Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

ANO II - NÚMERO 3 - JUN/JUL/AGO'2005

01 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN 07 NANOTECNOLOGIA:
A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA
MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA

31 A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE
SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO

51 A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO
NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO

14 A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR
E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO

34 PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA
TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES
JOSÉ CARLOS MIERZWA

53 A TECNOLOGIA COMO MEIO
DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA

18 PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA
NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES

38 PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE
SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE

22 E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA
DE COMBATE À CORRUPÇÃO
NORBERTO A. TORRES

42 NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE
EMBALAGENS PET MILENA YUMI RAMOS

28 REPENSANDO A BIOÉTICA
GLÁUCIA RITA TITTANEGRO

48 ATITUDE COMUNICATIVA
DAVI MACHADO

ENTREVISTA

JOSÉ MINDLIN

COM A PALAVRA, JOSÉ MINDLIN, O BIBLIÓFILO DO BRASIL.

Por Enio Squeff

O bibliófilo José Mindlin, 91 anos, é uma das lendas vivas do Brasil. Advogado, empresário de sucesso – foi durante anos o condutor da Metal Leve, uma das grandes empresas de ponta que o Brasil já teve na área de metalurgia –, mas sobretudo homem ligado à cultura, José Mindlin é um caso raro, inclusive, no mundo.

Se, como empresário e homem ligado à tecnologia, grangeou grande sucesso, como colecionador de livros, amigo e incentivador dos intelectuais e artistas brasileiros, principalmente do século XX, ele praticamente não encontra rival em tempo algum no Brasil.Além de ter criado a maior biblioteca particular do País – com mais de cem mil exemplares –, talvez se lhe deva a maior contribuição que a Universidade de São Paulo (USP) já recebeu de um particular:toda a coleção de livros raros que constituem a sua brasiliana pessoal.E que ele,juntamente com sua esposa, doaram à USP. Filho de imigrantes russos, este brasileiro (atualmente membro do Conselho Diretivo da Fundação Vitae) desfrutou a amizade de Carlos Drummond de Andrade, de Érico Veríssimo, de Paulo Duarte, já falecidos, mas também de José Saramago, prêmio Nobel de Literatura. Na entrevista que se segue, concedida a Enio Squeff para a revista da FAT, fala de sua trajetória, principalmente pelo intrincado e apaixonante mister de garimpeiro de livros raros, à qual junta suas opiniões de homem público e de cidadão.

Fotos Manoel A. da Silva
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

1

De que origem eram seus pais? De origem russa. já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. Na época. já tinha protegido um correspondente francês do Le Monde. falei com um amigo meu.de novo por acaso. no entanto. não de livros raros. o acaso teve um papel muito importante na minha vida.tanto que a nossa língua em casa era o português. Já aos 13 anos comecei a formar uma biblioteca. perderam-se de vista. Desde então o senhor a dirigiu? Éramos um grupo de seis. que era meu amigo. só que dirigida também para os livros. eles tinham o apoio da Klabin. que entrou com o capital e eu acabei entrando no grupo como fiador do meu amigo para os meus clientes e dos clientes para o meu amigo. que estava sendo perseguido pela polícia da ditadura.Os dois aprenderam muito rapidamente o português. mas advoguei durante 15 anos e aí me tornei empresário. Essa história é verdadeira? É verdadeira. Mas esse não era o plano. Aliás. que falava francês perfeitamente. que também desistiu. Meu pai e minha mãe saíram da Rússia em 1905. porque como eu falava muito. eles . tivemos uma governanta russa. ou seja. E o segundo acaso que o senhor mencionou e que foi ser secretário de Cultura. talvez eu consiga entrar no negócio”. do tempo do nazismo.Meus pais falavam russo apenas entre si. no fim. Daí que todos nascemos e crescemos aqui em São Paulo. Não pensava em formar qualquer biblioteca. começaram a faltar peças. Então. Ele foi me entrevistar na Metal Leve e da portaria vieram me avisar que havia agentes do DOPS para prendê-lo. para se encontrarem em Nova York.Mas esse não era o plano. preparei a documentação e. ela não foi planejada. diziam que eu ia ser advogado. No mais. Mas por que o senhor nunca pensou em ser empresário? Porque clientes meus formaram resolveram fabricá-las. acabei aderindo ao empreendimento. porém. sim. mas sempre em harmonia. acho que herdei 2 JUN/JUL/AGO' 2005 a paixão que o papai tinha pelas artes plásticas. Minha mãe tinha uns irmãos em São Paulo. Vieram para o Brasil em 1910. Foi quando vieram para o Brasil. mas de leitura corrente. uma empresa. eram apenas amigos. Quando é que começou esse amor pelos livros.à última hora desistiu do negócio. que. Que clientes eram esses? Eram refugiados da Alemanha e da Áustria. porque seus diretores não tinham conseguido o capital. principalmente à Sala São Paulo. como aconteceu? O então governador era Paulo Egydio Martins. Respondilhe que não queria participar.de modo que o francês ficou sendo a nossa segunda língua. porque era um governo nomeado pela ditadura militar e eu era contra. Bom. E como eu tinha redigido uma opção para uma firma alemã especializada. E já que o problema era o capital. Meu pai gostava de artes plásticas e tinha uma biblioteca. cada um fazia uma coisa.Nunca pensei também em ser empresário. Meu pai era um dos melhores dentistas do seu tempo na cidade. com eles. Eu era advogado deles. Lia-se muito em nossa casa. Não havia um presidente. a ler e a biblioteca resultou de leitura. O interessante é que. Como tinham uma oficina de recondicionadores de motores e aí veio a guerra. Ciência e Tecnologia. O senhor. Só que o irmão de papai veio para São Paulo com os filhos em 1919. aos concertos da Sociedade de Cultura Artística. tenho ido. Quanto aos livros. Ele veio a minha casa e me convidou para ser seu secretário de Cultura. já que o senhor é tido como o maior bibliófilo do Brasil em todos os tempos? Cresci num ambiente eminentemente cultural. como aconteceu por um curto período. e então eles aprenderam o português conosco e nós o russo. assim como nunca me imaginei secretário de Cultura. tornando-me assim sócio da empresa. e saíram do país por caminhos diferentes. ao que se sabe. em 1910.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN Comecemos por uma de suas grandes paixões: o senhor tem ido a concertos? Sim. mas foi crescendo. Comecei. acabei sendo mesmo advogado – não que eu tivesse planejado –. Não pensava em formar qualquer biblioteca. na Rússia. Assim. A empresa começou muito pequena.pelo menos não naquela ocasião. pensei:“Isto aqui é uma coisa tão boa. Eles chegaram em 1936.

publicada pelo pessoal da Semana de Arte Moderna de 1922. Quem as freqüentava? Havia desde gente favorável aos militares até pessoal de esquerda. o Décio de Almeida Prado. que hoje são reverenciados. que começou a conversa sobre a questão de tortura. Ela respondeu que não. Aí eu perguntei: “Mas onde estão esses livros?” Ela respondeu: “Estão aqui”. Aí eu disse: “Aquilo é de interesse brasileiro. que era como a secretaria se chamava na época. eu e minha mulher fomos certa vez ao Chile. mas ela não tem a aprovação popular. A biblioteca dele foi para o Itamaraty. Quando mais tarde fui buscar os bilhetes. veu pedindo que enviasse um exemplar para o Pedro Nava. ENTREVISTA Mas. na época. Se quem queria a abertura se recusasse a assumir.o Celso Lafer. e os livros? JOSÉ MINDLIN Se quem queria a abertura se recusasse a assumir. tais como o poeta Carlos Drummond de Andrade. Só se falava de literatura. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. diretor da empresa. Foi como parte das comemorações dos 25 anos da Metal Leve. não vamos falar mais nisso”. Vivia-se uma época muito difícil no Brasil. Os senhores na França e na Argélia tiveram muitas experiências sobre isso”. quando o governador Paulo Egydio Martins me convidou para ser secretário de Cultura. mas enquanto conversava. o Le Figaro. foram para o Chile. Mas aí eu lhe disse: “Olha. Por exemplo. a ele e ao Pedro Nava. E a partir de então a entrevista correu sobre temas gerais. Enviei um exemplar para o Drummond e ele então me escre- É na garimpagem de livros que o acaso entra numerosas vezes. que fazia um encontro semanal de intelectuais no Rio. Além disso. Como o senhor o conheceu? Conheci o Carlos Drummond primeiro por correspondência. esse negócio de tortura não é uma invenção brasileira. mas insisto que não tem apoio popular. já está havendo um começo”. Ao lado da agência havia uma livraria que tinha uma porta de vidro e estava fechada. Então fizemos com que ele saísse por um outro lado da Metal Leve. eu disse que achava que não dava para aceitar. um tal de Porto Seguro. o cargo acabaria sendo ocupado por alguém que não quereria a abertura. Aí ele parou por um momento e disse:“O senhor tem razão.visconde de Porto Seguro”. Nós estamos numa ditadura sim e há um grupo radical que pratica a tortura. em 1878.a Renina Katz. Explica-se. existe tortura sim no Brasil. que era uma livraria de literatura francesa. Com tudo isso. naquele mesmo dia. vamos ser claros. Fiquei no cargo por quase um ano. avistei uma pessoa dentro da livraria e me dirigi a ela perguntando se tinha coisas sobre o Brasil. Não vou negar que exista. de fato. Então consultei uns amigos. Lembro-me de que houve também um repórter de um outro jornal francês. no sábado a gente sempre ia para lá. aquele era um resto da biblioteca de um diplomata brasileiro. Eu o chamei e lhe disse que nós não podíamos admitir que um jornalista fosse preso dentro da nossa empresa. uma série de edições raras. o senhor desfrutou a amizade de muitos intelectuais brasileiros.O Fábio Comparato era. de coisas amenas. Era um lugar interessante porque reunia intelectuais com opiniões bastante conflitantes. denominado “Sabadóyle”. A pessoa respondeu que. mas o que ele tinha no escritório. Ou seja. aos lagos do Sul e tivemos de comprar as passagens que ficariam prontas à tarde. Mais tarde comecei a encontrá-los. provas que não foram publicadas. de modo que o pessoal do DOPS ficou umas três ou quatro horas esperando. E não é que quase cem anos depois eu resgato isso? E o que havia nessas edições? Havia um exemplar da sua História do Brasil feita com uma porção de anotações que não consFUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 3 . de teatro. o Paulo Emílio Gomes e eles me disseram que eu devia aceitar. publicado pelo Antônio Augusto de Varnhagen. Ao longo desses anos.na casa do Plínio Doyle. quando fiz um fac-símile da revista de Antropofagia. o que naturalmente eu fiz. Ciência e Tecnologia. É claro que no dia seguinte eu saí com uma pilha de livros. mas política era assunto proibido. Mas ele insistiu: “O presidente Geisel quer promover a abertura. vi no alto da estante a gramática guarani do Montoya. entre eles o Antonio Cândido. O Varnhagen era casado com uma chilena e morreu em Viena.

que era um grande colecionador e que tinha uma biblioteca fantástica. buscando tecnologia própria. O senhor tem muitos manuscritos? Tenho alguns. Tenho dois gravadores deste período que foram dois mestres em seu tempo. publicada em 1493 e foi o livro mais ilustrado até a sua saída – tem 1.800 ilustrações. Há uma variante da primeira edição de Os Lusíadas que tem um pelicano à direita do leitor. é um grande livro que serve à história do mundo. uma difere da outra com pequenas variantes. quando saiu a Bíblia de Gutenberg. . Era uma documentação original das autoridades portuguesas.Na verdade.. Tenho.Quando cheguei lá eram 180 volumes. Uma comprei em Portugal e a outra adquiri de uma biblioteca particular. outra que está à esquerda. Detalhe: entre 1455. outra hora era da Espanha. quando estive lá.era uma docu4 JUN/JUL/AGO' 2005 mentação que pertencia a um português que morava no Uruguai. brasileiras e algumas argentinas. como aconteceu com a Lei de Informática – com ela nós acabamos parando no tempo. Procuro ter bons exem- plares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. um dia. E de Portugal. 92 quilos de peso. o que é que o senhor tem? Portugal e Inglaterra são os lugares de que tenho mais coisas. Mas ele foi vendendo as suas preciosidades e. E com a Metal Leve. neste tempo as tiragens médias eram de 300 exemplares. mas eu jamais poderia imaginar que iria encontrar essas raridades. Recebi. depois o número 3. me oferecendo preferência na aquisição. na verdade. com o Gutenberg iniciando a impressão do livro. sem nunca querer substituir a tecnologia estrangeira. Enfim. As histórias são muitas e até hoje me acontecem coisas do tipo. mas isso só aconteceu porque o senhor tem olho de garimpeiro. que era tenente. Como não havia arquivo naquela época. Respondi que infelizmente eu não poderia recusar – digo infelizmente. e então consegui encontrar tudo isso por puro acaso. assim por diante. um telegrama de um livreiro amigo. Eram publicações raras – ele costumava fazer um folheto. Um que é o Livro de Horas de 1480. sobre o tupi-guarani. a luta entre Portugal e Espanha pelo domínio da Colônia de Sacramento. foi a certidão de nascimento do Uruguai. mas ele queria o pagamento à vista. abriram-se novos horizontes. enfim.todos em grandes bibliotecas. Recentemente. holandês. Voltei com quatro malas. com a invenção dos tipógrafos. três obras publicadas no século XV – uma é a primeira edição ilustrada de Petrarca de 1488. porque era meio caro. uma camoniana com uma série de estudos sobre Os Lusíadas. mas não podia recusar e comprei. Ora. É. Mas. que uma hora era de Portugal. já que as populações eram analfabetas na sua maioria. escrito em pergaminho. tenho uma crônica de Nurenberg que é uma história universal. Isso porque da primeira edição da gramática de Anchieta só se conhecem dez ou doze exemplares. que é um dos exemplos do que foi o livro. por exemplo. ele já tinha 95 anos e estava de cama. comparada à revolução da informática. Os que os publicaram foram grandes professores alemães. venderam para o tal português chamado Assunção. Tenho a primeira edição de Camões.ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN tam das outras edições. Porque a guerra começou entre Espanha e Portugal e depois entre Brasil e as Províncias Cisplatinas e. fui para Montevidéu e no último momento soube que os documentos estavam encadernados. por exemplo. recebi da livraria Cosmos uma relação de documentos da Guerra Cisplatina. A gramática do Anchieta. Então veio pelo correio. eu tam- Procuro ter bons exemplares do que foi o livro desde o século XV até o século XX. anos depois fazia o número 2. Dela se conhecem 18 exemplares. mas a edição do pelicano à esquerda do leitor é muito mais rara que a primeira. Ademais. mas foi uma revolução. Eu acabei tendo as duas edições. bém a comprei por acaso. Possuo. e 1500 foram publicados mais de 35 mil livros para uma população da Europa ocidental que não chegava a 100 milhões de habitantes.. os descendentes de um dos protagonistas. como foi a sua experiência? Procuramos inovar sob todos os pontos de vista. Não tive dúvidas. E isso não se deve fazer nunca.

Folha Imagem. A FAT mais uma vez procura.br Diretor-presidente da FAT. Não poderíamos deixar de mencionar a excelente entrevista com José Mindlin. tecnológico e econômico do Estado de São Paulo e do Brasil. Dr. produzindo conhecimentos como forma de contribuição ao desenvolvimento social. Kokei Uehara ---------------------------------------------------------CONSELHO EDITORIAL Prof. Em tecnologia abordamos. pesquisas e prestação de serviços de assessoria.br Assinaturas Nagila de Carvalho Pereira fatnagila@terra. 131 . Rodolfo Neto Ilustrações Telma Cavalieri. Dirceu D’Alkimin Telles Prof. professor da Fatec São Paulo e consultor na área de gestão empresarial. Silvia Regina Lucca Prof. É preciso recuperar os valores éticos e morais que norteiam as nossas instituições.br Todos os direitos reservados. eletrônico ou impresso. tratamos da reforma do ensino superior e da educação corporativa. Moraes Mascarenhas fatcompras@terra.com. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 5 . os livros.com.com. É proibida a reprodução do conteúdo desta revista em qualquer meio de comunicação. Angelo Albiero Filho (CIESP) Prof.br Jurídico Drª Ana Flávia Consolin fatjuridico@terra.JUN/JUL/AGO’2005 ISSN .br Projeto Gráfico Ronie Prado Direção de Arte e Produção Gráfica Telma Cavalieri Design telma_cavalieri@terra. Os conceitos emitidos em artigos assinados são de exclusiva responsabilidade dos autores. por meio da divulgação de matérias. DIRETORIA EXECUTIVA Diretor Presidente Prof. sem autorização prévia.com. Número de páginas: 48.ester@uol. Estamos procurando fazer a nossa parte. em que instituições e valores éticos e morais são colocadas à prova.com. muitas das quais baseadas em ações desenvolvidas pela FAT através de cursos. por meio de sua revista.com. Remo Alberto Fevorini Profa.br Fotos Júlio Hilário. incluindo capa. 42 .Publicação TRIMESTRAL da Fundação de Apoio à Tecnologia Ano II . pois é através do fortalecimento das instituições que se pode alcançar e manter a solidez da democracia. Dr. à bioética e à Produção Mais Limpa. Impressão e Acabamento Imprensa Oficial Tiragem 2. Dirceu D´Alkmin Telles (FATEC-SP) Enio Squeff Prof.Bom Retiro São Paulo . Acabamento: lombada canoa. capa: Couché opaco 150 g. Dr. assuntos relacionados à nanotecnologia.com. Na questão da responsabilidade social.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 fundatec@terra. os temas estão relacionados à gestão para a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável.tel:11-3313 1200 --------------------------------------------------------Revista da FAT .000 exemplares ---------------------------------------------------------Produção e Compras Alecsanda A. Walkiria Barone Fotolito. Francisco Scarfoni Filho Diretor Técnico Prof. Yolanda Silvestre Prof. Guilherme Ary Plonski (IPT) Prof. Luiz Roberto Vannucci CONSELHO DE CURADORES Prof. da Silva.612 11 9639-6850 Publicidade Polimidia .tel. entre outros. é mais que necessário acreditar que a mudança desse quadro é possível. Impressão: Offset.br . Rosana Maria Siqueira Presidente do Conselho de Curadores Prof. Papel do miolo: Couché opaco 70 g.cj. Manoel A. levar informações ricas e atualizadas. Ivanildo Hespanhol (POLI-USP) Prof.1807-9687 Rua Três Rios. Claudio Felisoni de Angelo (FIA-USP) Prof.SP . Luiz Carlos Moraes Rego (FGV) Prof. Francisco Antonio Pinto Éboli Prof. CÉSAR SILVA fatpresidencia@terra.: 11 6958-1310 policom@uol. Dr. No eixo educação. Dra. verniz de máquina capa/contra-capa. César Silva Diretor Administrativo Prof. A Revista da FAT tem o formato fechado: 208 x 273 mm. Roberto Sbragia (PGT/USP) ---------------------------------------------------------Editor/ Jornalista Responsável Luiz da Silva de Nogueira Mtb 15.Número 3 . É preciso tornar as instituições fortes o suficiente para resistir à tentação e não se desviarem dos propósitos para os quais tenham sido criadas.com. Dr. os assuntos são apresentados em três grandes blocos: tecnologia. Dr.EDITORIAL Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA N EXPEDIENTE o momento em que o país assiste perplexo à crise política. Almério Melquiades de Araújo Profa. fruto do trabalho de profissionais que com ela e para ela atuam. Nesta edição. Marisa Eboli (FEA-USP) Marcus Vinicius Sinval (Sebrae-SP) Ricardo Young (UniEthos) Prof. com ênfase na sua grande paixão.br Revisão de textos Hebe Ester Lucas hebe. 4x4 cores. responsabilidade social e ética & educação. ao e-government como ferramenta de combate à corrupção e às perspectivas tecnológicas para tratamento de águas e efluentes. A Revista da FAT tem orientado a sua linha editorial visando estimular o debate sobre assuntos que afetam o dia-a-dia das nossas instituições. Victor Sonnenberg Profa. formato aberto: 416 x 273 mm.

1976 óleo sobre tela. TORRES REPENSANDO A BIOÉTICA GLÁUCIA RITA TITTANEGRO A GESTÃO PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL TARCILA REIS URSINI E GIULIANA ORTEGA BRUNO PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES JOSÉ CARLOS MIERZWA PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE MARIO HIROSE IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS MILENA YUMI RAMOS ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO DAVI MACHADO A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE MOACYR GODOY MOREIRA SUGESTÃO DE LEITURA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES AGENDA EVENTOS MUNDIAIS EM GESTÃO TECNOLÓGICA .ÍNDICE NOSSA CAPA Obra do artista plástico Alfredo Volpi “Composição 1976”.Acervo Pinacoteca 01 05 07 14 18 22 28 31 34 38 42 48 51 53 55 56 6 JUN/JUL/AGO' 2005 ENTREVISTA JOSÉ MINDLIN EDITORIAL CÉSAR SILVA. 68 x 136 cm Publicação da FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA ANO II .NÚMERO 3 .JUN/JUL/AGO' 2005 Acervo Pinacoteca do Estado de São Paulo Direitos autorais gentilmente cedidos por Maria Eugênia Volpi Foto .2005 . diretor-presidente da FAT NANOTECNOLOGIA:A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO E ANTÔNIO CARLOS SEABRA A REFORMA DA EDUCAÇÃO SUPERIOR E A AGENDA ESQUECIDA RICARDO CORRÊA COELHO CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL JOAQUIM RODRIGUES E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO NORBERTO A.

NANOTECNOLOGIA: A ÚLTIMA FRONTEIRA TECNOLÓGICA Por MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO e ANTÔNIO CARLOS SEABRA FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 7 .

No Quadro 1 apresenta-se uma comparação de diversas escalas dimensionais que permitem visualizar a escala nanométrica. esta constituído por centenas de olhos facetados (10 -5). O marco inicial da nanotecnologia se dá numa palestra realizada em 1959 pelo físico Richard Feymann no California Institute of Technology. o olho da mosca e detalhes deste órgão. 1]. apresenta-se a seguir uma seqüência de fotografias que podem ser encontradas no site do CERN (http://microcosm.totalmente entrelaçadas e impossíveis de avançar independentemente. QUADRO 1 . como nanopartículas em vasos cerâmicos da Dinastia Ming ou em argilas do Egito Antigo. o olho da mosca. A nanotecnologia pode ser realmente considerada como uma nova revolução. No entanto.No Quadro 2 verificam-se algumas aplicações da nanotecnologia em áreas onde seu impacto será sentido em curto prazo. onde sucessivamente diminui-se a escala em potências de dez. pois “nanotecnologia”refere-se apenas ao tamanho físico dos objetos.web. A dificuldade em classificar e entender a nanotecnologia vem da própria origem do termo.web.ch/microcosm) 10 cm 1 cm 100 µm 10 µm 1 µm 100 nm 10 nm 1 nm 8 JUN/JUL/AGO' 2005 .cern. O que devemos considerar nesses casos é que as civilizações que utilizavam esses materiais não sabiam que estavam trabalhando com nanopartículas e muito menos eram capazes de modificar suas características de maneira previsível. a percepção do que é essa nova revolução não é tão clara: produtos da nanotecnologia podem ser encontrados em nosso passado distante. como a industrial ou a da tecnologia da informação.escalas. lembrando um favo (10 -4).cern. diferente destas. Macro.A ESCALA NANOMÉTRICA Para ilustrar qual é a dimensão de um nanômetro. Micro e Nano . um detalhe de pêlo sensor na superfície do olho (10 -6). Assim. a base deste sensor (10 -7). um detalhe da mosca (10 -2).Nanotecnologia refere-se a qualquer aplicação da Ciência que utilize elementos menores que 100 nanômetros e que sejam determinantes nas características de desempenho dessa aplicação.enquanto que a espetacular gama de aplicações da nanotecnologia certamente não pode ser confinada a uma única definição ou área do conhecimento. vemos um jardim e uma mosca numa folha (10 -1).assim. Em outras palavras. onde antecipou as oportunidades científicas e tecnológicas se materiais pudessem ser manipulados e fabricados em escala atômica ou molecular [Ref. material genético da mosca (10 -8) e aglomerados atômicos nanométricos (10 -9).ch/microcosm). Fonte: CERN (http://microcosm. a nanotecnologia realmente surge quando a nanociência evolui a ponto de permitir prever o comportamento e projetar as características de um produto desejado. Nanociência e Nanotecnologia (N & N) tornam-se.

Nanotubos de carbono. Como mencionado anteriormente. • Indústria eletrônica e de comunicações Armazenamento de dados. como o próprio coração. portanto. uma superfície muito grande em relação ao volume (massa) do material. junto com tecidos convencionais. plásticos não inflamáveis. Nanomateriais termoelétricos transformam o radiador do carro em gerador de energia. refletindo diretamente nas suas propriedades ópticas. rígidos e flexíveis que poderão substituir metais.veja Quadro 3). aas ciências básicas (chamadas nesse contexto de nanociências). São as chamadas tecnologias convergentes. Nessa escala tem-se. Alternativamente. podemos partir de um bloco de material e esculpi-lo até tomar a forma nanoscópica desejada. • Indústria farmacêutica Novos medicamentos baseados em nanoestruturas. química e biologia. está sujeito a interações com o mundo exterior. veja Quadro 5). diferença marcante no comportamento dos materiais nessas dimensões quando comparado a outras escalas (como a microescala). sistemas de comunicação wirelesss.ALGUMAS APLICAÇÕES DA NANOTECNOLOGIA • Indústria de plásticos Materiais mais leves. economia de energia ao utilizar materiais mais leves e circuitos menores. existe um movimento científico no sentido de se chegar a uma unificação científica e principalmente tecnológica. vidros resistentes a fogo. • Meio ambiente Membranas seletivas para remoção de contaminantes. camada nanocerâmica que aumenta a resistência à corrosão em superfícies de metálicas. como física. dispositivos MEMS. são as grandes propulsoras. e é conhecida como abordagem “top-down”.Além disso. e ainda estamos engatinhando na sua utilização. a nanometrologia. Na nanoescala os materiais podem ser produzidos em uma dimensão (como filmes finos para coberturas. Em todas elas. circuitos eletrônicos mais eficientes. implantes totalmente biocompatíveis. novas possibilidades de reciclagem. sistemas de observação miniaturizados. algumas áreas têm-se destacado como portadoras de futuro dentro da nanotecnologia: os nanomateriais em si. novos tipos de bateria. elétricas e magnéticas. • Indústria de plásticos Nanocompósitos substituirão produtos plásticos descartáveis convencionais. processos otimizados de micro e nanorreação. Certamente essas áreas tornam-se campos férteis para a imaginação: tomando a nanomedicina como exemplo. novos métodos de limpeza de dentes. Essa abordagem é conhecida como abordagem “bottom-up” (veja Quadro 7). em duas dimensões (como nanofios e nanotubos. podemos construir as nanoestruturas átomo a átomo. pneus mais duráveis. tecidos mais leves e rígidos. proporcionalmente. como a natureza está acostumada a fazer. nanocompósitos resistentes a fogo. Podemos imaginar nanorrobôs deslocando-se na corrente sanguínea e reparando órgãos lesados. tecidos que repelem manchas em tecidos. cujo desenvolvimento futuramente poderão trazer conseqüências para na sociedade e o meio ambiente. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 9 . nanopartículas contra alergias. kits de autodiagnóstico. reduzem a absorção de umidade e são antiestáticos. Primeiramente. • Indústria têxtil Tecidos inteligentes podem superar os sintéticos com aplicações biomédicas. telas planas. podemos imaginar medicamentos que. novos sistemas de visualização não invasivos. pesticidas aplicados via nanoencapsulamento que causam menos dano ao ecossistema. Além disso. • Indústria química Catalisadores mais eficientes. Isso é o que estamos acostumados a fazer em esculturas e mesmo na microeletrônica. materiais para regeneração de ossos e tecidos.Uma característica importante da nanoescala é que há uma QUADRO 2 .a nanobiotecnologia e a nanomedicina. arranjos protéicos para diagnóstico. sejam capazes de liberar a droga apenas quando detectarem um determinado vírus ou bactéria. como demonstra o Quadro 6. agindo assim apenas nos organismos invasores e não atacando os organismos do ser humano. o que implica que nenhum átomo está muito longe de uma interface e. • Biotecnologia e biomedicina Lipossomas e nanopartículas poliméricas para administração de fármacos. os efeitos quânticos passam a dominar o comportamento dos materiais nessa escala. • Setor energético Armazenamento de hidrogênio. embora exista uma gama gigantesca de aplicações. molécula a molécula. aumento na velocidade de processamento da informação. ministrados a um paciente. fotossíntese artificial. novos processos de fabricação. células de combustível. microarranjos para sistemas de análise de DNA. permitem a elaboração de têxteis que podem ser usados para roupas leves e à prova de bala. a nanoeletrônica (ou eletrônica molecular).veja Quadro 4) ou em três dimensões (como nanopartículas. Para criar essas nanoestruturas podemos pensar em duas abordagens distintas. certamente. • Defesa Detectores de agentes químicos e orgânicos.

mas mesmo assim já foram feitos avanços importantes na estruturação de quatro redes nacionais em Nanotecnologia. para certas tarefas.NANOSENSORES MAGNÉTICOS O SQUID (Superconducting Quantum Interference Device – Dispositivo Supercondutor de Interferência Quântica) é. (a) MicroSQUID (centro) circundado por anel (bobina) de ouro. e opera em temperaturas extremamente baixas (o SQUID da figura opera abaixo de 10 K). em 2001.6 0. a tecnologia atual se mostra mais eficiente. Para se ter uma idéia. O microSQUID em si possui braços com estreitamentos de aproximadamente 100 nm x 100 nm. existem áreas em que a abordagem humana se mostra mais eficiente do que a abordagem da natureza: a velocidade com que qualquer microprocessador moderno é capaz de processar números e ordens de grandeza maior que a velocidade de uma rede neural biológica consegue fazê-lo. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético. para sua operação.2 0. entre outros. observa-se que a corrente crítica varia de forma periódica com a variação do fluxo magnético.8 Nanotecnologias”. Assim. como mostrado na (Figura a seguir). ordenar palavras. Ele é construído em materiais supercondutores. conforme a ilustração à direita. Em essência. N&N no Brasil A partir de 2000 o Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT) começou a configurar um programa nacional aglutinando pesquisadores da área e. como o nióbio. Quando comparados com outros países.00005 tesla (o campo magnético da Terra produz esse fluxo magnético em um círculo de 7 mm de diâmetro). Para isso. Como exemplo. essas partículas devem ser colocadas sobre um dos ramos do microSQUID. o SQUID é um transdutor ultra-sensível de fluxo magnético para tensão. devemos sempre considerar qual deve ser utilizada. Nessas condições. 0 0. por um magneto). Os quadrados em ouro são terminais de contato. MicroSQUID fabricado para investigação das propriedades magnéticas de nanopartículas.2 P' P A B Ilustração de um SQUID e do comportamento da tensão entre seus terminais em função da quantidade de fluxo magnético que o atravessa.QUADRO 3 . Se essa corrente for maior que um valor conhecido como corrente crítica. um SQUID pode medir a energia necessária para levantar em 1 mm um único elétron no campo gravitacional da Terra (10-32 joule)! Janeiro). ao se injetar uma corrente elétrica no dispositivo (chamada de corrente de polarização). produzse uma tensão entre os terminais do SQUID. se dentro do anel do SQUID passar um fluxo magnético (produzido. O período dessa variação está relacionado à menor quantidade de fluxo magnético que se consegue obter. ressonância magnética nuclear (NMR) e computação quântica. Embora esta última seja fascinante e não devamos poupar esforços em desenvolvê-la. ela se divide entre os dois ramos do anel.. Esse dispositivo é capaz de medir variações no fluxo magnético menores que um quantum de fluxo. A Figura a seguir apresenta os primeiros microSQUIDs fabricados durante essa pesquisa. os investimentos no Brasil na área de (N & N) ainda são muito modestos. Note que o anel envolvendo esses microSQUIDs atua como uma bobina magnética. Um SQUID pode ser fabricado por meio da tecnologia topdown e emprega. dimensões nanométricas. além Em uma pesquisa sendo desenvolvida conjuntamente pela Escola Politécnica da USP. Um quantum de fluxo é um valor extremamente pequeno. (b) Anel do MicroSQUID (4 mm x 4 mm) mostrando constrições de 100 nm x 100 nm.dependendo do tipo de aplicação desejada. que é função das propriedades magnéticas da nanopartícula. como somar números. na atualidade. o objetivo é construir e empregar microSQUIDs para se estudar o comportamento magnético de nanopartículas magnéticas (1-10 nm de diâmetro). Esse panorama certamente deverá mudar conforme desvendemos os mecanismos pelos quais a natureza age e possamos inclusive melhorá-los. cerca de 0. lançou um edital para a constituição e consolidação de “Redes Cooperativas Integradas de Pesquisa Básica e Aplicada em Nanociências e Particle B 1µm Josephson junctions 120 110 100 90 80 70 60 50 40 -0. pelo Instituto de Física da USP e pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF – Rio de 10 MAR/ABR/MAI' 2005 .4 0. chamada de quantum de fluxo magnético. por exemplo. Sua difusão se torna cada vez mais comum na metrologia e seu potencial de aplicação inclui dispositivos lógicos ultra-rápidos. Por outro lado. etc. causando um desbalanceamento no fluxo magnético detectado.

comparáveis a suas contrapartes internacionais.NANOTUBOS DE CARBONO Os nanotubos de carbono são formados por folhas de átomos de carbono. principalmente para melhorar a estabilidade de um fármaco.A comunidade científica brasileira apresenta resultados QUADRO 4 . Pela primeira vez um congresso da área de nanotecnologia na América Latina promove um encontro entre a comunidade científica das universidades. em São Paulo. 3]. por meio das redes de pesquisa focadas em (N & N). com etapas de formação de emulsões simples ou múltiplas. ablação via Laser e deposição por vapor químico. evaporação de solvente ou separação de fases. elétrico e magnético é diferenciado. cuja finalidade é fomentar o avanço da ciência e da tecnologia. QUADRO 5 . de sensores e de atuadores.MICRO E NANOENCAPSULAÇÃO A micro e a nanoencapsulação de princípios ativos encontra ampla aplicação farmacêutica.mobilizando pesquisadores e pós-graduandos em todo o país. São utilizados também como fonte de elétrons e em sistemas de armazenamento de hidrogênio.Nanotec 2005. Por isso. Em 2004 criou-se um grupo de trabalho para obter subsídios para o Programa de Desenvolvimento da Nanociência da Nanotecnologia do PPA 2004-2007 [Ref. mas. expressivos em nanociência e alguns em nanotecnologia. à geração de empregos qualificados e à elevação do patamar tecnológico da indústria nacional. Seu comportamento mecânico. Micromisturadores para micro FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 11 . os institutos de pesquisa e a indústria. o primeiro Congresso Internacional de Nanotecnologia . foi realizado. a implementação de vias de interconexão (veja figura a seguir). tornando-os uma fonte de inovações nanotecnológicas. Nanotubos de carbono e possíveis aplicações em circuitos eletrônicos de várias sub-redes temáticas e três Institutos do Milênio. de transistores. A produção de emulsões usando dispositivos microfluídicos é uma alternativa tecnológica para superar limitações hoje encontradas em processos convencionais de produção de sistemas micro e nanoestruturados. É importante ressaltar que a microtecnologia. em que a produção de emulsões é etapa crucial.braço fundamental da (N & N). Em 2005 o MCT criou a Rede BrasilNano. afetando características importantes do produto como estabilidade. não possui um programa nacional para o seu desenvolvimento e sedimentação. podemos destacar: a obtenção de condutores balísticos. produtos e materiais nanotecnológicos. Uma aplicação de suas propriedades mecânicas é a aglomeração texturizada de nanotubos para a obtenção de materiais mais leves e mais resistentes que os metais. ou modificação de sua biodistribuição por meio de alteração das características de sustentabilidade de liberação ou de farmacocinética. deverão investir fortemente em (N & N). que se enrolam para formar um tubo com diâmetro tipicamente entre 1 e 2 nanômetros e comprimentos da ordem de micrômetros. Para essas ações o MCT reservou R$ 79 milhões para o orçamento 2004/2007 [Ref. 2] . o MCT passou a apoiar também a microtecnologia no seu programa de (N & N). Esse congresso foi um marco para o Brasil e mostrou que para a indústria nacional ter a possibilidade de competir internacionalmente com novos produtos e processos inovadores. de displays planos. Os principais métodos usados para a fabricação dos nanotubos de carbono são: descargas por arco. com vistas à formação de recursos humanos. Vários grupos universitários brasileiros estudam os métodos de fabricação e as aplicações dos nanotubos de carbono. O governo está apoiando esse esforço. juntamente com a exposição internacional de projetos. em um arranjo hexagonal. Dentre as aplicações dos nanotubos de carbono em eletrônica. dentro de suas possibilidades. A figura a seguir apresenta uma simulação CFD de micromisturados e dispositivos fabricados para a obtenção de materiais micro e nanoencapsulados. e os empresários? Como estão se posicionando diante dessa nova realidade? Em julho deste ano. Os métodos mais utilizados para a fabricação de sistemas micro ou nanoestruturados envolvem geralmente extração. ótico. dispersão granulométrica e taxa de encapsulação.

12 MAR/ABR/MAI' 2005 . dado que se ocupa de estruturas atômicas. quando aplicada às ciências da vida. Desta forma. cerâmica e polímeros. baseando-se em princípios de microfluídica. para integrar e miniaturizar dispositivos. recebe o nome de nanobiotecnologia. quando adequadamente coordenada. eletrônica. como: silício. Esta. projeto. empresas. conhecida principalmente devido à Microeletrônica. universidades e institutos de pesquisa. é uma estratégia que utiliza as técnicas de Microfabricação. processos térmicos. em comparação a sistemas mecânicos convencionais (tanques agitados). Um nanômetro equivale à bilionésima parte de um metro. será possível a invenção de dispositivos nanoscópicos que. criação. devem examinar. nêutrons e elétrons. a diminuição de custos de materiais (insumos de fabricação) e manutenção do equipamento.TECNOLOGIAS CONVERGENTES Nas primeiras décadas do século XXI teremos um movimento de unificação da ciência e da tecnologia por meio. Molécula A menor quantidade de matéria que retém todas as suas propriedades químicas. com o estabelecimento de parcerias estratégicas. Nanopartículas São tipicamente produzidas em tanques agitados. da combinação da nanociência e da nanotecnologia. poderá levar a uma melhoria na capacidade física humana.: o diâmetro de um cabelo humano é de 10. com dimensões típicas de 0. com uma das fases (geralmente oleosa ou uma emulsão água/óleo pré-formada) sendo dispersa na segunda fase (geralmente aquosa.realizado em 5 de julho último. Microtecnologia A Microtecnologia. Nanopartículas de biopolímero para sistemas de liberação controlada de remédios (5000x) QUADRO 6 . dispositivos e sistemas funcionais pelo controle da matéria em nanoescala e da exploração dos fenômenos e propriedades da matéria em nanoescala. Nanotecnologia É o estudo. Esses dispositivos são fabricados por meio de microprocessos de fabricação com diversos materiais. temos: a eliminação de forças mecânicas para mistura de fluidos e formação de emulsões.Durante o evento. Dependem do comportamento eletrônico em estruturas que contém moléculas organizadas espacialmente. da tecnologia da informação e das ciências cognitivas. fabricado com moléculas. Deste encontro. o aumento da portabilidade e a diminuiNanoencapsulamento ção do volume do equipamento de mistura e operação contínua. etc. “O Brasil diante da Nanotecnologia”. da biotecnologia. a Fiesp e o Iedi organizaram o seminário Como principais vantagens técnico-econômicas dessa abordagem.000 nanômetros. O átomo é a menor entidade química. a resultados na integração social de minorias e a um aumento de qualidade de vida da população. representando países distintos – Estados Unidos. biotecnologia.1–100 nanômetros. magnetismo. vidro. a introdução de um processo contínuo. a partir dos conhecimentos da biologia e da engenharia. Info Convergência Tecnológica Nanômetro A nanotecnologia parte de medidas extremamente pequenas. Israel e Brasil –. Está composta de átomos. biomedicina. éticos e meio ambientais ganharão grande relevo. para analisar as implicações da (N & N) no setor industrial. contendo emulsificantes) por variações de pressão ou forças de cisalhamento para gerar pequenas gotas esféricas pela ação da tensão interfacial. componentes e microssistemas. com conseqüente facilidade de escalonamento para a produção industrial devido à possibilidade de integração de um número suficiente de micromisturadores para um dado volume de produção. cujo objetivo é a manipulação e controle das estruturas moleculares nesta escala. Ex. ótica. a nanotecnologia. Essa convergência tecnológica. Bio Cogno Nanociência Seu objetivo é entender e explicar os fenômenos que ocorrem na escala de 0. processos químicos.1 a 100 mm. síntese. A inserção da (N & N) no projeto de desenvolvimento sustentável e competitivo no Brasil requer a construção de uma visão compartilhada para a inovação nesta área. apresentou-se à sociedade a carta de São Paulo. para aplicações em: acústica. Inglaterra. sociedade e meio ambiente (Renanosoma). manipular ou imitar os sistemas biológicos. não com materiais contínuos como os encontrados nos semicondutores atuais. Nano Nanobiotecnologia Multidisciplinar por natureza. se diferencia-se da nanotecnologia. manipulação e aplicação de materiais. e a facilidade de produção asséptica de sistemas nano e microencapsulados. articulando pesquisadores em humanidades para constituição de uma rede brasileira de pesquisa em nanotecnologia. Está composto de prótons. mecânica. em que se mostrou o engajamento das empresas nacionais nas nanotecnologias. com a presença de quatro palestrantes. Os desafios são inúmeros. que articulem a cooperação efetiva entre governo. Prevê-se que os aspectos sociais. O IPT propõe integrar essa temática junto ao Programa Nacional de Nanociência e Nanotecnologia. GLOSSÁRIO Electrônica molecular Sistema eletrônico com dimensão nanométrica.

. Encyclopedia of Nanoscience and Nanotechnology American Scientific Publishers.html “DESENVOLVIMENTO DA NANOCIÊNCIA E DA NANOTECNOLOGIA.caltech. There’s plenty of room at the bottom.gov. May. H. Por outro lado.br/noticias/noticia. 2004. Duas formas diferentes de nanofabricação BIBLIOGRAFIA FEYNMAN.br/temas/nano/ d www. que é a geração de estruturas cada vez menores com precisão suficiente. Proposta do Grupo de Trabalho criado pela Portaria MCT como subsídio ao Programa de Desenvolvimento da Nanociência e da Nanotecnologia do PPA 2004-2007. Esses métodos evoluíram separadamente.ufsc.pdf em 05 de Dezembro de 2004). www.its. na atualidade. que envolve a agregação de átomos e moléculas para obter-se uma estrutura maior. 2004.com/html/Reports/publications.org d www.unicamp. e a abordagem “bottom-up”.com.br d www. Henrique.com/ d www. EPUSP FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 13 .. Washington D.nanotechbriefs.S. (1959).foresight. Biologia e Física 1mm Novas funções Aumento de escala BOTTOM-UP 1960 1970 1980 1990 2000 2010 2020 2030 ANTÔNIO CARLOS SEABRA acseabra@lsi.fapesp. IPT Microtecnologia Desempenho melhorado Química.pgmat. SQUID (Superconducting Quantum Interference Device) Dispositivo supercondutor de interferência quântica. QUADRO 7 . permitindo uma integração muito desejável. O Mundo Nanométrico: A Dimensão do Novo Século Oficina de Textos.com.smalltimes. 2004. para a técnica “bottom-up” o desafio é a necessidade de realizar estruturas suficientemente grandes e com qualidade adequada para serem usadas como materiais.inovacaotecnologica.inovacaotecnologica.1 a 100 nm) coloca um desafio para a técnica “top-down”.br Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. o dispositivo transdutor mais sensível para medidas de variação de fluxo magnético.br BOTTOM-UP A mudança da Microtecnologia (dimensões típicas de 0. Convergência das técnicas “Top-down” e “Bottom-up” TOP-DOWN 1mm Diminuição da escala d www.gov. chegando-se a uma situação em que a dimensão dos materiais e dispositivos gerados é similar.iqm.comciencia.br d www.Nanotubos Os nanotubos compõem-se de uma ou várias lâminas de grafite ou outro material enroladas sobre si mesmas.“TOP-DOWN” VERSUS “BOTTOM-UP” As técnicas de nanofabricação podem ser agrupadas de duas formas: a abordagem “top-down”. ISBN: 1-58883-001-2 TOMA.1 a 100 mm) para a Nanotecnologia (dimensões típicas de 0.br/nano/ d http://lqes.br/Temas/Nano/prog_nanotec. Alguns nanotubos estão fechados por médias esferas de fullerenos e outros não. ISBN: 85-86238-34-1 Sites no Brasil: d www. No gráfico a seguir mostra-se que a ação integrada dessas duas abordagens pode levar a dispositivos e materiais com novas funcionalidades e desempenho melhorado.htm MÁRIO RICARDO GONGORA RUBIO gongoram@ipt. R.mct. a médio prazo.edu/~feynman/plenty. (Disponível em http://www.C. que usa um bloco de material e retira partes deste até obter a forma desejada.br/ Sites no exterior: d www.usp.php?artigo=010165041222 TOP-DOWN NALWA.br Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. É. http://www. 104 p.cientifica.mct.com d www. Existem nanotubos de parede única (um tubo só) e de múltiplas paredes (vários tubos colocados um dentro do outro).

01. Por RICARDO CORRÊA COELHO 14 JUN/JUL/AGO' 2005 . 05. pode-se dizer que a necessidade de reforma resulta de uma complexa combinação entre aumento da procura por ensino superior. SP.2003.vêm de longe e têm aumentado com o tempo. insuficiência no atendimento da demanda e deficiência nos seus mecanismos de financiamento. alimentada por uma persistente insatisfação dos servidores das instituições federais e por uma clara mudança de perfil da educação superior em todo o mundo. Resumidamente.Candidatos fazem prova da Fuvest na Escola Politécnica da USP no primeiro dia da segunda fase. devendo resultar em Projeto de Lei a ser encaminhado pelo Executivo ao Congresso Nacional nos próximos meses. (São Paulo. Foto de Juca Varella/Folha Imagem) A EDUCAÇÃO SUPERIOR REFORMA DA E A AGENDA ESQUECIDA A reforma da educação superior encontra-se em discussão. 14h00.As razões para reformar o sistema de educação superior no Brasil são diversas.

A insatisfação nas Federais é revelada pelo elevado número de greves nos últimos 25 anos. Afora as paralisações dos seus servidores técnico-administrativos, as Federais conheceram nada menos que 14 greves de docentes, entre 1980 e 2003. Essas greves buscavam não apenas conquistar melhores salários ou condições de trabalho, mas também impedir mudanças propostas pelos governos que se sucederam. Seus resultados foram modestos em termos de ganhos para a categoria, mas bem-sucedidos ao barrar toda tentativa de reforma do sistema. As mudanças nos processos produtivos das últimas décadas levaram um número cada vez maior de pessoas a procurar o ensino superior na tentativa de encontrar uma colocação no mercado de trabalho. Entre 1980 e 2003, o número de inscritos no vestibular triplicou, e ainda que a oferta de vagas tenha quintuplicado, esse aumento não foi capaz de satisfazer a demanda, devido às deficiências no sistema de financiamento. Nas instituições mantidas pelo poder público, onde o ensino é gratuito, a competição pelo ingresso é acirrada e faltam vagas, ocorrendo o inverso nas instituições privadas, que são pagas. Em 2003, havia, nas Federais, 10,9 candidatos inscritos por vaga, enquanto nas instituições particulares essa relação era de apenas 1,3. Do total de vagas oferecidas, apenas 0,7% não foi preenchido nas Federais, enquanto que 45,6% delas sobraram nas particulares. Portanto, faltam vagas de um lado e sobram de outro, o que mostra o desequilíbrio do sistema. Tomando a educação superior em seu conjunto, observa-se uma clara tendência à diferenciação das instituições (universidades, centros universitários, faculdades, centros tecnológicos de educação superior, etc.) e à diversificação dos cursos e seus correspondentes títulos, diplomas e certificados (diplomas para bacharelado, licenciatura, cursos tecnológicos, mestrado e doutorado; e certificados para concluintes de cursos seqüenciais, de extensão e de pósgraduação lato sensu). Essas mudanças compõem um quadro que não é mais passível de ser gerido com os instrumentos e conceitos vigentes. No entanto, se a necessidade de reforma é praticamente consensual, não há consenso algum quanto à sua forma, sentido e alcance. Além disso, algumas questõeschave têm passado ao largo da discussão. São essas que eu gostaria de abordar aqui, ainda que brevemente. EDUCAÇÃO UNIVERSITÁRIA E NÃO UNIVERSITÁRIA Embora a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, tenha aberto espaço para a educação superior não acadêmica e um grande número de instituições de ensino superior não

universitárias tenha surgido desde então, segue dominante, no Brasil, a idéia de que a educação superior é fundamentalmente universitária. A confusão entre os termos “educação superior” e “universidade” não domina apenas entre os leigos, mas também no governo e na comunidade acadêmica. Em 2003, o Ministério da Educação (MEC) promoveu um seminário para discutir os rumos da educação superior chamado “Universidade XXI” e, em 2004, empunhou a bandeira da reforma sob o lema da “Reforma Universitária”. Foi apenas em 2005 que o MEC adotou a denominação de “Reforma da Educação Superior”. Apesar da correção, o viés universitário permaneceu na segunda e mais recente versão do anteprojeto de lei da reforma. No seu primeiro capítulo, a confusão aparece com clareza. No Inciso VII, do Art. 4º, a finalidade da educação superior é definida como “a promoção da extensão, como processo educativo, cultural e científico que busca a articulação do ensino e da pesquisa a fim de viabilizar a relação transformadora entre universidade e sociedade”. No entanto, a Constituição é clara ao precisar que “as universidades” – e apenas essas, e não as demais instituições de educação superior – “obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão” (Art. 207). O padrão universitário encontra-se arraigado nas mentalidades, inibindo a expansão da educação superior no país. Os sindicatos das Federais sempre encararam o fim do seu monopólio como um atentado à qualidade do ensino.

Manifestantes acorrentados protestam na frente de um dos portões do prédio da reitoria na Cidade Universitária pela adoção do sistema de cotas para negros na USP.
(São Paulo - SP, 01.03.2004. Foto de Lalo de Almeida/Folha Imagem)

FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

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tangencia a questão crucial do tamanho e do perfil do sistema universitário necessário ao desenvolvimento do país. Tampouco a reforma aponta os cursos mais diretamente voltados para o mercado de trabalho e de mais curta duração, oferecidos por instituições não necessariamente universitárias (como os de tecnólogos), como caminho para a expansão da educação superior no país. Esses cursos, no entanto, são, geralmente, mais baratos que os acadêmicos e possibilitam uma inserção mais rápida dos formandos no mercado de trabalho. Mas a educação profissional aparece apenas marginalmente na discussão da reforma. Os Centros Federais de Educação Tecnológica (CEFETS) foram completamente esquecidos na redação do artigo 15 do anteprojeto, que trata das instituições de educação superior, figurando apenas como um tipo de centro “universitário”, no artigo 23. INSTITUIÇÕES PÚBLICAS X INSTITUIÇÕES PRIVADAS E ENSINO PAGO X ENSINO GRATUITO
Candidata faz a primeira prova da segunda fase da Unicamp (Universidade de Campinas), com o exame de português e de biologia, em Campinas
(Campinas, SP, 11.01.2004. Foto: Marcos Ribolli / Folha Imagem)

Outro tema que não vem recebendo o devido tratamento é o do papel e definição das instituições públicas e privadas no conjunto do sistema. O último anteprojeto inova ao tentar romper com a dicotomia público-privado, classificando as instituições em públicas, comunitárias e particulares. No entanto, ao definir a instituição comunitária, o texto é impreciso, descrevendo-a como “de direito privado [...] que inclui, em suas instâncias deliberativas, significativa participação da comunidade local ou regional” (Art. 14, Inciso II). Neste ponto, pecou-se por não ousar enfrentar a associação entre ‘público’ e ‘estatal’, ignorando toda a discussão, já acumulada, que cinde a esfera pública entre estatal e não estatal. As comunitárias poderiam ser incluídas nesta última, abrindo caminho para, quem sabe, se cruzar um outro círculo de fogo que impede a expansão do ensino superior no país: o que associa ensino público a

Entretanto, se realmente se busca a expansão, não há como consegui-la dentro dos estritos padrões universitários, que são caros e nem sempre necessários. A pesquisa científica é, sem dúvida, necessária ao desenvolvimento de qualquer país. No entanto, por ser cara e exigir grande quantidade de cérebros e de recursos materiais e financeiros, ela se desenvolve concentrada em alguns centros de excelência. É assim em todo o mundo, e no Brasil não seria diferente. Por isso, a estratégia de expandir a educação superior pela via da expansão do sistema universitário é contraproducente, pois pulverizará os recursos disponíveis ao invés de concentrá-los em torno de projetos bem definidos. A discussão atual sobre a reforma sequer

PAÍSES

EDUCAÇÃO SUPERIOR PROFISSIONAL E/OU DE CURTA DURAÇÃO (ISCED 5B)* 11 10 9 12 5 n/d(2) 3

SUPERIOR ACADÊMICA OU DE LONGA DURAÇÃO (ISCED 5A) E PÓS-GRADUAÇÃO (ISCED 6)* 20 13 29 12 9(1) 8(1) 2

TOTAL (ISCED 5A, ISCDE 5B e ISCED 6)* 31 23 38 24 14(1) 8(1) 6

Austrália Alemanha Estados Unidos França Argentina Brasil México

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ensino gratuito. Para romper esse círculo, não seria sequer preciso alterar a Constituição, que obriga a “gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais” (Art. 207), mas não em estabelecimentos não estatais, que tampouco são impedidos de oferecer ensino público. As vantagens da criação de uma esfera pública não estatal seriam muitas: no plano simbólico, estenderia o caráter de ensino público ao oferecido por instituições (cujo estatuto jurídico teria de ser bem definido na legislação) que desempenham papel de relevante interesse público; no plano financeiro, reduziria o ônus sobre o Tesouro da expansão do sistema e estenderia às comunitárias as linhas de financiamento à pesquisa e à extensão, hoje exclusivas das Federais. No entanto, o cavalo de batalha que se criou em torno do mote “ensino público e gratuito” baniu da reforma essa discussão. AUTONOMIA X ISONOMIA Conceitualmente, uma instituição autônoma é aquela gerida por normas próprias, que se financia com seus próprios recursos e persegue os objetivos que se autoatribui, observando as regras estabelecidas pelo Poder Público, mas sem a ingerência deste. As universidades privadas sempre funcionaram assim e as estaduais paulistas ganharam autonomia há mais de uma década, com todos os seus ônus e bônus. As Federais nunca foram autônomas e dependem do MEC para quase tudo. O anteprojeto de reforma concede às Federais uma pequena margem de autonomia em relação ao MEC, estabelecendo um orçamento global a ser transferido em duodécimos mensais, o que representa um avanço, mas está longe de configurar autonomia propriamente dita. Segundo a proposta, as Federais teriam assegurados recursos para a sua manutenção, mas seguiriam dependentes do MEC para contratar e estabelecer carreiras para seus docentes e funcionários. A oposição intrínseca entre a autonomia e a isonomia, que é tabu para os sindicatos das Federais, é que está obstruindo o caminho para uma autonomia efetiva. A isonomia entre as Federais repousa sobre planos de carreira e de salários unificados e na manutenção da universidade como modelo único de instituição de ensino superior, ainda que poucas Federais façam jus a essa denominação.Sua quebra implicaria o fim dos sindicatos nacionais de docentes e funcionários.Não há como dar autonomia às Federais sem romper com a isonomia. É uma questão de escolha.
FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA

José Eduardo Krieger, 43, diretor do Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do Incor (Instituto do Coração) da Faculdade de Medicina da USP, posa para fotos no laboratório do instituto, em São Paulo (SP). (São Paulo, SP, 17.09.2004. Foto: João Wainer/Folha Imagem)

MESTRES E DOUTORES PARA QUÊ? Ao exigir das universidades um mínimo de 1/3 de mestres e doutores entre seus docentes, a LDB induziu ao aumento da titulação observado no país. No entanto, ao não estabelecer os quantitativos de uns e de outros, a exigência acabou por produzir um efeito perverso: a substituição, nas universidades privadas,de doutores por mestres,que ganham menos. O anteprojeto de reforma complementa a LDB ao determinar que universidades e centros universitários deverão ter um mínimo de 1/4 e 1/9 de doutores entre seus docentes, respectivamente.Apesar disso,a questão central continua sem ser enfrentada:de quantos mestres e doutores precisamos e para quê? A resposta não é simples e depende da definição do papel e do tamanho do sistema universitário na educação superior do país.A quantidade de doutores teria de ser pensada em função dos núcleos de pesquisa que se pretende desenvolver ou criar,conforme um plano estratégico de desenvolvimento científico para o país;e a de mestres,de acordo com a necessidade de expansão do ensino superior.Atualmente, o título de mestre ocupa apenas uma posição intermediária entre o de doutor e o de bacharel na hierarquia acadêmica,sem que um significado preciso lhe seja conferido. Seria, portanto, oportuno que na reforma se pensasse na quantidade e finalidade desejáveis para cada um dos títulos superiores. Sem isso, continuaremos a desperdiçar recursos, formando doutores demais e tecnólogos de menos.

RICARDO CORRÊA COELHO ricardocoelho@mec.gov.br
Doutor em Ciência Política pela USP é especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental da Administração Pública Federal.

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. Ainda segundo essa autora. as experiências pioneiras em parcerias remontam a 1876. no início de 2003. Banco do Brasil. por meio de pesquisa. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. identificando a realização de parcerias como um dos princípios fundamentais para esse fim. sendo provável que já existisse um número bastante superior. sendo que em 2000 já havia cerca de 2 mil. contextualizadas em um conceito mais abrangente de capacitação profissional denominado “Educação Corporativa”.nos EUA. cerca de 64 casos de empresas que afirmavam possuir Universidades Corporativas.Abril e TAM. ancoradas numa concepção comum sobre as necessidades de qualificação da força de trabalho. Sabesp. o ensino profissional americano evoluiu para a criação de estruturas de ensino mais sofisticadas. Leader Magazine. No contexto brasileiro. Na década de 1950. o conceito de Universidade Corporativa (UC) surgiu nos EUA.no sentido de realizar a formação dos seus empregados. paralelamente à disseminação do conceito de RH competitivo. Segundo a autora. Ao que tudo indica. Carrefour. pela General Electric. mas sim uma prática antiga que vem sendo revitalizada nos últimos anos. seguindo-se daí o surgimento de toda uma rede educacional voltada para o ensino profissional.realizar parcerias com universidades. esse princípio envolve “. em 1955. conseguiu-se identificar. estimado no ano de 1999 em cerca de 4 mil. Fiat. constatou-se a existência de 400 Universidades Corporativas nos EUA. Entre as empresas instaladas no Brasil que declaram possuir 18 JUN/JUL/AGO' 2005 Universidades Corporativas pode-se citar o Bank Boston.Atualmente. com relação ao mercado americano.. Meister (2000) diz que:“As parcerias de sucesso entre empresas e universidades têm se transformado em verdadeiras alianças entre clientes e fornecedores. 2005). foi somente a partir da década de 1980 que o mercado americano assistiu a um aumento considerável do número de UCs.”. Porém. p. estima-se a existência de quase 500 UCs (Accurso. Petrobrás. Dados estimativos apontam para o fato de que em 2010 esse número ultrapassará o número de Universidades Tradicionais naquele país.Ambev (antiga Brahma). Segundo a autora.com a criação das primeiras escolas pelas indústrias.”. Motorola. IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DE PARCERIAS EXTERNAS PARA O SUCESSO DAS EMPRESAS Sobre este ponto. no contexto dos EUA. No Brasil. que passaram a ser conhecidas como Universidades Corporativas.. Accor Brasil. CEF. publicado pela Corporate University Xchange (CUX) em 1998. segundo a mídia especializada. Eboli (2002) associa a Educação Corporativa ao desenvolvimento de competências essenciais ao sucesso das empresas.. McDonald’s. . entre outras. Segundo Meister (1999... Unimed. 1998). XXVII). no estudo “Diretrizes futuras da Universidade Corporativa 1999”. as novas parcerias entre empresas e o ensino superior estão ativamente envolvidas em garantir que as necessidades de formação e qualificação da força de trabalho do futuro sejam preenchidas (Meister.CARACTERÍSTICAS DAS PARCERIAS EM EDUCAÇÃO CORPORATIVA NO BRASIL Por JOAQUIM RODRIGUES As parcerias entre Empresas e Escolas para capacitação de pessoal não configuram um fenômeno novo. verifica-se claramente que. como recurso estratégico utilizado pelas empresas no gerenciamento do aprendizado e desenvolvimento dos seus funcionários. com o lançamento da Crotonville. instituições de nível superior ou até mesmo clientes e fornecedores que tenham competência para agregar valor às ações e aos programas educacionais corporativos.

com 25% das indicações cada. aqui agrupadas sob a marca PUC. lembrando que algumas delas não possuem um nome específico: • A abrangência das parcerias O objeto das parcerias apresentou-se bastante variado. 25 % possuem de 5 a 6 anos de implantação e as restantes já existem há mais de 6 anos. Gráfico 2 . DE 90 NA DÉC. percebe-se que o que as empresas mais procuram é a alocação de professores. no entanto. totalizando 20 empresas. tendo sido criadas nos últimos quatro anos.classificadas em:(1) Empresas que afirmaram não possuir nem Universidade Corporativa nem parcerias com Universidades Tradicionais. As universidades internacionais foram incluídas para evidenciar a concorrência estrangeira nesse mercado. 5 As empresas e suas respectivas Universidades Corporativas Das 45 empresas da amostra. Quadro 1 – Universidades Corporativas identificadas na amostra Legos de Treinamento e Desenvolvimento Learning Center Programa de Educação Centro de Treinamento Técnico Voith Engineering Academy e Project Management Academy Unisys University (Não preenchido) Universidade Bompreço Boston School Alcatel University (Não preenchido) Centro de Desenvolvimento por Competências Braskem (Não preenchido) Educação Corporativa Natura (nome sugerido) Educação e Cidadania Universidade do Hambúrguer (Não preenchido) Núcleo de Desenvolvimento de Pessoas – NPD (Não preenchido) Leadership. conforme se verifica no Gráfico 2. seguida pela Fundação Dom Cabral e pela Universidade de São Paulo. possuir Universidade Corporativa. sem. figurando no topo da lista a Fundação Getúlio Vargas. sem realizar parcerias com Universidades Tradicionais. ORD 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 EMPRESA VOLVO XEROX SPRINGER CARRIER SCHINDLER GRUPO VOITH UNISYS JANSSEN CILAG FARMAC BOMPREÇO BANKBOSTON ALCATEL UNILEVER BRASKEM O GLOBO NATURA* EBERLE MCDONALD´S BANCO REAL ABN AMRO EDITORA ABRIL VALEO MOTOROLA NOME DA UNIVERSIDADE CORPORATIVA Destas. com 38% das indicações. havendo. uma busca crescente por parte das empresas da amostra. (3) Empresas que afirmaram possuir somente Universidade Corporativa. Essas categorias encontram resumidas no gráfico a seguir: Gráfico 1: Distribuição das Empresas da Amostra nos Subgrupos 9 17 Não possuem SEC nem Parc Possuem SEC e Parc Possuem só SEC Possuem só Parc 17 Quando se iniciaram as parcerias Apenas uma parceria foi iniciada antes da década de 1990. (2) Empresas que afirmaram possuir tanto Universidade Corporativa como parcerias com Universidades Tradicionais. Estas encontram-se listadas abaixo com a identificação da respectiva UC. a partir de então. DE 90 A PARTIR DE 2000 10 Quem são as instituições parceiras As parceiras mais citadas pelas empresas são as universidades classificadas como sendo de “primeira linha”.Motorola University FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 19 . Learning & Performance .Distribuição das Empresas Segundo o Tempo de Parceria 20 13 9 0 1 ANTES DA DÉC. seguida do Design de cursos e do uso de instalações e/ou equipamentos. 45% são bastante recentes.RESULTADOS DA PESQUISA Características das empresas da amostra quanto à realização de parcerias Inicialmente. Entretanto.num total de 45 empresas.Na seqüência aparecem a Universidade Federal do Rio de Janeiro e as Pontifícias Universidades Católicas. a tabulação dos dados da amostra resultou na composição de quatro subgrupos ou categorias. aproximadamente 44% declararam possuir Universidade Corporativa. (4) Empresas que afirmaram realizar parcerias com Universidades Tradicionais.

as empresas confiam na capacidade das parceiras em oferecer o serviço do qual precisam. no que diz respeito às desvantagens.conforme veremos na análise 20 JUN/JUL/AGO' 2005 das desvantagens das parcerias. com ênfase na capacidade e na confiabilidade dos professores. Foto de João Wainer/Folha Imagem) O percentual de participação da parceira no total de programas e/ou ações de T&D das empresas Em aproximadamente 70% das empresas que possuem parcerias. setores afins e estudantes/bolsistas. formadores de opinião.Os demais públicos dividem os restantes 14% das incidências de treinamentos. público em geral. clientes. tendo em vista um custo aparentemente elevado da parceria. Os públicos atendidos pelas parcerias Os públicos citados pelas empresas foram: funcionários. Quanto ao investimento em familiares. 24. Isso deixa evidentes dois pontos importantes a ser repensados pelas parceiras quanto aos serviços que vêm oferecendo às empresas. a falta de flexibilidade e a morosidade na customização dos programas. Segundo. concessionários. evidenciada pela intenção de ampliação das parcerias. o que demonstra a confiança das empresas nas instituições com as quais mantêm parcerias. com a qualidade que elas esperam.nos clientes (11%) e nos familiares (8%). percebe-se que esse é um fenômeno exclusivo das empresas que possuem Universidade Corporativa.O gerente de marketing e vendas da Sony. “atualidade” e “credibilidade” marcaram as opiniões sobre as vantagens. Eduardo Tubosaka. nos funcionários (67%).2003. declarada por 96% dos respondentes. fornecedores. Por outro lado. Palavras como “academicismo” e “padronização” marcaram a descrição dos conteúdos oferecidos pelas parceiras. Palavras como “competência”. verifica-se que existe uma tendência de crescimento dessa participação. (São Paulo.01. Primeiro. Isso parece indicar uma priorização de investimento na capacitação dos funcionários. as empresas esperam que as parceiras sejam capazes de customizar a prestação do serviço para adaptá-lo à sua reali- . Por outro lado. que fez MBA na London Business School (Inglaterra). sua participação atinge no máximo 20% do total de ações e programas de T&D. mais adiante. contra apenas 4% que não desejam ampliá-la. A freqüência da distribuição dos públicos atendidos pelas parcerias concentra-se. ficou bastante evidente a falta de contato com a prática empresarial.bem como o custo elevado da parceria. A tendência de aumento da disseminação das parcerias também se evidencia no grupo das empresas que não as possuem atualmente. familiares. entretanto. Principais vantagens e desvantagens das parcerias As vantagens percebidas pelos respondentes se concentram em torno da qualidade do ensino e do acesso a conhecimento de ponta. observando-se mais criteriosamente. SP. em que se verifica um interesse declarado de cerca de 48%.

A pesquisa aponta.Educação Corporativa. March/April 1999.Ten Steps to Creating a Corporate University.São Paulo:FEA-USP . Mark. ____________. não possam ser generalizados para o universo das empresas brasileiras. FLEURY. que em ambos os grupos permaneceu muito semelhante.Maria Tereza Leme et al.. já que se trata de um mercado importante para a captação de recursos financeiros essenciais à sua sobrevivência. consultor em Administração. mas revela o sentido dessa influência como sendo estimulador. Muito embora os resultados do presente estudo.Jun.As pessoas na organização. 2000. o que pode ser evidenciado pelo fato de esse crescimento e fortalecimento estar sendo sustentado e estimulado pela Educação Corporativa. FLEURY. 2001. acesso em 22 jul.ed.com. ALBUQUERQUE. ALPERSTEDT.com. o primeiro indicativo de que não só a Educação Corporativa tem influência sobre a realização de parcerias. ALLEN. 1999. girando em torno de 2. 1998. MEISTER. os resultados da pesquisa apontam de forma homogênea para a flexibilidade de realização de múltiplas parcerias (92%). Lessons in How to Set Up a Corporate Universities.A análise desse dado revela uma diferença de mais de 40% em favor das empresas que possuem UC.Coletânea Universidades Corporativas:Educação Para as Empresas do século XXI. 2002. enquanto a quantidade de empresas que realizam parcerias e possuem UC apresenta um aumento de mais de 90%. In:FLEURY. São Paulo: Makron Books.2002.dade cultural e do seu negócio.Obtido no endereço http://www.114. o número médio de parcerias por empresa. pp. Lindolfo Galvão de. entretanto. a seriedade da questão merece consideração por parte das Universidades Tradicionais que estão oferecendo ou que pretendem oferecer algum tipo de serviço às empresas. Entretanto.As Universidades Corporativas no Contexto do Ensino Superior.Marisa et al.O Desenvolvimento das Pessoas e a Educação Corporativa.2005. Educação Corporativa:A gestão do capital intelectual através das Universidades Corporativas.que são percebidas como lentas em produzir as soluções objetivadas nas parcerias. contra 34. Relatório Final DELPHI-RH 2010: Tendências na Gestão de Pessoas. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo pretendeu analisar as parcerias entre Universidades Corporativas e universidades tradicionais realizadas pelas empresas instaladas no Brasil. na medida que caminhamos da década de 1990 para o tempo presente. Nov. Estratégias Empresariais e Formação de Competências. São Paulo: Schmukler Editores. and Growing a Successful Program.95% das empresas que possuem UC também realizam parcerias. com o objetivo de produzir informações que possam servir como base de sustentação teórica para futuras investigações sobre o tema. EBOLI. Corporate Universities: Lessons in Building a World-Class Work Force. André L.ano X. empresas que possuem UC são mais propensas a realizar parcerias que as demais. Managing. The Corporate University Handbook: Designing.elearningbrasil. Afonso. pp. Este é.br Mestre em Administração pela FEA-USP. Jeanne C. Constatou-se que o crescimento e o fortalecimento das parcerias entre as empresas da amostra que possuem Universidades Corporativas e as universidades tradicionais constituem uma tendência segura para os próximos anos. asp?id=2348. como por exemplo. Mark Allen Editor. com parceiras da educação tradicional consideradas até mesmo concorrentes entre si. FISCHER. um descompasso entre o ritmo das empresas e o ritmo das universidades tradicionais. ____________.. Human Resource Management International Digest. A correção desse problema pode ser considerada uma tarefa um tanto difícil. 35-36.2000.Quase 500 universidades corporativas no Brasil. portanto. o número de empresas que não possuem UC e que realizam parcerias permanece estabilizado.Cristiane. JOAQUIM RODRIGUES jotarodrigues@uol. 38-43. ____________. Conforme ficou evidenciado. pertencentes aos rankings de melhores desempenhos e reconhecimento por parte dos funcionários.Faculdade de Economia. ____________. por imposição das limitações metodológicas. 1998. Algumas outras variáveis não se mostraram tão promissoras para corroborar essa inferência.62% das que não possuem UC. Maria Tereza L. já que a constatação de “academicismo” por parte das empresas fala-nos de um jeito de ser das universidades tradicionais que possui raízes profundas na cultura dessas instituições e que pode significar um grande obstáculo à mudança organizacional.Tese (Doutorado em Administração) . FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 21 . ____________.br/home/noticias/clipping. com a rapidez requerida por um mercado altamente competitivo.São Paulo: Gente. São Paulo. 1999. BIBLIOGRAFIA ACCURSO. voltados à capacitação de pessoas. professor universitário. O estudo revelou que 78.Beth. São Paulo:Atlas.Revista T&D. 2002. Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo. Training & Development.5 parcerias por empresa. Trata-se de um estudo com caráter exploratório acerca da realidade atual dessas parcerias. New York: McGraw-Hill. As modalidades de parceria Quanto à modalidade de parceria adotada pelas empresas da amostra.

TORRES 22 MAR/ABR/MAI' 2005 .E-GOVERNMENT COMO FERRAMENTA DE COMBATE À CORRUPÇÃO Por NORBERTO A.

I. o desenvolvimento e a implementação de novas técnicas e processos administrativos e de gestão. suportados por novas tecnologias. certamente. Isso exige a absorção. na maior parte das vezes transcendendo seus limites (deixam de ser processos de uma organização para se transformarem em processos de cadeias inteiras de relacionamento entre organizações.podendo promover uma ampla reformulação de processos em governo. especialmente. em que está em curso uma total redefinição dos limites de uma organização.traz imensas oportunidades para que o governo se torne muito mais eficaz e orientado ao atendimento à sociedade. por parte da sociedade. O Governo do Estado de São Paulo é um exemplo bemsucedido de exploração dos recursos do Governo Eletrônico. vivendo um momento especial na história.demanda ações de modernização que objetivam atender aos anseios de uma comunidade que prestigia e valoriza a eficiente administração dos recursos públicos. A nova organização. mais ainda quando focalizamos os organismos públicos e seu relacionamento com a sociedade. na qual cadeias completas de valor poderiam ser integradas em processos que transcendem as organizações. calcados na tecnologia da Internet. agilidade. focalizando a prestação de serviços ao cidadão (eadministração). Alcançar um estado de eficiência. demandadas em níveis ainda mais altos que nas empresas privadas. passa a ser fundamental equipar o governo como um parque de tecnologia da informação capaz de oferecer a absoluta integração no universo de informações. assim como a conseqüente capacitação dos quadros envolvidos na operacionalização dos processos em questão na adoção de novas soluções de alto impacto. O que parecia. bem como do controle dos processos de governo no combate à corrupção. pela busca constante da excelência na administração pública. Estamos começando a entrar em um mundo de novas e mais abrangentes formas de relacionamentos. até para que as organizações privadas possam competir internacionalmente e operar de forma ágil nos mercados locais. Novas tecnologias podem ser adotadas. As enormes transformações provocadas pelo mundo aberto de informações e sistemas. a simplificação de procedimentos e a eliminação da dependência de manipular informações por meios físicos (papel). requerendo uma nova forma de pensar sobre as organizações. agora está se tornando possível. em um passado relativamente recente. pública ou privada. Este artigo resume alguns aspectos fundamentais do governo eletrônico e focaliza a importância dos mecanismos associados ao fluxo de informações e serviços entre o governo e a sociedade.e a desfragmentação de processos passa a ser vital para operar com performance e alto nível de serviços). em decorrência. com um salto sobre as gerações tecnológicas passadas. muito do que aprendemos sobre gestão está em um profundo processo de mudança. A T. às fraudes e aos desvios nos organismos de governo. ser uma utopia.das novas arquiteturas abertas e orientadas a serviços (SOA – Service Oriented Architectures) e a processos (BPM – Business Process Management Systems). FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 23 .Os diversos estágios ou níveis de e-government trazem excelentes oportunidades para o combate à corrupção. Esse desafio passa pela adequada adoção de soluções relacionadas ao universo da tecnologia da informação. precisará ter suas operações suportadas por processos inteiros e integrados. trazem imensas oportunidades para que as estruturas governamentais tornem-se muito mais eficazes e orientadas ao atendimento à sociedade. o fomento à extensão dos processos democráticos (e-democracia) e a dinamização dos processos internos e de elaboração de políticas públicas (e-governança). transparência e otimização dos recursos é um dos principais desafios que qualquer país hoje precisa enfrentar. A DEMANDA POR NÍVEIS DE EXCELÊNCIA NO ATENDIMENTO À SOCIEDADE E O PAPEL FUNDAMENTAL DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO A crescente exigência. A DESFRONTEIRIZAÇÃO DAS ORGANIZAÇÕES Estamos.

entre outras grandes mudanças.a da nova rede mundial de organizações inter-relacionadas. pois perde o sentido a separação do que é um processo de governo como um todo e o que é governo eletrônico.I. Primeiros sistemas integrados • Sistemas internos relativamente integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas ainda difíceis de construir e manter • Sistemas em mainframe • Alta dependência técnica • Sistemas internos isolados • Melhorias operacionais • Internet • Workflow • Comunicações e trabalho em grupo • Sistemas internos bastante integrados • Melhorias operacionais de médio impacto • Sistemas mais fáceis de construir e manter Figura 1 A desfronteirização das organizações de baixo impacto • Sistemas difíceis de construir e manter • Conceito "Lego" para componentes de sistemas • Componentes Web (web services) • Orientação a processos e não a sistemas • BPMS Business Process Management Systems processos integram tudo (processos externos e internos) • Automação operacional em larga escala • Sistemas integrados de gestão • Integração de todas as redes •Transformações operacionais de alto impacto Segundo Peter Fingar (2004). Mal estamos entrando neste novo mundo de possibilidades e oportunidades! Isso é verdade para uma companhia privada. Novas tecnologias e sistemas poderão transformar profundamente as ações governamentais. possibilitando a realização de papéis muito mais estratégicos. o impacto é muito mais profundo. denominamos gerações de tecnologias de informação: 24 JUN/JUL/AGO' 2005 sociedade. por meio da reengenharia de Michael Hammer e outros autores importantes dessa época. (00's) Figura 2 Gerações de tecnologias de informação A quarta geração de tecnologias de informação traz enormes possibilidades de reestruturação de processos. A figura a seguir indica os principais temas que a tecnologia de informação aplicada aos organismos de governo deveria focalizar. em que perde o sentido a definição de fronteiras ou limites organizacionais: • Banco de dados • Redes internas. (60'S e 70's) 2ª GERAÇÃO DE T. se estendendo além das fronteiras da organização. no que se poderia denominar “terceira onda da gestão orientada a processos”. agora. que caracterizavam os sistemas integrados propostos na década de 1990.I. TENDÊNCIAS Estamos vivendo um período de profundas transformações na forma de os organismos públicos operarem. (60'S) 3ª GERAÇÃO DE T. muito mais capaz de atender às demandas da AS GERAÇÕES DE TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO Um dos aspectos mais significativos na análise do atraso do país em relação à modernização dos processos de governo está na ainda incsipiente adoção de novas tecnologias nesses processos. sem que sejam necessários investimentos muito elevados. estamos. se ações proativas forem realizadas.I (90's) 4ª GERAÇÃO DE T. configurando o que. e se um governo fracassa em operar com agilidade e eficiência. a segunda onda se estabeleceu a partir do final dos anos 1980 e durante toda a década passada.a primeira remonta aos anos 1920. Na terceira onda. 1ª GERAÇÃO DE T. melhor atendimento ao cidadão.e foi dominada pela teoria e os princípios formulados por Frederick Taylor. A figura a seguir ilustra e indica algumas das grandes transformações tecnológicas ocorridas nas últimas décadas. mesmo o conceito tradicional de governo eletrônico fica desatualizado. em que predominaram a busca pela otimização de processos.os processos precisam ser tratados de “ponta a ponta”. entre tantos outros: . dentro de poucos anos. para efeito desta análise. Nesta nova “onda”. com conseqüências de alto impacto sobre o atendimento ao cidadão. por que as múltiplas relações cruzadas são ainda mais amplas. redução de custos operacionais e maior agilidade nos processos administrativos. Poderemos ter. a “máquina pública” completamente reconfigurada. que muitas vezes se inviabilizaram. com altos impactos sobre eficiência.I. mas ainda mais para organismos de governo. desde melhor gestão de recursos. reduções de custos e muito maior agilidade e produtividade. com menores custos operacionais e muito maior efetividade. maior transparência e credibilidade nas ações governamentais.Poderíamos dizer que estamos entrando em uma nova era. de modo a efetivamente promover transformações de alto impacto que podem repercutir em enormes benefícios para a sociedade como um todo.

A Internet. basicamente. ainda há uma tendência. mais de 40% dos recursos totais existentes. entre tantos outros exemplos. de um lado. estágios que um organismo de governo pode explorar. Terceiro. serviços como o “disque denúncia” levados à Internet.pelo significativo atraso relativo que os organismos públicos no Brasil apresentam no uso da tecnologia de informação. e na direção de um novo conceito de processos inteiros integrados. assim. seja na forma de perguntas e respostas. de outro.porque. Neste estágio. mais flexíveis. a comunicação de retorno. e talvez mais importante ainda. na medida em que os sistemas de informações se integram. Seria muito mais acertado aceitar a não-identificação e promover um serviço de triagem do que filtrar na origem. 3º Estágio: Serviços e transações financeiras No 3º Estágio. disseminação. é o estágio em que ainda se encontra uma grande parte dos organismos públicos no Brasil. PAPÉIS ESTRATÉGICOS DA T. No Brasil. de cargos públicos a serem preenchidos. a partir de qualquer “cyber café”. ainda mais se considerarmos que há uma grande repetição de tipos de processos. praticamente todos os municípios operam de forma semelhante. fóruns de discussão. muito mais facilmente. 2º Estágio: Comunicação bidirecional No 2º Estágio. criando-se. em geral de muito baixo nível. Este estágio possibilita aos cidadãos e às empresas um grau de interação que promove. o setor público consome. suportados por novas tecnologias. é a possibilidade muito maior de controle sobre as operações do governo. conteúdos de interesse No 1º Estágio. solicitação e preenchimento de formulários.I. de licitações do governo. é o acesso e disseminação de informações e conteúdos de interesse. no Brasil. o que constrange a maior parte dos cidadãos a fornecer informações que poderiam ser relevantes. direta ou indiretamente. para suportar os processos envolvidos. já cria uma primeira base de transparência que qualquer organismo público pode utilizar. passam a ser oferecidos serviços e transações¡ FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 25 . que pode ser acessada sem identificação. maior conhecimento das ações governamentais. pela participação que o setor público tem no produto nacional.ao se adotar modelos operacionais e organizacionais mais ágeis – o que sempre demanda novas tecnologias –. já ocorre a comunicação bidirecional. por medo de qualquer tipo de sanção. dos organismos públicos exigirem que a origem de informações prestadas pela Internet seja identificada. Figura 3 Focos estratégicos para a tecnologia de informação no governo O governo é um dos campos mais promissores de uso de tecnologia de informação no sentido mais amplo. Por exemplo. em que o governo pode. desvios e corrupção. por meio da Internet: PROJETOS DE LONGO ALCANCE MAIOR PARTICIPAÇÃO DO CIDADÃO NAS DECISÕES CUMPRIMENTO DA EGISLAÇÃO 1º Estágio: Informação. identificar fatos relevantes que apontem para fraudes. Finalmente. mas o que se vê é uma proliferação de diferentes formas de trabalhar e de soluções tecnológicas. NO GOVERNO GESTÃO EFICAZ DA MÁQUINA PÚBLICA Tradicionalmente. a disseminação de notícias. Primeiro. criam condições para que o governo possa ter muito mais informações relevantes. atualmente. o que se promove. ATENDIMENTO AO CIDADÃO INSERÇÃO DIGITAL DO CIDADÃO E DO MUNICÍPIO INTEGRAÇÃO GOVERNO/ SOCIEDADE DISPONIBILIZAÇÃO DE INFORMAÇÃO PARA A SOCIEDADE EFICIÊNCIA OPERACIONAL E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS AUMENTAR RECURSOS DISPONÍVEIS DESVIOS E CORRUPÇÃO Vejamos como cada estágio do e-government pode auxiliar no combate a fraudes. ganhamos em melhores serviços aos cidadãos.consideram-se cinco os estágios de e-government. permitindo a interação entre o governo e a sociedade (cidadãos e organizações). desvios e corrupção. um enorme espaço de oportunidades para projetos de reestruturação baseados em novos modelos organizacionais. menores custos governamentais e maior poder de competição para as empresas privadas no mercado internacional. logo. etc. Infelizmente. além dos conceitos tradicionais de governo eletrônico.o mesmo ocorrendo com secretarias de Estado de mesma natureza. restringindo enormemente as possibilidades de acesso a informações relevantes. Segundo. e. podendo ser acessados sem que a origem seja identificada.IMPORTÂNCIA DE E-GOVERNMENT NO COMBATE A FRAUDES. pode ser um excelente canal de comunicação para o governo na identificação de fraudes e corrupção. ágeis e de menores custos operacionais. isto é. em relação a outros países ou à iniciativa privada. qualquer esforço de racionalização de uso desses recursos e de agilização de processos tem enormes impactos.

Essa nova disciplina. o que se tem é uma estrutura muito mais leve e ágil. suportada por padrões e ferramentas poderosas. grande parte do trabalho humano é utilizada para “administrar”a outra parte que efetivamente produz. as ocorrências de desvios e fraudes poderiam ser mais facilmente percebidas. ter-se contrapartida. na medida em que se promove o acesso de quaisquer interessados em operar com o governo. entre tantos outros serviços possíveis. Da mesma forma. a soma final de todos os saldos deve ser zero – se não o for. capazes de tornar a integração em larga escala e a automação de processos uma tarefa. empresas e estendendo esses processos até o relacionamento com o cidadão. para cada lançamento. por trabalho humano.Business Process Management. Numa situação desse tipo. mas pela obrigatoriedade de.Business Process Management . dificulta ou mesmo impede ações fraudulentas. no caso de governo. seja internalizada nesses processos. materiais ou de quaisquer outras naturezas. Este estágio possibilita que todas as transações realizadas. os desvios e a corrupção tornam-se muito mais vulneráveis. neste estágio. muito maior atenção é dada a essas operações. o que. Já em processos integrados e desfragmentados.porque são especializados demais. em geral tratadas fora deles. tecnologias e processos Figura 5 A organização fragmentada Especialista A desfragmentação de processos exige que grande parte da “inteligência”necessária à operação dos mesmos. tais como compras eletrônicas feitas pelo governo.integrando-se a processos de outros organismos de governo. há erros ou falhas de lançamento. por meio eletrônico sejam disponibilizadas para conhecimento de qualquer cidadão ou empresa. 26 JUN/JUL/AGO' 2005 UNIDADES Regras para DE TRABALHO os processos entre componentes WORKFLOW Pessoas. por si só. por meio de desbalanceamentos nos fluxos entre esses processos. anomalias indicadoras desses desvios. eventualmente impossíveis de ser realizados sem que algum ponto do processo como um todo detecte. registro eletrônico de autoria e patentes. ORGANIZAÇÃO FUNCIONAL TRADICIONAL Figura 4 A organização desfragmentada 4º Estágio: Integração vertical e horizontal no governo No 4º Estágio. com ferramentas integradas em BPMS . concessão de licenças e autorizações. são grandes. Com a integração de processos. pagamento eletrônico de taxas e tributos pelos cidadãos e pelas empresas. antes praticamente impossível. A figura a seguir mostra o que ocorre com uma organização excessivamente fragmentada: processos que exigem constante intervenção humana. também.¡ financeiras entre o governo e a sociedade. à medida que organismos governamentais deixam de operar estritamente seus processos internos. ORGANIZAÇÃO DESFRAGMENTADA Um dos sistemas mais importantes para qualquer empresa ou organismo é sua contabilidade. processos menos sujeitos a manipulações fraudulentas. necessitam de grande esforço de supervisão e controle. com menor carga de supervisão e controle e. que agrega diversas tecnologias específicas. inclusive as integrações com a sociedade. a bancos. e as possibilidades de não ser identificados focos de desvios financeiros. por meio de “desbalanceamentos operacionais”. Atualmente vivemos a convergência de todas as tecnologias orientadas a processos e integração. relacionadas à integração vertical e horizontal de processos no governo. É. sejam esses fluxos financeiros. como ilustra a figura a seguir. não só pelos registros ali contidos. se tivéssemos processos completamente integrados. é o BPM . ocorrem transformações de outra natureza. tornando muito mais difícil encobertar operações irregulares. É neste estágio que se insere a questão anteriormente discutida a respeito da desfronteirização. relativamente simples. Isso também limita ou impede operações fraudulentas. operando com ciclos de tempo muito mais curtos. que se unem para formar novas e revolucionárias plataformas de processamento. pois. as fraudes. Além disso. que existem as maiores possibilidades de uso do governo eletrônico no combate à corrupção. é possível ter um grau de transparência muito elevado. mais importante. que estão por trás da maior parte dos casos de corrupção.

e não para o benefício daqueles que governam. 9. redução de fraudes. LAMONT. I.Accelerating BPM with Business Rules. New structures for strategic growth. IDG/Computerworld – Brasil. 2005. na área de Contratos/ Projetos/ Obras. p. Plano Diretor de Tecnologia de Informação – Prefeitura Municipal de São Bernardo do Campo. Presidente da Unicomm Integração de Negócios.Basingstoke: Dec 2003. tudo o que for relevante a um processo passa a ser tratado de forma integrada (ocorrências. que é sempre um dos focos de maior atenção necessária em qualquer esfera do governo. WALL. Processos e Sistemas Ltda. Dec 22-Dec 29. The Newsweekly for Builders of Technology Solutions.isto é. 12. Issue 9. como.Barbara von. Joseph. TORRES. condições de exceção. etc. 2002. Chicago.Knowledge and Process Management. Sep 29. FINGAR. 10. Understanding the Electronic Commerce Cycles of Change. COLMAN. 2003 . 20. Exploring Types of Public Sector Organizations: Past Exercises and Current Issues. Guarujá.Vol. Chicago.BPO meets BPM . p. Chicago. Managing e-transformation in the public sector:an e-government study of the Inland Revenue Authority of Singapore (IRAS). 2005 VOLMER. 4. Com essa abordagem. CMA Management. muito maior agilidade. The Real-Time Enterprise . Jan 2004 .The Brainstorm BPM Conference.Competing on Time with the Revolutionary Business S-Ex Machine. Journal of Organizational Computing & Electronic Commerce.The power of process. além de viabilizar a cobrança automática de ações a responsáveis pelas mesmas. Sep 29. 2005 __________________. Is.KM World . Ken. através de processos. Iss.mudam os serviços aos cidadãos e às empresas. 2003. Jericho. Judith.Systems. PUCCINELLI. 2003.The Brainstorm BPM Conference. BPM: no just for the big kids on the block. Denise. Iss. 41. históricos. Charles. Public Organization Review. proporcionando maior transparência. a partir de critérios como datas-limite. P/ GESTÃO GED CONTABILIDADE ORÇAMENTO OBRA/ PROJETO CAMPO BIBLIOGRAFIA BOBCOCK. InformationWeek. REMUS. 2005. 8-9. 45.por exemplo.30.The Brainstorm BPM Conference. ORR. Vol.o que se conseguiu na estrutura de relacionamento integral entre os bancos. Leveraging Process Modeling for Business Value. que propõe toda uma nova forma de tratar a organização e suas relações com o seu meio. XI Congresso de Informática Pública Conip. WETTENHALL.Forrester Research.br Professor Titular da Escola de Administração de Empresas de São Paulo e Coordenador do TecGov – Centro de Estudos em Tecnologia de Informação para Governo (FGV). TORRES natorres@uol. Howard & FINGAR. pendências registradas e controladas. Meghan-Kiffer Press. 3. etc. Network World. Hamilton: Feb 2004. p. Resenha do livro Caminhos da transparência.“Reflexões e experiências acerca do combate à corrupção”. Oscar Adolfo. Novas plataformas tecnológicas e suas aplicações em governo. altamente suportados por tecnologia. e onde costumam ocorrer quase todosos casos de corrupção.desvios e descontrole. A blueprint for the implementation of process-oriented knowledge management. SILVER.Oct 2003 .V.com. 57. 237. 1064.. Integrating processes: The next Nirvana. Is. 269. p. orçamentos participativos. decisões tomadas. 18. p. 13. Chicago.The Future of BPM. 1. é promovida a participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo. Beyond integration.Ken..Camden . FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 27 . 2003 . 2005. Idort/PMSBC. Framingham. Is. p.O governo eletrônico se transforma em governo baseado em processos eletrônicos integrados com a sociedade e para ela orientado.. Meghan-Kiffer Press. Roger. New Directions in BPMS Technology. VISÃO GEO Figura 7 Exemplo de integração: contratos <-> projetos/obras <-> gestão financeira <-> orçamento/contabilidade 5º Estágio: Participação política do cidadão e das empresas nas ações do governo No 5º Estágio. desvios e fraudes: CONTRATO GESTÃO AUTOMÁTICA DE PROCESSOS INFORM. Manhasset. 2004. CONCLUSÃO: ISTO MUDA TUDO !! A possibilidade de integração abrangente de processos que as novas tecnologias trazem muda completamente as referências que temos hoje dos processos de governo. Robert. FONSECA. Ulrich. CRN. Chee Wee & PAN. Issue 1.Mining Rules from Legacy Code:Reasonable or Lunacy? The Brainstorm BPM Conference. 2005. etc. TAN. 21. São Paulo. Peter. 2005.Robert. Chicago. SOA .poder-se-á chegar ao que se poderia denominar “gestão automática dos processos operacionais”. Barbara. 2003 .12. publicada na Revista do Livro Universitário. 2005. JP. Is. __________________. 2003. 3. Iss.European Journal of Information Systems. V . DUBIE. p. SMITH. Peter & BELLINI.Vol. Dordrecht: Sep. 2003. Shan L. p. 4. Business Process Management – The Third Wave. MORGENTHAL. p. 13. EXEMPLO DE POSSIBILIDADE DE INTEGRAÇÃO ➧ CONTRATOS / OBRAS A figura a seguir ilustra a abrangência da integração possível com as novas tecnologias.Janet K. Camden.Chichester.The Brainstorm BPM Conference..V.V. 957. projetos gerados. Francisco & SANCHEZ. p. 77. S4. KM World. Bruce. Por meio de tecnologias orientadas a processos. Naveen. Chicago.. Oct/Dec 2003 . Com processos inteiros. por exemplo. 51.Painel de IIniciativas sobre Métricas e Indicadores. Este é o estágio em que a sociedade passa a poder auditar e efetivamente ser partícipe das ações governamentais.Vol. NORBERTO A. documentos associados. plebiscitos eletrônicos.The Brainstorm BPM Conference. ERASALA.All or Nothing. HALLE.). Norberto A. DARROW.

e no ano seguinte no livro Bioethics: bridge to the future. sobretudo. No início dos anos 1970. sociais. um bioquímico oncologista chamado 28 JUN/JUL/AGO' 2005 Van Rensselaer Potter cunhou o termo Bioética em seu artigo “The science of survival”.sobre os princípios que regem as sociedades. são motivos mais que evidentes para uma renovada reflexão sobre os valores.etc.falta de compromisso com os eleitores. Preocupado com os perigos de uma guerra fria que corria vertiginosamente para a construção de armas mais poderosas e novas bombas.. a junção. assim como com a destruição sempre mais acelerada do planeta por seus habitantes. pelo menos. a conjunção entre um bios e um ethos. O filme retrata a luta do marinheiro Ramón Sampedro para pôr fim à sua vida. culturais ou religiosas. Daí surge a necessidade de uma volta ao Humanismo.decidimos encontrar um culpado – o famoso bode expiatório – para esta situação. E decretamos que por uma visão mecanicista ou cartesiana nos transformamos em meros técnicos. ou melhor. REPENSANDO A BIOÉTICA Por GLÁUCIA RITA TITTANEGRO O TERMO É possível que jamais se tenha falado tanto em Ética como em nossos dias atuais. A conjunção é Ética da Vida ou Bioética. Potter procurou mostrar que o caminho para reverter este processo seria a retomada do humano. desperta a singularidade para a sua . o avanço da técnica também se mostra como um grande ponto de interrogação para a conduta ou o comportamento do ser humano.Crises de governo. Como uma tendência que nos é natural. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.corrupção. SEPARAÇÃO E DIFERENÇA Esta conjunção reacende a dialética entre o individual e o universal e.Mar Adentro Dirigido por Alejandro Amenábar e com Javier Bardem no elenco. econômicas. deixado de lado em vista dos avanços técnicos. A Bioética emerge nessa volta ou reviravolta ou revolta.descrédito das instituições. Além de questões políticas. Justamente este lado humano parece ter se perdido ou.

sim. a Bioética já é uma pos- tura. é uma relação originária. dissimulação. o humano como técnico e humano ou como humano e técnico. política ou econômica. consegue o seu objetivo. para o que estava além da realidade.Voltar às origens significa redescobrir o que de antemão não estava separado. O sofrimento inútil – ou o sacrifício – de milhões de pessoas demonstra o fracasso e ao mesmo tempo o perigo da concepção que identifica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 29 . E nos deixa com a questão: qual é o sentido da vida? Um outro caso que nos fez mergulhar de novo no problema: a ameriVan Rensselaer Potter Doutor em Bioquímica. o ponto de início ainda é motivo de discussão entre os chamados bioeticistas. os autores que escrevem sobre o argumento. INÍCIO – REVOLVENDO AS IDÉIAS A Bioética é um movimento de idéias ou uma nova disciplina que assumiu proporções surpreendentes. Não seria demais lembrar que os filmes Menina de Ouro e Mar Adentro foram contemplados com o Oscar em sua última premiação (2005). A conjunção e não aponta para uma dissolução de um termo no outro. enganos. podemos. uma decisão. depois de um plano meticulosamente elaborado. A vida em sociedade é linguagem e. Muitos foram os centros de pesquisa que se formaram. dos quais o primeiro é “a questão da diferença entre a responsabilidade ética e a responsabilidade política”. Ao final. como estamos acostumados a entender a união. cultural. por conseguinte. Cada uma das ações humanas pode ter o duplo efeito e. as comissões. Ramon resta tetraplégico após um acidente de juventude e permanece ligado a uma cama diante de uma janela com vista para o mar. poderíamos identificar o início um pouco mais atrás. na experiência de aniquilação sofrida por muitos seres humanos nos campos de concentração da Alemanha nazista.como diria Michel Renaud. é também fruição. esta é uma das preocupações em forma de apelo nos escritos de Potter. É como se vivêssemos por um fio. O chamado vem da urgência da própria fragilidade da vida. erros.A racionalidade deixa de ser uma definição para se tornar um desejo do humano. talvez a sensação de ter de participar do processo decisório. Se não podemos concordar diretamente com a paternidade. Na realidade. ou seja. geraram-se vários problemas. sobretudo. a promovê-la. cana Terri Schiavo. Trata-se do grande movimento da existência ética: continuar cartesianamente separando – porque na separação está a diferença –. a diferença faz a diferença. que foi considerado algumas vezes como o pai da Bioética. voltar-se para o que estava no início e. tanto na ficção como na vida real. A ponte que Potter buscava construir é justamente a conjunção de termos. quando temas como a eutanásia são. o segundo é sobre a vida do espanhol Ramón Sanpedro.Viver eticamente é perceber esta equivocidade inerente e con-viver com ela. Sua luta pelo direito de morrer dura quase 30 anos. mas ao mesmo tempo voltar à conjunção. Somos chamados a cuidar da vida. e este uso é compartilhado por Andre Hellegers do Instituto Kennedy. isto é. abordados pela indústria cinematográfica e pela imprensa. direito este negado pela própria justiça espanhola. os cursos. as tendências de pensamento sobre este assunto. O bios – toda a vida em si mesma – e o ethos – que é a vivência ética e.a Bioética é um argumento que está na pauta do dia. mas para a diferença. um dos principais casos estudados em Bioética. O SACRIFÍCIO DO OUTRO Quem sabe. pesquisador e professor na área de Oncologia no Laboratório McArdle da Universidade de Wisconsin/ EUA.A decisão de retirar os tubos de alimentação que a mantinham em vida ofereceu à mídia uma constante fonte de notícias e ao público.ambos permanecem o que são: diferentes outros. mais básica do que qualquer vivência social. Em Potter. sobretudo. No nosso século o sujeito kantiano individual e autônomo foi substituído pelo grupo social ou por um partido político. assim. É como se Potter tivesse tido a chance de remexer no baú da vovó.responsabilidade. etc. Substituindo-se a liberdade subjetiva pela liberdade do coletivo. portanto.que é indicado por alguns como o verdadeiro “genitor”da Bioética. cada uma das produções do ser possui esta ambigüidade. Este é o momento em que a racionalidade humana se vê em xeque. aceitar que este é o início mais aberto da reflexão bioética. O primeiro é uma história fictícia. Hoje. a protegê-la. o humano não pode se desfazer da técnica – produção humana por excelência. redescobrir o humano na técnica. uma vocação. vasculhar as cavernas do início da civilização. mentiras e verdades. Certamente.Ao mesmo tempo em que é refém. Certamente. É preciso que se perceba isso para que o discurso de um novo ou renovado Humanismo não se perca em retórica. e de sujeito livre transformou-se em pseudo-sujeito. Chamamos de início aberto o momento em que o termo começa a ser usado.

GLÁUCIA RITA TITTANEGRO glauciatittanegr@uol. o eu se descobre livre de uma liberdade que consiste justamente em prever para poder evitar o mal. ou seja. como um ser capaz de assassínio. Enfim. excessivamente proposto pela Bioética em nossos dias. Para o autor. O SACRIFÍCIO DO MESMO Nas últimas décadas.Assim. Cuidar é um dever que não pode esperar pela deliberação ou pelo engajamento livre do sujeito. o estudioso francês René Girard analisou a questão do sacrifício religioso nas civilizações antigas e demonstrou como essa idéia está presente em nossa economia de sociedade.Assim sendo. hostil”. o sacrifício possui uma certa ambivalência: de um lado ele é a “coisa mais santa” e do outro. com todo contato violento.“sobre a vítima germes de discussão por toda parte derramados e ele as dissipa propondo-lhe uma saciedade parcial”. O cuidado ou a hospitalidade – eis o desafio do humano ou a própria humanidade do humano.A vida depende dessa prevenção. Assim a função purificadora do sacrifício consiste em restaurar a comunidade de todas as rivalidades e de toda inveja que envolvem os seus elementos. de certa maneira. uma pré-visão do perigo. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência ao polarizar. de certa maneira. da possibilidade do humano de decifrar códigos genéticos e da iminência da clonagem. vista como uma doença. a fortiori. o mesmo inverte este movimento circular que é a violência e reconhece-se uma prenda envenenada. ele funciona como um remédio eficaz evitando a sua epidemia.É criminal porque se trata do assassínio da vítima que é sagrada. Num mundo em que se questiona se é mais justo salvar baleias ou alimentar e abrigar crianças vítimas da miséria. já que a violência voluntária ou vingança é. na verdade. visto que se manifesta na locução: enquanto-ainda-há-tempo. da Aids ou das guerras. já contaminados. queremos mostrar aqui que a Bioética é muito mais que uma discussão sobre os dilemas acerca do início ou do final da existência.ao mesmo tempo. mas a inconsciência generalizada quanto ao dever de prevenção e de cuidado.a vítima só é sagrada se for imolada ou assassinada. só os seres já impregnados de impureza. impedindo a propagação da violência ou a contaminação da comunidade. convém da mesma forma. como diz Girard. Essa proteção é bem mais uma prevenção ou substituição. enquanto ainda há tempo. que contagia ou que torna impuro tudo aquilo que o toca e que por ele é tocado. da possibilidade de superar os limites da natureza na geração de outros seres.vontade e razão. o sacrifício funciona como o pharmakos da comunidade. já que a violência voluntária ou vingança é. Neste sentido. Se todo contato. não hesitam em se expor. a própria epidemia ou o surto de agravação dessa endemia que é a violência. a Bioética se apresenta como um discurso face-aface em que tudo é infinitamente urgente. A composição deste vocábulo em bio e ética parece já querer indicar onde recai o peso maior.etc. com um ser impuro torna 30 JUN/JUL/AGO' 2005 impuro.br Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Gregoriana – Roma Coordenadora do Curso de Filosofia e do Curso de Especialização em Bioética do Centro Universitário São Camilo . diria Girard que “a contaminação é um perigo terrível ao qual. O sangue versado da vítima é um sangue impuro. mesmo fortuito. servação da vida não é tanto o desrespeito dos direitos humanos. cuidar do lixo ou favorecer a dignidade da vida e da morte humanas. O sangue da vítima do ato criminoso desencadeia a violência. René Girard O grande desafio para a preO sacrifício tem um caráter preventivo. vista como uma doença. E talvez o grande escândalo no Ocidente seja realmente colocar em xeque a liberdade do humano. Cuidar é já acolher nas entranhas: eis a tradução do termo misericórdia. E esta situação aponta para uma nova definição de liberdade: prevenção do momento da animalidade ou da irracionalidade.com. Ao tomar sobre si a responsabilidade por tudo e por todos. A Bioética é uma postura. enquanto que o sangue da vítima sacrifical pode apaziguar este desejo que brota da violência no interior das sociedades. um ato “criminoso”. o sacrifício tem um caráter preventivo. Por conseguinte. e todos os dilemas que se apresentam. Mesmo que o sacrifício se mostre um pharmakon pouco possante para extirpar toda violência da existência humana. A liberdade vista desta forma é muito mais do que o Princípio da Autonomia. Somos responsáveis por tudo e por todos. isto é.Viver a ética é preservar o que se encontra por um fio – Bios. pois clama por vingança. O sacrifício protege a comunidade de sua própria violência.

na maioria das vezes. as empresas brasileiras acabaram por associar responsabilidade social à ação social. não é provável que a resposta mais criativa seja alguma ação específica. Muitas empresas já se mobilizaram para a questão e estruturaram projetos voltados para uma gestão socialmente responsável.A GESTÃO PARA A Por TARCILA REIS URSINI e GIULIANA ORTEGA BRUNO RESPONSABILIDADE SOCIAL E O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL “É comum e compreensível o empresário indagar: o que devo fazer? Pela própria natureza da situação. Em muitos casos. não expressam um compromisso efetivo para o desenvolvimento sustentável. ações pontuais e desconectadas da missão. ou a adoção de uma nova forma de ver a situação e fazer escolhas em outras bases” (William Harman e John Hormann. mas talvez um posicionamento diferente. O Trabalho Criativo: O Papel Construtivo dos Negócios numa Sociedade em Transformação). representam. seja pela via do investimento social privado. Essas iniciativas. A definição mais comumente aceita é a criada em 1987. investindo na relação ética. seja pela via do estímulo ao voluntariado. Alunos da Apae-Cotia trabalham com aparas de madeira doadas pela fábrica de armários Ornare. (São Paulo . quando tratado de maneira isolada. conseqüentemente. 16. na Comissão Brundtland. Esse viés de contribuição. que determina que o desenvolvimento sustentável é aquele que FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 31 .SP. planejamento estratégico e posicionamento da empresa e. Há uma crescente preocupação por parte das empresas brasileiras em compreender seu conceito e dimensões e incorporá-los à sua realidade. embora relevante. Foto de Fernando Moraes/Folha Imagem) A questão da responsabilidade social tem sido tema recorrente no mundo dos negócios. visão. apesar de apresentarem resultados positivos. extremamente importante para a sociedade: a gestão dos impactos ambientais.12. coloca o foco da ação fora da empresa e não tem alcance para influenciar a comunidade empresarial a um outro tipo de contribuição. econômicos e sociais provocados por decisões estratégicas.2003. que podemos chamar de sustentabilidade empresarial. práticas de negócio e processos operacionais. é necessário que se conheça previamente o conceito de desenvolvimento sustentável. transparente e de qualidade com todos os seus públicos de relacionamento. Para que se compreenda esta abordagem mais ampla.

que a empresa cresça.clientes. mas não encontra mecanismos para fazer com que seu público interno assimile este conceito e mude sua postura.meio ambiente. econômicos e sociais e. preservando recursos ambientais e culturais para as gerações futuras. produtos e. Em outras palavras. na realidade.“satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”.conforme expresso na definição do Instituto Ethos: “Responsabilidade social empresarial é a forma de gestão que se define pela relação ética e transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona e pelo estabelecimento de metas empresariais compatíveis com o desenvolvimento sustentável da sociedade. a lógica de mercado. 32 MAR/ABR/MAI' 2005 .um meio ambiente saudável e uma sociedade estável". as empresas automobilísticas. SP.Trata-se do conceito do Tripple Bottom Line. O compromisso do público interno traduz a qualidade da inserção do tema na cultura organizacional. O conceito de responsabilidade social empresarial traz. impede uma reflexão maior sobre a função social de cada negócio. mas precisa ser ratificada pelo público interno que reconstrói um contexto organizacional mais inclusivo. Em última análise. respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades sociais”. a alta direção está comprometida com a sustentabilidade empresarial. Cada negócio encontraria sua verdadeira função social. que pressiona pela minimização de custos e maximização de resultados no curto prazo.09. na Vila Prudente (zona leste de SP). em um mundo em que as relações de poder e consumo devem ser repensadas. o ideal seria que as empresas de medicamentos fossem.fornecedores. (São Paulo. Já a sustentabilidade empresarial. É por conta disso que a sustentabilidade e a responsabilidade social empresarial não pode ser atribuída apenas em nível institucional. A equipe conta com detentos em regime semi-aberto. comunidade. mas também no resultado ambiental e social adicionado. nos processos. empresas de transporte e mobilidade. Há algumas iniciativas que podem ajudar a corporação a caminhar rumo a esta mudança. Por outras vezes. que determina que a empresa deve gerir seus resultados. espera-se cada vez mais que as organizações sejam capazes de reconhecer seus impactos ambientais.A educação corporativa e os sistemas de gestão têm um papel essencial nisto. Dito de outra maneira. seja rentável e gere resultados econômicos.2004. Esse processo de educação para a sustentabilidade é fundamental para que se compreenda o contexto e a necessidade de mudança. a inserção da sustentabilidade e responsabilidade social às práticas diárias de gestão ainda representa um grande desafio para grande parte da comunidade empresarial brasileira. Embora já haja diversos exemplos de práticas de gestão socialmente responsável. construam relacionamentos de valor com os seus diferentes públicos de interesse. convidando seus públicos de interesse a refletirem sobre Nove funcionários da pequena empresa de galvanização Pro-gal. consiste em "assegurar o sucesso do negócio a longo prazo e ao mesmo tempo contribuir para o desenvolvimento econômico e social da comunidade. os chamados stakeholders – público interno. Em muitos casos. uma organização não consegue ratificar a sua identidade sem que seu público interno – seus colaboradores mais diretos – o faça em suas relações cotidianas. conseqüentemente. segundo o Instituto Ethos . e assim sucessivamente. nos modelos de negócio.acionistas. Foto: Fernando Moraes/Folha Imagem) sua atuação em relação a essas questões.entre outros. em última análise. a partir desse pano de fundo. A associação desses conceitos à gestão dos negócios deve necessariamente expressar o compromisso efetivo de todos os escalões da empresa. As empresas podem. mas também contribua para o desenvolvimento da sociedade e para a preservação do planeta. empresas de saúde. a questão da relação da empresa com seus diversos públicos de interesse. focando não só no resultado econômico adicionado. 22. ainda. egressos e funcionários sem antecedentes criminais. então. Essa nova visão pressupõe um processo de profunda mudança na cultura organizacional e. O conceito de sustentabilidade empresarial pressupõe. de forma permanente e estruturada. provocar momentos de formação sobre o tema da responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. por exemplo.governo e sociedade.

org. Uma empresa ambientalmente responsável tem potencial de redução.criando uma visão compartilhada do negócio. Para que a mudança na organização seja efetiva. 16. Com base nesse diagnóstico. Para que o processo se estruture de maneira sólida. 17. Foto de Luiz Carlos Murauskas/Folha Imagem. A idéia central da iniciativa é construir.braço educacional e de pesquisa do Instituto Ethos. de forma a potencializar sua atuação para a sustentabilidade. uma gestão socialmente responsável pode agregar valor à marca. a empresa melhoraria outros processos. sejam elas de comunicação. Digital) vai além do produto tangível. A estruturação da empresa para essa mudança exige esforços de toda a corporação. de longo prazo. GIULIANA ORTEGA BRUNO giuliana@uniethos.br Gerente de Pesquisa do Uniethos . sustentável. de desenvolvimento de novos produtos ou de parcerias com organizações da sociedade civil. com o uso de alternativas inteligentes de consumo. torna-se cada vez mais evidente que esses esforços resultam em recompensas para a organização. uma rede de relações capaz de agregar um valor diferenciado Outro passo importante seria a realização de um diagnóstico abrangente sobre as oportunidades e ameaças para uma gestão sustentável.2003. educação. há possibilidade de geração de parcerias duradouras. TARCILA REIS URSINI tarcila@uniethos. Trata-se de construir uma gestão que envolva os diferentes níveis hierárquicos da organização com o comprometimento de minimizar causas e impactos de questões que afligem a sociedade contemporânea (no caso brasileiro – geração de empregos. cresce a percepção de que a incorporação dos conceitos de à empresa e a seus diversos públicos. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 33 . a empresa implementaria medidas corretivas para processos que estivessem indo contra a sustentabilidade empresarial. tornando-os parceiros neste desafio.12. Para o sucesso dessa empreitada. mas de um jeito diferente. pela PUC/SP. o que impacta significativamente na eco-eficiência e suscita ambientes participativos e mais criativos.SP. o processo deverá estar totalmente integrado aos processos já existentes e não correr no paralelo. melhoria na distribuição de renda. os stakeholders seriam envolvidos ao longo de todo o processo.Com relação ao público interno – a grande vantagem competitiva das empresas –. Além disso. inserindo este novo olhar em cada estratégia e cada ação. ao mesmo tempo em que considera questões relevantes para a sociedade contemporânea. que trabalha em uma indústria de próteses dentárias que prioriza a contratação de portadores de necessidades especiais e jovens em busca do primeiro emprego. {São Paulo . Entre os dirigentes organizacionais. pela Universidade de Londres e graduada em Economia. contribuindo para a formulação e o controle de políticas públicas. O diagnóstico das oportunidades e ameaças em sustentabilidade empresarial deve alimentar o diagnóstico de planejamento estratégico da empresa e as ações e medidas a serem implementadas devem ser planejadas simultaneamente às ações designadas nesse planejamento estratégico. reutilização e reciclagem de materiais. Com relação à cadeia de fornecimento.ele deve estar integrado aos rituais de planejamento da empresa. associando a ela valores positivos. de produção.responsabilidade social nas relações com os diversos públicos de interesse pode implicar melhorias no desempenho empresarial. gradualmente. gerando relacionamentos mais duradouros com consumidores e impactando em imagem e vendas. menores índices de turnover e atração de novos talentos. com mestrado em Desenvolvimento. integrando grupos de trabalho com diversos outros atores sociais e contribuindo de forma complementar a partir do conjunto de competências corporativas disponíveis. dentre outras). que Angélica. erradicação do trabalho infantil. Por outro lado.org. graduada em Administração de Empresas pela FEA/USP. pela FEA/USP e em Direito.br Coordenadora de Pesquisa do Uniethos. A mudança nada mais é que fazer tudo aquilo que já se faz. pode-se observar um maior nível motivacional. porém. 17h32.

trazem grandes incertezas sobre a capacidade das tecnologias atualmente em uso para assegurar a saúde da população e a qualidade do meio ambiente. são criados alguns paradigmas infundados sobre a viabilidade de aplicação desta tecnologia. incluindo a microfiltração. 23.07. principalmente no que se refere à qualidade de água para abastecimento e tratamento de efluentes. JOSÉ CARLOS MIERZWA Os atuais problemas vivenciados nas grandes regiões metropolitanas do Brasil. osmose reversa e troca iônica. o que é conseqüência da baixa demanda. SP. em razão das membranas utilizadas nesses processos ainda não serem fabricadas no Brasil. que fica no Alto da Boa Vista.Estação de tratamanto de água. 34 JUN/JUL/AGO' 2005 . Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento são os processos de separação por membranas. da Sabesp. ultrafiltração.2004. Foto Marlene Bergamo/Folha Imagem) PERSPECTIVAS TECNOLÓGICAS PARA TRATAMENTO DE ÁGUA E EFLUENTES PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Por DR. nanofiltração. (São Paulo. Contudo.

atualmente. 1998). conseqüentemente. podemos considerar a influência dos avanços obtidos com o desenvolvimento tecnológico e industrial sobre a composição dos efluentes líquidos lançados no meio ambiente e. quando as necessidades básicas relacionadas à saúde e ao bemestar da população e a qualidade do ambiente no qual esta população está inserida são consideradas prioridades secundárias. como é o caso dos Estados Unidos. e que. Duas condições básicas podem justificar esta afirmativa. Por outro lado. PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Os processos de separação por membranas. seja de origem doméstica ou industrial. atividade química e diferença de potencial elétrico Força motriz para promover a separação Pressão hidráulica FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 35 . não atendem às necessidades de regiões específicas. CARACTERÍSTICA Modo de operação Fluxo da corrente a ser processada Capacidade de separação FILTRAÇÃO Intermitente Perpendicular ao meio filtrante Sólidos em suspensão PROCESSOS DE SEPARAÇÃO POR MEMBRANAS Contínuo Tangencial à membrana Sólidos em suspensão. envolvem a utilização de membranas porosas e semipermeáveis para promover a separação dos contaminantes de uma fase líquida ou gasosa. Um primeiro aspecto a ser considerado diz respeito à quantidade de substâncias que. Isso resulta principalmente da associação de dois fatores: baixa competitividade entre os fornecedores de equipamento e demanda reduzida. Algumas características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração são apresentadas no Quadro 1. sólidos dissolvidos orgânicos e inorgânicos Pressão hidráulica. na maioria dos casos. Essas substâncias são utilizadas na formulação de uma ampla gama de produtos utilizados no nosso dia-a-dia. bem como para a disposição dos resíduos gerados durante o tratamento.Os avanços tecnológico e industrial vivenciados nas últimas décadas propiciaram uma grande melhoria na qualidade de vida dos seres humanos. Essa condição leva a uma reflexão acerca da condução de novas pesquisas sobre o desenvolvimento e a aplicação dos processos de separação por membranas para tratamento de água e efluentes no Brasil. possivelmente. que no Brasil. o que se observa é que os custos de sistemas de tratamento que utilizam membranas são competitivos se comparados com os custos das tecnologias convencionais de tratamento. Quadro 1 – Características que distinguem os processos de separação por membranas da filtração. podem estar presentes em um efluente líquido. há o risco dos avanços tecnológico e industrial apresentarem um efeito contrário àquele que se poderia prever. A segunda condição está diretamente relacionada à área necessária para a implantação dos sistemas convencionais de tratamento. das quais mais de oito milhões estão disponíveis no mercado (CAS. muitas vezes designados de forma incorreta como processos de filtração. potencialmente. A primeira condição está relacionada às incertezas envolvidas na eficiência dos sistemas de tratamento disponíveis para a remoção das várias substâncias potencialmente presentes na água ou efluentes na atualidade. sobre a qualidade dos nossos mananciais de água. Em países onde a tecnologia de separação por membranas está amplamente difundida. foram desenvolvidas no início do século XX. 2005). como é o caso das grandes regiões metropolitanas. Dentre os mitos criados sobre os processos de separação por membranas podese destacar a alegação de que este é um processo de custo muito elevado. o que implica a ausência de critérios para a formulação de preços no mercado nacional. De acordo com dados do Serviço de Compêndio de Substâncias Químicas (Chemical Abstract Service). cujo desenvolvimento tecnológico teve uma evolução acelerada a partir do fim da década de 1950 (CHERYAN. O segundo aspecto a ser considerado diz respeito às tecnologias amplamente utilizadas para o tratamento de eflu- entes e de água para o abastecimento humano. o que significa que apresentam grande potencial para atingir o meio ambiente.com algumas inovações ocorridas ao longo do tempo. Esse fato é inquestionável quando se avalia a imensa quantidade de bens e produtos desenvolvidos para facilitar as nossas atividades e possibilitar a expansão da nossa expectativa de vida. Como exemplo. o número de substâncias químicas orgânicas e inorgânicas com registro neste órgão supera a marca de 25 milhões. Uma alternativa aos sistemas convencionais de tratamento para regiões que apresentam condições desfavoráveis para a sua aplicação são os processos de separação por membranas.

• nanofiltração.80 0. resulta na ausência de critérios na formulação de preço dos equipamentos comercializados.ultrafiltração. CHERYAN.membranas de osmose reversa são indicadas apenas para a separação de espécies dissolvidas.80 1.00 20.00 30. associada à baixa procura por sistemas de separação por membranas. Sais dissolvidos Lactose Proteínas Bactérias e gorduras Alimentação Membrana Permeado Concentrado Analisando-se os dados apresentados na Figura 2. na Figura 2 são apresentados dados comparativos sobre os custos de tratamento de água nos Estados Unidos utilizando-se tecnologias diversas (US Department of Interior. 2003): • microfiltração.1 0.00 CAPACIDADE (L/s) 35. Pressão (ar) Osmose Reversa 15 -150 Embora os processos de separação por membranas sejam amplamente difundidos e utilizados em muitos países.40 1 -10 0.001 . Os valores apresentados na figura foram atualizados para o mês de agosto de 2004.60 CUSTO (US$/M3) .o que se deve basicamente à baixa demanda por este tipo de produto.20 1.40 1. Em primeiro lugar. devendo-se ressaltar que a eficiência e a durabilidade das membranas dependem da utilização correta da membrana para a aplicação a que esta se destina. no Brasil eles ainda são pouco conhecidos. Isso..001 Nanofiltração 5 -35 < 0.é resultado da combinação de dois fatores que estão intimamente relacionados.5 Figura 2 . Operacionalmente os processos de separação por membranas são bastante simples. das propriedades físico-químicas da corrente que será submetida ao tratamento e das condições de operação do sistema. o que resulta no estabelecimento de paradigmas infundados sobre a viabilidade de utilização dos mesmos.00 40.00 50. • ultrafiltração. o seu campo de aplicação fica restrito às correntes que apresentam espécies iônicas em solução.1 . se comparados com as opções atualmente utilizadas para Figura 1 . A capacidade de separação de contaminantes nos processos de separação por membranas depende das características das membranas. uma vez que isso gera uma maior competição entre os fornecedores.00 1. Como conseqüência.00 25.por sua vez. resultando em uma política de preços favorável à disseminação da tecnologia. 1996. 1998 e MULDER.Representação da capacidade dos processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. Outra distinção entre o processo de eletrodiálise e os demais é que na eletrodiálise os contaminantes é que migram através das membranas. 2001).001 Ultrafiltração 0.0. Na Figura 1 está esquematizada a eficiência de alguns processos de separação por membranas em função da pressão de operação e características das membranas. Um exemplo de paradigma associado aos processos de separação por membranas é o seu elevado custo em comparação com as tecnologias disponíveis atualmente. utilizando-se tecnologias diversas. enquanto o processo de eletrodiálise utiliza um campo elétrico.00 Microfiltração Água 1 ≤ 20 0.nanofiltração e osmose reversa utilizam a pressão hidráulica como força motriz para promover a separação dos contaminantes presentes na água. verificase que os processos de separação por membranas.sendo que a presença de material em suspensão na corrente de alimentação do sistema pode resultar na perda da membrana. A baixa competitividade no mercado interno.Os processos de microfiltração. Essa situação não é observada em mercados que apresentam demanda elevada. Como exemplo.Por exemplo. 36 JUN/JUL/AGO' 2005 .00 45. sendo que a presença de material particulado e compostos orgânicos pode resultar na perda da eficiência de separação ou degradação da membrana. • eletrodiálise e sua variante eletrodiálise reversa. 2.60 Os processos de separação por membranas que podem ser utilizados para o tratamento de água e efluentes são divididos em cinco categorias distintas (AWWA. • osmose reversa.00 0. os equipamentos disponíveis no mercado nacional são trazidos por empresas que representam fabricantes internacionais. o Brasil não possui tecnologia para fabricação de membranas em escala.20 10.00 15. Em relação ao processo de eletrodiálise.Comparativo do custo de tratamento de água nos Estados Unidos. Diâmetro do poro (mm) < 0.

a baixa demanda por este tipo de tecnologia e a falta de capacidade para a produção de membranas internamente conduzem a uma completa ausência de critérios para a formulação de preços dos sistemas de separação por membranas importados. DR.Wiesner. The latest CAS registry number and substance count.br Professor do Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Epusp e Coordenador de Projetos do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra) Técnico trabalha no laboratório da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). os processos de separação por membranas podem contribuir para a redução dos problemas que estão se estabelecendo. JOSÉ CARLOS MIERZWA mierzwa@usp.Water treatment membrane process.American Water Works Association Research Foundation. sem a devida preocupação com os aspectos de saúde pública e meio ambiente. CAS (2005). Conclusões Uma avaliação dos problemas relacionados à evolução tecnológica e industrial. Peter E. Reprinted. Department of Interior (2001). Basic Principles of Membrane Technology.S. Second Edition. U. 2003. 564 p. CRC Press.Total plant costs for contaminant fact sheets.) FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 37 .2004. onde tem sido estudada a utilização de sistemas combinados de tratamento convencional. Kluwer Academic Publishers.03. acessado em 02/03/2005. Water Research Comission of South Africa. Second edition. Technical Service Center – Water treatment engineering and Research Group. Lyonnaise des Eaux. Editorial Group Joël Mallevialle. o custo de aquisição do terreno em áreas altamente valorizadas. Dentre as opções existentes. que realiza análises de água.pl.org/cgi-bin/regreport. Este panorama estabelece condições favoráveis ao desenvolvimento de pesquisas e iniciativas para a produção de membranas no Brasil para viabilizar técnica e economicamente a sua aplicação. Odendaal and Mark R. Bureau of Reclamation. (São Paulo. REFERÊNCIAS AWWA (1996). Avaliando-se as condições estabelecidas em mercados competitivos.cas. Foto de Ciete Silvério/Folha Imagem. M. MULDER. Chemical Abstract Service. podem vir a se tornar competitivos. M (1998).tratamento de água em regiões altamente urbanizadas. pode-se constatar que os processos de separação por membranas podem ser considerados uma opção economicamente viável. permite concluir que é necessária uma reavaliação das tecnologias de tratamento de água e efluentes amplamente utilizadas em grandes regiões urbanas. resultando em um panorama desfavorável à sua aplicação. No entanto. McGraw-Hill. D8230. CHERYAN. Ultrafiltration and microfiltration handbook. 31. por exemplo. SP. http://www. isso sem levar em consideração os demais custos associados à implantação dos sistemas como. carvão ativado e oxidação com ozônio.

Fortalecimento dos papéis dos grupos principais (seção 3) e Meios de implementação (seção 4).Funcionário na linha de produção da cervejaria AMBEV em Jacareí (SP). Digital) PRODUÇÃO MAIS LIMPA GARANTE SUSTENTABILIDADE Por MARIO HIROSE Durante a década de 1970. realizada no Rio de Janeiro em 1992 (ECO-92).2002. SP.dos impactos ambientais por elas causados. as sociedades industriais passaram por sérias transformações. advindas basicamente da tomada de consciência. 18h. (Jacareí. permeando todos os temas em dimensões sociais e econômicas 38 JUN/JUL/AGO' 2005 (seção 1). Foto de Juca Varella/Folha Imagem.03. 04. . por parte dos governos e da sociedade civil. Conservação e manejo dos recursos para o desenvolvimento (seção 2). Este programa de ação internacional. O documento Agenda 21 Global foi um dos mais importantes produzidos na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento e o Meio Ambiente. eficiência econômica e justiça social. busca implementar padrões de desenvolvimento que conciliem proteção ambiental. Seus 40 capítulos e quatro seções desenvolvem e fortalecem conceitos tais como o de desenvolvimento sustentável. que está sendo trabalhado em mais uma centena de países.

As práticas de Produção Mais Limpa e Prevenção à Poluição são importantes para todo tipo de indústria. mostram primeiramente que a qualidade do produto não é afetada pela introdução das práticas de Produção Mais Limpa. por exemplo. de produto e de práticas de housekeeping. como o têxtil. que são a remediação. começou-se a trabalhar questões de desenvolvimento sustentável. resíduos e transferência de tecnologia. Dessa preocupação com a qualidade de vida e a sobrevivência do planeta. em seguida. entre outros. em 1998 a Mesa Redonda das Américas de Produção mais Limpa. O item 4. Compreensivelmente. industrializados ou não. Desde a Conferência de Estocolmo de 1972 (Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente Humano). se contabilizadas. em vez de trabalhar com tratamento de resíduos e disposição final dos mesmos. e.que se dedica à discussão e incentiva a implementação de modelos de gestão ambiental com ênfase na redução na fonte.que a prevenção à poluição está freqüentemente relacionada com ganhos e raramente com maiores gastos. para incentivar as práticas de prevenção à poluição. em diversos tipos de empresa. vem a consciência de que é melhor prevenir do que remediar. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 39 . Dentre esses sistemas. ao contrário dos modelos denominados “fim-de-tubo”. a farmacêutica. os agentes industriais e comerciais rapidamente perceberam que a melhor maneira de reduzir a poluição é fazendo mudanças diretamente nas fontes poluidoras. Ao longo desses anos. Entendemos que na gestão empresarial são encontrados vários sistemas. Muitas vezes uma simples mudança de layout ou uma melhor organização de um almoxarifado leva a economias que.leva a maiores gastos do que instalar um procedimento de reduzi-los na fonte. organizada pelo Centro Canadense de Produção Mais Limpa (C2P2). Na década de 1990. a gestão de resíduos. o metalúrgico. em 1996 a Mesa Redonda de Produção Mais Limpa da Ásia e do Pacífico (APRCP). a química. a gestão ambiental é uma das que mais fornecem vantagem competitiva em relação à concorrência. uma ameaça social. após eles terem sido produzidos. são formados: em 1994. pois seus efeitos se fazem sentir diretamente na relação da empresa com seus clientes e fornecedores. Assim.em diversos países. desde 1997 a CETESB (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) tem desenvolvido projetos pilotos demonstrativos em indústrias de diversos ramos. por exemplo. como o de gestão do pessoal. há empresas que não contabilizam de modo permanente a economia de energia realizada em troca de lâmpadas mais eficientes. mas nem sempre estas são contabilizadas corretamente. bem como ao uso eficiente destes recursos.sanitária e econômica para todos os países. o controle e a disposição final dos resíduos. o metalmecânico. toda empresa tenta realizar economias. A reciclagem interna. que recebem o nome de “Produção Mais Limpa”.outros grupos se formam. organização sem fins lucrativos.É neste panorama que encontramos presentes as ações de prevenção à poluição.em especial nos que abordam energia. Todos são muito importantes e desempenham seu papel específico na eficiência da empresa. desenvolvendo ferramentas educacionais e de capacitação em matéria de produção mais limpa e realizando projetos piloto demonstrativos em diferentes ramos industriais com sucesso. em especial para as médias e pequenas empresas em fase de consolidação de seu sistema de gestão empresarial. mostram a eficácia da prevenção. Existem Centros para Produção mais Limpa em dezenas de países. de gestão da produção. em 2000 a Mesa Redonda para Prevenção da Poluição no México. Em 1985. dentro do próprio processo produtivo. No Estado de São Paulo. As práticas de Produção Mais Limpa podem envolver uma ou mais das seguintes mudanças: de processo industrial. e em 2001 a Mesa Redonda Paulista de Produção Mais Limpa.Também nem todos percebem que neste caso estão atuando na preservação dos próprios recursos naturais.estimulando as ações de prevenção à poluição nos setores industriais e de serviços. Pesquisas realizadas mundo afora. Por exemplo. de gestão da informação.em 1997 a Mesa Redonda Canadense de Prevenção à Poluição (CPPR). etc.National Pollution Prevention Roundtable).com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento destes recursos e de reduzir a poluição”. A questão da mudança dos padrões de consumo é tratada em diversos pontos da Agenda 21. poluição esta que se configura como. é mais uma alternativa a ser considerada na implantação de práticas de Produção Mais Limpa. quando foi produzido o documento “Nosso Futuro Comum”. Evidentemente. a Mesa Européia de Produção Mais Limpa (ERCP). transportes. de matérias-primas. Uma economia que utiliza matéria-prima mais pura ou de melhor qualidade leva a uma redução significativa na produção de subprodutos indesejáveis.5 desta Agenda destaca:“Especial atenção deve ser dedicada à demanda de recursos naturais gerada pelo consumo insustentável. foi criada nos Estados Unidos a Mesa Redonda Nacional de Prevenção à Poluição (NPPR . obtendo novos subprodutos ou aumentando a quantidade de produto manufaturado.

13. trazendo benefícios indiretos de difícil mensuração a curto prazo.06. sua influência e sua capilaridade no interior. saúde e segurança do trabalhador. em Santo Antônio de Posse (SP). em geral. é rápido. Observamos também que essa definição está totalmente alinhada com os quesitos das normas de Gestão Ambiental. estará se transformando em uma empresa ecoeficiente. ou seja. O CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. calculando seu retorno financeiro que. além de reduzir os custos envolvidos no tratamento de resíduos.2001. Foto: Marcos Peron/Folha Imagem) A implementação de práticas de Produção Mais Limpa otimiza o uso de insumos disponíveis e.com Diretor do Departamento de Meio Ambiente – DMA CIESP – Centro das Indústrias do Estado de São Paulo . fazem a empresa operar de forma ambientalmente segura e responsável. diminuindo a toxicidade dos materiais envolvidos. prêmios pagos às seguradoras. (Santo Antônio de Posse. 4 Diretorias Distritais e 2 Diretorias Municipais. no período de 12 a 14 de setembro de 2005. seus instrumentos de divulgação. por meio de sua rede formada por 35 Diretorias Regionais. ou ainda usando de modo mais eficiente recursos como água e energia. Em vez de lutar contra os sintomas da poluição. na própria origem da geração de resíduos. imagem da empresa. De todo o exposto acima.ela estará dando o exemplo de como melhorar a relação com as partes interessadas e mostrando à comunidade seu envolvimento com a questão ambiental. a empresa irá mudar as condições na fonte. A CIESP. De acordo com o manual de implementação de um programa de prevenção à poluição da CETESB. SP. Os custos de introdução de um programa de prevenção àápoluição acabam sendo financiados pelas próprias economias realizadas no processo. produtos e serviços. visando 40 JUN/JUL/AGO' 2005 MARIO HIROSE mariohirose@cragea. pois estas colocam em destaque o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção à poluição. utilizando toda a sua estrutura. introduzindo matérias-primas mais puras. posicionando-se como parceiro do PNUMA . custos indiretos e outros relacionados ao gerenciamento da empresa como um todo. visando minimizar os riscos aos seres humanos e ao meio ambiente”. da água e do solo e reduzir a geração de resíduos na fonte. estes muitas vezes problemáticos. fomentará a implementação da Produção Mais Limpa no Estado de São Paulo.reduzir o uso de recursos naturais. vemos como é pertinente às preocupações empresariais a definição de Produção Mais Limpa que o Programa Ambiental das Nações Unidas (UNEP) colocou há mais de dez anos:“é a melhoria contínua dos processos industriais. assinou a Declaração Internacional de Produção Mais Limpa na III Conferência Paulista de P+L. uma empresa que muda as condições de seu processo atuando diretamente na fonte. É neste momento que queremos demonstrar como a Produção Mais Limpa se alinha com os preceitos do desenvolvimento sustentável.“investimentos em prevenção à poluição podem afetar os custos relacionados ao atendimento da legislação ambiental. O mais interessante de tudo isso. Além de reduzir seus riscos. prevenir na fonte a poluição do ar. para a empresa. é que ela estará efetivamente realizando economias significativas. Técnicos da Cetesb e da Promotoria de Meio Ambiente de Jaguariúna observam o aterro de detritos industriais Mantovani. através do seu presidente Cláudio Vaz. aumentando o bem-estar da comunidade e preservando recursos naturais para as próximas gerações. que prega a manutenção dos recursos e insumos disponíveis para as futuras gerações.Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. A abordagem preventiva da gestão ambiental pressupõe o melhor gerenciamento ambiental por um processo tecnologicamente mais limpo e eficiente. mas significativos à empresa como um todo a médio e longo prazos”. Assim.

Transportes e Indústria.com. Atualização e Capacitação • Prestação de Serviços nas áreas da Educação. desenvolve e implanta soluções específicas para cada caso. Meio Ambiente. entre outras.br Rua Três Rios. Saúde.Especialização.Bom Retiro . Vestibulinhos e outros • Apoios a Eventos e Publicações fundatec@terra.Vestibular. entre outras • Concursos . 131 .São Paulo . na vanguarda do conhecimento técnico e tecnológico.cj.FAT • FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA Atendimento diferenciado de cada projeto de assessoria. assim.CEP 01123-001 Telefones: (11) 3311-2660 / 3311-2661 . ensino. indústria e meio ambiente.SP . 42 . saúde. A FAT posiciona-se. desenvolvendo projetos sob encomenda. • Cursos . a FAT propõe. A partir do conhecimento e análise dos problemas e das necessidades da organização. estando capacitada para desenvolver estudos e prestar serviços nas mais variadas áreas do conhecimento: educação. pesquisa e treinamento.

IMPACTOS ORGANIZACIONAIS DA ADOÇÃO DE NORMAS ISO 9000 EM EMPRESAS DE EMBALAGENS PET PARA BEBIDAS Por MILENA YUMI RAMOS 42 JUN/JUL/AGO' 2005 Ilustração: Walkiria Barone .

pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz.e forneciam insumos diretos ou indiretos para produtores de bebidas de marcas globais. a partir deles. respectivamente. nomeadamente o elo da cadeia de valor a que a empresa pertence e a nacionalidade da matriz. as mudanças estratégicas. possibilitando à indústria ampliar e intensificar relacionamentos externos. e. englobando as áreas de design.em que a concorrência é pela marca e pela qualidade. dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infra-estrutura institucional de apoio. Ambas as empresas detinham certificado ISO 9000 válido no momento da coleta dos dados. design. duas proposições para investigação foram formuladas: a) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aperfeiçoamento produtivo. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 43 .evidenciando a dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 nas empresas investigadas e alguns dos impactos intra e interorganizacionais mais importantes decorrentes. A investigação dessas questões baseou-se nas hipóteses de Quadros (2002). por outro. lacunas identificadas e iniciativas similares ou complementares adotadas após a certificação. os principais indutores da adoção de tal padrão (motivações e necessidades). nomeadamente a adequação da política de qualidade. P&D e distribuição) pode ser afetada. por um lado. tecem-se recomendações a futuros estudos nesse tema. Mais especificamente. Fabricante de resina PET Certificado ISO 9000 válido Capacidade de produção Nº de empregados Receita líquida de vendas (total) Receita líquida de vendas (exportações) ISO 9001: 2000 200 mil t/ano 424 ~R$ 900 milhões ~20% Fabricante de pré-formas e garrafas PET ISO 9002: 2000 ~1 bilhão de garrafas/ano 455 ~R$ 200 milhões - A análise comparativa dos casos revelou. conforme descrito na seção 2 a seguir. bem como à prática empresarial. de que a difusão de normas de processo em garantia da qualidade poderia contribuir para o aperfeiçoamento organizacional e o fomento à capacitação tecnológica de fornecedores de insumos. Humphrey e Schmitz [2001] e Nadvi e Wältring (2001). em geral. respectivamente relacionados à estrutura de governança da cadeia.desenvolvimento. assim como nos relacionamentos com fornecedores e clientes. O universo sobre o qual recaiu a análise de tais proposições foi o das empresas industriais que pertencem à cadeia de embalagens PET para bebidas instaladas no Brasil. ambos de grande representatividade em termos de volume de produção e de participação relativa no mercado brasileiro (Quadro 1). METODOLOGIA E RESULTADOS O estudo envolveu a análise de dois casos – um produtor de resina e outro de pré-formas/garrafas PET instalados no Brasil. tecnológico e organizacional pode ser afetada. o fabricante de pré-formas/garrafas PET buscou manter a competitividade no mercado brasileiro por meio do alinhamento com padrões internacionais para conquistar a confiança de novos clientes (Gráfico 1). os resultados apresentados na seção anterior são sumarizados e.dependendo da estrutura de governança da cadeia e do contexto socioeconômico e infraestrutura institucional de apoio. dificuldades enfrentadas durante sua implementação. seja em aspectos técnico-produtivos. b) a contribuição da adoção do padrão normativo ISO 9000 para o aprofundamento dos relacionamentos com parceiros diretos da cadeia de valor. gerenciais e operacionais associadas mais importantes. seja em atividades-chave da cadeia (tais como marketing.A mesma seção destaca os principais resultados do estudo. e ao contexto socioeconômico e à infraestrutura institucional de apoio disponível no seu entorno. Na seção 3. respectivamente. a construção de um ambiente e de infra-estrutura compatíveis e a capacitação de recursos humanos em garantia da qualidade como principais indutores da adoção do referido padrão normativo.marketing e distribuição. À luz dessas hipóteses e tendo em vista a atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. diferentes perfis de adoção da ISO 9000: enquanto o fabricante de resina PET revelou a busca por melhorias em aspectos internos da empresa. partes e componentes. até o aprofundamento da colaboração entre empresas para além da área de produção.INTRODUÇÃO Os objetivos deste artigo são caracterizar. Nadvi e Kazmi (2001) indicaram os processos de fornecimento e de pesquisa e desenvolvimento (P&D) como aqueles em que os efeitos da difusão de normas ISO 9000 seriam mais significativos e variados: desde a redução na intensidade de colaboração interorganizacional na área de produção. especialmente no que tange às funções Tecnológica e Qualidade. envolvendo apenas a contratação limitada de fornecimento.pelo elo a que a empresa pertence e pela nacionalidade da matriz.

... por outro lado. percebendo-se semelhanças (quanto aos fatores afetados) e diferenças (quanto à amplitude e intensidade das mudanças percebidas) entre as duas empresas.. 2 .quanto à absorção dos princípios fundamentais da ISO 9000 pelas empresas. Neste ponto. Note-se..via treinamentos técnicos).. a reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa foi apontada como um dos fatores mais importantes afetados pela decisão de adoção das normas ISO 9000 (Gráfico 2). 1 . e programas 44 JUN/JUL/AGO' 2005 F G H Fabricante de resina PET 1 2 3 4 5 6 7 Fabricante de pré-formas/garrafas PET . relataram que. diferenças significativas em termos da dificuldade com os custos envolvidos. pode afetar positivamente atividades que estão fora do seu escopo direto. não revelou qualquer esforço adicional às normas ISO 9000 para gerir a qualidade na empresa. o que pode ter afetado tal percepção. ambas as empresas pesquisadas. bem maior no caso do fabricante de pré-formas/garrafas relativamente ao de resina PET.e o fabricante de pré-formas/garrafas PET. Finalmente. 8 3 de educação para a qualidade. ... estas apresentaram perfis díspares: o fabricante de resina PET.Orientação estratégica B .Ampliação da capacidade de inovação da empresa Com relação às dificuldades percebidas para a obtenção do certificado ISO 9000. de certificação e manutenção do certificado Legenda: (1) motivo mais importante. com diferentes graus de intensidade. por um lado. o padrão normativo ISO 9000 não é capaz de abarcar todas as dimensões da garantia da qualidade. Grau (decrescente) K C D J E I Gráfico 1 – Principais indutores da adoção do padrão normativo ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET DIFICULDADES Mudanças estratégicas requeridas Mudanças organizacionais requeridas Mudanças nas relações sociais dentro da empresa Mudanças operacionais requeridas Capacitação técnica/tecnológica em nível gerencial e operacional Envolvimento da alta administração Mudança nas relações com fornecedores. que o tratamento desses assuntos ultrapassa as fronteiras da norma. .que a adoção do padrão ISO 9000 integrou uma política de qualidade que objetiva a melhoria contínua para a qualidade total.Busca de novos mercados J . por meio da adoção de padrões e práticas complementares em garantia da qualidade (OHSAS 18001: 1999. Tendo em vista essa dinâmica de adoção das normas ISO 9000 pelos fabricantes de resina e pré-formas/garrafas PET pesquisados. a resistência à mudança e o esforço de busca e aprendizagem requeridos constituíram-se em barreiras internas de difícil transposição (Quadro 2). cabe lembrar que a receita líquida de vendas deste último é quase cinco vezes superior ao do primeiro. aqui.Melhora da competitividade H . e assim por diante. cabendo à empresa definir a política de gestão de relacionamentos com clientes. Este resultado era esperado.ainda nesse aspecto. isoladamente. uso de Ferramentas da Qualidade. investigaram-se os impactos internos e externos associados.Pressão de clientes K . Em termos de lacunas identificadas no sistema de garantia da qualidade após a implementação do padrão ISO 9000. bem como a existência de uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa...Aumento da flexibilidade dos processos G . (2) segundo motivo mais importante. Em ambos os casos.. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET apresentaram perfis similares: nos dois casos foi indicada a necessidade de melhorias na gestão das demandas e atendimento das expectativas dos clientes. clientes e concorrentes Custos envolvidos no processo de implantação de sistemas de gestão da qualidade. obtido em 2004.Melhora da imagem da empresa C .Obrigação imposta pelo governo L .A L B 9 6 3 0 Fabricante de pré-forma/garrafa PET Fabricante de resina PET A . Programa 5S.Instrumento para permanecer integrada na cadeia I . em função da reorganização do trabalho e das novas competências exigidas. revelando dispor de um ambiente ainda imaturo no que concerne à garantia da qualidade.Essas empresas demonstraram.Melhoria da qualidade dos produtos F . mostrou. mas integrado a um programa de qualidade ampliado.Agregar valor aos produtos e atividades da empresa E .Assim.Melhora da eficiência dos processos e dos serviços prestados D .

engarrafadores). de longo prazo. desde o nível hierárquico mais elevado até o nível operacional. que a detenção de um certificado ISO 9000 indica que a empresa possui um nível mínimo de capacitação e de confiabilidade para participar de atividades técnicas e tecnológicas desenvolvidas em conjunto com fornecedores e clientes.. mas mantendo a independência dos mantendo a independência dos parceiros parceiros Cooperação formal Contrato Desenvolver novas competências Aperfeiçoar atuais competências da empresa Melhorou Melhorou Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações não significativas Cooperação informal Ampliaram Melhorou Aumentou . mas Estável. com sua implementação e manutenção.uma vez que um dos requisitos da implementação desse padrão normativo é a promoção de um sério comprometimento de toda a empresa. (2) segunda mudança mais importante. Fabricante de pré-forma/garrafa PET Qualificação da mudança Fabricante de resina PET A) NA FUNÇÃO TECNOLÓGICA Opção estratégica Grau de compartilhamento da atividade de inovação tecnológica Portfólio de projetos tecnológicos Modo de oficializar relacionamentos de caráter tecnológico com parceiros Esforços (gastos e recursos humanos) em atividades de inovação tecnológica Nível de capacitação tecnológica Grau de especialização tecnológica Desempenho da empresa. inspeção. Neste aspecto. a exemplo da definição conjunta de especificações do produto e da gestão integrada da qualidade ao longo da cadeia de valor. em relação aos concorrentes B) NA POLÍTICA DE RELACIONAMENTOS Preocupação central em relação aos parceiros Número de fornecedores Número de clientes Tipo de relacionamento Capacidade de cumprir as tarefas Capacidade de cumprir as tarefas que que lhes foram atribuídas lhes foram atribuídas Reduziu Aumentou Aumentou Aumentou Estável.. Aperfeiçoamento de tecnologias dominadas pela empresa Ampliou Alterações significativas . e foi efetivamente confirmado pelas empresas pesquisadas. visando a satisfação plena do cliente final (no caso. controle e análise de contratos e projetos Reformulação dos procedimentos de elaboração e controle de documentos Modificação nas práticas/processos de aquisição.. em sua(s) especialidade(s). e assim por diante. Gráfico 2 – Principais mudanças internas em gestão da qualidade promovidas para a obtenção do certificado ISO 9000 nos casos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET Legenda: (1) mudança mais importante. ensaios e testes Fabricante de resina PET 8 4 5 6 7 1 3 1 6 2 2 3 5 4 1 Também no que concerne à função tecnológica. pode-se ponderar. Mudanças internas decorrentes da adoção do padrão ISO 9000 Reavaliação e alteração de práticas/procedimentos pós-fabricação Reavaliação do papel da qualidade na estratégia de negócios da empresa Revisão e alteração de práticas/procedimentos de controle de produtos não-conformes Reorganização da estrutura e dos processos de administração e sistemas organizacionais Reformulação da política de qualidade Alteração das práticas de planejamento. traduzido na inserção estratégica da qualidade na organização. após a obtenção do certificado ISO 9000 FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 45 . Ampliaram Melhorou Aumentou Melhorou Fabricante de pré-formas/garrafas PET Modo de formalizar o relacionamento Objetivo central do relacionamento Capacidade de gestão dos relacionamentos Gráfico 3 – Principais mudanças na função tecnológica e na política de relacionamentos dos fabricantes de resina e de pré-formas/garrafas PET com fornecedores e clientes. de longo prazo. perfis semelhantes de mudanças percebidas como vinculadas à adoção das normas ISO 9000 foram observados: ambos os fabricantes apontaram para um aumento na especialização e na capacitação tecnológica disponível e para uma maior propensão a cooperar com parceiros da cadeia de valor (Quadro 3)..

Nesse sentido.de modo que passaram a cooperar mais. interpretação e utilização posterior dos resultados. tais como Assistência Técnica. diferentemente deste último. de caráter exploratório.Já quanto ao método utilizado. elo da cadeia de valor. neste artigo. Ainda que não apresente representatividade estatística. da relevância atribuída a aspectos internos quando da decisão de adoção e dos processos de implantação e gestão da ISO 9000. Enquanto o fabricante de resina PET envolve as funções técnicas. geografia de mercados atendidos. design. em aspectos tecnológicos. De fato. com fornecedores e clientes. o que pôde ser inferido tanto a partir das funções organizacionais envolvidas nas atividades cooperativas quanto a partir das questões tratadas nos acordos de cooperação e dos esforços de relacionamento empreendidos. organização.) de empresas e utilização de questionários abertos. utilizando formulário eletrônico do tipo survey para a coleta de dados. etc. Os resultados obtidos a partir de dois estudos de caso indicaram claros impactos positivos da adoção do padrão ISO 9000 sobre aspectos internos da empresa. o fabricante de pré-formas/garrafas PET envolve apenas as funções Qualidade e Comercial. No que se refere às primeiras. Ainda a esse respeito. ou o uso de métodos baseados em análise estatística aplicada a uma amostra grande e representativa da população a ser investigada. que inspiram cuidados na leitura. em algum grau. realizada por meio de estudo de dois casos.além de aspectos técnicos do produto. origem do capital controlador. são complexas e sujeitas à atuação de fatores intervenientes ambientais e setoriais. gestão e. apesar de ser considerado o mais adequado para este estudo. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Faz-se necessário destacar. aqui. Logística. este trabalho contribuiu para o melhor delineamento de futuros estudos sobre o tema. Os casos investigados neste estudo representaram uma parcela considerável.A despeito das similaridades anteriormente apontadas. sobretudo. dos respectivos elos da cadeia de valor de embalagens PET para bebidas no Brasil. 46 JUN/JUL/AGO' 2005 . recomendam-se dois tipos de abordagens: estudos de caso exploratórios similares com um conjunto maior (quatro a dez casos) e mais heterogêneo (em termos de tamanho. é contestado por diversos pesquisadores quanto à sua confiabilidade . Vendas. especialmente na esfera produtiva.mas não sinalizam um efetivo aprofundamento dos laços de cooperação em áreas-chave como P&D. especialmente em aspectos técnico-operacionais. que esses resultados estão condicionados a limitações intrínsecas às variáveis analisadas e aos métodos utilizados. Compras. dependendo. o primeiro. mas também. inclusive uma das atividades-chave da cadeia de valor (Desenvolvimento de Embalagem).) nos acordos de cooperação técnica estabelecidos com parceiros da cadeia de valor. da dinâmica do processo de adoção do padrão normativo ISO 9000 e de alguns dos principais impactos organizacionais decorrentes no âmbito do setor de embalagens PET para bebidas no Brasil. Tratou-se. formação e coordenação de redes de trabalho e cooperação informal (troca de conhecimentos tácitos). por um lado. por outro. foi possível verificar que as proposições assumidas neste estudo confirmaram-se parcialmente. Assim. além de funções comerciais (Suprimentos. operação do sistema da qualidade nas empresas investigadas. Qualidade.trata de questões relativas a ações conjuntas em marketing. marketing e distribuição. Essas mudanças parecem têlas capacitado melhor. e do elo da cadeia de embalagens PET a que as empresas pertencem e da nacionalidade de suas matrizes. embora em menor intensidade. caracterizado por uma pesquisa qualitativa. etc. o fabricante de resina PET demonstrou apresentar uma atividade de cooperação técnica mais intensa com seus parceiros. tanto o fabricante de resina quanto o de pré-formas/garrafas PET conheceram mudanças significativas na estrutura. em termos de volume de produção e participação de mercado.

Proceedings. Em conclusão. & SCHMITZ. 2003. Brighton: University of Sussex. In: Workshop on the impact of global and local Governance on Industrial Upgrading. 156. Institute of Development Studies. Draft for. 2003. Acesso em: 16 jun. Com relação às variáveis intervenientes. em termos de estratégia e políticas.Diretoria da Presidência 47 .ac.observando as características e limitações próprias e do seu entorno. 2001. QUADROS. mas sim do modo como se insere no ambiente organizacional (está integrado a uma política de qualidade ampliada.ac.ids. Acesso em: 16 jun. H. feb.. aumentando a velocidade de reação a mudanças no mercado. [2001].construir um ambiente integrado e propício. infra-estrutura e modo de operação.reduzindo a dependência hierárquica nas operações FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA BIBLIOGRAFIA HUMPHREY. chain governance and the technological upgrading of Brazilian auto-components producers. ao bom aproveitamento da certificação ISO 9000. 2003. Output of the. Global standards and local responses. 2001. Brighton: Institute of Development Studies. Brighton: University of Sussex. Disponível em: <http://www. NADVI. Como foi preliminarmente constatado. may 2002.não se pode afirmar que os impactos organizacionais da adoção das normas ISO 9000 são estritamente positivos ou negativos. Global quality standards. Global standards: implications for local and global governance. K. ou como regras explícitas que disciplinam os sistemas organizacionais e gerenciais sob os quais a empresa funciona. mas também do modo como são entendidas e utilizadas essas normas na empresa: se apenas como regras que exigem excessiva documentação formal dos processos organizacionais. n. como características do setor e da natureza do produto.br Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP).uk/ids/bookshop/wp/wp156. tornando morosa a resposta a mudanças no mercado. No que tange às implicações do estudo para a prática empresarial. Assessora Técnica .. 16 p. MILENA YUMI RAMOS myramos@terra. de modo que a diferenciação em relação aos concorrentes que as empresas buscam ao adotar um padrão normativo como esse aqui abordado não depende exclusivamente dele. In:Workshop on the Impact of Global and Local Governance on Industrial Upgrading. & KAZMI. IDS Working Paper. Acesso em: 02 jun. R. [2001].uk/ids/global/pdfs/khalidsajid.ids.com. Institute of Development Studies. Brighton: University of Sussex. Brighton. K. que conta com outros instrumentos e práticas para a gestão da qualidade? Existe uma cultura para a qualidade disseminada por toda a empresa que favoreça sua implantação e manutenção? Os parceiros da cadeia de valor valorizam adequadamente o certificado de maneira a intensificar e diversificar ações conjuntas?).pdf>.. NADVI.. facilitando o processo de formação de memória organizacional (melhor codificação do conhecimento) e. cultura e recursos humanos. & WÄLTRING. Disponível em: <http://www. 13-17 feb. que: a) não existem variadas “versões” de sistemas de gestão da qualidade construídos com base na ISO 9000.pdf>. 50 p. portanto. Disponível em: <http://www. S. a flexibilidade em relação às mudanças no mercado pretendida pelas empresas que decidem adotar um padrão normativo como o ISO 9000 não depende exclusivamente dele.(menor necessidade de supervisão). b) de forma similar. Brighton. How does insertion in global value chain affect upgrading in industrial clusters? In: Research Project “The Interaction of Local and Global Governance”: Implications for Industrial Upgrading. F. cabe destacar. Institute of Development Studies. 2001. considerando importantes restrições em função de especificidades associadas à organização e seu entorno... recomenda-se analisar fatores reconhecidamente importantes.ac.ids. J.Cabe a cada empresa. existem vários fatores endógenos e exógenos que interferem tanto no processo de adoção quanto nos impactos associados.uk/ids/global/pdfs/JHHSRegStudies25jun02. Brighton.pdf>.. que poderiam fornecer indícios relevantes de semelhanças e diferenças entre grupos distintos de empresas de um mesmo setor e de setores diferentes. 2001.

Como mensurar o quanto os boletins internos. Um dos motivos para isso é que não descobrimos. advindas basicamente da tomada de consciência.E RY UIO A SJ q BNM. quem não tem dúvidas sobre a eficácia da comunicação empresarial? Até quem faz e vive de comunicação empresarial. ferramentas eficazes e confiáveis para medir seus resultados. . o que abre espaço para muitas suposições e poucas certezas. sd f gh jk l . De fato. Pessoalmente.com alguma seriedade.por parte dos governos e da sociedade civil. QW E R YU V XC . ainda.dos impactos ambientais por elas causados. wertyu CV io 'X pa K L. só considero efetivas as ferramentas de comunicação empresarial quando estão a serviço da chamada “atitude comunicativa”. . ' z x c v bn / m.contribuem para a melhoria do ambiente interno e para o fluxo de comunicações que acabam por repercutir 48 JUN/JUL/AGO' 2005 Q W no aumento ou na melhoria da qualidade da produção ou das vendas? Quem tem essa régua? Quanto as ferramentas de comunicação empresarial contribuem para a construção e a valorização da marca? Há muito de subjetivo na comunicação. as sociedades industriais passaram por sérias transformações. seja utilizando qual mídia for.tem dúvidas sobre sua eficácia.' L JK AS IO ATITUDE COMUNICATIVA: OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Por DAVI MACHADO Durante a década de 1970 do século passado.

tido.”.Associados.antes de mais nada. intranet. as ferramentas de comunicação serão produtos vazios de significado. A falta de atitude comunicativa é freqüente entre pessoas –. murais físicos e eletrônicos. põe mais lenha nessa fogueira: “Dá para aprender muito com o que as pessoas dizem. destaca: “ouvir é uma das habilidades mais importantes que um líder pode escolher para desenvolver”.elas vão aos poucos se afastando e não demoram muito para apertar famoso botão “dane-se”(a verdadeira palavra é outra). Tanto para empresas como para pessoas. “a comunicação implica numa reciprocidade que não pode ser rompida”. mas é revelado mais ainda com o que elas não dizem. gastem pequenas fortunas e imaginem que estão se comunicando.”. Ter postura comunicativa significa estar aberto ao diálogo.Não sem razão.que está na lista dos mais vendidos há semanas.autor de um livro sobre liderança que está bombando nas livrarias.fundador e CEO emérito da VISA. nada mais natural que as dificuldades de comunicação pessoal sejam reproduzidas com força nas organizações. internet. videojornal online. rádio jornal on-line. VB OUVIR FAZ PARTE DO NEGÓCIO Se há uma coisa difícil nessa tal de comunicação é aprender a ouvir. Isso exige sacrifício. Para complicar. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 49 . Dialogar não é apenas falar. É necessário que haja troca para que o entendimento seja construído e dele surjam a confiança e o comprometimento. desperdício de tempo e dinheiro. o diálogo muitas vezes é difícil. Ouça com o mesmo cuidado o silêncio e o som. Se pessoas e empresas não têm postura comunicativa. Isso vale para os públicos interno e externo.D. uma doação de nós mesmos para bloquear o mais possível o ruído interno e de fato entrar no mundo de outra pessoa. em Nascimento da Era Caórdica. Como as empresas são basicamente grupos de pessoas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo (?). mesmo que por poucos minutos. colegas de trabalho. para quem “a comunicação verdadeira não parece estar na exclusiva transferência ou transmissão do conhecimento de um sujeito a outro.). etc.recorro a Paulo Freire na conversa. Ilustração: Telma Cavalieri Victorio qwertyuiopasdfgh jkl NM. mas sua co-participação no ato de compreender a significação do significado”. Ao final fica aquela sensação de que esse negócio de comunicação corporativa custa caro e não funciona.e vale para pessoas e organizações. ops!. Daí que muitas pessoas e empresas optem pelo sistema comunicacional de mão única.Dee Hock. melhor dizendo. pais e filhos. Até mesmo o café da manhã com o presidente ou com os diretores fica esvaziado se esse espaço de comunicação for utilizado num único sen- plementa: “o ouvir ativo requer esforço consciente e disciplinado para silenciar toda a conversação interna enquanto ouvimos outro ser humano. consultorchefe da J. Fácil fosse. pois ele também expõe o conflito e isso é algo com que a maioria de nós não sabe lidar muito bem. impressos e eletrônicos. professor e aluno que não se entendem. perdão. despejem informação por todos os canais disponíveis (jornais internos. são marido e mulher. A frase mais comum é sempre “você não entende o que eu digo!”.pois quantas pessoas estão dispostas a realmente participar da vida da empresa se não há canais para que elas possam dizer o pensam? Quando não há ambientes confiáveis onde as pessoas possam ouvir e ser ouvidas com confiança e tranqüilidade. James Hunters .é uma atitude. mas principalmente ouvir. E com- Comunicação. autor do best-seller O monge e o executivo. Antes que alguém me acuse de ficar apenas na literatura estrangeira ou de auto-ajuda. todos faríamos.

de Paulo Roberto Mota. Exposto por Gareth Morgan em Imagens da organização. responda e. comunique-se. explique. Isso também é conhecido como gestão do conhecimento.br Jornalista. Se alguém não concordar com aquilo que foi apresentado por qualquer um dos gerentes. ouça. 119). de forma estratégica. fundador da VISA:“Quando uma organização perde sua visão. Espanha. muito utilizado por várias empresas japonesas e que causa arrepios e urticárias nos executivos ocidentais. são pessoas que sabem ouvir e sentir no varejo e utiE RY U I O AS J q BNM. professor da Fundação Getúlio Vargas. aguça o interesse pela novidade e gera desejo de fazer diferente e melhor. o documento volta a passar um a um novamente. Isso torna o processo de decisão lento. de princípios e de valores. Mesmo nesses casos a comunicação corporativa pode contribuir. as pessoas estabelecerão novas relações e despertarão para novas formas de decidir e agir”. é atitude. mas apenas em 16% das empresas a comunicação é estimulada pela alta direção e planejada de forma integrada com outras áreas. consultor de empresas e especialista em processo de mudanças. (Nascimento da Era Caórdica. Pesquisa de comunicação interna realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial em 2001 mostrou que 37% das empresas que fazem uso de ferramentas de comunicação corporativa consideram a área de comunicação estratégica.por exemplo. pág. DAVI MACHADO davim@uol. Esse negócio de ouvir acontece de várias formas. A leitura livre que faço dessa pesquisa é que apenas 16% dos líderes das empresas que utilizam comunicação empre50 JUN/JUL/AGO' 2005 Q lizam as ferramentas de comunicação organizacional para sd f W gh jk l . no método de trabalho ringi. seu significado e seus valores. já está em processo de decadência e dissolução. para estimular a participação e difundir valores internamente. há convicção de que a maior parte dos erros foi detectada e corrigida e que aquela decisão carregará consigo o comprometimento de todos os envolvidos (grifo meu). Finalizo com um trecho do livro Transformação Organizacional.não demoram em encontrar na comunicação organizacional uma forte aliada para manter vivos e ativos esses conceitos. pergunte. busque informações. É perfeitamente possível ser low-profile e estimular a criação de sistemas comunicacionais de troca e de trabalho em grupo. Assim. seus princípios. ' z x cvb responder e buscar o comprometimento no atacado.“ringi é um processo de tomada de decisões coletivas no qual um documento passa de gerente para gerente antes da aprovação. As organizações que têm consciência disso. pela Universidade de Mondragon. Quando as empresas entendem a importância da atitude comunicativa. . gerente de Comunicação do SEBRAE-SP. De novo me apóio em Dee Hock. Muitas empresas se auto-intitulam low-profile e se dizem avessas à comunicação. Com freqüência por trás disso está uma certa confusão entre comunicação e publicidade.com. a implantação de ferramentas de comunicação organizacional acorre naturalmente. Dê aos colegas de trabalho a oportunidade de conhecer os fatos que afetam a organização – tanto os agradáveis quanto os desagradáveis. especialista em Comunicação Organizacional pela ECA/USP e em Tecnologias da Informação e Comunicação Aplicadas à Educação. tomada de decisão e comprometimento e não é por acaso. Aqui já vamos misturando conceitos como comunicação. seu senso de comunidade. mas quando ela é tomada. O ringi é muito mais um processo de explorar e reafirmar valores do que um processo para definir um rumo”. que de certa forma sintetiza o que aqui se procurou mostrar: “Maior acesso à informação provoca a mente. mesmo que mantenha por algum tempo a aparência externa de sucesso”. De uma forma simples (ainda que correndo todos os riscos de ser simplista). Publicidade é divulgação. Comunicação é troca. sobretudo. wertyu CV io 'X pa K L.sarial têm efetivamente uma atitude comunicativa. Nas organizações saudáveis eles estão sempre presentes e contribuem para a formação do senso de comunidade. de forma integrada e estratégica. Sabendo mais e melhor. participação.

tratamentos de pele. A busca incessante da diferenciação aos olhos do cliente e a fuga da estrutura de competição perfeita provocam uma profusão de marcas. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 51 . máquinas fotográficas. como computadores. liberdade de escolha e competição crescente pela atenção do consumidor.modelos e inovações em praticamente todos os bens e serviços oferecidos em mercados com razoável competição.A ANSIEDADE DO CONSUMIDOR MODERNO Por NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO No mundo das opções de consumo. iogurtes. no mínimo. merchandising. ginástica e ativos financeiros. as empresas competitivas tentam aumentar o ritmo e o grau de inovação dos seus produtos e serviços na tentativa de servir adequadamente determinados grupos de consumidores considerados alvo das suas estratégias de negócios. entre outros. Na esteira dos bens e serviços. queijos. roupas. as empresas investem um elevado volume de recursos em propaganda. pastas de dentes. São conhecidos exemplos desse fenômeno em quase todas as categorias de bens e serviços presentes no mercado de consumo. pães. manter seus clientes. planos de previdência privada. cortes de cabelo. ofertas e sugestões na tentativa de comunicar melhor seu posicionamento e.

Não surpreende.Fabiano Accorsi/Folha Imagem ) máquina pode substituir completamente o contato humano no consumo. office-boy do hotel Caesar Park. O fato de muitos simplesmente ignorarem as novidades e manterem seus perfis de compra. entre eles um Nike que comprou em três prestações. o consumidor tem à disposição um número razoavelmente grande de opções de produtos e serviços para praticamente toda a atividade que resolver executar. máquinas de venda e o auto-serviço com self check-out são alguns exemplos de relativo sucesso com essa característica. a constatação de que outras pessoas estão fazendo escolhas diferentes das suas reforça a desconfiança deem sua capacidade de escolher corretamente. Isso significa que a todo instante o consumidor é levado a escolher produtos e serviços que freqüentemente não tem condições de analisar em todo o seu domínio de modelos. quando em pesquisa recentemente realizada pelo Provar. o consumidor de alta renda diz que luxo é poder comprar por impulso. Há situações em que a Consumo através de crediário: Fabiano Severino da Silva. E a utilização da tecnologia pode representar um elemento de vantagem competitiva nesse caso. O consumidor não está apenas dizendo que luxo é comprar o que der vontade. análise e apresentação de grande volume de dados e informações possibilitados pela tecnologia. A percepção de que a intuição pode ter falhado pode reforçar ainda mais a ansiedade na tomada de decisão de consumo. Essa união homem-tecnologia no ponto-de-venda poderá reduzir o grau de incerteza que assombra o consumidor moderno e colaborar para atenuar a sua ansiedade. marcas. recuperação.As opções não analisadas e a constatação de que outros consumidores compram esses produtos acentuam o sentimento de ansiedade devido à sensação de estar deixando de tomar as decisões mais apropriadas de consumo para sua maior satisfação. A ancoragem nos atos dos outros. num domínio de produtos ofertados muito diferente do atual. Essa liberdade de escolha. Pesquisa e Consultoria. o consumidor em geral tem cada vez menos tempo para analisar as diferentes opções oferecidas pelo mercado. mas não resolve o problema. (São Paulo .com. As ATMs bancárias. ou seja.br Coordenador de Cursos. A intuição pouco ajuda nesse cenário porque a intuição na tomada de decisão está baseada nas experiências pas52 JUN/JUL/AGO' 2005 há a estratégia mais difícil de copiar. portanto. associada à incapacidade de análise da oferta diversificada do varejo atual.sadas. pode atenuar. Provar FIA . Mas Do seu lado. quando der vontade. que consiste emde aliar a tecnologia à excelência do atendimento pessoal no ponto-de-venda. Além do número crescente de opções àa sua escolha. com seus modelos e marcas historicamente determinados. Podem-se utilizar os recursos e a capacidade de armazenagem. tende a provocar uma sensação de ansiedade no consumidor. NUNO MANOEL MARTINS DIAS FOUTO nunom@fia. Uma oportunidade de diferenciação pelo atendimento abre-se nesse cenário de tempo exíguo e de incapacidade de análise das opções oferecidas para consumo. associados à preparação do profissional de vendas para o atendimento ao consumidor com um maior conhecimento dos aspectos cognitivos do seu comportamento. ao lado de seus cinco pares de tênis. e atributos específicos. mas pode estar querendo dizer que luxo é poder decidir por um produto sem ter de se preocupar se sua decisão foi a mais acertada naquele momento. O consumidor ancora suas decisões nas referências do passado e do presente. além de diferenciar-se da concorrência pela qualidade e nível de atendimento que presta aos seus clientes.

Corriam algumas de um lado para outro. de história francesa. SP. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 53 . museu dedicado à arte do século XX. (São Paulo. chamou-me bastante a atenção a maciça presença de crianças nos museus.2005. crianças um pouco maiores. outras atentamente ouviam as explanações da professora.07. 5 anos no máximo – eram apresentados a obras de grande riqueza em cores. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) D’Artagnan e seus amigos. 01. na exposição "Cinético_Digital". grupos de crianças muito pequenas – de 4. orgulhosos. A abundância de vermelhos e azuis e amarelos fazia daquilo elementos próximos de seus sentidos explodindo de curiosidades. no Itaú Cultural. como alguns quadros de Kandinsky e Miró. No Museu Carnavalet. outras ainda mostravam aos amiguinhos armas e mosquetes que certamente foram utilizados por "Reflexão 2". Percebia-se o planejamento pedagógico de mostrar aos pequenos justamente aqueles quadros.A TECNOLOGIA COMO MEIO DE DIFUSÃO DA CULTURA E DA ARTE Por MOACYR GODOY MOREIRA Em recente visita a Paris. em São Paulo (SP).monitorando o primeiro contato dos filhos com o mundo das artes. olhavam abismadas as maquetes dos grandes edifícios franceses em momentos de destaque da rica história recente daquele país. já na faixa dos 10 anos. No Centro Pompidou. de Raquel Kogan. sendo transportados aos variados períodos históricos através dos objetos ali dispostos.Alguns pais acompanhavam a visita.

Se numa pesquisa junto a estudantes do ensino médio fosse perguntado sobre Brueguel ou Rodin. ONGs e institutos. mas ali. É urgente um investimento maciço em educação. tanto em tecnologia quanto em conteúdo. articulados. O Instituto Itaú Cultural.br Médico e escritor. Num país em que o hábito de apreciar objetos artísticos não é a voga. Com o interesse crescente pelo computador. que fazem toda a diferença. ambos publicados pela Ateliê Editorial. a iniciativa adotada pelas escolas de Paris poderia aproximar um pouco o jovem da arte brasileira e internacional. na exposição "Cinético_Digital". principalmente. já dariam uma pequena prévia para uma educação e sensibilização artística a nossos pequenos. de Raquel Kogan. diga-se) estão entre os mais privilegiados do mundo. trazendo jovens a suas sedes pelo fascínio da utilização de equipamentos de alta modernidade e oferecendo shows. a resposta seria o espanto. SP.2005. que marcha já para um avançado estado de auto-destruição. E. Picasso. se não quisermos. em São Paulo (SP). Atualmente cursa pós-graduação em Literatura Brasileira (USP-SP). e seduzindo os internautas a iniciar um caminho artístico e cultural que não seria acessível a eles de outra maneira. Foto de Marlene Bergamo/Folha Imagem) Há outros exemplos. Em contraposição a esforços isolados vêm a público episódios como o das cartilhas de São Bernardo do Campo. cruzei com uma excursão de estudantes italianos. livros repletos de erros e de qualidade pedagógica condenada por especialistas. ainda calcado em elementos humanos e originais. 01. 54 JUN/JUL/AGO' 2005 "Reflexão 2". não é o video-game ou o computador que afastam a juventude de Renoir ou de Villa-Lobos. As unidades do SESC também são de vital importância para uma construção efetiva de um ambiente cultural e tecnológico. peças de teatro e oficinas. com seus acervos permanentes. No Museu Rodin. Museus como o MAC (na USP) e o MAM. autor dos livros Lâmina do tempo e República das bicicletas.em parte. MOACYR GODOY MOREIRA moamoreira@ig. cultos e um pouco mais preparados para o mundo repleto de apelos eletrônicos. por exemplo. aproximá-los das manifestações nacionais e estrangeiras que possam contribuir para a formação de cidadãos mais sensíveis. possibilitando o que se tem chamado de inclusão digital. além de viabilizar e capacitar os jovens para o mercado de trabalho do século XXI. no Itaú Cultural. Uma medida oficial que também criou este espaço antes quase inexistente foram os CEUs. com responsabilidade e seriedade.com. mas também as famílias ao centro dos acontecimentos artístico-culturais.07. dessa condenação sumária. comunidades. Faz parte do dia-a-dia das escolas francesas aproveitar o acervo da cidade em nome do processo educativo. centros de informática e uma proposta de trazer não só os jovens. apresentar-lhes obras e elementos artísticos. acredito que os meios tecnológicos podem servir também como forma de aproximação da arte e da cultura para as faixas etárias em formação. O acervo do MASP e o da Pinacoteca do Estado (instalada num edifício extraordinário. outros tipicamente dispersos. pode. Imagino que a implementação de meios tecnológicos em escolas. tem apresentado uma programação diversificada de espetáculos e atividades culturais conjugando público e artistas com elementos tecnológicos de primeira linha. Cluny. por exemplo. . porém. caso houvesse resposta. somados às mostras temporárias. Marmotan. Entidades privadas e governamentais têm agido com grande eficácia neste terreno. (São Paulo. Na cidade de São Paulo. porém utilizadas amplamente por serem produzidas por uma empresa de propriedade de um membro do alto escalão do governo da cidade. A aproximação com a história poderia ser feita no Museu do Imigrante ou no monumental Museu do Ipiranga. unidades providas de teatro (para apresentações cênicas e sessões de cinema). mas ainda é pouco. ser uma sociedade completamente insustentável. contemplando a história e a arte com bastante naturalidade.Discordo. As inovações tecnológicas vêm sendo acusadas de afastar ainda mais os jovens da cultura e da arte. em 20 anos. adolescentes atentos. Louvre.O mesmo pude notar em outros museus: D’Orsay.

passa a atrair ainda mais a atenção da academia. Em meados da década de 1990. espera-se que políticas sejam revistas e implementadas e que práticas de gestão ganhem lugar de destaque no âmbito das empresas que compõem o setor.Programa de Apoio a Núcleos de Excelência. considerado estratégico para o crescimento do país na década de 1960. SOBRE OS AUTORES ROBERTO SBRAGIA é professor titular da FEA/USP e coordenador científico do PGT/USP SIMONE VASCONCELOS RIBEIRO GALINA é professora doutora do departamento de administração da FEA-RP/USP . Do lado prático. propicie um entendimento da dinâmica da inovação tecnológica no setor e suscite o surgimento de novos estudos e pesquisas. Trata-se dos resultados de pesquisas realizadas no ROBERTO SBRAGIA E SIMONE V. segundo modelo próprio adotado. O livro tem como foco as empresas do setor de telecomunicações. ele começa a ser reestruturado e. sempre se destacou no Brasil.LEITURA RECOMENDADA GESTÃO DA INOVAÇÃO NO SETOR DE LEITURA RECOMENDADA TELECOMUNICAÇÕES O setor de telecomunicações. do lado acadêmico. na forma de projeto temático.nas áreas de gestão da produção e inovação tecnológica. do governo e do meio empresarial. Está organizado em nove capítulos. por meio da privatização dos serviços e da entrada de novos atores. desde os fornecedores de equipamento até os provedores de serviços.00 Venda e Informações 3091-5969 âmbito do Projeto GICEG (Gestão da Inovação para a Competitividade Empresarial Brasileira). R$ 30. V. sendo um dos grandes referenciais para o direcionamento de recursos destinados a fomentar o desenvolFoto: Rdolfo Neto vimento tecnológico. vindo a público com esta publicação. R. e pelo CNPq. no âmbito do PRONEX . Este livro é uma coletânea de estudos sobre a gestão da inovação tecnológica no setor de telecomunicações. 333 páginas.A expectativa. iniciando-se com um panorama do setor.GALINA Publicação PGT/USP. passando pelas políticas públicas atreladas ao comportamento inovador das empresas e culminando em alguns temas ligados à gestão propriamente dita da inovação tecnológica. apoiado pela FAPESP. FUNDAÇÃO DE APOIO À TECNOLOGIA 55 . em suas diversas camadas. é que o estudo.

br 15th International Conference on Management of Technology – IAMOT 2005 Tema: East Meets West – Challenges and Opportunities in the Era of Globalization 22 a 26 de maio de 2006 Beijing. China Informações: d http://www.br/pgtusp/altec VIII ENGEMA Encontro Nacional Sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente 9 a 11 de novembro de 2005 Rio de Janeiro.20012002200320042005 56 JUN/JUL/AGO' 2005 AGENDA Eventos Mundiais em Gestão Tecnológica ALTEC 2005 – XI Seminário da Altec Asociación Latino-Iberoamericana de Gestión Tecnológica 25 a 28 de outubro de 2005 Salvador.iamot.fia.org . Brasil Informações: d http://www.com.br/engema/ 7º Congresso de Tecnologia 7º Simpósio de Iniciação Científica e Tecnológica 4 a 8 de outubro de 2005 São Paulo.com. Brasil Informações: d http://www.fatecsp. Brasil Informações: d http://www.fia.

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