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Instituto Superior de Engenharia de Lisboa

Engenharia de Sistemas das Telecomunicac¸oes˜

e Electronica´

Secc¸ao˜

de Sistemas de Telecomunicac¸oes˜

Electronica´ Secc¸ao˜ de Sistemas de Telecomunicac¸oes˜ Propagac¸ao˜ e Radiac¸ao˜ Apontamentos sobre

Propagac¸ao˜

e Radiac¸ao˜

Apontamentos sobre Radiac¸ao˜ (vers˜ao preliminar)

Copyright c

Carlos Mendes

cmendes@deetc.isel.ipl.pt

Conte´udo

1 Teoria do Campo Electromagn´etico

 

1

1.1 Sobre a nota¸c˜ao a utilizar

 

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1

1.2 Equa¸c˜oes de Maxwell

 

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2

1.3 Radia¸c˜ao

 

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3

1.4 Potˆencia electromagn´etica

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7

1.5 Dipolo El´ectrico de Hertz

 

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8

1.5.1 Campos radiados

 

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9

1.5.2 Potˆencia radiada

 

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11

2 Parˆametros Fundamentais

 

13

2.1 Intensidade de Radia¸c˜ao

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13

2.2 Directividade

 

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14

2.3 Ganho

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15

2.4 Diagrama de radia¸c˜ao

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16

2.4.1 Parˆametros principais

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2.4.2 Tipos de diagramas

 

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18

2.4.3 Diagramas bidimensionais

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18

 

iii

iv

2.5 Impedˆancia de entrada

 

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19

 

2.5.1

Antenas em emiss˜ao

 

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19

2.5.2

Antenas em recep¸c˜ao

 

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22

´

2.6 Area Efectiva

 

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23

2.7 Largura de banda

 

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2.8 Exemplo - Dipolo de Hertz

 

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27

A Conceitos matem´aticos

 

29

A.1

Vectores

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29

A.1.1

Soma e Subtrac¸c˜ao de vectores

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29

A.1.2

Multiplica¸c˜ao de vectores

 

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30

A.2

An´alise Vectorial

 

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32

A.2.1

No¸c˜ao de campo

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32

A.2.2

Gradiente

 

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32

A.2.3

Fluxo e Divergˆencia de um campo vectorial

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33

A.2.4

Circula¸c˜ao e Rotacional de um campo vectorial

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34

A.2.5

Laplaciano

 

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35

A.3

Sistemas de coordenadas

 

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A.3.1

Coordenadas cartesianas

 

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36

A.3.2

Coordenadas esf´ericas

 

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37

Cap´ıtulo 1

Teoria do Campo Electromagn´etico

1.1 Sobre a nota¸c˜ao a utilizar

Neste cap´ıtulo iremos lidar com grandezas escalares e com grandezas vectoriais, quer no dom´ınio

do tempo quer no dom´ınio da frequˆencia. Assim, para as distinguir ser´a utilizada a seguinte

nota¸c˜ao: uma barra sobre a letra que representa uma determinada grandeza indica que esta

representa uma grandeza no dom´ınio da frequˆencia. A ausˆencia desta barra indica que a grandeza

se encontra no dom´ınio do tempo. De igual modo, uma grandeza com um til sob a letra que

a representa ´e um vector e uma grandeza sem o til ser´a um escalar. Uma barra e um til

simultˆaneos indicam uma grandeza vectorial no dom´ınio da frequˆencia. No caso particular

dos vectores unit´arios (utilizados para definir direc¸c˜oes), estes s˜ao distinguidos dos vectores

”normais”atrav´es da inclus˜ao de um acento circunflexo. Alguns exemplos s˜ao mostrados de

seguida

f ou F

Grandeza escalar no dom´ınio do tempo ou uma constante

 

F

Grandeza vectorial no dom´ınio do tempo

¯

¯

f ou F

Grandeza escalar no dom´ınio da frequˆencia

 

¯

F

Grandeza vectorial no dom´ınio da frequˆencia

ˆa k

Vector unit´ario ou versor

Neste cap´ıtulo iremos abordar a teoria da radia¸c˜ao, isto ´e, o processo pelo qual as ondas elec-

tromagn´eticas s˜ao geradas. A compreens˜ao deste cap´ıtulo s´o ser´a poss´ıvel se o aluno tiver um

2

Teoria do Campo Electromagn´etico

conhecimento no m´ınimo razo´avel das ferramentas matem´aticas utilizadas. Para aqueles que n˜ao

possuam esse conhecimento ´e efectuada no apˆendice A uma revis˜ao dos conceitos matem´aticos

necess´arios.

1.2 Equa¸c˜oes de Maxwell

Todos os fen´omenos electromagn´eticos (tais como a propaga¸c˜ao num guia de ondas ou numa

fibra ´optica ou a radia¸c˜ao por uma antena) obedecem `as equa¸c˜oes de Maxwell

onde

∇ × E

= B

∂t

D

= + J

× H

∂t

∇ · B

∇ · D

=

0

= ρ

E

D

H

B

Campo El´ectrico [V/m]

Densidade de Fluxo El´ectrico [C/m 2 ]

Campo Magn´etico [A/m]

Densidade de Fluxo Magn´etico [Wb/m 2 ]

J

ρ

Densidade de Corrente El´ectrica [A/m 2 ]

Densidade de Carga El´ectrica [C/m 3 ]

(1.1)

(1.2)

(1.3)

(1.4)

J e ρ s˜ao as fontes do campo electromagn´etico (e existem na antena) e os campos s˜ao o efeito da

existˆencia destas fontes. As equa¸c˜oes de Maxwell s˜ao complementadas com a equa¸c˜ao da for¸ca

de Lorentz

F = q(E + v × B )

(1.5)

que nos d´a a for¸ca exercida numa carga de valor q que se desloca a uma velocidade v quando

sujeita aos campos E e B .

Se o meio onde os campos existem for o vazio verificam-se as seguintes rela¸c˜oes entre E e D e

entre B e H

B

D

=

=

µ 0 H

ε 0 E

(1.6)

(1.7)

1.3 Radia¸c˜ao

3

onde

ε 0

=

1

36π × 10 9 F/m

µ 0 = 4π × 10 7 H/m

(1.8)

(1.9)

No presente curso vamos assumir que estamos a trabalhar em regime harm´onico sinusoidal.

Assim sendo, podemos escrever E e H em nota¸c˜ao fasorial. Relembre-se que a rela¸c˜ao entre E e

¯

o seu fasor E ´e dada por

E (x, y, z, t) = E (x, y, z)e jωt

¯

(1.10)

Notando que

∂Ae jwt

∂t

= jωAe jωt t =

(1.11)

as derivadas em ordem ao tempo podem ser substitu´ıdas por . Assim as equa¸c˜oes de Maxwell

ficam como se segue 1

1.3

Radia¸c˜ao

¯

∇ × E

¯

∇ × H

¯

∇ · B

¯

∇ · D

=

=

=

¯

jωµ H

¯

jωε E + J

¯

0

= ρ¯

(1.12)

(1.13)

(1.14)

(1.15)

Vamos agora estudar o processo que nos permite obter os campos radiados, partindo do princ´ıpio

que conhecemos a distribui¸c˜ao de cargas e correntes numa estrutura de suporte: a antena.

Se, tal como fizemos no estudo de guias de onda, tentarmos separar o campo el´ectrico do

¯

magn´etico mas agora contabilizando a presen¸ca de ρ¯ e J , chegar´ıamos a

2 E + ωµε E = jωµ J + ρ¯

¯

¯

¯

ε

(1.16)

Esta ´e uma equa¸c˜ao de onda n˜ao homog´enea cujo resolu¸c˜ao anal´ıtica ´e bastante complexa, devido

`a presen¸ca simultˆanea de termos de corrente e de carga. Por isso, no estudo de problemas de

1 Como ∇· e ∇× envolvem apenas derivadas em ordem `as coordenadas do espa¸co o termo e jωt pode ser omitido. No entanto, se pretendermos recuperar a dependˆencia temporal dos campos, este termo tem que se ser recuperado.

4

Teoria do Campo Electromagn´etico

radia¸c˜ao, em vez de se tentar resolver a equa¸c˜ao anterior ´e usual recorrer-se aos denominados

potenciais: o potencial escalar e o potencial vector. Embora existam v´arios potenciais poss´ıveis,

n˜ao v´a ser

necess´ario como iremos ver).

iremos aqui utilizar o potencial vector A e o potencial escalar φ (embora este ultimo´

¯

¯

¯

Comecemos ent˜ao com a equa¸c˜ao 1.14 por ser a mais simples. Como a divergˆencia de B ´e nula,

este pode ser obtido atrav´es do rotacional de um outro qualquer campo vectorial 2 , isto ´e

¯ ¯

Como B = µ H resulta ainda

¯

¯

B = ∇ × A

¯

H

=

1

¯

µ ∇ × A

(1.17)

(1.18)

¯

¯

Esta ultima´

do principio que este ´e conhecido. Em vez de nos preocuparmos j´a com o c´alculo de A procuremos

equa¸c˜ao permite-nos o calculo imediato de H a partir do potencial vector A , partindo

¯

¯

primeiro a solu¸c˜ao para E . Utilizando o resultado anterior na equa¸c˜ao 1.12 (porque n˜ao involve

termos com cargas ou correntes) vem

¯

¯

∇ × E = ∇ × A

(1.19)

que pode ainda se posto na forma

¯

¯

∇ × E + A = 0

(1.20)

¯ ¯

Como o rotacional de ( E + A ) ´e nulo, esta grandeza pode ser obtida atrav´es do gradiente de

um qualquer campo escalar 3 , ou seja

¯

E + A = −∇ φ

¯

¯

(1.21)

Manipulando os termos vem ainda

¯

¯

¯

E = −∇ φ A

(1.22)

Esta ultima´ equa¸c˜ao permite-nos calcular o valor de

¯

¯

¯

E a partir do potencial vector A e do

potencial escalar φ. Neste momento dispomos ent˜ao de duas equa¸c˜oes que nos permitem efectuar

¯

¯

¯

¯

o calculo imediato dos campos E e H a partir do potencial vector A e do potencial escalar φ. O

2 Estamos simplesmente a recorrer `a igualdade matem´atica ∇ · (∇ × A ) = 0 3 Agora estamos a recorrer `a igualdade matem´atica ∇ × (−∇φ) = 0. O sinal negativo foi escolhido por

conveniˆencia.

1.3 Radia¸c˜ao

5

pr´oximo passo consiste em obter uma rela¸c˜ao entre os potenciais e as fontes geradoras do campo,

o que facilmente se infere que pode ser feito relacionando a equa¸c˜ao 1.13 com os resultados j´a

¯

obtidos. Como a equa¸c˜ao 1.13 envolve o rotacional de H , comecemos por aplicar o rotacional a

cada um dos termos de 1.18

∇ × H = µ ∇ × ∇ × A

(1.23)

1

¯

¯

Utilizando a igualdade matem´atica

∇ × ∇ × A = ∇ · A − ∇ 2 A

(1.24)

resulta

µ∇ × H = ∇ · A − ∇ 2 A

¯

¯

¯

(1.25)

Fazendo agora uso da equa¸c˜ao 1.13 vem

µ J + jωµε E = ∇ · A − ∇ 2 A

¯

¯

¯

¯

(1.26)

Substituindo 1.22 na equa¸c˜ao anterior resulta

com

2 A + β 2 A = µ J + ∇ · A + jωεµ φ

¯

¯

¯

¯

¯

β 2 = ω 2 µε

(1.27)

(1.28)

¯

Agora dispomos de uma equa¸c˜ao que relaciona o potencial vector A com a densidade de corrente

¯

J . Para simplificar esta express˜ao comecemos por relembrar que em todo o processo seguido at´e

¯

aqui apenas especificamos o valor de ∇ × A . Como a divergˆencia e o rotacional de um campo

¯

vectorial s˜ao independentes, podemos especificar um qualquer valor para ∇ · A , escolhido de

modo a simplificar o estudo do fen´omeno em causa, sem que nada do que at´e aqui foi deduzido

seja alterado. No caso particular do estudo da radia¸c˜ao resulta da equa¸c˜ao 1.27 que ´e util´

efectuar a seguinte defini¸c˜ao

(1.29)

¯

∇ · A = jωεµ φ

¯

¯

φ estejam

relacionadas ent˜ao apenas A ir´a ser necess´ario. Deste modo a equa¸c˜ao 1.27 toma a seguinte

forma simplificada

2 A + β 2 A = µ J

Esta condi¸c˜ao ´e conhecida como condi¸c˜ao de Lorentz e, como obriga a que

¯

A

e

¯

¯

¯

¯

(1.30)

6

Teoria do Campo Electromagn´etico

Figura 1.1: Potencial vector 1 ¯ ¯ φ = − A jωεµ ∇ · 1
Figura 1.1: Potencial vector
1
¯
¯
φ = −
A
jωεµ ∇ ·
1
¯
¯
¯
E
= −jω A − j
A
ωεµ ∇ ∇ ·
¯
¯

Como tamb´em se verifica

substituindo 1.31 em 1.22 vem

(1.31)

(1.32)

Em resumo, temos ent˜ao que ´e poss´ıvel calcular os campos E e H a partir da densidade de

¯

¯

corrente J utilizando apenas o potencial vector A e as rela¸c˜oes

¯

E

1

¯

H

¯

¯

= µ ∇ × A

1

= A j

ωεµ ·

¯

A

(1.33)

(1.34)

¯ ¯

Resta-nos ainda encontrar a solu¸c˜ao de 1.30 para que disponhamos de uma rela¸c˜ao entre A e J .

O processo de resolu¸c˜ao desta equa¸c˜ao tem apenas interesse matem´atico, pelo que se mostra em

1.35 o resultado a que chegar´ıamos.

¯

A =

4π V

µ

¯

J

e

jβR

R

dV

(1.35)

Em 1.35, V representa o volume da antena e R representa a distˆancia entre um qualquer ponto

¯

onde exista a corrente J e um qualquer ponto do espa¸co onde pretendemos calcular o valor de

¯

A , tal como mostrado na figura 1.1.

1.4 Potˆencia electromagn´etica

7

¯

¯

Note-se que o potencial vector A (tal como o potencial escalar φ) n˜ao tem qualquer significado

f´ısico. O seu interesse ´e simplesmente matem´atico pois permite simplificar o estudo dos pro-

blemas sobre radia¸c˜ao. Como curiosidade, note-se tamb´em que ´e poss´ıvel calcular os valores

¯

¯

¯

dos campos E e H conhecendo apenas J n˜ao sendo necess´ario conhecer o valor de ρ¯. Este facto

¯

deve-se a que J e ρ¯ n˜ao s˜ao independentes. De facto, aplicando o operador de divergˆencia a cada

um dos termos de

∇ × H = jωε E + J

¯

¯

¯

e utilizando

pode-se escrever

¯

∇ · E

= ρ¯

ε

∇ · J = jωρ

(1.36)

A rela¸c˜ao 1.36 representa a equa¸c˜ao da continuidade de cargas el´ectricas em regime harm´onico

sinusoidal e traduz a rela¸c˜ao entre ρ e J .

1.4 Potˆencia electromagn´etica

As ondas electromagn´eticas s˜ao utilizadas para transportar informa¸c˜ao entre v´arios pontos. Pres-

sup˜oe-se ent˜ao a existˆencia de energia e potˆencia associada a essas mesmas ondas. A densidade

de potˆencia instantˆanea S associada `as ondas electromagn´eticas ´e dada pelo vector de Poynting

= E × H

S

[W/m 2 ]

(1.37)

Para aplica¸c˜oes em regime harm´onico sinusoidal, onde

E

H

=

=

{ E e jwt }

¯

{ H e jwt }

¯

e utilizando a rela¸c˜ao { E e jwt } =

¯

1

2 {

¯

E

e jwt +

E ¯ e jwt }, podemos escrever

= 1 2 { E × H } + 2 { E × H e j2ωt }

S

1

¯

¯

¯

¯

(1.38)

(1.39)

(1.40)

Em regime harm´onico sinusoidal n˜ao estamos interessados no valor instantˆaneo da potˆencia

(porque varia ao longo do tempo) mas sim no seu valor m´edio. Facilmente se infere que este

vale

(1.41)

1

¯

¯

S =

2

{ E × H }

8

Teoria do Campo Electromagn´etico

8 Teoria do Campo Electromagn´etico Figura 1.2: Dipolo el´ectrico de Hertz ¯ ¯ O termo 1

Figura 1.2: Dipolo el´ectrico de Hertz

¯

¯

O termo 1/2 aparece porque se considerou o valor de pico para E e H . Se se considerasse o valor

eficaz, ent˜ao este termo n˜ao apareceria.

Como num diel´ectrico puro os campos el´ectrico e magn´etico oscilam em fase e as suas ampli-

tudes est˜ao relacionadas pela impedˆancia do meio, a amplitude da densidade de potˆencia (que

designaremos simplesmente por S) vale

¯

S = |

¯

E| 2 = Z| H| 2

2Z

2

(1.42)

A potˆencia total associada `a onda electromagn´etica, a que chamaremos potˆencia radiada e

denominaremos de P rad , pode ser obtida calculando o fluxo de S por uma superf´ıcie fechada 4

P rad = S S · dS

1.5 Dipolo El´ectrico de Hertz

(1.43)

O dipolo el´ectrico de Hertz, mostrado na figura 1.2 com dimens˜oes exageradas, ´e uma antena

linear te´orica e infinitamente fina que tem como principal caracter´ıstica o facto de ter um ta-

manho dl infinitesimal e, portanto, poder ser considerada uma fonte pontual. Assume-se que

a envolvente da corrente que o percorre ´e constante e que esta est´a dirigida segundo o eixo

4 N˜ao confundir o S da densidade de potˆencia com o S da ´area elementar dS.

1.5 Dipolo El´ectrico de Hertz

9

de orienta¸c˜ao do dipolo (neste caso, o eixo Oz). Embora este tipo de elementos n˜ao exista no

mundo real ´e utilizado para modelar dipolos lineares curtos (dl << λ) carregados capacitiva-

mente nos topos (a carga capacitiva serve para garantir uma corrente n˜ao nula nos topos) e serve

tamb´em como elemento de base para o estudo de antenas mais elaboradas, como ´e o caso das

antenas lineares. Al´em disto, do ponto de vista pedag´ogico, ´e um bom exemplo de aplica¸c˜ao do

m´etodo de c´alculo dos campos radiados apresentado anteriormente, pois ao c´alculos envolvidos

s˜ao relativamente simples.

1.5.1 Campos radiados

Admitamos ent˜ao que a corrente ao longo do elemento ´e constante e de amplitude I M . Em cada

ponto da antena a corrente vale

I (z , t) = I M cos(ωt)ˆa z

(1.44)

onde z representa as coordenadas locais. Em nota¸c˜ao fasorial temos que

¯

I (z ) = I M z

ˆa

(1.45)

O primeiro passo reside no calculo do potencial vector correspondente a esta corrente. Dado o

caracter pontual do dipolo de Hertz podemos assumir as seguintes condi¸c˜oes

 

x = y = z = 0

 

(1.46)

R = (x x ) 2

+ (y y ) 2 + (z z ) 2 = x 2 + y 2 + z 2 = r

(1.47)

 

dV

= dz

(1.48)

¯

Como assumimos que o dipolo ´e infinitamente fino, ent˜ao a corrente total e a densidade de

I

¯

corrente J s˜ao iguais e o potencial vector reduz-se a

A (x, y, z) = µI M

¯

4πr

e jβr

+dl/2

dl/2

dz ˆa z = µI M dl

4πr

e

jβr

ˆa z

(1.49)

Dada a simetria do problema ´e expect´avel que a solu¸c˜ao final seja independente de φ pelo que ´e

vantajoso expressar o potencial vector em coordenadas esf´ericas. Recorrendo `a seguinte matriz

de transforma¸c˜ao

¯

A

¯

A

¯

A

r

θ

φ

=

sin θ cos φ

cos θ cos φ

sin φ

sin θ sin φ

cos θ sin φ

cos φ

cos θ

sin θ

0

¯

A

¯

A

¯

A

x

y

z

(1.50)

10

Teoria do Campo Electromagn´etico

¯

¯

e como no caso em estudo temos que A x = A y = 0 obt´em-se

¯

A r

¯

A θ

¯

A φ

=

=

=

A z cos θ = µI M 4πr

¯

dle

jβr

cos θ

A z sin θ = µI M 4πr

¯

dle

jβr

sin θ

0

(1.51)

(1.52)

(1.53)

Conhecido o potencial vector podemos agora calcular os campos correspondentes.

recorremos a

¯

H

1

¯

= µ ∇ × A

Para tal

(1.54)

¯

Tendo em conta que ∇ × A dever´a ser expresso em coordenadas esf´ericas a express˜ao anterior

reduz-se a

¯

(1.55)

µr ∂r (r

1

∂θ

A r

¯

¯

H =

A θ )

ˆa φ

Efectuando as derivadas parciais chegar´ıamos a

¯

H r

=

0

¯

H θ

¯

H φ

=

=

0

j βI M dl sin θ

4πr

1 + jβr e jβr

1

¯

Para o c´alculo de E podemos recorrer `a equa¸c˜ao 1.12 donde resulta que

¯

E =

1

jωε ×

¯

H

(1.56)

(1.57)

(1.58)

(1.59)

Efectuando os c´alculos chegar´ıamos a que

¯

E r

¯

E θ

¯

E φ

=

=

=

ZI M dl cos θ 2πr 2

1 + jβr e jβr

1

j ZI M βdl sin θ

4πr

1 +

1

(βr) 2 e jβr

1

jβr

0

(1.60)

(1.61)

(1.62)

Uma an´alise dos resultados obtidos revela que existem parcelas que decaem com 1/r 3 , outras

com 1/r 2 e outras com 1/r.

A medida que nos afast´amos da antena cada uma destas parcelas

vai perdendo peso relativamente `as outras, chegando a uma altura em que apenas as parcelas

em 1/r tˆem relevˆancia. Assim, distinguem-se 3 diferentes zonas de radia¸c˜ao:

`

´

Zona Pr´oxima: E a zona imediatamente a seguir `a antena e onde todos os termos tˆem im-

portˆancia.

1.5 Dipolo El´ectrico de Hertz

11

Zona Interm´edia: Aqui os termos com 1/r 3 podem ser desprezados face `a amplitude dos

termos em 1/r 2 e 1/r, sendo estes os unicos´

verdadeiramente importantes nesta zona.

Zona Distante: Agora s˜ao os termos em 1/r predominam sobre os restantes. Em antenas esta

´e a zona mais importante pois, dadas as distˆancias tipicamente utilizadas numa liga¸c˜ao

entre duas antenas, cada antena encontra-se na zona distante da outra.

Na zona distante de radia¸c˜ao os campos reduzem-se a

¯

E θ

¯

H φ

¯

E r

¯

E φ

¯

H r

¯

H θ

=

=

=

=

=

=

j ZβI M dl

4πr

e jβr sin θ

j βI M dl

4πr

e jβr sin θ

0

0

0

0