Notas de Análise Funcional Jorge Mujica Sumário 1. Espaços normados e operadores lineares ....................................................................................01 2. Desigualdades de Hölder e Minkowski para somas....................................................................05 3. Espaços normados de sequências................................................................................................08 4. Desigualdades de Hölder e Minkowski para integrais ................................................................12 5. Espaços normados de funções.....................................................................................................14 6. Espaços normados de dimensão finita ........................................................................................20 7. Completamento de espaços normados ........................................................................................23 8. Espaços quociente .......................................................................................................................26 9. Espaços com produto interno......................................................................................................29 10. Projeções ortogonais .................................................................................................................32 11. O teorema de Hahn-Banach ......................................................................................................37 12. Consequências do teorema de Hahn-Banach ............................................................................41 13. O dual de lp ...............................................................................................................................44 14. O dual de Lp(X,_, µ) .................................................................................................................46 15. Bidual de um espaço normado ..................................................................................................51 16. Teorema de Banach-Steinhaus ..................................................................................................54 17. Teorema da aplicação aberta e teorema do gráfico fechado......................................................57 18. Espectro de um operador em um espaço de Banach .................................................................60 19. Operadores compactos entre espaços de Banach ......................................................................63 20. Conjuntos ortonormais em espaços de Hilbert..........................................................................65 21. Conjuntos ortonormais completos em espaços de Hilbert ........................................................68 22. Operadores auto-adjuntos em espaços de Hilbert .....................................................................75 23. Teorema espectral para operadores compactos e auto-adjuntos em espaços de Hilbert .....................................................................................................................78 24. Espaços localmente convexos ...................................................................................................81 25. O teorema de Hahn-Banach em espaços localmente convexos.................................................85 26. A topologia fraca.......................................................................................................................87 27. A topologia fraca estrela ...........................................................................................................89 1. Espa¸ cos normados e operadores lineares Sempre consideraremos espa¸cos vetoriais sobre K, onde K ´e R ou C. 1.1. Defini¸c˜ao. Se E ´e um espa¸co vetorial, ent˜ ao uma fun¸ c˜ao x ∈ E → |x| ∈ R ´e chamada de norma se verifica as seguintes propriedades: (a) |x| ≥ 0 para todo x ∈ E; (b) |x| = 0 se e s´o se x = 0; (c) |λx| = [λ[|x| para todo λ ∈ K e x ∈ E; (d) |x +y| ≤ |x| +|y| para todo x, y ∈ E. A desigualdade (d) ´e chamada de desigualdade triangular. O espa¸co vetorial E, junto com a norma |.|, ´e chamado de espa¸co normado. E ´e chamado de espa¸co de Banach se for completo com rela¸c˜ao `a m´etrica natural d(x, y) = |x −y|. Logo veremos muitos exemplos de espa¸cos normados e espa¸cos de Banach. De agora em diante, a menos que digamos o contr´ ario, E e F denotar˜ ao espa¸cos normados. 1.2. Defini¸c˜ao. Sejam a ∈ E e r > 0. A bola aberta de centro a e raio r ´e o conjunto B E (a; r) = ¦x ∈ E : |x −a| < r¦. A bola fechada de centro a e raio r ´e o conjunto B E (a; r) = ¦x ∈ E : |x −a| ≤ r¦. A esfera de centro a e raio r ´e o conjunto S E (a; r) = ¦x ∈ E : |x −a| = r¦. Se a = 0 e r = 1, escreveremos B E , B E e S E em lugar de B E (0; 1), B E (0; 1) e S E (0; 1), respectivamente. 1.3. Defini¸c˜ao. Dada uma aplica¸ c˜ao linear T : E → F, seja |T| definido por |T| = sup¦|Tx| : x ∈ E, |x| ≤ 1¦. T ´e dita limitada se |T| < ∞. 1.4. Proposi¸ c˜ao. Dado uma aplica¸ c˜ao linear T : E → F, as seguintes condi¸c˜oes s˜ao equivalentes: (a) T ´e limitada. (b) T ´e uniformemente cont´ınua. (c) T ´e cont´ınua. (d) T ´e cont´ınua na origem. 1 Demonstra¸ c˜ao. (a) ⇒ (b): Se T ´e limitada, ent˜ ao |Tx| ≤ |T| para todo x ∈ E, |x| ≤ 1, e portanto |Tx| ≤ |T||x| para todo x ∈ E. Segue que |Tx −Ty| ≤ |T||x −y| para todo x, y ∈ E. Logo T ´e uniformemente cont´ınuo. As implica¸c˜oes (b) ⇒ (c) e (c) ⇒ (d) s˜ao claras. (d) ⇒ (a): Se (a) n˜ ao for verdadeiro, ent˜ ao existiria uma sequˆencia (x n ) em E tal que |x n | ≤ 1 e |Tx n | ≥ n para cada n. Seja y n = x n /|Tx n | para cada n. Ent˜ ao |y n | ≤ 1/n e |Ty n | = 1 para cada n. Logo T n˜ ao seria cont´ınuo na origem. 1.5. Corol´ario. Seja T : E → F uma aplica¸ c˜ao linear. Ent˜ao T ´e cont´ınua se e s´ o se existe uma constante c > 0 tal que |Tx| ≤ c|x| para todo x ∈ E. 1.6. Defini¸c˜ao. Denotaremos por L a (E; F) o espa¸co vetorial de todas as aplica¸ c˜oes lineares T : E → F. Denotaremos por L(E; F) o subespa¸ co de todas os T ∈ L a (E; F) que s˜ao cont´ınuas. Os elementos de L a (E; F) s˜ao usualmente chamados de operadores lineares. ´ E claro que o valor absoluto define uma norma em K, e que K, munido dessa norma, ´e completo. O espa¸co L a (E, K) ´e denotado por E ∗ , e ´e chamado de dual alg´ebrico de E. O espa¸co L(E; K) ´e denotado por E , e ´e chamado de dual topol´ ogico, ou simplesmente dual de E. Os elementos de E ∗ s˜ao usualmente chamados de funcionais lineares. Diremos que T ∈ L(E; F) ´e um isomorfismo topol´ ogico se T ´e bijetivo e seu inverso ´e cont´ınuo. Diremos que T ∈ L(E; F) ´e um mergulho topol´ ogico se T ´e um isomorfismo topol´ ogico entre E e o subespa¸co T(E) de F. Diremos que T ∈ L(E; F) ´e um isomorfismo isom´etrico se T ´e bijetivo, e |Tx| = |x| para todo x ∈ E. Diremos que T ∈ L(E; F) ´e um mergulho isom´etrico se T ´e um isomorfismo isom´etrico entre E e o subespa¸co T(E) de F. Diremos que duas normas |.| 1 e |.| 2 em um espa¸co vetorial E s˜ao equiv- alentes se a aplica¸c˜ao identidade de (E, |.| 1 ) em (E, |.| 2 ) ´e um isomorfismo topol´ ogico. 1.7. Corol´ario. Seja T ∈ L a (E; F). Ent˜ao T ´e um mergulho topol´ ogico se e s´ o se existem constantes b ≥ a > 0 tais que a|x| ≤ |Tx| ≤ b|x| para todo x ∈ E. 2 1.8. Corol´ario. Seja E um espa¸ co vetorial. Duas normas |.| 1 e |.| 2 em E s˜ ao equivalentes se e s´ o se existem constantes b ≥ a > 0 tais que a|x| 1 ≤ |x| 2 ≤ b|x| 1 para todo x ∈ E. 1.9. Proposi¸c˜ao. A fun¸ c˜ao T → |T| ´e uma norma em L(E; F). Se F ´e um espa¸ co de Banach, ent˜ao L(E; F) tamb´em ´e um espa¸ co de Banach. Demonstra¸ c˜ao. ´ E f´ acil verificar que a fun¸ c˜ao T → |T| ´e uma norma em L(E; F). Provaremos que L(E; F) ´e completo se F ´e completo. Seja (T n ) uma sequˆencia de Cauchy em L(E; F). Ent˜ ao, dado > 0, existe n 0 ∈ N tal que |T n −T m | ≤ para todo n, m ≥ n 0 . Segue que (1) |T n x −T m x| ≤ |T n −T m ||x| ≤ |x| para todo n, m ≥ n 0 e x ∈ E. Segue que (T n x) ´e uma sequˆencia de Cauchy em F para cada x ∈ E. Como por hip´ otese F ´e completo, existe o limite lim n T n x para cada x ∈ E. Definamos T : E → F por Tx = lim n T n x para cada x ∈ E. ´ E facil verificar que T ´e linear. Fazendo m → ∞ em (1) segue que |T n x −Tx| ≤ |x| para todo n ≥ n 0 e x ∈ E. Logo |T n − T| ≤ , e portanto T n − T ∈ L(E; F), para todo n ≥ n 0 . Segue que T = (T −T n ) +T n ∈ L(E; F) e |T n −T| → 0. 1.10. Corol´ario. O dual de um espa¸ co normado ´e sempre um espa¸ co de Banach. Exerc´ıcios 1.A. Prove que [|x| −|y|[ ≤ |x −y| para todo x, y ∈ E. Em particular a fun¸ c˜ao x ∈ E → |x| ∈ R ´e uniformemente cont´ınua. 1.B. (a) Se x n → x em E, e y n → y em E, prove que x n + y n → x + y em E. (b) Se λ n → λ em K, e x n → x em E, prove que λ n x n → λx em E. Em particular as seguintes aplica¸ c˜oes s˜ao cont´ınuas: (x, y) ∈ E E → x +y ∈ E, (λ, x) ∈ KE → λx ∈ E. 3 1.C. (a) Prove que, para cada a ∈ E, a aplica¸ c˜ao x ∈ E → x +a ∈ E ´e um homeomorfismo. (b) Prove que, para cada λ ,= 0 em K, a aplica¸ c˜ao x ∈ E → λx ∈ E ´e um homeomorfismo. 1.D. Prove que cada subespa¸ co fechado de um espa¸co de Banach ´e um espa¸co de Banach com a norma induzida. 1.E. Se M ´e um subespa¸co vetorial pr´ oprio de E, prove que intE ´e vazio. 1.F. (a) Prove que a fun¸ c˜ao |(x, y)| 1 = |x| + |y| define uma norma em E F. (b) Prove que (E F, |.| 1 ) ´e completo se e s´o se E e F s˜ao completos. 1.G. (a) Prove que a fun¸ c˜ao |(x, y)| ∞ = max¦|x|, |y|¦ define uma norma em E F. (b) Prove que (E F, |.| ∞ ´e completo se e s´o se E e F s˜ao completos. 1.H. Prove que a aplica¸ c˜ao identidade I : (E F, |.| 1 ) → (E F, |.| ∞ ) ´e um isomorfismo topol´ ogico. Calcule |I| e |I −1 |. 1.I. Dado T ∈ L(E; F), prove que: |T| = sup¦|Tx| : x ∈ E, |x| < 1¦ = sup¦|Tx| : x ∈ E, |x| = 1¦ = sup¦ |Tx| |x| : x ∈ E, x ,= 0¦ = inf¦c > 0 : |Tx| ≤ c|x| para todo x ∈ E¦. 4 2. Desigualdades de H¨older e Minkowski para somas 2.1. Lema. Sejam a, b, α, β > 0, com α +β = 1. Ent˜ao: (1) a α b β ≤ αa +βb, com igualdade se e s´o se a = b. Demonstra¸ c˜ao. Queremos provar que a α b 1−α ≤ αa + (1 −α)b, ou seja (2) _ a b _ α ≤ α a b + 1 −α. Consideremos a fun¸ c˜ao φ(t) = αt + 1 −α −t α (t > 0). Ent˜ ao φ (t) = α −αt α−1 . Como 0 < α < 1, segue que φ (t) < 0 se 0 < t < 1, φ (t) > 0 se t > 1. Logo φ ´e estritamente decrescente em (0, 1], e estritamente crescente em [1, ∞). Como φ(1) = 0, concluimos que φ(t) > 0 se t > 0, t ,= 1. Isto prova (2), e portanto (1), com igualdade se e s´ o se a = b. 2.2. Teorema (desigualdade de H¨older para somas). Sejam 1 < p, q < ∞, com 1 p + 1 q = 1, e sejam (ξ 1 , ..., ξ n ), (η 1 , ..., η n ) ∈ K n . Ent˜ao: n j=1 [ξ j η j [ ≤ ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p ⎛ ⎝ n j=1 [η j [ q ⎞ ⎠ 1/q . Demonstra¸ c˜ao. Aplicando o lema anterior, com a j = [ξ j [ p n j=1 [ξ j [ p , b j = [η j [ q n j=1 [η j [ q , α = 1 p , β = 1 q , obtemos [ξ j η j [ _ n j=1 [ξ j [ p _ 1/p _ n j=1 [η j [ q _ 1/q ≤ a j p + b j q 5 para j = 1, ..., n. Somando estas desigualdades, segue que n j=1 [ξ j η j [ _ n j=1 [ξ j [ p _ 1/p _ n j=1 [η j [ q _ 1/q ≤ 1 p n j=1 a j + 1 q n j=1 b j = 1 p + 1 q = 1, completando a demonstra¸c˜ao. 2.3. Corol´ario (desigualdade de Cauchy-Schwarz para somas). Se- jam (ξ 1 , ..., ξ n ), (η 1 , ..., η n ) ∈ K n . Ent˜ao: n j=1 [ξ j η j [ ≤ ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j [ 2 ⎞ ⎠ 1/2 ⎛ ⎝ n j=1 [η j [ 2 ⎞ ⎠ 1/2 . 2.4. Defini¸c˜ao. Dado 1 ≤ p < ∞, seja p o conjunto de todas as sequˆencias (ξ j ) em K tais que ∞ j=1 [ξ j [ p < ∞. Temos ent˜ao os corol´arios seguintes. 2.5. Corol´ario (desigualdade de H¨older para s´eries). Sejam 1 < p, q < ∞, com 1 p + 1 q = 1, e sejam (ξ j ) ∈ p e (η j ) ∈ q . Ent˜ao (ξ j η j ) ∈ 1 e ∞ j=1 [ξ j η j [ ≤ ⎛ ⎝ ∞ j=1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p ⎛ ⎝ ∞ j=1 [η j [ q ⎞ ⎠ 1/q . 2.6. Corol´ario (desigualdade de Cauchy-Schwarz para s´eries). Se- jam (ξ j ), (η j ) ∈ 2 . Ent˜ao (ξ j η j ) ∈ 1 e ∞ j=1 [ξ j η j [ ≤ ⎛ ⎝ ∞ j=1 [ξ j [ 2 ⎞ ⎠ 1/2 ⎛ ⎝ ∞ j=1 [η j [ 2 ⎞ ⎠ 1/2 . 2.7. Teorema (desigualdade de Minkowski para somas). Sejam 1 ≤ p < ∞, e (ξ 1 , ..., ξ n ), (η 1 , ..., η n ) ∈ K n . Ent˜ao: ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j +η j [ p ⎞ ⎠ 1/p ≤ ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p + ⎛ ⎝ n j=1 [η p j ⎞ ⎠ 1/p . Demonstra¸ c˜ao. A desigualdade ´e clara se p = 1. Se p > 1, temos que: n j=1 [ξ j +η j [ p = n j=1 [ξ j +η j [[ξ j +η j [ p−1 ≤ n j=1 [ξ j [[ξ j +η j [ p−1 + n j=1 [η j [[ξ j +η j [ p−1 . 6 Como (p −1)q = p, segue da desigualdade de H¨ older que n j=1 [ξ j [[ξ j +η j [ p−1 ≤ ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j +η j [ p ⎞ ⎠ 1/q e n j=1 [η j [[ξ j +η j [ p−1 ≤ ⎛ ⎝ n j=1 [η j [ p ⎞ ⎠ 1/p ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j +η j [ p ⎞ ⎠ 1/q . Logo n j=1 [ξ j +η j [ p ≤ ⎧ ⎪ ⎨ ⎪ ⎩ ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p + ⎛ ⎝ n j=1 [η j [ p ⎞ ⎠ 1/p ⎫ ⎪ ⎬ ⎪ ⎭ ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j +η j [ p ⎞ ⎠ 1/q . Como 1 − 1 q = 1 p , segue que ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j +η j [ p ⎞ ⎠ 1/p ≤ ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p + ⎛ ⎝ n j=1 [η j [ p ⎞ ⎠ 1/p , completando a demonstra¸c˜ao. 2.8. Corol´ario (desigualdade de Minkowski para s´eries). Seja 1 ≤ p < ∞, e sejam (ξ j ), (η j ) ∈ p . Ent˜ao (ξ j +η j ) ∈ p e ⎛ ⎝ ∞ j=1 [ξ j +η j [ p ⎞ ⎠ 1/p ≤ ⎛ ⎝ ∞ j=1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p + ⎛ ⎝ ∞ j=1 [η j [ p ⎞ ⎠ 1/p . 7 3. Espa¸ cos normados de sequˆencias 3.1. Exemplo. Dado 1 ≤ p < ∞, definamos |x| p = ⎛ ⎝ n j=1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p para cada x = (ξ 1 , ..., ξ n ) ∈ K n . Segue da desigualdade de Minkowski que a fun¸ c˜ao |.| p ´e uma norma em K n . Denotaremos por K n p o espa¸co vetorial K n , munido da norma |.| p . N˜ ao ´e dif´ıcil provar que K n p ´e um espa¸co de Banach. 3.2. Exemplo. Definamos |x| ∞ = max¦[ξ 1 [, ..., [ξ n [¦ para cada x = (ξ 1 , ..., ξ n ) ∈ K n . ´ E f´ acil verificar que a fun¸ c˜ao |.| ∞ ´e uma norma em K n . Denotaremos por K n p o espa¸co vetorial K n , munido da norma |.| ∞ . N˜ ao ´e dif´ıcil provar que K n ∞ ´e um espa¸co de Banach. 3.3. Exemplo. Dado 1 ≤ p < ∞, lembremos que p = ¦x = (ξ j ) ∞ j=1 ⊂ K : ∞ j=1 [ξ j [ p < ∞¦. Segue da desigualdade de Minkowski para s´eries que p ´e um espa¸co vetorial, e a fun¸ c˜ao |x| p = ⎛ ⎝ ∞ j=1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p ´e uma norma em p . Provaremos que p ´e de fato um espa¸co de Banach. Seja (x n ) ∞ n=1 uma seq¨ uˆencia de Cauchy em p . Escrevamos x n = (ξ nj ) ∞ j=1 para cada n. Ent˜ ao, dado > 0, existe n 0 tal que (1) |x n −x m | = ⎛ ⎝ ∞ j=1 [ξ nj −ξ mj [ p ⎞ ⎠ 1/p ≤ para todo n, m ≥ n 0 . Em particular [ξ nj −ξ mj [ ≤ |x n −x m | ≤ para todo n, m ≥ n 0 e todo j ∈ N. Logo (ξ nj ) ∞ n=1 ´e uma seq¨ uˆencia de Cauchy em K para cada j ∈ N. Seja ξ j = lim n ξ nj para cada j ∈ N, e seja x = (ξ j ) ∞ j=1 . Provaremos que x ∈ p e que (x n ) ∞ n=1 converge a x. De fato, segue de (1) que (2) ⎛ ⎝ k j=1 [ξ nj −ξ mj [ p ⎞ ⎠ 1/p ≤ 8 para todo n, m ≥ n 0 e todo k ∈ N. Fazendo m → ∞ em (2) segue que ⎛ ⎝ k j=1 [ξ nj −ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p ≤ para todo n ≥ n 0 e todo k ∈ N. Logo ⎛ ⎝ ∞ j=1 [ξ nj −ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p ≤ para todo n ≥ n 0 . Assim x n −x ∈ p e |x n −x| ≤ para todo n ≥ n 0 . Segue que x = (x −x n ) +x n ∈ p e |x n −x| → 0. 3.4. Exemplo. Seja ∞ = ¦x = (ξ j ) ∞ j=1 ⊂ K : sup j [ξ j [ < ∞¦. ´ E f´ acil verificar que ∞ ´e um espa¸co vetorial, e a fun¸ c˜ao |x| ∞ = sup j [ξ j [ ´e uma norma em ∞ . N˜ ao ´e dif´ıcil provar que ∞ ´e um espa¸co de Banach. 3.5. Exemplo. Sejam c 0 = ¦x = (ξ j ) ∞ j=1 ⊂ K : (ξ j ) converge a zero¦ e c = ¦x = (ξ j ) ∞ j=1 ⊂ K : (ξ j ) ´e convergente¦. N˜ao ´e dif´ıcil provar que c 0 e c s˜ao subespa¸ cos fechados de ∞ , e s˜ao portanto espa¸cos de Banach. Lembremos que um espa¸co m´etrico X ´e dito separ´ avel se existir um sub- conjunto enumer´ avel D ⊂ X que ´e denso em X, ou seja D = X. N˜ ao ´e dif´ıcil provar que o espa¸ co K n p ´e separ´avel para 1 ≤ p ≤ ∞. 3.5. Proposi¸c˜ao. p ´e separ´ avel para cada 1 ≤ p < ∞. Demonstra¸ c˜ao. Seja c 00 = ¦x = (ξ j ) ∞ j=1 ⊂ K : ξ j = 0 para todo j ≥ algum n¦ e seja D = ¦x = (ξ j ) ∞ j=1 ∈ c 00 : cada ξ j ´e racional¦. O conjunto D ´e claramente enumer´avel. Provaremos que D ´e denso em p . Sejam x = (ξ j ) ∈ p e > 0 dados. Como ∞ j=1 [ξ j [ p < ∞, existe n ∈ N tal que ∞ j=n+1 [ξ j [ p < p . 9 Seja y = (ξ 1 , ..., ξ n , 0, 0, 0, ...), e seja z = (ζ 1 , ..., ζ n , 0, 0, 0, ...), com ζ 1 , ..., ζ n racionais tais que n j=1 [ξ j −η j [ p < p . Ent˜ ao y ∈ c 00 , z ∈ D e |x −z| p ≤ |x −y| p +|y −z| p < 2. Logo D ´e denso em p . 3.6. Proposi¸c˜ao. ∞ n˜ao ´e separ´ avel. Demonstra¸ c˜ao. Seja (x n ) ∞ n=1 um subconjunto enumer´ avel de ∞ . Seja x n = (ξ nj ) ∞ j=1 para cada n. Seja x = (ξ j ) ∞ j=1 definido por ξ j = ξ jj + 1 se [ξ jj [ ≤ 1, ξ j = 0 se [ξ jj [ > 1. Claramente x ∈ ∞ , mas |x −x j | ∞ ≥ [ξ j −ξ jj [ ≥ 1 para todo j. Logo ¦x j : j ∈ N¦ n˜ ao ´e denso em ∞ . Exerc´ıcios 3.A. Dados x ∈ K n e 1 ≤ p ≤ q < ∞, prove que: (a) |x| q ≤ |x| p . (b) |x| ∞ ≤ |x| p ≤ n 1/p |x| ∞ . (c) |x| ∞ = lim p→∞ |x| p . Em particular todas as normas |.| p , com 1 ≤ p ≤ ∞, s˜ao equivalentes entre si em K n . 3.B. Seja T : K n 1 → K n ∞ o operador identidade. Calcule |T| e |T −1 |. 3.C. Se 1 ≤ p ≤ ∞, prove que cada aplica¸ c˜ao linear T : K n p → F ´e cont´ınua. 3.D. Se 1 ≤ p ≤ q < ∞, prove que p ⊂ q , e a inclus˜ ao ´e cont´ınua. 10 3.E. Se 1 ≤ p < ∞, prove que p ⊂ c 0 , e a inclus˜ ao ´e cont´ınua. 3.F. Prove que K n p ´e separ´avel para 1 ≤ p ≤ ∞. 3.G. Prove que c 0 e c s˜ao separ´aveis. 3.H. Prove que c 0 e c s˜ao isomorfos entre si. 11 4. Desigualdades de H¨older e Minkowski para integrais Seja (X, Σ, µ) um espa¸co de medida, ou seja X ´e um conjunto n˜ ao vazio, Σ ´e uma σ-´algebra de subconjuntos de X, e µ : Σ → [0, ∞] ´e uma medida. Se 1 ≤ p < ∞, denotaremos por L p (X, Σ, µ) o espa¸co vetorial de todas as fun¸ c˜oes mensur´ aveis f : X → K tais que _ X [f[ p dµ < ∞. Escrevamos |f| p = __ X [f[ p dµ _ 1/p para cada f ∈ L p (X, Σ, µ). 4.1. Teorema (desigualdade de H¨older para integrais). Sejam 1 < p, q < ∞, com 1 p + 1 q = 1, e sejam f ∈ L p (X, Σ, µ) e g ∈ L q (X, Σ, µ). Ent˜ao fg ∈ L 1 (X, Σ, µ) e _ X [fg[dµ ≤ __ X [f[ p dµ _ 1/p __ X [g[ q dµ _ 1/q . Demonstra¸ c˜ao. Sem perda de generalidade podemos supor que |f| p > 0 e |g| q > 0. Aplicando o Lema 2.1 com a = [f(x)[ |f| p , b = [g(x)[ |g| q , α = 1 p , β = 1 q , segue que [f(x)g(x)[ |f| p |g| q ≤ [f(x)[ p p|f| p p + [g(x)[ q q|g| q q . Integrando segue que _ X [fg[dµ |f| p |g| q ≤ 1 p + 1 q = 1, completando a demonstra¸c˜ao. 4.2. Corol´ario (desigualdade de Cauchy-Schwarz para integrais). Sejam f, g ∈ L 2 (X, Σ, µ). Ent˜ao fg ∈ L 1 (X, Σ, µ) e _ X [fg[dµ ≤ __ X [f[ 2 dµ _ 1/2 __ X [g[ 2 dµ _ 1/2 . Dadas duas fun¸ c˜oes f, g : X → R, as fun¸ c˜oes f ∨g : X → R e f ∧g : X → R s˜ao definidas por: (f ∨ g)(x) = max¦f(x), g(x)¦, (f ∧ g)(x) = min¦f(x), g(x)¦. 12 4.3. Teorema (desigualdade de Minkowski para integrais). Seja 1 ≤ p < ∞, e sejam f, g ∈ L p (X, Σ, µ). Ent˜ao f +g ∈ L p (X, Σ, µ) e __ X [f +g[ p dµ _ 1/p ≤ __ X [f[ p dµ _ 1/p + __ X [g[ p dµ _ 1/p . Demonstra¸ c˜ao. A desigualdade ´e clara se p = 1. Logo vamos supor que p > 1. Como [f +g[ p ≤ ([f[ +[g[) p ≤ 2 p ([f[ ∨ [g[) p ≤ 2 p ([f[ p +[g[ p ), segue que f +g ∈ L p (X, Σ, µ). Como [f +g[ p = [f +g[[f +g[ p−1 ≤ [f[[f +g[ p−1 +[g[[f +g[ p−1 , segue que _ X [f +g[ p dµ ≤ _ X [f[[f +g[ p−1 dµ + _ X [g[[f +g[ p−1 dµ. Temos que [f + g[ p−1 ∈ L q (X, Σ, µ), pois (p − 1)q = p e f + g ∈ L p (X, Σ, µ). Usando a desigualdade de H¨ older, segue que _ X [f[[f +g[ p−1 dµ ≤ __ X [f[ p dµ _ 1/p __ X [f +g[ p dµ _ 1/q . De maneira an´ aloga _ X [g[[f +g[ p−1 dµ ≤ __ X [g[ p dµ _ 1/p __ X [f +g[ p dµ _ 1/q . Logo _ X [f +g[ p dµ ≤ _ __ X [f[ p dµ _ 1/p + __ X [g[ p dµ _ 1/p _ __ X [f +g[ p dµ _ 1/q . Como 1 − 1 q = 1 p , segue que __ X [f +g[ p dµ _ 1/p ≤ __ X [f[ p dµ _ 1/p + __ X [g[ p dµ _ 1/p , completando a demonstra¸c˜ao. 13 5. Espa¸ cos normados de fun¸ c˜oes 5.1. Exemplo. Seja X um conjunto n˜ ao vazio, e seja B(X) o espa¸co vetorial de todas as fun¸ c˜oes limitadas f : X → K. N˜ ao ´e dif´ıcil provar que B(X) ´e um espa¸co de Banach sob a norma |f| = sup¦[f(x)[ : x ∈ X¦. 5.2. Exemplo. Seja X um espa¸ co topol´ogico compacto, e seja C(X) o espa¸co vetorial de todas as fun¸ c˜oes cont´ınuas f : X → K. N˜ ao ´e dif´ıcil verificar que C(X) ´e um subespa¸co fechado de B(X), e ´e portanto um espa¸ co de Banach. 5.3. Exemplo. Seja X um espa¸ co topol´ ogico arbitr´ ario, e seja C b (X) o espa¸co vetorial de todas as fun¸ c˜oes cont´ınuas e limitadas f : X → K. N˜ ao ´e dif´ıcil verificar que C b (X) ´e um subespa¸co fechado de B(X), e ´e portanto um espa¸co de Banach. 5.4. Exemplo. Seja (X, Σ, µ) um espa¸co de medida, e seja 1 ≤ p < ∞. Segue da desigualdade de Minkowski que L p (X, Σ, µ) ´e um espa¸co vetorial, e a fun¸ c˜ao |f| p = __ X [f[ p dµ _ 1/p tem as seguintes propriedades: (a) |f| p ≥ 0; (b) |f| p = 0 se e s´o se f(x) = 0 quase sempre; (c) |λf| p = [λ[|f| p ; (d) |f +g| p ≤ |f| p +|g| p . Estas propriedades mostram que a fun¸ c˜ao |.| p tem quase todas as pro- priedades de uma norma. S´ o n˜ ao verifica a propriedade (b) da defini¸ c˜ao de norma. Para obter uma norma, vamos introduzir uma rela¸ c˜ao de equivalˆencia em L p (X, Σ, µ) da maneira seguinte. Dadas f, g ∈ L p (X, Σ, µ), definimos f ∼ g se f(x) = g(x) quase sempre. ´ E claro que esta ´e uma rela¸c˜ao de equivalˆencia em L p (X, Σ, µ). Seja L p (X, Σ, µ) o conjunto das classes de equivalˆencia. Dadas [f], [g] ∈ L p (X, Σ, µ) e λ ∈ K, definimos [f] + [g] = [f +g], λ[f] = [λf]. ´ E f´ acil verificar que estas opera¸c˜oes est˜ao bem definidas, e que L p (X, Σ, µ), com estas opera¸c˜oes, ´e um espa¸co vetorial. Al´em disso, a aplica¸c˜ao quociente π : f ∈ L p (X, Σ, µ) → [f] ∈ L p (X, Σ, µ) ´e linear. Se definimos |[f]| p = |f| p 14 para cada [f] ∈ L p (X, Σ, µ), ´e f´acil verificar que esta fun¸ c˜ao est´a bem definida, e ´e uma norma em L p (X, Σ, µ). Antes de provar que L p (X, Σ, µ) ´e completo, vamos precisar de um resultado auxiliar. 5.5. Defini¸c˜ao. (a) Uma s´erie ∞ n=1 x n em E ´e dita convergente se a sequˆencia de somas parciais s n = n j=1 x j ´e convergente em E. (b) Uma s´erie ∞ n=1 x n em E ´e dita absolutamente convergente ou absolu- tamente som´avel se ∞ n=1 |x n | < ∞. 5.6. Proposi¸ c˜ao. Um espa¸co normado E ´e completo se e s´ o se cada s´erie absolutamente convergente em E ´e convergente. Demonstra¸ c˜ao. (⇒) Suponhamos E completo e ∞ n=1 |x n | < ∞. Se m < n, ent˜ ao |s n −s m | = | n j=m+1 x j | ≤ n j=m+1 |x j |. Segue que (s n ) ´e uma sequˆencia de Cauchy em E, e ´e portanto convergente. (⇐) Suponhamos que cada s´erie absolutamente convergente em E seja con- vergente. Para provar que E ´e completo, seja (x n ) uma sequˆencia de Cauchy em E. Ent˜ ao existe uma sequˆencia estritamente crescente (n j ) ⊂ N tal que |x n −x m | ≤ 2 −j para todo n, m ≥ n j . Em particular ∞ j=1 |x n j+1 −x n j | ≤ ∞ j=1 2 −j = 1. Logo a s´erie ∞ j=1 (x n j+1 −x n j ) ´e convergente em E. Como x n 1 + k j=1 (x n j+1 −x n j ) = x n k+1 , concluimos que a sequˆencia (x n k ) converge em E. Assim (x n ) ´e uma sequˆencia de Cauchy em E, que admite uma subsequˆencia convergente. Segue que (x n ) ´e convergente. 5.7. Teorema. L p (X, Σ, µ) ´e um espa¸ co de Banach sempre que 1 ≤ p < ∞. Demonstra¸ c˜ao. Para provar que L p (X, Σ, µ) ´e completo, seja ∞ n=1 [f n ] uma s´erie absolutamente convergente em L p (X, Σ, µ), ou seja ∞ n=1 |[f n ]| = ∞ n=1 |f n | < ∞. 15 Seja g : X → [0, ∞] definida por g(x) = ∞ n=1 [f n (x)[ = lim n→∞ n j=1 [f j (x)[. Pelo teorema da convergˆencia monˆotona, _ X g p dµ = lim n→∞ _ X ⎛ ⎝ n j=1 [f j [ ⎞ ⎠ p . Pela desigualdade de Minkowski, __ X g p dµ _ 1/p = lim n→∞ | n j=1 [f j [| p ≤ lim n→∞ n j=1 |f j | p = ∞ j=1 |f j | p < ∞. Assim g ∈ L p (X, Σ, µ), e g(x) < ∞ quase sempre. Seja N = ¦x ∈ X : g(x) = ∞¦, e seja f : X → K definida por f(x) = ∞ j=1 f j (x) se x ∈ X ¸ N, f(x) = 0 se x ∈ N. ´ E claro que [f(x)[ ≤ g(x) para todo x ∈ X. Como g ∈ L p (X, Σ, µ), segue que f ∈ L p (X, Σ, µ). Como [f(x) − n j=1 f j (x)[ ≤ 2g(x) para todo x ∈ X e n ∈ N, o teorema da convergˆencia dominada garante que lim n→∞ [f − n j=1 f j [ p dµ = 0. Logo lim n→∞ |[f] − n j=1 [f j ]| p = 0. Os elementos do espa¸co L p (X, Σ, µ) s˜ao classes de equivalˆencia de fun¸ c˜oes. Mas na pr´ atica vamos considerar os elementos de L p (X, Σ, µ) como fun¸ c˜oes, mas lembrando de identificar duas fun¸ c˜oes que coincidem quase sempre. 16 5.8. Exemplo. Seja L ∞ (X, Σ, µ) o espa¸co vetorial de todas as fun¸ c˜oes f : X → K que s˜ao limitadas quase sempre, ou seja, existe c > 0 tal que [f(x)[ ≤ c quase sempre. Para cada f ∈ L ∞ (X, Σ, µ), definimos |f| ∞ = inf¦c > 0 : [f(x)[ ≤ c quase sempre¦. ´ E f´ acil verificar que [f(x)[ ≤ |f| ∞ quase sempre. ´ E f´ acil verificar que a fun¸ c˜ao |.| ∞ tem as seguintes propriedades: (a) |f| ∞ ≤ 0; (b) |f| ∞ = 0 se e s´o se f(x) = 0 quase sempre; (c) |λf| ∞ = [λ[|f| ∞ ; (d) |f +g| ∞ ≤ |f| ∞ +|g| ∞ . A fun¸ c˜ao |.| ∞ verifica quase todas as propriedades de uma norma. S´ o n˜ ao verifica a propriedade (b) da defini¸ c˜ao de norma. Para obter uma norma, vamos introduzir uma rela¸ c˜ao de equivalˆencia em L ∞ (X, Σ, µ), como no caso de L p (X, Σ, µ). Dadas f, g ∈ L ∞ (X, Σ, µ), definimos f ∼ g se f(x) = g(x) quase sempre. Esta ´e uma rela¸c˜ao de equivalˆencia em L ∞ (X, Σ, µ). Seja L ∞ (X, Σ, µ) o conjunto das classes de equivalˆencia. Dadas [f], [g] ∈ L ∞ (X, Σ, µ) e λ ∈ K, definimos [f] + [g] = [f +g], λ[f] = [λf]. Estas opera¸ c˜oes est˜ao bem definidas. Com estas opera¸c˜oes L ∞ (X, Σ, µ) ´e um espa¸co vetorial, e a aplica¸ c˜ao quociente π : f ∈ L ∞ (X, Σ, µ) → [f] ∈ L ∞ (X, Σ, µ) ´e linear. Se definimos |[f]| ∞ = |f| ∞ para cada [f] ∈ L ∞ (X, Σ, µ), esta fun¸ c˜ao est´a bem definida, e ´e uma norma em L ∞ (X, Σ, µ). 5.9. Proposi¸c˜ao. L ∞ (X, Σ, µ) ´e um espa¸ co de Banach. Demonstra¸ c˜ao. Para provar que L ∞ (X, Σ, µ) ´e completo, seja ([f n ]) uma sequˆencia de Cauchy em L ∞ (X, Σ, µ). ´ E f´ acil achar N ∈ Σ, com µ(N) = 0, tal que [f n (x)[ ≤ |f n | ∞ para todo x ∈ X ¸ N, n ∈ N; [f m (x) −f n (x)[ ≤ |f m −f n | ∞ para todo x ∈ E ¸ N, m, n ∈ N. Isto prova que (f n ) ´e uma sequˆencia de Cauchy em B(X¸ N). Como B(X¸ N) ´e um espa¸co de Banach, segue que (f n ) converge uniformemente em X ¸ N. Definamos f(x) = lim n→∞ f n (x) se x ∈ X ¸ N, f(x) = 0 se x ∈ N. 17 Ent˜ ao f ∈ L ∞ (X, Σ, µ) e |[f n ] −[f]| ∞ = |f n −f| ∞ → 0. Os elementos do espa¸co L ∞ (X, Σ, µ) s˜ao classes de equivalˆencia de fun¸ c˜oes. Mas na pr´ atica vamos considerar os elementos de L ∞ (X, Σ, µ) como fun¸ c˜oes, mas lembrando de identificar as fun¸ c˜oes que coincidem quase sempre. Exerc´ıcios 5.A. Seja (X, Σ, µ) um espa¸co de medida finita, e sejam 1 ≤ p ≤ q < ∞. (a) Prove que L q (X, Σ, µ) ⊂ L p (X, Σ, µ), e a inclus˜ ao ´e cont´ınua. (b) Prove que L ∞ (X, Σ, µ) ⊂ L q (X, σ, µ), e a inclus˜ ao ´e cont´ınua. Sugest˜ ao: Para provar (a), considere uma fun¸ c˜ao f ∈ L q (X, Σ, µ), e aplique a desigualdade de H¨ older ` as fun¸ c˜oes φ = [f[ p ∈ L q p (X, Σ, µ), ψ = 1 ∈ L q q−p (X, Σ, µ). 5.B. Use o teorema de aproxima¸c˜ao de Weierstrass para provar que o espa¸ co C[a, b] ´e separ´avel. 5.C. Seja X um espa¸ co topol´ogico. Diremos que uma fun¸ c˜ao f ∈ C(X) se anula no infinito se para cada > 0 existe um compacto K ⊂ X tal que [f(x)[ < para todo x ∈ X ¸ K. Seja C 0 (X) o espa¸co vetorial de todas as f ∈ C(X) que se anulam no infinito. Prove que C 0 (X) ´e um subespa¸co fechado de C b (X), e ´e portanto um espa¸ co de Banach. 5.D. Use o teorema de aproxima¸c˜ao de Weierstrass para provar que o espa¸ co C 0 (R) ´e separ´avel. 5.E. Use o fato que C[a, b] ´e um subespa¸co denso de L p [a, b], para provar que L p [a, b] ´e separ´avel sempre que 1 ≤ p < ∞. 5.F. Seja U um aberto de C, e seja H ∞ (U) o espa¸co vetorial de todas as fun¸ c˜oes f : U → C que s˜ao holomorfas e limitadas. Prove que H ∞ (U) ´e um subespa¸ co fechado de C b (U), e ´e portanto um espa¸ co de Banach. 5.G. Dada uma fun¸ c˜ao f : [a, b] → K, a varia¸ c˜ao total de f ´e definida por V (f) = sup n j=1 [f(b j ) −f(a j )[, onde o supremo ´e tomado sobre todos os a j , b j tais que a ≤ a 1 ≤ b 1 ≤ a 2 ≤ b 2 ≤ ... ≤ a n ≤ b n ≤ b. Diremos que f tem varia¸ c˜ao limitada se V (f) < ∞. Se f for crescente, ou decrescente, prove que f tem varia¸c˜ao limitada. 18 5.H. Seja BV [a, b] o espa¸co vetorial de todas as fun¸ c˜oes f : [a, b] → K de varia¸ c˜ao limitada. Prove que BV [a, b] ´e um espa¸co de Banach sob a norma |f| = V (f) +[f(a)[. 19 6. Espa¸ cos normados de dimens˜ao finita 6.1. Teorema. Todos os espa¸ cos normados de dimens˜ao n sobre K s˜ ao topologicamente isomorfos entre si. Demonstra¸ c˜ao. Seja E um espa¸ co normado de dimens˜ ao n sobre K. Provaremos que E ´e topologicamente isomorfo a K n 2 . Seja (e 1 , ..., e n ) uma base de E. Seja T : K n 2 → E definida por Tx = n j=1 ξ j e j para todo x = (ξ 1 , ..., ξ n ) ∈ K n 2 . ´ E claro que T ´e bijetiva. Segue da desigualdade de Cauchy-Schwarz que |Tx| ≤ n j=1 [ξ j [|e j | ≤ ⎛ ⎝ n j=1 |e j | 2 ⎞ ⎠ 1/2 |x|, e portanto T ´e cont´ınua. Para provar que T −1 ´e cont´ınuo, consideremos a esfera unit´ aria S de K n 2 : S = ¦x = (ξ 1 , ..., ξ n ) ∈ K n 2 : n j=1 [ξ j [ 2 = 1¦. Pelo teorema de Bolzano-Weierstrass, S ´e um subconjunto compacto de K n 2 . ´ E claro que |Tx| > 0 para todo x ∈ S. Logo existe c > 0 tal que |Tx| ≥ c para todo x ∈ S, e portanto |Tx| ≥ c|x| para todo x ∈ K n 2 . Logo T : K n 2 → E ´e um isomorfismo topol´ ogico. 6.2. Corol´ario. Cada espa¸co normado de dimens˜ ao finita ´e completo. 6.3. Corol´ario. Cada subespa¸ co de dimens˜ao finita de um espa¸co normado ´e fechado. 6.4. Corol´ario. Cada espa¸ co normado de dimens˜ao finita ´e localmente compacto. O rec´ıproco deste corol´ ario ´e verdadeiro. 6.5. Teorema de Riesz. Cada espa¸ co normado localmente compacto tem dimens˜ ao finita. Para provar este teorema precisamos do lema seguinte. 6.6. Lema de Riesz. Seja E um espa¸ co normado, e seja M um subespa¸ co fechado pr´ oprio de E. Dado θ, com 0 < θ < 1, existe y ∈ S E tal que |y −x| ≥ θ para todo x ∈ M. 20 Demonstra¸ c˜ao. Seja y 0 ∈ E ¸ M, e seja d = d(y 0 , M) = inf¦|y 0 −x| : x ∈ M¦. Como M ´e fechado, d > 0. Seja x 0 ∈ M tal que |y 0 −x 0 | ≤ d θ . Seja y = y 0 −x 0 |y 0 −x 0 | . ´ E claro que y ∈ S E . Para cada x ∈ M temos: |y −x| = |y 0 −x 0 −|y 0 −x 0 |x| |y 0 −x 0 | ≥ d |y 0 −x 0 | ≥ θ. Demonstra¸ c˜ao do teorema de Riesz. Seja E um espa¸co normado de dimens˜ ao infinita, seja x 1 ∈ S E , e seja M 1 = [x 1 ], o subespa¸ co de E gerado por x 1 . Pelo lema de Riesz existe x 2 ∈ S E tal que |x 2 −x| ≥ 1/2 para todo x ∈ M 1 . Em particular |x 2 −x 1 | ≥ 1/2. Seja M 2 = [x 1 , x 2 ], o subespa¸ co de E gerado por x 1 e x 2 . Pelo lema de Riesz existe x 3 ∈ S E tal que |x 3 −x| ≥ 1/2 para todo x ∈ M 2 . Em particular |x 3 −x j | ≥ 1/2 para j = 1, 2. Procedendo por indu¸ c˜ao podemos achar uma sequˆencia (x n ) ⊂ S E tal que |x m −x n | ≥ 1/2 sempre que m ,= n. Logo a sequˆencia (x n ) n˜ ao admite nenhuma subseq¨ uˆencia convergente. Logo a esfera S E n˜ ao ´e compacta. Logo a bola B E n˜ ao ´e compacta. Logo a bola B E (0; r) n˜ ao ´e compacta para nenhum r > 0. Logo E n˜ ao ´e localmente com- pacto. 6.7. Exemplo. A conclus˜ao do lema de Riesz n˜ao ´e verdadeira com θ = 1, como mostra o exemplo seguinte. Sejam E = ¦f ∈ C[0, 1] : f(0) = 0¦, M = ¦f ∈ E : _ 1 0 f(t)dt = 0¦. 21 Suponhamos que exista g ∈ S E tal que |g − f| ≥ 1 para todo f ∈ M. Dado h ∈ E ¸ M, seja λ = _ 1 0 g(t)dt _ 1 0 h(t)dt . Segue que g −λh ∈ M, e portanto 1 ≤ |g −(g −λh)| = [λ[|h|, ou seja 1 ≤ [ _ 1 0 g(t)dt[ [ _ 1 0 h(t)dt[ |h|. Consideremos a sequˆencia de fun¸ c˜oes h n (t) = t 1/n . Ent˜ ao h n ∈ E¸M, |h n | = 1 e _ 1 0 h n (t)dt = 1 1 n + 1 → 1. Segue que 1 ≤ [ _ 1 0 g(t)dt[. Mas como |g| = 1 e g(0) = 0, a continuidade de g em 0 implica que [ _ 1 0 g(t)dt[ < 1, contradi¸ c˜ao. Logo n˜ ao existe g ∈ S E tal que |g −f| ≥ 1 para todo f ∈ M. Exerc´ıcios 6.A. Seja E um espa¸co normado de dimens˜ ao finita, e seja M um subespa¸ co pr´ oprio de E. Prove que existe y ∈ S E tal que |y −x| ≥ 1 para todo x ∈ M. 22 7. Completamento de espa¸cos normados 7.1. Proposi¸c˜ao. Sejam E e F espa¸cos normados, seja M um subespa¸ co denso de E, e seja T ∈ L(M; F). Ent˜ao existe um ´ unico ˜ T ∈ L(E; F) tal que ˜ T[M = T. Tem-se que | ˜ T| = |T|. Demonstra¸ c˜ao. Dado x ∈ E, seja (x n ) uma sequˆencia em M que converge a x. Como |Tx m −Tx n | ≤ |T||x m −x n |, e F ´e completo, segue que a sequˆencia (Tx n ) converge em F. Se definimos ˜ Tx = lim n→∞ Tx n , ´e f´acil ver que ˜ Tx est´a bem definido, ou seja, depende apenas de x, e n˜ ao da sequˆencia (x n ) escolhida. Al´em disso, ˜ T : E → F ´e linear e ˜ Tx = Tx para todo x ∈ M. ´ E f´ acil verificar que | ˜ T| = |T|. A unicidade de ˜ T segue da densidade de M em E. 7.2. Teorema. Dado um espa¸ co normado E, sempre existe um espa¸ co de Banach F tal que E ´e isometricamente isomorfo a um subespa¸ co denso F 0 de F. O espa¸ co F ´e ´ unico, a menos de um isomorfismo isom´etrico. Demonstra¸ c˜ao. Seja C o espa¸co vetorial de todas as sequˆencias de Cauchy X = (x n ) em E. Como [|x m | −|x n |[ ≤ |x m −x n | para todo m, n, segue que (|x n |) ´e uma sequˆencia de Cauchy em R para cada X = (x n ) ∈ C. ´ E f´ acil ver que a fun¸ c˜ao |X| = lim n→∞ |x n | tem as propriedades seguintes: (a) |X| ≥ 0; (b) |X| = 0 se e s´o se lim n→∞ |x n | = 0; (c) |λX| = [λ[|X|; (d) |X +Y | ≤ |X[[ +|Y |. A fun¸ c˜ao X ∈ C → |X| ∈ R tem quase todas as propriedaes de uma norma. Para obter uma norma, vamos introduzir uma rela¸ c˜ao de equivalˆencia em C da maneira seguinte. Dadas X = (x n ) e Y = (y n ) em C, definimos X ∼ Y se lim n→∞ |x n −y n [[ = 0. Seja F o conjunto das classes de equivalˆencia. Se definimos [X] + [Y ] = [X +Y ], λ[X] = [λX], 23 ent˜ ao ´e f´acil verificar que estas opera¸c˜oes est˜ao bem definidas, e que F, com estas opera¸c˜oes, ´e um espa¸co vetorial. Al´em disso a aplica¸c˜ao quociente π : X ∈ C → [X] ∈ F ´e linear. ´ E f´ acil ver que a fun¸ c˜ao |[X]| = |X| est´a bem definida, e ´e uma norma em F. Seja F 0 = ¦[X] ∈ F : X = (x, x, x, ...), com x ∈ E¦. ´ E claro que F 0 ´e um subespa¸co de F, e que E ´e isometricamente isomorfo a F 0 . Para provar que F 0 ´e denso em F, sejam [X] ∈ F e > 0 dados. Se X = (x n ), ent˜ ao existe n 0 ∈ N tal que |x m −x n | < para todo m, n ≥ n 0 . Seja Y = (x n 0 , x n 0 , x n 0 , ...). Ent˜ ao [Y ] ∈ F 0 e |[X] −[Y ]| = |X −Y | = lim n→∞ |x n −x n 0 | ≤ . Para provar que F ´e completo, seja ([X n ]) uma sequˆencia de Cauchy em F. Como F 0 ´e denso em F, para cada n existe [Y n ] ∈ F 0 tal que |[X n ] −[Y n ]| < 1/n. Podemos supor que Y n = (y n , y n , y n , ...), com y n ∈ E, para cada n. Como |y m −y n | = |[Y m ] −[Y n ]| ≤ |[Y m ] −[X m ]| +|[X m ] −[X n ]| +|[X n ] −[Y n ]| ≤ 1 m +|[X m ] −[X n ]| + 1 n , segue que Y = (y n ) ´e uma sequˆencia de Cauchy em E. Como |[X n ] −[Y ]| ≤ |[X n ] −[Y n ]| +|[Y n ] −[Y ]| ≤ 1 n + lim m→∞ |y n −y m |, segue que lim n→∞ |[X n ] −[Y ]| = 0. Para provar a unicidade de F, a menos de um isomorfismo isom´etrico, seja G um outro espa¸ co de Banach tal que E ´e isometricamente isomorfo a um subespa¸ co denso G 0 de G. Sejam S ∈ L(E; F 0 ) e T ∈ L(T; G 0 ) isomorfismos isom´etricos. Ent˜ ao U = T ◦ S −1 ∈ L(F 0 ; G 0 ) e V = S ◦ T −1 ∈ L(G 0 ; F 0 ) s˜ao tamb´em isomorfismos isom´etricos, V ◦ U = I F 0 , e U ◦ V = I G 0 . Pela Proposi¸ c˜ao 7.1 existe ˜ U ∈ L(F; G) tal que ˜ U[F 0 = U, e existe ˜ V ∈ L(G; F) tal que ˜ V [G 0 = V . Segue que ˜ V ◦ ˜ U = I F e ˜ U ◦ ˜ V = I G . Al´em disso ˜ U e ˜ V s˜ao isomorfismos isom´etricos. 24 Exerc´ıcios 7.A. Seja P(R) o espa¸co vetorial de todos os polinˆ omios P(x) = n j=0 a j x j , com a j ∈ K e n ∈ N. (a) Prove que |P| = n j=0 [a j [ ´e uma norma em P(R). (b) Prove que P(R), com esta norma, n˜ao ´e completo. (c) Prove que o completamento de P(R), com esta norma, ´e isometricamente isomorfo a 1 . 7.B. (a) Fixados a < b em R, prove que |P| = sup¦[P(x)[ : a ≤ x ≤ b¦ ´e uma norma em P(R). (b) Prove que P(R), com esta norma, n˜ao ´e completo. (c) Prove que o completamento de P(R), com esta norma, ´e isometricamente isomorfo a C[a, b]. 25 8. Espa¸ co quociente Seja E um espa¸co vetorial, e seja M um subespa¸ co de E. Diremos que x, y ∈ E s˜ao equivalentes m´ odulo M, e escreveremos x = y(mod(M), se x − y ∈ M. ´ E claro que esta ´e uma rela¸c˜ao de equivalˆencia em E. Denotaremos por E/M o conjunto de todas as classes de equivalˆencia m´odulo M. Para cada x ∈ E, denotaremos por [x] a classe de equivalˆencia que cont´em x. Definamos [x] + [y] = [x +y], λ[x] = [λx] para todo [x], [y] ∈ E/M e λ ∈ K. ´ E f´ acil verificar que estas opera¸ c˜oes est˜ao bem definidas, e que E/M, com estas opera¸c˜oes, ´e um espa¸co vetorial. Al´em disso, a aplica¸ c˜ao quociente π : x ∈ E → [x] ∈ E/M ´e linear. O espa¸ co vetorial E/M ´e chamado de espa¸co quociente de E m´ odulo M. 8.1. Exemplo. Seja (X, Σ, µ) um espa¸co de medida, e sejam E = L p (X, Σ, µ) (1 ≤ p ≤ ∞), M = ¦f ∈ L p (X, Σ, µ) : f(x) = 0 quase sempre¦. Neste caso o espa¸co quociente L p (X, Σ, µ)/M coincide com o espa¸co L p (X, Σ, µ) introduzido na se¸ c˜ao 5. 8.2. Exemplo. Seja E um espa¸co normado, e sejam C = ¦(x n ) ⊂ E : (x n ) ´e sequˆencia de Cauchy¦, M = ¦(x n ) ⊂ E : (x n ) converge a zero¦. Neste caso o espa¸co quociente C/M coincide com o espa¸co F introduzido na se¸c˜ao 7. 8.3. Teorema. Seja M um subespa¸ co fechado de E, e seja |X| = inf¦|x| : x ∈ X¦ para cada X ∈ E/M. Ent˜ao: (a) [x] = x +M e |[x]| = d(x, M) para cada x ∈ E. (b) A fun¸ c˜ao X → |X| ´e uma norma em E/M. (c) π(B E ) = B E/M . Em particular π : E → E/M ´e cont´ınua e aberta. (d) Se E ´e completo, ent˜ ao E/M ´e completo tamb´em. Demonstra¸ c˜ao. (a) ´ E claro que [x] = x +M para cada x ∈ E. 26 Como a aplica¸ c˜ao t ∈ E → x + t ∈ E ´e um homeomorfismo, e M ´e fechado em E, segue que [x] = x +M ´e fechado em E para cada x ∈ E. Al´em disso |[x]| = inf¦|x +t| : t ∈ M¦ = d(x, M) para cada x ∈ E. (b) ´ E claro que |X| ≥ 0 para cada X ∈ E/M. Se |[x]| = 0, ent˜ ao segue de (a) que x ∈ M, e portanto x + M = M = [0]. Se λ = 0, ent˜ ao ´e claro que |λX| = [λ[|X| para todo X ∈ E/M. Se λ ,= 0, ent˜ ao |λX| = inf¦|y| : y ∈ λX¦ = inf¦|λx| : x ∈ X¦ = [λ[ inf¦|x| : x ∈ X¦ = [λ[|X|. Dados X, Y ∈ E/M e > 0, existem x ∈ X e y ∈ Y tais que |x| < |X| +, |y| < |Y | +. Ent˜ ao x +y ∈ X +Y e |X +Y | ≤ |x +y| ≤ |x| +|y| ≤ |X| +|Y | + 2. Como > 0 ´e arbitr´ ario, segue que |X +Y | ≤ |X| +|Y |. (c) ´e consequˆencia imediata da defini¸ c˜ao da norma em E/M. (d) Finalmente provaremos que E/M ´e completo quando E ´e completo. Seja ∞ n=1 X n uma s´erie absolutamente convergente em E/M. Para cada n existe x n ∈ X n tal que |x n | < |X n | + 2 −n , e portanto ∞ n=1 |x n | < ∞ n=1 |X n | + ∞ n=1 2 −n < ∞. Assim a s´erie ∞ n=1 x n ´e absolutamente convergente, e portanto convergente, pois E ´e completo. Sejam s n = n j=1 x j , s = lim n→∞ s n = ∞ j=1 x j , S n = n j=1 X j . Ent˜ ao ´e claro que s n ∈ S n para cada n. Como a aplica¸c˜ao quociente π : E → E/M ´e cont´ınua, segue que S n = [s n ] → [s]. Logo a s´erie ∞ j=1 X j ´e convergente em E/M. Exerc´ıcios 8.A. Seja E um espa¸ co normado, seja M um subespa¸ co fechado de E, e seja π : E → E/M a aplica¸ c˜ao quociente. 27 (a) Se X n → 0 em E/M, prove que existe (x n ) ⊂ E tal que π(x n ) = X n para cada n, e x n → 0 em E. (b) Se x ∈ E e X n → π(x) em E/M, prove que existe (x n ) ⊂ E tal que π(x n ) = X n para cada n, e x n → x em E. 8.B. Seja X um espa¸ co de Hausdorff compacto, e seja A um subconjunto fechado de X. Usando o teorema de extens˜ao de Tietze prove que C(A) ´e isometricamente isomorfo a um quociente de C(X). 8.C. Usando o exerc´ıcio anterior prove que c ´e isometricamente isomorfo a um quociente de C[a, b]. 28 9. Espa¸ cos com produto interno 9.1. Defini¸c˜ao. Se E ´e um espa¸co vetorial, ent˜ao uma fun¸ c˜ao (x, y) ∈ E E → (x[y) ∈ K ´e chamado de produto interno se verifica as seguintes propriedades: (a) (x 1 +x 2 [y) = (x 1 [y) + (x 2 [y); (b) (λx[y) = λ(x[y); (c) (x[y) = (y[x); (d) (x[x) ≥ 0; (e) (x[x) = 0 se e s´o se x = 0. 9.2. Observa¸ c˜ao. De (a), (b) e (c) segue que: (a’) (x[y 1 +y 2 ) = (x[y 1 ) + (x[y 2 ); (b’) (x[λy) = λ(x[y). Assim o produto interno ´e linear na primeira vari´ avel, e linear conjugado na segunda vari´ avel. 9.3. Proposi¸c˜ao (desigualdade de Cauchy-Schwarz). Seja E ´e um espa¸co com produto interno. Ent˜ao [(x[y)[ ≤ |x||y| para todo x, y ∈ E. Demonstra¸ c˜ao. A desigualdade ´e clara se x = 0 ou y = 0. Logo podemos supor x ,= 0 e y ,= 0. Para todo α ∈ K temos que 0 ≤ (αx +y[αx +y) = αα(x[x) +α(x[y) +α(y[x) + (y[y) = [α[ 2 (x[x) + 2Re¦α(x[y)¦ + (y[y). Escrevamos (x[y) = [(x[y)[e iθ . Tomando α = te −iθ , com t ∈ R, segue que 0 ≤ t 2 (x[x) + 2t[(x[y)[ + (y[y) para todo t ∈ R. Segue que ∆ = b 2 −4ac ≤ 0, ou seja 4[(x[y)[ 2 −4(x[x)(y[y) ≤ 0, completando a demonstra¸ c˜ao. 9.4. Corol´ario. Seja E um espa¸ co com produto interno. Ent˜ao a fun¸ c˜ao |x| = (x[x) 1/2 ´e uma norma em E. 29 Demonstra¸ c˜ao. Usando a desigualdade de Cauchy-Schwarz provaremos a desigualdade triangular. As outras propriedades da norma s˜ ao de verifica¸ c˜ao imediata. |x +y| 2 = (x +y[x +y) = (x[x) + (x[y) + (y[x) + (y[y) = |x| 2 + 2Re(x[y) +|y| 2 ≤ |x| 2 + 2|x||y| +|y| 2 = (|x| +|y|) 2 . 9.5. Defini¸c˜ao. Chamaremos de espa¸co de Hilbert a todo espa¸ co com produto interno que seja completo na norma definida pelo produto interno. 9.6. Exemplo. K n 2 ´e um espa¸co de Hilbert com o produto interno (x[y) = n j=1 ξ j η j se x = (ξ 1 , ..., ξ n ) e y = (η 1 , ..., η n ). 9.7. Exemplo. 2 ´e um espa¸co de Hilbert com o produto interno (x[y) = ∞ j=1 ξ j η j se x = (ξ j ) e y = (η j ). 9.8. Exemplo. L 2 (X, Σ, µ) ´e um espa¸co de Hilbert com o produto interno (f[g) = _ X fgdµ. 9.9. Defini¸c˜ao. Seja E um espa¸co com produto interno. Diremos que x, y ∈ E s˜ao ortogonais, e escreveremos x⊥y, se (x[y) = 0. 9.10. Proposi¸c˜ao (Teorema de Pit´agoras). Seja E um espa¸ co com produto interno, e sejam x, y ∈ E, com x⊥y. Ent˜ao |x +y| 2 = |x| 2 +|y| 2 . Demonstra¸ c˜ao. |x +y| 2 = (x +y[x +y) = (x[x) + (x[y) + (y[x) + (y[y) = |x| 2 +|y| 2 . 9.11. Proposi¸c˜ao (Lei do paralelogramo). Seja E um espa¸ co com produto interno, e sejam x, y ∈ E dois vetores arbitr´ arios. Ent˜ao: |x +y| 2 +|x −y| 2 = 2|x| 2 + 2|y| 2 . 30 Demonstra¸ c˜ao. Temos que |x +y| 2 = (x +y[x +y) = (x[x) + (x[y) + (y[x) + (y[y), |x −y| 2 = (x −y[x −y) = (x[x) −(x[y) −(y[x) + (y[y). Somando estas identidades obtemos a identidade desejada. Exerc´ıcios 9.A. Seja E um espa¸co com produto interno. Se x n → x e y n → y em E, prove que (x n [y n ) → (x[y) em K. Ou seja a aplica¸ c˜ao (x, y) ∈ EE → (x[y) ∈ K ´e cont´ınua. 9.B. Seja E um espa¸co com produto interno. Sejam x 1 , ..., x n vetores n˜ao nulos, ortogonais entre si, ou seja x j ⊥x k sempre que j ,= k. (a) Prove que os vetores x 1 , ..., x n s˜ao linearmente independentes. (b) Prove o teorema de Pit´ agoras generalizado: | n j=1 x j | 2 = n j=1 |x j | 2 . 9.C. Seja E ´e um espa¸co com produto interno real. Prove a f´ ormula de polariza¸ c˜ ao 4(x[y) = |x +y| 2 −|x −y| 2 para todo x, y ∈ E. 9.D. Seja E um espa¸ co normado real que verifica a lei do paralelogramo. Prove que a f´ ormula de polariza¸ c˜ao do exerc´ıcio anterior define um produto interno em E que induz a norma original. Sugest˜ ao: Para provar a identidade (x 1 +x 2 [y) = (x 1 [y) + (x 2 [y), estude as express˜oes |u +v +w| 2 +|u +v −w| 2 e |u −v +w| 2 +|u −v +w| 2 . 9.E. Seja E um espa¸co com produto interno complexo. Prove a f´ ormula de polariza¸ c˜ ao 4(x[y) = (|x +y| 2 −|x −y| 2 ) +i(|x +iy| 2 −|x −iy| 2 ) para todo x, y ∈ E. 9.F. Seja E um espa¸ co normado complexo que verifica a lei do paralelo- gramo. Prove que a f´ ormula de polariza¸ c˜ao do exerc´ıcio anterior define um produto interno em E que induz a norma original. 31 10. Proje¸c˜oes ortogonais 10.1. Teorema. Seja E um espa¸ co de Hilbert, e seja M um subespa¸ co fechado de E. Ent˜ao para cada x ∈ E existe um ´ unico p ∈ M tal que |x −p| = d(x, M) = inf¦|x −y| : y ∈ M¦. Demonstra¸ c˜ao. Para provar existˆencia, seja d = d(x, M), e seja (p n ) ⊂ M tal que (1) |x −p n | < d + 1 n para cada n. Pela lei do paralelogramo 2|x −p m | 2 + 2|x −p n | 2 = |2x −p m −p n | 2 +|p n −p m | 2 . Segue que |p n −p m | 2 = 2|x −p m | 2 + 2|x −p n | 2 −4|x − p m + p n 2 | 2 < 2(d + 1 m ) 2 + 2(d + 1 n ) 2 −4d 2 < 4d m + 2 m 2 + 4d n + 2 n 2 . Logo (p n ) ´e uma sequˆencia de Cauchy em E. Como E ´e completo, e M ´e fechado em E, concluimos que (p n ) converge a um ponto p ∈ M. Fazendo n → ∞ em (1) obtemos que |x −p| ≤ d, e portanto |x −p| = d, como queriamos. Para provar unicidade, seja q ∈ M tal que |x −q| = d tamb´em. Pela lei do paralelogramo 2|x −p| 2 + 2|x −q| 2 = |2x −p −q| 2 +|q −p| 2 . Segue que |q −p| 2 = 2|x −p| 2 + 2|x −q| 2 −4|x − p + q 2 | 2 ≤ 2d 2 + 2d 2 −4d 2 = 0, e portanto q = p. 10.2. Observa¸c˜ao. A conclus˜ao do teorema permanece verdadeira se E ´e um espa¸ co com produto interno, e M ´e um subconjunto convexo completo de E. Dado qualquer subconjunto S de um espa¸co com produto interno E, S ⊥ denotar´ a o conjunto S ⊥ = ¦y ∈ E : y⊥x para todo x ∈ S¦. ´ E f´ acil verificar que S ⊥ ´e sempre um subespa¸co fechado de E. 32 10.3. Teorema. Seja E um espa¸ co de Hilbert, e seja M um subespa¸ co fechado de E. Ent˜ao: (a) Cada x ∈ E admite uma ´ unica decomposi¸ c˜ao da forma x = p +q, com p ∈ M e q ∈ M ⊥ . Tem-se que |x −p| = d(x, M) e |x −q| = d(x, M ⊥ ). (b) Se definimos Px = p e Qx = q para cada x ∈ E, ent˜ao P, Q ∈ L(E; E), P 2 = P, Q 2 = Q e Q◦ P = P ◦ Q = 0. Demonstra¸ c˜ao. (a) Dado x ∈ E, seja p o ´ unico elemento de M tal que |x −p| = d(x, M), e seja q = x −p. Provaremos que q ∈ M ⊥ e que |x −q| = d(x, M ⊥ ). Para provar que q ∈ M ⊥ , seja y ∈ M. Para cada λ ∈ K temos que |q| = |x −p| ≤ |x −p −λy| = |q −λy|. Segue que |q| 2 ≤ |q −λy| 2 = (q −λy[q −λy) = (q[q) −λ(y[q) −λ(q[y) +λλ(y[y) = |q| 2 −2Re¦λ(y[q)¦ +[λ[ 2 |y| 2 . Escrevamos (y[q) = [(y[q)[e iθ . Ent˜ ao, fazendo λ = te −iθ , com t ∈ R, segue que 2t[(y[q)[ ≤ t 2 |y| 2 para todo t ∈ R. Logo 2[(y[q)[ ≤ t|y| 2 para todo t > 0. Fazendo t → 0, segue que (y[q)[ = 0, e portanto q ∈ M ⊥ . Para provar que |x − q| = d(x, M ⊥ ), tomemos z ∈ M ⊥ . Como x = p + q, segue que x −z = p + (q −z), com p ∈ M, q −z ∈ M ⊥ . Pelo teorema de Pit´ goras |x −z| 2 = |p| 2 +|q −z| 2 ≥ |p| 2 = |x −q| 2 . Segue que d(x, M ⊥ ) = inf¦|x −z| : z ∈ M ⊥ ¦ = |x −q|. Para provar a unicidade da decomposi¸ c˜ao, suponhamos que x = p 1 +q 1 , com p 1 ∈ M, q 1 ∈ M ⊥ . Como x = p +q, segue que p −p 1 = q 1 −q ∈ M ∩ M ⊥ . 33 Mas h ∈ M ∩ M ⊥ implica que (h[h) = 0, e portanto h = 0. Segue que p = p 1 e q = q 1 . (b) Segue da unicidade da decomposi¸ c˜ao em (a) que as aplica¸c˜oes P : E → E e Q : E → E s˜ao lineares. Para cada x ∈ E temos que (2) x = Px +Qx, com Px ∈ M, Qx ∈ M ⊥ . Pelo teorema de Pit´ agoras |x| 2 = |Px| 2 +|Qx| 2 para todo x ∈ E. Segue que |P| ≤ 1 e |Q| ≤ 1. Escrevamos Px = Px + 0 ∈ M +M ⊥ . Segue da unicidade da decomposi¸ c˜ao em (2) que P(Px) = Px, Q(Px) = 0. De maneira an´ aloga, escrevendo Qx = 0 +Qx ∈ M +M ⊥ , segue que P(Qx) = 0, Q(Qx) = Qx, completando a demonstra¸c˜ao. 10.4. Observa¸c˜ao. As conclus˜oes do teorema permanecem verdadeiras se E ´e um espa¸co com produto interno, e M ´e um subespa¸co completo de E. Seja E um espa¸co com produto interno, e seja y 0 ∈ E. Se definimos φ : E → K por φ(x) = (x[y 0 ) para todo x ∈ E, ent˜ ao ´e f´acil verificar que φ ´e linear. Al´em disso, pela desigualdade de Cauchy- Schwarz, [φ(x)[ = [(x[y 0 )[ ≤ |x||y 0 |, provando que φ ´e cont´ınuo e que |φ| ≤ |y 0 |. De fato, como φ(y 0 ) = (y 0 [y 0 ) = |y 0 | 2 , segue que |φ| = |y 0 |. O pr´ oximo teorema mostra que, quando E ´e um espa¸co de Hilbert, ent˜ ao todos os funcionais lineares cont´ınuos em E s˜ao desta forma. 10.5. Teorema de representa¸ c˜ao de Riesz. Seja E um espa¸ co de Hilbert, e seja φ ∈ E . Ent˜ao existe um ´ unico y 0 ∈ E tal que (3) φ(x) = (x[y 0 ) para todo x ∈ E. 34 Demonstra¸ c˜ao. Primeiro provaremos existˆencia. Se φ = 0, basta tomar y 0 = 0. Se φ ,= 0, seja M = φ −1 (0) = ¦x ∈ E : φ(x) = 0¦. Ent˜ ao M ´e um subespa¸co fechado pr´ oprio de E, e dai M ⊥ ,= ¦0¦. Como M ⊥ ,= ¦0¦ e M ∩ M ⊥ = ¦0¦, existe x 0 ∈ M ⊥ tal que φ(x 0 ) = 1. Ent˜ ao cada x ∈ E admite uma decomposi¸c˜ao da forma (4) x = (x −φ(x)x 0 ) +φ(x)x 0 , com x −φ(x)x 0 ∈ M, φ(x)x 0 ∈ M ⊥ . Da unicidade desta decomposi¸ c˜ao segue que dimM ⊥ = 1. Procuramos y 0 ∈ E que verifique (3). Escrevamos y 0 = p 0 +q 0 , com p 0 ∈ M e q 0 ∈ M ⊥ . Em particular devemos ter 0 = φ(p 0 ) = (p 0 [y 0 ) = (p 0 [p 0 ) + (p 0 [q 0 ) = (p 0 [p 0 ). Logo p 0 = 0, e portanto y 0 = q 0 ∈ M ⊥ . Escrevamos y 0 = λx 0 , onde λ ser´a escolhido de maneira que φ(x 0 ) = (x 0 [y 0 ), ou seja 1 = φ(x 0 ) = (x 0 [λx 0 ) = λ|x 0 | 2 . Assim basta tomar λ = |x 0 | −2 . Da decomposi¸c˜ao (4) segue que (x[y 0 ) = φ(x)(x 0 [y 0 ) = φ(x)φ(x 0 ) = φ(x), e y 0 verifica (3). Para provar unicidade, suponhamos que exista y 1 ∈ E tal que (5) φ(x) = (x[y 1 ) para todo x ∈ E. De (3) e (5) segue que (x[y 0 − y 1 ) = 0 para todo x ∈ E. Em particular (y 0 −y 1 [y 0 −y 1 ) = 0 e y 0 = y 1 . Exerc´ıcios 10.A. Seja E um espa¸ co de Hilbert, e sejam M e N dois subespa¸cos fechados de E tais que x⊥y sempre que x ∈ M e y ∈ N. Seja M +N = ¦x +y : x ∈ M, y ∈ N¦. Prove que M +N ´e um subespa¸co fechado de E. 10.B. Seja E um espa¸ co de Hilbert. Seja M um subespa¸ co fechado de E, e seja P a proje¸ c˜ao ortogonal de E sobre M. Prove que (Px[y) = (x[Py) para todo x, y ∈ E. 35 10.C. Seja E um espa¸co de Hilbert, e seja P ∈ L(E; E) tal que P 2 = P e (Px[y) = (x[Py) para todo x, y ∈ E. (a) Prove que P(E) ´e um subespa¸co fechado de E. (b) Prove que P ´e a proje¸ c˜ao ortogonal de E sobre P(E). 10.D. Seja E um espa¸ co de Hilbert. Seja M 0 um subespa¸ co fechado de E, e seja φ 0 ∈ M 0 . Prove que existe φ ∈ E tal que: (a) φ(x) = φ 0 (x) para todo x ∈ M 0 ; (b) |φ| = |φ 0 |. 36 11. O teorema de Hahn-Banach O teorema seguinte generaliza o Exerc´ıcio 10.D. 11.1. Teorema de Hahn-Banach. Seja E um espa¸ co normado, e seja M 0 um subespa¸ co de E. Ent˜ao, para cada φ 0 ∈ M 0 , existe φ ∈ E tal que: (a) φ(x) = φ 0 (x) para todo x ∈ M 0 ; (b) |φ| = |φ 0 |. Para provar este teorema, vamos utilizar o lemma seguinte. 11.2. Lema. Seja E um espa¸ co normado real, seja M um subespa¸ co pr´ oprio de E, seja y 0 ∈ E ¸ M, e seja N = M ⊕[y 0 ]. Ent˜ao, para cada φ ∈ M , existe ψ ∈ N tal que: (a) ψ(x) = φ(x) para todo x ∈ M; (b) |ψ| = |φ|. Demonstra¸ c˜ao. Temos que [φ(x)[ ≤ |φ||x| para todo x ∈ M, ou seja (1) −|φ||x| ≤ φ(x) ≤ |φ||x| para todo x ∈ M. Como y 0 ,∈ M, cada z ∈ N pode ser escrito de maneira ´ unica na forma z = x +λy 0 com x ∈ M, λ ∈ R. Vamos definir ψ : N → R por ψ(z) = φ(x) +λη 0 , onde η 0 ´e um n´ umero real independente de z, que ser´a escolhido depois. ´ E claro que ψ ´e linear e verifica (a). Para provar (b), basta provar que [ψ(z)[ ≤ |φ||z| para todo z ∈ N, ou seja −|φ||x +λy 0 | ≤ φ(x) +λη 0 ≤ |φ||x +λy 0 | para todo x ∈ M, λ ∈ R, ou ainda (2) −φ(x)−|φ||x+λy 0 | ≤ λη 0 ≤ −φ(x)+|φ||x+λy 0 | para todo x ∈ M, λ ∈ R. Fazendo λ = 1 em (2) obtemos (3) −φ(x) −|φ||x +y 0 | ≤ η 0 ≤ −φ(x) +|φ||x +y 0 | para todo x ∈ M, e portanto (2) implica (3). Vamos provar que de fato (2) e (3) s˜ ao equivalentes. De fato, se λ = 0, ent˜ ao (2) segue de (1). Se λ > 0, ent˜ ao, aplicando (3) com 37 x/λ em lugar de x, e multiplicando por λ, obtemos (2). Finalmente, se λ < 0, ent˜ ao, aplicando (3) com x/λ em lugar de x, e multiplicando por λ, obtemos (2). Afirmamos que (4) sup x∈M (−φ(x) −|φ||x +y 0 |) ≤ inf x∈M (−φ(x) +|φ||x +y 0 |). Para provar (4) basta provar que (5) −φ(x 1 ) −|φ||x 1 +y 0 | ≤ −φ(x 2 ) +|φ||x 2 +y 0 | para todo x 1 , x 2 ∈ M. De fato φ(x 2 ) −φ(x 1 ) = φ(x 2 −x 1 ) ≤ |φ||x 2 −x 1 | ≤ |φ||(x 2 +y 0 ) −(x 1 +y 0 | ≤ |φ||x 2 +y 0 | +|φ||x 1 +y 0 |, e (5) segue. Seja η 0 ∈ R tal que sup x∈M (−φ(x) −|φ||x +y 0 |) ≤ η 0 ≤ inf x∈M (−φ(x) +|φ||x +y 0 |). Com esta escolha de η 0 , (3) e portanto (2) s˜ ao verificadas. Logo ψ verifica (b). Demonstra¸ c˜ao do teorema de Hahn-Banach para espa¸ cos norma- dos reais. Seja T a fam´ılia de todos os pares (M, φ) tais que: (i) M ´e um subespa¸co de E contendo M 0 ; (ii) φ ∈ M , φ[M 0 = φ 0 , |φ| = |φ 0 |. Dados (M 1 , φ 1 ), (M 2 , φ 2 ) ∈ T, definimos (M 1 , φ 1 ) ≤ (M 2 , φ 2 ) se M 1 ⊂ M 2 e φ 1 = φ 2 [M 1 . ´ E f´ acil ver que esta ´e uma rela¸c˜ao de ordem parcial em T. Seja ¦(M i , φ i ) : i ∈ I¦ uma cad´eia em T. Seja M = ∪ i∈I M i , e seja φ : M → R definido por φ(x) = φ i (x) se x ∈ M i . ´ E f´ acil ver que φ est´a bem definido, que (M, φ) ∈ T e que (M, φ) ´e uma cota superior da cad´eia ¦(M i , φ i ) : i ∈ I¦. Pelo lema de Zorn T possui um elemento maximal (M, φ). Para completar a demonstra¸c˜ao basta provar que M = E. Suponhamos que M ,= E, seja y 0 ∈ E ¸ M, e seja N = M ⊕ [y 0 ]. Pelo Lema 11.2 existe ψ ∈ N tal que ψ[M = φ e |ψ| = |φ|. Ent˜ ao (N, ψ) ∈ T e (M, φ) n˜ ao seria maximal. Isto prova que M = E, como queriamos. Para provar o teorema de Hahn-Banach no caso de espa¸cos normados com- plexos, vamos utilizar o lema seguinte. 11.3. Lema. Seja E um espa¸ co vetorial complexo, e seja E R o espa¸co vetorial real associado. (a) Cada φ ∈ E ∗ admite uma ´ unica representa¸c˜ao da forma (6) φ(x) = u(x) −iu(ix) para todo x ∈ E, 38 com u ∈ (E R ) ∗ . (b) Dado u ∈ (E R ) ∗ , a f´ ormula (6) define um φ ∈ E ∗ . Demonstra¸ c˜ao. (a) Seja φ ∈ E ∗ . Para cada x ∈ E, podemos escrever de maneira ´ unica φ(x) = u(x) +iv(x), com u(x), v(x) ∈ R. Como φ ∈ (E R ) ∗ , ´e f´acil verificar que u, v ∈ (E R ) ∗ . Notemos que iφ(x) = φ(ix) = u(ix) +iv(ix), e portanto φ(x) = −iu(ix) +v(ix). Segue que u(x) = v(ix), v(x) = −u(ix), e portanto φ(x) = u(x) −iu(ix). (b) Seja u ∈ (E R ) ∗ , e seja φ : E → C definida por (6). Como u ∈ (E R ) ∗ , ´e f´ acil verificar que φ(x +y) = φ(x) +φ(y) e (7) φ(λx) = λφ(x) para todo x, y ∈ E, λ ∈ R. Por outro lado (8) φ(ix) = u(ix) +iu(x) = iφ(x) para todo x ∈ E. De (7) e (8) segue que φ(λx) = λφ(x) para todo x ∈ E, λ ∈ C. Logo φ ∈ E ∗ . Demonstra¸ c˜ao do teorema de Hahn-Banach para espa¸ cos norma- dos complexos. Seja φ 0 ∈ M 0 . Pelo lema anterior podemos escrever φ 0 (x) = u 0 (x) −iu 0 (ix) para todo x ∈ M 0 , com u 0 ∈ ((M 0 ) R ) ∗ . Como [u 0 (x)[ ≤ [φ 0 (x)[ ≤ |φ 0 ||x| para todo x ∈ M 0 , segue que |u 0 | ≤ |φ 0 |. Pelo teorema de Hahn-Banach para espa¸ cos normados reais, existe u ∈ (E R ) tal que (a) u(x) = u 0 (x) para todo x ∈ M 0 ; (b) |u| = |u 0 |. Definamos φ : E → C por φ(x) = u(x) −iu(ix) para todo x ∈ E. 39 Pelo lema anterior φ ∈ E ∗ , e segue de (a) que (c) φ(x) = φ 0 (x) para todo x ∈ M 0 . Para provar que |φ| = |φ 0 |, fixemos x ∈ E e escrevamos φ(x) = re iθ , com r ≥ 0. Ent˜ ao φ(e −iθ x) = e −iθ φ(x) = r ∈ R, e portanto φ(e −iθ x) = u(e −iθ x). Logo [φ(e −iθ x)[ = [u(e −iθ x)[ ≤ |u||e −iθ x|. Segue que [φ(x)[ ≤ |u||x| = |u 0 ||x| ≤ |φ 0 ||x|, e portanto |φ| ≤ |φ 0 |. Como a desigualdade oposta segue de (c), a demon- stra¸ c˜ao est´a completa. Exerc´ıcios 11.A. Seja E um espa¸ co normado, seja M 0 um subespa¸ co de E, e seja T 0 ∈ L(M 0 ; ∞ ). Prove que existe T ∈ L(E; ∞ ) tal que: (a) Tx = T 0 x para todo x ∈ M 0 ; (b) |T| = |T 0 |. 40 12. Consequˆencias do teorema de Hahn-Banach 12.1. Proposi¸c˜ao. Dado x 0 ∈ E, x 0 ,= 0, sempre existe φ ∈ E tal que |φ| = 1 e φ(x 0 ) = |x 0 |. Demonstra¸ c˜ao. Seja M 0 = [x 0 ] o subespa¸ co de E gerado por x 0 , e seja φ 0 ∈ M 0 definido por φ 0 (λx 0 ) = λ|x 0 | para todo λ ∈ K. ´ E f´ acil ver que φ 0 ´e linear e que |φ 0 | = 1. Pelo teorema de Hahn-Banach existe φ ∈ E tal que |φ| = |φ 0 | e φ(x) = φ 0 (x) para todo x ∈ M 0 . Segue que |φ| = 1 e φ(x 0 ) = |x 0 |. 12.2. Corol´ario. Se E ,= ¦0¦, ent˜ao E ,= ¦0¦. 12.3. Corol´ario. Se E ,= ¦0¦, ent˜ao para cada x ∈ E tem-se que: |x| = sup¦[φ(x)[ : φ ∈ E , |φ| = 1¦. 12.4. Proposi¸c˜ao. Seja M um subespa¸ co fechado de E, seja y 0 ∈ E ¸ M, e seja d = d(y 0 , M). Ent˜ao existe φ ∈ E tal que |φ| = 1, φ(y 0 ) = d e φ(x) = 0 para todo x ∈ M. Primeira demonstra¸c˜ao. Seja N = M +[y 0 ]. Ent˜ ao cada z ∈ N pode ser escrito de maneira ´ unica como z = x +λy 0 , com x ∈ M, λ ∈ K. Seja φ 0 ∈ N definido por φ 0 (x +λy 0 ) = λd para todox ∈ M, λ ∈ K. ´ E claro que φ 0 ´e linear, φ 0 (x 0 ) = d e φ 0 (x) = 0 para todo x ∈ M. Provaremos que |φ 0 | = 1. Se λ ,= 0, ent˜ ao |x +λy 0 | = [λ[| x λ +y 0 | ≥ [λ[d. Como a desigualdade anterior ´e claramente verdadeira se λ = 0, segue que |φ 0 | ≤ 1. Por outro lado, dado > 0, existe x 0 ∈ M tal que |y 0 −x 0 | < d +. Seja z 0 = y 0 −x 0 |y 0 −x 0 | . Ent˜ ao z 0 ∈ N, |z 0 | = 1 e φ 0 (z 0 ) = d |y 0 −x 0 | > d d + . Como > 0 ´e arbitr´ ario, segue que |φ 0 | = 1, como queriamos. Pelo teorema de Hahn-Banach existe φ ∈ E tal que |φ| = |φ 0 | e φ(z) = φ 0 (z) para todo z ∈ N. Segue que |φ| = 1, φ(y 0 ) = d e φ(x) = 0 para todo x ∈ M. 41 Segunda demonstra¸ c˜ao. Seja E/M o espa¸co quociente, e seja π : E → E/M a aplica¸ c˜ao quociente. Como y 0 / ∈ M, segue que π(y 0 ) ,= 0. Pela Proposi¸ c˜ao 12.1 existe ψ ∈ (E/M) tal que |ψ| = 1 e ψ(π(y 0 )) = |π(y 0 )|. Sabemos que |π(y 0 )| = d(y 0 , M) = d e π(B E ) = B E/M . Seja φ = ψ ◦ π. ´ E claro que φ ∈ E , φ(y 0 ) = d e φ(x) = 0 para todo x ∈ M. Al´em disso |φ| = sup¦[φ(x)[ : x ∈ B E ¦ = sup¦[ψ ◦ π(x)[ : x ∈ B E ¦ = sup¦[ψ(y)[ : y ∈ B E/M ¦ = |ψ| = 1. 12.5. Proposi¸c˜ao. Se E ´e separ´ avel, ent˜ ao E ´e separ´ avel tamb´em. Demonstra¸ c˜ao. Como E ´e separ´avel, a esfera unit´ aria S E ´e separ´avel tamb´em. Seja ¦φ n : n ∈ N¦ um subconjunto denso enumer´ avel de S E . Para cada n existe x n ∈ S E tal que [φ n (x n )[ ≥ 1 2 . Seja M = [x n : n ∈ N] o subespa¸ co de E gerado por ¦x n : n ∈ N¦. Para completar a demonstra¸ c˜ao basta provar que M ´e denso em E. Suponhamos que M ,= E, e seja y 0 ∈ E¸ M. Pela proposi¸ c˜ao anterior existe φ ∈ S E tal que φ(y 0 ) ,= 0 e φ(x) = 0 para todo x ∈ M. Segue que 1 2 ≤ [φ n (x n )[ ≤ [φ n (x n ) −φ(x n )[ ≤ |φ n −φ||x n | = |φ n −φ| para todo n. Isto ´e absurdo, pois ¦φ n : n ∈ N¦ ´e denso em S E . 12.6. Observa¸c˜ao. A rec´ıproca da proposi¸ c˜ao anterior n˜ ao ´e verdadeira. Logo veremos que 1 ´e isometricamente isomorfo a ∞ . E j´ a sabemos que 1 ´e separ´ avel, mas ∞ n˜ ao ´e separ´avel. 12.7. Proposi¸c˜ao. Cada espa¸co normado separ´avel ´e isometricamente isomorfo a um subespa¸ co de ∞ . Demonstra¸ c˜ao. Seja E um espa¸ co normado separ´ avel, e seja ¦x n : n ∈ N¦ um subconjunto enumer´ avel denso de E. Pelo teorema de Hahn-Banach existe ¦φ n : n ∈ N¦ ⊂ S E tal que φ n (x n ) = |x n | para cada n. Seja T ∈ L(E; ∞ ) definido por Tx = (φ n (x)) ∞ n=1 para cada x ∈ E. Como |φ n | = 1 para cada n, segue que |Tx| ≤ |x| para cada x ∈ E. E como φ n (x n ) = |x n | para cada n, segue que |Tx n | = |x n | para cada n. Como ¦x n : n ∈ N¦ ´e denso em E, segue que |Tx| = |x| para cada x ∈ E. Exerc´ıcios 12.A. Seja E um espa¸co normado, seja M um subespa¸co de E, e seja M ⊥ = ¦φ ∈ E : φ(x) = 0 para todo x ∈ M¦. 42 (a) Prove que M ⊥ ´e um subespa¸co fechado de E . (b) Prove que M ´e isometricamente isomorfo a E /M ⊥ . 12.B. Seja E um espa¸co normado, e seja M um subespa¸ co fechado de E. Prove que (E/M) ´e isometricamente isomorfo a M ⊥ . 12.C. Seja E um espa¸co normado separ´avel de dimens˜ao infinita. (a) Prove que existe uma seq¨ uˆencia estritamente crescente (M n ) ∞ n=1 de sube- spa¸cos de E de dimens˜ ao finita tal que ∞ n=1 M n ´e um subespa¸co denso de E. (b) Prove que existe uma seq¨ uˆencia (φ n ) ∞ n=1 ⊂ E tal que |φ n | = 1 para cada n ∈ N e lim n→∞ φ n (x) = 0 para cada x ∈ E. 43 13. O dual de p 13.1. Teorema. Se 1 ≤ p < ∞, ent˜ao o dual de p ´e isometricamente isomorfo a q , onde 1 < q ≤ ∞, 1 p + 1 q = 1. Demonstra¸ c˜ao. Dado y = (η j ) ∞ j=1 ∈ q , definamos φ y : p → K por φ y (x) = ∞ j=1 ξ j η j para cada x = (ξ j ) ∞ j=1 ∈ p . Pela desigualdade de H¨ older, [φ y (x)[ ≤ ∞ j=1 [ξ j η j [ ≤ |x| p |y| q . Segue que φ y ∈ p e |φ y | ≤ |y| q . Reciprocamente provaremos que, dado φ ∈ p , existe y ∈ q tal que φ y = φ e |y| ≤ |φ|. Para cada n ∈ N seja e n = (0, ..., 1, 0, 0, ...), com 1 no lugar n-´esimo. ´ E claro que e n ∈ p e que |e n | = 1 para cada n. Se x = (ξ j ) ∞ j=1 ∈ p , ent˜ ao lim n→∞ |x − n j=1 ξ j e j | = lim n→∞ ⎛ ⎝ ∞ j=n+1 [ξ j [ p ⎞ ⎠ 1/p = 0, e portanto x = ∞ j=1 ξ j e j para cada x = (ξ j ) ∞ j=1 ∈ p . Segue que φ(x) = ∞ j=1 ξ j φ(e j ) para cada x = (ξ j ) ∞ j=1 ∈ p . Seja y = (φ(e j ) ∞ j=1 . Provaremos que y ∈ q e que |y| q ≤ |φ|. Se p = 1, ent˜ ao q = ∞ e [φ(e j )[ ≤ |φ||e j | = |φ| para cada j. Segue que y ∈ ∞ e |y| ∞ ≤ |φ|. Se p > 1, fixemos n ∈ N, e definamos x = (ξ j ) ∞ j=1 por: ξ j = [φ(e j )[ q−1 sinalφ(e j ) se j ≤ n, ξ j = 0 se j > n. onde sinalλ ´e definido por: sinalλ = λ [λ[ se λ ,= 0, sinalλ = 0 se λ ,= 0. 44 Ent˜ ao ξ j φ(e j ) = [φ(e j )[ q = [ξ j [ p para cada j ≤ n. Como x = n j=1 ξ j e j , segue que φ(x) = n j=1 ξ j φ(e j ) = n j=1 [φ(e j )[ q = n j=1 [ξ j [ p = |x| p p . Logo n j=1 [φ(e j )[ q ≤ |φ||x| p = |φ| ⎛ ⎝ n j=1 [φ(e j )[ q ⎞ ⎠ 1/p . Como 1 − 1 p = 1 q , segue que ( n j=1 [φ(e j )[ q ) 1/q ≤ |φ|. Como n ∈ N ´e arbitr´ ario, segue que y ∈ q e |y| q ≤ |φ|. Se definimos T : y ∈ q → φ y ∈ p , ent˜ ao T ´e linear e sobrejetivo, e |Ty| = |y| q para cada y ∈ q . Exerc´ıcios 13.A. Prove que x = ∞ j=1 ξ j e j para cada x = (ξ j ) ∞ j=1 ∈ c 0 . 13.B. Prove que c 0 ´e isometricamente isomorfo a 1 . 13.C. Prove que x = ξe 0 + ∞ j=1 (ξ j −ξ)e j para cada x = (ξ j ) ∞ j=1 ∈ c, onde e 0 = (1, 1, 1, ...) e ξ = lim j→∞ ξ j . 13.D. Prove que c ´e isometricamente isomorfo a 1 . 45 14. O dual de L p (X, Σ, µ) Nesta se¸c˜ao caracterizaremos o dual do espa¸co L p (X, Σ, µ). Por simplicidade consideraremos apenas o espa¸co L p (X, Σ, µ) real. Uma vez fixado o espa¸co de medida (X, Σ, µ), com frequˆencia escreveremos L p em lugar de L p (X, Σ, µ). Dada f : X → R, sejam f + e f − definidas por: f + = f ∨ 0, f − = (−f) ∨ 0. Ent˜ ao f = f + −f − , f + ≥ 0, f − ≥ 0. A seguir provaremos um resultado an´ alogo para funcionais lineares cont´ınuos em L p (X, Σ, µ). 14.1. Defini¸c˜ao. Um funcional linear T : L p (X, Σ, µ) → R ´e dito positivo se Tf ≥ 0 para cada f ∈ L p (X, Σ, µ) tal que f ≥ 0. 14.2. Lema. Seja T um funcional linear cont´ınuo em L p (X, Σ, µ). Ent˜ao existem dois funcionais lineares cont´ınuos positivos T + e T − em L p (X, Σ, µ) tais que Tf = T + f −T − f para todo f ∈ L p (X, Σ, µ). Demonstra¸ c˜ao. Seja T ∈ L p . Para cada f ∈ L p , f ≥ 0, seja T + f definido por T + f = sup¦Tφ : φ ∈ L p , 0 ≤ φ ≤ f¦. Para cada φ ∈ L p , 0 ≤ φ ≤ f, tem-se que Tφ ≤ [Tφ[ ≤ |T||φ| p ≤ |T||f| p . Notando que T0 = 0, segue que (1) 0 ≤ T + f ≤ |T||f| p para todo f ∈ L p , f ≥ 0. ´ E f´ acil verificar que (2) T + (λf) = λT + f para todo f ∈ L p , f ≥ 0, λ ≥ 0. A seguir provaremos que (3) T + (f 1 +f 2 ) = T + f 1 +T + f 2 para todo f 1 , f 2 ∈ L p , f 1 ≥ 0, f 2 ≥ 0. Se φ j ∈ L p e 0 ≤ φ j ≤ f j para j = 1, 2, ent˜ ao 0 ≤ φ 1 +φ 2 ≤ f 1 +f 2 , e portanto Tφ 1 +Tφ 2 = T(φ 1 +φ 2 ) ≤ T + (f 1 +f 2 ). Segue que T + f 1 +T + f 2 ≤ T + (f 1 +f 2 ). 46 Por outro lado, dada φ ∈ L p , com 0 ≤ φ ≤ f 1 +f 2 , sejam φ 1 e φ 2 definidas por φ 1 = φ ∧ f 1 , φ 2 = (φ −f 1 ) ∨ 0. Ent˜ ao ´e f´ acil verificar que 0 ≤ φ j ≤ f j para j = 1, 2 e φ 1 +φ 2 = φ. Logo Tφ = Tφ 1 +Tφ 2 ≤ T + f 1 +T + f 2 , e portanto T + (f 1 +f 2 ) ≤ T + f 1 +T + f 2 . Isto prova (3). A seguir definamos T + f = T + f + −T + f − para cada f ∈ L p . Usando (2) e (3) n˜ ao ´e dif´ıcil verificar que T + ´e linear. Segue de (1) que T ´e cont´ınuo. Finalmente definamos T − f = T + f −Tf para cada f ∈ L p . ´ E claro que T − ´e um funcional cont´ınuo positivo em L p , completando a demon- stra¸ c˜ao. 14.3. Teorema de representa¸ c˜ao de Riesz. Seja (X, Σ, µ) um espa¸ co de medida finita, e seja 1 ≤ p < ∞. Ent˜ao o dual de L p (X, Σ, µ) ´e isometricamente isomorfo a L q (X, Σ, µ), onde 1 < q ≤ ∞, 1 p + 1 q = 1. Demonstra¸ c˜ao. Dada g ∈ L q , seja T g : L p → R definido por T g f = _ X fgdµ para todo f ∈ L p . Pela desigualdade de H¨ older [T g f[ ≤ _ X [fg[dµ ≤ |f| p |g| q para toda f ∈ L p . Segue que T g ∈ L p e |T g | ≤ |g| q . Reciprocamente provaremos que, dado T ∈ L p , existe g ∈ L q tal que T g = T e |g| q ≤ |T|. (a) Primeiro suponhamos T positivo. Neste caso definamos ν : Σ → R por ν(A) = T(χ A ) para todo A ∈ Σ. Como T ´e positivo, segue que ν(A) ≥ 0 para todo A ∈ Σ. Al´em disso, ν(∅) = T0 = 0. 47 A seguir provaremos que (4) ν( ∞ _ n=1 A n ) = ∞ n=1 ν(A n ) para cada sequˆencia (A n ) ∞ n=1 de membros disjuntos de Σ. Escrevamos B n = n _ j=1 A j , A = ∞ _ n=1 A n = ∞ _ n=1 B n . A sequˆencia (χ B n ) ∞ n=1 ´e crescente e converge pontualmente a χ A . Como µ(X) < ∞, o teorema da convergˆencia dominada garante que χ B n → χ A em L p , e portanto T(χ B n ) → T(χ A ). Como os A j s˜ao disjuntos, temos que χ B n = n j=1 χ A j , e portanto ν(A) = T(χ A ) = lim n T(χ B n ) = lim n n j=1 T(χ A j ) = ∞ j=1 ν(A j ). Isto prova (4). Logo ν ´e uma medida em Σ. Como ν(A) = T(χ A ) ≤ |T||χ A | p = |T|µ(A) 1/p , vemos que ν(A) = 0 cada vez que µ(A) = 0, ou seja ν ´e absolutamente cont´ınua com rela¸c˜ao a µ. Pelo teorema de Radon-Nikodym existe g ∈ L 1 (X, Σ, µ), g ≥ 0, tal que ν(A) = _ A gdµ, e portanto T(χ A ) = _ X χ A gdµ para todo A ∈ Σ. Segue que Tφ = _ X φgdµ para toda fun¸ c˜ao mensur´ avel simples φ. A seguir provaremos que (5) Tf = _ X fgdµ para toda f ∈ L p . Dada f ∈ L p , f ≥ 0, seja (φ n ) uma sequˆencia crescente de fun¸ c˜oes mensur´aveis simples positivas que converge pontualmente a f. Como f ∈ L p , segue do teorema da convergˆencia dominada que φ n → f em L p , e portanto Tφ n → Tf. Usando o teorema da convergˆencia monˆotona concluimos que Tf = limTφ n = lim _ X φ n gdµ = _ X fgdµ. 48 Isto prova (5) para cada f ∈ L p , f ≥ 0. Para provar (5) para f ∈ L p arbitr´ aria, basta escrever f = f + − f − , com f + , f − ∈ L p , f + ≥ 0, f − ≥ 0, e aplicar o resultado anterior. (b) Se T ∈ L p ´e arbitr´ ario, ent˜ ao, pelo lema anterior podemos escrever Tf = T + f −T − f para todo f ∈ L p , sendo T + , T − ∈ L p funcionais positivos. Por (a) existem g + , g − ∈ L 1 , g + ≥ 0, g − ≥ 0, tais que T + f = _ X fg + dµ e T − f = _ X fg − dµ para toda f ∈ L p . Se definimos g = g + −g − , segue que (6) Tf = _ X fgdµ para toda f ∈ L p . A seguir provaremos que g ∈ L q e que |g| q ≤ |T|. Se p = 1, seja A = ¦x ∈ X : g(x) > |T|¦. Ent˜ ao A = ∪ ∞ n=1 A n , onde A n = ¦x ∈ X : g(x) > |T| + 1 n ¦. Aplicando (6) com f = χ A n , segue que (|T| + 1 n )µ(A n ) ≤ _ A n gdµ = T(χ A n ) ≤ |T||χ A n | 1 = |T|µ(A n ). Segue que µ(A n ) = 0 para cada n, e portanto µ(A) = 0. De maneira an´ aloga podemos provar que µ(B) = 0, onde B = ¦x ∈ X : g(x) < −|T|¦. Segue que [g(x)[ ≤ |T| para quase todo x ∈ X. Logo g ∈ L ∞ e |g| ∞ ≤ |T|. Se p > 1, fixemos n ∈ N, e definamos A n e f por; A n = ¦x ∈ X : [g(x)[ ≤ n¦, f(x) = [g(x)[ q−1 sinalg(x) se x ∈ A n , f(x) = 0 se x / ∈ A n . 49 Para x ∈ A n tem-se que (7) f(x)g(x) = [g(x)[ q = [f(x) p , e portanto _ X [f[ p dµ = _ A n [g[ q dµ ≤ n q µ(X) < ∞, em particular f ∈ L p . Usando (6) e (7) segue que _ A n [g[ q dµ = _ X fgdµ = Tf ≤ |T||f| p = |T|( _ A n [g[ q dµ) 1/p . Como 1 − 1 p = 1 q , segue que ( _ A n [g[ q dµ) 1/q ≤ |T|. Como X = ∪ ∞ n=1 A n , e a sequˆencia (A n ) ´e crescente, o teorema da convergˆencia monˆ otona garante que ( _ X [g[ q dµ) 1/q ≤ |T|, ou seja g ∈ L q e |g| q ≤ |T|. Se definimos T : g ∈ L q → T g ∈ L p , ent˜ ao T ´e linear e sobrejetivo, e |Tg| = |g| q para cada g ∈ L q . Isto completa a demonstra¸ c˜ao. 50 15. Bidual de um espa¸co normado Seja E um espa¸ co normado. Dados x ∈ E e x ∈ E, com frequˆencia es- creveremos ¸x , x) = x (x). 15.1. Defini¸c˜ao. O dual de E , denotado por E , ´e chamado de bidual de E. 15.2. Proposi¸c˜ao. Seja J : E → E definido por ¸Jx, x ) = ¸x , x) para todo x ∈ E, x ∈ E . Ent˜ao J ´e um isomorfismo isom´etrico entre E e um subespa¸ co de E . Demonstra¸ c˜ao. Se x ∈ E, ´e claro que Jx ∈ E ∗ . Como [¸Jx, x )[ = [¸x , x)[ ≤ |x ||x|, segue que Jx ∈ E e |Jx| ≤ |x|. Assim J : E → E ´e linear e cont´ınua. Pelo teorema de Hahn-Banach, para cada x ∈ E tem-se que: |Jx| = sup¦[¸Jx, x )[ : |x | ≤ 1¦ = sup¦[¸x , x)[ : |x | ≤ 1¦ = |x|. Logo J ´e um isomorfismo isom´etrico entre E e sua imagem em E . 15.3. Defini¸c˜ao. E ´e dito reflexivo se J(E) = E . ´ E claro que cada espa¸ co normado reflexivo ´e necessariamente completo. 15.4. Proposi¸c˜ao. Dado T ∈ L(E; F), seja T : F → E definido por ¸T y , x) = ¸y , Tx) para todo y ∈ F , x ∈ E. Ent˜ao T ∈ L(F , E ) e |T | = |T|. T ´e chamado de dual de T, ou transposto de T. Demonstra¸ c˜ao. Se y ∈ F , ´e claro que T y ∈ E ∗ . Como [¸T y , x)[ = [¸y , Tx)[ ≤ |y ||Tx| ≤ |y ||T||x|, segue que T y ∈ E e |T y | ≤ |T||y |. Assim T : F → E ´e linear e cont´ınua e |T | ≤ |T|. Po outro lado, pelo teorema de Hahn-Banach, para cada x ∈ E temos: |Tx| = sup¦[¸y , Tx)[ : |y | ≤ 1¦ = sup¦[¸T y , x)[ : |y | ≤ 1¦ ≤ sup¦|T y ||x| : |y ≤ 1¦ ≤ |T ||x|. Logo |T| ≤ |T |. 15.5. Proposi¸c˜ao. p ´e reflexivo para cada 1 < p < ∞. 51 Demonstra¸ c˜ao. Seja 1 p + 1 q = 1, e sejam S : p → q e T : q → p os isomorfismos isom´etricos canˆonicos, os isomorfismos dados pelo Teorema 13.1. Ent˜ ao ´e claro que S ◦ T −1 ´e um isomorfismo isom´etrico entre p e p . Para completar a demonstra¸ c˜ao, basta provar que S ◦T −1 = J, o mergulho canˆ onico de p em p , ou seja, basta provar que ¸S ◦ T −1 x, x ) = ¸Jx, x ) = ¸x , x) para todo x ∈ p , x ∈ p . Sejam x = (ξ j ) ∈ p e Sx = (η j ) ∈ q . Ent˜ ao: ¸S ◦ T −1 x, x ) = ¸T −1 x, Sx ) = ∞ j=1 η j ξ j = ∞ j=1 ξ j η j = ¸x , x), como queriamos. De maneira an´ aloga, utilizando o Teorema 14.3, podemos provar o resultado seguinte. 15.6. Proposi¸c˜ao. Seja (X, Σ, µ) um espa¸ co de medida finita. Ent˜ao L p (X, Σ, µ) ´e reflexivo para cada 1 < p < ∞. 15.7. Proposi¸c˜ao. Se E ´e reflexivo, ent˜ ao E ´e reflexivo tamb´em. Demonstra¸ c˜ao. Sejam J 0 : E → E e J 1 : E → E os mergulhos canˆ onicos. Supondo que J 0 (E) = E , vamos provar que J 1 (E ) = E . Dado x ∈ E , seja x = J 0 x . Provaremos que J 1 x = x . Para cada x ∈ E temos: ¸J 1 x , J 0 x) = ¸J 0 x, x ) = ¸x , x) = ¸J 0 x , x) = ¸x , J 0 x). Como J 0 (E) = E , segue que J 1 x = x , como queriamos. 15.8. Proposi¸c˜ao. Se E ´e reflexivo, ent˜ ao cada subespa¸co fechado de E ´e reflexivo tamb´em. Demonstra¸ c˜ao. Seja M um subespa¸ co fechado de E, e sejam J 0 : E → E e J 1 : M → M os mergulhos canˆonicos. Supondo que J 0 (E) = E , vamos provar que J 1 (M) = M . Seja R : E → M a aplica¸ c˜ao restri¸ c˜ao, e seja R : M → E o dual de R. Dado y ∈ M , seja x = R y ∈ E . Como J 0 (E) = E , existe x ∈ E tal que J 0 x = x . Afirmamos que x ∈ M. De fato, suponhamos que x / ∈ M. Ent˜ ao, pelo teorema de Hahn-Banach, existe x ∈ E tal que Rx = 0 e ¸x , x) , = 0. Segue que ¸x , x) = ¸J 0 x, x ) = ¸x , x ) = ¸R y , x ) = ¸y , Rx ) = ¸y , 0) = 0, contradi¸ c˜ao. Isto prova que x ∈ M. Para completar a demonstra¸c˜ao provaremos que J 1 x = y . De fato para cada x ∈ E temos: ¸y , Rx ) = ¸R y , x ) = ¸x , x ) = ¸J 0 x, x ) = ¸x , x) = ¸Rx , x) = ¸J 1 x, Rx ). 52 Pelo teorema de Hahn-Banach R(E ) = M . Segue que y = J 1 x, como queri- amos. Exerc´ıcios 15.A. Dados S ∈ L(E; F) e T ∈ L(F; G), prove que (T ◦ S) = S ◦ T . 15.B. Prove que se T : E → F ´e um isomorfismo topol´ogico (resp. isomor- fismo isom´etrico), ent˜ao T : F → E tamb´em ´e um isomorfismo topol´ogico (resp. isomorfismo isom´etrico). 15.C. Seja T : E → F um isomorfismo topol´ ogico. Prove que se E ´e reflexivo, ent˜ ao F tamb´em ´e reflexivo. 15.D. Prove que um espa¸ co de Banach E ´e reflexivo se e s´o se seu dual E ´e reflexivo. 15.E. Prove que nemhum dos espa¸cos 1 , ∞ , c 0 ou c ´e reflexivo. 15.F. Seja E um espa¸ co de Banach, e seja M um subespa¸ co fechado de E. Prove que se E ´e reflexivo, ent˜ ao E/M ´e reflexivo tamb´em. 15.G. Usando o Exerc´ıcio 8.C prove que o espa¸ co C[a, b] n˜ ao ´e reflexivo. 53 16. Teorema de Banach-Steinhaus 16.1. Defini¸c˜ao. Seja X um espa¸co topol´ogico. (a) Diremos que X ´e um espa¸co de Baire se a interse¸c˜ao de cada seq¨ uˆencia de subconjuntos abertos e densos de X ´e um subconjunto denso de X. (b) Diremos que um conjunto A ⊂ X ´e de primeira categoria em X se ´e poss´ıvel escrever A = ∞ _ n=1 A n , com ◦ A n = ∅ para cada n. Caso contr´ ario diremos que A ´e de segunda categoria em X. 16.2. Proposi¸c˜ao. Cada espa¸ co de Baire n˜ ao vazio ´e de segunda categoria em si mesmo. Demonstra¸ c˜ao. Seja X um espa¸co de Baire n˜ao vazio, e suponhamos que X seja de primeira categoria em si mesmo. Ent˜ao podemos escrever X = ∞ _ n=1 A n , onde A n ´e fechado em X, e ◦ A n = ∅ para cada n. Segue que ∅ = ∞ n=1 (X ¸ A n ), X ¸ A n ´e aberto, e X ¸ A n = X¸ ◦ A n = X para cada n. Logo X n˜ ao seria um espa¸co de Baire. 16.3. Teorema de Baire. Cada espa¸ co m´etrico completo ´e um espa¸ co de Baire. Demonstra¸ c˜ao. Seja X um espa¸ co m´etrico completo n˜ ao vazio, e seja (U n ) ∞ n=1 uma seq¨ uˆencia de subconjuntos abertos e densos em X. Para provar que ∞ n=1 U n ´e denso em X, basta provar que ( ∞ n=1 U n ) ∩ B(a; r) ,= ∅ para cada bola B(a; r) em X. Fixemos uma bola B(a; r) em X. Como U 1 ´e denso em X, existe x 1 ∈ U 1 ∩ B(a; r). Seja 0 < 1 < 1 tal que B[x 1 ; 1 ] ⊂ U 1 ∩ B(a; r). Como U 2 ´e denso em X, existe x 2 ∈ U 2 ∩ B(x 1 ; 1 ). Seja 0 < 2 < 1/2 tal que B[x 2 ; 2 ] ⊂ U 2 ∩ B(x 1 ; 1 ). Procedendo por indu¸ c˜ao podemos achar sequˆencias (x n ) ⊂ X e ( n ) ⊂ R tais que 0 < n < 1/n e B[x n ; n ] ⊂ U n ∩ B(x n−1 ; n−1 ) 54 para cada n ≥ 2. Segue que (x n ) ´e uma sequˆencia de Cauchy em X, e converge portanto a um ponto x. ´ E claro que x ∈ ∞ n=1 B[x n ; n ] ⊂ ( ∞ n=1 U n ) ∩ B(a; r). Logo ∞ n=1 U n ´e denso em X. 16.4. Defini¸c˜ao. Seja A ⊂ E. (a) A ´e dito sim´etrico se −x ∈ A sempre que x ∈ A. (b) A ´e dito convexo se (1 −λ)x +λy ∈ A sempre que x, y ∈ A e 0 ≤ λ ≤ 1. (c) co(A) denota o menor subconjunto convexo de E que cont´em A. 16.5. Teorema de Banach-Steinhaus. Sejam E e F espa¸cos normados, com E completo. Seja ¦T i : i ∈ I¦ ⊂ L(E; F) tal que (1) sup i∈I |T i x| < ∞ para cada x ∈ E. Ent˜ao (2) sup i∈I |T i | < ∞. Demonstra¸ c˜ao. Para cada n ∈ N seja A n = ¦x ∈ E : |T i x| ≤ n para cada i ∈ I¦. Como A n = i∈I ¦x ∈ E : |T i x| ≤ n¦, vemos que cada A n ´e fechado. Segue de (1) que E = ∞ _ n=1 A n . Pelo teorema de Baire E ´e de segunda categoria em si mesmo. Logo algum A n tem interior n˜ ao vazio. Logo A n cont´em uma bola B(a; r). Como o conjunto A n ´e sim´etrico, segue que A n ⊃ B(−a; r). Como o conjunto A n ´e convexo, segue que A n ⊃ co(B(a; r) ∪ B(−a; r)) ⊃ B(0; r). Segue que |T i x| ≤ n para todo i ∈ I, x ∈ B(0; r). Logo |T i x| ≤ n r para todo i ∈ I, x ∈ B(0; 1), e portanto |T i | ≤ n r para todo i ∈ I. 55 O teorema de Banach-Steinhaus ´e tamb´em conhecido como princ´ıpio de limita¸ c˜ao uniforme. 16.6. Corol´ario. Seja E um espa¸ co normado, e seja A um subconjunto de E tal que φ(A) ´e limitado em K para cada φ ∈ E . Ent˜ao A ´e limitado em E. Demonstra¸ c˜ao. Seja J : E → E o mergulho canˆ onico. Segue da hip´ otese que J(A) ´e um subconjunto pontualmente limitado de E . Pelo Teorema 16.5 J(A) ´e limitado em E . Logo A ´e limitado em E. 16.7. Corol´ario. Sejam E e F espa¸cos normados, com E completo. Seja (T n ) uma sequˆencia em L(E; F) tal que (T n x) converge em F para cada x ∈ E. Se definimos Tx = limT n x para cada x ∈ E, ent˜ao T ∈ L(E; F). Demonstra¸ c˜ao. ´ E f´ acil verificar que T ´e linear. Para cada x ∈ E, (T n x) ´e uma sequˆencia convergente em F, e portanto limitada, ou seja sup n |T n x| < ∞ para cada x ∈ E. Pelo Teorema 16.5 existe c > 0 tal que |T n | ≤ c para todo n. Segue que |T| ≤ c, e portanto T ´e cont´ınua. Exerc´ıcios 16.A. Seja 1 ≤ p < ∞, e seja (η j ) ∞ j=1 uma seq¨ uˆencia em K tal que a s´erie ∞ j=1 ξ j η j converge para cada (ξ j ) ∞ j=1 ∈ p . Prove que (η j ) ∞ j=1 ∈ q , onde 1 p + 1 q = 1. 16.B. Seja (η j ) ∞ j=1 uma seq¨ uˆencia em K tal que a s´erie ∞ j=1 ξ j η j converge para cada (ξ j ) ∞ j=1 ∈ c 0 . Prove que (η j ) ∞ j=1 ∈ 1 . 56 17. Teorema da aplica¸c˜ao aberta e teorema do gr´afico fechado 17.1. Teorema da aplica¸c˜ao aberta. Sejam E e F espa¸cos de Banach, e seja T ∈ L(E; F). Ent˜ao as seguintes condi¸ c˜oes s˜ ao equivalentes: (a) T ´e sobrejetiva. (b) T(B E ) ⊃ B F (0; δ) para algum δ > 0. (c) T(B E ) ⊃ B F (0; δ) para algum δ > 0. Demonstra¸ c˜ao. (a) ⇒ (b): Como T ´e sobrejetiva, F = T(E) = T( ∞ _ n=1 B E (0; n) = ∞ _ n=1 T(B E (0; n)) = ∞ _ n=1 T(B E (0; n)). Pelo teorema de Baire F ´e de segunda categoria em si mesmo. Logo existe n tal que o conjunto T(B E (0; n)) tem interior n˜ ao vazio. Logo o conjunto T(B E (0; n)) cont´em uma bola B F (b; r). Como o conjunto T(B E (0; n)) ´e sim´etrico, segue que T(B E (0; n)) ⊃ B F (−b; r). Como o conjunto T(B E (0; n)) ´e convexo, segue que T(B E (0; n)) ⊃ co(B F (b, r) ∪ B F (−b, r)) ⊃ B F (0; r). Logo T(B E (0; 1)) ⊃ B F (0; r n ), provando (b). (b) ⇒ (c): Por hip´ otese T(B E ) ⊃ B F (0; δ), e portanto T(B E (0; 1/2 n )) ⊃ B F (0; δ/2 n ) para cada n. Provaremos que T(B E ) ⊃ B F (0; δ/2). Seja y ∈ B F (0; δ/2) ⊂ T(B E (0; 1/2)). Logo existe x 1 ∈ B E (0; 1/2) tal que y −Tx 1 ∈ B F (0; δ/2 2 ) ⊂ T(B E (0; 1/2 2 )). Logo existe x 2 ∈ B E (0; 1/2 2 ) tal que y −Tx 1 −Tx 2 ∈ B F (0; δ/2 3 ) ⊂ T(B E (0; 1/2 3 )). Procedendo por indu¸ c˜ao podemos obter uma sequˆencia (x n ) em E tal que x n ∈ B E (0; 1/2 n ) e y − n j=1 Tx j ∈ B F (0; δ/2 n+1 ) para cada n. 57 Como ∞ n=1 |x n | < ∞ n=1 2 −n = 1, segue que ∞ n=1 x n ∈ B E (0; 1) e T( ∞ n=1 x n ) = y. Como a implica¸ c˜ao (c) ⇒ (a) ´e clara, a demonstra¸c˜ao do teorema est´a com- pleta. 17.2. Corol´ario. Sejam E e F espa¸cos de Banach. Ent˜ ao cada aplica¸ c˜ao sobrejetiva T ∈ L(E; F) ´e aberta. 17.3. Corol´ario. Sejam E e F espa¸cos de Banach. Ent˜ ao cada aplica¸ c˜ao bijetiva T ∈ L(E; F) ´e um isomorfismo topol´ ogico. Lembremos que, se f : X → Y ´e uma aplica¸c˜ao qualquer, ent˜ ao o gr´ afico de f ´e o conjunto G f = ¦(x, y) ∈ X Y : y = f(x)¦. 17.4. Proposi¸c˜ao. Sejam X e Y espa¸cos topol´ogicos, e seja f : X → Y uma aplica¸ c˜ao cont´ınua. Se Y ´e um espa¸ co de Hausdorff, ent˜ao G f ´e um subconjunto fechado de X Y . Demonstra¸ c˜ao. Para provar que G f ´e fechado emXY , seja ((x i , f(x i ))) i∈I uma rede em G f que converge a um ponto (x, y) ∈ XY . Ent˜ ao x i → x em X e Tx i → y em Y . Como f ´e cont´ınua, segue que f(x i ) → f(x) em Y . Como Y ´e Hausddorff, segue que y = f(x). Logo (x, y) ∈ G f , e portanto G f ´e fechado em X Y . 17.5. Teorema do gr´afico fechado. Sejam E e F espa¸cos de Banach, e seja T : E → F uma aplica¸ c˜ao linear. Se o gr´ afico G T de T ´e fechado em E F, ent˜ao T ´e cont´ınua. Demonstra¸ c˜ao. G T ´e um subespa¸co fechado de E F, e ´e portanto um espa¸co de Banach. Consideremos as proje¸ c˜oes canˆonicas π 1 : (x, y) ∈ E F → x ∈ E, π 2 : (x, y) ∈ E F → y ∈ F. ´ E claro que π 1 ∈ L(E F; E) e π 2 ∈ L(E F; F). Seja σ 1 = π 1 [G T . Ent˜ ao σ 1 : (x, Tx) ∈ G T → x ∈ E. ´ E claro que σ 1 ∈ L(G T ; E), e σ 1 ´e sobrejetiva. Pelo teorema da aplica¸c˜ao aberta σ 1 ´e um homeomorfismo. Notemos que σ −1 1 : x ∈ E → (x, Tx) ∈ G T . Segue que π 2 ◦ σ −1 1 = T, e portanto T ´e cont´ınua. 58 Exerc´ıcios 17.A. Sejam E e F espa¸cos de Banach, e seja T ∈ L(E; F) um operador sobrejetivo. (a) Dada uma seq¨ uˆencia limitada (y n ) em F, prove que existe uma seq¨ uˆencia limitada (x n ) em E tal que Tx n = y n para cada n. (b) Dada uma seq¨ uˆencia (y n ), que converge a zero em F, prove que existe uma seq¨ uˆencia (x n ), que converge a zero em E, tal que Tx n = y n para cada n. 17.B. Seja (x j ) uma seq¨ uˆencia em E tal que φ(x j ) → 0 para cada φ ∈ E . Seja T definido por T : φ ∈ E → (φ(x j )) ∞ j=1 ∈ c 0 . Prove que T ∈ L(E ; c 0 ). 17.C. Seja E um espa¸co de Banach, e seja (φ j ) uma seq¨ uˆencia em E tal que ∞ j=1 [φ j (x)[ < ∞ para cada x ∈ E. Seja T definido por T : x ∈ E → (φ j (x)) ∞ j=1 ∈ 1 . Prove que T ∈ L(E; 1 ). 59 18. Espectro de um operador em um espa¸ co de Banach 18.1. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co de Banach, e seja T ∈ L(E; E). Se |T| < 1, ent˜ao o operador I −T ´e invert´ıvel e (I −T) −1 = ∞ k=0 T k . Demonstra¸ c˜ao. Como |T| < 1, a s´erie ∞ k=0 T k ´e absolutamente conver- gente, e portanto convergente. Como (I −T) _ n k=0 T k _ = _ ∞ k=0 T k _ (I −T) = I −T n+1 para cada n, segue que (I −T) _ ∞ k=0 T k _ = _ ∞ k=0 T k _ (I −T) = I. 18.2. Defini¸c˜ao. Se E ´e um espa¸co de Banach, denotaremos por Iso(E; E) o subconjunto dos T ∈ L(E; E) que s˜ao invert´ıveis. 18.3. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co de Banach. Ent˜ao: (a) Iso(E; E) ´e um subconjunto aberto de L(E; E). (b) A aplica¸ c˜ao T ∈ Iso(E; E) → T −1 ∈ Iso(E; E) ´e cont´ınua. Demonstra¸ c˜ao. Se S ∈ L(E; E) ´e invert´ıvel, ent˜ ao segue da proposi¸ c˜ao anterior que S+T = (I +T ◦S −1 )◦S ´e invert´ıvel tamb´em para cada T ∈ L(E; E) tal que |T| < 1/|S −1 |. Nessas condi¸c˜oes (S +T) −1 = S −1 ◦ (I +T ◦ S −1 ) −1 = S −1 ◦ ∞ k=0 (−T ◦ S −1 ) k , e portanto |(S +T) −1 −S −1 | ≤ ∞ k=1 |T| k |S −1 | k+1 = |T||S −1 | 2 1 −|T||S −1 | . A conclus˜ ao desejada segue. 18.4. Defini¸c˜ao. Seja E um espa¸co de Banach, e seja T ∈ L(E; E). (a) Diremos que λ ∈ K pertence ao espectro de T se o operador T −λI n˜ ao ´e invert´ıvel. σ(T) denota o espectro de T. (b) Diremos que λ ∈ K ´e um autovalor de T se o operador T − λI n˜ ao ´e injetivo. Se λ ´e um autovalor de T, denotaremos por E λ o subespa¸ co de todos os x ∈ E tais que Tx = λx. Cada x ,= 0 em E λ ´e chamado de autovetor de T correspondente ao autovalor λ. 60 18.5. Exemplo. Seja E um espa¸ co de Banach, e seja T ∈ L(E; E). ´ E claro que σ(T) cont´em todos os autovalores de T. Se E tem dimens˜ao finita, ent˜ ao ´e claro que σ(T) coincide com o conjunto dos autovalores de T. 18.6. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co de Banach complexo, e seja T ∈ L(E; E). Ent˜ao: (a) O conjunto C¸ σ(T) ´e aberto em C. (b) Para cada funcional ψ ∈ L(E; E) , a fun¸ c˜ao f(λ) = ψ[(T − λI) −1 ] ´e anal´ıtica no aberto C¸ σ(T). Demonstra¸ c˜ao. (a) A fun¸ c˜ao φ : λ ∈ C → T −λI ∈ L(E; E) ´e claramente cont´ınua, e C¸ σ(T) = φ −1 (Iso(E; E)). (b) Dados U, V ∈ Iso(E; E), ´e claro que U(U −1 −V −1 )V = V −U, e portanto U −1 −V −1 = U −1 (V −U)V −1 . Dados λ, λ 0 ∈ C¸ σ(T), segue que (T −λI) −1 −(T −λ 0 I) −1 = (T −λI) −1 (λ −λ 0 )(T −λ 0 I) −1 . Aplicando ψ segue que lim λ→λ 0 f(λ) −f(λ 0 ) λ −λ 0 = ψ[(T −λ 0 I) −2 ]. Logo f ´e anal´ıtica. 18.7. Teorema. Seja E um espa¸ co de Banach complexo, e seja T ∈ L(E; E). Ent˜ao σ(T) ´e um subconjunto compacto n˜ ao vazio de C. Demonstra¸ c˜ao. Pela proposi¸ c˜ao anterior σ(T) ´e fechado. Se [λ[ > |T|, ent˜ ao segue da Proposi¸ c˜ao 18.1 que o operador T −λI = −λ(I − T λ ) ´e invert´ıvel. Isto prova que [λ[ ≤ |T| para cada λ ∈ σ(T), e portanto σ(T) ´e limitado. Suponhamos que σ(T) seja vazio. Nesse caso, para cada funcional ψ ∈ L(E; E) , a fun¸ c˜ao f(λ) = ψ[(T −λI) −1 ] ´e anal´ıtica em todo C. Para λ ,= 0 temos que (T −λI) −1 = − 1 λ _ I − T λ _ −1 = − ∞ k=0 T k λ k+1 , e portanto |(T −λI) −1 | ≤ ∞ k=0 |T| k [λ[ k+1 = 1 [λ[ −|T| . 61 Aplicando ψ segue que lim |λ|→∞ f(λ) = 0, e f ´e em particular limitada. Segue do teorema de Liouville que f(λ) = ψ[(T −λI) −1 ] = 0 para todo λ ∈ C. Como ψ ´e arbitr´ ario, segue do teorema de Hahn-Banach que (T −λI) −1 = 0 para todo λ ∈ C, absurdo. Logo σ(T) n˜ ao ´e vazio. 62 19. Operadores compactos entre espa¸ cos de Banach 19.1. Defini¸c˜ao. Sejam E e F espa¸cos de Banach, e seja T ∈ L(E; F). (a) Diremos que T tem posto finito se o subespa¸co T(E) tem dimens˜ao finita. L f (E; F) denota o subespa¸ co dos operadores de posto finito de E em F. (b) Diremos que T ´e compacto se T(B E ) ´e relativamente compacto em F. L K (E; F) denota o subespa¸ co dos operadores compactos de E em F. ´ E claro que todo operador de posto finito ´e compacto. 19.2. Proposi¸c˜ao. Sejam E e F espa¸cos de Banach. Ent˜ao L K (E; F) ´e um subespa¸ co fechado de L(E; F). Demonstra¸ c˜ao. Seja (T n ) uma sequˆencia em L K (E; F) que converge a um operador T em L(E; F). Para provar que T ´e compacto provaremos que cada sequˆencia em T(B E ) admite uma subsequˆencia convergente. Utilizaremos o processo diagonal de Cantor. Seja (x j ) ∞ j=1 uma sequˆencia em B E . Como T 1 ´e compacto, (x j ) ∞ j=1 admite uma subsequˆencia (x 1 j ) ∞ j=1 tal que (T 1 x 1 j ) ∞ j=1 ´e convergente. Como T 2 ´e compacto, (x 1 j ) ∞ j=1 admite uma sub- sequˆencia (x 2 j ) ∞ j=1 tal que (T 2 x 2 j ) ∞ j=1 ´e convergente. Procedendo de maneira indu- tiva podemos obter, para cada i ∈ N, uma subsequˆencia (x i j ) ∞ j=1 de (x i−1 j ) ∞ j=1 tal que (T i x i j ) ∞ j=1 ´e convergente. Seja (z j ) ∞ j=1 a sequˆencia diagonal (x j j ) ∞ j=1 . Ent˜ ao, para cada i ∈ N, (z j ) ∞ j=i ´e uma subsequˆencia de (x i j ) ∞ j=i . Segue dai que (T i z j ) ∞ j=1 ´e convergente, para cada i ∈ N. Provaremos que (Tz j ) ∞ j=1 ´e convergente. Dado > 0, existe i tal que |T i −T| < . Fixado i, existe j 0 tal que |T i z j −T i z k | < para todo j, k ≥ j 0 . Segue que |Tz j −Tz k | ≤ |Tz j −T i z j | +|T i z j −T i z k | +|T i z k −Tz k | < 3 para todo j, k ≥ j 0 . Logo (Tz j ) ∞ j=1 ´e convergente. 19.3. Teorema de Schauder. Sejam E e F espa¸cos de Banach. Ent˜ao um operador T ∈ L(E; F) ´e compacto se e s´o se seu dual T ∈ L(F ; E ) ´e compacto. Demonstra¸ c˜ao. (⇒) Suponhamos que T ∈ L(E; F) seja compacto. Como cada espa¸ co m´etrico compacto ´e separ´avel, e como T(E) = ∞ n=1 nT(B E ), segue que T(E) ´e separ´avel. Seja (y k ) ∞ k=1 um subconjunto enumer´ avel denso de T(E). Para provar que T ´e compacto, provaremos que cada seq¨ uˆencia em T (B F ) admite uma subseq¨ uˆencia convergente. Seja (y n ) ∞ n=1 uma seq¨ uˆencia em B F . Utilizando o processo diagonal de Cantor podemos achar uma subseq¨ uˆencia (z n ) ∞ n=1 de (y n ) ∞ n=1 tal que (z n (y k )) ∞ n=1 converge para cada k. Como (y k ) ∞ k=1 ´e densa em T(E), e (z n ) ∞ n=1 ⊂ B F , segue que (z n (y)) ∞ n=1 converge para cada y ∈ T(E). Se definimos z (y) = lim n→∞ z n (y) para cada y ∈ T(E), segue que z ´e um funcional linear em T(E), e |z | ≤ 1. Pelo teorema de Hahn-Banach podemos supor que z ∈ F . 63 Como T(B E ) ´e precompacto, dado > 0, existem x 1 , ..., x m ∈ B E tais que T(B E ) ⊂ m _ j=1 B F (Tx j , ). Como z n (y) → z (y) para cada y ∈ T(E), existe n 0 ∈ N tal que [¸z n −z , Tx j )[ < sempre que n ≥ n 0 , 1 ≤ j ≤ m. Dado x ∈ B E , seja 1 ≤ j ≤ m tal que x ∈ B F (Tx j ; ). Ent˜ ao, para cada n ≥ n 0 tem-se que [¸T z n −T z , x)[ = [¸z n −z , Tx)[ ≤ [¸z n −z , Tx −Tx j )[ +[¸z n −z , Tx j )[ < 3. Segue que |T z n −T z | ≤ 3 para todo n ≥ n 0 , e portanto (T z n ) ∞ n=1 converge a T z em E . (⇐) Suponhamos que T ∈ L(F ; E ) seja compacto. Pelo que acabamos de ver, T ∈ L(E ; F ) ´e compacto. Como o diagrama E T −→ F J E ↓ ↓ J F E T −→ F ´e comutativo, segue que T ´e compacto. 64 20. Conjuntos ortonormais em espa¸cos de Hilbert 20.1. Defini¸c˜ao. Seja E um espa¸ co com produto interno. Um conjunto S ⊂ E ´e dito ortonormal se dados x, y ∈ S tem-se que (x[y) = 0 se x ,= y e (x[y) = 1 se x = y. Um conjunto ortonormal S ⊂ E ´e dito completo se S ⊥ = ¦0¦. ´ E f´ acil verificar que todo conjunto ortonormal em E ´e linearmente indepen- dente. ´ E f´ acil ver que um conjunto ortonormal S ⊂ E ´e completo se e s´o se S ´e maximal entre os conjuntos ortonormais de E, ou seja S n˜ ao est´a contido em nenhum outro conjunto ortonormal. Se S ´e um conjunto ortonormal em E tal que o subespa¸ co [S] gerado por S ´e denso em E, ent˜ ao ´e f´acil ver que S ´e completo. 20.2. Exemplo. ´ E f´ acil verificar que os vetores unit´ arios e 1 = (1, 0, 0, ..., 0), e 2 = (0, 1, 0, ..., 0), ..., e n = (0, 0, 0, ..., 1) formam um conjunto ortonormal completo em K n 2 . 20.3. Exemplo. ´ E f´ acil verificar que a sequˆencia de vetores unit´arios e 1 = (1, 0, 0, ...), e 2 = (0, 1, 0, ...), e 3 = (0, 0, 1, ...), ... formam um conjunto ortonormal completo em 2 . 20.4. Exemplo. N˜ao ´e dif´ıcil verificar que as fun¸ c˜oes u 0 (t) = 1 √ 2π , u n (t) = 1 √ π cosnt, v n (t) = 1 √ π sennt (n ∈ N) formam um conjunto ortonormal no espa¸ co de Hilbert real L 2 ([0, 2π]; R). Mais adiante veremos que este conjunto ortonormal ´e completo. 20.5. Exemplo. N˜ao ´e dif´ıcil verificar que as fun¸ c˜oes u n (t) = 1 √ 2π e int (n ∈ Z) formam um conjunto ortonormal no espa¸ co de Hilbert complexo L 2 ([0, 2π]; C). Mais adiante veremos que este conjunto ortonormal ´e completo. 20.6. Proposi¸c˜ao (Processo de ortonormaliza¸c˜ao de Gram-Schmidt). Seja E um espa¸ co com produto interno. Seja (x n ) N n=1 uma sequˆencia finita ou infinita de vetores linearmente independentes em E. Ent˜ao existe uma sequˆencia ortonormal (y n ) N n=1 em E tal que [x 1 , ..., x n ] = [y 1 , ..., y n ] para cada n ≤ N. 65 Demonstra¸ c˜ao. Sejam (u n ) N n=1 e (y n ) N n=1 definidas indutivamente da maneira seguinte: u 1 = x 1 , y 1 = u 1 |u 1 | ; u n = x n − n−1 j=1 (x n [y j )y j , y n = u n |u n | para n ≥ 2. ´ E imediato que (u n [y j ) = 0 sempre que j < n, e portanto (y n [y j ) = 0 sempre que j < n. Usando indu¸ c˜ao vemos que [x 1 , ..., x n ] = [u 1 , ..., u n ] = [y 1 , ..., y n ] para cada n ≤ N, completando a demonstra¸ c˜ao. 20.7. Corol´ario. Seja E um espa¸ co com produto interno de dimens˜ao finita n. Ent˜ao existe em E um conjunto ortonormal completo formado por n vetores. 20.8. Corol´ario. Seja E um espa¸ co com produto interno separ´ avel. Ent˜ao existe em E um conjunto ortonormal completo enumer´ avel. 20.9. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co com produto interno. Ent˜ ao cada conjunto ortonormal em E est´a contido em algum conjunto ortonormal com- pleto. Demonstra¸ c˜ao. Seja S 0 um conjunto ortonormal em E, e seja T a fam´ılia de todos os conjuntos ortonormais em E que cont´em S 0 . T ´e um conjunto parcialmente ordenado por inclus˜ ao de conjuntos. Seja (S i ) i∈I uma cad´eia em T. Ent˜ ao ´e f´ acil ver que ∪ i∈I S i ´e um conjunto ortonormal em E, e claramente cont´em cada S i . Isto prova que cada cad´eia em T admite uma cota superior. Pelo lema de Zorn, existe em T um elemento maximal S. Segue que S ´e um conjunto ortonormal completo em E, que cont´em S 0 . Exerc´ıcios 20.A. Seja E um espa¸ co com produto interno. Prove que cada conjunto ortonormal em E ´e linearmente independente. 20.B. Seja E um espa¸ co com produto interno, e seja S um conjunto ortonor- mal em E. Prove que S ´e completo se e s´o se S n˜ ao est´a contido em nenhum outro conjunto ortonormal. 20.C. Seja E um espa¸ co com produto interno, e seja S um conjunto ortonor- mal em E. 66 (a) Se o subespa¸ co [S] gerado por S ´e denso em E, prove que S ´e completo. (b) Se E ´e um espa¸co de Hilbert, e S ´e completo, prove que [S] ´e denso em E. 20.D. Prove que os vetores unit´ arios e 1 = (1, 0, 0, ...), e 2 = (0, 1, 0, ...), e 3 = (0, 0, 1, ...), ... formam um conjunto ortonormal completo em 2 . 20.E. Prove que as fun¸ c˜oes u 0 (t) = 1 √ 2π , u n (t) = 1 √ π cosnt, v n (t) = 1 √ π sennt (n = 1, 2, 3, ...) formam um conjunto ortonormal no espa¸ co de Hilbert real L 2 ([0, 2π], R). 20.F. Prove que as fun¸ c˜oes u n (t) = 1 √ 2π e int (n ∈ Z) formam um conjunto ortonormal no espa¸ co de Hilbert complexo L 2 ([0, 2π], C). 67 21. Conjuntos ortonormais completos em espa¸ cos de Hilbert 21.1. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co com produto interno, seja M um subespa¸co de dimens˜ao finita n, seja ¦x 1 , ..., x n ¦ um conjunto ortonormal em M, e seja x ∈ E. Ent˜ao: (a) |x − n j=1 (x[x j )x j | = d(x, M), (b) n j=1 [(x[x j )[ 2 ≤ |x|. Demonstra¸ c˜ao. (a) Pelo Teorema 10.3 (e a Observa¸c˜ao 10.4) podemos escrever (1) x = p +q, com p ∈ M, q ∈ M ⊥ . Al´em disso |x − p| = d(x, M). Como (x 1 , ..., x n ) ´e uma base de M, podemos escrever p = n j=1 α j x j . Como x −p = q ∈ M ⊥ , segue que 0 = (x −p[x k ) = (x[x k ) −(p[x k ) = (x[x k ) −α k para k = 1, 2, ..., n. Logo (2) p = n j=1 (x[x j )x j , e (a) segue. (b) Usando (1) e (2) e o teorema de Pit´ agoras segue que |x| 2 = |p| 2 +|q| 2 ≥ |p| 2 = n j=1 [(x[x j )[ 2 . 21.2. Proposi¸c˜ao (Desigualdade de Bessel). Seja E um espa¸ co com produto interno, seja (x i ) i∈I um conjunto ortonormal em E, e seja x ∈ E. Ent˜ao o conjunto I x = ¦i ∈ I : (x[x i ) ,= 0¦ ´e enumer´ avel e i∈I x [(x[x i )[ 2 ≤ |x| 2 . Demonstra¸ c˜ao. Temos que I x = ∞ _ k=1 J k , onde J k = ¦i ∈ I : [(x[x i )[ > 1 k ¦. 68 Segue da proposi¸ c˜ao anterior que cada J k ´e finito. De fato, se J ´e qualquer subconjunto finito de J k , segue da proposi¸ c˜ao anterior que |x| 2 ≥ j∈J [(x[x j )[ 2 > j∈J 1 k 2 = [J[ k 2 , e portanto [J[ < k 2 |x| 2 . Segue que [J k [ ≤ k 2 |x| 2 para cada k, e portanto I x ´e enumer´avel. Escrevamos (x i ) i∈I x como uma sequˆencia y 1 , y 2 , y 3 , ... Pela proposi¸ c˜ao ante- rior n j=1 [(x[y j )[ 2 ≤ |x| 2 para cada n, e portanto i∈I x [(x[x i )[ 2 = ∞ j=1 [(x[y j )[ 2 ≤ |x| 2 . 21.3. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co de Hilbert, seja (x i ) i∈I um conjunto ortonormal em E, e seja x ∈ E. Ent˜ao a s´erie i∈I x (x[x i )x i ´e incondicionalmente convergente, ou seja ´e convergente, e sua soma ´e indepen- dente da ordem escolhida em I x . Demonstra¸ c˜ao. Pela proposi¸ c˜ao anterior o conjunto I x ´e enumer´avel. Seja (y j ) uma ordena¸ c˜ao de (x i ) i∈I x , e seja s m = m j=1 (x[y j )y j para cada m. Se n < m, segue do teorema de Pit´agoras que |s m −s n | 2 = | m j=n+1 | 2 = m j=n+1 [(x[y j )[ 2 . Como m j=1 [(x[y j )[ 2 ≤ |x| 2 para cada m, pela proposi¸ c˜ao anterior, segue que (s m ) ´e uma sequˆencia de Cauchy em E, e converge portanto a um vetor s ∈ E. Para provar que a soma da s´erie ´e independente da ordena¸ c˜ao escolhida, seja (z k ) uma outra ordena¸ c˜ao de (x i ) i∈I x , e seja t n = n k=1 (x[z k )z k 69 para cada n. O racioc´ınio anterior mostra que n k=1 [(x[z k )[ 2 ≤ |x| 2 para cada n, e a sequˆencia (t n ) converge a um vetor t ∈ E. Dado > 0, podemos achar m 0 e n 0 em N tais que ∞ j=m+1 [(x[y j )[ 2 ≤ 2 e |s −s m | ≤ para todo m ≥ m 0 , ∞ k=n+1 [(x[z k )[ 2 ≤ 2 e |t −t n | ≤ para todo n ≥ n 0 . Fixemos m ≥ m 0 , e seja n ≥ n 0 tal que ¦y 1 , ..., y m ¦ ⊂ ¦z 1 , ..., z n ¦. Ent˜ ao t n −s m = j∈J (x[y j )y j , onde J ⊂ N¸ ¦1, 2, ..., m¦. Segue que |t n −s m | 2 = j∈J [(x[y j )[ 2 ≤ ∞ j=m+1 [(x[y j )[ 2 ≤ 2 . Logo |t −s| ≤ |t −t n | +|t n −s m | +|s m −s| ≤ 3. Como > 0 ´e arbitr´ ario, concluimos que t = s. 21.4. Teorema. Seja E um espa¸ co de Hilbert, e seja S = (x i ) i∈I um conjunto ortonormal em E. Ent˜ao as seguintes condi¸ c˜oes s˜ao equivalentes: (a) O subespa¸ co [S] ´e denso em E. (b) S ´e completo. (c) x = i∈I (x[x i )x i para todo x ∈ E. (d) (x[y) = i∈I (x[x i )(y[x i ) para todo x, y ∈ E. (e) |x| 2 = i∈I [(x[x i )[ 2 para todo x ∈ E. A identidade em (e) ´e conhecida como identidade de Parseval. Demonstra¸ c˜ao. As implica¸c˜oes (a) ⇒ (b), (c) ⇒ (d) e (d) ⇒ (e) s˜ao claras. Provaremos as implica¸ c˜oes (b) ⇒ (c) e (e) ⇒ (a) ao mesmo tempo. Dado x ∈ E, sejam p = i∈I (x[x i )x i , q = x −p. 70 Pela proposi¸ c˜ao anterior p est´a bem definido. Como (q[x j ) = (x[x j ) −(p[x j ) = 0 para todo j ∈ I, vemos que q ∈ S ⊥ . Suponhamos (b). Ent˜ ao S ´e completo, ou seja S ⊥ = ¦0¦. Segue que q = 0, e portanto x = p = i∈I (x[x i )x i , ou seja (c). Suponhamos (e), e seja M = [S]. Ent˜ ao p ∈ M e q ∈ M ⊥ . Pelo teorema de Pit´ agoras |x| 2 = |p| 2 +|q| 2 = i∈I [(x[x i )[ 2 +|q| 2 . Segue de (e) que |q| = 0, e portanto x = p ∈ M. Logo E = M = [S], ou seja (a). Devido ` a condi¸ c˜ao (c) do teorema anterior, os conjuntos ortonormais com- pletos em espa¸cos de Hilbert s˜ao chamados tamb´em de bases ortonormais. 21.5. Teorema de Riesz-Fischer. Cada espa¸ co de Hilbert separ´ avel de dimens˜ ao infinita ´e isometricamente isomorfo a 2 . Demonstra¸ c˜ao. Pelo Corol´ ario 20.8 existe em E uma sequˆencia ortonormal completa (x n ) ∞ n=1 . Pelo teorema anterior (3) |x| 2 = ∞ n=1 [(x[x n )[ 2 para todo x ∈ E. Consideremos a aplica¸c˜ao T : x ∈ E → ((x[x n )) ∞ n=1 ∈ 2 . T ´e claramente linear, e segue de (3) que T ´e uma isometria. Para completar a demonstra¸ c˜ao provaremos que T ´e sobrejetiva. Dado (ξ n ) ∈ 2 , seja x = ∞ n=1 ξ n x n ∈ E. Para provar que x est´a bem definido, seja s n = n j=1 ξ j x j para cada n. Ent˜ ao, para m < n temos que |s n −s m | 2 = | n j=m+1 ξ j x j | 2 = n j=m+1 |ξ j [ 2 . Como ∞ j=1 [ξ j [ < ∞, segue que (s n ) ´e uma sequˆencia de Cauchy em E. Logo x est´a bem definido. ´ E claro que (x[x j ) = ξ j para cada j. Logo (ξ n ) = Tx, como queriamos. 21.6. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co com produto interno, e sejam S 1 e S 2 dois conjuntos ortonormais completos em E. Ent˜ao S 1 e S 2 tem a mesma cardinalidade. 71 Demonstra¸ c˜ao. A conclus˜ao ´e clara se S 1 ou S 2 ´e finito. Suponhamos que S 1 e S 2 s˜ao infinitos. Para cada x ∈ S 1 seja S 2 (x) = ¦y ∈ S 2 : (x[y) ,= 0¦. Afirmamos que S 2 = _ x∈S 1 S 2 (x). De fato, seja y ∈ S 2 . Como y ,= 0 e S 1 ´e completo, existe x ∈ S 1 tal que (x[y) ,= 0. Logo y ∈ S 2 (x). Segue da Proposi¸ c˜ao 21.2 que S 2 (x) ´e enumer´avel para cada x. Logo [S 2 [ ≤ [S 1 [[N[ = [S 1 [. De maneira an´ aloga podemos provar que [S 1 [ ≤ [S 2 [. Na se¸c˜ao anterior vimos exemplos de conjuntos ortonormais completos em K n 2 e 2 . Agora veremos exemplos de conjuntos ortonormais completos em L 2 [0, 2π]. 21.7. Teorema. As fun¸ c˜oes u 0 (t) = 1 √ 2π , u n (t) = 1 √ π cosnt, v n (t) = 1 √ π sennt, com n ∈ N, formam um conjunto ortonormal completo no espa¸ co de Hilbert real L 2 ([0, 2π]; R). Demonstra¸ c˜ao. Seja S o conjunto formado pelas fun¸ c˜oes u n e v n . N˜ ao ´e dif´ıcil verificar que S ´e um conjunto ortonormal. Para provar que S ´e completo basta provar que [S] ´e um subespa¸co denso de L 2 ([0, 2π]; R). Seja B = ¦f ∈ C([0, 2π]; R) : f(0) = f(2π)¦. ´ E f´ acil ver que B ´e um subespa¸co denso de C([0, 2π]; R) na norma de L 2 ([0, 2π]; R). Como C([0, 2π]; R) ´e um subespa¸co denso de L 2 ([0, 2π]; R), segue que B ´e um subespa¸ co denso de L 2 ([0, 2π]; R). ´ E claro que [S] ⊂ B. Para completar a demonstra¸ c˜ao do teorema basta provar que [S] ´e um subespa¸co denso de B na norma de C([0, 2π]; R). Seja K = ¦z ∈ C : [z[ = 1¦ = ¦e it : 0 ≤ t ≤ 2π¦. Para cada f ∈ B seja ˜ f ∈ C(K; R) definida por ˜ f(e it ) = f(t) (0 ≤ t ≤ 2π). ´ E claro que B e C(K; R) s˜ao ´algebras , e a aplica¸ c˜ao T : f ∈ B → ˜ f ∈ C(K; R) 72 ´e um isomorfismo isom´etrico entre a ´ algebra B e sua imagem em C(K; R). Seja A a sub´ algebra de B gerada pelas fun¸ c˜oes f 1 (t) = 1, f 2 (t) = cost, f 3 (t) = sent, e seja ˜ A = T(A). ´ E claro que ˜ A ´e a sub´ algebra de C(K; R) gerada pelas fun¸ c˜oes ˜ f 1 (e it ) = 1, ˜ f 2 (e it ) = cost, ˜ f 3 (e it ) = sent. ´ E claro que: (a) ˜ A cont´em as fun¸ c˜oes constantes; (b) ˜ A separa os pontos de K, ou seja, dados Z 1 ,= z 2 em K, existe ˜ f ∈ ˜ A tal que ˜ f(z 1 ) ,= ˜ f(z 2 ). Segue do teorema de Stone-Weierstrass que ˜ A ´e densa em C(K; R). Como T ´e uma isometria, segue que A ´e densa em B. N˜ ao ´e dif´ıcil verificar que cada f ∈ A pode ser escrita na forma f(t) = a 0 + n k=1 (a k coskt +b k senkt), ou seja A ⊂ [S]. Segue que [S] ´e denso em B, como queriamos. De maneira an´ aloga, utilizando a vers˜ ao complexa do teorema de Stone- Weierstrass, podemos provar o teorema seguinte. 21.8. Teorema. As fun¸ c˜oes u n (t) = e int , com n ∈ Z, formam um conjunto ortonormal completo no espa¸ co de Hilbert complexo L 2 ([0, 2π]; C). Exerc´ıcios 21.A. Seja E um espa¸co com produto interno, e seja S = (x n ) ∞ n=1 uma seq¨ uˆencia ortonormal em E. Prove que S ´e fechado e limitado, mas n˜ ao ´e compacto. 21.B. Seja E um espa¸co de Hilbert, seja (x n ) ∞ n=1 uma seq¨ uˆencia ortonormal em E, e seja L = ¦ ∞ n=1 λ n x n : [λ n [ ≤ 1/n para todo n¦. Prove que L ´e compacto. Sugest˜ ao: Considere o conjunto K = ¦(λ n ) ∞ n=1 ⊂ K : [λ n [ ≤ 1/n para todo n¦, e a aplica¸ c˜ao f : (λ n ) ∞ n=1 ∈ K → ∞ n=1 λ n x n ∈ E. 73 21.C. Sejam (a n ) ∞ n=0 e (b n ) ∞ n=1 emRtais que ∞ n=0 [a n [ 2 < ∞e ∞ n=1 [b n [ 2 < ∞. Prove que existe uma ´ unica f ∈ L 2 ([0, 2π]; R) tal que a 0 = 1 √ 2π _ 2π 0 f(t)dt, a n = 1 √ π _ 2π 0 f(t)cosntdt, b n = 1 √ π _ 2π 0 f(t)senntdt para todo n ∈ N. 21.D. Seja (c n ) +∞ n=−∞ em C tal que +∞ n=−∞ [c n [ 2 < ∞. Prove que existe uma ´ unica f ∈ L 2 ([0, 2π]; C) tal que c n = 1 2π _ 2π 0 f(t)e −int dt para todo n ∈ Z. 74 22. Operadores auto-adjuntos em espa¸ cos de Hilbert E e F denotam espa¸cos de Hilbert. 22.1. Proposi¸c˜ao. Dado T ∈ L(E; F), existe um ´ unico T ∗ ∈ L(F; E) tal que (1) (Tx[y) = (x[T ∗ y) para todo x ∈ E, y ∈ F. Tem-se que |T ∗ | = |T|. Diremos que T ∗ ´e o adjunto de T. Demonstra¸ c˜ao. Fixemos y ∈ F. Ent˜ ao o funcional x ∈ E → (Tx[y) ∈ K ´e linear e cont´ınuo, com norma ≤ |T||y|. Pelo teorema de representa¸c˜ao de Riesz existe um ´ unico y ∗ ∈ E tal que (2) (Tx[y) = (x[y ∗ ) para todo x ∈ E e |y ∗ | ≤ |T||y|. Definamos T ∗ : F → E por T ∗ y = y ∗ para cada y ∈ F. Segue de (2) que T ∗ ´e linear e cont´ınuo, e que |T ∗ | ≤ |T|. Isto prova que T ∗ verifica (1), e a unicidade de T ∗ segue de (1). O mesmo racioc´ınio prova a existˆencia de um ´ unico T ∗∗ ∈ L(E; F) tal que (3) (T ∗ y[x) = (y[T ∗∗ x) para todo y ∈ F, x ∈ E, com |T ∗∗ | ≤ |T ∗ |. De (1) e (3) segue que T ∗∗ = T, e portanto |T ∗ | = |T|. 22.2. Defini¸c˜ao. Um operador T ∈ L(E; E) ´e dito auto-adjunto se T ∗ = T, ou seja (Tx[y) = (x[Ty) para todo x, y ∈ E. 22.3. Proposi¸c˜ao. Seja T ∈ L(E; E) um operador auto-adjunto. Ent˜ ao |T| = sup¦[(Tx[x)[ : |x| = 1¦. Demonstra¸ c˜ao. Seja C = sup¦[(Tx[x)[ : |x| = 1¦. A desigualdade C ≤ |T| segue de imediato da desigualdade de Cauchy-Schwarz. Provaremos a desigualdade oposta. Se Ts = 0 para todo s ∈ S E , ent˜ ao T = 0, e a conclus˜ao ´e clara. Seja s ∈ S E tal que Ts ,= 0, e sejam x = |Ts| 1/2 s, y = |Ts| −1/2 Ts. Ent˜ ao |x| 2 = |y| 2 = |Ts| e (Tx[y) = (Ty[x) = |Ts| 2 . 75 Sejam u = x +y, v = x −y. Ent˜ ao (Tu[u) = (Tx[x) + (Tx[y) + (Ty[x) + (Ty[y), (Tv[v) = (Tx[x) −(Tx[y) −(Ty[x) + (Ty[y). Segue que (Tu[u) −(Tv[v) = 2(Tx[y) + 2(Ty[x) = 4|Ts| 2 . Por outro lado, pela defini¸ c˜ao de C, e pela lei do paralelogramo, (Tu[u) −(Tv[v) ≤ C|u| 2 +C|v| 2 = C(|x +y| 2 +|x −y| 2 ) = 2C(|x| 2 +|y| 2 = 4C|Ts|. Segue que 4|Ts| 2 ≤ 4C|Ts|, e portanto |T| ≤ C. Se T ∈ L(E; E) ´e auto-adjunto, ´e claro que (Tx[x) ´e real apara cada x ∈ E. Sejam m T = inf¦(Tx[x) : |x| = 1¦, M T = sup¦(Tx[x) : |x| = 1¦. Com esta nota¸c˜ao obtemos o corol´ario seguinte: 22.4. Corol´ario. Seja T ∈ L(E; E) um operador auto-adjunto. Ent˜ ao: |T| = max¦M T , −m T ¦. Seja T ∈ L(E; E). Lembremos que, se λ ´e um autovalor de T, ent˜ ao E λ denota o subespa¸ co E λ = ¦x ∈ E : Tx = λx¦. 22.5. Proposi¸c˜ao. Seja T ∈ L(E; E) um operador auto-adjunto. (a) Se λ ´e um autovalor de T, ent˜ao λ ´e real e m T ≤ λ ≤ M T . (b) Se λ e µ s˜ ao autovalores distintos de T, ent˜ao os subespa¸cos E λ e E µ s˜ ao ortogonais entre si. Demonstra¸ c˜ao. (a) Suponhamos que Tx = λx, com |x| = 1. Ent˜ ao (Tx[x) = (λx[x) = λ, e portanto m T ≤ λ ≤ M T . (b) Suponhamos Tx = λx e Ty = µy. Ent˜ ao λ(x[y) = (λx[y) = (Tx[y) = (x[Ty) = (x[µy) = µ(x[y). Se λ ,= µ, ent˜ ao (x[y) = 0. 76 Exerc´ıcios 22.A. Seja T ∈ L(E; F), e sejam Φ : E → E e Ψ : F → F definidos por ¸Φs, x) = (x[s) para todo s, x ∈ E, ¸Ψt, y) = (y[t) para todo t, y ∈ F. Prove que o seguinte diagrama ´e comutativo: F T ∗ −→ E Ψ ↓ ↓ Φ F T −→ E 22.B. Dados S, T ∈ L(E; F), prove que: (a) (S +T) ∗ = S ∗ +T ∗ . (b) (λT) ∗ = λT ∗ . (c) |T ∗ T| = |TT ∗ | = |T| 2 . 22.C. Dados S, T ∈ L(E; E), prove que (TS) ∗ = S ∗ T ∗ . 22.D. Seja T ∈ L(E; F), e sejam M e N subespa¸cos fechados de E e F, respectivamente. Prove que T(M) ⊂ N se e s´o se T ∗ (N ⊥ ) ⊂ M ⊥ . 22.E. Seja T ∈ L(E; E) um operador auto-adjunto. Prove que T n ´e auto- adjunto para cada n ∈ N. 22.F. Sejam s, T ∈ L(E; E) operadores auto-adjuntos. Prove que que TS ´e auto-adjunto se e s´ o se TS = ST. 77 23. Teorema espectral para operadores compactos e auto-adjuntos em espa¸ cos de Hilbert 23.1. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co de Hilbert, e seja T ∈ L(E; E) um operador compacto e auto-adjunto, com T ,= 0. Ent˜ao |T| ou −|T| ´e um autovalor de T, e existe um autovetor correspondente x ∈ S E tal que [(Tx[x)[ = |T|. Demonstra¸ c˜ao. Pelo Corol´ ario 22.4 existe uma sequˆencia (x n ) ⊂ S E tal que (Tx n [x n ) → λ, onde λ ´e |T| ou −|T|. Notemos que 0 ≤ |Tx n −λx n | 2 = (Tx n −λx n [Tx n −λx n ) = |Tx n | 2 −λ(Tx n [x n ) −λ(x n [Tx n ) +λ 2 |x n | 2 ≤ |T| 2 −2λ(Tx n [x n ) +λ 2 . Como |T| 2 −2λ(Tx n [x n ) +λ 2 → 0, segue que Tx n −λx n → 0. Como T ´e compacto, a sequˆencia (Tx n ) admite uma subsequˆencia conver- gente. Sem perda de generalidade podemos supor que (Tx n ) converge a um vetor y. Como Tx n − λx n → 0, segue que λx n → y. Como λ ,= 0, segue que x n → x, onde x = y λ . Como |x n | = 1 para todo n, segue que |x| = 1. Por um lado Tx n → y = λx. Por outro lado Tx n → Tx. Logo Tx = λx, e λ ´e um autovalor. Finalmente, como [(Tx n [x n )[ → |T|, segue que [(Tx[x)[ = |T|, completando a demonstra¸c˜ao. 23.2. Teorema. Seja E um espa¸ co de Hilbert, e seja T ∈ L(E; E) um operador compacto e auto-adjunto, com T ,= 0. Ent˜ao: (a) Existe uma sequˆencia finita ou infinita (λ n ) de autovalores, e uma sequˆencia correspondente (x n ) de autovetores, tal que T admite uma representa¸ c˜ao da forma (1) Tx = λ n (x[x n )x n = (Tx[x n )x n para todo x ∈ E. A sequˆencia (x n ) ´e ortonormal. (b) Se a sequˆencia (λ n ) ´e infinita, ent˜ ao λ n → 0. (c) Cada autovalor λ ,= 0 de T aparece na sequˆencia (λ n ). O subespa¸ co de autovetores correspondente E λ tem dimens˜ ao finita. A dimens˜ ao de E λ coincide com o n´ umero de vezes que λ aparece na sequˆencia (λ n ). Demonstra¸ c˜ao. (a) Aplicando a proposi¸ c˜ao anterior obtemos λ 1 ∈ R, e x 1 ∈ E, com |x 1 | = 1, tais que Tx 1 = λ 1 x 1 , [λ 1 [ = |T|. Seja E 1 = [x 1 ] o subespa¸ co gerado por x 1 . N˜ ao ´e dif´ıcil verificar que o subespa¸ co E ⊥ 1 ´e invariante sob T, ou seja T(E ⊥ 1 ) ⊂ E ⊥ 1 . De fato, para cada x ∈ E ⊥ 1 tem-se que (Tx[x 1 ) = (x[Tx 1 ) = (x[λ 1 x 1 ) = λ 1 (x[x 1 ) = 0. 78 Se a restri¸ c˜ao T[E ⊥ 1 ´e identicamente zero, ent˜ao o processo termina ai. Caso contr´ ario, aplicando a proposi¸ c˜ao anteror ` a restri¸ c˜ao T[E ⊥ 1 , obtemos λ 2 ∈ R, e x 2 ∈ E ⊥ 1 , com |x 2 | = 1, tais que Tx 2 = λ 2 x 2 , [λ 2 [ = |T[E ⊥ 1 |. Procedendo por indu¸ c˜ao obtemos uma sequˆencia (λ n ) ⊂ R, com λ n ,= 0, e uma sequˆencia correspondente (x n ) ⊂ E, com |x n | = 1, tais que Tx n = λ n x n , x n ∈ E ⊥ n−1 , [λ n [ = |T[E ⊥ n−1 | para cada n ≥ 2, onde E n = [x 1 , ..., x n ] para cada n ≥ 1. ´ E claro que a sequˆencia ([λ n [) ´e decrescente, e a sequˆencia (x n ) ´e ortonormal. Suponhamos primeiro que a restri¸ c˜ao T[E ⊥ n seja zero para algum n. Cada x ∈ E pode ser escrito na forma x = y n +z n , com y n ∈ E n , z n ∈ E ⊥ n , e portanto x = n j=1 (x[x j )x j +z n . Como T[E ⊥ n = 0, segue que Tx = n j=1 (x[x j )Tx j = n j=1 (x[x j )λ j x j = n j=1 (x[λ j x j )x j = n j=1 (x[Tx j )x j = n j=1 (Tx[x j )x j . Isto prova a representa¸ c˜ao (1) quando T[E ⊥ n = 0 para algum n. (b) Suponhamos que a sequˆencia (λ n ) seja infinita, mas λ n ,→ 0. Como ([λ n [) ´e decrescente, existe > 0 tal que [λ n [ ≥ para todo n. Como T ´e compacto, a sequˆencia (Tx n ) admite uma subsequ˜encia convergente. Como Tx n = λ n x n e [λ n [ ≥ para todo n, segue que (x n ) admite uma subsequˆencia convergente. Mas isto ´e absurdo, pois, sendo (x n ) ortonormal, segue que |x n − x m | 2 = 2 sempre que n ,= m. A seguir provaremos que a representa¸c˜ao (1) ´e v´alida quando a restri¸ c˜ao T[E ⊥ n ´e distinta de zero para cada n. Como no caso anterior escrevamos x = y n +z n , com y n ∈ E n , z n ∈ E n . Como [λ n+1 [ = |T[E ⊥ n |, segue que |Tz n | ≤ |T[E ⊥ n ||z n | ≤ [λ n+1 [|x| → 0. Segue que Tx = Ty n +Tz n = lim n→∞ Ty n = lim n→∞ n j=1 (x[x j )Tx j 79 = ∞ j=1 (x[x j )λ j x j = ∞ j=1 (Tx[x j )x j . (c) Suponhamos que exista um autovalor λ ,= 0 de T que n˜ ao apare¸ ca na sequˆencia (λ n ). Seja x um autovetor correspondente, x ,= 0. Neste caso (x[x n ) = 0 para cada n, e segue de (1) que Tx = 0, absurdo, pois Tx = λx, com λ ,= 0, x ,= 0. Suponhamos que um autovalor λ ,= 0 apare¸ ca p vezes na sequˆencia (λ n ). Neste caso o subespa¸co E λ cont´em um subconjunto ortonormal formado por p vetores x n 1 , ..., x n p , e dai dimE λ ≥ p. Se fosse dimE λ > p, ent˜ ao existiria x ∈ E λ , com x ,= 0 e (x[x n j ) = 0 para j = 1, ..., p. Dai (x[x n ) = 0 para todo n, e seguiria de novo de (1) que Tx = 0, absurdo. Logo dimE λ = p. Exerc´ıcios 23.A. Seja S ∈ L( 2 ; 2 ) definido por S : (ξ 1 , ξ 2 , ξ 3 , ...) → (0, ξ 1 , ξ 2 , ξ 3 , ...). (a) S ´e injetivo? (b) S ´e sobrejetivo? (c) S ´e compacto? (d) Determine o adjunto S ∗ de S 23.B. Seja T ∈ L(E; F) um operador de posto finito. Prove que T admite uma representa¸c˜ao da forma Tx = n k=1 (x[a k )b k para cada x ∈ E, onde a k ∈ E e b k ∈ F. 23.C. Seja T ∈ L( 2 ; 2 ) o operador definido por T : (ξ 1 , ξ 2 , ξ 3 , ...) → (ξ 1 , ξ 2 2 , ξ 3 3 , ...). Prove que T ´e um operador compacto e auto-adjunto. 80 24. Espa¸ cos localmente convexos 24.1. Defini¸c˜ao. Diremos que E ´e um espa¸co vetorial topol´ ogico sobre K se se verificam as seguintes condi¸c˜oes: (a) E ´e um espa¸co vetorial sobre K. (b) E ´e um espa¸co topol´ ogico. (c) As seguintes aplica¸c˜oes s˜ao cont´ınuas: (x, y) ∈ E E → x +y ∈ E, (λ, x) ∈ KE → λx ∈ E. 24.2. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co vetorial topol´ ogico. Ent˜ao: (a) Para cada a ∈ E, a aplica¸ c˜ao x ∈ E → a +x ∈ E ´e um homeomorfismo. (b) Para cada λ ,= 0 em K, a aplica¸ c˜ao x ∈ E → λx ∈ E ´e um homeomor- fismo. Demonstra¸ c˜ao. (a) segue da continuidade da aplica¸ c˜ao (x, y) ∈ E E → x +y ∈ E. (b) segue da continuidade da aplica¸ c˜ao (λ, x) ∈ KE → λx ∈ E. 24.3. Corol´ario. Seja E um espa¸ co vetorial topol´ ogico. Ent˜ao: (a) Para cada a ∈ E, U ´e uma vizinhan¸ca de zero se e s´ o se a + U ´e uma vizinhan¸ca de a. (b) Para cada λ ,= 0 em K, U ´e uma vizinhan¸ ca de zero se e s´ o se λU ´e uma vizinhan¸ ca de zero. 24.4. Defini¸c˜ao. Seja E um espa¸co vetorial sobre K. (a) Um conjunto A ⊂ E ´e dito convexo se (1 − λ)x + λy ∈ A para todo x, y ∈ A e 0 ≤ λ ≤ 1. (b) Um conjunto A ⊂ E ´e dito equilibrado se λx ∈ A para todo x ∈ A e [λ[ ≤ 1. (c) Um conjunto A ⊂ E ´e dito absorvente se dado x ∈ E, existe δ > 0 tal que λx ∈ A para todo [λ[ ≤ δ. 24.5. Exemplo. Se E ´e um espa¸co vetorial topol´ ogico, ent˜ ao ´e f´acil ver que cada vizinhan¸ ca de zero em E ´e um conjunto absorvente. Basta usar a continuidade da aplica¸ c˜ao λ ∈ K → λx ∈ E em zero para x ∈ E fixo. 24.6. Defini¸c˜ao. Diremos que E ´e um espa¸co localmente convexo se E ´e um espa¸co vetorial topol´ ogico tal que cada vizinhan¸ ca de zero cont´em uma vizinhan¸ ca convexa de zero. 24.7. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co localmente convexo. Ent˜ao cada vizinhan¸ca de zero cont´em uma vizinhan¸ ca convexa e equilibrada de zero. Demonstra¸ c˜ao. Seja U uma vizinhan¸ ca de zero em E. Seja U 1 uma vizin- han¸ ca convexa de zero em E, U 1 ⊂ U. Como a aplica¸c˜ao (λ, x) ∈ KE → λx ∈ E 81 ´e cont´ınua em (0, 0), existem δ > 0 e uma vizinhan¸ ca V de zero em E tais que λx ∈ U 1 para todo [λ[ ≤ δ e x ∈ V . Seja V 1 = _ |λ|≤δ λV. Ent˜ ao V 1 ´e uma vizinhan¸ ca equilibrada de zero em E, V 1 ⊂ U 1 . Seja W = ¦ n j=1 λ j x j : x j ∈ V 1 , λ j ≥ 1, n j=1 λ j = 1¦. Ent˜ ao W ´e o menor subconjunto convexo de E que cont´em V 1 . Como V 1 ´e equilibrado, segue que W ´e equilibrado. Como V 1 ⊂ U 1 , e U 1 ´e convexo, segue que W ⊂ U 1 . Segue que W ´e uma vizinhan¸ ca convexa e equilibrada de zero em E, W ⊂ U. 24.8. Exemplos. (a) ´ E f´ acil ver que cada espa¸ co normado E ´e um espa¸co localmente convexo. As bolas B(0; ), com > 0, formam uma base de vizin- han¸ cas convexas e equilibradas de zero. (b) Seja E um espa¸ co normado. Dados x 0 ∈ E, φ 1 , ..., φ n ∈ E e > 0, consideremos o conjunto U(x 0 ; φ 1 , ..., φ n ; ) = ¦x ∈ E : sup 1≤j≤n [φ j (x −x 0 [ < ¦. Diremos que um conjunto U ⊂ E ´e aberto para a topologia fraca, que deno- taremos por σ(E, E ), se para cada x 0 ∈ U, U cont´em um conjunto da forma U(x 0 ; φ 1 , ..., φ n ; ). ´ E f´ acil ver que (E, σ(E, E )) ´e um espa¸ co localmente con- vexo. Os conjuntos da forma U(0; φ 1 , ..., φ n ; ), com φ 1 , ..., φ n ∈ E e > 0, formam uma base de vizinhan¸ cas convexas e equilibradas de zero. (c) Seja E um espa¸ co normado. Dados φ 0 ∈ E , x 1 , ..., x n ∈ E e > 0, consideremos o conjunto U(φ 0 ; x 1 , ..., x n ; ) = ¦φ ∈ E : sup 1≤j≤n [(φ −φ 0 )(x)[ < ¦. Diremos que um conjunto U ⊂ E ´e aberto para a topologia fraca-estrela, que denotaremos por σ(E , E), se para cada φ 0 ∈ U, U cont´em um conjunto da forma U(φ 0 ; x 1 , ..., x n ; ). ´ E f´ acil ver que (E , σ(E , E)) ´e um espa¸co localmente convexo. Os conjuntos da forma U(0; x 1 , ..., x n ; ), com x 1 , ..., x n ∈ E e > 0, formam uma base de vizinhan¸ cas convexas e equilibradas de zero. (d) Seja X um espa¸ co topol´ ogico, e seja C(X) o espa¸co vetorial de todas as fun¸ c˜oes cont´ınuas f : X → K. Dados f 0 ∈ C(X), K ⊂ X compacto e > 0, consideremos o conjunto U(f 0 , K, ) = ¦f ∈ C(X) : sup x∈K [f(x) −f 0 (x)[ < ¦. 82 Diremos que um conjunto U ⊂ C(X) ´e aberto para a topologia compacto-aberta, que denotaremos por τ 0 , se para cada f 0 ∈ U, U cont´em um conjunto da forma U(f 0 , K, ). ´ E f´ acil ver que (C(X), τ 0 ) ´e um espa¸co localmente convexo. Os conjuntos da forma U(0, K, ), com K ⊂ X compacto e > 0, formam uma base de vizinhan¸cas convexas e equilibradas de zero. 24.9. Defini¸c˜ao. Seja E um espa¸ co vetorial. Uma fun¸ c˜ao p : E → R ´e chamada de seminorma se verifica as seguintes condi¸c˜oes: (a) p(x) ≥ 0 para todo x ∈ E. (b) p(λx) = [λ[p(x) para todo x ∈ E, λ ∈ K. (c) p(x +y) ≤ p(x) +p(y) para todo x, y ∈ E. Uma seminorma p ´e uma norma se e s´o se p(x) = 0 implica x = 0. 24.10. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co vetorial, e seja p uma seminorma em E. Ent˜ao o conjunto V p, = ¦x ∈ E : p(x) < ¦ ´e convexo, equilibrado e absorvente, para cada > 0. A demonstra¸ c˜ao desta proposi¸ c˜ao ´e simples, e ´e deixada como exerc´ıcio. 24.11. Defini¸c˜ao. Seja E um espa¸co vetorial, e seja A um subconjunto absorvente de E. A fun¸ c˜ao p A : E → R definida por p A (x) = inf¦ρ > 0 : x ∈ ρA¦ ´e chamada de funcional de Minkowski de A. 24.12. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ coi vetorial, e seja A um subconjunto convexo, equilibrado e absorvente de E. Ent˜ao: (a) p A ´e uma seminorma em E. (b) ¦x ∈ E : p A < 1¦ ⊂ A ⊂ ¦x ∈ E : p A (x) ≤ 1¦. Demonstra¸ c˜ao. (a) ´ E claro que p A (x) ≥ 0 para todo x ∈ E. A seguir provemos que p A (λx) = [λ[p A (x) para todo x ∈ E, λ ∈ K. Isto ´e claro se λ ,= 0. Se λ ,= 0, ent˜ ao, como A ´e equilibrado, temos que p A (λx) = inf¦ρ > 0 : λx ∈ ρA¦ = inf¦ρ > 0 : [λ[x ∈ ρA¦ = inf¦ρ > 0 : x ∈ ρ [λ[ A¦ = inf¦[λ[σ : σ > 0, x ∈ σA¦ = [λ[p A (x). Finalmente provemos que p A (x +y) ≤ p A (x) +p A (y) para todo x, y ∈ E. 83 Dado > 0, existem α, β > 0 tais que x ∈ αA, α < p A (x) + , x ∈ βA, β < p A (x) +. Como A ´e convexo, x +y ∈ αA+βA = (α +β)( α α +β A+ β α +β A) ⊂ (α +β)A. Segue que p A (x +y) ≤ α +β ≤ p A (x) +p A (y) + 2. Como > 0 ´e arbitr´ ario, a conclus˜ ao desejada segue. (b) ´e claro. 84 25. O teorema de Hahn-Banach em espa¸cos localmente convexos Se E ´e um espa¸co vetorial topol´ ogico, denotaremos por E o espa¸co vetorial dos funcionais lineares cont´ınuos φ : E → K. Um exame da demonstra¸ c˜ao do teorema de Hahn-Banach em espa¸cos normados mostra o teorema seguinte. 25.1. Teorema de Hahn-Banach. Seja E um espa¸ co vetorial, e seja M 0 um subespa¸ co de E. Seja p : E → R uma seminorma, e seja φ 0 : M 0 → K um funcional linear tal que [φ 0 (x)[ ≤ p(x) para todo x ∈ M 0 . Ent˜ao existe um funcional linear φ : E →K tal que: (a) φ(x) = φ 0 (x) para todo x ∈ M 0 ; (b) [φ(x)[ ≤ p(x) para todo x ∈ E. 25.2. Corol´ario. Seja E um espa¸ co localmente convexo, e seja M 0 um subespa¸co de E. Ent˜ao, dado φ 0 ∈ M 0 , sempre existe φ ∈ E tal que φ(x) = φ 0 (x) para todo x ∈ M 0 . Demonstra¸ c˜ao. O conjunto U = ¦x ∈ M 0 : [φ 0 (x)[ < 1¦ ´e uma vizinhan¸ ca aberta de zero em M 0 . Seja V uma vizinhan¸ ca aberta de zero em E tal que V ∩ M 0 = U. Seja W uma vizinhan¸ ca convexa e equilibrada de zero em E tal que W ⊂ V . Ent˜ ao W ∩ M 0 ⊂ U e ¦x ∈ E : p W (x) < 1¦ ⊂ W ⊂ ¦x ∈ E : p W (x) ≤ 1¦. Se x ∈ M 0 e p W (x) < 1, segue que [φ 0 (x)[ < 1, e dai segue que [φ 0 (x)[ ≤ p W (x) para todo x ∈ M 0 . Pelo teorema anterior existe um funcional linear φ : E → K tal que φ(x) = φ 0 (x) para todo x ∈ M 0 e [φ(x)[ ≤ p W (x) para todo x ∈ E. Segue que [φ(x)[ ≤ para todo x ∈ W. Em particular φ ´e cont´ınuo. 25.3. Corol´ario. Seja E um espa¸ co localmente convexo de Hausdorff. Ent˜ao, dado x ,= 0 em E, sempre existe φ ∈ E tal que φ(x) ,= 0. Demonstra¸ c˜ao. Sendo E um espa¸co de Hausdorff, existe uma vizinhan¸ ca U de zero tal que x / ∈ U. Sem perda de generalidade podemos supor que U ´e equilibrada. Isto implica que [λ[ < 1 sempre que λx ∈ U, e portanto (1) [λ[ < sempre que λx ∈ U. Seja M 0 = [x], e seja φ 0 : M 0 → K definido por φ 0 (λx) = λ. φ 0 ´e claramente linear, e segue de (1) que φ 0 ´e cont´ınuo. Pelo corol´ ario anterior existe φ ∈ E tal que φ(y) = φ 0 (y) para todo y ∈ M 0 . Em particular φ(x) = 1 ,= 0. 25.4. Corol´ario. Seja E um espa¸ co vetorial topol´ ogico, seja A um subcon- junto convexo, equilibrado e aberto de E, e seja b ∈ E ¸ A. Ent˜ao existe φ ∈ E tal que φ(b) ≥ 1 e [φ(a)[ < 1 para todo a ∈ A. Demonstra¸ c˜ao. Pela Proposi¸ c˜ao 24.12 ¦x ∈ E : p A (x) < 1¦ ⊂ A ⊂ ¦x ∈ E : p A (x) ≤ 1¦. 85 Como A ´e aberto, segue que A = ¦x ∈ E : p A < 1¦, e portanto p A (b) ≥ 1. Seja M 0 = [b], e seja φ 0 : M 0 → K definido por φ 0 (λb) = λp A (b) para todo λ. φ 0 ´e claramente linear e [φ 0 (λb)[ = p A (λb) para todo λ. Pelo Teorema 25.1 existe φ ∈ E ∗ tal que φ(λb) = λp A (b) para todo λ e [φ(x)[ ≤ p A (x) para todo x ∈ E. Em particular φ ´e cont´ınuo, φ(b) = p A (b) ≥ 1 e [φ(a)[ ≤ p A (a) < 1 para todo a ∈ A. 25.5. Corol´ario. Seja E um espa¸ co localmente convexo, seja A um sub- conjunto convexo, equilibrado e fechado de E, e seja b ∈ E ¸ A. Ent˜ao existe φ ∈ E tal que φ(b) > 1 e [φ(a)[ ≤ 1 para todo a ∈ A. Demonstra¸ c˜ao. Seja U uma vizinhan¸ ca convexa e equilibrada de zero tal que (b +2U) ∩A = ∅, e portanto (b +U) ∩(A+U) = ∅. Seja C = A+U. Pela Proposi¸ c˜ao 24.12 ¦x ∈ E : p C (x) < 1¦ ⊂ C ⊂ ¦x ∈ E : p C (x) ≤ 1¦. Como C ´e fechado, segue que C = ¦x ∈ E : p C (x) ≤ 1¦, e portanto p C (b) > 1. Seja M 0 = [b], e seja φ 0 : M 0 → K definido por φ 0 (λb) = λp C (b) para todo λp C (b). φ 0 ´e claramente linear e φ 0 (λb) = p C (λb) para todo λ. Pelo Teorema 25.1 existe φ ∈ E ∗ tal que φ(λb) = λp C (b) para todo λ e [φ(x)[ ≤ p C (x) para todo x ∈ E. Em particular φ ´e cont´ınuo, φ(b) = p C (b) > 1 e [φ(a)[ ≤ p C (a) ≤ 1 para todo a ∈ A. 86 26. A topologia fraca Seja E um espa¸co normado. Lembremos que a topologia fraca σ(E, E ), ´e a topologia que admite como base de vizinhan¸ cas de x 0 ∈ E os conjuntos da forma U(x 0 ; φ 1 , ..., φ n ; ) = ¦x ∈ E : [φ j (x −x 0 )[ < para 1 ≤ j ≤ n¦, com φ 1 , ..., φ n ∈ E e > 0. Denotemos por τ E a topologia da norma em E. Como cada vizinhan¸ ca U(0; φ 1 , ..., φ n ; ) cont´em uma bola, ´e claro que σ(E, E ) ≤ τ E . 26.1. Observa¸c˜ao. N˜ao ´e dif´ıcil provar que cada vizinhan¸ ca da forma U(0; φ 1 , ..., φ n ; ) cont´em uma vizinhan¸ ca da forma U(0; ψ 1 , ..., ψ m ; δ), comψ 1 , ..., ψ m linearmente independentes. 26.2. Proposi¸c˜ao. Se E ´e um espa¸ co normado, ent˜ao (E, σ(E, E )) = E . Demonstra¸ c˜ao. Como σ(E, E )) ≤ τ E , ´e claro que (E, σ(E, E )) ⊂ E . Para provar a inclus˜ ao oposta, seja φ ∈ E . Como U(0; φ; ) = ¦x ∈ E : [φ(x)[ < ¦, ´e claro que φ ´e σ(E, E )-cont´ınua. O lema seguinte ´e muito ´ util. 26.3. Lema. Seja E um espa¸ co vetorial, e sejam φ 1 , ..., φ n , φ ∈ E tais que n j=1 φ −1 j (0) ⊂ φ −1 (0). Ent˜ao φ ´e combina¸ c˜ao linear de φ 1 , ..., φ n . Demonstra¸ c˜ao. Seja T : E → K n definida por Tx = (φ 1 (x), ..., φ n (x)). Ent˜ ao T ´e linear, e segue da hip´ otese que T −1 (0) ⊂ φ −1 (0). Se definimos ψ : T(E) → K por ψ(Tx) = φ(x), ent˜ ao ψ est´a bem definida e ´e linear. Seja Ψ : K n → K uma transforma¸ c˜ao linear tal que Ψ[T(E) = ψ. Se (e 1 , ..., e n ) ´e a base canˆonica de K n , ent˜ ao φ(x) = ψ(Tx) = Ψ(Tx) = Ψ(φ 1 (x), ..., φ n (x)) = Ψ( n j=1 φ j (x)e j ) = n j=1 φ j (x)Ψ(e j ). 87 26.4. Corol´ario. Seja E um espa¸ co vetorial, e sejam φ 1 , ..., φ n ∈ E ∗ funcionais lineares linearmente independentes. Ent˜ ao: (a) Existen vetores x 1 , ..., x n ∈ E tais que φ j (x k ) = δ jk para j, k = 1, ...n. (b) E = [x 1 , ..., x n ] ⊕ n j=1 φ −1 j (0) algebricamente. 26.5. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co normado. Ent˜ao σ(E, E ) = τ E se es´ o se E tem dimens˜ ao finita. Demonstra¸ c˜ao. Suponhamos que E tenha dimens˜ao finita. Seja (e 1 , ..., e n ) uma base de E, e seja (φ 1 , ..., φ n ) a base dual. Seja T : E → n ∞ o isomorfismo canˆ onico, ou seja Tx = (φ 1 (x), ..., φ n (x)) para cada x ∈ E. Ent˜ ao T ´e um isomorfismo topol´ ogico, e T transforma a vizinhan¸ ca U(0; φ 1 , ..., φ n ; ) na bola B(0; ). Isto prova que as topologias σ(E, E ) e τ E coincidem. Reciporocamente suponhamos que σ(E, E ) = τ E . Ent˜ ao a bola B E cont´em uma vizinhan¸ ca da forma U(φ 1 , ...φ n ; ), com φ 1 , ..., φ n linearmente indepen- dentes. Assim temos que B E ⊃ U(0; φ 1 , ..., φ n ; ) ⊃ n j=1 φ −1 j (0). Pelo Corol´ ario 26.4 existem vetores x 1 , ..., x n ∈ E tais que E = [x 1 , ..., x n ] ⊕ n j=1 φ −1 j (0). Como a bola B E n˜ ao pode conter um subespa¸ co vetorial n˜ ao trivial, conclu´ımos que n j=1 φ −1 j (0) = ¦0¦, e portanto E = [x 1 , ..., x n ] tem dimens˜ao finita. 88 27. A topologia fraca estrela Seja E um espa¸ co normado. Lembremos que a topologia fraca estrela σ(E , E), ´e a topologia que admite como base de vizinhan¸cas de φ 0 ∈ E os conjuntos da forma U(φ 0 ; x 1 , ..., x n ; ) = ¦φ ∈ E : [(φ −φ 0 )(x j )[ < para 1 ≤ j ≤ n¦, com x 1 , ..., x n ∈ E e > 0. ´ E claro que σ(E , E) ≤ σ(E , E ) ≤ τ E . 27.1. Observa¸c˜ao. N˜ao ´e dif´ıcil provar que cada vizinhan¸ ca da forma U(0; x 1 , ..., x n ; ) cont´em uma vizinhan¸ ca da forma U(0; y 1 , ..., y m ; δ), comy 1 , ..., y m linearmente independentes. 27.2. Proposi¸c˜ao. Se E um espa¸ co normado, ent˜ao (E , σ(E , E)) = E. Demonstra¸ c˜ao. Cada x ∈ E define um funcional linear ˆ x : φ ∈ E → φ(x) ∈ K, que ´e claramente cont´ınuo para σ(E , E). Isto prova que E ⊂ (E , σ(E , E)) . Para provar a inclus˜ ao oposta, seja T ∈ (E , σ(E , E)) . Ent˜ ao existemx 1 , ..., x n ∈ E e > 0 tais que U(0; x 1 , ..., x n ; ) ⊂ ¦φ ∈ E : [T(φ)[ < 1¦. Segue que n j=1 ˆ x −1 j (0) ⊂ T −1 (0). Pelo Lema 26.3 T ´e combina¸c˜ao linear dos funcionais ˆ x j , ou seja T(φ) = n j=1 α j φ(x j ) = φ( n j=1 α j x j ) para cada φ ∈ E . Assim T = ˆ x, onde x = n j=1 α j x j . 27.3. Proposi¸c˜ao. Seja E um espa¸ co normado. Ent˜ao σ(E , E) = τ E se e s´ o se E tem dimens˜ ao finita. Demonstra¸ c˜ao. Suponhamos que E tenha dimens˜ao finita. Seja (e 1 , ..., e n ) uma base de E, e seja (φ 1 , ..., φ n ) a base dual. Seja T : E → n ∞ o isomorfismo canˆ onico, ou seja Tφ = (φ(e 1 ), ..., φ(e n )) para cada φ ∈ E . Ent˜ ao T ´e um isomorfismo topol´ ogico, e T transforma a vizinhan¸ ca U(0; e 1 , ..., e n ; ) na bola B(0; ) . Isto prova que as topologias σ(E , E) e τ E coincidem. Reciprocamente, suponhamos que σ(E , E) = τ E . Segue que σ(E , E ) = τ E . Pela Proposi¸ c˜ao 26.5 E tem dimens˜ao finita. Logo E tem dimens˜ao finita. 89 27.4. Teorema de Goldstine. Seja E um espa¸ co normado. Ent˜ao: (a) B E = B σ(E ,E ) E . (b) E = E σ(E ,E ) . Demonstra¸ c˜ao. Basta provar (a), pois (b) ´e conseq¨ uˆencia imediata de (a). ´ E claro que B E ⊂ B E , e que B E ´e σ(E , E )-fechada. Logo B σ(E ,E ) E ⊂ B E . Para provar a inclus˜ ao oposta suponhamos que exista y ∈ B E ¸ B σ(E ,E ) E . Como B σ(E ,E ) E ´e convexo, equilibrado e σ(E , E )-fechado, o Teorema 25.5 garante a existˆencia de T ∈ (E , σ(E , E )) tal que [T(y )[ > sup¦[T(x )[ : x ∈ B σ(E ,E ) E ¦. Como (E , σ(E , E )) = E , pela Proposi¸ c˜ao 27.2, existe y ∈ E tal que T(y ) = y (y ) para todo y ∈ E . Logo [y (y )[ > sup¦[y (x)[ : x ∈ B E ¦ = |y |. Seja z = y /|y |. Ent˜ ao [y (z )[ > 1, absurdo, pois z ∈ B E e y ∈ B E . 27.5. Teorema de Alaoglu. Se E ´e um espa¸ co normado, ent˜ao a bola B E ´e σ(E , E)-compacta. Demonstra¸ c˜ao. Seja T : E → K E definida por T(φ) = (φ(x)) x∈E . Ent˜ ao T ´e um isomorfismo topol´ ogico entre (E , σ(E , E)) e sua imagem em K E . Se D(0; r) denota a bola fechada de centro 0 e raio r em K, ent˜ ao ´e claro que T(B E ) ⊂ x∈E D(0; |x|). Pelo teorema de Tychonoff o produto x∈E D(0; |x|) ´e compacto. Para com- pletar a demonstra¸ c˜ao basta provar que T(B E ) ´e fechado em x∈E D(0; |x|). Seja (φ i ) uma rede em B E tal que (T(φ i )) converge a g em x∈E D(0; |x|), ou seja φ i (x) → g(x) para cada x ∈ E. Como cada φ i ´e linear, ´e f´acil ver que g ´e linear. E como g(x) ∈ D(0; |x[[) para cada x ∈ E, concluimos que g ∈ B E . 27.6. Teorema. Um espa¸co normado E ´e reflexivo se e s´ o se a bola B E ´e σ(E, E )-compacta. Demonstra¸ c˜ao. Suponhamos que E seja reflexivo. Sabemos que a inclus˜ao canˆ onica E → E ´e uma isometria, e al´em disso a topologia σ(E , E ) em E 90 induz a topologia σ(E, E ) em E. Assim, se E ´e reflexivo, ent˜ao B E = B E e as topologias σ(E, E ) e σ(E , E ) coincidem em B E = B E . Como B E ´e σ(E , E )-compacto, pelo Teorema de Alaoglu, segue que B E ´e σ(E, E )- compacto. Reciprocamente suponhamos que a bola B E seja σ(E, E )-compacta. Pelo Teorema de Goldstine temos que B E = B σ(E ,E ) E . Assim, dado x ∈ B E , existe uma rede (x i ) ⊂ B E tal que ¸x , x ) = lim¸x , x i ) para todo x ∈ E . Como a bola B E ´e σ(E, E )-compacta, a rede (x i ) admite uma subrede (x θ(j) ) que converge fracamente a um ponto x ∈ B E , ou seja ¸x , x) = lim¸x , x θ(j) ). Segue que ¸x , x ) = lim¸x , x θ(j) ) = ¸x , x) para todo x ∈ E , e portanto x = x. Logo B E = B E , e E ´e reflexivo. 91
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