UNIVERSIDADE TÉCNICA DE LISBOA INSTITUTO SUPERIOR TÉCNICO

DEEC / Área Científica de Energia

Energias Renováveis e Produção Descentralizada

INTRODUÇÃO À ENERGIA EÓLICA

Rui M.G. Castro

Março de 2007 (edição 3)

BREVE NOTA BIOGRÁFICA DO AUTOR

Rui Castro recebeu em 1985, 1989 e 1994 no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa os graus de Licenciado, Mestre e Doutor em Engenharia Electrotécnica e de Computadores, respectivamente. É docente do Instituto Superior Técnico desde 1985, sendo presentemente Professor Auxiliar na Área Científica de Energia do Departamento de Engenharia Electrotécnica e de Computadores. Os seus principais interesses científicos têm motivado uma actividade de investigação centrada na área das energias renováveis e na sua interligação com o sistema de energia eléctrica, na área da análise da dinâmica dos sistemas de energia eléctrica e do seu controlo, e, mais recentemente, em aspectos relacionados com a economia da energia eléctrica. Complementarmente à actividade de investigação, tem tido uma actividade regular de prestação de serviços à sociedade no âmbito de projectos de consultoria técnica. Publicou mais de cinco dezenas de artigos em conferências nacionais e internacionais e participou na elaboração de mais de três dezenas de relatórios de actividades desenvolvidas no âmbito de projectos em que esteve envolvido. É autor de diversas publicações de índole pedagógica, designadamente de uma colecção sobre Energias Renováveis e Produção Descentralizada. Rui Castro rcastro@ist.utl.pt http://energia.ist.utl.pt/ruicastro

Foto da capa: Aerogeradores de 2 MW num parque offshore de 40 MW na Dinamarca (Fonte: Bonus Energy A/S)

ÍNDICE

1.

INTRODUÇÃO
Enquadramento Geral Situação em Portugal Estado-da-Arte Custos Ambiente

6
6 9 11 15 17

1.1. 1.2. 1.3. 1.4. 1.5.

2.

RECURSO EÓLICO
Estrutura do Vento
Variação no tempo Representação espectral Um modelo do vento 2.1.1. 2.1.2. 2.1.3.

19
21
21 23 25

2.1.

2.2.
2.2.1. 2.2.2.

Vento Quase-Estacionário
Distribuição de Weibull Lei de Prandtl

26
27 33

2.3. 2.4.
2.4.1. 2.4.2. 2.4.3.

Vento Turbulento Características Especiais do Vento
Obstáculos Efeito de esteira Vento no mar

36 39
39 40 41

2.5.
2.5.1. 2.5.2. 2.5.3. 2.5.4.

Caracterização de um Local
Identificação de locais potenciais Medição do vento Representação do perfil de ventos Modelos físicos e modelos numéricos

42
42 42 45 47

3.

ENERGIA ELÉCTRICA PRODUTÍVEL
Potência Eólica
Coeficiente de potência – CP Característica eléctrica do aerogerador 3.1.1. 3.1.2.

49
49
50 51

3.1.

3.2.

Cálculo Energético

52

4.

TECNOLOGIA
Componentes do Sistema
Rotor Cabina Torre 4.1.1. 4.1.2. 4.1.3.

64
64
65 67 68

4.1.

4.2.
4.2.1. 4.2.2.

Aerodinâmica
Optimização da conversão Forças actuantes na pá

69
69 71

4.3. 4.4. 4.5.

Controlo de Potência Referência aos Geradores Eléctricos Turbinas de Eixo Vertical

74 80 82

5. 6.

ANEXOS BIBLIOGRAFIA
WWW Tradicional

84 86
86 86

6.1. 6.2.

por outro lado. e. cuja degradação é acentuada pelo uso de combustíveis fósseis. que se descriminam na Figura 1 e na Figura 2. Nos EUA. mais recentemente. 1 As populares wind farms. 1. em parques eólicos com quarenta e cinquenta unidades.Introdução 6 1. a obrigação de proteger o ambiente. ENQUADRAMENTO GERAL A energia eólica tem registado nos últimos anos uma evolução verdadeiramente assinalável. caracterizada por uma tecnologia madura baseada principalmente na Europa e nos EUA. O ressurgimento das energias renováveis dá-se a partir dos choques petrolíferos da década de 70. a energia eólica desenvolveu-se principalmente na Califórnia (Altamont.1. o petróleo. Por um lado. cada vez mais. Em épocas mais recentes. As turbinas eólicas. observa-se que uma das bases de dados mundiais de vento mais conhecidas registava no dia 4 de Março de 1998 e no dia 6 de Fevereiro de 2007 os valores de 7.223 MW. as novas fontes – o carvão. INTRODUÇÃO No princípio do segundo milénio. respectivamente. Dinamarca. Para ter uma ideia da taxa de crescimento verificada. Tehachapi e San Gorgonio) com a instalação massiva de parques eólicos1 nos anos 80. . isoladas ou em pequenos grupos de quatro ou cinco. são já um elemento habitual da paisagem de muitos países europeus. fontes energéticas como o vento. nomeadamente a Alemanha. a água e a lenha dominavam a produção de calor e de força motriz. em particular nos países que se foram industrializando. o Reino Unido e a Espanha. A energia eólica é hoje em dia vista como uma das mais promissoras fontes de energia renováveis. a necessidade de assegurar a diversidade e segurança no fornecimento de energia e.322 MW e 74. Holanda e. o gás e o nuclear – substituíram estas fontes tradicionais. motivaram o renovado interesse pelas renováveis.

415 MW 776 3.509 7. Denmark 6.136 2.493 374 *** 195 393 * 67 103 88 63 53 201 ** 31 114 45 30 36 13 35 80 2001 2.* HOLLAND CHINA** SWEDEN ITALY MW 330 326 166 108 100 * RATHER FAST OR ** VERY FAST INCREASING TOTAL WORLD: 7. Marocco 20. Greece 17.764 2.353 14.7 2 10. MW 2006 2. Portugal 10. U. Belgium 24.247 1.853 11.347 417 634* 694 810 7 300 336 ** 875 3 *** 7.000 2 1 2. Japan 14.3 3 TWh 3 26 2.431 ** 1.608 .000 500 MW 600 MW 45 84 69 75 4 60 239 500 218 213 100 158 50 107 123 189 192 182 95 148 43 59 120 132 28 10 314 237 230 171 193 188 153 173 86 124 85 71 90 10 68 4 10 0. Sweden 19.000 11. Taiwan 25. Zealand 23. Brasil 21.000 7 8 0. 4.615 11.065 368 **** 2003 2. Egypt 22.000 300 3. U. Germany 2. Canada 13.000 MW 1. Finland 28. % electricity) 2007 * Expected Net Annual Additions.567 15.233 2005 1.963 1. DENMARK ** INDIA ** SPAIN ** MW 2.659 933 1.250 MW 160.836 9 1.S.000 30. Italy 8.123 3 1 1.000.096 1. China 7.300.500. Netherlands 12.691 236 120 57 245 66 27 27 40 * 75 150 17 39 49 7 83 4 35.A.603 6.601 1.150 MW 1. TWh. / DTI 9.622 6 2004 2.000 20 197 357 240 225 150 169 * 2. Norway 20.K. France 11. 1998 TOP-10 INSTALLED CAPACITY COUNTRY GERMANY ** U.000 15% 3.377 1.A.000 MW 173 250 62 33 208 85 2. Spain / AEE 3.K.687 250 235 * 98 116 153 107 102 226 ** 90 272 276 92 78 49 54 4 2002 3.000 3 4 1.000 1 81.5 33 11 15 30 10 2 1 TOTAL 73.592 1.S.454 1. Ann.604 2.587 2. MW 31-12-2006 Av. S. Australia 16.400 MW 12. N.000 3 333 146 109 975.940 5.596 7. Ireland 18.000.000 3 2.7 TWh 10 TWh 390.322 MW Figura 1: Base de dados mundial de vento: situação em 4 de Março de 1998 [WindService]. Korea 27.900.716 1.270 3.000.000 31.600.000.100 2.460 1.000 10 10.394 965 817 746 745 572 5 4 3.100 845 406 COUNTRY U.808 **** 1. MWh National Electricity Coverage % Target 2010 (MW.Introdução 7 STATISTICS WORLD-WIDE Latest up-date: March 4. India 5.768 6.644 1. production.018 2.430 4*** 498 452 446 500 403 140 * Country 1. Poland 26.500 MW 9% 4. Austria 15.500 MW 1.

TOTAL EU-27 at DECEMBER 2006: . 25 MW Offshore 6. que já ultrapassou a potência eólica instalada nos EUA. 7 MW nearshore 7.K. 23 MW Offshore 5 Ireland.Introdução 8 OFF. que. EU-27 Development Cumulative Installed Capacity Fig 2. baseada numa proposta da Comissão. 700 MW Offshore.Producing 100.& NEARSHORE 1 Denmark: including 414 MW offshore and 10 MW near-shore 2 Netherlands: incl.000 kWh/y . 18. no final de 2006. Neste contexto. World-Wide Annual Installed Capacity Figura 2: Base de dados mundial de vento: situação em 6 de Fevereiro de 2007 [WindService].: incl. Netherlands: Target incl. de 27 de Setembro de 2001 (conhecida como Directiva das Renováveis) relativa à promoção da electricidade produzida a partir de fontes renováveis de energia no mercado interno da electricidade.223 MW WORLD-II Fig 1.3% of EU-electricity demand TOTAL: WORLD-I as of 31-122006: NOW: 74. A evolução constatada deve ser encarada à luz dos objectivos de desenvolvimento das energias renováveis traçados pela União Europeia. merece especial destaque o caso da Alemanha. O Parlamento Europeu aprovou a Directiva 2001/77/CE do Parlamento Europeu e do Conselho. 304 MW Offshore 4 Sweden: incl.000.8 MW nearshore and 108 MW Offshore-North Sea 3 U.000. regista um valor de potência eólica muito superior à potência total instalada em todas as centrais eléctricas portuguesas (que é cerca de 13 GW).3. Germany: incl.: incl. Pode verificar-se que em nove anos foram instalados no mundo quase 70 GW de potência eólica. e o caso de Espanha. . a esmagadora maioria dos quais na Europa (48 GW actualmente na Europa dos 27).48.062 MW .

menos as exportações”. mais as importações. SITUAÇÃO EM PORTUGAL Portugal não tem recursos conhecidos de petróleo ou de gás natural e os recursos disponíveis de carvão estão praticamente extintos. Por outro lado. A Directiva “constitui uma parte substancial do pacote de medidas necessárias ao cumprimento do Protocolo de Quioto e à Convenção Quadro das Nações Unidas relativa às alterações climáticas”. Nestas condições. O consumo bruto de energia é definido como “a produção doméstica de electricidade.2. A Directiva contém. Por forma a atingir o seu objectivo. o nosso país viu-se confrontado com a necessidade de desenvolver formas alternativas de produção de energia. 1. valores indicativos para estas metas nacionais a definir por cada um dos Estados–Membros.Introdução 9 O objectivo essencial subjacente a esta Directiva é criar um quadro que facilite o aumento significativo a médio prazo da electricidade produzida a partir de fontes renováveis de energia na União Europeia. nomeadamente. em Anexo. promovendo e incentivando a utilização dos recursos energéticos endógenos. a Directiva propõe que “seja exigido aos Estados–Membros que estabeleçam metas indicativas nacionais para o consumo de electricidade produzida a partir de fontes de energia renováveis” compatíveis com os “compromissos nacionais assumidos no âmbito dos compromissos relativos às alterações climáticas aceites pela Comunidade nos termos do Protocolo de Quioto”. 2 . Para Portugal é indicado o valor de 39% (incluindo a grande hídrica) como meta a alcançar em 2010 para o consumo de electricidade produzida a partir de fontes renováveis de energia em percentagem do consumo bruto total de electricidade 2. tal como foi definido no Livro Branco sobre fontes renováveis de energia adoptado pelo Conselho Energia em Maio de 1998. a Directiva deve também ser encarada à luz do objectivo indicador de duplicar a quota das energias renováveis dos 6% (registados em 1998) para 12% (no horizonte de 2010) do consumo interno bruto de energia.

consequentemente. e o consequente fim da situação de monopólio detido pela EDP. Na verdade. que beneficiou da experiência adquirida com os grandes aproveitamentos hidroeléctricos. esta. e. com o estabelecimento do Sistema Eléctrico de Abastecimento Público (SEP) e do Sistema Eléctrico Independente (SEI). A situação da energia eólica em Portugal é hoje completamente diferente. tornaram esta forma de conversão de energia muito atraente. tendo sido aprovados durante a vigência deste quadro legal apenas pouco mais de meia dezena de projectos. Estes resultados poderiam levar a pensar que o recurso eólico no Continente era escasso e. quer das chamadas energias renováveis. o facto de os recursos hidrológicos serem bem conhecidos. nomeadamente nos domínios da produção mini-hídrica e da cogeração. não valia a pena ser explorado. no entanto. Já quanto à energia eólica a situação foi muito diferente. iniciada em 1995. No pólo oposto encontrava-se a energia eólica: conhecimento limitado do potencial eólico. A publicação desta legislação permitiu mobilizar investimentos do sector privado significativos.Introdução 10 Em 1988 foi publicada a primeira legislação (Decreto-Lei nº189/88 de 27 de Maio) que regulava a produção de energia eléctrica pelos produtores independentes. A potência instalada em cada central foi limitada a um máximo de 10 MVA. Como principais causas do acentuado desenvolvimento da energia eólica que se verifica actualmente em Portugal. A explicação não é. quer ainda de resíduos de origem industrial. podem apontar-se: • A restruturação do sector eléctrico. assistindo-se a um dinamismo inédito até ao momento. portanto. o facto de a tecnologia das pequenas centrais hidroeléctricas ser uma tecnologia madura. uma difícil avaliação dos riscos por parte dos potenciais produtores. . agrícola ou urbana. a maior parte deles nas ilhas da Madeira e dos Açores. experiência reduzida com a tecnologia actual dos aerogeradores e. tecnologia ainda em desenvolvimento. ainda. quer de carvão nacional. impondo-se a utilização.

º312/2001. designadamente o DecretoLei n. Particularmente significativo foi o programa de energia eólica iniciado nos EUA em 1973. ESTADO-DA-ARTE Na sequência do choque petrolífero de 1973 muitos países iniciaram programas de investigação e desenvolvimento no âmbito do aproveitamento da energia do vento para produção de electricidade. da primeira turbina eólica da era moderna – a Mod 0 com um rotor de duas pás com 38 metros de diâmetro e 100 kW de potência.º339-C/2001. no horizonte de 2010. e cujo primeiro resultado visível foi a instalação em 1975. e com mais quatro entretanto instaladas entre 1977 e 1980. e Decreto-Lei n. Ohio. em 1981. da turbina Boeing Mod 2 de 91 metros de di- . A situação actual é de grande dinamismo no sector. A experiência de operação acumulada com esta turbina.3. cuja aplicação em Portugal faz prever a instalação em Portugal de cerca de 2500 a 3000 MW de conversores eólicos. permitiu concluir acerca da viabilidade da sua exploração em modo abandonado.Introdução 11 • A publicação de legislação específica com o fim claro de promover o desenvolvimento das energias renováveis. Os dados disponíveis mais recentes indicam que no final de 2006. 1. que actualiza o tarifário de venda de energia de origem renovável à rede pública. O passo seguinte no desenvolvimento de turbinas de grandes dimensões nos EUA foi dado com a instalação. diferenciada por tecnologia e regime de exploração. registando-se um número de pedidos de licenciamento de novas instalações que excede largamente o potencial técnico do recurso eólico. perto de Cleveland. • A aprovação da Directiva das Renováveis. introduzindo uma remuneração muito atractiva. que altera procedimentos administrativos com o objectivo de melhorar a gestão da capacidade de recepção. a potência total instalada em aproveitamentos eólicos em Portugal ascende a cerca de 1.700 MW.

Particularmente relevante no quadro do desenvolvimento da energia eólica. . Um dos exemplos mais importantes desta cooperação foram as turbinas americano-suecas WTS3 (3 MW) e WTS4 (4 MW) instaladas em 1982 [Musgrove]. tendo tipicamente entre 10 a 20 metros de diâmetro e potências de 50 a 100 kW.5 MW de potência. a capacidade standard das turbinas era da ordem de 300 kW e actualmente (2006) já se situa na gama de 1. que conjuntamente com os elevados valores registados para a velocidade do vento em alguns locais deste estado. No início dos anos 90. tanto na Europa (principalmente na Dinamarca e Holanda) como nos EUA (em particular na Califórnia). Por esta altura formam-se os primeiros consórcios entre empresas americanas e europeias.Introdução 12 âmetro e 2. nomeadamente suecas e alemãs. Em 1987 a potência instalada em sistemas de conversão de energia eólica era de 1. incorporando os mais recentes progressos tecnológicos conseguidos até à data.5 a 2 MW (Figura 3). As primeiras turbinas eólicas comerciais foram instaladas no início dos anos 80. Os resultados dos programas de investigação em grandes máquinas potenciaram o desenvolvimento da indústria da energia eólica que. levaram a que a dimensão das turbinas eólicas comerciais não tenha parado de crescer. a maior parte delas com diâmetros entre 15 a 25 metros. encorajou o rápido desenvolvimento de parques eólicos financiados por entidades privadas.500 MW fornecidos por cerca de 15. naturalmente. em conjunto com os frutos dos programas de investigação. em programas de investigação e desenvolvimento de turbinas de grande potência.000 turbinas eólicas. A positiva experiência de operação com turbinas mais pequenas. se iniciou com turbinas de dimensão muito inferior. foi a política de incentivo à disseminação das energias renováveis promovida pelas autoridades do estado da Califórnia.

o diâmetro típico do rotor com a potência nominal da turbina. Figura 4: Relação entre o diâmetro típico do rotor e a potência nominal da turbina [DanishAssoc]. apenas a título indicativo. Por outro lado. Em geral. Uma turbina standard actual de 2 MW tem um diâmetro das pás do rotor da ordem de 80 m. a redução do número de rotores em movimento diminui o impacto visual.5 MW [DanishAssoc]. O aumento do tamanho das turbinas é vantajoso do ponto de vista económico e ambiental. para um determinado local.Introdução 13 Figura 3: Turbinas de 1. . A Figura 4 relaciona. quanto maior for a potência unitária mais energia é produzida. e melhor aproveitadas são as infra-estruturas eléctricas e de construção civil.

está a contribuir para tornar mais competitiva esta forma de aproveitar a energia do vento em condições ambientais diferentes. Como exemplo de opções diversas tomadas pelos fabricantes podem mencionar-se os materiais empregues no fabrico das pás e da torre. Em resumo. sendo os equipamentos considerados fiáveis. com vidas úteis estimadas em cerca de 20 anos. quer directamente ligados aos grandes sistemas de energia eléctrica. Apesar destas zonas de convergência subsiste ainda um conjunto de questões de projecto que não está consensualizado. É hoje inteiramente claro que a penetração dos conversores eólicos. o tipo de gerador eléctrico (síncrono ou assíncrono com interface electrónica de ligação à rede ou assíncrono directamente ligado à rede). e duradouros. pode afirmar-se que a tecnologia dos sistemas de conversão de energia eólica atingiu já um estado de maturidade apreciável. Uma das áreas onde se registarão maiores avanços será certamente a instalação de turbinas no mar3. os rotores de três pás (cerca de 90%) em relação aos de duas e a colocação do rotor à frente da torre relativamente à sua colocação na parte de trás (em relação à direcção do vento). tem uma trajectória sustentadamente crescente. em conjunto com um melhor conhecimento da tecnologia das fundações das turbinas no mar e das condições de vento no local. o tipo de rotor (flexível ou rígido). designadamente. Analisando a actual oferta comercial dos fabricantes verifica-se a dominância de algumas opções básicas de projecto. o modo de exploração (velocidade constante ou variável). 3 Offshore. o sistema de controlo da potência para velocidades do vento acima da nominal (regulação do passo das pás ou entrada em perda aerodinâmica). quer em paralelo com sistemas diesel em locais remotos. A tendência para o aumento da potência unitária. as turbinas de eixo horizontal relativamente às de eixo vertical.Introdução 14 Os programas de investigação contribuíram significativamente para uma certa uniformização do desenvolvimento tecnológico das turbinas. . com taxas médias de disponibilidade superiores a 90%.

sistema de controlo . muito variáveis em função das fundações. Figura 5: Parque eólico de Vinderby na Dinamarca [DanishAssoc].. com 160 MW instalados em 80 turbinas de 2 MW. altura do rotor. em que i é o inverso do factor presente da anuidade. transporte. CUSTOS Os custos associados à instalação de aproveitamentos eólicos dependem fundamentalmente dos custos de instalação e do tipo de tecnologia usada. a prazo. dom são os encargos de O&M e custos diversos. 1.Introdução 15 A Dinamarca tem liderado a instalação offshore (Figura 5): o primeiro parque eólico deste tipo foi o de Vinderby. constituído por 11 turbinas de 450 kW.4. por isso. número de turbinas. localizado no mar Báltico a cerca de 2 km da costa. a Dinamarca possuía cerca de 400 MW de potência eólica instalada em aproveitamentos offshore. tipo de gerador.. ligação à rede. esperando-se que. em 2002 entrou em operação o parque de Horns Rev. No final de 2006. Recorda-se que um modelo simplificado do custo médio anual actualizado de produção conduz a c = I01(i+dom)/ha. instalado em 1991. em percentagem do investi- . a maior produtividade destes aproveitamentos compense o sobreinvestimento inicial. acessos. sendo. A operação dos parques não tem sido problemática o que tem contribuído para aumentar as esperanças no offshore.

Para o investimento unitário consideraram-se valores que se situam nos extremos da gama de variação actualmente aceite como representativa: um valor médio-baixo de 1. nota-se que o período em análise na Figura 6 foi reduzido precisamente para 15 anos para corresponder ao período em que o tarifário verde bonificado é garantido pelo Estado. são relativamente frequentes os locais caracterizados por utilizações anuais da potência instalada desta ordem de grandeza. Em Portugal. .000 horas de funcionamento anual equivalente à potência nominal. para os investimentos totais médios actuais em sistemas de conversão de energia eólica. a rentabilidade é assegurada tipicamente a partir das 2. Pode verificar-se na Figura 6 que. uma vez que a vida útil de um parque eólico é.500 €/kW. I01 é custo de investimento por kW instalado e ha é utilização anual da potência instalada. De acordo com a legislação em vigor que estabelece a fórmula de cálculo da remuneração da energia entregue à rede pública pelos PRE que usam recursos renováveis (chamado tarifário verde) pode estimar-se (2005) que cada unidade de energia injectada na rede pública com origem em parques eólicos é paga a um valor que se situará em torno de 70 €/MWh. superior a 15 anos. em geral. durante um máximo de 15 anos. A propósito. parametrizada em função do investimento por unidade de potência instalada. Para os encargos de O&M tomou-se o valor de 1% do investimento total e a taxa de actualização considerada foi de 7%. Na Figura 6 ilustra-se a curva de variação do custo médio anual actualizado da unidade de energia produzida em função da utilização anual da potência instalada. Esta opção conduz naturalmente a resultados de viabilidade económica pessimistas.Introdução 16 mento total.000 €/kW e um valor médio-alto de 1.

que os postes que suportam as linhas de transporte de energia. n = 15 anos. 1.Introdução 17 150 I01 = 1500 €/kW 100 € / MWh 70 €/MWh 50 I01 = 1000 €/kW 0 1500 2000 2500 3000 3500 Utilização anual da potência instalada (h) Figura 6: Custo médio anual actualizado do MWh. são. a = 7%. pelo menos. dom = 1%It. Basicamente há dois tipos de ruído: mecânico. contudo. É indispensável que os projectos sejam adequadamente integrados na paisagem e desenvolvidos em colaboração com as comunidades locais. e que existem um pouco por toda a parte.5. O ruído produzido pelas turbinas é também apontado como argumento contra a penetração da energia eólica. para manter o apoio da opinião pública a esta forma de energia. AMBIENTE Embora à energia eólica estejam associados benefícios ambientais significativos do ponto de vista da emissão de substâncias nocivas à atmosfera. existem outros aspectos ligados com a preservação do ambiente que não podem ser negligenciados. Vale a pena mencionar. igualmente intrusivos. asso- . O impacto visual das turbinas é uma questão de gosto pessoal: há quem considere que as turbinas se integram harmoniosamente na paisagem e quem considere a sua presença intrusiva.

e aerodinâmico. Nos sistemas que operam a velocidade variável. podendo ser evitados através da escolha criteriosa do local de instalação. Por outro lado. é inevitável a existência de um zumbido. como os efeitos sobre a vida animal. uma vez que a altas velocidades do vento o ruído de fundo se sobrepõe ao ruído das turbinas. o gerador é de baixa rotação e a caixa de velocidades é dispensada. o uso da terra não fica comprometido com a instalação de turbinas eólicas. relacionado com o movimento das pás no ar. uma vez que apenas uma pequena percentagem do espaço onde é instalado o parque eólico fica efectivamente ocupado. nomeadamente as aves migratórias.Introdução 18 ciado à caixa de velocidades e ao gerador e motores auxiliares. Tanto a interferência electromagnética com sinais de sistemas de comunicações. não são superiores aos de outras estruturas semelhantes. 4 . Embora existam no mercado turbinas de baixo ruído4. principalmente a baixas velocidades do vento.

mais constantes e mais persistentes ocorrem em bandas situadas a cerca de 10 km da superfície da terra. Uma avaliação correcta do potencial eólico com vista à produção de energia eléctrica tem de basear-se em medidas de vento efectuadas especificamente para esse efeito. a radiação solar. o espaço de interesse encontra-se limitado a algumas dezenas de metros na atmosfera. portanto.windatlas. O Atlas Europeu de Vento Na Europa. Como não é possível colocar os conversores eólicos nessas zonas. agricultura. extrapolados para outras áreas. em 1989. A estas alturas. Na verdade. Os ventos mais fortes. mas não para avaliação do potencial. Os dados foram obtidos a partir de estações meteorológicas seleccionadas. embora de forma grosseira. A origem do vento é. RECURSO EÓLICO Os ventos são causados por diferenças de pressão ao longo da superfície terrestre. previsão do tempo. as quais estão associadas à medição de dados para a aviação. do Atlas Europeu do Vento5. o vento é directamente afectado pela fricção na superfície. sendo depois corrigidos. . pelo que a extrapolação dos registos meteorológicos conduziu à avaliação por defeito do recurso. devidas ao facto de a radiação solar recebida na terra ser maior nas zonas equatoriais do que nas zonas polares. Acresce que estas estações não estão normalmente localizadas nos sítios mais favorecidos do ponto de vista eólico. finalmente. 5 European Wind Atlas (consultar http://www.dk). os registos existentes eram provenientes de estações meteorológicas.Recurso Eólico 19 2. para ter em conta os efeitos da topografia. o que provoca uma diminuição na sua velocidade. e. Esta não era a situação à data da elaboração dos primeiros estudos. uma das primeiras acções com vista à correcção desta situação foi a publicação.

retirada do Atlas Europeu do Vento. à altura de 50 metros. apresenta uma panorâmica geral do recurso eólico na Europa Ocidental. em termos da velocidade média (m/s) e da densidade de potência (W/m2) médias anuais.Recurso Eólico 20 A Figura 7. Suécia e Finlândia os resultados referem-se a um estudo mais recente. Wind Resources at 50 (45) m Above Ground Level Colour Sheltered terrain Open plain At a sea coast Open sea Hills and ridges Figura 7: Atlas Europeu do Vento6 [DanishAssoc]. 6 . Para a Noruega. tendo sido calculados para a altura de 45 m em terreno aberto.

no dia 1 de Agosto de 1997. Variação no tempo A velocidade e a direcção do vento estão constantemente a variar no tempo. na 1ª semana de Agosto de 1997 e em Agosto de 1997 (velocidades médias horárias). o registo gráfico das medições efectuadas por um anemómetro8. a título exemplificativo. 2.1. Em geral. ESTRUTURA DO VENTO 2.1. as regiões mais ventosas estão localizadas no norte do Reino Unido e nas costas norte / oeste (roxo e vermelho). Como exemplo regista-se o vento Mistral do sul de França e os ventos sazonais que caracterizam as ilhas Gregas. identificando-se apenas pequenas faixas costeiras do oeste e do sul como sendo do tipo C (laranja). 8 Aparelho destinado à medição da velocidade do vento. Na Figura 8 mostra-se. localizado na zona centro oeste de Portugal. embora as condições topográficas locais afectem significativamente esta imagem geral7. A zona correspondente a Portugal Continental é praticamente toda do tipo D (verde). o Atlas Europeu de Vento representou um esforço importante para produzir um instrumento de trabalho válido de avaliação do potencial eólico com vista à produção de energia eléctrica. 7 .1.Recurso Eólico 21 Na Europa. o norte de Itália e o sul de França não são favorecidos em termos do recurso eólico (azul). Apesar de todas as suas limitações.

Recurso Eólico 22 12 10 Velocidade média horária (m/s) 8 6 4 2 0 0 6 12 Horas 18 a) 16 14 Velocidade média horária (m/s) 12 10 8 6 4 2 0 0 24 48 72 Horas 96 120 144 b) .

1. um ano) de medidas da velocidade do vento. tem-se verificado que a sua forma geral se mantém constante. uma medida da energia cinética associada à componente horizontal da velocidade do vento. Representação espectral O vento pode também ser descrito no domínio da frequência. dá-se o nome de densidade espectral de energia. o espectro de vento só seja válido para caracterizar a zona onde se efectuaram as medições. A esta função. b) uma semana. c) um mês.2. em rigor. A Figura 9 mostra um exemplo de uma representação espectral de vento.Recurso Eólico 23 16 14 Velocidade média horária (m/s) 12 10 8 6 4 2 0 0 168 336 Horas 504 672 c) Figura 8: Exemplo do registo de um anemómetro: a) um dia. isto é. . que é obtida a partir de um registo significativo (pelo menos. Embora. 2.

associada a frequências baixas (correspondendo a períodos da ordem de alguns dias) e relacionada com o movimento de grandes massas de ar. pelo que a turbulência é considerada um factor determinante no projecto de turbinas eólicas. principalmente devido às variações na direcção do vento. formando três zonas distintas: • A zona macrometeorológica.Recurso Eólico 24 Figura 9: Densidade espectral de energia [DeMonfort]. associada a períodos compreendidos aproximadamente entre 10 minutos e 2 horas. . do tipo depressões ou anti-ciclones. o seu impacto é bastante mais significativo ao nível dos esforços a que a turbina fica submetida. • A zona micrometeorológica. • A zona de vazio espectral. contudo. e relacionada com zonas do espectro correspondentes a muito pouca energia. associada a frequências mais elevadas (correspondendo a períodos da ordem de poucos segundos) e relacionada com a turbulência atmosférica. A turbulência atmosférica afecta a conversão de energia. A análise da Figura 9 revela a existência de dois picos de energia e de um vale.

quando comparadas com as variações associadas à turbulência. O carácter aleatório desta característica do vento obriga ao uso de processos que descrevam estatisticamente essa variação. mas de forma indirecta. 2. contendo muito pouca energia associada. e encarar a turbulência como uma perturbação ao escoamento quase-estacionário caracterizado por uma velocidade média. uma vez que a turbina não reage a flutuações rápidas na velocidade ou na direcção do vento. A consideração apenas da velocidade média anual do vento num local mascara todas as variações. tanto as lentas como as rápidas.Recurso Eólico 25 A variabilidade do vento significa que a potência eléctrica também é flutuante. A turbulência também afecta a energia disponível. 10 Ver Capítulo 3.3.1. tipicamente entre 20 minutos e 1 hora. 9 . No sentido em que as variações são lentas. Um modelo do vento A existência da zona de vazio espectral. embora numa gama de frequências mais estreita. Como a potência depende do cubo da velocidade do vento10. esta simplificação pode afectar seriamente as estimativas da energia eléctrica produzida. equação 1 A velocidade média é calculada com base num período que caia dentro do vazio espectral. e representa o regime quaseestacionário9 de energia disponível para a turbina. permite tratar separadamente as duas componentes características do vento. pois a turbina funciona como um filtro passa-baixo. Em termos matemáticos pode escreverse que a função velocidade do vento u(t) é: u( t ) = u + u' ( t ) em u é a velocidade média e u'(t) é a turbulência.

Recurso Eólico

26

2.2.

VENTO QUASE-ESTACIONÁRIO

Para o caso das variações lentas, o problema pode ser ultrapassado recorrendo a distribuições estatísticas, do tipo densidade de probabilidade, isto é, a probabilidade de a velocidade do vento ser igual a um determinado valor. Para o efeito, o número de ocorrências de cada velocidade média horária é contado e expresso em função do número total de horas do período em análise, por forma a obter a descrição estatística do regime de ventos no local. Será desejável que o período em análise seja tão alargado quanto possível, idealmente três anos, no mínimo, de modo a incluir as variações registadas de ano para ano. Os registos existentes são de velocidades médias horárias, isto é, um conjunto de valores discreto. Assim, a densidade de probabilidade representa, mais precisamente, a probabilidade de a velocidade do vento estar compreendida entre dois valores. O problema está em definir a largura da faixa delimitada por esses valores. Se for demasiado apertada, poder-se-á correr o risco de pesar excessivamente velocidades do vento que ocorrem poucas vezes. Se for demasiado larga, é provável que não se contabilizem valores que têm um peso significativo na distribuição de velocidades. É costume encontrar na literatura especializada o valor de 1 m/s para a largura desta banda, designada habitualmente por classe de vento. Na Figura 10 ilustra-se o gráfico de frequência de ocorrência de velocidades médias horárias do vento, obtido a partir dos registos de um anemómetro instalado na zona centro oeste de Portugal, durante o ano de 1997.

Recurso Eólico

27

16% 14% 12% Frequência de ocorrência 10% 8% 6% 4% 2% 0%
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25

Velocidade do vento (m/s)

Figura 10: Frequência de ocorrência da velocidade do vento (%), obtida a partir de dados reais.

2.2.1. Distribuição de Weibull Os registos da densidade de probabilidade ganham importância se puderem ser descritos por expressões analíticas. Têm sido sugeridas várias distribuições probabilísticas para descrever o regime de ventos, mas a distribuição de Weibull é normalmente considerada como a mais adequada. A expressão matemática da função densidade de probabilidade de Weibull – f ( u ) – é:
⎧ ⎡⎛ u ⎞k ⎤ ⎫ ⎪ ⎪ exp⎨− ⎢⎜ ⎟ ⎥ ⎬ ⎪ ⎢⎝ c ⎠ ⎥ ⎪ ⎦⎭ ⎩ ⎣

k⎛u⎞ f(u) = ⎜ ⎟ c⎝c⎠

k −1

equação 2

em que u é a velocidade média do vento, c é um parâmetro de escala, com as dimensões de velocidade, e k é um parâmetro de forma, sem dimensões. A velocidade média anual do vento uma calcula-se através de:

uma = ∫ u f ( u ) d u
0

equação 3

Recurso Eólico

28

Na prática têm-se distribuições discretas da velocidade média do vento em classes de 1 m/s, pelo que a velocidade média anual se calcula, de forma aproximada, por:
umax

uma =

∑ u f(u)
u =0

equação 4

A função Gamma

11

– Γ relaciona os parâmetros c e k da distribuição de Weibull

com as características da velocidade do vento – média anual e variância, através das relações seguintes:

⎛ 1⎞ uma = cΓ⎜1 + ⎟ ⎝ k⎠
⎡ ⎛ 2 ⎞ ⎛ ⎛ 1 ⎞ ⎞2 ⎤ σ = c ⎢ Γ⎜ 1 + ⎟ − ⎜ Γ⎜ 1 + ⎟ ⎟ ⎥ ⎜ ⎟ ⎢ ⎝ k ⎠ ⎝ ⎝ k ⎠⎠ ⎥ ⎦ ⎣
2 2

equação 5

equação 6

Exemplo EOL 1 Relacione as características da velocidade do vento – média anual e desvio padrão – com os parâmetros c e k da função densidade de probabilidade de Weibull. Para o efeito trace a função de Weibull e calcule a média anual e o desvio padrão da velocidade do vento para a) c = 8 m/s e k1 = 2; k2 = 2,5; k3 = 3; b) k = 2,3 e c1 = 7 m/s; c2 = 8 m/s; c3 = 9 m/s. Resolução: a) A função densidade de probabilidade de Weibull pretendida está representada na Fig. A. Aplicando a equação 5 e a equação 6, obtêm-se os valores da Tab. A. Verifica-se que k influencia essencialmente o desvio padrão, sendo este parâmetro tomado habitualmente como uma medida da dispersão da velocidade do vento no local. Para o mesmo valor do parâmetro c, a velocidade média anual aumenta ligeiramente com k, aproximando-se do valor de c, mas o desvio padrão diminui acentuadamente. No limite, o gráfico apresentaria apenas um pico localizado em u = 8 m/s, o que significaria que a velocidade do vento seria sempre constante.

11

A função Gamma pode ser obtida no Excel® através do comando EXP(GAMMALN(x)) e no Matlab® através de gamma(x).

Recurso Eólico

29
c=8m/s
k=2 15 Densidade de probabilidade de Weibull (%) k=2,5 k=3

12

9

6

3

0 0 5 10 15 Velocidade do vento (m/s) 20 25 30

Fig. A: Função de Weibull (c = 8 m/s e k1 = 2; k2 = 2,5; k3 = 3).

Tab. A: Função de Weibull – média anual e desvio padrão da velocidade do vento (c = 8 m/s e k1 = 2; k2 = 2,5; k3 = 3).
k 2,5 7,10 3,04

c=8m/s uma σ

2 7,09 3,71

3 7,14 2,60

b) A função densidade de probabilidade de Weibull pretendida está representada na Fig. B.
k=2,3
c=7m/s 15 Densidade de probabilidade de Weibull (%) c=8m/s c=9m/s

12

9

6

3

0 0 5 10 15 20 25 30 Velocidade do vento (m/s)

Fig. B: Função de Weibull (k = 2,3 e c1 = 7 m/s; c2 = 8 m/s; c3 = 9 m/s).

Aplicando a equação 5 e a equação 6, obtêm-se os valores da Tab. B.

diminuindo. Um dos métodos mais utilizados para calcular os parâmetros k e c envolve uma regressão linear e é sumariamente apresentado a seguir. F(x).97 3. B: Função de Weibull – média anual e desvio padrão da velocidade do vento (k = 2. mais larga é a banda de variação da velocidade do vento. sendo este parâmetro tomado habitualmente como uma medida do “vento” disponível no local. x0 F( x ) = 1 − ∫ f ( x ) dx −∞ equação 7 de que decorre a relação: f ( x) = − dF( x ) dx equação 8 A aplicação ao caso da distribuição de Weibull conduz para F( u ) à expressão: ⎧ ⎡⎛ u ⎞k ⎤ ⎫ ⎪ ⎪ F( u ) = exp⎨− ⎢⎜ ⎟ ⎥ ⎬ ⎪ ⎢⎝ c ⎠ ⎥ ⎪ ⎦⎭ ⎩ ⎣ A equação 9 pode ser expressa como uma função linear do tipo: equação 9 Y = AX + B em que: equação 10 . por isso. c3 = 9 m/s). a sua confiabilidade.Recurso Eólico Tab. c 8m/s 7.20 2.86 9m/s 7. probabilidade acumulada – probabilidade de uma variável aleatória x exceder o valor x0.27 30 k=2.68 Observa-se que a influência de c se estende principalmente à média anual.3 uma σ 7m/s 6. o que significa que quanto maior for o valor de c. é aparente que o desvio padrão também aumenta com o parâmetro c.3 e c1 = 7 m/s. A função. é dada por. c2 = 8 m/s.09 3. No entanto.

Para o efeito.Recurso Eólico 31 Y = ln[− ln(F( u ))] X = ln( u ) Os parâmetros k e c estão relacionados com A e com B.099 0.028 0.001 0.018 0.18.101 0. .93 e c = 8.000 equação 12 Calcule: a) Os parâmetros k e c da função densidade de probabilidade de Weibull que aproxima os dados disponíveis.005 0.001 0.93 e a ordenada na origem é B = –4.057 0.053 0.X) correspondente à equação 10. b) A velocidade média anual do vento. ao método de integração trapezoidal.002 0. pode recorrer-se. C representa-se a função linearizada (Y.081 0.70 m/s.003 0. usando a equação 7.074 0.091 0. de que se recorda a expressão geral: F( t ) = ∫ f ( t ) dt F( t 0 ) = f (t 0 ) 2 f ( t i − ∆t ) + f ( t i ) 2 F( t i ) = F( t i − ∆t ) + ∆t Os resultados obtidos para a probabilidade acumulada são apresentados na Tab. através de: equação 11 k=A ⎛ B⎞ c = exp⎜ − ⎟ ⎝ A⎠ Exemplo EOL 2 Medições efectuadas num determinado local. por exemplo.013 0.000 0.000 0. conduziram à distribuição da velocidade média horária do vento (função densidade de probabilidade) indicada na tabela seguinte: u (m /s) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 f(u) (pu) 0.069 0.008 0. Resolução: a) Em primeiro lugar. C.099 0.034 0. Os parâmetros da função de Weibull são k = 1.089 0.045 u (m /s) 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 f(u) (pu) 0. O declive da recta é A = 1. Na Fig. é necessário calcular a probabilidade acumulada F(u).025 0.

72 m/s ( Γ(1 + 1 1.507 0.8862 ). Esta é também a causa de os resultados obtidos para os parâmetros da função de Weibull constituírem uma aproximação dos “verdadeiros” parâmetros. ⎜ ⎟ 4 ⎝ 2⎠ b) A velocidade média anual estimada é uma = 7.003 0.801 0.188 0.013 0.Recurso Eólico Tab.0 1. C: Probabilidade acumulada u (m /s) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 F(u) (pu) 0.003 0. a função densidade de probabilidade dada no enunciado foi construída a partir de uma função de Weibull caracterizada por k = 2 e c = 8.009 0.004 0.326 0. que é manifestamente elevado.883 0.8869 ).707 0.986 0.0 3.46 m/s.004 0.137 u (m /s) 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 F(u) (pu) 0.93 ) = 0. mas sim aproximadamente linear.0 -2 -4 -6 X=ln(u) Fig.097 0. A velocidade média correspondente é uma = 7.X).251 0.006 0.607 0.020 0. Tal deve-se ao facto de se ter usado um passo de integração de 1 m/s.068 0.046 0.412 0.946 0.031 0. C: Representação da função linearizada (Y. Com efeito. Pode observar-se que a função obtida não é linear.0 2.50 m/s ( Γ⎛1 + 1 ⎞ = π = 0.003 32 4 2 Y=ln[-ln(F(u))] 0 0. Para k = 2 a distribuição de Weibull reduz-se à distribuição uni-paramétrica de Rayleigh: .

Recurso Eólico 33 ⎡ π ⎛ u ⎞2 ⎤ π u ⎟ ⎥ f(u) = exp⎢− ⎜ ⎜ ⎟ 2 uma 2 ⎢ 4 ⎝ uma ⎠ ⎥ ⎣ ⎦ em que uma é a velocidade média anual. para k = 2. Resolução: De acordo com a equação 5. Lei de Prandtl O atrito entre a superfície terrestre e o vento tem como consequência um retardamento deste último.2. 2. As camadas mais baixas de ar retardam as que lhe estão . unicamente a partir da velocidade média anual. equação 13 Uma aplicação útil da distribuição de Rayleigh ocorre na fase em que não se dispõem de dados experimentais e se pretende caracterizar sumariamente um local. obtém-se: f(u ) = 2 ⎧ ⎡⎛ ⎫ π u π u π ⎞ ⎤⎪ ⎪ ⎟ ⎥⎬ exp⎨− ⎢⎜ ⎜ ⎟ uma 2uma ⎪ ⎢⎝ 2uma ⎠ ⎥ ⎪ ⎦⎭ ⎩ ⎣ = ⎡ π ⎛ u ⎞2 ⎤ π u ⎟ ⎥ exp⎢− ⎜ ⎜ ⎟ 2 uma 2 ⎢ 4 ⎝ uma ⎠ ⎥ ⎣ ⎦ que corresponde à função densidade de probabilidade de Rayleigh (equação 13). tem-se: c= uma 2 = uma ⎛ 1⎞ π Γ⎜ 1 + ⎟ ⎝ 2⎠ e substituindo na equação 2. A função probabilidade acumulada obtém-se a partir da equação 9: ⎡ π ⎛ u ⎞2 ⎤ ⎟ ⎥ F( u ) = exp ⎢− ⎜ ⎟ ⎜ ⎢ 4 ⎝ uma ⎠ ⎥ ⎣ ⎦ designada por função probabilidade acumulada de Rayleigh. Exemplo EOL 3 Obtenha as expressões analíticas das funções densidade de probabilidade e probabilidade acumulada de Weibull com k = 2.2.

000 metros. O efeito da força de atrito vai-se desvanecendo até praticamente se anular a uma altura de aproximadamente 2.4). a equação 15: ⎛ z ⎞ ln⎜ ⎟ ⎜z ⎟ u( z ) = ⎝ 0⎠ ⎛z ⎞ u( zR ) ln⎜ R ⎟ ⎜z ⎟ ⎝ 0⎠ equação 15 12 Também chamada camada logarítmica. A velocidade de atrito. a condição fronteira obriga a que a velocidade do escoamento seja nula.Recurso Eólico 34 por cima. na prática. A região da camada limite atmosférica que se estende até uma altura de cerca de 100 metros – a chamada camada superficial12 – é a zona de interesse para as turbinas eólicas. usa-se. resultando numa variação da velocidade média do vento com a altura ao solo. que pode ser adequadamente representado pela lei logarítmica de Prandtl: u( z ) = u* ⎛ z ⎞ ln⎜ ⎟ k ⎜ z0 ⎟ ⎝ ⎠ equação 14 em que u( z) é a velocidade média do vento à altura z. acima desta zona diz-se que a atmosfera é livre. No solo. e porque o uso habitual da equação 14 é a extrapolação para alturas diferentes de dados medidos a uma altura de referência. e z0 é o que se define por comprimento característico da rugosidade do solo. u* é a chamada velocidade de atrito. k é a constante de Von Karman (cujo valor é 0. a topografia do terreno e a rugosidade do solo condicionam fortemente o perfil de velocidades do vento. é difícil de calcular. A esta zona da atmosfera caracterizada pela variação da velocidade do vento com a altura chama-se camada limite atmosférica. Para obviar a esta dificuldade. Nesta zona. que varia com a rugosidade do solo. . com a velocidade do vento e com forças que se desenvolvem na atmosfera.

deve ter-se em atenção que a equação 15 se aplica para terrenos planos e homogéneos. 10-5 2. Tipo de terreno z0 (m) min. A Tabela 1 mostra valores típicos para o comprimento característico da rugosidade do solo – z0. tendo-se optado por dividir os diferentes tipos de terrenos em classes características. De um modo geral. 3. também.10-4 10-3 6.10-2 4. Tabela 1: Valores típicos de z0 [Hassan]. No Anexo 3 mostra-se a tabela utilizada.10-4 10-3 10-3 10-2 2. entre os meses de verão e de inverno.10-2 3. . de obstáculos e modificações na rugosidade. isso deve ser tomado em consideração quando se analisam as características de um local.Recurso Eólico 35 em que u( z R ) é a velocidade média à altura de referência zR.10-2 10-1 3.10-3 10-2 4.10-2 10-1 10-1 1 1 z0 (m) Max.10-1 1 2 4 Lama / gelo Mar calmo Areia Neve Campo de cereais Relva baixa / estepes Descampados Relva alta Terreno com árvores Floresta Povoação dos subúrbios Centro da cidade No Atlas Europeu de Vento a abordagem seguida para a contabilização da rugosidade do terreno foi ligeiramente diferente. O valor de z0 pode variar com a direcção do vento e. não incluindo o efeito da topografia.10-4 2.10-5 3. pelo que a sua aplicação deve ser feita de modo criterioso.

2. D: Velocidade média em função da altura. para z0 = 5*10-2 m. VENTO TURBULENTO A questão da turbulência é mais difícil de ser analisada.000 kW com uma torre de cerca de 60 m de altura e um rotor com 60 m de diâmetro. pode verificar-se que quando a ponta da pá está na posição superior a velocidade média do vento é 14. mediu-se a velocidade média do vento de 10 m/s à altura de 10 m. Repare-se que o . Por exemplo. u(zR)=10m/s. A turbulência é completamente irregular e não pode ser descrita de uma maneira determinística. z0 = 5*10-2 m (relva alta).1 m/s.3. A Figura 11 pode auxiliar a esta visualização. D. -2 -2 -1 Esta característica da velocidade do vento é importante para o projecto das turbinas eólicas. A turbulência atmosférica é uma característica do escoamento e não do fluído. z0 = 10-1 m (terreno com árvores). para os seguintes valores do comprimento característico da rugosidade do solo: z0 = 10-2 m (relva baixa). z0=5*10 m. z0=10 m. Uma tentativa de visualização da turbulência consiste em imaginar uma série de turbilhões tridimensionais. sendo necessário recorrer a técnicas estatísticas.1 m/s. obtêm-se os valores que permitem construir a Fig. a serem transportados ao longo do escoamento médio. zR=10m. Resolução: Tomando zR = 10 m e u(zR) = 10 m/s e substituindo valores na equação 15. considerando uma turbina típica de 1.Recurso Eólico Exemplo EOL 4 Num determinado local. 36 Obtenha a variação da velocidade média do vento em função da altura. de diferentes tamanhos. z0=10 m. z0=10e-2 16 14 12 10 u(z) (m/s) 8 6 4 2 0 0 10 20 30 40 50 z (m) 60 70 80 90 100 z0=5e-2 z0=10e-1 Fig. enquanto que quando está na posição inferior é 12.

Na turbulência representam-se os desvios da velocidade instantânea do vento – u(t) – em relação à velocidade média do regime quase-estacionário – u .Recurso Eólico 37 interesse da turbulência não é esotérico. Uma vez que a turbulência é um fenómeno inerente ao escoamento. pelo menos. Figura 11: Turbulência do vento [Cranfield]. pelo que. há que ter em atenção que os esforços a que a turbina fica submetida irão reduzir a sua vida útil. A componente flutuante do vento pode conter energia significativa em frequências próximas das frequências de oscilação da estrutura da turbina eólica. não é possível erradicá-lo: a solução é considerar a turbulência como um elemento determinante no projecto das turbinas eólicas. 2 Uma medida da turbulência é dada pela variância – σu –: 2 σ u = u' 2 = 2 1 0 ∫T 2 u(t ) − u dt T t0 − t +T 2 [ ] equação 16 definindo-se intensidade da turbulência – Iu – como: σu u Iu = equação 17 .

1 0. E parametrizadas em função de z0. Resolução: Usando a equação 18 obtêm-se as curvas da Fig. quanto mais livre de obstáculos for o terreno. O projecto de turbinas eólicas necessita de informação mais completa sobre a turbulência do que aquela que foi apresentada.4 0. para os seguintes valores do comprimento característico da rugosidade do solo: z0 = 10-2 m (relva baixa).3 Iu(z) 0. z0 = 5*10 m.0 0 10 20 30 40 50 z (m) 60 70 80 90 100 Fig.2 0. z0=10e-2 0.5u* (recorda-se que u* é a velocidade de atrito) se verifica na camada superficial. z0 = 10-1 m (terreno com árvores). E: Intensidade da turbulência em função da altura. z0 = 5*10-2 m (relva alta). z0 = 10 m. Experiências realizadas revelaram que a relação σu ≈ 2. -2 -2 -1 Pode verificar-se que a intensidade da turbulência diminui com o comprimento característico da rugosidade do solo.Recurso Eólico 38 Como a variância varia mais lentamente com a altura do que a velocidade média. o que permite escrever (ver equação 14): 1 ⎛ z ln⎜ ⎜z ⎝ 0 ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ Iu ( z ) = equação 18 Exemplo EOL 5 Obtenha a variação da intensidade da turbulência em função da altura.. menor será a turbulência. z0 = 10 m. resulta que a intensidade da turbulência normalmente decresce com a altura. isto é. .5 z0=5e-2 z0=10e-1 0.

já é bem dominado. Estas características têm de ser devidamente contabilizadas quando se pretende instalar um aproveitamento de energia eólica. 2.4. CARACTERÍSTICAS ESPECIAIS DO VENTO O vento é. As frequências associadas a um nível superior de energia são imediatamente identificadas. elabora-se o espectro de energia do vento a partir das medidas efectuadas ao longo do tempo. O efeito do vento e da turbulência nas estruturas é um assunto que. . Figura 12: Escoamento na zona envolvente de um obstáculo [DanishAssoc]. mesmo em condições extremas de vento. formações rochosas – têm uma influência significativa na diminuição da velocidade do vento. árvores. 2. permitindo projectar turbinas de forma segura. hoje em dia.Recurso Eólico 39 Normalmente. A vantagem do espectro é que a informação é imediatamente disponibilizada no domínio da frequência. como vimos. sendo mais intensa na parte de trás do que na parte da frente do obstáculo. e são fontes de turbulência na sua vizinhança. Obstáculos Os obstáculos – edifícios.1. pelo que a turbina pode ser projectada de maneira a evitar que as mesmas sejam reproduzidas nos seus modos oscilatórios próprios. podendo verificar-se que a zona turbulenta se pode estender até cerca de três vezes a altura do obstáculo.4. um escoamento com características especiais. A Figura 12 mostra o modo como o escoamento é afectado na área envolvente do obstáculo.

Recurso Eólico 40 A redução na velocidade do vento depende das dimensões e da porosidade do obstáculo. o vento que “sai” da turbina tem um conteúdo energético muito inferior ao do vento que “entrou” na turbina. um edifício tem porosidade nula. Figura 13: Efeito de esteira [DanishAssoc]. Uma vez que uma turbina eólica produz energia mecânica a partir da energia do vento incidente. 2. Efeito de esteira Outro aspecto a considerar é o chamado efeito de esteira. . A Figura 13 foi obtida injectando fumo branco no ar que passa através da turbina para mostrar a situação que se descreveu.2. Porosidade define-se através da equação 19: AT A ef p = 1− equação 19 em que AT é a área total ocupada pelo objecto e Aef é a sua área efectiva. na parte de trás da turbina forma-se uma esteira de vento turbulento e com velocidade reduzida relativamente ao vento incidente. De facto. Por exemplo. a porosidade das árvores varia entre o verão e o inverno de acordo com a quantidade de folhas.4. Sempre que os obstáculos se encontrem a menos de 1 km medido segundo uma das direcções predominantes. eles terão de ser tidos em conta no projecto de instalação de turbinas.

os resultados obtidos até ao momento indicam que o recurso eólico no mar poderá ser superior às estimativas disponíveis em cerca de 5 a 10%. a necessidade de haver torres elevadas não seja premente. A experiência de parques eólicos em operação no mar da Dinamarca revela que o efeito dos obstáculos em terra. Por outro lado. Por outro lado. faz com que a variação da velocidade do vento com a altura seja pequena. e. em geral. Figura 14: Colocação das turbinas num parque eólico [DanishAssoc]. . portanto. a experiência mostra que a energia perdida devido ao efeito de esteira é de cerca de 5%.Recurso Eólico 41 É por esta razão que a colocação das turbinas dentro de um parque eólico tem de ser efectuada de modo criterioso (Figura 14). Vento no mar O vento apresenta condições particulares no mar (offshore). parece ser superior ao inicialmente previsto. Mesmo tomando estas medidas. o que faz esperar uma vida útil mais longa para as turbinas. menos turbulento do que em terra. normalmente. O facto de. a rugosidade do mar apresentar valores baixos. o vento no mar é.3. 2. mesmo para distâncias superiores a 20 km.4. É habitual espaçar as turbinas de uma distância entre cinco e nove diâmetros na direcção preferencial do vento e entre três e cinco diâmetros na direcção perpendicular.

5. Na prática.5. embora. Contudo. A primeira etapa na escolha de locais potenciais consiste em aplicar algumas regras do senso comum: • • Os topos das montanhas são. assim como as zonas costeiras. CARACTERIZAÇÃO DE UM LOCAL 2. . Se estiverem disponíveis mapas de isoventos (linhas de igual velocidade média anual do vento) eles devem ser usados para fazer uma primeira estimativa (grosseira) do recurso eólico. Medição do vento Idealmente. por vezes.2.Recurso Eólico 42 2. é indispensável uma caracterização detalhada do sítio recorrendo a dados obtidos a partir de medições efectuadas no local escolhido. por exemplo). a falta de tempo e de recursos financeiros leva a que as decisões sejam muitas vezes baseadas num único registo medido ao longo de apenas um ano. • Os vales são normalmente locais com menos vento. Identificação de locais potenciais A potência disponível no vento aumenta com o cubo da velocidade do vento. Os planaltos e as planícies elevadas podem ser locais com bastante vento. possam ocorrer efeitos de concentração local. locais muito ventosos.1. em geral. a caracterização do recurso eólico num local deve ser feita com base em medições realizadas em vários pontos da zona envolvente e ao longo de um número significativo de anos. 2. pelo que a implantação das turbinas em locais com ventos fortes e persistentes é um factor determinante no sucesso económico da operação. e a sua escolha complementada com visitas aos locais. Os locais potencialmente interessantes podem ser identificados usando mapas adequados (cartas militares.5.

dez vezes a sua altura. Para recolher dados relativos à turbulência é necessário outro tipo de anemómetro mais sofisticado (e mais caro). . isto é. designado por anemómetro sónico e ilustrado na Figura 16. Tipicamente usam-se frequências da ordem das décimas ou unidades de Hertz. isto é. é desejável uma medida adicional à altura normalizada de 10 metros. pelo menos. e as médias horárias são feitas com base em médias em intervalos de 10 minutos. aceleram mais rapidamente do que desaceleram. ou para estimar o comprimento característico da rugosidade do solo – z0 –. A Figura 15 ilustra o tipo de anemómetro mais difundido. Figura 15: Sensor de direcção (esquerda) e anemómetro de copos (à direita) [DeMonfort]. A principal desvantagem do anemómetro de copos reside no facto de a sua constante de tempo ser inversamente proporcional à velocidade do vento. Por forma a permitir correlacionar os dados do local com os registos existentes em estações meteorológicas próximas. A medição do vento deve ser efectuada a uma altura próxima da altura a que vai ficar o cubo do rotor da turbina. os obstáculos devem estar situados a uma distância de. É essencial que a instrumentação esteja bem exposta a todas as direcções do vento. o chamado anemómetro de copos. A frequência de amostragem depende do uso que vai ser feito dos dados. e um sensor de direcção.Recurso Eólico 43 A medição do vento é feita com instrumentação específica: anemómetros e sensores de direcção.

A velocidade de rotação dos anemómetros (de copos e sónicos) é proporcional à velocidade do vento. pelo que a gravação destes dados não pode ser efectuada de forma contínua. cerca de 50 Hz. Como os dados têm de ser amostrados a uma frequência mais elevada. os sistemas de armazenamento atingem rapidamente a sua capacidade máxima. A calibração dos anemómetros deve ser efectuada num túnel de vento. é prudente proceder. periodicamente. sendo medida através de uma tensão variável. . à sua recalibração no local usando um anemómetro de referência. antes da sua instalação no sítio. pelo que o sensor tem de ser adequadamente orientado. por linha telefónica. a tensão máxima é obtida para a direcção do norte relativo ao corpo do instrumento. para utilizações durante períodos longos. Figura 16: Anemómetro sónico [DeMonfort]. Tipicamente. Os sensores de direcção fornecem uma tensão proporcional à direcção.Recurso Eólico 44 Os anemómetros sónicos dão informação simultânea sobre a velocidade e direcção. Os sinais enviados pelos instrumentos de medida são recolhidos por um sistema de aquisição de dados (Figura 17) e armazenados localmente ou transferidos remotamente.

e está dividida em 12 sectores de 30º. . na costa atlântica francesa. Esta questão é muito importante. 2. Representação do perfil de ventos Os resultados das medições da velocidade média e da direcção do vento podem ser registados em tabelas ou gráficos de frequências.5. particularmente no que diz respeito à chuva. A medida 1 é proporcional à frequência relativa com que o vento sopra naquela direcção.3. Também é usual obter a conhecida rosa-dos-ventos. Como o sistema de aquisição de dados fica. uma vez que o ambiente em sítios com boas condições de vento é normalmente hostil.Recurso Eólico 45 Figura 17: Sistema de aquisição de dados [DanishAssoc]. a medida 3 mostra a contribuição relativa daquela direcção para a média do cubo da velocidade do vento. de que se mostram dois exemplos na Figura 18. muitas vezes. instalado ao ar livre é necessário que possua uma boa capacidade de isolamento. A medida 2 indica a contribuição relativa da direcção correspondente para a velocidade média do vento. A rosa-dos-ventos apresentada à esquerda na Figura 18 refere-se à região de Brest. Finalmente.

em França [DanishAssoc]. . os dados disponíveis devem ser comparados com dados meteorológicos obtidos em estações próximas. à direita. As rosas-dos-ventos variam de lugar para lugar. a frequência de ocorrência de cada velocidade do vento (ver Figura 10) tem aplicação nos cálculos energéticos. Como esta não é a solução prática. Veja-se.Recurso Eólico 46 1 2 3 Figura 18: Rosa-dos-ventos de Brest (à esquerda) e de Caen (à direita). o que pode ter interesse. Pode verificar-se que a quase totalidade do vento vem de oeste e de sudoeste. a utilidade das distribuições analíticas é limitada. é preciso saber se esse ano é representativo. A partir dos dados reais pode encontrar-se a distribuição de Weibull que melhor se ajusta. o caso da rosa-dos-ventos de Caen. a representatividade a um número significativo de anos. a 150 km a norte de Brest. assim. isto é. A forma garantida de ultrapassar esta dúvida é continuar a medir por mais anos. permitindo descrever o perfil de ventos através de uma expressão analítica. Se os dados disponíveis dizem respeito apenas a um ano. por exemplo. Naturalmente que dispondo de dados reais fiáveis. A caracterização de um local em termos da velocidade do vento por direcção é importante para a orientação inicial das turbinas em relação ao vento. de modo a tentar estabelecer correlações e estender. representada na Figura 18. se não foi especialmente ventoso ou calmo.

embora a construção dos modelos e a utilização do túnel sejam actividades dispendiosas. Deste modo. permitindo efectuar. É importante realçar. que os modelos não substituem as campanhas de medição de vento. o recurso a modelos. físicos e/ou numéricos. é uma prática habitual. podem ser investigadas várias possibilidades numa fracção do tempo que seria necessário para efectuar uma campanha de medições completa no local. Esta técnica permite obter resultados em algumas semanas. antes a complementam. dos obstáculos e da topografia do terreno. O desenvolvimento verificado nos computadores tornou possível a opção de recorrer a modelos numéricos para analisar o vento num local. e. obter o escoamento livre característico da área. Os modelos físicos da topografia do terreno são realizados à escala e colocados num túnel de vento. O regime de ventos num local é estimado a partir de dados existentes para um sítio de referência. Posteriormente. extrapolações sobre o comportamento de locais não experimentados.4. são adicionados os efeitos lo- . normalmente registos meteorológicos disponíveis num período alargado de tempo. O modelo numérico mais usado na Europa é o WAsP – Wind Atlas Analysis and Application Programme13 que foi desenvolvido na altura da elaboração do Atlas Europeu do Vento. desde já. Os dados de referência são filtrados para remover a influência da rugosidade. com base nas medidas. ou um só local disperso por uma área considerável. onde se reproduzem condições de vento com padrões de comportamento semelhantes às do local.Recurso Eólico 47 2.5. Modelos físicos e modelos numéricos Quando se pretende estudar simultaneamente vários locais. assim. Para utilizar estes modelos é apenas necessário dispor dos dados meteorológicos habitualmente disponíveis ou dados reais recolhidos num curto espaço de tempo. identificando problemas relacionados com o escoamento em terreno complexo e com a turbulência. A realização destes ensaios permite caracterizar o vento em diversos sítios e a diferentes alturas.

dk. . 13 Consultar http://www. Um primeiro comentário que ocorre relativamente a este modelo é que a estação de referência e o local em análise têm que estar suficientemente próximos de modo a experimentarem regimes de vento análogos. para chegar a uma projecção do regime de ventos no local desejado. Por forma a validar o modelo WAsP têm sido realizados vários estudos de comparação entre resultados teóricos previstos com o modelo e resultados experimentais obtidos por medição. onde a dinâmica do escoamento é crucial.wasp. grandes elevações ou terrenos complexos. não são adequadamente descritos com o WAsP. A principal conclusão é que o modelo apresenta projecções aceitáveis em terrenos planos ou pouco inclinados.Recurso Eólico 48 cais do terreno e a correcção para a altura do cubo das pás do rotor da turbina. uma vez que as previsões são demasiadamente grosseiras para serem aceitáveis.

A informação sobre o recurso eólico de um local independentemente das características das turbinas a instalar. Por outro lado. o aumento é só de duas vezes. ao atravessar a secção plana transversal A (m2) do rotor da turbina. 3.1. em que ρ é a massa específica do ar (ρ = 1. Na unidade de tempo. desloca uma massa ρAu (kg/s). mas duplicando a área varrida pelas pás da turbina. pode ser apresentada em termos da densidade de potência disponível no vento (W/m2). As turbinas modernas são projectadas para atingirem a potência máxima para velocidades do vento da ordem de 10 a 15 m/s. Tudo isto explica a importância crítica da colocação das turbinas em locais com velocidades do vento elevadas no sucesso económico dos projectos de energia eólica.Energia Eléctrica Produtível 49 3. se a velocidade do vento desce para metade. A potência disponível no vento (W) é. em condições de pressão e temperatura normais – ver Anexo 2). aquela coluna de ar.225 kg/m3. a potência reduz-se a 12. proporcional ao cubo da velocidade do vento: Pdisp = 1 1 (ρAu)u2 = ρAu3 2 2 equação 20 A equação 20 revela que a potência disponível é fortemente dependente da velocidade do vento: quando esta duplica. . A energia disponível para uma turbina eólica é a energia cinética associada a uma coluna de ar que se desloca a uma velocidade uniforme e constante u (m/s).5%. isto é. então. a potência aumenta oito vezes. ENERGIA ELÉCTRICA PRODUTÍVEL POTÊNCIA EÓLICA Uma condição necessária para a apropriação da energia contida no vento é a existência de um fluxo permanente e razoavelmente forte de vento. potência por unidade de área varrida pelas pás da turbina (Figura 19).

3%14. O rendimento efectivo da conversão numa turbina eólica depende da velocidade do vento e é dado por: Pm Pdisp Cp (u) = equação 21 em que Pm é a potência mecânica disponível no veio da turbina.1. Coeficiente de potência – CP A equação 20 indica a potência disponível no vento na ausência de turbina. . uma vez que o ar.1. A aplicação de conceitos da mecânica de fluídos permite demonstrar a existência de um máximo teórico para o rendimento da conversão eolo-mecânica: o seu valor é 59. e é conhecido por Limite de Betz. tem de sair com velocidade não nula. depois de atravessar o plano das pás. Esta potência não pode ser integralmente convertida em potência mecânica no veio da turbina. 3.Energia Eléctrica Produtível 50 5000 Densidade de potência (W/m2) 4000 3000 2000 1000 0 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 Velocidade do vento (m/s) Figura 19: Densidade de potência disponível no vento. 14 Mais precisamente 16/27.

Característica eléctrica do aerogerador As turbinas eólicas são projectadas para gerarem a máxima potência a uma determinada velocidade do vento. para velocidades abaixo de um certo valor16 (normalmente. . cerca de 5 m/s. factor de aproveitamento ou rendimento aerodinâmico. Cut-in wind speed. “potência eléctrica – velocidade do vento”. São comuns as designações de coeficiente de potência15. depende do regime de ventos no local de instalação. mas depende do local) não interessa extrair energia. isto é. Esta velocidade é ajustada de acordo com o regime de ventos no local. sendo habitual encontrar valores entre 12 a 15 m/s.Energia Eléctrica Produtível 51 Embora a definição de CP seja a dada pela equação 21. As especificações exactas da característica do aerogerador. isto é. Devido à lei de variação cúbica da potência com a velocidade do vento. Na Figura 20 mostra-se um exemplo de uma característica eléctrica. Não está normalizada a designação a dar ao rendimento expresso pela equação 21 ou pela equação 22. os fabricantes de aerogeradores têm por hábito incluir o rendimento do gerador eléctrico no valor de CP. Esta potência é conhecida como potência nominal e a velocidade do vento a que ela é atingida é designada velocidade nominal do vento. pelo que a expressão usada na prática é: Pe Pdisp Cp (u) = equação 22 em que Pe é a potência eléctrica fornecida aos terminais do gerador. a terminologia mais usada é mesmo CP. 15 16 Power coefficient. 3.1. correspondente a um sistema de conversão de energia eólica com potência nominal de 660 kW. Na prática.2.

artificialmente. 700 600 Potência eléctrica (kW) 500 400 300 200 100 0 0 5 10 15 20 25 30 Velocidade do vento (m/s) Figura 20: Característica mecânica de uma turbina de 660 kW [DanishAssoc]. no caso geral: Rated wind speed. Cut-out wind speed. CÁLCULO ENERGÉTICO Uma vez obtida uma representação do perfil de ventos fiável numa base de tempo alargada. uma diminuição no rendimento da conversão. pois isso obrigaria a robustecer a construção. para valores superiores à velocidade do vento nominal17 não é económico aumentar a potência. 3. do correspondente aumento no investimento.Energia Eléctrica Produtível 52 Pela mesma razão. e. 17 18 . provocando-se. o valor esperado para a energia eléctrica produtível anualmente é.2. apenas se tiraria partido durante poucas horas no ano: assim. a turbina é regulada para funcionar a potência constante. Quando a velocidade do vento se torna perigosamente elevada18 (superior a cerca de 25 – 30 m/s). a turbina é desligada por razões de segurança.

cujo perfil de ventos é o representado na tabela seguinte: . pelo que a equação 23 se transforma em: umax u0 Ea = ∑ f ( u )P ( u ) r e equação 24 em que fr ( u ) (h) é a frequência relativa de ocorrência da velocidade média do vento: fr ( u ) = 8760 f ( u ) . neste caso. Este integral pode ser calculado analiticamente quando são conhecidas as expressões das funções f ( u ) e Pe ( u ) . Assim.Energia Eléctrica Produtível umax 53 Ea = 8760 ∫ f ( u )Pe ( u )d u u0 equação 23 em que f ( u ) é a densidade de probabilidade da velocidade média do vento. em alternativa pode ser calculado numericamente. usando o método de integração trapezoidal. Pe ( u ) é a característica eléctrica do sistema de conversão de energia eólica. a expressão a usar será: max P (i) + Pe (i − 1) ⎤ ⎡ Ea = 8760 ∑ ⎢(F(i − 1) − F(i)) e ⎥ 2 ⎦ i =u1 ⎣ u equação 25 Exemplo EOL 6 Considere-se um local com velocidade média anual do vento igual a 7. Habitualmente estão disponíveis distribuições discretas. u0 é a velocidade de cut-in e umax é a velocidade de cut-out. Quando F( u ) é conhecida. por exemplo. uma forma mais elaborada de calcular a energia consiste precisamente em usar esta função de probabilidade acumulada para obter a probabilidade de a velocidade do vento estar compreendida entre dois valores. deve usar-se o valor médio da potência retirado da característica eléctrica do aerogerador.5 m/s.

respectivamente. tome-se um sistema de conversão de energia eólica de potência eléctrica igual a 500 kW. c) A curva de duração anual de potência. G mostram a representação gráfica da frequência relativa de ocorrência da velocidade média do vento e da característica eléctrica do aerogerador de 500 kW.Energia Eléctrica Produtível u (m/s) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 fr(u) (h) 241 463 648 783 863 888 864 801 710 605 497 393 300 u (m/s) 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 fr(u) (h) 222 158 110 73 48 30 18 11 6 3 2 1 54 Para instalar naquele local. F e a Fig. Resolução: a) Para uma visualização mais apelativa. a Fig. b) A variação do CP com a velocidade do vento. . diâmetro das pás do rotor igual a 40 m. cuja característica se encontra representada na tabela seguinte: u (m/s) 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 Pe (kW) 0 0 4 15 36 66 108 162 234 323 407 463 494 u (m/s) 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 Pe (kW) 501 503 504 504 504 505 505 506 506 506 500 500 Calcular: a) O valor esperado da energia eléctrica produzida anualmente e a utilização anual da potência instalada.

A multiplicação. a partir do qual se calcula a utilização anual da potência instalada. F: Frequência relativa de ocorrência da velocidade média do vento. F e na Fig. das características representadas na Fig. para cada velocidade média do vento. A soma.Energia Eléctrica Produtível 1000 888 863 864 801 710 648 605 55 Frequência relativa de ocorrência (h) 800 783 600 497 463 400 393 300 241 222 158 110 73 48 30 18 11 6 3 2 1 200 0 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 Velocidade do vento (m/s) 25 Fig. representado na Fig. 500 463 503 504 504 504 505 505 506 506 506 500 500 494 501 407 400 Potência eléctrica (kW) 323 300 234 200 162 108 100 66 36 15 0 0 0 4 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 Velocidade do vento (m/s) Fig. G: Característica eléctrica do aerogerador de 500 kW. E a = 1 563 433 kWh ha = Ea = 3127 h Pinst . para todas as velocidades médias do vento. G origina o valor esperado para a energia eléctrica produzida por velocidade média do vento. dá o valor esperado para a energia eléctrica produzida anualmente. H.

16 0.40 0. sendo o numerador obtido da característica eléctrica do aerogerador e o denominador dado pela equação 22 (tomou-se ρ = 1.217 150 000 100 000 58.2 0.37 0.04 0.05 0.3 Cp 0.19 0. H: Distribuição de energia produzida por velocidade média do vento.1 0.42 (correspondente a 71% do limite de Betz).Energia Eléctrica Produtível 250 000 195. O valor máximo do coeficiente de potência deste aerogerador é 0.139 110.41 0.674 55.148 9.42 0.386 181.24 0.40 0.11 0.10 0.892 148. u2 é a velocidade média do vento que maximiza o produto fr(u)Pe(u).000 a 3.00 0.35 (83% do valor máximo).322 130.005 30.29 0. atingido à velocidade média do vento de 10 m/s.649 24.753 2.19 0.42 0. mas a velocidade média do vento associada a uma maior produção de energia é u2 = 11 m/s.757 939 0 1 0 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 Velocidade do vento (m/s) Fig.00 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 Velocidade do vento (m/s) Fig.30 0.08 0. O resultado obtido encontra-se representado na Fig. 0. Para velocidades médias compreendidas entre 5 m/s e 12 m/s a turbina funciona com valores de CP superiores a 0. Dependendo das condições de vento no local.05 0.335 93.590 37. b) O coeficiente de potência CP calcula-se pela equação 20.4 0.35 0.482 3. I: Distribuição do coeficiente de potência – Cp.154 1.005 50 000 11.372 201. I.5 0.240 5. 493 . Pode verificar-se que a velocidade média do vento que ocorre mais vezes é u1 = 6 m/s.916 56 200 000 Energia eléctrica (kWh) 166.017 15.41 0.06 0.13 0.225 kg/m3 e A = πd2 4 ).0 0.949 79.07 0.000 horas. é relativamente comum obter valores de utilização anual da ordem de 2.

621 horas por ano (64% do ano). Curva de duração anual de potência.Energia Eléctrica Produtível 57 De acordo com a tabela da frequência de ocorrência dada no enunciado. com 3 pás de 47 m de diâmetro e uma altura da torre de 40 m.8u + 257. F) de modo a eliminar a velocidade média do vento. que naturalmente se aplicam apenas ao caso em estudo: • A potência nominal é atingida apenas 683 horas num ano (7. J: Curva de duração anual de potência. devido a velocidade do vento excessiva.8% do número total de horas). devido a velocidade do vento insuficiente. • O aerogerador está parado 21 horas no ano (0. J). Exemplo EOL 7 Considere um sistema de conversão de energia eólica de 660 kW. e 704 horas no ano (8%). Esta curva é obtida combinando a característica eléctrica do sistema eólico (Fig. para se obter o efeito acumulado – potência atingida ou excedida (ver Fig. A Fig. J permite tirar algumas conclusões interessantes. G) com a frequência relativa de ocorrência (Fig.1039u 3 + 29.24%). o que atesta bem a qualidade das modernas turbinas.081u 2 − 161.69 4 ≤ u ≤ 14 P = 660 15 ≤ u ≤ 25 P=0 u ≥ 26 . P=0 0≤u≤3 P = −1. para u em m/s e P em kW. h (h) 8739 8498 8035 7387 6604 5741 4853 3989 3188 2477 1872 1376 983 Pe (kW) 0 0 4 15 36 66 108 162 234 323 407 463 494 h (h) 683 461 303 193 120 72 42 24 13 7 3 1 Pe (kW) 501 503 504 504 505 505 506 506 506 500 500 0 0 1000 2000 3000 4000 horas 5000 6000 7000 8000 9000 100 Potência (kW) 500 600 400 504 300 200 Fig. O número de horas que cada potência é atingida por ano é depois somado. A característica eléctrica do aerogerador pode ser expressa através da seguinte função analítica. c) A curva de duração anual de potência indica em abcissa o número de horas por ano que a potência indicada em ordenadas é atingida ou excedida. aquelas velocidades ocorrem durante 5.

950.07 26.104. c) a energia produzida durante o período referido em b).743. anualmente. Assumindo que a distribuição da velocidade do vento segue a função densidade de probabilidade de Rayleigh.598.0257 0.49 4.199.65 m/s. produzindo. calcule: a) a velocidade média anual do vento à altura da torre.0019 0. zR = 10 m: uma(40m) = uma(10m)*ln(z/z0)/ln(zR/z0) = 8. inclusive. Resolução: a) A velocidade média anual do vento à altura de 40 m.0029 0. d) a energia produzida durante o período referido em b). z = 40 m. b) uma estimativa da energia produzida durante o período em que o aerogerador funciona a potência constante.96 2.0139 0.11 38.859.083. ⎤ ⎥ ⎥ ⎦ ⎡ π⎛ u π u f (u) = exp⎢− ⎜ 2 ⎜ 2 uma ⎢ 4 ⎝ uma ⎣ Uma primeira aproximação do valor de Ea2 é 502.80 110.65 m/s e o solo onde o aerogerador está instalado apresenta uma rugosidade equivalente de 3x10-2 m.629.51 c) O valor de Ea2 pode ser refinado calculando o integral pelo método de integração trapezoidal. usando a expressão analítica da função de probabilidade acumulada de Rayleigh.080 kWh. calcula-se pela Lei de Prandtl fazendo uma(10m) = 6. z0 = 0.0098 0.24 m/s b) O aerogerador funciona a potência constante para velocidades compreendidas entre 15 m/s e 25 m/s. E a 2 = Pnom * 8760 * u =15 ∑ f (u) ⎞ ⎟ ⎟ ⎠ 2 25 .94 56.25 80. o qual se obtém somando os termos E2(u) que constam da tabela seguinte. uma vez que está disponível a expressão analítica de f(u).412.0045 0.03.Energia Eléctrica Produtível 58 A velocidade média anual do vento medida à altura de 10 m é 6. u (m/s) 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 f(u) 0.0007 0. E a 2 = Pnom * 8760 * ∫ f (u)du 15 25 . usando o método de integração trapezoidal. a energia Ea2.445.62 17.36 10.0067 0.53 6.0191 0.052.0004 E2(u) (kWh) 148.0012 0. sendo f(u) a função densidade de probabilidade de Rayleigh.

0083 0.0191 0. u (m/s) 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 f(u) 0. Um micro-aerogerador de 20 kW (à velocidade de vento nominal.248. devido ao comportamento praticamente constante da função de Rayleigh nesta zona de velocidades do vento.0118 0.34 21. A velocidade do vento de arranque (cut-in wind speed) é u0 = 4 m/s e a velocidade do vento de paragem (cut-out wind speed) é umax = 24 m/s. desde zero até à potência nominal.0139 0.287 kWh.59 32.Energia Eléctrica Produtível 59 O cálculo conduz ao valor de Ea2 = 500.0019 0.90 129.6 m.414.0006 E2(u) (kWh) 74.0024 0.0224 0.527. unom = 10 m/s). 63 Para velocidades do vento compreendidas entre unon e umax.0029 0.0098 0.02 95.53 47. tem um rotor de diâmetro 11.0009 0.413.0015 0. . A tabela seguinte mostra os detalhes do cálculo. Para velocidades do vento compreendidas entre u0 e unom.0257 0.51 5.0045 0.801. Repare-se que o mesmo resultado se obtém através da utilização da equação 25. o aerogerador é regulado para funcionar à potência nominal de 20 kW.399.522.49 13. considera-se que a potência eléctrica varia com o cubo da velocidade do vento.873 kWh o que não traz um acréscimo de precisão assinalável.09 68.0004 INT(f(u)) 0.24 d) O integral a calcular é: 8760 × 660 × ∫ f (u)du = 8760 × 660 × [1 − F(u)]15 = 8760 × 660 × (F(15) − F(25)) 25 25 15 ⎡ π ⎛ u ⎞2 ⎤ ⎟ ⎥ F(u) = exp⎢− ⎜ ⎜ ⎟ ⎢ 4 ⎝ uma ⎠ ⎥ ⎣ ⎦ O resultado obtido é Ea2 = 423. podendo ser calculada através da expressão aproximada: Pe (u) = 20 (u − 4)3 para P em kW e u em m/s.0067 0.578.95 8.0037 0.0165 0.0128 0.0012 0.0007 0.73 3. isto é: Ea 2 = 8760 × 660 × ∑ (F(i − 1) − F(i)) = 8760 × 660 × (F(15) − F(25)) i=16 25 Problema EOL 1.222.0056 0.789.955.

742.3077 b) Ea = 10.83 kWh Problema EOL 2. 10 15 u Calcule: a) o rendimento aerodinâmico.37 kWh c) Ea_np = 4.87 = 44. considere que a massa específica do ar é ρ = 1. c) o valor de Cp à velocidade do vento de 10 m/s. à altura do rotor da turbina.25 209 400 569 643 660 660 660 660 660 fr(u) (h) 0 219 627 1543 2550 2137 1008 376 171 75 54 0 0 Calcule: a) a velocidade média anual do vento. b) estimativa da produção anual de energia eléctrica e da utilização anual da potência instalada. à altura de 40 m. b) uma estimativa da energia eléctrica anual produzida (sugestão: use o método de integração trapezoidal).087. Considere um sistema de conversão de energia eólica de 660 kW. Os dados respeitantes à característica eléctrica e à frequência relativa de ocorrência da velocidade média do vento.23 kg/m3. é dada pela equação: f (u) = ln(10) − 15 para u em m/s.50 + 33.344. à potência nominal. . Cp.Energia Eléctrica Produtível 60 O conversor eólico é montado num local onde a densidade de probabilidade da velocidade do vento. Recorde: a mx +C m ln a x n a mx n n mx n−1 mx ∫ x a dx = m ln a − m ln a ∫ x a dx mx ∫ a dx = Solução: a) Cp(10) = 0.400. u (m/s) 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 P (kW) 0 0 1. estão indicados na tabela seguinte. c) uma estimativa da energia eléctrica anual não produzida devido à turbina não funcionar para além de umax.45 70. com 3 pás de 47 m de diâmetro e uma altura da torre de 40 m.

50 m/s b) n = 323.73 m/s b) Ea = 2. Ea_n = 323. Solução: a) uma(45) = 6. 61 Considere um sistema de conversão de energia eólica de 1 MW. pelo facto de se dividir a frequência de ocorrência da velocidade média do vento em classes de largura igual a 1 m/s (e calcular o integral como um somatório de produtos). ha = 3. à altura do rotor e à altura de 10 m.804 h c) Cp(10) = 37.375 MWh.1 204 317. c) o erro cometido no cálculo da energia referido em b).84 h.70 m/s.1 715.91% (Ea_n1 = 381. com 3 pás de 54 m de diâmetro e uma altura da torre de 45 m.Energia Eléctrica Produtível Solução: a) uma = 8. Calcule: a) a velocidade média anual do vento. uma(10) = 5. à altura do rotor. u (m/s) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 P (kW) 0 0 0 0 13 55 116.5% Problema EOL 3. A característica eléctrica do sistema está indicada na tabela seguinte. O solo onde o aerogerador será instalado apresenta uma rugosidade equivalente z0 = 10-2 m.836 MWh) .8 963.7 991 u (m/s) 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 P (kW) 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 0 0 0 0 0 A função densidade de probabilidade da velocidade média do vento.45 m/s e o parâmetro de forma é k = 1.4 444. no local onde se pretende instalar o aerogerador pode ser aproximada por uma distribuição de Weibull.1 906. b) o número de horas por ano em que o aerogerador é regulado para funcionar à potência nominal e a respectiva energia produzida durante esse período.841 MWh c) erro = 17. em que o parâmetro de escala é c = 7.510.6 822.545.7 583.

(Exame de 2004/05) Num local em que o regime de ventos é bem representado pela distribuição de Rayleigh e em que a velocidade média anual do vento é uma sabe-se que: A potência média anual disponível no vento por unidade de área varrida pelas pás é dada por: Pdm = 0. d) melhor estimativa da energia anual produzida quando o aerogerador funciona a potência variável com a velocidade do vento. respectivamente.000 kW. 4 m/s.95ρuma3 W/m2.75 e c=6.65. pode ser representada por uma função de Weibull com parâmetros k=1. Pretende-se instalar este aerogerador num local em que a distribuição dos ventos. 15 m/s e 25 m/s. As velocidades médias do vento de arranque.Energia Eléctrica Produtível Problema EOL 4. à altura do rotor. com 3 pás de 80 m de diâmetro e uma altura da torre de 78 m. em média. Considere que. se pode afirmar que a potência média anual de um aerogerador é igual a cerca de um terço da potência nominal do mesmo.045uma+0. (Teste de 2005/06) 62 Considere um gerador eólico de potência nominal igual a 2.9.17% b) uma = 6. mesmo assim. O rendimento médio anual da conversão eólica-eléctrica em função da velocidade média anual do vento de um gerador eólico de tecnologia actual pode ser aproximado pela expressão: cpm = –0. Cp. As características de cada gerador eólico são as seguintes: . o valor da função Gamma no ponto (1+1/k) é aproximadamente igual a 0. nominal e de paragem são.078 MWh d) Ea1 = 3. na gama habitual de variação do parâmetro k.786. Calcule: a) rendimento da conversão de energia. b) velocidade média anual do vento à altura do rotor. Pretende-se instalar um parque eólico constituído por 10 geradores eólicos distanciados de sete e quatro diâmetros na direcção predominante do vento e na direcção perpendicular. respectivamente. as perdas por efeito de esteira são 5%. à velocidade nominal do vento. Solução: a) Cp (15) = 19.67 m/s.898 MWh Problema EOL 5.00 m/s c) Ea2 = 281. Recorde que. c) energia anual produzida quando o aerogerador é regulado para funcionar a potência constante. Considere que.

873.53 m/s c) Ea = 64. em percentagem da energia total anual.41 m/s. Neste local. a distribuição do vento pode ser bem representada por uma função de Rayleigh.74 MWh d) E_Pn = 7. às alturas de 10 m e de 20 m.33% Ea . vento paragem 25 m/s 63 Medições efectuadas no local de instalação reportaram os valores de velocidade média anual do vento iguais a 5. respectivamente. b) velocidade média anual do vento à altura da torre.Energia Eléctrica Produtível Potência nominal 2 MW Vel. vento nominal 16 m/s Diâmetro do rotor 80 m Vel.77 m/s e 6. Calcule: a) comprimento característico da rugosidade do solo. d) energia anual produzida quando o parque funciona à potência nominal. vento arranque 4 m/s Altura da torre 67 m Vel. c) energia anual produzida pelo parque. Solução: a) z0 = 0.019 m b) uma(67) = 7.

16 – cobertura da cabina. 14 – mecanismo de orientação direccional. 4. 7 – travão de disco.Tecnologia 64 4. 10 – radiador de arrefecimento. isto é. Figura 21: Esquema de uma turbina eólica típica [Nordex]. . Pode observar-se na Figura 21 que. 13 – sistema hidráulico. Legenda: 1 – pás do rotor. 17 – torre. 19 Nacelle. basicamente. 6 – caixa de velocidades. 15 – chumaceira do mecanismo de orientação direccional. TECNOLOGIA COMPONENTES DO SISTEMA A Figura 21 mostra os principais componentes de uma turbina eólica do tipo mais comum. 12 – sistema de controlo. o sistema de conversão de energia eólica se divide em três partes: rotor. 9 – gerador.1. 5 – veio do rotor. cabina19 e torre. 8 – veio do gerador. 3 – cabina. de eixo horizontal e directamente ligada à rede eléctrica. 4 – chumaceira do rotor. 2 – cubo do rotor. 11 – anemómetro e sensor de direcção.

22 Teetering hub. Por outro lado. pois o escoamento é perturbado pela torre antes de incidir no rotor. generalizou-se devido ao facto de o vento incidente não ser perturbado pela torre. 23 Tilt angle. O acréscimo na energia capturada ao vento está estimado em cerca de 3 a 5% quando se passa de duas para três pás. A opção downwind. Solidity. permite o auto alinhamento do rotor na direcção do vento. Define-se solidez21 como sendo a razão entre a área total das pás e a área varrida pelas mesmas. A opção upwind. é necessário que o cubo do rotor (local de fixação das pás) possa baloiçar22. mas esta percentagem vai-se tornando progressivamente menor à medida que se aumenta o número de pás. Rotor O projecto das pás do rotor.Tecnologia 65 4. o rotor pode ser colocado a montante ou a jusante20 da torre. de forma a acomodar os desequilíbrios resultantes da passagem das pás em Upwind ou Downwind. Esta razão motivou que a grande maioria das turbinas em operação apresente rotores com três pás. no qual a forma da pá e o ângulo de ataque em relação à direcção do vento têm uma influência determinante. porque diminuem as chamadas perdas de extremidade. que apresentam um funcionamento semelhante. beneficiou do conhecimento da tecnologia das asas dos aviões. Em relação à superfície de ataque do vento incidente nas pás. que apresente um ângulo de inclinação relativamente à vertical23. mas tem vindo a ser progressivamente abandonada. em que o vento ataca as pás pelo lado de trás. 20 21 . muito embora a solução com duas pás configure benefícios relacionados com a diminuição de peso e de custo. o rendimento aumenta com o número de pás: isto acontece. isto é. em que o vento ataca as pás pelo lado da frente. Se o diâmetro e a solidez das pás forem mantidos constantes.1.1.

contudo. a madeira passou a ser empregue em técnicas avançadas de fabrico de materiais compósitos de madeira laminada. A selecção dos materiais usados na construção das pás das turbinas é. Actualmente. há alguns fabricantes a usar estes materiais em turbinas de 40 m de diâmetro. resistem bem à fatiga. o que é uma vantagem importante na fase de fabrico. Sob o ponto de vista das propriedades mecânicas. a escolha faz-se entre a madeira. robustos. Estes materiais são relativamente baratos. Esta questão assume relevância acrescida no desenho do rotor de duas pás (Figura 22). mas.Tecnologia 66 frente à torre. Os rotores de uma só pá foram objecto de investigação. Mais recentemente. Figura 22: Pormenor do rotor com duas pás [DanishAssoc]. pois. são facilmente moldáveis. os compostos sintéticos e os metais. principalmente. as fibras de carbono constituem a melhor opção. A vida útil do rotor está relacionada com os esforços a que fica sujeito e com as condições ambientais em que se insere. . Os compostos sintéticos constituem os materiais mais usados nas pás das turbinas eólicas. dada a sua natureza inerentemente desequilibrada. plásticos reforçados com fibra de vidro24. nomeadamente.Glass Reinforced Plastic. tendo sido construídos alguns protótipos. A madeira é o material de fabrico de pás de pequena dimensão (da ordem de 5 m de comprimento). uma operação delicada: actualmente. Contudo. não conheceram desenvolvimento comercial. 24 GRP . o seu preço elevado é ainda um obstáculo que se opõe a uma maior difusão.

não há controlo sobre o rotor. é um material denso. Na segunda opção. Neste veio estão montadas as tubagens de controlo hidráulico dos travões aerodinâmicos26 (se forem necessários – ver adiante). da rede eléctrica de 50 Hz. por forma a tirar partido das melhores características de cada um dos componentes. isto é. robustez e resistência à fadiga. na eventualidade de uma falha na caixa de velocidades.5 Hz (30 rpm). o aço tem sido usado. o travão de disco. o que o torna pesado. Em alternativa. mas têm a desvantagem de a sua resistência à fadiga se deteriorar rapidamente. principalmente nas turbinas de maiores dimensões. o travão é menor e mais barato.Tecnologia 67 No grupo dos metais. alguns fabricantes optaram por ligas de alumínio que apresentam melhores propriedades mecânicas. o gerador e o mecanismo de orientação direccional25. 4. Em situações de emergência devidas a falha no travão aerodinâmico ou para efectuar operações de manutenção é usado um travão mecânico de disco. O veio principal de baixa rotação transfere o binário primário do rotor para a caixa de velocidades. Contudo.1. o veio principal. A caixa de velocidades (quando existe) é necessária para adaptar a frequência do rotor da turbina. à frequência do gerador. Este travão tanto pode estar situado no veio de baixa rotação como no veio de alta rotação. tipicamente da ordem de 0. 25 26 Yaw. . A tendência actual aponta para o desenvolvimento na direcção de novos materiais compósitos híbridos. após a caixa de velocidades. designadamente sob o ponto de vista do peso.33 Hz (20 rpm) ou 0. a caixa de velocidades (quando existe). Cabina Na cabina estão alojados.2. Spoilers. pois o binário de travagem a fornecer é menor. entre outros equipamentos. Contudo.

ainda. Torre A torre suporta a nacelle e eleva o rotor até uma cota em que a velocidade do vento é maior e menos perturbada do que junto ao solo. existe o mecanismo de orientação direccional.1. É. permitida pelo escorregamento. Para executar esta função. Os fabricantes têm-se dividido entre dois tipos de torres: tubulares (Figura 23a) e entrelaçadas (Figura 23b). de modo a extrair a máxima energia possível. No cimo da cabina está montado um anemómetro e o respectivo sensor de direcção. 4. a partir da velocidade de aproximadamente 5 m/s. tem levado a maior parte dos fabricantes a escolhê-lo como equipamento de conversão mecano-eléctrica. pelo que este conversor só é usado em sistemas de velocidade variável (ver adiante). a entrada em funcionamento. e a paragem. . constituído essencialmente por um motor. o qual. roda a nacelle e o rotor até que a turbina fique adequadamente posicionada. pelo que a estrutura tem de ser dimensionada para suportar cargas significativas. já a ligação rígida característica do gerador síncrono não se adapta bem às variações do vento. para ventos superiores a cerca de 25 m/s. nomeadamente. necessário que o rotor fique alinhado com a direcção do vento.Tecnologia 68 O gerador converte a energia mecânica disponível no veio de alta rotação em energia eléctrica. em face da informação recebida de um sensor de direcção do vento. estimada em cerca de vinte anos. bem como para resistir a uma exposição em condições naturais ao longo da sua vida útil. A ligação mais flexível do gerador assíncrono. A informação da direcção do vento é usada como entrada do sistema de orientação direccional.3. As medidas da velocidade do vento são usadas pelo sistema de controlo para efectuar o controlo da turbina. As torres modernas podem ter sessenta e mais metros de altura.

o vento encarao como uma parede. que pode usar uma escada interior para aceder à plataforma da nacelle.1. Daqui resulta que a velocidade de rotação deverá ser compatibilizada com a velocidade do vento. as fundações são mais ligeiras e o efeito de sombra da torre é atenuado.2. contudo. é pequena a perturbação induzida no escoamento pelo movimento do rotor. por forma a obter a máxima eficiência da conversão. As torres entrelaçadas são mais baratas. . um coeficiente de potência CP máximo. ao contrário. sendo. Optimização da conversão Se o rotor rodar devagar. isto é. 4.Tecnologia 69 a) b) Figura 23: Tipos de torres: a) tubular [DanishAssoc]. AERODINÂMICA 4. se o rotor rodar muito depressa. normalmente os diversos troços fixados no local com uma grua. têm vindo a ser progressivamente abandonadas especialmente devido a questões ligadas com o impacto visual.2. Para fabricar as torres tubulares pode usar-se aço ou betão. Estas torres são mais seguras para o pessoal da manutenção. b) entrelaçada [Tu-Berlin].

no caso do gerador assíncrono. rodando à velocidade ωT (rad/s). Pode observar-se que para manter o valor de CP no máximo é necessário que a velocidade do rotor acompanhe as variações da velocidade do vento. uma das expressões analíticas mais reportadas na literatura é [Slootweg]: ⎛ 116 ⎞ ⎛ 12. Tal consonância não é possível nos sistemas eólicos em que o gerador está directamente ligado à rede de frequência fixa que impõe.5 ⎞ CP = 0. e a velocidade do vento u (m/s) é caracterizada por um factor adimensional.035 λ equação 27 27 TSR – Tip Speed Ratio. O estudo teórico do comportamento dos aerogeradores ganha se estiverem disponíveis expressões analíticas que descrevam o comportamento das grandezas relevantes. A consequência é que estes sistemas operam muitas vezes em regimes de funcionamento não óptimos. conhecido por razão de velocidades na pá ou velocidade específica na ponta da pá – λ27. uma velocidade aproximadamente constante. Para a variação de CP com λ.Tecnologia 70 A relação entre a velocidade linear (m/s) da extremidade da pá da turbina de raio R (m). λ= ωTR u equação 26 A Figura 24 mostra uma curva experimental de variação do coeficiente de potência CP com λ para uma turbina moderna.22⎜ ⎜ λ − 5 ⎟ exp⎜ − λ ⎟ ⎟ ⎜ ⎟ i ⎠ ⎝ i ⎠ ⎝ 1 λi = 1 − 0. .

Tecnologia 71 Figura 24: Variação de CP com λ [ILSE]. Exemplo EOL 8 Trace a variação de CP com λ usando a expressão analítica da equação 27.2. A Figura 25 ilustra as forças presentes num elemento do perfil alar. 4.2.4 0. determina a quantidade de energia que é extraída a cada velocidade do vento.3 Cp 0. K: Variação de CP com λ . cuja secção recta tem a forma de um perfil alar.1 0 0 2 4 6 Lambda 8 10 12 14 Fig.2 0.Exemplo EOL 8. Forças actuantes na pá A geometria das pás do rotor.5 0. . Resolução: 0.

que é o ângulo entre o plano de rotação da pá e a linha de corda. respectivamente. actuando na mesma direcção da velocidade relativa. as grandezas intervenientes são as seguintes: • O vector velocidade relativa do vento W que actua o elemento de pá. Drag. • O vector força F pode. o ângulo do escoamento φ. o ângulo de passo β. na nomenclatura que tem vindo a ser adoptada. Com referência à Figura 25. • O vector força F pode ser decomposto em duas componentes: uma. 28 29 . ser decomposto na direcção do plano de rotação e na direcção perpendicular. tal que φ = α +β. 30 Lift. obtendo-se a componente que u e ωTR. igualmente. resulta de duas componentes: a velocidade do vento Up e a velocidade tangencial da pá Ut28. definido como sendo o ângulo entre a linha que une os bordos de entrada e de saída do perfil (linha de corda) e a velocidade relativa.Tecnologia 72 F L φ N φ φ D Figura 25: Sistema de forças num perfil alar [DeMonfort] (adaptado). outra. • O ângulo de ataque α. é perpendicular e designa-se por sustentação30 L. designa-se por arrastamento29 D.

independentemente do seu tamanho e da velocidade com que está animada: por isso. respectivamente. apresentam-se as características das pás através das representações gráficas CL = f(α) e CD = f(α). conforme se mostra na Tabela 2. o comportamento dos perfis alares em função do ângulo de ataque α pode ser dividido em três zonas de funcionamento.Tecnologia 73 contribui para o movimento da pá N. animada da velocidade do vento u. e a componente que contribui para o binário motor T. Para os perfis normalmente utilizados em turbinas eólicas. Estas representações são obtidas através de ensaios e medidas exaustivas efectuadas em túnel de vento e devem ser fornecidas pelo fabricante. calculadas por: N = L sin( φ) − D cos( φ) T = L cos( φ) + D sin( φ) equação 28 É desejável que o desempenho da pá possa ser descrito. Obtém-se. o coeficiente de sustentação CL e o coeficiente de arrastamento CD: L 1 ρu 2 A 2 CL = D CD = 1 2 ρu A 2 equação 29 em que ρ é a massa específica do ar. verifica-se que o coeficiente de sustentação atinge o seu máximo para um ângulo de ataque de cerca de 10 a 15 º. respectivamente. é usual dividir a força de sustentação L e a força de arrastamento D pela força experimentada pela secção recta A de uma pá. Estas forças podem ser. a partir do qual decresce. Normalmente. De um modo geral. .

3.M. No entanto. Relativamente ao esquema da Figura 25. este coeficiente é mais difícil de calcular. porque depende. valores estes que ocorrem um número limitado de horas por ano. As turbinas stall têm as pás fixas. desenhando o perfil das pás de modo a que entrem em perda aerodinâmica – stall – a partir de determinada velocidade do vento. Esta tarefa de regulação pode ser efectuada por meios passivos. da rugosidade da pá e de efeitos de fricção. para valores de α superiores. 31 32 . a pá deve ser dimensionada para trabalhar com um ângulo de ataque tal. variando o passo das pás – pitch – do rotor. isto é. 74 Ângulo de ataque -15º < α < 15º 15º < α < 30º 30º < α < 90º Regime Linear Desenvolvimento de perda31 Travão O coeficiente de arrastamento mantém-se aproximadamente constante até se atingir o ângulo de ataque para o qual o coeficiente de sustentação atinge o seu máximo. Ferreira de Jesus. o ângulo de passo β é constanStall. J. A fim de extrair do vento a máxima potência possível. sem necessidade de variação do passo. isto é. CONTROLO DE POTÊNCIA32 Anteriormente já se referiu a necessidade de limitar a potência fornecida pela turbina eólica para valores acima da velocidade nominal do vento. fortemente. o coeficiente de arrastamento sofre um crescimento acentuado. Em colaboração com o Prof. ou seja não rodam em torno de um eixo longitudinal. ou por meios activos. que a relação entre a sustentação e o arrastamento seja máxima. 4.Tecnologia Tabela 2: Regimes de funcionamento dos perfis alares [Estanqueiro].

a componente de sustentação diminui. Resolução: equação 30 . ao mesmo tempo que as forças de arrastamento passam a ser dominantes. Note-se que o ângulo de ataque aumenta quando a velocidade do vento aumenta. que a pá entrou em perda (de sustentação). A expressão analítica da variação de λ com a velocidade do vento u da equação 27 pode ser modificada de modo a contabilizar a variação do ângulo de passo β.4β − 5 ⎟ exp⎜ − λ ⎟ ⎟ i ⎠ ⎝ ⎝ i ⎠ 1 λi = 1 0. variam o ângulo de passo das pás.035 − 3 λ + 0. usando a expressão analítica da equação 30. parametrizada para β = 0. As turbinas “pitch” têm a possibilidade de rodar a pá em torno do seu eixo longitudinal. quando o ângulo de ataque aumenta para além de um certo valor. Uma vez que as pás estão colocadas a um dado ângulo de passo fixo. A estratégia de controlo de potência assenta nas características aerodinâmicas das pás do rotor que são projectadas para entrar em perda a partir de uma certa velocidade do vento. porque o rotor roda a uma velocidade constante (Ut é constante na Figura 25). β = 10º e β = 25º. isto é.5 ⎞ ⎛ 116 ⎞ CP = 0. Nestas condições.08β β + 1 Exemplo EOL 9 Trace a variação de CP com λ. a componente T da força que contribui para o binário diminui (equação 28): diz-se. neste caso. β.Tecnologia 75 te. Uma das expressões mais referidas na literatura da especialidade é [Slootweg]: ⎛ 12.22⎜ ⎜ ⎟ ⎜ λ − 0.

β. a equação 27 foi obtida fazendo β = 0 na equação 30. que maximiza CP.3 Cp 0. pelo que é possível controlar o valor de CP.Tecnologia beta=0º 0. A Fig. contudo. verifica-se que o tempo de resposta do sistema de controlo do passo das pás do rotor é demasiadamente elevado para acompanhar as variações de velocidade do vento. Este controlo só se encontra activo quando a turbina entra na zona de potência constante. existe um valor de velocidade específica. λ. Nas turbinas do tipo pitch o sistema de controlo do passo da pá ajusta o ângulo β. Aliás. o sistema de controlo do passo actua de modo a que o binário motor produzido corresponda à potência nominal.2 0. através de uma adequada inclinação da pá. Para estas velocidades do vento.1 0 0 2 4 6 Lambda 8 10 12 14 Fig. força-se a variação da velocidade do rotor da turbina. provoca artificialmente. para um dado ângulo do passo da pá do rotor. uma diminuição do binário (equação 28). Na zona de velocidades do vento inferiores à velocidade nominal do vento. ou seja. através do controlo do ângulo do passo das pás do rotor. para valores da velocidade do vento superiores à velocidade nominal do vento (tipicamente acima dos 13-14 m/s). Por outro lado. o ângulo de passo é mantido no valor zero. L: Variação de CP com λ parametrizada para β = 0. L mostra claramente que. β = 10º e β = 25º. Teoricamente seria possível manter o valor de λ no seu valor óptimo (valor de λ para o qual CP é máximo). isto é. conclui-se que o rendimento aerodinâmico máximo é obtido com β = 0 e que o mesmo rendimento diminui com o aumento do ângulo de passo β. Na prática.5 beta=10º beta=25º 76 0.4 0. controlando a velocidade do rotor da turbina em função da velocidade do vento. impondo um binário de carga à turbina .

. λ. Um gerador eólico com velocidade variável não pode ser directamente interligado com um sistema de energia eléctrica caracterizado por possuir uma frequência constante. para as turbinas do tipo “pitch”. dependendo o valor de CP da velocidade específica da ponta da pá. já que o sistema de conversores electrónicos possui constantes de tempo inferiores às exibidas pelo sistema de controlo do passo das pás do rotor: o sistema de conversão AC/DC/AC actua em primeiro lugar por forma a controlar a potência. Os conversores eólicos equipados com turbinas do tipo “pitch” e sistemas de conversão AC/DC/AC têm ainda a vantagem de. 45 40 35 30 25 θ 20 15 10 5 0 3 8 13 18 23 v [m/s] Figura 26: Variação do ângulo de passo da pá do rotor. pelo que se recorre a sistemas de conversão corrente alternada / corrente contínua / corrente alternada (AC/DC/AC) por forma a realizar esta ligação. u. exibirem uma resposta mais rápida. A Figura 26 ilustra a variação de β com a velocidade do vento. β. com a velocidade do vento. na zona de controlo de potência. u. sendo o controlo fino desta assegurado pelo controlador do passo das pás do rotor. É este o principio de funcionamento dos geradores eólicos de velocidade variável.Tecnologia 77 que a conduza à rotação a uma velocidade tal que mantenha λ no valor óptimo. Fora da zona de controlo de potência o valor de β é nulo.

a pá apresenta uma menor superfície frontal em relação ao vento. No entanto. Este aspecto é crucial para o desempenho deste método. a ocorrência de perturbações na rede ocasiona a sua desligação. Por outro lado. a desligação é condicionada pelos valores elevados de intensidade de corrente e do binário que se podem verificar no período pósperturbação. a sua grande simplicidade devido à ausência de mais partes em movimento. por isso é também mais barata. a variação do ângulo de passo permite também a redução dos esforços de fadiga com vento muito forte. os sistemas de controlo são inibidos por sistemas de protecção do equipamento eléctrico e electrónico.Tecnologia 78 Face a perturbações na rede. Estes sistemas de protecção têm como objectivo proteger o equipamento eléctrico e electrónico e não a turbina. e o correspondente aumento de custo. para todas as gamas de variação da velocidade do vento. A favor da solução “pitch” jogam. No caso dos geradores eólicos directamente ligados à rede. que esta solução acarreta são inconvenientes que têm de ser ponderados. Vantagens e inconvenientes A favor da regulação por “stall” joga. O sistema de protecção que especificamente diz respeito à turbina é o de protecção de sobrevelocidade. . a sua implementação faz apelo a complicados métodos de cálculo aerodinâmico para definir o ângulo de ataque para o qual a pá entra em perda. por forma a proteger os conversores das elevadas intensidades de corrente que se podem verificar. o bom controlo de potência. No entanto. porque. Na Figura 27 comparam-se as curvas de potência de turbinas eólicas “stall” e “pitch”: é visível que o sistema de variação do passo permite o controlo de potência muito mais fino. por exemplo. nessa situação. que protege o equipamento no caso de rejeição de carga. No caso dos geradores eólicos interligados através de conversores AC/DC/AC. o grande acréscimo de complexidade. principalmente.

A travagem também é melhorada. No arranque. a turbina de pás fixas não tem binário de arranque suficiente. .Tecnologia Bonus 1000/54 1100 NEG Micon 1000/54 Nordex N54/1000 79 1000 Potência eléctrica (kW) 900 800 700 600 500 10 12 14 16 18 Velocidade do vento (m/s) 20 22 24 26 Figura 27: Curvas de potência: pitch (Bonus) e stall (NEG Micon e Nordex) [DanishAssoc]. quando a velocidade do vento é baixa. a chamada posição de bandeira. então. por exemplo. porque o ângulo de passo pode ser variado de modo a conseguir um embalamento do rotor até à velocidade de rotação nominal. usar o próprio gerador a funcionar como motor para trazer o rotor até à velocidade adequada. Torna-se necessário dispor de um motor auxiliar de arranque ou. Uma diferença fundamental entre as turbinas stall e pitch relaciona-se com a capacidade de auxílio nos processos de arranque e paragem. porque se o passo das pás for tal que φ = 90 º (posição de bandeira). pelo que é exigido um sistema complementar de travagem por meios aerodinâmicos. o rotor move-se lentamente (Figura 25). deflexão de spoilers. As turbinas pitch permitem que o processo de arranque seja assistido. e o sistema de travagem aerodinâmica pode ser dispensado. No processo de paragem não é possível colocar as pás na posição ideal para esse efeito.

do seu baixo preço. Ao contrário. 33 CSCF – Constant Speed Constant Frequency. portanto. tirando partido da sua grande simplicidade e robustez. REFERÊNCIA AOS GERADORES ELÉCTRICOS As diferentes configurações de geradores eólicos que o mercado oferece são objecto de uma descrição pormenorizada num texto separado.Tecnologia 80 4. Os sistemas de conversão de energia eólica funcionando a velocidade aproximadamente constante equipados com geradores de indução directamente ligados a uma rede de frequência constante correspondem ao chamado conceito CSCF33 e constituem ainda a maioria das aplicações actualmente em operação. e. o funcionamento síncrono do alternador não deixa margem para acolher as flutuações da velocidade do vento. . necessitar de equipamento adicional para corrigir o factor de potência. tornando a operação dos geradores síncronos demasiado rígida. o gerador de indução é a opção mais usada pelos fabricantes. pelo que aqui apenas se abordam aspectos genéricos sobre o assunto. Quando a apropriação da energia eólica é conduzida de maneira a que a exploração se faça a velocidade praticamente constante. a opção básica consiste em usar o gerador síncrono (alternador) ou o assíncrono (de indução). consequentemente. Como principal desvantagem do gerador de indução aponta-se o facto de trocar com a rede a energia reactiva de excitação e. A existência de um escorregamento entre a velocidade de rotação e a velocidade de sincronismo permite acomodar parte da turbulência associada ao vento. de modo a tornar a operação deste tipo de máquinas suficientemente suave. Para converter a energia mecânica disponível no veio em energia eléctrica.4.

A ligação assíncrona isola a frequência do rotor da frequência da rede. tornando a caixa de velocidades dispensável. oferecida por um fabricante alemão.Tecnologia 81 Nos últimos anos. controlando o escorregamento. a utilização de modernos conversores electrónicos de potência funcionando com IGBT36 permite controlar simultaneamente os trânsitos de energia activa e reactiva. com um número elevado de pares de pólos. oferecendo. DFIG – Double Fed Induction Generator ou DOIG – Double Output Induction Generator. permite ao gerador acompanhar a velocidade de rotação da turbina. Para alargar o espectro de velocidades de rotação possíveis. 36 Insulated Gate Bipolar Transistor. o estator é directamente ligado à rede e o rotor também é ligado à rede através de um sistema conversor AC/DC/AC que. Os benefícios dos sistemas VSCF incluem: • • • aumento da produção de energia redução das fadigas nos componentes mecânicos redução do ruído a baixas velocidades do vento VSCF – Variable Speed Constant Frequency. para sistemas de velocidade variável consiste num gerador síncrono ligado assincronamente à rede eléctrica através de um sistema conversor AC/DC/AC. sistemas conversores equipados com gerador de indução de rotor bobinado e escorregamento variável. Outra alternativa. por isso. o conceito CSCF tem vindo a ser progressivamente abandonado e a ser substituído pelo chamado conceito VSCF34. Nesta montagem. Por outro lado. os fabricantes dinamarqueses oferecem actualmente como equipamento standard. a possibilidade de o sistema funcionar de forma consistente em pontos de operação próximos do valor óptimo de λ. designada na literatura por DFIG ou DOIG35. com o objectivo de maximizar o aproveitamento da energia eólica. possibilita o envio de potência adicional para a rede. A utilização de um tipo especial de gerador síncrono. 34 35 .

fabricada comercialmente era uma máquina do tipo Darrieus40 (Figura 28). neste quadro. pode afirmar-se que todas as turbinas eólicas em operação comercial possuem um rotor em forma de hélice com eixo horizontal37.Tecnologia 82 • • ligação suave à rede de frequência constante eventual ausência de caixa de velocidades A possibilidade oferecida por alguns destes sistemas de dispensarem a caixa de velocidades é uma vantagem importante. HAWT – Horizontal Axis Wind Turbine. Com a instalação destes equipamentos no terreno. a água chegava às pás segundo uma direcção perpendicular ao eixo de rotação da roda. Aspectos relacionados com a eficiência dos conversores electrónicos. com o comportamento do sistema eléctrico em condições extremas de vento. contudo. As turbinas de eixo vertical38 apresentam um princípio de funcionamento semelhante. 37 38 . normalmente com duas ou três pás em forma de C. isto é. com a produção de harmónicas. em tempos39. torna-se necessário avaliar correctamente os seus potenciais efeitos negativos. com a compatibilidade electromagnética. Nas antigas rodas de água. A única turbina de eixo vertical que foi. 40 Em homenagem ao engenheiro francês George Darrieus que a patenteou em 1931. TURBINAS DE EIXO VERTICAL Actualmente. importância significativa. Estas turbinas fazem uso do mesmo princípio básico das modernas turbinas hídricas. assumem. o escoamento é paralelo ao eixo de rotação das pás da turbina. a fiabilidade do sistema.5. pois diminuem as perdas e o ruído associado com baixas velocidades do vento e aumenta. 39 Aparentemente. VAWT – Vertical Axis Wind Turbine. o último fabricante deste tipo de turbinas abriu falência em 1997. 4. em princípio.

dispensando o mecanismo de orientação direccional • possibilidade de instalação junto ao solo de todo o equipamento de conversão da energia mecânica Quanto aos inconvenientes desta solução. devido ao comportamento inerentemente periódico . identificam-se os seguintes: • • velocidades do vento muito baixas junto à base incapacidade de auto-arranque. As principais vantagens das turbinas de eixo vertical podem ser sumariadas da seguinte forma: • • simplicidade na concepção insensibilidade à direcção do vento.Tecnologia 83 Figura 28: Turbina de eixo vertical do tipo Darrieus [DanishAssoc]. necessitando de meios exteriores de auxílio • • necessidade de utilização de espias de suporte esforços dinâmicos acrescidos.

292 0. C is used as a standard in the wind industry.184 0.423 -20 -4 1.127 0.e.146 0.165 0.0-0.4-1.9 0.039 40 104 1. i. Density of Air at Standard Atmospheric Pressure Temperatur Density.0-0.8 5.4 0.051 *) The density of dry air at standard atmospheric pressure at sea level at 15&deg.Anexos 84 5.269 0. water e Temperature mass of dry air content &deg.247 0.017 25 77 1. Farenheit kg/m3 kg/m3 Celsius -25 -13 1.8-3.009 1.395 -15 5 1.342 -5 23 1.5-7.8-8. &deg.0 7-11 11-17 17-22 22-28 28-34 34-41 41-48 48-56 56-65 >65 Beaufort Scale (outdated) 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Wind Calm Light Moderate Fresh Strong Gale Strong Gale Hurricane Anexo 2: Massa específica do ar à pressão normal [DanishAssoc].007 10 50 1.8 1.317 0 32 1.5 3.6 3.005 5 41 1. .5-11 11-14 14-17 17-21 21-25 25-29 29-34 >43 knots 0.368 -10 14 1.225 *) 0. Wind Speed Scale Wind Speed at 10 m height m/s 0.9-3. Max. ANEXOS Anexo 1: Classificação do vento [DanishAssoc].030 35 95 1.023 30 86 1.204 0.5 8.6-5.013 15 59 20 68 1.

Anexos Anexo 3: Tabela de rugosidade do terreno usada no Atlas Europeu de Vento [DanishAssoc]. 250 metres Villages.8 18 Larger cities with tall buildings Very large cities with tall 4 1. forests and very rough and uneven terrain 3.187 nó 1. e. etc.4 24 hedgerows.5 0. 500 metres Agricultural land with many houses. agricultural land with many or tall sheltering 3 0.5 0.0024 73 runways in airports.055 45 hedgerows with a distance of approx. 85 Roughness Lengths RoughEnergy ness Index Landscape Type Length m (per cent) 0. mowed grass.5 0. m/s 1 km/h 3. Open agricultural area without fences and hedgerows and very 1 0. Only softly rounded hills Agricultural land with some houses and 8 metre tall sheltering 1. or 8 2.concrete 0. 1250 metres Agricultural land with some houses and 8 metre tall sheltering 2 0. shrubs and plants.1 39 hedgerows with a distance of approx.g.944 . small towns.6 13 buildings and skycrapers Definitions according to the European Wind Atlas.03 52 scattered buildings.0002 100 Water surface Completely open terrain with a smooth surface.6 mph 2. WAsP. Roughness Class 0 Anexo 4: Equivalências úteis [DanishAssoc].5 0.2 31 metre tall sheltering hedgerows with a distance of approx.

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