Ministério da Saúde Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Vigilância Epidemiológica

Guia de Vigilância

Epidemiológica

6ª edição Série A. Normas e Manuais Técnicos

Brasília - DF 2005

© 2005. Ministério da Saúde
Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada na íntegra na Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde: www.saude.gov.br/bvs Série A. Normas e Manuais Técnicos

1. ed. 1985; 2. ed. 1986; 3. ed. 1992; 4. ed. 1998; 5. ed. 2002 6ª edição ampliada – 2005 – Tiragem: 2.000 exemplares

Edição e distribuição MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Departamento de Vigilância Epidemiológica Produção: Núcleo de Comunicação Endereço Esplanada dos Ministérios, Bloco G Edifício Sede do Ministério da Saúde, 1º andar CEP: 70.058-900, Brasília/DF E-mail: svs@saude.gov.br Endereço eletrônico: www.saude.gov.br/svs Produção editorial Copidesque/revisão: Napoleão Marcos de Aquino Projeto gráfico: Fabiano Camilo, Sabrina Lopes Diagramação: Edite Damásio da Silva, Sabrina Lopes (revisão)

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Guia de vigilância epidemiológica / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde. – 6. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2005. 816 p. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) ISBN 85-334-1047-6 1. Vigilância epidemiológica. 2.Saúde pública. I. Título. II. Série.
NLM WA 105 Catalogação na fonte – Editora MS – OS 2005/1082

Títulos para indexação Em inglês: Guide to Epidemiological Surveillance Em espanhol: Guía de Vigilancia Epidemiológica

ao entardecer e ao amanhecer. M Modo de transmissão Através da picada da fêmea do mosquito Anopheles. Em nosso país. os vetores da malária são conhecidos por “carapanã”. Uma quarta espécie. infectada por Plasmodium. Anopheles aquasalis. gênero Anopheles. P. Anopheles cruzii e Anopheles bellator. Não há transmissão direta da doença de pessoa a pessoa. destacando-se na transmissão da doença pela distribuição geográfica. tanto na zona rural quanto na urbana. o P. Reveste-se de importância epidemiológica por sua gravidade clínica e elevado potencial de disseminação em áreas com densidade vetorial que favoreça a transmissão. Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 521 . por meio de transfusão de sangue contaminado ou do uso compartilhado de seringas contaminadas. ovale. Este gênero compreende mais de 400 espécies.. malariae. as principais espécies transmissoras da malária. Pode ocorrer a transmissão induzida.l. concentrada na região amazônica. Os vetores são mais abundantes nos horários crepusculares.Malária MALÁRIA CID 10: B50 a B54 Características clínicas e epidemiológicas Descrição Doença infecciosa febril aguda. “sovela”. Causa consideráveis perdas sociais e econômicas na população sob risco. porém em menor quantidade em algumas horas da noite. família Culicidae. antropofilia e capacidade de ser infectado por diferentes espécies de plasmódios. 6 Agente etiológico Protozoários do gênero Plasmodium. Reservatório O homem é o único reservatório com importância epidemiológica para a malária. “mosquito-prego” e “bicuda”. causada por protozoários transmitidos por vetores. Anopheles albitarsis s. Todavia. A espécie Anopheles darlingi é o principal vetor no Brasil. três espécies causam a malária em seres humanos: P. Vetor Mosquito pertencente à ordem dos dípteros. vivax. são: Anopheles darlingi. falciparum e P. são encontrados picando durante todo o período noturno. só é encontrado em áreas restritas do continente africano. Popularmente. “muriçoca”. No Brasil.

Em regiões não-endêmicas. Período de transmissibilidade O mosquito é infectado ao sugar o sangue de uma pessoa com gametócitos circulantes. estão mais expostos à doença. de 8 a 12 dias. Para malária causada por P. vômitos. extrativismo vegetal. Os gametócitos surgem na corrente sangüínea. astenia. oriundos da região amazônica e de outros países. vivax. Esta fase pode ser acompanhada de cefaléia. acompanhado de tremor generalizado. malariae (febre quartã). as áreas de risco são determinadas pelo potencial malarígeno. o indivíduo pode ser fonte de infecção por até 1 ano. densidade e longevidade do mosquito Anopheles. fadiga. Esta fase pode durar 48 horas para P. vivax (febre terçã) e 72 horas para P. 18 a 30 dias. Em alguns pacientes. A diminuição dos sintomas causa sensação de melhora no paciente. todos os estados são ainda total ou parcialmente receptivos para a malária. cansaço e mialgia. Aspectos clínicos e laboratoriais Manifestações clínicas O quadro clínico típico é caracterizado por febre alta. Para P. dependendo da espécie de plasmódio infectante.Malária Período de incubação O período de incubação da malária varia de acordo com a espécie de plasmódio. sudorese profusa e cefaléia. falciparum. malariae. A vulnerabilidade é causada pela chegada de portadores de malária. falciparum. em período que varia de poucas horas para o P. até 3 anos. aumento da parasitemia e espécie de plasmódio. vivax e de 7 a 12 dias para o P. Na fase febril. vários dias antes dos paroxismos da doença. aparecem sintomas prodrômicos. apresentando quadro subclínico ou assintomático. exploração mineral. náuseas e vômitos. por mais de 3 anos. Os indivíduos que desenvolvem atividades em assentamentos na região amazônica e outras. a exemplo de náuseas. relacionadas ao desmatamento. malariae. relacionadas à resposta imunológica do organismo. adequada e oportuna os sinais e sintomas podem evoluir para formas graves e complicadas. e P. A receptividade se mantém pela presença. P. Período de infecção – a fase sintomática inicial caracteriza-se por mal-estar. toda pessoa é susceptível à infecção por malária. Período toxêmico – se o paciente não recebe terapêutica específica. 522 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS . desde que não seja adequadamente tratado. acompanhada de calafrios. Remissão – caracteriza-se pelo declínio da temperatura (fase de apirexia). Indivíduos que tiveram vários episódios de malária podem atingir um estado de imunidade parcial. relacionado com a receptividade e vulnerabilidade da área. falciparum. P. Com exceção do Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Susceptibilidade e imunidade Em geral. vivax. a temperatura pode atingir 41oC. e P. O ataque paroxístico inicia-se com calafrio. com duração de 15 minutos a 1 hora. 13 a 17. falciparum e P. anorexia. que ocorrem em padrões cíclicos.

tais como malária cerebral. calazar. como áreas de difícil acesso ao serviço de saúde. A preparação é corada pelos métodos de Giemsa ou Wright. Na fase inicial. quer de etiologia viral ou bacteriana. Gota espessa – sua técnica baseia-se na visualização das formas do parasito através de microscopia óptica. Permite a diferenciação específica dos parasitos a partir da análise de sua coloração. hiperpirexia. não sendo capazes. Pela sua praticidade e facilidade de realização. Esses testes são realizados em fitas de nitrocelulose contendo anticorpo monoclonal contra antígenos específicos do parasito. No período de febre intermitente. convulsões. Esfregaço – é o método mais utilizado para a identificação das espécies de plasmódios. leptospirose. portanto. disfunção hepática e hemoglobinúria. urinário e digestivo. Dentre os métodos de imunodiagnóstico. de diagnosticar a malária mista. imunoabsorção enzimática (Elisa). Existem ainda os testes de imunodiagnóstico. esplenomegalia. após coloração pelo método de Walker ou Giemsa. hepatite infecciosa. através do método da gota espessa (usado preferencialmente) ou esfregaço ou testes imunocromatográficos (testes rápidos) em áreas de baixa endemicidade ou difícil acesso. o IFI e o Elisa são mais factíveis operacionalmente. M Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 523 . Esses sintomas podem preceder as formas clínicas da malária grave e complicada. aglutinação. devido à sua alta concentração. salmoneloses septicêmicas. febre amarela. em geral. tuberculose miliar. insuficiência renal aguda. Dignóstico diferencial O diagnóstico diferencial da malária é feito com a febre tifóide. como a imunofluorescência indireta (IFI). em virtude da menor concentração do sangue.Malária Hipoglicemia. precipitação e radiodiagnóstico. Todas apresentam febre e. Imunotestes rápidos – nova metodologia diagnóstica representada pelos testes imunocromatográficos de diagnóstico rápido da malária. as principais doenças que se confundem com a malária são as infecções urinárias. Algumas delas apresentam anemia e hepatomegalia. a malária confunde-se com outras doenças infecciosas dos tratos respiratório. edema pulmonar agudo. não utilizados na prática diária. 6 Diagnóstico laboratorial O diagnóstico laboratorial específico de rotina é realizado mediante demonstração de parasitos. morfologia e estágios de desenvolvimento no sangue periférico. esses métodos têm sido considerados úteis principalmente em situações onde é complicado processar o exame da gota espessa. endocardite bacteriana e as leucoses. principalmente na criança. icterícia e distúrbios da consciência são indicadores de mau prognóstico. falciparum e as demais espécies simultaneamente. Os testes hoje disponíveis discriminam especificamente o P. porém a sensibilidade do diagnóstico é menor que o da gota espessa. vômitos repetidos. calazar e outros processos febris.

deve-se optar pelo tratamento do P. A decisão de como tratar o paciente com malária deve estar de acordo com o Manual de Terapêutica da Malária e ser precedida de informações sobre os seguintes aspectos: • gravidade da doença – pela necessidade de drogas injetáveis de ação mais rápida sobre os parasitos. a hipoglicemia e edema agudo do pulmão. • idade do paciente – pelo pior prognóstico na criança e no idoso. • susceptibilidade dos parasitos aos antimaláricos convencionais – para indicar tratamento com drogas sabidamente eficazes para área de ocorrência do caso. 524 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS . doxiciclina e clindamicina). evitando atraso no efeito terapêutico e agravamento do quadro clínico. o óbito e elimina a fonte de infecção. 4-aminoquinolinas (cloroquina). gametocitocidas (bloqueiam a transmissão). • pelo alvo de ação no ciclo biológico do parasito – esquizonticidas teciduais ou hipnozoiticidas (cura radical do P. As gestantes não-imunes correm risco de aborto. falciparum aos antimaláricos. parto prematuro e natimortalidade. em face do perfil variado de resposta do P. As principais drogas antimaláricas são assim classificadas: • pelo grupo químico – quinolinometanóis (quinina e mefloquina). eliminando as formas sexuadas dos parasitos. vivax e P. peróxido de lactona sesquiterpênica (derivados da artemisinina). 8-aminoquinolinas (primaquina).Malária Tratamento A quimioterapia da malária tem como objetivos: interromper a esquizogonia sangüínea responsável pela patogenia e manifestações clínicas da infecção. • gravidez – a gravidez aumenta o risco de gravidade da malária e de morte. ovale). falciparum. vivax e P. antibióticos (tetraciclina. O tratamento adequado e oportuno da malária previne o sofrimento humano. ovale no ciclo tecidual. evitando as recaídas. visando reduzir a letalidade. a ocorrência do caso grave. • história de exposição anterior à infecção – indivíduos não-imunes (primoinfectados) tendem a apresentar formas clínicas mais graves. Caso não seja possível determinar a espécie do parasito. proporcionar a erradicação de formas latentes do parasito (hipnozoítas) das espécies P. Estão mais propensas à malária cerebral. • espécie de plasmódio – deve ser diferenciada. e reduzir as fontes de infecção para os mosquitos. esquizonticidas sangüíneos (promovem a cura clínica). devido à alta parasitemia. pelo risco de evolução grave.

desde o auxiliar de saúde da comunidade até o médico. relativos aos esquemas. a forma de ingeri-lo e os respectivos horários. as pessoas que distribuem os remédios e orientam o seu uso utilizam envelopes de cores diferentes para cada medicamento. com linguagem compreensível. editado pelo Ministério da Saúde. Por outro lado. além de humildes. apenas um medicamento é utilizado. recorrer ao texto do Manual de Terapêutica da Malária. pois as conseqüências podem ser graves. encontram-se desatentos como conseqüência da febre. deve-se também orientar os acompanhantes ou responsáveis. os pacientes sequer dispõem de relógio para verificar as horas. encontram-se os tratamentos preconizados pelo Ministério da Saúde. devem orientar adequadamente. é muito complexo. Muitas vezes. É muito fácil haver confusão e troca de medicamentos. O tratamento da malária. O importante é evitar a ingestão incorreta dos remédios. que. M Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 525 . mesmo em nível periférico. Em vários lugares. As expressões de 8 em 8 horas ou de 12 em 12 horas muitas vezes não ajudam os pacientes a saber quando devem ingerir os medicamentos. Quadro 1. geralmente. O uso de expressões locais para a indicação do momento da ingestão do remédio é recomendável. além dos próprios pacientes. das dores e do mal-estar causados pela doença. Em geral. Equivalência entre grupo etário e peso corporal aproximado Grupos etários Menor de 6 meses 6 a 11 meses 1 a 2 anos 3 a 6 anos 7 a 11 anos 12 a 14 anos 15 ou mais anos Peso corporal Menos de 5kg 5 a 9kg 10 a 14kg 15 a 19kg 20 a 29kg 30 a 49kg 50kg ou mais 6 Observação Todos os profissionais de saúde envolvidos no tratamento da malária. os pacientes quanto ao tipo de medicamento que está sendo oferecido. Dificilmente. Caso surjam dúvidas. são duas ou três diferentes drogas associadas.Malária Esquemas de tratamento para a malária recomendados pelo Ministério da Saúde Nas tabelas a seguir. sempre que possível.

Tabela 2. Ver Tabela 10. 2º e 3º dias Quinina (comp. Neste caso.) 1 1 e 1/2 2 6º dia Primaquina (comp.) 1 1 e 1/2 2 4º e 5º dias Doxiciclina (comp.) 1 2 3 As doses diárias de quinina e doxiciclina devem ser divididas em duas tomadas. Se surgir icterícia. Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium falciparum com quinina em 3 dias + doxiciclina em cinco dias + primaquina no 6o dia Drogas e doses Grupos etários 1º.) 8 a 11 anos 12 a 14 anos 15 ou mais anos 1 e 1/2 2 e 1/2 4 Doxiciclina (comp.) Adulto 1 1 e 1/2 2 Infantil 1 1 2 1 - Primaquina: comprimidos para adultos com 15mg da base e para crianças com 5mg da base.Malária Esquemas de primeira escolha Tabela 1.) Adulto 1 1 e 1/2 2 Infantil 1 1 2 1 4o ao 7o dias Primaquina (comp. A cloroquina e a primaquina deverão ser ingeridas preferencialmente às refeições. ver Tabela 7. suspender a primaquina. 526 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS . ver a Tabela 6.) Adulto Menor de 6 meses 6 a 11 meses 1 a 2 anos 3 a 6 anos 7 a 11 anos 12 a 14 anos 15 ou mais anos 1/4 1/2 1 1 2 3 4 1 1 e 1/2 2 Infantil 1 1 2 1 1/4 1/2 1/2 1 1 e 1/2 2 3 2o e 3o dias Cloroquina (comp. Para menores de 8 anos e maiores de 6 meses de idade. Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium vivax com cloroquina em 3 dias e primaquina em 7 dias Drogas e doses 1o dia Grupos etários Cloroquina (comp.) Primaquina (comp. de 12/12 horas. Não administrar primaquina para gestantes e crianças até 6 meses de idade.) Primaquina (comp. A doxiciclina e a primaquina não devem ser dadas a gestantes.

Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 527 . Diferentemente do P vivax. Esquema recomendado para tratamento das infecções mistas por Plasmodium vivax + Plasmodium falciparum com mefloquina em dose única e primaquina em 7 dias Drogas e doses Grupos etários Mefloquina (comp. .Malária Tabela 3. * 1/4 1/2 1 1 e 1/4 1 e 1/2 2 2 e 1/2 3 4 1 dia o 2o ao 7o dias Primaquina (comp. Ver Tabela 10. A dose diária de mefloquina pode ser dividida em duas tomadas com intervalo de até 12 horas. Esquema recomendado para tratamento das infecções por Plasmodium malariae com cloroquina em 3 dias Drogas e doses Grupos etários 1o dia Menor de 6 meses 6 a 11 meses 1 a 2 anos 3 a 6 anos 7 a 11 anos 12 a 14 anos 15 ou mais anos 1/4 1/2 1 1 2 3 4 Cloroquina (comp.) dose única Menor de 6 meses 6 a 11 meses 1 a 2 anos 3 a 4 anos 5 a 6 anos 7 a 8 anos 9 a 10 anos 11 a 12 anos 13 a 14 anos 15 ou mais *Calcular 15 a 20mg/kg de peso.) Adulto 1 1 1 e 1/2 1 e 1/2 2 Infantil 1 1 2 2 1 1 - 6 Tabela 4. .) Adulto 1 1 1 e 1/2 1 e 1/2 2 Infantil 1 1 2 2 1 1 - Primaquina (comp.) 2o dia 1/4 1/2 1/2 1 1 e 1/2 2 3 3o dia 1/4 1/2 1/2 1 1 e 1/2 2 3 M Obs. Não usar primaquina em gestantes e menores de 6 meses. não se usa primaquina para o P malariae.

Malária Esquemas alternativos Tabela 5. (A) Administrar uma cápsula retal de 12 em 12 horas. às refeições.) Adulto 1/2 1 Infantil 1 2 4o dia 5o ao 11o dias Cápsula retal com 50mg.) Adulto Menor de 6 meses 6 a 11 meses 1 a 2 anos 3 a 4 anos 5 a 6 anos 7 a 8 anos 9 a 10 anos 11 a 12 anos 13 a 14 anos 15 ou mais * 1/4 1/2 1 1 e 1/4 1 e 1/2 2 2 e 1/2 3 4 1/2 1 1 1 e 1/2 1 e 1/2 1 e 1/2 2 3 Infantil 1 2o dia *Calcular 15 a 20mg/kg de peso. 2o e 3o dias Grupos etários Artesunato cápsula retal 1 a 2 anos 3 a 5 anos 6 a 9 anos 10 a 12 anos 1 2 (A) 3 (B) 3 (B) Artesunato cápsula retal 1 1 1 3 (B) Primaquina (comp. ver a Tabela 1.50mg/kg de peso e deve ser ingerida. Obs. 528 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS .) Mefloquina (comp. Não usar mefloquina em gestantes no primeiro trimestre. Tabela 6. Para menores de um ano e maiores de 12 anos. preferencialmente. A dose de primaquina é de 0. A dose diária de mefloquina pode ser dada em duas tomadas. Esquema alternativo para tratamento das infecções por Plasmodium vivax em crianças apresentando vômitos. (B) Administrar uma cápsula retal de 8 em 8 horas. Esquema alternativo para tratamento das infecções por Plasmodium falciparum com mefloquina em dose diária e primaquina no 2o dia Drogas e doses 1o dia Grupos etários Primaquina (comp. respectivamente. com intervalo máximo de 12 horas. Não usar mefloquina se tiver usado quinina nas últimas 24 horas. com cápsulas retais de artesunato em 4 dias e primaquina em 7 dias Drogas e doses 1o.: não usar este esquema para crianças com diarréia. Não usar primaquina em gestantes e menores de 6 meses. A cápsula retal pode ser conservada em temperatura ambiente. Primaquina infantil e adulto com 5mg e 15mg de primaquina-base.

) (dose diária durante 7 dias) Menor de 6 meses 6 a 11 meses 1 a 2 anos 3 a 6 anos 7 a 11 anos 12 a 14 anos 15 anos ou mais 1/4 1/2 3/4 1 1 e 1/2 2 3 A dose diária de quinina deve ser fracionada em 3 tomadas. 2º e 3º dias Quinina (comp. Tratamento alternativo das infecções por Plasmodium falciparum com quinina em 7 dias Drogas e doses Grupos etários Quinina (comp. ver as Tabelas 7 e 10.Malária Tabela 7. as Tabelas 2 ou 6. de 8 em 8 horas.: não usar este esquema para crianças com diarréia.) (adulto) 1 1 e 1/2 2 A dose diária de quinina e de doxiciclina deve ser fracionada em duas tomadas. ver a Tabela 7.) 1 1 e 1/2 2 5º dia Primaquina (comp. Esquema alternativo para tratamento das infecções por Plasmodium falciparum de crianças. de 12 em 12 horas. Tabela 8. Obs. (A) Administrar uma cápsula retal de 12 em 12 horas. A mefloquina pode ser administrada na dose de 15-20mg/kg.) (adulto) 1 1 e 1/2 2 6º ao 11º dias Primaquina (comp. Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 529 . (B) Administrar uma cápsula retal de 8 em 8 horas. Nesses casos. Para menores de um ano. M Tabela 9.) 8 a 11 anos 12 a 14 anos 15 ou mais anos 1 e 1/2 2 e 1/2 4 Doxiciclina (comp.) 1 1 e 1/2 2 Doxiciclina (comp. doxiciclina em 5 dias e primaquina em 7 dias Drogas e doses Grupos etários 1º.) 1/2 1 1 e 1/2 2 e 1/2 4º dia Artesunato cápsula retal 1 1 1 3 (B) 5º dia Primaquina (adulto) 1/2 1 1 e 1/2 2 A cápsula retal pode ser conservada em temperatura ambiente. Não usar doxiciclina e primaquina em gestantes. Esquema alternativo para tratamento das infecções mistas por Plasmodium vivax + Plasmodium falciparum com quinina em 3 dias. com cápsulas retais de artesunato em 4 dias e dose única de mefloquina no 3o dia e primaquina no 5o dia Drogas e doses Grupos etários 1º e 2º dias Artesunato cápsula retal 1 a 2 anos 3 a 5 anos 6 a 9 anos 10 a 12 anos 1 2 (A) 3 (B) 3 (B) o o 6 3º dia Artesunato cápsula retal 1 2 (A) 3 (B) 3 (B) Mefloquina (comp. dividida em duas tomadas. e maiores de 12 anos.) 1 1 e 1/2 2 4º dia Doxiciclina (comp. com intervalo de 12 horas.

Diluir cada dose em 50ml de solução isotônica (de preferência glicosada a 5% ou 10%). dividida em duas tomadas (12 em 12 horas). 24 e 48 horas. por 5 dias. Manter o tratamento até 48 horas após a negativação da gota espessa (em geral. 530 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS . é necessário que estes medicamentos sejam protegidos de seu uso abusivo e indicados fundamentalmente para casos graves e complicados. Em gestantes.14 15 . a cada 8 horas. dividida em 2 doses. via oral. Após 24 horas. aplicar 1.18 19 . utiliza-se a apresentação oral de sulfato de quinina.4 anos 5 . em dose única.2mg/kg nos momentos 4. uma a cada 12 horas. Artesunato endovenoso: 2. diluída em solução glicosada a 5% ou 10% (15ml/kg de peso). durante 3 meses* Peso (Kg) 5-6 7 . Droga 1. Terceira escolha Quinina endovenosa associada à clindamicina endovenosa A quinina na mesma dosagem da segunda escolha até 3 dias. 7 dias) Completar o tratamento com clindamicina. Assim. A mefloquina não deve ser usada em gestantes do primeiro trimestre Observações importantes Observação: os derivados da artemisinina têm se mostrado muito eficazes e de ação muito rápida na redução e eliminação da parasitemia. Tratamento da malária grave e complicada Quadro 2. ou mefloquina. na mesma dosagem. e para gestantes e menores de 1 ano. gota-a-gota. diluída em solução isotônica. com cloroquina em dose única semanal. a 5% ou 10% (máximo de 500ml).Malária Tabela 10. 15-20mg/kg de peso. administrar a clindamicina. de preferência glicosada. Só deve ser iniciado após o término do tratamento com cloroquina em três dias. Importante: esta infusão deve ser administrada lentamente. via oral.3mg/kg de peso/dia. o esquema terapêutico específico preferencial é a associação quinina e clindamicina endovenosa. totalizando 5 dias de tratamento 2. Esquema recomendado para malária grave por P falciparum .35 36 e mais Idade < 4 meses 4 meses a 2 anos 3 .6mg/kg de peso a cada 24 horas. Simultaneamente.10 anos 11 e + anos Número de comprimidos (150mg/base) por semana 1/4 1/2 3/4 1 2 *Esquema recomendado para pacientes que apresentam recaídas após tratamento correto. em uma hora. ou doxiciclina. Segunda escolha Quinina endovenosa Infusão de 20-30mg do sal de dicloridrato de quinina/kg/ dia. pela sua eficácia e inocuidade para a mãe e para o feto. Primeira escolha Derivados da artemisinina A. 3. A doxiciclina não deve ser administrada a gestantes e menores de 8 anos. B. Esquema de prevenção de recaída da malária por Plasmodium vivax. infundida.2mg/kg de peso em dose única no 1o dia. por 4 dias. via endovenosa em uma hora ou. Artemeter intramuscular: aplicar 3. via oral. dividida em duas tomadas (12 em 12 horas).4mg/kg como dose de ataque e 1. 20mg/kg de peso/dia. 20mg/kg de peso. a cada 8 horas. por 5 dias. durante 4 horas 3. Estes medicamentos devem ser administrados ao final do tratamento com os derivados da artemisinina. por 7 dias Esquema indicado para gestantes Quando o paciente estiver em condições de ingestão oral e a parasitemia em declínio.

aproximadamente 99% dos casos de malária se concentram na região amazônica. Classificação das áreas de risco para malária. Mato Grosso. de projetos de colonização e mineração. o risco de contrair a doença não é uniforme. ocorrendo em mais de 40% da população de mais de 100 países e territórios. De 1987 a 1995. registrou-se 300 mil casos. A partir daquele ano. respecti- Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 531 . Rondônia. A maioria dos casos ocorre em áreas rurais. Sua estimativa é de 300 a 500 milhões de novos casos e 1 milhão de mortes por ano. No período de 1984 a 1986. que classifica as áreas de transmissão em alto.9 (Médio risco: 111 municípios) > 49. Este risco é medido pelo índice parasitário anual (IPA).1 a 9. composta pelos estados do Acre. de acordo com o número de casos por 1 mil habitantes (Figura 1). Em 1983. Amapá. 2003 6 M Índice parasitário anual (IPA) Por 1 mil habitantes Estados da Amazônia Legal. houve forte tendência na elevação da doença em função da ocupação desordenada da região amazônica. A região é considerada a área endêmica do país para malária. Em 1996 e 1997 houve redução importante nos registros da doença. Pará. na região. Este incremento deveu-se também à implantação. foram registrados 500 mil casos em média. Amazônia Legal. mas há registro da doença também em áreas urbanas. Mesmo na área endêmica. Amazonas. a malária se manteve na faixa dos 400 mil casos. No Brasil. médio e baixo risco. a partir dos anos 60 pode ser observado que até 1976 foram registrados menos de 100 mil casos de malária por ano. 2003 0 (227 municípios) > 0.Malária Aspectos epidemiológicos A malária é reconhecida como grave problema de saúde pública no mundo. Figura 1. Maranhão.9 (Baixo risco: 391 municípios) > 10 a 49.9 (Alto risco: 76 municípios) Fonte: CGPNCM/Diges/SVS/MS Na série temporal. segundo o índice parasitário anual (IPA).3% e 28. 21. Roraima e Tocantins.1%.

falciparum e P. nos estados do Piauí. o que representou 38. Registro de casos de malária e espécies parasitárias (P. Em 2003 registrou-se um aumento de 15. Em 2001. e a região Nordeste. Em 2000. São Paulo e Bahia. Pernambuco e Ceará. Brasil. vivax e P.472 casos. com 637. Fonte: CGPNCM/Diges/SVS/MS P vivax . a malária aumentou de forma preocupante. a região Centro-Oeste. houve relativa equivalência entre as espécies parasitárias (P. se comparados a 1995.259 casos). nota-se um distanciamento no número de registro das duas espécies. Nos anos de 1998 e 1999. foi observado o maior declínio na ocorrência da malária nos últimos 40 anos. vivax.Malária vamente. nos estados de Goiás e Mato Grosso do Sul. Minas Gerais. Figura 2. A partir de então. 92% dos casos registrados são importados dos estados pertencentes à área endêmica e da África. em 1999. 1961-2003 700 600 500 400 300 200 100 0 61 63 65 67 69 71 73 75 77 79 81 83 85 87 89 91 Casos 93 95 97 99 01 03 P falciparum . responsável por cerca de 78% dos casos notificados em 2003 (Figura 2). vivax). Na região extra-amazônica. a doença volta a apresentar nova queda.245 casos. Destacam-se os municípios localizados às margens do lago da usina hidrelétrica de Itaipu.775 casos. Neste ano. para 615. atingindo seu limite. Rio de Janeiro. Até a década de 80.5% de queda em relação a 2000. que culminou com a predominância do P. registrou-se 389. áreas cobertas pela Mata Atlântica nos estados do Espírito Santo. falciparum).8% em relação ao número de casos de 2002 (348. 532 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS . Casos autóctones esporádicos ocorrem em áreas focais restritas desta região.

Detectar surtos e epidemias. tremores generalizados.Malária Vigilância epidemiológica Objetivos Estimar a magnitude da morbidade e mortalidade da malária. malariae) Lâmina de verificação de cura (LVC) – classifica-se como LVC o exame de microscopia (gota espessa e esfregaço) realizado durante e após tratamento recente. Evitar o restabelecimento da endemia. em paciente previamente diagnosticado para malária. no período de 8 a 30 dias anteriores à data dos primeiros sintomas. por busca ativa ou passiva. ovale) ou recrudescência (P. nas áreas onde a transmissão foi interrompida. P. falciparum. e apresente quadro de paroxismo febril com os seguintes sintomas: calafrios. vivax. Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 533 . Confirmado Critério clínico-laboratorial – toda pessoa cuja presença de parasito no sangue. Identificar tendências. M 6 Descartado Caso suspeito com diagnóstico laboratorial negativo para malária. sua espécie e parasitemia tenham sido identificadas através de exame laboratorial. grupos e fatores de risco. Recaída (P. Além disso. cansaço. Recomendar as medidas necessárias para prevenir ou controlar a ocorrência da doença. atenção e tratamento do doente com malária. • Avaliar o impacto das medidas de controle. P. Área não-endêmica – toda pessoa procedente de área onde haja transmissão de malária. • No que diz respeito à vigilância epidemiológica (coletivo) – a LVC constitui importante indicador para a detecção de deficiências dos serviços de saúde na vigilância de fontes de infecção. • • • • • Definição de caso Suspeito Área endêmica – toda pessoa que apresente quadro febril. Objetivos da realização de LVC • No que diz respeito à atenção clínica (individual) – acompanhar o paciente para verificar se o tratamento foi eficaz. mialgia. é útil para diferenciar uma nova infecção (caso novo) de uma recidiva (recrudescência ou recaída). seja residente ou tenha se deslocado para área onde haja transmissão de malária no período de 8 a 30 dias anteriores à data dos primeiros sintomas.

deverá ser classificado como LVC. vivax Se o paciente realizou tratamento para P. ❯ nos dias 2. que não deve ser superior a 24 horas. o paciente deverá ser classificado como caso novo e deve-se considerar a investigação epidemiológica para confirmar ou afastar autoctonia. vivax dentro dos últimos 60 dias do diagnóstico atual. 4. outras doenças deverão ser pesquisadas. • resultado do exame atual = P. 21. Caso seja afastada a possibilidade de autoctonia.Malária Critérios para a aplicação de LVC Para a Amazônia Legal – não há obrigatoriedade na realização dos controles periódicos pela LVC durante o tratamento. todo paciente que demandar o diagnóstico de malária deverá ser assim classificado: • resultado do exame atual = P. 534 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS . tanto na área endêmica quanto na área não-endêmica. 4. 40 e 60 após o início do tratamento de pacientes com malária causada pelo P. 21. O caso grave deverá ser hospitalizado de imediato. falciparum dentro dos últimos 40 dias do diagnóstico atual. para assegurar a cura. falciparum Se o paciente realizou tratamento para P. vivax. deverá ser classificado como LVC. 28. classificar o exame como LVC. Notificação Todo caso de malária deve ser notificado às autoridades de saúde. falciparum. vivax) após o início do tratamento deve constituir-se na conduta regular na atenção a todos os pacientes maláricos nessa região. 7. Em caso de lâmina positiva após os limites máximos acima especificados. Primeiras medidas a serem adotadas Assistência ao paciente Atendimento ambulatorial ao paciente suspeito. falciparum) e 60 dias (P. O caso confirmado recebe tratamento em regime ambulatorial. Desta forma. 7. por meio de visitas domiciliares ou de idas do paciente à unidade de saúde. 14. Outra forma de garantir boa assistência é o monitoramento do tratamento. 28 e 40 após o início do tratamento de pacientes com malária causada pelo P. conforme fluxo e modelo adiante apresentados. A notificação deverá ser feita através da ficha de notificação de caso de malária. a LVC deverá ser realizada: ❯ nos dias 2. • para a região extra-amazônica – a realização dos controles periódicos pela LVC durante os primeiros 40 (P. Qualidade da assistência Um dos indicadores para se avaliar a qualidade da assistência é o tempo verificado entre a coleta da amostra de sangue para exame e o início do tratamento. No paciente com resultado negativo para malária. para coleta da amostra de sangue e exame parasitoscópico. 14. Desta forma.

de acordo com as orientações técnicas. com intervalos de. deve-se iniciar a investigação epidemiológica para permitir que as medidas de controle possam ser adotadas. posteriormente. telas em portas e janelas. ❯ aplicação de larvicidas em criadouros do vetor. infectividade natural nos vetores e paridade. 6 M Roteiro de investigação epidemiológica Identificação do paciente Preencher todos os campos da ficha de notificação de casos de malária relativos aos “dados preliminares da notificação”. • investigação entomológica com determinação dos hábitos hematofágicos. Investigação Após a notificação de um ou mais casos de malária. sazonalidade do vetor ou verificação do aumento da taxa de paridade. O instrumento de coleta de dados é a ficha de notificação de caso de malária. Proteção da população Como medidas utilizadas para o controle da malária na população. • aplicação espacial de inseticidas nos horários de maior densidade vetorial. sete dias. verificar o resultado do exame laboratorial. que contém os elementos essenciais a serem coletados em uma investigação de rotina. • investigação epidemiológica. “sintomas”. anotando a data da notificação e. com periodicidade determinada por provas biológicas para residualidade. e pequenas obras de saneamento. Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 535 . • Data dos primeiros sintomas. As informações sobre “dados preliminares da notificação”. para eliminação de criadouros do vetor. • borrifação residual em todas as casas da localidade acometida. “dados do paciente”. podemos destacar: • tratamento imediato dos casos diagnosticados. • Coletar amostra de sangue. no máximo.Malária Confirmação diagnóstica Coletar material para diagnóstico laboratorial. • orientação à população quanto à doença. Todos os seus campos devem ser criteriosamente preenchidos. mosquiteiros impregnados. “local provável da infecção” e os campos. “data dos primeiros sintomas” e “paciente é gestante?” devem ser preenchidos no primeiro atendimento ao paciente. roupas protetoras. • busca de casos junto aos comunicantes. uso de repelentes. “dados do paciente” e “paciente é gestante?” Coleta de dados clínicos e epidemiológicos Anotar na ficha de notificação de caso de malária • Se o paciente está com ou sem sintomas.

estas devem ser enviadas ao laboratório de referência. para identificação e verificação de infectividade e paridade. • identificação da lâmina. Uma equipe treinada em pesquisa de vetores deve ser deslocada para esta área. O resultado do exame deverá ser enviado. Os espécimes coletados devem ser enviados ao laboratório de entomologia. e se os mesmos ocorreram em horários de hábitos alimentares dos vetores. responsáveis ou pessoas da comunidade. Para determinação da extensão da área de transmissão Em áreas rurais e urbanas – após a identificação do local provável de infecção. ao local da coleta. Os dados serão anotados na ficha de notificação. de acordo com os procedimentos abaixo: • coleta da amostra de sangue e preparação da lâmina. com maior certeza. 536 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS . pelo método de Walker. permitindo identificar o local de infecção da malária. esfregaço. Lembrar que a identificação da área onde se deu a transmissão é de fundamental importância para nortear a extensão das medidas de controle. • Verificar se o paciente esteve em área de transmissão de malária no período de 8 a 30 dias anteriores à data dos primeiros sintomas e se os mesmos ocorreram à noite. juntamente com a ficha de notificação de caso.Malária Para identificação da área de transmissão (local provável da infecção) • Identificar se o local de residência corresponde a uma área de transmissão da malária. Coleta e remessa de material para exames A coleta e remessa da amostra de sangue para exame de malária devem ser feitas por técnicos devidamente preparados pelo serviço de saúde. delimitando a área de transmissão. faz-se a busca ativa de outros casos. para a captura dos prováveis mosquitos vetores. após preparação e identificação da lâmina. a caracterização do local de transmissão é facilitada. Em locais que somente coletam amostras de sangue. Estes procedimentos devem ser feitos mediante entrevista com o paciente. posteriormente. familiares. • exame da lâmina e registro do resultado. a história dos deslocamentos de todos os casos suspeitos permitirá definir. o local provável de infecção. • Verificar a principal atividade exercida pelo paciente no período de 8 a 30 dias anteriores à data dos primeiros sintomas. Quando o paciente residir em área endêmica. • coloração da lâmina: gota espessa. Entretanto. pelos métodos de Giemsa ou Wright.

agente de saúde (coleta de sangue. tempo e lugar. segundo as características de pessoa. Estas ações serão constantemente reavaliadas para medição do impacto sobre a transmissão da doença e redirecionamento. início da notificação) Laboratório (exame e registro de resultado) Resultado do exame (positivo) Resultado do exame (negativo) Unidade de saúde. de forma que se possa adotar as ações adequadas e oportunas ao controle da malária. agente de saúde (tratamento) Unidade de saúde (notificação) Unidade de saúde (pesquisar outros agravos) 6 Análise de informações Secretaria municipal de saúde (digitação) Divulgação de informações Análise de informações Regional estadual de saúde (consolidação dos dados) Divulgação de informações Análise de informações Secretaria estadual de saúde (consolidação dos dados) Divulgação de informações M Lacen (controle de qualidade) Análise de informações CGPNCM/SVS/MS (consolidação dos dados) Divulgação de informações Análise dos dados A análise dos dados da notificação deve permitir a avaliação da magnitude. Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 537 . O nível local deverá fazer as primeiras avaliações. caso necessário.Malária Fluxograma do Sistema de Vigilância da Malária Caso suspeito Unidade de saúde.

com utilização de biolarvicidas. peixes larvófagos e outros. • análise da situação da doença. é indicado para pequenas coleções de água. Larvicidas químicos não são indicados devido ao impacto ambiental que podem causar. • identificação do local provável da infecção e período da ocorrência. prevenindo a ocorrência de epidemias. preferencialmente. Caso descartado – caso suspeito notificado. Relatório final Os dados da investigação deverão ser sumarizados em um relatório com as principais conclusões. das quais destacam-se: • distribuição da doença. • descrição dos criadouros potenciais de Anopheles e respectivas espécies vetoras. quando viável. Para o controle de mosquitos adultos. o ordenamento do meio por drenagem. utiliza-se o controle químico por meio da aplicação intradomiciliar de inseticida de efeito residual e pulverização espacial de inseticida. aterro. encerra-se o caso de malária. por sexo e faixa etária. • descrição dos fatores de risco envolvidos na transmissão. mortalidade e letalidade). O controle biológico. porém os resultados destes estudos ainda não são satisfatórios para a implantação da vacinação. modificação do fluxo da água e controle da vegetação aquática e limpeza das margens é o método mais indicado. de larvas. Instrumentos disponíveis para coleta Imunização Vários antígenos plasmodiais foram identificados nas últimas décadas. ao nível municipal. segundo os indicadores de risco de transmissão e de gravidade (IPA. cujo resultado do exame laboratorial foi negativo. Para o controle larvário. A partir de 1999. Os principais métodos empregados são o controle dos mosquitos adultos e. percentagem de falciparum. coeficiente de internação. com a conseqüente diminuição da morbimortalidade.Malária Encerramento de casos Confirmado o diagnóstico laboratorial e iniciado o tratamento. Esse novo direcionamento para as ações de controle origina-se da neces- 538 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS . com o objetivo de reduzir o risco de transmissão. responsáveis pela transmissão. • descrição das espécies de plasmódios causadoras da doença. vem ocorrendo na região amazônica a implantação do controle seletivo de vetores. Controle vetorial O controle vetorial da malária deve ser desenvolvido. Ensaios de campo foram realizados para avaliar a eficácia de algumas vacinas. em criadouros limitados em número e com baixo fluxo de água.

imprensa falada. recomenda-se entrar em contato com os setores responsáveis pelo controle da malária nas secretarias municipais e estaduais de saúde. em que haja deslocamento para áreas maláricas dos continentes africano e asiático. da necessidade de se procurar a unidade de saúde aos primeiros sintomas. O controle seletivo pode ser entendido como a seleção de medidas de controle mais efetivas. a política adotada atualmente centra-se no diagnóstico e tratamento oportuno e adequado. escrita. como missões militares. modificação do fluxo da água. As medidas de prevenção coletiva utilizadas são: drenagem. religiosas. No Brasil. utilizam-se como medidas de prevenção individual: uso de mosquiteiros impregnados ou não com inseticidas. diplomáticas e outras. é necessário que a comunidade esteja mobilizada para se articular junto aos demais setores envolvidos com o controle da endemia. controle da vegetação aquática. pois existe estrutura na rede pública de saúde para diagnóstico e tratamento da malária. e do Ministério da Saúde. uso racional da terra. telas em portas e janelas. pequenas obras de saneamento para eliminação de criadouros do vetor. entre outras) quanto individual (cartilhas. limpeza das margens dos criadouros. M Secretaria de Vigilância em Saúde / MS 539 . falciparum à cloroquina e outros antimaláricos. tanto para educação em saúde coletiva (teatro. música. seguras. que causem menor impacto ambiental e sejam adaptadas à realidade local. “folders” e outros). roupas que protejam pernas e braços. Várias técnicas pedagógicas podem ser utilizadas. de baixo custo. a importância do tratamento. os cuidados com a proteção individual e coletiva. 6 Estratégia de prevenção Além de evitar freqüentar os locais de transmissão à noite. Porém. uso de repelentes. Tendo em vista que os determinantes da ocorrência de malária não são exclusivos do setor saúde. aterro. melhoramento da moradia e das condições de trabalho. à toxicidade e custo mais elevado de novas drogas. Programas coletivos de quimioprofilaxia não têm sido adotados devido à resistência do P. em situações especiais. Ações de educação em saúde A população deve ser informada sobre a doença.Malária sidade de implantar estratégias criativas para o enfrentamento do problema.

Malária 540 Secretaria de Vigilância em Saúde / MS .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful