Riscos ocupacionais em saúde

CUPA RISCOS OCUPACIONAIS OCCUPATIONAL HEALTH RISKS CCUPA EALTH

EM

SAÚDE
Maria Yvone Chaves Mauro * Camila Drumond Muzi ** Raphael Mendonça Guimarães ** Carla Christina Chaves Mauro***

RESUMO: Este é um artigo de revisão que pretende discutir os riscos ocupacionais em saúde, apoiando-se em pesquisa bibliográfica referente ao período de 1976 a 2004. Objetiva-se discutir os riscos ocupacionais em saúde a partir de elementos do contexto do trabalhador e analisar as condições gerais do seu ambiente de trabalho e suas condições individuais e de saúde. Percebe-se que a desarmonia entre saúde e trabalho é incontestavelmente um problema de saúde pública, que merece ser analisado em todos os seus prismas, compreendendo assim a integralidade do trabalhador. Tal fato requer, do enfermeiro, a atenção necessária para que, primeiramente, não sofra o desgaste gerado por essa desarmonia e, depois, possa contribuir para minimizar os efeitos negativos gerados em outros trabalhadores. Palavras-chave: Enfermagem; risco ocupacional; saúde; trabalho. ABSTRACT: ABSTRACT: This article intends to discuss occupational health risks, based on a bibliographic research covering the period from 1976 to 2004. The objective is to discuss occupational risks from elements that make part of the worker’s context, and to analyze related general environment conditions and personal conditions. It is clear that the disharmony between health and work is an incontestable public health problem that must be analyzed under its multiple facets. That fact demands attention of the nurse in order to avoid suffering the effects generated by such disharmony, and to contribute to minimize the negative effects generated upon other workers. Keywords: Nursing; occupational risk; health; work.

I NTRODUÇÃO

A palavra trabalho e o qualitativo profissional são usados em psicologia para designar toda atividade realizada tecnicamente com a finalidade de conseguir um rendimento econômico. Em nossa organização social, o ser humano dedica ao trabalho aproximadamente 65% da sua vida produtiva, incluindo-se jornada de trabalho e atividade propriamente dita, a locomoção e o atendimento das necessidades relacionadas ao trabalho. Portanto, não é a terceira parte da vida, mas a metade da sua existência que o homem dedica ao trabalho profissional. Hoje o trabalho constitui uma das práticas mais importantes da vida do ser humano, porque é dessa atividade que o homem tira os elementos para sua própria subsistência familiar. Entretanto, o homem não deve trabalhar apenas pelo salário que recebe, mas também pela satisfação pessoal que deve sentir na sua realização e pelos resultados que colhe através do seu próprio esforço.
p.338 • R Enferm UERJ 2004; 12:338-45.

O trabalho desempenha uma função importante na vida do homem e preenche alguns objetivos, tais quais: respeitar a vida e a saúde do trabalhador, priorizando o problema da segurança e da salubridade dos locais de atividade laboral; deixar-lhe tempo livre para o descanso e lazer, destacando-se a questão da duração dessa jornada e de sua coordenação para a melhoria das condições de vida fora do local da atividade ocupacional; e deve permitir ao trabalhador sua própria realização pessoal, ao mesmo tempo em que presta serviços à comunidade, considerando o problema do tipo de atividade e da organização do trabalho. Quanto à Saúde do Trabalhador, ela é compreendida como um conjunto de práticas teóricas interdisciplinares - técnicas, sociais, humanas - e interinstitucionais, realizadas por diferentes atores situados em espaços sociais distintos e informados por uma mesma perspectiva comum1.

alivia a tensão emocional funcionando como uma válvula de escape ou uma derivação para as emoções acumuladas. acreditando-se ser reflexo de fadiga mental. além de apresentar aspectos compartilhados por um conjunto de indivíduos. companhia dos outros. Considerando a satisfação social. No que se refere à satisfação psíquica individual.5. histórica e dinâmica. e fator de otimismo. É dinâmica. recreação e outras. seja pelo estímulo do supervisor ou apelo nas ultimas horas de trabalho. aquecimento – ou seja. resultantes do esforço produzido. Assim. porque. e ainda. caracterizada por múltiplas facetas que se articulam de diversificadas maneiras. condiciona o progresso e o bemestar humano porque cada trabalhador é considerado parte do processo de melhoria de sua comunidade3. A pesquisa bibliográfica realizada abrange produção científica de 1976 a 2004. ainda. tais como: modificações fisiológicas – alteração do processo metabólico. intensificação do rendimento do trabalho pelo aumento da capacidade dos músculos e nervos condicionados à atividade exercida. realização. O SIGNIFICADO DO TRABALHO mana tem significado tríplice: material. reflete as condições históricas da sociedade. entretanto. recuperando conceitos e achados de grande relevância para a especialidade Saúde do Trabalhador. reativação – é o súbito aumento do ritmo de trabalho. automáticas e inconscientes no decorrer da atividade. saúde física e mental. O significado do trabalho.Mauro MYC. experiências novas. a qual reflete a história pessoal de cada um. abordar os riscos inerentes a esse trabalho. de fração de segundos.6 é elaborado como uma cognição subjetiva. o que é importante para a convivência social. ela se fundamenta no provimento das seguintes necessidades: afeto. decorrente do esforço muscular e intelectual que surge com a fadiga. mas que precisa discutir os caminhos que levem a uma maturidade saudável e duradoura2. que o trabalhador nem percebe. • p. é necessário que o trabalho proporcione o atendimento das necessidades biológicas primordiais: alimentação. são objetivos deste estudo: discutir os riscos ocupacionais na área da saúde. É subjetiva. existem outras funções como: propicia o aplauso social. resultante do excesso de atividades. Quanto à satisfação material. O significado do trabalho4. para o homem. É social. psicológico e social3. e a fadiga que é a sensação de exaustão física e mental. a partir dos elementos do contexto do trabalhador e analisar as condições gerais do seu ambiente de trabalho e suas condições individuais de saúde. uma vez que o individuo que não trabalha é mal visto pela sociedade. pode-se observar alterações no organismo e na personalidade do trabalhador que se manifestam durante a jornada3. Guimarães RM. Para tal maturidade. manifestada R Enferm UERJ 2004. sentir-se uma peça da engrenagem empresarial. estimula a imaginação e ativa a criatividade porque afeta poderosamente a atividade mental e estimula a inteligência. abordar um tema que ainda não atingiu a adolescência. cabe discutir os aspectos relacionados ao trabalho que garantam o bem-estar do sujeito e.339 . aumento do ritmo respiratório e cardíaco e alterações no teor físicoquímico do sangue e dos tecidos musculares. sua caracterização varia conforme seu próprio caráter histórico-social. em permanente processo de construção. segurança. os bloqueios que se caracterizam por interrupções muito curtas. O provimento das necessidades biológicas básicas humanas é a função primordial do trabalho. noção de pertencer. o trabalho confere posição entre os membros do grupo. na qual está inserido. apresentando uma variação individual. torna-se imprescindível destacar as alterações no homem determinadas pelo trabalho. como atividade hu- AS ALTERAÇÕES PELO TRABALHO No desempenho do trabalho. Após a revisão desses significados. no sentido de que é construto inacabado. de forma que sua prevenção possa trazer segurança ao indivíduo. queda da velocidade e qualidade do rendimento – observáveis com o prolongamento forçado do trabalho. em primeiro lugar. que lhe traz satisfação ou não. procurando obter melhores formas de expressão da produtividade. alterações no controle e coordenação motora – observáveis na continuidade do esforço físico. habitação. 12:338-45. Decorrente disso. Mauro CCC Discorrer sobre a Saúde do Trabalhador é. Muzi CD. vestuário. representa uma situação especial. É preciso estar atento para o início dessas alterações no trabalhador: os movimentos se tornam mais lentos e imprecisos e o trabalho se apresenta com menos rendimento e queda na produtividade.

são imputados aos trabalhadores os ônus por acidentes e doenças. na prática. especialmente em acidentes com material perfurocortantes12. os fatores que o condicionam. Dando prosseguimento. saúde e higiene mental insatifatórias e fadiga. . há estudos que indicam a hegemonia dessa categoria nos incidentes. A fórmula ideal para a vida humana consiste em manter em equilíbrio os componentes biológicos e psíquicos da personalidade e os fatores sociais e do ambiente. especificamente. a técnica para exploração dessas alterações. o hospedeiro e o ambiente. Assim. o qual deve ser protegido pela adoção de medidas adequadas9. condição que demanda estratégias para minimizar esses agravos no ambiente de trabalho. Desse modo. Enfatiza-se a utilização de equipamentos de proteção individual. o que significa que há um pequeno potencial de mortalidade e um grande potencial de morbidez. avaliada através da clínica médica e de indicadores ambientais e biológicos de exposição e efeito. Qualquer que seja a origem do desequilíbrio. concebidos como decorrentes da ignorância e da negligência. descontextualizados das razões que se situam em sua origem. ainda. o individuo conserva o seu estado de saúde e mantém uma sensação de bem-estar. Recentes estudos13 evidenciaram que a relação entre incidência de acidentes de trabalho e mortalidade não é tão baixa. 12:338-45. Quando o equilíbrio persiste. relacionando ambiente de trabalhocorpo do trabalhador 1. significando um aprimoramento da multicausalidade simples. destacam-se os acidentes de trabalho que são mencionados a seguir. Neste contexto. Embora saiba-se que acidentes com material biológico não acontecem somente com enfermeiros ou técnicos de enfermagem. mas também os fatores que o predispuseram.340 • R Enferm UERJ 2004. Mesmo assim. repetem-se. na qual um conjunto de fatores de risco é considerado na produção da doença. e derivam da interação constante entre o agente. ACIDENTES Com uma perspectiva de superação da visão do acidente de trabalho de uma forma inespecífica e a-histórica. se os agentes/riscos são assumidos como peculiaridades naturalizadas de objetos e meios de trabalho. as limitações da Medicina do Trabalho.Riscos ocupacionais em saúde pela redução da força física e capacidade de reagir ou executar tarefa3. o estudo do ambiente de trabalho deve compreender os seguintes aspectos: os diferentes tipos (características). Incorpora a teoria da multicausalidade. recebendo interferências de variáveis inerentes à pró- p. em seu sentido mais amplo. tendo em vista suas repercussões para o indivíduo e para o Estado. deve-se ter uma visão renovada desse tipo de evento. existe a possibilidade de dano para a saúde do traba- lhador. postura inadequada. conforma apenas um quadro de prevenção simbólica. a seguir. o que sinaliza uma diferenciação no acesso aos serviços de saúde e. os acidentes de trabalho (AT) ocupam destaque. inicia-se. Os fundamentos teóricos do modelo da História Natural da Doença 7 são aplicáveis a indivíduos ou grupos. uma vez que se apresentam como a concretização dos agravos à sua saúde em decorrência da atividade produtiva. o que. normatizam-se formas de trabalhar consideradas seguras. na área da Saúde do Trabalhador. o estudo da relação ambiente ocupacional/trabalhador. em determinadas circunstâncias. as alterações desses fatores e suas causas. As medidas que deveriam assegurar a saúde do trabalhador. meio físico inadequado. falta de salas de descanso e assentos. as medidas que devem ser adotadas para evitar a agressão do ambiente sobre o indivíduo10. Não é possível indicar todos os fatores de risco. instalações sanitárias insuficientes. contudo relacionam-se os mais comuns11: muitas horas de trabalho. ou seja. o ambiente de trabalho pode converter-se em elemento agressor do indivíduo. Verificou-se. caracterizando uma dupla penalização8. Entre os agravos à saúde do trabalhador. monotonia. em detrimento dos que poderiam significar a proteção coletiva. acabam por restringir-se a intervenções pontuais sobre os riscos mais evidentes. com base na Higiene Industrial. olhar com cuidado não só o acidente em si. Assumida essa perspectiva. O AMBIENTE DE TRABALHO T RABALHADOR E O A Saúde Ocupacional avança numa proposta interdisciplinar. que há diferenças brutais entre as mesmas taxas nacionais e por regiões.

insegurança. e em uma mesma empresa pode haver várias escalas. oportunidade de carreira. podese dizer que as estratégias individuais relacionadas aos hábitos de sono são essenciais para permitir a adaptação ao trabalho em turnos17. 20 realizados acerca do trabalho noturno. desequilíbrio nutricional. nível de glicose no sangue. depressão. Uma das análises mais divulgadas na literatura sobre erros/acidentes relacionados ao trabalho em turnos foi publicada originalmente em 1979 15 . horas de trabalho. A hipótese destacada pelo referido estudo é a de que provavelmente o pior desempenho observado em atividades em plantões ou regimes de trabalho noturnos estaria associado à queda ou diminuição na expressão comportamental de alguns ritmos biológicos. cuja organização dos turnos diurnos e noturnos fixos era de 12 ho- ras diárias. 12:338-45. • p. Mauro CCC pria pessoa. temperatura corporal.341 . baixo rendimento. algumas vezes de maneira abrupta e outras de forma insidiosa. maior índice de erros detectados. A partir de estudos anteriores19. no qual a incidência de hérnias de disco é três vezes maior que no trabalho em pé. Nas décadas de 60 e 70. verificou-se uma série de alterações no ritmo biológico do trabalhador (ciclo circadiano. econômico. Muzi CD. assim como as soluções implementadas de modo preventivo são mais positivas. garantia disciplinares. Guimarães RM. TRABALHO NOTURNO As escalas de trabalho em turnos geralmente adotadas são bastante variadas.Diante das evidências de problemas gerados pela inversão do ciclo vigília-sono e conseqüente privação do sono de trabalhadores. CONDIÇÕES DE SAÚDE As medidas ergonômicas relacionadas à postura no ambiente de trabalho. Deve-se ainda considerar o trabalho sentado. rendimento. seguidas de 36 horas de descanso. concomitante ao aumento da sonolência e conseqüente queda de rendimento de algumas funções cognitivas. desadaptação à atividade. os quais interferem no processo saúde/ doença. duração do sono. Decorrem da ruptura na relação entre o trabalhador e os processos de trabalho. bem como do contexto social. dificuldade de concentração e redução da capacidade crítica. o trabalho noturno pode ser outro fator de ruptura no equilíbrio saúde/doença.Mauro MYC. Essa prática é comumente realizada inadequadamente pelos profissionais de enfermagem. des- R Enferm UERJ 2004. escalas de turnos em que predominava o rodízio semanal dos horários de trabalho eram bastante freqüentes. Isso é um indicativo de que a sonolência no trabalho noturno se faz presente e pode prejudicar seriamente tanto trabalhadores quanto os pacientes que estão sob seus cuidados. com especial ênfase ao da temperatura corporal. baixa capacidade de conciliar o sono normal. Foram encontradas diferenças significativas na percepção dos estados de alerta em três momentos diferentes do turno da noite.21. adaptação ao trabalho. Esse ritmo apresenta valores mais baixos durante a noite. Considerando o exposto. considerando-se as novas tendências do mercado de trabalho: remuneração. o profissional de enfermagem se sente insatisfeito por não ter prestado uma assistência de melhor qualidade ao paciente16. e os esforços no sentido de ampliar os conhecimentos básicos de ergonomia dos profissionais da área de saúde. político e da própria existência. Cabe destacar aqui os principais fatores relacionados às condições ocupacionais20. ansiedade. grau de fadiga. do ponto de vista físico ou psíquico. comparou as durações dos episódios de sono. limite reduzido de responsabilidade. A qualidade dos episódios de sono diurno após as noites de trabalho foi avaliada como pior do que a qualidade dos episódios de sono noturno. Os níveis percebidos de alerta à noite tornam-se piores à medida que aumenta o número de horas de trabalho. detectando diferenças significativas entre sono diurno e noturno. conforme é descrito na seção seguinte. especialmente quando associadas à seleção adequada do trabalhador e à utilização de técnicas corretas no processo de trabalho21. grau de retenção da informação). As conseqüências diretas foram: fadiga. bem como no modo de viver ou morrer dos trabalhadores14. aumento ou aparecimento de patologia de natureza somática. Um estudo18 realizado entre auxiliares de enfermagem e enfermeiros que trabalhavam em hospital público de São Paulo. A falta de repouso leva a riscos. daí a freqüência de problemas de saúde no trabalho. decorrentes da privação de sono que vão desde a irritação. estress.

aquelas cuja natureza. ações na área da saúde do trabalhador têm como objetivo primordial mudanças nos processos de trabalho que contemplem. NR-15 Atividades e Operações Insalubres. de acidentes. NR-31 Segurança e Saúde no Trabalho em Espaços Confinados. ergonômicos e psicossociais . mas sim tornar o trabalhador e o ambiente absolutamente saudáveis. Os técnicos especialistas em Higiene e Segurança do Trabalho são unânimes em colocar que o importante não é gratificar o trabalhador com o adicional de insalubridade ou de periculosidade. os fatores de risco para a saúde e segurança dos trabalhadores. físicos e mecânicos do ambiente hospitalar podem provocar efeitos adversos à saúde dos profissionais. Os condicionantes sociais.que decorrem da organização e gestão do trabalho.PPRA.342 • R Enferm UERJ 2004. efetivo de pessoal no serviço. comuns nos processos de trabalho. visa eliminar ou controlar tais riscos ocupacionais. de acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil. NR-24 Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho.Riscos ocupacionais em saúde canso e férias. econômicos. Considera-se fator de risco para provocar um dano. implementação e avaliação de medidas a serem adotadas 22. existem inúmeros convênios e recomendações da Organização Internacional do Trabalho(OIT) ratificadas pelas Portarias do Ministério do Trabalho denominadas Normas Regulamentadoras (NR). . NR-7 Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO. tecnológicos e organizacionais responsáveis pelas condições de vida e de trabalho e os fatores de risco ocupacionais são também determinantes da saúde do trabalhador. organização do trabalho. sob a forma líquida. NR-5 Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – CIPA. NR-4 Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho – SESMT. NR-6 Equipamentos de Proteção Individual – EPI. quando eles não são submetidos a controle. por meio de uma atuação multiprofissional. químicos. O Ministério do Trabalho. além da Consolidação das Leis de Trabalho (CLT). No Brasil. levam ao aparecimento de acidentes e doenças profissionais e do trabalho. São 32 NRs direcionadas para trabalhador urbano. químicos.24: físicos. presentes ou relacionados ao trabalho. O quadro a seguir mostra a classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos. as relações saúde-trabalho. de acordo com a sua natureza: Essas condições isalubres e perigosas na maioria das vezes se tornam rotina. Portanto.agentes e substâncias químicas. Algumas delas estão envolvidas no controle das condições de risco para a saúde e melhoria dos ambientes de trabalho. bem como os mecanismos de controle sobre os agentes biológicos. sinalização. Os estudos sobre os riscos ocupacionais apontam que. sem que o dito fator tenha de intervir necessariamente em sua causalidade23. caracterização da exposição e quantificação das condições de risco. Os riscos ocupacionais têm origem nas atividades insalubres e perigosas. NR-26 Sinalização de Segurança. oportunidade de formação inicial e educação continua. o qual se habitua com a p. gasosa ou de partículas e poeiras minerais e vegetais. laboratórios e na agricultura e pecuária. participação do pessoal na determinação de suas condições ocupacionais e de vida e participação em tudo que contribui para sua satisfação no trabalho. podem ser classificados em cinco grandes grupos22. em toda sua dimensão.agressões ou condições adversas de natureza ambiental que podem comprometer a saúde do trabalhador. proteção à saúde. discussão e definição das alternativas de eliminação ou controle das condições de risco. NR-32 (em processo de implementação) Segurança e Saúde no Trabalho em Estabelecimentos de Assistência à Saúde 22. toda característica ou circunstancia que acompanha um aumento de probabilidade de ocorrência do fator indesejado.microorganismos geralmente associados ao trabalho em hospitais. NR-16 Atividades e Operações Perigosas. nem pelo próprio trabalhador de saúde. Classicamente. disciplinando essa área. segurança social. visando: identificação das condições de risco para a saúde presentes no trabalho. NR-9 Programa de Prevenção de Riscos Ambientais . rotulagem de produtos e outros que podem levar a acidentes do trabalho. das quais foram selecionadas algumas de relevância para o trabalhador de saúde: NR-1 Disposições Gerais. arranjo físico. 12:338-45. NR-17 Ergonomia. condições ou métodos de trabalho. interdisciplinar e intersetorial. ordem e limpeza do ambiente de trabalho.ligados à proteção das máquinas. através das NR. biológicos. freqüentemente não percebidas pelos gerentes.

assim como as Comissões de Saúde. Um programa de educação continuada. sem procurar esclarecer as causas verdadeiras. R Enferm UERJ 2004. facilitará a discussão dos problemas com a direção das instituições. nas Unidades de Saúde. situação ou mantém um autocontrole dos sintomas. pode favorecer o entendimento desses problemas e de sua gravidade para combatê-los. Com o conhecimento desses fatores de riscos e a identificação da população exposta (os próprios profissionais de enfermagem. ainda em fase de homologação. Vale ressaltar que os hospitais com mais de 500 empregados são obrigados a incorporar um Enfermeiro do Trabalho no seu quadro. com treinamento específico para profissionais de saúde. A combinação desses fatores leva a enfermagem. 12:338-45. de modo que esse profissional além de participar das atividades especificas. principalmente em relação a novos riscos. assim como de medidas de higiene mental para a garantia de um ambiente saudável e obtenção do equilíbrio emocional do grupo.24-27. e com base na literatura estudada9. Mauro CCC Fonte: Ministério do Trabalho (MTE) Norma Regulamentadora – NR 9 – Riscos ambientais25 FIGURA 1: Classificação dos Principais Riscos Ocupacionais.Mauro MYC. principalmente. Muzi CD. seus colegas de trabalho e os clientes). também deverão discutir essa problemática e buscar a assessoria necessária com os técnicos competentes. a uma condição que os peritos da OIT caracterizam como de penúria crônica. É imperativa a implementação de medidas ergonômicas e de biossegurança para a proteção dos enfermeiros e demais profissionais de saúde.17. • p. deverá estar atento aos fatores de riscos para combatê-los 28. também. afastamento do trabalho por motivo de saúde. Resultados de pesquisas sobre condições de trabalho e aspectos ergonômicos mostram que há necessidade de difundir-se entre os enfermeiros o conhecimento desses estudos e de outros sobre a higiene. que se destina à proteção dos trabalhadores de estabelecimentos de saúde 29. Os centros de estudos dos hospitais e outros serviços de saúde. Atualmente.343 . cabe aos gerentes encetar uma luta para orientar o trabalhador sobre tais riscos ocupacionais e as medidas necessárias ao seu controle. A criação de Comissões Internas para Prevenção de Acidentes27 (CIPAS). maior vulnerabilidade aos acidentes de trabalho. visando a proteção de sua própria saúde e de seus clientes26.14. conta-se com a Norma Regulamentadora do Ministério do Trabalho nº 32/2002. evidenciam-se as conseqüências dessas condições: queda da produção. causa mais freqüente do elevado absenteísmo. Das observações feitas. biossegurança e segurança do trabalho. Guimarães RM.

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