UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE ESCOLA DE ENFERMAGEM ANNA NERY COORDENAÇÃO GERAL DE ENSINO DE PÓS

-GRADUAÇÃO E PESQUISA MESTRADO EM ENFERMAGEM

ALTERAÇÕES PSICOFISIOLÓGICAS DOS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM NO SERVIÇO NOTURNO

MARCIA MOREIRA DE OLIVEIRA

Rio de Janeiro – RJ
2005

UFRJ

ALTERAÇÕES PSICOFISIOLÓGICAS DOS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM NO SERVIÇO NOTURNO

MARCIA MOREIRA DE OLIVEIRA

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pósgraduação em Enfermagem, Escola de Enfermagem Anna Nery, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Enfermagem

Orientadora: Profª Drª. Marcia Tereza Luz Lisboa

Rio de Janeiro – RJ 2005

2

Oliveira, Marcia Moreira de.

Alterações psicofisiológicas dos trabalhadores de enfermagem no serviço noturno / Marcia Moreira de Oliveira. - Rio de Janeiro: UFRJ/ EEAN, 2005. 127f. il.; 31 cm. Orientador: Marcia Tereza Luz Lisboa Dissertação (Mestrado) – UFRJ/Escola de Enfermagem Anna Nery/ Programa de pós-graduação em Enfermagem, 2005. Referências Bibliográficas: f. 106-113.
1. Enfermagem. 2. Saúde Ocupacional. 3. Sono. I. Lisboa, Marcia Tereza Luz. II. Universidade Federal do Rio Janeiro, EEAN,

Programa de Pós-graduação em Enfermagem. III. Título.

CDD 610.73

José Antônio Cupello (Suplente) _________________________________________ Profª. como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Enfermagem. Drª.3 ALTERAÇÕES PSICOFISIOLÓGICAS DOS TRABALHADORES DE ENFERMAGEM NO SERVIÇO NOTURNO Marcia Moreira de Oliveira Orientadora: Profª Drª. Maria Yvone Chaves Mauro (1º Examinadora) __________________________________________ Profª. Dr. Marilurde Donato (Suplente) . Marcia Tereza Luz Lisboa (Presidente) __________________________________________ Profª. da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Drª. Regina Célia Gollner Zeitoune (2º Examinadora) _________________________________________ Prof. Drª. Marcia Tereza Luz Lisboa Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Enfermagem. Banca Examinadora: _________________________________________ Profª. Drª. Escola de Enfermagem Anna Nery.

(Eclesiastes 3:12-13) . e que comer. beber e gozar do fruto de seu trabalho é um dom de Deus.4 Nada é melhor para o homem do que alegrar-se e procurar o bem-estar durante sua vida.

Aos professores. Marilurde Donato. Maria Cristina Studart. doutorandos e funcionários da Escola de Enfermagem Anna Nery. pelo apoio e amizade. Elpidio. que se mostraram interessados e dispostos a colaborar com relatos de suas vivências referente ao estudo. À Direção do Hospital. Norma Valéria Dantas de Oliveira Souza e Regina Célia Gollner Zeitoune que aceitaram o convite contribuindo de modo tão significativo para o estudo. À Cristiana Casseres. Débora e Vilza. Agradeço ao Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Rio de Janeiro (SATEMRJ) pela colaboração. principalmente com sua presença e incentivo. Drª. Divisão de Enfermagem. Monica e Mariana. Foi muito proveitoso! Obrigada. À Raphaela Ximenes que realizou a tradução do resumo. Sônia Xavier e Sylvia Letícia Xavier pela disponibilidade e atenção que demonstraram neste processo. Marina. Especialmente a todos os sujeitos desta pesquisa.minha tia e madrinha Lúcia. . À Profª. Leila Márcia Pinto Coelho. Aos meus familiares. em especial aos funcionários da pós-graduação Jorge Anselmo. parentes e amigos e a todos aqueles que contribuíram para esta Dissertação de Mestrado. dedicação e incentivo e conhecimentos que contribuíram muito para o caminhar deste trabalho e especialmente pela sua amizade no decorrer destes anos.5 AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por permitir a conclusão de mais um desafio. mestrandos. Chefia de Enfermagem do Centro de Terapia Intensiva (CTI) que entenderam a importância da realização da pesquisa e autorizaramu a execução da mesma. Marcia Tereza Luz Lisboa pela orientação. atenção. Agradeço pela atenção. Aos professores doutores que fizeram parte das diversas bancas examinadoras durante este processo. José Antônio Cupello. Maria Yvone Chaves Mauro. À Celeste que ajudou na formatação deste trabalho.

Rio de Janeiro. Utilizou-se as seguintes fontes de evidências: entrevista semi-estruturada. Alterações Psicofisiológicas dos Trabalhadores de Enfermagem no Serviço Noturno. que foram aplicados em março/2005. descrever as repercussões que as alterações psicofisiológicas trazem para a saúde do trabalhador de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI. Descritores: Enfermagem. Neste estudo objetivou-se identificar as alterações psicofisiológicas nos trabalhadores de enfermagem do serviço noturno que atuam em um CTI. Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Escola de Enfermagem Anna Nery. As evidências analisadas confirmam que existem alterações psicofisiológicas durante o trabalho noturno nestes trabalhadores e que as repercussões para a saúde são mais visíveis socialmente do que aquelas relacionadas ao biológico. com base nos estudos de Dejours (1992). Trata-se de um estudo descritivo do tipo estudo de caso sobre as alterações psicofisiológicas dos trabalhadores de enfermagem no serviço noturno que atuam em um Centro de Terapia Intensiva (CTI). Saúde Ocupacional e Sono. mas nem sempre conseguem lidar com estas situações de forma adequada. Encontra-se cadastrado no Núcleo de Pesquisa Enfermagem e Saúde do Trabalhador (NUPENST) EEAN/UFRJ na linha de pesquisa Enfermagem e Saúde do Trabalhador de Enfermagem. Foram criadas as seguintes categorias para análise dos dados coletados: alterações psicofisiológicas identificadas. Marcia Moreira de. (2004). 2005. Participaram 14 trabalhadores de enfermagem de um Hospital Público. repercussões para a saúde e estratégias utilizadas pelos trabalhadores de enfermagem. Fischer et al. . 2005. Yin (2001).6 RESUMO OLIVEIRA. Concluiu-se que os trabalhadores conhecem os efeitos negativos que podem ser causados pelo turno de trabalho noturno. observação direta e formulário. discutir as estratégias defensivas utilizadas pelo trabalhador de enfermagem do serviço noturno para lidar com as alterações psicofisiológicas geradas pelo serviço noturno. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Atendeuse os aspectos éticos da Resolução 196/96 do CNS/MS.

The analyzed evidences confirmed that the psychophysiological alterations exist during the nocturnal work in these workers and that the repercussions for the health are more visible socially of that those related to the biological one. Rio de Janeiro. Psychophysiological alterations of the Nursing Workers in the Nocturnal Service. It was took care of the ethical aspects of the Resolution 196/96 of the CNS/MS. Was used the following sources of evidences: half-structuralized interview. It is registered in the Nucleus of Research Nursing and Health of Worker (NUPENST) EEAN/UFRJ in the research line Nursing and Health of the Worker of Nursing. to argue the defensive strategies used by the worker of nursing of the nocturnal service to deal with the psychophysiological alterations generated by the nocturnal service. In this study it was objectified to identify the psychophysiological alterations in the workers of nursing of the nocturnal service who act in a CTI. 2005.7 ABSTRACT OLIVEIRA. 14 workers of nursing of a Public Hospital had participated. on the basis of the studies of Dejours (1992). but nor always they could deal with these situations in an adequate way. . It was concluded that the workers know the negative effect that can be caused by the turn of nocturnal work. repercussions for the health and strategies used for the nursing workers. Fischer et al. (2004). Marcia Moreira de. 2005. The following categories for analysis of collected data had been created: psychophysiological alterations identified. direct observation and form that had been applied in march/2005. It is a descriptive study of the type case study about the psychophysiological alterations of the nursing workers in the nocturnal service who act in a Center of Intensive Therapy (CTI). Occupational Health and Sleep. Yin (2001). Dissertação (Mestrado em Enfermagem) – Escola de Enfermagem Anna Nery. Keywords: Nursing. to describe the repercussions that the psychophysiological alterations brings for the health of the nursing worker of the nocturnal service that acts in a CTI. Universidade Federal do Rio de Janeiro.

filhos.8 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Perfil dos Trabalhadores de Enfermagem. grau de escolaridade. 53 . faixa etária. outro vínculo empregatício e opção pelo turno de trabalho. segundo a função no setor. sexo. estado civil.

(Instrumento de Coleta de Dados) .Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (para os trabalhadores de enfermagem) .Protocolo do Estudo de Caso .9 LISTA DE APÊNDICES Apêndice A Apêndice B .Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (para o presidente do Sindicato SATEMRJ) 115 123 Apêndice C 124 .

Folha de rosto utilizada para a Autorização da Instituição (Hospital) .Aprovação da Pesquisa pelo CEP 126 127 .10 LISTA DE ANEXOS Anexo A Anexo B .

2 Problemática 1.4 Objetivos CAPITULO II REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Tipo de Estudo 3.3 Legislação do Trabalho Noturno 2.3 Alterações Psicofisiológicas ao Longo do Trabalho Noturno 2.2 Trabalho em Turnos e Noturno 2.4 A Organização do Trabalho e as Estratégias Defensivas CAPITULO III .1 Trabalho 2.4 Protocolo do Estudo de Caso 3.1 Objeto 1.1.7 Aspectos Éticos 22 22 23 24 29 31 34 45 49 49 50 53 55 56 56 60 13 13 13 19 20 .3 Questões Norteadoras 1.METODOLOGIA 3.2 Cenário do Estudo 3.3 Sujeitos da Pesquisa 3.6 Princípios do Estudo de Caso 3.1.2 Cronobiologia Humana 2.1.1 Trabalho de Enfermagem 2.11 SUMÁRIO RESUMO ABSTRACT LISTA DE TABELAS LISTA DE APÊNDICES LISTA DE ANEXOS CAPITULO I CONSIDERAÇÕES INICIAIS 1.5 Estudo de Caso Piloto 3.

4 Pausa programada para o descanso 4.2 Necessidade de cumprir com as obrigações logo após chegar em casa 4.4 Interferência no relacionamento familiar 4.1 Déficit ou Perturbação do sono 4.1.3.3 Diminuição da concentração 4.3.5 Interferência no aprendizado 4.2.5 Alteração do plantão CAPITULO V CONSIDERAÇÕES FINAIS SUGESTÕES REFERÊNCIAS APÊNDICES ANEXOS 101 104 106 114 125 63 63 64 66 69 70 73 77 78 80 80 82 84 87 89 91 92 93 94 95 98 99 .1.3 Estratégias Defensivas Utilizadas pelos Trabalhadores de Enfermagem 4.3 Interferência no lazer 4.3.2.2 Repercussões para a Saúde dos Trabalhadores de Enfermagem 4.1.6 Envelhecimento precoce 4.3.4 Insatisfação 4.5 Estresse 4.1 Ignorar a situação 4.1 Alterações Psicofisiológicas Identificadas nos Trabalhadores de Enfermagem 4.1.3.7 Obesidade 4.12 CAPITULO IV ANÁLISE FINAL DAS EVIDÊNCIAS 4.1 Inadequação alimentar 4.2.2.3 Controle do tempo durante a execução das tarefas 4.2.2 Comer demasiadamente 4.2 Fadiga 4.1.6 Maior risco para a ocorrência de acidentes 4.1.1.2.

neste capítulo. descrever a minha trajetória acadêmica e profissional que fundamentou a escolha desta temática. iniciando a residência em enfermagem na qual a escala de trabalho incluiu regime de plantões noturnos. sendo este também característico do serviço de saúde. Pretendo. Iniciei minha graduação em 1996. e as estratégias utilizadas pelo profissional de enfermagem do serviço noturno que atua em um Centro de Terapia Intensiva (CTI). (2000). são processos que estão interligados. concluí o curso de Graduação em Enfermagem. Entre os vários trabalhos que desenvolvi como bolsista de Iniciação Científica. . e logo tive a oportunidade de ingressar como bolsista de Estágio Interno e Iniciação Científica no campo da saúde do trabalhador. mental e social do profissional de enfermagem. onde os trabalhadores exerciam suas atividades em turnos fixos. A pesquisa decorrente da bolsa de Iniciação Científica tornou-se minha monografia do curso de Graduação intitulada: “A Situação de Saúde dos Trabalhadores de Transporte de Cargas de uma Empresa em Volta Redonda” (2000). Em 2000.13 CAPÍTULO I CONSIDERAÇÕES INICIAIS Esta pesquisa tem como objeto de estudo as alterações psicofisiológicas que. na Faculdade de Enfermagem da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. dependendo da função exercida. ou seja. cito “O Estresse nos acadêmicos de Enfermagem” (não publicado) como aquele que marcou o período do início da minha preocupação com o bem-estar físico. Essa pesquisa foi a minha primeira aproximação com uma abordagem relacionada ao trabalho noturno. F. de acordo com Costa. são alterações na conexão entre os fenômenos orgânicos e mentais.

Acordei ao ser chamada por outra enfermeira que percebeu o que estava acontecendo. (2002) mencionam que entre os mais antigos profissionais que trabalham em turnos encontram-se os dos serviços de saúde.14 No ano seguinte. o trabalho noturno interfere no bem estar físico. sendo transferida depois para o CTI onde continuo atuando até hoje. alimentação inadequada e irregularidade dos horários para a mesma. mental e social do trabalhador a medida que perturba a homeostase fisiológica (ritmos circadianos. sonolência. Cabe lembrar que ocorre uma influencia do setor onde o trabalho é desenvolvido. Entre as várias situações vivenciadas. Santos e Mattos (2001). suas jornadas de trabalho são infinitas. O relato acima mostra como o turno de trabalho influencia na saúde do trabalhador e no desempenho das atividades. pois não lembrava mais o que havia feito. sono e alimentação). A partir de várias observações percebi empiricamente algumas alterações psicofisiológicas (cansaço. . ingressei como funcionária de um Hospital Público trabalhando em plantões noturnos no setor de emergência. afirmam que para a grande maioria desses profissionais. gostaria de mencionar que certo dia. Segundo Fischer et al. os enfermeiros e os auxiliares de enfermagem. estava muito cansada (tinha vindo de um emprego noturno) e ao iniciar o exame físico em um paciente acabei dormindo em pé segurando o estetoscópio (aparelho para ausculta pulmonar e cardíaca) como se estivesse examinando o paciente. tive que reiniciar todo exame. insônia. (2004). Fischer et al. chegando a acumular empregos. queixa de constipação intestinal. alteração no peso e cefaléia) nos profissionais de enfermagem decorrentes e/ou intensificadas pelo trabalho noturno. irritabilidade. dentre eles. por conta dos baixíssimos salários com execução de 36 a 48 horas consecutivas de trabalho nos turnos diurnos e noturnos.

Assim sendo. Bibbings. como sendo o “local destinado à prestação de assistência especializada para atender pacientes graves. 1988 apud SPINDOLA. o estresse é uma resposta (tanto fisiológica como psicológica) do organismo às pressões externas. sendo necessário controle rigoroso de seus parâmetros vitais e assistência de enfermagem contínua e intensiva”. A mesma autora menciona que. segundo Souza (1985). Com o surgimento do CTI foram desenvolvidos a tecnologia e os cuidados especializados pelos profissionais de saúde com o intuito de prestar melhor assistência ao paciente. por ser um setor com ritmo de trabalho elevado. 1999). é esquecido o papel fundamental que o profissional desempenha nesta unidade e que também sofre influência do meio que é caracterizado por um ritmo intenso de trabalho e refletirá na carga física e mental sofrida por esse profissional de enfermagem. 1990 apud FURLANI. conforme Atkinson. sendo uma delas a organização do trabalho relacionada ao turno de trabalho (PARAGUAY. 1999).. O CTI pode ser definido. SHOEMAKER. possui várias fontes de estresse. com o intuito de melhorar a prestação da assistência remonta ao século XIX com Florence Nightingale que colocou os doentes mais graves próximos à central de enfermagem para permitir uma melhor observação (BENDIXEN & KINNEY. 1985. por suas características. 1979. 1987. Conforme mencionam Colquhoun e Rutenfranz (1980 apud FISCHER et al. 1977 apud SPINDOLA. 2004): . A criação do Centro de Terapia Intensiva (CTI) ocorreu por volta dos anos 60. A origem da centralização dos pacientes num único local. Both (1987. O CTI. na maioria das vezes. 1999).15 Esta pesquisa foi realizada em um Centro de Terapia Intensiva (CTI) que tem peculiaridades que diferem de outros setores do hospital. quando houve necessidade de atender pacientes graves com cuidados especializados. onde a carga física e mental é muito grande. TAKITO & TAKITO.

os hábitos alimentares.] Não estou comendo. Um outro fato que pude presenciar foi quando.. os males (déficit de material e recursos humanos) próprios dos setores públicos. constituído de vários profissionais e não somente os de saúde. ouvi queixas de estresse. Na grande maioria do Estado do Rio de Janeiro. que é o período noturno (FISCHER et al. Certa vez um profissional de enfermagem disse: "[. o mesmo retornou ao trabalho a seguir. Evidente que a Organização Temporal do trabalho em turnos e noturno traz prejuízos para a saúde do trabalhador podendo levar à maior morbidade entre os que trabalham no serviço noturno. tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. logo o metabolismo. certa vez. que se expressam de maneira rítmica. dores nas pernas e coluna. e são significativamente perturbadas quando a pessoa dorme o sono principal fora do período normal de repouso. sua saúde física e psicológica. durante um plantão noturno. Os exemplos mencionados mostram que as mudanças nos horários de repouso trazem alterações à maioria das funções fisiológicas e cognitivas. seu bem-estar. por que será que estou engordando? Será que é tireóide?” Sabe-se que o trabalho noturno altera os hormônios. porém muito sonolento. Aproximei-me lentamente para não assustá-lo e o acordei. desânimo. as instituições são públicas e prestam assistência à grande massa da classe trabalhadora tendo.16 O Estresse objetivo resultante das modificações e dessincronização dos ritmos biológicos causados pelo trabalho em turno. O ambiente hospitalar é macro e diversificado. encontrei um profissional de enfermagem dormindo em pé. cansaço. as dificuldades e a lentidão de ressincronização destes ritmos às modificações do ciclo vigília-sono induzem a um estado de desgaste no trabalhador em turnos que pode afetar sua eficiência no trabalho.. Por tal .. com elevados custos econômicos e sociais. no momento atual. 2004). podendo também influenciar no peso corporal. Em vários momentos. através de conversas informais com os profissionais de enfermagem. sua família e vida social. apoiando apenas as mãos na parede. enquanto ia ao posto de enfermagem.

muitas vezes. pois os pacientes estão graves e necessitam de cuidados intensivos. em um centro de terapia intensiva.. Neste aspecto. não dormir é agressivo ao profissional porque não é possível reparar esta perda. valoriza os finais de semana (sábado e domingo também) mais do que qualquer outro dia da semana e o profissional de enfermagem encontra-se trabalhando nesses dias. Tal afirmativa é reforçada pelo presidente do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem (SATEMRJ) quando menciona que o desgaste físico e mental é muito maior à noite. o presidente do SATEMRJ diz que o profissional de enfermagem precisa estar emocionalmente bem. porém os baixos salários. Muitas das alterações. as inadequadas condições de trabalho e o déficit de recursos humanos e tecnológicos tornam tal situação conflitante. que é o de deslocar os períodos de sono e vigília (FISCHER et al. o desgaste físico e mental é significante para o profissional de enfermagem. podendo levar o profissional ao adoecimento (SANTOS e MATTOS. como um todo. O trabalho noturno. existem vários riscos ocupacionais. causa também importantes interferências nas relações sociais do trabalhador. sono e repouso. que podem ser ocasionadas pelo trabalho noturno. 2001). faz com que o profissional de enfermagem não atenda suas necessidades básicas (alimentação. O trabalho noturno é indispensável para a sociedade. não passam desapercebidas dos trabalhadores. isto principalmente porque a sociedade. eliminações. observei empiricamente que o ritmo acelerado do trabalho. . 2004). Como mencionei anteriormente. por outro lado viola uma das regras básicas para o bom funcionamento fisiológico humano.17 motivo. além de alterar o ritmo biológico.) tendo repercussões negativas para a sua saúde. No cotidiano da prática assistencial.

muitas vezes já ultrapassou a sua capacidade e começa a apresentar algum sinal e sintoma que o alerta de que é preciso se cuidar. tanto na avaliação de questões ergonômicas do trabalho (GUEDES. porém isto não quer dizer que tal adequação aconteça. as alterações psicofisiológicas são comentadas nas falas dos profissionais de enfermagem. entre elas. Essa inter-relação das dimensões biológica.. As alterações psicofisiológicas estarão presentes no trabalhador considerando que o nosso organismo tem uma necessidade de se adequar às situações do ambiente e tudo que esteja relacionado a ele. Quando o profissional demonstra o limite de sua resistência na execução das tarefas devido à carga psíquica e física estarem elevadas. França (1999) refere que o ser humano reage como um conjunto complexo. psicológica e social é inerente a cada ser humano e cada uma dessas características humanas contém aspectos muito especiais e diferenciam-se em termos de funcionamento e modos de reação. embora pouco compreendidas. mas são totalmente interdependentes. interligado em profundas e complexas relações que. Teiger (1988 apud PITTA. É necessário investigar de maneira científica o que já foi identificado empiricamente. quais são e como se dão as alterações psicofisiológicas do trabalhador de enfermagem em um CTI no serviço noturno. as jornadas de trabalho prolongadas e os ritmos acelerados de trabalho. 2002). são permanentes e fundamentais em nossa vida. 2003) que compara taxas de mortalidade entre trabalhadores exercendo profissões . estes também são mencionados por Meirelles (2002). Muitas pesquisas sobre o trabalho noturno foram realizadas. Este estudo justifica-se pela problemática apresentada. A mesma refere que algumas características da organização do trabalho são responsáveis pelo desencadeamento do estresse. M. 2000) quanto nos fatores de estresse (OLIVEIRA.18 Nas pesquisas relacionadas à saúde do trabalhador.

A afirmativa anterior pode ser reforçada quando Costa. (2004). na última década. Desta forma. nas oscilações do seu arcabouço fisiológico. entre trabalhadores noturnos.. 2004.19 semelhantes no setor gráfico mostrou que. Tanto a temática do trabalho no CTI quanto a questão do trabalho noturno já foram abordadas em outros estudos (FISCHER et al. a mortalidade era mais precoce do que a dos trabalhadores diurnos. psíquico e social exige 24 horas de atividades para fazer face às demandas operacionais. um exemplo é a indústria de aviação que em termos globais. o estudo permitiu uma ampliação da reflexão e discussão sobre as alterações psicofisiológicas na saúde do trabalhador de enfermagem proveniente do turno noturno. o tópico de trabalho em turnos tem recebido uma significativa parcela de atenção por parte de pesquisadores de todo mundo. Entretanto. Segundo Loterio et al. E. PITTA. foram elaboradas as seguintes questões norteadoras: !" Quais são as principais alterações psicofisiológicas no profissional de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI? !" De que maneira as alterações psicofisiológicas repercutem na saúde do profissional de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI? !" Como o profissional de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI lida com as alterações psicofisiológicas? . 2003). (2000) menciona que apenas 5% a 10% dos trabalhadores em turnos (incluindo o serviço noturno) não têm nenhuma queixa de saúde durante sua vida de trabalho. existe a necessidade de investigar no cenário escolhido como a problemática se dá. Neste sentido.

!" Discutir as estratégias defensivas utilizadas pelo trabalhador de enfermagem do serviço noturno para lidar com as alterações psicofisiológicas. Este estudo contribuirá: • Para o ensino: ampliando a discussão dos professores e alunos de graduação e pósgraduação assim como coordenadores dos diversos cursos de enfermagem sobre a importância de discutir estratégias que amenizem os agravos à saúde. além de permitir o estudo de outras realidades e possibilitando criar novas estratégias. • Para a pesquisa: ampliando a discussão e reflexões sobre esta temática no campo da saúde do trabalhador. !" Descrever as repercussões que as alterações psicofisiológicas trazem para a saúde do trabalhador de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI. • Para a instituição: permitindo a reflexão relacionada à temática e contribuindo para a construção de estratégias que amenizem os danos ocasionados pelo serviço noturno. . através de discussões interdisciplinares. Cabe ressaltar que esta dissertação está registrada na linha de pesquisa Enfermagem e a Saúde do Trabalhador de Enfermagem do Núcleo de Pesquisa Enfermagem e Saúde do Trabalhador (NUPENST) do Departamento de Enfermagem de Saúde Pública da Escola de Enfermagem Anna Nery (EEAN) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).20 Visando alcançar os seguintes objetivos: !" Identificar as alterações psicofisiológicas nos trabalhadores de enfermagem do serviço noturno que atuam em um CTI. que podem ser provocados pelas alterações psicofisiológicas decorrentes do trabalho noturno. aprofundando o conhecimento que amenizem os riscos existentes levantando propostas de mudanças no ambiente de trabalho.

pois quanto melhor o trabalhador de enfermagem souber lidar com essas alterações. visando o fortalecimento da classe na luta pelos seus direitos. . melhor poderá organizar o seu trabalho. além de contribuir para uma consciência política da equipe de enfermagem quanto aos seus direitos.21 • Para o profissional de enfermagem: permitindo a conscientização desta problemática e a utilização de mecanismo e/ou estratégias de forma mais consciente. • Para a assistência: trazendo um reflexo direto na assistência. • Para os sindicatos: contribuir com informações relacionadas ao processo do trabalho noturno para mudanças na legislação e no processo de conscientização dos profissionais de enfermagem. evitar acidentes e oferecer uma assistência de qualidade e com maior segurança para a população assistida.

2004). Com o passar dos anos. Segundo a mesma autora. foram tão rápidos e freqüentes os avanços tecnológicos. o homem não deve trabalhar apenas pelo salário que recebe.. que impulsionaram os profissionais a atualizarem-se com todas as mudanças nos diferentes aspectos de sua prática. De acordo com as mesmas autoras. nas relações sociais e. acarretaram. nas últimas décadas. em termos de qualificação profissional (VALADARES e VIANA. e isso incluiu os profissionais da saúde que acabaram dando prioridade às informações com melhor proximidade às necessidades de um tipo específico de cliente. o progresso e o uso intensivo de tecnologia.22 CAPÍTULO II REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Trabalho A palavra trabalho e o qualitativo profissional são utilizados em psicologia para designar toda atividade realizada tecnicamente com a finalidade de conseguir um rendimento econômico (MAURO et al. mas também pela satisfação pessoal que deve sentir na sua realização e pelos resultados que colhe através do seu próprio esforço. Entretanto. baseados na microeletrônica e nos métodos de informação e de automação. constitui uma das práticas mais importantes da vida do ser humano porque é dessa atividade que o homem tira os elementos para sua própria subsistência familiar. . especialmente. mudanças drásticas no processo de produção e na organização do trabalho. 2005).

1989). considerando a natureza de ambos. É uma das profissões da área da saúde cuja essência e especificidade é o cuidado ao ser humano. individualmente. isto é. os grupos.23 2.1. A enfermagem nasceu como um serviço organizado. em atendimento às necessidades deste ou daquele de seus membros. A partir de então. atuando em equipes. Nesta interação entre o trabalhador e o trabalho. estabelece-se uma relação estreita.1 Trabalho de Enfermagem Segundo Nunes (2000) o trabalho em saúde caracteriza-se por ser a atividade profissional que tem como agente o homem e este como sujeito de sua ação. O trabalhador de enfermagem responsabiliza-se. todas as modalidades de assistência referem-se ao ambiente e seu impacto no ser humano. através do cuidado. pelo conforto. o indivíduo. A enfermagem é descrita como um processo que pode integrar a relação entre estes componentes. a família e à definição de saúde em que se pauta.. há cinqüenta anos aproximadamente. ao receptor do cuidado. recuperação e reabilitação da saúde. As mesmas autoras mencionam que. 2000). na família ou na comunidade. através da instituição do diaconato. prevenção de doenças. Desde então vem sofrendo uma série de transformações (SILVA G. reconstruindo muitas teorias e modelos de intervenção em que pesem as diferenças decorrentes do contexto e clientelas para os quais foram propostas. . a enfermagem vem revisando seu conhecimento e prática. acolhimento e bem estar dos pacientes. seja coordenando outros setores para a prestação da assistência e promovendo a autonomia dos pacientes através da educação em saúde (ROCHA e ALMEIDA. desenvolvendo atividades de promoção. seja prestando o cuidado. passou a coexistir com a prática exercida no interior dos lares. nos primórdios do cristianismo.

houve diminuição do trabalho noturno por conta das migrações populacionais das cidades para os campos e da predominância das atividades dos artesãos que se dedicavam ao trabalho durante o dia.24 2. 2000). uma vez que os serviços destas instituições exigem um funcionamento ininterrupto durante as 24 horas do dia. Trabalho em turnos é uma forma de organização da jornada diária de trabalho em que são realizadas atividades em diferentes horários ou em horário constante. Os imperadores Claudius e Marcus Aurelius. Para Fischer et al.1. Assim sendo. Durante a Idade Média. As escalas de trabalho em hospitais são geralmente organizadas em turnos fixos contínuos. que abranja o intervalo compreendido entre a meia noite e cinco horas da manhã. o turno de 12 horas de trabalho diário (diurno ou noturno). sete dias por semana. (2004). porém incomum. No Brasil. O serviço noturno é um exemplo (PINTO et al. os trabalhadores que deviam conduzir mercadorias passaram a trabalhar à noite. tanto na Itália como em todas as outras cidades do Império. O trabalho noturno é relatado desde o Império Romano até a época atual. para o corpo de enfermagem. o trabalho noturno designa aquele que é realizado durante um período de pelo menos sete horas consecutivas.. camponeses e circulação de veículos. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT) a Convenção 171 de 1990. proibiram algumas atividades durante o dia.2 Trabalho em Turnos e Noturno Ferreira e Rosa (2004) referem que o trabalho de enfermagem está entre os mais antigos grupos profissionais que trabalham em sistemas de turnos. já é uma tradição adotar-se. . seguido de 36 horas de descanso. Nas estreitas ruas das cidades romanas havia grandes congestionamentos durante o dia de mercadores. a história da organização do tempo de trabalho pode ser traçada desde o início da vida.

parteiras e médicos) e os de serviços de guarda (vigias. policiais. a duração dos dias de trabalho teve cada vez menos relação com as horas do dia. no final do século XVIII e início do século XIX. três ordens de justificativas: . Rutenfranz (1989 apud PITTA. No início era comum empregar homens. e esta resultou numa maior conscientização do valor do tempo. Os limites entre o dia e a noite não eram mais respeitados para a vigília e o descanso dos trabalhadores. o comércio adquiriu importância e o trabalho em turnos e noturno expandiu com o aumento do transporte de passageiros e de matérias primas. Ao mesmo tempo. Quando a lâmpada elétrica foi inventada por Thomas Edson. o qual tornou-se valioso. bombeiros etc. a querosene na metade do século XIX. Com as grandes descobertas e necessidade de produção nas fábricas o trabalho passa a ser realizado durante o dia e durante a noite. levou milhares de pessoas a migrarem dos campos para as cidades. na atualidade. posteriormente. 2003) chama a atenção para o fato de que os grupos profissionais que trabalham em regime de turnos há mais tempo são justamente os dos serviços de auxílio (enfermeiras. Uma das limitações do trabalho noturno era a precária iluminação. O grande avanço industrial e do comércio.). O autor ainda destaca como razões para a organização do trabalho em turnos. aumentou a escala de trabalho para os horários noturnos. 1998). Assim. 1984 apud REGIS. o uso eficiente e produtivo do tempo transformou-se em prioridade e o trabalho em turnos e noturno passou a ser uma parte importante no uso do tempo (WAGNER.25 O trabalho noturno volta a crescer quando inicia a atividade mineira. mulheres. Durante o período da Renascença. Logo após ocorre a Revolução Industrial na Europa. porém em 1800 surgiu a iluminação a gás. crianças para trabalharem longas horas. estava acontecendo a evolução cultural.

cardiovasculares e problemas no convívio social. exigências de alguns segmentos do setor de serviços. Quase a metade dessa população (cerca de 28 milhões) trabalha mais que 44 horas semanais. esses profissionais estão mais propensos a manifestar fadiga crônica. Segundo Fischer et al. não se faria sem o prejuízo da qualidade dos produtos.. se respeitadas as jornadas habituais de trabalho. . 2005). conforme dados obtidos pelo recenseamento realizado no ano 2000. incluindo-se aqui os serviços de saúde. (2004). Atualmente. e em dias tradicionalmente dedicados ao descanso semanal. Martinez e Oliveira (1997) comentam que há uma tendência para o aumento do percentual de mão de obra envolvida em trabalho em turnos. graças à capacidade industrial de gerar serviço. bem como o aumento das corporações internacionais que têm escritórios e serviços em vários países do mundo. existem no Brasil cerca de 64 milhões de trabalhadores empregados há 10 anos ou mais em vários tipos de trabalho. distúrbios digestivos. Pallone (2004) destaca que apesar da comodidade de ter serviços e produção nas 24 horas por dia isto pode implicar em problemas de saúde naqueles que trabalham no período da noite. ainda o faz em horário noturno (FISCHER et al. havendo assim necessidade de operações contínuas. • atendimento à população: pela procura de determinado produto pela população. os serviços de internet. foram um importante passo para a expansão do trabalho não diurno.26 • necessidades de natureza tecnológica: onde em certos ramos da produção a interrupção do processo produtivo. além de trabalhar mais que o número de horas semanais previstas em lei. • imposições econômicas: onde o custo do maquinário exige seu uso ininterrupto para tornar a produção economicamente viável. Para Coelho (2003). ou seja.

12 horas de trabalho em um centro de terapia intensiva (CTI). academia de ginástica). Fischer et al. Geralmente. (2004) referem que o trabalho realizado fora dos horários usuais (8hs ou 9hs até 17hs ou 18hs) faz parte do grupo de fatores psicossociais que interagem nos processos saúde-doença. períodos de descanso. No caso do serviço de saúde. entre outros. o paciente encontra-se em estado grave e dependente da vigilância contínua da equipe de enfermagem. compensações pecuniárias. aspectos relacionados com a segurança e saúde. vários serviços são oferecidos nas 24 horas. mas também vários outros fatores. Segundo a Fundacentro (1990) a 77º Conferência Internacional do Trabalho discutiu numerosas proposições sobre o trabalho noturno. particularmente nos grandes centros urbanos. estabelecendo recomendações quanto à duração do trabalho. dá continuidade. existe uma demanda de carga psíquica e física que pode gerar um processo de exaustão nestes trabalhadores. restaurantes. . Por exemplo. serviços sociais. e assim por diante. a organização do trabalho ocorre por regime de plantões que podem ser variados. dificultando a delimitação do início de uma e o término da outra.27 Cada vez mais. nos quais a equipe que vai assumindo o trabalho. o profissional de enfermagem traz consigo uma carga psíquica que é acentuada ou amenizada pela questão fisiológica e vice-versa. cinemas. (2004) mencionam que para tolerar trabalho de 12 horas deve-se levar em conta não somente as alterações do ritmo circadiano. a fim de atender as necessidades das pessoas (supermercados. onde o ritmo de trabalho é intenso. Entre as recomendações surge uma novidade: a necessidade de ser dada uma atenção especial aos efeitos cumulativos originados por fatores que provocam agravos à saúde. Fischer et al. inclusive às formas de organização do trabalho noturno.

dos filhos. Destaca-se que os sincronizadores individuais estão invertidos em relação aos sincronizadores sociais. trazendo desordens na esfera biológica. O trabalho noturno acaba interferindo. especialmente em um país onde os baixos salários pressionam para tal. social e psicológica desses trabalhadores. porém esta atividade ainda se encontra muito atrelada à figura da mulher. ou seja. filhos e tarefas domésticas. Thierry e Jansen (1982) afirmam que quanto mais os trabalhadores se queixavam de problemas sociais e familiares. Esta prática potencializa a ação daqueles fatores que por si só danificam suas integridades física e psíquica (PITTA. pelo serviço noturno ocorre pela perspectiva de novos empregos. permitindo vários empregos e jornadas de trabalho. quando o trabalhador vai para casa nem sempre descansa. a fim de ampliar a renda familiar. do marido. o que é comum nos profissionais de enfermagem. Cada vez mais estão aumentando os estudos de cronobiologia relacionados à organização do trabalho e o trabalho noturno. também. Art. relacionada ao trabalho noturno. na maioria das vezes. mais eles manifestavam queixas subjetivas sobre a saúde. a participação de alguns homens nas atividades do lar é evidente. levá-lo a lidar melhor com o trabalho em turnos.28 Existe uma rede de sociabilidade cujas características tanto podem sobrecarregar o trabalhador como ao contrário. provocando alterações nos ritmos circadianos. Atualmente. 1990). ou seja. ressaltando a inter-relação existente entre a saúde e a vida sociofamiliar.4. principalmente se esse profissional for do sexo feminino porque geralmente recai sobre a mulher a responsabilidade do cuidado com o marido. cuidar da casa. eles poderão ter direito a que seja realizada uma avaliação do seu . no aspecto social. Segundo a Convenção 171 (OIT. se os trabalhadores solicitarem. 2003). Deve-se levar em conta os familiares desses trabalhadores que também são atingidos. Importante enfatizar que a preferência.

(2004). sendo descrito como má adaptação à organização do horário de trabalho. Essa mesma Convenção. A permissão para dormir à noite durante o turno de trabalho é uma medida que visa reduzir a fadiga e o débito de sono que tendem a se acumular ao longo de várias noites de trabalho. Na rede pública. 6. Opiniões contrárias. a nova regulamentação acerca das doenças profissionais e doenças relacionadas com o trabalho.048.1. mencionam que episódios de sono prolongado durante o trabalho poderiam atrapalhar o repouso após a jornada.29 estado de saúde gratuitamente e a serem assessorados sobre a maneira de atenuarem ou evitarem problemas relacionados com seu trabalho. 2. em função similar para a qual estejam aptos. . alimentação e repouso. ressaltando que alguns autores. menciona que os trabalhadores noturnos que. regulamentando o Decreto 3. que mencionou algumas questões importantes quanto ao adicional noturno. foi publicada. quando for viável. o trabalho noturno possui algumas questões diferenciadas quando é comparado com o da rede privada. como a de Donald Tepas (Pesquisador de Trabalho em Turnos). é controvertida. pois pode facilitar o sono involuntário. Esta questão. no Art. Essa informação também é reforçada pelo SATEMRJ. no Diário Oficial da União. O trabalho em turno e noturno passou a ser considerado como agente etiológico ou fator de risco de natureza ocupacional. por razões de saúde. como Katutaka Kogi (pesquisador do Instituto de Ciência do Trabalho no Japão).3 Legislação do Trabalho Noturno Em 12 de maio de 1999. de 6 de maio de 1999. para Fischer et al. sejam declarados não aptos para o trabalho noturno serão colocados. acreditam que os cochilos reduzem a fadiga.

87). remuneração do trabalho noturno superior à do diurno (BRASIL. bem como de órgão. conseguiram o adicional noturno. a fim de recuperar a energia. 1988). inciso IX onde estabelece que é direito dos trabalhadores. igual a 52 minutos e 30 segundos e tem remuneração 20% superior à hora diurna. No Brasil. no seu artigo 7º. Os profissionais de enfermagem estatutários que trabalham à noite não recebem complementação salarial noturna porque o artigo relacionado ao adicional consta apenas na Constituição Estadual. percentagem que incide sobre quaisquer valores. Seção IV. dos Prefeitos e da Mesa da Câmara de Vereadores. com o objetivo de declarar este direito para os auxiliares e técnicos de enfermagem associados ao Sindicato.30 Em 1994. os profissionais de enfermagem do município do Rio de Janeiro. repousar. O acréscimo (chamado adicional noturno) é de 20% sobre o salário. Em 2002. já que se trata do coletivo. Neste aspecto. relaxar o corpo. 13º salário. com o objetivo de fiscalizar o descanso (local e duração) dos profissionais de enfermagem no serviço noturno. da Mesa da Assembléia Legislativa. etc. Pela legislação brasileira (Consolidação das Leis do Trabalho. do Tribunal de Contas do Estado. FGTS. exceto quando em revezamento semanal ou quinzenal. o trabalho noturno tem hora de trabalho reduzida. que consta na Constituição Federal. através de uma luta política. entidade ou autoridade das administrações direta ou indireta. Do trabalho noturno). estaduais ou municipais (Seção III do Tribunal de Justiça – art. o Poder Legislativo e Executivo ainda não regulamentaram. além de outros. o SATEMRJ entrou com uma ação chamada "Mandato de Injução”1 que geralmente é conhecido como Mandato de Segurança no Superior Tribunal de Justiça (STJ) no caso das Empresas que não pagam o adicional noturno. O SATEMRJ define descanso como um local de repouso para deitar. . o SAMTERJ pretendia fazer convenções coletivas de trabalho com o sindicato dos Hospitais em fevereiro de 2005. tais como férias. o trabalho noturno 1 Quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Governador.

05:00 horas do dia seguinte (BRASIL. Ocorrem algumas alterações orgânicas na temperatura. velocidade. A cronobiologia é um ramo relativamente recente do conhecimento biológico que se ocupa da dimensão temporal da matéria viva. As habilidades motoras influenciadas incluem coordenação e tempo de reação. O primeiro experimento cronobiológico do qual se tem registro data do século XVIII. Quando essas oscilações repetem-se de modo regular denomina-se de ritmos biológicos.2 Cronobiologia Humana O homem ajusta-se a ciclos ambientais como o dia e a noite e as estações do ano. fechadas à noite) persistiria em uma condição de isolamento do ciclo dia/noite. basicamente cronobiologia é a ciência que estuda os padrões dos ritmos biológicos do corpo humano. . Quando pensamos nos profissionais que trabalham à noite.836 de 09 de setembro de 2003. Com esse experimento pode-se afirmar que dentro do organismo acontecia algum fenômeno responsável por essa ritmicidade. entende-se por período noturno aquele que ultrapassar as vinte e uma horas (BRASIL. sendo os ritmos biológicos seus aspectos mais conhecidos (MARQUES e MENNA-BARRETO. 2. Os ritmos cronobiológicos influem tanto nos fatores fisiológicos quanto nas habilidades motoras.31 ocorre a partir de 22:00 horas de um dia até. De acordo com o Decreto nº 4. nos hormônios. pelo menos. quando um astrônomo francês resolveu colocar um vaso de plantas dentro de um baú para ver se o movimento das folhas (abertas de dia. 1997). 2003). 1943). H. energia e resistência. na psique. devemos lembrar que seus organismos passarão por uma fase de adaptação. (2005). pois a espécie humana é diurna. no comportamento e no desempenho. Para Ferreira. Os fatores fisiológicos afetados incluem: força.

motivação. O nosso organismo segue uma Organização Temporal Interna. por exemplo. ciclos com duração de milionésimos de segundos até algumas horas. sempre inferior a 24 horas). por exemplo.32 Em adição a estes fatores físicos. não se pode exigir o mesmo nível de produtividade desse trabalhador nas 24 horas. o ciclo de sono humano/vigília. • Infradiano (com freqüência menor que no ritmo circadiano. um ciclo baixo em seu ritmo cronobiológico pode ter o efeito indesejado de transformar seu cérebro em mingau com baixos níveis de concentração. dia. a nossa temperatura tende a elevar-se. H. As formas de organização do trabalho que não levam em conta a variabilidade do indivíduo terão repercussões prejudiciais à saúde do mesmo. aproximadamente. Portanto. Os primeiros mantêm relação com os ciclos ambientais. O ritmo biológico pode ser dividido em duas categorias: os ritmos de economia externa e os ritmos de economia interna. foco. a palavra circadiana foi introduzida por Halberg em 1959 que vem do latim circa. (2004). Os ritmos biológicos podem ser divididos em 3 tipos: • Segundo Fischer et al. • Ultradiano (freqüência maior que no ritmo circadiano. força mental e resistência à dor (FERREIRA. ciclos com duração superior a 24 horas). . o ciclo menstrual. Quando ocorre algum quadro patológico os eventos fisiológicos não acontecem como deveriam. no final de uma noite de sono. por exemplo. um indivíduo sadio preserva essa Organização Temporal Interna. diem. O enfoque desta pesquisa é sobre o ritmo circadiano já que as múltiplas funções fisiológicas e psicológicas e comportamentais seguem este ritmo biológico. São os chamados ritmos circadianos. O ritmo de economia interna não se relaciona com os ciclos ambientais. o ritmo biológico mais conhecido é aquele que tende a coincidir com período do ciclo dia/noite de 24 horas.. À medida que acordamos. 2005).

levarão 12 dias para serem ajustadas. dos filhos e das atividades domésticas. a característica do indivíduo (matutinos. mas também social desse indivíduo porque geralmente ele vai dormir quando todos deveriam estar acordados. uma mudança que ocorra no trabalho de 12 horas. . pois o organismo não se comporta à noite como se comporta de dia. respostas aos estímulos externos) que são extremamente importantes. (2004) referem que um indivíduo sadio. ou então não dorme porque tem outras atividades para desempenhar. isto ocorre principalmente quando esse trabalhador é do sexo feminino. O trabalho noturno provoca uma situação de desajuste não só do ponto de vista psíquico e fisiológico. por exemplo. aptidão física. (2004) destacam algumas diferenças individuais que podem influenciar na tolerância do trabalho noturno. sexo. Fischer et al. algumas características de personalidade (introversão/extroversão). Os ritmos mais lentos terão ajustes correspondentes à 1 hora por dia. os principais fatores são: idade. reatividade psicofisiológica. característica do sistema circadiano (matutinidade/vespertidade. tendo que cuidar do marido. é aquele que mantém preservada sua Organização Temporal Interna e Externa. do ponto de vista de sua ritmicidade biológica. vespertinos) e a demanda do serviço. a temperatura corporal. O que vai influenciar esta questão é a carga horária trabalhada. Alguns ritmos biológicos para se adequarem aos horários são mais lentos como. O serviço noturno é um bom exemplo de Organização Temporal Externa e que pode ou não causar perturbação da Organização Temporal Interna.33 Também existe a Organização Temporal Externa que se referem às relações que o organismo estabelece com os ciclos que acontecem no ambiente. ou seja. hábitos de sono. Fischer et al.

evidenciados por sintomas e sinais orgânicos e psíquicos inespecíficos. a exposição a um ou mais fatores que produzam doenças ou sofrimento no trabalho hospitalar decorre da própria natureza deste trabalho e de sua organização. A organização do trabalho e os fatores individuais influem na tolerância do trabalho noturno. o vice-governador em exercício no cargo de governador do Estado de São Paulo decretou e promulgou a Lei de Estruturação das Atividades e da Organização do Trabalho dos Riscos no Processo de Produção. toda vez que a atividade laboral exigir trabalho em turnos e noturno não importando que seja feito em turno alternado ou fixo. Considerando a afirmativa e levando em consideração que o trabalhador de enfermagem tem como seu cotidiano o lidar com a dor. tendo em vista as possíveis repercussões negativas sobre a saúde. 1990). quer diretamente. presentes no processo de produção. todos estes . 1998). Para Ferreira (1987 apud REGIS. 2004). Segundo Pitta (2003). quer pela potencialização dos riscos de natureza física.3 Alterações Psicofisiológicas ao Longo do Trabalho Noturno A organização temporal do trabalho em turnos e noturno causa importantes impactos no bem-estar físico. devendo ser objeto de normas técnicas. estudos. sem contar que traz consigo as preocupações do seu dia-a-dia (família. mental e social dos trabalhadores (FISCHER et al. Em 1998.. trabalho).34 2. o trabalhador estará sempre sujeito a uma dessincronização e submetido a um maior risco de apresentar uma série de distúrbios de ordem fisiológica e psicossocial. através dos fatores que a caracterizam. a organização do trabalho deverá adequar-se às condições psicofisiológicas e ergonômicas dos trabalhadores. o sofrimento e a morte. A Norma Regulamentadora 17 (NR-17) trata de tal assunto e visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. Segundo a Lei. de modo a proporcionar um máximo de conforto. química ou biológica. segurança e desempenho eficiente (HSO.

alteração da vida social e familiar. um levantamento efetuado no Hospital das Clínicas de São Paulo revelou que dormir mal deixa as pessoas mais suscetíveis a doenças. envelhecimento. cardiovasculares e do sono) para o trabalhador de enfermagem. poucos aceitam a forma de organização do trabalho como fator morbigênico em si. O Sono Segundo Suarez (1999). De acordo com Regis (1998). segundo pesquisa da Escola Paulista de Medicina. alterações . problemas gástricos decorrentes das modificações horárias na ingestão de alimentos. tendências depressivas. Estes fatores podem interagir para produzir os efeitos prejudiciais sobre o bem-estar geral psicológico e físico do trabalhador noturno devido à privação do sono. O serviço noturno acaba exercendo influência no ritmo de trabalho do organismo (ritmo biológico) interferindo diretamente no ciclo sono/vigília. tristeza. Mesmo leis trabalhistas de vários países que reconhecem as relações de causa efeito de vários agentes químicos. O conhecimento de que o trabalho adoece é milenar. alterações psíquicas (mau humor. desânimo.35 fatores podem influenciar na saúde desse trabalhador e na qualidade e eficácia do serviço prestado. infecções. físicos e biológicos na produção de doenças. estresse) e fisiológicas (distúrbios gástricos. os transtornos de sono é uma das principais alterações que são produzidas no trabalho noturno e se manifestam em um déficit de sono e perturbação durante o mesmo. ocasionando perturbações na vida familiar. No Brasil. campeão mundial de insônia. o estresse ligado ao trabalho noturno resulta dos três fatores gerais: dessincronização do ritmo circadiano.

O sono está associado com uma variedade de alterações fisiológicas. muitas vezes são maiores do que na vigília (FURTADO. a média diária de sono para um adulto é de 7. A glândula pineal. Pode-se dizer que o sono serve a uma função restauradora e homeostática (MANTOVANI e RIBEIRO. começando a liberar seu hormônio que. secreção hormonal e pressão sanguínea (MANTOVANI e RIBEIRO. atualmente sabe-se que as descargas neurais que ocorrem neste período. pois a luz artificial é muito fraca para produzir o mesmo efeito. após uma jornada diária (COSTA. função cardíaca. como ansiedade e depressão. tônus muscular. Fisiologia do Sono O núcleo supra quiasmático (NSQ) e a glândula pineal regulam o ritmo biológico. é comandada pelo hipotálamo. O sono é um estado de adormecimento da consciência.5 a 8 horas.. As considerações anteriores são importantes porque a principal queixa dos trabalhadores noturnos está relacionada ao sono.36 do humor. age como uma espécie de indicador para . distúrbios de memória. localizada na área dorsal do cérebro. incluindo respiração. mau funcionamento do aparelho digestivo e até impotência (TAKADA. o NSQ recebe informações visuais diretas e a glândula pineal é desbloqueada. 2002). 2005). temperatura. além de induzir o sono. A privação de sono pode causar distúrbios que vão da fadiga intensa e irritabilidade até alucinações. 2004). tem sua função regulada pela luminosidade do dia que impede a glândula de produzir a melatonina. Quando chega à noite. mesmo os que não têm insônia podem ter os efeitos negativos mencionados porque têm que mudar as estratégias de sono de acordo com os períodos de trabalho. Acreditava-se que o sono tinha como principal função promover o repouso de todos os sistemas. da sensibilidade e da atividade. F. 2005). 2000). Para Furtado (2004).

2 horas: cresce o número de glóbulos brancos. outra glândula. que se prolongam até às 8hs. Segundo Pinto et al.37 todos os outros ritmos biológicos. 5 horas: começam a aumentar as secreções hormonais que chegam a seu ponto máximo às oito horas. algumas horas após o início da produção de melatonina. que exercícios pela manhã cansam menos do que à noite. O estado de alerta diminui. as principais alterações que ocorrem no organismo durante as 24 horas são as seguintes: Meia-Noite: aumenta a produção do hormônio responsável pelo crescimento. 3 horas: cai a temperatura corporal. 1998). A temperatura corporal sofre variações durante o dia inteiro. 1993). a hipófise. (2000). começa a segregar o chamado hormônio do crescimento (GH). o trabalhador não poderá experimentar uma qualidade de sono adequada (REGIS. 6 horas: podem surgir dores articulares. Açúcares e gorduras são armazenados neste horário. Esse hormônio é responsável pela renovação das células. . um processo que repete noite após noite. onde ocorre aumento durante o tempo de maior atividade (na parte da tarde) e depois um declínio considerável na madrugada. cujo pico no organismo se dá por volta das 3 horas da madrugada. A prolactina é secretada em grande quantidade tanto no sono noturno quanto no sono diurno. 1 hora: as contrações uterinas alcançam seu ritmo máximo de intensidade. Paralelamente. 4 horas: horário em que podem ocorrer casos de asma e abortos espontâneos. ritmicamente. Se um nível ótimo de melatonina não é produzido no período próprio. Por isso. O cortisol é produzido pelas glândulas supra-renais pouco antes da pessoa despertar e prepara o organismo para a atividade. quando o cortisol não é produzido. aumentando a resistência ao estresse físico (GUYTON.

11 horas: podem surgir cansaço e diminuição do estado de alerta. 9 horas: bom para o trabalho intelectual (até às 11hs) e para cirurgias. 13 horas: baixa a atenção (até às 15hs). ganham eficácia os antihistamínicos. 10 horas: as secreções ácidas do estômago chegam ao seu ponto máximo. 18 horas: a pele está mais receptiva à ação de medicamentos em forma de creme ou gel (até às 20hs). 15 horas: a força muscular está em sua plenitude. a produção de insulina alcança o seu ponto mais alto. aumentam. não havendo perigo de lesões nas articulações. 23 horas: baixa o estado de alerta (até a meia noite). 8 horas: até às 12hs. 12 horas: sobem a pressão arterial e a temperatura do corpo. remédios que neutralizam as alergias. 22 horas: diminui o calibre dos brônquios. devido ao aumento de substâncias cicatrizantes na circulação.38 7 horas: os hormônios associados ao estresse têm sua primeira alta. aumento do ritmo cardíaco. remédios para úlcera. 20 e 21 horas: são horas fatídicas. 19 horas: o organismo absorve melhor antiinflamatórios. o álcool se concentra mais rapidamente no sangue. 14 horas: cai a quantidade de glóbulos brancos. as dificuldades respiratórias. também é o período de maior excitação sexual e fertilidade femininas (até às 2hs da manhã). onde geralmente aparecem a angústia e a depressão. 16 horas: a temperatura corporal alcança o ponto máximo (até às 18hs). asma e artrite (até às 22hs). 17 horas: o rendimento intelectual está favorecido (até às 21hs). . ao mesmo tempo.

A serotonina está mais relacionada com a regulação de atividade motora e sensorial na vigília e não no sono. porém o aumento de NA também leva a diminuição do sono REM. apenas a acetilcolina (Ach) possui uma função claramente definida. relaxar e até induzir e melhorar o sono. noradrenalina. aumenta a produção de serotonina que é o neurotransmissor capaz de reduzir a sensação de dor. estimulando ou inibindo seu processo: • Serotonina: reguladora do sono lento (SL). • • Acetilcolina (Ach): tem papel modulador do sono REM. como serotonina. interferon alfa 2. são de fundamental importância para o estudo da regulação do sono. (2005). mas já é sabido que a noradrenalina. além de vários neurotransmissores. diminuir o apetite.39 Neurotransmissores e o Sono Segundo Regis (1998). H. . colecistocinina 8. teria então um papel de inibição de neurotransmissores excitatórios. Mesmo com tantas substâncias. peptídeos como interleucina 1. Os níveis cerebrais de serotonina são dependentes da ingestão de alimentos fontes de triptofano (aminoácido precursor da serotonina) e de carboidratos. histamina e adenosina. uma vez no cérebro. localizada nos núcleos de rafe. A atividade neste núcleo diminui conforme o sono se instala sendo reduzida a 50% no SL e 10% no sono onde ocorre o movimento rápido dos olhos (sono REM). vasopressina e hormônios (por exemplo: prolactina e hormônios do crescimento). Neurotransmissores que influenciarão no sono. Ácido gama-aminobutilico (GABA): liberado em maior quantidade no sono REM. • Noradrenalina (NA): estimula o sono REM. a serotonina exerce grande influência no estado de humor. acetilcolina. O triptofano. correlacionadas. ácido gamabutilico (GABA). participam da regulação do sono. aminoácidos excitatórios como glutamato e aspartato. Para Ferreira. a serotonina e a acetilcolina.

Essa fase é denominada de Sono de Ondas Lentas (SOL). porém com baixo tônus muscular. É o sono repousante considerado de recuperação física. fusos do sono. 3º fase: caracteriza-se pela freqüência com que ocorrem as ondas delta e manutenção do tônus muscular. com diminuição do tônus muscular. deve-se entender a distribuição das fases do sono no tempo. caracterizando a primeira fase do sono.40 • Adenosina: aumenta e atrasa o sono profundo (SP). mas também a estrutura temporal do ciclo sono-vígilia (CVS) e suas alterações. bem como a pressão arterial aumentada. onde o eletroencefalograma (EEG) é semelhante ao de uma pessoa acordada e relaxada. 5º fase: a última fase caracteriza-se pelo sono de movimentos rápidos dos olhos (Rapid Eye Movement – REM). É a fase do sono caracterizado. Estágios do Sono Martino (2002) afirma que é importante estudar não só a arquitetura do sono. Esta fase é conhecida como Sono Paradoxal . bem como o metabolismo basal. O ciclo do sono divide-se em 5 fases: 1º fase: com o início da sonolência há uma diminuição global da amplitude das ondas (ondas tetas). 4º fase: há o sono profundo. dominado pelas ondas lentas (ondas delta). redução da facilidade de acordar. diminuição de 10 a 30% da freqüência cardíaca e respiratória e redução da pressão arterial. freqüência cardíaca e respiratória. Por arquitetura. deve-se entender o momento em que ocorrem o sono e a vigília dentro de um espectro de freqüências que compõem esta alternância. 2º fase: aparecem episódios de atividade de alta freqüência. ondas grandes e lentas de ocorrência ocasional (ondas delta). por estrutura temporal do CVS.

o que suscita a idéia de que é essencial. ou seja. Para Moreno et al. . A privação do sono. Maia (1999) também menciona que o trabalho noturno compromete a regulação e o não atendimento à necessidade do sono pode desencadear alterações psíquicas.41 (SP). Vários estudos já mostraram que a qualidade do sono diurno não é a mesma da noite e por tal motivo podem acarretar sérios danos à saúde desse trabalhador. sem ter conhecimento do que a cerca. pode gerar fadiga. Mello (2005) refere que esta fase restabelece a parte cognitiva. incluindo os trabalhadores de enfermagem onde muitos dormem conforme seus compromissos sociais. Nesta 5ª fase. A falta de qualidade do sono e a pouca duração faz com que os trabalhadores fiquem sonolentos.. os indivíduos são difíceis de acordar. Geralmente as pessoas dão maior importância à vigília do que ao sono. O sono REM está relacionado com a recuperação psíquica. sendo importante para a consolidação da memória. estudos revelam que a privação total do sono gera uma queda dos níveis funcionais diários. De acordo com Lavie (1996). assim como a ocorrência de alterações de humor e o aumento da fadiga. No caso dos profissionais que trabalham à noite. diminuição do nível de alerta. pois é um paradoxo a pessoa está dormindo e mantém acentuada atividade mental cerebral. (2002). o sono ocorre alternadamente à vigília e em ambas as situações há uma intensa atividade cerebral. muitas vezes não desempenhando bem suas atividades diárias. quando excessiva e persistente. irritabilidade. diminuição da velocidade de pensamento e de reações. Os dados de Akerstedt indicam que pelo menos 20% dos trabalhadores em geral apresentam um episódio de sonolência forte o bastante para levá-los a dormir no trabalho (FISCHER et al. 2004). embora possam acordar espontaneamente com mais freqüência do que nas fases mais profundas de sono de ondas lentas.

úlcera péptica (doença psicossomática devida à hiperacidez do estômago) e colite (inflamação aguda ou crônica do cólon). (1999). gastroduodenite (inflamação do estômago e duodeno). As pesquisas têm demonstrado que o uso da cafeína conduz uma melhora da maioria das medidas do desempenho cognitivo. Conhecer a fisiologia do sono permite entender porque ocorrem alterações orgânicas quando referimos o trabalho de enfermagem em um serviço noturno. mostraram que trabalhadores com atitudes positivas frente ao turno noturno têm menos problemas subjetivos relacionados ao sono. vigilância e psicomotricidade. em longo prazo. 2004). Neste caso são os trabalhadores que conseguem adaptar-se bem ao turno de trabalho em relação aos demais. segundo Axelsson e col. doenças sérias como gastrite crônica (ferida inflamatória da mucosa gástrica). favorecendo. A cada momento do sono as respostas do organismo serão diferentes. os sistemas e funções fisiológicas sofrem alterações acompanhando os ciclos ultradianos. comparados a 10-25% dos trabalhadores diurnos) e que podem ainda desenvolver. azia. Ferreira (1987 apud MAIA. dores abdominais e constipação (2070%. Acredita-se que a cafeína tenha propriedades colinérgicas relacionadas ao aumento da cognição (FISCHER et al.. 1999) afirma que as alterações gastrintestinais descritas pelos trabalhadores noturnos são comuns.42 Um outro fator importante é que estudos. memória. No decorrer de uma noite de sono. Distúrbios Digestivos O trabalho noturno interfere com os horários e o conteúdo das refeições.. A autora ainda menciona que a nutrição é . Segundo as mesmas autoras. particularmente o tempo de reação. problemas e transtornos digestivos. são freqüentes as queixas dos trabalhadores noturnos de transtornos de apetite. dificuldades de digestão. assim. Estes se devem ao desequilíbrio entre os horários das refeições e a secreção e a motilidade gastrintestinal (FISCHER et al. 2004).

2004). transtorno do sono (FISCHER et al. Outro fator importante é o estresse no trabalho que pode causar uma ativação neurovegetativa com maior secreção de hormônios de estresse e os conseqüentes efeitos na pressão arterial. além desta alteração. pois a secreção de suco gástrico necessário para a digestão é mínima.43 comprometida à noite. O fato de uma alimentação ocorrer no meio da noite pode causar problemas. mas não ultrapassa o mínimo do sono lento. tabagismo. Distúrbios Cardiovasculares Constituem a principal causa de morte em quase todo mundo. A pressão arterial recupera seus níveis normais ao despertar independente do seu valor durante o sono. à qualidade do sono. • A freqüência cardíaca diminui no SL (mínima nos estágios 3 e 4). durante o sono profundo (SP) a PA sofre grandes variações (até 40mmHg). Os distúrbios podem estar relacionados à quantidade. Durante os estágios do sono as funções cardiovasculares sofrem alterações: • A pressão arterial (PA) diminui durante o sono chegando a seu mínimo no sono lento (SL) (estágio 3 e 4). trabalhar e comer estará alterado causando vários desconfortos gástrico. . nos processos trombóticos e no metabolismo de lipídios e da glicose. Já no SP ela se torna inconstante e relacionada com as mudanças fásicas (movimentos oculares e movimentos musculares). ingestão alimentar. no ritmo cardíaco. por exemplo. ao apetite e à digestão dos alimentos. conduzindo a problemas estomacais e intestinais. Estes problemas podem ainda advir da interferência nos mecanismos compensatórios ligados às condições e aos estilos de vida.. o horário de dormir. inclusive é um dos fatores que pode acarretar doenças cardiovasculares.

o ritmo de trabalho rápido ajuda a eliminar a vontade de dormir (AMICI.44 • As alterações no fluxo sanguíneo estão relacionadas com os locais de maior necessidade metabólica. mobilizando a energia do corpo e ajustando o nível das funções fisiológicas. como excesso de calor. Estresse Segundo Iida (1992). ruído exagerado. Se essa ação não se completar. há uma frustração e a energia acumulada deve ser dissipada. frio. 2002). 1998). causado por uma discrepância entre o grau de exigência do trabalho e os recursos disponíveis para gerenciá-lo. define o estresse do trabalho (GRANDJEAN. a luz artificial pode provocar alterações hormonais durante a noite aumentando o risco de câncer nas mulheres que estão mais propensas ao mesmo. As causas do estresse podem ser variadas: • Conteúdo do Trabalho: uma das maiores causas do estresse no trabalho é a pressão para manter um ritmo de produção. • Sentimentos de Incapacidade: o trabalhador pode ter uma percepção de incapacidade para o trabalho quando não atende a demanda dentro de um prazo estabelecido. uma preparação psicofisiológica do organismo para essa ação. imediatamente. • Condições de Trabalho: condições físicas desfavoráveis. No SL o fluxo está relacionado com variações metabólicas regionais e no SP ocorre um aumento significativo do fluxo. 2001). por um motivo qualquer. O estado emocional. luzes inadequadas. . há. quando uma pessoa recebe um estímulo qualquer do ambiente para agir. Segundo uma publicação da BBC (BRASIL. No caso do trabalho noturno. provocando efeitos físicos e psicológicos prejudiciais.

O autor ainda comenta que a sensação de cansaço não é desagradável quando o trabalhador pode descansar. No caso do trabalhador noturno o momento do descanso é interrompido e nem sempre é possível realizá-lo durante o dia devido os compromissos sociais. Santos e Trevizan (2002) mencionam que a fadiga está intimamente relacionada à irritabilidade.4 A Organização do Trabalho e as Estratégias Defensivas Segundo Shibuya (2004). ficando atrás apenas do Japão e superando países como China. contra a média mundial de 41 horas. Estados Unidos e Alemanha. . que avalia o nível de estresse do trabalhador. o Brasil registrou o segundo por índice. desgaste mental e físico. Não ocorre motivação para o trabalho físico e mental. o Brasil liderou o ranking de horas trabalhadas por semana: com 54 horas. carreira. horários de trabalho. salários. alteração do humor. lembramos da sensação de cansaço. A mesma autora menciona que no quesito exaustão física e emocional. 2. Fadiga Para Grandjean (1998).45 • Fatores Organizacionais: comportamentos com as chefias e demais colegas que podem ser demasiadamente críticos e exigentes. relaciona-se com uma capacidade de produção diminuída e uma perda de motivação para qualquer atividade. Quando pensamos em fadiga. • Pressões Econômico-Sociais: a preocupação com as despesas da família. em recente pesquisa realizada pelo International Stress Management Association (ISMA) que ouviu mil profissionais de diversos países.

os sujeitos criam estratégias defensivas para se proteger. os ritmos impostos e os modos operatórios prescritos. mais se evidencia relevância dos fatores psicológicos na etiologia e desenvolvimento de um grande número de doenças até então não consideradas como psicofisiológicas. Seja em relação à prática médica ou à pesquisa a respeito da saúde. quanto mais avançam os meios de investigação da patologia. (2002) referem que a organização do trabalho é resultado de um processo intersubjetivo.. mas também. Mendes et al. organização do trabalho não é só a divisão do trabalho. 2002) definem estratégias defensivas como os mecanismos utilizados pelos trabalhadores a fim de negar ou minimizar a percepção da realidade que os faz sofrer. O mesmo autor ainda comenta que quando a organização do trabalho entra em conflito com o funcionamento psíquico dos homens onde se encontram bloqueadas todas as possibilidades de adaptação.46 Para Ballone (2005). a divisão de homens para garantir esta divisão de tarefas. isto é a divisão de tarefas entre os operadores. enquanto lugar de produção de significações psíquicas e de construção de relações sociais. Dejours & Abdoucheli (1990 apud MENDES et al. Dejours (1992) fala sobre um tipo de defesa do subproletariado (que habita a zona periurbana) que é descrita como ideologia defensiva. Esta se relaciona mais com a doença do que com a saúde da população. representada pelas hierarquias. Quando se está doente tenta-se esconder o fato dos outros. implicando uma dinâmica de interações própria às situações de trabalho. uma primeira observação se impõe de imediato. Uma das formas de enfretamento do sofrimento pelo trabalho é a utilização de estratégias defensivas coletivas. as repartições de responsabilidade e os sistemas de controle. . De acordo com Dejours (1992). então surge um sofrimento patogênico. Considerando-se este processo dinâmico. no qual encontram-se envolvidos diferentes sujeitos em interação com uma dada realidade.

sua desestruturação repercute sobre a saúde física e sobre a saúde mental do trabalhador. A principal saída frente à ansiedade concreta da morte é o alcoolismo. apatia). indiferença. por sua vez. Poucos são os trabalhadores e as trabalhadoras que podem organizar o lazer de acordo com seus desejos e suas necessidades fisiológicas. Indivíduos dotados de uma sólida estrutura psíquica podem ser vítimas de uma paralisia mental induzida pela organização do trabalho. descrença. de maneira que o sofrimento não seja imediatamente identificável. Além da doença. conter ou ocultar uma ansiedade particularmente grave. todavia. O CTI por ter um ritmo intenso de trabalho. assim como contra a insatisfação. O comportamento dos trabalhadores pode significar uma estratégia de defesa (isolamentos psicoafetivo e profissional do grupo de trabalho. os trabalhadores elaboram estratégias defensivas. a carga psíquica e fisiológica do trabalhador de enfermagem é muito significativa. conseqüentemente.47 mas também da família e dos vizinhos. podem ser utilizadas pela organização do trabalho para aumentar a produtividade. a miséria. . alguns dentre eles conseguem usálo harmoniosamente. O sofrimento inicialmente fica mascarado e terá uma característica de acordo com cada profissão. que constitui de certa forma sua sintomatologia. Só quando não é possível esconder é que assume vergonhosamente a vivência da doença – a ideologia da vergonha. a subalimentação e à morte. As estratégias defensivas. a questão é saber se a exploração do sofrimento pode ter repercussões sobre a saúde dos trabalhadores. A estrutura psíquica está intimamente relacionada com a integração do funcionamento dos órgãos. renúncia à participação. Contra a angústia do trabalho. As estratégias têm por objetivo mascarar. ideologia da vergonha consiste em manter à distância o risco de afastamento do corpo ao trabalho e.

sobre o homem. Despersonalizado no trabalho. e uma organização de trabalho que os ignora. Em certas condições. É muito comum ouvir queixas dos trabalhadores a respeito da saúde física e condições de trabalho como fonte de perigo para o corpo. de natureza mental. A organização do trabalho exerce. . de esperanças e de desejos. inicia quando o homem. já não pode fazer nenhuma modificação na sua tarefa no sentido de torná-la mais satisfatória às suas necessidades fisiológicas e seus desejos psicológicos – isto é. emerge um sofrimento que pode ser atribuído ao choque entre uma história individual. o trabalhador fica condicionado ao ritmo de trabalho. sendo mais difícil fazer menção das repercussões do perigo real a nível mental. ou seja. cujo impacto é o aparelho psíquico. quando a relação homemtrabalho é bloqueada (DEJOURS.48 A questão das estruturas do tempo fora do trabalho é complicada. no trabalho. pois o homem tem um condicionamento produtivo pela organização. da carga (de trabalho) psíquica inerente ao trabalho. 1992). ele permanecerá despersonalizado em sua casa. O sofrimento. uma ação específica. portadora de projetos.

49 CAPÍTULO III METODOLOGIA 3. 18). O trabalho noturno é fruto da necessidade de produção e funcionamento contínuo de nossa sociedade (FISCHER et al. holísticos e individuais da experiência humana. p. 2004). • Enfatizam a interpretação em contexto: neste caso levou-se em conta o contexto em que se situa o objeto de estudo.1 Tipo de Estudo A investigação é de natureza qualitativa do tipo estudo de caso descritivo porque com esta pesquisa analiso um fenômeno contemporâneo como ele realmente acontece.. Neste sentido. ou seja. 1995. no contexto daqueles que estão vivenciando” (POLIT e HUNGLER. Entre elas. utilizando procedimentos nos quais a tendência é um mínimo de controle imposto pelo pesquisador. 1999). As características do Estudo de Caso se superpõem às características gerais da pesquisa qualitativa. tentando apresentar tais aspectos em sua totalidade. Yin (2001) comenta que o estudo de caso é adequado para fenômenos contemporâneos dentro do contexto da vida real. através de diferentes maneiras de conhecer (MARTINELLI. o estudo de caso permite que novas descobertas e novas dimensões possam ser acrescentadas no decorrer do estudo. permitiu compreender as repercussões das . “enfatiza os aspectos dinâmicos. Lüdke e André (1986) mencionam que o estudo de caso visa à descoberta levando em conta o contexto em que o objeto se situa. destacam-se: • Visam à descoberta: mesmo que o investigador parta de alguns pressupostos teóricos iniciais. A pesquisa qualitativa visa a análise sistemática de informações subjetivas. Possibilita ao profissional uma compreensão maior do fenômeno investigado.

o estudo de caso foi descritivo (YIN. 1990). através da indagação: o que eu posso (ou não) aplicar deste caso na minha situação? • Representam os diferentes pontos de vista presentes numa situação social: procurei trazer essas diferentes visões e opiniões a respeito da situação em questão e colocar também a minha opinião. analisando-o como um todo. • Revelam experiência vicária2 e permitem generalizações naturalísticas: procurei relatar as experiências durante o estudo de modo que o leitor possa fazer as suas generalizações naturalísticas. • Usam uma variedade de fontes de informação: utilizei várias fontes de evidências. confirmar ou rejeitar as proposições teóricas. permitindo cruzar informações.2 Cenário do Estudo O estudo foi realizado em um Hospital Público do Estado do Rio de Janeiro. Considerando que a pesquisa tem como objeto de estudo as alterações psicofisiológicas nos trabalhadores de enfermagem do serviço noturno e a pesquisa tem como interesse documentar este fenômeno. 3. . 2001). focalizei as alterações psicofisiológicas nos trabalhadores de enfermagem dentro de um centro de terapia intensiva. diz-se do verbo com que se evita repetição de outro (PÂNDU. A escolha do cenário foi porque a observação do 2 Substituto. Considerando este aspecto. no setor Centro de Terapia Intensiva (CTI). com os vários elementos que interagem para o surgimento das mesmas. • Retratam a realidade de forma completa e profunda: teve como objetivo revelar a multiplicidade de dimensões presentes numa determinada situação ou problema.50 alterações psicofisiológicas nos trabalhadores de enfermagem que atuam no serviço noturno em um CTI.

insuficiência respiratória e cardíaca. atuando. todos os profissionais de enfermagem que são plantonistas possuem uma carga horária de 12 x 60 horas. um plantão do serviço noturno encontrava-se com um enfermeiro. Quando a pesquisa teve início cada equipe de enfermagem do serviço noturno tinha em média sete auxiliares de enfermagem. O CTI fica situado no 3º andar próximo ao centro cirúrgico.2%). O total de enfermeiros é de quatro durante o serviço diurno (sendo uma enfermeira chefe. pois alguns se encontram afastados por motivo de licença. onde o cuidado de enfermagem é intenso já que se trata de pacientes em estado grave. O serviço noturno inicia-se às 19:00h e termina às 07:00h. leva exames para os setores especificados e traz medicações da farmácia). acidente vascular encefálico (AVE). alguns serviços são diferenciados em relação ao diurno. agora. Pelo quantitativo de leitos. há uma necessidade muito grande de rodízio dos pacientes a fim de atender a demanda. sendo necessário ir alguém da equipe de enfermagem pessoalmente solicitá-lo no centro cirúrgico. Durante a noite. aneurismas. uma enfermeira diarista e duas plantonistas). tem em média quatro ou cinco auxiliares de enfermagem. Ele atende tanto o CTI quanto o Centro Cirúrgico. por profissionais do sexo feminino (90. ou remanejamento para outro plantão deste setor que esteja com déficit de pessoal. No início da pesquisa todos os plantões noturnos possuíam dois enfermeiros.51 fenômeno ocorreu neste setor que possui características dinâmicas. Dependendo da urgência do serviço o próprio pessoal da enfermagem faz esse serviço. férias. o centro cirúrgico às vezes encontra-se . Por exemplo. Nesse hospital. possui 07 leitos (tem 01 leito extra em caso de cirurgia de urgência) que são destinados a receber pacientes admitidos no setor de emergência e raramente das enfermarias ou de outros hospitais. porém. pois por ser um hospital de emergência. ao final. em sua maioria. A equipe de enfermagem é composta. nesse setor não há maqueiro (profissional que transporta os pacientes. São vários os motivos de internação: politraumatismos.

ser interrompidas para atender alguma necessidade do paciente. Evolução de enfermagem. À noite. • • • Higiene dos pacientes. que também atende à central de esterilização (ao lado do centro cirúrgico). faz-se a escala da equipe de enfermagem que consta em organizar as atividades a serem executadas. isto quando não saem direto para outro emprego. saturação de oxigênio. freqüência cardíaca. . os “drippings” (medicações administradas com o controle do gotejamento) em bombas infusoras (aparelhos que controlam a velocidade. aspiração das vias aéreas. Solicitação de medicamentos. às vezes. a arrumação dos leitos e relacionar com as informações relatadas. Após tomar ciência das ocorrências. As atividades desenvolvidas no CTI precisam. freqüência respiratória. pressão arterial). encaminhamento de exames (se houver). os funcionários fazem o desjejum no setor ou vão para o refeitório. pois permite visualizar os pacientes.52 muito sobrecarregado. fica apenas 01 funcionário de serviços gerais. devido à característica do setor que é dinâmico. Algumas atividades comumente desenvolvidas no setor pela enfermagem: • • Conferência dos carrinhos de Parada Cardio-Respiratória (PCR). quantidade e o tempo de infusão das medicações). • Verificação dos sinais vitais (temperatura. nesse setor. faculdade ou retornam para casa. O local para passagem de plantão é diante dos leitos. Pela manhã. muitas dessas atividades ocorrem simultaneamente. Em alguns momentos. reposição de materiais. Troca de Curativos.

0 50. Filhos.6 57.3 7.0 1 7 1 9 7.6 21.1 14.1 50.7 28.3 35. Tabela 1 – Perfil dos Trabalhadores de Enfermagem.7 100.7 21. Grau de Escolaridade. o perfil dos sujeitos é de extrema relevância para analisar os aspectos de alterações psicofisiológicas. segundo a Função no Setor.5 14.3 100.3 .0 35.0 28. sendo organizados em uma única tabela para facilitar o entendimento.2 100.53 3.5 42.0 28. Faixa Etária. Outro Vinculo Empregatício e Opção pelo Turno de Trabalho PERFIL Função no Setor Auxiliar de Enfermagem Técnico de Enfermagem Enfermeiro TOTAL Faixa Etária 26 – 35 36 – 45 46 – 55 TOTAL Grau de Escolaridade 2º grau completo 3º grau incompleto 3º grau completo TOTAL Sexo Feminino Masculino TOTAL Estado Civil Solteiro Casado Separado Outros TOTAL Filhos Sim Não TOTAL Nº de Filhos Um Dois Três TOTAL Nº de Trabalhadores 5 5 4 14 4 8 2 14 5 3 6 14 11 3 14 7 4 2 1 14 % 35. Esses dados foram coletados a partir de um formulário.3 Sujeitos da Pesquisa Como foi mencionado no referencial teórico. Sexo.8 100.1 7. Estado Civil.7 35.6 100.0 78.1 64.0 9 5 14 64.4 100.

descanso e adicional noturno) para os trabalhadores de enfermagem.54 PERFIL Faixa Etária dos Filhos < de10 anos 11 – 15 16 – 20 > de 20 anos Outro Vínculo Empregatício Sim Não TOTAL Nº de Trabalhadores 4 2 10 2 % 22. Foi realizada uma entrevista com o presidente do SATEMRJ sobre o aspecto legal do trabalho noturno (alimentação.0 33.3 11.3 35.1 9 5 14 64.5 11. O serviço noturno foi escolhido porque as alterações foram observadas de forma empírica neste turno de trabalho e por ser o turno onde as alterações psicofisiológicas são mais acentuadas do que no turno diurno.3 6 3 9 66.0 Turno de Trabalho dos que possuem outro Vínculo Empregatício Diurno 9 Noturno 3 Total de Empregos dos Trabalhadores Dois Três TOTAL Optou pelo Turno de Trabalho Sim Não TOTAL 100.0 Os sujeitos da pesquisa foram os trabalhadores de enfermagem (auxiliares de enfermagem. já que o trabalhador de enfermagem precisa se manter acordado indo contra o seu ritmo biológico.1 55.7 100.0 12 2 14 85.7 33. . técnicos de enfermagem e enfermeiros) do serviço noturno que demonstraram grande interesse pela pesquisa entendendo a relevância do estudo.3 100.3 100.7 14.

Por motivo de falta de tempo dos profissionais e até mesmo o cansaço após o plantão.4 Protocolo do Estudo de Caso Yin (2001) menciona que o protocolo é mais do que um instrumento porque ele contém o instrumento. 2001). . Embora cansativa. Essa estratégia permitiu uma validade maior do estudo. Quanto ao horário das entrevistas. Também permitiu que os trabalhadores se organizassem para as entrevistas de modo que a pesquisa não afetasse o desenvolvimento de suas atividades. o pesquisador deve possuí-lo em qualquer circunstância a fim de conduzir bem seu estudo de caso. foi imprescindível para observar o trabalhador de enfermagem do serviço noturno desde a sua chegada no setor até a sua saída. enfatizando as tarefas nos procedimentos de campo e proposta de análise. decidir estabelecer visitas nos plantões noturnos com permanência integral no setor (19:00h às 07:00h). optei em atender conforme a disponibilidade dos sujeitos. objetivos e questões norteadoras da pesquisa. 2 – Repercussões para a Saúde dos Trabalhadores de Enfermagem. aumentando assim a confiabilidade da pesquisa e servindo de guia para o pesquisador (YIN. Sendo assim.55 3. marcando antecipadamente. o que foi fundamental para eu perceber como o fenômeno realmente acontece. Foram utilizadas as seguintes categorias: 1 – Alterações Psicofisiológicas identificadas nos Trabalhadores de Enfermagem. 3 – Estratégias Defensivas utilizadas pelos Trabalhadores de Enfermagem. O protocolo (Apêndice A) foi estruturado com as seguintes seções: teóricos que sustentam o estudo.

fiz as modificações necessárias para atender os objetivos propostos.5 Estudo de Caso Piloto Elaborei um estudo de caso piloto. Foi escolhido um serviço noturno aleatoriamente do próprio hospital em estudo. Consistiu em avaliar as fontes de evidências no cenário do estudo. presidente de uma empresa de tecnologia de pesquisa e administração especializada em problemas de política social. Foram utilizados os seguintes princípios mencionados por Yin (2001): utilização de várias fontes de evidências. principalmente quando o pesquisador conhece o cenário e os sujeitos da pesquisa. . 3. Para Yin (2001). a partir daí. avaliando o entendimento dos mesmos sobre as questões do estudo e.56 3. evitando o que Lüdke (2005) chama de contaminação (influência do pesquisador) para o estudo de caso. estabelecendo a validade e a confiabilidade de um estudo de caso. graduado em História. o estudo de caso piloto auxilia os pesquisadores na hora de aprimorar os planos para a coleta de dados tanto em relação ao conteúdo dos dados quanto aos procedimentos que devem ser seguidos.6 Princípios para o Estudo de Caso A coleta de dados baseada no princípio de YIN (2001). a fim de qualificar o instrumento antes da aplicação definitiva para os sujeitos de pesquisa. construção de base de dados e formação de uma cadeia de evidências. Entrevistei 05 trabalhadores de enfermagem. Este autor refere que os benefícios que se pode obter a partir das fontes de evidências (instrumentos de coleta dos dados) podem ser maximizados e podem ajudar o pesquisador a fazer frente ao problema.

1986). A entrevista foi semi-estruturada. Para atender a este princípio utilizei 03 fontes de evidências (entrevista. Entrevista A escolha desta fonte de evidência ocorreu porque é considerada a principal para um Estudo de Caso. fornece uma expressão mais acurada do que qualquer outro método (YIN. formulário e observação direta). De um modo geral. como por exemplo: 1º entrevistado (E1). praticamente com qualquer tipo de informante e sobre os mais variados tópicos (LUDKE & ANDRÉ. além de permitir que os sujeitos expressem sua vivência. Ao realizar a transcrição. que interessam à pesquisa e que oferecem amplo campo de interrogativas que surgem à medida que se recebem as respostas do informante. esta modalidade de abordagem deve se apoiar nas variáveis e indicadores considerados essenciais e suficientes para construção de dados empíricos. Posteriormente. Este recurso. etc. fita magnética. certamente. utilizei a letra E (entrevista) e o número da ordem dos entrevistados (1). (2005). . A entrevista permite a captação imediata e corrente da informação desejada. 2º entrevistado (E2). apoiados em teorias e hipóteses. 2001). é aquela que parte de certos questionamentos básicos. gravador. a entrevista foi transcrita. 1º Principio: Utilização de várias fontes de evidências Segundo Yin (2001). Utilizei para a entrevista: roteiro semi-estruturado. as entrevistas constituem uma fonte essencial de evidências para os estudos de caso. seus sentimentos. colaborando para o estudo.57 . já que a maioria delas trata de questões humanas. Para Trivinos (1992). os estudos de caso não precisam ficar limitados a uma única fonte de evidência. Segundo Minayo et al.

Formulário Os fatores individuais implicam nos resultados. Através do estudo de caso piloto. filhos. opção de trabalhar no serviço noturno. sexo. situação conjugal. A observação possibilita um contato pessoal e estreito do pesquisador com o fenômeno pesquisado. . necessitando de leituras exaustivas do material coletado a fim de priorizar o que era essencial ao estudo. o que apresenta uma série de vantagens.58 Em seguida realizei a transcrição de 14 entrevistas. As informações da entrevista realizada com o presidente do SATEMRJ foram transcritas e posteriormente selecionadas para embasar o referencial teórico. Isso ajudou a organizar o que deveria ser observado. sendo necessário selecionar apenas as cenas importantes”. outro vínculo empregatício). escolaridade. Segundo Lüdke e André (1986). Observação Direta A observação direta e a entrevista ocupam um lugar privilegiado nas novas abordagens de pesquisa educacional. A visita ao cenário do estudo é uma oportunidade de realizar observação direta. por este motivo foi criado um formulário que constava de aspectos sócio-demográficos dos sujeitos para caracterizar o perfil dos sujeitos do estudo (idade. Atendendo o que Lüdke (2005) mencionou: “o estudo de caso é como um filme. um importante alvo nas abordagens qualitativas. foi possível avaliar a incidência de certos comportamentos dos trabalhadores durante o serviço noturno. a observação direta permite também que o observador chegue mais perto da “perspectiva dos sujeitos”.

além de permitir novas interpretações do fenômeno estudado. Yin (2001) também menciona que toda estratégia de análise deve ser utilizada através de uma técnica. pois de acordo com o . questiona-se e registra as respostas obtidas do contato com base em uma comunicação direta (SELLTIZ. 1965 apud NOGUEIRA. . definem formulário como “uma lista formal. cujo preenchimento é feito pelo próprio investigador a medida que faz as observações. quer do interrogatório. optei pela técnica de adequação ao padrão. De forma simplificada.59 Lakatos & Marconi (1968 apud NOGUEIRA. 2º Princípio: Construção de base de dados Este princípio destinou-se a organizar a análise dos dados a partir das fontes de evidências (formulário. esta estratégia analítica é adequada para este estudo por levar em consideração os objetivos. A análise dos dados consistiu em examinar. sob a orientação de um roteiro de questões. a fim de extrair apenas o que for relevante para o estudo. conforme Dejours (1992). revisão teórica sobre a temática. entrevista e observação). 1998). o pesquisador aborda. as questões da pesquisa. Segundo o autor. Permite que o pesquisador confronte os dados com as proposições teóricas que o levaram ao estudo. ou recebe as respostas pelo pesquisado sob sua orientação”. todo estudo de caso deve seguir uma estratégia analítica geral. sendo assim. Para Yin (2001). Optei pela estratégia analítica geral baseada em proposições teóricas com predominância da técnica de adequação ao padrão. 1998). Desta forma. diríamos que formulário é um instrumento de coleta de dados onde. catálogo ou inventário destinado a coleta de dados resultantes quer da observação. antes mesmo de coletar os dados. categorizar e recombinar as evidências tendo em vista as proposições iniciais do estudo. a estratégia baseada em proposição teórica é uma das mais utilizadas no estudo de caso por conferir uma maior validade para a pesquisa.

3º Princípio: Formação de uma cadeia de evidências Nesta fase. com a construção de um banco de dados. tendo um contato mais aprofundado com o material coletado. a apresentação de evidências até as conclusões finais. Procurei ser como um investigador tentando ligar os fatos através das evidências encontradas. dependentes entre si. identifiquei fatores individuais que atuam na tolerância do trabalho noturno tanto pelas características dos ritmos circadianos. a saber: autonomia. mas não equivalentes. o estudo de caso consistiu em correlacionar as questões de pesquisa. 3. como pelos fatores situacionais e organizacionais do trabalho.60 autor.7 Aspectos Éticos Procurei atender os princípios da bioética. Neste caso. como deve ocorrer com as provas criminais que são levadas a um tribunal. A autonomia dos sujeitos foi garantida pela apresentação do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Apêndice B). nesta fase o pesquisador deve estar com clareza dos fatos. O primeiro momento da análise iniciou-se na coleta de dados. iniciei uma pré-análise. espera-se que a variável comporte-se como o previsto. . Segundo Yin (2001). deixando claro que as evidências não foram ignoradas e/ou maculadas por vieses. de acordo com a proposição teórica do estudo e possibilite discussão com novas evidências. Durante a coleta de evidências e análise dos dados. beneficência. Feito isto. O grupo de trabalhadores de enfermagem . não maleficência e justiça. este tipo de técnica é ideal para o estudo de caso descritivo. já que utiliza variáveis específicas. Organizei os dados de acordo com as fontes de evidências e posteriormente arquivei no computador.

assim como todo o seu procedimento. • Apresentação do protocolo devidamente instruído ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP). para a realização do estudo foram necessários os seguintes procedimentos: • Solicitação por escrito de autorização da direção do Hospital. 1996). A Entrevista realizada com o presidente do SATEMRJ atendeu os princípios da bioética e de acordo com a Resolução 196/96 CNS/MS (Brasil. foram realizados os seguintes procedimentos: . 1996). Foi uma participação voluntária dos trabalhadores de enfermagem. • Apresentação dos dados solicitados pelo CEP. Os benefícios foram esclarecidos ao grupo garantindo que ao participar da pesquisa não estariam correndo nenhum risco (beneficência e não maleficência). Divisão de Enfermagem e Chefia de Enfermagem (cenário do estudo) para a realização da pesquisa (Anexo A). mesmo que não quisessem participar.61 recebeu o Termo no local da realização da pesquisa (CTI). garantindo o anonimato dos sujeitos (duas cópias. não estariam comprometidos ou seriam injustiçados em termos de avaliação no seu trabalho (justiça e equidade). Esclareci o objeto e os objetivos da pesquisa. • Elaboração e apresentação do relatório parcial e final à Escola de Enfermagem Anna Nery (UFRJ) e à Instituição onde o estudo está sendo realizado. a qualquer momento. aguardando o pronunciamento deste. • Solicitação da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para participação e divulgação dos resultados desta. antes de iniciar a coleta de dados. Foi importante esclarecer aos trabalhadores que. uma para o trabalhador de enfermagem e uma para a pesquisadora). De acordo com a Resolução 196/96 CNS/MS (BRASIL. O parecer foi aprovado (Anexo B).

assim como a autorização para citar seus nomes (duas cópias.62 • Solicitação da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (APÊNDICE C) para a participação e divulgação das informações prestadas pelo presidente do SATEMRJ. . uma para o presidente do SAMTERJ e uma para a pesquisadora).

Conforme mencionado no referencial teórico. alterações psicofisiológicas. envelhecimento precoce e obesidade. 2005). o corpo é “obrigado” a trabalhar quando deveria está descansando. insatisfação. o serviço noturno é um bom exemplo de Organização Temporal Externa e que pode ou não causar perturbação da Organização Temporal Interna. 4. isto porque a Organização Temporal fisiológica humana sofre sérias transformações. ou seja.1 Alterações Psicofisiológicas Identificadas nos Trabalhadores de Enfermagem A partir das evidências foi possível identificar as seguintes alterações psicofisiológicas nos trabalhadores de enfermagem: déficit ou perturbação do sono. estresse. O trabalho pode ser fonte de prazer e sofrimento. pela estrutura ambiental onde se desenvolve e ainda pela forma de como os indivíduos percebem o processo de realização de suas atividades (MARTINS. fadiga. repercussões para a saúde e estratégias defensivas utilizadas pelos trabalhadores de enfermagem. baseadas nas proposições teóricas do estudo. diminuição da concentração. . implicando uma contradição que é movimentada pela organização do trabalho.63 CAPÍTULO IV ANÁLISE FINAL DAS EVIDÊNCIAS Neste capítulo será abordada a análise das evidências a partir de categorias préestabelecidas. ou seja. As evidências coletadas permitiram perceber que uma das principais alterações relacionadas a esta perturbação da Organização Temporal está intimamente relacionada à privação do sono.

Após muitas semanas de trabalho noturno. todos trabalham também no serviço diurno e 33. hábitos de sono. 2005). Maiores serão as perturbações biológicas e comportamentais. Fischer et al. maiores os problemas que a pessoa enfrenta a curto. Por um outro lado as condições de trabalho e a organização do trabalho também influenciam na tolerância ao trabalho noturno. Este resultado é importante porque significa que o . características de personalidade (introversão/extroversão). condições de saúde. Quanto ao vínculo empregatício.1 Déficit ou perturbação no sono O nosso corpo nunca se acostuma com a inversão do dia e da noite. De acordo com a mesma associação. bastam poucos dias dormindo à noite e já se observam modificações importantes dos ritmos biológicos tentando se comportar de forma normal (ANAMT. mental e social dos trabalhadores porque ocorre estresse resultante da alteração do relógio biológico. aumentando os riscos de acidente de trabalho e. que podem levá-los à incapacidade funcional precoce.1. trabalhar em horários não diurnos pode levar os trabalhadores a terem pior desempenho nas atividades.64 Desta forma. Sendo que. particularmente. Segundo Fischer et al. de forma mais acentuada. destes profissionais. (2004) comentam que o desgaste do trabalhador está relacionado aos fatores de tolerância ao trabalho que são: idade.3% em outro serviço noturno. (2003). sexo. o trabalho noturno causa importante impacto maléfico para o bem-estar físico.3%) possui em média de 2 a 3 empregos. a maioria (64. médio e longo prazo. modificando o ciclo sono-vigília induzindo um desgaste no trabalhador. características do ritmo circadiano. quanto maior o número de noites trabalhadas. 4. O homem é um ser de atividade diurna e repouso noturno. a estressores ambientais.

(E8) Eu estou sempre sentindo sono. A primeira fase do sono permite uma recuperação física e a segunda fase.65 profissional chega a trabalhar duas ou mais noites seguidas aumentando mais ainda o desgaste psicofisiológico. duas horinhas. como mostram os depoimentos a seguir: Em casa eu tenho que dormir pelo menos umas oito horas. (2003). Na realidade. estou sempre comentando: Ai que sono! Né? Eu sei que existe um sono que realmente eu não consigo repor. Pitta (2003) menciona que o regime de plantões abre a perspectiva de duplos empregos e jornadas de trabalho. não ocorre nunca uma adaptação plena pela troca de horário. mas isso nunca acontece. comum entre os trabalhadores de saúde. é um sono de má qualidade. Nem sempre fico mais disposta. especialmente num país onde os baixos salários pressionam para tal. eu acho que o sono da gente tem que deitar. descansar até sentir que o corpo está totalmente restabelecido. (E11) Alguns trabalhadores necessitam de muitas horas de sono e ainda assim mencionam que nem sempre é o suficiente. O indivíduo precisa dormir em média sete horas para ocorrer todas as fases do sono facilitando a recuperação da fadiga diária e confirmando a importância do sono para a saúde do individuo. eu passo o dia todo com sono. psíquica. quando eu deito aí eu quero dormir. pois é necessário que ocorram todas as fases do sono e no horário adequado para que a recuperação aconteça. não consigo conciliar o sono e fico sonolenta o dia todo. se eu dormir uma horinha. (E10) Mesmo que eu tenha ido pra casa e vá dormir de manhã. esses tipos de pessoas . o trabalhador noturno não consegue recuperar-se totalmente porque o seu sono encontra-se alterado. portanto. Suarez (1999) diz que a insuficiência de sono condiciona uma grande parte das conseqüências patológicas do trabalhador: dorme pouco e dorme mal. ou então doze horas. Essa prática potencializa a ação daqueles fatores que por si só danificam suas integridades física e psíquica. De acordo com Fischer et al. (E6) Meu sono é intranqüilo e quando eu consigo (ainda tem isso).

confirmando as observações feitas. o sono é monofásico (controlado pelo ambiente: claro e escuro) e começa. A importância da privação do sono no serviço noturno é porque além de ocorrer uma série de alterações. como mencionado anteriormente.. Trabalhar à noite pra mim é um esforço.. é executado em pé além das atividades que demandam de grande esforço físico. 2005). na maior parte do tempo. a organização do nosso padrão biológico (MELLO. Os trabalhadores. na verdade . não dorme amanhã. Certamente não toleram bem o serviço noturno. né ? (E1) Eu acho curioso que tem um horário mais ou menos entre meia-noite e duas horas da manhã e entre onze horas da noite e uma hora da manhã mais ou menos. diminui o sono. me sinto ainda firme. existe a influência de outro vínculo empregatício e as atividades extralaborais. que o corpo tá assim: eu preciso dormir agora. depois de uma e meia da manhã já vou começando a ficar mais cansada. ou seja. né? (E3) . porque é uma coisa que vai pra mim. não dorme hoje. Na idade adulta. não dorme depois. conseguem perceber que sentem sono e cansaço durante o serviço noturno. o sono diminui. Mais tem uma hora que o corpo diz: não! É hora de dormir e como você começa a não dormir. é uma coisa que vai além da minha condição. O trabalho de enfermagem. porque nós não somos preparados para trabalhar à noite. (E2) Até um determinado horário tipo assim uma hora da manhã. é um esforço. Por outro lado. as alterações sofridas pelo organismo no decorrer das horas. tá me cansando. acaba que vai embora e você fica até de manhã se for preciso. eu estou assim.2 Fadiga A fadiga foi uma das queixas identificadas nas falas de todos os trabalhadores. podendo ter um desgaste maior que os demais trabalhadores neste turno. 4. quando excessiva e persistente provoca também outras alterações como veremos a seguir.1. atualmente tá me cansando. aí você começa.. À medida que vamos ficando mais velhos. Se você conseguir superar essa fase. então.66 são chamados de grandes dormidores. vai de um emprego pro outro. na maioria das vezes.

Deste modo. Os depoimentos mostram que o trabalho em determinados horários passa a ser esforço. . relata dúvida quanto à influência do trabalho noturno. Durante a observação. com mais de dez anos de experiência no serviço noturno que não conseguiu relacionar a interferência deste com a fadiga. e quando isso se torna uma rotina. maior é o risco de efeitos negativos para a saúde do trabalhador.67 Um trabalhador relacionou o cansaço apenas com a carga física de trabalho do setor. isto porque o trabalhador vai contra o seu relógio biológico. diminuição do nível de alerta e aumento da irritabilidade. (E6) Sabe-se que o trabalhador noturno nem sempre descansa durante as horas livres e a privação do sono principalmente à noite. Referiu-se ao cansaço como sendo proveniente do volume e ritmo de trabalho. os trabalhadores de enfermagem poderiam tornar-se agentes de risco para si e para os outros. pode gerar fadiga. que a gente pensa que é só a sobrecarga de trabalho. Estes sintomas participam do mesmo modo que a carga física do esgotamento progressivo dos trabalhadores do serviço noturno. onde o metabolismo sofre modificação. Quanto mais apresentar fadiga menos capacidade para o trabalho. I. foi possível verificar que o trabalhador de enfermagem. (2002). Aí que a gente não sabe se tem alguma coisa com a fisiologia. ou seja. A fase de adaptação ao serviço noturno leva um tempo. quando excessiva e persistente. mostrou-se com o nível de alerta diminuído significativamente no decorrer do plantão e o mesmo utilizava-se de estratégias junto aos colegas para tentar suprir sua necessidade de descanso. Segundo Ferreira. porém não impede que o organismo sofra alterações. o nível de alerta cai significativamente nos trabalhadores noturnos. nunca ocorre uma adaptação permanente do serviço de saúde. O que vai pesar mais é a sobrecarga do dia-a-dia. aumentando o risco para a ocorrência de acidentes de trabalho. não sei o que e de repente é devido ao serviço noturno. sobrecarga de serviço e a noite se torna mais pesado porque teu organismo já requer um descanso.

você anda devagar quase parando. quando se caminha não se caminha. conforme menciona a ANAMT (2005). principalmente entre meia-noite e três horas da manhã. né? Você tem que tentar quer dizer por mais que você queira ser acelerado. os trabalhadores ressaltaram que na luta contra o cansaço chega um momento que o corpo “fala”. Nesse sentido. o metabolismo do organismo prepara-se para o descanso. . (2004) relatam que os jovens podem ter dificuldades para se adaptar ao serviço noturno já que são mais sensíveis à perda de sono aguda ou porque pode prejudicar a possibilidade de participação e integração em grupos sociais. Durante a observação. o que é justificado pela Organização Temporal Interna. A sonolência excessiva afeta o desempenho. particularmente os hábitos de sono.(2001) mencionam que a alteração do sono é percebida pelo corpo ou pela mente. 2005). (E3) No decorrer do plantão o corpo pede que quer sentar. tomar um café. O comportamento dos ritmos biológicos de uma pessoa vai se modificando com a idade. até porque você está com o seu corpo cansado. Rotenberg et al.68 Com o decorrer do horário. quer dizer o seu ritmo diminui bastante. todas as atividades orgânicas ficam reduzidas. alteração do humor e acidentes (MELLO. mencionada no referencial. pude identificar que o trabalhador geralmente inicia o trabalho com um ritmo mais acelerado e vai reduzindo gradualmente. e se tornando menos flexíveis a mudanças bruscas que ocorrem quando a pessoa tem que trabalhar à noite. né? (E4) Fischer et al. Durante a observação foi possível comprovar que as pessoas mais velhas têm mais dificuldades em trabalhar à noite. o cansaço às vezes fala mais alto. trabalhar num ritmo acelerado e o seu corpo não te permite. caminhamos. Eu fico um pouco cansada. Você está com sono porque o sono é fisiológico e chega um momento que o corpo pede pra dormir. (E2) Porque nós já não corremos. que os hábitos de vida tornam-se mais rígidos com a idade.

aí de dia pego em outro lugar. a diferença existe na intensidade das queixas. Observei que devido ao cansaço. você fica mal. 4. eu tremo. eu não me sinto assim disposto à leitura. independente do tempo de experiência do serviço noturno.feed back. a cabeça. (E5) Eu acho que diminuiu muito o meu poder de concentração..3 Diminuição da concentração Dormir bem é indispensável para manter um bom nível de concentração. também foi possível identificar queixas comuns entre os trabalhadores. (E3) Fisiologicamente eu me sinto extremamente cansada. aquele retorno que eu gostaria. O raciocínio fica mais lento. pois geralmente o trabalhador de enfermagem além de possuir outros empregos.69 Outro aspecto importante é que os depoimentos dos trabalhadores mostraram que não é o tempo de experiência no serviço noturno que vai garantir uma melhor adaptação neste turno.1. qualquer texto. eu acho que o serviço noturno ele não te dá aquele é. incluindo sua satisfação ou não de trabalhar no serviço noturno. No caso do trabalhador noturno.. (E7) Eu me sinto mal porque eu trabalho à noite. afeta a mente. quando eu começo a fazer leitura. começo a ler qualquer coisa. Durante a observação. O que o trabalho noturno influencia em mim é justamente isso: a assimilação. porque é neste momento que todo organismo se recupera e renova as funções orgânicas. isso acontece mais quando eu faço da noite pro dia. (E14) Foi possível observar que com o passar das horas não só diminui o ritmo de trabalho. principalmente se os trabalhadores estudam e/ou possuem filhos pequenos. eu passei a tremer mais. porém o que vai determinar as repercussões para a saúde deste trabalhador é a forma como ele lida com tais situações. mentalmente também muito cansada. em seguida eu já estou dormindo. possui outras responsabilidades que dificulta o descanso. geralmente o . esta recuperação nunca acontece plenamente. mas também o nível de concentração. as mãos ficam trêmulas.

. o trabalhador pode apresentar maior rigidez ou facilidade nas mudanças do ritmo biológico. 2004). sentir-se uma peça da engrenagem empresarial. Além do mais. então eu fui obrigada a trabalhar à noite. psicossocial. . Neste sentido. três. quatro empregos. né? (E5) A satisfação psíquica individual se fundamenta no provimento das seguintes necessidades: afeto. (2004). existem várias fontes de insatisfação dos trabalhadores dependendo do tipo de trabalho que exercem. (E2) Comecei trabalhar à noite quando eu tive necessidade.4 Insatisfação Durante a entrevista. noção de pertencer.70 trabalhador vai inúmeras vezes ao leito do paciente porque esqueceu de realizar ou anotar algo e não se lembra mais. segurança: e fator de otimismo (MAURO et al.1. quando eu precisei ir pra faculdade. Segundo Mauro et al. fui eu que tive que manter a minha mensalidade. Iida (1992) refere que estas fontes podem estar relacionadas ao ambiente físico. quando é obrigado a trabalhar à noite (FISCHER et al. com o aumento da sonolência e conseqüente queda de rendimento de algumas funções cognitivas devido à privação de sono podem acarretar dificuldade de concentração e redução da capacidade crítica. já que à noite ela dorme. os trabalhadores demonstravam-se insatisfeitos com a jornada de trabalho aproveitando o momento para desabafar ou reclamar. 4.. jornada de trabalho e a organização do trabalho. realização. remuneração. experiências novas. 2004). muitas vezes. (E3) Trabalhar a noite fica mais fácil cuidar dela (familiar) durante o dia. O problema é que o profissional de enfermagem é obrigado a trabalhar em dois. então era de segunda a sexta-feira e minha única opção era o serviço noturno. porque eu mesma paguei meu curso. companhia dos outros. (E4) Eu trabalhei pelo serviço noturno na época porque eu trabalhava no local X. a noite toda.

teve trabalhadores que precisaram trabalhar à noite porque os filhos estavam pequenos e este turno permitia acompanhar a educação dos filhos durante o dia. os que referiram gostar de trabalhar neste turno. pagar as melhorias da casa. é necessário que o trabalho proporcione o atendimento das necessidades biológicas primordiais: alimentação. fantasias e projetos de realizações possíveis. o salário veicula todas as significações negativas que . recreação e outras. Neste estudo. Segundo os depoimentos dos trabalhadores.71 Quanto à satisfação material. Sendo assim. Alguns trabalhadores dizem que foram obrigados a trabalhar à noite por um determinado motivo e permanecem neste turno porque foram surgindo outras necessidades.7%. em sua maioria. hoje os filhos já cresceram e a necessidade do trabalho noturno é um meio de poder oferecer um futuro melhor (estudos) para os filhos. o salário contém numerosas significações: primeiramente concretas (sustentar a família. vestuário. ganhar as férias. conciliar os estudos e ter mais tempo para cuidar dos filhos. procuram o trabalho para ter condições de atender às necessidades básicas. ou seja. os profissionais sentem-se frustrados porque nem sempre conseguem atingir seus objetivos trabalhando à noite. respectivamente. teve como principal motivo a necessidade de aumentar a renda familiar. habitação. ter satisfação e realizar-se profissional e socialmente. Segundo Silva (2002) os trabalhadores de enfermagem optam pelo turno da noite para conciliarem com o outro emprego que tinham durante o dia. porém. Segundo Dejours (1992). as pessoas. Para Santos e Trevizan (2002). saúde física e mental. Desta forma. Do contrário. poder consumir. optaram pelo turno noturno 85. mas também as abstratas na medida em que o salário contém sonhos. pagar as dívidas). o trabalho é um importante gerador de prazer e sofrimento o que é influenciado pelos motivos que levaram o trabalhador optar pelo turno de trabalho.

De fato. estresse e doenças para a saúde do trabalhador. tem uma história familiar. mesmo que você consiga dormir três horas. Agora o lado negativo é aquele. muito e você não ver muito retorno financeiro. ou seja. a diferenciar. o trabalho realizado em horários não usuais (ou anti-sociais). (E3) Hoje não me traz mais insatisfação. as pessoas do dia não vêem com os mesmos olhos embora eu acho que de dia você tem uma estrutura melhor. Você sabe que tem necessidade. isso muitas vezes pode trazer insatisfação profissional. As pessoas tendem a pensar que o trabalho é menos porque dormem. em certos casos (por . referese também ao reconhecimento dos colegas e chefia. (E11) Quando o trabalhador diz que o trabalho noturno deveria ser mais valorizado. eu acho assim que o serviço noturno deveria ser muito mais valorizado. assumindo um comportamento essencialmente produtivo: Quando eu entrei de férias tinha dia que eu ia dormir três horas da manhã por causa do horário de sono igualzinho ao daqui. eu acho assim que é um serviço que é pouco valorizado. né? Porque é muito complicado você trabalhar muito. Fisiologicamente meus níveis pressóricos aumentaram. Geralmente executar uma tarefa sem investimento material ou afetivo exige a produção de esforço e de vontade. especialmente os noturnos. estas três horas não têm pagamento. (E9) Eu aprendi a gostar. Em alguns momentos existe a insatisfação que eu queria está em casa e fazer qualquer outra coisa nem que seja dormindo. mas você não ver retorno financeiro. sabe? (E14) Mesmo gerando insatisfação. mas antes de entrar pra noite eu nunca tive. em outras circunstâncias suportadas pela motivação e pelo desejo. principalmente financeiro que você não ver. não cessa de aumentar em praticamente todos os países do mundo. o profissional executa simplesmente a tarefa. muitas vezes. o seu esforço e dedicação. (E11) Quando você tá em casa e de repente você acorda achando que tá dentro do CTI. isso já aconteceu muito comigo e às vezes até o relógio que apita para eu dá remédio ao meu filho eu acho que é uma bomba daqui apitando.72 implicam as limitações materiais que ele impõe. mais não queria está aqui. não têm dinheiro que pague estas três horas de sono. Dessa forma.

Mello (2005) refere que devido à privação do sono. ritmo de trabalho. que é um setor especializado. é importante a característica onde o trabalho noturno é executado e não simplesmente a escala de horários. Neste sentido. a personalidade do indivíduo e o cronotipo (matutino. traduz-se por uma insatisfação ou por um sofrimento. raramente precisada. exigência de grande concentração. Quanto ao trabalho noturno. (2002) refere que fatores estressantes devem-se pela organização do trabalho. raramente explicitada pelo próprio trabalhador. ou até mesmo um estado de ansiedade. volume de trabalho. Conforme Dejours (1992). os trabalhadores não dormem a fase profunda do sono (REM).73 exemplo.5 Estresse O estresse do trabalho será maior quando houver a presença de alguns fatores intrínsecos. M. Dejours (1992) menciona que é importante interrogar-se sobre o custo humano da insatisfação. Tal fato é comprovado quando Oliveira. . 4. tarefas desenvolvidas. devemos discutir como o trabalho está organizado. raramente traduzida em palavras. vespertino ou indiferente). os hospitais) há uma necessidade do trabalho noturno porque existe paciente internado necessitando de cuidados durante 24 horas por dia. lembro que este estudo foi realizado em um CTI.1. a inadaptação entre as necessidades provenientes da estrutura mental e o conteúdo ergonômico da tarefa. O trabalhador satisfeito contribuirá melhor para a realização do trabalho e terá uma vida mais saudável. onde os pacientes são graves e possui muitos outros fatores estressantes que vão de encontro com a vida mental dos trabalhadores. na vivência dos trabalhadores. Sendo assim. por exemplo. os trabalhadores noturnos acordam irritados porque não houve tempo para uma recuperação.

parece que eu vou morrer. uma sensação estranha como se eu fosse morrer. a paciência. essa falta de paciência que às vezes a gente tem. entendeu?!!! (E1) Geralmente. os desempenhos nas atividades do dia seguinte ficam totalmente diferentes. pois se exige um ritmo de trabalho acelerado para que se cumpram todas as atividades estabelecidas. engraçado é como se eu tivesse bêbado. mais passo mal mesmo de ficar de joelhos. é alguma coisa.. tenho tido piora.. a mente da gente já sai tumultuada também. agora eu tenho sentido direto. às vezes eu durmo bem. às vezes devido essa falta de . eu passo mal. (E1) Só que tem momentos entra o mal humor. muitas vezes. quando o plantão está tumultuado. mas quando eu venho do trabalho é muito relativo. o que vai influenciar também no seu comportamento fora do trabalho. eu altero o humor totalmente. Mexe com o psicofisiológico: racionalmente. Eu acho que é estresse. como se estivesse. eu fico meio. sabe? (E8) Trabalhar á noite me influencia de alguma forma? Totalmente. (E12) O estresse. o cansaço que às vezes a gente sai daqui do plantão. quando eu saio do plantão. Não sinto uma pressão no coração. este momento de estresse acarreta um mal estar no trabalhador. principalmente se ocorre próximo ao horário da passagem de plantão. é gerado pela própria organização do trabalho. além do normal. então a gente já chega em casa de mal humor. psicossomático ou psiquiátrico.como se fosse dopado. a forma. esse já é o meu normal. eu não sei explicar direito o que é. assim que chego fico falando um monte de besteira. Observei que isto acontece quando o profissional não consegue e/ou esquece de realizar as atividades prescritas devido à grande demanda do serviço. . aí de esquecimento.. eu tenho reclamado muito ultimamente. Não vejo nada de fisiológico e sim psicológico. antes eu sentia uma vez ou outra.. eu noto uma irritabilidade muito grande. de manhã às vezes. À noite quando eu estou em casa eu durmo normal. (E11) Eu chego em casa e não consigo dormir de imediato. irritabilidade. essa ausência de sono na verdade. às vezes eu durmo pouco o que acarreta num cansaço maior. após ter trabalhado à noite.74 Em mim na verdade quando eu venho do plantão eu não consigo descansar direito. entendeu? Mais eu sei que isso é psicológico. Eu não tenho tido melhora. a pessoa quando bebe e começa a falar besteira é a mesma coisa como se eu tivesse bêbado. graças a Deus. parece até que oxigena um pouco o cérebro. Dá uma agonia. eu fico num estresse. falando um monte de abobrinha. é sério mesmo. eu durmo a noite toda. não tem nada.. quase todo dia.. eu às vezes fico delirando. não tem taquicardia.

isso traz o que acontece. a impossibilidade de se manter o controle do que vai ocorrer nesta unidade. Pra mim não seria prazer. você não pode chegar atrasada no seu trabalho. uma vez que qualquer falha poderá ser presenciada pela mesma. seria sofrimento. né? Cobrança tem de qualquer forma. né? Causa um grande espanto. é que a chefia está de um lado. certas situações que deixam a gente no dia-a-dia assim é com esse problema de ansiedade. manutenção de sua produção. percebi que a rotina do setor na passagem do plantão noturno para o diurno. muitas vezes o trabalho noturno é mais cobrado do que o serviço diurno é porque o que acontece no serviço diurno.75 Segundo Maia (1999). evitar que as pessoas venham reclamar ou falar alguma coisa. é eu sei assim que o trabalho noturno tem a vantagem de não ter tanto a chefia em cima. então me cobro ainda mais o horário. mais me cobra muito com relação ao horário. com vários equipamentos especializados. no decorrer ou mesmo no término de seu plantão. (E11) A falta de chefia durante a noite pode gerar estresse devido a uma maior sobrecarga do trabalho. das normas que eu acho que tem que ser. não percebe. acaba o trabalho e você leva essa ansiedade pra casa. além da presença dos enfermeiros plantonistas. fato que aumenta a responsabilidade gerando maior preocupação quanto a qualidade da assistência prestada nesta unidade. Agora se acontecer no serviço noturno causa. as condições de trabalho de um CTI envolvem um ambiente tumultuado. O conteúdo de trabalho interfere como agente estressor através das inúmeras interferências. né? (E5) No outro emprego embora eu tenha uma chefia flexível. tanto no inicio. riscos de acidentes. tem a presença da chefia de enfermagem do setor. eu levo. estou acostumada a levar essa ansiedade pra casa sempre. com o desequilíbrio de fazer as coisas sempre certinhas pra evitar deixar algum problema. ao contrário do serviço noturno que quando recebe o plantão do serviço diurno não tem a presença da chefia. o que acarreta estresse na equipe. turnos de trabalho e elevada carga de trabalho. até porque eu já venho cobrando de outras pessoas. o nível de estresse meu é mais com relação à isso: cumprimento dos horários. como foi mencionado por um dos trabalhadores. é muito importante você ser exemplo. né? (E8) Com a observação. isso traz uma ansiedade na vida da gente. Problemas. .

Hoje. muitas vezes. com outros trabalhadores. Pitta (2003) menciona que a presença da chefia pode ser vista como um indicador clássico de sobrecarga e tensão no trabalho. o que não deixaria de ser um fator de ansiedade. com as chefias. 1992). etc. extermínios. Identifiquei na observação que este assunto sempre era comentado pelos trabalhadores. em muito. o país tem altíssimos índices de violência urbana (violências praticadas nas ruas.76 Esta ansiedade está relacionada com as relações de trabalho3. a ausência da chefia poderia significar desinteresse em relação ao trabalho. ampliando. .). mencionada por Dejours (1992). pois os trabalhadores poderiam se sentir abandonados. Para Moura e Lisboa (2005). é igualmente importante aquela diretamente sofrida pelas pessoas nos locais de trabalho. Por um outro lado. com a supervisão. Segundo Dutra (2005). violência 3 “Relação de Trabalho” . pois acabam sendo uma forma para avaliar o rendimento de cada trabalhador. além dos aspectos macro conceituais da violência imposta aos diversos segmentos populacionais. Um outro aspecto importante é a violência urbana sofrida pelos trabalhadores que tem sido uma prática habitual. principalmente porque muitos já conhecem ou foram vítimas deste tipo de violência. são fontes de ansiedade. seqüestros. A violência nos locais de trabalho afeta indistintamente os trabalhadores em todos os países e se converte em sérias ameaças à saúde. a presença poderá estar significando uma sobrecarga de trabalho ou também um abandono das equipes de trabalho à sua própria sorte. como assaltos. embora não tenha sido mencionado pelos trabalhadores durante a entrevista. as ansiedades advindas da falta de suporte técnico e administrativo para que esses trabalhadores correspondam às inúmeras demandas dos pacientes.todos os laços humanos criados pela organização de trabalho (Dejours. nos últimos anos a sociedade brasileira entrou no grupo das sociedades mais violentas do mundo. uma vez que as relações com a hierarquia.

6 Envelhecimento Precoce Bulhões (1994). comecei a trabalhar à noite muito jovem. (E3) Acho que estou com envelhecimento precoce porque as ruguinhas estão todas aparecendo demais.. a idade é fator de risco adicional para o desenvolvimento de saúde e do denominado envelhecimento funcional precoce. então eu acredito que diminui o pique da gente. ex-companheiro. quer sob os efeitos do meio ambiente. nosso estado funcional também se altera ao longo da vida. geneticamente inscritas. em geral. refere que. 4. né? Dá pra notar uma diferença. Alguns trabalhadores conseguem perceber a diferença do trabalho noturno com o passar dos anos. Isso ocorre quer sob ação das leis biológicas.. . namorado. vários demonstravam uma aparência de cansaço. Segundo Fischer et al. violência familiar e violência contra a mulher. (E7) A fala dos trabalhadores mostra uma preocupação com o envelhecimento precoce que pode ter como contribuinte o serviço noturno. Eu sempre tive essa agilidade maior quando eu trabalhava à noite. até por questão da idade também. afora as transformações à curto prazo. isso aí realmente diminui. porque também eu era muito jovem. principalmente quando a gente trabalha à noite. onde as condições de trabalho podem atuar como agente acelerador. vai chegando um tempo que a sua idade e sua capacidade de desenvolvimento.77 doméstica (praticadas no próprio lar). com o passar dos anos modifica-se o ritmo biológico. é praticada pelo marido.1. assim. Durante a observação dos trabalhadores. os fatores físicos e ambientais que podem ser potencializados quando somados aos aspectos cronobiológicos. etc. evidenciando a ausência de um repouso realmente satisfatório. Bento (2004) também afirma que a idade altera os padrões de sono quantitativa e qualitativamente. (2003). que.

da vida familiar e social. FISCHER et al. tanto sentir fome quanto comer em demasia podem atrapalhar o sono e causar desconforto e insônia. adoção de estratégias combinadas com os efeitos do processo biológico de envelhecimento (KOLLER.78 Neste estudo. 2002).1. fase de acumulação: acumulação de riscos ambientais. descobriram que. especialistas confirmam que a dieta influencia no processo do sono. 2000. isso ocorre porque o padrão de duração do sono da espécie humana apresenta frações de sono e vigílias distintas entre os indivíduos. mesmo conseguindo dormir sentem-se indispostos ao acordar. da Universidade de Califórnia em Los Angeles (UCLA). pessoas magras secretam grandes quantidades de grelina 4 Fase de sensibilização: desenvolvimento da carreira.7 Obesidade Segundo Ferreira. ou seja. durante a noite. H. (2005). afetando a realização de outras atividades e a atenção à família. Os trabalhadores de enfermagem ao chegar em casa. construção do patrimônio. Shimizu (2004) afirma que pesquisadores liderados pelo professor Julio Lucínio da Escola de Medicina David Geffen. pelo menos temporariamente (FISCHER e BELLUSCI in HORNBERGER et al. . (2003). 1983). Para alguns o mesmo tempo dormido pode significar muito ou pouco. a maioria dos profissionais informou experiência em média de 10 anos no trabalho noturno. Para Fischer et al.. Estudos em hospitais de São Paulo com auxiliares de enfermagem e enfermeiras revelaram um número significativo de profissionais que relatam sérios problemas de saúde (principalmente músculoesqueléticos e emocionais) que os afastam do trabalho e reduzem sua capacidade de trabalho. 4. O trabalho noturno interfere no relógio biológico pela privação que o trabalhador noturno sofre em relação ao sono mostrando que as necessidades de sono de um indivíduo podem ser variáveis. encontram-se na fase de sensibilização e acumulação4..

possuem níveis altos de leptina e mais baixo de adiponectina. ou seja. aqui eu tenho uma fome exagerada. Mas no meio da noite você dormindo. além possuírem níveis menores de grelina. Os cientistas da UCLA e da Universidade do Estado da Louisiana pesquisaram sobre o hormônio leptina (hormônio que produz a sensação de saciação. No trabalho eu janto? Janto. você não tem porque comer. Uma explicação. o fato de você chegar e querer comer e está cansada. principalmente entre meia-noite a seis da manhã. acaba engordando mais. então a rotina é comer sempre muito. Quanto à alimentação. (E9) Aqui a gente fica mais acordado e tal. eu engordei muito. conseqüentemente. mas a surpresa segundo o pesquisador Licínio foi ver que isso ocorre principalmente à noite. (E10) Em casa normalmente eu não janto. nem beber e acaba a gente praticando isso durante à noite. (E11) Rutenfranz e col. Foi evidenciado que os obesos. (E13) . em nível tão elevado que supera os valores encontrados antes das refeições. em relação aos magros. você come o que tá na frente e muitas vezes você não seleciona. (1989) ressaltam que o trabalho noturno pode afetar de tal forma o ritmo circadiano alterando os hábitos alimentares e. aqui às vezes eu janto e sinto fome de madrugada e em casa tenho menos apetite. A grelina ajuda o organismo a controlar o peso como parte de um complexo sistema que regula a ingestão de alimentos e o consumo de energia. mas em casa não. segundo o cientista. Os indivíduos obesos não experimentam tal elevação do hormônio. atrapalha muito porque o hábito alimentar muda. é que algo pode estar cancelando a produção do hormônio da fome nos mais obesos. podem causar efeitos adversos sobre o metabolismo e o peso corporal: Eu observei que após arrumar dois ou três empregos noturnos tive um ganho de peso. (E3) Eu percebo que acabei engordando durante um tempo. mexendo com sua estética. isso aí mexe também com o fator emocional. muda porque você passa a não ter um horário correto. indicando o momento de parar de comer) e a adiponectina (hormônio que regula o metabolismo energético).79 (hormônio que estimula a fome).

80 A obesidade deve ser avaliada pela genética e pelo estilo de vida porque nem sempre o trabalhador gasta suas energias conforme o consumo. Minhas refeições são normais. as dificuldades sociais dos trabalhadores noturnos são queixas mais freqüentes do que as relacionadas aos problemas biológicos e. (E1) . 4. qualidade da alimentação e quantidade). na verdade no dia que eu venho do plantão né? Se eu almoçar cinco horas da tarde eu não janto. tendo ainda uma grande influência no desenvolvimento das alterações psicofisiológicas. foram identificadas as seguintes: inadequação alimentar. por vezes. sendo que às vezes.2. Na opinião de Fischer et al. maior risco para a ocorrência de acidentes. (2004) comentam que a mudança dos hábitos pode ocasionar. Os trabalhadores de enfermagem que atuam no serviço noturno vivenciam um cotidiano que difere do padrão de horários adotado socialmente e por tal motivo sofrem repercussões que muitas vezes são negativas para a sua saúde. são a principal causa de má adaptação ao turno de trabalho.2 Repercussões para a Saúde dos Trabalhadores de Enfermagem Quanto às repercussões. Neste caso. problemas gástricos que estão correlacionados com os hábitos alimentares (regularidade dos horários. Quando eu almoço muitas vezes eu não janto. no relacionamento familiar. no aprendizado. mas outros aspectos que podem influenciar na obesidade. não é apenas o trabalho. já é bem tarde.1 Inadequação Alimentar Fischer et al. Esta foi uma das queixas unânimes entre os trabalhadores de enfermagem. (2004). o almoço é tarde. por exemplo. interfere no lazer. 4. necessidade de cumprir com as obrigações logo após chegar em casa.

E já que eu não jantei. eu como legumes. (E3) Pelo serviço noturno meu horário fica totalmente alterado. (E2) Eu passei não ter horário para alimentação. eu acordo morta de fome e levanto pra comer. durante o plantão não se alimentam. Outros ao contrário.81 Eu tomo café ou almoço aí eu fico. essas coisas. é uma rotina em todos os plantões noturnos deste setor. Primeiro. hambúrguer. as pesquisas sobre a influência no comportamento alimentar nas funções cognitivas têm utilizado testes que avaliam certas . Fischer et al. em grande quantidade e diversas vezes até o término do plantão. eu não como. sendo maior a ocorrência entre meia-noite e três horas da manhã. (1992 apud FISCHER et al. biscoitos. sal e tudo de ruim. aí quando dá três horas da manha que seria o horário da troca do horário do descanso. não tava com o organismo preparado pra trabalhar à noite. . Eu como muita besteira. (E5) A irregularidade nos hábitos alimentares piora quando o trabalhador não possui uma boa educação alimentar. bolos de chocolate. ou seja. tanto faz se eu vou comer uma pizza de manhã). na rua.né? Totalmente enrolado. muita besteira. verduras.. que eu poderia seguir se eu trabalhasse no serviço diurno. Ultimamente eu tenho comido muito fora. ele só funciona de madrugada. shoppings. se eu tiver a noite em casa. comem em demasiado. Eu só como em restaurantes. Estou perdendo o paladar da comida de casa. Para Smith e cols. E um fato assim. 2004). ele funcionava todo dia de manhã. Observei que isto ocorre freqüentemente.. (E12) Alguns trabalhadores mencionaram que ficam em torno de doze horas sem alimentação. Quanto às minhas necessidades de alimentação é ruim de tudo (Eu como o que tiver vontade. salgadinhos. eu acho que isso aí é superinteressante relatar é que o meu intestino era um reloginho. muita mistura de tudo.. horário em que ocorre um declínio do metabolismo orgânico. vou acordar de madrugada pra comer como se eu tivesse tomado café da manhã. eu não consigo seguir aquela alimentação certa. agora não. Este resultado vem confirmar que o trabalho noturno tem um enorme impacto sobre a vida diária do trabalhador. muita gordura. Este fato também foi presenciado durante os plantões. (2004) referem que geralmente as refeições do trabalhador noturno são de preparo rápido e rico em gorduras. onde geralmente os profissionais comem pizza. eu vou comer.

atenção. Este dado afirma uma das características da profissão de enfermagem. que a maioria dos profissionais de enfermagem são mulheres e geralmente ficam encarregadas do preparo das refeições.82 habilidades ou capacidades concernentes às funções de percepção. Está relacionado com o lado psíquico. é que uma alimentação normal é aquela que faz parte do seu cotidiano. participar da regulação afetiva e emocional porque se constitui em atender uma necessidade básica. um maior número de trabalhadores do sexo feminino. memória. precisão e velocidade de movimento.6%. pois muitas vezes o profissional encontra-se tão cansado que quer dormir e não tem ânimo para se alimentar adequadamente. 2004). sendo assim uma fonte de prazer. Outro aspecto nas falas de alguns sujeitos. . porém reconhecem que é prejudicial para a saúde. principalmente quando é o próprio profissional que precisa preparar sua alimentação. concentração. 2004).. Neste contexto. processamento de informação. Cabe ressaltar. cabe ressaltar os papéis sociais exercidos pelo trabalhador noturno que podem sobrecarregar ou levá-lo a lidar melhor com o trabalho noturno (FISCHER et al. O comportamento alimentar representa uma combinação de ações que não se restringem aos aspectos quantitativos e qualitativos dos alimentos ingeridos (FISCHER et al.2 Necessidade de cumprir com as obrigações logo após chegar em casa O quantitativo de profissionais de enfermagem do sexo feminino no CTI é de 78.2.. Os efeitos dos alimentos e seus nutrientes sobre a performance de diversas tarefas psicomotoras foram demonstrados em pesquisas que avaliaram o efeito da ausência de uma das refeições principais e a freqüência do consumo de lanches. A alimentação envolve um comportamento pré e pós ingestivos que significa atender a reposição energética que é biológica. mas nem sempre conseguem evitar. além de manter um vínculo social simbólico. 4.

o que vai influenciar também na sua saúde. Tais aspectos se articulam. só depois que eu cuido do banho e da comida é que vou descansar. principalmente no que diz respeito à divisão de trabalhos domésticos e responsabilidades familiares (ROTENBERG et al. . Apenas as mulheres referiram preocupação e cuidado com as atividades domésticas. eu chego em casa aí tem um monte de coisa pra fazer e começo fazendo as coisas. dificulta a reposição do sono. então eu tenho que perder tempo com coisas chatas da vida. que a responsabilidade com a casa está atrelada ao sexo feminino. deve-se levar em conta os papéis socialmente atribuídos para os homens e as mulheres..83 Diversos aspectos interferem na qualidade e na quantidade do sono de um trabalhador do turno noturno. no cotidiano de cada um. eu sempre tento resolver saindo de plantão até porque o dia geralmente não vai ser muito produtivo mesmo eu vou pra casa dormir. as mulheres geralmente chegam em casa e assumem o cuidado com a casa e familiares e nem sempre descansam. A autora refere ainda que as demandas do dia-a-dia são de suma importância no que concerne à possibilidade de dormir e aparecem como o maior divisor de águas entre homens e mulheres. principalmente se têm filhos pequenos. 2001). não tendo a preocupação com o cuidado das atividades domésticas e filhos. dificulta o lazer que é indispensável para a saúde do trabalhador. neste aspecto. Quanto aos homens. dentro e fora do trabalho. através das falas. sento. Neste sentido. descanso. (E8) Sempre que eu tiver alguma coisa pra resolver como questão de banco. isto implica no aumento da fadiga. A primeira coisa que eu chego. porque na hora que eu dormir. geralmente o trabalho pode ser mais cômodo. (E4) Eu chego em casa. eu quero dormir sem que nada esteja me atrapalhando. não chego em casa e deito. Ao analisar as entrevistas. sem dormir pensando que eu tenho que fazer isso ou aquilo. coisas que eu vou perder o dia todo. (E9) Nos trabalhadores de enfermagem deste estudo foi possível identificar. (E3) Saio do plantão e vou diretamente cuidar dela. mesmo tendo trabalhado é colocar tudo em ordem. porque são casados ou moram com suas mães.

mas muitas vezes você prioriza o teu descanso de dia. tanto na esfera profissional como na vida pessoal e familiar. com o passar dos anos a influência do trabalho noturno torna-se mais significativa para o trabalho de enfermagem. eu participo também. às vezes fico duas ou três semanas sem tá lá junto com eles. . Já aconteceu de várias vezes eu planejar ir lá e não conseguir. e hoje não faço vinte e quatro de plantão e vou à praia. não tem disposição mesmo pra sair. então eu estou saindo de plantão. apesar de ninguém conhecer direito as funções do sono.3 Interferência no lazer Segundo Gaspar et al. Então outras questões assim. principalmente nas primeiras 24 horas depois do aprendizado de algo novo. minha esposa lida com adolescentes. não consigo levantar. Às vezes eu marco a hora que eu vou e chega na hora eu não consigo acordar. então eu falo tô cansadão. eu poderia ir. ou então dançar à noite toda e chegar no plantão. Eu acho que na verdade ele reduziu muito minha vida social. O sono influencia em toda nossa vida.2. ou seja. marca tudo dez horas da manhã... (E12) Para Leite (2005). (E3) Muitas vezes eu deixo de ir na casa dos meus pais que eu não vejo sempre. (E10) Na Igreja. te convidam para alguma coisa e você até pensa: Poxa.84 4. sair pra conversar. entendeu? Então só falar por telefone: Ah! Hoje eu ia dá até uma passada aí.. alguns estudos provam que ele é fundamental para manter a boa disposição. né? Então você se afasta e como eu só consigo tá presente mais presente nos meus pais nos finais de semana. e eles precisam. tô quebrado e não consigo me levantar e assim eu perco a chance. né. então eu sempre perco esses compromissos e falo pra minha esposa: vai que eu não vou não. então isso atrapalha um pouco. eu acho que isso é muito reduzido devido aos efeitos desse sono acumulado na verdade.. O sono age nos arquivos cerebrais. na verdade. não tem um estímulo. mas acabou que eu tava muito cansada e resolvi dormir. (1998). é inegável o desgaste produzido pelos plantões. O que geralmente acontece é que o trabalhador devido à sobrecarga de atividades em casa e no trabalho aproveita o “tempo livre” (quando consegue) para descansar. Não vou fazer vinte e quatro horas e depois sair ou ir à praia. que a gente não tem muito estímulo pra. (E1) Este trabalhador menciona que quando iniciou no trabalho noturno não percebeu grandes mudanças como acontece agora. né? O pessoal fala: Ah! Vamos pra praia. já fiz muito isso. já fiz hoje não faço mais.

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A maioria dos eventos sociais e familiares geralmente ocorre à noite e nos finais de semana. Como os trabalhadores noturnos atuam neste horário e nos finais de semana, nem sempre participam das atividades sociais ou familiares. A quantidade de tempo que um trabalhador noturno passa com sua família e com seus amigos depende da escala de trabalho (ROSA e COLLIGAN, 2000). O trabalho de enfermagem nos hospitais caracteriza-se por ser contínuo, com atividades nas 24 horas, sem descanso, com extensa carga horária semanal, realizada cotidianamente, incluindo os dias de feriado e festas comemorativas (SPINDOLA e SANTOS, 2003). Tudo de bom acontece no dia que você tá de plantão, é o melhor show do ano, é o casamento da prima mais chegada, pode contar que é o dia que você tá de plantão, então atrapalha um pouco a vida social sem dúvida também atrapalha muito. (E2) Às vezes é um passeio, é um casamento, é fim de ano, é festa de natal, é uma viagem, assim... quer dizer existe essa cobrança. E quando se trata da noite normalmente a grande maioria das festas é a noite. (E3) Essa falta de tempo para sair muitas vezes deve-se aos outros compromissos como, por exemplo, outro vínculo empregatício. Eu sou uma pessoa que por ter três empregos, além do trabalho noturno, eu não consigo ter muito tempo pra família e tão pouco pro lazer. (E5) Você não tem tempo, porque quem trabalha à noite fica com pouco tempo durante o dia, então, não tem tempo pra isso, não tem tempo pra aquilo, a vida fica uma loucura, então nesse sentido é um pouco estressante. (E12) Tem momentos que eu quero fazer um lazer principalmente à noite quero ficar um pouco mais tarde com a família numa festividade qualquer, num casamento, num churrasco, qualquer tipo de festividade, então, como a gente pensa que tem que vir trabalhar na noite seguinte, às vezes tem uma atividade ou lazer e eu não posso ir porque a gente tem que vir para a nossa atividade no trabalho à noite. (E13) Não tenho tempo nem pra me tratar, tipo ir ao médico, dentista geralmente eu vou prorrogando até por cansaço, sabe, da noite. (E14)

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Os problemas sociais vividos pelos que trabalham em turnos, particularmente à noite, estão relacionados a um cotidiano essencialmente diferente do restante da comunidade em termos da distribuição temporal de suas atividades (FISCHER et al., 2005). Segundo a mesma autora, dependendo do esquema de turnos, os trabalhadores podem enfrentar dificuldades de convivência com familiares e amigos, além da relativa impossibilidade de participar de cursos ou outros compromissos regulares, levando ao que se tem designado como isolamento social. Oliveira, E.M. (1999) relata que o trabalho noturno é sempre nocivo para qualquer pessoa; no entanto, nem sempre significa só sofrimento, pode, às vezes, significar um instrumento de romper com a solidão doméstica ou mesmo criar uma identidade de autonomia. Eu não estou fazendo nada de positivo assim, pra balancear minha vida com esse excesso de trabalho que eu me encontro atualmente, infelizmente não tô tendo vida social, estou tendo uma vida meio solitária, só ouvir música, escutar música. Eu sou uma pessoa até... já morei sozinha, agora estou morando de novo, então eu estou até acostumada né? Sei lá, não é legal não. (E1) Muitos trabalhadores têm a sensação de estarem isolados porque não coincidem suas atividades com o resto das pessoas que os rodeiam (SUAREZ, 1999). Em relação a minha família eu acho que afastou um pouquinho, acabou me afastando um pouco da família, até reuniões da família, com os amigos. Enquanto final de semana o pessoal tá fazendo churrasco ou tem reunião de família, alguma coisa, o pessoal me chama, mas eu tô tão cansada que eu quero dormir durante à tarde. À noite estou trabalhando e de dia se tiver alguma coisa: um almoço, alguma coisa, eu tô dormindo, então eu não participo das reuniões da família. (E7) A minha vida social é uma coisa que inexiste, né? Tudo pra mim que diz respeito a qualquer tipo de evento, festa...tem que ser algo programado com alguma antecedência, eu tenho que colocar na agenda. (E9) Toda vez influencia sim, negativamente, porque as pessoas tendem a achar: Oh! Que bom que você vai tá em casa hoje, mas tal dia você não vai tá ou então tá todo mundo planejando fazer alguma coisa e você fica meio esquecida. (E11) O lazer que conhecemos atualmente surge de forma concomitante com a organização capitalista do trabalho, especialmente a industrial, e depois se espalha por toda a estrutura

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social. É nesse momento que o trabalho passa a ser artificialmente controlado, subordinandose a uma lógica e racionalidade próprias. (TURINO, 2005) 4.2.4 Interferência no relacionamento familiar Essas mulheres trabalhadoras, em sua maioria, são mães (64,3%), possuindo em média dois filhos (50%) na faixa etária de 16-20 anos (55,5%). Este dado contrapõe ao estudo, realizado por Rotenberg et al. (2001), em que a maioria tinha filhos de até dez anos. Neste estudo, 22,3% dos trabalhadores possuem filhos até 10 (dez anos de idade). Este dado é importante, pois alguns estudos, segundo Fischer et. al. (2004), ressaltam que o impacto do trabalho noturno nos familiares é muito grande. Para Marcondes et al. (2003), o cuidado com os filhos possibilitou aprofundar alguns interessantes aspectos das relações entre homens e mulheres que vivenciam o trabalho noturno. Como os demais trabalhos domésticos, a atenção às crianças parece constar do conjunto das atribuições femininas, a tal ponto que o próprio ingresso e/ou a permanência no turno noturno foram justificados pela possibilidade da mulher cuidar dos filhos durante o dia. Spíndola e Santos (2003) mencionam, em sua pesquisa, que as mulheres, na maioria das vezes, sentem-se duplamente culpadas porque não dão a devida atenção (ou julgam ser a mais adequada) à sua casa e aos seus filhos, como também não conseguem dedicar parcela maior de tempo para o seu próprio desenvolvimento profissional. De acordo com as mesmas autoras, essa é uma ocasião importante e crucial para as mulheres mães que estão inseridas na vida pública com atividades profissionais. A enfermagem nos dias atuais permanece como profissão essencialmente feminina; assim sendo, é bem elevado o número de pessoas que vivem essa realidade em seu cotidiano, ou seja, serem mães e profissionais de enfermagem, englobando toda complexidade que tal situação comporta.

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A filha um dia tava chorando, a mais velha tem 17 anos: “mamãe você nunca faltou ao trabalho pra ver a sessão da tarde comigo”. A minha filha repetiu ano, porque não tinha assistência. (E2) Minha filha não gosta que eu trabalhe à noite e ela quer que eu fique em casa. Se depender dela assim nas vinte e quatro horas eu não preciso trabalhar. Então ela quer atenção toda pra ela, se eu der carinho pro meu filho ela fica aborrecida, fica chateada e ela reclama mesmo o direito dela querer minha atenção, ela se queixa disso pra mim: “Poxa, a senhora passa a noite toda com aquele pessoal lá, trabalhando e não me dá atenção, eu quero atenção, eu quero atenção, eu quero atenção, né? Ligue pra mim, brigue comigo, né? Senta aqui vamos brincar”. Meu filho ele me cobra mais por ele querer sair, né? Se distrair com os outros colegas que são adolescentes e tudo...aí ele me cobra sim, os dias que eu não tô de plantão eu tenho que ficar em casa pra ele poder sair com o horário dele livre, né? (E8) Observa-se que os filhos cobram a presença da mãe independente da idade. Quanto ao estado civil, evidenciou-se que 50,1% dos entrevistados são solteiros, 28,5% casados, 14,3% separados e 7,2% encontram-se na categoria de “outros”. Os depoimentos dos trabalhadores mostraram que o fato de ser solteiro não significa não ter responsabilidade com a renda familiar e criação dos filhos. Alguns profissionais, embora solteiros, mencionam ser o

referencial principal para o sustento da família. A prerrogativa masculina de não adesão aos trabalhos domésticos estende a eles uma vantagem significativa para se adaptarem ao trabalho noturno. Trabalhar em casa representa, para os homens, não estar submetido a esquemas de produção rígidos e controlados, podendo se organizar com flexibilidade quanto a seus próprios horários e atividades (MARCONDES et al., 2003). O mesmo autor refere que a moral do homem, que tem força e disposição para trabalhar, articula-se à moral do provedor, que traz dinheiro para dentro de casa, imbricandose para definir a autoridade masculina e entrelaçando o sentido do trabalho à família. Para as mulheres no trabalho noturno que assumiram a atribuição de provedora da família, existe grande sobrecarga que agrega as tarefas domésticas, a atenção aos filhos, o trabalho noturno e a responsabilidade de garantir o atendimento às necessidades familiares e da casa.

como um matrimônio conflituoso ou um familiar doente. entendeu? E você tá ali. Afeta a saúde mental do trabalhador gerando estresse e insatisfação por não conseguir rendimento satisfatório nos estudos. ele achava independente de eu tá morta. Os motivos são diversos a começar pelo cansaço. Se um trabalhador tem maus hábitos de saúde como fumar. mas não tem uma cobrança muito grande e a minha namorada também trabalha no serviço noturno. eu já tava já em outra dimensão. o resto minha filha. (E9) Uma escala de trabalho estressante pode combinar com outros fatores e prejudicar a saúde. reclama muito: “ai. . mais eu já tava um bagaço. né? Fisicamente não. outro emprego. responsabilidades domésticas e com a família. Se uma pessoa tem outros fatores na vida. tá com a comida pronta na hora certa. E agora namorando. Chega uma hora que teu corpo já foi. é mais difícil ainda (ROSA e COLLIGAN. com o cabelo pronto e unha feita. toda pronta. (E8) Eles até cobram um pouco. o turno de trabalho pode piorar a situação. se ele quisesse sair. tá com a casa arrumada. então nossos encontros são sempre programados.2. Segundo Rotenberg et al. aparentemente eu não tava morta. mas ele achava que eu tinha que tá disposta à tudo: sair. porém não têm tempo para se dedicar ao mesmo. não há quem agüente. não há quem suporte isso foi assim até o fim do casamento. o namorado reclama direto. reclamava mesmo.5 Interferência no aprendizado Um dos motivos mencionados pelos trabalhadores quando optaram pelo serviço noturno foi para ter tempo para os estudos.. acabou. ela trabalha em média três noites por semana. alimentar-se incorretamente.. igual hoje minha mãe me ligou pra saber quando eu vou pra casa essas coisas todas. bonitinha. a intimidade dos casais que convivem parece ser a mais comprometida. no encontro e desencontro entre turnos de trabalho. (2001). 2000).89 Nem sempre o companheiro/cônjuge terá uma atitude positiva frente ao serviço noturno. só a casca dormindo. 4. isso não tá certo! De novo! Você vai trabalhar outra vez?” (E2) Ele reclamava. final de semana então é uma loucura.

eu sinto que eu me perco um pouco nisso. né? Aí você consegue ler. (E2) Uma coisa é você dormir bem e depois você acorda disposto. o que é. você já não lembra o que você leu na primeira. aí bate o sono. reduzindo a duração do sono. quando você recebe uma orientação né?. né? Estudar. né? Ou se eu começar ler. eu não consigo estudar um dia após o plantão. muita das vezes tenho a sensação de que eu olho mais não vejo. (E10) Com esta falta de tempo para os estudos. mas não é como os outros colegas que não trabalham. infelizmente eu até me cobro por causa disso. aí vou querendo dormir fazendo o maior esforço pra tentar prestar atenção nas aulas.90 Tempo para estudar eu tenho muito pouco. Aí enquanto tá interessante você volta pra ler. (E2) Por ter três empregos e por ficar muito na prática. ler um livro. na assistência de enfermagem. outra coisa é você está com sono pra tentar compreender qualquer coisa que esteja lendo. Quando chego na sala de aula é a hora do repouso. Normal. você consegue compreender. ouço mais não escuto. mesmo depois de um sono desse eu quero sentar. 2005). mas não consigo ler livro. quando chega na segunda parte. é como se fosse uma noite extremamente mal dormida. o aprendizado fica prejudicado. do que se trata. É bastante comum a pessoa ter dificuldade para adormecer. entendeu?. quando eu sento. As pessoas também podem sentir bastante sonolência noturna. me faço só ir à aula. você vai ter que revisar. tenho vontade de dormir ou fazer qualquer outra coisa principalmente quando eu saio de plantão. (E9) . foi até o motivo que eu larguei a residência (curso de especialização). com isso. aí você começa a ler. particularmente o diurno. e para se manter dormindo. recapitular e por falta desse tempo que eu sinto que eu tô perdendo alguma coisa. (E3) Não consigo render. (E5) Eu estudo mais eu acho sempre que falta tempo pra eu me dedicar porque eu fiz isso assim: o professor vai jogando matéria então quando ele vai começar algo que já foi dito eu tento procurar. Eu não tenho paciência pra ficar lendo horas e horas. eu não consigo estudar. porque as horas que eu tô em casa ou é pra descansar ou é pra ficar com a família. Hoje eu vou estudar. (E7) Me faço só de corpo presente na aula fico olhando o quadro. ou seja. chega uma hora que você fecha o livro e guarda e não lembra nada. (E5) Prestar atenção nas aulas torna-se uma tarefa muito difícil porque não houve um descanso satisfatório durante a noite. em se lembrar de fatos recentes. porque não tava dando. com dificuldades em manter a concentração. etc (ANAMT.

então é lógico que tanto em medicação quanto cuidado. (E2) .6 Maior risco para a ocorrência de acidentes De acordo com Mello et al. eu acho que eu nem fechei o olho. eu acho que dormir de olho aberto mesmo. eu fui direto. dormir num cruzamento. Engraçado que quando você cochila você nem percebe. 4. Além da redução do tempo total de sono e da diminuição da eficiência de sono nos trabalhadores. é como se você apagasse. a sorte que eu pisei no freio e tinha poucos carros. Portanto. tem que ler às vezes um texto em sala de aula. atenção. né? Porque eu já senti sono no volante e por duas vezes eu quase bati com o carro por causa disso. mais é porque parece que faltou o sono. né? O professor falar. estudos mais recentes indicam um aumento no risco de acidentes em função do tempo de trabalho. era bem cedo senão eu tinha batido. O sono vem às vezes até pra ler. (E5) Teve um dia que eu sair do plantão tão cansada que eu cochilei. vai chegar um momento que você vai falhar. (E10) Só o cérebro adormecido fixa as informações recém-chegadas. eu percebo isto. às vezes é difícil a compreensão. é muito raciocínio e aliado ao fator que você tá sem dormir.2. ou seja. quantas horas consecutivas o trabalhador está desempenhando sua função sem intervalo. ritmo mental e principalmente o alerta são influenciados pelo estado de fadiga. aí eu olhei pra trás.. caraca! Podia alguém ter batido. Eu dirijo e já passei por alguns sufocos devido a isso. eu acho que foi Deus que fez o carro parar naquele dia. coordenação motora. O acúmulo de serviço que faz essa sobrecarga. eu percebo isso. como se tivesse vários pensamentos ao mesmo tempo. (E11) Os mesmos autores mencionam que o sono tem importância fundamental no bom desempenho profissional. alguns estudos concluem que o erro humano é um dos maiores determinantes nos acidentes automotivos. observação e registro. eu fico sentada mas ouvindo. a minha mente fica assim um pouco conturbada. um outro fator também se mostra importante. então eu pensei: onde que eu estou? Em vez de dobrar a direita. né? Então mexe totalmente com a minha vida. observações inadequadas e erros cognitivos são responsáveis por aproximadamente 40% dos casos.91 Eu saio daqui vou para a faculdade. quem reclama dos estudos precisa relaxar. mais porque sua cabeça não está mais sustentando você tá levando o .. falta de atenção.. (2003).

Quando esta dor torna-se insuportável ou torna impossível o trabalho. tanto mais aceitos quanto menos se tiver necessidade de falar deles. e sim ser destinada a lutar contra um perigo e um risco real. 1992). muitas vezes. Durante a observação. Esta condição pode impedir que um trabalhador faça seu trabalho de modo seguro e eficaz. O cansaço pode afetar o desempenho no trabalho e na vida. somente então se decide consultar um médico. fundamental e necessário (DEJOURS. o trabalhador ou uma outra pessoa pode se machucar (ROSA e COLLIGAN. a piora no desempenho se acumula com restrição crônica do sono (MELLO. alguns profissionais embora apresentassem sinais e sintomas que precisavam de avaliação médica tentavam ao máximo resolver o problema por si mesmo e continuavam trabalhando apesar das queixas. existe a ideologia da vergonha que refere às atitudes e comportamentos em relação à doença. Com a perda do sono. porém a relação risco e benefício acabam não sendo proporcional. pude presenciar outros fatos relacionados ao bem-estar do profissional. o corpo produtivo do homem. maior será o número de erros ou possibilidade de se está envolvida num acidente.92 À medida que a pessoa fica privada do sono. ou seja. 2005). O corpo só pode ser aceito no silêncio “dos órgãos”.3 Estratégias Defensivas Utilizadas pelos Trabalhadores de Enfermagem A ideologia defensiva é dirigida não contra uma angústia proveniente de conflitos intrapsíquicos de natureza mental. 4. alguns podem dormir facilmente em momentos inapropriados. Por isso tem um caráter vital. foi possível observar que o próprio trabalho noturno. Através das repercussões identificadas. somente o corpo que trabalha. 2000). funciona como uma estratégia para lidar melhor com algumas questões sociais. Muitas pessoas não se dão conta que dormiram por pouco tempo. . é aceito. Conforme Dejours (1992). Se ocorrer algum acidente.

4. Eu tento driblar a situação. porém ele fica bem controlado e quase nunca se manifesta tão claramente assim. a ideologia defensiva tem como objetivo mascarar. aí pensamos que está bem. sendo os que apresentaram maior queixas em relação ao mesmo. foi possível identificar estratégias que são utilizadas durante o trabalho: ignorar a situação. Diante das situações vivenciadas pelos trabalhadores. a temer as hospitalizações. a recusar os cuidados. né? Não pensando no problema. trocar ou pagar plantão. né? A gente consegue perceber essas coisas por mais que a gente tome as coisas com mais naturalidade. traz mais prejuízos para o sujeito. eu nunca senti muita diferença. . Muitas vezes. controle do tempo durante a execução das tarefas.falta de concentração.. a evitar as consultas médicas.93 O mesmo autor refere que nem sempre os mecanismos de defesa utilizados coletivamente são suficientes na luta contra a angústia e a dor mental. Pra mim a diferença que eu tenho aqui com o trabalho diurno com o trabalho noturno. pausa programada para o descanso. (E10) O sofrimento que é vivenciado. Às vezes. ocultar uma ansiedade. Esta afirmativa pode ser comprovada quando alguns trabalhadores ignoram os efeitos do trabalho noturno. Quando o sofrimento está na fase inicial.3. contudo.1 Ignorar a situação Segundo Dejours (1992). 2005). (E9) Mais às vezes eu percebo assim. calar sobre a doença e o sofrimento leva. dizemos que o indivíduo se encontra numa fase de alarme. pois a função dos mecanismos de defesa é aliviar o sofrimento e isto finda em não permitir sua visibilidade tornando-o mais difícil de ser solucionado (MARTINS. comer demasiadamente. por isso cada operário deve se defender individualmente dos efeitos penosos da organização do trabalho. mas não reconhecido. aparece uma série de sintomas psicofisiológicos (BEMSTAR. É o momento em o organismo está se preparando para reagir ao estressor. de maneira coerente.. 2005).

acabei de colocar pra fora. principalmente no horário da madrugada onde a sonolência é maior. eu não deixo transparecer isso pras pessoas. daqui à pouco ou tô lá catando alguma coisa pra comer de novo. Por outro lado. mas tentam disfarçar. 4. como. esses trabalhadores não conseguem disfarçar muito quando chegam em casa. sabe? Eu acho que isso é ansiedade. também depende de outras questões: o peso. onde o metabolismo orgânico está mais diminuído. no local de trabalho eu não deixo transparecer até porque as pessoas não têm culpa disso. (E9) Alguns trabalhadores reconhecem quando estão estressados.2 Comer demasiadamente Como foi mencionado anteriormente. eu não tenho hábito de comer à noite e de madrugada aqui a gente come. então me policio muito. aí eu vomito colocando tudo pra fora. como. É uma estratégia utilizada por alguns. para a alimentação ser considerada saudável.94 Por mais mal humorado que eu chegue aqui ou em qualquer local de trabalho. sabe? (E8) Este hábito não é benéfico porque são horários inadequados para a alimentação. De acordo com Braile (2005). é comum entre os trabalhadores noturnos se alimentarem freqüentemente e com comidas calóricas. sem abusos e sem exclusões levando em consideração o horário que as mesmas serão realizadas. como. Outro aspecto importante é que tal atitude potencializa a chance de desenvolver doenças cardiovasculares ao longo do tempo. eu tô me sentindo. porque dizem que acham que os colegas de trabalho não têm culpa dos seus problemas. Esta estratégia deve-se pelo fato dos trabalhadores tentar ficar mais alertas. que tenha todos os tipos de alimentos. . sabe? Parece que eu comi um boi. (E6) A minha ansiedade é tanta que eu como. tendências hereditárias para obesidade. história de doenças. eu tô estufadona. Necessitamos de dieta variada. Agora durante o serviço existe realmente isso a gente come muito.3. dificultando a digestão desses alimentos. principalmente de madrugada.

então é melhor fazer o que tem pra fazer de uma vez e depois sim relaxar um pouquinho o corpo.3. um pouco de cansaço. então eu tento agilizar tudo o mais rápido possível. faz. autocontrolável para oferecer o máximo de eficiência. faz. porque também se você levanta. descansa. o ritmo e a organização de trabalho. faz um pouquinho. mais eu acho que o ideal é que você faça isso. a divisão e o conteúdo das tarefas. então eu procuro adiantar. fazer a parte do livro que eu tenho que fazer. Esta estratégia permite aproveitar o tempo da melhor maneira possível. porque de meia-noite às três horas eu deixo as evoluções. (E7) Tento terminar tudo o mais cedo possível até após o término das tarefas tudo que eu tenho que fazer. as anotações até às três horas. faz. mesmo que dê um pouco de sono. Segundo Souza R. principalmente quando o plantão está tumultuado. fazer a escala do pessoal. faz. trabalhar. Dejours (1992) menciona que nesta “aceleração coletiva” dos trabalhadores quem é desafiado com este comportamento é o tempo. porque a hora passa mais rápido e por conta de está cansada se arrasta mais. (E2) De início eu prefiro fazer todas as minhas atividades que eu tenho pra fazer. porque na hora que sentar. né? (E4) Aqui fico no ritmo de trabalhar. Também significa permitir uma sobra de tempo para sentar. mas nem sempre este controle é possível pois a condição dos clientes é carregada de intercorrências e imprevisibilidade. aí senta. (E11) . (E9) Aqui eu procuro adiantar as coisas no máximo possível até meia-noite que é a hora que eu tenho um pique maior. não tento deixar nada pra depois porque eu sei que se eu parar eu não vou querer continuar. (2001) o trabalho em terapia intensiva com seus ritmos impostos. muito cansada eu tento fazer tudo numa hora só. adiantar as tarefas enquanto o ritmo de trabalho e a disposição são maiores. Fazer o livro. avaliar os pacientes.3 Controle do tempo durante a execução das tarefas Segundo Silva (2002) o controle do tempo e a responsabilidade na execução das tarefas fazem com que o trabalhador correlacione seu trabalho como maquinizado. No trabalho quando eu tô muito. causam sobrecarga psíquica que contribui para um estado de sofrimento psíquico. começar a evoluir. lanchar e realizar todas as atividades. trabalhar. na terceira vez que você sentar. olhar os pacientes. num pique só: faz. senta de uma vez.95 4.

neste hospital os trabalhadores têm um horário para descansar. Um trabalhador pode sair por alguns instantes para fumar. né? (E3) Já vou adiantando medicação. Pude observar em um desses plantões que os próprios trabalhadores começaram a se queixar desta divisão de trabalho. os mesmos demonstram satisfação. Os trabalhadores procuram alternar as atividades nos plantões subseqüentes. não pegar nos pacientes que são mais pesados. ou porque este gostava mais desta atividade. A divisão de tarefas do turno da noite difere do turno do dia porque durante a noite existe uma diminuição do ritmo de trabalho. enquanto os outros trabalhadores continuam indefinidamente a repetir os mesmos gestos (DEJOURS. Quando chego no plantão às vezes você pede: “Deixe eu ficar na medicação hoje?” Como hoje eu falei: hoje eu vou ficar nos cuidados. ou porque chegava primeiro. Estes poucos minutos arrancados do tempo e do ritmo de produção são aproveitados coletivamente. este momento é vivido com intensa alegria. os trabalhadores conseguem ganhar alguns minutos do ritmo imposto pela organização do trabalho. ou porque estava cansado. aí eu pego nas medicações que é a parte mais leve dá pra eu sentar um pouco. passaram achar o trabalho monótono ou sobrecarregado. como uma espécie de vitória coletiva sobre a rigidez e a violência da organização do trabalho. (E7) Em alguns plantões. as atividades ficavam mais concentradas em um determinado indivíduo. acho que tem que ter a integração da equipe.96 Graças à realização de táticas operatórias espontâneas. 1992). . Quando os trabalhadores conseguem cumprir as atividades em um tempo reduzido. Isto significa que em um certo horário haverá um número reduzido de trabalhadores no setor. Segundo Linhart apud Dejours (1992). já é a parte mais leve e eu peço pro pessoal pra ficar na medicação. mais cansativos. o que pode significar sobrecarga maior se o trabalho não for agilizado. por exemplo. a fim do trabalho não ficar sobrecarregado e monótono. porque se eu entrar no salão eu não consigo sentar. porque hoje eu prefiro ficar nos cuidados. pra isso a equipe tem que funcionar.

essa é a realidade. na realidade o horário da noite foi feito para o descanso. aí pra escrever. (E13) Esta estratégia de ficar em movimento para não dormir muitas vezes acarreta nos trabalhadores um estado de alerta e observei que alguns não conseguem relaxar em nenhum momento. né? Aí eu espero pra ver o que vai começar a fazer pra mim poder começar. enquanto eu tiver em movimento o sono não bate. se eu parar já me dá sono. o outro se mantém em movimento. (E2) Eu tenho que ficar o tempo todo em movimento porque senão o sono bate. Quando um trabalhador senta. né? E o sono pega. A minha dificuldade é maior quando eu não estou em movimento. se eu sentar vai acontecer aquilo que você ta acostumada a ver (risos). mas se eu tiver em movimento acontece como se nada tivesse acontecendo. tudo o que eu tenho menos movimento. (E7) Eu faço tudo. por isso o ritmo de trabalho fica mais lento e o cansaço é maior. mas como agora tem essa divisão de trabalho. conseqüentemente reclamam de dores nas pernas. então não posso sentar. ajuda a “espantar o sono”. porque se parar dorme. (E8) Uma estratégia coletiva. mas eu não faço isso não. né? Eu observo que o sono tira toda concentração. porque você tá em movimento. Este trabalhador tem prazer em dizer que agüenta firme o trabalho. desta forma. já pegava a medicação. (E10) Alguns trabalhadores não permitem se sentar e acham que isso é fazer “corpo mole”. eu tenho que ficar com o corpo inteiro em movimento e não sentar. como se eu tivesse dormido direitinho. já fiz a maioria das atividades. ao cansaço. coluna. Eu não posso sentar.97 Eu chego disposta pra trabalhar. entendeu? Parece que é um estado de alerta ativado né? Tento encarar o que tem pra fazer e também não paro porque seu eu parar com certeza você cede né. Não pode fazer corpo mole. você consegue até superar. você ver aí eu não sento nem nada se não se você ficar sentado você vai cochilar. Quando o horário tá tranqüilo. utilizada neste setor. é ficar em movimento porque os trabalhadores dizem que. principalmente depois de meia-noite. é agora antes eu já chegava. .

..3. 2004). (E4) O dia que eu tô sentindo mais cansada. porque eu não consigo descansar. então.é algo particular. não tem como mesmo. alguns autores acham que cochilar não é a solução. (E10) O descanso no serviço noturno ainda é muito discutido. eu faço um preparo interior e falo pra mim mesma: “ eu não vou descansar agora. porém não significa que todos têm a mesma oportunidade de ficarem mais dispostos. na maioria das vezes. pra ela quando a gente tiver que dividir o horário. eu conversei com ela. salvo quando realizado acordo coletivo para redução ou extensão deste período. (E3) No momento reservado para o descanso. todos estão cansados. O que realmente me ajuda a levar o trabalho é quando eu descanso.. os trabalhadores intercalam os horários. Agora que tem duas enfermeiras. O rodízio permite que todos tenham a mesma oportunidade para o descanso.4 Pausa programada para o descanso Moreira (2005) ressalta que qualquer empregado que labora por mais de seis horas diárias tem direito a um intervalo de no mínimo uma e no máximo duas horas para refeição e descanso. Suas estratégias não se limitam às modificações de suas ações. pra ela ficar sempre no primeiro horário. até de períodos de sono (formais ou não) durante o horário noturno (FISCHER et al. Os trabalhadores não são passivos diante das dificuldades fisiológicas que encontram quando do trabalho noturno..98 4. tem aquele período de descanso. outros já acham que o cochilo serviria para diminuir o prejuízo causado pelo atraso da realização do sono. aí tento ir no primeiro horário. Esta estratégia é alterada quando os trabalhadores decidem entre si. aí eu me reanimo. pois geralmente no inicio da madrugada os trabalhadores não conseguem relaxar e. pois o trabalhador retorna ainda sonolento e mais cansado. eu vou forço um pouquinho a barra porque eu sei que tem alguém cansado. né? Quando não. vou lá realmente faço tudo. elas podem também conter o planejamento de pequenos repousos.

(E10) Eu tento fazer o possível pra que o trabalho noturno não influencie nos meus filhos. Desta forma. ele se habituou porque me conheceu assim. então eu tento contornar. ou eu tenho que dá um jeito de trocar esse plantão. não é assim ideal pra ele não. né? Muito estressada e que ninguém tem nada a ver com meu problema de estresse. então isso é um lado positivo que eu sei. as coisas andam melhor. pra ele o ideal à noite seria eu ficar em casa.Temos que ir pra festa. (E9) Esta estratégia também permite ao trabalhador ficar mais tempo com a família e diminuir as cobranças dos filhos e maridos. ou não vou. não vir. né? (E4) Não consigo mais me preocupar com isso. porque nem sempre poderá ter alguém disponível para a troca o plantão. Geralmente. eu vou pagar alguém. a ter que vir e de repente tá criando um problema. festas). os trabalhadores solucionam seus problemas parcialmente. os principais motivos para a troca de plantão são: o cansaço. até mesmo por não conciliar o horário dos outros empregos. Ele me cobra muito a presença. não ter que vir. de pagar o plantão. pagar o plantão. estudo. Quer dizer graças à Deus aqui tem a oportunidade da troca.5 Alteração do plantão A troca ou pagamento de plantão é uma estratégia coletiva que permite com que os trabalhadores façam o plantão em um outro dia. Eu prefiro pagar aqui porque resolve o meu problema na parte familiar. fica todo mundo mais satisfeito quando eu tô em casa. Este é marcado com antecedência. qualquer outra coisa pra poder ir. trocar. Prefiro trocar. então assim quando tem uma festa dou preferência em pagar nos finais de semana. outros compromissos sociais (trabalho. pra tá dando uma atenção.3. (E11) Alguns trabalhadores dão preferência em pagar o plantão de modo contínuo. se eu quiser ir eu vou trocar plantão. meu marido. ficar preocupado porque vai ter um evento que eu queira ir. sabe? Querer que eu fique mais em casa. Com relação ao meu marido. que eu procuro reconhecer quando eu estou assim. (E3) Você tem que saber muito bem te disciplinar teu horário de trabalho e teu horário de lazer e a facilidade da gente é que pode pagar.99 4. se eu tenho plantão. . o estresse. ter que vir trabalhar. mas ele já cansou de uns tempos atrás querer que eu pagasse plantões.

.100 Desta maneira. este estudo mostra a necessidade de uma humanização da organização do trabalho para que este seja sinônimo de prazer e qualidade de vida para o trabalhador de enfermagem.

101 CAPITULO V CONSIDERAÇÕES FINAIS De acordo com as evidências obtidas na investigação sobre as alterações psicofisiológicas e a repercussão destas para a saúde do trabalhador de enfermagem de um Centro de Terapia Intensiva. A maioria dos trabalhadores escolheu o serviço noturno para suprir suas necessidades. levando a uma maior exposição aos riscos decorrentes da organização do trabalho. porém não significa que estão adaptados. Destes fatores quanto à tolerância do trabalho noturno interagem entre si aumentando a maior exposição aos riscos deste tipo de organização de trabalho. Os trabalhadores deste estudo são. principalmente por ser realizado no serviço noturno onde o trabalhador sofre alterações no seu ritmo circadiano devido à privação do sono. o ritmo e o volume de trabalho atuam como importante fator de carga física e mental para os trabalhadores. porém dizem gostar de trabalhar neste turno de trabalho porque já estão acostumados. concluiu-se que: O perfil dos trabalhadores de enfermagem afeta na tolerância do trabalho noturno: idade. sexo. preferência da realização de suas atividades durante o dia ou à noite). Esta possui inúmeros fatores estressantes onde as responsabilidades pelos cuidados de pacientes graves. função no setor e opção por outro emprego. número de filhos. estado civil. na sua maioria. . Os trabalhadores encontram-se na idade considerada economicamente ativa o que possibilita ter outros vínculos empregatícios e ajudar no sustento da família tendo como uma das principais conseqüências o acúmulo de atividades. grau de escolaridade. mulheres confirmando a predominância do sexo feminino na Enfermagem. Outro aspecto que tem uma forte influência é o ritmo circadiano (hábitos.

estresse. A insatisfação do serviço noturno pelos trabalhadores de enfermagem está muito mais relacionada às repercussões que este turno gera para a sua vida social. do que para as alterações psicofisiológicas. suas aspirações e realizações. O sofrimento propiciado no contexto do trabalho está muito relacionado à organização do trabalho e da história individual dos sujeitos. interfere no lazer. o controle do tempo pelos trabalhadores relaciona-se à execução das atividades o mais rápido possível de maneira ininterrupta e o descanso somente após o término das atividades. necessidade de cumprir com as obrigações logo após chegar em casa. insatisfação. suas necessidades. porque ficam neste estado de alerta tendo dificuldades para . Constatou-se que o sono. diminuição da concentração. nem sempre conseguem relaxar. trocar ou pagar plantão. Mesmo que os trabalhadores percebam mais as repercussões sociais negativas. envelhecimento precoce e obesidade. principalmente o relacionamento familiar. fadiga. que também estão relacionadas entre si. Em geral são alimentos calóricos. certamente esta trará um sofrimento psíquico que acarretará em alteração fisiológica e viceversa.102 Neste estudo. Os profissionais comem muito e com grande freqüência durante a noite. além de sofrer alterações no serviço noturno. Eles lidam com estas situações de conflito de forma individual ou coletiva tentando amenizar os riscos com as seguintes estratégias: comer demasiadamente. pois nem sempre são percebidas ou correlacionadas com o turno de trabalho. controle do tempo durante a execução das tarefas. Quando chega o momento da pausa programada pelos trabalhadores. pausa programada para o descanso. As repercussões para a saúde dos trabalhadores são: inadequação alimentar. desencadeia as outras alterações psicofisiológicas. as alterações psicofisiológicas identificadas foram: déficit ou perturbação do sono. no aprendizado e maior risco para acidentes. no relacionamento familiar.

porém podem interferir na saúde dos profissionais. Alguns trabalhadores de enfermagem vêm apresentando importantes sinais e sintomas como por exemplo: aumento da pressão arterial. volume e ritmo de trabalho). os tornam mais propensos às doenças relacionadas ao serviço noturno. Uma estratégia que está sendo muito utilizada pelos trabalhadores é compensar a ausência familiar com presentes com algo material. ou quando vai. ou seja. principalmente domésticas. ajudam a enfrentar uma determinada situação. Cabe. pagar ou trocar plantão muitas vezes serve como fuga do ambiente de trabalho para aliviar o seu sofrimento. principalmente no caso dos filhos pequenos que crescem e não lembram da presença dos pais. que nem sempre é satisfatório. mobilizar esforços para que a organização do trabalho propicie a humanização do serviço noturno e seja planejada de modo a oferecer ao trabalhador uma melhor qualidade de vida. Após a realização do trabalho. dores abdominais. seus desejos para realizar os dos outros. que em conjunto com fatores individuais. Isto ocorre porque os trabalhadores não se adaptam às modificações e não conseguem lidar com os riscos (jornada de trabalho. aumento da glicemia capilar. Só que esta compensação na realidade não pode suprir a ausência do trabalhador.103 relaxar. Um outro fato negativo é que o trabalhador acaba anulando suas vontades. Então aproveitam para cochilar no trajeto até chegar em casa. o trabalhador nem sempre vai direto para casa. portanto. . As estratégias utilizadas pelos trabalhadores nem sempre terão uma repercussão positiva. não dorme de imediato devido à responsabilidade com outras atividades.

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SUGESTÕES

Diante dos resultados obtidos, apresentam-se as sugestões a seguir: !" Para as Instituições de Ensino: uma maior discussão da temática ainda no curso de graduação, a fim de preparar e conscientizar o profissional sobre os riscos do serviço noturno e discutir estratégias para reduzir os danos que podem ser provocados por este;

!" Para a Direção e os Supervisores do Hospital: ajudar a conhecer os riscos inerentes ao trabalho noturno, para atuar de forma preventiva reduzindo os riscos, conseqüentemente as doenças e o absenteísmo do trabalhador;

!" Para os Gestores de Enfermagem: contribuir com informações que ajudem na organização do trabalho, amenizando, assim, os riscos para a saúde dos trabalhadores;

!" Para a Profissional de Enfermagem: refletir sobre a temática, permitindo a conscientização e a utilização de estratégias para lidar melhor com as situações de risco; realizar educação continuada sobre alimentação, incentivar a realização de exames periódicos, realizar atividades de relaxamento;

!" Para a Assistência de Enfermagem: discutir com as equipes questões referentes à organização do trabalho com objetivo de ter um trabalhador mais saudável e maior qualidade na assistência prestada;

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!"Para os Sindicatos: contribuir com as informações obtidas nesta pesquisa, para que sirva de apoio científico nas discussões referentes às propostas da legislação relacionada ao trabalho noturno.

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114 APÊNDICES APÊNDICE A – PROTOCOLO DO ESTUDO DE CASO APÊNDICE B – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (para os trabalhadores de enfermagem) APÊNDICE C – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (para o presidente do SATEMRJ) UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO .

2 – Descrever as repercussões que as alterações psicofisiológicas trazem para a saúde do trabalhador de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI.115 CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE ESCOLA DE ENFERMAGEM ANNA NERY NÚCLEO DE PESQUISA ENFERMAGEM E SAÚDE DO TRABALHADOR (NUPENST) PROTOCOLO PARA O ESTUDO DE CASO Título: Alterações Psicofisiológicas dos Trabalhadores de Enfermagem do Serviço Noturno em um Centro de Terapia Intensiva Objeto de Estudo: Alterações Psicofisiológicas nos Trabalhadores de Enfermagem decorrentes do serviço noturno em um CTI Teóricos: Dejours. 3 –Discutir as estratégias defensivas utilizadas pelo trabalhador de enfermagem para lidar com as alterações psicofisiológicas. . Fischer e Yin. Questões Norteadoras: 1 – Quais são as principais alterações psicofisiológicas no profissional de enfermagem do serviço noturno em um CTI? 2 – De que maneira as alterações psicofisiológicas repercutem na saúde do profissional de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI? 3 – Como o profissional de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI lida com as alterações psicofisiológicas? Objetivos: 1 – Identificar as alterações psicofisiológicas nos trabalhadores de enfermagem do serviço noturno que atuam em um CTI.

Local: Centro de Terapia Intensiva (sala do computador). Materiais necessários (gravador. 3 – Observação Direta • Nos horários em que não tivesse realizando entrevista. Horário: De acordo com a disponibilidade dos sujeitos da pesquisa: 24:00h às 02:00h.116 Procedimentos: • • • • • • Autorização da Instituição para a realização da pesquisa. Sujeitos: Equipe de Enfermagem do Serviço Noturno. Encaminhamento da pesquisa ao Comitê de Ética da Pesquisa. Instrumentos de Coleta de Dados: 1 – Formulário Caracterização dos Sujeitos da Pesquisa 2 – Entrevista • • • • • Tipo de entrevista: Semi-Estruturada. caneta e papel oficio). fita K7. Programar a observação no campo onde será realizada a pesquisa. Assinatura do TERMO DE CONSENTIMENTO. Alternando o horário para o descanso. Período: Março – Julho/2005. Realização das entrevistas no setor de acordo com a disponibilidade dos sujeitos. .

117 4 – Entrevista com o SATEMRJ: • • • • • Tipo de entrevista: Semi-Estruturada Sujeito: Presidente do SATEMRJ Local: SATEMRJ Período: Outubro/2004 Horário: 11:00h Plano de Análise e Relatórios do Estudo de Caso • • • Estudo de Caso Único Informações Descritivas Estratégia Analítica Geral baseada nas Proposições Teóricas .

118 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE ESCOLA DE ENFERMAGEM ANNA NERY NÚCLEO DE PESQUISA ENFERMAGEM E A SAÚDE DO TRABALHADOR (NUPENST) FORMULÁRIO CARACTERIZAÇÃO DOS SUJEITOS DA PESQUISA 1 – Idade: ( ) 20 – 25 anos ( ) 26 – 35anos ( ) 36 – 45anos ( ) 46 – 55anos ( ) 56 ou mais 2 – Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino 3 – Estado Civil: ( ) Solteiro ( ) Casado ( ) Viúvo ( ) Divorciado ( ) Outros 4 – Grau de Escolaridade: ( ) 1º grau completo ( ) 2º grau completo ( ) 2º grau incompleto ( ) 3º grau completo ( ) 3º grau incompleto 5 – Tem filhos: ( ) sim ( ) não 6 – Função no CTI:________ quantos?_________ qual a idade? ( ) Menos de 10 anos ( ) 11 – 15anos ( ) 16 – 20 anos ( ) mais de 20 anos 7 – Você optou pelo turno de trabalho noturno? ( ) sim ( ) não 8 – Tem outro emprego? ( ) sim ( ) não Em caso afirmativo: ( ) diurno ( ) noturno .

você consegue dormir? * Quantas refeições você faz por dia? * Geralmente em que consiste sua alimentação? * Você considera sua alimentação saudável? * Você realiza suas refeições em horário regular? 2– De que forma você lida (estratégias) com estas situações mencionadas acima: .. lazer e estudo): * Você tem tempo para sua família (conversar.119 ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA (ESTUDO DE CASO PILOTO) 1 – O trabalho noturno influencia na sua vida: a) no desempenho de suas atividades no setor? b) na sua vida social (família. lazer..)? * O que sua família pensa sobre o horário do seu trabalho? * Você estuda? Tem tempo suficiente para se dedicar ao estudo? c) necessidades de sono e alimentação: * Quantas horas você dorme por dia? * Estas horas de sono deixa você mais disposto? * Quando você chega em casa.

você consegue dormir? 6 – O trabalho noturno influencia no seu hábito alimentar? a – Quantas refeições você faz por dia? b – Geralmente em que consiste sua alimentação? c – Você considera sua alimentação saudável? d – Você realiza suas refeições em horário regular? 7 – De que forma você lida (estratégias) com estas situações mencionadas acima: .)? b – O que sua família pensa sobre o horário do seu trabalho? c – Você estuda? Tem tempo suficiente para se dedicar ao estudo? 5 – O trabalho noturno influencia no seu sono? a – Quantas horas você dorme por dia? b – Estas horas de sono deixa você mais disposto? c – Quando você chega em casa.120 ENTREVISTA SEMI-ESTRUTURADA (ESTUDO DE CASO) 1 – Como você se sente trabalhando à noite? 2 – Trabalhar à noite influencia de alguma forma no desempenho de suas atividades? 3 – O que significa o trabalho noturno para você? 4 . estudo)? a – Você tem tempo para sua família (conversar. lazer...O trabalho noturno influencia na sua vida social (família. lazer.

• Comportamento dos profissionais no setor: Isolamento Psicoafetivo (desencorajamento. como por exemplo o absenteísmo). Presença Excessiva no Local de Trabalho (fora do horário do mesmo). desmotivação e desânimo). Condutas de Evitação (evita o trabalho. ROTEIRO DE OBSERVAÇÃO Data:___/____/____ Horas QUEIXAS COMPORTAMENTOS .121 OBSERVAÇÃO DIRETA O que observar: • Queixa dos profissionais de enfermagem no setor de trabalho referente ao desgaste psíquico e fisiológico. Comportamentos Agressivos. Renúncia à Participação (não participa das decisões do grupo). Isolamento Profissional do Grupo de Trabalho (trabalho individualista).

o que tem relacionado ao: REPOUSO e a ALIMENTAÇÃO? .122 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE ESCOLA DE ENFERMAGEM ANNA NERY NÚCLEO DE PESQUISA ENFERMAGEM E A SAÚDE DO TRABALHADOR (NUPENST) ENTREVISTA PARA O SINDICATO SATEMRJ Entrevista Local: _____________________________________________________________ Horas: __________ Data:__________________ Entrevistado:________________________________________________________ Assunto: • • • • Algum projeto lei vem sendo desenvolvido à respeito do trabalho noturno (técnicos e auxiliares de enfermagem)? Em relação às leis o que tem de mais recente sobre o trabalho noturno? Quando foi a última modificação destas leis? Relacionada as necessidades básicas do trabalhador do serviço noturno.

que tem como objetivos: Identificar as alterações psicofisiológicas nos trabalhadores de enfermagem do serviço noturno que atuam em um CTI. sem sofrer qualquer tipo de punição ou constrangimento. você poderá. Você tem toda a liberdade de recusar sua participação. Pesquisadores: _____________________________ Marcia Moreira de Oliveira Tel: 2791 – 6008 Email: marcenf@zipmail. ________ de _______________de _____________ Declaro estar ciente do inteiro teor deste TERMO DE CONSENTIMENTO e estou de acordo em participar do estudo proposto. Descrever as repercussões que as alterações psicofisiológicas trazem para a saúde do trabalhador de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI. Sua identidade será mantida no anonimato. Discutir as estratégias defensivas utilizadas pelo trabalhador de enfermagem para lidar com as alterações psicofisiológicas.br ________________________________ Prof.com. Caso aceite participar. a qualquer momento. Marcia Tereza Luz Lisboa (orientadora) Rio de Janeiro. A sua participação não envolve nenhum custo ou risco para sua pessoa. assim como nenhuma interferência na sua atividade profissional. Dra. sabendo que dele poderei desistir a qualquer momento. ___________________________________________ SUJEITO DA PESQUISA . obter informações sobre o andamento desta pesquisa e também retirar seu consentimento mesmo que tenha antes se manifestado favorável.123 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE ESCOLA DE ENFERMAGEM ANNA NERY NÚCLEO DE PESQUISA ENFERMAGEM E A SAÚDE DO TRABALHADOR (NUPENST) TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Você está sendo convidado para participar da pesquisa intitulada: Alterações Psicofisiológicas nos Trabalhadores de Enfermagem do Serviço Noturno em um CTI.

_____ de _______________de _____________ Declaro estar ciente do inteiro teor deste TERMO DE CONSENTIMENTO e estou de acordo em participar do estudo proposto. solicitar a sua autorização para a divulgação das informações coletadas sobre a Legislação do Trabalho Noturno por meio de entrevista. Marcia Tereza Luz Lisboa (orientadora) Rio de Janeiro. Descrever as repercussões que as alterações psicofisiológicas trazem para a saúde do trabalhador de enfermagem do serviço noturno que atua em um CTI.com. As informações darão subsídio à pesquisa intitulada: Alterações Psicofisiológicas nos Trabalhadores de Enfermagem do Serviço Noturno.br ________________________________ Prof. sabendo que dele poderei desistir a qualquer momento. A pesquisa terá duração de 2 (dois) anos. Você não terá nenhum custo ou quaisquer compensações financeiras. isto é.124 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE ESCOLA DE ENFERMAGEM ANNA NERY NÚCLEO DE PESQUISA ENFERMAGEM E A SAÚDE DO TRABALHADOR (NUPENST) TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Venho por meio deste. Você receberá uma cópia deste termo onde consta o telefone/email do pesquisador. A sua participação é voluntária. Os dados coletados serão utilizados apenas nesta pesquisa e os resultados divulgados em eventos e/ou revistas científicas. Solicito sua autorização para identificar o seu nome e do Sindicato dos Auxiliares e Técnicos de Enfermagem do Rio de Janeiro (SATEMRJ). podendo tirar suas dúvidas sobre o projeto e sua participação. visando o fortalecimento da classe na luta pelos seus direitos. agora ou a qualquer momento. que teve como objetivos: Identificar as alterações psicofisiológicas nos trabalhadores de enfermagem do serviço noturno que atuam em um CTI. Sua participação não envolve nenhum risco. a qualquer momento você pode desistir de participar e retirar seu consentimento. Discutir as estratégias defensivas utilizadas pelo trabalhador de enfermagem para lidar com as alterações psicofisiológicas. Dra. Pesquisadores: _____________________________ Marcia Moreira de Oliveira Tel: 2791 – 6008 Email: marcenf@zipmail. ___________________________________________ ASSINATURA . O benefício relacionado com sua participação é contribuir com informações relacionadas ao processo do trabalho noturno para mudanças na legislação e no processo de conscientização dos profissionais de enfermagem.

125 ANEXOS ANEXO A – FOLHA DE ROSTO UTILIZADA PARA A AUTORIZAÇÃO DA INSTITUIÇÃO ANEXO B – APROVAÇÃO DA PESQUISA PELO CEP .

126 .

127 .