COMPARAÇÃO DAS CARACTERÍSTICAS GERAIS DOS TERPENÓIDES, CAROTENÓIDES E ESTERÓIDES

I.

INTRODUÇÃO

Uma das características dos seres vivos é a presença de actividade metabólica. O metabolismo nada mais é do que o conjunto de reacções químicas que ocorrem no interior das células. No caso das células vegetais, o metabolismo costuma ser dividido em primário e secundário, os secundários envolvem terpenóides, carotenóides, esteróides, entre outros.

1. SEMELHANÇAS

1) Características gerais  São compostos lipossolúveis devido ao grande número de carbono e hidrogénio que apresentam na sua estrutura.  Podem apresentar nas suas estruturas átomos de oxigénio para além de carbono e hidrogénio.  São precursores de diferentes vitaminas.

2) Propriedades Químicas  Isomerização  Epoxidação  Oxidam-se facilmente formando seus derivados oxigenados,  Polimerização resultante da condensação de diferentes unidades isoprénicas.

3) Funções Biológicas e Aspectos Ecológicos Químicos  Controlam funções que estão sob pressão selectiva de um meio ambiente continuamente em alteração

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 São dispensáveis para o crescimento e desenvolvimento  Indispensáveis para sobrevivência ao meio ambiente  Adaptativos

4) Principais aplicações  São amplamente aplicados na medicina no fabrico de fármacos.

5) Biossíntese Biossinteticamente são compostos derivados de isopentenil difosfato e apresentam na sua estrutura diferentes quantidades de unidades de 2-metil-1,3-butadieno (isopreno) unidas entre si.

Isopentenil difosfato

2-metil-1,3-butadieno (isopreno)

Figura 1: unidades isoprénicas

2. DIFERENÇAS

1) Características gerais  Os terpenóides e os esteróides são substâncias incolores, enquanto, os carotenóides são coloridos pelo facto de apresentarem no mínimo 7 ligações duplas conjugadas que constituem um cromóforo.

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 Os esteróides e os carotenóides apresentam basicamente na sua estrutura átomos de oxigénio para além de carbono e hidrogénio, já os terpenóides para além destes pode apresentar átomos de nitrogénio e enxofre.

2) Classificação  Quanto ao tipo de cadeia: os terpenóides e os carotenóides podem ser acíclicos e cíclicos, já os esteróides são basicamente cíclicos (derivados de gonano).

3) Fontes naturais  Terpenóides: se encontram em plantas superiores, musgos, algas, insectos; existem também terpenóides de origem microbiana.  Carotenóides: existem amplamente no reino vegetal, em bactérias, insectos e muito pouco em animais.  Esteróides: plantas, fungos e em algumas bactérias. Mas em grande numero são basicamente encontrados nos animais.

4) Propriedades Químicas Comparativamente aos terpenóides e carotenóides, os esteróides são muito pouco reactivos devidos ao baixo número de ligações duplas na sua estrutura.

5) Funções biológicas e Aspectos Ecológico Químicos 1. Terpenóides  Função protectora em processos de cicatrização (resinas e bálsamos) e actividade antimicrobiana  Protecção contra perda de água e aumento de temperatura

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2. Carotenóides: pelo facto de absorverem na região visível do espectro são factores importantes no processo de fotossíntese.

3. Esteróides: As principais funções biológicas são atribuídos ao processo reprodutivos nas plantes e especialmente nos animais (com maior ênfase ao Homem).

6) Principais aplicações  Terpenóides: são amplamente usados na indústria alimentar e de perfumaria como para conferir cheiro.  Carotenóides: são usados como antioxidantes; na indústria alimentar são usados para conferir sabor a alguns alimentos;  Esteróides: são amplamente usados na medicina como anticoncepcionais e agentes conceptivos, são também usados no fabrico de anabolizantes.

7) Biossíntese  Terpenóides: são formados por acoplamento cabeça – cauda (monoterpenos e sesquiterpenos) e cauda – cauda (diterpenos e triterpenos), e a sua biossíntese pode seguir duas vias: via mevalonato ou 1-deoxi-D-xilulose-5-fosfato.  Carotenóides: A formação de esqueleto carotenóide ocorre pela via mevalónico e mediante o acoplamento cauda cauda de duas moléculas de

geranilgeranildifosfato (GGPP).  Esteróides: Estudos realizados com o ácido mevalónico mostraram que o colesterol é um terpenóide que se forma a partir de duas moléculas de farnesildifosfato (FPP) por um acoplamento cauda – cauda.

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A seguir estão representados algumas estruturas precursoras dos terpenóides, carotenóides e esteróides, não obstantes, estão também representados as vias de biossíntese e tipos de acoplamentos das suas biossínteses.

Acoplamento cabeça – cauda

Acoplamento cauda - cauda

Molécula de farnesildifosfato (FPP)

Molécula de geranilgeranildifosfato (GGPP)

Figura 2: estruturas precursoras dos terpenóides, carotenóides e esteróides

Figura 3: Esquema de biossíntese via mevalonato ou 1-Deoxi-D-Xilulose-5-Fosfato

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3. NOMENCLATURA

1. Terpenóides A nomenclatura dos terpenos e dos seus esqueletos básicos hidrocarbonados segue uma regra trivial, de acordo com a sua fonte na natureza. como exemplos temos:  Zinzibreno de Zingiber officinalis

 Timol de Thymus vulgaris L.

Figura 4: exemplos de nomenclatura dos terpenóides

2. Carotenóides Tradicionalmente os carotenóides são conhecidos pelos seus nomes triviais derivados da fonte biológica de onde foram descobertos. Não obstante se tem desenvolvido um esquema semi-sistemático que permite nomear os carotenos de forma inequívoca e de uma forma que define suas estruturas. Os nomes específicos têm como sustento o nome base "caroteno" precedidos pelos prefixos para designar os dois grupos terminais. Exemplo: o β-caroteno é referida correctamente como β,β -caroteno e o α-caroteno como β,ε-caroteno.

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Foram reconhecidos até então 7 grupos terminais e se estabeleceu uma ordem de prioridade. Os prefixos convencionais e os sufixos são utilizados para indicar mudanças nos níveis de hidrogenação e a presença de substituintes.

Figura 5: Esquema de numeração para carotenóides e os 7 tipos de grupos terminais.

Exemplos

Nome trivial: β-caroteno Nome Sistemático: β,β-caroteno

Nome trivial: Astaxantina Nome Sistemático: 3,3'-dihidroxi-β,β-caroteno-4,4'-diona

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Nome trivial: Violaxantina Nome Sistemático: 5,6,5',6'-diepoxi-5,6,5',6'-tetrahidro-β,β-caroteno-3,3'-diol
Figura 6: exemplos de nomenclatura dos carotenóides

3. Esteróides A nomenclatura dos esteróides é complexa, mas entretanto, pode ser feita tendo em conta o seguinte: a) Tipos de grupos funcionais que se encontrem no esqueleto esteroidal, geralmente nos anéis A e D do gonano:  Esteróis (com grupos hidroxilos)  Esteronas (com grupos Oxo)  Ácidos gaélicos (Com grupos carboxílicos) b) Longitude da cadeia lateral no C-17 do gonano:  Pregnanos (C21)  Colanos ( C24)  Colestanos (C27) Abaixo está representado a estrutura de gonano, a sua ordem de enumeração e alguns exemplos característicos de anéis.  Ergostanos (C28)  Estigmastanos (C29)

Gonano

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Estrutura de colestan-3β-ol

Série 5β

Estrutura de lanostan-3β-ol

Estrutura de estigmantan-3β-ol

Figura 8: examplo dos principais núcleos na nomenclatura dos esteróides

4. ESTEREOISOMERIA Estereoisómeros – são isómeros que diferem apenas no arranjo de seus átomos no espaço. Os estereoisómeros dividem-se em: a) Diasterómeros: são isómeros cujas moléculas não são imagens especulares umas das outras. Ex. Moléculas com configuração cis ou trans (E ou Z).

b) Enantiómeros: são estereoisómeros cujas moléculas são imagens especulares umas das outras, que não se sobrepõem e ocorrem apenas com compostos cujas moléculas são quirais (cujo carbono central está ligado a 4 grupos diferentes). A seguir estão representados alguns exemplos de estrereoisomerias concernentes aos terpenóides, carotenóides e esteróides 1. Terpenóides

(E,E)-α-Farneceno

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O CH3 H3C * C CH2 Carvona Óleo de Hortelã O

CH3 CH3 * * *

CH2 C CH3

H * * HO * H H3C

CH3

CH3

nootkatona

mentol

Figura 9: exemplo de estereoisomeria nos terpenóides

2. Carotenóides

Os carotenóides apresentam basicamente isomeria cis-trans e apresentam também em alguns casos, embora muito poucos, a enantiomeria, pelo facto de terem um número extremamente reduzidos de centros quirais.

(E,Z)-β-Caroteno ou (cis-trans)-β-Caroteno

Figura 10: exemplo de estereoisomeria nos carotenóides

3. Esteróides

Em relação a diasteromeria para os esteróides verifica-se que para cada par de anéis AB, BC e CD dos esteróides saturados haja 2n = 8 possibilidades de união trans ou uma cis. Sendo o n=3.

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Em relação a enantiomeria, pode se usar como exemplo o colesterol que contém 8 centros quirais assimétricos pelo que teoricamente pode ter 28 = 256 estereoisómeros (128 pares de enantiómeros). Sendo o n – número de centros quirais

* Representa o carbono assimétrico

Figura 11: exemplo de estereoisomeria nos esteróides

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1) Postado pela Wikipedia, Carotenos, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Caroteno acesso no dia 20 de Abril de 2011.

2) ARAÚJO, J.R., Pigmentos, 2006, disponível em: http://www.ideariumperpetuo.com/ pigmentos.htm, acesso no dia 21 de Abril de 2011. 3) PERES, Lázaro E. P., Metabolismo Secundário, disponível em:

http://docentes.esalq.usp.br/lazaropp/FisioVegGradBio/MetSec.pdf, acesso no dia 25 de Abril de 2011. 4) Postado pela Wikipedia, Esteróides, disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Esteroide acesso no dia 20 de Abril de 2011. 5) HANSON, James Ralph; Natural Products: The Secondary Metabolites; Royal Society of Chemistry; British; 2003; pp 6-8 6) STANFORTH, Stephen P., Natural Chemistry at a Glace, 1st Edition, Blackwell Published, UK, 2006, pp. 100, 101, 106 7) BROWN, William H., et al; Organic Chemistry; 5th Edition; Saunders College; New York; 2005, pp. 194-198

8) SARKER, Satyajit D., NAHAR, Lutfun, Chemistry for Pharmacy Students - General, Organic and Natural Product Chemistry, John Wiley & Sons, England, 2007, pp. 54-48

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