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CLÍNICA DE

DOR

condor
REVISTA

Edição 2009 · Ano VI · Número 28 · Março e Abril

O livro nosso de cada dia
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LOGIA CITO

Tradição, Responsabilidade e Respeito. 50 anos promovendo sua saúde.

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Índice

Editorial Saúde e Bem Estar Praia, sol, mar, caminhada e natação: como isso tudo se converte em saúde? ................................................... Agenda Acontece na medicina......................... Ciência & Pesquisa Hepatite B............................................. Para refletir A princípio ou a felicidade realista.... Psicologia A importância de gerenciar os pensamentos........................................ Um clínico para a dor Síndrome Metabólica.......................... Entrevista Um grande médico, um grande hospital................................................. Atualidade Polêmica no uso do Aspartame......... Reflexões do Professor (CAPA) O Livro.................................................. Saúde & Direito O dever de informar na relação estabelecida entre médico e o paciente................................................

Editorial

Saúde & Bem-estar

como tudo isso se converte em saúde?
Dr. Fábio Ravaglia Ortopedista / membro titular da Academia de Medicina de São Paulo o Brasil, as praias são o destino certo de turistas no verão. O País tem uma gigantesca extensão litorânea de cerca de 9.200 quilômetros, quase toda formada por lindas praias, com areias de todos os tipos e águas de diversas cores. Mais de 40% da população brasileira mora em municípios litorâneos. Estas características influenciam na escolha das atividades físicas e de lazer. O que mais se vê à beira mar é gente caminhando ou nadando. Faço aqui algumas considerações sobre esses exercícios e, claro, algumas recomendações médicas para quem quer praticar atividades físicas durante esta estação. A natação é tida como uma das atividades físicas mais completas e também é a mais indicada por médicos para pessoas de todas as idades. É recomendada em casos de problemas respiratórios, cardíacos e psicomotores. O ato de nadar coloca em movimento os principais músculos do corpo, ajuda a manter a postura correta porque a coluna vertebral fica isenta da ação da gravidade, torna as artérias mais flexíveis, facilitando a circulação sanguínea; e atua no sistema ner voso, auxiliando na coordenação. A água ajuda a relaxar o corpo, pois confere a sensação de

Praia, sol, mar, caminhada e natação:

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alívio da tensão e do estresse, além de ser o melhor meio para exercitar o corpo com baixo impacto sobre as articulações, por compensar a ação da gravidade. É a água que faz com que a natação, apesar de ser um esporte de predominância aeróbica, seja de menor risco de lesão articular do que outros tipos praticados no chão. Em função das características que a água confere às atividades físicas, a natação e a hidroterapia são as únicas práticas recomendadas para quem tem artrose avançada em joelho, tornozelo ou quadril. Mas, cabe um alerta: nadar no mar é muito diferente de nadar na piscina, pois as ondas e a profundidade da água exigem mais cuidados. A caminhada também é bastante indicada pelos médicos. Trata-se de uma atividade física natural, que pode ser praticada quase que por todos. Sempre recomendo que cada um faça o seu próprio ritmo, respeitando suas limitações. Caminhar na praia costuma ser relaxante, quase um passeio, o que ajuda a diminuir o estresse. Durante a caminhada, é importante estar atento à postura. A cabeça deve estar centrada nos ombros; o queixo, paralelo ao chão; os ombros, alinhados com o tórax; os braços para baixo e levemente dobrados; as mãos, ligeiramente curvas; o

abdome contraído para manter a coluna ereta e protegida; nunca movimente o quadril para os lados; o calcanhar toca primeiro o chão (na pisada correta rola-se o pé a partir do calcanhar no sentido do arco e dos dedos, complementando sempre essa sequência antes de mudar para o próximo passo). A dica para a respiração é concentrar-se em mantê-la suave, profunda e regular, o que ajuda o coração a bater ritmadamente. Cuidado quando caminhar na areia mole ou fofa, pois o impacto do exercício é bem maior. Além disso, a instabilidade do terreno pode causar torção ou entorse no tornozelo, uma lesão que varia de leve para grave, chegando a acarretar problemas para a coluna. O gasto calórico durante essas duas atividades físicas depende muito do metabolismo de cada indivíduo. Há estimativas de que um nadador gaste oito vezes mais calorias para cumprir um percurso do que uma pessoa que anda. Ressalto que essa informação serve apenas como parâmetro, porque varia de acordo com sexo, idade, condicionamento físico e muitos outros fatores. Há, ainda, a necessidade de uma alimentação balanceada para dar energia e manter o corpo

saudável. A receita de montar um prato colorido tem ajudado na escolha dos alimentos. Frutas, verduras e legumes precisam integrar o cardápio, principalmente nessa época do ano. Quem pretende emagrecer, não deve perder de vista a necessidade de se alimentar. Regimes e dietas devem ser receitados por profissionais. Cuidar da hidratação é fundamental no verão. Em média, o corpo humano é formado por 70% de água. Com o calor, há aumento da transpiração e a água precisa ser reposta para que a pessoa não corra o risco de desidratar. E atenção! A desidratação não ocorre apenas em crianças. Tome água e outros líquidos antes e depois dos exercícios. A melhor forma de combater a doença é a prevenção. O sol é muito importante para a saúde no que diz respeito à produção de vitaminas e cálcio para o organismo, mas é preciso ter cuidado com o excesso. Quando os raios ultravioleta (tipo B) atingem as camadas mais profundas da pele, podem alterar suas células e provocar envelhecimento precoce, lesões nos olhos e até câncer de pele. Nos últimos anos, o Brasil registrou um número elevado de pessoas que sofrem com câncer de

pele. Em 2008, foram 59 novos casos a cada 100 mil homens e 61 em mulheres. Apesar de a maioria não oferecer risco letal, o câncer de pele pode ser evitado facilmente. Basta lembrar de aplicar sempre protetor e bloqueador solar. É importante escolher os horários antes das 10 horas ou após as 16 horas para não se submeter ao sol muito forte. Outro cuidado importante é com a pressão arterial. O aumento da temperatura corpórea, ou do ambiente, provoca a dilatação dos vasos sanguíneos e a conseqüente eliminação excessiva de água dos rins, alterando a pressão arterial. Então, quem sofre de hipertensão, ou possui pressão arterial baixa, pode se sentir mal, apresentando sonolência e até dor de cabeça. É preciso consultar um médico. A prática de exercícios é sempre muito positiva não só para o bem-estar do organismo, mas para o equilíbrio emocional. Recomendo consultar sempre um médico para receber as orientações adequadas. Assim, além de fonte de prazer, a atividade física passa a ser forte aliada da boa saúde. Feito isso, não esqueça de preparar o corpo. Antes e depois dos exercícios, um alongamento ajuda

a evitar lesões e aumenta a flexibilidade. Os músculos e as articulações movimentam-se com mais facilidade. Durante o alongamento, recomendo respirar fundo, para aumentar o relaxamento muscular, uma vez que a respiração confere ritmo ao exercício. Aproveito para repetir que a regularidade na prática de atividades é o que garante o bom condicionamento físico, a saúde e o bem-estar. Ressalto que qualidade de vida é ter lazer e saúde. Juntar o útil ao agradável é muito prazeroso. Aproveite com alegria as oportunidades e revigore sempre as suas energias. ________________________________________

Acontece

foto: divulgação - recados.net

Agenda

na medicina

Março e Abril 2009
36º Congresso da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular Data: 26 a 28 de março Local: Belo Horizonte/MG Informações: www.sbccv.org.br/36congresso 5º Congresso Latino Americano de Dermatologia Pediátrica Data: 16 a 18 de abril Local: São Paulo/SP Informações: www.congressosladp2009.com.br Congresso Minas–Brasil de Cirurgia Geral Data: 29 de abril a 2 de maio Local: Belo Horizonte/MG Informações: eventos@congresseventos.tur.br
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18ª Jornada de Ginecologia e Obstetrícia Data: 11 a 14 de março Local: Ribeirão Preto/SP Informações: www.sinhajornada.com.br 3º Simpósio Nacional de Alimentos Funcionais Data: 19 de março Local: Piracicaba/SP Informações: www.sbaf.org.br X Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica Data: 20 à 22 de março Local: Sheraton WTC Hotel - São Paulo

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Para refletir

Martha Medeiros De Norte a Sul, de Leste a Oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos. Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vuitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inespera-

A princípio ou a felicidade realista
dos, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito. É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par e não como pares? Ter um parceiro constante, não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo a expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio. Dinheiro é uma bênção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade. Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

Psicologia

A importância de gerenciar os pensamentos
Dra. Carolina França Richard Carvalhaes Psicóloga mundo dos pensamentos pode ser uma fonte de prazer ou de terror para o ser humano. Pensar é excelente, mas pensar demais pode ser um grande problema! Pensar é saudável; Contudo, pensar de forma excessiva gera ansiedade e estressa o cérebro. A grande maioria das pessoas vive hoje o que chamamos de Síndrome do Pensamento Acelerado (SPA), caracterizada por ansiedade, insatisfação, esquecimento, falta de concentração, inquietação, cansaço físico exagerado e sintomas psicossomáticos (como dores de cabeça e muscula-

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res). Muitas pessoas vivem em função dos problemas do passado, vivem remoendo seus erros, falhas, inseguranças e se culpam intensamente. Outras vivem pensando em problemas que ainda não aconteceram e sofrem antecipadamente. Mas como escapar dessa Síndrome? O segredo é o gerenciamento de pensamentos. Uma excelente técnica para gerenciá-los é o uso da dúvida, crítica e determinação (DCD). Tudo que você acredita o controla; duvide de tudo que você crê e que o perturba. Duvide das mentiras dos seus pensamentos negativos, duvide de

que não consiga superar seus conflitos e suas dificuldades. Critique suas preocupações excessivas e suas idéias pessimistas. Determine ser alegre, relaxado, forte. Viva o presente e pense no amanhã apenas para se planejar. Aprendendo a gerenciar os pensamentos, você aprenderá a ser líder de si mesmo e perceberá que tem o poder de escolher ser feliz ou não nesta vida! Faça a sua escolha!!!
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Ciência & Pesquisa

Hepatite B
Dr. Celso Pedro Tafuri Patologista / Diretor do Laboratório Tafuri s hepatites virais são um grupo de doenças infecciosas crônicas com graves consequências - que merecem cuidado especial. Nesse sentido, o Ministério da Saúde, lançou, recentemente, sua cartilha de hepatites virais (chamada O Brasil está atento), alertando e congregando toda a sociedade, inclusive seus profissionais de saúde, para uma maior mobilização e capacitação, no sentido de melhor prevenir, diagnosticar e tratar as hepatites virais. Elas são classificadas em hepatites tipo A, tipo B e tipo C, com quadros clínicos definidos. Vamos abordar apenas a hepatite B, pela sua maior importância e suas graves consequências. É u m a d o e n ç a infecciosa freqüentemente crônica, causada pelo vírus da hepatite B, conhecido como HDB. Por acometer o fígado, pode evoluir para cirrose e câncer hepático. Segundo a Organização Mundia de Saúde (OMS), a hepatite B mata dois milhões de pessoas todos os anos somente no Brasil. É uma doença complexa com alta taxa de mortalidade, que ainda apresenta muitos desafios quanto ao seu conhecimento e tratamento. É considerada a 8ª maior causa de morte entre homens brasileiros. Quando um adulto é infectado, tem 95% de chances de suprimir a

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doença. Porém, quando a infecção acomete as crianças, as chances são bem menores, Os vírus da hepatite B pode se espalhar por meio do por se tornarem mais crônicas e contato com sangue e através de relações sexuais. apresentarem conseqüências mais graves, como a cirrose e o que é a persistência do vírus por mais próprio câncer do fígado. Existe ainda de seis meses, ocorre em aproximadao chamado portador saudável, mente 5% a 10% dos indivíduos indivíduos infectados que não desenadultos infectados. Caso a infecção volveram a doença, mas tem o poder ocorra por transmissão vertical, o risco de transmitir a infecção. A transmissão de contaminação dos recém-nascidos do vírus da hepatite B se faz por via é de cerca de 70% a 90% e de apenas parenteral (pelo sangue) e, sobretudo, 10% a 40% nos casos sem evidências pela via sexual, sendo considerada de replicação do vírus. Cerca de 70% a uma Doença Sexual Transmissível 90% das infecções ocorridas em (DST), resultado de relações sexuais menores de 5 anos cronificam, e 20% a desprotegidas. Pela via parenteral, 25% dos casos com sinais de replicação através de transfusões de sangue, de viral evoluem para a doença hepática compartilhamento de agulhas e avançada (cirrose e hepatocarcinoma) seringas, tatuagem, piercings, procedi- uma particularidade dessa infecção mentos cirúrgicos e/ou odontológicos. viral crônica é a possibilidade de Outros líquidos orgânicos como evolução para o câncer hepático sêmen, secreção vaginal e leite independentemente da ocorrência da materno também podem conter o cirrose, fato considerado pré-requisito vírus, constituindo fonte de infecção. A nos casos de surgimento de carcinoma transmissão vertical (de mãe para filho) hepatocelular nas demais infecções também é causa frequente de dissemivirais crônicas como a hepatite C. nação do vírus em regiões de alta A vacinação torna-se obrigaendemicidade, daí a importância do tória e são necessárias três doses com exame pré-natal. De maneira semeintervalos pré-estabelecidos nos lhante às outras hepatites, as infecções diversos postos de saúde. Os menores causadas pelo HBV são habitualmente de um ano de idade, a partir do anictéricos - apenas 30% dos indivídunascimento, preferencialmente nas os apresentam a forma ictérica da primeiras 12 horas após o parto. Para doença. A forma crônica da doença, todas as faixas.

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Entrevista

Mírian Pinheiro atural de Campanha, interior de Minas, ele já soma 47 anos de profissão, dos quais 40 vêm sendo vividos intensamente dentro do Hospital Felício Rocho. Lugar que, para Cláudio Almeida de Oliveira, renomado cirurgião e professor acadêmico, possui uma aura sagrada - talvez pelo fato de sua história se confundir um pouco com a da fundação do hospital, um dos mais importantes centros de transplantes do país, sendo classificado como unidade de saúde referência não só em nosso Estado, mas em toda América Latina. Casado há 42 anos, pai de três filhos e avô de dois netos, ele não esconde o prazer que sente de fazer parte da nata de profissionais que, de certa maneira, revolucionou a cirurgia em Minas, elevando-a à categoria excelência . Dono de um perfil mais reservado, que não lhe impede de abrir alguns sorrisos largos, ele prefere não citar nomes quando solicitado a reverenciar companheiros, “poderia se esquecer de alguém especial”, justifica. Mas o olhar profundo e atento às perguntas não esconde um grande orgulho, principalmente quando se sabe parte ativa de um seleto grupo pioneiro em procedimentos médicos. Cirurgiões que atuam com competência e seguem contribuindo para a formação de novos talentos. “São cerca de 100 residentes assistidos somente dentro do Felício Rocho”, comenta, certo da responsabilidade que encerra o ato de integrar um corpo clínico formado por tantos ícones. Herança de família P r o f e s s o r d e Té c n i c a Operatória da Faculdade de Ciências

um grande hospital

Um grande médico

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Dr. Cláudio Almeida de Oliveira
Médicas, é no Felício Rocho que ele concentra boa parte de suas atividades e lá também exerce outras funções, como a de coordenador da Clínica Cirúrgica II do Hospital. Se deixássemos, era do hospital que ele, no fundo, preferiria falar - e não dele. E é para nos “alimentar” de informações à respeito do lugar onde trabalha e tem vivido parte da vida, que, simpático e gentil, interrompeu a entrevista algumas vezes para, entre um telefonema e outro de seu celular particular, pudesse levantar dados para que a reportagem pudesse compreender melhor o que ele estava dizendo. Tudo para dar à Revista Condor uma pequena dimensão do que é o “seu” hospital. “O Felício Rocho foi responsável pelo 1° transplante de coração de Minas. Numa mulher, esse mesmo transplante foi o primeiro do Brasil. Foi pioneiro também no Estado no transplante de medula óssea, sabia?”. Sem esperar pela resposta, disse ainda que mais de 50% de todos os transplantes

Se temos diagnóstico, temos possibilidade de tratar. Hoje dispomos de métodos diagnósticos extremamente eficientes.

de Minas Gerais são realizados no Felício. “É um hospital de ponta”, completa orgulhoso. E, por um bom tempo, deixou de falar dele, chegando a contar até mesmo sobre a história da fundação do hospital pelo advogado capixaba Américo Gasparini há “boas” déca-

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das. É com o mesmo sentimento de satisfação que, ao voltar à sua própria história, razão da nossa reportagem, já lá no finalzinho da entrevista, revelou, meio timidamente, a alegria de ser médico. Profissão legada de família, em que avô e pai descobriram, assim como ele, o talento nato: a vocação para cuidar. Irmão de um dos mais conhecidos profissionais da área médica do País, o cirurgião cardiovascular Sérgio Almeida, Cláudio formou-se nas Ciências Médicas, em 1961, em Belo Horizonte. Fez estágio em vários hospitais da cidade, como Vera Cruz, Felício Rocho e Santa Casa, e, como bolsista da Capes, teve o privilégio de estu-

diz acrescentando que um dos poucos privilégios da longa atividade é poder, hoje, se dedicar mais aos prazeres e não precisar correr tanto, embora tenha uma rotina profissional intensa. Um cotidiano que não o deixa parar no tempo. Atualidade científica confirmada pelo respeito e admiração pelos avanços da medicina. Para ele, a medicina evolui muito, facilitando diagnósticos. “Se temos diagnóstico, temos possibilidade de tratar. Hoje dispomos de métodos diagnósticos extremamente eficientes”, afirma, acrescentando a Laparoscopia, um procedimento cirúrgico minimamente invasivo. Já sobre a relação médico-paciente, tão transformada nas últimas décadas, ele

que o aparelho, as técnicas e os exames de hoje conseguem em segundos”. Quanto à corrente que acredita que a tecnologia esteja desumanizando a medicina, ele não faz coro. “Sinceramente, não acredito nisso. Talvez pelo fato de eu ter nascido no interior, visto as dificuldades por que meu pai e meu avô passaram, só consigo enxergar benefícios. Eles tinham um orçamento mensal igual às despesas. Não se ganhava dinheiro com medicina. Tudo era difícil. Hoje temos antibióticos disponíveis, as crianças são imunizadas com até 12 vacinas. Lembro-me de meu pai preocupado com uma criança que estava com febre, pesquisando incessantemente a causa, temendo ser uma poliomielite

Essa dinamização do tempo tem a ver com segurança também. Hoje o médico se sente mais seguro com a propedêutica. Com os recursos limitados de antigamente, ele se desdobrava mais, havia um esforço maior no sentido de alcançar aquilo que o aparelho, as técnicas e os exames de hoje conseguem fazer.

Cláudio não esconde a alegria de ser médico, uma profissão que pode ser considerada uma herança de família: a vocação para cuidar. dar na França, onde se especializou em cirurgia do aparelho digestivo. Sempre concentrado nos estudos, ao longo da carreira foi autor de vários trabalhos, dos quais se destaca o que resultou numa técnica inovadora para cirurgia de hérnia até hoje utilizada. Amante da leitura, nas horas vagas ele procura estar sempre às voltas de bons livros. Não tem uma literatura preferida, “gosto do é que bom”, prefere não criar polêmica. Para o cirurgião, o que ocorre é que hoje o médico tem menos tempo para a escuta do paciente. “Não é uma crítica, é uma observação. Mas essa dinamização do tempo tem a ver com segurança também. Hoje o médico se sente mais seguro com a propedêutica. Com os recursos limitados de antigamente, ele se desdobrava mais, havia um esforço maior no sentido de alcançar aquilo ou qualquer outra doença grave, podendo contar somente com sua avaliação. Era um horror. Isso não acontece mais, com a gama de exames e vacinas existentes”, relembra, sem deixar de ressaltar a importância das novas tecnologias para a medicina atual e, é claro, de frisar que trabalhar num hospital que está sempre se modernizando é outra benção. ________________________________________
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Um clínico para a dor

Síndrome Metabólica
Dr. Geraldo Eugênio Richard Carvalhaes Médico / Diretora da Clínica de Dor termo “Síndrome metabólica” se refere a uma série de alterações no metabolismo corpóreo que aumenta os riscos das pessoas desenvolverem várias doenças, como o diabetes (tipo-2), infarto do miocárdio, doenças vasculares periféricas e derrames cerebrais (que podem levar a quadros de dores crônicas intensas). A Síndrome metabólica é uma doença da civilização moderna, de origem desconhecida, estando envolvidos fatores genéticos como a obesidade (principalmente na região abdominal) e relacionada ao sedentarismo e os maus hábitos alimentares. Seu diagnóstico baseia-se em dados clínicos e laboratoriais, como dados clínicos (como a grande quantidade de gordura localizada no abdômen - circunferência da cintura, sendo maior do que 100 cm para homens e maior do que 87,5 cm para as mulheres). Há de se considerar outros dados, como triglicérides elevados (maior que 150 mg/dl); glicemia de jejum - oscilando entre 100 e 125 mg/dl, ou entre 140 e 200 mg/dl depois de ter tomado glicose. São observados também valores baixos de HDL (o bom colesterol) e elevados de LDL (o mau colesterol), além dos níveis aumentados de ácido úrico, aumento da proteína -c reativa e pressão arterial elevada. A presença de três ou mais destes fatores sinaliza que a pessoa pode apresentar uma resistência à insulina,

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que é um hormônio produzido pelo pâncreas e que participa do controle da glicose. A resistência à insulina é a razão que leva o pâncreas a produzir mais insulina, para manter normal o nível de glicose e, assim, permitir um funcionamento normal do organismo. Em uma população normal, a chance de desenvolver a Síndrome metabólica aumenta à medida que as pessoas envelhecem, ganham peso e tornam-se sedentárias. No Brasil não temos um número estatístico, mas, nos Estados Unidos, uma em cada cinco pessoas tem Síndrome metabólica. As manifestações iniciam na meia-idade ou na idade adulta e aumentam à medida que as pessoas envelhecem. Embora acometa mais o sexo masculino, mulheres com ovários policísticos estão sujeitas a desenvolverem esta Síndrome, mesmo sendo magras. A síndrome pode ocorrer em vários membros da mesma família e é mais comum nos descendentes de africanos, hispânicos, asiáticos e indígenas. A doença é silenciosa e não apresenta sintomas clínicos, daí sua gravidade, pois está associada a graves doenças crônicas como as cardiovasculares e o diabetes, sendo a obesidade e o sedentarismo os principais vilões desencadeadores. Uma dieta adequada e atividades físicas regulares são as principais medidas necessárias para se pre-

venir o desenvolvimento dessa patologia. Em alguns casos torna-se necessária a intervenção médica, com a prescrição de anti-hipertensivos, utilização de hipoglicemiantes, medicações para controle do apetite, prescrição de dietas adequadas e avaliação das condições físicas, permitindo a realização de esportes. Sendo assim, recomenda-se comer menos e mexer-se mais. Por isso, sempre que possível, deixe o carro na garagem e use as escadas e não o elevador para subir um ou descer dois andares. Vale ressaltar que atividade física

não se pratica somente na academia. Abstenha-se de exceder no álcool e fume menos ou pare. Faça uma dieta adequada com menos gordura (trans) e carboidratos. Aumente o consumo de omega-3. Faça do seu médico um “amigo”. Procure-o para uma avaliação periódica, mesmo que não esteja muito acima do peso, para identificar possíveis fatores de risco. Faça opção pela prevenção e pela saúde! ___________________________________

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Polêmica no uso do Aspartame
Dr. José Oscar A. Macedo Ginecologista mbora o aspartame seja assegurado por agências internacionais, pesquisas indicam que, se usado em grandes quantidades, pode causar intoxicação e até confusão na hora do diagnóstico. O uso do aspartame é polêmico. A substância está na composição de adoçantes, refrigerantes, gomas de mascar, balas e especialmente em produtos diet. São mais de cinco mil itens. Estudos e posicionamentos oficiais de entidades como a American Diabetes Association e a Sociedade Brasileira de Diabetes confirmam a segurança do uso do aspartame, inclusive para gestantes e crianças. Mas não faltam pesquisas na direção oposta, apontando os motivos pelos quais sua utilização deve ser restringida ou abandonada. Muito procurado por não conter calorias, ele adoça até 400 vezes mais que o açúcar, além de não deixar sabor residual, como a sacarina e o ciclamato. O aspartame é formado por uma mistura de ácido aspártico, fenilalanina e metanol, substâncias prejudiciais ao organismo. O ginecologista e cirurgião estético José Oscar Alvarenga Macedo recebe muitas pacientes com o desejo de emagrecer. Ele alerta para o uso do adoçante. "O ácido aspártico pode causar lesões cerebrais e a fenilalanina, bloqueio da produção de serotonina, neurotransmissor responsável pelas sensações de bem-estar", comenta. Níveis baixos de serotonina provocam insônia, depressão e mau humor. Já o metanol, considerado a mais nociva das substâncias que compõem o aspartame, é convertido, depois de inge-

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rido, em formaldeído e ácido fórmico, duas substâncias tóxicas que afetam o funcionamento normal do cérebro. O metanol livre é criado a partir do aspartame, quando o mesmo ultrapassa 30°C. Sua toxicidade imita a esclerose múltipla e as pessoas, muitas vezes, recebem diagnóstico errado dessa patologia. O formaldeído pertence ao mesmo grupo de drogas do cianeto e do arsênico. A essa temperatura, o metanol se degrada em ácido fórmico e formaldeído no corpo. O formaldeído é um neurotóxico mortal. Uma avaliação do Environment Protect Agency (Agência Americana de Proteção do Meio Ambiente), sobre o metanol, relata: "É
foto: divulgação - conjurado.com.br A subtância do aspartame é encontrada, por exemplo, na composição de adoçantes.

considerado um veneno cumulativo devido à baixa taxa de excreção, uma vez absorvido. No corpo, o metanol é oxidado em formaldeído e ácido fórmico; ambos metabólitos são tóxicos".

Eles recomendam um limite de consumo de 7,8mg/dia. Um litro de uma bebida adoçada com aspartame tem aproximadamente 56mg de metanol. Os grandes usuários de produtos que contêm aspartame consomem algo em torno de 250mg de metanol diariamente ou 32 vezes o valor sugerido. Os sintomas do envenenamento com metanol incluem: enxaquecas, zumbido, vertigem, náusea, perturbações gastrintestinais, debilidade, sensação de frio, lapsos de memória, entorpecimento, dores nas extremidades, perturbações de comportamento e neurite. Incluem ainda problemas visuais, como vista nublada, redução progressiva do campo visual, visão borrada ou obscura, dano de retina, e até cegueira. O formaldeído é um conhecido carcinógeno. Além de provocar danos à retina, pode interferir na replicação do DNA e causar defeitos congênitos. Ainda segundo José Oscar, na gravidez os efeitos do aspartame podem passar diretamente para o bebê. A placenta pode concentrar a fenilalanina presente no adoçante e causar distúrbios neurológicos no feto. "O teste do pezinho, realizado nos recém-nascidos, é feito exatamente para medir o nível de fenilalanina no sangue", lembra. O especialista diz já ter constatado o efeito do consumo do aspartame em pacientes. "Foram duas mulheres que faziam uso regular e em grande quantidade de refrigerante com essa substância. Uma delas se queixou de desmaios, formigamentos e dificuldade de se expressar em alguns momentos. Ela suspeitava de esclerose
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Para refletir

Atualidade

múltipla. Apenas sugeri que parasse de consumir produtos com esse adoçante. Algumas semanas depois ela ligou dizendo que todos os sintomas desapareceram", revela. Por casos como este, o livro Prescription for Nutritional Healing, de Phyllis e James Balch, lista o aspartame na categoria de veneno químico. Alternativas José Oscar sugere o consumo de adoçantes à base de stevia, um edulcorante natural. Não é calórico e também pode ser usado no preparo de sucos, sorvetes, chás, pratos cozidos ou assados, não tendo, porém, a capacidade de caramelizar-se. "Nos últimos 20 anos, esse produto tem sido consumido e testado em todo o mundo. Até o momento, não foi considerado tóxico. Uma pessoa que tenha problemas de saúde como obesidade e diabetes, por exemplo, pode usá-lo. No entanto,

qualquer alteração em sua dieta deve ser monitorada por um médico e um nutricionista", pondera Outra opção é o açúcar light composto por 99,78% de sacarose (açúcar) e 0,17% de sucralose. José Oscar explica que a sucralose, único edulcorante derivado da cana-de-açúcar, é obtida a partir da modificação da estrutura da molécula da sacarose, proporcionando-lhe uma alta estabilidade. Na sua forma pura tem um poder adoçante aproximadamente 600 vezes maior do que o açúcar tradicional. "A sucralose cumpre seu papel de adoçar e, em seguida, é quase que integralmente descartada pelo organismo", garante. "Essa mistura tem o dobro da capacidade do açúcar tradicional, podendo ser usada na culinária, reduzindo somente à metade da quantidade, com

foto: divulgação - bp3.blogger.com

receitas menos calóricas e sem sabor residual amargo", esclarece. O açúcar mascavo, extraído da cana-de-açúcar, não passa por processo de refinamento, mantendo assim as vitaminas e sais minerais do caldo da cana. Mas é tão calórico quanto o refinado. O açúcar à base de frutose, extraído de frutas e do mel, é uma opção saudável. Tem 4kcal/grama, com a vantagem de adoçar duas a três vezes mais que o açúcar normal. E ainda conserva o sabor ao ser exposto ao calor. ________________________________________

O Livro
Alcino Lázaro da Silva Cirurgião / Professor emérito da UFMG / Membro titular da Academia Nacional de Medicina

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oje, relembrando, tenho pena dos meus primeiros anos escolares. Não havia biblioteca farta, os livros eram escassos, pouco cidadãos os possuíam, e a leitura se restringia a um pequeno e simples livro texto. A falta de estímulo era tamanha que se proibia, nas famílias, as revistas em quadrinhos, sobre os nossos heróis da época. A reação só veio tempos depois, quando a convivência escolar mostrou que os leitores eram mais adiantados que os menos afortunados. A contra-reação se esboçou e tantos e tantas jovens mergulharam em leituras (a maioria em livros emprestados) e se equipararam, em bom nível, quando não superavam os seus pares. Hoje, refletindo e ouvindo as vozes dos que nos orientaram, ou nos ultrapassaram, podemos enfrentar a opinião dominante, quando se trata da informação. A informática chegou, revolucionou, implantou-se e tomou conta do mercado. Os livros perderam, em parte, o seu lugar de destaque, colocando-se em plano secundário ou alternativo. Não há tempo para a leitura mediativa. Hoje, há prioridade para a informação rápida, a leitura dinâmica e curta, e a sensação de um bem informado pode tornar-se um bem formado. Há que se enfrentar essa idéia, pois a tecnologia da informática, ou o ´in-

O livro é a casa onde se descansa do mundo. O livro é a casa do tempo, é a casa de tudo. Mar e rio no mesmo fio, água doce e salgada. O livro é onde a gente se esconde em gruta encantada.
Roseana Murray formatês´, é dinâmica, comercial e variável em tempo curto. Novos avanços surgem, substituindo ou anulando os anteriores, o que nos impede de sedimentar nossos conhecimentos. Sem sedimentação, fica-se como o seixo que rola no regato e não se cobre do lodo que o preserva. O “otium cum dignitate”, ou a sabedoria refletiva, não ocorre; a parada para pensar não acontece e o sedimento não se consolida. Na informática, duas novidades aparecem no sentido de ganho comercial. A primeira é a cobrança de pedágio para o volume e rapidez da informação. Desfigura-se a internet na sua “condição essencial de rede de comunicação livre, sem discriminação técnica e aberta à inovação”. A segunda é a queda do princípio da neutralidade: “a telefonia e a TV a cabo dão tratamento técnico rigorosamente idêntico a todas as mensagens que circulam pelo sistema”. Enquanto isso, o livro, calado e preservado, sabe que não se modificará. Ficará ao longo do tempo, apenas sofrendo a corrosão do papel que o agasalha, sem tirar-lhe o essencial que é a

conservação e o repasse permanente de cultura. O livro, pois, é o que fica. A informática é o que vai. Se o homem cuidar de reter o que fica e adquirir o que vai, poderá sedimentar-se culturalmente e atualizar-se contemporaneamente. A cultura continuará milenar pelos livros e gravada para a posteridade longínqua. A cultura rasante, informática, nos dará instrumentos, que são as suas ferramentas, para sobrevivência e desenvolvimento competitivo, no mercado que se complica e agiganta, na concorrência contemporânea. No dizer de Júlio Sanderson, o livro nos propicia viagem. Viajar com o autor sem retirar-lhe as imagens que o fizeram gerar a obra e o pensamento. Na viagem, caminhamos juntos com o autor, mas seus conceitos serão concretizados nas imagens que faremos sob a sua inspiração. A leitura reflexiva nos dará a essência em uma nova imagem, em função do poder criativo que a leitura gera em nós. Viaja-se com o autor sem despersonalizar-se e sem descaracterizá-lo. O livro se desatualiza, cientificamente, em torno de cin| 13

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Para refletir

Reflexões do professor

co anos. Se é criativo, compromete-se, às vezes, na linguagem, que é dinâmica. Se é ficção aguarda a evolução dos acontecimentos envolvendo o homem. Se romântico, eterniza-se, porque o amor é imutável. O livro pode deixar de ser atual, porém não perde o que traz no seu intrínseco. São os princípios fundamentais de qualquer natureza ou procedência. O contexto muda, mas os princípios são eternos - são os que regem os valores da vida, e por isto eles possuem passado, presente e futuro.

Os que se transformam, ao longo dos tempos, são aqueles que se entregam às exigências do mundo contemporâneo. Os valores são imutáveis porque são básicos. Científico ou romanesco, o livro impera sobre o ´informatês´ e sobre a tecnologia da informação. O ideal seria que nos sedimentássemos, culturalmente, com o livro e nos informássemos, superficialmente, para sobrevivência e competição mercadológica. Se o mister é nosso compromisso com

o desafiar, incitar, insistir, sustentar e resistir às pressões, o sonho é a eternidade. Eterno que é insubstituível e uno – o EDUCAR. Imortaliza-se pelo educar e o instrumento é o livro. O livro retém e se eterniza com a educação, mas, prodigamente, propicia a viagem do autor, pelo leitor, permitindo novos coloridos, nova utopia, nova ucronia, sem ferir a essência do texto que está plantado na mente de quem escreve. ________________________________________

Saúde & Direito

O dever de informar na relação estabelecida entre o médico e o paciente
Guilherme Carvalho Monteiro de Andrade Advogado / Professor de Direito Empresarial do Centro Universitário Newton Paiva egundo dados divulgados pelo Superior Tribunal (vide notícia publicada no dia 9/11/2008, na página oficial do referido órgão: www.stj.gov.br), houve um aumento expressivo no número de ações judiciais que chegaram ao conhecimento daquela Corte, envolvendo pedidos de indenizações formulados por pacientes contra médicos e casas de saúde. Esse fato traz à tona uma reflexão sobre quais seriam os motivos que têm acarretado tanta demanda oriunda dessa relação. Antigamente, o relacionamento do médico com seu paciente davase de forma verticalizada, apresentando-se este muito mais como um objeto do que um sujeito nessa relação. A

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Medicina mudou e o Direito também. O médico e seu paciente têm uma relação horizontal atualmente. Isso significa dizer que, hoje, um médico não pode, na condução do tratamento, desrespeitar os direitos fundamentais de seu doente, especialmente aqueles ligados à dignidade da pessoa humana, uma das pedras angulares de nossa Constituição Federal da República do Brasil de 1988. Diretamente ligado a esse princípio constitucional encontra-se o direito à informação, de que o paciente é titular, conforme estabelece o Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seu artigo 6°, inciso III, adiante transcrito: “a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços,

com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que se apresentem”. Ao atender um paciente, o médico pode assumir uma obrigação de meio ou de resultado, conforme o caso, devendo se emprenhar na utilização de todas as técnicas disponíveis para tratar a doença de seu cliente. A propósito, nos tratamentos estéticos (como nas cirurgias plásticas, por exemplo), os tribunais brasileiros têm entendido que o médico assume obrigação de resultado, devendo entregar para o seu paciente exatamente o objeto prometido. Nos demais tipos de atendimento, por outro lado, a jurisprudência pátria vem adotando o entendimento

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de que, em regra, o médico tem apenas o dever de empregar todos os meios necessários à cura de seu enfermo, não podendo ser responsabilizado pelo eventual insucesso do atendimento (obrigação de meio). Digno de registro, por oportuno, o médico não tem o poder de cura, limitando-se o profissional a oferecer o tratamento adequado a seu paciente, visando prevenir a doença ou tratá-la com os recursos de que dispõe a medicina atual. O atendimento regular pressupõe conhecimento técnico atualizado por parte do médico, diagnóstico adequado, informação prévia ao paciente sobre o tratamento a ser empregado e execução da estratégia dentro do previsto na literatura médica específica. Caso o médico ofereça esse tratamento regular ao paciente, ainda que sobrevenha algum resultado adverso, ele somente será responsabilizado numa ação judicial se tiver agido com culpa , n a s o b r i g a ç õ e s d e m e i o . Diversamente, quando se tratar de obrigação de resultado, o médico responde independentemente da comprovação de culpa na causação do resultado

danoso (artigo 14, parágrafo 4, do Código de Defesa do Consumidor). Seja num ou noutro tipo de obrigação (de meio ou de resultado), um dos pontos bastante sensíveis diz respeito ao dever de informar do médico e o direito do paciente e/ou de seu responsável de receber, prévia e amplamente, todos os dados necessários ao esclarecimento efetivo. Essa informação pode ser reduzida a termo, num contrato escrito a ser ajustado com o paciente. Porém, não deve o médico limitar-se a colher a assinatura do cliente nesse documento, sem orientá-lo de maneira pessoal, ampla e previamente acerca do tratamento a ser empregado, em relação aos possíveis riscos decorrentes, bem como sobre os custos que daí advirão. É preciso que o médico dê ao paciente as condições de manifestar a sua vontade de aderir, ou não, no tratamento proposto. Na hipótese de haver omissão desse dever de informação, o médico obriga-se a indenizar o paciente pelos danos sofridos eventualmente. Esses danos podem ser de ordem moral, material ou estética (artigo 5°, inciso X,

Constituição Federal), sendo importante assinalar que a Justiça brasileira tem deferido indenizações significativas para recompor o prejuízo demonstrado pelo paciente. Não existe, todavia, uma regra prévia, que estabeleça qual é a extensão desse dever de informação, valendo consignar que o caso concreto é que irá determinar qual tipo de esclarecimento deve ser prestado ao paciente, lembrando-se que é direito do enfermo receber tais elementos, para tomar a decisão sobre o que fazer, juntamente com o médico. Uma boa dose de afeto a humanidade no tratamento com o paciente, bem como a preocupação com o envolvimento do enfermo na discussão sobre a estratégia de ação sugerida, ajudam o médico a desincumbir-se desse dever de informação imposta pela lei. Portanto, o médico deve estar atento às mudanças ocorridas no Direito, para oferecer a seus clientes um atendimento cada vez melhor e, consequentemente, evitar demandas judiciais envolvendo o dever de informar. ________________________________________

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