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PREFÁCIO

Paulo Freire é um pensador comprometido com a vida: não pensa idéias, pensa a existência. E também educador: existencia seu pensamento numa pedagogia em que o esforço totalizador da “práxis” humana busca, na interioridade desta, retotalizar-se como “prática da liberdade”. Por isto, a pedagogia de Paulo Freire, sendo método de alfabetização, tem como idéia animadora toda a amplitude humana da “educação como prática da liberdade”, o que, em regime de dominação, só se pode produzir e desenvolver na dinâmica de uma “pedagogia do oprimido”. Pg. 05

JUSTIFICATIVA DA PEDAGIA DO OPRIMIDO

Constatar esta preocupação implica, indiscutivelmente, em reconhecer a desumanização, não apenas como viabilidade ontológica, mas como realidade histórica. É também, e talvez, sobretudo, a partir desta dolorosa constatação que os homens se perguntam sobre a outra viabilidade – a de sua humanização. Pg. 16 A superação da contradição é o parto que traz ao mundo este homem novo não mais opressor; não mais oprimido, mas homem libertando-se. Contudo, não podemos eclipsar o fato de que essa libertação não acorre gratuitamente. Pg. 17 Pelo contrário, a realidade opressora, ao constituir-se como um quase mecanismo de absorção dos que nela se encontram, funciona como uma força de imersão das consciências. Neste sentido, em si mesma, esta realidade é funcionalmente domesticadora. Pg.19 A pedagogia do oprimido que, no fundo, é a pedagogia dos homens empenhando-se na luta por sua libertação, tem suas raízes aí. E tem que ter nos próprios oprimidos que se saibam ou comecem criticamente a saber-se oprimidos, um dos seus sujeitos. A pedagogia do oprimido, que busca a restauração da intersubjetividade, se apresenta como pedagogia do Homem. Pg. 22 A pedagogia do oprimido, como pedagogia humanista e libertadora, terá dois momentos distintos. O primeiro, em que os oprimidos vão desvelando o mundo da opressão e vão comprometendo-se na práxis com a sua transformação; o segundo, em que, transformada a

sua “conivência” com o regime opressor. 23 NOVA CONFIGURAÇÃO NAS RELAÇÕES OPRESSOR-OPRIMIDOS Com efeito. de que a reflexão. tem de ser feito com os oprimidos. esta pedagogia deixa de ser do oprimido e passa a ser a pedagogia dos homens em processo de permanente libertação. educar-se. não calçavam. se realmente reflexão. em momentos diversos.4 realidade opressora. vestir. agora. Estamos convencidos. conduz à prática. Pg. 29 LIBERDADE EM COMUNHÃO Pretender a libertação deles sem a sua reflexão no ato desta libertação é transformá-los em objeto que se devesse salvar de um incêndio. 25 Será na sua convivência com os oprimidos. o opressor. com eles estabelece uma relação dialógica permanente. Pg. nitidamente. superando. e se engajam na luta organizada por sua libertação. passear. enquanto milhões não comiam. Pg. não estamos pretendendo um jogo divertido em nível puramente intelectual. por isto mesmo que supõe a ação. Pg. sabendo também um deles – somente a um nível diferente de percepção da realidade – que poderão compreender as formas de ser e comportarse dos oprimidos. pelo contrário. Pg. assim. em lugar de se sobrepor aos oprimidos e continuar mantendo-os como quase “coisas”. os opressores vão sentir-se. como oprimidos porque. se antes podiam comer. O diálogo critico e libertador. calçar. na nova situação. 29 Não há outro caminho senão o da prática de uma pedagogia humanizadora. começam a crer em si mesmos. Ao defendermos um permanente esforço de reflexão dos oprimidos sobre suas condições concretas. não estudavam nem tampouco passeavam. qualquer restrição a tudo isto. ouvir Beethoven. É fazê-los cair no engodo populista e transformá-los em massa de manobra. que refletem. qualquer que seja o grau em que esteja a luta por sua libertação. não vestiam. 27 Somente quando os oprimidos descobrem. lhes parece uma profunda violência a seu direito de pessoa. em nome do direito de todos. em que a liderança revolucionária. a estrutura da dominação. Educador e . quanto mais podiam ouvir Beethoven.

que vem sendo objeto desta critica. Mais ainda. mantendo a ingenuidade dos educandos. conduz os educandos à memorização mecânica do conteúdo narrado. uma vez que ele não aprende a recontar sua realidade com seus próprios matizes. ao receberem o mundo que neles entra. na distância entre o educador e os educandos. se encontram numa tarefa em que ambos são sujeitos no ato. mas também no de re-criar este conhecimento. 31 RELAÇÃO EDUCADOR/EDUCANDO – NARRAÇÃO/DISSERTAÇÃO Quanto mais analisamos as relações educador-educandos. em tudo. Pg. mais um instrumento de domesticação. parece que mais nos podemos convencer de que estas relações apresentam um caráter especial e marcante – o de serem relações fundamentalmente narradoras. porque adequados ao mundo. criticamente conhecê-la. Pg. 38 . (ou fora dela).5 educandos (liderança e massas). em qualquer de seus níveis. A narração. não só de desvelá-la e. já são seres passivos. Quanto mais adaptados. (nem sempre percebido por muitos dos que a realizam) é doutriná-los no sentido de sua acomodação ao mundo da opressão. 33 Porque os homens. configura. no chamado “controle de leitura”. há. 37 A educação como prática da dominação. Surge. para a concepção “bancária”. Pg. de que o educador é o sujeito. em recipientes a serem “enchidos” pelo educador. na escola. co-intencionados à realidade. assim. dessa maneira. Pg. nesta visão. tanto mais "educados”. nos critérios de promoção. uma educação que continua conformando o educando. Pg. 36 Nas aulas verbalistas. o que pretende em seu marco ideológico. cabe à educação apassivá-los mais ainda e adaptá-los ao mundo. sempre a conotação “digestiva” e a proibição ao pensar verdadeiro. Quando tenta integrá-lo a uma realidade que existe para fora dele. portanto. dissertadoras. na indicação bibliográfica. nos métodos de avaliação dos “conhecimentos”. mas mimetiza tudo o que foi memorizado. a narração os transforma em “vasilhas”.

Nenhuma “ordem” opressora suportaria que os oprimidos todos passassem a dizer: “Por quê?” Pg. 47 TEMAS GERADORES DE CONTEÚDO Nosso papel não é falar ao povo sobre a nossa visão do mundo. é pronunciar o mundo. Conquista do mundo para a libertação dos homens. supera também a falsa consciência do mundo. nem tampouco pode nutrir-se de falsas palavras. o conteúdo programático da educação não é uma doação ou uma imposição – um conjunto de informes a ser depositado nos educandos. 44 A conquista implícita no diálogo é a do mundo pelos sujeitos dialógicos. solto. problematizador. Neste modelo de educação o diálogo é item inarredável do ato cognoscente. Mediatizados pelos objetos cognoscíveis que. mediatizados pelo mundo. mas de palavras verdadeiras. não a de um pelo outro. Pg. 40 Por isto é que esta educação. como tampouco ninguém se educa a si mesmo: os homens se educam em comunhão. implica na negação do homem abstrato. Pg. isolado. é possuída pelo educador que os descreve ou os deposita nos educandos passivos. porque humana. desligado do mundo. Existir. ao contrário daquela que é prática da dominação. silenciosa. superando o autoritarismo do educador “bancário”. dialógico. 39 A educação como prática da liberdade. ou tentar impô-la a ele. sistematizada e acrescentada ao povo. assim também na negação do mundo como uma realidade ausente dos homens. em que educadores e educandos se fazem sujeitos do seu processo. é modificá-lo. não pode ser muda. Pg. humanamente. Pg. daqueles elementos que este lhe entregou de forma desestruturada. mas dialogar com ele sobre a sua e a nossa. com que os homens transformam o mundo. Temos de estar convencidos de que a sua visão do . mas a revolução organizada. 43 DIALOGICIDADE DA EDUCAÇÃO A existência. na prática “bancária”. superando o intelectualismo alienante. Pg. 45 Para o educador-educando.6 QUEM ENSINA APRENDE/QUEM APRENDE ENSINA Já agora ninguém educa ninguém.

que a inscreve como ponto de partida do processo educativo. assim. contudo. insere ou começa a inserir os homens numa forma crítica de pensarem seu mundo. por abstração. a sua visão do mundo. as determinantes históricas que constrangem o “ser mais”. 53 Realmente. mas nos homens e entre os homens. ao concreto da realidade existencial). na prática da descodificação. conhecida através de fontes secundárias. envolvendo as “situações-limites”. 57 PASSOS DA INVESTIGAÇÃO A investigação da temática. Pg.7 mundo. de outro. que se manifesta nas várias formas de sua ação. o que se pretende investigar. em última análise. de um lado. corresponde à etapa que chamamos de “descrição da situação”. A ação educativa e política não pode prescindir do conhecimento crítico dessa situação. 53 A investigação do “tema gerador”. como se fossem peças anatômicas. Pensar que não se dá fora dos homens. Pg. além de nos possibilitar sua apreensão. se realizada por meio de uma metodologia conscientizadora. 50 Os temas se encontram. um esforço comum de consciência da realidade e de autoconsciência. ou seja. envolvidos. em que se constitui. Esta “cisão”. mas o seu pensamento-linguagem referido à realidade. nem no vazio. 56 A investigação temática se faz. os níveis de sua percepção desta realidade. Pg. que se encontra contido no “universo temático mínimo” (os temas geradores em interação). reflete a sua situação no mundo. Pg. começam os investigadores a primeira etapa de investigação. 58 Fixemo-nos. Pg. Delimitada a área em que se vai trabalhar. A cisão da situação figurada possibilita descobrir a interação entre as partes do todo cindido. (situação desenhada ou fotografada que remete. Pg. opção da ação cultural de caráter libertador. em que se encontram envolvidos seus “temas geradores”. e sempre referido à realidade. em face de uma situação existencial codificada. não são os homens. envolve a investigação de o próprio pensar do povo. Pg. a tendência dos indivíduos é realizar uma espécie de "cisão” na situação que se lhes apresenta. nem num homem só. 59 . apenas na investigação dos “temas geradores” ou da temática significativa. Pg. repitamos. realmente. 49 Contudo.

o dominador não tem outro caminho senão negar às massas populares a práxis verdadeira. na que se seguem. chegam à apreensão daquele conjunto de contradições. que não seja dialógica com as massas. também não é revolucionária. Esse quadro existe como condição necessária na situação de dominação. Na medida em que operacionalizam estes círculos. quanto mais cedo comece o diálogo.8 A segunda fase da investigação começa precisa-mente quando os investigadores. de pensar certo. Algumas destas contradições. terminadas as descodificações nos círculos. começam os investigadores a primeira etapa de investigação. Pg. A nossa convicção é a de que. do mundo e dos outros. 62 Na terceira fase da investigação. em que a elite dominadora „prescreve e os dominados seguem as prescrições. 66 TEORIA DA AÇÃO ANTIDIALÓGICA Para dominar. vão sendo gravadas as discussões que serão. uma liderança revolucionária. ou mantém a “sombra” do dominador “dentro” de si e não é revolucionária. de si. 72 . Pg. o que mais uma vez revela uma das características dos oprimidos. presa de uma sectarização indiscutivelmente mórbida. Pg. com os dados que recolheram. analisadas pela equipe interdisciplinar. Do mesmo modo. 65 A sua última etapa se inicia quando os investigadores. 71 Podem visualizar a revolução como a sua revolução privada. Pg. Pg. Negar-lhes o direito de dizer sua palavra. uma série de sentimentos. mais revolução será. jamais serão tratados esquematicamente. que possivelmente não extrojetariam em circunstâncias diferentes. dão começo ao estudo sistemático e interdisciplinar de seus achados. sobre que falamos no primeiro capítulo deste ensaio. 64 Os participantes do “círculo de investigação temática” vão extrojetando. Os temas que foram captados dentro de uma totalidade. com que serão elaboradas as codificações que vão servir à investigação temática. pela força catártica da metodologia. ou está redondamente equivocada e. os investigadores se voltam à área para inaugurar os diálogos descodificadores. nos “círculos de investigação temática”. de opiniões. Pg. com a descodificação do material elaborado na etapa anterior. fontes secundárias.

Pg. Pg. Pg. submetendo as maiorias a seu domínio. Pg. as oprimem.9 O diálogo com as massas não é concessão. 76 ANÁLISE DAS TEORIAS DA AÇÃO ANTIDIALÓGICA E DIALÓGICA O primeiro caráter que nos parece poder ser surpreendido na ação antidialógica é a necessidade da conquista. a necessidade da conquista. talvez mais que o desejo. como a sloganização o é. e não de seus companheiros. O desejo de conquista. através de mil formas. em torno de que todas as dimensões da teoria da ação antidialógica vão girando. à sua disposição. a “promoção” de indivíduos que. O antidialógico. a distribuição de benesses para uns e de dureza para outros. ilhandoos. favorecendo a certos “representantes” da classe dominada que. 79 O que interessa ao poder opressor é enfraquecer as oprimidos mais do que já estão. dividi-ias e mantê-las divididas são condição indispensável à continuidade de seu poder. 81 Outra característica da teoria da ação antidialógica é a manipulação das massas oprimidas. podiam significar ameaça e que. dominador. com o fim de. “promovidos”. Como a anterior. através dela. Sua interferência nos sindicatos. é uma condição fundamental para a sua real humanização. Na medida em que as minorias. até as formas de ação cultural por meio das quais manejam as massas populares. nem presente. dando-lhes a impressão de que as ajudam. nas suas relações com o seu contrário. tão velha quanto à opressão mesma. cada vez mais. nem muito menos uma tática a ser usada. no fundo. a manipulação aparece como uma necessidade imperiosa das elites dominadoras. acompanha a ação antidialógica em todos os seus momentos. através de uma gama variada de métodos e processos. Desde os métodos repressivos da burocracia estatal. 80 A necessidade de dividir para facilitar a manutenção do estado opressor se manifesta em todas as ações da classe dominadora. são seus representantes. a manipulação é instrumento da conquista. O diálogo. se tornam “amaciados". é outra dimensão fundamental da teoria da ação opressora. como encontro dos homens para a “pronúncia” do mundo. revelando certo poder de liderança. Pg. tudo são formas de dividir para manter a "ordem” que lhes interessa. 84 – Na verdade. o que pretende é conquistá-lo. criando e aprofundando cisões entre eles. . para manter a opressão. para dominar. Pg. 78 Dividir.

92 CONSEQUÊNCIAS DA LIDERANÇA REVOLUCIONÁRIA Em um dado momento de sua experiência existencial. Defendemos o processo revolucionário como ação cultural dialógica que se prolongue em “revolução cultural” com a chegada ao poder. serve à conquista. 83 Finalmente. muitas vezes os seus dominador. A invasão cultural tem uma dupla face. De um lado. – a invasão cultural que. de amoldar os invadidos a seus padrões.10 conseguir um tipo inautêntico de “organização”. só interessa saber como pensam os invadidos seu próprio mundo para dominálos mais. mas também um convite valente a todos os que queiram participar da reconstrução da sociedade. Pg. E. com que os homens. a seus modos de vida. prolongando o que antes foi ação cultural dialógica. superam o estado de objetos. 90 A contradição principal das sociedades duais é. “sobre determinados” pela própria cultura da opressão. conscientizado e conscientizador. não é “seres para si” e. Pg. em certas condições históricas. não o sendo. Pg. é tática de dominação. instaure a “revolução cultural”. renunciam à classe à qual . na sua ânsia de dominar. como dominados. o poder revolucionário. não se desenvolvem. uma outra característica fundamental. surpreendemos na teoria da ação anti-dialógica. Pg. através de uma práxis verdadeira. o esforço sério e profundo da conscientização. Pg. e assumem o de sujeito da História. contudo. realmente. Enquanto não superam esta contradição. como as duas anteriores. é já dominação. em ambas. nem sempre é exercida deliberadamente. não apenas é um poder. mas um novo poder. É que esta. com que evite o seu contrário. que é a verdadeira organização das massas populares emersas e emergindo. num ato de verdadeira solidariedade (verdadeiro ato de amor). estes. enquanto modalidade de ação cultural de caráter Em verdade. um poder que não é só freio necessário aos que pretendam continuar negando os homens. esta – a das relações de dependência que se estabelecem entre elas e a sociedade metropolitana. um aspecto que nos parece importante salientar na análise que estamos fazendo da ação anti-dialógica. agentes são igualmente homens dominados. Pg. de outro. Desta maneira. 87 Isto exige da revolução no poder que. 87 Há. 86 Aos invasores.

que mitifica a realidade para manter a dominação. O diálogo não impõe.11 pertencem e aderem aos oprimidos. o transforma em quase “coisa”. mais facilmente. se impõe aos dominadores. então. Há uma empatia quase imediata entre as massas e a liderança revolucionária. a liderança se obriga ao esforço incansável da união dos oprimidos entre si. na co-laboração. Daí que. ao contrário do que ocorre com a conquista. a divisão dos oprimidos com que. que faz até elas a liderança é espontaneamente dialógico. Sentem-se ambas. necessariamente. conquistando o outro. O compromisso entre elas se sela quase repentinamente. problematizada. contradição das elites dominadoras. 99 . mas o seu modo de atuar distinto. as desafia. O eu antidialógico. dominador. conquistado num mero “isto”. funda a co-laboração. e deles com ela. porque co-irmanadas na mesma representatividade. como sua primeira característica. Esta adesão aos oprimidos importa numa caminhada até eles. mas para a sua adesão. Pg. 96 COMUNHÃO E LIBERTAÇÃO Se. os sujeitos se encontram para a transformação do mundo em co-laboração. quanto o é que a liderança revolucionária não o faça. pelo contrário. Pg. na teoria antidialógica da ação. Pg. Pg. para a libertação. os sujeitos dialógicos se voltam sobre a realidade mediatizadora que. na teoria dialógica da ação. Por esta razão é que afirmamos antes ser tão paradoxal que a elite dominadora problematize as relações homens-mundo aos oprimidos. 94 O que distingue a liderança revolucionária da elite dominadora não são apenas seus objetivos. Se atuam igualmente os objetivos se identificam. na teoria dialógica. na teoria antidialógica da ação. 95 CARACTERÍSTICAS DA TEORIA DA AÇÃO DIALÕGICA Enquanto na teoria da ação antidialógica a conquista. não há lugar para a conquista das massas aos ideais revolucionários. Pg. implica num sujeito que. 96 O diálogo. Na teoria da ação dialógica. Pg. não maneja. que é sempre comunicação. se mantém a opressão. não domestica não sloganiza. Numa comunicação com eles. exigida pela teoria dialógica da ação. 93 O caminho. transforma o tu dominado.

Pg. Pg. se dilui a ação revolucionária. vão à consciência de classe oprimida. nem se liberta. na teoria dialógica da ação vamos encontrar. Este testemunho constante. a manipulação. através do qual se encontram ligados ao mundo da opressão. manipula o povo. 103 . descobrem que. já. sem objetivos. na teoria da ação antidialógica. 101 ORGANIZAÇÃO Enquanto. não organiza. mas como homens. e é bom que mais uma vez digamos. “anestesiando” as massas populares. não importam os níveis reais em que se encontrem como oprimidos. Nada disso. oprime. justifica o manejo das massas populares. sem esta. que serve à conquista. 100 Com efeito. facilita sua dominação. Pg. contudo. A liderança que assim não proceda que insista em impor sua palavra de ordem. humilde e corajoso do exercício de uma tarefa comum – a da libertação dos homens – evita o risco dos dirigismos antidialógicos. Não liberta. como homens. numa consciência de classe. não há organização e. 102 Enquanto.12 Significando a união dos oprimidos à relação solidária entre si. a manipulação cede seu lugar à verdadeira organização. É também verdade que. a organização das massas populares. que os oprimidos se libertam. Pg. indiscutivelmente. na ação dialógica. Mas para que os oprimidos se unam entre si. sem disciplina. Pg. como que oposto antagônico. sem ordem. não podem continuar sendo “quase-coisas” possuídas e. mas com o povo. se impõe como condição indispensável ao ato dominador. sem tarefas a cumprir e contas a prestar. Daí que não possa a liderança dizer sua palavra sozinha. sem decisão. implica esta união. a manipulação. na ação antidialógica. a sua “coisificação”. sem liderança. de caráter mágico e mítico. 102 Não é como “coisas” já dissemos. é preciso que cortem o cordão umbilical. da consciência de si como homens oprimidos.

em termos aproximativos. Pg. enquanto mantenedora das estruturas em que se forma. não pode ser o desaparecimento da dialeticidade permanência-mudança (o que seria impossível. se fará frente à força da própria cultura. que serve à libertação. também aproximativa e introdutória. Pg. Pg.13 SÍNTESE CULTURAL O que pretende a ação cultural dialógica. 104 Isto implica em que a síntese cultural é a modalidade de ação com que. este modo de ação cultural. 105 A colocação que. cujas características estamos acabando de analisar. meramente introdutórios. no dos homens) mas superar as contradições antagônicas de que resulte a libertação dos homens. nos trouxe à análise. culturalmente. como ação histórica. 107 . Desta maneira. pois que tal desaparecimento implicaria no desaparecimento da estrutura social mesma e o desta. que serve à opressão e da teoria dialógica da ação. tentamos fazer da questão da pedagogia do oprimido. da teoria da ação antidialógica. se apresenta como instrumento de superação da própria cultura alienada e alienante.

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