COPPE/UFRJ COPPE/UFRJ

ANÁLISE DE ENRIJECEDORES À FLEXÃO COM CONCENTRADOR DE TENSÕES
Rodrigo Daflon Leite
Dissertação de Mestrado apresentada ao
Programa de Pós-graduação em Engenharia
Oceânica, COPPE, da Universidade Federal do
Rio de Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de Mestre em
Engenharia Oceânica.
Orientadores: Murilo Augusto Vaz
Marysilvia Ferreira da Costa




Rio de Janeiro
Março de 2010


ANÁLISE DE ENRIJECEDORES À FLEXÃO COM CONCENTRADOR DE TENSÕES

Rodrigo Daflon Leite

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO
LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE)
DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS
REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM
CIÊNCIAS EM ENGENHARIA OCEÂNICA.

Examinada por:

________________________________________________
Prof. Murilo Augusto Vaz, Ph.D.


________________________________________________
Profª. Marysilvia Ferreira da Costa, D.Sc.


________________________________________________
Prof. Julio César Ramalho Cyrino, D.Sc.


________________________________________________
Prof. Célio Albano da Costa Neto, Ph.D.


________________________________________________
Dr. Anderson Barata Custódio, D.Sc.






RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL
MARÇO DE 2010





iii









Leite, Rodrigo Daflon
Análise de Enrijecedores à Flexão com Concentrador
de Tensões/ Rodrigo Daflon Leite. – Rio de Janeiro:
UFRJ/COPPE, 2010.
XIII, 108 p.: il.; 29,7 cm.
Orientadores: Murilo Augusto Vaz
Marysilvia Ferreira da Costa
Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa
de Engenharia Oceânica, 2010.
Referencias Bibliográficas: p. 99-102.
1. Enrijecedores à Flexão, Bend Stiffeners. 2.
Concentrador de tensões. I. Vaz, Murilo Augusto, et al. II.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE,
Programa de Engenharia Oceânica. III. Titulo.














iv































Aos meus pais, Orisvaldo Pereira Leite
e Maria Helena Daflon Leite, avó,
Edith Daflon da Silva e à minha
namorada, Amanda Revoredo Vicentino.

v
AGRADECIMENTOS

Aos meus orientadores, Murilo Augusto Vaz e Marysilvia Ferreira da Costa pelo apoio,
orientação e conselhos durante a execução da dissertação e pela credibilidade e
confiança depositados em mim.

Aos meus pais, Orisvaldo Pereira Leite e Maria Helena Daflon Leite, pelo incentivo e
apoio sempre com muito amor e carinho.

À minha namorada Amanda Vicentino, pelo seu apoio, carinho, compreensão e pela
força na fase final deste trabalho.

Aos amigos de laboratório, Marcelo Caire e Nicolau Rizzo pelas sugestões e
orientações que contribuíram para o desenvolvimento deste trabalho.

Ao professor Célio da Costa Neto pela ajuda nos ensaios de tração.

Ao colega Fabio Sousa pela ajuda na usinagem e preparação dos corpos de prova.

À Planave, Promon e Eletrobras, empresas das quais eu trabalhei no decorrer do
curso, em especial ao Gerardo Penna, Wilson Boechat, Pascoal Bracco, Pauline Staib,
Luis Claudio Frade e Thales Lopes, por possibilitarem que eu investisse minhas forças
e dedicasse mais tempo às pesquisas.

E a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho.





vi
Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.)

ANÁLISE DE ENRIJECEDORES À FLEXÃO COM CONCENTRADOR DE TENSÕES

Rodrigo Daflon Leite

Março/2010

Orientadores: Murilo Augusto Vaz
Marysilvia Ferreira Costa

Programa: Engenharia Oceânica


Enrijecedores ou bend stiffeners permitem a transição suave de rigidez entre o
riser flexível e o ponto de conexão com a plataforma, porém é sabido que a flexão
excessiva pode causar danos ao enrijecedor. Estes danos podem ser agravados caso
haja um concentrador de tensões, como uma trinca, no enrijecedor.
A proposta deste trabalho é analisar enrijecedores à flexão com concentrador
de tensões e propor uma metodologia para definição da carga máxima admissível ao
enrijecedor. Neste estudo, ensaios de tração uniaxiais são realizados com corpos de
prova retirados de enrijecedores reais com e sem concentrador de tensões com o
objetivo de caracterizar o material através de um modelo hiperelástico e definir a
tensão admissível do material. Os resultados dos ensaios experimentais são
comparados com um modelo em elementos finitos.
Além disso, um modelo em elementos finitos de um enrijecedor foi utilizado
para verificar a tensão que o enrijecedor é submetido com a aplicação de uma carga
no riser com ângulos variados. Foi simulado também uma trinca como concentrador de
tensões no enrijecedor.
Com estes resultados, foi possível estabelecer a carga máxima admissível no
riser para cada ângulo de aplicação.


vii
Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the
requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)

ANALYSIS OF BEND STIFFENERS WITH STRESS CONCENTRATION

Rodrigo Daflon Leite

March/2010

Advisors: Murilo Augusto Vaz
Marysilvia Ferreira Costa

Department: Ocean Engineering


Bend stiffeners allow the soft transistion of stiffeness between the flexible riser
and the point of connection with the platform, however we know that the extreme
bending can cause damages to the bend stiffener. These damages can be aggravated
if it has a stress concentration, as a crack, in the bend stiffener.
The propose of this work is analyze bend stiffeners with stress concentration
and propose a methodology to define the maximum permissible load. In this study, uni-
axial tensile strength tests have been carried out with specimens cut from actual bend
stiffeners with and without stress concentrator in order to characterize the material by a
hyperelastic model and define the permissible tensile of the material. The results of
experimental tests were compared with a finite element model.
Moreover, a finite elements model of a bend stiffener was used to verify the
tensile that the bend stiffener is submitted with the application of a load in the riser with
varied angles. It was also simulated a crack as a stress concentration on bend
stiffener.
Nevertheless, it was possible to establish the maximum permissible load on the
riser for each angle of application.




viii
Sumário

1. INTRODUÇÃO....................................................................................................... 1
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA................................................................................... 3
3. POLÍMEROS ......................................................................................................... 8
3.1. POLIURETANOS........................................................................................ 10
3.1.1. Propriedades ....................................................................................... 11
3.2. ELASTICIDADE NÃO-LINEAR.................................................................... 13
3.2.1. Movimento........................................................................................... 13
3.2.2. Medidas de deformação ...................................................................... 16
3.2.3. Medidas de tensão .............................................................................. 23
3.2.4. Relações constitutivas para material isotrópico elástico....................... 27
3.2.5. Modelos hiperelásticos ........................................................................ 34
3.3. OBTENÇÃO DA CURVA TENSÃO X DEFORMAÇÃO................................ 38
3.3.1. Preparação dos dados do ensaio de tração uniaxial ............................ 39
3.3.2. Ajuste dos modelos hiperelásticos....................................................... 41
3.3.3. Concentração de tensões.................................................................... 42
3.3.4. Ensaio de Tração Uniaxial ................................................................... 46
3.3.5. Avaliação do erro dos modelos hiperelásticos ..................................... 50
4. ANÁLISE DE ENRIJECEDORES ........................................................................ 53
4.1. INTRODUÇÃO............................................................................................ 53
4.2. PROJETO DE ENRIJECEDORES .............................................................. 55
4.3. MODELAGEM............................................................................................. 56
4.3.1. Elemento ............................................................................................. 57
4.3.2. Características do Enrijecedor ............................................................. 60
4.3.3. Condições de contorno e carregamento .............................................. 68
4.4. ANÁLISE DO ENRIJECEDOR SEM CONCENTRADOR DE TENSÕES..... 70
4.5. ANÁLISE DO ENRIJECEDOR COM CONCENTRADOR DE TENSÕES .... 74
4.5.1. Trinca .................................................................................................. 76
4.5.2. Submodelamento................................................................................. 77
4.5.3. Posição 1............................................................................................. 82
4.5.4. Posição 2............................................................................................. 85
4.5.5. Posição 3............................................................................................. 88
4.5.6. Comparação dos resultados ................................................................ 91
5. CONCLUSÕES.................................................................................................... 97
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..................................................................... 99
APÊNDICE A............................................................................................................ 103
ix
A. Área infinitesimal deformada em função da área infinitesimal indeformada.......... 103
APÊNDICE B............................................................................................................ 105
B. Teorema de Cayley-Hamilton............................................................................... 105
APÊNDICE C............................................................................................................ 106
C. Constantes para os ajustes das curvas dos modelos hiperelásticos .................... 106
APÊNDICE D............................................................................................................ 108
D. Valores do erro normalizado e do coeficiente de determinação (R
2
) .................... 108


x
Índice de Figuras

Figura 3.1. Cadeia linear, cadeia ramificada e cadeia cruzada (FELIPETTO, 2003)..... 9
Figura 3.2. (a) Polímero amorfo; (b) Polímero semicristalino (MANO, MENDES, 1999)
................................................................................................................................... 10
Figura 3.3. Formação de um poliuretano (CANGEMI, 2009)....................................... 11
Figura 3.4. (a) Segmentos rígidos; (b) Segmentos flexíveis (VILAR, 2002)................. 12
Figura 3.5. Cinemática do processo de deformação (BONNET e WOOD, 1997) ........ 14
Figura 3.6. Movimento de um corpo (BONNET e WOOD, 1997) ................................ 15
Figura 3.7. Seção de um corpo em equilíbrio estático (LAI et al., 1993) ..................... 23
Figura 3.8. Trações sobre as configurações inicial e deformada................................. 25
Figura 3.9. Extensão uniaxial (MARCZAK, 2006) ....................................................... 33
Figura 3.10. Exemplo de comparação entre tensão x deformação verdadeiros ( ) ε σx 41
Figura 3.11. Corpo de prova ....................................................................................... 44
Figura 3.12. Corpo de prova 1 com aumento de 100 vezes........................................ 45
Figura 3.13. Corpo de prova 1 com aumento de 500 vezes........................................ 45
Figura 3.14. Corpo de prova 3 com aumento de 100 vezes........................................ 45
Figura 3.15. Corpo de prova 3 com aumento de 500 vezes........................................ 45
Figura 3.16. Gráfico tensão x deformação para o CP1 ............................................... 46
Figura 3.17. Gráfico tensão x deformação para o CP2 ............................................... 46
Figura 3.18. Gráfico tensão x deformação para o CP3 ............................................... 46
Figura 3.19. Gráfico tensão x deformação para o CP4 ............................................... 46
Figura 3.20. Gráfico tensão x deformação para o CP5 ............................................... 47
Figura 3.21. Gráfico tensão x deformação para o CP6 ............................................... 47
Figura 3.22. Gráfico tensão x deformação para os corpos de prova com entalhe....... 48
Figura 3.23. Ajuste da curva para o CP1 .................................................................... 48
Figura 3.24. Ajuste da curva para o CP1 .................................................................... 48
Figura 3.25 Ajuste da curva para o CP2 ..................................................................... 49
Figura 3.26 Ajuste da curva para o CP2 ..................................................................... 49
Figura 3.27. Ajuste da curva para o CP3 .................................................................... 49
Figura 3.28. Ajuste da curva para o CP3 .................................................................... 49
Figura 3.29. Ajuste da curva para o CP4 .................................................................... 49
Figura 3.30. Ajuste da curva para o CP4 .................................................................... 49
Figura 3.31. Ajuste da curva para o CP5 .................................................................... 50
Figura 3.32. Ajuste da curva para o CP5 .................................................................... 50
Figura 3.33. Ajuste da curva para o CP6 .................................................................... 50
Figura 3.34. Ajuste da curva para o CP6 .................................................................... 50
xi
Figura 4.1. Linhas flexíveis (SOUZA, 2008) ................................................................ 54
Figura 4.2. Enrijecedor conectado a linha flexível (http://www.fesltd.co.uk) ................ 55
Figura 4.3. Famílias de elementos (HIBBITT et al., 2002)........................................... 57
Figura 4.4. Tipos de elementos de acordo com o número de nós (HIBBITT et al., 2002)
................................................................................................................................... 58
Figura 4.5. Exemplo de conector usado no enrijecedor (BIRCH , 1989) ..................... 60
Figura 4.6. Comparação força x deslocamento entre as análises dos modelos
computacionais dos corpos de prova sem entalhe...................................................... 62
Figura 4.7. Comparação tensão x deformação entre as análises dos modelos
computacionais dos corpos de prova sem entalhe...................................................... 63
Figura 4.8. Comparação força x deslocamento entre o modelo .................................. 63
Figura 4.9. Comparação tensão nominal x deformação nominal entre........................ 64
Figura 4.10. Comparação tensão nominal x deformação nominal entre o modelo
computacional e experimental até uma deformação de 30%...................................... 64
Figura 4.11. Entalhe com geometria quadrada ........................................................... 65
Figura 4.12. Entalhe com geometria semi circular ...................................................... 65
Figura 4.13. Entalhe com geometria com chanfro....................................................... 65
Figura 4.14. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe
de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria quadrada ... 66
Figura 4.15. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe
de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria semi circular
................................................................................................................................... 66
Figura 4.16. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe
de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria com chanfro66
Figura 4.17. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe
de 1 mm com o entalhe com chanfro e semi circular de abertura igual a 0,175 mm... 67
Figura 4.18. Condição de contorno 1 – Superfície do Bend stiffeners engastada ....... 69
Figura 4.19. Condição de contorno 2 – Simetria no eixo z .......................................... 69
Figura 4.20. Tensão no enrijecedor sem entalhe submetido à flexão.......................... 71
Figura 4.21 Gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem
entalhe com malha utilizando elemento hexaédrico.................................................... 72
Figura 4.22 Gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem
entalhe com malha utilizando elemento tetraédrico .................................................... 73
Figura 4.23 Comparação dos gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão
do enrijecedor sem entalhe......................................................................................... 74
Figura 4.24. Posições das trincas analisadas no enrijecedor ...................................... 75
Figura 4.25. Sentido das trincas analisadas no enrijecedor ........................................ 75
xii
Figura 4.26. Trinca como concentrador de tensões (SILVA, 2006) ............................. 77
Figura 4.27. Densidade da malha de um submodelo .................................................. 78
Figura 4.28. Malha da viga.......................................................................................... 79
Figura 4.29. Configuração deformada da viga ............................................................ 79
Figura 4.30. Malha do primeiro submodelo da viga..................................................... 80
Figura 4.31. Configuração deformada do primeiro submodelo da viga ....................... 80
Figura 4.32. Malha do segundo submodelo da viga.................................................... 81
Figura 4.33. Configuração deformada do segundo submodelo da viga....................... 81
Figura 4.34. Malha do terceito submodelo da viga...................................................... 81
Figura 4.35. Configuração deformada do terceiro submodelo da viga ........................ 81
Figura 4.36. Gráfico tensão de Mises em cada incremento da análise dos 3 modelos82
Figura 4.37. Malha usada para simulação da menor trinca transversal na posição 1.. 84
Figura 4.38. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na
posição 1 com carga aplicada a 45º ........................................................................... 84
Figura 4.39. Malha do submodelo da menor trinca transversal na posição 1.............. 84
Figura 4.40. Configuração deformada do submodelo da menor trinca transversal na
posição 1 .................................................................................................................... 84
Figura 4.41. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise do modelo na Posição 1 ................................................................................. 85
Figura 4.42. Malha usada para simulação da menor trinca transversal na posição 2.. 87
Figura 4.43. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na
posição 1 com carga aplicada a 45º ........................................................................... 87
Figura 4.44. Malha do submodelo da menor trinca transversal na posição 2.............. 87
Figura 4.45. Configuração deformada do submodelo da menor trinca transversal na
posição 2 .................................................................................................................... 87
Figura 4.46. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise do modelo na Posição 2 ................................................................................. 88
Figura 4.47. Malha usada para simulação 2 ............................................................... 90
Figura 4.48. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na
posição 3 com carga aplicada a 45º ........................................................................... 90
Figura 4.49. Malha do submodelo da menor trinca transversal na posição 3.............. 90
Figura 4.50. Configuração deformada do submodelo da menor trinca transversal na
posição 3 .................................................................................................................... 90
Figura 4.51. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise do modelo na Posição 3 ................................................................................. 91
Figura 4.52. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido transversal e tamanho menor.......................................... 92
xiii
Figura 4.53. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido transversal e tamanho maior........................................... 92
Figura 4.54. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho menor ......................................... 93
Figura 4.55. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho maior .......................................... 93
Figura 4.56. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido transversal e tamanho menor comparando os critérios de
tensão admissível e deformação admissível ............................................................... 94
Figura 4.57. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido transversal e tamanho maior comparando os critérios de
tensão admissível e deformação admissível ............................................................... 95
Figura 4.58. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho menor comparando os critérios de
tensão admissível e deformação admissível ............................................................... 95
Figura 4.59. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho maior comparando os critérios de
tensão admissível e deformação admissível ............................................................... 96
1
1. INTRODUÇÃO

Hoje em dia, um dos setores com maior quantidade de sistemas produtivos que
mais emprega alta tecnologia é a indústria de petróleo. O Brasil vem ocupando uma
posição de destaque mundial em extração de petróleo, especialmente em águas
profundas. Grande parte dos investimentos atuais são gastos em desenvolvimento de
tecnologias nesta área, principalmente em pesquisas relacionadas a risers de
produção.
O objetivo dos risers de produção é transportar o fluido, desde a cabeça do
poço até a unidade estacionária de produção, sendo que pela sua constituição podem
ser classificados em rígidos ou flexíveis. Considerando extração em águas profundas,
as linhas flexíveis têm exercido um importante papel em razão de muitas vantagens
oferecidas. Tais vantagens são a sua alta flexibilidade, facilidade de lançamento com a
possibilidade de armazenar grandes comprimentos em carretéis, pré-fabricação e
baixo custo de instalação e transporte quando comparados aos dutos rígidos.
Os dutos flexíveis são em geral constituídos de camadas de aço intercaladas
com polímeros formando uma estrutura com grande rigidez axial e torsional, porém
baixa rigidez à flexão. As camadas de aço proporcionam flexibilidade ao riser,
enquanto as camadas poliméricas proporcionam estanqueidade, protegem contra
corrosão e impedem a abrasão das camadas metálicas. Linhas flexíveis são,
certamente, um dos componentes mais críticos de sistemas de produção em águas
profundas.
Quando um componente submarino está conectado a alguma outra estrutura
como uma plataforma flutuante, muitas vezes é desejável limitar a flexão do
componente na região de conexão com a estrutura, uma vez que a flexão excessiva
pode causar danos ao componente. Esta situação é comumente encontrada na
indústria de extração de petróleo. Na junção entre o riser e a plataforma, o riser está
sujeito à flexão e também está exposto a grande carga axial. Se não forem utilizados
meios de proteção adequados há riscos de danos ao riser devido à flexão excessiva e
fadiga. É uma técnica comum usar enrijecedores para melhorar a capacidade de
flexão de risers. O enrijecedor à flexão ou bend stiffener é uma estrutura cônica com
medida aproximada de 1 m de diâmetro para pequenos enrijecedores e de 1 a 5 m de
comprimento total. Seu material é o poliuretano, pois apresenta propriedades
indispensáveis a esta aplicação como flexibilidade, resistência mecânica e imunidade
à água do mar.
2
Tem-se conhecimento de diversos trabalhos publicados ao longo dos anos que
fazem análise de enrijecedores de poliuretano sujeitos a flexão. Estes trabalhos, em
sua maioria, não levam em consideração algumas não linearidades inerentes ao
processo, como por exemplo o material hiperelástico. Não foi encontrado registro de
critérios de falha para materiais hiperelásticos.
A proposta deste trabalho é analisar enrijecedores à flexão com concentrador
de tensões e propor uma metodologia para definição da carga máxima admissível ao
enrijecedor a partir da tensão máxima admissível. Para isto realizou-se ensaio de
tração uniaxial em diversos corpos de prova de poliuretano, sendo alguns corpos de
prova com um entalhe, e em seguida, com os dados coletados, realizou-se a análise
em elementos finitos do enrijecedor com uma trinca.
São apresentados no capítulo 2, os principais trabalhos científicos para uma
perfeita compreensão da resposta dos enrijecedores.
No capítulo 3 é apresentada uma introdução aos polímeros e aos poliuretanos
proporcionando uma melhor compreensão deste material. Em seguida, é mostrada a
teoria para materiais hiperelásticos e alguns modelos propostos para o cálculo da
função de energia de deformação destes materiais. A resposta hiperelástica deste
material, assim como sua tensão máxima admissível foram determinados com ensaios
de tração em amostras extraídas de enrijecedores reais. Realizaram-se ensaios de
tração em diversos corpos de prova, sendo alguns deles com entalhes simulando um
concentrador de tensões.
O capítulo 4 apresenta as análises do enrijecedor. Primeiramente são
mostrados alguns dados para projeto e modelagem do enrijecedor. Os dados
coletados nos ensaios experimentais são validados fazendo uma comparação com os
dados da simulação dos ensaios de tração sem entalhe e com entalhe no software
Abaqus. É feito também um estudo sobre as possíveis formas geométricas dos
entalhes nos corpos de prova. Logo após, as análises são descritas. A primeira delas
é com o enrijecedor sem entalhe e as outras análises são com uma trinca posicionada
em diferentes pontos do corpo do enrijecedor variando seu tamanho e seu sentido.
Para uma melhor análise das trincas, utilizou-se o recurso do submodelamento, este
recurso é exemplificado com uma viga bi engastada, onde fez-se três submodelos.
Este capítulo traz também uma comparação de diferentes malhas possíveis de serem
utilizadas na modelagem computacional em elementos finitos.
Por fim, são apresentadas, no capítulo 5, as conclusões e algumas sugestões
para desenvolvimento de trabalhos futuros.

3
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Os principais trabalhos que apresentam a análise, projeto e características dos
enrijecedores são descritos a seguir.
BOEF e OUT (1990) desenvolvem um modelo para o projeto e análise de
enrijecedores baseado na teoria de vigas esbeltas sujeitas a flexão pura, grandes
deslocamentos e pequenas deformações. O resultado do modelo foi comparado com
uma análise em elementos finitos que considera também a não-linearidade do
material. O modelo em elementos finitos consiste de um grupo de elementos de viga
no eixo do modelo, representando o tubo flexível. Chegam à conclusão que o modelo
de viga esbelta é uma ferramenta eficiente para o projeto preliminar de enrijecedores,
embora continue sendo necessária a análise em elementos finitos para verificação
final do projeto.
LANE et al. (1995) revisam o estado da arte em materiais e fabricação de Bend
stiffener. Descrevem um software personalizado para o projeto interativo de Bend
stiffeners baseado no modelo de viga esbelta proposto por BOEF e OUT (1990).
Comparam seus resultados com outros obtidos pelo software comercial ABAQUS®.
Nestes modelos construídos no ABAQUS®, adotam o poliuretano como material
hipoelastico. As tensões fornecidas pelo software proposto parecem “suaves e bem
comportadas” quando comparadas aos modelos que consideram outras não-
linearidades. A grande vantagem do software á a sua rapidez de computação e
precisão no cálculo de deslocamento.
MENICONI e LOPES (2003) apresentam a análise de fadiga realizada em
enrijecedores da FPSO-P34, que tem o mesmo projeto que os enrijecedores que
falharam por fadiga em operação no campo de Marlim em 1998 e1999 na monobóia
IMODCO-III. Realizam dois tipos de ensaios: monotônico e cíclicos. A natureza
viscoelastica do material foi confirmada após a comparação do comportamento do
material nos dois testes. Nos testes realizados, consideram o comportamento
assimétrico entre tração e compressão. Verificam também, através de ensaios
experimentais, a redução do módulo de elasticidade com o aumento da deformação e
comparam os resultados para diferentes ciclos de carregamento. Através de testes de
compressão, determinam a taxa de variação do coeficiente de Poisson.
Os autores fazem uma análise em elementos finitos, onde consideram o
comportamento do material como linear e elástico, já que a ordem de deformação é
muito pequena durante a operação. O objetivo foi encontrar a relação entre uma dada
deformação no enrijecedor e a deformação no ponto de interesse onde iniciou a trinca
4
de fadiga. Adotam uma análise baseada em deformação e levantam a curva de fadiga
e-N, identificando que a rugosidade das perfurações executadas nos corpos de prova
alteravam significativamente os resultados do teste.
VAZ e LEMOS (2004) apresentam uma formulação matemática e uma solução
numérica para a análise não-linear geométrica e material do Bend stiffener. Usam
equações diferenciais resultantes da compatibilidade geométrica, equilíbrio de forças e
momentos e das relações constitutivas do material, que podem ser linear elástica
simétrica ou não-linear elástica assimétrica. Comparam os resultados das duas
relações constitutivas e concluem que uma análise precisa de Bend stiffeners depende
da correta caracterização das propriedades do material.
KIEPPER (2004) revisa a tecnologia de enrijecedores e apresenta uma análise
do conjunto tubo flexível e enrijecedor pelo método dos elementos finitos utilizando o
software ABAQUS®. Compara os resultados obtidos com os de um programa
numérico produzido pela COPPE/Petrobras.
CAIRE (2005) apresenta os resultados de ensaios realizados para
levantamento das características do poliuretano de enrijecedores a flexão. Realiza
ensaios de tração, compressão e fluência (sob tração e compressão). Com as curvas
e coeficientes dos ensaios de fluência, o autor nota que o comportamento do
poliuretano é viscoelástico não-linear e sugere uma teoria muito mais complexa que o
modelo viscoelástico linear por ele adotado. Ressalta também que o efeito da
temperatura sobre a resposta mecânica do poliuretano não fora levado em conta.
Desenvolve modelos de viga que representam o sistema linha
flexível/enrijecedor com comportamento do poliuretano se apresentando linear
elástico, não linear elástico assimétrico e viscoelástico linear. Compara o modelo linear
elástico com soluções em elementos finitos em duas e três dimensões. Mostra que o
efeito do esforço cortante se torna mais evidente quanto maior o carregamento
analisado, considerando um mesmo ângulo de aplicação da força. Concluiu que, para
análises mais simples, pode-se utilizar o modelo considerando apenas a não
linearidade do material com tensões simétricas, pois o efeito da não linearidade é mais
expressivo que o da assimetria. Mostra que o comportamento dependente do tempo
afeta de forma significativa a resposta do sistema linha flexível/enrijecedor.
Desenvolve também um modelo para grandes áreas de contato permitindo
estimar as pressões de contato ao longo do comprimento do enrijecedor. Observa que
a pressão de contato sempre se apresenta com maiores valores quando se utiliza a
maior folga (gap). Conclui que para se evitar possíveis problemas devido ao contato,
deve-se procurar utilizar sempre o menor gap entre a linha flexível e o enrijecedor.
5
LEMOS (2005) apresenta uma metodologia de análise de fadiga em risers
flexíveis conectados à FPSOs com turret e aponta o ponto de conexão com a unidade
flutuante como o ponto mais importante para avaliação de fadiga de risers flexíveis.
Apresenta o efeito da distribuição de curvaturas proveniente da representação do
enrijecedor considerando material linear elástico, não-linear elástico, assimétrico, e
material viscoelástico.
Lemos descreve mecanismos de fadiga, curvas S-N, critérios para análise de
fadiga com carregamentos multiaxiais, dano acumulado, fadiga em condições
elastoplásticas e fadiga em risers flexíveis. Apresenta uma ampla discussão sobre a
utilização de um projeto baseado em resposta aplicado à fadiga e faz um estudo de
caso da FPSO P33 da Petrobras.
O autor faz uma análise da interface riser-bend stiffener, descreve os
polímeros, propriedades elásticas e o comportamento viscoelastico. Resolve o
problema de contorno apresentado por BOEF e OUT (1990) com uma solução
numérica utilizando o método Rosembrock (denominado ODE23S) no pacote Matlab®
e o método de “shoooting” com ajuda do usuário no Mathcad®. Verifica que o ponto de
maior curvatura varia de acordo com o carregamento aplicado, sendo que não
necessariamente o ponto de maior deformação no material coincide com a pior
curvatura, mas o pior momento está sempre no engaste.
Lemos apresenta também, a variação da deformação máxima ao longo do
comprimento do Bend stiffener variando a rigidez do poliuretano e conclui que a
variação de deformação não é linear com a variação de rigidez do material.
Avalia o comportamento elástico não-linear assimétrico, fazendo uso de uma
aproximação por série de potências polinomial com coeficientes interpolados
previamente e resolve novamente o problema de valor de contorno numericamente,
comparando-os com os resultados dos softwares STIFFENER® e ANFLEX®.
Lemos reformula o problema para o caso viscoelástico linear, reescreve as
equações do modelo incluindo sua dependência com o tempo e apresenta os
resultados da aplicação de sua formulação.
MBAYE (2006) desenvolve um pré-processador para o sistema ANSYS® para
geração e edição de malhas de elementos finitos de linhas flexíveis utilizadas em
plataformas.
Descreve a modelagem de uma linha flexível que utiliza elementos finitos para
a simulação das camadas da linha flexível e a interação entre elas. Utiliza elementos
de casca para modelar a carcaça intertravada, a armadura de pressão, as camadas
poliméricas e a tampa de fechamento; elementos de pórtico espacial para modelar os
6
arames das armaduras de tração e elementos de contato para viabilizar a interação
entre as camadas que compõe a linha flexível.
Elabora um programa em Fortran usando o método Runge-Kutta de 4ª ordem
para calcular a variação da curvatura ao longo de um segmento de linha flexível-bend
stiffener. Compara os resultados entre o modelo numérico e o sistema ANFLEX®, de
propriedade da Petrobras e nota que, para todos os casos de carga analisados, os
valores de curvatura obtidos pelo programa ANFLEX® são maiores que os obtidos
pelo programa numérico (Runge-Kutta).
Mbaye apresenta também a análise de flexão de uma linha flexível pelo método
de elementos finitos através de vários tipos de malhas. Conclui que modelos de linhas
flexíveis em elementos finitos são bastante sensíveis à variação do comprimento da
malha a ser utilizado.
CAIRE e VAZ (2007) avaliam a influência de uma resposta bi-linear do tubo
flexível na relação momento-curvatura do conjunto enrijecedor-tubo flexível sob
carregamentos extremos. Descrevem uma formulação analítica do problema e, devido
a variação considerável da curvatura critica com as condições de carregamento
impostas pelo riser (tensão interna e pressão externa), usam avaliações paramétricas
da distribuição da curvatura do conjunto em função da curvatura crítica, com 2,5; 5; 10
e 20% da curvatura limite. Considerando a rigidez do riser, utilizam os valores de EI
ns

iguais a 100, 1.000 e 10.000 kNm
2
. e EI
fs
igual a 10 kNm
2
, onde “ns” indica “sem
escorregamento entre as camadas” e “fs” indica “com escorregamento entre as
camadas”. Os resultados são comparados com modelos discretizados no software
ABAQUS para casos de carregamento extremo.
Avaliam também a influência da folga (gap) entre o enrijecedor e o tubo na
fadiga do conjunto. Apresentam os resultados de um modelo com elementos finitos
para duas opções de folga entre o riser e o enrijecedor: 5 e 20 mm.
Caire e Vaz concluem que tanto o comportamento bi-linear à flexão do tubo
quanto a folga entre o tubo e o enrijecedor não influenciam expressivamente a
distribuição da curvatura em carregamentos extremos, porém estes parâmetros podem
ser significativos caso seja considerado o carregamento por fadiga. Concluem também
que a presença da folga entre os componentes e a bi-linearidade da rigidez do tubo
levam a resultados menos conservadores e sugerem a sua incorporação na avaliação
da fadiga do conjunto.
SOUZA (2008) apresenta uma análise estrutural estática de Bend stiffeners por
meio de um modelo linear elástico, analiticamente formulado, que é governado por
uma equação diferencial não-linear de segunda ordem com coeficientes variáveis,
resultando em um problema de valor de contorno. Desenvolveu um código escrito em
7
Matlab® para solução numérica do problema de valor de contorno, com este código
realizou uma avaliação estrutural paramétrica (geométrica) de um enrijecedor à flexão
de geometria complexa em uma instalação típica, sujeita a carregamentos extremos.
Com o resultado desta avaliação conclui que, dentre sete parâmetros geométricos de
um enrijecedor cônico complexo, o comprimento total e o diâmetro máximo têm
influencia mais significativa na distribuição da curvatura do conjunto linha flexível-
enrijecedor.
8
3. POLÍMEROS

Historicamente, o desenvolvimento e o avanço das sociedades têm estado
ligados às habilidades dos seus membros em produzir e manipular materiais para
satisfazer as suas necessidades. As civilizações mais antigas, por exemplo, foram
designadas pelo nível de seu desenvolvimento em relação aos materiais (Idade da
Pedra, Idade do Bronze).
A palavra Polímeros é originária do grego que significa: poli (muitos) e meros
(partes). São definidos como o conjunto de pequenas moléculas denominadas
monômeros que se ligam por meio de uma reação denominada polimerização para
formar macromoléculas.
Os polímeros podem ser naturais ou sintéticos. Dentre os vários polímeros
naturais é possível citar a celulose (plantas), caseína (proteína do leite), látex natural e
seda. Dentre os polímeros sintéticos, que revolucionaram o século XX e ficaram
popularmente conhecidos como plásticos tem-se o policloreto de vinila (PVC), a
poliamida (Nylon) e o acrílico, entre muitos outros.
Com relação ao tipo de reação de polimerização, os polímeros são
classificados basicamente em dois grupos: de adição e de condensação, conforme
ocorra uma simples adição, sem subprodutos, ou uma reação em que são abstraídas
dos monômeros pequenas moléculas, como HCl e H
2
O. Como exemplo de polímeros
de adição tem-se o policloreto de vinila (PVC), e como exemplo de polímeros de
condensação tem-se a poliamida.
Segundo CANGEMI (2009), os polímeros podem ser classificados quanto à
fusibilidade em termoplásticos, que podem ser fundidos por aquecimento e
solidificados por resfriamento e termorrígidos que são infusíveis e insolúveis. Os
termoplásticos, de acordo com sua durabilidade e desempenho podem ser
convencionais ou de engenharia. Os termoplásticos de engenharia apresentam
melhores propriedades térmicas e mecânicas que os convencionais. São exemplos de
termoplásticos de engenharia, o policarbonato – PC (utilizados na fabricação de CD,
janelas de aeronaves, ginásios de esportes e lentes de óculos) e as poliamidas –
Nylons (usados em engrenagens plásticas, tecidos impermeáveis etc). Como exemplo
de termoplásticos convencionais tem-se o polietileno e o polipropileno. Os
termoplásticos convencionais são encontrados principalmente nas embalagens
plásticas como garrafas, copos descartáveis, potes, sacos plásticos etc.
De acordo com o seu comportamento mecânico, os polímeros são divididos em
três grandes grupos: borrachas ou elastômeros, plásticos e fibras. As borrachas ou
9
elastômeros são materiais macromoleculares que exibem elasticidade em longa faixa
à temperatura ambiente. Deformam-se no mínimo 2 vezes o seu comprimento
retornando ao inicial quando o esforço é retirado. Os plásticos se fundem quando são
aquecidos e solidificam por resfriamento. As fibras possuem corpo flexível, cilíndrico,
com pequena seção transversal e com elevada razão entre comprimento e diâmetro
(LOPES, 2007). A grande diferença entre estes três grupos está no módulo de
elasticidade: borrachas ou elastômeros (70 − 700 KPa), plásticos (7 − 70 MPa) e fibras
(700 − 7000 MPa), de acordo com MANO (2000).
Os polímeros podem ser classificados ainda como lineares quando tem suas
cadeias sem ramificações ou podem apresentar ramificações, cujo grau e
complexidade pode ir até o extremo da formação de retículos, resultando então no que
se denomina polímero reticulado, ou polímero com ligações cruzadas. Estas cadeias
podem ser vistas no esquema da Figura 3.1.


Figura 3.1. Cadeia linear, cadeia ramificada e cadeia cruzada (FELIPETTO, 2003)

Como conseqüência, cada tipo de cadeia, gera propriedades diferentes no
produto, especialmente em relação à fusibilidade e solubilidade. Os ramos laterais
dificultam a aproximação das cadeias poliméricas, o que diminui as interações
intercadeias, prejudicando assim as propriedades mecânicas. A formação de retículos,
devido às ligações covalentes entre moléculas, impede o seu deslizamento e “amarra”
as cadeias umas às outras, aumentando a resistência mecânica até formar o polímero
infusível e insolúvel.
Outro fator que afeta as propriedades dos polímeros é a sua estrutura
macromolecular. Os polímeros podem existir em estado amorfo ou semicristalino. Em
um polímero amorfo, as moléculas estão orientadas aleatoriamente e estão
entrelaçadas. Os polímeros amorfos são, geralmente, transparentes. Nos polímeros
semicristalinos, as moléculas exibem um empacotamento regular, ordenado, em
determinadas regiões, sendo mais comum em polímeros lineares, devido à sua
estrutura regular. Devido às fortes interações intermoleculares, os polímeros
10
semicristalinos são mais duros e resistentes; como as regiões cristalinas espalham a
luz, estes polímeros são mais translúcidos. O surgimento de regiões cristalinas pode,
ainda, ser induzido por um estiramento das cadeias, no sentido de alinhar as
moléculas. Um polímero nunca será composto integralmente de regiões cristalinas.
Uma representação esquemática da estrutura pode ser vista na Figura 3.2.


Figura 3.2. (a) Polímero amorfo; (b) Polímero semicristalino (MANO, MENDES, 1999)

3.1. POLIURETANOS

O crescimento da ciência e da tecnologia do plástico leva ao desenvolvimento
de novos materiais com diferentes tipos de propriedades desejáveis. Em 1848 Wurtz
descobriu que os grupos isocianatos reagiam quantitativamente com os grupos
hidroxilas primários originando grupos uretanos. Os poliuretanos (PU’s) fazem parte de
um grupo extenso de polímeros com diferentes composições e perfis de propriedade
que foram descobertos por Otto Bayer, em 1937. Eles são normalmente produzidos
pela reação de um isocianato (di ou polifuncional) e um poliol ou outros reagentes,
contendo dois ou mais grupos reativos (MARIANO, 2009). Os compostos contendo
hidroxilas podem variar quanto ao peso molecular, natureza química e funcionalidade.
Os isocianatos podem ser aromáticos, alifáticos, ciclo-alifáticos ou policíclicos. Esta
flexibilidade de escolha de reagentes permite obter uma infinita variedade de
compostos com diferentes propriedades físicas e químicas, conferindo aos
poliuretanos uma posição importante no mercado mundial de polímeros sintéticos de
11
alto desempenho. A Figura 3.3 mostra o esquema de uma reação típica de obtenção
de um poliuretano.


Figura 3.3. Formação de um poliuretano (CANGEMI, 2009)

3.1.1. Propriedades

As características físicas de um polímero dependem não apenas da sua forma
e do seu peso molecular, mas também das diferenças na estrutura das cadeias
moleculares. As técnicas modernas de síntese de polímeros permitem um controle
considerável sobre várias possibilidades estruturais.
Poliuretanos são materiais versáteis, e dependendo dos monômeros e do
catalisador, uma grande variedade de materiais pode ser obtida (cerca de 77 mil
tipos), com textura maciça ou celular, podendo resultar em borrachas, plásticos ou
fibras, de natureza termoplástica ou termorrígida (MANO e MENDES, 1999). O
poliuretano é conhecido pelas suas excelentes propriedades mecânicas tais como
resistência mecânica, resistência à abrasão, resistência a óleos e alta resiliência.
Durante a reação de polimerização, há a formação de copolímeros compostos por
blocos de segmentos flexíveis e segmentos rígidos ligados em compostos de uretano.
Alguns materiais possuem longas cadeias flexíveis unidas por segmentos aromáticos
rígidos de poliuretano e poliuréia, estes são os elastômeros e espumas flexíveis. Os
poliuretanos rígidos têm um alto teor de ligações cruzadas e não apresentam as
estruturas segmentadas, presentes nos poliuretanos flexíveis. Os segmentos flexíveis
são formados por polióis e são responsáveis pela flexibilidade e estiramento. Por outro
lado, os segmentos rígidos são derivados da reação de isocianatos e extensores de
cadeia e, contribuem no travamento e na ligação das cadeias poliméricas tendendo a
se aglomerar em domínios que agem como precipitado e fornecem ao materal rigidez
e resistência mecânica. Na Figura 3.4 pode-se ver uma representação esquemática da
estrutura de fases do poliuretano com os segmentos rígidos e os segmentos flexíveis.



12

Figura 3.4. (a) Segmentos rígidos; (b) Segmentos flexíveis (VILAR, 2002)

Segundo VILAR (2002), a baixas temperaturas os poliuretanos tornam-se duros
e quebradiços. O poliuretano também terá maior dureza se possuir um elevado
percentual de segmentos rígidos e alto grau de reticulação, porém é comum a
ocorrência de pequenas variações de dureza devido às imperfeições do material.
O poliuretano é um material de engenharia bastante utilizado na indústria. Até
2008, o Brasil produzia cerca de 335 mil toneladas de poliuretano anuais e estima-se
que até 2012 este número seja 441 mil toneladas com uma evolução média de 4,7%
ao ano (Novas ações em busca da produção limpa, Revista Plástico Sul, 2008). Na
siderurgia, o poliuretano é utilizado em revestimentos de cilindros de laminação a frio
que tem a função de tracionar a linha. Na metalurgia, é utilizado também para revestir
cilindros e tambores e em algumas molas dos moldes de estamparia. Na indústria de
papel e celulose, o poliuretano é utilizado para revestir cilindros de prensa e rolos guia.
A indústria metro-ferroviária usa o poliuretano em talas isolantes instaladas em vias
sinalizadas ou eletrificadas. Os mercados de maior uso do poliuretano são o de
petróleo e mineração. Neste, o poliuretano é bastante usado no revestimento interno
de tubulações devido a sua proteção anti-abrasiva. Estas tubulações transportam o
rejeito e a polpa de minério gerados na produção de uma mineradora. Na indústria do
petróleo, o poliuretano é bastante utilizados nos enrijecedores de curvatura (Bend
stiffeners) localizados na conexão com o topo da plataforma, em proteções anti-
abrasivas e outros tipos de proteções. Uma plataforma de petróleo chega a ter mais de
20 toneladas de poliuretano distribuídos em algumas peças
(http://pt.wikipedia.org/wiki/Poliuretano).
13
3.2. ELASTICIDADE NÃO-LINEAR

A não linearidade de muitos fenômenos que nos cercam estimula pessoas no
mundo inteiro a estudar tais fenômenos através de modelos matemáticos e
experimentais. Em grande parte dos materiais utilizados na engenharia, percebe-se
uma linearidade no início da trajetória de equilíbrio entre a força aplicada e o
deslocamento. No entanto, sempre existirá algum grau de não linearidade presente
após este trecho linear, que dependendo do material pode ser maior ou menor. A partir
do momento que a força não é proporcional ao deslocamento, tem-se a não-
linearidade geométrica. Quando um corpo apresentar alguns pontos com tensões
maiores que as tensões limites de escoamento e este demonstrar algum grau de
escoamento, mesmo que o restante do corpo permaneça em regime elástico, tem-se a
não-linearidade material ou não-linearidade física.
Outro tipo de não-linearidade encontrada em materiais de engenharia diz
respeito à relação constitutiva do material. Alguns materiais, como o poliuretano,
independente do nível de solicitação, possuem uma relação não-linear entre tensão e
deformação e são capazes de recuperar-se, rapidamente de uma grande deformação.
Estes materiais manifestam grandes deformações elásticas (normalmente
acompanhadas de não-linearidade geométrica), bem maiores que as encontradas em
materiais convencionais. Neste caso, a Lei de Hooke não é aplicável, isto é, as forças
deformantes não são proporcionais às deformações elásticas produzidas.
O comportamento de peças e componentes fabricados a partir de poliuretano,
como os enrijecedores, não é linear quando se faz um estudo entre tensão e
deformação.

3.2.1. Movimento

Segundo HOSS (2009), para descrever o movimento do corpo ao longo do
processo de deformação, torna-se necessária uma forma de especificar a posição de
cada partícula ao longo do tempo. Como pode ser visto na Figura 3.5, um corpo é
idealizado como um conjunto de partículas descritas pelas coordenadas (X
1
, X
2
, X
3
) do
vetor posição X, com as respectivas bases cartesianas E
i
na posição inicial t=0. A
posição destas partículas no instante t é descrito pelas coordenadas (x
1
, x
2
, x
3
) do
vetor posição x nas bases cartesianas e
i
.

14

Figura 3.5. Cinemática do processo de deformação (BONNET e WOOD, 1997)

Em qualquer momento, cada partícula do conjunto ocupa um ponto de uma
região fechada e cada ponto desta região é ocupado por somente uma partícula, não
podendo haver superposição ou desaparecimento de matéria. O movimento do corpo
pode ser matematicamente descrito como uma função φ entre as posições inicial e
atual da partícula através da equação:


( ) t X x , φ = ( 3.2.1 )

Onde:


i i
e x x =

Para um valor fixo de t, a equação ( 3.2.1 ) representa um mapeamento entre a
configuração indeformada e a configuração deformada do corpo. Para uma partícula
X, esta equação descreve o movimento ou trajetória desta partícula em função do
tempo. De acordo com HOSS (2009), o mapeamento x X → é uma transformação
matemática, e implica em um Jacobiano correspondente:

15

j
i
X
x
J


=

Como não pode haver superposição ou desaparecimento de matéria, a
condição de existência para o movimento é dada por J>0, o que resulta em
deformação contínua.
No decorrer deste trabalho, as bases cartesianas E
i
e e
i
são consideradas
iguais, conforme pode ser visto na Figura 3.6.


Figura 3.6. Movimento de um corpo (BONNET e WOOD, 1997)

Em problemas de Mecânica dos Sólidos, tradicionalmente se trabalha com os
deslocamentos sofridos pelo corpo. Da Figura 3.6 é fácil verificar que:


( ) X t X X x u − = − = , φ ( 3.2.2 )

Onde as componentes de u são os deslocamentos dos pontos nas direções
cartesianas:

16

i i
e u u =

3.2.2. Medidas de deformação

3.2.2.1. Tensor gradiente de deformação

A análise do comportamento de uma fibra infinitesimal de material, de
comprimento inicial dX, que se deforma em dx na configuração final é a forma mais
direta de se medir deformação. Da Figura 3.6, verifica-se que:


( ) t X x
P p
, φ =
( ) t X x
Q q
,
1 1
φ =
( ) t X x
Q q
,
2 2
φ =
( 3.2.3 )

E os correspondentes vetores, tornam-se:


( ) ( ) t X t dX X x x dx
p P p q
, ,
1 1
1
φ φ − + = − =
( ) ( ) t X t dX X x x dx
p P p q
, ,
2 2
2
φ φ − + = − =
( 3.2.4 )

A definição do tensor gradiente de deformação é (LAI et al., 1993):


φ
φ
∇ =


=
X
F ( 3.2.5 )

Então, os vetores dx
1
e dx
2
são obtidos em termos de dX
1
e dX
2
:


1 1
FdX dx =
2 2
FdX dx =
( 3.2.6 )

As equações de movimento ( 3.2.3 ) podem ser escritas também como:


( ) t X x x , = ( 3.2.7 )
17

E o tensor gradiente de deformação pode ser escrito como:


X
x
F


= ( 3.2.8 )

Substituindo-se a equação ( 3.2.2 ) em ( 3.2.5 ), reescreve-se F em função dos
deslocamentos (LAI et al., 1993):

u I F ∇ + = ( 3.2.9 )

Onde:


X
u
u


= ∇ ( 3.2.10 )

O tensor F é uma medida primária de deformação, chamada gradiente de
deformação.
A relação dos comprimentos indeformado e deformado de uma fibra
infinitesimal de material é dado pela expressão ( 3.2.6 ). Partindo-se das definições de
área infinitesimal nas duas configurações, tem-se:


2 1
dX dX dA × =
2 1
dx dx da × =


Onde dA é a área infinitesimal indeformada e da é a área infinitesimal
deformada. É possível provar, conforme APÊNDICE A, que:


dA F F da
T −
= ( 3.2.11 )

De forma análoga, pode-se definir os volumes infinitesimais:


3 2 1
dX dX dX dV =
3 2 1
dx dx dx dv =


18
Tem-se então a expressão:


dV F dv = ( 3.2.12 )

Ou seja, J F = , o que evidencia que o Jacobiano da deformação deve ser
sempre positivo. Em função desta restrição, o tensor F permite a seguinte
decomposição:

RU F =
VR F =
( 3.2.13 )

Onde U e V são tensores simétricos positivos chamados, respectivamente,
como tensores de alongamento à direita e à esquerda. A matriz ortogonal R descreve
as rotações do corpo rígido:


I RR R R
T T
= =
1 = R
( 3.2.14 )

Para problemas submetidos a deformações homogêneas extensonais, tem-se:

V U F = = ( 3.2.15 )

I R = ( 3.2.16 )

3.2.2.2. Tensores de deformação de Cauchy-Green

O gradiente de deformação estudado no item anterior pode ser considerado
uma medida de deformação do corpo. Contudo, conforme visto, ele incorpora
informações sobre deformações e rotações. Sendo assim, torna-se complicada a sua
aplicação em relações constitutivas já que as mesmas devem ser construídas de
modo que não sejam previstas tensões devido a movimento de corpo rígido. Os
tensores de deformação de Cauchy-Green eliminam a falta de simetria de F e a
variância com rotações.
Pode-se reescrever a equação ( 3.2.6 ) como:
19


( ) CdX dX FdX F dX FdX dx
T T T
= = =
2 2
( 3.2.17 )

Onde:


2
U F F C
T
= =
( 3.2.18 )

Pode-se observar que o tensor C representa uma medida de deformação, uma
vez que relaciona o comprimento do segmento na configuração instantânea (dx) a seu
comprimento na configuração indeformada (dX). O tensor C é denominado tensor de
deformação de Cauchy- Green à direita.

Pode-se definir também:


( ) ( ) dX B dx dx FF dx dX F dX
T T T 1
1 2
1 2 −


= = =
( 3.2.19 )

Onde:


2
V FF B
T
= =
( 3.2.20 )

O tensor B é definido como tensor de deformação de Cauchy-Green à
esquerda (ou tensor de Finger) (BITTENCOURT, 2005). Todos estes tensores
deformação definidos nas equações acima (U, V, B e C) ainda caracterizam mal a
deformação, pois assim como F, não fornecem um valor nulo quando submetido a
deslocamentos de corpo rígido, fornecendo como resposta a matriz identidade.
Utilizando ( 3.2.9 ), reescreve-se ( 3.2.18 ) e ( 3.2.20 ) como:


j
k
i
k
i
j
j
i
ij
j
K
i
K
ij
X
u
X
u
X
u
X
u
X
x
X
x
C


+


+


+


+ =




= δ
j
k
i
k
i
j
j
i
ij
j
K
i
K
ij
x
u
x
u
x
u
x
u
x
X
x
X
B


+


+


+


+ =




=

δ
1



Onde:

20

trC C I
ii
= =
1

( ) ( ) ( )
2 2
2
2
1
2
1
2
1
trC trC C C C C I
ji ij jj ii
− = − =
C I =
3

( 3.2.21 )

As equações ( 3.2.21 ) representam os invariantes de C.

3.2.2.3. Tensores de deformação de Green-Lagrange

Para fornecer uma medida de deformação que se anule quando não há
deformação (por exemplo movimento de corpo rígido), define-se o tensor de Green-
Lagrange a partir da diferença do quadrado do comprimento de uma fibra material
antes e depois da deformação:


dX dX dx dx dX dx
T T
− = −
2 2

( 3.2.22 )

( ) ( ) dX I F F dX dX I F F dX dX dx
T T T T
(
¸
(

¸

− = − = −
2
1
2
2 2
( 3.2.23 )

O tensor deformação de Green-Lagrange E é definido como o termo entre
colchetes na equação ( 3.2.23 ), ou seja:


[ ]
(
(
¸
(

¸

|
¹
|

\
|


⋅ |
¹
|

\
|


+ |
¹
|

\
|


+ |
¹
|

\
|


= − ⋅ =
X
u
X
u
X
u
X
u
I F F E
T T
T
2
1
2
1
( 3.2.24 )

Combinando a equação ( 3.2.24 ) com a equação ( 3.2.18 ):


( ) I C E − =
2
1
( 3.2.25 )

Sendo assim,

( )dX E dX dX dx
T
2
2 2
= − ( 3.2.26 )

21
3.2.2.4. Tensores de deformação de Almansi

O equivalente Euleriano de E é o tensor de deformação de Almansi G. A
equação ( 3.2.22 ) pode ser reescrita conforme as equações abaixo:

( )dx F F I dx dX dx
T T 1 2 2 − −
− = − ( 3.2.27 )

( ) dx F F I dx dX dx
T T
(
¸
(

¸

− = −
− − 1 2 2
2
1
2 ( 3.2.28 )


O tensor deformação de Almansi G é definido como o termo entre colchetes na
equação ( 3.2.28 ), ou seja:


[ ]
(
(
¸
(

¸

|
¹
|

\
|


⋅ |
¹
|

\
|


+ |
¹
|

\
|


+ |
¹
|

\
|


= ⋅ − =
− −
x
u
x
u
x
u
x
u
F F I G
T T
T
2
1
2
1
1
( 3.2.29 )

Combinando a equação ( 3.2.29 ) com a equação ( 3.2.20 ):


( )
1
2
1

− = B I G ( 3.2.30 )

3.2.2.5. Alongamento

Outra medida de deformação é o alongamento (stretch). O alongamento
corresponde à razão entre os comprimentos de uma fibra de material nas
configurações deformada e indeformada:


dX
dx
stretch = ou I E + = λ ( 3.2.31 )

Para os casos de deformações homogêneas, o alongamento em cada direção
pode ser obtido diretamente dos valores principais de F (ATKIN e FOX, 1980):

22

(
(
(
¸
(

¸

=
(
(
(
¸
(

¸

3
2
1
33
22
11
0 0
0 0
0 0
0 0
0 0
0 0
λ
λ
λ
F
F
F
( 3.2.32 )

e, neste caso:


(
(
(
¸
(

¸

= =
2
3
2
2
2
1
0 0
0 0
0 0
λ
λ
λ
B C ( 3.2.33 )

3.2.2.6. Tensor deformação infinitesimal

Nos itens anteriores deste capítulo, foram definidas cinco medidas de
deformação (F, C, B, E e G), dadas pelas equações ( 3.2.9 ), ( 3.2.18 ), ( 3.2.20 ),
( 3.2.25 ) e ( 3.2.30 ). Não foi imposta nenhuma limitação quanto à extensão dessas
deformações, porém, na solução de problemas de engenharia, é comum a adoção da
hipótese de deslocamentos infinitesimais. Considerando esta hipótese, a extensão dos
deslocamentos é muito menor que as dimensões do corpo. Nestes casos, os termos
de ordem superior do gradiente do campo de deslocamentos tornam-se desprezáveis:


( ) ( ) ( ) u u u u I F F
T T T
∇ ∇ + ∇ + ∇ + =
( ) ( ) 1 << ∇ ∇ u u
T

( 3.2.34 )

E as seguintes relações são verificadas:


( ) ε 2 + ≡ ∇ + ∇ + = = I u u I C B
T

G = ε
( 3.2.35 )

O tensor ε é chamado de tensor deformação infinitesimal.



23
3.2.3. Medidas de tensão

3.2.3.1. Tensor Tensão de Cauchy

Seja um corpo em equilíbrio estático com um plano S passando através de um
ponto P conforme a Figura 3.7. O plano S tem um vetor normal n e divide o corpo em
duas partes (I e II). Considerando a parte I como um corpo livre, há no plano S uma
força resultante ∆F que atua sobre o incremento de área ∆A no ponto P. Realizando-
se o limite 0 → ∆A , obtém-se a equação ( 3.2.36 ) definida como vetor tração t (de II
para I) no ponto P.


A
F
t
A
n


=
→ ∆ 0
lim ( 3.2.36 )

Se a parte II da Figura 3.7 for considerada um corpo livre, pela 3ª lei de
Newton, tem-se um vetor (de I para II),
n
t

no mesmo ponto e mesmo plano, porém em
direção oposta ao da equação anterior.


n n
t t

− = ( 3.2.37 )


Figura 3.7. Seção de um corpo em equilíbrio estático (LAI et al., 1993)

24
A força ∆F pode ser decomposta em uma componente normal ∆F
n
e suas
componentes tangenciais ∆F
t
e ∆F
s
ao plano de corte (
s s t t n n
e F e F e F F ∆ + ∆ + ∆ = ∆ ).
Define-se então as seguintes componentes de tensão:


dA
dF
A
F
n
n
A
nn
=


=
→ ∆ 0
lim σ
dA
dF
A
F
t
t
A
nt
=


=
→ ∆ 0
lim σ
dA
dF
A
F
s
s
A
ns
=


=
→ ∆ 0
lim σ
( 3.2.38 )

Generalizando para um contorno qualquer, tem-se as relações entre tração a
componentes de tensão como as chamadas equações de Cauchy:

n t σ =
j ij i
n t σ =
( 3.2.39 )

3.2.3.2. Tensor Tensão Piola-Kirchhoff

Uma dificuldade em problemas de engenharia é que as equações de equilíbrio
devem atender a configuração do corpo deformado. No entanto, a forma do corpo
após a deformação é desconhecida. Uma maneira de resolver este problema é obter
medidas de tensão do corpo definidos sobre a configuração indeformada.
Seja dA
0
a área diferencial de um material com um vetor normal n
0
no tempo
inicial e a área dA do mesmo material que no tempo final possui um vetor normal n. A
área dA
0
é chamada de área indeformada e a área é chamada de área deformada dA.
Seja df a força que atua na área dAn conforme a Figura 3.8.

25

Figura 3.8. Trações sobre as configurações inicial e deformada
(BONNET e WOOD, 1997)

É possível definir dois outros vetores de tensão e tensores baseados na área
indeformada.

O primeiro tensor de Piola-Kirchhoff

O primeiro tensor de Piola-Kirchhoff (também chamado de tensor tensão
Lagrangiano) é uma transformação linear T
0
de acordo com a equação ( 3.2.40 ):


0 0 0
n T t =
( 3.2.40 )

Pode-se obter a relação entre o primeiro tensor tensão Piola-Kirchhoff e o
tensor tensão de Cauchy. Seja:


0 0
dA t tdA df = = ( 3.2.41 )

Então:


t
dA
dA
t
0
0
= ( 3.2.42 )

Combinando a equação ( 3.2.42 ) com as equações ( 3.2.39 ) e ( 3.2.40 ), tem-
se:

26

t
dA
dAn
n
dA
dA
n T
0 0
0 0
σ
σ = |
¹
|

\
|
= ( 3.2.43 )

A equação ( 3.2.11 ) pode ser reescrita com a notação da Figura 3.8 na equação
( 3.2.44 ).


0
dA F F dA
T −
= ( 3.2.44 )

Sendo assim, tem-se:


( )( )
0 1 0
det n F F dA dAn
T

=
( 3.2.45 )

Combinando as equações ( 3.2.45 ) com ( 3.2.43 ):


( )( )
0 1 0 0
det n F F n T
T

= σ
( 3.2.46 )

Tem-se então, na equação ( 3.2.47 ), o primeiro tensor tensão Piola-Kirchhoff


( ) ( )
T
F F T
1 0
det

= σ
( 3.2.47 )

O primeiro tensor tensão Piola-Kirchhoff nos fornece a força instantânea df na
área atual dA, mas calculada por unidade de área de referencia dA
0
e expressa em
termos de sua normal n
0
. A relação entre T
0
e σ é obtida na equação .


T
F T
F

=
0
det
1
σ ( 3.2.48 )

O segundo tensor de Piola-Kirchhoff

O primeiro tensor de Piola-Kirchhoff não é simétrico, isto leva a relações
constitutivas muito complexas. Por isto se faz necessário a definição de um tensor
simétrico. Uma das formas de obter o tensor simétrico é definir uma força e um tensor
que sejam transformados da mesma forma que na equação ( 3.2.6 ):

27

df F df
1 0 −
=
0 1
T F T

=
( 3.2.49 )

Usando a definição ( 3.2.47 ), tem-se o segundo tensor de Piola-Kirchhoff mostrado na
equação ( 3.2.52 ).


( ) ( )
T
F F F T
1 1
det
− −
= σ
( 3.2.50 )

Comparando com o primeiro tensor de Piola-Kirchhoff, percebe-se que, ao
invés de relacionar df com a área dA, a equação ( 3.2.50 ) fornece a força df
0
em dA
0
,
relacionada com df, deste modo tem-se de uma medida Lagrangiana.
Apesar de ser simétrico sempre que σ também for, o tensor T leva a equações
de equilíbrio mais complexas que o primeiro tensor de Piola-Kirchhoff.
Sendo ρ e ρ
0
as densidades das configurações deformada e indeformada
respectivamente, é possível relacionar σ, T e T
0
a partir do princípio da conservação
da massa e da equação ( 3.2.12 ):


σ
ρ
ρ
1
0
0 −
= F T
( )
T
F T T
1 0 −
=
T
TF T =
0

T
FTF
0
ρ
ρ
σ =


3.2.4. Relações constitutivas para material isotrópico elástico

Relações constitutivas são as equações que relacionam tensão com
deformação para que, obtendo a tensão, se possa calcular a deformação e vice-versa.
Nesta seção apresenta-se relações constitutivas para materiais isotrópicos elásticos,
lineares ou não-lineares. Segundo ATKIN e FOX (1980), o material elástico segue
duas regras:
• É um material em que a relação tensão x deformação é perfeitamente
reversível (seja esta relação linear ou não).
28
• O estado de tensões em um ponto do corpo depende apenas de uma
medida da deformação naquele ponto e não do histórico de
deformação.
Os materiais se dividem em isotrópicos, monotrópicos ou ortotrópicos
(VALENTE, 2004):
• Isotrópico - Material com as mesmas características em todas as
direções ou, material com características simétricas em relação a um
plano de orientação arbitrária.
• Monotrópico - Material com características simétricas relativamente a
planos paralelos e a planos perpendiculares a um eixo, que constitui a
direção de monotropia do material.
• Ortotrópico - Material com características simétricas relativamente a três
planos ortogonais.
Neste trabalho foram abordados apenas materiais isotrópicos.

3.2.4.1. Material linear

Segundo LAI et al., (1993), um material linear elástico ideal tem as seguintes
características:
• A relação entre a carga aplicada e a deformação é linear.
• Ao se remover a carga, as deformações desaparecem completamente.
• As deformações são muito pequenas.
Para descrever o comportamento de um material linear elástico sob um estado
de tensões tridimensional é preciso conhecer duas propriedades: o módulo de
elasticidade (E) e o coeficiente de Poisson (ν). A relação constitutiva para um material
linear elástico é a lei de Hooke, que está representada na equação ( 3.2.51 ):


|
¹
|

\
|

+
+
=
ij kk ij ij
E
δ ε
ν
ν
ε
ν
σ
2 1 1
( 3.2.51 )

Onde σ é o tensor tensão de Cauchy e ε é o tensor deformação infinitesimal. O
módulo de compressibilidade é representado pela equação ( 3.2.52 ).



( ) ν 2 1 3 −
=
E
K
( 3.2.52 )
29

3.2.4.2. Material não-linear

A relação constitutiva apresentada na seção anterior na equação ( 3.2.51 ) só
pode ser utilizada para modelar pequenas deformações e mesmo se as deformações
forem pequenas, essa equação só pode modelar comportamentos lineares. Sabe-se
que estas limitações restringem os polímeros quase que em sua totalidade. O
comportamento dos polímeros apresenta grandes deformações no regime elástico,
além de suas relações tensão x deformação serem bastante complexas. Existem três
tipos de lei constitutiva não-linear (LAI et al., 1993) e (BONNET e WOOD, 1997):
• Hipoelasticidade – Dedicada a modelar o comportamento tensão x
deformação não-linear restrito a deformações elásticas pequenas. É
indicada para as teorias aproximadas de plasticidade.
• Materiais Hookeanos – É usada em materiais com características
próximas a materiais lineares elásticos, estendendo para deformações
finitas.
• Hiperelasticidade – Quando o trabalho feito pela tensão durante o
processo de deformação é dependente apenas do estado inicial e da
configuração final, o material é denominado hiperelástico Seu
comportamento inclui tanto cinemática não-linear quanto tensão x
deformação não linear.
Como foi demonstrado no início desta seção, para um material elástico, o
estado de tensões em um ponto do corpo depende apenas de uma medida da
deformação naquele ponto. Esta medida da deformação pode ser obtida através da
chamada elasticidade de Cauchy. Na equação ( 3.2.53 ) tem-se a equação constitutiva
geral para a elasticidade de Cauchy.

) (B f = σ ( 3.2.53 )

O caso tridimensional isotrópico mais geral, segundo LAI et al. (1993) é
representado pela equação ( 3.2.54 ):


2
2 1 0
B a B a I a + + = σ
( 3.2.54 )

30
Onde
i
a são funções escalares dos invariantes escalares do tensor B.
Aplicando o teorema de Cayley-Hamilton (APÊNDICE B) para B, tem-se:


0
3 2
2
1
3
= − + − I I B I B I B
( 3.2.55 )

Multiplicando a equação ( 3.2.55 ) por
1 −
B e substituindo em ( 3.2.54 ), tem-se
a equação ( 3.2.56 ) que é a forma mais geral de relação constitutiva para um material
isotrópico elástico sob grandes deformações.


1
2 1 0

+ + = B b B b I b σ
( 3.2.56 )

Onde b
0
, b
1
e b
2
são funções escalares dos invariantes escalares de B.
Considerando sua incompressibilidade, as equações constitutivas ficam
bastante simplificadas, porém quando o material é considerado incompressível, a
solução do problema não pode ser obtida apenas em função dos deslocamentos. Nos
casos onde se tem materiais quase incompressíveis (coeficiente de Poisson bem
próximo a 0,5), é possível notar um comportamento muito particular onde qualquer
pequena alteração no deslocamento produz grandes alterações na tensão, de modo
que uma solução baseada simplesmente no deslocamento é muito sensível para ser
usada numericamente. Segundo HIBBITT et al. (2002), é preciso inserir uma tensão
hidrostática indeterminada p , sem alterar os deslocamentos. Tem-se assim, a
equação ( 3.2.57 ):


1
2 1

− + − = B b B b pI σ
( 3.2.57 )

Segundo LAI et al. (1993), as funções
i
b podem ser derivadas de uma função
W dos invariantes
1
I e
2
I do tensor B tal que:


1
1
2
I
W
b


=
( 3.2.58 )


2
2
2
I
W
b


− =
( 3.2.59 )

31
Onde W é uma função densidade de energia de deformação. Substituindo as
equações ( 3.2.58 ) e ( 3.2.59 ) na equação ( 3.2.57 ), tem-se a seguinte relação
constitutiva:


1
2 1
2 2






+ − = B
I
W
B
I
W
pI σ
( 3.2.60 )

3.2.4.3. Soluções analíticas para sólidos incompressíveis

Para determinar a função densidade de energia é preciso realizar ensaios
experimentais. Estes ensaios correspondem a uma classe de problemas que possuem
solução analítica por tratar-se de problemas submetidos a deformações homogêneas
puras obedecendo a equação ( 3.2.15 ). Nesta seção apresenta-se a solução analítica
para o casos de tração de uma lâmina incompressível.
O tensor B pode ser obtido com a equação ( 3.2.33 ) e as equações ( 3.2.21 )
nos fornecem os invariantes de deformação (VAZ e LEMOS, 2001):

Primeiro invariante de deformação:
1
I


2
3
2
2
2
1 1
λ λ λ + + = I ( 3.2.61 )

Segundo invariante de deformação:
2
I


2
1
2
3
2
3
2
2
2
2
2
1 2
λ λ λ λ λ λ + + = I ( 3.2.62 )

Terceiro invariante de deformação:
3
I


2
3
2
2
2
1 3
λ λ λ = I ( 3.2.63 )

Devido à condição de incompressibilidade, pode-se eliminar o alongamento
3
λ
das equações:

32

1
3 2 1
= λ λ λ ( 3.2.64 )


2 1
3
1
λ λ
λ =
( 3.2.65 )

Para que as condições de equilíbrio sejam satisfeitas, a tensão hidrostática
indeterminada p deve ser constante, como na equação ( 3.2.66 ):


0
tan p te cons p = = ( 3.2.66 )

Substituindo as equações ( 3.2.33 ), ( 3.2.64 ), ( 3.2.65 ) e ( 3.2.66 ) na
equação ( 3.2.60 ), tem-se o seguinte campo de tensões:


2
2
1
1
2
1 0 11
2
2
I
W
I
W
p





+ − =
λ
λ σ
( 3.2.67 )


2
2
2
1
2
2 0 22
2
2
I
W
I
W
p





+ − =
λ
λ σ
( 3.2.68 )


2
2
2
2
1
1
2
2
2
1
0 33
2
2
I
W
I
W
p





+ − = λ λ
λ λ
σ
( 3.2.69 )

A partir das equações ( 3.2.67 ), ( 3.2.68 ) e ( 3.2.69 ), pode-se obter soluções
analíticas para vários casos de geometria e carregamento.

3.2.4.3.1. Tração de uma lâmina fina incompressível

Considerando o caso de tração uniaxial, representado pela Figura 3.9, pode-se
adotar as seguintes premissas descritas nas equações abaixo:


0
33 22
= = σ σ ( 3.2.70 )


λ λ =
1
( 3.2.71 )

33

λ
λ λ
1
3 2
= =
( 3.2.72 )


Figura 3.9. Extensão uniaxial (MARCZAK, 2006)

Segundo LAI et al. (1993), a equação ( 3.2.72 ) descreve a condição isocórica (não há
alteração volumétrica). Neste caso, o tensor de deformação de Cauchy-Green à
esquerda torna-se:


(
(
(
¸
(

¸

= =
2
2
2
2
2
1
0 0
0 0
0 0
λ
λ
λ
B C ( 3.2.73 )

Substituindo as equações ( 3.2.71 ) e ( 3.2.72 ) nas equações ( 3.2.61 ) e
( 3.2.62 ), tem-se as definições dos invariantes de deformação para o caso de
extensão uniaxial:


λ
λ
2
2
1
+ = I ( 3.2.74 )


2
2
1
2
λ
λ + = I ( 3.2.75 )


34
A pressão hidrostática é obtida substituindo as equações( 3.2.70 ) a ( 3.2.72 )
em ( 3.2.69 ), tem-se:


2 1
0
2
1
2
I
W
I
W
p





= λ
λ

( 3.2.76 )

A equação ( 3.2.77 ), que representa a equação da tensão uniaxial, pode ser
obtida combinando as equações, ( 3.2.71 ), ( 3.2.76 ) com ( 3.2.67 ):


|
|
¹
|

\
|


+


|
¹
|

\
|
− = =
2 1
2
11
1 1
2
I
W
I
W
λ λ
λ σ σ ( 3.2.77 )

3.2.5. Modelos hiperelásticos

Os modelos constitutivos para materiais hiperelásticos descrevem o
comportamento do material através da energia de deformação. A função densidade de
energia de deformação pode ser descrita como:


( )
3 2 1
, , I I I W W = ou ( )
3 2 1
, , λ λ λ W W = ( 3.2.78 )

Onde,
3 2 1
, , λ λ λ são os três principais alongamentos e
3 2 1
, , I I I são os
invariantes de deformação. Os diversos modelos hiperelásticos existentes se dividem
em duas categorias (BERTONI, 2009) e (VAZ e LEMOS, 2001):
• Modelos micromecânicos: são modelos que foram desenvolvidos a partir de
informações sobre as ligações químicas do material.
• Modelos fenomenológicos: são modelos que foram baseados em observações do
comportamento do material durante testes.
Tem-se a seguir alguns exemplos de modelos micromecânicos e modelos
fenomenológicos.





35
Modelos Fenomenológicos

• Mooney-Rivlin (1951)
• Gent-Thomas (1958)
• Blatz-Ko (1962)
• Hart-Smith Aprimorado (1966)
• Hart-Smith (1966)
• Fung (1967)
• Veronda-Westmanns (1970)
• Ogden (1972)
• Peng-Landel (1972)
• Hyperfoam (1972)
• Knowles (1977)
• Kilian (1981)
• Van der Waals (1981)
• Humphrey- Yin (1981)
• Takamizawa-Hayashi (1987)
• Yeoh (1990)
• Yeoh-Modificado (1993)
• Yamashita-Kawabata (1993)
• Davis-De-Thomas (1994)
• Gregory (1997)
• Yeoh-Fleming (1997)
• Martins (1998)
• Amin (2002)
• Hartmann-Neff (2003)
• Bechir (2005)
• Polinomial (-)
Modelos Micromecânicos

• Neo-Hookeano (1943)
• Edwards-Vilgis (1987)
• Arruda-Boyce (1993)
• Gent (1996)
• Gent-03 Parâmetros (1999)
• Pucci-Saccomandi (2004)
• Horgan-Saccomandi (2002)


Neste trabalho, fez-se a análise do material hiperelástico em 5 modelos que
estão descritos a partir da próxima seção. Os modelos hiperelásticos apresentados a
seguir estão particularizados para o caso incompressível e fornecem como resposta os
coeficientes para o cálculo da função de energia de deformação.



36
3.2.5.1. Modelo de Mooney-Rivlin

É o modelo mais conhecido entre os modelos hiperelásticos. Também
chamado de modelo polinomial, é baseado no primeiro e segundo invariante de
deformação:

2 termos (polinomial de ordem 1)


) 3 ( ) 3 (
2 01 1 10
− + − = I C I C W ( 3.2.79 )

3 termos (polinomial de ordem 2 considerando 0
20
= C e 0
02
= C )


) 3 )( 3 ( ) 3 ( ) 3 (
2 1 11 2 01 1 10
− − + − + − = I I C I C I C W ( 3.2.80 )
Onde C
10
, C
01
e C
11
são os coeficientes do material.

3.2.5.2. Modelo Neo Hooke

É um caso particular do modelo de Mooney-Rivlin de dois termos,
considerando 0
01
= C . A função energia de deformação fica então baseada no 1º
invariante:


) 3 (
1 10
− = I C W ( 3.2.81 )

3.2.5.3. Modelo de Ogden

É baseado diretamente nos alongamentos ao invés dos invariantes de
deformação:


( )

=
− + + =
N
n n
n
n n n
W
1
3 2 1
3
α α α
λ λ λ
α
µ

( 3.2.82 )

37
Onde
n
µ e
n
α são constantes, podendo ser positivas ou negativas, inteiras ou
não. Neste modelo, deve-se respeitar a seguinte restrição:



=
=
N
i
i i
1
2
1
α µ µ ( 3.2.83 )

O modelo de Ogden com 4 parâmetros, por exemplo, está descrito na equação
( 3.2.84 ):


( ) ( ) 3 3
2 2 2 1 1 1
3 2 1
2
2
3 2 1
1
1
− + + + − + + =
α α α α α α
λ λ λ
α
µ
λ λ λ
α
µ
W
( 3.2.84 )

A partir deste modelo, pode-se obter outros modelos por simplificação, como o
Neo-Hooke onde 1 = N , µ µ =
1
, 2
1
= α e o modelo de Mooney-Rivlin de 2 termos,
onde 2 = N ,
10 1
2C = µ ,
01 2
2C − = µ e 2
2 1
= − = α α .

3.2.5.4. Modelo de Yeoh

Este modelo é baseado no primeiro invariante de deformação. Normalmente a
sua versão mais usual é a de três termos



=
− =
N
i
i
i
I C W
1
1 0
) 3 ( ( 3.2.85 )

2 termos (polinomial reduzido de ordem 2)


2
1 20 1 10
) 3 ( ) 3 ( − + − = I C I C W ( 3.2.86 )

3 termos


3
1 30
2
1 20 1 10
) 3 ( ) 3 ( ) 3 ( − + − + − = I C I C I C W ( 3.2.87 )

38
Onde um dos três coeficientes da equação da energia específica de
deformação tem que ser negativo.

3.2.5.5. Modelo Polinomial

É um dos modelos mais recentes que tenta ajustar um polinômio de grau
desejado ao diagrama σ xε do material:

j
N
j i
i
ij
I I C W ) 3 ( ) 3 (
2
1
1
− + − =

= +
( 3.2.88 )

O modelo polinomial de ordem 2, por exemplo, está descrito na equação
(3.2.89):

) 3 )( 3 ( ) 3 ( ) 3 ( ) 3 ( ) 3 (
2 1 11
2
2 02 2 01
2
1 20 1 10
− − + − + − + − + − = I I C I C I C I C I C W (3.2.89)

3.3. OBTENÇÃO DA CURVA TENSÃO X DEFORMAÇÃO

Para obtenção da curva tensão x deformação, realizou-se ensaios de tração e
compressão com o objetivo de caracterizar o material hiperelástico a ser usado na
modelagem numérica. Para a realização destes ensaios utilizou-se pequenas
amostras de enrijecedores como corpos de prova. Estas amostras foram usinadas
para a obtenção de cilindros utilizados nos ensaios de compressão e tiras planas, que
foram posteriormente cunhadas na forma de gravatinha para serem utilizadas nos
ensaios de tração. Os ensaios de tração e compressão foram realizados em uma
máquina Instron, modelo 5582. Realizaram-se os ensaios de tração até a ruptura do
material, e nos ensaios de compressão ensaiou-se os corpos de prova até o
surgimento de uma visível deformação em seu eixo radial (flambagem). Os ensaios
foram realizados de acordo com as normas ASTM D412 para tração e ASTM D695
para compressão.
Segundo a norma ASTM D695, testes de compressão não devem ser
considerados significativos para projetos de engenharia quando expressivas
diferenças são observadas entre as condições de ensaio normalizadas e as reais de
aplicação. Para projetos de engenharia serão necessários testes adicionais, como
39
testes de impacto, de fluência e de fadiga. Tendo em vista a impossibilidade do uso de
extensômetro neste ensaio, a caracterização de materiais poliméricos sob compressão
é difícil. É muito comum corpos de prova apenas se deformarem sem a ocorrência de
fratura, sendo assim, fica difícil precisar o momento da falha, portanto decidiu-se
desconsiderar os ensaios de compressão.
O ensaio de tração foi realizado com uma velocidade de travessão de
500mm/min, conforme mencionado pela norma ASTM D412. A deformação nos
estágios iniciais de ensaio foram medidas utilizando um extensômetro apropriado para
elastômeros, modelo OP-1439. Como os ensaios foram levados até a ruptura, o
extensômetro foi removido durante o ensaio. Enquanto a força ainda era muito
pequena, até que a garra fixasse o corpo de prova de maneira definitiva, observou-se
um escorregamento do corpo de prova na garra, o que ocasionou dados iniciais de
tensão e deformação diferentes de zero. Para que os gráficos tensão x deformação
obtidos partissem do eixo 0, os mesmos foram corrigidos.

3.3.1. Preparação dos dados do ensaio de tração uniaxial

Segundo MILLER (1995), as definições para tensão e deformação de
engenharia são:


0
A
F
t = ( 3.3.1 )


0
L
u
e = ( 3.3.2 )

Onde u é o deslocamento e F é a força durante o ensaio de tração uniaxial; e
L
0
é o comprimento inicial e A
0
a área inicial da seção transversal do corpo de prova. A
deformação de engenharia (nominal) é obtida através do ensaio e é dada pela
equação ( 3.3.3 ). A deformação real pode ser obtida pela equação ( 3.3.4 )
empregando a deformação logarítmica, este valor é uma medida instantânea de
deformação. A relação entre a deformação nominal e a deformação real é apresentada
na equação ( 3.3.5 ):


0
0
L
L L
e

= ( 3.3.3 )
40


0
ln
0 0
L
L
L
dL
d
L
u
L
L
L
L
= = = =
∫ ∫
ε ε ( 3.3.4 )


( ) e + = 1 ln ε ( 3.3.5 )

Como a equação ( 3.2.60 ) utiliza o tensor B que é descrito em função dos
alongamentos
i
λ , deve-se trabalhar com os alongamentos ao invés dos
deslocamentos. A equação ( 3.3.6 ) mostra a transformação dos deslocamentos em
alongamentos:


e
L
L u
L
L
+ =
+
= = 1
0
0
0
λ ( 3.3.6 )

Substituindo ( 3.3.6 ) em ( 3.3.5 ), tem-se a equação ( 3.3.7 ):


( ) λ ε ln = ( 3.3.7 )

Como se observa na equação ( 3.3.8 ), o volume do corpo de prova é
constante, pode-se assim ter uma representação para a tensão real a partir da área
deformada como descrito na equação ( 3.3.9 ) que é a chamada tensão de Cauchy.


0 0
L A AL =
( 3.3.8 )


0 0
0
0
L
L
A
F
A
A
A
F
A
F
= = = σ ( 3.3.9 )

Substituindo ( 3.3.6 ) em ( 3.3.9 ), tem-se na equação ( 3.3.10 ) a tensão
verdadeira em função do alongamento e da tensão de engenharia (nominal):

λ σ t e t = + = ) 1 ( ( 3.3.10 )

Combinando as equações ( 3.3.10 ) e ( 3.2.77 ), tem-se a equação ( 3.3.11 )
que é uma equação com um valor de t para tração uniaxial em função de λ .

41


|
|
¹
|

\
|


+


|
¹
|

\
|
− =
2 1
2
1 1
2
I
W
I
W
t
λ λ
λ ( 3.3.11 )

Na Figura 3.10 tem-se um exemplo de um típico material hiperelástico, onde é
possível comparar os gráficos tensão x deformação verdadeiros (σ x ε) e tensão x
deformação nominais (t x e).

0
20
40
60
80
100
0 1 2 3 4
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
σ x ε
t x e

Figura 3.10. Exemplo de comparação entre tensão x deformação verdadeiros ( ) ε σx
e tensão x deformação nominais ( ) txe
3.3.2. Ajuste dos modelos hiperelásticos

Os modelos hiperelásticos para o cálculo da energia de deformação são
usados para se obter a curva tensão x deformação do modelo. Ao se substituir as
equações ( 3.2.80 ), ( 3.2.81 ), ( 3.2.84 ), ( 3.2.86 ), ( 3.2.87 ) e (3.2.89) na equação
( 3.3.11 ), tem-se os ajustes das equações tensão x deformação para cada modelo
hiperelástico apresentado.

Ajuste para o Modelo de Mooney-Rivlin:
42


|
¹
|

\
|
+ |
¹
|

\
|
− =
λ λ
λ
01
10
2
1
2
C
C t ( 3.3.12 )

Ajuste para o Modelo de Neo Hooke:


|
¹
|

\
|
− =
2
10
1
2
λ
λ C t ( 3.3.13 )

Ajuste para o Modelo de Ogden com 4 parâmetros:


|
|
¹
|

\
|
− +
|
|
¹
|

\
|
− =
− −

− −

1
2
1
2
1
2
1
1
2
2
1
1
2 2
α
α
α
α
λ λ µ λ λ µ t ( 3.3.14 )

Ajuste para o Modelo de Polinomial reduzido de ordem 2:


( ) ( ) 3 2
1
2
1 20 10
2
− + |
¹
|

\
|
− = I C C t
λ
λ ( 3.3.15 )

Ajuste para o Modelo de Yeoh:


( ) ( ) ( )
2
1 30 1 20 10
2
3 3 3 2
1
2 − + − + |
¹
|

\
|
− = I C I C C t
λ
λ ( 3.3.16 )


Ajuste para o Modelo Polinomial de ordem 2:

( ) ( ) ( )
( ) ( ) ( )
|
¹
|

\
| − + − +
+ − + − + |
¹
|

\
|
− =
λ λ
λ
3 2 3
3 2 3
1
2
2 02 1 11 01
1 20 2 11 10
2
I C I C C
I C I C C t

(3.3.17)

3.3.3. Concentração de tensões

Algumas vezes, a regularidade na distribuição de tensões ao longo de uma
determinada dimensão na seção de uma peça é interrompida por aumentos
inesperados na tensão, causados por condições extras ou alguma descontinuidade
43
que proporciona às tensões valores maiores que os obtidos pelas equações comuns
da Mecânica dos Materiais. Quando este aumento de tensão é muito grande, fazendo
com que em uma curta distância a intensidade da tensão aumente bastante, as
tensões são consideradas muito localizadas e a situação é descrita como
“Concentração de Tensões”.
Segundo MEDEIROS (1984), concentração de tensões é uma elevação
localizada de tensões que pode ocorrer numa peça estrutural em conseqüência de
uma causa extra que intencional ou casualmente a peça apresenta num dado local. As
causas de concentração de tensões podem ser as mais variadas possíveis, como:
• Grandes modificações na seção como, por exemplo em raízes de roscas de
parafusos, base de dente de engrenagem, no canto de um rasgo de
chaveta ou em uma viga contendo um furo;
• Pressão nos pontos de aplicação de forças externas, tais como, nos pontos
de contato de dente de engrenagem ou em blocos de sustentação junto às
extremidades de uma viga;
• Descontinuidades no próprio material como, por exemplo, bolhas de ar em
concreto ou inclusões não-metálicas no aço;
• Fendas existentes na peça ocasionadas no processo de fabricação como,
por exemplo, de soldagem, esmerilhamento ou de um trabalho de
conformação a frio;
• Tensões iniciais numa peça em conseqüência, por exemplo, do excesso de
esforço e trabalho a frio de metais ou de tensões residuais que resultam de
operações de soldagem.
Segundo TIMOSHENKO (1966), a maioria das rupturas de peças de máquinas
em serviço pode ser atribuída a pontos de concetração de tensões.
Visando criar um concentrador de tensões para simular uma trinca nos corpos
de prova utilizados nos ensaios de tração, usinaram-se alguns deles para a inserção
de entalhes de diferentes tamanhos de acordo com a Tabela 3.1. O detalhe do entalhe
assim como sua posição no corpo de prova, podem ser observados na Figura 3.11.

44

Figura 3.11. Corpo de prova
Tabela 3.1. Tamanho dos entalhes nos
corpos de prova
Corpo de Prova Tamanho do Entalhe
1
2
2 mm
3
4
1 mm
5
6
Sem entalhe


Após a usinagem, os corpos de prova foram analisados no microscópio para
medição dos entalhes. Como o material é bastante irregular, a distância entre o pico e
o vale nos corpos de prova é grande e a imagem do microscópio não consegue focar o
vale e o pico juntos quando aumentada em 500 vezes. A falta de foco nestas imagens
comprometeu a medição, fez-se então a medição dos entalhes em um projetor de
perfis. A seguir, apresenta-se nas Figuras 3.12 a 3.15 a visualização pelo microscópio
da superfície de alguns corpos de prova após a usinagem e a tabela com as medidas
dos entalhes nos corpos de prova.

45

Figura 3.12. Corpo de prova 1 com
aumento de 100 vezes

Figura 3.13. Corpo de prova 1 com
aumento de 500 vezes


Figura 3.14. Corpo de prova 3 com
aumento de 100 vezes

Figura 3.15. Corpo de prova 3 com
aumento de 500 vezes

Tabela 3.2. Medidas dos corpos de prova (dimensões em mm)
Entalhe
CP
Lado 1 Lado 2
Largura do CP Espessura do CP
1 2,05 2,13 9,96 3,18
2 2,15 2,06 10,03 3,07
3 1,10 1,07 10,09 3,16
4 1,13 1,09 10,02 3,01
5 - - 9,95 2,98
6 - - 10,04 3,10



46
3.3.4. Ensaio de Tração Uniaxial

O ensaio de tração foi realizado em 6 corpos de prova, sendo 2 deles inteiros e
os outros 4 corpos de prova contendo pequenos entalhes. Em todos os ensaios, os
corpos de prova foram ensaiados até a fratura que aparentemente ocorreu de forma
frágil.
Para os ensaios dos corpos de prova 1, 2, 3 e 4, o extensômetro foi retirado
pouco antes da ruptura e nos corpos de prova 5 e 6 (ambos sem entalhe), foi retirado
quando atingiu-se uma deformação nominal da ordem de 30%. A seguir apresentam-
se o resultado dos ensaios de tração com os gráficos tensão x deformação nominais
retirados do ensaio experimental e também a curva tensão x deformação verdadeira. A
tensão verdadeira foi calculada a partir da equação ( 3.3.10 ) e a deformação
verdadeira foi calculada a pela equação ( 3.3.7 ).

Tração Ensaio CP1
0
3
6
9
12
0 0,1 0,2 0,3 0,4
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
Tensão x Deformação (Verdadeiros)
Tensão x Deformação (Nominais)

Figura 3.16. Gráfico tensão x deformação
para o CP1
Tração Ensaio CP2
0
3
6
9
12
0 0,1 0,2 0,3 0,4
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
Tensão x Deformação (Verdadeiros)
Tensão x Deformação (Nominais)

Figura 3.17. Gráfico tensão x deformação
para o CP2

Tração Ensaio CP3
0
3
6
9
12
0 0,1 0,2 0,3 0,4
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
Tensão x Deformação (Verdadeiros)
Tensão x Deformação (Nominais)

Figura 3.18. Gráfico tensão x deformação
para o CP3
Tração Ensaio CP4
0
3
6
9
12
0 0,1 0,2 0,3 0,4
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
Tensão x Deformação (Verdadeiros)
Tensão x Deformação (Nominais)

Figura 3.19. Gráfico tensão x deformação
para o CP4

47
Tração Ensaio CP5
0
50
100
150
200
0 1 2 3 4 5
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
Tensão x Deformação (Verdadeiros)
Tensão x Deformação (Nominais)

Figura 3.20. Gráfico tensão x deformação
para o CP5
Tração Ensaio CP6
0
50
100
150
200
0 1 2 3 4 5
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
Tensão x Deformação (Verdadeiros)
Tensão x Deformação (Nominais)

Figura 3.21. Gráfico tensão x deformação
para o CP6

Na Tabela 3.3, pode-se ver os valores para as tensões e deformações
nominais e verdadeiras no momento da ruptura de cada um dos corpos de prova e na
Figura 3.22, tem-se uma comparação dos gráficos tensão x deformação verdadeiros
dos corpos de prova com entalhe. Fez-se a média da tensão verdadeira de ruptura dos
4 corpos de prova com entalhe, e o valor obtido foi 10,9 MPa, como mostrado no
gráfico. Neste trabalho, considera-se este valor como a tensão máxima admissível no
material com um concentrador de tensões.

Tabela 3.3. Tensões e deformações nominais e verdadeiras para cada corpo de prova
CP
Tensão nominal
(MPa)
Tensão verdadeira
(MPa)
Deformação
nominal (%)
Deformação
verdadeira (%)
1 5,2 11,2 25 22
2 4,9 9,9 18 16
3 6,3 10,9 37 31
4 6,4 11,5 38 32
5 30,3 160,2 434 168
6 31,3 171,4 449 170






48
Tensão x Deformação (verdadeiras)
10,9
10,9
0
3
6
9
12
0 0,1 0,2 0,3 0,4
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
CP1 (entalhe 2 mm)
CP2 (entalhe 2 mm)
CP3 (entalhe 1 mm)
CP4 (entalhe 1 mm)
Tensão Máxima Admissível

Figura 3.22. Gráfico tensão x deformação para os corpos de prova com entalhe

Como já foi mostrado anteriormente, tem-se, a partir dos ensaios os pontos
para os gráficos tensão x deformação nominais, porém, para a entrada de dados no
modelo com o material hiperelástico é necessário fazer o ajuste dessa curva. O ajuste
das curvas foi feito pelas equações ( 3.3.12 ) a (3.3.17) e pode ser visto a seguir:

0
2
4
6
8
10
0 0.1 0.2 0.3 0.4
Deformação
T
r
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Mooney-Rivlin
Modelo Neo-Hook
Modelo Ogden com 4 parâmetros

Figura 3.23. Ajuste da curva para o CP1
0
2
4
6
8
10
0 0.1 0.2 0.3 0.4
Deformação
T
r
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Yeoh
Modelo Polinomial Reduzido (N=2)
Modelo Polinomial (N=2)

Figura 3.24. Ajuste da curva para o CP1

49
0
2
4
6
8
10
0 0.1 0.2 0.3 0.4
Deformação
T
r
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Mooney-Rivlin
Modelo Neo-Hook
Modelo Ogden com 4 parâmetros

Figura 3.25 Ajuste da curva para o CP2
0
2
4
6
8
10
0 0.1 0.2 0.3 0.4
Deformação
T
r
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Yeoh
Modelo Polinomial Reduzido (N=2)
Modelo Polinomial (N=2)

Figura 3.26 Ajuste da curva para o CP2

0
2
4
6
8
10
0 0.1 0.2 0.3 0.4
Deformação
T
r
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Mooney-Rivlin
Modelo Neo-Hook
Modelo Ogden com 4 parâmetros

Figura 3.27. Ajuste da curva para o CP3
0
2
4
6
8
10
0 0.1 0.2 0.3 0.4
Deformação
T
r
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Yeoh
Modelo Polinomial Reduzido (N=2)
Modelo Polinomial (N=2)

Figura 3.28. Ajuste da curva para o CP3

0
2
4
6
8
10
0 0.1 0.2 0.3 0.4
Deformação
T
r
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Mooney-Rivlin
Modelo Neo-Hook
Modelo Ogden com 4 parâmetros

Figura 3.29. Ajuste da curva para o CP4
0
2
4
6
8
10
0 0.1 0.2 0.3 0.4
Deformação
T
r
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Yeoh
Modelo Polinomial Reduzido (N=2)
Modelo Polinomial (N=2)

Figura 3.30. Ajuste da curva para o CP4

50
0
10
20
30
40
0 1 2 3 4 5
Deformação
T
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Mooney-Rivlin
Modelo Neo-Hook
Modelo Ogden com 4 parâmetros

Figura 3.31. Ajuste da curva para o CP5
0
10
20
30
40
0 1 2 3 4 5
Deformação
T
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Yeoh
Polinomial Reduzido (N=2)
Modelo Polinomial (N=2)

Figura 3.32. Ajuste da curva para o CP5


0
10
20
30
40
0 1 2 3 4 5
Deformação
T
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Mooney-Rivlin
Modelo Neo-Hook
Modelo Ogden com 4 parâmetros

Figura 3.33. Ajuste da curva para o CP6
0
10
20
30
40
0 1 2 3 4 5
Deformação
T
e
n
s
ã
o
Modelo Experimental
Modelo Yeoh
Polinomial Reduzido (N=2)
Modelo Polinomial (N=2)

Figura 3.34. Ajuste da curva para o CP6

Ajustou-se cada curva acima representada de acordo com os coeficientes
mostrados dos modelos do item 3.3.2 deste capítulo. As constantes para os ajustes
das curvas dos modelos hiperelásticos obtidas nos ensaios podem ser vistas no
APÊNDICE C.

3.3.5. Avaliação do erro dos modelos hiperelásticos

Os modelos hiperelásticos são comparados a partir do estudo dos erros que
cada um deles apresenta. Para mensurar este erro, avaliou-se a qualidade do ajuste
empregado de duas maneiras, sendo a primeira delas através do erro normalizado dos
modelos e a segunda através do coeficiente de determinação (R
2
).
A normalização do erro é obtida com base nos resultados dos ensaios, de
acordo com a equação ( 3.3.18 ).

51

P
E
erro 100 = ( 3.3.18 )

Sendo E definido como o erro absoluto pela equação ( 3.3.19 ), e P, o valor absoluto
dado pelos pontos do modelo pela equação ( 3.3.20 ).



=
− =
N
i
i i
E P
N
E
1
1
( 3.3.19 )



=
=
N
i
i
P
N
E
1
1
( 3.3.20 )

E
i
é dado pelos pontos de tensão obtidos nos ensaios experimentais, P
i
pelos
pontos de tensão dos modelos hiperelásticos e N se refere ao total de pontos obtidos
nos ensaios.
A partir das equações de normalização do erro, verifica-se que quanto menor
for o erro normalizado, melhor será o modelo hiperelástico.
Para calcular o coeficiente de determinação R
2
, defini-se E como sendo a
média dos valores obtidos para a tensão nos ensaios experimentais, SSE a soma dos
quadrados da diferença entre os erros dos resultados de tensão dos modelos e os
resultados de tensão dos ensaios e SST a soma dos quadrados da diferença entre os
resultados de tensão dos ensaios e a média dos valores obtidos para a tensão nos
ensaios experimentais. As equações estão representadas respectivamente nas figuras
( 3.3.21 ), ( 3.3.22 ) e ( 3.3.23 ). O valor de R
2
é obtido a partir da equação ( 3.3.24 ).



=
=
N
i
i
E
N
E
1
1
( 3.3.21 )


( )

=
− =
N
i
i i
E P SSE
1
2
( 3.3.22 )


( )

=
− =
N
i
i
E E SSE
1
2
( 3.3.23 )

52

¦
)
¦
`
¹
¦
¹
¦
´
¦
≤ −
=
0
, 1
2
SST SSE se
SST
SSE
R ( 3.3.24 )

Quanto mais próximo o valor de R
2
estiver de 1, melhor será o modelo. A tabela
apresentada no APÊNDICE D mostra os valores do erro normalizado e do coeficiente
de determinação (R
2
) para cada modelo hiperelástico proposto em cada corpo de
prova analisado. Como é possível observar nesta tabela, o melhor ajuste da curva
tensão x deformação do material é o ajuste pelo modelo Polinomial de ordem 2.

53
4. ANÁLISE DE ENRIJECEDORES
4.1. INTRODUÇÃO

Um sistema submarino de escoamento pode ser definido como um conjunto de
equipamentos cuja função é escoar fluidos de um ponto de partida até um ponto de
chegada. O trecho do duto submarino que fica suspenso é chamado de riser e o
trecho em contato com o solo marinho é chamado de duto submarino (flowline). Um
sistema marítimo de escoamento pode ser composto de dutos flexíveis, dutos rígidos
ou ainda ser um sistema misto, composto por ambos (trechos de dutos rígidos e
trechos de dutos flexíveis).
Riser é o trecho do duto que conecta à UEP (Unidade Estacionária de
Produção ou Plataforma) a um equipamento à meia-água ou no fundo, inclusive um
flowline. Nas UEPs, as estruturas do tipo riser ficam suspensas, em configurações de
catenária (catenária-livre ou variações). Os risers rígidos são tubos de aço, de
aproximadamente 12 metros de comprimento, formados por uma série de juntas
acopladas umas às outras, geralmente unidos por solda de topo. Podem estar
envolvidos por flutuadores para diminuir o seu peso, quando em lâminas d’água
profundas. No caso dos risers rígidos, o problema principal é, em geral, a fadiga
causada pela vibração induzida devido aos movimentos da plataforma, à onda e
corrente, e conseqüente desprendimento de vórtices. A vantagem do riser rígido é seu
menor custo quando comparado com o riser flexível, a resistência a altas pressões e
também a possibilidade de utilização em configuração de catenária permitindo também
movimentos da embarcação.
Os risers flexíveis são mangotes especiais compostos por uma superposição
de camadas poliméricas, que fornecem estanqueidade interna e externa, e de
camadas metálicas espiraladas, responsáveis pela resistência à ação dos diversos
carregamentos mecânicos aos quais as linhas flexíveis estão submetidas ao longo da
sua vida útil. Sua principal característica é a baixa rigidez à flexão. A vantagem dos
flexíveis, em geral, é a maior deflexão máxima permitida, maior capacidade de
suportar esforços, maior vida útil, além de permitirem um maior offset da plataforma
em comparação a risers rígidos. A desvantagem dos risers flexíveis é que eles são
economicamente de maior custo, e a ação da alta pressão hidrostática com o aumento
da lâmina de água pode comprometer a sua utilização. A Figura 4.1 permite uma
compreensão melhor do sistema.

54


Figura 4.1. Linhas flexíveis (SOUZA, 2008)

Nas linhas rígidas são normalmente utilizadas Juntas Flexíveis (Flex Joints)
cuja função principal é o de prover rigidez flexional à extremidade da linha onde está
conectada, permitindo um certo grau de liberdade de rotação. Reduz drasticamente as
tensões induzidas por movimentos relativos entre a unidade flutuante e o riser. Nas
linhas flexíveis, na conexão com o topo da plataforma, são comumente empregados
os bend stiffeners, ou enrijecedores de curvatura para proteger contra flexão
excessiva.
O bend stiffener consiste em uma seção cônica de material polimérico
(normalmente poliuretano) e é montado na ponta dos risers para permitir a transição
suave de rigidez entre o riser flexível e o ponto de conexão. É um acessório cuja falha
pode causar a ruptura da linha flexível, provocando a interrupção da produção que só
pode ser retomada após a sua substituição. Segundo SOUZA (2008), o custo total dos
prejuízos ocasionados com uma parada para substituição de um enrijecedor por
motivo de falha pode ter grandeza de milhões de dólares, além de atrasos nos
cronogramas, descumprimento de metas de produção e eventuais acidentes
ambientais. A Figura 4.2 ilustra enrijecedores conectados a uma linha flexível.

55

Figura 4.2. Enrijecedor conectado a linha flexível (http://www.fesltd.co.uk)

4.2. PROJETO DE ENRIJECEDORES

Os enrijecedores são normalmente projetados através de programas
computacionais utilizando modelos de viga. A norma API SPEC 17J, especificação
para dutos flexíveis, que é suportada pela norma API SPEC 17B/ISO 13628-11, traz
em seu apêndice B os requisitos mínimos para projeto, seleção de materiais,
fabricação e teste de enrijecedores. Segundo a norma API SPEC 17J, as cargas de
projeto do enrijecedor devem ser determinadas em termos de tensões efetivas e
variações angulares a partir da posição média. A combinação de tensões e ângulos
analisados deve ser suficiente para garantir todos os possíveis casos de carregamento
e o enrijecedor deve ser capaz de transferir o carregamento para a estrutura suportada
com segurança. A metodologia de projeto deve ser documentada e verificada através
de testes ou análise em elementos finitos e deve levar em conta também propriedades
56
não-lineares de materiais. Um projeto de enrijecedor abrange normalmente as
seguintes etapas:
• Primeiro faz-se uma análise na linha flexível desconsiderando o enrijecedor
e submetendo o duto a cargas ambientais e operacionais extremas. Desta
primeira análise são coletados os dados no ponto de conexão;
• Os dados coletados na primeira análise são utilizados para dimensionar o
enrijecedor por meio de programas computacionais que utilizam modelos
de viga;
• Faz-se, outra vez, uma análise na linha flexível, porém desta vez considera-
se o dimensionamento do enrijecedor. Dependendo do resultado, o
enrijecedor é redimensionado e o processo retorna a interagir até a
obtenção de um dimensionamento ótimo.

4.3. MODELAGEM

Muitos trabalhos de engenharia podem ser descritos em termos de equações
diferenciais. O Método dos Elementos finitos é uma ferramenta poderosa usada na
resolução de equações diferenciais para modelagem de estruturas complexas, com
aplicações, particularmente, na Mecânica do Contínuo. Nesta, é usual a presença de
não linearidades devidas tanto ao material quanto à geometria. O emprego do
Método de Elementos finitos (FEM) tem possibilitado ao engenheiro aperfeiçoar
tanto o projeto como o processo associado à fabricação.
A idéia básica do FEM é dividir o corpo em elementos conectados por nós e
obter uma solução aproximada. Em muitos casos, para obter uma solução
razoavelmente precisa, geralmente são necessários milhares de nós, portanto,
computadores modernos são essenciais para resolver estas equações. Geralmente, a
precisão da solução melhora à medida que o número de elementos (e nós) aumenta,
mas o tempo de análise e o custo também aumentam. Neste estudo, as simulações do
enrijecedor foram realizadas com o programa comercial de elementos finitos ABAQUS,
versão 6.5.
A biblioteca do ABAQUS dispõe de uma grande variedade de elementos finitos
(elementos de placa, elementos sólidos, elementos de viga e elementos de
membrana, entre outros), caracterizados por diferentes números e tipos de graus de
liberdade e selecionados pelo usuário conforme a natureza de sua aplicação.

57
4.3.1. Elemento

O comportamento dos elementos é caracterizado pelos seguintes aspectos
(HIBBITT et al., 2002):
• Família;
• Graus de liberdade;
• Números de nós;
• Formulação;
• Integração.

Família

Uma das principais diferenças entre as famílias dos elementos é a geometria
de cada família, como exemplo de famílias de elementos tem-se: elementos sólidos,
elementos de casca e elementos de viga. A Figura 4.3 indica as famílias de elementos
mais comuns usadas no Abaqus.


Figura 4.3. Famílias de elementos (HIBBITT et al., 2002)

Graus de liberdade

Os graus de liberdade representam as variáveis para cálculo durante a análise.
Para este trabalho, os graus de liberdade apontam a movimentação de cada nó, isto é,
o deslocamento e a rotação em cada um dos três eixos para cada nó.

58
Número de nós

Os graus de liberdade são calculados para cada nó do elemento. Para
qualquer outro ponto fora dos nós, seus graus de liberdade são obtidos através da
interpolação dos nós. O tipo de interpolação é determinado pelo número de nós de
cada elemento. Elementos que tem nós apenas nos vértices usam a interpolação
linear em cada direção e são chamados de elementos lineares ou elementos de
primeira ordem. Elementos com nós no meio das arestas entre cada vértice usam a
interpolação quadrática e são chamados de elementos quadráticos ou elementos de
segunda ordem. Elementos tetraédricos com nós no meio das arestas entre cada
vértice usam uma interpolação de segunda ordem modificada e são chamados de
elementos de segunda ordem modificados.
A Figura 4.4 representa os tipos de elementos de acordo com o número de
nós.


Figura 4.4. Tipos de elementos de acordo com o número de nós (HIBBITT et al., 2002)

Formulação

A formulação do elemento se refere à teoria matemática usada para definir o
comportamento do elemento. A descrição do comportamento dos elementos pode ser
baseada nas teorias de Lagrange e Euler entre outras. Na formulação Euleriana, as
coordenadas associadas ao corpo deformado, chamadas de coordenadas espaciais,
são utilizadas como as coordenadas de referência. Já na formulação Lagrangiana, as
coordenadas associadas ao corpo antes de sua deformação, chamadas de
coordenadas materiais são empregadas como as coordenadas de referência. A
formulação Lagrangiana é a mais adequada para análises não lineares onde é
importante conhecer o histórico de deformação em cada ponto do corpo durante o
59
processo de carregamento. A formulação Euleriana é mais adequada para a análise
de problemas de mecânica dos fluidos, onde é necessário conhecer o movimento do
material ao longo de um volume de controle.
Um caso especial envolve materiais quase incompressíveis a grandes
deformações. Como mencionado no item 3.2.4.2, para este caso é preciso inserir uma
tensão hidrostática na relação constitutiva, pois qualquer pequena alteração no
deslocamento produz grandes alterações na tensão, e o uso numérico de uma solução
baseada simplesmente no deslocamento não é recomendado devido a sua
sensibilidade. Segundo HIBBITT et al. (2002), este comportamento singular é
removido do sistema tratando-se a tensão como uma variável de solução básica
interpolada independentemente, acoplada à solução de deslocamento através da
teoria constitutiva e da condição de compatibilidade, com este acoplamento
implementado por um multiplicador de Lagrange. Esta interpolação independente da
tensão é a base dos elementos híbridos. Mais precisamente, os elementos híbridos
são elementos de “formulação mista”, usando uma mistura de variáveis de tensão e
deslocamento com um princípio variacional acrescido para aproximar as equações de
equilíbrio e as condições de compatibilidade. A relação constitutiva para materiais
quase incompressíveis a grandes deformações foi apresentada na equação ( 3.2.60 )
(HIBBITT et al., 2002).

Integração

O software Abaqus usa técnicas numéricas para integrar cada elemento. Na
maioria dos casos é usada a técnica Gaussiana quadrática. Alguns elementos sólidos
usam integração completa ou reduzida.

Nome dos elementos

As primeiras letras no nome dos elementos indicam a família a qual o elemento
pertence, por exemplo, S4R é um elemento de casca e C3D8I é um elemento sólido.
O número de nós também é identificado no nome do elemento, C3D8 possui 8 nós e
S4R possui 4 nós. Os elementos de viga, elementos de casca axissimétricos e
membranas usam uma convenção diferente, no lugar do número de nós, a ordem da
interpolação é identificada no nome. Um elemento de viga tridimensional de primeira
ordem, por exemplo é chamado de B31 enquanto um de segunda ordem é chamado
de B32. O elemento hibrido é identificado com a letra H no nome (C3D8H ou B31H) e
60
a integração reduzida é identificada com a letra R no fim do nome de cada elemento
(CAX4R).

4.3.2. Características do Enrijecedor

Sabe-se que os enrijecedores sujeitos à flexão apresentam uma relação não-
linear entre tensão e deformação, por isto, tentando minimizar os erros e obter maior
precisão, utilizou-se para análise do enrijecedor o resultado dos testes com material
não linear apresentados no capítulo 3. Portanto, na abordagem proposta para este
trabalho, admite-se que o corpo do enrijecedor sujeito à flexão é homogêneo,
composto de material hiperelástico e está sujeito a grandes deformações.
Os enrijecedores são instalados abaixo da conexão com a plataforma e
precisam de algum tipo de conector para fixá-lo de forma que sua superfície esteja
engastada. Estes conectores aumentam a rigidez na região do engaste, por isto, neste
trabalho, os resultados da região engastada do enrijecedor não foram considerados.
KIEPPER (2004) mostra o aumento da rigidez na região cilíndrica do enrijecedor
através da modelagem em elementos finitos do capacete e da luva instalados no
enrijecedor. Um exemplo de conector pode ser visto na Figura 4.5.


Figura 4.5. Exemplo de conector usado no enrijecedor (BIRCH , 1989)

61

Os dados geométricos do enrijecedor são os mesmos utilizados por BOEF e
OUT (1990) e CAIRE (2005). Para caracterização do material, optou-se por usar na
análise do enrijecedor os dados obtidos com o CP6 mostrados no gráfico da Figura
3.21. O motivo desta escolha deve-se à ruptura do material ter ocorrido com menor
tensão e menor deformação nominais se comparada ao CP5, que são os dois corpos
de prova inteiros, isto é, sem nenhum concentrador de tensões. A Tabela 4.1 compara
a tensão e a deformação nominais nestes dois corpos de prova. Ao trabalhar com a
menor tensão de ruptura, o resultado da análise será sempre mais conservador.

Tabela 4.1. Dados de tensão e deformação nominais da ruptura dos corpos de prova
sem entalhe

Tensão nominal no
momento da ruptura (MPa)
Deformação nominal no
momento da ruptura (%)
CP5 31,26 448,74
CP6 30,27 434,23

Para avaliar a precisão do ensaio e validar seus dados, fez-se simulações dos
ensaios de tração em elementos finitos usando o software Abaqus. Para maior
agilidade e rapidez nas análises, considera-se no software Abaqus o corpo de prova
como um plano no eixo xy e neste plano tem-se a simetria geométrica nos dois eixos.
Fez-se a análise do corpo de prova sem entalhe seis vezes, variando o tipo de
elemento e a quantidade de elementos de maneira aleatória. Usou-se dois tipos de
elementos diferentes, são eles:

• S3R - elemento plano, triangular com 3 nós e integração reduzida
• S4R - elemento plano, quadrática com 4 nós e integração reduzida

O detalhe das malhas, o tipo e a quantidade de elementos utilizados nas
análises realizadas é mostrado na Tabela 4.2.

Tabela 4.2. Detalhe das malhas utilizadas nas análises do corpo de prova sem entalhe
S3R S3R S3R S3R S4R S4R
Tipo de elemento triangular quadrática
Número de elementos 40 4064 11384 76321 63 1344
Número de nós 37 2181 778 38795 40 1369

62

As figuras a seguir apresentam os gráficos comparando as seis análises
realizadas com os diferentes tipos de malha. A Figura 4.6 mostra a comparação do
gráfico Força x Deslocamento e a Figura 4.7 mostra a comparação do gráfico Tensão
x Deformação. Nota-se que nos dois gráficos a diferença entre as análises é
imperceptível, não é possível enxergar as seis curvas no gráfico, pois todas as linhas
das seis análises estão sobrepostas. Assim, aparentemente, há apenas uma curva
visível no gráfico, porém estão todas sobrepostas. Segundo HIBBITT et al. (2002), a
malha triangular, que é uma derivação da malha quadrática para os casos bi-
dimensionais, é bastante precisa na maioria dos casos de carregamentos. No entanto,
devido à flexão e a deformação do elemento, é preciso uma malha mais refinada para
analisar casos de flexão pura ou casos envolvendo grandes deformações. Na análise
apresentada dos modelos computacionais dos corpos de prova sem entalhe, percebe-
se que não é necessário grande refinamento para obter precisão aceitável do
resultado, isto se deve a simplicidade do modelo sem concentrador de tensões.
Embora sujeito a grandes deformações, a influência do tipo de malha neste modelo
simples é pequena.

Força x Deslocamento
0
200
400
600
800
1000
0 150 300 450
Deslocamento (mm)
F
o
r
ç
a

(
N
)
S3R - 40 Elementos
S3R - 4064 Elementos
S3R - 76321 Elementos
S3R - 11384 Elementos
S4R - 63 Elementos
S4R - 1344 Elementos

Figura 4.6. Comparação força x deslocamento entre as análises dos modelos
computacionais dos corpos de prova sem entalhe

63
Tensão x Deformação
0
50
100
150
200
0 0,5 1 1,5 2
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
S3R - 40 Elementos
S3R - 4064 Elementos
S3R - 76321 Elementos
S3R - 11384 Elementos
S4R - 63 Elementos
S4R - 1344 Elementos

Figura 4.7. Comparação tensão x deformação entre as análises dos modelos
computacionais dos corpos de prova sem entalhe

Na Figura 4.8 tem-se o gráfico força x deslocamento comparando o modelo
computacional e os ensaios dos corpos de prova sem entalhe (CP5 e CP6). Os
modelos computacionais mostrados nesse gráfico são dois, um com a malha
quadrática e outro com a malha triangular, ambos sobrepostos. Percebe-se que as
curvas andam juntas até um deslocamento de aproximadamente 300 mm e força
aproximada 560 N, após este ponto, a grandes deformações, as curvas se distanciam
um pouco.

Força x Deslocamento
0
200
400
600
800
1000
0 150 300 450
Deslocamento (mm)
F
o
r
ç
a

(
N
)
CP5
CP6
Elementos Finitos - quad
Elementos Finitos - triang

Figura 4.8. Comparação força x deslocamento entre o modelo
computacional e o ensaio de tração

64
Os gráficos tensão nominal x deformação nominal, estão mostrados na Figura
4.9 e na Figura 4.10, sendo o primeiro para o ensaio completo até a sua ruptura e o
segundo para uma deformação de até 30%, comparando novamente os modelo
computacionais e os ensaios dos corpos de prova CP5 e CP6.

Tensão x Deformação
0
50
100
150
200
0 0,5 1 1,5 2
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
CP 5
CP 6
Elementos Finitos - quad
Elementos Finitos - triang

Figura 4.9. Comparação tensão nominal x deformação nominal entre
o modelo computacional e experimental até a ruptura

Tensão x Deformação
0
3
6
9
0 0,1 0,2 0,3
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
CP 5
CP 6
Elementos Finitos - quad
Elementos Finitos - triang

Figura 4.10. Comparação tensão nominal x deformação nominal entre o modelo
computacional e experimental até uma deformação de 30%


65

Figura 4.11. Entalhe com
geometria quadrada


Figura 4.12. Entalhe com
geometria semi circular

Realizaram-se também simulações de um ensaio
de tração com o corpos de prova com entalhe de 1mm.
Devido a dificuldade de maior exatidão na reprodução do
entalhe real para a simulação computacional, realizaram-
se diferentes análises com variações na geometria do
entalhe. Escolheu-se três tipos diferentes de geometria
para o entalhe, são elas:

• Geometria quadrada
• Geometria semi-circular
• Geometria com chanfro

As diferentes geometrias estão mostradas na
Figura 4.11, Figura 4.12 e Figura 4.13. Para cada uma
dessas geometrias escolhidas, realizou-se duas análises
com dois tamanhos diferentes para sua abertura D. Os
tamanhos escolhidos foram os seguintes:

• Abertura menor = 0,35mm
• Abertura maior = 0,70 mm

Conforme mostrado neste mesmo item
anteriormente, para análises com geometria plana e
modelos relativamente simples como este, não haverá
grande influência na escolha do tipo de malha, então
optou-se por usar a malha quadrática em todas as
análises.

Figura 4.13. Entalhe com
geometria com chanfro

Os resultados gerados pelos três tipos diferentes de entalhes são apresentados
a seguir. Na Figura 4.14 tem-se o gráfico tensão x deformação comparando os
ensaios experimentais do CP com entalhe de 1 mm e as simulações em elementos
finitos com o entalhe de geométria quadrada. Analogamente, a Figura 4.15 apresenta
o mesmo gráfico, porém neste caso realizou-se a simulação em elementos finitos com
o entalhe de geometria semi-circular, e a Figura 4.16 apresenta a comparação com a
simulação com o entalhe de geometria com chanfro.


66
Tensão x Deformação
0
3
6
9
12
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35%
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
MEF entalhe quadrado, abertura menor
MEF entalhe quadrado, abertura maior
CP3
CP4

Figura 4.14. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe
de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria quadrada

Tensão x Deformação
0
3
6
9
12
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35%
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
MEF entalhe semi circular, abertura maior
MEF entalhe semi circular, abertura menor
CP3
CP4

Figura 4.15. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe
de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria semi circular

Tensão x Deformação
0
3
6
9
12
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35%
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
MEF entalhe com chanfro, abertura maior
MEF entalhe com chanfro, abertura menor
CP3
CP4

Figura 4.16. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe
de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria com chanfro

67
Os entalhes com geometria quadrada apresentado na Figura 4.11 e com
geometria com chanfro da Figura 4.13 nos mostram com nitidez um forte concentrador
de tensões devido aos vértices característicos dessas geometrias. Nos gráficos da
Figura 4.14 e da Figura 4.16 que representam essas geometrias, percebe-se que as
linhas que indicam a simulação em elementos finitos estão sobrepostas não tendo
grande influencia a abertura maior ou menor do entalhe. No entalhe com geometria
semi-circular mostrado na Figura 4.12 não há um vértice como nas outras geometrias,
sendo assim a concentração de tensões se dá devido a curvatura do entalhe.
Percebe-se a partir do seu gráfico mostrado na Figura 4.15, que há uma diferença
entre as aberturas maior e menor do entalhe. Neste caso, a abertura do entalhe
exerce forte influência no gráfico devido a sua curvatura, quanto menor a abertura do
entalhe, menor será a curvatura e maior será o concentrador de tensões nesta região.
Para exemplificar melhor a influência da curvatura e do vértice da geométrica no
concentrador de tensões, fez-se mais duas simulações com a geometria semi circular
e com chanfro e abertura de entalhe igual a 0,175 mm, menor que as analisadas
anteriormente. O resultado desta análise é mostrado na Figura 4.17, percebe-se que
com a abertura menor, temos uma concentração de tensões maior e por isto o gráfico
desta análise fica muito próximo ao da análise experimental.

Tensão x Deformação
0
3
6
9
12
0% 5% 10% 15% 20% 25% 30% 35%
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
MEF entalhe semi circular, abertura 0,175 mm
MEF entalhe com chanfro, abertura 0,175 mm
CP3
CP4

Figura 4.17. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe
de 1 mm com o entalhe com chanfro e semi circular de abertura igual a 0,175 mm

Analisando os gráficos apresentados, percebe-se que as curvas que mais se
aproximam das análises dos CPs são as curvas das simulações do entalhe com
68
abertura igual a 0,175mm. Estas geometrias, dentre todas mencionadas, são as que
apresentam o maior concentrador de tensões. A melhor simulação do entalhe é um
modelo com vértices como concentrador de tensões e abertura de entalhe bem
pequena.
Com os dados da curva optou-se por utilizar o ajuste para o modelo
hiperelástico polinomial de ordem 2 apresentado no gráfico da Figura 3.33 e da Figura
3.34. O motivo desta escolha deve-se à comparação entre os modelos conforme o
APÊNDICE D. Esta tabela mostra que, de acordo com o estudo feito para
determinação do erro que cada curva apresenta, o melhor ajuste para os pontos
coletados no ensaio é o ajuste para o modelo polinomial de ordem 2.
Segundo BRADLE et al. (2001), o coeficiente de Poisson para um material
hiperelástico pode ser determinado a partir dos dados de um ensaio volumétrico. Este
ensaio consiste em comprimir um corpo de prova cilíndrico anular na sua direção axial,
obtendo assim um gráfico tensão x taxa volumétrica. A partir destes dados, tem-se o
comportamento volumétrico do material. Segundo HORGAN e MURPHY (2009), a
taxa volumétrica é dada pela equação ( 4.3.1 ), onde J é a própria taxa volumétrica e
3 2 1
, , λ λ λ são os três principais alongamentos.


3 2 1
λ λ λ = J ( 4.3.1 )

Para um material com incompressibilidade total, conforme mostrado na
equação ( 3.2.64 ) sua variação volumétrica é nula quando solicitado por pressão
hidrostática, portanto, o valor de J é 1 e seu coeficiente de Poisson é 0,5. Devido a
dificuldade de realização de testes volumétricos e a conseqüente falta de dados
experimentais, neste trabalho o coeficiente de Poisson foi arbitrado com o valor igual a
0,47.

4.3.3. Condições de contorno e carregamento

Para simulação no software Abaqus, estabeleceu-se 3 condições de contorno
neste modelo. A Figura 4.18 indica que na primeira condição de contorno a superfície
superior do enrijecedor foi engastada impedindo qualquer deslocamento nas três
direções (eixos x, y e z).

69

Figura 4.18. Condição de contorno 1 – Superfície do Bend stiffeners engastada

Na segunda condição de contorno utilizou-se a simetria no eixo z, esta
condição preestabelece a análise em apenas metade do conjunto e considera o
mesmo resultado na outra metade do conjunto reduzindo assim pela metade o número
de graus de liberdade do modelo. Com esta condição de contorno ganhou-se bastante
tempo nas análises. A Figura 4.19 ilustra a segunda condição de contorno.


Figura 4.19. Condição de contorno 2 – Simetria no eixo z
70

Usou-se também uma terceira condição de contorno para engastar o duto
flexível impedindo qualquer deslocamento nas três direções (eixos x, y e z). Devido à
simetria no eixo z, a carga foi dividida por dois e considerando o ângulo de 45º com os
eixos x e y, foi decomposta nas direções dos eixos.

4.4. ANÁLISE DO ENRIJECEDOR SEM CONCENTRADOR DE TENSÕES

Nesta primeira análise, considera-se o enrijecedor inteiro sem nenhum
concentrador de tensões. No enrijecedor aproveitou-se para fazer uma comparação
utilizando diferentes tipos de elementos com malhas hexaédricas e tetraédricas. Na
superfície do tubo, a malha utilizada foi a hexaédrica, com o elemento SFM3D4 que é
um elemento de superfície do tipo membrana, tridimensional com 4 nós. O número
total de elementos foi 578 e o de nós foi 630. No tubo, a malha utilizada foi também a
hexaédrica e o elemento foi o B31, um elemento de viga tridimensional de primeira
ordem, com um total de 34 elementos e 35 nós. A carga aplicada foi de 500 kN a um
ângulo de 45º com os eixos x e y. Na Figura 4.20 pode ser visto, em sua configuração
deformada, o comportamento da tensão de Von Mises no enrijecedor. Nesta figura, a
parte cilíndrica do enrijecedor foi desconsiderada, ficando apenas a parte cônica
devido à alta rigidez da parte cilíndrica conforme explicado no item 4.3.2.


71

Figura 4.20. Tensão no enrijecedor sem entalhe submetido à flexão

A análise do enrijecedor sem entalhe foi feita cinco vezes com três tipos de
elementos diferentes, conforme listados abaixo:

C3D8RH - elemento sólido, tridimensional, hexaédrico com 8 nós, integração reduzida
e hibrido
C3D8H - elemento sólido, tridimensional, hexaédrico com 8 nós e hibrido
C3D4H - elemento sólido, tridimensional, tetraédrico com 4 nós e hibrido

O detalhe dos elementos utilizados nas análises realizadas é mostrado na
Tabela 4.3.

Tabela 4.3 – Tipos de elementos utilizados nas análises do enrijecedor sem
concentrador de tensões.
C3D8RH C3D8H C3D4H C3D4H C3D4H
Tipo de elemento hexaédrico tetraédrico
Número de elementos 1746 1746 1775 15567 116637
Número de nós 2460 2460 513 3510 22898




72
As figuras a seguir apresentam os gráficos tensão x deformação comparando
as diferentes análises realizadas no ponto de maior tensão do enrijecedor sem
entalhe. A tensão utilizada foi a tensão de Mises e a deformação foi a deformação real
máxima principal. A Figura 4.21 mostra a comparação entre as análises feitas com a
malha utilizando elemento hexaédrico. Percebe-se uma ligeira diferença nas curvas,
onde a malha com o elemento C3D8RH utiliza a integração reduzida.

0
2
4
6
8
10
0,0% 2,5% 5,0% 7,5%
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
C3D8RH - 1746 elementos
C3D8H - 1746 elementos

Figura 4.21 Gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem
entalhe com malha utilizando elemento hexaédrico

A Figura 4.22 mostra a comparação entre as análises feitas com a malha
utilizando elemento tetraédrico. Nestas análises, o elemento utilizado foi sempre o
mesmo variando apenas o número de elementos e consequentemente o número de
nós. Percebe-se uma diferença considerável entre as curvas resultante das análises
com menor número de elementos e com o maior número de elementos.
73
0
2
4
6
8
10
0,0% 2,5% 5,0% 7,5%
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
C3D4H - 1775 elementos
C3D4H - 15567 elementos
C3D4H - 116637 elementos

Figura 4.22 Gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem
entalhe com malha utilizando elemento tetraédrico

A Figura 4.23 compara todas as análises realizadas com o enrijecedor sem
entalhe. A partir dela verifica-se que tanto nas análises com malha de elemento
hexaédrico quanto nas análises com malha de elemento tetraédrico, a medida que o
número de elementos aumenta as curvas estão convergindo para a esquerda no
gráfico. Percebe-se que as análises com o elemento hexaédrico C3D8RH onde
utilizou-se 1.746 elementos fornece o mesmo resultado que a análise com o elemento
tetraédrico C3D4H com 116.637 elementos. Estas duas curvas fornecem o melhor
resultado para esta análise, sendo que a malha composta por elemento tetraédrico
necessitou de mais elementos para fornecer o mesmo resultado se comparado com a
análise com a malha composta por elemento hexaédrico.

74
0
2
4
6
8
10
0,0% 2,5% 5,0% 7,5%
Deformação
T
e
n
s
ã
o

(
M
P
a
)
C3D8RH - 1746 elementos
C3D8H - 1746 elementos
C3D4H - 1775 elementos
C3D4H - 15567 elementos
C3D4H - 116637 elementos

Figura 4.23 Comparação dos gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão
do enrijecedor sem entalhe

4.5. ANÁLISE DO ENRIJECEDOR COM CONCENTRADOR DE TENSÕES

Nesta análise considera-se uma trinca como concentrador de tensões no
enrijecedor. Foram realizados ensaios em 3 posições diferentes para a trinca e
utilizou-se a técnica do submodelamento para melhor análise na região do
concentrador de tensões. A malha escolhida foi a tetraédrica e as condições de
contorno e carregamento são os mesmos descritos anteriormente no item 4.3.3. Em
cada posição analisada realizou-se 4 ensaios diferentes, variando o tamanho do
comprimento da trinca e o seu sentido (longitudinal ou transversal). As posições
analisadas são mostradas na Figura 4.24 e os sentidos das trincas são mostrados na
Figura 4.25. Todas as trincas analisadas possuem seção igual a 12mm x 12mm com
os cantos arredondados e o seu comprimento variou da seguinte forma:
• Trinca menor: 100 mm
• Trinca maior: 200 mm
75

Figura 4.24. Posições das trincas analisadas no enrijecedor



Figura 4.25. Sentido das trincas analisadas no enrijecedor

Com o objetivo de obter a carga máxima admissível no riser, aplicou-se um
carregamento extremo de 1.000 kN. Variou-se também, o ângulo de aplicação desta
carga de 0º a 90º com o eixo horizontal, a cada 15º. Com os ângulos de aplicação de
0º e 15º percebeu-se que na maior parte das análises não foi possível achar a carga
máxima. A 0º do eixo horizontal a flexão inexiste e a 15º, ela é muito pequena, sendo
assim, nestes casos a carga máxima admissível no riser depende de outros fatores
além da flexão.

76
4.5.1. Trinca

Segundo PAIVA (2000), a fratura em materiais sólidos normalmente começa
com falhas do tipo trinca ou entalhe, podendo causar altas tensões em seu contorno.
O aparecimento de trincas em peças ou componentes pode provocar custos elevados,
pois aumenta o tempo e os esforços gastos na manutenção e restauração de peças, e
que, se omitida, pode levar à fratura do componente e também à falha estrutural,
colocando, em alguns casos, vidas humanas em risco. Um exemplo de trinca como
concentrador de tensões pode ser visto na Figura 4.26.
Todo material sempre terá defeitos inerentes ao processamento e/ou
usinagem, sendo muito difícil a ausência de trincas. Faz-se então necessário estudar
os efeitos das trincas e propor métodos para prever o comportamento de estruturas
com trincas sob determinadas condições de trabalho. As trincas podem se iniciar como
pequenas falhas na etapa de manufatura do material, podem aparecer durante a
fabricação da peça ou podem surgir em decorrência de danificações por fadiga,
impacto ou corrosão da estrutura final (PAIVA, 2000).
Uma ferramenta fundamental para analisar projetos e indicar níveis de
tolerância aos defeitos e distorções presentes no material é a Mecânica da Fratura.
Ela vem, ao longo dos anos, estudando normas e processos para caracterizar e
distinguir as trincas e suas conseqüências. O objetivo da Mecânica da Fratura é
determinar se uma trinca irá ou não levar a peça à fratura para tensões de operação,
seu maior desafio é prever se as trincas poderão comprometer a segurança durante a
vida útil da estrutura e quando isto ocorrerá. A presença de uma trinca em uma
estrutura normalmente induz altas concentrações de tensão na região próxima à
trinca. A mecânica da fratura fornece meios onde o campo de tensões na região
próxima à trinca, assim como as deformações podem ser caracterizadas e permite que
os projetistas aliem segurança e viabilidade econômica (SILVA, 2006). Um corpo com
uma trinca deve suporta um carregamento inferior quando comparado com um corpo
sem um concentrador de tensões.

77

Figura 4.26. Trinca como concentrador de tensões (SILVA, 2006)

4.5.2. Submodelamento

É crescente a necessidade de simular problemas cada vez mais próximos da
realidade e com maior riqueza de detalhes. Há alguns anos, por falta de recursos, seja
de hardware ou software, o engenheiro precisava realizar simplificações significativas
nos modelos computacionais. Com o passar dos anos, as ferramentas de auxílio
computacionais evoluíram e não são mais necessárias as simplificações de detalhes.
Hoje em dia é possível simular estruturas complexas inteiras ao invés de pequenos
elementos. Todavia, com a enorme riqueza de detalhamento nos problemas atuais,
em muitos casos o hardware disponível ainda não é suficiente para solucionar alguns
problemas no curto espaço de tempo exigido e por isso existem técnicas para auxiliar
modelagens mais complexas. Uma técnica muito utilizada quando se tem poucos
recursos computacionais é o submodelamento.
O submodelamento é um estudo mais detalhado em uma determinada área de
interesse do modelo, como por exemplo, uma região com altas tensões. Sendo assim,
haverá dois modelos: o modelo global, representando a estrutura como um todo, e o
submodelo, uma geometria local onde, na maioria dos casos é feito com uma malha
mais densa para se obter maior precisão. O submodelamento interpola as
deformações do modelo global inicial, relativamente grosseiro para o modelo local e
resolve o problema novamente, obtendo assim um estado de tensões mais preciso
(HIBBITT et al., 2002).
O submodelo é analisado separadamente do modelo global. A ligação entre os
dois se dá unicamente pelo uso do resultado do modelo global como condição de
contorno para o submodelo. É possível ainda ser usado como recurso, a análise de
um submodelo como um modelo global para um novo submodelo ainda mais
78
detalhado. Na Figura 4.27 é possível verificar a densidade da malha de um
submodelo.


Figura 4.27. Densidade da malha de um submodelo
(ANSYS Advanced Analysis Techniques Guide, 2005)

Quando se faz necessário maior precisão na análise de um modelo, tem-se as
seguintes opções:
• Fazer o modelo completo com uma malha refinada;
• Refinar a malha localmente e aumentar progressivamente o elemento
dentro do modelo;
• Fazer o modelo global com a malha grosseira e usar a técnica do
submodelo para refinamento local;
Diante das alternativas apresentadas, conclui-se que as três opções podem
levar aos resultados almejados, porém é necessário otimizar o processo reduzindo o
tempo necessário para a análise e os recursos computacionais necessários. A
primeira alternativa pode ser útil quando se faz necessário o mesmo grau de
detalhamento em todo o modelo, mas não é recomendada quando se quer um
detalhamento local. Dependendo dos recursos computacionais, um modelo com uma
malha muito refinada pode tornar a análise inviável. A segunda alternativa deve ser
usada apenas para uma análise local pouco mais detalhada se comparada à análise
do modelo completo. Ao refinar a malha localmente para analisar junto a um modelo
com o elemento muito maior que o elemento refinado, a transição entre os elementos
não é tão simples. A técnica mais recomendada para uma análise local bem detalhada
79
é a técnica do submodelo. Com o submodelo, ganha-se tempo considerável com a
análise global e também com a análise local, pois esta será feita de maneira
independente.
Como exemplo de uma análise local mais precisa, tem-se uma viga bi
engastada de 2m de comprimento e perfil retangular de 80mm x 200mm, onde se
necessita maior detalhamento no ponto de maior tensão da viga. Seu material é um
aço linear elástico isotrópico com módulo de elasticidade igual a 200GPa e coeficiente
de Poisson 0,3. Sob esta viga foi aplicada uma carga de 8KN distribuída ao longo de
seu comprimento. A viga foi modelada com elementos C3D8R, que são elementos
sólidos de 8 nós e foram gerados 320 elementos com 615 nós. A malha da viga é
mostrada na Figura 4.28, e a configuração deformada com a tensão na direção 1 após
a aplicação da carga é mostrada na Figura 4.29.


Figura 4.28. Malha da viga

Figura 4.29. Configuração deformada da
viga

Para obtenção de um resultado mais detalhado, foi feito, no exemplo acima,
uma análise local no ponto de maior tensão que é a parte superior de um dos lados
onde a viga está engastada. Nesta análise, utilizou-se como submodelo um pedaço da
viga de tamanho igual a 100mm x 100mm x 80mm, retirado do canto superior direito
do modelo global com a malha mais refinada e foi feito uma nova análise.
É possível ainda, se necessário, usar o submodelo como um modelo global e
detalhá-lo ainda mais. Para exemplificar esta situação, fez-se um segundo submodelo
tendo como modelo global o primeiro submodelo. Este segundo submodelo é um
cubo, com arestas iguais a 15 mm, retirado do canto superior direito do primeiro
submodelo. Com o resultado destas duas análises, fez-se uma comparação entre a
tensão de Mises no último nó do canto superior direito. Percebe-se que os resultados
não estão convergindo para um único valor (Figura 4.36), fez-se então outro
submodelo a partir deste último com o objetivo de chegar à convergência do resultado.
Este terceiro submodelo é novamente um cubo retirado do canto superior direito do
80
submodelo anterior, tendo cada lado valor igual a 2,5 mm. A Tabela 4.4 mostra a
quantidade de elementos e nós gerados em cada análise e as malhas de cada
submodelo, junto com sua configuração deformada, podem ser vistos na Figura 4.30 à
Figura 4.35.

Tabela 4.4. Características de cada submodelo
Elemento
Submodelo
Tipo Quantidade
Número de Nós
1 27 64
2 125 216
3
C3D8R
125 216






Figura 4.30. Malha do primeiro
submodelo da viga

Figura 4.31. Configuração deformada do
primeiro submodelo da viga

81

Figura 4.32. Malha do segundo
submodelo da viga

Figura 4.33. Configuração deformada do
segundo submodelo da viga



Figura 4.34. Malha do terceito submodelo
da viga

Figura 4.35. Configuração deformada do
terceiro submodelo da viga


Um gráfico comparando a análise global com as três análises locais é
apresentado na Figura 4.36. Este gráfico representa a tensão de Mises em cada
incremento realizado do último nó do canto superior direito. É possível observar no
gráfico a diferença de tensão entre a análise global e as duas análises posteriores. Em
muitos casos, quando se necessita de uma análise mais detalhada é comum o uso do
submodelo uma ou mais vezes, até a grandeza requerida (neste caso a tensão)
82
convergir para um valor no ponto onde se necessita medir. Neste exemplo, percebe-se
que após a análise do terceiro submodelo, a tensão no ponto medido está convergindo
para um valor constante.
O terceiro submodelo foi analisado com 125 elementos, caso tamanho
detalhamento fosse feito em todo o modelo global, este teria 256.000.000 de
elementos, o que poderia inviabilizar a análise diante de poucos recursos
computacionais.

Tensão Von Mises
0
150
300
450
600
T
e
n
s
ã
o

(
K
P
a
)
Análise Global Primeiro submodelo Segundo submodelo Terceiro submodelo

Figura 4.36. Gráfico tensão de Mises em cada incremento da análise dos 3 modelos

Utilizou-se a técnica descrita neste capítulo em todas as análises com a
simulação de uma trinca. De acordo com o tamanho e sentido da trinca, utilizou-se
uma determinada quantidade de submodelos até que o resultado convergisse ou fosse
possível analisar o entalhe de com a precisão adequada.

4.5.3. Posição 1

Para analisar um enrijecedor com concentrador de tensões na posição 1,
assumiu-se uma trinca preexistente na região cônica próximo a região cilíndrica. As
características dos elementos utilizados nas quatro análises, variando o tamanho e o
sentido da trinca, são mostradas na Tabela 4.5.

83
Tabela 4.5. Elementos utilizados no enrijecedor com uma trinca na posição 1
Enrijecedor Duto
Superfície do
Duto
Elemento
Sólido Viga Superfície
Posição 1 Modelo
C3D4H B31 SFM3D4
Global 33.503 34 578 Trinca
transversal
menor
Submodelo 1 129.162 34 578
Global 50.869 34 578
Submodelo 1 14.011 34 578
Trinca
transversal
maior Submodelo 2 92.758 34 578
Global 25.589 34 578
Submodelo 1 7.172 34 578
Submodelo 2 44.093 34 578
Trinca
longitudinal
menor
Submodelo 3 30.217 34 578
Global 33.788 34 578
Submodelo 1 59.862 34 578
Submodelo 2 18.004 34 578
N
ú
m
e
r
o

d
e

E
l
e
m
e
n
t
o
s

Trinca
longitudinal
maior
Submodelo 3 98.910 34 578

Como exemplo, apresenta-se na Figura 4.37 a malha usada para simulação da
trinca transversal de menor tamanho na posição 1. A Figura 4.38 representa a
configuração deformada com a tensão de Mises do segmento após a aplicação da
carga a 45º dos eixos x e y. Nesta figura excluiu-se a parte cilíndrica do enrijecedor,
pois esta parte não está sendo analisada neste trabalho. Percebe-se que a região de
maior tensão é a região do local da trinca, onde há um concentrador de tensões.
A malha usada para o submodelo desta mesma análise é indicada na Figura
4.39 e a sua configuração deformada com a carga aplicada a 45º é mostrado na
Figura 4.40.

84

Figura 4.37. Malha usada para simulação da menor trinca transversal na posição 1


Figura 4.38. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na
posição 1 com carga aplicada a 45º


Figura 4.39. Malha do submodelo da
menor trinca transversal na posição 1

Figura 4.40. Configuração deformada do
submodelo da menor trinca transversal
na posição 1

85
A Figura 4.41 mostra a carga máxima admissível aplicada no riser para garantir
o enrijecedor operando com uma tensão inferior a tensão máxima de 10,9 MPa
indicada no item 3.3.4.

Critério: Tensão Posição 1
225
135
163
219
352
104
124
164
252
498
353
280
886
290
438
875
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Trinca transversal menor
Trinca transversal maior
Trinca longitudinal menor
Trinca longitudinal maior

Figura 4.41. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise do modelo na Posição 1


4.5.4. Posição 2

A análise do concentrador de tensões na posição 2 realizou-se assumindo uma
trinca na posição indicada na Figura 4.24. As características dos elementos destas
análises podem ser vistos na Tabela 4.6.










86
Tabela 4.6. Elementos utilizados no enrijecedor com uma trinca na posição 2
Enrijecedor Duto
Superfície do
Duto
Elemento
Sólido Viga Superfície
Posição 2 Modelo
C3D4H B31 SFM3D4
Global 33.135 34 578 Trinca
transversal
menor
Submodelo 1 245.730 34 578
Global 45.016 34 578
Submodelo 1 57.191 34 578
Trinca
transversal
maior Submodelo 2 174,988 34 578
Global 38.476 34 578
Submodelo 1 29.804 34 578
Submodelo 2 16.565 34 578
Trinca
longitudinal
menor
Submodelo 3 61.399 34 578
Global 43.016 34 578
Submodelo 1 17.058 34 578
Submodelo 2 34.858 34 578
N
ú
m
e
r
o

d
e

E
l
e
m
e
n
t
o
s

Trinca
longitudinal
maior
Submodelo 3 44.159 34 578

A malha usada para simulação da trinca transversal de menor tamanho na
posição 2 é mostrada como exemplo na Figura 4.42 e sua configuração deformada
com a tensão de Mises após a aplicação da carga a 45º dos eixos x e y é mostrada na
Figura 4.43.
A malha usada para o submodelo desta mesma análise é indicada na Figura
4.44 e a sua configuração deformada com a carga aplicada a 45º é mostrado na
Figura 4.45.

87

Figura 4.42. Malha usada para simulação da menor trinca transversal na posição 2



Figura 4.43. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na
posição 1 com carga aplicada a 45º



Figura 4.44. Malha do submodelo da
menor trinca transversal na posição 2


Figura 4.45. Configuração deformada do
submodelo da menor trinca transversal
na posição 2


88
Na Figura 4.46 pode-se ver a carga máxima admissível aplicada no riser para
que o enrijecedor opere com uma tensão inferior a 10,9 MPa.

Critério: Tensão Posição 2
729
393
260
193
156
271
177
133
110
218
134
97 79
207
319
679
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Trinca transversal menor
Trinca transversal maior
Trinca longitudinal menor
Trinca longitudinal maior

Figura 4.46. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise do modelo na Posição 2

4.5.5. Posição 3

Para análise do enrijecedor com concentrador de tensões na posição 3,
assumiu-se uma trinca na região cônica do lado oposto região cilíndrica. As
características dos elementos utilizados nestas análises são mostrados na Tabela 4.7.











89
Tabela 4.7. Elementos utilizados no enrijecedor com uma trinca na posição 3
Enrijecedor Duto
Superfície do
Duto
Elemento
Sólido Viga Superfície
Posição 3 Modelo
C3D4H B31 SFM3D4
Global 27.906 34 578 Trinca
transversal
menor
Submodelo 1 59.138 34 578
Global 31.991 34 578
Submodelo 1 84.822 34 578
Trinca
transversal
maior Submodelo 2 96.609 34 578
Global 25.057 34 578
Submodelo 1 2.770 34 578
Submodelo 2 3.472 34 578
Trinca
longitudinal
menor
Submodelo 3 12.758 34 578
Global 33.395 34 578
Submodelo 1 3.113 34 578
Submodelo 2 2.584 34 578
N
ú
m
e
r
o

d
e

E
l
e
m
e
n
t
o
s

Trinca
longitudinal
maior
Submodelo 3 18.908 34 578


Como exemplo, apresenta-se na Figura 4.47 a malha usada para simulação da
trinca transversal de menor tamanho na posição 3. A Figura 4.48 representa a
configuração deformada com a tensão de Mises do segmento após a aplicação da
carga a 45º dos eixos x e y.
A malha usada para o submodelo desta mesma análise é indicada na Figura
4.49 e a sua configuração deformada com a carga aplicada a 45º é mostrado na
Figura 4.50.

90

Figura 4.47. Malha usada para simulação 2


Figura 4.48. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na
posição 3 com carga aplicada a 45º


Figura 4.49. Malha do submodelo da
menor trinca transversal na posição 3

Figura 4.50. Configuração deformada do
submodelo da menor trinca transversal na
posição 3


91
Analogamente aos itens anteriores, a Figura 4.51 mostra a carga máxima
admissível aplicada no riser o enrijecedor operar com tensão inferior a tensão máxima
de 10,9 MPa apontada no item 3.3.4.

Critério: Tensão Posição 3
107
51
32
25
87
45
30
25
287
98
64
43
229
89
54
34
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Trinca transversal menor
Trinca transversal maior
Trinca longitudinal menor
Trinca longitudinal maior

Figura 4.51. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise do modelo na Posição 3

4.5.6. Comparação dos resultados

Nos itens anteriores apresentaram-se os gráficos comparando a carga máxima
admissível nos quatro diferentes tipos de trinca analisados para cada posição
escolhida. Se olharmos cada tipo de trinca, comparando as posições escolhidas,
fica bem claro que a posição 3 tem a carga admissível mais baixa e a posição 1
tem a mais alta, como observa-se Figura 4.52 a Figura 4.55. Isto é, na região
cônica, quanto mais próximo a trinca estiver da ponta do enrijecedor no lado
oposto a região cilíndrica, mais crítico será esta trinca. É possível observar
também, como já era esperado, que a trinca maior tem carga admissível mais
baixa e que a trinca no sentido transversal tem carga admissível mais baixa se
comparado ao sentido longitudinal. Isto se explica pelo fato de no sentido
transversal ocorrer perda de seção no momento da flexão.


92
Critério: Tensão Trinca menor transversal
352
219
163
135
271
177
133
110
25
32
51
107
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Posição 1
Posição 2
Posição 3

Figura 4.52. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido transversal e tamanho menor


Critério: Tensão Trinca maior transversal
104
124
164
252
79 97
134
218
87
45
30
25
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Posição 1
Posição 2
Posição 3

Figura 4.53. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido transversal e tamanho maior
93
Critério: Tensão Trinca menor longitudinal
280
353
498
886
193
260
393
729
43
64
98
287
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Posição 1
Posição 2
Posição 3

Figura 4.54. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho menor


Critério: Tensão Trinca maior longitudinal
875
438
290
225
679
319
207
156
32
46
81
265
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Posição 1
Posição 2
Posição 3

Figura 4.55. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho maior

Segundo a norma API SPEC 17J, a deformação máxima admissível para
enrijecedores de poliuretano é de 7,7%. Embora esta norma não faça menção a
deformação em materiais com trinca, usou-se este valor para, a partir das análises
mostradas neste trabalho, obter os resultados de carga máxima admissível segundo o
94
critério de deformação apresentado na norma. A comparação da carga máxima
admissível, com os critérios de tensão máxima e deformação máxima, é mostrada
para cada análise realizada na Figura 4.56 a Figura 4.59. Percebe-se que, mesmo
com uma trinca, a carga máxima admissível segundo os critérios de deformação da
norma API SPEC 17J é, na maioria dos casos, bem inferior a carga máxima
admissível com os critérios de tensão propostos neste trabalho, porém, no caso mais
extremo analisado que é com o ângulo de aplicação da força de 90º na posição 3 que
é a ponta do enrijecedor os dois critérios se aproximam muito. É possível observar
também que, em alguns casos, as curvas segundo o critério de deformação máxima
estão muito próximas, o que minimiza a influencia da posição da trinca para este
critério.

Trinca menor transversal
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Posição 1 - Tensão
Posição 2 - Tensão
Posição 3 - Tensão
Posição 1 - Deformação
Posição 2 - Deformação
Posição 3 - Deformação

Figura 4.56. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido transversal e tamanho menor comparando os critérios de
tensão admissível e deformação admissível

95
Trinca maior transversal
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Posição 1 - Tensão
Posição 2 - Tensão
Posição 3 - Tensão
Posição 1 - Deformação
Posição 2 - Deformação
posição 3 - Deformação

Figura 4.57. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido transversal e tamanho maior comparando os critérios de
tensão admissível e deformação admissível

Trinca menor longitudinal
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Posição 1 - Tensão
Posição 2 - Tensão
Posição 3 - Tensão
Posição 1 - Deformação
Posição 2 - Deformação
Posição 3 - Deformação

Figura 4.58. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho menor comparando os critérios de
tensão admissível e deformação admissível

96
Trinca maior longitudinal
0
300
600
900
45 60 75 90
Ângulo de aplicação da força (
o
)
C
a
r
g
a

a
d
m
i
s
s
i
v
e
l

(
K
N
)
Posição 1 - Tensão
Posição 2 - Tensão
Posição 3 - Tensão
Posição 1 - Deformação
Posição 2 - Deformação
Posição 3 - Deformação

Figura 4.59. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a
análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho maior comparando os critérios de
tensão admissível e deformação admissível



















97
5. CONCLUSÕES

O objetivo desta tese foi estudar falhas em enrijecedores de poliuretano à
flexão com um concentrador de tensões considerando a não linearidade na relação
constitutiva do material.
O enrijecedor permite a transição suave de rigidez entre o riser flexível e o
ponto de conexão com a plataforma, porém é sabido que a flexão excessiva pode
causar danos ao enrijecedor. Estes danos podem ser agravados caso haja uma trinca
no enrijecedor e a finalidade deste trabalho é encontrar a carga máxima admissível ao
enrijecedor a partir da sua tensão máxima admissível quando houver uma trinca.
Primeiramente procurou-se encontrar a tensão máxima para o poliuretano com
um concentrador de tensões. Realizou-se ensaios experimentais com corpos de prova
retirados de enrijecedores reais. Levou-se os ensaios de tração até a ruptura em seis
corpos de provas, sendo dois CPs sem entalhe, dois CPs com entalhe de 1 mm e dois
CPs com entalhe de 2 mm. Utilizou-se os pontos coletados em um dos ensaios com o
corpo de prova sem entalhe para fazer o ajuste da curva no software Abaqus em 6
diferentes modelos hiperelásticos. A qualidade do ajuste empregado foi verificada de
duas maneiras, a primeira através do erro normalizado dos modelos e a segunda
através do valor do coeficiente de determinação (R
2
). Após a avaliação da qualidade
dos ajustes, verificou-se que o melhor ajuste para este modelo hiperelástico é o
Polinomial de ordem 2. Fez-se então uma simulação do ensaio de tração em
elementos finitos no software Abaqus. Nesta simulação, usou-se a curva do ensaio
experimental ajustada pelo modelo Polinomial de ordem 2 para caracterizar o material,
o valor do coeficiente de Poisson utilizado, foi arbitrado e considerado igual a 0,47.
Analisando o resultado da simulação do ensaio e comparando com o resultado
experimental, observa-se que as curvas permanecem juntas até certo ponto e após
este ponto as curvas se distanciam um pouco. Admitiu-se então que os ensaios, nas
condições realizadas são válidos e o seu resultado pode ser usado para a análise do
enrijecedor. Como tensão máxima admissível em um enrijecedor com uma trinca,
usou-se a média da tensão de ruptura nos quatro corpos de prova com entalhe.
Fez-se então as análises do enrijecedor em elementos finitos, no software
Abaqus, com o seu material caracterizado sempre pelos dados experimentais da curva
de um dos ensaios sem concentrador de tensões. Nestas análises foi aplicado uma
carga de 1.000 kN no riser para simular a flexão. O objetivo é saber a carga máxima
admissível no enrijecedor. Em todas as análises, a parte cilíndrica do enrijecedor foi
descartada, pois esta parte tem sua rigidez aumentada por conectores.
98
Na análise com o enrijecedor sem concentrador de tensões, a tensão máxima
proposta não foi atingida. Fez-se depois análises com trinca em 3 diferentes posições
no enrijecedor variando também o tamanho da trinca e o sentido da trinca. Para
analisar a trinca nestes modelos, utilizou-se o recurso do submodelamento. Nestas
análises aplicou-se a carga em diferentes ângulos de inclinação, partindo de 0º até 90º
com o eixo horizontal em intervalos de 15º em 15º. Nos ângulos de 0º e 15º, o
resultado foi descartado, pois a 0º a flexão é inexistente e a 15º ela é muito pequena.
Como resultado destas análises tem-se a carga máxima admissível segundo o critério
de tensão máxima proposto neste trabalho e a carga máxima admissível segundo o
critério de deformação máxima da norma API SPEC 17J. Ao compararem-se as
diferentes análises realizadas, podemos concluir:
• Quanto maior a componente vertical da carga aplicada, menor será a carga
admissível no enrijecedor
• Quanto mais próximo da parte cônica mais fina na ponta do enrijecedor estiver
a trinca, menor será a sua carga admissível.
• Quanto maior o tamanho da trinca menor será a sua carga admissível.
• A carga máxima admissível nas trincas com sentido transversal ao eixo central
do enrijecedor será menor que em trincas com sentido longitudinal ao mesmo
eixo.
• O critério de deformação máxima da norma API SPEC 17J é mais conservador
que o critério de tensão máxima proposto neste trabalho
Este trabalho propôs um critério para análise de enrijecedores com
concentrador de tensão a partir de uma tensão máxima. Para dar continuidade a este
trabalho, tem-se como sugestão para trabalhos futuros:
• Analisar diferentes tamanhos e geometrias de trinca em outras posições do
enrijecedor para obter uma curva da carga máxima admissível em uma trinca
ao longo de toda extensão do enrijecedor
• Propor critérios de falha para o Bend stiffener, como por exemplo um critério de
Von Mises com seu eixo modificado a partir de resultados de ensaios bi-axiais.
• Considerar o comportamento assimétrico entre tração e compressão no
poliuretano.
• Avaliar a resposta do enrijecedor com um concentrador de tensões
considerando o carregamento por fadiga.


99
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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103
APÊNDICE A

A. Área infinitesimal deformada em função da área infinitesimal indeformada

As áreas dA no instante t=0 e da no instante t podem ser escritas como:


2 1
dX dX dA × =
2 1
dx dx da × =


No instante t,
1 1
FdX dx = e
2 2
FdX dx = , sendo assim, a área pode ser reescrita
como:


2 1 2 1
Fe dAFe FdX FdX da × = × =

Ondo e
i
, são as bases cartesianas. A orientação da área deformada é normal a Fe
1
e
Fe
2
, sendo
3
dAe dA = , então:

( )
2 1 3
Fe Fe dA dae × = ( A.1 )

De acordo com as propriedades de multiplicação escalar entre vetores, temos:


0
3 2 3 1
= ⋅ = ⋅ dae Fe dae Fe ( A.2 )

e


( )
2 1 3 3
Fe Fe Fe dA da Fe × ⋅ = ⋅ ( A.3 )

De acordo com as propriedades vetoriais,
= × ⋅ c b a determinante cujas linhas são os componentes de a, b e c.
Então,


F Fe Fe Fe det
2 1 3
= × ⋅ ( A.4 )

A equação ( A.3 ) torna-se:

104

F dA dae Fe det
3 3
= ⋅ ( A.5 )

Usando as definições de matriz transposta de um tensor, a equação ( A.2 ) pode ser
reescrita como:


0
3 2 3 1
= ⋅ = ⋅ e F e e F e
T T
( A.6 )

E a equação ( A.5 ) torna-se:


F
da
dA
e F e
T
det
3 3
|
¹
|

\
|
= ⋅ ( A.7 )

Ou seja,


F
da
dA
F
T
det |
¹
|

\
|
= ( A.8 )

Rearranjando a equação ( A.8 ), tem-se:


dA F F da
T −
=

105
APÊNDICE B

B. Teorema de Cayley-Hamilton


Sendo B real e simétrico, sempre haverá 3 autovalores correspondentes para 3
autovetores perpendiculares e vice-versa (LAI et al., 1993). Os autovalores λ
i

satisfazem a equação característica:



0
3 2
2
1
3
= − + − I I I
i i i
λ λ λ 3 , 2 , 1 = i

A equação acima pode ser escrita na forma de matriz:


0
0 0
0 0
0 0
0 0
0 0
0 0
0 0
0 0
0 0
3
3
2
1
2
2
3
2
1
1
3
3
2
1
= −
(
(
(
¸
(

¸

+
(
(
(
¸
(

¸


(
(
(
¸
(

¸

I I I
λ
λ
λ
λ
λ
λ
λ
λ
λ


A matriz da equação acima é a matriz para o tensor B usando seus autovetores
cartesianos:


0
3 2
2
1
3
= − + − I I B I B I B


106
APÊNDICE C

C. Constantes para os ajustes das curvas dos modelos hiperelásticos


Tabela C.1. Constantes do modelo Mooney-Rivlin obtida nos ensaios
Mooney-Rivlin C
10
C
01

CP1 -24,365 35,111
CP2 -30,177 41,252
CP3 -14,926 24,743
CP4 -13,797 23,431
CP5 2,128 1,091
CP6 2.065 1.566

Tabela C.2. Constantes do modelo Neo-Hook obtida nos ensaios
Neo Hook C
10

CP1 6,878
CP2 7,282
CP3 6,051
CP4 5,760
CP5 2,494
CP6 2.599

Tabela C.3. Constantes do modelo Ogden com 4 parâmetros obtida nos ensaios
Ogden com 4 parâmetros α
1
α
2
µ
1
µ
2

CP1 13,011 -23,589 -18,998 50,086
CP2 11,525 -20,709 -17,111 45,694
CP3 8,386 -15,395 -17,698 45,441
CP4 6,589 -12,523 -18,040 44,167
CP5 5.429 -2.552 0,025 11.185
CP6 5,563 -2.509 0,022 11.892






107

Tabela C.4. Constantes do modelo Yeoh obtida nos ensaios
Yeoh C
10
C
20
C
30

CP1 11,132 -62,703 -62,703
CP2 11,264 -88,220 395,363
CP3 10,040 -28,162 40,137
CP4 9.816 -25,552 34,972
CP5 3.267 0,086 0,002
CP6 3.510 -0.101 0,002

Tabela C.5. Constantes do modelo Polinomial Reduzido obtida nos ensaios
Polinomial Reduzido C
10
C
20

CP1 9,642 -20,909
CP2 10,030 -31,645
CP3 8,646 -9,476
CP4 8,496 -8,752
CP5 2.647 -0,007
CP6 2.840 -0,011

Tabela C.6. Constantes do modelo Polinomial de ordem 2 obtida nos ensaios
Polinomial C
10
C
20
C
01
C
02
C
11

CP1 -134,882 611,115 149,690 1184,594 -1646,312
CP2 -78,046 -2843,549 91,482 -3647,330 6475,834
CP3 -92,082 112,020 105,859 310,464 -348,151
CP4 -72,144 -21,677 85,197 18,159 47,585
CP5 -21,047 0,173 30,523 8,200 -1,160
CP6 -23.003 0.188 33.173 8.958 -1.271

108
APÊNDICE D

D. Valores do erro normalizado e do coeficiente de determinação (R
2
)


Tabela D.1. Comparação entre cada corpo de prova com os dois métodos para
encontrar o erro na curva

Moone
y-Rivlin
Neo-
Hook
Ogden - 4
parâmetros
Yeoh
Polinomial
reduzido
Polinomial
(N=2)
Erro 1,04 4,32 0,02 2,22 3,49 0,03
CP1
R
2
0,9677 0,5015 0,9994 0,9373 0,8425 0,9999
Erro 0,63 5,41 0,08 1,65 3,00 0,04
Ent.
2 mm
CP2
R
2
0,9778 0,5830 0,9981 0,9624 0,8916 0,9986
Erro 1,28 3,39 0,04 2,33 3,41 0,02
CP3
R
2
0,96 0,4474 0,9998 0,9197 0,8091 0,9999
Erro 1,14 3,44 0,07 2,02 2,91 0,02
Ent.
1 mm
CP4
R
2
0,9628 0,5028 0,9997 0,9329 0,8265 0,9998
Erro 1,73 0,32 0,47 0,12 1,46 0,06
CP5
R
2
0,9437 0,9529 0,9946 0,9691 0,9245 0,9994
Erro 0,37 1,09 0,56 0,10 1,28 0,06
Sem
Ent.
CP6
R
2
0,9878 0,9529 0,9924 0,9616 0,9190 0,9992


ANÁLISE DE ENRIJECEDORES À FLEXÃO COM CONCENTRADOR DE TENSÕES

Rodrigo Daflon Leite

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA OCEÂNICA.

Examinada por: ________________________________________________ Prof. Murilo Augusto Vaz, Ph.D.

________________________________________________ Profª. Marysilvia Ferreira da Costa, D.Sc.

________________________________________________ Prof. Julio César Ramalho Cyrino, D.Sc.

________________________________________________ Prof. Célio Albano da Costa Neto, Ph.D.

________________________________________________ Dr. Anderson Barata Custódio, D.Sc.

RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL MARÇO DE 2010

Leite, Rodrigo Daflon Análise de Enrijecedores à Flexão com Concentrador de Tensões/ Rodrigo Daflon Leite. – Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2010. XIII, 108 p.: il.; 29,7 cm. Orientadores: Murilo Augusto Vaz Marysilvia Ferreira da Costa Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa de Engenharia Oceânica, 2010. Referencias Bibliográficas: p. 99-102. 1. Enrijecedores à Flexão, Bend Stiffeners. 2. Concentrador de tensões. I. Vaz, Murilo Augusto, et al. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia Oceânica. III. Titulo.

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Aos meus pais. Edith Daflon da Silva e à minha namorada. iv . Amanda Revoredo Vicentino. Orisvaldo Pereira Leite e Maria Helena Daflon Leite. avó.

pelo seu apoio. v . Ao professor Célio da Costa Neto pela ajuda nos ensaios de tração. pelo incentivo e apoio sempre com muito amor e carinho. E a todos que direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho. Pascoal Bracco. Marcelo Caire e Nicolau Rizzo pelas sugestões e orientações que contribuíram para o desenvolvimento deste trabalho. À Planave. À minha namorada Amanda Vicentino. Ao colega Fabio Sousa pela ajuda na usinagem e preparação dos corpos de prova. Pauline Staib. Orisvaldo Pereira Leite e Maria Helena Daflon Leite. compreensão e pela força na fase final deste trabalho. orientação e conselhos durante a execução da dissertação e pela credibilidade e confiança depositados em mim.AGRADECIMENTOS Aos meus orientadores. por possibilitarem que eu investisse minhas forças e dedicasse mais tempo às pesquisas. carinho. Aos meus pais. empresas das quais eu trabalhei no decorrer do curso. Luis Claudio Frade e Thales Lopes. Promon e Eletrobras. Murilo Augusto Vaz e Marysilvia Ferreira da Costa pelo apoio. Wilson Boechat. Aos amigos de laboratório. em especial ao Gerardo Penna.

porém é sabido que a flexão excessiva pode causar danos ao enrijecedor. no enrijecedor.) ANÁLISE DE ENRIJECEDORES À FLEXÃO COM CONCENTRADOR DE TENSÕES Rodrigo Daflon Leite Março/2010 Orientadores: Murilo Augusto Vaz Marysilvia Ferreira Costa Programa: Engenharia Oceânica Enrijecedores ou bend stiffeners permitem a transição suave de rigidez entre o riser flexível e o ponto de conexão com a plataforma. foi possível estabelecer a carga máxima admissível no riser para cada ângulo de aplicação. ensaios de tração uniaxiais são realizados com corpos de prova retirados de enrijecedores reais com e sem concentrador de tensões com o objetivo de caracterizar o material através de um modelo hiperelástico e definir a tensão admissível do material.Sc. Além disso. Foi simulado também uma trinca como concentrador de tensões no enrijecedor. A proposta deste trabalho é analisar enrijecedores à flexão com concentrador de tensões e propor uma metodologia para definição da carga máxima admissível ao enrijecedor. Estes danos podem ser agravados caso haja um concentrador de tensões. Com estes resultados. Os resultados dos ensaios experimentais são comparados com um modelo em elementos finitos. como uma trinca. um modelo em elementos finitos de um enrijecedor foi utilizado para verificar a tensão que o enrijecedor é submetido com a aplicação de uma carga no riser com ângulos variados.Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M. Neste estudo. vi .

as a crack. The results of experimental tests were compared with a finite element model. Nevertheless. however we know that the extreme bending can cause damages to the bend stiffener.) ANALYSIS OF BEND STIFFENERS WITH STRESS CONCENTRATION Rodrigo Daflon Leite March/2010 Advisors: Murilo Augusto Vaz Marysilvia Ferreira Costa Department: Ocean Engineering Bend stiffeners allow the soft transistion of stiffeness between the flexible riser and the point of connection with the platform. it was possible to establish the maximum permissible load on the riser for each angle of application.Sc. a finite elements model of a bend stiffener was used to verify the tensile that the bend stiffener is submitted with the application of a load in the riser with varied angles. These damages can be aggravated if it has a stress concentration. uniaxial tensile strength tests have been carried out with specimens cut from actual bend stiffeners with and without stress concentrator in order to characterize the material by a hyperelastic model and define the permissible tensile of the material. In this study. in the bend stiffener. The propose of this work is analyze bend stiffeners with stress concentration and propose a methodology to define the maximum permissible load. It was also simulated a crack as a stress concentration on bend stiffener. Moreover.Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science (M. vii .

.. 16 Medidas de tensão ...................... 91 4. 4...................................................... 4..... 3...........................................3.....................5...1.......................................................................... 3.. 10 Propriedades ......................3.............................. 6....... 3.....1................. 11 3......... 4................................... INTRODUÇÃO..........3................................. OBTENÇÃO DA CURVA TENSÃO X DEFORMAÇÃO...................... 4......................................... 88 Comparação dos resultados .................................................... 23 Relações constitutivas para material isotrópico elástico.......................... 4.......................................................3.................................5......... 74 Trinca ......... 3........4.............................. CONCLUSÕES.. 4............. 4...................2.....2................... 68 4.................................3......................................... 13 Movimento .............. 41 Concentração de tensões . 3..................... 4............................................................................. 103 viii ..4........3.............................. 85 Posição 3.....................2.................................................3................. 13 Medidas de deformação .........................................3............. 53 PROJETO DE ENRIJECEDORES ....... 82 Posição 2........ 55 MODELAGEM ........3...4............................... 3.....................1......2..... 50 3..............................................5.................... 8 3.......3......1........ INTRODUÇÃO ................3.................................. 76 Submodelamento...................... 4.........................Sumário 1... 27 Modelos hiperelásticos .................3..................... POLIURETANOS ...........................5...........................................................3....................................... 3............................................... 77 Posição 1....... 4.......... 57 Características do Enrijecedor ............... 56 Elemento ....... 3......................................................................5..................................... 70 ANÁLISE DO ENRIJECEDOR COM CONCENTRADOR DE TENSÕES ........................................................1.3............................ 99 APÊNDICE A .1..... 38 Preparação dos dados do ensaio de tração uniaxial..............................5.. 60 Condições de contorno e carregamento ........................ 97 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS..5.............................. 53 4.................. 46 Avaliação do erro dos modelos hiperelásticos ....... 39 Ajuste dos modelos hiperelásticos.2...................................... 3......... 3........... 42 Ensaio de Tração Uniaxial ............................................ 3.......................................................... 1 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA........ 34 3.................................5............ ANÁLISE DE ENRIJECEDORES ....................................6........2...1..... ANÁLISE DO ENRIJECEDOR SEM CONCENTRADOR DE TENSÕES .................. 5...................2.... ELASTICIDADE NÃO-LINEAR .............................................................................5......2...........1.......2............................................................................ 4.......................... 3 POLÍMEROS ..................................... 2...........2......2.......5............................. 4...........4............

............................................A................................................ 105 APÊNDICE C................................................... 105 B.................... Constantes para os ajustes das curvas dos modelos hiperelásticos ....................... 108 ix ....................................................... 108 D.................... 106 APÊNDICE D............. Área infinitesimal deformada em função da área infinitesimal indeformada ..... Valores do erro normalizado e do coeficiente de determinação (R2) ................................................................ 106 C........... Teorema de Cayley-Hamilton ...................... 103 APÊNDICE B ..................................................................................

...... 48 Figura 3.....4............... 50 Figura 3..................................... 2009).......... Ajuste da curva para o CP4 .................. 45 Figura 3....................................25 Ajuste da curva para o CP2 ......... Ajuste da curva para o CP6 .............................. Gráfico tensão x deformação para o CP2 ................... 46 Figura 3.......................9.........27............. 46 Figura 3............................................... 1999) . 25 Figura 3.................................... 50 Figura 3........... 11 Figura 3............................................. MENDES................................ Gráfico tensão x deformação para o CP6 ............11.... Ajuste da curva para o CP6 . 49 Figura 3...... (a) Segmentos rígidos.......... Gráfico tensão x deformação para os corpos de prova com entalhe ......21.............. Formação de um poliuretano (CANGEMI. Corpo de prova 3 com aumento de 100 vezes ......... cadeia ramificada e cadeia cruzada (FELIPETTO..................... 46 Figura 3. 1993) .. Ajuste da curva para o CP1 ..................................... 33 Figura 3..... 45 Figura 3........................ 50 Figura 3............33...32..16....................................................................1......... Ajuste da curva para o CP3 .... Ajuste da curva para o CP3 .......... 2006) ........ Trações sobre as configurações inicial e deformada.... 23 Figura 3.... 45 Figura 3...............29...........................................................26 Ajuste da curva para o CP2 . Gráfico tensão x deformação para o CP4 .... 49 Figura 3.................... 44 Figura 3................. Ajuste da curva para o CP5 ......... Ajuste da curva para o CP1 ..................... Corpo de prova ..............................15.......5........... Extensão uniaxial (MARCZAK...................... 49 Figura 3................ Cadeia linear.. 47 Figura 3...........10...... 46 Figura 3.......... Cinemática do processo de deformação (BONNET e WOOD...........................3........... Movimento de um corpo (BONNET e WOOD......... Corpo de prova 3 com aumento de 500 vezes ... 49 Figura 3..........................................34........ 2003)...........18............................ Ajuste da curva para o CP4 ................... (b) Segmentos flexíveis (VILAR............................ 48 Figura 3....... 9 Figura 3.................. Seção de um corpo em equilíbrio estático (LAI et al................... 2002).... 49 Figura 3........................................... Gráfico tensão x deformação para o CP1 ......2...........................13..12............. 45 Figura 3........22. Exemplo de comparação entre tensão x deformação verdadeiros (σxε ) 41 Figura 3........................................8.................................23. 50 x . Ajuste da curva para o CP5 .............................. 49 Figura 3..........17........24...... Gráfico tensão x deformação para o CP3 ..............................Índice de Figuras Figura 3......................................... Corpo de prova 1 com aumento de 500 vezes .................... Gráfico tensão x deformação para o CP5 ........................ (b) Polímero semicristalino (MANO........ 14 Figura 3.........................19......7..................... 1997) ........................................30.................... 47 Figura 3....6...20.. 1997) ............... (a) Polímero amorfo.....14............................. 48 Figura 3.. 12 Figura 3...................... 10 Figura 3...... Corpo de prova 1 com aumento de 100 vezes ........... 15 Figura 3......28......31..........................

Entalhe com geometria semi circular ...8........11............. Tipos de elementos de acordo com o número de nós (HIBBITT et al..1......... Comparação força x deslocamento entre as análises dos modelos computacionais dos corpos de prova sem entalhe.................................... 2002) .........................2......23 Comparação dos gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem entalhe....uk) ............. 69 Figura 4............4...... 71 Figura 4. Comparação tensão nominal x deformação nominal entre.....................12..... 55 Figura 4........................ 63 Figura 4............................ 66 Figura 4................15.... Famílias de elementos (HIBBITT et al.........................9.25.. Posições das trincas analisadas no enrijecedor .................. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria com chanfro66 Figura 4............18... Condição de contorno 2 – Simetria no eixo z ........... 75 Figura 4...........13.................................................... 72 Figura 4..........10.................................. Comparação força x deslocamento entre o modelo ....14............ 73 Figura 4...... 57 Figura 4...... 66 Figura 4... 65 Figura 4.................................... Linhas flexíveis (SOUZA...6....... 63 Figura 4............20........... Tensão no enrijecedor sem entalhe submetido à flexão.Figura 4........ 65 Figura 4...... Comparação tensão nominal x deformação nominal entre o modelo computacional e experimental até uma deformação de 30% ......... Entalhe com geometria quadrada ........................ 69 Figura 4....................................3......175 mm ......... Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe de 1 mm com o entalhe com chanfro e semi circular de abertura igual a 0....................... Sentido das trincas analisadas no enrijecedor ........................... 64 Figura 4.... 74 Figura 4.............21 Gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem entalhe com malha utilizando elemento hexaédrico.......19..............co............................................................... 75 xi ..........fesltd..........................5......... 2002).......... 67 Figura 4.......................17................................. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria semi circular ........ 1989) ................ 65 Figura 4........... 60 Figura 4...... 2008) ..22 Gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem entalhe com malha utilizando elemento tetraédrico ......................... Entalhe com geometria com chanfro....... 62 Figura 4......................... 64 Figura 4............. Exemplo de conector usado no enrijecedor (BIRCH .................. Condição de contorno 1 – Superfície do Bend stiffeners engastada ..................24....16....................... Enrijecedor conectado a linha flexível (http://www.......... 58 Figura 4................................. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria quadrada ........... 54 Figura 4..........................7.......................... Comparação tensão x deformação entre as análises dos modelos computacionais dos corpos de prova sem entalhe..............................

Figura 4.26. Trinca como concentrador de tensões (SILVA, 2006) ............................. 77 Figura 4.27. Densidade da malha de um submodelo .................................................. 78 Figura 4.28. Malha da viga.......................................................................................... 79 Figura 4.29. Configuração deformada da viga ............................................................ 79 Figura 4.30. Malha do primeiro submodelo da viga..................................................... 80 Figura 4.31. Configuração deformada do primeiro submodelo da viga ....................... 80 Figura 4.32. Malha do segundo submodelo da viga.................................................... 81 Figura 4.33. Configuração deformada do segundo submodelo da viga....................... 81 Figura 4.34. Malha do terceito submodelo da viga...................................................... 81 Figura 4.35. Configuração deformada do terceiro submodelo da viga ........................ 81 Figura 4.36. Gráfico tensão de Mises em cada incremento da análise dos 3 modelos 82 Figura 4.37. Malha usada para simulação da menor trinca transversal na posição 1.. 84 Figura 4.38. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na posição 1 com carga aplicada a 45º ........................................................................... 84 Figura 4.39. Malha do submodelo da menor trinca transversal na posição 1 .............. 84 Figura 4.40. Configuração deformada do submodelo da menor trinca transversal na posição 1 .................................................................................................................... 84 Figura 4.41. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise do modelo na Posição 1 ................................................................................. 85 Figura 4.42. Malha usada para simulação da menor trinca transversal na posição 2.. 87 Figura 4.43. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na posição 1 com carga aplicada a 45º ........................................................................... 87 Figura 4.44. Malha do submodelo da menor trinca transversal na posição 2 .............. 87 Figura 4.45. Configuração deformada do submodelo da menor trinca transversal na posição 2 .................................................................................................................... 87 Figura 4.46. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise do modelo na Posição 2 ................................................................................. 88 Figura 4.47. Malha usada para simulação 2 ............................................................... 90 Figura 4.48. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na posição 3 com carga aplicada a 45º ........................................................................... 90 Figura 4.49. Malha do submodelo da menor trinca transversal na posição 3 .............. 90 Figura 4.50. Configuração deformada do submodelo da menor trinca transversal na posição 3 .................................................................................................................... 90 Figura 4.51. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise do modelo na Posição 3 ................................................................................. 91 Figura 4.52. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido transversal e tamanho menor.......................................... 92

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Figura 4.53. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido transversal e tamanho maior........................................... 92 Figura 4.54. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho menor ......................................... 93 Figura 4.55. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho maior .......................................... 93 Figura 4.56. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido transversal e tamanho menor comparando os critérios de tensão admissível e deformação admissível ............................................................... 94 Figura 4.57. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido transversal e tamanho maior comparando os critérios de tensão admissível e deformação admissível ............................................................... 95 Figura 4.58. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho menor comparando os critérios de tensão admissível e deformação admissível ............................................................... 95 Figura 4.59. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho maior comparando os critérios de tensão admissível e deformação admissível ............................................................... 96

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1. INTRODUÇÃO

Hoje em dia, um dos setores com maior quantidade de sistemas produtivos que mais emprega alta tecnologia é a indústria de petróleo. O Brasil vem ocupando uma posição de destaque mundial em extração de petróleo, especialmente em águas profundas. Grande parte dos investimentos atuais são gastos em desenvolvimento de tecnologias nesta área, principalmente em pesquisas relacionadas a risers de produção. O objetivo dos risers de produção é transportar o fluido, desde a cabeça do poço até a unidade estacionária de produção, sendo que pela sua constituição podem ser classificados em rígidos ou flexíveis. Considerando extração em águas profundas, as linhas flexíveis têm exercido um importante papel em razão de muitas vantagens oferecidas. Tais vantagens são a sua alta flexibilidade, facilidade de lançamento com a possibilidade de armazenar grandes comprimentos em carretéis, pré-fabricação e baixo custo de instalação e transporte quando comparados aos dutos rígidos. Os dutos flexíveis são em geral constituídos de camadas de aço intercaladas com polímeros formando uma estrutura com grande rigidez axial e torsional, porém baixa rigidez à flexão. As camadas de aço proporcionam flexibilidade ao riser, enquanto as camadas poliméricas proporcionam estanqueidade, protegem contra corrosão e impedem a abrasão das camadas metálicas. Linhas flexíveis são, certamente, um dos componentes mais críticos de sistemas de produção em águas profundas. Quando um componente submarino está conectado a alguma outra estrutura como uma plataforma flutuante, muitas vezes é desejável limitar a flexão do componente na região de conexão com a estrutura, uma vez que a flexão excessiva pode causar danos ao componente. Esta situação é comumente encontrada na indústria de extração de petróleo. Na junção entre o riser e a plataforma, o riser está sujeito à flexão e também está exposto a grande carga axial. Se não forem utilizados meios de proteção adequados há riscos de danos ao riser devido à flexão excessiva e fadiga. É uma técnica comum usar enrijecedores para melhorar a capacidade de flexão de risers. O enrijecedor à flexão ou bend stiffener é uma estrutura cônica com medida aproximada de 1 m de diâmetro para pequenos enrijecedores e de 1 a 5 m de comprimento total. Seu material é o poliuretano, pois apresenta propriedades indispensáveis a esta aplicação como flexibilidade, resistência mecânica e imunidade à água do mar.

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Por fim. as análises são descritas. no capítulo 5. Para isto realizou-se ensaio de tração uniaxial em diversos corpos de prova de poliuretano. com os dados coletados. A proposta deste trabalho é analisar enrijecedores à flexão com concentrador de tensões e propor uma metodologia para definição da carga máxima admissível ao enrijecedor a partir da tensão máxima admissível. A primeira delas é com o enrijecedor sem entalhe e as outras análises são com uma trinca posicionada em diferentes pontos do corpo do enrijecedor variando seu tamanho e seu sentido. utilizou-se o recurso do submodelamento. Logo após. como por exemplo o material hiperelástico. assim como sua tensão máxima admissível foram determinados com ensaios de tração em amostras extraídas de enrijecedores reais. é mostrada a teoria para materiais hiperelásticos e alguns modelos propostos para o cálculo da função de energia de deformação destes materiais. os principais trabalhos científicos para uma perfeita compreensão da resposta dos enrijecedores. Não foi encontrado registro de critérios de falha para materiais hiperelásticos. O capítulo 4 apresenta as análises do enrijecedor. são apresentadas.Tem-se conhecimento de diversos trabalhos publicados ao longo dos anos que fazem análise de enrijecedores de poliuretano sujeitos a flexão. 2 . sendo alguns deles com entalhes simulando um concentrador de tensões. este recurso é exemplificado com uma viga bi engastada. Estes trabalhos. realizou-se a análise em elementos finitos do enrijecedor com uma trinca. Este capítulo traz também uma comparação de diferentes malhas possíveis de serem utilizadas na modelagem computacional em elementos finitos. e em seguida. sendo alguns corpos de prova com um entalhe. Realizaram-se ensaios de tração em diversos corpos de prova. em sua maioria. São apresentados no capítulo 2. onde fez-se três submodelos. Em seguida. É feito também um estudo sobre as possíveis formas geométricas dos entalhes nos corpos de prova. não levam em consideração algumas não linearidades inerentes ao processo. as conclusões e algumas sugestões para desenvolvimento de trabalhos futuros. Primeiramente são mostrados alguns dados para projeto e modelagem do enrijecedor. Para uma melhor análise das trincas. No capítulo 3 é apresentada uma introdução aos polímeros e aos poliuretanos proporcionando uma melhor compreensão deste material. A resposta hiperelástica deste material. Os dados coletados nos ensaios experimentais são validados fazendo uma comparação com os dados da simulação dos ensaios de tração sem entalhe e com entalhe no software Abaqus.

O objetivo foi encontrar a relação entre uma dada deformação no enrijecedor e a deformação no ponto de interesse onde iniciou a trinca 3 . determinam a taxa de variação do coeficiente de Poisson. adotam o poliuretano como material hipoelastico. a redução do módulo de elasticidade com o aumento da deformação e comparam os resultados para diferentes ciclos de carregamento.2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Os principais trabalhos que apresentam a análise. O resultado do modelo foi comparado com uma análise em elementos finitos que considera também a não-linearidade do material. embora continue sendo necessária a análise em elementos finitos para verificação final do projeto. A natureza viscoelastica do material foi confirmada após a comparação do comportamento do material nos dois testes. Realizam dois tipos de ensaios: monotônico e cíclicos. projeto e características dos enrijecedores são descritos a seguir. que tem o mesmo projeto que os enrijecedores que falharam por fadiga em operação no campo de Marlim em 1998 e1999 na monobóia IMODCO-III. Verificam também. Chegam à conclusão que o modelo de viga esbelta é uma ferramenta eficiente para o projeto preliminar de enrijecedores. representando o tubo flexível. As tensões fornecidas pelo software proposto parecem “suaves e bem comportadas” quando comparadas aos modelos que consideram outras nãolinearidades. consideram o comportamento assimétrico entre tração e compressão. Descrevem um software personalizado para o projeto interativo de Bend stiffeners baseado no modelo de viga esbelta proposto por BOEF e OUT (1990). Nos testes realizados. O modelo em elementos finitos consiste de um grupo de elementos de viga no eixo do modelo. através de ensaios experimentais. (1995) revisam o estado da arte em materiais e fabricação de Bend stiffener. LANE et al. MENICONI e LOPES (2003) apresentam a análise de fadiga realizada em enrijecedores da FPSO-P34. onde consideram o comportamento do material como linear e elástico. BOEF e OUT (1990) desenvolvem um modelo para o projeto e análise de enrijecedores baseado na teoria de vigas esbeltas sujeitas a flexão pura. Comparam seus resultados com outros obtidos pelo software comercial ABAQUS®. Através de testes de compressão. grandes deslocamentos e pequenas deformações. A grande vantagem do software á a sua rapidez de computação e precisão no cálculo de deslocamento. Os autores fazem uma análise em elementos finitos. já que a ordem de deformação é muito pequena durante a operação. Nestes modelos construídos no ABAQUS®.

Desenvolve modelos de viga que representam o sistema linha flexível/enrijecedor com comportamento do poliuretano se apresentando linear elástico. Comparam os resultados das duas relações constitutivas e concluem que uma análise precisa de Bend stiffeners depende da correta caracterização das propriedades do material. equilíbrio de forças e momentos e das relações constitutivas do material. Adotam uma análise baseada em deformação e levantam a curva de fadiga e-N. compressão e fluência (sob tração e compressão). VAZ e LEMOS (2004) apresentam uma formulação matemática e uma solução numérica para a análise não-linear geométrica e material do Bend stiffener. pode-se utilizar o modelo considerando apenas a não linearidade do material com tensões simétricas. Compara os resultados obtidos com os de um programa numérico produzido pela COPPE/Petrobras. o autor nota que o comportamento do poliuretano é viscoelástico não-linear e sugere uma teoria muito mais complexa que o modelo viscoelástico linear por ele adotado. Mostra que o comportamento dependente do tempo afeta de forma significativa a resposta do sistema linha flexível/enrijecedor.de fadiga. Compara o modelo linear elástico com soluções em elementos finitos em duas e três dimensões. Usam equações diferenciais resultantes da compatibilidade geométrica. Realiza ensaios de tração. KIEPPER (2004) revisa a tecnologia de enrijecedores e apresenta uma análise do conjunto tubo flexível e enrijecedor pelo método dos elementos finitos utilizando o software ABAQUS®. Observa que a pressão de contato sempre se apresenta com maiores valores quando se utiliza a maior folga (gap). Conclui que para se evitar possíveis problemas devido ao contato. Mostra que o efeito do esforço cortante se torna mais evidente quanto maior o carregamento analisado. para análises mais simples. pois o efeito da não linearidade é mais expressivo que o da assimetria. Concluiu que. deve-se procurar utilizar sempre o menor gap entre a linha flexível e o enrijecedor. que podem ser linear elástica simétrica ou não-linear elástica assimétrica. Com as curvas e coeficientes dos ensaios de fluência. considerando um mesmo ângulo de aplicação da força. identificando que a rugosidade das perfurações executadas nos corpos de prova alteravam significativamente os resultados do teste. Ressalta também que o efeito da temperatura sobre a resposta mecânica do poliuretano não fora levado em conta. não linear elástico assimétrico e viscoelástico linear. Desenvolve também um modelo para grandes áreas de contato permitindo estimar as pressões de contato ao longo do comprimento do enrijecedor. CAIRE (2005) apresenta os resultados de ensaios realizados para levantamento das características do poliuretano de enrijecedores a flexão. 4 .

Apresenta uma ampla discussão sobre a utilização de um projeto baseado em resposta aplicado à fadiga e faz um estudo de caso da FPSO P33 da Petrobras. comparando-os com os resultados dos softwares STIFFENER® e ANFLEX®. Lemos reformula o problema para o caso viscoelástico linear. Verifica que o ponto de maior curvatura varia de acordo com o carregamento aplicado.LEMOS (2005) apresenta uma metodologia de análise de fadiga em risers flexíveis conectados à FPSOs com turret e aponta o ponto de conexão com a unidade flutuante como o ponto mais importante para avaliação de fadiga de risers flexíveis. fadiga em condições elastoplásticas e fadiga em risers flexíveis. critérios para análise de fadiga com carregamentos multiaxiais. O autor faz uma análise da interface riser-bend stiffener. Lemos apresenta também. Avalia o comportamento elástico não-linear assimétrico. a armadura de pressão. propriedades elásticas e o comportamento viscoelastico. Apresenta o efeito da distribuição de curvaturas proveniente da representação do enrijecedor considerando material linear elástico. MBAYE (2006) desenvolve um pré-processador para o sistema ANSYS® para geração e edição de malhas de elementos finitos de linhas flexíveis utilizadas em plataformas. mas o pior momento está sempre no engaste. elementos de pórtico espacial para modelar os 5 . curvas S-N. Lemos descreve mecanismos de fadiga. a variação da deformação máxima ao longo do comprimento do Bend stiffener variando a rigidez do poliuretano e conclui que a variação de deformação não é linear com a variação de rigidez do material. Resolve o problema de contorno apresentado por BOEF e OUT (1990) com uma solução numérica utilizando o método Rosembrock (denominado ODE23S) no pacote Matlab® e o método de “shoooting” com ajuda do usuário no Mathcad®. Descreve a modelagem de uma linha flexível que utiliza elementos finitos para a simulação das camadas da linha flexível e a interação entre elas. as camadas poliméricas e a tampa de fechamento. reescreve as equações do modelo incluindo sua dependência com o tempo e apresenta os resultados da aplicação de sua formulação. dano acumulado. descreve os polímeros. assimétrico. sendo que não necessariamente o ponto de maior deformação no material coincide com a pior curvatura. Utiliza elementos de casca para modelar a carcaça intertravada. fazendo uso de uma aproximação por série de potências polinomial com coeficientes interpolados previamente e resolve novamente o problema de valor de contorno numericamente. e material viscoelástico. não-linear elástico.

5.000 e 10. Caire e Vaz concluem que tanto o comportamento bi-linear à flexão do tubo quanto a folga entre o tubo e o enrijecedor não influenciam expressivamente a distribuição da curvatura em carregamentos extremos. SOUZA (2008) apresenta uma análise estrutural estática de Bend stiffeners por meio de um modelo linear elástico. com 2. devido a variação considerável da curvatura critica com as condições de carregamento impostas pelo riser (tensão interna e pressão externa). Compara os resultados entre o modelo numérico e o sistema ANFLEX®. utilizam os valores de EIns iguais a 100. Desenvolveu um código escrito em 6 . de propriedade da Petrobras e nota que. para todos os casos de carga analisados. 10 e 20% da curvatura limite. Mbaye apresenta também a análise de flexão de uma linha flexível pelo método de elementos finitos através de vários tipos de malhas. Concluem também que a presença da folga entre os componentes e a bi-linearidade da rigidez do tubo levam a resultados menos conservadores e sugerem a sua incorporação na avaliação da fadiga do conjunto. Apresentam os resultados de um modelo com elementos finitos para duas opções de folga entre o riser e o enrijecedor: 5 e 20 mm. e EIfs igual a 10 kNm2. CAIRE e VAZ (2007) avaliam a influência de uma resposta bi-linear do tubo flexível na relação momento-curvatura do conjunto enrijecedor-tubo flexível sob carregamentos extremos.arames das armaduras de tração e elementos de contato para viabilizar a interação entre as camadas que compõe a linha flexível. 5. Conclui que modelos de linhas flexíveis em elementos finitos são bastante sensíveis à variação do comprimento da malha a ser utilizado. onde “ns” indica “sem escorregamento entre as camadas” e “fs” indica “com escorregamento entre as camadas”. Descrevem uma formulação analítica do problema e. 1. resultando em um problema de valor de contorno. Os resultados são comparados com modelos discretizados no software ABAQUS para casos de carregamento extremo. Elabora um programa em Fortran usando o método Runge-Kutta de 4ª ordem para calcular a variação da curvatura ao longo de um segmento de linha flexível-bend stiffener. que é governado por uma equação diferencial não-linear de segunda ordem com coeficientes variáveis. porém estes parâmetros podem ser significativos caso seja considerado o carregamento por fadiga. Considerando a rigidez do riser. usam avaliações paramétricas da distribuição da curvatura do conjunto em função da curvatura crítica. os valores de curvatura obtidos pelo programa ANFLEX® são maiores que os obtidos pelo programa numérico (Runge-Kutta).000 kNm2. analiticamente formulado. Avaliam também a influência da folga (gap) entre o enrijecedor e o tubo na fadiga do conjunto.

sujeita a carregamentos extremos. com este código realizou uma avaliação estrutural paramétrica (geométrica) de um enrijecedor à flexão de geometria complexa em uma instalação típica. 7 . Com o resultado desta avaliação conclui que. dentre sete parâmetros geométricos de um enrijecedor cônico complexo. o comprimento total e o diâmetro máximo têm influencia mais significativa na distribuição da curvatura do conjunto linha flexívelenrijecedor.Matlab® para solução numérica do problema de valor de contorno.

Os termoplásticos de engenharia apresentam melhores propriedades térmicas e mecânicas que os convencionais. A palavra Polímeros é originária do grego que significa: poli (muitos) e meros (partes). sacos plásticos etc. caseína (proteína do leite). De acordo com o seu comportamento mecânico. potes. copos descartáveis. Dentre os polímeros sintéticos.3. São definidos como o conjunto de pequenas moléculas denominadas monômeros que se ligam por meio de uma reação denominada polimerização para formar macromoléculas. Segundo CANGEMI (2009). por exemplo. janelas de aeronaves. os polímeros podem ser classificados quanto à fusibilidade em termoplásticos. POLÍMEROS Historicamente. ginásios de esportes e lentes de óculos) e as poliamidas – Nylons (usados em engrenagens plásticas. Os termoplásticos. o desenvolvimento e o avanço das sociedades têm estado ligados às habilidades dos seus membros em produzir e manipular materiais para satisfazer as suas necessidades. São exemplos de termoplásticos de engenharia. As borrachas ou 8 . Como exemplo de termoplásticos convencionais tem-se o polietileno e o polipropileno. a poliamida (Nylon) e o acrílico. Dentre os vários polímeros naturais é possível citar a celulose (plantas). que revolucionaram o século XX e ficaram popularmente conhecidos como plásticos tem-se o policloreto de vinila (PVC). de acordo com sua durabilidade e desempenho podem ser convencionais ou de engenharia. Idade do Bronze). conforme ocorra uma simples adição. os polímeros são classificados basicamente em dois grupos: de adição e de condensação. tecidos impermeáveis etc). como HCl e H2O. Com relação ao tipo de reação de polimerização. foram designadas pelo nível de seu desenvolvimento em relação aos materiais (Idade da Pedra. que podem ser fundidos por aquecimento e solidificados por resfriamento e termorrígidos que são infusíveis e insolúveis. os polímeros são divididos em três grandes grupos: borrachas ou elastômeros. látex natural e seda. o policarbonato – PC (utilizados na fabricação de CD. e como exemplo de polímeros de condensação tem-se a poliamida. Os termoplásticos convencionais são encontrados principalmente nas embalagens plásticas como garrafas. sem subprodutos. Como exemplo de polímeros de adição tem-se o policloreto de vinila (PVC). Os polímeros podem ser naturais ou sintéticos. As civilizações mais antigas. plásticos e fibras. ou uma reação em que são abstraídas dos monômeros pequenas moléculas. entre muitos outros.

devido às ligações covalentes entre moléculas. Outro fator que afeta as propriedades dos polímeros é a sua estrutura macromolecular.elastômeros são materiais macromoleculares que exibem elasticidade em longa faixa à temperatura ambiente. Nos polímeros semicristalinos. Em um polímero amorfo. Devido às fortes interações intermoleculares. resultando então no que se denomina polímero reticulado. 2007). Os polímeros podem existir em estado amorfo ou semicristalino. as moléculas estão orientadas aleatoriamente e estão entrelaçadas. Cadeia linear. devido à sua estrutura regular. geralmente. especialmente em relação à fusibilidade e solubilidade. Estas cadeias podem ser vistas no esquema da Figura 3. em determinadas regiões. Deformam-se no mínimo 2 vezes o seu comprimento retornando ao inicial quando o esforço é retirado. gera propriedades diferentes no produto. Figura 3. cujo grau e complexidade pode ir até o extremo da formação de retículos. Os polímeros podem ser classificados ainda como lineares quando tem suas cadeias sem ramificações ou podem apresentar ramificações. cilíndrico.1. A formação de retículos. cadeia ramificada e cadeia cruzada (FELIPETTO. aumentando a resistência mecânica até formar o polímero infusível e insolúvel. impede o seu deslizamento e “amarra” as cadeias umas às outras. Os ramos laterais dificultam a aproximação das cadeias poliméricas. ou polímero com ligações cruzadas. plásticos (7 − 70 MPa) e fibras (700 − 7000 MPa). de acordo com MANO (2000). as moléculas exibem um empacotamento regular. Os plásticos se fundem quando são aquecidos e solidificam por resfriamento. com pequena seção transversal e com elevada razão entre comprimento e diâmetro (LOPES. transparentes. os polímeros 9 .1. Os polímeros amorfos são. As fibras possuem corpo flexível. 2003) Como conseqüência. prejudicando assim as propriedades mecânicas. A grande diferença entre estes três grupos está no módulo de elasticidade: borrachas ou elastômeros (70 − 700 KPa). sendo mais comum em polímeros lineares. cada tipo de cadeia. o que diminui as interações intercadeias. ordenado.

conferindo aos poliuretanos uma posição importante no mercado mundial de polímeros sintéticos de 10 . POLIURETANOS O crescimento da ciência e da tecnologia do plástico leva ao desenvolvimento de novos materiais com diferentes tipos de propriedades desejáveis. alifáticos. ser induzido por um estiramento das cadeias.semicristalinos são mais duros e resistentes. Os poliuretanos (PU’s) fazem parte de um grupo extenso de polímeros com diferentes composições e perfis de propriedade que foram descobertos por Otto Bayer. Uma representação esquemática da estrutura pode ser vista na Figura 3. contendo dois ou mais grupos reativos (MARIANO.1. (b) Polímero semicristalino (MANO.2. MENDES. Em 1848 Wurtz descobriu que os grupos isocianatos reagiam quantitativamente com os grupos hidroxilas primários originando grupos uretanos. ainda. Figura 3. ciclo-alifáticos ou policíclicos. (a) Polímero amorfo. estes polímeros são mais translúcidos. Eles são normalmente produzidos pela reação de um isocianato (di ou polifuncional) e um poliol ou outros reagentes. como as regiões cristalinas espalham a luz. Esta flexibilidade de escolha de reagentes permite obter uma infinita variedade de compostos com diferentes propriedades físicas e químicas. Um polímero nunca será composto integralmente de regiões cristalinas. Os compostos contendo hidroxilas podem variar quanto ao peso molecular.2. 2009). natureza química e funcionalidade. no sentido de alinhar as moléculas. Os isocianatos podem ser aromáticos. em 1937. O surgimento de regiões cristalinas pode. 1999) 3.

com textura maciça ou celular. Os poliuretanos rígidos têm um alto teor de ligações cruzadas e não apresentam as estruturas segmentadas.3. 1999). Durante a reação de polimerização. e dependendo dos monômeros e do catalisador. 11 . os segmentos rígidos são derivados da reação de isocianatos e extensores de cadeia e. Os segmentos flexíveis são formados por polióis e são responsáveis pela flexibilidade e estiramento. resistência à abrasão. presentes nos poliuretanos flexíveis.alto desempenho.1. 2009) 3.1. Formação de um poliuretano (CANGEMI. Figura 3. Na Figura 3. Propriedades As características físicas de um polímero dependem não apenas da sua forma e do seu peso molecular. O poliuretano é conhecido pelas suas excelentes propriedades mecânicas tais como resistência mecânica. resistência a óleos e alta resiliência. A Figura 3. estes são os elastômeros e espumas flexíveis. podendo resultar em borrachas. de natureza termoplástica ou termorrígida (MANO e MENDES. contribuem no travamento e na ligação das cadeias poliméricas tendendo a se aglomerar em domínios que agem como precipitado e fornecem ao materal rigidez e resistência mecânica. mas também das diferenças na estrutura das cadeias moleculares. As técnicas modernas de síntese de polímeros permitem um controle considerável sobre várias possibilidades estruturais.4 pode-se ver uma representação esquemática da estrutura de fases do poliuretano com os segmentos rígidos e os segmentos flexíveis. uma grande variedade de materiais pode ser obtida (cerca de 77 mil tipos). Alguns materiais possuem longas cadeias flexíveis unidas por segmentos aromáticos rígidos de poliuretano e poliuréia. Poliuretanos são materiais versáteis.3 mostra o esquema de uma reação típica de obtenção de um poliuretano. há a formação de copolímeros compostos por blocos de segmentos flexíveis e segmentos rígidos ligados em compostos de uretano. Por outro lado. plásticos ou fibras.

o poliuretano é utilizado em revestimentos de cilindros de laminação a frio que tem a função de tracionar a linha. Na siderurgia.4. A indústria metro-ferroviária usa o poliuretano em talas isolantes instaladas em vias sinalizadas ou eletrificadas. Neste. porém é comum a ocorrência de pequenas variações de dureza devido às imperfeições do material. o poliuretano é bastante usado no revestimento interno de tubulações devido a sua proteção anti-abrasiva.wikipedia. Os mercados de maior uso do poliuretano são o de petróleo e mineração. Estas tubulações transportam o rejeito e a polpa de minério gerados na produção de uma mineradora. 2002) Segundo VILAR (2002). O poliuretano também terá maior dureza se possuir um elevado percentual de segmentos rígidos e alto grau de reticulação. Uma plataforma de petróleo chega a ter mais de 20 toneladas de poliuretano distribuídos em algumas peças (http://pt. Na indústria do petróleo. Revista Plástico Sul.org/wiki/Poliuretano). é utilizado também para revestir cilindros e tambores e em algumas molas dos moldes de estamparia. (b) Segmentos flexíveis (VILAR. Até 2008. Na metalurgia. o poliuretano é utilizado para revestir cilindros de prensa e rolos guia. o poliuretano é bastante utilizados nos enrijecedores de curvatura (Bend stiffeners) localizados na conexão com o topo da plataforma. 2008). a baixas temperaturas os poliuretanos tornam-se duros e quebradiços. Na indústria de papel e celulose. o Brasil produzia cerca de 335 mil toneladas de poliuretano anuais e estima-se que até 2012 este número seja 441 mil toneladas com uma evolução média de 4. (a) Segmentos rígidos.7% ao ano (Novas ações em busca da produção limpa. em proteções antiabrasivas e outros tipos de proteções. 12 . O poliuretano é um material de engenharia bastante utilizado na indústria.Figura 3.

torna-se necessária uma forma de especificar a posição de cada partícula ao longo do tempo. Quando um corpo apresentar alguns pontos com tensões maiores que as tensões limites de escoamento e este demonstrar algum grau de escoamento. mesmo que o restante do corpo permaneça em regime elástico. que dependendo do material pode ser maior ou menor. rapidamente de uma grande deformação. Outro tipo de não-linearidade encontrada em materiais de engenharia diz respeito à relação constitutiva do material. como os enrijecedores. com as respectivas bases cartesianas Ei na posição inicial t=0. A partir do momento que a força não é proporcional ao deslocamento. as forças deformantes não são proporcionais às deformações elásticas produzidas. 13 . ELASTICIDADE NÃO-LINEAR A não linearidade de muitos fenômenos que nos cercam estimula pessoas no mundo inteiro a estudar tais fenômenos através de modelos matemáticos e experimentais. possuem uma relação não-linear entre tensão e deformação e são capazes de recuperar-se. a Lei de Hooke não é aplicável. O comportamento de peças e componentes fabricados a partir de poliuretano. Estes materiais manifestam grandes deformações elásticas (normalmente acompanhadas de não-linearidade geométrica). 3. independente do nível de solicitação. isto é. A posição destas partículas no instante t é descrito pelas coordenadas (x1. Neste caso.2. Como pode ser visto na Figura 3. como o poliuretano. x2.3. Alguns materiais. para descrever o movimento do corpo ao longo do processo de deformação. X2. um corpo é idealizado como um conjunto de partículas descritas pelas coordenadas (X1. tem-se a não-linearidade material ou não-linearidade física. bem maiores que as encontradas em materiais convencionais. Em grande parte dos materiais utilizados na engenharia. Movimento Segundo HOSS (2009).2.5. No entanto. tem-se a nãolinearidade geométrica.1. percebe-se uma linearidade no início da trajetória de equilíbrio entre a força aplicada e o deslocamento. não é linear quando se faz um estudo entre tensão e deformação. sempre existirá algum grau de não linearidade presente após este trecho linear. x3) do vetor posição x nas bases cartesianas ei. X3) do vetor posição X.

2. Cinemática do processo de deformação (BONNET e WOOD. não podendo haver superposição ou desaparecimento de matéria.1 ) x = x i ei Para um valor fixo de t. O movimento do corpo pode ser matematicamente descrito como uma função φ entre as posições inicial e atual da partícula através da equação: x = φ (X . 1997) Em qualquer momento. Para uma partícula X. o mapeamento X → x é uma transformação matemática.2. a equação ( 3. cada partícula do conjunto ocupa um ponto de uma região fechada e cada ponto desta região é ocupado por somente uma partícula. t ) Onde: ( 3.Figura 3. esta equação descreve o movimento ou trajetória desta partícula em função do tempo.5. De acordo com HOSS (2009). e implica em um Jacobiano correspondente: 14 .1 ) representa um mapeamento entre a configuração indeformada e a configuração deformada do corpo.

No decorrer deste trabalho. Movimento de um corpo (BONNET e WOOD.2. tradicionalmente se trabalha com os deslocamentos sofridos pelo corpo. o que resulta em deformação contínua.6.J= ∂xi ∂X j Como não pode haver superposição ou desaparecimento de matéria. conforme pode ser visto na Figura 3. t ) − X ( 3.6.2 ) Onde as componentes de u são os deslocamentos dos pontos nas direções cartesianas: 15 . as bases cartesianas Ei e ei são consideradas iguais. a condição de existência para o movimento é dada por J>0. 1997) Em problemas de Mecânica dos Sólidos. Figura 3. Da Figura 3.6 é fácil verificar que: u = x − X = φ(X .

2. t ) ( 3.7 ) 16 .5 ) Então.2. t x q2 Q2 ( ) = φ (X . que se deforma em dx na configuração final é a forma mais direta de se medir deformação.2. t ) A definição do tensor gradiente de deformação é (LAI et al.2. os vetores dx1 e dx2 são obtidos em termos de dX1 e dX2: dx1 = FdX 1 dx 2 = FdX 2 ( 3.4 ) F= ∂φ = ∇φ ∂X ( 3.. t ) − φ (X p .3 ) podem ser escritas também como: x = x( X . 1993): ( 3. t ) dx 2 = x q2 − x p = φ ( X P + dX 2 .6.2. t ) x q1 = φ X Q1 . Medidas de deformação 3. verifica-se que: x p = φ(X P .2.3 ) E os correspondentes vetores.2.2.1. t ) ( 3. de comprimento inicial dX. tornam-se: dx1 = x q1 − x p = φ ( X P + dX 1 .2.6 ) As equações de movimento ( 3. Tensor gradiente de deformação A análise do comportamento de uma fibra infinitesimal de material. t ) − φ (X p .u = u i ei 3. Da Figura 3.2.

2 ) em ( 3. pode-se definir os volumes infinitesimais: dV = dX 1 dX 2 dX 3 dv = dx1 dx 2 dx3 17 . Partindo-se das definições de área infinitesimal nas duas configurações. conforme APÊNDICE A. que: da = F F −T dA ( 3. A relação dos comprimentos indeformado e deformado de uma fibra infinitesimal de material é dado pela expressão ( 3.9 ) ∇u = ∂u ∂X ( 3. chamada gradiente de deformação.2.6 ). tem-se: dA = dX 1 × dX 2 da = dx1 × dx 2 Onde dA é a área infinitesimal indeformada e da é a área infinitesimal deformada. 1993): F = I + ∇u Onde: ( 3. reescreve-se F em função dos deslocamentos (LAI et al.E o tensor gradiente de deformação pode ser escrito como: F= ∂x ∂X ( 3. É possível provar.10 ) O tensor F é uma medida primária de deformação.2.2.8 ) Substituindo-se a equação ( 3.2..2.11 ) De forma análoga.2.5 ).2.

2. o tensor F permite a seguinte decomposição: F = RU F = VR ( 3.2. Os tensores de deformação de Cauchy-Green eliminam a falta de simetria de F e a variância com rotações. torna-se complicada a sua aplicação em relações constitutivas já que as mesmas devem ser construídas de modo que não sejam previstas tensões devido a movimento de corpo rígido. Tensores de deformação de Cauchy-Green O gradiente de deformação estudado no item anterior pode ser considerado uma medida de deformação do corpo. Pode-se reescrever a equação ( 3.6 ) como: 18 .2.2.12 ) Ou seja. como tensores de alongamento à direita e à esquerda.14 ) Para problemas submetidos a deformações homogêneas extensonais.2. A matriz ortogonal R descreve as rotações do corpo rígido: R T R = RR T = I R =1 ( 3.2. respectivamente.2. F = J .15 ) ( 3.Tem-se então a expressão: dv = F dV ( 3. ele incorpora informações sobre deformações e rotações.2. Contudo. Em função desta restrição. conforme visto.16 ) 3. o que evidencia que o Jacobiano da deformação deve ser sempre positivo. tem-se: F =U =V R=I ( 3.2. Sendo assim.13 ) Onde U e V são tensores simétricos positivos chamados.

2.18 ) e ( 3.2.Green à direita. B e C) ainda caracterizam mal a deformação. pois assim como F. uma vez que relaciona o comprimento do segmento na configuração instantânea (dx) a seu comprimento na configuração indeformada (dX).20 ) O tensor B é definido como tensor de deformação de Cauchy-Green à esquerda (ou tensor de Finger) (BITTENCOURT. Todos estes tensores deformação definidos nas equações acima (U. não fornecem um valor nulo quando submetido a deslocamentos de corpo rígido.19 ) B = FF T = V 2 ( 3.20 ) como: C ij = − Bij 1 = ∂u j ∂u k ∂u k ∂x K ∂x K ∂u = δ ij + i + + + ∂X i ∂X j ∂X j ∂X i ∂X i ∂X j ∂u j ∂u k ∂u k ∂X K ∂X K ∂u = δ ij + i + + + ∂xi ∂x j ∂x j ∂xi ∂xi ∂x j Onde: 19 .18 ) Pode-se observar que o tensor C representa uma medida de deformação.2.2. reescreve-se ( 3.dx 2 = (FdX ) = dX T F T FdX = dX T CdX 2 ( 3.2. Pode-se definir também: dX 2 = F −1dX Onde: ( ) 2 = dx T FF T ( ) −1 dx = dx T B −1dX ( 3. V.2.9 ).17 ) Onde: C = FT F =U 2 ( 3. fornecendo como resposta a matriz identidade. Utilizando ( 3. 2005). O tensor C é denominado tensor de deformação de Cauchy.2.

2. ou seja: T T 1 T 1  ∂u   ∂u   ∂u   ∂u  E = F ⋅ F − I =  +  +  ⋅  2 2  ∂X   ∂X   ∂X   ∂X    [ ] ( 3.2.I 1 = C ii = trC I2 = 1 (Cii C jj − Cij C ji ) = 1 (trC )2 − 1 trC 2 2 2 2 ( ) ( 3.23 ) O tensor deformação de Green-Lagrange E é definido como o termo entre colchetes na equação ( 3.24 ) com a equação ( 3.2.21 ) I3 = C As equações ( 3.2.25 ) Sendo assim.3.2.2.2.2.18 ): E= 1 (C − I ) 2 ( 3.2.24 ) Combinando a equação ( 3.23 ). define-se o tensor de GreenLagrange a partir da diferença do quadrado do comprimento de uma fibra material antes e depois da deformação: dx 2 − dX 2 = dx T dx − dX T dX ( 3. dx 2 − dX 2 = dX T (2 E )dX ( 3.22 ) 1 dx 2 − dX 2 = dX T F T F − I dX = 2dX T  F T F − I 2 ( ) ( )dX   ( 3.2. 3.21 ) representam os invariantes de C.26 ) 20 . Tensores de deformação de Green-Lagrange Para fornecer uma medida de deformação que se anule quando não há deformação (por exemplo movimento de corpo rígido).2.2.

2.29 ) Combinando a equação ( 3.3.28 ) O tensor deformação de Almansi G é definido como o termo entre colchetes na equação ( 3.2.5.20 ): G= 1 I − B −1 2 ( ) ( 3.2. o alongamento em cada direção pode ser obtido diretamente dos valores principais de F (ATKIN e FOX. Tensores de deformação de Almansi O equivalente Euleriano de E é o tensor de deformação de Almansi G. Alongamento Outra medida de deformação é o alongamento (stretch). O alongamento corresponde à razão entre os comprimentos de uma fibra de material nas configurações deformada e indeformada: stretch = dx dX ou λ=E+I ( 3.2.27 ) ( )dx   ( 3.2. ou seja: T T 1 1  ∂u   ∂u   ∂u   ∂u  −T −1 G = I − F ⋅ F =   +   +   ⋅   2 2  ∂x   ∂x   ∂x   ∂x    [ ] ( 3.2.30 ) 3. A equação ( 3.29 ) com a equação ( 3.2.22 ) pode ser reescrita conforme as equações abaixo: dx 2 − dX 2 = dx T I − F −T F −1 dx 1 dx 2 − dX 2 = 2dx T  I − F −T F −1 2 ( ) ( 3.28 ).31 ) Para os casos de deformações homogêneas.2.2.2.2.4.2. 1980): 21 .2.

( 3. F11 0  0  0 F22 0 0  λ1 0  =0   F33   0   0 λ2 0 0 0  λ3   ( 3. neste caso: λ1 2  C=B= 0 0  0 λ2 2 0 0   0  λ3 2   ( 3. na solução de problemas de engenharia.25 ) e ( 3.18 ). ( 3. dadas pelas equações ( 3.2.2. ( 3.2.9 ).2.30 ). os termos de ordem superior do gradiente do campo de deslocamentos tornam-se desprezáveis: F T F = I + ∇u + (∇u ) + (∇u ) (∇u ) T T (∇u ) (∇u ) << 1 T ( 3.2.33 ) 3. porém. Não foi imposta nenhuma limitação quanto à extensão dessas deformações.2.2.32 ) e. ( 3. Nestes casos.2.6. Tensor deformação infinitesimal Nos itens anteriores deste capítulo.35 ) 22 .2. foram definidas cinco medidas de deformação (F. E e G). Considerando esta hipótese.2.34 ) E as seguintes relações são verificadas: B = C = I + ∇u + (∇u ) ≡ I + 2ε T ε =G O tensor ε é chamado de tensor deformação infinitesimal.20 ). é comum a adoção da hipótese de deslocamentos infinitesimais. a extensão dos deslocamentos é muito menor que as dimensões do corpo. B.2. C.

Tensor Tensão de Cauchy Seja um corpo em equilíbrio estático com um plano S passando através de um ponto P conforme a Figura 3. t − n no mesmo ponto e mesmo plano.2.3. t n = lim ∆F ∆A→0 ∆A ( 3. pela 3ª lei de Newton.3. t n = −t − n ( 3.36 ) Se a parte II da Figura 3.2. O plano S tem um vetor normal n e divide o corpo em duas partes (I e II)..7.36 ) definida como vetor tração t (de II para I) no ponto P. há no plano S uma força resultante ∆F que atua sobre o incremento de área ∆A no ponto P.3.2.2. obtém-se a equação ( 3.37 ) Figura 3. Considerando a parte I como um corpo livre.1. tem-se um vetor (de I para II). porém em direção oposta ao da equação anterior.7 for considerada um corpo livre. Realizandose o limite ∆A → 0 . 1993) 23 .7. Medidas de tensão 3.2. Seção de um corpo em equilíbrio estático (LAI et al.

tem-se as relações entre tração a componentes de tensão como as chamadas equações de Cauchy: t = σn t i = σ ij n j ( 3. Uma maneira de resolver este problema é obter medidas de tensão do corpo definidos sobre a configuração indeformada. 24 .A força ∆F pode ser decomposta em uma componente normal ∆Fn e suas componentes tangenciais ∆Ft e ∆Fs ao plano de corte ( ∆F = ∆Fn en + ∆Ft et + ∆Fs es ). No entanto. Seja df a força que atua na área dAn conforme a Figura 3.2.39 ) 3.2. Seja dA0 a área diferencial de um material com um vetor normal n0 no tempo inicial e a área dA do mesmo material que no tempo final possui um vetor normal n. a forma do corpo após a deformação é desconhecida.2.38 ) σ nt = lim σ ns = lim ∆A→0 ∆A→ 0 Generalizando para um contorno qualquer.3. Define-se então as seguintes componentes de tensão: σ nn = lim ∆Fn ∆A ∆Ft ∆A ∆Fs ∆A ∆A→0 = = = dFn dA dFt dA dFs dA ( 3.2. A área dA0 é chamada de área indeformada e a área é chamada de área deformada dA. Tensor Tensão Piola-Kirchhoff Uma dificuldade em problemas de engenharia é que as equações de equilíbrio devem atender a configuração do corpo deformado.8.

40 ) Pode-se obter a relação entre o primeiro tensor tensão Piola-Kirchhoff e o tensor tensão de Cauchy.2.40 ): t 0 = T 0n0 ( 3.39 ) e ( 3.40 ).42 ) Combinando a equação ( 3.2.42 ) com as equações ( 3.2.Figura 3.2.2. O primeiro tensor de Piola-Kirchhoff O primeiro tensor de Piola-Kirchhoff (também chamado de tensor tensão Lagrangiano) é uma transformação linear T0 de acordo com a equação ( 3.2.2.41 ) t0 = dA t dA 0 ( 3. Trações sobre as configurações inicial e deformada (BONNET e WOOD.8. Seja: df = tdA = t 0 dA 0 Então: ( 3. temse: 25 . 1997) É possível definir dois outros vetores de tensão e tensores baseados na área indeformada.

isto leva a relações constitutivas muito complexas.2.46 ) Tem-se então.6 ): 26 .2.47 ) O primeiro tensor tensão Piola-Kirchhoff nos fornece a força instantânea df na área atual dA.48 ) O segundo tensor de Piola-Kirchhoff O primeiro tensor de Piola-Kirchhoff não é simétrico.47 ). σ= 1 T 0 F −T det F ( 3.2. Uma das formas de obter o tensor simétrico é definir uma força e um tensor que sejam transformados da mesma forma que na equação ( 3.43 ): T 0 n 0 = σ (det F ) F −1 n 0 T ( ) ( 3.2.2.2.45 ) Combinando as equações ( 3. tem-se: dAn = dA 0 (det F ) F −1 n 0 T ( ) ( 3.σdAn  dA  T 0 n 0 =  0 σn = t dA 0  dA  ( 3.2. A relação entre T0 e σ é obtida na equação . mas calculada por unidade de área de referencia dA0 e expressa em termos de sua normal n0. dA = F F −T dA 0 ( 3.44 ).43 ) A equação ( 3.2.2. na equação ( 3.8 na equação ( 3.2.2. Por isto se faz necessário a definição de um tensor simétrico.11 ) pode ser reescrita com a notação da Figura 3.45 ) com ( 3.2. o primeiro tensor tensão Piola-Kirchhoff T 0 = (det F )σ F −1 ( ) T ( 3.44 ) Sendo assim.

50 ) Comparando com o primeiro tensor de Piola-Kirchhoff. se possa calcular a deformação e vice-versa. relacionada com df. o tensor T leva a equações de equilíbrio mais complexas que o primeiro tensor de Piola-Kirchhoff.4.df 0 = F −1 df T =F T −1 0 ( 3. ao invés de relacionar df com a área dA. é possível relacionar σ.49 ) Usando a definição ( 3. T = (det F )F −1σ F −1 ( ) T ( 3. lineares ou não-lineares.52 ). obtendo a tensão. Segundo ATKIN e FOX (1980). deste modo tem-se de uma medida Lagrangiana.2.47 ).2. o material elástico segue duas regras: • É um material em que a relação tensão x deformação é perfeitamente reversível (seja esta relação linear ou não).2. a equação ( 3. percebe-se que. T e T0 a partir do princípio da conservação da massa e da equação ( 3.2. Sendo ρ e ρ0 as densidades das configurações deformada e indeformada respectivamente. Nesta seção apresenta-se relações constitutivas para materiais isotrópicos elásticos. Apesar de ser simétrico sempre que σ também for.2.2.50 ) fornece a força df0 em dA0. Relações constitutivas para material isotrópico elástico Relações constitutivas são as equações que relacionam tensão com deformação para que.12 ): T0 = ρ 0 −1 F σ ρ T = T 0 F −1 T 0 = TF T ( ) T σ= ρ FTF T ρ0 3. 27 . tem-se o segundo tensor de Piola-Kirchhoff mostrado na equação ( 3.2.

2. Neste trabalho foram abordados apenas materiais isotrópicos.51 ) Onde σ é o tensor tensão de Cauchy e ε é o tensor deformação infinitesimal.2. O módulo de compressibilidade é representado pela equação ( 3. que constitui a direção de monotropia do material. As deformações são muito pequenas. material com características simétricas em relação a um plano de orientação arbitrária.52 ) 28 .2. monotrópicos ou ortotrópicos (VALENTE..Material com as mesmas características em todas as direções ou. • Ortotrópico . • Monotrópico . um material linear elástico ideal tem as seguintes características: • • • A relação entre a carga aplicada e a deformação é linear. Para descrever o comportamento de um material linear elástico sob um estado de tensões tridimensional é preciso conhecer duas propriedades: o módulo de elasticidade (E) e o coeficiente de Poisson (ν). (1993). A relação constitutiva para um material linear elástico é a lei de Hooke.Material com características simétricas relativamente a planos paralelos e a planos perpendiculares a um eixo.2.52 ). Material linear Segundo LAI et al.4.• O estado de tensões em um ponto do corpo depende apenas de uma medida da deformação naquele ponto e não do histórico de deformação. K= E 3(1 − 2ν ) ( 3.Material com características simétricas relativamente a três planos ortogonais.51 ): σ ij = ν E   ε kk δ ij   ε ij + 1 +ν  1 − 2ν  ( 3.2. que está representada na equação ( 3. 2004): • Isotrópico . Ao se remover a carga. Os materiais se dividem em isotrópicos. as deformações desaparecem completamente.1. 3.

Existem três tipos de lei constitutiva não-linear (LAI et al.2. É indicada para as teorias aproximadas de plasticidade. Como foi demonstrado no início desta seção.2. além de suas relações tensão x deformação serem bastante complexas.2.2. Na equação ( 3. essa equação só pode modelar comportamentos lineares. 1993) e (BONNET e WOOD. • Materiais Hookeanos – É usada em materiais com características próximas a materiais lineares elásticos.. Material não-linear A relação constitutiva apresentada na seção anterior na equação ( 3.2. estendendo para deformações finitas.53 ) O caso tridimensional isotrópico mais geral. Sabe-se que estas limitações restringem os polímeros quase que em sua totalidade. (1993) é representado pela equação ( 3. • Hiperelasticidade – Quando o trabalho feito pela tensão durante o processo de deformação é dependente apenas do estado inicial e da configuração final.51 ) só pode ser utilizada para modelar pequenas deformações e mesmo se as deformações forem pequenas.54 ) 29 . segundo LAI et al. Esta medida da deformação pode ser obtida através da chamada elasticidade de Cauchy.54 ): σ = a0 I + a1 B + a 2 B 2 ( 3. σ = f (B) ( 3.4.2. o estado de tensões em um ponto do corpo depende apenas de uma medida da deformação naquele ponto.3. 1997): • Hipoelasticidade – Dedicada a modelar o comportamento tensão x deformação não-linear restrito a deformações elásticas pequenas.53 ) tem-se a equação constitutiva geral para a elasticidade de Cauchy. para um material elástico. O comportamento dos polímeros apresenta grandes deformações no regime elástico. o material é denominado hiperelástico Seu comportamento inclui tanto cinemática não-linear quanto tensão x deformação não linear.2.

as funções bi podem ser derivadas de uma função W dos invariantes I 1 e I 2 do tensor B tal que: b1 = 2 ∂W ∂I 1 ∂W ∂I 2 ( 3. (1993). σ = b0 I + b1 B + b2 B −1 Onde b0. a equação ( 3.2. porém quando o material é considerado incompressível. (2002).56 ) que é a forma mais geral de relação constitutiva para um material isotrópico elástico sob grandes deformações.2.2.2. é possível notar um comportamento muito particular onde qualquer pequena alteração no deslocamento produz grandes alterações na tensão.2. de modo que uma solução baseada simplesmente no deslocamento é muito sensível para ser usada numericamente.2.55 ) Multiplicando a equação ( 3.57 ) Segundo LAI et al.2. a solução do problema não pode ser obtida apenas em função dos deslocamentos.59 ) 30 .2. tem-se a equação ( 3. Tem-se assim.Onde ai são funções escalares dos invariantes escalares do tensor B. as equações constitutivas ficam bastante simplificadas. tem-se: B 3 − I1 B 2 + I 2 B − I 3 I = 0 ( 3.57 ): σ = − pI + b1 B − b2 B −1 ( 3.54 ).2.5). Aplicando o teorema de Cayley-Hamilton (APÊNDICE B) para B. é preciso inserir uma tensão hidrostática indeterminada p . ( 3. Segundo HIBBITT et al. b1 e b2 são funções escalares dos invariantes escalares de B. sem alterar os deslocamentos.56 ) Considerando sua incompressibilidade.55 ) por B −1 e substituindo em ( 3.58 ) b2 = − 2 ( 3. Nos casos onde se tem materiais quase incompressíveis (coeficiente de Poisson bem próximo a 0.

2. tem-se a seguinte relação constitutiva: σ = − pI + 2 ∂W ∂W −1 B−2 B ∂I 1 ∂I 2 ( 3.59 ) na equação ( 3.2.4.57 ). pode-se eliminar o alongamento λ3 das equações: 31 . Soluções analíticas para sólidos incompressíveis Para determinar a função densidade de energia é preciso realizar ensaios experimentais. O tensor B pode ser obtido com a equação ( 3.33 ) e as equações ( 3. Estes ensaios correspondem a uma classe de problemas que possuem solução analítica por tratar-se de problemas submetidos a deformações homogêneas puras obedecendo a equação ( 3.2.21 ) nos fornecem os invariantes de deformação (VAZ e LEMOS. Nesta seção apresenta-se a solução analítica para o casos de tração de uma lâmina incompressível.61 ) Segundo invariante de deformação: I 2 2 2 2 2 I 2 = λ1 λ2 + λ2 λ3 + λ3 λ1 2 2 ( 3.Onde W é uma função densidade de energia de deformação.3.58 ) e ( 3.2.2. 2001): Primeiro invariante de deformação: I 1 I1 = λ1 + λ2 + λ3 2 2 2 ( 3.2.2.15 ).2. Substituindo as equações ( 3.2.62 ) Terceiro invariante de deformação: I 3 I 3 = λ1 λ2 λ3 2 2 2 ( 3.2.2.63 ) Devido à condição de incompressibilidade.60 ) 3.

64 ) λ3 = λ1λ 2 ( 3.60 ).2.68 ) e ( 3. representado pela Figura 3.2.4.66 ) Substituindo as equações ( 3.2.2.33 ).71 ) 32 .2.69 ) A partir das equações ( 3.2. pode-se adotar as seguintes premissas descritas nas equações abaixo: σ 22 = σ 33 = 0 ( 3.2. ( 3.70 ) λ1 = λ ( 3.2.64 ).3.λ1λ 2 λ3 = 1 1 ( 3. Tração de uma lâmina fina incompressível Considerando o caso de tração uniaxial.2. tem-se o seguinte campo de tensões: σ 11 = − p0 + 2λ1 2 ∂W 2 ∂W − 2 ∂I 1 λ1 ∂I 2 ∂W 2 ∂W − 2 ∂I 1 λ 2 ∂I 2 ( 3.9.2.2.66 ): p = cons tan te = p 0 ( 3.69 ).2.67 ) σ 22 = − p0 + 2λ2 2 ( 3.2.2.1.65 ) Para que as condições de equilíbrio sejam satisfeitas.66 ) na equação ( 3. como na equação ( 3.2.2. pode-se obter soluções analíticas para vários casos de geometria e carregamento.2.68 ) σ 33 = − p0 + 2 λ1 λ2 2 2 ∂W 2 2 ∂W − 2λ1 λ 2 ∂I 1 ∂I 2 ( 3.67 ). a tensão hidrostática indeterminada p deve ser constante. 3. ( 3. ( 3.65 ) e ( 3.2.

tem-se as definições dos invariantes de deformação para o caso de extensão uniaxial: I 1 = λ2 + 2 λ 1 ( 3. 2006) Segundo LAI et al.72 ) Figura 3.2.λ 2 = λ3 = 1 λ ( 3.62 ). Neste caso.71 ) e ( 3.9.75 ) 33 . Extensão uniaxial (MARCZAK.2.2.74 ) I 2 = 2λ + λ2 ( 3.2.2.2.2.73 ) Substituindo as equações ( 3.2.2. o tensor de deformação de Cauchy-Green à esquerda torna-se: λ1 2  C=B= 0 0  0 λ2 0 2 0   0  λ2 2   ( 3. a equação ( 3. (1993).72 ) nas equações ( 3.72 ) descreve a condição isocórica (não há alteração volumétrica).61 ) e ( 3.

71 ).70 ) a ( 3. pode ser obtida combinando as equações.2.76 ) com ( 3. 2001): • Modelos micromecânicos: são modelos que foram desenvolvidos a partir de informações sobre as ligações químicas do material. λ 2 . 2009) e (VAZ e LEMOS. I 2 . Os diversos modelos hiperelásticos existentes se dividem em duas categorias (BERTONI.2.2. λ3 ) ( 3. λ1 .2.67 ): σ = σ 11 = 2 λ2 −   1  ∂W 1 ∂W   +  λ  ∂I 1 λ ∂I 2    ( 3.69 ).2. ( 3.2.72 ) em ( 3.76 ) A equação ( 3. I 2 .77 ).2. λ3 são os três principais alongamentos e I 1 . • Modelos fenomenológicos: são modelos que foram baseados em observações do comportamento do material durante testes.2.5.A pressão hidrostática é obtida substituindo as equações( 3.77 ) 3.2. 34 . I 3 ) ou W = W (λ1 . ( 3.2.78 ) Onde. Modelos hiperelásticos Os modelos constitutivos para materiais hiperelásticos descrevem o comportamento do material através da energia de deformação. λ2 . I 3 são os invariantes de deformação. Tem-se a seguir alguns exemplos de modelos micromecânicos e modelos fenomenológicos. tem-se: p0 = 2 1 ∂W ∂W − 2λ ∂I 2 λ ∂I 1 ( 3. que representa a equação da tensão uniaxial.2. A função densidade de energia de deformação pode ser descrita como: W = W (I1 .

Modelos Fenomenológicos • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • • Modelos Micromecânicos Mooney-Rivlin (1951) Gent-Thomas (1958) Blatz-Ko (1962) Hart-Smith Aprimorado (1966) Hart-Smith (1966) Fung (1967) Veronda-Westmanns (1970) Ogden (1972) Peng-Landel (1972) Hyperfoam (1972) Knowles (1977) Kilian (1981) Van der Waals (1981) Humphrey.Yin (1981) Takamizawa-Hayashi (1987) Yeoh (1990) Yeoh-Modificado (1993) Yamashita-Kawabata (1993) Davis-De-Thomas (1994) Gregory (1997) Yeoh-Fleming (1997) Martins (1998) Amin (2002) Hartmann-Neff (2003) Bechir (2005) Polinomial (-) Neo-Hookeano (1943) Edwards-Vilgis (1987) Arruda-Boyce (1993) Gent (1996) Gent-03 Parâmetros (1999) Pucci-Saccomandi (2004) Horgan-Saccomandi (2002) Neste trabalho. 35 . Os modelos hiperelásticos apresentados a seguir estão particularizados para o caso incompressível e fornecem como resposta os coeficientes para o cálculo da função de energia de deformação. fez-se a análise do material hiperelástico em 5 modelos que estão descritos a partir da próxima seção.

2.3. é baseado no primeiro e segundo invariante de deformação: 2 termos (polinomial de ordem 1) W = C10 ( I 1 − 3) + C 01 ( I 2 − 3) 3 termos (polinomial de ordem 2 considerando C 20 = 0 e C 02 = 0 ) ( 3. Modelo de Mooney-Rivlin É o modelo mais conhecido entre os modelos hiperelásticos.80 ) 3.3. ( 3. considerando C 01 = 0 .2.2. A função energia de deformação fica então baseada no 1º invariante: W = C10 ( I 1 − 3) ( 3.5.82 ) 36 .2.2.5.2.5. C01 e C11 são os coeficientes do material. Modelo de Ogden É baseado diretamente nos alongamentos ao invés dos invariantes de deformação: W =∑ µn α (λ1 + λα2 + λα − 3) 3 αn n =1 N n n n ( 3.1.81 ) 3. Modelo Neo Hooke É um caso particular do modelo de Mooney-Rivlin de dois termos.2.2. Também chamado de modelo polinomial.79 ) W = C10 ( I 1 − 3) + C 01 ( I 2 − 3) + C11 ( I 1 − 3)( I 2 − 3) Onde C10.

pode-se obter outros modelos por simplificação.2. µ1 = 2C10 . 3.2. está descrito na equação ( 3. Modelo de Yeoh Este modelo é baseado no primeiro invariante de deformação.Onde µ n e α n são constantes.83 ) O modelo de Ogden com 4 parâmetros. inteiras ou não. µ 2 = −2C 01 e α 1 = −α 2 = 2 . onde N = 2 . Neste modelo.84 ): W= µ µ1 α (λ1 + λα2 + λα − 3) + α 2 (λ1α + λα2 + λα − 3) 3 3 α1 2 1 1 1 2 2 2 ( 3. µ1 = µ . deve-se respeitar a seguinte restrição: µ= 1 N ∑ µ iα i 2 i =1 ( 3.87 ) 37 .85 ) 2 termos (polinomial reduzido de ordem 2) W = C10 ( I 1 − 3) + C 20 ( I 1 − 3) 2 3 termos ( 3.2.84 ) A partir deste modelo.86 ) W = C10 ( I 1 − 3) + C 20 ( I 1 − 3) 2 + C 30 ( I 1 − 3) 3 ( 3.2.4.2. por exemplo.2. podendo ser positivas ou negativas. Normalmente a sua versão mais usual é a de três termos W = ∑ C i 0 ( I 1 − 3) i i =1 N ( 3. como o Neo-Hooke onde N = 1 . α 1 = 2 e o modelo de Mooney-Rivlin de 2 termos.2.5.

3.2. que foram posteriormente cunhadas na forma de gravatinha para serem utilizadas nos ensaios de tração.89): W = C10 ( I 1 − 3) + C 20 ( I 1 − 3) 2 + C 01 ( I 2 − 3) + C 02 ( I 2 − 3) 2 + C11 ( I 1 − 3)( I 2 − 3) (3. como 38 . Os ensaios de tração e compressão foram realizados em uma máquina Instron. OBTENÇÃO DA CURVA TENSÃO X DEFORMAÇÃO Para obtenção da curva tensão x deformação. Para a realização destes ensaios utilizou-se pequenas amostras de enrijecedores como corpos de prova. está descrito na equação (3. Estas amostras foram usinadas para a obtenção de cilindros utilizados nos ensaios de compressão e tiras planas. modelo 5582. Modelo Polinomial É um dos modelos mais recentes que tenta ajustar um polinômio de grau desejado ao diagrama σ x ε do material: W = ∑i + j =1 C ij ( I 1 − 3) i + ( I 2 − 3) j N ( 3. testes de compressão não devem ser considerados significativos para projetos de engenharia quando expressivas diferenças são observadas entre as condições de ensaio normalizadas e as reais de aplicação.88 ) O modelo polinomial de ordem 2. realizou-se ensaios de tração e compressão com o objetivo de caracterizar o material hiperelástico a ser usado na modelagem numérica.2.5.2.89) 3. Realizaram-se os ensaios de tração até a ruptura do material.3. por exemplo. Os ensaios foram realizados de acordo com as normas ASTM D412 para tração e ASTM D695 para compressão.5.2. Para projetos de engenharia serão necessários testes adicionais.Onde um dos três coeficientes da equação da energia específica de deformação tem que ser negativo. e nos ensaios de compressão ensaiou-se os corpos de prova até o surgimento de uma visível deformação em seu eixo radial (flambagem). Segundo a norma ASTM D695.

Tendo em vista a impossibilidade do uso de extensômetro neste ensaio. Para que os gráficos tensão x deformação obtidos partissem do eixo 0. Enquanto a força ainda era muito pequena.4 ) empregando a deformação logarítmica. sendo assim. o extensômetro foi removido durante o ensaio. de fluência e de fadiga. A deformação nos estágios iniciais de ensaio foram medidas utilizando um extensômetro apropriado para elastômeros.3. A deformação real pode ser obtida pela equação ( 3.3. os mesmos foram corrigidos. observou-se um escorregamento do corpo de prova na garra.3.testes de impacto. Como os ensaios foram levados até a ruptura.3 ). fica difícil precisar o momento da falha.2 ) Onde u é o deslocamento e F é a força durante o ensaio de tração uniaxial. portanto decidiu-se desconsiderar os ensaios de compressão.5 ): 0 L − L0 e= L0 ( 3. a caracterização de materiais poliméricos sob compressão é difícil.3.3.3. A relação entre a deformação nominal e a deformação real é apresentada na equação ( 3. este valor é uma medida instantânea de deformação. e L é o comprimento inicial e A0 a área inicial da seção transversal do corpo de prova. 3. até que a garra fixasse o corpo de prova de maneira definitiva. A deformação de engenharia (nominal) é obtida através do ensaio e é dada pela equação ( 3.3. É muito comum corpos de prova apenas se deformarem sem a ocorrência de fratura.1 ) e= ( 3. Preparação dos dados do ensaio de tração uniaxial Segundo MILLER (1995). O ensaio de tração foi realizado com uma velocidade de travessão de 500mm/min.1. conforme mencionado pela norma ASTM D412. modelo OP-1439. o que ocasionou dados iniciais de tensão e deformação diferentes de zero. as definições para tensão e deformação de engenharia são: t= F A0 u L0 ( 3.3 ) 39 .

A equação ( 3.10 ) Combinando as equações ( 3.6 ) em ( 3.ε= L L dL u L = ∫ 0 dε = ∫ 0 = ln 0 L L L L L ( 3.3.5 ) Como a equação ( 3.3.3.3.4 ) ε = ln(1 + e ) ( 3.10 ) e ( 3. 40 .8 ) σ= ( 3.3. deve-se trabalhar com os alongamentos ao invés dos deslocamentos. tem-se na equação ( 3.5 ).7 ) Como se observa na equação ( 3.3.9 ) Substituindo ( 3.3. AL = A 0 L0 F F A0 F L = 0 = 0 0 A A A A L ( 3.6 ) mostra a transformação dos deslocamentos em alongamentos: λ= L u + L0 = = 1+ e L0 L0 ( 3.60 ) utiliza o tensor B que é descrito em função dos alongamentos λi .3. o volume do corpo de prova é constante.2.2.7 ): ε = ln(λ ) ( 3.3.11 ) que é uma equação com um valor de t para tração uniaxial em função de λ .3. pode-se assim ter uma representação para a tensão real a partir da área deformada como descrito na equação ( 3.3.3.9 ).6 ) Substituindo ( 3.3.3. tem-se a equação ( 3.8 ).3.10 ) a tensão verdadeira em função do alongamento e da tensão de engenharia (nominal): σ = t (1 + e) = tλ ( 3.3.6 ) em ( 3. tem-se a equação ( 3.3.9 ) que é a chamada tensão de Cauchy.3.77 ).

2. ( 3.3. Ao se substituir as equações ( 3. ( 3.10 tem-se um exemplo de um típico material hiperelástico.2. Ajuste para o Modelo de Mooney-Rivlin: 41 .11 ) Na Figura 3.2. Exemplo de comparação entre tensão x deformação verdadeiros (σxε ) e tensão x deformação nominais (txe ) 3.81 ).80 ).89) na equação ( 3.87 ) e (3.86 ).2.2. 100 80 σ xε Tensão (MPa) 60 40 20 txe 0 0 1 2 Deformação 3 4 Figura 3. tem-se os ajustes das equações tensão x deformação para cada modelo hiperelástico apresentado.2. ( 3.3. ( 3. Ajuste dos modelos hiperelásticos Os modelos hiperelásticos para o cálculo da energia de deformação são usados para se obter a curva tensão x deformação do modelo.84 ).2.3.10. onde é possível comparar os gráficos tensão x deformação verdadeiros (σ x ε) e tensão x deformação nominais (t x e).11 ).1  ∂W 1 ∂W    t = 2 λ − 2  + λ  ∂I 1 λ ∂I 2     ( 3.

causados por condições extras ou alguma descontinuidade 42 .1  t = 2 λ − 2 λ  C    C10 + 01  λ   ( 3.17) 3.3.3. Concentração de tensões Algumas vezes.3.3.3. a regularidade na distribuição de tensões ao longo de uma determinada dimensão na seção de uma peça é interrompida por aumentos inesperados na tensão.14 ) Ajuste para o Modelo de Polinomial reduzido de ordem 2: 1   t = 2 λ − 2 (C10 + 2C 20 (I 1 − 3)) λ   Ajuste para o Modelo de Yeoh: ( 3.12 ) Ajuste para o Modelo de Neo Hooke: 1   t = 2C10  λ − 2  λ   Ajuste para o Modelo de Ogden com 4 parâmetros: α α − 1 −1  − 2 −1   α1 −1   λ − λ 2  + 2 µ 2  λα 2 −1 − λ 2  t = 2 µ1         ( 3.3.13 ) ( 3.16 ) Ajuste para o Modelo Polinomial de ordem 2: 1  t = 2 λ − 2 λ  (C 01 + C11 (I 1 − 3) + 2C 02 (I 2 − 3))     (C10 + C11 (I 2 − 3) + 2C 20 (I 1 − 3)) + λ   (3.15 ) 1   2 t = 2 λ − 2  C10 + 2C 20 (I 1 − 3) + 3C 30 (I 1 − 3) λ   ( ) ( 3.3.3.

as tensões são consideradas muito localizadas e a situação é descrita como “Concentração de Tensões”. • Pressão nos pontos de aplicação de forças externas. esmerilhamento ou de um trabalho de conformação a frio. • • Descontinuidades no próprio material como. como: • Grandes modificações na seção como. concentração de tensões é uma elevação localizada de tensões que pode ocorrer numa peça estrutural em conseqüência de uma causa extra que intencional ou casualmente a peça apresenta num dado local. do excesso de esforço e trabalho a frio de metais ou de tensões residuais que resultam de operações de soldagem. fazendo com que em uma curta distância a intensidade da tensão aumente bastante. Quando este aumento de tensão é muito grande. As causas de concentração de tensões podem ser as mais variadas possíveis. por exemplo. base de dente de engrenagem. O detalhe do entalhe assim como sua posição no corpo de prova. de soldagem. a maioria das rupturas de peças de máquinas em serviço pode ser atribuída a pontos de concetração de tensões. Segundo MEDEIROS (1984). por exemplo. • Tensões iniciais numa peça em conseqüência. por exemplo. Segundo TIMOSHENKO (1966). podem ser observados na Figura 3. 43 . nos pontos de contato de dente de engrenagem ou em blocos de sustentação junto às extremidades de uma viga.1. usinaram-se alguns deles para a inserção de entalhes de diferentes tamanhos de acordo com a Tabela 3.11. bolhas de ar em concreto ou inclusões não-metálicas no aço. tais como. Visando criar um concentrador de tensões para simular uma trinca nos corpos de prova utilizados nos ensaios de tração.que proporciona às tensões valores maiores que os obtidos pelas equações comuns da Mecânica dos Materiais. no canto de um rasgo de chaveta ou em uma viga contendo um furo. por exemplo em raízes de roscas de parafusos. Fendas existentes na peça ocasionadas no processo de fabricação como.

Tabela 3.1. Tamanho dos entalhes nos corpos de prova Corpo de Prova Tamanho do Entalhe 1 2 3 4 5 6 2 mm 1 mm Sem entalhe Figura 3. A seguir.11.15 a visualização pelo microscópio da superfície de alguns corpos de prova após a usinagem e a tabela com as medidas dos entalhes nos corpos de prova. A falta de foco nestas imagens comprometeu a medição. apresenta-se nas Figuras 3. os corpos de prova foram analisados no microscópio para medição dos entalhes. 44 . Corpo de prova Após a usinagem. Como o material é bastante irregular. a distância entre o pico e o vale nos corpos de prova é grande e a imagem do microscópio não consegue focar o vale e o pico juntos quando aumentada em 500 vezes. fez-se então a medição dos entalhes em um projetor de perfis.12 a 3.

06 1.03 10. Corpo de prova 3 com Figura 3.04 Espessura do CP 3.14.05 2.07 3.13.07 1.15.10 45 .09 Largura do CP 9.18 3. Corpo de prova 1 com Figura 3.96 10. Medidas dos corpos de prova (dimensões em mm) CP 1 2 3 4 5 6 Entalhe Lado 1 2.15 1.12.02 9.98 3.13 Lado 2 2.13 2.16 3.09 10. Corpo de prova 3 com aumento de 100 vezes aumento de 500 vezes Tabela 3.Figura 3. Corpo de prova 1 com aumento de 100 vezes aumento de 500 vezes Figura 3.10 1.2.95 10.01 2.

2 Deformação 0.3.4 9 6 6 3 3 Tensão x Deformação (Verdadeiros) Tensão x Deformação (Nominais) 0 0 0.1 0.10 ) e a deformação verdadeira foi calculada a pela equação ( 3.3 0.1 0. Em todos os ensaios. 3 e 4. foi retirado quando atingiu-se uma deformação nominal da ordem de 30%. 2.3 0.2 Deformação 0.3.16.4 3 Tensão x Deformação (Verdadeiros) Tensão x Deformação (Nominais) 0 0 0.2 Deformação 0.3. A tensão verdadeira foi calculada a partir da equação ( 3. Para os ensaios dos corpos de prova 1. o extensômetro foi retirado pouco antes da ruptura e nos corpos de prova 5 e 6 (ambos sem entalhe).3 0. Tração Ensaio CP1 12 12 Tração Ensaio CP2 9 Tensão (MPa) Tensão (MPa) Tensão x Deformação (Verdadeiros) Tensão x Deformação (Nominais) 0 0 0. Gráfico tensão x deformação para o CP2 Tração Ensaio CP3 12 12 Tração Ensaio CP4 9 Tensão (MPa) 9 Tensão (MPa) 6 6 3 Tensão x Deformação (Verdadeiros) Tensão x Deformação (Nominais) 0 0 0.1 0.4. Gráfico tensão x deformação para o CP3 Figura 3.19.17.3.4 Figura 3.18. Ensaio de Tração Uniaxial O ensaio de tração foi realizado em 6 corpos de prova. os corpos de prova foram ensaiados até a fratura que aparentemente ocorreu de forma frágil. A seguir apresentamse o resultado dos ensaios de tração com os gráficos tensão x deformação nominais retirados do ensaio experimental e também a curva tensão x deformação verdadeira.7 ). sendo 2 deles inteiros e os outros 4 corpos de prova contendo pequenos entalhes.2 Deformação 0.1 0. Gráfico tensão x deformação para o CP4 46 .3 0.4 Figura 3. Gráfico tensão x deformação para o CP1 Figura 3.

3.2 9. Gráfico tensão x deformação para o CP6 Na Tabela 3.5 160. como mostrado no gráfico. Tabela 3.22.3.21. e o valor obtido foi 10.4 30.9 10.2 4.4 Deformação nominal (%) 25 18 37 38 434 449 Deformação verdadeira (%) 22 16 31 32 168 170 47 .9 11.3 31.3 6. Tensões e deformações nominais e verdadeiras para cada corpo de prova CP 1 2 3 4 5 6 Tensão nominal (MPa) 5. Neste trabalho.20.9 MPa. Gráfico tensão x deformação para o CP5 Figura 3. pode-se ver os valores para as tensões e deformações nominais e verdadeiras no momento da ruptura de cada um dos corpos de prova e na Figura 3.Tração Ensaio CP5 200 Tensão x Deformação (Verdadeiros) Tensão x Deformação (Nominais) 150 Tensão (MPa) Tensão (MPa) 150 200 Tração Ensaio CP6 Tensão x Deformação (Verdadeiros) Tensão x Deformação (Nominais) 100 100 50 50 0 0 1 2 Deformação 3 4 5 0 0 1 2 Deformação 3 4 5 Figura 3.2 171. considera-se este valor como a tensão máxima admissível no material com um concentrador de tensões.9 6. tem-se uma comparação dos gráficos tensão x deformação verdadeiros dos corpos de prova com entalhe. Fez-se a média da tensão verdadeira de ruptura dos 4 corpos de prova com entalhe.3 Tensão verdadeira (MPa) 11.

24.17) e pode ser visto a seguir: 10 10 Modelo Experimental Modelo Yeoh 8 8 Modelo Polinomial Reduzido (N=2) Modelo Polinomial (N=2) 6 Trensão Trensão 6 4 Modelo Experimental 4 2 Modelo Mooney-Rivlin Modelo Neo-Hook Modelo Ogden com 4 parâmetros 2 0 0 0.9 10.4 0 0.1 0.3 0.4 6 3 0 Deformação Figura 3. para a entrada de dados no modelo com o material hiperelástico é necessário fazer o ajuste dessa curva.9 Tensão (MPa) 9 CP1 (entalhe 2 mm) CP2 (entalhe 2 mm) CP3 (entalhe 1 mm) CP4 (entalhe 1 mm) Tensão Máxima Admissível 0 0.2 Deformação 0 0. Gráfico tensão x deformação para os corpos de prova com entalhe Como já foi mostrado anteriormente. porém. Ajuste da curva para o CP1 Figura 3.2 0.3 0. Ajuste da curva para o CP1 48 .23.22. O ajuste das curvas foi feito pelas equações ( 3. tem-se.3.Tensão x Deformação (verdadeiras) 12 10.3.4 Figura 3.3 0. a partir dos ensaios os pontos para os gráficos tensão x deformação nominais.1 0.2 Deformação 0.1 0.12 ) a (3.

1 0.3 0.2 Deformação 0.4 Figura 3.3 0.29.30.2 Deformação 0 0.28.1 0. Ajuste da curva para o CP3 10 10 8 8 Trensão 6 Trensão 6 4 Modelo Experimental 4 Modelo Experimental 2 Modelo Mooney-Rivlin Modelo Neo-Hook Modelo Ogden com 4 parâmetros 2 Modelo Yeoh Modelo Polinomial Reduzido (N=2) Modelo Polinomial (N=2) 0 0 0. Ajuste da curva para o CP3 Figura 3. Ajuste da curva para o CP4 49 .4 0 0 0.2 Deformação 0.3 0 0.3 0.2 Deformação 0 0.1 0.25 Ajuste da curva para o CP2 Figura 3.10 10 Modelo Experimental Modelo Yeoh 8 8 Modelo Polinomial Reduzido (N=2) Modelo Polinomial (N=2) 6 Trensão Trensão 6 4 Modelo Experimental 4 2 Modelo Mooney-Rivlin Modelo Neo-Hook Modelo Ogden com 4 parâmetros 2 0 0 0.1 0.3 0.1 0.26 Ajuste da curva para o CP2 10 10 8 8 T rensão 6 Trensão 6 4 Modelo Experimental 4 Modelo Experimental 2 Modelo Mooney-Rivlin Modelo Neo-Hook Modelo Ogden com 4 parâmetros 2 Modelo Yeoh Modelo Polinomial Reduzido (N=2) Modelo Polinomial (N=2) 0 0 0.2 Deformação 0.4 0 0.2 Deformação 0.4 0. Ajuste da curva para o CP4 Figura 3.27.1 0.4 Figura 3.3 0.4 Figura 3.

3. As constantes para os ajustes das curvas dos modelos hiperelásticos obtidas nos ensaios podem ser vistas no APÊNDICE C.5. de acordo com a equação ( 3. Ajuste da curva para o CP5 Figura 3. A normalização do erro é obtida com base nos resultados dos ensaios.2 deste capítulo. Para mensurar este erro.40 40 30 30 Tensão 20 Tensão 20 Modelo Experimental 10 Modelo Mooney-Rivlin Modelo Neo-Hook Modelo Ogden com 4 parâmetros 0 0 1 2 Deformação 3 4 5 0 0 1 2 Deformação 3 10 Modelo Experimental Modelo Yeoh Polinomial Reduzido (N=2) Modelo Polinomial (N=2) 4 5 Figura 3. Avaliação do erro dos modelos hiperelásticos Os modelos hiperelásticos são comparados a partir do estudo dos erros que cada um deles apresenta. Ajuste da curva para o CP6 Ajustou-se cada curva acima representada de acordo com os coeficientes mostrados dos modelos do item 3.33.34.3. Ajuste da curva para o CP5 40 40 30 30 Tensão 20 Tensão Modelo Experimental 20 Modelo Experimental 10 Modelo Yeoh Polinomial Reduzido (N=2) Modelo Polinomial (N=2) 0 5 0 1 2 Deformação 3 4 5 10 Modelo Mooney-Rivlin Modelo Neo-Hook Modelo Ogden com 4 parâmetros 0 0 1 2 Deformação 3 4 Figura 3.31. 50 . Ajuste da curva para o CP6 Figura 3.32. sendo a primeira delas através do erro normalizado dos modelos e a segunda através do coeficiente de determinação (R2).18 ).3. avaliou-se a qualidade do ajuste empregado de duas maneiras. 3.

3. e P. O valor de R2 é obtido a partir da equação ( 3.21 ) SSE = ∑ (Pi − E i ) i =1 N 2 ( 3.3.3.24 ). defini-se E como sendo a média dos valores obtidos para a tensão nos ensaios experimentais.erro = 100 E P ( 3.3.3.18 ) Sendo E definido como o erro absoluto pela equação ( 3.3.19 ). ( 3.19 ) E= 1 N ∑P i =1 N i ( 3. 1 E= N ∑ P −E i =1 i N i ( 3. verifica-se que quanto menor for o erro normalizado.3.23 ).3. Para calcular o coeficiente de determinação R2. SSE a soma dos quadrados da diferença entre os erros dos resultados de tensão dos modelos e os resultados de tensão dos ensaios e SST a soma dos quadrados da diferença entre os resultados de tensão dos ensaios e a média dos valores obtidos para a tensão nos ensaios experimentais.20 ) Ei é dado pelos pontos de tensão obtidos nos ensaios experimentais. Pi pelos pontos de tensão dos modelos hiperelásticos e N se refere ao total de pontos obtidos nos ensaios. melhor será o modelo hiperelástico.20 ).23 ) 51 .22 ) SSE = ∑ (E i − E ) i =1 N 2 ( 3.3. E= 1 N ∑E i =1 N i ( 3.3. A partir das equações de normalização do erro. o valor absoluto dado pelos pontos do modelo pela equação ( 3. As equações estão representadas respectivamente nas figuras ( 3.3.3.21 ).22 ) e ( 3.

1 − R =  SST 0  2 se  SSE ≤ SST     ( 3. 52 . SSE . o melhor ajuste da curva tensão x deformação do material é o ajuste pelo modelo Polinomial de ordem 2. melhor será o modelo. A tabela apresentada no APÊNDICE D mostra os valores do erro normalizado e do coeficiente de determinação (R2) para cada modelo hiperelástico proposto em cada corpo de prova analisado.24 ) Quanto mais próximo o valor de R2 estiver de 1.3. Como é possível observar nesta tabela.

responsáveis pela resistência à ação dos diversos carregamentos mecânicos aos quais as linhas flexíveis estão submetidas ao longo da sua vida útil. Os risers rígidos são tubos de aço. a fadiga causada pela vibração induzida devido aos movimentos da plataforma. composto por ambos (trechos de dutos rígidos e trechos de dutos flexíveis). Riser é o trecho do duto que conecta à UEP (Unidade Estacionária de Produção ou Plataforma) a um equipamento à meia-água ou no fundo. maior vida útil. em geral. as estruturas do tipo riser ficam suspensas. além de permitirem um maior offset da plataforma em comparação a risers rígidos. A Figura 4.4. e a ação da alta pressão hidrostática com o aumento da lâmina de água pode comprometer a sua utilização. O trecho do duto submarino que fica suspenso é chamado de riser e o trecho em contato com o solo marinho é chamado de duto submarino (flowline). A desvantagem dos risers flexíveis é que eles são economicamente de maior custo. Um sistema marítimo de escoamento pode ser composto de dutos flexíveis. é a maior deflexão máxima permitida. maior capacidade de suportar esforços. e conseqüente desprendimento de vórtices. inclusive um flowline. 53 . quando em lâminas d’água profundas. No caso dos risers rígidos. à onda e corrente. em configurações de catenária (catenária-livre ou variações). A vantagem do riser rígido é seu menor custo quando comparado com o riser flexível. Sua principal característica é a baixa rigidez à flexão. a resistência a altas pressões e também a possibilidade de utilização em configuração de catenária permitindo também movimentos da embarcação. de aproximadamente 12 metros de comprimento.1. geralmente unidos por solda de topo. Nas UEPs.1 permite uma compreensão melhor do sistema. A vantagem dos flexíveis. INTRODUÇÃO Um sistema submarino de escoamento pode ser definido como um conjunto de equipamentos cuja função é escoar fluidos de um ponto de partida até um ponto de chegada. Podem estar envolvidos por flutuadores para diminuir o seu peso. formados por uma série de juntas acopladas umas às outras. o problema principal é. em geral. e de camadas metálicas espiraladas. ANÁLISE DE ENRIJECEDORES 4. dutos rígidos ou ainda ser um sistema misto. que fornecem estanqueidade interna e externa. Os risers flexíveis são mangotes especiais compostos por uma superposição de camadas poliméricas.

provocando a interrupção da produção que só pode ser retomada após a sua substituição.2 ilustra enrijecedores conectados a uma linha flexível. 2008) Nas linhas rígidas são normalmente utilizadas Juntas Flexíveis (Flex Joints) cuja função principal é o de prover rigidez flexional à extremidade da linha onde está conectada. são comumente empregados os bend stiffeners. Nas linhas flexíveis. descumprimento de metas de produção e eventuais acidentes ambientais.1. ou enrijecedores de curvatura para proteger contra flexão excessiva. 54 . A Figura 4. permitindo um certo grau de liberdade de rotação. Segundo SOUZA (2008). O bend stiffener consiste em uma seção cônica de material polimérico (normalmente poliuretano) e é montado na ponta dos risers para permitir a transição suave de rigidez entre o riser flexível e o ponto de conexão. Linhas flexíveis (SOUZA.Figura 4. É um acessório cuja falha pode causar a ruptura da linha flexível. além de atrasos nos cronogramas. Reduz drasticamente as tensões induzidas por movimentos relativos entre a unidade flutuante e o riser. na conexão com o topo da plataforma. o custo total dos prejuízos ocasionados com uma parada para substituição de um enrijecedor por motivo de falha pode ter grandeza de milhões de dólares.

Figura 4. PROJETO DE ENRIJECEDORES Os enrijecedores são normalmente projetados através de programas computacionais utilizando modelos de viga. seleção de materiais. fabricação e teste de enrijecedores. Segundo a norma API SPEC 17J. traz em seu apêndice B os requisitos mínimos para projeto.2.co. especificação para dutos flexíveis. A norma API SPEC 17J.fesltd. as cargas de projeto do enrijecedor devem ser determinadas em termos de tensões efetivas e variações angulares a partir da posição média. que é suportada pela norma API SPEC 17B/ISO 13628-11. A combinação de tensões e ângulos analisados deve ser suficiente para garantir todos os possíveis casos de carregamento e o enrijecedor deve ser capaz de transferir o carregamento para a estrutura suportada com segurança.uk) 4. A metodologia de projeto deve ser documentada e verificada através de testes ou análise em elementos finitos e deve levar em conta também propriedades 55 . Enrijecedor conectado a linha flexível (http://www.2.

as simulações do enrijecedor foram realizadas com o programa comercial de elementos finitos ABAQUS. Um projeto de enrijecedor abrange normalmente as seguintes etapas: • Primeiro faz-se uma análise na linha flexível desconsiderando o enrijecedor e submetendo o duto a cargas ambientais e operacionais extremas. caracterizados por diferentes números e tipos de graus de liberdade e selecionados pelo usuário conforme a natureza de sua aplicação. elementos de viga e elementos de membrana. Nesta. • Faz-se. portanto. Neste estudo. com aplicações. mas o tempo de análise e o custo também aumentam. 56 . MODELAGEM Muitos trabalhos de engenharia podem ser descritos em termos de equações diferenciais. outra vez. Dependendo do resultado. A biblioteca do ABAQUS dispõe de uma grande variedade de elementos finitos (elementos de placa. Em muitos casos. • Os dados coletados na primeira análise são utilizados para dimensionar o enrijecedor por meio de programas computacionais que utilizam modelos de viga. porém desta vez considerase o dimensionamento do enrijecedor. uma análise na linha flexível. Desta primeira análise são coletados os dados no ponto de conexão.3.não-lineares de materiais. particularmente. geralmente são necessários milhares de nós. A idéia básica do FEM é dividir o corpo em elementos conectados por nós e obter uma solução aproximada. 4.5. entre outros). o enrijecedor é redimensionado e o processo retorna a interagir até a obtenção de um dimensionamento ótimo. O emprego do Método de Elementos finitos (FEM) tem possibilitado ao engenheiro aperfeiçoar tanto o projeto como o processo associado à fabricação. computadores modernos são essenciais para resolver estas equações. para obter uma solução razoavelmente precisa. a precisão da solução melhora à medida que o número de elementos (e nós) aumenta. é usual a presença de não linearidades devidas tanto ao material quanto à geometria. Geralmente. na Mecânica do Contínuo. versão 6. elementos sólidos. O Método dos Elementos finitos é uma ferramenta poderosa usada na resolução de equações diferenciais para modelagem de estruturas complexas.

4.3.1. Elemento

O comportamento dos elementos é caracterizado pelos seguintes aspectos (HIBBITT et al., 2002): • • • • • Família Família; Graus de liberdade; Números de nós; Formulação; Integração.

Uma das principais diferenças entre as famílias dos elementos é a geometria de cada família, como exemplo de famílias de elementos tem-se: elementos sólidos, elementos de casca e elementos de viga. A Figura 4.3 indica as famílias de elementos mais comuns usadas no Abaqus.

Figura 4.3. Famílias de elementos (HIBBITT et al., 2002)

Graus de liberdade

Os graus de liberdade representam as variáveis para cálculo durante a análise. Para este trabalho, os graus de liberdade apontam a movimentação de cada nó, isto é, o deslocamento e a rotação em cada um dos três eixos para cada nó.

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Número de nós

Os graus de liberdade são calculados para cada nó do elemento. Para qualquer outro ponto fora dos nós, seus graus de liberdade são obtidos através da interpolação dos nós. O tipo de interpolação é determinado pelo número de nós de cada elemento. Elementos que tem nós apenas nos vértices usam a interpolação linear em cada direção e são chamados de elementos lineares ou elementos de primeira ordem. Elementos com nós no meio das arestas entre cada vértice usam a interpolação quadrática e são chamados de elementos quadráticos ou elementos de segunda ordem. Elementos tetraédricos com nós no meio das arestas entre cada vértice usam uma interpolação de segunda ordem modificada e são chamados de elementos de segunda ordem modificados. A Figura 4.4 representa os tipos de elementos de acordo com o número de nós.

Figura 4.4. Tipos de elementos de acordo com o número de nós (HIBBITT et al., 2002)

Formulação

A formulação do elemento se refere à teoria matemática usada para definir o comportamento do elemento. A descrição do comportamento dos elementos pode ser baseada nas teorias de Lagrange e Euler entre outras. Na formulação Euleriana, as coordenadas associadas ao corpo deformado, chamadas de coordenadas espaciais, são utilizadas como as coordenadas de referência. Já na formulação Lagrangiana, as coordenadas associadas ao corpo antes de sua deformação, chamadas de coordenadas materiais são empregadas como as coordenadas de referência. A formulação Lagrangiana é a mais adequada para análises não lineares onde é importante conhecer o histórico de deformação em cada ponto do corpo durante o

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processo de carregamento. A formulação Euleriana é mais adequada para a análise de problemas de mecânica dos fluidos, onde é necessário conhecer o movimento do material ao longo de um volume de controle. Um caso especial envolve materiais quase incompressíveis a grandes deformações. Como mencionado no item 3.2.4.2, para este caso é preciso inserir uma tensão hidrostática na relação constitutiva, pois qualquer pequena alteração no deslocamento produz grandes alterações na tensão, e o uso numérico de uma solução baseada simplesmente no deslocamento não é recomendado devido a sua sensibilidade. Segundo HIBBITT et al. (2002), este comportamento singular é removido do sistema tratando-se a tensão como uma variável de solução básica interpolada independentemente, acoplada à solução de deslocamento através da teoria constitutiva e da condição de compatibilidade, com este acoplamento implementado por um multiplicador de Lagrange. Esta interpolação independente da tensão é a base dos elementos híbridos. Mais precisamente, os elementos híbridos são elementos de “formulação mista”, usando uma mistura de variáveis de tensão e deslocamento com um princípio variacional acrescido para aproximar as equações de equilíbrio e as condições de compatibilidade. A relação constitutiva para materiais quase incompressíveis a grandes deformações foi apresentada na equação ( 3.2.60 ) (HIBBITT et al., 2002).

Integração

O software Abaqus usa técnicas numéricas para integrar cada elemento. Na maioria dos casos é usada a técnica Gaussiana quadrática. Alguns elementos sólidos usam integração completa ou reduzida.

Nome dos elementos

As primeiras letras no nome dos elementos indicam a família a qual o elemento pertence, por exemplo, S4R é um elemento de casca e C3D8I é um elemento sólido. O número de nós também é identificado no nome do elemento, C3D8 possui 8 nós e S4R possui 4 nós. Os elementos de viga, elementos de casca axissimétricos e membranas usam uma convenção diferente, no lugar do número de nós, a ordem da interpolação é identificada no nome. Um elemento de viga tridimensional de primeira ordem, por exemplo é chamado de B31 enquanto um de segunda ordem é chamado de B32. O elemento hibrido é identificado com a letra H no nome (C3D8H ou B31H) e

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1989) 60 . por isto. Estes conectores aumentam a rigidez na região do engaste. Os enrijecedores são instalados abaixo da conexão com a plataforma e precisam de algum tipo de conector para fixá-lo de forma que sua superfície esteja engastada. Características do Enrijecedor Sabe-se que os enrijecedores sujeitos à flexão apresentam uma relação nãolinear entre tensão e deformação. utilizou-se para análise do enrijecedor o resultado dos testes com material não linear apresentados no capítulo 3. composto de material hiperelástico e está sujeito a grandes deformações. por isto.3. neste trabalho. os resultados da região engastada do enrijecedor não foram considerados. tentando minimizar os erros e obter maior precisão.5. 4. KIEPPER (2004) mostra o aumento da rigidez na região cilíndrica do enrijecedor através da modelagem em elementos finitos do capacete e da luva instalados no enrijecedor. Exemplo de conector usado no enrijecedor (BIRCH .2. Um exemplo de conector pode ser visto na Figura 4. Portanto.a integração reduzida é identificada com a letra R no fim do nome de cada elemento (CAX4R).5. na abordagem proposta para este trabalho. admite-se que o corpo do enrijecedor sujeito à flexão é homogêneo. Figura 4.

Para caracterização do material.elemento plano. Tabela 4.74 434. variando o tipo de elemento e a quantidade de elementos de maneira aleatória.2. A Tabela 4. fez-se simulações dos ensaios de tração em elementos finitos usando o software Abaqus. Detalhe das malhas utilizadas nas análises do corpo de prova sem entalhe S3R S3R S3R S3R S4R S4R Tipo de elemento Número de elementos Número de nós 40 37 triangular 4064 11384 76321 2181 778 38795 quadrática 63 40 1344 1369 61 .Os dados geométricos do enrijecedor são os mesmos utilizados por BOEF e OUT (1990) e CAIRE (2005).23 Para avaliar a precisão do ensaio e validar seus dados. isto é. Dados de tensão e deformação nominais da ruptura dos corpos de prova sem entalhe Tensão nominal no momento da ruptura (MPa) CP5 CP6 31. optou-se por usar na análise do enrijecedor os dados obtidos com o CP6 mostrados no gráfico da Figura 3. triangular com 3 nós e integração reduzida S4R .27 Deformação nominal no momento da ruptura (%) 448.1 compara a tensão e a deformação nominais nestes dois corpos de prova. O motivo desta escolha deve-se à ruptura do material ter ocorrido com menor tensão e menor deformação nominais se comparada ao CP5.1. Ao trabalhar com a menor tensão de ruptura. Fez-se a análise do corpo de prova sem entalhe seis vezes. sem nenhum concentrador de tensões. considera-se no software Abaqus o corpo de prova como um plano no eixo xy e neste plano tem-se a simetria geométrica nos dois eixos.21. Tabela 4. Usou-se dois tipos de elementos diferentes. o tipo e a quantidade de elementos utilizados nas análises realizadas é mostrado na Tabela 4. Para maior agilidade e rapidez nas análises. quadrática com 4 nós e integração reduzida O detalhe das malhas. que são os dois corpos de prova inteiros. o resultado da análise será sempre mais conservador.elemento plano.26 30. são eles: • • S3R .2.

11384 Elementos Força (N) 600 S4R . pois todas as linhas das seis análises estão sobrepostas.6 mostra a comparação do gráfico Força x Deslocamento e a Figura 4.76321 Elementos S3R .7 mostra a comparação do gráfico Tensão x Deformação. A Figura 4. Nota-se que nos dois gráficos a diferença entre as análises é imperceptível.As figuras a seguir apresentam os gráficos comparando as seis análises realizadas com os diferentes tipos de malha. há apenas uma curva visível no gráfico. aparentemente. Na análise apresentada dos modelos computacionais dos corpos de prova sem entalhe. que é uma derivação da malha quadrática para os casos bidimensionais. devido à flexão e a deformação do elemento. porém estão todas sobrepostas. a influência do tipo de malha neste modelo simples é pequena. No entanto.63 Elementos S4R . Embora sujeito a grandes deformações.1344 Elementos 400 200 0 0 150 300 Deslocamento (mm) 450 Figura 4.4064 Elementos S3R .6. Comparação força x deslocamento entre as análises dos modelos computacionais dos corpos de prova sem entalhe 62 . isto se deve a simplicidade do modelo sem concentrador de tensões. é bastante precisa na maioria dos casos de carregamentos. é preciso uma malha mais refinada para analisar casos de flexão pura ou casos envolvendo grandes deformações. não é possível enxergar as seis curvas no gráfico.40 Elementos 800 S3R . percebese que não é necessário grande refinamento para obter precisão aceitável do resultado. a malha triangular. (2002). Força x Deslocamento 1000 S3R . Assim. Segundo HIBBITT et al.

Percebe-se que as curvas andam juntas até um deslocamento de aproximadamente 300 mm e força aproximada 560 N. Os modelos computacionais mostrados nesse gráfico são dois. um com a malha quadrática e outro com a malha triangular.7. as curvas se distanciam um pouco.63 Elementos S4R .76321 Elementos S3R .triang 800 Força (N) 600 400 200 0 0 150 300 Deslocamento (mm) 450 Figura 4.8. após este ponto. Comparação tensão x deformação entre as análises dos modelos computacionais dos corpos de prova sem entalhe Na Figura 4.5 1 Deformação 1.quad Elementos Finitos .1344 Elementos 100 50 0 0 0. Força x Deslocamento 1000 CP5 CP6 Elementos Finitos .40 Elementos 150 Tensão (MPa) S3R .4064 Elementos S3R .200 Tensão x Deformação S3R .8 tem-se o gráfico força x deslocamento comparando o modelo computacional e os ensaios dos corpos de prova sem entalhe (CP5 e CP6).5 2 Figura 4. Comparação força x deslocamento entre o modelo computacional e o ensaio de tração 63 .11384 Elementos S4R . a grandes deformações. ambos sobrepostos.

sendo o primeiro para o ensaio completo até a sua ruptura e o segundo para uma deformação de até 30%. estão mostrados na Figura 4.1 Deformação 0.quad Elementos Finitos . comparando novamente os modelo computacionais e os ensaios dos corpos de prova CP5 e CP6.3 Figura 4.5 2 Figura 4.5 1 Deformação 1.2 0.9 e na Figura 4.10.triang 100 50 0 0 0.Os gráficos tensão nominal x deformação nominal.triang 3 0 0 0. 200 Tensão x Deformação CP 5 150 Tensão (MPa) CP 6 Elementos Finitos .10. Comparação tensão nominal x deformação nominal entre o modelo computacional e experimental até uma deformação de 30% 64 .quad Tensão (MPa) 6 Elementos Finitos . Comparação tensão nominal x deformação nominal entre o modelo computacional e experimental até a ruptura 9 CP 5 CP 6 Tensão x Deformação Elementos Finitos .9.

para análises com geometria plana e modelos relativamente simples como este. Para cada uma dessas geometrias escolhidas.16 apresenta a comparação com a simulação com o entalhe de geometria com chanfro.13. Devido a dificuldade de maior exatidão na reprodução do entalhe real para a simulação computacional.35mm Abertura maior = 0. a Figura 4. e a Figura 4. são elas: • • • Figura 4. Escolheu-se três tipos diferentes de geometria para o entalhe. Analogamente.12. Os resultados gerados pelos três tipos diferentes de entalhes são apresentados a seguir.11.13.15 apresenta o mesmo gráfico.11. Entalhe com geometria quadrada Geometria quadrada Geometria semi-circular Geometria com chanfro As diferentes geometrias estão mostradas na Figura 4.12 e Figura 4. Entalhe com geometria com chanfro 65 . Figura 4. Entalhe com geometria semi circular Abertura menor = 0. porém neste caso realizou-se a simulação em elementos finitos com o entalhe de geometria semi-circular. então optou-se por usar a malha quadrática em todas as análises.14 tem-se o gráfico tensão x deformação comparando os ensaios experimentais do CP com entalhe de 1 mm e as simulações em elementos finitos com o entalhe de geométria quadrada. realizaramse diferentes análises com variações na geometria do entalhe. Os tamanhos escolhidos foram os seguintes: • • Figura 4. não haverá grande influência na escolha do tipo de malha. Na Figura 4.Realizaram-se também simulações de um ensaio de tração com o corpos de prova com entalhe de 1mm.70 mm Conforme mostrado neste mesmo item anteriormente. Figura 4. realizou-se duas análises com dois tamanhos diferentes para sua abertura D.

14.Tensão x Deformação 12 9 Tensão (MPa) 6 MEF entalhe quadrado. abertura maior MEF entalhe com chanfro.15. abertura menor CP3 CP4 0 0% 5% 10% 15% 20% Deformação 25% 30% 35% Figura 4. abertura maior CP3 CP4 0 0% 5% 10% 15% 20% Deformação 25% 30% 35% Figura 4. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria semi circular Tensão x Deformação 12 9 Tensão (MPa) 6 MEF entalhe com chanfro. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria com chanfro 66 . abertura menor 3 CP3 CP4 0 0% 5% 10% 15% 20% Deformação 25% 30% 35% Figura 4. abertura maior 3 MEF entalhe semi circular.16. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe de 1 mm com as simulações computacionais com entalhe de geometria quadrada Tensão x Deformação 12 9 Tensão (MPa) 6 MEF entalhe semi circular. abertura menor 3 MEF entalhe quadrado.

percebe-se que com a abertura menor. que há uma diferença entre as aberturas maior e menor do entalhe. a abertura do entalhe exerce forte influência no gráfico devido a sua curvatura.175 mm Analisando os gráficos apresentados. quanto menor a abertura do entalhe. Para exemplificar melhor a influência da curvatura e do vértice da geométrica no concentrador de tensões. temos uma concentração de tensões maior e por isto o gráfico desta análise fica muito próximo ao da análise experimental. abertura 0.16 que representam essas geometrias. No entalhe com geometria semi-circular mostrado na Figura 4. sendo assim a concentração de tensões se dá devido a curvatura do entalhe.17. O resultado desta análise é mostrado na Figura 4. Nos gráficos da Figura 4.175 mm 3 CP3 CP4 0 0% 5% 10% 15% 20% Deformação 25% 30% 35% Figura 4.15.11 e com geometria com chanfro da Figura 4. Gráfico Tensão x Deformação comparando os ensaios do CP com entalhe de 1 mm com o entalhe com chanfro e semi circular de abertura igual a 0. percebe-se que as linhas que indicam a simulação em elementos finitos estão sobrepostas não tendo grande influencia a abertura maior ou menor do entalhe. fez-se mais duas simulações com a geometria semi circular e com chanfro e abertura de entalhe igual a 0.14 e da Figura 4.175 mm. Tensão x Deformação 12 9 Tensão (MPa) 6 MEF entalhe semi circular. Percebe-se a partir do seu gráfico mostrado na Figura 4. Neste caso.13 nos mostram com nitidez um forte concentrador de tensões devido aos vértices característicos dessas geometrias. menor que as analisadas anteriormente.12 não há um vértice como nas outras geometrias.175 mm MEF entalhe com chanfro. percebe-se que as curvas que mais se aproximam das análises dos CPs são as curvas das simulações do entalhe com 67 .Os entalhes com geometria quadrada apresentado na Figura 4.17. menor será a curvatura e maior será o concentrador de tensões nesta região. abertura 0.

de acordo com o estudo feito para determinação do erro que cada curva apresenta. λ3 são os três principais alongamentos. (2001). A Figura 4. são as que apresentam o maior concentrador de tensões. obtendo assim um gráfico tensão x taxa volumétrica.175mm. Condições de contorno e carregamento Para simulação no software Abaqus.34.3.1 ).3. A melhor simulação do entalhe é um modelo com vértices como concentrador de tensões e abertura de entalhe bem pequena. dentre todas mencionadas.3. Devido a dificuldade de realização de testes volumétricos e a conseqüente falta de dados experimentais. estabeleceu-se 3 condições de contorno neste modelo. neste trabalho o coeficiente de Poisson foi arbitrado com o valor igual a 0. Este ensaio consiste em comprimir um corpo de prova cilíndrico anular na sua direção axial.33 e da Figura 3. y e z). tem-se o comportamento volumétrico do material. Segundo HORGAN e MURPHY (2009).64 ) sua variação volumétrica é nula quando solicitado por pressão hidrostática. J = λ1λ 2 λ3 ( 4.1 ) Para um material com incompressibilidade total.2. Esta tabela mostra que. A partir destes dados. O motivo desta escolha deve-se à comparação entre os modelos conforme o APÊNDICE D. 4.18 indica que na primeira condição de contorno a superfície superior do enrijecedor foi engastada impedindo qualquer deslocamento nas três direções (eixos x. λ2 . onde J é a própria taxa volumétrica e λ1 . a taxa volumétrica é dada pela equação ( 4.abertura igual a 0. Segundo BRADLE et al.5.3. Com os dados da curva optou-se por utilizar o ajuste para o modelo hiperelástico polinomial de ordem 2 apresentado no gráfico da Figura 3. o melhor ajuste para os pontos coletados no ensaio é o ajuste para o modelo polinomial de ordem 2.47. Estas geometrias. o valor de J é 1 e seu coeficiente de Poisson é 0. conforme mostrado na equação ( 3. portanto. 68 . o coeficiente de Poisson para um material hiperelástico pode ser determinado a partir dos dados de um ensaio volumétrico.

19 ilustra a segunda condição de contorno. Condição de contorno 1 – Superfície do Bend stiffeners engastada Na segunda condição de contorno utilizou-se a simetria no eixo z. Condição de contorno 2 – Simetria no eixo z 69 .Figura 4. esta condição preestabelece a análise em apenas metade do conjunto e considera o mesmo resultado na outra metade do conjunto reduzindo assim pela metade o número de graus de liberdade do modelo. Com esta condição de contorno ganhou-se bastante tempo nas análises. Figura 4.18.19. A Figura 4.

70 . A carga aplicada foi de 500 kN a um ângulo de 45º com os eixos x e y. No tubo. em sua configuração deformada. Na superfície do tubo. o comportamento da tensão de Von Mises no enrijecedor. Nesta figura. com um total de 34 elementos e 35 nós.2. 4. Devido à simetria no eixo z. considera-se o enrijecedor inteiro sem nenhum concentrador de tensões.20 pode ser visto. Na Figura 4.Usou-se também uma terceira condição de contorno para engastar o duto flexível impedindo qualquer deslocamento nas três direções (eixos x. a malha utilizada foi também a hexaédrica e o elemento foi o B31. a malha utilizada foi a hexaédrica. um elemento de viga tridimensional de primeira ordem.4. tridimensional com 4 nós. O número total de elementos foi 578 e o de nós foi 630. a carga foi dividida por dois e considerando o ângulo de 45º com os eixos x e y. ficando apenas a parte cônica devido à alta rigidez da parte cilíndrica conforme explicado no item 4. com o elemento SFM3D4 que é um elemento de superfície do tipo membrana. y e z). ANÁLISE DO ENRIJECEDOR SEM CONCENTRADOR DE TENSÕES Nesta primeira análise. a parte cilíndrica do enrijecedor foi desconsiderada. No enrijecedor aproveitou-se para fazer uma comparação utilizando diferentes tipos de elementos com malhas hexaédricas e tetraédricas.3. foi decomposta nas direções dos eixos.

hexaédrico com 8 nós e hibrido C3D4H . conforme listados abaixo: C3D8RH . Tensão no enrijecedor sem entalhe submetido à flexão A análise do enrijecedor sem entalhe foi feita cinco vezes com três tipos de elementos diferentes. integração reduzida e hibrido C3D8H .20. hexaédrico com 8 nós.elemento sólido. tridimensional. tridimensional. Tabela 4.Figura 4.elemento sólido. tridimensional. C3D8RH C3D8H C3D4H C3D4H C3D4H Tipo de elemento Número de elementos Número de nós hexaédrico 1746 2460 1746 2460 1775 513 tetraédrico 15567 3510 116637 22898 71 .elemento sólido. tetraédrico com 4 nós e hibrido O detalhe dos elementos utilizados nas análises realizadas é mostrado na Tabela 4.3.3 – Tipos de elementos utilizados nas análises do enrijecedor sem concentrador de tensões.

Percebe-se uma diferença considerável entre as curvas resultante das análises com menor número de elementos e com o maior número de elementos.22 mostra a comparação entre as análises feitas com a malha utilizando elemento tetraédrico. 10 8 Tensão (MPa) 6 4 C3D8RH .5% Deformação 5. onde a malha com o elemento C3D8RH utiliza a integração reduzida. Nestas análises. 72 .As figuras a seguir apresentam os gráficos tensão x deformação comparando as diferentes análises realizadas no ponto de maior tensão do enrijecedor sem entalhe. Percebe-se uma ligeira diferença nas curvas.0% 2. o elemento utilizado foi sempre o mesmo variando apenas o número de elementos e consequentemente o número de nós.21 Gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem entalhe com malha utilizando elemento hexaédrico A Figura 4.5% Figura 4.21 mostra a comparação entre as análises feitas com a malha utilizando elemento hexaédrico. A Figura 4.0% 7.1746 elementos 0 0.1746 elementos 2 C3D8H . A tensão utilizada foi a tensão de Mises e a deformação foi a deformação real máxima principal.

Estas duas curvas fornecem o melhor resultado para esta análise. a medida que o número de elementos aumenta as curvas estão convergindo para a esquerda no gráfico.5% Figura 4.0% 2.15567 elementos C3D4H . sendo que a malha composta por elemento tetraédrico necessitou de mais elementos para fornecer o mesmo resultado se comparado com a análise com a malha composta por elemento hexaédrico.0% 7.10 8 Tensão (MPa) 6 4 C3D4H . A partir dela verifica-se que tanto nas análises com malha de elemento hexaédrico quanto nas análises com malha de elemento tetraédrico. Percebe-se que as análises com o elemento hexaédrico C3D8RH onde utilizou-se 1.22 Gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem entalhe com malha utilizando elemento tetraédrico A Figura 4.23 compara todas as análises realizadas com o enrijecedor sem entalhe.5% Deformação 5.1775 elementos 2 C3D4H . 73 .637 elementos.116637 elementos 0 0.746 elementos fornece o mesmo resultado que a análise com o elemento tetraédrico C3D4H com 116.

Todas as trincas analisadas possuem seção igual a 12mm x 12mm com os cantos arredondados e o seu comprimento variou da seguinte forma: • • Trinca menor: 100 mm Trinca maior: 200 mm 74 .5.0% 7.24 e os sentidos das trincas são mostrados na Figura 4. ANÁLISE DO ENRIJECEDOR COM CONCENTRADOR DE TENSÕES Nesta análise considera-se uma trinca como concentrador de tensões no enrijecedor.5% Deformação 5.15567 elementos C3D4H . Foram realizados ensaios em 3 posições diferentes para a trinca e utilizou-se a técnica do submodelamento para melhor análise na região do concentrador de tensões.25.1746 elementos C3D4H .3.3. As posições analisadas são mostradas na Figura 4.10 8 Tensão (MPa) 6 4 C3D8RH .23 Comparação dos gráfico tensão x deformação no ponto de maior tensão do enrijecedor sem entalhe 4.0% 2.1775 elementos 2 C3D4H .5% Figura 4.1746 elementos C3D8H .116637 elementos 0 0. Em cada posição analisada realizou-se 4 ensaios diferentes. variando o tamanho do comprimento da trinca e o seu sentido (longitudinal ou transversal). A malha escolhida foi a tetraédrica e as condições de contorno e carregamento são os mesmos descritos anteriormente no item 4.

Posições das trincas analisadas no enrijecedor Figura 4. Com os ângulos de aplicação de 0º e 15º percebeu-se que na maior parte das análises não foi possível achar a carga máxima. o ângulo de aplicação desta carga de 0º a 90º com o eixo horizontal.24.000 kN. sendo assim.Figura 4. A 0º do eixo horizontal a flexão inexiste e a 15º. ela é muito pequena. Sentido das trincas analisadas no enrijecedor Com o objetivo de obter a carga máxima admissível no riser.25. nestes casos a carga máxima admissível no riser depende de outros fatores além da flexão. 75 . aplicou-se um carregamento extremo de 1. a cada 15º. Variou-se também.

4.5.1. Trinca

Segundo PAIVA (2000), a fratura em materiais sólidos normalmente começa com falhas do tipo trinca ou entalhe, podendo causar altas tensões em seu contorno. O aparecimento de trincas em peças ou componentes pode provocar custos elevados, pois aumenta o tempo e os esforços gastos na manutenção e restauração de peças, e que, se omitida, pode levar à fratura do componente e também à falha estrutural, colocando, em alguns casos, vidas humanas em risco. Um exemplo de trinca como concentrador de tensões pode ser visto na Figura 4.26. Todo material sempre terá defeitos inerentes ao processamento e/ou usinagem, sendo muito difícil a ausência de trincas. Faz-se então necessário estudar os efeitos das trincas e propor métodos para prever o comportamento de estruturas com trincas sob determinadas condições de trabalho. As trincas podem se iniciar como pequenas falhas na etapa de manufatura do material, podem aparecer durante a fabricação da peça ou podem surgir em decorrência de danificações por fadiga, impacto ou corrosão da estrutura final (PAIVA, 2000). Uma ferramenta fundamental para analisar projetos e indicar níveis de tolerância aos defeitos e distorções presentes no material é a Mecânica da Fratura. Ela vem, ao longo dos anos, estudando normas e processos para caracterizar e distinguir as trincas e suas conseqüências. O objetivo da Mecânica da Fratura é determinar se uma trinca irá ou não levar a peça à fratura para tensões de operação, seu maior desafio é prever se as trincas poderão comprometer a segurança durante a vida útil da estrutura e quando isto ocorrerá. A presença de uma trinca em uma estrutura normalmente induz altas concentrações de tensão na região próxima à trinca. A mecânica da fratura fornece meios onde o campo de tensões na região próxima à trinca, assim como as deformações podem ser caracterizadas e permite que os projetistas aliem segurança e viabilidade econômica (SILVA, 2006). Um corpo com uma trinca deve suporta um carregamento inferior quando comparado com um corpo sem um concentrador de tensões.

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Figura 4.26. Trinca como concentrador de tensões (SILVA, 2006)

4.5.2. Submodelamento

É crescente a necessidade de simular problemas cada vez mais próximos da realidade e com maior riqueza de detalhes. Há alguns anos, por falta de recursos, seja de hardware ou software, o engenheiro precisava realizar simplificações significativas nos modelos computacionais. Com o passar dos anos, as ferramentas de auxílio computacionais evoluíram e não são mais necessárias as simplificações de detalhes. Hoje em dia é possível simular estruturas complexas inteiras ao invés de pequenos elementos. Todavia, com a enorme riqueza de detalhamento nos problemas atuais, em muitos casos o hardware disponível ainda não é suficiente para solucionar alguns problemas no curto espaço de tempo exigido e por isso existem técnicas para auxiliar modelagens mais complexas. Uma técnica muito utilizada quando se tem poucos recursos computacionais é o submodelamento. O submodelamento é um estudo mais detalhado em uma determinada área de interesse do modelo, como por exemplo, uma região com altas tensões. Sendo assim, haverá dois modelos: o modelo global, representando a estrutura como um todo, e o submodelo, uma geometria local onde, na maioria dos casos é feito com uma malha mais densa para se obter maior precisão. O submodelamento interpola as deformações do modelo global inicial, relativamente grosseiro para o modelo local e resolve o problema novamente, obtendo assim um estado de tensões mais preciso (HIBBITT et al., 2002). O submodelo é analisado separadamente do modelo global. A ligação entre os dois se dá unicamente pelo uso do resultado do modelo global como condição de contorno para o submodelo. É possível ainda ser usado como recurso, a análise de um submodelo como um modelo global para um novo submodelo ainda mais

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detalhado. Na Figura 4.27 é possível verificar a densidade da malha de um submodelo.

Figura 4.27. Densidade da malha de um submodelo (ANSYS Advanced Analysis Techniques Guide, 2005)

Quando se faz necessário maior precisão na análise de um modelo, tem-se as seguintes opções: • • • Fazer o modelo completo com uma malha refinada; Refinar a malha localmente e aumentar progressivamente o elemento dentro do modelo; Fazer o modelo global com a malha grosseira e usar a técnica do submodelo para refinamento local; Diante das alternativas apresentadas, conclui-se que as três opções podem levar aos resultados almejados, porém é necessário otimizar o processo reduzindo o tempo necessário para a análise e os recursos computacionais necessários. A primeira alternativa pode ser útil quando se faz necessário o mesmo grau de detalhamento em todo o modelo, mas não é recomendada quando se quer um detalhamento local. Dependendo dos recursos computacionais, um modelo com uma malha muito refinada pode tornar a análise inviável. A segunda alternativa deve ser usada apenas para uma análise local pouco mais detalhada se comparada à análise do modelo completo. Ao refinar a malha localmente para analisar junto a um modelo com o elemento muito maior que o elemento refinado, a transição entre os elementos não é tão simples. A técnica mais recomendada para uma análise local bem detalhada

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Este terceiro submodelo é novamente um cubo retirado do canto superior direito do 79 . fez-se um segundo submodelo tendo como modelo global o primeiro submodelo. Para exemplificar esta situação.28.36). É possível ainda.29. Este segundo submodelo é um cubo. A viga foi modelada com elementos C3D8R. Com o resultado destas duas análises. uma análise local no ponto de maior tensão que é a parte superior de um dos lados onde a viga está engastada. Seu material é um aço linear elástico isotrópico com módulo de elasticidade igual a 200GPa e coeficiente de Poisson 0. com arestas iguais a 15 mm. Sob esta viga foi aplicada uma carga de 8KN distribuída ao longo de seu comprimento.3. pois esta será feita de maneira independente. Malha da viga Para obtenção de um resultado mais detalhado. utilizou-se como submodelo um pedaço da viga de tamanho igual a 100mm x 100mm x 80mm. retirado do canto superior direito do primeiro submodelo. Configuração deformada da viga Figura 4. fez-se uma comparação entre a tensão de Mises no último nó do canto superior direito. A malha da viga é mostrada na Figura 4.é a técnica do submodelo. Nesta análise. ganha-se tempo considerável com a análise global e também com a análise local. onde se necessita maior detalhamento no ponto de maior tensão da viga. se necessário. foi feito. Percebe-se que os resultados não estão convergindo para um único valor (Figura 4. retirado do canto superior direito do modelo global com a malha mais refinada e foi feito uma nova análise. Figura 4. que são elementos sólidos de 8 nós e foram gerados 320 elementos com 615 nós. tem-se uma viga bi engastada de 2m de comprimento e perfil retangular de 80mm x 200mm. no exemplo acima.29. Com o submodelo. Como exemplo de uma análise local mais precisa. fez-se então outro submodelo a partir deste último com o objetivo de chegar à convergência do resultado. e a configuração deformada com a tensão na direção 1 após a aplicação da carga é mostrada na Figura 4. usar o submodelo como um modelo global e detalhá-lo ainda mais.28.

Características de cada submodelo Elemento Submodelo Número de Nós Tipo Quantidade 1 2 3 C3D8R 27 125 125 64 216 216 Figura 4.submodelo anterior. junto com sua configuração deformada.30 à Figura 4. tendo cada lado valor igual a 2. Configuração deformada do primeiro submodelo da viga 80 .5 mm. Malha do primeiro submodelo da viga Figura 4.30.4.35. podem ser vistos na Figura 4.31. A Tabela 4. Tabela 4.4 mostra a quantidade de elementos e nós gerados em cada análise e as malhas de cada submodelo.

34. até a grandeza requerida (neste caso a tensão) 81 . quando se necessita de uma análise mais detalhada é comum o uso do submodelo uma ou mais vezes. Este gráfico representa a tensão de Mises em cada incremento realizado do último nó do canto superior direito. É possível observar no gráfico a diferença de tensão entre a análise global e as duas análises posteriores. Em muitos casos. Configuração deformada do segundo submodelo da viga Figura 4. Malha do segundo submodelo da viga Figura 4.36. Malha do terceito submodelo da viga Figura 4.35. Configuração deformada do terceiro submodelo da viga Um gráfico comparando a análise global com as três análises locais é apresentado na Figura 4.33.Figura 4.32.

Tensão Von Mises 600 450 Tensão (KPa) 300 150 0 Análise Global Primeiro submodelo Segundo submodelo Terceiro submodelo Figura 4. O terceiro submodelo foi analisado com 125 elementos. utilizou-se uma determinada quantidade de submodelos até que o resultado convergisse ou fosse possível analisar o entalhe de com a precisão adequada. a tensão no ponto medido está convergindo para um valor constante.36.3. Posição 1 Para analisar um enrijecedor com concentrador de tensões na posição 1.5. As características dos elementos utilizados nas quatro análises. percebe-se que após a análise do terceiro submodelo. 82 .000. caso tamanho detalhamento fosse feito em todo o modelo global. são mostradas na Tabela 4. variando o tamanho e o sentido da trinca. o que poderia inviabilizar a análise diante de poucos recursos computacionais. este teria 256.convergir para um valor no ponto onde se necessita medir. assumiu-se uma trinca preexistente na região cônica próximo a região cilíndrica.000 de elementos.5. De acordo com o tamanho e sentido da trinca. Neste exemplo. 4. Gráfico tensão de Mises em cada incremento da análise dos 3 modelos Utilizou-se a técnica descrita neste capítulo em todas as análises com a simulação de uma trinca.

093 30.869 14.5.37 a malha usada para simulação da trinca transversal de menor tamanho na posição 1.758 25. A malha usada para o submodelo desta mesma análise é indicada na Figura 4. pois esta parte não está sendo analisada neste trabalho.862 18. Elementos utilizados no enrijecedor com uma trinca na posição 1 Superfície do Enrijecedor Duto Duto Posição 1 Modelo Sólido C3D4H Trinca transversal menor Trinca Número de Elementos transversal maior Trinca longitudinal menor Global Submodelo 1 Global Submodelo 1 Submodelo 2 Global Submodelo 1 Submodelo 2 Submodelo 3 Trinca longitudinal maior Global Submodelo 1 Submodelo 2 Submodelo 3 33. 83 .910 Elemento Viga B31 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 Superfície SFM3D4 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 Como exemplo.39 e a sua configuração deformada com a carga aplicada a 45º é mostrado na Figura 4.217 33. A Figura 4.162 50.788 59.004 98.Tabela 4.503 129.011 92. Nesta figura excluiu-se a parte cilíndrica do enrijecedor. onde há um concentrador de tensões.172 44.38 representa a configuração deformada com a tensão de Mises do segmento após a aplicação da carga a 45º dos eixos x e y.40.589 7. Percebe-se que a região de maior tensão é a região do local da trinca. apresenta-se na Figura 4.

Malha do submodelo da menor trinca transversal na posição 1 Figura 4.40. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na posição 1 com carga aplicada a 45º Figura 4.38. Configuração deformada do submodelo da menor trinca transversal na posição 1 84 . Malha usada para simulação da menor trinca transversal na posição 1 Figura 4.39.Figura 4.37.

85 .A Figura 4.3.41. Critério: Tensão 900 875 886 Posição 1 Trinca transversal menor Trinca transversal maior Carga admissivel (KN) 600 498 Trinca longitudinal menor Trinca longitudinal maior 353 290 280 225 352 300 252 438 219 163 164 124 135 104 0 45 60 75 90 Ângulo de aplicação da força (o) Figura 4. Posição 2 A análise do concentrador de tensões na posição 2 realizou-se assumindo uma trinca na posição indicada na Figura 4. As características dos elementos destas análises podem ser vistos na Tabela 4.4.6.4. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise do modelo na Posição 1 4.41 mostra a carga máxima admissível aplicada no riser para garantir o enrijecedor operando com uma tensão inferior a tensão máxima de 10.9 MPa indicada no item 3.5.24.

45.804 16.43.016 57.476 29.44 e a sua configuração deformada com a carga aplicada a 45º é mostrado na Figura 4.730 45.058 34.Tabela 4. Elementos utilizados no enrijecedor com uma trinca na posição 2 Superfície do Enrijecedor Duto Duto Posição 2 Modelo Sólido C3D4H Trinca transversal menor Trinca Número de Elementos transversal maior Trinca longitudinal menor Global Submodelo 1 Global Submodelo 1 Submodelo 2 Global Submodelo 1 Submodelo 2 Submodelo 3 Trinca longitudinal maior Global Submodelo 1 Submodelo 2 Submodelo 3 33.135 245.016 17.191 174.858 44.565 61.6. A malha usada para o submodelo desta mesma análise é indicada na Figura 4.988 38. 86 .159 Elemento Viga B31 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 Superfície SFM3D4 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 A malha usada para simulação da trinca transversal de menor tamanho na posição 2 é mostrada como exemplo na Figura 4.42 e sua configuração deformada com a tensão de Mises após a aplicação da carga a 45º dos eixos x e y é mostrada na Figura 4.399 43.

Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na posição 1 com carga aplicada a 45º Figura 4.44.45.Figura 4.43. Malha usada para simulação da menor trinca transversal na posição 2 Figura 4. Configuração deformada do submodelo da menor trinca transversal na posição 2 87 . Malha do submodelo da menor trinca transversal na posição 2 Figura 4.42.

Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise do modelo na Posição 2 4.5. assumiu-se uma trinca na região cônica do lado oposto região cilíndrica. 88 .Na Figura 4.46 pode-se ver a carga máxima admissível aplicada no riser para que o enrijecedor opere com uma tensão inferior a 10.5. As características dos elementos utilizados nestas análises são mostrados na Tabela 4.9 MPa. Posição 3 Para análise do enrijecedor com concentrador de tensões na posição 3.46. Critério: Tensão 900 Posição 2 Trinca transversal menor 729 Trinca transversal maior Trinca longitudinal menor Trinca longitudinal maior 393 Carga admissivel (KN) 600 679 300 271 319 260 177 218 134 207 133 193 156 110 97 79 0 45 60 75 o 90 Ângulo de aplicação da força ( ) Figura 4.7.

A malha usada para o submodelo desta mesma análise é indicada na Figura 4.822 96.584 18.758 33.113 2.138 31.770 3.609 25.472 12.7.991 84. A Figura 4. 89 .47 a malha usada para simulação da trinca transversal de menor tamanho na posição 3.395 3. Elementos utilizados no enrijecedor com uma trinca na posição 3 Superfície do Enrijecedor Duto Duto Posição 3 Modelo Sólido C3D4H Trinca transversal menor Trinca Número de Elementos transversal maior Trinca longitudinal menor Global Submodelo 1 Global Submodelo 1 Submodelo 2 Global Submodelo 1 Submodelo 2 Submodelo 3 Trinca longitudinal maior Global Submodelo 1 Submodelo 2 Submodelo 3 27.Tabela 4.48 representa a configuração deformada com a tensão de Mises do segmento após a aplicação da carga a 45º dos eixos x e y. apresenta-se na Figura 4.906 59.49 e a sua configuração deformada com a carga aplicada a 45º é mostrado na Figura 4.50.057 2.908 Elemento Viga B31 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 34 Superfície SFM3D4 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 578 Como exemplo.

Configuração deformada do submodelo da menor trinca transversal na posição 3 90 .Figura 4. Configuração deformada da análise da menor trinca transversal na posição 3 com carga aplicada a 45º Figura 4.49. Malha usada para simulação 2 Figura 4. Malha do submodelo da menor trinca transversal na posição 3 Figura 4.48.47.50.

52 a Figura 4. como observa-se Figura 4. a Figura 4. na região cônica. mais crítico será esta trinca.51. como já era esperado. Comparação dos resultados Nos itens anteriores apresentaram-se os gráficos comparando a carga máxima admissível nos quatro diferentes tipos de trinca analisados para cada posição escolhida.3.51 mostra a carga máxima admissível aplicada no riser o enrijecedor operar com tensão inferior a tensão máxima de 10. Se olharmos cada tipo de trinca.5. comparando as posições escolhidas.4. quanto mais próximo a trinca estiver da ponta do enrijecedor no lado oposto a região cilíndrica. Isto é. Isto se explica pelo fato de no sentido transversal ocorrer perda de seção no momento da flexão. que a trinca maior tem carga admissível mais baixa e que a trinca no sentido transversal tem carga admissível mais baixa se comparado ao sentido longitudinal. 91 .55.6.9 MPa apontada no item 3. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise do modelo na Posição 3 4.Analogamente aos itens anteriores. Critério: Tensão 900 Posição 3 Trinca transversal menor Trinca transversal maior Carga admissivel (KN) 600 Trinca longitudinal menor Trinca longitudinal maior 300 287 229 98 89 64 54 43 34 51 45 32 30 107 87 25 25 0 45 60 75 o 90 Ângulo de aplicação da força ( ) Figura 4. É possível observar também. fica bem claro que a posição 3 tem a carga admissível mais baixa e a posição 1 tem a mais alta.

Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido transversal e tamanho maior 92 .53.52. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido transversal e tamanho menor Critério: Tensão 900 Trinca maior transversal Posição 1 Posição 2 Carga admissivel (KN) 600 Posição 3 300 252 218 87 164 134 45 124 30 97 104 79 25 0 45 60 75 o 90 Ângulo de aplicação da força ( ) Figura 4.Critério: Tensão 900 Trinca menor transversal Posição 1 Posição 2 Carga admissivel (KN) 600 Posição 3 352 300 271 107 219 163 177 51 133 135 32 110 25 0 45 60 75 90 Ângulo de aplicação da força (o) Figura 4.

a partir das análises mostradas neste trabalho. Embora esta norma não faça menção a deformação em materiais com trinca.55. a deformação máxima admissível para enrijecedores de poliuretano é de 7. obter os resultados de carga máxima admissível segundo o 93 . Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho menor Critério: Tensão 900 875 Trinca maior longitudinal Posição 1 Posição 2 Carga admissivel (KN) 679 600 438 290 319 207 81 46 Posição 3 300 265 225 156 32 0 45 60 75 o 90 Ângulo de aplicação da força ( ) Figura 4. usou-se este valor para.Critério: Tensão 900 886 Trinca menor longitudinal Posição 1 729 Posição 2 498 Carga admissivel (KN) 600 Posição 3 353 300 287 393 260 98 64 193 43 280 0 45 60 75 90 Ângulo de aplicação da força (o) Figura 4. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho maior Segundo a norma API SPEC 17J.7%.54.

o que minimiza a influencia da posição da trinca para este critério. Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido transversal e tamanho menor comparando os critérios de tensão admissível e deformação admissível 94 .Tensão Posição 2 . porém. com os critérios de tensão máxima e deformação máxima. na maioria dos casos.56 a Figura 4.Tensão Posição 3 .Tensão Posição 1 . É possível observar também que. é mostrada para cada análise realizada na Figura 4.critério de deformação apresentado na norma.Deformação Posição 2 . A comparação da carga máxima admissível.Deformação Carga admissivel (KN) 600 300 0 45 60 75 90 Ângulo de aplicação da força (o) Figura 4. em alguns casos. bem inferior a carga máxima admissível com os critérios de tensão propostos neste trabalho.Deformação Posição 3 . no caso mais extremo analisado que é com o ângulo de aplicação da força de 90º na posição 3 que é a ponta do enrijecedor os dois critérios se aproximam muito. Percebe-se que. mesmo com uma trinca. Trinca menor 900 transversal Posição 1 .56. as curvas segundo o critério de deformação máxima estão muito próximas.59. a carga máxima admissível segundo os critérios de deformação da norma API SPEC 17J é.

57.Deformação Carga admissivel (KN) 600 300 0 45 60 75 o 90 Ângulo de aplicação da força ( ) Figura 4.Deformação Carga admissivel (KN) 600 300 0 45 60 75 o 90 Ângulo de aplicação da força ( ) Figura 4.Tensão Posição 3 .Tensão Posição 2 .Tensão Posição 1 .Tensão Posição 1 .58.Deformação Posição 3 .Tensão Posição 2 . Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho menor comparando os critérios de tensão admissível e deformação admissível 95 .Deformação Posição 2 .Trinca maior 900 transversal Posição 1 .Tensão Posição 3 .Deformação posição 3 .Deformação Posição 2 . Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido transversal e tamanho maior comparando os critérios de tensão admissível e deformação admissível Trinca menor 900 longitudinal Posição 1 .

Tensão Posição 3 . Gráfico Carga máxima admissível x Ângulo de aplicação da força para a análise da trinca no sentido longitudinal e tamanho maior comparando os critérios de tensão admissível e deformação admissível 96 .Tensão Posição 2 .Deformação Posição 2 .Tensão Posição 1 .59.Deformação Posição 3 .Deformação Carga admissivel (KN) 600 300 0 45 60 75 o 90 Ângulo de aplicação da força ( ) Figura 4.Trinca maior 900 longitudinal Posição 1 .

O enrijecedor permite a transição suave de rigidez entre o riser flexível e o ponto de conexão com a plataforma. Levou-se os ensaios de tração até a ruptura em seis corpos de provas. Após a avaliação da qualidade dos ajustes. verificou-se que o melhor ajuste para este modelo hiperelástico é o Polinomial de ordem 2. no software Abaqus. O objetivo é saber a carga máxima admissível no enrijecedor. com o seu material caracterizado sempre pelos dados experimentais da curva de um dos ensaios sem concentrador de tensões. pois esta parte tem sua rigidez aumentada por conectores. a primeira através do erro normalizado dos modelos e a segunda através do valor do coeficiente de determinação (R2).5. usou-se a curva do ensaio experimental ajustada pelo modelo Polinomial de ordem 2 para caracterizar o material. Nesta simulação. Fez-se então uma simulação do ensaio de tração em elementos finitos no software Abaqus. nas condições realizadas são válidos e o seu resultado pode ser usado para a análise do enrijecedor. sendo dois CPs sem entalhe.47. Fez-se então as análises do enrijecedor em elementos finitos. foi arbitrado e considerado igual a 0. porém é sabido que a flexão excessiva pode causar danos ao enrijecedor. Admitiu-se então que os ensaios. observa-se que as curvas permanecem juntas até certo ponto e após este ponto as curvas se distanciam um pouco. Primeiramente procurou-se encontrar a tensão máxima para o poliuretano com um concentrador de tensões. 97 . Estes danos podem ser agravados caso haja uma trinca no enrijecedor e a finalidade deste trabalho é encontrar a carga máxima admissível ao enrijecedor a partir da sua tensão máxima admissível quando houver uma trinca. Nestas análises foi aplicado uma carga de 1. o valor do coeficiente de Poisson utilizado.000 kN no riser para simular a flexão. A qualidade do ajuste empregado foi verificada de duas maneiras. Utilizou-se os pontos coletados em um dos ensaios com o corpo de prova sem entalhe para fazer o ajuste da curva no software Abaqus em 6 diferentes modelos hiperelásticos. CONCLUSÕES O objetivo desta tese foi estudar falhas em enrijecedores de poliuretano à flexão com um concentrador de tensões considerando a não linearidade na relação constitutiva do material. Em todas as análises. a parte cilíndrica do enrijecedor foi descartada. usou-se a média da tensão de ruptura nos quatro corpos de prova com entalhe. dois CPs com entalhe de 1 mm e dois CPs com entalhe de 2 mm. Analisando o resultado da simulação do ensaio e comparando com o resultado experimental. Como tensão máxima admissível em um enrijecedor com uma trinca. Realizou-se ensaios experimentais com corpos de prova retirados de enrijecedores reais.

Quanto maior o tamanho da trinca menor será a sua carga admissível. como por exemplo um critério de Von Mises com seu eixo modificado a partir de resultados de ensaios bi-axiais. Como resultado destas análises tem-se a carga máxima admissível segundo o critério de tensão máxima proposto neste trabalho e a carga máxima admissível segundo o critério de deformação máxima da norma API SPEC 17J. A carga máxima admissível nas trincas com sentido transversal ao eixo central do enrijecedor será menor que em trincas com sentido longitudinal ao mesmo eixo. menor será a carga admissível no enrijecedor Quanto mais próximo da parte cônica mais fina na ponta do enrijecedor estiver a trinca. Nos ângulos de 0º e 15º. Ao compararem-se as diferentes análises realizadas. 98 . utilizou-se o recurso do submodelamento. tem-se como sugestão para trabalhos futuros: • Analisar diferentes tamanhos e geometrias de trinca em outras posições do enrijecedor para obter uma curva da carga máxima admissível em uma trinca ao longo de toda extensão do enrijecedor • • • Propor critérios de falha para o Bend stiffener. Para analisar a trinca nestes modelos. o resultado foi descartado. Considerar o comportamento assimétrico entre tração e compressão no poliuretano. Nestas análises aplicou-se a carga em diferentes ângulos de inclinação. Fez-se depois análises com trinca em 3 diferentes posições no enrijecedor variando também o tamanho da trinca e o sentido da trinca. Avaliar a resposta do enrijecedor com um concentrador de tensões considerando o carregamento por fadiga. podemos concluir: • • • • Quanto maior a componente vertical da carga aplicada. Para dar continuidade a este trabalho. a tensão máxima proposta não foi atingida.Na análise com o enrijecedor sem concentrador de tensões. menor será a sua carga admissível. • O critério de deformação máxima da norma API SPEC 17J é mais conservador que o critério de tensão máxima proposto neste trabalho Este trabalho propôs um critério para análise de enrijecedores com concentrador de tensão a partir de uma tensão máxima. partindo de 0º até 90º com o eixo horizontal em intervalos de 15º em 15º. pois a 0º a flexão é inexistente e a 15º ela é muito pequena.

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sendo assim.3 ) torna-se: ( A. Área infinitesimal deformada em função da área infinitesimal indeformada As áreas dA no instante t=0 e da no instante t podem ser escritas como: dA = dX 1 × dX 2 da = dx1 × dx 2 No instante t. a área pode ser reescrita como: da = FdX 1 × FdX 2 = dAFe1 × Fe2 Ondo ei. dx1 = FdX 1 e dx 2 = FdX 2 .4 ) 103 . Fe3 ⋅ Fe1 × Fe2 = det F A equação ( A.APÊNDICE A A. então: dae3 = dA(Fe1 × Fe2 ) De acordo com as propriedades de multiplicação escalar entre vetores. sendo dA = dAe3 .1 ) Fe1 ⋅ dae3 = Fe2 ⋅ dae3 = 0 e ( A. Então. temos: ( A. ( A. são as bases cartesianas.3 ) a ⋅ b × c = determinante cujas linhas são os componentes de a. A orientação da área deformada é normal a Fe1 e Fe2. b e c.2 ) Fe3 ⋅ da = dA(Fe3 ⋅ Fe1 × Fe2 ) De acordo com as propriedades vetoriais.

8 ). ( A.6 )  dA  e3 ⋅ F T e3 =   det F  da  Ou seja. a equação ( A.2 ) pode ser reescrita como: e1 ⋅ F T e3 = e2 ⋅ F T e3 = 0 E a equação ( A.7 )  dA  F T =   det F  da  Rearranjando a equação ( A. tem-se: ( A.5 ) Usando as definições de matriz transposta de um tensor.Fe3 ⋅ dae3 = dA det F ( A.5 ) torna-se: ( A.8 ) da = F F −T dA 104 .

1993).APÊNDICE B B. sempre haverá 3 autovalores correspondentes para 3 autovetores perpendiculares e vice-versa (LAI et al.. Os autovalores λi satisfazem a equação característica: λ3 − I 1λi2 + I 2 λi − I 3 = 0 i A equação acima pode ser escrita na forma de matriz: i = 1. Teorema de Cayley-Hamilton Sendo B real e simétrico.2.3 λ1 0  0  0 λ2 0 0 λ1  −I 0 0 1 0 λ3    3 0 λ2 0 0 λ1  +I 0 0 2 0 λ3    2 0 λ2 0 0 0  − I3 = 0  λ3   A matriz da equação acima é a matriz para o tensor B usando seus autovetores cartesianos: B 3 − I1 B 2 + I 2 B − I 3 I = 0 105 .

743 -13.011 -23.441 -12.709 -17.760 2. Constantes para os ajustes das curvas dos modelos hiperelásticos Tabela C.431 2.552 -2.065 1.022 11.599 Tabela C.589 5.282 6.878 7.523 -18.365 35.698 45.694 8.926 24.086 11.429 5.APÊNDICE C C.797 23.525 -20.185 11.177 41.892 106 . Constantes do modelo Neo-Hook obtida nos ensaios C10 Neo Hook CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 6.025 0.128 2.111 45.494 2.395 -17.111 -30. Constantes do modelo Mooney-Rivlin obtida nos ensaios Mooney-Rivlin C10 C01 CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 -24.589 -18.252 -14.386 6.051 5.566 Tabela C.509 0. Constantes do modelo Ogden com 4 parâmetros obtida nos ensaios Ogden com 4 parâmetros α1 α2 µ1 µ2 CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 13.1.563 -15.998 50.2.040 44.091 1.3.167 -2.

082 -72.5.482 105.840 -9. Constantes do modelo Yeoh obtida nos ensaios Yeoh C10 C20 C30 CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 11.464 18.002 0.510 -25.030 -31.859 85.312 6475.264 -88.552 0.703 -62. Constantes do modelo Polinomial de ordem 2 obtida nos ensaios Polinomial C10 C20 C01 C02 C11 CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 -134.162 9.677 0.151 47.011 Tabela C.220 395.363 10.6.958 -1646.816 3.330 310.690 91. Constantes do modelo Polinomial Reduzido obtida nos ensaios Polinomial Reduzido C10 C20 CP1 CP2 CP3 CP4 CP5 CP6 9.271 107 .267 3.132 -62.101 40.646 8.752 -0.040 -28.086 -0.047 -23.585 -1.200 8.703 11.046 -92.647 2.188 149.549 112.007 -0.834 -348.115 -2843.003 611.Tabela C.496 2.159 8.020 -21.160 -1.144 -21.882 -78.642 -20.4.173 0.137 34.645 8.197 30.476 -8.002 Tabela C.523 33.972 0.594 -3647.909 10.173 1184.

32 0.9999 0.46 0.14 0.22 0.91 0.02 0.08 0. 1 mm CP3 CP4 Sem Ent.9529 1.5830 3.02 0.5015 5.9986 0.37 0.65 0.9992 CP2 Erro R2 Erro R2 Erro R 2 Ent.9245 1.32 0.9998 0.9197 2.06 0.56 0. Valores do erro normalizado e do coeficiente de determinação (R2) Tabela D.9373 1.4 parâmetros Yeoh Polinomial reduzido Polinomial (N=2) Ent.9329 0.9437 0.04 0.9924 2.9994 0.9878 4.9998 0.9628 1.63 0.4474 3.9691 0.09 0.03 0.41 0. 2 mm CP1 Erro R 2 1.39 0.9624 2.8916 3.33 0.5028 0.9946 0. Comparação entre cada corpo de prova com os dois métodos para encontrar o erro na curva Moone y-Rivlin NeoHook Ogden .9981 0.02 0.9999 0.9190 0.41 0.49 0.8425 3.04 0.96 1.9778 1.APÊNDICE D D.07 0.1.28 0.9529 0.9994 0.10 0.47 0.8265 1.02 0.73 0. CP5 Erro R2 Erro R2 CP6 108 .9997 0.9616 3.28 0.00 0.9677 0.44 0.04 0.12 0.06 0.8091 2.

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