CADERNO PARA ESTUDO CONCURSO DE PEÕES E PRENDAS 10ª REGIÃO TRADICIONALISTA MTG/PR

Este caderno serve como base de estudos para o Concurso de Peões e Prendas da 10ª Região Tradicionalista do MTG/PR e foi elaborado como material de apoio aos peões e prendas. A leitura deste caderno deve ser realizada como apoio à outros materiais e livros que os Tradicionalistas possuam acesso. Organização: CHRISTIAN GUENTHER, advogado, 2º Sota Capataz do MTG/PR, filiado ao CTG Tertúlia do Paraná, de Marechal Cândido Rondon/PR. E-mail: euguenther@gmail.com Fontes: CADERNO PARA ESTUDO - CONCURSO INTERNO DE PEÕES E PRENDAS - 1º Edição – Junho / Julho de 2005 – www.ctgmeupago.com.br Materiais compilados da Internet.

Rio Grande do Sul em Números Situado no extremo sul do continente, com Santa Catarina, ao norte; Uruguai, ao sul; Argentina a oeste; dada estas fronteiras como região da Prata ou Pratina; e o Oceano Atlântico, a leste; o Rio Grande do Sul ocupa aproximadamente 3% do território brasileiro, abriga 6% da população nacional, é o maior produtor de grãos do Brasil e o segundo pólo comercial do País. O mapa do Rio Grande do Sul tem a forma de um coração; segundo os poetas gauchescos é como a pegada de um casco de cavalo no chão do pampa. Os rios gaúchos pertencem à bacia do Uruguai ou ao conjunto de pequenas bacias voltadas para o oceano Atlântico. O Uruguai é o mais extenso rio do Estado, separando-o de Santa Catarina e da Argentina. Os principais rios da vertente atlântica desembocam na Lagoa dos Patos, que se liga a Lagoa Mirim através do canal de São Gonçalo, e ao Atlântico pela barra do Rio Grande. O Estado possui 497 municípios distribuídos entre a zona rural e a urbana, entre as quais se destacam, a Capital Porto Alegre, Canoas, Pelotas, Passo Fundo, Rio Grande e Uruguaiana que faz fronteira com a Argentina. As Serras Gaúchas são um espetáculo à parte tendo gramado e canela como pontos turísticos de rara beleza e Caxias do Sul, centro econômico e financeiro e a maior cidade em população do Estado. A economia do Estado tem grande expressão no setor agropecuário. Os destaques ficam por conta das plantações de arroz, soja, aveia, uva, trigo, fumo, cebola, milho; rebanhos de ovinos, suínos e bovinos de raças selecionadas, destinadas ao corte e à produção de leite. A avicultura e a apicultura também estão em evidencia, e a indústria sulista tem grande importância nos setores de bens de consumo como alimentos, vestuário, couro e calçados. Símbolos Estaduais do RS Símbolos estaduais, estabelecidos por lei: A Bandeira – a bandeira gaúcha, com o formato que tem hoje, aparece durante a campanha Republicana no Brasil, na segunda metade do século 19, quando, querendo derrubar a monarquia de D. Pedro II, jovens políticos como Julio de Castilho foram buscar no passado gaúcho símbolos republicanos, do tempo em que o Rio Grande foi Republica, durante a Guerra dos Farrapos. Naquela guerra os farroupilhas, ao proclamarem a republica riograndense, arvoraram como bandeira um pavilhão quadrado onde figuravam as duas cores brasileiras - o verde e o amarelo – separadas pelo vermelho da guerra.

Na mesma época os farrapos mandaram confeccionar no estrangeiro lenços de seda em cujo desenho aparece muito nítida a influência da maçonaria. Assim durante a campanha republicana brasileira, os “Moços da Província” (Julio de Castilho e outros) pregavam o lenço farroupilha no centro de um retângulo com as três corres farroupilhas.Logo surge uma nova bandeira, com o brasão tirado do lenço já impresso. Basicamente, essa é a bandeira do Estado do Rio Grande do Sul tal qual como à conhecemos hoje. O Brasão – O Brasão rio-grandense é, como pequenas mudanças, o mesmo da época dos farrapos. Ao certo, sua origem é desconhecida, mas se acredita que foi desenhado originalmente pelo padre Hildebrando e desenhado em arte final pelo Major Bernardo Pires, que era Maçom e fez toda uma alegoria maçônica ao executar a obra. Os dois foram ilustres farroupilhas, com importantes serviços prestados à causa. O Hino – quando proclamaram a Republica Rio-grandense a 11 de setembro de 1836, quase um ano depois de começarem os combates, os farrapos não tinham hino. Em 1837, na tomada de rio Pardo, eles aprisionaram uma banda militar cujo maestro era um mulato fluminense chamado Joaquim José de Mendanha. Os chefes farroupilhas insinuaram que ficaria bem se os prisioneiros homenageassem os vencedores fazendo-lhes um hino, já que eram músicos militares. O Maestro Mendanha prontamente compôs a musica, apesar de não ser propriamente um compositor. A musica de Mendanha recebeu três letras diferentes, mas todas guardando certa semelhança entre si. Uma delas, a única oficialmente reconhecida, foi publicada no jornal O Povo. Outra, era de autoria do Tenente-Coronel Serafim Alencastre. A terceira era de um moço, poeta muito popular à época, chamado Francisco Pinto da Fontoura, vulgo Chiquinho da Vovó. Durante a campanha republicana brasileira Chiquinho da vovó, que ainda vivia, divulgou junto aos jovens republicanos a letra de sua autoria, que é a que se canta até hoje, como exeção de uma estrofe. Hino do Rio Grande do Sul Oficializado pelo Decreto nº 5.213, de 5.1.1966 Letra: Francisco Pinto da Fontoura Musica: Comendador maestro Joaquim José de Mendanha Harmonização: Antonio Corte Real Como a aurora precursora Do farol da divindade, Foi o Vinte de Setembro o precursor da liberdade. Estribilho: Mostremos o valor, constância, Nesta ímpia e injusta guerra,

Sirvam nossas façanhas De modelo a toda terra. Mas não basta pra ser livre Ser forte, aguerrido e bravo, Povo que não tem virtude Acaba por ser escravo. Hino Tradicionalista! Autor: Barbosa Lessa Eu agradeço à Salamanca do Jarau por me ensinar o que aprendeu do "Velho" Blau: com alma forte e sereno coração achei meu rumo pra sair da escuridão. Vi uma luz que se tornou fogo-de-chão, sorvi a luz no ritual do chimarrão, e hoje sei o que é a Cordialidade que nos conduz á real felicidade. Avante, cavaleiro mirim! Em frente, veterano peão! Lado a lado, prenda e prendinha, todos juntos dando a mão. Avante, seguindo os avós! Em frente, trazendo os piás! Coisa linda é se ver gerações convivendo em santa paz. E dá uma gana de sair dançando, ou gritando com força juvenil: "Viva a Tradição Gaúcha dos campeiros do Brasil! dos campeiros do Brasil! dos campeiros do Brasil!" Outros Símbolos do Rio Grande do Sul Quero-quero, Ave símbolo do Estado. Espécie: Belonopterus cayennesis. Habita as voltas de alagados e sangas, afamada protetora dos pampas, e as vezes mencionadas como alma dos índios que tombaram nas coxilhas durante a revolução. Brinco-de-princesa: Flor símbolo do Estado, Espécie: Fuchsia Regia

O Laçador, Estátua símbolo de Porto Alegre: monumento criado por Antonio Caringi e inaugurado em 20 de setembro de 1958, no Largo do Bombeiro. Com 4,45 metros de altura em bronze, num pedestal de granito totalizando 6,55 mestros, e com 3,8 toneladas, onde o laço empunhado é trançado de couro-crú. O monumento foi inspirado em Paixão Cortêz – tradicionalista gaúcho, cujas pesquisas registraram o folclore e a cultura do povo Rio-grandense. Cortez foi criador dos símbolos, Chama Crioula, candeeiro Crioulo e a Semana Farroupilha. Historia do Rio Grande do Sul Cronologia histórica: 1492 – Colombo descobre a América, chegando às ilhas da América Central. 1500 – Cabral chega ao Brasil, desembarcando nas costas da Bahia. 1501 – Caravelas portuguesas, primeiro e logo depois as espanholas começam aparecer nas costas gaúchas , mas sem desembarque, por que as praias ali eram perigosas e não existia portos naturais. 1531 – Os navegantes portugueses Martim Afonso de Souza e Pero Lopes, sem desembarcar nas praias gaúchas, batizam com o nome de “Rio Grande de São Pedro” a barra que vai permitir mais tarde a passagem de navios do Oceano Atlântico para a Lagoa dos Patos. 1626 – O padre jesuíta Roque Gonzalez de Santa Cruz, nascido no Paraguai, atravessa o rio Uruguai e funda o povo de São Nicolau, assinalando oficialmente a chegada do homem branco ao território gaúcho. Na realidade não se sabe quem foi o primeiro branco a chegar aqui, por que nesse mesmo ano, ao visitar o rio Guaíba (Iguaí) o padre Roque já encontrou na região onde hoje está a cidade de Porto Alegre navios portugueses comerciando com os índios. Evidentemente, esses navios tinham vindo pelo mar, forçando a barra do Rio Grande e atravessando a Lagoa dos Patos. 1634 – O padre jesuíta Cristobal de Mendonza Orellana (Cristóvão de Mendonça) introduz o gado nas Missões Orientais, o que vai justificar mais tarde o surgimento do “gaúcho”. 1641 – Os jesuítas são expulsos do Rio Grande do Sul pelos Bandeirantes depois de fundarem 18 reduções ou povos. Essas aldeias foram todas arrasadas e o gado, um pouco foi escondido na Vacaria dos Pinhais, outro pouco eles levaram para Argentina na sua fuga e a maior parte se esparramou, virando “chimarrão”, que quer dizer selvagem. Graças ao padre Cristovão Mendonça, esse gado, que não tinha marca nem sinal, ficaram também chamados orelhanos. 1680 – Finalmente Portugal resolve marcar presença na região Sul para enfrentar o expansionismo espanhol: Dom Manoel Lobo funda a Colônia do Santíssimo Sacramento, que vai ser decisiva para o surgimento do gaúcho. 1682 – Os bandeirantes estão ocupados com o ouro e as pedras preciosas das Gerais, esquecendo os nossos índios. Voltam então os jesuítas espanhóis ao solo gaúcho fundando primeiro São Francisco Borja, hoje a cidade de São Borja, o mais antigo núcleo urbano do Rio Grande do Sul. Entre 1682 a

1701 eles fundaram 8 povos em território gaúcho, dos quais 7 prosperaram, chamados então : “os 7 povos das Missões” – São Francisco Borja; São Nicolau; São Luiz Gonzaga; São Miguel Arcanjo; São Lourença Martin; São João Batista e Santo Ângelo Custódio. 1750 – Assinado o “Tratado de Madrid” entre Portugal e Espanha, pelo qual os portugueses dão aos espanhóis a Colônia de Sacramento e recebem em troca Os 7 Povos das Missões. Os padres jesuítas espanhóis não se conformam com a troca e os índios missioneiros se revoltam. Vai começar a chamada “Guerra das Missões”. 1756 – A 7 de fevereiro morre em uma escaramuça o índio José Tiarayu, “o Sepé” junto a Sanga da Bica (hoje dentro do perímetro urbano de São Gabriel) morto pelas forças espanholas e portuguesas, três dias mais tarde ocorre o massacre de Caiboaté (ainda no município de São Gabriel) onde uma hora e 10 minutos os exércitos da Espanha e Portugal mataram quase 1500 índios e tiveram apenas 4 baixas. Em Caiboaté foi vencida a resistência missioneira definitivamente. Ao abandonarem as Missões os jesuítas carregaram o que puderam e incendiaram lavouras, casa e até igrejas. 1762 – Assinado o “Pacto da Família”, que anulou praticamente o Tratado de Madrid. Ou seja, Os 7 Povos das Missões continuaram sob o domínio da Espanha e a Colônia do Sacramento continuou portuguesa. 1763 – Tropas espanholas invadem o Brasil apoderando-se do Forte de Santa Tereza e da cidade de Rio Grande e de São José do Norte. No período da dominação espanhola começa a brilhar um herói autenticamente gaúcho: Rafael Pinto Bandeira. 1776 – Os espanhóis são expulsos do Rio Grande. Mas o forte de Santa Tereza jamais foi recuperado. Hoje está em território “uruguaiano”. 1780 – O cearense Domingos José Martins funda em Pelotas a primeira charqueada com características empresariais. Logo as charqueadas vão ser decisivas na economia gaúcha. O negro entra maciçamente no Rio Grande do Sul, como escravos das Charqueadas. 1801 – Três heróis rio-grandense, com poucos seguidores, conquistam para Portugal os 7 Povos das Missões, aumentando em 1/3 o mapa do Rio Grande do Sul. São eles : José Borges do Canto, Manoel dos Santos Pedroso e Gabriel Ribeiro de Almeida. 1808 – Acossada pelas tropas napoleônicas a família real portuguesa foge para o Rio de Janeiro. 1810 – Começa “El AÑO DIEZ”, marco da libertação das colônias espanholas da América. 1811 – Pedro José Vieira, vulgo “Perico, el Bailarín”, que era gaúcho de Viamão, acompanhado pelo uruguaio Venâncio Benavidez dá o “Grito de Asencio” que o primeiro grito da independência do Uruguai. Surge o grande herói uruguaio José Artigas. 1815 – Tropas brasileiras e portuguesas tomam Montevidéu anexando o Uruguai ao Brasil com o nome de província Cisplatina. Nessas lutas até a independência final do Uruguai aparece e ganha prática e galões Bento Gonçalves da Silva.

1822 – O príncipe português Pedro de Alcântara, da casa de Bragrança, proclama a independência do Brasil e é aclamado como Imperador, com o nome de D. Pedro I. 1824 – A 18 de julho desembarcam em Porto Alegre, os primeiros 39 colonos alemães. A 25 de julho eles se instalam nas margens do rio dos Sinos, na Real Feitoria do Linho Cânhamo, hoje cidade de São Leopoldo. 1827 – A 20 de fevereiro acontece a “batalha do Passo do Rosário”, onde tropas uruguaias e argentinas, que tinham invadido o Rio Grande do Sul, se enfrentam com tropas brasileiras. Os maiores heróis das 3 pátrias tomaram parte da batalha, onde morreu o Marechal José de Abreu, chamado pelos seus soldados o : “ Anjo da Vitória”. Apesar das declarações vitoriosas dos exércitos, não houve vencedores. 1828 – É proclamada definitivamente a independência do Uruguai. 1835 – Explode a chamada: “Revolução Farroupilha”. A 20 de setembro, os revolucionários comandados por Bento Gonçalves tomam Porto Alegre, capital da Província. As causas são políticas, econômicas, sociais e militares. A Província de São Pedro do Rio Grande do Sul estava arrasada pelas guerras e praticamente abandonada pelo Império do Brasil, meio desgovernado depois da Volta de Dom Pedro I a Portugal. 1836 – A 11 de setembro o coronel farroupilha Antonio de Souza Neto, depois de uma estrondosa vitória sobre as forças imperiais brasileiras no Seival, proclama a Republica Rio-grandense. Nesse mesmo ano Bento Gonçalves da Silva é aprisionado após a batalha da ilha do Fanfa e enviado com muitos oficiais farrapos ao Rio de Janeiro e depois para o Forte do Mar, na Bahia. O governo da nova Republica se instala em Piratini e Bento Gonçalves é eleito Presidente. Como está preso, assume em seu lugar José Gomes de Vasconcelos Jardim. Piratini é a Capital. 1837 – Organiza-se o governo republicano. São nomeados Generais: Antonio de Souza Neto, João Manoel de Lima e Silva, Bento Gonçalves da Silva e mais tarde David Canabarro, Bento Manoel Ribeiro e João Antonio da Siqueira. Enquanto durou, a Republica Rio-grandense só teve estes seis Generais. Nesse mesmo ano, a maçonaria consegue dar fuga a Bento Gonçalves, que de volta ao Rio Grande assume a Presidência da Republica. 1839 – A Republica parece consolidada, a marinha de guerra está sob o comando efetivo de José Garibaldi, corsário italiano trazido ao Rio Grande pelo Conde Livio Zambeccari, através da maçonaria. Os farrapos decidem levar a republica ao Brasil. Um exército comandado por David Canabarro e apoiado pela Marinha de Garibaldi proclama Santa Catarina a Republica Juliana. A Capital da Republica Rio-grandense passa ser Caçapava. 1841 – A capital da Republica Rio-grandense passa a ser Alegrete, onde se instala a Assembléia Nacional Constituinte. 1842 – Bento Gonçalves da Silva, no começo deste ano, se bate em duelo com Onofre Pires, que morre em conseqüência dos ferimentos. Após duelo Bento Gonçalves da Silva entrega o Governo e o comando do exercito republicano.

1845 – A 28 de fevereiro os farrapos assinam a paz com o Império do Brasil no acampamento do Poncho Verde, em Dom Pedrito. O Rio Grande do Sul volta a fazer parte do Brasil. 1847 – Morre Bento Gonçalves da Silva em Pedras Brancas, hoje Guaíba. O Grande Herói Gaúcho estava pobre e doente quando terminou a Guerra dos Farrapos. 1851 – Antigos farrapos, ao lado de seus ex-inimigos, agora todos fazendo parte do exercito imperial brasileiro, derrota o ditador Rosas da Argentina. 1852 – Nesse ano aparece a primeira pesquisa sobre o folclore gaúcho, uma coleção de vocábulos e frases organizados por Antonio Álvares Ferreira Coruja. 1857 – Intelectuais gaúchos imigrados na corte, fundam no Rio de Janeiro a primeira entidade e tradicionalista gauchesca, a “Sociedade SulRioGrandense”, que existe até hoje. 1864 – Os gaúchos tomam parte na invasão do Uruguai e na derrota de Oribe. 1865 - Em conseqüência da guerra do Uruguai, o ditador paraguaio Francisco Solano Lopes, declarando guerra ao Brasil, invade o Rio Grande do Sul, em São Borja. Começa a chamada Guerra do Paraguai. Nesse mesmo ano o Brasil faz aliança com o novo governo uruguaio e com a Argentina e os paraguaios invasores são cercados em Uruguaiana, onde se rendem às tropas da Tríplice Aliança. 1868 – Funda-se em Porto Alegre a “Sociedade Partenon Literário” decisiva para o regionalismo gauchesco. Entre seus grandes nomes Calbre e Fião, Apolinário Porto Alegre, Taveira Junior e Múcio Teixeira. Neste mesmo ano começa o movimento messiânico dos Mukers, em Sapiranga, liderado por Jacobina Maurer. 1870 – Termina a Guerra do Paraguai com a morte de Francisco Solano Lopes. Mais de 1/3 das tropas brasileiras é constituída por gaúchos, enclusive velhos heróis de 35, como David Camabarro e Antonio de Souza Neto. 1874 – Os Mukers, depois de três ataques do exercito brasileiro e da Guarda Nacional, são finalmente afogados em um banho de sangue, vencida sua resistência. 1875 – Começa a imigração italiana no Rio Grade do Sul. Como os imigrantes alemães já tinham ocupado férteis vales fluviais os italianos passaram a ocupar as encostas da Serra. 1880 – Começa no Rio Grande do Sul a propaganda republicana brasileira, aproveitando os antigos símbolos do republicanismo farrapo. 1888 – A abolição da escravatura é proclamada no Brasil quando já no Rio Grande do Sul não existia mas escravo. O negro veio para o pampa em 1726, com a frota de João Magalhães. O escravo foi mão-de-obra indispensável nas charqueadas. Como voluntário e liberto lutou com grande bravura na Revolução Farroupilha. Como escravo e bucha de canhão lutou galhardamente na Guerra do Paraguai. Um dos maiores heróis da marinha brasileira foi um fuzileiro negro, gaúcho de Rio Grande, chamado Marcílio Dias.

1889 – é proclamada a Republica no Brasil. No Rio Grande do Sul o homem do momento é Júlio de Castilhos. O Partido Republicano Rio-grandense, que não esperava a proclamação tão cedo, não estava preparado para assumir o poder. O Rio Grande do Sul, com a Republica, deixa de ser Província e passa a ser Estado. 1893 – Começa a Revolução Federalista contra o Governo Republicano chefiado por Júlio de Castilhos. Do lado dos revolucionários tomaram parte na Revolução de 93 muitos uruguaios, alguns dos quais do Departamento de San José, os chamados “Maragatos”. Aos poucos esse termo foi sendo usado para designar todos os revolucionários que usavam como símbolo o lenço vermelho ao pescoço. Os guerreiros que lutaram a favor do governo usavam o lenço branco ( mais raramente verde) e usava às vezes uma farda azul com gorro da mesma cor encimado por uma borla vermelha. Por isso, foram chamados de Pica-paus. 1894 – Funda-se em Montevidéu, no circo dos irmãos “Podestá”, a “Sociedade La Criolla”, entidade tradicionalista que existe até hoje. 1895 – assinada a paz entre Pica-Paus e Maragatos, termina a chamada Revolução de 93, que foi sangrenta e brutal, com muitas degolas. 1897 – É finalmente vencida a resistência de Canudos, na Bahia, onde Antonio Conselheiro, com seus jagunços, estava enfrentando com êxito o exército brasileiro. A vitória só é alcançada com uma carga de lança dos cavalarianos gaúchos do Coronel Carlos Teles, de Bagé. 1898 – Funda-se em Porto Alegre, a 22 de maio, o Grêmio Gaúcho, cujo grande líder é o Major João Cezimbra Jacques, que buscou a inspiração na Sociedade “La Crioulla” de Montevidéu. O grêmio foi a primeira entidade tradicionalista no Rio Grande do Sul. Existe até hoje, embora tenha perdido o seu caráter tradicionalista. Graças ao seu pioneiro, o major João Cezimbra Jacques é hoje Patrono do Tradicionalismo do Rio Grande do Sul. 1899 – A 10 de setembro é fundada em Pelotas a “União Gaúcha”. Seu grande líder é o genial escritor Simões Lopes Neto. Depois de muitos anos a União paralisou as suas atividades e ressurgiu com atual surto tradicionalista adotando o nome “União Gaúcha J. Simões Lopes. A 16 de setembro funda-se em Bagé o “Centro Gaúcho” de vida efêmera. 1901 – A 19 de outubro funda-se em Santa Maria o “Grêmio Gaúcho”, inspirado na entidade de mesmo nome fundada em Porto Alegre pelo santamariense Cezimbra Jacques. 1902 – O movimento messiânico conhecido como “Os Monges do Pinheirinho”, em Encantado é massacrado pela Brigada Militar. 1917 – Funda-se o primeiro frigorífico no Rio Grande do Sul, aproveitando a oportunidade econômica aberta pela I Guerra Mundial. Os frigoríficos, a rigor, vieram substituir as antigas charqueadas. 1923 – No começo do ano a Aliança Liberal, chefiada por Assis Brasil, deflagra um revolução contra o Governo republicano de Borges de Medeiros. Novamente lutam nas coxilhas gaúchas, maragatos e governistas, mas estes, agora, são chamados “chimangos”. A paz só é alcançada no fim do ano no castelo de Assis Brasil, em Pedras Altas, Pelotas.

1924 – Jovens tenetes liderados pelo Capital Luiz Carlos Prestes levantam nas Missões militares e civis contra o governo brasileiro, de Artur Bernardes. Vai começar a odisséia da Coluna Prestes. Poucos anos depois a Brigada Militar viajará até de navio para o nordeste brasileiro a fim de ajudar na caçada da “Coluna Invicta”. 1926 – A Coluna Prestes continua sua marcha invicta pelos sertões brasileiros. Em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, os irmãos Etchegoyen levantam militares e civis em armas contra o governo. Apesar de vitórias iniciadas o movimento se dissolve sem maiores conseqüências. 1928 – Registram-se movimentos armados em Bom Jesus. 1930 – Chimangos e maragatos marcham lado a lado na revolução que derruba o presidente brasileiro Washington Luiz e coloca no poder Getúlio Vargas. Os gaúchos amarram os cavalos no obelisco da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro, capital da Republica. 1932 – Revolta em São Paulo e no Rio Grande do Sul contra o Governo Getulio Vargas. Em Santa Maria e em Soledade antigos chimangos e maragatos lutam nas mesmas fileiras outra vez. 1935 – Começa no Lagoão, município de Soledade, o movimento messiânico conhecido como “Os Monges Barbudos do Lagoão”. 1937 – O Rio Grande do Sul tenta resistir à ditadura de Getulio Vargas mas o Presidente do Estado, Flores da Cunha, prefere evitar o banho de sangue e se asila em Montevidéu. Instaurada a ditadura varguista, o Rio Grande do Sul, como os outros Estados Brasileiros, tem proibidos os seus símbolos: a bandeira, o hino e o brasão. 1938 – A 31 de janeiro é fundada em Lomba Grande a “Sociedade Gaúcha Lomba-grandense”, entidade tradicionalista que com atuação ininterrupta, existe até os nossos dias. Ainda na metade desse ano “Os Monges Barbudos do Lagoão” são trucidados pela Brigada Militar. 1943 – Tropas gaúchas, inclusive voluntárias, vão lutar na Itália contra as forças Nazistas. Inúmeros gaúchos são condecorados por bravura em combate, inclusive integrantes do 1º Batalhão de caças da FAB, os “Avestruzes” . Em Ijuí, a 12 de outubro, é fundado o “Clube Farroupilha”, para a defesa das ameaçadas tradições gaúchas. Sem interromper as suas atividades o Clube Farroupilha, agora já com forma de CTG (Centro de Tradições Gaúchas) está mais forte que nunca. 1945 – Como um dos aliados, o Brasil é vencedor da II Guerra Mundial. Por primeira vez é um pais rico! O ditador Getulio Vargas é derrubado, volta a democracia e o Rio Grande do Sul recupera seus símbolos estaduais. 1947 – O Rio Grande do Sul, como o Brasil inteiro, está sob bombardeio cultural estrangeiro. O gaúcho é ignorado e até desprezado. Em setembro 8 cavalarianos comandados por Paixão Côrtes, escoltam os restos mortais do General David Canabarro pelas ruas de Porto Alegre. É o primeiro grito de revolta da mocidade gaúcha em defesa das nossas tradições e que tem larga repercussão. Nesse mês realiza-se no Colégio Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, a 1ª Ronda Farroupilha, com o acendimento do Candeeiro Crioulo, fandango, escolha da 1ª Prenda e escolha dos gaúchos melhor pilchados. A 1ª Ronda Crioula da historia do Tradicionalismo foi também a mais longa: da zero hora do dia 8 até a meia-noite do dia 20 de setembro.

1948 – A 24 de abril funda-se em Porto Alegre o “35” Centro de Tradições Gaúchas. Glaucus Saraiva, que dá à entidade a estrutura de uma estância simbólica, é eleito o primeiro Patrão. O “35” CTG forneceu modelo às demais entidades tradicionalistas, deflagrando um autentico Movimento, influindo até mesmo nas entidades anteriores, como a União Gaúcha, a Sociedade Gaúcha Lomba-grandense e o Clube Farroupilha. 1954 – Instala-se em Porto Alegre, como um órgão da Secretária da Educação e Cultura, o Instituto de Tradição e Folclore, sob a direção do Dr. Carlos Galvão Krebs. Nesse mesmo ano realiza-se em Santa Maria o 1º Congresso Tradicionalista do Rio Grande do Sul. 1956 – Funda-se em Porto Alegre a Estância da Poesia Crioula, Academia de Letras do gauchismo. 1974 – Por iniciativa de Glaucus Saraiva, é criada a Fundação Instituto Gaúcho de tradição e Folclore, incorporando o acervo do ITF ( Instituto de Tradição e Folclore), que estava com suas atividades paralisadas desde alguns anos. O TROPEIRISMO O Tropeirismo foi o fenômeno que deu origem ao primeiro meio de transporte e comércio no Brasil, como também o maior elemento econômico e social de colonização e fixação do homem. O Tropeiro – eram condutores de tropas de gados ou muares que atravessavam extensas áreas transportando rebanho e outras mercadorias. Os percursos poderiam durar semanas, este indo do Sul ao Sudeste brasileiro chegando ainda ao Uruguai e Argentina. Esta atividade foi registrada desde o século XVIII até o inicio do século XX. O alimento do tropeiro tinha que ser durável e seco devido ao grande tempo percorrido. O feijão tropeiro era prato principal, cozido em caldeirões de ferro sobre as fogueiras, sempre acompanhado do charque, farinha e arrozcarreteiro. Nos jacás (cestos que são amarrados nas costas de animais) levavam mantimentos e objetos para ser comercializados, assim contribuindo para o crescimento dos pousos, viabilizando futuros povoados. A Tropa – A disciplina de uma tropa era muito rigorosa para que fosse possível enfrentar as intempéries dos caminhos (dificuldades próprias dos caminhos, do mau tempo, dos atoleiros, rios) ainda do cuidado com os amimais. Sem falar no zelo com a carga e na preocupação constante com as ervas venenosas e moléstias comuns dos cargueiros. O Resultado – com o tropeirismo foram surgindo pequenos povoados e ranchos comerciais ao logo do trajeto das tropas, principalmente na região Sul e

Sudeste, desenvolvendo ali o comercio naturalmente, no intuito de atender estes viajantes. Nos ranchos nasceram profissões diretamente ligadas ao tropeirismo, como o rancheiro – proprietário do rancho onde posava a tropa, que em geral, cobrava apenas o milho e o pasto consumidos pelos animais e o ferrador este acumulando ainda a atividade veterinária, resultando no crescimento econômico da região sul frente ao país. O CHARQUE Em 1780, foi criada a primeira charqueada de caráter comercial na região de Pelotas. Aos poucos o charque se tornou o principal produto de exportação do Rio Grande do Sul, sendo enviado para todo o país. Nas charqueadas tudo se aproveitava do gado: os chifres, o couro, a língua defumada, o pó dos ossos para fertilizante e o sangue para a gelatina. Esses produtos eram exportados para toda Europa e Estados Unidos. Os navios que levavam o charque não voltavam vazios, traziam mantimentos, livros, revistas de moda, móveis e louças. Este modelo de economia foi base para o crescimento da região não sendo maior devido as altas taxas de impostos empregadas pelo Imperialismo da época, motivo que foi estopim para a Revolução Farroupilha. A REVOLUÇÃO FARROUPILHA Também conhecida como Guerra dos Farrapos, foi a mais longa guerra provincial da História nacional - de 19 de setembro de 1835 a 28 de janeiro e 1845. Durantes dez anos republicanos e imperialistas travaram grandes batalhas. Os motivos que moveu os “Farrapos” foram os elevados impostos empregados na época sobre os produtos (principalmente o charque), o descontentamento com a liderança da Província do Rio Grande de São Pedro, dentre esses, apoiados pelas idéias republicanas de liberdade e igualdade. Em 20 de Setembro de 1835, sob a liderança de Bento Gonçalves da Silva, invadiram Porto Alegre (Capital da Província) derrubando Antonio Braga, governante da província, que deixa a capital em rumo ao Rio de Janeiro. Em 11 de setembro do ano seguinte, o General Antonio de Souza Netto, após uma grande vitória contra os imperiais, discursando: “Camaradas! Nós, que compomos a Primeira Brigada do exército liberal, devemos ser os primeiros a declamar, como proclamamos, a independência dessa província, a qual fica desligada das demais do Império e forma um Estado livre e independente, com o titulo de Republica Rio-Grandense, e cujo manifesto às nações civilizadas se fará oportunamente. Camaradas! Gritemos pela primeira vez: Viva a Republica Rio-Grandense! Viva a Independência! Viva o exercito

republicado riograndense!” – proclamou assim República Rio-Grandense da qual Bento Gonçalves foi nomeado Presidente. Bento Gonçalves ao saber da proclamação, segue ao encontro do General Netto, mas é levado a travar um combate com as forças legalistas na ilha do Fonda no rio Jacuí onde após ser vencido é preso e enviado ao Rio de Janeiro e depois transferido ao Forte do Mar na Província da Bahia. Escolhida como a Vila de Piratini como Capital da Republica RioGrandense, assumindo como presidente provisório o Sr. José de Vasconcelos Jardim, até a volta de Bento que assume ainda em Piratini a Presidência da Republica Rio-Grandense e o Comando do Exercito. Caçapava foi a segunda capital e local onde surgiu a primeira bandeira costurada entre as cores que hoje constituiem a bandeira do estado. Em Alegrete do formada a Assembléia Constituinte também tomada como ultima capital da Republica. Os Farroupilhas resolverão então, enviar uma expedição à Santa Catarina em busca de uma nova opção de saída da produção do principal produto “o charque”. O comando desta expedição foi dado ao General David Canabarro e Giuseppe Garibaldi – corsário italiano que construiu lanchõese através dos pampas a tração animal levou tais embarcações a Cidade de Laguna. Obrigados a voltarem ao Rio Grande pelas “forcas legalistas Anos foram passando e as lutas continuaram. Por fim a Regência que governava o Brasil resolveu entregar o comando das forças Imperiais ao Luis Alves de Lima e Silva – Caxias. Após muitos combates entre os dez anos da revolução, os Farroupilhas já sem recursos são vencidos por Caxias no Combate de Poncho Verde. Finalmente reúnem-se os Generais Farroupilhas e decidem estabelecer a Paz com o Governo Imperial. No dia 28 de fevereiro de 1845, no acampamento Farroupilha de Poncho Verde, é assinado o Tratado de Paz. Os Farroupilhas obtiveram anistia para todos os revolucionários a manutenção dos postos e batentes militares alcançados durante o período de revolução, a liberdade dos negros que lutaram em sua companhia, terminando assim a longa revolução. Bento Gonçalves da Silva – Líder da Revolução Farroupilha, nasceu em 23 de setembro de 1788 em Triunfo. Iniciou a carreira militar em 1811, casou-se com Caetana Garcia em 1814, e em 1817 foi nomeado Capitão de Guerrilhas. Durante a Revolução, no ano de 1836, logo após

o famoso Combate da ilha do Fanfa, foi preso e enviado ao presídio na Bahia e trancafiado no Forte de São Marcelo e Nossa Senhora do Pódulo. Escapou da prisão de modo triunfal regressando ao Rio Grande do Sul e assumindo, em 1837, o cargo de Presidente da Republica Rio-Grandense. Após o fim da guerra, Bento Gonçalves voltou a Camaquã para criar gado. Morreu em 18 de julho de 1847 de tifo e seus restos mortais foram levados para o Rio Grande em 1900 para serem depositados num monumento em sua homenagem. Antonio de Souza Netto: Foi um dos mais importantes comandantes farroupilhas, tendo sua Brigada de Lanceiros Negros um respeitável tento da Revolução Farroupilha. Após sair vencedor da Batalha do Seival proclamou a Republica. Transitava livremente tanto no Rio Grande do Sul como no Uruguai, onde também tinha terras. Homem de confiança de Bento Gonçalves, Netto não se conformou com o fim da Revolução e se exilou no Uruguai. Faleceu durante a Guerra do Paraguai, em Corrientes. David Canabarro Foi um dos principais comandantes da Revolução, liderou junto a G. Garibaldi a expedição a Laguna, liderando ainda o exército farroupilha na ultima fase do conflito, representando ainda a Republica no tratado de paz. Participou ainda da Invasão da Banda Oriental em 1811 e até da Guerra do Paraguai. Giuseppe Garibaldi Nascido em Nice a 4 de julho de 1807, na época pertencente a Itália, tendo sua origem em uma família de pescadores começou a trabalhar como marinheiro e sofreu influencia de Giuseppe Mazzini, líder do Risorgimento, movimento nacionalista de unificação da Itália. Exilando-se em Marselha, seguiu em 1835 para o Rio de Janeiro e depois para o Rio Grande onde lutou na Revolução Farroupilha e se tornou Mestre de Guerrilha. Casou-se com Ana Maria Ribeiro da Silva, que deixou o ex-marido para lutar ao lado de Giuseppe na revolução. Ana agora Anita Garibaldi destacou-se pela bravura participando de todas batalhas, Ambos junto ao primogênito, regressaram a Itália em 1848 onde lutaram nas batalhas de independência contra os austríacos, sendo morta em batalha , Anita Garibaldi torna-se a “Heroína dos Dois Mundos” admirada no Brasil e idolatrada na Itália.

Giuseppe Garibaldi comandou ainda os famosos “Camisas Vermelhas” (1860-1861) usando de técnicas adquiridas na Revolução Farroupilha. Conquistou a Sicília e o reino de Nápoles. Em 1874 elegeu-se deputado do parlamento Italiano. Morreu em Capri em 2 de junho de 1882. “Este passado da minha vida no Rio Grande se imprime em minha memória como algo de sobrenatural, de mágico, de verdadeiramente romântico. Eu vi corpos de tropas mais numerosos, batalhas mais disputadas, mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes do que os da bela cavalaria rio-grandense, em cujas filas principiei a desprezar o perigo e a combater dignamente pela causa das gentes.(...)”. – Trecho da carta que Garibaldi escreveu em Matua, Itália, anos após a Guerra Farroupilha ao Comandante Farrapo Domingos José de Almeida. A FORMAÇÃO DO GAÚCHO O gaúcho não é um tipo ético racial, fruto do cruzamento eventual de portugueses e espanhóis como os índios do Cone Sul da América. Houve gaúchos autênticos que foram portugueses. Outros, espanhóis, outros, ainda índios puros, guaranis ou m’baias. Alguns foram negros. No Rio Grande do Sul são conhecidos, ao longo da historia, gaúchos de sangue alemão, italiano e até mesmo judeus, “em Erechim” e gaúchos descendentes de árabes. O que definia e caracterizava o gaúcho no passado, era seu modo de viver, seus usos e costumes, sua cultura, tais itens ditados pela sua atividade principal: as lides de gado. O gaúcho, embora resultante de condições micológicas, não surgiu por acaso. Em 1534 Martim Afonso de Souza trouxe para a capitania de São Vicente touros e vacas cuja descendência, mais tarde, será contrabandeada para o Paraguai e, finalmente, em 1634 virá para o Rio Grande do Sul trazida pelo padre jesuíta Cristobal de Mendoza. Animais de vacuns e cavalares, nas pastagens ideais do pampa, se reproduziram com facilidade, formando extensos rebanhos, os quais terminaram atraindo a atenção dos mercados manufatureiros na Europa Central, dependentes do couro e da graxa vacuns. Barcos e frotas sob as ordens dos reis europeus ou francamente de piratas entravam pelo Rio da Prata em busca deste produto. Ficaram famosas as Vacarias do Mar (território hoje pertencente ao Uruguai) cujo epicentro era a Colônia do Santíssimo Sacramento. Os homens que iam para as vacarias caçar o gado para extrairlhe o couro e o sebo eram aventureiros espanhóis ou portugueses, gente sem rei nem roque, que vieram “fazer América”, muitas vezes pró fugas da justiça do Rei, desertores da marinha e do exercito, mas sempre homens de coragem e decisão, fortes e resistentes, habituados ao usos de armas.

O cavalo foi introduzido nesta região da América por Dom Pedro de Mendoza em 1536, prontamente caindo em poder dos índios pampianos alguns exemplares. A miscigenação base para a formação A miscigenação aconteceu, primeiramente, com índios de várias tribos, e posteriormente, com negros e europeus. Os índios minuanos eram povos nômades, os tapes viviam no litoral e, às margens da Lagoa dos Patos eles sobreviviam basicamente da pesca. Os guaranis viviam em grupos maiores de 200 a 300 membros, vindos ainda da região que hoje é o Estado do Paraná, plantavam para comer e tomavam o chimarrão. Os portugueses vindos da ilha dos Açores se espalharam pelo litoral então catarinense, ainda seguindo para a região mais ao sul hoje litoral gaúcho instalando-se na hoje, cidade de Porto Alegre e Viamão. Os espanhóis, durante expansão espanhola sobre o território contribuíram culturalmente na época das chamadas Missões Jesuítas. O negro trazido durante o período colonial, contribuiu nas charqueadas do Rio Grande do Sul, no Ciclo da Erva-Mate no Paraná e nas armações Baleeiras de Santa Catarina e ainda sendo contingente militar na Revolução Farroupilha e Guerra do Paraguai. Os colonos alemães, vindos no século XIX, introduzindo na região sul técnicas agrícolas e seus costumes. Os italianos vindo após a Revolução Farroupilha, povoando a área serrana, contribuindo com vinho e costumes próprios. Tropeiros paulistas também contribuíram para a formação ética do povo sulino, durante o Ciclo do ouro, quando a necessidade de carne e animais de carga para a região das Gerais se fazia necessária. O TERMO “GAÚCHO” O “gaúcho” ainda é termo erroneamente, mas comumente utilizado para substituir a nomenclatura dos sul-rio-grandenses (pessoas nascidas no Estado do Rio Grande do Sul). Hoje “ser gaúcho” é um estado de espírito, cultuando costumes, cultura e o tradicionalismo, resultado da disseminação entre os estados da região sul do Brasil, e ainda de povos de outros paises da região pampiana do cone sul do continente, estes localizadas na região do Prata: Uruguai e Argentina. TRADICIONALISMO GAÚCHO

A história do Tradicionalismo nos leva ao tempo em que o primeiro Gaúcho foi obrigado a deixar a campanha para viver na cidade, dando assim continuidade a tradição. Esse gaúcho teve saudade do seu cavalo, da liberdade sem fim dos campos, da vida campeira, do chimarrão e do churrasco, Então, mesmo na cidade, ele continuou a comer churrasco e tomar mate, a usar expressões, ditados e palavras que aprendera na Campanha. Fez versos e poesias falando com amor nos usos e costumes campeiros, assim surgindo escritores, poetas; tudo isso era tradição, mas não ainda Tradicionalismo. Foi em 1894 que o uruguaio Elias Regules, com outro companheiros,fundou em Montevidéu uma associação que recebeu o nome de “La Criolla” para defender os valores que o homem uruguaio receberá do gaúcho e que estavam ameaçados de desaparecimento diante dos modernismos e da invação de culturas estrangeiras na época.”La Criolla” foi então o primeiro marco do Tradicionalismo. Em Porto Alegre, o major do Exército João Cezimbra Jacques, nascido em Santa Maria, estudioso com conhecimentos profundos sobre o trabalho diversões e costumes do Gaúcho Rio-Grandense, tomou conhecimento do feito do uruguaio Elias Regules, e se interessou e com auxilio de outros estudiosos da causa, fundaram em 1898 na cidade de Porto Alegre, o Grêmio Gaúcho. Depois deste outras entidades similares surgiram em outras cidades, mas até que alguns alunos do Colégio Júlio de Castilhos e Rosário, de Porto Alegre, resolveram escoltar a cavalo pelas ruas da capital os restos mortais do general David Canabarro, que estavam sendo transladados de Santana do Livramento. Os rapazes eram de várias cidades gaúchas, gente da Campanha, que em Porto Alegre sentia saudade dos pagos e nas horas vagas recitavam versos dos poetas regionalistas e tocavam violão. Em 24 de abril de 1948, no porão da residência da família Simch, na rua Duque de Caxias, hoje grande edifício, eles fundaram o “35” Centro de Tradições Gaúchas, hoje na avenida Ipiranga, 5200. Assim surge o primeiro Centro de Tradições Gaúchas do Rio Grande do Sul. Entre os fundadores estavam: Glaucus Saraiva, Barbosa Lessa, Paixão Cortes, Ciro Dutra Ferreira, Flávio ramos, Flavio Damm, Mario Vieira, cândido da Silvia Neto, Laerte Vieira Simch e Waldomiro Souza, o único com mais de 20 anos. G. Saraiva criou a estrutura interna do “35” CTG em termos campeiros: o presidente foi nomeado de “Patrão” o vice ficou “Capataz”, o ecretário “Sotacapataz”, diretores de departamentos “Posteiros”, o responsável pelo galpão “Peão Caseiro”, o orador : “Agregado das Falas”, o mestre de cerimônias “Agregado das Pilchas”.

Também foram criados departamentos internos nomeados “Invernadas”: Invernada Mirim, Invernada Social, Invernada Cultural, Invernada Artística entre outras. Assumiu como primeiro Patrão Glaucus Saraiva e como Patrão de Honras Paixão Cortes. Os jornais e rádios deram amplo apoio à iniciativa, a noticia espalhouse gerando admiração assim dando oportunidade do surgimento de outros Centro de Tradições Gaúchas e bem posteriormente o Movimento Tradicionalista Gaúcho. Uma visita do “35” CTG ao Uruguai após presenciar apresentações folclóricas de danças da associação nativista “El Pericón” sentiram a necessidade da pesquisa folclórica , sendo assim Barbosa Lessa e Paixão Cortes visitando os mais longínquos rincões do Estado, conversando entre os mais velhos habitantes começaram a reconhecer e a registrar danças, cantigas e musicas que pareciam a muito tempo sepultadas no esquecimento. Essas danças gaúchas são as que todos os CTG’s reinterpretam até hoje em festas tradicionalistas e festivais estaduais de tradição gaúcha. Com a migração gaúchas a outros estados brasileiros, a cultura também migrou, assim surgindo CTG’s em outros estados como Santa Catarina, Paraná posteriormente em São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso. Com o surgimento de CTSg’s nestes estados surgiu a necessidade da criação de “MTG Estaduais” dividindo assim o estado a qual pertence em “Regiões Tradicionalistas” aos mesmo moldes dos do Rio Grande do Sul. Hoje o Tradicionalismo Gaúcho esta entre o três movimentos sócio-culturais mais disseminados do mundo, há registro de entidades na Europa, Estados Unidos e Japão. ENTIDADES: CTG, MTG Estaduais e Confederação. Estrutura do Centro de Tradição Gaúcho – CTG Define-se: Centro de Tradição Gaúcha - CTG como uma sociedade civil, de fins não econômicos, com número ilimitado de sócios e estruturada, inclusive quanto ao simbolismo, de acordo com a forma adotada nas origens do movimento tradicionalista gaúcho, tendo como finalidade a aplicação, em seu âmbito associativo e na sua área de influência, dos princípios e objetivos, publicados na Carta de Princípios do Movimento Tradicionalista Gaúcho. De acordo com este simbolismo, a estrutura administrativa dos Centros de Tradições Gaúchas obedece à seguinte nomenclatura. A Diretoria, o Conselho e os Departamentos são designados, respectivamente, por: Patronagem , Conselho de Vaqueanos e Invernadas. Os membros da Patronagem (Diretoria) denominam-se:

Patrão (Presidente). Capataz (Vice-Presidente). Sota-Capataz (Secretário). Agregado das Pilchas (Tesoureiro). Agregado das Falas (Orador). Os diretores das Invernadas são chamados Posteiros. Os conselheiros chamam-se Vaqueanos. Os sócios efetivos do sexo masculino são denominados Peões e do feminino: Prendas. As reuniões dos CTG’s denominado-as simbolicamente de: Charla Reunião administrativa, especialmente da Patronagem, mas poderá ser aplicadas também as do Conselho de Vaqueanos; Chimarrão - Reunião de confraternização dos sócios entre si e destes com a Patronagem, que faz uma prestação de contas, informa e dá esclarecimento sobre o andamento das atividades do C.T.G.; Chimarrão Festivo - Reunião na forma da alínea anterior, porém acrescida de atividades artístico-culturais, com a participação de convidados especiais ou abertas ao público; Ronda - Vigília cívica levada a efeito diariamente, durante as comemorações da Semana Farroupilha, nos locais onde arde a Chama Crioula, complementada, geralmente, com apresentações artísticas e culturais; Fandango - Baile animado com música regional gauchesca, em que somente participam das danças pessoas tipicamente trajadas com vestimenta gaúcha; Lida - Reunião de trabalho que pode ser geral ou abranger determinados setores como Secretaria, Tesouraria ou Invernada. As excursões oficiais dos Centros de Tradições Gaúchas são designadas por Tropeadas. A pessoa encarregada de zelar pela conservação e manutenção das dependências do C.T.G. é o Peão Caseiro que, se for remunerado, não poderá fazer parte dos órgãos diretivos da entidade. Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG Defini-se Movimento Tradicionalista Gaúcho – MTG como uma sociedade civil, sem fins lucrativos, constituindo-se na Federação dos Centros de Tradições Gaúchas – CTG’s e entidades afins, localizados no território estadual a qual esta entidade de cume estadual representa.

O MTG tem por objetivo congregar os CTG’s , Piquetes e entidades afins e preservar o núcleo da formação gaúcha e a filosofia do movimento tradicionalista, decorrente da sua Carta de Princípios e expressa nas decisões dos Congresso Tradicionalistas. Compete, ainda, ao MTG, preservar as expressões "Movimento Tradicionalista Gaúcho" e "Centro de Tradições Gaúchas", bem como as siglas "MTG" e "CTG", evitando o uso inadequado das mesmas e a sua utilização na denominação de entidades não identificadas com os objetivos do Movimento Tradicionalista Gaúcho. O MTG não exerce qualquer atividade política-partidaria ou religiosa, nem estabelece distinção entre seus membros por questões de raça, credo ou posição social, e ainda pregam estes conceitos as entidades filiadas. Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha - CBTG Define-se Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha – CBTG como Entidade Maior do Movimento Tradicionalista Gaúcho Brasileiro, cuja essenciabilidade é valorizar organizar, defender promover e representar as tradições e a cultura gaúcha, se caracterizando como uma sociedade civil, sem fins lucrativos. Foi fundada em 24 de Maio de 1987, e é constituída por um conjunto de Entidades similares (MTG’s entre outras) associadas e organizadas num sistema Confederativo distribuído pelo território nacional. Site: http://www.cbtg.com.br Confederação Internacional da Tradição Gaúcha - CITG Define-se Confederação Internacional da Tradição Gaúcha – CITG como entidade internacional abrangente nas três pátrias Argentina, Brasil e Uruguai. Outras entidades estaduais: MTG - Movimento Tradicionalista Gaúcho – Rio Grande do Sul http://www.mtg.org.br MTG – SC - Movimento Tradicionalista Gaúcho – Santa Catarina http://www.mtgsc.com.br MTG – PR - Movimento Tradicionalista Gaúcho – Paraná http://www.mtgparana.org.br FTG – PC – Federação Tradicionalista Gaúcha do Planalto Central http://www.ftgpc.org.br MTG – MS - Movimento Tradicionalista Gaúcho – Mato Grosso do Sul

MTG – MT - Movimento Tradicionalista Gaúcho – Mato Grosso UTGN – União Tradicionalista Gaúcha do Norte UTG – RJ - União Tradicionalista Gaúcha – Rio de Janeiro COMPOSIÇÃO DO MTG/PR E 10ª REGIÃO TRADICIONALISTA: MTG/PR: Patronagem Executiva: Presidente (Patrão): JOSÉ JADER DA SILVA 1° Vice-Presidente (1° Vice Patrão): LUCIANO ALVES BATISTA 2ª Vice-Presidente (2ª Vice Patroa): ANA PAULA GRECHAKI HALINA 1° Secretário (1° Sota Capataz): JOSÉ ANTONIO DASENBROCK 2° Secretário (2° Sota Capataz): CHRISTIAN GUENTHER 1° Tesoureiro (1° Guaiaca): RICARDO RUVA 2° Tesoureiro (2° Guaiaca) LUIZ FERNANDO PEREIRA Secretário Administrativo: CARLOS LEVI DE OLIVEIRA Diretoria: Diretor Geral: ROGÉRIO ANTÔNIO PANKIEVICZ Diretor Artístico: OSVALDO MARTINS Diretor Campeiro:HIDERALDO LUIZ PADILHA Diretor Adjunto Campeiro: BALTAZAR PATSZKO Diretor Vaca Parada: JOSÉ RAKSA Diretora Adjunta Vaca Parada: SILMARA SCRAMOCIM DE MORAES BUENO Diretora Cultural: JAQUELINE SALES GONÇALVES Diretor de Assuntos Jurídicos: PEDRO DA SILVA QUEIROZ Diretor Adjunto de Assuntos Jurídicos: FRANCISCO LÍRIO DE OLIVEIRA PORTES Diretor da Invernada Jovem: ALEXANDRE GRANVILE JOSÉ Diretora da Invernada Jovem: PATRÍCIA FÁTIMA ZANESCO Conselho de Vaqueanos: Presidente: ANTONIO VALDEMIR ROBERTO Vice Presidente: JOSÉ DEMOSTHENES DA SILVA 10ª RT: Data de Fundação da 10ª RT: Primeiro Patrão da 10ª RT: Patronagem Executiva:

Presidente (Patrão): GILMAR ANTONIO POSSENTI Vice Presidente (Vice Patrão): VILMO REDIVO Tesoureiro (Guaiaca): FABIO GELAK Diretora Cultural: KELLIN FABRÍCIA HILGERT Prendado da 10ª RT – 2009/2011 1ª Prenda Adulta – KELLIN FABRÍCIA HILGERT ENTIDADES PERTENCENTES À 10ª RT: C.T.G. Campeiros das Coxilhas (Ibema); CTG Chama Crioula (Toledo), CTG Chão Sagrado (Cafelândia) CTG Estância Colorada (Cascavel), CTG Estância do Iguaçú (Capitão Leonidas Marques), CTG Guapos da Fronteira (Guaíra), CTG Herança do Passado (Tupâssi), CTG Porteira do Paraná (Guaraniaçú), CTG Porteira Velha (Diamante do Sul), CTG Presilha dos Amigos (Três Barras do Paraná), CTG Presilha dos Pagos (Catanduvas), CTG Querência do Sertão (Campo Bonito), CTG Rancho Amigo (Palotina), CTG Recordando os Pagos (Corbélia), CTG Rodeio da Tradição (Cascavel), CTG Tertúlia do Paraná (Marechal Cândido Rondon), CTG Tropeiro Amigo (Quatro Pontes), Piquete Dom Ernesto Boeff (Toledo), Piquete Herança Campeira (Guaíra). A TRADIÇÃO GAÚCHA E A SUA ESTRUTURAÇÃO NO PARANÁ No Paraná, apesar do expressivo número de CTGs e tradicionalistas atuantes, principalmente na arte dos rodeios campeiros, o MTG não havia sido institucionado até 1975. Apenas num rodeio, em Vacaria-RS, as delegações do Paraná acertaram a criação da entidade e, em 5 de dezembro de 1975, foi registrada em cartório de Ponta Grossa, assumindo a presidência o Sr. Carlos Meira Martins e sua esposa Indianara, grande incentivadora da participação da juventude no movimento. Estes ficaram à frente da entidade por seis anos, reassumindo a entidade para o biênio 1997/99. O Estatuto do MTG-PR, aprovado em 1986, foi reformulado no 9o Congresso Tradicionalista Gaúcho do Paraná, realizado de 27 a 29 de agosto de 1999, no CTG Estância Colorada, de Cascavel, na presença do pesquisador, Luiz Carlos Barbosa Lessa (já falecido) e do presidente da CITG, Rubens Luiz Sartori, de Campo Mourão - PR, que presidiu a CBTG no ano de 1995.

Inspirado no Rio Grande do Sul, foi aprovado o estatuto que dirige os procederes (modo de agir, ações) de seus filiados, e neste evento foi eleito, para presidir o biênio 99/01, um peão do CTG Estância Colorada, o tradicionalista Adão Noé Fortes Camelo (falecido). HINO DO MTG/PR: O Hino pode ser baixado na página do MTG/PR: http://www.mtgparana.org.br/ É necessário conhecer a letra do Hino CARTA DE PRINCÍPIOS DO TRADICIONALISMO GAÚCHO A "Carta de Princípios" atualmente em vigor foi aprovada no VIII Congresso Tradicionalista, levado à efeito no período de 20 a 23 de julho de 1961, m Taquara, e fixa os seguintes objetivos do Movimento Tradicionalista Gaúcho: I. Auxiliar o Estado na solução dos seus problemas fundamentais e na conquista do bem coletivo. II. Cultuar e difundir nossa História, nossa formação social, nosso folclore, enfim, nossa Tradição, como substância basilar da nacionalidade. III. Promover, no meio do nosso povo, uma retomada de consciência dos valores morais do gaúcho. IV. Facilitar e cooperar com a evolução e o progresso, buscando a harmonia social, criando a consciência do valor coletivo, combatendo o enfraquecimento da cultura comum e a desagregação que daí resulta. V. Criar barreiras aos fatores e idéias que nos vem pelos veículos normais de propaganda e que sejam diametralmente opostos ou antagônicos aos costumes e pendores naturais do nosso povo. VI. Preservar o nosso patrimônio sociológico representado, principalmente, pelo linguajar, vestimenta, arte culinária, forma de lides e artes populares. VII. Fazer de cada CTG um núcleo transmissor da herança social e através da prática e divulgação dos hábitos locais, noção de valores, princípios morais, reações emocionais, etc.; criar em nossos grupos sociais uma unidade psicológica, com modos de agir e pensar coletivamente, valorizando e ajustando o homem ao meio, para a reação em conjunto frente aos problemas comuns. VIII. Estimular e incentivar o processo aculturativo do elemento imigrante e seus descendentes. IX. Lutar pelos direitos humanos de Liberdade, Igualdade e Humanidade. X. Respeitar e fazer respeitar seus postulados iniciais, que têm como característica essencial a absoluta independência de sectarismos político, religioso e racial.

XI. Acatar e respeitar as leis e poderes públicos legalmente constituídos, enquanto se mantiverem dentro dos princípios do regime democrático vigente. XII. Evitar todas as formas de vaidade e personalismo que buscam no Movimento Tradicionalista veículo para projeção em proveito próprio. XIII. Evitar toda e qualquer manifestação em proveito próprio. XIV. Evitar atitudes pessoais ou coletivas que deslustrem e venham em detrimento dos princípios da formação moral do gaúcho. XV. Evitar que núcleos tradicionalistas adotem nomes de pessoas vivas. XVI. Repudiar todas as manifestações e formas negativas de exploração direta ou indireta do Movimento Tradicionalista. XVII. Prestigiar e estimular quaisquer iniciativas que, sincera e honestamente, queiram perseguir objetivos correlatos com os do tradicionalismo. XVIII. Incentivar, em todas as formas de divulgação e propaganda, o uso sadio dos autênticos motivos regionais. XIX. Influir na literatura, artes clássicas e populares e outras formas de expressão espiritual de nossa gente, no sentido de que se voltem para os temas nativistas. XX. Zelar pela pureza e fidelidade dos nossos costumes autênticos, combatendo todas as manifestações individuais ou coletivas, que artificializem ou descaracterizem as nossas coisas tradicionais. XXI. Estimular e amparar as células que fazem parte de seu organismo social. XXII. Procurar penetrar a atuar nas instituições públicas e privadas, principalmente nos colégios e no seio do povo, buscando conquistar para o Movimento Tradicionalista Gaúcho a boa vontade e a participação dos representantes de todas as classes e profissões dignas. XXIII. Comemorar e respeitar as datas, efemérides e vultos nacionais e, particularmente o dia 20 de setembro, como data máxima do Rio Grande do Sul. XXIV. Lutar para que seja instituído, oficialmente, o Dia do Gaúcho, em paridade de condições com o Dia do Colono e outros "Dias" respeitados publicamente. XXV. Pugnar pela independência psicológica e ideológica do nosso povo. XXVI. Revalidar e reafirmar os valores fundamentais da nossa formação, apontando às novas gerações rumos definidos de cultura, civismo e nacionalidade. XXVII. Procurar o desportamento da consciência para o espírito cívico de unidade e amor à Pátria. XXVIII. Pugnar pela fraternidade e maior aproximação dos povos americanos. XXIX. Buscar, finalmente, a conquista de um estágio de força social que lhe dê ressonância nos Poderes Públicos e nas Classes Rio-Grandenses para atuar real, poderosa e eficientemente, no levantamento dos padrões de moral e de vida do nosso Estado, rumando, fortalecido, para o campo e homem rural, suas

raízes primordiais, cumprindo, assim, sua alta destinação histórica em nossa Pátria. A Cultura Gaúcha A cultura gaúcha se mostra através dos costumes do povo gaúcho, incluindo sua indumentária, sua culinária, suas danças, seu vocabulário, e ainda em linha literárias como poesias, contos, causos, lendas, trovas e pajadas envolvendo-os em um costume naturalmente artístico. Indumentária Gaúcha A Indumentária do povo Riograndense vem de larga data, de tempos dos antigos índios que aqui viviam. Esta indumentária que temos hoje, é o resultado de influências históricas e sociais somadas a necessidade de adaptação dos trajes a necessidade que o gaúcho tinha. A indumentária além de trajes, é sinônimo de tradição, cultura e de própria identidade, do povo Sulino. Traje Indígena - 1620 à 1730 Quando o homem que veio fazer a América - e se vestia à européia aqui chegou encontrou, nos campos, índios missioneiros e índios cavaleiros. Índios Missioneiros: (Tapes, Gês-guaranizados) constituíam a matéria-prima trabalhada pelos padres jesuítas dos Sete Povos. Os missioneiros se vestiam, conforme severa moral jesuíta. Passaram a usar os calções europeus e em seguida a camisa, introduzida nas missões pelo Pr. Antônio Sepp. Usava, ainda, uma peça de indumentária não européia, proximamente indígena "el poncho" - isto é, o pala bichará. Essa peça não existia no RG antes da chegada do branco, pois nossos índios pré-missioneiros não teciam e nem fiavam. A mulher missioneira, usava o "tipoy", que era um longo vestido formado por dois panos costurados entre si, deixando sem costurar, apenas duas aberturas para os braços e uma para o pescoço. Na cintura, usavam uma espécie de cordão, chamado de "chumbé". O "tipoy" era feito de algodão esbranquiçado, mas em seguida se tornava avermelhado com o pó das Missões, Em ocasiões festivas, a índia missioneira gostava de usar um alvo " tipoy" de linho sobre o de usos diário. Apenas nas vestes religiosas, sobretudo nas procissões, as índias usavam mantos de corres dramáticas, como roxo e o negro. Índios cavaleiros: (Mbaias: Charruas, Minianos, Yarós) eram assim chamados porque prontamente se adornaram do cavalo trazido pelo branco, desenvolvendo uma surpreendente técnica de adestramento e equitação.

Usavam duas peças absolutamente original: o "chiripá" e o "cayapi". O chiripá era uma espécie de saia, constituída por um retângulo de pano enrolado na cintura, até os joelhos. O cayapi dos minuanos era um couro de boi, inteiro de bem sovado ( que usava nas costas ) com o pêlo para dentro e carnal para fora, pintado de listras verticais e horizontais, em cinza e ocre. À noite, servia de cama, estirado no chão. Os charruas o chamavam de "quillapi" ou "toropi”. A mulher, entre os índios cavaleiros, usava apenas o chiripá. no rosto, pintura ritual de passagem, assinalando a entrada na puberdade. No pescoço, colares de contas ou dentes de feras. De peças da indumentária ibérica, de peças da indumentária indígena e tantas outras, o gaúcho foi constituindo sua própria indumentária. Traje Gaúcho - 1730 à 1820 Peão de Vacaria e China de Vacaria O traje do peão de vacaria destinava-se a proteger o usuário, e não atrapalhar a sua atividade de caçar o gado e cavalgar. Normalmente, este gaúcho só usava o chiripá primitivo (pano enrolado como saia, até os joelhos, meio aberto na frente, para facilitar a equitação e mesmo o caminhar do homem) e um pala enfiado na cabeça. O chiripá, em pouco tempo,assumia uma cor indistinta de múgria - cor de esfregão. À cintura, faixa larga, negra, ou cinturão de bolsas, tipo guaiaca, adaptado para levar moedas, palhas de fumo e mais tarde, cédulas, relógio e até pistola. Ainda à cintura, as infaltáveis armas destes homens: as boleadeiras, a faca flamenga ou a adaga e, mais raramente, o facão. E sempre à mão, a lança -de peleia ou de trabalho. Camisa, quando contava com uma, era de algodão branco ou riscado, sem botões, apenas com cadarços nos punhos, com gola imensa e mangas largas. Pala, não faltava, comumente, o de lã - chamado bichará - em cores naturais, e mais raramente o de algodão e o de seda que aos poucos vão aparecendo. Logo, também surge o poncho redondo, de cor azul e forrado de baeta vermelha.Pala: tem origem indígena. Pode ser de lã ou algodão, quando protege contra o frio, ou de seda, quando protege contra o calor. É sempre retangular com franjas nos quatro lados. A gola do pala é um simples talho, por onde o homem enfia o pescoço. Poncho: tem origem inteiramente gauchesca. É feito, invariavelmente, de lã grossa. Quase sempre é azul escuro forrado de baeta vermelha, mas também existem de outras combinações de cores. O poncho tem forma redonda ou ovalada.

Só protege contra o frio e a chuva, a gola é alta, abotoada há um peitilho na frente do poncho. As botas mais comuns eram as de garrão-de-potro, que eram retiradas de vacas, burros e éguas ( raramente era usado o couro de potro, que lhe deu o nome ). Essas botas eram lonqueadas ou perdiam o pêlo com o uso. Em uso, as botas não duravam mais de dois meses. Normalmente, eram feitas com o couro das pernas traseiras do animal que dão botas maiores. As que eram tiradas das patas dianteiras, muitas vezes eram cortadas na ponta e no calcanhar, ficando o usuário com os dedos do pé e o calcanhar de fora. Acima da barriga da perna, era ajustada por meio de tranças ou tentos. As esporas mais comuns nessa época eram as nazarenas (européias) as chilenas (americanas). As nazarenas têm esse nome devido aos seus espinhos pontudos, que lembram os cravos que martirizaram Nosso Senhor. As chilenas devem seu nome à semelhança com as esporas do "huaso", do Chile. Aos poucos, os ferreiros da época começaram a criar novos tipos de esporas. O peão das vacarias não era de muito luxo. Só usava ceroulas de crivo nas aglomerações urbanas. Ademais, andava de pernas nuas como os índios. À cabeça, usava a fita dos índios, prendendo os cabelos - que os platinos chamam "vincha " - e também o lenço, como touca, atado à nuca. O chapéu, quando usava, era de palha (mais comum), e de feltro (mais aro), e talvez o de couro cru, chamado de "pancha-de-burro", feito com um retalho circular da barriga do muar, moldado na cabeça de um palanque. o chapéu, qualquer que fosse o feitio, era preso com barbicacho sob o queixo ou nariz. Esse barbicacho era normalmente trançado em delicados tentos de couro cru, tirados de lonca, ou então, eram simples cordões de seda, torcidas, terminando em borlas que caía para o lado direito. Mas raramente, era feito de sola e fivela. Ainda nesta época, aparece o "cingidor", que é o nosso tirador de laço. A mulher vestia-se pobremente: nada mais que uma saia comprida, rodada, de cor escura e blusa clara ou desbotada com o tempo. Pés e pernas descobertas, na maioria das vezes. Por baixo, apenas usava bombachinhas, que eram calças femininas da época. Traje Gaúcho - 1730 à 1820 Patrão de Vacaria e Gaúcha Estancieira O Patrão de Vacaria trajava meias e ceroulas de crivos ou de rendas. Botas fortes ou de garrão e esporas de prata. Calções desabotoados abaixo dos joelhos, gibão de veludo ou lã; com botões de moedas de prata. Colete de seda ou

de algodão acabada por rendas. Lenço pequeno no colarinho. À cintura, leva o cinturão sobre a faixa, bem como a pistola. Na mão,o chicote tipo arreador e na cabeça, o lenço à marinheira e o chapéu de feltro de copa alta e barbicacho de seda. No ombro, o pala de seda ou de lã leve de vicunha. Traje Gaúcho - 1820 à 1865 Chiripá Farroupilha , Saia e Casaquinho. Este período é dominado por um chiripá que substituiu o anterior, assim melhor adquado à equitação. Chiripá dessa nova fase é uma forma de grande fralda, passada por entre as pernas. Este adapta-se bem ao ato de cavalgar, e essa é certamente a explicação para seu aparecimento. Com isto, fica claro que o Chiripá Primitivo era de origem indígena. Já o Chiripá Farroupilha é inteiramente gaúcho. Esse é um traje muito funcional, nem muito curto, nem muito comprido, tendo o joelho por limite, ao cobrí-lo. As esporas deste período são as chilenas, as nazarenas e os novos tipos inventados pelos ferreiros da campanha. As botas são, ainda, a bota forte, comum, a bota russilhona e a bota de garrão, inteira ou de meio pé. As ceroulas são enfiadas no cano da bota ou, quando por fora, mostram nas extremidades, crivos, rendas e franjas. À cintura, faixa preta e guaiaca, de uma ou duas fivelas. Camisa sembotões, de gola, e mangas largas. Usavam jaleco, de lã ou mesmo veludo, e às vezes, a jaqueta, com gola e manga de casaco, terminando na cintura, fechado à frente por grandes botões ou moedas. No pescoço, lenço de seda, nas cores mais populares, vermelho ou branco. Porém, muitas vezes, o lenço adotado tinha outras cores e padronagens. Em caso de luto, usava-se o lenço preto. Com luto aliviado, preto com "petit-pois", carijó ou xadrez de preto e branco. Aos ombros, pala, bichará ou poncho. Na cabeça usavam a fita dos indios ou o lenço atado à pirata e, se for o caso, chapéu de feltro, com aba estreita e copa alta ou chapéu de palha, sempre preso com barbicacho. A mulher, nesta época, usava saia e casaquinho com discretas rendas e enfeites. Tinham as pernas cobertas com meias, salvo na intimidade do lar. Usavam cabelo solto ou trançado, para as solteiras e em coques para as senhoras. Os sapatos eram fechados e discretos. Como jóias apenas um camafeu ou um broche. Ao pescoço vinha muitas vezes o fichú ( triângulo de seda ou crochê, com as pontas fechados por um broche ).

Este foi o traje usado pelas ricas e pobres desta época Traje Gaúcho - 1820 à 1865 Gaúcho Charqueador e Estancieira. O primeiro caudilho gaúcho, tinha mais dinheiro e se vestia melhor. Foi o primeiro estâncieiro.Trajava-se basicamente à européia, com a braga e as ceroulas de crivo. Passou a usar também a bota de garrão de potro, invenção gauchesca típica. Igualmente o cinturão-guaiaca, e o lenço no pescoço, o pala indígena, e a tira de pano prendendo os cabelos, o chapéu de pança de burro, etc. A mulher deste rico estancieiro usava botinhas fechadas, meias brancas ou de cor, longos vestidos de seda ou veludo,mantilha, chalé ou sobrepeliz (grande travessa prendendo os cabelos enrolados) e o infaltável leque. Traje Gaúcho - 1865 à 1950 Gaúcho da Campanha e Mulher Gaúcha Nesta época, o homem da campanha trajava bombachas e botas fortes. Usava-se sobre a camisa branca colete e paletó. O lenço usual era o branco, e uma faixa sob o cinturão.Nunca lhe faltava o chapéu de feltro e o pala, suas esporas sempre de prata e um chicote. A Gaúcha do início do século usa saia e blusa ou vestido. A saia muitas vezes é estampada em tecido leve. Seu corte determina, às vezes, um babado ou pregas no final da mesma e esta é menos rodada do que na época anterior. A blusa tem mangas bufantes até o cotovelo ou são retas até o punho. A frente da blusa é enfeitada de babadinhos ou rendas ou como acabamento leva um fichú. A silhueta é marcada por um cinto bem apertado. Seus acessórios são a sombrinha ou o leque, os brincos e a corrente de ouro ou o broche. Calça botinhas ou sapatos fechados. Além da saia ou blusa, a nova gaúcha não deixa de usar a saia e o casaquinho que muito a caracterizam na época anterior. Traje Gaúcho - 1950 até a atualidade Bombacha e Vestido de Prenda. A bombacha surgiu com os turcos e veio para o Brasil usada pelos pobres na Guerra do Paraguai.

Até o começo do século, usar bombachas em um baile, seria um desrespeito. o gaúcho viajava à cavalo, trajando bombachas e trazia as calças "cola fina", dobradas embaixo dos pelegos, para frisar. As bombachas são largas na Fronteira, estreitas na Serra e médias no Planalto, abotoadas no tornozelo, e quase sempre com favos de mel. A correta bombacha é a de cós largo, sem alças para cintas e com dois bolsos grandes nas laterais, de cores claras para ocasiões festivas sóbrias e escuras para viagens ou trabalho. À cintura o fronteirista usa faixa; o serrano e planaltense dispensam a mesma e a guaiaca da Fronteira é diferente da serrana, por esta ser geralmente peluda e com coldre interiço. A camisa é de um pano só, no máximo de pano riscado. Em ambiente e maior respeito usa-se o colete, a blusa campeira ou casaco. O lenço do pescoço é atado por um nó de oito maneiras diferentes e as cores branco e vermelho são as mais tradicionais. Usa-se mais freqüentemente o chapéu de copa baixa e abas largas, podendo variar com o gosto individual do usuário, evitando sempre enfeites indiscretos no barbicacho. Por convenção social o peão não usa chapéu em locais cobertos, como por exemplo no interior dos galpões. As esporas mais utilizadas são as "chilenas" , destacando-se ainda as "nazarenas". Botas, de sapataria preferencialmente pretas ou marrons. Para se proteger da chuva e do frio usa-se o poncho ou a capa campeira e do calor o pala. Cita-se ainda o bichará como proteção contra o frio do inverno. O tirador deve ser simples, sem enfeites, curto e com flecos compridos na Serra, de pontas arredondadas no Planalto, comprido com ou sem flecos na campanha e de bordas retas com flecos de meio palmo na Fronteira. É vedado o uso de bombachas com túnica tipo militar, bem como chiripás por prendas por ser um traje masculino. A prenda usualmente traja o vestido de prenda com saia rodada e babados, ambos de tecidos de algodão, com estampado miúdo, de broderie ou de tecido de cor lisa. O corpo justo é fechado no pescoço, leva tenfeites em rendas ou do mesmo tecido do vestido. As mangas ¾ bufantes ou não, vão até o cotovelo e babados dão o acabamento. Quando não leva babados no corpo, a prenda sobrepõe um fichu em renda crochê presopelo broche. Meias brancas, bombachinhas e sapatos pretos. Xale de renda em lã crochê é o agasalho. Os cabelos presos ou soltos levam uma flor, e nas orelhas, os brincos balançantes.

O Lenço O lenço do gaúcho, em sua evolução, desceu a cabeça ao pescoço de início ainda com as pontas para trás. Popularizou-se ao ser adotado, politicamente, como designativo de cor partidária. Para destacar a cor - símbolo de luta - surgiu o lenço gaúcho nos moldes atuais, atado no pescoço e solto ao peito. A partir da Revolução Federalista (1893), o lenço gaúcho surge no Rio Grande do Sul como meio de distinção entre os federalistas e republicanos. O Partido Federalista, fundado pelo político liberal Gaspar Martins adotando o Lenço Vermelho (Maragato). Como um símbolo de luta Júlio de Castilhos, político aliado ao Governo Federal, defendia o Partido Republicano e tinha como símbolo o Lenço Verde (Pica-Paus). Mais tarde, Flores da Cunha, ao fundar o Partido Republicano Liberal, adotou o Lenço Branco e (Chimango). Hoje, o lenço de pescoço é peça integrante da indumentária gaúcha, e sua cor não reflete mais posições partidárias. O lenço gaúcho consiste em um tecido quadrangular (geralmente seda), de cor única, exceção ao xadrez miúdo (carijó), e nunca de tecido estampado. As cores mais usadas são as históricas - vermelho e branco ressaltando que lenço preto representa tradicionalmente o sentimento de luto. Os Nós, propriamente ditos: Nó Farroupilha: Também chamado nó republicado (da República de Piratini) ou Nó de 35, pela mesma razão. Segundo a tradição era o ano referido pelos revolucionários é quase um quadrado, dividido em quatro partes. Visto por trás é nó comum. Nó Maragato: Ou de Assis Brasil, porque segundo a tradição era usado por esse político em suas lutas partidárias, ou em seus campos. Até hoje só é dado esse nó em lenços encarnados. É o mais lindo de todos: o centro parece o nó farroupilha, mas dos lados se escapam dois braços, como de uma cruz, visto por trás é a mesma coisa.

Nó de Ginete ou Pachola: Ou de Getúlio Vargas porque era o nó usado pelo grande político de São Borja é um nó dado junto ao pescoço, o meio de banda, fazendo uma laçada de um dos lados, e as duas pontas se escapando juntas pelo outro lado. Preferido pelos domadores, por firme. Nó de Três Galhos ou Bago de Touro Ou nó de águia também muito bonito. Quando de a cavalo seus dois braços se abrem e balançam como as asas de uma águia. Paixão Côrtes afirmou ter sido o inventor deste nó, mas o gaúcho Milton Silva, Dom Pedrito, garante que esse já era comum em sua terra desde muito tempo. Fica uma laçada repolhuda no centro e as duas pontas se escapam abertas, uma de cada lado. Nó de Oito Voltas Visto uma vez, apenas, esse nó usado pelo gaúcho Mário Vieira de Júlio de Castilhos, e não conseguimos aprendê-lo. É de grande beleza, mas de difícil execução. Parece um nó farroupilha duplo. O Nó Comum Chamado jocosamente por alguém de nó de biscoito é o comumente usado pela gauchada de campanha, até hoje. Bem dado é bonito. Nó Triângular Foi-nos ensinado pelo poeta Alfredo Costa Machado, e é como um farroupilha dividido em apenas três partes. De simples execução, é, contudo muito bonito. Nó de namorado Neste nó o peão quando sozinho, deixa os dois nós separados, e quando acompanhado junta-se os nós. CULINÁRIA GAÚCHA A origem da culinária gaúcha se dá basicamente da necessidade do tropeiro, que em suas jornadas, pela falta de artifícios da cozinha das estâncias fazia lá o arroz carreteiro, ou o puchero, um feijão campeiro e se assava carne assim ao fogo de chão pela praticidade e rapidez que se cozinhava, o charque item abundante da época não se faltava sendo usado tanto no carreteiro quando ao feijão.

O CHIMARRÃO O Chimarrão tornou-se uso obrigatório e salutar para os campeiros das três pátrias. A importância do mate para a formação da civilização pampeana foi além do aspecto econômico. Essa bebida, pelo uso generalizado, tornou-se tradicional, fundindo culturas. A coleta de registros históricos sobre o mate resultou na restauração de um verdadeiro monumento da cultura americana e de indiscutível origem indígena, conhecido e utilizado na América do Sul desde antes do descobrimento. O relato mais coerente sobre a origem do chimarrão dá-se como descrito abaixo: “......Corria o ano de 1554 quando o General Irala, um espanhol, chegou á região de Guairá, no oeste do anual território paranaense, e encontrou guaranis amistosos e hospitaleiros. Aqueles índios eram diferentes dos demais, não somente por sua docilidade e alegria, mas pelo porte altivo e forte e, ainda, pelo costume de beber com constância, num pequeno porongo, um líquido preparado com folhas picadas. Para impedir que os pedacinhos de folhas fossem sorvidos junto com a bebida, os índios usavam um canudo feito de taquara com uma base de fibras trançadas que funcionava como um filtro.” Foi assim que o homem branco conheceu a "caa-i", cujo significado é "água de erva saborosa". O nome chimarrão só surgiu bem mais tarde, e remete à expressão espanhola "cimarrón", usada para identificar plantas rústicas, escravos fugitivos, animais selvagens ou sabor amargo. Antes da "caa-i" ser batizada de chimarrão passou-se muitos anos e incontáveis conflitos. A bebida, que impressionou os espanhóis por suas propriedades revigorastes e curativas, foi logo condenada pela Igreja Católica, em plena Inquisição, porque dado seu uso primeiramente ligado aos pagés que segundo lenda receberam de Tupã (Deus Guarani) a bebida que lhe daria proteção e assim sendo costume dos índios lhe atribuíam poderes mágicos e apontavam sua origem. Mas a proibição, acompanhada de multas, prisão e da queima da erva em praça pública, não impediu que o gosto pela bebida se disseminasse que já por esta época já tinha chegado na região missioneira. Para matear, o índio Guarani usava o porongo, que é o frutode uma planta rasteira da família das cucurbitáceas, “Lagenaria vulgaris”. De lagena, recipiente – copo, chamado pelos Guaranis de yeruá. Esse porongo, cortado,

depois seco, fornecia um ótimo recipiente, chamado em guarani caiguá, isto é: caa (erva); i (água); guá (recipiente), recipiente para infusão de água e erva. Essa água era sorvida através de um canudo de taquara chamado taquaqui. Esse canudo apresentava na base inferior um paciencioso trançado de fibras, o bojo, impedindo que os pedaços da folha (erva) fossem ingerida, assim se dava a bomba. A cambona ou chaleira era chamada de itacugua: i (água) tacu (quente) guá (recipiente), que era de cerâmica onde locavam água e esquentavam colocando pedrinhas retiradas do fogo. Inicialmente, os Jesuítas proibiram o uso da erva-mate entre os índios, atribuindo-lhe origem demoníaca, denunciada pelo padre Diego Torrer em 1610, no Paraguai. Mas tiveram de voltar atrás para não perder os nativos e passaram a explorar os ervais naturais. O Mate logo passou dos índios para os conquistadores, e daí para os mestiços, crioulos, negros e povoação açorianas, e depois ao quartéis dos Dragões e às colônias dos imigrantes, atravessando o tempo como algo valiosíssimo, conservando suas características e confirmando a tradição popular ates hoje. O mate também simbolizou, ao longo dos séculos, a hospitalidade do povo gaúcho, que é tradicional. O forasteiro ou viajante que chagava a uma propriedade rural é saudado com: “O rancho é seu” sendo o primeiro cuidado do dono da casa é oferecer o “Amargo”, feito na hora. Lenda do Chimarrão: Era sempre assim: a tribo de índios guarany derrubava um pedaço de mata, plantava a mandioca e o milho, mas depois de quatro ou cinco anos a terra se euxaria e a tribo precisava emigrar a terra além.descrevemos uma: Cansado de tais andanças, um velho índio, já mui velho, um dia recusou seguir adiante e prefere quedar-se na tapera. A mais jovem de suas filhas, a bela Jary ficou entre dois corações: seguir adiante, com os moços de sua tribo, ou ficar na solidão, prestando arrimo ao ancião até que a morte o levasse para a paz do Yvi-Marai. Apesar dos rogos dos moços, terminou permanecendo junto ao pai.descrevemos uma: Essa atitude de amor mereceu ter recompensa. Um dia chegou um pajé desconhecido e perguntou à Jary o que é que ela queria para se sentir feliz. A moça nada pediu, mas o velho pai pediu, "que renovadas forças para poder seguir adiante e levar Jary ao encontro da tribo que lá se foi".

Entregou-lhe o pajé uma planta muito verde, perfumada de bondade, e ensinou que ele plantasse, colhesse, as folhas, secasse ao fogo, triturasse, botasse os pedacinhos num porongo, acrescenta-se água quente ou fria e sorvesse essa infusão, "terás nessa nova bebida uma nova companhia saudável mesmo nas horas tristonhas da mais cruel solidão". Dada a receita partiu. Foi assim que nasceu e cresceu a caá-mini. Dela resultou a bebida caáy que os brancos mais tarde adotaram o nome de chimarrão. Sorvendo a verde seiva o ancião retemperou-se, ganhou força e pode empreender a longa viajada até o reencontro com seus. Foram recebidos com a maior alegria. E a tribo toda adotou o costume de beber da verde erva, amarguentinha e gostosa que dava força e coragem e confortava amizade mesmo nas horas tristonhas da mais total solidão. Origem do nome Mate O espanhol preferiu usar a voz "mate", da língua quíchua, e que se ajusta melhor à modalidade grave do idioma. A palavra quíchua "mati" era a designação da cuia. Substituiu a palavra guarany, caiguá, nome composto das vozes caá (erva), i (água) e guá (recipiente). O significado é o seguinte: recipiente para a água da erva. Erva-Mate Arvore paraguariensis. da Família “Aquifoláceas”, Gênero e espécie: Ilex

Sua altura vaia entre sete e doze metros, suas mudas devem ser plantadas à sombra. Seu fruto contem 4 sementes pequenas. A Cuia A cuia é feita do porongueiro pertencente à família das cucurbitáceas (lagenaria vulgaris). É uma trepadeira rasteira com folhas largas, seu fruto é o porongo, que depois de maduro se torna lenhoso e oco. Estes porongos são chamados pelos guaranis de yeruá. Após cortada no formato, desbasta-se a borda da cuia, suavizando o beiço, raspa-se o bagaço das sementes com uma colher e finalmente, deixa-se curtir antes de usá-la. Curte-se uma cuia, enchendo-a de erva, ou erva misturada a cinza vegetal e água quente, permanecendo úmida por dois ou ter dias.

Existem diversas formas de cuia, podendo ser confeccionada ainda de vidro, madeira, porcelana, prata, etc. As Bombas Existem diversas formas de bombas, desde a primeira “taquapi” que se constituí de um canudo de taquara com na base inferior um trançado de fibra fazendo o papel do bojo impedindo que as partículas da folha (erva) fossem ingeridas. Hoje se encontra comumente bombas de alpaca, prata, latão e inox, tendo opções ainda de bombas com o bocal e o bojo removível facilitando a limpeza. Cambonas As cambonas são antecessoras às chaleiras, geralmente utilizadas pelos antigos tropeiros que as utilizavam para esquentar água. Os Dez Mandamentos do Chimarrão Ao lado da simplicidade do costume e da informalidade que caracteriza a roda de chimarrão, existem certas regras, mandamentos, mesmo, que devem ser respeitados por todos. Vejamos, pois, aquelas coisas que ninguém tem o direito de fazer, sob pena de ver os tauras daqui empunhar lanças pela enésima vez na história e, talvez, antecipar o "dia seguinte". I. NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE O gaúcho aprende desde piazito que e por que o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas, se tu és dos que vêm de outros pagos, mesmo sabendo poderás achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar neste pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se pôr na água ervas exóticas, cana, frutas, cocaína, feldspato, dólar etc, mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se o chimarrão te parece amargo demais não hesites: pede uma Coca-Cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor. II. NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO Tu podes achar que é anti-higiênico pôr a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando do chimarrão. Repito: pede uma Coca-Cola com canudinho. O canudo é puro como água de sanga (pode haver coliformes fecais e estafilococos dentro da garrafa, não no canudo).

III. NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume e não te fresqueies. Se, porém, te julgas perfeitamente igual às demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vais adorar o chimarrão de lá. IV. NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE Apesar da grande semelhança que existe entre o chimarrão e o cachimbo da paz, há diferenças fundamentais. Com o cachimbo da paz, cada um dá uma tragada e passa-o adiante. Já o chimarrão, não. Tu deves tomar toda a água servida, até ouvir o ronco de cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento seguinte. V. NÃO TE ENVERGONHES DO "RONCO" NO FIM DO MATE Se, ao acabar o mate, sem querer fizeres a bomba "roncar", não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Este negócio de chupar sem fazer barulho vale para Coca-Cola com canudinho, que tu podes até tomar com o dedinho levantado. VI. NÃO MEXAS NA BOMBA A bomba do chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas, por favor, não mexas na bomba. Fale com quem lhe ofereceu o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba. VII. SERVIDO NÃO ALTERES A ORDEM EM QUE O MATE É

Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve mas, depois de entrar, espera sempre tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do Estado. VIII. NÃO "DURMAS" COM A CUIA NA MÃO Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando, recordando. E, às vezes, te surpreende até imaginando que a cuia não é cuia mas o quente seio moreno daquela chinoca faceira que apareceu no baile do Gaudêncio... Agora, tomar chimarrão numa roda

é mui diferente. Aí o fundamental não é meditar e sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ri, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que esta tua participaçâo não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer da cuia que está em tua mão. Fala quanto quiseres mas não esqueças de tomar teu mate, que a moçada tá esperando. IX. NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O 1º MATE Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro, saibas que grosso é tu. O pior mate é o primeiro e quem o toma está te prestando um favor. X. NÃO DIGAS QUE CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pegas na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que chimarrão é cancerígeno. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esquece o câncer. Se não der para esquecer, faze o seguinte: pede uma Coca-Cola com canudinho, que ela... etc, etc. Sevando o chimarrão 1. Coloca-se a erva-mate na cuia, até; aproximadamente 2/3 da sua capacidade. 2. Tapando a boca da cuia com a mão, procura-se, através de leves movimentos para cima e para baixo, separar os talos e palitos da erva-mate propriamente dita. 3. Inclina-se a cuia mais ou menos 45° e retira-se a mão, fazendo com que os palitos da erva fiquem na parte inferior (cestinho da cuia), formando uma trama que facilitará a entrada da água na peneira da bomba. 4. Na posição anterior, despeja-se água fria ou morna (água fervente queima o mate dando um gosto amargo), tomando o cuidado de não molhar o "topete" da erva. Aguarde dois a três minutos até que a água seja absorvida. 5. Tapando-se o bocal com o polegar, introduz-se a bomba no lado cheio d'água da cuia, até o fundo do cestinho. Com movimentos de pulso, procura-se a melhor posição para que a bomba fique firme. Retira-se o polegar e observa-se o nível da água, que deve baixar alguns milímetros. Isto prova que o chimarrão está desentupido. 6. Com a cuia já na posição vertical, coloca-se a água quente.

A temperatura ideal da água é obtida quando a chaleira começa a chiar. Nunca desmonte o talude formado pela erva, na esperança de obter melhor sabor. Na realidade, o prolongamento do sabor da erva mate dependerá da quantidade de erva que a sua cuia suporta. O chimarrão está pronto. O primeiro mate já pode ser ingerido, embora boa parte dos mateadores prefira cuspi-lo fora, até ouvir o "ronco" da bomba. Isto porque o primeiro mate não é o mais saboroso, a bomba retém resíduos de pó da erva e a água ainda não alcançou a temperatura ideal. Outras Ervas para chás (Medicina popular “para prendas”) Araçá – Catarro e desinteria. Aguapé – Tuberculose Aipo-Bravo – Pele Aveia – Estimulante Ananás – Diurético Agrião – Tuberculose Angico – Peitoral Barbas de Pau – Hemorragia Caraguatá - Diurético Carqueja - Antifebril Camomila – Estômago Corticeira – Reumatismo. Cevada – Estimulante Erva de Touro – Diurética Erva Aniz – Estimulante Eucalipto – Respiratória Erva-Cidreira – Anti-espasmódica Guaco – Febre Guaicuru do Campo – Fígado Malva – Peitoral e Sedativa Marcela – Digestiva Mamoeiro – Purgativo Erva-de-Bicho – Cáustica Poejo – Respiratória Guabiroba – Desinteria Salsaparrilha - Diurética e Sudorífera Mastrunço – Antiescorbútico Maracujá – Bronco-Pulmonar Mangerona do Campo – Estimulante Pata de Vaca – Diurética Salsa – Pele Urtiga – Reumatismo Vassourinha - Inflamações Sabugueiro – Fígado

Erva Mate – (laxativo), aumenta a eliminação de urina, ativa o celebro, músculos e nervos. Digestivo, ativador da circulação diminui a fadiga (cansaço). Chá Mate – ativador dos rins e bexiga, aumentando e eliminação de urina, estimula a atividade celebral e combate a obesidade. Chá Preto – tônico estimulante dos nervos, músculos e cérebro. Auxilia no tratamento da obesidade. Camomila – diminui a febre, alivia os gases intestinais auxilia no tratamento do reumatismo, da digestão e da excitação nervosa. Desintoxicaste do fígado, alivia dores de dente e cabeça. Erva Doce – calmante para os nervos, elimina os gases intestinais, auxilia na digestão, combate o mau hálito. Maçã (casca e fruto) - fortificante dos nervos e do celebro, auxilia na digestão, diminui acidez estomacal (gastrite) e insônia. O Churrasco É imediata a associação do gaúcho ao churrasco, mas não vivemos somente de assado, verá que saboreamos de uma culinária diversificada. Na campanha, se come, no correr da semana a carne de ovelha, que chamada erradamente de carne de carneiro. O carneiro, para o gaúcho, é o macho da ovelha, isto é, um animal destinado à reprodução. Sendo a necessidade da fazenda, abate-se um ou mais capões (macho capado da velha). Após courear (extrair o couro) as carnes são preparada sem forma de churrasco, assadas ao calor das brasas em grelha ou espeto. O primeiro assado é o sangrador - carne de pescoço onde se cortam as jugulares da ovelha para matá-la. Depois, as carnes são ensopadas na maneira simples da cocção em água fervendo, ou combinadas com outros ingredientes. Dos quartos, mais polpudos, tiram-se os bifes ou prepara-se o charque, que é muito apreciado. Na Campanha, depois de coureada a rés abatida, extrai-se o matambre, carne que fica entre o couro e a manta, cobrindo as costelas. Com o matambre, fazse o primeiro churrasco. Antes de assar, o gaúcho surra, isto é, bate o matambre sobre a própria rés ou num moirão ou qualquer outra madeira, bate forte para amaciar. Enquanto assa, segue carneando. A parte preferida para o churrasco é o costilhar sem a manta. Partes de peito com granito, assim como da agulha, são usadas para fervidos. Além destas carnes, vão para a cozinha o tatu, o lombo (filé curto), o filé mignon, a picanha e o aleatre. As outras carnes são salgadas. Alguns ossos, principalmente os da perna, providos de caracu (tutano), os do alcatre e da paleta são aproveitados para fervidos e sopas; o resto vai para a extração da graxa bovina. A rabada (cauda de boi, coureada e desarticulada), é frita na panela, ensopada simples ou com batatas ou mandioca. Das patas, extraem-se o azeite (óleo) geléia de mocotó. Com ela, faz-se o prato do mesmo nome. Se a rês abatida

é fêmea, salga-se o ubre para depois adicioná-lo ao feijão. O ubre também pode ser saboreado assado ou frito. Se a vaca está prenhez adiantada, o gaúcho aproveita o nonato. Cozido e mexido com farinha, o prato é chamado de terneiro e, na fronteira, tapichi. Além do gado, mas na época da estiagem o gado é substituindo pela carne de porco e na região litorânea se como mais frequentemente o pescado. De um modo geral, na vida diária, a alimentação do gaúcho consiste numa mescla dos hábitos alimentares dos vários povos que compõem sua cultura. DANÇAS GAÚCHAS As danças gaúchas surgiram da influencia da cultura européia trazida pelos espanhóis, portugueses da Ilha dos Açores, Italianos desde o inicio da colonização do Estado. Baseado nas danças das cortes foi pouco a pouco caindo aos gostos dos povos espalhados pelo território, tomando a forma que temos hoje. Barbosa Lessa e Paixão Cortes após estudo e pesquisa pelas antigas estâncias e toda a campanha gaúcha lançaram ao ano de 1955 o “Manual das Danças Gaúchas” neste juntaram diversos ritmos e coreografias , rico em detalhamento ao capacidade que a época dispunha. As danças são divididas em quatro ciclos coreográficos: Ciclo do Minueto, Ciclo do Fandango, Ciclo da Contradança e Clico das Danças de pares Enlaçados. Dança-se hoje nos fandangos os Ritmos: Vaneira, Chamamé, Marcha, Bugio, Valsa, Chote e Milonga. Origem de algumas danças tradicionais. Caranguejo: Nome tirado de um crustáceo das nossas águas. É conhecido em todo o Brasil, onde as vezes aparece como brincadeira de crianças Nordestinas. Cana Verde: Nome tirado da cana que fornece o açúcar e o álcool. Origem portuguesa com passagem pelos engenhos do Nordeste Brasileiro. Balaio: Origem Portuguesa procedência Nordestina. O Nome tem origem no aspecto do cesto que as moças dão as suas saias quando se ajoelham durante a dança. Chimarrita: O nome pode derivar de China ou Rita ou Chama Rita, não se sabe ao certo. Provavelmente a segunda hipótese é verdadeira, e de origem portuguesa.

Rilo: O Reel originou-se na Escócia, em meados do século XVIII, como forma aperfeiçoada da antiga figura of Eight das danças inglesas. Alias, foi com essa característica dos dançarinos formarem um oito durante as evoluções, que o Reel já trazido para o Ril, tornou-se popular no RS um século mais tarde. Rancheira de Carreirinha: Vamos nos referir a rancheira e ao terol musicalmente não há diferença entre as duas, a não ser quanto ao fato de acentuarse bastante, na rancheira, o 1º tempo de cada compasso. Chote de duas damas: Característica: Duas damas e um cavalheiro. Surgiu pelo espírito cavalheiro do gaúcho. Pau de fitas: Dança Universal.

Expressões Literárias Gaúchas Esta entre as mais importantes Expressões Literárias Gaúchas destacase a Musica e com ela a Poesia Gaúcha. A música cantada em sua característica impar sempre acompanhada da gaita (Arcordeon) e a guitarra (Violão) e o pandeiro, falando geralmente do diadia do peão gaúcho, destacando se ainda como nativista ou campeira que resulta ano a ano em inúmeros festivais onde as letras (verdadeiras pinturas do cenário campeiro) ganham a cada dia o cenário nacional. Não tão separado da musica a Poesia Gaúcha se destaca na delicadeza das prendas onde através da declamação emocionam a todos em Rodeios, e gaúchas reuniões onde ainda se escuta algumas pajadas e o alvoroço das trovas onde a peonada destaca-se na criatividade mantendo o verso anteriormente falado pelo assim dizer oponente. A cultura gaúcha ainda é rica em lendas, contos que retratam a crendice passada de pais pra filhos até hoje. Destaca-se a Salamanca do Jarau, Negrinho do Pastoreio entre outras. MOTIVOS DE DIVERSÃO (JOGOS) Jogos tradicionais Carteado – O Truco , é o jogo de carteado preferido pelos homens do pampa, podendo ser jogado o truco tradicional ( jogado em duas equipe “duplas” com três cartas para cada participante, esclue-se do paralho as cartas 8, 9, 10 e o curinga) ou ainda o espanhol (com paralho e regras diferenciadas). A Bocha: O jogo consiste em arremessar, desportivamente, bochas (bolas) de madeira ou de resina sintética, sobre uma cancha de terra batida. Numa

disputa, entre duas pessoas, visa-se o lugar mais próximo ao "balim" (pequena bocha), concorrido com arremessos de 4 bochas cada jogador e a posterior contagem dos pontos. Inicia-se a jogada com o arremesso do balim pelo jogador que logrou mais pontos na partida anterior. Cabe-lhe, igualmente, o direito de arremessar a primeira bocha. Quando um está no "ponto" (mais próximo do balim), faz com que seu adversário jogue suas bochas até conseguir lugar mais próximo ou acabe as suas bochas. O jogo de bocha foi trazido para o Rio Grande do Sul, provavelmente pelos italianos, que têm como seu esporte favorito. O surgimento deste jogo foi na Espanha, onde camponeses espanhóis jogavam com bochas de "pedra sabão". Posterior aos anos 60, veio a utilização do cerne de madeira, quando o pauferro, extremamente duro e pesado, teve o grande domínio das canchas de bochas. O jogo de bocha não é tão antigo em nossos pampas, porém é de profunda aceitação em todas as regiões. Os italianos levaram-no para todas as suas colonizações. Este jogo não guarda marcas de machismo. Não disputa coragem nem agilidades. Disputa, desportivamente, a firmeza e o tenteio do pulso, no "arrime" ou precisão de um "tiro", no "bochaço". Antigamente eram permitidas as "lagarteadas" - arremesso livre das bochas pelo ar, invés de rolar. Hoje as regras determinam distâncias específicas para as áreas a serem atingidas pelos bochaços. A Tava – ou Jogo do Osso Escolhe-se um chão parelho, nem duro, que faz saltar; nem mole, que acama; nem areento, que enterra o osso. É sobre o firme macio, que convém. A cancha com uma braça de largura, chega, e três de comprimento; no meio bota-se uma raia de piola (cordão, barbante), amarrada em duas estaquinhas ou mesmo um risco no chão, serve; de cada cabeça da cancha é que o jogador atira, sobre a raia do centro: este atira daqui para lá, o outro atira de lá pra cá. O osso é chamado de taba (ou tava), que é o osso do garrão de rês vacum. O jogo é só de culo ou suerte. Culo équando a taba (o osso) cai com o lado arredondado pra baixo; quem atira assim perde logo a parada. Suerte é quando o lado chato fica embaixo: ganha logo e sempre. Quer dizer: quem atira culo perde, se é suerte ganha e logo arrasta a parada. Ao lado da raia do meio fica o coimeiro que é o sujeito depositário da

parada e que a entrega logo ao ganhador. O coimeiro também é quem tira o baralho - para o pulpeiro (dono da pulperia, taberna ou botequim). Quase sempre é algum aldragante (vagabundo) velho e sem-vergonha, dizedor de graças. Pandorgas Nome genérico que no Rio Grande do Sul se dá a este brinquedo que consiste numa armação de varetas de taquara cobertas de papel. A pandorga, presa a um cordão, se eleva ao alto por força do vento e é equilibrada por um rabo, simples ou duplo, feito de tiras de pano e preso na parte inferior. Existem vários feitios de pandorgas com denominações próprias que as identificam. Assim, o mais comum, de forma quadrangular, é, propriamente, a "pandorga"; "papagaio" é o losangular; a "estrela" tem o feitio do nome, e seguem o "caixão", a "bandeja", a "marimba", o "barril", o "navio", a "pipa" e muitos outros. A prática do divertimento é chamada de "soltar pandorga". Os guris se empenham na "briga de pandorgas": atam no rabo uma gilete ou colam frações de vidro moído. Em pleno ar, aproximam as pandorgas uma da outra; com descaídas e recolhidas, procuram friccionar o rabo "envenenado" da sua pandorga no cordão da outra, até que o cordão de uma das cordas se corta e a pandorga "Vai-a-bahia", expressão que significa perder-se a pandorga no horizonte distante.Também usam o costume de "mandar telegramas": enfiam pequenos círculos de papel no barbante e estes, impulsionados pelo vento, sobem até as "guias" da pandorga. E quase nunca dispensam o "roncador", franjas de papel coladas em barbantes, por fora do corpo da pandorga e que, realmente, roncam ao passar do vento. Bruxas de pano Tanto as mobílias e outros brinquedos domésticos, assim como os bruxos e bruxas, são usados para os brinquedos de "comadre", "comidinha" e afins. "Menina pequena não dorme na cama, dorme no regaço da Senhora Santana". As bruxas e bruxos são feitos de duas maneiras: pelas mães para dar as filhas (como a que está na rede) ou pelas próprias crianças. Com exceção de dois, todos os elementos expostos são criados por meninas. Atiradeira Pequena arma para caçar passarinhos. no RS é conhecida como funda, bodoque ou estilingue. Trata-se de uma forquilha de madeira ou outro material, munida de duas tiras de borracha com a largura de um centímetro ou mais,

proporcional ao tamanho da forquilha. Nas duas pontas dos galhos desta, atam-se duas das pontas das borrachas, cujo comprimento também é proporcional. As outras duas, num pedaço retangular de couro (o mais usado), que serve de apoio às pedras que serão projetadas. Obs.: Um dos costumes dos nossos guris é fazer um entalhe ou mossa no cabo da forquilha para assinalar quantas peças abateu. Bolinhas de vidro - gude – Inhaca As bolinhas de gude, de inhaca, unhas ou bolitas, o jogo por excelência dos guris de qualquer idade. Surgem geralmente depois das chuvas, quando os campinhos estão molhados e a meninada tem que brincar perto de casa. Diversas modalidades de jogo são praticadas, entre elas o Boco ou Imba, o Triângulo, a Circunferência, etc, que podem ser "as vera" ou "as brinca". "As vera" quando o jogador perde também suas bolitas, e "as brinca", quando perde só o jogo, oeste caso feito apenas por distração. Os jogadores, conforme combinação prévia, podem apostar uma ou mais bolinhas que depois serão escolhidas entre as de propriedade do perdedor. Muito disputadas são as "águidas", leitosas e coloridas. Ocorrem brigas quando o perdedor paga sua "dívida" com bolinhas "nicadas", ou também quando o jogador dá um impulso com a mão ao efetuar a jogada. O impulso deve ser dado apenas com o polegar. Boco ou Imba - um pequeno buraco circular é feito no chão geralmente com o calcanhar ou com um pedaço de madeira ou pedra. O jogo pode ser feito com um ou mais bocos. Motivos de Diversão “Campeiros” Carreira de Cancha Reta A carreira foi o esporte e o jogo de preferência do homem do pampa. Fazia parte tanto de negócios que envolviam grandes somas de dinheiro como das brincadeiras telúricas. Os ginetes, em pleno campo, se desafiavam. Muitas vezes, no retorno das campeiradas, tiravam cismas de quem possuía o cavalo mais rápido. Todavia, no geral, "atavam" carreiras para datas específicas, geralmente aos domingos. Nos primeiros tempos, as carreiras eram disputadas com os cavalos de trabalho, os CRIOULOS. Os carreiristas sempre preferiam a "cancha reta", de metragem não muito longa. O percurso podia ser de 260 a 400 metros. Até hoje, no pampa, chama-se o treinador de cavalo de "compositor". Eles definiam os alimentos e os exercícios básicos dos animais. Alimentavam-nos com milho e alfafa fenada. Aplicavam-lhes banhos. Treinavam arrancadas e corridas para deixá-los fortes e velozes.

Os animais destinados às carreiras passaram a ser chamados também de parelheiros porque eram comuns as disputas feitas entre dois animais, em parelhas. Quando corriam em maior número, chamavam a carreira de "penca", ou califórnia. Ir às pencas, no Sul, significava, ainda, ir até onde ocorriam as carreiras. A Ginetiada A ginetiada surgiu com base do ato de domar os potros xucros ao sistema antigo onde se palanqueava o animal a ser domado, encinhava-o e com ajuda de outro peão se soltava o animal após montado, este por sua vez saia aos corcoveos. Hoje se vê ginetiadas nos rodeios crioulos, no qual utilizam uma tropilha de animais xicros, palanqueados para montaria “em pelo” (sem arreios) ou em somente bastos. Provas de Mangueiras As provas de maqueiras baseadas nas lides das estâncias, consiste em duas atividades: Aparte de novilha – solta-se duas novilhas na mangueira onde o peão não deixa que a novilha escolhida encontre a outra utilizando de manobras e ate mesmo o corpo do cavalo assim impedindo o encontro. Fechar da novilha – solta-se uma novilha na mangueira e o peão deve prensá-la entre as paredes da manqueira e peito do cavalo, imobilizando-a durante o maior tempo possível. Paleteadas As paleteadas , tiradas das lide de campo a fora, consiste conduzir o terneiro prensado entre dois cavalos, na raia de 10 metros forçando-o a voltar a direção de origem, novamente conduzido entre os dois cavalos. Giro sobre Patas O giro sobre patas consiste no movimento de giro do cavalo apoiado nas pastas traseiras. Este movimento deve ser idêntico tanto para a direita quanto para a esquerda avaliando assim a aptidão do animal. Esbarradas

A esbarrada consiste no deslizar do animal onde o peão apóia-se nas ancas do cavalo assim parando-o bruscamente através do puxar da rédeas. Tiro de Laço que consiste em laçar terneiros em raias de 100 m através de armadas de 8 metros, e ainda as provas de velocidade: Rédeas: consiste no rodeio de quatro balizas disposta nas extremidades do circuito, seguida do zigue-zague de ida e volta de quatro balizaz seguidas e na esbarrada no final da prova. Cultura Campeira O peão gaúcho deferência - se, tem suas medidas, seu vocabulário, sua maneira de selar o cavalo, sua diversão e outras particularidades. O cavalo Crioulo O cavalo crioulo destaca-se pela força e aptidão para as lides de campo e o manejo com o gado. Cavalo de trote, robusto e resistente. Originouse dos primeiros cavalos trazidos pelos espanhóis que se extraviaram, assim vivendo livre nos pampas forjando assim sua resistência ao frio. Esses eqüinos, de origem ibérica possuíam grande predominância de sangue árabe. Com o passar dos séculos, foram apurados e terminaram se definindo como raça específica do Cone Sul e muito valorizada nas atividades de pastoreio. Pelos Alazão: cor de canela. Azulego: um azul quase preto, entremeado de pintas brancas, produzindo um reflexo azulado . Baio: cor de ouro desmaiado Barroso: cor branca amarelada; há diversas tonalidades: claro, amarelo, fumaça.. Bragado: grandes manchas brancas pela barriga. Brasino: vermelho com listras pretas ou quase pretas Colorado: cor vermelha Jaguaré: fio do lombo e ventre brancos, e os lados de cor preta ou vermelha Lobuno: escuro, tirante a cinzento. Malacara: testa branca, com uma listra da mesma cor que desce até o focinho. Picaço: animal preto com a cara, ou cara e pés, de cor branca Pangaré: tom vermelho-escuro ou mais ou menos amarelado, mostrando-se como que desbotado no focinho, no baixo-ventre e em algumas outras regiões . Rabicano: animal que tem na cauda fios de cabelos Brancos Ruano: mais claro que alazão, tem cauda, crinas, orelhas e focinho de um amarelo esbranquiçado

Salino: pêlo saplicado de pequeninas manchas brancas, vermelhas ou pretas. Tobiano: escuro com grandes manchas, em geral brancas, formando grande contraste. Tordilho: cor do tordo (sabiá), ou seja, fundo branco encardido salpicado de pequenas manchas mais ou menos negras. Tostado: semelhante ao alazão, porém mais escuro. Zaino: castanho escuro. Nomes Dados a Tipos de Cavalos Cavalo Gavião: é arisco e não se deixa pegar . Cavalo Fogoso: é o cavalo explosivo, que pede freio; para amansá-lo, sugere-se colocá-lo em serviços monótonos. Cavalo Tafoneiro: só atende para um lado. Cavalo Aporreado: é chucro e de doma impraticável. Cavalo Passarinheiro: é assustado, se assusta a cada movimento estranho. Cavalo Pachola: cavalo faceiro, que desfila empinando-se. Cavalo Rufilhão: cavalo mal castrado, que desfila como garanhão mas sem poder de fecundação. Cavalo Cabano: tem duas orelhas caídas em forma de chapéu. Cavalo Reiuno: cavalo sem marca que anda de mão em mão. A Encilha Pode-se encilhar um cavalo para doma, para a tropeada, para o trabalho de campo, para uma festa, e cada vez a encilha terá modificações maiores. Algumas peças da encilha também podem variar de região para região, ficando ao gosto pessoal do campeiro. Hoje os arreios, isto é, as peças necessárias para encilhar o cavalo, os chamados "aperos" ou "preparos" são bem mais complexos. Distinguem-se os aperos da cabeça e os de montaria. Dos aperos da cabeça: todos de couro trançado ou chato, fazem parte a "cabeçada" que sustenta o freio na boca do cavalo, passando por trás das orelhas. Distingue-se nela a "testeira" a "alça de medida" e os "meios" onde vai o freio. O "buçal" é uma peça complexa que vai na cabeça e no pescoço do cavalo. Além da cabeçada, há nele a "pescoceira" e a "focinheira", ligadas por duas argolas, e a "sedeira". À argola inferior prende-se o "cabresto". No freio apresilham-se as "canas da rédea" para governar o cavalo. São dois meios, trançados finos e chatos, com três argolas em cada cana, tendo cada cana uma "presilha". Os aperos de montaria: seguidos na ordem em que são colocados no lombo do cavalo são: o "xergão" ou "baixeiro", um suadouro que vai diretamente

no lombo do cavalo. Sobre esse vai a "carona", peça lisa de couro em que se assenta a "sela" para montar. Existem vários tipos de selas no RGS, preferidos nesta ou noutra região do estado. Muito usado em todo estado é o "lombilho". Neste tipo de sela, distinguem-se: "cabeça", "rabicheira", "abas", "travessão" com a argola e os "bastos". Como sela para mulheres montarem, existe o "selim de gancho", em que ela pode montar até de vestido comprido, sentada de lado. A sela de qualquer dos tipos citados e de outros ainda, é segura pela "cincha" faixa de couro cuja parte central, que fica em cima da sela é o "travessão" provido de argolas em que se liga, pelo "látego" a "barrigueira", a parte da cincha que passa pela barriga do cavalo, sendo apertada no lado oposto pelo "sobrelátego". Sobre a sela vai o "pelego", pele de carneiro com a là que serve de forro ao assento, coberto pela "badana" pele macia, às vezes lavrada, segura pela sobrecincha. Presos à sela ficam os "loros" correias duplas que sustentam os "estribos" em que o cavaleiro firma o pé. Ainda existe a "peiteira" ou "peitoral", peça de couro que cinge o peito do cavalo; compõe-se de dois meios presos à sela e de uma faixa que se fixa na barrigueira. O "rabicho"assegura, junto com a peiteira, que a sela não se possa deslocar, nem para frente, nem para trás. Na parte posterior do lombilho estão presas duas pequenas tiras de lonca, os "tentos", com que se ata o laço enrodilhado. Sendo de uso ainda da encilha o laço ou sovel , e o relho (arrelhador, mango, rabo-de-tatu) sendo estas ferramentas necessárias para as campeiradas e lides de mangueira. Nota sobre O LAÇO: O Laço é composto por três partes: 1. Presilha – extremidade que se prende ao cinchador da cincha. 2. O laço propriamente dito – composto por trançado de tentos de couro (geralmente 4, 6 ou 8 tentos) podendo ser chumbado (inclusão de esferas no interior da trança) . 3. Arcola – presa a outra extremidade do laço, sendo geralmente de aço. O comprimento do laço gira em torno de 12 braças (medida campeira – uma “braça” tem aproximadamente 1,60 m). O Tiro-de-laço – utiliza-se uma armada de 8 metros, mais três ou mais rodilhas (conforme o gosto do peão), boleada sobre a altura do chapéu. Vocabulário A língua falada na região sul do pais, mesmo sendo considerado o português diferencia-se das demais localidades do território nacional, pois foi influenciado por outras culturas tendo incluso termo espanhóis, gringos( italianos)

e castelhanos assim podemos afirmar que a língua falada no sul do pais se trata de um dialeto da língua portuguesa. Abaixo segue um mini dicionário de palavras e expressões: A Abichornado: adj. Aborrecido, triste, desanimado. Abrir cancha: Abrir espaço para alguém passar. A cabresto: Conduzido pelo cabresto; submetido. Achego: Amparo, encosto, proteção. Açoiteira: Parte do relho ou rebenque, constituída de tira ou tiras de couro, trançadas ou justapostas, com a qual se castiga o animal de montaria ou de tração. Acolherar: Unir dois animais por meio de uma pequena guasca amarrada ao pescoço; Unir, juntar, com relação a pessoas. Afeitar: Cortar a barba. Agregado: Pessoa pobre que se estabelece em terras alheias, com autorização do respectivo dono, sem pagar arrendamento, mas com determinadas obrigações, como cuidar dos rebanhos, ajudar nas lidas de campo e executar outros trabalhos. Água-Benta: Cachaça, destinada a ser bebida ocultamente. Água-de-cheiro: Perfume, extrato. A laço e espora: Com muita dificuldade, com muito esforço, vencendo grandes obstáculos. A la cria: Ao Deus-dará, à aventura. Foi-se a la cria, significa foi-se embora, foi-se ao Deus-dará, caiu no mundo. Alambrado: Aramado. Cerca feita de arame para manter o gado nas invernadas ou potreiros. A la pucha: Exprime admiração, espanto. À meia guampa: Meio embriagado, levemente ébrio. Anca: Quarto traseiro dos quadrúpedes. Garupa do cavalo. O traseiro do vacum. Anta: Pessoa interesseira. Aporreado: Cavalo mal domado, indomável, que não se deixa amansar. Aplica-se, também ao homem rebelde. Arapuca: Armadilha para pegar passarinhos; Trapaça. Arrastar a asa: Paquerar. Arreios: Conjunto de peças com que se arreia um cavalo para montar. Abrir a barba :Ir-se embora. Abrir o cavalo:Dar o fora, retirar-se. || Abra o cavalo significa: retire o que disse. Acabar com a casca:Matar. Acoar em sombra de corvo: Tomar atitudes inúteis em vez de procurar resolver objetivamente os problemas. Agüentar o tirão: Topar a parada, sustentar com brio uma opinião.

Andar com a barriga no espinhaço: Andar com fome, magro, desnutrido. Andar com a cincha na virilha: Necessitar urgentemente de dinheiro, estar em grande apertura financeira. Andar como cachorro que roubou toucinho: Andar ressabiado, arredio, desconfiado. O mesmo que "Andar como cachorro que lambeu graxa". Andar como pau de enchente: Andar de um lado para outro, ao sabor dos acontecimentos. Andar cortando arame com os dentes: Andar sem dinheiro. B Badana: Pele macia e lavrada que se coloca, na encilha do cavalo de montaria, por cima dos pelegos ou do coxonilho, se houver. Bagual: Cavalo manso que se tornou selvagem. Reprodutor, animal não castrado. Baixeiro: Espécie de lã, integrante dos arreios, que põe no lombo do cavalo, por baixo da carona. Bater as botas: Morrer. Bicheira: Ferida nos animais, contendo vermes depositados pelas moscas varejeiras. Para sua cura, além de medicação, são largamente utilizadas as simpatias e benzeduras. Bidê: Mesinha de cabeceira. (Aportuguesado do francês bidet). Biriva: Nome dado aos habitantes de Cima da Serra, descendentes de bandeirantes, ou aos tropeiros paulistas, os quais geralmente andavam em mulas e tinham um sotaque especial diferente do da fronteira ou da região baixa do Estado. Var.: beriva, beriba, biriba. Bóia: Comida Bolicho: Casa de negócios de pequeno sortimento e de pouca importância. Bodega. Bolicheiro: Dono de bolicho. Braça-de-Sesmaria: Media antiga, de superfície, usada no Rio Grande do Sul. A braça-de-sesmaria mede 2,20 m por 6.600 m ou seja 14.520 metros quadrados. Buenacha: Boa. Bacalhau de porta de venda: Pessoa muito magra, esmirrada, demasiadamente seca. Baixar o coco: Corcovear, velhaquear. Bater a alcatra na terra ingrata : Morrer. Cair no chão. Bater a canastra: Morrer. Bater a linda plumagem : Fugir, desaparecer, ir embora. Bater a passarinha : Ter palpite, antever um acontecimento. Berrar como um touro: Falar forte e corajosamente, desafiando os opositores. Boi manso é que arromba a porteira: Em sentido figurado, diz-se do indivíduo de boas maneiras que consegue passar por bom, quando na verdade não o é. Bolear a perna: Apeiar-se, descer do animal de montaria.

Botar a cola no lombo: Disparar, fugir. Botar os cachorros: Atiçar os cachorros. || Em sentido figurado, falar mal de alguém. C Cabresto: Peça de couro que é apresilhada ao buçal para segurar o cavalo ou o muar. Cachaço: s. Porco não castrado, barrasco, varrão. Cacho: A cola, o rabo do cavalo. Cagaço: Grande susto, medo. Cambicho: Apego, paixão, inclinação irresistível por uma mulher. Campo de Lei: Campo de ótima qualidade. Capão: Diz-se ao animal mal capado; Indivíduo fraco, covarde, vil; Pequeno mato isolado no meio do campo. Capataz: Administrador de uma estância ou de uma charqueada. Pessoa que nas lides pastoris, é incumbida de chefiar o pessoal. Carboteiro(a): Alguém difícil, que não dá bola. Carreira: Corrida de cavalos, em cancha reta. Quando participam da carreira mais de dois parelheiros, esta toma o nome de penca ou califórnia. Caudilho: Chefe militar ; Manda-chuva. Cavalo de Lei: Animal muito veloz, capaz de percorrer duas quadras (264m) em 16 segundos ou menos. Chalana: Embarcação ou Lancha grande e chata. Chambão: Otário. Charla: Conversa. Chasque: Recado; Mensagem. Chimango: Alcunha dada no Rio Grande do Sul aos partidários do governo na Revolução de 1929. China: Descendente ou mulher de índio, ou pessoa de sexo feminino que apresenta alguns dos traços característicos étnicos das mulheres indígenas; Cabloca, mulher morena; Mulher de vida fácil; Esposa. Chinoca: Mulher. Cincha: Peça dos arreios que serve para firmar o lombilho ou o serigote sobre o lombo do animal. Colhudo: Cavalo inteiro, não castrado. Pastor.; Figuradamente, diz-se do sujeito valente, que enfrenta o perigo, que agüenta o repuxo. Credo: Exclamação de espanto. Cuiudo: O mesmo que colhudo. Cupincha: Companheiro, amigo. Cusco: Cão pequeno, cão de raça ordinária. O mesmo que guaipeca, guaipé. Cabeça de passarinho: Cair de costas -Ficar extremamente surpreendido com alguma notícia. Cair na vida: Prostituir-se. Cantar a buena dicha: Descompor, dizer as verdades. Casar mal a filha: Meter-se o indivíduo em dificuldades.

Cavalo dado não se olha o pêlo: Para receber um presente ou favor não se impõem condições. Cerrar a noite: Escurecer. Cerrar o tempo: Ameaçar chuva. || Em sentido figurado, haver briga, luta, conflito. Chegar a jeito: Abordar o assunto com boas maneiras, na ocasião oportuna, a fim de conseguir o pretendido. Cheirar a defunto: Haver perigo iminente de um conflito de conseqüencias graves. Chorar pitanga: Queixar-se sem motivo. Lamuriar-se. Churrasquear no mesmo espeto: Terem duas ou mais pessoas grande amizade, entre si. "Churrasqueamos no mesmo espeto", isto é, somos grandes amigos, nos damos muito bem. Cor de burro quando foge: Diz-se de uma cor, com intenção depreciativa. Com o pé no estribo: Prestes a partir. D Daí Tchê: Oi. Daga: Adaga, facão. De vereda: Imediatamente, de momento, de uma vez. Dobrar o cotovelo: Beber, levantar o copo à boca. Doma: Ato de domar. Ato de amansar um animal xucro. Domador: Amansador de potros. Peão que monta animais xucros. Duro de boca: Diz-se do animal que não obedece à ação das rédeas. Duro de Pealar: Difícil de fazer, trabalhoso. Dar alce: Contemporizar, dar uma folga ao inimigo. Geralmente se usa a forma negativa: "não dar alce", isto é, não dar folga, não dar tempo de o inimigo se restabelecer. Dar a lonca: Deixar-se surrar, dar o couro, apanhar. || Morrer. Dar carão: Negar-se a moça a dançar quando convidada pelo rapaz, ou vice-versa. Dar com os burros n'água : Ser mal sucedido. De agalhas: Forte, audaz, admirável, vistoso. De charola: Com acompanhamento de muitos admiradores. Deixar correr o marfim: Não interferir. De laço a laço: Em toda a extensão. De orelha em pé: De sobreaviso, atento. Desabar o tempo: Chover forte. Descambar a madeira: Surrar, espancar. || Em sentido figurado, atacar, censurar, criticar, falar mal de alguém. || O mesmo que meter o pau. Despenhar-se por um canhadão abaixo: Sofrer malogro, insucesso; agir com precipitação e temeridade. Despontar o vício: Satisfazer o vício, embora incompletamente, contentando-se com coisa inferior à que pretendia: "Este fumo é ruim, mas serve para despontar o vício", isto é, na falta de outro melhor ele serve para satisfazer o vício.

Dobrar o cotovelo: Beber, levar o copo à boca. E Embretado: Encerrado no brete.; Metido em apertos, apuros ou dificuldades; enrascado, emaranhado. Entrevero: Mistura, desordem, confusão de pessoas, animais ou objetos. Erva-Caúna: Variedade de erva mate de má qualidade, amarga. Erva-Lavada: Erva já sem fortidão por ter servido para muitos mates. Estar com o diabo no corpo: Estar furioso. Estar insuportável. Estar com o pé no Estribo: Estar prestes a sair. Estrela-Boieira: Estrela d´alva. Estribo: Peça presa ao loro, de cada lado da sela, e na qual o cavaleiro firma o pé. Estropiado: Diz-se o animal sentido dos cascos, com dificuldade de andar, em consequência de marchas por estradas pedregosas. Elas por elas: Uma coisa pela outra O mesmo que na orelha, de mano, ou de mano a mano. Embarrar o pastel: Estragar o que estava bom. Pôr um plano a perder. Em cima do laço: Imediatamente, em seguida, ao pé da letra. Empinar o braço: Dar-se ao vício da embriaguez. Em quatro paletadas: Em pouco tempo, rapidamente, com facilidade. Encher barriga de corvo : Morrer o animal. Encostar o relho: Surrar, esbordar, castigar, bater de relho. Endurecer as conjunturas: Morrer. Enfiar água no espeto: Trabalhar inutilmente. Enfrenar mal o cavalo : Ser mal sucedido. Enrolar o poncho: Preparar-se para viajar. Entrar em curral de rama: Meter-se em complicações. Entregar as fichas: Entregar-se, ceder, concordar. Entreverar os pelegos: Casar-se, ajuntar-se com mulher. Esconder o leite: Negar a pessoa o que havia prometido ou o que se esperava dela. || Dissimular. || Mostrar-se medroso.Espalhar o pé –Dançar || Fugir. F Facada: Pedido de dinheiro feito por indivíduo vadio, incapaz de trabalhar, que não pretende restituí-lo. Facho: O ar livre. Usado na expressão sair do facho. Fatiota: Terno; Conjunto de roupas do homem: calça, colete e paletó. Fiambre: Alimento para viagem, geralmente carne fria, assada ou cozida. Fazer a viagem do corvo: Sair e demorar muito a regressar. Flete: Cavalo bom e de bela aparência, encilhado com luxo e elegância. Funda: Estilingue, bodoque. Farejar catinga agourenta no ar : Pressentir acontecimento desagradável.

Fazer a cama para os outros e deitarem: Fazer uma coisa que outra pessoa venha a desfrutar. Fazer a viagem do corvo: Sair e demorar muito a regressar. Fazer boca: Comer alguma coisa para que o vinho fique com melhor sabor. || Fazer alguma coisa como início de uma ação mais importante. Fazer corpo de cobra: Mostrar grande agilidade ao defender-se de ataque de arma branca. || O mesmo que fazer corpo de mico. Fazer costado: Ajudar, colocar-se ao lado de outro. Fazer ouvidos de mercador: Não dar atenção ao que os outros estão lhe dizendo. Fazer-se de chancho rengo: Fazer-se de desentendido. Fazer-se de tolo. Fazer-se fumaça: Desaparecer, fugir, ir embora. Filho de tigre sai pintado: Tal pai, tal filho; o filho se assemelha ao pai. Fincar as guampas no inferno: Morrer (aplica-se em relação a pessoa indesejável). Flor e flor : Duplamente bom. Forcejar nas quartas : Esforçar-se, esmerar-se, empenhar-se. G Gadaria: Porção de gado, grande quantidade de gado, o gado existente em uma estância ou em uma invernada. Gado chimarrão: Gado alçado, xucro, sem costeio. Galpão: Construção existente nas estâncias, destinadas ao abrigo de homens e de animais; O galpão característico do Rio Grande do Sul é uma contrução rústica, de regular tamanho, em geral de madeira bruta e parte de terra batida, onde o fogo de chão está sempre aceso. Serve de abrigo e aconchego à peonada da estância e a qualquer tropeiro ou gaudério que dele necessite. Gato: Bebedeira, porre, embriaguez. Gaudério: Pessoa que não tem ocupação séria e vive à custa dos outros, andando de casa em casa; Parasita; Amigo de viver à custa alheia. Graxaim: Guaraxaim, sorro, zorro. Pequeno animal semelhante ao cão, que gosta de roer cordas, principalmente de couro cru e engraxadas ou ensebadas, e de comer aves domésticas. Sai, geralmente, à noite. É muito comum em toda a campanha. Gringo: Denominação dada ao estrangeiro em geral, com exceção do português e do hispano-americano. Guaiaca: Cinto largo de couro macio, às vezes de couro de lontra ou de camurça, ordinariamente enfeitado com bordados ou com moedas de prata ou de ouro, que serve para o porte de armas e para guardar dinheiro e pequenos objetos. Guaipeca: Cão pequeno, cusco, cachorrinho de pernas tortas, cãozinho ordinário, vira-lata, sem raça definida. Pequeno, de minguada estatura. ; Aplica-se, também, às pessoas, com sentido depreciativo. Guapo: Forte, vigoroso, valente, bravo. Guasca: Tira, corda de couro cru, isto é, não curtido; Homem rústico, forte, guapo, valente. Guasqueaço: Pancada, golpe dado com guasca. Relhaço, relhada, chicotada, hibatada, correada, açoite.

Guri: Criança, menino, piazinho, serviçal para trabalhos leves nas estâncias. Ganhar de mano: Anteceder-se na disputa de determinada coisa; chegar em primeiro lugar para pedir o que se deseja. Ganhar na estrada : Ir-se embora, largar-se na estrada, viajar. Ganhar na noite: Desaparecer na escuridão da noite. || Ficar acordado até tarde da noite. Ganhar nos pelegos: Ir deitar-se, meter-se na cama. Gastar pólvora em chimango: Desperdiçar esforços, sem proveito nenhum. Gemer nas puas: Estar sofrendo castigo moral ou tendo aborrecimentos, em conseqüencia de faltas cometidas. Granar o catete: Realizar-se o fato como estava previsto. "Ele pretendia conseguir aquilo tudo, mas não granou o catete, isto é, não se realizou o que ele pretendia". H Há Cachorro na Cancha: Significa que há alguma coisa atrapalhando a execução de determinado plano. Haraganear: Andar solto o animal por muito tempo, sem prestar serviço algum. I Invernada: Grande extensão de campo cercado. Nas estâncias, geralmente, há diversas invernadas: para engordar, para cruzamento de raças, etc. Iguaria: Culinária. Ir ao cepo: Ir para o lugar de namoro. Ir ao pelego: Esbordoar, espancar, surrar alguém. Ir aos pés: Defecar. Ir no pacote: Ser logrado, enganado, iludido. Ir para o laço: Submeterem, as pessoas em contenda, o seu caso à apreciação judicial, quando não conseguem solução amigável. || Ir para o castigo. Ir por um canhadão abaixo -Sofrer malogro, insucesso; agir com precipitação e temeridade. Ir-se a la cria: Largar-se na estrada, ir embora. O mesmo que mandarse a la cria. J Juiz: Pessoa que julga a chegada dos parelheiros, nas carreiras, em cada laço. O mesmo que julgador. Jururu: Cabisbaixo, tristonho, abatido. Jogar de mano: Jogar em combinação de outrem, comprometendo-se, ambos, a dividirem entre si, igualmente, os lucros ou prejuízos. || Jogar um contra o outro, em igualdade de condições. Jogar o pelego : Arriscar a vida. Juntar as esporas: Cerrar as pernas, fincando as esporas no animal de montaria.

Juntar os trapos: Casar, amasiar-se. Juntar o torresmo : Economizar, juntar dinheiro, enriquecer. L Lábia: Habilidade de conversa. Lambe esporas: Indivíduo bajulador; leva e traz. Lasqueado: Trouxa. Légua: Medida itinerária equivalente a 3.000 braças ou 6.600 metros. O mesmo que légua de sesmaria. Lamber a canga: Tornar-se manso, confiante, submisso, afeiçoado. A expressão tem origem no fato de o boi manso, mesmo quando liberto, solto no campo, gosta de aproximar-se de sua canga e lambê-la. Lamber a cria: Permanecer o pai em casa mimando o filho recémnascido. Lamber esporas: Adular, engrossar, bajular. Lançar um pealo: Lançar uma indireta. Largar campo fora: Deixar que vá embora. Largar com um couro na cola: Despedir de maneira descortês, despachar, mandar embora rispidamente. "Vou largar aquele cafajeste com um couro na cola. Largar de mão: Desistir de um empreendimento. Abandonar. Não se preocupar mais com determinado assunto. "O velho, a conselho do médico, largou de mão o cigarro." Largar os cachorros: Passar descompostura, escorraçar. Levantar a grimpa: Reagir, não submeter-se, mostrar-se altaneiro, soberbo. Levar a carga: Insistir na conquista de uma mulher. || Arremeter contra o inimigo. Levar clavo: Sofrer prejuízo, ser logrado, enganado, ludibriado. Lombo de sem-vergonha: Ordinário, safado, muito sem-vergonha. M Macanudo: Designa alguém bonito ou algo legal. Maleva: Bandido, malfeitor, desalmado; Cavalo infiel, que por qualquer coisa corcoveia. Maludo: Cavalo inteiro, garanhão. Diz-se do animal com grandes testículos. Mangueira: Grande curral construído de pedra ou de madeira, junto à casa da estância, destinado a encerrar o gado para marcação, castração, cura de bicheiras, aparte e outros trabalhos. Manotaço: Pancada que o cavalo dá com uma das patas dianteiras, ou com ambas; Bofetada, pancada com a mão dada por pessoa. Mais primeiro: Em primeiro lugar. "Fui eu que cheguei mais primeiro". (É expressão chula)

Mandar-se dizer: Exprimir-se bem acerca de determinado assunto, demonstrando conhecê-lo perfeitamente: "O padre mandou-se dizer naquele sermão sobre o casamento." Marca de estância velha: Diz-se para significar coisa muito conhecida, que permanece sempre igual, que não muda nunca. Marcar na paleta: Anotar, assinalar, não esquecer o mau procedimento de determinado indivíduo. Matar cachorro a grito: Andar sem dinheiro, estar na miséria, viver em grandes aperturas. Matar o bicho: Ingerir cachaça ou outra bebida alcoólica; tomar um gole de qualquer bebida espirituosa. || Tomar café preto, pela manhã, em jejum. || Divertir-se. Meter a catana: Falar mal de alguém. Meter a pata: Cometer gafe. Meter a viola no saco:Calar-se. Deixar de pavonear-se. Acovardar-se. Misturar-se na bala: Brigar a tiros. Misturar-se no ferro: Brigar de facão, de faca ou espada. Mondongo duro de pelar: Coisa difícil de fazer. Murchar as orelhas: Aquietar-se. N Negrinho: Designação carinhosa que se dá a crianças ou a pessoas que se tem afeição. Tambpem utilizado para denominar o doce “brigadeiro” Num Upa: Num abrir e fechar de olhos; De golpe; Rapidamente. Não agüentar carona: Não suportar afrontas sem reagir. Não aquentar banco: Não se demorar, em visita. O mesmo que não esquentar o banco. Não beber água nas orelhas dos outros: Não depender de favores. Não dar changui: Não fazer concessão ao adversário. Não dar rodeio: Ser o gado sem costeio, bravio, alçado, xucro, chimarrão. || Não temer, não afrouxar, não agüentar desaforo. || Não deixar o adversário em sossego. Não enjeitar parada: Enfrentar o que vier. Não se negar a nada. Estar pronto para tudo o que acontecer. Não estar de artes: Não estar bem disposto. Não estar para clavo: Não estar disposto a sofrer prejuízo. Não fazer mossa: Não causar qualquer abalo. Não levar qualquer um para compadre: Não aceitar a amizade ou a companhia de qualquer pessoa. No bico da chocolateira: mediatamente, ao pé da letra. No mato sem cachorro: Em grandes dificuldades, em apuros. O Oigalê: Exprime admiração, espanto, alegria. Orelhano: Animal sem marca, nem sinal. Orelhar uma esperança : Alimentar uma esperança.

Orelhar as cartas: Chulear as cartas, no jogo de baralho. Jogar. (O jogador orelha a carta decisiva puxando-a, com a mão direita, para cima, e segurando-a, com a esquerda, para não deixá-la sair). P Paisano: Do mesmo país; Amigo, camarada. Palanque: Esteio grosso e forte cravado no chão, com mais de dois metros de altura e trinta centímetros aproximadamente de diâmetro, localizado na mangueira ou curral, no qual se atam os animais, para doma, para cura de bicheiras ou outros serviços. Papudo: Indivíduo que tem papo. Balaqueiro, jactancioso, blasonador. O termo é empregado para insultar, provocar, depreciar, menosprezar outra pessoa, embora esta não tenha papo. Passar um pito: Repreender, descompor. Patrão: Designação dada ao presidente de Centro de Tradições Gaúchas (CTG). Patrão-Velho: Deus. Pelea: Peleja, pugilato, contenda, briga, rusga, disputa, combate. Pelear: Brigar, lutar, combater, pelejar, teimar, disputar. Petiço: Cavalo pequeno, curto, baixo. Piá: Menino, guri, caboclinho. Piquete: Pequeno potreiro, ao lado da casa, onde se põe ao pasto os animais utilizados diariamente. Poncho: Espécie de capa de pano de lã, de forma retangular, ovalada ou redonda, com uma abertura no centro, por onde se enfia a cabeça. É feito geralmente de pano azul, com forro de baeta vermelha. É o agasalho tradicional do gaúcho do campo. Na cama de pelegos, serve de coberta. A cavalo, resguarda o cavaleiro da chuva e do frio. Potrilho: Animal cavalar durante o período de amamentação, isto é, desde que nasce até dois anos de idade. Potranco, potreco, potranquinho. Pagar a mula roubada: Ser obrigado a prestar contas dos atos maus ou dos crimes que tenha praticado. Passar por debaixo do poncho: Passar ocultamente, contrabandear. Pisar no tempo: Fugir, ir embora. Q Que Tal?: Tudo bem?. Queixo-Duro: Cavalo que não obedece facilmente a ação das rédeas. Quero-Mana: Denominação de antigo bailado campestre, espécie de fandango. Canto popular executado ao som de viola. Quadrar-se a volta: Propiciar-se a ocasião. Oferecer-se a oportunidade. Quartear esperanças: Esperar com fé. Quebrar o corpo: Desviar o corpo. || Em sentido figurado, negar-se alguém a fazer o que havia prometido; fugir a um compromisso. R

Rebenque: Chicote curto, com o cabo retovado, com uma palma de couro na extremidade. Pequeno relho. Regalo: Presente, brinde. Relho: Chicote com cabo de madeira e açoiteira de tranças semelhantes a de laço, com um pedaço de guasca na ponta. Reponte: Ato de tocar por diante o gado de um lugar para o outro. Repontar: Tocar o gado por diante de um lugar para outro. Rebenqueado de saudades: Sofrendo saudades, curtindo a dor da separação. Riscar estrada: Tocar a galope em viagem. Sair a galope, disparar. Ruim como a carne da pá: -Diz-se da pessoa muito ruim, com alusão à carne de paleta que é de má qualidade. S Sair Fedendo: Fugir à disparada. Sanga: Pequeno curso d'água menor que um regato ou arroio. Selin: Sela própria para uso da mulher. Sesmaria: Antiga medida agrária correspondente a três léguas quadradas, ou seja a 13.068 hectares. São 3000 por 9000 braças; ou 6.600 por 19.800 metros; ou ainda, 130.680.000 metros quadrados. Soga: Corda feita de couro, ou de fibra vegetal, ou ainda de crina de animal, utilizada para prender o cavalo à estaca ou ao pau-de-arrasto, quando é posto a pastar. Corda de couro torcido ou trançado, que liga entre si as pedras das boleadeiras. ; O termo é usado também em sentido figurado. Surungo: Arrasta pé, baile de baixa classe, caroço. Saber onde moram as corujas: Ser esperto, ser perspicaz, ter grandes conhecimentos. Sacudir os arreios: Reclamar, opor-se a alguma coisa, discutir acaloradamente, não aceitar oposição. Sentar o braço: Surrar, bater, espancar, esbofetear, esmurrar. T Taco: Diz-se ao indivíduo capaz, hábil, corajoso. guapo. Taipa: Represa de leivas, nas lavouras de arroz. Cerca de pedra, na região serrana. Taita: Indivíduo valentão, destemido, guapo. Tala: Nervura do centro da folha do jerivá. Chibata improvisada com a tala do jerivá ou com qualquer vara vlexivel. Talagaço: Pancada com tala. Chicotaço. Talho: Ferimento. Tapera: Casa de campo, rancho, qualquer habitação abandonada, quase sempre em ruínas, com algumas paredes de pé e algum arvoredo velho. Diz-se da morada deserta, inabitada, triste. Tchê: Meu, principalmente referindo-se a relações de parentesco. (Veja mais em Tradicionalismo) Tirador: Espécie de avental de couro macio, ou pelego, que os laçadores usam pendente da cintura, do lado esquerdo, para proteger e o corpo do atrito do laço. Mesmo quando não está fazendo serviços em que utilize o laço, o

homem da fronteira usa, freqüentemente, como parte da vestimenta, o seu tirador, que por vezes é de luxo, enfeitado com franjas, bolsos e coldre para revólver. Tosa: Tosquia, toso, esquila. Tradição Gaúcha: Vocábulos usados no plural, significando o rico acervo cultural e moral do Rio Grande do Sul no campo literário, folclórico, musical, usanças, adagiário, artesanato, esportes e atividades culturais. Tranco: Passo largo, firme e seguro, do cavalo ou do homem. Tramposo: Intrometido, trapaceiro, velhaco. Trem: Sujeito inútil. Três-Marias: Boleadeiras. Tronqueira: Cada um dos grossos esteios colocados nas porteiras, os quais são providos de buracos em que são passadas as varas que as fecham. Tropeiro: Condutor de tropas, de gado, de éguas, de mulas, ou de cargueiros. Pessoa que se ocupa em comprar e vender tropas de gado, de éguas ou de mulas. Peão que ajuda a conduzir a tropa, que tem por profissão ajudar a conduzir tropas. O trabalho do tropeiro é um dos mais ásperos, pois além das dificuldades normais da lida com o gado, é feito ao relento, dia e noite, com chuva, com neve, com minuano, com soalheiras inclementes, exigindo sempre dedicação integral de quem o realiza. Ter o estômago frio: Ser incapaz de guardar segredo. Tirar uma tora: Travar luta, brigar. || Dormir uma soneca. Tratar burro a pão de ló: Tratar bem a pessoa que não merece ser bem tratada. U Uma-de-pé: Uma briga, conflito, luta. Usted: Você. Usado só na fronteira. V Vacaria: Grande número de vacas; Grande extensão de campo que os jesuítas reservavam para criação de gado bovino. Varar: Atravessar, cruzar. Vareio: Susto, sova, surra, repreensão. Vaza: Vez, oportunidade. Vil: Covarde, desanimado, fraco. Vivente: Pessoa, criatura, indivíduo. X Xepa: Comida. Xerenga: Faca velha, ordinária. Xiru: O mesmo que chiru. Xucro: Diz-se ao animal ainda não domado, bravio arrisco. Z Zarro:Incômodo, difícil de fazer, chato. Zunir: Ir-se apressadamente.

HISTÓRIA DO PARANÁ A história do estado começa antes do descobrimento do Brasil, quando o atual território do estado era habitado por povos indígenas, como os tupi-guaranis, caingangues exoclengues.

Entre as primeiras estão Paranaguá, Curitiba, Castro, Ponta Palmas.

cidades que foram fundadas Grossa, Palmeira, Lapa, Guarapuava e

No século XVI o Paraná, então em grande parte território da coroa Espanhola, foi colonizado primeiramente pelos Jesuitas.[1]

Em 1554, Domingo Martínez de Irala, Governador do Paraguai fez fundar Ontiveros, a uma légua do Salto das Sete Quedas.[2]

Mais tarde, a três léguas de Ontiveros, fundou a Ciudad Real del Guayrá, na confluência do Rio Piquiri.[2] E em 1576, foi fundado à margem esquerda do rio Paraná,Vila Rica do Espírito Santo.[2]

Com três cidades e diversas "reduções" ou "pueblos" a região foi denominada com o status de "Provincia Real del Guaira".[3] No século XVII os bandeirantes paulistas faziam incursões periódicas em seu vasto território, capturando-lhe os índios livres para escravizar-lhes.[4] Já em 1629, os estabelecimentos dos Padres Jesuitas, com exceção de Loreto e Santo Inácio, estavam completamente devastados pelos bandeirantes paulistas[5] e, em 1632, Vila Rica, último reduto espanhol capaz de oferecer resistência, foi sitiado e devastado por Antônio Raposo Tavares.[6] Somente em 1820 o território ocidental do Paraná passou definitivamente a coroa portuguesa passando a integrar politicamente a província de São Paulo, sendo conhecida como "Comarca de Curitiba".[7] No século XVII, descobriu-se na região do Paraná uma área aurífera, anterior ao descobrimento das Minas Gerais, que provocou o povoamento tanto no

litoral quanto no interior.[8] Com o descobrimento das Minas Gerais, o ouro de Paranaguá perdeu a importância.[8] As famílias ricas, que possuíam grandes extensões de terra, passaram a se dedicar à criação de gado, que logo abasteceria a população das Minas Gerais.[9] Mas apenas no século XIX as terras do centro e do sul do Paraná foram definitivamente ocupadas pelos fazendeiros.[10]

No fim do século XIX, a erva-mate dominou a economia[11] e criou uma nova fonte de riqueza para os líderes que partilhavam o poder. [12] Com o aparecimento das estradas de ferro, ligando a região da araucária aos portos e a São Paulo,[13] já no fim do século XIX,[13] ocorreu novo período de crescimento.[9] A partir de 1850, o governo provincial de São Paulo empreendeu um amplo programa de colonização, especialmente de alemães, italianos, poloneses e ucranianos,[14] que contribuíram decisivamente para a expansão da economia paranaense e para a renovação de sua estrutura social.[9]

O Paraná era parte da província de São Paulo, da qual se desmembraria apenas em 1853.[15] Nessa época, a produção de café começou a ganhar destaque.[4] O rápido desenvolvimento da cultura cafeeira atraiu milhares de imigrantes das províncias do Sul, do Sudeste e do Nordeste do país.[4]

Um dos principais conflitos ocorridos no Paraná foram o Cerco da Lapa e a Guerra do Contestado[16] (1912-1916), que foi um dos eventos mais significativos da história do Brasil noséculo XX, no limite com o estado de Santa Catarina.[4] Ao longo do século XX, o Paraná destacou-se pela criação de empresas agrícolas, muitas vezes de capital estrangeiro, o queacelerou o processo de concentração de terras e de renda.[4] Durante as décadas de 1970 e 1980, milhares de pequenos camponeses deixaram o campo em direção às cidades ou a outros estados e até países.[4]
[4]

No final do século XX e início do XXI, o Paraná atraiu muitos investimentos externos, e indústrias automobilísticas instalaram-se no estado.[4]

Primeiros Tempos Até meados do século XVII, litoral sul da capitania de São Vicente, hoje pertencente ao estado do Paraná, foi esporadicamente visitado poreuropeus que buscavam madeiras de lei.[17] No período de domínio espanhol, foi estimulado o contato dos vicentinos com a área do rio da Prata e tornou-se mais frequente o percurso da costa meridional, cuja exploração intermitente também seria motivada pela procura de índios e de riquezas minerais. [18] Do litoral os paulistas adentraram-se para oeste, em busca de indígenas, ao mesmo tempo que, a leste, onde hoje estão Paranaguá e Curitiba, dedicaram-se à mineração.[19]

As lendas sobre a existência de grandes jazidas de ouro e prata atraíram à região de Paranaguá numerosos aventureiros.[19] O próprio Salvador Correia de Sá, que em 1613 assumira a superintendência das minas do sul do Brasil, ali esteve durante três meses, enquanto trabalhava com cinco especialistas que fizera vir de Portugal.[17] Não encontrou, porém, nem uma onça de ouro.[17][20] Sob o governo domarquês de Barbacena, foi para lá enviado o espanhol Rodrigo Castelo Blanco, grande conhecedor das jazidas do Peru, que em 1680escreveu ao rei de Portugal para também desiludi-lo de vez sobre a lenda das minas de prata.[20]

No fim do século XVII, abandonados os sonhos de grandes riquezas minerais, prosseguiu a cata do ouro de aluvião, dito "de lavagem", mediante a qual os escassos habitantes do lugar procuravam recursos para a aquisição de produtos de fora.[19] Os índios que escapavam ao extermínio eram postos na lavoura.[21] Os escravos africanos começaram a ser utilizados no século XVIII[22] e já em 1798 o censo revelava que seu número, em termos relativos, superava o dos índios.[20]

A vila de Paranaguá, criada por uma carta régia de 1648,[23] formou com o seu sertão - os chamados campos de Curitiba, a quase mil metros de altitude - uma só comunidade.[20] Prevaleceu em Paranaguá o cultivo das terras e, nos campos, a criação de gado. Pouco a pouco, Curitiba, elevada a vila em 1693, [24] transformou-se no principal núcleo da comunidade paranaense, e para isso foi

fator decisivo a grande estrada do gado que se estabeleceu entre o Rio Grande do Sul e Sorocaba.[25]

Castro é o primeiro município verdadeiramente paranaense,[26] a fundação do município ocorreu em 1778.[27] Ciclo das Tropas: A descoberta das minas de ouro de Minas Gerais teve como uma de suas conseqüências a grande demanda de gado equino e vacum. [28]Recorreu-se então aos muares xucros da região missioneira do sul,[29] tocados pela estrada Viamão-Sorocaba, aberta em 1731.[30] Segundo Brasil Pinheiro Machado, a construção dessa estrada foi "acontecimento relevante na história paranaense". [20] Desligou Curitiba do ciclo litorâneo,[20] distanciando-a socialmente de Paranaguá e incorporando-a ao sistema histórico das guerras de fronteira, [20] dando-lhe oportunidade de uma marcha para o sul, para o norte e para oeste, [20] de maneira que Curitiba passa a significar o caráter de toda a região que será a futura província".[20]

Inaugurava-se assim o ciclo das tropas na história paranaense, que se estendeu até a década de 1870,[31] quando começou a era do transporte ferroviário. [20] Numerosos habitantes dedicaram-se ao rendoso negócio de comprar muares no sul, inverná-los em seus campos e revendê-los nas feiras de Sorocaba.[20] Foi essencialmente com a disseminação das fazendas de criação e invernagem que se fez a ocupação do território. Com base na propriedade das pastagens e no trabalho de escravos negros e índios, estabelecem-se as famílias que detêm o poder regional.[20] Graças às tropas que se estabeleciam ao torno de alguns rios, surgiram municípios como Lapa,[32] Ponta Grossa e Castro.[26] Província do Paraná Por alvará de 19 de fevereiro de 1811, foi criada a comarca de Paranaguá e Curitiba, pertencente à capitania de São Paulo. A 6 de julho do mesmo ano a câmara municipal de Paranaguá dirigiu-se ao príncipe regente para pedir a emancipação da comarca e a criação de nova capitania. [39] Dez anos depois,

o movimento denominado Conjura Separatista, liderado por Floriano Bento Viana, formulou abertamente sua reivindicação separatista, mas ainda sem obter êxito.[40]
[41]

Apesar da atividade política expressa em sucessivas diligências e petições que tinham em vista a emancipação político-administrativa, e mesmo após a independência, continuaram os então chamados "parnanguaras" submetidos aos comandantes da tropa local, uma vez que o governo provincial estava longe e desinteressado daquelas terras.[20] A importância política e estratégica da região avultava com os anos e evidenciava-se com acontecimentos que repercutiram no plano nacional, como a Revolução Farroupilha (1835 - 1845) e a Revolução Liberal de 1842.[20]

Em 29 de maio de 1843, entra em primeira discussão o projeto de lei que elevava a comarca de Coritiba à categoria de província.[42] Durante os debates, destacaram-se os deputados de Minas Gerais e São Paulo.[42] Segundo os deputados paulistas, o verdadeiro motivo da criação da nova província, por desmembramento da Província de São Paulo, seria o de punir esta última por sua participação na Revolta Liberal de 1842.[42]

Paralelamente, a economia paranaense, a par do comércio de gado, ganhava incremento com a exportação da erva-mate nativa para os mercados do Prata e do Chile.[20] Eram feitas promessas de emancipação, enquanto prosseguiam as representações e a luta no Parlamento.[20] Finalmente, a 28 de agosto de 1853 foi aprovado o projeto de criação da província do Paraná, que teria como capital provisória (que depois seria confirmada) o município de Curitiba.[43]

A 19 de dezembro do mesmo ano chegou à capital Zacarias de Góis e Vasconcelos, primeiro presidente da província, que desde logo se empenhou em tomar medidas destinadas a impulsionar a economia local e conseguir recursos para as ações administrativas que se faziam necessárias.[43] Procurou encaminhar para outras atividades, mormente de lavoura, parte da mão-de-obra e dos capitais que se empregavam no preparo e comércio da erva-mate.[36] O mais lucrativo negócio da província continuava a ser, no entanto, a invernada e a venda de

muares para São Paulo.[36] Essa atividade chegou ao ponto mais alto na década de 1860 e só entrou em declínio no final do século.[36]

Durante o período provincial, o governo do Paraná não alcançou a necessária continuidade administrativa, já que a presidência da província, de livre escolha do poder central, teve nada menos de 55 ocupantes em 36 anos.[44] Os liberais paranaenses organizaram-se sob a liderança de Jesuíno Marcondes e seu cunhado Manuel Alves de Araújo, pertencentes à família dos barões de Tibagi e Campos Gerais, na época a mais poderosa oligarquia na região.[36] Os conservadores eram chefiados por Manuel Antônio Guimarães e Manuel Francisco Correia Júnior, de famílias que controlavam o comércio do litoral.[36] Colonização do Paraná Na segunda metade do século XIX estimulou-se um tipo de colonização orientada para a criação de uma agricultura que suprisse as necessidades de abastecimento.[36] Providências conjuntas dos governos imperial e provincial permitiram o estabelecimento de núcleos coloniais nas proximidades dos centros urbanos, sobretudo no planalto de Curitiba, constituídos de poloneses que se instalaram principalmente na região norte de Curitiba formando bairros como Santa Cândida, Tingui e outros da região,[47] alemães, [47] italianos deram origens a bairros nobres como Santa Felicidade [47] e também a municípios da região metropolitana como São José dos Pinhais e Colombo que foi a maior colônia italiana do Paraná no final do século XIX até o século XX[47] e, em grupos menores, suíços, franceses e ingleses.[47] Esses contingentes de imigrantes imprimiram à fisionomia étnica do Paraná uma notável variedade e em alguns lugares do Paraná, por exemplo, no município de Castro e arredores se fala somente o holandês e em algumas outras regiões do estado se fala somente o alemão, italiano, ucraniano, polonês e até o japonês sem contar as línguas nativas de tribos indígenas.[36]

O número de escravos diminuiu muito, a partir da metade do século, sobretudo em virtude de venda ou arrendamento para outras províncias.[36] Um relatório do presidente do Paraná, em 1867, assinalou que o imposto arrecadado

sobre escravos que seguiam para São Paulo "era quase igual ao imposto sobre animais".[48]

A vinda de colonos atendia assim ao problema, agravado pela evasão da mão-de-obra escrava, da escassez e carestia dos produtos agrícolas.[36] Nas últimas décadas do século XIX, a construção de estradas de ferro e linhas telegráficas empregou colonos trazidos por sociedades de imigração.[36] Nesse período e no início do século XX, estabeleceram-se no Paraná mais de quarenta núcleos coloniais.[36]

HISTÓRIA E GEOGRAFIA DO PARANÁ

LOCALIZAÇÃO: o Paraná, estado brasileiro, fica na região Sul O estado é cortado pelo Trópico de Capricórnio, que estabelece o limite meridional das culturas agrícolas tropicais. FRONTEIRAS: Norte e Nordeste = São Paulo; Leste = Oceano Atlântico; Sul = Santa Catarina; Sudoeste = Argentina; Oeste = Paraguaia; Noroeste = Mato Grosso do Sul. ÁREA (km²): 199.709,1 RELEVO: caracteriza-se pela freqüência de terrenos de baixada no litoral, onde predominam as planícies de aluvião, e a existência de planaltos e serras de formações rochosas cristalinas, como a serra do Mar Seu relevo é dos mais expressivos: 52% do território ficam acima dos 600m e apenas 3% abaixo dos 300m RIOS PRINCIPAIS: Paraná, Iguaçu, Ivaí, Tibagi, Paranapanema, Itararé e Piquiri O complexo hidrográfico do estado do Paraná apresenta grande potencial energético. A bacia hidrográfica do rio Paraná ocupa 183.800 km2 no estado e seus principais rios incluem o Paraná, o Iguaçu, o Ivaí, o Tibagi e o Piquiri. Somente a bacia do rio Iguaçu, que nasce próximo a Curitiba, capital do estado, e deságua no rio Paraná, na fronteira com o Paraguai, tem potencial hidrelétrico para 11,3 mil megawatts de energia elétrica. A bacia do Atlântico Sul banha 15.909,1 km2 na porção nordeste do estado. Entre seus principais rios

encontram-se o Itararé e o Capivari. O estado do Paraná consome internamente apenas 20 % da energia elétrica total produzida em seu território, que representa 25 % da produção no país. VEGETAÇÃO: CLIMA: úmido Como resultado das diferentes formações topográficas e características geológicas, o clima no estado do Paraná apresenta três tipos distintos, todos correspondentes a clima úmido, apresentando-se mais ameno na região norte e temperado no sul, onde os invernos podem ser rigorosos. O tipo que corresponde à maior área é o CFA, que se caracteriza por ser subtropical úmido, mesotérmico, com verão quente, sem estação seca de inverno definida e geadas menos freqüentes. O tipo CFB é subtropical úmido, mesotérmico, com verões frescos e geadas severas e freqüentes. Finalmente, o tipo AF caracteriza-se pelo clima tropical chuvoso, sem estação seca e isento de geadas MUNICÍPIOS (número): 399 (1997) CIDADES MAIS POPULOSAS: Curitiba, Londrina, Maringá, Ponta Grossa, Foz do Iguaçu e Cascavel HABITANTE: paranaense POPULAÇÃO: 9.563.458 (censo de 2000) DENSIDADE: 47,88 habitantes p/km2 CAPITAL: Curitiba Em 1647 formou-se o embrião da cidade, que foi elevada à categoria de vila em 1693, tornando-se cidade em 1842. Em 1853 foi escolhida capital da província do Paraná A economia do Estado se baseia na agricultura (cana-de-açúcar, milho, soja, trigo, café, mandioca), na indústria (agroindústria, papel e celulose) e no extrativismo vegetal (madeira e erva-mate). No século 17, descobriu-se na região do Paraná uma área aurífera, anterior ao descobrimento das Minas Gerais, que provocou o povoamento tanto no litoral quanto no interior. Com o descobrimento das Minas Gerais, o ouro de Paranaguá perdeu a importância. As famílias ricas, que possuíam grandes extensões de terra, passaram a se dedicar à criação de gado, que logo abasteceria a população das Minas Gerais. Mas apenas no século 19 as terras do centro e do sul do Paraná foram definitivamente ocupadas pelos fazendeiros.

No final do século 19, a erva-mate dominou a economia e criou uma nova fonte de riqueza para os líderes que partilhavam o poder. Com o aparecimento das estradas de ferro, ligando a região da araucária aos portos e a São Paulo, já no final do século 19, ocorreu novo período de crescimento. A partir de 1850, o governo provincial empreendeu um amplo programa de colonização, especialmente de alemães, italianos, poloneses e ucranianos, que contribuíram decisivamente para a expansão da economia paranaense e para a renovação de sua estrutura social. O Paraná ocupa quinto lugar em importância econômica entre todos os estados brasileiros. As diferentes características físicas e climáticas do estado propiciam a existência de atividades agrícolas diversificadas e seu grau de desenvolvimento econômico permite a utilização de avançadas técnicas agrícolas, que se traduzem nos mais altos índices de produtividade do país. Em 1994, os índices médios de produtividade nas principais lavouras do estado (soja, milho, feijão, algodão, café e trigo) elevaram-se em 12,9 %, em decorrência do desenvolvimento de modernos sistemas de produção, como é o caso da soja e do trigo, que são cultivados em sistema de rotatividade, gerando duas safras anuais na mesma área. Destaca-se ainda no estado do Paraná, a produção de batatas, de cana-de-açúcar, de mandioca e de arroz. Nos últimos anos, programas de desenvolvimento da fruticultura vêm sendo implantados em diversas regiões do estado. Na região norte do Paraná, a implantação de pomares cítricos vem permitindo a produção industrial de suco de laranja, enquanto a produção de maçã alcança, em várias regiões, uma safra média de 30 mil toneladas por ano. O plantio de frutas de clima tropical na região litorânea vem gerando bons resultados, com índices de produção e qualidade competitivos em larga escala. O estado possui um dos maiores rebanhos pecuários do país, com 8.911.986 de cabeças de bovinos, sendo expressivas também as criações de suínos (3.780.172) e galináceos (85.713.370). A produção paranaense de leite representa cerca de 10 % da produção nacional. As principais reservas de matérias-primas existentes no estado do Paraná incluem o xisto betuminoso, o calcário, a dolomita, a argila, o carvão, o chumbo e a fluorita. A reserva de calcário está estimada em 4,4 bilhões de toneladas e suas principais jazidas, localizadas na região leste, alcançam produção média anual de cerca de 6 milhões de toneladas. Além de seu uso industrial, principalmente na produção de cimento, o calcário é utilizado de forma regular, para elevar o nível de produtividade das lavouras. Em 1992, foram extraídas e comercializadas 5,8 milhões de toneladas de calcário no estado. A dolomita existe também em grande quantidade no Paraná, que é o primeiro produtor deste mineral no país. Suas reservas estão estimadas em 532.616 milhões de toneladas. As reservas de argila vermelha, para o uso da indústria cerâmica, atingem volume superior a 65 milhões de toneladas. Em 1992, a produção de argila chegou a 1,1 milhão de toneladas. O estado do Paraná é também o principal produtor de talco do Brasil. Cerca de 17% das reservas brasileiras estão em seu território, com

volume estimado em 13 milhões de toneladas, e produtividade média anual de 200 mil toneladas. A fluorita, que tem larga aplicação como matéria-prima na indústria química, metalúrgica e cerâmica, tem reservas superiores a 4,4 milhões de toneladas no estado, o que equivale a 53 % do total encontrado no país. Outros produtos como a brita de basalto, pedras ornamentais, mármores e granito também são encontrados em quantidades consideráveis no estado do Paraná. Em 1992, foram comercializados 37,6 milhões de litros de água mineral, extraídos de fontes naturais do estado. A partir de 1966, intensificaram-se as atividades de reflorestamento, mediante a concessão de incentivos fiscais, que tem combinado a expansão da fronteira agrícola e o atendimento ao setor industrial madeireiro. As áreas reflorestadas, que tiveram considerável aumento, atingem hoje 1 milhão de hectares e mais de 2,5 bilhões de árvores plantadas. O parque industrial do estado reúne cerca de 24 mil estabelecimentos, que têm registrado desempenho sempre superior à média nacional do setor. Nos quatro primeiros anos da década de 90, os índices de crescimento acumularam um total de 31,24 %. A produção industrial é diversificada, destacando-se as indústrias de papel e celulose, química, madeireira, alimentícia, de fertilizantes, eletroeletrônica, metalmecânica, de cimento, têxtil e de cerâmica, além da agroindústria. Em 1994, a economia do estado cresceu 6,3 %, destacando-se, para o alcance desse índice, o desempenho do setor agrícola e a modernização do parque industrial do estado. Em 1993, a participação do estado do Paraná no PIB nacional foi de 6,2 %, que corresponde a um total de US$ 28,277 bilhões. O Paraná é ainda o quarto maior exportador entre os estados brasileiros. Em 1993 a receita das exportações representou US$ 2,48 bilhões, que corresponde a 6,42 % do valor total exportado pelo país. A participação dos produtos industrializados na pauta de exportações do estado foi de 51 % no mesmo ano, liderada pelo complexo agroindustrial, responsável por 60 % das exportações do estado. O segundo complexo industrial com maior participação nas vendas externas do estado é o de metalmecânica, com 13,6 % do total das exportações em 1993. As primeiras movimentações de colonizadores no estado do Paraná tiveram início no século XVI, quando diversas expedições estrangeiras percorreram a região à procura de madeira de lei. No século XVII, portugueses e paulistas começaram a ocupar a região, a partir da descoberta de ouro e à procura de índios para o trabalho escravo. A mineração, no entanto, foi legada a segundo plano pelos colonizadores, que se dirigiram em maior número às terras de Minas Gerais(7). Até o século XVIII, existiam apenas duas vilas na região: Curitiba e Paranaguá. Esse processo retardou a ocupação definitiva da área, que pertenceu à província de São Paulo até meados do século XIX, com sua economia baseada na pecuária. Logo após de conquistada sua autonomia, em 1853, teve início um

programa oficial de imigração européia para a região, principalmente de poloneses, alemães e italianos. Guerra do Contestado - Revolta de camponeses ocorrida entre 1912 e 1916, chegou a envolver cerca de 50 mil pessoas numa região de litígio na fronteira entre os estados do Paraná e Santa Catarina. O conflito teve início com a instalação de duas empresas norte-americanas na região, uma construtora de estradas de ferro e uma exploradora de madeira, que levaram mão-de-obra de fora para trabalhar nos empreendimentos e iniciaram um processo de expulsão dos posseiros que cultivavam a área, originando o movimento de fanáticos religiosos, liderados por "beatos" locais, entre os quais se destacou José Maria, que foi seguido por romeiros expulsos de suas terras.

Serra do Mar - Coberta pela floresta atlântica e declarada Reserva da Biosfera pela UNESCO, em 1991, o que demonstra sua importância em termos globais, a serra do Mar abriga mais de 2.500 espécies da flora nativa brasileira, diversos animais em risco de extinção como a onça-pintada e a anta, além de pássaros como o gavião-pega-macaco, a jacutinga e o macuco, entre outros. No estado do Paraná, a serra do Mar tem aproximadamente 500.000 hectares de extensão e aí se encontram 72 % do total da flora e da fauna existentes no estado. Nessa área está também localizado o pico mais alto da região Sul do Brasil, o pico do Paraná, com 1.922 metros de altura. Ainda na serra do Mar encontra-se a Área de Interesse Turístico Espacial do Marumbi, com 66.732 hectares, cuja utilização é controlada por um plano de gerenciamento. O pico do Marumbi, situado dentro desta área, tem 1.547 metros de altura e é o mais procurado para a prática de alpinismo e turismo ecológico na região. Através da serra do Mar encontram-se caminhos históricos que são verdadeiras obras de arte e engenharia, como o caminho de Itupava e de Graciosa, ambos construídos há 300 anos. Além de constituírem opção para o turismo ecológico, esses caminhos são utilizados atualmente por programas ambientais e preservam, protegidos pela floresta, a história e a cultura dos primeiros colonizadores do Paraná.

Ilha do Mel - Tombada como Patrimônio Ecológico da Humanidade, a ilha do Mel tem 95% de sua área composta por ecossistemas de restinga e floresta atlântica, o que a elevou à categoria de Estação Ecológica em 1982, numa extensão de 2.240 hectares. Em seus morros e planícies existem trilhas para caminhadas, que dão acesso a locais de observação de belas paisagens e de espécies vegetais e animais, onde a brisa marinha e o cheiro de mato compõem aroma particular, associado à beleza de suas praias.

Vila Velha - Localizado no município de Ponta Grossa, a 969 metros de altura, no verde dos campos gerais, está o Parque Estadual de Vila Velha, com suas rochas esculpidas artisticamente pela natureza, ao longo de 350 milhões de anos. As formações rochosas recebem diferentes denominações, de acordo com as figuras às quais se assemelham. Entre as centenas existentes, as mais facilmente reconhecíveis são a Garrafa, o Camelo, o Índio, a Esfinge, a Taça e a Proa de Navio. Destaca-se em especial a caverna conhecida como Buraco do Padre, um anfiteatro subterrâneo com uma queda d'água de 30 metros de altura, também debaixo da terra. O município apresenta ainda outras paisagens naturais muito apreciadas e uma rica reserva ecológica, que inclui locais como os chamados caldeirões do inferno, que são depressões circulares de até 107 metros de profundidade, com 80 metros de diâmetro. Numa dessas cavidades, um teleférico vertical leva os visitantes até uma profundidade de 54 metros, de onde se pode caminhar até um lago subterrâneo. Outro acidente geográfico de rara beleza na região é a lagoa Dourada, paraíso da fauna aquática local. A lagoa é alimentada por um rio subterrâneo, cuja ação erosiva desgastou as rochas e provocou a formação de cavernas em seu interior. O fundo da lagoa está coberto por uma camada de mica que faz a água brilhar como se fosse de ouro, quando exposta aos raios solares.

Foz do Iguaçu - Um dos mais importantes pólos turísticos do Brasil, as cataratas do Iguaçu são formadas por 275 quedas d'água, com alturas que variam de 40 a mais de 100 metros e se distribuem em forma de ferradura, formando uma semicircunferência de 950 metros, na fronteira com a Argentina. A cachoeira está localizada no Parque Nacional do Iguaçu, criado em 1939 e tombado pela UNESCO como Patrimônio Natural da Humanidade em 1986. Da área total do parque, 185.000 hectares encontram-se em território brasileiro e 55.000 hectares na Argentina. As florestas subtropicais do parque abrigam cerca de 1.100 espécies de pássaros, bem como várias espécies de mamíferos, grandes e pequenos, como veados, capivaras, etc. A cidade de Foz do Iguaçu encontra-se localizada na fronteira do Brasil com Paraguai e Argentina, a uma altitude de 164 metros. A 9 km do centro da cidade, na confluência dos rios Iguaçu e Paraná e entrada do Porto Meira, está o marco onde as fronteiras do Brasil, Argentina e Paraguai se encontram. No município de Foz de Iguaçu está também localizada a Usina Binacional de Itaipu, cuja construção deu origem a um lago com 1.300 km de margens e extenso potencial turístico. A construção da usina teve início em 1975, encerrou-se em 1991 e sua capacidade de produção de energia elétrica chega a 12,6 milhões de kw.

Indígenas - Vivem no estado do Paraná 6.916 indígenas, distribuídos em 19 grupos, que ocupam área de 79.988 hectares de extensão. Um total de 16

áreas já se encontram demarcadas definitivamente pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI), órgão do governo federal responsável pela questão, e nelas se encontra a totalidade dos indígenas residentes no estado. São os seguintes os grupos indígenas residentes no estado do Paraná e suas respectivas áreas: Apucarana, Ava Guarani, Barão de Antonina, Faxinal, Ilha da Cotinga, Ivaí, Laranjinha, Mangueirinha, Marrecas, Ocal, Palmas, Pescada, Pinhalzinho, Queimadas, Rio Areia, Rio das Cobras, São Jerônimo, Superagüi e Tibagy/Mococa. REGIÃO SUL Região Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) Com 577.214,0 km2, é a região que apresenta menor área, ocupando apenas 6,75% do território brasileiro. Tem clima subtropical, exceto na região norte do estado do Paraná, onde predomina o clima tropical. Caracteriza-se pela diversidade de temperaturas nas diferentes áreas que a compõem. As regiões de planaltos mais elevados apresentam temperaturas baixas, com nevascas ocasionais, e na região da planície dos pampas, mais ao sul, as temperaturas são elevadas. A vegetação acompanha essa variação da temperatura, ou seja, nos locais mais frios predominam as matas de araucárias (pinhais) e nos pampas os campos de gramíneas. A região possui grande potencial hidrelétrico, destacando-se a usina de Itaipu, localizada no rio Paraná, na fronteira com o Paraguai.

A população da região Sul totaliza 25.107.616 habitantes, o que representa 14,95% da população do País. A densidade demográfica é de 43,49 habitantes por km2 e 80,93% da população vive no meio urbano. São encontrados traços marcantes da influência da imigração alemã, italiana e açoriana na região. Inicialmente baseada na agropecuária, a economia da região Sul desenvolveu importante parque industrial nas últimas décadas, cujos centros se encontram nas áreas metropolitanas da cidade de Porto Alegre, capital do estado do Rio Grande do Sul, e Curitiba, capital do estado do Paraná. A produção agrícola utiliza modernas técnicas de cultivo, destacando-se o trigo, soja, arroz, milho, feijão e tabaco entre os principais produtos comercializados. Na pecuária encontram-se rebanhos de linhagens européias (hereford e charolês). A suinocultura é praticada no oeste do estado de Santa Catarina e no estado do Paraná, onde ainda é significativa a prática do extrativismo, com extração de madeira de pinho. No estado de Santa Catarina explora-se o carvão mineral ao sul e se encontra grande número de frigoríficos, que produzem não apenas para o mercado interno, mas também para exportação.

HISTÓRIA DO PARANÁ O Brasil ainda não sabe geografia, anotava o ex-governador do Paraná Bento Munhoz da Rocha Netto, em meados do século 20. Ou se conhece profundamente a terra - em contornos, tipos de solo, acidentes, altitudes, climas ou cai por terra o “em nela se plantando, tudo dá”, com que Pero Vaz de Caminha tentou impressionar o rei de Portugal, em 1500. Seja qual for o estágio civilizatório, a equação que se apresenta a todo governante é sempre a mesma: espaço territorial x assentamentos humanos. O sucesso do produto é diretamente proporcional ao índice de qualidade de vida das pessoas que habitam o território. É assim que se tem pensado o Paraná nos últimos anos. O planejamento é a ferramenta para executar as interferências necessárias à vida melhor. O mapa do Paraná contemporâneo tem formato horizontal. Ao Norte está São Paulo, a Leste o Oceano Atlântico, ao Sul Santa Catarina e a Oeste estão o Mato Grosso e o Paraguai, pela fronteira líquida do rio Paraná cujas águas se encontram, a Sudoeste, com as do rio Iguaçu, que se estende demarcando a Argentina e o Uruguai. Tupi é a origem de Paraná, que quer dizer “rio” na linguagem dos ameríndios ocupantes do quadrilátero fluvial Paraná-Paranapanema-TibagiIguaçu. O primeiro europeu a percorrer a região teria sido o bandeirante Aleixo Garcia. Mas a posse simbólica do rio Paraná para a Espanha se deu com Alvar Nuñez Cabeza de Vaca, no roteiro entre Santa Catarina e Assunção, no Paraguai, em 1541. Em 1554 nasceu a vila de Ontiveros, primeira povoação européia (espanhola) no hoje território paranaense, às margens do rio Paraná, perto da foz do rio Ivaí. Dois anos depois o povoamento, transferido para perto da foz do rio Piquiri, receberia o nome de Ciudad Real de Guairá, que, junto com Vila Rica do Espírito Santo – nas margens do Ivaí – formou a Província de Vera ou do Guairá. A tentativa espanhola de escravizar os índios provocou levantes e a pacificação foi confiada aos padres Jesuítas, que adotaram o sistema de reduções. O primeiro proprietário português de terras paranaenses foi o bandeirante Diogo de Unhate, que em 1614 requereu e obteve uma sesmaria na região de Paranaguá, entre os rios Ararapira e Superagüi. Secundou-o, em 1617, a bandeira de Antônio Pedroso, da qual fazia parte o jovem Gabriel de Lara, filho de espanhol, interessado em faiscar ouro. Com a família espanhola pioneira Peneda, Lara fundou uma povoação na ilha de Cotinga, que depois transferiu para a

margem esquerda do Taquaré (hoje Itiberê). O pelourinho foi erguido em 6 de janeiro de 1646 e a criação da Câmara e das Justiças aconteceu com a eleição de 29 de junho de 1648. De Guaíra e Paranaguá ao conjunto de 399 municípios do Paraná atual, o “rio” seguiu seu curso pelo leito imemorial, criando fronteiras líquidas, encontrando-se com a “água grande” do Iguaçu e se cruzando ou correndo paralelo ao Paranapanema, ao Ivaí, ao Piquiri, a tantas e tantas águas que banham o território e lhe dão vida. As Sete Quedas de Guaíra repousam sob o imenso lago de Itaipu, formado pelo reservatório da maior usina hidrelétrica do mundo. Lindeiros ao mar fluvial e até a Foz do Iguaçu - onde a água se despenca nas cataratas, uma das mais belas paisagens naturais do mundo - estão 1,3 mil quilômetros distribuídos entre 15 municípios, formando a Costa Oeste do Paraná. É o Estado moderno, cuja capital, Curitiba, seguiu-se a Paranaguá, ganhando importância à medida que avançavam os tropeiros desde o século 17, conduzindo gado entre Viamão (RS) e a Feira de Sorocaba (SP). As longas invernadas nos “campos de Curitiba” - os Campos Gerais - acabavam conduzindo os proprietários de fazendas para transações comerciais na hoje capital do Paraná, geopoliticamente bem situada. O século 19, marcado em sua segunda metade pela imigração européia em massa, ajudou a moldar o Paraná de hoje, acrescentando tradições européias, especialmente germânicas, eslavas e italianas, aos costumes ibéricos dos primeiros colonizadores. Se o século 19 foi extrativista – não mais de ouro e minerais, como no início da colonização, mas de erva-mate e madeira – também trouxe a vastíssima contribuição européia, principalmente a classe média capaz de poupar e de investir. E a necessidade de caminhos mais permanentes que as picadas do início, para escoamento da produção agrícola e integração entre Interior e Litoral. A Estrada de Ferro Paranaguá-Curitiba foi um marco da engenharia nacional, executado em grande parte pela força e a coragem do braço imigrante. Este século 20, das maiores transformações a que a humanidade já assistiu, foi marcado no Paraná pela opulência das moradas e do viver dos “barões da erva-mate”, donos de engenhos; pela madeira farta que atraiu os ingleses e povoou os vazios das florestas derrubadas. O Paraná deste século assistiu à chegada dos imigrantes não-europeus, como os japoneses da segunda década, a povoar o Norte e a inserir culturas e técnicas agrícolas até então desconhecidas; dos aventureiros, muitos deles brasileiros de outras regiões – muitos mineiros, por exemplo – que fizeram o Norte Novo à sombra da monocultura dos cafezais; da terra roxa devastada por queimadas do sol inclemente no início dos anos 1960 e do apodrecimento das raízes dos cafeeiros, na geada negra de 1975; da soja e do trigo alargando fronteiras agrícolas, ganhando o Oeste e o Sudoeste, construindo um modelo exportador mas também substituindo por máquinas os humanos braços das lavouras.

Um Paraná contemporâneo que não podia mais atrasar a implantação de seu parque industrial. O Estado das usinas hidrelétricas, a iluminar os rincões distantes do próprio território e a fornecer energia para boa parte do Brasil. O Paraná da indústria alcooleira, do xisto, do carvão. Uma terra paisagem onde o retrato é dinâmico, muda todo dia porque é feito de gente de toda origem, de todo talento. Este Paraná “rio”, mar, praia, lago, cachoeira, catarata, montanha, planalto, campo, ilha... este território é o cenário que aparece sob o papel vegetal, com uma geografia puxada pela história e um futuro reescrito a cada dia. Entre o olfato apuradíssimo, o chá de mate e o chimarrão quente, o costume do banho diário e a rede para descansar - elementos herdados dos índios e a oportunidade vista na indústria que se instala, agregando valor aos produtos do trabalho, a água do rio correu por quase cinco séculos. História, Povoamento e Colonização A história do Paraná e do povo paranaense pode ser contada através dos vários ciclos pelos quais passou: ouro, madeira, erva-mate e café. Inicialmente as terras paranaenses pertenciam à Capitania de São Vicente; eram percorridas esporadicamente, durante o século XVI, por europeus exploradores da madeira de lei existente na região. A partir do século XVII teve início a colonização, sendo fundada a Vila de Paranaguá em 1660. Colonos e jesuítas espanhóis povoaram Paranaguá e Curitiba nos primeiros tempos. Com a descoberta de ouro, portugueses foram atraídos para a localidade, tanto no litoral como no interior. A posterior descoberta de ouro nas Minas Gerais amenizou a exploração paranaense. A passagem de tropas (gado e cavalos) vindos de Viamão para Sorocaba propiciaram o tropeirismo no Estado. Paradas feitas durante o percurso para pouso originavam novos povoamentos que, com o passar dos tempos tornaram-se cidades (Rio Negro, Campo do Tenente, Lapa, Porto Amazonas, Palmeira, Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Jaguariaíva e Sengés). Separada de São Paulo em 1853, criou-se a Província do Paraná com o estabelecimento de aproximadamente 40 núcleos coloniais, núcleos estes originados por imigrantes italianos, alemães, poloneses, franceses, ingleses e suíços que, dedicaram-se as culturas de erva-mate, café e exploração de madeira impulsionando a economia local na época. Paraná em guarani quer dizer “rio caudaloso”. As primeiras movimentações de colonizadores no estado do Paraná tiveram início no século XVI, quando diversas expedições estrangeiras percorreram a região à procura de madeira de lei. No século XVII, portugueses e paulistas começaram a ocupar a

região, a partir da descoberta de ouro e à procura de índios para o trabalho escravo. A mineração, no entanto, foi legada a segundo plano pelos colonizadores, que se dirigiram em maior número às terras de Minas Gerais. Até o século XVIII, existiam apenas duas vilas na região: Curitiba e Paranaguá. Esse processo retardou a ocupação definitiva da área, que pertenceu à província de São Paulo até meados do século XIX, com sua economia baseada na pecuária. A história oficial do Paraná começa em 29 de agosto de 1853 com a lei assinada pelo Imperador Dom Pedro II, que desmembrou a região da Província de São Paulo. Logo após de conquistada sua autonomia, teve início um programa oficial de imigração européia para a região, principalmente de poloneses, alemães e italianos que vieram em busca de riquezas. O progresso, elevação de nível econômico, cultural e social do povo do Paraná foram os principais motivos para a transformação da região em província. Em 1880 houve a abertura de estradas e rodovias, o que acelerou a ocupação. Daí em diante aconteceu o grande fluxo de migrantes mineiros e de outros estados pelo baixo valor das terras e sua grande fertilidade. O Paraná, se torna Estado em 1889. No século XX a história do Paraná foi marcada pela opulência das moradas e do viver dos “barões da erva-mate”, donos de engenhos. A madeira farta atraía os ingleses, que povoaram os vazios das florestas derrubadas. Neste mesmo século chegaram os imigrantes não-europeus, como os japoneses na segunda década. O Paraná viveu o ciclo do ouro, da madeira, da erva-mate e do café, até finalmente diversificar sua economia. O Estado é conhecido como o maior e mais ativo celeiro do País. Seu parque industrial não pára de crescer e diversificar-se. O aproveitamento do extraordinário potencial energético de uma privilegiada bacia hidrográfica, formada principalmente pelos rios Paraná e Iguaçu, é um dos responsáveis por este grande crescimento. Os últimos anos foram marcados por grandes transformações e pela sua consolidação como um dos mais importantes estados brasileiros, ocupando o seu lugar em importância econômica. A capital, Curitiba, foi fundada em 1693, como Vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais. Curitiba se tornou a capital do Estado em 1853. A ocupação do seu território foi lenta até 1870, quando foi iniciado o processo de colonização por imigrantes europeus. Os imigrantes se estabeleceram nos arredores da cidade, se dedicando a atividades agrícolas e artesanais. Além desses grupos majoritários, também vieram para a região imigrantes japoneses, franceses, ingleses e suíços. A cidade de Curitiba tem sido modelo de planejamento urbano e qualidade de vida para seus habitantes. Bibliografia Sugerida:

Mini dicionário Guasca - Zeno Cardoso Nunes - Rui cardoso Nunes Campeirismo Gaúcho - MTG-RG – Cyro Drutra Tudo Sobre Cavalos - Martins Fontes ABC das Danças Gaúchas de Salão - Martins Livreiro – Clovos Rocha ABC do Tradicionalismo Gaúcho de Salão - Martins Livreiro – Salvador Ferrando Lamberty Manual de Danças Tradicionais Gaúchas – MTG-RG – março 2003 Caderno de Estudo de Prendas - José Camilo Pegoraro Rio Grande do Sul | Paisagens, Cultura e Arte – Antonio Bellini Fogão Campeiro - Martins Livreiro – Carlos Castillo Pagina do Gaúcho - http://www.paginadogaucho.com.br Portal do Gaúcho – Http://www.portaldogaucho.com.br Movimento Tradicionalista do Rio Grande do SUL – http://www.mtg.org Confederação Brasileira da Tradição Gaúcha – http://www.cbtg.com.br