CENTRO UNIVERSITÁRIO GERALDO DI BIASE FUNDAÇÃO EDUCACIONAL ROSEMAR PIMENTEL INSTITUTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS CURSOS DE ARQUITETURA E URBANISMO

TEORIA DA ARQUITETURA II – 2º Semestre

O URBANISMO, DE FRANÇOISE CHOAY

Profº Lincoln Botelho Alunas: Bárbara Guaiato Carla Ferreira Nascimento Agosto/2011

3. desconsiderando as tendências e os sistemas de valores. Considerar o Urbanismo Uma Ciência: a idéia do urbanismo cientifico é um dos maiores mitos da sociedade industrial. porém a indícios da realização também nos urbanistas. Espírito Progressista – a investigação deve ter como prioridade o futuro. segundo a dimensão do tempo que privilegia. Onde o projeto de planejamento deve ser investigado. Choca-se com hábitos metais e a urgência da ação. Os modelos construídos no imaginário da uma idéia de arbitrário. pois existe uma série de possibilidades variáveis. ajudam a definir e a ordenar certas normas urbanas de base. não há como se estabelecer uma regra. logo foi qualificada como desordem a ordem urbana existente. orientador para o urbanismo. projeções racionalizadas de imaginários. esse ideal de urbanismo acaba servindo como espelho. sendo descrito como pré-urbanismo. Esses modelos se tornam grandes instrumentos de ação exercendo grande influência nas estruturas urbanas já estabelecidas. A ciência real da informação é uma proteção ao imaginário. É a razão que na falta de um modelo uma ideologia se reintroduz: ideologia progressista nos adeptos as . Após questionamentos e críticas começam os esforços para ordenar esses modelos. Onde. A Motivação a Criação de Modelos Urbanos: essa criação e de modelos urbanos teve início na era industrial. bem pensada. SEGUNDO FRANÇOISE CHOAY 1. coletivos e individuais. sobretudo no domínio da higiene.Estudo desenvolvido a partir do Livro O urbanismo. como efeito. O Contestamento ao Imaginário/ Surgimento dos Modelos Culturalista e Progressista: com o contestamento do urbanismo imaginário se busca na realidade fundamentos para o planejamento urbano. Com aplicação destas técnicas e possível elaborar planos. de Françoise Choay INTERPRETAÇÃO DO URBANISMO CONCLUSÕES. a fé no progresso e no poder total das técnicas eram os itens mais relevantes. Esse mito. com isso se substitui o modelo pela informação. Espírito Culturalista – o passado que unifica a informação antropológica determinando a consciência perceptiva. O urbanismo jamais será uma ciência. 2. de remediar de imediato o afluxo demográfico e drama dos desabrigados acaba impedindo uma planificação global bem cuidada. a necessidade de respostas rápidas. que integram riqueza e diversidade as necessidades dos homens reais. Mas esse planejamento ainda não pode ser generalizado. E. técnicas de caráter de previsão (previsão demográfica e econômica fundamento de qualquer planificação urbana). pois a presença da cidade foi substituída por uma “idéia de cidade”. que logo começou a ser criticada e questionada. porém não é um fundamento que permite eliminar o arbitrário.

Com a busca dos meios de satisfação do racionalismo das grandes funções urbanas de base (o que faltam aos desabrigados.técnicas de previsões. do lado do utilizador. 4. e segue frustrado em toda atividade dialética que a localização urbana deveria oferecer. um meio de realizar certas funções vitais. e segue como um objeto que é inserido nos sistemas semiológicos construídos. A cidade não era retratada como um sistema de relações interconscienciais. Passando a se referir a um só sistema arqueológico. abertas a significados ainda não construídos. onde está empreendida. culturalista nos antropólogos. semi-estatais ou privados) dirigidos por técnicos de construção. ao bem estar) a cidade sofreu o traumatismo da boa forma. Que juntos criam sua própria linguagem. a . um instrumento. naturalistas em certos sociólogos americanos. de diferença. A cidade conservada pela tradição não foi substituída pelos urbanistas. O Urbanista Deve Deixar de Conceber a Aglomeração Urbana Exclusivamente em Termos de Modelos e de Funcionalismo (A Cidade Hoje): e necessário parar de repetir formar fixas que tornam o discurso em objeto.(transformação das técnicas de produção. A microlinguagem do urbanismo é determinada como imperativa e limitadora. crescimento demográfico. de ruas.fizeram com que o antigo modo de planejar se perdesse em beneficio de antigas estruturas de proximidade. Era apenas um objeto. surgem microgrupos de decisão que caracterizam a sociedade da diretividade. Porém. de difícil entendimento. sem compreender. Falta de Significados Múltiplos da Localização Urbana. E teve como conseqüência a comparação ao um objeto industrializado. 6. sua “logotécnica”. o lugar de uma atividade que consome sistemas de signos complexos. Cumprindo a partir de agora a elaboração desta linguagem urbanística. o habitante não participa de sua elaboração. sendo necessário criar estruturas flexíveis. arquitetos e engenheiros. O habitante é forçado a escutar. A cidade nova e a habitação e elaborada e financiada por organismos financeiros (estatais. evolução dos transportes. do lado do produtor). Com base da teoria funcionalista lançada pelos arquitetos racionalistas e pela escola da Bauhaus. novas estruturas urbanas são criadas. Essa linguagem possui um campo de significação restrita. os famintos. Que no contexto atual não tem mais significado. Um conhecimento exaustivo do contexto de (serviços exigidos e gestos implicados. e outros) . condições de fabricação. Cada cidade possui um estilo. Num Sistema Semiológico Global e Unificado. Funcionalismo (A Crise do Objeto em Série) – os sistemas de valores ainda eram simulados pela ilusão e persistência da abordagem cientifica. de jardins. Devido há uma série de acontecimentos sociais . 5. sendo privados da liberdade de resposta. desenvolvimento dos lazeres. Porém. e o antigo modo de planejar as cidades ficou para trás. na definição dos sistemas de relações.

tornando-se uma fonte de encantamento para a consciência lúdica. A linguagem urbanística perde a especificidade para conquistar um plano superior de generalidade. 7. Porém. entretanto a realidade deve parecer compatível. pois tem como modelo de estabelecimento ideal.URBANISMO PROGRESSISTA Robert Owen (1771-1858) operário (co-proprietário) Considerado pré-urbanista progressista. Criador de pequenas comunidades semi-rurais (colônia de New Harmony) Estabelece um modelo de cidade em plano quadriculado. Ao habitante agora cabe a lucidez. ainda que sejam adaptadas as novas condições de vida. sob a pressão da industrialização. Predomínio das necessidades materiais desaparece diante das necessidades espirituais. deve se resguardar da ilusão progressista e da nostalgia culturalista. Isola as . Por isso. indiretamente. pela influencia ao conjunto dos outros sistemas significantes. Fato histórico: Revolução Industrial Pensamento otimista orientado para o futuro. A Cidade do Futuro: Ninguém pode descrever a cidade de amanhã. lógica e beleza. INTRODUÇÃO: PREGRESSISTA Progressista possui a mesma concepção do homem e da razão que subtende e determina suas propostas relativas à cidade. ao que chamamos de cidade hoje. com edifícios públicos (onde no interior o espaço livre é destinado há exercício e ao lazer. Fato histórico: Desaparecimento da antiga unidade orgânica da cidade. muito verde. a arborização. ela só conservará seu valor semiológico com a conivência de seus habitantes. Espaço progressista:  Aberto. CULTURALISMO Visa o agrupamento humano da cidade.  Traçado conforme análise das funções humanas. mesmo que a cidade funcione perfeitamente. contribuindo para o conjunto da coletividade. PRÉ. higiênico. Até o funcionalismo poderá ser irrelevante. sua definição é determinada pela idéia de progresso. Uma nova linguagem provavelmente deverá ser construída consciente e deliberadamente e repercutirá em seu significado.recorrência à análise estrutural que permite o surgimento de tramas comuns dos diferentes sistemas semiológicos ligados à aglomeração urbana. ordenado. com bastante vegetação.

Na educação sua edificação permite que sejam oferecidos subsídios para um bom aprendizado refeitório. piscinas. CULTURALISTA Ebenezer Haward (1950 – 1970) Criador das cidades jardins. principalmente. áreas para exercícios ginásios. Arquiteto e historiador que através de análises de cidades históricas. principalmente praças. com o aumento dos meios de circulação e com o aumento das superfícies verdes. Camillo Sitte (1843 – 1903) Austríaco. sem efeito sobre o . Seu objetivo era de "polemizar contra as transformações de Viena e planejamento do Ringstrasse segundo princípios do Barão Georges-Eugène Haussmann. Richardson almejava uma cidade que tenha o coeficiente mais baixo o possível de mortalidade. destinada a obter dos operários que ali moram e terão o melhor rendimento possível. O verde oferece particularmente um quadro para momentos de lazer. Richardson (1828 – 1896) Médico lutava contra o deplorável estado sanitário das grandes cidades. com a racionalização do habitat coletivo. com o aumento da densidade. um processo para satisfazer as massas e controlar sua concentração nos centros metropolitanos. os meios financeiros e administrativos de uma cidade ideal. Foi.indústrias com espaços verdes. com a integração da Arquitetura e Urbanismo no plano da cidade. com o descongestionamento do centro das cidades. escolas e locais para diversão instrutiva. Planeja não só as formas. A superfície de nossa cidade permite o estabelecimento de duas vastas ruas principais. PROGRESSISTA Charles Edouard Jenneret (Le Coubusier) Preocupava-se com a classificação as funções urbanas. Salienta a necessidade de investigar locais mais propícios a instalações de estabelecimentos – agrícolas e industriais simultaneamente. A higiene da população fica garantida. Nesta cidade cultivasse o corpo com casas de banho. mas. com a criação de protótipos funcionais. as funções. com o aumento das cidades. dormitório. contra os perigos dessa forte densidade graças ao tipo de casa escolhida. bibliotecas. reavalia a cidade através de espaços existentes. George Benoit Levy (nascido 1880) Cidades Operárias (verde e higiênica). sadia e bela. consagra a jardinagem e a educação sistemática de corpo. Acreditava que com esse tipo de cidade eleva o nível de saúde e bem estar de todos os verdadeiros trabalhadores qualquer seja sua posição e seu meio. permitindo a população uma sensação de bem estar. multiplicação dos espaços. no entanto.

pensador e político que visava à classe trabalhadora “a causa da arte é a causa do povo” e criticava o mercantilismo. Lewis Mumford. mas faziam parte do jogo. onde as casas não eram apenas um lugar pra morar.destino urbanístico da capital austríaca e a concepção de Otto Wagner. que o espectador percebe instantaneamente os elevados. ." Sua obra será fonte de inspiração para Patrick Geddes. De forma. Willian Morris (1834 – 1896) Poeta. PRÉ-URBANISMO CULTURALISTA Augusto Welby Pugin (1812 – 1852) Arquiteto inglês que acreditava na beleza arquitetônica e adaptação da forma. de a função do estilo de um edifício deve corresponder a sua utilização. Tinha grande preocupação com a organização e o plano da cidade. da cidade.

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