A Comunidade dos Poetas


Por

Eliaxe Mondarck

Primeiro Capitulo

¥ “Eliaquim”
“A comunidade dos Poetas”

_Era aqui neste barracão abandonado, como pode ver a estrutura é baixa, escura e úmida, se procurar pelos cantos ainda encontrara vestígios desta sociedade que posso qualificar como secreta... Como disse que era seu nome mesmo? _Melissa... _Não ligue, minha mente ás vezes voa, eu nem sei que dia é hoje para ser sincero... _Dia 28 de maio. _Estava falando da semana, os números eu ignoro. _Terça feira... _Então... _Mas como veio ao encontro? _Por que você me disse que seria no dia seguinte. Veja, era ali, colocamos o palco ali, era modesto, mas o que precisávamos... Me lembro que eu estava aprendendo a tocar violão, deveria ter uns quinze anos para ser sincero... _Por que começaram isso? _Talvez insatisfação, falta do que fazer, sei lá... _Qual a última coisa que você se lembra? _Estava ali falando sobre decadência... _E como começou? _Deixa-me ver... Éramos três garotos enchendo a cara, procurando satisfação, o que nos parecia proibido chamávamos de aventura, mas deixo claro não roubávamos nada de ninguém... Nós éramos extremamente religiosos, nossas conversas se baseavam no apocalipse, temíamos e amávamos temer o fim do mundo, o juízo final, então conhecemos um rapaz, ele deveria ter uns vinte e cinco anos no máximo,

era casado... Ele nos convidou a participar de um grupo formado por jovens, este grupo discutia coisas sobre a bíblia, era um grupo dentro da igreja católica, ás vezes íamos a missa, mas poucos de nós freqüentávamos na verdade a igreja, preferíamos discutir livremente a epístolas em nosso grupo, ali trazíamos artigos sobre demônios e suas influencias, aos fins de semana fazíamos churrasco na chácara, tomávamos banho no rio, enfim era divertido, confesso que aquilo ali me marcou naquele período, mas logo veio o fim, algumas pessoas pararam de ir, éramos garotos e garotas, a maioria de nós estávamos interessados, em ficar com alguém, e as meninas costuma a investir todas em um mesmo cara, mas este cara se casou com uma de fora, isso desanimou boa parte das meninas, e consequentemente desanimou boa parte dos menino, e quando vimos éramos apenas cinco de um grupo que no começo era uns trinta, então fomos levado pela desistência de nosso líder a debandar... Estávamos na rua de volta, nada para fazer, e novamente o traficante tinha seus mais antigos clientes, era o fim aquilo, a vida se tornava vazia novamente... Por um longo período me afastei de todos, me tornei o rapaz de família, trabalhava e estudava a noite, pensava eu que não queria aquela vida para min, e foi então que eu amei pela primeira vez, por minha paixão passei a escrever poemas, e então em seguida fui levado a começar aprender violão, neste período revi alguns velhos amigos, todos me diziam o quanto eu estava mudado, mas ainda assim eu não desejava me mostrar diferente,

estudando a noite conheci uma menina, ela tinha dezessete anos, e eu ainda me aproximava dos dezesseis, ela era a mais bela da sala, mas ainda assim era muito simpática, não havia quem ela ignorasse, mas na maior parte do tempo ela se mantinha solitária, e eu levei muito tempo para entender por que, achava que para ela que era tão bela nunca deveria haver problemas... Então um dia inflamado pela paixão me coloquei a escrever um poema, e quando bateu o sinal para o recreio, ela passou por minha cadeira e ali conversamos, e quando ela viu o poema se surpreendeu, não achava que eu, pessoa tão rústica escreveria um poema... _Não consigo imaginar você assim. _Mas eu era assim, um sotaque caipira, uma voz tímida e um olhar inseguro. _E por que mudou? _A paixão nos muda... _E por que não o amor? _O amor nos aceita como somos, mas a paixão nos quer como ela deseja, enfim... Olhando para o poema, ela me falou que também escrevia, e me convido para ir até a casa dela, eu disse que iria, então ela pegou as coisas dela e disse, “vamos...” Era hora do recreio, a única maneira de sair seria pulando a cerca, e foi o que fizemos, e na casa dela ela me mostrou seus poemas, o mais modesto envergonhava os meus, e foi então que eu pude pela primeira vez ouvir uma fita cassete inteira de Metal, o rock and roll era tão triste, tão rebelde, tão forte, tão sensual... E eu me apaixonei por Type O negative, a voz grave parecia provir de um deus pagão... E finalmente eu encontrei novamente sentido na

rebeldia, um motivo melhor para abandonar tudo que parecia certo, pois para estar com ela eu faltava as aulas, e por estar com ela, muitas vezes voltando de madrugada não conseguia acordar para ir trabalhar, e se fosse trabalhava de forma desleixada, era ressaca, dores de cabeça, e muitas vezes ainda estava torpe... _E você se lembra do nome dela? _Era Franci... _Você a amava? _Não... Eu já estava apaixonado por outra. _E por que ficava tanto tempo com ela. _Ela era tão bela, sensual, tão inteligente, eu aprendia com ela, ela me falava sobre livros que pela quantidade de páginas, eu acreditava que nunca conseguiria ler, com ela eu sempre ouvia a melhor parte das coisas, e sem contar que muitas vezes era tão bom abraçar ela, quando ela estava triste ela colocava sua musica predileta, e ficávamos abraçados, ela me falava sobre as coisas sombrias do mundo, coisas da realidade... _E vocês tinham um relacionamento intimo? _Tínhamos, mas não transava-mos, ás vezes nos beijamos, mas só quando estávamos bem bêbado, uma vez quase transamos, mas estávamos bêbados demais, tiramos nossas roupas e dormimos abraçados, foi hilário, quando acordamos acreditamos que havia ocorrido algo, mas acabamos nos lembramos em risos, de que quando acordamos, isso em vagos fleches, nos deparávamos com o outro dormindo, e rimos disso... _Um homem não falaria tão claramente que um dia falhou...

_Dane-se os homens e seus preconceitos, odeio tudo e todos, e algumas coisas só servem para dificultar nossas vidas já tão complicadas, e se você é mais uma entre tantos, lhe digo que infelizmente preciso ir... _Não... Não pretendia deixar soar assim. _Eu já não perco tempo com pessoas que tudo que trazem, são suas vagas idéias, que lhe corresponde á certeza de como o mundo deve ser, e isso em todos os sentidos. _Então continue. _...Eu tentava manter meu trabalho, mas estudar estava se tornando difícil... Havia coisas que agora eu sabia que a escola não ensinava lá, precisava ler, saber mais, precisava ignora o estudo básico e me fixar em algo mais profundo, por incrível que pareça, no quarto de Franci, um quarto com cortinas finas de cor púrpura, cuja decoração se misturava entre varia culturas religiosas pagãs, nós nos afogávamos em bebidas e livros, ela me falava sobre a cultura Celta e sobre suas deusas, ela me falava sobre filosofia, e logo algumas perguntas que eu ignorantemente outrora fazia, agora se encaixavam como um luva, ali naquele quarto de quatro metros quadrados, cujo o ar estava perfumado pelos incensos, discutíamos a realidade e a ilusão, sonhávamos juntos, era estranho ela sabia tanto e ainda queria estudar numa escola que se ela abrisse a boca envergonharia o professor, então ela me falou, que vivíamos em um mundo onde um pedaço de papel valia mais que o conhecimento, mas ela me avisou que eu deveria moderar meu conhecimento, eu não entendia, mas ela dizia que queria olhar para meu sorriso por muito

tempo, ás vezes dizia para sempre, e então ela se perguntava onde acharia alguém que a pudesse entender como eu entendia, mas eu não achava que a entendia, então ela fazia planos, em seu plano eu sempre estava lá, mas alguém pode ser amigo para sempre? Eu achava que sim... Mas tudo mudou depois... _E por que mudou? _Um dia eu estava triste, havia retornado as aulas, isso por que dias antes eu havia tomado coragem e indo falar com aquela que eu amava, o nome dela era Ângela, me lembro que naquele dia eu estava inflamado, olhei para ela vindo ao longe, seus cabelos loiros brilhavam pelo sol que trazia atrás de sua cabeça, ela parecia uma divindade, e eu não resisti, era capaz de pular nela e rouba-la para min, o coração saia pela boca, e eu perguntei o nome dela e ela sorriu, então acredito te falado algo bonito, pois no outro dia ela parou no escritório e conversávamos quando o filho de meu patrão chegou e a comprimento, eles eram velhos amigos, e quando ela saiu ele me disse o quanto gostava dela, e há muito esperava por um oportunidade com ela, ele me odiava agora, nunca nos demos, mas ele me odiava agora, e foi então que tudo se perdeu, não demorou muito até mentiras inflamar a ira de meu patrão, e quando me defendi irado este me despediu, foram dias difíceis, esperei nos arredores para ver se ela passava pelo mesmo lugar, mas por azar ela havia mudado seu caminho, acho que mentiras haviam chegado até ela também, então voltei a vida normal, pouco falava com Franci, então ela me esperou diante da minha casa, e quando eu saia ela veio até min, me

perguntando por que eu estava distante, eu disse que precisava ir para a escola, e esta era verdade absoluta, o mundo era a realidade, então para que sonhar... Foi o que eu disse, ela pegou o meu caderno, e agindo de forma estranha, parecia irritada o lançou no bueiro, e depois se recuperando me disse, “Vamos para casa...” Eu a segui, lá enchemos a cara, e eu falei que amava alguém, ela pareceu se entristecer, afinal tinha feito planos, talvez para nós dois, mas acho que nunca havia pensado em nós como nós, mas eu como um seguidor dela. Não nego era tão bom estar nos braços dela, tínhamos o sexo oposto para estudar com calma, podíamos nos abraçar, se alguém pedisse para o outro tirar a roupa, acredito que tiraríamos... _E você achava isso normal? _Tudo que queremos na adolescência e ter e tocar alguém do sexo oposto, isso pode ser para conhecimento, curiosidade ou prazer, depois disso tive relacionamentos assim, por algumas vezes, tinha grupo de amigos onde havia varias meninas, e eu tinha determinado relacionamento com ela, relacionamento sem compromisso se não ‘o descobrir’. _E isso é bom? _Quer descobrir? _...Acho que... Vamos voltar... E qual foi á atitude dela depois? _Ela bebeu mais, e quando deitou a cabeça pesada em meu peito disse que eu era tão diferente, enfim ela havia encontrado alguém para estar com ela, realmente com ela, e que só quisesse isso, disse como se sentia importante quando meus olhos esperavam ansiosos por uma resposta, disse como se

sentia sensual toda vez que se deitava sobre meu corpo e meu corpo a desejava, de como se sentia a mulher mais bela do mundo quando eu a abraçava e dizia como ela era bela... Eu realmente amava os cabelos ruivos dela, e ela me falou como se sentia uma deusa quando eu a buscava por conhecimento, e eu disse que tudo ali era belo, tanto o conhecimento quanto ela, e ela me perguntou então por que não ficar aqui para sempre, jovens e belos para sempre, o mundo lá fora não era importante para ela, então ela pediu que eu a olhasse inteira, e envergonhado o fiz, e ela me acusou do quanto eu a desejava, e antes que adormecesse em meus braços falou o quanto se sentia só... Ela era tão bela, eu tinha tudo, mas queria estar em outro lugar, queria que fosse outro alguém que estivesse ali tão insinuante e desprotegida em meus braços, então quando acordei ela já estava desperta, era manhã de sábado, ela estava ao meu lado, e velava meu sono, e disse, “eu o quero para min, mas o quero inteiro, se me beijar, e ficar, eu estarei com você e para sempre, mas se não for capaz então não volte...” _E qual foi a sua resposta? _Eu não poderia enganar alguém a quem tanto eu admirava, eu a queria, mas não a amava, tudo que pude fazer foi vestir minha camisa e partir. _Não consegue enganar? _Eu não conseguia enganar... _Então é capaz disso agora? _Se não fosse não estaria vivo aqui. _E você a abandonou...

_Queria o que, que eu passe um tempo com ela, e se depois eu encontrasse a que realmente amava, a abandonasse? Para min a palavra tinha um valor muito alto naquele tempo, não era capaz de dizer nada que não pudesse arcar com as conseqüências... _E pela palavra... _Me diz, você prefere a verdade ou a mentira? _A verdade... _Mentira, você é como todo mundo, prefere a mentira, dizendo que ama a verdade, prefere dormir tranqüila com a mentira, a chorar a noite inteira com verdade. _Todos queremos dormir tranqüilo, todos queremos a paz. _A paz é a primeira de todas as mentiras... _Eu tenho esperança... _E a esperança é o último e o mais vil de todos os males... _Pode continuar. E depois o que você fez? _Estava triste e só, pensava que talvez não devesse ser tão sincero e nem tão claro, e foi então que voltei a alguns velhos amigos, a vida deles também estava um lixo, filhos de pobres não tem tanta visão ou opções de futuro, poucos em relação a tudo se salvam de um a realidade clara e clássica, mas tudo é apenas uma questão de momento e oportunidade, eu tive a oportunidade de conhecer, entender e amar a literatura, as artes, a musica, enfim... Mas foi tudo conseqüência de um momento influenciado pelas circunstancias... Entre estes amigos voltei a falar dos velhos momentos, dos velhos assuntos, e foi então que pensei em afastar a solidão me ligando a algumas pessoas, e neste período eu estava lendo sobre ocultismo,

tinha uma visão ampla das coisas de desrespeitavam a religião, então houve uma oportunidade, fui convidado a estar em uma festa... ‘Neste barracão...’ Aqui havia sido uma empresa que consertava maquinários pesados, pode perceber que ainda hoje se pode sentir certo cheiro de graxa e olho no ar... Eu não queria vir, mas quando cheguei aqui, me deparei com um lugar frio, úmido e sombrio, perguntei a quem pertencia, e aquele que havia me convidado disse que o pai dele era dono do lugar, procurava vender, mas talvez levasse anos, o nome dele era Samuel, e eu perguntei a ele se ele sempre fazia festas ali, e ele me disse que ás vezes sim, mas na maior parte do tempo estava abandonado, com exceção do escritório na frente, onde sempre era limpo, então naquela noite bebemos muito, e eu mostrei para ele uma saída para as noites em que não se tem o que fazer, e ele se empolgou... Dias depois eu ainda acreditava que era apenas conversa de bêbados, então me encontrado ele me falou quando faríamos ser real o plano, e foi então que passei a selecionar membros, no começo eram apenas seis rapazes interessados e poesias, ervas e ocultismo, mas pouco interessados em trabalho, pois levou quase uma semana para se construir um palco ali... Não havia luz no barracão, por isso, tirando de nossos bolsos o enchemos de grossas velas, isso trazia um clima ainda mais sombrio, e assim foi nossa primeira reunião, discutimos sobre rebelião, isso se resumia a Satanás... Alguns tinham trazido alguns poemas que discutimos sobre eles um bom tempo, e antes que percebêssemos a noticia sobre a estranha

comunidade corria pelos becos, e muitos estavam interessados em participar, muitas meninas, mas eu dizia, que um lugar sem leis não deveria ser a estada de uma dama, pois não havia proibições, e inacreditavelmente isso foi o que mais atraiu as meninas, eu segurei um bom tempo a iniciação delas na comunidade, fui muito cobrado por isso, mas eu não desejava cometer o erro de escolher pessoas vazias sem conhecimento ou sensibilidade, no principio, dentre os seis acredito que eu era o único que havia lido um livro inteiro, mas logo todos falavam como verdadeiros conhecedores da literatura, então eu sabia que não poderia moldar pessoas mais, seria uma perda de tempo, precisava de pessoas prontas, e foi o que eu fiz, nove meses depois eu havia selecionado onze meninas e cinco garotos, o total éramos onze garotos e onze garotas, não por acaso, eu havia escolhido os mais belos, decidi que essa deveria ser uma exigência, ser belo e sábio, e acredito que este foi o principio da comunidade e quando o grupo se estabilizou, eu não desejava mais ninguém, era o bastante o numero de pessoas, e agora me chamavam de mestre, e o nome a comunidade foi dado por acaso, pois quando perguntavam o que fazíamos, dizíamos que escrevíamos, estudávamos e discursava-mos poesia, e por isso nos chamaram de comunidade dos poetas... _E como era o convívio? _Precisei de leis para manter a ordem... _E como montou estas leis? _Eu nunca fazia nada precipitado, esperava, foi neste período que aprendi a estudar as

pessoas e seus comportamentos, chegou um tempo que eu apenas olhava e sabia como elas eram, e que decisão tomaria diante de determinada circunstancia, por isso avaliei as faltas por quase um mês, e para garantir esperei mais um mês até tomar a decisão de ir ao palco e falar a todos... _Pode olhar para min? _Claro... _Me diz, o que vê em min? _Vejo uma garota que acredita possuir o poder e o controle baseado em sua vaidade e ego, vejo uma garota que quer jogar, mas que vai perder, essa é a única verdade... _Pode ser... E então, o que disse a eles? _Naquele dia antes de subir ao palco falei com os pioneiros, mostrei a eles as leis, e eles concordaram, e assim me levantei e disse: “Hoje, para min é um grande dia, pois o período de vossa experiência chega ao fim, é o momento de confirmar os votos a nossa comunidade, há uma lei para cada dama e cavalheiro, onze leis deveremos seguir a partir de agora, e todas estas leis terão influencia em nosso dia a dia... Primeira Lei_ Não haverá entre nós aquele que a partir de agora possa falar ao estranho das coisas desta casa, não haverá aquele que pronunciara esta casa, nenhum segredo haverá entre nós, mas nenhum conhecimento desta casa será levado ao estranho, não estamos aqui para salvar o mundo, estamos aqui para fugir dele, e a primeira lei vem a ser desde o principio chamada de a máscara, nenhuma identidade será revelada a partir de

agora, e maldito seja aquele que quebrar a primeira lei. Segunda Lei_ Se fosse em outros tempos seria chamada de a espada, mas como estamos em dias insanos... Esta é a segunda lei, cada membro tem como objetivo manter a mascara, e se houver aquele que comente sobre nós o objetivo é ignorar ou envergonhar este individuo, de maneira que se este souber algo sobre nós, o envergonhemos a ponto de sua palavra perder toda e qualquer credibilidade, mesmo nós provaremos aos demais que esta comunidade acabou aqui, que ela nunca existiu, que era um mentira, e esta será a espada, feriremos com a vergonha todo aquele que se pronunciar contra nós, e as coisas desta casa ficaram para sempre nesta casa, e não haverá aqueles que nos julgue e condene por nossos livres atos. Terceira lei _ Não haverá quem questione estas leis, não os convidamos a estar aqui, antes você desejaram estar, e aqui tornaramse livres, e estas leis serão para garantir que todos sejam realmente livre, e não sejam vistos como estranhos quando tornarem para a realidade e os ignorantes supersticiosos os olharem de forma estranha, julgando vos, quando são tão belos a maneira que são. Quarta lei _ Se acaso houver algo que os desagrade, que este se levante e fale, pois não haverá entre nós pessoas reprimidas que amaldiçoa pelos cantos, não haverá intrigas ou fofocas, não haverá interesses concretos, pois aqui somos livres para vivermos da

melhor maneira, ninguém aqui pertence a ninguém, ninguém precisa dar explicações a ninguém, se for ferido, fira de imediato, não incube a ira, mas não haverá violência entre nós, a palavra é a pior de todas as espadas, pois ela fere a alma, por isso são livre para debater, eu não estou acima da lei, ninguém aqui esta, não á patamares ou hierarquia entre nós, há apenas conhecimento e a troca deles... Quinta lei _ Se acaso houver aquele que não se sinta bem diante de alguma atividade da ordem, poderá se retirar e fazer o que mais lhe agrade, ninguém aqui esta obrigado a nada, e não haverá aquele entre nós que tentara persuadir alguém, todos somos livres para ir e vir quando desejar, será duramente repreendido por qualquer um aquele que for pego tentado persuadir alguém, livre será para falar de suas teorias, mas não haverá aquele entre nós que tentará fazer de seu mundo e de sua opinião o melhor para todos, cada um de nós é um mundo, nele estamos solitários, esta casa que nos recebe é apenas um ponto de troca de opiniões desinteressadas. Sexta lei _ Nesta casa não haverá quem julgue, aqui não zombamos uns dos outros, se acaso algo lhe parece estranho e desagradável, ignore respeitando a liberdade de expressão, e se apoiando na quinta lei de que ninguém poderá persuadir ninguém, não zombamos, não discutimos apenas ignoramos, se for o caso de expressar uma opinião contraria, a expresse, mas nenhum dos que

debatem, poderão esperar estarem de todo certo, e se estes insistirem, lhes daremos as costas, pois aqui não desejamos comparar nem saber quem é melhor ou pior, quem está certo ou errado, mas se caso alguém se interessar em conhecer a verdade, que seja livre para perguntar a todos qual é a razão, e se acaso virar um tumulto, será encerada a reunião e todos terão a obrigação de pesquisar sobre o assunto e nos trazer a melhor opinião a respeito, mas será compreendido que aquele que não conhece o assunto que esta sendo debatido, não trás o direito de debate-lo, isso para que não seja visto entre os demais como aquele que fala apenas palavras vãs. Sétima Lei _ Respeitar para ser respeitado, não há aquele que aqui levantara a voz irado, não haverá aquele aqui que falará obscenamente entre nós, somos um grupo de cavalheiros e damas, e todos merecemos o respeito de não ouvirmos nada que envergonhe ao que diz e ao que ouve, por isso nos trataremos com respeito, e seremos tratados da mesma forma. Oitava Lei _ Não a quem discuta assuntos com relação á casa fora dela, pois o que somos aqui não seremos lá fora. Nona Lei _ Que todos conheçam os próprios limites para não serem depois acusados pela consciência, ser livre não significa se perder, esta lei não é para cobrar dos demais, mas de si mesmo.

Décima lei _ Se há algo que preze, algo que não deseja que seja tocado, não o exponha a comunidade, pois sei que há em cada um de nós crenças e sonhos que não desejamos ver desfragmentado, então não coloque algo tão pessoal na roda de discussão, para que não seja ferido na alma, pois aqui é o lugar onde todas as coisas são desmascaradas insensivelmente, por isso não espere de seu companheiro a mesma atenção com a suas coisas particulares, isso para que não venha a ser desiludido. Undécima Lei_ Todo ser é livre e poderá desfrutar de liberdade, este é o lugar onde todas as coisas são permitidas, o que se faz aqui, aqui fica, serás livre a tomar qualquer atitude, isso desde que não influencie na opinião dos demais, desde que não influencie na liberdade dos demais, desde que não contrarie a opinião dos demais, antes que faça só, a tentar persuadir alguém que não deseja o mesmo, aqueles que não compartilham a mesma opinião não poderão julgar aquele que compartilha, e nos fim tudo será para o melhor de todos em cada individuo, e se alguém se dispor a compartilhar com alguém uma opinião ou uma atitude, serão respeitados pelos demais, e todos igualmente seremos livres. E todas as leis se encaixam em apenas respeito e liberdade. _Realmente ignoravam e nunca julgavam ou zombavam? _Realmente, até que era divertido. _E conseguiram aceitar as leis e seguir?

_Logo moldaram sua própria visão sobre a lei, eram livres e respeitosos, esse era o objetivo, no principio havia aqueles que tentavam influenciar outros, e se magoavam quando não eram bem aventurados, a lei exterminou com estas coisas, todos falavam, e quando se dirigiam a alguém que havia passado uma opinião errada ao demais, ao contrario de parecer uma repreensão, este dizia... “Acho interessante este assunto, havia ouvido que era desta forma, e não de outra...” Então se ouvia a opinião, e não era raro na próxima reunião alguém aparecer dizendo que alguém tinha razão, nós passávamos boa parte de nosso tempo livre pesquisando uma diversidade de assuntos, logo éramos precisos, não havia mais opiniões contrarias, erros primitivos, agora dialogávamos sobre o assunto e não se era verídico ou não, foi muito bom para nós naquele período a lei, pois antes de falarmos sobre qualquer coisa estudavamos muito, e isso melhorou bastante nossas vida em principal para aqueles que estudavam, pois devido ao costume conseguíamos ler duzentas páginas em muito pouco tempo, e claro formarmos uma opinião digna de crédito sobre o assunto. _Mas o que fazia, alem disso? _Quase tudo em nós se baseava no estudo sobre a religião, claro que isso sempre levava a discussão sobre a cultura de determinados povos, essa era nossa idéia principal... _Mas eram livre, acaso não se entregavam a nenhuma loucura? _Claro havia loucuras, e em muitos sentidos da palavra... _Mas e as meninas?

_Acredito que ela sofriam com o molde social, que define que garotas tem que ser reprimidas e o homem sempre tomar iniciativas, e por isso elas se fixaram quase sempre na sensualidade, e isso começou após uma subir ao palco e enquanto lia um poema começou a se despir, e ao final de seu poema extremamente sensual, mas nenhum pouco vulgar, ela olhou para os demais e perguntou quem desejava fazer amor com ela, como éramos conscientizados a não agir com desespero, uma das meninas levantou a mão, e logo três dentre os rapazes, mas claro que todos desejávamos ama-la, e assim, sendo três rapazes, esta perguntou se todos concordavam com que ela deveria escolher um e que a outra menina escolhesse outro, para que assim estivesse junto, e foi o que ocorreu... _E qual foi a reação daquele que não foi escolhido. _Não se pronunciar, mas subi ao palco, e perguntei se alguém dentre as meninas o desejavam para estar com ele, e duas delas o desejou, então logo muitos se entregaram a isso, e eis o propósito por que a lei mandava não haver qualquer interesse pessoal, e eis o motivo por que escolhi os mais belos e em número exatos entre os sexos. _Mas neste período... O que estava havendo com sua paixão, e com a sua amiga... _Franci e Ângela? _É. _Franci um dia foi até minha casa, eu havia me mudado, mas ela disse que havia conseguido o endereço com um de meus amigos, aquele era um dia pálido, eu estava só em casa, não

tinha pretensões para aquele dia, era manhã fria, quando ela chegou, eu estranhei mas a recebi bem, e ela me falou o quanto eu estava mudado e o quanto estava belo, e eu via que ela não havia mudado em nada, se não, parecia mais triste, mas ainda era bela, cabelos ruivos e longo, os brilhantes e sensuais olhos verdes, um corpo torneado, feito para o prazer, ela era bela, realmente bela, e devo confessar que quando ela se sentou eu desejei deslizar meu corpo sobre o dela, em uma relação tão intima que pudesse sentir ela dentro de min, e jamais dela me apartar, e ela me falou que havia errado em desejar me ver prisioneiro no mundo dela, me disse que talvez ela tenha levado muito tempo para entender que havia me amado o tempo todo, e antes que ela me dissesse mais uma palavra eu a beijei, e saciei o meu desejo de estar com ela, parecia que eu havia acumulado aquele desejo uma eternidade, e cada centímetro dela me pertenceu, ela amou se entregar... Mas me disse que havia vindo apenas se despedir, viajaria naquela noite, iria servir a marinha no rio de janeiro, disse que seria um tormento ficar mais um dia ali, mas me disse que se eu quisesse poderia ir com ela, ou levar ela para qualquer lugar, mas as propostas dela sempre vinham no momento em que eu não poderia partir, e ela chorou e nos amamos novamente, e foi a última vez que nos falamos intimamente, e ela partiu dizendo que se um dia voltasse me queria para sempre, sempre para nós era tudo ou nada, para sempre ou nunca e sempre era cedo ou tarde demais para tomar qualquer decisão, e apenas dias depois eu percebi

quem eu havia perdido... Mas acho que superei isso... _Como? _Fui até a escola de Ângela e a esperei na saída do colégio, me deparei com o filho de meu patrão que quis me falar algumas coisas e eu o soquei, foi um péssimo dia, me envergonho de bater e apanhar, a violência é uma coisa desagradável para qualquer um até mesmo para o violento. _Falou com ela? _Ela agiu estranho, mas me prometeu um tempo para conversarmos. E dois dias depois estávamos nos falando na praça, foi uma bela tarde, eu a estudei, ela era tão perfeita... E eu havia aprendido a mentir, e foi em mentiras, fingindo desinteresse que a conquistei, nos encontrávamos e falávamos de muitas coisas, e foi quando eu mudei a situação, ao contrario de procura-la, deixei que ela me procurasse, e logo estávamos juntos, mas não era um namoro, mas eu ofereci a ela um mundo rebelde, onde tudo parecia ser possível, e ás vezes não acreditava que podia olhar para aquela criatura perfeita despida em meus braços, o som da voz dela me acalmava, era tão perfeito estar com ela... Mas então veio o pior... _E o que era pior? _Acredito que o grande motivo que me influenciou a iniciar uma comunidade foi Ângela e Franci, pois Franci havia moldado a poesia em min, Ângela havia a despertado, e quando as perdi eu me senti tão só que me vi atraindo pessoas para minha volta, e eis a comunidade... Mas o pior, aquilo que ninguém espera é que o conhecimento trás tristezas,

gera perguntas, te faz ver erros que não se pode consertar diante do momento e da circunstancia, logo você se vê só entre as pessoas, e a comunidade foi afetada pelo grande flagelo da depressão, nossas almas ansiavam por novidades, nossas almas desejavam a aventura, e logo se via nos olhos de cada um a exigência, eles agora desejavam um líder que os levasse para uma direção, que dissesse no que deveriam acreditar, e eu fui cobrado por isso, fizeram nas mentes a imagem de um líder, e o horror é que esta imagem era a minha, e logo o que eu dizia passou a ser verdade absoluta, qualquer coisa era feita para assim tentar cobrir o vago da alma... Mas eu também o sentia, eu também sofria com isso, e eu estava mais só, e o mundo parecia estar sobre meus ombros, e a tristeza é doença contagiosa e eu contagiei Ângela, como um anjo de praga e morte, eu levei morte a todos os lugares onde eu me refugiava. Então Ângela passou também a me cobrar, havia ouvido sobre a comunidade com uma de suas amigas, que havia perguntado a ela se ela sabia quem era o namorado dela, e assim desejava fazer parte, mas eu a repelia, em meu coração não desejava entrega-la aos demais, lá eu teria que respeitar as leis, e uma delas seria não levar a roda aquilo que lhe corresponde a objeto sagrado, para que assim não venha a se ferir, e eu pensava que se ela fizesse parte eu nunca mais a teria por inteiro só para min, mas ela estava pior, e nestes dias brigamos por isso, ela dizia que tudo na vida dela era para min, mas eu ocultava dela muitas coisas, e brigados passamos três semanas sem nos ver-mos, e eu

fui traído por meu próprio império, decorreu na ordem qual seria liberdade de trazer um novo membro a ser iniciado, eu fiquei relutante, não queria mais pessoas, logo seria muito difícil manter todos na linha, mas deixei isso para que os demais julgassem, e mesmo contrariando meu desejo tive que aceitar a opinião dos demais, mas coloquei uma questão, todos deveríamos ocultar os rostos até que houvesse certeza de que o iniciado realmente seria digno de estar entre nós, mas o iniciado não o ocultaria, pois o principio de tudo no julgamento era a beleza e o conhecimento, e assim todo iniciado deveria se apresentar nu diante de todos... E naquela noite de máscaras, aquela deusa entrou, para a amargura de meu coração... Ângela era iniciada, e nua se mostrou diante de todos, ela olhava para as máscaras, talvez buscasse o meu rosto, e eu estava amargurado, e todos vieram a min perguntar qual era minha decisão, e baixo eu falei que a decisão era da maioria para que a liberdade fosse mantida, e todos a receberam, me lembro de naquela reunião ter saído mas cedo, desejava caminhar, minha mente estava atormentada pelas cenas que poderiam estar acontecendo, eu a odiei, mas agora não poderia guardar nenhuma opinião, afinal era um membro da comunidade, fui para casa e bebi até cair como morto em minha cama, na manhã seguinte acordei bêbado, o álcool ainda corria pelas veias, e novamente eu enchia a cara, não conseguia pensar em nada, então ao fim da tarde quando a bebedeira da manhã estava amena, olhando para o espelho eu disse para min mesmo, “se há algo que preze, algo que

não deseja que seja tocado, não o exponha a comunidade...” Eu tomei um banho e morri por dentro para que nenhum sentimento houvesse em min, e na próxima reunião eu estava lá, e ela veio a min, perguntou se eu era o mestre daquela comunidade, e eu disse que não, não havia hierarquias na comunidade, então ela abaixando a cabeça e depois levantando, como se quebrasse todas as máscaras ela foi direta, e disse, “então é por isso que não queria que eu estivesse aqui, você é um crápula, com quantas destas você esteve?” Eu olhei para ela, tirei minha máscara e friamente falei, se não pode respeitar as leis, não poderá desfrutar de nossa liberdade, aqui você não é Ângela, para começar você nem te nome, é apenas um espírito livre que faz o que desejar... E ela falou “então neste momento eu desejo falar sobre nós...” E eu olhei para ela e disse, podes fazer o que bem desejar doce dama, isso desde que respeite a liberdade dos demais, e eu respeitarei a sua liberdade de falar, mas isso não quer dizer que sou obrigado a ficar aqui para ouvir, agora se me der licença desfrute do que desejar, e ela disse que iria desfrutar. Eu coloquei minha mascara, e caminhei para longe dela, depois disso, ela aprendeu muito bem a jogar com a lei, ela se tornou a mais bela e cobiçada dentre as mulheres da comunidade, e subiu no palco e depois de declamar um poema disse que estava solitária e precisava de uma companhia, eu sabia que ela não me aceitaria mesmo que eu levantasse a mão ela estava magoada, me via como um depravado, e vários expressaram a sua vontade de estar

com ela, e ela escolheu um, e ambos por três dias ficavam juntos, amavam-se... _E você aceitou isso? _Eu não estava acima da liberdade. _Você criou a comunidade... _A comunidade não era eu, a comunidade era todos, e meu desejo não iria prevalecer sobre a liberdade. _Como conseguiu? _Acreditamos que não somos capazes, mas a maior de todas as maravilhas do homem é a capacidade de se adaptar. E passando o período de iniciação foi citada as leis claramente para ela, e as leis desta forma rústica foi melhorada sobre as mesmas bases, Ângela passou a ser a estrela brilhante naquele lugar sombrio, todos ficavam em torno dela, todos falavam muito bem dela, todos desejavam estar no lugar daquele que era escolhido para ama-la, e o mês se passou, neste período eu já tocava bem meu violão, e apresentava minhas composições para os demais, não recitava mais os poemas, agora eu os cantava, neste período tomei aversão as rimas, preferia o livre e escancarado, então vi tristeza no olhar de Ângela, arrependimento talvez, mas eu já havia perdido a conta das vezes que havia amargurado por ela, por isso havia me tornado frio, e ela vindo a min perguntou como eu estava, eu disse que bem, e ela me perguntou se queria acompanha-la aquela noite e eu disse que não, ela disse que desejava caminhar comigo, conversar, e eu disse que não, e ela se afastou, então em outra reunião ela me esperou a entrada, disse que desejava falar comigo, e novamente eu recusei, mas ela falou que seria ali que ela

diria, chamei Samuel o fraterno que a havia trazido e disse para que ele cuidasse da prole dele, pois esta estava me perseguindo e desrespeitando a lei de liberdade, este a chamou para conversar, e ela me acusava de ser insensível, e depois que Samuel falou com ela, ele veio a min dizendo que desejava falar e pedia para que desta vez eu pudesse ouvir mesmo que não desejasse, então ele me perguntou como poderia eu ter-la aceitado se esta tinha qualquer parte comigo, e eu falei que isso não tinha provindo de min, que sempre fui reprimido a decisão de aceitar novos membros, e não sabia que o novo membro era mulher, nem que desrespeitava a ela, então ele me disse que se eu disse não todos estariam comigo, mas me acusou de não ter me pronunciado, e eu falei que a única coisa que me havia sido tirado no momento em que ela pisou ali foi o mais sagrado, o motivo qual quase minha existência se limitava, e eu respeitei, e o que tinha eu agora com o passado, pois eu mesmo a havia recusado no principio, e Samuel disse que ela havia pensado que eu havia estado com todas aquela meninas, e perguntando a ele a alguns dias por que todos tanto me ouviam respeitavam, Samuel havia respondido que apesar de toda liberdade que me era permitido desfrutar, eu havia negado toda ela para ser realmente livre, disse que ela ficou pálida e perguntou se eu não havia ficado com ninguém, então ele disse que não, e neste momento ela havia chorado amargamente, pois pelo ciúme havia me odiado e tomado escolhas de quais havia se arrependido, mas o arrependimento não havia sido grande até

aquele momento, e eu perguntei apenas o que eu tinha com isso e me retirei. _Por que agiu assim? _Ela não quis saber, ela apenas me julgou desde o principio. _Mas ela não lhe perguntou se era por aquilo que você havia a mantido longe? _Ela não queria uma resposta, ela não acreditava mais em min, ela quis apenas jogar aquilo na minha cara, e eu não poderia dar corda para uma atitude insensata. _E depois, o que houve? _Ela perdeu o brilho, vivia sempre triste, e a comunidade me pressionou, queriam um líder declarado, e disseram que se não fosse eu então escolheriam outro, e eu disse que deveriam escolher outro, e então em votação qual eu não participei escolheram Samuel como líder, e logo éramos adoradores do demônio... _Passaram a adorar uma divindade? _Apenas loucura, mas todos eram adoradores de satanás agora, e eu comecei a faltar as reuniões, tudo que prevalecia agora era uma forte religiosidade pela casa, e logo em buscas de contatos imediatos com a divindade promoviam festas, chegaram a insanidade de até ofertarem sangue em sacrifício, não era incomum agora encontrar sangue de porco em sacrifício, afinal não era fácil cortarem-se todas ás vezes, uma forma de alto flagelo... _E Ângela também se converteu. _Ela me parecia muito entusiasmada com a idéia, o prazer agora era um louvor... _E como se sentiu? _Sabe por que eu desconfio do perfeito? _Me diz...

_Por que quanto mais perfeito se é mais longe se vai, tanto para a perfeição quanto para queda e o caos... E não saciados pelos sacrifícios, logo foram adornados por formas alternativas, e as drogas eram asas sedutoras e plumosas, se sentiam menos solitários quando se drogavam, parecia que o mundo perdia toda a monotonia real das coisas, era um mundo novo e tudo estava ligado, tudo tinha um motivo, e este motivo quase sempre era hilário... E eu apenas me afastei, não conseguia rir, mesmo que lúcido acredito que tudo seja apenas uma comédia de mau gosto, e o tempo passou... Ângela havia se perdido, odiava a realidade, poucas vezes podia se vêla em plena lucidez, e eu observava aquilo, então certo dia ela veio até min, eu estava sentado a beira do palco, todos conversavam a distancia, e ela chegou, trazia ódio no olhar e disse, “você se acha muito perfeito não é, acredita que pode escolher o que quer e o que rejeitar? Ora, todos nesta casa o amam, você é espelho, o senhor da liberdade... Você na verdade é um idiota, se acha... Mas é apenas um idiota que acha que esta acima de tudo e de todos. Então senhor perfeito, mestre... Qual será o sermão de hoje?” Dizia no mais profundo ar de deboche... _E o que você disse? _Apenas me retirei enquanto ela me falava um monte de asneiras, fui falar com Samuel, e pude ver ela saindo com outro, mas eu já não me importava. _E o que conversou com Samuel. _Nada de importante, ele me perguntou por que eu sempre estava distante, e eu disse que era apenas um faze, isso para não dizer que

toda vez que vinha tinha mais certeza de que não deveria voltar. _Por que acha que ela tanto desejava o ofender? _Não sei, mas isso também nunca me importou, o que mais me doía era olhar para ela e não ver o brilho que vi no primeiro dia em que a olhei, isso era triste, mas mesmo odiando estar entre eles eu sempre voltava... _E por que voltava? _Acho que por ela talvez, queria olhar, não era amor, mas eu me preocupava, pensava que a qualquer momento ela iria cair em si, olhar para min e entender algo que nem eu entendia, e eu esperei, mas nada acontecia... E foi então que veio a decadência completa, eu havia escolhido os mais belos, e agora eram apenas fantasmas pálidos e magricelas, gestos irritantes e fala mole, e foi então que ela caiu em meio a roda, desmaiou, havia algo ainda dos primeiros dias, pois todos ficaram em silencio e observavam, logo olharam para min, eu estava sentado no palco, tocava meu violão, sem deixar transparecer qualquer paixão... _Por quê? _Não queria me mostrar preocupado, e talvez não estivesse, mas caminhei até lá certifiquei que havia pulso, e a trouxe para o palco onde a deitando pus cabeça dela em meu colo, e assim ocorreu esta cena, foi silenciosa, apesar dos olhares não houve quem falasse algo, e quando eu disse que estava apenas desmaiada logo voltou o assunto entre todos, e eu os observei em suas vidas preto e branco, e olhava para aquele fantasma deitado com a cabeça em meu colo o fantasma

da criatura divina que um dia amei, e quando ela acordou todos já haviam partido, e ela se deparou com o barracão sombrio sob ás luzes tristes e laranjadas das velas, e eu... _E qual foi á reação dela. _Disse que havia sonhado comigo... Então eu a deixei lá e fui até a lanchonete do posto e comprei uns salgados e refrigerante, e assim comemos em silencio, até que ela falou quando se sentiu melhor, “realmente segue a risca as leis de nunca julgar apenas ignorar, acho que se fosse eu estaria lhe dizendo agora ‘olha só no que deu’”. _Por que não falou nada? _Não havia nada para dizer. _Não era o momento de mostrar um novo caminho? _O que menos se precisa quando acaba de se surpreender com o destino que escolheu, é de um sermão. Então ela me pediu para deitar-se novamente em meu colo, e ali ela ficou até que decidiu ir. _Ela não falou nada mais. _Não, não havia nada para ser dito. _E depois como foi? _Ela pareceu se acertar, voltou a engordar, estava bela novamente, mas estava triste, então aos pouco começamos a trocar algumas palavras, certa tarde até caminhamos pelo parque, ela me perguntou o que eu achava da comunidade, e eu disse que assuntos da comunidade ficavam na comunidade, e ela riu dizendo que eu era muito sério com tudo, disse que eu deveria relaxar um pouco, mas eu não disse nada, e eu pensava que ela estava bem novamente, ela até sorria... E logo ela retornou a sua beleza original, e na

comunidade declamava poemas tristes, mas belos, até me pediu para dedilhar o violão todas as vezes que ela ia falar, e logo a comunidade pareceu entrar nos eixos novamente, até arranjaram um piano... Mas isso foi apenas o último suspiro antes do fim, um respiro profundo antes do mergulho... _E o que houve? _Mesmo as drogas já não oferecia prazer nem fuga, e todos tiveram de se deparar com um amanhecer sombrio e decadente, e todos sabíamos que melhor era a morte á mais um dia vivo, e mesmo assim insistíamos, então uma tarde me encontrei com Ângela no parque, ela me falou sobre a vida, disse que tinha planos, estava sendo até otimista, e ao fim parou e me perguntou se eu não a amava mais, e eu não respondi a isso, tentei mudar de assunto radicalmente, então ela ágil como se estivesse na comunidade e me estendendo a mão perguntou, “quer ser minha companhia hoje, amanhã e sempre?” Eu olhei para ela e continuei o assunto ignorando o ato e ela corou depois os olhos ficaram úmidos e lágrimas silenciosas jorraram, e ela foi embora, depois disso por duas semanas eu não a vi, sem saber que não a veria nunca mais, nem um retrato eu tenho para lembrar... Ela suicidou-se e isso foi um grande e sombrio impacto contra a comunidade já abalada, uma sombra negra se instalou no barracão, parecíamos sentir morte todo tempo, e neste período, todos fugimos buscando abrigo, um esconderijo seguro, pois havia um espectro mórbido seguindo nossos passos, e nós nos tornamos malditos, “os dias do ceifeiro”, e não demorou muito a comunidade chegou ao

fim, algum se mudaram, pois não conseguiam viver mais aqui, houve quem fugiu, mas mesmo longe seguiu o exemplo de Ângela, outros se entregaram a ilusão até ela os levarem, não houve quem deste período não saiu marcado pela morte, e não há quem esta livre do sentimento lúgubre que nos assolou. _E como você pode sobreviver a isso? _Sobreviver, é uma palavra que sei bem o que significa... Mas na verdade de alguma forma eu não sobrevivi, estou morto aqui entre as paredes sombrias deste barracão.

Segundo Capitulo

¥ “Samuel”

“A comunidade dos Poetas”

_Como conheceu Eliaquim? _O mestre? _Por que você o chama de mestre, não era você o mestre da comunidade? _Em palavras sim, mas o que ele dissesse ninguém questionava. _Por que isso? _Todos éramos fiéis a ele, o respeitávamos e o seguíamos cegamente. _ E como o conheceu? _Eu estudava a noite no mesmo colégio que ele, apenas uma série acima, nós neste período não havíamos sido apresentados, ele tinha os amigos dele, mas amigas que amigos, acho que ele não gosta de homens nem para conversar, claro a exceções... Parecia distante, ás vezes quase metido, andava sempre com uma garota ruiva, acho que o nome dela era Franci, não havia quem não a cobiçasse, sempre usava roupas coladas que definiam suas belas formas, era uma garota que qualquer um faria qualquer coisa para tê-la nos braços, mas ela como ele era estranha, afastada, certo dia cumprimentei ela, isso por que eu estava namorando uma menina que a

conhecia, ela me pareceu bastante inteligente, não havia algo que ela não tivesse uma opinião formada e digna de crédito, eu e alguns colegas muitas vezes passava-mos pela porta da sala dela, só para vê-la na hora do recreio, mas ela sempre estava na companhia de Eli... _Quem? _Eli... Era assim que o chamávamos, quando não o chamávamos de mestre. _O chamavam de todo poderoso? _Esse era o objetivo... E ela sempre estava com ele, ambos exerciam grande poder sobre o outro, pareciam ter sidos moldados um para o outro estranhamente como faces da mesma moeda, quando ela faltava ás aulas, ele também faltava, e isso só poderia significar que ambos estavam juntos, alguns de meus amigos tinham raiva dele, pois ele era distante e mesmo assim havia conquistado o melhor, mas eu nem me importava, achava que eles tinham apenas inveja, e eu não era assim tinha meu próprio mundo e minhas próprias conquistas, mas devo confessar que Franci era um de meus desejos ocultos, cheguei até a ter um sonho obsceno com ela, não havia quem não a desejasse, mas apesar de bela ela parecia meio triste, eu percebi que era diferente a forma que o mestre olhava para ela. _Como assim? _Todos a olhavam interessados no belo corpo, na bela face, os lábios vermelhos e os profundos e sensuais olhos verdes, ela era uma linda e original ruiva, se destacava na multidão por sua beleza, ela era a imagem da deusa do amor e do prazer... Mas ele a olhava

com respeito e mesmo com ela ele sempre parecia estar discutindo um assunto direto e com fundamento, e ela sempre conversava com ele sobre coisas da vida, livros e por ai vai, pareciam elaborarem planos... Mas realmente fomos apresentados quando eu promovi uma festa no barracão de meu pai, achei um lugar legal, por um amigo que o conhecia pedi que o convidasse, estava curioso para saber quem era ele, o que ele fazia... Ele desperta certo interesse, parece sempre onipotente, seguro, e eu achei que um amigo assim seria interessante, e na festa conversamos, ele falava sobre coisas que eu não sabia, coisas simples que estavam aos meus olhos e eu não via, e eu fiquei fascinado, então ele me falou que poderia haver um lugar onde se pudesse fazer o que se quer na companhia de outros sem que ninguém jamais viesse a lhe julgar, sem que jamais alguém viesse a zombar, e ele olhou para min e disse chega de negar o que realmente você é, chega de esconder as palavras que há tempo deseja expressar, estaremos lá para ouvi-lo... Estávamos bêbados, mas aquilo me pareceu tão forte, tão livre, e ele me falou com tanta certeza que se fosse outros tempo talvez eu me curvasse e o compreendesse como um deus. _Ele despertava tudo isso? _No bom sentido ele era e sempre foi um manipulado, ele te olha e sabe o que você quer ouvir e como deseja ouvir, e conhece o tom de voz a ser usado para cada ocasião... _E como isso poderia ser claro? _Vou tentar me expressar de maneira clara... Digamos que você pode manipular alguém a

fazer o que você quiser, desde que conheça a formula, se você exigir, o orgulho poderá impeli-lo a não fazer, se você obrigar pela força então sua sabedoria se perdeu, se você pedir podem lhe negar, mas se você pedir de maneira que o ouvinte se sinta importante em lhe servir, este alegremente o fará, muitas vezes no intimo até lhe agradecerá por tê-lo escolhido, e é nesta parte que entra a manipulação... _Então ele lhe fazia sentir importante? _Na verdade ele me fazia sentir-me livre, diferente de todos que nos trazem um plano, ele nos fez acreditar que o plano que ele elaborou era o nosso plano, ele mantinha o domínio todo tempo e sobre tudo, mas nós acreditávamos que o controle estava em nossas mãos, e quando ele negava o controle nós nos alegrávamos e mais o amávamos. E foi assim que ele me convenceu, eu consegui o barracão, estava empolgado, mas não o encontrava, até que o vi e perguntei se o plano ainda estava de pé, e foi então que ele disse que sim, e começou a seleção de membros, ele os escolheu desde o principio, e eu poderia ir para qualquer lugar com ele, nossas vidas era um livro aberto, mas nada sabíamos da dele, e o seu constante mistério nos atraia e logo éramos vinte dois membros, eu até agradeci depois por ele tê-los escolhido, ele escolheu a meninas mais belas, e elas seguiam um padrão de beleza... _E como Eli tratava as meninas? _Ele mantinha um relacionamento formal, mas nunca permitia que o assunto ficasse pessoal, e mesmo quando elas se insinuavam para ele,

ele desviava o percurso, depois vim a entender que ele estava apaixonado... _Por Franci? _Não... Por uma menina chamada Ângela... Eu a conhecia. _Como a conheceu? Eu freqüentava um circulo de amigos, nós aos fins de semana fazíamos churrasco na casa de alguém, apenas a garotada, muitas meninas iam, depois que conheci o mestre achava chato estas reuniões, éramos garotos de classe média alta, se é que se pode definir isso nesta cidade, o assunto quase sempre era o carro ou a menina, e foi neste circulo que conheci Ângela, acho que quando a conheci ela ainda não conhecia bem Eliaquim, e o tempo passou, e um dia um velho amigo me convida para um churrasco, eu estava hesitante, mas acabei por ir, queria que meus amigos da comunidade estivessem lá, mas acho que acabaríamos fazendo do churrasco uma grande celebração ao prazeres carnais... Bem, mas por acaso começou-se o assunto sobre religião, alguém havia se convertido e agora estava tentando converter os outros, e um ria dizendo, “a igreja é um comercio...” Devemos julgar que o que falava não sabia nada a mais alem desta frase, se perguntasse por que ele dizia aquelas palavras, com certeza, confundido seria envergonhado, mas me perguntaram sobre a religião qual se discutia, e eu disse “Como diz meu grande amigo Eliaquim, eu prefiro um pássaro na mão que outro que eu nem vejo voando.” E me perguntaram o que significava, e eu disse que preferia viver minha vida hoje que a negar por uma inserta depois da morte, todos riram e alguns me perguntaram quem

era este Eliaquim, e eu disse apenas que era um amigo, e muito pediram para que eu o levasse um dia ao churrasco, e mais afogueados ficaram quando disse que tocava violão... E quando eu estava me dirigindo para partir, veio aquela linda garota, sinceramente ela eu acredito que seja a garota mais bela que eu já vi com exceção de Franci é claro, era tão bonita que parecia que iria quebrar ao mais suave toque, e eu confesso que fiquei feliz ao vê-la me chamar... _E o que ela queria? _Me perguntou se Eliaquim era o mesmo que ela conhecia... _E qual foi sua atitude? _Fique meio desconsertado, acho que olhando para ela já havia feito planos, eu pensava apenas no que meus amigos diriam quando me vissem na companhia de uma garota tão bonita, mas enfim... Ela me falou sobre ele, mas disse que não o via há tempos, e foi ai que começou um jogo sombrio da parte dela, acho que ela aprendeu a fazer jogos sombrios com ele, pois ela me levou a falar da comunidade, saiu comigo para bebermos, se aproveitou de minhas esperanças em tê-la, para conhecer a comunidade... _E você a teve? _Não antes dela ter se filiado a comunidade. _E como ela se filiou? _Ela falava sobre muitas coisas, sabia sobre muitas ordens, até havia se filiado a uma ordem importante, e eu acreditei que era a pessoa certa para estar entre nós, talvez eu estivesse apaixonado por ela e a quisesse de qualquer maneira, e na ordem eu teria uma chance maior, então falei com algumas

pessoas sobre a filiação de novos membros, e depois levei o assunto ao mestre. _E qual foi a atitude dele? _Me disse que não era boa idéia. _Ele sabia de quem se tratava? _Não, não disse quem era, apenas quis levantar uma vaga, e tanto insisti que ele falou que a decisão seria da maioria, e disse que para que fosse mantido em sigilo nossa identidade, usaríamos uma máscara para ocultar a face, isso caso durante o período de julgamento o novo membro não nos parecesse conveniente... A parte que mais me atraiu foi a exigência que ele fez, mesmo não sabendo se era masculino ou feminino o membro que viria, disse que este deveria se despir, pois só aceitaríamos um membro rico em beleza e conhecimento. _E como Ângela se portou diante desta decisão? _Ela disse que não sabia, mas me perguntou de quem havia vindo esta exigência, e eu disse que do mestre Eliaquim, e foi então que ela aceitou, e diante de todos, ela se despiu, ela realmente era bela... _E qual foi a atitude de Eli, quando a viu? _Não sei ao certo, ele trazia um máscara na face e isso ocultava qualquer emoção, mas ele partiu cedo naquela noite, e reuniões depois eu os vi discutindo num canto, ele me pediu para controlar minha prole. _E o que aconteceu então. _Eu disse para Ângela que se ela quisesse ficar deveria respeitar as regras, já que ela estava ainda sob julgamento. _E qual foi a atitude dela?

_Me pediu para leva-la para casa quando tudo terminasse, mas no caminho ela quis ir até minha casa, á bebemos e ela dormiu comigo. _Você tiveram algum relacionamento? _Sim e foi a noite mais perfeita de toda minha vida. Mas quando ela acordou no outro dia me perguntou se poderíamos fingir que aquilo ocorreu na comunidade... _E por que ela perguntou isso? _Por que se fosse na comunidade não haveria compromissos entre nós, ela não queria nenhum compromisso e nesta pergunta ela deixou isso claro. _E vocês se relacionaram outras vezes? _Algumas vezes depois, e tanto na comunidade quanto em minha casa, mas ela não queria nada comigo, sempre que o mestre chegava ela mudava, não tirava os olhos dele, o amava e odiava, e na duas opções o perseguia. _E como estava Eli neste período? _Distante, observava tudo friamente, eu acho que ele nunca a amou... _Por que diz isso? _Ele observava ela se entregar aos outros e não deixava transparecer qualquer sentimento, parecia gelado, seu olhar frio ás vezes me provocava medo, ele parecia ser capaz de qualquer coisa, acho que mesmo matando alguém aquele olhar gelado não mudaria... _Acha que ele e capaz de matar? _Foi apenas uma colocação, mas existem muitas formas de se matar alguém. _Exemplo? _Lentamente, em cada atitude, sem tocar, sem ferir a superfície, e quando a pessoa morre,

ela apenas cai para não se levantar, mas morto já estava o espírito a muito tempo. _Acha que foi isso que houve? _Eu não acho nada apenas estou expressando vagamente. _E como Ângela agia por esse período? _Ela passou a ficar com vários rapazes, acho que até com algumas meninas, por este período o mestre já começava a faltar reuniões, todos queríamos que ele fosse o líder, e tentamos em uma atitude desesperada vincula-lo a nós, e dissemos a ele que desejávamos um líder, mas mesmo com a pressão ele não pareceu se importunar, e disse que levantasse-mos um líder entre nós, e eu fui eleito. _E o que fez na liderança? _Certo dia o mestre foi até minha casa, lá ele esqueceu uma pasta, eu a abri e comecei a ler algumas folhas, eram paginas digitadas a respeito do que era satanismos, como iniciar, adorar, e um vasto conhecimento sobre demonologia, algo tão grande que descrevia em partes o motivo e a batalha antes da queda, com os papéis estava um grosso e negro livro, eu estudei aquilo por dias, ele nem se preocupou em ir buscar, depois quando telefonei para ele avisando que a pasta estava lá ele disse que eu poderia ficar com aquele material, o dia que ele desejasse ler, então ele viria e pegaria de volta. Dias se passaram, e eu estudei aquilo profundamente... Certa noite o mestre veio até min e falou, “olhe para eles, você é o grande líder que eles levantaram, cabe a você mostrar um novo caminho.” Eu estava com o

conteúdo daquele material exalando de min, e eu o firmei na ordem e todos o acolheram. _Acha que houve manipulação? _Não sei, mas ele não faz nada por acaso quando esta certo de quem somos, conhecendo o campo ele sabe qual será o próximo passo de todos aqueles que estão nele, mas depois ele parecia não se agradar naquilo... _Ele fez parte do culto? _Não, nunca se pronunciou sobre ele, apenas observou, e pela lei não poderíamos influenciar ninguém. _E Ângela? _Ela era uma de minhas mais fiéis companhias, se entregou por inteiro a nova filosofia, enquanto o mestre apenas observava, mas nós exageramos, ela não comia mais, nem conseguia dormir, se drogava todo tempo, se tornou mau humorada e rebelde com todos os amigo, não conversava mais com o pai... _E a mãe dela? _Ela foi criada pelo pai, a mãe dela havia fugido com o amante isso quando Ângela ainda era uma criança, e neste período isso veio em cheio a afetar, ela se sentia só e desprotegida, as vezes se sentava num dos cantos do barracão e se drogava olhando para o lugar que o mestre costumava se sentar, ás vezes torpe ela o amaldiçoava, outras vezes apenas chova, outra dizia coisas baixinho, acho que ela estava atormentada... Então um dia enquanto conversávamos, ela desmaiou, todos ficamos sem reação, não poderia ser overdose, e todos em busca de respostas ou salvação olhamos ao mesmo instante para o mestre...

_E qual foi a atitude dele? _Parou de dedilhar seu violão, caminhou lentamente até ela e depois de conferir se ela estava bem, pegando-a no colo ele a deitou sobre o palco e pos sua cocha sob a cabeça dela, e tornou a dedilhar seu violão, e nós estranhamos isso, mas não discutimos apenas voltamos a conversar, essa era a lei... _Essa era a lei? _Era... _Mesmo que ela estivesse morta a lei não seria quebrada? _Não havia como quebrar a lei. _Eliaquim exercia tanto poder assim sobre você? _Não, mas a lei sim, ela era a única forma de liberdade real. _E se acaso quebrassem a lei, o que ocorreria? _Ninguém jamais quebraria a lei, apenas isso, a lei real não era a lei, a lei real era jamais quebrar a lei, e cada palavra tem um significado bem mais complicado do que se poder entender simplesmente com apenas uma olhada, pois não eram palavras, era nossa liberdade. _E o que houve depois. _Nós conversamos e fomos embora, o mestre ficou com ela, não sei o que ele fez, mas na outra reunião ela era outra pessoa, estava bela e segura novamente, pensei que eles haviam voltado, mas os vi distante, poucas palavras trocavam, ela desejava falar, mas ele estava pouco interessado em ouvir, mas não era de forma alguma rude com ela, a tratava como tratava os demais, com paciência e tranqüilidade, dizia apenas o que era preciso, nenhuma palavra a mais... E ela voltou, estava

bela novamente, era a garota que eu havia conhecido um dia, tornou-se um raio de luz na escuridão da comunidade, acho que ele a salvou de alguma maneira, mas ela o queria novamente, os olhos dela denunciavam isso em todo momento em que ela o olhava. _E você a amava? _Sempre amei, mas não poderia jamais conquistar aquele olhar para min, ela o adorava como se ele fosse um deus, o pior é que ele nem era o mais belo dentre nós, sempre foi bonito, mas o que atraia era forma com que ele nos tratava, ele nos mantinha pela palavra, e até no mais tolo assunto ele nos deixava fascinado com sua opinião... Ele era sedutor como um demônio. _E por que acha que ele se mantinha distante? _Acho que se ficássemos muito próximos logo perceberíamos falha, e era estas falhas que ele ocultava sob o mistério, quando ele falava, e como ele falava, ele dava ênfase e nos fazia sonhar mesmo com a vida mais simples, mas ninguém é capaz de fazer isso para sempre sem que um dia alguém exija algo concreto, e acho que era isso que Ângela queria, algo concreto dele, mas ela mesma o havia decepcionado... _Acha que olhar para o sofrimento lento e diário dela era uma forma de vingança? _Talvez, mas quando se passou dos limites ele a fortaleceu, talvez quisesse jogar mais um pouco... _Como assim? _Ele me disse que a experiência mais atraente é a de manipular a mente humana, ele sempre foi atraído por isso, jogos psicológicos, ver até onde se pode ir quando não há mais saída...

_Acha que ele fez dela um de seus jogos? _Ás vezes penso que sim, e se foi, este foi o maior de todos os jogos, pois ele mesmo a queria, mediu força com ela e ela cedeu... _Como?! _Ele poderia ter levado ela para casa, batido nela, ou exigido que ninguém tocasse nela, poderia ter contado a verdade, e dizer que por ela ele jamais se entregou as outras, mas acho que ele deixou ela correr para que ela percebesse que não havia outro se não ele... _E ela percebeu? _Ela não respirava sem ele, ela o odiava mais não podia ficar longe... E ele deixou ela correr até que ela não agüentou a pressão, ela quis voltar varias vezes, mas ele não deu importância, ele mostrou para todos nós que ela sem ele perdia todo e qualquer brilho, e confirmou o seu poder sobre ela quando ficou aquela noite ao lado dela, e no outro dia ela mudou completamente... Mas acho que ele não se saciou, ou não percebeu que estava indo longe demais, sei apenas o fim disso tudo... _E qual foi o fim? _ “Não existe motivo por que o próprio motivo me abandonou.” _O que isso quer dizer? _Esta foi a frase que ela escreveu antes do suicídio. _Era para ele? _Ela entendeu, e ele moveu mais uma peça no jogo... Cheque Mate... Ela quis jogar, ela acreditou que poderia enganar e manipular como ele, e confesso que consegui me manipular, e ele viu nisso a vaidade dela, e ele mostrou para ela que ninguém é tão belo e

ninguém é tão sábio, e acredito que ela tenha entendido isso antes de tirar a própria vida. _E ele? _Acho que soube dias depois, o corpo dela havia sido levado para outro estado, onde foi sepultada, o pai dela não resistiu e também se mudo, precisava dos parentes naquele momento, e acho que o mestre soube por uma prima dela, em verdade ele não se pronunciou, por dias não apareceu... _E a comunidade? _Todos estávamos seduzidos pela atitude de Ângela, éramos um tumulo ambulante, todos estávamos sepultados em nós mesmos, e nos parecia tão fácil, eu mesmo bebi tanto naqueles dias que fui parar no hospital em coma alcoólico, depois fui mau aventurado em uma tentativa de tomar veneno, isso por que foi interrompido, e a partir daí a família me vigiava todo o tempo, quase me mandaram para uma clinica, mas houveram aqueles que conseguiram, houve quem se envenenasse, houve quem se matou em uma ação que ficou como acidente, mas nunca é acidente quando você dirigi bêbado a cento e oitenta quilômetros por hora em uma estrada, isso é suicídio, e houve quem drogou-se e voou tão longe que não conseguiu voltar... Foi melancólico e trágico o fim da comunidade, estava-mos horrorizados, havia medo todo o tempo, havia tristeza e desespero, nem conseguíamos mais conversar tranquilamente, e levou muito tempo até que pudéssemos falar novamente da comunidade, acho que sete anos se completam, anos de profundo tormento, uma perseguição insana, todos acabamos loucos, assinalados pelo maldito.

_E Eliaquim? _Deve estar por ai em mais um de seus jogos. _Mas ele foi á comunidade depois do ocorrido? _Por duas vezes, nos olhou sem paixão, todos esperávamos que ele nos mostrasse um novo caminho a trilhar, ele tinha nossas vidas nas mãos, estávamos sedentos, e ele apenas agiu como se tudo houvesse chegado ao fim, como se já estivéssemos mortos, talvez o jogo dele houvesse acabado enfim, naquela noite ele discursou sobre a decadência... Hoje fico aliviado por isso, pois de outra forma eu ainda estaria seduzido por ele... _E não esta? _Não daquela forma sega, quando ele nos abandonou tivemos medo, como fugitivo nós agíamos, temíamos como se não houvesse esconderijo para nos esconder, muitos decidiram partir para outros estados, outra cidade, um novo começo, e o que mais estranhamos é que fomos grandemente abalados e ele nem pareceu se importar, não parecia sentir, e foi então que eu entendi que tudo era apenas mais um de seus jogos. _E como você esta agora? _Estou me adaptando ainda, não sei se algum dia poderei ser mais um entre os outros, mas eu apenas vou seguir em frente, não tenho nada a perder, morrer seria para min um alivio, e sendo assim a vida não consegue mais me afetar tanto, pois eu sou livre para ir ou ficar, mas não posso dizer que sou feliz, eu perdi a maior de todas as dádivas... _E qual é? _A capacidade de sonhar novamente, acredito que todos tenhamos morrido na comunidade,

e acho que nossas almas estarão aprisionadas a aquele lugar para sempre. _E isso pode ser possível? _Tudo é possível quando ele joga...

Terceiro Capitulo

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“Franci”

“A comunidade dos Poetas”

_Como me encontrou? _Devo dizer antes que você é muito bonita mesmo, faz jus aos elogios que ouvi. _Como disse que se chamava? _Melissa. _E como chegou a min? _Samuel me indicou uma de suas velhas amigas, e eu fui até ela, o nome dela é Vanessa... _Sim, me lembro dela... _Então ela me falou que você ainda tinha uma irmã que morava aqui, qual você sempre vinha visitar. _É verdade, sempre venho nesta mesma época, nosso pai nos deu algum dinheiro quando viemos do sul, e assim compramos este terreno juntas, e o dividindo-o ao meio por um muro fizemos nossa casa. _Teve sorte, poucas garotas conseguem ganhar a independência tão jovem. _Eu fui morar sozinha ao dezesseis, eu queria realmente ter uma casa só para min, fazer minhas escolhas e ser livre para agir da

melhor forma que eu acreditasse, claro, errei algumas vezes, mas isso é comum a aquele que esta vivo. Mas quando falou com Samuel? _Há uns dois meses, neste período também falei com Eliaquim. _E como ele esta? _Eliaquim? Ele pareceu bem. _Por que esta indo tão longe para saber de algo tão bobo? _Não sei, talvez seja apenas curiosidade. _Venha, entre, a casa esta meio empoeirada... Quer beber. _Claro. _Eu tenho aqui comigo, o livro da comunidade... _O livro? _Ele registravam as coisas importantes aqui, poemas, discursos, e uma infinidade coisas. _Posso dar uma olhada? _Claro, se Eliaquim quebrou a primeira lei, acredito que nada mais deva importar a qualquer um agora. _Por que diz isso? _Eli é um profundo conhecedor das regras, as conhece e as molda para a própria liberdade, ele gosta de definir o território, pois assim sabe até onde deve ir... _Será? Eu soube que ele jogou com Ângela, e soube que passou dos limites. _Quem lhe disse isso, Samuel? Eli a amava, Samuel também, é comum ele culpar a Eli pela morte de sua amada, pois acreditava que ela estava ali, e Eli apenas esnobou “a criatura perfeita” como eles a chamavam... _Ela era tão bonita assim? _Sabe a imagem que projetamos em nossas mente sobre como os anjos devem ser? Pois

era ela, isso se possuísse uma aparência similar a uma garota. Mas ele sempre se apaixona por mulheres assim... _Ele se apaixonou outra vez? _Sim... Apaixonou-se por uma pianista, mas não insistiu na paixão, ela era uma bela garota também, cabelos castanhos escuros e olhos verdes, era diferente de Ângela, pois ela era loira, os cabelos eram quase brancos, e os olhos possuíam um claro tom de azul, mas na ação ambas eram parecidas, típicas mulheres que todos temem tocar por medo de quebrar, vozes suaves e doces, gestos gentis e delicados, a típica fêmea sedutora, mas de aparência frágil e passiva. _Posso olhar o livro? _Claro... _O que você acha de Eliaquim? Afinal pelo que sei foi você quem o moldou. _Em verdade eu o ensinei a voar, mas eu não lhe entreguei asas, pois ele já ás tinha. _Você o ensinou a jogar? _Não, até então eu nem sabia que se era possível ir tão longe, mas conhecimento é poder. _Deixa-me ver... O que é isso? Que tinta é essa que usaram para assinar os nomes no livro? _Não é tinta... Eles assinaram com o próprio sangue, entregaram sua identidade para a comunidade... Trágico. _Por quê? _Com quantas pessoas você falou? _Apenas com Samuel e Eli... _E tentou falar com os demais? _Tentei, mas destes nada soube, talvez seja por que tenham se mudado... _Ou talvez por que esteja todos mortos?

_Como? _Exatamente isso... Vinte e um fraternos todos morto... Leia a seleção de nomes. Eliaquim Tânia. Samuel. Patrícia. Ângelo. Alexandra. Fernando. Fabiana. Gabriel. Mary. Alex. Ádril. Marcos. Fernanda. Salvador. Luciene. Fabio. Diana. Aquiles. Clara. Dario. Daniele. _Por que todos os nomes tem ponto final, e o de Eli não? _Ele jamais coloca ponto final... E destas vinte e duas, apenas Eliaquim esta vivo agora... _Mas e Samuel, ele também esta vivo. _Vejo que esta desatualizada, veja o jornal da semana passada, essa foi a primeira coisa que eu soube quando cheguei. _ “Jovem morre em acidente de carro...”

_Ele estava vindo de uma festa na casa de um amigo, o carro se desgovernou, bateu na traseira de um caminhão e ele foi lançado para fora do veiculo... _Quantas pessoas você disse que morreu? _Vinte uma... _Mas morreram vinte e duas, afinal Ângela foi a primeira e já havia sido filiada a comunidade. _Com relação a isso não posso dizer nada, pois eu também não sei. _Acha que isso pode ser apenas acaso? _É melhor que crer que estão sendo ceifados, não acha? _Por que você parece saber mais do que diz? _Antes me responda por que esta nisso? _Curiosidade... _Sabe o que eu acho? Acho que na verdade você quis jogar. _E por que acha isso? _Não haveria outra explicação... _Ângela, também quis jogar não é? _Como saber? _Por que acha que Eli tem tanto prazer em jogar com as mente? _Não sei se isso é mais a distração dele, ele tem coisas maiores para se preocupar, jogos mais ousados por assim dizer. Me diga como o conheceu, e como entrou nisso? _Eu freqüento a muito tempo os círculos anônimos desta cidade, já havia ouvido falar nele, já havia ouvido falar na comunidade, mas para todos isso era apenas uma estória... _O objetivo da comunidade era provar que ela não existia.

_...Então, muitos nem souberam que ela um dia existiu, pessoas conceituada na cidade nunca ouviram falar dela. _Naquele período acho que a cidade não estava pronta para algo assim. _...Então encontrei uma amiga na biblioteca, e por acaso Eli estava lá também, passou por nós e a cumprimentou gentilmente, e eu pergunte quem era, e ela me falou que ninguém sabia ao certo, mas me lembrou da comunidade, e disse que se ela havia existido ele era o mestre dela, e foi então que eu me interessei pelo assunto, e por acaso em uma reunião de amigos, eu o encontrei novamente, ele chegou meio atrasado, mas foi só chegar e todos logo estavam em volta dele, uma amiga rindo me falou queria ter o atrativo dele para atrair todos estes rapazes para o seu redor, mas logo ele se distanciou dos demais e foi a vez de algumas meninas ir até ele, e ele as tratava amavelmente, não parecia interessado... _Ele sempre nos olha nos olhos, e acreditamos que ninguém é capaz de mentir nos olhando nos olhos. _Exato... Por uma amiga eu fui até ele, e disse que queria saber sobre a comunidade, ele disse apenas “e quem quer saber? Talvez ela nem tenha existido.” E eu disse, mas se existiu você é o mestre dela. E ele falou que este era um jogo perigo, desencavar o que já estava enterrado, e eu disse que iria jogar, então ele me levou até o barracão da comunidade. _Você disse que queria jogar? _Disse... _E o que mais vocês tem em comum?

_Antes nada, mas agora talvez... _Por quê? _Por que eu fui aceita para ingressar em um grupo de estudantes de ocultismo e ele faz parte deste grupo, talvez seja uma nova fase da comunidade. _E quantos há no grupo? _Comigo doze, mas eu ainda não freqüentei, irei esta a noite. Mas e você, o viu desde que retornou do Rio? _Ainda não, mas ele sabe que eu estou aqui. _E quando pretende retornar? _Acho que vou ficar aqui por um tempo. _Acha que desta vez vocês ficaram juntos? _Acho que você esta caidinha por ele... _E por que diz isso? _Você o admira, sempre que fala nele, e como se eu ouvisse Samuel falar, falta apenas o chamar de mestre. _Não é verdade... _Não se preocupe, você segue o padrão das mulheres quais ele se apaixona... Vê, seus olhos brilham, mas isso é verdade, você é bela, possui a aparência frágil, lembra uma camponesa inocente e bela... _Eu posso levar este livro? _Você tem dois dias para o devolver a min, nem um dia a mais, nem a menos. _Obrigado, eu vou ir agora... Depois que eu estudar o livro podemos conversar? _Venha ás quatro da tarde de depois de amanhã, e conversaremos. _Tudo bem, estarei aqui.

Quarto Capitulo

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“O livro da Comunidade”

“A comunidade dos Poetas”

O livro da comunidade para registro, era uma espécie de grosso fichário de couro, onde em belas letras douradas um escrivão detalhava os acontecimentos e eis a introdução do livro...

“Aquele que tem razão, não precisa de fé.”

(Introdução ao livro da lei e doutrina) “As asas da Realidade”

“O Mestre”

Não leia mais que esta frase, se ainda trás em si todo medo, toda morte, todo fanatismo, todo preconceito religioso qual foi imposto a todos sem exceção até aqui. Para continuar esqueça a religião, este é o principio. Trago aqui as asas que lhe foram ceifadas desde o berço maternal, até os presentes dias, se não estiver disposto a libertar-se destas cadeias que tanto trouxeram morte a humanidade, que estas palavras lhe soem vazias, á sua religiosidade transformar esta filosofia em algo mórbido como a realidade que tens vivido nos dias presentes. Se o homem é ignorante ao ponto de não observar suas próprias cadeias, este deve ser desprezado, e privado de caminhar entre nós, não há pretensão neste principio de acumular membros corruptos, não há pretensão de ser agradável, e nisso não há pretensão, pois não há interesse com relação aos demais. Se com esta filosofia lhe for apresentado um pedido de donativo, mate sem piedade este mensageiro maldito de falsidade, e segundas intenções no agir. O principio desta ordem é libertar através da filosofia, tudo movido pelo palpável, não elevamos o in-real, não ludibriamos com parábolas sob mistério. Mais do que em qualquer outro tempo o homem precisa abrir sua mente, olhar para o principio

e corrigir de uma vez por todas o erro fatal que é a fabula da fé...

(Livro dos discursos)

Primeiro discurso do Mestre após a ordem ser firmada. (18 de maio do primeiro ano da comunidade)

Voe tão alto quanto vossas asas permitirem, alcance os céus, una-se as estrelas, pois ainda há tempo para viver tudo aquilo que você sonhou. Nunca é tarde demais, o que conta no fim, é exatamente tudo aquilo que você viveu, por isso não se arrependa pelo que já esta feito e não pode ser mudado, é preciso continuar. Nunca negue o que sente, pois você pode não ter outra chance de se expressar, não medo do “não”, o mundo esta cheio de pessoas com medo de viver, medo de aprender... Não seja você mais uma entre tantas. Descobrir o que se quer, é o primeiro passo rumo a vitória, pois difícil não é trilhar, e sim escolher o caminho. Nunca se satisfaça com as experiências dos outros, pois cada um tem sua própria forma de ver e interpretar o mundo, suas própria qualidade e defeitos, por isso jamais faça sua a causa alheia, crie sua própria estória, pois glórias e decadências,

são e sempre serão pessoais, por isso o que foi vivido, já foi vivido, o que importa é o que você vai fazer agora, e a gloria ou a decadência será apenas uma conseqüência das atitudes que você tomar diante das circunstancias que a vida lhe impor, e elas o levarão de nobre a mendigo, mas o que importa é viver e saber, que rir e chorar, faz parte do caminho como o dia e a noite... Viva intensamente o caminho que escolher, pois no final você percebe que medalhas e troféus, tem apenas uma pequena importância, pois o que vale é viver, e então você perceberá que é um vitorioso, até mesmo no fracasso, e tudo é apenas um aprendizado, pois deste mundo nem o corpo se leva, e o que importa é o que você sentiu, o que você viveu, e alem disso... Apenas objetos que não tem nenhum valor real diante da vida ou da morte.

Discurso de Ângela (O escrivão descreve a cena) A senhorita Ângela, distinta dama entre estas paredes que acumulam escuridão, no mês de maio levantou-se na intenção de discursar, sentou-se no palco, parecia confusa,

olhou ao redor, seus olhos buscaram ao olhos do mestre, e olhando para eles ela permaneceu em profundo silencio, tanto demorou que o mestre se aproximou, e ante que este a pudesse tocar, esta bradou em forte e rasgada voz dizendo: “Eu sou um duplo, e quem na verdade eu sou?” Neste momento o mestre olhou para os demais e todos viraram as costas, nenhum quis presenciar a cena, e o mestre a conduzindo pediu a Samuel, para que este a levasse para casa.

Discurso do Mestre (Sete de Junho)

No principio deus criou o homem a sua imagem e semelhança, o homem era perfeito, sendo ele a imagem e semelhança de deus, voz digo que ele mesmo era deus... E como um deus, ele almejava em seu coração ser senhor de seu próprio destino, isso o corrompeu perante os olhos do criador... Não muito tempo antes, ocorreu um fato semelhante... Deus havia criado um ser de imensa grandeza,

foi criado em perfeição, e o Éden com toda a sorte de pedras preciosas, era apenas estrada para seus pés, este magnífico ser era chamado de estrela da manhã, filho da alva, sinete da perfeição... Este eram os mimos do criador para sua cópia perfeita, tudo que havia nos céus era para ele, não havia ser que contestasse sua sabedoria, tinha seu próprio santuário, nele era coberto de toda sorte de pedras preciosas, e sobre o brilho delas também andava... No dia de sua chegada, os céus estavam em festa, para este dia foi adaptado a beleza e a perfeição, todos esperavam a própria imagem do altíssimo. Quando este foi revelado, todos o amaram como sendo a própria luz, não havia sabedoria igual... Mas esta imagem era semelhante a deus, e também se corrompeu perante os olhos dele, este também desejou ser senhor de seu próprio destino. Todas as vezes que deus criar um ser a sua imagem e semelhança, este se corrompera perante seus olhos, por que deus sendo ele mesmo aquele que esta acima de todas as coisas, quando criar o seu igual, ele trará em seu coração o mesmo sonho de grandeza, as criaturas semelhante não se corromperam por que são o mau, e sim por que deus no lugar delas faria a mesma coisa, não há como você criar a si mesmo para se adorar, as virtudes e os vícios se chocariam, e ambos cobrariam adoração para si mesmo, se rebelando assim a criatura... E foi isso que aconteceu com o altíssimo e suas imagens semelhantes... O Altíssimo permanece em seu absolutismo, habitando os céus dos céus, a estrela da manhã se precipitou para o mais profundo abismo e lá

em densa escuridão firmou seu reino onde planeja um dia subir aos céus, e ser a mais alta de todas as estrelas do altíssimos, ser mais alto que o próprio criador, e ao homem coube a terra onde firmou seu reino, mas é escravo da duvida, cambaleante entre a luz e a escuridão, na eterna encruzilhada, e eis a face do vicio, eis a face da virtude e eis a face da duvida...

“Páginas rasgadas do diário de Ângela encontrada entre as páginas do livro da comunidade, apenas a parte que ela define a comunidade.” Destacado uma parte rabiscada. “As coisas da comunidade ficam na comunidade...”

A comunidade dos poetas... Um todo formado por partes individuais, contaminado por um vírus em comum, a solidão. Faces pálidas e vestes negras, todos nós temos nossa própria legião de demônios que nos protege e nos destrói. Há algo de belo e demoníaco em agressões de amor, feridas de amor, onde se derrama sangue para se provar que ama, e se mata para mostrar quão triste era. Essa é a comunidade dos poetas... Uma comunidade de demônios melancólico seguindo á risca o karma da fatalidade, e da morte cruel, todos aqui já estão mortos, são fantasmas ambulantes, casulos vazios, esperando com ímpeto a consolidação do fim. Quando um novo poeta se inicia, em verdade ele não só passou a fazer parte da comunidade dos poetas,

mas também passou a fazer parte da comunidade dos demônios mais perigosos que existem, aqueles quem não tem amor próprio, se preciso for se destroem para destruir alguém. O poeta quando abraça aquele que se inicia, isso como sinal de boas vindas, em verdade o iniciado esta abraçado o apenas o karma, e a única diferença entre, é que o fraterno o largará, mas o karma jamais, este irá levar consigo pelo resto da vida. Há beleza e sensualidade em cada um dos selecionados, eles seguem um padrão de beleza e tristeza, de roupas e caráter. Aqui eles não se surpreenderiam ainda que eu arrancasse a roupa e saísse gritando pelo barracão, eles não se importaram com suas crenças, eles não se importaram com suas opções, pois todos eles tem seu próprio mundo cheio de complexos para se importar. Quando ele querem contestar alguém, eles erguem a mão esquerda, e abaixando-a permanecem em silencio até que aquele a quem desejam contestar termine seu discurso, e quando isso ocorre, ele se levantar e só então expressa sua opinião. Tudo aqui ocorre indiretamente, não se ouve risos ou vozes pelo barracão, ninguém se exalta, e quando isso ocorre todos ignoram, pois todos não consideram nada digno de qualquer emoção, e aquele que considera é ignorado. Se eu me matasse hoje, na próxima reunião diriam apenas, “é uma penas, mas nossa querida amiga Ângela não poderá comparecer, em virtude de seu suicídio sexta passada.” Todos aqui estão disposto a conversar, mas ninguém conversa, e quando tentam acabam falando mal do mundo e de deus. Aqui se cria teorias que destroem a fé e as crenças das pessoas, pois o objetivo do demônio é torna-las vazias e vulneráveis, e na face de um poeta ele se mostra um santo da maldade, nos diverte declamando sua tristeza e acalma seu próprio coração cantando sua desgraça. A comunidade dos poetas não é uma comunidade filantrópica, todos somos individualistas, ajudamos, mas não estamos de braços abertos para ajudar, somos anarquistas egocêntricos, e ao todo a comunidade gira em torno de um circulo

antropocêntrico. Neste salão de luzes laranjadas, todos podem dizer, pensar e fazer o que quiser, ninguém aqui julga, não nos surpreendemos, não comentamos, não discriminamos, apenas aplaudimos, elogiamos, observamos e nos calamos, jamais debochamos, mau dizemos ou apontamos, apenas ignoramos. Essa é a comunidade dos poetas, onze mundos diferentes, mas todos desertos e gelados, tão distantes e tão próximo, tão diferentes e tão iguais, os laços que nos ligam é o da fatalidade, e todos aqui tem seu epitáfio décor, temos consciência da missão do poeta, e estamos todos conformados. Neste barracão ao som de violão, ou um piano declaramos nossa tristeza, a comunidade quase passou a ser um auxilio para pessoas com tendências suicidas, aqui usamos caneta ao invés de punhal, escrevemos a tristeza quando estaríamos nos cortando. Aqui a maior desgraça é estar vivo, mas permanecemos, pois sabemos que o fraterno ao lado também pensa assim, mas ainda assim permanece pagando o alto preço que é estar vivo. A comunidade é um castelo onde cada pedra é importante para mantê-lo de pé, e se uma destas pedras vir a cair, então tudo estará escuro...
“A metade desta página foi rasgada e não me foi permitido saber como este texto terminava, mas a outra pagina continuava desta forma, totalmente paralela aos demais escritos.”

Hoje ele discursou para min eu tenho certeza, enquanto ele falava, ele olhava nos meus olhos, e ele disse... Feche os olhos, não há nada para ver em min, adormeça em meus braços, eu te elevarei acima dos pesadelos... Não chore, suas lágrimas não se comparam ao sentido pobre da vida, esqueça o espelho, ele mente ás vezes... O preço que insistimos em pagar não tem valor para ninguém, as lágrimas que insistimos em chorar não dizem nada, e você não pode ser o melhor se antes não o for para si mesmo.

Acorde quando meus lábios tocar os seus, e permaneça sonhando o dia inteiro, faça desta alma pobre algo absoluto, me faça o bastante e eu serei o tudo. Não há mentiras nos sonhos, eles trazem a salvação para a loucura, e quando tudo tiver fim, talvez o mundo seja apenas um fruto doce na palma de nossas mãos.
E o manuscrito termina com a frase... “Amor, insanos amor.”

“Distraída enquanto lia o livro da comunidade perdi a hora, cheguei atrasada a reunião, e ao final fui até Eliaquim que já ia se retirando.”

_Podemos conversar? _Melissa? _Quer ir beber algo comigo? _Não, prefiro caminhar, mas se deseja falar venha comigo. _Parece preocupado. _Preciso apenas de um momento seguindo sem destino e logo estarei bem. _Faz tudo tão programado sempre, e por isso precisa caminhar sem destino ás vezes? _Ás vezes... Você chegou atrasada em seu primeiro dia, isso não é bom sinal, gera maus costumes nos demais... _Estou com o livro da comunidade. _Então devo presumir que encontrou-se com Franci, e a distancia que percorreu neste enigma me deixa realmente surpreendido. _Me encontrei com ela, li as páginas rasuradas do diário de Ângela... _E a que conclusão chegou?

_Que você pode até não ter mentido, mas com certeza não me disse toda a verdade. _E o que é a verdade? _Você pode me esclarecer isso. _Talvez não... Eu gosto de você, apesar de doce é persistente, fez de uma coisa morta sua saga, eu admiro isso, mas todos aqueles que tentam desenterrar a comunidade se ligam a ela, e isso eternamente. _O que quer dizer? _O que esta fazendo? _Me diz você. _Acho que esta sedenta para jogar meu jogo. _Eu acho que estou jogando o meu, e pelo que sei estou vencendo você. _E como poderia? Todos aqueles que decidem jogar devem estar dispostos a perder, e você esta disposta a perder Melissa? _E você Eliaquim, está acaso disposto a perder? _Sempre estive, sempre aposto tudo, se eu perder, perderei uma só vez. _O que realmente houve com a comunidade? _E por que eu responderia esta pergunta? _Por que é um jogador, quer pagar para ver. _E você esta disposta a pagar para ver? _Estou. _Então quando chegar em sua casa assine o livro com seu sangue, escreva na última página, e então estará no jogo. _E qual é o jogo? _Você terá até depois de amanhã para descobrir o que houve, eu irei discursar neste dia, e você deverá quebrar minha máscara diante de todos, e então vencerá o jogo, e eu entenderei que és melhor no jogo que eu, e

pode ter certeza que eu jamais jogarei de novo então. _E se eu aceitar? _Então eu lhe respondo que você perguntar diretamente. _Eu aceito. _A curiosidade é uma virtude e uma maldição... _E o que não é...? _Vamos a primeira pergunta. _Qual era o seu objetivo real na ordem? _Jogar e fazer jogos, convocar aqueles que estariam dispostos a jogar comigo. _E qual era finalidade deste jogo? _Pagar o preço. _Que preço? _Eu fui direto. _Então explique melhor. _Você vê apenas este mundo e as coisas deste mundo, mas há uma frágil cortina que nos leva a um mundo diferente, você crê no juízo final? _Não de todo. _Na incerteza de uma outra vida eu fico com esta, eu fico com o que meus olhos podem ver, faço qualquer coisa para estar longe da escuridão e do abismo. _Franci sabe o que ocorreu com a comunidade? _Sabe... Mas você também sabe. _Sete anos se completou no dia em que, Samuel morreu? _Sim. _Qual a ligação. _Ele jogou com a vida e perdeu, qual o mistério nisso? _Quem sobreviveu?

_Ninguém... _Este novo grupo será o novo palco para seus jogos? _Sim, e se você não me desmascarar, tudo terá inicio depois de amanhã. _Pode me dar uma dica de como desmascaralo? _Apenas observe os que estão e os que chegam depois? Agora chega de perguntas, mas antes que me cobre por jamais dizer de todo a verdade, se cobre por até aqui não ter feito as perguntas certas, por não ter olhado para o prisma real das coisas em questão.
Quando cheguei em casa estava empolgada a desvendar o jogo e a isso me dediquei aquela noite e o dia seguinte.

Quinto Capitulo

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“Tarde do último dia”

“A comunidade dos Poetas”

_E então foi esclarecedor o livro? _Muito, mas percebi que a comunidade não era o que Samuel e Eli me disseram, as palavras de Ângela mostravam algo mórbido. _Talvez para ela fosse. _Talvez, mas há algo que não está certo, o inicio do livro da lei mostra uma iniciativa de poder e dominação, e não pode ser acaso, o fato, todos morreram...

_Você trouxe o livro? _Esta aqui, muito obrigado. _Não se preocupe, o interesse era seu, eu apenas o supri... Espere, você não fez o que fez...? _Sim eu assinei o livro. _Isso faz de você uma poetiza agora, bem vindo a comunidade. _Não parece feliz com isso. _A infelicidade ou a felicidade é sua, você desejou jogar... Leu os poemas? _Me fixei nos discursos. _Os poemas são a minha parte favorita deste livro... _Me diga algo que me ajude... _Tudo bem... Qual o objetivo de toda ordem? _Mostrar o caminho? _Ás vezes... _Resgatar almas? _Isso. Mude apenas para colher almas, veja este poema de Eli, ele diz, “eu sou o corvo, livre vôo pela noite, levo morte, levo levo fim... Eu sou apenas um colhedor de perolas...” Entendeu. _O que, que ele colhe almas, para que para jogar com elas? _Não diretamente... _O que ele busca. _Ele busca jogar com o maior dos jogadores e vencer. _Então ele esta procurando vencer a todos? _Não apenas ao maior de todos os jogadores. _Então ele sairá vencedor, por que não faz sentido nada disso para min, e ele já me venceu. _Quando não vemos formas de um prisma a melhor maneira é olhar de outro.

_O que quer dizer? _Que tudo faz sentido, é apenas uma questão de ponto de vista, e se não conseguir entender isso então já perdeu e esta será a última vez em que falaremos. _Você como ele não admite perdedores? _Por força maior apenas os vencedores do jogo ficam. _Você não me parece fria assim, a ponto de me ignorar quando eu bater em sua porta. _Realmente não. _Me fale sobre a outra garota por quem ele se apaixonou, você me disse que ele desistiu dela, mas eu não consigo acreditar nisso, não consigo vê-lo desistindo de algo que deseja... _Tudo que você precisa já lhe foi entregue, mas saiba que apenas um motivo maior o faria recuar. _Meu tempo esta acabando e eu não quero perder, pode chamar isso de vaidade se quiser, mas me fale sobre esta paixão, talvez haja algo lá, que me possa esclarecer. _Eu farei melhor, deixarei o próprio Eli descrever o principio de todo o jogo. _Como? _Eu tenho uma espécie de diário escrito pelo próprio Eli, falando dos primeiros dias... Você trouxe uma pasta, mesmo que perca, você tem o compromisso de levar com sua pesquisa este diário até ele esta noite. _Eu prometo. _Procure não se atrasar, isso será sinal de que perdeu. _Tudo bem. _São alguma páginas, espero que consiga ler a tempo.

_Já estou acostumada a fazer as coisas na correria. _Que seja, este é o diário, mas ai apenas encontrará a insanidade dele, neste período ele se perdeu completamente nele esta o motivo pelo qual ele iniciou o grande jogo. _Talvez eu encontre uma falha, e isso me ajude. _Talvez.

“Palavras escritas pelo próprio Eliaquim.”
Titulo: (Memórias de um amor insano)

..06..18..01..14..03..09.. Eu acho tão belo o fato de ás vezes você me olhar decepcionada, como se nunca poderá ser o bastante para min, e quando eu fujo de casa e lhe digo que não encontrei nada por estas esquinas escuras, e você me olha como se eu estivesse ali por não ter lugar melhor

para ir, então você me abraça e torna-se uma opção, a opção mais tentadora que eu já tive. Ás vezes quando as madrugadas me atormentam e desesperado bato a sua janela em busca de abrigo, e com um ar temperamental você me diz para ir embora, pois esta noite você quer ficar sozinha ou que conheceu alguém melhor que eu, eu apenas lhe dou sorriso e me viro para partir... E me lançando uma maldição qualquer você me convida a entrar, e eu descubro suas feitiçarias, onde meu nome sempre esta em alguns de seus rituais de amor eterno, paixão e conquista, ou no desejo de que algum dia a deusa vá me entregar curvado e amarrado aos seus pés, a gente ri juntos, e no fim você sempre me diz que o poder que há neste pentagrama negro sob sua cama é que sempre me faz voltar e lhe procurar nestas noites de desespero, eu apenas lhe entrego um sorriso, afinal não havia motivos para estar em outro lugar, e lhe digo que me atrai descansar nos braços do demônio da luxuria, e no risco eu encontro abrigo. Talvez tudo isso vá acabar me matando um dia, os deuses me odeiam por eu descansar tão tranqüilo nesta cama de feitiços, eles me odeiam por eu olhar para toda esta magia negra que exala de você e apenas sorrir para o perigo, a deusa me odeia por você só se curvar a ela para me manter ao seu lado, eles me odeiam por eu satisfazer a você e aos seus demônios, e no final ter o poder sobre sua alma, pois ela você também me entregou, e você também me odeia por saber que eu sou apenas um colecionado de alma com a pretensão de um dia comprar um paraíso só para min, e pela eternidade não

mais haverá outro ser ao meu lado. Eu gosto quando você me olha e me diz que eu só fiquei por que estava bêbado e amanhã irei acordar triste e passar a semana inteira cortando as palmas das mãos só para sentir dor, uma forma de auto flagelação em pretensão de exorcizar a tristeza, acho que te amo quando você corre os dedos sobre as cicatrizes no meu corpo e chora em silencio enquanto finjo que estou dormindo, gosto quando você fica me olhando no meio da noite e eu acordo sob seu olhar passional, e acho engraçado pois ás vezes eu também faço isso, ás vezes penso em atrocidades quando vejo-te nua e adormecida, sobre a cama despreocupada como uma criança inocente aquecendo-se contra um coração gelado, gosto quando você desesperada começa a quebrar tudo e diz que nada importa, e eu sombrio vejo as coisas voarem, e você me olha com ira no olhar, e me diz que me odeia por eu ser tão intocável, tão gelado, a ponto de se você me cortasse com esta adaga não correria uma gota de meu sangue, pois eu sou de peixes tenho o sangue frio e congelado nas veias, e se pergunta enquanto contempla seus mapas astrais, como pode nascer alguém no circulo de peixes ascendente câncer e jamais amar, já mais sentir, como eu posso ser tão frio quanto uma lápide de belas inscrições sobre eternidade? Eu me levanto calmamente vou até você e lhe abraço tão terno, pois só nestes instantes você expressa o que realmente vê em minha alma, e quando você me diz que vai se matar então eu lhe corto a palma da mão e deixo o sangue correr, enquanto você permanece congelada olhando nos meus olhos, e eu lhe

dizendo que ali não ficará cicatriz por muito tempo, e você pálida me diz que sou louco, e não entende como pode amar alguém que lhe fere tão, e me manda embora dizendo que esta ficando louca, e eu lhe digo que todos somos loucos, o mundo é louco e você jamais viverá sem min, então você me xinga, e diz que nunca conviverá com outras, mas eu sei que você não se importaria, pois eu lhe disse desde o primeiro instante em que você me convidou para dançar o que eu queria, e nada do que lhe falei ia alem da aventura de uma noite, alem do prazer, e olhe para nós... Eu já sei quanto tempo faz, há quanto estamos vivendo este jogo insano? Eu nunca lhe disse, mas o jogo de Azrael escrevi para você, mas acho que você sabe disso pois é a musica que você mais gosta, e diz que é a que mais diz quem eu sou, por isso a escrevo aqui novamente, mas eu não só isso. “Noite fria meu amor, nenhum toque meu pode te aquecer, é livre as asas do corvo trazendo tristeza e morte, um estrela insiste em brilhar, quando nem mesmo a lua se arisca. Seu lábios vertem sangue, é difícil saber qual de nós, é a vitima neste jogo insanos... E a madrugada chega, tímida leva nosso tempo, quem vai perder afinal, qual de nós vai sair vivo, e pela aquela porta contemplar, o nascer do sol?

Suas morrem em seu jazido, tudo se perde na penumbra, está frio mas eu tenho o sangue quente, e te fiz promessas que não quero viver para cumprir, e a madrugada chega, e tímida leva o nosso tempo... Por que esta tão triste, quando este jogo me diverte, quem vai sentir agora? É uma pena, você perdeu de novo... Escolha seu epitáfio meu amor, pois aprendemos a não perdoar, olhe-se no espelho e veja, quão belo se mostra o sangue a correr, em sua pele pálida, o vermelho combina com você, e a madrugada chega, tímida levando nosso tempo... Você poderia beber um pouco mais, não precisa ir agora, eu tenho a madrugada inteira, e a morte pode esperar. Lindo é, tocar seu lábios, que frios e cegos, não se movem aos toques dos meus, e você não diz nada, o jogo termina aqui, devo partir agora, pois a madrugada chega, e tímida leva o nosso tempo... Você perdeu afinal.”

Gosto quando você me olha, e com suas amigas você finge não me conhecer, e eu passo como se fosse um estranho para você, afinal um único mundo nos liga, o da loucura, do prazer e da dor, e eu entendo pois para todo mundo eu digo que estou sempre só. Eu nunca lhe contei, e talvez não vá contar, mas gosto daquelas pinturas em seu quarto, que você diz ser estilo renascentista, na verdade eu sei que são barrocas, mas eu nunca discuti isso, para min tanto faz, o importante é que são bela, gosto das sombras em seu quarto, o cheiro de incenso rosa da índia, você acha que eu não gosto de incensos, mas eu descobri que gostava quando senti aquele cheiro e até hoje ainda é o meu preferido, odeio o cheiro de velas misturado ao cheiro do sangue de seus rituais, odeio quando você diz com um ar feminista que minha ordem esta cheio de machistas ignorantes, e eu retruco dizendo que ao menos não dormimos uns com os outros, odeio quando você me pergunta se eu te amo, eu sempre fico calado, odeio quando você faz aquele olhar que eu sei que é de proteção, mas ele acaba com meu mundo, eu não falo pois não poderia confessar a você uma fraqueza, não poderia lhe confessar que você ás vezes me fere... Odeio quando você quer me apresentar para estranhos, quase faz de min objeto, odeio quando você lê aqueles livros bregas, eu não gosto daquela sua musicas favorita, não gosto quando você me chama em sua casa e a coloca a alto som e fica me olhando, sabendo que eu sei o que ela esta dizendo. Odeio quando você me chama na suas casa para saber que você vai ficar com uma de suas amigas, eu sei que é o seu

incessante desespero em tentar me ferir, ou despertar qualquer ação, e seria tão simples lhe agarrar e lhe levar para o quarto, expulsando sua amiga, mas não importa, afinal eu não pertenço a você, e se eu desejar você por inteira então estarei me aprisionando, mas gosto de sempre bater em sua janela depois de seus crimes, e constatar que esta é a sua forma de se flagelar, e olhar para você com aquele olhar triste e você fingir que teve a noite mais perfeita, então eu olho para a bebida e as drogas, sua loucura artificial, e lhe abraço então você sempre chora, e me pergunta por que eu sou assim, pago para lhe ver errar contemplando-te beber de seu cálice amargo até a última gota, na verdade ás vezes eu também choro mas só depois que eu vou embora... Acho que no fim somos tragédia para nós mesmos, e quando você me pergunta se algum dia pensei em me casar, e como seria minha esposa, eu digo que não, e você fica triste, mas ás vezes eu penso em nós, mas eu não vejo uma vida ao seu lado, vejo apenas morte trágica e precoce. Não há futuro para nós, e quando você me faz prometer que vou lhe esperar no tumulo, como você irá me esperar, eu fico triste quando você fala nesta eternidade sombria só para nós, onde vagaremos pela noite, jovens e belos, eternamente insatisfeitos. Eu sei que ás vezes você confunde toda esta ilusão que me cerca com a realidade, e talvez a realidade seja esta, mas eu me irrito quando você diz me conhecer, mas não sabe do que eu gosto, e odeio quando você fica buscando mentiras e segredo em meus olhos, odeio quando você sonha que eu fiquei com uma de suas amigas

e você briga comigo, ás vezes acho que até na loucura tem que ter limites. Para ser claro eu odeio tudo isso, odeio sempre voltar e descansar em seus braços, odeio te ver me aceitar e eu descobrir o não saber por que ainda estou ali, mas eu amo os dias em que você parece acordar tão pura, vestida naquelas roupas de cor bege claro ou uma cor de tom envelhecido, e os seus cabelos ruivos caem sobre sua face adornando seus lábios carnudos tão vermelhos, e sua pele pálida em contraste com estes olhos claros, e você sorri parecendo ter se libertado das trevas, um demônio tornando a viver um dia de luz... Eu fico lhe olhando com o olhar melancólico, você vem e me beija dizendo o quanto sou belo, diz que sonhava comigo antes de me conhecer e em seus sonhos eu era Azrael, neles eu lhe confortava até que um dia você beijou meus lábios e eu desapareci dos teus sonhos, até você me encontrar em uma igreja católica... Naquele dia você me olhou e me disse que eu não parecia pertencer aquele lugar, e completou que sentia que já me conhecia, eu olhei para você e apesar de ter aparecia tão bela, eu achei que era cantada mais “sem sal” que eu já havia recebido, então você me perguntou se eu estava procurando salvação, e eu respondi “Todos estamos mesmo que ela não seja para todos...” Depois de lhe dizer estas palavras eu parti sem olhar para trás até lhe encontrar naquela festa, onde todas as meninas lhe dizia que eu era estranho, mas boa parte delas já haviam dormido comigo, disseram a você que eu era um demônio insensível, mas que eu transava bem, então enquanto eu fumava um cigarro em um canto

escuro você veio tão sem jeito, e me perguntou se eu me lembrava de você, e eu respondi que não, lhe disse que eu não me lembrava nem de quem eu era ontem, o estranho é que você riu, e dançamos no escuro longe de toda aquela euforia que tanto me incomodava, e acabamos sobre uma lápide fria no cemitério municipal, e tudo virou sadismos emocional adornado a uma garrafa de vinho e champanhe, eu roubei rosas de um tumulo e trouxe para você, por anos eu recebi rosas vermelhas de minhas amantes, mas nunca lhe confessei isso até você me pegar recebendo, você não me disse nada, virou as costas e partiu e eu fingi que não te vi, quando lhe encontrei não toquei no assunto omitir não é mentir, mas este ainda é um daqueles assunto que nunca tocamos, mas você me disse que não gosta de flores, principalmente de rosas vermelhas. Eu amo o fato de que quando o mundo se perde e tudo se vira contra min, eu me viro e vejo você ainda esperando por min. Eu me lembro quando eu cheguei e seu pai estava lá, ele me olhou e perguntou quem eu era, eu disse apenas que era ninguém, mais que eu queria conversar com você, depois disso você foi proibida de me ver, seu pai me odeia ainda implica com meus cabelos, e minha aparência de um modo geral, mas ele consegue me compreender, mesmo quando diz que eu sou o cara contra o qual a vida toda ele lhe preveniu, mas é, acho que estas palavras são as que você queria me dizer quando me mandou embora e depois me ligou pois queria conversa, e eu lhe perguntei, conversar sobre o que...? Até hoje acho que fui maligno, e

nenhuma das suas ações me feriu mais do que ir a sua casa e lhe ver chorar... Quando eu não te ligo, não recebo suas ligações, fujo ou me escondo de você, saio com alguém... Eu só quero lhe mostrar á vida longe de min, eu só quero lhe mostrar que você não precisa viver este jogo insano, mas ás vezes parece que você não respira longe de min, e ás vezes acho que você esta viciada em sentir dor, mas acho que há gosto para tudo, e quando eu te vejo sobre a cama tão seria com seus estudos e trabalhos, enquanto eu olho para aqueles quadros, ou fico adivinhando que carta irei pegar no seu baralho de tarot, e sempre acerto pois são sempre as mesma cartas por mais que eu embaralhe, (A Lua, O diabo e Imperador... Sempre estes arcanos maiores) eu te acho tão capaz, tão inteligente, e quando você me pergunta séria o que acho sobre aquele texto de história ou sobre a filosofia quando eu sempre digo que se Platão houvesse aprendido algo de Sócrates teríamos apenas pilhas e pilhas de livros em branco, e séria você discute tentando provar que eu estou errado, eu te acho tudo aquilo que eu sempre quis, ou quando dormimos juntos e ao amanhecer eu fujo para de baixo da cama, pois a luz me incomoda, e quando acordo você também esta lá, eu acho tão perfeito... E ás vezes tenho medo, pois há momentos que eu não sei mais quem de nós sou eu, mas eu paro e contemplo, então eu te reconheço pelo mesmo erros e crimes. Eu me lembro do dia em que nos metemos em uma confusão naquele bar, e enquanto eu levava socos eu sorria para você, até você interferir na briga, eu pensei que você havia se levantado para

apartar, os inimigos ficaram te olhando quando você os mandou parar, você veio até min e me deu um tapa na face, me perguntando por que eu insistia em querer perder tanto, e me humilhou quando disse que eu era valente demais para perder e covarde demais para vencer, você voltou e se sentou acendeu um cigarro e bebeu sua cerveja, os caras riram de min, eu fiquei perturbado por um instante, mas quando voltei a min eu sorri dizendo vamos voltar, eram apenas três caras, eu venci só para provar para você que eu era tão capaz de perder quanto de ganhar, e me envergonhei em fazer isso pois eu não tenho que provar nada para ninguém, mas ás vezes é tão fácil ganhar e tão difícil perder, quase fui preso naquele dia, e tudo começou por você tentar despertar o meu ciúme, queria que eu brigasse por você, e eu tentei apanhar, mas você foi convincente, você riu a noite toda de min, descrevia as cenas de minha vitória como se eu fosse um cavalheiro medieval lutando por seu amor, eu fiquei chateado por isso fui embora mais cedo, eu não gosto de algumas coisas que você desperta em min, como é o fato de recorrer a violência, se fosse para min ser violento eu não buscaria cultura, seria apenas um fera selvagem, mas acho que o fato de tentar me alto cultuar é apenas uma forma de aprisionar a fera em min, e não gosto quando ela aflora. Acho interessante o fato de que sempre que te digo até mais você fica calada, gosto desta maneira que ás vezes me olha, como se, se pudesse me aprisionaria para o resto de sua vida em uma cadeia onde pudesse me contemplar e me possuir noite após noite, talvez meu demônio lhe ame, pois

eu não estava lá em seus sonhos, eu nunca estive com você até aquele dia na igreja católica, e só entrei lá por ela esta deserta, até você chegar... Eu queria ser um anjo e talvez envolver-te com meu corpo e batendo minhas asas te levar para longe, onde eu pudesse te amar e te odiar por toda eternidade, mas acho que todo este relacionamento complexo que temos, me faz ficar ao seu lado e me calar quando você grita, com se tivesse algum poder sobre min, isso povoa minha mente de fantasias e dão belas páginas para os meus mórbidos livros. Acho que só estou escrevendo isso, pois preciso exorcizar o que estou sentindo, nós brigamos de novo... Doeu á forma com que você disse que precisa de alguém que esteja realmente ao seu lado, doeu ouvir que você esta cansada e precisa de um tempo, mas eu sei que vai me ligar antes que esta noite tenha fim, você acha que não me preocupo com você, acha que tudo que vivemos é o inserto, mas como ser claro, se você também é duvidosa? Há coisas que fingimos não ver, a coisas que fingimos não ouvir, como é sua insistência em querer me prender a qualquer custo, ás vezes acordo ouvido suas rezas, ou observo suas bruxarias para me prender ali, ou ás vezes... Isso eu nunca lhe contei... Mas há noites em que eu acordo e você esta possuída por suas entidades, talvez não sejam demônios, mas você rasga o verbo, e eu posso ouvir o que se passa em seu subconsciente, é uma experiência interessante que quase me matou duas vezes, e você nunca entendeu aquelas marcas, mas acho que somos apenas dois demônios vivendo este relacionamento

insano, faço-me de inocente e ás vezes até compactuo com suas loucuras espirituais, como é beber do vinho que você me dá, ou comer da comida que você me oferece, talvez eu esteja ao seu lado, mas um dia ou outro seus demônio acabaram me matando, ou isso ou seremos amaldiçoados pela eternidade... Mas isto é segredo nosso, e não há nada encoberto que não seja revelado, mas acho que isso não desrespeita a ninguém então nosso convívio insano é o nosso mundo particular. Você disse que eu não me importo com você, mas muitas vezes você passou da conta, e eu por me importar com você peguei leve, tudo para estar ao seu lado como um anjo protetor, antes que você se perdesse, eu segurava suas mãos e lhe mostrava o caminho, mas acho que você estava perdida demais para se lembrar destes instantes, mas tudo bem... Eu nunca espero reconhecimento, e sei que lhe faço mais mal que bem... Mas eu sou assim, e talvez por isso eu insista em lhe mostrar que há vida longe de nós dois em seu quarto, há vida longe de todos estes jogos, há vida... Só que eu não posso lhe garantir imunidade, todos nós vamos sofrer... Me lembrei da última vez que decidimos dar um tempo, aquela foi a pior manhã da minha vida, ou acho que foi, eu não havia dormido e você me ligou feliz, três e pouco da manhã, me convidou para ver o nascer do sol com você, as ruas da cidade estavam desertas quando caminhávamos, e não sei por que mas em sua felicidade havia um aviso de que aquele seria um péssimo dia, nos sentamos no alto de uma construção e olhava-mos para o céu enquanto conversava-mos, tudo estava bem até você

começar a falar sobre nós, um instante você estava feliz, no outro triste e zangada comigo, e eu nem havia dito nada, você disse que queria ir embora quando o sol nasceu, e eu disse para você ir e você foi... Quando cheguei em casa eu não consegui dormir, o dia havia acabado para min, e quando finalmente o sonho chegou, o telefone tocou, e você me disse para ir até sua casa, eu disse que não queria conversar, e você zangada disse “eu também não, mas quero olhar para você”, eu dormi umas duas horas e cheguei em sua casa lá pelas oito, levei um garrafão de vinho, me sentei num dos cantos de seu quarto e não dissemos uma palavra, servíamos vinho um para o outro calados, e ali bebemos até por volta de meia noite sem dizer uma palavra, nem um “oi”, foi então que eu passei mal, você sabe que meu fígado esta acabado, eu não havia comido nada, e no seu banheiro eu vomitei como um desgraçado todo o vinho que bebi, pensando em como tudo estava tão horrível, mas quando olhei para trás você estava preocupada comigo, não falou nada apenas me preparou aquele copo de boldo e me ajudou a deitar-me em sua cama, você tirou minhas roupas e me levou para o chuveiro, eu lhe amei naquele momento, mas não disse nada, quando eu estava melhor você me trouxe algo para comer, e depois me serviu vinho, e eu pude ver como nos curamos e nos ferimos, nos matamos e nos ressuscitamos, foi quando eu jogado sobre sua cama lhe vi me olhando, com aquele jeito só seu, de cruzar as pernas e apoiar o cotovelo no joelho e a cabeça numa das mãos, deixando o rosto meio inclinado e seus cabelos caídos para um dos

lado, um olhar único, eu fiquei te olhando me olhar, e você fez um gesto esnobe, como se não visse nada em min, e eu fechei os olhos negando-me a concordar com aquilo, ali ficamos por muito tempo, você me olhando e eu com meus olhos fechados, foi neste instante em que você disse que me amava, soou estranho, como se você estivesse confessando para si mesma, e eu fiquei calado, e você deitou-se sobre min e me abraçou, me perguntado por que nós nos feriamos tanto? Eu não soube lhe responder, e ali adormecemos calados, até que o dia nasceu e eu fugi para debaixo da cama e quando acordei você também estava lá... Talvez estas cadeias que nos prendem um ao outro, esta forma insana de amar e gostar, o fato de não entender-mos por que permanecemos junto e abraçado em meio ao caos de nossos complexos... Talvez esta mesma incompreensão no fere, e nos faz nos ferir, e... O telefone esta tocando. ..05..12..09..01..17..21..09..13.. Estranhei o fato de não ser você, e isso me decepcionou, talvez por isso não escrevi mais, mas eu te conheço e minha vida é uma espera eterna, para acordar agora com esta cara de pouco amigos, o cabelo todo bagunçado, uma falta enorme de ar e o telefone tocado, você sabe como eu acordo, nunca falo nada antes de tomar uma banho, e eu estou escondido da luz do sol, se você quer saber...

Não entendo por que me pediu desculpas se você estava certa o tempo todo, quando digo isso não posso esconder minha tristeza em saber que eu estou certo em saber que, você esteve em cada palavra do lado da razão, acho que eu vou acabar com este jogo, você já sofreu demais e esta madrugada toda eu pensei em outro alguém, e isso me fez tão bem que nem consegui sentir sua falta depois da decepção de não ser você no telefone, confesso que senti paz nisso, pois acreditei que tudo havia encontrado seu fim, me lembro que você disse que eu deveria ser seu príncipe, e também me disse que só vê o príncipe em min ás vezes quando meus olhos ficam doces e povoado de uma estranha paz, acho que estes são os meus instantes mais perigosos, pois eu não consigo definir a porta de saída e a beira do abismo... Eu tento compreender por que lhe faço sofrer tanto... Lembra-se quando você me falou sobre vidas passadas, e eu me entreguei as suas experiências de regressão, eu me senti meio cobaia, mas eu sempre faço tudo que você me pede até sangrar... Talvez isso possa explicar esta forma absurda de amar, acho que se os demônios se apaixonassem construiriam um relacionamento como o nosso, e por ser sombrio apaixonado, algo entre a tragédia e o horror, povoado por sua beleza sensual, me atraia tanto estar ao seu lado, mas eu sei que eu lhe firo ás vezes, e acho que quero por um fim em tudo, quero começar de novo, outro alguém mesmo que eu não vá amar, outros amigos, outros filmes, outras musicas, outras roupas e novas máscaras, acho que estou cansado dos fantasmas de min vida... Eu sei

que talvez você nunca vá entender por que eu disse adeus, sei que sem min você não vai conseguir estudar direito por uns tempos, nem trabalhar, e é bem provável que seu pai me ligue, claro ele vai vir com aqueles papos, fingindo calma e controle, e talvez no fim ele me xingue, ou diga que vai contratar alguém para me matar, não há importância, se eu morrer morrerei tentando fazer o que era certo, mas acho que ele vai entender, quando todos diziam a ele que Eliaquim era um demônio feiticeiro da pior espécie. E os fraternos da cidade... Todos eles cortavam volta de min, ele me olhava com um olhar de admiração, bem... Até o dia em que ele me pegou na sua casa, ele tentou me consertar, mas viu que eu era exatamente aquilo que era, alguém insatisfeito, e a não ser que ele trouxesse a tempestade ao céu claro do meio dia, eu não me surpreenderia, e ele me respeitou dizendo que talvez tudo isso fosse só uma fase e eu concordei, e nós sentamos naquela poltrona fria do escritório dele e ele me ofereceu um charuto sabor chocolate, nós conversamos sobre a vida, conversamos sobre você, isso eu nunca lhe disse, mas ele te ama e não te entende, eu sei que foi difícil perder sua mãe e de forma tão trágica, mas ele a amava e você é único vestígio que restou dela no mundo acima de uma lápide, e mesmo assim ele acha difícil lhe compreender, ele diz que você se parece com sua mãe, e disse que se ela estivesse viva eu seria a espécie de cara que roubaria sua mãe dele, pois você duas sempre amaram o sombrio e isso que as torna tão fascinantes, acho que você deveria passar um tempo a mais com ele, ele se sente

muito só, e eu disse que era tarde e eu precisava ir quando ele me convidou a ser um fraterno, e ele entendeu isso pois sabia que eu não me dou com aqueles que pertencem ao ciclo dele, na verdade acho que ele estava querendo me salvar numa maneira um tanto secreta, algo como “se eu ensinar algo a ele talvez ele se tornou mais constante, o genro perfeito,” ele acredita que eu só preciso de uma meta. Mas tudo bem... Acho que ele também nunca entendeu esta falta que me cerca. Foi bom ouvi-te mesmo que não havia motivos para se desculpar, e acho que estou com medo de te ver esta noite, eu sei que parece loucura mas, a loucura vai ser olhar nos teus olhos e dizer não, há um possibilidade de todo este fim que almejo implantar, ser esquecido no momento em que eu olhar para você, mas se eu me perder nisso sei que tudo mais a partir daqui será aquela velha loucura de sempre, e acho que estou cansado de jogar, estou cansado de ser quem eu sou, e estou tentando recomeçar, sei lá, ser alguém melhor, mas não olhando para o passado... Você se lembra quando encontrou aquele livro que um amigo me emprestou? (Como ter uma memória super-poderosa.) E você me perguntou se eu estava lendo, e eu disse que tudo que eu mais queria era esquecer, pois é, eu ainda não li o livro, e ele ainda esta aqui, tentei devolver, mas ele não quis pegar, disse para ficar para min... Bem eu estou tentando recomeçar, esquecer... É ruim o fato de talvez tiver que dizer adeus, mas acho que estou confuso... (Falando em livro odeio aqueles livros espirituais que você lê,

são bobos, atenção e tempo desperdiçado a nada.) Um dia bom que eu me lembro foi o dia em que nós caminhamos pelas ruas da cidade como se fossemos dois amigos, eu levava o charlie na coleira, você lembra que ele é um cão de grande porte, me lembro de nos perguntar-mos o que faríamos de nossas vidas, e você disse sorrindo podemos fazer um filme, e eu lhe disse que não havia recursos para fazer um filme bom, com ação, efeitos e tudo mais, e lhe disse que só se a gente fizesse um filme filosófico, então você me disse que a gente poderia se aproveitar da beleza que a vida nos deu e gravar filme pornôs juntos, nós rimos disso, nos sentamos na praça e falamos sobre nossos sonhos, e lembramos como era bom estar-mos juntos, na volta para casa mais uma coleira foi quebrada pelo charlie, e diante daquele restaurante, todos se assombraram, um cão daquele porte a solta, então você riu quando eu sai correndo e me lancei sobre o corpo do charlie e me embolei com ele no chão, todos estavam assombrado um estranho de sobretudo embolado com um cão do inferno, eu fiquei fedendo, mas o levei para casa e você me disse que gostava de min pois eu era louco a ponto de ter as reações mais inesperadas nós momentos de complicação, e riu da maneira tranqüila em que me lancei desesperado sobre ele, foi um dia único, podemos falar sobre tudo e eu estava em paz, como sei que você também estava... Um dia ruim foi quando naquela festa você me viu conversar tão interessado naquela

mulher que nem me lembro o nome, e na primeira oportunidade você veio para min, me dizendo que ficaria com qualquer um se eu continuasse a me insinuar para ela, mas ela é quem estava se insinuando para min, e eu te olhei zangado fui até ela e a pegando pela mão chamei para dançar, foi a pior atitude que eu já tomei, você convidou aquele cara, eu o conhecia, nós havia-mos tocado em um mesmo evento uma vez, ele havia me dito que minha voz lembrava os grande nome da música no gênero folk, eu olhei para você dois e levei minha companheira para casa, nunca lhe disse, mas me arrependi, o vestido denunciava formas tão perfeitas, bela pernas e seios mas uma mente tão pobre, e eu me arrependi de me cansar sobre o corpo dela, e eu nunca lhe disse por que cheguei com os punhos machucado e os dedo sangrando naquela noite em sua casa em busca de abrigo, mas é, eu havia convidado o cara que você havia ficado para sair, nos bebemos algumas cervejas, e ele me contou tudo sobre como foi ficar com você, descreveu até a tatuagem de uma lua negra que você tem abaixo do abdômen no lado esquerdo, ele me disse que você ficou até de manhã na casa dele, disse que você até fumou um baseado com ele, me contou com você foi “mágica”, e disse que você era a melhor garota que ele havia pegado nos últimos tempos, me contou que de tarde você ligou para ele (Maldição, você ligou para ele, você devia estar interessada.) Mas nunca se perguntou por que ele não recebeu mais as suas ligações, por que ele desapareceu, a ponto de cortar volta de você? É... Eu bati nele até meus punhos

não agüentar mais, os anéis fizeram os dedos sangrarem enquanto eu arrebentava a cara dele, mais um dos sentimentos que você despertou em min, uma face que você nunca viu, pois eu não deixei você saber. Eu falei que se eu o visse iria mata-lo, eu não o vi mais, claro que expliquei a ele enquanto batia, o por que ele apanhava, acho que ele entendeu perfeitamente, depois fui para sua casa, eu estava exausto, mas lhe provei que eu era o seu melhor, até agora ainda sinto a ira destes dias, mas naquela noite eu não quis brigar com você, ao contrario não toquei neste assunto, e este é um daqueles arquivo que a gente nunca acessa, você nunca falou dela e eu jamais toquei no nome dele. Ás vezes tenho complexos de personalidade, ás vezes eu não sei se sou este que vive rodeado de poemas e livro, de belas palavras, rodeado nas sombras por pessoas que acreditam no equilíbrio, um mestre tão preciso e paciente em minha horda, ou esta fera que ás vezes explode em min, quando alguém toca no que é meu, e ás vezes enquanto você dorme nua e eu gosto de olhar para você, eu me inflamo em um sentimento oculto e diabólico de que você me pertence, então eu tento me controlar eu tento controlar este sentimento de posse. Mas isso é uma face que você não viu, bem diferente daquela maneira tranqüila, e daqueles olhos desinteressados, com que muitas vezes olho para você enquanto você corre de um lado para outro quebrando tudo que vê pela frente... Eu te achei tão inocente quando você me disse que queria morrer, que

iria se matar... Eu me lembro que você olhava sombria para a janela, e me disse eu sei que você me entende, não há pessoa que eu conheça que seja tão insatisfeita com o mundo quanto você, e por isso acho que você vai me entender... Então eu peguei a adaga e lhe entreguei nas mãos dando lhe um beijo na face, me sentei na cama e acendi um cigarro, você ficou olhando para a janela com olhos vagos, depois olhou para os pulsos e olhou para min cabisbaixo, veio e se sentou ao meu lado, olhou para adaga e me perguntou, “se eu morrer, você morre comigo?” E eu sorri dizendo “se você quiser, sim... Eu posso morrer com você.” Você se calou por um longo instante até que continuou... “Quando você pensa em morrer você nunca pensou em sua família, amigos ou sei lá...?” E eu olhando para você lhe disse... “Quando Satanás se armou em batalha antes de ser lançado para terra por conseqüências desta mesma batalha, um anjo lhe perguntou... Você não pensa no criador, em nós que sempre estivemos ao seu lado, no instante em que você empunha esta espada contra nós mesmos? Então Lúcifer lhe respondeu, nascemos órfãos, viveremos órfãos, e se caso for, também morreremos órfãos...” Então você chorou, e eu não entendi por que, talvez fosse pela minha falta de expressam diante da vida e da morte. Mas eu te achei tão inocente nisso tudo, e lhe abracei quando chorou, e você disse que a vida era esterco, viver também era, e possuir um namorado doido também. Eu não lhe disse nada com relação a isso. Mas talvez se fosse em outra ocasião eu teria lhe confortado ao invés de lhe entregar a adaga, teria lhe

beijado ao invés de falar aquelas palavra fria, mas se eu voltasse aquele momento e tudo fosse o mesmo sentimento, o mesmo dia e a mesma hora, eu teria feito igual sem mudar uma letra. Talvez um dia eu lhe mostre estas “memórias de um amor insano”, acho que isso dará um belo título para este texto, mas só lhe mostrarei quando puder-mos finalmente rir de tu isso, quando esta tempestade passar, um dia no futuro quando você estiver liberta de toda esta maldição que nos aprisiona um ao outro, então talvez eu lhe mostre, livre de qualquer pretensão em retornar, eu sempre achei que você viveria melhor sem min, mas há esta necessidade de viver para provar-mos que somos bom o bastante um para o outro, isso também pode nos condenar a uma vida juntos, e talvez quando soar o meu último suspiro e eu finalmente estiver em paz então você e eu poderemos viver um amor eterno e sombrio, pois o céu não foi feito para nós, então talvez cumpramos bem a maldição do vampirismos, pois nos encaixamos bem neste papel, e você lembra quando eu pesquisei por quase um ano e meio, procurando todos os texto e lendas baseadas na crença e fato reais que aconteceram através da história sobre os vampiros, e você veio até min e me falou que era besteira minha busca, e me perguntou qual era a chave para o vampirismo e eu lhe disse, não há nada quem nasça e não morra neste mundo, mas o vampirismo esta sempre ligado a vida carnal após a morte, e o suicídio era uma das maneira de retornar a permanecer neste plano, pois é, acho que isso

ainda é uma das minhas crenças, mas eu já não busco mais a imortalidade, mas talvez ela me busque, e este pensamento de que minha dor não pode ser cessada e que talvez eu encontre a eternidade sombria, atormenta meus sonhos e pensamentos em madrugadas solitárias, ás vezes eu quero morrer e temo morrer, se eu morrer e ficar, me tornar um imortal, então como poderei encontrar um fim, e são nestes dias que ás vezes oro ao senhor dos exércitos rogando pela misericórdia de ele me levar para o túmulo e lá me esquecer, e do pó nunca mais me levantar, eternamente sem consciência apenas um ser adormecido, mas ele sempre se zanga quando eu peço isso, e ás vezes ele tenta me mostrar que meu cálice amargo eu devo beber até o fim, e eu me iro por não ter o total controle sobre as coisas, eu não sei se ele me odeia de todos, mas eu sei que eu e os deuses hebraicos não nos damos muito bem, mas ás vezes acho engraçada a forma com que ele me cerca tentando me mostrar algo que quase sempre eu insisto em não ver. Mas os momentos que sempre me dizem mais, que eu lembro sempre com felicidade e vontade de estar ao seu lado, são justo aqueles momentos em que você não me diz nada, aqueles momentos em que estou com você e folheio os teus livros fingindo estar interessando enquanto você fala ao telefone, ou lê, ou mesmo esta jogando seu tarô, ou desenhando seus mapas astrais, ou preparando algum projeto para as aulas, e eu fico simplesmente ali, como seu eu fosse um espírito, caminhando pelo seu quarto, ás

vezes correndo a mão pelo seu corpo, são momento belos para min, por que quase sempre ao lado de todos eu tenho que falar demais para manter o momento interessante, e quando me calo e percebo que eles estão sem assunto, tudo que eles querem é partir, e eu não gosto de conversar, ás vezes só quero ficar ali sem dizer nada sem falar nada, e vejo que você gosta de me ter ali mesmo se eu falar ou não, são momento que eu posso ser quem eu realmente sou. Então quando você olha para min e me pede um cigarro, ou pergunta se eu quero beber, então é tão belo o fato de estar ao seu lado sem precisar ser alguém que eu não sou, sem precisar me preocupar... Eu gosto quando você fica me olhando e pergunta se eu não quero tomar um banho com você, e quando eu tiro minhas roupas você pede para min esperar um pouco mais, pois gosta de olhar para min assim sem máscaras e sem roupas, então eu ficou um longo instante vivendo o seu momento, então lhe pergunto se já é o bastante, e eu acho interessante e é prazerosa a forma que ás vezes eu deixo você me manipular, e ás vezes me sinto uma divindade quando você me cobiça e apaixonada me faz dar-lhe prazer, acho que eu gosto da maneira que você me olha nestes momentos, e eu sinto uma sensação magnífica, você me faz sentir como se eu estivesse abandonado tudo para viver um instante ao seu lado, e eu não sei se isso é amor, mas eu tenho certeza que são apenas fantasias, acho que tudo em você me desperta fantasia, como é o fato de ás vezes caminharmos pela noite como dois imortais, nos entregar-mos ao prazer nos lugares mais

improváveis, como se fossemos livre acima de tudo... Para sentir e viver qualquer sentimento. Quando você me ligou me disse que eu lhe prometi um dia nunca lhe dizer adeus, enquanto você me quisesse ao seu lado eu estaria, eu posso cumprir isso se você quiser, mesmo sabendo que isso não é o melhor para você. Me lembro quando eu disse que iria me trancar em um mosteiro para padres, e você disse que não fazia sentido ficar só, então iria ser freira e eu jamais lhe recusaria quando você imputasse pecado contra o celibato, pois eu lhe pertencia, talvez você estivesse certa nesta loucura, tudo que temos é um ao outro, nós brigamos damos um tempo, nos amamos e nos odiamos, para no fim descobrir que um pertence ao outro, e talvez isso seja algo de alem desta vida, talvez em algum lugar distante antes do primeiro choro neste mundo já éramos um do outro, mas isso eu acho que você já sabe. Divertido foi, eu esperar... Claro no dia não foi tão divertido assim... Mas hoje me parece divertido a cena, eu procurando um morcego pelo campo, tentando o pegar-lo vivo para um de seus rituais, um sacrifício, eu me lembro de ter pego um mas era pequeno, acho que movido por um instinto machista, onde tamanho fazia toda diferença naquela noite, até que na mesma noite me sentindo ridículo eu peguei um enorme e levei para você, o engraçado é que você ficou com medo dele e me perguntou se não tinha um menor, e eu chateado disse, “tinha mas era jovem demais para morrer.” Hoje eu consigo rir desta situação... É interessante as missões para as

quais você me envia, nestes momentos eu me sinto um idiota, mas estes mesmos momento são os que se tornam mais hilários em lembrar, e você me disse ontem que eu não me importava com você, mas nestas coisas simples eu vejo a importância qual me dedico a você, mas eu entendo o por que você me disse aquelas palavras. Outro fato que eu nunca lhe disse... Você se lembra quando eu fui até a sua casa e um primo seu estava lá, ele havia vindo de outra cidade não sei, pois é... Você me disse que ia ao cinema e depois iria para a avenida com ele, e falou se eu quisesse podia ir com você... Então, você lembra que ele apanhou de alguns “raper´s” naquela noite, pois é foi uma fatalidade, mas eu o apontei e disse que ele havia falado mal deles, você conhece esta rixa entre roqueiros e “raper´s”, não precisei falar mais nada, ele se levantaram e bateram nele, acho que você não me viu por lá, mas é um pecado meu que estou confessando, acho que por castigo uma semana depois eu levei uma bela surra deles também, são apenas efeitos colaterais, eu sinto muito por seu primo, por sorte não fiquei mal como ele ficou, nem um arranhão, para ser exato apenas uma unha quebrada e uma bela dor nas costelas... Estes são os meus pecados, espero que compreenda, eu jamais te feriria, mas eu posso ferir aqueles que lhe rodeiam, uma forma de machucar os outros para te machucar. Foi interessante você me dizer no outro dia que eu havia lançado uma praga em vocês por isso tudo aquilo aconteceu, eu sei que poderia ter lhe dito que ao invés de lançar

eu criei a praga, mas acho que no momento você não me entenderia, e fiquei triste junto com você quando seu primo foi embora tão cedo, acho que até expressei o quanto ele deveria ficar um pouco mais, e até hoje você me diz que ele me acha um cara legal, divertido e brilhante... Talvez eu seja. Mas eu me lembro quando você me traiu, enquanto eu lhe esperava em um banco de praça você ligou para a policia, e eu fui preso, tive que assinar uma confissão sobre crimes que eu nunca cometi, mas foi um bela experiência, ficar por dois dias sem comer nem beber, de delegacia em delegacia levando porrada, foi divertido conviver com cinco caras em uma cela de quatro metros quadrados, mais divertido foi a desgraça de em um mês só acontecer o banho de sol nos dias em que eu estava lá, eu ainda tenho um leve cicatriz na face, algo que precisa-se olhar bem para notar, você me condenou ao inferno naqueles dias e eu apenas passava meu tempo lendo, mas havia a crise entre celas e eu estava no meio dela enquanto jogávamos futebol no banho de sol, e eu acho que eu nunca senti desespero como senti aquele dia em que tudo que eu podia fazer era sobreviver, depois desta tragédia eu fui respeitado e então chegou o momento de encarar a liberdade, uma semana no cativeiro, eu me lembro de ir até sua casa e você me perguntar por que sumi a semana toda, e eu lhe dizer que fiquei te esperando naquele banco todo este tempo, e você chorou quando eu tirei a camisa e você viu o corpo todo roxo de cassetetes, se arrependeu mas em momento algum eu lhe disse nada, mas eu fui afogado contra uma pia, e só não me cortaram

os cabelo pois eu disse que era promessa, e acho que tenho sorte até demais pois sobrevivi a este e outro dias, mas você me mandou para a prisão, e até hoje eu não sei por que, acho que foi por nossas brigas ou talvez por alguma amante, sei lá... Ás vezes eu não te entendo, mas das desgraças sobram histórias de aventuras e horror para contar, e o interessante é que eu nunca pensei em te matar, mas vivi o bom e o ruim do preço que é estar seu lado, e eu o paguei sem questionar... Por que será que somos tão belos e malditos? Eu não julgo tudo isso pelos momentos ruins, mas sempre olhos para os momentos bons, mas houveram dias em que eu só queria acordar do pesadelo, houveram dias em que eu só queria ir para casa e me sentir seguro, você sabe como sou territorial, e longe dos meus domínios eu me sinto perdido, então eu só queria ir para casa e respirar em paz, e acho que entendo por que algumas pessoas quando estão diante da morte ou do risco, tudo que elas queriam era estar em casa, e ás vezes eu sinto isso quando estou com você, e muitas vezes te deixo falando sozinha. Nossas brigas se é que podemos chamar de nossas, são as mais interessantes que eu já vi, você grita me xinga, ás vezes você vem para me bater, mas eu lhe olho friamente e você recua, mas eu não digo nada, você é quem faz escândalos você é quem quebra tudo sempre e me manda embora e depois me pede para voltar, eu só te observo neste sentido tolo que você encontra para se exaltar, e ás vezes seria tão fácil te fazer calar, mas eu escuto tudo que você me diz, e você sempre acaba com “eu

preciso de um tempo”, então eu digo calmamente “eu também preciso” , e acho que o que mais lhe fere é o parecer de que nada pode me ferir... Eu nunca lhe disse, mas eu também tenho medo de algumas coisas, mesmo que eu não me lembre de quais, ás vezes choro quando não tem ninguém por perto, eu também tenho minhas fraquezas, nem tudo que eu perco é por que eu quis perder, e ás vezes você me olha como se eu fosse algo inatingível, um semi-deus, sem dor ou medo, mas eu também sinto e temo o fato de eu nunca me surpreender, é por que eu já me surpreendi demais algum dia, o fato de eu nunca reclamar das dores não é por que eu não sinto dor, mas eu já reclamo tanto da vida, e isso me basta... Todos se ferem, tem medos, tudo insiste em dar errado... Mas para que iria eu reclamar disso, se a vida é a pior de todas as dores? Eu sei que lhe parece que eu estou voando acima de todos estes problemas materiais, olhando apenas para a dor de minha alma, e talvez eu esteja, mas o que importa? O que há no mundo belo a ponto de ser digno de eu um dia construir? Gosto quando você me diz que eu tenho que fazer um faculdade, quase me perguntando se eu não almejo ser alguém na vida? E insiste em me lembrar que pessoas que um dia aprenderam de min hoje são isso ou são aquilo, eu não me importo, você nunca percebeu, mas eu não olho para o lado ou para baixo, sempre olho para frente, para trás ou para cima, a última opção é a mais clássica. Gosto de quando se perfume fica em min, gosto dos seus cabelos e do cheiro que eles

exalam. Gosto de quando você se senta sobre meu abdômen e fica me olhando nos olhos, e quando você me agarra e eu finjo não ter força o bastante para me libertar, e ás vezes sinto que quero ficar eternamente na cadeia de seus braços. Gosto quando você veste uma daquelas camisas largas depois de acordar nua e me desperta com um beijo ou voraz em busca de prazer, então você faz aquele jogo quando eu perco a noção e cobiço você, levantando-se e saindo do quarto, você sabe que seu corpo nu sob uma camisa larga sempre me desperta cobiça, e quando eu te deixo partir você sai e logo volta, e da porta fica me olhando como se quisesse ser possuída, mas que eu tivesse que lutar por isso, então eu deixo você ficar me olhando, então você se desilude do seu jogo e neste momento começa o meu, ás vezes penso que não passamos de feras cultas. Tudo isso me trás a lembrança que dádiva e maldição é a mesma coisa, só que em tempos diferentes e me questiono se trevas e luz também não são, o doce demais torna-se amargo, quem olha para nós acha que é pior que eu, mas diferente de você eu não tenho compaixão antes trago indiferença, e me pergunto para quem eu contaria o que vivo com você, bem você sabe que eu nunca fui daqueles que fala para os amigos as mulheres com quem fica, mas mesmo se eu contasse isso tudo seria difícil de compreender, o mais provável é que me aconselhassem a te abandonar antes que você me mate, mas isso me faria ficar. Mas minha vida é este enigma, tenho amigo que não sabem se realmente são

meus amigos, tenho um nós que não sei se é realmente nós ou eu e você, tive uma banda que não sabíamos se realmente éramos uma banda, acho que só descobrimos dois meses depois que estávamos ensaiando, sentamos e nos perguntamos “acaso somos uma banda?” E eu disse que éramos, bem então temos uma banda, acho que ela acabou uma semana depois, ninguém queria se prender, e depois voltamos... Acho que tudo na minha vida é assim o incerto, estou ali todo o tempo sem que as pessoas que me cercam tenham certeza se vou realmente ficar para sempre, mas se ela nunca se perguntarem estarei ali... Para sempre, simples assim... Gosto de quando você me fala em voz doce, que eu tenho o dom de te levar ao paraíso depois que eu satisfaço os teus desejos, como foi um dia em que nós... Bem, eu ainda tenho problemas para falar sobre isso... Que você falou que eu tinha face feminina, e você me penteou, vestiu-me com uma de suas saias e blusas, colocando meias em um sutiã para parecer seios, e me maquiou me dizendo se eu fosse uma menina eu seria bela, me lembro que você percebeu que pelo fato de eu não usar cuecas, que suas calcinhas não seriam bem vindas em meu corpo... São fantasias um tanto estranhas, mas eu não tinha para onde ir, e no fim você me olhou e disse que por isso estava ao meu lado, pois nunca eu questionava ou me surpreendia com as coisas mais estranha que passava por sua mente, acho que quando você me disse isso tudo me pareceu uma bela festa a fantasia, e não foi tão horrível assim, mas pensei um tanto confuso o quanto seria constrangedor se

alguém presenciasse aquela cena, ou ficasse sabendo daquilo, mas também não lhe fiz prometer que não contaria a ninguém, e no fim você não contou. E acho que isso faz interessante nosso mundo particular de segredos que só desrespeitam a nós. Como foi aquele fato da tia de uma de suas amigas ter enviado uma enciclopédia de bruxaria direto de Le havre na França para ela, e você quis compra-lo por meses, até você chegar com ele, e eu me lembro de dizer “enfim dobro a fera?” Você disse que sim, no dia do halloween eu tive que participar de um de seus rituais, e como um objeto suas amigas passaram uma a uma por min inclusive você, sangrei por você, este foi o preço pelo seu livro, naquela noite eu chorei sozinho, passei a madrugada inteira tomando banho até exorcizar o cheiro delas do meu corpo, mas compreendi, e se você estava feliz... Nós passamos uma semana inteira sem olharmos um nos olhos do outro, foi uma semana difícil para min. Mas nos fim nós acabamos rindo de tudo isso, e eu até lhe dei um dicionário de francês, pensei em brincar com você quando lhe entreguei, pensei em dizer que havia uns amigos meus necessitados, mas achei que não cairia bem, então apenas lhe entreguei calado. Ás vezes quando estou olhando para trás como agora, eu pareço ter vivido uma comédia-sado-romântica ao seu lado, e tudo se torna hilário, e eu chego apenas a uma conclusão, “você é apavorante”, o interessante é que parece que minha vida é um quebra cabeças separado, cada peça esta nas mãos de um determinado grupo ou pessoa, só conseguiriam me definir se todas

as peças se juntassem, mas isso me tornaria um estranho até para meus melhores amigos, há coisas sobre min que você nunca soube ou vai saber, mesmo que passemos uma eternidade em seu quarto, e sei também que você não se resume ao meu conhecimento sobre você, exemplo foi quando um conhecido meu que estuda na mesma faculdade me falou sobre você, ele jamais sob que eu lhe conhecia, eu perguntei sobre você e ele descreveu-te tão perfeita e metódica, e quando eu me mostrei interessado ele até me disse que você não era mulher para min, isso sim é cômico, ele me falou sobre como você era responsável e franca, como não dava lado para qualquer insinuação pessoal, e eu fiquei interessado nesta face sua, acho que nós, a só somos nossas face secretas, ou mais uma face, eu não sei, mas seria muito injusto de minha parte desconfiar que você não foi sincera quando chorou ou sorriu, mas acho que eu também vi isso quando te vi pela primeira vez no templo católico, ao contrário de algumas meninas eu nunca lhe achei vulgar, mesmo quando disse para você que eu só estava interessado no prazer que você poderia me proporcionar naquela noite na festa. O estranho é que somos estranhos, e agora entendo o que você quis me dizer quando disse que eu desperto em você o seu pior lado, o lado insano movido apenas por paixão, acho que entendo quando você finge não me ver na companhia de suas amigas perfeitinhas, acho que nenhum de nós quer trazer-nos para nossas vidas materiais, e talvez por isso eu nunca lhe levei para conhecer meus amigo, você sabia? Eu tenho

amigos, mas se eu trouxer você até eles eu acabo matando ou batendo em todo mundo, você é a parte catastrófica da minha vida, então eu prefiro nos deixar as sombras do seu quarto, e quando não estou com você, viver minha vida metódica ou observar a sua a distancia. Não sei talvez eu nem vá lhe ver hoje, estou tão cansado e quando você me ligar vou dar uma desculpa convincente, você diz que eu não sei mentir, ou não para você vamos ver se você esta certa nisso também. Eu nuca lhe falei sobre meu pai, e quando você me perguntou apenas disse que não queria falar nele, e muitas vezes depois você me pergunto se eu estava pronto para falar, mas a resposta sempre foi a mesmo. Bem, ele era um cara interessante, mas muito mentiroso, e por estas mesmas mentiras ele não esta ao meu lado hoje, dizem que é pescador que mente, mas ele era caçador, apesar claro de ter seu trabalho e tudo mais, você sempre achou que por eu não gostar muito de selva eu não sou bom em sobrevivência nela, ao contrário, eu sou um ótimo caçador, herança de família, sobrevivo tranquilamente a selva, só que transportei meus dons para cidade e para minha vida, como é saber esperar, quando abater a presa, o mesmo sistema que ás vezes você se encontra, eu quase nunca erro, mas claro que como todo caçador eu também já voltei para casa de mãos vazias, herdei dele também a facilidade para me sair de situações onde nos encontramos em cheque, você diz que eu não sei mentir, mas esta foi a maior das mentiras que eu inventei para você, é mais fácil lidar com aquele que subestimam nossas

capacidades, isso é como o caçador, a estratégia e a armadilha, eu gosto mais das estratégias e armadilhas, o caçado persegue, enquanto a armadilha espera, eu prefiro a armadilha, pois eu me canso menos, e essa é uma das coisas que você nunca percebeu em min, eu quis acreditar que havia em você coisas que eu também não percebia, mas você é franca e desesperada demais para criar estratégias, eu entendo que você tem traços de histeria, então eu sei e amo o que você me oferece ou ás vezes apenas ignoro o fato de eu não gostar do que estou presenciando, e claro, há instantes em que finjo não ver. Mas nesta loucura que vivemos, somos todos suspeitos, você com suas feitiçarias e eu com minhas estratégias, acho que fazemos disso tudo um jogo sensual, complicado, trágico, mórbido, sádico e masoquista por nossa insistência em continuar e o prazer em sofrer nas mãos um do outro. Gosto quando você fica melancólica, e fala em voz calma, tudo soa inteligente, este é um dos instantes em que tenho prazer sublime em estar ao seu lado só para ouvi-la falar sobre a vida e um todo. Gosto de quando você me deixa ficar abraçado a você com minha face em seus seios ouvido seu coração bater. Gosto quando deslizo meus lábios pelo seu queixo, gosto quando você fica respirando em meu pescoço, gosto de sentir seu corpo sobre o meu, gosto quando acordo no meio do dia, e nu sinto sua cocha pesando sobre min, e eu olho para você como se você me pertencesse, e é uma porta aberta para o prazer. Apesar de ser um tanto suspeito eu gosto de ouvir sua voz quando você sorrindo fala algo em francês, gosto do seu jeito de

sorrir quando me olha com inocência, parece tão sensual e misteriosa a maneira com que você age o tempo todo... Seria um crime pedi para arrancarmos as máscaras, acho que eu vou ir até você, acho que entendo por que estive ao seu lado até aqui...

... Esta noite eu me curvei por você, orei para que as trevas pudessem te libertar, disse aos meus demônios que entregaria tudo para vê-la livre, mas eles me disseram que eu não tenho nada, nem minha alma me pertence, nem minha carne... Eu vendi toda minha horda por você esta noite, quase fui expulso da ordem, como sabe nela possuem-se nove hordas, a minha é a nona, e possuem três hordas de padrão elevado, tenho em minhas mãos vinte e sete almas, a maior hordas dentre as doze, e eu fui chamado de mago negro pelos que um dia me elevaram, me chamando de o mais sábio mestre, fui afastado de meus deveres até segunda ordem... O feitiço sempre se volta contra o feiticeiro, e ele se voltou contra você. Eu conheço seus truques, mas foi horrível ouvir que você já não pode mais respirar sem min, viver sem min, nem se levantar sem min, acho que tudo que você conseguiu afetar com suas bruxarias foi a si mesma, e fui confundido entre amor e pena ao olhar para

você, mas lhe abracei e lhe disse que estaria sempre ali, acho que estou escrevendo por que este momento que estamos vivendo não é como os outros, antes eu podia ver jogos e segurança, mas hoje tudo que vejo é insanidade e desespero... Nunca antes eu me sacrifiquei para perder, e hoje eu o fiz, é estranho, pois o que mais me deixaria feliz é olhar para você enquanto me disser adeus, e que conseguira viver sem min... Acho que não posso recomeçar, acho que não posso te abandonar neste momento tão ruim só por que eu quero mudar, e agir como se você nunca houvesse significado nada para min... Uma vez eu lhe disse que sempre amei aqueles que me amam, e é verdade. Aprendi a olhar para aquele que me amam e deixar os outros para depois, e eu seria capaz de deixar até minha vida para depois, e estar ao seu lado enquanto você precisar de min. Eu sei o que você vai me dizer, que eu acabei com minha vida por você, mas não tem importância, sair da ordem não vai mudar o que eu sou, e outros já falavam de min antes, agora eles só vão ter os motivos certos para falar e acreditaram ter razão, mas sob a noite o que vale é o coração. “Um mago negro...” Este titulo me ofende na alma... Todos falavam de meus métodos, mas eu sempre fui eficaz, agora eu fui questionado tanto em controle quanto em sabedoria e poder, me disseram que eu flerto com a luz e as trevas todo tempo, os sete dos mestres das nove hordas se voltaram contra min, expressaram todo ódio e inveja que um dia sentiram, disseram que eu era jovem demais para um cargo tão elevado, disse que eu mostrei prodígios, mas

toda minha alma, meus pensamentos e minha maneira de agir é duvidosa (Escusa). Eu não falei nada, se eu explicasse os meus motivos, seria apenas jogar uma ovelha para os chacais estraçalharem, eu apenas ouvi calado, o pior foi o olhar de minha horda enquanto eu caminhava para fora, eles estavam decepcionados, as outras hordas se acotovelavam e blasfemavam de min, mas tudo bem, eu me levantei e chegou o momento de cair, não acredito que foi desesperada minha ação mesmo se eu tivesse oitenta anos eu faria igual, e eles nunca conseguiriam entender, muitos deles nunca tiveram uma experiência digna de ser lembrada com o espiritual, e eu fecho os olhos e ainda assim contemplo a estratégia do demônio, e ele cobrou preço por você, fui lançado ao chão, envergonhado e abandonado... E tudo que fiz, fiz para você se tornar auto-suficiente e me dizer adeus, não lhe parece irônico, a min me parece, ser abandonado para ser abandonado, mas eu só quero que você encontre paz, eu não quero mais ver sangue em seu olhar, ou dor em sua alma, quero que você seja aquilo que um dia foi, antes de me conhecer, antes de todo este caos, antes de estarmos juntos, se eu pudesse voltar eu não lhe diria não, mas jamais entraria naquela igreja ou teria ido aquela festa... Não por que não amo você de alguma maneira, mas por que eu posso insistir em ver as conseqüências de estarmos juntos. Quantos males imputamos um para o outro, até você chegar a beira da loucura... Pegue seu crucifixo e faça uma prece,

reze para que os olhos da noite não te encontre, pois aqui ninguém é feliz, não há anistia, apenas sobrevivemos, e sobrevive o mais forte... Pois sob a lua você é apenas presa, sob o céu noturno você é só uma presa, beije meus lábios sangrentos e pague o preço, pois sob este negro céu seu pesadelo é apenas minha realidade, agora corra para a luz, se puder agarre a graça, e jamais olhe para os olhos do demônio, pois a luxuria morre diante do desespero... Acho que no fundo eu sempre soube que nasci para ser vilão, e eu começo a analisar quão similar são os heróis e os vilões, ambos possuem motivos nobres para serem quem são, e talvez o vilão já tenha sido herói um dia. E esta capacidade de ir aos extremos que me faz vilão, a crença me que os fins justificam os meios também, e olho para minha vida e vejo apenas um tabuleiro de xadrez, ver minha vida assim, me acalma, é como se eu pudesse ter o controle sobre tudo, só que ás vezes eu mergulho fundo demais, e talvez por olhar as pessoas ao meu redor como meras peças, isso só ás vezes, eu não me importo em sacrificar ou lança-la para o risco, em busca de algo que considero maior, você sabe como eu sou neste ponto, (E acho que preciso recomeçar, novo tabuleiro, peças diferentes, estratégias nova, sei lá...) e por isso nunca chorei as perdas, por isso nunca comemorei as vitórias, e ás vezes apenas sorrio diante da derrota.

Chegou o tempo de tudo morrer para que renasça, e eu estou vivendo e prolongando este último suspiro ao seu lado. Ás vezes eu durmo lá pelas três da madrugada e acordo ás seis da manhã, e sinto que posso sair á luz do sol, ir para lugares diferentes nesta cidade, onde eu não vá encontrar aquelas mesmas pessoas, sei lá sair, olhar vitrines comprar roupas novas, pegar o telefone da vendedora, e me dar uma nova chance para viver uma estória diferente ao lado de alguém, ou algo bem sem nexo como jogar boliche ou bocha, talvez entrar para o clube de tiro, sei lá encontrar pessoas diferente, fazer parte de um clube de lazer, praticar artes marciais, boxe talvez... Ás vezes eu só queria ser como os outros homens, comprar revistas pornográfica, beber em um bar onde vende-se damas, jogar futebol ou assistir pela televisão, ir para as festa louco para ficar com a mulher mais bela, trabalhar para gastar tudo nos finais de semana, e achar que é coisa de pederasta ler livros e dialogar sobre a vida, essas coisas... Seria bem mais fácil viver a vida, mas estas são justo as coisas que nunca me interessaram, nem mesmo a mulher mais bela que sempre possui mente vazia, mas para os homens quanto mais vazia, mais fácil é de levar para cama, eles não gostam de mulheres muito inteligentes, e eu queria se assim. Eu sou o último homem de minha linhagem de nobres, camponeses e vilões, e acho que toda a linhagem morre aqui comigo, pois sou estranho para o mundo. Mas eu não abri isso para falar de min, mas de nós, mas a coisas

que eu não lhe digo, quando você me pergunta no que estou pensando, é mais fácil lhe dizer que... “Em nada”, mas sou orgulhos, lembra-se da primeira vez que brigamos, e você me disse, “você age como um rei, silencioso, metódico, sem compaixão”, e me disse que ás coisas reais não eram como no meu reino de fantasias, e eu lhe perguntei “o que importa? Somos livres para sermos quem bem quisermos, e no fim eu não me acho um rei, eu sou apenas um deus condenado a este mundo, e a conviver com pessoas como você, condenado, mesmo acima dos nobres, á suar sob o calor do meio dia na pele de um camponês.” Eu ainda acho isso, meus pensamentos ainda são monarquistas, e sempre que estou calado estou revendo velhas teorias e revoluções político-sociais, de como podemos chegar a isso? E você me acusou de ainda viver no sistema feudal, você tem razão, e eu ainda sou assim. Quando saio de casa e bato á sua janela, ainda me sinto como se eu estivesse no século XII, mesmo na maneira de lhe corteja que você tanto se diz seduzida. Odeio toda esta evolução que tanto enfraquece os homens, e já não nos trás esperança em acreditar, hoje a palavra não vale nada, você precisa ter um papel assinado e reconhecido, e mesmo assim tem que processar para conseguir que cumpram o que lhe prometeram, onde foi á honra, onde estão as crenças, o homem se perdeu tanto que nem os deuses querem mais lhe falar, você sabe o quanto é difícil até para se fazer pacto espirituais, pois eles já não crêem em nós, não crêem em nossas palavras, e eu vivo pagando

o preço por ter nascido nesta época tão covarde, quisera eu poder batalhar por minha honra e da dos meus ancestrais, quisera eu poder com uma espada fazer algumas cabeças rolarem, e me assentar no trono que por direi pertence aquele que possuir mais coragem e honra, mas tudo é era, e eu queria ás vezes estar vivo para vê-la cair, mas tudo só tende a piorar. Talvez nunca houve uma era gloriosa neste mundo, nem nos tempos de Alexandre, nem nos tempos de Nabucodonosor, nem nos tempo de Akhnatom, talvez... Vi o seu tormento quando eu me levantei para fumar um cigarro na janela, e você despertou na penumbra e me procuro com desespero no olhar, eu fingi não perceber, fui até você lhe beijei e você disse que pensou que era um sonho e eu não estava ali de verdade, mas calmamente eu lhe disse que eu só iria embora depois do sol nascer, fiquei velando os seus sonos e acordares, sempre ali... Em minha mente eu analisei tudo aquilo, se fosse em outra ocasião seu desespero seria uma caricia a minha vaidade, mas eu não consegui sentir isso, antes senti toda aquela sensação mórbida que havia invadido o seu quarto, parecia que tudo era um velório por trás de suas beleza e sensualidade, e quando parti e você me pergunto se Estávamos bem, eu lhe disse que também não conseguiria viver sem você, eu poderia dizer que não, mas pensei em como foi bom viver momento bons ao seu lado, seria egoísmo abandona-la no momento ruim... “Na saúde e na doença até que a morte os separe...” O único erro é que já estamos mortos.

Sábado chegará o Grão mestre da ordem de São Paulo, ficará aqui por uma semana dará palestra para os fraternos, ele é meu amigo, sempre me chamou de prodígio, um dia me disse que sempre que olhava para min via o sinete da perfeição, acho que agora ele dirá “enfim converte-se em satanás para sua ordem.” Será interessante olhar para ele, ele irá me perguntar os motivos, ele nunca questionou minhas ações por mais obscuras que fossem e eu nunca o decepcionei, sei que meus inimigo iram escalpelar-me para ele, mas se ele olhar para min de do outro lado do abismo e não do meu lado, então não importa... Mas vai ser bom vê-lo, se ainda formos amigos, talvez com o tempo eu me mude definitivamente para lá, (Quando nossos problemas tiverem resolvidos) e enfim poder recomeçar, acho que não quero mais pertencer a ordem. Certamente ele me chamará para algumas ocupações em seu circulo, mas acho que irei dispensar, alguém que teve a confiança questionada nunca mais torna a ser alguém digno dela novamente, eu conheço as regras. E outra, esta coisas correm, não quero ser olhado diferente, como se não importasse aonde eu fosse estaria sendo atingido por isso, não gosto de ser perseguido, ou acabo com meus perseguidores ou me entrego se resistência, nunca corro, para ser pego cansado. Mas sabe por que eu estou em paz, mesmo que minha vaidade, orgulho e poder, foi ofendido... Eu sei que se tudo esta acontecendo assim é por que eu fui ouvido em meu pedido com relação a você, e isso me acalma, claro que haverá muito fluido amargo

para engolir por estes dias, mas o pior não me choca, já me acostumei. ... O vinho atrai velhos amigos a uma boa conversa, poucas vezes no vimos nesta semana, acho que fará bem para ambos, meu velho amigo da ordem paulista me ligou e podemos conversar sobre tudo, sobre influencias religiosas e seus efeitos colaterais. Ele me falou sobre as pessoas que buscam ordens com fins políticos e financeiros, sobre as pessoas que nunca param para pensar, apenas julgam sem conhecimento, disse isso procurando me fazer falar sobre o meu problema, não vendo resultados ele foi direto... ”Ouvi muito a seu respeito desde que cheguei aqui, em nenhuma da face que me mostraram reconhecia a sua, sempre achei que você era perigoso pelo fato de ser frio e calculista, mas nunca pensei que um dia você seria desonrado por vender sua horda a Seol (Diabo, Satanás), seis que como um mestre, como um cavaleiro honrado você não discute a desgraça, mas peço pela confiança e amizade que temos, que você me conte o que houve.” Eu me senti um tanto fora de lugar, mas não falei nada sobre você apenas disse que foi necessário ocorrer como ocorreu. Ele riu, dizendo que tenho poder até para destruir a min mesmo, ele falou sobre como esta ordem precisava de minha experiência, disse que havia uma maneira de voltar, e seria pedir anistia, desfazer o que foi feito, mas eu disse a ele que não faria isso, ele me olhou e melancolicamente disse que entendia, e

completou dizendo que ao contrário do que as pessoas pensam, o espiritual é um mundo tão vasto quanto o nosso, e as pessoas insistem em confundir achando que tudo é apenas aquela mesma coisa, como se o espiritual fosse apenas uma comunidadezinha de doze espíritos, o espiritual como o mundo, tem varia forma que podemos encarar como cultura espiritual, leis e leis que são quebradas e edificadas pelas próprias leis, há divergência mesmo no espiritual, e olhar para ele é o mesmo que passar a sacrificar aos poucos seu contato com o mundo ao redor, indiferentemente começa a se afetada a convivência, e ele falou que eu nasci cresci e vivi no lugar errado, e completou dizendo, eu o conheci, e desde o primeiro instante soube que eu era diferente, “vejo em você honra, justiça e frieza, não sei qual é sua causa nesta ação, mas acredito que seja nobre, se há alguém que vai sempre lhe olhar nos olhos sem desconfiança sou eu, e abusando do fato de eu ser o grão mestre de minha ordem esta feito o convite para que nela você ingresse e em cargo mais elevado que este que aqui tem.” Eu disse a ele que precisava de um tempo até que ás coisas se resolvessem, e ele me disse como eu digo, o tempo é algo que sempre temos. Nós nos lembramos de quando estive in São Paulo e como foi visitar a ordem, ele disse que quando cheguei e ele me anunciou, disse que mais tarde, todos os outros mestres dialogavam sobre o fato de eu ser tão jovem, e disse que o mestre do nono circulo havia me mandado um abraço e disse que os mistérios foram generosos comigo, pois raras são a união de beleza e sabedoria,

fiquei envaidecido em minha alma, o ego acariciado sempre nós entrega noites perfeitas e eu estive feliz, mesmo que lutei comigo mesmo, e com a vaidade ao ouvir estas palavras. Ele me perguntou tudo sobre o seguimento espiritual de minha horda, entreguei a ele um relatório completo, meu último relatório, entreguei a ele detalhada as personalidades, dons e dificuldade de cada membro, ele ficou espantando com meu dom de observação, e procurei explicar os detalhes, estando eu afastado de meus afazeres em não disposto a pedir anistia, ficou claro que eu não mais sou reconhecido como mestre, e que a partir deste mesmo instante não devo mais citar nada que comprometa a integridade dos mistérios desta mesma ordem, ele ficou triste ao se despedir, me disse que só poderia me ajudar se eu pedisse anistia, mas repeti que isso eu não poderia fazer, ele percebendo que não era questão de orgulho me abraçou, e disse que estaria me esperando quando eu estivesse pronto, deixou claro que seria orgulho receber-me como mestre em sua ordem, e me elevar como cavaleiro, e assim se despediu dizendo que quando eu desejasse falar poderia ligar para ele. Foi um tanto triste para min quando ele partiu, pois me senti só, não é fácil olhar para a casa e encontrar apenas o vazio, pensei em ir até você, mas não poderia cometer este crime, lidei com minha dor só, acho que nos instantes em que mais preciso de alguém, todo foram embora e não há ninguém para me receber.

... Hoje nos falamos, estávamos um pouco na defensiva, quando eu lhe toquei a face senti uma espécie de desconforto em você, eu vivi toda aquela morte só para sentir o cheiro de seus cabelos, eu quis te abraçar, mas vi que não havia clima, senti o seu receio, havia medo, mas quando e disse que era tarde e precisava ir você falou irritada, “nunca houve tarde para nós,” e eu disse “e você nunca fez rodeios apenas me pedia para ficar,” e você se calou, eu me sentei e fiquei olhando para o nada enquanto você olhava para min deitada em sua cama, temo tido madrugadas chuvosas neste dias, eu me lembro que minhas paixões sempre começam e terminam em tempo de chuva, é interessante... Quando você dormiu eu fiquei olhando a chuva, acho que no fim eu me tornei apenas seu anjo mesmo, pois nem lhe toco e nem converso, o que eu lhe diria, “ó estou pensando em dizer adeus, ou ó todo mundo esta me crucificando lá fora, eu estou sozinho meu amor, nem você esta ao meu lado agora, e isso é realmente doloroso, acho que esta no fim minha cota de amigos, mas eu procurei isso”. Na madrugada fiquei olhando para você, dormia tão tranqüila, devo lhe confessar que roubei-lhe beijo enquanto dormia, gosto de olhar para o contorno de seu rosto, mas eu vim embora na chuva para apagar a chama que me envolveu. Há muito tempo eu não caminho pela chuva, me lembrei enquanto passei por uma esquina de uma de antiga paixão, naquela esquina foi a última vez em que nos vimos, nostálgico, mas eu não sinto falta dela, foi bom lembrar pois

passamos momentos bons juntos, como foi o segundo porre de dois em toda a vida, ela havia me levado para casa, eu fiquei muito mal naquele dia, nós tomamos duas garrafas de vodka, e eu debilitei, mas eu estava doente naqueles dias, e saíram feridas pelo corpo que não cicatrizavam, qualquer arranham de unha gerava uma brecha sobre a pele, eu estava intoxicado, minhas defesas do organismos estavam debilitadas, acho que eu estava tentando me matar, destruí meu fígado e não sendo o bastante comecei a destruir meus pulmões, tudo para criar uma estratégia de morte dosada, acho que eu não quero passar dos trinta anos. ... Hoje eu sonhei com você, em meu sonho eu sentia frio enquanto atravessava o portal para ser consolado nos braços da morte, enigmático... Eu estava perdido em uma floresta misteriosa, até encontrar uma imensa clareira no coração da floresta, um vale perfeito, nele havia uma mansão e no jardim você me esperava entre rosas, com um belo vestido azul, você parecia tão feliz, e em seus braços eu senti a sensação de que ali você havia me esperado por séculos. (Acho que nestes dias estou com uma estranha necessidade de ter alguém que esperaria por min, uma eternidade se preciso fosse.) Em seus braços eu me libertei de toda sombra em minha alma, e ali, longe de toda lágrima eu tive a certeza de que não mais poderíamos nos perder de nós. A lua parecia entregar-se ao alcance das mãos, nós éramos imortais ali, eternamente alcançando paz nos braços um

do outro, e você pode me libertar de toda tristeza que há em min, e eu pude finalmente adormecer seguro em seus braços, certo de que o amanhã nunca morreria para nós... Foi bom ouvi-la quando me ligou, eu estava perdido em algum lugar dentro de min, você sabe que sempre que estou triste eu quero ficar só, me escondo de baixo da cama e lá fico contemplando um paraíso só meu (Esquizofrenia). Foi então que você me ligou, queria que eu fosse jantar com você, mas queria que eu fizesse o jantar... Gosto quando você olha para min e diz que mesmo se eu não fosse belo, misterioso ou bom de cama, estaria comigo pelo simples fato de que eu cozinho bem. Foi estranho olhar para você do outro lado da mesa, você fez aquele olhar qual eu sempre me derreto todo, misterioso e sensual, mas eu fiquei calado como se eu não o tivesse percebido, era estranho olhar para você, pois você me pareceu uma estranha, eu poderia falar sobre tudo, mas eu não quis, não me senti á vontade, acho que nunca nos libertamos, sai um demônio e entra outro... Eu como sempre não jantei com você, mas gosto de olhá-la enquanto come, acho que gosto de te observar fazendo qualquer coisa, é tão delicada na maneira qual se move, seus gesto parecem tão inocentes, e ás vezes me faz sentir como se eu fosse o inimigo, sua simplicidade de agir, ás vezes faz de min o seu vilão. Depois que jantamos você me pediu para escrever um poema olhando para você, algo estranho, mas nós somos estranhos, mas eu disse que não estava muito bem para escrever, e você me disse que eu poderia escrever até sobre min mesmo, mas que eu

escrevesse olhando para você, e eu fiz como você me pediu. Não sei se é apenas psicológico, mas em tudo que temos vivido eu tenho sentido uma sensação de fim, estamos mais sombrios que nunca, parecemos estar mortos... Eu fiquei ali olhando para você e senti uma sensação tão mórbida e sombria, aquela velha visão de fantasmas dançando valsa a luz do luar em suas vestes antigas, sei lá, eu tenho esta visão ás vezes... Ela é povoada de uma melancolia fúnebre, e uma paz sombria... E foi o que eu senti olhando para você. Devo lhe confessar... Esta semana eu fiquei com alguém, ela é muito diferente de você, e de todas as outras que fiquei até aqui, o que eu não disse eu escrevo, então isso é um segredo nosso, talvez só meu, pois não acredito que alguém vá ler isso um dia e quando eu terminar irei apagar. Bem, ela vivia me dizendo o quanto eu era belo, ela é feliz, eu estava bebendo com alguns daqueles meus amigos que até me pergunto por que estou ali, e ela mandou um recado em particular, eu não fiz cerimônias apenas fiquei, acho que eu estava tentando a exorcizar esta mesmice, ou talvez, senti um pouco da alegria dela, mas se você quer saber acho que não lhe traí, fiquei até o amanhecer com ela, a satisfiz, mas não me satisfiz, lembra daquela técnica de não chegar a um orgasmo por horas se necessário for (Nós fazíamos este jogo e você sempre perdia.), pois é, foi assim, acho que eu não quis sentir o sublime, ele passa tão rápido, e tudo ao redor se apaga, ao menos eu me mantive como estava. Engraçado como as mulheres demonstram tanto recato... Tão cheia de pode e não pode, para entre quatro

paredes virarem uma fera, que se contar para alguém que ás conheça dirão que é mentira, talvez isso se explique pela sexualidade reprimida, afinal se uma mulher sai agarrando todo mundo ela fica falada, e por isso elas se aprisionam por temer o fato de alguém ficar sabendo, mas quando chega o momento parece uma fera enjaulada se libertando, mas isso acho que você não entenderia se eu lhe contasse, ou talvez eu é quem não entenda. Ás vezes sinto que por ninguém nunca ficar sabendo com quem eu fico, e eu nunca comentar, minhas amigas confiam em min, como era o fato de quando eu estava entre a multidão, garotos e garotas que pensavam que precisavam ser rebeldes no último sentido, muitas daquelas garotas que conheceram, e sempre foram difíceis para os garotos namorarem elas marcavam dias para pularem a janela do meu quarto, eram noite apavoradas, fumar baseado e fazer sexo, eu nunca confessei o que vi naquele clubinho das mulheres a ninguém, mas houveram dias em que aconteciam coisas realmente extraordinárias, quase sempre ligada a sexualidade reprimida libertada em uma noite de conversa amigável ao calor do vinho, acho que o vinho é uma chave para a orgia, acho que o mundo não me agrada por estes momento, olhar e ver que todos tem seus crimes a sombra das cortinas da sociedade, e quase noventa por cento é relacionada a sexualidade, estranho, acho que Freud estava certo em alguns pontos, mas eu nuca julguei por este lado, e sim pelo fato de todos estarem insatisfeitos e permanecerem nesta insatisfação, mas todos tem seus instantes de

habitantes de Sodoma. Ás vezes acho que o deus hebraico brinca comigo, ver tudo isso enquanto sinto uma necessidade extrema de alcançar santidade. Eu nunca lhe disse, mas se eu pudesse viver longe de todos estes podes e não podes, a sensualidade talvez não fosse minha prioridade em libertar, mas o pensamento, mas como todos eu também sinto e me pego em noites não reconhecendo a min mesmo, eu vivi meus instantes de loucura até o fim, ás vezes me arrependo, ás vezes não, tudo isso encima do mesmo ato, mas eu não me culpo e nem tento me explicar, eu sou apenas isso, e acho que muitas coisas foi bom viver, pois hoje eu sei o básico para mover o coração dos homens e das mulheres, e quase todas estas armas estão no underground, sexo, prostituição, drogas, poder e religião, quase sempre se resume a isso, no mais... São apenas os mesmo efeitos desta descrição acima, elevado de outra maneira, como fantasia, drogas e religião, como dinheiro, conhecimento, influencia e poder, como sensualidade, enredo, fascínio, paixão e sexos... Bem acho que você me entende. Tudo se resume a uma matriz básica, o resto é apenas embalagem, e por isso somos fracos diante do mau, que é apenas um ponto de vista, entre abdicar e viver, curvar-se e contra-atacar, olhar para o próximo ou não se importar, mas o engraçado é que a negação destas mesmas fraquezas nos torna diabólico, é como matar e chorar, sentir dor e prazer, privar-se e libertar-se sedento para o que consideramos vil, negando a nós mesmos e as nossas próprias virtudes, numa lutar eterna entre o “ser ou não ser,” herói e inimigo de si

mesmo eternamente... Mero acaso “Darkling”.

... Hoje fui tentado em tudo o que um dia me pertenceu, achos que o demônio esta me testando, você me ligou e me chamou a estar com você, veio sorrindo e me beijando os lábios me pediu para que eu me sentasse ao seu lado, vimos o por do sol juntos, e abraçada ao meu corpo você me olhou nos olhos e me pergunto por quanto tempo mais eu ia fazer este jogo, você me disse que vê a maneira com que olho para você todo o tempo, como se a cobiçasse em cada gesto. Me perguntou se iríamos permanecer nesta distancia para sempre, pois você estaria ali, ou me olhando de longe, e você sorriu... Eu sempre me perco quando você sorri, eu a beijei de maneira lasciva, e você se entregou, mostrando que estava ao meu lado, e eu disse que tudo não passava de dias de tormento. Se eu lhe contasse... Acho que nem a este diário tenho revelado inteiramente o que tenho vivido, eu não confio nem em min, mas gostei de ver você se preocupar comigo, ainda que fosse mera gentileza eu estaria feliz, foi uma tarde de pecados, nos entregamos ao amor dentro daquele templo, e a estátua simbolizando o cristo foi testemunha, estranho que eu vivi sem amanhã, como se eu estivesse desprovido de senso religioso ou culpa, apenas te amei, acho que sempre

unimos religião e prazer, e olha que a pagina acima fala justo destas coisas, acho que é para pagar a língua. Quando nos despedimos você me olhou com aquele olhar e me perguntou, “e então estamos bem?” Eu lhe perguntei o que você achava, e você disse que não é legal responder uma pergunta com outra, mas me olhando nos olhos disse que nunca teve tanta certeza do amor que sente por min, eu sorri e disse que você sabia que o meu mundo girava em torno do seu, e você disse que melhor que ele girasse dentro que em torno, e rindo eu disse que você nunca muda, sempre tentando controlar tudo e me controlar, e você disse que eu precisava de controle, e você era a pessoa certa para isso eu sorri e parti, deixando você me olhar com a indecisão de eu não ter respondido sua pergunta, antes ter te enrolado na conversa, mas eu estava tentado a lhe dizer que tudo que eu mais queria era estar ali e ao seu lado, mas... Mas... Bem... Eu cheguei em casa por volta das sete horas, por volta das oito alguém me ligou, velho conhecido, me chamou para uma conversa formal, eu fui até a casa dele, chegando lá encontrei boa parte de minha antiga horda, nove homens que me honraram quando cheguei. Foi bom vê-los, eles me falaram sobre a ordem, sobre o que todos estavam pensando sobre min, mas me disseram que minha horda estava a min espera, e por ela ser a maior dentre a ordem tem poder o bastante para me fazer retornar, disse que meu velho amigo da ordem de São Paulo falou abertamente a todos que por mais que as coisas estivessem confusas, que ninguém se

apressasse em julgar, pois pelo meu trabalho, pela minha filosofia e honra até o presente, nunca fui digno de nenhuma injuria ou desconfiança, e por mais que alguns ali insistissem em não me compreender e desconfiar, meus conselhos sempre foram cheios de sabedoria e preocupação com o próximo... E eles concluíram me dizendo que estavam prontos a estar comigo para qualquer fim, chegaram a cogitar até na edificação de uma nova ordem, mas eu fui categórico em deixar claro que não é o meu desejo ir contra a ordem, e seduzir seus fraternos é ir contra ela. Foi bom olhar para os olhos deles e vê-los me olhar com um respeito maior do que já tiveram até hoje, e mesmo os amando não deixei de ser tocado pelo sentimento de que mais uma vez nego o destino que temo... Pode ser loucura, mas quando eu era pequeno (Sete, oito anos...), sempre tem aquela estória de “o que você quer ser quando crescer?” Muitos de meus amigos queriam ser policiais, outros bombeiros, sei lá passava um desenho na época onde os bombeiros salvam o mundo de vilões comuns, como fogo acidentes, onde tudo era voltado para salvar o planeta e a vida que nele há, nesta época todos queriam ser bombeiros, enfim... Eu nunca havia parado e analisado, e aquilo realmente mexeu comigo, e eu cheguei a conclusão que eu queria ser deus, e eu acreditei por muito tempo que quando eu crescesse seria um, e eu me moldei para este propósito por muito tempo, observei todos que eu pude buscando sempre saber tudo, seus segredos, seus desejos, suas virtudes e vícios. E quando eu decidi ser o primeiro e estava pronto para sê-lo eu fui,

mas abandonei, pois não era o bastante, eu era apenas um adolescente querendo ser visto, fui e descobri que isso não tinha importância, então me sentei entre aqueles que estão nas sombras e nunca são notados, me moldei tanto que já nem sei quem eu era, confesso que isso ás vezes me fere... Mas no instante em que eles se mostraram tão prontos a estar comigo eu soube que poderia revolucionar minha era, fazer meu nome ser lembrado, mas eu já tenho meus livros para fazer o mundo lembrar de min, e todo escritor é elevado ao sucesso póstumo, isso me tranqüiliza de certa forma estranha. Mas olhar para a ordem usar da confiança de meus aliado para me elevar, acho que por mais que a vaidade seja um de meu pecado capitais influente, acho que não chegaria a tanto, eu ainda tenho princípios, mesmo que fique confuso ás vezes, “mas lhe confesso que se eu unisse a minha horda a todos os que me buscaram eu teria um pequeno exercito, talvez eu me tornasse um revolucionário, mas isso caiu da moda...” Isso soou engraçado queria que você estivesse aqui para sorrir para min. Acho que eu estou enlouquecendo com tudo isso, sei que são apenas pensamentos, mas são pensamentos perigosos demais para a sanidade. Talvez eu sofra por ser tão pretensioso, nunca vi um coração tão pretensioso quanto o meu, e ás vezes temo a min mesmo... Mas ser deus é como almejar a presidência do país, é tão comum e político, vejo no olhar de minha horda a sede por ter alguém a quem segui, vejo nos olhos daqueles que me procuram esta mesma sede, todos estão cansados dos

deuses antigos, querem um novo deus para amar, adorar, matar e tornar a adorar por alguns milênios, e acredito que chegou a era de um novo deus se levantar, mas até agora tudo é só uma piada, mesmo que possua uma ordem e adoradores, mas até aqui não passa disso, mas acho que é tempo para algo se elevar, o mundo esta ansioso por nova ordem, novo deus, novos milagres, nova forma de existir e sentir... Aqueles que não conseguem acompanhar isso, ignoram as necessidade que o povo tem apresentado, serão apenas indivíduos obsoletos, que choraram sobre o seu antigo deus e ídolo abandonado, algo como lamentar-se sobre os escombros do templo. Não tem nada a ver com identidade divina, nada a ver com este ou aquele, mas com cumprir o que veio para cumprir, e ser aquele que foi escolhido para ser. É estamos vivendo o instante em que nossos deuses passam a ser esquecidos lentamente, é estranho viver estes dias, então eu começo a me lembrar de outros deuses, como os da Grécia, Egito, e tantos outros como o principio na Mesopotâmia, deuses que hoje riríamos sem nenhum respeito diante de seu altar e nada nos aconteceria, e agora olhamos para a queda do Eu sou... De Jesus, do próprio diabo... Quanto mais as igrejas pregam mais o povo se esquece, talvez um século, talvez mais mas não um milênio, até que isso tudo caia, estes deuses apocalípticos sejam desmascarados e esquecidos. É uma possibilidade... Bem quando me perguntaram o que eu iria fazer com relação a ordem, eu disse que era

cedo para tomar qualquer decisão, e eles me disseram que estariam ao meu lado para qualquer fim e me honraram novamente antes de me deixar partir. Bem... Foi um dia estranho, mas bom, apesar de eu sempre temer o fato de que quando tudo vai bem é um sinal de que o pior estar se armando, mas fiquei feliz em encarar o respeito nos olhos deles, e encarar o amor nos teus... Foi um dia bom, de indecisões para minha alma, mas acho que vou dormir tranqüilo, apesar que, o sol ainda vai demorar a nascer. ... Nesta noite fria de chuva, onde padeço solitário em meio ao meu desespero, em meio aos meus pesadelos, sinto uma estranha necessidade de voltar para casa, como se ela estivesse alem de minha propriedade, alem daqui... Alem do mundo. Ás vezes em noites como esta tudo que quero é terminar o que vim fazer e morrer, a morte me parece um sonho bom em noites como esta, por isso não vou a sua casa, darei qualquer desculpa direi que choveu... Sinto que não posso levar minhas feridas quando elas se mostram tão visíveis aos olhos, até você... São tantos complexos que se eu estiver ao seu lado neste instante, acho que nenhum de nós viverá para ver o nascer do sol amanhã. Olhando para todas estas possibilidades, acho que vou ficar em casa, este sentimento não pode ser amenizado em uma conversa agradável, ou satisfeito em seus braços, isso é um tormento pessoal, é nestes instantes em que tudo se perde e eu só quero ficar só, um silencio concentrado á auto-cura, eu sinto que há um

lugar mais belo distante deste tormento onde eu possa descansar em paz, acho que no fim tudo que queremos por trás de todo interesse é encontrar paz para o espírito. Eu não sei por que sou tão atormentado, e não parece... É uma maldição... Minha mãe sempre dizia que me entendia, e acho que ela esta certa, ela contou-me que no período de minha gestação ela sentia incontrolável ódio pelo mundo, disse que passava os dias escondida no quarto, isso tudo para não ouvir um simples bom dia de ninguém, ela dizia que quando as pessoas diziam bom dia para ela, ela desejava mata-los, corria para o quarto e chorava amargamente, e todo este ódio só a abandonou quando ela me teve, mas mesmo no instante em que pela primeira vez me viu me odiou, tanto é que mandou a enfermeira me tirar do quarto, pois ela não queria me ver. Ela disse que mesmo antes de nascer eu já odiava o mundo e todos que nele habitavam, talvez ela esteja certa, pois o que ela viveu durante nove meses eu vivo minha vida inteira, e não consigo compreender por que sou assim, acho que fui marcado pelas trevas, todo e qualquer sentimento sano paira sob a libertação, este mundo me cansa definitivamente, se há um criador há um criatura que nunca vai agradecer por sua criação... Mas o campo ainda me acalma, lá estou longe de todos os mortais, os chamo assim, pois parecem tão frágeis, eu tentei morrer por tantas vezes e sobrevivi sem um arranhão, mas melhor é não morrer e permanecer intacto que ser um vivo mutilado. Quase todo tempo eu sinto a sensação de que sou imune a tudo, mesmo inconsciente... Mas

jamais a esta desespero.

sensação ...

de

tristeza

e

Hoje eu sonhei com você... Eu havia atravessado o portal, senti frio, mas estava em paz, meu corpo sofreu um leve formigamento e tudo que vi foi um fleche antes de cair inconsciente. Cruzei novamente uma floresta enigmática para lhe encontrar, e no coração daquela selva misteriosa encontrei a mansão, você esta bela como nunca esteve, e sorrindo veio ao meu encontro, ás lágrimas e os motivos pelos quais sentimos dor até ali haviam passado, o desespero havia se calado, e nossos corações batiam em tranqüilidade, era noite e a lua parecia estar tão próxima a ponto de deixar a impressão de que se eu estendesse a mão poderia toca-la, uma claridade intensa e pálida cobria-nos, e eu a abracei longe de todos os meus pesadelos, o tormento havia passado para nós, e eu estava em paz, pois sabia que ali você havia me esperado por longo tempo, até me ver retornar, tudo havia passado, a morte também, e eu encontrei abrigo em seus braços, e ali longe da solidão que nos cercou por uma vida, eu pude finalmente entender longe da loucura, que eu sempre te amei. Não havia lugar para ir, não havia sombra para nos confundir, apenas a eternidade em um santuário só para nós, e eu tive intensa certeza de que não mais poderíamos nos abandonar, pois ali era o nosso lugar, nos braços um do outro encontrando abrigo alem da escuridão, e não havia medo, pois você havia me esperado por todo este tempo, e eu

estava feliz em estar ao seu lado, na certeza de que tudo havia encontrado seu fim, e ninguém mais havia que pudesse tirar algo de nós, e eu descansei em seus braços olhando para o céu, na certeza de que ali a noite duraria para sempre, e a lua nunca deixaria de brilhar... Você me ligou eram uma da madrugada, disse que estava desesperada e queria me ver, eu disse que iria, mas demorei demais, quando cheguei vi portas e janelas abertas, havia cheiro de velas por toda a casa, no centro de um pentagrama meu nome sob essências e mel, você estava caída no chão olhei para a mesinha e vi suas drogas ao lado de uma garrafa vazia de vodka, achei que você havia bebido demais, e fui até você a te peguei no colo e trouxe até a cama, você estava gelada, me preocupei, verifiquei seu pulso e ele já não pulsava, me desesperei... Tentei os primeiro socorros, mas foi em vão, chamei a ambulância, me disseram que você se envenenou, não tocaram na palavra suicídio, seu pai me culpou, me socou a face, e eu apenas o olhei sem expressão... Que mundo louco...

..05..20..05..18..14..09..04..01..04..05..

(A letra abaixo no manuscrito não correspondia a de Eliaquim)

... Depois que sua namorada suicidou-se ele perdeu a razão, estas palavras acima foram suas últimas sobre este relacionamento insano de fim trágico, naquela manhã ela saiu á luz do sol, acredito que não havia dormido, vestia sobre as roupas um capuz negro que lhe ocultava parte da face, saiu de sua casa e caminhando pelo meio da rua levava uma espada medieval á cintura, todos que cruzavam por ele, ele a desembainhava e feria de morte, como se naquela manhã de sol o anjo da morte houvesse enlouquecido, e caminhado a luz do dia na realidade dos homens, e ele matou onze pessoas e feri varias outras de maneira mortal, quem ele encontrava ele dilacerava com sua lâmina tão fria quanto a maneira com que ele matava, a policia o interrompeu antes que chegasse ao meio da cidade, fizeram uma barreira, e ele caminhou tranquilamente para ela, chegando diante ele parou, os soldados deram ordens para que ele largasse sua arma, mas tudo que ele fez foi pedir silêncio, tirou o capuz da face e olhou melancolicamente para o sol, e pareceu permitir um sorriso triste em sua face pálida, olhou para a barreira e caminhou para

ela com a espada empunhada em maneira nobre, sob os avisos para cessar o ataque, mas ele não ouviu, foi abatido por onze tiros o mesmo número de mortos, e só caiu morto quando o décimo primeiro o atingiu, antes dele com sua lâmina ferir um dos soldados... E esse foi o fim, muitos dizem que ele havia enlouquecido, que odiava a humanidade, outros dizem que só estava triste e havia perdido o sentido, essa tragédia foi chamada de “a mão de Azrael”, algum acham que ele era um psicopata, outros o admiram como um poeta incompreendido, outros dizem que ele foi um rei cavalgando honradamente para seu destino, mas acho que ele apenas não conseguiu respirar sem ela, como ela não conseguia sem ele, e em algum lugar eles devem estar correndo jovens e eternos pela noite, vivendo junto sua paixão, maldição e tristeza para sempre, até que o inferno os receba, pois o céu não feito para eles...

Último Capítulo

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“O início” “A comunidade dos Poetas”

Melissa ao terminar de ler o diário olhou para o relógio e pensou que naquele instante Eliaquim já estava firmando sua palavra aos demais, ela havia perdido, mas ainda assim sorriu, e enquanto calçava o tênis falava para si mesma, “ele fala em seu diário não de alguém desconhecido, mas da própria Franci, e agora eu sei... Ele realmente desistiu da paixão quando se apaixonou novamente, e eu

sei por que... Franci era a escrivã da comunidade, ela registrou tudo, eis jogo... Pagar o preço, o preço por retornar da escuridão...” Ela colocou o diário na pasta e seguiu para a reunião, quando chegou Eli já havia terminado, e sentado conversava com alguns rapazes, ao vê-la cumprimentou-a, e ela falou: _Descobri o enigma. _Mas você perdeu o jogo. _Não importa, eu descobri... Eli pediu licença ao demais e convidou Melissa a caminhar, e em meio a rua ela pediu. _Pode abrir sua camisa? Ele olhou para ela, e ela mostrou o diário, então ele sorrindo fez como ela pediu, e deixou amostra no peito onze cicatrizes feita por ferimento a projeteis de arma de fogo. _Você realmente morreu um dia? _Talvez, mas eu não me lembro, apenas acordei... _Nos braços de Franci. _É... _Eu sei por que desistiu da outra paixão depois de Ângela... Você não conseguiria sofre novamente por ter que entregar a quem mais ama... Desde quando faz acordos e joga com o demônio? _Desde a primeira vez que amei, o amor nos cobra um preço alto, e muitas vezes temos que negar a nós mesmo para corresponder a ele. _Você iria se entregar e afundar com todos na comunidade, isso para que Franci pudesse viver, por quê?

_Com o tempo as coisas perdem o sentido, e o que eu aprendi foi que não há motivo, pois o próprio motivo me abandonou. _O demônio não quis você, pois você se entregava de livre vontade, antes desejou lhe tirar o que você mais amava... Ângela, isso para que sofresse todos os dias até aqui... _São apenas exigências... _Acredito que depois tenha tentado varias vezes se matar, mas não conseguiu, Samuel não jogou com a vida ele a colocou em penhor, este era o significado, de jogar com a vida e perder... O demônio lhe pediu onze almas por cada alma, mas entre as onze que lhe concedia o indulto, você também pôs a sua, tentou proteger Ângela, mas ela mesma foi atraída... _A alma dela valia mais que aquela vinte duas, e... _Acho que não foi culpa sua, eu entendo agora, desde o principio agiu de forma estranha, mas com um único objetivo, ter tempo para amar, e amar intensamente para sempre. _Mas ainda assim não fui capaz de assinar e por um ponto final na frente... _É verdade, isso deixou em aberto, poderia haver uma substituição... _Não entendo por que esta tão feliz, seu nome foi escrito no livro, você será ceifada. _É mais eu também não coloquei um ponto final. _Acha que poderá jogar com o demônio, esta pronta para perder, esta pronta para os sacrifícios? _Estou sempre pronta a tudo, e esta vida é tão monótona.

_Que seja... _Vai entregar estes também? _Este compraram minha liberdade, e nunca mais olharei novamente para a face do demônio. _Lembre-se de que neste mundo ou somos jogadores ou somos peças. _Vou me lembrar. _Quer negociar? _Não é comigo mais que agora você deverá negociar... _Sabe que quando eu me libertar ele virá a você em busca de mais uma alma, e cobrará justa a paixão que você negou... _Eu vou esperar... Neste momento Eli para bruscamente e Melissa dá dois passos á frente e da rua olha estranha para ele e diz... _O que houve realmente com a comunidade? _Isto será para sempre um mistério até para min... _Você me atraiu, este foi o seu jogo... _Espero te ver em breve... ...Melissa tenta retornar, mas neste momento um carro em alta velocidade a atinge dividindo seu corpo em pedaços, Eli abaixa a cabeça para não ver, e a pasta de Melissa cai aos seus pés, ele a toma e diz como se lamentasse. _Você esteve com a lei todo tempo e não viu, eis que estive aprisionado a esta palavras até, mas você terá tempo, e na escuridão todos os mistérios serão revelados, todos os atos serão descobertos e denunciados, e então eu poderei novamente da inicio ao maior de todos os jogos, e nele não haverá máscaras, apenas a coragem, de mesmo para a derrota

apostar alto, e não me importar em fingir para aquele que me conhece muito bem. Eliaquim percorreu um caminho rumo a um destino que há muito ele havia ignorado, entra pelo portão e bate na porta, uma bela e delicada jovem de olhos verde e cabelos castanhos escuros o atende, ele olha para a rua e em meio a ela vê a imagem de Melissa, a imagem acena, depois sorri e desaparece, Eli ignora a visão, sorri para a bela jovem que há tempos não o vê e entra decidido a viver o amor, pois em breve aquela dádiva lhe seria confiscada, da esquina Franci o observa parece triste e se pergunta. _Quanto tempo mais irá negar para si mesmo o real motivo de sua existência, quanto tempo mais insistirá em ignora os caminhos que levam aos braços? “Amor, insano amor...”

Fim.

“A comunidade dos Poetas”

Em homenagem a Magnes...

“Por que este solo se banha em seu sangue, se o mundo nunca foi digno dele?”

Eliaxe Mondarck

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