”. é preciso saber se há algum juiz competente. agora. 5ª) Competência de juízo. se algum deles já tem a competência predeterminada. para saber se a jurisdição é brasileira. para saber se há algum juiz titular ou substituto competente para a causa. passa-se à busca do juízo competente. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre bens móveis serão propostas. ainda há a “competência interna”. portanto.

versa sobre competência. Daí o acerto. ex vi dos artigos 251. A propositura da ação. Com efeito. 255. Resta saber quando a demanda é considerada proposta. fixa-se a competência do órgão judiciário. os efeitos mencionados no art. 87 do Código de Processo Civil. 219 depois que for validamente citado”. Jurisdição e competência. tudo nos termos do artigo 263 do Código de Processo Civil. quanto ao réu.” (ATHOS GUSMÃO CARNEIRO. 2002. 252. proposta a demanda. todos do Código de Processo Civil.No que tange ao momento da determinação da competência. a posterior mudança de domicilio do executado não desloca a competência já fixada”. e não sobre jurisdição. ou simplesmente distribuída. Determina-se a competência no momento em que a ação é proposta”. como pode parecer à primeira vista228. todavia. do enunciado n. 87. a qual pode se dar pela distribuição. 73 . está no art. modificação da competência em razão da matéria e alteração da competência em razão da hierarquia. como pode parecer à vista do caput do artigo 219 do mesmo Código. nos foros com apenas uma vara. considera-se proposta a demanda quando o juiz exara o primeiro despacho ou decisão à vista da petição inicial. ou. como bem revela o proêmio do artigo 87 do Código de Processo Civil. por exemplo. 263. o qual. in verbis: “Art. 58 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Proposta a execução fiscal. onde houver mais de uma vara. com o destaque em itálico no original). é a propositura da demanda que determina a competência do juízo – e não a citação do demandado. na doutrina: “O princípio da ‘perpetuação da jurisdição’. 81. Por exemplo. ou com o lançamento do primeiro despacho ou decisão à vista da petição inicial. 256 e 263. PRINCÍPIO DA PERPETUAÇÃO DA COMPETÊNCIA O artigo 87 do Código de Processo Civil consagra o denominado “princípio da perpetuatio iurisdictionis”. quando há mais de uma vara no foro. é mitigada à vista das exceções previstas no mesmo artigo 87: extinção do órgão judiciário. da perpetuação da competência. A regra da perpetuação. p. a determinação da competência está atrelada à propositura da demanda. só produz. instalada a vara do trabalho. a mesma é fixada com a propositura da demanda. a demanda é considerada proposta com a distribuição da petição inicial.. todavia. entretanto. Em suma. Já nos foros com vara única. 12ª ed. cessa a competência do juízo local em matéria trabalhista. Considera-se proposta a ação. até mesmo para a execução das sentenças proferidas pelo juiz 228 De acordo. 7. melhor dito. tendo em vista a regra consagrada no artigo 87 do Código de Processo Civil. Quando o foro competente tem mais de uma vara. in verbis: “Art. Com efeito. tanto que a petição inicial seja despachada pelo juiz. a qual subsiste até mesmo quando há superveniente modificação de fato e de direito.

a incompetência territorial pode ser apreciada de ofício. 23 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 3ª Região: “É territorial e não funcional a divisão da Seção Judiciária de São Paulo em Subseções. legais e regimentais. 233 Cf. merece ser prestigiado o verbete n. conforme o caso. ambos do Código de Processo Civil. 10 da Súmula da Corte. ou não. em hipóteses excepcionais. tendo em vista o disposto nos artigos 111. especialmente nos casos previstos nos artigos 95. há a incompetência do juízo ou do tribunal.” (sem o grifo no original). Outro exemplo: extinto o Tribunal de Alçada de Minas Gerais. A incompetência pode ser relativa ou absoluta. do Código de Processo Civil. conforme dispõe o artigo 112 do CPC e Súmula 33 do STJ. à vista da possibilidade da derrogação e da prorrogação da competência. parágrafo único. e 112. não pode ser declarada de ofício. Ainda em relação à incompetência relativa. Já a incompetência relativa é derrogável. inciso II. A incompetência absoluta é “inderrogável”229. caput. segunda parte. 229 230 Cf. não podendo ser declinada de ofício. apreciável de ofício230 e não é sanável pelo advento da coisa julgada231. Com efeito. 232 Vale dizer. Cf. como bem revela o artigo 114 do Código de Processo Civil. a incompetência em razão do valor da causa e a incompetência territorial são relativas e não ensejam apreciação oficial. Em regra. Não obstante. enunciado n. artigo 485. 234 Em reforço. o instituto da prorrogação transforma um juízo relativamente incompetente em competente. tanto para o processamento quanto para o julgamento. do Código de Processo Civil. À vista do proêmio do artigo 111 do Código de Processo Civil. 74 . in fine. e 112. como bem assentou o Superior Tribunal de Justiça ao aprovar o enunciado n. artigo 113 do Código de Processo Civil. a falta de oferecimento de exceção de incompetência nas hipóteses que não ensejam apreciação oficial ocasiona a prorrogação da competência. Cf. INCOMPETÊNCIA RELATIVA E INCOMPETÊNCIA ABSOLUTA Proposta a demanda em outro juízo ou tribunal que não aquele competente à luz dos preceitos constitucionais. ambos do Código de Processo Civil234. artigo 111 do Código de Processo Civil. 33 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “A incompetência relativa não pode ser declarada de ofício”.de direito. 8. 231 Cf. Sendo territorial. a competência é relativa. artigo 112. portanto. sanável pela coisa julgada e geralmente depende de provocação das partes232 mediante exceção de incompetência233. caput. quando a declaração de incompetência pode se dar independentemente de provocação. a incompetência material e a incompetência hierárquica são absolutas. improrrogável. razão pela qual o juízo inicialmente incompetente passa a ser competente. prorrogável. as respectivas ações rescisórias e os recursos pendentes foram todos remetidos ao Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

com a possibilidade da modificação da mesma.Além dos critérios previstos no artigo 111 do Código de Processo Civil. 75 . tendo em vista a natureza relativa da mesma. 9. a competência fixada em razão do território ou do valor da causa é derrogável e prorrogável. 10. há outra classificação dos critérios de incompetência absoluta e relativa: a incompetência da organização judiciária (ou seja. in verbis: “Art. declarada a incompetência. há a possibilidade modificação da competência – em razão do território ou do valor da causa – pela vontade dos contratantes. a incompetência de juízo e a incompetência interna são absolutas. mas apenas a remessa dos autos ao juízo ou tribunal competente. com igual aplicação aos juizados especiais federais235. com a ressalva da exceção prevista no artigo 51. § 2o O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes”. inciso III. prevalece a autonomia da vontade em relação às hipóteses previstas no artigo 111. 111. A competência em razão da matéria e da hierarquia é inderrogável por convenção das partes. da Lei n. com a posterior remessa dos autos ao juízo ou tribunal competente. do Código de Processo Civil236. Não obstante. o juiz pode declarar de ofício a incompetência 235 236 Cf. § 1o O acordo. porém. nas seguintes hipóteses: cláusula de eleição do foro em contratos. quando constar de contrato escrito e aludir expressamente a determinado negócio jurídico. segunda parte e parágrafos. todos os atos decisórios são considerados nulos.259. mas estas podem modificar a competência em razão do valor e do território. portanto. quando há a extinção do processo em curso nos juizados especiais estaduais e distritais. ex vi do § 2º do artigo 113 do Código de Processo Civil. conexão e continência. MODIFICAÇÃO DE COMPETÊNCIA Como já anotado. a incompetência de hierarquia. de 1995. Por fim. com a escolha do foro competente pelos próprios contratantes. de 2001. na hipótese excepcional do parágrafo único do artigo 112. Daí a possibilidade da inclusão de cláusula de eleição do foro nos contratos cíveis. 111 e 114 do Código de Processo Civil revelam a relatividade da competência fixada à luz do território e do valor da causa. artigo 1º da Lei n. para a eventualidade de futuros litígios. 9. Aliás. consumeristas e mercantis. “da Justiça”). Em regra. segunda parte. portanto. Com efeito. o artigo 111 Código de Processo Civil está em perfeita harmonia com o artigo 421 do Código Civil. os artigos 102. elegendo foro onde serão propostas as ações oriundas de direitos e obrigações.099. já a incompetência de foro é relativa. preceito que consagra a regra da autonomia da vontade dos contratantes. ausência de apresentação de exceção de incompetência relativa. Em regra. do Código de Processo Civil. Em primeiro lugar. como bem revela o artigo 111. só produz efeito. a declaração da incompetência não ocasiona a extinção do processo.

de ofício ou a requerimento de alguma das partes. A propósito. Por fim. já que a competência em razão da matéria e da hierarquia é inderrogável por convenção das partes. há lugar para a reunião dos processos sob o mesmo juízo. da causa de pedir das mesmas. p. merece ser prestigiada a conclusão III do Simpósio de Direito Processual Civil de 1975: “O art. todavia. com fundamento na nulidade da cláusula de eleição de foro em contratos de adesão. 102. 114 deve ser entendido à luz do art. considerando-se prorrogável a competência de juízo apenas quando estabelecida pelos critérios do território ou valor da causa”238. 24. reconhecida a conexão ou a continência pelo juiz. quando lhes for comum o objeto ou a causa de pedir”. A propósito. quer pela igualdade quanto ao objeto. vale conferir a fundamentação que sustentou a aprovação do conclusão III: “Relativamente à aplicação do art. mas o objeto de uma. há lugar para a modificação da competência por força da conexão e da continência. fixada em razão do território ou do valor da causa. p. em razão do valor e do território. para julgamento conjunto. 76 . tudo à vista do artigo 103 do Código de Processo Civil: “Reputam-se conexas duas ou mais ações. o pedido das demandas. decidiu o SIMPÓSIO que a prorrogação da competência ocorre unicamente nos casos de competência relativa (valor da causa e territorial). em razão do território ou do valor da causa. abrange o das outras”. 114 em face do art. Tanto a conexão quanto a continência podem ocasionar a modificação da competência relativa. por ser mais amplo. A conexão consiste na identidade parcial entre duas ou mais demandas. Sem dúvida. A falta do oferecimento da exceção. a incompetência relativa é passível de alegação mediante exceção processual. ocasiona a prorrogação da competência. Simpósio de Processo Civil. Com efeito. Também é possível a modificação da competência em razão da ausência da apresentação de exceção de incompetência relativa. A propósito do instituto. no prazo e na forma legais237. quer pela igualdade do fato gerador das demandas. volume 252. volume 252. o qual é abrangido pelo maior pedido. Com efeito. isto é. Revista Forense. 305 e 307 do Código de Processo Civil. com as mesmas partes e a mesma causa de pedir. por força do artigo 114 do Código de Processo Civil. poderá modificar-se pela conexão ou continência. vale dizer. 102.relativa. vale conferir o artigo 104 do Código de Processo Civil: “Dá-se a continência entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir.” (EDSON PRATA. a prorrogação de competência tem o condão de conferir competência ao juízo incompetente. tudo nos termos do artigo 105 do Código 237 238 Cf. razão pela qual o juízo inicialmente incompetente passa a ser o competente. mas o pedido de uma é mais amplo do que o objeto da outra. Já a continência consiste na identidade parcial entre duas ou mais demandas. artigos 297. como bem revela o artigo 102 do Código de Processo Civil: “A competência. Revista Forense. observado o disposto nos artigos seguintes”. 19).

com a prevenção do juízo no qual a petição inicial foi admitida em primeiro lugar. é imprescindível que as causas ainda estejam em processamento. Em contraposição. Concretiza-se. as duas pessoas envolvidas resolveram ajuizar demandas recíprocas. não há a modificação da competência. vale dizer. Na eventualidade de os juízos em tese competentes integrarem o mesmo foro. se os juízos em tese competentes integrarem foros diversos. Imagine-se. incide o artigo 106 do Código de Processo Civil. incide o artigo 219 do Código de Processo Civil. todavia. e vice-versa. as demandas são propostas em juízos de foros diferentes. razão pela qual a prevenção se dá em prol do juízo no qual o réu foi citado em primeiro lugar. se um deles já foi julgado”. com a consequente exclusão dos demais. a fim de que sejam decididas simultaneamente”. considera-se prevento aquele no qual a petição inicial é admitida pelo juiz em primeiro lugar239. 77 . que após um acidente automobilístico ocorrido em Belo Horizonte. os princípios da celeridade processual. pode ordenar a reunião de ações propostas em separado. conforme já assentou o Superior Tribunal de Justiça. ainda que em primeiro grau de jurisdição. 239 Cf. por exemplo. da economia processual e da segurança jurídica. nos termos do artigo 219 do Código de Processo Civil. A prevenção é o critério por meio do qual há a identificação e a fixação da competência em prol apenas de um dos juízos igualmente competentes. assim. entretanto. ao aprovar o enunciado n. o juiz. Se ambas as demandas foram ajuizadas na Comarca de Belo Horizonte. Em ambas as hipóteses (conexão e continência). Se alguma causa já foi julgada. 235 da Súmula da Corte: “A conexão não determina a reunião dos processos. mas uma foi distribuída para o juízo da 10ª Vara Cível e a outra para o juízo da 30ª Vara Cível. porquanto as causas são julgadas pelo mesmo juiz. ainda não tenham sido julgadas.de Processo Civil: “Havendo conexão ou continência. a prevenção se dá por força da primeira citação do réu. Se. PREVENÇÃO Na eventualidade de mais de um juízo ser em tese competente para processar e julgar as mesmas causas. sem movimentação adicional da máquina judiciária e sem risco de julgamentos conflitantes. 10. de ofício ou a requerimento de qualquer das partes. uma contra a outra. as demandas só poderão ser processadas e decididas em um juízo. artigo 106 do Código de Processo Civil.

entretanto. o direito de ação é exercido em relação ao Estado-juiz. parágrafo único. o direito de ação não é conferido apenas aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país. em razão da combinação do caput do artigo 5º com o inciso XXXV do mesmo artigo 5º da Constituição Federal. sim. Aliás. do Código de Processo Civil. interesse processual e legitimidade das partes. do Código de Processo Civil. executado ou requerido. Em suma. o qual. Como já anotado. NATUREZA JURÍDICA E DESTINATÁRIO DA AÇÃO No que tange à natureza jurídica. BENEFICIÁRIOS DA AÇÃO Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Sem dúvida. por meio do processo. e não diretamente o demandado. o direito de ação é exercido contra o Estado-juiz. o qual pode impor ao demandado o disposto no direito objetivo. Daí a natureza pública do direito de ação. inciso VI. às pessoas em geral. mas. de direito público e de direito privado. já que tem em mira o Estado prestador da jurisdição. 241 Até mesmo mediante força policial. CONCEITO DE AÇÃO A ação é o direito público subjetivo consubstanciado na possibilidade de o jurisdicionado provocar a prestação jurisdicional do Estado-juiz. a fim de que o mesmo (Estado-juiz) tome conhecimento do conflito de interesses e possa resolver a lide. V e VII.DA AÇÃO 1. fica submetido às decisões impostas pelo Estado-juiz no processo instaurado em decorrência da ação movida pelo demandante. o qual tem o poder-dever de resolver o conflito de interesses. sem as quais não há prestação jurisdicional acerca do pleito veiculado pelo autor. da Constituição Federal e o artigo 12. ainda que de forma coercitiva241. 240 As condições da ação estão previstas no artigo 267. incisos I a VI. a ação é direito subjetivo do jurisdicionado em relação ao Estado-juiz. 2. conforme o caso. Ao ser acionado pelo demandante. do Código de Processo Civil: possibilidade jurídica. 78 . tanto as naturais quanto as jurídicas. IV. como bem revelam o artigo 103. o Estado-juiz presta a jurisdição no caso concreto. 3. o Estado-juiz só tem o poder-dever de julgar a lide se o autor cumprir todas as condições da ação240. o destinatário da ação é o Estado-juiz. Na verdade. ex vi dos artigos 662 e 825. o direito de ação é conferido até mesmo em favor de certos entes despersonalizados. incisos III. e não diretamente contra o demandado: réu.

. 84 e 85). 82. privatista. TEORIAS DA AÇÃO 4. 16ª ed. Curso de direito constitucional. Na solução dos problemas de transição de um para outro modelo constitucional. o artigo 75 do antigo Código Civil revelava a interdependência defendida pela teoria civilista. p.2. vale dizer. na doutrina: “A interpretação constitucional colhe a característica da necessidade de concretização da norma jurídica. Hermenêutica e aplicação do direito. p. Constituição: princípio da efetividade máxima e transição. n. 364). 2. 242 De acordo. TEORIA CIVILISTA.Em suma.596/PA – MC. Assim. também desenvolvida por Savigny. exige-se que a pessoa – ou o ente despersonalizado. Não se consegue aqui separar a ação do direito. procura-se atingir um sentido que torna efetivos e eficientes os grandes princípios de governo. algum vínculo com o direito material subjacente ao conflito de interesses. 1996. deve prevalecer. 46. 2006. Teoria geral do processo. Comentários ao Código de Processo Civil. e não o que os contrarie ou reduza a inocuidade. a fim de conferir o direito de ação às pessoas em geral243 e até mesmo a certos entes despersonalizados. em posição defensiva. segundo o qual deve ser prestigiada a interpretação geradora da maior eficácia da norma constitucional242. na jurisprudência: ADI n. 10ª ed. sempre que possível. n. e de Barbi245. Esta era a concepção adotada pelo Código Civil de 1916. no século passado.” (ANDRÉ RAMOS TAVARES. “Por isso ao invés de se ater a uma técnica interpretativa exigente e estreita. clássica ou imanentista está resumida no artigo 75 do Código Civil de 1916: “A todo o direito corresponde uma ação. no Brasil. à luz do princípio da máxima efetividade. No mesmo diapasão. em prol do jurisdicionado que acionou a proteção do Estado-juiz. sem o grifo no original). maximizando-a. 4. PRIVATISTA. 306. que o assegura’ (art. 243 Não obstante. p. p. a teoria concretista está fundada no reconhecimento da autonomia do direito de ação. na Itália. 1. quando afirmativa: ‘A todo o direito corresponde uma ação. justamente por se tratar de norma constitucional. mas a existência daquele (direito de ação) depende do reconhecimento da igual existência do direito material. 2007. 244 De acordo. 245 Cf. CELSO AGRÍCOLA BARBI. 11ª ed. exercido em relação ao Estado-juiz.. 5ª ed. Manual de direito processual civil. Pleno do STF. 4.. a interpretação que viabilize a implementação mais rápida do novo ordenamento”. Volume I. A ação é próprio direito se realizando. também na doutrina: MANUEL GALDINO DA PAIXÃO JÚNIOR.1. há o direito de ação em prol do titular do direito material. 79 . Volume I. à vista da teoria concretista. porém.. na doutrina: “Dos romanos herdamos a concepção privatística da ação. o inciso XXXV do artigo 5º da Constituição Federal deve ser interpretado em sentido amplo. Diário da Justiça de 27 de setembro de 2002. TEORIA CONCRETISTA: DOUTRINA DE CHIOVENDA E BARBI À vista da doutrina de Chiovenda. 81: "I. Ela é parte integrante dele. Sustenta-se que o direito de ação não se confunde com o direito material. para a concessão da tutela jurisdicional concretizada na obtenção do direito material violado. 75). que o assegura”244 Com efeito.” (CARLOS MAXIMILIANO PEREIRA DOS SANTOS. ao fundamento de que a ação e o direito material (ou substantivo) estão totalmente interligados: a ação é o adjetivo do direito substantivo.” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. 77. quando autorizado – tenha legitimidade ad causam. 2002. p. 1998. CLÁSSICA OU IMANENTISTA A teoria civilista. Em suma.

pouco importando o resultado da mesma. a teoria abstrata. e sim à luz do caso concreto. Em outros termos. 4. o juiz deve extinguir o processo por carência da ação.3. A teoria abstrata prestigia a autonomia do direito de ação sob todos os prismas: o direito de ação consiste na possibilidade de provocar a proteção do Estado-juiz.4. 80 . em seguida. Liebman sustentou que a prestação jurisdicional acerca do conflito de interesses só ocorre com o preenchimento de três condições: possibilidade jurídica.4. à vista da qual o direito de ação independe do direito material: há o direito de ação até mesmo quando não existe direito material algum a ser protegido. TEORIA ECLÉTICA OU POSITIVADA: DOUTRINA DE LIEBMAN Na esteira da teoria abstrata. de extinção do processo sem resolução do mérito. Em outros termos. há ação até mesmo quando não existe direito material algum a ser protegido pelo Estado-juiz no caso concreto. independentemente da existência de direito material favorável ao autor. Liebman defendeu a autonomia da ação. ainda que ao final do processo o Estado-juiz prolate sentença de improcedência em relação ao direito material evocado pelo demandante. ausente alguma condição da ação. se o juiz julgar o demandante carecedor da ação. interesse processual e legitimação para a causa. o inciso VI do artigo 267 consagrou a teoria eclética. porquanto houve a prestação jurisdicional. mas não de forma absoluta. sem emitir juízo algum sobre o pleito veiculado pelo demandante. À luz da teoria positivada no Código de Processo Civil brasileiro. Liebman arrolou três condições para o exercício do direito de ação com êxito. da qual participou o autor246 do projeto do Código de Processo Civil vigente. Com efeito. reconhece-se que a ação foi exercida com êxito. TEORIA ABSTRATA: DOUTRINA DE ROCCO E CARNELUTTI Desenvolveu-se. Daí a justificativa para a denominação da doutrina de Liebman: “teoria eclética”. Em virtude da influência da doutrina de Liebman na denominada “Escola Paulista de Processo”. mas apenas de mera sentença processual. 246 Professor Alfredo Buzaid. enquanto os abstrativistas defendem o direito de ação de forma incondicionada. não há prolação de sentença de procedência nem de improcedência. tal como os abstrativistas. Com efeito. Enrico Tullio Liebman reconheceu que o direito de ação é autônomo e também não depende do resultado em relação ao direito material subjacente à lide. para que o Poder Judiciário possa efetuar a prestação jurisdicional acerca da lide. Não obstante. porquanto o demandante não faz jus à prestação jurisdicional acerca da lide. Em suma. no plano puramente teórico.

Sem a observância de todas as condições da ação. do Código de Processo Civil. 247 É preciso reconhecer. como está expresso no inciso VI do artigo 267 do Código de 1973. Em suma. a demanda deve ser capaz de ocasionar alguma vantagem prática em prol do demandante. com fundamento no artigo 267. portanto. do Código de Processo Civil. por falta de utilidade. ausente alguma condição da ação. INTERESSE PROCESSUAL OU INTERESSE DE AGIR O interesse processual é a condição da ação relativa à utilidade da prestação jurisdicional. o juiz deve julgar o demandante carecedor da ação e extinguir o processo sem resolução do mérito. Há impossibilidade jurídica. com fundamento no artigo 267. 5.2. Não obstante. com a exclusão da possibilidade jurídica do rol das condições da ação. Questiona-se. no pedido de usucapião de imóvel público. mas apenas a extinção do processo. 81 . a influência da teoria de Liebman no direito brasileiro ocasionou a consagração do trinômio possibilidadeinteresse-legitimidade no inciso VI do artigo 267 do Código de Processo Civil247. que o mesmo Liebman reconsiderou a lição original. se o provimento jurisdicional desejado pelo demandante pode ocasionar algum resultado útil do ponto de vista prático.5. Outro exemplo: há impossibilidade jurídica na causa de pedir na cobrança de dívida de jogo. o demandante será carecedor da ação. POSSIBILIDADE JURÍDICA A possibilidade jurídica consiste na compatibilidade teórica do pedido e da causa de pedir com o ordenamento jurídico. o pedido de usucapião de imóvel público é juridicamente impossível à luz do artigo 102 do Código Civil. não há a entrega da prestação jurisdicional pelo Estado-juiz. Sem dúvida. Se a propositura da demanda não for capaz de ensejar nenhum resultado prático nem mesmo em tese. Ainda que em tese. à vista apenas das asserções lançadas na petição inicial. por exemplo. inciso VI. 5. entretanto. Sem dúvida. com a adoção do trinômio possibilidade-interesselegitimidade. o Código de Processo Civil segue o disposto na lição original do eminente professor italiano. o qual apenas declara o demandante carecedor da ação. à vista do artigo 102 do Código Civil: “Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião”. em tese.1. se a simples leitura da petição inicial do demandante já revelar que há incompatibilidade teórica do pedido ou da causa de pedir com o ordenamento jurídico. CONDIÇÕES DA AÇÃO As condições da ação são as exigências mínimas para a admissibilidade da prestação jurisdicional em relação ao objeto do conflito de interesses. inciso VI. Em suma. nos termos do proêmio do artigo 814 do Código Civil: “As dívidas de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento”. não há julgamento acerca da lide em si.

a demanda também deve ser necessária para a obtenção da vantagem prática almejada pelo demandante. Outro exemplo: é 248 Assim. ações cambiais. Se.. é inadequada a via executiva sem título hábil à luz do artigo 585 do Código de Processo Civil. a mesma será desnecessária e o demandante será carecedor da ação. Direito processual empresarial: títulos de crédito. 2 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça). não há necessidade de habeas data antes da recusa da prestação de informações pela pessoa jurídica na qual os dados estão armazenados248. para a obtenção de título executivo. Por exemplo.1. É certo que se o título de crédito sonegado fosse uma letra de câmbio. PROPOSITURA DE AÇÃO DE COBRANÇA. A adequação consiste. a obtenção do resultado prático depende da intervenção do Estado-juiz. entretanto. Questiona-se. FALTA DE INTERESSE DE AGIR. porquanto pode emitir uma triplicata com os mesmos efeitos da duplicata retida pelo sacado-comprador. 2003. não há necessidade da propositura de demanda executiva antes do vencimento do título de crédito. Por fim. letra ‘a’) se não houve recusa de informações por parte da autoridade administrativa. 82 . mas não o é quando o título sonegado é uma duplicata249. Em primeiro lugar.009232-3. porquanto há lugar para execução direta250. recuperações empresariais e falências. a demanda prevista no artigo 885 do Código de Processo Civil seria necessária. se a via processual eleita pelo demandante é adequada. 109). em tese. na opção da via processual idônea para a obtenção do resultado prático desejado. Dispondo o Autor de título executivo. inexiste interesse processual na obtenção de provimento jurisdicional condenatório. 249 Cf.” (Apelação n. idônea. Diário da Justiça de 20 de setembro de 2005 p. 2010. em razão da resistência do demandado e da vedação estampada no artigo 345 do Código Penal. Também é inadequada a demanda cognitiva. deve ser examinada sob dois prismas: necessidade da prestação jurisdicional e adequação da via processual eleita pelo demandante. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO.07. 250 “DIREITO PROCESSUAL CIVIL. Em outros termos. LXXII. ação monitória. Com efeito. 1ª Turma Cível do TJDF. Apelação Cível do Réu prejudicada. o demandante deve utilizar a via processual adequada para a obtenção da vantagem prática almejada. Processo extinto por carência de ação.931/2004. portanto.No que tange à aferição da utilidade da ação. a demanda deve ser necessária para que o demandante possa obter a vantagem prática desejada. MP'S E LEI 10. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL NÃO PRESCRITO. 2ª ed. se o título de crédito ainda não prescreveu. igual resultado prático puder ser alcançado sem a propositura da demanda. independentemente da apreensão da duplicata. BERNARDO PIMENTEL SOUZA. EXTINÇÃO PROCESSUAL. Outro exemplo: o vendedor-sacador de duplicata não precisa ajuizar a demanda de apreensão de título prevista no artigo 885 do Código de Processo Civil.” (enunciado n. o qual pode sofrer o protesto e a posterior execução forçada da triplicata. na jurisprudência: “Não cabe o habeas data (CF 5º. porquanto o credor ainda pode receber a quantia sem a necessidade do ajuizamento da execução. Por exemplo. Além da necessidade da ação.

ou não?). 365 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Pessoa jurídica não tem legitimidade para propor ação popular”. se a demanda for inútil.3. vale conferir o enunciado n. da Constituição Federal. pois se cuida de ação típica colocada à disposição do proprietário. 2.” (Agravo de Instrumento n. POSSUIDOR. acórdão registrado sob o n. 2006. segundo os quais o acionamento do Poder Judiciário depende da legitimidade à luz do direito material.004309-3. 1. “AÇÃO DE DEMARCAÇÃO. Segundo o artigo 5º.1. acórdão registrado sob o n. Não havendo prova que evidencie o domínio do imóvel. Diário da Justiça de 1º de fevereiro de 2005.2. Diário da Justiça eletrônico de 25 de agosto de 2008. 83 .00. o demandante será carecedor da ação. 204. 251 A propósito. Se a ação popular tivesse sido ajuizada por um cidadão. inciso I. sem julgar o conflito de interesses (qual seja. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE ATIVA. 70). aí sim o juiz reconheceria a legitimidade ad causam e. ainda que em tese. entretanto. por falta de interesse processual. 3ª Turma Cível do TJDF. dela carecendo o simples possuidor. Em síntese.0001. SIMPLES POSSUIDOR DO IMÓVEL. 2004.2006. A legislação pátria atribui a legitimidade ativa para a ação demarcatória ao proprietário do imóvel. AGRAVO INSTRUMENTO. Imagine-se que o partido político A ajuizou ação popular contra o prefeito R. 2ª Turma Cível do TJDF. por ser um direito proveniente da cidadania. e não cidadão. Outro exemplo de ilegitimidade ad causam reside na propositura de demanda de demarcação de terras por mero possuidor. para o esclarecimento dos fatos narrados na petição inicial. 3. p.047. feito principal extinto.01. após colher as provas produzidas pelas partes.807. AÇÃO DEMARCATÓRIA. 114). p. LEGITIMIDADE AD CAUSAM OU LEGITIMIDADE DAS PARTES A legitimidade ad causam é a condição da ação consubstanciada na titularidade do direito material. Daí a ilegitimidade ativa do possuidor.082437-2 – 0082437-22. julgaria o conflito de interesses. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL.inadequada a via processual do mandado de segurança que depende de dilação probatória. in fine. Por conseguinte. À vista do artigo 942.054. O partido político.” (Apelação n. quer sob o prisma da inadequação. a ação popular em defesa do patrimônio público em geral só pode ser proposta por cidadão. houve lesão aos cofres públicos municipais. Está prevista nos artigos 3º. por ilegitimidade ativa. o juiz deve julgar o partido político carecedor da ação. Um dos requisitos para o manejo da ação demarcatória é a propriedade. e 6º. correta a declaração de carência de ação por ilegitimidade ativa. 252 De acordo. inciso LXXIII. razão pela qual não tem o direito à ação popular em defesa do patrimônio público nem mesmo em tese251. Um exemplo pode facilitar a compreensão da condição da ação da legitimidade ad causam. é pessoa jurídica de direito privado. todavia. ambos do Código de Processo Civil. CARÊNCIA DO DIREITO DE AÇÃO. quer sob o prisma da desnecessidade. e não pelo proprietário das terras. Recurso provido. em razão da lesão causada aos cofres municipais. 5. pelo menos em tese. apenas o proprietário das terras pode ajuizar a “ação de demarcação”. com a consequente carência da ação252. 317. ao final. do Código de Processo Civil.

Sem dúvida.197 e 1. à vista dos fatos narrados na petição inicial. e. REQUISITOS. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO CONHECIDO E PROVIDO.08. ascendente ou irmão. bem como a restituição da herança que lhe foi frustrada. o exame das condições da ação se dá em tese.198. Diário da Justiça de 17 de abril de 1996. por exemplo253. excluído da divisão dos bens. todos do Código Civil. III .595). o demandado. com a consideração apenas das assertivas veiculadas pelo 253 De acordo. c) que os mesmos se achem em poder do réu. 5. 84 .” 255 De acordo. e não do mero detentor. em razão de adultério e de conduta desonrosa contra a mãe da demandante. a legitimidade passiva ad causam é do verdadeiro possuidor.007610-7. para pleitear o reconhecimento judicial da sua qualidade de herdeiro. o qual não pode ocupar o polo passivo da relação processual da reintegração de posse255. por se tratar de ação personalíssima. 4. a legitimidade ad causam também deve ser examinada em relação ao ocupante do polo passivo. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. Imagine-se que a ação de reintegração de posse foi ajuizada em face do caseiro do imóvel. igualmente. e não contra o verdadeiro possuidor.119-5.Outro exemplo de ilegitimidade ad causam reside na propositura de petição de herança por quem não ostenta a qualidade de herdeiro. À vista do artigo 3º.A ação de petição de herança é o instrumento processual cabível apenas ao sucessor. p. 6.515. o Código de Processo Civil consagra a teoria da asserção. 1 . Extinção do processo sem julgamento do mérito. caput e § 1º. de 1977. EFICÁCIA ESTENDIDA AOS SUCESSORES.824 do Código Civil revela que a petição de herança é um direito apenas de quem é herdeiro. 1. ACOLHENDO-SE A PRELIMINAR SUSCITADA. Daí a ilegitimidade ad causam de terceiros cessionários. da Lei n. Quem apenas ostenta a condição de detentor da posse em nome de outrem não está legitimado para figurar no pólo passivo da ação de reintegração de posse. DETENÇAO. de índole reivindicatória e incidental. II .572. Mais um exemplo de ilegitimidade ativa ad causam: imagine-se que uma filha proponha ação de separação judicial em face do pai. acolhendo-se a preliminar neste sentido. ILEGITIMIDADE ATIVA. Recurso conhecido e provido. À vista dos artigos 1. no caso de incapacidade.196. POSSE. segundo a qual as condições da ação são aferidas à luz da petição inicial.Possui como requisitos para o acolhimento da demanda: a) que o autor comprove sua qualidade de herdeiro. apenas a mãe. 6. e do artigo 1. entretanto. Segunda Turma Recursal do Distrito Federal. 260). Precedentes doutrinários e jurisprudenciais. b) que os bens pertençam à herança. Por fim.O procedimento judicial da separação caberá somente aos cônjuges. ILEGITIMIDADE PASSIVA. 3ª Turma do TJDF. serão representados por curador. INEXISTÊNCIA DE POSSE. mero detentor. Possui natureza declarativa e.Reconhece-se a carência de ação do cessionário dos direitos hereditários. 3. Diário da Justiça de 19 de agosto de 2005 p. 254 “§ 1º . SENTENÇA REFORMADA. CESSÃO DE DIREITOS HEREDITÁRIOS. 2. PAI QUE APENAS CUIDAVA E VIGIAVA O LOTE EM NOME DO FILHO QUE SE ENCONTRAVA PRESO. 379. do Código Civil. Com efeito. caput e § 1º254. o artigo 1.1. FÂMULO DA POSSE.” (Recurso n. vale dizer. I . PRELIMINAR.” (Apelação n. tem legitimidade ativa ad causam. AÇÃO DE PETIÇÃO DE HERANÇA. 2004. TEORIA DA ASSERÇÃO Como já anotado. esposa do pai da demandante.

Com efeito. que não há utilidade. na petição inicial. terá. 7. Desse modo. na jurisprudência: “. realizada na inicial. necessidade ou adequação da via processual eleita. causa de pedir e pedido. ELEMENTOS DA AÇÃO À vista dos §§ 1º. inciso III. II e III. a simples leitura da petição inicial já revelar que há incompatibilidade entre o pedido ou a causa de pedir com o ordenamento jurídico. conforme a narrativa feita pelo demandante. Por conseguinte. 470.” (REsp n. ainda. que o demandante necessita da via processual utilizada para a obtenção do resultado prático desejado. 2º e 3º do artigo 301 do Código de Processo Civil. o juiz deve indeferir a petição inicial desde logo. Se as assertivas lançadas na petição inicial revelarem que o pedido e a causa de pedir são compatíveis com o ordenamento jurídico.1. com fundamento no artigo 295. se o juiz realizar cognição profunda sobre as alegações contidas na petição. a demanda deve de ser processada e julgada ao final. portanto.370/MG. o interesse processual exsurge da alegação do autor. no que tange ao controle das condições da ação. independentemente de provocação. 85 . o juiz age de ofício.675/SP. a doutrina decompõe a ação nos seguintes elementos: partes. ainda. p. 257 De acordo. vale conferir o seguinte trecho extraído de didática ementa de acórdão proferido pelo egrégio Superior Tribunal de Justiça: “Vale observar. 832. Diário da Justiça de 29 de outubro de 2007. o § 3º do artigo 267 do Código de Processo Civil revela que o juiz deve efetuar o controle das condições da ação previstas no inciso VI do artigo 267 até mesmo de ofício. a teoria da asserção. São as condições da ação. ou que alguma das partes não tem titularidade à luz do direito material. incisos I. os entes despersonalizados – que acionam o Poder Judiciário (demandante) e em relação a quem se pede a intervenção do Poder Judiciário (demandado). proferido juízo sobre o mérito da questão. que as condições da ação são vistas in satu assertionis (‘Teoria da Asserção’). após esgotados os meios probatórios. 7. São os ocupantes dos polos ativo e passivo da relação jurídica processual: o demandante é quem aciona o Poder Judiciário na busca da prestação jurisdicional e o demandado é a pessoa – ou 256 Em reforço. 2ª Turma do STJ. excepcionalmente. p.” (REsp n. PARTES Partes são as pessoas – e. e que os ocupantes dos polos ativo e passivo da relação processual são os titulares do direito material subjacente ao conflito de interesses. 201). Se. Diário da Justiça de 13 de agosto de 2007. tendo em vista o caso concreto e as respectivas provas produzidas para demonstrar os fatos narrados na petição inicial. e parágrafo único. entretanto. ou seja. vale dizer. matérias de ordem pública passíveis de conhecimento oficial.demandante256. com a prolação de sentença de procedência ou de sentença de improcedência257. segundo a qual. na verdade.Aplica-se à hipótese. do Código de Processo Civil. 366. 3ª Turma do STJ. sem o grifo no original).

CAUSA DE PEDIR OU CAUSA PETENDI A causa de pedir é o fato gerador do pedido. Na ação de anulação de contrato. partes são os litigantes em conflito no processo.” (BARBOSA MOREIRA.” (MOACYR AMARAL SANTOS. Segundo a melhor interpretação do inciso III do artigo 282 do Código de Processo Civil. Não obstante. 27ª ed. é o acontecimento no mundo real que justifica o pedido do demandante. deverá o autor expor que é credor por força de um ato ou contrato (causa remota) e que a dívida se venceu e não foi paga (causa próxima). basta a descrição dos fatos na petição inicial. 259 Assim. do título de crédito. a falta de indicação dos dispositivos legais não ocasiona o indeferimento nem a emenda da petição inicial. o inadimplemento da obrigação civil ou da obrigação cambial. a qualificação jurídica dos fatos à luz da legislação de regência dos mesmos não 258 Sem dúvida. dando lugar à sua anulação (causa próxima). O novo processo civil brasileiro. tem três sujeitos (demandante. p. p. 2007. 17). portanto. vale dizer. em outras palavras: qual o fundamento de sua pretensão? Constitui-se a causa petendi do fato ou do conjunto de fatos a que o autor atribui a produção do efeito jurídico por ele visado. a ilegitimidade não retira a qualidade de parte daquele que ocupa algum polo da relação processual. na melhor doutrina: “Assim. Em suma. deverá o autor expor o contrato (causa remota) e o vício. pouco importa a qualificação jurídica conferida pelo demandante aos fatos narrados na petição inicial.. não há necessidade de sustentação da causa de pedir e do respectivo pedido à luz de preceitos legais: iura novit curia. continua a ser parte! Daí a importância de não se confundir as condições da ação com os elementos da ação. ou não258. a nomeação e a posse do segundo classificado em concurso público..2. Identificar a causa petendi é responder à pergunta: por que o autor pede tal providência? Ou. Com efeito. como. A causa de pedir próxima é o fato gerador propriamente dito. em detrimento do candidato aprovado em primeiro lugar. 260 De acordo. 25ª ed. porquanto o direito brasileiro consagra a teoria da substanciação: da mihi factum dabo tibi ius. independentemente de serem legítimas. Primeiras linhas de direito processual civil. por exemplo. Volume I. em suma. o acontecimento no plano fático que dá origem ao pleito259. À vista dos mesmos exemplos. Não há dúvida de que é conveniente evocar na petição inicial os preceitos legais aplicáveis à espécie. Em outros termos. do edital de concurso público260. é o fato que constitui o direito do demandante.ente despersonalizado – em relação a quem se pede a atuação do Estado-juiz. 7. O processo. ao contrário do que pode parecer à primeira vista. A rigor. 172). A causa de pedir pode ser decomposta em “causa de pedir próxima” e “causa de pedir remota”. que o macula. Sem dúvida. é. 86 . Estado-juiz e demandado) e duas partes (demandante e demandado). ainda que ilegítima. 2008. na melhor doutrina: “Todo pedido tem uma causa. da causa de pedir. a causa de pedir remota ou mediata é o direito proveniente do contrato particular. na ação em que o pedido é o pagamento da dívida.

Vale frisar. 2007. acórdão registrado sob o n. vale conferir a melhor doutrina: “Em termos gerais. conforme o caso264.032552-4. objeto mediato é o bem que o autor pretende conseguir por meio 87 . já o montante equivalente a R$ 100. o pedido também deve ser analisado sob dois prismas: pedido imediato e pedido mediato. o juiz deve julgar a causa à luz dos preceitos legais aplicáveis à espécie262. Por conseguinte. para designar o vício do consentimento invocado como causa da pretendida anulação do ato jurídico).” (MOACYR AMARAL SANTOS. em razão do dano material causado. Primeiras linhas de direito processual civil. 171). 261 De acordo. p. constitutiva ou mesmo providência executiva. o reconhecimento da paternidade.integra a causa de pedir261. Volume I.. Em face da aplicação da Teoria da Substanciação da Causa de Pedir. 7. móvel ou imóvel. acautelamento. 263 Em reforço.. p.: a condenação do réu ao pagamento de x).00. bastando que as partes apresentemlhe os fatos. na jurisprudência: “1.000. na eventualidade de indicação de preceitos legais alheios à espécie sub examine. dabo tibi ius263.. PEDIDO O pedido é a providência jurisdicional almejada pelo demandante.. 17). 25ª ed. b) a norma jurídica aplicável à espécie.” (Recurso n.00 é o pedido mediato266. um objeto imediato e um objeto mediato.” (BARBOSA MOREIRA. 2ª Turma Recursal do Distrito Federal. a referência a ‘erro’ ou a ‘dolo’. por exemplo. O novo processo civil brasileiro. O pedido imediato diz respeito à tutela jurisdicional pretendida pelo demandante: condenação. Tal como a causa de pedir. 331. ou providência jurisdicional. pouco importa que os fundamentos jurídicos não sejam os melhores. na melhor doutrina: “Não integram a causa petendi: a) a qualificação jurídica dada pelo autor ao fato em que apóia sua pretensão (v. a entrega de uma coisa. cautelar ou preventiva. 264 De acordo. Volume I. Primeiras linhas de direito processual civil. uma vez apresentados os fatos. 27ª ed. a condenação do demandado a pagar o montante de R$ 100. Aqui será o recebimento de um crédito. sintetizada no brocardo da mihi factum dabo tibi jus. na jurisprudência: REsp n.334/SP. Em suma. como. 3ª Turma do STJ. ou o preço correspondente. p. ainda que o demandante evoque preceitos legais sem pertinência temática alguma com o fato gerador do pedido. 265 Assim. Objeto imediato do pedido é a providência jurisdicional solicitada (ex. conforme consagrado nos brocardos jura novit curia e da mihi factum dabo tibi jus”.07. Já o pedido mediato diz respeito ao bem da vida em si pretendido pelo demandante: o reconhecimento da obrigação de pagar a quantia requerida. 2008.g. 146). o erro na qualificação jurídica dos fatos não ocasiona o indeferimento nem a emenda da petição inicial. constituição.1. 25ª ed. 2007. é possível distinguir. o pedido de condenação do demandado ao pagamento de indenização é o pedido imediato. Voltando os olhos para o exemplo lançado ao final do parágrafo anterior. na doutrina mais abalizada: “O pedido mediato é a utilidade que se quer alcançar pela sentença. 172). ali.” (MOACYR AMARAL SANTOS. Diário da Justiça eletrônico de 21 de novembro de 2008. 262 De acordo. isto é.229. execução.3. na melhor doutrina: “O pedido imediato consiste na providência jurisdicional solicitada: sentença condenatória. 2007. o juiz deve processar e julgar a demanda à luz dos dispositivos que são aplicáveis ao quadro fático delineado na petição inicial: da mihi factum. 266 Em reforço. na petição inicial. p.000. já que o julgador possui ampla liberdade para qualificar juridicamente os fatos. Diário da Justiça de 8 de setembro de 1997: “tem força o princípio de que as leis são do conhecimento do Juiz. no pedido. declaração. não ficando adstrito aos apontados. 90. a extinção do matrimônio265. o bem material ou imaterial pretendido pelo autor. pela parte. para sustentar a sua pretensão.

27ª ed. na qual veiculou o pedido de condenação da sociedade empresária ao pagamento da quantia prevista no contrato de seguro (R$ 50. com a dessa providência (ex. acolhido em parte ou totalmente rejeitado pelo juiz. respectivamente. na tentativa de facilitar a compreensão da teoria... receber o valor pactuado em contrato de seguro realizado com a seguradora Seguros do Brasil S. p. À vista da hipótese sub examine. 2008. a sentença judicial deve ser proferida dentro das raias do pedido veiculado pelo demandante.: a importância x). inciso II. ultrapassar os limites formulados na peça exordial e vulnerar o princípio da congruência. do Código de Processo Civil. é conveniente apresentar um exemplo. consagrado nos artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil. princípio da adstrição –.A. 88 . na jurisprudência: “1. 8.. mas não obteve êxito. proferir sentença além nem fora do que foi pedido pelo demandante: ne eat iudex ultra vel extra petita partium267. a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.00. Por fim. Não pode o juiz. 12). o segurado Sérgio ajuizou demanda de cobrança sob o procedimento sumário em face da seguradora Seguros do Brasil S. Diário da Justiça eletrônico de 7 de dezembro de 2009). O novo processo civil brasileiro. 7. nos polos ativos e passivo. o pedido mediato é a obrigação de pagar a quantia de R$ 50. Imagine-se a seguinte hipótese: após sofrer um acidente automobilístico. o qual (pedido) pode ser acolhido integralmente. IDENTIDADE DE AÇÕES À vista do § 2º do artigo 301 do Código de Processo Civil. 6ª Turma do STJ.. pela via extrajudicial. Inconformado com a recusa do pagamento.” (BARBOSA MOREIRA. portanto. 20. sob pena de não o fazendo.À vista do princípio da congruência – ou princípio da correlação ou.000.” (RMS n. O pedido imediato é a condenação ao pagamento. as partes são o demandante Sérgio e a demandada Seguros do Brasil S.4.A. ainda. o segurado Sérgio tentou. alínea “e”.630/MS – AgRg. 267 De acordo.00). EXEMPLIFICAÇÃO DOS ELEMENTOS DA AÇÃO Estudados todos os três elementos da ação sob o prisma teórico. Já a causa de pedir próxima é constituída pelo acidente automobilístico. É imperioso observar a estrita correlação entre a decisão e os pedidos delineados pelo demandante. A causa de pedir remota é o contrato de seguro subscrito pelas partes.000. com fundamento no artigo 275. há identidade entre duas ou mais demandas quando os três elementos são iguais: as demandas têm as mesmas partes. com a posterior inadimplência da seguradora. Na eventualidade de identidade de demandas pendentes. apenas a demanda proposta em primeiro lugar deve ser processada e julgada.A.

Também à luz dos mesmos preceitos. do comando já existente para a espécie. visa à elaboração do comando judicial de regência para o caso concreto. p. a ação cautelar é o direito de provocar a atuação do Poder Judiciário. EXECUTIVAS E CAUTELARES A doutrina classifica as ações segundo diferentes critérios discretivos. com o 268 De acordo. 2º e 3º. §§ 1º. de execução. executivas ou cautelares268. À vista da natureza do provimento jurisdicional pleiteado e dos respectivos processos previstos no Código de Processo Civil. Com efeito. ações executivas e ações cautelares. O exercício do direito consubstanciado na ação cautelar provoca a instauração do processo cautelar. 89 . portanto. 183 e 184). do Código de Processo Civil. 103. as demandas com conexão ou continência devem ser processadas e julgadas. 25ª ed. especialmente da morosidade e das respectivas consequências danosas do tempo. Por fim. seja em título executivo judicial. 2007. a ação executiva visa à realização. na prática. a fim de que seja prestada a medida cautelar. preventiva ou cautelar. mas os respectivos processos devem ser reunidos para julgamento conjunto pelo mesmo juiz. Já na eventualidade de identidade parcial. ações de execução e ações cautelares. Volume I. Daí a conclusão: a identificação das demandas à luz dos respectivos elementos tem enorme relevância nos planos teórico e prático. CLASSIFICAÇÕES DAS AÇÕES 9. AÇÕES COGNITIVAS. devem ser extintos os processos posteriores quando já há sentença transitada em julgado acerca de demanda idêntica. todos do Código de Processo Civil. ex vi dos artigos 267.1. ex vi dos artigos 102. e 301. a fim de obter a prestação jurisdicional diante de alguma situação de risco iminente ao êxito de outro processo. inciso V. A ação cognitiva. Com efeito. tanto que também é denominada “ação de conhecimento”. A ação cognitiva visa ao reconhecimento da existência do direito material subjacente ao conflito de interesses. Primeiras linhas de direito processual civil. Com efeito..extinção dos demais processos.” “Atendendo à lei processual vigente. a ação cautelar visa à proteção do resultado útil de outro processo (cognitivo ou executivo). em respeito à coisa julgada. 9. os processos posteriores devem ser extintos. A ação executiva visa à satisfação prática do direito que já foi reconhecido. seja em título extrajudicial. classificamos as ações em três grupos: ações de conhecimento. com a resolução da lide. se classificam as ações em ações de conhecimento. na doutrina: “Conforme se trate de tutela jurisdicional de conhecimento.” (MOACYR AMARAL SANTOS. 104 e 105. ensina-se que as ações podem ser cognitivas. na eventualidade de litispendência.

diante da incerteza acerca do tempo de serviço do trabalhador que pretende obter benefício previdenciário. Precedentes da 3ª Seção. p. como bem decidiu o Superior Tribunal de Justiça ao aprovar o enunciado n. sobre direitos potestativos270. Diário da Justiça de 14 de dezembro de 1998. a denominada “ação de divórcio” visa a extinguir o vínculo matrimonial proveniente do casamento. do Código de Processo Civil. Imagine-se. nos termos do artigo 4º do Código de Processo Civil.afastamento da situação de risco de inutilidade do outro processo. com fundamento no artigo 275. Direito Civil – Teoria Geral. seja para extinguir a mesma. 3ª Seção do STJ.. uma ação de cobrança de seguro em razão dos danos causados em acidente de veículo. p. AVERBAÇÃO DE TEMPO DE SERVIÇO. 270 “Caracterizam-se os direitos potestativos por atribuir ao titular a possibilidade de produzir efeitos jurídicos em determinadas situações mediante um ato próprio de vontade. Com efeito. inclusive atingindo a terceiros interessados nessa situação. seja para alterar a situação atual. 8). Pede-se a condenação da seguradora ao pagamento do seguro. com a respectiva imposição da obrigação de dar. 1 . ainda na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL E PREVIDENCIÁRIA. Já as ações declaratórias – ou ações simplesmente declaratórias. As ações constitutivas visam à modificação do estado jurídico vigente.2. seja para criar nova situação jurídica. também denominadas ações declaratórias puras – visam à eliminação de incerteza que contamina alguma relação jurídica atual.A ação declaratória é meio processual idôneo quando se busca reconhecimento de tempo de serviço. 242 da Súmula da Corte: “Cabe ação declaratória para reconhecimento de tempo de serviço para fins previdenciários”271. que não poderão se opor. Outro exemplo: 269 Vale lembrar que é no gênero da obrigação de dar que residem tanto a obrigação de pagar quantia quanto a obrigação de entregar coisa. mas. sendo patente o interesse de agir do segurado da Previdência Social que postula. Como é perceptível primo ictu oculi. as ações constitutivas não versam sobre obrigações. denominado “processo principal”. AÇÕES CONDENATÓRIAS. 2005. constitutivas ou declaratórias. é instrumento processual adequado para resolver incerteza sobre a existência de uma relação jurídica. 9. 91). com vistas à concessão de futuro benefício previdenciário. As ações condenatórias visam à imposição de obrigação ao demandado: obrigação de dar269.A ação declaratória. POSSIBILIDADE DA VIA ELEITA PARA O FIM COLIMADO. AÇÃO DECLARATÓRIA. 271 Assim. “. CONSTITUTIVAS E DECLARATÓRIAS No que tange especificamente às ações cognitivas. a fim de que seja proferido novo julgamento. segundo o comando expresso no art. há lugar para ação declaratória. inciso II. obrigação de fazer e obrigação de não fazer. por essa via processual. o reconhecimento de tempo de serviço para efeito de 90 . são divididas à vista da classificação trinária ou tripla encontrada na obra de Chiovenda.” (CRISTIANO CHAVES DE FARIAS. Por exemplo. do Código de Processo Civil. 2ª ed. Por exemplo.305/RS. Outro exemplo: a denominada “ação rescisória” visa a extinguir a sentença definitiva transitada em julgado. as ações de conhecimento podem ser condenatórias. por exemplo. alínea “e”. 4°.” (EREsp n. 113. sim.

para a posterior condenação à imposição da obrigação ou para a constituição da nova situação jurídica.” (REsp n. tanto as ações condenatórias quanto as ações constitutivas também têm conteúdo declaratório. ainda na jurisprudência: “Há legítimo interesse de uma das partes contratantes em que se declare. p. 91 . a qual visa à eliminação da incerteza jurídica acerca da aquisição da propriedade em virtude da posse prolongada do autor da demanda273. 4ª Turma do STJ. 4ª Turma do STJ. 3ª Turma do STJ. 181 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “É admissível ação declaratória. constitutivas e declaratórias com a prescrição. há lugar para ação declaratória.” (REsp n. na Itália. sem o grifo no original). 6. conforme busque o reconhecimento da existência ou da inexistência da relação jurídica. conforme o caso. no Brasil. a titularidade do imóvel é concebida ao possuidor desde o início de sua posse. Ação declaratória para explicitar se a atualização monetária das prestações previstas em instrumento contratual devera ser feita trimestralmente ou mensalmente. Diário da Justiça de 20 de março de 1995. 6ª Turma do STJ.875). Outro importante exemplo de ação declaratória é a denominada “ação de usucapião”. Diário da Justiça de 12 de abril de 1999. Diário da Justiça eletrônico de 12 de abril de 2010. consoante o disposto no artigo 4º do Código de Processo Civil.” (REsp n.120). percepção de benefício.” (REsp n. 1. desenvolveram didático critério científico para a identificação da correlação das ações condenatórias. 28. não havendo de prevalecer contra ele eventuais ônus constituídos. 2. interpretação de cláusula contratual.599/MG. Com efeito. 273 De acordo. na jurisprudência: “1. a fim de que seja revelada a correta inteligência do contrato. judicialmente. p. à luz da classificação das ações. vale conferir o preciso enunciado n. 196. A diferença da ação declaratória pura é que a mesma visa – apenas e tão-somente – à eliminação da incerteza em relação à existência ou inexistência da relação jurídica. 716. possível tal ação intentada com o objetivo de obter-se a certeza da existência e o exato conteúdo dos efeitos da relação jurídica decorrentes da aplicação do contrato. e Agnelo Amorim. Destarte. 218). “I – Segundo precedentes do Tribunal. Na verdade. em primeiro lugar. a classificação das ações tem importantes repercussões teórica e prática. porquanto buscam a declaração da existência ou da inexistência da relação jurídica. Consumada a prescrição aquisitiva. CLASSIFICAÇÃO DAS AÇÕES.079/RS. a partir de então. presentes os efeitos ex tunc da sentença declaratória. visando a obter certeza quanto a interpretação de cláusula contratual”272. Diário da Justiça de 16 de abril de 1990. PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. a ação declaratória pode ser positiva ou negativa. a decadência e a perpetuidade.644/RJ.753/RS. 9. A propósito. é admissível obter-se a interpretação de cláusula contratual através de ação declaratória. 272 Assim. À vista do inciso I do artigo 4º do Código de Processo Civil. p. pelo anterior proprietário. Chiovenda.diante da incerteza acerca da interpretação de cláusula contratual.3.

Critério Científico para distinguir a prescrição da decadência e identificar as ações imprescritíveis. o prazo prescricional é de um ano. São. que as ações constitutivas são decadenciais e que as ações declaratórias são perpétuas274. 275 Em reforço. de fazer. com a respectiva imposição da obrigação de dar. em razão da recusa do réu em cumprir a obrigação devida ao autor. em virtude da decadência do direito a que correspondem): as ações constitutivas que têm prazo especial de exercício fixado em lei. alínea “e”.” (AGNELO AMORIM FILHO. no qual são encontradas apenas ações condenatórias. e c) não há ações declaratórias sujeitas a prescrição ou a decadência. Como as pretensões relativas ao cumprimento de obrigações são passíveis de prescrição. É o que ocorre. Revista dos Tribunais. o artigo 189 do Código Civil aos direitos potestativos. no caso. 177 e 178 do Código Civil). As ações condenatórias versam sobre pretensões patrimoniais resistidas. independentemente do cumprimento de obrigação alguma por parte de outrem. identificar. do Código de Processo Civil. não há que se falar em violação nem em prestação. de não fazer)275. Chiovenda e Agnelo Amorim demonstram que as ações condenatórias são prescritíveis. o poder unilateral que a lei outorga ao titular sem correspondência de uma obrigação de terceiro. volume 300. 274 “Reunindo-se as três regras deduzidas acima. Várias inferências imediatas podem ser extraídas daquelas três proposições. 36 e 37).” (MANUEL GALDINO DA PAIXÃO JÚNIOR. inciso II. o prazo de dois anos previsto no artigo 495 do Código de Processo Civil só pode ser decadencial. razão pela qual não são passíveis de violação e não correspondem a uma prestação (de dar. com absoluta segurança. 92 . os quais.Estão sujeitas a decadência (indiretamente. Não há como aplicar. p. Logo. não são alcançados pela prescrição. Assim: a) não há ações condenatórias perpétuas (imprescritíveis). Condena-se o réu. portanto. do Código Civil. Assim: 1º . que permite. poder este que.Em linhas gerais. nos termos do artigo 206.São perpétuas (imprescritíveis): a) as ações constitutivas que não têm prazo especial de exercício fixado em lei. é o que também se dá em relação às ações condenatórias. Teoria geral do processo. isto é. a priori. inciso II. também fica sujeito à nova situação jurídica. o qual. sem o grifo no original). movida à vista do artigo 275. tem-se um critério dotado de bases científicas. na ação de cobrança de seguro em razão dos danos causados em acidente de veículo. nem sujeitas a decadência. e as ações perpétuas (imprescritíveis). Por conseguinte. 2002. portanto. por consequência. na busca da condenação da seguradora ao pagamento do seguro.Estão sujeitas a prescrição: tôdas as ações condenatórias. Daí a explicação para o rol do artigo 206 do Código Civil. 2º. entretanto. ao cumprimento da obrigação devida. Por exemplo. § 1º. tem por finalidade a afirmação de uma vontade concreta da lei. Não há obrigação alguma por parte do beneficiário da sentença transitada em julgado. e somente elas (arts. os direitos que permitem a modificação da situação jurídica existente. Já as ações constitutivas versam sobre direitos potestativos. p. por exemplo. 89. pois. as ações sujeitas a prescrição ou a decadência. merece ser prestigiada a melhor doutrina: “Direito potestativo é. portanto. b) não há ações constitutivas sujeitas a prescrição. Direitos potestativos são os que não constituem obrigação de outrem. e b) tôdas as ações declaratórias. 3º . extremamente simples e de fácil aplicação. com o direito de rescisão de sentença transitada em julgado mediante ação rescisória.

antes de tudo existem). merece ser prestigiada a autorizada lição da melhor doutrina: “Arrematando.” (CRISTIANO CHAVES DE FARIAS.” (PONTES DE MIRANDA. desenvolvida por Chiovenda. mas também pode ser proposta um. trinta anos depois da aquisição da propriedade. no Brasil. Unân. Graccho Aurélio. Tratado das ações. ApCív. há direitos potestativos que não estão sujeitos a prazo algum. mas também há ações constitutivas que versam sobre direitos potestativos que não estão sujeitos a prazo algum previsto em lei. importa lembrar que. ou são constitutivas (positivas ou negativas. os direitos potestativos ensejam ações constitutivas. isto é. 9 e nota 24). ou de que direitos ou pretensões derivam. 93 .150. 5ª Câm. porquanto a ação de revisão criminal não está sujeita a prazo algum. 9. outra. mostrarmos o que nelas prepondera e lhes dá lugar numa das cinco classes.4. 2005. j.. sob pena de crime de desobediência. 131). ou são mandamentais. p. com o acréscimo das ações mandamentais e das ações executivas lato sensu ao rol das ações277. O que nos cumpre é vermos o que as enche. Ac. dez. Volume I. as quais são perpétuas276. p. e prestigiada por Agnelo Amorim. Não havendo prazo em lei para o exercício de direito potestativo. Como é perceptível primo ictu oculi. 277 “As ações ou são declarativas (note-se que as relações jurídicas. geradoras ou modificativas. ou são condenatórias. 11. de que são conteúdo direitos e pretensões. trinária ou tripla das ações. É o que ocorre. executiva. por exemplo. CLASSIFICAÇÃO QUINÁRIA DE PONTES DE MIRANDA Além da classificação ternária.” “Em didática decisão. na Itália. modificação ou extinção da situação jurídica vigente. A preocupação da ciência do direito até há pouco foi a de conceituar as ações e classificálas como se cada uma delas só tivesse uma eficácia: uma fosse declarativa.5. vinte. constitutiva.Não obstante. ainda que o casamento subsista há mais de cinquenta anos! É o que também se dá com o direito à rescisão de sentença penal transitada em julgado. através de sua declaração de vontade. é lícito concluir que há ações constitutivas que versam sobre direitos potestativos sujeitos a prazo decadencial. podendo ser exercido a qualquer tempo. em espectração de efeitos. 276 Em reforço à opinião defendida no presente compêndio. Cív. Quando dependem de intervenção judicial. 2ª ed. as ações mandamentais buscam uma ordem judicial. Des.. vale dizer. rel. ou são executivas. dentro delas. não estão sujeitas a prazo algum. Pontes de Miranda elaborou a teoria quinária ou quíntupla. há decadência. Quando o direito potestativo está sujeito a prazo legal. para a criação. outra. condenatória. Segundo Pontes de Miranda. com o direito de extinguir o matrimônio mediante ação de divórcio. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro afirmou: ‘Os únicos direitos sujeitos à decadência são os potestativos. há os direitos potestativos sujeitos a prazo legal e os que não sofrem limitação temporal por força de lei. Somadas todas as premissas. a ação declaratória da usucapião de imóvel pode ser movida logo após o decurso do prazo legal da posse prolongada. este não estará sujeito a prazo extintivo. 8. Só as ações constitutivas caducam’ (TJ/RJ. ou extintivas). o seu não-exercício importa decadência (também dita caducidade). outra.79). Por fim. Direito Civil – Teoria Geral. as ações declaratórias são perpétuas. Por exemplo. outra mandamental. e o que vem. se a norma jurídica prevê um prazo para que o titular venha a realizar determinado direito potestativo. um mandado judicial em relação ao Estado ou contra particular.

como as ações possessórias e as ações de despejo. tanto as denominadas “ações mandamentais” quanto as “ações executivas lato sensu” visam à imposição de uma obrigação de dar. visam à concretização imediata do provimento jurisdicional proferido pelo Estado-juiz. hoje prevalece o raciocínio segundo o qual as denominadas “ações mandamentais” e as “ações executivas lato sensu” podem ser consideradas ações condenatórias ou ações constitutivas. Em regra. independentemente de um processo executivo ou de uma etapa de execução. 94 . de fazer ou de não fazer. Ainda que muito respeitável a teoria desenvolvida por Pontes de Miranda. como as ações condenatórias em geral. conforme o caso.Já as ações executivas lato sensu.

Não obstante. o processo é composto pela relação jurídica processual e o procedimento. prevalecia a teoria civilista. NATUREZA JURÍDICA DO PROCESSO Por ser o instrumento de concretização da jurisdição prestada pelo Estado. Sob outro prisma. a ordem concatenada dos atos que concretizam os direitos e os deveres dos sujeitos do processo. antes da consagração da teoria da relação jurídica processual sustentada por Bülow. demandante e demandado. portanto. Sem dúvida. como bem revelam os artigos 662 e 825. hoje não há mais como defender a teoria contratualista. com o advento da obra de Bülow. A relação jurídica processual é o conjunto de direitos e deveres que envolve as partes. parágrafo único. o 95 . à vista da qual o processo não passava de uma espécie de contrato. Enquanto a relação jurídica processual é constituída pelos direitos e deveres que vinculam o demandante. e não contratual. sujeito imparcial do processo. porquanto o demandado fica submetido ao processo independentemente da sua vontade – e até mesmo contra ela. CONCEITO DE PROCESSO O processo é o instrumento de concretização da jurisdição. Já o procedimento é a sequência lógica dos atos processuais. 2. o processo é instituto jurídico de natureza pública. Na verdade. antes da publicação da obra de Oskar von Bülow. houve o reconhecimento da nítida distinção existente entre a relação jurídica processual e a relação substancial subjacente ao conflito de interesses. a finalidade do processo é a resolução do conflito de interesses com a correta aplicação do direito objetivo ao caso concreto. porquanto o vínculo processual não depende da anuência daquele (demandado). o meio adequado para a resolução do conflito de interesses mediante a aplicação do direito objetivo ao caso concreto. Com efeito. É. como sustentavam os adeptos da teoria civilista. do Código de Processo Civil. a teoria contratualista sucumbiu com a visualização de que o demandado não age por livre vontade. 3. como já noticiado no primeiro capítulo do presente compêndio. ESCOPO DO PROCESSO Como já anotado no tópico anterior. em 1868. e o Estado-juiz. a quem cabe aplicar o direito objetivo ao caso concreto.DO PROCESSO 1.

p. formando um todo iniciado pela autuação. que são as relações entre os sujeitos processuais (relação processual)” (Poderes instrutórios. 2ª ed. “Pelo que é correto falar-se em procedimento na primeira instância. e vice-versa. publicadas nas consagradas “Primeiras linhas de direito processual civil”. É a sequência lógica segundo a qual os atos processuais devem ser praticados pelos sujeitos do processo281. do escrivão. Na verdade. Nessa capa são consignadas as designações do juízo. a relação jurídica substancial envolve apenas os litigantes titulares do direito material. prestigia-se no presente compêndio a clássica lição do Professor MOACYR AMARAL SANTOS. De outro lado. Repertório enciclopédico. Correta. enquanto o procedimento é o elemento extrínseco do processo280. os vocábulos “processo”. (Lat. sentença. a 278 De um lado. com uma capa em geral de cartolina. 5 e 6). com a correta aplicação do direito objetivo ao caso concreto. Por fim. portanto. de forma triangular278 ou trilateral279. O procedimento é a ordem concatenada de atos processuais. 5). etc. como já anotado. 791. procedimento instrutório etc. p. Conjunto ordenado das peças de um processo judicial” (OTHON SIDOU. 50 e 51). 9ª ed. 4. a fim de que a composição do litígio seja a mais justa possível. e 792. o processo pode ser decomposto em relação jurídica processual e procedimento. PROCESSO. há os direitos e deveres do Estado-juiz e do demandado. (1) S. Vol. representado pelos atos que lhe dão corpo e a relação entre eles (procedimento) e o interno. PROCEDIMENTO E AUTOS Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Volume III. 181. onde é lavrada a autuação. m. e vice-versa. 2004. 282 “Assim se denomina o conjunto de tôdas as peças integrados de um processo. 111). inciso II. 280 Como bem ensina o Professor JOSÉ ROBERTO BEDAQUE.” (Comentários ao Código de Processo Civil.. 1994. A propósito. Já os autos são o caderno processual que contém todos os atos processuais. Volume III. Com efeito. p. 2004. articulados. Proc. pl. têrmos. apenas um procedimento incompleto”. actus) Dir. 269. Os autos têm a forma de um caderno. 1997.. 9ª ed. inciso III. da natureza do feito e os nomes do autor e réu” (CARVALHO SANTOS. 96 . 83). 279 Como é perceptível da leitura tanto do texto principal quanto da nota anterior. p. é instrumento da jurisdição. p. como bem revelam os artigos 14.. que pode ser vista por dois ângulos: o externo. conjunto de peças escritas que formalizam e documentam os atos praticados no processo segundo o procedimento para ele ditado pelo legislador” (Comentários ao Código de Processo Civil. p. 254. igualmente merece ser prestigiado o preciso ensinamento do Professor CALMON DE PASSOS: “‘Autos’ é palavra utilizada para significar o processo em sua materialidade. Os autos são a materialização do processo282. “procedimento” e “autos” não são sinônimos. 281 A respeito do assunto. há os direitos e deveres do demandante e do Estado-juiz. o triângulo se fecha com os direitos e deveres das partes entre si.Estado-juiz e o demandado. os sujeitos do processo têm direitos e deveres previstos no Código de Processo Civil. A relação jurídica processual é o conjunto de direitos e deveres dos sujeitos do processo: demandante. “o processo é uma entidade complexa. merece ser prestigiada a didática lição do Professor CALMON DE PASSOS: “Daí afirmar que um processo pode conter um ou mais procedimentos ou. com as dimensões do chamado papel de ofício. n. Também no mesmo sentido: “AUTOS. V. Volume I. 265. inciso II. Estado-juiz e demandado. todos do Código de Processo Civil. como petições. inclusive. 327 e 328. Dicionário Jurídico: Academia Brasileira de Letras Jurídicas... A relação jurídica processual é o elemento intrínseco do processo. 4ª ed. de forma linear. procedimento recursal. O processo.

CONCEITO E CLASSIFICAÇÕES Os pressupostos processuais são requisitos formais indispensáveis para a constituição e para o desenvolvimento válido do processo284. e não o processo em si. portanto.linguagem utilizada no artigo 40 do Código de Processo Civil (“examinar. Dois. se a mesma relação jurídica processual se desenvolve em diferentes séries de atos concatenados. Já o vocábulo autos diz respeito ao caderno processual principal que contém os atos processuais que concretizam os direitos e deveres dos sujeitos da relação jurídica processual. O processo executivo ou de execução é a espécie de processo no qual o demandante busca a concretização fática do direito material já reconhecido em decisão judicial ou em outro título executivo equiparado por força de lei283. há dois procedimentos. Em suma. sincrético. II e III. À vista do Código de Processo Civil vigente. “poderão os procuradores retirar os autos”). requisitos necessários à existência e validade da relação processual.1. A propósito do conceito. 6. na conceituação de 97 . os processos podem ser cognitivos. unificado. Aliás. respectivamente. misto. Já o processo cautelar é a espécie de processo no qual o demandante busca a proteção do resultado útil do processo cognitivo ou executivo. “retirar os autos do cartório ou secretaria”. mas um só processo. a tendência do direito processual civil moderno é reunir as três tutelas em um só processo eclético. porquanto o que são perceptíveis aos olhos e podem ser manuseados são os autos. ESPÉCIES OU TIPOS DE PROCESSO Os processos são classificados à luz da tutela jurisdicional almejada pelo demandante. vale conferir a autorizada lição da melhor doutrina: “Pressupostos processuais são. com a veiculação de pedido condenatório. artigo 585 do Código de Processo Civil. constitutivo ou declaratório. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS 6. executivos ou cautelares. “vista dos autos de qualquer processo”. autos de qualquer processo”. Ou. portanto. nos Livros I. processo é relação jurídica processual que se desenvolve sob determinado procedimento. Por consequência. em cartório e secretaria do tribunal. enfim. são os elementos do conceito de processo: relação jurídica processual e procedimento. A despeito de a classificação ser reconhecida pela melhor doutrina e estar prevista no Código de Processo Civil vigente. à vista do 283 284 Cf. O processo cognitivo ou de conhecimento é a espécie de processo no qual o demandante busca o reconhecimento da existência do direito material pelo Estado-juiz. 5.

a propositura da demanda.1. e não de existência. BETTI. prevalece a classificação doutrinária segundo a qual os pressupostos processuais são subjetivos e objetivos. capacidade de ser parte. capacidade processual. a capacidade de ser parte. a capacidade postulatória285 e a citação286. segundo o qual a citação é pressuposto de validade. a capacidade processual. a perempção. 334). Como também já exposto. a imparcialidade. a capacidade de ser parte. Os pressupostos subjetivos são os seguintes: jurisdição. a competência do juízo e a imparcialidade do juiz. personificado no juiz previamente empossado. Volume I. 6. Já os pressupostos objetivos versam sobre o processo: relação jurídica processual e procedimento.inciso IV do artigo 267 do Código de Processo Civil. 6. os pressupostos subjetivos são os requisitos formais atinentes aos sujeitos do processo: partes e juiz. imparcialidade. Os pressupostos subjetivos estão relacionados aos sujeitos do processo: partes e juiz.2. é preciso reconhecer que prevalece outro raciocínio. petição inicial apta. É indispensável. 285 Trata-se de pressuposto processual de existência. além dos denominados pressupostos “negativos”. à vista da Constituição e da legislação processual e de organização judiciária. quais sejam. são pressupostos subjetivos: a jurisdição. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS SUBJETIVOS Como já anotado.2. resta esclarecer quais são os pressupostos subjetivos e os pressupostos objetivos. a litispendência.2. p. citação. capacidade postulatória.’” (MOACYR AMARAL SANTOS. Já os pressupostos de validade são a petição inicial apta. Exposta a classificação predominante na literatura jurídica. a capacidade processual e a capacidade postulatória. competência. a competência. 286 À vista do artigo 214 do Código de Processo Civil e do enunciado n. JURISDIÇÃO A jurisdição consiste na regularidade da investidura do órgão estatal com o poder de julgar. Não obstante. tendo em vista o disposto no parágrafo único do artigo 37 do Código de Processo Civil. 7 da Súmula do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Primeiras linhas de direito processual civil. portanto. ‘são requisitos cujo concurso é necessário para a constituição válida da relação processual. COMPETÊNCIA DO JUÍZO A competência é a limitação da jurisdição conferida ao juízo. que o órgão julgador tenha jurisdição e juiz regularmente empossado e em pleno exercício das respectivas atividades judicantes. Já os pressupostos objetivos são os seguintes: demanda. os pressupostos processuais são classificados em pressupostos de constituição e em pressupostos de validade.2. a coisa julgada e a convenção de arbitragem. Não basta. 98 . Os pressupostos de constituição ou de existência são a jurisdição. 6.

211). os animais jamais têm capacidade de ser parte. o que também se dá em relação aos entes despersonalizados292.. 1998.3. que órgão estatal tenha jurisdição e juiz regulamente empossado. 289 Assim. excipiente. portanto. Volume I. Volume I. na doutrina: “a) a capacidade de ser parte. do Código de Processo e da lei de organização judiciária.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. p. IMPARCIALIDADE DO JUIZ A imparcialidade diz respeito à isenção do julgador. p. que o juiz seja isento. na doutrina: “Como regra. (FREDIE DIDIER JR. 10ª ed. Volume I. excepto etc. artigo 2º do Código Civil. ele não terá validade. 288 De acordo..4. 118). 291 Cf. Por conseguinte. Em contraposição. 99 . 82). tendo em vista a distribuição dos trabalhos judiciários à luz da Constituição.)”. na doutrina: “A capacidade de ser parte é a personalidade judiciária: aptidão para. porque a lei não reconhece essa capacidade a esse tipo de entidade.portanto. incluído o nascituro290 e excluído o falecido291. artigo 6º do Código Civil. Comentários ao Código de Processo Civil. 148. n. 290 Cf. n. porque a Comissão não tem capacidade de ser parte.2. 4ª ed. 287 Assim. o juiz não pode ser impedido nem suspeito. já que alguns entes despersonalizados também podem ter capacidade de ser parte. 6. na qualidade de terceiro288. 110). p.” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. a capacidade de ser parte está atrelada à personalidade jurídica289 prevista no artigo 1º do Código Civil: tem capacidade de ser parte quem pode adquirir direitos e assumir obrigações na ordem civil. pelo menos em regra. É indispensável. como autor ou réu.. réu. Comentários ao Código de Processo Civil. coincide com a personalidade jurídica. ser sujeito da relação jurídica processual (processo) ou assumir uma situação jurídica processual (autor. “se uma Comissão Organizadora de Festival iniciar um processo. 6. imparcial. 9ª ed. CAPACIDADE DE SER PARTE OU PERSONALIDADE JUDICIÁRIA A capacidade de ser parte é o pressuposto processual consubstanciado na possibilidade jurídica de se ocupar um dos polos da relação jurídica processual. Esta consiste na aptidão para adquirir direitos e obrigações na ordem civil. Curso de direito processual civil. E a quem a tem deve ser assegurada a possibilidade de ir a juízo. Daí a regra: as pessoas naturais e todas as pessoas jurídicas devidamente constituídas têm capacidade de ser parte. seja para acionar ou para ser acionado mediante processo judicial287 – e até mesmo para se ingressar e participar de processo alheio. Volume I. 2008. p. assim entendida como a correta aplicação do direito objetivo aos fatos comprovados no processo. nenhuma providência poderá sanar essa falta.1998. que é a capacidade de ser sujeito da relação processual. É indispensável que o juízo seja o competente para solucionar o litígio. 292 Por exemplo.. 88. em tese. assistente. 2007. 10ª ed. À primeira vista.” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. a fim de que possa decidir o conflito de interesse com justiça.2. Novo curso de direito processual civil.

às vezes. Volume I. há entes despersonalizados arrolados no artigo 103 da Constituição Federal e no artigo 12 do Código de Processo Civil que podem acionar e ser acionados mediante processo judicial. 1998.. ou legitimatio ad processum.2. Só quem tem essa capacidade é que pode praticar atos válidos no processo. não se confunde com a capacidade de ser parte: uma pessoa capaz de ser parte não tem. Com efeito. e mais. A capacidade processual depende da capacidade de ser parte296. p. mas também da capacidade 293 De acordo. em virtude da capacidade civil plena294. ainda que na qualidade de terceiro. a massa falida. 88.Com efeito. Comentários ao Código de Processo Civil. na doutrina: “Como já se disse. para ocupar algum polo da relação jurídica processual ou para ingressar em processo. como se passa a expor. a massa do devedor civil insolvente. Volume I. 100 . a capacidade de ser parte liga-se à existência de personalidade jurídica. CAPACIDADE PROCESSUAL. na doutrina: “b) a capacidade de estar em juízo. é o que se dá com o menor. porque é pessoa natural. do Código de Processo Civil.”. n. 9ª ed.” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. na doutrina: “A capacidade de estar em juízo. n. 295 De acordo. capacidade processual. 1998. Comentários ao Código de Processo Civil. nem todo aquele que pode ser parte pode praticar atos válidos em processo judicial. 294 Assim. mas não tem capacidade de estar em juízo. 214). também denominada legitimação para o processo. sim. Mas. 109). Por exemplo. LEGITIMAÇÃO PARA O PROCESSO OU LEGITIMATIO AD PROCESSUM A capacidade de estar em juízo. p. a herança jacente. Trata-se de personalidade judiciária conferida por força de lei. por questão de conveniência. não é possível ter capacidade processual sem ter capacidade de ser parte.. 10ª ed. o espólio. o respectivo espólio. Comentários ao Código de Processo Civil.5. 10ª ed. merece ser prestigiada a lição do Professor FREDIE DIDIER JR. o condomínio. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. legitimação para o processo ou legitimatio ad processum é o pressuposto processual consubstanciado na possibilidade jurídica de se praticar de atos válidos em juízo. personalidade judiciária. inciso V. hoje. 1998. 104). têm capacidade de ser parte a sociedade de fato. mas. O Código anterior o fazia e o atual ampliou o campo a outras figuras. n. 2008. porém. 133. p. p. Em resumo. capacidade de estar em juízo. não é verdadeira. ou seja. que é o poder de realizar atos processuais com efeitos jurídicos.” (Curso de direito processual civil.: “A capacidade processual pressupõe a capacidade de ser parte. de modo que. a recíproca. É possível ter capacidade de ser parte e não ter capacidade processual. a lei processual pode atribuir aquela capacidade a figuras que não têm essa personalidade. 296 A propósito. Daí a distinção entre a capacidade de ser parte e a capacidade de estar em juízo295. 82). em virtude da personalidade judiciária conferida por força de lei293. com capacidade de ser parte em causas de natureza patrimonial.. (CELSO AGRÍCOLA BARBI. ou ‘legitimatio ad processam’. o falecido não pode ser parte em processo judicial. pessoa formal à vista do artigo 12. Volume I. o quanto basta para se ter a capacidade de ser parte..” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. todo aquele que tem personalidade jurídica também tem capacidade de ser parte. 124. Volume I. alguns entes despersonalizados ou pessoas formais também têm capacidade de ser parte. como pessoa formal. 10ª ed. 6. que pode ser parte. CAPACIDADE DE ESTAR EM JUÍZO.

298 Cf. por excelência. a eventual incapacidade processual deve ser conhecida de ofício a qualquer tempo e grau de jurisdição300. de patrocinar causa perante os órgãos do Poder Judiciário. não importando a idade. que correspondem. Com efeito. os loucos. porquanto não têm capacidade civil plena. porquanto a última edição escrita e atualizada pelo próprio autor é anterior ao Código Civil de 2002). Em outros termos. têm capacidade de ser parte toda pessoa natural. p. aquele que pode. independentemente de provocação do autor. do Código de Processo Civil. também chamada legitimidade. 89. além de outras figuras a que a lei atribui essa capacidade. a capacidade para estar em juízo pressupõe a capacidade de exercício do direito civil. entretanto.. por exemplo. CAPACIDADE POSTULATÓRIA OU IUS POSTULANDI A capacidade postulatória ou ius postulandi é o pressuposto processual consubstanciado na possibilidade jurídica de postular em juízo. conforme o caso298. tendo em vista a combinação dos artigos 7º. pressupõe a capacidade de direito. 297 Ainda a respeito do tema. por força da lei civil. Nestas condições. mas não pode exercê-los pessoalmente. ser sujeito de direitos (centro de direitos e deveres) tem capacidade de ser parte. na doutrina: “Na órbita civil. por seu turno. v. inciso IV e § 3º. com os artigos 3º. ou ‘legitimatio ad processum’. O “advogado legalmente habilitado” é quem tem. ou seja. 101 . Daí a necessidade da assistência ou da representação. a capacidade postulatória. a capacidade postulatória pode ser ampla e geral. conforme o disposto na legislação específica. 1998. 300 Cf. Aquele que tem capacidade de exercício destes mesmos direitos no plano material tem capacidade de estar em juízo.civil plena297. p. artigo 8º do Código de Processo Civil. Em contraposição. estado mental. ressalvadas algumas poucas exceções expostas. 4º e 5º. n. bem como as pessoas jurídicas. estado civil. consoante o disposto no proêmio do artigo 36 do Código de Processo Civil. 299 De acordo.” (Curso sistematizado de direito processual civil. ou legitimação para o processo. para que possam praticar atos válidos em juízo299. 10ª ed. Volume I. como o nascituro. de terceiro ou do Ministério Público. o menor pode ter direitos. assim. excluídos. do réu. regra geral. 411). os menores.g. Comentários ao Código de Processo Civil. 6. os menores podem ser partes. aproximadamente. têm capacidade postulatória os advogados em geral. que. 2008. Volume I. todos do Código Civil. ao regime da capacidade de direito (ou de gozo) e ao da capacidade de exercício (ou de fato) do direito civil. 8º e 12. a eventual incapacidade processual deve ser conhecida de ofício pelo juiz. E mais. sexo. bem como pode ser restrita às causas nas quais as pessoas jurídicas de direito público interno são partes. todos do Código de Processo Civil. diferem a capacidade de ter direitos e a capacidade de exercê-los. Assim. 301 Quanto aos últimos (defensores públicos e advogados públicos). ou seja.6. os silvícolas etc. Assim. Por ser pressuposto processual.” (CELSO AGRÍCOLA BARBI.2. 83. 2ª ed.. mas não têm capacidade processual. com exemplos relativos ao Código Civil de 1916. assim considerados os defensores públicos e os procuradores das pessoas jurídicas de direito público interno301. àquela distinção feita na ordem civil. tanto os advogados profissionais liberais quanto os advogados públicos. também merece ser prestigiado ensinamento do Professor CÁSSIO SCARPINELLA BUENO: “O regime da capacidade de ser parte e a capacidade para estar em juízo correspondem. O mesmo princípio se aplica no direito processual. Mas a capacidade de estar em juízo. respectivamente. espólio etc. nacionalidade. só é atribuída aos que estiverem no exercício dos seus direitos. em que se distingue a capacidade de ser parte e a capacidade de estar em juízo. os bacharéis em Direito não têm capacidade postulatória. Assim é que. artigo 267..

caput. a citação. 304 Cf. artigo 9º. a qual deve ser elaborada com a observância dos artigos 39. a petição inicial apta. 305 Cf. 9.259 confere capacidade postulatória em prol das próprias partes no âmbito dos juizados especiais cíveis federais.1. sob pena de indeferimento307. mas apenas para as causas nas quais o Ministério Público tem legitimidade ativa e passiva. Diário da Justiça de 17 de agosto de 2007. quais sejam.099 e 10. a litispendência. todos do Código de Processo Civil. de 1995. Daí a existência da capacidade postulatória das próprias partes perante a Justiça do Trabalho. os pressupostos objetivos versam sobre o processo: relação jurídica processual e procedimento. artigo 3º. nas causas com valor de até vinte salários mínimos302. bem assim como fiscal da lei305. com a posterior redução a termo pelo serventuário. a provocação na busca da prestação jurisdicional.3. artigos 81. além dos denominados pressupostos “negativos”.3. 6. são os pressupostos objetivos a demanda. todos do Código de Processo Civil. 3. Cf. Da mesma forma. e 295. Em primeiro lugar. ADI n.259. o artigo 623 do Código de Processo Penal confere capacidade postulatória ao “próprio réu” condenado para ajuizar revisão criminal. 10. Em regra. nas causas com valor de até sessenta salários mínimos303-304. as demandas trabalhistas podem ser propostas e patrocinadas pelas próprias partes “pessoalmente”. da Lei n. artigos 267. 6.A regra da exclusividade da capacidade postulatória dos advogados comporta exceções.259. 10. À vista do artigo 791 da Consolidação das Leis do Trabalho. Como também já exposto. 102 . inciso I. Já o artigo 10 da Lei n. Pleno do STF. a demanda é concretizada por meio da petição inicial306. o acionamento do Poder Judiciário.099. 302 303 Cf. de 2001. Os membros do Ministério Público também têm capacidade postulatória. as próprias partes podem atuar pessoalmente no âmbito dos juizados especiais cíveis locais. PRESSUPOSTOS OBJETIVOS Como já anotado. 282 e 283. a coisa julgada e a convenção de arbitragem. Já o artigo 654 do Código de Processo Penal confere capacidade postulatória a toda e “qualquer pessoa” para impetrar habeas corpus. a perempção. ambos do Código de Processo Civil. 307 Cf. DEMANDA E PETIÇÃO INICIAL APTA A demanda é a iniciativa da parte. 82 e 487. a demanda pode ser concretizada oralmente na secretaria dos juizados especiais.168/DF. da Lei n. caput. até mesmo diante de prisão civil. 306 À vista das Leis nºs 9.

7 da Súmula da Corte: “A ação declaratória é meio processual hábil para se obter a declaração de nulidade do processo que tiver corrido à revelia do réu por ausência de citação ou por citação nulamente feita”. não há dúvida de que a perempção diz 308 De acordo. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória.” “.3. parágrafo único. na doutrina: “d) Citação: enquanto não citado. à vista do artigo 268. Basta a ocorrência de algum deles para que o processo posterior seja extinto.Por tudo. do mesmo diploma. pois nada haverá a rescindir. nos termos do artigo 214 do Código de Processo Civil. 5ª ed. inexistirá processo em relação ao réu. porquanto o prosseguimento do processo depende da inexistência de todos.. 2008. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. p. cujos processos foram extintos com fundamento no inciso III do artigo 267 do Código de Processo Civil.3.3. a citação é o ato processual por meio do qual o demandado é chamado em juízo. a perempção é a impossibilidade de o autor mover uma quarta demanda idêntica contra o réu. PEREMPÇÃO O inciso V do artigo 267 do Código de Processo Civil dispõe sobre a perempção. Por consequência. até mesmo de ofício. e sem a citação. por ter o autor abandonado três vezes a mesma causa. que não tem prazo para ser aforada.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. Novo curso de direito processual civil. Irrelevante se ela não se aperfeiçoou ou não se realizou de forma adequada. 6. Ainda que muito respeitável a orientação predominante. CITAÇÃO À vista do artigo 213 do Código de Processo Civil. após ter abandonado as três demandas anteriores. 109). para o réu o processo é inexistente. À vista da classificação dos pressupostos processuais em pressupostos de existência e de validade. para que possa se defender. Com efeito.2. já que não foi constituído em relação ao mesmo308. Assim também assentou o Tribunal de Justiça de Santa Catarina ao aprovar o enunciado n. São os denominados “pressupostos processuais negativos”. sustenta-se que a ausência de citação e a citação irregular ocasionam a inexistência do processo em relação ao réu. porquanto o processo nem sequer existente para o réu. prevalece a orientação segundo a qual a citação é pressuposto de validade. 6. 103 . tendo em vista o disposto no § 3º do artigo 267 do mesmo diploma. é o impedimento da propositura de nova demanda contra o réu. a litispendência e a coisa julgada. O que importa é que o réu não tomou conhecimento do processo e não teve a oportunidade de participar.” “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. No que tange especificamente à perempção. Aqui não há diferença entre falta ou vício de citação. Volume I. a constituição e o desenvolvimento do processo dependem tanto da demanda quanto da aptidão da petição inicial. denominada querela nullitatis insanabilis.

todos da Lei n. entretanto. a possibilidade de alegar em defesa o seu direito”.5. a perempção é a perda do direito de acionar após três extinções de processos provenientes da mesma demanda. 3º As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. relativamente a tal contrato”. sem resolução do mérito. Constatada a ocorrência da tríplice identidade. 4º e 9º.respeito apenas ao inciso III do artigo 267. de 1996. e 467. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. do Código de Processo Civil. o juiz deve extinguir o segundo processo. À vista dos artigos 3º. 9. tanto no mesmo processo quanto em outro processo. §§ 1º. Daí a impossibilidade da propositura de outra demanda cujo objeto já está julgado de forma definitiva. 6. com as mesmas partes. ficando-lhe ressalvada. §§ 1º. 104 . Cf. à extinção do processo pelo fundamento previsto no nº III do artigo anterior. por três vezes. causa de pedir e pedido309. Em suma. a “convenção de arbitragem”311 é gênero.6. COISA JULGADA A coisa julgada material é o impedimento à discussão da causa cujo mérito já foi resolvido mediante julgado irrecorrido. tendo em vista a imutabilidade do julgado310. artigos 301. 6. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral”.3. o respectivo processo deve ser extinto. 311 “Art. 312 “Art. sem resolução do mérito. CONVENÇÃO DE ARBITRAGEM O inciso VII do artigo 267 do Código de Processo Civil versa sobre a convenção de arbitragem subscrita pelas partes litigantes.3. do qual a “cláusula compromissória”312 e o 309 310 Cf. artigo 301. com fundamento no artigo 267. 2º e 3º. inciso V. porquanto a convenção de arbitragem impede o prosseguimento do processo. por abandono do autor. Não há perempção quando os processos anteriores são extintos por outros fundamentos previstos no artigo 267. do Código de Processo Civil. 6.3.307. LITISPENDÊNCIA A litispendência é o impedimento à propositura de demanda idêntica à pendente de julgamento. Trata-se de pressuposto processual negativo. 2º e 3º.4. Se o autor der causa. ambos do Código de Processo Civil. só há perempção se as três extinções têm origem no inciso III. Na eventualidade do ajuizamento de nova demanda. não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto. É o que se infere do parágrafo único do artigo 268: “Parágrafo único.

é vedado ao juiz pode tomar conhecimento de ofício da convenção de arbitragem. 6.5. o litígio é preexistente e os litigantes já optaram pela subscrição de um contrato (“de compromisso arbitral”). especialmente do réu. 105 . Compete-lhe. podendo ser judicial ou extrajudicial”.”. Daí a conclusão: tanto a cláusula compromissória quanto o compromisso arbitral ocasionam a extinção do processo. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS E APRECIAÇÃO OFICIAL À vista do § 3º do artigo 267 do Código de Processo Civil. 313 “Art. Sem dúvida. o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo”. e a inércia do demandado ocasiona a prorrogação da competência. entretanto. o preceito alcança ambas as espécies. porquanto o litígio deve ser solucionado pelo árbitro ou pelo tribunal arbitral livremente escolhido pelas partes na respectiva convenção. tendo em vista a exceção prevista no § 4º do artigo 301 do Código de Processo Civil: “§ 4o Com exceção do compromisso arbitral. Outro exemplo: a convenção de arbitragem também depende de provocação do demandado. do Código de Processo Civil: “Art. No compromisso arbitral. no qual indicam a arbitragem como meio de solução do conflito. em preliminar da contestação. os pressupostos processuais ensejam apreciação oficial em qualquer tempo e grau de jurisdição. PRESSUPOSTOS PROCESSUAIS. porquanto são matérias de ordem pública. EXTINÇÃO DO PROCESSO E SUSPENSÃO DO PROCESSO Resta saber se a ausência de algum pressuposto processual ocasiona a extinção do processo. Como o inciso VII do artigo 267 trata da “convenção de arbitragem” de forma genérica. alegar: omissis. a apreciação da existência de convenção de arbitragem depende de provocação. a regra não é absoluta: a incompetência relativa é um pressuposto processual que depende de provocação. antes de discutir o mérito. Não obstante. A cláusula compromissória é o contrato ou a cláusula contratual que prevê a adoção da arbitragem para a solução de futuro litígio. como à primeira vista revelam os incisos IV e V do artigo 267 do Código de Processo Civil. sem resolução do mérito. IX .4. razão pela qual o juízo incompetente passa a ser competente. porém. 301. Não obstante. como bem revela o artigo 301. 6. 9º O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas.convenção de arbitragem.“compromisso arbitral”313 são espécies. inciso IX.

in fine. a regra não alcança todos os pressupostos processuais. mas há exceções. a ausência de pressuposto processual ocasiona a extinção do processo.Em regra. sim. não ocasiona a extinção do processo. do Código de Processo Civil. A incompetência absoluta. por exemplo. a remessa dos autos ao juízo competente. tudo nos termos do § 2º do artigo 113 do Código de Processo Civil. tendo em vista o disposto no artigo 267. do Código de Processo Civil. a resposta é afirmativa: a falta de pressuposto processual conduz à extinção do processo. 106 . Daí a conclusão: em regra. nos termos do artigo 13 do Código de Processo Civil. tendo em vista o disposto no artigo 314. O mesmo raciocínio alcança a suspeição e o impedimento. No que tange à incapacidade processual. com a nulidade das decisões proferidas no juízo incompetente. Não obstante. só há extinção do processo se o demandante não sanar o defeito. mas. incisos IV e V.

NOMEN IURIS. tudo nos termos do artigo 70. por força de ato de autoridade pública. no artigo 456 do Código Civil de 2002. Por conseguinte. A denunciação da lide é instituto jurídico influenciado pelos princípios processuais da economia e da celeridade. porquanto eventual direito de regresso é exercido desde logo. a evicção é a garantia contra os vícios jurídicos. Daí a existência de relação de prejudicialidade entre a demanda originária e a litisdenunciação: o denunciante só tem interesse processual no julgamento da denunciação da lide se for condenado na demanda originária. NATUREZA JURÍDICA E CONCEITO A denunciação da lide ou litisdenunciação é verdadeira ação incidente que se insere no bojo de processo pendente entre outras pessoas. o adquirente pode acionar o alienante mediante a denunciação da lide. do denunciante contra o denunciado. no artigo 88 do Código de Defesa do Consumidor. para ser indenizado na eventualidade de prolação de sentença contrária (ao adquirente evicto). PRECEITOS DE REGÊNCIA E ENUNCIADOS SUMULARES A denunciação da lide reside nos artigos 70 a 76 do Código de Processo Civil. 3. de coisa cuja propriedade ou a posse foi transferida mediante contrato oneroso. a denunciação da lide insere uma nova demanda no bojo do processo instaurado pela demanda originária. a fim de que uma pessoa (denunciado) seja condenada pelos danos causados a alguma das partes originárias do processo. Diante do risco da evicção314. do autor contra o réu. no mesmo processo em que litigam o denunciante e outrem. 2. Com efeito. no enunciado n. 29 do Conselho da Justiça Federal e no enunciado n.DA DENUNCIAÇÃO DA LIDE 1. em razão de vício jurídico pretérito ou presente à transferência (artigo 447 do Código Civil). 50 da Súmula do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Sob outro prisma. Em termos mais específicos. Diante da natureza jurídica de garantia legal. a denunciação da lide é a demanda secundária condenatória incidental acionada no bojo de processo já instaurado. do 314 A evicção é a perda total ou parcial. os defeitos de direito que contaminam o ato de transferência da coisa. e a denunciação da lide. não depende de cláusula expressa no bojo do contrato oneroso. 107 . inciso I. DENUNCIAÇÃO DA LIDE FUNDADA EM EVICÇÃO A primeira hipótese de denunciação da lide tem lugar em processo de conhecimento em que o adquirente de coisa transferida mediante contrato oneroso pode perder aquela (coisa) por força da sentença a ser proferida. o processo passa a ter duas demandas: a originária.

em nenhuma hipótese. Não se admitia. devem ser interpretados à luz do artigo 456 do Código Civil de 2002. assegura ao evicto o direito de reaver integralmente o preço e as quantias que pagou.. pelas despesas e prejuízos que sofreu e pelas custas judiciais e honorários advocatícios. descobre-se que o bem não pertencia ao alienante. há doutrina muito respeitável: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. art. C. 2007. e não só do último alienante com quem o adquirente evicto contratou. como bem revela o enunciado n. 456 do novo Código Civil permite ao evicto a denunciação direta de qualquer dos responsáveis pelo vício”. do Código Civil315. bem como qualquer um dos alienantes anteriores. Novo curso de direito processual civil. 4ª ed. Em sentido contrário. 201). alienação de coisa alheia).Código de Processo Civil. 212. 2006. No entanto. e 73. denunciações sucessivas. que o vendedor inicial A não era o proprietário. mas também possa.” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. posteriormente. o adquirente evicto não está limitado a efetuar a denunciação apenas do último alienante. estabelece a possibilidade de denunciações da lide sucessivas. Imagine-se que A vende um bem a B. ele terá de restituir a coisa. Com efeito. o adquirente evicto pode denunciar o último alienante com quem contratou. 316 De acordo. o CC. Este priva-se de parte de seu patrimônio para pagar o bem adquirido. portanto. 456: a interpretação do art. Lições de direito processual civil. que A aliene um bem. porque engloba os prejuízos do evicto. combinado com o artigo 447. por sua vez. Volume I. porquanto autoriza o adquirente evicto a denunciar desde logo o primeiro alienante.” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. p. 2007. o art. por exemplo... Em suma. 29 das Jornadas de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal316. à vista do artigo 456 do novo Código Civil. ajuíza ação reivindicando-a de B. que o vende a C. Volume I. inciso I. B sabe que. O preceito consagra. ao descobrir o paradeiro da coisa. que é a pessoa que com ela se encontra atualmente. a fim de que o adquirente evicto tenha a opção de denunciar o último alienante. na forma das leis processuais. maior responsável pela formação da cadeia de contratos viciados. na doutrina: “A redação do CPC. Descobre-se. À vista do artigo 456 do Código Civil vigente. onerosamente. Este. art. acionar até mesmo o primeiro alienante da coisa contaminada por algum vício jurídico. sofrendo a evicção. p. que vai além do puro exercício do direito de regresso. que a denunciação se fizesse por saltos. 4ª ed. Haverá. proêmio. Novo curso de direito processual civil. à evidência. a B. entretanto. sofrendo risco de evicção. como na hipótese de bem alienado várias vezes. Imagine-se. embora um pouco confusa. com quem contratou e de quem adquiriu a coisa contaminada por algum vício jurídico (por exemplo. os princípios processuais da economia e da celeridade. que. e o verdadeiro dono aparece. 108 . reivindicando de C. denunciará a lide a B. 315 “O exemplo clássico é o daquele que adquire onerosamente um bem de quem não é o verdadeiro proprietário. Daí o acerto do enunciado n. além de indenização pelos frutos que teve que restituir. o que ocorrerá quando o denunciado tiver. e sim ao terceiro C. 191). Por conseguinte. 456 do novo Código Civil não deixa dúvidas. a denunciará a A. Volume I. os artigos 70. direito de regresso. permitindo que a denunciação se faça ao alienante imediato ou a qualquer dos anteriores. o adquirente. contra outrem. 73. No entanto. 450 e incisos. 29 aprovado durante as Jornadas de Direito Civil do Conselho da Justiça Federal: “Art. p. consoante autoriza o artigo 456 do Código Civil de 2002. 15ª ed. ambos do Código de Processo Civil de 1973. pode ser exercido com a denunciação da lide. No entanto. se o pedido for julgado procedente. se assim desejar. é admissível a denunciação direta contra qualquer alienante anterior. Esse direito.

610/98 e 475 do NCC. 9. 3. tendo em vista a admissibilidade da ação regressiva prevista no artigo 37. o usufrutuário pode denunciar o proprietário da coisa objeto do nu usufruto.795/ES. porquanto traz ao processo a complexa discussão da responsabilidade subjetiva do agente público. Não obstante. o locatário pode denunciar o locador proprietário da coisa locada. o credor pignoratício pode denunciar o proprietário da coisa empenhada. I. com perda da celeridade proveniente da singela discussão acerca da responsabilidade objetiva das pessoas jurídicas de direito público interno. o qual pode ser acionado pelo possuidor direto diante de demanda acerca da coisa objeto da posse (artigo 70. inciso II. da Constituição Federal. e 53 da Lei n. do Código de Processo Civil). a indenizar. 29. em ação regressiva. Ação movimentada por credor de nota promissória. Tendo a editora celebrado contrato de edição – avença classificada como onerosa e bilateral –. DENUNCIAÇÃO DA LIDE FUNDADA EM LEI OU CONTRATO Já o inciso III do artigo 70 do Código de Processo Civil autoriza a denunciação da lide ao obrigado. 1). do CPC. Por exemplo. 109 . Condenado o réu a indenizar. a denunciação da lide na espécie é prejudicial ao particular autor da ação de indenização. exigindo indenização de portador. por força de lei317 ou de contrato (por exemplo. direito de regresso contra os autorizadores da edição. contra o emitente do título. 70.” (REsp n. tendo em vista a responsabilidade objetiva da última (pessoa jurídica de direito público interno) pelos danos causados pelos seus agentes. Se assim é. Por conseguinte. A primeira interpretação consagrada na doutrina e na jurisprudência foi em prol do reconhecimento da admissibilidade da denunciação da lide por parte da pessoa jurídica de direito público interno acionada. promover a denunciação da lide com amparo no art. Ainda a respeito do inciso III do artigo 70 do Código de Processo Civil. 934. 3ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 4 de fevereiro de 1991). incide o disposto no artigo 70. contrato de edição318). assegura ela. na jurisprudência: “4. Diário da Justiça de 10 de março de 2008. com amparo nas disposições inscritas nos arts. § 6º. o prejuízo sofrido pelo perdedor da demanda originária. contrato de seguro. DENUNCIAÇÃO DA LIDE DO POSSUIDOR INDIRETO A segunda hipótese de admissibilidade de denunciação da lide atinge o possuidor indireto. há séria discussão acerca da admissibilidade da denunciação da lide contra o agente público causador do dano ao particular que move ação de indenização contra a respectiva pessoa jurídica de direito público interno. podendo. merece ser prestigiado acórdão da relatoria do Ministro e Professor Eduardo Ribeiro: “Denunciação da lide.4. p. por isso. 318 Por exemplo. que o receberá para cobrança e deu causa a que fosse extraviada. III. 4ª Turma do STJ. regressivamente. podendo voltar-se. contra o agente público responsável pelo dano. III do Código de Processo Civil.” (REsp n.394/PR. ficará subrogado nos direitos do credor. 5. o particular autor da ação de indenização é prejudicado pelo acréscimo da discussão entre a pessoa 317 Por oportuno.

comentário 12: “Daí não ser admissível a denunciação da lide. parágrafo 6º. também há precedente jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. não se admite a denunciação a lide ao seu agente ou a terceiro. através da qual a parte. merecem ser prestigiados os comentários do Desembargador Nagib Slaibi Filho: “O texto da súmula nº 50 afirma que em ação de indenização ajuizada em face de pessoa jurídica de Direito Público. 6.00008. A denunciação da lide é a modalidade de intervenção de terceiro. exercita a ação em face do terceiro (litisdenunciado). e o ato ou omissão que constitui a causa de pedir da ação de reparação de danos tenha sido praticado por seu agente (pessoa física que seja servidor público ou mesmo pessoa jurídica delegatária) ou por terceiro. sob a relatoria do Desembargador Sylvio Capanema de Souza. estranho à lide principal. nessa qualidade. 110 .590/BA. Daí a evolução da jurisprudência. na doutrina: Nelson Ney Junior e Rosa Maria Andrade Nery. busca aos princípios da economia e da presteza na entrega da prestação jurisdicional. CF/88)"319. 50: “Em ação de indenização ajuizada em face de pessoa jurídica de Direito Público. importará na introdução de novo thema decidendum na causa. reste o litisdenunciante sucumbente ao pedido principal. não devendo ser prestigiada quando susceptível de pôr em risco tais princípios’ (REsp 43367/SP. 4ª ed. quando a denunciante é demandada pelo risco administrativo (responsabilidade objetiva)”. a denunciação acarreta para a Administração Pública uma situação processual contraditória. Recurso especial a que se nega provimento. se admitida. não se admite a denunciação da lide ao seu agente ou a terceiro (art. a denunciação tem por finalidade específica retardar a solução da demanda”. quando nela se introduzir fundamento novo.” (Nagib Slaibi Filho. para vedar a denunciação da lide fundada no artigo 37. para ser vitoriosa na denunciação terá que provar a culpa desse mesmo servidor. 08/2001. à vista de precisa fundamentação: “A responsabilidade do Estado e dos prestadores de serviços públicos é objetiva enquanto que a do funcionário é subjetiva. mas que a ela se carrear eventual direito de regresso com base em lei ou contrato. Por fim. a denunciação da lide ao agente público causador do dano implicaria prejuízo à celeridade e à economia processual. 3. ao funcionário que agiu com dolo ou culpa (responsabilidade subjetiva).” (REsp n. 267). em relação processual originária (litisdenunciante). O verbete nº 50 do TJRJ inadmite a denunciação da lide quando o demandado for a Pessoa Jurídica de Direito Público. Ainda em sentido conforme. pois. Diário da Justiça de 3 de abril de 2006. se provar a culpa do seu servidor estará reconhecendo o pedido do autor. seja em razão de contrato). no Processo n. o que impede sua admissão. no tocante à responsabilidade subjetiva do último. p. Comentários aos verbetes sumulares do TJRJ). eventualmente. 499. Na mesma linha de raciocínio. se para excluir a sua responsabilidade na ação principal terá que provar que o dano não foi causado pelo seu servidor. 37. Min. o Superior Tribunal de Justiça assentou que a denunciação da lide só é obrigatória para a imediata 319 Cf. p. o que a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça não vem admitindo. conforme assentado pelas instâncias ordinárias. Logo. 2. Exemplo dessa inadmissibilidade é a denúncia da lide. da Constituição Federal. pela administração. sem se falar no indiscutível prejuízo que a denunciação trará ao autor. O presente enunciado remete-se ao disposto no artigo 37. § 6º. FACULTATIVIDADE DA DENUNCIAÇÃO A despeito da expressão legal segundo a qual a “denunciação da lide é obrigatória” (artigo 70. No caso. § 6º. ‘A denunciação da lide. RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO. ou seja. caso. caput.146. quando aprovou o enunciado n. 1ª Turma do STJ. de sorte que a denunciação.. do Código de Processo Civil). pessoa jurídica que não tenha vínculo jurídico (legal ou contratual) com a Pessoa Jurídica de Direito Público. Se não bastasse. como modalidade de intervenção de terceiros. Uniformização de Jurisprudência n. cujo julgamento foi proferido em 24 de junho de 2002. que afirma que as pessoas jurídicas de direito público e as pessoas jurídicas de direito privado prestadoras de serviços públicos responderão pelos danos que seus agentes. Daí resulta que a defesa da Administração na ação de indenização é incompatível com a tese que terá que sustentar e provar na denunciação da lide ao seu funcionário. DJ de 24. da Constituição Federal.06.jurídica de direito público interno e o respectivo agente. Sálvio de Figueiredo Teixeira. como bem assentou o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. IMPOSSIBILIDADE. A toda evidência. Código de Processo Civil comentado. 4ª Turma. 770. causarem a terceiros. constituindo-se assim uma relação jurídica processual derivada em que se busca a declaração de responsabilidade do terceiro. 1. 1999. 2001.1996). com o qual tem vínculo de direito de regresso (seja em decorrência da lei. DENUNCIAÇÃO DA LIDE.

Diário da Justiça de 23 de abril de 2007.condenação do denunciado320 no bojo do mesmo processo instaurado por força da demanda originária na qual o denunciante321 é parte. 280.444/2002. a denunciação da lide só é “obrigatória” para que a parte originária obtenha a imediata condenação do até então terceiro. 201). do Código Civil de 2002. no mesmo processo. 4ª ed.. Lições de direito processual civil. comentários 2 e 8. 8. é possível concluir em prol da admissibilidade da denunciação da lide fundada em contrato de seguro. 15ª ed. Diário da Justiça de 6 de outubro de 2003. 323 Ainda no mesmo exemplo. 10ª ed. p.444. ainda que em processo sob o rito sumário324. CPC. 407. Sentença já proferida. mesmo antes da vigência da Lei n.” (REsp n. DENUNCIAÇÃO DA LIDE E CÓDIGO DO CONSUMIDOR À vista da combinação dos artigos 13 e 88 do Código de Defesa do Consumidor. 299. no que tange ao inciso I do artigo 70 do Código de Processo Civil. p.. 324 De acordo. 7. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. 3ª Turma do STJ. 10. Volume I. DENUNCIAÇÃO DA LIDE E PROCEDIMENTO SUMÁRIO À vista da combinação dos artigos 70 e 280. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. 252 e 253. e Alexandre Freitas Câmara. 2ª Seção do STJ. p.. 11. 659. p. inciso III. em ação própria. na melhor doutrina: Celso Agrícola Barbi. não há mais dúvida a respeito do tema. Ainda no mesmo sentido: REsp n. Com a vigente redação do art. SEGURADORA. 880. 111 . 2006.Para que possa exercitar o direito de ser indenizado. Diário da Justiça de 3 de agosto de 1992. 322 “. não há obrigatoriedade de o evicto promover a denunciação da lide em relação ao antigo alienante do imóvel na ação em que terceiro reivindica a coisa. Com efeito. n. restou superada a tese contrária à admissibilidade da denunciação da lide no procedimento sumário. 1998. pelos efeitos decorrentes da evicção. LEI N.830/DF. Em sentido contrário.444/2002.Em interpretação teleológica. CPC. A respeito da admissibilidade da ação autônoma de evicção no direito vigente: cf. 219). 498. Volume I. p. POSSIBILIDADE. RITO SUMÁRIO. Código de Processo Civil comentado. o alienante da coisa evicta. 280. Diário da Justiça de 12 de março de 2007.Com a vigência da nova lei. 1999. 9. p.” (REsp n. que alterou a redação do art. no procedimento sumário. com a redação conferida pela Lei n. 3ª Turma do STJ. ambos do Código de Processo Civil vigente.308. 3ª Turma do STJ. INTERVENÇÃO DE TERCEIRO. 1. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL.552/SP. 280 do Código de Processo Civil. I . p.084/RJ. de 2002. já se mostrava admissível.” (EREsp n.698/DF. “Ação de indenização. não há lugar para denunciação da lide em processo instaurado por força de demanda de reparação de danos ao consumidor por produto defeituoso. Não obstante. na busca da mesma indenização que seria cabível mediante a denunciação da lide que não foi proposta. Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery. ação própria de evicção. artigo 199. 268). à vista do artigo 76 do Código de Processo Civil. a intervenção de terceiro fundada em contrato de seguro. 280 do Código de Processo Civil é cabível a denunciação da lide em procedimento sumário. Comentários ao Código de Processo Civil. Denunciação da lide. Em suma. Art. o adquirente evicto. Precedentes. AÇÃO INDENIZATÓRIA. No mesmo exemplo. 10. 209. não há igual vedação à denunciação da lide quando o processo versa sobre reparação de danos ao consumidor por defeitos relativos à prestação 320 321 Por exemplo. ART. Segundo o entendimento jurisprudencial predominante322. nada impede a propositura de demanda autônoma323. 10. II .

p. por conseguinte. 14. p. 2007. 2001. Não surge. . p. vol.. porquanto a litisdenunciação diz respeito a direito de regresso proveniente de condenação do denunciante.de serviços. Pressupõe. Ainda em sentido conforme. DENUNCIAÇÃO DA LIDE E PROCESSO CAUTELAR Não é admissível denunciação da lide em processo cautelar. 327 De acordo. o qual é indispensável para a admissibilidade da denunciação e da condenação regressiva. do CDC). conforme ressalta da interpretação sistemática dos arts. 11. refere-se apenas às hipóteses de defeitos em produtos comercializados com consumidores. Celso Agrícola Barbi.” (Direito Aplicado I: acórdãos e votos. mas prática de atos materiais tendentes à satisfação do credor. em processo de execução não há julgamento da lide. que sem ele não tem utilidade alguma (cf. Denunciação da lide. como a execução parte da existência de título executivo judicial ou extrajudicial. 10. 112 .Na hipótese de defeito na prestação de serviços (art. 741. p. na doutrina: “A denunciação da lide serve para que uma das partes possa exercer contra terceiro o seu direito de regresso. na busca da concretização do direito material proveniente do título executivo. 2ª Turma do STJ. a possibilidade de haver condenação. na mesma sentença. há preciso acórdão da relatoria do eminente Desembargador e Professor JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA: “É incabível a denunciação da lide em processo de execução.235/SC. 691.. 326 No mesmo sentido. também com fundamento na lição do saudoso Professor CELSO AGRÍCOLA BARBI: REsp n. Novo curso de direito processual civil. nem. 35 e 36). Possibilidade de litisdenunciação. Quanto ao 325 De acordo. Comentários ao Código de Processo Civil.” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. 3ª Turma do STJ. 88 do CDC. ocasião para que o Juízo profira sentença equiparável àquela por que normalmente se encerra o processo de conhecimento. t. o que a afasta do âmbito dos processos de execução e cautelar. Volume I. 1977. Com efeito. 2ª ed.898/RS.” (REsp n. p. Recurso especial a que se dá provimento. tendo em vista a inexistência de julgamento condenatório originário. na jurisprudência: “Processo civil. Só há denunciação da lide em processo de conhecimento. Ação em que se discute defeito na prestação de serviços a consumidor. 354). OPORTUNIDADE PARA A DENUNCIAÇÃO PELO AUTOR À luz do artigo 71 do Código de Processo Civil. Rio. 305). portanto. a denunciação pode ser requerida tanto pelo autor quanto pelo réu da demanda originária. tal restrição não se aplica. Precedente. II. 190). de duas lides: a originária e a referente ao direito regressivo do denunciante contra o denunciado. Diário da Justiça de 1º de agosto de 2007. 9. a inclusão de nova demanda condenatória é incompatível com o escopo satisfativo que marca a execução. I. a denunciação da lide. razão pela qual a denunciação da lide só tem lugar em processo de conhecimento327. 70 a 76 do Código de Processo Civil.A restrição à denunciação da lide imposta pelo art. Daí não ser possível qualquer exame de direito regressivo. Diário da Justiça de 20 de novembro de 2006. porquanto a vedação inserta no artigo 88 não diz respeito ao artigo 14 do Código do Consumidor325. Essa modalidade de chamamento de terceiro a Juízo só se justifica pelo ensejo que abre de julgamento conjunto. . 4ª ed. Ora. 13 do CDC. portanto. 435. Daí a explicação para a inadmissibilidade da denunciação da lide em sede de execução326. de que trata o art. DENUNCIAÇÃO DA LIDE E EXECUÇÃO Não há lugar para denunciação da lide em sede de execução.

a denunciação da lide deve ser veiculada “no prazo para contestar”. se eventualmente perder a demanda principal (declarado que não é proprietário do imóvel). entretanto. registrado em seu nome no Cartório de Registro de Imóveis. 191 e 192). 329 Cf. “Outro exemplo ajudará a ilustrar melhor essa hipótese de denunciação da lide. quando o denunciado reside na mesma comarca. 4ª ed. Suponha-se que A aliene a B um imóvel. porquanto busca a imediata condenação do denunciado. 11. comentário 3). p. No procedimento ordinário. e em trinta dias. Volume I. 113 . B ajuíza em face de C ação reivindicatória. No intuito de obter a desocupação. § 1º. e a outra contra o denunciado. É o que ocorrerá. ao fazê-lo. o réu tem o prazo de quinze dias da citação do réu (artigo 297 do Código de Processo Civil). Código de Processo Civil comentado. proêmio. A citação deve ocorre dentro de dez dias. ao tentar ingressar no imóvel. o processo volta a correr apenas em relação ao 328 “Exemplo: ao mover ação reivindicatória. 13. incisos I e II). Para exercer os direitos de regresso que advieram dessa posição. o réu pode veicular a denunciação da lide em petição inicial avulsa ou no bojo da contestação329. do Código de Processo Civil). p. se o terceiro provar que tem a coisa consigo por tempo suficiente para consumar a usucapião. para a eventualidade de improcedência do pedido formulado na primeira demanda328. artigo 71. para a eventualidade da prévia condenação do denunciante. a denunciação deve ser veiculada na audiência regulada pelos artigos 277 e 278 do Código de Processo Civil. No procedimento sumário. No entanto. quando o denunciado reside em outra comarca (artigo 72. demanda secundária incidental condenatória. 4ª ed. SUSPENSÃO PARCIAL DO PROCESSO PARA A CITAÇÃO DO DENUNCIADO Deferida a citação do denunciado. quando propõe duas demandas. possa o alienante-denunciado indenizá-lo pela evicção. o autor denuncia a lide ao alienante para que. Novo curso de direito processual civil. OPORTUNIDADE PARA A DENUNCIAÇÃO PELO RÉU Quanto ao réu. uma contra o primeiro réu. CITAÇÃO DO DENUNCIADO Diante da natureza jurídica da denunciação da lide. deve efetuar a denunciação da lide já na mesma petição inicial (cf. 197 (“A denunciação deve ser requerida pelo réu no prazo para contestar. 2007. mas. MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES.” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES.autor.. 12.” (NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY. o que fará com que ele fique sem a posse da coisa adquirida (evicção). Segundo entendimento predominante na doutrina. descobre que ele já está ocupado pelo terceiro C. 1999. 2007. o processo fica suspenso em relação aos demais atos (artigo 72). o autor poderá requerer a denunciação da lide ao alienante. por exemplo.”). tal como consta do artigo 71 do Código de Processo Civil. Decorrido in albis o prazo legal previsto para a espécie. no mesmo processo. teme que o pedido seja julgado improcedente. O adquirente recebe a escritura e a leva a registro.. há verdadeira “citação” do denunciado. 4ª ed. Novo curso de direito processual civil. Volume I. Pode ser feita no bojo da contestação ou em peça autônoma..

267. 3ª Turma do STJ. O indeferimento isolado da denunciação da lide ocasiona a prolação de simples decisão 330 Assim. Código de Processo Civil comentado. INSTADA A SE MANIFESTAR SOBRE TAL. DO CPC. Havendo denunciação da lide. nota 1: “Deixando de julgar a denunciação. 4ª ed. n. é nula. sem a consideração da denunciação. 2ª ed. 1999.” (trecho extraído da fundamentação do voto condutor proferido pelo Relator. 3ª Turma do STJ. na doutrina: NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY. na doutrina: “A única solução compatível com a nova sistemática será considerar como inexistente a denunciação. 334 De acordo. Diário da Justiça de 23 de março de 1998. se não completada com a citação do denunciado. 1998.DENUNCIAÇÃO DA LIDE CITAÇÃO DE LITISDENUNCIAÇÃO NÃO PROCEDIDA . À luz da combinação dos artigos 162. salvo se a citação do denunciado não foi feita por inoperância da máquina judiciária332. SE A DEMORA DA CITAÇÃO DO DENUNCIADO DECORRE DE DEFICIENCIAS DO PROPRIO SERVIÇO JUDICIARIO. 332 De acordo. a sentença que apenas resolver a ação principal é nula”. 35 e 36). Comentários ao Código de Processo Civil.” (REsp n. o juiz deve decidir.467.572/SP. em seguida. SEM QUE TENHA HAVIDO CULPA OU DOLO DO DENUNCIANTE. 71. JULGAMENTO CONJUNTO À vista do artigo 76 do Código de Processo Civil. 415. § 2º. tendo em vista o resultado daquela (demanda originária)333. de duas lides: a originária e a referente ao direito regressivo do denunciante contra o denunciado. Não obstante. SE A CITAÇÃO DO LITISDENUNCIADO NÃO FOR PROCEDIDA NO PRAZO LEGAL.392/MT. 258).NOS TERMOS DO ART. as demandas originária e secundária devem ser julgadas na mesma sentença. em prol do autor.” (REsp n. p.. 313). 843. 72. a qual é tida por inexistente331. 331 Assim.. todos do Código de Processo Civil. A sentença que decide apenas a ação principal. 72. em prol do denunciante.. Por conseguinte. NÃO SE PODE APONTAR NENHUMA CONTRARIEDADE AO ART. p. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. omitindo-se quanto à ação secundária de denunciação da lide. PRAZO PARA CITAÇÃO. a sentença pode impor duas condenações: uma contra o réu originário. DO CPC.176/RJ. 333 “Essa modalidade de chamamento de terceiro a Juízo só se justifica pelo ensejo que abre de julgamento conjunto. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. DENUNCIAÇÃO DA LIDE.denunciante (artigo 72. e 513. p. Na verdade. 2001. 135). Também em sentido conforme. I . o litígio entre autor e réu e aquele entre denunciante e denunciado. § 2º)330. p. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL . p. o artigo 76 também deve ser considerado para o desate da vexata quaestio. QUEDOU-SE INERTE A DENUNCIANTE. 14. 4ª Turma do STJ. Recurso especial conhecido e provido. na mesma sentença. § 2º. Resta saber se também cabe apelação quando juiz indefere a petição inicial da denunciação da lide. 9. 10ª ed.” (CELSO AGRÍCOLA BARBI. no julgamento da Apelação n. na qual o juiz deve resolver a demanda originária e. A AÇÃO PROSSEGUIRÁ UNICAMENTE EM RELAÇÃO AO DENUNCIANTE. só há sentença quando o juiz julga a denunciação da lide em conjunto com a demanda originária. p. 114 . contraria a regra inserta no artigo 76 do Código de Processo Civil334. Diário da Justiça de 23 de outubro de 2006. na mesma sentença. O julgamento apenas da demanda originária.” (REsp n.AÇÃO ORDINÁRIA . Diário da Justiça de 16 de março de 1998. a denunciação da lide. COMO NO CASO. Volume I. e a outra contra o denunciado. sem o imediato julgamento da denunciação lide. cujo acórdão consta da obra Direito Aplicado I: acórdãos e votos. Desembargador JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA. inciso I. MORMENTE QUANDO.PROSSEGUIMENTO DA AÇÃO. 96). 141. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. poder-se-ia imaginar o igual cabimento do recurso de apelação. 509.

115 . 4ª ed. p. Indeferimento. 3ª Turma do STJ. cabe o agravo de instrumento e não a apelação. na jurisprudência: “Denunciação da lide. 2007.” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. 188).interlocutória agravável por instrumento335. Diário da Justiça de 1º de junho de 1998). embora ela tenha a natureza de nova ação. e a sentença é apenas o ato que põe fim a este. o recurso cabível será o de agravo de instrumento. se houver o indeferimento de plano da denunciação. não forma um novo processo.149/RJ – AgRg. e não o de apelação. Volume I.” (AG n. na doutrina: “Por isso. Novo curso de direito processual civil.. em razão da subsistência da pendência da demanda originária. 159. De tal decisão. 335 No mesmo sentido. Também em sentido conforme. pois.

TOMO II PROCEDIMENTO ORDINÁRIO E PROCEDIMENTO SUMÁRIO 116 .

o artigo 1.129 autoriza a iniciativa do juiz em relação ao processo de abertura de testamento. todos do Código de Processo Civil. de 2005. à vista dos artigos 251. consagram o princípio da demanda. À vista do artigo 263 do Código de Processo Civil. o artigo 1. nos foros do interior com juízo único e nos demais foros com apenas um juízo especializado em razão da 336 Autorizada doutrina também indica o artigo 73 da Lei n.1. Na mesma esteira. 1.142 também confere ao juiz a iniciativa para o processo de herança jacente. o princípio da demanda não é absoluto no direito brasileiro. DA SUSPENSÃO E DA EXTINÇÃO DO PROCESSO 1. quando há apenas um juízo competente. em razão da existência de muitos preceitos legais que autorizam o juiz a instaurar o processo de ofício. O artigo 1. Formação do processo 1. independentemente da iniciativa dos jurisdicionados. considera-se proposta a demanda no momento em que a petição inicial é despachada pelo juiz.101. Propositura da demanda A demanda é o ato solene pelo qual o jurisdicionado requer a prestação da jurisdição. porquanto o juiz não age de ofício: nemo iudex sine actore. há várias exceções. Na verdade. quando pleiteou a recuperação judicial. 11. proêmio. 252 e 263. a conversão do processo de recuperação empresarial em falência não pode ser considerada exceção ao princípio da demanda. A propositura da demanda ocorre por meio da petição inicial. Por fim. ambos do Código de Processo Civil. a propositura da demanda se dá com a distribuição da petição inicial. como exemplo. Em contraposição. 117 .DA FORMAÇÃO.2. ne procedat iudex ex officio. Por exemplo. Com efeito. o artigo 989 do Código de Processo Civil dispõe sobre a iniciativa oficial para a instauração do processo de inventário. a aplicação do direito objetivo à espécie pelo Estado-juiz. o momento da propositura da demanda depende da existência ou da inexistência de mais de um juízo competente no foro. Princípio da demanda ou princípio da inércia Os artigos 2º e 262. porquanto o Poder Judiciário foi acionado pelo jurisdicionado. Quando há mais de um juízo competente. Não obstante. mediante a qual o jurisdicionado dá o necessário impulso para a formação do processo. Não obstante.160 dispõe sobre a iniciativa oficial para o processo de arrecadação de bens de ausente336. isto é. isto é. segundo o qual a instauração do processo depende de iniciativa da parte.

porquanto envolve apenas o autor e o Estado-juiz. Tanto que. o impedimento à propositura de outra demanda idêntica.4.4. o impedimento proveniente da litispendência ocorre desde logo. à luz do artigo 267. todavia. Se a petição inicial. do Estado-juiz e também do réu.3. sob pena de indeferimento. inciso I. causa de pedir e o pedido de demanda anterior ainda em curso. 338 Vale dizer.matéria337. Não obstante. Efeitos da formação do processo A instauração do processo produz muitas consequências jurídicas. Litispendência A primeira consequência jurídica da formação do processo é a litispendência. com as mesmas partes. 1. contiver algum defeito sanável339. o Estado-juiz e também o réu. 339 Por exemplo.1. o qual. é ainda linear. isto é. com a simples propositura da demanda. considera-se proposta a demanda no momento em que há o despacho da petição inicial pelo juiz. já há processo. ou angular. com a extinção do processo. as quais variam conforme o processo seja linear. após a regular citação. os autos sobem conclusos ao juiz. A propositura da demanda implica formação do processo. o juiz determina a emenda em dez dias. o juiz determina a citação do réu. apenas entre o autor e o Estado-juiz. ex vi do artigo 284 do Código de Processo Civil. o indeferimento da petição inicial ocasiona a extinção do processo. ex vi do artigo 267. apta. 1. quando há apenas uma vara especializada de família ou uma vara especializada de falências. com a observância do artigo 285 do Código de Processo Civil. quando o processo passa a ser angular. Se a petição inicial estiver “em termos”338. 118 . 1. completo pelo envolvimento do autor. a petição inicial será indeferida liminarmente nas hipóteses arroladas no artigo 295 do Código de Processo Civil. do mesmo diploma. Controle da petição inicial Autuada a petição inicial. Como última opção. o processo só produz todos os efeitos legais com a regular citação do réu. petição inicial sem requerimento de produção de provas. tendo em vista o proêmio do artigo 337 Por exemplo. petição inicial sem valor da causa. inciso I. Quanto ao autor. Sem dúvida. entretanto. por envolver o autor. do Código de Processo Civil.

mas em conjunto com a lei material. 30.001273-7. REsp n. Diário da Justiça de 30 de junho de 2003. “II – A interrupção da prescrição pelo despacho ordenatório da citação retroage seus efeitos à data da propositura da ação.066.5. com igual retroação à data da propositura da demanda341. do CC.01. desde que o interessado a promova no prazo de 90 (noventa) dias (art.01. em ação cautelar. com o imediato impedimento à propositura de demandas idênticas. 471. na jurisprudência: “. Por fim. com retroação à data da propositura da ação. 341 De acordo. a citação impede a decadência.” (Apelação n. Ainda em relação ao último precedente. 340 Cf. no que tange ao réu. caput.4. mas pelo despacho que a ordena. 3ª Turma do STJ. para a posterior desistência de quase todas. “I – O despacho que ordena a citação do devedor. 2007. tendo em vista o disposto no artigo 219 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça eletrônico de 3 de setembro de 2009.135223-2. Interrupção da prescrição À vista da interpretação combinada do artigo 202. interrompe o prazo prescricional. que o comando da legislação adjetiva (art. 219.0183. já há litispendência para o autor. §§ 2º e 3º. sem o grifo no original). do CPC foi derrogado pelo art. inciso V.263 do Código de Processo Civil.Por força do art. § 3º. o efeito proveniente da litispendência só se dá a partir da citação. A interrupção da prescrição dar-se-á na data da propositura da ação (artigo 202 do Código Civil). p.05. desde a propositura da demanda340. 8ª Câmara Cível do TJMG. Precedentes do c. na forma e prazo previstos na legislação processual”. 1. do Código Civil de 2002. do CPC). 243). colhe-se do voto proferido pelo Desembargador-Relator: “Tenho. com o artigo 219. Embora o despacho judicial que ordena a citação seja o ato interruptivo da prescrição. art. pois. CPC)”. a citação válida tem o efeito de obstar a fluência do prazo decadencial. Diário da Justiça de 12 de novembro de 2008. 1. STJ. sem o grifo no original). inciso I.927/SP.” (REsp n. Impedimento da decadência Em virtude da combinação dos artigos 219 e 220 do Código de Processo Civil. com fundamento no artigo 267. Aliás.1. p.3. Ora. distribuída a primeira demanda de forma aleatória. I.” (Apelação n. 119 .2. 220 do CPC. CPC) não pode ser interpretado em isolado. o despacho do juiz que admite a petição inicial e ordena a citação do réu ocasiona a interrupção da prescrição. 1ª Turma Cível do TJDF. a sua eficácia fica condicionada à existência de citação. o preceito impede o vezo de alguns advogados que tentam burlar a distribuição aleatória mediante a propositura de várias demandas idênticas.4. do CC/02.” (Apelação n. 219. 2ª Turma do STJ. 55). 1. exceto aquela distribuída ao juízo preferido. Diário da Justiça eletrônico de 27 de fevereiro de 2009: “2. pelo despacho do juiz ordenando a citação. Esse efeito retroage à data de propositura da ação. 3.288/PR. 202. do Código de Processo Civil. 2ª Turma Cível do TJDF. cujos processos devem ser extintos sem resolução do mérito. p. “2. 2009. 219. 1. desde que o interessado promova o chamado no prazo legal (art. Diário da Justiça eletrônico de 24 de agosto de 2009. 219. de modo que a prescrição não se interrompe pela citação. não podendo ser prejudicada a parte pela demora na citação imputável exclusivamente ao Judiciário. 202. de modo que atualmente o despacho judicial é o ato interruptivo da prescrição. caput e § 1º. inc. I.100061-4/001. O art. do Código de Processo Civil.

Na verdade. a competência deve ser fixada no juízo da primeira citação. No entanto.. 593. 598 e 617. 120 . 106). se correm na mesma comarca. art. Litigiosidade da coisa e fraude à execução Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. são inúmeras as decisões do Superior Tribunal de Justiça que atribuem à citação válida o momento inicial a partir do qual ficará caracterizada a alienação em fraude à execução. 4ª Turma do STJ.4. razão pela qual a prevenção se dá em favor do juízo no qual a citação ocorreu em primeiro lugar343.” (REsp n. aplica-se o art. competente é o juiz que despachar em primeiro lugar (art. 345 De acordo. todos do Código de Processo Civil345. nas condições do art.5. p. tratando-se de competência territorial diversa. 593. a alienação de bens pelo devedor.4. 593. entretanto. incide o artigo 219 do Código de Processo Civil. 1. 264. incide o artigo 106 do Código de Processo Civil. 478). 593. E essa sempre nos pareceu a melhor interpretação. Diário da Justiça de 20 de agosto de 2001. tendo em vista a interpretação sistemática dos artigos 219. Precedentes. CPC. 5ª ed. Da associação desse dispositivo com o art. p. Em votação unânime.” (REsp n. Sob o enfoque legal. Interpretação do art. como critério resultante da exegese pacífica dos artigos 106 e 219 do CPC. 4ª Turma do STJ. Alienação após a propositura da execução. a coisa só se torna litigiosa e a respectiva alienação só pode ser considerada em fraude à execução após a citação do demandado.Se as ações conexas tramitam em comarcas diferentes. fundadas em que só a partir de então é que o réu saberá da existência da lide pendente” (Marcus Vinicius Rios Gonçalves. Jurisprudência”.4. É certo que autorizada doutrina sustenta a respeitável tese de que a alienação após a propositura da demanda contra o alienante insolvente já caracteriza a fraude à execução344.507/MG. A citação do executado tem sido considerada indispensável para a caracterização da fraude de execução. na jurisprudência: “IV . 342 Assim. Volume I. como na espécie. Fraude à execução. Novo curso de direito processual civil. 1ª Seção do STJ. com a prevenção em favor do juízo no qual a petição inicial foi despachada em primeiro lugar342.” (CC n. estabelece que haverá fraude no caso de alienação de bens quando sobre eles pender ação fundada em direito real ou quando corria demanda capaz de reduzir o devedor à insolvência. seria feita em fraude à execução. Diário da Justiça de 3 de novembro de 2004. as demandas conexas têm lugar em juízos com competências territoriais distintas. desde o momento em que distribuída a ação. na jurisprudência: “FRAUDE DE EXECUÇÃO. resumido na seguinte ementa: “1. Falta de citação. p. que constitui a regra.959/DF.1. 302. Prescindível a citação precedente à alienação. 276). Entretanto. 219 do Código de Processo Civil. 344 “Grandes e profundas divergências doutrinárias e jurisprudenciais existiram a respeito do momento em que se deve considerar proposta a ação. p. na jurisprudência: “4. a 4ª Turma do STJ deu provimento ao recurso especial e reformou acórdão da 3ª Turma Cível do TJDF. seria possível concluir que. para fins de caracterização da alienação de bens em fraude à execução. Diário da Justiça de 10 de setembro de 2001. O CPC. o mero ajuizamento não é suficiente para que a coisa objeto da demanda se torne litigiosa e que a alienação da mesma implique fraude à execução. II. 343 Assim. 35. 396).668/SP. Se. 309. Caracteriza-se com a propositura do processo de execução e despacho do juiz deferindo a citação do executado antes da alienação do seu único bem. I e II. 121). Prevenção do juízo Na eventualidade de demandas conexas pendentes em juízos com a mesma competência territorial.

Mora do devedor No que tange às obrigações certas e líquidas. mas depende do consentimento do réu. artigo 43 do Código de Processo Civil. segunda parte. se dá com o saneamento proferido à vista do § 3º do artigo 331 do Código de Processo Civil.6. ex vi do artigo 397 do Código Civil. nas hipóteses previstas nos artigos 264 e 294 do Código de Processo Civil. Estabilização da demanda A estabilização da demanda é a impossibilidade de modificação do pedido e da causa de pedir. entretanto. o autor ainda pode modificar e aditar o pedido e a causa de pedir.6. todos do Código de Processo Civil. o pedido e a causa de pedir podem ser modificados depois da propositura da demanda. há lugar para a modificação tanto do pedido quanto da causa de pedir. cabe ao jurisdicionado provocar a instauração do processo. do Código de Processo Civil.5. Trata-se do princípio do impulso oficial. cabe ao juiz dar impulso de ofício. com a constituição da mora a partir da citação. Na verdade. o mero inadimplemento ocasiona a mora do devedor. a fim de que o processo tenha regular prosseguimento rumo à prolação da sentença que resolva o litígio. §§ 2º e 3º. 267. Em primeiro lugar. como no caso de falecimento de alguma das partes originárias346. razão pela qual incide o artigo 219 do Código de Processo Civil. nas apenas hipóteses legais. Impulso oficial Em virtude do princípio da demanda. Após a citação do réu. o autor tem total liberdade para modificar e até aditar tanto o pedido quanto a causa de pedir. ainda há lugar para a substituição das partes da demanda. Os artigos 13. nem mesmo com a anuência do réu. versam sobre hipóteses nas quais o juiz dá andamento ao processo independentemente de provocação das partes. já não é possível realizar modificação alguma no pedido e na causa de pedir. A estabilização da demanda.1. antes da prolação da decisão de saneamento. 1. Com efeito.4. enquanto o processo for linear. 1. 265. Instaurado o processo. Antes da estabilização. 121 . inciso II e § 1º. consagrado no artigo 262. 346 Cf. Já as obrigações incertas e ilíquidas dependem de processo cognitivo. entretanto. desde que o réu ainda não tenha sido citado. portanto. após o saneamento. Por fim.

Diário da Justiça de 29 de setembro de 2009). porquanto há a paralisação do processo por inteiro. constituído pelos artigos 265 e 266 do Código de Processo Civil. 265. por exemplo. até que se providencie a habilitação dos sucessores ou do espólio do de cujus. Eventuais atos procedimentais posteriores. 1.” (RMS n. a citação. SUSPENSÃO AUTOMÁTICA DA EXECUÇÃO. por exemplo. 2 Agravo a que se dá provimento.0701. 1. ambos do Código de Processo Civil. Suspensão do processo 2. como os previstos no inciso III do artigo 265 do Código de Processo Civil.264/RJ. REALIZAÇÃO DE ATOS NO PROCEDIMENTO EXECUTIVO. sob pena de serem declarados nulos. AUSÊNCIA. deve haver a suspensão do trâmite processual. resultante da morte do advogado (CPC arts 265/266). Embora a suspensão esteja inserta em capítulo específico. no todo ou em parte. 792 e 793 do mesmo Código. Suspensão do processo e atos urgentes Como já anotado no tópico anterior. Em caso de morte de uma das partes que compõe a lide. 1.02. 1ª Turma do STJ.055 do CPC. há outros preceitos que também versam sobre a suspensão do processo. A suspensão total é denominada “suspensão própria”. in fine. IMPOSSIBILIDADE. do CPC. ART. o arresto e o sequestro. consoante determina o art. é vedado ao Magistrado praticar atos que não sejam considerados urgentes.012001-4/001. I. p. devem ser declarados nulos. Daí as plenas existência. 265 I DO CPC.Declarada a suspensão da demanda executiva.2. os artigos 791. em razão de recebimento de embargos à execução. 2. 15ª Câmara Cível do TJMG. como. são nulos347 os demais atos praticados durante a suspensão do processo.005099-8/001. 29. FALECIMENTO DE UM DOS EMBARGANTES. Já a “suspensão imprópria” ocasiona a paralisação parcial do processo. A suspensão do processo deve permanecer. – São nulos os atos processuais praticados durante a suspensão do processo. EXECUÇÃO DE TÍTULO EXTRAJUDICIAL. ART. conforme art.055 DO CPC. DECISÃO SINGULAR MODIFICADA. Conceito de suspensão do processo A suspensão é a paralisação temporária do processo. 13ª Câmara Cível do TJMG. Diário da Justiça de 6 de setembro de 2007). Suspensão do processo e prazos processuais 347 “PROCESSUAL – MORTE DE ADVOGADO – SUSPENSÃO DO PROCESSO – NULIDADE. autorizados por força dos artigos 266 e 793. 122 . Diário da Justiça de 23 de junho de 1997. a suspensão não ocasiona a paralisação do processo de forma absoluta. EMBARGOS DO DEVEDOR OPOSTOS ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI N. “EMBARGOS À EXECUÇÃO. OBSERVÂNCIA.0079.º 11. como.382/06.3. ATOS POSTERIORES. 1. para o prévio julgamento de algum incidente processual. 1 . HABILITAÇÃO DOS SUCESSORES OU DO ESPÓLIO. “AGRAVO DE INSTRUMENTO. AGRAVO PROVIDO. Em contraposição. NECESSIDADE. 2. validade e eficácia dos atos urgentes praticados durante a suspensão do processo.01. SUSPENSÃO PROCESSUAL. NULIDADE.” (Apelação n.049).” (Apelação n. sem a devida habilitação.1.2. 8. para determinar a suspensão do andamento do procedimento executivo. ressalvados apenas os atos urgentes. tendo em vista a possibilidade da prática de atos processuais urgentes.

A despeito da regra da suspensão dos prazos durante a suspensão do processo. Nas hipóteses do artigo 507 do Código de Processo Civil. Com efeito.741/SC – AgRg. § 1º. e 1. sendo irrelevante a data da comunicação ao juízo.A morte do advogado da parte suspende o processo a partir do instante mesmo da ocorrência geradora da suspensão.052.À vista da combinação dos artigos 180 e 265. dos representantes legais ou dos advogados. Hipóteses de suspensão do processo As principais hipóteses de suspensão do processo estão arroladas no artigo 265 do Código de Processo Civil. há hipóteses excepcionais de interrupção dos prazos. as hipóteses previstas no artigo 265 não são taxativas. 2ª Turma do STJ. há a interrupção dos prazos recursais.723/SP. portanto. Não obstante. Tanto na hipótese de falecimento quanto na de perda da capacidade processual. Suspensão por falecimento ou perda da capacidade processual O inciso I do artigo 265 do Código de Processo Civil dispõe sobre a suspensão do processo por motivo de falecimento ou perda da capacidade processual das partes. 123 .1. A regra. mas apenas a volta do curso do prazo pelo tempo remanescente. Precedentes da 3ª. incisos I e III. Diário da Justiça eletrônico de 15 de maio de 2009). é imediata a suspensão do processo. 2. a partir do dia da suspensão.” (REsp n. Suspensão. 3ª e 4ª Turmas. além das hipóteses arroladas no artigo 265. Necessidade de comunicação ao juízo. Seção. 2.” (REsp n. 861. 791. 348 De acordo. todos do Código de Processo Civil. a partir do falecimento ou da perda da capacidade processual das partes. a morte da parte ou de seu representante processual provocam a suspensão do processo desde o evento fatídico. Agravo no recurso Especial. Ausência. comunicado. na jurisprudência: “Processo Civil. é a declaração judicial da suspensão com efeito retroativo. 394. nem sempre a suspensão do processo ocasiona a suspensão dos prazos processuais. 3ª Turma do STJ. porquanto o inciso VI revela a existência de outros casos de suspensão do processo regulados pelo Código. Diário da Justiça eletrônico de 5 de março de 2009). vale dizer. o fato ao juiz. 893. 739-A. conforme o caso348. Morte do procurador. ambos do Código de Processo Civil. de representante legal ou do procurador constituído nos autos. desde o momento em que se dá o falecimento ou a perda da capacidade processual. ou não. “3. também há suspensão do processo nos casos dos artigos 60. Para o Superior Tribunal de Justiça. em consequência da suspensão do processo por motivo de força maior ou em razão do falecimento de parte. ex tunc. não há o reinício integral dos prazos após o término da suspensão do processo. os prazos processuais também ficam suspensos durante a suspensão do processo.4. Com efeito. incisos I e III. dos representantes legais ou dos respectivos procuradores. 72. .4. Por conseguinte. 64.

também há a suspensão do processo.. doutrina e jurisprudência sustentam que não há necessidade de suspensão do processo. com a suspensão do processo para a habilitação dos sucessores e a consequente substituição do falecido pelos respectivos sucessores. Validade. inciso II. como está claro no seu início. independentemente do falecimento do advogado substabelecente349. 6ª Câmara Cível do TJMG. n. é cediço o entendimento de que o falecimento do advogado substabelecente não acarreta a cessação dos efeitos do substabelecimento.Não obstante. 1998. já é possível examinar as peculiaridades de cada hipótese inserta no preceito. “O art.6ª edição. Resta saber se o falecimento do advogado substabelecente também ocasiona a suspensão do processo.055 a 1.0000. 82. 1.” (Celso Agrícola Barbi. O falecimento do advogado substabelecente não acarreta a cessação dos efeitos do substabelecimento. a “capacidade processual” é a capacidade de estar em juízo. No que tange ao falecimento de alguma das partes. não se confunde com a capacidade de ser parte: uma pessoa capaz de ser parte não tem. vale dizer. também denominada legitimação para o processo. Comentários ao Código de Processo Civil. 133. como. 286”. 1.062. mas para que sejam tomadas as providências previstas no § 2º do artigo 265 do Código de Processo Civil. Colhe-se do voto condutor proferido pelo Desembargador-Relator: “Do mesmo modo. A capacidade de estar em juízo. todos do Código de Processo Civil. do Código Civil. substabelecimento. em virtude da capacidade civil plena350. e n. voltam-se os olhos para a segunda parte do inciso I do artigo 265 do Código de Processo Civil. Estudada a suspensão proveniente do falecimento. ou ‘legitimatio ad processam’. porque é pessoa natural. 10ª ed. Execução instaurada pelo substabelecido. a legitimação para o processo: legitimatio ad processum. 88.Direito das Obrigações . que pode ser parte. 8 e 9.00. tendo em vista as exceções previstas no § 1º do artigo 265 do Código de Processo Civil: se o falecimento ou a perda da capacidade processual de alguma das partes ocorrer após o início da audiência de instrução e julgamento. e o juiz suspenderá o processo a partir da publicação da sentença. 350 Assim. falecimento do advogado substabelecente. p. ao fundamento de que o substabelecimento subsiste por si só. 349 Cf. na doutrina: “b) a capacidade de estar em juízo. 124 . capacidade de estar em juízo. Estudados os aspectos gerais do inciso I do artigo 265. Agravo. AGI n. Volume I. é o que se dá com o menor. ou legitimatio ad processum. A despeito do disposto no artigo 682. o advogado constituído continuará no processo até o encerramento da audiência. mas não tem capacidade de estar em juízo. com propriedade. em seu ‘Curso de Direito Civil’ . p. Sob outro prisma. Trata-se de pressuposto processual indispensável para a prática de atos válidos em juízo. No caso de falecimento do único advogado de alguma das partes. Só quem tem essa capacidade é que pode praticar atos válidos no processo.258180-9/000. conjugando-se com a disposição dos arts. Mandado Judicial. razão pela qual o advogado substabelecido pode dar seguimento ao processo. Diário da Justiça de 18 de fevereiro de 2003: “Processual. a regra da suspensão imediata não é absoluta. razão pela qual deve ser considerada válida a execução instaurada pelo substabelecido”. p. incidem os artigos 43. 12. destina-se a completar a regulamentação da capacidade de estar em juízo. às vezes. que é o poder de realizar atos processuais com efeitos jurídicos.”. 109). leciona Washington de Barros Monteiro.

por força da lei civil. ou legitimatio ad processum. os menores. excluídos. porque é pessoa natural. p. pressupões a capacidade de direito. razão pela qual a incapacidade pode ser suscitada na pendência do processo e até ressuscitada em posterior ação rescisória. Por ser pressuposto processual. 133. Reconhecida a incapacidade processual na pendência do processo. àquela distinção feita na ordem civil. 353 Ainda a respeito do tema. n. Curso de direito processual civil. Necessitam. p. diferem a capacidade de ter direitos e a capacidade de exercê-los. o juiz deve suspender o mesmo e marcar prazo para a respectiva sanação355. p. com os artigos 3º.. 89. mas não têm capacidade processual.Com efeito. mas não pode exercê-los pessoalmente. p. Comentários ao Código de Processo Civil. p. respectivamente. não é possível ter capacidade processual sem ter capacidade de ser parte. o menor pode ter direitos. capacidade de estar em juízo. os menores podem ser partes. a recíproca. Comentários ao Código de Processo Civil. só é atribuída aos que estiverem no exercício dos seus direitos. Só quem tem essa capacidade é que pode praticar atos válidos no processo. a incapacidade processual ocasiona a suspensão do processo. para que possam praticar atos válidos em juízo354. É possível ter capacidade de ser parte e não ter capacidade processual. 2ª ed. espólio etc. em que se distingue a capacidade de ser parte e a capacidade de estar em juízo. além de outras figuras a que a lei atribui essa capacidade.: “A capacidade processual pressupõe a capacidade de ser parte. 9ª ed. 109). não é verdadeira.” (Curso sistematizado de direito processual civil.. 9ª ed. O mesmo princípio se aplica no direito processual. também chamada legitimidade. Em outros termos. ao regime da capacidade de direito (ou de gozo) e ao da capacidade de exercício (ou de fato) do direito civil. A capacidade processual depende da capacidade de ser parte352. Assim. ou legitimação para o processo. tendo em 351 De acordo. Daí a distinção entre a capacidade de ser parte e a capacidade processual351. 2008. que.” (Celso Agrícola Barbi. sexo. não se confunde com a capacidade de ser parte: uma pessoa capaz de ser parte não tem..” (Curso de direito processual civil. Volume I. 352 A propósito. de assistência ou de representação. 10ª ed. que correspondem. Comentários ao Código de Processo Civil. aquele que pode. 13 do CPC. na doutrina: “Na órbita civil. Mas a capacidade de estar em juízo. 83.. estado civil. na doutrina: Celso Agrícola Barbi.. ser sujeito de direitos (centro de direitos e deveres) tem capacidade de ser parte. Com efeito. 10ª ed. Nestas condições. porquanto não têm capacidade civil plena. Com efeito. Aliás. não importando a idade. às vezes. 118 e 119. n. por exemplo. a eventual incapacidade processual deve ser conhecida de ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição. 151. n. aproximadamente. 2008. por seu turno.. que pode ser parte. ou ‘legitimatio ad processum’. 8º e 12 do Código de Processo Civil. com exemplos relativos ao Código Civil de 1916. 1998.” (Fredie Didier Jr. a eventual incapacidade processual deve ser conhecida de ofício pelo juiz. 214). na doutrina: “A capacidade de estar em juízo. Volume I. mas não tem capacidade de estar em juízo. por consequência. na forma do art. 214). porém. estado mental. Assim. nacionalidade. assim. os loucos.. a capacidade para estar em juízo pressupõe a capacidade de exercício do direito civil.g. porquanto a última edição escrita e atualizada pelo próprio autor é anterior ao Código Civil de 2002). Volume I. 2008. conforme o caso. mas também da capacidade civil plena353. nem toda pessoa que pode ser parte pode praticar atos válidos em processo judicial. 355 Em sentido conforme. Trata-se de pressuposto processual de validade do processo. também merece ser prestigiado ensinamento do Professor Cássio Scarpinella Bueno: “O regime da capacidade de ser parte e a capacidade para estar em juízo correspondem. Aquele que tem capacidade de exercício destes mesmos direitos no plano material tem capacidade de estar em juízo. p. 354 De acordo. os silvícolas etc. Volume I. 10ª ed. à vista da combinação dos artigos 7º. bem como as pessoas jurídicas. regra geral.” (Celso Agrícola Barbi. Volume I. 125 . Assim é que. “A capacidade processual é requisito de validade dos atos processuais e a sua falta é sempre sanável. como o nascituro. merece ser prestigiada a lição do Professor Fredie Didier Jr. 1998. 411). é o que se dá com o menor. 4º e 5º do Código Civil. v. têm capacidade de ser parte toda pessoa natural. Volume I.

126 . o juiz deve dar seguimento ao processo. ambos do Código de Processo Civil. 5ª ed. caput. Se o autor não sanar a incapacidade processual durante o prazo de suspensão. tão logo decorrido o prazo de suspensão. na doutrina: “A lei preocupou-se aqui com a regularidade da capacidade de ser parte. com as consequências negativas previstas nos artigos 319 a 322 do Código de Processo Civil. se o terceiro não sanar a incapacidade processual. a mesma já consta do proêmio do inciso I. Novo curso de direito processual civil. como nas hipóteses dos artigos 28. 37 e 38. observado o disposto no artigo 265”. o preceito também alcança a perda da capacidade de ser parte e da capacidade postulatória356. Já se o réu não sanar a incapacidade processual. quando o autor incapaz é excluído do processo. já que cuida apenas da “perda da capacidade processual”. todos da Lei n. Volume I. deve ser prestigiada a interpretação extensiva. o inciso I não trata apenas da “perda da capacidade processual”. dar-se-á a substituição pelo seu espólio ou pelos seus sucessores. tudo nos termos do artigo 13 do Código de Processo Civil. inciso I e § 2º. ou seja. impedindo que o processo avance se uma delas estiver irregular. razão pela qual já há a suspensão do processo para a substituição prevista no artigo 43: “Ocorrendo a morte de qualquer das partes.906. 2008. com a exclusão do mesmo. 8. salvo se existir litisconsórcio. a fim de alcançar não só a capacidade processual.vista a combinação do artigo 13. Diante da superveniente incapacidade postulatória. 356 De acordo.. p. com o artigo 265. sem resolução do mérito. resta saber se o inciso I deve ser interpretado de forma literal. ambos do Código de Processo Civil. de 1994. o juiz também deve suspender o processo e abrir prazo para a sanação da incapacidade. mas também a capacidade de ser parte e até mesmo a capacidade postulatória. Daí a conclusão: ao contrário do que pode parecer à primeira vista. § 2º. à vista da interpretação teleológica do artigo 265.” (Marcus Vinicius Rios Gonçalves. sem prejuízo do prosseguimento do mesmo em relação aos demais litisconsortes. na verdade. quando o réu passa a ser considerado revel ex vi legis. 30. No que tange à capacidade de ser parte. do Código de Processo Civil. A despeito da literalidade do preceito. nos termos dos artigos 13 e 265. porquanto o falecido não tem capacidade de ser parte. o juiz deve dar seguimento ao processo. Já a capacidade postulatória – ou ius postulandi – é o pressuposto processual consubstanciado na possibilidade de postular em juízo. Estudada a capacidade processual. de patrocinar causa perante os órgãos do Poder Judiciário. inciso I. com a respectiva distinção da capacidade de ser parte. 279). com a capacidade processual e com a capacidade postulatória. o juiz deve extinguir o processo. Por fim.

de exceção de suspeição de juiz.” (REsp n. não se faculta suspender prazo recursal. o processo e os respectivos prazos só voltam a correr após as intimações dos advogados das partes acerca do término da suspensão360. reinicia-se o prazo para a contestação. Diário da Justiça eletrônico de 28 de agosto de 2008).A simples oposição de exceção. FLUÊNCIA DE PRAZO RECURSAL. combinado com o artigo 265. da relatoria do eminente Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira: “PROCESSO CIVIL. ou de exceção de impedimento de juiz.4. por força do artigo 180. para. p. porque o inciso II do artigo 265 não consta do artigo 180 do Código de Processo Civil. é ato processual apto para produzir a suspensão do processo. p.258/AM. não é admissível a suspensão do processo por convenção das partes na pendência de prazos peremptórios. 4ª Turma do STJ. de que trata o no Il. 3ª Turma do STJ. ambos do Código de Processo Civil. NULIDADE. na jurisprudência: “I – Julgada a exceção de incompetência. A duas. 358 De acordo. de desembargador ou de ministro. – Às partes.414/PB. até mesmo os prazos peremptórios – como o prazo contestar e o prazo para recorrer – são suspensos por força de exceção ritual359. 127 . 360 Assim. há acórdão muito bem fundamentado. na jurisprudência. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. PRECEDENTES. inciso III. 359 Cf. 2. nunca poderá exceder 6 (seis) meses. CPC. 182 E 265. Por fim. como o prazo recursal357. 4ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 26 de abril de 1993.2.3. o escrivão fará os autos conclusos ao juiz. não pode exceder seis meses. Aliás. DOUTRINA. 7. Apresentada a exceção. 26.364). 316. SUSPENSÃO/INTERRUPÇÃO. RECURSO DESACOLHIDO. Suspensão por convenção das partes O inciso II do artigo 265 versa sobre a suspensão do processo em virtude de convenção das partes. . SUSPENSÃO IMEDIATA DO PROCESSO. por convenção.” (REsp n. 180. com a igual suspensão dos eventuais prazos processuais pendentes.4. haja vista que peremptório. in fine. através de seu advogado. Por fim. de desembargador ou de ministro. com a 357 Assim. ARTS.” (REsp n. inciso III. até mesmo quando as partes estão de acordo. artigos 180. 73. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO. de turma. Diário da Justiça de 5 de agosto de 1996. independente de seu recebimento pelo juiz. ATOS PROCESSUAIS PRATICADOS NO PROCESSO PRINCIPAL.212). que ordenará o prosseguimento do processo”.2. Quanto ao prazo da suspensão fundada no inciso II. e 265. findo o prazo. seja intimada para a prática do ato no prazo restante. porque o proêmio do artigo 182 impede tanto a redução quanto a prorrogação de prazos peremptórios. tendo em vista o disposto no § 3º do artigo 265: “§ 3o A suspensão do processo por convenção das partes. CONVENÇÃO DAS PARTES.864/SP. II. 10. a tentativa de transação. por exemplo. de câmara ou de tribunal. A uma. há a imediata suspensão do processo. ambos do Código de Processo Civil358. Suspensão por exceções rituais O inciso III do artigo 265 do Código de Processo Civil revela que também há suspensão do processo em razão do oferecimento de exceção de incompetência relativa do juízo. sendo necessário que a parte. in fine.

Há relação de prejudicialidade entre as ações de busca e apreensão e revisional relativas ao mesmo contrato de alienação fiduciária. os herdeiros do impugnante têm direito de prosseguir na ação”. AÇÃO ANULATÓRIA. AGRAVO DE INSTRUMENTO. Tendo em vista o efeito vinculante e a eficácia erga omnes das decisões proferidas nas ações de controle concentrado de constitucionalidade. 7. Pendência de ação declaratória de inexigibilidade parcial do título executivo (exclusão da correção monetária em mútuo rural) e de embargos do devedor incidentais ao processo de execução do mesmo título. SUSPENSÃO DO PROCESSO.540). 1. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA X AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO. não se conta o dia da prática do ato acarretante da suspensão.” (REsp n. SUSPENSÃO DO PROCESSO. Diário da Justiça de 13 de maio de 1991.601. o Desembargador Barbosa Moreira: “SUSPENSÃO DO PROCESSO. Suspensão de processo. nos termos do art. 6. Imagine-se. 2ª Turma do STJ. para fins de restituição de prazo restante. Diário da Justiça de 2 de dezembro de 1991. até o julgamento da subordinante. IV.” (REsp n.” (AGI n. 3ª Turma do STJ. 265. DESPEJO. 361 De acordo. a coexistência de uma demanda de impugnação de paternidade363 e de outra demanda de petição de herança. artigo 1. Suspensão em razão de outro processo O inciso IV do artigo 265 versa sobre a suspensão do processo em razão de outro processo. cujo inadimplemento ensejou a mora. p.601 do Código Civil: “Art. 265. por exemplo. impõe-se a necessidade de suspensão do processo em que se discute a lei atingida pela decisão na ADIn. do CPC. 4ª Turma do STJ. PREJUDICIALIDADE HETEROGÊNEA. 6. À vista da alínea “a” do inciso IV.836/MG – AgRg. “AGRAVO REGIMENTAL. entre ambas as demandas. RECURSO ESPECIAL.4. há a suspensão quando a resolução do mérito da causa depender do julgamento de outro processo.4. sendo tal ação imprescritível. cabe-lhe dirimir a controvérsia a respeito. PROCESSUAL. Se a causa de pedir na reclamatória trabalhista é a existência de vínculo de emprego.774/PR. Tudo aconselha a suspensão do processo de petição de herança. IV. 363 Cf. 1.” (AGI n. DO CPC – SUSPENSÃO DO PROCESSO – PRECEDENTES.038/SP. Não tendo sido reunidos os processos em tempo hábil. CPC). Diário da Justiça de 9 de novembro de 1992. Diário da Justiça eletrônico de 12 de maio de 2009). julgamento em 7 de maio de 1991). Configurada a relação de prejudicialidade entre duas causas pendentes em juízos diversos. Diário da Justiça eletrônico de 8 de setembro de 2008). na hipótese em que as obrigações contratuais.” (REsp n. 5ª Câmara Cível do TJRJ. Contestada a filiação. POSSIBILIDADE. estejam em discussão em demanda revisional anteriormente ajuizada. 17. ‘a’. e na ação de consignação em pagamento essa causa é a inexistência do vínculo de emprego. SUSPENSÃO.exclusão do dia do oferecimento da exceção. impõe-se no caso concreto a aplicação do disposto no artigo 265.365).005. 3ª Turma do STJ. 2. p. É de ser suspenso o processo de despejo enquanto não definida ação anulatória da venda do imóvel locado e sua adjudicação ao locatário (art. IV. suspendendo-se o processo da 128 . 923. há relação de prejudicialidade. reservada constitucionalmente à Justiça do Trabalho a competência para decidir a respeito do vínculo de emprego. da contagem do prazo remanescente361. impõe-se a suspensão. 364 Outros exemplos. e estando a ação declaratória pendente de julgamento no segundo grau de jurisdição. com competências distintas. do processo da ação logicamente subordinada. AÇÃO DE BUSCA E APREENSÃO. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. Cabe ao marido o direito de contestar a paternidade dos filhos nascidos de sua mulher. de natureza heterogênea.002.083). 3ª Turma do STJ. com a suspensão da ação incidental de embargos do devedor.” (REsp n. por força da relação de prejudicialidade entre ambos362. IV. ‘a’.01047. mantido seu efeito suspensivo da execução. 20. p. o que justifica a suspensão da ação de busca e apreensão. “PROCESSO DE EXECUÇÃO.189-3/PR – ART. vale conferir a ementa de acórdão da relatoria de emérito processualista. 1. na jurisprudência: “CIVIL. RESTITUIÇÃO DO PRAZO RESTANTE. 362 A propósito. Nas hipóteses de suspensão do processo. 1990. Parágrafo único. por prazo não superior a um ano. 265. 15.734/MG. “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO – ESTADO DO PARANÁ – CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS – INATIVOS – QUESTÃO PREJUDICIAL – ADIN 2. para que a demanda acerca da paternidade possa ser julgada em primeiro lugar364. CONFLITO DE COMPETÊNCIA. do Código de Processo Civil.818/PR. Procedimento aconselhável.

SUSPENSÃO DO PROCESSO. 129 . REGIME DE ICMS. 2. 1. artigos 1.814 e 1. Precedentes. Suspensão por motivo de força maior O inciso V do artigo 265 versa sobre a suspensão do processo por motivo de força maior. do CPC” (AGI n. IV.824 do Código Civil.” (REsp n. 149 da Súmula do Supremo Tribunal Federal autoriza o julgamento conjunto da investigação de paternidade com a petição de herança. pelo prazo de um ano. 265. e que é causa da suspensão do processo. “IV Demais disso.4. ‘a’). 88. à vista da contestação do réu. Diário da Justiça eletrônico de 10 de abril de 2008). A propósito: REsp nº 930. 2ª Seção do STJ.10624. de ações individuais visando a anular referido ato administrativo.” (REsp n. ação de consignação de pagamento até que isso ocorra (CPC. 2009.006. a suspensão fundada no inciso IV do artigo 265 não pode exceder um ano. 365 Cf. artigo 1. 366 Cf.TARE FIRMADO PELO GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL E CONTRIBUINTE.128/DF. ambos do Código de Processo Civil. TARE. 367 Por oportuno. Diário da Justiça eletrônico de 29 de abril de 2009). a fim de que seja julgada a questão de estado incidental no processo em que se pleiteia a herança. Tudo aconselha a suspensão do processo no qual se requer o reconhecimento da indignidade do herdeiro. PRAZO MÁXIMO DE UM ANO. 2. 1ª Turma do STJ. propõe posterior ação declaratória incidental de investigação de paternidade367.010/RJ. b e c do no IV. SUSPENSÃO DO PROCESSO. PRAZO MÁXIMO DE UM ANO. 2ª Câmara Cível do TJRJ). alínea "a". a coexistência de uma demanda de indignidade de herdeiro365 e de outra demanda de petição de herança366. é firme a jurisprudência deste Sodalício. “PROCESSUAL CIVIL. 265. ANULAÇÃO DE TERMO DE ACORDO DE REGIME ESPECIAL . ‘a’.” (REsp n.2007.620/RS – AgRg. Imagine-se. 1. quando suspenso o processo por força do disposto no inciso IV. O art.495/DF. por serem diversos a causa de pedir e o pedido.TARE.116/DF. art.” (CC n. não deixando brecha para qualquer exceção. 1. Diário da Justiça eletrônico de 26 de março de 2008). 368 Assim. Diário da Justiça eletrônico de 4 de março de 2009). relativamente à imprescindibilidade de observância do disposto no §5º do artigo 265 do Código de Processo Civil. o Desembargador Alexandre Freitas Câmara: “Direito processual civil. vale conferir a ementa de acórdão da relatoria de eminente processualista.Também há a suspensão quando a resolução do mérito da causa depender da verificação de determinado fato ou da produção de certa prova em outro processo. requerido como declaração incidente. AÇÃO CIVIL PÚBLICA. Já a alínea “c” estabelece que há suspensão quando a resolução do mérito da causa depender do julgamento de questão de estado.815 do Código Civil. 265. do CPC é expresso ao limitar o prazo de suspensão da ação a 1 (um) ano. IV. na jurisprudência: “AÇÃO CIVIL PÚBLICA. o juiz mandará prosseguir no processo”368. o enunciado n. com fundamento no artigo 325 do Código de Processo Civil. e 338.5. 977.002. 265. Por fim. Inexistência. alínea “b”. 911. consoante o disposto nos artigos 265. 2ª Turma do STJ. Primeira Turma. inciso IV.08. Por fim. em cujo processo o autor. Recurso especial provido. Aplicação do art. na forma do art. Findo este prazo. Conexão entre demanda de imissão de posse proposta na Justiça Estadual e demanda de usucapião proposta na Justiça Federal. in verbis: “§ 5o Nos casos enumerados nas letras a. Estando em curso no STF ação direta de inconstitucionalidade de preceito normativo que autoriza o Distrito Federal a celebrar com seus contribuintes Termo de Acordo de Regime Especial . 1ª Turma do STJ. § 5º. a e § 5º do CPC. por exemplo. é cabível a suspensão. DJ de 27. IV. o período de suspensão nunca poderá exceder 1 (um) ano. tendo em vista o disposto no § 5º. Prejudicialidade reconhecida.

1998. p. as tempestades que alagam o Ofício de Justiça. “PRAZO. se este adoece e fica impossibilitado. e 507 do CPC. 11. Recurso especial conhecido e provido. 130 . Por exemplo.c. 1. § 1º do CPC. tendo em vista a exceção prevista no artigo 507 do Código de Processo Civil. PARALISAÇÃO DOS ADVOGADOS PÚBLICOS FEDERAIS. na doutrina: “São exemplos de força maior os terremotos. Diário da Justiça de 23 de março de 1998). em razão de greve do funcionalismo. enfim. as enchentes. Inteligência do art. À vista do direito processual. Ainda em sentido conforme: “1) TEMPESTIVIDADE. § 1º. 533. 370 É a regra extraída do artigo 265. 4ª Turma do STJ. Comentários ao Código de Processo Civil. 1ª Turma do STJ. de preparar. Diante do evento de força maior. os sismos. 371 Se o prazo for recursal. do CPC. FORÇA MAIOR. as revoluções que conturbam a vida normal da Nação etc. V do CPC e do art. do Código de Processo Civil.618/SP.852/RJ — AgRg. no prazo. 369). principalmente quando ele for o único procurador constituído nos autos. na jurisprudência: “Há de se interpretar o art.. há do juiz relevar a intempestividade. SUSPENSÃO DOS PROCESSOS. tomo I. c. a declaração da suspensão do processo tem efeito ex tunc. 368 e 369. retroage até a data do acontecimento coletivo que impediu ou dificultou a prática de atos processuais.” (REsp n. PARALISAÇÃO DOS SERVIÇOS JUDICIAIS. os golpes de estado. Considera-se tempestivo o presente agravo regimental interposto por advogado que ficou impossibilitado de exercer suas atividades profissionais.” (Ag n. inciso V. por motivo de saúde. os prazos só voltam a correr pelo tempo restante370 ou têm reinício integral371 após as intimações dos advogados das partes.600/SC. na doutrina: Araken de Assis. JUSTA CAUSA. A recente greve dos advogados públicos federais coloca em risco a defesa do erário e. Diário da Justiça de 4 de junho de 2004. Pleno do STF. também denominada “justo impedimento”. na jurisprudência: “– A doença do advogado pode constituir justa causa para os efeitos do art. Aplicação do art. DOENÇA. e Barbosa Moreira.974). 413. 37. 265. e que a impediu de praticar o ato por si ou por mandatário”. Assim. p. o § 1º do artigo 183 do Código de Processo Civil fornece o conceito de justa causa: “Reputa-se justa causa o evento imprevisto. A propósito. A parada dos serviços judiciais. os terremotos. 7ª ed. p. QUESTÃO DE ORDEM. 372 De acordo. Em conseqüência. nos termos do artigo 507 do Código de Processo Civil. p. Diário da Justiça de 5 de setembro de 2005. A justa causa é o evento individual alheio à vontade da parte ou do seu advogado. revelando-se motivo de força maior suficiente para determinar-se a suspensão dos feitos que envolvem a União. p. 183. por exemplo. 369 De acordo. p. 265. 1999. as revoluções. suas autarquias e fundações. Volume V. § 1º. constitui obstáculo ao curso regular do prazo recursal. Na verdade.478/PR – QO. face ter sido internado em hospital.” (REsp n. 4ª Turma do STJ. do interesse público. no prazo recursal. 14. Curso de direito processual civil. ADVOGADO. na jurisprudência: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 30). 107). 3ª Turma do STJ. força maior não se confunde com justa causa. todo evento transindividual que impede ou dificulta a prática de atos processuais369. Volume V. há a interrupção dos prazos recursais. 183. Diário da Justiça de 13 de dezembro de 2004. Condições de admissibilidade. 105. 8. § 2º do RISTF. principalmente. 398). com a compreensão voltada para o laço de confiança firmado entre cliente e advogado.Força maior é o acontecimento coletivo alheio à vontade das partes como. Diário da Justiça de 14 de setembro de 1992. Não obstante. considerando a excepcionalidade da situação. p. Também no mesmo sentido. entretanto. as guerras. 183. nº V. peça recursal. Em ambas as hipóteses. 589.” (RE n. 1998. ou seja. as guerras. o processo deve ser suspenso.” (RMS n. e que impede a prática do ato processual372.348/MG – AgRg. A suspensão do processo por motivo de força maior também ocasiona a suspensão dos prazos processuais em geral.” (Pedro Barbosa Ribeiro e Paula Ribeiro Ferreira. os arts. alheio à vontade da parte.

Não obstante. Suspensão do processo. com destaque para a suspensão do processo em razão do recebimento de embargos à execução com efeito suspensivo. na jurisprudência: . cujo prazo correu in albis em razão do evento individual que impediu a prática do mesmo pela parte. reconhecido o justo impedimento. artigo 183. O julgamento antecipado da lide viola o disposto no art. 3ª Turma do STJ. 394 do Código de Processo Civil. A força maior é um acontecimento coletivo. para o juiz poder julgar ambas as demandas simultaneamente na mesma sentença. já a justa causa é um evento individual. Já o artigo 394 determina a suspensão do processo principal em razão da suscitação de incidente de falsidade374. permanecendo até o final da instrução. III e 793.293/DF. O mesmo não ocorre na justa causa. o artigo 60 autoriza a suspensão do processo quando a oposição tiver sido ajuizada depois de iniciada a audiência. 254). há a suspensão do processo se o juiz deferir a nomeação à autoria requerida pelo réu. 2.848/CE. a fim de que a parte possa praticar o ato processual não realizado em razão do justo impedimento373. Em suma. e 507 tratam da força maior. bem como para a suspensão do processo de execução por ausência de bens penhoráveis do executado375. 373 374 Cf. 166). a suspensão do processo se impõe. 3ª Turma do STJ. do Código de Processo Civil.4. Em primeiro lugar. do CPC). p. 94.” (REsp n. Inteligência dos arts. 4ª Turma do STJ. inciso V. força maior e justa causa são institutos jurídicos distintos. 285). 791. 154. O mesmo não ocorre quando há justa causa.Não encontrados bens do devedor. 327.” (REsp n. do justo impedimento. Na verdade. a justa causa não pode ser incluída no rol das hipóteses de suspensão do processo. para ouvir o autor no prazo de cinco dias. isto é. Diário da Justiça de 19 de novembro de 2001. na jurisprudência: “Processual Civil.Suscitado o incidente de falsidade. II . o magistrado afasta a preclusão temporal e concede prazo adicional para a prática do ato processual. não tem curso o prazo de prescrição. A força maior gera a interrupção do prazo recursal. há outros casos de suspensão do processo previstos no Código de Processo Civil. 375 De acordo. suspende-se a execução (art. Assim. de bens penhoráveis. com a concessão de prazo adicional fixado pelo magistrado. p. Os significados de força maior e de justa causa são extraídos da interpretação do Código de Processo Civil. Enquanto os artigos 265. pela inexistência.” (REsp n. em nome do devedor. p. Outros casos de suspensão do processo Como já anotado. I .6. a justa causa ocasiona o afastamento da preclusão temporal.Recurso especial conhecido e provido. Diário da Justiça de 7 de novembro de 2005. § 2º. os artigos 183 e 519 cuidam da justa causa. 791. Diário da Justiça de 29 de março de 1999. A força maior ocasiona a suspensão do processo. do Código de Processo Civil. “II Estando suspensa a execução a requerimento do credor. Também há suspensão do processo nas hipóteses arroladas no artigo 791. Segundo o artigo 64.782/PR. Incidente de falsidade. 131 . III.

porquanto o artigo 269 revela a existência de sentença que não é extintiva do processo. 3. salvo nos casos previstos no inciso V do artigo 267. o artigo 267 do Código de Processo Civil dispõe sobre as hipóteses nas quais são proferidas as sentenças extintivas do processo. conforme revelam os artigos 267. nem toda sentença ocasiona a extinção do processo. Conceito de extinção do processo A extinção é o encerramento do processo. o que permite a propositura de nova demanda. 3.1. ambos do Código de Processo Civil. todos do Código de Processo Civil. o artigo 1.052 determina a suspensão do processo originário até o julgamento dos embargos de terceiro relativos a todos os bens constritos no processo primitivo. Não obstante. e 295. a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação”. com fundamentação de cunho processual. o artigo 267 do Código de Processo Civil versa sobre as sentenças terminativas (também denominadas “sentenças processuais”). 794 e 795.2. 376 Mas há possibilidade de interposição de recursos processuais. com a reabertura do processo até então extinto. A extinção do processo se dá mediante sentença. mas apenas de uma fase processual. § 3º. Extinção do processo 3. 132 . 3. in fine. com fundamento nos artigos 267.1.Por fim. 267. quando o mesmo chega ao fim no primeiro grau de jurisdição376. sem resolução do mérito. Indeferimento da petição inicial Extingue-se o processo quando o juiz. enquanto o artigo 269 versa sobre as sentenças de mérito (também denominadas “sentenças definitivas”). Por consequência. inciso I. Diante da coexistência de sentenças extintivas e de sentenças que não ocasionam a extinção do processo no direito brasileiro. V. in limine litis. tendo em vista o disposto no proêmio do artigo 268 do Código de Processo Civil: “Salvo o disposto no art. não há formação de coisa julgada material. Sentenças terminativas ou processuais Como anotado no tópico anterior. indefere a petição inicial.2. tanto para rejulgamento em primeiro grau de jurisdição quanto para o julgamento em segundo grau de jurisdição. 475-M.

§ 5º. com fundamento processual. 14 do Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “Quando o juiz indefere a petição inicial. nada impede a posterior extinção do processo com fundamento na inépcia da petição inicial ou por qualquer outro fundamento arrolado no artigo 295 do mesmo diploma. ainda que a petição inicial tenha sido admitida pelo juiz na fase do artigo 285 do Código de Processo Civil. na primeira fase do processo. razão pela qual não há preclusão. 377 Por oportuno. mas. Resta saber se a admissão da petição inicial pelo juiz impede a posterior extinção do processo. só é possível falar que há indeferimento da petição inicial quando o juiz profere sentença in limine litis. há verdadeiro indeferimento da petição inicial. Na esteira do verbete n. à vista dos artigos 219. por motivo de decadência ou prescrição. o indeferimento da petição inicial ocasiona a prolação de sentença terminativa. A respeito da exceção. Em suma. incide o artigo 269. Bady Curi e Gudesteu Biber. Por oportuno. porquanto a petição inicial apta é pressuposto processual de validade do processo. Diário do Judiciário Minas Gerais. não há mais lugar para o indeferimento da petição inicial. vale evocar o verbete n. 220 e 295. em razão da inépcia da petição ou por outro fundamento arrolado no artigo 295 do Código de Processo Civil. vale conferir a composição da 1ª Câmara Cível em 1982: Juízes Márcio Sollero (presidente). Walter Veado. As proposições merecem ser prestigiadas. Em contraposição. inciso IV. parte 2. Ora. p. há encerramento do processo com julgamento do mérito”. inciso IV e § 3º. 1. houve a posterior aprovação da conclusão n. 18 da 1ª Câmara Cível377 do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais: “A circunstância de não ter o juiz indeferido liminarmente a inicial não o impede de extinguir posteriormente o processo”378. do Código de Processo Civil.Em regra. Sálvio de Figueiredo Teixeira. antes da citação do réu. 133 . Por conseguinte. 378 Cf. proferida a sentença na fase prevista nos artigos 284. merece ser prestigiada a conclusão n. 23 durante o 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “A circunstância de não ter o juiz indeferido liminarmente a inicial não o impede de extinguir posteriormente o processo”. 26 de fevereiro de 1982. 285 e 295. e não no inciso I do artigo 267. Sem dúvida. nos termos do artigo 267. sim. se o juiz constatar a inépcia da petição inicial após a citação do réu. inciso IV e § 3º. Não obstante. 18. § 3º. para a extinção do processo com fundamento no artigo 267. quando o indeferimento da petição inicial tem lugar por força da prescrição ou da decadência. razão pela qual a sentença é de mérito. na eventualidade de interposição de apelação. porquanto a petição inicial apta é pressuposto processual passível de conhecimento oficial em qualquer tempo e grau de jurisdição. com a posterior incidência dos artigos 296 e 551. inciso IV. a posterior sentença deve ser fundamentada no inciso IV.

” (EI n. a execução suspensa com base no art. Por oportuno. 316). 4º Grupo de Câmaras Cíveis do TJRJ. 4ª Turma do STJ. 3ª Turma do STJ. a intimação pessoal prevista no § 1º pode ser realizada até mesmo por edital. Aviso n. quando a parte não é encontrada no endereço indicado na petição inicial ou na contestação. de que trata o art. A propósito da intimação pessoal.2.656). ART. 791-III. ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. II e III. ART. 327. Na verdade. a qual deve ser apenas suspensa. II e III. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO.” (REsp n. 267. 791-III. 267 II e III.521/PB. para suprir a omissão. EXTINÇÃO DO PROCESSO. 791. de 18 de dezembro de 2008. nas hipóteses do art. a mesma pode ser realizada tanto por oficial de justiça quanto pelo correio. PRAZO. SUSPENSÃO. 67 do Centro de Estudos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “A intimação pessoal. p.2. com fundamento no inciso II do artigo 267 do Código de Processo Civil. § 1º. o Desembargador Barbosa Moreira: “EXECUÇÃO DE DÍVIDA DE ALIMENTOS.691/DF.173/DF.04897. 134 . porquanto a extinção só tem lugar quando as partes deixam o processo paralisado sem justificativa plausível380. – A intimação pessoal da parte é essencial à extinção do processo com base no art. Diário da Justiça de 24 de maio de 1993. CPC não pode ser extinta por negligência do exeqüente. RECURSO PROVIDO.3. Se o novo endereço é desconhecido. 45 da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco: “A falta de intimação pessoal da parte autora nas hipóteses de extinção do processo com fundamento no art. 33. – Recurso conhecido e provido. desde que a carta com aviso de recebimento seja subscrita pela própria parte intimada. II e III. Paralisação do processo por negligência das partes Quando ambas as partes deixam o processo paralisado por mais de um ano. do CPC. INC.P. EXTINÇÃO DO PROCESSO. todavia. merece ser prestigiada a proposição n. CPC. quando o processo deve ser suspenso. julgamento em 7 de novembro de 1990). 380 Uma justificativa plausível reside no inciso III do artigo 791. p. a intimação deve ser feita por edital. o mesmo de ser extinto. “PROCESSUAL CIVIL. 267. sem prévia intimação pessoal da parte.” (REsp n. 83. do CPC. II e III. do CPC. . 4ª Turma do STJ. incs. 18.C.005. de pagar a pensão não constitui razão suficiente para que se extinga a execução contra ele instaurada. Diário do Poder Judiciário n. EXECUÇÃO. PRECEDENTES. 4ª Turma do STJ.Sem estar em discussão a prescrição do débito. Diário da Justiça de 24 de setembro de 2001. A impossibilidade temporária. C. principalmente se restaram atendidas todas as intimações para o prosseguimento do feito. 38. 791. e não extinto. De acordo. do CPC. Colhe-se a seguinte justificativa da proposição n. Não cabe extinguir o processo. em que se encontre o alimentante. e o novo endereço é desconhecido383. INTIMAÇÃO PESSOAL NÃO EFETIVADA. vale conferir o preciso enunciado n.” (REsp n. 382 Cf. do Código de Processo Civil. 67: “O fato de a intimação ser realizada pelo correio não retira o caráter pessoal”. aplicando-se por analogia o art. A propósito da necessidade da observância do § 1º do artigo 267. o juiz deve ordenar a intimação pessoal das partes.” (REsp n. 7. III. 379 De acordo. – A intimação pessoal da parte é essencial à extinção do processo com base no art. CPC). 267. vale conferir a ementa de acórdão da relatoria de emérito processualista. Diário da Justiça de 1º de agosto de 1994. 10. p. por aplicação do art. III. pode ser realizada sob a forma postal”382. Antes da prolação da sentença. VINCULAÇÃO À PRESCRIÇÃO DO DÉBITO. 18. 38. 1988. NÃO LOCALIZAÇÃO DE BENS PENHORÁVEIS. nem por abandono da causa (arts.691/DF. 219. 267.656). A propósito. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. em cumprimento ao disposto no § 1º do mesmo artigo 267379.008). 267. Diário da Justiça de 1º de agosto de 1994. EXTINÇÃO DO PROCESSO. constitui cerceamento de defesa”381. p. 383 “PROCESSUAL CIVIL. 381 Cf. 231 do mesmo diploma legal. de 2009. p.

Em reforço. de 18 de dezembro de 2008. ex vi do enunciado n. poderá ser decretada de ofício.3.Resta saber. constitui cerceamento de defesa”384. Paralisação do processo por abandono da causa pelo autor O processo deve ser extinto com fundamento no artigo 267. ao constatar que o processo está paralisado por mais de um ano. 132 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro: “A intimação da parte para fins de extinção do processo na hipótese do art. Na mesma esteira. 7. merece ser prestigiado o verbete n. 267. artigo 28. Se o autor permanecer silente após ser intimado pessoalmente. parágrafo 1º do Código de Processo Civil. Sim. do CPC. II e III. por abandono da causa pelo autor. por carta com aviso de recebimento e até mesmo por edital. a intimação pessoal pode ser realizada por oficial de justiça. Em reforço ao preceito legal. 45 da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco: “A falta de intimação pessoal da parte autora nas hipóteses de extinção do processo com fundamento no art. é necessário que o autor. Por fim. 135 . se o juiz pode agir de ofício na hipótese do inciso II. inciso III. na hipótese do item II do art. o juiz deve determinar a intimação pessoal do autor. vale conferir o enunciado n. previamente intimado. 14 aprovada durante o Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “A extinção do processo. entretanto. como bem revela a conclusão n. 240 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “A extinção do processo. o autor não pode ajuizar de novo a demanda contra o réu sem comprovar o pagamento das despesas processuais e dos honorários advocatícios385. Diário do Poder Judiciário n. 384 385 Cf. quando o autor abandona a causa por mais de trinta dias. não promova o andamento da causa”. À vista do requerimento do réu. 3. 267. depende de requerimento do réu”. 267”. o juiz pode agir de ofício na hipótese do inciso II. incs. merece ser prestigiado o enunciado n. sem julgamento do mérito. p. do Código de Processo Civil. o juiz deve proferir sentença terminativa e condenar o autor a pagar as despesas processuais e os honorários advocatícios. o juiz não atua de ofício na hipótese do inciso III. Não obstante.2. poderá ser determinada de ofício pelo juiz". 216 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Para decretação da absolvição de instância pela paralisação do processo por mais de trinta dias. Cf. 219. Como já anotado no tópico anterior. em cumprimento ao § 1º do artigo 267 do Código de Processo Civil. com fundamento no artigo 28 do Código de Processo Civil. do Código de Processo Civil. por negligência das partes. in fine.

2008. Não obstante. sim. a propositura da demanda. O que importa é que o réu não tomou conhecimento do processo e não teve a oportunidade de participar. tendo em vista o disposto no artigo 314. a capacidade postulatória387 e a citação. a competência do juízo e a imparcialidade do juiz.” (Marcus Vinicius Rios Gonçalves.. a capacidade processual.2. Já os pressupostos de validade são a petição inicial apta. Novo curso de direito processual civil.3. Volume I. só há extinção do processo se o autor não sanar 386 387 Vale dizer. será impróprio o ajuizamento de ação rescisória. sustenta-se que a ausência de citação e a citação irregular ocasionam a inexistência do processo em relação ao réu. A incompetência. ao fundamento de que a ausência de citação e a citação irregular ocasionam a nulidade do processo. p. do Código de Processo Civil. a investidura do órgão jurisdicional. a capacidade de ser parte. não ocasiona a extinção do processo. tendo em vista o disposto no parágrafo único do artigo 37 do Código de Processo Civil. como à primeira vista revela o inciso IV do artigo 267 do Código de Processo Civil. predomina a orientação segundo a qual a citação é pressuposto processual de validade. que não tem prazo para ser aforada. 388 De acordo. e não de existência. in fine. Os pressupostos de constituição ou de existência são a jurisdição386. Não obstante. com a nulidade das decisões proferidas no juízo incompetente. na doutrina: “d) Citação: enquanto não citado. tudo nos termos do § 2º do artigo 113 do Código de Processo Civil. 7 da Súmula do Tribunal de Justiça de Santa Catarina: “A ação declaratória é meio processual hábil para se obter a declaração de nulidade do processo que tiver corrido à revelia do réu por ausência de citação ou por citação nulamente feita”. pois nada haverá a rescindir. já que não foi constituído em relação ao mesmo388. a resposta é afirmativa: a falta de pressuposto processual gera a extinção do processo.” “. mas. 136 . e sem a citação.4. Resta saber se a ausência de pressuposto processual ocasiona a extinção do processo. 109). Irrelevante se ela não se aperfeiçoou ou não se realizou de forma adequada.” “Como o vício de citação gera inexistência e não nulidade. O mesmo raciocínio alcança a suspeição e o impedimento. Ausência de pressupostos processuais Os pressupostos processuais são requisitos formais necessários para a constituição e para o desenvolvimento do processo. Diante das finalidades dos pressupostos processuais. Ainda que muito respeitável a orientação predominante. a remessa dos autos ao juízo competente. 5ª ed. os mesmos são classificados em pressupostos de constituição e em pressupostos de validade. No que tange à incapacidade processual. para o réu o processo é inexistente. por exemplo. Aqui não há diferença entre falta ou vício de citação. inexistirá processo em relação ao réu. porquanto o processo nem sequer existente para o réu. Em regra. O correto será a ação declaratória de inexistência por falta de citação. Trata-se de pressuposto processual de existência. a regra não é absoluta. denominada querela nullitatis insanabilis. por força da jurisprudência do Plenário do Supremo Tribunal Federal que sustenta o enunciado n.

Basta a ocorrência de algum deles para que o processo posterior seja extinto. entretanto. Em suma. é o impedimento da propositura de nova demanda contra o réu. a litispendência e a coisa julgada devem ser apreciadas de ofício. É a regra consagrada no § 3º do artigo 267 do Código de Processo Civil. tendo em vista o disposto no § 3º do artigo 267. não passíveis de preclusão. Com efeito. mas não na totalidade dos casos. a possibilidade de alegar em defesa o seu direito”. 137 . a perempção é a impossibilidade de o autor mover uma quarta demanda idêntica contra o réu. Daí a conclusão: em regra. Por fim. portanto. a litispendência e a coisa julgada. a regra não é absoluta: a incompetência relativa e a suspeição são pressupostos processuais que dependem de provocação da parte. a perempção é a perda do direito de acionar após três extinções de processos provenientes da mesma demanda. Daí o acerto da conclusão n. a ausência de pressuposto processual ocasiona a extinção do processo. 267 do CPC”. do mesmo diploma. nos termos do artigo 13 do Código de Processo Civil. Se o autor der causa. à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior. não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto. cujos processos foram extintos com fundamento no inciso III do artigo 267 do Código de Processo Civil. 3. por ter o autor abandonado três vezes a mesma causa. em qualquer tempo e grau de jurisdição. à vista do artigo 268. não há dúvida de que a perempção diz respeito apenas ao inciso III do artigo 267. parágrafo único. 15 aprovada durante o Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “A preclusão não se opera quanto às matérias enumeradas nos ns. por três vezes. Com efeito. a perempção. os pressupostos processuais ensejam apreciação oficial em qualquer tempo e grau de jurisdição. ficandolhe ressalvada. No que tange especificamente à perempção. Não obstante. Por consequência. V e VI do art. porquanto são matérias de ordem pública. São os denominados pressupostos processuais negativos. Perempção. por abandono do autor. até mesmo de ofício.5. IV. porquanto o prosseguimento do processo depende da inexistência de todos.o defeito. após ter abandonado as três demandas anteriores. só há perempção se as três extinções se deram à vista do inciso III. É o que se infere do parágrafo único do artigo 268: “Parágrafo único.2. litispendência e coisa julgada O inciso V do artigo 267 dispõe sobre a perempção. Não há perempção quando os processos anteriores são extintos por outros fundamentos previstos no artigo 267.

mesmo existindo explícita decisão a respeito (CPC. art. 267 do CPC”. Cf. Na mesma esteira. Constatada a ocorrência da tríplice identidade.6. sem resolução do mérito. 138 . 393 Cf. V e VI do art. a legitimidade das partes e o interesse processual. primeira parte. artigo 814. a impossibilidade da propositura de nova demanda. 392 Cf. Daí o acerto da conclusão n. merece ser prestigiada a conclusão n. as condições da ação devem ser apreciadas de ofício em qualquer tempo e grau de jurisdição. e 467. rectius. 267. da demanda de cobrança de dívida de jogo393. da demanda de petição de herança de pessoa viva392. §§ 1º. Daí a impossibilidade da propositura de outra demanda cujo objeto já está julgado de forma definitiva. IV. o respectivo processo deve ser extinto. o proêmio do artigo 268 do Código de Processo Civil impede o ajuizamento de outra demanda idêntica àquela cujo processo foi extinto com fundamento no inciso V. Por fim. Com efeito. Carência da ação O inciso VI do artigo 267 versa sobre as condições da ação. ambos do Código de Processo Civil. artigo 191 da Constituição Federal e artigo 102 do Código Civil. § 3º)”. do Código de Processo Civil. do Código Civil. 2º e 3º. artigo 426 do Código Civil. artigo 301. porquanto são matérias de ordem pública. À vista do § 3º do artigo 267. tanto no mesmo processo quanto em outro processo. sem resolução do mérito. portanto. Na eventualidade do ajuizamento de nova demanda. V. 267. artigos 301. causa de pedir e pedido389. in verbis: “Salvo o disposto no art. 2º e 3º. 9 do 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “Em se tratando de condições da ação não ocorre preclusão. Daí a impossibilidade jurídica da demanda de usucapião de imóvel público391. a extinção do processo à vista do inciso V do artigo 267 do Código de Processo Civil tem uma especificidade que a diferencia de todas as demais hipóteses arroladas no artigo 267. A primeira condição da ação é a possibilidade jurídica do pedido. Já a coisa julgada material é o impedimento à discussão da causa cujo mérito já foi resolvido mediante julgado irrecorrido. 3. quais sejam. a possibilidade jurídica. já que tanto o pedido quanto a causa de pedir não podem ser vedados por lei e devem ser compatíveis com ordenamento jurídico. não passíveis de preclusão. 389 390 Cf. §§ 1º. possibilidade jurídica da demanda. com as mesmas partes. tendo em vista a imutabilidade do julgado390. qual seja. 15 aprovada durante o Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “A preclusão não se opera quanto às matérias enumeradas nos ns.A litispendência é o impedimento à propositura de demanda idêntica à pendente de julgamento. a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação”. o juiz deve extinguir o segundo processo. 391 Cf.2.

as condições da ação são verificadas em abstrato. de 1996. da dilação probatória. à vista da petição inicial. independentemente do fato e das circunstâncias do caso concreto. ou seja.002. Por fim. a análise das condições da ação se dá à luz das afirmações veiculadas na petição inicial. alguma relação de direito material.” (AGI n. como o Código de Processo Civil vigente prestigiou a teoria da asserção.7. 3º As partes interessadas podem submeter a solução de seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem. A terceira condição da ação é o interesse processual ou interesse de agir. no primeiro olhar. À vista dos artigos 3º. Se. A cláusula compromissória é o contrato ou a cláusula contratual que prevê a adoção da arbitragem para a solução de futuro 394 De acordo. na jurisprudência: “2. A legitimidade é aferida à luz da relação de direito material: é essencial que os fatos narrados na petição inicial revelem que há alguma relação de direito material entre as partes em litígio. relativamente a tal contrato”. 395 Assim. o juiz deve proferir sentença de improcedência. podendo ser judicial ou extrajudicial”. e não de carência da ação395. 397 “Art.002. 6ª Câmara Cível do TJRJ.” (REsp n. 2009. 3. estão satisfeitas as condições da ação394. assim entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral”. também em tese. todos da Lei n.” (AGI n. 879. Tanto quanto sutil.188/RS. “2. 139 . é preciso que o julgador. a causa de pedir e o pedido forem juridicamente possíveis. 2ª Turma do STJ. O interesse processual é aferido à luz da necessidade da prestação jurisdicional. no instante da prolação do juízo de admissibilidade inicial do procedimento. Segundo a teoria da asserção. do qual a “cláusula compromissória”397 e o “compromisso arbitral”398 são espécies.2. e o autor tiver. necessidade de acionar o réu mediante processo judicial.32253. Convenção de arbitragem O inciso VII do artigo 267 versa sobre a extinção do processo em razão da subscrição de convenção de arbitragem pelas partes litigantes. em tese. 3. 396 “Art. 4º e 9º.29541.307. as partes tiverem. antes. portanto. em sede de juízo de admissibilidade. e passa a integrar o mérito. Diário da Justiça eletrônico de 2 de junho de 2009).A segunda condição da ação é a legitimidade das partes ou legitimidade ad causam. 398 “Art. ou seja. Se. entretanto. 9. 4º A cláusula compromissória é a convenção através da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à arbitragem os litígios que possam vir a surgir. 9º O compromisso arbitral é a convenção através da qual as partes submetem um litígio à arbitragem de uma ou mais pessoas. da utilidade da mesma para a obtenção do fim almejado e da adequação da via acionada para a obtenção do fim. Para que se reconheça a impossibilidade jurídica do pedido. para a apuração da existência de coisa julgada material. julgamento em 2 de dezembro de 2009). na jurisprudência: “Aplicação da Teoria da Asserção. segundo a qual as condições da ação devem ser aferidas no momento da propositura da demanda. devem ser aferidas tendo-se como verdadeiras as assertivas descritas na inicial. 19ª Câmara Cível do TJRJ). o momento de verificação das condições da ação se dá no primeiro contato que o julgador tem com a petição inicial. Nos termos da teoria da asserção. durante a dilação probatória as assertivas veiculadas na petição inicial não forem confirmadas. a “convenção de arbitragem”396 é gênero. 2009. perceba que o petitum jamais poderá ser atendido. podendo ser apreciada após a produção de provas. a diferença é relevantíssima.

em preliminar da contestação. tendo em vista a exceção prevista no § 4º do artigo 301 do Código de Processo Civil: “§ 4o Com exceção do compromisso arbitral. comentário 17: “Depois da citação. Como o inciso VII do artigo 267 trata da “convenção de arbitragem” de forma genérica. mas não decorrido o prazo para as 399 400 Cf. sem resolução do mérito. Sem dúvida. Compete-lhe. A desistência é o ato unilateral de vontade por meio do qual o autor abdica da demanda em curso.8. alegar: omissis. especialmente do réu. inciso IX. p. 140 .litígio. 4ª ed. Segundo autorizada doutrina. do Código de Processo Civil: “Art. 1999. Código de Processo Civil comentado. entretanto. Resta saber se a desistência pode ser homologada depois da citação. é vedado ao juiz pode tomar conhecimento de ofício da convenção de arbitragem. 301. Desistência da ação O inciso VIII do artigo 267 dispõe sobre a extinção do processo por desistência da ação por parte do autor.. Cf. No compromisso arbitral. antes de discutir o mérito. A jurisprudência. e 267. Não obstante.”. 730. entretanto. somente com a anuência do réu é que o autor poderá desistir da ação. Não obstante. a apreciação da existência de convenção de arbitragem depende de provocação. porém.2. no qual indicam a arbitragem como meio de solução do conflito. ou por escrito. ambos do Código de Processo Civil. o juiz conhecerá de ofício da matéria enumerada neste artigo”. IX . tendo em vista a combinação dos artigos 158. mas não do direito material subjacente. o litígio é preexistente e os litigantes já optaram pela subscrição de um contrato (“de compromisso arbitral”). o preceito alcança ambas as espécies. a extinção do processo depende da anuência em relação à desistência do autor400. Daí a conclusão: tanto a cláusula compromissória quanto o compromisso arbitral ocasionam a extinção do processo. a desistência da ação só produz o efeito extintivo do processo ao ser homologada pelo juiz.convenção de arbitragem. parágrafo único. A desistência pode ser declarada oralmente pelo próprio autor. artigo 38 do Código de Processo Civil. Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery. prestigia a interpretação literal do § 4º do artigo 267: a desistência sem o consentimento do réu só não pode ser homologada “depois de decorrido o prazo para a resposta”. se o réu já foi citado. em audiência. por intermédio de advogado com procuração com poder especial para “desistir”399. sem a anuência do réu. porquanto o litígio deve ser solucionado pelo árbitro ou pelo tribunal arbitral livremente escolhido pelas partes na respectiva convenção. 3. Daí a interpretação predominante: ainda que citado o réu.” (sem o grifo no original). como bem revela o artigo 301. Trata-se de vexata quaestio. inciso VIII.

Ação intransmissível Há extinção do processo sem resolução do mérito em razão do superveniente falecimento de parte cuja demanda é intransmissível aos respectivos sucessores. art. AÇÃO DE SEPARAÇÃO JUDICIAL LITIGIOSA. 405 Em reforço.” (Apelação n. desde que a defesa ainda não tenha sido apresentada (CPC. 6. Diante do falecimento de uma das partes. 2007. mostra-se despicienda a sua anuência quanto ao pedido de desistência formulado pelo Demandante antes da prolação da sentença. 402 Cf. na jurisprudência: “2. Não obstante.Ainda que relevado esse entendimento.014444-9.01. Diário da Justiça eletrônico de 2 de junho de 2008. Diário da Justiça eletrônico de 8 de outubro de 2009. e antes mesmo da concretização desta. 2ª Turma Cível do TJDF. 6ª Turma Cível do TJDF. 1ª Turma Cível do TJDF. extinguir o feito sem resolução do mérito. artigo 322 do Código de Processo Civil. por exemplo. Tendo a parte desistido da ação antes de findo o prazo para resposta. os réus já tinham sido citados antes das declarações de desistência. 58). p. 6ª Turma Cível do TJDF.respostas. § 4º. o mesmo raciocínio alcança o réu revel. Por fim. Encontrando-se revel o réu. nos casos dos artigos 1.011687-9. 267 do CPC. após a citação e antes de iniciado o prazo para a resposta.515.03.04. MORTE DO AUTOR NO CURSO DO PROCESSO. mas sem sucesso. vale conferir a ementa de didático acórdão da relatoria de eminente processualista.” (Apelação n. é medida que se impõe. porquanto o revel sem patrono nos autos nem sequer precisa ser intimado402. Daí a conclusão: mera discordância sem fundamentação não impede a desistência404.” (Apelação n. p.06. Se ainda não decorrido o prazo de resposta do réu. ambos do Código Civil. Mutatis mutandis. sendo um direito que lhe assiste. inferese que o autor pode desistir da ação.1. como.014444-9. 197). AÇÃO. 2008. 3. razão pela qual o processo deve ser extinto por força da desistência. 129). desde que não decorrido o prazo para a resposta. do Código de Processo Civil. parágrafo único. 63). 403 De acordo.2.1. Apelo provido para homologar o pedido de desistência da Apelante e. há a necessidade da anuência do réu. 2008. DIREITO PERSONALÍSSIMO.576. o que não ocorreu no presente caso.015679-9. porquanto o Tribunal de Justiça do Distrito Federal firmou jurisprudência em prol da interpretação literal do § 4º do artigo 267 do Código de Processo Civil. e 1. se o réu permanecer omisso após ser intimado. 3. Em todos os precedentes. independe de sua anuência a homologação de pedido de desistência da ação.582.À luz do que dispõe o § 4º do art. Diário da Justiça eletrônico de 9 de dezembro de 2009. o que autoriza a homologação da desistência veiculada pelo autor depois do decurso do prazo para as respostas403. o atual posicionamento da jurisprudência é no sentido de que o réu deve apresentar justo motivo para a oposição ao pedido de desistência da ação efetuado pelo autor. 141 . houve a construção jurisprudencial em prol da homologação da desistência quando o réu não apresenta justo motivo. “. Diário da Justiça eletrônico de 18 de março de 2009. 267. p. a homologação do pedido de desistência do autor.” (Apelação n. DIREITO DE AÇÃO. p. § 4º). o silêncio significa anuência tácita.9. sem necessidade de anuência do réu. RESPOSTA. em conseqüência. 6ª Turma Cível do TJDF.008477-4. o autor pode consentimento do réu401. 129). 404 “. e do artigo 24 da Lei n.” (Apelação n. desistir da demanda. o autor poderá desistir da ação. ANUÊNCIA. 2008. RÉU. se o juiz constatar que a 401 “PROCESSUAL CIVIL. a despeito do disposto no § 4º do artigo 267. o Desembargador Joel Figueira Júnior: “APELAÇÃO CÍVEL. tanto que apelaram das respectivas sentenças homologatórias da desistência. Diário da Justiça eletrônico de 18 de março de 2009.1. de 1977405. independentemente do Decorrido o prazo para as respostas. sem o consentimento da parte ré.01. p. “Nos termos do artigo 267. mesmo não concordando a parte ré.1.1. 2007. DESISTÊNCIA. PRAZO.

” (Apelação n. IX. p. Há a confusão quando uma mesma pessoa é. Daí a explicação para a extinção do processo. DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. OCORRÊNCIA. RECURSO DESPROVIDO. Diário da Justiça de 8 de agosto de 2008).ESTADO . Diário da Justiça eletrônico de 18 de fevereiro de 2009.01. 2008. 406 Outro exemplo.010686-7. Outro exemplo. 4ª Câmara Cível do TJES.demanda tem natureza personalíssima e. Falecimento do réu durante a fase recursal.Havendo omissão na defesa de interesses do Réu/Condomínio por colidirem com as postulações do primeiro Autor. inciso X. credora e devedora da obrigação.515/77). 24. com fulcro no art. Na eventualidade do falecimento do pai. é intransmissível. portanto. Por fim. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM RESOLUÇÃO DO MÉRITO. que é personalíssima. IX. pois. O processo deve ser extinto em razão da confusão entre autor e réu. Diário da Justiça de 10 de junho de 1997). Na mesma esteira. deve o processo ser extinto. mas no decorrer do processo houve a fusão das sociedades.10.1. Outro exemplo: imagine-se uma execução de alimentos movida pelo único filho contra o respectivo pai. Diário da Justiça de 13 de novembro de 2008). na jurisprudência: “DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. Extinção do processo sem julgamento do mérito. 5510444900.EXISTÊNCIA . SÍNDICO E CONDOMÍNIO. do Código de Processo Civil. do CPC. Improcedência do pedido. 5557474600. sem resolução de mérito. CPC.FALECIMENTO DA AUTORA . do CPC. síndico. por exemplo. que uma sociedade empresária ajuizou demanda contra outra sociedade empresária. 2ª Turma Cível do TJDF. Ação intransmissível.2. . 267. houve perda do objeto. do Código de Processo Civil. em 16 de agosto de 2007). CONFUSÃO DE INTERESSES. a um só tempo.040796-5. IX. Confusão entre autor e réu À vista do artigo 267. Pleito de substituição do pólo passivo. EXTINÇÃO DO FEITO SEM RESOLUÇÃO DE MÉRITO COM FULCRO NO ART. 1ª Câmara de Direito Civil do TJSC. deve extinguir o processo sem resolução do mérito. com a consequente extinção da mesma. o processo deve ser extinto quando há confusão entre autor e réu.” (Apelação n. ex vi do artigo 381 do Código Civil. vale conferir o seguinte precedente jurisprudencial: “DIREITO CONSTITUCIONAL E ADMINISTRATIVO .” (Apelação n. SENTENÇA MANTIDA. o processo deve ser extinto. Outro exemplo encontrado na jurisprudência: “GUARDA – PEDIDO DE MODIFICAÇÃO DE GUARDA FEITO PELO PAI – AUTOR QUE FALECE DURANTE O ANDAMENTO DO PROCESSO – AÇÃO INTRANSMISSÍVEL – EXTINÇÃO PELO ART. tratando-se de direito personalíssimo. 267.Com o superveniente falecimento da autora da ação. Art. por força da confusão. 2006. AÇÃO ANULATÓRIA. 9ª Câmara de Direito Privado do TJSP. 267. 51). Falecendo um dos cônjuges no curso da ação de separação judicial ou de divórcio. parágrafo único da Lei 6. também na jurisprudência: “AÇÃO DE MODIFICAÇÃO DE CLÁUSULAS EM PROCESSO DE SEPARAÇÃO CONSENSUAL – FALECIMENTO DA AUTORA – AÇÃO INTRANSMISSÍVEL – EXTINÇÃO DO PROCESSO – PEDIDO EM FAVOR DOS FILHOS – EXTINÇÃO TAMBÉM ANTE A PROVA DE QUE OS MENORES ESTÃO EM COMPANHIA DO PAI. 267.” (Apelação n. Recurso prejudicado. Tendo falecido a autora e em se tratando de ação intransmissível. com fundamento no inciso IX do artigo 267 do Código de Processo Civil. impõe-se a extinção do processo sem resolução de mérito nos termos do art. ainda na jurisprudência: “Prestação de contas. 267. IX. PROCESSO JULGADO EXTINTO SEM A APRECIAÇÃO DO MÉRITO. 5ª Câmara de Direito Público. 35930042763. Imagine-se.” (Apelação n. com fundamento no inciso IX do artigo 267 do Código de Processo Civil. 3.DIREITO A SAÚDE .AÇÃO ORDINÁRIA . por ser o autor o único herdeiro do réu406. restando prejudicados o reexame necessário e o recurso voluntário nessa parte. a ação é intransmissível por disposição legal (art. 7614035800.” (Apelação n. AÇÃO INTRANSMISSÍVEL. deve ser julgada extinta a ação. 142 .AÇÃO INTRANSMISSÍVEL . 2ª Câmara de Direito Privado do TJSP.FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO . inciso X. Diário da Justiça de 22 de outubro de 2008).

a sentença homologatória de transação e a sentença homologatória da renúncia do autor também ocasionam a extinção do processo. nos termos dos artigos 794 e 795 do Código de Processo Civil. sob pena de declarar extinto o processo”. ainda de conhecimento.3.2. 3. nas quais as sentenças previstas no artigo 269 ocasionam a extinção do processo. 11. o indeferimento liminar da petição inicial com fundamento na prescrição ou na decadência.2. Imagine-se. liquidação e execução. de 2005.1. Acolhimento ou rejeição do pedido A primeira – e mais importante – hipótese de prolação de sentença definitiva reside no inciso I do artigo 269: “quando o juiz acolher ou rejeitar o pedido do autor”. Não obstante.3. Não há lugar para liquidação nem para execução. ao invés dos clássicos três processos de conhecimento. com três fases possíveis: conhecimento.3. O processo é extinto desde logo. por exemplo. A novidade é que as fases estão interligadas. o inciso XI revela que é possível a extinção do processo em outros casos. Outros casos previstos em lei Além das hipóteses arroladas nos incisos I a X do artigo 267 do Código de Processo Civil. É curioso notar que o artigo 269 reside no capítulo “DA EXTINÇÃO DO PROCESSO”. no mesmo processo. 3. dentro do prazo que assinar. findo o processamento. Sem dúvida. Na verdade. Há hipóteses. com o advento da Lei n. o processo passou a ser um só. Com efeito. o juiz deve proferir sentença e julgar o pedido procedente. todavia. razão pela qual a extinção do processo se dá ao final. Sentenças de mérito ou definitivas O artigo 269 do Código de Processo Civil dispõe sobre as sentenças definitivas. a regra consiste no prosseguimento do mesmo processo.11. É a verdadeira sentença de mérito. conforme o caso.3. com a produção de coisa julgada material e das respectivas consequências: indiscutibilidade e imutabilidade do julgado. Em regra. quais sejam. todos extintos por meio das respectivas sentenças. para a posterior execução da sentença definitiva. nem toda sentença de mérito ocasiona a extinção do processo. Reconhecimento da procedência do pedido 143 . 3. liquidação e execução. aquelas que versam sobre o mérito da causa. Um exemplo reside no parágrafo único do artigo 47 do Código de Processo Civil: “O juiz ordenará ao autor que promova a citação de todos os litisconsortes necessários.232. improcedente ou parcialmente procedente.

3. o juiz também profere sentença de mérito. inciso IV.5. nos prazos previstos no Código Civil. artigo 38 do Código de Processo Civil. artigo 295. 144 . artigo 495 do Código de Processo Civil. 410 Cf. que revogou o artigo 194 do Código Civil.3. Renúncia do direito por parte do autor Se o autor renunciar ao direito sobre que se funda a demanda. no Código de Processo Civil411 e em outras leis. inciso III. Transação É lícito às partes terminarem o litígio quanto a direitos patrimoniais de caráter privado mediante concessões mútuas408. com procurações com poder especial para “transigir”409. Por força do inciso IV do artigo 269 do Código de Processo Civil. Já as demandas constitutivas – e desconstitutivas – ensejam a decadência dos respectivos direitos extrapatrimoniais.3. 3. bem assim por intermédio dos respectivos advogados. artigo 189 do Código Civil. por força da Lei n. ou por intermédio de advogado. artigos 840 e 841 do Código Civil. do Código Civil. na audiência. 411 Cf.4. com a possibilidade até mesmo da extinção do processo412. com fundamento no artigo 269. o juiz profere sentença definitiva. artigo 38 do Código de Processo Civil. com fundamento no artigo 267. do Código de Processo Civil.O inciso II do artigo 269 dispõe sobre a sentença definitiva proveniente do reconhecimento da procedência do pedido por parte do réu. Cf. 11.3. 409 Cf. com procuração com poder especial para “reconhecer a procedência do pedido”407.3. Se as partes transigirem. de 2006. Por fim. 3.280. e no artigo 842. in fine. 412 Cf. tanto a pronúncia da prescrição quanto a pronúncia da decadência ocasionam a prolação de sentença de mérito. inciso V. do Código de Processo Civil. A transação das partes pode se dar pessoalmente durante qualquer audiência. tanto a decadência quanto a prescrição são passíveis de conhecimento oficial pelo juiz. nos prazos arrolados nos artigos 205 e 206 do Código Civil410. Prescrição ou decadência As demandas condenatórias ensejam a prescrição das respectivas pretensões de natureza patrimonial. 407 408 Cf. do Código de Processo Civil. O réu pode reconhecer a procedência do pedido pessoalmente.

a renúncia não está sujeita ao disposto no § 4º do artigo 267.” (Apelação n. porquanto aquela (renúncia) ocasiona a prolação de sentença de mérito. preceito de aplicação restrita à desistência. Já a desistência ocasiona a prolação de simples sentença terminativa. pelo qual se abre mão do processo como meio de solução do litígio. ou por intermédio do respectivo advogado. na jurisprudência: “. sem produção de coisa julgada material. A renúncia não se confunde com a desistência. 1. com o artigo 268. nem mesmo após a apresentação da contestação.0024.A renúncia pode ser declarada pessoalmente pelo autor.033156-8/004. Com efeito. com a renúncia. 413 414 Cf. a relação processual. com produção de coisa julgada material. desde que tenha poder especial para “renunciar” estampado na procuração413. 4ª Câmara Cível do TJMG.06. que tem por objeto o direito material. 145 . em audiência. ambos do Código de Processo Civil414. que teria como conseqüência não permitir a repropositura. tanto que o autor que promover nova demanda contra o réu. Não se confunde. Do que se abre mão na desistência é apenas do instrumento. inciso VIII. Diário da Justiça de 24 de março de 2009). a renúncia não depende da anuência do réu.A desistência da ação é ato unilateral do autor. nada impedindo que a ação volte a ser proposta. Diante da diferença acima estudada. tendo em vista a combinação do artigo 267. Assim. artigo 38 do Código de Processo Civil. nem com ato de disposição do direito de ação.

é a provocação do jurisdicionado perante o órgão jurisdicional.3. 2. 146 . por exemplo. inciso II. Peça escrita em vernáculo Em primeiro lugar. ex vi do artigo 157 do Código de Processo Civil. se for demanda de competência originária de tribunal. o erro no endereçamento não ocasiona o indeferimento da petição inicial. Preceito de regência e campo de incidência do artigo 282 do CPC Os requisitos da petição inicial estão arrolados no artigo 282 do Código de Processo Civil. Qualificação das partes À vista do artigo 282. a petição inicial deve ser endereçada ao juízo ou ao tribunal competente. é o ato processual que concretiza a demanda. incide o § 2º do artigo 113 do Código de Processo Civil.DA PETIÇÃO INICIAL 1.1. incidem o enunciado n. Não obstante. 33 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça e artigo 114 do Código de Processo Civil. a petição inicial deve conter as qualificações completas tanto do autor quanto do réu. o artigo 801 do mesmo diploma. Já na hipótese de incompetência relativa. como. inciso I.4. já que as mesmas são prestigiadas pela própria Constituição Federal.2. 2. Não obstante. até mesmo quando há preceito específico. é permitida a utilização de expressões latinas. por força do parágrafo único do artigo 272. Conceito A demanda é o acionamento do Poder Judiciário. Endereçamento da petição inicial À vista do artigo 282. No que tange aos documentos redigidos em língua estrangeira que acompanham a petição inicial. a petição inicial deve ser redigida em vernáculo. 2. Requisitos da petição inicial 2. omisso em relação ao valor da causa e ao pedido de citação. aplicável a todas as petições iniciais. devem ser traduzido para o português. Na hipótese de incompetência absoluta. 2. por força do artigo 13 da Constituição Federal e do artigo 156 do Código de Processo Civil. Daí a incidência subsidiária do artigo 282. Já a petição inicial é o instrumento da demanda.

A causa de pedir próxima é o fato gerador propriamente dito. da Constituição Federal. tendo em vista o disposto no artigo 22. O novo processo civil brasileiro.. 25ª ed. em outras palavras: qual o fundamento de sua pretensão? Constitui-se a causa petendi do fato ou do conjunto de fatos a que o autor atribui a produção do efeito jurídico por ele visado. p. No que tange aos réus desconhecidos e incertos.. 416 De acordo. 147 . é o acontecimento no mundo real que justifica o pedido do demandante. salvo impossibilidade que comprometa o acesso ao Poder Judiciário. da causa de pedir. A causa de pedir pode ser decomposta em “causa de pedir próxima” e “causa de pedir remota”. do edital de concurso público416. conforme o caso. 27ª ed.” (MOACYR AMARAL SANTOS. como. de regra de natureza relativa. em suma. à evidência. a causa de pedir remota ou mediata é o direito proveniente do contrato particular. é o fato que constitui o direito do demandante. inciso I. deverá o autor expor o contrato (causa remota) e o vício. a nomeação e a posse do segundo classificado em concurso público. Segundo a melhor interpretação do inciso III do artigo 282 do Código de Processo Civil.5. não há necessidade de sustentação da causa de pedir e do respectivo pedido à luz de preceitos legais: iura novit curia. 11. o acontecimento no plano fático que dá origem ao pleito415. deverá o autor expor que é credor por força de um ato ou contrato (causa remota) e que a dívida se venceu e não foi paga (causa próxima). Não obstante.” (BARBOSA MOREIRA. na ação em que o pedido é o pagamento da dívida. Trata-se. Causa de pedir ou causa petendi A causa de pedir é o fato gerador do pedido. entretanto. com evidente mitigação da regra estampada no inciso II do artigo 282. o inciso I do artigo 231 autoriza a citação por edital. 2009. do título de crédito. são de constitucionalidade duvidosa. basta a descrição dos fatos na petição inicial. a falta de indicação dos dispositivos legais não ocasiona o indeferimento nem a emenda da petição inicial. na melhor doutrina: “Todo pedido tem uma causa. Primeiras linhas de direito processual civil. Identificar a causa petendi é responder à pergunta: por que o autor pede tal providência? Ou. o artigo 15 da Lei n. que o macula. o inadimplemento da obrigação civil ou da obrigação cambial. 17). Na ação de anulação de contrato. na melhor doutrina: “Assim. 172). Não há dúvida de que é conveniente evocar na petição inicial os preceitos legais aplicáveis à espécie. Volume I. é. dando lugar à sua anulação (causa próxima). vale dizer. instruções e portarias dos tribunais referentes aos números de inscrição das partes no Cadastro de Pessoas Físicas e no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. 2. por exemplo. A rigor.419 estabelece que o autor deve indicar na petição inicial os números no Cadastro de Pessoas Físicas e no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. À vista dos mesmos exemplos. 415 Assim. em detrimento do candidato aprovado em primeiro lugar.A propósito das resoluções. 2007. No que tange às petições iniciais eletrônicas. p.

331. 2ª Turma Recursal do Distrito Federal. a referência a ‘erro’ ou a ‘dolo’. o juiz deve processar e julgar a demanda à luz dos dispositivos que são aplicáveis ao quadro fático delineado na petição inicial: da mihi factum. por exemplo.07. por exemplo. Com efeito. ressalvadas apenas as exceções arroladas no mesmo artigo 286: – “nas ações universais. Diário da Justiça de 8 de setembro de 1997: “tem força o princípio de que as leis são do conhecimento do Juiz. Por conseguinte. Regra e exceções: inteligência dos artigos 282 e 286 do CPC À vista do IV do artigo 282.6. 90. em uma 417 De acordo. o erro na qualificação jurídica dos fatos não ocasiona o indeferimento nem a emenda da petição inicial. não ficando adstrito aos apontados. pela parte. na jurisprudência: “1. uma petição de herança ajuizada com esteio do artigo 1. uma vez apresentados os fatos. sintetizada no brocardo da mihi factum dabo tibi jus. – “quando não for possível determinar. a petição inicial deve conter o pedido e as respectivas especificações. para designar o vício do consentimento invocado como causa da pretendida anulação do ato jurídico). na eventualidade de indicação de preceitos legais alheios à espécie sub examine.” (BARBOSA MOREIRA. 418 De acordo. 148 . Por conseguinte. p.g.1. bastando que as partes apresentemlhe os fatos. Em suma. ao contrário do que pode parecer à primeira vista (quando se lê o inciso III do artigo 282 do Código de Processo Civil!). a despeito da literalidade do artigo 286 do Código de Processo Civil. porquanto o direito brasileiro consagra a teoria da substanciação: da mihi factum dabo tibi ius. as conseqüências do ato ou do fato ilícito”. para sustentar a sua pretensão. 146). sem que o herdeiro tenha conhecimento de todos os bens que compõem o acervo hereditário. 419 Em reforço. se não puder o autor individuar na petição os bens demandados”. Daí a impossibilidade da veiculação de pedido genérico.334/SP. 2. o pedido deve ser certo e determinado – e não “ou”. Imagine-se. O novo processo civil brasileiro. já que o julgador possui ampla liberdade para qualificar juridicamente os fatos. p. Em face da aplicação da Teoria da Substanciação da Causa de Pedir. pouco importa que os fundamentos jurídicos não sejam os melhores. Diário da Justiça eletrônico de 21 de novembro de 2008.. b) a norma jurídica aplicável à espécie. a qualificação jurídica dos fatos à luz da legislação de regência dos mesmos não integra a causa de pedir417. conforme consagrado nos brocardos jura novit curia e da mihi factum dabo tibi jus”.229..” (Recurso n. Imagine-se. de modo definitivo. Vale frisar.1. na melhor doutrina: “Não integram a causa petendi: a) a qualificação jurídica dada pelo autor ao fato em que apóia sua pretensão (v. pouco importa a qualificação jurídica conferida pelo demandante aos fatos narrados na petição inicial. 2007. acórdão registrado sob o n. 17). 3ª Turma do STJ. Pedido 2. ainda que o demandante evoque preceitos legais sem pertinência temática alguma com o fato gerador do pedido. o juiz deve julgar a causa à luz dos preceitos legais aplicáveis à espécie418. 27ª ed.824 do Código Civil.6.Sem dúvida. 2009. na jurisprudência: REsp n. dabo tibi ius419.032552-4. na petição inicial.

portanto. Pede-se. como dinheiro. um imóvel. a sentença judicial deve ser proferida dentro dos limites das raias do pedido veiculado pelo demandante.demanda de indenização à vista do artigo 946 do Código Civil. além ou fora do que foi pedido pelo demandante: ne eat iudex ultra vel extra petita partium420. É imperioso observar a estrita correlação entre a decisão e os pedidos delineados pelo demandante. a constituição ou a desconstituição. 2.2. o qual pode ser condenatório. Em reforço. os quais são considerados veiculados ex vi legis. 149 .899/81. independe de pedido da parte”. o pedido é dividido em imediato e mediato. Somente após a prestação das contas pelo réu. Diário da Justiça eletrônico de 7 de dezembro de 2009). 2. 6. será possível saber qual é o valor devido pelo réu. por exemplo. sob pena de não o fazendo. Pedidos implícitos A despeito do princípio do congruência. declaratório ou constitutivo. merece ser prestigiado o verbete n. Já o pedido mediato é o bem da vida objeto do litígio. a condenação.3.6. 2. in verbis: “A aplicação da correção monetária. 53 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 4ª Região: “A sentença 420 De acordo. – “quando a determinação do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado pelo réu”.899. por exemplo. cuja obrigação é indeterminada quanto ao valor das perdas e danos. 6ª Turma do STJ. por força do artigo 1º da Lei n. conforme o caso. São pedidos implícitos: – a correção monetária. a declaração. de 1981. outros bens móveis. consagrado nos artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil. Pedidos imediato e mediato Sob outro prisma. O pedido imediato é o provimento jurisdicional pleiteado. acolhido em parte ou totalmente rejeitado pelo juiz. 6 do 5º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada. 20. Imagine-se.4. A propósito. como. ultrapassar os limites formulados na peça exordial e vulnerar o princípio da congruência.6. portanto. Não pode o juiz. Princípio da congruência À vista do princípio da congruência – ou princípio da correlação –.” (RMS n. há os denominados “pedidos implícitos”. ainda que o autor não os formule na petição inicial. uma demanda de prestação de contas proposta com esteio nos artigos 914 e 918 do Código de Processo Civil. um automóvel.6. merece ser prestigiada a conclusão n. prevista na Lei 6. na jurisprudência: “1. proferir sentença aquém. o qual (pedido) pode ser acolhido integralmente.630/MS – AgRg.

6. 255). Prestações vincendas periódicas. há a cumulação simples. Já o artigo 292 autoriza a cumulação objetiva.5. proveniente da soma de pedidos independentes em si. como nas hipóteses dos enunciados nºs 37 e 387 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. cumulação eventual e cumulação alternativa À luz de outro critério discretivo. Inclusão na condenação ‘enquanto durar a obrigação’. independentemente de pedido. a cumulação pode ser simples. Cumulação de pedidos O direito brasileiro autoriza várias formas de cumulação de pedidos.que. 256 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. quando os pedidos têm em mira dois ou mais litisconsortes passivos. Condenação. com a consequente pluralidade de partes no processo. em homenagem à economia processual.5. – os juros. Cumulação subjetiva e cumulação objetiva Os artigos 46 e 47 do Código de Processo Civil versam sobre a cumulação subjetiva. 647. cumulação sucessiva. eventual ou alternativa. Ação de cobrança.1.5.6. É o que se dá. 149 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e nos enunciados nºs 37 e 387 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Diário da Justiça de 15 de outubro de 2007. por exemplo421. com a consequente cumulação de demandas. 2. como nas hipóteses previstas no enunciado n. p.2. Recurso Especial. Sob outro prisma. 150 . Sob um prisma. por força do caput do artigo 20 do Código de Processo Civil e do enunciado n. por força do artigo 290 do Código de Processo Civil. de 1991. com a pluralidade de pedidos no mesmo processo. CPC. inciso III. da Lei n. na consignatória de pagamento de aluguéis e acessórios da locação.6. 421 Outro exemplo. 8. 2. – os honorários advocatícios. determina a correção monetária do débito judicial não é ultra ou extra petita”. 2. – as prestações vincendas periódicas. A cumulação simples é autorizada pelo artigo 292 do Código de Processo Civil. Cumulação simples. por força do artigo 293 do Código de Processo Civil e do enunciado n. – A regra contida no Art. sucessiva.” (REsp n. incide em relação às cotas de condomínio.367/PR – AgRg. na jurisprudência: “Agravo. Condomínio. com a possibilidade de um ser julgado procedente e o outro improcedente. 290. art. 3ª Turma do STJ. ex vi do artigo 67. 290.245. do CPC. a cumulação pode ser subjetiva ou objetiva. 254 da Súmula do Supremo Tribunal Federal.

na cumulação sucessiva há soma de pedidos. inciso V. Efeitos do valor da causa O valor da causa tem muitas consequências no processo: – No que tange ao procedimento a ser adotado no processo. p. VALOR DA CAUSA. Os artigos 259 e 260 do Código de Processo Civil estabelecem alguns critérios para a fixação do valor da causa. Não há soma de pedidos nem ordem de preferência na cumulação alternativa. O valor da Ação Cautelar somente não se equipara ao da principal quando o objeto é obliquamente diverso mas útil à situação acautelatória ou não almeja o mesmo benefício econômico daquela. o valor da causa deve ser indicado por estimativa.Em contraposição. Quando não há critério legal algum e a causa também não tem conteúdo econômico explícito. É a cumulação prevista no artigo 289 do Código de Processo Civil422. Por fim. Por oportuno. marcada pela inexistência de soma de pedidos. 149 da Súmula do Supremo Tribunal Federal e do enunciado n. 1. 423 De acordo. Pede-se a procedência de algum dos pedidos.” (REsp n. ambos do Código de Processo Civil. o qual deve revelar o conteúdo econômico do pedido. 1 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça.2.1. Sob outro prisma. Revela-se imperiosa observância à razoabilidade para fins de fixação do valor da causa independente da espécie da demanda. com o fito de viabilizar o acesso à Justiça. e a necessária moderação para seu arbitramento. mas com relação de prejudicialidade entre os mesmos. há a cumulação eventual ou cumulação subsidiária. 2.7. a cumulação alternativa reside no artigo 288 do Código de Processo Civil. 1ª Turma do STJ. trata-se de verdadeira cumulação eventual ou subsidiária. razão pela qual o julgamento do segundo pedido depende da improcedência do primeiro. Diário da Justiça de 13 de fevereiro de 2006. 669). Valor da causa 2. AÇÃO PRINCIPAL NÃO AJUIZADA. já que o segundo depende da procedência do primeiro. Conceito e critérios À vista dos artigos 258 e 282. como nas hipóteses do enunciado n.563/ES. por pedidos formulados em ordem de preferência. o valor da causa deve ser atribuído até na petição inicial da demanda cautelar. mas. a despeito da omissão do artigo 801 do Código de Processo Civil423. sem prévia escolha do autor. 651. sim. o valor da causa é importante para a identificação das causas sujeitas ao procedimento 422 A despeito da terminologia adotada no artigo 289 (“sucessiva”). na jurisprudência: “AÇÃO CAUTELAR. 2. 151 .7. a petição inicial deve conter o valor da causa.7. 2.

de 1980. da Constituição Federal. – As custas iniciais devidas no momento da distribuição da demanda também podem ser fixadas à luz do valor da causa. caput e § 1º. 66 no 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “O juiz pode modificar de ofício o valor da causa quando estipulado fora das hipóteses legais”.7. § 4º. § 2º. embargos infringentes de alçada a serem julgados no mesmo juízo embargado. com fundamento no artigo 18 do Código de Processo Civil. in verbis: “Arbitrados os honorários advocatícios em percentual sobre o valor da causa. inciso I. sim. Por construção jurisprudencial. A impugnação é a resposta do réu adequada para suscitar a erronia do valor da causa conferido pelo autor na petição inicial. nos casos previstos nos artigos 259 e 260 do Código de Processo Civil. – Na eventualidade de litigância de má-fé. Controle do valor da causa À vista do artigo 261 do Código de Processo Civil. o juiz deve condenar o embargante a pagar ao embargado multa sobre o valor da causa. – Ainda em relação ao procedimento a ser adotado no processo.sumário. no percentual previsto no artigo 557. do Código de Processo Civil. passou-se a autorizar o controle oficial do valor da causa pelo juiz. 152 . do Código de Processo Civil e do enunciado n. tendo em vista o disposto no artigo 275. inciso IV. a correção monetária incide a partir do respectivo ajuizamento”. da sentença não cabe apelação para o tribunal. – Na eventualidade de agravo interno ou regimental manifestamente inadmissível ou improcedente. se o valor da causa não ultrapassar o teto previsto no artigo 34.3. – À vista do artigo 20. da Lei n. Daí a aprovação da conclusão n. mas.830. 2. o controle do valor da causa se dá mediante impugnação veiculada pelo réu. tendo em vista o disposto nas leis federais e estaduais promulgadas à luz do artigo 24. 6. o juiz deve condenar a parte a pagar multa não excedente a um por cento sobre o valor da causa. – Diante de embargos de declaração manifestamente protelatórios. 14 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. nos percentuais previstos no parágrafo único do artigo 538 do Código de Processo Civil. entretanto. do Código de Processo Civil. o tribunal deve condenar o agravante a pagar ao agravado multa sobre o valor da causa. o valor da causa também tem serventia como base de cálculo de honorários advocatícios.

a petição inicial deve conter o endereço do advogado do autor. Diário da Justiça de 20 de março de 2006. Pedido de citação do réu O autor também deve formular requerimento específico para a citação do réu.9.PROVA . Endereço do advogado do autor À vista da combinação dos artigos 39. com a indicação do respectivo endereço. porquanto o requerimento previsto no inciso VII do artigo 282 não pode ser considerado pedido implícito. A despeito do silêncio do artigo 801 do Código de Processo Civil. primeira parte. na segunda.10. Por fim. corrigir o valor da causa”424. Art.Diante dos vários efeitos do valor da causa. REsp n. inciso VII. Cf. . porquanto a especificação pode se dar na posterior fase das providências preliminares.” (sem o grifo no original). em cumprimento ao disposto no artigo 282. 2. 153 . 324). 329. ex vi do parágrafo único do artigo 47 do Código de Processo Civil.MOMENTO DE PRODUÇÃO . 2. com fundamento no artigo 324 do Código de Processo Civil425. VI). tem sido prestigiada a tese consagrada no enunciado n. Especificação das provas À vista do inciso VI do artigo 282 do Código de Processo Civil. de ofício. . que será guiada pelos pontos controvertidos na defesa (CPC. e 295. Art. A falta do pedido específico na petição inicial enseja a respectiva emenda. em responder ao despacho de especificação de provas faz precluir do direito à produção probatória. 3ª Turma do STJ. o juiz não determina a citação de ofício. implicando desistência do pedido genérico formulado na inicial. portanto. 263: “PROCESSUAL CIVIL . sim. após a eventual contestação. quando o juiz abre vista para especificação das provas. p.O silêncio da parte. entretanto. vale o protesto genérico para futura especificação probatória (CPC. o Juiz chama à especificação das provas. muitos deles de ordem pública. O autor. o autor também deve formular requerimento de citação do requerido na petição inicial que veicula demanda cautelar. inciso VI. especialmente para o fim previsto no artigo 237. inciso I.PRECLUSÃO. mas. 282.8. 31 da Súmula do Tribunal de Justiça de Pernambuco: “O juiz pode. ambos do Código de Processo Civil. de 15 de maio de 2007.O requerimento de provas divide-se em duas fases: na primeira.034/MG. ordena ao autor que “promova a citação” do litisconsorte. p. Diário do Poder Judiciário n. sob pena de extinção do processo. deve formular requerimento específico de citação do litisconsorte necessário. Por construção jurisprudencial. o autor também deve indicar na petição inicial as provas que deseja produzir.AUTOR – PETIÇÃO INICIAL E ESPECIFICAÇÃO DE PROVAS . basta o autor formular pedido genérico acerca das provas. 2. na eventualidade de litisconsórcio necessário. 5 e 6. do Código de Processo Civil. 88. 424 425 Cf.

p.716/PB. Documentação indispensável Além dos requisitos arrolados no artigo 282 do Código de Processo Civil. a petição inicial pode ser distribuída e despachada sem procuração. a certidão de nascimento na ação de alimentos. do Código de Processo Civil. 2. com fundamento nos artigos 355 a 360 do Código de Processo Civil. porque ‘substanciais’ ou ‘fundamentais’. Não obstante. ambos do Código de Processo Civil. a certidão da matrícula do imóvel na ação reivindicatória. os documentos que não são indispensáveis podem ser juntados até mesmo em grau de recurso. para o endereçamento das intimações dos atos processuais. nos termos do artigo 284 do Código de Processo Civil.906.11. 431. devem acompanhar a inicial e a defesa. 370). Já a petição inicial eletrônica também deve conter o endereço eletrônico do advogado do autor. 4ª Turma do STJ. Procuração Em regra.Somente os documentos tidos como indispensáveis. Por fim. primeira parte. consoante o disposto no artigo 398 do Código de Processo Civil. desde que ouvida a parte contrária e inexistentes o espírito de ocultação premeditada e de surpresa do juízo. Se os documentos indispensáveis estivem com o réu ou com terceiro. 2. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 2002. de 1994.inciso II. o artigo 283 estabelece que a petição inicial deve ser instruída com a prova documental indispensável à propositura da demanda.” (REsp n. como bem revela o enunciado n. o juiz deve determinar a emenda da petição inicial. Assinatura de advogado habilitado À vista da combinação do artigo 159 do Código de Processo Civil e do artigo 14 da Lei n. 2. a petição inicial deve ser instruída com a procuração outorgada ao advogado do autor. Na falta de documento indispensável à propositura da demanda. a certidão de óbito deve instruir na petição de herança. com a abertura de vista em prol da parte contrária. a fim de evitar decadência ou prescrição. 154 . devem instruir a petição inicial: a certidão de trânsito em julgado na ação rescisória. 8 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho426. a petição inicial deve ser subscrita por advogado habilitado perante a Ordem dos Advogados do Brasil. os demais documentos podem ser juntados posteriormente. tendo em vista o disposto nos artigos 36 e 37. deve o autor noticiar o fato na petição inicial e requerer a exibição de documentos. Na verdade.13. 8.12. A juntada dos demais pode ocorrer em outras fases e até mesmo na via recursal. Por exemplo. bem como para praticar atos 426 De acordo. na jurisprudência: “II .

155 . sob pena de indeferimento. com o indeferimento in limine litis. com a possibilidade de retratação do juiz. 427 428 Por exemplo. Controle da petição inicial Conclusos os autos. Por exemplo. no prazo de dez dias. no prazo de quarenta e oito horas. a apelação interposta de sentença de indeferimento é processada e julgada no tribunal sem revisão. tendo em vista a combinação dos artigos 267. a demanda pode ser ajuizada sem a comprovação das custas iniciais. 3. Não obstante. Em contraposição. e 513. o juiz profere juízo de admissibilidade positivo e determina a citação do réu. a falta de requerimento de citação do réu. com fundamento no artigo 284 do Código de Processo Civil. do Código de Processo Civil. A apelação proveniente da sentença de indeferimento da petição inicial produz efeito regressivo. com a verificação da observância dos requisitos legais.urgentes. tudo nos termos do artigo 37. sob pena de cancelamento da distribuição. hipóteses nas quais o instrumento de mandato deve ser apresentado em quinze dias. a qual pode ser realizada dentro do prazo de trinta dias. Por fim. tudo nos termos do artigo 296 do Código de Processo Civil. para a respectiva correção. inciso I. pedido juridicamente impossível. Custas iniciais Por fim. ambos do Código de Processo Civil. Se a petição inicial apresentar defeito sanável427. o juiz profere juízo negativo de admissibilidade. o juiz realiza o controle da petição inicial. à vista do artigo 285 do Código de Processo Civil. Se a petição inicial estiver “em termos”. 4.14. prorrogáveis por mais quinze dias. Indeferimento da petição inicial O pronunciamento por meio do qual o juiz indefere a petição inicial tem natureza de sentença e desafia recurso de apelação. o juiz determina a emenda da mesma. a petição inicial deve ser instruída com a guia de recolhimento das custas iniciais. tendo em vista o disposto no artigo 551. in fine. a ausência de litisconsorte necessário. 2. § 3º. em cumprimento ao disposto no artigo 19 do Código de Processo Civil. se a petição inicial estiver contaminada por defeito insanável428. do Código de Processo Civil. por força do artigo 257 do Código de Processo Civil.

Com efeito. 156 . na eventualidade de a demanda versar sobre questão de direito repetitiva. Improcedência liminar Além do indeferimento liminar da petição inicial previsto no artigo 295 do Código de Processo Civil. o juiz julga desde logo a demanda. com fundamento no artigo 285-A do mesmo diploma.5. o réu só é citado se o autor apelar da sentença de improcedência liminar e o juiz proferir juízo negativo de retratação. Na verdade. já decidida mediante sentenças de improcedência proferidas no mesmo juízo. antes mesmo de citar o réu. também é possível a prolação liminar de sentença de improcedência do pedido.

portanto. – a reconvenção.2. o Distrito Federal. – a ação declaratória incidental. Na verdade. p. respostas relativas a pressupostos processuais. e não apenas para contestar. A interpretação sistemática do art. 257). p. em quádruplo o seu prazo para contestar e em dobro para recorrer. 57. CPC.DAS RESPOSTAS DO RÉU 1. os Estados-membros. Respostas do réu À vista do artigo 297 do Código de Processo Civil. o réu pode apresentar uma ou mais respostas. 2ª Turma do STJ.” (AGI n. a regra inserta no artigo 297 comporta exceções. na jurisprudência: “1. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL.064/MG – AgRg – EDcl.499/SP – AgRg. Não obstante. AUTARQUIAS. PRAZOS. Diário da Justiça de 5 de novembro de 2007. – exceções rituais. 2ª Turma do STJ. 2. impõe a conclusão de que o prazo deferido à Fazenda Pública para formular incidente de impugnação ao valor da causa é abrangido pela contagem em quádruplo. Há séria divergência acerca da aplicabilidade do artigo 188 do Código de Processo Civil às respostas em processo de ação rescisória. além das três respostas previstas no artigo 297. o réu também dispõe de outras respostas: – a impugnação ao valor da causa. Diante do leque de opções. – a denunciação da lide.251/PR. 430 De acordo.” (REsp n. o réu dispõe de três diferentes respostas diante da demanda proposta pelo autor: – a contestação. Diário da Justiça eletrônico de 6 de maio de 2009). Primeira exceção: artigo 188 do Código de Processo Civil A União. os municípios. – a nomeação à autoria. como bem revela o artigo 297 do Código de Processo Civil. tendo em vista a existência de preceito específico: artigo 491 do Código de Processo Civil. as autarquias429. 188 do Código de Processo Civil. computando-se.733). o réu dispõe de quinze dias para apresentar as respectivas respostas nos processos sob rito ordinário. As autarquias aproveitam os prazos assinados à Fazenda Pública pelo artigo 188 do Código de Processo Civil. resposta defensiva do réu. contra-ataque do réu em relação ao autor. Regra: artigo 297 do Código de Processo Civil Segundo o disposto no artigo 297 do Código de Processo Civil C.” (REsp n. “1. 2. – chamamento ao processo. O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico de que as autarquias gozam do benefício previsto no art. 157 . como pode parecer à primeira vista. 808. da interpretação literal do artigo 188 do CPC430. Recursos especiais conhecidos e providos. as fundações públicas e o Ministério Público têm o prazo quadruplicado para apresentar as respectivas respostas. 80. Não 429 Assim. Diário da Justiça de 10 de novembro de 1997.188 c/c art.261. 2ª Turma do STJ. 946.1. Prazo das respostas 2.

O benefício da contagem em dobro conferido aos litisconsortes representados por procuradores diferentes independe de prévio requerimento ao Juízo.706/RS. 768.” (REsp n.317). 2ª Turma do STJ. A natureza processual dos embargos à execução.201/RJ. 5. 3. 4ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 12 de setembro de 2005. torna inequívoco que a estes não se estendem as prerrogativas processuais contidas no art.O prazo em quádruplo para contestar e em dobro para recorrer. Recurso especial conhecido”. Havendo litisconsórcio passivo.” (REsp n. na jurisprudência: “CIVIL/PROCESSUAL CIVIL. no caso de 158 . 434 Assim. A resposta é negativa: o artigo 188 do Código de Processo Civil está diretamente relacionado ao artigo 41 do Código Civil. Diário da Justiça de 5 de dezembro de 2006. A Caixa Econômica Federal. “II – Conforme ainda a jurisprudência do STJ. Diário da Justiça de 6 de agosto de 1990. O preceito também não alcança os embargos à execução.” (REsp n. 352).3. o prazo para contestação é contado em dobro. referente à dilação de prazos processuais. 718. Diário da Justiça de 20 de abril de 1992.120/AL. sim. Diário da Justiça de 8 de junho de 2000). 6ª Turma do STJ. 2.” (REsp n. 2. p. LITISCONSÓRCIO PASSIVO.253).” (REsp n. de sorte que não se apresenta possível proclamar revelia antes que expirados trinta dias da efetiva citação do último réu. p. para oposição de embargos à execução pela Fazenda Pública. porquanto não pode ser considera resposta do réu. 188 do Código de Processo Civil. Resta saber se o artigo 188 do Código de Processo Civil beneficia os Estados estrangeiros nos respectivos processos na Justiça brasileira. Segunda exceção: artigo 191 do Código de Processo Civil Os litisconsortes passivos com advogados distintos têm prazo duplicado para apresentar as respectivas respostas. Incabível o prazo em dobro ou quádruplo. AÇÃO RESCISÓRIA. “AÇÃO RESCISÓRIA. 436 De acordo. PRAZO EM DOBRO PARA CONTESTAR. 1ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 7 de novembro de 1994. p. 431 Cf. PRAZOS EM DOBRO. A regra do artigo 188 do Código de Processo Civil.078/PR.obstante o entendimento doutrinário majoritário contrário à aplicação do artigo 188 do Código de Processo Civil. na jurisprudência: “I . Mantém-se o benefício estabelecido pelo art. 19. Precedentes do STF e do STJ. que independe de prévio pedido dos litisconsortes passivos com procuradores distintos436. na jurisprudência: “2. não possui a prerrogativa disposta no art. p. razão pela qual não alcança Estado estrangeiro434.” (AR n. 1. com diferentes procuradores. 3ª Turma do STJ. 363. ART. 256). Diário da Justiça de 2 de dezembro de 2002. 53. 5ª Turma do STJ. na jurisprudência: “LITISCONSÓRCIO.723/SP. PRAZO EM QUÁDRUPLO PARA AUTARQUIA OFERECER CONTESTAÇÃO. ARTIGO 188 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.025). PRAZO PARA CONTESTAÇÃO. não só é dispensável requerer-se o prazo duplo. porquanto não se trata de recurso ou contestação. 191 DO CPC. 297. Trata-se de benefício automático. os tribunais marcharam em outro rumo: o artigo 188 alcança até mesmo as respostas em processo de ação rescisória431. p. não se aplica ao Estado estrangeiro.” (AGI n. 760. 242). ação autônoma do executado433. 432 Assim.274/GO. mas. Em contraposição. tendo em vista o benefício previsto no artigo 191 do Código de Processo Civil 435. nos termos do art. PROCURADORES DIFERENTES. por ser uma empresa pública. 379: “PROCESSO CIVIL. ex vi legis. 188 do CPC. na jurisprudência: “FGTS. 250/MT – AgRg. 30. “2. 1. REsp n. 433 Assim. o artigo 188 não alcança as empresas públicas432 e as sociedades de economia mista. Recurso especial conhecido e provido. INAPLICABILIDADE. 188 do CPC. Agravo regimental a que se nega provimento. é aplicável ao prazo de resposta para a ação rescisória. 7. ART. mesmo após o advento da Carta Política de 1988. Diário da Justiça de 22 de outubro de 2007. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. mas de ação autônoma. 188 DO CPC. p. Precedente do STJ. segundo o qual deve ser concedido prazo em dobro para recorrer e em quádruplo para contestar quando for parte a Fazenda Pública ou o Ministério Público. 3ª Turma do STJ. 188 do diploma processual civil vigente. 435 Assim. previsto no artigo 188 do CPC.780/RS. p. 2ª Seção do STJ.

tempestiva a exceção de incompetência apresentada antes da contestação. sem os grifos no original). que confere prazo dobrado para contestar quando os réus atuem com procuradores diversos. 191 DO CPC – ADVOGADOS DE UM MESMO ESCRITÕRIO – CABIMENTO. 641 da Súmula da Corte. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL – PRAZO EM DOBRO – ART. litisconsorte passivo. mediante advogado exclusivo.226/SP. 28. 1. 437 Assim.252/SP. incide o artigo 191 do Código de Processo Civil. 438 Assim.Na verdade. I. há outro precedente na mesma toada: REsp n. ao fato de que os advogados dos dois litisconsortes pertençam a diversos escritórios. de 1950 À vista do artigo 5º. do CPC. PRAZO PARA CONTESTAÇÃO DOBRADO. tem aplicação independentemente do comparecimento do outro litisconsorte à lide. da Lei n. § 5º. o réu sob o pálio da assistência judiciária.” (REsp n. 2. tão-somente. 439 De acordo. patrocinado por defensor público. RÉUS DIVERSOS. sob pena de se suprimir.060/50. A interpretação do art.4. II. PRAZO DE CONTESTAÇÃO. p.012). Diário da Justiça de 24 de março de 1997. A melhor exegese do comando insculpido no art. Diário da Justiça de 10 de junho de 2002. 1. TEMPESTIVIDADE. incide o artigo 191 do Código de Processo Civil. p. p. de antemão. não tem como saber se o co-réu irá ou não impugnar o feito. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. também tem prazo duplicado para apresentar as respectivas respostas439. § 5º. § 5º. ou não437. subscrita pelo respectivo advogado. 3ª Turma do STJ. Por fim. § 5º da Lei nº 1. Na eventualidade de resposta isolada apenas de um dos litisconsortes passivos citados. Diário da Justiça de 2 de abril de 2007. necessariamente na primeira metade do prazo. porquanto não há como prever se o outro litisconsorte passivo vai responder.060. sem afetar o seu termo a quo. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. Precedentes da Corte. 3ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 29 de março de 1999. como também o é pedi-lo. ou não.” (REsp n. Recurso especial conhecido e provido. 191. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA PRESTADA PELA DEFENSORIA PÚBLICA. 683. 3ª Turma do STJ. BENEFÍCIO QUE DEPENDE APENAS DA CERTEZA DA DIVERSIDADE DE PROCURADORES DOS LITISCONSORTES. 3ª Turma do STJ. EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA. o artigo 191 do Código de Processo Civil incide até mesmo quando os advogados distintos são colegas de escritório438.” (REsp n. Terceira exceção: artigo 5º. Daí em diante. é irrelevante se há alguma resposta do outro litisconsorte passivo. CPC. 6ª Turma do STJ. A regra do art. ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA. de 1950. 61. 96. 191. 1. Ainda que apenas um litisconsorte ofereça resposta isolada. p. mas somente em relação ao primeiro ato processual praticado pelo único réu presente. À vista do princípio de direito natural segundo o qual a boa-fé deve ser presumida.060. Sua contagem nas hipóteses do art. atuando individualmente. 2. CONTESTAÇÃO. que tenham sido contratados diferentes profissionais para patrocinar a defesa. da Lei 1. In casu. 159 . Resta saber se o artigo 191 do Código de Processo Civil incide quando os litisconsortes passivos estão representados por advogados de um mesmo escritório. 191 do Código de Processo Civil não veda que os advogados constituídos sejam do mesmo escritório. como bem assentou o Supremo Tribunal Federal ao aprovar o enunciado n. de 1950 incide para duplicar o prazo de contestação. 200). 280. 9. “3.017/SP.” (REsp60. 4ª Turma do STJ. “PROCESSUAL. o direito adjetivo conferido à parte que. não condiciona o exercício do direito ao prazo em dobro.060.” (REsp n. – Prazo em dobro. da Lei n. 233). importando. 191 do Código de Processo Civil.357/PB. A norma do artigo 5º. ART. 5º. o réu que compareceu ao processo deixa de ter o benefício do artigo 191.956/MG. Diário da Justiça de 9 de outubro de 1995). 157. bastante que apresente a sua defesa separadamente.694/MA.

299 do CPC. 14ª Câmara Cível do TJMG. mormente se o réu contrapôs pedido indenizatório. Em suma. o termo “simultaneamente” não significa que o réu só pode reconvir se contestar442. o réu contestar no 3º dia do prazo e pretender reconvir depois disso. na doutrina: “O réu não precisa contestar para poder reconvir. o réu deve fazê-lo na mesma oportunidade. Precedentes do S. ainda que em face de convênio firmado entre aquele órgão e a OAB local”. portanto. Em primeiro lugar. IMPRUDÊNCIA.060/50. ainda que antes de terminado o prazo original de defesa.334/SP – AgRg. Diário da Justiça de 26 de outubro de 2007. Igual raciocínio prevalece em relação ao curador especial nomeado à vista do artigo 9º do Código de Processo Civil 441.” (REsp n. 31. REsp n. na jurisprudência: “III. p. Pleno do STF. prevalece a orientação jurisprudencial contrária à incidência do artigo 5º. Haverá preclusão do direito de reconvir. 345. sob pena de preclusão consumativa443. não se estendendo ao patrocínio de causas por profissional constituído no encargo de curador especial. Precedentes”. comentário 17). é preciso saber se o réu pode apresentar apenas a reconvenção.001875-3/001.01. se quiser apresentar as duas formas de resposta. se o réu desejar oferecer contestar e reconvenção. Sim. 31: “2. isto é. 4ª ed.0000. sem os grifos no original). da Lei n. AGI n. Código de Processo Civil comentado.060.234). 789. 1.138/SP.” (REsp n. 789. A problemática das respostas “simultaneamente” À vista do artigo 299 do Código de Processo Civil. Inaplicabilidade ao advogado dativo da prerrogativa do prazo em dobro disposta na Lei 1.” (Apelação n.. p.J. à regra do art.” (Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery.353/SP. 15. 160 . motivo pelo qual deve ser rejeitada a reconvenção apresentada em momento posterior ao da contestação. a reconvenção e a contestação devem ser apresentadas simultaneamente.520008-2/000. O privilégio do prazo em dobro previsto no art.871/89. sem os grifos no original). Diário da Justiça de 16 de agosto de 2004. Diário da Justiça de 3 de dezembro de 2005. 1999. p. 9ª Câmara Cível do TJMG. trazendo elementos de informação que não favorecem a pretensão daquele. 4ª Turma do STJ. que muito bem pode não ter razão em suas pretensões. conferida apenas aos assistidos por defensores públicos.” (Apelação n. 5º. Assim. em reconvenção. Assim. parágrafo 5º. no mesmo tempo. 299 do CPC. 442 De acordo. da Lei n. inexistindo o exercício pelos réus do direito do art. comentário 17). 443 De acordo. o vocábulo legal “simultaneamente” revela que. 1.785-6. de sorte que tardio o pedido reconvencional apresentado após o oferecimento da contestação pelo mesmo réu..” (Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery. terá de fazê-lo simultaneamente. independentemente de haver ainda prazo. de 1950440. 4ª Turma do STJ. de 1950. se. é reservado às Defensorias Públicas criadas pelos Estados ou cargo equivalente. p. sem contestação.00.060. 1999. é possível a reconvenção. se desejar contestar e reconvir. p. – A ausência de contestação não importa na obrigatoriedade de decisão em favor do autor. e. 317: “I. 441 Cf. na doutrina: “No entanto. 4ª ed.060/50. vez que presente o interesse processual de instauração da lide reconvencional.0071. p. por exemplo. 3ª Câmara Cível do TAMG.” (Apelação n. § 5º. deve fazê-lo “simultaneamente”. Na verdade.No que tange à parte patrocinada por advogado dativo nomeado pelo juiz. 3. 749. Código de Processo Civil comentado. “A teor do art. adotado pela uniforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça.226/SP. 627. Aplica-se o princípio da preclusão consumativa. 1. na jurisprudência: “RESPONSABILIDADE CIVIL – DANOS MATERIAIS – AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO – RECONVENÇÃO – LAUDO PERICIAL – PREVALÊNCIA – CONDUÇÃO NA CONTRA-MÃO DE DIREÇÃO. 2. 35.T. 922 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 9 de fevereiro de 2002. Diário da Justiça de 13 de abril de 2007). 440 Cf. a jurisprudência restringe – indevidamente! – a duplicação dos prazos prevista no § 5º do artigo 5º da Lei n. mesmo que tal oferecimento esteja dentro do prazo de resposta do réu. com a redação dada pela Lei 7. 1. Diário da Justiça de 23 de outubro de 2006. “Inexistindo contestação. 260). 5ª Turma do STJ. inclusive para oferecimento de contestação. Diário da Justiça de 9 de agosto de 1993.

mas em peças autônomas.” (AGI n.0024. .Inexiste previsão legal no sentido de que a exceção tem que ser oposta juntamente com a reconvenção e contestação.AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL . que as peças sejam protocolizadas no mesmo momento. 161 . merece ser prestigiado acórdão da relatoria de eminente processualista. tal circunstância deve ser considerada mera irregularidade. Diário da Justiça eletrônico de 4 de maio de 2009. Diário da Justiça de 10 de maio de 2004. 335: “I . de suspeição e de impedimento. 1. 18ª Câmara Cível do TJMG. do Código de Processo Civil. 446 Cf. não se pode conhecer da reconvenção. entretanto.001488-6.PROTOCOLO CONJUNTO COM A CONTESTAÇÃO E A RECONVENÇÃO . 2008. a contestação e a reconvenção devem ser veiculadas em “peças autônomas”. 549.0394. “A contestação e a reconvenção devem ser oferecidas simultaneamente. 152). o Desembargador Elpídio Donizetti: “EXCEÇÃO DE INCOMPETÊNCIA .” (Apelação n. a exigência da simultaneidade prevista no artigo 299 do Código de Processo Civil não alcança as exceções rituais de incompetência relativa.A jurisprudência já firmou entendimento no sentido de que a oferta de contestação e reconvenção em uma única peça não acarreta nulidade processual.VEROSSIMILHANÇA DAS ALEGAÇÕES POSSIBILIDADE. a contestação e a reconvenção foram completamente separadas dentro do corpo da petição. inciso III.Já as exceções rituais não precisam ser veiculadas simultaneamente com a contestação e a reconvenção444. apresentada na mesma peça da contestação. Aliás. podendo as duas ser distingüidas ictu oculi. mas em peças autônomas. 5ª Turma do STJ. 1.016370-7/001. 444 Em abono. Assim. há forte corrente jurisprudencial em prol do aproveitamento de ambas as respostas apresentadas em peça única446. Assim. como bem revela o artigo 299 do Código de Processo Civil 445. p.587/PE.1.” (Apelação n.08. não se erigindo em nulidade processual”. ex vi do artigo 265.078194-8/001. “1. A despeito da literalidade do preceito legal. Não obstante. 12ª Câmara Cível do TJMG. apresentada na mesma peça da contestação. não se pode conhecer da reconvenção. porquanto a mesma tem o condão de suspender o processo e o prazo para o oferecimento da contestação e da reconvenção. Embora devam ser apresentadas “simultaneamente”. Diário da Justiça de 16 de março de 2009).007557-6/002. 17ª Câmara Cível do TJMG. constituindo mera irregularidade. Nada impede. 1.Embora oferecidas em peça única.0512. 3ª Turma Cível do TJDF.03. Diário da Justiça de 10 de agosto de 2007). Sendo assim. REsp n.03.08. p. mas apenas a contestação e a reconvenção. 445 De acordo.” (Apelação n. na jurisprudência: “A contestação e a reconvenção devem ser oferecidas simultaneamente. o mais razoável é protocolizar apenas a exceção ritual. Diário da Justiça de 3 de fevereiro de 2009).

a exceção de usucapião.DA CONTESTAÇÃO 1. a compensação parcial. Por fim. como. o réu também pode suscitar defesas indiretas de mérito. com fundamento no artigo 476 do Código Civil. ou a exceção de contrato não cumprido. por exemplo. Ônus da impugnação específica 162 . por exemplo. o réu pode apresentar defesa direta de mérito. o pagamento integral. Em segundo lugar. o réu pode veicular diferentes matérias de defesa. a novação parcial. Com efeito. sem negar o que consta da petição inicial. Não obstante. Matérias de defesa Ao contestar. como. Em primeiro lugar. 2. o réu pode suscitar as preliminares processuais arroladas no artigo 301 do Código de Processo Civil. mas apresentar algum dos obstáculos de direito material a seguir expostos: – o fato extintivo do direito do autor e que ocasiona a improcedência do pedido. 4. Princípio da eventualidade À vista do artigo 300 do Código de Processo Civil. as alegações relativas a direito superveniente e as referentes às matérias de ordem pública podem ser deduzidas depois da contestação. as matérias arroladas no artigo 303 do Código de Processo Civil podem ser suscitadas pela vez primeira depois do oferecimento da contestação. o pagamento parcial. como. até mesmo quando contraditórias entre si. por exemplo. – o fato modificativo do direito do autor e que é obstáculo à procedência total do pedido. com a negação do fato constitutivo do direito do autor inserto na petição inicial. Conceito Contestação é a resposta defensiva do réu contra a demanda que lhe foi movida. – o fato impeditivo da procedência do pedido. ainda que não veiculadas na contestação. a decadência. o réu deve veicular na contestação todas as matérias de defesa que dispõe. com esteio no enunciado n. a prescrição. 237 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. a novação total. sob pena de preclusão consumativa. 3. porquanto não são alcançadas pela preclusão.

não se aplica ao advogado dativo. Por fim. 5. Em primeiro lugar. O ônus da impugnação específica também é mitigado quando a petição inicial não está acompanhada de instrumento público essencial da substância do ato. Revelia 5.1. como bem revela a combinação do artigo 302. Conceito A revelia é a ausência de contestação. a revelia não é a ausência de qualquer resposta. Efeito material: artigo 319 do Código de Processo Civil 447 Cf. inciso II. sim. não é admissível a contestação por negativa geral.602 do Código Civil. ao curador especial e ao órgão do Ministério Público”. o réu não precisa impugnar de forma específica a petição inicial quando está em jogo direito indisponível. como a certidão de óbito em demanda de petição de herança e a escritura pública do imóvel em demanda que versa sobre direitos reais sobre imóveis447. inciso I. o curador especial e o advogado dativo. do Código de Processo Civil. há revelia no sentido técnico. mas não todos os efeitos da revelia. Não obstante. como revela o parágrafo único do artigo 302 do Código de Processo Civil: “Parágrafo único. ou seja. se o réu apresentar reconvenção sem contestar. 5. Efeitos da revelia 5.1.2. Aliás. quando o conjunto da defesa estiver em contraposição com o disposto na petição inicial. Sem dúvida. com o artigo 1. artigos 108 e 109 do Código Civil. quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos. Por conseguinte. já que a reconvenção afasta os efeitos processuais previstos nos artigos 322 e 330.À vista do artigo 302 do Código de Processo Civil. há exceções arroladas no mesmo artigo 302 do Código de Processo Civil. o réu deve impugnar de forma específica os fatos veiculados na petição inicial. a falta da impugnação específica gera presunção relativa de veracidade dos fatos.2. da resposta defensiva: contestação. Esta regra. Com efeito. do Código de Processo Civil. A impugnação específica também é dispensável na hipótese do inciso III do artigo 302 do Código de Processo Civil. o ônus da impugnação específica não alcança o Ministério Público. 163 . mas.

Na ação rescisória. 398 da Súmula do Tribunal Superior do Trabalho: “AÇÃO RESCISÓRIA. 21 do 5º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “Não se aplica o efeito da revelia.1. acobertado pelo manto da coisa julgada. 5. em processo civil. ato oficial do Estado. 117. Não obstante.2. ao revel que tenha sido citado por edital ou com hora certa”. O efeito material da revelia também não incide se o réu revel foi citado por edital ou hora certa. 449 De acordo. 451 Cf. como bem revela o enunciado n. pode produzir provas desde que compareça em tempo oportuno”. o réu revel pode ingressar no processo a qualquer tempo. disposto no art. Efeito processual: artigo 322 do Código de Processo Civil O réu revel sem procurador nos autos não precisa ser intimado dos atos processuais. – se o litígio versar sobre direitos indisponíveis448. a partir da publicação da sentença em audiência ou em cartório. 66: “Nos termos do enunciado 231 da súmula do Supremo Tribunal Federal. INAPLICÁVEIS OS EFEITOS DA REVELIA. o prazo recursal para o réu revel corre independentemente de intimação. desde que compareça em tempo oportuno”450. enunciado n. o revel. Diário da Justiça eletrônico de 1º de dezembro de 2008. em processo civil. 154.105949-6. p. o primeiro efeito da revelia é a presunção relativa da veracidade dos fatos afirmados pelo autor na petição inicial. a revelia não produz confissão na ação rescisória”. Ainda a respeito do efeito material previsto no artigo 319 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 4 de maio de 1998. 3ª Turma do STJ.01. na jurisprudência: REsp n. o efeito material da revelia não subsiste nas hipóteses arroladas no artigo 320 do Código de Processo Civil: – se algum dos litisconsortes contestar a demanda.623/SP. Por fim. enunciado n. 2007. o que se ataca na ação é a sentença. 164 . até mesmo para participar da eventual instrução probatória determinada pelo. pode produzir provas. 448 Cf. – se a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento público indispensável à prova dos fatos narrados pelo autor. como bem revela a conclusão n. tendo em vista o disposto no artigo 322 do Código de Processo Civil Não obstante. 231 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “O revel. 15 do 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “Nos embargos à execução não se verificam os efeitos da revelia”449. 12 da Súmula do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul: “O prazo recursal para o réu revel corre independentemente de intimação.2. p. 1ª Turma Cível do TJDF. Assim sendo. AUSÊNCIA DE DEFESA. em virtude da conclusão n. nas mãos do escrivão451. a falta de resposta defensiva aos embargos à execução não implica presunção da veracidade dos fatos. 450 De acordo: Apelação n.À vista do artigo 319 do Código de Processo Civil. e considerando que a coisa julgada envolve questão de ordem pública. a partir da publicação da sentença em audiência ou em cartório”. 319 do CPC.

5.3. 165 . do Código de Processo Civil O último efeito da revelia reside no inciso II do artigo 330 do Código de Processo Civil: o juiz pode proferir julgamento antecipado da lide quando ocorrer a revelia. Efeito processual: artigo 330.2. II.

passível de ajuizamento tanto pelo autor quanto pelo réu. 4. a reconvenção só pode ser proposta pelo réu. do autor contra o réu. Objeto da reconvenção A reconvenção pode ter por objeto demanda condenatória. Não obstante. 2. do réu contra o autor. com o aproveitamento do respectivo procedimento. Já o autor da demanda originária também passa a ser denominado “reconvindo”. Princípios norteadores da reconvenção O instituto da reconvenção é norteado pelos princípios da economia processual e da segurança jurídica. Partes na reconvenção Ajuizada a reconvenção pelo réu. a reconvenção ocasiona a cumulação objetiva de demandas em um só processo: a demanda originária. ao contrário. Por conseguinte. Requisitos específicos para a admissibilidade da reconvenção 166 . a reconvenção tem lugar em processo já em curso. o mesmo também passa a ser denominado “reconvinte”. com dupla movimentação da máquina judiciária. tendo em vista a proibição inserta no parágrafo único do artigo 315 do Código de Processo Civil. constitutiva ou declaratória. cujo objeto só pode ser demanda declaratória. 3. e a demanda reconvencional. porquanto a demanda originária e a reconvenção são julgadas na mesma sentença. Conceito e natureza jurídica A reconvenção é a espécie de resposta do réu com natureza de ação cognitiva incidental. portanto. ao invés de dois processos distintos.DA RECONVENÇÃO 1. a reconvenção evita a prolação de decisões judiciais contraditórias entre causas conexas. Ao contrário da ação declaratória incidental. se o autor da demanda originária for substituto processual de outrem. 5. adequada para veicular contra-ataque no bojo de processo pendente. da ação declaratória incidental. Com efeito. Sob outro prisma. não há lugar para a reconvenção.

artigo 491. 2003. eis que. 452 453 Cf.1.002054-4. 456 Cf. do CPC). 258 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “É admissível reconvenção em ação declaratória”. 6ª Turma Cível do TJDF. 167 .111916-0. in fine. como se dá com o procedimento especial monitório453 e no procedimento especial da ação rescisória454. conclusão 13 do 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “Não cabe reconvenção nos processos executivo e cautelar”. a reconvenção depende da existência de conexão452 com a demanda principal ou pelo menos com algum fundamento da contestação. confere-se ao réu a possibilidade de fazer pedido contraposto. devido à natureza dúplice dessas. § 1º. artigo 325 do Código de Processo Civil. 457 Cf. não há lugar para reconvenção em processo cognitivo sob rito sumário455. de 1995. Por conseguinte. tendo em vista o disposto no artigo 315 do Código de Processo Civil.Não é cabível reconvenção em ações de rito sumário. já que ambos são conversíveis para o rito ordinário. entretanto. o oferecimento da contestação não é requisito para a admissibilidade da reconvenção. em face da natureza dúplice desse.1. 9.112506-5. enunciado n. pouco importa se é condenatória. Em terceiro lugar. Diário da Justiça de 14 de fevereiro de 2008. 2006. do Código de Processo Civil. artigo 103 do Código de Processo Civil. na jurisprudência: “AÇÃO DE COBRANÇA. 458 Cf.01.01. RITO SUMÁRIO.01. Por fim. já que a reconvenção afasta os efeitos processuais previstos nos artigos 322 e 330.1. o importante é que o processo seja cognitivo. não é admissível reconvenção em processos executivo e cautelar458. Daí outra diferença entre a reconvenção e a ação declaratória incidental. desde que fundado nos mesmos fatos referidos na inicial (art. artigo 31 da Lei n. “Não se mostra cabível a reconvenção em sede de rito sumário. enunciado n. inciso II. 278. Na falta de contestação. Com efeito. 292 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “A reconvenção é cabível na ação monitória. artigo 278.099. 2007. RECONVENÇÃO. 1. p.À vista do artigo 315 do Código de Processo Civil. 455 Cf. do Código de Processo Civil. Em segundo lugar. Cf. 1 . Aliás.453). do Código de Processo Civil. constitutiva ou declaratória457. 117). a reconvenção só é admissível em processo cognitivo sob rito ordinário ou pelo menos conversível em procedimento ordinário. após a conversão do procedimento em ordinário”. há revelia no sentido técnico. 459 Cf. Em contraposição. 454 Cf.” (Apelação n. 79). não é admitida a reconvenção. Ainda em relação à natureza do processo cognitivo. Diário da Justiça eletrônico de 9 de outubro de 2008. 5ª Turma Cível do TJDF. muito menos no procedimento sumaríssimo dos juizados especiais456. o juízo deve ter competência para ambas as demandas: a originária e a reconvencional. no qual as ações são de natureza dúplice. a qual só tem lugar quando há contestação do réu459. há a necessidade de conexão da reconvenção com a demanda originária. De acordo. NÃO CABIMENTO. Diário da Justiça eletrônico de 25 de junho de 2008.” (Apelação n. é indispensável que o juízo no qual tramita o processo instaurado por força da demanda primitiva também tenha competência para processar e julgar a demanda objeto da reconvenção.” (Apelação n. “Tratando-se de procedimento sumário. se o réu apresentar reconvenção sem contestar. 6ª Turma Cível do TJDF. § 1º. p. p. mas não todos os efeitos da revelia.

mas. 168 . a desistência daquela (demanda originária) não impede o prosseguimento e o julgamento da reconvenção. inciso I.060. Cf. Prazo da reconvenção À vista do artigo 297 do Código de Processo Civil. Daí a conclusão: o artigo 317 do CPC autoriza o processamento e o julgamento da reconvenção até mesmo quando há desistência ou outro óbice ao seguimento da demanda originária. da Lei n.” (sem os grifos no original).” (Revista Forense. e não em apenso. nos termos do artigo 522 do Código de Processo Civil460. A despeito do indeferimento liminar da petição inicial. § 5º. como bem revela o artigo 317 do Código de Processo Civil. 26). Indeferimento da petição inicial da reconvenção Se a reconvenção for inadmissível na espécie. Com efeito. e 513 do Código de Processo Civil. bem assim pelo artigo 5º. volume 252. A petição inicial da reconvenção é juntada aos próprios autos do processo. 40 do Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “Do indeferimento liminar da reconvenção cabe agravo de instrumento. o juiz determina a distribuição por dependência da reconvenção. conclusão n. o qual prossegue para o julgamento da demanda originária. que apreciam a incompetência relativa e que liminarmente indeferem a reconvenção. o juiz indefere liminarmente a petição inicial. 267. com as anotações necessárias. sim. como já estudado em tópico anterior. o indeferimento da petição inicial da reconvenção não se dá por sentença apelável. a reconvenção deve ser veiculada em petição inicial autônoma. Petição inicial autônoma À vista do artigo 299 do Código de Processo Civil. a qual deve cumprir todos os requisitos dos artigos 282 e 283 do mesmo diploma. 8. nos termos do artigo 253 do Código de Processo Civil. 58 do 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “O agravo de instrumento é o recurso adequado contra as decisões que julgam a impugnação ao valor da causa. a regra inserta no artigo 297 do Código de Processo Civil é mitigada pelos artigos 188 e 191 do mesmo diploma. porquanto não há extinção da fase cognitiva do processo. de 1950. a reconvenção deve ser ajuizada no prazo de quinze dias da citação do réu. por decisão interlocutória agravável por instrumento. p. § 1º. Conclusos os autos. 9. Não obstante. conclusão n. 7. 1.6. a hipótese não se coaduna com os artigos 162. Autonomia processual da reconvenção A despeito do necessário vínculo entre a demanda originária e a reconvenção. 460 Cf.

há a prolação da sentença. o juiz determina a distribuição da mesma por dependência. Em seguida. tudo nos termos do artigo 316 do Código de Processo Civil. da sentença cabe apelação. consoante o disposto no artigo 318 do Código de Processo Civil. Após a instrução probatória e apresentadas as alegações finais. Admitida a petição inicial. conforme a determinação do juiz. em quinze dias. a demanda originária e a reconvenção. na pessoa do respectivo advogado. Por fim. Como só há uma sentença. há a “intimação” do autor-reconvindo. com a respectiva anotação pelo distribuidor. há a dilação probatória conjunta tanto para a demanda originária quanto para a reconvenção. basta uma apelação. Procedimento da reconvenção Conclusos os autos com a reconvenção. para contestar a reconvenção no prazo de quinze dias. a um só tempo. por escrito ou oralmente.10. ainda que verse sobre a demanda originária e a reconvenção. ex vi do artigo 253 do Código de Processo Civil. 169 . por meio da qual o juiz resolve.

DAS EXCEÇÕES RITUAIS

1. EXCEÇÕES: CONCEITOS E CLASSIFICAÇÕES O vocábulo “exceção” é equívoco, tendo em vista as muitas acepções do termo na linguagem jurídica461. Em primeiro lugar, o vocábulo “exceção” é sinônimo de “defesa”. Sem dúvida, na acepção ampla, “exceção” é toda e qualquer forma de contraposição ao direito de ação. Com efeito, reconhecido o direito de ação no artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal, há o igual direito de defesa consagrado no artigo 5º, LV, do mesmo diploma. É, em suma, o sentido que se confere ao termo “exceção” na acepção ampla462. Em segundo lugar, o vocábulo “exceção” significa “defesa de mérito indireta”, como obstáculo à pretensão do demandante, mas sem a negativa do fato constitutivo veiculado na petição inicial. A prescrição, a decadência e o descumprimento do contrato463 são, portanto, exemplos de “exceções materiais”, vale dizer, “exceções substanciais”464. Por fim, há as “exceções rituais” ou “exceções processuais”, as quais podem versar sobre incompetência relativa do juízo, suspeição do juiz e impedimento do juiz465. Na verdade, são as únicas exceções previstas no Código de Processo Civil sob a denominação “exceção”. 2. EXCEÇÕES E OBJEÇÕES

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De acordo, na doutrina: “Passemos ao substantivo ‘exceção’. Sem dúvida, cuida-se de palavra equívoca, que no correr dos anos tem sido empregada em sentidos diversos, para designar ora o gênero ‘defesa’, ora a espécie dotada de tal ou qual característica. A equivocidade, porém, é um mal, e tudo aconselha a que evitemos contribuir para perpetuá-la – ou, pior, para agravá-la.” (JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA. Exceção de pré-executividade: uma denominação infeliz. Temas de direito processual. Sétima série, 2001, p. 120). “O próprio vocábulo exceção, em processo, é usado em várias acepções.” (MOACYR AMARAL SANTOS. Primeiras linhas de direito processual civil. Volume II, 24ª ed., 2008, p. 199). 462 Em reforço, vale conferir a doutrina especializada: “A palavra ‘exceção’ também é usada, no sentido clássico, como sinônimo de ‘defesa’, numa acepção ampla, abrangendo todos os meios pelos quais o réu se opõe à ação do autor, em qualquer plano (Couture).” (ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. Dicionário do Código de Processo Civil brasileiro. 2ª ed., 1994, p. 283). “Num sentido amplíssimo, por exceção se entende qualquer defesa do réu, de natureza processual ou de mérito. Exceção é sinônimo de defesa. Direito de defesa e direito de exceção são expressões equivalentes”. “Nesse sentido é que se diz que, como o autor é titular do direito de ação, o réu é titular do direito de defesa, ou de exceção.” (MOACYR AMARAL SANTOS. Primeiras linhas de direito processual civil. Volume II, 24ª ed., 2008, p. 199 e 197). 463 Aliás, os artigos 476 e 477 do Código Civil tratam “da exceção de contrato não cumprido” (sem o grifo no original). 464 De acordo, na doutrina: JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA. O novo processo civil brasileiro. 27ª ed., 2008, p. 39. 465 Cf. artigos 297, 299 e 304, todos do Código de Processo Civil.

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Ainda em relação às classificações das exceções, a melhor doutrina distingue as que dependem de provocação pelo jurisdicionado interessado das que são apreciáveis de ofício, as quais são verdadeiras “objeções”466. Por conseguinte, apenas a exceção de incompetência relativa é propriamente exceção, ao passo que as exceções de suspeição e de impedimento são verdadeiras objeções. Não obstante, como o legislador optou pelo tratamento conjunto da incompetência relativa, da suspeição e do impedimento, todos sob a mesma (“exceção”) ao longo dos artigos 297, 299, 304, 305 e 306 do Código de Processo Civil, adotar-se-á a terminologia codificada no presente compêndio, com a ressalva da distinção doutrinária acima exposta. 3. EXCEÇÕES RITUAIS: CONCEITO E ESPÉCIES À vista dos artigos 297, 299, 304, 305 e 306 do Código de Processo Civil, é lícito afirmar que as exceções rituais são respostas que versam sobre determinados pressupostos processuais: incompetência do juízo e imparcialidade do juiz. Daí as três espécies de exceções rituais insertas no artigo 304 do Código de Processo Civil: – exceção de incompetência relativa, prevista no artigo 112 do Código de Processo Civil; – exceção de impedimento, nas hipóteses dos artigos 134 e 136 do Código de Processo Civil; – exceção de suspeição, nos casos do artigo 135 do Código de Processo Civil. Em contraposição, a incompetência absoluta não é suscitada mediante exceção, mas, sim, como preliminar na contestação ou até mesmo em petição avulsa, em qualquer tempo e grau de jurisdição. 4. DA ORDEM DE JULGAMENTO DAS EXCEÇÕES RITUAIS Na eventualidade de veiculação de todas as exceções rituais possíveis, as mesmas devem ser julgadas à vista da maior gravidade do vício: impedimento, suspeição e incompetência relativa.

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“Acontece que, das várias acepções atribuídas ao vocábulo ‘exceção’, uma faz jus, até por motivos históricos, à preferência dos estudiosos: a que denota a impossibilidade de conhecimento ex officio pelo juiz, com a correspondente criação, pelo interessado, do ônus da alegação. Há defesas, com efeito, de que o órgão judicial pode e deve conhecer ainda que não alegadas: é o que ocorre, por exemplo, com a ‘ausência de pressupostos de constituição e de desenvolvimento válido e regular do processo’, com a perempção, a litispendência ou a coisa julgada, e com a falta de qualquer das ‘condições da ação’ (art. 267, ns. IV, V e VI, c/c o § 3º). Já outras só podem ser tomadas em consideração se as suscitar o interessados: assim, v.g., a incompetência relativa e, no plano substancial, omissis, a exceção de contrato não cumprido. A estas é que convém reservar o nomen iuris em foco.” (JOSÉ CARLOS BARBOSA MOREIRA. Exceção de préexecutividade: uma denominação infeliz. Temas de direito processual. Sétima série, 2001, p. 120 e 121).

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Com efeito, o vício de maior gravidade é o impedimento, o qual subsiste até mesmo ao trânsito em julgado, tanto que enseja ação rescisória, com fundamento no artigo 485, inciso II, do Código de Processo Civil. 5. PRAZO DAS EXCEÇÕES RITUAIS À vista da combinação dos artigos 297 e 305, ambos do Código de Processo Civil, as exceções devem ser oferecidas no prazo de quinze dias, contado do fato que ocasionou a incompetência relativa, o impedimento ou a suspeição, conforme o caso. Não obstante, a interpretação teleológica do artigo 305 do Código de Processo Civil conduz à conclusão de que o prazo de quinze dias para a veiculação da exceção tem como termo inicial o conhecimento do fato gerador da incompetência relativa, do impedimento ou da suspeição. Por fim, o novel parágrafo único do artigo 305 autoriza a veiculação da exceção de incompetência relativa tanto no protocolo do juízo em que tramita o processo quanto no juízo do domicílio do réu. Já as exceções de impedimento e de suspeição só podem ser veiculadas no protocolo do juízo em que tramita o processo, porquanto a Lei n. 11.280 teve em mira apenas a exceção de incompetência relativa. 6. PETIÇÃO AUTÔNOMA As exceções rituais devem ser veiculadas por meio de petições autônomas, as quais são autuadas em apenso aos autos principais do processo, tendo em vista o disposto no artigo 299 do Código de Processo Civil. 7. PROCURAÇÃO: A ERRONIA DO ENUNCIADO N. 7 DA SÚMULA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO FEDERAL No que tange à procuração outorgada ao advogado do excipiente, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal aprovou o enunciado n. 7, nos seguintes termos: “Para o advogado postular em juízo exceção de suspeição de magistrado, mister se faz procuração com poderes especiais”. Não obstante, o verbete sumular contraria o disposto no artigo 38 do Código de Processo Civil, porquanto o preceito legal não exige poder especial algum para a veiculação das exceções rituais, até mesmo para as exceções de suspeição e de impedimento. Daí a erronia do enunciado n. 7, no que tange ao processo civil467.
467

Tanto que o STJ não prestigiou acórdão proferido pelo TJDF, à vista do enunciado n. 7 da Súmula da Corte Distrital, porquanto o verbete contraria o disposto no artigo 38 do CPC: “PROCESSUAL CIVIL.

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8. SUSPENSÃO DO PROCESSO E SUSPENSÃO DOS PRAZOS PARA CONTESTAR E RECONVIR Protocolizada a exceção ritual, o processo fica suspenso desde logo, com a imediata suspensão também dos prazos processuais. Com efeito, ao contrário do que pode parecer à vista da literalidade do artigo 306 do Código de Processo Civil (“Recebida a exceção”), a suspensão não se dá a partir do recebimento da exceção pelo juiz, mas, sim, desde a protocolização da mesma. Sem dúvida, apresentada a exceção, há a imediata suspensão do processo, com a igual suspensão dos eventuais prazos processuais pendentes, por força do artigo 180, in fine, combinado com o artigo 265, inciso III, ambos do Código de Processo Civil468. Aliás, até mesmo os prazos peremptórios – como o prazo contestar e reconvir – são suspensos por força de exceção ritual469. Por fim, o processo e os respectivos prazos só voltam a correr após as intimações dos advogados das partes acerca do término da suspensão470, com a exclusão do dia do oferecimento da exceção, da contagem do prazo remanescente471. 9. JULGAMENTO DAS EXCEÇÕES No que tange à exceção de incompetência relativa suscitada em primeiro grau de jurisdição, é julgada pelo próprio juiz excepto, por meio de decisão interlocutória, passível de recurso de agravo, com fundamento no artigo 522 do CPC. A propósito, vale conferir a conclusão n. 58 do 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “O agravo de instrumento é o recurso adequado contra as decisões que julgam a impugnação ao valor da causa, que apreciam a

EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO. PROCURAÇÃO COM PODERES ESPECIAIS. DESNECESSIDADE. NULIDADE DO ACÓRDÃO. MÉRITO. PREQUESTIONAMENTO. Omissis. 4. Segundo a dicção do artigo 38 do CPC, a regra geral é de que a procuração "habilita o advogado a praticar todos os atos do processo", sendo que as exceções constam expressamente na parte final dessa norma e dentre elas não se encontra a exigência de poderes especiais para argüir a exceção de suspeição. 5. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte.” (REsp n. 595.522/DF, 2ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 7 de novembro de 2005, p. 196). 468 De acordo, na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. EXCEÇÃO DE SUSPEIÇÃO. SUSPENSÃO IMEDIATA DO PROCESSO. ATOS PROCESSUAIS PRATICADOS NO PROCESSO PRINCIPAL. NULIDADE. PRECEDENTES. - A simples oposição de exceção, independente de seu recebimento pelo juiz, é ato processual apto para produzir a suspensão do processo.” (REsp n. 316.258/AM, 3ª Turma do STJ, Diário da Justiça eletrônico de 28 de agosto de 2008). 469 Cf. artigos 180, in fine, e 265, inciso III, ambos do Código de Processo Civil. 470 Assim, na jurisprudência: “I – Julgada a exceção de incompetência, reinicia-se o prazo para a contestação, sendo necessário que a parte, através de seu advogado, seja intimada para a prática do ato no prazo restante.” (REsp n. 73.414/PB, 4ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 5 de agosto de 1996, p. 26.364). 471 De acordo, na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. SUSPENSÃO DO PROCESSO. RESTITUIÇÃO DO PRAZO RESTANTE. Nas hipóteses de suspensão do processo, para fins de restituição de prazo restante, não se conta o dia da prática do ato acarretante da suspensão.” (REsp n. 15.038/SP, 3ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 9 de novembro de 1992, p. 20.365).

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incompetência relativa e que liminarmente indefere a reconvenção”472. A propósito, reforça a correta conclusão n. 41 do Simpósio de Curitiba: “Cabe agravo de instrumento contra o julgamento da exceção de incompetência relativa em primeiro grau de jurisdição”473. Em contraposição, as exceções de suspeição e de impedimento não são apreciadas pelo juiz excepto. Se o mesmo pronunciar a suspeição ou o impedimento, os autos seguem para o juiz substituto. Se o juiz excepto firmar sua imparcialidade, os autos sobem ao tribunal, para julgamento da exceção, tudo nos termos do artigo 313 do Código de Processo Civil.

472 473

Anais do VI Encontro dos Tribunais de Alçada do Brasil. 1984, p. 179. Revista dos Tribunais, volume 482, p. 272.

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DA AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL 1. Conceito e natureza jurídica A ação declaratória incidental é a demanda cognitiva que tem lugar no bojo de processo pendente, para a resolução de alguma questão prejudicial, com força de coisa julgada material. Com efeito, trata-se de demanda cognitiva de natureza declaratória, para o reconhecimento da existência ou da inexistência de alguma relação jurídica, tudo nos termos dos artigos 4º, 5º, 325 e 470, todos do Código de Processo Civil. 2. Objeto da ação declaratória incidental: questão prejudicial O objeto da ação declaratória incidental é uma questão prejudicial. Prejudicial é a questão cuja solução influencia no resultado da questão subsequente, cujo julgamento ocorre necessariamente após ao daquela474. Já a preliminar é a questão cuja decisão pode conduzir à inexistência de julgamento da questão seguinte, como bem estabelece o caput do artigo 560 do Código de Processo Civil475. Daí a diferenciação: enquanto a prejudicial interfere no conteúdo do julgamento da questão subsequente, o qual deve ocorrer logo em seguida, a preliminar pode impedir o próprio julgamento da questão ulterior; rejeitada a preliminar, todavia, não há interferência alguma no julgamento da questão seguinte476. 3. Escopo da ação declaratória incidental À vista do artigo 470 do Código de Processo Civil, a ação declaratória incidental tem como escopo conferir força de coisa julgada material ao pronunciamento acerca da questão prejudicial, para que a mesma seja resolvida em definitivo.
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“São exemplos de questão prejudicial: a do parentesco na ação de alimentos ou de investigação de paternidade; a da inexistência do casamento na ação de separação judicial, divórcio ou de anulação de casamento, a de já estar extinta a sociedade comercial, cuja dissolução foi requerida; etc.” (Alcides de Mendonça Lima. Dicionário de direito processual civil. 2ª ed., 1994, p. 488). Além dos didáticos exemplos de autoria do eminente processualista, também a questão prejudicial que envolve a inconstitucionalidade de lei em demanda movida pelo contribuinte para se ver livre da exação, bem como a questão relativa ao parentesco em demanda de petição de herança fundada no artigo 1.824 do Código Civil tem natureza prejudicial. 475 Os pressupostos processuais, a perempção, a litispendência, a coisa julgada e as condições da ação são preliminares processuais. Já a prescrição e a decadência são preliminares, de mérito, mas preliminares! 476 Na precisa lição do Professor Barbosa Moreira, “a denominação de prejudiciais é, pois, a que histórica e lògicamente mais convém às questões de cuja solução depende o teor da solução de outras”. “À outra classe de questões prévias ou prioritárias de cuja solução pode decorrer, para o juiz, a dispensa ou o impedimento de ir além — ficará, então reservado o nome de preliminares” (Questões prejudiciais. 1971, p. 86 e 87). Também em sentido conforme: Araújo Cintra, Ada Grinover e Cândido Dinamarco. Teoria. 13ª, 1997, p. 312; e Nelson Nery Junior. Princípios. 5ª ed., 2000, p. 223.

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4. Princípios norteadores Tal como a reconvenção, a ação declaratória incidental é norteada pelos princípios da economia processual e da segurança jurídica. Daí a justificativa para o julgamento conjunto da questão prejudicial na mesma sentença477, com o aproveitamento do mesmo processo instaurado por força da demanda originária, a fim de que aquela (questão prejudicial) seja resolvida desde logo, em caráter definitivo. 5. Legitimidade ativa À vista da combinação dos artigos 5º, 297, 325 e 470, todos do Código de Processo Civil, é lícito concluir que não só o réu pode ajuizar a ação declaratória incidental, mas também o autor. 6. Prazos para a ação declaratória incidental Diante da dupla legitimidade ativa, o autor pode ajuizar a ação declaratória incidental no prazo de dez dias478. Já o réu deve ajuizar a ação declaratória incidental dentro dos mesmos quinzes dias disponíveis para as respectivas respostas, tendo em vista a combinação dos artigos 5º e 297 do Código de Processo Civil479. 7. Requisitos da ação declaratória incidental À vista dos artigos 5º e 470 do Código de Processo Civil, é indispensável o surgimento de questão prejudicial no curso do processo, para a resolução de alguma relação jurídica litigiosa de cuja existência ou inexistência depende o julgamento da demanda originária. Sob outro prisma, a ação declaratória incidental só pode ser proposta se o juízo em que tramita o processo também tiver competência para o julgamento da relação jurídica litigiosa. Por fim, a ação declaratória incidental só pode ser veiculada em processo de conhecimento, sob o rito ordinário. Não há lugar para a propositura da ação declaratória incidental em processo sob o rito sumário, em razão da vedação estampada no artigo 280 do Código de Processo Civil.
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Cf. conclusão n. 32 do Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “A ação declaratória incidental será julgada pela mesma sentença que apreciar a ação principal.” (Revista Forense, volume 252, p. 25). 478 Cf. artigo 325 do Código de Processo Civil. 479 Cf. conclusão n. 30 do Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “A ação declaratória incidental do réu deverá ser proposta dentro do prazo para resposta à ação principal.” (Revista Forense, volume 252, p. 25).

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8. Forma: petição inicial autônoma A ação declaratória incidental deve ser veiculada mediante petição inicial autônoma, com a observância dos requisitos dos artigos 282 e 283 do Código de Processo Civil, com dispensa, entretanto, da reiteração de dados e da reprodução de documentos já existentes nos autos do processo480. Por fim, a petição da ação declaratória incidental deve ser juntada aos próprios autos do processo, e não em apenso. 9. Indeferimento da petição inicial Se a ação declaratória incidental for inadmissível ou a respectiva petição apresentar defeito insanável, o juiz indefere a inicial mediante decisão interlocutória passível de agravo de instrumento, nos termos do artigo 522 do Código de Processo Civil481. 10. Procedimento da ação declaratória incidental Conclusos os autos com a petição inicial da ação declaratória incidental, o juiz determina a respectiva distribuição por dependência, com as anotações devidas, em cumprimento ao artigo 253, parágrafo único, do Código de Processo Civil. Admitida a petição inicial, há a intimação da parte, na pessoa do respectivo advogado, para que possa contestar em quinze dias482. Em seguida, há a dilação probatória conjunta tanto para a demanda originária quanto para a ação declaratória incidental. Após a instrução probatória e apresentadas as alegações finais, por escrito ou oralmente, conforme a determinação do juiz, a demanda originária e a ação declaratória incidental são julgadas em conjunto, em uma só sentença: “A ação declaratória incidental será julgada pela mesma sentença que apreciar a ação principal”483.

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Cf. conclusão n. 28 do Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “A ação declaratória incidental deve ser proposta com observância dos mesmos requisitos da petição inicial, à exceção daqueles que já se encontram nos autos” (Revista Forense, volume 252, p. 25). 481 Cf. conclusão n. 39 do Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “Do indeferimento liminar de ação declaratória incidental cabe agravo de instrumento.” (Revista Forense, volume 252, p. 26). 482 Cf. conclusão n. 31 do Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba: “É de 15 dias o prazo para resposta à ação declaratória incidental.” (Revista Forense, volume 252, p. 25). 483 Conclusão n. 32 do Simpósio de Direito Processual Civil de Curitiba. Revista Forense, volume 252, p. 25.

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DA RÉPLICA 1. Conceito A réplica – ou impugnação à contestação – é a contraposição do autor em relação à contestação, quando o réu evoca defesa de mérito indireta ou suscita alguma preliminar do artigo 301 do Código de Processo Civil, tudo nos termos dos artigos 326 e 327 do mesmo diploma. 2. Hipóteses de réplica A réplica só tem lugar quando o réu contesta e suscita alguma das defesas previstas nos artigos 326 e 327 do Código de Processo Civil. À vista do artigo 327 do Código de Processo Civil, o autor é intimado para impugnar a contestação quando o réu suscita alguma das matérias arroladas no artigo 301 do Código. Da mesma forma, suscitada alguma defesa de mérito indireta, o autor também deve ser intimado para apresentar réplica, no termos do artigo 326 do Código de Processo Civil. Em contraposição, se o réu não contesta ou o faz apenas por defesa de mérito direta, o autor não é intimado para se manifestar sobre a contestação. 3. Prazo À vista dos artigos 326 e 327 do Código de Processo Civil, o autor dispõe de dez dias para impugnar a contestação do réu por meio da réplica. 4. Procedimento Apresentada a réplica, a mesma é juntada aos próprios autos, os quais sobem conclusos ao juiz para a prolação do julgamento conforme o estado do processo ou da decisão de saneamento, conforme o caso.

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inciso I. § 1º. 10. p. Como já anotado. a intimação das partes se dá por intermédio dos respectivos advogados: “A intimação às partes. artigos 330. ambos do Código de Processo Civil. incisos II a V. e 331. de 2002. para que o juiz possa deixar de designar a audiência à vista do grau de litigiosidade existente entre as partes. e 334. 26). sem audiência de instrução probatória. volume 252. inciso II. §§ 2º e 3º. ex vi do artigo 328. profere sentença terminativa ou definitiva. e 447. São três as hipóteses de julgamento conforme o estado do processo. Na eventualidade de transação. a audiência preliminar prevista no caput do artigo 331 não é obrigatória. artigo 331. A terceira e última hipótese de julgamento conforme o estado do processo reside no artigo 331 do CPC. proferida à luz dos artigos 269. poderá ser feita na pessoa dos respectivos procuradores. Cf. Se a causa versar sobre direitos patrimoniais de caráter privado. inciso I. Não obtida a transação entre as partes. inciso III. com o advento da Lei n. 487 Cf. o juiz pode – facultativamente486 – designar audiência preliminar. § 3º. para tentar terminar com o litígio mediante transação das partes ou dos respectivos procuradores dotados de poder especial para transigir487. A segunda hipótese de julgamento conforme o estado do processo reside no artigo 330 do CPC. Se o juiz constatar que não há necessidade de dilação probatória para a resolução das questões de fato e de direito que formam o mérito do litígio484. caput. 486 Cf. como bem revela a atual redação do artigo 338 do CPC. para a tentativa de conciliação em audiência. Por 484 485 Cf. 34 do Simpósio de Direito Processual Civil de 1975. do CPC. do Código de Processo Civil. Revista Forense. Por fim. do CPC.” (conclusão n. ou que o réu é revel e sofre o efeito material da revelia consubstanciado na presunção da veracidade dos fatos narrados pelo autor485. respectivamente. artigos 319 e 330. nas hipóteses dos artigos 326 e 327 do CPC.444. Com efeito. Trata-se de decisão interlocutória. combinado com os artigos 840 e 841 do Código Civil. à vista do artigo 331. A primeira hipótese reside no artigo 329: se o juiz constatar a ocorrência de algum dos casos arrolados nos artigos 267 e 269.DO JULGAMENTO CONFORME O ESTADO DO PROCESSO Apresentadas as respostas do réu e a posterior réplica do autor. o juiz profere a decisão de saneamento. o juiz verifica se há lugar para a prolação do julgamento conforme o estado do processo. ambos do Código de Processo Civil. com o imediato julgamento da causa. nos termos do artigo 269. a mesma será reduzida a termo e homologada pelo juiz mediante sentença. 179 . o § 3º do artigo 331 recebeu nova redação. artigos 331. combinado com o artigo 330. ambos do Código de Processo Civil. há lugar para a imediata prolação de sentença de procedência ou de improcedência do pedido.

V e VI do artigo 267 do Código de Processo Civil.conseguinte. § 3º.028).Despacho saneador que considerou presentes as condições da ação e do qual não se manifestou recurso. é lícito concluir que a prolação da decisão de saneamento. 43. para a sentença”. 104.” (cf. não impede que o juiz reconsidere a respectiva decisão interlocutória. tendo em vista o disposto no § 3º do mesmo preceito. Na mesma esteira. com o reconhecimento do cumprimento dos pressupostos processuais e das condições da ação. 267. p. Diário da Justiça de 29 de setembro de 1997. § 3º. merece ser prestigiada a conclusão n. 490 Com efeito. porquanto não há preclusão em relação às matérias arroladas nos incisos IV. tanto o Superior Tribunal de Justiça490 quanto o próprio Supremo Tribunal Federal491 já decidiram pela insubsistência do enunciado n. inaplicável o enunciado n. do Código de Processo Civil vigente. 25. 424 da Súmula do Supremo Tribunal Federal488. há lugar para recurso de agravo. V e VI do art. – A Súmula nº 424 continua em vigor. Por tudo. conduzido pelo seguro voto proferido pelo Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira. 267 do CPC”489. IV. Resta saber se todas as questões resolvidas na decisão de saneamento são alcançadas pela preclusão. salvo para as disposições previstas no art. não há preclusão em relação aos pressupostos processuais e às condições da ação. não há preclusão para o magistrado. Daí a insubsistência do enunciado n. 48. 9 do 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “Em se tratando de condições da ação não ocorre preclusão. p.” (sem o grifo no original). 424 da Súmula da Corte Suprema.138/SP: “Em se tratando de condições da ação e de pressupostos processuais.377: “. excluídas as questões deixadas. tendo em vista o disposto no artigo 522 do CPC. merece ser prestigiada a conclusão n. A propósito. a 4ª Turma do Superior Tribunal de Justiça afastou a incidência do n. volume 113. 1ª Turma do STF. RE n. mesmo existindo explicita decisão a respeito (CPC. explícita ou implicitamente. tendo em vista o disposto no § 3º do artigo 267 do Código de Processo Civil. À vista do artigo 267. 180 . em regra na modalidade retida. § 3º)”. 267. art. 489 Cf. Aliás. 1. por cuidar-se de matéria indisponível. 491 Cf. 488 “Transita em julgado o despacho saneador de que não houve recurso. volume 252. 424/STF a matéria que deve ser apreciada de oficio. do vigente Código de Processo Civil. p.469/DF. mesmo existindo expressa decisão a respeito. aprovado na vigência do anterior Código de Processo Civil de 1939. Revista Forense. 15 do Simpósio de Direito Processual Civil de 1975: “A preclusão não se opera quanto às matérias enumeradas nos ns. Diário da Justiça de 31 de maio de 1985 e RTJ. sem interposição de recurso de agravo. na eventualidade de as partes não agravarem. 424 durante o julgamento do REsp n. até mesmo de ofício. em que não ocorre a preclusão.

REsp n. 492 493 Cf. é conveniente. também resolve os requerimentos de provas veiculados pelas partes. tendo em vista o disposto no artigo 130 do Código de Processo Civil. mas pode ocasionar o prejuízo previsto no § 2º do artigo 453 do Código de Processo Civil. o juiz declara aberta a audiência.337: “. ressalvada a noticiada exceção prevista nos artigos 342 e 343 do Código de Processo Civil. na decisão de saneamento. 29. quando se dá “a portas fechadas”. salvo se o juiz determinar o depoimento pessoal de alguma das partes. o juiz também pode deferir eventuais provas propostas pelo Ministério Público e até mesmo determinar a produção de provas de ofício. quando há necessidade de intimação pessoal. as partes devem ser intimadas por intermédio dos respectivos advogados. Por conseguinte. além das provas requeridas pelas partes. sendo o não comparecimento interpretado como recusa a qualquer acordo”. a presença da parte é dispensável. 181 . Ressalvada a hipótese de determinação de depoimento pessoal pelo juiz. oportunidade na qual o oficial deve apregoar as partes e os respectivos advogados492. a audiência é una e contínua. tendo em vista a exceção do artigo 343 do Código de Processo Civil. salvo nas hipóteses previstas no artigo 155 do Código de Processo Civil. se não for possível concluir a instrução em um só dia. o juiz também designa audiência de instrução e julgamento. tudo nos termos do artigo 331. razão pela qual o juiz pode dispensar a produção da prova requerida pela parte representada pelo advogado que deixa de comparecer à audiência. Aliás. Na verdade. na contestação e na especificação de provas. No dia e hora designados. até mesmo a presença do advogado é dispensável. na petição inicial. Insista-se. Designada a audiência de instrução e julgamento. §§ 2º e 3º. Deferida a produção de prova testemunhal ou o depoimento pessoal de alguma das partes.738/BA. o juiz. tudo nos termos do artigo 444 do mesmo diploma. A audiência de instrução e julgamento é pública. À vista do artigo 455 do Código de Processo Civil. artigo 450 do Código de Processo Civil. 20. Diário da Justiça de 15 de agosto de 1994.Não obstante seja obrigatória a intimação das partes. do Código de Processo Civil. p. mas não é obrigatória493.DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO Não obtida a transação na audiência preliminar ou se não for o caso de designação de audiência preliminar. porquanto o não-comparecimento implica confissão. não se exige destas o dever de comparecer à audiência para a tentativa de conciliação. Cf. o juiz deve marcar o prosseguimento da audiência para dia próximo. 4ª Turma do STJ.

445 e 446. o respectivo representante também tem oportunidade de se manifestar ao final da audiência. § 2º. Finda a instrução probatória. Iniciada a audiência. o escrivão lavra. com a observância do disposto nos artigos 125.478. nos termos do artigo 456 do Código de Processo Civil. Ao final. que exerce o poder de polícia. as quais podem ser substituídas por memoriais escritos. artigo 9º da Lei n. 494 Cf. 182 . até mesmo em causas de família nas quais a lei autoriza a transação494. e artigo 3º. 447. § 3º. ex vi do artigo 454. o termo da audiência. sob ditado do juiz. 6. Na eventualidade de intervenção do Ministério Público. há a produção das provas deferidas pelo juiz. Se as partes transigirem. tudo nos termos dos artigos 269. o juiz profere sentença homologatória. à vista do artigo 457 do Código de Processo Civil. de 1968. Não obtida a conciliação. com a observância dos artigos 451 e 452 do Código de Processo Civil. caput. há a tentativa de conciliação pelo juiz. o juiz profere a respectiva sentença na própria audiência ou determina a conclusão dos autos. 5. 448 e 449 do Código de Processo Civil. todos do Código de Processo Civil.515. como bem revela o caput do artigo 454 do Código de Processo Civil. Após as manifestações dos advogados das partes e do representante do Ministério Público. o juiz concede a palavra aos advogados das partes para as alegações finais. inciso III. de 1977. da Lei n.A audiência é presidida pelo juiz. se o litígio versar sobre direitos patrimoniais de caráter privado. do Código de Processo Civil.

como o procedimento sumário e o procedimento ordinário são espécies do procedimento comum. 183 . Procedimento sumário versus procedimento ordinário Segundo o artigo 275 do Código de Processo Civil. como também o era na redação original do artigo 275 do Código de Processo Civil de 1973.”498. ambos do Código de Processo Civil. o procedimento sumário é obrigatório nas causas arroladas no preceito: “Observar-se-á o procedimento sumário:”. os procedimentos sumário e ordinário não são incompatíveis entre si. 16 do Simpósio de Direito Processual Civil de 1975: “Não podem as partes optar pelo procedimento ordinário nos casos em que a lei prescreve o procedimento sumaríssimo”497. “§ 3 Nos processos sob procedimento comum sumário. parágrafo único. do Código de Processo Civil. Embora o procedimento sumário seja regido por preceitos específicos. caput. Observar-se-á o procedimento sumaríssimo:”. Diário do Judiciário de Minas Gerais. é defesa a sentença ilíquida. Parte II. 497 Revista Forense. 275. É o que também estabelece a alínea “a” da conclusão n. fixar de plano.” (sem o grifo no original). 25. submetendo uma causa a este quando a lei prescreve aquele. 275. 498 Cf. 496 “Art. Trata-se de norma cogente. inciso II. a seu prudente critério. referidos no art.DO PROCEDIMENTO SUMÁRIO 1. p. se for o caso. para as partes ou para o juiz a faculdade de substituir o procedimento sumaríssimo pelo ordinário. e 475-A. 17 do Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada de 1981: “a) Inexiste. alíneas ‘d’ e ‘e’ desta Lei. 272. volume 252. por força do artigo 272. O o procedimento comum é ordinário ou sumário. 495 Cf. vale conferir o proêmio da conclusão n. Conceito O procedimento sumário é a espécie de procedimento comum495 de processo cognitivo marcada pela concentração dos atos processuais. as eventuais omissões dos preceitos de regência do procedimento sumário são sanadas mediante a aplicação subsidiária das disposições gerais do procedimento ordinário. 3. Com efeito. 1. p. quando o atual procedimento sumário era denominado “sumaríssimo”496. in verbis: “Art. Aplicação subsidiária das disposições gerais do procedimento ordinário Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. § 3º. em busca da maior celeridade na prestação jurisdicional. nas causas arroladas no artigo 275 do Código de Processo Civil. cumprindo ao juiz. 26 de fevereiro de 1982. A propósito da obrigatoriedade do procedimento previsto no artigo 275. 2. as regras gerais do procedimento ordinário ensejam aplicação subsidiária. o valor devido. artigos 272.” (sem o grifo no original).

devendo-se aproveitar todos os atos realizados. a propositura da demanda sob o rito ordinário não implica nulidade502. não é causa de nulidade do processo. integravam a 1ª Câmara Cível do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais em 1981 e 1982. Acolhem-se os embargos de declaração para. a alínea “b” da conclusão n. que o teor da alínea “a” também foi transcrito. 2. 501 Cf. não há nulidade499. o processamento da demanda sob o rito sumário fora das hipóteses legais implica nulidade503. 503 De acordo. porquanto não há prejuízo algum. 737. os então Juízes Sálvio de Figueiredo Teixeira e Walter Veado. Diário da Justiça de 1º de agosto de 2007. 4ª Turma do STJ. Em reforço. p. Parte II. Diário do Judiciário de Minas Gerais. declarar a nulidade dos atos praticados após o indevido despacho de 184 . 1. Com efeito.” (REsp n. mormente em razão da dilação probatória mais ampla. 6. mas cujo desate depende de prova pericial de maior complexidade. em atendimento à garantia constitucional de ampla defesa. por oportuno. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO PARA DETERMINAR A OBSERVÂNCIA DO RITO ORDINÁRIO. Diário da Justiça de 1º de julho de 2005.463/SP. devendo o juiz determinar a conversão quando possível. que possui ampla fase cognitiva.357/SP.Não há inépcia da inicial pela adoção do rito ordinário para as ações previstas no art.”501.A jurisprudência do STJ acolhe entendimento no sentido de que. “. inexistindo prejuízo para a parte adversa. em virtude da maior amplitude da defesa. A recíproca. Contudo. não é verdadeira: adotado o procedimento sumário no lugar do ordinário. p. p. 39 aprovado pela 1ª Câmara Cível do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais: “O procedimento não fica à escolha da parte. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Possível a alteração do rito sumário pelo ordinário.152/PE. 217). no bojo da página anterior. 413. se a parte acionar a demanda pelo rito ordinário. p. não se deve decretar a nulidade se foi observado o procedimento ordinário (CPC.989).Não obstante. à vista dos artigos 154.O emprego do procedimento ordinário. “II. 1ª Turma do STJ.888/SP – AgRg. NECESSIDADE DE DECLARAR OS EFEITOS. 17 do Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada de 1981 também merece ser prestigiada: “b) contudo. o que possibilita maior efetividade do princípio constitucional da ampla defesa. na jurisprudência: “Não há declarar-se nula a alteração do rito processual de sumário para ordinário. determinando fosse restabelecido o rito ordinário. em causa iniciadas sob o rito sumário. 275 do Código de Processo Civil. 2ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 4 de março de 1991. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não há nulidade do processo por ter sido escolhido o rito ordinário no lugar do rito sumário. Diário da Justiça de 12 de novembro de 2007.” (REsp n. 5ª Turma do STJ.” (REsp n. 1. 844. Sob outro prisma. o § 4º do artigo 277 do Código vigente até mesmo autoriza “a conversão do procedimento sumário em ordinário”. parágrafo)”500. Diário da Justiça de 9 de novembro de 2006. 244 e 250.” (REsp n. p. Vale lembrar. 487). pois prejuízo algum traz para o recorrente. em se tratando de causa na qual o procedimento sumaríssimo seria o adequado. 244 e 250. Por oportuno. “3. 1. 918. em vez do procedimento sumário ou mesmo especial. merece ser prestigiado o verbete n. “IV . p. 267). há nulidade processual. complementando a decisão turmária que proveu o recurso especial da parte. 26 de fevereiro de 1982. Daí a conclusão: ainda que a causa está arrolada no artigo 275.260/MG.741/RJ. entretanto. A propósito. 26 de fevereiro de 1982. Diário do Judiciário de Minas Gerais. caput. 3ª Turma do STJ. 533). ambos eminentes Professores de Direito Processual Civil da Faculdade de Direto da Universidade Federal de Minas Gerais. p. admissível é a conversão do rito sumário para o ordinário.” (REsp n. Parte II. Diário da Justiça eletrônico de 11 de novembro de 2009). 3ª Turma do STJ.” (REsp n. 500 Cf. todos do Código de Processo Civil. pois que disso não resulta prejuízo para a defesa. a não ser que se demonstre prejuízo. a erronia do rito não conduz à invalidade do processo. uma vez que no rito ordinário a possibilidade de dilação probatória é mais ampla. não identificado prejuízo para a defesa. na jurisprudência: “. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. 502 De acordo. NULIDADE DOS AUTOS PRATICADOS APÓS O DESPACHO DA INDEVIDA CONVERSÃO AO RITO SUMÁRIO. arts. PROVIMENTO. 499 De acordo.131.

“2. Corte). interdição. 2007. 604. as causas relativas ao estado e à capacidade das pessoas não podem ser processadas mediante o procedimento sumário. do CPC). e Apelação n.048726-4. As decisões tomadas por assembléias condominiais gozam de presunção de legitimidade e legalidade. na jurisprudência: Apelação n. 5ª Turma Cível do TJDF. 1. p.04.1.01. desde que fundado nos mesmos fatos referidos na inicial (art. p. 505 Assim. 116: “2 – Não ação de cobrança de despesas condominiais. não é admitida a reconvenção.1.AÇÃO DE COBRANÇA .” (Apelação n. Diário da Justiça eletrônico de 9 de outubro de 2008. 507 “CIVIL . Diário da Justiça de 25 de setembro de 2007. 5ª Turma Cível do TJDF. RITO SUMÁRIO. 2ª Turma Cível do TJDF. em face da natureza dúplice desse.001699-5/002. art. na jurisprudência: Apelação n.” (Apelação n. ambos do Código de Processo Civil.01. 1.002054-4. 4ª Turma do STJ. 64). não há lugar para a utilização do procedimento sumário504. indignidade. devido à natureza dúplice dessas. 6ª Turma Cível do TJDF.01.TAXA CONDOMINIAL .” (REsp n.111916-0. 5. do Estatuto Processual Civil. Diário da Justiça eletrônico de 24 de agosto de 2009. 280)”. Diário da Justiça de 3 de maio de 2007. a prestação de contas e o inventário. Consoante o disposto no artigo 280. não se admite oposição. em que sumário o procedimento. ainda que os respectivos valores estejam dentro do teto legal de sessenta salários mínimos. não se admite ação declaratória incidental. 2003. Daí a impossibilidade da utilização do procedimento sumário em causas de separação.ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA ASSEMBLÉIA QUE ALTEROU A CONVENÇÃO .01. 2004.Não é cabível reconvenção em ações de rito sumário.1.IMPOSSIBILIDADE DE DISCUSSÃO . 117).4. adoção. 2007. Diário da Justiça de 6 de março de 2006. 17ª Câmara Cível do TJMG.0024.01. 2007. “Tratando-se de procedimento sumário.1. investigação de paternidade. por força das peculiaridades provenientes do direito material.555/SP – EDcl. e 280. 94). CPC. no qual as ações são de natureza dúplice. 504 Assim. Diário da Justiça eletrônico de 25 de junho de 2008. RECONVENÇÃO. no procedimento comum sumário. § 1º. 6ª Turma Cível do TJDF. p. p. Sem dúvida. deserdação. visando ao reconhecimento de nulidade de assembléia que alterou a forma de rateio das despesas prevista na convenção condominial (Precedentes desta e. Também não podem ser processadas sob o procedimento sumário as causas sujeitas a procedimentos especiais. 506 De acordo. Causas excluídas do procedimento sumário À vista do parágrafo único do artigo 275 do Código de Processo Civil. “Não se mostra cabível a reconvenção em sede de rito sumário.007001-4. Por fim. Diário da Justiça de 28 de setembro de 2006. guarda. 280. incompatível com o procedimento sumário.” (Apelação n. 2004.1.153661-7. por exemplo. 2006. se há procedimento especial para o processamento da causa. 392).ART. A problemática da ação de denunciação da lide no procedimento sumário conversão ao rito sumário.01. divórcio. na jurisprudência: “AÇÃO DE COBRANÇA.112506-5. § 1º. p. 6ª Turma Cível do TJDF.1. Eventual vício na deliberação deve ser impugnado por meio de ação constitutiva. 185 . p. como a consignação em pagamento. p. tendo em vista o disposto nos artigos 277.” (Apelação n.124137-2. 79).1. 1. Diário da Justiça de 14 de fevereiro de 2008. a ação de reconvenção506 e a ação declaratória incidental507 em processos sob o rito sumário. 87. e não na via declaratória incidental. 1 .06. NÃO CABIMENTO. forma de intervenção de terceiros (CPC. não são admissíveis a ação de oposição505. eis que. confere-se ao réu a possibilidade de fazer pedido contraposto. por exemplo.453). 278.” (Apelação n. 3ª Turma Cível do TJDF. Diário da Justiça eletrônico de 21 de agosto de 2008. p.

p. Com a vigente redação do art. 280 . 509 “PROCESSUAL CIVIL. Inteligência do artigo 280 do Código de Processo Civil. não sendo esta a hipótese dos autos. No mais. “. passou a ser admissível a denunciação da lide em processo sob o rito sumário. Diário da Justiça eletrônico de 16 de junho de 2008. onde o hospital cobra pelo tratamento médico do acidentado. Na espécie dos Autos. o processo passa a ter duas demandas: a originária. do Código de Processo Civil. Na mesma esteira. 659. do denunciante contra o denunciado.444. proibiu a denunciação da lide em processo sob o rito sumário. AGRAVO CONHECIDO E PROVIDO. POSSIBILIDADE. que conferiu nova redação ao artigo 280 do Código de Processo Civil. Com efeito. conseqüentemente. 510 Assim.” (Apelação n. 9. Por conseguinte. incide a vedação prevista no artigo 280 do Código de Processo Civil509. pois. 219). mantida a vedação à denunciação da lide. com o advento da Lei n. 508 De acordo. 2ª Câmara Cível do TAMG. Recurso improvido. pela Lei Federal 10. do autor contra o réu. a denunciação da lide insere uma nova demanda no bojo do processo instaurado pela demanda originária. RITO SUMÁRIO. anteriormente apresentado. na doutrina: “Através da reforma instituída pela Lei nº 10.2.01. 280 do Código de Processo Civil é cabível a denunciação da lide em procedimento sumário.00.CPC. p. IMPOSSIBILIDADE. Não obstante. entretanto. o pedido há que ser submetido aos crivos do juízo de admissibilidade e da adequação de seu conteúdo às condições materiais de existência do direito individual. 2006. e. 116). 2. INTERVENÇÃO DE TERCEIRO. RECURSO IMPROVIDO. visa a nomeação à autoria e a denunciação da lide em ação que tramita sob o rito sumário. de acordo com a nova redação dada ao artigo 280 do CPC. Lições 186 .000533-6. NOMEAÇÃO À AUTORIA E DENUNCIAÇÃO DA LIDE FUNDADA EM CONTRATO DE SEGURO.444/2002. Em sede de Agravo de Instrumento para revisão de conteúdo de despacho de Juízo singular. ao alterar a redação do artigo 280. mesmo no rito sumário. A obrigação da transportadora pelo acidentado não se funda em contrato de seguro. DENUNCIAÇÃO À LIDE NO PROCEDIMENTO SÚMARIO.Incontroversa é a possibilidade de o Requerido denunciar à lide a sua Seguradora. 439.CPC”. inciso I. ainda na jurisprudência: AGI n. que modificou a redação do art. 4ª Turma Cível do TJDF.A denunciação da lide ou litisdenunciação é verdadeira ação incidente que se insere no bojo de processo pendente entre outras pessoas. de 2002. na ação de indenização por acidente de trânsito.863-0. todavia.1. Em suma. PRESENÇA DOS PRESSUPOSTOS DE PLAUSIBILIDADE DO DIREITO INVOCADO E DO PERIGO NA DEMORA. OCORRÊNCIA DE SINISTRO COM VIGÊNCIA CONTRATUAL.” (Apelação n. Os pressupostos da plausibilidade do direito invocado e do perigo na demora comparecem como indiscutíveis.” (Alexandre Freitas Câmara. correria o sério risco de ver seu direito perecer. AGRAVO DE INSTRUMENTO. Diário da Justiça de 11 de dezembro de 2004). a denunciação da lide é a demanda secundária condenatória incidental acionada no bojo de processo já instaurado. 280 do CPC. 45: “PROCESSO CIVIL. 1 A denunciação à lide no procedimento sumário só é possível quando fundada em contrato de seguro. nos termos do artigo 280 . alcançou-se uma solução intermediária. do acidente de trânsito). 2. mas admitindo essa modalidade de intervenção nos casos em que a mesma seja baseada em contrato de seguro (como no exemplo. Diário da Justiça de 12 de março de 2007. A Lei n. caso viesse a Agravante a aguardar o momento da decisão final para só então insurgir-se contra a decisão monocrática.” (REsp n. Em termos mais específicos.830/DF.245. 2008. e a denunciação da lide. p. de acordo com os regramentos do Estado. a denunciação não está autorizada pela exceção prevista na lei.444/2002. 3ª Turma do STJ. Possibilidade de intervenção de terceiros na vigência de contrato de seguro. de 1995. 1.109133-4. 3. na jurisprudência: “1. 1ª Turma Cível do TJDF. só é admissível a ação de denunciação da lide fundada em contrato de seguro510. ao qual a decisão monocrática de 2º grau negara atribuição de medida liminar. Diário da Justiça de 24 de julho de 2007. em processo sob o rito sumário. com fundamento em contrato de seguro508. ART. o AGI. 10. a fim de que uma pessoa (denunciado) seja condenada pelos danos causados a alguma das partes originárias do processo.

18ª Câmara Cível do TJMG. com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola. observados os limites percentuais da Lei”.0024. do Código de Processo Civil. inciso I. e causas com valores superiores ao teto legal do inciso I. desde que a matéria esteja inserta no inciso II do artigo 275 do Código de Processo Civil. as causas com valor igual ou inferior a sessenta vezes o valor do salário mínimo são processadas pelo rito sumário. 299. incluindo. p. benfeitorias e ou facilidades. Volume I. que alterou a redação do art. estudadas no anterior tópico 4. 59. I . LEI N. outros bens e ou facilidades.566. 6. RITO SUMÁRIO. porquanto as hipóteses arroladas no inciso II do artigo 275 não estão submetidas ao teto previsto no inciso I do mesmo artigo. SEGURADORA. 10. INTERVENÇÃO DE TERCEIRO. observados os limites percentuais da lei (artigo 96. ou não. ART. DENUNCIAÇÃO DA LIDE. de parte ou partes do mesmo. incluindo. e dos frutos. com a nova redação dada pela Lei 10.041527-1/001. com o objetivo de nêle ser exercida atividade de exploração agrícola.6. mesmo antes da vigência da Lei n. 280. 2ª Seção do STJ. 512 Cf. Por conseguinte. artigo 4º do Decreto n.01. por tempo determinado ou não. independentemente da natureza da matéria.. certa retribuição ou aluguel . artigo 3º do Decreto n. VI do Estatuto da Terra)”.444/02. Causas com valor igual ou inferior a sessenta vezes o salário mínimo À vista do artigo 275. Já inciso II arrola as causas sujeitas ao rito sumário. CPC.2. não há mais dúvida a respeito do tema. outros bens. de 1966: “Art.444/2002. 187 . invernagem. independentemente do valor da causa. agro-industrial. por tempo determinado ou não. no procedimento sumário. pecuária. mediante partilha de riscos do caso fortuito e da fôrça maior do empreendimento rural. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA PROVIDOS. produtos ou lucros havidos nas proporções que estipularem. p. de 1966: “Art 4º Parceria rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra. Causas sujeitas ao procedimento sumário O artigo 275 arrola as causas sujeitas ao procedimento sumário em dois incisos. extrativa ou mista. recria. 1. é permitida a denunciação da lide no procedimento sumário quando fundada em contrato de seguro. O inciso I dispõe sobre as causas com valor não superior a sessenta salários mínimos. pecuária. extrativa vegetal ou mista. independentemente do valor.444/2002. já se mostrava admissível. parte ou partes do mesmo. ressalvadas apenas as causas excluídas do procedimento sumário.” (Agravo n.Em interpretação teleológica. ou não. o uso especifico de imóvel rural. 370). benfeitorias.1. desde que o valor esteja dentro do teto legal do inciso I.Com a vigência da nova lei. os quais são independentes entre si. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. II . 59.084/RJ. a intervenção de terceiro fundada em contrato de seguro. o uso e gozo de imóvel rural. 280 do CPC. e acordo. agro-industrial. AÇÃO INDENIZATÓRIA. 280. 2008. 18ª ed. mediante. Diário da Justiça de 4 de maio de 2007). engorda ou extração de matérias primas de origem animal. 3º Arrendamento rural é o contrato agrário pelo qual uma pessoa se obriga a ceder à outra. O preceito alcança as causas em geral. de direito processual civil. POSSIBILIDADE.566. e ou lhe entrega animais para cria. 511 Cf. “Conforme disposição expressa do art. Causas sobre contratos de arrendamento e de parceria rural Também são processadas pelo rito sumário todas as causas que versam sobre contratos de arrendamento rural511 e de parceria rural512. 201). 6. CPC. 10. são admissíveis sob o procedimento sumário causas fora das matérias arroladas no inciso II.” (EREsp n. Diário da Justiça de 6 de outubro de 2003.

razão pela qual alcança tanto os condomínios de edifícios quanto os condomínios comuns do Código Civil.mista. III . de 1995. de 2006. só tem lugar quando o condômino locador. em razão da literalidade da alínea “a” (“de arrendamento rural e de parceria agrícola”). invernagem ou engorda. letra ‘b’. 59. a cobrança de quantias provenientes de contrato de locação de imóvel. inciso V. a expressão legal “parceria agrícola”513 deve ser interpretada em sentido amplo. ensejam execução direta. 6. em virtude da combinação dos artigos 1º. Ainda a respeito do polo ativo.3. as taxas e as despesas. 514 De acordo. ao contrário do que pode parecer à primeira vista.Com efeito. recria. nos termos do art. quando o objetivo da cessão forem animais para cria. de parte ou partes do mesmo. ou maquinaria e implementos. com a redação dada pela Lei n. artigo 5º. daquele mesmo diploma legal. IV . 275. Com efeito. na jurisprudência: “EMBARGOS DEVEDOR – EXECUÇÃO – TAXAS CONDOMINIAIS – CONDÔMINO DEVEDOR – FALTA DE TÍTULO EXECUTÁVEL – DESCABIMENTO –EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO DECRETADA DE OFÍCIO. quando o objeto da cessão fôr o uso de imóvel rural. com o objetivo de ser exercida atividade extrativa de produto agrícola. o condomínio precisa ajuizar prévia demanda cognitiva contra o condômino. quando o objeto da cessão fôr o uso de imóvel rural. com o objetivo de ser exercida atividade de transformação de produto agrícola. enquanto o condômino deve integrar o polo passivo. do Código de Processo Civil. animal ou florestal. inciso II. Na verdade. de 1966: “Art 5º Dá-se a parceria: I . como o aluguel. 59. 585. quando o objeto da cessão abranger mais de uma das modalidades de parceria definidas nos incisos anteriores”. II . Em contraposição. já que desafiam processo cognitivo com a observação do procedimento sumário. com fundamento em contrato de locação escrito. a alínea “b” dispõe sobre os condomínios em geral. do Código de Processo Civil. de parte ou partes do mesmo.extrativa. À vista da alínea “b”. sendo certo que a execução forçada com base no art. Causas de cobrança do condomínio contra condômino São igualmente processadas sob rito sumário as demandas de cobrança movidas contra condômino.pecuária. devidas pelo locatário ao locador.566. 11.agrícola. não só os litígios provenientes de arrendamento rural e de parceira agrícola são processados pelo rito sumário. tudo nos termos do artigo 585. independentemente do valor da causa. com a redação dada pela Lei n.382. 513 Cf. para só depois executar a posterior sentença condenatória514. sob o rito sumário. inciso I. inciso IV. para o pagamento de todas as quantias devidas ao condomínio. de 1966. 9. 4º e 5º do Decreto n. – As taxas de condomínio em atraso devidas pelo condôminoproprietário não são passíveis de cobrança forçada em sede de demanda executiva.agro-industrial. e ou animais de qualquer espécie. desde que comprovadas mediante documentos.245. enquanto o locador pode acionar imediata execução contra o locatário. em virtude da combinação do inciso II com a respectiva alínea “b” do artigo 275 do Código de Processo Civil. de parte ou partes do mesmo. pecuário ou florestal. cobra as 188 .566. V . fundado em contrato escrito. o condomínio deve ocupar o polo ativo da relação processual. do Decreto n. quando o objeto da sessão fôr o uso do imóvel rural. com o objetivo de nêle ser exercida a atividade de produção vegetal. com o alcance de “parceria rural”.

8ª Câmara Cível do TAMG. como bem decidiram o Tribunal de Justiça do Distrito Federal516 e os Tribunais de Justiça517 e de Alçada de Minas Gerais518. com fundamento no § 2º do artigo 12 da Lei n. da Lei n. 515 “1. de 2006. OBRIGAÇÕES CONDOMINIAIS. 63). do CPC. 474. 2004. Relator Desembargador João Mariosi. 408759-8.245. A via executiva é imprópria para a cobrança de encargos de condomínio aprovados em assembléia.591. letra ‘b’ do Código de Processo Civil. ‘b’. – Execução com base no CPC 585. em nome próprio. fundado em contrato escrito. Diário da Justiça de 21 de outubro de 1998. Colhe-se do voto do eminente relator. Com o advento das Leis nºs 9. é possível concluir que houve a revogação tácita do § 2º do artigo 12 da Lei n. em seu art. Diário da Justiça de 13 de outubro de 2005. Confira-se. Diário da Justiça de 18 de novembro de 1998. como previsto no art. e 11. SENTENÇA CONFIRMADA. AÇÃO EXECUTIVA – VIA INADEQUADA. É que é imprescindível que na execução fundada em contrato locatício que o exeqüente tenha figurado como locador naquele documento. prevê o procedimento sumário como o adequado para as ações de cobrança de encargos condominiais contra o condômino. 2006. do CPC. 4. na execução de título extrajudicial. na qualidade de mera administradora do imóvel. inciso II.023904-4. p.591. 1ª Turma Cível do TJDF. 517 Cf. “EMBARGOS DEVEDOR – EXECUÇÃO – TAXAS CONDOMINIAIS – CONDÔMINO DEVEDOR – FALTA DE TÍTULO EXECUTÁVEL – DESCABIMENTO.591/64. II. acórdão registrado sob o n. porquanto o inciso V do artigo 585 do Código de Processo Civil não enseja interpretação extensiva515.” (Apelação n. desafiando processo cognitivo com a observação do procedimento sumário. sendo incabível a ação de execução. como o contrato locatício objeto da lide. 275.07.” (Apelação n.515358-5/002.01.1. II.. letra ‘b’ do Código de Processo Civil.’ (APC 663984/1998. – A convenção do condomínio não tem o poder de transformar em título executivo extrajudicial as despesas condominiais devidas pelo condômino. qualquer que seja o valor: a) (. processualista de escol: “E.” (Embargos Infringentes n.” (Apelação n. Diário da Justiça de 28 de outubro de 2004). a imobiliária apelante não poderia executar a dívida objeto da lide em nome próprio. de 1995. 275. p.169-8.883-8. o Desembargador Arnoldo Camanho de Assis. não há lugar para a execução forçada do locatário. o que não ocorreu na presente hipótese. 1ª Turma Cível do TJDF. alínea ‘b’. “EMBARGOS DO DEVEDOR – EXECUÇÃO – TAXAS CONDOMINIAIS – CONDÔMINO DEVEDOR – ATAS DE ASSEMBLÉIA – AUSÊNCIA DE TÍTULO EXECUTIVO – EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO. agir em defesa dos interesses do proprietário do imóvel. as causas de cobrança ao condômino de quantias devidas ao condomínio devem observar o procedimento sumário do processo de conhecimento.017888-4.0024. É requisito indispensável para a propositura da ação de execução. cobra as despesas condominiais ao locatário. 4ª Turma Cível do TJDF. nos termos do art. 12. 8ª Câmara Cível do TAMG. quando a demanda for proposta por imobiliária.07. 516 Cf.Não obstante. da Lei n. para a cobrança. a jurisprudência desta Egrégia Corte de Justiça sobre a questão. Por despesas condominiais ao locatário. vale conferir o seguinte trecho do voto-condutor: “Com efeito. contra condômino ou a quem o represente. p..591/64 não subsiste em face do advento do CPC que. julgamento em 4 de julho de 2007. II. 10/04/2000)”.. Em reforço. 61). 1. é necessário que o exeqüente tenha figurado como credor no título executivo. Diário da Justiça de 22 de outubro de 2003). de 1964. Diário de Justiça de 22 de setembro de 2009). 438. de 1964. só detém processo de conhecimento. Resta saber se as despesas condominiais podem ser cobradas pelos condomínios mediante execução imediata. “PROCESSUAL CIVIL. 275. como é sabido. só tem lugar quando o condômino locador. com quem o proprietário-locador tem contrato para a administração do respectivo imóvel locado. 4. cuja discussão desafia processo cognitivo com a observação do procedimento sumário. com a vigente redação do art. nos termos do art. § 2º. procedimento sumário. IV. Não pode a imobiliária autora.) II – nas causas. 15ª Câmara Cível do TJMG. “Conforme dispõe o artigo 275. II.) b) de cobrança ao condômino de quaisquer 189 . preceitua o art. 280093). 4. que o exeqüente tenha figurado como locador no respectivo título executivo extrajudicial. 1ª Turma Cível.” (Apelação n. do Código de Processo Civil: ‘Observar-se-á o procedimento sumário: I – (.328. não mais processo de execução.” (Apelação n. fundada em contrato de locação. – As taxas de condomínio em atraso devidas pelo condômino-proprietário são inexecutáveis. 4. 518 Cf. A regra estampada no art. II.” (Apelação n. § 2º. fica certo que o condomínio. 5ª Turma Cível do TJDF. 12. 98).. nesse sentido. “Aliás.1. in verbis: ‘PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO – TÍTULO EXTRAJUDICIAL – CONTRATO DE LOCAÇÃO – LEGITIMIDADE ATIVA. ‘b’.659-8. 275. Assim. Recurso não provido. letra b. 275. 499.

alíneas ‘d’ e ‘e’ desta Lei. Somente se admite execução quando o condômino locador. 6. da Lei n.5. se for o caso. o valor devido”. 4.12. entretanto. mostra-se inadequado o socorro ao procedimento executivo. Causas de cobrança de seguros. ‘d’ do CPC sempre que os danos a serem indenizados provenham de acidente causado por veículo de circulação terrestre. Como se vislumbra do citado dispositivo. Ainda a respeito da interpretação da alínea “c”. inciso II. 275.Adota-se o procedimento sumário do Art. Nada importa a circunstância de o veículo se haver chocado com animal que irregularmente invadira a estrada. IV. os danos causados aos imóveis em geral são passíveis de ressarcimento mediante demanda cognitiva sob o rito sumário.” “Por conseguinte. à vista da alínea “b” do inciso II do artigo 275 do Código de Processo Civil. 6. exceto seguro de vida quantias devidas ao condomínio. para a cobrança direta de despesas condominiais. Causas de ressarcimento de danos de acidentes com veículo terrestre A alínea “d” versa sobre as causas de ressarcimento por danos causados em acidentes que envolvam veículos de via terrestre em geral519.1964. para cobrança de taxas condominiais em atraso. referidos no art.conseguinte. não só os danos em edifícios de apartamentos ensejam ressarcimento mediante o procedimento sumário. do CPC. independentemente dos respectivos valores. II. 3ª Turma do STJ. com a redação dada pela Lei n.6. 6.4. Ao proferir a sentença. entretanto. não resta dúvida de que o procedimento adequado a coagir o condômino ao pagamento de cotas condominiais em atraso é o sumário. 12. a seu prudente critério. 766. é defesa a sentença ilíquida. pois incompatível com o procedimento explicitado na lei processual. o § 3º do artigo 475-A impede a prolação de sentença ilíquida em processo sob rito sumário fundado na alínea “d”: “Nos processos sob procedimento comum sumário. Assim.591. não é admissível execução imediata movida por condomínio contra condômino. por exemplo. bicicletas. de 16. considera-se revogada. de 1995. 519 Assim. cumprindo ao juiz. motocicletas. Com efeito. 9. tendo em vista o fato de a convenção do condomínio não se caracterizar como título executivo extrajudicial”. como automóveis. Por conseguinte. 212). cobra as despesas condominiais do locatário. Causas de ressarcimento de danos em imóveis urbanos e rústicos A alínea “c” do inciso II do artigo 275 dispõe sobre as causas de ressarcimento de danos em imóveis urbanos e rurais. munido de contrato de locação escrito.245. porquanto a atual via processual adequada é a demanda cognitiva sob o rito sumário. 275. que previa a cobrança de cotas condominiais pela via executiva. charretes.’ (grifo nosso). § 2º. por lei posterior que versa sobre a mesma matéria processual.” (REsp n. o juiz deve fixar desde logo o valor devido. a parte final do art. Diário da Justiça de 15 de maio de 2006. p. o art. 585. 190 . o termo jurídico “prédio” é sinônimo de imóvel em geral. aplicando-se. locomotivas. fixar de plano.005/SP. na jurisprudência: “II .

O art. 1. o advogado pode cobrar os respectivos honorários mediante demanda cognitiva sob procedimento sumário. 6. ao proferir a sentença. em caso de falecimento. 4ª Turma Cível do TJDF. Diário da Justiça de 27 de outubro de 1999. alínea “f”. 6. Com efeito. 521 Cf. independentemente do valor. com fundamento no artigo 275. sumário) nas causas relativas aos danos pessoais mencionados na referida Lei. de 1974.03. Causas de cobrança de honorários de profissionais liberais As causas de cobrança de honorários dos profissionais liberais também são processadas sob o rito sumário. na hipótese prevista no artigo 24 da Lei n. não há dúvida de que o “seguro obrigatório” não enseja execução imediata. não consta mais do inciso III do artigo 585 do Código de Processo Civil. Não obstante. 35. p. mas.0114.” (Apelação n. por exemplo. na jurisprudência: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO – SEGURO OBRIGATÓRIO – TÍTULO EXECUTIVO – AUSÊNCIA. porquanto o § 3º do artigo 475-A impede a prolação de sentença ilíquida em processo sob rito sumário fundado na alínea “e” do inciso II do artigo 275 do Código de Processo Civil. marítimos e aeronáuticos também são processadas sob o rito sumário. 191 . Apelação n. Diário da Justiça de 6 de agosto de 2008).194/74 determina a observância do procedimento sumaríssimo (atualmente.1. hoje só há uma hipótese que enseja execução direta: a cobrança “de seguro de vida”. À vista do artigo 10 da Lei n. Na falta de contrato escrito. do Código de Processo Civil521. sendo incabível o ajuizamento de execução. o evento morte é essencial para a execução forçada do seguro de vida. apesar de a alínea “e” excluir “os casos de processo de execução”. entretanto. Resta saber se o denominado “seguro obrigatório” previsto no artigo 10 da Lei n. deve ser objeto de demanda cognitiva sob o rito sumário520. prevista na parte final do inciso III do artigo 585. 6. preceito segundo o qual o “contrato escrito” de honorários advocatícios é título executivo extrajudicial passível de execução imediata. No que tange ao seguro “de acidentes pessoais”. razão pela qual deve ser cobrado em demanda cognitiva sob o procedimento sumário. tal como se dá na hipótese do inciso III do artigo 585 do Código de Processo Civil: “seguro de vida”.As causas de cobrança de seguros relativos a danos provenientes de acidentes de veículos terrestres. razão pela qual a respectiva petição inicial deve ser instruída com a certidão de óbito. como. inciso II. o juiz deve fixar desde logo o valor devido.906.01. Por fim.010722-0/001. de 1994.7.194 enseja execução direta. sim. salvo seguro de vida. tendo em vista a ausência de título executivo extrajudicial.031904-4. 1998. Como é perceptível primo ictu oculi. 10 da Lei 6. 520 De acordo. 15ª Câmara Cível do TJMG. 8.194. passível de execução imediata. a alínea “f” contém ressalva de eventual autorização da respectiva cobrança mediante execução direta.

Com efeito. 4ª Turma do STJ. ART. DOUTRINA. II. o artigo 129. de 1973.245.676/GO. estabelece que as demandas de revisional de aluguel devem ser processadas sob o “rito sumário”. Diário da Justiça de 14 de maio de 2007.014. todos do Código de Processo Civil.112. por exemplo. POSSIBILIDADE. ou não522. Por exemplo. 8. na busca da outorga 522 De acordo. CPC. como.Ainda a respeito da alínea “f”.969/1981. sem vínculo empregatício. EXEGESE.9. p. do Código de Processo Civil. 4ª Turma do STJ. de 1937. 275. RECURSO DESPROVIDO. que dispõe sobre as causas acidentárias movidas contra o Instituto Nacional do Seguro Social. à vista das regras arroladas nos artigos 275 usque 281. 558 e 562. omissis” (REsp n. PROFISSIONAL LIBERAL. todos do Código Civil.213. 192 . 9. 6.8. 523 De acordo. p. com a redação conferida pela Lei n. de 2009. 6. também são processadas sob o rito sumário todas as causas reguladas por leis especiais anteriores ao advento da Lei n. vale dizer. 12. 401. é admissível a demanda de revogação da doação. Por fim. Causas de revogação de doação Nas hipóteses arroladas nos artigos 555. 310). o caput do artigo 68 da Lei n. no prazo decadencial de um ano. ‘f’. Diário da Justiça de 11 de setembro de 2000. ‘f’. a alínea “h” revela a existência de leis especiais que também determinam o processamento sob o rito sumário. 5º. 8. de 1991. nos termos do art. que versa sobre a usucapião especial523.” (REsp n.969. – O corretor de imóvel pode valer-se do procedimento sumário para cobrar a sua comissão.245. o artigo 5º da Lei n. 6. de 2009. da Lei n. alínea “g”. de 1995. com a redação conferida pela Lei n. 258). acerca da “ação de adjudicação compulsória” movida pelo compromissário contra o compromitente. 6. II. na jurisprudência: “I – Processando-se a ação de usucapião pelo rito sumário. a expressão “profissionais liberais” alcança todos os profissionais que exercem alguma profissão de forma autônoma. 557. Por força da novel Lei 12. Outras causas previstas em leis especiais Além das hipóteses arroladas no inciso II do artigo 275. independentemente de formação superior. CPC. inciso II. PROCEDIMENTO SUMÁRIO. e o artigo 16 do Decreto-lei n.400/PR. CORRETOR DE IMÓVEL. inciso II. de 1991. tendo em vista a nova redação conferida ao artigo 275. 58. várias leis anteriores a 1995 determinam o processamento sob o antigo “procedimento sumaríssimo”.122. IRRELEVÂNCIA NO CASO. 251. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. ao teor do art. a demanda de revogação de doação deve ser processada sob o rito sumário. da Lei n. 275. AÇÃO DE COBRANÇA DE COMISSÃO DE CORRETAGEM. 6. de 1981. quando o antigo “procedimento sumaríssimo” previsto no Código de Processo Civil passou a ser denominado “procedimento sumário”. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO ÓRGÃO (CRECI).

526 De acordo. o processo segue. A petição inicial é admitida. se desejar produzir prova testemunhal. independentemente do valor atribuído à causa.” (Apelação n. sumário) nas causas relativas aos danos pessoais mencionados na referida Lei. requerer a produção da prova pericial. C.194/74 determina a observância do procedimento sumaríssimo (atualmente. 350/353 do D. Petição inicial A petição inicial da demanda sob procedimento sumário deve ser elaborada à luz das regras gerais previstas nos artigos 39.” (REsp n. Consoante dispõem os artigos 16 e 22 do DL 58/37 c/c artigo 1. 5ª Câmara Cível do TJRJ).” (REsp n. art. 52 aprovada durante o 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada. apresentando.02709. por força da preclusão527. o autor que deixar de arrolar testemunhas. p. do CPC. AÇÃO DE ADJUDICAÇÃO COMPULSÓRIA. 1608/39. 108. sob pena de preclusão consumativa. c. d. A ação do tipo processa-se pelo rito comum sumário. e CODJERJ.E. portanto. 435. 524 De acordo. 10 da Lei 6. sob pena de preclusão consumativa526. mas sem a oitiva de testemunhas528. Preclusão. 15ª Câmara Cível do TJMG. I. de reconhecer-se a competência recursal como sendo do Egrégio Tribunal de Alçada Cível (ação de procedimento sumário em razão da matéria) . Daí a necessidade da especificação das provas já na petição inicial. 16.010722-0/001.” (AGI n. “I – A não-apresentação do rol de testemunhas quando do 193 . Declinação da competência. O autor.L. in verbis: “Nas causas sob procedimento sumaríssimo há preclusão se o autor não arrola as suas testemunhas quando do ajuizamento da causa”. 282 e 283 do Código de Processo Civil. na jurisprudência: “AGRAVO DE INSTRUMENTO. 525 De acordo. RITO SUMÁRIO.418 do CCB c/c artigo 275 II 'g' do CPC. 7. formular os quesitos que desejar esclarecer na produção de prova pericial e indicar o respectivo assistente técnico.Em observância à celeridade própria do rito sumário.03. mas também arrolar as testemunhas. III. Na espécie. conforme o silêncio do autor. 4ª Turma do STJ. Procedimento sumário. mas apenas a preclusão acerca da prova. Diário da Justiça eletrônico de 15 de dezembro de 2008). Recurso não conhecido. em 1983. depois de ajuizada a petição inicial. cumprirá à parte. 1. I.definitiva da escritura de imóvel524. O juiz não pode ouvir testemunha arrolada pelo autor. inciso I. Sem dúvida. 58/37. a teor das regras do art. todas as causas de leis anteriores relativas ao antigo “procedimento sumaríssimo” devem ser processadas sob o atual rito sumário525.024/MG. Diário da Justiça de 26 de maio de 2003. Ressalva do relator. do D. Rol apresentado pelo autor antes da audiência. para as ações de adjudicação compulsória fundadas em contratos de promessa de compra e venda de imóveis adota-se o rito sumário. 45939/09. tudo na petição inicial. 364). na jurisprudência: “TESTEMUNHA. 1218.581/RS – AgRg. Provimento do recurso. “Ação de Adjudicação Compulsória. os quesitos. com a redação da Lei 6014/73. formular quesitos e indicar assistente técnico na petição inicial não terá outra oportunidade processual. preceito específico de regência da petição inicial adequada para o rito sumário. 89. não só deve juntar a documentação indispensável. caput. com a indicação do assistente técnico. 528 De acordo. art. desde logo. quando da inicial. e à vista do artigo 276 do mesmo diploma. 63. omissis” (Apelação n. 6ª Turma do STJ. quando o atual procedimento sumário ainda era denominado “sumaríssimo”. sem a apresentação de respostas a quesitos e sem a intervenção de assistente técnico. Com efeito. Diário da Justiça de 6 de agosto de 2008). merece ser prestigiada a conclusão n. do art. 160. À vista da interpretação histórica.LC 35/79. 527 Em reforço.L. na jurisprudência: “O art.0114. 1997. 615. na jurisprudência: “. a omissão do autor em relação ao disposto no artigo 276 não ocasiona o indeferimento da petição inicial. e dos arts. art.001. 14ª Câmara Cível do TJRJ).

na jurisprudência: “1 – Versando sobre ação de cobrança pelo rito sumário (art.788/DF. p. 5ª Turma do STJ. 164. 530 Assim. vale dizer. do CPC. se a audiência foi designada para uma quarta-feira.Resta saber se a falta da formulação de quesitos impede a produção da respectiva prova pericial requerida na petição inicial. CITAÇÃO.047/SP. Citação e audiência de conciliação Admitida a petição inicial. caput e § 2º. a parte autora não necessita comparecer pessoalmente. 4ª Turma do STJ. 227. Diário da Justiça eletrônico de 5 de maio de 2008). ART. não fica precluso o direito de autor de produzi-los posteriormente. sendo bastante a presença de seu advogado dotado de poderes expressos para transigir. não há necessidade de comparecimento pessoal do réu. incisos I e II. Diário da Justiça de 23 de novembro de 1998. na exordial. A resposta é negativa: nada obsta à realização da perícia.269/SP. 61. do mesmo diploma. p. a ser realizada no prazo de trinta dias. 531 De acordo. Contra. § 3º. o termo inicial é a data da audiência. com instrumento de mandato que contenha poder especial para transigir. 180). dia que deve ser excluído da contagem: dies a quo non computatur in termino. Diário da Justiça de 27 de novembro de 2000. sob pena de revelia. bem como determina a citação do réu. 240. 705. A resposta é positiva: o prazo mínimo de dez dias deve observar a data da juntada do aviso de recebimento ou do mandado de citação cumprido. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO IMPEDE A REALIZAÇÃO DA PROVA.” (REsp n. na audiência de conciliação e julgamento promovida no procedimento sumário. na jurisprudência: “PROCEDIMENTO SUMÁRIO.” (REsp n. e 319. por força da preclusão consumativa. o primeiro dia do decêndio legal começa na terça-feira anterior. Diário da Justiça de 7 de fevereiro de 2000. nos termos do § 3º do artigo 277 do Código de Processo Civil530. 276 do CPC). na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. de seus quesitos não obsta a realização da prova pericial por ela requerida. ex vi dos artigos 277. mas sem solução de quesitos do autor. A citação do réu deve ocorrer com a antecedência mínima de dez dias da data da audiência. desde que obedecido o decêndio contido no art. está impedida de fazê-lo em momento posterior do procedimento. PERÍCIA. 171). importa em preclusão. na jurisprudência: “1. Com efeito. 168). Resta saber se o prazo de dez dias previsto no caput do artigo 277 do Código de Processo Civil deve ser contado à luz do artigo 241. p. parágrafo único. se for dia útil. 4ª Turma do STJ. 4ª Turma do STJ. desde logo. hoje sumário. 529 Assim.930/SP. REQUERIMENTO FEITA NA INICIAL SEM A APRESENTAÇÃO DE QUESITOS.” (REsp n. mas de forma regressiva. JUNTADA AOS AUTOS DO MANDADO CITATÓRIO COM PRAZO INFERIOR A DEZ 194 . conforme o caso531. 277. COBRANÇA DE COTAS CONDOMINIAIS. desde que o mesmo se faça representar na audiência por intermédio de advogado. a contagem do prazo de dez dias é feita à luz dos artigos 184. A teor do disposto no art.” (REsp n. RITO SUMÁRIO. Por conseguinte. 276 DO CPC. A contagem do prazo é regressiva. 277 do CPC. Na verdade. ainda que sem formulação de quesitos pelo autor529. 8. Não basta que a citação tenha ocorrido dentro de dez dias do ajuizamento da causa sob procedimento então denominado sumaríssimo. Apenas. e 241. para comparecer à audiência. apesar de não indicar o rol de testemunhas na petição inicial. O perito nomeado pelo juiz apresentará o respectivo laudo pericial. ambos do Código de Processo Civil. – O fato de a autora omitir-se na formulação. o juiz designa a audiência de conciliação.

é de se anular o processo a partir da audiência em questão.587. do CPC). 1 . quinta-feira.lançamento da assinatura do réu no aviso de recebimento ou no mandado de citação. PRAZO DE DEZ DIAS. realizada a assentada em 09 de agosto passado.245/95. 9.08.O prazo de dez dias estabelecido pelo art. 32. desatendido tal lapso temporal. a fim de anular o processo a partir da audiência de conciliação.002122-9. tendo o mandado de citação sido juntado aos autos em 30 de julho anterior (fls. no sumário é de aplicar-se a regra geral do art. p. 277 do 195 .08. Outro problema reside no décimo dia do prazo: deve ser computado. Recurso especial conhecido e provido. com a citação do réu para comparecer à audiência designada para o dia 9 de agosto de 2007. que a juntada do DIAS DA REALIZAÇÃO DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO. 532 De acordo. dou provimento à Apelação Cível e declaro a nulidade do processo por cerceamento de defesa.759). a 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal deu provimento ao recurso de apelação. SENTENÇA CASSADA.819. deve ser computado a partir da juntada aos autos do mandado respectivo. do CPC. 241. ao fundamento de que não foi observado o prazo do artigo 277 do Código de Processo Civil534. LEI N.1. 1. inicia-se a contagem do decêndio no dia 8 de agosto de 2007.245. p. 295.002122-9. CPC.Após a vigência da Lei nº 9. 1. quarta-feira. 533 Cf. 4ª Turma do STJ. E 277 DO CPC. 2007. 2ª Turma Cível do TJDF. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA ACOLHIDA. ANTECEDÊNCIA MÍNIMA DE DEZ DIAS. Com efeito. CITAÇÃO. 4ª Turma do STJ. Caso em que. registrado sob o n.245/1995. NULIDADE DO PROCESSO. de 26. À vista do quadro fático sub examine. segunda-feira. 241.1995. na jurisprudência: “II – A partir da Lei nº 9. à audiência de conciliação. Após o advento da Lei n. com a inclusão do último dia do prazo na contagem. Diário da Justiça de 12 de fevereiro de 2007. Diário da Justiça de 28 de fevereiro de 2008. é imprescindível que o decêndio mínimo tenha sido cumprido à luz do artigo 241 do Código de Processo Civil532. porquanto o preceito deve ser aplicado ao rito sumário ex vi do parágrafo único do artigo 272: incidem as regras gerais do procedimento ordinário na falta de disposição específica para o rito sumário.” (página 6). entre a citação do réu e a realização da audiência de conciliação. II. AUDIÊNCIA. 2ª Turma Cível do TJDF. “PROCEDIMENTO SUMÁRIO.1995.855/SP. a partir da audiência de conciliação. 534 Cf. o prazo não inferior a dez dias para a realização da audiência conta-se da juntada aos autos do mandado citatório (art.” (REsp n. 277. seguindo-se a regra do art. Recurso especial conhecido e provido. 4ª Turma do STJ. colhe-se na jurisprudência o seguinte exemplo533: o mandado cumprido foi juntado aos autos no dia 30 de julho de 2007. Apelação n. AUDIÊNCIA.” (REsp n. que introduziu alterações no Código de Processo Civil. ou não? Para facilitar a compreensão do problema. Apelação n. 2007. desacompanhado de advogado. .245. Diário da Justiça de 28 de fevereiro de 2008. p. 277 deve ser contado da data da juntada do mandado aos autos. de cujo acórdão. Considerou o Tribunal de Justiça. segundafeira. “Com essas considerações. 331. 241. CONTAGEM. 22.12. p. 233).131/DF.1. II. O prazo estabelecido no art. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 324.” (página 3). PROCEDIMENTO SUMÁRIO. II. Diário da Justiça de 24 de junho de 1996. 241.12.584/SP. 89/90). Com a exclusão do dia da audiência (vale dizer. o Réu/Apelante compareceu. 263). 9 de agosto). CONTAGEM. 89/90) e a audiência realizou-se no dia 09 de agosto seguinte. III. ou não? Como deve ser interpretada a expressão “antecedência mínima de 10 (dez) dias”? Deve ser interpretada à luz do caput do artigo 184 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 14 de outubro de 2002. o décimo dia do prazo se dá em 30 de julho de 2007. de 26. I.” (página 7). DATA DA JUNTADA DO MANDADO AOS AUTOS. Por conseguinte. determinando o retorno dos autos ao Juízo de origem para regular processamento do Feito. 9. PRECEDENTES DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. inciso II. p.” (REsp n. portanto.819: “DIREITO PROCESSUAL CIVIL. “ “In casu. o prazo de dez dias previsto no art. por ser o termo inicial. vale conferir os seguintes trechos: “A juntada do mandado deu-se em 30 de julho de 2007 (fls.

18ª ed. Se é certo que o artigo 188 não é aplicável em relação à contestação no procedimento sumário. desde a redação originária dos art. conforme regra do art. o último dia de prazo é incluído na contagem. 2 . dies ad quem computatur in termino. 535 Em prol da tese consagrada no precedente da 2ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal. o qual se inclui. 10 dias completos de prazo. 234: “A contagem é regressiva. por algum município. 241. Manual de direito processual civil. a doutrina prefere aplicar o princípio dies a quo non computatur in termino. Ainda em prol da incidência do caput do artigo 184 do Código de Processo Civil. utilizando o exemplo do TJDF. o mandado de citação deve ser juntado até 297. de trás para frente. porquanto o caput do artigo 277 só afasta a regra do artigo 188 em relação à contestação. para a audiência se realizar no dia 9-8. merece ser prestigiada a lição da melhor doutrina: Daniel Amorim Assumpção Neves.” (Lições de direito processual civil. e tendo o Réu comparecido à audiência desacompanhado de advogado e sem apresentar contestação. Doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais e Professor da mesma Instituição: "Uma das questões intrincadas no processo civil. porquanto a expressão “antecedência mínima” inserta no caput do artigo 277 parece afastar a regra geral do artigo 184 e. Como se sabe. também do CPC. o qual é excluído da contagem. por consequência. Código de Processo Civil. o primeiro dia de prazo será a sexta-feira anterior. pelo Distrito Federal. sim. sendo excluído da contagem. seguindo as regras normais de contagem de prazo. Não obstante. com a duplicação do prazo: a citação deve se dar pelo menos vinte dias antes da audiência de conciliação. não sendo dia útil. 277 fala em antecedência mínima. inciso II. vale conferir a respeitável lição do Juiz Federal Gláucio Maciel Gonçalves. Apelação Cível provida”. O primeiro dia de prazo é o da audiência de conciliação. 407 e 278. A interpretação que faço." (nota cuja publicação foi gentilmente autorizada pelo Professor Gláucio Maciel Gonçalves. não incide a regra geral inserta no artigo 188. isso significa que o réu tem direito a. o prazo vencerá na sexta-feira anterior”. reforça a autorizada lição do Desembargador Alexandre Freitas Câmara: “O dia do início do prazo é o dia da audiência. consagrado no caput do artigo 184. 196 . e não em relação aos recursos. sem afastar a incidência da regra geral de forma peremptória. ou seja. e o dia 10 o dia do vencimento. § 2º. aos autos. Sendo a audiência designada para uma segunda-feira. o preceito é aplicável em prol dos recursos cabíveis nos processos sob o rito sumário. é nulo o processo a partir da referida audiência. é contado a partir da juntada do mandado de citação/intimação. p. como o preceito legal é equívoco. 184.. a meu ver. a tese da inclusão do décimo dia na contagem. Assim. por culpa do art. de forma que. que vai terminar exatamente no dia 30-7. por alguma autarquia ou por fundação pública. Precedentes do E. mas. devidamente cumprido. 2008. Se o atual art. p. Volume I. diz respeito à contagem de prazo regressivo. Isso. sobretudo. 363 e 364). deve-se regredir até o primeiro dia útil e considerá-lo como o dia fatal do prazo. por algum estadomembro. a regra específica estampada no caput do artigo 277. quando o polo passivo for ocupado pela União.mandado deveria ter ocorrido antes do dia 30 de junho. caso o décimo dia seja um domingo. 2009. instrução e julgamento no procedimento sumário. portanto. Por fim. que deve permear entre a citação e a realização da audiência de conciliação. Superior Tribunal de Justiça. no mínimo. por ser o mesmo o décimo dia do prazo previsto no artigo 277535. estimado colega e amigo da vetusta Casa de Afonso Pena).Não observada a contagem do prazo e realizada a audiência de conciliação após nove dias da juntada do mandado de citação. 536 Em prol da tese consubstanciada na aplicação da regra inserta no caput do artigo 184 do Código de Processo Civil. começando a contar o prazo de dez dias no dia 8-8. de modo que o primeiro dia para fins de contagem de prazo é o primeiro dia útil anterior ao dia da audiência. Trata-se de vexata quaestio. é a de que o dia da audiência é excluído (9-8). mas. com a inclusão do décimo dia na contagem do prazo536.

ABERTURA DE PRAZO PARA ESPECIFICAÇÃO DE PROVAS . o juiz colherá a contestação do réu na própria audiência.” (Apelação n. À vista da preclusão consumativa. Diário da Justiça de 14 de fevereiro de 2008. desde que o faça na mesma audiência de conciliação.RITO SUMÁRIO IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA E À GRATUIDADE DE JUSTIÇA NA PRÓPRIA CONTESTAÇÃO POSSIBILIDADE .APRECIAÇÃO JUNTAMENTE COM O MÉRITO INVIBILIDADE .ART. o juiz confere ao réu a oportunidade de apresentar as respostas que desejar. 5ª Turma Cível do TJDF. Se a lei processual civil. em homenagem ao princípio da celeridade. 2007. A impugnação ao valor da causa é 537 538 Cf. “Não se mostra cabível a reconvenção em sede de rito sumário. tanto pelo réu quanto pelo autor. arrolar as testemunhas que desejar ouvir. do Código de Processo Civil. eis que. De acordo. tanto oralmente quanto por escrito. tudo nos termos do § 1º do artigo 278 do Código de Processo Civil: “É lícito ao réu.” (Apelação n. p. por intermédio de advogado.111916-0. desde que o faça na mesma audiência. o réu pode apresentar resposta defensiva. formular pedido em seu favor. no qual as ações são de natureza dúplice. tendo em vista a vedação inserta no proêmio do artigo 280 do Código de Processo Civil. Respostas do réu Não obtida a conciliação entre as partes ou os respectivos advogados537. Por conseguinte. até mesmo em tópico inserto na própria contestação539.1. § 1º. vale dizer. com possibilidade de veiculação de pedido contraposto. Além de contestar.01. Além da contestação. configura-se exagerada a determinação de que os mesmos devam seguir as formalidades 197 . tudo nos termos do artigo 278 do Código de Processo Civil.9. contestação. Diário da Justiça eletrônico de 9 de outubro de 2008. do CPC). RITO SUMÁRIO. muito menos para o oferecimento de contestação escrita após a veiculação de contestação oral na audiência. formular os quesitos e indicar o assistente técnico para eventual prova pericial. não há lugar para a apresentação de contestação depois do encerramento da audiência. 1 . desde que fundado nos mesmos fatos referidos na inicial”. na jurisprudência: “AÇÃO DE COBRANÇA. no curso da audiência. 539 De acordo.” (Apelação n. com fundamento nos mesmos fatos veiculados na petição inicial. p. 117). 2006. devido à natureza dúplice dessas.453). desde que fundado nos mesmos fatos referidos na inicial (art. desde que o faça na mesma oportunidade da contestação. 278. RECONVENÇÃO. artigo 277. 1. Também não é admissível ação declaratória incidental. 1. 276 CPC.INCOMPATIBILIDADE COM O PROCEDIMENTO SUMÁRIO . informalizou os procedimentos atinentes ao rito sumário. não é admitida a reconvenção.PRELIMINAR DE PRESCRIÇÃO . 6ª Turma Cível do TJDF. 2003.1. em face da natureza dúplice desse. o réu também pode impugnar o valor da causa. na jurisprudência: “AGRAVO DE INSTRUMENTO . 6ª Turma Cível do TJDF. 79). Com efeito.PROCESSUAL CIVIL . na contestação. oportunidade na qual o réu também deve apresentar os documentos disponíveis. permitindo que os incidentes de impugnação possam ser concretizados num mero item da resposta ou até por pedido oral. “Tratando-se de procedimento sumário. não há lugar para ação reconvencional no procedimento sumário538. Diário da Justiça eletrônico de 25 de junho de 2008. NÃO CABIMENTO. confere-se ao réu a possibilidade de fazer pedido contraposto. § 3º.01.1.002054-4. o réu também pode veicular pedidos contrapostos em relação ao autor. p.Não é cabível reconvenção em ações de rito sumário. Em primeiro lugar. tanto oralmente quanto por petição escrita. na audiência de conciliação.01.112506-5.

relevante para a discussão acerca da adequação do rito sumário, com a possibilidade do questionamento do procedimento escolhido pelo autor. Se o juiz acolher a impugnação ao valor da causa proposta à luz do artigo 275, inciso I, do Código de Processo Civil, há a conversão do procedimento em ordinário, nos termos do § 4º do artigo 277: “O juiz, na audiência, decidirá de plano a impugnação ao valor da causa ou a controvérsia sobre a natureza da demanda, determinando, se for o caso, a conversão do procedimento sumário em ordinário”. Por fim, são admissíveis as exceções rituais de suspeição do juiz, de impedimento do juiz e de incompetência relativa do juízo, as quais também devem ser veiculadas na própria audiência de conciliação, oralmente ou por escrito. A propósito, merece ser prestigiada a conclusão n. 17 do Simpósio de Direito Processual Civil de 1975, realizado em Curitiba, quando o atual procedimento sumário ainda era denominado “sumaríssimo”: “A exceção de incompetência, no procedimento sumaríssimo, deve ser deduzida na audiência, oralmente ou por escrito”540. 10. Assistência Em virtude da admissibilidade de assistência no procedimento sumário, na eventualidade de pedido de intervenção de terceiro na qualidade de assistente do autor ou do réu, o juiz decidirá o incidente, à vista dos artigos 50541 e 280542 do Código de Processo Civil, na própria audiência de conciliação ou logo após a formulação do requerimento pelo terceiro. 11. Audiência de instrução e julgamento Em regra, há apenas uma audiência no procedimento sumário, qual seja, “a audiência de conciliação” prevista nos artigos 277 e 278 do Código de Processo Civil. Não obstante, se o juiz, após o insucesso da tentativa de conciliação, deferir a produção de provas oral e pericial requeridas por alguma das partes,
previstas para o rito ordinário.” (Agravo de instrumento n. 2003.00.2.004448-3, 2ª Turma Cível do TJDF, Diário da Justiça, Diário da Justiça de 3 de março de 2004 p. 22) “PROCESSUAL CIVIL - RITO SUMÁRIO IMPUGNAÇÃO AO VALOR DA CAUSA COMO PRELIMINAR DA CONTESTAÇÃO - POSSIBILIDADE - NÃO COMPLEMENTAÇÃO DAS CUSTAS - EXTINÇÃO DO PROCESSO COM FUNDAMENTO NO ART. 267, INCISO IV- RECURSO CONHECIDO E NÃO PROVIDO.” (Apelação n. 476.739-8, 5ª Turma Cível do TJDF, Diário da Justiça de 26 de agosto de 1998, p. 71). 540 Revista Forense, volume 252, p. 25. 541 “A assistência será deferida somente quando estiver presente o interesse jurídico do assistente na demanda, não sendo possível tal deferimento quando o interesse for meramente econômico ou afetivo.” (AGI n. 1.0024.08.988656-8/001, 10ª Câmara Cível do TJMG, Diário da Justiça de 20 de novembro de 2009). 542 “AÇÃO DE COBRANÇA. EXPURGOS. RITO SUMÁRIO. ASSISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. EXCEÇÃO RESSALVADA. ART. 280, CPC. No rito sumário é admitida a intervenção de terceiros na forma da assistência, nos exatos termos do art. 280, e parágrafo único do art. 50 ambos do CPC.” (AGI n. 1.0024.08.284917-5/002, 13ª Câmara Cível do TJMG, Diário da Justiça de 6 de julho de 2009).

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deve designar data para a “audiência de instrução e julgamento” prevista no § 2º do artigo 278, in verbis: “§ 2º Havendo necessidade de produção de prova oral e não ocorrendo qualquer das hipóteses previstas nos arts. 329 e 330, I e II, será designada audiência de instrução e julgamento para data próxima, não excedente de trinta dias, salvo se houver determinação de perícia”. Finda a instrução probatória, o juiz deve conceder a palavra aos advogados das partes, para as alegações finais, na própria audiência. Após os debates orais, o juiz deve proferir sentença desde logo ou determinar a conclusão dos autos, para a prolação da sentença em dez dias, tudo nos termos do artigo 281 do Código de Processo Civil. 12. Prova pericial Consoante já anotado no anterior tópico 7, é admissível a produção de prova pericial no procedimento sumário. Não obstante, se o juiz constatar que a prova pericial a ser produzida é complexa e exige maior dilação probatória, há a conversão do procedimento em ordinário, ex vi do § 5º do artigo 277 do Código de Processo Civil: “A conversão também ocorrerá quando houver necessidade de prova técnica de maior complexidade”. 13. Sentença Findos a instrução e os debates orais, o juiz deve proferir sentença na própria audiência, ou determinar a conclusão dos autos, para a prolação em dez dias, tudo nos termos do artigo 281 do Código de Processo Civil. Ainda à vista do mesmo preceito, não há lugar para abertura de prazo para a entrega de memoriais escritos no procedimento sumário, porquanto não incide a regra inserta no artigo 456 do Código de Processo Civil543. No que tange às causas previstas nas alíneas “d” e “e” do inciso II do artigo 275 do Código de Processo Civil, o juiz deve fixar o valor devido já na sentença, porquanto o § 3º do artigo 475-A impede a prolação de sentença ilíquida no particular: “Nos processos sob procedimento comum sumário, referidos no art. 275, inciso II, alíneas ‘d’ e ‘e’ desta Lei, é defesa a sentença ilíquida, cumprindo ao juiz, se for o caso, fixar de plano, a seu prudente critério, o valor devido”. Como será estudado no tópico subsequente, a sentença proferida no procedimento sumário é impugnável mediante embargos de declaração e recurso

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Não obstante, se o juiz abrir prazo para memoriais escritos, não há nulidade: “1. Realizada a audiência de conciliação, instrução e julgamento, a simples substituição dos debates orais pela apresentação de memoriais não desqualifica o procedimento sumário.” (REsp n. 594.828/BA, 3ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 11 de abril de 2005, p. 290).

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de apelação, nos prazos de cinco e quinze dias, respectivamente, em virtude da incidência das regras insertas nos artigos 536 e 508 do Código de Processo Civil. Por fim, no que tange à natureza da cognição exercida pelo juiz, é plena, com o julgamento, sob todos os prismas, das questões de fato e de direito suscitadas pelas partes. Por conseguinte, a sentença proferida em processo sob o rito sumário produz coisa julgada material e é passível de desconstituição mediante ação rescisória, nas hipóteses arroladas no artigo 485 do Código de Processo Civil. 14. Recursos no procedimento sumário No que tange aos recursos em processos sob o procedimento sumário, são cabíveis todas as espécies recursais arroladas no artigo 496 do Código de Processo Civil, com prazos iguais, porquanto a Lei n. 6.314 revogou o parágrafo único do artigo 508 do Código de 1973, segundo o qual o prazo para a interposição de recursos era de cinco dias. Com o advento da Lei n. 6.314, de 1975, portanto, a apelação e os demais recursos previstos no artigo 508 do Código devem ser interpostos no prazo geral de quinze dias. Já os agravos retido e por instrumento são interponíveis em dez dias, enquanto os embargos de declaração são admissíveis em cinco dias, consoante os artigos 522 e 536 do Código de Processo Civil. Em suma, tanto em relação ao cabimento quanto em relação à tempestividade dos recursos, não há diferença alguma entre os procedimentos sumário e ordinário. Na verdade, as poucas diferenças existentes são encontradas no processamento dos recursos. A apelação e os eventuais embargos infringentes não passam por revisor no tribunal, em virtude da exceção prevista no § 3º do artigo 551 do Código de Processo Civil. Ademais, os recursos interpostos nos processos sob procedimento sumário têm prioridade no julgamento no tribunal, porquanto devem ser julgados dentro de quarenta dias, tendo em vista o disposto no artigo 550 do Código de Processo Civil. No mais, incidem as mesmas regras aplicáveis aos recursos em geral. Por fim, não só as partes podem recorrer das decisões proferidas nos processos sob rito sumário. Há lugar para recurso de terceiro, à vista da combinação do artigo 280, in fine, com o artigo 499, caput e § 1º, ambos do Código de Processo Civil. Por conseguinte, aquele que poderia ter ingressado no processo na qualidade de assistente, como, por exemplo, o sublocatário, na causa prevista no artigo 275, inciso II, alínea “b”, mas não o fez, pode ingressar pela vez primeira mediante a interposição de recurso de terceiro.

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REEXAME NECESSÁRIO OU REMESSA OFICIAL 1. Nomen iuris e natureza jurídica O “reexame necessário”, “remessa” oficial ou “duplo grau de jurisdição” obrigatório não tem natureza recursal544. São várias as razões que conduzem à conclusão. Em primeiro lugar, o juiz não tem legitimidade recursal, porquanto o artigo 499 do Código de Processo Civil conferiu apenas às partes, ao Ministério Público e ao terceiro prejudicado legitimidade para recorrer; e o magistrado não pode ser considerado terceiro prejudicado em relação ao julgamento que proferiu, nem tem interesse recursal para impugnar pronunciamento da própria autoria. Sob outro enfoque, a “remessa” oficial ocorre independentemente de manifestação reveladora de inconformismo, nem está sujeita a prazo peremptório, como estão os recursos. Sem dúvida, todo recurso é manifestação de vontade reveladora de inconformismo, cuja interposição deve ocorrer dentro do prazo peremptório previsto em lei. Com efeito, diferentemente dos recursos, o reexame necessário não está sujeito à observância do requisito de admissibilidade da tempestividade; decorrido o prazo para a interposição do recurso cabível, o presidente do tribunal competente para o reexame deve avocar os autos, caso não tenha ocorrido a “remessa” de ofício na Justiça de origem. Em suma, a combinação do caput do artigo 475 com o § 1º conduz à conclusão de que o reexame não está condicionado a prazo peremptório, ao contrário do que ocorre com todos os recursos processuais. Não bastassem a ilegitimidade recursal, a ausência de interesse recursal e a inexistência de prazo peremptório como condição para a remessa oficial ao tribunal ad quem, para a realização do reexame necessário, o Código de Processo Civil vigente não inseriu a “remessa” no título destinado ao sistema recursal: “TÍTULO X – DOS RECURSOS”. Hoje a “remessa” consta do artigo 475, preceito inserto em seção destinada à coisa julgada: Seção II do Capítulo VIII do Título VIII. Daí a conclusão acerca da natureza jurídica do instituto: condição à formação da coisa julgada. Sem dúvida, o atual Código de Processo Civil não prestigiou a expressão “apelação necessária ou ex officio”, prevista no artigo 822 do anterior Código de
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Em sentido conforme: ALCIDES DE MENDONÇA LIMA. Os recursos. Revista Forense, Volume 246, p. 174 e 175; ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Lições. Volume II, 2ª ed., 1999, p. 43; ARAUJO CINTRA. Comentários. Volume IV, 2000, p. 310; FREDIE DIDIER JR. e LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA. Curso de direito processual civil. Volume 3, 2006, p. 339; JOSÉ AFONSO DA SILVA. Dos recursos. 1974, p. 192; LUÍS ANTÔNIO DE ANDRADE. Aspectos e inovações. 1974, p. 226; NERY JUNIOR. Princípios fundamentais. 3ª ed., 1996, p. 53 e 254; 5ª ed., 2000, p. 245; e Código. 2ª ed., 1996, p. 849, comentário 1; OVÍDIO BAPTISTA DA SILVA. Curso. Volume I, 4ª ed., 1998, p. 479 e 480; PINTO FERREIRA. Vocabulário jurídico. 1999, p. 93; e PONTES DE MIRANDA. Comentários. Tomo VII, 3ª ed., 1999, p. 102. Em sentido contrário, há autorizada doutrina: ARAKEN DE ASSIS. Admissibilidade. 2001, p. 130, 131 e 134; e SERGIO BERMUDES. Comentários. Volume VII, 2ª ed., 1977, p. 31 e seguintes.

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1939, a qual não traduzia a real natureza do instituto, como já reconheciam os comentadores do diploma pretérito545. Aliás, embora o Código de Processo Penal de 1941 ainda trate do instituto como “recurso de ofício” nos artigos 574 e 746, a doutrina bem sustenta a erronia da denominação legal, conforme revela a precisa conclusão n. 125 das Mesas de Processo Penal da Universidade de São Paulo: “O denominado ‘recurso necessário’ não é recurso, mas sim condição de eficácia da decisão, que só transita em julgado após confirmada em segundo grau de jurisdição”546. Ainda sob o aspecto histórico, no texto original do artigo 475 do Código de Processo Civil de 1973 havia a palavra “voluntária”, a qual gerava dúvida acerca da existência de outra “apelação” que não fosse apenas a “voluntária”: “Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação voluntária da parte vencida; não o fazendo, poderá o presidente do tribunal avocá-los”. Com efeito, a anterior redação do artigo 475 do Código de 1973 ensejava a errônea interpretação favorável à existência de outra apelação que não fosse voluntária, qual seja, a necessária! Com o advento da Lei n. 10.352, de 2001, houve a exclusão do termo “voluntária”. Sem dúvida, o vocábulo “voluntária” já não é encontrado no atual § 1º do artigo 475: “Nos casos previstos neste artigo, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, haja ou não apelação; não o fazendo, deverá o presidente do tribunal avocá-los”. A ausência merece elogio, por ter eliminado a redundância do Código de 1973, porquanto toda apelação é voluntária! A propósito, o vocábulo que pode ser encontrado tanto no texto original quanto no atual é apenas “remessa”, em prol do esclarecimento da natureza jurídica e do nomen iuris do instituto. Por tudo, a “remessa” necessária não tem natureza de recurso processual; trata-se, na verdade, de condição para a formação da coisa julgada. Já as antigas expressões “recurso necessário”, “recurso oficial”, “recurso ex officio” não deveriam ser mais utilizadas nos textos acadêmicos e forenses, porquanto não encontram sustentação na doutrina e na legislação moderna. Ainda em relação ao nomen iuris do instituto, merecem ser prestigiadas as expressões “remessa” oficial e “duplo grau de jurisdição”, ambas previstas no bojo do artigo 475 do atual Código de Processo Civil, assim como a expressão “reexame necessário”, inserta no comando da Lei n. 10.352, de 2001. É certo que a confusão tão comum entre a “remessa” e os recursos ocorre em razão de o reexame da causa ser igualmente realizado por “tribunal”, conforme revelam o caput e o § 1º do artigo 475 do Código de Processo Civil. Por conseguinte, o reexame também segue o procedimento do capítulo VII: “DA
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Cf. CARVALHO SANTOS. Código. Volume IX, 1947, p. 282; ELIÉZER ROSA. Cadernos. 1973, p. 54 e 55; e GABRIEL REZENDE FILHO. Curso. Volume III, 4ª ed., 1956, p. 103. 546 Cf. ADA PELLEGRINI GRINOVER et alii. Recursos. 3ª ed., 2001, p. 452.

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ORDEM DOS PROCESSOS NO TRIBUNAL”. A adoção de procedimento semelhante, todavia, não autoriza a confusão dos institutos. Na verdade, todos os processos nos tribunais seguem o procedimento geral previsto nos artigos 547 até 565 do Código de Processo Civil. Por exemplo, a ação rescisória também está sujeita à incidência do Capítulo VII, conforme se infere dos artigos 551 e 553. Sem dúvida, qualquer que seja a natureza do julgamento no tribunal (recurso, remessa ou ação originária), incidem as regras gerais do mesmo Capítulo VII, ressalvados apenas os preceitos específicos de determinada espécie recursal (verbi gratia, artigos 551, 553 e 555, caput) ou de alguma ação específica (ad exemplum, artigos 551 e 553). No mais, a ordem dos processos no tribunal é geral, até mesmo para a remessa oficial. A semelhança procedimental, entretanto, não justifica a confusão entre os recursos, o reexame obrigatório e as ações originárias, os quais são institutos diferentes, mas que geralmente seguem o mesmo procedimento nos tribunais. 2. Hipóteses de remessa obrigatória 2.1. Generalidades Estudados o nomen iuris e a natureza jurídica do instituto, já é possível apontar as hipóteses de remessa obrigatória, com enfoque especial no Direito Processual Civil. O atual Código de Processo Civil contém duas hipóteses de reexame necessário, previstas nos incisos I e II do artigo 475, com a redação conferida pela Lei n. 10.352, de 2001. Antes de ingressar no estudo das hipóteses específicas, convém registrar que, consoante o caput do artigo 475 do Código de Processo Civil, só é obrigatória a remessa de “sentença”. 2.2. Sentenças contrárias aos entes públicos Há a necessidade de reexame oficial pelo tribunal quando “a sentença” é “proferida contra a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município, as respectivas autarquias e fundações de direito público”. É o que dispõe o atual inciso I do artigo 475, inspirado no antigo inciso II do mesmo dispositivo: “proferida contra a União, o Estado e o Município”. Também há a inspiração no artigo 10 da Lei n. 9.469, de 1997, porquanto o preceito já versava sobre a necessidade do reexame também na hipótese de sentença prolatada contra as autarquias e as fundações públicas. Quanto ao Distrito Federal, a despeito do silêncio do texto primitivo do artigo 475, jamais houve dúvida acerca da igual obrigatoriedade do duplo grau de jurisdição. Tanto a interpretação teleológica quanto a sistemática do antigo artigo 14 do Código Civil de 1916 como do artigo 32, § 1º, da Constituição Federal de 1988 já revelavam a necessidade do mesmo tratamento ao Distrito Federal. Não importa,

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entretanto, se a União, o Estado, o Distrito Federal, o Município, a Autarquia ou a Fundação ocupou o polo ativo ou o polo passivo da relação processual. Para que seja necessária a remessa oficial, basta a prolação de sentença contrária ao ente público, o qual pode ser o autor ou o réu no processo. No que tange às empresas públicas e às sociedades de economia mista, não são beneficiadas pela remessa oficial, porquanto estão sujeitas ao regime jurídico privado (artigo 173, inciso II e § 2º, da Constituição Federal), razão pela qual não são alcançadas pelo artigo 475 do Código de Processo Civil. Na esteira do enunciado n. 137 do antigo Tribunal Federal de Recursos, o Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que é indispensável a prolação de julgamento de mérito contrário ao ente público para que ocorra a remessa oficial; se a sentença, entretanto, foi apenas terminativa, por ter sido proferida com esteio no artigo 267 do Código de Processo Civil, não há a remessa oficial547. 2.3. Sentença de improcedência em embargos à execução fiscal Também há necessidade da remessa dos autos ao tribunal para o reexame da sentença “que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública (art. 585, VI)”. A remissão ao inciso VI do artigo 585 revela que o reexame obrigatório alcança apenas a sentença de total ou parcial procedência proferida em ação de embargos proposta em execução aparelhada em título executivo extrajudicial consubstanciado na “certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, Estado, Distrito Federal, Território e Município”. Também é necessário o reexame na hipótese de procedência dos embargos à execução fiscal movida pelas “respectivas autarquias”, conforme revela a combinação do artigo 1º da Lei n. 6.830, de 1980, com os artigos 475, inciso II, e 585, inciso VI, ambos do Código de Processo Civil. Ainda no tocante ao vigente inciso II do artigo 475, a redação atual está em harmonia com a linguagem técnica. Ao contrário do anterior inciso III, que previa o reexame da sentença “que julgar improcedente a execução de dívida ativa da Fazenda Pública”, o atual inciso II cuida do duplo grau de jurisdição da sentença “que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa da Fazenda Pública”. Realmente, só os embargos são efetivamente marcados por juízo de cognição de mérito, já que verdadeira ação de conhecimento, com julgamento de procedência, ou não. Portanto, sob o enfoque
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Cf. REsp n. 688.931/PB, 2ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 25 de abril de 2005, p. 324: “RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. REEXAME NECESSÁRIO. ART. 475 DO CPC. INAPLICABILIDADE ÀS SENTENÇAS DE EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM JULGAMENTO DO MÉRITO. PRECEDENTES. É cediço o entendimento de que a exigência do duplo grau de jurisdição obrigatório, prevista no artigo 475 do Código Buzaid, somente se aplica às sentenças de mérito”.

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científico, a atual redação é superior em relação ao antigo inciso III do original Código de 1973. 2.4. Outras hipóteses legais de reexame necessário Também há outras hipóteses de remessa obrigatória nas leis processuais especiais. Por exemplo, a sentença concessiva de mandado de segurança está sujeita ao reexame necessário, por força do artigo 14, § 1º, da Lei n. 12.016, de 2009. Há, todavia, uma peculiaridade: apesar da obrigatoriedade da remessa ao tribunal, a sentença concessiva da segurança tem eficácia imediata, ainda que provisória548. Já a sentença denegatória do mandado de segurança não está sujeita ao reexame necessário, consoante a inteligência do § 1º do artigo 14 da Lei n. 12.016, de 2009. À luz do mesmo preceito, não há remessa obrigatória de acórdão proferido em mandado de segurança de competência originária de tribunal. A sentença terminativa e a definitiva de improcedência proferidas em ação popular também dependem da remessa obrigatória, conforme o disposto no caput do artigo 19 da Lei n. 4.717, de 1965. Igualmente está sujeita ao reexame necessário a sentença condenatória da Fazenda Pública em quantia superior ao dobro da oferecida na petição inicial da ação de desapropriação. O mesmo ocorre com a sentença condenatória do expropriante em quantia superior a cinqüenta por cento sobre o valor oferecido na petição inicial da ação de desapropriação de imóvel rural para reforma agrária. É o que se infere do artigo 28, § 1º, do Decreto-lei n. 3.365, e do artigo 13, § 1º, da Lei Complementar n. 76, de 1993. Por fim, também está sujeita ao reexame necessário a sentença proferida em ação anulatória de registro ou de matrícula de imóvel rural, na hipótese do parágrafo único do artigo 3º da Lei n. 6.739, de 1979. 2.5. Exceções ao reexame necessário Estudadas as hipóteses de remessa oficial, convém destacar as exceções ao reexame obrigatório. Convém registrar, desde logo, que as exceções alcançam não só os casos de necessidade de duplo grau de jurisdição por força do Código de Processo Civil, mas também os casos previstos nas leis especiais. Aliás, a regra é a de que as sentenças em geral não estão sujeitas ao reexame necessário, porquanto apenas algumas sentenças contrárias aos entes públicos estão submetidas ao reexame obrigatório pelo tribunal ad quem.

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Cf. artigo 16, § 3º, da Lei n. 12.016, de 2009: “A sentença que conceder o mandado de segurança pode ser executada provisoriamente, salvo nos casos em que for vedada a concessão de medida liminar”.

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Em primeiro lugar, a sentença condenatória de ente público que não ultrapassar sessenta salários mínimos e a de procedência — ainda que parcial — dos embargos na execução fiscal que não superar o mesmo valor estão dispensadas do reexame necessário, conforme o novo § 2º do artigo 475, acrescentado pela Lei n. 10.352, de 2001. Da mesma forma, o artigo 13 da Lei n. 10.259 revela a inexistência de reexame necessário nas causas em geral processadas nos juizados especiais federais. Por consequência, ainda que condenatória da União, de autarquia federal ou de fundação pública, as sentenças proferidas nos juizados especiais não estão sujeitas ao duplo grau de jurisdição ex vi legis. A outra exceção reside no § 3º do mesmo artigo 475. Independentemente do valor da condenação ou da execução fiscal, está livre do reexame obrigatório a sentença proferida com esteio em enunciado ou precedente do Plenário do Supremo Tribunal Federal, assim como enunciado de tribunal superior. Por fim, convém lembrar que, com a superveniência da Lei n. 10.352, de 2001, a sentença de anulação do casamento não está mais sujeita ao reexame obrigatório. A remessa era necessária na vigência do original Código de Processo Civil 1973, mas a preocupação do legislador com a preservação do matrimônio restou incompatível com o advento do divórcio, instituto previsto na Lei n. 6.515, de 1977. Daí a explicação para a eliminação da hipótese de reexame prevista no inciso I do artigo 475 do original Código de 1973. 3. Procedimento e julgamento Proferido o julgamento sujeito ao reexame necessário, o próprio magistrado prolator deve desde logo determinar a remessa dos autos ao tribunal ad quem, independentemente da interposição de recurso voluntário549. É admissível, todavia, a interposição de recurso, até mesmo pelo ente público já beneficiado pela remessa oficial, em razão da autorização expressa inserta no § 1º do artigo 475 do Código de Processo Civil. Se interposto e recebido o recurso, os autos sobem ao tribunal ad quem para o julgamento conjunto do recurso e do reexame obrigatório. Após a chegada dos autos no tribunal ad quem, o reexame segue o procedimento estabelecido nos artigos 547 até 565 do Código de Processo Civil. Em primeiro lugar, há a autuação prevista no artigo 547. Em seguida, ocorre a distribuição, a qual é realizada à luz dos princípios do artigo 548. Logo após, os autos seguem ao relator. Embora não seja recurso, o artigo 557 igualmente alcança o reexame necessário, conforme já assentou o Superior Tribunal de
549

Na verdade, todo recurso é voluntário; o pleonasmo no texto foi proposital, a fim de reforçar a separação do recurso em relação à remessa oficial.

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no dia 5 de março de 2009: “A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou os embargos de divergência quanto à questão do cabimento dos embargos infringentes contra decisão. de remessa necessária. 496. Em contraposição. não unânime. na sessão de 4 de março de 2009. admitido e conhecido o recurso voluntário do particular ou do Ministério Público. 557. Por conseguinte. Diário da Justiça de 4 de setembro de 2006. art. p. 475. 10. Diante da falta de previsão legal acerca do cabimento de embargos em reexame necessário e da significativa restrição proveniente da Lei n.” (REsp n. O ministro relata em seu voto que considerado que o escopo da reforma do processo civil foi emprestar celeridade à prestação jurisdicional. cabe agravo interno-regimental para a turma julgadora. Diário da Justiça de 5 de março de 2001.J.352. Foi o que bem 550 De acordo. 77: “Cabem embargos infringentes a acórdão não unânime.905/SC – AgRg. 823. ainda na jurisprudência: EREsp n.905/SC. 324). como o reexame necessário previsto no art. p. eis a notícia veiculada na página virtual do Superior Tribunal de Justiça.T. consoante o enunciado n. o Superior Tribunal de Justiça assentou que o tribunal competente para o reexame necessário não pode majorar a condenação imposta ao ente público. 253 e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro no enunciado n. Ademais. Da decisão do relator. à vista do enunciado n.352.)”. Ainda que muito respeitável. todavia. não são cabíveis embargos infringentes contra acórdão que. 10. No mesmo sentido. pode proferir decisão monocrática ex vi do artigo 557. restringiu o cabimento dos embargos infringentes. diploma que conferiu a atual redação ao artigo 530 do Código de Processo Civil. Resta saber se o acórdão proferido por maioria de votos contra a sentença de mérito é impugnável por meio dos embargos infringentes do artigo 530 do Código de Processo Civil. Daí a conclusão: acórdão proferido por maioria de votos em reexame obrigatório não enseja embargos infringentes550. 126: “EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. DUPLO GRAU DE 207 . bem assim se a causa versar sobre questão de direito já pacificada na jurisprudência.Justiça no enunciado n. 475)”. É certo que o antigo Tribunal Federal de Recursos firmou entendimento favorável ao cabimento dos embargos infringentes. o tribunal não pode piorar a situação do ente público. 45. por maioria. na jurisprudência: EREsp n. em remessa necessária ou ex officio”. “Ao examinar a questão. tanto mais que não se trata de recurso. não só julgamento dos recursos arrolados no art. o relator ministro Luiz Fux decidiu pela rejeição dos embargos de divergência quanto à questão do cabimento dos embargos infringentes em remessa necessária e determinar o envio do processo para a Terceira Seção do STJ para julgar a divergência quantos aos juros. 77 não merece ser prestigiado. do mesmo diploma legal (Súmula 253 do S. de 2001. porquanto a remessa não é recurso e não pode ser confundida com o recurso de apelação. PROCESSUAL CIVIL. por maioria. 823. Corte Especial do STJ. proferido em remessa ex officio (Código de Processo Civil.837/RJ. deu provimento à remessa necessária. 168. não há lugar para interpretação extensiva. salvo se interposto. 3ª Seção do STJ. do Código de Processo Civil abrange. Com efeito. a Corte Especial consagrou a seguinte tese firmada pela 5ª Turma: “Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça. O entendimento foi acompanhado pelos ministros da Corte Especial” (não há o grifo no original). Quanto ao julgamento. a Lei n. Por oportuno. 5ª Turma do STJ. se o relator constatar que o julgamento não está sujeito ao reexame obrigatório. não mais se justificando admitir embargos infringentes da decisão. 53: “O art. o enunciado n. no reexame obrigatório desacompanhado de recurso particular ou ministerial. em cinco dias.

não lhe suprime o reexame obrigatório a apelação voluntária. quando a decisão. Recursos. Sob outro prisma. 79. porquanto é o acórdão contrário proferido no reexame oficial que passa em julgado. Sua legitimidade. especialmente em relação ao particular. não importa. Inaplicabilidade da Súmula nº 77/TFR. aplicando-se. que a Fazenda Pública de Minas Gerais.” (não há o grifo no original). Primeiro. mesmo que ninguém haja apelado. porque a remessa oficial ocasiona o julgamento da causa em última instância por tribunal de justiça ou por tribunal regional federal. 1ª Turma do STF. não tenha interposto apelação à sentença inicial desfavorável. Sucumbente o Poder Público. ao menor desaviso. IMPOSSIBILIDADE. 3. 208 . o adágio latino dormientibus non succurrit ius. inciso III. As normas do reexame necessário. 390. constitucionalmente assegurados. o que justifica o cabimento de ambos os recursos.. 22ª ed. conduz ao cabimento de recursos extraordinário e especial contra acórdão proferido em reexame necessário.007/RO — AgRg. 1. à espécie. inciso III. a JURISDIÇÃO OBRIGATÓRIO.052/MG. vencida na primeira instância. como foi sempre comum da defesa dos interesses dos entes públicos em geral. conforme se infere do caput do artigo 475 do Código de Processo Civil. também na jurisprudência: RE n. in verbis: “Nas decisões por maioria. com o perfeito enquadramento nos permissivos constitucionais. ambos da Constituição Federal.assentou o Superior Tribunal de Justiça ao aprovar o preciso enunciado n. ou ainda em qualquer dos casos de reexame obrigatório em segundo grau de jurisdição. Ainda no mesmo sentido. na doutrina: HERMANN ROENICK. é irrelevante a ausência da interposição de recurso pretérito. em obséquio dos direitos fundamentais. é presumida por lei”. Pleno do STF. 91: “Ainda que não tenha o Estado interposto apelação contra a sentença de 1º grau. ex vi do § 1º do artigo 475. apta a ensejar-lhe os embargos infringentes. a apelação. 330. na jurisprudência: RE n. isto não importa em preclusão da faculdade processual de interpor recurso extraordinário para o Supremo Tribunal Federal. Ora. Na verdade. 551 Em sentido conforme ao entendimento defendido no texto. e 105. em reexame necessário. até porque. Diário da Justiça de 23 de agosto de 2002. até mesmo a pessoa jurídica beneficiada pela remessa obrigatória pode aviar recursos extraordinário e especial. são de direito estrito e devem ser interpretadas restritivamente. Embargos de divergência acolhidos. no julgamento de outro recurso. em remessa necessária. Recursos extraordinário e especial em reexame necessário A interpretação dos artigos 102. Diário da Justiça de 27 de maio de 1977: “Portanto. pág. 114. 2002. Também em sentido conforme. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. denegatórios do direito à tutela jurisdicional. como. 2. não se admitem embargos infringentes”. Também de acordo. 4. p. 1997. logo se compreende.” (grifos aditados). lhe é desfavorável”. por exemplo. ainda que o legitimado não tenha manifestado prévio inconformismo mediante recurso551. 4. O novo processo. p. submeter-se-á o processo a tempos sociais prescritivos ou a aprofundamentos intoleráveis de privilégios. 161: “Pode o recurso ter por objeto acórdão proferido em causa da competência originária de tribunal. porquanto a sucumbência pode surgir apenas no reexame da causa pelo tribunal. se a sentença sujeita ao duplo grau de jurisdição obrigatório enseja. para o efeito de legitimar sua posição de recorrente nestes autos. pela sua afinidade com o autoritarismo. EMBARGOS INFRINGENTES.

não há preclusão lógica pela simples omissão na interposição do recurso cabível contra a sentença passível de reexame necessário. 5ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 8 de setembro de 2003. é preciso reconhecer que há respeitável corrente jurisprudencial contrária ao cabimento de recurso contra acórdão proferido em reexame necessário. p. Por tudo. 2001. Diário da Justiça 25 de agosto de 2003. Diário da Justiça eletrônico de 5 de dezembro de 2008. são cabíveis recursos extraordinário e especial contra acórdão proferido em remessa obrigatória. ainda que não tenha sido interposto prévio recurso da sentença554.interposição de apelação pela pessoa jurídica já favorecida pela remessa552. 553 Ressalvadas as exceções previstas nos §§ 2º e 3º do artigo 475. o interesse recursal da pessoa jurídica é muito mais evidente à luz do acórdão contrário proferido no reexame necessário. 554 Com a mesma orientação favorável ao cabimento de recurso do acórdão proferido em remessa obrigatória. p. 217). a qual também pode ser impugnada por recurso (§ 1º). 360. 209 . 496. A preclusão lógica consiste na prática de ato processual incompatível com posterior ato processual. p. 1ª Turma do STJ. porquanto é o aresto desfavorável que fica protegido pela res iudicata – ao contrário da sentença do artigo 475. 904.527/RJ – AgRg. não há preclusão lógica na hipótese sob comento.885/SP. não há divergência acerca da possibilidade da interposição de apelação pelo derrotado quando a sentença “se sujeita obrigatoriamente ao duplo grau de jurisdição” (Recorribilidade. Por conseguinte. a qual depende da remessa e não passa em julgado553. Não obstante. do que em relação à sentença prevista no artigo 475. ato processual incompatível com a vontade de recorrer. Diário da Justiça de 18 de outubro de 2002. 60. 478. se a anterior sentença não foi impugnada mediante apelação555. Não obstante. p. sem apelação da Fazenda: REsp n. A propósito. 555 Cf. e RE n.923/PR – EDcl. nas quais a sentença passa em julgado desde logo se não interposta apelação. com muito maior razão o acórdão contrário proveniente do reexame ex officio é passível de impugnação mediante recursos extraordinário e especial. 2ª Turma do STF. Ora. REsp n. à evidência. 243. 1ª Seção do STJ. 232. porquanto a omissão não é. há respeitável precedente em sentido contrário ao entendimento defendido no texto: REsp n. 552 Como bem observa o Professor BARBOSA MOREIRA.908/PE.

TOMO III CAUTELARES 210 .

até porque a urgência da prestação acautelatória exige que o julgamento seja perfunctório. os quais são reconhecidos (na tutela cognitiva). Além das tutelas satisfativas (cognitiva e executiva). o Estado-juiz resolve os litígios à luz das normas jurídicas gerais e abstratas. a realização prática do direito já reconhecido. o certo é que as tutelas cognitiva e executiva são satisfativas. denominado “processo sincrético”. tutela jurisdicional destinada à proteção. “processo misto”. São os dois processos satisfativos dos direitos materiais subjetivos envolvidos nos conflitos de interesses. preservar. ao resguardo do resultado útil dos processos cognitivo e executivo. A prestação jurisdicional se dá mediante as tutelas dos direitos. quando presta a jurisdição. também há a tutela acautelatória. ao final. quando o tempo disponível é incompatível com a tramitação morosa do processo cognitivo ou executivo. a finalidade da tutela cautelar não é a satisfação do direito material subjetivo objeto do litígio. marcadas pela definitividade. garantir o resultado útil daqueles processos (cognitivo. 211 . sob pena de. Enquanto o reconhecimento dos direitos tem lugar no processo cognitivo ou de conhecimento. após exame perfunctório do conflito de 556 Seja o processo cognitivo. TUTELA Diante dos conflitos de interesses submetidos ao Poder Judiciário. a tutela cautelar é apenas temporária. Tanto em processo autônomo quanto em processo unificado.1. a tutela cautelar tem como escopo a necessidade da prestação jurisdicional de urgência. na verdade. cabe ao Estado-juiz prestar a jurisdição temporária nos casos urgentes. em razão da necessidade da prestação jurisdicional de urgência para garantir o sucesso do processo satisfativo do direito material subjetivo556. exatamente por conter a cognição e a execução como fases do mesmo processo. mas distintas. Ao contrário das tutelas cognitiva e executiva. executivo ou sincrético). razão pela qual não pode ser definitivo. proteger. executivo ou sincrético. autônomos ou unificados. a concretização dos mesmos ocorre no processo executivo ou de execução. sim. enquanto a última (executiva) tem como escopo a concretização. concretizados (na tutela executiva) e resguardados (na tutela cautelar) pelo Poder Judiciário. o processo não apresentar resultado útil. o acertamento do direito objeto do litígio. mas. “processo unificado”. porquanto aquela (cognitiva) busca o reconhecimento. a regra reside na prestação jurisdicional em apenas um processo. a cognição e a execução nem sempre são prestadas em dois processos autônomos. superficial. Com efeito. Não obstante. TUTELAS JURISDICIONAIS: EXECUTIVA E TUTELA CAUTELAR TUTELA COGNITIVA. Com efeito. Sem dúvida.

Com efeito. a cautelar é “incidental”. 1999. de maneira completa. na doutrina: MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. Daí a justificativa para o disposto na segunda parte do artigo 796 do Código de Processo Civil. § 1º. Por conseguinte. No que tange ao exemplo referente ao artigo 653 do Código de Processo Civil.053. a tutela cautelar serve para garantir o êxito dos processos cognitivo e executivo.interesses. De uma forma ou de outra. é preciso reconhecer que há séria divergência doutrinária acerca da natureza cautelar do arresto previsto no artigo 653. 212 . como bem revela o artigo 809 do Código de Processo Civil. 557 Assim. 176. do Código de Processo Civil. Volume III. em virtude da relação de dependência existente. na falta do pronto socorro. e deve conceder a medida pleiteada desde que os resultados dessa pesquisa lhe permitam formular um juízo de probabilidade acerca da existência do direito alegado. como bem revela o artigo 802 do Código de Processo Civil. 2007. mas também é possível a concessão de medida cautelar sem a existência de processo cautelar autônomo.. 560 Cf.. negam a natureza cautelar ao arresto do artigo 653. 442. 104. 17ª ed. resolução extraída à vista de simples “juízo de Em regra. os quais preservam os direitos materiais subjetivos dos jurisdicionais que buscam no Poder Judiciário o reconhecimento e/ou a concretização daqueles direitos. a cautelar pode ser necessária tanto antes quanto no curso do processo principal. a cautelar é denominada “antecedente” ou “preparatória”. Novo curso de direito processual civil. e ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 2007. O novo processo civil brasileiro. p. Direito processual civil brasileiro. p. Em contraposição. mediante probabilidade”557. se a necessidade da cautelar é superveniente ao processo principal. o fato de que. preservar. Lições de direito processual civil. não é possível investigar. artigos 273. Volume III. 25ª edição. a par da convicção de que.. p. § 7º. previamente. Volume III. artigos 475-M. p. Se a necessidade da cautelar surge antes mesmo da instauração do processo principal. ele sofreria lesão irremediável ou de difícil reparação”. é admissível a concessão da tutela acautelatória incidental no bojo dos processos cognitivo558 e executivo559 autônomos ou de processo sincrético. 559 Cf. simultaneamente. na doutrina: BARBOSA MOREIRA. artigo 796 do Código de Processo Civil. 12ª ed. a real concorrência dos pressupostos que autorizariam o órgão judicial a dispensar ao interessado a tutela satisfativa: ele tem de contentar-se com uma averiguação superficial e provisória. 27ª ed. n. 303. 2005. p. como bem revela o artigo 796 do Código de Processo Civil. 562 Há nova relação jurídica processual. 25ª ed. 234. 1. O novo processo civil brasileiro. Reconhecem a natureza cautelar do arresto previsto no artigo 653. 307: “Isso explica o caráter urgente de que se revestem as providências cautelares. as medidas acautelatórias têm lugar nos processos cautelares. denominado “processo cautelar”. a tutela acautelatória se dá mediante processo próprio. embora tenha autonomia procedimental561 e até processual562. e 489 do Código de Processo Civil. HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Curso de direito processual civil. como tutela protetiva dos processos cognitivo e executivo. 558 Cf.. 561 O processo cautelar têm autos próprios. e VICENTE GRECO FILHO. 2008. Daí a conclusão: em regra. Não obstante. e. para legitimar-lhes a adoção. 2007. Em contraposição. o processo de conhecimento ou de execução a ser protegido mediante a cautelar é denominado “processo principal”560. p. e 653. Por fim. o processo cautelar mantém relação de dependência com o processo principal que busca garantir. Volume II.

enquanto a antecipação da tutela e a tutela cautelar são espécies do gênero tutelas de urgência. TUTELA CAUTELAR. Com efeito. Na hipótese. isto é. imagine-se que jurisdicionado que ajuizou a demanda possessória pleiteie de imediato apenas o sequestro dos bovinos existentes na fazenda. será antecipada de forma provisória. no curso do mesmo ou ao final. Enquanto a antecipação de tutela consiste no adiantamento provisório da própria tutela jurisdicional em si buscada por meio do processo. não é liminar em função do seu conteúdo. por meio da sentença proferida no processo cautelar. com fundamento no artigo 822. ou não. Trata-se de antecipação da tutela. Sem dúvida. A tutela cautelar também pode ser conferida no início do processo. tanto a antecipatória quanto a cautelar. a antecipação da tutela pode ser outorgada pelo juiz logo no início do processo. a tutela cautelar consiste na outorga de alguma medida temporária protetiva do resultado útil de outro processo. inciso I. o que pode ocorrer sem citação do réu ou com sua ciência para acompanhar a justificação exigida para apreciação da liminar“. Liminar. “A liminar. 73). do Código de Processo Civil. trata-se de tutela cautelar. a liminar diz respeito ao momento processual: in limine litis. in limine litis. em razão de abates e de vendas de semoventes pelo réu. antes de efetivado o contraditório. 9ª ed. diz-se que foram outorgadas liminarmente. Ainda à vista do mesmo exemplo. em razão da morosidade até a resolução dos conflitos de interesses submetidos ao Poder Judiciário. 213 . Como são espécies de tutelas de urgência. é o momento inicial do processo no qual as tutelas de urgência podem ser concedidas563. 2004. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA E LIMINAR: CONCEITOS E DISTINÇÕES As tutelas de urgência são as prestações jurisdicionais específicas para evitar prejuízos processuais e materiais aos jurisdicionados. porquanto a mesma tutela a ser prestada ao final.. Imagine-se a hipótese de um jurisdicionado ajuizar demanda possessória acerca de uma fazenda. 563 De acordo: “Liminar é o nome que damos a toda providência judicial determinada ou deferida initio litis. o termo “liminar” diz respeito ao momento processual da concessão da tutela. portanto. porquanto visa à proteção do resultado útil do processo possessório. Volume III. por meio da sentença. sem prévia oitiva do demandado. sim em decorrência do momento de seu deferimento” (CALMON DE PASSOS. p. Comentários ao Código de Processo Civil. Por conseguinte. tanto a antecipação da tutela quanto a tutela cautelar podem ser conferidas liminarmente. no curso do mesmo ou somente ao final. Concedidas a antecipação da tutela e a tutela cautelar no início do processo. Sem dúvida.2. com pedido de imediata reintegração da posse da mesma. portanto. tanto a antecipação da tutela quanto a tutela cautelar podem ser prestadas in limine litis. As tutelas de urgência podem ser classificadas em antecipação de tutela e tutela cautelar.

ART. e se o for desde logo. em sede de ação cautelar. “as medidas cautelares têm presente a preocupação com a urgência. nem sempre é fácil classificar a natureza da tutela prestada na prática forense. DO CPC. Comentários ao Código de Processo Civil. a Corte de origem prossiga no julgamento dos recursos oficial e voluntário. “PROCESSUAL CIVIL. 2000. Tanto é verdade que o legislador modificou a redação do artigo 489 do Código de Processo Civil. Por conseguinte.. a antecipação da tutela pode se dar em relação à tutela cognitiva. PRETENSÃO. 131).INTELIGÊNCIA DO ART. Faz-se possível deferir. p. 25). em face da fungibilidade existente entre medida cautelar e medida antecipatória. Volume III. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL . § 7º. como liminar que se configura como verdadeira antecipação da tutela”. Por conseguinte. Diário da Justiça eletrônico de 16 de novembro de 2009). Breves notas sobre provimentos antecipatórios. 273. Precedentes do STJ. independentemente de o pleito ter sido formulado sob a denominação e a forma de antecipação de tutela ou de tutela cautelar. e (c) a antecipação de tutela pode ser ou não cautelar” (ADROALDO FURTADO FABRÍCIO. pois. a antecipação da tutela consiste na outorga provisória de alguma das tutelas jurisdicionais: cognitiva.TUTELAS DE URGÊNCIA FUNGIBILIDADE . 1. § 7º. (b) nem toda antecipação de tutela é liminar. 9ª ed. FUNGIBILIDADE A despeito dos critérios distintivos que separam a antecipação da tutela da tutela cautelar. POSSIBILIDADE. que (a) toda liminar é antecipatória de tutela. 1. “Pode-se falar. Aliás. PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE. quando liminarmente se defere a medida. executiva ou cautelar. só seria obtida com a sentença no processo cautelar” (WILLIAM SANTOS FERREIRA. § 7º. desde que observados os requisitos específicos de cada uma das espécies.” (REsp n. à tutela executiva564 e até mesmo em relação à tutela cautelar. 564 A execução provisória prevista no artigo 475-O do Código de Processo Civil é verdadeira antecipação da tutela executiva. 73 e 74). 2004.RECURSO ESPECIAL .” (REsp n. 2ª Turma do STJ. do CPC. Interpretação do art. 1999.MEDIDA CAUTELAR PREPARATÓRIA ANTECIPAÇÃO DE TUTELA COMO MEIO ADEQUADO . a fim de autorizar a suspensão de execução na pendência de processo instaurado por ação rescisória. o § 7º do artigo 273 também foi acrescentado ao Código de Processo Civil para autorizar a fungibilidade das tutelas de urgência.INTERESSE DE AGIR . 566 De acordo. § 7º. Recurso especial conhecido e provido para que. 273. Recurso especial provido. daí normalmente verificar-se a concessão de uma liminar que nada mais é do que uma antecipação de cautela que. 1. do Código de Processo Civil. O art. p. a tutela cautelar também pode ser antecipada. assim. 2. “Outrossim. 214 .RECONHECIMENTO. abarca o princípio da fungibilidade entre as medidas cautelares e as antecipatórias da tutela e reconhece o interesse processual para se postular providência de caráter cautelar. Com efeito. em verdade antecipa-se a providência cautelar” (CALMON DE PASSOS. 4ª Turma do STJ. de liminar de natureza cautelar. 2. p. cautelares e liminares. numa ação cautelar.209/RS. Tutela antecipada no âmbito recursal. no início do processo. Diário da Justiça eletrônico de 23 de abril de 2009). 565 “Ficou visto. o juiz deve tomar o pleito como antecipação de tutela e decidir – e se for o caso. medida de cunho satisfativo consistente na sustação de protesto de título. 3. 273.061/BA. Realmente. a título de antecipação de tutela. CPC . deferir – à luz dos requisitos do caput e dos incisos do artigo 273 do Código de Processo Civil566.Por fim. 273.011. superada a extinção do processo por ausência de interesse processual. o será mediante provimento liminar565. ainda que formulado um pedido de cunho satisfativo sob a denominação e a forma de cautelar. SUSTAÇÃO DE PROTESTO. pelo seu trâmite normal. AÇÃO CAUTELAR. 686.

inciso III.Com maior razão. Daí a instrumentalidade do processo cautelar. o processo cautelar visa à proteção e à efetividade do bem jurídico objeto de outro processo: cognitivo. 909. processar o pedido da forma que se mostrar mais apropriada. Cabe ao juiz. 4. ESCOPO DO PROCESSO CAUTELAR À vista do exposto nos tópicos anteriores.478/GO.O erro na indicação da medida cautelar não pode levar o Poder Judiciário a simplesmente afirmar que o expediente jurídico é inadequado. sim. 567 De acordo. p. CARACTERÍSTICAS DO PROCESSO CAUTELAR Em primeiro lugar. ao invés de requerer o arresto. na busca da tutela cautelar. Ao final. Com efeito. Ainda à vista do artigo 796 do Código de Processo Civil. o demandante requereu o sequestro. 3ª Turma do STJ. Em suma. na jurisprudência: REsp n. Por tudo. Recurso especial conhecido e provido”. 249: “. o processo cautelar é instrumental. como bem revelam os artigos 796. mas. mas. executivo ou sincrético. é lícito afirmar que o processo cautelar tem o seguinte objetivo: assegurar o resultado útil de outro processo. assecuratória. o processo é extinto por sentença própria. respectivamente. o processo cautelar é autônomo. a parte contrária é citada. ambos do Código de Processo Civil. e 808. o juiz deve aplicar o princípio da fungibilidade e receber o requerimento pelo procedimento adequado à espécie567. com a veiculação de demanda específica. razão pela qual o juiz não resolve quem é o destinatário do direito material. sim. Ao invés de indeferir a petição inicial ou a petição avulsa na qual a cautelar é requerida. a proteção de outro processo – cognitivo. o processo cautelar é instaurado por petição inicial própria. se o processo no qual será ou está em discussão o direito material pode sofrer algum prejuízo pelo decurso do tempo. 5. o processo cautelar é autônomo. porquanto não visa à satisfação do jurisdicionado mediante a entrega do bem da vida. o princípio da fungibilidade também deve ser aplicado quando a troca se dá entre diferentes espécies de cautelares: por exemplo. Em seguida. A finalidade do processo cautelar é apenas protetiva. executivo ou sincrético – no qual o jurisdicionado busca a satisfação do bem jurídico objeto da lide. em razão do eventual equívoco do advogado ao efetuar a qualificação jurídica das cautelares tipificadas nos artigos 813 e 822 do Código de Processo Civil. em virtude da autonomia procedimental e da formação de nova relação jurídica processual. in fine. com base na fungibilidade das medidas cautelares. Outra característica do processo cautelar é a acessoriedade: o processo cautelar mantém relação de dependência com o processo principal a ser protegido. ou vice-versa. Diário da Justiça de 27 de agosto de 2007. 215 .

o julgamento exauriente só tem lugar no processo principal. PROCESSO CAUTELAR E MEDIDA CAUTELAR A medida cautelar é a providência urgente a ser tomada para evitar prejuízo jurídico de natureza processual. temporariedade e revogabilidade. a qual (providência) é denominada “medida cautelar”. Com efeito. na hipótese imaginada). a tutela prestada no processo cautelar é temporária e revogável. há o exercício do direito de ação. porquanto a ação é a provocação da prestação jurisdicional pelo Poder Judiciário. a mesma medida cautelar pode ser obtida independe do exercício do direito de ação (ação cautelar) e da existência de processo próprio 568 A rigor. para garantir o êxito de um processo. Por conseguinte. 6. a ação cautelar é o direito do jurisdicionado de provocar a atuação do Poder Judiciário. Em regra. Em suma. até mesmo no hospital. acessoriedade ou dependência. sumariedade. com a instauração do processo cautelar. que é a providência urgente para resguardar o resultado útil do processo principal. as características do processo cautelar são as seguintes: autonomia. Com efeito. instrumentalidade.No que tange à profundidade do julgamento. na hipótese). Não obstante. AÇÃO CAUTELAR. à vista de alguma situação de risco iminente ao êxito de outro processo. a medida cautelar é a providência em si. pode ser indispensável alguma providência imediata de proteção. Em síntese. denominado principal. o ato indispensável a ser praticado para a proteção do resultado útil do processo principal. 216 . em razão da existência de relação jurídica processual específica que se desenvolve em procedimento próprio. sem adjetivação. porquanto a prestação da tutela cautelar se dá à luz do fumus boni iuris. a proteção consubstanciada na medida cautelar é obtida mediante o exercício da ação cautelar568. Com efeito. como bem revelam os artigos 807 e 808 do Código de Processo Civil. Por exemplo. há lugar para a medida cautelar (de produção antecipada de provas. a fim de obter a prestação jurisdicional de acautelamento. O exercício do direito consubstanciado na ação cautelar provoca a instauração do processo cautelar. aquela providência urgente protetiva da execução é denominada medida cautelar (de arresto. Outro exemplo: para evitar prejuízo à instrução probatória do processo cognitivo em razão dos graves ferimentos sofridos por testemunha do acidente automobilístico. a fim de que seja prestada a medida cautelar. é marcado pela sumariedade. a temporariedade e a revogabilidade são características do processo cautelar. a fim de que a testemunha em estado terminal seja ouvida desde logo. pode ser necessária a imediata apreensão de bens do devedor para garantir a satisfação do crédito em futura execução por quantia certa.

Por fim. com a formação de nova relação jurídica processual. a medida cautelar pode ser requerida tanto antes quanto no curso do processo principal. sequestro. 7. Além das medidas cautelares antecedente e incidental consagradas nos artigos 796 e 800. veiculada no bojo do próprio processo principal. caput. Por tudo. a medida cautelar é a providência protetiva em si. 217 . na busca da tutela cautelar. petição avulsa. Ao revés. a partir de uma petição inicial específica. mediante mero requerimento veiculado na petição inicial ou em simples petição avulsa. Vale dizer. a medida cautelar é denominada “antecedente” ou “preparatória”. portanto. os artigos 489. Daí o poder geral de cautela autorizador das medidas cautelares atípicas. parágrafo único. ambos do Código de Processo Civil. ambas de competência de juiz de primeiro grau de jurisdição. da competência de juízos de primeiro grau. todavia. é lícito concluir que a ação cautelar é o direito subjetivo de provocação do Poder Judiciário. veiculada mediante petição inicial específica. diante da riqueza da prática forense. Sob outro prisma. mas autorizadas de forma genérica pelo artigo 798 do mesmo diploma. produção antecipada de provas etc. sem tipificação no Código de Processo Civil. CLASSIFICAÇÕES DAS CAUTELARES Em primeiro lugar. É certo. Com efeito. e só pode ser requerida mediante a propositura de ação cautelar. as cautelares podem ser típicas ou atípicas. Típicas são as cautelares nominadas arroladas nos artigos 813 e seguintes do Código de Processo Civil: arresto. Já o processo cautelar é instaurado após o exercício do direito de ação. porquanto há preceitos legais569 que autorizam a concessão daquela providência protetiva no bojo do mesmo processo já em curso. inominadas. e 489. desenvolvida mediante procedimento próprio. independentemente da espécie. com a consequente impossibilidade de o legislador prever todas as hipóteses possíveis. autorizam o requerimento de medidas cautelares antecedente e incidental de competência originária de tribunal. bem como cautelares da competência originária de tribunais. do Código de Processo Civil. que a regra ainda é a medida cautelar requerida em processo próprio (processo cautelar). 569 570 Cf. após a provocação da prestação jurisdicional mediante ação específica (ação cautelar). se pleiteada no curso do processo principal. optou-se pela autorização geral da tutela cautelar. na qual é requerida a medida cautelar. a medida cautelar é “incidental” e pode ser requerida por meio de ação cautelar própria. Quando pleiteada antes do processo principal. Já as atípicas são as cautelares inominadas. 796 e 800. § 7º. Há cautelares.(processo cautelar). mas também por simples petição570. artigos 273.

Com efeito. 218 . 5ª Câmara Cível do TJRJ. 806 do Código de Processo Civil as cautelares que importem. Ex vi legis. a produção antecipada de provas não implica restrição a direito algum.126/89. 573 “Interposto o recurso. Ainda que incompetente o juízo. por exemplo. assecuratória. privação ou restrição ao exercício de direito. É o que ocorre. Não obstante. a despeito da literalidade do parágrafo único do artigo 800 do Código de Processo Civil573. COMPETÊNCIA À vista da regra estampada no caput do artigo 800 do Código de Processo Civil. ou outra situação jurídica desfavorável. há as cautelares que não são constritivas. todavia. quando o processo cautelar tem como principal um processo já em fase recursal. Por outro lado. entretanto. parágrafo único. que a regra estampada no caput do artigo 800 não é absoluta. 572 Sustenta-se. ou impõem alguma outra restrição jurídica. com fundamento no poder geral de cautela autorizado pelo artigo 798. a cautelar – antecedente ou incidental – será da competência originária do mesmo tribunal competente para a rescisória. 5. n. protetiva. Constritivas são as medidas cautelares que ocasionam a apreensão de pessoas ou de coisas. tão logo interposto o recurso. 8. À vista do parágrafo único do artigo 800. ainda é controvertida a competência para a concessão de medida cautelar. toda cautelar é preventiva. Com efeito. A regra inserta no caput do artigo 800 alcança tanto as cautelares incidentais quanto as cautelares antecedentes572. não é tão simples a identificação da competência. a hipótese prevista no artigo 489 do Código de Processo Civil não apresenta dificuldade alguma. do Código de Processo Civil. as exceções previstas nos artigos 853 e 880. o respectivo juiz pode conceder medida acautelatória.As medidas cautelares também podem ser constritivas. a medida cautelar será requerida diretamente ao tribunal”. as cautelares não podem ser classificadas em satisfativas ou preventivas. com simples adaptação: “tribunal” no lugar de “juiz”.” (Apelação n. quando o processo principal é uma rescisória. compete ao tribunal ad quem processar e julgar a cautelar574. mediante o simples protocolo da petição recursal. ou não. 574 Há. Por exemplo. 47. o processo cautelar pode ter como principal um processo que reside na competência originária de tribunal. O arresto e o sequestro são exemplos de cautelares constritivas. vale conferir a ementa de acórdão da relatoria do Desembargador BARBOSA MOREIRA: “Só se subordinam ao prazo do art. de 31 de maio de 1990). já que sempre visa à proteção do processo principal. basta a mera interposição do recurso. A classificação sob exame é muito importante para a correta interpretação do artigo 806 do Código de Processo Civil: o preceito só alcança as cautelares constritivas571. porquanto não há cautelar satisfativa. as medidas cautelares devem ser requeridas no juízo competente para o processo principal. ementário 21/1990. 571 A propósito. Por fim. Por fim. para o requerido. porquanto incide a regra inserta no caput do artigo 800. quando a competência é deslocada para o mesmo tribunal.

Volume III. Segundo o inciso II do artigo 801. Consoante os enunciados nºs 634 e 635 da Súmula do Supremo Tribunal Federal576. mas a nosso sentir será competente. na doutrina: “Não é pacífica a solução do problema. do Código de Processo Civil. os quais formam o mérito do processo cautelar. Lições de direito processual civil. 257.” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. 219 . a petição inicial da ação cautelar também deve conter as qualificações completas tanto do requerente da medida cautelar quanto do requerido. PETIÇÃO INICIAL A ação cautelar deve ser proposta mediante petição inicial577 elaborada com a observância do artigo 801 do Código de Processo Civil. tanto a cautelar de competência de juiz de primeiro grau quanto a cautelar originária de tribunal. 64). A petição inicial também deve conter a fundamentação referente ao fumus boni iuris e ao periculum in mora. a interposição do recurso contra a sentença. o pleito acautelatório ainda deve ser endereçado ao juízo de origem. artigos 796 e 801. parágrafo único. 800. inciso I. é necessária a admissão do recurso no juízo de origem para que o tribunal ad quem seja competente para conhecer de requerimento de medida cautelar. do Código de Processo Civil. com a demonstração do nexo de interdependência578. No que tange à fumaça do bom direito.. 575 No mesmo sentido. antes. a petição inicial deve conter a indicação do juízo ou do tribunal competente para a concessão da medida cautelar. tendo em vista o disposto nos artigos 800 e 801. todos daquele diploma. do CPC) ser clara ao estabelecer. 2006. Isto se deve ao fato de a lei processual (art. p. 9. mais do que a mera interposição. cabe ao requerente demonstrar o risco de dano iminente que está sujeito a sofrer. a petição inicial deve conter a exposição da lide objeto do processo principal. A despeito da literalidade do parágrafo único do artigo 800. basta o requerente demonstrar a simples probabilidade de sucesso do processo principal com o qual há a relação de interdependência. o tribunal a que couber a competência para apreciar o recurso já interposto. a jurisprudência predominante segue outro critério distintivo da competência. No que diz respeito ao perigo da demora. 258 e 282. inciso I. 11ª ed. “Cabe ao Presidente do Tribunal de origem decidir o pedido de medida cautelar em recurso extraordinário ainda pendente do seu juízo de admissibilidade”. 577 Tanto a cautelar antecedente quanto a cautelar incidental. mas que é evitável mediante a concessão da medida cautelar pleiteada. 576 “Não compete ao Supremo Tribunal Federal conceder medida cautelar para dar efeito suspensivo a recurso extraordinário que ainda não foi objeto de juízo de admissibilidade na origem”. Em primeiro lugar. inciso III e parágrafo único. ainda aqui. 578 Cf.para deslocar a competência do juízo de origem para o tribunal superior575. Quando antecedente ou preparatória a cautelar. bem assim dos artigos 39. como fato determinante da fixação da competência do tribunal.

Após a fundamentação do fumus boni iuris e do periculum in mora, o requerente deve arrolar os respectivos pedidos, consoante determina o artigo 282, inciso IV, do Código de Processo Civil. Com efeito, a petição inicial deve conter a indicação do pedido de concessão da medida cautelar necessária para evitar o risco de dano. Aliás, diante da iminência do dano, o requerente pode pedir a concessão da medida cautelar in limine litis, consoante autoriza o artigo 804 do Código de Processo Civil. Ainda em relação aos pedidos, a petição inicial deve conter o requerimento de citação do requerido, para que possa exercer o respectivo direito de defesa579. Como toda petição inicial, a da cautelar também deve contar a indicação do valor da causa. O valor da causa da ação cautelar deve refletir a eventual vantagem econômica proveniente da concessão da medida cautelar. O valor da causa da ação cautelar tanto pode ser igual quanto pode ser diferente do valor da causa da ação principal, tendo em vista a eventual repercussão patrimonial proveniente do deferimento da medida cautelar. O certo, todavia, é que a petição inicial da cautelar deve cumprir o disposto no artigo 258 do Código de Processo Civil. O requerente também deve especificar as provas que pretende produzir ao longo do processo cautelar. No que tange à prova documental, a petição inicial deve ser desde logo instruída com os documentos disponíveis, ainda mais quando há formulação de pedido de concessão de medida cautelar in limine litis. A petição inicial deve ser subscrita por advogado, o qual deve indicar o respectivo endereço profissional e o número de inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil, para que possa ser intimado dos diversos atos processuais. A petição também deve ser instruída com a procuração outorgada pelo requerente ao advogado subscritor da inicial, exceto na hipótese do artigo 37 do Código de Processo Civil, porquanto há a possibilidade de posterior juntada do instrumento de mandato, em caso de urgência. Por fim, a distribuição da petição inicial da cautelar também está sujeita à regra do pagamento das custas iniciais, prevista no artigo 257 do Código de Processo Civil. Não obstante, o requerente também pode pedir a concessão de assistência judiciária, como autoriza a Lei n. 1.060, de 1950, quando fica dispensado do pagamento. 10. EMENDA DA PETIÇÃO INICIAL Se a petição inicial da cautelar contiver algum vício sanável580, o requerente deve ser intimado para a emenda da mesma, em dez dias, consoante estabelece
579 580

Cf. artigos 282, inciso VII, e 802, ambos do Código de Processo Civil. Por exemplo, ausência de valor da causa, falta de requerimento de citação do réu-requerido.

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o artigo 284 do Código de Processo Civil. Sem dúvida, o artigo 284 também é aplicável à petição inicial da cautelar. Se o requerente, todavia, deixar o decêndio legal correr in albis, a petição inicial deve ser indeferida, com fundamento nos artigos 267, inciso I, e 284, parágrafo único, ambos do Código de Processo Civil. 11. ADMISSÃO DA PETIÇÃO INICIAL E MEDIDA CAUTELAR IN LIMINE LITIS Cumpridas todas as formalidades arroladas nos artigos 39, 258, 282, 295 e 801 do Código de Processo Civil, o juiz deve admitir a petição inicial e determinar a citação do requerido, para que possa apresentar contestação, em cinco dias. Além de determinar a citação do requerido, o juiz também deve verificar se há pedido específico de concessão liminar da medida cautelar581. Formulado o pedido de concessão liminar na petição inicial da cautelar, cabe ao juiz decidir desde logo o pleito, com a prolação de decisão interlocutória, a qual pode ser impugnada mediante agravo de instrumento, nos termos do artigo 522 do Código de Processo Civil. Na verdade, a medida cautelar liminar pode ser concedida até mesmo de ofício pelo juiz, tendo em vista a autorização inserta no artigo 804 do Código de Processo Civil. 12. RESPOSTAS DO REQUERIDO Citado da admissão da petição inicial, o requerido pode contestar a cautelar no prazo de cinco dias. Com efeito, o prazo disponível para a contestação no processo cautelar é de apenas cinco dias, ex vi do artigo 802 do Código de Processo Civil. A despeito de o artigo 802 versar apenas sobre a contestação, o requerido também pode veicular impugnação ao valor da causa, bem assim as exceções de impedimento, de suspeição e de incompetência relativa, mas todas no prazo de cinco dias previsto no artigo 802, e não no prazo de quinze dias dos artigos 297 e 305 do mesmo diploma. 13. RECONVENÇÃO, DENUNCIAÇÃO DA LIDE AÇÃO DECLARATÓRIA INCIDENTAL E

No que tange à reconvenção, não é admissível em processo cautelar. A propósito, merece ser prestigiada a conclusão 13 do 6º Encontro Nacional dos Tribunais de Alçada: “Não cabe reconvenção nos processos executivo e cautelar”. A uma, porque a reconvenção só tem previsão legal no processo de conhecimento
581

Cf. artigos 801, parágrafo único e 804, ambos do Código de Processo Civil.

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sob o rito ordinário. A duas, porque eventual pedido de contracautela pode ser veiculado tanto na contestação quanto em petição avulsa, consoante autoriza a interpretação do artigo 804 do Código de Processo Civil. Pelos mesmos motivos, não é admissível ação declaratória incidental em processo cautelar. Por fim, também não há lugar denunciação da lide em processo cautelar, porquanto a litisdenunciação diz respeito a direito de regresso proveniente de condenação do denunciante, razão pela qual a denunciação da lide só é admissível em processo de conhecimento582. 14. PROCEDIMENTO FINAL Contestada a cautelar pelo requerido, cabe ao juiz decidir sobre as provas a serem produzidas, sem nova manifestação do requerente, porquanto não há lugar para réplica, tendo em vista o disposto no artigo 803 do Código de Processo Civil. Se necessária a intervenção ministerial, os autos devem ser remetidos ao Ministério Público, para parecer. Findo o processamento, o juiz deve proferir sentença no processo cautelar. Com efeito, o processo cautelar deve ser julgado desde logo, por meio de sentença. 15. SENTENÇA E APELAÇÃO SEM EFEITO SUSPENSIVO A sentença proferida no processo cautelar desafia recurso de apelação, mas apenas com efeito devolutivo, vale dizer, sem efeito suspensivo, tendo em vista a exceção arrolada no inciso IV do artigo 520 do Código de Processo Civil. Por consequência, a sentença proferida no processo cautelar tem eficácia desde logo, ainda que pendente de julgamento de apelação. Na eventualidade da prolação de sentença única para os processos cautelar e principal, cabe apenas um recurso de apelação, mas é possível a separação dos efeitos da respectiva apelação. Imagine-se, por exemplo, a prolação de uma só sentença, com a resolução da demanda cautelar e da demanda principal. À vista do inciso IV do artigo 520, a sentença proveniente da cautelar é impugnável por apelação sem efeito suspensivo. Se a demanda principal estiver sujeita à regra do proêmio do artigo 520, o recurso apelatório deve ser, no particular, recebido com os efeitos devolutivo e suspensivo. Daí o recebimento da apelação com efeito

582

De acordo, na doutrina: “A denunciação da lide serve para que uma das partes possa exercer contra terceiro o seu direito de regresso. Pressupõe, portanto, a possibilidade de haver condenação, o que a afasta do âmbito dos processos de execução e cautelar. Só há denunciação da lide em processo de conhecimento.” (MARCUS VINÍCIUS RIOS GONÇALVES. Novo curso de direito processual civil. Volume I, 4ª ed., 2007, p. 190).

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devolutivo no que tange à cautelar, mas com efeitos devolutivo e suspensivo em relação ao principal583. 16. PROCESSO CAUTELAR E HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS No que tange à condenação em verba de patrocínio na sentença proferida no processo cautelar, depende da ocorrência de resistência por parte do requerido. Com efeito, se o requerido contestar a cautelar ou veicular alguma outra resistência à medida, como, por exemplo, aviar recurso de agravo de instrumento contra a decisão interlocutória concessiva da medida in limine litis, há lugar para a condenação em honorários advocatícios na sentença. Daí o acerto do enunciado n. 12 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, com sede no Rio de Janeiro: “São devidos honorários advocatícios no processo cautelar, em que houver litígio”584. 17. PROCESSO CAUTELAR E COISA JULGADA À vista do artigo 810 do Código de Processo Civil, a sentença proferida em processo cautelar não produz coisa julgada material, razão pela qual não pode ser impugnada por meio de ação rescisória. Não obstante, a regra estampada no artigo 810 não é absoluta: quando há a pronúncia de prescrição ou de decadência no processo cautelar, a sentença irrecorrida produz coisa julgada material, com imutabilidade e indiscutibilidade, nos termos do artigo 467 do Código de Processo Civil. Em suma, a sentença proferido em processo cautelar não produz coisa julgada material, salvo se o juiz pronunciar a prescrição ou a decadência.

583

A respeito da proposição defendida no presente compêndio, vale conferir a jurisprudência no mesmo diapasão: “- Julgadas ao mesmo tempo a ação principal e a cautelar, a respectiva apelação deve ser recebida com efeitos distintos, ou seja, a cautelar no devolutivo e a principal no duplo efeito.” (EREsp n. 663.570/SP, Corte Especial do STJ, Informativo 390). “É cabível o julgamento simultâneo da medida cautelar e da ação principal em sentença única, com a interposição de uma apelação, com efeitos distintos respectivamente” (REsp n. 617.007/SP, 3ª Turma do STJ, julgado em 25 de outubro de 2005, Informativo n. 266). 584 A propósito, vale conferir a ementa de acórdão da relatoria de eminente processualista, o Desembargador BARBOSA MOREIRA: “Processo cautelar com feição contenciosa. Cabimento da condenação do vencido ao pagamento das custas processuais e de honorários advocatícios, na própria sentença que acolheu o pedido de cautela.” (Apelação n. 14/90, 5ª Câmara Cível do TJRJ, ementário 20/1990, n. 52, de 24 de maio de 1990).

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ARRESTO

1. CONCEITO DE ARRESTO Arresto é a medida cautelar admissível em prol do credor, destinada à apreensão de bens indeterminados do devedor, a fim de afastar sério risco de dilapidação do patrimônio e resguardar o resultado útil de execução por quantia certa585. 2. ARRESTO: NATUREZA DO PROCESSO PRINCIPAL Como o arresto está diretamente relacionado à execução por quantia certa, questiona-se se a cautelar pode ser ajuizada na pendência de processo de conhecimento. Sem dúvida, o arresto cautelar também pode ser requerido no curso de um processo de conhecimento, como bem revela o artigo 814, parágrafo único, in fine, do Código de Processo Civil. Com efeito, quando o processo de conhecimento for a fonte da futura execução por quantia certa, não há dúvida da admissibilidade do arresto cautelar586. Por fim, a futura ou atual execução por quantia certa autorizadora do arresto cautelar pode ser civil ou falimentar. Com efeito, o arresto cautelar também tem lugar na falência587. 3. ARRESTO ANTECEDENTE E ARRESTO INCIDENTAL

585

Em sentido conforme, na doutrina: “Arresto, ou embargo, como diziam os antigos praxistas, é a medida cautelar de garantia da futura execução por quantia certa. Consiste na apreensão judicial de bens indeterminados do patrimônio do devedor. Assegura a viabilidade da futura penhora (ou arrecadação, se se tratar de insolvência), na qual virá a converter-se ao tempo da efetiva execução. É figura cautelar típica, com as nítidas marcas da prevenção e da provisoriedade, posta a serviço da eliminação do perigo de dano jurídico capaz de pôr em risco a possibilidade de êxito da execução por quantia certa. Garante, enquanto não chega a oportunidade da penhora, a existência de bens do devedor sobre os quais haverá de incidir a provável execução por quantia certa. Realiza-se, destarte, através da apreensão e depósito de bens do devedor, com o mencionado fito.” (Humberto Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. Volume II, 27ª ed., 1999, n. 1.053, p. 441). “O arresto é a apreensão cautelar de bens com a finalidade de garantir uma futura execução por quantia.” (Vicente Greco Filho. Direito processual civil brasileiro. Volume III, 17ª ed., 2005, p. 175). Também no mesmo sentido, na doutrina: Marcus Vinicius Rios Gonçalves. Novo curso de direito processual civil. Volume III, 2007, p. 303: “serve para garantir que a futura execução por quantia certa venha a ter êxito. O risco que o arresto cautelar procura afastar é o de que o devedor dilapide o seu patrimônio, tornando-se insolvente. Serve para que se faça a apreensão judicial de bens do devedor, entregues a um depositário”. 586 No mesmo sentido, na doutrina: “O arresto pode ser preparatório ou incidente, de execução por quantia certa ou de ação condenatória.” (Marcus Vinicius Rios Gonçalves. Novo curso de direito processual civil. Volume III, 2007, p. 303). Também em sentido conforme, ainda na doutrina: Alexandre Freitas Câmara. Lições de direito processual civil. Volume III, 12ª ed., 2007, p. 109. Assim, na jurisprudência: REsp n. 199.478/MG, 1ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 8 de maio de 2000, p. 61. 587 De acordo, na jurisprudência: “AGRAVO DE INSTRUMENTO – CAUTELAR DE ARRESTO – DEFERIMENTO DE LIMINAR – DETERMINAÇÃO DE QUE O AGRAVADO FIQUE COMO DEPOSITÁRIO FIEL DOS BENS ARRESTADOS – LEI DE FALÊNCIA – ART. 666 DO CPC.” (AGI n. 2003.00.2.006965-1, 5ª Turma do TJDF, Diário da Justiça de 10 de dezembro de 2003, p. 62).

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À vista dos artigos 796 e 812 do Código de Processo Civil, o arresto cautelar pode ser antecedente ou incidental, exercido mediante ação cautelar específica, consubstanciada em petição inicial própria, autuada em separado (artigo 809). Não obstante, o arresto cautelar incidental também pode ser requerido no bojo dos autos do processo principal. Com efeito, após o advento da Lei n. 10.444, de 2002, as cautelares incidentais podem ser concedidas até mesmo dentro do próprio processo principal588, em virtude do artigo 273, § 7º, do Código de Processo Civil. Aliás, o arresto pode ser determinado até de ofício pelo juiz do processo principal, em virtude do poder geral de cautela consagrado no artigo 798 do Código de Processo Civil589. 4. HIPÓTESES DE ARRESTO: INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 813 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL O artigo 813 do Código de Processo Civil arrola as principais hipóteses de arresto590, todas à luz da mesma premissa: resguardar o resultado útil de execução por quantia certa diante do risco de dilapidação do patrimônio pelo devedor. O preceito, entretanto, não é exaustivo. Aliás, o inciso IV do próprio artigo 813 revela a existência de outros tantos casos de arresto591: artigo 154, §

588

Em sentido semelhante, na jurisprudência: REsp n. 709.479/SP, 3ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 1º de fevereiro de 2006, p. 548; e REsp n. 199.478/MG, 1ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 8 de maio de 2000, p. 61: “2. A teor da Lei 7.347/85 (art. 12), o arresto de bens pertencentes a pessoas acusadas de improbidade, pode ser ordenado nos autos do processo principal”. 589 Assim, na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL - PODER CAUTELAR DO JUIZ - ARRESTO. I Jurisprudência do STJ acolhe entendimento no sentido de que arresto decretado pelo juiz da execução, de ofício, no exercício de seu poder cautelar e para garantia do processo e eficácia da decisão, é cabível e pode ser efetivado sem audiência da parte adversa.” (REsp n. 122.583/RS, 3ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 4 de maio de 1998, p. 154). “PROCESSUAL CIVIL - PODER CAUTELAR DO JUIZ - ARRESTO. I Jurisprudência do STJ acolhe entendimento no sentido de que arresto decretado pelo juiz da execução, de ofício, no exercício de seu poder cautelar e para garantia do processo e eficácia da decisão, é cabível e pode ser efetivado sem audiência da parte adversa.” (RMS n. 5.345/RS, 3ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 7 de agosto de 1995, p 23.035). 590 “Art. 813. O arresto tem lugar: I - quando o devedor sem domicílio certo intenta ausentar-se ou alienar os bens que possui, ou deixa de pagar a obrigação no prazo estipulado; II - quando o devedor, que tem domicílio: a) se ausenta ou tenta ausentar-se furtivamente; b) caindo em insolvência, aliena ou tenta alienar bens que possui; contrai ou tenta contrair dívidas extraordinárias; põe ou tenta pôr os seus bens em nome de terceiros; ou comete outro qualquer artifício fraudulento, a fim de frustrar a execução ou lesar credores; III - quando o devedor, que possui bens de raiz, intenta aliená-los, hipotecá-los ou dá-los em anticrese, sem ficar com algum ou alguns, livres e desembargados, equivalentes às dívidas; IV - nos demais casos expressos em lei”. 591 Sem contar com a hipótese prevista no artigo 653 do Código de Processo Civil, em razão da divergência doutrinária acerca da natureza executiva ou cautelar do arresto previsto naquele preceito. Reconhecem a natureza cautelar do arresto previsto no artigo 653, na doutrina: José Carlos Barbosa Moreira. O novo processo civil brasileiro. 25ª ed., 2007, p. 234; Humberto Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. Volume II, 27ª ed., 1999, n. 1.053, p. 442; e Vicente Greco Filho. Direito processual civil brasileiro. Volume III, 17ª ed., 2005, p. 176. Negam a natureza cautelar e sustentam a natureza executiva do arresto do artigo 653: Marcus Vinicius Rios Gonçalves. Novo curso de direito processual civil. Volume III, 2008, p. 303; e Alexandre Freitas Câmara. Lições de direito processual civil. Volume III, 12ª ed., 2007, p. 104.

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5º, da Lei n. 11.101, de 2005592, artigo 731 do Código de Processo Civil593, artigo 45, caput e § 2º, da Lei n. 6.024, de 1974, artigo 16, caput e § 1º, da Lei n. 8.429, de 1992594, e artigos 136, 137 e 139 do Código de Processo Penal de 1941595, antes das correções feitas pela Lei n. 11.435, de 2006. Em suma, além das hipóteses arroladas no artigo 813 do Código de Processo Civil, há lugar para arresto cautelar em outros casos596, sempre que o credor demonstrar, a um só tempo, a plausibilidade do respectivo direito (fumus boni iuris) e o perigo da demora (periculum in mora)597. 5. DÍVIDA EM DINHEIRO, CERTEZA ACERCA DA EXISTÊNCIA E VENCIMENTO: DESNECESSIDADE À primeira vista, os artigos 813 e 814 do Código de Processo Civil condicionam a concessão do arresto ao prévio reconhecimento da dívida e ao vencimento da obrigação pecuniária. Não obstante, fixada a premissa de que as hipóteses arroladas no artigo 813 não são taxativas, o arresto pode ter lugar antes do vencimento da dívida e até mesmo antes do reconhecimento da obrigação pecuniária, desde que comprovados o fumus boni iuris, à luz da plausibilidade do direito do requerente, e o periculum in mora, à vista do risco iminente de dilapidação do patrimônio por parte do devedor. Com efeito, o arresto é admissível mesmo antes da propositura da execução, ainda que na pendência do processo de conhecimento, como autoriza o parágrafo único do artigo 814. A propósito, merece ser prestigiada a conclusão n.
592

Com a mesma opinião, na doutrina: Vicente Greco Filho. Direito processual civil brasileiro. Volume III, 17ª ed., 2005, p. 176: “Entre eles se encontra o do já comentado art. 653, inserido na execução, e o do art. 154, § 5º, da Lei de Falências (a lei refere-se a sequestro, mas o caso é de arresto)”. 593 Em sentido conforme, na doutrina: Humberto Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. Volume II, 27ª ed., 1999, n. 1.057, p. 444. 594 Em erudito voto proferido no julgamento do REsp n. 206.222/SP, o Ministro Teori Albino Zavascki sustenta a respeitável tese de que o sequestro previsto no artigo 16 da Lei n. 8.429, de 1992, ora tem natureza de arresto, ora tem natureza de sequestro. Ainda que muito respeitável a tese do eminente Professor, o sequestro inserto no artigo 16 da Lei n. 8.429 tem natureza de arresto, porquanto alcança bens indeterminados como garantia de execução por quantia certa, conforme se infere do artigo 7º da mesma lei. 595 Com igual opinião, na doutrina: Humberto Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. Volume II, 27ª ed., 1999, n. 1.057, p. 444, e n. 1.062, p. 447. De acordo, na jurisprudência: RMS n. 13.450/PR, 5ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 18 de novembro de 2002, p. 242. 596 No mesmo sentido, na jurisprudência: “- O art. 813 do CPC deve ser interpretado sob enfoque ampliativo, sistemático e lógico, de sorte a contemplar outras hipóteses que não somente as expressamente previstas no dispositivo legal.” (REsp n. 909.478/GO, 3ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 27 de agosto de 2007, p. 249). “- As hipóteses numeradas no art. 813, do CPC, são meramente exemplificativas, de forma que é possível ao juiz deferir cautelar de arresto fora dos casos enumerados.” (REsp n. 709.479/SP, 3ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 1º de fevereiro de 2006, p. 548). 597 No mesmo sentido, na jurisprudência: “II - Considerando que a medida cautelar de arresto tem a finalidade de assegurar o resultado prático e útil do processo principal, é de concluir-se que as hipóteses contempladas no art. 813, CPC, não são exaustivas, mas exemplificativas, bastando, para a concessão do arresto, o risco de dano e o perigo da demora.” (REsp n. 123.659/PR, 4ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 21 de setembro de 1998, p. 175).

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71 aprovada no Simpósio de Processo Civil de Curitiba, sob a relatoria do Professor Cândido Dinamarco: “ARRESTO E EXIGIBILIDADE DA DÍVIDA – A exigibilidade da dívida não é requisito indispensável à concessão do arresto”598. Em suma, o arresto não depende do vencimento da dívida nem do reconhecimento da existência da obrigação mediante sentença transitada em julgado, mas apenas do fumus boni iuris e do periculum in mora, ou seja, a probabilidade da existência da dívida somada com o sério risco de dissipação de bens pelo requerido599. 6. BENS ARRESTÁVEIS

598

Cf. Revista Forense, volume 252, p. 23 e 28: “40. CÂNDIDO DINAMARCO apresentou esta dúvida: é necessário que a dívida esteja vencida para possibilitar o arresto? (arts. 586 e 814 – I). CÂNDIDO DINAMARCO: exigibilidade não é requisito para arresto. A medida, entretanto, perderia a finalidade se não proposta a ação dentro de trinta dias. E se a dívida, nestes trinta dias, ainda não estiver vencida? LUÍS RENTATO PEDROSO: parece que houve cochilo do legislador neste caso. GALENO LACERDA: não se restringe o direito do credor ao prazo fatal de trinta dias. Isto não seria compreensível. MOURA ROCHA: nem todas as medidas cautelares são preparatórias. Decisão do SIMPÓSIO: o arresto pode ser concedido antes de vencida a dívida, permanecendo a sua eficácia até trinta dias após a exigibilidade da mesma (arts. 814 e 586).” (Edson Prata. Simpósio de Processo Civil. Revista Forense, volume 252, p. 23). 599 Em abono, na doutrina: “É registrar-se, outrossim, uma tendência doutrinária e jurisprudencial no sentido de abrandar-se o rigor na determinação do que seria ‘prova literal de dívida líquida e certa’. Assim, não seria necessário que o credor dispusesse, desde logo, de um título executivo perfeito e completo, bastando contar com prova documental de dívida reconhecida pelo devedor, ou a ele oponível com verossimilhança. Essa posição merece acolhida, diante do fato de a lei autorizar, com toda amplitude, o poder geral de cautela, o que tornaria sem sentido tratar a medida típica sob um rigor formal impróprio aos desígnios da jurisdição preventiva.” (Humberto Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. Volume II, 27ª ed., 1999, n. 1.056, p. 443). Também em sentido conforme, na doutrina: “Mas a leitura do inciso I do art. 814 do CPC poderia levar a equívocos, ao exigir ‘prova literal da dívida líquida e certa’. Poderia dar a impressão de que a medida exige que o crédito já seja reconhecido, consubstanciado em documento com força executiva. Imagine-se uma vítima de acidente de trânsito, do qual resultam graves lesões. Ela ajuíza ação com pedido de reparação de danos, mas, antes do julgamento, descobre que o devedor está transferindo todos os seus bens e corre sério risco de cair em insolvência. Não teria sentido que, para a concessão do arresto, fosse necessário aguardar o resultado do processo de conhecimento, o que retiraria grande parte da utilidade da medida. Basta, para a concessão da medida, a plausibilidade da existência do crédito”. “Para a concessão do arresto, o juiz não precisa ter absoluta certeza da existência do crédito; do contrário, teria de aguardar o julgamento do processo de conhecimento. Basta que se afigure plausível, verossímil, para que a proteção seja concedida.” (Marcus Vinicius Rios Gonçalves. Novo curso de direito processual civil. Volume III, 2007, p. 304 e 305). Também com opinião conforme, na doutrina: “É preciso, dizer, em primeiro lugar, que a ‘certeza’ exigida pelo art. 814 do CPC não se refere à existência da obrigação. Isto porque, como sabido, o processo cautelar não é sede própria para verificação da existência de direitos subjetivos, não cabendo ao juiz, neste tipo de processo, formar juízo de certeza. Basta-lhe, para concessão da tutela cautelar, o fumus boni iuris, o que significa dizer que basta a probabilidade de existência da obrigação.” “É de se considerar, pois, que o requisito que ora se analisa para a concessão do arresto é nada mais, nada menos, que o fumus boni iuris, ou seja, a probabilidade de existência do direito de crédito cuja satisfação se irá buscar no processo de execução por quantia certa cuja efetividade se quer proteger.” (Alexandre Freitas Câmara. Lições de direito processual civil. Volume III, 12ª ed., 2007, p. 108 e 109). Em sentido contrário, quanto à existência da dívida, e no mesmo sentido, quanto ao vencimento, na doutrina: “Em todos os casos, a dívida deve ser líquida e certa para a obtenção do arresto, mas, como já se disse, não precisa estar vencida.” (Vicente Greco Filho. Direito processual civil brasileiro. Volume III, 17ª ed., 2005, p. 176).

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O arresto pode ocasionar a apreensão de bens móveis, semoventes e imóveis do devedor600. Não obstante, à vista dos artigos 818 e 821 do Código de Processo Civil, somente os bens penhoráveis podem ser objeto da constrição mediante arresto601. Por conseguinte, os bens impenhoráveis arrolados no artigo 649 do Código de Processo Civil, no artigo 1.715 do Código Civil e na Lei n. 8.009, de 1990, não são passíveis de arresto602. O arresto deve incidir em tantos bens quantos bastem para a satisfação da execução por quantia, com o pagamento do principal atualizado, juros, custas e honorários advocatícios, em virtude da combinação dos artigos 659, caput, e 821, ambos do Código de Processo Civil. 7. PETIÇÃO INICIAL DO ARRESTO Em regra, a medida cautelar de arresto é requerida mediante ação própria, especialmente quando a medida é solicitada antes da propositura da ação principal. Daí a regra: a ação cautelar de arresto é veiculada mediante petição inicial, a qual deve ser elaborada à luz dos artigos 39, inciso I, 258, 282, 283 e 801, todos do Código de Processo Civil. As formalidades tradicionais somente podem ser relevadas quando a medida cautelar é incidental e é requerida no bojo do próprio processo principal, quando o arresto pode ser solicitado mediante simples petição, como autoriza o artigo 273, § 7º, do Código de Processo Civil. 8. ARRESTO CAUTELAR LIMINAR À vista dos artigos 804 e 812 do Código de Processo Civil, é admissível a concessão do arresto cautelar in limine litis, mediante decisão interlocutória proferida pelo juiz. Tanto a decisão concessiva quanto a denegatória do arresto liminar são passíveis de impugnação mediante recurso de agravo de instrumento, no prazo de dez dias (artigo 522). 9. AUDIÊNCIA DE JUSTIFICAÇÃO: INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 815 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL
600

Assim, na doutrina: “O arresto pode recair sobre bens móveis ou imóveis, e até incorpóreos, desde que suscetíveis de apropriação (como os créditos), e apreciáveis economicamente.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. Novo curso de direito processual civil. Volume III, 2007, p. 308). 601 De acordo, na doutrina: Humberto Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. Volume II, 27ª ed., 1999, n. 1.063, p. 447: “Objeto do arresto são os bens patrimoniais do devedor, móveis ou imóveis, desde que satisfeito o requisito da penhorabilidade, porquanto seu fim é converter-se, posteriormente, em penhora. Há um critério de verdadeira paridade entre o arresto, e a penhora, pois o regime legal de ambos é o mesmo (art. 821). Assim, são arrestáveis todos os bens penhoráveis, pois o arresto não tem outra finalidade senão a de tornar viável uma futura penhora”. “São arrestáveis os bens penhoráveis.” (VICENTE GRECO FILHO. Direito processual civil brasileiro. Volume III, 17ª ed., 2005, p. 175). 602 Assim, na jurisprudência: REsp n. 605.641/RS, 3ª Turma do STJ, Diário da Justiça de 29 de novembro de 2004, p.333.

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” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. ao contrário do que pode parecer à primeira vista. do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 1º de fevereiro de 2006. 3ª Turma do STJ. o que se extrai do disposto no art. tendo em vista o disposto no artigo 173. AUTO DE ARRESTO E NOMEAÇÃO DO DEPOSITÁRIO A medida cautelar de arresto pode ser efetiva em qualquer dia. p. Assim sendo. 804. 27ª ed. do Código de Processo Civil. o juiz decide concede ou denega o arresto liminar. 709. parece-nos que a referência a ‘prova literal’ da dívida líquida e certa deve ser interpretada como ‘prova suficiente’. 12ª ed. a fim de colher outras provas requeridas na petição de arresto. na doutrina: “Independentemente do ordinário procedimento de execução forçada. Trata-se de caução facultativa e poderá ser exigida ou dispensada pelo juiz à vista do caso concreto604. Daí a possibilidade da oitiva de testemunhas e até mesmo de prova pericial na audiência de justificação prévia603. EFETIVAÇÃO DA MEDIDA. p.. O arresto é efetivado mediante a apreensão e o 603 No mesmo sentido. p. como a efetivação de todas as demais medidas cautelares. Curso de direito processual civil. n. 605 Cf. conforme o caso concreto. da mesma forma como o é em relação ao art. À vista do artigo 821 do Código de Processo Civil. porquanto tem como escopo mitigar os eventuais danos causados por um eventual arresto indevido605. gerando a imediata expedição do mandado de arresto. 11. Volume III.479/SP. da probabilidade de existência do crédito cuja realização se irá pleitear no processo principal. parágrafo único. ou seja. na jurisprudência: “. 1999. 813 do CPC. 604 De acordo. a necessidade da medida cautelar de arresto pode ser demonstrada por outros meios de prova além da documental. Volume II. 803. A caução prevista no inciso II do artigo 816 tem natureza de contracautela. 449). assim compreendida a prova capaz de convencer o juízo da presença do fumus boni iuris.” (REsp n. “A efetivação da medida cautelar de arresto. Com efeito. se faz 229 . do Código de Processo Civil. mas apenas a expedição de mandado judicial para a efetivação da medida cautelar606. revela que o juiz pode condicionar a concessão do arresto liminar à prestação de caução pelo requerente da cautelar. inciso II. até mesmo nos feriados. inclusive as provas orais (como a testemunhal e o depoimento pessoal das partes). 1. ela se cumpre por si mesma.067. EXIGÊNCIA DA CAUÇÃO PARA A CONCESSÃO DA LIMINAR: FACULDADE DO JUIZ A combinação dos artigos 804 e 816. artigos 804 e 811 do Código de Processo Civil. é facultativa a exigência de caução pelo juiz da causa. 2007. na doutrina: “Qualquer meio de prova pode ser utilizado no processo cautelar..” (HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. Lições de direito processual civil. Não há execução propriamente dita. 10.Se a prova documental juntada com a petição de arresto não for suficiente para o convencimento do juiz em prol da imediata concessão da medida cautelar. do CPC. 111). 606 Em sentido conforme. inciso II.Nas hipóteses do art. Colhidas as provas adicionais. 548). o magistrado pode designar audiência de justificação prévia. a efetivação do arresto segue o disposto nos artigos 659 e seguintes do mesmo diploma.

também há mais de um auto. 117). Se o devedor oferecer resistência. apenas faz com que o ato praticado seja irrelevante para o processo. juridicamente. o arresto não gera a imediata perda da propriedade. o arresto ocasiona a perda da posse direta do bem pelo proprietário do mesmo. EFEITOS DO ARRESTO O arresto cautelar produz alguns importantes efeitos jurídicos. do arresto. a alienação não tem eficácia alguma em relação ao processo acautelado mediante o arresto. vinculado à atuação da prestação jurisdicional objeto do processo principal. o encargo só é assumido com a assinatura do depositário no auto de arresto. artigo 666. conserve a vinculação ao arresto e aos destinos do processo a que serve a medida 230 . sem que se possa pensar num processo autônomo de execução. inciso II. ou seja. Qualquer que seja o depositário nomeado pelo juiz. mas sem eficácia em relação ao processo garantido por meio do arresto610. embora integrado no patrimônio do adquirente. que o depositário seja um dos litigantes. O primeiro efeito do arresto é vincular o bem apreendido ao processo principal. 608 Cf. Os bens arrestados ficam sob a guarda do depositário. responsável pela conservação dos mesmos608. b) imposição de ineficácia dos atos de transferência dominial frente ao processo em que se deu a constrição. Com o arresto. o Estado-juiz assume a posse direta do bem arrestado. 2007. 662 e 663 do Código de Processo Civil. razão pela qual o devedor ainda pode alienar o bem arrestado. p.depósito dos bens. portanto. Volume III. incidem os artigos 579. 609 Cf. Realmente. 661. o devedor.. entretanto. Decorrem. Daí a nomeação do depositário pelo juiz.” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. com a lavratura do auto de arresto. artigo 148 do Código de Processo Civil. dois efeitos importantes: a) restrição física à posse do dono. 12. 610 Assim. auxiliar do juízo que fica pela guarda e pela conservação do bem arrestado609. 660. quando os bens arrestados passam à guarda do depositário. a alienação não tem eficácia alguma em relação ao processo principal ao qual o bem arrestado está vinculado. Na eventualidade de o bem arrestado ser alienado a terceiro. O devedor cujo bem foi arrestado ainda tem a propriedade e a posse indireta. na doutrina: “Com o arresto surge uma nova situação jurídica para o bem apreendido. com o pagamento do credor. artigo 148 do Código de Processo Civil. nem impede que seja válida a alienação do bem. 12ª ed. nomeado pelo juiz. Observe-se. tem preferência o depositário judicial607. ou seja. porém. 607 Cf. já que o objeto arrestado passa à guarda de depositário judicial. Ademais. Não obstante. Na nomeação do depositário dos bens móveis e imóveis. que ineficácia não se confunde com nulidade. até mesmo o devedor. com a requisição de força policial para a efetivação do arresto. faz com que o bem transferido. o que explica a possibilidade de o bem ser penhorado e alienado no processo principal. Lições de direito processual civil. do Código de Processo Civil. Na eventualidade de mais de arresto. desde que o credor concorde com a nomeação. Nada impede. no próprio processo cautelar. tanto que é possível a alienação do bem a terceiro. um para cada arresto. que fica materialmente sujeito à guarda judicial e.

com o arresto. 231 . 806 do CPC).PRAZO DE AJUIZAMENTO . sob pena de perda da eficácia da medida612. do Código de Processo Civil. buscou assegurar a efetividade da futura execução). porém. Deferido o arresto liminar. Por conseguinte. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL . resta fechar o procedimento do arresto cautelar. 12ª ed. É possível. Mantém o demandado a propriedade do bem. na execução por quantia certa cuja efetividade se pretende. Também em sentido conforme. com a apreensão cautelar do bem. mesmo porque. p.070. Volume III. o juiz profere sentença (artigos 456 e 803). 1. Lições de direito processual civil.AÇÃO PRINCIPAL . assegurar. 304). 611 Em sentido conforme. ainda na doutrina: “O primeiro efeito do arresto é a afetação do bem apreendido à futura execução.DUPLICIDADE DE AGRAVOS .TERMO INICIAL . 612 Cf. a fim de colher provas testemunhal e pericial. a penhora não acabar por recair sobre outro bem. a alienação do bem arrestado. n.” “É de se afirmar. antes de decidir o pleito liminar. Isto porque o bem arrestado será. ainda. Diário da Justiça de 1º de março de 1999. o requerido é citado para contestar. pois.. penhorado (se.” (ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. Curso de direito processual civil. Após a distribuição da petição inicial de arresto. A alienação de bem arrestado. Na mesma oportunidade ou logo em seguida. Pode o juiz designar audiência de justificação prévia. há a imediata efetivação da medida.PRECLUSÃO. o que é sempre possível). I .Nos autos de Cautelar. auxiliar da justiça. assim como se dá em relação ao bem penhorado. O bem arrestado. quando julga procedente ou improcedente o pedido cautelar. Outro efeito do arresto é fazer com que o demandado perca a posse direta do bem apreendido. de penhora. perante o juízo competente para o processo principal613. que a apreensão do bem através do arresto não retira a sua disponibilidade. ficando com o Estado-juiz. p. 451). o prazo de trinta (30) dias para ajuizamento da ação principal flui a partir da data da efetivação da medida (art. nem impede a posterior incidência. é ineficaz em relação ao credor (ou seja. incide o artigo 806 do Código de Processo Civil. o juiz designa audiência de instrução e julgamento (artigo 803). Trata-se de faculdade conferida ao juiz. artigo 800 do Código de Processo Civil. o requerente deve ajuizar a ação principal no prazo de trinta dias da efetivação da cautelar concedida in limine litis611. 613 Cf. 117 e 118).13. com a medida cautelar. ARTIGO 806 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL: INCIDÊNCIA NA CAUTELAR DE ARRESTO Diante da natureza constritiva do arresto. o domínio que exerce sobre o mesmo.. 2007. após a síntese da soma daqueles (atos processuais). o ato de alienação do bem arrestado não é oponível ao credor que. pois. 14. PROCEDIMENTO DO ARRESTO Estudados os atos processuais em tópicos específicos. é entregue a um depositário judicial. se a prova documental juntada com a petição inicial não permitir a formação do convencimento ao juiz. Na mesma oportunidade ou logo em seguida. 1999.975/SP. sendo válido tal ato de disposição. o juiz decide acerca do pedido liminar. em cinco dias (artigo 802). assim como sua posse indireta. 21ª ed.” (HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 3ª Turma do STJ.CAUTELAR DE ARRESTO . obviamente. Volume II.” (REsp n. 88. Significa isto dizer que a alienação do bem arrestado não desembaraça o bem apreendido judicialmente. sua posse direta. artigo 808. Se necessidade dilação probatória. como se viu.PEDIDO DE REVOGAÇÃO DA LIMINAR INDEFERIMENTO . p. o demandado não perde. inciso I. independentemente de ter cautelar. contudo. quando deferida a medida liminar. sobre o mesmo bem.

com a posterior conversão em penhora (artigo 818). a sentença proferida no processo cautelar de arresto não produz coisa julgada material (ou seja. só há coisa julgada material se o juiz pronunciar a prescrição da pretensão principal ou a decadência do direito em si. SUBSISTÊNCIA DO ARRESTO E CONVERSÃO EM PENHORA À vista do artigo 807 do Código de Processo Civil. a sentença de procedência do arresto cautelar só produz coisa julgada formal. em prol da execução por quantia certa. À vista de ambos os preceitos. em suma. substancial). Ressalvadas as duas exceções. o procedimento do arresto cautelar. É. 16. apenas com o impedimento de renovação da discussão no mesmo processo já sentenciado. 15. o arresto subsiste durante a pendência do processo principal. tendo em vista o disposto nos artigos 810 e 817 do Código de Processo Civil.concedido ou denegado o pleito liminar. 232 . COISA JULGADA: INTELIGÊNCIA DOS ARTIGOS 810 E 817 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL Em regra.

233 . específico. e proteção de execução para entrega de coisa. 2005. determinado. em penhora. o arresto é idêntico ao sequestro. Por isso. que tenham valor econômico e que possam ser penhorados para. Apreende-se um bem determinado. Sua finalidade é preservar um ou alguns bens determinados e específicos. servir para pagar o credor. razão pela qual têm em comum a finalidade de resguardar o resultado útil de uma execução. 798 e 823. passível de fungibilidade. O sequestro não tem relação com uma dívida em dinheiro. possa vir a ser alienada. ou venha a tornar-se litigiosa. Novo curso de direito processual civil. mas bens quaisquer do devedor. os bens apreendidos são quaisquer bens penhoráveis que vão ser convertidos em dinheiro para pagamento do credor. “A proteção que se busca por meio do sequestro é diferente daquela que se almeja no arresto. Pressupõe-se que haja um fundado receio de que a coisa que já é. SEQUESTRO E ARRESTO: DIFERENÇAS E FUNGIBILIDADE Sequestro e arresto são espécies do mesmo gênero.” (VICENTE GRECO FILHO. 17ª ed. Direito processual civil brasileiro. 177). porquanto o inciso V do artigo 295 do Código de Processo Civil só autoriza o indeferimento da petição quando não for possível adaptar a inicial ao tipo de procedimento legal. como bem revela o artigo 823 do Código de 614 De acordo. mas passíveis de conversão em dinheiro614. à vista dos artigos 154. sobre os quais recaia o litígio. Não obstante. que é ou será objeto de demanda judicial. Aquele converte-se. no momento apropriado. Nada justifica o indeferimento liminar da petição inicial do sequestro. objeto do litígio. os institutos não se confundem: enquanto o sequestro diz respeito a execução para entrega de coisa e tem em mira bem determinado. ao passo que no sequestro a apreensão é da coisa litigiosa. Com efeito. oportunamente. atual ou futura. e sua função é garantir a solvência do devedor. e que estejam em risco. para que ela venha a ser frutífera. O arresto presta-se à garantia de uma futura execução de dinheiro.. p. Daí das duas características que marcam o sequestro cautelar: apreensão de bem específico. o requerimento de um no lugar do outro é erro escusável. Este será sempre ligado a uma execução por quantia. a uma futura execução para entrega de coisa certa. 2. A despeito das diferenças entre o arresto e o sequestro. perdida ou a se deteriorar. a fim de resguardar a sua entrega ao vencedor. Volume III. com o produtor da venda forçada. na doutrina: “Quanto à materialidade e também quanto ao procedimento. CONCEITO DE SEQUESTRO O sequestro é a medida cautelar típica de proteção de execução para entrega de coisa e que ocasiona a apreensão judicial de bem determinado.SEQUESTRO 1. segundo o qual a cautelar inadequada deve ser recebida como se fosse a correta para a espécie. para garantir sua total entrega ao vencedor. 311). a uma dívida. obstáculo que não alcança as cautelares de sequestro e de arresto. caput. Volume III. o objeto do arresto não é um bem determinado. A diferença está em que. p. incide o princípio da fungibilidade das cautelares. 2008. no arresto. ao passo que o sequestro. este não.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. serem arrematados e. o arresto está relacionado a execução por quantia certa e que tem como alvo bens indeterminados. todos do Código de Processo Civil. em hasta pública. litigioso. ao fundamento de que a cautelar adequada é o arresto.

de 13 de janeiro de 1974. Volume III. 11.” (REsp n. 234 . que trata da liquidação extrajudicial das instituições financeiras e prevê o arresto de bens dos ex-administradores que não tenham sido atingidos pela indisponibilidade.. como. por exemplo. caput e § 2º. 6. 27ª ed. há lugar para fungibilidade entre as cautelares de sequestro e de arresto618. porquanto ambos os institutos são medidas cautelares protetivas de execução mediante apreensão e depósito judicial de bens. Novo curso de direito processual civil. Por tudo. 2005.101. da Lei n. Volume III. no artigo 154. 6. 1999. de 2006. da Lei n. 2008. prevista no art. n. no artigo 45. Conquanto o dispositivo mencione sequestro.024. que muitas vezes não usam linguagem rigorosamente técnica. APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DAS REGRAS DO ARRESTO EM RELAÇÃO AO SEQUESTRO Como estudado no tópico anterior. artigo 16. 249). p. e nos artigos 136 e 137 do Código de Processo Penal de 1941617. p. o artigo 823 do Código de Processo Civil determina a aplicação subsidiária das regras do arresto em relação ao sequestro. arts. por vezes o próprio legislador conduz o intérprete em falsa pista. se dá com o Código de Processo Penal.Processo Civil. 154. p. Curso de direito processual civil. na doutrina: “Outro exemplo é o do art. 45 da Lei n.435. § 5º.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES.083. 8. 618 De acordo. também. embora usando indevidamente a expressão sequestro.. liquidez da obrigação. prevê casos de arresto contra o indiciado para garantir o ressarcimento do dano sofrido pela vítima do delito.478/GO. todas as omissões existentes na Seção do Código de Processo Civil destinada ao sequestro são sanadas pela incidência dos preceitos referentes ao arresto. na jurisprudência: “. antes das correções feitas pela Lei n. n. com base na fungibilidade das medidas cautelares. 11. no artigo 731 do Código de Processo Civil. ao chamar de sequestro o que é verdadeiro arresto. HIPÓTESES DE SEQUESTRO: INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 822 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL 615 Com a mesma opinião. quando regula a medida cautelar de garantia da ação de indenização civil pelo dano oriundo do crime (arts. de 1974616. da Lei de Falências (a lei refere-se a sequestro.. p. de 2005615. 4. Curso de direito processual civil. de 1992. na doutrina: HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 617 Com igual opinião. 1. previamente. a rigor. 36 dessa lei. p. 136 e 137). Aliás. 27ª ed. como. Diário da Justiça de 27 de agosto de 2007. 616 Assim. 307). Volume II.062. 3. 447: “Também o Código de Processo Penal. inserido na execução. caput e § 1º. mas o caso é de arresto)”. na doutrina: VICENTE GRECO FILHO. trata-se de verdadeiro arresto. Por conseguinte. por exemplo. processar o pedido da forma que se mostrar mais apropriada. mas sobre bens suficientes para a efetivação da garantia da responsabilidade desses administradores. Cabe ao juiz. seriam de arresto. Volume II.429. 176: “Entre eles se encontra o do já comentado art. 653. Direito processual civil brasileiro. e o do art. 460). 1999.” (HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. já que é comum encontrar-se em diplomas legais extravagantes o emprego da palavra sequestro para designar hipóteses que.024. 17ª ed. caso em que. “Esses casos tanto podem aparecer nas leis processuais como nas substanciais. 136 e 137. 909. antes da condenação. 1.O erro na indicação da medida cautelar não pode levar o Poder Judiciário a simplesmente afirmar que o expediente jurídico é inadequado. 3ª Turma do STJ. porque não recai sobre um bem determinado. nem mesmo certeza dela”. § 5º. da Lei n. não há.

O artigo 822 do Código de Processo Civil arrola os principais casos de sequestro cautelar619. Curso de direito processual civil. 6ª Turma do STJ.079. depois de condenado por sentença ainda sujeita a recurso. a requerimento da parte. III . o sequestro dos bens retirados do patrimônio do devedor que estejam em poder de terceiros”621. 132 e 136. de separação judicial) e de anulação de casamento. p. O juiz. 458). SEQUESTRO. e 1. mas não todos. Ao preferir enumerar. de 2005.101. o artigo 822 arrola alguns casos de sequestro cautelar. 11.039 revelam a admissibilidade de sequestro cautelar de bem objeto de inventário litigioso623. 178). Diário da Justiça de 11 de novembro de 1996.786/ES. Ainda que muito respeitável a douta lição do eminente processualista. numerus apertus: o sequestro poderá ser deferido mesmo fora das hipóteses do art. uma vez afirmado pelas instâncias ordinárias o risco de dilapidação do patrimônio pertencente às empresas questionadas. 822 um caráter meramente exemplificativo. 621 O Professor VICENTE GRECO FILHO sustenta que o caso do artigo 137 da Lei n. sim. 822.” (HUMBERTO THEODORO JÚNIOR. 61. 623 De acordo. 17ª ed. mas de arresto (cf. Novo curso de direito processual civil. quando lhes for disputada a propriedade ou a posse.715). Dessa maneira. 822 é a que considera sua enumeração como apenas exemplificativa. IV . II . De volta ao Código de Processo Civil. desde que haja necessidade de preservar sua eficiência e utilidade práticas.de bens móveis. 1. Daí a conclusão: os casos previstos no artigo 822 do Código de Processo Civil não são as únicas hipóteses de sequestro cautelar no direito brasileiro. 4ª Turma do STJ.. 11. Na verdade. p.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. autorizando o sequestro sempre que a incolumidade de determinado bem. sustenta-se no presente compêndio que a hipótese do artigo 137 é de sequestro.016. O artigo 137 da Lei n. 2008. nas ações de desquite (rectius. por exemplo. que é a maleabilidade capaz de propiciar socorro ao processo principal nas situações emergenciais.dos bens do casal. O artigo 822.nos demais casos expressos em lei”. porquanto tem em mira bem determinado objeto de litígio proveniente de ação revocatória. sem necessidade de recorrer-se à medida cautelar inominada. p. sem prejuízo de outros casos620. 11. exemplos de sequestro. mas. não contém rol exaustivo. “Por isso. os dissipar. p. na forma da lei processual civil. o outro litigante prejudicado ou ameaçado de sofrer o prejuízo proveniente da dissipação. 43. na doutrina: “Teria andado melhor o legislador se se tivesse valido de fórmula genérica. Volume II.” (REsp n. REsp n. Sobrevindo no inventário controvérsia efetiva sobre a permanência dos herdeiros nos quadros societários como sucessores do autor da herança. MEDIDA CAUTELAR. Diário da Justiça de 22 de junho de 1998. 1999. § 1º. O artigo 125 do Código de Processo Penal também contém outro importante exemplo de sequestro cautelar622. 620 De acordo. o legislador correu o risco de deixar de fora hipótese em que a medida seria a única apropriada para afastar a situação de risco. 130. 313). a requerimento do autor da ação revocatória. todavia.101 não é de sequestro. sempre que existir risco iminente de um litigante dissipar. traz importante caso de sequestro. pode decretar o sequestro: I . de interesse específico da parte. 27ª ed. admissível a medida cautelar de sequestro. in verbis: “ IV – nos demais casos expressos em lei”. semoventes ou imóveis. p. in verbis: “O juiz poderá. assegura-se ao sequestro o principal atributo da tutela cautelar. n. havendo fundado receio de rixas ou danificações. de 2005. Sem dúvida. na jurisprudência: “INVENTÁRIO. 2005. CABIMENTO. todos à vista da mesma premissa: apreensão judicial de bens litigiosos determinados para a posterior entrega da coisa na respectiva execução. 188. se o cônjuge os estiver dilapidando. todos da Lei n. como medida preventiva. ordenar. quaisquer que sejam elas. como bem revela o inciso IV do próprio artigo 822.366/DF. Volume III.. estivesse em risco. a melhor exegese do art. Volume III. 622 Cf.101. 235 . A solução será atribuir ao rol do art. se o réu. Direito processual civil brasileiro. danificar bens determinados.dos frutos e rendimentos do imóvel reivindicando. para a posterior entrega do bem à massa falida. Daí o perfeito enquadramento no conceito de sequestro. os artigos 1. tal como determinam os artigos 130. 822. dilapidação ou danificação dos bens litigiosos pode requerer o sequestro cautelar 619 “Art. dilapidar.

na jurisprudência: “Não há. 61. 1ª Turma do STJ. até mesmo para garantir o resultado útil da mesma. as cautelares podem ser antecedentes ou incidentais em relação ao processo principal. do CPC. razão pela qual também são denominadas “preparatórias”. Incidência sobre bens adquiridos pelos autores do ato lícito. mediante simples petição.444. inciso I. na mesma linha da opinião defendida no presente compêndio: “As medidas cautelares não se mostram estranhas ao processo de inventário. demonstrados o periculum in mora e o fumus boni iuris. os títulos de créditos são passíveis de apreensão mediante sequestro. 10. todavia. consubstanciada em petição inicial. 5. o sequestro busca garantir execução de entrega de coisa. conforme se infere daquelas que são previstas na lei processual civil (art. 625 De acordo. ainda. o sequestro cautelar é exercido mediante ação cautelar autônoma. Em sentido semelhante. o sequestro é exercido mediante ação cautelar autônoma.222/SP. o sequestro cautelar pode ser requerido antes ou no 624 Por oportuno. qualquer impedimento a que seja formulado o mesmo pedido de medida cautelar de sequestro incidentalmente. de 2002. § 7º. Por conseguinte. 32.377). quando satisfeitos os pressupostos genéricos para a sua concessão. o sequestro cautelar pode ser tanto antecedente quanto incidental em relação ao processo principal. 4ª Turma do STJ. porém. p. Por conseguinte. Por fim. independentemente de a espécie constar do rol do artigo 822. Diário da Justiça de 11 de novembro de 1996. do CPC). quanto ao objeto.715). 206.dos mesmos. 661).039). há lugar para sequestro cautelar. Em suma. SEQUESTRO ANTECEDENTE E SEQUESTRO INCIDENTAL À vista do artigo 796 do Código de Processo Civil. com o advento da Lei n. como permite o art. 43. § 7º. Diário da Justiça de 2 de outubro de 1995. Incidentais são as cautelares requeridas na pendência do processo principal.786/ES. passou a ser possível o requerimento de cautelar incidental no bojo do próprio processo principal. ou não624. em hipóteses não catalogadas pelo Código. No que tange ao processo principal. p. semoventes e imóveis (artigo 822. merece ser prestigiado o voto condutor do Ministro Barros Monteiro. Sequestro. 4ª Turma do STJ. 236 . nada impede. que o requerimento de sequestro incidental mediante simples petição veiculada no próprio processo principal. 1. A despeito da regra da autonomia. São elas admissíveis. o sequestro pode ser – e geralmente é – antecedente em relação à execução. com a defesa da tese de que o artigo 822 merece interpretação extensiva: “MEDIDA CAUTELAR. O sequestro pode incidir sobre bens que constituam proveito do ato ilícito praticado pelos autores. inciso I). a qual pode ser antecedente ou incidental ao processo principal. autuada em separado – ainda que apensados os respectivos autos aos do processo principal (artigo 809). Coisa litigiosa. Diário da Justiça de 13 de fevereiro de 2006.288/SP.” (REsp n. 273. 60. 822.” (Trecho do voto proferido pelo Relator no REsp n. Não obstante. inclusive nos próprios autos da ação principal. dando-se interpretação extensiva ao conceito de coisa litigiosa (art. p. por serem bens móveis. Antecedentes são as cautelares ajuizadas antes mesmo da propositura da ação principal. como autoriza o artigo 273. Em regra. o sequestro pode alcançar os mais diversos bens: móveis. Daí a conclusão: em regra.” (REsp n. Aliás. do Código de Processo Civil625.

. inciso III. 259 E 801.Agravo de instrumento desprovido. sendo aplicáveis os arts. 315). 34).Na cautelar de sequestro. 801 do CPC. 34). inciso III e parágrafo único). seus frutos ou rendimentos. Por tudo. TFR. p. A inicial do sequestro cautelar deve ser elaborada à luz dos artigos 39. tendo em vista a regra do artigo 800. p. Diário da Justiça de 14 de fevereiro de 2000. por exemplo. na jurisprudência: “VALOR DA CAUSA – PROCESSO CAUTELAR – SEQUESTRO. de ação revocatória (artigo 137 da Lei n. do Código de Processo Civil). in REsp n. ação de inventário (artigos 1. na doutrina: “Tal como o arresto. consubstanciada em petição inicial. Volume III. do Código de Processo Civil). tendo em vista o valor do bem a ser sequestrado628. PETIÇÃO INICIAL E LIMINAR Como estudado no tópico anterior. ARTIGO 801. o requerente deve indicar o processo principal na petição inicial. com 626 Em sentido conforme. é possível concluir que o processo principal da cautelar de sequestro pode ser a própria execução para entrega de coisa. o requerente pode pedir a concessão do sequestro liminar (artigo 804). . 237 . Ainda em relação à petição inicial.723/PR. inciso III. todos do Código de Processo Civil.curso de processo de conhecimento como. Diário da Justiça de 7 de novembro de 1985). inciso I. 4ª Turma do STJ. subsiste a regra de que o sequestro é exercido mediante ação cautelar autônoma. NECESSIDADE DE INDICAÇÃO NA PETIÇÃO INICIAL (ARTS. incisos I e II.Apesar do silêncio do art. 47. 628 Assim. com a respectiva exposição (artigo 801. 283 e 801. à vista do que preceituam os artigos 258 e 259 do mesmo Código. inciso I. 145. do Código de Processo Civil). Novo curso de direito processual civil.” (REsp n. . Diário da Justiça de 14 de fevereiro de 2000. À vista dos artigos 258 e 282.101. 627 De acordo. CPC. e 1. A petição inicial deve ser endereçada ao juízo competente para o processo principal.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. 258. Diante do periculum in mora e do fumus boni iuris comprovados in limine litis.016. ambos do Código de Processo Civil. mas também o processo de conhecimento pretérito à execução para entrega de coisa626. a petição inicial do processo cautelar deve enunciar o valor da causa. 258 e 259 do mesmo diploma. o juiz pode proferir imediata decisão interlocutória. CAUTELAR DE SEQUESTRO. . VALOR DA CAUSA. DISSÍDIO JURISPRUDENCL4L NÃO CONFIGURADO. RECURSO DESACOLHIDO. p. A circunstância de o artigo 801 do CPC não arrolar a declaração do valor da causa entre os requisitos da inicial não exclui que esta a deva conter. 801.039. de ação reivindicatória (artigo 822. Aplicação do artigo 258” (AG n. CPC). 145. CPC. 6. de 2005). do Código de Processo Civil). § 1º. 282. do Código de Processo Civil). de ação possessória (artigo 822. Na eventualidade de o sequestro cautelar ser antecedente. 4ª Turma do STJ.” (TJPR. VALOR DA CAUSA. 11. de ação de anulação de casamento (artigo 822. 258. o valor da causa será correspondente ao valor dos bens que sejam objeto do pedido de sequestro. inciso V. de ação de separação judicial (artigo 822.723/PR.612/PR. o sequestro pode ser ajuizado como ação cautelar preliminar ou incidental a processo de conhecimento ou de execução em que se litigue sobre determinado bem. a petição inicial da ação cautelar de sequestro deve conter valor da causa627. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. “MEDIDA CAUTELAR.A necessidade de indicação do valor da causa na petição inicial das ações cautelares não afronta o art.

a efetivação da medida cautelar mediante mandado judicial. SUBSTITUIÇÃO DO SEQUESTRO POR CAUÇÃO À vista do artigo 805.a ordem de sequestro dos bens litigiosos. inciso II. tão logo o depositário assine o compromisso631. Existindo restrição ao direito do réu. cabe agravo de instrumento (artigos 522 e 558). 8. artigos 579. 1. deste conta-se o prazo. EFETIVAÇÃO DA MEDIDA Não há execução propriamente dita no processo cautelar. é possível concluir em prol do sequestro cautelar até mesmo de ofício pelo juiz629. há antigo precedente jurisprudencial da Corte Suprema: MS n. Contra a decisão. Resta saber se o juiz pode decretar o sequestro de ofício. Trata-se de vexata quaestio. Os bens sequestrados ficam sob a guarda do depositório nomeado pelo juiz. mas. sim. Compete ao juiz nomear o depositário dos bens. 9. Diário da Justiça de 12 de julho de 1962. Pleno do STF. Cabe ao depositário a guarda e a conservação dos bens632. do Código de Processo Civil. PROPOSITURA DA AÇÃO PRINCIPAL Se o sequestro for antecedente. entretanto. o requerente deve ajuizar a ação principal dentro do prazo legal de trinta dias da efetivação da medida633. inciso II). À vista da combinação dos artigos 798 e 804. Daí a imediata expedição de mandado de sequestro dos bens determinados. independentemente de requerimento na petição inicial. 630 Cf. até mesmo nos feriados. do Código de Processo Civil. inciso II). entretanto.Prazo para ajuizamento da ação principal . tendo em vista o disposto no artigo 173.535/DF. todos do Código de Processo Civil. até mesmo o devedor (artigo 824. 631 Cf. cabe ao juiz requisitar força policial630.Início. artigo 825.714. na jurisprudência: “Medida cautelar . sob pena de perda 629 No mesmo sentido. caput. o requerido pode solicitar ao juiz a substituição do sequestro por caução. 662 e 825. 633 Assim. artigo 148 do Código de Processo Civil. 632 Cf. p. não 238 . real ou fidejussória (artigo 826). A regra reside na nomeação do depositário público (artigo 666. A medida cautelar de sequestro pode ser efetiva em qualquer dia. Se o requerido oferecer resistência à ordem judicial de sequestro dos bens. 7. desde o primeiro ato de execução. 9. parágrafo único. mas o juiz pode nomear um dos litigantes. Colhe-se da ementa a tese prestigiada no presente compêndio: “O juiz pode decretar ex officio o sequestro. ambos do Código de Processo Civil. para evitar rixas ou a dilapidação da coisa”.Sequestro . ou seja. tendo em vista o disposto nos artigos 666 e 824 do Código de Processo Civil.

HIPÓTESE DE PERDA DE EFEITO DA MEDIDA PROVISÓRIA. tanto que pode alienar o bem sequestrado a terceiro. Diário da Justiça de 15 de fevereiro de 1985. por intermédio do depositário nomeado pelo juiz. 1. diante da natureza constritiva do sequestro.” (Apelação n.301). 3ª Turma do STJ.da eficácia da cautelar634.” (RE n. 635 No mesmo sentido.091/SP. na jurisprudência: “MEDIDA CAUTELAR. 239 . a qual é transferida ao Estado-juiz. Por conseguinte.150/SP. 4ª Turma do TFR.274). com a ordem de depósito do bem em juízo. Diário da Justiça de 15 de abril de 1991. Releva. o requerido preserva o domínio e a posse indireta. na jurisprudência: “MEDIDA CAUTELAR DE SEQUESTRO. Com efeito. efetuados em dias subseqüentes. como a vinculação jurídica do bem sequestrado em relação ao processo principal por ele garantido. EFEITOS DO SEQUESTRO CAUTELAR O sequestro cautelar produz alguns efeitos. importando que a medida compreenda outros. 43.” (REsp n. p. o sequestro cautelar não significa perda da propriedade. AÇÃO PRINCIPAL NÃO PROPOSTA NO PRAZO DE LEI. 1ª Turma do STF. Diário da Justiça de 11 de dezembro de 1986). 634 De acordo. para fluência do prazo. 104. 7. incide a regra do artigo 806 do Código de Processo Civil635. p. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 806 E 808. 10. a alienação não tem eficácia jurídica em relação ao processo principal garantido por meio do sequestro (artigo 626). Daí a possibilidade da expedição de mandado judicial contra o eventual terceiro adquirente do bem.084/RS. 4. SEQUESTRO. Não obstante. II DO CPC. o momento em que efetivada a medida e não aquele em que se juntou aos autos o mandado. Sem dúvida. mas apenas da posse direta.

2008. Em contraposição. a fim de que a verificação de fatos relevantes para a resolução do processo principal não fique prejudicada pelo decurso do tempo (artigo 849 do Código de Processo Civil). 2007. PRODUÇÃO INCIDENTAL ANTECIPADA DE PROVAS ANTECEDENTE E Em regra637. Lições de direito processual civil.189 e nota 15. não há interesse processual para a cautelar incidental. 638 De acordo. o mesmo raciocínio tem lugar em relação à prova pericial. Antecedente ou incidental a produção antecipada de prova. a fim de que sejam assegurados para posterior utilização no processo principal636. Mutatis mutandis. 636 637 Cf. p. preparatória do processo principal. em razão da urgência da colheita do interrogatório da parte ou da inquirição da testemunha. com citação de doutrina no mesmo sentido e em sentido contrário. a cautelar de produção antecipada de prova é sempre antecedente: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. a cautelar de produção antecipada não alcança prova documental.PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS 1. Não obstante. porquanto a prova já pode ser produzida desde logo no próprio processo principal. 332. Segundo a doutrina predominante. p. o artigo 847 também autoriza a produção antecipada de provas mediante cautelar incidental638 ao processo principal que ainda está em fase postulatória ou de saneamento. a cautelar de produção antecipada de provas é antecedente. na doutrina: MARCOS VINICIUS RIOS GONÇALVES. No que tange à produção da prova. o exame pericial é realizado à vista dos artigos 420 a 439 do Código de Processo Civil. A produção antecipada de provas. 2. de inquirição de testemunha e de exame pericial urgentes. se o processo principal já estiver na fase instrutória. por motivo de idade avançada. o interrogatório da parte e a inquirição da testemunha são colhidos à vista dos artigos 344. 240 . tem como escopo perpetuar a memória de uma pessoa ou uma coisa: ad perpetuam rei memoriam. 407 a 419 do Código de Processo Civil. portanto. em razão do risco de perda da prova até que o mesmo alcance a fase instrutória. 12ª ed. Volume III.. Por fim. doença fatal ou até viagem inadiável da pessoa a ser ouvida pelo juiz. para que não ocorra a perda da prova útil ao processo principal. Novo curso de direito processual. artigo 846 do Código de Processo Civil. CONCEITO E ESCOPO A produção antecipada de provas é a cautelar típica para a colheita de interrogatório da parte.

4.774. 3ª Turma do STJ. para garantir a maior efetividade. a fim de que as partes do processo principal possam participar da produção da prova (artigo 848 do Código de Processo Civil). p. a ação cautelar deve ser proposta no juízo competente para a ação principal. inciso I. PROCESSUAL. na jurisprudência: REsp n. 31. Diário da Justiça de 10 de junho de 1991. 4ª Turma do STJ.618/MG. COMPETÊNCIA Em regra. 6ª Turma do STJ. 59. no curso do processo de conhecimento. por si só. p. não previne a competência da ação principal”639. o requerimento de intimação para a audiência em que a prova será colhida. Diário da Justiça de 5 de maio de 1997.847). afasta-se a regra do artigo 800.3.130. o qual fica prevento (artigo 800 do Código de Processo Civil). 51. 5. todos do Código de Processo Civil. na jurisprudência: “CIVIL. 241 . 17. 640 Assim. LEGITIMIDADE ATIVA A cautelar de produção antecipada de provas pode ser acionada tanto pelo autor quanto pelo réu do atual ou do eventual futuro processo principal. PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. 263 da Súmula do Tribunal Federal de Recursos: “A produção antecipada de prova. 9. conforme revela o enunciado n. a regra do artigo 800 nem sempre alcança a ação cautelar de produção antecipada de prova. Não obstante. PETIÇÃO INICIAL A petição inicial da ação cautelar de produção antecipada de provas deve ser elaborada à vista dos artigos 39. Diante da incompetência do juízo do processo cautelar. 258. a demonstração da necessidade (periculum in mora)640 e da utilidade (fumus boni iuris) da antecipação. 282 e 801. e REsp n. porquanto a prova a ser produzida com máxima urgência pode ser colhida com maior facilidade em outro juízo que não o competente para a ação principal. Para evitar a perda da prova sob risco. p. a ação principal deve ser proposta perante o juízo competente. Diário da Justiça de 21 de novembro de 1994. o requerimento de citação dos requeridos. admite-se a medida cautelar de sua antecipação.070/SP.238/PR. porquanto ambos são interessados na asseguração da prova a ser valorada pelo juiz do processo principal. PRESSUPOSTOS.” (REsp n. Suficientemente demonstrado o receio de se tornar difícil a produção de provas. No que tange à exigência prevista no inciso III do artigo 801 do Código de Processo Civil. A dificuldade na identificação do valor da causa não afasta a obrigatoriedade da respectiva indicação. A inicial deve trazer a exposição dos fatos a serem provados antecipadamente. ainda que por estimativa. 7. prevalece a orientação jurisprudencial de não há necessidade da 639 Assim.

AÇÃO CAUTELAR. Assim. Como a cautelar de produção antecipada de provas tem natureza voluntária. na jurisprudência: REsp n. 1ª Turma do STJ. é dispensável da petição inicial da medida a indicação da lide e seu fundamento (art. Aplicação do art. 200. 801. p. 17ª ed. 3ª Turma do STJ. 641 De acordo. Em sentido contrário.507/SP. não está sujeita ao prazo de caducidade do art.” (REsp n. 801 CPC)”. todavia.954/RJ. na jurisprudência: “PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA. Por fim. 641. sua validade. PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA. 2. POSSIBILIDADE DA COLHEITA DA PROVA ANTECIPADA EM FERIADO À vista dos artigos 173. Trata-se. 184).” (REsp n. PRESSUPOSTOS. Como assentado em precedente e na doutrina. 1 . há lugar para a prática dos atos processuais de produção antecipada de provas até mesmo nos feriados. na doutrina: Alexandre Freitas Câmara. p. na doutrina: A produção antecipada de prova. INDICAÇÃO DA LIDE. 2007. sob pena de a cautelar não ter eficácia alguma (artigo 806 do Código de Processo Civil). não perdendo. PROPOSITURA DESNECESSIDADE DA AÇÃO PRINCIPAL EM TRINTA DIAS: Em regra.indicação da lide (objeto da futura ação principal) na petição inicial da cautelar preparatória de produção antecipada de provas641.487/PR. Não tem aptidão ao deferimento de medida cautelar preventiva a petição que deixa de indicar a lide e o seu fundamento (Art. 806 do CPC só se aplica às cautelares que importarem em restrição de direitos. 101. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. Em parte contra. Lições de direito processual civil. ambos do Código de Processo Civil. inaudita altera parte. inciso I. 1. 4ª Turma do STJ. 806. porquanto nem sempre é possível saber se será e qual será a ação principal a ser proposta642. de simples conservação. não há necessidade da propositura da principal no prazo previsto no artigo 806.767). 642 De acordo. 7. a ação principal deve ser proposta no prazo de trinta dias da efetivação da medida. o requerente pode solicitar a excepcional produção antecipada da prova in limine litis. Diário da Justiça de 4 de abril de 2005.” (Vicente Greco Filho. 62. na eventualidade de urgência urgentíssima. CAUTELAR VOLUNTÁRIA. CARATER PREVENTIVO. A produção antecipada de prova é medida conservativa de direito. PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA PERICIAL. pois. ainda que a ação principal não seja proposta em trinta dias.. Precedente. 190. MEDIDA CONSERVATIVA DE DIREITO. 801. 5ª Turma do STJ. p. III). Direito processual civil brasileiro. não está obrigado o autor a propor a ação principal no referido prazo de modo a ter como válidas as provas antes produzidas. Diário da Justiça de 1º de dezembro de 1997. “Medida cautelar de produção antecipada de provas. O prazo de trinta dias previsto no Art. 6. III. 59.” (REsp n. PROPOSITURA DA AÇÃO PRINCIPAL. 50. Diário da Justiça de 6 de agosto de 1990). Diário da Justiça de 25 de maio de 1998).Em se tratando de cautelar voluntária. do Código de Processo Civil.013/RJ. 801. de regra destinada às cautelares restritivas de direitos. e 846. MEDIDA CAUTELAR. 12ª ed. 1ª Turma do TFR.. III. 242 . portanto. 1. 2005. na jurisprudência: Agravo de Instrumento n. 1. como não é medida constritiva de direitos. a medida cautelar de produção antecipada de provas não reclama a observância do art.665/DF. EFICÁCIA. No mesmo sentido. Diário da Justiça de 20 de agosto de 1987: “PROCESSUAL CIVIL. do Código de Processo Civil. Volume III. Volume III. p.

a petição inicial é indeferida. 644 Em sentido conforme. Não obstante. no artigo 865. 220). LIMINAR: POSSIBILIDADE Não há vedação nem incompatibilidade em relação ao artigo 804 do Código de Processo Civil. na jurisprudência: “II . sem prejuízo de posterior indicação de assistentes técnicos e formulação de quesitos. mas limitada à necessidade (periculum in mora) e à utilidade (fumus boni iuris) da produção da prova antecipadamente645. Direito processual civil brasileiro. 202. 10.Na sistemática do Código de Processo Civil de 1973.907/RJ. Da sentença. 184). inaudita altera parte. 802. por exemplo. 2ª Turma do STJ. p. editado sob a égide do CPC/1939. 17ª ed. CITAÇÃO E INTERRUPÇÃO DA PRESCRIÇÃO À vista do artigo 219 do Código de Processo Civil de 1973. do Código de Processo Civil). no prazo de cinco dias. 47. a fim de que a prova sob risco iminente seja produzida inaudita altera parte. entretanto. sendo que. Daí a possibilidade da concessão da medida cautelar liminarmente. com o posterior contraditório643. à vista do artigo 284 do Código de Processo Civil. e 513. como a prova produzida antecipadamente será 643 Em sentido conforme. 154 da Súmula do Supremo Tribunal Federal restou superado com o advento do Código vigente644. Ademais. como não há vedação (como há. a citação proveniente da ação cautelar de produção antecipada de provas também interrompe o prazo prescricional destinado à ação principal. tomando inaplicável. nesses casos. 645 De acordo. a impugnação 243 .Segundo o cânon inscrito no art. se houver urgência na constatação de fato. Volume III. do CPC. o enunciado n. 2005. em relação à justificação). CONTESTAÇÃO: POSSIBILIDADE No que tange à contestação. com a possibilidade de veiculação de contestação. em se tratando de cautelar de produção antecipada de provas requerida com fulcro no artigo 846. Diário da Justiça de 1º de outubro de 2001. a decisão interlocutória concessiva ou denegatória da medida cautelar liminarmente é passível de agravo de instrumento (artigo 522 do Código de Processo Civil). INDEFERIMENTO LIMINAR DA PETIÇÃO INICIAL Diante de vício sanável (por exemplo. inciso I. cabe apelação (artigos 267. na doutrina: “Tem sido admitida a nomeação imediata de perito. Decorrido o decêndio in albis. 213. na jurisprudência: “. 9. incide o artigo 802. o verbete sumular n° l54/STF. 11. quer sejam nominados ou inominados.8.” (VICENTE GRECO FILHO. Diário da Justiça de 28 de junho de 2004. os procedimentos cautelares. p. p. No mesmo sentido. na jurisprudência: REsp n. admitem a apresentação de contestação. ausência de valor da causa). cabe ao juiz determinar a emenda da petição inicial. 4ª Turma do STJ.564/RJ. Por conseguinte.. a cautelar de antecipação de prova interrompe a prescrição quando se tratar de medida preparatória de outra ação.” (REsp n.

13. por não ser o momento azado de valorar a prova. p. Denunciação da lide.. p. Assistência. Por outro lado.” (REsp n.401). na jurisprudência: “Processo civil. o requerido também pode veicular exceções de incompetência relativa.MEDIDA PREPARATÓRIA. 231).972/TO. 648 Em sentido conforme. p. Direito processual civil brasileiro.VISTORIA . ainda que consideradas hipoteticamente. 6ª Turma do STJ. Produção antecipada de prova. p.” (REsp n. aqueles interessados podem participar da colheita das provas antecipadamente. com a tomada do depoimento pessoal. 69. da Constituição. 30. . “I . de suspeição e de impedimento. inciso LV. 213. 2007. SENTENÇA HOMOLOGATÓRIA Após a produção da prova. consoante autoriza o parágrafo único do artigo 848 do Código de Processo Civil647. 161). Salvo exame de regularidade formal e de inexistência das condições da ação.valorada em seguida no processo principal. Além da contestação. Assim. as quais serão valoradas somente pelo juiz do processo principal648. pois visa garantir a efetividade do princípio do contraditório.” (REsp n. A sentença homologatória não necessita de maiores fundamentações. Diário da Justiça de 5 de fevereiro de 1996. Diário da Justiça de 14 de junho de 1999. . pois. Diário da Justiça de 14 de novembro de 1994.Não cabe denunciação da lide em medida cautelar de produção antecipada de prova. mas sem decidir acerca do mérito das provas produzidas. o juiz nada decide. o juiz proferirá sentença. devendo ser analisada diante do contexto de todas as provas colacionadas aos autos. bem como impugnação ao valor da causa. incompatível com a cautelar de produção antecipada de provas. 53. Como a prova antecipada valerá como tal no processo futuro. a inquirição da testemunha e a realização do exame pericial.É admissível a intervenção de terceiro em ação cautelar de produção antecipada de prova. 12ª ed. p.767/SP. incide o artigo 5º. Trata-se. 646 Em sentido conforme: “O interessado poderá impugnar a realização da prova se não estiverem presentes os pressupostos de providência cautelar. 2005.Na produção antecipada de provas consistente na feitura de exame pericial como prova assecuratória de eventual processo principal. na jurisprudência: “PROVA . no processo principal. 193). portanto. Recurso especial. A prova produzida não vincula o magistrado no processo principal. 183 e 184). Em contraposição. Precedente. não há lugar para reconvenção. ao juiz do processo principal valorar a prova assegurada no processo cautelar. Lições de direito processual civil.925). 12. 1ª Turma do STJ. 53. posteriormente. deve ser colhida em contraditório. o juiz simplesmente chancela um ato produzido a pedido da parte.556/RJ.PRODUÇÃO ANTECIPADA . Volume III. DENUNCIAÇÃO DA LIDE: IMPOSSIBILIDADE Não é admissível denunciação da lide em sede de processo cautelar de produção antecipada de provas.. na doutrina: “Caberá. com a presença das partes do processo principal. Diário da Justiça de 17 de setembro de 2001. de sentença homologatória apenas da regularidade da produção da prova deve limitar-se à necessidade e à utilidade da tutela que a cautelar visa a garantir. Volume III. de modo a assegurar a eficácia da prova produzida perante aquele que verá denunciado à lide.” (Alexandre Freitas Câmara.” (VICENTE GRECO FILHO.” (REsp n. 1. 244 . em prol do requerido646.981/PR. na forma de assistência provocada. p. em razão da inexistência de condenação acerca do mérito da lide no processo cautelar. A valoração da prova é auferida na causa principal e não na medida cautelar. Ação cautelar. 3ª Turma do STJ. 647 Em sentido conforme. 4ª Turma do STJ. 17ª ed.

SENTENÇA. “PROCESSUAL. SUCUMBÊNCIA. 14. 651 De acordo. p. DESTINO DOS AUTOS DO PROCESSO CAUTELAR Decorrido in albis o prazo recursal da sentença. p. 771. Diário da Justiça de 18 de dezembro de 2007. 69.139/RS. 71: “Medida cautelar de produção antecipada de prova. são devidos honorários advocatícios. Honorários advocatícios indevidos”.981/PR. Diário da Justiça de 2 de maio de 2000. 826. os autos do processo cautelar de produção antecipada de provas permanecem em cartório. É atacável por apelação . não há condenação em verba honorária650. 5ª Turma do TFR. cabendo ao juiz tão-somente conduzir a documentação judicial de fatos. .antecipada. 3ª Turma do STJ. Agravo provido para determinar a remessa da apelação ao Tribunal. p. 1 — A sentença que encerra o processo cautelar de produção antecipada de provas é de cunho meramente homologatório.008/PA. porque houve dispêndio de esforço por uma das partes. 458 do CPC. HONORÁRIOS. 474. fica vencido.CPC.” (REsp n.928/SP. p. 140. 650 Assim. Diário da Justiça de 10 de março de 1981). limitada aos aspectos formais do processo. 2ª Turma do STJ. mas o recurso só pode versar sobre a necessidade e a regularidade da produção da prova antecipada. Diário da Justiça de 13 de dezembro de 1999. 6ª Turma do STJ. requerida em medida cautelar. na jurisprudência: “II – Requerida. 23. “PROCESSUAL CIVIL.” (Agravo de instrumento n. MEDIDA CAUTELAR. DISPENSABILIDADE. na jurisprudência: “PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. 4ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 16 de agosto de 1993. p. 40. DO CPC. 219.418/SP. 3ª Turma do STJ.” (REsp n. 458.963). 191). na sentença que o encerra. razão pela qual pode ser proferida sem as formalidades arroladas no artigo 458 do Código de Processo Civil649. a decisão não esta sujeita aos requisitos do art. 21. na jurisprudência: "PROCESSUAL CIVIL. arts. 269). PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS. ANTECIPAÇÃO DE PROVA. HOMOLOGAÇÃO. É apelável a decisão que homologa produção antecipada de prova. 15. 458. Diário da Justiça de 31 de outubro de 1984). . “1. a interpelação. Por sua natureza. p.CAUTELAR. a produção antecipada de provas e vencida a objeção oferecida. 17. bem assim desatendeu princípios básicos da providencia. Ainda a respeito da sentença. ao final. 231). Diário da Justiça de 28 de agosto de 2000. Diário da Justiça de 2 de outubro de 2007.805/RS – AgRg. Diário da Justiça de 14 de junho de 1999. . 2ª Turma do TFR.990/SP. CONTESTAÇÃO.” (REsp n.e não por agravo de instrumento. 85. em sede cautelar. “As medidas cautelares meramente conservativas de direito. Diário da Justiça de 30 de agosto de 1993. Deve ser condenado a pagar honorários o réu que resiste à pretensão cautelar de produção antecipada de provas e. 851 e 803. se o procedimento não observou as disposições legais que conduzem a perícia judicial. p. ainda na jurisprudência: “CAUTELAR. 231).297)." (Agravo de Instrumento n. 45.284/DF. 3ª Turma do STJ. PROCESSO CAUTELAR. Precedente desta Corte. p. PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS.” (REsp n . e REsp n. 3ª Turma do STJ.HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA. Diário da Justiça de 6 de outubro de 2003). o protesto e a produção antecipada de provas. o que afasta a necessidade de fundamentação da sentença homologatória. Assim. Recurso desprovido. do CPC. No mesmo sentido: REsp n. como a notificação. Tanto a sentença homologatória quanto a sentença de improcedência são apeláveis. salvo quando veiculada contestação651. Dele não resulta vencido. FUNDAMENTAÇÃO.167/RS. RECURSO. REQUISITOS DO ART. 109. a decisão terminativa que após a perícia determina a permanência dos autos em cartório. O processo cautelar de produção antecipada de provas não tem natureza contenciosa e o seu procedimento assemelha-se ao do processo de jurisdição voluntária. Por isto. mas a parte 649 Assim. SENTENÇA. MERAMENTE HOMOLOGATÓRIA. 6ª Turma do STJ.” (REsp n.PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS .659/RJ. motivo pelo qual não necessita apresentar-se revestida de todos os requisitos do art.” (REsp n. 245 . RESISTÊNCIA AO PEDIDO. não há lugar para condenação em honorários por sucumbência.” (REsp n.708/SP. 1ª Turma do STJ. 652 De acordo. com efeito meramente homologatório da prova produzida. No procedimento de produção antecipada de prova não se envolve litígio. na jurisprudência: “PROCESSUAL . nem vencedor.PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVA. porquanto não há na sentença juízo de valor acerca da prova em si652. veiculam pretensão que requer do Juízo meras providências administrativas.

Por fim.interessada pode obter certidão de inteiro teor na secretaria do juízo (artigo 851 do Código de Processo Civil). distribuída a ação principal. há o apensamento dos autos (artigo 809 do Código de Processo Civil). 246 .

TOMO IV PROCEDIMENTOS ESPECIAIS EM DIREITO DAS OBRIGAÇÕES 247 .

todos da Lei n. de 2005.PRESTAÇÃO DE CONTAS 1. 914): a daquele que tem o direito de exigir as contas e a daquele que tem a obrigação de prestar e quer prestá-las. § 2º. O primeiro procedimento (para exigir a prestação de contas) reside no artigo 915 do Código de Processo Civil. 248 . Na verdade. de 2005. também há a prestação de contas incidental a processo falimentar ou de recuperação empresarial. inciso I. é iniciado por quem tem legitimidade para prestar as contas devidas a outrem. podem prestar ou exigir a prestação dos lançamentos das receitas e das despesas. p. 154 e 155.101. para a apuração da existência de saldo final em prol de algum dos sujeitos da relação jurídica pendente de acertamento. e nos artigos 22. consubstanciado na administração de bens ou negócios. 219). 17ª ed. inciso III. há dois diferentes procedimentos para a prestação de contas: o para exigir a prestação de contas e o de prestar as contas de forma espontânea653. Com efeito. contratual ou de fato. razão pela qual é verdadeira demanda autônoma de prestação espontânea de contas. não há apenas um procedimento judicial destinado à prestação de contas. 259 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. razão pela qual é verdadeira demanda autônoma de exigência de prestação de contas. Procedimentos Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. 24. 3.. 11. 23. 11. 2. letra “r”. a qual deve ser 653 Assim. Além dos dois procedimentos regulados nos artigos 915 e 916 do Código de Processo Civil. 2005. todos da Lei n. os artigos 22. 63.101. § 2º. inciso I. letra “r”. Volume III. O segundo procedimento (para prestar as contas de forma voluntária) reside no artigo 916. 154 e 155. versam sobre a demanda incidental de prestação de contas. 63. é iniciado por aquele que tem legitimidade para exigir a prestação das contas de outrem.” (VICENTE GRECO FILHO. 23. 24. Além dos preceitos legais. Preceitos de regência e enunciados sumulares A prestação de contas está prevista nos artigos 914 a 919 do Código de Processo Civil. a ação de prestação de contas também é objeto do enunciado n. inciso III. Direito processual civil brasileiro. Conceito e natureza jurídica A prestação de contas é a demanda cognitiva sob procedimento especial por meio da qual pessoas com algum vínculo legal. na doutrina: “Dois são os tipos de ação de prestação de contas (art.

1999..” (Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. 8.756. de interdição).101 não é a única que é incidental a outro processo. Também no mesmo sentido. inciso VII. é legal o vínculo dos tutores e curadores nomeados pelo juiz em processos de inventário e de interdição.906. 1. Vínculo legal. 249 . 212.774. contratual ou de fato A prestação de contas pressupõe a existência de algum vínculo. 87). que não precisa ser contratual ou expresso. Essa situação. 2. 655 A propósito. 657 De acordo. de 2005. conforme o caso654. Direito processual civil brasileiro. em que haja autorização para recebimento de dinheiro e realização de pagamentos. Direito processual empresarial. de inventário. 2008.064/MG. e 995.617/SP. 3ª Turma do STJ. que entre as partes se admita que uma delas faça o controle de entradas e saídas.755. contratual ou de fato656. 154 e 155. Pertinente é a ação de prestação de contas ajuizada por cliente contra seu advogado. Por outro lado. 1. diante de acordo homologado na Justiça do Trabalho. pode decorrer de contrato. p. Mandado judicial. a prestação de contas prevista na Lei n.” (REsp n. 1. em razão do dinamismo negocial da vida moderna. na doutrina: “Para o cabimento da ação de prestação de contas é necessária a existência de vínculo. § 2º. É legal. Também é legal o vínculo do administrador judicial nomeado pelo juiz nos processos de recuperação empresarial e de falência. é contratual o vínculo existente entre o correntista e a instituição bancária: “A ação de prestação de contas pode ser proposta pelo titular 654 A respeito da prestação de contas nos processos de recuperação e falência: BERNARDO PIMENTEL SOUZA. 4. Na verdade. é contratual o vínculo do mandatário no contrato de mandato previsto no artigo 668 do Código Civil. artigo 34. à vista dos artigos 991. Da mesma forma. Precedentes da Corte. O proêmio do artigo 919 do Código de Processo Civil dispõe sobre outras hipóteses nas quais a prestação de contas é incidental a outro processo (por exemplo. 284. 78). bastando que o seja de fato. 3ª ed. merece ser prestigiada a lição do Professor ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS: “O uso da prestação de contas. inciso I. 2005. de 1994. em decorrência do alegado recebimento de valores de terceiro.” (VICENTE GRECO FILHO. ou seja. a representação mercantil (que podem ser verbais). inciso V. 24. com a conseqüente obrigação de prestar contas658. 75. p. 23. 656 Assim. letra “r”. 1. da Lei n. Diário da Justiça de 6 de dezembro de 1999. Da mesma forma. Também é contratual o vínculo do advogado com o respectivo cliente657. 219). 2ª Seção do STJ. todos do Código Civil de 2002. o mandato.758 e 1. físicas ou jurídicas. ou decorrer da lei. mormente entre pessoas e empresas. 658 Cf. O vínculo pode ser legal. 17ª ed. 11. Recurso especial conhecido e provido. como no caso da gestão de negócios..757. p. inciso III. consubstanciado na administração de bens ou negócios655. entre duas pessoas. tem sido justificado nas mais diversas relações entre pessoas.proposta pelo administrador judicial nomeado pelo juiz no processo de falência ou de recuperação judicial. 63. por exemplo. ainda na jurisprudência: CC n. inciso XXI. 11. Volume III.101. p. consoante os artigos 1. o vínculo do inventariante nomeado pelo juiz no processo de inventário. todos da Lei n. na jurisprudência: “Ação de prestação de contas. por força dos artigos 22. Diário da Justiça de 11 de outubro de 2007. indispensável à adequação da ação de prestação de contas. por exemplo. ambos do Código de Processo Civil.

3ª ed. não é propriamente a sociedade de fato que fundamenta a ação de prestação de contas. e n.. os gestores do patrimônio social acham-se sujeitos a prestar contas da administração desenvolvidas. p.660/SP. independentemente da natureza do vínculo ser legal. sob administração de outrem que não o dono. quer para prestar as contas. Volume III.. na doutrina: “Na verdade. quer para exigir a prestação661. Volume III. n. p.” (Humberto Theodoro Júnior. Isto provoca.de conta-corrente bancária. 1999. AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS.” (enunciado n. p. 660 Em sentido conforme. individualmente. É o que se dá com os negócios bancários. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. ambos têm legitimidade para a propositura da ação. a administração de bens alheios por parte daquele que gere o acervo comum. há lugar para a demanda de prestação de contas. SOCIEDADE ANÔNIMA. pelos respectivos administradores. 662 Assim. como. Curso de direito processual civil. Por fim. Legitimidade ativa O artigo 914 do Código de Processo Civil dispõe sobre a legitimidade ativa para a prestação contas. nas sociedades irregulares. de outro ângulo. a pretensão de prestação de contas é vista sob dois aspectos.. mas a comunhão de bens e interesses decorrente do relacionamento patrimonial estabelecido entre os parceiros. 3ª Turma do STJ. não tem legitimidade para propor ação de prestação de contas em face do administrador. O acionista da sociedade anônima. na doutrina: “Haverá sempre justificativa de prestação de contas. e descabível será a pretensão de algum sócio individualmente de acioná-lo para exigir novo acerto de contas em juízo. em toda sociedade. por lei ou pelos estatutos.273. p. prevalece o entendimento de que não há lugar para ação de prestação de contas movida por sócio individual662. p. temporariamente. COMERCIAL.273. 82). costuma-se estabelecer órgãos internos da sociedade a que se atribui a função de apreciar e julgar as contas dos seus administradores. à vista do disposto na legislação específica e nos estatutos. ainda que não precedida de acordo ou autorização por parte do proprietário. regular ou não. 3ª ed.” (Humberto Theodoro Júnior. pela linguagem do art.” “Daí que basta o fato de um bem achar-se. Acontece que. 792. Não obstante. na doutrina: “Conforme se vê.” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. Curso de direito processual civil. no que tange às sociedades empresárias com previsão de prestação de contas. 78). Diário da Justiça de 10 de abril de 2006. para que esse detentor tenha que dar contas da gestão eventualmente desempenhada. 21ª ed. 1. aquele que está obrigado a prestá-las.. quando a empresa depositária usa o sistema de lançamentos em contas correntes. Tanto tem direito de ação aquele que pode pedir contas. 660 5. Em todos os casos. 259 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça)659. 661 De acordo. 1999. cabem perfeitamente as destinadas à prestação de contas.274. mormente quando se cuida de administração de bens e numerários alheios. 106). 1. para acerto geral. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. p. Daí a conclusão de que. contratual ou apenas de fato. De acordo. 104). Legitimidade passiva 659 De acordo. quando a relação negocial estabelecida revelar a necessidade de acertamento. 1.” (REsp n. é de fato o vínculo encontrado nas denominadas sociedades de fato . Diante do vínculo – proveniente da administração de bens ou negócios – entre os dois sujeitos da relação jurídica pendente de acertamento. 250 .” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. n. 914. como tais. 21ª ed. na prática. inclusive de sua própria remuneração. entre as ações cabíveis entre os sócios. 1999. ACIONISTA. na doutrina: “As sociedades importam sempre a instituição de organismos de gestão de bens alheios e. quitado se acha o gestor de sua obrigação de prestar contas. 191). uma vez aprovadas as contas pela assembléia geral ou órgão equivalente. 105. 1999. mormente quando estas foram apresentadas à assembléia geral e por ela aprovadas. ILEGITIMIDADE ATIVA. Nessa conjuntura. 6.

Natureza dúplice.530/PR – EDcl. 664 De acordo. 1. ambos da CF/88. em razão de vínculo legal. O Prefeito Municipal presta suas contas ao Tribunal de Contas do Município. 941. 186). na jurisprudência: “– Independentemente do fornecimento de extratos bancários.” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. p. ex vi do artigo 71. na doutrina: “Não se confunde a necessidade de prestação de contas com o débito ou crédito. visando a obter pronunciamento judicial acerca da correção ou incorreção de tais lançamentos. II – Recurso especial improvido. discorde dos lançamentos deles constantes. razão pela qual o réu pode pedir a condenação do autor na própria contestação. Interesse de agir: incerteza em relação à existência de saldo O interesse processual na prestação de contas está relacionado à incerteza quanto à existência de saldo em prol de algum dos sujeitos da relação jurídica proveniente da administração de bens ou negócios664. 1999. assiste legítimo interesse para intentar a ação de prestação de contas.AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS: IMPROPRIEDADE. se há dúvida quanto à correção dos valores lançados em conta corrente. no sentido de que compete ao Tribunal de Contas o processo e o julgamento da ação de prestação de contas contra ex-prefeito.” (REsp n.347/RO. Diário da Justiça de 4 de junho de 2007.A demanda de prestação de contas só pode ser movida em face de pessoas físicas ou jurídicas que integram relação jurídica consubstanciada em administração de bens e negócios. todos da Constituição Federal.” (Ag n. COMPETÊNCIA. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. 3ª Turma do STJ. 2ª Turma do STJ. 2. Extinção do processo por carência de ação. de uma pessoa para outra. 1ª Turma do STJ. 251 . 161). 234). 3ª ed. as contas públicas ficam submetidas ao controle do Poder Legislativo e do respectivo Tribunal de Contas. A prestação de contas resulta unicamente da necessidade de acertamento que decorre de vinculação jurídica anterior. inadmissibilidade de reconvenção e constituição de título executivo judicial A prestação de contas tem natureza dúplice. Daí a inadequação da demanda de prestação de contas em face de autoridades públicas. p. com o auxílio dos Tribunais de Contas. AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. Com efeito. p. não podem ser acionadas mediante prestação de constas.381/PR. recebendo extratos bancários. No que tange às autoridades públicas sujeitas ao controle das contas públicas pelo Poder Legislativo. I – É pacífica a jurisprudência desta colenda Corte. Assim. 78). p. p.427/PR – AgRg. 70.433/PR – AgRg. 350). Diário da Justiça de 14 de dezembro de 2007. tendo em vista o disposto nos artigos 31. “ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. como os prefeitos municipais663. “PROCESSO CIVIL . 8. 225. 200. “– Ao correntista que. CONTAS EXIGIDAS DE EX-PREFEITO. Recurso improvido. AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS CONTRA EX-PREFEITO. porventura existentes. não cabendo ao Poder Judiciário tal mister. 3. 2ª Turma do STJ. Precedentes. há interesse processual na ação de prestação de contas. 416). 851. TRIBUNAL DE CONTAS. p. CONVÊNIO ENTRE ESTADO E MUNICÍPIO. 3ª Turma do STJ.” (REsp n. 71 e 75.. independentemente de 663 De acordo. Diário da Justiça de 22 de março de 1999. RECURSO ESPECIAL. c/c o artigo 75. 101. contratual ou de fato. Diário da Justiça de 22 de abril de 2002.” (REsp n. A ação prevista nos artigos 914 e seguintes do Código de Processo Civil é imprópria para exigir prestação de contas de ex-prefeito. Diário da Justiça de 23 de junho de 2003.” (AG n. 7. CARÊNCIA DA AÇÃO.

3ª Turma do STJ. deve ser 665 Em sentido conforme. após a apuração das receitas e das despesas. ou não667. A primeira questão é preliminar668 em relação à segunda. ter-se-á que solucionar a questão prejudicial sobre a existência ou não do dever de prestar contas.reconvenção665. fase essa de conhecimento condenatório. com objetivos bem distintos: na primeira busca-se apurar se existe ou não a obrigação de prestar contas que o autor atribui ao réu. desenvolvem-se as operações de exame das diversas parcelas das contas. Volume III. e n. “No caso. 201).1. e a existência de saldo em prol de alguma das partes. ao julgar as contas.. com o fito de alcançar-se o saldo final do relacionamento econômico discutido entre as partes. Em primeiro lugar. Nesta fase a ação tem o caráter dúplice. 1. Exibidas as contas. 476. 1999.” (Vicente Greco Filho. após o trânsito em julgado da sentença proferida na primeira fase. após o acertamento das contas e o julgamento do saldo. 9. Assim. como a prestação de contas pode ser proposta por ambos os sujeitos da relação jurídica pendente de acertamento. p. se o réu contesta a obrigação de prestá-las: – na primeira.” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. abre-se uma nova fase procedimental destinada à discussão de suas verbas e à fixação do saldo final do relacionamento patrimonial existente entre os litigantes”. a de elaborar as contas a que tem direito o autor. – A ação de prestação de contas desenvolve-se em duas fases. e. p. Em sentido semelhante.” (REsp n.. p. “A ação para exigir contas acha-se regulada pelo art. 918. 21ª ed. ou seja. e a segunda relativa ao exame e prestação das contas.783/RJ. provocando o desdobramento do objeto processual em duas questões distintas. na jurisprudência: “I.. que é uma fase também de conhecimento. p. Volume III.395/GO. qual seja.” (Humberto Theodoro Júnior. na doutrina: “Na ação de quem tem o direito de exigir as contas são perfeitamente identificáveis duas fases: a primeira relativa ao dever de prestar contas. Direito processual civil brasileiro. Diário da Justiça de 22 de abril de 2002. 668 Preliminar é a questão prévia cuja decisão pode conduzir à inexistência de julgamento da questão seguinte. Sob outro prisma. p. 915 e seus parágrafos. o saldo credor pode ser tanto a favor do autor quanto a favor do réu. versa a decisão sobre se está obrigado a essa prestação. 2005. na verdade. onde se traça um procedimento composto de duas fases. a causa torna-se mais complexa. 666 Em sentido conforme. ou não. 1999. a demanda pode ocasionar a condenação tanto do réu quanto do próprio autor. 1. 520. p. na segunda fase. em que a ação é proposta pela parte que invoca para si o direito de exigir contas. 17ª ed. na segunda. Exigência de prestação de contas: artigo 915 do Código de Processo Civil 9. na jurisprudência: REsp n. prejudicial é a questão prévia cuja solução influencia no resultado da questão 252 . que pressupõe solução positiva no julgamento da primeira. a sentença é passível de execução forçada contra a parte julgada devedora da outra. mas que atua como de execução imprópria da sentença que condena a prestar. porque. 79). n. 2ª Turma do STJ. 217. entretanto. em razão da incerteza acerca da existência de saldo pendente em prol de um ou do outro. Dos procedimentos especiais do Código de Processo Civil. tudo nos termos do artigo 918 do Código de Processo Civil666. duplo objetivo: a prestação com o respectivo acertamento das contas e a constituição de título executivo judicial. Curso de direito processual civil. 98 e 99. Diário da Justiça de 13 de novembro de 2007. Somente quando for positiva a sentença quando a essa primeira questão é que o procedimento prosseguirá com a condenação do demandado a cumprir uma obrigação de fazer. Com efeito. Bipartição do procedimento da ação de exigência de contas A ação prevista no artigo 915 tem como autor aquele que pretende exigir a prestação de contas. nos termos do art. na doutrina: “Há de se verificar que a ação de prestação de contas pode apresentar. 219 e 220). 667 Assim. 3ª ed.278. apura-se o valor do débito ou crédito.268. 109). por parte do réu. O mérito da ação de exigência de prestação de contas pode ser dividido em duas questões: a existência de obrigação de prestar contas por parte do réu.

13ª. e a posterior prolação da sentença relativa à primeira parte do mérito. 223. todos do Código de Processo Civil. p. o réu é citado para contestar ou apresentar as contas. não há interferência alguma no julgamento da questão seguinte. bem como pode impedir o julgamento da segunda questão: se o juiz reconhecer que o réu não tem obrigação de prestar contas. Daí a diferenciação: enquanto a prejudicial interfere no conteúdo do julgamento da questão subseqüente. porquanto não há contas a subseqüente. 1971. então reservado o nome de preliminares” (Questões prejudiciais. em cinco dias (artigo 915. 5ª ed. e 915. a dispensa ou o impedimento de ir além — ficará. o autor também deve observar o preceito específico da ação de exigência de prestação de contas. Se o juiz reconhecer que não há obrigação de prestar contas por parte do réu. Além dos preceitos destinados às petições iniciais em geral. o réu também pode requerer a condenação do autor. nem há lugar para a segunda questão. para a posterior execução forçada do saldo final (artigo 918). já é possível estudar todo o procedimento. inciso I. Daí a peculiaridade do procedimento especial da ação de prestação de contas prevista no artigo 915: possibilidade da existência de duas sentenças. p. o autor deve requerer a citação do réu. se necessária. a primeira fase é processada à vista das regras do procedimento ordinário. A contestação do réu pode versar.. nem há o prosseguimento do processo rumo à segunda fase. p. ou seja. 86 e 87). À vista dos artigos 282. para a apuração do saldo final). o artigo 915 do Código de Processo Civil. ou não) e a outra referente à segunda questão (acertamento das receitas e despesas. 2000. pois. a de prestação das contas. qual seja. qual seja. 312. caput). a prestação de contas é proposta mediante petição inicial. Ada Pellegrini Grinover e Cândido Rangel Dinamarco. Contestada a ação. 253 . sobre vícios formais da petição inicial. Teoria geral do processo. caput. “À outra classe de questões prévias ou prioritárias de cuja solução pode decorrer. todavia. Procedimento com contestação Como toda ação. e Nelson Nery Junior. com a realização de audiência de instrução e julgamento. outros pressupostos processuais. cujo julgamento ocorre necessariamente após ao da questão prévia. 258. desde a petição inicial. 9. “a denominação de prejudiciais é.resolvida antes. em virtude da existência de duas fases distintas. rejeitada a preliminar. 1997. Explicada a razão da especialidade do procedimento da ação prevista no artigo 915. com a apuração de saldo final. tendo em vista o acertamento das receitas e das despesas.2. para o juiz. 282 e 283. Também em sentido conforme. também na doutrina: Antonio Araújo Cintra. Na precisa lição do Professor Barbosa Moreira. inexistência da obrigação de prestar contas. a que histórica e lògicamente mais convém às questões de cuja solução depende o teor da solução de outras”. por exemplo. à vista do saldo apurado após a prestação das contas. resolvida a primeira questão com resposta judicial negativa. inciso VII. uma destinada à primeira questão (existência do dever de prestar contas. Com efeito. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. com a observância dos artigos 39. a preliminar pode impedir o próprio julgamento da questão ulterior. Em virtude da natureza dúplice da ação. carência da ação.

serem prestadas. e também apresente as respectivas contas na mesma oportunidade. Volume III.3. independentemente de reconvenção. quando impõe. na jurisprudência: AG n. o juiz intima o autor. mas ao seu conteúdo. obrigação de fazer. 513 e 520). na mesma sentença. Com efeito. se necessária à colheita de outras provas. O juiz também deve resolver. p. o eventual pedido do réu atinente à condenação do autor no tocante ao saldo final.268. na doutrina: “A lei faz sugerir que o réu deva sempre optar entre contestar ou apresentar as contas. em virtude da natureza dúplice da ação671. pois o pedido pode ser veiculado no bojo da contestação. o juiz designa audiência de instrução. em quinze dias. 1999. com efeitos devolutivo e suspensivo (artigos 508. p. já que a ação tem o caráter dúplice por sua própria natureza. n. Em contraposição. Em seguida.409: “PROCESSUAL CIVIL. Procedimento com contestação e com simultânea prestação de contas Nada impede que o réu conteste a ação no qüinqüídio do artigo 915. o réu pode reconhecer a obrigação de prestar contas e efetuar a imediata prestação. na doutrina: “Somente quando for positiva a sentença quanto a essa primeira questão é que o procedimento prosseguirá com a condenação do demandado a cumprir uma obrigação de fazer. AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. Procedimento sem contestação. 1. com o julgamento de todas as questões veiculadas pelas partes. cabe apelação. Diário da Justiça de 5 de março de 1990. Prestando-as em juízo. pleitear a aprovação de suas contas e a sujeição do demandante aos encargos da sucumbência. Da sentença. 1999. qual seja. Há. 9. 837/RJ – AgRg. ao réu. de carência da ação) e. a hipótese lembrada por Adroaldo Furtado Fabrício em que a divergência instalada entre as partes diz respeito não ao dever de prestar contas. o ato judicial que decide a primeira etapa da ação de prestação de contas. lícito será ao réu contestar a ação para demonstrar a injustiça da atitude do autor na recusa pré-processual das parcelas elaboradas e. o juiz profere apenas uma sentença.279. 254 . 110). 671 Assim. de inépcia da petição inicial. 98). Volume III. caput. ou seja. qual seja.” (Humberto Theodoro Júnior. ambas resolvidas mediante sentença670.. em conseqüência. n.. o juiz profere sentença condenatória. Curso de direito processual civil. em quarenta e oito horas669. 1. prestar as contas. 4ª Turma do STJ. a de elaborar as contas a que tem direito o autor. entretanto. no mérito. SENTENÇA.” (Humberto Theodoro Júnior. o que marca o procedimento especial da ação de prestação de contas é a divisão do mérito em duas fases distintas. Poder-se-ia questionar se o pronunciamento não é verdadeira decisão interlocutória agravável preparatória da prestação de contas em si. § 1º). reconhecido o dever de prestar contas. 9. mas com imediata prestação das contas Ao invés de contestar a ação. superadas as preliminares (por exemplo. à vista da especialidade do procedimento. Curso de direito processual civil. 21ª ed. 1 — É sentença de mérito. 1. o que será possível independentemente de reconvenção. e não decisão interlocutória. À vista da contestação acompanhada da prestação das contas. 21ª ed. porém. embora não ponha termo ao processo”. A resposta correta é a negativa. Por fim. p. 670 No mesmo sentido. no mesmo qüinqüídio disponível para a 669 De acordo. o qual tem cinco dias para se manifestar nos autos (artigo 915.4.

caput). porquanto o § 1º do artigo 915 autoriza a realização de audiência de instrução destinada à produção de outras provas (por exemplo. o réu deve seguir a forma contábil. há a fluência do prazo de quarenta e oito horas para o réu prestar as contas. Prestadas as contas pelo réu no qüinqüídio legal (artigo 915. Em regra. Revelia na primeira fase. realizar o cotejo analítico das receitas e das despesas. o juiz concede cinco dias para o autor apresentar impugnação. se discordar das contas apresentadas pelo réu (artigo 915. entretanto. Proferida sentença de procedência em prol do autor. in fine). o juiz profere julgamento conforme o estado do processo. caput). com a apuração do saldo final (artigo 917). §§ 1º e 3º). para o cumprimento da sentença.contestação (artigo 915. com efeitos devolutivo e suspensivo (artigos 508.5. Caso contrário. caput). 513 e 520). designa audiência de instrução e julgamento. § 2º). o juiz decide sobre as eventuais provas adicionais requeridas pelas partes. isto é. Prestadas as contas pelo réu dentro do prazo disponível no § 2º do artigo 915. Por fim. A sentença proferida é título executivo judicial para a execução forçada do saldo final apurado pelo juiz em favor de uma das partes (artigo 918). com efeitos devolutivo e suspensivo. até mesmo quando interposta pelo réu revel. Ao prestar as contas. Da sentença cabe apelação. se for o caso. das despesas e do saldo final. Após o trânsito em julgado da sentença. o juiz somente condena o réu a prestar as contas no prazo de quarenta e oito horas. Em seguida. 9. cabe apelação. em quinze dias. há a intimação do autor. mas também há lugar para outros meios de prova. e 915. Da sentença. à vista da presunção relativa da veracidade dos fatos narrados pelo autor na petição inicial (artigos 330. as receitas e as despesas são comprovadas mediante documentos (artigo 917. fica superada a questão relativa à obrigação de prestar contas: tollitur quaestio. o juiz profere sentença desde logo (artigo 915. prova pericial contábil). § 1º). Quando o réu presta as contas sem contestar a ação. oportunidade na qual designa audiência de instrução e julgamento. com posterior prestação das contas pelo réu Se o réu permanecer silente durante o qüinqüídio disponível para a contestação e a negativa da obrigação de prestar contas (artigo 915. o juiz decide acerca das provas adicionais requeridas pelas partes e. prova pericial 255 . inciso II. Em seguida. a execução segue o disposto nos artigos 475-I a 475-R. O processo fica resumido à questão remanescente: acertamento das receitas. o qual também tem cinco dias para aceitar ou impugnar as contas prestadas pelo réu. para a colheita das outras provas (por exemplo. em quinze dias. se necessária.

com a especificação das receitas e das despesas. Não há previsão de reabertura do prazo para reapresentação de contas se a própria lei prevê as conseqüências para o descumprimento do comando da sentença. há preclusão. no prazo de cinco dias (artigo 916. Com efeito. na jurisprudência: “AGRAVO REGIMENTAL. Admitida a petição inicial. inciso I. IMPOSSIBILIDADE. a fim de formar o respectivo convencimento acerca do saldo final (artigo 915. sem ouvir o réu. 9. 48 HORAS. Diário da Justiça de 15 de outubro de 2007. PRAZO. EMBARGOS DECLARATÓRIOS. Se o réu não contestar a ação. o juiz profere sentença. 674 Cf.” (REsp n. § 2º) as que o autor apresentar serão julgadas segundo o prudente arbítrio do juiz que poderá.039). com apenas uma fase. não incorre em ofensa ao art. Tratando-se de ação intentada por quem pretende prestar contas. Por fim.779/MA. VIOLAÇÃO AO ART. Ação de prestação espontânea das contas A ação de dar contas reside no artigo 916 do Código de Processo Civil. nem apresentar as contas no prazo § 2º do artigo 915. razão pela qual deve instruir a petição inicial com as contas. as quais devem ser comprovadas mediante prova documental. o réu é citado para contestar a ação. caput). RECURSO ESPECIAL. Além das regras gerais relativas a todas as petições iniciais674. com a conseqüente impossibilidade de o réu discutir as contas apresentadas pelo autor672. 10. Em contraposição. . PRECLUSÃO. artigos 39. Art. 673 Assim. o juiz profere sentença. p. § 3º. 258. prova pericial contábil).6. 256 . determinar a realização de perícia contábil (CPC. 3ª Turma do STJ. 282 e 283 do Código de Processo Civil. o juiz profere sentença desde logo. Diário da Justiça de 25 de junho de 1990. não se divide o processo em duas fases como sucede quando proposta por quem está a exigilas. 6. AGRAVO DE INSTRUMENTO. 257). 718.” (AG n. Art. 915.contábil). 2. se considerar necessário.903/RS – AgRg. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. Antes de julgar as contas do autor. Daí a natureza monofásica do processo673. porquanto não há a fase preliminar destinada à discussão referente ao dever de prestar contas. o autor é intimado para apresentar as contas que tiver. o autor da ação de dar contas também deve observar o disposto no artigo 917. p. se o réu contestar a ação ou impugnar as contas do autor. 915. 3ª Turma do STJ. REAPRESENTAÇÃO. OMISSÃO. sem prejuízo da produção de outras provas em audiência. segunda parte). Por fim. na jurisprudência: “Ação de prestação de contas. Revelia na primeira e na segunda fases Se o réu não contestar a ação no prazo de cinco dias previsto no § 1º do artigo 915. . quando julga as contas prestadas e o saldo final passível de execução (artigo 918). 535 do CPC o acórdão que rejeita os embargos declaratórios. se o réu não prestar as contas dentro das quarenta e oito horas previstas no § 2º do artigo 915. o juiz pode determinar a realização de perícia contábil. AÇÃO DE PRESTAÇÃO DE CONTAS. há lugar para audiência de instrução. para a coleta de outras provas (por exemplo. as quais serão julgadas pelo juiz.Se não havia defeito a ser sanado. oportunidade na 672 De acordo.Se o réu não presta contas no prazo de 48 horas (CPC. § 3º).

257 .qual declara o saldo final a ser pago por uma das partes. conforme o caso. em virtude da natureza dúplice da ação.

de 1995. na qual a prestação jurisdicional de composição da lide não se faz de uma só vez. 4ª Turma do STJ. em suma. II .1995. sendo facultada a sua utilização.079. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. Por tudo. “Trata-se de uma ação de conhecimento. na busca da formação do título executivo judicial passível de execução.PROCEDIMENTO MONITÓRIO 1. 1999. 258 . Ainda no mesmo sentido do texto. identifica-se o procedimento.7. de uma ação que dá início a uma relação processual cognitiva. ou de os embargos monitórios veiculados serem rejeitados. encurtando a via procedimental do processo de conhecimento. 678 Cf. 2ª tiragem. com o adjetivo monitório”. para a 675 676 Cf.O procedimento monitório. por exemplo. São. 272). a denominada “ação monitória”679 é o processo cognitivo que se desenvolve sob procedimento especial marcado pela celeridade rumo à execução. com amplo sucesso. a que o processo cognitivo obedece. na eventualidade de o réu não oferecer defesa mediante embargos. do Código de Processo Civil. combinados com os artigos 475-I e seguintes. introduzido no atual processo civil brasileiro. acrescentados pela Lei n. em virtude da enorme importância do instituto na prática forense. na doutrina: “Nesses casos. isto é. incide o disposto no Capítulo X do Título VIII do Livro I do Código de Processo Civil. ex vi do artigo 1.102-A do Código de Processo Civil. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. caput e § 3º. há vários enunciados da Súmula do Superior Tribunal de Justiça sobre a ação monitória675. também conhecido como injuntivo. ao credor que possuir prova escrita do débito.102-C.. enunciados nºs 247. Com efeito.” (REsp n. de 14. Conceito e natureza jurídica A monitória é um procedimento especial de processo cognitivo676. Preceitos de regência e enunciados sumulares A ação monitória está prevista nos artigos 1. todos do Código de Processo Civil. p. 299 e 339. 118). Em sentido conforme. especialmente em relação aos títulos de crédito prescritos.887/MG. nos termos do art. 292. CPC. artigo 1.102-C. Além dos preceitos legais. tem por objetivo abreviar a formação do título executivo.079.” (Sergio Bermudes. as justificativas que conduzem à conclusão em favor da predominância da natureza cognitiva do processo sujeito ao procedimento monitório. sem força de título executivo. em nosso sistema. 220. Diário da Justiça de 3 de novembro de 1999. porquanto tem início sem título executivo algum e permite ampla discussão677 acerca da existência do direito sub iudice.A ação monitória tem a natureza de processo cognitivo sumário e a finalidade de agilizar a prestação jurisdicional. 1ª ed. destinado ao cumprimento de sentença por meio da execução padrão que tem lugar após a fase cognitiva de todo processo678. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. 679 Cf. 9. artigo 1.102-A a 1. § 2º. em prol do portador de prova escrita sem eficácia de título executivo. na jurisprudência: “I . 677 Tanto que há lugar para a conversão do procedimento em ordinário. largamente difundido e utilizado na Europa. 2. p.102a. 282. 1.102-C do Código de Processo Civil.

Direito processual civil brasileiro. 4ª Turma do STJ.” (Vicente Greco Filho.102a. se. incisos I e II. 118).079. na doutrina: Daniel Amorim Assumpção Neves.” (REsp n. 276). que determina qual o processo e como se haverá de desenvolver – o faria carecedor da ação. mas também das custas judiciais recolhidas681 e dos honorários advocatícios682. 2009. O credor que tem em mãos título executivo pode dispensar o processo de execução e escolher a ação monitória. 1ª ed. em nosso sistema. cuja admissibilidade conduz à carência da ação sob o procedimento monitório. artigo 275. 1ª ed. 4ª Turma do STJ. artigo 257 do Código de Processo Civil. à vista do artigo 267.” (REsp n. p. só é admissível a demanda mediante o procedimento monitório quando não há lugar para execução forçada684. 2ª tiragem. Título executivo.319/PR. Constituindo as atas de assembleias e as convenções condominiais títulos executivos extrajudiciais. Precedentes. 216. Com efeito. 2005. a adoção do procedimento monitório é facultativa. sendo facultada a sua utilização. porquanto o autor pode desejar o pagamento não só do principal. p. 4ª Turma do STJ. O princípio da infungibilidade procedimental – conforme o qual é a lei. 1.” (Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. se couber a ação executiva. 3ª Turma do STJ. do Código de Processo Civil. na doutrina: “Obviamente.. 1999. Em reforço. do Código de Processo Civil.102a. Diário da Justiça de 24 de março de 259 .. o Professor Sergio Bermudes também sustenta “o estreitamento do âmbito de incidência da ação monitória. cabível é a via executiva e não o ajuizamento de ação monitória”. 680 681 Cf. nos termos do art.A ação monitória tem a natureza de processo cognitivo sumário e a finalidade de agilizar a prestação jurisdicional. p. e Ag n.” (Sergio Bermudes. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. Diário da Justiça de 3 de novembro de 1999..887/MG. Ainda na melhor doutrina. sem força de título executivo. artigo 20 do Código de Processo Civil. 149: “1. conforme o valor da causa e a natureza da causa680. p. entretanto. em vez da monitória. propondo ação de procedimento comum.obtenção de pagamento de soma em dinheiro. Manual de direito processual civil. na doutrina: “Não se diga que o credor poderia evitar essa desvantagem. Em contraposição. não a parte. Diário da Justiça de 31 de maio de 1999. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira.7. o § 1º do artigo 1. ao credor que possuir prova escrita do débito. Daí a conclusão: cabe ao credor a escolha entre o procedimento comum ou o monitório para a cobrança judicial683. há precedentes do Superior Tribunal de Justiça que reforçam a lição da doutrina: REsp n. pela ausência do interesse processual. na jurisprudência: “II .310. Em sentido contrário. p. 1999. que não pode ser usada. de 14. 3. 683 De acordo. Diário da Justiça de 14 de junho de 1999. também há forte corrente jurisprudencial: “AÇÃO MONITÓRIA. 271). 435. p. 202. 682 Cf. 262 e 263). ordinário ou sumário. Volume III. na situação do art. Em sentido contrário. Por fim. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. 684 De acordo. 2ª tiragem. da entrega de coisa fungível ou de bem móvel.7. p.1995. de 14. a cobrança judicial deve ocorrer mediante execução forçada. 1. 167.618/MS. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. cabe ao portador do documento sem eficácia de título executivo escolher entre a cobrança judicial por meio de processo cognitivo sob o rito monitório ou sob o procedimento comum.816/DF – AgRg. se o documento tiver eficácia executiva. Com efeito. 220. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães.1995. porque se tivesse título teria execução e faltar-lhe-ia o interesse processual necessário ao provimento monitório. decorrente da inadequação da via eleita. 1.102-C do Código de Processo Civil revela a facultatividade do procedimento monitório. 17ª ed. Cf. o demandante se servisse de remédio diferente do de que agora se trata. Facultatividade do procedimento monitório Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Com igual opinião. CPC.079. por falta de interesse. inciso VI.

enuncia o montante da soma e declara que irá pagá-la num determinado dia. à luz do artigo 1. In 260 .136/MS. a duplicata não aceita antes do protesto ou a declaração de venda de um veículo. Daí a admissibilidade da cobrança judicial sob o procedimento monitório. É indispensável que o credor seja portador de documento escrito comprobatório do valor a ser cobrado. 247 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “O contrato de abertura de crédito em conta-corrente. por exemplo. 299 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito”. 687 Cf. Cabível o uso da monitória para a cobrança de valores alusivos a nota promissória alcançada pela prescrição. de 14. O exemplo mais frequente na prática forense reside na cobrança judicial de títulos de crédito prescritos.. 819.079. na jurisprudência: “IV. acompanhado do demonstrativo de débito. 231). Outro importante exemplo de prova escrita idônea para a cobrança mediante o procedimento monitório reside no contrato de abertura de crédito em conta-corrente. Não obstante. na jurisprudência: “2. Volume III. Conforme revela a ementa.102-A do Código 2003. 688 Em sentido conforme. 14 do Tribunal de Justiça de Santa Catarina. 2005. 391). o acórdão está fundamentado em precedentes da Corte.” (Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. Enfim. Direito processual civil brasileiro. como bem revela o enunciado n. 437. o contrato bancário de abertura de crédito em conta-corrente não goza de certeza. 3ª Turma do STJ. Hipóteses de admissibilidade do procedimento monitório A primeira hipótese de admissibilidade do rito monitório diz respeito à cobrança de soma em dinheiro comprovada mediante prova escrita sem eficácia executiva. todos os títulos de crédito prescritos servem como prova escrita necessária para o ajuizamento de ação monitória.” (Vicente Greco Filho. a tese consagrada no enunciado n. Aliás. Com efeito. como a nota promissória685. 49 do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e enunciado n.329/RJ. 17ª ed. as duplicatas686. 299 pode ser aplicada aos títulos de crédito em geral. toda prova documental que não tenha eficácia de título executivo e que seja idônea para demonstrar a existência de obrigação pecuniária pode instruir a petição inicial de demanda sob o procedimento monitório. 686 Assim. entre outras: o documento assinado pelo devedor. com igual orientação: REsp n. 685 De acordo. por exemplo. razão pela qual não pode ser considerado título executivo extrajudicial687. Na verdade. não necessariamente o instrumento do negócio jurídico. 263). os títulos cambiários após o prazo de prescrição. Aliás. acompanhado do extrato bancário demonstrativo do débito. mas sem testemunhas.” (REsp n. não tem eficácia executiva e versa sobre soma em dinheiro.7. enunciado n.084/MG e REsp n. p. enunciado n. p. p. Diário da Justiça de 18 de dezembro de 2006. o contrato é idôneo para a cobrança judicial sob o rito monitório: é prova escrita. Podemos citar.030/RJ. para a cobrança judicial de soma em dinheiro688. 210.4. 4ª Turma do STJ. 182. O Professor Sergio Bermudes também formula didático exemplo: “Imagine-se a carta na qual um amigo agradece ao outro o empréstimo de dinheiro. constitui documento hábil para o ajuizamento da ação monitória”.1995. 233 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. na doutrina: “Prova escrita é a documental.” (REsp n. Diário da Justiça eletrônico de 9 de junho de 2008). Cópias de duplicatas são documentos hábeis para instruir ação monitória. como bem atesta o enunciado n.

p. 186). deve proferir sentença extintiva do processo sob o procedimento monitório.102-A. o juiz deve admitir a petição inicial e determinar a expedição do mandado inicial de citação. ESTEJA CLARA A RELAÇÃO JURÍDICA DE CRÉDITO E DÉBITO ENTRE AS PARTES. e admitindo a jurisprudência da Corte que a duplicata sem aceite é título executivo se acompanhado de tal documento. art. 202). VERIFICADA A DIVERGÊNCIA DE POSICIONAMENTOS ACERCA DA APLICABILIDADE DE DETERMINADO DIREITO.” (REsp n. 2007. Não obstante. assinado. 1999. Recurso especial conhecido e provido. 3ª Turma do STJ. IMPÕE-SE A ADMISSÃO DO INCIDENTE DE UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. 1ª ed. PROVA ESCRITA. compete ao juiz.AÇÃO MONITÓRIA .011888-7. ACOMPANHADA DA NOTA FISCAL/FATURA E DO INSTRUMENTO DE PROTESTO.618/MS. à vista da espécie. Diário da Justiça de 14 de junho de 1999. portanto. duplicata sem aceite.INSTRUÇÃO DA INICIAL POR NOTAS FISCAIS .190/SP. I . DUPLICATA SEM ACEITE. O respectivo acórdão contém a seguinte ementa: “PROCESSUAL CIVIL . .222/MG. quando não há prova da entrega da mercadoria ou da prestação do serviço. nem mesmo que o documento esteja assinado690. “Ação monitória. Exposta a primeira – e mais importante – hipótese de admissibilidade do procedimento monitório. não há necessidade de que a prova escrita tenha sido assinada pelo devedor689.102-B do Código de Processo Civil. 1. Diário da Justiça de 6 de março de 2009. ou não. que a prova escrita tenha sido constituída de forma unilateral691. Conselho Especial do TJDF. 3ª Turma do STJ.00. não é possível impedir o autor de exercer o seu direito de credor pela via da ação monitória. Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães.Não é imprescindível que o documento esteja. se o juiz formar convencimento contrário à luz da petição inicial e da respectiva documentação. Diário da Justiça de 4 de outubro de 1999. passa-se ao estudo das demais hipóteses previstas no artigo 1. a prova escrita que revele razoavelmente a existência da obrigação. 1. no caso. 690 Assim.AÇÃO MONITÓRIA . sendo suficiente. não há documento comprovando o recebimento dos serviços. 271). 55).” (REsp n.” (REsp n. 261 . 47).O documento escrito a que se refere o legislador não precisa ser obrigatoriamente emanado do devedor. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. CABÍVEL A AÇÃO MONITÓRIA DESDE QUE A PROVA ESCRITA APRESENTADA PREENCHA OS REQUISITOS DO ART. DOCUMENTO QUE NÃO PRECISA SER OBRIGATORIAMENTE EMANADO DO DEVEDOR. mas aos quais se reconhece natural força probante (CPC. Ausência de documento comprovando o recebimento do serviço. 2. Recurso especial não conhecido.COBRANÇA DE TAXAS CONDOMINIAIS DOCUMENTO UNILATERAL . para a admissibilidade da ação monitória. Nada impede. p. 4ª Turma do STJ.POSSIBILIDADE. como os do comerciante ou dos assentos domésticos que não costumam ser assinados. avaliar a prova documental acostada à petição inicial. PRECEDENTES DO COLENDO STJ. para formar a respectiva convicção acerca da demonstração dos fatos.MATÉRIA DE FATO. DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL E. 2ª tiragem. Diário da Justiça de 14 de junho de 1999.de Processo Civil. Assim.UNIFORMIZAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA . 167. tudo nos termos do artigo 1. 164. Duplicata de prestação de serviço sem aceite. 371).ADMISSIBILIDADE .102-A do Código de Processo Civil. p. AINDA. Afirmando o Acórdão recorrido que. 167. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL . MESMO QUE A REFERIDA PROVA SEJA CONSTITUÍDA UNILATERALMENTE. Se a prova documental for julgada suficiente para demonstrar o quadro fático delineado pelo autor. 691 Ao julgar incidente de uniformização de jurisprudência. na jurisprudência: “AÇÃO MONITÓRIA. podendo mesmo ser acolhido o que provém de terceiro ou daqueles registros. para embasar a inicial da Monitória.. 689 Por exemplo. p. p. já com a ordem de pagamento da quantia.2. o Conselho Especial do TJDF aprovou a seguinte orientação jurisprudencial: “O documento unilateral emitido por condomínio é eficiente para instruir ação monitória”. Em contraposição.” (UNJ n.

navios. 2ª tiragem. exigindo-se alguma participação do réu na sua formação. p. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira.079. Em contraposição. Manual de direito processual civil. as obrigações de fazer. aeronaves. jurídicas ou formais. de 14. No mesmo sentido. 1ª ed. 697 Com igual opinião à defendida no presente compêndio. entrega de coisa fungível ou de determinado bem móvel”. Aliás. 5.” (Sergio Bermudes. 2009.7. 274. 1. 692 A propósito. nem contra todos esses entes. conforme revela o artigo 1.” (Daniel Amorim Assumpção Neves. p. com igual demonstração mediante prova escrita. A amplitude da legitimidade ativa é fruto da expressão genérica inserta no artigo 1. deixado pelo fazendeiro.311). de fazer e de não fazer695.102-A: “quem pretender”. Não incidem. O polo passivo da demanda também pode ser ocupado pelas pessoas física e jurídica. não se admite que a prova tenha sido produzida unilateralmente pelo autor. quer seja pública.312). 1ª ed. 1999. tanto a pessoa natural quanto a pessoa jurídica. entretanto. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães.079. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães.1995. pagamento de soma em dinheiro. ao Com opinião contrária. não há mais dúvida acerca da admissibilidade da adoção do rito monitório em processo movido contra pessoa jurídica de direito público interno697. 695 De acordo. p. bem como por quaisquer pessoas físicas.1995. tanto a privada quanto a pública. na doutrina: “Não vejo razões para não se admitir a ação monitória pelo Estado e pelas pessoas da administração indireta. o procedimento monitório não é admissível para a veiculação de pretensões de entrega de imóveis. Quanto ao alcance da expressão legal “bem móvel”.A segunda e a terceira hipóteses de admissibilidade do procedimento monitório têm lugar nas obrigações para a entrega de coisa692. pois esta é limitada às obrigações de pagar e entregar coisas móveis. 1. Ação monitória: primeiras 262 . 271). entretanto. 693 Por exemplo. na doutrina: “Conforme expressa previsão legal. quadro de famoso pintor já falecido. 1999. na doutrina: Sergio Bermudes. impreterivelmente. após o advento do enunciado n. incidem os artigos 82 a 84 do Código Civil de 2002. 339 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça696. 694 Por exemplo. incide o artigo 85 do Código Civil. não fazer e entrega de coisa imóvel não podem ser objeto de demanda monitória. pouco importando se a pretensão se funda em direito das obrigações ou em direito real. Legitimidade ativa e passiva O procedimento monitório pode ser acionado por toda pessoa.” (Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. 2009. de 14. com a possibilidade da cobrança da entrega de coisas fungíveis693. há autorizada doutrina: “Além da exigência de uma prova documentada por escrito.” (Daniel Amorim Assumpção Neves. 2ª tiragem. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. na propriedade vizinha. assim como de bens móveis que não são fungíveis694. quer seja privada.102-A do Código de Processo Civil: “A ação monitória compete a quem pretender. onde afirma que apanhou certo número de sacas de café. que devolverá.. Manual de direito processual civil. 696 “É cabível ação monitória contra a Fazenda Pública”.7. A coexistência das duas alternativas (“coisa fungível” ou “bem móvel”) amplia o alcance do procedimento monitório. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. No que tange ao significado de “coisa fungível”. vale conferir didático exemplo de autoria do Professor Sergio Bermudes: “Pense-se no bilhete.. p. com base em prova escrita sem eficácia de título executivo. semoventes. em igual dia da semana seguinte.

102-C. o qual tem natureza prescricional. 1999. 2009. dois anos. porquanto a simples juntada do título de crédito prescrito que não foi pago já é suficiente para revelar a ocorrência do locupletamento indevido. 2006. 2009. 2ª Câmara Cível do TJRJ). ou seja. é prescritível a pretensão de enriquecimento sem causa exercida mediante demanda sob o procedimento comum ou sob o procedimento monitório699.. por opção do demandante. nos casos da letra de câmbio. e não a ação destinada ao exercício de uma pretensão. ou seja. na doutrina: Rodrigo Mazzei. considerar que a assim chamada ‘ação monitória’ não é figura distinta da ‘ação de enriquecimento’ mas. na qualidade de Revisor da Apelação n. a prescrição deve ser observada à luz da pretensão causal. § 3º. e três anos. 701 Segundo forte corrente jurisprudencial. 7. vale dizer. por exemplo. a qual precisa ser declinada na petição inicial700. à vista do artigo 206. defende-se no presente compêndio raciocínio diverso. a regra prevista no artigo 1. inciso IV. Por todos. Por conseguinte. tão somente.” (Apelação n. vale conferir o respeitável voto proferido pelo eminente Desembargador Alexandre Freitas Câmara. 263 .001.079. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. previsto no artigo 206. por meio impressões sobre a Lei nº 9.1995. 6. é passível de prazo. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. os artigos 475-I a 475-R do Código de Processo Civil. de 1985. a prescrição diz respeito à pretensão exercida mediante a ação. Sem dúvida. a ser proposta pelo credor. é a pretensão de enriquecimento sem causa que sofre a incidência da prescrição. os artigos 730. § 5º. conforme o caso). Impende. vale conferir o didático voto do Desembargador Alexandre Freitas Câmara: “A demanda de enriquecimento.7. 275). Além da pretensão de enriquecimento sem causa fundamentada no título de crédito prescrito que não foi honrado. preceitos específicos para a execução contra a Fazenda Pública698. 699 Em reforço ao entendimento defendido no presente compêndio. Assim. do Código Civil.07855. p. sim. à vista dos diferentes prazos prescricionais existentes para cada caso: por exemplo. tendo em vista o disposto nos artigos 205 e 206 do Código Civil701.07855. 731 e 741.001. Ainda que muito respeitável o entendimento predominante. a pretensão causal também pode ser veiculada mediante o procedimento monitório. segundo o qual a prescrição da pretensão causal depende de cada caso concreto. Volume I. o nome dado pela lei processual a um dos procedimentos que podem ser usados para o desenvolvimento do processo instaurado pela propositura da ‘ação de enriquecimento’. de cada causa debendi. 2ª tiragem. Reforma do CPC. poderá levar à utilização do procedimento monitório ou de procedimento comum (ordinário ou sumário. 700 Tal exigência não se dá quando a ação monitória veicula pretensão de enriquecimento sem causa. A pretensão. pois. do Código Civil. da nota promissória e das duplicatas. na origem da dívida. Em suma. 330 (nota 11) a 336. tendo em vista o disposto no artigo 189 do Código Civil. 1ª ed. Prazo O Código de Processo Civil não estabelece prazo algum para a propositura da denominada “ação monitória”. 698 De acordo. a “ação monitória” em si não está sujeita a prazo algum. na verdade.357. p. e a razão é simples: monitório é o procedimento.final do processo sob rito monitório contra a Fazenda Pública. mas. por força do artigo 61 da Lei n. mas com fundamento na causa debendi. no caso do cheque. de 14. sim. a pretensão causal enseja demanda de cobrança sujeita ao prazo prescricional de cinco anos.

2ª tiragem. 295). Como toda causa. para indeferir ou admitir a petição inicial703.1995. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. 284). examinando os documentos. 1ª ed. Somente após tal cognição deverá o juiz proferir o pronunciamento inicial positivo. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira.952/94. Manual de direito processual civil. em quinze dias. com a expedição do mandado monitório. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. na doutrina: “Ao despachar a inicial. o qual pode ter ser adotado em causas com valores inferiores e superiores a sessenta salários mínimos.315). Direito processual civil brasileiro. 282. 258.de demanda cujo procedimento pode ser o monitório. Ao contrário do que ocorre no procedimento comum. 1ª ed. o mesmo não ocorre no procedimento monitório. 2005. tendo em vista a pretensão objeto da demanda sob o procedimento monitório. na doutrina: “Depois de cognição sumária. p. consubstanciada no convencimento de que há verossimilhança nas alegações do autor. 1999. descobriu que o devedor era absolutamente incapaz. p. e a indeferirá. inciso I. a petição inicial deve ser “devidamente instruída” com a prova documental elucidativa do valor ou da coisa objeto da cobrança judicial.7. o juiz defere a expedição do mandado de cumprimento da obrigação. 7. nos casos previstos no Código (art. todos do Código de Processo Civil702. 17ª ed. todos do Código de Processo Civil704. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães.079. Indeferida a petição inicial. quando assinou o escrito. se a petição inicial estiver incompleta. 282 do Código.. 2ª tiragem..102-B. de 14. 703 De acordo. em especial. o juiz realiza cognição perfunctória acerca da pertinência do pedido monitório. com redação dada pela Lei n. Petição inicial A petição inicial da demanda sob o procedimento monitório deve ser elaborada à luz dos artigos 39.1995. ou se verificar a nulidade da obrigação (v.. cabe apelação. na doutrina: “Obviamente. cujo valor da causa pode interferir na adoção do rito ordinário ou sumário.7. 705 De acordo. em dez dias. na doutrina: “A petição inicial atenderá os requisitos do art. há cognição desenvolvida pelo juiz. Em cumprimento aos artigos 283 e 1. em cada caso concreto. 2009. nos termos do art.” (Sergio Bermudes.” (Daniel Amorim Assumpção Neves. In Estudos de direito processual em 264 . se não estiver acompanhada da prova escrita da obrigação. o juiz ordenará a emenda da inicial insuficiente (art. também ser conferido valor à submetida ao procedimento monitório.. logo. incide o artigo 284 do Código de Processo Civil. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. p. o recurso contra ela cabível é a apelação. 296. 296.1995. À luz da prova escrita juntada pelo autor. de 14. 8. Esse ato de rejeição é sentença. 295.” (Vicente Greco Filho. de 14.” (Sergio Bermudes. 263). 1. 704 De acordo. nos termos dos artigos 267. inciso I. ou que a obrigação é de entrega para abate de animais cuja comercialização a lei proíbe)” (Sergio Bermudes. 702 De acordo.g. sob pena de indeferimento705. “No procedimento monitório. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. Volume III. O prazo prescricional deve ser aferido à luz da espécie. cuja observância as normas da ação monitória não dispensaram. p.079.7. Não obstante. 274). a fim de que o autor emende a inicial. em cumprimento ao artigo 258 do Código de Processo Civil. o juiz pode indeferi-la de plano nas mesmas hipóteses de indeferimento da inicial do processo de conhecimento e. 272).079. 1999. 508 e 513. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9.

Manual de direito processual civil. 283. 258. na doutrina: “Depois de cognição sumária. 2ª tiragem. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. conforme o caso706. há autorizada doutrina: Sergio Bermudes. p. porquanto o juiz decide acerca da regularidade da petição inicial e também profere juízo de delibação acerca da própria admissibilidade do procedimento monitório. p. 1999. § 1º. fundamentando a sua decisão. tudo nos termos do artigo 1. o mandado monitório contém a determinação de citação do réu. Resta saber se há lugar para recurso de agravo contra a decisão interlocutória proferida à luz do artigo 1. 2005. 263: “Esse ato é decisão interlocutória. de 14.102-C. da entrega de coisa fungível ou de bem móvel com lastro em prova documental. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. 282. 706 De acordo. p.”). p. 1. Admissibilidade da petição inicial e expedição do mandado inicial Se a petição estiver regular à luz dos artigos 39. no prazo de quinze dias. Nada dispõe. entretanto.102-B. Também no mesmo sentido. p. capaz de atingir o direito do réu”. 1999.079. ainda na doutrina: Vicente Greco Filho. sobre honorários advocatícios nem custas processuais. Somente após tal cognição deverá o juiz proferir o pronunciamento inicial positivo. com a expedição do mandado monitório.102-B.102-B.102-B. de 14. todos do Código de Processo Civil. “No procedimento monitório.. 274).079.315). proferida na forma de despacho (ou de decisão interlocutória. 2009. e também for adequado o rito monitório. entretanto. 1995. o juiz admite a inicial e determina a expedição do mandado de citação.” (Sergio Bermudes. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. só admitem a existência de despachos de mero expediente. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. de sentença condenatória condicional.7. 1ª ed. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. consubstanciada no convencimento de que há verossimilhança nas alegações do autor. 1ª ed. 1. com a ordem de pagamento ou da entrega da coisa. 275 (“Ao menos por enquanto. está proferindo decisão interlocutória. que defere a expedição do mandado. 708 De acordo. No que tange à natureza do pronunciamento previsto no artigo 1. 272). para os que. Em sentido contrário. do Código de Processo Civil. 23 e 24: “Quando o juiz defere a inicial. trata-se de verdadeira decisão interlocutória708. no momento da prolação da sentença pelo juiz.. na doutrina: Antônio Raphael Silva Salvador. como ato de prestação jurisdicional.079. contra a qual cabe agravo de instrumento”. Segundo o entendimento memória de Luiz Machado Guimarães. o juiz defere a expedição do mandado de cumprimento da obrigação. de 14. artigo 1. 265 .95. Trata-se. A condenação ao pagamento de honorários advocatícios e das custas processuais se dá apenas ao final da fase cognitiva.. no meu sentir. Direito processual civil brasileiro.1995. 707 Cf. p. 1ª ed. 17ª ed. inciso I. com a ordem de pagamento ou da entrega da coisa. Da ação monitória e da tutela jurisdicional antecipada: comentários à Lei n. 1999.” (Daniel Amorim Assumpção Neves.7. 2ª tiragem. à vista da cobrança de soma em dinheiro. 9.7.102-A e 1. vejo o pronunciamento. Com efeito. in fine.. como não penso. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira.1995. 2ª tiragem. para determinar a expedição do mandado de pagamento ou de entrega de coisa.8. até mesmo em razão da isenção legal707 existente em prol do réu que paga ou entrega a coisa no prazo de quinze dias da citação. há cognição desenvolvida pelo juiz. do Código de Processo Civil. Volume III.

1999. na jurisprudência: “AÇÃO MONITÓRIA. 275: “Não me parece que o réu da ação monitória possa recorrer do ato de deferimento da expedição do mandado. 175. 9. por não concordar com todos os termos do pronunciamento proferido em primeiro grau de jurisdição: “AGRAVO DE INSTRUMENTO . 1. 1. no art. Diário da Justiça de 23 de agosto de 2000). deverá fazer um prévio juízo de valor a respeito da prova escrita ofertada. Volume III. Este. Bernardo Pimentel Souza.090/MS.079. 9. está proferindo decisão interlocutória. sendo ele revel. É possível a citação por edital do réu em ação monitória. Sergio Bermudes. mesmo ainda não citado.102 c. 4ª Turma do STJ. Ao despachar a inicial da ação monitória. 266 .MODIFICAÇÃO INICIAL DOS JUROS E DA CORREÇÃO MONETÁRIA COBRADOS IMPOSSIBILIDADE . as condições da ação e os pressupostos processuais comuns a qualquer procedimento. Introdução aos recursos cíveis e à ação rescisória. Recurso conhecido e provido.” (AGI n. in fine.AÇÃO MONITÓRIA . o antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais conheceu e deu provimento a recurso de agravo de instrumento interposto pelo autor contra a decisão interlocutória de admissão da petição inicial. Citação por edital. 1995. não aguardando o momento em que poderia discutir o direito do autor através dos chamados embargos”. o enunciado n. p. 196 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. 263. Todavia. de 14. de 14.DESPACHO INICIAL . a decisão interlocutória prevista no artigo 1. 282 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça autoriza a citação por edital: “Cabe a citação por edital em ação monitória”. do Código de Processo Civil713. 87). em observância ao disposto no artigo 9º.730-7.079.RECURSO PROVIDO. p.7. uma vez aceita esta prova e admitida como verdadeira a assunção da obrigação. que pode não concordar com algum dos termos da decisão interlocutória712. para determinar a expedição do mandado de pagamento ou de entrega de coisa. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. além de verificar os requisitos da peça. prestigia-se no presente compêndio a doutrina minoritária que defende o cabimento do recurso de agravo de instrumento711. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9.predominante na doutrina e na jurisprudência. embargos com efeito suspensivo da eficácia daquela ordem”. A respeito da possibilidade da citação pela forma prevista no inciso III do artigo 221.. p.102-B é irrecorrível. 17ª ed. 710 Cf.. Faltar-lhe-ia interesse recursal. Da ação monitória e da tutela jurisdicional antecipada: comentários à Lei n. capaz de atingir o direito do réu. Mutatis mutandis. porquanto a admissão da petição inicial da ação monitória pode causar gravame até mesmo ao autor. O despacho que manda expedir o mandado monitório tem conteúdo eminentemente decisório.7. pois pode preferir atacar desde logo a decisão. não pode o Magistrado alterar os encargos que sobre ela se fizeram incidir. p. 2ª tiragem. 7ª Câmara Cível do TAMG. Na eventualidade de citação por edital e da posterior ocorrência de revelia. o juiz deve nomear curador especial para exercer a defesa do réu mediante embargos.102 do CPC). 713 Assim. porquanto a lei põe ao seu dispor. 712 A propósito. o juiz. que desafia o recurso de agravo. 2005.” (REsp n. Coerente com o raciocínio sustentado em trabalho específico sobre recursos710. 709 Cf. aplica-se à espécie o mesmo raciocínio consagrado no enunciado n. poderá agravar de instrumento.1995. 711 Cf. Vicente Greco Filho. 23 e 24: “Quando o juiz defere a inicial. 307.CONTEÚDO DECISÓRIO RECORRIBILIDADE . Citação do réu A citação do réu no procedimento monitório pode ser realizada por todas as formas arroladas no artigo 221 do Código de Processo Civil. 7ª ed. nomear-se-á curador especial para exercer a sua defesa através de embargos (art. inciso II. 1ª ed. fundamentando a sua decisão. Direito processual civil brasileiro. Diário da Justiça de 28 de fevereiro de 2000. se o desejar. e Antônio Raphael Silva Salvador. por falta de interesse recursal709.. posto que tais questões pertinem à matéria de defesa dos embargos monitórios. equiparando-se a uma verdadeira decisão interlocutória. 2010.95.

de 14.7).1995. 543: “É de se notar que a conversão do provimento inicial em título executivo se dá. inclusive. mas é óbvio que não pode haver processo sem citação. 221 do CPC). cabendo ao juiz proferir declaratória da extinção semelhante à referida no art.. razão pela qual a citação pelo correio também é compatível com o procedimento monitório714. 1995. o juiz determinará a citação do réu (isso não está expresso na lei. na doutrina: “Cumprido o mandado. só lhe resta declarar extinto o processo pela satisfação do direito do credor. 2007. de pleno direito. Lições de direito processual civil. se for o caso. bem assim dos honorários advocatícios. inclusive a citação por correio. 716 Conferir. conforme o caso. 11. 12ª ed. Volume III. 10. dentro dos quinzes dias posteriores à citação.. o réu tem a opção de cumprir o mandado inicial previsto no artigo 1. quando fica isento do pagamento das custas processuais adiantadas pelo autor. todas as formas de citação são admitidas (art. 36: “Portanto. diante da inércia do réu. pedindo a entrega da coisa certa 267 . Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. 1ª ed. Da ação monitória e da tutela jurisdicional antecipada: comentários à Lei n. É a interpretação prevalecente tanto na doutrina716 quanto na jurisprudência717. 1.316. embora não se trate de execução no sentido próprio. Diante da omissão do réu. 2ª tiragem. na qual o devedor satisfaz a obrigação. Ocorrerá. mediante o pagamento da quantia ou a entrega da coisa. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira.Por fim. com petição inicial nos mesmos autos.102-C. em virtude da natureza cognitiva da demanda veiculada sob o procedimento monitório. p. 9.” (Sergio Bermudes.7. aqui. p.. que será feita nos termos gerais do Código. nos termos da lei.95.079. p. com a imediata conversão ex vi legis do mandado inicial em mandado executivo. p. independentemente de sentença do juiz.102-C tem como escopo estimular o réu a cumprir o mandado inicial. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. a hipótese do art. Direito processual civil brasileiro. incide a segunda parte do caput do artigo 1. o que significa afirmar que não há necessidade de prolação de qualquer provimento judicial declarando ter-se constituído o título executivo”. 2005. em virtude do disposto no § 1º do artigo 1.079. com a determinação de pagamento ou entrega da coisa no prazo de quinze dias (art. o réu pode permanecer silente. Como é perceptível primo ictu oculi. Assim.” (Daniel Amorim Assumpção Neves. de 14. não incide a vedação contida no inciso “d” do artigo 222 do Código de Processo Civil.102b). 715 De acordo. podendo o autor. item 80.102-C do mesmo diploma. 2009.102-B do Código de Processo Civil. o § 1º do artigo 1. pelo correio).” (Vicente Greco Filho. 1. na doutrina: Alexandre Freitas Câmara. em virtude do pagamento da soma em dinheiro ou da entrega da coisa. Manual de direito processual civil.7. Inércia do réu: descumprimento do mandado monitório e ausência de embargos Apesar de citado. 1999. 17ª ed. Cumprido o mandado inicial pelo réu. independe a formação desse título de qualquer decisão judicial. 263). Volume III. ainda na doutrina: Antônio Raphael Silva Salvador. “Não se tratando de processo executivo. 794. conforme o caso715. p. sem aviar embargos à monitória na quinzena legal. na doutrina: “Se a inicial estiver em ordem. Cumprimento do mandado inicial pelo réu Após a citação. 795. 714 De acordo. o juiz profere sentença extintiva do processo. I. iniciar a execução. 272 e 273). do Código.

se. no prazo de quinze dias. no presente compêndio. na jurisprudência: “MONITÓRIA . Não é cabível dela. Despacho ordinatório.APELAÇÃO HIPÓTESE INICIAL EM MANDADO EXECUTIVO . posteriormente.HIPÓTESE DE NÃO CABIMENTO. Ao que parece. 153: “Na prática. Diário da Justiça de 4 de fevereiro de 1998. caput. 1 — Na ação monitória. na certeza de que outras tantas (muitas delas de conhecimento oficial. o artigo 475-L restringe as matérias passíveis de impugnação. como a prescrição e a incompetência absoluta do juízo) já foram julgadas na sentença. portanto. “AÇÃO MONITÓRIA . constituir-se-á. os quais versam sobre o “cumprimento da sentença”. emitido condicionalmente. p. cuja condição verificou-se frente à não oposição do demandado”. 8.102-C.CONVERSÃO DO MANDADO INICIAL EM MANDADO EXECUTIVO . tal natureza lhe é atribuída pela lei para evitar que o réu oponha. à vista da parte final do artigo 1. por exemplo. em vez de ficar restrito às hipóteses do art. da qual se apelou. ou de qualquer outra formalidade. 63). 1. evitando-se que o juiz precise proferir qualquer ato jurisdicional antes. cit).102c. 6ª Câmara Cível do TAMG. constatando o decurso do prazo para o oferecimento de embargos sem sua interposição. não sendo oferecido embargos.). ainda que concisa. agora adjetivado pela certeza decorrente não de uma sentença condenatória típica. quando poderá718 reexaminar as matérias de ordem pública. a tese minoritária. Esta execução assim se iniciará.434/97. cit). 343. 1999.0016. conforme Theotônio Negrão (ob. até mesmo para faça sentido o (arts.CONVERSÃO DO MANDADO DE PAGAMENTO EM TÍTULO EXECUTIVO. assim.05. apelação”. o mandado inicial em título executivo. a prolação de uma sentença. hipótese em que. mas de um comando sumário. de pleno direito. independe de sentença.HIPÓTESE DE NÃO CABIMENTO.que reclamou ato decisório -. o título executivo judicial. a conversão do mandado inicial de pagamento em mandado executivo. prestigia-se. “AGRAVO DE INSTRUMENTO . independentemente de sentença ou qualquer outra formalidade. do CPC. de pleno direito.723-8.APELAÇÃO .AÇÃO MONITÓRIA -APELAÇÃO . determinará o prosseguimento do feito como execução para entrega de coisa ou para pagamento de quantia certa. ‘Trata-se de um estranho título executivo judicial. Do procedimento monitório.NÃO OPOSIÇÃO DE EMBARGOS . como a prescrição e a incompetência absoluta do juízo. Diário da Justiça de 11 de agosto de 2006). Colhe-se do voto condutor: “Se não são opostos embargos. irrecorrível. Quando não há o oferecimento de embargos . constitui-se de pleno direito. não cabe apelação. . a fim de atuar o direito de crédito. Daí a necessidade da prolação de sentença. portanto. Segue-se daí que. com o recurso que pudesse interpor”. independente de qualquer ato decisório.488737-6/001. 4ª Turma Cível do TJDF. A decisão.EMBARGOS NÃO OFERTADOS . segundo a qual o juiz deve proferir sentença de conversão do mandado inicial em mandado executivo.HIPÓTESE DE NÃO CABIMENTO . 1. que marca o início da execução forçada. 718 Rectius. não são opostos embargos pelo réu.” (Apelação n. deverá! 719 Vale dizer. Também com igual opinião. É imprescindível. Diário da Justiça de 23 de outubro de 2001). a fim de que a “execução” prevista no artigo 475-I esteja aparelhada em “sentença”. ouvindo o autor ou mesmo de ofício.) ou o pagamento de quantia certa contra o devedor solvente (arts. ob. p. o mandado inicial é convertido em título executivo independentemente de sentença ou qualquer outra formalidade. na doutrina: Elaine Harzheim Macedo.APELAÇÃO . 717 Conferir. convertendo-se o mandado inicial em título executivo. 646 e ss.A revelia do executado constitui. 741. 268 . sequer era. quando possibilitaria ao réu procrastinar a chegada à execução. convertendo-se o mandado inicial em mandado executivo.102-C do Código de Processo Civil. tratando-se unicamente de um despacho ordinatório de conversão. necessária. Com efeito. o título executivo judicial.Ainda que muito respeitável o entendimento predominante na doutrina e na jurisprudência. o artigo 475-I do Código de Processo Civil. 745. isso significa que o magistrado. hipótese em que não é cabível apelação” (AGI n. independentemente de sentença.’ (apud Theotônio Negrão.” (Apelação n. nos moldes do art. Ademais. 621 e ss. incidem os artigos 475-I a 475-R do mesmo diploma. tal como exige o preceito legal719 aplicado por força da parte final do artigo 1. independentemente de sentença ou de qualquer outra formalidade. 16ª Câmara Cível do TJMG. porque prescinde de sentença. por consequência. embargos à execução com fundamento no art. para constituir o título executivo judicial.

1995. 1999.” (Sergio Bermudes. 2006. quando a demanda sob o procedimento monitório é movida contra pessoa jurídica de direito público interno. criado pela atividade jurisdicional pelo Estado – porque a ausência dos embargos não implica. Por conseguinte. parece ser necessária a prolação de sentença. dependerá de uma sentença. Não obstante. com a constituição do título executivo720. 2ª tiragem. representado pelo mandado. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. na doutrina: “Pois bem: pensamos agora. também na doutrina: “Não embargada a ação monitória. ou de virem eles intempestivamente. Não obstante. 1. a constituição aludida no art. Seria temerário proceder-se à execução sem um ato judicial de reconhecimento da constituição do título – título executivo judicial. ou nula. 721 Assim. sendo caso de utilização da figura prevista no art. Por tudo. p. consolidando-o. na citação inexistente. prevalece o entendimento segundo o qual a inércia do réu diante da citação ocasiona a imediata conversão do mandado inicial em mandado executivo por força de lei. 269 . Pense-se. 731 e 741 do Código de Processo Civil. de 14.232/2005. poderá ele reagir à execução ajuizada”. p. o fato de o réu não ter veiculado embargos à monitória não gera preclusão em relação à impugnação do artigo 475-L do Código de Processo Civil721. Por conseguinte. Volume I. Parece-me que sim. Volume I. como está no art. na hipótese de faltarem os embargos. Sem dúvida. Volume I. 475-L (impugnação). se faz necessário algum ato judicial. 722 Assim. Diferente do processo de execução. desde que superveniente à sentença”. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. pode aviar impugnação na fase de cumprimento da sentença. com o qual não se confunde porque relação cognitiva. como acontece em qualquer outro processo. p. Contraposição mediante embargos 720 De acordo. necessariamente. o réu. como já anotado. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. Essa sentença completa a formação do título executivo judicial. que não restará vedado ao réu da ação monitória apresentar resistência no âmbito da execução do título judicial. na doutrina: Rodrigo Mazzei. tanto quanto a sentença de rejeição dos embargos. no lugar da impugnação prevista no artigo 475-L. e por mais de um motivo. O mesmo ocorre quando os embargos monitórios forem julgados improcedentes.079. conclui-se que: a) não se cogita mais em manejo de embargos à execução quando houver título executivo proveniente de ação monitória. 2006. incidem o artigo 100 da Constituição Federal e os artigos 730. Reforma do CPC. que acarreta a invalidade do processo e impede a configuração da contumácia do réu. 2009. como pensávamos antes da reforma empreendida pela Lei 11. p. 327 e 330). 1ª ed. 276 e 277). de pleno direito. urge que se profira uma sentença declaratória positiva de que se operou. que possui rol blindado de matérias que podem ser argüidas (com cognição horizontal limitada).. a consolidação do título provisório. Por fim.” (Rodrigo Mazzei. 286). “Da exposição. prevista no § 3º. 12. 330 (nota 11) a 336. na doutrina: “Resta indagar se. agora executado. são admissíveis os embargos à execução dos artigos 730 e 741 do mesmo diploma722. Ou seja.disposto na parte final do inciso VI do artigo 475-L: “omissis ou prescrição. para o juiz julgar o pedido monitório e converter o mandado inicial em mandado executivo.” (Bianca Oliveira de Farias e Milton Delgado Soares. 1. por exemplo.7. prosseguindo o feito com o cumprimento da sentença. será proferida sentença (constituição do título executivo judicial). a despeito do silêncio anterior.102c. Com igual opinião. sem a prolação de sentença pelo juiz. ainda que a respectiva defesa fique limitada às matérias arroladas no artigo 475-L do Código de Processo Civil. Direito processual civil. Reforma do CPC.102c. igualmente.

Os embargos são veiculados mediante simples petição. a simples apresentação de embargos tempestivos suspende a eficácia do mandado inicial previsto no artigo 1. Na verdade.102-B. do Código de Processo Civil. No que tange à natureza jurídica. Com efeito. artigo 736. ambos do Código de Processo Civil. § 2º. e 1. ex vi do mesmo artigo 1. Diário da Justiça de 20 de setembro de 1999. vale anotar que a natureza de contestação não é peculiaridade dos embargos monitórios. 724 Cf. é de quinze dias o prazo disponível para a veiculação dos embargos à monitória. in fine. § 2º.Citado. Com efeito. com a consequente conversão do procedimento monitório em ordinário. até o posterior julgamento pelo juiz. parágrafo único. a forma de cálculo e a própria legitimidade da dívida.459/RS. já sob o procedimento ordinário. artigos 295 e 739. Por fim. o termo “embargos” é equívoco no 723 De acordo. endereçada ao mesmo juízo do processo sob o rito monitório.Em relação à liquidez do débito e à oportunidade de o devedor discutir os valores. proêmio. o qual passa a seguir o procedimento ordinário. artigo 740 do Código de Processo Civil. previstos no art. Feito o protocolo. o réu pode discordar e apresentar defesa mediante embargos. porquanto são veiculados mediante petição inicial724. § 2º. 270 . os embargos previstos no artigo 755 do Código de Processo Civil têm igual natureza jurídica. não há necessidade de penhora nem do depósito da quantia ou da coisa objeto do processo. Com efeito.102-C. 4ª Turma do STJ. § 2º. há a imediata suspensão da eficácia do mandado inicial. já que são juntados aos próprios autos do mesmo processo. Veiculados os embargos pelo réu.102-B. 725 Cf. p. a petição dos embargos à monitória não passa pela distribuição nem depende de recolhimento de custas. com a possibilidade de ampla discussão e de dilação probatória723. tudo nos termos do artigo 1. dentro da quinzena disponível para o pagamento da soma em dinheiro ou para a entrega da coisa.102-C. Sem dúvida. ambos do Código de Processo Civil.102-C. do Código de Processo Civil. do Código de Processo Civil. 218. Os embargos à monitória também não dependem da segurança do juízo.” (REsp n. Já os embargos à monitória têm natureza jurídica de resposta defensiva do réu. inciso II. que instauram amplo contraditório e levam a causa para o procedimento ordinário.102-C. consoante o disposto no artigo 1. os embargos à monitória não se confundem com os embargos à execução previstos nos artigos 736 e 738 do Código de Processo Civil. assegura-lhe a lei a via dos embargos. do Código de Processo Civil.102-C. a petição já é juntada no bojo dos autos do mesmo processo. 1102c. na jurisprudência: “IV . Os embargos à execução têm natureza jurídica de ação autônoma e formam novo processo. 68). Daí a conclusão: os embargos à monitória têm natureza de contestação. por força do artigo 1. com fundamento nos artigos 1. porquanto são veiculados em petição simples e não têm autonomia procedimental. têm autonomia procedimental725 e são julgados em sentença própria726. 726 Cf.

pois não põe fim ao processo. 17ª ed. por intempestividade. Direito Processual Civil. (. precatória. O ato do MM.079. Volume III. por intempestividade. O agravo de instrumento é recurso próprio para atacar decisão que resolve questão incidente no curso do processo”. São ação. Os embargos. juiz que rejeita liminarmente os embargos monitórios. nota 5: “Indeferidos liminarmente os embargos. Assim também decidiu o Tribunal 727 Em abono. de natureza declaratória ou constitutiva negativa. 728 Cf. À vista da lição doutrinária transcrita na nota anterior.325.APELAÇÃO . 13. Diário da Justiça de 21 de outubro de 2005: “AÇÃO MONITÓRIA . Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. vez que.102-C. já que os embargos são defesa e não se processam em separado”.. p. caput e §§. Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery. p. 1ª ed. 3ª ed. Apelação n. 265). Novo curso de direito processual civil. 1999. 2ª tiragem. o Tribunal de Justiça de Minas Gerais não conheceu de recurso de apelação729.14).” (REsp n. como eram ação os embargos do devedor na ação executiva do Código de 1939. com o prosseguimento da cognição de forma ampla. todavia. é decisão interlocutória. Como anotado. 2006. Em sentido contrário. de 14.” “O ato que indefere liminarmente os embargos não é sentença. No que tange aos “embargos” previstos no artigo 1.INTEMPESTIVIDADE . 2007. “recurso” ou “contestação”. no caso.EMBARGOS . 323.) O ato que 271 . como identificou Liebman. 278). mas se identificam com a contestação. Volume II.7.RECURSO INADEQUADO . p. não havendo razão para considerá-los. No mesmo sentido.102c).direito brasileiro e pode significar “ação”. na jurisprudência: “Segundo a mens legis os embargos na ação monitória não têm ‘natureza jurídica de ação’. em execução fundada em título judicial ou extrajudicial. 222. “Depois de forte perplexidade.380. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. e não de contestação. 11ª Câmara Cível do TJMG. essa decisão se caracteriza como interlocutória. Diário da Justiça de 2 de fevereiro de 2004. item 80.. na doutrina: Marcus Vinicius Rios Gonçalves.” (Sergio Bermudes. 729 Cf. são ação. o instituto é verdadeira contestação727. Manual de direito processual civil. 2ª Seção do STJ. o Tribunal de Justiça de Minas Gerais prestigiou a autorizada lição dos Professores Nelson Nery Junior e Rosa Maria Andrade Nery. os embargos monitórios são a via processual defensiva à disposição do réu citado em demanda monitória. Código de Processo Civil comentado. Autorizada doutrina sustenta a primeira tese: decisão interlocutória agravável por instrumento728. “Parece ser correto o entendimento da doutrina majoritária de que os embargos ao mandado monitório têm natureza de ação.937/SP. desafiando o recurso de agravo de instrumento (não retido).1995. p. Indeferimento liminar dos embargos monitórios Como anotado no tópico anterior. conforme revela o seguinte trecho extraído do voto-vencedor proferido pela Desembargadora-Relatora.” (Daniel Amorim Assumpção Neves. 263). aviso de recebimento da carta) o réu poderá oferecer embargos (art. p. cheguei à conclusão – nada definitiva. 427. p.AGRAVO DE INSTRUMENTO. desafiando o recurso de agravo de instrumento (não retido). 1... há respeitável doutrina: “No prazo de quinze dias contados da juntada aos autos da prova da citação (mandado. do Código de Processo Civil.0000.486880-4/001. p. in verbis: “Nesse sentido. é também pertinente o entendimento de Nelson Nery Júnior e Rosa Maria de Andrade Nery: ‘Indeferidos liminarmente os embargos. 2009. para impedir a conversão do mandado monitório em executivo e para converter o procedimento monitório em ordinário. em especial quando se examina lei recente – de que esses embargos têm a natureza de ação: ação constitutiva. Reforma do CPC. inexiste ainda título executivo a ser desconstituído. pela qual se busca o desfazimento da eficácia da determinação. 1999. 4ª ed. Volume I. 2. porque não encerra nenhum processo. 1. Não se confundem com os embargos do devedor. A dúvida surge quando o juiz de primeiro grau indefere os embargos monitórios in limine litis. somente defesa.. contida no mandado inicial. conforme o disposto na legislação. Discute-se se há a prolação de decisão interlocutória agravável ou de sentença apelável. essa decisão se caracteriza como interlocutória. como tudo quanto se pensa em matéria científica.. 2005.” (Vicente Greco Filho. 1.00. e Rodrigo Mazzei.

merece ser prestigiada a orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça731. 8ª ed. todos do Código de Processo Civil. 2004. conquanto eles constituem relação processual cognitiva diferente do processo da ação monitória” (Sergio Bermudes. 731 Cf. sendo inaugurada a fase executória. Em abono à conclusão defendida no presente compêndio. nos termos dos artigos 297 e 299 do Código de Processo Civil.. de 14. “Afastado o entendimento de que os embargos possuem natureza jurídica de contestação. 300. Deve ser interposta apelação contra a decisão que rejeita liminarmente os embargos à monitória ou os julga improcedentes. com a igual admissibilidade de eventual recurso de agravo de instrumento. todavia. p. reformado pelo Superior Tribunal de Justiça730. REsp n.102-C. Daí a compatibilidade com o disposto nos artigos 162. p.102-C. 11ª Câmara Cível do TJMG. há respeitável doutrina: “A natureza e a finalidade dos embargos mostramse incompatíveis com a possibilidade de reconvenção. vale conferir o enunciado n. já que os embargos são defesa e não se processam em separado. Apelação.” 272 . Com efeito. 2ª tiragem. 1ª ed. todavia. REsp n. o indeferimento liminar dos embargos à monitória implica encerramento do conhecimento e início da execução.. Diário da Justiça de 9 de outubro de 2006. Recurso especial conhecido e provido”. há extinção do processo de conhecimento com resolução de mérito em razão do acolhimento do pedido do autor.)’ (Código de Processo Civil Comentado.7.de Justiça de Goiás. 730 Cf. em razão da conversão prevista no caput do artigo 1. entretanto. 3ª Turma do STJ.1995. (.418/GO. porque encerra nenhum processo. decisão interlocutória proferida. com a conclusão em favor da procedência do pedido objeto da demanda. porquanto o indeferimento liminar dos embargos monitórios ocasiona o encerramento da cognição na demanda sob o procedimento monitório. Mediante tais considerações. Ainda que muito respeitável o entendimento contrário.486880-4/001. § 1º. mostra-se de singular infelicidade a Súmula 292 do STJ. Reconvenção Fixadas as premissas de que os embargos à monitória têm natureza de contestação e ocasionam a conversão do procedimento em ordinário. 803. nesta hipótese. 1999. 292 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “A reconvenção é cabível na ação monitória. Diário da Justiça de 9 de outubro de 2006. 300: “Recurso especial. aplicável por força do artigo 126 do Código de Processo Civil. 475-J e 1. em acórdão. do Código de Processo Penal. p.” (cf.. sem prejuízo. da aplicação da fungibilidade recursal. 803. 279).418/GO. ao admitir a reconvenção a ser proposta pelo réu da demanda monitória. uma vez que se mostra recurso inadequado para atacar a r. 1314) (grifo nosso). à vista do artigo 579. pois. e 269. Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. com o início da execução mediante cumprimento de sentença. Recurso cabível contra decisão que rejeita liminarmente os embargos. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira.00. p. indefere liminarmente os embargos não é sentença.079. In Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. 2. tudo consoante o disposto nos artigos 475-I. 14. Apelação n. Ação monitória. com o consequente cabimento do recurso de apelação. após a conversão do procedimento em ordinário”732. 732 Em sentido contrário. caput. caput e parágrafo único. não há dúvida de que o réu também pode aviar reconvenção. não conheço da apelação. Diário da Justiça de 21 de outubro de 2005).0000. 3ª Turma do STJ. inciso I.

731 e 741 do Código de Processo Civil e o artigo 100 da Constituição Federal735. 171. § 3º. Volume I. “PROCESSUAL CIVIL. 15. 734 De acordo. RECURSO CABÍVEL. p. quando julga os embargos mediante sentença. p. p.102-C. Efeito suspensivo e apelação contra sentença em embargos à monitória “Prefiro o entendimento de que a reconvenção realmente é inviável. assim. 4ª Turma do STJ. 4ª Turma do STJ.945/MG. Não obstante. mas ao autor dos embargos ao mandado monitório é plenamente admissível o ingresso de uma nova demanda autônoma. 273 . EMBARGOS. 248).” (Daniel Amorim Assumpção Neves. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. do mesmo Código. 539. APELAÇÃO. 2009.Na eventualidade de o juiz indeferir a petição inicial da reconvenção. 5ª Turma do STJ.326 e 1. I. exceção de incompetência relativa. nota 11. 2006. EMBARGOS.” (REsp n. 733 Assim. dar ensejo a exceções processuais. APELAÇÃO. Da sentença cabe apelação734. AGRAVO. com a conversão do procedimento em ordinário. Manual de direito processual civil. todos do Código de Processo Civil. reconvenção inclusive. Findo o processamento sob o rito ordinário. porquanto o indeferimento se dá no bojo do mesmo processo. a regra comporta exceção: na eventualidade de a monitória ter sido movida contra a Fazenda Pública. 133). também há lugar para as outras respostas disponíveis aos réus em geral: impugnação ao valor da causa. a 336. em quinze dias. 16. Além da contestação e da reconvenção. AÇÃO MONITÓRIA. na jurisprudência: “.424/DF – AgRg. cabe recurso de agravo de instrumento. ARTS. 330. Cabe apelação da decisão que rejeita os embargos opostos em ação monitória. 162. RECURSO CABÍVEL. forma-se o título judicial idôneo para a execução à luz dos artigos 475-I a 475-R. § 1º. p.” (REsp n. p. o juiz profere sentença. consoante a regra consagrada no artigo 1. Diário da Justiça de 9 de novembro de 1998.350/SP. há a suspensão do mandado de pagamento ou entrega. 1. Cabe apelação da decisão que rejeita os embargos opostos pelo réu em ação monitória.A ação monitória. AÇÃO MONITÓRIA. com a impugnação do réu através de embargos. Agravo improvido. incidem os artigos 730. I. se torna ação normal de conhecimento regida pelo procedimento ordinário podendo. conexa com a demanda monitória. tudo nos termos dos artigos 261 e 297 do Código de Processo Civil733. § 2º. II.” (AG n. CPC. Diário da Justiça de 4 de fevereiro de 2002. 515 E 1.102C. 735 A respeito da exceção. a fim de que o réu tenha assegurada a ampla defesa. JULGAMENTO. com dilação probatória. 367). merece ser prestigiada a lição do Professor Rodrigo Mazzei: Reforma do CPC. Rejeitados os embargos mediante sentença de procedência do pedido monitório. Julgamento dos embargos admitidos Opostos e admitidos os embargos à monitória pelo juiz. pela qual postule contra o autor da mesma forma que faria numa reconvenção. Diário da Justiça de 29 de março de 2004. exceção de suspeição e exceção de impedimento. tendo em vista a natureza interlocutória do pronunciamento.327). o qual prossegue na fase cognitiva por força da demanda primitiva. nos termos dos artigos 508 e 513 do Código de Processo Civil. 147.

o procedimento comum adotado como regra pelo Código de Processo Civil737. Resta saber quais os efeitos do recebimento da apelação. segundo a qual a apelação também é recebida no efeito suspensivo.102-C. e 274. todos do Código de Processo Civil. também deve incidir a regra consagrada no proêmio do caput do artigo 520.Consoante anotado no tópico anterior.102-C. o enunciado n. qual seja. segunda parte. tendo em vista o disposto no artigo 1. 739 Por exemplo. Órgão Especial. 290. volume 180.102-C com o artigo 475-I738 não permite a conclusão de que a sentença tem eficácia imediata. porquanto são veiculados mediante petição inicial. de verdadeira contestação. 47: “A apelação interposta da sentença que julga os embargos ao mandado monitório será recebida. JTA. têm autonomia procedimental e são julgados em sentença própria. e 736. tal como a segunda parte e os incisos do artigo 520 são exceções no sistema. 737 Cf. artigos 271. Ademais. nos termos do enunciado n. também há precedentes jurisprudenciais do STJ colacionados na nota subsequente. os recursos previstos no § 2º do artigo 542 do Código de Processo Civil.423-2/01. À vista das premissas fixadas no anterior tópico 12. tanto que os embargos à monitória são juntados aos próprios autos do processo já em curso. Não obstante. se os embargos à monitória são julgados em processo sob o procedimento ordinário. porquanto são veiculados em petição simples e não têm autonomia procedimental. no efeito suspensivo”736. parágrafo único. Com efeito. ou seja. 272. o qual passa a seguir o procedimento ordinário. sem possibilidade de execução antes do trânsito em julgado. também. A regra reside no proêmio tanto do § 1º do 736 Uniformização de jurisprudência n. Diário da Justiça de 10 de dezembro de 1999. do Código de Processo Civil. o recebimento da apelação também no efeito suspensivo. a segunda parte do § 1º do artigo 475-I também é excepcional. Ainda no mesmo sentido. § 2º. os embargos monitórios são julgados mediante sentença apelável. porquanto o proêmio do § 1º do próprio artigo 475-I é compatível com a regra consagrada no caput do artigo 520. 831. Ainda à luz do § 1º do artigo 475-I. O antigo Primeiro Tribunal de Alçada Civil de São Paulo assentou que a exceção ao efeito suspensivo prevista no inciso V do artigo 520 do Código de Processo Civil não alcança a apelação interposta contra sentença proveniente de embargos à monitória. Os embargos à execução têm natureza jurídica de ação autônoma e formam novo processo. inciso V. ambos do Código de Processo Civil. os embargos à monitória não se confundem com os embargos à execução previstos nos artigos 520. só há a execução imediata na excepcional pendência de algum recurso sem efeito suspensivo739. porquanto uma regra atrai a incidência da outra. Já os embargos à monitória têm natureza jurídica de defesa do réu. após o oferecimento pelo réu e a admissão para processamento pelo juiz. 274 . 738 Preceito que deve ser aplicado por força do § 3º do artigo 1. p. a combinação do § 3º do artigo 1. Ora. 47 merece ser prestigiado.

p. Precedente. na jurisprudência: “AÇÃO MONITÓRIA.750/SP. do silêncio da Lei 9. de 13. p.1995. 160).102-C atrai a incidência do artigo 475-I. Também com igual opinião. não exigindo a lei processual que se aguarde o julgamento da apelação para que aquela eficácia comece a se manifestar. conferindo-se efeito suspensivo. p. 337 e 338 e nota 18). p. De acordo. 32). como eram ação os embargos do devedor na ação executiva do Código de 1939. bastando. Tem duplo efeito a apelação interposta de sentença que julga improcedentes os embargos opostos na ação monitória. Diário da Justiça de 12 de abril de 1999. a apelação produz efeito suspensivo e não há lugar para execução alguma antes do trânsito em julgado. 4ª Turma do STJ.1994. Efeitos. do CPC. deverá prevalecer o entendimento (já sedimentado) de que o recurso que desafia a decisão de rejeição dos embargos monitórios deve ser recebido no duplo efeito. aviso de recebimento da carta) o réu poderá oferecer embargos. Além disso. É a tese também defendida pelo Professor Antônio Carlos Marcato: “Apesar dessas judiciosas ponderações – e apesar.artigo 475-I quanto do caput do artigo 520: em regra. Apelação. isto é. mesmo. por analogia. “De outro lado. V. do CPC. precatória. Aliás. Autorizada doutrina.482/SC. pelo menos até modificação legislativa.12. 520. cujo § 1º está em harmonia com os artigos 520 e 521 do mesmo diploma. 207.. Estudos de direito processual em memória de Luiz Machado Guimarães. Sem a retificação no art. deve ser interpretada restritivamente. impossível. sustenta respeitável tese contrária ao raciocínio defendido no presente compêndio: “No prazo de quinze dias contados da juntada aos autos da prova da citação (mandado. do CPC. em especial a inversão dos ônus da iniciativa da prova.950. p. exsurge a conclusão de que a apelação interposta contra a sentença proveniente dos embargos à monitória também tem efeito suspensivo740. não é a aplicação analógica do art. afirmar que será possível a execução provisória em título decorrente de ação monitória. V. V.328). Diário da Justiça de 23 de agosto de 1999. 520.” (REsp n. 12ª ed. Embargos. “AÇÃO MONITÓRIA. 1. 520. 1999. 2002.. Interpretação restritiva do disposto no art. 1º da Lei nº 8. por não ter ocorrido (ainda) alteração no rol do art. porém. Volume I.” (Rodrigo Mazzei. A nosso sentir a ausência de efeito suspensivo há hipótese decorre do disposto no § 3º do artigo 1.232/2005. Lições de Direito Processual Civil. a prolação da sentença para que se inicie a produção dos efeitos da sentença liminar que determinou a expedição do mandado monitório.” (Alexandre Freitas Câmara. caso a decisão que rejeitar os embargos seja impugnada via recurso de apelação.” (REsp n. como preceitua o art. 4ª Turma do STJ. Manual de direito processual civil. que nos parece. de 14.7. somente defesa. Recurso conhecido e provido. Afirma o dispositivo. Ação monitória.. com todas as consequências que daí resultam. entendemos que a apelação contra a sentença que julga procedente a demanda monitória (rejeitando os embargos ao mandado) deve ser recebida sem efeito suspensivo. p. 520 do CPC. de natureza declaratória ou constitutiva negativa. como identificou Liebman. inc. diante da natureza dos embargos ao mandado e do escopo do processo monitório (a pronta obtenção.1995 –. EMBARGOS JULGADOS IMPROCEDENTES. RECEBIMENTO DA APELAÇÃO NO DUPLO EFEITO. de 14. V. diante do art. Os embargos. Inaplicabilidade da regra inscrita no art. seguida de imediata execução). uma vez que. com a redação do art. em caso de omissão do réu ou de rejeição de seus embargos. 133). 275 . pois. todavia. a aplicação. 15ª ed. 2000. 2009. 2ª tiragem. o recebimento do recurso também no efeito suspensivo alcança a apelação interposta da sentença de improcedência do pedido monitório 740 Assim. ainda na doutrina: “omissis. são ação. O raciocínio também alcança a apelação proveniente dos embargos à monitória.” (Ação monitória: primeiras impressões sobre a Lei nº 9. não nos parece possível. 520.079. Coordenação de José Carlos Barbosa Moreira. p. 1ª ed.07. 279). diante do quadro atual e apenas com a sistemática introduzida pela Lei 11. 170. 261).079. 520 do CPC. no caso.102-C do Código de Processo Civil. na doutrina: “Com efeito. porém. 520. Direito Processual Civil Brasileiro. Se o legislador se utilizou da figura dos embargos foi para dar à defesa a forma de ação. não havendo razão para considerá-los. Aspectos polêmicos e atuais dos recursos. O fundamento de nossa tese. Nos termos do aludido dispositivo. ‘rejeitados os embargos’ intima-se o devedor.” (Daniel Amorim Assumpção Neves. porquanto o § 3º do artigo 1. assim. tratando-se de norma de exceção. São ação. p. O Professor Sergio Bermudes também sustenta a tese de que “a apelação da sentença dos embargos não produz efeito suspensivo. do contido no inciso V do artigo 520 do Código também para a apelação interposta contra a sentença de rejeição dos embargos de início referidos. 557). V. cremos ser perfeitamente sustentável. merecendo elogios a corrente doutrinária que defende o recebimento da apelação no duplo efeito. Volume III. que a execução se inicia logo após a ‘rejeição dos embargos’. ‘prosseguindo-se’ com a execução.” (A sentença dos embargos ao mandado monitório. 2006. como dito. Sopesados todos os argumentos. Reforma do CPC. a sentença somente será proferida nos embargos se forem apresentados.” (Vicente Greco Filho. e dela caberá apelação sem efeito suspensivo. Volume III. 2007. de título executivo judicial.

bem como a apelação interposta da sentença de procedência do pedido monitório (ou seja. nem mesmo provisória. em virtude da subsistência da suspensão ocasionada pela oposição dos embargos à monitória741. 264. 2005.(ou seja.. de acolhimento dos embargos à monitória). na pendência do recurso apelatório. há respeitável doutrina: Vicente Greco Filho. 741 Em sentido contrário. 276 . de rejeição dos embargos à monitória). 17ª ed. não há lugar para execução alguma. Volume III. Diante do duplo efeito da apelação interposta contra a sentença. Direito processual civil brasileiro. p.

TOMO VI PROCEDIMENTOS ESPECIAIS EM DIREITO DAS COISAS 277 .

sem a intenção de ser dono. 2. mas sem a respectiva intenção de dono. À vista da teoria de Ihering. à vista da teoria de Savigny. com o simples proceder exterior como dono. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. porquanto não revelam o animus domini. Basta.INTERDITOS POSSESSÓRIOS 1. Além do elemento material. a posse está relacionada ao poder de fato sobre a coisa. No que tange ao direito brasileiro. consoante se infere do artigo 1. mas simples detentores. a qual pressupõe apenas o elemento objetivo consubstanciado no corpus. locatário. o qual é autônomo em relação ao direito de propriedade. o comodatário e o usufrutuário são considerados possuidores. tanto o Código Civil de 1916 quanto o Código Civil de 2002 prestigiam a teoria objetiva de Ihering. perceptível pelo procedimento exterior similar ao de dono. a teoria sustentada por Savigny leva em consideração a intenção daquele que exerce o poder de fato sobre a coisa. o quanto basta para a proteção possessória. até mesmo contra o dono da coisa. razão pela qual têm direito de posse até mesmo contra o respectivo proprietário da coisa. o poder de fato sobre a coisa. É o elemento subjetivo que marca a teoria de Savigny.197 do Código Civil permite que o 278 . a escolha de uma ou de outra teoria pelo direito respectivo positivo é muito importante na identificação dos que recebem proteção possessória. 3. os mesmos locatário. entretanto. o locatário. a posse é direito. comodatário e usufrutuário são possuidores. Por exemplo. por conseguinte. Posse: teorias de Savigny e Ihering O instituto da posse foi estudado por Friedrich Carl von Savigny sob dois prismas: corpus e animus. porquanto a posse depende do animus domini: vontade de ter a coisa como própria. porquanto exercem o poder de fato sobre a coisa. em razão do procedimento exterior similar ao do dono.196 do Código Civil. Natureza jurídica e autonomia do direito de posse Em primeiro lugar. Em contraposição. Por conseguinte. comodatário e o usufrutuário não são possuidores. Posse: conceito A posse é o poder de fato exercido sobre a coisa em nome próprio. tanto que o artigo 1. há a teoria sustentada por Rudolf von Ihering. No que tange ao elemento material (corpus).

possuidor acione até mesmo o proprietário. ressalvada a composse. 279 . Por fim. o qual pode acionar a proteção possessória prevista nos artigos 926 e 927. segundo o qual o foro competente para as ações possessórias é o foro da situação da coisa. 397: “. p. tendo em vista a indecisão do próprio legislador. tendo em vista o disposto no artigo 95 do Código de Processo Civil. manutenção de posse e interdito proibitório Os interditos possessórios estão previstos nos artigos 920 a 933. já que por vezes dispõe sobre a posse como direito pessoal e em outras vezes como direito real. que a posse não consta do rol inserto no artigo 1. ainda. por exemplo. Interditos possessórios: reintegração de posse. mediante a proteção possessória prevista nos mesmos artigos 926 e 927. argumenta-se que o possuidor não tem proteção em relação ao terceiro de boa-fé.779/SP. em razão de ofensa à posse do atual possuidor. sob a denominação “DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS”. o qual continua a exercer a posse. todos do Código de Processo Civil. tendo em vista a interpretação a contrario sensu do artigo 1. Sem dúvida. autorizada doutrina defende a natureza real do direito de posse. em razão da natureza pessoal do direito de posse742. mas deseja impedir nova invasão. mas em título próprio. A corrente doutrinária que sustenta a natureza pessoal do direito de posse leva em consideração o disposto no artigo 10 do Código de Processo Civil. ambos do Código de Processo Civil. o comodante e o nuproprietário.Na linha de precedente da Quarta Turma. Sob outro prisma. podem acionar os interditos possessórios contra o locador. diante da autonomia do direito de posse. Fixada a premissa de que a posse é direito. À vista do artigo 95 do Código de Processo Civil.212 do Código Civil. 4ª Turma do STJ. inciso IV. 331. Por fim. REsp n. por exemplo. a posse é considerada direito real tal como a propriedade e a servidão. A manutenção tem lugar quando há turbação. tendo em vista a perda da posse pelo anterior possuidor. Há séria divergência na doutrina. o comodatário e o usufrutuário. o Superior Tribunal de Justiça resolveu a vexata quaestio em prol da primeira tese. 4. 742 Cf.225 do Código Civil. inciso IV. o qual exige o consentimento e a citação dos cônjuges para as ações que versam sobre direitos reais imobiliários. Sustenta-se. e dispensa a participação do cônjuge nas “ações possessórias” em geral. a ação de reintegração na posse é de natureza pessoal”. resta saber se é direito real ou direito pessoal. respectivamente. A reintegração tem lugar quando há esbulho. Diário da Justiça de 4 de fevereiro de 2002. o locatário.

a séria divergência existente no Superior Tribunal de Justiça até 1995. em que se comine ao réu determinada pena pecuniária.813/RS demonstra. mas sem moléstia efetiva à posse. por exemplo. 5. 4ª Turma do STJ. IMPOSSIBILIDADE.707). Não há lugar para discussão do direito à posse proveniente da propriedade. na jurisprudência: “CIVIL. tendo em vista ulteriores invasão e desapossamento. RESTRIÇÃO ÀS COISAS CORPÓREAS. Os direitos autorais não podem ser objeto de proteção possessória. Em contraposição. poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente. mas ainda não violada. quer no todo (esbulho) ou em parte (turbação). Objeto dos interditos possessórios: coisas corpóreas e enunciado n. há o interdito proibitório. Diário da Justiça de 9 de dezembro de 1997. o interdito proibitório é admissível diante de posse ameaçada. PROTEÇÃO POSSESSÓRIA. Com efeito. RECURSO DESPROVIDO. como bem revela o enunciado n. porquanto são movidas após a efetiva ofensa à posse. restou pacificado que os interditos possessórios somente permitem a proteção de coisas corpóreas744. 41. 6. típica ação preventiva. porquanto o ius possidendi diz respeito às demandas petitórias ou 743 O acórdão proferido no REsp n. caso transgrida o preceito”. 228 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça Superada a divergência existente no Superior Tribunal de Justiça743. uma vez que não se trata de coisa corpórea.859/MG. 744 De acordo. razão pela qual são inadmissíveis para a proteção de direito autoral. Objeto dos interditos possessórios: direito de posse ou ius possessionis Os interditos possessórios têm como objeto o direito de posse: ius possessionis. DIREITOS AUTORAIS. 228 da Súmula da Corte: “É inadmissível o interdito proibitório para a proteção do direito autoral”.Tanto a reintegração quanto a manutenção são ações repressivas. como bem revela o artigo 932 do Código de Processo Civil: “O possuidor direto ou indireto. 64. mediante mandado proibitório. 7. porquanto tem lugar à vista de ameaça de esbulho ou de turbação. 280 . PRECEDENTE. Daí a proteção possessória pelo juiz até mesmo quando a espécie escolhida pelo autor não corresponda ao interdito possessório adequando ao caso concreto. A fungibilidade prevista no artigo 920 também encontra justificativa na eventualidade de fatos supervenientes que modifiquem o quadro fático narrado na petição inicial. que tenha justo receio de ser molestado na posse. p. à evidência. Fungibilidade dos interditos possessórios: inteligência do artigo 920 do Código de Processo Civil O artigo 920 do Código de Processo Civil consagra a fungibilidade dos interditos possessórios. 65.” (REsp n.

O mesmo não ocorre nos interditos possessórios. 8. 9. razão pela qual não são verdadeiros interditos possessórios. turbação e ameaça provenientes de ato judicial. conforme o caso. os interditos possessórios podem ser propostos sob o procedimento sumaríssimo perante os juizados especiais cíveis. a fim de que o direito de posse subsista até mesmo diante do proprietário da coisa. de 1995. Daí a dificuldade de classificação dos embargos de terceiro. Com efeito. o procedimento especial diz respeito apenas aos interditos possessórios de força nova. por meio dos quais o autor busca a proteção da posse por si mesma. como as denominadas “ação reivindicatória” e “ação de imissão na posse”. inciso IV. tudo nos termos do artigo 3º. os embargos de terceiro também podem ser fundados na propriedade. admissíveis contra esbulho. os embargos de terceiro não podem ser incluídos em nenhuma das classes. da Lei n. embora possam ser veiculados com fundamento na posse. no que tange aos bens cujo valor não ultrapasse quarenta salários. mas com a possibilidade de antecipação de tutela. Ademais. Interditos possessórios e embargos de terceiro Ao contrário das demandas petitórias típicas e das demandas possessórias específicas. mas também podem ser veiculados pelo possuidor. desde que cumpridos os requisitos do artigo 273 do Código de Processo Civil. Já os interditos possessórios ajuizados depois de ano e dia da ofensa à posse são processados sob o rito comum. já é possível estudar o procedimento especial dos interditos possessórios. porquanto podem ser fundados na propriedade. nas quais o autor busca a posse em razão da propriedade. como direito autônomo protegido no ordenamento jurídico. 7.dominiais. turbação e ameaça provenientes de pessoas naturais ou jurídicas em geral. 281 . Daí a justificativa para a vedação inserta no artigo 923 do Código de Processo Civil. os embargos de terceiro só têm mira esbulho. ou seja.099. Por fim. ao contrário dos verdadeiros interditos possessórios. os embargos de terceiro não são interditos possessórios. À vista dos artigos 924 e 933 do Código de Processo Civil. Procedimento especial dos interditos possessórios Fixados os tipos e o objeto dos interditos possessórios. À vista das distinções apontadas. os movidos dentro de ano e dia do esbulho ou da turbação.

Consentimento e citação do cônjuge: inteligência do artigo 10. Possibilidade da cumulação do pedido possessório com pedidos indenizatório.960.094/SP. na jurisprudência: “Ação de reintegração de posse. Precedente: REsp 76.” (REsp n. in fine. salvo quando os atos ofensivos ao direito de posse forem perpetrados por ambos os cônjuges. 4ª Turma do STJ. p. de cominação 745 Assim. 282 . e 102. 10. 1. Em ação de reintegração de posse. No mesmo sentido. 747 De acordo. o autor pode cumular ao pedido possessório os pedidos de condenação por perdas e danos. § 2º. Diário da Justiça de 26 de junho de 2000.” (REsp n. os interditos possessórios sobre imóveis são da competência do foro da situação da coisa. os interditos possessórios podem ser ajuizados pelo possuidor.Por força da interpretação sistemática dos arts.03. 3ª Turma do STJ. do Código de Processo Civil À vista do artigo 10. na jurisprudência “2. p. BEM IMÓVEL. do Código de Processo Civil. p. Ainda à vista do artigo 10. .98” (REsp n. ainda que casado. trata-se de competência absoluta. Diário da Justiça eletrônico de 1º de abril de 2008). § 2º. cominatório e demolitório: inteligência do artigo 921 do Código de Processo Civil À vista do artigo 921 do Código de Processo Civil.721/PR. é imprescindível a participação do cônjuge para o processamento válido (art. Min. 10. 49. 660. Sálvio de Figueiredo Teixeira. 162). 222. sem necessidade de autorização do cônjuge. Diário da Justiça de 8 de outubro de 2007. impondo-se a incidência do art. A despeito da natureza territorial. hipótese na qual a propositura depende da autorização do cônjuge745. quando ambos devem ser citados746. 10. 95. ainda na jurisprudência: REsp n. Foro competente e situação da coisa: interpretação do artigo 95 do Código de Processo Civil À vista do artigo 95 do Código de Processo Civil.914/PE. 3ª Turma do STJ. existindo a composse. § 2º. do Código de Processo Civil.9. do CPC). A regra da dispensa do consentimento do cônjuge. 11. § 2º. Não desfeita a sociedade conjugal a comunhão dos bens acarreta a composse.O foro da situação da coisa é absolutamente competente para conhecer de ação fundadas em direito possessório sobre imóveis. 2ª Turma do STJ. DJU de 30.657/RJ. é temperada quando há composse. Autorização do cônjuge. da turbação ou da ameaça. passível de conhecimento oficial e imodificável por conexão ou continência747. REINTEGRAÇÃO DE POSSE. 746 De acordo. todavia.568/BA. do Código de Processo Civil para o ajuizamento da ação de reintegração de posse. 30. Rel. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. CPC. 261). a competência do foro da situação do imóvel não pode ser modificada pela conexão ou continência. os interditos possessórios podem ser movidos apenas contra o causador do esbulho. IMPOSSIBILIDADE DE MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA POR CONTINÊNCIA. § 2º. Diário da Justiça de 14 de novembro de 1994. 553. COMPETÊNCIA ABSOLUTA. .

e de desfazimento de construção ou plantação. Não obstante. Actio duplex: inteligência do artigo 922 do Código de Processo Civil Os interditos possessórios têm procedimento dúplice. a antecipação de tutela prevista nos artigos 928. 73. 17. não há dúvida de que os artigos 287. Por fim. sem a necessidade da adoção do procedimento ordinário. sem necessidade de reconvenção. 12 de junho de 1995.624. na jurisprudência: REsp n. Diário da Justiça de 22 de junho de 1998. 13. 929 e 930 do Código de Processo Civil Os artigos 928. p. conforme o caso. Se. tendo em vista o evidente conteúdo decisório e o risco de dano irreparável. com a reintegração ou a manutenção da posse. o objeto do pleito do réu não constar do rol do artigo 921. No que tange à natureza da decisão. na própria contestação.396/SP. se o réu desejar veicular os pedidos arrolados no artigo 921. com a permissão de o réu formular pedido contra o autor no bojo da contestação. Com efeito. tendo em vista o procedimento ordinário aplicável por força do artigo 931 do Código de Processo Civil749. independente de reconvenção748. 49. Assim. porquanto há o adiantamento da proteção possessória. 748 749 Assim. mas apenas dos requisitos específicos: propositura da demanda possessória dentro de um ano e dia da ofensa à posse do atual ou anterior possuidor. Com efeito. poderá fazê-lo desde logo. 929 e 930 do Código de Processo Civil versam sobre a possibilidade da concessão da proteção possessória in limine litis. na jurisprudência: REsp n. 119. todos do Código de Processo Civil vigente. p. em combinação com o artigo 921. o artigo 921 autoriza o autor a cumular pedidos no especial procedimento dos interditos possessórios. Provimento liminar: interpretação dos artigos 928. 12. há lugar para reconvenção. conforme o caso. trata-se de antecipação da tutela possessória. 283 . 461 e 461-A incidem por analogia.775/SP. A despeito da expressão legal “despacho que deferir”. 929 e 930 do Código de Processo Civil não depende dos mesmos requisitos arrolados no artigo 273. entretanto.de multa para a eventualidade de descumprimento do mandado judicial. trata-se de verdadeira decisão interlocutória passível de agravo de instrumento.

Recurso especial conhecido e provido.” (REsp n.A apelação de sentença que confirma a antecipação dos efeitos da tutela deve ser recebida apenas no efeito devolutivo (CPC. 753 No mesmo sentido. apelação e efeitos Findo o processamento dos interditos possessórios.467/MG. VII). NÃO SE ADMITE. EXPRESSAMENTE PROIBIU PEDIDO DOMINIAL NO CURSO DE AÇÃO POSSESSÓRIA. tendo em vista a regra prevista no caput do artigo 520 do Código de Processo Civil. ação de usucapião. 750 751 Por exemplo.” (REsp n.697). POSTO QUE A LEI 6820/80. A EXCEÇÃO DE DOMÍNIO. eventual demanda fundada em domínio só poderá ser proposta pelo proprietário depois do encerramento do processo possessório. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROPOSITURA DA AÇÃO NA PENDÊNCIA DE PROCESSO POSSESSÓRIO. o juiz profere sentença passível de apelação. 752 De acordo. 104). CONFIRMAÇÃO. à vista do proêmio do artigo 928 do Código de Processo Civil. 520. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. tanto da decisão interlocutória concessiva da antecipação da tutela possessória quanto da sentença de procedência são passíveis de execução mediante simples mandado judicial. EXCEÇÃO DE DOMÍNIO. EFEITO DEVOLUTIVO. SENTENÇA. o recurso apelatório deve ser recebido apenas no efeito devolutivo. porquanto incide a exceção prevista no inciso VII do artigo 520 do Código de Processo Civil753.14. nesta compreendida a ação de usucapião. 2008. Diário da Justiça de 18 de outubro de 2004. REVOGOU A PARTE FINAL DO ART. ART. p. Por conseguinte. Art. 923 DO CPC. – Na pendência do processo possessório é vedado tanto ao autor como ao réu intentar a ação de reconhecimento de domínio. processo de natureza petitória anterior à propositura da possessória não é alcançado pela vedação contida no artigo 923 do Código de Processo Civil.624/MG. Não obstante. PLEITO POSSESSÓRIO. Impossibilidade jurídica da propositura de demanda petitória e de defesa fundada em domínio: interpretação do artigo 923 do Código de Processo Civil O artigo 923 do Código de Processo Civil impede a propositura de demanda petitória750 na pendência de processo com objeto possessório751. IMISSÃO DE POSSE.00. Diário da Justiça de 19 de setembro de 1994. De acordo. APELAÇÃO. 505 DO CÓDIGO CIVIL E. com a posterior prolação de sentença de procedência. AO ALTERAR A REDAÇÃO DO ART. 15. p. I .” (AGI n.2. p. 32. concedida a antecipação da tutela possessória mediante decisão interlocutória liminar. expedido pelo escrivão e subscrito pelo juiz. INADMISSIBILIDADE. EM PLEITO POSSESSÓRIO. bem como veda a discussão dominial em sede de contestação a interdito possessório752.009071-7. O recurso produz efeitos devolutivo e suspensivo. Execução mediante mandado No que tange à execução. Diário da Justiça de 9 de outubro de 2008. Sentença. 16. ação reivindicatória. 279). ANTECIPAÇÃO DOS EFEITOS DA TUTELA. 284 . Em contraposição. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL. 6ª Turma Cível do TJDF. na jurisprudência: “USUCAPIÃO. 923 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. 171. 24.

Em se tratando de ação possessória.” (MC n. 2001. Diário da Justiça de 7 de novembro de 2001). 285 . não há execução mediante o procedimento de cumprimento de sentença que consta dos artigos 475-I. tendo em vista a especialidade da execução dos interditos possessórios por simples mandado754. 2ª Turma Cível do TJDF.00.2. na jurisprudência: “1. todos do Código de Processo Civil. muito menos a formação de processo autônomo de execução.001613-7. 475-J até 475-R. a execução se materializa através de simples mandado. respectivamente. 754 De acordo. mostrando-se inviável o manejo de embargos do devedor em face de tal execução. Daí a impossibilidade jurídica de embargos à execução e de impugnação à execução.Com efeito.

de 1981. 759 Cf. o instituto jurídico em estudo também é conhecido pela expressão “prescrição aquisitiva”755. 4. usucapião significa aquisição pelo uso. 2. enunciado n. NELSON LUIZ PINTO. Origem e significado do vocábulo “usucapião” O vocábulo “usucapião” provém do termo latino usucapio. Conceito A usucapião é a aquisição originária da propriedade das coisas em geral. Cf.260 a 1. 340 e 391.238 do Código Civil de 2002: “DA USUCAPIÃO”. Com efeito. nos artigos 102. 11 e 193.430. Sob outro prisma.257. Natureza jurídica A usucapião tem natureza declaratória. enunciados ns. todos do Código Civil de 2002. em virtude da aquisição pelo decurso do tempo.379. Código de Processo Civil interpretado. 2. do antigo Tribunal Federal de Recursos758. Daí a precisão do artigo 1. da servidão predial ou de outros direitos reais pelo uso incontestado durante certo prazo previsto em lei761. porquanto busca a declaração da aquisição da propriedade de bens. 2004.238 a 1.262. 760 Cf. 17. 6. 13. 761 O posterior tópico 10 versa sobre os diferentes prazos legais para a usucapião. enunciados n. 1.244. da servidão predial e de outros direitos reais 755 756 Cf. de 2001. 758 Cf. nos artigos 941 a 945 do Código de Processo Civil.969. 286 . os quais revelam a expressiva importância do instituto jurídico na prática forense. cujo significado (“aquisição pelo uso”) revela que a palavra é um substantivo feminino. 263. a usucapião também consta de muitos enunciados das Súmulas do Supremo Tribunal Federal756. do Tribunal Regional Federal da 5ª Região759 e do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro760. 1.USUCAPIÃO 1. p. 3. Preceitos de regência e enunciados sumulares No que tange aos preceitos de regência do instituto. 237. a usucapião está prevista nos artigos 183 e 191 da Constituição Federal de 1988. bem como nas Leis ns. enunciado n. 15. Além dos preceitos legais. enunciado n. e 1. e 10. do Superior Tribunal de Justiça757. 757 Cf.

Lições de direito processual civil. e MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. 12ª ed. 17 da Súmula do Tribunal Regional Federal da 5ª Região: “É possível a aquisição do domínio útil de bens públicos em regime de aforamento. 2007. de 1981. nesta circunstância. Recurso especial. 276). Por fim. Volume II. contra quem operar-se-á a prescrição aquisitiva. Diante da propositura da demanda. até então enfiteuta. A servidão predial também é passível de usucapião. a ação de usucapião de bens móveis e de outros direitos reais segue o procedimento comum. DOMÍNIO ÚTIL REFERENTE A BEM PÚBLICO. a qual deu nova redação ao artigo 942 e aboliu a audiência de justificação da posse. Recurso especial conhecido e provido.241 do Código Civil e artigo 226 da Lei n. Por fim.015. p. IMÓVEL QUE ANTERIORMENTE JÁ ERA FOREIRO. A usucapião de terras particulares segue o procedimento especial762 dos artigos 941 a 945 do Código de Processo Civil. 5. tem-se sustentado em doutrina que o procedimento deixou de ser especial. artigos 1. 575. à vista dos artigos 941 e 945 do Código de Processo Civil. a usucapião alcança a propriedade de bens imóveis e móveis. existe apenas a substituição do enfiteuta pelo usucapiente. conforme o valor da causa. 433. Quanto ao procedimento. A propósito. 325. Além da propriedade e da servidão predial. Diário da Justiça de 6 de fevereiro de 2006.412 e 1. . não trazendo qualquer prejuízo ao Estado. Domínio público. 8. ainda na jurisprudência: “USUCAPIÃO. Novo curso de direito processual civil. destinado aos procedimentos especiais. p. 2007. como bem revela o artigo 1. p. Sustentam a atual natureza ordinária do procedimento. 3ª Turma do STJ. com a retroação a partir do momento da aquisição da propriedade. instituída enfiteuse. de 1994. merece ser prestigiado o enunciado n. 287 . Enfiteuse. 129).379 do Código Civil de 2002. “Civil e processo civil.É possível reconhecer a usucapião do domínio útil de bem público sobre o qual tinha sido. ou seja. a fim de que a usucapião seja reconhecida mediante sentença. ordinário ou sumário. via usucapião. a despeito da localização dos artigos 941 a 945 no bojo do Livro IV. todos do Código Civil de 2002. Objeto Em primeiro lugar..572/ES.mediante sentença. a qual produz efeito ex tunc. pois. como nua-proprietária.413. 4ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 23 de agosto de 1999.” (REsp n. de 1973. 1.951. inciso V. anteriormente.238 e 1. desde que a ação seja movida contra particular.225. p. ADMISSIBILIDADE.899. outros direitos reais igualmente ensejam a usucapião. 154. depende do objeto da demanda.” (REsp n. 763 No mesmo sentido. 6. como bem 762 Com o advento da Lei n. admite-se a usucapião até mesmo direito real de uso previsto nos artigos 1. sem atingir o domínio direto da União”763. Já a ação de usucapião constitucional urbana e rural é processada sob o procedimento previsto na Lei n. Admissível o usucapião quando imóvel já era foreiro e a constituição da enfiteuse em favor do usucapiente se faz contra o particular até então enfiteuta e não contra a pessoa jurídica de direito público que continua na mesma situação em que se achava. Usucapião.123/PE. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. como o domínio útil no aforamento ou enfiteuse. 6. Precedentes do STF e STJ. Volume III. incluídos os semoventes. instaura-se processo cognitivo.. 3ª ed.

006816-6.” (REsp n. não podem ser adquiridos por usucapião”765. O bem integrante de herança jacente só é devolvido ao Estado com a sentença de declaração da vacância. A resposta é positiva. § 3º. não procede a alegação de que o bem não poderia ser usucapido porque do domínio público. Usucapião de herança jacente: possibilidade jurídica À vista dos artigos 183. Além dos preceitos de regência na Constituição Federal e no Código Civil. não estão sujeitos a prescrição aquisitiva (usucapião). Herança jacente.decidiu o Superior Tribunal de Justiça ao aprovar o enunciado n. os bens de herança vacante 764 De acordo.” (Apelação n. uma vez que deste somente se poderia cogitar depois da sentença que declarou vagos os bens jacentes (arts.1.110/MG. DIREITO DE USO. . § 3º. parágrafo único. 4ª Turma do STJ.” (REsp n. LINHA TELEFÔNICA. os bens públicos não são passíveis de usucapião. os bens dominicais. como os demais bens públicos. como bem revelam os artigos 183. 7. Diário da Justiça de 11 de junho de 2001. podendo. na jurisprudência: “CIVIL. 193: ”O direito de uso da linha telefônica pode ser adquirido por usucapião”764. 132).719/RJ. PRECEDENTES DO TRIBUNAL. POSSIBILIDADE. do artigo 102 do Código Civil de 2002 e do enunciado n. Nesse raciocínio a ocupação não gera para o ocupante. como estudado no tópico anterior. 253. não há dúvida de que os bens públicos não são passíveis de usucapião.Se a sentença de declaração de vacância foi proferida depois de completado o prazo da prescrição aquisitiva em favor das autoras da ação de usucapião. até que seja declarada a vacância. de aquisição através de usucapião. em face de vedação expressa constante da Constituição Federal. susceptível.01. .967/SP. na jurisprudência: “II – Os imóveis públicos.” (REsp n. 72). 340 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “Desde a vigência do Código Civil. Resta saber se os bens de herança jacente podem ser adquiridos mediante usucapião. ainda que ocupados por longo período. como bem revela o enunciado n. 765 Assim. 288 . 169). 3ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 1º de julho de 1996).959/SP. consagrada até mesmo na Constituição Federal. p. 4ª Turma do STJ. “USUCAPIÃO. USUCAPIÃO. in verbis: “Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião”. 5ª Turma Cível do TJDF. a vedação também está consagrada na jurisprudência. Trata-se de regra tradicional no direito brasileiro. e 191. 209. 36. portanto. ambos da Constituição Federal de 1988. Precedentes. até ali. mero detentor. 766 De acordo.O direito de utilização de linha telefônica caracteriza-se como direito real de uso. ser possuído ad usucapionem. 196). “HERANÇA JACENTE. 57. na jurisprudência: “DIREITO CIVIL. p. nesse interregno. só com a declaração judicial da vacância é que os bens deixam de ser jacentes e passam a integrar o domínio público. o direito de posse. 6. 4ª Turma do STJ. de modo que. p. HERANÇA JACENTE. Diário da Justiça de 21 de fevereiro de 2000. O Estado não adquire a propriedade dos bens que integram a herança jacente. estão sujeitos à usucapião.” (REsp n. Daí a diferença: enquanto os bens de herança jacente são passíveis de usucapião766. Usucapião. USUCAPIÃO. porquanto os bens de herança jacente não são públicos. p. e 191. parágrafo único. 2003. Diário da Justiça de 7 de outubro de 2004.1593 e 1594 do CCivil). Diário da Justiça de 27 de novembro de 2000. Usucapião de bens públicos: impossibilidade jurídica À vista do artigo 102 do Código Civil de 2002. RECURSO PROVIDO. 340 da Súmula do Supremo Tribunal Federal.

. Por força do inciso IV do artigo 26 da Constituição Federal. as terras passaram para o Império Brasileiro. 7ª ed. ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. ainda na doutrina: “13. fosse por concessão do Poder Público. na vigência do Código Civil. inciso I. que não se incorporaram legitimamente ao domínio particular. Destas terras. Isto significa que elas são disponíveis”. como terrenos reservados. 10ª ed. bem como as já incorporadas ao patrimônio público. se não ingressaram no domínio privado por algum título legítimo e não receberam destinação pública. Manual de direito processual civil. 1996. com procedimento próprio. do Código Civil de 2002. ilhas etc. Autorizada doutrina sustenta que as terras devolutas são áreas públicas não destinadas a fim público algum. 467. ou seja. p. todo o território passou a integrar o domínio da Coroa portuguesa. terras dos índios. 14. p. A primeira dificuldade reside no conceito de terras devolutas. Usucapião de terras devolutas: vexata quaestio É antiga a discussão doutrinária e jurisprudencial acerca da possibilidade da usucapião de terras devolutas. Direito administrativo. romanisticamente. pertencem ao Estado – sem estarem aplicadas a qualquer uso público – porque nem foram trespassadas do Poder Público aos particulares. demarcá-las e cultivá-las (quando então lhes adviria a confirmação. como tal.não podem ser adquiridos mediante usucapião. com a Lei 601. porém não afetadas a qualquer uso público. sendo seu título de origem apenas a ocupação estatal primitiva do território. Com a independência do Brasil. 533). Com a independência do País passaram a integrar o domínio imobiliário do Estado brasileiro. disciplinou-se a forma de legitimação de terras pelos particulares. Terras devolutas – São as terras públicas não aplicadas ao uso comum nem ao uso especial. 206 e 207: “Conquistado o território por Portugal. 8ª ed. “Mas o conceito de terras devolutas continuou sendo residual: são assim consideradas aquelas que não estão destinadas a qualquer uso público nem incorporadas ao domínio privado”.. 468 e 469). todas as terras brasileiras se incorporaram ao domínio da Coroa Portuguesa. por exclusão: são devolutas porque não entraram legitimamente no domínio particular ou porque não têm qualquer destinação pública.” (MARIA SYLVIA ZANELLA DI PIETRO. Pode-se definir as terras devolutas como sendo as que. isto é. precisamente pelo fato de não terem qualquer destinação pública. “Continua válido o conceito residual de terras devolutas como sendo todas as terras existentes no território brasileiro. 8.” (Celso Antônio Bandeira de Mello. As terras que não foram legitimadas são consideradas devolutas e. as terras devolutas geralmente são bens dos Estados-membros. ou próprias para estrada de ferro”. aliás. caso fossem descumpridas as sobreditas obrigações. 768 Cf. não se acham transcritas. de reversão delas à Coroa. como as que caíram em comisso. 289 . ao lado de tantas outras. Sua origem é a seguinte. A tal procedimento dá-se. constituem terras devolutas. Também em sentido conforme. ou se o foram caíram em comisso. Volume III. largos tratos foram trespassados aos colonizadores. porquanto a sentença de vacância transfere os bens ao patrimônio público. Com a descoberta do País. as terras devolutas passaram a pertencer aos Estados. Elas integram a categoria de bens dominicais. as terras devolutas indispensáveis à defesa das 767 Cf. “As terras devolutas constituem uma das espécies do gênero terras públicas. mediante as chamadas sesmarias e cartas de data. o nome de ‘ação discriminatória’”. à luz do inciso II do artigo 20 da Constituição. mas que também não são de domínio privado. o que.” “Há que se ter em vista que as terras devolutas sempre foram definidas de forma residual. nem se integraram no domínio privado por algum título reconhecido como legítimo. ficando reservadas à União apenas áreas de defesa indispensáveis. para discriminar suas terras devolutas (arts. entretanto. Pela Constituição de 1891. sob pena de ‘comisso’. muitas delas já recebendo transcrição. após 1917. 769 Cf. 1º a 27). ou não. A partir de 18 de setembro de 1850. p.. Pontifica-se que o conceito de terras devolutas é obtido por exclusão767: são todas as áreas terrestres situadas no território nacional que não integram o domínio particular nem são terras públicas com destinação para uso comum768 ou uso especial769. com a obrigação de medi-las. houve apossamento de terras pelos particulares. terrenos de marinha. artigo 99. fosse por vontade própria. dada a origem pública da propriedade fundiária no Brasil. inciso II. do Código Civil de 2002. artigo 99. por ausência de título legítimo. 1996. raras vezes sucedeu). Como era natural. “Tanto a União quanto os Estados têm ação. Curso de direito administrativo. 2006. Tanto as terras que jamais foram trespassadas.

as terras públicas que deveriam ser consideradas devolutas. Ainda em sentido conforme: REsp n.” (Cf. A inexistência de registro imobiliário não faz presumir seja o imóvel público”774. p. 1ª Turma do STF. 20. RDTJ. p. carreando ao Poder Público o ônus de provar o domínio com fato extintivo do direito autoral. 2005. Curso de direito administrativo. e que cabe ao ente público que contesta a demanda de usucapião demonstrar que a área usucapienda é terra devoluta772. que alega o domínio.9. 1996. 772 Cf. Não obstante. Uniformização de Jurisprudência n.” (REsp n.518/RS. 3. da inexistência de registro imobiliário. A tese também foi prestigiada pelo Superior Tribunal de Justiça em mais de um julgamento. Diário da Justiça de 21 de fevereiro de 2000. RE n. não se presume o domínio público. ALEGAÇÃO. Aliás. o que é diferente de declarar que toda gleba que não seja particular é pública. razão pela qual não são passíveis de usucapião. – A condição de terra devoluta não é simplesmente decorrente do fato de omissão do registro imobiliário da gleba usucapienda em nome de particular. do contrário. 113. 2. 90. de 18 de setembro de 1850. 89. Comentários aos Verbetes Sumulares do TJRJ). como pontifica Pontes de Miranda. à vista da Constituição vigente775. fundamentado no AG n. 73. 25 na Apelação n. Esse texto legal definiu. Diário da Justiça de 20 de fevereiro de 1981. p. “CIVIL. ao Estado o ônus da prova de que. 2ª Turma do STF. merece ser prestigiado o preciso comentário do Desembargador NAGIB SLAIBI FILHO em relação ao enunciado n. de 18. defende a Fazenda do Estado a tese de que toda terra sem título de propriedade particular é do domínio público. Elementos de direito constitucional. das construções militares e as necessárias à preservação ambiental estão incluídas entre os bens da União770. desde logo. p. PELO ESTADO.964/RJ. 3ª Turma do STJ. de 30 de janeiro de 1954. USUCAPIÃO. Estas lhe pertencem (União). RE n. Diário da Justiça de 31 de dezembro de 1976: “– Inexiste em favor do Estado a presunção iuris tantum que ele pretende extrair do artigo 3º da Lei 601. 1.fronteiras. 1. cumpridas as exigências específicas previstas no Código Civil. por exclusão.255/MT. p. 601. no caso. as terras devolutas são bens públicos. 125. Por conseguinte. 771 Cf. o Estado deve provar essa alegação”.50. 81: “Note-se. – Cabia.985/RJ. Evidentemente não se pode aprovar essa hermenêutica. IV. 317: “– A ausência de transcrição no Ofício Imobiliário não induz a presunção de que o imóvel se inclui no rol das terras devolutas. na doutrina: CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO. o Supremo Tribunal Federal assentou que a inexistência de registro imobiliário não significa sic et simpliciter que a gleba é terra devoluta771. 20ª ed. Recurso extraordinário não conhecido”. 290 .528.318. como se depreende do art. do texto constitucional”.. p.921/MG – AgRg. 59. 774 Cf. que o constituinte mencionou terras devolutas indispensáveis à preservação das fronteiras. p. Diário da Justiça de 30 de maio de 1974. 1ª Turma do STF.239. que se adquire por usucapião”. Diário da Justiça de 8 de maio de 2000. 773 Cf. pois. 86. das fortificações. julgamento em 5 de setembro de 1983. se a terra não é pública e devoluta. Diário da Justiça de 5 de dezembro de 2005. 15: “O enunciado sumular resolveu antiga pendência doutrinária e jurisprudencial no sentido de que. No mesmo sentido: AG n. Vale dizer as terras não transcritas seriam devolutas independentemente de ações discriminatórias. n.550. 535.677: “Realmente. Por oportuno. Diário da Justiça de 11 de abril de 1980. 55. relator Desembargador JORGE LORETTI. 775 Cf. TERRA DEVOLUTA. a prova de ser a propriedade devoluta. Na esteira dos precedentes jurisprudenciais da Corte Suprema. As demais terras devolutas pertencem aos Estados federados. A ausência de transcrição no Ofício Imobiliário não induz a presunção de que o imóvel se inclui no rol das terras devolutas. p. das vias federais de comunicação. ou do Decreto n. RE n. o Estado deve provar essa alegação.234/MG. 8ª ed. 4ª Turma do STJ.059: “TERRAS DEVOLUTAS. 26. Cumpre à Fazenda. havendo presunção iuris tantum de que as terras são públicas. no sentido da Lei n.. se tratava de terreno devoluto”. p. Precedentes do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça. 89). USUCAPIÃO. 1. 514. 770 Assim. in verbis: “USUCAPIÃO. 3ª Turma do STJ. DE QUE O IMÓVEL CONSTITUI TERRA DEVOLUTA. é terra sem dono. o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aprovou o enunciado n. a área não registrada é passível de usucapião773. o que de modo algum fez. e MICHEL TEMER. 15.

Diário da Justiça de 20 de agosto de 2001. ou na respectiva ação discriminatória777. 2004. p.906/DF. e 191. 4ª Turma do STJ. todavia. Por conseguinte. 2.001394-7/MA. Desembargador Federal OLINDO MENEZES. Rel. 66. 278.928/DF. Ainda no mesmo sentido: REsp n. artigos 18 a 23 da Lei n. 695. Diário da Justiça de 14 de março de 2005. na jurisprudência: “USUCAPIÃO. 6. de 1976. 6383.01. 779 No mesmo sentido. os seus bens não estão imunes à aquisição por usucapião’ (AC 93. Diário da Justiça de 15 de dezembro de 1997. 2002. 173. INEXISTÊNCIA DE CARÊNCIA DE AÇÃO. DJ de 01/07/1998. não incidem as vedações contidas nos artigos 183. p. é possível extrair as seguintes conclusões: na qualidade de bens públicos. 37.383. a inexistência de registro imobiliário. 6ª Turma do TRF da 1ª Região. e não de transferência por ato inter vivos. . 780 Cf. . e Apelação n.” (AC n. de 1976776. as sociedades de economia mista e as empresas públicas estão submetidas ao regime jurídico das pessoas de direito privado.01. 9.357/MG. p. § 3º. `Tendo as empresas públicas natureza jurídica de direito privado. 291 . EREsp n. quando o ente público não comprova a natureza devoluta na contestação ou durante a instrução probatória do processo de usucapião. Usucapião de bens clausulados: possibilidade jurídica A cláusula de inalienabilidade não impede a usucapião do respectivo bem. p. Cf. Diário da Justiça de 14 de novembro de 2002. 4ª Turma do STJ. p. Usucapião de bens de sociedade de economia mista e de empresa pública: vexata quaestio À vista do artigo 173. em virtude da natureza jurídica da usucapião. parágrafo único. RE n.37.1. AQUISIÇÃO POR USUCAPIÃO. § 3º e 191.010868-9. § 1º. 647. Diário da Justiça de 18 de dezembro de 2006. é 776 777 Cf. Daí a conclusão: terreno sem registro imobiliário algum é passível de usucapião. Pleno do STF. Daí a possibilidade de usucapião de bens tanto das sociedades de economia mista778 quanto das empresas públicas que exercem atividade econômica779. 3ª Turma Cível do TJDF. 10. 778 De acordo. regendo-se pelas normas comuns às demais empresas privadas (art.414. 468). inciso II e § 2º. Corte Especial do STJ. 120. Diário da Justiça de 23 de outubro de 2006. da Carta Magna. 1.119). p. artigos 2º a 17.” (REsp n. 220. da Constituição.O bem pertencente a sociedade de economia mista pode ser objeto de usucapião.Precedente. Terceira Turma.906/ES.CF). p. 67). “II – Bens pertencentes a sociedade de economia mista podem ser adquiridos por usucapião.31311-1/MG.De tudo. POSSIBILIDADE. mas não em relação às empresas públicas prestadoras de serviço público780. CEB. mediante as provas colhidas no procedimento administrativo previsto na Lei n. Assim sendo. 3ª Turma do STJ. Sem dúvida. NATUREZA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. parágrafo único. as terras devolutas não ensejam usucapião. na jurisprudência: “USUCAPIÃO. da Constituição Federal.702/DF.Recurso conhecido e provido.00. 15.” (REsp n. não significa sic et simpliciter que a terra é devoluta. IMÓVEL URBANO DE PROPRIEDADE DE EMPRESA PÚBLICA. . cabe ao ente público comprovar a natureza devoluta da terra ao contestar a demanda de usucapião. Diário da Justiça de 6 de abril de 2006. Precedentes. modalidade de aquisição originária da propriedade. não se aplica aos bens de empresa pública a vedação contida nos artigos 183. Sociedade de Economia Mista. parágrafo 1º . 300).

a qual consta do artigo 191 da Constituição Federal. Diário da Justiça de 15 de abril de 1996. conforme revela a Constituição Federal. faz do imóvel a sua moradia habitual ou nele realiza obras ou serviços de caráter produtivo. a existência de cláusula de inalienabilidade não obsta o reconhecimento do usucapião. de 1981. parágrafo único. a usucapião especial de imóvel rural. de 2001. de área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados. e a Lei n. os quais devem ser cumpridos de forma cumulativa: posse ininterrupta e pacífica.238. 226). Espécies de usucapião Há muitas espécies de usucapião no direito brasileiro. por pelo menos cinco anos. ou seja. A quarta espécie é a usucapião ordinária de imóvel.242 do Código Civil. Se o possuidor.257. faça da área a sua moradia e não seja proprietário de algum outro imóvel.945/SP. de 2001. a usucapião especial de imóvel urbano. A existência de cláusula de inalienabilidade não obsta o reconhecimento do usucapião. a qual consta do artigo 183 da Constituição Federal.000 M². A terceira espécie é a usucapião extraordinária de imóvel. A segunda espécie é a usucapião constitucional de imóvel urbano.238 do Código Civil. 782 Vale dizer. com o ânimo de dono. desde que faça dela a sua moradia e não seja proprietário de nenhum outro imóvel. p. 6. do artigo 1.167/RJ.257. “– Na linha dos precedentes desta Corte. Eis os requisitos para a usucapião constitucional de imóvel urbano. consagrada no artigo 1. São requisitos para a usucapião constitucional de imóvel rural.534). 4ª Turma do STJ. desde que o autor a torne produtiva.” (REsp n. a qual consta do artigo 1. 292 . p. 6. 11. artigo 1. 10. independentemente de título e de boa-fé. todavia.513/SP.” (REsp n. Diário da Justiça de 3 de setembro de 2001. A primeira espécie a ser estudada é a usucapião constitucional de imóvel rural. Diário da Justiça de 30 de setembro de 2002. rural ou urbano. por pelo menos cinco anos. 11. em virtude do seu trabalho ou de sua família. cumulativamente: posse ininterrupta e pacífica782. com o ânimo de dono. 784 Cf. a Lei n. de 1981.” (REsp n. uma vez tratar– se de modalidade de aquisição originária do domínio. 27.969. de área de terra em zona rural não superior a cinquenta hectares783. 783 Vale dizer. isto é. São requisitos cumulativos para a usucapião extraordinária de bem imóvel: posse ininterrupta e pacífica de imóvel. sem oposição. do Código Civil. na jurisprudência: “O bem objeto de legado com cláusula de inalienabilidade pode ser usucapido. o Código Civil. 268). 207. p. Eis os requisitos cumulativos para a usucapião ordinária de 781 De acordo. com o ânimo de dono.239 do Código Civil e da Lei n. do artigo 1.969. 10. por pelo menos quinze anos. o prazo da usucapião fica reduzido para dez anos784. 4ª Turma do STJ.418. 500.juridicamente possível a usucapião de bem gravado com cláusula de inalienabilidade781. “2.240 do Código Civil e do artigo 9º da Lei n. 4ª Turma do STJ.

§ 1º. o mesmo pode ocorrer no caso de transmissão inter vivos da posse. Arguição da usucapião mediante ação e via exceção A usucapião pode ser objeto de demanda específica intitulada “ação de usucapião”. parágrafo único.260 do Código Civil. de área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados. por pelo menos cinco anos. a admissibilidade da soma das posses contínuas e pacíficas é reconhecida em todas as espécies de usucapião existentes no direito brasileiro786.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES.241 do Código Civil.238 e 1.243 do Código Civil de 2002 e dos artigos 9º. 785 786 Cf. Com efeito. o prazo da usucapião fica reduzido para cinco anos785. com o ânimo de dono. A quinta espécie é a usucapião extraordinária de coisa móvel. a qual consta do artigo 1. Se o possuidor. urbano ou rural. Eis os requisitos cumulativos para a usucapião especial coletiva: posse ininterrupta e pacífica. p.. ocupada como moradia por população de baixa renda. é admissível a soma dos prazos das posses contínuas e pacíficas. desde que o autor seja portador de título e esteja de boa-fé. por pelo menos três anos. mas com o ânimo de dono. 12. com ânimo de dono. de 2001. ambos da Lei n. A sexta espécie é a usucapião ordinária de coisa móvel. por pelo menos dez anos. 10. seus sucessores podem somar seu tempo de posse ao do falecido antecessor. no curso do prazo. Novo curso de direito processual civil. São requisitos cumulativos para a usucapião extraordinária de bem móvel: posse ininterrupta e pacífica da coisa móvel. independentemente de título e boa-fé.242. falece. na doutrina: “Algumas características da usucapião repercutem na ação em que se visa declará-la. 3ª ed. 319). Soma dos prazos das posses: possibilidade jurídica À vista do artigo 1. § 3º. o adquirente poderá também somar seu tempo de posse ao do seu antecessor. desde que os possuidores não sejam proprietários de outro imóvel. do Código Civil. Por fim.257. em prol de pessoas que exercem a posse de forma conjunta e indivisível. por pelo menos cinco anos. Assim. faz do imóvel a sua moradia ou nele realiza obras ou serviços de caráter produtivo. Eis os requisitos cumulativos para a usucapião ordinária de bem móvel: posse ininterrupta e pacífica da coisa móvel. 13. Uma delas é a acessio temporis: se o possuidor. Volume II. artigo 1. 293 . 2007.261 do Código Civil.257. de 2001. a fim de obter a usucapião.imóvel: posse ininterrupta e pacífica de imóvel rural ou urbano. 10. todavia. e 10. há a usucapião urbana coletiva. fundada em justo título e boa-fé. prevista no artigo 10 da Lei n. em todos os casos. Se o possuidor transmitir a terceiro sua posse. com animus domini. à vista do artigo 941 do Código de Processo Civil e dos artigos 1. prevista no artigo 1. por meio de cessão de direitos possessórios.

na jurisprudência: “CIVIL . uma demanda reivindicatória787 movida contra o réu que já cumpriu todas as exigências legais para a usucapião. 135). à vista do artigo 7º da Lei n. também. Daí a possibilidade da veiculação da usucapião na respectiva contestação.. 791 No mesmo sentido do texto do tópico. a usucapião também pode ser suscitada pelo réu como defesa: “exceção de usucapião”. artigo 1. 237 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “O usucapião pode ser argüido em defesa”789. Imagine-se.Incidência do disposto na Súmula n°237.05.).1. 790 Cf. o reconhecimento daquela em outro processo que não o específico de usucapião não tem o condão de ensejar o registro no Cartório de Imóveis. como bem revela o enunciado n. Diário da Justiça de 26 de setembro de 2006. p. 17ª ed. a usucapião constitucional (seja a urbana do artigo 183 da Constituição. o réu pode suscitar a usucapião na respectiva contestação788. 237: “A aquisição da propriedade por usucapião é de natureza originária e pode ser. Diário da Justiça de 23 de junho de 1997. O juiz pode reconhecê-lo. ainda na jurisprudência: Apelação n. Súmula 237 STF). O réu em ação reivindicatória pode ajuizar reconvenção fundada em usucapião. o qual só é possível diante de sentença em processo proveniente da ação de usucapião. p. Com efeito.015. 2005.” (Direito civil brasileiro. 2ª ed. 4ª Turma Cível do TJDF. alegada em defesa (de possessória ou de reivindicatória. Diário da Justiça de 10 de janeiro de 2008.092272-4.01. Legitimidade ativa 787 Assim. sempre que transcorrido o lapso temporal previsto em lei. Embora seja admissível a veiculação da usucapião em defesa. como prescrição aquisitiva que é. a sentença proferida em qualquer processo é título para registro no Cartório de Imóveis. na jurisprudência: “2. o que justifica a outra denominação consagrada na doutrina e na jurisprudência: “usucapião especial”.1.USUCAPIÃO .A usucapião. 294 . p.” (Apelação n. 14. Direito processual civil brasileiro. Volume VIII. pode ser argüida em defesa na ação de nulidade de título de venda de terras devolutas. 788 O didático exemplo é de autoria do Professor Carlos Roberto Gonçalves: “Assim como sucede na reivindicatória (v. a usucapião pode ser alegada como defesa na ação de petição de herança. 85. p. de 1981. de 1973.969. No mesmo sentido.ARGUIÇÃO EM DEFESA. II . seja a rural do artigo 191) também pode ser veiculada como matéria de defesa na contestação. 10. 29. Volume III.126). p.” (REsp n. 1ª Turma Cível do TJDF.257. mas a respectiva sentença serve como título a ser registrado no Cartório de Imóveis. .Recurso conhecido e provido. mas para a obtenção do título é preciso que se utilize o procedimento formal especial”. de 2001. 789 Em sentido conforme.039/MG.AÇÃO DE NULIDADE DE TÍTULO DE VENDA DE TERRAS DEVOLUTAS . na doutrina: VICENTE GRECO FILHO. o réu pode contestar e suscitar a usucapião como matéria de defesa. 2008.238 do Código Civil e artigo 226 da Lei n. do STF.006986-9.. 6. por exemplo. Ao ser citado. 1. desde que preenchidos os requisitos legais. 3ª Turma do STJ. Outro exemplo: acionado pelo herdeiro mediante ação de petição de herança. Trata-se de tese já consagrada na jurisprudência pátria. 109.Além da demanda própria. p. Por fim. com a observância do procedimento legal próprio para a obtenção do título judicial a ser transcrito790-791.151). artigo 945 do Código de Processo Civil. e do artigo 13 da Lei n. Precedentes do STF e do STJ. III . 2002. 6. ex. 2003.

a ação deve ser movida contra o anterior proprietário do bem”. depende do consentimento da mulher. Na hipótese de perda da posse. 32: “CIVIL E PROCESSO CIVIL.648 do Código Civil. legitimado passivo é apenas o anterior proprietário do bem794. a fim de que mesmo possa contestar a ação. incisos I e II. a legitimidade ativa subsiste ainda que o autor da ação de usucapião tenha perdido a posse do bem usucapiendo.592/SP. sob pena de nulidade do processo”. 295 . LEGITIMIDADE DO RÉU. todos os confinantes e respectivos cônjuges ou companheiros. Já na ação de usucapião de coisa móvel. se o autor já não estiver na posse do imóvel. pelo varão. além dos réus em lugar incerto. nada impede a propositura da ação de usucapião e a posterior procedência do pedido. há litisconsórcio passivo necessário por força do disposto no artigo 942 do Código de Processo Civil. Legitimidade passiva No que tange à legitimidade passiva em ação de usucapião de imóvel.723 e 1. 263 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “O possuidor deve ser citado pessoalmente para a ação de usucapião”. USUCAPIÃO. Por fim. 15. Devem ser citados pessoalmente aqueles cujos nomes constam do registro imobiliário. 68: “PROCESSO CIVIL.022069-2. No caso de usucapião de bem móvel. OUTORGA UXÓRIA. os respectivos cônjuges ou companheiros. Por fim. em sendo procedente a ação. entretanto. A legitimidade do réu decorre do fato de ser ele a pessoa indicada. do Código Civil conferem legitimidade em prol de um cônjuge. Apelação n.725 do Código Civil. mas com o consentimento do outro. após o consentimento do outro. Com efeito. em relação aos companheiros793. o autor deve requerer a citação do atual possuidor do bem usucapiendo. 793 Cf. 1ª Turma do TJDF. sob pena de nulidade do processo792. Diário da Justiça de 11 de setembro de 2002. o caput do artigo 10 do Código de Processo Civil e o artigo 1. conforme o caso.Tem legitimidade ativa para a ação de usucapião aquele que exerceu a posse do modo e pelo tempo previstos na Constituição Federal ou no Código Civil. com bem determina o enunciado n. devem ser citados mediante edital os eventuais interessados. a ação de usucapião deve ser proposta por ambos ou. na jurisprudência: REsp n. Os mesmos raciocínios também têm lugar na união estável. Na eventualidade de a posse ter sido exercida por casal.01. 1. Diário da Justiça de 30 de agosto de 1999. se o autor da ação de usucapião já cumpriu todas as exigências legais antes da perda da posse.1. Com efeito. Diante de eventual negativa. AÇÃO DE USUCAPIÃO. p. 3ª Turma do STJ. p. 1999. 794 Cf. se por um deles. incidem o artigo 11 do Código de Processo Civil e o artigo 1. NULIDADES. a suportar os efeitos oriundos da sentença. 60. A propositura da ação de usucapião. com o suprimento judicial da recusa injustificada. bem assim o eventual possuidor atual. 792 Assim.647. artigos 1.

Por outro lado.853/RS. Diário da Justiça de 14 de outubro de 2002. anula-se a sentença que decretou a inépcia. cabível a aplicação analógica”. À vista do artigo 942. o qual já é suficiente para a ação de usucapião constitucional. da Lei n. 225. Preenchendo a inicial de ação de usucapião e os documentos que a instruem todos os requisitos legais. a caderneta de campo e a planta de medição e demarcação firmados por Técnico em Agrimensura. 8.” (Apelação n. 797 Cf. p. porquanto o autor usucapiente já adquiriu a coisa com o simples cumprimento das exigências legais798. Diário da Justiça de 20 de março de 1996. 798 Cf. Logo. Marcus Vinicius Rios Gonçalves. com a localização e as divisas do imóvel usucapiendo795. a última corrente sustenta a tese de que o valor da causa corresponde apenas ao acréscimo patrimonial proveniente da declaração judicial do domínio. confrontações e dados geodésticos. do Código de Processo Civil é imposto por sua própria natureza. Volume II. 795 A respeito dos elementos essenciais constitutivos da planta. não há necessidade da planta do imóvel. 259. Com efeito. especificando seus limites. e estando o memorial descritivo. Em segundo lugar. porque se reveste de evidente e imediato resultado. há diferentes teses na doutrina e na jurisprudência. REsp n. p. Uma corrente sustenta que o valor da causa na ação de usucapião corresponde ao valor de mercado do bem usucapiendo796. No que tange à petição inicial da ação de usucapião constituticional. § 1º.469-5. devem ser cumpridas as mesmas exigências. 6. tanto a pessoal quanto a por edital.ATENDIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. o acórdao que fixar o valor da causa na ação de usucapião em obediência ao critério do acréscimo patrimonia1 e não o da estimativa oficial para efeito de lançamento de tributos. 282. Novo curso de direito processual civil. 3ª Turma Cível do TJDF.802). 258. Por fim. Colhe-se do voto condutor: “O enquadramento da ação de usucapião em uma das espécies enumeradas pelo art. Petição inicial A petição inicial da ação de usucapião deve ser elaborada à vista dos artigos 39. Não nega vigência ao art. de 1981. Valor da causa Quanto ao valor da causa na ação de usucapião. merece ser prestigiado o seguinte precedente jurisprudencial: “USUCAPIÃO .288/GO. 296 . 1. 17.842: “VALOR DA CAUSA NA AÇÃO DE USUCAPIÃO. subscrita por engenheiro ou técnico legalmente habilitado. Em primeiro lugar. 374. pela similitude que guarda com as espécies previstas no referido dispositivo. caracterizando e localizando o imóvel usucapiendo. todos do Código de Processo Civil.16. Diário da Justiça de 3 de setembro de 1990. 2007. 3. p. em virtude da aplicação analógica do inciso VII do artigo 259 do Código de Processo Civil. 3ª ed. 329: “omissis o valor da causa. 3ª Turma do STJ. inciso VII.969. VII. do CPC. 259. REsp n. inciso I. o autor deve instruir a petição inicial com a planta do imóvel. critério este previsto naquele texto apenas para as ações nele referidas”. Outra corrente sustenta que o valor da causa corresponde à estimativa oficial para lançamento do imposto. exceto em relação à planta. estimado em vinte por cento. O autor também deve pedir a citação de todos os legitimados passivos.INICIAL . 283 e 942. 3ª Turma do STJ. que deve corresponder ao de mercado do imóvel objeto da ação”. à vista do artigo 5º. p.. para que outra seja proferida. também em relação à ação de usucapião797. basta simples croqui com a localização do imóvel. 796 Cf. o autor deve atribuir valor à causa. registrado no CREA. 55.

Embora a sentença declaratória tenha efeito ex tunc. 6. Daí a justificativa para a aprovação do enunciado n. a ação de usucapião constitucional é sempre processada e julgada perante o juízo local (estadual ou distrital) da situação do imóvel. desde que o bem usucapiendo confronte com imóvel da União. por consequência. retroage para alcançar o momento da satisfação das exigências legais para a usucapião. de autarquia federal e de empresa pública federal.Ainda que muito respeitáveis todas as correntes que surgiram à vista da inexistência de preceito legal específico acerca do valor da causa na ação de usucapião.969. da Constituição Federal. a usucapião depende da declaração judicial. de todo o conteúdo econômico referente ao bem usucapiendo. Competência Em regra. tendo em vista o disposto no artigo 95 do Código de Processo Civil. compete ao juízo local (estadual ou distrital) da situação do imóvel processar e julgar a ação de usucapião. de 1981. A respeito do tema. na afasta a competência do foro da situação do imóvel“. 6. Na eventualidade de citação ou intervenção da União. Por fim. caput e § 1º. é com a sentença que é reconhecida a existência da usucapião e. tendo em vista o disposto no artigo 4º. inciso I. há litisconsórcio passivo necessário na ação de usucapião. tendo em vista o disposto no artigo 109. em virtude da interpretação analógica. recepcionado pelo § 3º do artigo 109 da Constituição Federal. merece ser prestigiado o enunciado n. não há certeza alguma acerca da existência do direito. 11 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “A presença da União ou de qualquer de seus entes. após regular instrução probatória. 19. a competência passa a ser do juízo federal. ou seja. na ação de usucapião especial. Por tudo. Citações À vista do artigo 942 do Código de Processo Civil e do artigo 5º. 18. merece ser prestigiada a tese em prol da aplicação do artigo 259. § 2º. da Lei n. 13 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos: “A Justiça Federal é competente para o processo e o julgamento da ação de usucapião. Antes da prolação da sentença declaratória. a qual encontra sustentação no artigo 126 do mesmo diploma.969. prestigia-se a tese em prol da aplicação do inciso VII do artigo 259 do Código também em relação à ação de usucapião. inciso VII. autarquias ou empresas públicas federais”. 297 . de 1981. Sob outro prisma. do Código de Processo Civil. da Lei n.

conforme o caso) para o juízo federal803. de 1981.” (CC n.969. na eventualidade de o autor da ação de usucapião já não estar na posse do imóvel.725 do Código Civil. 263 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “O possuidor deve ser citado. MANIFESTAÇÃO DE INTERESSE DA UNIÃO. Com efeito. 803 Assim. dos Estados-membros. Se a União manifesta interesse na ação. e no enunciado n. como bem revela o enunciado n. inciso I. para a ação de usucapião”. 20. Na eventualidade de a União manifestar interesse no processo de usucapião. 6. a Justiça Federal excluir a União do processo. artigos 1. 298 . Cf. Por fim.169/GO. artigo 10. no artigo 5º. § 3º. 391 da Súmula do Supremo Tribunal Federal: “O confinante certo deve ser citado. de 1981. 6.558/SP. Daí a necessidade da citação do possuidor atual. 6. 62). 801 Cf. como bem revela o enunciado n. no prazo de quarenta e cinco dias802. e quando. alegadamente porque o imóvel usucapiendo confronta com bem integrante do seu patrimônio. p. “É pacífica a orientação jurisprudencial consolidada no âmbito desta Corte. de 1981. artigo 942 do Código de Processo Civil e artigo 5º. da Lei n. mas que não está na posse do imóvel no momento do ajuizamento da ação. 6. no sentido de competir à Justiça Federal decidir sobre o interesse da União. 27. para que possam manifestar interesse na causa. Diário da Justiça de 25 de setembro de 2000. todavia. da Lei n. consoante o disposto no artigo 942 do Código de Processo Civil. pessoalmente. O mesmo não ocorre.969. pessoalmente. há o deslocamento da competência do juízo local (estadual ou distrital.969 também exigem a citação por edital dos réus incertos e dos eventuais interessados. do Distrito Federal e dos Municípios nos quais o imóvel tiver lugar são intimados por via postal. 799 800 Cf. do Código de Processo Civil. 81). com regular intimação do seu representante judicial. § 2º. O artigo 942 do Código de Processo Civil e o § 2º do artigo 5º da Lei n. § 1º. no processo de usucapião constitucional ou especial. 2ª Seção do STJ. devem ser citados aquele em cujo nome estiver registrado o imóvel usucapiendo799 e o respectivo cônjuge800 ou companheiro801. deverá a ação ter prosseguimento perante o juízo federal. 11 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. o atual possuidor também deve ser citado. 802 Cf.969.” (CC n. cessa a competência da Justiça Estadual – que só será restabelecida se. artigo 943 do Código de Processo Civil e artigo 5º. com a observância do disposto no artigo 232 do Código de Processo Civil.Em primeiro lugar. da Lei n. entidade autárquica ou empresa pública federal no processo (Súmula 150/STJ). USUCAPIÃO.723 e 1. Intimações Os representantes da União. 2ª Seção do STJ. para a ação de usucapião”. 28. p. na jurisprudência: “CONFLITO DE COMPETÊNCIA. Uma vez reconhecido o interesse da União no feito. § 2º. Todos os confinantes também devem citados. nada impede que a ação de usucapião seja proposta por aquele que já cumpriu todas as exigências legais para a declaração da aquisição da propriedade. Diário da Justiça de 10 de março de 2003. conforme o caso.

de 1997. na jurisprudência: “II . 4ª Turma do STJ. alguma autarquia ou fundação pública ocupar o pólo passivo da ação de usucapião. incide o artigo 191 do Código de Processo Civil. de alguma decisão interlocutória. artigos 236. 8.951.969. 2007. todos do Código de Processo Civil. 12ª ed. findas as citações. nas ações em que há obrigatoriedade de intervenção do Ministério Público. Não obstante. 806 Cf. Diário da Justiça de 23 de novembro de 1992. Volume II. § 5º.. da sentença). destinado aos procedimentos especiais. tendo em vista a natureza especial do procedimento. 2007. artigos 232. Só há nulidade se o representante não é intimado de algum ato processual (por exemplo. inciso IV. não a falta de efetiva manifestação deste. 433. da audiência de instrução e julgamento. p. 246 e 944.893). 5. o prazo só começa a fluir após o decurso da dilação assinada pelo juiz no edital de citação dos eventuais interessados806. com a duplicação do prazo de contestação.Na qualidade de fiscal da lei. incide a regra do artigo 297 do Código de Processo Civil: quinze dias. 6. todavia. de 1994. O silêncio do representante do Ministério Público intimado. 21. 3ª ed. Daí a admissibilidade de ação reconvencional (reivindicatória. na doutrina: ALEXANDRE FREITAS CÂMARA. inciso V. 9. a despeito da localização dos artigos 941 a 945 no bojo do Livro IV. algum Estado-membro. Em qualquer caso. algum Município. não há dúvida de que o processo de usucapião segue o procedimento ordinário807. com o advento da Lei n. não ocasiona a nulidade do processo de usucapião805.469/MS. e 942. o representante do Ministério Público também deve ser pessoalmente intimado de todos os atos do processo de usucapião. o prazo para a respectiva contestação é quadruplicado.. é a falta de intimação do seu representante. 21. § 2º. 22.O que enseja nulidade. sob pena de nulidade804. p. Reconvenção em ação de usucapião: admissibilidade É controvertida a admissibilidade da reconvenção em processo de usucapião. e artigo 5º.” (REsp n. Sustentam a atual natureza ordinária do procedimento. No que tange aos réus com advogados diferentes. Volume III. 807 Aliás. 325. Não obstante. Novo curso de direito processual civil. combinado com o artigo 10 da Lei n. da Lei n. 241. se a União. a qual deu nova redação ao artigo 942 e aboliu a audiência de justificação da posse. 299 . por exemplo).469. 805 De acordo. todos do Código de Processo Civil. Contestação Diante da inexistência de preceito especial acerca do prazo da contestação. p. o Distrito Federal. de 1981. por força do artigo 188 do Código de Processo Civil. Lições de direito processual civil. no mesmo prazo que o réu tem disponível para a 804 Cf. e MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. tem sustentado a doutrina que o procedimento deixou de ser especial.

do Estado do Rio Grande do Sul. 110 do C. Alcance das regras dos arts.241 do Código Civil de 2002. I. Pleno do STF.890). 45. Registro da sentença de usucapião e imposto de transmissão de imóveis Ao contrário do que pode parecer à primeira vista pela leitura isolada do artigo 945 do Código de Processo Civil. de 27.). 23.623. à vista da Constituição Federal e do Código Tributário Nacional vigentes810. porquanto o juiz simplesmente declara o domínio pré-constituído do autor. Diário da Justiça de 19 de dezembro de 1985. p.12. usucapião809. p. ou não. 300 . inc. não incide o imposto de transmissão em relação a imóvel adquirido mediante usucapião.contestação808. 8. o juiz profere sentença. 5. 1º da Lei n. com efeitos devolutivo e suspensivo. é admissível reconvenção em processo de 23. A despeito da séria divergência existente quanto ao termo a quo da retroação.580/RS. mas verdadeira aquisição originária pelo decurso do tempo da posse ad usucapionem. do art. 23. artigo 297 do Código de Processo Civil. Recurso provido. À legislação tributária é vedada ‘alterar a definição. merece ser prestigiada a tese de que a sentença retroage até o momento em que o autor cumpriu adquiriu o domínio pelo uso constante e pacífico. 9. Pleno do STF. Diário da Justiça de 7 de junho de 1985. conceitos e formas de direito privado’ (art. declarando-se inconstitucional a letra h. no prazo de quinze dias. 94. 35. Da sentença cabe apelação. e ACI n. Daí a impossibilidade da exigência do tributo no momento do registro da sentença no Cartório de Imóveis. com a declaração do cumprimento das exigências constitucionais e legais. conforme o caso.238 e 1. Em sentido semelhante. p. 4ª Turma do STJ. da Constituição Federal e 35 do Código Tributário Nacional. porquanto não há transmissão da propriedade do bem em si. ex tunc.384. 808 809 Cf. Usucapião.374/MG. do inc.66.” (RE n.111. Em suma. A sentença declaratória da usucapião tem efeito retroativo. I. à vista dos artigos 941 e 945 do Código de Processo Civil e dos artigos 1.T. Diário da Justiça de 23 de setembro de 1996. o conteúdo e o alcance dos institutos. há acórdão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferido à luz da Carta pretérita: “– Imposto de transmissão de imóveis. A ocupação qualificada e continuada que gera o usucapião não importa em transmissão da propriedade do bem.N. Registro da sentença de usucapião sem pagamento do imposto de transmissão. 810 Em sentido semelhante ao texto do parágrafo. 24. Trata-se de sentença declaratória. Sentença Findo o processamento. na jurisprudência: REsp n.691/DF.

que não pode beneficiar nem prejudicar terceiros”. 11. enunciado nº 17. todos do Código de Processo Civil.101.046 do Código de Processo Civil) são ações. 1. 3. Trata-se de uma ação que tem por objeto a exclusão dos efeitos de uma decisão judicial e que completa a sistemática dos limites subjetivos da coisa julgada. de 2005. Natureza jurídica e conceito O termo “embargos” tem vários significados à vista da legislação brasileira. em razão da grande importância do instituto na prática forense. os embargos à execução (cf. artigos 496 e 546 do Código de Processo Civil). 2005. entretanto. Preceitos de regência e enunciados sumulares Os embargos de terceiro estão previstos nos artigos 173. mas apenas sobre a exclusão de bem de terceiro indevidamente apreendido no processo primitivo814. Nomen iuris e objeto Além da denominação consagrada nos preceitos de regência. artigos 301 . 816 Por exemplo. Daí o objeto dos embargos de terceiro: a proteção tanto da posse quanto da propriedade em prol de pessoa que sofre apreensão indevida de bem em processo no qual não é parte. Há ações de embargos815. bem assim no artigo 93 da Lei n. Além dos preceitos legais. sem questionar o direito do autor da ação primitiva. os embargos de divergência (cf. também. sobre o objeto do processo originário. os embargos de terceiro também são denominados “embargos de separação”. 2. recursos de embargos816 e até mesmo embargos com natureza de contestação817. do antigo Tribunal Federal de Recursos812 e do extinto Tribunal de Alçada Civil do Rio de Janeiro813. artigos 496 e 530 do Código de Processo Civil). na doutrina: VICENTE GRECO FILHO. de embargos de separação”. Não versam os embargos de terceiro. Cf. a fim de que o bem seja excluído da injusta constrição judicial. 813 Cf. porquanto ensejam a exclusão de bem de terceiro de injusta constrição judicial. os embargos de declaração (cf. os embargos infringentes (cf. 195 e 303. artigos 1. os embargos de terceiro também constam de alguns enunciados das Súmulas do Superior Tribunal de Justiça811.EMBARGOS DE TERCEIRO 1. Pede-se. 815 Por exemplo. Direito processual civil brasileiro. enunciados nºs 33 e 184. 255: “Consistem em outro processo cujo objeto é o pedido de exclusão de bens da constrição judicial. a exclusão do bem dessa apreensão. artigos 736 e seguintes do Código de Processo Civil) e os embargos de terceiro (cf. porque o senhor ou possuidor não foi parte no feito. “Nos embargos de terceiro não se discute o objeto da ação de que emanou a ordem de apreensão. Daí a denominação. p. 17ª ed. 814 Em sentido conforme..046 a 1. Volume III. apenas. 134. inciso II. enunciados nºs 84.054. 811 812 Cf.

com o objetivo de retirar a sua eficácia em relação a terceiro. 303). a existência de “contestação”818 como forma de contraposição aos embargos de terceiro reforça a conclusão acerca da natureza do instituto: ação819. Em sentido conforme. porquanto os embargos desconstituem. já é possível conceituar os embargos de terceiro: ação cognitiva.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. mas têm natureza de processo de conhecimento. de natureza constitutiva negativa. Sob outro prisma.053 do Código de Processo Civil. Volume II. Volume III. os embargos de terceiros são a ação autônoma de impugnação que tem em mira apreensão judicial de bem de terceiro alheio ao processo no qual houve a constrição indevida. de cunho constitutivo820. tem um bem de que é proprietário ou possuidor. Aliás. a um só tempo. porquanto formam um novo processo distinto do anterior processo no qual houve a apreensão de bem de terceiro. diversa da que existe no processo principal. que enseja processo novo. Seu efeito específico.102-C do Código de Processo Civil têm natureza de contestação.No que tange aos embargos de terceiro. citação.437/SC. ação autônoma822 e incidental823: autônoma. 54. Estudada a natureza jurídica. 254 e 255). todavia. apreendido por ato judicial originário de processo de que não foi parte. p. 119 e 120.. 1ª Seção do STJ. 496. 819 Assim. os embargos de terceiro são. p. 822 A propósito.” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. na doutrina: “Eles constituem uma nova ação. Direito processual civil brasileiro. p. de 1980) têm natureza recursal. trata-se. recursos e medidas ou providências judiciais. na jurisprudência: CC n.” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. e um processo novo. é desvincular o bem do ato judicial constritivo.” (Recurso de terceiro. não tendo sido parte no feito. na doutrina: “Posto que os embargos de terceiro sejam processo incidente e nasçam de ato praticado em outro feito e devam correr no juízo do processo principal. No caso. no processo civil. Manual de direito processual civil. os embargos previstos nos artigos 755 e 1. desfazem o ato judicial de apreensão indevida de bens do terceiro. por força do artigo 1. com petição inicial. 538 e 554 do Código de Processo Civil) e os embargos infringentes de alçada (cf. há respeitável doutrina: “A sentença que defere os embargos é declaratória. 6. autuação. Comentários ao Código de Processo Civil. já que declara o direito e posse do terceiro. embora estejam ligados àquele no qual se deu a apreensão judicial. 820 Melhor dito. Em sentido contrário.049 do Código de Processo Civil. procedimento especial de jurisdição contenciosa. merece ser prestigiada a precisa lição do Professor FREDIE DIDIER JR. que tem por finalidade a proteção da posse ou propriedade daquele que. 139 e 140). Diário da Justiça de 6 de fevereiro de 2006. de uma ação autônoma de impugnação de ato judicial – no caso.” (VICENTE GRECO FILHO. é equívoco por ser utilizado para denominar ações. 2007. com o apensamento dos autos dos embargos aos autos do processo originário. na doutrina: “Como já se repetiu mais de uma vez. contestação e sentença próprias. 818 Cf. 535. Volume IX. de fato. p. São os embargos uma outra ação. 10ª ed. é indispensável a citação pessoal dos embargos. Novo curso de direito processual civil. 821 De acordo. nota 165). processada sob procedimento especial de jurisdição contenciosa821. p. 817 Por exemplo.: “Os embargos de terceiro veiculam pretensão própria do terceiro. 2002. em razão da formação de um novo processo diverso daquele no qual houve a apreensão judicial de bem de terceiro. em razão da distribuição por dependência ao processo anterior. 387). 823 De acordo.830. 17ª ed. o termo ‘embargos’. trata-se de uma ação. razão pela qual a declaração autoriza a reintegração ou manutenção da posse. incidental. e são outras as pessoas da relação processual. 302 . 189: “Tendo os embargos de terceiro natureza de ação”. 2006. p. Volume III.. constitutiva negativa. Não são meros incidentes da execução. não há dúvida de que têm natureza de ação. Por tudo. artigo 1. no entanto. que visam desfazer a constrição judicial indevida. 2005. artigo 34 da Lei n.

4. Ademais. À vista das distinções apontadas. Segundo o artigo 1..” (VICENTE GRECO FILHO. como a arrecadação. turbação e ameaça provenientes de ato judicial. os embargos são ação autônoma de impugnação em favor de terceiro alheio ao processo no qual foi 824 Em sentido conforme. na doutrina: “Tal se dá nos casos de penhora.046. Nos embargos há um pedido autônomo de exclusão do bem da apreensão judicial. partilha e qualquer outra espécie de apreensão. o sequestro. “Impossível. depósito. cujo objetivo é o de reintegrá-lo ou mantê-lo na posse. Volume III. 6. na doutrina: “A ação de embargos de terceiro (art. 482). 2008.” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. p. 5. tendo em vista o caráter exemplificativo do caput do artigo 1. p. os embargos de terceiro não podem ser incluídos em nenhuma das duas classes. arresto.046 do Código de Processo Civil824. 1. Manual de direito processual civil. 2006. mas também podem ser veiculados pelo possuidor.046 do Código de Processo Civil. 19ª ed. admissíveis contra esbulho. a alienação judicial e qualquer outra modalidade de apreensão judicial de bem de terceiro em relação ao processo no qual houve a constrição indevida.046 do Código de Processo Civil. caput). ao contrário dos verdadeiros interditos possessórios. razão pela qual não são verdadeiros interditos possessórios. os embargos de terceiro não são interditos possessórios. alienação judicial. o arresto. à vista do § 1º do artigo 1. 1998. Direito processual civil brasileiro. Embargos de terceiro e recurso de terceiro Os embargos de terceiro não se confundem com o recurso de terceiro825. Este é um verdadeiro recurso. BAPTISTA DA SILVA. e o recorrente poderá ser beneficiado se for a ação decidida em favor da parte que ele assiste recorrendo. Com efeito. a confusão com o recurso de terceiro prejudicado. 139). 825 De acordo. porquanto podem ser fundados na propriedade.. caso em que faculta ao prejudicado a defesa através de embargos de terceiro (art. inventário. 267). 4ª ed. Volume I.046 do CPC) é outra forma típica de ataque ao ato jurisdicional que não se confunde com os recursos. os embargos de terceiro só têm mira esbulho. p. Embargos de terceiro e classificações Ao contrário das demandas petitórias típicas e das demandas possessórias específicas. que mantém a lide nos limites primitivos. turbação e ameaça provenientes de pessoas naturais ou jurídicas em geral. em virtude da admissibilidade fundada apenas na posse.. 10ª ed. Alvo dos embargos de terceiro A ação de embargos tem em mira ato de constrição judicial de bem de terceiro. arrecadação. mas também não têm natureza petitória. Daí a dificuldade da inclusão dos embargos de terceiro em alguma das duas classes tradicionais.” (OVÍDIO A. também. 303 . Curso de processo civil. sequestro. embora possam ser veiculados com fundamento na posse. arrolamento. os embargos de terceiro também podem ser fundados na propriedade. 1. Volume III.

mas há lugar para a livre escolha entre o recurso de terceiro e os embargos de terceiro quando a impugnação do terceiro suscitar questão diretamente relacionada ao processo originário e que necessite apenas de julgamento à luz do conjunto probatório disponível nos próprios autos828. tendo como alvo o ato de apreensão judicial praticado em processo anterior. como terceiro prejudicado. a despeito da nulidade 826 Cf. tem liberdade de escolha.046 do Código de Processo Civil pode optar pela interposição do recurso de terceiro previsto no artigo 499. 304 . O terceiro. Trata-se de vexata quaestio. Tomo VII. tendo em vista a impossibilidade jurídica da modificação do pedido e da causa de pedir em grau de recurso. 56-61 e 1. Já o recurso de terceiro tem. ao fundamento de que o terceiro não pode agregar nova demanda na angusta via recursal. quer dizer: quem apela. ou. 656. Comentários ao Código de Processo Civil.046. em geral. 59: “Assim. o embargante. Quem poderia opor embargos de terceiro pode recorrer como terceiro prejudicado. autorizada doutrina826 sustenta que o terceiro que dispõe dos embargos do artigo 1. p. evita a oposição de terceiro. caput e § 1º. Imagine-se. a pretensão de umas das partes. porém nem todo terceiro prejudicado pode opor embargos de terceiro”. para determinar o conhecimento de recurso interposto por terceiro com igual legitimidade para ajuizar embargos de terceiro. 499 e § 1º funcionam como espécie de evitador da inovação dos arts. verdadeira natureza recursal. o terceiro. ex vi do parágrafo único do artigo 264 do Código de Processo Civil. Recurso de terceiro. a fortiori. a 3ª Turma do STJ reformou acórdão do TJPR. recorre. com opiniões antagônicas na melhor doutrina. FREDIE DIDIER JR. Com efeito. à vista do artigo 499 do Código de Processo Civil. PONTES DE MIRANDA. portanto. no julgamento do REsp n. 1999. Resta saber se o terceiro ao processo no qual houve a prolação de decisão judicial que ocasiona a apreensão de bem pode recorrer no mesmo processo ou se necessita instaurar outro processo mediante a ação de embargos de terceiro. caput e § 1º. 828 Em reforço. adere. o art.054. Por conseguinte. 827 Cf. porquanto a impugnação tem lugar no bojo do mesmo processo no qual foi proferido o julgamento contrário ao terceiro. e 1. p. por exemplo. 2002. Ainda que muito respeitáveis ambas as teses antagônicas. tudo indica que há lugar para uma solução intermediária: o terceiro não pode agregar nova demanda mediante recurso de terceiro. recorrer como terceiro prejudicado. ambos do Código de Processo Civil. com intuito de que esta prevaleça. ação de direito material. O recurso de terceiro é modalidade interventiva que não amplia objetivamente a causa. entretanto. e os embargos de terceiro contra a futura sentença ou contra a execução judicial (no mais amplo sentido). Não exerce. 120 e 121: “Consideramos. o terceiro. do mesmo diploma.498/PR. doutrina827 muito abalizada sustenta a incompatibilidade das vias impugnativas previstas nos artigos 499. desde que observe os respectivos prazos legais. o avalista cujo bem foi constrito em execução movida apenas contra o avalizado. os embargos de terceiro ocasionam a formação de novo processo.. 3ª ed.exarado o ato judicial lesivo. pelo recurso”. inadmissível a possibilidade de o possível opoente e. Em contraposição.046-1.

devendo ser extinta a execução proposta com base neste título. Diário da Justiça de 12 de agosto de 2008).06. o recurso de terceiro e os embargos de terceiro são institutos distintos. Daí a conclusão: o terceiro com legitimidade para ajuizar embargos de terceiro pode interpor recurso de terceiro. Diário da Justiça de 7 de dezembro de 2007). tendo em vista a natureza jurídica de cada: recurso e ação autônoma de impugnação. O terceiro embargante pode argüir em defesa de seu direito a nulidade da execução.REQUISITO ESSENCIAL . na jurisprudência: “1. – observância do prazo legal. para tanto. 829 Por exemplo. 830 De acordo. Apreensão judicial de bem Os embargos de terceiro têm em mira ato judicial que já ocasionou a constrição de algum bem. Em suma. ou seja. Ora. entretanto. 650. desde que a impugnação recursal não veicule demanda nova.06. 1. para veicular demanda nova. “A ausência da data de emissão da nota promissória a descaracteriza como título executivo. 18ª Câmara Cível do TJMG. – condição de terceiro em relação ao processo no qual houve a apreensão. Preliminar instalada e execução extinguida. em razão de iminente ameaça de apreensão indevida de bens de terceiro. 305 .” (Apelação n. 7.0481. A jurisprudência das Turmas que compõem a Seção de Direito Privado do colendo Superior Tribunal de Justiça firmou-se no sentido de que a data de emissão da nota promissória configura requisito essencial à sua validade como título executivo. sim. 323).OMISSÃO . verse sobre a própria demanda que é o objeto do processo em curso. é admissível a interposição de recurso de terceiro por quem tem legitimidade para ajuizar embargos de terceiro. a nulidade formal do título de crédito e a nulidade da respectiva execução cambial podem ser veiculadas mediante recurso de terceiro e também por embargos de terceiro830.1. conforme a livre escolha do avalista. 3ª Turma do STJ. Admissibilidade dos embargos de terceiro em geral A admissibilidade da ação de embargos de terceiro está sujeita às seguintes condições específicas: – apreensão judicial de bem ou ameaça de constrição.” (Apelação n. é nula.046 do Código de Processo Civil.276005-4/001.MATÉRIA A SER ARGUIDA DE OFÍCIO.02.” (REsp n. Diário da Justiça de 28 de maio de 2007.formal do título de crédito que aparelhou a execução829. 10ª Câmara Cível do TJMG.0079. sacada sem data de emissão.011059-3/004.” (Agravo de Instrumento n.063258-7/001. 17ª Câmara Cível do TJMG. Além dos embargos repressivos. desde que o recurso não traga nova demanda ao processo em curso.INEFICÁCIA PARA A EXECUÇÃO . mas.EXTINÇÃO DO PROCESSO .790/AM. também são admissíveis embargos preventivos. Diário da Justiça de 29 de fevereiro de 2008). respectivamente. na jurisprudência: “AÇÃO DE EXECUÇÃO . não está apta a embasar processo executivo. Se a nota promissória não contém a data de sua emissão. – condição de possuidor ou de proprietário do bem apreendido.NOTA PROMISSÓRIA . 1. 7. o terceiro deve optar pela propositura dos embargos do artigo 1. 1.0702. Não obstante. nos termos do artigo 75 da Lei Uniforme de Genebra.DATA E LOCAL DE EMISSÃO . “A execução fundada em letra de câmbio. p.

2. e REsp n. 12ª ed. Lições de direito processual civil. 530. BOA-FÉ. Justifica-se o seu uso para evitar a consumação de ordem judicial. 1999. ou apenas possuidor”.” (REsp n.” (REsp n. 17ª ed. ainda que não registrada em cartório (art. Direito processual civil brasileiro. ainda que não tenha havido concreta turbação da posse. por ser o verbete incompatível com o disposto no § 1º do artigo 1. o Superior Tribunal de Justiça aprovou o correto enunciado n. 833 Em sentido conforme. p.Com efeito.. 489: “Em outras palavras.172/SP.. Também no mesmo sentido. autorizada doutrina835 sustenta a inadmissibilidade dos embargos por quem é senhor sem posse.046.702/CE. Sem dúvida. 835 Cf.046 do Código de Processo Civil: “Os embargos podem ser de terceiro senhor e possuidor. os embargos de terceiro podem ser ajuizados por quem tem a qualidade de possuidor ou de proprietário do bem apreendido832. por não ser procedimento exclusivo de proprietário. Diário Oficial do Rio de Janeiro de 16 de abril de 1996. ALEXANDRE FREITAS CÂMARA.046 do Código de Processo Civil. a qual também enseja proteção judicial à vista do artigo 5º. É o que se infere do § 1º do artigo 1. 832 Em sentido conforme. já instrumentalizada em mandado. p. Daí a conclusão: os embargos podem ser veiculados com fundamento apenas na posse do terceiro. 7. Volume III. a interpretação final do direito infraconstitucional passou a ser da competência do Superior Tribunal de Justiça. da Constituição Federal831. o antigo Tribunal de Alçada Cível do Rio de Janeiro aprovou o preciso enunciado n. ainda que desprovido do registro”833. 621 da Súmula do Supremo Tribunal Federal. 1. na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: “SÚM. à vista do § 1º do artigo 1. mas diante da real ameaça de apreensão. 192. in verbis: “São cabíveis os embargos de terceiro. 17. 4ª Turma do STJ. Volume III. Corte que afastou a aplicação do enunciado n.2. com o advento da Constituição de 1988. 892. 3ª Turma do STJ.878. Legitimidade ativa: condição de possuidor ou de proprietário do bem No que tange à legitimidade ativa. Na esteira do enunciado n. p.046 do Código de Processo Civil. fundamentados na posse. 4ª Turma do STJ. 1. 84-STJ). está superado o antigo enunciado n. o terceiro poderá ajuizar os embargos de terceiro para buscar proteção para bens de 306 . § 1º).667. p.117/RS. mas também são admissíveis embargos preventivos. Informativo n. Por conseguinte. A propósito da legitimidade ativa do apenas possuidor. inciso XXXV. 375). 573/SP. 7.741).337. ADQUIRENTE. 2. preservando-se o direito dos terceiros adquirentes de boa-fé (Súm n. REsp n. 3ª Turma do STJ. 2ª Turma do STJ. EMBARGOS DE TERCEIRO. 621. Diário da Justiça de 9 de abril de 1990. Ainda a respeito da legitimidade ativa. ainda na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: REsp n. 8. 256). p. 84. N. do CC/1916). 84: “É admissível a oposição de embargos de terceiro fundados em alegação de posse advinda do compromisso de compra e venda de imóvel. Com efeito. ainda que decorrente de título não registrado”834.598/SP. Diário da Justiça de 6 de maio de 1991. ajuizados após a efetiva ocorrência da apreensão judicial indevida de bem de terceiro. 5. propostos antes mesmo da constrição. ao fundamento de 831 No mesmo sentido. na jurisprudência: “EMBARGOS DE TERCEIRO. I. p. 1. p. Diário da Justiça de 16 de abril de 1990. 2007.” (VICENTE GRECO FILHO. Diário da Justiça de 6 de agosto de 1990. 834 Cf. 84-STJ. a regra reside nos embargos repressivos. tanto o possuidor quanto o senhor têm legitimidade ativa para o ajuizamento dos embargos de terceiro. É cediço que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem protegido a promessa de compra e venda. na doutrina: “Quem não for senhor nem possuidor não tem interesse processual nem legitimidade para os embargos de terceiro (art.

Bem de família. § 1º. Só é parte quem tem o nome inserto na petição inicial e é citado. Direito processual civil brasileiro. Condição de terceiro Sob outro prisma. Já quem foi citado (e não apenas intimado!) no processo no qual houve a apreensão de bens atua na qualidade de parte. na doutrina: “A qualidade de terceiro é estabelecida por exclusão: é terceiro quem não é parte no feito. entretanto.046 do Código confere legitimidade ao senhor que é possuidor e ao possuidor que não é senhor. 2007. ou apenas posse. independentemente de ser possuidor. o § 1º confere a máxima proteção possível em favor do terceiro prejudicado pela constrição judicial. 1. 17ª ed. inciso II. Não nos parece ser essa interpretação a melhor. 98.484/ES. 256). tendo ou não a propriedade do bem. 390). tem interesse em preservá-la. Com efeito. Embora a tese seja muito respeitável.” (EREsp n. A pessoa que adquire um imóvel. p..que o § 1º do artigo 1. ainda que sem a posse da coisa. 1ª Seção do STJ. 3ª ed. Precedente da Corte. Mas não por aquele que seja apenas proprietário. na doutrina: “O art. 394). razão pela qual não tem legitimidade para aviar embargos de terceiro838. tem o direito de preservá-la de injustas apreensões judiciais. Com maior razão. 307 . o cônjuge do executado pode opor embargos de terceiro para defesa de sua meação”. até mesmo ao terceiro “apenas possuidor”. 1. ou não. todos do Código de Processo Civil. Basta que seja proprietário836. 7. sem a posse da coisa. Por outro lado. o § 1º do artigo 1. são os de devedor. ainda que a intimação seja da própria constrição judicial. Diário da Justiça de 17 de dezembro de 2004.” (MARCUS VINICIUS RIOS GONÇALVES. 655. integrante do pólo passivo da demanda. ainda que possa vir a ser. merece ser que tenha domínio e posse. A propósito. quando supre a falta da citação. p. não poderá manejar os embargos de terceiro”. Daí a admissibilidade da ação de embargos de terceiro por quem foi apenas intimado (e não citado!) no processo no qual houve a apreensão judicial. não é parte quem é apenas intimado de algum ato processual.046 não enseja interpretação restritiva. Se os herdeiros embargantes são parte na execução. 2005. ao senhor que não é possuidor do bem. portanto. Uma interpretação literal levará à conclusão de que eles só podem ser opostos pelo possuidor. Volume II. não. Assim dispõe o preciso enunciado n.3. do CPC dispõe que os embargos podem ser de terceiro senhor e possuidor.” (VICENTE GRECO FILHO. Da mesma forma que ele tem o direito de havê-la de quem quer que injustamente tenha a coisa consigo (direito à posse decorrente da propriedade – jus possidendi). pode valer-se dos embargos de terceiro para protegê-lo de apreensão judicial indevida. “Embargos de terceiro.046. não podem ingressar com o procedimento que o direito positivo reservou para os terceiros. Os embargos a serem manejados pelo sócio-gerente contra quem se redirecionou ação executiva. 838 Assim. portanto. regularmente citado e. pois é inegável que o proprietário. p. ao proprietário também deve ser conferida legitimidade ativa para a ação de embargos de terceiro. ainda que não tenha ingressado em sua posse. como nas hipóteses previstas nos artigos 615. ou então comparece de forma espontânea ao processo. O terceiro que tenha domínio mas não posse. 836 De acordo. Volume III. e 698. a ação de embargos é outorgada em prol de quem não é parte no processo no qual houve a constrição judicial do bem837. 837 De acordo. Novo curso de direito processual civil. ou apenas possuidor. 134 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Embora intimado da penhora em imóvel do casal. por escritura pública levada a registro. § 2º. na jurisprudência: “1..

Recurso especial conhecido e provido. 841 Cf. em segundo lugar. p.4. § 2º. Com efeito. Diário da Justiça de 1º de agosto de 2000. o sócio-gerente. do Código de Processo Civil. executivos e cautelares. de alienação ou de arrematação. artigo 693 do Código de Processo Civil. 842 Cf. 840 Cf. o prazo dos embargos de terceiro é de até cinco dias depois da adjudicação. a ação de embargos de terceiro deve ser proposta até cinco dias depois da adjudicação. do Código de Processo Civil.048.” (REsp n. Quanto ao processo cautelar. No que tange à apreensão judicial de bens em processo cognitivo. de alienação841 ou de arrematação842. a tempestividade dos embargos de terceiro em sede de execução deve ser aferida sob dois enfoques: em primeiro lugar. 184 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos: “Em execução movida contra sociedade por quotas. é possível concluir que os embargos de terceiro podem ser propostos tanto pelo proprietário quanto pelo possuidor. conforme o caso. os embargos de terceiro podem ser propostos a qualquer tempo. Por conseguinte. artigo 685-C. depende do processo originário no qual houve a indevida apreensão judicial do bem do terceiro. Diante de apreensão judicial indevida em processo de execução ou na fase de execução de processo sincrético. o prazo dos embargos de terceiro segue a mesma regra do processo principal.731/SP. desde que antes do trânsito em julgado da decisão judicial final839. Com efeito. 220. in fine. à alienação ou à arrematação.048 do Código de Processo Civil. Daí a conclusão: são intempestivos os embargos de terceiro ajuizados depois da assinatura da carta. conforme o caso.048. 308 . Daí a explicação para a existência de prazos diferenciados no artigo 1. da alienação ou da arrematação. a injusta constrição judicial pode ter lugar em processos cognitivos.048. 3ª Turma do STJ. 7. Propositura da ação dentro do prazo legal Quanto ao prazo dos embargos de terceiro. artigo 685-B do Código de Processo Civil. desde que antes da assinatura da respectiva carta de adjudicação840. se a 2. 839 Cf. visando livrar da constrição judicial seus bens particulares”. conforme o caso. citado em nome próprio. a ação de embargos deve ser ajuizada antes da assinatura da carta de adjudicação. 266). ainda que a carta tenha sido assinada no curso do quinquídio posterior à adjudicação. Por tudo. não tem legitimidade para opor embargos de terceiro.prestigiado o enunciado n. do Código de Processo Civil. à vista do artigo 1. proêmio. desde que não tenham sido citados no processo no qual houve a apreensão judicial dos bens. ainda que dentro do quinquídio previsto no artigo 1. da alienação ou da arrematação. artigo 1.

Já a constrição judicial em processo cautelar de proteção de execução pode ser impugnada mediante embargos de terceiro dentro do prazo de cinco dias da adjudicação. os embargos de terceiro são adequados para que um cônjuge defenda a respectiva meação diante de constrição judicial indevida efetuada em anterior processo movido apenas contra o outro cônjuge844. Ministro EDUARDO RIBEIRO: “Se a mulher pretende sustentar que seus bens estão sendo atingidos indevidamente. merece ser prestigiado o enunciado n. “Mulher casada. 116). Volume III. a ineficácia do negócio jurídico reconhecido nessa ação produziu efeitos apenas em relação ao marido. a força dos embargos de terceiro. 506. Também no mesmo sentido. o cônjuge do executado pode opor embargos de terceiro para defesa de sua meação”. 8. a perda do prazo previsto no artigo 1. § 3º. na forma do art. Diário da Justiça de 21 de agosto de 2000. da alienação ou da arrematação. 3ª Turma do STJ. que não foi parte.048 não interfere no direito à desconstituição do ato judicial de apreensão indevida dos bens do terceiro. No que tange à natureza do prazo previsto no artigo 1. Defesa. Os embargos de terceiro constituem a via adequada para que a mulher busque afastar a constrição que recaia sobre sua meação. a pretensão da mulher. 1046. p. Colhese do voto do Relator.821/GO.364/SP. 257).” (REsp n. o qual ocasiona a perda apenas do direito de embargar como terceiro mediante procedimento especial marcado pela celeridade. os embargos de terceiros são tempestivos se propostos antes do trânsito em julgado da sentença do processo de conhecimento. Ainda a respeito do § 3º do artigo 1. 844 Assim. 141. na doutrina: “Esse prazo é de natureza de decadência da via processual especial. Em contraposição. Admissibilidade dos embargos de terceiro para a defesa da meação do cônjuge À vista do § 3º do artigo 1. Com efeito.apreensão judicial ocorreu em processo cautelar cujo processo principal é cognitivo. 198). 3ª Turma do STJ. na jurisprudência: “5. p. 309 . trata-se de prazo decadencial.A legitimidade do marido para propor embargos de terceiro restringe-se aos casos em que esteja defendendo a sua meação” (REsp n. 231.048 do Código de Processo Civil.” (REsp n. Meação. livrando-a da penhora. 134 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça: “Embora intimado da penhora em imóvel do casal. 17ª ed. do CPC. sendo legítima. Diário da Justiça de 7 de fevereiro de 2000.312/MG. porém. desde que antes da assinatura da respectiva carta. p. a hipótese é própria dos embargos de terceiro”. sob o procedimento comum843.046 do Código de Processo Civil. 162). 2005. a legitimidade ativa para os embargos de terceiro subsiste ainda que o cônjuge tenha sido intimado da constrição judicial realizada no processo movido somente contra o outro cônjuge. 1ª Turma do STJ. Daí a possibilidade da propositura da ação anulatória consagrada no artigo 486 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 31 de agosto de 2006. p. Direito processual civil brasileiro. Não se exclui a via ordinária posterior de anulação do ato judicial.. de preservar a sua meação. sem.046 do Código de Processo Civil.” (VICENTE GRECO FILHO. ainda na jurisprudência: “I . A propósito. se ambos os cônjuges foram citados no 843 No mesmo sentido. Não tendo havido a citação da mulher na ação pauliana.

o ônus da prova de que o produto do ato não reverteu em proveito da família é do credor e não do embargante. 847 De acordo. o credor cuja garantia real for objeto de apreensão judicial em processo alheio deve ser intimado da constrição.047. Min. Precedentes” (REsp n. 3ª Turma do STJ. Diário da Justiça de 1º de julho de 2005.565/SP. p. art.º 508. 2ª Turma do STJ. p. 701. podem ser levados à hasta pública por inteiro. Diário da Justiça de 14 de dezembro de 1998. EXECUÇÃO REAL DIRIGIDA CONTRA O DEVEDOR. Diário da Justiça de 11 de junho de 2007. Rel. Credor hipotecário. 1.2000). inciso II. Corte Especial. combinados com os artigos 1. Min. Ainda que procedentes os embargos para a defesa da meação do terceiro. 269). com o fito de resguardar a sua meação. TERCEIRO HIPOTECANTE. 846 No mesmo sentido. “RECURSO ESPECIAL. Sálvio de Figueiredo Teixeira. Rel. Embargos de terceiro e defesa de garantia real À vista dos artigos 615. inciso II. Diário da Justiça de 23 de agosto de 2007. todos do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 30 de setembro de 1996. DJU de 29/04/2002. PENHORA. p.” (REsp n. 259. 845 De acordo. a apreensão judicial dos bens deve ser mantida quando a dívida objeto da cobrança por meio do processo originário foi contraída em benefício do casal ou da família. Ministro Garcia Vieira. 2. havendo oposição de embargos de terceiro por parte do cônjuge do executado.411/PR – AgRg. tem legitimidade para opor embargos de terceiro. 310 . BEM INDIVISÍVEL. 1ª Turma do STJ.” (REsp n. Recurso especial provido. EXECUÇÃO FISCAL. na qualidade de litisconsorte. 655-B).638). que não figura na relação processual originária. a despeito da legitimidade ativa do cônjuge não citado. A meação do cônjuge feminino só responde pelos atos ilícitos praticados pelo marido quando o credor provar que ela foi também beneficiada com a infração. e 698. Precedentes: (REsp 200. na jurisprudência: “EMBARGOS DE TERCEIRO.550/RO. na jurisprudência: “1. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. a meação do cônjuge alheio à execução recairá sobre o produto da alienação do bem’ (CPC. 1ª Turma do STJ. 383). 727. em litisconsórcio passivo845. se o bem constrito for indivisível.” (REsp n. 1. 3.2007.processo no qual houve a apreensão indevida. e 1. com a posterior entrega ao terceiro do produto da alienação do bem correspondente à meação.03.055/RS. a fim de que possa ajuizar embargos de terceiro. O terceiro hipotecante.542/RS. Por fim. p.564/MG – AgRg. não há lugar para embargos de terceiro.10. EMBARGOS DE TERCEIRO. 214). João Otávio de Noronha.” (AG n. 848 Assim. contra tal ato de constrição. de propriedade comum decorrente do regime de comunhão no casamento. Tratando-se de execução fiscal oriunda de ato ilícito e. REsp.251/SP.054. O cônjuge que figurou. DJ. 36. 06.267/PR. 9. reservando-se ao cônjuge a metade do preço alcançado. Os bens indivisíveis. REsp n. a novel reforma do Processo Civil Brasileiro. Diário da Justiça de 18 de setembro de 2006.” (AG n.170/RN. 6ª Turma do STJ. na esteira da jurisprudência desta Corte. 478). n. o penhor e a anticrese. pode promover ação de embargos de terceiro para liberar o imóvel constrito em execução promovida por outro credor. para a defesa do direito de preferência em virtude da garantia real. à vista de prova a cargo do embargado847. Rel. 658. no pólo passivo de execução em que foi determinada penhora sobre bem de propriedade do casal não detém legitimidade para apresentar embargos de terceiro. 49. Deveras. 814. MEAÇÃO DO CÔNJUGE. na jurisprudência: “2. p. DJ de 30. como a hipoteca848. a apreensão judicial deve ser preservada. 250). 4ª Turma do STJ. 175. na defesa de sua meação. com garantia real protegida de outras penhoras (DL nº 413/69). consagrou na execução extrajudicial que ‘tratando-se de penhora em bem indivisível. EMBARGOS DE TERCEIRO. p. ex vi do artigo 655-B do Código de Processo Civil846. porquanto são partes. “1. O credor hipotecário. POSSIBILIDADE.

quando a constrição alcança bem que não poderia ter sido apreendido. 10ª ed. com fundamento no § 2º do artigo 1. em razão da mesma posse. no processo principal. Imagine-se. por exemplo. executado.046. mas que não foi objeto da ação. de ato de apreensão judicial numa possessória que vem atingir um bem do réu. mesmo participando da ação de divisão. está condicionada à distinção entre os títulos que tenha sobre a coisa objeto dos embargos ou da constrição judicial. por exemplo. vê penhorado o bem locado. No mesmo sentido. Direito processual civil brasileiro. vindo a juízo noutro processo e com outra qualidade e litigando sobre outros bens. no caso o locador e credor fiduciário. mas apenas os bens que recebeu é que respondem pela execução e não os primitivamente seus. ou seja. pode manifestar embargos de terceiro quanto aos bens que. se a ordem judicial de desocupação compulsória tivesse em mira imóvel contíguo ao objeto da demanda849. mas. Também em sentido conforme. ditos bens não puderem ser apreendidos (art. pelo título de aquisição. tendo em vista o título da aquisição ou a qualidade da posse. receber o ato de constrição judicial.10. Não obstante. 294 e 295). p.” (VICENTE GRECO FILHO. ainda na doutrina: “É o caso. 849 De acordo. como terceiro. § 2º). Exemplo comum é o da coisa recebida com cláusula de inalienabilidade e penhorada em execução. é titular de um direito diferente. por exemplo. a demanda de despejo por falta de pagamento teve como objeto apenas um imóvel locado. quando a restituição a que for condenada na ação possessória. por exemplo. se. por exemplo. Do mesmo modo. A palavra ter significa não só a pessoa física ou jurídica que não tenha participado do feito. 2005. Da mesma forma. em relação ao qual foi proferida a sentença de procedência. ambos do mesmo locador. p. pelo título de aquisição.050. Parte equiparada a terceiro O § 2º do artigo 1. poderá ter apreendidos bens que possui. o condômino que seja também proprietário do prédio contíguo. do locatário que. Na eventualidade de o mandado judicial de despejo compulsório ter em mira o outro imóvel. às vezes. ficando também o possuidor indireto. compreende bens sobre que não versa a demanda. 140). outro que não o que foi objeto da decisão judicial. que não foi objeto da demanda. 1. poderão o executado e os herdeiros embargar como terceiros. aqui. mas agindo com outros títulos. Volume III. pelo título. se a linha do perímetro invadir a propriedade que é sua. na doutrina: “A admissibilidade dos embargos de terceiro. ou o obrigado. o equiparado a terceiro poderá defender-se. 256). ou qualidade em que os possuir. a viúva meeira e inventariante tem qualidade para oferecer embargos de terceiro à arrecadação dos bens deixados pelo marido. Volume III. 1. dependendo da qualidade de sua posse. mas que. Comentários ao Código de Processo Civil. podendo opor embargos.046 do Código de Processo Civil.. nos embargos. quando. uma demanda de despejo movida contra o locatário de dois imóveis contíguos alugados mediante contratos distintos.. o vencido na ação. 311 . Assim. 17ª ed. não pode. depois de feita a partilha.046 do Código de Processo Civil versa sobre hipótese peculiar de embargos de terceiro: os embargos podem ser ajuizados por quem já é parte no processo no qual houve a indevida apreensão judicial. Assim. A coisa. como também a pessoa que participou do processo. embora sejam partes no processo de onde se originou a apreensão (art. ou a que foi obrigada em consequência da ação – como nas liminares –. É o caso. Manual de direito processual civil. manifestados por quem seja parte no processo principal. o herdeiro poderá ser demandado pelas dívidas da herança. pode embargar. Em ambas as hipóteses. 2006. “A pessoa que foi parte na ação possessória poderá valer-se dos embargos de terceiro.” (ERNANE FIDÉLIS DOS SANTOS. com o direito de opor embargos. ou o do devedor fiduciante que teve arrestada ou seqüestrada a coisa alienada fiduciariamente. ainda na doutrina: “A parte. se são diferentes os títulos jurídicos que justificam esse duplo papel. fica ela equiparada a terceiro.“ (HAMILTON DE MORAES E BARROS. Em ambos os casos. Volume IX. argüir sua qualidade de comerciante e quanto aos bens de seu ramo comercial”. Os embargos seriam igualmente admissíveis por parte do réu em processo de reintegração de posse. § 2º). A mesma pessoa física ou jurídica pode ser simultaneamente parte e terceiro no mesmo processo. alegando domínio alheio. o réu poderá ajuizar embargos de terceiro. É a mesma pessoa. não devem ser atingidos pela diligência judicial constritiva.

312 . 329-A. o direito brasileiro admite a propositura de embargos de terceiro até mesmo quando a apreensão de bens se dá nos processos de recuperação e de falência. número 2. 5º. A restituição e separação de bens no âmbito do processo especial de recuperação de empresa e de falência rege-se pelo disposto nos arts. são admissíveis 850 De acordo. com diversa composição societária. 1999. Sem dúvida. aprovado pelo DL nº 132/93. 11. entender incabíveis os embargos de terceiro seria o mesmo que fechar as portas da Justiça a quem tem seus bens indevidamente alcançados por ato de constrição judicial. quer em razão da aplicabilidade do artigo 1. CABIMENTO NOS JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS. no que couber. inciso XXXV. observada a legislação processual civil“. de 1995. 201º e ss. As alterações de que cuida o artigo 52.039963-9. EMBARGOS DE TERCEIRO. da Lei nº 9. Código de Processo Civil anotado.” (Recurso n. 1999.099.046 do Código de Processo Civil à luz do caput do artigo 52 da Lei nº 9. 11.. em razão da vedação inserta no artigo 351º. 1ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal. fica resguardado o direito dos credores de propor embargos de terceiros.1. à vista de enunciado n. número 2. como bem revela o artigo 93 da Lei n.11. do Código de Processo Civil de Portugal. Além disso. de 2005. Não é admitida a dedução de embargos de terceiro relativamente à apreensão de bens realizada no processo especial de recuperação de empresa e de falência”851. 1. À execução que se processa nos Juizados Especiais Cíveis aplica-se. julgado em 10 de abril de 2001). in verbis: “2. 8 aprovado no Fórum Nacional dos Juizados Especiais: “As ações cíveis sujeitas aos procedimentos especiais não são admissíveis nos Juizados Especiais”. do CPEREF. fazendo letra morta do princípio da inafastabilidade do controle jurisdicional. da Constituição da República. quer em razão da imprescindibilidade da ação para liberar bens de terceiros apreendidos indevidamente em execuções processadas perante os Juizados Especiais850. 852 Cf. Admissibilidade dos embargos de terceiro perante os Juizados Especiais Prevalece o entendimento de que não são admissíveis ações sob procedimento especial perante os Juizados Especiais. com a redação conferida pelo Decreto-Lei n.01. 12. os embargos de terceiro são inadmissíveis quando a apreensão de bens ocorre em processos de recuperação e de falência. p. de 1995. ressalvados os casos de ação de restituição852. bem assim da existência de via própria para a restituição de bens na legislação especial dos processos de recuperação e de falência: “2. fins e endereços distintos. Admissibilidade em processos de recuperação e de falência À vista do artigo 351º. de 2005: “Nos casos em que não couber pedido de restituição. Em contraposição. 2. não são admissíveis embargos de terceiro quando a apreensão de bens de terceiro tem lugar em processos de recuperação empresarial e de falência.101. há de se acolher os embargos de terceiro para liberar da penhora os bens indevidamente alcançados pelo ato de constrição judicial. artigos 85 e 86 da Lei n.” (ABÍLIO NETO.101.. 851 Como bem ensina a melhor doutrina lusitana. não excluem a possibilidade de cabimento de embargos de terceiro. Se a análise dos documentos constitutivos das duas sociedades indicam tratar-se de pessoas jurídicas diversas.099/95. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. Não obstante. PESSOAS JURÍDICAS DIVERSAS. a regra consagrada no enunciado não alcança os embargos de terceiro. PROCEDÊNCIA. 473 e 474). PENHORA EM BENS DE TERCEIRO. insculpido no art. o disposto no Código de Processo Civil. do Código de Processo Civil de Portugal. 15ª ed. de 23-4.

O Juízo que determinou a reintegração de posse da INFRAERO em áreas aeroportuárias que eram ocupadas pela VASP tem competência para o processamento e julgamento dos embargos de terceiro opostos sob a alegação de turbação na posse de bens que se encontram na referida área (CPC. não se cogita a alienação de bens da empresa aérea. COMPETÊNCIA. 3. 1. 2. conferir o disposto no posterior tópico 24 do presente capítulo. 854 Por oportuno. 282. 291).” (REsp n. todos do Código de Processo Civil. LEI 11.101/05. p. impedindo o prosseguimento da atividade empresarial. ambos do Código de Processo Civil.046041-6/AM. 855 Cf. p. São os embargos uma outra ação. no caso. 135). p. o seu exame pelo Tribunal configuraria supressão de instância. na doutrina: “Posto que os embargos de terceiro sejam processo incidente e nasçam de ato praticado em outro feito e devam correr no juízo do processo principal. 4. à vista dos artigos 258 e 282. ART. Parte II. Petição inicial A petição inicial dos embargos de terceiro deve ser elaborada à vista dos artigos 39. na composição de 1982. a petição inicial deve conter a indicação do valor da causa. Diário da Justiça de 17 de outubro de 2005. quer pelo administrador judicial nomeado pelo juiz. inciso I.049). 2006. AÇÃO POSSESSÓRIA. Diário do Judiciário de 26 de fevereiro de 1982. inciso V. Comentários ao Código de Processo Civil. 6ª Turma do TRF da 1ª Região. Volume IX. art.00. EMBARGOS DE TERCEIRO. A propósito. O pedido de substituição do fiel depositário não foi objeto de deliberação pelo Juiz a quo e. merece ser prestigiado o verbete n. o autor deve formular pedido específico de citação do réu. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EMBARGOS DE TERCEIRO.01. 313 . 51 da Primeira Câmara Civil854 do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais: “Nos embargos à execução e nos de terceiro. por meio de prova 853 Por exemplo. A regra prevista no art. 3ª Turma do STJ. 2. diversa da que existe no processo principal. como os então Juízes SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA e WALTER VEADO. portanto. 258. 856 Ainda a respeito do valor da causa nos embargos de terceiro. Minas Gerais.490/MA. Ainda que de forma perfunctória. 13. uma vez que. “PROCESSUAL CIVIL. 66. Diário da Justiça de 2 de abril de 2007.” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. 1. e são outras as pessoas da relação processual. o valor da causa não é obrigatoriamente o mesmo atribuído à causa principal”855-856. é indispensável a citação pessoal dos embargos. na jurisprudência: “PROCESSO CIVIL. o autor também já deve comprovar a qualidade de terceiro e a respectiva posse ou propriedade. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. ambos Professores de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. Por conseguinte. vale lembrar que eminentes processualistas integravam a Primeira Câmara Civil do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais. 857 De acordo.” (AGI n. 66 da Lei 11.101/05 não impõe a remessa dos autos dos embargos de terceiro ao Juízo em que tramita o processo de recuperação judicial da VASP. a valor da causa dos embargos não está vinculado ao valor da causa do processo originário no qual houve a apreensão indevida de bem do terceiro. 579.embargos de terceiro referentes a bens apreendidos em processos de recuperação e de falência. 283 e 1. Diante da natureza jurídica dos embargos de terceiro. Agravo de instrumento a que se dá parcial provimento. Quem exerce o comércio em prédio que lhe foi locado pela falida tem legitimidade para opor embargos de terceiro contra o ato de arrecadação do imóvel.050. porquanto há a instauração de novo processo857. quer por ordem do próprio juiz853. 303). p.

44. Por fim. tendo em vista o disposto no caput do artigo 1. 3ª Turma do STJ. Diante de apreensão indevida na falência.A competência para processar e julgar embargos de terceiro. salvo se o bem constrito tiver sido indicado pelo próprio juiz deprecante.049 do Código de Processo Civil. Na eventualidade de apreensão judicial mediante carta precatória.” (REsp n. processados e julgados no juízo deprecado. quando compete ao mesmo (juízo deprecante) decidir os embargos de terceiro. 14. Reforça a precisa conclusão n. 33-TFR).” (CC n. 8. visando à desconstituição da constrição.Se. 1049 do CPC. é o competente para julgar os embargos de terceiro. os embargos são distribuídos. declinável de ofício. a petição inicial é autuada em separado859. a petição inicial deve ser instruída com o rol de testemunhas.223/GO. na execução por carta. 11. determinada no art. absoluta.049 do Código de Processo Civil. “2 . Incidência da Súmula 33 do extinto TFR. salvo se o bem apreendido foi indicado pelo juízo deprecante’. o Juízo deprecante não especifica os bens a serem arrestados. 44. a competência para apreciar os embargos de terceiro. sendo. 860 Em sentido conforme. de natureza absoluta. consoante autoriza o proêmio do artigo 747 do Código de Processo Civil. parágrafo único. mas os autos dos embargos de terceiro são apensados aos autos originais. com o artigo 1.101. 313). Informativo n. Trata-se de competência funcional e. quando da expedição da carta precatória. os embargos de terceiro podem ser oferecidos tanto no juízo deprecante quanto no juízo deprecado. 313). Após a distribuição. 2ª Seção do STJ.documental. salvo se o bem apreendido foi indicado pelo juízo deprecante”860. na jurisprudência moderna: “COMPETÊNCIA. verbis: ‘O juízo deprecado. na execução por carta. 33 da Súmula do antigo Tribunal Federal de Recursos: “O juízo deprecado. os embargos de terceiro devem ser distribuídos por dependência do processo falimentar. p. A Turma decidiu que compete ao juízo deprecante apreciar os embargos de terceiro opostos contra a penhora do imóvel por ele indicado (Súm. com a redação determinada pela Lei n. segundo o qual ‘os embargos serão distribuídos por dependência e correrão em autos distintos perante o mesmo juiz que ordenou a apreensão’. por dependência em relação ao processo original no qual houve a indevida apreensão judicial. artigo 1.050 do Código de Processo Civil. Diário da Justiça de 1º de agosto de 2005. os embargos de terceiro são da competência do mesmo juízo do processo primitivo no qual houve a constrição judicial. p. 1. por consequência. deve ser distribuída ao mesmo juízo. A petição inicial dos embargos de terceiro. 2ª Seção do STJ. N.033. da Lei n. vale conferir o enunciado n. portanto. JUÍZO DEPRECANTE. razão pela qual é passível de apreciação oficial pelo juiz858. Competência. portanto. é o competente para julgar os embargos de terceiro.333/RS.049 do Código de Processo Civil. para a eventualidade de o juiz designar a audiência prevista no § 1º do artigo 1. Diário da Justiça de 1º de agosto de 2005. é funcional. 314 . de 2005.953. 859 Cf. distribuição e autuação À vista do artigo 1. A propósito. na jurisprudência: “1 . ex vi da combinação do artigo 78. 74 do Simpósio 858 Assim. Em seguida.050 do Código de Processo Civil.” (CC n. EMBARGOS. de 1994.223/GO. 364). é do Juízo deprecado.

cabe apelação. 299). 3ª Turma do STJ. os embargos de terceiro não suspende o processo de execução objeto dos referidos embargos. Em síntese. se o bem objeto da constrição judicial mediante carta precatória foi designado pelo juiz deprecante. o critério definidor da competência da Justiça Federal é ratione personae. volume 252. na jurisprudência: “EMBARGOS DE TERCEIRO OPOSTOS PELO BANCO CENTRAL DO BRASIL – COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL – ART.290). inciso I. 2.800/SP – AgRg. incide o artigo 1. liminarmente. vale dizer. p. na execução por carta. considera-se a natureza das pessoas envolvidas na relação processual.PRECATÓRIA. perante ele correrão os embargos”861. 2ª Seção do STJ. Ainda que se admita efeito suspensivo da apelação contra sentença que rejeite liminarmente embargos de terceiro. Por fim.” (CC n.776/SP. o indeferimento da petição inicial não atrai a incidência dos artigos 1. com efeitos devolutivo e suspensivo. por autarquia federal ou por empresa pública federal.048 do Código de Processo Civil. Se o juízo deprecante indicou precisamente qual o bem a ser penhorado. 109. 1. na eventualidade de os embargos de terceiro serem ajuizados pela União. I. p. 66. 865 No mesmo sentido. Indeferida a petição inicial dos embargos de terceiro. Diário da Justiça de 28 de agosto de 1995). Competência da Justiça Federal para processar a causa e decidir acerca do interesse jurídico do ente estatal na demanda. p.051 e 1.” (CC n. incidem os artigos 267. Também no mesmo sentido.052. e 295. 863 Em sentido conforme. se a apreensão do bem foi por este determinada. Indeferimento liminar da petição inicial Diante de embargos de terceiro fora do prazo864 ou com petição inicial inepta. DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. Diário da Justiça de 2 de maio de 2006. ainda na jurisprudência: “EMBARGOS DE TERCEIRO. Diário da Justiça de 20 de novembro de 1989. Nos termos do art. artigo 1. 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça. 10. com a prolação de sentença de indeferimento liminar da petição inicial. 109. Da sentença. 15. 331/MG.049. 17. porquanto o indeferimento liminar significa que os embargos 861 862 Cf.119/RJ. com a distribuição por dependência ao processo originário862. o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que “a apelação interposta contra sentença que indefere. será o competente para os embargos de terceiro. p. de 1975: “EMBARGOS DE TERCEIRO: JUÍZO COMPETENTE EM EXECUÇÃO POR CARTA – Os embargos de terceiro. ambos do Código de Processo Civil. tal efeito não alcança a execução. 315 . não há suspensão do processo originário. na jurisprudência: “EMBARGOS DE TERCEIRO .” (RMS n. 3. em virtude da regra consagrada no proêmio do artigo 520 do Código de Processo Civil. 4ª Turma do STJ. inciso I. a existência do efeito suspensivo na apelação não significa que a apreensão judicial fica suspensa nem que o processo originário fica suspenso865.” (MC n. entretanto. Ao contrário do que pode parecer à primeira vista. Diário da Justiça de 27 de novembro de 2006. da Constituição Federal. Revista Forense. I. da CF/88. incide o artigo 109.de Curitiba. Embargos de terceiro opostos por autarquia federal em execução fiscal movida por Município em face de particular. mas se o juiz deprecante indica o bem a ser apreendido. 227). 28. De acordo. APELAÇÃO. Com efeito. correm perante o juízo deprecado. 864 Cf. razão pela qual a competência passa a ser da Justiça Federal863.

165). Petição inicial com defeito sanável Diante de petição inicial com defeito sanável867. a jurisprudência admite o processamento de embargos de terceiro como embargos do devedor. ao invés de indeferir a petição inicial in limine litis. o juiz também determina a imediata suspensão do processo originário no qual houve a constrição judicial. 16. os embargos versarem apenas sobre 866 “A suspensão do não é nada. notadamente quanto à sua propositura dentro do prazo legal. 1ª Seção do STJ. 235. em homenagem ao princípio da instrumentalidade das formas consagrado nos artigos 154 e 295. Todavia. no caso de litisconsórcio passivo." (EREsp n. e 1.048 do Código de Processo Civil. p.459/SP. Admissão dos embargos e suspensão do processo originário Diante de petição inicial apta. portanto. adequados para aqueles que não fazem parte da relação processual. mas só se os embargos recebidos versarem sobre todos os bens apreendidos. entre outras circunstâncias.de terceiros não produzem efeito jurídico algum. entretanto. o juiz deve converter os embargos de terceiro na via processual adequada. são os de devedor. Exige. na jurisprudência: “Embargos de terceiros. ambos do Código de Processo Civil869. deve examinar se há lugar para a conversão dos embargos de terceiro na via processual cabível: embargos à execução ou impugnação à execução. 3ª Turma do STJ. Por conseguinte. em homenagem ao princípio da fungibilidade das formas. o juiz determina a respectiva emenda. alínea “a”. sob pena de indeferimento. Diário da Justiça de 17 de dezembro de 2004). o juiz. na jurisprudência: "Os embargos a serem manejados pelo sócio-gerente contra quem se redirecionou ação executiva. na verdade. a comprovação do implemento dos requisitos legais de admissibilidade. Diário da Justiça de 22 de novembro de 1993). Admitido o seu processamento e versando sobre a totalidade dos bens penhorados. inciso IV. 869 Assim. primeira parte.052. 18. integrante do pólo passivo da demanda. em especial o prazo do artigo 1. Cumpridos todos os requisitos legais. Se. Além de ordenar a citação do réu.484/ES. da instrumentalidade do processo e da ampla defesa. o juiz recebe os embargos de terceiro e determina a citação do réu – ou dos réus. é parte no processo originário no qual houve a apreensão judicial. conforme o caso. 316 . para tanto. 868 De acordo. inciso V. há que se suspender o curso do processo de execução. regularmente citado e. a produção do efeito suspensivo do recurso apelatório não traz consequência alguma866. in fine. Diário da Justiça de 14 de agosto de 2000. 17. e não por embargos de terceiros.” (REsp n. à vista do artigo 284 do Código de Processo Civil. 4ª Turma do STJ. do Código de Processo Civil868. ausência de indicação do valor da causa. tudo nos termos dos artigos 265. já que não se transforma em sim” (PET n. 513/ES – AgRg. Fungibilidade Na eventualidade da propositura de embargos de terceiro por quem. 867 Por exemplo. 98.

.674/SP. há a excepcional 870 871 Cf. 1.052.” (REsp n. 872 No mesmo sentido. 3ª Turma do STJ. como regra. será réu da ação de embargos o credor exeqüente. mediante pedido ao Poder Judiciário.” (NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY. artigo 1.alguns dos bens apreendidos. 256). Assim. 19. mesmo que não tenha sido ele pessoalmente quem tenha indicado o bem para ser penhorado e a penhora resultou de atuação de ofício do oficial de justiça. na qualidade de embargado872. inexistindo. em dez dias. 317 . de sua parte. tendo em vista o disposto nos artigos 826 e 1.051. § 3º.050 do Código de Processo Civil. 4ª ed. Volume III.. a regra comporta exceção: se a constrição judicial é efetivada em razão de manifestação do demandado no processo originário. 2005. tendo em vista o disposto no artigo 273 do Código de Processo Civil871.051). Não obstante. 140). ambos do Código de Processo Civil. na doutrina: “No pólo passivo da ação de embargos de terceiro figura como réu aquele que deu causa à apreensão judicial. na execução. não pode ser classificada como cautelar. Em sentido conforme. Código de Processo Civil comentado. 873 Cf. mas. 1999. nota 3 ao artigo 1. se forem penhorados bens de terceiro. com fundamento no artigo 522 do Código de Processo Civil. litisconsórcio passivo necessário com o devedor. inciso IV. somente este detém legitimidade para figurar no pólo passivo dos Embargos de Terceiro. a restituição liminar dos bens apreendidos depende de prévia prestação de caução pelo embargante.051 do Código de Processo Civil. na doutrina: “3.356. Diário da Justiça de 7 de maio de 2001. Por fim. Legitimidade passiva No que tange ao polo passivo dos embargos de terceiro. indicação direta e precisa do bem a ser apreendido. na jurisprudência: “I . sim. ainda que não haja.Nas hipóteses em que o imóvel de terceiro foi constrito em decorrência de sua indicação à penhora por parte do credor. 17ª ed. com a expedição de mandado judicial de manutenção ou de restituição dos bens em favor do embargante. p. a decisão interlocutória liminar é passível de agravo de instrumento. p. Como a decisão interlocutória liminar ocasiona a antecipação da manutenção ou da restituição da posse em favor do terceiro embargante. Direito processual civil brasileiro. segunda parte. do Código de Processo Civil. 20. o juiz determina o prosseguimento do processo originário somente em relação aos bens não embargados870. profere decisão interlocutória in limine litis à vista do artigo 1. não se tratando de providência cautelar. De acordo. 282. a regra reside na inclusão do autor da demanda originária na qual houve a indevida apreensão judicial. Não obstante. Decisão interlocutória liminar agravável Se o juiz considerar suficiente a prova documental que instruiu a petição inicial ou a prova testemunhal na audiência prevista no § 1º do artigo 1. como verdadeira antecipação da tutela. A medida liminar tem natureza de tutela antecipatória do provimento final (CPC 273). como ocorre quando o executado indica bem de terceiro à penhora873. Antecipação da tutela. artigos 600.” (VICENTE GRECO FILHO. p. e 652.

em seu patrimônio . Citação. o réu pode suscitar fraude de execução874. 593 do CPC. 684. de 2009.050 do Código de Processo Civil. Trata-se. de exceção.053 do Código de Processo Civil. inciso II. regulado no art. a exceção do artigo 1. 22. agora só há necessidade de citação pessoal do próprio réuembargado no processo de embargos se o mesmo não constituiu advogado constituído nos autos do processo principal. porquanto o bem alienado a terceiro continua sujeito à execução. Por conseguinte. Com efeito. dispensa a citação pessoal do réu-embargado na ação de embargos de terceiros.125. mas.” (REsp n. Em suma. decisão interlocutória liminar e feriados À vista do artigo 173. para o cumprimento da decisão interlocutória concessiva da restituição liminar e para a prática de outros atos processuais urgentes até mesmo em feriados. na pendência de um processo capaz de reduzi-lo à insolvência. sim. Diário da 318 . acrescentado por força da Lei n. a citação do réu-embargado agora se dá na pessoa do respectivo advogado constituído nos autos do processo originário. sem a reserva . há lugar para a citação. porquanto a regra é a citação apenas do demandante do processo originário. Trata-se de instituto de direito processual. do Código de Processo Civil. e que não se confunde com a fraude contra credores prevista na legislação civil. o novel § 3º do artigo 1. No que tange à matéria de defesa. se o embargado não tiver procurador constituído nos autos da ação principal”. Na eventualidade de litisconsórcio passivo.053. 874 “A fraude à execução consiste na alienação de bens pelo devedor. 21. todavia. preceito específico acerca da contestação dos embargos de terceiro. Citação No que tange à citação. quando o mesmo já tem advogado constituído nos autos do processo anterior no qual reside a constrição judicial: “§ 3o A citação será pessoal. com procuradores diferentes.050 do Código de Processo Civil. réu por excelência nos embargos de terceiro. entretanto. 23. à vista do novo § 3º do artigo 1.925/RS.formação de litisconsórcio passivo necessário entre o demandante e o demandado do processo primitivo.de bens suficientes a garantir o débito objeto de cobrança. o prazo é duplicado por força do artigo 191 do Código de Processo Civil. os quais devem ser citados como litisconsortes passivos nos embargos de terceiro. o réu dispõe de apenas dez dias para contestar os embargos de terceiro. Contestação À vista do artigo 1. não incide a regra do artigo 297. 1ª Turma do STJ. 12.

verdadeiro crime876.” (NELSON NERY JUNIOR e ROSA MARIA ANDRADE NERY. por fraude contra credores”880. 17. ambos Professores de Direito Processual Civil da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais. não há lugar para veiculação de fraude contra credores em embargos de terceiro. A fortiori. do Código de Processo Civil.tendo em vista o disposto no artigo 592. 319 . em sede de contestação aos embargos de terceiro. 4ª Turma do STJ. inciso V.357.361/PA. 879 Cf. Código de Processo Civil comentado. Diário da Justiça de 20 de novembro de 1989. 267). a hipótese somente pode ser entendida. não há mais lugar para dúvida. razão pela qual pode ser suscitada na contestação do exequente citado como réu nos embargos de terceiro877. como revela o teor do verbete n. É ineficaz relativamente ao processo fraudado. Deve ser declarara ex officio pelo juiz e pode ser alegada por petição simples. Com efeito. 876 Cf. 875 Cf. 24. Parte II. 878 Por oportuno. notadamente porquanto existente ação própria para tanto. porque se caracteriza como ato atentatório à dignidade da justiça. p. Diário do Judiciário de 26 de fevereiro de 1982. 4ª ed.” (REsp n. 877 Em sentido conforme.. 880 De acordo. prescindindo de ação para ser reconhecida. p. .Não é possível a apuração e o reconhecimento de fraude contra credores no âmbito dos embargos de terceiro à execução. Embargos de declaração. contra a qual se insurge o adquirente mediante embargos de terceiro. Sem dúvida. na jurisprudência: “Direito civil e processual civil. 195 da Súmula do Superior Tribunal de Justiça. Diário da Justiça de 23 de abril de 2007.” (REsp n. Fraude de execução. Resta saber se também há lugar para veiculação de fraude contra credores na contestação. Recurso especial provido. 327/SP. Hoje. como de fraude a credores. Embargos de terceiro à execução. artigo 179 do Código Penal. como ato atentatório à dignidade da justiça875. na contestação dos embargos de terceiro. p. nota 2 ao artigo 1. 1999. 1. pode-se pedir. 841. sua improcedência.302). na doutrina: “2. 3ª Turma do STJ. Pode ser alegada e proclamada nos embargos de terceiro. porquanto a discussão é incompatível com a celeridade Justiça de 24 de outubro de 2005. como os então Juízes SÁLVIO DE FIGUEIREDO TEIXEIRA e WALTER VEADO. Dissídio. A Colenda Primeira Câmara Civil878 do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais chegou até mesmo a aprovar orientação jurisprudencial em favor da possibilidade da veiculação de fraude contra credores em sede de embargos de terceiro. em tese. entretanto. na composição de 1982. 1.053). tema do próximo tópico. in verbis: “Em embargos de terceiro não se anula ato jurídico. Se a alienação é anterior a tal demanda. 191). 10: “A fraude contra credores pode ser apreciada em embargos de terceiro. p. Minas Gerais. Fraude contra credores. a fraude de execução é passível de conhecimento oficial. desde que todos os interessados participem ou tenham sido convocados ao processo”879. Súmula 195/STJ. Fraude contra credores e contestação aos embargos de terceiro Durante muitos anos perdurou séria divergência jurisprudencial acerca da alegação de fraude contra credores pelo embargado. artigo 600. tendo em vista o ato ter sido praticado em fraude de execução (CPC 593). vale lembrar que eminentes processualistas integravam a Primeira Câmara Civil do antigo Tribunal de Alçada de Minas Gerais. ainda que ao tempo da venda outras demandas afetassem o patrimônio do devedor-alienante. em virtude da aprovação do enunciado n. do Código de Processo Civil. p. “Somente se caracateriza a fraude de execução quando a alienação é realizada já pendente aquela demanda que dá origem à penhora. inciso I. Recurso especial.

mas não pode ser superior ao valor da dívida cobrada no processo originário no qual houve a constrição judicial883. é imprescindível a propositura de “ação pauliana”881. não interessa apenas ao embargante. Abono da melhor doutrina e precedente do STJ (3ª Turma)” (REsp n. os embargos de terceiros a defesa fundada em fraude a credores. é mister a utilização da ação pauliana.. tendo como réus o devedor e o terceiro beneficiado. Seria indispensável o litisconsórcio. “PROCESSUAL CIVIL – EMBARGOS DE TERCEIRO . a petição inicial dos embargos de terceiro deve conter a indicação do valor da causa. RTJ 100. mas a ação pauliana. n. em litisconsórcio passivo necessário.. O embargado. Diário da Justiça de 12 de março de 2007. a discussão acerca da fraude contra credores depende de demanda específica a ser movida pelo credor acionado por meio dos embargos de terceiro. AÇÃO PAULIANA. Destina-se. anulando ato que. 245). Assim. p. 735).” (HAMILTON DE MORAES E BARROS. 883 De acordo. 881 Assim. De acordo. ambos do Código de Processo Civil. p. EMBARGOS DE TERCEIROS.053 do Código de Processo Civil. Que há litisconsórcio passivo necessário é indubitável em face do atual direito processual civil brasileiro.” (voto-vista no ERE n. uma vez que.322/RJ. não pode o embargado postular a anulação do ato jurídico. 190. e réus.674/PA. 1999. Impugnação ao valor da causa Como noticiado no anterior tópico 12 do presente capítulo. 30. mas também ao terceiro. RJTJESP. embora possa alargar o número de questões a serem decididas pelo juiz. não há lugar para veiculação de fraude contra credores em embargos de terceiro882. nota 3 ao artigo 1. Fraude contra credores alegada nos embargos de terceiro. à vista dos artigos 258 e 282. 27. inviável nas circunstâncias” (REsp n. 4ª ed.. o devedor insolvente e o terceiro beneficiado).SÚMULA 83/STJ. não amplia o objeto do processo. o valor da causa dos embargos de terceiro deve ser atrelado ao valor do bem objeto da apreensão indevida. o valor da causa deve corresponder ao do bem objeto da constrição. argüindo que foi praticado em fraude a credores. na jurisprudência: “CIVIL. 25. na doutrina: “Por isso. não podendo. inciso V. p. não haverá espaço para que se profira sentença. sem a participação de todos aqueles que o celebraram. Assim também se manifestou o Ministro MOREIRA ALVES: “Para decretá-a. p. Diário da Justiça de 22 de março de 1993). a desfazer o ato de constrição judicial. adquirente do bem.903/RJ. na doutrina: CÂNDIDO RANGEL DINAMARCO. Volume IX. merece ser conferido trecho de didático voto proferido pelo Ministro EDUARDO RIBEIRO: “O objeto dos embargos é limitado. na jurisprudência: “PROCESSUAL CIVIL – RECURSO ESPECIAL – EMBARGOS DE TERCEIRO – VALOR DA CAUSA – CORRESPONDÊNCIA