CÍRCULO PSICANALÍTICO DE MINAS GERAIS FORMAÇÃO PSICANALÍTICA ESTRUTURAS CLÍNICAS

Professor: Messias Eustáquio Chaves Aluno: Weverton Duarte Araújo Data: 13/12/2010

TRABALHO FINAL DA DISCIPLINA

Introdução
O dar provas de assimilação do método psicanalítico passa pela elaboração do discurso do indivíduo. Vale esclarecer que este trabalho visa a apresentar uma síntese do curso introdutório às estruturas clínicas, de modo que não haverá aqui a intenção de abordar com profundidade o tema, até mesmo pela incompetência do autor e pela exiguidade do espaço. Assim, serão trabalhados apenas os aspectos principais e mais marcantes do que foi assimilado de todo o conteúdo estudado no semestre. O analista precisa ter o pensar psicanalítico embutido em seu discurso. A idéia deste trabalho é tentar, pela via da construção de um discurso compatível com o discurso da psicanálise, elencar os aspectos que individualizam, ou pelo menos, dão pistas em direção a uma ou outra estrutura, uma vez que, pelo que pudemos observar no decorrer das aulas, nada é muito claro, nem estático, ou padronizado, no desenrolar da experiência analítica. Assim sendo, tentaremos construir um discurso acerca da forma pela qual o analista pode chegar ao diagnóstico da estrutura psíquica do indivíduo submetido à análise. Vale lembrar que o analista tem por objeto de sua escuta, entre outros, fazer um diagnóstico prévio e atualizá-lo constantemente. Não se pode,

através da leitura que o analista faz do conteúdo do discurso do paciente. É uma escolha dirigida por diversas forças circunstanciais que são individuais. perverso ou psicótico. por uma forma de nos relacionarmos com a ruptura imposta pelo acréscimo da figura paterna na relação mãe-bebê. Essa castração é percebida pela criança quando a presença do pai imaginário. não . em um dado momento dentro daquele período de constituição do sujeito acima citado. Isso só é possível na clínica. Diante da angústia da castração o indivíduo cria soluções de defesa e. Todos nós optamos. A esta opção se deve a forma pela qual esse indivíduo vai se relacionar com o mundo ao seu redor. Neurose. Estabelece-se aí a rivalidade e o complexo de Édipo. relidos e atualizados e desenvolvidos por Lacan. pela experiência de se escutar o analisando e avaliar suas manifestações de transferência. onde se dá a transferência ideal. Como e em que direção vai se dar essa estruturação é o que veremos adiante. mas. e principalmente. estabelecer um diagnóstico com base na teoria puramente. Essa linguagem é que traz à luz a estrutura. Essas categorias foram consolidadas basicamente a partir dos estudos e proposições de Freud. cujos desdobramentos vão ser decisivos na elaboração da estrutura desse indivíduo. objeto de desejo unicamente seu. se estrutura como neurótico. se estrutura. A opção pela estrutura é involuntária. O diagnóstico estrutural é feito a partir da estrutura da linguagem. Há um momento lógico dentro do período de 0 a 6 anos. É preciso escutar o sujeito e o seu inconsciente. introduzido pelo discurso da mãe como objeto de seu desejo. quando o indivíduo é exposto à vivência da fase fálica e se vê obrigado a optar por um posicionamento em relação à falta (castração) que se impõe. perversão e psicose: soluções de defesa diante da angústia da castração.portanto. irreversivelmente. em uma operação de defesa. abala as certezas da criança sobre ser ela o objeto de desejo da mãe e de ser a mãe. O indivíduo então.

Inconscientemente ele se alimenta da repetição do sintoma a fim . fortemente marcado pelos delírios e alucinações. No mecanismo da perversão (Verleugnung). Assim. que se manifesta sob as formas de histeria e obsessão. Resumidamente podemos apresentá-las como mecanismos de defesa diante da castração simbólica. quando ela percebe que a mãe deseja o falo representado pelo pai. O neurótico mostra seu sintoma. Estrutura neurótica A neurose pode ser caracterizada pela submissão (recalque) à Lei do Pai. aponta para a origem de sua estrutura psíquica. o PAI e sua LEI formam o aspecto central a ser observado pelo analista. se caracteriza pela rejeição total da castração simbólica. Daí surge o sentimento de ódio pela mãe e pelo pai e começa a estruturação do neurótico. Essas estruturas apresentam sintomas e traços. percebe que a mãe deseja outro. se baseia em uma sintomática nostálgica em função da perda a que o sujeito se submete ao aceitar (recalcar) o imperativo da castração simbólica. são importante fator para a distinção entre as estruturas ao se buscar um diagnóstico. uma vez que reconhece a castração simbólica unicamente com o intuito de transgredi-la (renegar – desmentir). que o indivíduo forclui (deixa fora) de seu psiquismo. daí o termo “foraclusão da castração”. O mecanismo da neurose (Verdrängung). mas deixa a possibilidade do retorno desse recalcamento. Ele goza do sintoma.obstante. que não ela própria. os quais. O efeito do recalque permite o esquecimento do sofrimento do atravessar o Édipo. A criança percebe que a mãe é castrada. O mecanismo da psicose (Verwerfung). diversos estudiosos continuem no trabalho de contextualização e atualização. Na coleta de traços marcantes da estrutura do analisando. mormente os últimos. o sujeito sintomatiza fixação ou denegação da realidade. Como ele se relaciona com a metáfora paterna.

apresenta-se o discurso histérico. o perverso pode voltar a se sentir o único objeto de desejo da mãe. Quando o sujeito escolhe pelo desejo do outro. A angústia da castração do perverso se dá na dificuldade de assimilar a diferença real entre os sexos. Realizar seu desejo é realizar o incesto com a mãe. Ele imagina que o pai vai lhe castrar por ciúmes da mãe. Histeria Se uma pessoa não consegue falar de seu desejo sem passar pelo desejo do outro. O obsessivo se acha na impossibilidade de poder demandar. pois sempre diz através do outro. Estrutura Perversa O perverso faz questão de transgredir a lei do pai e ficar com a mãe para si. negando-lhe o status de “suposto ter o que a mãe deseja”. onde o seu desejo se manifesta através do desejo do “grande Outro”. capaz de sustentar-lhe o gozo. Ele prefere não se lembrar do recalcado para não abrir mão do sintoma. Assim. provavelmente se trata de uma estrutura histérica.de manter o gozo. Se o indivíduo não resolve esse problema na infância. Ele não pode realizar o desejo. sem chegar a lugar nenhum. vai empurrando com a barriga. Obsessão O obsessivo tem um desejo impossível. Ele deixa a castração entrar parcialmente em seu psiquismo. Ele recusa terminantemente que a lei de seu desejo seja submetida à lei do desejo do outro. tornando-se servo do desejo do outro. Ele se sente estimulado a não renunciar o . Ao enfraquecer a figura do pai. há grande possibilidade de se tornar um adulto neurótico de estrutura obsessiva.

por não dar conta mesmo da castração. podemos apostar preliminarmente. a fantasia na neurose e o delírio na psicose são. em resumo. que sustente o lugar de sua falta. inibição. alucinado. ao analista. A construção delirante é um traço forte e a alucinação auditiva é marcante na psicose. Cabe então. explicita. como os perversos. tendendo respectivamente ao fetichismo e ao homossexualismo. porque a idéia de pai remete à idéia de falta. Estrutura Psicótica O indivíduo psicótico forclui (deixa de fora) a castração simbólica. a lei do pai. estar apto a escutar no discurso do analisando. Ele busca produzir a angústia no outro. embora negada.objeto de seu desejo (a mãe). O desejo do psicótico é ilusório. a qual. seus “ais” (angústia. é presente. sempre uma resposta do real à falta. antes. Conclusão Posto que o fetiche na perversão. O sujeito da psicose não é barrado pela castração como os neuróticos e nem reconhece parcialmente. para estabelecer o diagnóstico. Ele faz então. uma suplência através de diversos subterfúgios. partindo para o desafio ao pai e à transgressão de sua lei. cada um desses sintomas com seus diversos traços. . delirante. a partir desses pontos em que diferem as estruturas. sintoma) que a linguagem não esconde. que seja. O psicótico fixa no oral. Ele simplesmente não deixa entrar a metáfora paterna em seu psiquismo. O perverso tem modificada sua pulsão quanto à meta e quanto ao objeto. No delírio o sujeito “inventa” um Outro do desejo.

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