DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS DA TERRA

GEOLOGIA E AMBIENTE

RECURSOS PEDOLÓGICOS
Caracterização dos Solos

Realizado por:
Ana M. G. Vicêncio N.º 10999 Elisabete L. Morim N.º 11405 Vera C. M. Parreira N.º 11105

FEVEREIRO 2003

Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos

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Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos

ÍNDICE

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Introdução .................................................................................................................... 4 O “significado” de Solo ........................................................................................... 5 Constituição do Solo ................................................................................................. 6 Formação do Solo ...................................................................................................... 9 Textura do Solo ........................................................................................................ 15 Classificação dos Solos ........................................................................................... 18 Usos e Poluição do Solo ......................................................................................... 24
Utilização do Solo ................................................................................................ 24 Contaminação /Poluição do Solo ....................................................................... 27 Medidas de recuperação do solo ......................................................................... 31 Tecnologias de Tratamento ................................................................................ 31

Erosão e Conservação do Solo ............................................................................. 35
Erosão Hídrica .................................................................................................... 35 Erosão Eólica ....................................................................................................... 37 Objectivos da Conservação do Solo .................................................................... 39 Métodos de defesa contra a erosão ..................................................................... 40

Bibliografia ................................................................................................................ 46

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Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos

INTRODUÇÃO
Este trabalho, realizado no âmbito de Geologia e Ambiente, tem como objectivo primordial a caracterização dos solos, sob diversos aspectos, como a constituição, os processos de formação, a textura, a classificação dos diferentes tipos de solo, a utilização que lhes é dada, assim como a consequente poluição que os afecta, os processos erosivos a que se encontram sujeitos, assim como medidas existentes no sentido de promover a sua conservação. A escolha deste tema está relacionada com o facto deste trabalho se tornar numa boa oportunidade de abordar a temática da caracterização dos solos, sob várias vertentes, uma vez que este é um tema que integra frequentamente os currículos escolares, em vários anos de escolaridade, sendo, por isso, importante para a nossa formação como futuros professores. O solo constitui a mais importante fonte de riqueza da humanidade. Todas as civilizações que evoluíram neste planeta fizeram-no graças à exploração deste recurso natural que, contrariamente ao que possa parecer, não é inesgotável. Já se assistiram a muitas hecatombes sociais devido à destruição parcial deste bem precioso que é o solo. Neste contexto, a erosão dos solos não constitui meramente um fenómeno físico mas também um problema social e económico resultante, sobretudo, duma inadequada relação entre o Homem e a Natureza.

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verificam-se. vulcanismo e acções de carácter metamórfico relacionadas. 5 .Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos O SIGNIFICADO DE “SOLO” Sob a acção de agentes internos e de agentes externos. podendo-se seguir um novo ciclo de desagregação. dobras e fracturas. desagregação e transporte. representa uma fase relativamente superficial e instável no extenso processo geológico. A Pedologia define-se. que é a vegetação. Para além de flutuações de nível. fazendo a transição entre os dois meios. por vezes. recristalização). Desta forma. que afectam de forma extraordinária a configuração da superfície terrestre. a crosta terrestre vai sofrendo alterações complexas que abrangem misturas de massas e deformações. O solo estabelece a ligação entre o manto vivo superficial. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. Os produtos da desintegração de rochas consolidadas são arrastados e redistribuídos. neste contexto. como a Ciência do Solo. provocados pelo ar. estudando a génese do solo. Ficam assim ao alcance dos atmosféricos novas porções de litosfera. podendo-se apresentar modificado como resultado da sua utilização por parte do Homem. até uma profundidade variável. fenómenos de alteração. transporte e depósito. até uma profundidade variável. pelas águas ou pelos gelos. a desintegração mais intensa ou consolidação (e. constituindo o meio natural para o desenvolvimento das plantas terrestres. enquanto que os sedimentos acumulados ficam sujeitos a novas alterações. como sejam. tremores de terra. e o esqueleto mineral do substrato geológico. e transformações resultantes destas. assim como todos os processos e fenómenos que nele têm lugar.

e de ar. óxidos e hidróxidos de ferro e de alumínio (e. também de manganês e de titânio).φ: < 0. Os minerais secundários de ocorrência mais frequente são minerais de argila (silicatos de alumínio no estado cristalino). b) por simples alteração da estrutura de determinados minerais primários verificada in situ. ser quase totalmente constituído por ela. incluindo substâncias no estado coloidal.φ: 0. pode ser praticamente desprovido de matéria orgânica ou. São fragmentos ou partículas de formas e dimensões bastante variadas. o solo é fundamentalmente constituído por matéria mineral sólida.02 – 0. com substâncias dissolvidas. desde pedras e cascalho até materiais com propriedades coloidais. e carbonatos de cálcio e de magnésio. e ainda minerais secundários. em alguns solos. A matéria orgânica do solo é constituída por restos de plantas e outros organismos. 6 .Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos CONSTITUIÇÃO DO SOLO Geralmente. c) herdados directamente da rocha-mãe. contrariamente. em proporções muito variadas. Contém ainda proporções variáveis de água.002 mm Argila . No entanto. em estado mais ou menos avançado de alteração.02 mm Limo . com uma pequena quantidade de matéria mineral. A matéria mineral sólida do solo pode incluir. Areia . à qual se encontra associada matéria orgânica. Os minerais secundários podem ocorrer no solo fundamentalmente por três processos: a) por síntese. fragmentos de rocha e minerais primários. resultantes da alteração dos minerais primários. in situ.φ: 2 – 0.002 mm Os minerais primários encontrados no solo são provenientes da rocha a partir da qual esse solo se originou. de produtos resultantes da meteorização dos minerais primários menos resistentes. persistindo mais ou menos inalterados na sua composição – são minerais herdados da rocha-mãe. e sendo Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. até a uma profundidade variável. silicatos não cristalinos.

nos solos orgânicos. dominando fortemente o óxido de silício. são designados por solos minerais. A matéria mineral do solo é essencialmente constituída por oxigénio. o manganês. o magnésio. por mais de 95% do azoto. alumínio e ferro. provocando a sua alteração. sendo que só uma parte das substâncias potencialmente solúveis se encontra em solução. assim como a sua proporção relativa. O cálcio.25%. quando os solos são constituídos por mais de 20% de matéria orgânica (nos casos de textura grosseira) ou por mais de 30% (nos casos de textura média ou fina). que se revelam como os mais vulgares. geralmente. o enxofre e o cloro. em espessura superior a 30 centímetros. os óxidos de silício. pelo menos. A fracção orgânica dos solos é constituída. Por um lado.05 e 0. o titânio. e entre agregados de partículas.05 e 0. na maior parte dos casos. com 50 a 75%. O solo constitui o suporte das plantas terrestres. juntamente com outros factores. nos solos minerais. 5 a 60% do fósforo e 10 a 80% do enxofre totais. A quantidade de substâncias dissolvidas na água do solo. A composição do ar presente no solo também não é constante em cada solo. o potássio. constituem. entre outros elementos. menos de 10% do peso seco da fracção mineral do solo. desta forma. os compostos orgânicos representam desde 20 a 30% até mais de 90% do peso seco. habitualmente. variam de forma constante. na grande maioria. caracterizam a estrutura de um solo. 7 . dezasseis elementos. As proporções de água e de ar existentes no solo podem sofrer alterações consideráveis num curto espaço de tempo. que nele desenvolvem as suas raízes. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. cuja forma e dimensões. que vão. Na maioria dos solos.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos habitada por grande número de microorganismos em actividade. Por outro lado. obtidos do solo pelas raízes: carbono. a percentagem de azoto total em relação ao peso seco do solo está situada entre 0. A proporção de azoto presente depende do teor em matéria orgânica. oxigénio. silício. se situa entre 0. São considerados como essenciais ao desenvolvimento das plantas verdes.5%. expressos em óxidos. alumínio e ferro somados constituem 90% ou mais do peso seco da fracção inorgânica. Neste contexto. que são. A água e o ar presentes no solo ocupam os espaços intersticiais existentes entre as partículas terrosas. entre outros elementos. com excepção dos solos com elevada proporção de carbonato de cálcio. são considerados solos orgânicos. obtendo ainda grande parte dos elementos nutritivos de que necessitam. o fósforo. os restantes. o sódio. sendo que.

Mo. o silício e o alumínio. Mn. ferro. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. Cl). como os nutrientes mais facilmente assimiláveis. Assim. manganês. faz geralmente parte de um determinado composto e não pode assim ser absorvido pelas raízes sem que antes sofra alteração ou sem que o composto onde está inserido sofra decomposição. Os elementos dissolvidos na água do solo revelam-se. Zn. zinco. magnésio. as plantas possuem ainda outros elementos em quantidades apreciáveis. uma vez que os elementos se podem encontrar sob determinadas formas que se revelam impeditivas da sua utilização para a nutrição vegetal. boro e cloro. Os iões absorvidos na superfície de partículas da fracção mineral sólida ou da fracção orgânica do solo estão sob a forma permutável. Quando um elemento se encontra sob a forma não assimilável. P. N. fósforo. o iodo. cobre. cálcio.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos hidrogénio. 8 . assimiláveis pelas plantas. S) e os micronutrientes (Fe. podem ser consideradas três formas principais de elementos nutritivos no solo: não assimilável. enxofre. Cu. azoto. Ca. permutável e dissolvida. o cobalto. Consoante as proporções em que se encontram geralmente nas plantas. A disponibilidade de um dado elemento para ser utilizado pelas plantas não está directamente relacionada com a sua percentagem total no solo. e sob este ponto de vista. potássio. molibdénio. geralmente. na sua maioria. K. como o sódio. B. distinguem-se os macronutrientes (C. Mg. H. Para além dos elementos indicados. sendo. O.

no entanto.). como resultado de fenómenos e alteração e de migração. a partir da qual eles se diferenciam.5 cm). material ainda não atingido pelas acções de diferenciação daqueles. Para uma completa identificação e designação dos horizontes é.5 e os 13 cm) ou difuso (se for superior a 13 cm). actuando em conjunto no local onde o solo se encontra. Neste contexto. gradual (se estiver entre os 6. Relativamente à forma apresentada. evidente (se estiver entre os 2. constituindo uma parte preservada da rocha-mãe do solo. sedimentares ou metamórficas. a estrutura. Um determinado horizonte pode distinguir-se de outro adjacente através de características directamente observáveis. A rocha-mãe fornece os constituintes minerais do Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. etc. o limite considera-se plano (se for aproximadamente paralelo à superfície). A diferenciação de horizontes dá-se assim. Em alguns casos. ondulado. fundamentalmente. como a cor. encontra-se habitualmente. os horizontes do solo constituem porções de limites algo irregulares. A diferenciação dos horizontes pode desenvolver-se a partir de rochas eruptivas. que se diferenciaram devido à influência de agentes atmosféricos e soluções formadas pela água das chuvas. 9 .5 e os 6. irregular ou interrompido/descontínuo (quando existem partes do horizonte desligadas de outras). Sob os horizontes do solo. No que diz respeito à largura da fase de transição entre os vários horizontes. a textura. de microorganismos. Os vários horizontes de um solo encontram-se separados uns dos outros através de limites mais ou menos evidentes.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos FORMAÇÃO DO SOLO Ao observar-se um corte vertical do solo. a uma maior ou menor profundidade. A acção do clima e dos organismos sobre a rocha-mãe é condicionada pelo relevo do terreno. consolidadas ou não-consolidadas. em íntima ligação. entre outros aspectos. verifica-se uma variação mais ou menos acentuada das suas características com a profundidade. toda a espessura da rocha-mãe é atingida pelos processos de diferenciação de horizontes. com influências biológicas (da vegetação.5 cm). necessário proceder à recolha de dados no laboratório. mas sensivelmente paralelos à superfície do terreno. dependendo da extensão do período de tempo que decorreu desde que se iniciou a diferenciação de horizontes num dado local. até uma variável profundidade. o limite pode ser considerado abrupto (se for inferior a 2. que assentam então directamente sobre um substrato com o qual não possuem qualquer relação genética. que variam normalmente em relação à nitidez e à forma apresentadas.

muitas vezes. O conjunto de horizontes observados num corte vertical efectuado no terreno constitui o perfil do solo. noutros casos. ou até a menos de um metro. Os componentes minerais da rocha e o material orgânico. Os factores de formação do solo são assim constituídos pelo clima. se o ciclo se completa em menos de dois metros. directa ou indirectamente. se convencionar como separando o “solo” do “não-solo” e os limites laterais serão aqueles que definam espaço suficiente para a caracterização dos horizontes presentes que permitam diferencair o pedon em causa dos pedons ou outros corpos que o circundem. de forma directa ou indirecta. dá origem à acumulação de matéria orgânica. A nomenclatura dos horizontes tem variado consideravelmente. aos quais se junta. o relevo e o tempo. O pedon é tridimensional – o seu limite inferior é o limite que. migrando os produtos resultantes de um para outro ponto do perfil. o pedon inclui meio ciclo. Se há um horizonte descontínuo cujo ciclo de recorrência se faz numa distância de dois a sete metros. a superfície de observação do pedon tem um metro quadrado de área. actuando em conjunto com a rocha-mãe e com a vegetação presente no local.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos perfil. são transformados e misturados com maior ou menor intensidade. ou não há horizontes descontínuos. No entanto. pode encontrar-se já substrato não afectado por influência do clima. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. químicas e bioquímicas. as características do solo. e ainda hoje se encontra em evolução. a menos de dois metros de profundidade. enquanto que a vegetação. o clima. 10 . o relevo e o tempo revelam-se factores muito importantes. os processos de diferenciação de horizontes e a vida das plantas. que diz respeito a praticamente toda a espessura que vai desde a superfície até à profundidade abaixo da qual as formações já não afectam sensivelmente. a rocha-mãe. ou seja. Muitas vezes. apresentar-se-ão os conceitos utilizados mais correntemente. um pedon. Por ser muito difícil definir onde começa e acaba um solo. que utiliza o solo para as suas actividades. ao desenvolvimento do seu perfil. Seguidamente. Neste processo. assim como o grau de desenvolvimento dos seus horizontes. referindo ainda algumas designações usadas numa fase anterior. e conduzindo assim à diferenciação dos horizontes do solo. Desta forma. encontram-se dependentes da interacção que se verifica entre todos estes factores. ou seja. para cada caso. devido à imprecisão dos seus limites laterais e inferior. torna-se necessário o estabelecimento de limites arbitrários para separar dois conjuntos e a definição do mínimo volume ou espaço ocupado por aquilo que já possa ser considerado um solo. à vida das plantas. os organismos. a acção do Homem. sob a acção de diversas reacções físicas. que se instala desde o começo da alteração das rochas. a zona de alteração prolonga-se para além da espessura que interessa.

3. tem sido utilizada para os horizontes e sub-horizontes que se encontram normalmente nos solos (horizontes A. C e/ou D. por isso. Não existe nenhum solo cujo perfil contenha todos os horizontes representados. o esquema mostra essencialmente a posição relativa que os diversos horizontes costumam ocupar. C. até o limite de observação ou até G. 1 – Perfil hipotético contendo os principais horizontes A nomenclatura A-B-C dos horizontes tem sido principalmente aplicada no caso de solos minerais. 01 02 A1 A2 A3 B1 B2 B3 C R Fig. As camadas distinguidas nestes solos têm sido simplesmente numeradas a partir da superfície (1.). 11 . G. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. é indicada a nomenclatura que. B. geralmente. As camadas predominantemente orgânicas dos solos definidos como orgânicos não podem ser devidamente caracterizadas por tais designações.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos No perfil hipotético representado na figura seguinte. etc.2. D). caso existam.

das plantas. dos animais e de outras forças do meio ambiente. ao horizonte Ao). na sua maioria não decompostos. Podem estar bem desenvolvidos em certos solos florestais. Para designação de horizontes superficiais de solos florestais. 12 . associada a alguma matéria mineral cuja proporção aumenta gradualmente com a profundidade. com fraco desenvolvimento. em solos formados sob vegetação arbustiva ou herbácea. ou a massa do solo está Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. Podem distinguir-se em A os sub-horizontes indicados no esquema anterior. Na linguagem florestal portuguesa são frequentes as designações folhada e camada humífera. as camadas F e H correspondem. aproximadamente. com conteúdo relativamente alto de matéria orgânica. alguns autores recorrem aos símbolos L. O horizonte Aoo é constituído por folhas. A camada L é correspondente à folhada. sob o Aoo. O horizonte Ao é formado por detritos orgânicos parcialmente decompostos ou enfeltrados. de máxima acumulação de matéria orgânica. aos horizonte Aoo). F (camada de fermentação) e H (camada de humificação). mas de estrutura original ainda reconhecível. e/ou horizontes superficiais ou sub-superficiais que são geralmente mais claros que o horizonte subjacente. que podem ser tomadas como equivalentes. mas noutros atingem apenas fraca espessura. e a camada H é constituída por matéria orgânica na sua maior parte já de origem irreconhecível. à camada humífera. 02 – Para o horizonte em que o aspecto original da maior parte dos resíduos orgânicos não seja reconhecível à vista desarmada (corresponde. e sobre o A1. propôs que os horizontes orgânicos formados sobre os solos minerais fossem representados pelo símbolo 0: 01 – Para o horizonte em que o aspecto original da maior parte dos resíduos vegetais seja visível à vista desarmada. a F é formada por detritos orgânicos parcialmente decompostos. As partículas minerais estão envolvidas pelo material orgânico. no solo natural. conjuntamente. Podem também encontrar-se. do horizonte Aoo e do horizonte Ao. em 1960. sensivelmente. e particularmente o horizonte A1. Designam-se como horizontes A os horizontes consistindo de horizonte ou horizontes minerais localizados à superfície. se existe.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos Designam-se habitualmente por horizonte Aoo e Ao. O horizonte A1 é o horizonte superficial dos solos minerais. mais ou menos humificada. podem encontrar-se sobre o horizonte A. aproximadamente. respectivamente. De um modo geral. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América do Norte. A1. intimamente misturada com a matéria mineral. e podendo incluir restos da fauna do solo (e/ou excrementos seus) e hifas de fungos (corresponde. ramos e outros detritos vegetais soltos. horizontes orgânicos que. O horizonte A. A2 e A3. é o horizonte de máxima actividade biológica e o que se encontra mais sujeito às influências do clima.

ou precedido de um número romano. Para as designar. O horizonte A3 é um horizonte de transição para B. designando-se por horizonte iluvial. O horizonte B1 e o horizonte B3. mas mais parecido com A do que com B. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. ou não. a partir da qual se formou a camada ou horizonte suprajacente. por solum ou solo verdadeiro. 13 . B2 e B3. de cor mais clara do que a do horizonte subjacente. Sendo incluídos em C todos os casos de materiais não consolidados. acumulação de substâncias eluviadas de outro nível (acumulação absoluta). um horizonte eluvial. se se considerar que a rocha é semelhante à rocha-mãe. embora sob diversos pontos de vista se justifique incluir neste conceito os horizontes Aoo e Ao. de cor mais clara do que o horizonte A1 (nos casos em que este existe) e. A fracção orgânica deriva dos resíduos vegetais e animais depositados na superfície dos solo e/ou dos resíduos deixados dentro do próprio horizonte (raízes. O horizonte A2 é um horizonte superficial ou subsuperficial. com a consequente concentração dos minerais mais resistentes à alteração. consolidado ou não. Pode sofrer. de alumínio. Abaixo do solum. transportados para horizontes inferiores pela água gravitacional (designando-se este fenómeno por eluviação). o conjunto dos horizontes A e B. tipicamente. respectivamente. tal como o horizonte B. O horizonte C é constituído por material parcialmente diferenciado devido à alteração da rocha-mãe. e/ou por apresentar modificações da sua cor. no sentido pedológico. O horizonte B entende-se o horizonte que pode formar-se sob o horizonte A. são de transição. Em muitos casos. para a parte superior e inferior do perfil. utiliza-se o símbolo R. O horizonte B2 é o que apresenta mais nitidamente expressas as características distintivas. sendo caracterizado pela acumulação de minerais da argila. anisoforme). o horizonte é tão ou mais escuro do que os horizontes inferiores adjacentes. sofrendo ou não alteração. O horizonte A2 é.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos escurecida por partículas orgânicas. Caracteriza-se pela eluviação de argila. normalmente. por apresentar certos tipos de estrutura (prismática. ou são arrastados para fora do “solum”. geralmente. Designam-se. mas mais parecidos com o B2. ou de todos este constituintes. no caso de a rocha não ter relação genética com o material que sobre ela assenta. mas não necessariamente.). ou seja. O horizonte B pode incluir horizontes B1. Os constituintes arrastados são acumulados no horizonte B. ferro ou alumínio e/ou matéria orgânica. sobretudo este último. restam somente as rochas consolidadas. a influência de acções biológicas é pouco significativa. sozinho. resulta de fenómenos de iluviação. etc. de ferro. perda de constituintes.

morfologicamente. Horizonte nátrico é uma forma especial do horizonte Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. azoto e principalmente em fósforo. mas devido aos trabalhos culturais está enriquecido em matéria orgânica. hémico ou mésico e horizonte sáprico (materiais orgânicos altamente decompostos). horizonte lénico. mas em que o catião de troca predominante no complexo adsorvente é o hidrogénio e/ou em que a razão C/N é muito alta. formado subsuperficialmente mesmo quando exposto por decapitação. se assemelha aos anteriores. Quando um horizonte satisfaz as condições que o permitem considerar como epipedon mólico. Quando se trata de solos orgânicos. mas como horizontes superficiais de diagnóstico apenas são considerados os que se formam à superfície. Desses. mas de forma menos comum. saturado essencialmente por catiões bivalentes. à superfície ou muito próximo da superfície de solo saturado temporariamente de água (a não ser que esteja drenado artificialmente). Além dos horizontes que foram sendo referidos anteriormente. quando constituem epipedon de um solo mineral são designados por epipedon hístico. Qualquer horizonte se pode encontrar à superfície do solo. Os horizontes subsuperficiais de diagnóstico podem encontrar-se debaixo de um epipedon. escuro. Designa-se por epipedon mólico um horizonte superficial. pelo que não pode ser incluído em qualquer outro epipedon. Epipedon ócrico é um epipedon de cores claras e pobre em matéria orgânica ou muito delgado. O epipedon úmbrico é um horizonte que. 14 . esse horizonte pode receber a designação epipedon antrópico. de acordo com o grau de decomposição da matéria orgânica que os constituem. Considera-se como horizonte argílico o horizonte iluvial onde houve acumulação de minerais de argila em quantidades apreciáveis. constituem aquilo que se designa por epipedon. existem outros que podem também ocorrer. mas quando além dessa acumulação de argila há acumulação de matéria orgânica. podem ser destacados os horizontes G. devido aos fenómenos erosivos. Cca e Ccs. entre outros. recebem as designações de horizonte fíbrico (materiais orgânicos ainda pouco decompostos). espesso. ou seja. mas podem incluir parte do horizonte A. de diferença no material a partir do qual os horizontes se formaram. ou ambas.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos A utilização de números romanos precedendo os símbolos C e R. com matéria orgânica de razão C/N baixa de estrutura moderada a forte. Os horizontes orgânicos delgados (solo virgem) ou os horizontes de elevado teor em matéria orgânica (solo cultivado). os horizontes principais. indicando em qualquer caso a existência de descontinuidade litológica no perfil. o horizonte é designado ágrico. debaixo de uma folhada ou à superfície no caso dos solos decapitados por erosão. A parte superior do solo escurecida pela matéria orgânica ou a parte do horizonte eluvial. Os horizontes subsuperficiais são geralmente horizontes B. é generalizada aos horizontes A e B.

O horizonte álbico é um horizonte do qual foram removidos a argila e os óxidos de ferro livres. Ainda dentro dos horizontes iluviais. 15 . O horizonte câmbico é o horizonte formado subsuperficialmente por alteração dos materiais in loco. que se caracteriza por uma acumulação apreciável de materiais amorfos de elevada capacidade de troca. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. é designado um horizonte fortemente alterado. com destruição da maior parte do arranjo textural da rocha-mãe e formação de agregados estruturais. com estrutura colunar ou prismática e elevada percentagem de sódio no complexo de troca. de textura não grosseira. onde se verificou perda de grande parte do silício e acumulação residual de sesquióxidos e minerais de argila 1:1.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos argílico. formado debaixo de horizonte orgânico ou abaixo de horizonte eluvial. Por horizonte óxico. ou onde se verificou a segregação de óxidos em tal proporção que a cor do horizonte é determinada principalmente pela cor dos grãos de areia ou de limo. sendo a textura dominada pelas fracções argila e areia. há que referir o horizonte espódico.

relativamente ao total. em laboratório. pode tornar-se necessária a subdivisão destes lotes.2 0. em tal horizonte. é adoptada a Escala de Atterberg. entende-se a proporção relativa. de lotes constituídos por partículas minerais de dimensões compreendidas entre certos limites. que consiste na determinação das proporções em que entram na terra fina diversos lotes ou fracções. que passa por um crivo de 2 mm de diâmetro. Para especificação da textura de um solo. A proporção. dos minerais primários e/ou fragmentos de rocha com maiores dimensões que ficam retidos no mesmo crivo – elementos grosseiros – pode ser considerada para completar a designação da textura.2 – 0. é frequente utilizar as seguintes denominações: Designação Blocos Calhaus Pedras Pedras miúdas Cascalho Saibro Diâmetro (mm) <200 200-100 100-50 50-20 20-5 5-2 Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. Para a definição de classes de textura.02 0. referida seguidamente: Designação dos lotes Areia grossa Areia fina Limo Argila Diâmetro das partículas (mm) 2 – 0.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos TEXTURA DO SOLO Por textura de um horizonte. é efectuada.02 – 0.002 < 0. 16 . Em grande parte dos laboratórios.002 Em alguns casos. consideram-se diversos lotes da chamada terra fina. a análise mecânica/granulométrica. Em relação a elementos grosseiros.

verifica-se um aumento exponencial do teor em argila com a temperatura. salientando-se a importância da rocha-mãe. Quanto menos evoluído é um solo mais dependente está a sua textura da natureza da rocha-mãe. dois solos ou dois horizontes ou camadas pertencentes à mesma classe de textura. proveniente das encostas. A textura de um solo está dependente de diversos factores. Relativamente à influência da topografia. As classes de textura são definidas por limites de variação das proporções de cada lote. sendo igualmente nesses locais que se acumula maior quantidade de argila. sobretudo quando o tipo de argila não difere muito. verifica-se igualmente a existência de solos pobres em argila. Contudo. tem-se que: a) em condições áridas. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos Em resultado das diferenças existentes relativamente às características dos lotes. limo e argila. 17 . b) em regiões com baixas temperaturas. da sua textura. numa mesma região e sob condições topográficas comparáveis. e de acordo com a função de H. da topografia e do clima. que são geralmente determinadas na análise mecânica dos solos. os solos caracterizam-se pela sua pobreza em argila. Para além da elevada correlação existente entre a textura do solo e a granulometria do material originário no caso das rochas detríticas. c) sob temperaturas constantes. d) sob condições de humidade constante. tal correlação também se verifica em solos provenientes de rochas-mães não-detríticas. sobretudo no caso de uma rocha-mãe detrítica. o comportamento físico e químico dos solos minerais depende fortemente das proporções relativas de areia. verifica-se que situações topográficas côncavas se revelam mais propícias à formação de argila. Neste contexto. ou seja. sendo a taxa de variação tanto mais elevada quanto mais elevada for a temperatura. mesmo em solos evoluídos. Desta forma. terão necessariamente afinidades relativamente a uma série de características. o teor em argila sofre um aumento com a humidade. podem notar-se diferenças texturais em solos formados a partir de rochas-mães caracterizadas por texturas diferentes. uma vez que permitem uma maior concentração dos minerais que vão formar argila. Jenny (1941).

O horizonte superficial é frequentemente um (A)p. existe uma enorme variedade de solos. As categorias taxonómicas consideradas são a Ordem e a Subordem. proporcionando uma grande diversidade de condições para a vida das plantas. que tinha o encargo de realizar a cartografia sistemática dos solos do País.SOLOS INCIPIENTES . série e tipo de solos. ora em uso em Portugal. o solo pode apresentar características e propriedades extremamente variadas. caso em que existe pequena acumulação de matéria orgânica. têm sido propostos diversos esquemas de classificação. família. Recorrendo-se à observação da morfologia dos solos. praticamente reduzidos ao material originário. No sentido de proceder à ordenação e sistematização dos conhecimentos. subgrupo. à caracterização laboratorial de amostras recolhidas a várias profundidades e à apreciação das combinações dos factores responsáveis pelas características definidas. como classe ou ordem. foi desenvolvida pelo chamado Serviço de Reconhecimento e Ordenamento Agrário (SROA). As Ordens são grandes agrupamentos de solo feitos com base em horizontes ou características cuja presença ou ausência são indicação essencial do desenvolvimento ou diferenciação do perfil ou da natureza dos processos dominantes de formação do solo. organismos do solo. procura-se interpretar a génese dos solos e estabelecer a sua classificação. sem horizontes genéticos claramente diferenciados. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. subclasse ou subordem. torna-se assim fundamental a classificação dos solos.São solos não evoluídos. podendo haver um A ou Ap de espessura reduzida. grupo. mais tarde denominado Centro de Reconhecimento e Ordenamento Agrário (CNROA).Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS Tendo em conta a multiplicidade de combinações possíveis quanto à natureza do clima. A ausência de horizontes genéticos é fundamentalmente devida a escassez de tempo para o seu desenvolvimento se dar. As Subordens são subdivisões das Ordens estabelecidas com base em características do solo que se julgam mais importantes sob o ponto de vista genético. Desta forma. Neste contexto. 18 . 1 . características da rocha-mãe. incluindo um número variável de categorias. formas de relevo e tempo de acção de alguns dos factores. A classificação de solos.

2.2 . em geral.são os solos Litólicos sem horizonte A úmbrico. e está húmido durante 45 ou mais dias consecutivos nos 4 meses subsequentes ao solstício de Inverno em 6 anos de cada década. de perfil AC ou ABC com horizonte B câmbico.1 .são os solos calcários de cor pardacenta. isto é.3 – Aluviossolos . formados. normalmente de grande espessura efectiva.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos 1.Solos de Baixas (Coluviossolos) . em regra.São solos pouco evoluídos. 2 . 1.2 . Quando argilosos não apresentam em todo o seu perfil as características próprias dos Barros. climas do tipo mediterrâneo em que o Inverno é frio e húmido e o Verão é quente e seco) . com percentagem variável da carbonatos ao longo de todo o perfil e sem as características próprias dos Barros.Solos Calcários Vermelhos . de perfil AC.São solos pouco evoluídos. a partir de rochas não calcáricas.1 . 3.são solos Incipientes constituídos por materiais não consolidados.são solos Litólicos com horizonte A úmbrico.são os litossolos formados sob os referidos climas.são os solos Incipientes de origem coluvial localizados em vales.SOLOS LITÓLICOS . por vezes ABC com horizonte B câmbico. 19 . 2.2 .Solos Calcários Pardos .Litossolos dos Climas de Regime Xérico (provocam nos solos bem drenados um regime xérico.4 . 3 . São. 3.Regossolos . formados a partir de rochas calcárias. em que o solo está seco durante um mínimo de 45 dias consecutivos nos 4 meses subsequentes ao solstício de Verão em 6 anos de cada década. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág.Solos Litólicos Húmicos .são os solos calcários de cor avermelhadas. 1.são os solos Incipientes não hidromórficos constituídos por depósitos estratificados de aluviões.SOLOS CALCÁRIOS .Solos Litólicos Não Húmicos . mas encontram-se completamente descarbonatados até ao horizonte C. depressões ou na base das encostas.1 . 1.

com apreciável percentagem de colóides minerais dos grupos dos montmorilonóides que lhes imprime características especiais.São solos evoluídos de perfil ABC com horizonte B árgico.1 . com presença de superfícies polidas (slickensides). 5. de croma e valor no estado húmido.são os barros de cor muito escura de croma e valor no estado húmido inferiores.são os solos Mólicos desenvolvidos em climas de regime xérico. argilosos.Barros Pretos . iguais ou superiores. respectivamente.3 .São solos evoluídos de perfil AC ou ABC com horizonte A mólico e horizonte B câmbico ou árgico.Barros Pardos .são os solos Argiluviados Pouco Insaturados de cores pardacentas nos horizontes A e B que se desenvolvem em climas com caracteríticas mediterrâneas (de regime xérico).Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos 4 – BARROS .SOLOS PODZOLIZADOS .São solos evoluídos de perfil ABC com horizonte espódico. 5 . pronunciando fendilhamento nas épocas secas. que se desenvolvem em climas com características mediterrâneas calcárias.Solos Mediterrânicos Pardos . 6 . 4. 6.Solos Mediterrânicos Vermelhos ou Amarelos .São solos evoluídos de perfil ABC com horizonte B câmbico ou árgico.1 .SOLOS ARGILUVIADOS POUCO INSATURADOS . 4.5.2 . 20 .SOLOS MÓLICOS . estrutura anisoforme no horizonte A e prismática no B. com a profundidade e nos horizontes subjacentes. ou em ambas. a 2 e 3.Barros Castanho-Avermelhados . curto período de sazão.são os barros de cor castanho-avermelhada.5.são os solos Argiluviados Pouco Insaturados de cores avermelhadas ou amareladas nos horizontes A ou B.são os barros de cores pardacentas.1 – Castanozemes . etc. 7 . 6. ou pelo menos não diminui. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. 4. em que o grau de saturação com bases de horizonte B é superior a 35 % e que aumenta. tais como elevadas plasticidade e rijeza. a 2 e 3.2 .

2 .1 .Podzóis Hidromórficos . os quais são frequentemente atingidos pelo lençol freático.SOLOS HALOMÓRFICOS . Excluem-se desta Ordem os Podzóis Hidromórficos. 10 .São solos sujeitos a encharcamento temporário ou permanente que provoca intensos fenómenos de redução em todo ou em parte do seu perfil.são os solos Orgânicos Hidromórficos com horizontes orgânicos do tipo sáprico.São solos com horizontes superiores orgânicos ou com horizonte H hístico. em que a acumulação da matéria orgânica se fez em condições de permanente ou quase permanente saturação de água. 21 .são os solos Podzolizados com horizonte eluvial E nítido. 9. principalmente nos horizontes subjacentes ao E.2 . 9 .1 .1 . solúveis e/ou teor relativamente elevado de sódio de troca no complexo de adsorção. de conteúdo mineral relativamente elevado e de cor escura.Solos Salinos . em geral com horizonte eluvial E nítido. os Solos Orgânicos Hidromórficos e muitos Solos Salinos de acentuado hidromorfismo por se considerar que as características impressas pelos fenómenos de hidromorfismo têm menos peso que as que determinaram a sua diferente classificação.Solos Turfosos Com Materiais Sápricos . 10.são os solos Hidromórficos com um horizonte eluvial E nítido.SOLOS HIDROMÓRFICOS .Solos Hidromórficos Sem Horizonte Eluvial . de cor relativamente clara e com sintomas evidentes de hidromorfismo.SOLOS ORGÂNICOS HIDROMÓRFICOS .Podzóis Não Hidromórficos .São solos que apresentam quantidades excessivas de sais.Solos Hidromórficos Com Horizonte Eluvial . 9.1 .são os solos Halomórficos que contêm uma quantidade de sais solúveis suficiente para prejudicar o desenvolvimento da maioria das plantas cultivadas. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. 7.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos 7.são os solos Hidromórficos em que não se observa um evidente horizonte E.são os solos Podzolizados. providos de matéria orgânica regularmente bem decomposta. de cor clara e sem apresentarem sintomas de hidromorfismo. 8 . isto é. 8.

22 .SOLOS PODZOLIZADOS 4 . com a profundidade e nos horizontes subjacentes .Solos que apresentam um horizonte A mólico .Solos que apresentam um horizonte B espódico . sem horizontes genéticos claramente diferenciados.BARROS 7. agregação anisoforme no horizonte A e prismática no B. em que a acumulação de matéria orgânica se fez em condições de permanente ou quase permanente saturação de água .SOLOS HALOMÓRFICOS 3 . tais como elevadas plasticidade e dureza.SOLOS ORGÂNICOS HIDROMÓRFICOS 2 .Solos sujeitos a encharcamento temporário ou permanente que provoca intensos fenómenos de redução em toda ou em parte da espessura do pédone .Solos que apresentam quantidades excessivas de sais solúveis e/ou teor relativamente elevado de sódio de troca no complexo de adsorção .Solos argilosos com apreciável percentagem de colóides minerais do grupo dos montmorilonóides que lhes imprime características especiais.SOLOS ARGILUVIADOS POUCO INSATURADOS Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág.SOLOS HIDROMÓRFICOS 5 .Solos não evoluídos. com presença de superfícies polidas (slickensides). ou pelo menos não diminui.SOLOS INCIPIENTES 6 .Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos CHAVE PARA A FILIAÇÃO DOS SOLOS EM ORDENS (só válida para Portugal Continental) 1 .SOLOS MÓLICOS 8 . praticamente reduzidos ao material originário . pronunciando fendilhamento nas épocas secas .Solos com horizontes superiores orgânicos ou com horizonte A hístico.Solos que apresentam um horizonte B árgico cujo grau de saturação em bases é superior a 35% e aumenta.

SOLOS LITÓLICOS Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág.Restantes solos .SOLOS CALCÁRIOS 10 . 23 . com percentagem variável de carbonatos ao longo de toda a espessura do pédone .Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos 9 . apresentando ou não um horizonte B câmbico. formados a partir de rochas calcárias.Solos pouco evoluídos.

o solo não pode ser encarado como um corpo inerte. sendo imprescindível à produção de biomassa. não se tratando do mero local onde assentamos os pés. para além da clássica desertificação por secura. sobretudo devidos a: Utilização de tecnologias desadequadas em culturas de sequeiro. Reservatório de água. Este condicionamento é tanto mais determinante quanto o tipo de solo é frágil e pouco estável. outros processos conducentes aos mesmos resultados se têm instalado. de grande complexidade e muito dinâmico. é fundamental que as suas características estruturais permaneçam em equilíbrio com os diversos sistemas ecológicos. Falta de práticas de conservação de água no solo. A preocupação com os processos de degradação do solo tem vindo a crescer. pois.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos USOS E POLUIÇÃO DO SOLO Utilização do Solo O solo é um corpo vivo. constituindo: Componente fundamental dos ecossistemas e dos ciclos naturais. na designada componente "não sólida". Deve. estamos a polui-lo e. Para que o solo mantenha as múltiplas capacidades de suporte dos sistemas naturais e agrícolas. Como já foi referido. a água e o ar. o solo disponibiliza múltiplas funções ou serviços aos seres vivos em geral e ao Homem em particular. 24 . Assim. Destruição da cobertura vegetal. tem como componentes principais a fase sólida (matéria mineral e matéria orgânica) e a água e o ar. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. ser encarado como uma interface entre o ar e a água (entre a atmosfera e a hidrosfera). Suporte essencial do sistema agrícola. ou do simples suporte para habitações e outras infraestruturas indispensáveis ao Homem. directa ou indirectamente. estamos a poluir. ou mesmo o seu "caixote do lixo"! Sempre que adicionamos ao solo qualquer substância estranha. à medida que se verifica que. Como recurso natural básico que é. Espaço para as actividades humanas e para resíduos produzidos. igualmente.

sendo causa directa da desertificação. os resultados não podem ser bons. causam a destruição dos solos. pelo seu esgotamento Fig. É importante lembrar que nem sempre o uso intenso de tecnologia significa agricultura não ecológica. ou seja. também. que.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos Em Portugal. entre os minerais que se extraem e os que se devolvem ao solo. dadas as características dos solos. Devemos lembrar-nos. indiquem grande diversidade biológica Um desenvolvimento sustentável depende do uso correcto dos recursos naturais. 2 . sem esquecermos a sustentabilidade sócioeconómica. com as consequentes carências hídricas e irregularidades nos regimes pluviofluviais. correcto separar a agricultura ecológica da convencional. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. notoriamente. de imediato. quando bem praticada é altamente tecnificada. As consequências visíveis deste processo são. tornando-se torrenciais.A erosão é um problema quase sempre presente com a agricultura convencional. correctivos. por vezes até à situação de rocha nua. A degradação do solo traduz-se. e pelo desaparecimento dos horizontes superficiais (camada arável). na prática. contudo. Não será. elas não estão em campos opostos. O uso do solo tem de ser feito de acordo com a preservação ambiental. degeneração dos ecossistemas produtivos. A partir do momento em que existe o desequilíbrio entre o uso do solo e a sua real aptidão. etc. como é o caso da agricultura de precisão. Agricultura tecnológica não é sinónimo de uso de agroquímicos e a agricultura ecológica. a transformação da paisagem e alteração do regime hidrológico. 25 . Este processo resulta maioritariamente da maior ou menor agressividade do clima e da actividade do Homem. Não se admite recomendar um determinado uso do solo agrícola em áreas destinadas à preservação ambiental ou que. que muitas vezes a "agricultura ecológica" é praticada simplesmente por falta de conhecimento tecnológico ou condições económicas do produtor para ter acesso a recursos como defensivos. estas situações têm fortes repercussões negativas em termos globais.

típicos de agricultura familiar. visando a Fig. A Agricultura de Conservação permite importantes benefícios ambientais para a sociedade em geral mas também importantes benefícios económicos para o agricultor Assim. por forma a manter ao longo do ano resíduos de culturas à superfície do solo. É o exemplo da produção cogumelos. 26 . pequenos animais e hortaliças produzidas por processos naturais. Aí estão inseridos produtos valiosos. Se por um lado a economia globalizada exige um alto grau de competitividade. Traz como vantagem um aumento de rentabilidade.A utilização de herbicidas de présementeira é imprescindível com os sistemas de sementeira não incorporação ou a incorporação superficial dos resíduos das culturas. uso adequado do solo para o produtor rural tem que ser rentável e ao mesmo tempo ecologicamente limpo. 3 . para os quais o mercado está a crescer. A agricultura globalizada valoriza as vantagens comparativas. o Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. e os sistemas de mobilização na zona. defendendo-o dos processos de degradação.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos A Agricultura de Conservação. De um modo geral a Agricultura de Conservação incluí qualquer prática que reduza. torna-se importante comprar produtos oriundos de áreas realmente aptas para o seu cultivo. Actualmente desenvolve-se uma nova relação do agricultor com a terra. sistemas de mobilização reduzida (sem inversão da camada superficial do solo). ou entre culturas anuais sucessivas. sobretudo se tiver por base uma produção sustentável. por outro lado acaba por deixar para o pequeno produtor um novo nicho de mercado que não interessa ao grande produtor que pratica agricultura em larga escala. mude ou elimine a mobilização do solo e que evite a queima de resíduos. consiste num conjunto de práticas que permitem o maneio do solo agrícola com a menor alteração possível da sua composição. estrutura e biodiversidade natural. Isto também impede a subutilização e a superutilização das terras. por seu lado. O ponto de partida é usar o solo de acordo com a sua aptidão e com a tecnologia recomendada para aquela área. Algumas das técnicas que constituem a Agricultura de Conservação são os sistemas de sementeira directa (sem mobilização prévia do solo). Deste modo o produtor utiliza a terra de um modo sustentável. que marginaliza o agricultor que não tem condições económicas de a acompanhar. e o estabelecimento de cobertos vegetais vivos (espontâneos ou semeados de espécies apropriadas) em culturas arbustivas e/ou arbóreas. Em mercados comuns.

Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. levando a que os lixiviados produzidos e não recolhidos para posterior tratamento. Por outro lado. embora muitas das culturas praticadas no nosso pais. nomeadamente por: Resíduos sólidos e líquidos provenientes de aglomerados urbanos. e por outro lado. o termo “solo contaminado” aplica-se para designar um solo que representa actualmente. ingestão directa de compostos tóxicos por consumo de água contaminada. Os riscos conhecidos para os humanos dizem respeito a doenças e perturbações respiratórias causadas pela inalação de fumos tóxicos ou partículas. Neste campo Portugal mostra-se em crescente actualização. independente do país de origem deste produto. no solo. ainda bastante inadequadas aos tipos de solos existentes. Em contrapartida descortina-se a oportunidade de colocar produtos exóticos em mercados de interesse de agricultura familiar. alguns autores fazem a distinção entre estes termos. criando riscos de explosão. na medida em que a maioria são ainda depositados no solo sem qualquer controlo. um risco para a saúde pública ou para o ambiente. Assim. no entanto. como resultado do uso corrente ou passado dado a esse solo. a que o metano produzido pela degradação anaeróbia da fracção orgânica dos resíduos. ou potencialmente.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos que propicia um preço final mais baixo para o consumidor. sejam. Contaminação/ Poluição do Solo É usual utilizarem-se os termos “solo contaminado” e “solo poluído” indiscriminadamente. 27 . sobretudo no sul. possa acumular-se em bolsas. baseadas no risco estimado que apresentam. o termo “solo poluído” aplica-se a solos que apresentam substâncias antropogénicas na sua constituição que já causaram danos óbvios. A composição de um solo contaminado deve ser determinada de modo a se conhecer em que concentrações se encontram presentes os contaminantes e se estas obedecem às concentrações críticas estipuladas para os vários usos do solo. contaminem facilmente solos e águas. Um dos principais fenómenos de degradação dos solos é a contaminação. doenças de pele devido ao contacto com substâncias químicas antropogénicas presentes no solo e consumo de vegetais que acumularam quantidades significativas de substâncias nocivas.

de onde se pode destacar a indústria química. como sendo. O processo de contaminação. indústria de celulose. preservando e conservando a integridade natural dos meios receptores. produzindo então efeitos negativos. Uso desmedido das lamas de depuração e de águas residuais na agricultura. continuam a ser maioritariamente não controladas.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos Águas contaminadas. que qualitativa e/ou quantitativamente podem modificar as suas características naturais e utilizações. cujo efeito no solo depende do tipo deste. por serem materiais com elevado teor de matéria orgânica e conterem elementos biocidas que deverão ser controlados para reduzir os riscos de acumulação. com taxa bastante baixa de tratamento de efluentes. indústria cimenteira. como sendo os recursos hídricos. Estando a contaminação do solo directamente relacionado com os efluentes líquidos e sólidos neste lançados e com a deposição de partículas sólidas (lixeiras). indústria de curtumes. provenientes da indústria. solos e atmosfera. que por sua vez facilita a mobilidade dos metais pesados. as agropecuárias intensivas (suiniculturas). e os sistemas de rega. centrais termoeléctricas e actividades mineira e siderúrgica. podendo provocar a acidez dos solos. podem originar a salinização do solo e/ou a toxicidade das plantas com excesso de nutrientes. pode então definir-se como a adição no solo de compostos. independentemente da sua origem. os sistemas agrícolas intensivos que têm grandes contributos de pesticidas e adubos. de onde se destacam aquelas que apresentam um elevado risco de poluição. constituindo poluição. Efluentes provenientes de actividades agrícolas. efluentes sólidos e líquidos lançados directamente sobre os solos e/ou deposição de partículas sólidas. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. 28 . salienta-se a imediata necessidade de controlo destes poluentes. cujas descargas. da concentração dos efluentes e do modo de dispersão. destilarias e lagares. por incorrecta implantação e uso. assim como aquelas cujas actividades industriais constituem maiores riscos de poluição para o solo.

Tl. resultantes da emissão de partículas poluentes dos automóveis. Compostos provenientes de lixos domésticos (metais. Produtos finais da incineração. etc. Insecticidas. Radioisótopos provenientes de acidentes nucleares (exemplos: Windscale.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos A contaminação do solo tem-se tornado uma das preocupações ambientais. Deposição de resíduos (intencional ou não): Resíduos agrícolas de origem animal (As e Pb provenientes de suiniculturas). geralmente. Pb. Cu. Combustão de combustíveis fósseis. Águas de infiltração (lexiviação) de aterros sanitários. uma vez que. Resíduos das explorações mineiras. tais como: Poeiras radioactivas atmosféricas. Fertilizantes. fauna e vegetação). Sb. Químicos agrícolas: Herbicidas. etc. dioxinas. Os contaminantes do solo provêm de uma enorme variedade de fontes.). Cr. UK. 29 . Fungicidas. Zn). podendo mesmo estar na origem de problemas de saúde pública. Indústria metalúrgica (As. 1986) e de testes de armamento nuclear. a contaminação interfere no ambiente global da área afectada (solo. provenientes de: Chumbo. USSR. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. Acaricidas. 1957 e Chernobyl. Lamas de esgotos (ricas em metais pesados e poluentes orgânicos). Indústria química (micropoluentes orgânicos. águas superficiais e subterrâneas. Cd. ar. Ni. Incêndios de grandes proporções em refinarias. Hg).

Derrames em tanques de depósito subterrâneos (petróleo. incenerações e fogos acidentais de grandes proporções. etc. fumos e explosões. Regra geral. sucatas.). • No entanto. a contaminação do solo torna-se um problema quando: • • há uma fonte de contaminação. Ni e Hg de pilhas e baterias descarregadas.).). solventes clorados. Cd. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. - Industrias abandonadas (estas correspondem a uma grande variedade de contaminantes provenientes da produção. etc. 30 . há indivíduos e bens ameaçados por essa contaminação. Conservantes das madeiras de vedações. Cu e Pb provenientes de coberturas. etc. metais de munições e veículos. hidrocarbonetos de combustíveis fósseis entornados e óleos lubrificantes). há vias de transferência de poluentes que viabilizam o alargamento da área contaminada.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos - Cinzas provenientes de queima de combustíveis fósseis. Resíduos resultantes de actividades desportivas e de lazer (Pb de munições em tiro ao alvo e iscos de pesca. Acumulação acidental de contaminantes: - Corrosão de metais em contacto com o solo (por exemplo: Zn proveniente de metal galvanizado. por: • • • remoção dos indivíduos e/ou bens ameaçados. Resíduos militares (resultantes de guerras) tais como combustíveis poluentes. deposição de resíduos da sua actividade. bloqueamento das vias de transferência (isolamento da área). e demolição dos edifícios). remoção da fonte de poluição. há formas de resolver este problema.

Tratamento das áreas contaminadas. mas sim de uma solução provisória para o problema. Quanto à 3ª opção. as concentrações residuais inaceitavelmente elevadas e/ou a Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. Actualmente consideram-se três grandes grupos de métodos de descontaminação do solo: • • • descontaminação no local ("in-situ"). 31 . 2. devido a vários problemas tais como as emissões gasosas de alto risco. normalmente. Diagnóstico-avaliação das áreas contaminadas. por escavação. devido. Identificação das áreas contaminadas (inventários). O tratamento do solo como metodologia de recuperação de áreas contaminadas é uma alternativa cada vez mais significativa relativamente à sua deposição em aterros sanitários. ao aumento dos custos envolvidos. sendo depois reposto no local de origem ou noutro para outros fins. descontaminação fora do local ("on/off-site").Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos Medidas de recuperação do solo Se o estudo de solos contaminados é recente. três fases fundamentais: 1. a investigação e desenvolvimento de processos e tecnologias de tratamento é-o ainda mais. uma vez descontaminado. essencialmente. Na abordagem das áreas contaminadas consideram-se. Com a tecnologia disponível actualmente. 3. O solo extraído pode ser tratado no local ("on-site") ou em estações de tratamento ("off site"). confinamento/isolamento da área contaminada. As técnicas "on/off site" exigem a extracção. do solo contaminado. ela não se trata verdadeiramente de um processo de descontaminação. a descontaminação de uma parte dos solos contaminados ainda é problemática descontaminável. Tecnologias de Tratamento A figura a baixo sistematiza os métodos e técnicas disponíveis para tratamento de solos contaminados.

Fig. Isto é particularmente verdade para solos poluídos com hidrocarbonetos aromáticos halogenados e/ou com metais pesados. 32 . como também do teor de humidade.Métodos e técnicas de tratamento de solos contaminados Tratamento Térmico As necessidades energéticas das técnicas térmicas são.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos produção de grandes quantidades de resíduos contaminados. bem como para solos contendo elevada percentagem de finos. tipo de solo e concentração de poluentes. As instalações para este método de tratamento podem ser semi-móveis e os custos dependem. normalmente. Para além destes aspectos. apenas os biológicos e a incineração permitem a eliminação ambiental dos poluentes orgânicos. algumas das técnicas utilizadas envolvem elevados custos de tratamento. bastante elevadas e são possíveis emissões de contaminantes perigosos. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. 4 . Dos diferentes métodos de descontaminação do solo (biológicos ou não biológicos). não só do processo em si. Contudo. bem como de medidas de segurança e das regulamentações ambientais em vigor. podem ser utilizadas temperaturas substancialmente baixas. O processo é ainda passível de minimizar outros tipos de poluição ambiental se as emissões gasosas libertadas forem tratadas. em determinados casos. levando a consumos de energia relativamente diminutos. através da sua mineralização.

devido à quantidade de resíduo contaminado gerada. convenientes). O processo específico de tratamento depende do tipo(s) de contaminante(s). 33 . são estimulados para uma degradação controlada dos contaminantes (dando às bactérias um ambiente propício. especialmente quando a fracção em argila do solo é superior a 30%. Adicionalmente pode ser necessário considerar um circuito de exaustão e tratamento do ar. Tanto o solo como as águas subterrâneas contêm elevado número de microorganismos que. oxigénio. quer sejam açucares facilmente metabolizáveis. A fase seguinte consiste na separação do fluido. Estes métodos fundamentam-se no princípio tecnológico da transferência de um contaminante do solo para um aceitador de fase líquida ou gasosa. há que remover as ligações entre estes e partículas do solo. humidade. ou extrair as partículas do solo contaminadas. se for provável a libertação de compostos voláteis. temperatura. nomeadamente no que se refere ao tipo de ligação que estabelece com as partículas do solo. Assim. se vão adaptando às fontes de energia e carbono disponíveis. para separar os contaminantes do solo. No tratamento biológico. os microorganismos naturais. ou seja. Em determinadas situações (presença de poluentes muito persistentes). gradualmente.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos Tratamento Físico-Químico Dos processos físico-químicos. de modo a conseguir uma optimização da biodegradação. Normalmente as argilas têm uma elevada afinidade para a maior parte das substâncias contaminantes (por mecanismos físicos e químicos). A aplicação desta técnica pode não ser viável (técnica e economicamente). os métodos actualmente mais usados baseiam-se na lavagem do solo. enriquecido em contaminantes das partículas de solo limpas. quer sejam compostos orgânicos complexos. mistura. Actualmente as principais técnicas biológicas de tratamento incluem: Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. Tratamento Biológico Os métodos biológicos baseiam-se no facto de que os microorganismos têm possibilidades praticamente ilimitadas para metabolizar compostos químicos. Os principais produtos a obter são o solo tratado e os contaminantes concentrados. etc. nutrientes. ou indígenas. pode ser necessário recorrer a microorganismos específicos ou a microorganismos geneticamente modificados. presentes na matriz. pH.

desnitrificação. Recentemente. A excepção do "landfarming". bem como para o ecossistema e. apresentando-se como uma tecnologia promissora que pode vir a ter um papel de importância crescente na recuperação de áreas contaminadas pelas actividades industrial e urbana.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos • • • • • "Landfarming" (biorremediação) Compostagem Descontaminação no local Reactores biológicos Outras técnicas inovadoras (cometabolismo. estas técnicas estão ainda numa fase de desenvolvimento. etc). 34 . não interfere nas propriedades naturais do solo. tem sido dada particular relevância aos métodos biológicos de descontaminação de solos. ao contrário da incineração ou dos métodos químicos. O tratamento biológico do solo diminui os riscos para a saúde pública. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág.

mas sim o de assegurar a sua utilização racional. de como a sua população substitui o equilíbrio natural por um novo. Cada terra tem uma determinada capacidade produtiva. é intensificado o seu uso para além das potencialidades edáficas. que possa trazer os maiores benefícios ao Homem. enquanto o equilíbrio primitivo não for alterado. Um dos factores que altera o equilíbrio solo-Homem é o excesso de população agrícola. No entanto. não se infiltrando. adquirindo-o somente quando o Homem rompe o equilíbrio natural para cultivar plantas e criar animais. verifica-se uma condição de relativa estabilidade. em grande parte. que utiliza em seu proveito. em condições naturais.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos EROSÃO E CONSERVAÇÃO DO SOLO Na porção superficial da crosta terrestre. adoptando-se práticas e sistemas agrícolas inconvenientes e sendo colocadas sob cultura zonas marginais. desgaste e remoção de materiais. O fenómeno erosivo acelerado. a intervenção humana. Esta forma de erosão denomina-se erosão geológica ou natural e. a remoção dos constituintes do solo é compensada pela formação de outros. a erosão é um processo normal. o de proteger os recursos naturais como um fim em si mesmo. vai escorrendo sobre o terreno. sobretudo sob a acção da água que. 35 . que varia com as características do solo e com a capacidade tecnológica da sociedade. uma vez que ter-se-ia que renegar a todo um processo evolutivo das civilizações que foram extraindo da terra produtos essenciais ao seu progresso. O objectivo da conservação da natureza não é. torna-se necessário recorrer a medidas adequadas de combate a tal erosão. provoca uma aceleração dos fenómenos erosivos. O solo é uma entidade dinâmica sujeita a constantes alterações. em que a remoção e redistribuição dos seus constituintes se revela um fenómeno natural e lento. Seria contudo. de certa forma. utópica a preservação eterna do “equilíbrio natural”. não tem grande significado. tentando-se com isso assegurar a conservação do solo. verificam-se constantemente acções erosivas. em que a destruição do solo pela erosão natural é compensada pelo desenvolvimento de novo solo em profundidade. A prosperidade de um determinado país ou região depende. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. nestas circunstâncias. Habitualmente. Neste contexto. Quando um número cada vez maior de pessoas tem que tirar da terra o seu sustento. Em condições normais. neste contexto. através da utilização do solo. em que o Homem conseguirá sempre desfrutar plenamente dos bens da Natureza. normalmente gradual e lento. ou seja.

consequentemente. comprimento) nos fenómenos erosivos hídricos. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. por sua vez. sobretudo no que diz respeito ao impedimento do impacto directo das gotas com o solo e ao dificultar do escorrimento superficial. a sua potencialidade para causar erosão. embora se mantenha o ritmo de formação de solo novo. arrasta-as consigo. uma vez que a velocidade de escorrimento aumenta com a distância percorrida. a água ganha energia cinética. podendo arrastar partículas cada vez maiores. o solo vai empobrecendo nos elementos que lhe conferem maior fertilidade. São também óbvias as influências do tipo de encostas (declive. actuam duas forças antagónicas: as forças activas (relativas às características físicas da chuva e ao declive e comprimento da encosta) e as forças de resistência (relativas às propriedades físico-químicas do solo e à vegetação). as características físicas da chuva determinam a sua erosividade. O fenómeno de arrastamento acelerado de partículas do solo devido a uma inadequada relação Homem-Natureza é designado por erosão acelerada ou antrópica. torna-se particularmente importante a acção da vegetação. são função daqueles parâmetros característicos de cada encosta. Neste sentido. sendo o efeito do impacto tanto mais violento quanto maior for a energia cinética das gotas que. o seu poder de transporte. O impacto provoca a separação das partículas mais finas das grosseiras. A chuva intervém quanto à sua quantidade e intensidade. as partículas têm que ser destacadas do “corpo” do solo. é função do seu tamanho da velocidade da queda. Relativamente às forças de resistência. Assim que esta inicia o seu escorrimento. submetendo o solo à exploração regular. assim como na capacidade de infiltração. 36 . No processo erosivo hídrico.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos Assim que o Homem destrói a vegetação primitiva. sendo esta última característica a que exerce uma maior influência. Gradualmente. tem ainda efeitos de melhoramento na estrutura do solo. que poderão manter-se em suspensão na água. restando as areias grosseiras e o cascalho. uma vez que a energia cinética adquirida pela água na escorrência e. e até a destruição dos agregados estruturais com projecção a maior ou menor distância das mesmas. Erosão hídrica Antes de se verificar o transporte dos constituintes do solo para fora duma determinada área. Esta separação pode ser possível graças ao impacto das gotas de chuva sobre a superfície e ao escorrimento superficial da água. ou seja. a erosão é acelerada.

onde sopram ventos com velocidades consideráveis. ampliando-o continuamente e acabando por se formar verdadeiros “canhões”. e surgindo manchas estéreis. as mais férteis. relativamente aos que não possuem tais características. dando origem a outras tantas formas de erosão que podem ocorrer simultaneamente num mesmo terreno. de fraca queda pluviométrica. Erosão em sulcos Verifica-se devido a pequenas irregularidades de relevo onde se concentra a água de escorrência. Dá-se frequentemente em encostas de declive e relevo uniformes.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos O solo apresenta uma susceptibilidade à erosão dependente das suas características físicoquímicas. arrasta as partículas mais finas restando a areia grossa e os elementos grosseiros. também podem sofrer este tipo de erosão os terrenos de cultura cujas mobilizações uniformizam as características do solo à superfície. principalmente em terrenos de sub-solo impermeável e horizontes superficiais de fraca coesão estrutural. e aqueles que possuem compostos cimentantes como óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio são mais resistentes à erosão. se não forem tomadas as medidas adequadas. A acção desta forma de erosão é selectiva. Neste sentido. consistindo na remoção das partículas do solo por camadas paralelas e uniformemente em todo o terreno. tornando-se mais claros. O mecanismo erosivo hídrico actua através de três processos distintos. os de estrutura muito coesa. ocorrendo também em zonas húmidas onde se dêem períodos secos Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. acabando por adquirir volume e velocidade suficientes para abrir pequenos sulcos normalmente em número elevado. Erosão eólica É típica de regiões planas. 37 . devido ao desaparecimento da matéria orgânica. que podem facilmente destruídos pelas mobilizações do solo. Aos poucos. Erosão em ravinas Dá-se em locais de grande concentração de água. É um tipo de erosão característica de zonas de chuva intensa e declives acentuados. que cava um sulco. Erosão laminar É a forma mais comum de erosão em zonas de chuva fraca ou medianamente intensa. os solos são destituídos das suas camadas superficiais. os solos de grande capacidade de retenção.

Também as plantas sofrem com os danos mecânicos provocados pelo vento e com a abrasão das partículas por ele transportadas. Tal como a erosão hídrica. este tipo de erosão é bastante menos importante que a erosão hídrica. com consequente baixa na fertilidade. outros factores intervenientes estão relacionados com as características da superfície dos terrenos. quer minerais quer orgânicas. 38 .Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos bem marcados. dependem da temperatura. sobretudo as de menores dimensões. A conjugação de todos estes factores cria condições favoráveis ou desfavoráveis à ocorrência do fenómeno e à forma de movimento das partículas. por sua vez. Distinguem-se três tipos de movimentos que dependem do tamanho daquelas: Suspensão: movimento das partículas muito pequenas (φ<0. nos casos por ele estudados. No que diz respeito aos factores directamente relacionados com o solo revela-se preponderante a importância da textura. remove grandes quantidades de partículas do solo. sendo a fase inicial de quase todo o processo erosivo eólico. pois tem provocado verdadeiras catástrofes em certas regiões. Segundo Chepil (1945). Muitas construções podem ficar soterradas pelo pó. À escala global. que permanecem em suspensão na atmosfera. a suspensão de 3 a 38% e o rolamento de 7 a 25%. Saltação: é o mais importante dos três movimentos. juntamente com o peso específico das partículas e o seu teor em humidade. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. a saltação foi responsável pela erosão de 55%a 72% do peso do solo erodido. afectando a saúde humana e animal. viscosidade e densidade do ar – que. Os danos da erosão eólica não se resumem ao arrastamento das partículas do solo. pressão e humidade. uns são relativos às condições atmosféricas – velocidade e turbulência das correntes de ar. cobertura do solo. embora não deva ser descurada.1mm). Rolamento: movimento das partículas suficientemente grandes para que não possam ser levantadas do chão pelo vento. rolando pela superfície empurradas por ele. Existem muitos factores intervenientes no fenómeno erosivo eólico. obstáculos existentes e topografia. como a rugosidade. enquanto que a atmosfera se pode tornar irrespirável. representando uma perda quase sempre irreversível para o terreno donde provêm.

pretende-se: que a perda de material por erosão seja inferior ou pelo menos igual à formação de novo material em igual período de tempo.Cultura pouco intensiva Uso não agrícola: . elaborando-se a “Carta de Capacidades de Uso”. torna-se necessária a determinação precisa da capacidade de utilização dos diferentes terrenos. Para um dado condicionalismo edafo-climático. fazer o melhor uso possível da água disponível. Uso agrícola: . 39 . agrupando-se assim os terrenos mais ou menos uniformes relativamente às suas capacidades de uso e necessidades de conservação. manter o nível óptimo de nutrientes para a planta e substituir eventuais perdas. Mais precisamente. Neste contexto. é feita a classificação.Exploração de matos Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. ou pelo menos igual.Cultura moderadamente intensiva . o declive e a erosão verificada.Pastagem permanente . Impedir qualquer arrastamento das partículas do solo para fora dos terrenos de cultura é praticamente impossível. genericamente. aumentar o nível da produtividade das terras. torna-se necessário manter o limite de perda inferior. No sentido de uma utilização racional das terras. como a profundidade. o de manter e. a capacidade de uso indica qual ou quais as culturas apropriadas a determinada terra e com que intensidade podem ser praticadas sem que o solo sofra diminuição de fertilidade. se possível. conservar e mesmo melhorar a estrutura do solo. Tomando em conta os vários aspectos.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos Objectivos da Conservação do Solo O objectivo da conservação do solo é. consideram-se diversos níveis de exploração do solo. através do método da “Classificação das Capacidades de Uso”. Para a separação e definição das classes. à formação de materiais novos.Cultura intensiva . a textura.

Entre as culturas que se incluem neste grupo podem salientar-se os cereais de inverno e o milho e a batata (esgotantes em determinadas condições climáticas). os métodos mecânicos ou hidráulicos exigem mobilizações avultadas de terra e alteram o relevo inicial do terreno. as culturas podem ser agrupadas em três categorias. Neste sentido.Exploração florestal com poucas restrições . o trevo e a luzerna. 1.Vegetação natural ou de protecção Métodos de defesa contra a erosão Os métodos de luta contra a erosão podem classificar-se. assim como as práticas culturais que não modificam o relevo do terreno.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos . vento e escorrimento superficial e/ou exigem grande número de trabalhos culturais.Exploração florestal com muitas restrições . entre outras. Os métodos agrícolas recorrem à acção da vegetação sobre o solo. 40 . Entre as culturas pertencentes a este grupo são de salientar as gramíneas forrageiras. os solos sob culturas conduzidas em linhas espaçadas encontramse mais sujeitos ao fenómeno erosivo. b) Culturas “conservadoras” – não causam prejuízos apreciáveis ao solo tal como o abaixamento do nível de fertilidade por remoção elevada de nutrientes. genericamente. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. deixando-o sujeito à chuva. o que provoca a aceleração da taxa de destruição da matéria orgânica. Geralmente. segundo a sua acção na conservação do solo. ou deixarem o solo descoberto e sujeito à acção da água e vento. como agrícolas e mecânicos ou hidráulicos. a) Culturas esgotantes – não cobrem suficientemente o solo. podendo colocar em perigo a estabilidade estrutural do solo. Métodos Agrícolas As práticas agrícolas tiram proveito das características morfológicas das plantas cultivadas e das técnicas culturais empregues na sua condução para dificultar em grau diverso a acção dos agentes erosivos.

Neste grupo. o perigo de disseminação de pragas e doenças e a concorrência radicular com outras culturas. somente uma das culturas fornece produtos susceptíveis de benefícios económicos directos (cultura principal). estão incluídas. Em alguns casos de consociação. segundo as curvas de nível ou perpendiculares à linha de maior declive. entre eles. encontrando-se. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. Não se tornando possível a implantação unicamente de plantas que assegurem uma boa protecção ao solo. Com a sua utilização. por razões climáticas e de economia da empresa agrícola. Tais plantas. O emprego de sebes é viável tanto em terrenos de culturas anuais como em plantações arbustivas vivazes. com um crescimento denso e um porte baixo. ditas de cobertura. recomenda-se normalmente a associação de culturas umas melhores protectoras do que outras. as leguminosas. pretende-se diminuir a velocidade de escorrência superficial da água.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos c) Culturas reconstituintes – para além de manterem as condições físico-químicas iniciais do solo. entre outras. Em determinadas circunstâncias. 41 . os custos. sendo esta associação feita no tempo (rotação) ou no espaço (consociação e bandas alternadas). As sebes são filas de plantas perenes. As culturas de cobertura apresentam as seguintes vantagens: diminuem o escorrimento superficial impedem o impacto directo da chuva com o solo reduzem a quantidade de materiais carrejados fornecem matéria orgânica ao solo quando siderados servem de alimento ao gado servem de complemento às obras mecânicas ou hidráulicas Alguns factores não permitem a utilização de coberturas e siderações. são ou não expressamente implantadas para a luta contra a erosão. a outra ou outras que lhe estão associadas (culturas secundárias) são destinadas exclusivamente à protecção do solo. retendo as partículas transportadas. são ainda susceptíveis de as melhorar. são estabelecidas espécies que formam uma cobertura densa sobre o solo conferindo-lhe grande protecção. que se encontram dispostas no terreno espaçadamente.

estas culturas devem seguir-se às anuais com intervalos de. São os prados. sendo constituída por plantas de características arbóreas ou arbustivas. como o sombreamento parcial dos campos protegidos. sobretudo no caso de barreiras densas. procura-se tirar proveito das características de certas plantas que protegem o solo contra o vento. A utilização de cortinas pode ainda permitir a correcção das condições climáticas desfavoráveis ou a criação de micro-climas desejáveis ao rendimento das culturas. 42 . colocadas perpendicularmente à direcção dos ventos dominantes. Neste sentido. a criação de condições favoráveis à formação de geadas. revelando-se ainda como um refúgio para pragas e infestantes de outras culturas. a competição radicular. facilmente arrastadas. três anos. e o aumento acentuado da humidade relativa do ar. para além de darem origem a partículas finas desagregadas. As cortinas têm. Outra forma de minimizar os problemas decorrentes da erosão eólica consiste na utilização de uma cortina protectora. tal como os métodos de prevenção da erosão hídrica. desta forma. enterram as plantas e os resíduos que cobrem o solo e lhe dão protecção. que asseguram melhor defesa contra a erosão eólica. São sobretudo as cortinas de árvores as mais utilizadas na compartimentação da paisagem com vista à diminuição da velocidade do vento. Uma outra técnica adequada nestas circunstâncias baseia-se na existência de faixas onde alternam as culturas densas com outras de menor densidade. em regiões húmidas. entendida aqui como uma plantação vivaz disposta de tal modo que forme uma barreira de protecção a uma área determinada. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. aumentar a protecção e a resistência do solo e diminuir a velocidade do agente erosivo. e segundo alguns autores. Nos terrenos susceptíveis à erosão eólica. uma barreira arbórea pode reduzir a velocidade do vento e os desgastes provocados pelos efeitos mecânicos do vento e dificultar também o escorrimento superficial da água. excluindo a floresta. deve fazer-se o menor número possível de mobilizações e evitar as lavouras. uma vez que. pelo menos. Recorrendo a rotações e a culturas em faixa.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos Os métodos de prevenção da erosão eólica procuram. alguns efeitos desfavoráveis. no entanto.

cobertura vegetal. 43 . 2. torna-se fundamental.) e o comprimento da encosta.escorrência crítica . não impedem o impacto directo das gotas de chuva que. Neste contexto. mostram-se bastante eficazes. é uma das causas da degradação da estrutura do solo. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. Sob o ponto de vista funcional. No entanto. como se viu.a qual se encontra dependente de factores como a intensidade e quantidade máximas da chuva. porém. etc. o cálculo da escorrência.1. as especificações das obras a construir devem ser baseadas no volume previsível de água a reter ou a escoar. uma vez que as dimensões devem ser apropriadas a comportarem a escorrência máxima previsível num período considerado . tipo de solo. destacando-se a redução acentuada do escorrimento superficial e o aumento das reservas do solo e sub-solo. o qual depende de vários factores. destinadas a recolher água de escorrimento e materiais carrejados. As vantagens destes métodos são óbvias. as características da encosta (declive. teoricamente. • Valas isoipsas contínuas e descontínuas São valas abertas ao longo das curvas de nível. os métodos mecânicos poder ser classificados em dois grandes grupos: os que visam a retenção e a infiltração da água caída sobre o terreno e os que permitem disciplinar e escoar o excesso de água. como a quantidade e a intensidade das precipitações e o coeficiente de escorrimento do terreno. Em qualquer dos casos.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos 2. para a especificação das obras. Métodos Mecânicos ou Hidráulicos Este métodos recorrem à modificação do relevo do terreno por movimentação de terras de modo a criar obstáculos ao escorrimento superficial da água. Métodos de Infiltração As obras incluídas nestes métodos são concebidas de forma a que. não dispensando assim as formas anti-erosivas anteriormente referidas. retenham e obriguem a infiltrar-se a totalidade das águas da chuva. particularmente importante em zonas onde existe um “déficit” de água para as plantas. Os custos de execução e manutenção de tais obras revelam-se elevados. permitindo utilização agrícola de encostas com declive acentuado. quando são complementados com métodos agrícolas.

dispersas sobre o terreno e com tal disposição que a água de escorrimento no seu percurso não possa passar por duas filas consecutivas sem que seja recolhida.2. Ao serem estabelecidos os canais de protecção. que não cause erosão ao fundo e paredes do canal. • Socalcos São degraus construídos em série ao longo da encosta e separados por taludes.50 m de comprimento. Sob o ponto de vista funcional. Os valados de absorção são mais apropriados a zonas de fraca pluviosidade e no caso de solos com capacidade de retenção suficiente. 2. enquanto que os segundos se incluem nos de escoamento ou derivação. 2. salvo pequenas áreas destinadas ao escoamento das águas. os valados de absorção encontram-se incluídos nos métodos de infiltração. sendo utilizados para cortar o fluxo de águas. 44 . Valados São obras bastante eficazes na conservação do solo e da água.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos • Fossas São covas com dimensões habituais de aproximadamente 40 cm de largura e 1. cuja construção implica grandes movimentações de terra feitas mecânica ou manualmente.3. uma vez que o seu perfil é suficientemente suave para que as próprias estruturas das construções possam ser cultivadas. O espaçamento entre os valados deve ser tal que não produza qualquer erosão significativa no espaço de dois valados consecutivos. isto é. levando-as a desaguar em local seguro. e que permitem um aproveitamento quase integral da superfície do terreno. há que ter em conta que devem escoar um caudal correspondente à escorrência crítica da área que vão servir a uma velocidade segura. dependendo assim do declive. Canais de protecção Podem ser incluídos nos métodos de derivação. e ainda para desviar águas causadoras de ravinas. das características e da susceptibilidade do solo à erosão. os valados podem ser considerados de absorção e de derivação. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág.

à contenção das águas que a originam. que podem atingir proporções tais que impeçam definitivamente a instalação de culturas e a passagem de máquinas. originando relevos abruptos. Se a vegetação espontânea que se instala na fase seguinte ao domínio das águas ravinantes não for suficiente para impedir o ravinamento. Geologia e Ambiente 2002/2003 Pág. para que a área atingida não sofra um aumento. 45 . A sua destruição só é possível no caso de ravinas de pequenas dimensões. Controlo de ravinas As ravinas são leitos irregulares cavados pela água de escorrência. se devem tomar medidas preventivas. colmatando-se a área ravinada. deve recorrer-se a espécies exóticas escolhidas segundo o interesse económico. deve proceder-se ao ordenamento da área que domina a ravina. o declive do terreno. deve proceder-se à estabilização de ravinas já formadas. sobretudo. a localização e ainda os problemas económico-financeiros. A escolha do método de estabilização de uma ravina encontra-se dependente de vários factores. sendo inicialmente apenas “traçadas” no terreno. Inicialmente. são formadas nas linhas de concentração de águas. Enquanto que. e sofrendo posteriormente um aprofundamento gradual. como a profundidade da ravina em questão. em locais susceptíveis à formação de ravinas. a natureza do solo.Recursos Pedológicos – Caracterização dos Solos 3.

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