Introdução

No âmbito da disciplina de Anatomia Descritiva e Topográfica II do curso de Licenciatura de Radiologia da Universidade do Algarve, foi-nos sugerido pelas docentes da cadeira, ida ao bloco operatório (BO) no Hospital de Faro EPE com objectivo primordial a compreensão e o funcionamento da equipa de profissionais no BO. Esta visita deu-se no serviço de Urologia, este sector localiza-se no Piso 4 (Ala Nascente) do Edifício Central do Hospital de Faro. Fomos recebidos atenciosamente pela enfermeira chefe Neide Isaías que nos encaminhou ao Dr. Pedro Gomes, que fez-nos um breve resumo das regras e atitudes a ter dentro de uma sala de BO. A cirurgia que assistimos foi uma prostatectomia radical a um paciente do sexo masculino com idade compreendida entre os 65 a 70 anos.

Métodos e Procedimentos
Antes de entrar na sala de cirurgia e durante o espaço de tempo que lá estiver, os profissionais devem respeitar certas normas para garantir o estado de assepsia do meio. Devido ao risco, de contaminação do campo esterilizado, utensílios/materiais esterilizados e pessoas com fardas esterilizadas (geralmente, a cor dos lençóis esterilizados que cobrem a área do campo, da mesa com os utensílios cirúrgicos e das fardas esterilizadas é verde escura, para prevenir o risco de contaminação, já que difere das cores dos lençóis e fardas não esterilizadas sendo assim facilmente identificáveis), nunca se deve aproximar do lado da mesa onde se está a fazer a intervenção cirúrgica mais de cinquenta centímetros, a não ser que o médico o autorize. Regras de Assepsia: 1. O cirurgião, ajudantes e instrumentista deverão estar equipados com fato de bloco, bata esterilizada, botas, máscara, luvas esterilizadas e touca. 2. Os alunos que assistirão à cirurgia deverão estar equipados com batas limpas, botas, barretes e máscara. 3. Todo o restante pessoal que poderá estar na área do Bloco deverá cumprir as mesmas normas descritas no ponto 2. 4. O cirurgião, ajudantes e instrumentista depositarão as suas roupas na área dedicada para o efeito. 5. Não é permitida a circulação com fatos cirúrgicos fora da área do bloco.

Quando é necessário a intervenção do Técnico de Radiologia ou qualquer outro profissional deve entrar sempre pelos vestiários. devem ser removidas sempre que se saia da área cirúrgica. resistentes ao calor. devem ser trocados sempre que sujos ou transpirados para reduzir infecções cruzadas. Máscara – muito importante na prevenção de infecções. fazer a troca de roupa. . O cancro. Falando agora no prognóstico. o que permite que ele cresça e seja detectado apenas quando for tarde demais para tratá-lo. nesta cirurgia nós utilizamos socas. não causa nenhum sintoma. A entrada e saída do bloco operatório carece da autorização do assistente responsável. arejados e confortáveis. Calças e Camisola – adequados ao físico de cada pessoa. que para além da farda. para não haver queda de cabelo e/ou caspa na roupa limpa.6. o tumor prostático geralmente desenvolve-se na parte mais externa da próstata sendo possível senti-lo através de um exame chamado toque rectal uma vez que o tumor é bem mais duro que o tecido normal (figura 1). vestindo fardamento apropriado existente neste local. na sua fase inicial. Fardamento: Gorro – cobrir a totalidade dos cabelos e deve ser a 1ª peça a colocar. Protecção dos pés: devem cobrir o pé todo e devem ser usadas sempre que se circula nas áreas semi-restritas e restritas. máscara e socas ou protecção para os sapatos. consiste também no uso de touca. para a circulação no bloco. Deve cobrir a boca e nariz completamente e deve estar bem ajustada ao contorno da face.

A via laparoscópica consiste num acesso abdominal através de 4 ou 5 incisões de 5mm a 10mm. . a via laparoscópica ou a via perineal. por esta via há a limitação da possibilidade de remoção dos gânglios. A via perineal consiste numa incisão entre o escroto e o ânus com acesso directo a próstata. com insuflação de gás e visão do campo cirúrgico por um monitor conectado a uma microcâmara inserida no abdómen por um desses furos. A técnica utilizada nesta cirurgia foi a via aberta que consiste numa incisão abdominal realizada abaixo da cicatriz umbilical até próximo do pénis (figura 2). vesículas seminais e eventualmente dos gânglios linfáticos que possam estar comprometidos no bem-estar do paciente. O tipo de técnica a utilizar depende da competência do urologista e do tipo do diagnóstico do paciente.Figura 1 – exemplificação do procedimento do exame rectal A cirurgia é chamada de prostatectomia radical pois consiste na remoção completa da próstata. esta técnica pode ser realizada também com um auxílio de um robô quando o cirurgião manuseia a consola afastado do campo operatório e o robô comanda as pinças no campo em questão. Na cirurgia pode-se ou não preservar os nervos responsáveis pela erecção que passam muito perto da próstata e isto depende principalmente das condições locais principalmente se existe suspeita de invasão dos nervos pelo tumor. Zona de incisão Figura 2 – Zona de incisão da cirurgia via aberta. Esta cirurgia pode ser feita por 3 vias distintas: a via aberta convencional (radical).

reduzindo a perda de sangue pelo paciente. onde constatará a algália para a drenagem de líquidos durante a cicatrização total da união entre a bexiga e a uretra (canal urinário) e voltou-se a fechar o corte através de um agrafador cirúrgico (figura 5). mais lateral. . Figura 4 – Imagem antes e após a cirurgia de remoção total da glândula prostática. Os procedimentos de extracção da próstata não nos foi possível visualizar pelo facto de estarmos um pouco afastados da mesa de modo a não interferir no trabalho dos profissionais.A cirurgia teve início as 9 horas onde o paciente foi colocado na mesa de posição decúbito dorsal pelas enfermeiras e o anestesista procedeu à anestesia do paciente. O enfermeiro instrumentista controlava e registava os utensílios utilizados pelos médicos-cirúrgicos. foi introduzido um utensílio que permitia obter uma maior área de visão anatómica em estudo (figura 3). o médico-cirúrgico pediu à enfermeira que guardasse o órgão para a biopsia (figura 4). Finalmente. Seguidamente o paciente foi despido e o médico-cirúrgico procedeu à devida preparação da pele utilizando um soluto anti-séptico de base alcoólica na região onde fará a incisura para dar continuidade à cirurgia. o canal urinário é unido novamente através de um cateter com revestimento especial. Figura 3 – Instrumento para uma maior visão de estudo anatómico Uma vez que a próstata foi totalmente removida. Ao longo da cirurgia. Logo é feito um pequeno corte. Após a incisura na região anteriormente ilustrada através de um utensílio que queimava a medida que o corte era mais profundo. os médicos estavam sempre a confirmar se havia a existência de líquidos na bexiga.

penetrando em seguida na cavidade pélvica. deu-se à transfusão de sangue e transportado para a sala de recobro. os uréteres têm menos de 6mm de diâmetro e 25 a 30cm de comprimento. mas devido à perda de alguma quantidade de sangue do paciente. . O uréter é limitado superiormente pela pelve renal. dois uréteres.Figura 5 – agrafador cirúrgico A operação foi terminada com sucesso as 11 horas e 30 minutos. Descrição Anatómica O Aparelho urinário ou sistema urinário é um conjunto de órgãos envolvidos com a formação. o enfermeiro instrumentista confirmou a lista de utensílios utilizados de forma a garantir que não houve lapso de algum instrumento no interior do paciente. uma bexiga e uma uretra. A urina move-se ao longo dos uréteres em resposta à gravidade e ao peristaltismo. O aparelho é formado por dois rins. Em virtude desse seu trajecto. E são órgãos pouco calibrosos. depósito e eliminação da urina. Os uréteres são capazes de realizar contracções rítmicas denominadas peristaltismo. distinguem-se duas partes do uréter: abdominal e pélvica. Uréteres São dois tubos que transportam a urina dos rins para a bexiga. abrindo-se no óstio do uréter situado no assoalho da bexiga urinária (figura 6). e por questão de precaução. Em regra. o uréter percorre por diante da parede posterior do abdómen. Descendo obliquamente e medialmente. localizada no interior do rim.

Bexiga A bexiga funciona como um reservatório temporário para o armazenamento da urina. envolvendo a parte superior da uretra. que controlado voluntariamente. A saída da bexiga contém o músculo esfíncter chamado esfíncter interno. O trígono é importante clinicamente. Quando a bexiga está cheia. ela se eleva para a cavidade abdominal. nas mulheres está à frente da vagina e abaixo do útero. Figura 7 – visualização da bexiga através de um corte coronal. pois as infecções tendem a persistir nessa área. elástico que. Este trígono é limitado por três vértices: os pontos de entrada dos dois uréteres e o ponto de saída da uretra. prevenindo o esvaziamento.Figura 6 – trajecto do uréteres. que se contrai involuntariamente. . Esta área é chamada trígono da bexiga e é sempre lisa. É um órgão muscular oco. A capacidade média da bexiga urinária é de 700 – 800ml. é menor nas mulheres porque o útero ocupa o espaço imediatamente acima da bexiga. Inferiormente ao músculo esfíncter. permitindo a resistência à necessidade de urinar (figura7). Quando vazia. sua superfície interna fica lisa. Uma área triangular na superfície posterior da bexiga não exibe rugas. nos homens situa-se directamente anterior ao recto e. a bexiga está localizada inferiormente ao peritoneu e posteriormente à sínfise púbica: quando cheia. está o esfíncter externo.

a próstata é envolta por uma cápsula constituída por tecido conjuntivo e fibras musculares lisas e da qual partem finas trabéculas que se dirigem para a profundidade do parênquima.Próstata A próstata é mais uma glândula. O restante do parênquima é ocupado por células glandulares distribuídas em tubos ramificados. A sua base está apoiada no colo da bexiga e a primeira porção da uretra perfura-a longitudinalmente pelo seu centro. A uretra é diferente entre os dois sexos. Estruturalmente. A uretra abre-se para o exterior através do óstio externo da uretra. sendo revestida por mucosa que contém uma grande quantidade de glândulas secretoras de muco. da base ao ápice (figura 8). Figura 8 – visualização de várias posições da próstata. cuja secreção é acrescentada ao líquido seminal. cuja secreção é drenada pelos ductos prostáticos. A uretra masculina estende-se do orifício uretral interno na . e faces laterais. Sendo ligeiramente achatada no sentido antero-posterior. ela apresenta uma face anterior e outra posterior. Uretra A uretra é um tubo que conduz a urina da bexiga para o meio externo.

Queremos agradecer às docentes do curso e a todos os profissionais por esta experiência muito gratificante que serve para alimentar os nossos conhecimentos sobre a actividade de outros profissionais de saúde.bexiga urinária até o orifício uretral externa na extremidade do pénis. um ducto ejaculatório (figura 9). . Na uretra masculina existe uma abertura pequena em forma de fenda. cujas estruturas e relações são essencialmente diferentes. um anestesista. três enfermeiros (um instrumentista. Conclusão O trabalho no bloco operatório é o trabalho de uma equipa multidisciplinar que visa o bem-estar do paciente mas não dispensa que dentro dessa equipa exista uma cumplicidade mútua nas acções e atitudes ao longo de uma intervenção. a membranácea e a esponjosa. Apresenta uma dupla curvatura no estado comum de relaxamento do pénis. um de apoio ao anestesista e um circulante) e se necessário o técnico de radiologia. Podemos dizer que os elementos mínimos de apoio a uma cirurgia são: um médico-cirurgião. um médico ajudante. não sendo necessário nesta cirurgia. É dividida em três porções: a prostática. Figura 9 – visualização da uretra seccionada.

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