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UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE FACULDADE DE DIREITO

Denis Endo Nicolini – 4065080-5 Felipe Mateos Silva – 4060788-7 Fernanda Dias – 4065202-5 Flavio Thomé – 3075588-3 Gabriela Segarra – 4063961-4 Julio Uras - 4064131-7 Ricardo Capelli – 4060841-7

INSTRUMENTOS PERFURO CONTUNDENTES – LESÕES POR PROJÉTEIS

São Paulo 2011

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Denis Endo Nicolini – 4065080-5 Felipe Mateos Silva – 4060788-7 Fernanda Dias – 4065202-5 Flavio Thomé – 3075588-3 Gabriela Segarra – 4063961-4 Julio Uras - 4064131-7 Ricardo Capelli – 4060841-7

INSTRUMENTOS PERFURO CONTUNDENTES – LESÕES POR PROJÉTEIS

Iniciação Científica apresentada à Faculdade de Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Orientadora: Profª. Drª. Irene Batista Muakad

São Paulo 2011

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SUMÁRIO

Introdução......................................................................................................... 5 Capítulo 1- Noções Gerais de Medicina Legal .............................................. 7 Capítulo 2 – Traumatologia Forense ............................................................ 12 2.1 Classificação das Lesões ................................................................ 12 2.2 Natureza dos Traumas .................................................................... 13 2.3 Traumas de Natureza Mecânica ..................................................... 14 2.4 Traumas de Natureza Física ........................................................... 16 2.5 Traumas de Natureza Química ....................................................... 19 2.6 Traumas de Natureza Físico-Química ............................................ 20 2.7 Traumas de Natureza Bioquímica ................................................... 21 2.8 Traumas de Natureza Biodinâmica ................................................. 22 2.9 Traumas de Natureza Mista ............................................................ 23 Capítulo 3 – Instrumentos Perfuro Contundentes – Lesões por Projéteis........................................................................................................... 24 3.1 Instrumentos Perfuro Contundentes ............................................... 24 3.2 Armas de Fogo em Ação ................................................................ 28 3.3 Orifício de Entrada .......................................................................... 30 3.4 Orlas de Contusão, Enxugo e Escoriação ...................................... 35 3.5 Zonas de Esfumaçamento, Chamuscamento e Tatuagem ............. 37 3.6 Trajetória do Projétil ........................................................................ 39 3.7 Orifício de Saída .............................................................................. 41 3.8 As Vestes ........................................................................................ 43 3.9 Disparos Encostados ...................................................................... 43 3.10 Disparos em Ossos ....................................................................... 44

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3.11 Problemas Periciais ....................................................................... 44 3.12 Interesse Jurídico .......................................................................... 46 Capítulo 4 – Balística Forense ...................................................................... 47 4.1 Conceito .......................................................................................... 47 4.2 As Armas de Fogo ........................................................................... 47 4.3 Classificação das armas de Fogo .................................................. 48 4.3.1 Classificação das armas de Fogo Quanto a Alma do Cano ...... 48 4.4 Breves Considerações Sobre o Revólver ....................................... 49 4.5 Algumas Considerações Sobre as Pistolas Semi Automáticas ...... 50 4.6 Calibre das Armas de Fogo ............................................................. 51 4.7 Calibre das Armas de Alma Raiada, de seus Cartuchos de Munição e Projéteis ................................................................................................ 51 4.8 Calibre das Armas de Alma Lisa ..................................................... 52 4.9 Munição ........................................................................................... 52 Conclusão ....................................................................................................... 53 Bibliografia ..................................................................................................... 54

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INTRODUÇÃO

No Brasil, cerca de 17 milhões de armas de fogo estão em circulação no país, sendo que apenas 49% delas seriam de uso legal, 28% ilegais e 23% além de ilegais, seriam para o uso do crime. As consequências desse cenário refletem na taxa de homicídio, em que 21,72 óbitos a cada 1000.000 habitante é devido a arma de fogo, sendo que tais índices triplicaram em um período de 20 anos. Além disso, tais taxas colocaram o Brasil em 2º lugar no pódio de homicídios causados por armas de fogo, perdendo apenas para Venezuela.1

Hodiernamente, o aumento significativo do uso da arma de fogo vem sendo demonstrado nas estatísticas, vez que já atingiu o índice de 63,9% dos homicídios.

Diante desse nefasto cenário, é de extrema relevância o estudo das lesões que esses instrumentos, mormente as armas de fogos, causam nos serem humanos.

Assim sendo, esse trabalho trata acerca dos instrumentos pérfuros contundentes, em especial as lesões por eles causadas, sendo que tais instrumentos abarcam como características centrais a função de cortar e contundir ao mesmo tempo.

No trabalho desenvolvido, com o fito de contribuir para a melhor compreensão da questão, foi realizada uma análise das noções gerais da

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EM PROFUNDIDADE Armas de Fogo, Veja online, São Paulo. Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/armas_fogo/contexto_armas.html. Acesso em 28 de janeiro de 2011.

grave. sobretudo em razão das inúmeras peculiaridades e facetas que esse fascinante tema possui.6 medicina legal. em seguida. tratando de forma detalhada as características e classificações das armas de fogo. que esse trabalho não tem a pretensão de esgotar a matéria. por sua vez. Por fim. Além disso. Além de uma breve análise acerca dos peritos e das perícias. além de elucidar o funcionamento das armas de fogo. Já no segundo capítulo. No primeiro capítulo desse trabalho será explorado os conceitos referentes à medicina legal. As distinções entre as correntes extensivas. foi em conceituar os instrumentos pérfuros contundentes. restritivas e intermediárias. gravíssima. A pretensão do terceiro capítulo. os diversos tipos de traumas. as orlas. este foi ocupado em estudar as classificações das lesões (leve. lesão seguida de morte). Fica consignado. as zonas e as trajetórias. bem como todos os efeitos por elas causadas: os orifícios de entrada e de saída. o quarto capítulo destina-se ao estudo da balística. . desde já. não foi olvidado de trazer à baila a moderna doutrina construída sobre a matéria. além de explanar acerca dos calibres e munições desses instrumentos.

pois é evidente que os Institutos Legais existem para servir o homem e freqüentemente se aplicam às áreas da Saúde. Para saber se se trata de morte natural ou violenta. para avaliar uma ofensa à integridade física de alguém. com o fim de colaborar com o sistema jurídico. para verificar se a doença do reclamando é . para concluir pela imputabilidade ou não de um agente criminal. para que assim possamos situar dentro do contexto jurídico a importância e o papel da perícia realizada sob as lesões advindas de armas de fogo. condizente com a realidade que nos cerca em ordem para alcançar os parâmetros necessários à concreção da justiça. Nesse sentido esclarece-nos Odon Ramos Maranhão: O Direito não pode prescindir dos conhecimentos médico-biológicos. para que a aplicação da norma jurídica seja eficaz e equilibrada.NOÇÕES GERAIS DE MEDICINA LEGAL Antes de adentramos no estudo do principal tema aqui abordado.7 CAPÍTULO 1 . ou seja. Sendo assim. necessário se faz uma breve análise dos aspectos que abrangem a Medicina Legal. o operador do direito precisa do auxílio de outros ramos da ciência. amoldando a norma a realidade fática dos casos que necessitem de sua incidência. Este é o papel que desempenha a Medicina Legal. sendo uma ciência que visa interligar o direito aos conhecimentos médico-biológicos.

Odon Ramos. são três as correntes existentes.8 transmissível por contágio ou herança. MARANHÃO. a restritiva e intermediária. para amoldá-las. tratando-se na realidade de meras questões médicas a serem analisadas para a solução de determinado caso jurídico. tornam-se indispensáveis os conhecimentos de natureza médico-biológica. 2005. quais sejam: a extensiva. 2 . De acordo com este entendimento. ou seja. objeto e objetivos distintos. Daí a procura de uma verdadeira “ponte” entre diversificadas áreas do conhecimento humano. que o jurista lida com a norma legal em princípio e o médico com o caso objetivo em concreto. para que existem e para quem buscam o bem comum. a serviço do Homem. adota a posição de que não existiria uma ciência denominada “Medicina Legal”. que estabelece o conceito extensivo. algumas instâncias em que a colaboração da Medicina ao Direito se faz necessária. utilizando-se de métodos dos mais diversos ramos da ciência médico-biológica em ordem para auxiliar o direito. pág. a restritiva. de outra parte. desde logo. 8ª edição. relacioná-las e obter eficaz colaboração bilateral. Essa a pesada tarefa da Medicina Legal. Atualmente este entendimento não mais é aceito. 23. possuindo metodologia. preconiza que a Medicina Legal seria um ramo autônomo. Curso Básico de Medicina Legal. São Paulo: Editora Malheiros. sob o fundamento de que a Medicina Legal não possui os requisitos aqui mencionados. 2 No tocante a conceituação dada pela doutrina à Medicina Legal. Se considerarmos. concluiremos. E essas são. qualquer indivíduo legalmente habilitado a praticar a medicina poderia servir à Justiça. apenas. pela indispensabilidade de se estabelecer um liame entre dois raciocínios díspares e até certo ponto distanciados. A segunda corrente. A primeira.

9 As duas correntes de pensamento acima demonstradas não são capazes de conceituar validamente a ciência em comento. Nesse Sentido. 25. ou as causas da morte de um indivíduo em um suposto acidente. uma vez que são posições extremadas. Já na segunda hipótese. seguindo o entendimento majoritário entre os doutrinadores. o liame entre a Medicina Legal e o Direito se encontra na atuação dos peritos no direito constituído e no direito constituendo. ou seja. condizendo de maneira mais adequada a realidade que nos cerca. que nas palavras de Odon Ramos Maranhão conceitua a Medicina Legal: Pode ser assim expressa: “Medicina Legal é a ciência de aplicação dos conhecimentos médico-biológicos aos interesses do Direito constituído. Como exemplo. de um indivíduo experiente dentro de certo campo de atuação. 3 Nesta esteira. podemos citar a atuação de um médico especialista que avaliaria as extensões dos danos causados a uma vítima de lesão corporal. . dependendo para tanto da atuação de um perito. p. para a confecção de leis capazes de normatizar as situações fáticas de forma mais eficaz. pois pretendemos analisar a importância e as formas que se dão as lesões 3 Ibid. não condizendo com a amplitude e a importância das funções desempenhadas pela Medicina Legal no auxílio do Poder Judiciário. encontramos a necessidade do judiciário de uma analise aprofundada de determinada situação fática. consolidou-se a posição intermediária. encontramos o auxílio da Medicina Legal. É na primeira hipótese que se enquadra o presente estudo. do Direito constituendo e à fiscalização do exercício médico-profissional”. Na primeira hipótese. através dos conhecimentos médico-biológicos.

Acerca desta questão. para fazer parte integrante do Processo Judiciário. Esses profissionais que esclarecem os julgadores a respeito de assuntos próprios de suas profissões são chamados peritos. . A perícia direta é aquela realizada pelo perito diretamente em contato com o indivíduo a ser analisado. cada observação de interesse jurídico requer um determinado e específico observador: o especialista ou técnico. já nos casos em que isso não é possível. os quais serão o fundamento objetivo da sentença. p. relatado em juízo. 4 No que diz respeito a classificação da perícia. freqüentemente a autoridade se defrontará com situações em que não pode prescindir da colaboração do técnico. Uma vez feito o exame. Diríamos. a natureza da matéria a ser examinada. que recebe o nome de perícia. a serviço da justiça. bem como a maneira que esta auxilia na elucidação dos casos práticos. é a perícia. 31. Em outros termos. dele resultará um documento. Conforme a natureza do exame a ser feito. posicionando-os dentro do sistema jurídico. de outra forma. O que define a espécie de perícia a ser feita é. que podem ser engenheiros. são as perícias. Os exames realizados por técnicos. pode ela ser direta ou indireta. que o exame de interesse judiciário. e o examinador que a produziu é o perito. ensina-nos Odon Ramos Maranhão: São inúmeras as eventualidades em que a autoridade judiciária precisa de exames especializados para servirem de “provas”.10 ocasionadas por disparo de armas de fogo. evidentemente. 4 Ibid. se socorrerá de especialistas. sem os quais não se concretizaria a tão necessária interligação entre a Medicina e o Direito. cumpre-nos analisarmos neste tópico a figura do perito e a perícia. assistentes sociais etc. Por fim. Assim. médicos.

aquela realizada por meio de documentos. confeccionando. É dentro deste contexto geral que iremos estudar e analisar as implicações dos danos ocasionados pelo disparo de armas de fogo. Porém. Há ainda a possibilidade das partes formularem quesitos a serem respondidos pelo perito. bem como a existência da figura do assistente técnico. motivo pelo qual fica possibilitada à autoridade pública a nomeação de um perito não oficial. por exemplo. muitas vezes. o especialista encarregado de auxiliar o Poder Judiciário analisa diversos documentos. ou seja. posteriormente. ou seja. ou seja. o profissional especialista contratado por elas que irá acompanhar a realização da perícia. ou não há número suficiente deles para atender toda a demanda.11 encontramos a perícia indireta. qual seja. as feridas perfuro contundentes. Em via de regra. Este profissional de gozar da confiança do magistrado e ser reconhecidamente competente dentro de sua área de atuação. o especialista que é funcionário da própria instituição ou repartição pública. seu laudo pericial. o laudo pericial deve sempre ser realizado pelo perito oficial. registros hospitalares. que serão abordadas nos próximos tópicos. . esse profissional não existe. Nesse último caso. como.

sentido ou função. simples. tanto na esfera física quanto na mental e moral. 2. aceleração de parto. este se refere à ação capaz de gerar uma alteração. São representadas pelas escoriações. Primeiramente há que se demonstrar a diferença entre lesão e trauma.12 CAPÍTULO 2 . luxações. De acordo com o Código Penal. contusões . aquele diz respeito à alteração em si. o trauma é a causa do dano e sua conseqüência é a lesão.TRAUMATOLOGIA FORENSE A Traumatologia Forense estuda as lesões resultantes de traumatismos. o termo lesão corporal é usado para designar os danos sofridos pela vítima. perigo de vida. debilidade permanente de membro. É dizer que. lesão corporal são ofensas à integridade física ou psíquica de outrem. Assim. por mais de trinta dias. equimoses hematomas. Pois. Atingem o corpo ou a saúde de forma superficial.1 Classificação das Lesões: As lesões corporais podem ser classificadas quanto à intensidade: A) Leves – Não há perigo de morte ou de grandes complicações para a vítima. B) Graves – Se resulta: incapacidade para as ocupações habituais. entorses e edemas.

D) Lesões corporais seguidas de morte – Há que se analisar a intenção em provocar a morte. . isto é. além das variações de pressão. deformidades permanentes. D) Trauma de natureza físico-química: impede o envio de ar nos pulmões o que altera a composição química sanguínea. na maioria das vezes externas. enfermidade incurável. sentido ou função.13 C) Gravíssimas – Se resulta: incapacidade permanente para o trabalho. da vítima ou de ambos. O que resultará asfixias. de movimento do objeto vulnerante. a térmica. B) Traumas de natureza física: A energia envolvida é radiante. como a luminosa.2 Natureza dos Traumas Partindo do conceito que o trauma é a ação causadora de um dano. São elas: A) Trauma de natureza mecânica: A energia envolvida é cinética. podendo levar a morte. devemos saber que são vários os tipos de energia capazes de gerar danos. perda ou inutilização de membro. 2. ou produzem alterações funcionais. a elétrica. aborto. a sonora. a nuclear e a radiológica. C) Trauma de natureza química: Nesta ação são utilizados produtos químicos que produzem lesões teciduais.

não há um instrumento exclusivamente perfurante..) Caso o objeto adentre cavidades naturais do corpo – craniana. de acordo com o doutrinador Leonardo Mendes Cardoso: (. contundente ou cortante. nasal etc. Assim. abdominal ou pélvica. G) Trauma de natureza mista: resulta da associação destes dois últimos. Medicina Legal para o acadêmico de direito.3 Traumas de natureza mecânica Importante frisar que o uso que se faz de um instrumento é o que servirá para classificá-lo. 47 . falaremos em transfixão.. por exemplo. pg. Leonardo Mendes. vaginal. bem como das lesões decorrentes: 2. autointoxicações e infecções. oral. No que diz respeito às lesões deste tipo de ação. 2009. diremos que houve penetração. torácica. caso permaneça dentro de um tecido diremos que houve alojamento. gerando lesões contusas. ao invés de ser utilizado para atirar. 5 5 CARDOSO. Estudaremos em separado algumas particularidades dos traumas apresentados. –. anal. Portanto. Belo Horizonte: Editora Del Rey. caso ultrapasse todos os limites corporais. um revolver pode ser usado com o fim de se aplicarem coronhadas. F) Trauma de natureza biodinâmica: Aqui se encaixam os choques e a falência de múltiplos órgãos.14 E) Trauma de natureza bioquímica: perturbações alimentares. 2ª edição.

luxações e entorses. perfuro-contusa. ruptura de órgãos ou vísceras. fraturas. correspondem ás associações das lesões anteriores. Necessário se faz explicar o ferimento por projétil de arma de fogo. .15 Vejamos algumas peculiaridades: A lesão incisa e incisão representam os cortes advindos de instrumentos com borda afiada. quais sejam: pérfuro-incisa. A cauda te importância no âmbito jurídico. Assumem diferentes formas: rubefação. equimose. Tais objetos agem com pressão localizada sobre um ponto mínimo. pois deixam a marca de um ponto. bossas sanguíneas. escoriação. entre outras. São chamadas também por lesões punctórias ou puntiformes. O que a diferencia das incisões que possuem mesma intensidade por todo trajeto. A contusão é causada por objeto com superfície plana ou romba que entra em contato com a região afetada de modo mais amplo. As incisas possuem cauda de escoriação (de arrasto) voltada para o lado do término da lesão. E o restante das lesões. corto-contusa. por ser um tipo juridicamente especial de lesão. mas com características misturadas. como as agulhas e os espinhos. A perfuração é fruto de instrumentos com ponta muito afilada e sem gume. uma vez que informa o sentido em que a lesão foi provocada e com isso a possível posição do agressor em relação a vitima. hematomas.

Conforme a distancia do disparo pode-se ter alterações nas características das mesmas: A) Tiro de encosto – todos os elementos provenientes do disparo serão injetados nos tecidos onde o projétil causou um orifício de entrada. orla de escoriação. com borda invertida.16 Sabemos que não é a arma que causa a lesão. há um orifício de entrada com forma ovalada. O fato comum a todos os projéteis é que todos são objetos perfurocontundentes. 2. Nos tiros à distancia. exceto quando usada como instrumento contundente. cutâneo. Pode até mesmo penetrar uma cavidade ou transfixar parte do corpo. orla de esfumaçamento. Sendo ainda possível. zona de queimadura e de compressão dos gases. O projétil pode se alojar no tecido muscular. Nem mesmo as balas são as geradoras. halo de enxugo e de tatuagem. a lesão representa a forma arredondada. halo de enxugo. A arma somente propicia o mecanismo de propulsão para os projéteis.4 Traumas de Natureza Física A) Temperatura . um projétil determina somente um orifício de entrada ou um de entrada e outro de saída. adiposo ou ósseo. orla de escoriação. B) Tiro a curta distancia – conhecido como tiro a queima roupa. Portanto. aréola equimótica e bordas invertidas. alguns orifícios de entrada e de saída para o mesmo projétil.

letargia e comprometimento dos movimentos. convulsões. fluidez do sangue. além da vermelhidão). bem como tecidos. A alteração pelo calor resulta intermação (onde a fonte é o excesso de calor devido a locais confinados ou mal-arejados) ou insolação (onde a causa é o calor de lugares abertos e expostos ao sol). chamadas de choques térmicos. causando sonolência. podendo causar deformação no momento da cicatrização). comprometimento respiratório. delírios. de segundo grau (quando atinge apenas a epiderme.17 Tanto o frio quanto o calor podem causar lesões. Podendo ser de primeiro grau (quando atinge apenas a epiderme). B) Eletricidade A descarga de eletricidade natural – os raios – pode causar queimaduras. A ação pelo frio compromete o sistema nervoso. nos casos de acidente de trabalho e de doenças ocupacionais. mas forma bolhas serosas. Por ação de calor direto. ruptura do coração. rupturas dos vasos sanguíneos. e de quarto grau (representadas ela carbonização). caso . quando há morte. congestão de múltiplas vísceras. bem como as variações bruscas. hemorragias. e fulminação. as queimaduras são as conseqüências. de terceiro grau (quando o músculo é atingido. A descarga de eletricidade artificial. Já as variações bruscas possuem importância na área trabalhista. se provocar a morte configura a eletrocussão. necrose dos membros no todo ou em parte. aquelas produzidas por mecanismos fabricados pelo homem.

As lesões podem ir de queimaduras simples até cânceres e carbonização. Podem causar comprometimento superficial da pele até o extremo. sem os óculos de proteção. torpor e ate mesmo perda de consciência. o que justifica a morte são os casos de parada cardíaca. Geralmente. Quando do seu aumento. pode acarretar intoxicação pelos gases da corrente sanguínea. E descompressão súbita. . causam danos por descargas radioativas. E) Luz e Som A energia luminosa são menos freqüentes. com vertigens e dores de ouvido. respiratória e hemorragia intracraniana. como explosões. Acidentes são possíveis. com a carbonização do corpo. C) Radioatividade É a energia liberada pelos aparelhos de raios-X. D) Pressão atmosférica A pressão atmosférica. com soldadores desprotegidos. Quanto à energia sonora. pode causar falta de ar. em regiões profundas. bem como do labirinto.18 contrário configura-se a eletroplessao. quando da sua diminuição. São conseqüências comuns os zumbidos perenes. disfunções com comprometimento da capacidade auditiva. taquicardia. gerando embolias. náuseas. em grandes altitudes aonde o ar rarefeito diminui a concentração de oxigênio. os ouvidos humanos não suportam volumes com freqüência acima de 85 decibéis. ocorrendo na maioria dos casos.

podem ser sintéticos (de origem animal. medicamentos ou venenos. p. 6 Inbid. vegetal ou mineral). os cáusticos.. Os venenos. uma vez que também envolvem o uso de energia radiante.) Mas tudo isso ainda carece de maiores pesquisas e comprovações. quanto ao fim. (. Ambos podem.19 Referente a este tema. bases. cosméticos. quanto à origem. ainda acrescenta: Atualmente tem-se notado uma importância crescente em relação aos acidentes envolvendo aparelhos celulares e de microondas. quanto ao estado físico podem ser pode ser sólidos. teoricamente. podem ser agrotóxicos.6 2. quanto à função química. 59 . pastosos e gasosos. medicinais. podem ser óxidos. de uso doméstico ou industrial. Os dois primeiros constituem um grupo à parte.. Estes podem provocar efeitos coagulantes (desidratam os tecidos criando uma espécie de queimadura local seca) ou liquefacientes (geram queimaduras úmidas). o ilustre doutrinador Leonardo Mendes Cardoso. substâncias que podem causar danos ao organismo. representar risco de danos ao organismo.5 Traumas de natureza química Encontram-se aqui os ácidos. líquidos. bases ou sais.

que as quantidades usadas é que irão definir-los como tóxicos. dá-se pela competição do transporte pela hemoglobina entre o oxigênio e o monóxido de carbono. Quanto maior for esta distância entre as doses terapêutica e tóxica. Quanto menor.20 Ainda sobre os traumas de natureza química e as lesões decorrentes destes. maior o risco que representa. aumentando sua acidez ou alcalinização.7 prazo de validade do produto. p. não há renovação do ar. 2. comprometimento de rins ou de fígado. dá-se pela permanência de uma ou mais pessoas em ambientes fechados. nos quais não há circulação de oxigênio. isto é. interação medicamentosa. variáveis devem ser analisadas. e por sufocação.6 Traumas de natureza físico-química São aqueles que alteram a composição sanguínea no que se refere aos gases desta. . como resistência do organismo. Como já dissemos. A distância entre tais doses (intervalo de segurança) nos informa acerca da sua segurança de uso. vale ressaltar a respeito dos medicamentos. podendo 7 Ibid. por monóxido de carbono. Nas palavras do prefalado autor: Importante lembrar que todo medicamento possui uma dose considerada terapêutica e outra tóxica. reações alérgicas. O principal dano provocado é a morte neuronal causando a perda de funções vitais. dá-se pela privação de ar nas vias aéreas. 61. resultando as asfixias em geral. etc. mais seguro será o remédio. As asfixias podem ser: por confinamento.

7 Traumas de natureza bioquímica Vejamos as condições que aqui se enquadram: A) Inanição . . 2. sendo. Como nos casos de soterramentos. Não há que se confundir estes dois últimos termos.21 ser por via direta (aspirações de corpos estranhos) ou por via indireta (impedimento dos movimentos inspiratórios e expiratórios). O estrangulamento demonstra o dano decorrente da força aplicada por outrem.decorre da falta de alimentação. e o sulco deixado é horizontalizado e regularmente ininterrupto. portanto. bem como do homicídio. encontramos a esganadura. Referem-se. estrangulamentos e enforcamentos. geralmente encontradas marcas de unhas em torno do pescoço. Já o enforcamento. afogamentos. o dano é devido à constrição do pescoço por meio da força aplicada pelo peso do próprio corpo que pende sob o laço. e o sulco deixado é interrompido no ponto perto do nó. voluntaria (greves de fome). aos casos de homicídios. culposa (por negligência) ou criminosa (casos de bebês abandonados e alguns seqüestros). Desse modo. para completar os mecanismos de asfixia. Pode se dar de forma acidental (local sem acesso aos alimentos). Esta é a ação provocada no pescoço da vitima pelas mãos do agressor. As asfixias ocorrem acidentalmente através do suicídio. privando o individuo dos elementos nutricionais básicos para a sua sobrevivência.

o que causa hipotensão arterial.decorrem da alimentação insuficiente. Ocorre a liberação de substâncias para manter o fluxo cerebral e coronário. taquicardia. E) Infecções . C) Intoxicações alimentares . cuja biotransformação resulta na formação de substancias nociva ao organismo. Um dos grandes sinais é a hipotensão arterial frente à vasodilatação que geralmente ocorre. insuficiência respiratória aguda e alteração do ritmo cardíaco. Já a falência múltipla de órgãos é uma disfunção generalizada de vários órgãos.são alterações advindas da ingestão de alimentos.22 B) Doenças carenciais . o que pode gerar morte celular.acontecem pela ingestão de alimentos mal conservados ou contaminados. O choque é uma resposta do organismo devido a uma agressão externa como meio de proteção. D) Auto-intoxicações . .são contaminações de pessoas através de microorganismos capazes de produzir mudanças que comprometam a saúde. com serias alterações bioquímicas.8 Traumas de natureza biodinâmica São os choques e a falência múltipla de órgãos. Ocorrem mais por falta de recursos ou por negligência dos responsáveis. 2.

desequilibrando o funcionamento do organismo.23 Por fim. para encerrar este capítulo de estudo da Traumatologia Forense. . Encontramos a fadiga .9 Traumas de natureza mista Neste trauma associam-se as energias de ordem bioquímica e biodinâmica. nos resta a última natureza de traumas e as lesões decorrentes deste: 2. e as lesões decorrentes de maus tratos . as doenças parasitárias .mais relacionadas com negligência com crianças e idosos.excesso de esforço físico.ligada mais intimamente com a esfera penal.

Quando da realização do disparo.24 CAPÍTULO 3 . Conforme preleciona Almeida Junior. outros elementos que contribuem para a formação e caracterização da lesão. escapam. por onde é inserido o projétil. ou seja. sendo que tais ferimentos são geralmente produzidos pela utilização de armas de fogo.INSTRUMENTOS PERFURO CONTUNDENTES – LESÕES POR PROJÉTEIS 3. a saber. o projétil é impulsionado a grande velocidade pela abertura da arma através da rápida expansão de gases provocado pela repentina queima de pólvora. o projétil ou projéteis.1 Instrumentos Perfuro Contundentes As lesões causadas pelos instrumentos perfuro contundentes são caracterizadas pela ação de um mecanismo que perfura e contunde ao mesmo tempo. que junto com o instrumento perfuro contundente. pela boca da arma. As armas de fogo estão presente em grandes porcentagem como instrumentos utilizados para a pratica de crimes dolosos e para o suicídio. fumaça e grânulos de pólvora que não se incendiaram. sendo comum também figurarem como responsáveis por lesões corporais ou homicídios culposos. que será o objeto do presente trabalho. também. em sua obra Lições de Medicina Legal: . chama. A arma de fogo é um objeto caracterizado por possuir uma abertura em uma de suas extremidades e ser parcialmente fechado na parte de trás. gases superaquecidos. Importante frisar.

ao sair. 8 No tocante as armas de fogo. em si mesma. espingardas etc) e armas de cano curto (revolveres e pistola). obrigam o projétil a sair pela única abertura que lhe oferece. os quais. isto e. O calibre nominal e o da capsula. O interior. p. A explosão da pólvora. ao numero de tiros e a munição. a percussão. o seu comprimento nos permite distinguir as armas de cano longo (fuzis. por sua enorme forca expansiva. de ação perfurocontundente. a tarefa de impelir violentamente o projetil em direção ao alvo. o que faz com que o projetil tenha a sua trajetória mais constante. Lições de Medicina Legal. Ao falarmos do cano. medido na boca do cano. O calibre real e o próprio da arma. 22ª edição. A largura e inclinação das raivas variam segundo o tipo de arma utilizado. devemos levar em consideração as particularidades em relação ao cano. produz súbito e considerável desenvolvimento de gases.25 Nas armas de fogo. cabendo a arma. Sendo estas as mais frequentes em pericias criminais. apresenta sulcos helicoidais – “raias” – que tem como escopo imprimir ao projetil. fechada. na parte posterior do cano. ou alma do cano. 140 . 8 ALMEIDA JUNIOR. o instrumento vulnerante. um movimento giratório. e representado pela bala ou pelos grãos de chumbo . António Ferreira de. O calibre pode ser real ou nominal. 1998. São Paulo: Companhia Editora Nacional. o qual se excede ligeiramente o da arma respectiva. a da parte anterior.

mediante movimentos de uma alavanca. resultando em sua detonação. extrai a capsula detonada. existem armas de um só tiro. p. cada uma das quais se carrega com um cartucho: a medida que se dao os tiros. com o novo cartucho. que prepara a arma para o tiro seguinte. . d) A arma e semelhante as do tipo anterior: cano único. b) A arma tem um cano único. certos fuzis de caca. São as armas de “repetição”: certas pistolas. Porem se a arma exige capsulas. sendo necessário carregá-las outras vez. Mas e a própria forca da pólvora. ausência de tambor. c) A arma tem um cano único e não possui tambor. 141. São armas automáticas: pistolas automáticas. Sao os revolveres. Quanto ao numero de tiros. carga de um “pente” de balas na parte traseira. certas pistolas não automáticas. fuzis automáticos. O “pente” de balas e posto no deposito. nova câmara carregada em correspondência com a culatra. nas armas de carregar pela boca a munição vai sendo introduzida no cano com o 9 Ibid. Nas espingardas e nas garruchas de carregar pela boca. atrás do cano. conforme Almeida Junior se consegue graças a dispositivos vários: a) A arma pode ter dois e mesmo quatro canos: espingardas de caca. o rearmamento do gatilho.26 O modo de percussão das armas atuais se da por meio do choque entre o percussor e a escorva da arma. em cada tiro. para que se possa atirar novamente. a percussão se aplica sobre a espoleta colocada no ouvido. Isto. estas recebem na escorva a pancada do percussor. o tambor vai girando e colocando assim. 9 A munição e outro aspecto que deve sempre ser levado em conta. Logo depois de ter dado um tiro. mas atrás deste existe um tambor com determinado numero de câmaras . Outras podem dar diversos tiros sem a necessidade de recarregá-las. o atirador. os fuzis de guerra. coloca no cano novo cartucho e arma outra vez o gatilho para o tiro seguinte.

3) A bucha: pode ser feita das mais diversas substancias. ora por bala. recebem os mesmo elementos. compõe-se de salitre. enxofre e carvão em proporções variáveis. primeiro a pólvora. cobrindo o “ouvido” da arma. O cartucho e composto de 5 partes: 1) O estojo: pode ser metálico ou de papelão. ou seja. o projetil e por ultimo uma nova bucha que segurara o chumbo. que e constituída essencialmente por nitrocelulose ou nitrocelulose acrescida de nitroglicerina. entre elas pano. e em seguida a bucha. etc.27 auxilio de uma vareta. papelão. papel. 2) A pólvora: pode ser negra. . ou pólvora sem fumaça. disco metálico. 5) O projétil: ora e formado por chumbo. mas arranjados em um cartucho. e difere de acordo com o fabricante. cortiça. Uma espoleta. disco de ouro. 4) A espoleta: constituída por uma mistura que devera explodir ao toque do percussor. sofrera a pancada do cao ao ser puxado o gatilho. Já as armas de carregar pela culatra ou armar de retrocara.

grânulos de pólvora ainda incombusta. que fica preso pelo extrator e e expelido para fora da arma. Como regra. Primeiramente o cão percute a espoleta do cartucho. O sarro pode informar a natureza da pólvora utilizada e a data que o disparo foi feito. Neste sentido. gases da explosão. o que sai da boca da arma e um conjunto heterogêneo composto pela bala. o “sarro”. além da criação de resíduos. e estes elementos contribuirão para a solução dos problemas periciais.28 3.2 As Armas de fogo em Ação A arma e acionada assim que o gatilho e puxado. Isto resulta em uma marcação tanto na arma como fora dela. permitindo que a arma seja identificada. nos ensina o prefalado autor: . variável no aspecto e na medida que os dias passam. disparando-se o tiro. chama. Este e um fato importantíssimo. e ao mesmo tempo descartando o estojo. fumaça e resto da bucha. Tanto que fica dentro do cano um resido. cuja explosão forca a bala através do cano e a impele em direção ao alvo. todos os elementos contidos no cartucho deveriam queimarse totalmente dentro do cano. o que ocasiona a explosão que se propaga para a pólvora. Um vez forcada a bala no interior do cano. pois as particularidades da raiação da arma funcionam como se fossem impressões digitais. Dado o tiro. mas na realidade tal situação não ocorre. recebe ela as impressões correspondentes a radiação da arma.

da materialidade do fato. importante fator de analise para laudos periciais. e ate incrustações de grânulos de pólvora (tatuagem). existe a possibilidade de mudança na posição. tais como o chamuscamento. e por geralmente fornecerem elementos essenciais para a determinação da causa jurídica. um diâmetro que será tanto maior quanto mais afastado estiver da arma. a medida que a velocidade da bala se reduz. Por possuírem multiplicidade de características. como se vera. . apos deixar o cano. Porem. as impressões dos elementos do cone. A base tem. 10 Ibid. A bala.29 O todo forma um cone de ápice voltado para o interior do cano e de base para o lado de fora. Todos os elementos supracitados contribuem para a análise do ferimento. o aspecto mais importante em relação aos efeitos do tiro. Isto se constitui. o que devera dificultar o sucesso ao atingir o alvo desejado. possibilitando que o perito determine uma série de fatores que contribuem para a elucidação da forma em que se deu a agressão. e que nos tiros de perto o alvo recebera além da bala. o estudo das lesões produzidas pelos projéteis faz-se excepcionalmente necessária. 143. esfumaçamento.” 10 Em resumo. bem como da possível autoria. naturalmente. o que mantem a bala com a sua ponta para a frente. p. Em sua progressão vai girando em torno de seu próprio eixo longitudinal. segue uma trajetória retilínea a principio e se encurva um pouco para o solo.

angulo de incidência. dimensões. e contorno das zonas do orifício de entrada e saída.A provável distância do disparo. Passaremos a seguir ao estudo mais aprofundado dos ferimentos perfuro contundentes.30 O perito ao analisar os ferimentos produzidos por projéteis de arma de fogo deve ater-se aos seguintes pontos: 1. Conceitua. além das descrições das lesões internas. de forma brilhante tal ponto o professor Almeida Junior: . e distância do disparo. 2.A orientação do disparo em relação à posição do corpo. as características dos ferimentos de entrada dependem fundamentalmente do tipo de munição empregada. suas descrições e determinações. 3.Forma. 3.A trajetória do projétil no interior do corpo. 4.3 Orifício De Entrada Ocasionados pela entrada do projétil no corpo da vítima.

11 Analisando-se o tipo de munição empregada. Odon Ramos. distribuídas ao redor de um ponto central. Ao se analisar os ferimentos produzidos por projéteis unitários deve-se observar o ângulo em que o tiro foi dado. 144. o braço. pois este determinará o formato da lesão única. Vale ressaltar..12 11 12 Ibid. atravessa determinado segmento: a glândula mamaria pendente. na grande maioria da vezes. e que se afastam dependendo da distância entre o atirador e a vítima. Já nos disparos efetuados à longa distância por múltiplos projéteis. Op. como ensina-nos Odon Ramos Maranhão. nos olhos. p. 298 . que a forma tomada pelo orifício de entrada da lesão “depende da maneira pela qual o projétil atinge o alvo”. em disparos próximos ou encostados ao corpo da vítima tem-se grande destruição do tecido humano. MARANHÃO. um so para cada bala.31 Orifício de entrada – quase sempre localizado na pele (excepcionalmente na boca. antes de penetrar no corpo. dependendo do ângulo de incidência e das linhas de tensão que atuam sobre a pele. Geralmente observa-se o formato circular ou elíptico do projétil único. nos disparos efetuados com munição de projéteis múltiplos. feridas irregulares. p. no reto). uma vez que. e. verifica-se a existência de lesões múltiplas. o aspecto da lesão depende da distância em que houve o disparo. Ha dois quando esta. além de significativa perda de massa corpórea. cit.

em razão da distância em que o disparo foi efetuado e da elasticidade da pele. de maneira tangencial à pele. a penetração da bala produz uma ferida circular ovalar. nos casos em que o projétil perde velocidade podendo ferir pelo flanco ou pela base. Este tipo de ferida não penetra no corpo não podendo. referir-se a orifício de entrada. Além do que já foi mencionado. invaginadas. ocasionando grande dilaceração desta acompanhada por grande perda de substância. excepcionalmente. A lesão também será atípica nas hipóteses em que o projétil atinge a vítima "de raspão". este nem sempre é o mesmo em relação ao projétil. Odon Ramos Maranhão comenta sobre as dimensões do orifício de entrada causado pelas armas de fogo: . ou quando o projétil atinge um alvo intermediário antes de incidir sobre o corpo da vítima. dessa forma. já que. já que foi produzida apenas uma escoriação de formato alongado.32 Os projéteis únicos podem também produzir feridas maiores quando o tiro for dado com maior proximidade à pele da vitima. os orifícios de entrada produzidos pelos projéteis únicos podem ter formato atípico. este pode ser maior. deve-se observar com relação também à forma do orifício de entrada. menor ou igual ao diâmetro do projétil. voltadas para o interior do corpo. Ao se mencionar as dimensões do orifício de entrada. Isto se dá devido à força expansiva dos gases associada ao poder vulnerante do projétil. ou seja. que este possui geralmente bordas invertidas. Comumente. Nesse mesmo sentido.

já as zonas se caracterizam pela carga explosiva. O exame do orifício sugere. a pele se invagina como um dedo de luva e se rompe. entretanto. “Ao penetrar do projétil. Quatro espécies devem ser consideradas. 299 Ibid. sendo conhecidos como orlas e zonas. com boa aproximação. esta e distendida pela bala antes de ser perfurada... cit. pois em virtude da elasticidade da pele. Os sinais provocados pelo projétil denominam-se orlas. . devendo esta comparação ser feita com cuidado. Odon Ramos.14 13 14 MARANHÃO. forma-se uma orla escoriada. p. importante comentar. contundida”. sendo exceção neste sentido. Vejamos: 1) Orla de contusão. ao de entrada. p. Devido à diferença de elasticidade existente entre a epiderme e a derme. que a entrada do projétil na vítima deixa determinados sinais que contornam o orifício de entrada. este se mostra geralmente menor. Op. o calibre da bala vulnerante. 13 Posto isso.33 O orifício de entrada é usualmente menor do que o calibre do projétil que o produziu e com ele guarda proporção direta. pois pode induzir a erro. O diâmetro é geralmente menor que o orifício de saída. 299. importante comentar que o disparo muito próximo dá origem a orifício maior do que se espera. Por fim. Nos tiros muito próximos. Comparando o orifício de saída. não constituindo verdadeira regra. o diâmetro da ferida e maior que o da bala.

. 2005. por atrito. “se limpa”. “enxuga-se” nas bordas da ferida. se bem que aquela possa indicar o orifício de entrada. Entrando na pele. além de assinalar com segurança o orifício de entrada. pp. A bala. Também conhecida como “tatuagem verdadeira”. 300). António Ferreira de. Odon Ramos. 4) Zona de esfumaçamento. e se depositarão em torno do orifício de entrada. ferrugem.. carregando impurezas provenientes da pólvora e dos meios anteriormente atravessados. “Curso Básico de Medicina Legal”. 8ª ed. em uma zona circular tanto mais ampla e mais rarefeita quanto maios a distancia. pode informar quanto a distancia e direção do tiro e quanto a quantidade de pólvora. caso o tiro seja efetuado de curta distancia. 15 ALMEIDA JUNIOR. formando a orla de enxugo. Devido à maneira pela qual o projétil penetra na pele. A importância diagnostica da zona de esfumaçamento e menor que a da Zona de tatuagem. a bala se cobre de resíduos que ai existem – “sarro” da pólvora. p 146. Esta zona e muito importante. distancia e direção do tiro. São Paulo: Malheiros. também característica do orifício de entrada. 298-397) (p. . porque. Op. ela se limpa dessas impurezas. entendo Almeida Júnior: Ao atravessar o cano da arma.34 2) Orla de enxugo. cit.15 3) Zona de tatuagem. consiste em “simples depósito de pólvora incombusta e impurezas” (MARANHÃO. os grânulos o atingirão. Não é removível. É removível. No mesmo sentido. Assim se forma a orla de enxugo.

Enxugo e Escoriação Tratam-se de regiões circunscritas. que circundam o orifício de entrada. dando-lhe características aptas a reconhecer o ferimento produzido por instrumentos perfuro contundentes. esta se rasga dando margem à conseqüente exposição da derme. Após a contusão e a passagem do projétil pela epiderme.35 Estudaremos os sinais supramencionas de forma mais pormenorizada adiante. Nas palavras do ilustre doutrinador Eduardo Roberto Alcântara DelCampo: . Deve o perito ter atenção ao identificar a orla de escoriação já que esta pode ser normalmente impedida de ser observada devido à orla de enxugo que fica parcialmente sobreposta a ela. causando então uma pequena zona equimótica. camada mais elástica. À exposição da derme ocasionada pela passagem do projétil por esta dá-se o nome de orla de escoriação.4 Orlas de Contusão. que encapsula e acompanha o projétil antes de se romper. 3. A orla de contusão ocorre devido à contusão que o projétil causa na rede de capilares da pele no momento em que se encontra com a epiderme.

Os ferimentos de entrada produzidos pelos instrumentos perfuro contundentes em sua grande maioria apresentam as descritas orlas. deixa-se distender em maior âmbito. e a segunda. indica uma área maior. decorrente do embate do projétil contra a pele. A orla de contusão. 16 Nesse sentido. de contusão. que circunda o ferimento. 2007. São Paulo: Saraiva. Medicina Legal. a primeira mais fina e menos elástica. a pele se constitui de duas camadas distintas. e é formada pelo halo hiperêmico decorrente da lesão dos capilares da área atingida pelo embate do projétil. cumpre-nos explicitar que. por outro lado. rompendo-se facilmente. Eduardo Roberto Alcântara. a epiderme. enxuga-se ao atravessar a derme. a orla de escoriação corresponde à diminuta exposição da derme sobre a lesão causada na epiderme. e de enxugo. o orifício da epiderme tornase muito maior que o da derme. A orla de enxugo recebe esse nome devido ao projétil.36 Na verdade.. depositando na superfície desta todas estas impurezas. não deixa-se quase distender. p. 16 DEL-CAMPO. fuligem. sendo esta um anel de coloração escura ao redor do orifício de entrada. de escoriação. e ferrugem. 4 ed. Cumpre-nos também ressaltar a menção do douto doutrinador em relação à orla de contusão. mais elástica. trazidos no momento em que este atravessa o cano da arma. recoberto de resíduos de pólvora. Dessa forma. 183 . em razão da diferença de elasticidade entre as camadas.

dependendo da distância do disparo. para o perito. já que. lhe informará sobre a distância em que o disparo foi efetuado e também sobre a qualidade da pólvora que foi utilizada. É expelido pelo cano da arma: Fumaça. atingir a vítima. Esfumaçamento e Tatuagem Passamos agora a tratar das outras características essenciais para a análise das feridas perfuro contusas. ou não. que podem ter entrado ou não em combustão. . já que não possuem força suficiente para ir além de poucos centímetros do cano da arma. No momento do disparo do projétil. Dependendo da distância em que o disparo foi efetuado.5 Zonas de Chamuscamento. Como já mencionado como uma das substâncias que podem deixar o cano da arma juntamente com o projétil. gases em alta temperatura e em combustão.37 3. grãos de pólvora. observar a zona de tatuagem. Importante se faz. que se desprendem do projétil no momento em que este produz atrito com o cano da arma. esses componentes diversos do projétil podem. encontra-se expelido pela arma outras substâncias que servem para identificar algumas características das feridas produzidas por estes. variando de acordo com o propelente utilizado. além de assinalar claramente o orifício de entrada. além deste. esta. poderão se depositar em torno do orifício de entrada. os grânulos de pólvora que não entraram em combustão. da idade e conservação da arma. bem como micropartículas metálicas.

alguns serão expulsos pela cicatrização da pele. os grânulos de pólvora permanecerão. A pólvora sem fumaça tatua menos intensamente já que queima de melhor maneira. nos casos de disparos próximos ao alvo. depositando-se. podem ser facilmente removidos por lavagem. Poderá também. em torno do orifício de entrada. por permanecerem de modo superficial. Isso não ocorre no indivíduo morto. esta servirá para que o perito identifique o orifício de entrada. já que não haverá tal cicatrizarão.38 A zona de tatuagem. observar o perito que. no indivíduo que se mantinha vivo ao receber o disparo. . em relação à distância. terá um diâmetro maior ao redor do orifício de entrada se o tiro foi dado de maior distância. Importante também se faz. a distância e a direção do disparo. o perito. semelhantemente à zona de tatuagem. em parte. Assim cabe ao perito observá-los e descrevê-los antes e depois da lavagem. Entre os elementos que deixam o cano da arma no momento do disparo. verificar a qualidade da pólvora. e. os elementos de pólvora que incompletamente entraram em combustão. Verifica-se a importância da zona de esfumaçamento. comporão a zona de esfumaçamento. pois. diâmetro menor caso o disparo seja feito de menor distância. incrustados na pele deste. e. segundo o exame dos pontos arredondados desta ou incrustações lineares de variada coloração produzida. Os grânulos de pólvora ficaram também mais acumulados quanto mais próximo tenha ficado a vítima no momento do disparo. Tais elementos.

Por isso.39 Quanto à zona de chamuscamento. Se considerarmos o túnel que o projétil cria no corpo da vítima. Quando o projétil atinge o organismo – e nele penetra – pode atravessá-lo ou ficar nele retido. mais freqüentemente. O trajeto poderá ser único para cada projétil. Acerca da trajetória do projétil dentro do corpo da vítima. caso haja a fragmentação do mesmo. quando de outra forma estar-se-á diante de um canal aberto. O projétil terá percurso retilíneo. refere-se tal zona a região da pele e dos pelos da vítima que possa vir a ser queimada pelos gases superaquecidos ou grânulos de pólvora que se queimam fora do cano da arma.6 Trajetória Do Projétil O projétil ao atingir e adentrar no corpo da vítima produzirá um trajeto no interior deste. é necessário dar atenção a este tipo de ferimento. Tal trajeto não existirá caso o projétil ferir superficialmente a vítima. . ou poderá sofrer desvios. ou múltiplo. ou no caso de o tiro estourar a parte atingida dilacerando o corpo da vítima. Quando o projétil não atravessa o corpo da vítima tal trajeto será um canal fechado. às ‘balas’ do que à carga de chumbo (grânulos). 3. esclarece Odon Ramos Maranhão: As lesões produzidas por disparo de arma de fogo se devem. nos casos de disparos a curta distância.

todavia. Odon Ramos. Estas provas.40 veremos que pode ser penetrante ou transfixante. se houver interposição de ossos ou vasos. p.. em não existindo. nem sempre é tão fácil assim. tudo se modifica. p. difícil e até impossível. como ocorreu com um indivíduo que tentou suicídio disparando a arma no ouvido direito e o projétil. mas. devendo-se proceder o estudo de estriação lateral fina. Quando se trata de ‘regiões moles’. Entretanto.18 Em se havendo a arma suspeita de ter saído os disparos. A reconstituição da trajetória é. O segundo elemento é o número de raias da arma. saindo junto ao pavilhão da orelha esquerda. são genéricas e podem ser inconclusivas. Deve haver compatibilidade com o calibre da arma. cit. o percurso é direto. este por sua vez específico e determinante. deve-se verificar a sua compatibilidade com o disparo que veio a matar uma pessoa. 303.. . 17 18 MARANHÃO.. 298. caminhou entre o couro cabeludo e a camada óssea. por vezes. unindose os dois pontos (entrada e saída) temos a direção e o percurso do projétil. Ibid. 17 Sobre a penetração transfixante. é possível o estudo do percurso da bala no organismo. depois de bater no rochedo. pára-se aqui o estudo. ensina-nos Odon Ramos Maranhão acerca das lesões assim provocadas: Quando há orifícios de entrada e de saída. Op. Em situação mais simples.

. ou de enxugo. escoriação. 147/148 DEL-CAMPO. cit. Eduardo Roberto Alcântara. é um ferimento irregular. Ademais. e menor que na entrada. importante comentarmos acerca de suas diferenças para com o orifícios de entrada.41 3. esfumaçamento ou tatuagem. Com atenção a diferença entre o orifício de saída e o de entrada. p."20 Sobre o orifício de saída. Ob. 2) o complexo epiderme-derme e evertido. de alta energia. costumam produzir ferimentos de saída de grandes proporções. . e possui tecidos orgânicos voltados para fora da ferida. isto visto que o projétil se deforma por ser freqüentemente deformado pelos ossos e tecidos orgânicos durante sua trajetória pelo corpo. 179. na saída. o orifício de saída não apresenta orlas de contusão. António Ferreira de.7 Orifício de Saída Em regra. Ob. além de possivelmente deformado pelos ossos. A doutrina geralmente cita quatro 19 20 ALMEIDA JUNIOR. 3) a bala se enxuga na face profunda da derme. e não em sua face superficial. 19 Ressalta o festejado doutrinador Del-Campo acerca do tema: "Alguns projéteis especiais. com velocidades superiores a 750 m/s. o orifício de saída é maior que o orifício de entrada. Acresce que a forca viva. p. apresenta o professor Almeida Junior três pontos: 1) o projetil sai que sai do corpo nao e igual ao que entrou. em razão das ondas de choque produzidas pelo seu deslocamento. pois. cit. nem zonas de chamuscamento.. de dentro para fora. ainda traz consigo fragmentos de tecidos.

ao deixar de encontrar um orifício de saída deve presumir que o projétil esteja retido no corpo da vítima. senão vejamos: “1) o orifício de saída é dilacerado. ou cai na corrente sanguínea. recentemente o filme “Tropa de Elite 2” fez menção à ela: logo no início do filme. necessária se faz uma breve consideração acerca dos projéteis retidos. não traça características tão claras o orifício de saída. causando verdadeiro “rombo” na nuca do personagem interpretado por Seu Jorge. Por fim. o que pode dificultar em muito o trabalho do médicolegista. descreve o estrago que uma bala de uma arma em específico faz ao sair do corpo. 301. como demonstrado no filme. em um orifício de saída. p. Odon Ramos. demonstrando a relação entre o orifício de entrada e o de saída. a bala se aloca no intestino da vítima. O perito. 2) é evertido. pois a bala pode ter diferentes características. aqueles que se alojam no corpo da vítima. 4) não tem orlas e nem zonas”21 Estas diferenças podem não ser tão evidentes e esquemáticas em cada caso. não resultando. 21 MARANHÃO. sendo este verdadeiramente maior. cit. Por vezes.42 diferenças. por exemplo: se penetrar no corpo após ricochetear. por conseqüência. o Capitão Nascimento. Quanto à terceira diferença apresentada.. . o personagem de Wagner Moura. Ob. devendo encontrá-lo através de uma procura minuciosa. 3) é desproporcional ao projétil (maior). ou seja.

importa diferenciar se estes foram deferidos apenas contra tecidos corpóreos. Em alguns casos. servir para que o perito descubra características do disparo e da arma utilizada. Na primeira ocasião descrita. levando as zonas de chamuscamento. Dessa forma podem as vestes. e sinais de resquícios de pólvora que saíram do cano da arma. na bala se grava. esfumaçamento. ou se incidiram sobre partes do coroe que recobrem ossos planos.43 3. em “impressões” indumentárias. em outras ocasiões as vestes mostrarão sinais de combustão produzidos pelos gazes superaquecidos. e. o projétil e os demais elementos que saem do cano da arma no momento do disparo penetram no interior do corpo da vitima causando uma grande lesão interna. a ficarem todas no interior do corpo. ficando o orifício de entrada com forma circular ou elíptica. o desenho do tecido.8 As Vestes Certas vezes existem orifícios no vestuário da vítima que correspondem aos feitos pelos projéteis. acompanhando o projetil. e tatuagem. 3. em determinadas ocasiões. ora se mantem presos a ele. . ora se distribuem ao longo da lesão.9 Disparos Encostados Nesses tipos de disparo. Os panos que a bala atravessa antes de atingir o corpo da vitima fornecem fragmentos que.

haver mais de um orifício de saída ocasionado pelas partículas de ossos que se despedaçam com o impacto do projétil. 3. perfurá-la. por ter uma região óssea na região atingida pelo disparo. Podendo. .10 Disparos em Ossos Freqüentemente são produzidas fraturas caso o disparo seja feito contra ossos longos. em hipótese alguma. o projétil poderá. um refluxo dos gases. perfurar tal região. não conseguindo os gases e a pólvora.11 Problemas Periciais Nesta parte iremos analisar os problemas médico-legais. Na segunda ocasião. faz-se possível a evidência da marca do cano da arma nesta região. Tal ferimento é denominado como mina de Hoffmann. na lesões por armas de fogo. 3. haverá uma explosão dos tecidos formando um ferimento de bordas invertidas e com formato estrelado. inclusive. Nos casos dos ossos planos diferencia-se facilmente o orifício de entrada do de saída em razão do cone de dispersão formado pelos fragmentos ósseos. Por ter nestes casos. ou não.44 Dependendo da força em que a arma foi pressionada na região da pele em que foi feito o disparo. de maior incidência.

os quais gradualmente se convertem em sulfato. serão nulas.45 1) Identificação do atirador pelo exame da arma: Para se verificar o autor do disparo. as informações são imprecisas e quando foi usada pólvora sem fumaça. marca do extrator na gola do estojo. devem ser devidamente recolhidos e encaminhados ao laboratório para exames. mas também da própria individualidade da arma. percebe-se a presença de gás sulfídrico no cano. 3) Data do ultimo disparo: Quando se tratar de pólvora negra. sendo possível durante algumas horas. 5) Identificação da arma pelo exame da bala: O cano imprime a bala um certo numero de marcas capazes de informar. Para tal. a fim de preservar este vestígio. marca do percussor sobre a espoleta. não só a respeito do tipo. em uma superfície lisa. da impressão digital. marca da espalda do cano sobre o talão. 2) Determinação da qualidade da pólvora: Para se determinar se o disparo foi feito com pólvora negra ou pólvora sem fumaça a partir do exame do sarro. Com efeito. pesquisamos nitrito e nitrato. No caso de pólvora negra . 4) Identificação da arma pelo exame do estojo: Os estojos encontrados no local do crime. assinalar a presença de sulfitos. Quando se trata de pólvora sem fumaça. o estojo contem marcas mais ou menos individualizadoras da arma a que serviram: marcas produzidas pela parte interna do cano. apos o tiro. mas esse gás logo desaparece. 6) Qual a mão que atirou: Esta questão surgira no caso de suspeita de . deve-se verificar a presença. se faz necessário que haja cautela ao se manipular a arma. Tais impressões variam de arma para arma. O sarro preexistente antes do disparo pode prejudicar tais exames e falsear os resultados.

c) identificação da arma também visando o estabelecimento da autoria. e) na hipótese da lesão não ser mortal. 307. e poderá complicar-se caso a arma tenha sido posta. cit. dados no máximo. suicídio ou homicídio. Odon Ramos. na mão do cadáver. a alguns decímetros (entre eles se acham os tiros “a queima roupa”. intencionalmente. quais as sequelas restantes. 22 MARANHÃO. p. b) distância do disparo. para estudo da autoria.12 Interesse Jurídico Diversos são os interesses jurídicos resultantes da realização da perícia em lesões perfuro contusas. isto e com a boca da arma tocando o alvo. acerca do tema Odon Ramos Maranhão destaca os principais: São vários os problemas periciais de interesse jurídico: a) natureza do fato: acidente. poderemos elucidar da maneira mais clara algum delito resultante de lesão por arma de fogo. Ha tiros “encostados”. d) saber se se trata de lesão mortal (produzida em vida) ou pós-mortal (delito 22 impossível). 8) Direção do tiro: A direção do tiro em relação o corpo da vitima será indicada por duas ordens de elementos: os caracteres no orifício de entrada e a direção do trajeto da lesão.. 3. tiros “próximos”. pois a partir dele. Ob. em especial aquelas provocadas por meio do disparo de armas de fogo. . a fim de simular o suicídio.46 suicídio. de pouquíssimos centímetros) e tiros “a distancia”. 7) Distancia do tiro: Quesito de suma importância.

as armas de fogo são conceituadas como: 23 RABELLO.. da munição e dos fenômenos e efeitos próprios dos tiros destas armas.) A parte do conhecimento criminalístico e médico legal que tem por objeto especial o estudo das armas de fogo.47 CAPÍTULO 4 . Balística Forense. 4. Eraldo. p. 19 . com o intuito de que seja esclarecido questões concernentes ao exercício judicial. elucida o ilustre doutrinador Eraldo Rabello acerca do acima disposto: (. Porto Alegre: Sagra Luzzatto. as armas de fogo.2 As armas de fogo De acordo com os ensinamentos do aclamado professor Eduardo Roberto Alcântara Del-Campo.1 Conceito Trata-se de balística forense a matéria que disciplina. sinteticamente. 23 Após a devida conceituação do tema em tratamento no presente capítulo deste trabalho.. 1995. que determinados conceitos são extremamente relevantes para que se compreenda o estudo da balística e melhor elucide-se as lesões decorrentes dos disparos provocados por armas de fogo. no interesse da justiça tanto penal como civil.BALÍSTICA FORENSE 4. Nesse sentido. seus tipos de munições. bem como os efeitos resultantes de seus disparos. no que tiverem de útil ao esclarecimento e à prova de questões de fato. 3ª ed.. Tema este à ser tratado nos tópicos que se seguem. faz-se necessário frisar.

Ob. p. que para o devido estudo das feridas perfuro contundentes faz-se necessário aprofundar-nos na classificação das armas de fogo de acordo com a alma do cano. para que dessa forma seja obtida a energia mecânica suficiente para que o projétil seja disparado. 4.. qual seja a pólvora contida no interior da cápsula dos projeteis. a seguir pormenorizada.. em consonância com a característica a ser analisada.3. 24 DEL-CAMPO. Eduardo Roberto Alcântara.. cit. Importa salientar. com o aproveitamento da grande quantidade de gases advindos da combustão química do propelente. 4. 167 .3 Classificação das armas de fogo Existe uma gama abrangente de classificações que podem ser atribuídas às armas de fogo. bem como dextrogiras ou sinistrogiras quanto ao seu sentido.1 Classificação das armas de fogo quanto à alma do cano Quanto à alma do cano.48 (.) engenhos mecânicos destinados a lançar projéteis no espaço pela ação da força expansiva dos gases oriundos da combustão da pólvora. estas podendo ainda ser pares ou ímpares em relação ao numero de raias. basicamente. as armas de fogo podem ser classificadas como lisas ou raiadas. 24 O funcionamento das armas de fogo se dão.

o número de raias. primeiramente.49 Cumpre-nos. São armas de alma raiada aquelas que utilizam cartuchos de munição com projéteis unitários . uma armação. de repetição. que tem por composição. e mecanismo. Este é definido como uma arma curta. Ob. denominadas de alma lisa.4 Breves considerações sobre o revolver O revolver tem por característica primordial possuir um único cano para muitas câmaras de combustão. Cumpre-nos ressaltar que há uma grande variação entre as armas no que se refere ao comprimento do cano. dispostos de forma helicoidal. tambor. cit.longitudinal. 4.. e armas de alma lisa aquelas que utilizam cartuchos de munição com múltiplos projéteis. e as que possuem no interior de seu cano raias. O professor Eduardo Roberto Alcântara Del-Campo brilhantemente define: As raias são sulcos ou escavações produzidas na parte interna do cano (alma) por meio de fresas apropriadas. explicitar o significado das denominadas “raias” nas armas de fogo. cano desprovido de câmara de combustão. classificadas como de alma raiada. 25 As armas de fogo de porte individual são distintas como as que possuem a parte interna de seu cano lisa. dando origem a um determinado número de ressaltos e cavados. o tamanho 25 DEL-CAMPO. 170 . a direção do raiamento. Eduardo Roberto Alcântara. não automática. cuja finalidade principal é imprimir ao projétil um movimento de rotação ao redor de seu próprio centro. p.

Em contrapartida. a força exercida pela pressão dos gases no momento do disparo é perdida. 26 26 Ibid. Em relação ao disparo do instrumento em questão. para a realimentação. este ocorre quando por liberação do cão devido à pressão na tecla do gatilho. 170 .. e. a capacidade do tambor . Desta feita. entretanto. cada disparo. do acionamento do gatilho pelo atirador. as armas semi automáticas utilizam a supracitada força exercida sobre o estojo.) as armas que aproveitam a força expansiva dos gases para a sua alimentação. no revolver. Posteriormente. Particularidades estas que colaboram para a identificação da arma. concomitantemente afastará o cão. as mencionadas pistolas são definidas pelo professor Eduardo Roberto Alcântara Del-Campo como: (.5 Algumas considerações sobre as pistolas semi automáticas As armas semi automáticas funcionam de maneira similar ao revólver.50 da armação. por ser a culatra fixa. p. para que novo disparo seja efetuado. tal pressão irá rotacionar o tambor para que se alinhe com o cano outra câmara de combustão. atinge a base do cartucho de munição. para que tal energia seja aproveitada. dependendo. e o tipo de mecanismo.. impulsionado pela chamada “mola real”. impulsionando o projetil em razão da combustão da pólvora e expansão dos gases. 4. entretanto. deve o atirador pressionar novamente a tecla do gatilho.

. Assim o calibre de uma arma de fogo nas palavras do doutrinador Eduardo Roberto Alcântara Del-Campo é definido como: (. 4. Nas armas em que o número de raias é par. p. 27 Ibid. o diâmetro se dá correspondentemente à dois sulcos e nas armas em que o número de raias é ímpar o calibre corresponde à distância entre um espaço cheio e o ressalto diametralmente oposto. já o segundo refere-se a medida real do diâmetro interno do cano ou o diâmetro efetivo do projétil. 27 Frise-se que há um calibre nominal e um calibre real.6 Calibre das armas de fogo Ao se produzir uma arma de fogo faz-se uma perfuração em seu cano que irá determinar o calibre da arma de acordo com o diâmetro de tal perfuração..51 4. é importante frisar nos tópicos que seguem os tipos de calibre para cada tipo diferente de arma. Desta forma. 173 .7 Calibre das armas de alma raiada.) a medida utilizada para indicar o diâmetro interno de seu cano e a munição correspondente. de seus cartuchos de munição e projéteis O calibre real do projétil em armas de alma raiada varia se esse número de raia é par ou ímpar. o primeiro referese ao valor comercial da arma que serve para a caracterização da arma e de sua munição.

ou seja. também o embuchamento. de diâmetro igual ao do cano em referência. correspondente à 454g. 28 Ibid. tomam-se esferas de chumbo imaginárias. projétil e. o calibre nas armas de alma lisa é medido pelo número de esferas de chumbo puro. e contam-se quantas esferas são necessárias para compor uma libra de peso.52 4.9 Munição A munição refere-se à projéteis. aduz o ilustre professor Eduardo Roberto Alcântara Del-Campo referente ao calibre das armas de alma lisa: (.8 Calibre das armas de alma lisa Diferentemente das armas de alma raiada. Assim. necessário para atingir uma libra de peso. Este será composto de estojo.) a medida indica é apenas uma convenção. destinados às armas de alma lisa. para os cartuchos dotados de projéteis múltiplos. de diâmetro igual ao cano da arma.. e demais artefatos que componham armamento para as armas de fogo. espoleta com mistura iniciadora. pólvoras. 28 4. 175 . Importante se faz mencionar sucintamente os principais componentes de um cartucho. O número encontrado indicará o calibre nominal da arma. pólvora. p..

Posto isto. sem exaurir a matéria. a correta apuração de autoria de crimes. estudos como este hão de fazer avançar o complexo exame de ferimentos oriundos de projéteis. bem como a gravidade das lesões causadas. sendo de extrema importância a produção acadêmica acerca da temática. define contendas na seara jurídica de forma definitiva. cuja contemporaneidade é patente. pois contribui e. por vezes. mas não somente.53 CONCLUSÃO Objetivou-se com o presente trabalho esclarecer acerca das lesões perfuro contundentes. conforme demonstrado anteriormente (ver Introdução). essencial ao aperfeiçoamento do profissional que estará melhor capacitado para ler e interpretar laudos. sendo que o conhecimento aqui produzido pelos operadores do Direito é. . se mostram necessárias ao decisum a ser proferido pelo magistrado competente. sendo que o laudo do perito será o principal suporte em processos cujo cerne verse acerca de crimes cometidos mediante o uso de arma de fogo. constituindo meio de prova importante a integrar a livre persuasão do magistrado. o aprimoramento e aprofundamento dos estudos em medicina forense encontram respaldo na atualidade. inclusive. atuando de maneira mais completa no âmbito processual. Isto porque. na árdua missão das ciências jurídicas de se fazer justiça e pacificar as relações sociais. Dado o crescimento vertiginoso dos homicídios cometidos mediante uso de arma de fogo.

2005. Medicina Legal para o acadêmico de direito. 22ª edição. Curso Básico de Medicina Legal. Balística Forense. 2007. INTERNET EM PROFUNDIDADE Armas de Fogo. São Paulo. LIVROS ALMEIDA JUNIOR. Disponível em: http://veja. MARANHÃO. RABELLO.com. Leonardo Mendes. 1998. 2009 DEL-CAMPO. 2. Medicina Legal. Lições de Medicina Legal.html. São Paulo: Saraiva.54 BIBLIOGRAFIA 1. Porto Alegre: Sagra Luzzatto. 4 ed. Belo Horizonte: Editora Del Rey. 3ª ed. António Ferreira de. Eraldo. Acesso em 28 de janeiro de 2011. . 1995.br/idade/exclusivo/armas_fogo/contexto_armas. 8ª edição.. CARDOSO.. 2ª edição. Odon Ramos. Veja online.abril. São Paulo: Companhia Editora Nacional. São Paulo:Editora Malheiros. Eduardo Roberto Alcântara.

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