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A lei do paralelogramo para a adição de vetores é tão intuitiva que sua origem é desconhecida.

Pode ter aparecido em um trabalho, agora perdido, de Aristóteles (384--322 A.C.), e está na
Mecânica de Herão (primeiro século d.C.) de Alexandria. Também era o primeiro corolário no
Principia Mathematica (1687) de Isaac Newton (1642--1727). No Principia, Newton lidou
extensivamente com o que agora são consideradas entidades vetoriais (por exemplo,
velocidade, força), mas nunca com o conceito de um vetor. O estudo sistemático e o uso de
vetores foram fenômenos do século 19 e início do século 20.

Vetores nasceram nas primeiras duas décadas do século 19 com as representações


geométricas de números complexos. Caspar Wessel (1745--1818), Jean Robert Argand (1768--
1822), Carl Friedrich Gauss (1777--1855) e pelo menos um ou dois outros, conceberam números
complexos como pontos no plano bidimensional, isto é, como vetores bidimensionais.
Matemáticos e cientistas trabalharam com estes novos números e os aplicaram de várias
maneiras; por exemplo, Gauss fez um uso crucial de números complexos para provar o Teorema
Fundamental da Álgebra (1799). Em 1837, William Rowan Hamilton (1805-1865) mostrou que os
números complexos poderiam ser considerados abstratamente como pares ordenados (a, b) de
números reais. Esta idéia era parte de uma campanha de muitos matemáticos, incluindo
Hamilton, para procurar uma maneira de estender os "números" bidimensionais para três
dimensões; mas ninguém conseguiu isto preservando as propriedades algébricas básicas dos
números reais e complexos.

Em 1827, August Ferdinand Möbius publicou um pequeno livro, The Barycentric Calculus,
no qual introduziu diretamente segmentos de reta que eram denotados por letras do alfabeto,
vetores na essência, mas não no nome. No seu estudo de centros de gravidade e geometria
projetiva, Möbius desenvolveu uma aritmética destes segmentos de reta; adicionou-os e mostrou
como multiplicá-los por um número real. Seus interesses estavam em outro lugar, contudo, e
ninguém se importou em notar a importância destes cálculos.

Depois de muita frustração, Hamilton estava finalmente inspirado a desistir da procura por
um sistema "numérico" tridimensional e em vez disso, inventou um sistema de quatro dimensões
que chamou de quatérnios. Nas suas próprias palavras: 16 de outubro de 1843,
O que parecia ser uma segunda-feira e um dia de Conselho da Academia Real Irlandesa - eu
estava caminhando para participar e presidir, …, ao longo do Canal Real, … uma sub-corrente
de pensamento estava na minha mente, que finalmente deu um resultado, o qual não é muito
dizer que logo senti a importância. Um circuito elétrico pareceu fechar; e uma faísca surgiu, ...
Não pude resistir ao impulso ... escrever com uma faca sobre uma pedra da ponte Brougham,
quando passamos por ela, a fórmula fundamental... .

Os quatérnios de Hamilton foram escritos, q = w + ix + jy + kz, onde w, x, y, e z eram


números reais. Hamilton rapidamente percebeu que seus quatérnios consistiam de duas partes
distintas. O primeiro termo, o qual chamou de escalar e "x, y, z para suas componentes
retangulares, ou projeções em três eixos retangulares, ele [referindo-se a si próprio] foi induzido
a chamar a expressão trinomial propriamente dita, assim como a reta a qual ela representa, de
um VETOR". Hamilton usou suas "fórmulas fundamentais", i2 = j2 = k2 = -ijk = -1, para multiplicar
quatérnios, e imediatamente descobriu que o produto, q1q2 = - q2q1, não era comutativo.

Hamilton tinha se tornado cavaleiro em 1835, e era um cientista conhecido que já tinha feito
um trabalho fundamental em ótica e física teórica na época que inventou quatérnios, por isso foi
imediatamente reconhecido. Em troca, devotou os 22 anos restantes de sua vida ao seu
desenvolvimento e promoção. Escreveu dois livros completos sobre o assunto, Lectures on
Quaternions (1853) e Elements of Quaternions (1866), detalhando não apenas a álgebra dos
quatérnios mas também como poderiam ser usados em geometria. Em certo ponto Hamilton
escreveu, "eu ainda devo afirmar que esta descoberta me parece ser tão importante para a
metade do século 19 como a descoberta de flúxions foi para o final do século 17". Ele teve um
discípulo, Peter Guthrie Tait (1831--1901), que, na década de 1850, começou a aplicar
quatérnios a problemas em eletricidade e magnetismo e a outros problemas em física. Na
segunda metade do século 19, a defesa de Tait dos quatérnios provocou reações calorosas,
ambas positivas e negativas, na comunidade científica.

Ao redor da mesma época que Hamilton descobriu os quatérnios, Hermann Grassmann


(1809--1877) estava escrevendo The Calculus of Extension (1844), agora muito conhecido pelo
seu título em alemão, Ausdehnungslehre. Em 1832, Grassmann começou a desenvolver "um
novo cálculo geométrico" como parte do seu estudo da teoria de marés, e subseqüentemente
usou estas ferramentas para simplificar partes de dois trabalhos clássicos, o Analytical
Mechanics de Joseph Louis Lagrange (1736-1813) e o Celestial Mechanics de Pierre Simon
Laplace (1749-1827). Em seu Ausdehnungslehre, primeiro Grassmann expandiu o conceito de
vetores a partir da familiar 2 ou 3 dimensões para um número arbitrário, n, de dimensões; isto
estendeu grandemente as idéias de espaço. Segundo, e ainda mais geralmente, Grassmann
antecipou grande parte da álgebra matricial e linear moderna e análise vetorial e tensorial.

Infelizmente, o Ausdehnungslehre tinha dois pontos contra si. Primeiro, era muito abstrato,
faltando exemplos explicativos e foi escrito em um estilo obscuro com uma notação
extremamente complicada. Mesmo depois de tê-lo estudado, Möbius não tinha sido capaz de
entendê-lo completamente. Segundo, Grassmann era um professor de ensino médio sem uma
reputação científica importante (comparado a Hamilton). Embora seu trabalho tenha sido
amplamente ignorado, Grassmann promoveu sua mensagem nas décadas de 1840 e 1850 com
aplicações em eletrodinâmica e geometria de curvas e superfícies, mas sem muito sucesso
geral. Em 1862, publicou uma segunda edição revisada do seu Ausdehnungslehre, mas também
era escrito de maneira obscura e era muito abstrato para os matemáticos de sua época e
praticamente teve a mesma sina da primeira edição. No final de sua vida, Grassmann distanciou-
se da matemática e iniciou uma segunda carreira de pesquisa muito bem sucedida, em fonética
e lingüística comparada. Finalmente, nas décadas de 1860 e 1870, o Ausdehnungslehre
começou lentamente a ser entendido e apreciado e Grassmann começou a receber algum
reconhecimento favorável por sua matemática visionária. Uma terceira edição do
Ausdehnungslehre foi publicada em 1878, ano seguinte de sua morte.

Durante a metade do século 19, Benjamin Peirce (1809--1880) era, de longe, o mais
proeminente matemático nos Estados Unidos, e se referiu a Hamilton como, "o monumental
autor dos quatérnios". Peirce foi um professor de matemática e astronomia em Harvard de 1833
a 1880 e escreveu um enorme livro chamado System of Analytical Mechanics (1855; segunda
edição 1872), no qual, surpreendentemente não incluiu quatérnios. Em vez disso, Peirce
expandiu o que chamou de "esta maravilhosa álgebra do espaço" ao escrever seu livro Linear
Associative Algebra (1870), um trabalho totalmente de álgebra abstrata. Dizia-se que quatérnios
era o assunto favorito de Peirce e ele teve muitos alunos que se tornaram matemáticos e que
escreveram um bom número de livros e artigos sobre o assunto.

James Clerk Maxwell (1831--1879) foi um proponente dos quatérnios perspicaz e crítico.
Maxwell e Tait eram escoceses, tinham estudado juntos em Edimburgo e na Universidade de
Cambridge e dividiam os mesmos interesses em física matemática. No que chamou de
"classificação matemática de quantidades físicas", Maxwell dividiu as variáveis de física em duas
categorias, escalares e vetoriais. Então, em termos desta estratificação, apontou que usar
quatérnios tornava transparente as analogias matemáticas em física que tinham sido
descobertas por Lord Kelvin (Sir William Thomson, 1824--1907) entre o escoamento de calor e a
distribuição de forças eletrostáticas. Contudo, nos seus artigos, especialmente em seu muito
influente Treatise on Electricity and Magnetism (1873), Maxwell enfatizou a importância do que
descreveu como "idéias de quatérnios ... ou a doutrina de vetores" como um "método
matemático ... um método de pensar". Ao mesmo tempo, apontou a natureza não homogênea do
produto de quatérnios, e avisou cientistas para não usar "os métodos de quatérnios" com seus
detalhes envolvendo os três componentes vetoriais. Essencialmente, Maxwell estava sugerindo
uma análise puramente vetorial.

William Kingdon Clifford (1845--1879) expressou "admiração profunda" pelo


Ausdehnungslehre de Grassmann e era claramente a favor de vetores, os quais freqüentemente
chamava de passos, em lugar de quatérnios. Em seu Elements of Dynamic (1878), Clifford
decompôs o produto de dois quatérnios em dois produtos vetoriais muito diferentes, os quais
chamou de produto escalar e produto vetorial. Para análise vetorial, disse "minha convicção é
que seus princípios exerceram uma ampla influência sobre o futuro da ciência matemática".
Embora o Elements of Dynamic fosse supostamente o primeiro de uma seqüência de livros-
texto, Clifford não teve a oportunidade de seguir estas idéias porque morreu jovem.

O desenvolvimento da álgebra vetorial e da análise vetorial como conhecemos hoje foi


revelado primeiramente em um conjunto de notas de aula feitos por J. Willard Gibbs (1839--
1903) feito para seus alunos na Universidade de Yale. Gibbs nasceu em New Haven,
Connecticut (seu pai também foi professor em Yale) e suas conquistas científicas principais
foram em física, termodinâmica propriamente dita. Maxwell apoiava o trabalho de Gibbs em
termodinâmica, especialmente as apresentações geométricas dos resultados de Gibbs. Gibbs
tomou conhecimento dos quatérnios quando leu o Treatise on Electricity and Magnetism de
Maxwell, e Gibbs também estudou o Ausdehnungslehre de Grassmann. Concluiu que vetores
forneceriam uma ferramenta mais eficiente para seu trabalho em física. Assim, começando em
1881, Gibbs imprimiu por conta própria notas de aulas sobre análise vetorial para seus alunos,
as quais foram amplamente distribuídas para estudiosos nos Estados Unidos, na Inglaterra e na
Europa.

O primeiro livro moderno sobre análise vetorial em inglês foi Vector Analysis (1901), as
notas de Gibbs colecionadas por um de seus alunos de pós-graduação, e Edwin B. Wilson
(1879--1964). Ironicamente, Wilson cursou a graduação em Harvard (B.A. 1899) onde tinha
aprendido sobre quatérnios com seu professor, James Mills Peirce (1834--1906), um dos filhos
de Benjamin Peirce. O livro de Gibbs/Wilson foi reimpresso em uma edição em 1960. Uma outra
contribuição para o moderno entendimento e uso de vetores foi feita por Jean Frenet (1816--
1990). Frenet entrou na École normale supérieure em 1840, então estudou em Toulouse, onde
escreveu sua tese de doutorado em 1847. A tese de Frenet continha a teoria de curvas espaciais
e as fórmulas conhecidas como as fórmulas de Frenet-Serret (o triedro de Frenet). Frenet
contribuiu com apenas seis fórmulas enquanto que Serret contribui com nove. Frenet publicou
esta informação no Journal de mathematique pures et appliques em 1852.

Na década de 1890 e na primeira década do século 20, Tait e alguns outros ridicularizaram
vetores e defenderam quatérnios enquanto outros cientistas e matemáticos desenharam seu
próprio método vetorial. Oliver Heaviside (1850--1925), um físico autodidata que foi grandemente
influenciado por Maxwell, publicou artigos e seu livro Electromagnetic Theory (três volumes,
1893, 1899, 1912) nos quais atacou quatérnios e desenvolveu sua própria análise vetorial.
Heaviside tinha recebido cópias das notas de Gibbs e falou muito bem delas. Ao introduzir as
teorias de Maxwell sobre eletricidade e magnetismo na Alemanha (1894), os métodos vetoriais
foram defendidos e vários livros sobre análise vetorial em alemão se seguiram. Os métodos
vetoriais foram introduzidos na Itália (1887, 1888, 1897), na Rússia (1907) e na Holanda (1903).
Vetores agora são a linguagem moderna de grande parte da física e da matemática aplicada e
continuam tendo seu próprio interesse matemático intrínseco.

•webmaster: Geraldo L. Diniz - atualizado em: 23/08/2006

inemática Vetorial

Na Cinemática Escalar, estudamos a descrição de um movimento em trajetória conhecida,


utilizando as grandezas escalares. Agora, veremos como obter e correlacionar as grandezas
vetoriais descritivas de um movimento, mesmo que não sejam conhecidas previamente as
trajetórias.

Grandezas Escalares – Ficam perfeitamente definidas por seus valores numéricos


acompanhados das respectivas unidades de medida. Exemplos: massa, temperatura, volume,
densidade, comprimento, etc.

Grandezas vetoriais – Exigem, além do valor numérico e da unidade de medida, uma direção e
um sentido para que fiquem completamente determinadas. Exemplos: deslocamento, velocidade,
aceleração, força, etc.

VETORES

Para representar as grandezas vetoriais, são utilizados os vetores: entes matemáticos abstratos
caracterizados por um módulo, por uma direção e por um sentido.

Representação de um vetor – Graficamente, um vetor é representado por um segmento


orientado de reta:

Elementos de um vetor:

Direção – Dada pela reta suporte (r) do vetor.

Módulo – Dado pelo comprimento do vetor.

Sentido – Dado pela orientação do segmento.

Resultante de vetores (vetor-soma) – Considere um automóvel deslocando-se de A para B e, em


seguida, para C. O efeito desses dois deslocamentos
combinados é levar o carro de A para C. Dizemos, então, que o vetor é a soma ou resultante
dos vetores e .
Regra do Polígono – Para determinar a resultantedos vetores e , traçamos, como na figura
acima, os vetores de modo que a origem de um coincida com a extremidade do outro. O vetor
que une a origem de com a extremidade de é o resultante .

Regra do paralelogramo – Os vetores são dispostos de modo que suas origens coincidam.
Traçando-se um paralelogramo, que tenhae como lados, a resultante será dada pela diagonal
que parte da origem comum dos dois vetores.

Componentes ortogonais de um vetor – A componente de um vetor, segundo uma dada direção,


é a projeção ortogonal (perpendicular) do vetor naquela direção. Decompondo-se um vetor ,
encontramos suas componentes retangulares, x e y, que conjuntamente podem substituí-lo, ou
seja, = x + y.