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Alguns Métodos da Física em Datação
Um título mais apropriado seria ... : Considerações sobre Datação Geológica com Subsídios para Entender os Métodos Relacionados ao Potássio-Argônio

Urias Echterhoff Takatohi
Centro Universitário Adventista de São Paulo

Introdução Quando aconteceu? Esta é uma das perguntas que devem ser respondidas quando se quer conhecer alguma coisa. A resposta a esta pergunta é obtida por vários métodos e com diferentes graus de certeza ou incerteza. Quando se trata de assuntos relacionados com a história do ser humano sempre há muito interesse. A fonte de informação mais importante para os cristãos é a revelação Bíblica. Nela encontramos um relato da origem dos seres vivos e do homem nesta terra (Gênesis 1-3). Informações encontradas em Gênesis 5, 11, 21:5, 25:26, 47:9, Êxodo 12:40-41, I Reis 6:1-4 e informações históricas, permitem estimar que a história dos seres vivos sobre a Terra tem entre 6 e 8 mil anos. Entretanto, durante o desenvolvimento da ciência moderna, firmou-se também no meio cultural a filosofia naturalista, segundo a qual a realidade última é o próprio cosmos que existe por si, e que por si se desenvolveu dirigido por leis naturais e pelo acaso. Neste contexto, a história das origens deve ser levantada usando as evidências providas pela observação, interpretadas por modelos baseados no conhecimento das regularidades da natureza (as leis naturais). Relatos de estimativas da idade da Terra obtidas por processos assim são encontrados desde meados do Século XVIII com resultados variando de 75 mil a 10 trilhões de anos (DALRYMPLE 1991). Metodologias de estudo de formações geológicas desenvolvidas também a partir do século XVIII, procuraram atribuir uma ordem cronológica relativa às mesmas sem contudo atribuir valores absolutos de tempo (DUFF 1993 p. 88). Os desenvolvimentos da Física ao final do Século XIX e início do Século XX que desvendaram a estrutura da matéria resultaram em métodos que acredita-se possam datar certos eventos naturais de forma absoluta. A associação dos estudos geológicos com estes métodos produziram uma escala de tempo para a história da Terra com cerca de 4,5 bilhões de anos. Há conflito entre a cronologia bíblica e estes resultados porque rochas com abundantes evidências de vida (fósseis) são datadas entre o tempo presente e cerca de 600 milhões de anos. A importância de se procurar entender a questão é devido ao fato de que a visão de mundo cristã tem base numa interpretação do texto bíblico que: • • • considera o relato das origens em Gênesis como fato histórico, considera que o criador dotou a natureza criada de ordem de forma que ela possa ser estudada pela observação, experimentação e modelada pela razão, considera que o criador mantém a ordem da natureza constante no tempo e no espaço.

Os dois últimos pontos são a base do desenvolvimento da ciência moderna e também são considerados válidos pela visão de mundo naturalista, exceto pela referência

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a um criador. Assim os que aceitam a visão de mundo teísta cristã valorizam a metodologia científica moderna tanto quanto os naturalistas e gostariam de ver harmonia entre os resultados da ciência e as afirmações da revelação bíblica. Casos deste conflito são vistos freqüentemente nos meios de comunicação como exemplificam as notícias da seção Folha Ciência do Jornal Folha de São Paulo a seguir: • • • • • • • 27 de setembro de 2001 - Ferramenta com 1,36 milhão de anos indica rápida adaptação de hominídeos. 28 de setembro de 2001 - Paleontólogos argentinos acham um verdadeiro tesouro: seis ovos intactos do grupo titanossauros, dinossauros herbívoros que viveram na Patagônia a 80 milhões de anos. 9 de outubro de 2001 - (Notícia do prêmio Nobel de medicina) - Células eucariótas, que têm um núcleo definido onde ficam alojados os cromossomos, surgiram na Terra a uns 2 bilhões de anos. 11 de outubro de 2001 - O maior dinossauro descoberto na Austrália ... É provavelmente uma nova espécie de saurópode, com 95 milhões de anos. 26 de outubro de 2001 - Paleontólogos americanos descobriram no deserto do Téneré, Níger, um crânio completo de um parente gigantesco dos crocodilos atuais. ... O fóssil, de 110 milhões de anos, ... 8 de novembro de 2001 - Superbarata - cientista da Universidade do Estado de Ohio, EUA, segura barata fóssil de 300 milhões de anos e 9 cm descoberta numa mina de carvão, comparada a inseto moderno. 9 de novembro de 2001 - Pesquisa afirma que fósseis dos EUA têm 1 milhão de anos a menos que a extinção causada por asteróide - (o texto explica que uma queda de asteróide há 65 milhões de anos pode ter causado a extinção dos dinossauros; entretanto James Fasset afirma que alguns fósseis podem ter 1 milhão de anos a menos). 21 de novembro de 2001 - Peixessauro Cientista do Quênia observa celacanto capturado por pescadores na costa do país; peixe é uma espécie rara, que se pensava haver desaparecido há 65 milhões de anos.

Aqui será apresentado um dos métodos utilizados para a construção desta escala de tempo. A apresentação visa dar uma base para se entender alguns princípios e pressupostos envolvidos. Detalhes envolvendo fenômenos geológicos e geoquímicos não serão tratados adequadamente dada a sua complexidade. Também não será feita uma tentativa de resolver os conflitos entre a cronologia geológica convencional e a cronologia bíblica. Espera-se entretanto que seja perceptível que os métodos de datação chamados de "absolutos" envolvem pressupostos e interpretações que podem resultar em erros. Noções de Geocronologia Como explicado em "A Coluna Geológica e a Paleontologia" - Marcos Natal de Souza Costa, a estratigrafia estuda as formações geológicas (principalmente rochas sedimentares) organizando-as em ordem cronológica. A metodologia usada envolvia: • O Princípio do Uniformitarismo – enunciado a primeira vez por James Hutton em 1785 – segundo este princípio, as causas da formação de rochas no passado podem ser vistas nos fenômenos geológicos que ocorrem hoje. A palavra princípio é aqui empregada de modo diferente do seu emprego na física onde os princípios têm aplicação geral sem exceções e ressalvas. Dada a natureza de alguns fenômenos geológicos pode-se perceber facilmente as limitações deste princípio. A Lei da Superposição – empregado primeiro por Willian Smith e Georges Cuvier no final do século XVIII e início do século XIX – segundo esta lei, rochas estratificadas acumularam-se camada por camada numa sucessão contínua de forma que as camadas inferiores são mais antigas que as de cima.

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• A bioestratigrafia, ciência que estuda os estratos de rocha pelo seu conteúdo de fósseis, desenvolvida inicialmente por Smith na Inglaterra, Cuvier e Brongniart na França, usada atualmente para correlacionar a "idade relativa" de estratos de rochas até de continentes diferentes.

Assim colocada, a metodologia parece simples mas na realidade apresenta uma série de complexidades que fogem ao nosso objetivo. O trabalho cumulativo de muitos geólogos resultou numa uma estrutura conceitual para classificar as rochas numa possível ordem cronológica denominada Coluna Geológica.1 Entretanto, numa analogia feita por DUFF 1993 (p. 259) os geólogos usando estas metodologias estavam "na mesma posição de um historiador que soubesse, por exemplo, que a invasão romana da Bretanha foi seguida pela conquista Normanda e que estes dois eventos ocorreram antes da batalha de Waterloo, mas que não pudesse encontrar nenhum registro de datas destes ou de qualquer outro grande evento da história." Métodos baseados em princípios físicos foram buscados para resolver esta deficiência. Não iremos tratar aqui de todas tentativas históricas para calibrar a Coluna Geológica (escala cronoestrática) com uma escala cronométrica. Serão apresentados os princípios gerais da datação por medida de proporções de nuclídeos radioativos e seus produtos. Um método escolhido entre os mais usados será tratado com um pouco mais de detalhe como ilustração. Datação por Medida de Quantidade de Nuclídeos Radioativos Idéia Geral A idéia geral dos métodos que usam a quantidade de nuclídeos radioativos pode ser ilustrada por uma analogia. Suponha que encontre uma vela acesa. Se quiser avaliar durante quanto tempo ela esteve acesa, é preciso saber seu tamanho inicial, seu tamanho atual e a taxa com que ela queima. Em outras palavras é preciso conhecer o estado inicial de um sistema, o estado atual e a taxa com que algum processo de modificação acontece. A desintegração radioativa é um fenômeno que transforma um tipo de átomo em outro. A taxa com que isto acontece é proporcional ao número de átomos radioativos na amostra e a constante de proporcionalidade é uma característica do tipo de átomo radioativo, não sendo influenciada por condições ambientais externas comuns. Assim dados No átomos de um nuclídeo radioativo A que por uma reação expontânea em seu núcleo se transforma em B, a quantidade NA de átomos de A em função do tempo t será dada pela equação:

função do tempo será dada por: N B (t ) = N o (1 − exp(− λt )) (3). A figura 1 mostra o gráfico de NA e NB em função do tempo. O tempo que leva para uma quantidade de material radioativo se reduza à metade é chamado de meia-vida do material sendo dado por t 1 =
2

N A (t ) = N o exp(− λt )

dN A = −λN A dt

(1), que resolvida resulta em

(2). Se a quantidade inicial de B era nula, sua quantidade NB em

ln (2 ) λ

(4). Supondo que a quantidade inicial de A e B são conhecidas pode-se

obter o tempo desde o início do processo.

Como foi visto em A Bíblia e a Paleontologia - Arthur Chadwick, pode-se procura interpretar a Coluna Geológica dentro de uma forma compatível com o texto bíblico.

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Esta constância e estabilidade dos processos nucleares envolvidos é que dá a impressão de absoluto nos métodos de datação radiométricas. Entretanto, cada método desses envolve uma série de complexidades devidas à forma como os elementos químicos estão misturados em a natureza e diversos fenômenos geotermoquímicos envolvidos. Na verdade os métodos em geral não determinam a idade das rochas mas tentam determinar o tempo passado desde um evento térmico ocorrido com a rocha. Para ilustrar isto, vamos examinar um pouco mais de perto os métodos que usam o isótopo radioativo 40K (potássio de numero de massa 40), denominados método K/Ar e método 40 Ar/39Ar. A escolha destes métodos neste caso foi feita devido ao fato de ser o método mais empregado em trabalhos de geocronologia (TAKATOHI, 1999).

16 14 12 10 NA, NB 8 6 4 2 0 0 1 2 3 t 4 5 6 NA NB

Figura 1. Quantidade NA de um nuclídeo radioativo A e NB do produto de desintegração de A em função do tempo. Unidade de tempo usada igual a uma meia-vida. Datação por K/Ar e 40Ar/39Ar Fundamentos Os métodos K/Ar e 40Ar/39Ar são baseados no nuclídeo 40K do potássio. O potássio é o oitavo elemento em abundância na crosta continental da Terra, sendo amplamente distribuído, ocorrendo como um elemento essencial ou como traço em muitos minerais. São encontrados três isótopos naturais do potássio com a abundância percentual dada na Tabela 1. A partir de várias medidas das proporções destes isótopos em vários materiais naturais terrestres acredita-se que esta proporção seja uniforme em todos lugares com variações mínimas. Tabela 1. Abundância atômica dos isótopos naturais do potássio. Isótopo Abundância Atômica (%) 39 K 93,2581±0,0029 40 K 0,01167±0,00004 41 K 6,7302±0,0029
Segundo Garner et. al. (1975) in McDougall e Harrison (1988)

O 40K é radioativo podendo desintegrar-se por emissão β (emissão de um elétron) ou captura de elétron segundo as reações: 40 K → 40Ca + e- com uma taxa de desintegração λβ = 4,692 x 10-10/ano 40 K + e- → 40Ar com uma taxa de desintegração λe = 0,581 x 10-10/ano. A taxa de desintegração total λ = λβ + λe = 5,543 x 10-10/ano corresponde a uma meia-vida de t 1 =
2

ln (2 ) = 1,250 x 109 anos. λ

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Como o cálcio é um elemento muito comum em rochas e o 40Ca corresponde a 96,941% de todo cálcio, a medida do aumento de 40Ca nas rochas devido à desintegração de 40K não é viável. Já o argônio sendo um gás nobre, não se liga quimicamente a nenhum material. Entretanto o 40Ar formado no interior de um cristal pela desintegração do 40K pode ficar preso no retículo cristalino a baixas temperaturas. Assim à primeira vista pode-se imaginar que a maior parte do 40Ar encontrado dentro de cristais de minerais que contém potássio seja proveniente da desintegração do 40K. Mas o argônio é um gás encontrado normalmente na atmosfera terrestre na proporção de 0,937% em volume de ar seco. A composição isotópica do argônio atmosférico é dada na Tabela 2. Tabela 2. Abundância atômica dos isótopos do argônio na atmosfera. Isótopo Abundância Atômica (%) 40 Ar 99,600 38 Ar 0,0632±0,0001 36 Ar 0,3364±0,0006
Segundo Nier (1950) in McDougall e Harrison (1988)

Assim a razão 40Ar/36Ar = 295,5 (5) é considerada característica do argônio 40 atmosférico, e é usada para distinguir o Ar* proveniente da desintegração do 40K (denominado argônio radiogênico) de argônio proveniente de outras fontes. A lista de definições abaixo com respeito ao argônio mostra algumas complicações encontradas na determinação do argônio radiogênico. (McDougall e Harrison (1988)) 1. Argônio atmosférico: argônio com a composição isotópica do encontrado na atmosfera hoje. Ver Tabela 2 2. Argônio radiogênico: argônio formado pela desintegração in sito do 40K numa rocha ou mineral. 3. Argônio aprisionado: argônio que foi aprisionado ou incorporado dentro de uma rocha ou mineral por ocasião de sua formação ou durante um evento posterior. Para amostras terrestres o argônio aprisionado tem em geral composição isotópica do argônio atmosférico, mas nem sempre. Amostras extraterrestres tem argônio com composição bem diferente da atmosférica (40Ar/36Ar ≈ 1) 4. Argônio cosmogênico: argônio produzido pela interação de raios cósmicos sobre núcleos tais como: cálcio, titânio e ferro. 5. Argônio induzido por neutrons: argônio produzido numa amostra pela irradiação da mesma por neutrons num reator nuclear, devido à interação dos neutrons com cloro, potássio e cálcio. 6. Argônio externo (incluindo argônio em excesso e herdado): 40Ar adicional devido ao argônio aprisionado (se atmosférico, na razão 40Ar/36Ar = 295,5). Argônio em excesso é a componente de 40Ar incorporado à amostra por processos diferentes da desintegração in sito do 40K. Argônio herdado é argônio radiogênico incorporado na rocha ou mineral por contaminação física com material mais "antigo". Pressupostos básicos Feita esta apresentação dos isótopos do potássio e do argônio, podemos considerar os pressupostos que devem ser satisfeitos para se usar o sistema K/Ar para datação de uma rocha. (McDougall e Harrison (1988)) 1. O nuclídeo pai, 40K, se desintegra com uma taxa independente de seu estado físico e não é afetada por diferenças de pressão e temperatura. 2. A razão 40K/K é constante em a natureza. Raramente pode-se determinar a quantidade de 40K diretamente. Assim em geral é medida a quantidade total de K a quantidade de 40K é inferida a partir das proporções mostradas na Tabela 1. 3. O argônio radiogênico medido em uma amostra foi produzido por desintegração in sito de 40K no intervalo desde a cristalização ou recristalização da rocha. Violações

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deste pressuposto não são incomuns. Exemplos bem conhecidos de incorporação de 40Ar externo incluem basaltos vítreos do fundo do mar que não eliminaram o 40Ar* pré existente, e contaminação física de um magma por inclusão de material xenolítico mais antigo. (O método 40Ar/39Ar permite reconhecer argônio externo em alguns casos) 4. Possam ser feitas correções para o 40Ar não radiogênico presente na rocha sendo datada. Para amostras terrestres presume-se em geral que todo argônio é atmosférico em composição com 40Ar/36Ar = 295,5 (5). Embora isto seja em geral assim, há exceções. 5. A amostra deve ter permanecido um sistema fechado desde o evento que está sendo datado. Portanto não deve ter havido perda ou ganho de potássio ou 40Ar*, a não ser por desintegração radioativa do 40K. Afastamento desse pressuposto são comuns, particularmente em áreas com história geológica complexa. Estes pressupostos básicos devem ser testados e conferidos em cada estudo feito. Em geral isto é feito pela medida de um conjunto de rochas ou minerais de uma área em estudo. A consistência ou falta dela junto com um conhecimento da geologia da área permite que alguns destes pressupostos seja conferido, e provê a base para conclusões sobre a confiabilidade e significado das idades medidas. Procedimentos no Método K/Ar Convencional 1. O potássio e o argônio são medidos em porções separadas da amostra. 2. O potássio é medido como potássio total usando técnicas analíticas tais como fotometria de chama, espectrometria de absorção atômica e diluição isotópica. A quantidade de 40K é inferida a partir das proporções dadas na Tabela 1. (40K = 0,01167(K)Total (6)) 3. O argônio é determinado por diluição isotópica usando 38Ar como traçador. A extração do argônio é feita pela fusão da amostra num sistema de alto vácuo. Após a purificação do argônio, é feita a análise isotópica por espectroscopia de massa. A partir destes dados a quantidade de 40Ar* é calculada. Quanto maior a proporção de 40 Ar* na amostra maior a precisão da medida. Supondo que o 40Ar não radiogênico é argônio atmosférico e que (40Ar/36Ar)Atm = 295,5, então 40Ar* = (40Ar)Total-295,5(36Ar)Atm (7). 4. A quantidade de 40Ar* presente em função do tempo t desde o fechamento do sistema é dada por 2) Procedimentos no Método 40Ar/39Ar O método do 40Ar/39Ar se baseia nos mesmos princípios do método K/Ar. A diferença é que a determinação do K é feita transformando uma proporção do 39K em 39Ar irradiando a amostra com neutrons rápidos num reator nuclear, pela reação 39 K + n → 39Ar + p ou 39K (n, p) 39Ar. Depois da irradiação, a amostra é colocada num sistema de ultra alto vácuo e o argônio é extraído dela por fusão, purificado e analisado isotopicamente num espectrômetro de massa. São medidas as abundâncias relativas do 40 Ar, 39Ar, 37Ar e 36Ar. Destes dados determina-se a razão entre o argônio 40 radiogênico 40 ( Ar*) e o argônio 39 obtido do potássio 39 (39ArK) - 40Ar*/39ArK, que é proporcional a 40 Ar*/40K, que é proporcional à idade. Alguns Detalhes do Método 40Ar/39Ar: 1. O 39Ar é radioativo com meia vida de 296 anos, de modo que não é encontrado naturalmente. 2. A quantidade de 39Ar produzido pela irradiação com neutrons é proporcional à quantidade de 39K na amostra, à seção de choque da reação nuclear (σ), ao fluxo de neutrons (φ) e ao tempo de irradiação (τ). Então (sem considerar que a seção de choque da reação é função da energia dos neutrons) temos: 39ArK = 39Kτφσ (9).
40

Ar* =

λe 40 K (exp(λt ) − 1) λ

(8), de onde se pode deduzir o tempo. (Figura

84
(Levando em conta o fato da seção de choque ser dependente da energia dos neutrons a relação fica um pouco mais complicada matematicamente - mas isto foge ao nosso objetivo aqui)

0,4 0,35 0,3 0,25 Ar*/40K
40

0,2 0,15 0,1 0,05 0 0 1 2 3 t (10 8 anos) 4 5 6

Figura 2. Razão 40Ar*/40K em função do tempo.
40

3. Combinando (8) e (9) temos

Ar * λe 40 K (exp(λt ) − 1) = 39 ArK λ 39 Kτφσ

(10). (para a razão

40

K/39K

são usados os valores da Tabela 1) 4. Como a medida do fluxo de neutrons é complicada, a amostra a ser datada é irradiada junto com uma amostra padrão de "idade conhecida". A quantidade

C=
40

λe λτφσ

(11) é a mesma para as duas amostras, e (10) pode ser escrita como
40

Ar * =C 39 ArK

K (exp(λt ) − 1) 39 K

(12). A relação (12) para a amostra padrão é resolvida

para achar C e resolvida para a amostra a ser datada para achar t. (note que todas idades obtidas por esse método dependerão da veracidade da idade da amostra padrão que foi medida pelo método K/Ar convencional) 5. O 37Ar é produzido na reação 40Ca(n, α)37Ar e é são usados para corrigir os valores de 36 Ar que pode ser produzido pela reação 40Ca(n, nα)36Ar e 39Ar que pode ser produzido pela reação 42Ca(n, α)39Ar. O valor de 36Ar é usado para obter o valor de 40 Ar* a partir do (40Ar)Total como visto em (7) (correção do argônio atmosférico) Vantagens do Método 40Ar/39Ar 1. A razão 40Ar*/40K é medida em uma única análise isotópica evitando a necessidade de uma análise separada do potássio. Isto contorna os problemas de não homogeneidade da amostra e permite o uso de amostras menores. 2. Razões isotópicas podem ser medidas com mais precisão do que determinações separadas de potássio e argônio resultando, em princípio, em resultados mais precisos. 3. A extração do argônio pode ser feita por aquecimento gradual da amostra a partir de temperaturas bem inferiores às da fusão. Por este procedimento o argônio é retirado por difusão primeiro das regiões próximas às bordas do cristal e depois de regiões

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mais profundas. O argônio retirado em cada temperatura é analisado isotopicamente resultando numa série de idades aparentes que reflete a distribuição de argônio radiogênico no interior do cristal. Esta distribuição pode ser interpretada em termos da história térmica da amostra e em alguns casos difusão de argônio externo para dentro da amostra. Modelos hipotéticos de distribuição de argônio radiogênico a. Amostra que reteve todo 40Ar* desde a cristalização - neste caso a proporção de 40Ar* para 40K é a mesma em toda amostra e durante todo processo de aquecimento a razão 40Ar*/39Ar é constante. O resfriamento da rocha foi rápido e não sofreu aquecimento posterior. b. Amostra que teve perda parcial do 40Ar* num tempo recente, devido a um reaquecimento da rocha, de modo que próximo da borda do cristal perdeu praticamente todo 40Ar*. c. Amostra que teve uma perda parcial do 40Ar* como no caso b., mas o evento de perda ocorreu a muito tempo de forma que depois da perda ocorreu novo acúmulo de 40Ar*. Uma idade máxima para o evento de reaquecimento é dado pelo valor no início da liberação de Ar e uma idade mínima para a cristalização da rocha é dada pelo valor ao fim da liberação de Ar. Ver Figura 3 Os diagramas da figura 3 são situações idealizadas. Os diagramas reais apresentam uma série de complicações. As pessoas que trabalham com este método de datação procuram interpretar cada caso. Toda interpretação depende de uma estrutura conceitual teórica. A correção da interpretação pode depender da veracidade da estrutura conceitual. Um exemplo é visto na figura 4. Considera-se que a idade aparente é grande demais tanto no início da liberação de Ar (4 bilhões de anos) como no fim (mais de 8 bilhões de anos), pois considera-se que a crosta terrestre tenha apenas 4,5 bilhões de anos. O resultado é explicado pela presença de argônio em excesso em dois tipos de sítios da rede com coeficientes de difusão do Ar diferentes. Conclusões A maior parte dos pontos usados na calibração da coluna geológica foram determinados por métodos baseados na desintegração do 40K. Esta calibração atribui até 570 milhões de anos para rochas com abundante conteúdo fóssil sendo inconsistente com um quadro bíblico da história da vida na Terra. A parte "segura" do método que é baseada no conhecimento da física nuclear sobre a constância na taxa de desintegração radioativa é apenas um dos itens a ser considerado. A correção do método depende mais de fatores dependentes da geoquímica dos materiais envolvidos e sua história térmica. Algumas tentativas têm sido feitas para mostrar que os métodos podem não ser tão confiáveis como divulgado. Segue uma lista de referências interessantes a respeito: 1. Conjunto de perguntas e respostas sobre datação radiométrica em geral http://origins.swau.edu/q&a/radio/default.html 2. Datação por K-Ar de lava do Vulcão Santa Helena expelida em 1986 - resultados da ordem de 350 mil anos indicam a retenção de 40Ar* nas amostras. (AUSTIN 1996) 3. Datação por K-Ar de derrames Andesíticos de 1949 e 1954 na Nova Zelândia resultam em idades aparentes de 270 mil a 3,5 milhões de anos. Aparentemente o 40 Ar* do manto não é completamente eliminado no processo vulcânico. (SNELLING 1998) 4. Breve nota na publicação Impact 307 do Institute for Creation Research feita por SNELLING (1999a) mostrando vários casos de excesso de argônio. 5. Breve nota na publicação Impact 309 do Institute for Creation Research feita por SNELLING (1999b) discutindo o problema do excesso de argônio em rochas crustais.

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Uma compreensão e avaliação dos principais métodos de datação radiométrica e sua relação com os processos geológicos que possam levar a uma escala de tempo compatível com o relato bíblico da história da vida está ainda distante. Em situações assim, quando os dados objetivos são passíveis de interpretação a partir de pontos de vista diferentes e em conflito, os resultados são em geral inconclusivos. O número de pesquisadores em geologia e geofísica, trabalhando a partir do ponto de vista naturalista é no momento bem maior do que aqueles que acreditam na historicidade do relato bíblico. Paciência e persistência é a qualidade mais desejada. Como o profeta Habacuque afirmou num tempo de crise para o povo de Deus "... mas o justo viverá pela sua sua fé." Hab. 2:4

a. Borda Centro Borda Borda

b. Centro Borda Borda

c. Centro Borda

Concentração

40 39

Ar*

40 40

Ar*
39

ArK

Ar*

39

ArK

ArK

Borda
Ar/39Ar Idade→

Centro

Borda Borda

Centro

Borda Borda

Centro

Borda

40

0

50 Liberação de ArK (%)
39

100

0

50 Liberação de ArK (%)
39

100

0

50
39

100

Liberação de ArK (%)

Figura 3. Diagrama esquemático de três modelos hipotéticos de liberação de Ar por aquecimento gradual da amostra.

87

Figura 4. Espectro de liberação de Ar de um plagiocase cálcico de Broken Hill, Austrália. (De McDougall e Harrisson (1988) in White (2000))

Referências Bibliográficas
AUSTIN, S.A., (1996) Excess Argon within Mineral Concentrates from the New Dacite Lava Dome at Mount St Helens Volcano, Creation Ex Nihilo Technical Journal, 10:335-343. [Online]. Available: http://www.icr.org/research/sa/sa-r01.htm DALRYMPLE, G. B. (1991) The Age of the Earth. Stanford University Press, Stanford. DUFF, P. M. D. (1993) Holmes' Principles of Physical Geology. Fourth Edition, Chapman & Hall, London. MC DOUGALL, I. and HARRISON, T.M. (1988) Geochronology and Thermochronology by the 40 Ar/39Ar Method. Oxford University Press, New York. SNELLING, A.A. (1998) The Cause of Anomalous Potassium-Argon "Ages" for Recent Andesite Flows at Mt Ngauruhoe, New Zealand, and the Implications for Potassium-Argon "Dating". Presented at the Fourth International Conference on Creationism Pittsburgh, PA, August 3-8, 1998 [Online]. Available: http://www.icr.org/research/as/as-r01.htm SNELLING, A.A. (1999a) "Excess Argon": The "Achilles' Heel" of Potassium-Argon and ArgonArgon "Dating" of Volcanic Rocks. Impact 307 [Online]. Available: http://www.icr.org/pubs/imp/imp-307.htm SNELLING, A.A. (1999b) Potassium-Argon and Argon-Argon Dating of Crustal Rocks and the Problem of Excess Argon Achilles' Heel" of Potassium-Argon and Argon-Argon "Dating" of Volcanic Rocks. Impact 309 [Online]. Available: http://www.icr.org/pubs/imp/imp-309.htm TAKATOHI, U. E. (1999) Tempo: um Problema para os Modelos da História da Terra. Folha Criacionista 60:13-25 WHITE, W.M. (2000) Isotope Geochemistry - Lecture Notes - Earth and Atmospheric Sciences Cornell University - [Online]. Available: http://www.geo.cornell.edu/geology/classes/Geo656/656notes00.html